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Contabilidade Financeira Contabilidade Financeira © Copyright 2013 da Laureate. É permitida a reprodução total ou parcial, desde que sejam respeitados os direitos do Autor, conforme determinam a Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal, art. 5º, inc. XXVII e XXVIII, "a" e "b". Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Sistema de Bibliotecas da UNIFACS Universidade Salvador - Laureate International Universities) P426c Peralta, Telma Martins Contabilidade Financeira/ Telma Martins Peralta. – Salvador: UNFACS, 2013. 378 p. ; 18,3 x 23,5cm. ISBN 978-85-8344-004-8 1. Contabilidade financeira. 2.Contabilidade I. Título. CDD:657.3 Apresentação Prezados alunos, Dando continuidade à trajetória evolutiva do nosso plano de aprendizado, neste semestre vamos estudar a Contabilidade Financeira. Por que a denominação Contabilidade Financeira? Logo veremos. Na disciplina anterior – Contabilidade Introdutória – tivemos a oportunidade de conhecer o Balanço Patrimonial, demonstrativo contábil que mostra a “saúde” do patrimô- nio das entidades, e aprendemos os primeiros passos de sua elaboração. Nesta disciplina vamos aprofundar um pouco mais nosso conhecimento dessa tão importante demonstra- ção contábil e agregaremos a ele mais um demonstrativo, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). O Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados são demonstrativos fundamentais no processo de gestão e controle dos patrimônios das entidades e a Contabilidade Financeira vai propiciar a compreensão dos seus conteúdos e de suas estruturas, além de introduzir conceitos básicos de análise financeira desses demonstrativos. A disciplina terá como objetivo geral: Ao término do estudo da disciplina, teremos apren- dido a: 1. Utilizar o método das partidas dobradas para a escri- turação dos fatos contábeis mais comuns como com- pra e venda de mercadorias, produtos e serviços, provisões, depreciações, amortizações, etc., identifi- cando-os como origens ou aplicações de recursos. 2. Elaborar o Balanço Patrimonial (BP), analisando os aspectos financeiros relacionados às mutações do patrimônio, sob a perspectiva de financiamentos e investimentos, e respectivos reflexos no resultado das organizações. 3. Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e analisar o desempenho da organização Propiciar o conhecimento e a prática das técnicas uti- lizadas para a escrituração dos fatos contábeis, no con- texto de financiamento das operações e investimentos e consequente elaboração do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado. Isso, buscando o embasa- mento teórico-prático necessário para a utilização da Contabilidade Financeira como instrumento fundamental de análise da situação patrimonial e do desempenho das organizações e de atendimento às disposições legais. com base nesse demonstrativo, entendendo a sua correlação com a evolução do patrimônio e com o Balanço Patrimonial. 4. Elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e correlacioná-la com a DRE, de forma a compreender quanto do resultado gerado no perí- odo realmente já se transformou em caixa para a entidade e qual o grupo de operações contribuiu para o consumo ou geração desse caixa. Para atingirmos tais objetivos, vamos organizar nosso estudo da seguinte forma: Aula 1: Contabilidade Financeira – conceito, definições e uti- lização no processo decisório. Aula 2: Principal origem de recursos – Lucro. Aula 3: Provisões contábeis e despesas que não afetam o cai- xa. Aula 4: Demonstração do resultado do exercício. Aula 5: Outras Origens de recursos – Passivos Circulantes e Não Circulantes. Aula 6: Principais Aplicações de Recursos – Ativos Circulan- tes e Não Circulantes. Aula 7: Aplicações de Recursos – Estoques e Operações com Mercadorias. Aula 8: Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC. Muita coisa nova e interessante nos espera. Vamos lá? Profa. Geni Vanzo Importante: Os links para sites contidos neste livro podem ter expirado após a sua última edição, em novembro de 2013. Sumário ( 1 ) Contabilidade Financeira: conceito, defi- nições e utilização no processo decisório, 19 1.1 O que é Contabilidade Financeira?, 23 1.2 Contabilidade Financeira no processo de- cisório, 24 1.3 Origens e aplicações de recursos: decisões financeiras, 32 1.3.1 Decisões de financiamento e de inves- timento, 32 1.3.2 Decisões financeiras e Balanço Patri- monial, 34 1.3.3 Recursos próprios e de terceiros, 37 ( 2 ) Principal origem de recursos: o lucro, 43 2.1 Lucro como principal fonte de recursos, 47 2.2.Regimes de apuração do resultado, 56 2.2.1 Regime de caixa, 58 2.2.2 Regime de competência, 59 2.2.3 Despesas pegas antecipadamente, 64 2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e resultados de exercícios futuros, 67 2.3 Apuração do resultado, 70 ( 3 ) Provisões contábeis e despesas que não afetam o caixa, 81 3.1 Provisões: conceitos e efeitos no resultado, 85 3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e previsões/estimativas, 87 3.1.2 Constituição de provisões, 90 3.1.3 Reversão de provisões e de perdas estimadas, 96 3.1.4 Principais provisões, 99 ( 4 ) Demonstração do resultado do exercício , 133 4.1 Reconhecimento de receitas e despesas conforme as IFRS, 138 4.1.1 Receita bruta de vendas, 144 4.1.2 Deduções da receita bruta, 146 4.1.3 Deduções da receita operacional líqui- da, 154 4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais, 162 4.1.5 Outras receitas e outras despesas, 166 4.1.6 Outras Deduções, 170 ( 5 ) Outras origens de recursos: passivos circulantes e não circulantes, 185 5.1 Revisão de conceitos, 189 5.1.1 Passivo exigível, 189 5.1.2 Registro e avalição dos passivos, 192 5.2 Fornecedores, 195 5.3 Obrigações fiscais, 198 5.4 Outras obrigações, 199 5.4.1 Adiantamentos de clientes, 200 5.4.2 Contas a pagar, 201 5.4.3 Ordenados e salários a pagar, 202 5.4.4 Encargos sociais a pagar e FGTS a recolher, 202 5.4.5 Dividendos a Pagar, 203 5.4.6 Ajuste ao Valor Presente, 205 5.4.7 Outras Obrigações a Pagar, 207 5.5 Empréstimos e Financiamentos, 207 5.5.1 Registro contábil de empréstimos e de financiamentos, 208 5.5.2 Registro contábil de financiamentos bancários a curto prazo, 213 5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e financiamentos, 215 5.6 Debêntures e Outros Títulos de Dívida, 218 5.6.1 Debêntures, 218 5.6.2 Notas Promissórias (Commercial Papers), 219 5.7 Provisões , 220 ( 6 ) Principais aplicações de recursos: ativos circulantes e não circulantes, 227 6.1 Revisão de conceitos, 232 6.1.1 Ativo Circulante e não Circulante, 232 6.1.2 Registro e avaliação dos ativos, 235 6.2 Caixa e Equivalentes de Caixa, 237 6.2.1 Definição, 237 6.2.2 Fundo Fixo de Caixa, 239 6.2.3 Caixa Flutuante, 241 6.2.4 Pagamento e Recebimentos com Che- ques Pré-datados, 242 6.2.5 Contas Bancárias, 245 6.3 Aplicações Financeiras, 247 6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avalia- ção e escrituração, 247 6.3.2 Aplicações em Ouro, 251 6.4 Títulos em Cobrança Bancária, 251 6.5 Contas a Receber, 254 6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avalia- ção e escrituração, 254 6.6 Investimentos Permanentes, 267 6.6.1 Classificação, 267 6.6.2 Avaliação, 268 6.7 Imobilizado (Ativos Fixos), 268 6.7.1 Classificação, 268 6.7.2 Avaliação, 270 6.7.3 Escrituração, 270 6.8 Intangíveis, 273 6.8.1 Classificação, 273 6.8.2 Avaliação, 274 6.8.3 Escrituração, 274 ( 7 ) Estoques e operações com mercadorias , 281 7.1 Conceitos deEstoque e sua Importância na Gestão Financeira, 286 7.1.1 Conceitos, 286 7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques, 287 7.2 Inventários: Periódico e Permanente, 289 7.2.1 Inventário periódico, 290 7.2.2 Inventário permanente, 291 7.3 Avaliação dos Estoques, 292 7.3.1 Apuração do custo dos estoques, 292 7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro que sai , 294 7.3.3 Custo Médio Móvel, 295 7.4 Impostos e Contribuições nos Estoques, 297 7.4.1 ICMS sobre Compras, 297 7.4.2 IPI sobre Compras, 300 7.4.3 PIS/COFINS sobre Compras, 300 7.5 Compras de Mercadorias, 300 7.5.1 Fretes sobre compras, 301 7.5.2 Bonificações recebidas , 301 7.5.3 Abatimento sobre Compras, 302 7.5.4 Devolução de Compras, 303 7.5.5 Descontos Comerciais Obtidos, 304 7.5.6 Descontos Financeiros Obtidos, 305 7.5.7 Adiantamentos a Fornecedores, 305 7.6 Vendas, 307 7.6.1 Fretes sobre Vendas, 311 7.6.2 Vendas com Cartões de Crédito, 311 7.6.3 Descontos Comerciais, 312 7.6.4 Bonificações Concedidas, 314 7.6.5 Devolução de Vendas, 315 7.6.6 Abatimentos sobre Vendas, 318 7.6.7 Descontos Financeiros Concedidos, 319 7.6.8 Adiantamentos Recebidos de Clientes, 320 7.7 Mercadorias em Consignação, 321 7.8 Quebras ou perdas de estoques, 326 7.9 Resultados com mercadorias, 327 ( 8 ) Demonstração dos fluxos de caixa – DFC , 335 8.1 Antes de começar, 340 8.1.1 Objetivos e alcance, 341 8.2 Definições, 342 8.2.1 Componentes de caixa e equivalentes de caixa , 343 8.2.2 Atividades operacionais, 344 8.2.3 Atividades de investimento, 345 8.2.4 Atividades de financiamento, 347 8.2.5 Outras Definições, 347 8.3 Elaboração e apresentação da DFC, 351 8.3.1 Método direto, 352 8.3.2 Método indireto, 365 8.3.2 Método indireto, 365 ( 1 ) Contabilidade Financeira: conceito, definições e utilização no processo decisório Olá prezados alunos, Bem-vindos à primeira aula de Contabilidade Finan- ceira! Vamos juntos “abrir” a porta que nos levará a mais um estágio do nosso aprendizado! O sucesso de toda tarefa depende, quase sempre, de como a iniciamos. Planejarmos como alcançar nosso objetivo é o primeiro passo para conduzirmos nossas ações de forma produtiva. Mas para planejar é preciso saber o que se quer alcançar. Em cada uma das nossas aulas iremos estabelecer obje- tivos intermediários que nos levarão à consecução do objetivo geral pretendido. Vamos acompanhar se realmente estare- mos cumprindo esses objetivos intermediários para não ter- mos surpresas no final do nosso percurso. Mas como faremos isso? Esse acompanhamento requer que saibamos: Co nt ab ili da de F in an ce ira 22 1º Ler com atenção os objetivos propostos no início da aula; 2º Analisar se, no decorrer da aula, os objetivos pro- postos estão sendo alcançados e, na hipótese de não estarmos seguros sobre isso, retornar até o último ponto sobre o qual estamos certos de ter conseguido atingi-los e revermos a nossa compreensão do conte- údo. Este será o momento de esclarecer dúvidas, pes- quisar a bibliografia indicada, trocar experiências com os colegas, enfim, “de correr atrás”. 3º Analisar com total comprometimento com a rea- lidade se, ao final da aula, os objetivos iniciais foram atingidos. Quer mais dicas de como estudar? Consulte o site: http://www.brasilescola.com/dicas-de-estudo/ Então, vamos começar estabelecendo os objetivos que pretendemos alcançar com esta aula, dentro do contexto do nosso objetivo geral. Com esse propósito, organizamos a Aula 1 em seis tópicos: 1.1 O que é Contabilidade Financeira 1.2 Contabilidade Financeira no processo decisório1 1. Processo decisório: processo que leva a uma tomada de decisão. Objetivos de aprendizagem Entender o que é Contabilidade Financeira e por que ela recebe esse nome. Conhecer as principais definições relacionadas à Contabilidade Financeira. Compreender a utilização da Contabilidade Financeira no processo decisório das entidades. Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 23 1.3 Origens e aplicações de recursos: decisões financeiras 1.3.1 Decisões de financiamentos e investimentos 1.3.2 Decisões financeiras e Balanço Patrimonial 1.3.3 Recursos próprios e de terceiros Bom estudo a todos! 1.1 O que é Contabilidade Financeira? Existem várias justificativas para a denomina- ção “Contabilidade Financeira” que, por sua vez, origina a expressão “Demonstrações Financeiras”. Entre essas justifi- cativas, pode-se destacar: • A escrituração contábil, assim como os respecti- vos relatórios e demonstrativos gerados pela contabili- dade, deve ser elaborada em moeda. Ou seja, o caráter financeiro está intrínseco à contabilidade; • Os demonstrativos contábeis, também conhecidos como Demonstrações Financeiras, são imprescindíveis para a gestão financeira das entidades. Ricardino (2005), ao estudar as classificações que con- ferem à Contabilidade a denominação como financeira ou gerencial, concluiu que não há informações precisas sobre as ati- vidades abrangidas por tais denominações. Esse autor entende que toda a contabilidade pode ser considerada “financeira”, visto que suas informações são expressas em termos monetários. Co nt ab ili da de F in an ce ira 24 Outra característica que remete a essa denominação é o fato de que o Balanço Patrimonial, uma das três princi- pais demonstrações financeiras de uma entidade, segundo Stickney e Weil (2009, p. 37), “apresenta uma fotografia dos investimentos de uma empresa (ativo) e do financiamento desses investimentos (passivo e patrimônio líquido) em uma data específica”. Ora, financiamentos e investimentos são operações essencialmente financeiras e, portanto, justificam que se denomine a fonte que originou as informações do Balanço Patrimonial como “financeira”. Popularmente, é comum, ainda, utilizar-se Contabilidade Financeira como sinônimo de Contabilidade Geral, justamente pelo caráter financeiro da escrituração e das demonstrações contábeis. Muito bem. Já sabemos o que é Contabilidade Financeira, mas para que ela serve? 1.2 Contabilidade Financeira no processo decisório Quando estudamos a Contabilidade Introdutória aprendemos que a Ciência Contábil é o principal instru- mento a ser utilizado para a gestão de uma entidade. É por meio das informações geradas pela Contabilidade, embasa- das pela estrutura teórica da Ciência Contábil que se torna possível apurar, analisar e controlar o patrimônio e o respec- tivo desempenho das entidades. No mundo em que vivemos, o desenvolvimento das sociedades está atrelado ao desempenho das organizações que compõem a economia dos países e é possível avaliar a Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 25 importância da Contabilidade como responsável por regis- trar, compilar e analisar as informações sobre essas organi- zações, com ou sem fins lucrativos. Daí o caráter social da Ciência Contábil, classificada como Ciência Social Aplicada. Não temos razão ao sentir orgulho da profissão que escolhe- mos? Afinal, são os profissionais contábeis os responsáveis por esse instrumento essencial para o desenvolvimento eco- nômico e social da sociedade, em termos mundiais. Bem, chega de confete. Vamos continuar. No tópico anterior foi mencionado que uma das justi- ficativas para a denominação Contabilidade Financeira era, justamente, o fato de um dos principaisdemonstrativos con- tábeis – o Balanço Patrimonial – retratar, em um momento específico, os investimentos (ativos) e os financiamentos (pas- sivo e patrimônio líquido) das entidades. Com base nesse demonstrativo contábil, podem-se tomar diversas decisões que dizem respeito ao patrimônio. Stickney e Weil (2009, p. 37) afirmam que o Balanço Patrimonial permite que o usuário da informação contábil possa responder a diversas perguntas sobre a posição finan- ceira de uma empresa como, por exemplo, sobre o comporta- mento dos prazos de suas dívidas (financiamentos) e dos seus investimentos. Observe o Balanço Patrimonial da TAM (Transportes Aéreos Meridionais) em 31/03/2012 e em 31/03/2011: Demonstração Consolidada do Balanço Patrimonial (BP) Ativo 31/03/2012 31/03/2011 valores em milhões de reais (M) (3m) (3m) Ativo Total 15.743,6 M 14.560,8 M Ativo Circulante 4.925,7 M 4.357,6 M Caixa e Equivalentes de Caixa 553,6 M 564,3 M Aplicações Financeiras 1.344,0 M 1.325,7 M Contas a Receber 2.125,8 M 1.897,3 M Co nt ab ili da de F in an ce ira 26 FONTE: Econoinfo – Informações para Investidores. Disponível em: http://www.eco- noinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/balanco-patrimonial?ce=TAMM - 18/07/2013 Estoques 220,1 M 208,7 M Tributos a Recuperar 411,4 M 108,0 M Despesas Antecipadas 0,0 M 0,0 M Outros Ativos Circulantes 270,8 M 253,7 M Ativo Não Circulante 10.818,0 M 10.203,2 M Ativo Realizável em Longo Prazo 852,4 M 693,8 M Imobilizado 9.372,6 M 8.863,4 M Intangível 592,9 M 645,9 M Critério de consolidação Consolidada Consolidada Critério de elaboração IFRS Passivo e Patrimônio Líquido 31/03/2012 31/03/2011 valores em milhões de reais (M) (3m) (3m) Passivo Total 15.743,60 M 14.560,80 M Passivo Circulante 5.191,00 M 4.908,90 M Fornecedores 566,00 M 565,70 M Obrigações Fiscais 368,60 M 310,80 M Empréstimos e Financiamentos 2.021,80 M 1.446,20 M Outras Obrigações 2.234,70 M 2.586,10 M Passivo Não Circulante 8.335,30 M 6.892,10 M Empréstimos e Financiamentos 6.838,70 M 5.693,60 M Outras Obrigações 1.113,00 M 779,30 M Tributos Diferidos 108,50 M 213,40 M Provisões 275,10 M 205,80 M Patrimônio Líquido Consolidado 2.217,30 M 2.759,80 M Capital Social Realizado 819,90 M 819,90 M Reservas de Capital 145,80 M 129,10 M Reservas de Lucros 530,00 M 895,60 M Lucros/Prejuízos Acumulados 100,6 M 127,7 M Ajustes de Avaliação Patrimonial 577,90 M 584,80 M Ajustes Acumulados de Conversão 0,00 M 0,00 M Outros Resultados Abrangentes 0,00 M 0,00 M Participação dos Acionistas Não Controladores 43,00 M 202,70 M Critério de consolidação Consolidada Consolidada Critério de elaboração IFRS IFRS Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 27 Vamos destacar algumas informações importantes para a nossa análise, tomando por base o período encerrado em 31/12/2012: Ativo Total = R$15.743,60 Ativo Circulante = R$4.925,70 Ativo Não Circulante = R$10.818,00 Imobilizado = R$9.372,60 Passivo Total = R$15.743,60 Passivo Circulante = R$5.191,00 Passivo Não Circulante = R$8.335,30 Patrimônio Líquido Consolidado = R$2.217,30 Observando esses dados, o usuário da informação con- tábil poderia obter, facilmente, respostas para as seguintes questões sobre a posição financeira da TAM na data analisada: • O financiamento das operações da empresa é feito, prioritariamente, por recursos obtidos a curto ou longo prazo? Resposta: Os financiamentos/dívidas de longo prazo da TAM, na data sob exame, demonstrados no Passivo Não Circulante (R$8.335,30), representam 52,9% do total de finan- ciamento, correspondente a R$15.743,60 (Passivo Total). Em outras palavras, do total de recursos captados (capital de ter- ceiros + capital próprio), mais da metade (52,9%) deverá ser “devolvido” aos financiadores a longo prazo. Mas porque essa informação é importante? Ela pode indicar, por exemplo, que a empresa não precisará de valores significativos de caixa a curto prazo para honrar o pagamento de suas obrigações. Esse tipo de informação é fundamental para o gestor financeiro ou, até mesmo, para os fornecedores que poderão decidir sobre o prazo que poderão conceder para que a empresa pague suas obrigações, entre outras diversas conclusões que podem ser extraídas dessa informação. Co nt ab ili da de F in an ce ira 28 Se essa primeira informação for combinada com a aná- lise do Ativo (R$4.925,70) e do Passivo (R$5.191,00) Circulantes, isto é, valores que podem representar entradas de caixa a curto prazo, combinados com os valores que representarão saídas de caixa, também a curto prazo, pode-se observar que, aparen- temente, as entradas de caixa não serão suficientes para fazer face às saídas de caixa no mesmo prazo. • Onde e de que forma estão sendo investidos os recursos obtidos pelos financiamentos de longo prazo? Resposta: É interessante observar que as aplicações de recursos em investimentos, também de longo prazo, são bastante significativas. O valor do Imobilizado, que é de R$9.372,60, representa 86,6% das aplicações de longo prazo (Ativo Não Circulante) que, por sua vez, é mais da metade (68,7%) do total das aplicações dos recursos (Ativo Total). A combinação dos resultados obtidos na análise desses três itens permite concluir que: • Há um “descasamento” entre os financiamentos e os investimentos de longo prazo. Para 52,9% de financiamen- tos de longo prazo, observa-se a existência de 68,7% de investimentos também de longo prazo. Ou seja, os inves- timentos em ativos realizáveis (possíveis de se transfor- mar em caixa) a longo prazo superam as dívidas de longo prazo, podendo indicar que, em algum momento, poderá faltar “fôlego” para saldar tais dívidas. • O investimento de longo prazo está concentrado, basicamente, em ativos imobilizados, isto é, em ati- vos que deverão participar do processo produtivo por um longo tempo. Isso pode significar que o “descasa- mento” indicado no parágrafo anterior pode não ser tão importante, visto que se espera que tais investi- mentos gerem resultados operacionais a curto prazo, traduzíveis em entradas de caixa. Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 29 • Os investimentos de longo prazo podem estar afe- tando a capacidade de a empresa saldar suas obrigações de curto prazo (liquidez), observando-se também um “descasamento” entre o Ativo e o Passivo Circulantes. Vamos entender melhor esse processo no gráfico abaixo: Tais conclusões são particularmente interessantes para o gestor financeiro que deve suprir as deficiências de caixa, mas também são fundamentais para os outros gestores, visto que eles devem decidir sobre o nível dos investimentos em bens de capital (Imobilizado), sobre o processo produtivo que deverá sustentar as vendas, sobre as campanhas de marke- ting que devem alavancar as vendas de tal forma que seja possível gerar caixa no momento desejado, sobre os prazos TAM TRANSPORTES AÉREOS MERIDIONAIS BALANÇO PATRIMONIAL Aplicações (investimentos) Aspectos financeiros (caixa) ORIGENS (FI- NANCIAMEN- TOS) PASSIVOS (R$)Ativos (R$) Entradas (R$) Saídas (R$) A tiv o C ir cu la nt e 4.925,60 G ER A M C A IX A N O C U RT O PR A ZO 4.925,60 5.191,00 G ER A M S A ÍD A D E C A IX A N O C U RT O P RA ZO Pa ss iv o C ircu la nt e 5.191,90 A tiv o N ão C ir cu - la nt e 10.818,00 8.335,30 G ER A M S A ÍD A D E C A IX A N O LO N G O P RA ZO Pa ss iv o N ão C ir cu la nt e 8.335,30 Im ob ili za do 9.372,60 G ER A M PR O D U TO S O U S ER V IÇ O S O ut ro s A tiv os N ão C ir cu la nt es 1.445,40 G ER A M C A IX A N O LO N G O PR A ZO 1.445,40 Pa tr im ôn io L íq u id o C on so lid ad o 2.217,30 Total 15.743,6 TOTAL 15.743,60 Co nt ab ili da de F in an ce ira 30 a serem concedidos aos clientes nas vendas a prazo e assim por diante. É uma “cadeia” de procedimentos, cujas decisões devem ser tomadas em cima das informações geradas pela Contabilidade Financeira. No exame simples e rápido desses dados, pode-se per- ceber que uma informação isolada pode não representar muita coisa, mas que, ao combiná-la com outras informações obtidas no próprio Balanço Patrimonial ou em outras demonstrações, é possível estabelecer correlações e conclusões necessárias e imprescindíveis ao processo de tomada de decisão. Assim como a análise do Balanço Patrimonial per- mite inferir importantes informações sobre o patrimônio da entidade, as características dos seus financiamentos/ori- gens e de seus investimentos/aplicações de recursos, a análise de outros demonstrativos contábeis complementa e diversi- fica tais informações. A Demonstração do Resultado, por exemplo, vai retratar o desempenho da entidade, por meio da demonstração de suas receitas e despesas, ou seja, do seu resultado positivo (lucro) ou negativo (prejuízo), gerado pelos seus investimentos e financiamentos de recursos. A Demonstração dos Fluxos de Caixa2, por outro lado, vai per- mitir a análise do que foi gerado pelas operações da entidade, o que permite decisões importantes sobre as suas finanças (investimentos e fontes de financiamento). 2. Fluxo de Caixa: compreende as entradas e as saídas de numerário do caixa da entidade e suas respectivas destinações. Importante As análises foram realizadas somente para efeitos didá- ticos, tomando-se por base um número restrito de dados e, portanto, não devem ser consideradas absolutas ou conclusivas. Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 31 Resumindo: As análises financeiras só podem ser feitas com base em dados históricos? Será que analisar acontecimentos já passados pode auxiliar as decisões de forma efetiva? E se os gestores qui- serem saber o que pode ocorrer no futuro, mediante esta ou aquela decisão, a Contabilidade Financeira também será útil? Sabe-se que a Contabilidade registra e elabora as demonstrações com base em fatos já ocorridos. A análise dos demonstrativos gerados, por conseguinte, será base- ada em acontecimentos passados, o que, absolutamente, não invalida a sua utilidade para efeito de tomada de deci- sões. É fundamental analisar o que já ocorreu para efeito de controle e, também, para a percepção de tendências. Para tanto, a Contabilidade Financeira, como já vimos, é a principal ferramenta. Mas e com relação às decisões que vão afetar o futuro das entidades? Neste ponto a Contabilidade Financeira começa a confundir-se com a Contabilidade Gerencial que será nosso objeto de estudo em futuro próximo. A maio- ria dos conceitos e das técnicas utilizadas na Contabilidade Financeira também é aplicável à elaboração e à análise de Demonstrações Contábeis projetadas para datas futuras, em função da construção de cenários que se deseje alcançar. A Contabilidade Financeira gera informações funda- mentais para a tomada de decisão de seus usuários. Tais informações dizem respeito, basicamente, aos financia- mentos/origens e aos investimentos/aplicações de recursos (Balanço Patrimonial), assim como aos resultados gerados por eles (Demonstração do Resultado), e às entradas e às saídas de dinheiro, isto é, ao fluxo de caixa (Demonstração do Fluxo de Caixa) que financiamentos, investimentos, receitas e despesas representam para a entidade. Co nt ab ili da de F in an ce ira 32 Para concluir, vamos retomar alguns termos que foram estudados até aqui, tendo em vista a importância deles para o entendimento e para a ratificação dos conceitos que serão vistos a seguir: • Financiamentos = Origens de Recursos ▪ Origens de Recursos = Capital de Terceiros + Capital Próprio − Capital de Terceiros = Recursos resultantes de financiamentos concedidos à entidade por terceiros. Passivo (Obrigações) − Capital Próprio = Recursos resultantes dos inves- timentos realizados na entidade, pelos sócios ou acionistas. Patrimônio Líquido ▪ Origens de Recursos = Passivo + Patrimônio Líquido • Investimentos = Aplicações de Recursos • Aplicações de Recursos = Ativo • Fluxo de Caixa = Entradas e saídas de numerário do caixa 1.3 Origens e aplicações de recursos: decisões financeiras 1.3.1 Decisões de financiamentos e de investimentos A viabilização das atividades de uma entidade está diretamente relacionada a dois grandes grupos de decisões que são tomadas de forma contínua, a saber: Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 33 • Captação de recursos financeiros que irão “finan- ciar” suas operações; e • Aplicação dos recursos captados, de forma a obter os resultados desejados. Segundo Assaf Neto (2009, p. 43), “os montantes deter- minados por essas decisões, assim como suas diferentes naturezas, estão apurados nos ativos (investimentos) e passi- vos (financiamentos) contabilizados pela empresa”. Do sucesso dessas decisões dependerá a estabilidade e a consequente continuidade da entidade e, portanto, elas não podem ser tomadas isoladamente. Tanto a captação como a aplicação dos recursos têm que estar correlacionadas, uma vez que são interdependentes. A análise feita no tópico ante- rior sobre os financiamentos e os investimentos de recursos a longo prazo é um exemplo típico dessa interdependência. Outro detalhe importante, também ressaltado na análise feita anteriormente, é o nível de imobilização dos investimen- tos, ou seja, quanto dos recursos captados deve ser investido em ativos fixos, aqueles que vão contribuir para o processo produtivo, visto que o retorno financeiro desses investimen- tos somente será observado no decorrer do ciclo operacional e dependerá, fundamentalmente, do custo dos passivos corres- pondentes, isto é, do custo dos respectivos financiamentos. Para uma posição de equilíbrio finan- ceiro, torna-se essencial uma adequa- ção entre a maturidade dos passivos e a capacidade de geração de caixa dos ativos. Uma decisão de empréstimo de curto prazo direcionado para financiar bens de natureza permanente, por ex- emplo, sinaliza uma deterioração da estabilidade financeira da empresa, tornando-a dependente da renovação da dívida circulante para manter os ativos de longo prazo (ASSAF NETO, 2009, p. 44). Co nt ab ili da de F in an ce ira 34 O desempenho das entidades, portanto, está atrelado à correta gestão dos financiamentos e dos investimentos rea- lizados. O retorno que os investimentos (Ativos) são capazes de gerar ao serem confrontados com os custos dos respecti- vos financiamentos é que proporcionará (ou não) os resulta- dos financeirosesperados. As decisões financeiras, ao terem como foco a estabili- dade e a continuidade da empresa, estarão garantindo, tam- bém, as expectativas de retorno do investimento realizado pelos sócios ou acionistas e, por conseguinte, a atratividade de novos investimentos e a valorização da empresa. 1.3.2 Decisões financeiras e balanço patrimonial Tomando por base, mais uma vez, o Balanço Patrimonial da TAM (Transportes Aéreos Meridionais) trans- crito de forma simplificada, verifica-se que esse demonstra- tivo propicia a observação clara das fontes dos recursos e das respectivas aplicações: TAM - TRANSPORTES AÉREOS MERIDIONAIS BALANÇO PATRIMONIAL APLICAÇÕES (INVESTIMENTOS) ORIGENS (FINANCIAMENTOS) ATIVOS (R$) PASSIVOS (R$) Ativo Circulante 4.925,60 Passivo Circulante 5.191,90 Ativo Não Circulante 10.818,00 Passivo Não Circulante 8.335,30 Imobilizado 9.372,60 Outros Ativos não Circulantes 1.445,40 Patrimônio Líquido Consolidado 2.217,30 Total 15.743,60 TOTAL 15.743,60 Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 35 Origens de Recursos (Financiamentos) • Recursos de Terceiros = R$13.526,30 (Passivo Circulante e Não Circulante) • Recursos Próprios = R$2.217,30 Total de Origens de Recursos = R$15.743,60 Aplicações de Recursos (Investimentos) • Aplicações em Imobilizados = R$9.372,60 • Outras Aplicações = R$6.371,00 Total das Aplicações de Recursos = R$15.743,60 Vamos fazer uma pausa para relembrarmos alguns conceitos já vistos anteriormente e que nos ajudarão a fixar melhor esse assunto. Examinemos o Balanço Patrimonial simplificado da Luz Azul Materiais Elétricos Ltda.: Trata-se do Balanço de abertura da empresa e ele nos mostra que: • O Capital Social representa uma “origem” de recur- sos (captação) decorrente do investimento dos sócios na empresa. • O recurso captado/originado do investimento dos sócios está “aplicado” no Ativo representado pela conta Bancos - Conta Movimento. LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA BALANÇO PATRIMONIAL ATIVOS (R$) PASSIVOS + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (R$) Ativo Circulante Passivo Circulante Bancos - Conta Movimento 70.000,00 Passivo Não Circulante Ativo Não Circulante 1.445,40 Patrimônio Líquido Capital Social Capital Subscrito 100.000,00 (-) Capital a Realizar - 30.000,00 Total 70.000,00 TOTAL 70.000,00 Co nt ab ili da de F in an ce ira 36 Além disso, podemos destacar que: − O valor de R$70.000,00 na conta Bancos - Conta Movimento é um Ativo, pois satisfaz as condições para ser assim classificado: • É um Direito; • Está sob o controle da empresa; • É representável em moeda; e • É um benefício presente com condições de gerar benefícios futuros. − O valor do Capital Social é o investimento feito na empresa pelos proprietários e, portanto, deve figurar como Patrimônio Líquido no lado direito do Balanço Patrimonial, chamado de Passivo, de acordo com a Lei das Sociedades por Ações. − O valor do Capital Subscrito – R$100.000,00 – é aquele que foi pactuado no Contrato Social de cons- tituição da empresa, retratando o compromisso assumido pelos sócios. − O valor do Capital a Realizar – R$30.000,00 – é o valor que falta ser integralizado pelos sócios. − O valor líquido do Capital Social é de R$70.000,00, representando a contrapartida do depósito bancário efetuado pelos sócios na conta corrente da empresa e registrado na conta Bancos - Conta Movimento. Para completar nossa seção flash back, vamos relembrar como seria o lançamento contábil que originou esse Balanço Patrimonial, em razonetes: Capital Subscrito Bancos - Conta Movimento Capital a Integralizar D C D C D C 100.000 70.000 30.000 100.000 70.000 30.000 As unidades de capital social de uma empresa Limitada (LTDA) são representadas pelo que mesmo? Consulte o site: http://www.portaldoempreendedor.gov. br/legislacao/sociedade-empresaria-limitada Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 37 Além disso, podemos destacar que: − O valor de R$70.000,00 na conta Bancos - Conta Movimento é um Ativo, pois satisfaz as condições para ser assim classificado: • É um Direito; • Está sob o controle da empresa; • É representável em moeda; e • É um benefício presente com condições de gerar benefícios futuros. − O valor do Capital Social é o investimento feito na empresa pelos proprietários e, portanto, deve figurar como Patrimônio Líquido no lado direito do Balanço Patrimonial, chamado de Passivo, de acordo com a Lei das Sociedades por Ações. − O valor do Capital Subscrito – R$100.000,00 – é aquele que foi pactuado no Contrato Social de cons- tituição da empresa, retratando o compromisso assumido pelos sócios. − O valor do Capital a Realizar – R$30.000,00 – é o valor que falta ser integralizado pelos sócios. − O valor líquido do Capital Social é de R$70.000,00, representando a contrapartida do depósito bancário efetuado pelos sócios na conta corrente da empresa e registrado na conta Bancos - Conta Movimento. Para completar nossa seção flash back, vamos relembrar como seria o lançamento contábil que originou esse Balanço Patrimonial, em razonetes: Capital Subscrito Bancos - Conta Movimento Capital a Integralizar D C D C D C 100.000 70.000 30.000 100.000 70.000 30.000 As unidades de capital social de uma empresa Limitada (LTDA) são representadas pelo que mesmo? Consulte o site: http://www.portaldoempreendedor.gov. br/legislacao/sociedade-empresaria-limitada 1.3.3 Recursos próprios e de terceiros Já vimos que o desempenho de uma entidade está condicionado uma boa gestão dos seus financiamentos e investimentos. Os custos dos financiamentos devem ser con- frontados com as expectativas de retorno dos investimentos (Ativos), sendo que ele dependerá de diversas variáveis, nem sempre controláveis pelos gestores, pois dependem de forne- cedores, mercado, políticas econômicas etc. Já os custos dos financiamentos se submetem a um menor número de variá- veis e se condicionam, primeiramente, a duas modalidades: recursos originados de terceiros (credores) e recursos pró- prios, provenientes de sócios ou acionistas. O custo de recursos de terceiros é representado pela remuneração – juros e outras despesas financeiras – combi- nada com o credor (terceiro). É chamado de custo de capital de terceiros. O custo do capital próprio é representado pelo lucro distribuído ao sócio ou ao acionista, na forma de dividendo Co nt ab ili da de F in an ce ira 38 que, percentualmente, costuma ser maior do que o custo pago pelo capital de terceiros. Entretanto, há que se ressaltar que a remuneração do capital próprio somente se efetivará na ocorrência de lucros que, inclusive, podem ser reinvestidos na empresa com custo zero. Outra variável importante a se considerar em relação ao custo dos financiamentos é o prazo, visto que, quanto maior ele for, maior também será a tendência de encarecer tal custo. Nunca é demais repetir, no entanto, que a gestão dos custos somente será eficaz quando feita em conjunto com o que se espera obter de retorno dos investimentos. Bem, parece que esgotamos os assuntos que nos pro- pusemos a estudar neste aula. Será? Claro que não. Apenas começamos. Para sedimentar o que aprendemos, vamos bus- car mais conhecimento nos sites recomendados e na biblio- grafia indicada. Antes de encerrarmos esta aula vamos refletir se con- seguimos alcançar nossos objetivos.Se cumprimos a nossa missão, podemos ir em frente! Para a próxima aula vamos estudar um assunto que interessa a todo mundo: o “lucro”! Objetivos de aprendizagem Entendemos o que é Contabilidade Financeira e por que ela recebe esse nome? Já conhecemos os principais conceitos e definições rela- cionados à Contabilidade Financeira? Compreendemos a utilidade da Contabilidade Financeira no processo decisório das entidades? Vamos relembrar? Nesta primeira aula pudemos estudar o que é Contabili- dade Financeira, por que ela é assim denominada, e qual é a sua utilidade. Pudemos, ainda, entender que ela auxi- lia o gestor na tomada de decisões de caráter financeiro e que, por consequência, reflete no desempenho das entida- des. Para tanto, a Contabilidade Financeira, por meio de seus demonstrativos, possibilita a realização de análises importantes que levarão os gestores a gerir o patrimônio das entidades de forma adequada. Aprendemos, ainda, que a gestão do patrimônio está diretamente relacionada às decisões sobre financiamen- tos e investimentos e que são representados no Balanço Patrimonial, respectivamente, no Passivo/Patrimônio Líquido (origens) e no Ativo (aplicações). Também foi ressaltado que a gestão dos financiamentos e dos investimentos deve ocorrer de forma interdependente, com foco nos custos e nos retornos que possam produzir. Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 39 que, percentualmente, costuma ser maior do que o custo pago pelo capital de terceiros. Entretanto, há que se ressaltar que a remuneração do capital próprio somente se efetivará na ocorrência de lucros que, inclusive, podem ser reinvestidos na empresa com custo zero. Outra variável importante a se considerar em relação ao custo dos financiamentos é o prazo, visto que, quanto maior ele for, maior também será a tendência de encarecer tal custo. Nunca é demais repetir, no entanto, que a gestão dos custos somente será eficaz quando feita em conjunto com o que se espera obter de retorno dos investimentos. Bem, parece que esgotamos os assuntos que nos pro- pusemos a estudar neste aula. Será? Claro que não. Apenas começamos. Para sedimentar o que aprendemos, vamos bus- car mais conhecimento nos sites recomendados e na biblio- grafia indicada. Antes de encerrarmos esta aula vamos refletir se con- seguimos alcançar nossos objetivos. Se cumprimos a nossa missão, podemos ir em frente! Para a próxima aula vamos estudar um assunto que interessa a todo mundo: o “lucro”! Objetivos de aprendizagem Entendemos o que é Contabilidade Financeira e por que ela recebe esse nome? Já conhecemos os principais conceitos e definições rela- cionados à Contabilidade Financeira? Compreendemos a utilidade da Contabilidade Financeira no processo decisório das entidades? Vamos relembrar? Nesta primeira aula pudemos estudar o que é Contabili- dade Financeira, por que ela é assim denominada, e qual é a sua utilidade. Pudemos, ainda, entender que ela auxi- lia o gestor na tomada de decisões de caráter financeiro e que, por consequência, reflete no desempenho das entida- des. Para tanto, a Contabilidade Financeira, por meio de seus demonstrativos, possibilita a realização de análises importantes que levarão os gestores a gerir o patrimônio das entidades de forma adequada. Aprendemos, ainda, que a gestão do patrimônio está diretamente relacionada às decisões sobre financiamen- tos e investimentos e que são representados no Balanço Patrimonial, respectivamente, no Passivo/Patrimônio Líquido (origens) e no Ativo (aplicações). Também foi ressaltado que a gestão dos financiamentos e dos investimentos deve ocorrer de forma interdependente, com foco nos custos e nos retornos que possam produzir. Qu estões pa r a r eflex ão Analise o texto abaixo e, com base no conteúdo teórico estudado, responda as seguintes questões: 1. Quais fatores levam as empresas a buscarem recur- sos no mercado de capitais por meio da emissão de novas ações? 2. Esses recursos obtidos pelas empresas são origens ou aplicações? 3. Em termos de custos de financiamento, quais as vantagens e desvantagens desse tipo de captação? Co nt ab ili da de F in an ce ira 40 Empresas fazem abertura de capital para crescer e investir Cerca de 130 empresas brasileiras iniciaram oferta pública de ações de 2004 até hoje. A oferta pública inicial de ações (também conhecida como IPO, na sigla em inglês) é um processo utilizado pelas empresas para captar recursos para expandir suas ativi- dades, ter um referencial de seu valor, profissionalizar a gestão da companhia ou mesmo como uma alternativa para a sucessão, no caso de uma empresa familiar. Na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP um estudo pesquisou as companhias brasi- leiras que abriram seu capital na Bolsa de Valores entre os anos de 2004 e 2010, período marcado pelo maior número de IPOs da história recente do País. Os resultados indicam que as em- presas que abriram o capital foram aquelas que vinham investindo sig- nificativamente no seu crescimento e/ou aquelas que vinham aumentan- do o seu endividamento e encon- tra-ram na abertura de capital uma alternativa para adequar a sua estru- tura de capital (diminuir a relação de dívida versus capital próprio). Conta o administrador Bruno Cals de Oliveira, responsá- vel pelo estudo de mestrado Fatores determinantes para abertura de capital de empresas brasileiras, orientado pelo professor Roy Martelanc. A pesquisa de Cals mostrou que as empresas encontra- ram na abertura de capital uma boa opção para continuar investindo e crescendo. “Além disso, as empresas que ini- ciaram a negociação de suas ações apresentaram maior nível de rentabilidade, aproveitando uma janela de opor- tunidade do mercado para fazer seu IPO”, conta ele. Cerca de 130 companhias brasileiras abriram seu capital entre 2004 e 2011 — 64 delas o fizeram durante o ano de 2007, estabelecendo um recorde. Disponível em: http://www.usp.br/agen/?p=89248. Acessado em 19/07/2013. Co nt ab ili da de F in an ce ira : c on ce ito , de fin iç õe s e ut ili za çã o no p ro ce ss o de ci só ri o 41 lei t u r as r ecom en da das IUDICIBUS, S. et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. MADEIRA, D. K. Análise das demonstrações contábeis. Ma- naus: UNINORTE/CED, 2009. Disponível em: http://conteudo. unp.br/ebooks_ead/Analise_Demonstracoes_Contabeis.pdf li n Ks i n dica dos Abertura de Capital (IPO): Um caminho para o crescimento [Workshop Completo]: http://www.endeavor.org.br/videos/es- trategia-crescimento/workshops/abertura-de-capital-ipo/aber- tura-de-capital-um-caminho-para-o-crescimento-workshop- -completo?gclid=cmi68m3pvlgcfzrj7aodquoasg Glossário de termos contábeis: http://www.portaldecontabili- dade.com.br/glossario.htm r ef er Ênci as ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2009. RICARDINO, A. Contabilidade gerencial e financeira. São Paulo: Atlas, 2005. STICKNEY, C. P.; WEIL, R. L. Contabilidade financeira. São Paulo: Cengage Learning, 2009. ( 2 ) Principal origem de recursos: o lucro Olá prezados alunos, Continuando nossa trajetória de aprendizado da Contabilidade Financeira, nesta aula teremos a oportuni- dade de conhecer os detalhes da principal fonte de recursos de qualquer entidade – o LUCRO. Aliás, esta é uma fonte em que todos nós gostamos de “beber” não é mesmo? Em uma economia capitalista como a que vivemos, o lucro éintensamente perseguido, embora alguns autores pre- firam concentrar suas análises no que o lucro representa em termos de fluxos de caixa positivos, ou seja, em entrada efe- tiva de dinheiro no caixa da entidade. Goldratt (2008), por exemplo, construiu uma teoria chamada Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC), baseado no princípio de que a “meta” de uma empresa é “ganhar dinheiro” e não somente obter lucro. 46 Co nt ab ili da de F in an ce ira Popularmente, costuma-se afirmar que “um negócio só é bom quando dá lucro” ou, ainda, que “saímos no lucro” quando obtemos resultados positivos em alguma situação. Na realidade, existem diversas conotações para a palavra lucro e, nesta aula, vamos conhecer como se apura o lucro contábil e a sua importância enquanto fonte/origem de recursos. Mas, seguindo nossa linha de trabalho, vamos relem- brar que é necessário planejar como iremos conduzir esse aprendizado. Primeiramente, vamos estabelecer os objetivos de aprendizagem que queremos alcançar. Ao final desta aula, deveremos ser capazes de: Para alcançar esses objetivos, esta aula será estrutu- rada da seguinte forma: 2.1 Lucro como principal fonte de recursos; 2.2 Regimes de apuração do resultado: 2.2.1 Regime de caixa 2.2.2 Regime de competência 2.2.3 Despesas pagas antecipadamente (diferidas) 2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e resulta- dos de exercícios futuros 2.3 Apuração do resultado Bom estudo a todos! Objetivos de aprendizagem Entender por que o lucro é a principal origem de recur- sos para uma entidade; Apurar o resultado contábil de uma entidade, utilizando os regimes de caixa e de competência, de acordo com os princípios contábeis; e Apropriar o resultado apurado ao patrimônio da entidade. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 47 2.1 Lucro como principal fonte de recursos Em nossa última aula tratamos da importância da ges- tão dos financiamentos e dos investimentos de uma entidade, enfatizando que a sua continuidade depende, prioritaria- mente, do sucesso dessa gestão. Ressaltamos, ainda, que a gestão dos custos dos financiamentos, juntamente com a dos retornos dos investimentos, é fator fundamental para a obtenção desse sucesso. Estudamos também que os custos de financiamen- tos diferem dependendo da origem dos recursos que podem advir de terceiros (recursos ou capital de terceiros) ou de sócios ou acionistas (recursos ou capital próprio). Muito bem! Mas qual é a melhor fonte de recursos? Qual desses recursos é o de menor custo? Os recursos pró- prios ou os recursos de terceiros? A resposta é: depende. Assaf Neto (2009, p. 47) afirma que “(...) em situação de certa estabilidade e equilíbrio econômico, o capital próprio é mais caro que o capital de terceiros”. Tal afirmação, segundo Assaf (2009, p. 47), deve-se ao fato de que a remuneração paga pelo capital de terceiros constitui uma despesa financeira (juros e taxas) e, portanto, pode ser deduzida da base de cál- culo do imposto de renda, enquanto que o lucro não tem esse mesmo tratamento fiscal. Entretanto, outros fatores devem ser considerados para determinar se é mais ou menos vantajoso para uma entidade captar recursos com terceiros ou com os sócios/acionistas, como o prazo de financiamento. Financiamentos mais longos 48 Co nt ab ili da de F in an ce ira tendem a ter seu custo encarecido. Além disso, as taxas de juros embutidas em financiamentos de curto prazo, por exemplo, obrigações com Fornecedores, não são consideradas como despesas financeiras e, portanto, não se beneficiam do tratamento fiscal acima citado. Por outro lado, o sócio ou acio- nista somente é remunerado diante da ocorrência de lucros que, dependendo do tempo em que permaneceu na empresa, pode ter gerado benefícios financeiros significativos. Enfim, a situação ideal, como sempre, é dada pelo equi- líbrio entre o capital de terceiros e o capital próprio. Mas voltemos ao lucro. O lucro gerado por uma empresa pertence aos seus proprietários, ou seja, aos seus sócios ou acionistas. Ele representa a remuneração, o retorno do inves- timento que eles fizeram na empresa. Entretanto, quando parte desse lucro/remuneração permanece na empresa, ele é incorporado ao patrimônio sem custo algum. A figura a seguir demonstra o que ocorre quando o lucro ou parte dele não é distribuído aos sócios ou acionistas: Fonte: MARIO N (2006, p. 81), adaptado. ATIVO PASSIVO E PL Aplicação Capital de terceiros Aplicação Capital Próprio (PL) Aplica- ções Origens Lucro Diversos Lucros distribuídos (Dividendos) Capital Lu cro s Re tid os Investimentos dos proprietários Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 49 Marion (2006, p. 80) afirma que “a parcela do lucro não distribuída aos proprietários (mas retida na empresa) é o que, na verdade, fortalece a situação econômica” da entidade. Como já mencionado anteriormente, existe mais de um significado para o termo “lucro”, entretanto, o que nos inte- ressa a esta altura do nosso estudo é o lucro contábil, cujos efei- tos no patrimônio, exemplificados na figura acima, podem ser observados no Balanço Patrimonial. O lucro contábil ou lucro econômico é o resultado positivo da diferença entre as receitas e as despesas de um determi- nado período. Quando se trata de entidade sem fins lucrati- vos, ao invés de lucro, utiliza-se a denominação superávit. Quando o resultado é negativo, ou seja, quando as des- pesas são maiores que as receitas, este é chamado prejuízo e, no caso de entidades sem fins lucrativos, recebe o nome de déficit. O resultado também é chamado rédito por alguns autores. Vamos relembrar alguns conceitos já estudados sobre receitas e despesas, isto é, sobre as contas de resultado. Contas de Resultado • São as contas que registram as receitas e as despe- sas da entidade; Receitas (-) Despesas = . Lucro = Receitas > Despesas . Prejuízo = Receitas < DespesasResultado 50 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Servem de base para a apuração do resultado das organizações e para a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. De acordo com a Resolução CFC nº 1374/2011 do Conselho Federal de Contabilidade que aprovou a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), os elementos de receitas e de despesas são definidos como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contri- buição dos detentores dos instrumentos patrimoniais; (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômi- cos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribui- ções aos detentores dos instrumentos patrimoniais. Despesas Despesas podem ser relacionadas a gastos, desembol- sados ou devidos pela entidade, necessários ao desenvol- vimento de suas atividades e que reduzem o patrimônio. Exemplos: salários, aluguéis, combustíveis, transportes, impostos, etc. Gastos são todos os “sacrifícios de recursos” feitos pela entidade para a obtenção de bens ou serviços. O pagamento dos gastos pode ocorrer à vista (desembolso imediato) ou, também, a prazo (dívida/obrigação). Pr in ci pa l orig em d e r ec ur so s: o lu cr o 51 Além de despesas ou custos (que mais tarde, também se transformarão em despesas), os gastos podem se transfor- mar em investimentos. Os custos são aqueles gastos necessários para se produzir bens ou serviços. Exemplos: matéria-prima, aluguel da fábrica etc. Tais custos se transformarão em despesas quando os bens ou serviços produzidos forem vendidos, ou seja, quando tais bens ou serviços se transformarem em receitas. Isso ocorre em função da premissa de que para que uma receita possa ser gerada é necessário o consumo de recursos (despesas). Para melhor ilustrar esse conceito, vamos utilizar como exemplos uma Instituição de ensino (Escola Luz do Saber) e uma fábrica de alimentos (Pão Nosso): • A Escola Luz do Saber foi criada para prestar ser- viços de ensino e, portanto, suas receitas serão gera- das pela prestação desses serviços. Ministrando aulas e outros serviços relacionados à educação, a escola estará obtendo receitas. Em que momento? No momento em que ela “entregar” o serviço que se comprometeu a pres- tar. Geralmente, em tal atividade as receitas estão atre- ladas a um período mensal (mensalidades escolares), caracterizando a referida entrega do serviço. Para entre- gar/prestar o serviço, a escola precisou efetuar gastos. Exemplos de gastos da Escola Luz do Saber que podem estar relacionados com a prestação de serviços de ensino e, portanto, podem ser classificados como custo dos ser- viços prestados: aluguel do prédio da escola; energia elé- trica consumida nas instalações da escola; salário dos professores; serviço de limpeza das instalações; salário dos serventes; água consumida nas instalações; e todos os demais gastos sem os quais não seria possível prestar o “serviço de ensino” da forma como foi contratado com o cliente. Tais custos foram necessários para que a escola prestasse o serviço para o qual ela foi criada. Sem eles, ela não conseguiria prestá-los. 52 Co nt ab ili da de F in an ce ira • A Indústria de Alimentos Pão Nosso foi criada para produzir alimentos e, portanto, suas receitas são gera- das pela venda dos produtos fabricados (pães, bolos etc.). Fabricando e vendendo seus produtos, a indústria estará obtendo receitas. Em que momento? Quando vender seus produtos. Para fabricá-los e vendê-los a indústria precisou realizar gastos. Custos necessários para a prestação dos serviços Entrega de serviços Despesas Receitas Exemplos de gastos da Indústria de Alimentos Pão Nosso que podem estar relacionados com a produção dos alimentos e, portanto, podem ser classificados como custo dos produtos: aluguel da fábrica; energia consu- mida da fábrica; mão de obra direta (pessoal envolvido diretamente com a produção); matéria prima; salários dos supervisores; embalagens; depreciação dos equipamentos da fábrica; e todos os demais gastos sem os quais não seria possível produzir os produtos a serem comercializados. Venda dos produtos Custos necessários para a produção dos produtosDespesas Receitas Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 53 Sobre a confrontação entre as receitas e as despesas correspondentes, a Resolução CFC nº 1374/2011 destaca: As despesas devem ser reconhecidas na demonstração do resultado com base na associação direta entre elas e os correspondentes itens de receita. Esse processo, usualmente chamado de confrontação entre despesas e recei- tas (regime de competência), envolve o reconhecimento simultâneo ou com- binado das receitas e despesas que re- sultem diretamente ou conjuntamente das mesmas transações ou outros even- tos. Por exemplo, os vários componen- tes de despesas que integram o custo das mercadorias vendidas devem ser reconhecidos no mesmo momento em que a receita derivada da venda das mercadorias é reconhecida (Resolução CFC nº 1374/2011, item 4.50) Muito bem! Acabamos de entender a diferença que existe entre “custos e despesas”, sendo somente uma dife- rença temporária, visto que todos os custos serão despesas, mais cedo ou mais tarde. Mediante o que aprendemos, pode- mos, inclusive, afirmar que: As despesas que decorrem das atividades normais da entidade, ou seja, daquelas atividades para as quais a enti- dade foi criada (atividades do negócio), são chamadas de Despesas Operacionais. As despesas eventuais, que não decorrem das ativida- des normais da entidade e que, portanto, não têm caráter ope- racional, são chamadas de Perdas. Exemplos: perdas geradas na venda de ativos imobilizados; perdas de estoques ocorri- das por enchentes, etc. Despesa pode ser entendida como todo o “consumo” de bens ou de serviços necessários à obtenção de receitas, direta ou indiretamente. 54 Co nt ab ili da de F in an ce ira Despesas que decorrem dos juros ou multas prove- nientes das obrigações da entidade (empréstimos, financia- mentos etc.) são chamadas de Despesas Financeiras. Outro tipo de gasto de fundamental importância e que não pode ser confundido com as despesas é aquele que repre- senta os investimentos realizados pela entidade. Investimento é todo gasto que deverá trazer benefícios futuros. Será um Ativo da organização até que se transforme em custo ou des- pesa. Exemplo: aquisição de veículo cujo desgaste é contabili- zado como despesa de depreciação. Reconhecimento das Despesas Os critérios para reconhecimento, ou seja, para regis- tro contábil das despesas, também foram estabelecidos pela Resolução CFC nº 1374/2011, podendo ser assim resumidos: Regra geral: Despesas devem ser reconhecidas de acordo com o regime de competência quando: • Surgir um decréscimo nos futuros benefícios eco- nômicos, seja por diminuição de um Ativo (bens e direitos) ou aumento de um Passivo (obrigações). • O respectivo valor possa ser determinado em bases confiáveis (razoável certeza). Outros critérios de reconhecimento: • Despesas devem ser reconhecidas: 1. Com base na associação direta entre elas e os correspondentes itens de receita (confrontação entre despesas e receitas – competência). Exemplo: custo dos produtos vendidos. 2. Quando a confrontação só puder ser feita de modo geral e indireto, as despesas devem ser reco- nhecidas com base, de forma sistemática e racional. Exemplo: depreciações e amortizações de Ativos. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 55 3. Imediatamente, quando um gasto não produ- zir benefícios econômicos futuros ou quando não forem classificáveis como Ativos. 4. Quando um Passivo é incorrido sem o corres- pondente reconhecimento de um Ativo. Receitas Receitas são recursos recebidos ou a receber provenien- tes das atividades da entidade e que aumentam o patrimônio. Exemplos: vendas de mercadorias, produtos ou serviços, recei- tas de aluguéis, receitas de juros etc. As receitas que resultam das operações da entidade, ou seja, que são derivadas da realização das atividades para as quais a entidade foi criada, são denominadas Receitas Operacionais. As receitas provenientes de aplicações financeiras e que representam uma alternativa para a utilização de recur- sos financeiros excedentes às necessidades imediatas de caixa da entidade, bem como aquelas receitas auferidas em função da cobrança de juros ou de taxas incidentes sobre as opera- ções, são chamadas de Receitas Financeiras. Quando a entidade aufere receitas que não resultam das suas operações, isto é, receitas eventuais de caráter não operacional, elas são denominadas como Ganhos. Exemplo: ganho na venda de ativo imobilizado. O que é uma “despesa incorrida”? Despesas incorridas são aquelas de competência do perí- odo de apuração, relativas abens empregados ou a ser- viços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, tendo sido pagas ou não. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoa- juridica/dipj/2005/pergresp2005/pr242a264.htm 56 Co nt ab ili da de F in an ce ira Reconhecimento das Receitas As receitas, de acordo com as determinações da Resolução CFC nº 1374/2011, devem ser reconhecidas de acordo com o regime de competência quando: • Resultarem em um aumento de benefícios econô- micos futuros, seja por aumento de um Ativo (bens e direitos) ou redução de um Passivo (obrigações). • O respectivo valor possa ser determinado em bases confiáveis (razoável certeza). Iudícibus et al (2010, p. 487) enfatizam que “não se pode esquecer que, para o registro da receita, é necessário estar ela ‘ganha’, o ativo recebido deve ser realizável e serem conheci- das ou calculáveis as despesas a ela relacionadas”. Cabe ainda ressaltar que, em obediência ao regime de competência, o reconhecimento da receita (e também do custo) de contratos de longo prazo deve ocorrer à medida do progresso físico dos mesmos, utilizando-se o método de porcentagem de acabamento. Para saber mais sobre esses contratos, consulte o Pronunciamento Técnico CPC 17 (R1), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado pela Resolução CFC nº 1411/12. 2.2 Regimes de apuração do resultado Revistos importantes conceitos relacionados às contas que permitem a apuração do resultado, pode-se estabelecer uma relação entre tais resultados e a gestão dos financiamen- tos e investimentos das entidades. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 57 Pudemos observar que o lucro é apurado mediante a confrontação entre as receitas e as despesas corresponden- tes e que, quando este permanece na empresa, aumenta o seu patrimônio, sendo uma excelente fonte de recursos, ou seja, excelente fonte de financiamento das operações. Por outro lado, também observamos que os gastos que a entidade realiza para fazer face às suas operações podem ser custos, despesas ou investimentos. Quando os custos tornam-se despesas, ou seja, são reconhecidos no resultado, quando da ocorrência das receitas correspondentes e, quando investimentos, permanecerão no Ativo até que sejam reali- zados por consumo, desgaste (depreciação), perda de valor (amortização) ou venda. Isso significa dizer que, enquanto os gastos não forem apropriados ao resultado, eles permane- cerão no Ativo como aplicações das quais se espera retorno suficiente para cobrir os custos de financiamento (origens de recursos) das operações. Continuando, vamos conhecer ou relembrar as for- mas pelas quais é possível apurar os resultados das entida- des de acordo com os fins para os quais se pretenda utilizar tal informação. O resultado (lucro ou prejuízo) das entidades pode ser apurado de duas formas, de acordo com o fim a que se destine. • Pelo regime de caixa; e • Pelo regime de competência. Cada uma dessas formas de apuração terá uma utili- dade específica em termos de gestão financeira. O regime de caixa, por exemplo, relaciona o resultado “diretamente” ao O que é regime? Neste caso, regime diz respeito às normas que norteiam o registro contábil. 58 Co nt ab ili da de F in an ce ira fluxo de caixa, enquanto que o regime de competência, privi- legiando aspectos econômicos, relaciona o resultado ao patri- mônio das entidades. Antes de estudarmos os regimes de apuração do resul- tado, vale destacar que tal apuração, assim como a geração de qualquer outra informação originada pela contabilidade, sempre estará condicionada a um período de tempo deter- minado (mês, ano, trimestre etc.). Usualmente, tais períodos recebem as seguintes denominações: • Exercício Social - É o espaço de tempo (12 meses) em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados; ele pode coincidir, ou não, com o ano-calendário ou ano civil, de acordo com o que dispuser o estatuto ou o con- trato social. Perante a legislação do imposto de renda, é chamado de período-base (mensal ou anual) de apura- ção da base de cálculo do imposto devido. • Período contábil - Espaço de tempo escolhido para cal- cular a situação patrimonial da empresa. Normalmente é de um ano, para efeitos societários ou fiscais, mas pode ser menor para efeitos gerenciais. • Período base - É o período de tempo delimitado pela legislação tributária (mês, trimestre ou ano), compre- endido em um ano-calendário, durante o qual são apu- rados os resultados das pessoas jurídicas e calculados os impostos e contribuições. • Ano base - Período base de um ano (uso fiscal). • Ano calendário - É o período de doze meses consecuti- vos, contados de 1o de janeiro a 31 de dezembro (uso fiscal). 2.2.1 Regime de caixa O regime de caixa consiste em computar no resultado da entidade: Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 59 Receitas – somente quando efetivamente recebidas (entradas de caixa); Despesas – somente quando efetivamente pagas (saídas de caixa). 2.2.2 Regime de competência Tendo como escopo o Princípio da Competência, o regime de apuração de resultado por competência é univer- salmente adotado e é um critério aceito e recomendado pela legislação fiscal. Usualmente chamado de confrontação entre despesas e receitas, o regime de competência, segundo a Resolução CFC nº 1374/2011 (4.50) “envolve o reconhecimento simultâneo ou combinado das receitas e despesas que resultem diretamente ou conjuntamente das mesmas transações ou de outros even- tos”. Além disso, o regime de competência considera que: • Receitas devem ser reconhecidas no período em que são geradas, independentemente de recebimento. Exemplo: Receita de Vendas de Mercadorias Nesse exemplo, a receita será registrada no momento da venda, se à vista, em contrapartida com a conta Caixa e, se a prazo, em contrapartida com a conta Duplicatas a Receber, ou seja, o registro da receita independe de seu recebimento efetivo. • Despesas devem ser reconhecidas no perí- odo em que forem CONSUMIDAS/INCORRIDAS/ UTILIZADAS, independentemente de pagamento. Exemplo: Despesas Administrativas A apuração do resultado pelo regime de caixa tem cará- ter eminentemente gerencial (gestão do fluxo de caixa), podendo ser utilizado para fins fiscais, quando expressa- mente permitido pela legislação correspondente. 60 Co nt ab ili da de F in an ce ira Nesse exemplo, a despesa será registrada no momento da sua ocorrência. Se à vista, em contrapartida com a conta Caixa e, se a prazo, em contrapartida com a conta Contas a Pagar, ou seja, o registro da despesa inde- pende de seu pagamento efetivo. Vamos ver isso na prática? A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. rea- lizou as seguintes operações no mês de maio de 20XX: • Vendeu estoques de material elétrico por R$10.000,00 à vista; • Vendeu estoques de material elétrico por R$12.000,00 a prazo; • Pagou antecipadamente a despesa de aluguel do mês de junho, no valor de R$2.000,00; • Provisionou a folha de pagamentos relativa ao mês de maio, no valor total de R$3.500,00, a ser paga aos funcionários no quinto dia útil do mês de junho. Com base nesses dados, vamos apurar o resultado do mês de maio de 20XX, pelos regimes de caixa e de competência: Qual é a diferença entre os resultados apurados pelo regime de caixa e pelo regime de competência? Ambos representam a diferença entre as receitas e despe- sas da entidade, certo? O que os diferencia é, exatamente, o “momento” do reconhecimento das receitas e das des- pesas. Enquanto o regime de caixa relaciona as receitas e despesas com asentradas e saídas de caixa, o regime de competência relaciona as receitas e despesas aos períodos em que elas efetivamente ocorreram, independentemente de recebimento (receitas) ou pagamentos (despesas). Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 61 Vamos analisar esses resultados: • No regime de caixa não foram consideradas as receitas de vendas a prazo (R$12.000,00), visto que ainda não foram recebidas, não geraram “entradas” de caixa, e nem as despesas com salários (R$3.500,00), visto que estas ainda não foram pagas, não gerando “saídas” de caixa. • No regime por competência foram consideradas as receitas e as despesas incorridas no período, ou seja, receitas de R$22.000,00 e despesas de R$3.500,00. E a despesa de aluguel do mês de junho que já foi paga, não será contabilizada? Claro que sim, mas não no resultado, pois não diz respeito ao período de apura- ção, que é o mês de maio. Essa despesa, paga anteci- padamente, ficará contabilizada como Ativo até o mês seguinte, período real da sua ocorrência. • O resultado gerado pelo regime de caixa (R$8.000,00) traduz a disponibilidade real do caixa ao final do perí- odo. É uma informação importantíssima para a gestão do caixa da entidade. • Por outro lado, o resultado pelo regime de com- petência demonstra a capacidade econômica que a empresa tem para gerar resultados. Em outras palavras, LUZ AZUL COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA APURAÇÃO DO RESULTADO EM MAIO DE 20XX REGIME DE CAIXA REGIME DE COMPETÊNCIA R$ R$ Receitas de Vendas 10.000 Receitas de Vendas 22.000 Despesas de Aluguel (2.000) Despesas de Salários (3.500) RESULTADO 8.000 RESULTADO 18.500 62 Co nt ab ili da de F in an ce ira o patrimônio da empresa será acrescido, efetivamente, em R$18.500,00, independentemente da disponibili- dade de caixa. A análise do resultado por esses diferentes ângulos é fundamental, de acordo com o tipo de decisão que se pre- cise tomar com base neles. Por exemplo: se o gestor finan- ceiro precisa saber se terá dinheiro suficiente para saldar seus compromissos do mês seguinte, isto é, decisões financeiras de curtíssimo prazo, deverá recorrer ao resultado apurado pelo regime de caixa; já, se o gestor precisa tomar decisões que envolvam a capacidade de continuidade da empresa, ou decisões de financiamento ou investimento, deverá recorrer à demonstração do resultado pelo regime de competência. Ambas têm a sua importância, mas em Contabilidade, como já mencionado, somente se pode aplicar o regime de competência para registro das receitas e das despesas. Para melhor ilustrar, vamos trabalhar uma questão formulada no Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade – CFC 02/12: Uma sociedade empresária apresentou as informações abaixo do mês de agosto de 2012. Receitas realizadas e não recebidas: R$150.000,00 Despesas pagas antecipadamente e não incorridas: R$110.000,00 Receitas realizadas e recebidas: R$220.000,00 Despesas incorridas e não pagas: R$90.000,00 Receitas recebidas antecipadamente e não realizadas: R$130.000,00 Despesas incorridas e pagas: R$85.000,00 Utilizando o Princípio da Competência, o valor do resultado do período é um lucro de: a) R$155.000,00. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 63 b) R$195.000,00. c) R$315.000,00. d) R$325.000,00. A resposta correta dessa questão é a alternativa “b) R$195.000,00”. Como se chega a ela? O enunciado da questão exige a utilização do Princípio da Competência para se apurar o resultado do período, con- sequentemente, este deve ser apurado pelo “regime de com- petência”. O primeiro passo, portanto, é analisar quais contas de receitas e despesas foram efetivamente realizadas ou incor- ridas, pois esta é a regra básica imposta por essa regime de apuração: Muito bem! Resolvemos a questão corretamente, mas e as linhas do enunciado da questão que não foram utilizadas, Despesas Pagas Antecipadamente e Não Incorridas e Receitas Recebidas Antecipadamente e Não Realizadas? Nos próxi- mos tópicos vamos estudá-las! RECEITAS REALIZADAS DESPESAS INCORRIDAS R$ R$ Receitas realizadas e não recebidas 150.000 Despesas incorridas e não pagas 90.000 Receitas realiza- das e recebidas 220.000 Despesas incorri- das e pagas 85.000 Total de Receitas Realizadas 370.000 Total de Despesas Incorridas 175.000 Total de Receitas Realizadas 370.00 Total de Despesas Incorridas (175.000) Resultado do Período (Lucro) 195.000 64 Co nt ab ili da de F in an ce ira 2.2.3 Despesas pagas antecipadamente Segundo Iudícibus et al (2010, p.96): As aplicações em despesas do exercí- cio seguinte são classificadas no Ativo Circulante e geralmente representam uma parcela não muito significativa, em comparação com os demais ativos, motivo pelo qual, no Balanço, são nor- malmente apresentados pelo seu valor total3 . Tais ativos, ainda segundo os mesmos autores, men- cionando o artigo 179 da Lei nº 6404/76 – Lei das Sociedades por Ações, referem-se a aplicações de recursos que, “normal- mente, não serão recebidas em dinheiro nem representam bens fisicamente existentes, como é o caso de peças, mate- riais etc.”. Ainda segundo o artigo 179 – I da Lei nº 6404/76, os recursos aplicados em despesas do exercício seguinte serão classificados no Ativo Circulante, representando despesas que serão futuramente apropriadas como, por exemplo, alu- guéis, seguros, assinaturas de periódicos, comissões etc. Para Greco e Arend (2012, p. 64), tais antecipações não se tratam de um “Ativo Circulante no sentido verdadeiro, pois não é con- versível em meios de pagamentos, mas, sim, em algo que se situa como uma pendência a ser retificada”. Nem sempre, no entanto, os valores registrados com despesas antecipadas representam desembolso imediato de recursos. Há casos, como prêmios de seguros parcelados, por exemplo, em que tal registro estará representando valores a pagar a curto prazo. Agora complicou. Se são valores a pagar porque estão no Ativo? Vejam só: tratam -se de aplicações em despesas que ainda serão incorridas, mas que já foram 3. Grifo nosso. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 65 efetivamente “contratadas” pelo compromisso formal assu- mido com a respectiva seguradora. Utilizemos a seguinte situação para exemplificar um desses casos: • A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. contratou um seguro com a Seguradora XYZ, no valor total de R$50.000,00 para cobrir possíveis riscos de sinistros com um dos veículos de sua frota, nas seguin- tes condições: 1. Vigência do seguro: de 01.07.XX a 30.06.XX – 12 meses 2. Valor do prêmio de seguro contratado, a ser pago em 4 parcelas iguais: R$6.000,00 3. Data da contratação: 29.06.XX 4. Vencimento da primeira parcela: 30.06.XX Vejamos como seria feita a contabilização correspon- dente: • Na data da contratação (29.06.XX): Despesas Antecipadas a Seguros a Pagar - R$6.000,00 Obs.: Lançamento pelo valor total do prêmio de seguro contratado • Na data do pagamento da primeira parcela (30.06.XX) Seguros a Pagar a Caixa ou Bancos - R$1.500,00 Obs.: O mesmo lançamento será feito quando forem pagas as parcelas subsequentes. • Na data em que se configurou a ocorrência do primeiro período coberto pelo seguro, ou seja, da realização da despesa correspondente, de acordo com o regime de competência. Despesas de Seguros a Seguros a Pagar - R$500,00 Obs.: O valor equivalente a 1/12 do valor total (6.000 / 12) foi calculado de forma proporcional ao período de vigên- cia do seguro. Todos os meses, até 30.06.XX, deverá serrepe- tida a apropriação da despesa correspondente. 66 Co nt ab ili da de F in an ce ira Podemos trabalhar o entendimento da despesa anteci- pada “clássica”, ou seja, aquela que realmente foi paga antes de seu vencimento, utilizando o exemplo já citado anterior- mente, em que observamos a ocorrência de uma despesa de aluguel paga nessa condição. Ela foi refletida no resul- tado apurado pelo regime de caixa, mas não afetou o resul- tado pelo regime de competência, pelo menos não no mês do pagamento. Como a despesa se referia ao período seguinte, no regime de competência, ela só afetará o resultado do período respectivo. Entretanto, ocorreu uma saída de caixa que deve ser contabilizada, independentemente da despesa ainda não ter ocorrido. O lançamento contábil seria: Despesas Antecipadas de Aluguel a Caixa Utilizemos outro exemplo prático para entender melhor esse tipo de despesa: • A Indústria de Alimentos Pão Nosso adquiriu, no mês de junho/20XX, um lote de 10.000 folhas de papel sulfite pelo valor de R$500,00, com a finalidade de utilizá-las para a impressão geral de documentos e relatórios dos seus departamentos administrativos. O pagamento ao fornecedor, Papelaria Kalunga, foi feito à vista na data da aquisição. No final do mês, a Contabilidade constatou o consumo de 30% do estoque de papel e fez a correta apropriação do respectivo valor em conta de Despesa Administrativa. Ativo Despesas Antecipadas c/ Material Escritório Ativo Caixa Despesas Administrativas Material de Escritório (A) 500 150 (B) 500 (A) (B) 150 (A) Compra de papel sulfite, conforme NF 1200 - Kalunga - tem natureza de um INVES- TIMENTO (B) Quando o material é consumido pelos departamentos, este é alocado como DESPESA Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 67 Contabilização: (A) Para a Indústria de Alimentos Pão Nosso, a aqui- sição do lote de papel sulfite, inicialmente, é um inves- timento a ser registrado como Despesas Antecipadas – Material de Escritório. Trata-se, neste momento, de um Ativo que deverá gerar resultados futuros. Como o pagamento do papel foi feito à vista, ocorreu um desem- bolso, representado pelo lançamento na conta Caixa; (B) O consumo do papel sulfite, pelos departamentos administrativos da indústria de Alimentos Pão Nosso, constitui uma despesa administrativa com material de escritório, uma vez que esse consumo não faz parte da sua atividade operacional principal que é “fabricar alimentos”. Constata-se, então, que sempre que ocorrer a aquisição de Ativos (Investimentos) que irão se tornar despesas futu- ras, desde que não representem custos de produção de bens ou serviços, elas deverão ser diferidas pelo tempo no qual forem consumidas/utilizadas. A apropriação, no resultado, dessas despesas pagas ante- cipadamente, deverá ocorrer no período ao qual elas se refe- rem, de forma proporcional ao consumo ou utilização efetiva. 2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e resultados de exercícios futuros Conceitualmente, existe certa confusão na interpreta- ção e no registro do que possa ser considerado como receitas recebidas antecipadamente ou receitas diferidas. As receitas recebidas antecipadamente podem ter sua origem na obrigação de entrega de bens ou serviços, como os adiantamentos recebidos de clientes por conta da entrega de um produto no futuro. Tais adiantamentos não são “recei- tas” na acepção da palavra, pois a sua realização está condi- cionada à “entrega” do produto ou serviço, portanto, deverão 68 Co nt ab ili da de F in an ce ira ser registradas como uma obrigação no Passivo (Circulante ou não Circulante), de acordo com o prazo das operações. Neste caso, o adiantamento recebido deve ser contabilizado na seguinte forma: Caixa ou Bancos a Adiantamentos de Clientes Observa-se que, na realidade, trata-se somente de um adiantamento recebido e que se transformará em receita no futuro. Há situações, no entanto, em que o valor recebido não está condicionado à entrega de qualquer bem ou serviço, constituindo-se uma antecipação real de receita. Exemplo: Receitas de aluguéis recebidas antecipada- mente, no valor de R$10.000,00. Nesse caso, assim deveria ser feita a contabilização: Caixa ou Bancos a Receitas Diferidas ou Receitas Antecipadas (Passivo) - R$10.000,00 As receitas, assim classificáveis, realmente constituirão resultados de exercícios futuros de acordo com o Princípio da Competência. Por essa razão, permanecerão registradas no Passivo e somente deverão ser apropriadas ao resultado no período ao qual corresponderem. No exemplo citado, a apropriação ocorreria da seguinte forma: Receitas Diferidas ou Receitas Antecipadas a Receita de Aluguéis - R$10.000,00 Obs.: Apropriação da receita ao Resultado do período. Mas veja que estamos falando de “resultados” de exer- cícios futuros e já aprendemos que resultado diz respeito à diferença entre receitas e despesas. Isso significa que as recei- tas devem ser reconhecidas pelo seu valor “justo”, ou seja, pelo seu valor real. Assim, o valor da receita deve ser dedu- zido dos eventuais custos que lhe dizem respeito. Utilizando o exemplo anterior, vamos supor que a empresa locadora deva pagar uma taxa pactuada com a Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 69 administradora do imóvel locado, correspondente aos servi- ços de administração desse imóvel, no valor de R$1.000,00. O valor real da receita de aluguel, líquido dessa despesa necessária ao seu recebimento, seria igual à diferença entre a receita e a despesa respectiva, isto é R$9.000,00, represen- tando o “resultado” correspondente. Vejamos as contabiliza- ções complementares: Despesas Diferidas (Passivo)(1) a Encargos a Vencer (Passivo) - R$1.000,00 Obs.: (1) Conta retificadora/redutora da conta Receitas Diferidas ou Receitas Antecipadas, no Passivo Circulante ou Não Circulante, de acordo com o prazo correspondente. Despesas Administrativas a Despesas Diferidas (Passivo) - R$1.000,00 Obs.: Apropriação da despesa ao Resultado do Período. Encargos a Vencer a Caixa ou Bancos - R$1.000,00 Obs.: Pagamento da taxa de administração. Podemos concluir, então, que temos duas situações no que se refere a receitas recebidas de forma antecipada: • Aquelas que estão vinculadas à entrega de bens ou serviços e que, no momento do recebimento, na ver- dade, ainda não representam receitas, mas, obrigações; e • Aquelas que não estão vinculadas a qualquer entrega de bens ou serviços e que, realmente, portanto, representam receitas de exercícios/períodos futuros. Nesse caso, tais receitas devem ser deduzidas das des- pesas necessárias à sua geração, quando houver. 70 Co nt ab ili da de F in an ce ira 2.3 Apuração do resultado A apuração do resultado é um processo em que se reú- nem, em uma só conta transitória, todas as contas de receitas e despesas, movimentadas em um determinado período, com o propósito de apurar a ocorrência de lucro ou prejuízo nesse mesmo período. Vamos rever alguns dos procedimentos bási- cos que compõem esse processo. A técnica de apuração de resultados envolve: • A criação de uma conta transitória, geralmente denominada Apuração do Resultado; • A transferência de todos os saldos das contas de receitas e despesas para a conta da Apuração do Resultado; • A apuração do lucro ou prejuízo contábil antes do cálculo e da contabilização dos impostos e das contri- buições incidentes sobre o lucro; • A provisão dos impostos e das contribuições inci- dentes sobre o lucro; • A transferência das contas de despesas de impostos e contribuições incidentes sobre o lucro para aconta de Apuração de Resultado; • O encerramento da conta de Apuração de Resultado e a transferência do resultado apurado para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados no Patrimônio Líquido. A apuração do resultado de um determinado período é realizada mediante a utilização dos saldos apresentados no Balancete de Verificação. Assim, vamos aproveitar e também rever o que já foi aprendido sobre esse relatório contábil. A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. apresentou o seguinte Balancete de Verificação em 31/12/XX: Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 71 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31/12/XX LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. CONTAS SALDO ANTERIOR ATIVO DEVEDOR CREDOR CIRCULANTE 8.500 Caixa 300 Bancos - Conta Movimento 1.500 Duplicatas a receber 2.200 Estoque de mercadorias para revenda 4.000 Material de escritório 500 NÃO CIRCULANTE 10.000 800 Imóveis 10.000 Depreciação acumulada 800 TOTAL DO ATIVO 18.500 800 PASSIVO CIRCULANTE 1.800 Fornecedores 1.000 Contas a pagar 500 Salários a pagar 300 TOTAL DO PASSIVO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital 10.000 Lucros acumulados 2.600 TOTAL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 12.600 TOTAL DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 14.400 CONTAS DE RESULTADO Receita de vendas 18.400 Custo das mercadorias vendidas 12.000 Despesas administrativas 1.000 . Salários 300 . Aluguéis 500 . Material de escritório 50 . Energia elétrica 80 . Depreciação 70 Despesas de vendas 1.850 Despesas financeiras 250 TOTAL DAS CONTAS DE RESULTADO 15.100 18.400 TOTAIS 33.600 33.600 72 Co nt ab ili da de F in an ce ira Partindo do pressuposto de que incidirá imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, a uma alíquota de 15% e 9%, respectivamente, vamos apurar o LAIR – Lucro Antes do Imposto de Renda – e as Contribuições sobre o Lucro e provisionar ambos os encargos. Receitas de vendas (a) 18.400 18.400 SI Custo Merc Vendidas SI 12.000 12.000 (b) Despesas Financeiras SI 250 250 (c) Salários SI 300 300 (d) Aluguéis SI 500 500 (e) Material de Escritório SI 50 50 (f) Energia Elétrica SI 80 80 (g) Depreciação SI 70 70 (h) Despesas de Vendas SI 1.850 1.850 (i) IRPJ e CSLL a Recolher 792 (j) Imposto de Renda PJ (j) 495 495 (k) Contr. Social s/ Lucro (j) 297 297 (l) Apuração do Resultado (b) 12.000 18.400 (a) (c) 250 (d) 300 (e) 500 (f) 50 (g) 80 (h) 70 (i) 1.850 LAIR 3.300 BASE DE CÁLCULO IRPJ/CSLL (k) 495 (l) 297 15.892 18.400 SUBTOTAIS Cálculo IRPJ 3.300 x 0,15 = 495 Cálculo CSLL 3.300 x 0,09 = 297 Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 73 Podemos, agora, levantar o segundo Balancete de Verificação e contabilizar a transferência do lucro final para o Patrimônio Líquido, “encerrando” o período e fechando o Balanço Patrimonial: BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31/12/XX – 2º BALANCETE LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. CONTAS SALDO ANTERIOR MOVIMEN- TAÇÃO SALDO FINAL DEVE- DOR CRE- DOR DÉBI- TOS CRÉDI- TOS DEVE- DOR CRE- DOR ATIVO CIRCULANTE 8.500 - - 8.500 - Caixa 300 - - 300 - Bancos Cta. Movimento 1.500 - - 1.500 - Duplicatas a receber 2.200 - - 2.200 - Estoque Mercadorias 4.000 - - 4.000 - Material de escritório 500 - - 500 - NÃO CIRCULANTE 10.000 800 - - 10.000 800 Imóveis 10.000 - - 10.000 - Depreciação acumulada 800 - - 800 TOTAL DO ATIVO 18.500 800 - - 18.500 800 PASSIVO CIRCULANTE 1.800 - - - 2.592 Fornecedores 1.000 - - - 1.000 Contas a pagar 500 - - - 500 Salários a pagar 300 - - - 300 IRPJ e CSLL a Recolher - - 792 - 792 TOTAL DO PASSIVO 1.800 - 792 - 2.592 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital 10.000 - - - 10.000 Lucros acumulados 2.600 - - - 2.600 TOTAL DO PATRI- MÔNIO LÍQUIDO 12.600 - - - 12.600 74 Co nt ab ili da de F in an ce ira Agora, vamos encerrar o resultado do período e trans- feri-lo para o patrimônio da Luz Azul Materiais Elétricos Ltda. TOTAL DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 14.400 - 792 - 15.192 CONTAS DE RESULTADO Receita de vendas 18.400 18.400 - - - Custo das Mercador- ias Vendidas 12.000 - - 12.000 - - Despesas administrativas 1.000 - - 1.000 - - . Salários 300 - - 300 - - . Aluguéis 500 - - 500 - - . Material de escritório 50 - - 50 - - . Energia elétrica 80 - - 80 - - . Depreciação 70 - - 70 - - Despesas de vendas 1.850 - - 1.850 - - IRPJ - - 495 495 - - CSLL - - 297 297 - - Despesas financeiras 250 - - 250 - - APURAÇÃO DO RESULTADO - - 15.892 18.400 15.892 18.400 TOTAL DAS CONTAS DE RESULTADO 15.100 18.400 35.084 35.084 - - TOTAIS 33.600 33.600 35.084 35.876 34.392 34.392 Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 75 Finalmente, podemos fechar o Balanço Patrimonial: Apuração do Resultado (b) 12.000 18.400 (a) (c) 250 (d) 300 (e) 500 (f) 50 (g) 80 (h) 70 (i) 1.850 (k) 495 (l) 297 297 2.508 (m) Lucros Acumulados 2.508 (m) 2.508 SF BALANÇO PARTRIMONIAL EM 31/12/XX (Em milhares) LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. ATIVO R$ PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ CIRCULANTE 8.500 CIRCULANTE 2.592 Caixa 300 Fornecedores 1.000 Bancos Cta. Movimento 1.500 Contas a pagar 500 Duplicatas a receber 2.200 Salários a pagar 300 Estoque Mercadorias 4.000 IRPJ e CSLL a Re-colher 792 Material de escritório 500 TOTAL DO PASSIVO 2.592 NÃO CIRCULANTE 9.200 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Imóveis 10.000 Capital 10.000 Depreciação acumulada (800) Lucros acumulados 5.108 TOTAL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 15.108 TOTAL DO ATIVO 17.700 TOTAL 17.700 76 Co nt ab ili da de F in an ce ira Terminamos, assim, de estudar o que pretendíamos nesta aula, mas será que conseguimos alcançar os objetivos iniciais propostos? Chegou a hora daquele momento de refle- xão, superimportante na evolução do nosso aprendizado. Não podemos deixar nenhuma dúvida pendente para poder- mos evoluir com segurança! Se respondemos positivamente a essas pergun- tas, podemos continuar. Na próxima aula nos aguarda um assunto muito importante no que se refere às análises finan- ceiras necessárias para a tomada de decisão. Vamos conhecer as provisões contábeis e as despesas que não afetam o caixa das entidades. Objetivos de aprendizagem Entendemos porque o lucro é a principal origem de recursos para uma entidade? Somos capazes de apurar o resultado contábil de uma entidade, utilizando os regimes de caixa e de competên- cia, de acordo com os princípios contábeis? Sabemos como apropriar o resultado apurado ao patri- mônio da entidade? Vamos relembrar? A nossa segunda aula permitiu que entendêssemos o lucro como a principal fonte de recursos de uma empresa, posto que, quando este permanece, mesmo que em parte, na entidade ele pode ser utilizado nas operações sem qualquer custo financeiro. Se compreendemos a importância do lucro, foi preciso relembrar como fazer para apurá-lo e, assim, revimos vários conceitos interessantes sobre as contas de resultado – Receitas e Despesas –, além de verificarmos como apu- rar os resultados pelos regimes de caixa e de competência. Vimos também quando podemos utilizar esses diferentes tipos de apuração de resultados. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 77 Qu estões pa r a r eflex ão O miniartigo transcrito a seguir aborda, de forma bas- tante interessante, o tema que acabamos de estudar. O autor sugere formas de reinvestir o lucro na empresa, ressaltando aspectos importantesque podem resultar dessa decisão. Após leitura atenta do artigo, procure responder às seguintes questões. Será uma forma de checar o quanto você entendeu sobre o conteúdo estudado. 1. Quando o autor se refere a “saldo positivo” de lucro, ele está se referindo a que tipo de lucro: aquele apu- rado pelo regime de competência ou aquele apurado pelo regime de caixa? 2. Por que o autor enfatiza que é “obrigação” do gestor manter parte do lucro reinvestido na empresa? 3. Você sabe o que é capital de giro? Pesquise a respeito. Antes de inserir o lucro ao patrimônio de uma empresa hipotética, precisamos rever, também, como se processa a apuração de resultado, visualizando os saldos das contas e a movimentação contábil nos Balancetes de Verificação. Finalmente, depois de apurado o resultado, provisiona- mos os impostos e as contribuições devidos sobre o lucro e “fechamos” o Balanço Patrimonial. Assim, alguns empresários já programam investimen- tos de médio e longo prazo, aplicando parte do lucro da empresa em investimentos bancários ou imóveis, no intuito de ampliar sua atuação no futuro. Disponível em http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de- -especialista/noticias/como-reinvestir-o-lucro-da-sua- -empresa. Acessado em 21/07/2013. 78 Co nt ab ili da de F in an ce ira Você sabia? Como reinvestir o lucro da sua empresa? Os três caminhos mais comuns são reinvestir em capi- tal de giro, na estrutura da empresa ou a longo prazo - Editado por Priscila Zuini. Respondido por Maurício Galhardo, especialista em finanças Saber distinguir “saldo positivo” de “lucro” é importante, pois assim entenderemos se uma empresa realmente está gerando bons resultados ou se simplesmente está pas- sando por um período bom de caixa. Quando realmente é determinado que a empresa gera lucros, é preciso definir como e quando fazer a distribuição. Os três caminhos mais comuns são reinvestir em capital de giro, na estrutura na empresa ou no longo prazo. É sempre bom manter certa quantia em dinheiro (ou em investimentos de curto prazo) para eventuais necessidades. Quando uma empresa cresce e assume contratos maiores, vale reestudar o fluxo de caixa para prever possíveis faltas. Assim, para períodos de caixa baixo, ter uma reserva pos- sibilitará passar por estes momentos sem sufocos e sem utilizar de dinheiro de terceiros (pagando juros, consequen- temente). Para empresas novas, que sentem mais a sazona- lidade, ou que ainda não possuem um bom planejamento financeiro, vale guardar certo capital de giro pelo menos até entender o mercado e conhecer seus altos e baixos. Seja em máquinas, veículos, modernização de sistemas ou treinamento da equipe, é sempre bom manter uma empresa atualizada, moderna, com equipamentos novos e confiáveis. Isso garantirá satisfação dos clientes, confia- bilidade nos processos produtivos, aumento (ou garantia) de vendas e uma imagem de empresa próspera, tanto aos clientes quanto aos colaboradores. Pode-se dizer que é “obrigação” de qualquer gestor man- ter parte do lucro de uma empresa reinvestido nela pró- pria. É o ideal para empresas mais antigas, tradicionais ou que atendam um público exigente por tendências. Quando uma empresa faz pagamentos regulares de divi- dendos/lucros aos seus sócios, isso também pode ser considerado um reinvestimento. Satisfeitos, os sócios cos- tumam alavancar o negócio ainda mais, muitas vezes fazendo a injeção de capital na própria empresa, seja em novos departamentos ou filiais em outras cidades. Pr in ci pa l o rig em d e r ec ur so s: o lu cr o 79 lei t u r as r ecom en da das FRITZEN, G. L. Um estudo sobre a destinação legal do lucro dentro de uma empresa. REVISTA TECAP, Rio de Janeiro, v.3, n.3, p. 50-58. 2009. Disponível em: http://revistas.utfpr. edu.br/pb/index.php/CAP/article/view/929/540 SCHERER, L. M.; MARTINS, E. Manutenção de capital e dis- tribuição de dividendos. Rev. FAE, Curitiba, v.6, n.2, p.65-83, maio/dez. 2003. Disponível em: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v6_ n2/06_Luciano%20e%20Elis.pdf li n Ks i n dica dos www.cfc.org.br www.receita.fazenda.org.br r ef er Ênci as GOLDRATT, E. M.; COX, J. A meta. 2 ed. São Paulo: Nobel, 2002. GRECO, A.; AREND, L.. Contabilidade: teoria e prática bási- cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012. IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: Atlas, 2006 NETO, A. A. Estrutura e análise de balanços. 8 ed. São Pau- lo: Atlas, 2009. ( 3 ) Provisões contábeis e despesas que não afetam o caixa Olá prezados alunos, Mais uma porta no nosso trajeto! Esta já é a terceira, estamos evoluindo. Na aula anterior revimos os conceitos e o tratamento das contas de resultado, isto é, receitas e despesas. Destas, podemos inferir que receitas, em algum momento, represen- tarão entradas de caixa e que despesas, ao contrário, repre- sentarão saídas de caixa. Nesta aula vamos aprender que nem sempre as despe- sas afetarão diretamente o caixa da entidade, como também iremos aprender a usar corretamente o termo “provisões”, cujo uso, por muito tempo, não retratou corretamente o sig- nificado da palavra e que, atualmente, em função da adoção de normas contábeis internacionais deve retratar o que real- mente representam. 84 Co nt ab ili da de F in an ce ira E que importância tem isto na Contabilidade Financeira? Enorme! Vejam só, se o objetivo é tomar decisões de cunho financeiro, ao analisarmos o resultado de uma enti- dade, bem como os seus passivos (obrigações com terceiros), ao identificarmos quais são os valores que não irão significar saídas de caixa, saberemos que o fluxo financeiro não será afetado por tais valores, o que nos permitirá tomar decisões mais seguras. Muito bem. Mas antes de estudarmos esse assunto tão importante e interessante, vamos estabelecer nossos objeti- vos. Ao final desta aula, deveremos ser capazes de: Com esses propósitos, esta aula será estruturada da seguinte forma: 3.1 Provisões: conceito e efeitos no resultado 3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e previsões/estimativas 3.1.2 Constituição de provisões 3.1.3 Reversão de provisões e de perdas estimadas 3.1.4 Principais provisões • Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa • Provisão para ajuste ao valor de mercado ou ao valor justo Objetivos de aprendizagem Entender qual a diferença entre “provisões” e “previsões”; Usar corretamente o termo “provisão” de acordo com o seu real significado; Contabilizar as principais provisões contábeis; Conhecer e contabilizar as principais despesas que não afetam o caixa. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 85 • Ajuste ao valor presente 3.2 Despesas que não afetam o caixa 3.2.1 Depreciação do Imobilizado 3.2.2 Amortização e Exaustão Bom estudo a todos! 3.1 Provisões: conceitos e efeitos no resultado Provisão caracteriza o ato de prover alguma coisa, ou seja, abastecer com algum tipo de recurso ou, em outras pala- vras, reservar recursos. Em Contabilidade, o significado não é diferente, provisionam-se recursos quando se tem conheci- mento de que eles serão necessários no futuro. As “provisões”, segundo Greco e Arend (2012, p. 387), representam: Parcelas consideradas despesas, destinadas a cobrir perdas prováveis ou estimadas pela não realização de valores registrados em contas do Ativo, ou que representam obriga- ções específicas, a serem cumpridas no futuro, lançadas em contas do Passivo. Fica claro nessa definiçãoque as provisões para fins contábeis não só abrangem as reservas de recursos para saldar as obrigações futuras, como também aque- les recursos necessários para cobrir possíveis perdas de valor dos ativos. 86 Co nt ab ili da de F in an ce ira Até pouco tempo atrás, o termo “provisão” foi ampla- mente utilizado na contabilidade para referência e regis- tro de qualquer obrigação ou, ainda, na redução de ativos para ajustes a seu menor valor, conforme preconizado por Greco e Arend, citados no parágrafo anterior. Alguns exem- plos seriam: Provisão para Pagamentos a Efetuar; Provisão para Perdas por Desvalorização; Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa etc. Entretanto, o processo de con- vergência para as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), oficialmente iniciado com a emissão da Lei nº 11.638, de dezembro de 2007, requer que se ajuste velhos hábitos a concepções mais modernas e que, no caso em questão, real- mente, melhor informem o usuário da informação contábil. Assim, seguindo os conceitos internacionais, expres- sos particularmente no Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisão e Passivo e Ativo Contingentes, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, o termo “provisão”, na Contabilidade, deve referir-se apenas aos passivos (obriga- ções) com prazo ou valor incerto (estimados). Para os valores que representam a redução de ativos, registrados nas contas redutoras, deve-se adotar a expressão “perdas estimadas”. Desta forma, a conta Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, por exemplo, passa a ser chamada por Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa. Flash back Lembram-se das Contas Redutoras ou Retificadoras do Ativo? Algumas contas do Ativo têm a função de “deduzir”, dos saldos de outras contas do mesmo grupo, valores que se destinam a ajustar esses saldos de forma que, obedecendo ao Princípio da Prudência, os respectivos ativos sejam demonstrados pelo seu menor valor. Tais contas são cha- madas de “redutoras” ou “retificadoras”. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 87 3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e previsões/estimativas Na realidade, como já vimos, as provisões contábeis, como “provimento” de recursos, considerando sua definição “ao pé da letra”, poderiam dizer respeito a obrigações já cons- tituídas (líquidas e certas) ou, ainda, a obrigações ou a passi- vos cujo valor está sendo estimado, isto é “previsto”, sem que se tenha absoluta certeza da sua ocorrência. Entretanto, há que se distinguir as seguintes situações: a) Contas a pagar - são passivos a pagar por conta de bens ou serviços fornecidos ou recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados com o for- necedor, isto é, obrigações reais já assumidas. Ou seja, não há o que se falar em reserva de recursos, visto que se trata de uma obrigação conhecida que deve ser efetivamente paga (passivos genuínos). Estas não são verdadeiras provisões, uma vez que já são obrigações reais, onde se subentende que o provimento de recur- sos para pagamento já deve estar previsto no fluxo de caixa da entidade, visto que não há incerteza sobre a necessidade da respectiva liquidação. b) Provisões derivadas de apropriações por compe- tências – são obrigações já existentes que, para aten- dimento ao Princípio da Competência, são registradas no período a que se referem, mas para pagamento futuro. Assim como as contas a pagar são obrigações que podem ser consideradas reais, visto que o grau de incerteza nesses casos é absolutamente irrelevante, pode-se, então, afirmar que também não são verdadei- ras provisões. Alguns exemplos: salários, 13º salário, férias, encargos sociais etc. que deverão ser registra- dos como Salários a Pagar, 13º Salário a Pagar, Férias a Pagar, Encargos Sociais a Pagar etc. 88 Co nt ab ili da de F in an ce ira c) Provisões destinadas a cobrir possíveis obriga- ções futuras, sobre as quais se tenha razoável certeza da liquidação – são provisões constituídas, utili- zando-se valores estimados, destinadas a fazer face a “possíveis” obrigações futuras, mas que ainda não são obrigações constituídas. Por exemplo, no caso de processos trabalhistas em andamento se tem razoável certeza de que a maioria das causas trabalhistas são ganhas pelo reclamante, o que obriga que a possibi- lidade de a entidade ter que pagar o valor estimado correspondente seja registrado contabilmente, ou seja, “provisionado”. Essa, sim, caracteriza uma provisão na acepção completa da palavra. A entidade estará pro- visionando recursos diante da “quase certeza” de que ocorrerão desembolsos futuros. Iudícibus et al (2010, p. 333), assim explica o que deve ser considerado como provisão: “as provisões podem ser dis- tinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e sobre os valores que serão desembolsados ou exigi- dos para sua liquidação”. É correto afirmar, portanto, que: • Os valores que correspondem a perdas estimadas pela não realização de ativos (contas redutoras) devem ser tratados como: PERDAS ESTIMADAS (Ex.: Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa). • Os valores resultantes de obrigações reais (con- tas a pagar e provisões derivadas de apropriações por competência) devem ser tratados como: VALORES A PAGAR (Ex.: Férias a pagar). • Provisões sobre as quais há incertezas sobre os pra- zos e os valores de realização devem ser tratadas como: PROVISÕES (Provisão para riscos trabalhistas). Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 89 Neste ponto, vale ressaltar um assunto que não será estudado a fundo neste momento, mas que deve ser abordado por estar correlacionado às provisões. Trata-se dos “passivos contingentes”. A palavra contingência nos remete à possibilidade de que alguma coisa venha ou não a acontecer, isto é, uma situa- ção de incerteza. Por conseguinte, entende-se que um passivo contingente é uma obrigação que pode se concretizar. Neste caso, tais passivos não são reconhecidos contabilmente. Em outras palavras, não serão constituídas provisões para passi- vos contingentes. Ora, mas por que, se as provisões são cons- tituídas justamente quando há incertezas sobre os prazos e os valores de realização de uma obrigação? O Pronunciamento Técnico CPC 25, em seu Apêndice C, fornece o seguinte exemplo (10-A) de passivo contingente que, em um primeiro momento não é reconhecido, mas, que mais tarde, torna-se apto para ser considerado como provisão: exemplo – caso judicial: Após um casamento em 20XX, dez pessoas morreram, possivelmente pela inges- tão de alimentos envenenados, oriundos de produtos vendidos pela entidade. Procedimentos legais são instau- rados para solicitar a indenização da entidade, mas ela disputa o caso judicialmente. Até a data da autorização para a publicação das demonstrações contábeis do exer- cício findo em 31 de dezembro de 20XX, os advogados da entidade aconselham que é provável que a entidade não será responsabilizada. Entretanto, quando a entidade “O termo ‘contingente’ é utilizado para passivos e ativos não reconhecidos em virtude de sua existência depender de um ou mais eventos futuros incertos que não estejam totalmente sob o controle da instituição”. Iudícibus et al (2010, p. 333). 90 Co nt ab ili da de F in an ce ira elabora as suas demonstrações contábeis para o exercício findo em 31 de dezembro de 20XX, os seus advogados aconselham que, dado o desenvolvimento do caso, é pro- vável que a entidade será responsabilizada. (a) em 31 de dezembro de 20xx Obrigação presente como resultadode evento passado que gera obrigação, baseado nas evidências disponíveis até o momento, em que as demonstrações contábeis foram aprovadas, não há obrigação como resultado de eventos passados. Conclusão – Nenhuma provisão é reconhecida. A ques- tão é divulgada como passivo contingente, a menos que a probabilidade de qualquer saída seja considerada remota. (b) em 31 de dezembro de 20xx (ano seguinte) Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação – Baseado na evidência disponível, há uma obrigação presente. Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação – Provável. Conclusão – Uma provisão é reconhecida pela melhor estima- tiva do valor necessário para liquidar a obrigação. As condições para que uma provisão seja reconhecida contabilmente serão discutidas no próximo tópico. 3.1.2 Constituição de provisões O Pronunciamento Técnico CPC 25, em seu item 14, determina que uma “provisão” somente deve ser reco- nhecida quando atender às seguintes condições, de forma cumulativa, ou seja, “todas” devem ser atendidas ao mesmo tempo: Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 91 Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma pro- visão deverá ser reconhecida. O que é uma obrigação presente? É a obrigação que pos- sui evidências disponíveis de que é provável que ela venha a existir. O que é um evento passado? É aquele evento/aconteci- mento que tem condições de criar obrigações. Entende-se que uma obrigação é criada quando a sua liquidação for obrigató- ria, isto é, quando a entidade não tem outra alternativa a não ser liquidar a obrigação. O que é probabilidade de saída de recursos? É a possibili- dade sobre a qual se tem razoável certeza de que será necessá- ria a saída de recursos que incorporem benefícios econômicos (ativos representados por dinheiro, bens ou direitos) para a liquidação da obrigação. O que é estimativa confiável? É a estimativa que resulta de um conjunto de possibilidades possíveis previstas pela entidade para a mensuração do valor a ser provisionado, con- siderando os riscos e as incertezas envolvidas. Será constitu- ída pela melhor estimativa de desembolso para a liquidação da obrigação na data do Balanço. Mensuração do valor da provisão ou perda estimada Já vimos que o “valor estimado” deverá represen- tar a melhor estimativa de desembolso para a liquidação da obrigação, mas como determinar qual é a melhor estimativa? Uma provisão deve ser reconhe- cida quando: (a) a entidade tem uma obrigação pre- sente (legal ou não formaliada) como resultado de um evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa con- fiável do valor da obrigação. 92 Co nt ab ili da de F in an ce ira O Pronunciamento Técnico CPC 25 assim esclarece: As incertezas que rodeiam o valor a ser reconhecido como uma provisão são tratadas por vários meios de acordo com as circunstâncias. Quando a pro- visão a ser mensurada envolve uma grande população de itens, a obriga- ção é estimada ponderando-se todos os possíveis desfechos pelas suas proba- bilidades associadas. O nome para esse método estatístico de estimativa é “val- or esperado”. Portanto, a provisão será diferente dependendo de a probabili- dade de uma perda de um dado valor ser, por exemplo, de 60 por cento ou de 90 por cento. Quando houver uma es- cala contínua de desfechos possíveis, e cada ponto nessa escala é tão provável como qualquer outro, é usado o ponto médio da escala (CPC 25, item 39). O mesmo item do citado pronunciamento fornece o seguinte exemplo (adaptado pela autora): Assim, a entidade irá avaliar a probabilidade de uma saída para as obrigações de garantias como um todo. O valor esperado do custo das reparações é: Uma entidade vende bens com uma garantia segundo a qual os clientes estão cobertos pelo custo das reparações de qualquer defeito de fabricação que se tornar evidente dentro dos primeiros seis meses após a compra. Se forem constatados defeitos menores em todos os produtos ven- didos, a entidade irá incorrer em custos de reparação cor- respondentes a R$1 milhão. Se forem constatados defeitos maiores em todos os produtos vendidos, a entidade irá incorrer em custos de reparação de R$4 milhões. A expe- riência passada da entidade e as expectativas futuras indicam que, para o próximo ano, 75 por cento dos bens vendidos não terão defeito, 20 por cento dos bens vendi- dos terão defeitos menores e 5 por cento dos bens vendi- dos terão defeitos maiores. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 93 Como ficaria a contabilização dessa provisão? Vamos lá: Como ficaria esse lançamento em razonetes? Veja a seguir. Cálculo do Valor Estimado (75 % x 0) 75% do custo de reparação de bens vendidos que não terão defeito, ou seja zero. + (20 % x R$1 milhão) 20% do custo de reparação de bens vendidos que apre- sentarem defeitos menores. + (5 % de R$4 milhões) 5% do custo de reparação de bens vendidos que apresen- tarem defeitos maiores. = R$400.000 = Valor “estimado” da provisão Essa pode ser considerada a melhor estimativa de valor do desembolso necessário a ser feito face à liquidação da obrigação presente na data do Balanço. D Despesas com Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$400.000 Conta de Resultado C Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$400.000 Conta de Passivo Valor referente ao provisionamento de custos de possíveis reparos em bens vendidos 94 Co nt ab ili da de F in an ce ira Constituímos uma provisão, certo? Mas, no caso de uma perda estimada, como seria a respectiva contabilização? Vamos supor a seguinte situação: Uma entidade tem Duplicatas a Receber, contabiliza- das em seu Ativo, no valor de R$800.000. Historicamente, ao longo dos últimos três anos, foi constatada uma inadimplência média de 20% do total das Duplicatas a Receber nesses perí- odos. Assim, em obediência aos princípios contábeis, a enti- dade irá constituir uma conta redutora do ativo Duplicatas a Receber, a fim de demonstrá-lo pelo seu menor valor, ou seja, aquele valor que, provavelmente, será efetivamente recebido. Primeiramente, vamos calcular qual seria o valor da perda estimada: Agora vamos contabilizar esse valor: Despesas c/ Provisão p/ Reparos Provisão para reparos de Bens D C D C 400.000 400.000 400.000 400.000 20% x 800.000 = 160.000 D Despesa com Perdas Estimadas com Crédi- tos de Liquidação Duvidosa R$160.000 Conta de Resultado C erdas Estimadas com Créditos de Liquida- ção Duvidos R$160.000 Conta de Ativo Valor referente a perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 95 E os razonetes? No Balanço Patrimonial teríamos: Mais adiante vamos voltar a conversar sobre essa pos- sível perda com créditos de liquidação duvidosa. Reavaliação do valor das provisões As provisões constituídas devem ser reavaliadas em cada data de Balanço e ajustadas para refletir, exa- tamente, a melhor estimativa de desembolso para liqui- dação nessas datas. Quando necessário, as provisões devem ser revertidas, parcial ou integralmente ou, ainda, complementadas. No exercício seguinte recalcula-se o valor das perdas estimadas e realiza-se nova constituição, após a realização das perdas efetivas por meio da baixa dos créditos realmente nãorecebidos, como veremos em “perdas estimadas para cré- ditos de liquidação duvidosa”. Despesas c/ Perdas Estimadas p/ Créditos de Liq Duv Perdas Estimadas p/ Créditos de Liq Duvidosa D C D C 160.000 160.000 160.000 160.000 Duplicatas a Receber R$800.000 (-) Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa (R$160.000) 96 Co nt ab ili da de F in an ce ira 3.1.3 Reversão de provisões e de perdas estimadas As reversões das provisões e das perdas estimadas decorrem das respectivas reavaliações realizadas periodica- mente. Quando não foram utilizadas, tais provisões ou per- das estimadas devem ser revertidas a crédito do resultado e, quando for o caso, constitui-se nova provisão ou perda estimada. Vamos voltar ao exemplo anterior e supor que, ao final do período, somente foram gastos R$320.000 do valor provi- sionado para reparos em bens vendidos. Como ficaria o lançamento contábil da reversão de parte da provisão anteriormente constituída? (refazer) 1 – Baixa da provisão pelo valor efetivamente gasto: 2 – Reversão “parcial” da provisão originalmente constituída: Vejam os razonetes: D Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$320.000 Conta de Passivo C Caixa ou Bancos R$320.000 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento de reparos de bens vendidos D Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$80.000 Conta de Passivo C Receita de Reversão de Provisões R$80.000 Conta de Resultado Valor referente à reversão parcial da pro- visão constituída para custos de reparos em bens vendidos Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 97 Da mesma forma, após a reavaliação do valor de uma perda estimada, em se constando mudanças no valor origi- nalmente contabilizado, deve-se proceder a reversão parcial ou total desse valor. Vamos supor que no exemplo dado anteriormente, relativo a perdas estimadas para a carteira de Duplicatas a Receber, o setor de cobrança da entidade foi extremamente eficiente e 30% dos possíveis inadimplentes pagaram seus débitos dentro do período base. Conclui-se que metade da perda estimada foi desnecessária. Assim, é preciso reverter esse valor da perda estimada excedente. Vamos calcular qual seria esse valor: Provisão para reparos de Bens Caixa D C D C 320.000 400.000 320.000 80.000 Provisão para Reparos de Bens Receita de Reversão de Provisões D C D C 320.000 80.000 400.000 80.000 80.000 Perdas estimadas = R$160.000,00 Valor dos débitos liquidados pelos inadimplentes = 30% x 160.000 = R$48.000,00 Valor da perda estimada realizada = 160.000 – 48.000 = R$112.000,00 98 Co nt ab ili da de F in an ce ira Portanto, R$48.000 é o valor da perda estimada a ser revertido. Vamos contabilizar? 1 – Pelo recebimento dos créditos: 2 – Pela reversão parcial das perdas estimadas: Os razonetes seriam os seguintes: 1 – Pelo recebimento dos créditos: D Caixa R$400.000 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$400.000 Conta de Ativo Recebimento de duplicatas a receber de diversos clientes D Perdas Estimadas para Créditos de Liquida- ção Duvidos R$48.000 Conta de Ativo C Receita de Reversão de Provisões R$48.000 Conta de Resultado Valor referente à reversão parcial de provisão constituída para créditos de liquidação duvidosa Caixa Duplicatas a Receber D C D C 48.000 800.000 48.000 752.000 Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 99 2 – Pela reversão parcial da perda estimada 3.1.4 Principais provisões Sempre que ocorrerem eventos que justifiquem a cons- tituição de provisões ou o ajuste do valor de ativos pela cons- tituição de perdas estimadas, elas devem ser realizadas em função do que dispõe o Princípio da Prudência. São exemplos de provisões: • Provisão para garantias de produtos, bens ou serviços; • Provisão para riscos fiscais; • Provisão para riscos trabalhistas; • Provisão para danos ambientais causados pela entidade; • Provisão para penalidades por quebra de contratos; • Provisão para contratos de construção; • Provisão para ajuste ao valor de mercado; • Provisão para ajuste ao valor presente; entre outras. • São exemplos de perdas estimadas: • Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa; • Perdas estimadas em estoques; Perdas estimadas para Créditos de Liq Duvidosa Receita de Reversão de Provisões D C D C 48.000 160.000 48.000 112.000 48.000 100 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Perdas estimadas para redução ao valor realizável líquido; • Perdas estimadas por valor não recuperável de ati- vos imobilizados; entre outras. Vamos destacar algumas dessas provisões e perdas estimadas para ilustrar o nosso estudo. Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa Como visto anteriormente, a constituição de perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa condiciona- -se à existência da incerteza do recebimento pela entidade das suas contas a receber. Há que se ressaltar que tais perdas são “estimadas”, ou seja, não são ainda efetivas, razão pela qual a legislação fis- cal não permite a sua dedução na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das empresas. Tal estimativa, no entanto, deve ser feita em consonân- cia do que é previsto pelas normas internacionais e, também, em função do Princípio Contábil da Prudência. O conceito que embasa a constituição de tal perda, segundo Iudícibus et al (2010, p. 57), “é inerente à estimativa do valor recuperável do ativo”, visando atender à valorização da informação ao usuário da contabilidade, demonstrando o real valor que se espera obter em termos de benefícios econô- micos futuros pelo ativo correspondente. Mensuração A mensuração do valor a ser contabilizado como per- das estimadas em créditos de liquidação duvidosa está con- dicionada às peculiaridades de cada empresa. Geralmente são estudadas as situações que envolvem os clientes já em Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 101 inadimplência ou, ainda, que já estejam prestes a serem declarados inadimplentes, além de outros aspectos relativos à probabilidade ou não de recebimentos dos créditos como, por exemplo, experiências já ocorridas ou outras mudanças no contexto de atuação da entidade. Como se pode perceber, deve ser feita uma “seleção” dos casos que possam ser considerados na composição do valor da perda. Contabilização Contabilmente, as perdas com estimativas de crédito de liquidação duvidosa contemplam as seguintes situações: • Constituição da perda estimada (já estudada no item 3.1.2); • Reversão da perda estimada quando constituída em excesso, buscando adequá-la ao valor efetivamente perdido (já estudada no item 3.1.3); • Realização da perda estimada quando a entidade considerar que os créditos aos quais ela se refere real- mente não serão recebidos, ou seja, são incobráveis; e • Baixa dos créditos como perdas efetivas do período quando o valor da estimativa já constituída tenha sido inferior às perdas realmente incorridas. Vamos exemplificar as três últimas situações, visto que as duas primeiras já foram demonstradas. 1. Realização da perda estimada quando a entidade conside- rar que os créditos aos quais ela se refere realmente não serão recebidos, ou seja, são incobráveis. No exemplo trabalhado anteriormente, foi consti- tuída uma perda estimada no valor de R$160.000,00, tendo sido revertida posteriormente ao valor de R$48.000,00,102 Co nt ab ili da de F in an ce ira permanecendo um saldo de perdas estimadas no valor de R$ 112.000,00. Os créditos a receber de alguns clientes, no valor de R$83.000,00, computado nesse saldo, foi considerado inco- brável, ou seja, não há qualquer possibilidade de recebimento pela entidade em questão. Isso significa que a perda deixou de ser “estimada” e passou a ser “realizada”, isto é, tornou-se uma perda real. Vejamos como seria a contabilização: Usando razonetes: 2. Baixa dos créditos como perdas efetivas do período quando o valor da estimativa já constituída tenha sido inferior às per- das realmente incorridas. Ao final do ano base, a nossa entidade concluiu que a sua carteira de duplicatas a receber, na realidade, tinha um número maior de créditos “podres”, ou seja, de créditos sem condições de recebimento, cujo valor de R$55.000,00 excedia D Perdas Estimadas para Créditos de Liquida- ção Duvidosa R$83.000 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$83.000 Conta de Ativo Valor da realização de perdas estima- das referentes a créditos incobráveis Perdas Estimadas para Créditos de Liq Duvidosa Provisão para reparos de Bens D C D C 48.000 83000 160.000 800.000 48.000 83.000 29.000 669.000 Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 103 o saldo das perdas estimadas. Nesse caso, considerando que se trata de perda real, o valor excedente deverá ser levado diretamente ao resultado do período, da seguinte forma: Valor das perdas efetivas = R$55.000,00 (-) Saldo das perdas estimadas = (R$29.000,00) Valor a ser contabilizado como perdas do período = R$26.000,00 Os razonetes seriam estes: Provisão para ajuste ao valor de mercado ou a valor justo Embora muito usada em finanças, a expressão “valor de mercado” passou a fazer parte do cotidiano contábil com D Despesas de Vendas/ Perdas com créditos de liquidação duvidosa R$26.000,00 Conta de Resultado D Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa R$29.000,00 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$55.000,00 Conta de Ativo Valor da realização de perdas efetivas com créditos incobráveis Perdas Estimadas para Créditos de Liq Duvidosa Duplicatas a Receber Perdas Efetivas com Créditos de Liq Duvidosa D C D C D C 48.000 83.000 29.000 160.000 800.000 48.000 83.000 55.000 26.000 614.000 26.000 104 Co nt ab ili da de F in an ce ira maior intensidade muito recentemente, assim como a expres- são “valor justo” (fair value), introduzida juntamente com as normas internacionais de contabilidade. Em alguns momen- tos, essas expressões podem se confundir e significarem a mesma coisa. O valor de mercado é aquele valor que um mercado estaria disposto a pagar por um ativo ou a aceitar para a liqui- dação de um passivo em qualquer data. Assim, subentende- -se que para que algo seja avaliado a valor de mercado deve “existir” um mercado ativo, o que nem sempre ocorre. O valor justo é o valor de uma transação justa realizada com terceiros à organização, sem qualquer tipo de favoreci- mento, isto é, o quanto alguém de fora da organização estaria disposto a pagar por um ativo, ou aceitar para a liquidação de um passivo, sem qualquer tipo de concessão. Na realidade, é também um valor de mercado, mas independe da existência de um mercado ativo, pois pode ser apurado de outras for- mas, como em técnicas de apreçamento4. Assim, pode-se afir- mar que, quando houver mercado, o valor justo será o mesmo que o praticado nesse mercado. Muito bem. Mas quando se faz provisão para valor de mercado ou valor justo? Em situações muito específicas. Por enquanto, a título de exemplo, vamos estudar somente a hipótese dos estoques de matérias-primas e outros materiais utilizados na produção. Outras situações serão estudadas no curso, mais à frente. No caso dos estoques citados, o § 1º do artigo 183 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 11.941/08, determina que eles tenham seus valores ajustados de forma a refletirem o seu valor justo: “preço pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado”, o que significa preço de reposição, ou 4. Técnicas de apreçamento são técnicas de atribuição de preços Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 105 seja, o quanto tais estoques custariam se fossem adquiridos no mercado na data do Balanço. Na ocorrência de um valor justo menor que o valor contábil, este deverá ser ajustado por meio de uma provisão. Essa provisão a valor de mercado dos estoques é chamada Perda Estimada para Redução ao Valor Realizável Líquido. Bem, vamos ver como funciona na prática? Imagine que uma indústria moveleira tem em seus estoques os seguintes materiais: Importante: O ajuste do valor dos estoques somente será contabili- zado quando o valor justo for MENOR que o valor contábil. Deverá ser apurado o custo de reposição de CADA mate- rial componente do estoque. Por que valor realizável líquido? Porque alguns estoques, para serem realizados/vendidos, incorrem em despesas como comissões, fretes, taxas, con- cessão de descontos etc. O valor realizável líquido é o valor justo descontado de todas as despesas necessárias para a realização dos bens componentes do estoque. M at er ia is C us to u ni tá ri o Q ua nt id ad e C us to to ta l V al or re al iz áv el líq ui do D if er en ça d e va l- or u n it ár io a b ai xo do m er ca do PARAFUSOS 1,80 1.500 2.700,00 1,50 0,30 GRAMPOS 0,60 2.000 1.200,00 0,65 - PREGOS 0,50 3.000 1.500,00 0,60 - 106 Co nt ab ili da de F in an ce ira Somente os parafusos apresentam valor de mercado menor que o valor contábil do custo: R$0,30 por peça. Calculemos, então, o valor da perda estimada para a redução do valor do estoque de parafusos ao valor realizável líquido respectivo: Portanto, o valor a ser contabilizado como perda esti- mada para redução do valor do estoque é de R$450,00, uma vez que, para os demais itens do estoque não houve a MENOR diferença entre o valor do custo e o valor de mercado. Vamos contabilizar? O ajuste ao valor justo também é aplicável a outros ati- vos que, como já foi mencionado, serão estudados no seu devido tempo. O objetivo, a esta altura do nosso aprendizado, é conhecer esse importante conceito para a gestão financeira das entidades. Ajuste ao valor presente Outra expressão corriqueira na área de finanças – Ajuste ao Valor Presente. Vamos ver o que ela significa para a Contabilidade. M at er ia is Va lo r u ni tá ri o de m er ca do Q ua nt id ad e Va lo r t ot al (m er ca do ) Va lo r c on tá bi l Va lo r d a p ro vi sã o ≠ PARAFUSOS 1,50 1.500 2.250,00 2.700,00 450,00 D Despesa com Perda Estimada para Redução ao Valor Realizável Líquido R$450,00 Conta de Resultado C Perda Estimada para Redução ao Valor Realizável Líquido R$450,00 Conta de Ativo (Redutora) Valor estimado para perdas na redução do valor dos estoques ao valor realizável líquido Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 107 Iudícibus et al. (2010, p. 103) faz a seguinte afirmação: A contabilidade sempre teve um de- safio quando se trata de evidenciar a essência das operações referindo-se à apuração dos resultados das empresas, considerando os jurosembutidos nos preços das transações a prazo em rela- ção aos correspondentes preços à vista. Sabemos que em qualquer transação a prazo SEMPRE haverá a cobrança de juros embutida no respectivo valor. É importante conhecer tal valor, visto que ele afeta tanto o resultado quanto os ativos das entidades. Como isso ocorre? Imagine uma entidade que vende seus produtos a prazo. Obviamente ela vai embutir o custo financeiro do prazo concedido ao cliente no custo do produto. Já vimos anteriormente que, ao vender um produto, a contrapartida correspondente é a conta de Receita de Vendas, a primeira conta que aparece na Demonstração do Resultado e que representa a principal fonte de receitas de qualquer empresa. Para visualizarmos melhor, vamos supor que a indús- tria moveleira citada anteriormente vendeu, a prazo, em determinado período, móveis para escritório no valor de R$600.000,00, sendo que R$100.000,00 correspondem aos juros embutidos na operação. Vamos contabilizar essa venda: D Duplicatas a Receber R$600.000,00 Conta de Ativo C Receita Bruta de Vendas R$600.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda de móveis para escritório 108 Co nt ab ili da de F in an ce ira O custo dos produtos vendidos foi de R$300.000,00, portanto, seria assim contabilizado: Na Demonstração do Resultado, teríamos a seguinte representação: Receita Bruta de Vendas R$600.000 (-) Custo dos Produtos Vendidos (R$300.000) Lucro Bruto R$300.000 A primeira análise que qualquer usuário da informa- ção contábil faria seria em cima do quanto a entidade está obtendo de receita na sua principal atividade – venda de pro- dutos. Ela é uma indústria que foi criada para obter resul- tados positivos “fabricando móveis” e não obtendo receita financeira de juros, pois não é uma instituição financeira. Assim, o referido usuário não conseguirá perceber que naquela receita informada como sendo de vendas, existe um valor de R$100.000,00 que, na realidade, não provém da ativi- dade “fabricar móveis”. Esta é a primeira distorção! Outra distorção no resultado: o custo dos produtos vendidos que está sendo confrontado com a receita é o custo da atividade, não embute juros e, portanto, tal confrontação está distorcendo o lucro bruto. Sabendo-se que os juros representam a cobrança pela diferença do valor do dinheiro no tempo, pode-se afirmar que os preços cobrados em transações como essas não corres- pondem ao valor “efetivo” dessas transações. Como fazer, então? D Estoques R$300.000,00 Conta de Ativo C Custo dos Produtos Vendidos R$300.000,00 Conta de Resultado Valor referente ao custo dos produtos vendidos no período Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 109 Nas operações de curto prazo, os juros embutidos não costumam ser relevantes e, portanto, tais distorções são ima- teriais, mas, em operações de longo prazo, tendem a ser mais significativas. Assim, nessas operações de longo prazo, ou ainda, nas operações de curto prazo, mas com valores de juros significativos, a Lei nº 6.404/76, alterada pela Lei nº 11.638/07, determina que “os elementos do ativo decorrentes de opera- ções de longo prazo serão ajustados ao valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante”. Tudo bem, entendemos, mas para ajustar tais operações temos, primeiro, que entender o que é VALOR PRESENTE (VP), certo? Se utilizarmos o exemplo anterior, qual seria o valor presente daquela transação? Grosseiramente, uma vez que não conhecemos a taxa de juros utilizada e nem o prazo das transações, pode-se afir- mar que o valor presente da operação é: Em situações reais, a determinação do ajuste ao valor presente requer, basicamente, as seguintes informações: 1. O valor do fluxo futuro de caixa (entradas e saídas de caixa ocorridas por conta do ativo ou passivo analisado); 2. A data em que o fluxo futuro de caixa vai ocorrer; 3. A taxa de desconto a ser utilizada para o cálculo do valor presente. Presente = HOJE, portanto, valor presente é o valor da transação, que teria juros embutidos pelo respectivo prazo da operação, trazido ao valor de hoje, ou seja, sem esses juros. Em outras palavras, valor presente = valor de hoje. R$600.000,00 (valor da venda) - R$100.000,00 (valor dos juros) = R$500.000,00 (VP) 110 Co nt ab ili da de F in an ce ira A taxa de desconto corresponderá à taxa efetiva da transação ou, nos casos em que essa taxa não for indicada, utiliza-se uma taxa de mercado aplicável, praticada em tran- sações semelhantes. O ajuste ao valor presente da nossa transação seria contabilizado, no momento da venda, da seguinte forma: Assim, no Balanço Patrimonial teríamos a seguinte representação no Ativo À medida que transcorre o prazo da operação, a receita financeira correspondente ao ajuste ao valor presente vai sendo apropriada de acordo com o regime de competência: D Receita Bruta de Vendas R$100.000,00 Conta de Resultado C VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar R$100.000,00 Conta de Ativo (Redutora) Valor referente ao ajuste ao valor pre- sente de vendas a prazo do período Duplicatas a Receber R$600.000,00 (-) VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar (R$100.000,00) D VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar Pelo valor da parcela mensal dos juros Conta de Ativo C Receita Financeira Comercial Idem Conta de Resultado Valor referente à apropriação de re- ceita financeira comercial no período Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 111 Vimos um exemplo sobre uma conta de Ativo, mas e para as contas de Passivo, o ajuste ao valor presente também é aplicável? Sem dúvida! Se a entidade tem uma obrigação, cujo valor contempla juros embutidos, deverá efetuar o ajuste da mesma forma. Para exemplificar, vamos supor que uma entidade adquiriu uma máquina a prazo no valor total de R$27.865,00, correspondente a cinco parcelas iguais de R$5.573,00. Os juros embutidos correspondem a uma taxa de 20% ao ano. Quando descontamos os juros do valor total, trazendo-o ao seu valor presente, temos que o seu valor real na data da com- pra é de R$20.000,00, ou seja, o valor dos juros corresponde a R$7.865,00. Vamos contabilizar esse ajuste: No Passivo do Balanço Patrimonial as contas seriam demonstradas como segue: À medida que transcorre o prazo do financiamento, o encargo financeiro correspondente ao ajuste ao valor pre- sente vai sendo apropriado de acordo com o regime de competência: D Máquinas (pelo valor presente) R$20.000,00 Conta de Ativo Não Circulante D Encargos Financeiros a Decorrer R$7.865,00 Conta de Passivo (Redutora) C Financiamentos R$27.865,00 Conta de Passivo Valor referente ao ajuste ao valor pre- sente na compra de máquina a prazo Financiamentos R$27.865,00 Encargos Financeiros a Decorrer (R$7.865,00) 112 Co nt ab ili da de F in an ce ira Os procedimentos ora estudados conferem mais qua- lidade à informação contábil, visto que as Demonstrações Contábeis apresentam maior valor preditivo, possibilitando que o usuário da informação a utilize de forma útil no pro- cesso de tomada de decisões. Despesas que não afetam o caixa Quando pensamos em despesas, a primeira coisa que nos vem à cabeça são os gastos, não é mesmo? Em nossa aula passada, inclusive, fizemos exatamente essa relação entre gas- tos e despesas! Mas vejam só: se retomarmos o conceito que é dado pela Resolução CFC nº 1374/2011 do Conselho Federal de Contabilidade que aprovou a Estrutura Conceitualpara Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, veremos que as despesas não representam só “gastos”. Vamos analisar o que nos diz esse normativo: Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, D Despesa de Encargos Financeiros sobre Financiamentos Pelo valor da parcela mensal dos juros Conta de Resultado C Encargos Financeiros a Decorrer Idem Conta de Passivo (Redutora) Valor referente à apropriação de en- cargos financeiros sobre financiamen- tos no período Quer ficar por dentro de assuntos do mercado financeiro? Conviver melhor com essas expressões: valor justo, valor de mercado, valor presente etc.? Navegue no site: http:// g1.globo.com/economia/mercados/ Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 113 sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de pas- sivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos de- tentores dos instrumentos patrimoniais5. O conceito de despesa deixa claro que ela pode repre- sentar, além da saída de recursos (gastos), a redução de ati- vos e, também, a assunção de passivos (compras a prazo para consumo) que, principalmente, representam “decréscimo do patrimônio líquido”. Justamente porque as despesas refletem um decrés- cimo do patrimônio é que elas merecem tanta atenção por parte dos gestores e demais interessados na análise do desem- penho das organizações. Neste tópico vamos estudar as despesas que não afe- tam o caixa das entidades, ou seja, aquelas despesas que representam reduções de ativos. E quais seriam elas? Nos tópicos anteriores desta aula vimos algumas des- sas despesas – as provisões e perdas estimadas – que não constituem saídas de caixa, mas que reduzem os ativos e o patrimônio líquido das entidades. Tais despesas são cons- tituídas com a finalidade de reduzir os ativos a seus valo- res realizáveis, proporcionando maior transparência às Demonstrações Contábeis e, portanto, maior confiabilidade nesses demonstrativos por parte dos seus usuários. Neste tópico, vamos estudar mais algumas despesas que também não representam saídas de caixa, mas, sim, o desgaste ou a amortização de ativos que, por outro lado, irão reduzir os ativos que se referem a seus valores realizáveis. Como comentamos ligeiramente no início, conhecer essas despesas é de fundamental importância para diversos 5. Grifo nosso 114 Co nt ab ili da de F in an ce ira fins de análise, mas, sobretudo, no que se refere à gestão finan- ceira das organizações. Tanto é assim, que elas são expurgadas do cálculo de um dos indicadores financeiros mais utiliza- dos atualmente – o EBITDA – Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization que, traduzido literalmente para o português, significa “lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização”, o qual vamos aprender a usar futuramente. Por ora, vamos conhecer tais despesas. Depreciação do Imobilizado Os bens do Ativo Imobilizado têm um tempo limi- tado de durabilidade, exceto os terrenos que não têm limi- tação para sua vida econômica. Todos os demais sofrem desgaste pelo uso ou outras intercorrências como, por exemplo, obsoletismo, muito comum em equipamentos de alta tecnologia. Assim, sempre considerando que os ativos devem ser demonstrados pelo seu valor realizável, o desgaste pelo uso ou o esgotamento gradual da vida econômica desses ativos deve ser refletido na contabilidade. Por outro lado, conside- rando que tal desgaste contribui para a geração das receitas da entidade, eles devem ser confrontados com tais receitas na demonstração dos resultados. Exemplo: O desgaste da máquina na preparação da terra para a plantação deve, necessariamente, ser computado na apuração do resultado em função da sua contribuição para a geração da receita na venda do produto final obtido. Está curioso? Quer saber um pouco mais sobre o EBITDA antes de estudarmos esse assunto? Consulte o site: http:// www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/2876970/ apos-abusos-calculo-do-ebitda-agora-e-lei Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 115 A seguir, podemos observar um exemplo de obsoles- cência muito comum no caso de bens que envolvem tecno- logia. Dependendo do segmento de atuação da entidade, ela, necessariamente, deverá trocar seus equipamentos, periodi- camente, em função da necessidade de acompanhar sua evo- lução tecnológica. Exemplo de obsolescência: Evolução de equipamentos. Sobre o assunto, a legislação determina que: A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (a) depreciação, quando cor- responder à perda de valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência (...) (Lei nº 6.404/76, art. 183 § 2º). Ressalte-se que a legislação não menciona percentu- ais ou qualquer outra regra para que seja apurado o valor do desgaste, ela cita somente “perda de valor”, de onde se pode depreender que qualquer outro parâmetro de medida que não seja o desgaste efetivo do bem pelo uso, ação da natureza ou obsolescência tem outros fins que não o de retratar o valor rea- lizável do ativo, como os percentuais determinados pela legis- lação fiscal. Tais percentuais têm efeito exclusivo na apuração de tributos e não devem se sobrepor às normas contábeis. Assim, os valores a serem depreciados devem ser men- surados de forma a retratar a perda do benefício econômico que o bem é capaz de gerar ao longo do tempo, trazendo o ativo respectivo ao seu valor realizável na data do Balanço. IMPORTANTE: Não confundir legislação fiscal com Normas Contábeis! 116 Co nt ab ili da de F in an ce ira Evidentemente que deve ser considerada a relação entre o custo e o benefício de se manter um critério apurado na men- suração desses valores, além de sua materialidade quando comparados com os percentuais permitidos pela legislação fiscal para esse cálculo. Valor depreciável Para determinar o valor a ser depreciado, deverá ser considerado o valor estimado da vida útil econômica do bem e seu valor residual6, considerando as condições gerais do respectivo uso, as características técnicas e outros fatores que possam influenciar essa estimativa. O valor a ser apropriado a título de depreciação de cada bem do Ativo Imobilizado deve ser determinado pela diferença entre o valor de custo do bem e o seu valor residual. Tal valor deverá ser apropriado, periodicamente, no decorrer da vida útil estimada do bem. O valor residual e a vida útil de um ativo imobili- zado devem ser reavaliados, no mínimo, uma vez por ano, regularmente. A estimativa de vida útil econômica de um bem do Imobilizado é definida tomando-se por base o tempo de utili- dade esperada para o ativo que, segundo Iudícibus et al (2010, p. 249), pode ser traduzida no: • Período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; ou • Número de unidades de produção ou unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utiliza- ção do ativo. 6. Valor residual é o valor que a entidade espera obter por um ativo ao final da sua vida útil, líquido dos custos necessários para a sua venda, com razoável certeza. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 117 O Pronunciamento Técnico – CPC 27 – Ativo Imobilizado cita anecessidade de se considerar os seguintes fatores na determinação da vida útil de um ativo: • Uso esperado, avaliado com base na capacidade de produção física esperada do ativo; • Desgastes físicos normais relacionados a fatores operacionais como uso em vários turnos, manutenção, reparos, entre outros; • Obsolescência técnica ou comercial por mudanças ou melhorias na produção ou demanda pelo produto gerado pelo ativo; • Limites legais, contratuais ou semelhantes ao tempo de uso do ativo (leasing, por exemplo). Métodos de cálculo da depreciação Mensurado o valor depreciável do item do Imobilizado, deve-se adotar um dentre os vários métodos para calcular a depreciação a ser contabilizada periodicamente. O método escolhido também deve ser revisado, no mínimo, anual- mente. A seguir, vamos estudar os métodos mais tradicionais para o cálculo da depreciação. Método das quotas constantes Esse método é utilizado pela grande maioria das empresas, sendo conhecido como método linear. Sua apu- ração consiste em dividir o valor depreciável pelo tempo de vida útil do bem, sendo representado pela seguinte fórmula: Exemplo: Suponha um bem do Imobilizado com as seguintes características: Depreciação = (Valor de custo do bem - valor residual) ÷ vida útil 118 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Custo = R$10.000,00 • Vida útil estimada = 5 anos, correspondente a 60 meses • Sem valor residual estimado A quota mensal de depreciação será: R$10.000,00 ÷ 60 = R$166,67 a.m. Método da soma dos dígitos dos anos Esse método é outra forma, também linear, de calcular a depreciação. Sua apuração consiste em: • Soma dos algarismos que compõem o número de anos de vida útil do bem; • Determinação do valor da depreciação anual utili- zando uma fração em que o denominador é a soma dos algarismos, obtida em (a), e o numerador corresponde a (n) no primeiro ano, (n-1) no segundo ano, (n-2) no terceiro ano e assim por diante, adotando-se para “n” o número total de anos de vida útil esperada. Exemplo: Utilizando os mesmos dados do exemplo anterior, tem-se: Vida útil de 5 anos => 1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15 (denomina- dor da fração) Frações: 5 / 15; (5 - 1) / 15; (5 – 2) / 15; (5 – 3) / 15; (5 – 4) / 15 Como pode ser observado na tabela acima, trata-se de um método que contempla valores maiores de depreciação no início da vida útil do bem e valores menores para o seu final, partindo do pressuposto de que os bens, quanto mais novos, menos precisam de manutenção e reparos. Ano Fração Valor depreciável Depreciação anual 1 5 / 15 10.000 3.333,33 2 (5 - 1) / 15 10.000 2.666,67 3 (5 – 2) / 15 10.000 2.000,00 4 (5 – 3) / 15 10.000 1.333,33 5 (5 – 4) / 15 10.000 665,67 Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 119 Método de unidades produzidas Trata-se de um método que tem por base uma estima- tiva do número total de unidades que devem ser produzidas pelo bem a ser depreciado. A quota anual é calculada utili- zando a seguinte fórmula: O resultado obtido será uma fração que representará o percentual de depreciação a ser aplicado no ano. É um método de aplicação restrita, visto que exige estimativas nem sempre possíveis de serem realizadas com todos os tipos de bens. Método de horas de trabalho Este método baseia-se na representação da estimativa de vida útil do bem em horas de trabalho, sendo que para o cálculo da quota anual é utilizada a seguinte fórmula: Como vimos, há várias formas de calcular o valor da depreciação e aqui abordamos somente algumas delas. Vamos, então, aprender como contabilizá-la: no de unidades produzidas no ano X no de unidades estimadas a serem produzidas durante a vida útil do bem Quota de Depreciação Anual = no de horas de trabalho no período X no de horas de trabalho estimadas durante a vida útil do bem Quota de Depreciação Anual = D Despesas de Depreciação (ou Cus- tos de Produção7) Pelo valor da parcela men- sal da quota de deprecia- ção Conta de Resultado (ou de Ativo, quando for custo) C Depreciação Acumulada Idem Conta de Resultado Valor referente à quota de depreciação do período 120 Co nt ab ili da de F in an ce ira Experimente fazer a contabilização em razonetes!7 Aspectos importantes relativos à depreciação do Ativo Imobilizado Vamos salientar alguns aspectos que merecem espe- cial atenção: • A depreciação de um bem deve ser reconhecida a partir do momento em que o Imobilizado a ser depre- ciado está “disponível para uso”, ou seja, está no local e nas condições necessárias para começar a funcionar. • Quando o bem deixar de pertencer ao Ativo Imobilizado, ou seja, quando não for mais utilizado no processo produtivo e for destinado à venda, a respec- tiva depreciação deve parar de ser reconhecida. • A vida útil do bem deve ser reavaliada periodicamente e as quotas de depreciação ajustadas, quando necessário. Vimos que as despesas de depreciação não afetam o caixa da entidade, no que se refere à contrapartida como saída de caixa, mas vale salientar que alguns autores defen- dem outra posição. Iudícibus et al (2010, p. 248), por exem- plo, defende que, indiretamente, afeta sim, visto que houve uma saída de caixa para aquisição do bem que está sendo depreciado e que tal saída deve ser recuperada pelas receitas geradas pela empresa. Mas não vamos entrar no mérito dessa discussão por enquanto. O fato é que, usualmente, as análises financeiras consideram tais despesas como não representati- vas de saídas de recursos. Amortização e Exaustão • Amortização O significado do termo amortização, aqui utilizado, 7. Custos de Produção: quando se tratar de bens utilizados diretamente na produção de bens ou ser- viços, a depreciação deve compor o custo desses bens ou serviços. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 121 não deve ser confundido com o que se usa quando se paga uma parcela de qualquer dívida, isto é, com “amortização de dívidas” ou quaisquer outros. A amortização que vamos estudar agora diz respeito à perda de valor do capital apli- cado em certos direitos. O artigo 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76, já citado anterior- mente, define em seu item “b”, o que vem a ser a amortização de que vamos tratar, determinando que: A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (...) (b) Amortização, quando cor- responder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos de propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou ex- ercício de duração limitada, ou cujo ob- jeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado (...) (Lei nº 6.404/76, art. 183 § 2º). No que se refere à diminuição dos elementos dos ativos imobilizados, já foi estudada a depreciação, restando, portanto, os elementos do ativo intangível. Vamos defini-lo só para com- preendermos quando estarão ou não sujeitos à amortização. Oportunamente, voltaremos a estudá-lo em detalhes. Os ativos intangíveis, como o próprio nome sugere, são ativos que não são visivelmente identificáveis. O Pronunciamento Técnico – CPC 04 – Ativos Intangíveis o define como sendo um “ativo não monetário identificá- vel sem substância física”, em outras palavras, sem “corpo”. Normalmente, representam os direitos citados no artigo 183, anteriormente mencionado. São exemplos de intangíveis: marcas e patentes, softwares, direitos de exploração de ser- viços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público, fundo de comércio adquirido,entre vários outros. A amortização ou não de uma ativo intangível está condicionada à sua vida útil: 122 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Ativo com vida útil definida (vida útil conhecida) – amortizável (amortization approach); • Ativo com vida útil indefinida (ilimitada ou impos- sível de determinar de maneira confiável) – não amorti- zável, mas sujeito a testes de recuperação (impairment approach). Nosso foco, portanto, são os ativos intangíveis com vida útil definida, sujeitos a amortização. O valor amortizável do ativo intangível é o seu custo, partindo-se do pressuposto de que tal ativo não terá valor residual. Abaixo destacamos os pontos importantes que cons- tam do item 97 do CPC 04, já citado, que normatiza o trata- mento dos ativos intangíveis: • O valor amortizável do ativo intangível deve ser apropriado, sistematicamente, ao longo da sua vida útil; • A amortização é iniciada a partir do momento em que o ativo intangível estiver disponível para uso, quando for o caso; • A amortização deverá cessar quando o ativo intan- gível correspondente for classificado como mantido para venda ou na data de sua baixa, o que ocorrer primeiro; • A despesa de amortização deve ser reconhecida no resultado. Métodos de cálculo da amortização O método de amortização a ser utilizado deve refle- tir o padrão de consumo pela entidade dos benefícios eco- nômicos futuros que serão gerados pelo ativo intangível respectivo. Se esse padrão de consumo não for possível de ser determinado, a amortização deve ser feita utilizando Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 123 o método linear, ou seja, dividir o valor amortizável pelo tempo da vida útil determinada. Em outras palavras, uma entidade adquire um ativo intangível esperando que ele gere benefícios econômicos futuros, aliás, essa é uma das condições básicas para que um bem ou direito seja considerado como ativo, certo? O padrão de consumo desse benefício dependerá da sua natureza. Por exemplo, uma entidade adquire o direito de utilizar a marca de um produto por tempo determinado. O padrão de con- sumo desse direito dependerá de como a entidade pretende explorar essa marca. Quanto ao método linear, este é bem transparente. Vamos exemplificar utilizando um ativo intangível muito comum em todas as empresas – softwares. Supondo que uma entidade adquira um software específico para as suas ativi- dades com prazo de vida útil de dois anos por R$50.000,00. A quota de amortização mensal corresponderá a: R$50.000,00 ÷ 24 meses = R$2.083,33 A contabilização da quota de amortização seria a seguinte: Com relação aos ativos intangíveis com vida útil inde- finida, voltaremos a eles no decorrer do curso. • Exaustão A exaustão é aplicada a ativos representados por recur- sos naturais, como minas, jazidas etc. Tais recursos, à medida que são explorados, se exaurem, ou seja, se desgastam. D Despesa de Amortização R$2.083,33 Conta de Resultado C Amortização Acumulada R$2.083,33 Conta de Ativo Valor referente ao ajuste à quota de depreciação do período 124 Co nt ab ili da de F in an ce ira O objetivo da exaustão, segundo Iudícibus (2010, p. 251), é “distribuir o custo dos recursos naturais durante o período em que tais recursos são extraídos ou exauridos”. Método de cálculo da exaustão Para o cálculo do valor a ser contabilizado como exaus- tão, utiliza-se o método de unidades produzidas/extraí- das. Encontra-se o percentual correspondente a extração do recurso natural no período em relação à possança8. Esse cál- culo pode ser representado pela seguinte equação: Encontrado esse percentual, ele deve ser aplicado ao custo de aquisição ou de prospecção dos recursos naturais explorados. Exemplo: Suponhamos que em determinado ano, uma mineradora extraiu 10.000 toneladas de minério de ferro de sua mina, cuja possança total era de 100.000 toneladas. Vamos calcular o percentual de exaustão: 10.000 t ÷ 100.000 t = 10% Aplicando esse percentual ao valor contábil das jazidas de R$50.000,00, tem-se: R$50.000,00 x 10% = R$5.000,00 – valor da quota de exaustão do período. Contabilizando: 8. Possança: termo utilizado em geologia para representar a espessura de um estrato geológico (cada uma das camadas de rochas sedimentares); capacidade de produção de uma mina ou jazida. Extração do período Possança total Quota de Exaustão % = D Despesa de Exaustão R$5.000,00 Conta de Resultado C Exaustão Acumulada R$5.000,00 Conta de Ativo Valor referente à quota de exaustão do período Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 125 O objetivo da exaustão, segundo Iudícibus (2010, p. 251), é “distribuir o custo dos recursos naturais durante o período em que tais recursos são extraídos ou exauridos”. Método de cálculo da exaustão Para o cálculo do valor a ser contabilizado como exaus- tão, utiliza-se o método de unidades produzidas/extraí- das. Encontra-se o percentual correspondente a extração do recurso natural no período em relação à possança8. Esse cál- culo pode ser representado pela seguinte equação: Encontrado esse percentual, ele deve ser aplicado ao custo de aquisição ou de prospecção dos recursos naturais explorados. Exemplo: Suponhamos que em determinado ano, uma mineradora extraiu 10.000 toneladas de minério de ferro de sua mina, cuja possança total era de 100.000 toneladas. Vamos calcular o percentual de exaustão: 10.000 t ÷ 100.000 t = 10% Aplicando esse percentual ao valor contábil das jazidas de R$50.000,00, tem-se: R$50.000,00 x 10% = R$5.000,00 – valor da quota de exaustão do período. Contabilizando: 8. Possança: termo utilizado em geologia para representar a espessura de um estrato geológico (cada uma das camadas de rochas sedimentares); capacidade de produção de uma mina ou jazida. Extração do período Possança total Quota de Exaustão % = D Despesa de Exaustão R$5.000,00 Conta de Resultado C Exaustão Acumulada R$5.000,00 Conta de Ativo Valor referente à quota de exaustão do período Muito bem, encerramos o que pretendíamos estudar nesta aula. Quantos conceitos novos e importantes, não é? Antes de finalizarmos, vamos, como de hábito, refletir sobre o que aprendemos e verificar se alcançamos ou não os objeti- vos propostos no início da aula. Se ficou alguma dúvida, não siga adiante! Volte e tente sana-la antes de começar a Aula 4. Mas, se está confortável com o aprendizado até aqui, vamos em frente. Na aula 4 o desafio será elaborarmos juntos um demonstrativo contábil de funda- mental importância para a avaliação do desempenho da enti- dade – a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. Objetivos de aprendizagem Entendemos a diferença entre “provisões” e “previsões”? Aprendemos como usar corretamente o termo “provi- são”, de acordo com o seu real significado? Sabemos contabilizar as principais provisões contábeis? Conhecemos e sabemos contabilizar as principais despe- sas que não afetam o caixa? 126 Co nt ab ili da de F in an ce ira Vamos relembrar? Nesta aula, foram abordados conceitos importantes que auxiliam em diversas análises sobre o patrimônio e a gestão financeira das entidades. Vimos os conceitos de provisões e a sua diferença em relação às previsões para cumprimento de obrigações e constatamos que: - Os valores que correspondem a perdas estimadas pela não realização de ativos (contas redutoras) devem ser tra- tados como: PERDAS ESTIMADAS; - Os valores resultantes de obrigações reais (contas a pagare provisões derivadas de apropriações por compe- tência) devem ser tratados como: VALORES A PAGAR; e que - As provisões sobre as quais há incertezas sobre os pra- zos e os valores de realização devem ser tratadas como: PROVISÕES. Também conhecemos os conceitos e aprendemos a con- tabilizar a constituição e a reversão de algumas perdas estimadas e provisões, entre elas a de Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa, uma das mais conhecidas. Na sequência, estudamos também os conceitos de valor justo e de valor presente que, por sua vez, são causas de ajustes que, assim como as perdas estimadas e as pro- visões, têm por finalidade trazer ativos e passivos aos seus valores efetivos de realização na data do Balanço Patrimonial. Por fim, foram abordadas as despesas que, assim como as provisões constituídas e as perdas estimadas, não afetam diretamente o caixa, como a depreciação, a amortização e a exaustão. Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 127 Questões para reflexão e autoaValiaÇão Para consolidar os conceitos sobre PECLD – Perdas Estima- das com Créditos de Liquidação Duvidosa –, vamos resolver uma questão de concurso público. Mas, veja só, o aprendiza- do autônomo, para ser produtivo e eficaz, requer que desa- fiemos nossas dificuldades, o que significa que não devemos olhar a solução antes de tentarmos resolver a questão. Assim, resista bravamente à tentação de olhar a resposta! Prova: ESAF - 2012 - Receita Federal - Analista Tributário da Re- ceita Federal - Prova 2 - Área Informática. Disciplina: Contabilidade Geral. Assuntos: Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Du- vidosa - PECLD (antiga PDD) A empresa Confiante Ltda. apresenta a seguinte movimenta- ção com créditos a receber e clientes: • No balanço de 2010, em 31/12: tinha créditos a rece- ber de R$2.800,00 e provisão para perdas prováveis de R$84,00. • Durante o exercício de 2011, contabilizou o recebi- mento de créditos R$980,00; a baixa por não recebimento R$120,00; a incorporação de novos créditos a receber R$1.700,00; o desconto de duplicatas no banco R$500,00. Em 31/12/2011, para fins de balanço, deverá fazer um nova provisão para perdas prováveis, no montante de: a) R$51,00 b) R$84,00 c) R$87,00 Dica: Para resolver a questão use razonetes, pois facilita o raciocínio. 128 Co nt ab ili da de F in an ce ira d) R$102,00 e) R$171,00 Solução: Vamos montar os razonetes e fazer os lançamentos contábeis dos eventos indicados no enunciado: No balanço de 2010, em 31/12, havia créditos a receber de R$ 2.800,00 e provisão para perdas prováveis de R$84,00. Portan- to, esses são os saldos iniciais (SI) de 2011. Acompanhe os débitos e os créditos pelos números indicados em cada lançamento: (1) Em 2011, recebimento de créditos R$980,00; (2) Em 2011, baixa por não recebimento R$120,00; • Aqui, tem-se que foi efetuada uma baixa de crédito incobrável de R$120,00, ou seja, houve uma perda real de R$120,00. Ora, parte desse total já era uma perda Contas a Receber (SI) 2.800 980 (1) (3) 1.700 120 (2) PECLD (2) 84 84 (SI) 51 (5) Bancos Conta Movimento (1) 980 (4) 500 Receitas de Vendas 1.700 (3) Duplicatas Descontadas 500 (4) Despesas com PECLD (2) 36 (5) 51 (SF) 87 (SI) = Saldo Inicial (2010) (SF) = Saldo Final Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 129 estimada -R$84,00, portanto, essa estimativa deve ser baixada. Veja que, na realidade, essa perda foi consti- tuída em 2010 e, portanto, foi computada no resultado daquele ano. • Mas o valor baixado foi de R$120,00, certo? Isso sig- nifica que, se der o total de R$84,00, refere-se a des- pesas de 2010. A diferença, isto é, R$36,00, refere-se a despesas de 2011, razão pela qual deve ser apropriada para débito da respectiva conta. (3) Em 2011, incorporação de novos créditos a receber R$1.700,00; (4) Em 2011, desconto de duplicatas no banco R$500,00; (5) Em 2011, constituição de perdas estimadas no valor de R$51,00. Sabe-se que o percentual de perdas estimadas utilizado pela entidade é de 3%. Esse percentual aplicado pelos créditos in- corporados em 2011 representa o valor de R$51,00, portanto, este é o valor que deve ser contabilizado relativo às perdas estimadas sobre esses novos créditos. Assim, conclui-se que o total de perdas estimadas constituí- das em 2011 corresponderá a: A alternativa correta, portanto, é a “c) R$87,00” E aí? Acertou? Sim? Parabéns! Não? Refaça passo a passo os seus cálculos para saber onde errou. R$1.700,00 x 3% = R$51,00 R$36,00 (créditos já baixados) + R$51,00 = R$87,00 130 Co nt ab ili da de F in an ce ira lei t u r as r ecom en da das DOMINGUES, J. C. de A.; GODOY, C. R. Redução ao valor recuperável de ativos: um estudo nas empresas do setor pe- trolífero mundial. Revista de Educação e Pesquisa em Con- tabilidade. v. 6, nº 4 (2012). Disponível em: http://www.repec. org.br/index.php/repec/article/view/306/679 li n Ks i n dica dos www.cfc.org.br www.cpc.org.br www.receita.fazenda.org.br r ef er Ênci as GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási- cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012. IUDÍCIBUS, S. et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: Atlas, 2006 Pr ov isõ es co nt áb eis e de sp es as q ue n ão a fet am o ca ix a 131 ( 4 ) Demonstração do resultado do exercício Olá prezados alunos, Vamos abrir mais uma porta? Vocês notaram que não fechamos nenhuma, só abri- mos? Sabem por quê? Porque a Contabilidade, como toda ciência ou área do conhecimento, deve estar sempre sendo estudada, atualizada! Além disso, estamos só começando a nossa trajetória nessa área fascinante! Estamos nos prepa- rando para abrir cada vez mais portas de conhecimento para nos tornarmos profissionais de alto nível, certo? Somos iniciantes no estudo da Ciência Contábil, mas, vejam só, esta já é nossa quarta aula – metade da primeira parte do caminho. Nesta aula, vamos dar continuidade ao que já apren- demos sobre o “resultado” das entidades. Já sabemos que 136 Co nt ab ili da de F in an ce ira uma entidade pode obter lucro ou prejuízo ou, ainda, supe- rávit ou déficit, se não tiver fins lucrativos, de acordo com o desempenho apresentado em determinado período. O rela- tório ou demonstrativo contábil que retrata esse desempe- nho, por meio da sua representação na forma de contas de receitas e de despesas, é a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. O Balanço Patrimonial das entidades nos dá condi- ções de entender e analisar o comportamento dos respectivos patrimônios, mas, para avaliarmos quais são os resultados que estão sendo gerados por esses patrimônios, precisamos complementar nossa análise como a DRE, pois nela sabe- remos o quanto a entidade está auferindo de receitas com a venda de seus produtos, por exemplo, ou quanto ela está tendo de custos nas suas operações, entre outros importan- tes detalhes. Nossos objetivos nesta quarta aula serão: Visando conduzir o aprendizado de forma sequen- cial e lógica na busca desses objetivos, a aula será assim estruturada: Objetivos de aprendizagem Conhecer e aplicar as normas de reconhecimento de receitas e despesas de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, já em consonância com as Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS; Conhecer o escopo básico da Demonstração do Resultado do Exercício; Calcular o Custo das Mercadorias Vendidas – CMV; Conhecer as características de cada subgrupo de contas representadas na DRE; Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 137 4.1 Reconhecimento de Receitas e Despesas conforme IFRS 4.1.1 Receita bruta de vendas 4.1.2 Deduções da receita bruta IPI – Imposto sobre Produtos Industriali- zados Vendas canceladas e devoluções Descontos incondicionais e abatimentos Tributos incidentes sobre vendas 4.1.3 Deduções da receita operacional líquida CPV - Custo dos Produtos Vendidos CSP - Custo dos Produtos Prestados CMV - Custo das Mercadorias Vendidas 4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais Despesas com vendas Despesas financeiras Receitas financeiras Despesas administrativas Outras despesas operacionais Outras receitas operacionais 4.1.5 Outras receitas e outras despesas 4.1.6 Outras deduções CSLL e IRPJ Participações e contribuições sobre o lucro Preparados? Então, vamos lá! Bom estudo a todos! 138 Co nt ab ili da de F in an ce ira 4.1 Reconhecimento de receitas e despesas conforme as IFRS Reconhecer receitas ou despesas de acordo com as IFRS – Normas Internacionais de Contabilidade, nada mais é do que aplicar corretamente as Normas Brasileiras de Contabilidade, visto que, salvo poucas exceções, já contem- plam, praticamente na íntegra, aquelas normas. A referência às IFRS visa somente destacar esse momento importante que a área contábil está vivendo, ressaltando que o dia a dia da contabilidade já deve estar sendo conduzido com a certeza de que estamos inseridos nesse ambiente internacional. Reconhecer dados no Balanço Patrimonial ou na Demonstração do Resultado, segundo o disposto na Resolução CFC nº. 1374/11, que aprovou o Pronunciamento Conceitual Básico “Estrutura Conceitual para Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”, emitido pelo CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), consiste na incorporação nesses demonstrativos de itens que se enqua- drem na definição de “elemento” e que satisfaçam os respec- tivos critérios de reconhecimento. Calma. Parece difícil, mas não é! Temos que nos acos- tumar com a linguagem utilizada nos normativos contábeis e legais. Primeiro vamos entender o que vem a ser um “elemento” de uma demonstração contábil. O Balanço Patrimonial, nosso velho conhecido, por exemplo é composto de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, certo? Pois bem, esses são os elementos que o compõem. D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 139 Agora ficou fácil responder quais são os elementos da Demonstração de Resultado, não é? Vamos pensar juntos: o resultado de uma entidade é composto de receitas e despesas, logo, se queremos demonstrar esse resultado, teremos que fazê-lo demonstrando os seus componentes, ou seja, os seus elementos – receitas e despesas. Muito bem. Quando a norma cita que “reconhecimento é o processo de incorporação dos elementos” no demonstra- tivo contábil, ela está querendo dizer, no caso da DRE, que “reconhecimento é incorporar as receitas e as despesas na demonstração do resultado”. Mas, basta “incorporar” sim- plesmente? Não! Esses elementos têm que satisfazer outras condições, primeiro para serem classificados como recei- tas ou despesas (o que já estudamos na Aula 2) e, segundo, devem atender aos seguintes requisitos, de acordo com o item 4.38 da citada Resolução: (a) Seja provável que algum benefício econômico futuro associado ao item (Ativo, Passivo, Receita ou Despesa) flua para a entidade (entradas de bens ou direitos) ou flua da entidade (saídas de bens ou de direitos); e (b) Que o item tenha custo ou valor que possa ser men- surado com confiabilidade9 10. Então, no que se refere à Demonstração do Resultado, o que a norma diz é que devem ser demonstradas as recei- tas e despesas que significarão entradas ou saídas de recur- sos e que devem ser mensuradas de forma completa, neutra e livre de erro. Viu como não é difícil? Mas, por que não dizer logo com palavras simples e objetivas? Porque essa é a linguagem formal dos normativos 9. A informação é confiável quando ela é completa, neutra e livre de erro. 10. O texto da norma foi adaptado pela autora para melhor entendimento. 140 Co nt ab ili da de F in an ce ira e precisamos nos acostumar com ela, sabermos interpreta-la. Iremos conviver com ela o resto de nossas vidas e ela não vai mudar. É por isso que é importante lermos muito e nos aprimorarmos na interpretação de textos, além de estudar- mos Contabilidade. Para demonstrar as receitas e despesas na DRE, deve- -se, também, seguir alguns critérios, assim descritos na Resolução do CFC nº. 1374/11: As receitas e as despesas podem ser apresentadas na demonstração do re- sultado de diferentes maneiras, de modo a serem prestadas informações relevantes para a tomada de decisões econômicas. Por exemplo, é prática comum distinguir os itens de receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade daqueles que não surgem. Essa distinção é feita considerando que a origem de um item é relevante para a avaliação da capaci- dade que a entidade tem de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro. Por exemplo, atividades incidentais como a venda de um investimento de longo prazo são improváveis de voltarem a ocorrer em base regular. Quando da distinção dos itens dessa forma, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades usuais de uma entidade po- dem não ser usuais em outras entidades (Resolução CFC nº. 1374/11 – item 4.27). Desse texto, pode-se ressaltar, principalmente: • A priorização de informações relevantes, o que sig- nifica que devem merecer destaque informações que sejam relevantes para a tomada de decisões. As infor- mações irrelevantes podem ser demonstradas em uma única linha, não merecendo maior destaque; e D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 141 • A distinção entre as receitas e as despesas que resultam das atividades da entidade daquelas que não resultam dessas atividades, ou seja, receitas e despesas de caráter operacional distintas das receitas e despesas não operacionais. Essas duas características nos fornecem as primeiras premissas do escopo básico da Demonstração do Resultado, isso é, nela devem ser destacadas as informações relevantes e as receitas e as despesas operacionais devem ser demons- tradas separadamente das não operacionais. Da junção das disposições dos normativos contábeis e da Lei nº 6.404/76, resultou o escopo/modelo completo que iremos estudar a seguir, lembrando que: • A Demonstração do Resultado do Exercício – DRE evidencia a composição do resultado de uma entidade em um período determinado, normalmente, o exercí- cio social. Para efeitos gerenciais, o resultado corres- ponderá ao período que atenda às necessidades do usuário da informação. Como as receitas e despesas que compõem a DRE estão contabilizadas de acordo com o regime de competên- cia, por consequência tal demonstração também representará o resultado apu- rado de acordo com esse regime. Ou seja, apresentará as receitas e as despe- sas independentemente do respectivo recebimento ou pagamento. • A legislação societária e tributária determina que a DRE seja elaborada, anualmente, por ocasião do encer- ramento do exercício social da entidade. Escopo / modelo da Demonstração do Resultado do Exercício - DRE 142 Co nt ab ili da de F inan ce ira DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS Períodos/ Exercícios Atual Anterior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas Receita com Prestação de Serviços (-) IPI Faturado REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA (-)Devoluções de Vendas (-)Abatimentos sobre Vendas (-)Desconto Comercial Concedido (-)Impostos sobre Vendas RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (-)Custo das Mercadorias Vendidas (-)Custo dos Produtos Vendidos (-)Custo dos Serviços Prestados LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO (-)Despesas com Vendas (-)Despesas Administrativas (-)Outras Despesas Operacionais Outras Receitas Operacionais LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO RESULTA- DO FINANCEIRO (-)Despesas Financeiras Receitas Financeiras LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO (-)Outras Despesas Perdas de Capital Outras Receitas Ganhos de Capital RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO (-)Contribuição Social sobre o Lucro RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IM- POSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 143 O modelo básico apresentado é aplicável a todas as enti- dades, exceto àquelas que têm regulação própria, como as ins- tituições financeiras, de seguros etc. Importa ressaltar, ainda, que cada entidade irá utilizar as contas que melhor repre- sentam suas atividades. Por exemplo, uma empresa comer- cial irá utilizar a conta Custo das Mercadorias Vendidas para demonstrar os seus custos, ao invés de Custos dos Produtos Vendidos, que é próprio das indústrias que fabricam seus próprios produtos. Outro ponto que merece destaque é a “ordem” em que as contas são apresentadas. Essa ordem apresenta um caráter “dedutivo”, em seu sentido vertical, isto é, de cima para baixo. (-) Imposto de Renda sobre o Lucro RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IMPOST DE RENDA (-) Participações sobre o Lucro LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXER- CÍCIO Lucro por ação 144 Co nt ab ili da de F in an ce ira Vamos, agora estudar cada um dos elementos da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. 4.1.1 Receita bruta de vendas Receita bruta de vendas, receita bruta de vendas de produtos e serviços, receita operacional bruta, são denomi- nações atribuídas às receitas que resultam da principal ativi- dade da entidade, ou seja, sua atividade fim. RECEITA OPERACIONAL BRUTA REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA (+) Devoluções de Vendas (-) Abatimentos sobre Vendas (+) Desconto Comercial Concedido (-) Impostos sobre Vendas . Vendas . Receita com Prestação de Serviços . (-) IPI faturado RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA Demonstração Dedutiva (a conta posterior vai sendo deduzida da conta anterior) Atividades fim Indústria => atividade fim = fabricar produtos Comércio => atividade fim = comprar e revender mercadorias Serviços => atividade fim = prestação de serviços D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 145 Por que receita bruta? Quando se estabelece um preço para produtos, mer- cadorias ou serviços, eles devem prever a incidência dos impostos que são cobrados do cliente, porém repassados ao Governo. Vamos exemplificar isso de uma forma sim- ples, supondo que uma indústria está atribuindo o preço do seu produto: Custos de fabricação R$120,00 Margem de Lucro desejada R$80,00 Impostos não cumulativos cobrados destacadamente R$25,00 Preço do produto R$225,00 Nesse caso, a receita “bruta” da venda do produto corresponderá ao valor total cobrado do cliente, entretanto, parte desse valor – os impostos = R$25,00 – não representa o “produto” em si, mas, sim, um valor que não ficará com a indústria, pois será repassado ao Governo. Não se trata de uma receita de venda verdadeira. Nesse caso, a indústria é um mero agente arrecadador, visto que ela cobra do cliente e repassa para o fisco. Assim, o valor da receita bruta deve ser ajustado para demonstrar a receita “real” que decorre das vendas de produ- tos ou serviços. São dois tipos de ajustes: • Redutores dos componentes da receita bruta; • Deduções da receita bruta; A Lei nº 6.404/76 determina, em seu artigo 187, itens I e II, que a receita bruta das vendas e dos serviços, as deduções das vendas, dos abatimentos e dos impostos e, também, sua receita líquida, deverão ser discriminadas na Demonstração do Resultado do Exercício. 146 Co nt ab ili da de F in an ce ira No próximo tópico vamos estudar os elementos mais comuns que ajustam a receita bruta de vendas ou receita ope- racional bruta. 4.1.2 Deduções da receita bruta IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados<peso4> Esse imposto inclui-se no tipo de ajuste classificado como redutor direto da receita bruta, pois assim prevê a legis- lação fiscal quando determina que: Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos, cobrados, detalhadamente, do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados) e do qual o vendedor dos bens ou prestador de serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981/95 – art. 31 § único). E qual a diferença em relação às demais deduções? Outra definição também imposta pela legislação fiscal e societária define receita líquida como sendo a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedi- dos e dos impostos que incidem sobre as vendas. Se o IPI não se inclui na receita bruta, significa que ele deve ser reduzido dela, antes que ela seja assim classificada. Vamos ver como isso funciona na contabilidade. Quando uma indústria compra, para produzir seus produtos, matéria-prima ou outros insumos sujeitos à tributação pelo IPI, o imposto pago ser-lhe-á ressarcido, sendo considerado um direito a receber, um ativo, por- tanto. Suponha que uma indústria tenha adquirido R$500.000,00 em materiais e sobre esse valor incidiu 20% de IPI e 18% de ICMS. Veja como ficaria a contabilização: D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 147 Foram vendidos, no mesmo período, produtos a prazo no valor de R$1.500.000,00, tendo sido cobrado IPI de 15%11 e ICMS de 18%. Veja os lançamentos contábeis: Contabilizando o faturamento: Contabilizando o IPI: 11. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): imposto cujas alíquotas diferem de acordo com produto. D Estoques R$500.000,00 Conta de Ativo D Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00 Conta de Ativo D Impostos a recuperar - ICMS R$90.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$690.000,00 Conta de Passivo Valor referente à compra de materiais para estoques e registro dos tributos a serem recuperados D Clientes R$500.000,00 Conta de Ativo C Receita Bruta de Vendas R$1.995.000,00 Conta de Resultado Valor referente ao faturamento bruto do período D IPI sobre Faturamento Bruto R$225.000,00 Conta de Resultado (Redutora da Receita Bruta) C Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$225.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao IPI incidente sobre o faturamento bruto do período 148 Co nt ab ili da de F in an ce ira Contabilizando a recuperação do IPI: Tem-se, então, que a entidade deverá recolher R$125.000,00 de IPI, após compensado o valor do imposto pago por ocasião da compra dos materiais. Vamos ver essas contabilizações em razonetes: D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$100.000,00 Conta de Passivo C Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00 Conta de Ativo Valor referente à recuperação de IPI inci- dente sobre faturamento bruto Estoques (1) 500.000 Fornecedores 690.000 (1) Impostos a Recu- perar (IPI) 100.000 100.000 (4) Impostos a Re- cuperar ICMS(1) 90.000 Compra de materiais Venda de produtos e compensação do IPI Clientes (2) 1.995.000 Receita Bruta de Vendas 1.995.000 (2) IPI sobre Faturamento Bruto (3) 225.000 Receita Bruta de Vendas (4) 100.000 225.000 (3) 125.000 D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 149 O recolhimento do IPI se dará pelo valor líquido, ou seja, o valor devido pela entidade, compensado com o valor de crédito ao qual ela tem direito e que corresponde ao imposto que ela própria pagou quando adquiriu os materiais para fabricar os seus produtos. Vamos, então, contabilizar o recolhimento do IPI: Vejam como ficaria na Demonstração do Resultado do Exercício: Vendas canceladas e devoluções As vendas canceladas e as devoluções referem-se à anulação de valores já registrados com receita bruta de ven- das, em virtude de cancelamentos ou devoluções e que não representem perdas ou ganhos decorrentes dessas operações. D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$125.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$125.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao recolhimento e IPI incidente sobre faturamento bruto Obrigações Fiscais IPI a Recolher (5) 100.000 225.000 125.000 Bancos Conta Movimento 125.000 (5) DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Anterior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) 150 Co nt ab ili da de F in an ce ira Utilizando o exemplo anterior, vamos supor que tenha ocorrido um cancelamento de vendas no valor de R$12.000,00. Contabilizando: Descontos incondicionais e abatimentos A legislação fiscal considera como descontos incondi- cionais somente as parcelas redutoras do preço de venda que constem da nota fiscal de venda de bens ou da fatura de ser- viços, desde que não dependam de nenhum evento posterior à data da venda para serem concedidos. Já os abatimentos, correspondem aos valores redutores do preço de venda que não figuram da nota fiscal e tiveram sua origem em acontecimentos posteriores à sua emissão. Como, por exemplo, avarias em mercadorias. Vamos supor, no nosso exemplo, que tenha sido conce- dido um desconto comercial de R$500,00 a um determinado cliente. Veja a contabilização: D Vendas Canceladas (Redutora da Receita Bruta de Vendas) R$12.000,00 Conta de Resultado C Clientes R$12.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao cancelamento de vendas no período Vendas Canceladas (6) 12.000 Clientes 1.995.000 12.000 (6) D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 151 Tributos incidentes sobre vendas Os tributos incidentes sobre as vendas, de caráter não cumulativo, também deverão ser deduzidos da receita bruta, visto tere implícita a natureza de recuperabilidade, ou seja, poderão ser compensados com os tributos correspondentes devidos pela entidade. São os mais comuns: • ISS – Imposto sobre Serviço • ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Serviços • PIS / PASEP E COFINS – Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social No nosso exemplo, vimos que existe uma cobrança de ICMS no valor de R$270.000,00 (R$1.500.000,00 x 18%). No momento da venda, teríamos a seguinte contabilização: D Desconto Comercial Concedido - (Redutora da Receita Bruta de Vendas) R$500,00 Conta de Resultado C Clientes R$500,00 Conta de Ativo Valor referente a desconto comercial concedido a cliente Desconto Comer- cial Concedido (7) 500 Clientes 1.995.000 12.000 (6) 500 (7) 152 Co nt ab ili da de F in an ce ira Contabilizando o ICMS: Contabilizando a recuperação do ICMS: Contabilizando o recolhimento do ICMS Para melhor entendimento das movimentações nas contas, vejam os razonetes: D ICMS sobre Fatura-mento Bruto R$270.000,00 Conta de Resultado (Redutora da Receita Bruta) C Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$270.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao ICMS incidente sobre o faturamento bruto do período D Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$90.000,00 Conta de Passivo C Impostos a recuperar – ICMS R$90.000,00 Conta de Ativo Valor referente à recuperação de ICMS incidente sobre faturamento bruto D Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$180.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$180.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao recolhimento do ICMS incidente sobre faturamento bruto ICMS sobre Faturamento Bruto (8) 270.000 Obrigações Fiscais ICMS a Recolher (9) 90.000 270.000 (8) (10) 180.000 Impostos a Recuperar ICMS (1) 90.000 90.000 (9) D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 153 Os procedimentos contábeis em relação aos demais tri- butos são os mesmos. Demonstração do Resultado do Exercício Vamos ver agora como está ficando a nossa Demonstração do Resultado do Exercício. Muito bem, avançamos até o subtotal do grupo receita operacional líquida. Vamos fazer uma pausa para entender- mos o que ele significa. Já sabemos que a Receita Operacional Bruta, também chamada por Receita Bruta de Vendas, representa o total das vendas realizadas pela entidade no período, incluindo os Bancos Conta Movimento 125.000 (2) 180.000 (10) DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Ante-rior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 - Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA - (-)Devoluções de Vendas (12.000) - (-)Abatimentos sobre Vendas - - (-)Desconto Comercial Concedido (500) - (-)Impostos sobre Vendas (270.000) - RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 - 154 Co nt ab ili da de F in an ce ira tributos incidentes sobre tais vendas. O termo receita bruta já deixa transparente que ela inclui “tudo” que diz respeito à composição do preço de venda. Após a linha que registra a receita bruta, foram fei- tas as deduções necessárias para que essa receita fosse apre- sentada pelo seu valor real, ou seja, o quanto realmente de receita foi obtido com a venda do produto, desconsiderando os tributos que estão nela embutidos. Isso, porque a entidade é mera “repassadora” desses tributos; ela os cobra do cliente para, em seguida, repassa-los ao Governo. Também foram feitas as deduções relativas às vendas canceladas e cujo valor estava compondo o total da receita bruta. Nada mais lógico, pois, se a venda deixou de existir, ela não deve ser demonstrada como receita. Essa dedução não é feita diretamente da conta de receita bruta, em função de pre- servar a qualidade da informação. Da mesma forma, o des- conto concedido aparece numa conta redutora da receita bruta. Podemos concluir, então, que a receita operacio- nal líquida representa a receita da operação de venda, sem nenhum outro componente que a distorça. 4.1.3 Deduções da receita operacional líquida Vimos anteriormente que a Demonstração do Resultado se apresenta de forma dedutiva, ou seja, as contas vão sendo deduzidas daquelas que a precedem, de maneira a representar cada grupo de resultado, tornando a informação mais clara para o usuário. RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (-) Custo das Mercadorias Vendidas (-) Custo dos Produtos Vendidos (-) Custo dos Serviços Prestados LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cíci o 155 As contas a serem deduzidas da Receita Operacional Líquida representam os custos que foram necessários para produzi-la. Já comentamos na Aula 2 que qualquer receita requer que se consuma recursos para a sua geração. Não se pode obter receita de venda sem fabricar produtos, adquirir mercadorias ou prestar serviços e essas ativida- des envolvem custos. Na DRE, tais custos, já apropriados ao resultado da entidade como despesa são “confrontados” com as receitas respectivas. Para darmos continuidade ao exemplo com o qual vie- mos trabalhando, vamos supor que a nossa entidade, além de fabricar seus produtos, também compra e revende merca- dorias. Isso é muito comum no mundo empresarial. Assim, vamos determinar que, no período em estudo, ela incorreu em Custos de Produtos Vendidos no valor de R$592.000,00 e Custos de Mercadorias Vendidas de R$350.000,00. Então, vamos conhecer melhor esses custos? Custo dos Produtos Vendidos – CPV O custo dos produtos vendidos é apurado utilizando- -se os saldos do grupo de contas denominado Estoques. Esse grupo de contas será estudado ainda nesta aula. O valor do CPV é obtido mediante a seguinte equação geral: Sendo: EiPP = Estoque inicial de produtos prontos CPP = Custo dos produtos prontos EfPP = Estoque final de produtos prontos CPV = EiPP + CPP - EfPP 156 Co nt ab ili da de F in an ce ira No nosso exemplo, temos: Apurando o CPV: O valor do CPV deve ser transferido da conta Estoques de Produtos Prontos para o Resultado, da seguinte forma: Em razonetes: Para se chegar ao valor do custo dos produtos prontos (CPP), primeiramente se apura os custos da matéria prima consumida no período da seguinte forma: EiPP = R$1.100.000,00 CPP = R$340.000,00 EfPP = R$848.000,00 CPV = R$1.100.000,00 + R$340.000,00 – R$848.000,00 CPV = R$592.000,00 D Custo dos Produtos Vendidos – CPV R$592.000,00 Conta de Resultado C Estoque de Produtos Prontos R$592.000,00 Conta de Ativo Valor referente à apropriação do custo dos produtos vendidos no período Estoque Produtos Prontos 1..100.000 592.000 340.000 848.000 Custos dos Produtos Vendidos 592.000 CMP = Ei + Co – Ef D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 157 Sendo: • CMP = Custo da matéria-prima • Ei = Estoque inicial de matéria-prima • Co = Compras de matéria-prima • Ef = Estoque final de matéria-prima Além do custo das matérias-primas consumidas na produção, o custo dos produtos prontos envolve uma série de outros insumos, como mão de obra direta, custos indiretos (aluguéis, energia etc.), encargos sociais sobre mão de obra direta, outros materiais e demais custos. Assim, a apuração do CPP – Custo dos Produtos Prontos – pode ser realizada mediante a seguinte equação: Sendo: • CPP = Custo dos Produtos Prontos • EiPFF = Estoque inicial de Produtos em Fase de Fabricação • CMP = Custo da matéria-prima (apurado conforme tópico anterior) • MO Dir. = Mão de obra direta • Enc. Soc. s/ MO = Encargos sociais sobre mão de obra • GGF = Gastos gerais de fabricação • Depr. Ind. = Depreciação industrial • CIF = Custos indiretos de fabricação • MD = Materiais diretos • EfPFF = Estoque final de Produtos em Fase de Fabricação CPP = EiPFF + CMPi + MO Dir. + Enc. Soc. s/ MO + GGF + Depr. Ind. + CIF + MD – EfPFF 158 Co nt ab ili da de F in an ce ira Parece complexo, mas vamos traduzir isso em núme- ros. Para ficar mais claro, vamos supor que uma indústria de brinquedos apresente os seguintes valores: Os produtos, antes de ficarem “prontos”, passaram pela fase de fabricação e, portanto, estavam registrados como Estoque de Produtos em Fase de Fabricação (R$800,00); Estoque de Produtos em Fabricação Valores (R$MIL) Estoque inicial de produtos em fase de fabricação 800 Custo da matéria-prima 400 Mão de obra direta 200 Encargos sociais sobre mão de obra direta 100 Gastos gerais de fabricação 80 Depreciação industrial 20 Custos indiretos de fabricação 130 Materiais diretos 70 Subtotal 1.800 Estoque final de produtos em fase de fabricação 1.460 = R$1000,00 #??? Custo dos produ- tos INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS Estoque inicial em fabricação R$800,00 Estoque final em fabricação R$1.460,00 = R$1.000,00 Produtos Prontos R$340,00 + - = D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 159 Se partirmos do saldo inicial dessa conta e agre- garmos a ele todos os demais custos necessários a deixa- -lo pronto (matéria-prima, mão de obra, etc.), teremos todos os custos do período, certo? O que já estava lá (saldo ini- cial = R$800,00), mais o que foi agregado (custos do perí- odo = R$1.000,00). Mas, essa soma (R$1.800,00) é diferente do saldo final do estoque de produtos em fase de fabricação (R$ 1.460,00), ela é maior! Por quê? Porque uma parte dos produ- tos já ficou pronta e, portanto, não estão mais em fabricação e foram transferidas para o estoque de produtos já acabados. Essa diferença é, justamente, o valor do custo desses produ- tos que já ficaram prontos (R$340,00). O saldo de R$1.460 ,00 representa o custo dos produtos que ainda permanecem em fabricação, ou seja, não ficaram prontos. Aplicando-se a equação simplificada, temos: Custo dos Serviços Prestados – CSP A apuração do custo dos serviços prestados requer que tais custos sejam escriturados em contas apropriadas de forma a facilitar a sua determinação, ao final do período cor- respondente. Genericamente, quando não houver controle individual de custos por serviço, pode-se utilizar o mesmo critério já visto, trabalhando com saldos iniciais e finais: Onde: • CSP = Custo dos Serviços Prestados • SiSA = Saldo Inicial de Serviços em Andamento • CSp = Custos de Serviços do Período CPP = R$800,00 + R$1.000,00 - R$1.460,00 = R$340,00 CSP = SiSA + CSP – SfSA 160 Co nt ab ili da de F in an ce ira • SfSA = Saldo Final dos Serviços em Andamento Custo das Mercadorias Vendidas – CMV As empresas comerciais, ou seja, aquelas que compram mercadorias para revenda apuram o custo das mercadorias vendidas, segundo a mesma sistemática já apresentada: Onde: • CMV = Custo das Mercadorias Vendidas • Ei = Estoque inicial de mercadorias • Co = Valor líquido das compras de mercadorias no período • Ef = Estoque final de mercadorias Exemplificando, temos que a Indústria de Brinquedos que está servindo de base para o nosso estudo. Além de fabri- car, também compra e revende mercadorias, isto é, brinque- dos. Vamos apurar o CMV do período sob análise, partindo dos seguintes dados:12 Aplicando-se a equação, temos: 12. Compras Líquidas: preço original deduzido das eventuais devoluções e abatimentos, somando- -se o frete pago CMV = Ei + Co – Ef Estoque de Mercadorias Valores (R$MIL) Estoque inicial de mercadorias 500 Compras líquidas12 do período 300 Estoque final de mercadorias 450 CMV = R$500,00 + R$300,00 - R$450,00 CMV = R$350,00 D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 161 Vamos contabilizar? Contabilizando as compras líquidas de mercadorias Transferindo o Custo das Mercadorias Vendidas para o resultado Lançamentos nos razonetes: Demonstração do Resultado do Exercício A Demonstração do Resultado do Exercício, a esta altura, estará da seguinte forma: D Estoque de Mercadorias R$300.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$300.000,00 Conta de Passivo Valor referente às compras de merca- dorias no período D Custo das Mercadorias Vendidas - CMV R$350.000,00 Conta de Resultado C Estoque de Mercadorias R$350.000,00Conta de Ativo Valor referente à apropriação do custo das mercadorias vendidas no período Fornecedores 300.000 (1) Custo das Mercadorias vendidas (2) 350.000 Estoque de Mercadorias (SI) 500.000 350.000 (2) (1) 300.000 450.000 162 Co nt ab ili da de F in an ce ira Podemos observar que, deduzindo-se da Receita Operacional Líquida os custos que foram necessários para gera-la, obtém-se o Lucro Operacional Bruto de R$545.500,00. Agora já podemos chamar de “lucro” porque temos a diferença entre as receitas e as despesas respectivas. Esse lucro é genuinamente “operacional”, pois resulta da princi- pal atividade da empresa. É chamado de lucro operacional “bruto”, porque dele ainda não foram deduzidas as demais despesas ou somadas às demais receitas que irão compor o resultado final e que iremos estudar a seguir. 4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais Além dos custos para a produção dos bens ou serviços, as entidades também incorrem em outras despesas necessárias DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Ante-rior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 - Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA - (-)Devoluções de Vendas (12.000) - (-)Abatimentos sobre Vendas - - (-)Desconto Comercial Concedido (500) - (-)Impostos sobre Vendas (270.000) - RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 - (-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) - (-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) - (-)Custo dos Serviços Prestados - - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 - D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 163 às suas operações, assim como auferem outras receitas decor- rentes dessas atividades, além daquelas resultantes direta- mente da venda desses bens ou serviços produzidos. Se são despesas necessárias às suas operações ou receitas delas advindas, são também de caráter operacional. Vamos conhecê-las! Despesas com vendas As “despesas com vendas” são representadas por aque- las despesas diretamente relacionadas ao processo de venda de mercadorias, produtos ou serviços da entidade. Exemplos: salários dos vendedores; despesas com viagens de vendedo- res; comissões pagas sobre vendas; encargos sociais sobre salários e outros encargos sobre vendas. Despesas financeiras As “despesas financeiras” são representadas pelas des- pesas de caráter financeiro, como: juros pagos nas operações de empréstimos e financiamentos; juros e multas sobre paga- mentos de obrigações em atraso; descontos financeiros conce- didos; despesas bancárias, etc. Receitas financeiras As “receitas financeiras” são oriundas de operações de caráter também financeiro, como: receitas obtidas em aplica- ções financeiras; descontos financeiros obtidos; juros cobra- dos, etc. Despesas administrativas As “despesas administrativas” representam todas as despesas relacionadas com a administração da entidade. Exemplos: aluguéis da administração; salários e encargos do pessoal administrativo; material de expediente etc. 164 Co nt ab ili da de F in an ce ira Outras despesas operacionais No grupo de “outras despesas operacionais” são classi- ficadas as demais despesas que, embora necessárias às opera- ções da entidade, não têm relação direta com vendas ou com a administração. Exemplos: quebras de estoques; mercadorias danificadas, etc. Normalmente são despesas de pequeno valor e, nesse caso, embora apareçam na DRE em uma única linha, devem ser destacadas nas Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis, mas, quando não o forem, devem ser destacadas na própria DRE. Outras receitas operacionais O grupo de “outras receitas operacionais” congrega as receitas que, apesar de serem de caráter operacional, não são classificáveis como receitas de vendas ou recei- tas financeiras, como: recuperação de perdas com crédi- tos incobráveis. Demonstração do Resultado do Exercício Vamos acompanhar como está ficando a Demonstração do Resultado do Exercício, considerando os seguintes valores de despesas e receitas operacionais: Agregando despesas financeiras de R$3.000,00 e recei- tas financeiras de R$15.000,00, temos: Despesas / Receitas Operacionais R$Valores Despesas com vendas 30.000 Despesas administrativas 80.000 Outras despesas operacionais 3.000 Outras receitas operacionais 5.000 D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 165 Avançamos até o lucro operacional líquido, o que sig- nifica que já foram computadas, até aqui, todas as despesas e receitas de caráter operacional, em outras palavras, as despe- sas e receitas decorrentes das operações da entidade, daque- las atividades para as quais a entidade foi criada para realizar. DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Ante-rior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 - Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA - (-)Devoluções de Vendas (12.000) - (-)Abatimentos sobre Vendas - - (-)Desconto Comercial Concedido (500) - (-)Impostos sobre Vendas (270.000) - RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 - (-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) - (-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) - (-)Custo dos Serviços Prestados - - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 - (-)Despesas com Vendas (30.000) - (-)Despesas Administrativas (80.000) - (-)Outras Despesas Operacionais (3.000) - Outras Receitas Operacionais 5.000 - LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO 437.500 - (-)Despesas Financeiras (3.000) - Receitas Financeiras 15.000 - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 445.500 - 166 Co nt ab ili da de F in an ce ira 4.1.5 Outras receitas e outras despesas Além das receitas e despesas operacionais, eventual- mente a entidade pode obter “ganhos” ou “perdas” em outras operações não relacionadas com a sua atividade fim. Vamos ver um exemplo: a Indústria de Brinquedos com a qual estamos trabalhando tem como atividade fim fabricar, comprar e vender brinquedos. É, portanto, uma indústria e um comércio de brinquedos. Para entregar seus produtos, tal indústria possui alguns caminhões registra- dos no seu Ativo não Circulante Imobilizado. Ao precisar trocar um desses caminhões, cujo valor contábil líquido era de R$35.000,00 (R$80.000,00 em Veículos e R$45.000,00 em Depreciação Acumulada), obteve R$38.000,00 e, por- tanto, um ganho (receita) não operacional de R$3.000,00. Por que “não operacional”? Ora, sua atividade fim não é compra e venda de caminhões, mas produção, compra e venda de brinquedos. Só por curiosidade, vamos ver como seria a contabili- zação dessa operação, supondo que a venda foi feita à vista? D Bancos - Conta Movimento R$38.000,00 Conta de Ativo D Depreciação Acumulada R$45.000,00 Conta de Ativo C Veículos (Imobilizado) R$80.000,00 Conta de Ativo C Ganhos na venda de Imobilizados R$3.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda de veículo X no período D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 167 Vamos imaginar que, ao invés de ganho, a entidade não conseguisse vender o caminhão por um valor maior do que aquele registrado no seu Ativo. Neste caso, ela teria um prejuízo, ou seja, uma “perda”. Supondo que ela conseguiu vender o caminhão por R$32.000,00, veja como ficaria a res- pectiva contabilização: Bancos Conta Movimento 38.000 Veículos (SI) 80.000 80.000 Depreciação Acumulada Veículos 45.000 45.000 (SI) Ganhos na vendade Imobilizados 3.000 D Bancos - Conta Movimento R$32.000,00 Conta de Ativo D Depreciação Acumulada R$45.000,00 Conta de Ativo C Perdas na venda de Imobilizados R$3.000,00 Conta de Resultado C Veículos (Imobilizado) R$80.000,00 Conta de Ativo Valor referente à venda de veículo X no período 168 Co nt ab ili da de F in an ce ira Note que no caso de receitas e despesas de caráter não operacional, elas são chamadas, respectivamente, por “ganhos” e “perdas”. Na Demonstração do Resultado do Exercício, esses ganhos e perdas são demonstrados “depois” do Lucro Operacional. Obs.: No exemplo foi considerado somente o ganho na venda do veículo. Demonstração do Resultado do Exercício Vamos visualizar a DRE obtida até esse momento: Bancos Conta Movimento 32.000 Veículos (SI) 80.000 80.000 Depreciação Acumulada Veículos 45.000 45.000 (SI) Ganhos na venda de Imobilizados 3.000 LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500 (-)Outras Despesas Perdas de Capital Outras Receitas Ganhos na Venda de Ativos 3.000 RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 169 DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Ante-rior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 - Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA - (-)Devoluções de Vendas (12.000) - (-)Abatimentos sobre Vendas - - (-)Desconto Comercial Concedido (500) - (-)Impostos sobre Vendas (270.000) - RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 - (-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) - (-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) - (-)Custo dos Serviços Prestados - - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 - (-)Despesas com Vendas (30.000) - (-)Despesas Administrativas (80.000) - (-)Outras Despesas Operacionais (3.000) - Outras Receitas Operacionais 5.000 - LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO 437.500 - (-)Despesas Financeiras (3.000) - Receitas Financeiras 15.000 - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500 - (-)Outras Despesas Perdas de Capital - - Outras Receitas Ganhos de Capital 3.000 - RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 - 170 Co nt ab ili da de F in an ce ira A última linha observada até aqui é a do Resultado do Exercício antes da Contribuição Social sobre o Lucro. Vamos saber do que se trata essa contribuição e outras deduções que são feitas no resultado. 4.1.6 Outras deduções Antes da apuração do lucro líquido final, ainda são feitas algumas outras deduções como: a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o Imposto de Renda sobre o lucro (IRPJ) e as Participações e Contribuições sobre o Lucro. CSLL e IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A CSLL é um tributo federal cobrado das empre- sas, cujo cálculo segue regras específicas determinadas pela legislação tributária. O detalhamento do seu cálculo será estudado futuramente, mas, por ora, vamos aprender como contabiliza-la. Vamos supor uma CSLL de 9% incidente sobre o Resultado do Exercício antes da Contribuição Social sobre o Lucro, sem quaisquer ajustes: Pela obrigação do recolhimento da CSLL CSLL = R$452.500,00 X 9% = R$40.725,00 D Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) R$40.725,00 Conta de Resultado C CSLL a Recolher R$40.725,00 Conta de Passivo Valor referente à CSLL do período D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 171 Pelo recolhimento da CSLL Deduzindo o valor da CSLL, na Demonstração do Resultado do Exercício, temos: O Resultado antes do Imposto de Renda sobre o Lucro, também conhecido como LAIR, é a linha da DRE que serve de base para apuração do valor do imposto de renda inci- dente sobre o lucro da empresa. Assim como a CSLL, o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) é calculado segundo Contribuição Soc s/ Lucro Liq (1) 40.725 Contribuição Soc a recolher 40.725 (1) D CSLL a Recolher R$40.725,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$40.725,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento da CSLL do período Contribuição Soc a Recolher (2) 40.725 Bancos Conta Movimento 40.725 (2) RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 (-)Contribuição Social sobre o Lucro (40.725) RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) 411.775 172 Co nt ab ili da de F in an ce ira regras específicas da legislação tributária que serão estuda- das num outro estágio do curso. Para exemplificarmos a contabilização do IRPJ, vamos trabalhar com uma alíquota de 15% incidente diretamente sobre o LAIR, sem quaisquer ajustes ou adicionais: Pela obrigação do recolhimento do IRPJ Pelo recolhimento do IRPJ IRPJ = R$411.775,00 X 15% = R$61.766,00 D Imposto de Renda sobre o Lucro R$61.766,00 Conta de Resultado C IRPJ a Recolher R$61.766,00 Conta de Passivo Valor referente ao IRPJ incidente sobre o lucro do período Imposto de Renda s/Lucro (1) 61.766 Imposto de Renda a Recolher 61.766 (1) D IRPJ a Recolher R$61.766,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$61.766,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento do IRPJ do período Imposto de Renda a Recolher (2) 61.766 Bancos Conta Movimento 61.766 (2) D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 173 Demonstração do Resultado do Exercício Vejamos a DRE até este ponto: Verificamos que, após a linha de Resultado do Exercício após o Imposto de Renda, ainda há mais uma dedução a ser estudada – as Participações sobre o Lucro. Participações e Contribuições sobre o Lucro As “participações e contribuições sobre o lucro” são parcelas do lucro que, atendendo a determinações do esta- tuto da empresa, são destinadas a favorecidos específicos. As participações mais comuns são: • Participações de debêntures; • Participações dos empregados; • Participações dos administradores; • Contribuições aos Fundos de Assistência de Empregados; • Contribuições aos Fundos de Previdência de Empregados, etc. As participações nos lucros também devem ser regis- tradas, mesmo quando não previstas em estatuto, desde que sejam parte de algum plano de remuneração já estabelecido. A base de cálculo das participações é o lucro líquido após o Imposto de Renda, após a compensação de eventu- ais prejuízos já existentes. Os artigos nº 187 e 190 da Lei nº 6.404/76, determinam que as participações sejam calculadas obedecendo-se a seguinte ordem: debêntures, empregados, RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) 411.775 (-) Imposto de Renda sobre o Lucro (61.766) RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IMPOSTO DE RENDA 350.009 (-) Participações sobre o Lucro 174 Co nt ab ili da de F in an ce ira administradores e partes beneficiárias. Além disso, deve-se observar que as respectivas bases de cálculo contemplem a dedução da participação imediatamente anterior. Exemplo: Contabilizando: Constituição da obrigação Constituição da obrigação Pagamento da obrigação Participações Valor ($) Resultado do Exercício após o IRPJ 350.009 Prejuízos de Exercícios Anteriores (50.009) Base de cálculo inicial 300.000 Participações de debêntures (10%) (30.000) Nova base de cálculo 270.000 Participações de empregados (10%) (27.000) D Participações de Debêntures R$30.000,00 Conta de Resultado C Participações de Debênturesa Pagar R$30.000,00 Conta de Passivo Valor referente às participações de debêntures no lucro do período D Participações de Empregados R$27.000,00 Conta de Resultado C Participações de Empregados a Pagar R$27.000,00 Conta de Passivo Valor referente às participações de empregados no lucro do período D Participações de Debêntures a Pagar R$30.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$30.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento das par- ticipações de debêntures no período D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 175 Pagamento da obrigação Razonetes: As participações e as contribuições devem ser contabi- lizadas na própria data do Balanço Patrimonial. D Participações de Empregados a Pagar R$27.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$27.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento das par- ticipações de empregados no período Participações de Debêntures (1) 30.000 Part. de Debên- tures a Pagar 30.000 (1) Participações de Debêntures a Pagar (2) 30.000 Bancos Conta Movimento 30.000 (2) Participações de Empregados (1) 27.000 Participações de Empregados a Pagar 27.000 (1) Participações de Empregados a Pagar (2) 27.000 Bancos Conta Movimento 27.000 (2) 176 Co nt ab ili da de F in an ce ira Demonstração do Resultado do Exercício Finalmente chegamos à última linha da DRE – Resultado Líquido do Exercício. Vamos ver como ficou? DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/ EXERCÍCIOS Atual Ante-rior RECEITA OPERACIONAL BRUTA Vendas 1.995.000 - Receita com Prestação de Serviços - (-) IPI Faturado (225.000) REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA - (-)Devoluções de Vendas (12.000) - (-)Abatimentos sobre Vendas - - (-)Desconto Comercial Concedido (500) - (-)Impostos sobre Vendas (270.000) - RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 - (-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) - (-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) - (-)Custo dos Serviços Prestados - - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 - (-)Despesas com Vendas (30.000) - (-)Despesas Administrativas (80.000) - (-)Outras Despesas Operacionais (3.000) - Outras Receitas Operacionais 5.000 - LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO 437.500 - (-)Despesas Financeiras (3.000) - Receitas Financeiras 15.000 - LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500 - (-)Outras Despesas Perdas de Capital - - Outras Receitas Ganhos de Capital 3.000 - D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 177 Agora que já conhecemos, linha a linha, da DRE, vale ressaltar: • Comparabilidade – a DRE, assim como as demais Demonstrações Financeiras, sempre será divulgada demonstrando dois períodos: o atual e o mesmo perí- odo do exercício anterior. Por exemplo: 2013 e 2012. • Lucro por ação - o lucro por ação, em sua forma básica, corresponde ao valor do lucro líquido divido pelo número de ações da empresa. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é quem determina que, no caso das sociedades anônimas, o lucro por ação deve ser divulgado logo a seguir do lucro líquido do exercício. • Prejuízo do exercício – Na ocorrência de prejuízo, ele é apresentado entre parênteses, notação que repre- senta valores negativos. Antes de encerrarmos esta aula é interessante sabermos que, além da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), também existe a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), mas iremos trata-la em outro momento do curso. RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 - (-)Contribuição Social sobre o Lucro (40.725) - RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) 411.775 - (-) Imposto de Renda sobre o Lucro (61.766) - RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IM- POST DE RENDA 350.009 - (-) Participações sobre o Lucro (57.000) - LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXER- CÍCIO 293.009 - Lucro por ação ................................................. 178 Co nt ab ili da de F in an ce ira Como nas aulas anteriores, vamos agora refletir sobre os objetivos que tínhamos ao iniciar a Aula 4. Será que conse- guimos alcança-los? Vamos conferir? Muito bem! Mais uma etapa vencida! Na próxima aula, dando continuidade à visão geral sobre a captação e a aplica- ção de recursos de uma entidade, ou seja, sua gestão finan- ceira utilizando informações contábeis, vamos estudar outras origens de recursos. Objetivos de aprendizagem Conhecemos e sabemos aplicar as normas de reconhe- cimento de receitas e despesas, de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, já em consonância com as Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS? Conhecemos o escopo básico da Demonstração do Resultado do Exercício? Sabemos calcular e contabilizar o Custo das Mercadorias Vendidas – CMV? Conhecemos as características de cada subgrupo de con- tas representadas na DRE? Aprendemos como elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE? Vamos relembrar? Nesta aula, relembramos os critérios para reconhecimento de receitas e despesas, que são os “elementos” que com- põem a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. A seguir, estudamos, linha a linha, as características des- ses elementos e a forma dedutiva como eles são apre- sentados na DRE, separando-os em operacionais e não operacionais (ganhos e perdas). Estudamos e aprendemos a contabilizar a “receita bruta” e as suas deduções, assim como os custos dos produtos ou mer- cadorias vendidas e dos serviços prestados. Também apren- demos a apurar o valor desses custos (CPV / CMV / CSP). D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 179 Qu estões pa r a r eflex ão e au toaVali aÇão 1.Analise a DRE da TAM (Transportes Aéreos Meridionais), em 31/03/2012 e 31/03/2011 e compare com o modelo de DRE estudado nesta aula, identificando as semelhanças e as dife- renças; 2.Identifique, com base no conteúdo teórico estudado, quais as possíveis justificativas para as diferenças identificadas; 3.Pesquise sobre o que significa “operações continuadas” e “operações descontinuadas”. A cada resultado apurado nos grupos de contas discuti- mos o que tal resultado representava, até chegarmos ao Resultado antes da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando, simulamos um cálculo simples desse tributo e o contabilizamos. Fizemos a mesma coisa, em seguida, com o Imposto de Renda (IRPJ) e chegamos ao Resultado Líquido antes das Participações. Relacionamos quais as principais participações sobre o lucro (debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias) e vimos como é efetuados o cálculo básico e a contabilização dessas participações. Por fim, apresentamos da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE em sua versão final. 180 Co nt ab ili da de F in an ce ira Fonte: http://www.econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/demonstracao-doFonte: http://www.econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/demonstracao-do- -resultado?ce=TAMM TAM: Demonstração do Resultado (DRE) Demonstração do resultado - valores em milhões de reais (M) 31/03/2012 (3m) 31/03/2011 (3m) Receita de Venda de Bens e/ou Ser- viços 3.228,5 M 3.042,5 M Custo dos Bens e/ou Serviços Vendidos -2.613,5 M -2.313,9 M Resultado Bruto 615,0 M 728,6 M Despesas/Receitas Operacionais -584,1 M -562,6 M Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos 30,8 M 166,0 M Resultado Financeiro 181,1 M 84,6 M Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 211,9 M 250,5 M Imposto de Renda e ContribuiçãoSocial sobre o Lucro -94,1 M -102,5 M Resultado Líquido das Operações Continuadas 117,8 M 148,1 M Resultado Líquido de Operações Descontinuadas 0,0 M 0,0 M Lucro/Prejuízo Consolidado do Período 117,8 M 148,1 M Critério de consolidação Consolidada Consolidada Critério de elaboração IFRS IFRS Dados por Ação (Reais / ação) 31/03/2012 (3m) 31/03/2011 (3m) Lucro Básico por Ação “ON” 0,65 0,83 Lucro Diluído por Ação “ON” 0,64 0,82 D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 181 r esoluÇão: Demonstração do Resultado valores em milhões de reais (M) 1. SEMELHANÇAS 1. DIFERENÇAS 2. POSSÍVEIS JUSTIFICATIVAS Receita de Venda de Bens e/ou Serviços Primeira linha englo- bando as receitas das principais atividades realizadas pela TAM. Denomi- nação: não consta a palavra “bruta” no que se refere às receitas de vendas; Não são apresentadas deduções da Receita de Vendas A denominação das contas pode variar, de acordo com a empresa, desde que tal denomina- ção represente adequa- damente o conteúdo; É possível que a empre- sa não tenha deduções a serem demonstradas. Custo dos Bens e/ou Serviços Vendidos Apresentação dos custos Denomina- ção Idem 1º. parágrafo Resultado Bruto Apresentação do resultado Denomina- ção Idem Despesas/ Receitas Ope- racionais Apresentação das despesas / receitas operacionais Não foram abertas as contas de despesas / receitas ope- racionais A publicação sob análise está resumida, mas as Demonstrações oficialmente publicadas, devem contemplar a abertura Resultado An- tes do Resulta- do Financeiro e dos Tributos Apresentação do resultado Denomina- ção A denominação das contas pode variar, de acordo com a empresa, desde que tal deno- minação represente adequadamente o conteúdo. Resultado Financeiro Apresentação do resultado Não foram abertas as contas de despesas / receitas financeiras Quando o resultado financeiro não for significativo, pode se apresentado pelo seu valor líquido, ou seja, receitas (-) despesas. Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro Apresentação do resultado Denomina- ção A denominação das contas pode variar, de acordo com a empresa, desde que tal denomina- ção represente adequa- damente o conteúdo. 182 Co nt ab ili da de F in an ce ira 3. a) Operações “continuadas” são as operações normais da entidade. b) O Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo, em seu item 32, assim define as operações descontinuadas: Imposto de Renda e Con- tribuição Social sobre o Lucro Apresentação dos tributos Junção do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido numa única linha Idem Resultado Líquido das Operações Continuadas Apresentação do resultado Denomina- ção Idem Resultado Líquido de Operações Descontinu- adas Não consta do modelo Sempre que necessário, a empresa deverá inserir linhas que representem adequadamente as suas informações. A ocorrência de ope- rações descontinuadas é de ocorrência menos comum, razão pela qual não é contemplada no modelo. Lucro/Prejuízo Consolidado do Período Apresentação do resultado Denomina- ção Trata-se de uma demons- tração “consolidada”, isto é, abrange todas as empresas do grupo empresarial. 32. Uma operação descontinuada é um componente da entidade que foi baixado ou está classificado como man- tido para venda e: (a) representa uma importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; (b) é parte integrante de um único plano coordenado para venda de uma importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; ou (c) é uma controlada adquirida exclusivamente com o objetivo da revenda. As operações descontinuadas são as vendas relativas a divisões, produtos ou atividades que a empresa abandonou, que não existirão mais no futuro. D em on st ra çã o do re su lta do d o ex er cí ci o 183 Na DRE, a linha sobre Resultado Líquido das Operações Des- continuadas, diz respeito às receitas, já deduzidas das despe- sas, correspondentes às operações assim definidas. lei t u r as r ecom en da das GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási- cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012. IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: Atlas, 2006 li n Ks i n dica dos www.cfc.org.br www.cpc.org.br www.receita.fazenda.org.br r ef er Ênci as CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº. 1.374, de 08 de dezembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. Brasília, 2011. Disponível em: www.cpc.org.br ( 5 ) Outras origens de recursos: passivos circulantes e não circulantes Olá prezados alunos, Aos poucos estamos nos aproximando do final desta parte do caminho para uma formação profissional bem-suce- dida. Já estamos abrindo a nossa quinta “porta”. O conheci- mento está esperando lá do outro lado, Então, vamos lá! Depois de aprendermos a apurar e a demonstrar o resultado das empresas, partindo da premissa de que esse resultado, quando positivo (lucro), é a mais vantajosa fonte de recursos para a entidade, vamos estudar algumas outras, também muito importantes – os Passivos Circulantes e os Não Circulantes. Também conhecidos como Recursos de Terceiros ou Capital de Terceiros, os passivos, sejam de curto, curtíssimo ou longo prazo, representam origens usuais de recursos para 188 Co nt ab ili da de F in an ce ira a entidade e, algumas vezes, dependendo da política de ges- tão financeira dessas entidades, compõem a maior parte do seu endividamento13. O endividamento com terceiros é inevitável e pode ser muito saudável quando se destina a financiar o crescimento e o desenvolvimento da entidade, mas precisa ser muito bem gerenciado para não se tornar um problema. Antes de pensarmos em gerir o endividamento com terceiros, vamos conhecer como ele é composto, certo? Esta quinta aula terá como principais objetivos de aprendizagem: Dividiremos a aula nos seguintes tópicos 5.1 Revisão de conceitos 5.1.1 Passivo exigível 5.1.2 Registro e avaliação dos passivos 5.2 Fornecedores 5.3 Obrigações fiscais 5.4 Outras obrigações 5.4.1 Adiantamentos de clientes 5.4.2 Contas a pagar 5.4.3 Ordenados e salários a pagar 13. Endividamento: representa o quanto a entidade “deve”, o quanto ela tem de obrigações exigíveis (capital de terceiros) e não exigíveis (capital próprio). Objetivos de aprendizagem Conhecer os principais Passivos Circulantes e Não Circulantes que se constituem em fontes/origens de recur- sos para as entidades; Conhecer as principais características das contas que compõem os Passivos Circulantes e Não Circulantes; Praticar a contabilização dos fatos contábeis mais comuns envolvendo os Passivos. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 189 5.4.4 Encargos sociais e FGTS a recolher 5.4.5 Dividendos a pagar 5.4.6 Ajuste ao valor presente 5.4.7 Outras obrigações a pagar 5.5 Empréstimos e financiamentos 5.5.1 Registro contá- bil de empréstimos e financiamentos 5.5.2 Registro contábil de financiamentos bancários a curto prazo 5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e financiamentosFinanciamentos diretos com fornecedores Financiamentos com outras pessoas jurídicas ou físicas 5.6 Debêntures e outros títulos de dívida 5.6.1 Debêntures 5.6.2 Notas promissórias (commercial papers) 5.7 Provisões Bom estudo a todos! 5.1 Revisão de conceitos Antes de destacarmos as contas de passivo mais comuns e os seus respectivos conteúdos, vamos rever alguns conceitos importantes acerca dessas fontes de recursos. 5.1.1 Passivo exigível O Passivo exigível é assim chamado por representar as obrigações da entidade que realmente podem ser exigidas pelos respectivos credores. Em outras palavras, deverão ser 190 Co nt ab ili da de F in an ce ira “efetivamente” pagas. Tais obrigações são classificadas no Balanço Patrimonial de acordo com os seus prazos de realiza- ção, em circulantes e não circulantes. Mas, afinal, passivos são obrigações ou origens/fon- tes de recursos? Ambos! Se a entidade está “devendo” para alguém significa que esse alguém está “financiando”, ou seja, está fornecendo recursos por um determinado prazo. Passivo circulante Segundo Iudícibus et al (2010, p. 277): Passivo Circulante é representado pelas obrigações da companhia cuja liquida- ção se espera que ocorra dentro do ex- ercício social seguinte, ou de acordo com o ciclo operacional14 da empresa, se este for superior a esse prazo. O Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis, aprovado pela Resolução CFC nº 1.180/09, coloca a observância dos seguintes critérios para a classificação de um passivo como circulante (item 69): a) Espera-se que seja liquidado durante o ciclo opera- cional normal da entidade; b) Está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado; c) Deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço; ou d) A entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço. As parcelas de uma obrigação não circulante, ou seja, de 14. Ciclo operacional: período de tempo que abrange desde o momento de aquisição das matérias- -primas ou mercadorias, até o “recebimento” pelas respectivas vendas dos produtos ou mercado- rias. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 191 longo prazo, que forem vencíveis em até doze meses após a data do balanço, deverão ser transferidas para o Passivo Circulante. Mas, vejam só, os autores e os normativos, ora se refe- rem ao período de doze meses após a data do balanço como principal condição para a classificação de um passivo como circulante, ora se referem ao ciclo operacional. Afinal, qual prazo deve ser observado? O artigo 180 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 11.941/09, deixa bem claro que é o prazo do ciclo operacional que deve ser observado. O que acontece é que a grande maioria das entidades tem seu ciclo operacional compreendido dentro do prazo de doze meses, o que faz com que este seja o prazo mais conhecido. No entanto, há entidades cujo ciclo operacio- nal é mais longo, como indústrias de máquinas e equipamen- tos pesados, construtoras, indústria naval, aeronáutica etc. Vejamos o que diz o referido artigo, complementado pelo parágrafo único do artigo 179 da citada lei: As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direi- tos do ativo não circulante, serão classi- ficados no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no pas- sivo não circulante, se tiverem vencimen- to em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta lei. Art. 179 – Parágrafo único: “Na com- panhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no cir- culante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo”. As operações mais comuns, classificáveis como passi- vos circulantes, segundo Iudícibus et al (2010, p. 277), são: • Compra de matérias-primas a serem usadas no pro- cesso produtivo ou mercadorias destinadas à revenda; 192 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Compra de bens, insumos e outros materiais para uso pela empresa; • Arrendamento financeiro de bens para uso da empresa; • Valores recebidos por conta de futura entrega de bens ou serviços; • Salários, comissões e aluguéis devidos pela empresa; • Despesas incorridas nas operações da empresa e ainda não pagas; • Dividendos declarados a serem pagos aos acionistas; • Impostos, taxas e contribuições devidos ao poder público; • Empréstimos e financiamentos obtidos de institui- ções financeiras; e • Provisões, a qualquer título, referentes a obrigações já incorridas ou conhecidas e que possam ter os seus valores estimados etc. Para efeitos de gestão financeira, a correta classificação de um passivo como circulante ou não circulante é de funda- mental importância para a gestão do fluxo de caixa da empresa e suas políticas de concessão de crédito para os clientes. Passivo não circulante O Passivo não circulante representa as obrigações da entidade que irão vencer em prazo superior ao seu ciclo ope- racional ou após o exercício social seguinte e que, portanto, não são classificáveis como passivos circulantes. 5.1.2 Registro e avalição dos passivos Como todos os demais registros contábeis, o registro dos passivos deve obedecer aos Princípios da Competência O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 193 e da Oportunidade, devendo ser avaliados de acordo com as disposições do art. 184 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 11.941/09, que estabelece: No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com os se- guintes critérios: I – as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado15 até a data do balanço; II – as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço16; III – as obrigações, encargos e riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante17. Do texto legal destacamos alguns itens de extrema relevância: a) Os valores dos passivos devem ser “atualizados” até a data do balanço. Isto significa que neles deverão estar computados todos os encargos necessários à sua liquidação, calculados até a data do balanço; b) A taxa de câmbio utilizada para converter as obri- gações em moeda estrangeira deve ser aquela que esteja em vigor “na data do balanço”; e c) As obrigações de longo prazo (passivo não circu- lante) devem ser ajustadas ao seu valor presente, como já visto em aula anterior. 15. Grifo nosso 16. Idem 17. Idem 194 Co nt ab ili da de F in an ce ira Os registros contábeis, segundo Iudícibus et al (2010, p. 278) devem ser feitos nos seguintes agrupamentos de contas: Passivo Circulante: • Fornecedores; • Obrigações fiscais; • Outras obrigações; • Imposto sobre a Renda e Contribuição Social a pagar; • Empréstimos e financiamentos; • Debêntures e outros títulos de dívida; e • Provisões. Passivo não Circulante: • Empréstimos e financiamentos; • Debêntures e outros títulos de dívida; • Retenções contratuais; • Imposto sobre a Renda e Contribuição Social diferidos; • Resgate de partes beneficiárias; • Provisão para riscos fiscais e outros passivos contingentes; • Provisãopara benefícios a empregados; e • Programa de recuperação fiscal. Agora que já revimos e estudamos alguns conceitos básicos, podemos conhecer maiores detalhes sobre alguns desses grupos de contas. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 195 5.2 Fornecedores No grupo de contas de Fornecedores são registradas as obrigações contraídas pela compra de matérias-primas, de mercadorias ou quaisquer outros materiais utilizados nas ati- vidades da entidade para pagamento a prazo. Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. adquiriu, para pagamento em 45 dias, mercadorias para revenda no valor de R$280.000,00. Vejamos como será a contabilização desse Passivo Circulante e do seu respectivo pagamento, feito em cheque, na data do vencimento: Na compra das mercadorias No pagamento ao fornecedor D Estoque de Mercadorias R$280.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$280.000,00 Conta de Passivo Valor referente à aquisição de mercadorias a prazo D Fornecedores R$280.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$280.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento de mercadorias adquiridas a prazo 196 Co nt ab ili da de F in an ce ira Razonetes: Vamos supor uma situação em que a Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos tivesse importado um lote de lâmpadas chinesas que deveriam ser pagas em moeda estran- geira, após 90 dias, nas seguintes condições: Constatamos que a obrigação, no seu vencimento, sofrerá um acréscimo de R$3.000,00, em virtude da varia- ção cambial incidente. Assim, teremos as seguintes contabilizações: Fornecedores 280.000 (1) Estoques de mercadorias (1) 280.000 Bancos Conta Movimento 280.000 (2) Fornecedores (2) 280.000 Valor da obrigação em moeda nacional R$60.000,00 Valor do dólar na data de aquisição (taxa de câmbio) R$2,00 Valor da obrigação em moeda estrangeira (R$60.000,00 ÷ R$2,00) US$30.000,00 Valor do dólar na data do pagamento (taxa de câmbio) R$2,10 Valor do pagamento no vencimento (US$30.000,00 x R$2,10) R$63.000,00 Variação cambial (R$63.000,00 - R$60.000,00) R$3.000,00 O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 197 Na compra das mercadorias Pela apropriação da variação cambial No pagamento ao fornecedor Razonetes: D Estoque de Mercadorias R$60.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores Estrangeiros R$60.000,00 Conta de Passivo Valor referente à aquisição de mercadorias a prazo D Variações Cambiais – Despesas Financeiras R$3.000,00 Conta de Resultado C Fornecedores Estrangeiros R$3.000,00 Conta de Passivo Valor referente à variação cambial incidente sobre mercadorias adquiridas a prazo D Fornecedores Estrangeiros R$63.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$63.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento de mercadorias adquiridas a prazo Fornecedores 280.000 (1) Estoques de mercadorias (1) 60.000 Bancos Conta Movimento 63.000 (3) Fornecedores (3) 63.000 60.000 (1) 3.000 (2) Variação Cambial Despesa Financ. (2) 3.000 198 Co nt ab ili da de F in an ce ira Percebam que o grupo de contas de Fornecedores é o primeiro a ser demonstrado como Passivo no Balanço Patrimonial. Lembram-se de que as contas no Balanço Patrimonial são dispostas por grau de liquidez, no caso do Ativo, e por grau de exigibilidade, no Passivo? Qual é o nosso credor mais importante e, portanto, aquele a quem devemos pagar em primeiro lugar? Se a entidade não pagar seus fornecedores com prio- ridade, corre o risco de não ter matéria-prima para fabricar seus produtos ou não ter mercadorias para revender. 5.3 Obrigações fiscais No grupo de contas de Obrigações Fiscais são regis- tradas as obrigações que a entidade tem com o Governo, seja federal, estadual ou municipal, relativas a tributos de forma geral (impostos, taxas e contribuições). As contas mais comuns deste grupo são: • ICMS a recolher; • IPI a recolher; • Imposto de Renda a Recolher; • Contribuição Social sobre Lucro Líquido a Recolher; • ISS a Recolher; • PIS e COFINS a recolher; • Impostos retidos a recolher etc. A contabilização de alguns desses tributos já foi tra- tada em aula anterior e voltará a ser estudada com outras ainda inéditas, em uma disciplina específica do curso. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 199 Mas como uma obrigação fiscal pode ser considerada como origem/fonte de recursos? O governo permite que a entidade recolha os tributos devidos sempre após certo prazo, que varia de acordo com o tipo de tributo. Durante esse prazo, algo que já é devido deixa de ser pago, ou seja, o valor correspondente permanece no caixa da entidade para fazer face a outros compromissos. Isso significa que, mesmo que seja por alguns dias, o governo está “financiando” as atividades da entidade e, portanto, for- necendo-lhe recursos! 5.4 Outras obrigações Vamos estudar, agora, algumas das várias obrigações que uma entidade pode ter, além daquelas fiscais ou com for- necedores. O grupo de contas “Outras Obrigações” abrange todas as demais obrigações contraídas com terceiros, inclu- sive com empregados. Das diversas obrigações que compõem esse grupo, ire- mos estudar: • Adiantamentos de clientes; • Contas a pagar; • Ordenados e salários a pagar; • Encargos sociais a pagar e FGTS a recolher; • Dividendos a pagar; • Ajuste ao valor presente (conta devedora); • Outras obrigações a pagar. 200 Co nt ab ili da de F in an ce ira 5.4.1 Adiantamentos de clientes Na conta de Adiantamentos de Clientes são registra- dos valores recebidos antecipadamente por conta de serviços a realizar ou produtos a entregar. A obrigação deve ser cons- tituída, pois, geralmente, se o produto não for entregue ou o serviço não for realizado, a quantia recebida a título de adian- tamento deverá ser devolvida ao cliente. Também se aplica o uso desta conta no caso do forne- cimento de bens ou serviços de longo prazo, isto é, cuja pro- dução ou realização ocorra em prazo longo e os respectivos valores sejam pagos pelos clientes durante a produção ou prestação do serviço, de acordo com os prazos estabelecidos em contrato. Vamos contabilizar essa transação: Pelo recebimento do adiantamento Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos fechou um contrato de importação de lâmpadas chinesas, especificamente para atender a uma construtora que iria utilizar tais lâmpadas em uma de suas obras. Para garan- tir que o preço combinado não fosse alterado em função da possível variação cambial, a construtora “adiantou” R$75.000,00, correspondente a 50% do valor total contra- tado. Os 50% restantes seriam pagos quando da entrega das lâmpadas. D Bancos - Conta Movimento R$75.000,00 Conta de Ativo C Adiantamentos de Clientes R$75.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao adiantamento recebido do cliente XYZ por conta da importação de um lote de lâmpadas O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 201 Na entrega da mercadoria Razonetes: 5.4.2 Contas a pagar No grupo de Contas a Pagar são registradas as obri- gações constituídas por conta de bens ou serviços que foram fornecidos para a entidade ou, ainda, que tenham sidos fatu- radosou contratados, e cuja classificação não se enquadre em nenhum outro grupo de contas específico. Servem como exemplo: o fornecimento de água, luz, telefone, energia elé- trica, aluguéis etc. além de contas eventuais. A contabilização terá, sempre, como contrapartida a despesa correspondente, incorrida até a data do Balanço ou demonstrativo contábil intermediário (Balancete mensal, por exemplo) e que deva ser pago posteriormente a essa data. D Adiantamentos de Clientes R$75.000,00 Conta de Passivo D Bancos - Conta Movimento R$75.000,00 Conta de Ativo C Receita de Vendas R$150.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda de um lote de lâmpadas importadas ao cliente XYZ, ora completada. Adiantamentos de Clientes (2) 75.000 75.000 (1) Bancos Conta Movimento 75.000 (1) 75.000 (2) Receita de Vendas 150.000 (2) D Despesa R$ Conta de Resultado C Contas a Pagar RS Conta de Passivo Valor referente a... 202 Co nt ab ili da de F in an ce ira 5.4.3 Ordenados e salários a pagar Este é mais um grupo de contas que suscita dúvidas quanto ao fato de ser origem ou fonte de recursos para a enti- dade. O fato é que, sempre que uma obrigação pode ser cum- prida posteriormente à ocorrência do evento que a originou, estará ocorrendo um “financiamento” das atividades da enti- dade, mesmo que por poucos dias. No caso de ordenados e salários, quando a entidade efetua o pagamento no mês seguinte àquele em que o serviço foi prestado pelo empregado, ela estará deixando de desen- caixar os valores correspondentes e, consequentemente, poderá utiliza-los para outras finalidades. A contabilização é feita com base na “folha de paga- mentos” da entidade e deve contemplar todas as remune- rações de direito dos empregados, inclusive horas extras e quaisquer outras. Contabilização:18 5.4.4 Encargos sociais a pagar e FGTS a recolher Assim como os ordenados e os salários, a obriga- ção de recolher os encargos sociais, como a contribuição ao INSS devida pela empresa, por exemplo, e o FGTS (Fundo de 18. No caso de pessoal ligado à produção de bens ou serviços, o valor dos ordenados e dos salários será apropriado ao custo dos produtos (ativo). D Ordenados e Salários – Despesa Administrativa18 R$ Conta de Resultado C Ordenados e Salários a Pagar S Conta de Passivo Valor referente aos ordenados e salários do mês X, conforme folha de pagamento O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 203 Garantia por Tempo de Serviço), também deverá ser reconhe- cida no mês correspondente. A base da contabilização, neste caso, também será a folha de pagamento do mês e, no caso do INSS, a obrigação deverá contemplar, inclusive, a contribuição que é descon- tada do empregado para recolhimento à Previdência Social. Contabilização: Contribuições à Previdência Social Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (*) No caso de pessoal ligado à produção de bens ou serviços, o valor dos encargos sociais e do FGTS, será apropriado como custos dos produtos (Ativo). 5.4.5 Dividendos a pagar Dividendo é a parcela do lucro que cabe ao acionista das sociedades por ações (Sociedades Anônimas – SA). A Lei nº 6.404/76 determina que os dividendos propostos sejam D Encargos Sociais – Despesa Administrativa (*) R$ Conta de Resultado C INSS a Pagar R$ Conta de Passivo Valor referente à contribuição previ- denciária, parte da empresa, do mês X, conforme folha de pagamento. D Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço - Despesa Administrativa (*) R$ Conta de Resultado C FGTS a Recolher R$ Conta de Passivo Valor referente ao FGTS do mês X, conforme folha de pagamento. 204 Co nt ab ili da de F in an ce ira contabilizados como uma obrigação na data do Balanço. Entretanto, devem-se considerar nessa contabilização somente os dividendos mínimos obrigatórios, determina- dos no estatuto da sociedade, tendo em vista que o valor total proposto, caso seja maior, somente será uma obrigação após a sua aprovação pela assembleia geral. Exemplo: Supondo que uma sociedade anônima tenha obtido lucro líquido de R$1.500, que o dividendo mínimo previsto em seu estatuto é de 25% desse lucro e que, a proposta inicial para pagamento de dividendos seja de 35% do lucro líquido, a contabilização ficaria da seguinte forma: Apurando os valores a serem contabilizados: Dividendo mínimo = R$1.500,00 x 25% = R$375,00 Dividendo proposto = R$1.500,00 x 30% = R$450,00 Diferença = R$75,00 Na data do Balanço D Lucros Acumulados (PL) R$450,00 Conta de Patrimônio Líquido C Dividendo Adicional Proposto (PL) R$75,00 Conta de Patrimônio Líquido C Dividendo Obrigatório a Pagar R$375,00 Conta de Passivo Valor referente ao dividendo sobre o lucro líquido do exercício X O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 205 Após aprovação pela Assembleia Geral Razonetes: (*) O saldo deve ser trasnferido para as contas reservas. 5.4.6 Ajuste ao valor presente A conta de Ajuste ao Valor Presente é uma conta “redutora” ou “retificadora” que se presta a acolher os valores correspondentes aos ajustes realizados nas obrigações, nos encargos e nos riscos classificados nos Passivos Não Circulante e Circulante, quando houver efeito relevante. O ajuste ao valor presente já foi estudado na Aula 3, mas vamos relembrar um pouco do que foi visto lá. D Dividendo Adicional Proposto (PL) R$75,00 Conta de Patrimônio Líquido D Dividendo Obrigatório a Pagar R$375,00 Conta de Passivo C Dividendos a Pagar R$450,00 Conta de Passivo Valor referente aos dividendos a pagar sobre o lucro líquido do exercício X Dividendos a Pagar 450 (2) Dividendo Adicional Proposto (2) 75 75 (1) Lucros Acumulados (1) 100.000 1.500 (SI) (*) 1.050 Dividendos Obrigatório a Pagar (2) 375 375 (1) 206 Co nt ab ili da de F in an ce ira Para reforçar, vamos repetir o exemplo estudado naquela aula: Vamos supor que uma entidade adquiriu uma máquina a prazo no valor total de R$27.865,00, correspondente a 5 par- celas iguais de R$5.573,00. Os juros embutidos correspondem a uma taxa de 20% ao ano. Quando descontamos os juros do valor total, trazendo-o ao seu valor presente, temos que o seu valor real na data da compra é de R$20.000,00, ou seja, o valor dos juros corresponde a R$7.865,00. Vamos contabilizar esse ajuste: No Passivo do Balanço Patrimonial as contas seriam demonstradas como segue: À medida que transcorre o prazo do financiamento, o encargo financeiro correspondente ao ajuste ao valor presente vai sendo apropriado de acordo com o regime de competência: O valor presente (VP) é o valor da transação que tem juros embutidos pelo respectivo prazo da operação, trazido ao valor de hoje, ou seja, sem esses juros. Em outras palavras, valor presente = valor de hoje. D Máquinas (pelo valor presente) R$20.000,00 Conta de Ativo Não Circulante D Encargos Financeiros a Decorrer (VP) R$7.865,00 Conta de Passivo (Redutora) C Financiamentos R$27.865,00 Conta de Passivo Valor referente ao ajuste ao valor pre- sente na compra de máquina a prazo Financiamentos R$27.865,00 Encargos Financeiros a Decorrer (R$7.865,00) O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 207 5.4.7 Outras obrigações a pagar Outras obrigações, constituídas em função à obedi- ência ao regime de competência,devem ser registradas no grupo de contas Outras Obrigações a Pagar e contabilizadas tendo como contrapartida a conta de Ativo ou de Despesa que melhor a represente. 5.5 Empréstimos e financiamentos Os empréstimos e os financiamentos podem ser de curto ou de longo prazo, contraídos com instituições finan- ceiras do país ou do exterior. Em linhas gerais, o que diferencia um empréstimo de um financiamento é que ele costuma ter um fim específico, como financiar a aquisição de um bem ou de um equipamento, enquanto que o empréstimo não tem um objeto exclusivo, pode ser para fazer face à necessidade de capital de giro ou, ainda, para atender a amplos projetos com diversos componentes. As contas mais comuns que compõem o grupo de Empréstimos e Financiamentos, no Passivo Circulante e no Não Circulante, são: D Despesa de Encargos Financeiros sobre Financiamentos Pelo valor da parcela mensal dos juros Conta de Resultado C Encargos Financeiros a Decorrer (VP) Idem Conta de Passivo (Redutora) Valor referente à apropriação de encargos financeiros sobre financiamentos no período 208 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Parcela a curto prazo dos empréstimos e dos finan- ciamentos (*) • Financiamentos bancários de curto prazo • Desconto de duplicatas • Desconto de promissórias • Credores por financiamentos • Títulos a Pagar • Juros a pagar de empréstimos e financiamentos • Encargos financeiros a transcorrer (conta redutora) • Empréstimos e financiamentos a longo prazo Iudícibus et al (2010, p. 298) recomenda que os financia- mentos de bens e de equipamentos, feitos diretamente pelo fornecedor, sejam registrados em conta diferente daquela que registra os financiamentos realizados por instituições finan- ceiras e sugere a conta de Credores por Financiamentos. 5.5.1 Registro contábil de empréstimos e de financiamentos O registro contábil inicial dos empréstimos e finan- ciamentos deve ser feito quando os recursos forem recebidos pela entidade, o que normalmente ocorre ao assinar o con- trato correspondente. Quando o contrato prevê a liberação dos recursos em parcelas, o registro contábil deve ser feito no recebimento de cada uma delas. A contabilização dessas operações deve considerar, ainda, as possíveis variações monetárias, as despesas bancárias (*) Valores originalmente registrados como passivos de longo prazo (Não Circulante) devem ser transferidos para o Passivo Circulante à medida que o vencimento de suas parcelas se enquadrem na classificação de curto prazo. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 209 e outras despesas incorridas, a apropriação dos juros corres- pondentes e, quando for o caso, o ajuste ao valor presente. Para ilustrar a contabilização de uma operação de empréstimo, vamos adaptar, para simplificar, o exemplo for- necido por Iudícibus et al (2010, p. 301-304): Supondo que uma empresa faça um empréstimo de R$2.000.000,00, nas seguintes condições: As despesas incorridas e relacionadas com a opera- ção de captação de recursos por meio do empréstimo devem ser consideradas como “encargos financeiros”, uma vez que não existiriam se não houvesse a operação. No exemplo, esse valor representa R$130.000,00 (despesas bancárias + gastos com consultores). Assim, temos que a taxa de juros ou o custo do empréstimo, na realidade, não será de 10%, conforme con- trato, mas, sim, 13,76% (TIR – Taxa Interna de Retorno), con- siderando que: • O valor efetivamente recebido foi de R$1.870.000,00 (R$2.000.000,00 - R$130.000,00); • O valor a ser pago no vencimento é de R$2.420.000,00; • O total das despesas a incorrer ao longo do perí- odo é de R$550.000,00, correspondente a R$420.000,00 de juros (R$2.420.000,00 - R$2.000.000,00), mais R$130.000,00 (despesas bancárias + gastos com consultores); Despesas bancárias R$10.000,00 Gastos com consultores para viabilização da documentação exigida R$120.000,00 Taxa de juros contratuais 10% a.a. Prazo 2 anos Condições de pagamento: parcela única R$2.420.000,00 210 Co nt ab ili da de F in an ce ira Aplicando-se a taxa efetiva de 13,76% sobre o valor líquido recebido, obtém-se o valor dos custos financeiros inci- dentes no primeiro ano da operação: No segundo ano, tem-se: Obs.: os valores foram arredondados Observe a seguir o quadro resumo da operação de empréstimo: Fonte: Iudícibus et al (2010, p. 303), adaptado A “separação” entre os custos diversos e as despesas de juros pode ser ilustrada da seguinte forma: R$1.870.000,00 x 13,76% = R$257.300,00 (custos financeiros a amortizar) R$1.870.000,00 + R$257.300,00 = R$2.127.300,00 (saldo do empréstimo no primeiro ano) R$2.127.300,00 x 13,76% = R$292.700,00 Controle de Captação de Recursos (Taxa Efetiva = 13,76%) Ano Saldo Inicial Efeitos na DRE Efeitos na DRE Efeitos na DRE 1 1.870.000 (257.300) - 2.127.300 2 2.127.300 (292.700) (2.420.000) - Despesa Financeira Total (550.000) Despesas de Juros (420.000) Despesas Diversas (130.000) Despesas Desdobradas Ano a Ano Ano Despesas com Juros Despesas com amortização dos gastos diversos Encargo financeiro total (DRE) 1 (200.000) (57.300) (257.300) 2 (220.000) (72.700) (292.700) Total (420.000) (130.000) (550.000) O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 211 Vamos ver, agora, a contabilização dessa operação: Pela contratação e recebimento do empréstimo Pela apropriação dos encargos financeiros do 1º ano D Bancos Conta Movimento R$1.870.000,00 Conta de Ativo D Custos de Empréstimos a Amortizar R$130.000,00 Conta de Passivo (Redutora) C Empréstimos e Financiamentos R$2.000.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao empréstimo contraído com o Banco X Bancos Conta Movimento (1) 1.870.000 75.000 Empréstimos e Financiamentos 2.000.000 (1) Custos de Em- prest. a Armonizar (1) 130.000 D Encargos Financeiros (Despesa Financeira) R$257.300,00 Conta de Resultado C Empréstimos e Finan- ciamentos (pela apro- priação dos juros) R$200.000,00 Conta de Passivo C Custos de Empréstimos a Amortizar (pela amortização dos custos diversos) R$57.300,00 Conta de Passivo (Redutora) Valor referente à apropriação de encar- gos financeiros sobre empréstimos Custos de Em- prest. a Amortizar (1) 130.000 57.300 (2) Empréstimos e Financiamentos 2.000000 (1) 200.000 (2) Encargos Financeiros (2) 257.000 212 Co nt ab ili da de F in an ce ira Pontos importantes: • Note que os gastos com a despesa bancária e a con- sultoria, no valor total de R$130.000,00, já foram pagos quando descontados do valor principal do emprés- timo. Portanto é um custo a ser amortizado. • As despesas de juros, no entanto, só serão “incorri- das” no final do primeiro ano. • Assim, atendendo ao regime de competência, apro- priam-se como encargos financeiros os custos diversos relativos ao 1º ano e pagos antecipadamente, juntamente com os juros incorridos no período e ainda não pagos. Pela apropriação dos encargos financeiros do 2º ano D Encargos Financeiros (Despesa Financeira) R$292.700,00 Conta de Resultado C Empréstimos e Finan- ciamentos (pela apro- priação dos juros) R$220.000,00 Conta de Passivo C Custos de Emprésti- mos a Amortizar (pela amortização dos custos diversos) R$72.700,00 Conta de Passivo (Redutora) Valor referente à apropriação de encar- gos financeiros sobre empréstimos Custos de Em- prest. a Amortizar(1) 130.000 57.300 (2) 72.700 (3) Empréstimos e Financiamentos 2.000000 (1) 200.000 (2) 220.000 (3) Encargos Financeiros (2) 257.300 (3) 292.700 O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 213 Pelo pagamento do empréstimo (*) O saldo da conta ficará negativo. Esta situação deve ser evitada na vida real 5.5.2 Registro contábil de financiamentos bancários a curto prazo Dos financiamentos bancários de curto prazo mais comuns, destacam-se o desconto de duplicatas, as notas pro- missórias, os empréstimos caucionados, entre outros. O desconto de duplicatas consiste numa operação em que a entidade, proprietária dos títulos, entrega-os a uma instituição financeira (ou factoring) em troca do valor des- ses títulos, descontados dos respectivos encargos financei- ros cobrados pela instituição. É como se a entidade estivesse fazendo um empréstimo que será quitado à medida que os seus clientes também forem quitando as duplicatas junto à instituição. Trata-se de uma forma de receber “antecipada- mente” os recursos provenientes dessas duplicatas, sendo uma providência bastante adotada pelas empresas que preci- sam de financiamento para o seu capital de giro19. 19. Capital de Giro: representa os recursos que a entidade possui para sustentar o giro dos negócios. Resulta das entradas e das saídas diárias do fluxo financeiro relacionado às suas atividades operacionais. D Empréstimos e Financiamentos R$2.420.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$2.420.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao pagamento de empréstimos ao Banco X Empréstimos e Financiamentos (4) 2.420.000 2.000000 (1) 200.000 (2) 220.000 (3) Bancos Conta Movimento (1) 1.870.000 2.420000 (4) (*) 214 Co nt ab ili da de F in an ce ira Geralmente a operação de desconto de duplicatas e outros títulos já inclui os encargos financeiros incidentes e a entidade recebe o valor já descontado desses encargos. Em atendimento ao regime de competência, faz-se necessário registrá-los em uma conta redutora do Passivo para apropria- ção pro rata temporis, ou seja, de acordo com o tempo trans- corrido da operação que, nesse caso, se dá entre a data do desconto e a data de quitação do título pelos clientes. Vamos exemplificar: A contabilização seria a seguinte: Pelo desconto das duplicatas A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos decidiu cap- tar recursos por meio de uma operação de descontos de duplicatas. Analisou sua carteira de duplicatas a receber, no valor de R$100.000,00, e decidiu descontar 20% desse total. Por essa transação, o Banco X cobrou juros no valor de R$2.000,00 e taxas bancárias de R$300,00, tendo a Luz Azul recebido um valor líquido de R$17.700,00. D Bancos - Conta Movimento R$17.700,00 Conta de Ativo D Encargos Financeiros a Apropriar R$2.300,00 Conta de Passivo (Redutora) C Duplicatas Descontadas R$20.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao desconto de duplicatas no Banco X Bancos Conta Movimento (1) 17.700 Duplicatas Descontadas 20.000 (1) Encargos Finan- ceiros a Apropriar (1) 300 O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 215 Pela apropriação dos encargos financeiros quando do paga- mento pelo cliente Pelo pagamento pelo cliente 5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e financiamentos Uma entidade pode obter empréstimos e financia- mentos não só com instituições financeiras, mas, também, com outras pessoas jurídicas (fornecedores, por exemplo) ou mesmo com pessoas físicas. D Despesas Financeiras R$300,00 Conta de Resultado C Encargos Financeiros a Apropriar R$300,00 Conta de Passivo (Redutora) Valor referente à apropriação de en- cargos financeiros sobre o desconto de duplicatas no Banco X D Duplicatas Descontadas R$20.000,00 Conta de Passivo C Duplicatas a Receber R$20.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao recebimento de duplicatas nº 1234 Encargos Finan- ceiros a Apropriar (1) 300 300 (2) Duplicatas Descontadas (3) 20.000 20.000 (1) Duplicatas a Receber (SI) 100.000 20.000 (3) Despesas Financeiras (2) 300 216 Co nt ab ili da de F in an ce ira Financiamentos diretos com fornecedores No caso de obtenção de financiamentos diretamente com fornecedores, eles devem ser registrados em conta separada daqueles que se originam de instituições financeiras para melhor controle. Quanto aos demais procedimentos em relação à classifi- cação por prazos, apropriação de juros e outras despesas, ajuste ao valor presente, variações monetárias etc., em nada se diferenciam. Vamos contabilizar? Primeiramente, é necessário trazer o valor das instala- ções ao seu valor presente, usando a taxa de 20% ao ano. Esse valor é igual a R$100.000,00 e, portanto, foram cobrados juros de R$72.800,00. Pelo compra financiada Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos, ampliando suas instalações, adquiriu da FB Móveis Comerciais novos balcões e prateleiras por R$172.800,00. Esse valor foi financiado em 3 anos, em parcelas anuais e iguais de R$57.600,00, diretamente com a fornecedora que cobrou juros de 20% ao ano. D Móveis e Instalações (Pelo valor presente) R$100.000,00 Conta de Ativo D Juros de Financia-mentos a Apropriar R$72.800,00 Conta de Passivo (Redutora) C Credores por Financiamentos R$172.800,00 Conta de Passivo Valor referente à aquisição de móveis e instalações, conforme NF. XXX da FB Móveis Comerciais Móveis e Instalações (1) 100.000 Credores por Financiamentos 172.800 (1) Juros Financiamen- tos a Apropriar (1) 72.800 O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 217 Pela apropriação dos juros no 1º ano Os juros do segundo ano (R$24.000,00) e do terceiro ano (R$28.800,00) serão apropriados da mesma forma. Pelo pagamento da primeira parcela anual As parcelas pagas no segundo e no terceiro ano serão contabilizadas da mesma forma. D Despesas Financeiras R$20.000,00 Conta de Resultado C Juros de Financia-mentos a Apropriar R$20.000,00 Conta de Passivo (Redutora) Valor referente aos juros do financia- mento com a FB Móveis Comerciais Juros Financiamen- tos a Apropriar (1) 72.800 20.000 (2) Despesas Financeiras (2) 20.000 D Credores por Financiamentos R$57.600,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$57.600,00 Conta de Ativo Valor referente à primeira parcela de financiamento com a FB Móveis Comerciais Credores por Financiamentos (2) 57.600 172.800 (1) Bancos Conta Movimento 57.600 (2) 218 Co nt ab ili da de F in an ce ira Financiamentos com outras pessoas jurídicas ou físicas No caso de financiamentos com outras pessoas jurí- dicas (que não fornecedores) ou físicas, eles devem ser con- tabilizados, preferencialmente, na conta “Títulos a Pagar”, observando-se, para efeito de apropriação de encargos e outros procedimentos, as condições negociadas no financiamento. 5.6 Debêntures e outros títulos de dívida Outra forma de captação de recursos utilizada pelas entidades é a emissão de títulos de dívida. Mas o que é um título de dívida? Um título de dívida é um documento (“papel”, na linguagem financeira) representativo de uma dívida cujo pagamento poderá ser exigido de acordo com as condições pactuadas entre as partes. A emissão de títulos de dívida é uma das formas uti- lizadaspelas entidades para captação de recursos. Tais títu- los são comercializados no mercado financeiro e o investidor que os adquire será titular de um direito de crédito perante a empresa emitente. Os títulos de dívida mais comuns são as debêntures e as notas promissórias (commercial papers). 5.6.1 Debêntures Debêntures são títulos de dívida emitidos por empre- sas constituídas sobre a forma de sociedades anônimas. Geralmente são títulos com vencimentos de médio a longo prazo, que conferem aos seus titulares os direitos de crédito O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 219 contra a entidade emissora, conforme estipulado na corres- pondente escritura de emissão20. As debêntures são títulos que serão liquidados somente nos respectivos vencimentos e que podem pagar juros periódicos, podendo a entidade emissora exercer o direito de resgate antecipado. Constituem-se em fontes de recursos para as entidades financiarem suas atividades em médio e a longo prazo. A emissão e a negociação das debêntures implicam em gastos (custos de transação) a serem contabilizados como des- pesas financeiras, de acordo com Pronunciamento Técnico CPC 08 – Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários. 5.6.2 Notas promissórias (commercial papers) As notas promissórias (NP), conhecidas no mercado financeiro como commercial papers são títulos de dívida, tam- bém emitidos por sociedades anônimas, com a finalidade de captação de recursos para financiamento de capital de giro. As condições de emissão e de tratamento contábil das notas promissórias se assemelham às das debêntures, exceto no que se refere ao prazo, visto que as NPs são emitidas pelo prazo máximo de 180 dias, no caso de sociedades anônimas de capital fechado, e 360 dias, quando se tratar de capital aberto. 20. Escritura de emissão: documento legal em que constam todas as condições de emissão da debên- ture, como prazo, periodicidade de pagamento de juros, garantias, remuneração etc. Saiba mais Quer saber mais sobre “títulos de dívida”? Consulte o site: http://www.bmfbovespa.com.br/empresas/pages/empre- sas_titulosdedivida.asp 220 Co nt ab ili da de F in an ce ira 5.7 Provisões O item provisões será revisto nesta aula por se tratar de um tópico muitas vezes significativo para o Passivo. Além disso, como os demais passivos, as provisões também carac- terizam uma fonte de recursos. Vamos relembrar, a seguir, um trecho importante visto na Aula 3 sobre o tema: Provisões destinadas a cobrir possíveis obrigações futuras, sobre as quais se tenha razoável certeza da liquidação – são provisões constituídas, utilizando- se valores estimados, destinadas a fazer face a “possíveis” obrigações futuras, mas que ainda não são obrigações con- stituídas. Por exemplo, no caso de pro- cessos trabalhistas em andamento se tem razoável certeza de que a maioria das causas trabalhistas são ganhas pelo reclamante, o que obriga que a pos- sibilidade de a entidade ter que pagar o valor estimado correspondente seja registrado contabilmente, ou seja, “pro- visionado”. Essa, sim, caracteriza uma provisão na acepção completa da pala- vra. A entidade estará provisionando recursos diante da “quase certeza” de que ocorrerão desembolsos futuros. Como podemos observar, as provisões caracterizam obri- gações sobre as quais se tem razoável certeza de que precisarão ser liquidadas, mas ainda não são efetivamente constituídas, o que dificulta a sua visualização como fontes de recursos. Para facilitar essa identificação, pode-se imaginar que tais recursos, na realidade, permanecem no giro da entidade, mas pertencem a terceiros e, portanto, estão financiando esse giro. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 221 Enfim, finalizamos esta aula. Chegou o momento de “checarmos” nosso aprendizado! Vamos lá? Espero que tenham tido um bom aproveitamento, mas, mesmo assim, não deixem de consultar as leituras comple- mentares e a bibliografia indicada. Elas são importantes para completar conceitos e esclarecer eventuais dúvidas. Até aqui estudamos, basicamente, de onde vêm os recursos que “sustentam” uma entidade. A partir da próxima aula, vamos estudar o que a entidade faz com esses recursos, isto é, como e em que elas “aplicam” tais recursos. Objetivos de aprendizagem Conhecemos os principais Passivos Circulantes e Não Circulantes que se constituem em fontes/origens de recur- sos para a entidade? Conhecemos as principais características das contas que compõem os Passivos Circulantes e Não Circulantes? Praticamos e conseguimos aprender a contabilização dos fatos contábeis mais comuns envolvendo os Passivos? Vamos relembrar? A Aula 5 possibilitou que conhecêssemos outras fontes/ origens de recursos. Aquelas que constituem o capital de terceiros, ou seja, recursos que se originam de pessoas jurídicas ou físicas externas à organização. Aprendemos que essas origens de recursos estão representadas no Passivo Circulante e no Passivo Não Circulante e revimos os critérios para a classificação das operações nesses grupos. Tais critérios estão vincula- dos aos prazos das operações e, principalmente, ao ciclo operacional das entidades. Constatamos que todos os itens do Passivo devem ser atualizados na data do Balanço e aprendemos que essa atualização pode estar vinculada à variação cambial ou a outras variações monetárias, assim como o registro das obrigações deve obedecer ao regime de competência. 222 Co nt ab ili da de F in an ce ira Encerramos, revendo o conceito de “provisão” no con- texto do Passivo, isto é, como origem de recursos. Qu estões pa r a r eflex ão e au toaVali aÇão Leia o artigo abaixo para responder às seguintes questões: 1. Como um refinanciamento de obrigações tributárias, como o que está sendo abordado, pode afetar as origens de recursos das entidades? 2. Após pesquisar sobre o REFIS, determine se as obrigações tributárias renegociadas devem ser registradas no Passivo Circulante ou no Passivo Não Circulante. 3. Em qual grupo de contas do Passivo, dentre os que foram es- tudados, o refinanciamento dessa dívida deve ser contabilizado? Tal obediência obriga a observar os diferimentos dos encar- gos financeiros incidentes sobre os empréstimos, financia- mentos e outras obrigações e, também, ao ajuste ao valor presente, quando tiver efeito relevante no Circulante, e sempre que operações de longo prazo assim o exijam. Estudamos as características e as contabilizações dos seguin- tes grupos de contas do Passivo: Fornecedores; Obrigações Fiscais; Outras Obrigações, incluindo Contas a Pagar, Ordenados e Salários a Pagar, Encargos Sociais e FGTS a Recolher, Dividendos a Pagar, Ajuste ao Valor Presente e Outras Obrigações a Pagar; Empréstimos e Financiamentos; Debêntures e Outros Títulos de Dívida; e Provisões. No grupo de Empréstimos e Financiamentos, abordamos o diferimento de encargos financeiros, bem como ope- rações de financiamento de curto prazo, destacando as Duplicatas Descontadas. O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 223 r esoluÇão: 1. Como um refinanciamento de obrigações tributárias, como o que está sendo abordado, pode afetar as origens de recursos das entidades? Governo deve lançar novo Refis para empresas em dificuldades Programa deverá permitir que empresas com débitos tri- butários possam refinanciá-los em condiçõesespeciais. Jeferson Ribeiro. 20/08/2013 Disponível em: http://exame.abril.com.br/economia/noti- cias/governo-deve-lancar-novo-refis-para-empresas-em- -dificuldades Brasília - O governo deve lançar um novo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) para permitir que empresas com débitos tributários possam refinanciá-los em condi- ções especiais, disseram à Reuters fontes do Executivo e do Legislativo. A reabertura do Refis está sendo debatida com lideranças do Congresso para ser incluída em uma medida provisó- ria já em tramitação, provavelmente a 615 que trata, entre outras coisas, de subvenção econômica a produtores de cana-de-açúcar e etanol do Nordeste. Os detalhes do novo Refis ainda estão sendo finalizados pela Casa Civil e pelo Ministério da Fazenda, segundo duas fontes do governo. Entre os pontos debatidos estão os prazos e as condições do refinanciamento. Está em estudo a possibilidade de essa nova rodada de nego- ciações incluir todas as empresas que quiserem refinanciar seus débitos. Mas não está descartado permitir apenas a empresas que não ingressaram no último programa, de 2009. A reabertura do Refis já foi proposta pelo Congresso durante a gestão da presidente Dilma Rousseff no ano passado, mas o governo trabalhou para barrar a proposta. Agora, num momento em que o crescimento econômico está abaixo do esperado e algumas empresas podem sofrer com a alta do dólar em relação ao real, o governo se mostrou disposto a negociar. 224 Co nt ab ili da de F in an ce ira O refinanciamento pressupõe a concessão de prazo para liquidação da dívida, o que significa que a entidade terá mais tempo para recom- por o seu caixa ou permanecer com o recurso financeiro correspon- dente no giro dos seus negócios. Além disto, os encargos financeiros cobrados são bem menores que o custo do dinheiro no mercado. 2. Após pesquisar sobre o REFIS, determine se as obrigações tributárias renegociadas devem ser registradas no Passivo Circulante ou no Passivo não Circulante. O REFIS caracteriza um financiamento da dívida fiscal a longo pra- zo e, portanto, as dívidas fiscais objeto desse refinanciamento devem ser transferidas para o Passivo não Circulante. 3. Em qual grupo de contas do Passivo, dentre os que foram es- tudados, o refinanciamento dessa dívida deve ser contabilizado? Deve ser contabilizado no grupo de Obrigações Fiscais, no Passivo não Circulante. lei t u r as r ecom en da das RIBEIRO, A. de C. Provisões, contingências e normas contá- beis: um estudo de gerenciamento de resultados com con- tencioso legal no Brasil. Dissertação de mestrado. FEA/USP. Ribeirão Preto: 2012. Disponível em: http://www.teses.usp.br/ teses/disponiveis/96/96133/tde-17052012-114448/pt-br.php. ABRASCA – Associação Brasileira de Companhias Abertas; ANDIMA - Associação Nacional das Instituições do Merca- do Financeiro. O que são debêntures? São Paulo: julho/2008. Disponível em: http://www.debentures.com.br/downloads/ textostecnicos/cartilha_debentures.pdf O ut ra s o rig en s d e r ec ur so s: pa ss iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 225 li n Ks i n dica dos www.cfc.org.br www.cpc.org.br r ef er Ênci as CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº 1.180 de 24 de julho de 2009. Aprova a NBC T 19.7 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. Bra- sília, 2009. IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. ( 6 ) Principais aplicações de recursos: ativos circulantes e não circulantes Olá prezados alunos, Aqui estamos, prontos para abrir mais uma porta e agregar mais conhecimento. A cada porta aberta nos torna- mos mais preparados para encontrar um futuro que também nos receberá de “portas abertas”. O futuro para o profissional contábil é extremamente promissor. São mais de vinte áreas de atuação em uma pro- fissão que tem taxa de desemprego “zero”. Vale a pena con- tinuar investindo algumas horas de estudo para adquirir conhecimento e desenvolver competências. Vejam só quantas portas já foram abertas até aqui: • Outras origens de recursos: passivos circulantes e não circulantes; • Demonstração do resultado do exercício; 230 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Provisões contábeis e despesas que não afetam o caixa; • Principal origem de recursos: o lucro; • Contabilidade financeira: conceitos, definições e utilização no processo decisório. Em nossas aulas anteriores, vimos diversas fontes de recursos para viabilizar a operacionalização das entidades. A partir de agora, vamos começar a estudar o que é feito com os recursos captados e como são “aplicados”. A operacionalização de uma entidade nada mais é do que ela cumprir a sua missão, o objetivo para o qual ela foi criada, o exercício das suas atividades fim. Para tanto, ela deve investir/aplicar os recursos, direta ou indiretamente, nas suas operações. O sucesso de qualquer organização depende da gestão equilibrada das origens e das aplicações dos recursos disponíveis, razão pela qual vamos agora estudar as principais aplicações. Os objetivos que pretendemos alcançar nesta aula são: Buscando tais objetivos, vamos dividir esta aula nos seguintes tópicos: 6.1 Revisão de conceitos 6.2 Caixa e equivalentes de caixa Objetivos de aprendizagem Conhecer as principais aplicações de recursos e suas peculiaridades; Conhecer as características de cada grupo de contas; Conhecer e aplicar os conceitos básicos de mensuração e avaliação dos principais ativos de uma entidade; Aprender e praticar a escrituração de fatos contábeis que envolvam os ativos de uma entidade. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 231 6.2.1 Definição 6.2.2 Fundo fixo de caixa 6.2.3 Caixa flutuante 6.2.4 Pagamentos e recebimentos com cheques pré-datados 6.2.5 Contas bancárias 6.3 Aplicações financeiras 6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e escrituração 6.3.2 Aplicações em ouro 6.4 Títulos em cobrança bancária 6.5 Contas a receber 6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e escrituração 6.6 Investimentos permanentes 6.6.1 Classificação 6.6.2 Avaliação 6.7 Imobilizado (Ativos Fixos) 6.7.1 Classificação 6.7.2 Avaliação 6.7.3 Escrituração 6.8 Intangíveis 6.8.1 Classificação 6.8.2 Avaliação 6.8.3 Escrituração Bom estudo a todos! 232 Co nt ab ili da de F in an ce ira 6.1 Revisão de conceitos Vamos relembrar alguns conceitos importantes sobre os ativos de uma entidade para que possamos estudar deta- lhadamente os seus componentes, a começar pela sua corre- lação com as aplicações de recursos. Greco (2012, p. 80) define Ativo como sendo o grupo de contas que “compreende as aplicações de recursos repre- sentadas por valores, direitos e bens”, resumindo de forma precisa o conceito de ativo no contexto básico de gestão finan- ceira – o de origens e aplicações de recursos. 6.1.1 Ativo circulante e não circulante Como já foi visto anteriormente, o Ativo é apresentado em dois grandes grupos: o Ativo Circulante e o Ativo Não Circulante. Ativo Circulante A Lei nº 6.404/76, em seu artigo 179, inciso I, determina que sejam classificadas no Ativo Circulante as contas repre- sentativas de disponibilidades, direito realizáveis no curso do exercício social seguinte, ressalvado o disposto no parágrafo único do mesmo artigo e as aplicações de recursos em despe- sas do exercício social seguinte, também considerando a citada ressalva. Essa ressalva, dada pelo parágrafoúnico do artigo 179, esclarece que na empresa em que o ciclo operacional for maior que doze meses (exercício social), deve ser considerado o prazo desse ciclo para a classificação como circulante. Os subgrupos que compõem o Ativo Circulante são: • Disponível ou Caixa e Equivalentes de Caixa; • Direitos e Créditos, abrangendo Clientes e Outros Créditos; Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 233 • Investimentos Temporários; • Estoques; • Ativos especiais; • Despesas do Exercício Seguinte. Obedecendo a ordem de liquidez das contas na apre- sentação do Balanço Patrimonial, a disposição desses grupos facilita a análise sob o ponto de vista financeiro, visto que o usuário da informação percebe que os valores registrados em cada uma das categorias abaixo apresentam característi- cas específicas. • Disponível: estão imediatamente disponíveis para uso; • Direito e créditos: embora ainda não imediatamente disponíveis, são recebíveis a curto prazo; • Investimentos temporários: embora no curto prazo, deverão aguardar os respectivos vencimentos para serem resgatados e tornarem-se disponíveis; • Estoques: ainda passarão pelo processo de produ- ção e venda para depois tornarem-se recebíveis; • Ativos especiais: geram receita, mas têm uma menor liquidez; • Despesas do exercício seguinte: são despesas pagas antecipadamente. Nota-se, aqui, a importância da correta classificação dos ativos para a análise e gestão financeira, não só como Circulantes e Não Circulantes, mas também para a sua apre- sentação em ordem de liquidez. Ativo Não Circulante A mesma Lei nº 6.404/76, em seu artigo 179, inciso II, determina que um ativo seja classificado como não circu- lante quando os direitos sejam realizáveis após o término 234 Co nt ab ili da de F in an ce ira do exercício seguinte, também ressalvando o parágrafo único do mesmo artigo; quando se tratar de direitos deri- vados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a socie- dades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou outros participantes do lucro, assim como direitos que não constituírem negócios usuais na exploração das ativi- dades da empresa. O disposto no parágrafo único do artigo 179 também se aplica aos ativos não circulantes, ou seja, a classificação deve levar em conta o prazo do ciclo operacional da entidade. Os subgrupos que compõem o Ativo Não Circulante são: 1. Ativo Realizável em Longo Prazo; • Direito e Créditos, incluindo investimentos tempo- rários de longo prazo. 2. Investimentos; • Participações permanentes em outras sociedades; • Propriedades para investimento; • Outros investimentos permanentes. 3. Ativo Imobilizado; 4. Intangível (custo). As contas que compõem o Ativo Realizável em Longo Prazo geralmente têm a mesma natureza daquelas que com- põem o Ativo Circulante, diferenciando-se delas pelos res- pectivos prazos de realização. Também devem ser registradas nesse grupo, indepen- dentemente do prazo de realização, as transações com empre- sas coligadas ou controladas21, diretores, acionistas ou outros participantes no lucro da entidade que não tenham relação 21. Coligadas e Controladas: empresas do mesmo grupo econômico, nas quais a entidade participe nos percentuais e nas condições estabelecidas pela Lei nº 6.404/76 e atualizações. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 235 com as atividades usuais da empresa, como venda de ativos permanentes e adiantamentos ou empréstimos. Os grupos de Investimentos e Imobilizado caracteri- zam o que, usualmente, é chamado de “ativos permanentes”, ou seja, são ativos adquiridos com a intenção de permanência para serem usados ou beneficiarem, direta ou indiretamente, o processo operacional da entidade. Também fazem parte do grupo de Investimentos, no Balanço individual da investidora, as contas que registram os valores pagos a título de “mais-valia” ou ágio/deságio (Goodwill) nos investimentos em participações em coligadas e controladas, recomendando-se que tais valores sejam regis- trados em subcontas dos respectivos investimentos. O grupo Intangível é composto, segundo o artigo 179 – IV da Lei nº 6.404/76, por “direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade”. Ressalte-se que o valor aqui registrado refere-se ao respectivo custo, como o valor pago para registro de uma marca ou de uma patente. 6.1.2 Registro e avaliação dos ativos O registro dos ativos e os critérios de avaliação e mensuração seguem os pressupostos dos Princípios da Competência e da Oportunidade, aplicando-se de forma dife- renciada a cada grupo de contas. O quadro a seguir, adap- tado do Manual de Contabilidade Societária, de Iudícibus et al (2010, p. 3), resume bem tais critérios. 236 Co nt ab ili da de F in an ce ira Fonte: Iudícibus et al (2010, p. 3, adaptado). Calma! Você não irá aprender tudo isso ao mesmo tempo. Todos esses grupos serão abordados mais de uma vez Grupos de Contas Critérios de avaliação Contas a receber Valor dos títulos menos estimativas de perdas para reduzi-los ao valor provável de realização Aplicações em instru- mentos financeiros e em direitos e títulos de crédito (tem- porário) Valor justo ou custo amortizado (valor inicial acrescido sistematicamente dos juros e de outros rendimentos cabíveis), ajustado ao valor provável de realização, se ele for menor. Estoques Custo de aquisição ou de fabricação, reduzido por estimativas para ajusta-lo ao preço de mercado, quando ele for in- ferior. Valor Justo aos produtos agrícolas e em certas commodities22. Ativo imobilizado Custo de aquisição deduzido da deprecia- ção, pelo desgaste ou perda de utilidade ou amortização ou exaustão. Periodica- mente deve ser feita uma análise sobre a recuperação dos valores registrados. Valor justo aos ativos biológicos Investimentos rel- evantes em coligadas e controladas (inclu- indo joint ventures) Método de equivalência patrimonial, ou seja, com base no valor do patrimônio líquido da coligada ou controlada, pro- porcionalmente à participação da inves- tidora. Quando se tratar de controladas, é obrigatória a consolidação proporcio- nal. Tais critérios também se aplicam às joint ventures.23 Outros investimentos societários Igual aos instrumentos financeiros Outros investimentos Custo, deduzidas estimativas para reconhecimento de perdas permanentes. Se propriedade para investimento, pode ser avaliada a valor justo. Intangível Custo incorrido na aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de amor- tização, quando aplicável, ajustado ao valor recuperável, se ele for menor. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 237 em algumas disciplinas do curso, cada uma explorando o que lhe compete, de acordo com os respectivos objetivos. Por ora, vamos explorar somente alguns aspectos de determinados grupos, suficientes para embasar a análise dos ativos, como aplicações de recursos.22 23 6.2 Caixa e equivalentes de caixa 6.2.1 Definição A conta Caixa, além do “dinheiro” propriamente dito, inclui os cheques recebidos e ainda não depositados, possí- veis de serem descontados imediatamente. É o recurso mais “disponível” da entidade, razão pela qual é a primeira conta a ser demonstrada no Ativo Circulante, no grupo Disponível. O Disponívelé o primeiro grupo de contas que aparece no Ativo do Balanço Patrimonial das entidades. Essa denomi- nação, atribuída pela Lei nº 6.404/76, representa o que a enti- dade dispõe de dinheiro em caixa, em bancos ou em valores equivalentes que permitam livre movimentação, pela enti- dade, dos recursos correspondentes sem qualquer restrição para uso imediato. Já as normas contábeis internacionais adotam o conceito de Caixa e Equivalentes de Caixa que, além do 22. Commodities (plural de commodity): termo inglês para “mercadorias”, “usado como referên- cia aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industria- lização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes pro- dutores. Estes produtos “in natura”, cultivados ou de extração mineral, podem ser estocados por determinado período sem perda significativa de qualidade. Possuem cotação e negociabilidade globais, utilizando bolsas de mercadorias”. Fonte: http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna. php?area=5&menu=1955 23. Joint Venture: termo em inglês que significa “união com risco”, representa um tipo de associação entre duas ou mais entidades para explorar ou realizar alguma atividade, por tempo determinado, sem perda da identidade individual das entidades envolvidas. 238 Co nt ab ili da de F in an ce ira disponível, considera valores que possam ser convertidos em dinheiro, a curto prazo, sem riscos. Um investimento, por exemplo, é classificável com equivalente de caixa se tiver ven- cimento de curto prazo (3 meses ou menos), incluindo aplica- ções em títulos de liquidez imediata. Embora se inclua no conceito de equivalentes de caixa, as aplicações financeiras resgatáveis em até noventa dias, aproximadamente, devem ser demonstradas separadamente no Balanço Patrimonial. Segundo Iudícibus (2010, p. 49), “os equivalentes de caixa são mantidos com a finalidade de atender a compromis- sos de caixa de curto prazo, não para investimento ou outros fins, e devem ter conversibilidade imediata em um montante conhecido de caixa, além de estarem sujeitos a um insignifi- cante risco de mudança de valor”. Vamos exemplificar duas formas de demonstração desse grupo de contas no Balanço Patrimonial: Ativo circulante Observe o Ativo do Balanço Patrimonial da TAM (Transportes Aéreos Meridionais), em 31/03/2012 e 31/03/2011: Hipótese 1 Hipótese 2 DISPONÍVEL DISPONÍVEL Caixa R$500,00 Caixa e Equiva-lentes de Caixa R$4.500,00 Bancos - Conta Movimento ou De- pósitos Bancários à Vista R$3.500,00 Numerários em trânsito R$200,00 Aplicações de Li- quidez Imediata R$300,00 Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 239 FONTE: Econoinfo – Informações para Investidores. Disponível em: http://www. econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/balanco-patrimonial?ce=TAMM Note que as Aplicações Financeiras não estão inseridas na linha de Caixa e Equivalentes de Caixa. Por quê? Porque, provavelmente, tais aplicações financeiras não atendem às condições de conversibilidade imediata em dinheiro. 6.2.2 Fundo fixo de caixa A conta Caixa, normalmente, inclui subcontas que faci- litam o seu controle. Tais contas vão variar de acordo com as necessidades de controle de cada entidade, mas, basicamente, podem-se destacar duas subcontas: Fundo Fixo de Caixa ou Caixa – Fundo Fixo e Caixa Flutuante. Demonstração do Balanço Patrimonial Consolidado (BP) Ativo valores em milhões de reais (M) 31/03/2012 (3m) 31/03/2011 (3m) Ativo Total 15.743,6 M 14.560,8 M Ativo Circulante 4.925,7 M 4.357,6 M Caixa e Equivalentes de Caixa 553,6 M 564,3 M Aplicações Financeiras 1.344,0 M 1.325,7 M Contas a Receber 2.125,8 M 1.897,3 M Estoques 220,1 M 208,7 M Tributos a Recuperar 411,4 M 108,0 M Despesas Antecipadas 0,0 M 0,0 M Outros Ativos Circulantes 270,8 M 253,7 M Ativo Não Circulante 10.818,0 M 10.203,2 M Ativo Realizável em Longo Prazo 852,4 M 693,8 M Imobilizado 9.372,6 M 8.863,4 M Intangível 592,9 M 645,9 M Critério de consolidação Consolidada Consolidada Critério de elaboração IFRS 240 Co nt ab ili da de F in an ce ira O Fundo Fixo de Caixa consiste na definição de um valor fixo a ser entregue ao responsável pela sua gestão, destinado a fazer face ao pagamento de pequenas despe- sas diárias, em determinado período de tempo, que pode ser semanal, quinzenal, ou qualquer outro que a entidade entenda adequado. Ao final do período, o responsável jun- tará todos os comprovantes de despesas pagas e solicitará a “reposição” do caixa que voltará a ter disponível o valor ini- cial, por mais um período. A conta Fundo Fixo de Caixa é movimentada somente quando da sua constituição, aumento ou redução, pela altera- ção do valor do fundo fixo. Portanto, todas as demais entradas e saídas de caixa deverão ser controladas em outra sub- conta ou, diretamente na conta Bancos - Conta Movimento, mediante depósitos diários e pagamentos em cheque ou meio eletrônico. Vamos constituir um fundo fixo de caixa para a Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos? O supervisor administrativo da Luz Azul, após fazer um levantamento dos gastos semanais com pequenas despe- sas como transporte, correio, jornais etc. concluiu que neces- sitaria de, aproximadamente, R$1.500,00 para fazer face a esses gastos e solicitou a constituição de um fundo fixo de caixa, tendo sido atendido pelo gerente financeiro. Constituição do Fundo Fixo de Caixa D Fundo Fixo de Caixa R$1.500,00 Conta de Ativo C Bancos - Conta Movimento R$1.500,00 Conta de Ativo Valor referente à constituição do fundo fixo de caixa, conforme cheque xxxxxx. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 241 No final da semana, o supervisor levantou os seguin- tes comprovantes dos pagamentos efetuados: • Despesas com transporte público = R$200,00; • Despesas de correio = R$150,00; • Compra de jornais e revistas especializadas: R$120,00; • Despesas de táxi = R$300,00; • Confecção de carimbos = R$180,00; • Compra de utensílios para a copa = R$150,00. Total de gastos da semana = R$1.100,00 Reposição do fundo fixo Note que, conforme comentado, na reposição não se movimentou a conta Fundo Fixo de Caixa. 6.2.3 Caixa flutuante Quando a entidade adota a conta Caixa Flutuante pode ocorrer uma maior dificuldade na classificação dos valores que Bancos Conta Movimento (SI) 50.000 1.500 (1) Fundo Fixo de Caixa (1) 1.500 D Transporte Correio Jornais e revistas Diversas R$500,00 R$150,00 R$120,00 R$330,00 Contas de Resultado (Despesas) C Bancos - Conta Movimento R$1.100,00 Conta de Ativo Valor referente à reposição do Fundo Fixo de Caixa, conforme cheque xxxxxx, pelo pagamento de diversas despesas conforme comprovantes. 242 Co nt ab ili da de F in an ce ira transitam no seu caixa, uma vez que eles nem sempre estão representados só por dinheiro, mas, também, por vales, adian- tamentos, cheques ainda não depositados etc. Cada uma dessas movimentações pode exigir, inclusive, uma classificação diferente do Disponível, como é o caso dos adiantamentos, por exemplo. Por ocasião do fechamento do Balanço Patrimonial, o saldo da conta Caixa deve refletir somente o que houver em “dinheiro” no caixa e, portanto, todas as demais movimenta- ções, devem ser corretamente classificadas. 6.2.4 Pagamento e recebimentos com che- ques pré-datados Pagamentos e recebimentos com cheques pré-datados são uma práticacomum, principalmente no comércio varejista. Como proceder a contabilização desses títulos de crédito que ficam no “caixa” da entidade até os respectivos depósitos? Pagamentos com cheques pré-datados Se houver fundos para cobertura dos cheques emiti- dos, a obrigação correspondente deve ser baixada normal- mente, mesmo que o depósito somente seja feito pelo credor posteriormente. Supondo uma obrigação com fornecedores liquidada com cheque pré-datado para dez dias após o vencimento da obrigação, embora a entidade tenha fundos suficientes para a cobertura do cheque na sua conta bancária, teríamos o seguinte lançamento contábil: D Fornecedores R$ Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$ Conta de Ativo Valor referente pagamento ao fornece- dor XYZ, conforme cheque xxxxxx. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 243 Porém, se na conta bancária não houver fundos sufi- cientes para a cobertura do cheque emitido, a contabilização deverá ocorrer em conta específica do Passivo. Quando houver fundos na conta bancária Recebimentos com cheques pré-datados No recebimento de cheques pré-datados, a entidade está constituindo, na realidade, um direito de crédito, uma “conta a receber”. Sendo assim, tais cheques deve- rão permanecer em uma conta de Ativo até o seu efetivo recebimento. Supondo que a entidade recebedora do cheque pré- -datado seja a fornecedora XYZ, citada no exemplo anterior, teríamos o seguinte lançamento contábil: D Fornecedores R$ Conta de Passivo C Cheques a Pagar R$ Conta de Passivo Valor referente ao pagamento ao for- necedor XYZ, conforme cheque xxxxxx, aguardando provimento de fundos. D Cheques a Pagar R$ Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$ Conta de Ativo Valor referente pagamento ao fornece- dor XYZ, conforme cheque xxxxxx. D Cheques a Receber R$ Conta de Ativo C Clientes (Contas a Receber) R$ Conta de Ativo Valor referente pagamento ao cheque xxxxxx, emitido pelo cliente ZZZ, para pagamento da duplicata 000. 244 Co nt ab ili da de F in an ce ira No depósito do cheque Vamos supor, agora que a Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos vendeu R$2.500,00 em mercadorias em 23/08 e recebeu um cheque pré-datado para 10/09. Nesse caso, a contabilização seria a seguinte: Na data da venda No depósito do cheque D Bancos - Conta Movimento R$ Conta de Ativo C Cheques a Receber R$ Conta de Ativo Valor referente pagamento ao fornece- dor XYZ, conforme cheque xxxxxx. D Cheques a Receber R$2.500,00 Conta de Ativo C Vendas (Receitas) R$2.500,00 Conta de Resultado Valor referente venda de mercadorias conforme NF 000, com recebimento em cheque pré-datado de número xxxxxx. D Bancos - Conta Movimento R$2.500,00 Conta de Ativo C Cheques a Receber R$2.500,00 Conta de Ativo Valor referente ao recebimento do cheque pré-datado de número xxxxxx. O recebimento do valor de uma duplicata por meio de cheque pré-datado é uma origem ou uma aplicação de recursos? E se o cheque for à vista? Obs.: A resposta está no final da aula, mas tente respon- der sem olhar. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 245 6.2.5 Contas bancárias As contas bancárias de uma entidade estão represen- tadas no grupo de contas de Bancos - Conta Movimento ou Depósitos Bancários à Vista. Geralmente tais contas são de livre movimentação e podem, a critério da entidade, ser divi- didas por bancos e/ou pelas características da correspondente movimentação. Por exemplo: conta movimento, contas para pagamentos específicos como os da folha de pagamentos de salários, contas para cobrança/recebimento de títulos etc. Contas negativas A maioria das contas bancárias, atualmente, admite a existência de saldos negativos. Na existência de saldos negati- vos, no entanto, o que está ocorrendo é um “empréstimo/finan- ciamento” bancário. Assim, quando o saldo contábil dessas contas for negativo, ou seja, credor, este deve ser transferido para o passivo, como uma obrigação por empréstimo que é o que realmente ele representa. Há casos em que tais saldos nega- tivos são automaticamente cobertos por limites de crédito ou outras operações, como o resgate de aplicações financeiras, por exemplo, e, nesses casos, não há necessidade de transferência. Supondo que, no balancete da Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos, o saldo da conta Bancos - Conta Movimento, subconta “Banco Cruzeiro”, apresenta um saldo credor de (R$5.500,00), em 31/12/XX, veja como seria feita a transferência para o Passivo: D Bancos - Conta Movimento – Banco Cruzeiro R$5.500,00 Conta de Ativo C Empréstimos Bancários R$5.500,00 Conta de Passivo Valor referente à transferência do saldo credor na conta bancária do Banco Cruzeiro 246 Co nt ab ili da de F in an ce ira Mesmo que o saldo total da conta Bancos - Conta Movimento fosse positivo, em função de saldos em con- tas bancárias de outros bancos, o saldo negativo do Banco Cruzeiro não poderia ser compensado com os demais e deve- ria, mesmo assim, ser transferido. Pagamentos em cheques No caso de pagamentos em cheque efetuados pela enti- dade, eles devem ser contabilizados na data da respectiva emissão, caso ocorra próxima à data da entrega aos respec- tivos beneficiários, visto essa entrega ser o que caracteriza a “saída” dos recursos. Entretanto, se na data do Balanço, os cheques emitidos, de valores significativos, ainda não tiverem sido entregues aos beneficiários, deverão ser “estornados”, ou seja, voltar para suas contas de origem no Ativo (conta Bancos) e no Passivo (conta que retrata a obrigação baixada). Contas bancárias em moeda estrangeira No caso da entidade possuir saldos bancários em moeda estrangeira, o respectivo valor em moeda nacional deve contemplar a variação cambial correspondente, utili- zando a taxa cambial vigente na data do balanço. Conciliação bancária Um dos instrumentos mais importantes de controle dos saldos bancários, e o que eles representam para a saúde financeira da entidade, é a conciliação bancária. A conciliação bancária consiste na comparação entre os saldos contábeis e os saldos apresentados nos extratos bancários. Ela deve ser realizada periodicamente, sendo indispensável na data do Balanço. Por meio dela pode-se identificar a ocorrência de pagamentos ou recebimentos Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 247 não contabilizados, sendo possível corrigir as pendências em tempo hábil. 6.3 Aplicações financeiras 6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e escrituração Aspectos gerais As aplicações financeiras são instrumentos financeiros utilizados para manter atualizado o valor dos recursos dispo- níveis e sem uso imediato pela entidade. Tais “excessos” de disponibilidades são, geralmente, aplicados em títulos e valo- res mobiliários, podendo ser de curto ou longo prazo, mas também podem ter por objeto outros instrumentos. Classificação As aplicações financeiras serão classificadas no Ativo Circulante quando os respectivos resgastes estiverem previs- tos para ocorrer em até doze meses, observada a ressalva em relação ao ciclo operacional, já estudada anteriormente. As aplicações financeiras, cujos respectivos resgates esti- verem previstos para ocorrer após esse prazo, devem ser classi- ficadas no Ativo Não Circulante – Realizável em Longo Prazo.Avaliação Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata As aplicações financeiras de curtíssimo prazo, classifica- das no Disponível e conhecidas como Aplicações Financeiras de 248 Co nt ab ili da de F in an ce ira Liquidez Imediata são consideradas como equivalentes de caixa e não apresentam regras especiais de avaliação. Outras aplicações / instrumentos financeiros O artigo 183 – I da Lei nº 6.404/76, atualizado pela Lei nº 11.638/07, determina o tratamento a ser aplicado para a ava- liação dos instrumentos financeiros como segue: I – as aplicações em instrumentos fi- nanceiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classifica- dos no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, serão avaliados: a) Pelo seu valor justo, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis para a venda; e b) Pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realiza- ção, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito. Escrituração Vamos exemplificar uma aplicação financeira realizada pela Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos, nas seguin- tes condições: • Valor aplicado: R$100.000,00 • Data da aplicação: 01/12/XX • Data do resgate: 30/01/XX • Tipo de rendimento: pré-fixado (2,5% a.m.) • Valor de resgate: R$105.063,00 • Imposto de renda na fonte: 22,5% Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 249 Na data da aplicação Em 31/12/XX pela apropriação dos juros pro rata temporis Em 30/01/XX pela apropriação dos juros pro rata temporis D Aplicações Financeiras R$100.000,00 Conta de Ativo C Bancos - Conta Movimento R$100.000,00 Conta de Ativo Valor referente à aplicação financeira de curto prazo Bancos Conta Movimento (SI) 150.000 100.00 (1) Aplicações Financeiras (1) 100.000 D Aplicações Financeiras R$2.500,00 Conta de Ativo C Rendimentos sobre Aplicações Financeiras R$2.500,00 Conta de Resultado Valor referente à apropriação pro rata temporis de rendimentos de aplicação financeira Aplicações Financeiras (1) 50.000 (2) 2.500 Rendimentos de Aplic. Financeiras 2.500 (2) D Aplicações Financeiras R$2.563,00 Conta de Ativo C Rendimentos sobre Aplicações Financeiras R$2.563,00 Conta de Resultado Valor referente à apropriação pro rata temporis de rendimentos de aplicação financeira 250 Co nt ab ili da de F in an ce ira No resgate (*) Imposto de Renda a Compensar Quando o rendimento da aplicação financeira estiver sujeito à retenção do imposto de renda na fonte, o valor do imposto retido, caso a empresa seja tributada com base no Aplicações Financeiras (1) 100.000 (2) 2.500 (3) 2.563 Rendimentos de Aplic. Financ. 2.500 (2) 2.563 (3) D Bancos - Conta Movimento R$103.924,00 Conta de Ativo D Imposto de Renda na Fonte a Compensar(*) (Pelo imposto retido na fonte) R$1.139,00 Conta de Ativo C Aplicações Financeiras R$105.063,00 Conta de Ativo Valor referente resgate de aplicação financeira Aplicações Financeiras (1) 100.000 105.063 (2) 2.500 (3) 2.563 Bancos Conta Movimento (SI) 150.000 100.00 (1) 103.924 Imposto de Renda na Fonte a Compensar 1.139 Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 251 lucro real24, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro do período base. Algumas pessoas jurídicas são tributadas pelo lucro presumido, que é outra forma de tributação, onde o imposto não é calculado sobre o lucro, mas sobre a receita bruta ajus- tada. Nesse caso, o imposto de renda retido na fonte será con- tabilizado como despesa financeira. 6.3.2 Aplicações em ouro As aplicações em ouro recebem o mesmo tratamento das aplicações financeiras, quando forem realizadas em bol- sas de valores, mercadorias, de futuros ou, ainda, com a mediação de instituições financeiras. Esse tratamento tam- bém é o mesmo no que se refere à correspondente avaliação (vide item 6.3.1). Sua classificação contábil é feita de acordo com a inten- ção do investidor em negocia-la no curto ou no longo prazo (Ativo Circulante ou Não Circulante), ou se pretende perma- necer com ela a título de investimento. Quando destinada à negociação no curto prazo, a apli- cação em ouro, devido ao seu alto grau de liquidez, é demons- trada logo após o grupo de contas do Disponível. 6.4 Títulos em cobrança bancária A entidade pode encarregar uma instituição financeira de efetuar a cobrança dos seus títulos mediante o pagamento de uma comissão pelo serviço prestado pela instituição. Não 24. Lucro real: base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica 252 Co nt ab ili da de F in an ce ira há qualquer benefício financeiro nesse tipo de procedimento, é uma decisão unicamente operacional, visto que pode ser mais vantajoso para a entidade remunerar a instituição finan- ceira do que manter um setor para realizar tal cobrança. Entretanto, há que se redobrar a atenção no controle desses títulos, uma vez que eles são “fisicamente” entregues à instituição que, ao recebê-los dos clientes, faz o crédito na conta corrente da entidade mediante aviso. As duplicatas não recebidas são devol- vidas pelo banco à entidade. Esse controle pode ser feito de forma eficaz por meio da utilização de “contas de compensação”. O que são contas de compensação? Vamos exemplificar a contabilização de uma remessa de títulos para cobrança e a respectiva baixa, quando do recebimento: Remessa dos títulos para cobrança bancária, mediante elabo- ração de um “borderô de cobrança”25 25. Borderô de Cobrança: listagem dos títulos enviados para cobrança. Serve como documento com- probatório da entrega dos títulos. Contas de compensação são contas contábeis criadas uni- camente com a finalidade de “controle” de certas opera- ções. Não causam mutações no patrimônio das entidades, razão pela qual não figuram no Balanço Patrimonial. O registro simultâneo dos valores dessas contas no Ativo e no Passivo utiliza a lógica das partidas dobradas para a realização do controle necessário dessas operações. D Banco - Conta Cobrança R$ (valor total do borderô) Conta de Compensação Ativo C Títulos em Cobrança R$ (valor total do borderô) Conta de Compensação Passivo Valor referente à remessa de títulos para a cobrança bancária, conforme borderô número XXX. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 253 Quando do recebimento do título pelo banco, comunicado mediante aviso bancário26 Pela cobrança de comissão pelo serviço prestado pelo banco, mediante aviso bancário 26. Lançamento contábil relativo, exclusivamente, à baixa nas contas de compensação. A baixa do título do Contas a Receber, que será tratada no próximo tópico (5), deve ser feita, simultaneamente, nas contas patrimoniais correspondentes. D Títulos em Cobrança R$ (valor do título recebido) Conta de Compensação Passivo C Banco conta Cobrança R$ (valor do título recebido) Conta de Compensação Ativo Valor referente à baixa pelo recebi- mento do título nº XXXX enviados para cobrança bancária. D Despesas Bancárias (Desp. Financeiras) R$ (valor da comissão cobrada) Conta de Resultado C Bancos contaMovimento R$ (valor da comissão cobrada) Conta de Ativo Valor referente à comissão cobrada pelo Banco XYZ conforme aviso bancário 254 Co nt ab ili da de F in an ce ira 6.5 Contas a receber 6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e escrituração Aspectos gerais As contas a receber representam os direitos de crédito que a entidade tem com os seus clientes e outros devedores. Originam-se da venda a prazo de produtos, mercadorias ou serviços ou de outras transações que podem não estar dire- tamente ligadas à sua principal atividade, mas são considera- das normais no curso das suas operações. Classificação O grupo de Contas a Receber geralmente faz parte do Ativo Circulante, mas, eventualmente, pode figurar no Ativo Não Circulante de acordo com o respectivo prazo de realização. Para melhor controle e transparência para o usuário, esse grupo de contas deve ser desmembrado em contas a receber de Clientes e de outros devedores (Outros Créditos). No subgrupo de Clientes estará contida a conta Duplicatas a Receber que, por sua vez, também poderá estar subdividida em Duplicatas a Receber de Clientes e Duplicatas a Receber de Controladas e Coligadas. Duplicatas a receber As duplicatas a receber são títulos representativos de crédito que têm sua origem nas vendas a prazo realizadas pela entidade e já faturadas. Um conjunto de duplicatas é denomi- nado “carteira”, expressão comum na linguagem empresarial. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 255 Qual a diferença entre fatura e duplicata?27 <box.fim> As duplicatas a receber, por representarem o produto imediato das vendas a prazo da entidade, estão diretamente relacionadas às receitas de vendas que, por sua vez, represen- tam o desempenho da entidade na realização da sua princi- pal atividade. Outros créditos O grupo de contas representativo de outros créditos, que não aqueles decorrentes da principal atividade da enti- dade, congrega as demais contas a receber que são classifica- das de forma idêntica às contas a receber de clientes. Avaliação As contas a receber devem ser avaliadas segundo o dis- posto no artigo 183 da Lei nº 6.404/76 que, em se inciso I, item “b”, determina que tais ativos serão avaliados pelo “valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contra- tuais, ajustado ao valor provável de realização”. Entende-se como valor provável de realização, o valor que a entidade 27. Título de crédito: “papel” representativo de uma obrigação de pagamento (cheque, duplicata, nota promissória etc.). Cada tipo de título de crédito tem uma legislação específica que regulamenta a sua emissão. A fatura corresponde a um documento emitido pela enti- dade vendedora de bens ou serviços, em que estão relacio- nados. Caracteriza a entrega desses bens ou serviços, sem o respectivo recebimento. Um bom exemplo é a sua fatura do cartão de crédito. Em casos que envolvem a cobrança de impostos (ISS, ICMS, IPI) pode existir a figura da Nota Fiscal Fatura, ou seja, uma fatura que atende aos requisitos fiscais. Já a duplicata é um título de crédito27 emitido com base na fatura; é o título que configura o compromisso do devedor em pagar o que está contido na respectiva fatura. 256 Co nt ab ili da de F in an ce ira conseguiria obter por aquele ativo na data do Balanço, consi- derando, inclusive, possíveis inadimplências. Ajuste ao valor presente Segundo o inciso VIII do artigo mencionado no pará- grafo anterior, os ativos de longo prazo devem, ainda, ser ajus- tados ao valor presente, sendo tal critério também aplicável aos ativos de curto prazo que apresentem ajustes relevantes. Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa<peso5> O ajuste ao valor provável de realização da carteira de contas a receber requer que se faça a estimativa das suas perdas prováveis, ou seja, deve-se apurar o valor da incerteza de rece- bimento dos valores que compõem essa carteira. Admite-se, inclusive, que seja computada, no valor dessas perdas, a esti- mativa das despesas de cobrança e dos possíveis descontos ou abatimentos, mensuráveis com razoável certeza. Em nossa Aula 3 e, particularmente, no item Perdas esti- madas em créditos de liquidação duvidosa, estudamos detalha- damente a constituição e outras peculiaridades dessas perdas. Outros créditos Os outros créditos, ou seja, aqueles que, normal- mente, não decorrem do objeto principal da entidade, tam- bém devem ser avaliados ao seu valor provável de realização, inclusive no que se refere à constituição de perdas estimadas e ajustes ao valor presente. São comuns nesse grupo as contas de: Títulos a Receber, Cheques em Cobrança, Dividendos a Receber, Juros a Receber, Adiantamentos a Terceiros, Adiantamentos e outros créditos con- cedidos a funcionários, Tributos a Compensar ou a Recuperar etc. Escrituração Reconhecimento O reconhecimento das contas a receber de clien- tes e, particularmente, das duplicatas a receber, como já Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 257 mencionado, está diretamente relacionado ao reconheci- mento das receitas de vendas. Assim, o momento de reconhecimento das dupli- catas a receber, assim como o das respectivas receitas, é aquele em que ocorre a “transferência dos riscos e bene- fícios significativos inerentes à propriedade dos bens” (Pronunciamento Técnico CPC 30) para o cliente com- prador. No caso de serviços, esse reconhecimento ocorre quando o serviço é prestado. Na maior parte dos casos de transações comerciais e, particularmente, nas vendas a varejo, a transferência dos riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens ocorre juntamente com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o com- prador. Em outros casos, porém, tal transferência ocorre em momento diferente. É comum o registro das vendas e correspondentes duplicatas a receber no momento da emissão das notas fiscais de vendas, visto que praticamente coincide com o momento da entrega, embarque ou despacho do produto ou mercadoria. Vamos trabalhar a escrituração de um exemplo de venda de mercadorias a prazo, com emissão de duplicata no valor de R$8.000,00: Por ocasião da venda da mercadoria a prazo D Clientes - Duplicatas a Receber R$8.000,00 Conta de Ativo C Vendas (Receita) R$8.000,00 Conta de Resultado Valor referente venda a prazo de mercadorias. 258 Co nt ab ili da de F in an ce ira Pelo recebimento do cliente, no vencimento Vamos supor que o cliente não pagou a duplicata no vencimento e, quando efetuou o pagamento, foram cobrados juros e multa de 10%. Veja como seria a contabilização: Pelo recebimento do cliente, com atraso no pagamento D Bancos conta Movimento R$8.000,00 Conta de Ativo C Clientes – Duplicatas a Receber R$8.000,00 Conta de Ativo Valor referente recebimento da duplicata nº XXX. Vendas 8.000 (1) Duplicatas a Receber (1) 8.000 Duplicatas a Receber (1) 8.000 8.000 (2) Bancos Conta Movimento (2) 8.000 D Bancos conta Movimento R$8.080,00 Conta de Ativo C Clientes – Duplicatas a Receber R$8.000,00 Conta de Ativo C Juros e Multas (Receita Financeira) R$80,00 Conta de Resultado Valor referente recebimento da duplicata nº XXX. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 259 Perdas estimadas em créditos de liquidaçãoduvidosa Embora tenhamos estudado a constituição das perdas em créditos de liquidação duvidosa em nossa Aula 3, vamos relembrar um exemplo, já que estamos estudando a carteira de contas a receber: Primeiramente, vamos calcular qual seria o valor da perda estimada: Agora, vamos contabilizar esse valor: Duplicatas a Receber (1) 8.000 8.000 (2) Juros e Multas 80 (2) Bancos Conta Movimento (2) 8.080 Uma entidade tem Duplicatas a Receber, contabilizadas em seu Ativo, no valor de R$800.000,00. Historicamente, ao longo dos últimos três anos, foi constatada uma inadimplência média de 20% do total das Duplicatas a Receber nesses períodos. Assim, em obediências aos prin- cípios contábeis, a entidade irá constituir uma conta redu- tora do ativo Duplicatas a Receber, a fim de demonstra-lo pelo seu menor valor, ou seja, aquele valor que, provavel- mente, será efetivamente recebido. 20% x 800.000 = R$160.000,00 260 Co nt ab ili da de F in an ce ira E os razonetes? No Balanço Patrimonial, teríamos: Vamos supor agora que, nesse exemplo, o setor de cobrança da entidade foi extremamente eficiente e 30% dos possíveis inadimplentes pagaram seus débitos dentro do período base. Conclui-se que metade da perda estimada foi desnecessária. Assim, é preciso reverter esse valor da perda estimada excedente. Vamos calcular qual seria esse valor: D Despesa com Perdas Estimadas com Cré- ditos de Liquidação Duvidosa R$160.000,00 Conta de Resultado C Perdas Estimadas com Créditos de Li- quidação Duvidosa R$160.000,00 Conta de Ativo Valor referente às perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa. Despesa c/ Perdas Estimadas p/ Crédi- tos de Liq Duv D C 160.000 160.000 Perdas Estimadas para Créditos de Liq Duvidosa D C 160.000 160.000 Duplicatas a Receber R$800.000,00 Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa (R$160.000,00) Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 261 Portanto, R$48.000,00 é o valor da perda estimada a ser revertido. Vamos contabilizar? 1 – Pelo recebimento dos créditos 2 – Pela reversão parcial das perdas estimadas Razonetes: 1 – Pelo recebimento dos créditos Perdas estimadas = R$160.000,00 Valor dos débitos liquidados pelos inadimplentes = 30% x 160.000 = R$48.000,00 Valor da perda estimada realizada = 160.000 – 48.000 = R$112.000,00 D Caixa R$48.000,00 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$48.000,00 Conta de Ativo Recebimento de duplicatas a receber de diversos clientes. D Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa R$48.000,00 Conta de Ativo C Receita de Reversão de Provisões R$48.000,00 Conta de Resultado Valor referente à reversão parcial de provisão constituída para créditos de liquidação duvidosa. Caixa D C 48.000 Duplicatas a Receber D C 800.000 48.000 752.000 262 Co nt ab ili da de F in an ce ira 2 – Pela reversão parcial da perda estimada Nesse exemplo foi constituída uma perda estimada no valor de R$160.000,00, tendo sido revertido posteriormente o valor de R$48.000,00, permanecendo um saldo de perdas estimadas no valor de R$112.000,00. Os créditos a receber de alguns clientes, no valor de R$83.000,00, computado nesse saldo, foram considerados incobráveis, ou seja, não há qual- quer possibilidade de recebimento pela entidade em questão. Isso significa que a perda deixou de ser “estimada” e passou a ser “realizada”, ou seja, se tornou uma perda real. Vejamos como seria a contabilização: Realização da perda estimada quando a entidade considerar que os créditos aos quais ela se refere realmente não serão recebidos, ou seja, são incobráveis < Receitas de Reversão de Provisões D C 48.000 48.000 Perdas Estimadas para créditos de Liq Duvidosa D C 48.000 160.000 112.000 D Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa R$83.000,00 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$83.000,00 Conta de Ativo Valor da realização de perdas estima- das referentes a créditos incobráveis. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 263 Usando razonetes: Ao final do ano base, a nossa entidade concluiu que a sua carteira de duplicatas a receber, na realidade, tinha um número maior de créditos “podres”, ou seja, de créditos sem condições de recebimento, cujo valor de R$55.000,00 excedia o saldo das perdas estimadas. Nesse caso, em se considerando que se trata de perda real, o valor excedente deverá ser levado diretamente ao resultado do período, da seguinte forma: Baixa dos créditos como perdas efetivas do período quando o valor da estimativa já constituída tenha sido inferior às perdas real- mente incorridas Duplicatas a Receber D C 800.000 48.000 83.000 669.000 Perdas Estimadas para créditos de Liq Duvidosa D C 48.000 160.000 83.000 29.000 Valor das perdas efetivas R$55.000,00 Saldo das perdas estimadas (R$29.000,00) Valor a ser contabilizado como perdas do período R$26.000,00 D Despesas de Vendas / Perdas com cré- ditos de liquidação duvidosa R$26.000,00 Conta de Resultado D Perdas Estimadas para Créditos de Li- quidação Duvidosa R$29.000,00 Conta de Ativo C Duplicatas a Receber R$55.000,00 Conta de Ativo Valor da realização de perdas efetivas com créditos incobráveis 264 Co nt ab ili da de F in an ce ira Os razonetes seriam estes: Ajuste ao valor presente O ajuste ao valor presente também já foi estudado na Aula 3 e, naquela ocasião, coincidentemente usamos um exemplo relativo às duplicatas a receber de uma indústria moveleira. Vamos rever esse exemplo? Uma indústria moveleira vendeu, a prazo, em determi- nado período, móveis para escritório no valor de R$600.000,00, sendo que R$100.000,00 correspondem aos juros embutidos na operação. Contabilização da venda Qual seria o valor presente dessa transação? Grosseiramente, uma vez que não conhecemos a taxa de juros utilizada e nem o prazo das transações, pode-se afir- mar que o valor presente da operação é: Duplicatas a Receber D C 800.000 48.000 83.000 55.000 614.000 Perdas Estimadas para créditos de Liq Duvidosa D C 48.000 160.000 83.000 29.000 - Perdas Estimadas com créditos de Liq Duvidosa D C 26.000 26.000 (1) D Duplicatas a Receber R$600.000,00 Conta de Ativo C Receita Bruta de Vendas R$600.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda de móveis para escritório. R$600.000,00 (valor da venda) - R$100.000,00 (valor dos juros) = R$500.000,00 (VP) Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 265 Em situações reais, a determinação do ajuste ao valor presente requer, basicamente, as seguintes informações: 1. O valor do fluxo futuro de caixa (entradas e saídas de caixa ocorridas por conta do ativo ou passivo analisado); 2. A data em que o fluxo futuro de caixa vai ocorrer; 3. A taxa de desconto a ser utilizada para o cálculo do valor presente. A taxa de desconto corresponderá à taxa efetiva da transação ou, nos casos em que essa taxa não for indicada, utiliza-se uma taxa de mercado aplicável, praticada em tran- sações semelhantes. O ajuste ao valor presente da nossa transação seria contabilizado, no momento da venda, da seguinte forma: Assim, no Balanço Patrimonialteríamos a seguinte representação no Ativo À medida que transcorre o prazo da operação, a receita financeira correspondente ao ajuste ao valor presente vai sendo apropriada, de acordo com o regime de competência: D Receita Bruta de Vendas R$100.000,00 Conta de Resultado C VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar R$100.000,00 Conta de Ativo (Redutora) Valor referente ao ajuste ao valor pre- sente de vendas a prazo do período. Duplicatas a Receber R$600.000,00 VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar (R$100.000,00) 266 Co nt ab ili da de F in an ce ira Muito bem! Aprendemos o essencial sobre esse impor- tante grupo de contas do Ativo – Contas a Receber. Mas se esse grupo de contas representa valores que a entidade tem a rece- ber, porque afirmamos que ele é uma “aplicação de recursos”? Analise a figura a seguir antes de responder: D VP – Receita Finan- ceira Comercial a Apropriar Pelo valor da parcela men- sal dos juros Conta de Ativo C Receita Financeira Comercial Idem Conta de Resultado Valor referente à apropriação de re- ceita financeira comercial no período. Estoque R$100,00 (Aplicação) Caixa R$180,00 Origem R$100,00 Origem Resultado = R$80,00 R$180,00- R$100,00 Total Aplicações = R$180,00 Total origens = R$180,00 Receita de Vendas CMV ATIVO PASSIVO Contas a Receber R$100,00 + R$80,00 = R$180,00 Veja que o recurso original foi aplicado nos Estoques da entidade. Posteriormente, ao vendê-lo, obteve-se uma receita líquida, ou seja, a receita de vendas deduzida do custo das mercadorias vendidas de R$80,00. Esse resul- tado figurará no Patrimônio Líquido da entidade como capital próprio, isto é, uma “origem”. No momento da venda o que ocorreu foi uma “transferên- cia” da aplicação de R$100,00 dos Estoques para Contas a Receber. A receita líquida/origem de R$80,00, se realiza como aplicação efetiva quando do recebimento da venda, Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 267 6.6 Investimentos permanentes Investimentos permanentes são as aplicações de recursos realizadas com o propósito de que os ativos cor- respondentes venham a produzir benefícios pela sua “per- manência” na entidade e não pelo seu envolvimento direto em suas atividades. 6.6.1 Classificação Os investimentos permanentes são classificados no Ativo Não Circulante, no subgrupo Investimentos. O artigo 179 – III da Lei nº 6.404/76 determina que devem ser classifi- cadas nesse grupo “as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificá- veis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa”. Entende-se aqui que a lei é aplicável também aos investimentos não classificá- veis no Realizável em Longo Prazo, tendo ocorrido uma falha na sua redação. Entre os investimentos permanentes, destacam-se a) As participações permanentes em outras socieda- des que representam a participação da sociedade no capital de outras sociedades por meio da aquisição de ações ou quotas; pela entrada de recursos no Caixa. Assim, observa-se que a aplicação que, inicialmente, foi feita em Estoques, agora está no Caixa, acrescida da receita líquida ou lucro de R$80,00. Sabemos que o lucro pertence aos sócios ou acio- nistas, certo? Portanto, são eles que estão “financiando” os R$80,00 que está no caixa. 268 Co nt ab ili da de F in an ce ira b) As propriedades para investimentos são representa- das por imóveis mantidos para aluguel, arrendamento ou especulação, tendo em vista uma possível venda futura; c) Outros investimentos permanentes representados por imóveis destinados a uso futuro, obras de arte etc. Investimentos não permanentes, mas classificáveis no Realizável em Longo Prazo, são denominados Investimentos Temporários. 6.6.2 Avaliação Os investimentos permanentes são avaliados de acordo com a sua natureza, destacando-se: • Participações permanentes em outras sociedades: avaliadas por equivalência patrimonial, valor justo ou custo, dependendo das suas características; • Propriedades para investimento: avaliadas pelo valor justo ou custo; • Outros investimentos permanentes: avaliados pelo custo. 6.7 Imobilizado (ativos fixos) O grupo Imobilizado é caracterizado por congregar os ativos destinados à “exploração” e à manutenção das ativida- des-fim da entidade. 6.7.1 Classificação Segundo o artigo 179 – IV da Lei nº 6.404/76, serão clas- sificados como Imobilizado os direitos que tenham por objeto Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 269 bens corpóreos que se destinem à manutenção das atividades da companhia, incluindo os direitos decorrentes de opera- ções que transfiram para ela os riscos e controles desses bens. Também são classificáveis no Imobilizado, as florestas para exploração ou os direitos contratuais de exploração de florestas de prazo maior que dois anos, florestas destinadas a cortes e adiantamentos a fornecedores de máquinas, equipa- mentos ou outros bens destinados à manutenção ou explora- ção das atividades da entidade. O grupo de contas do Imobilizado se subdivide nos seguintes subgrupos: • Bens em operação; • Depreciação, amortização e exaustão acumulada; • Imobilizado em andamento; • Perdas estimadas por redução ao valor recuperável. No caso de ativos biológicos (animais e vegetais), pró- prios de atividades pecuárias ou agrícolas, o elenco de contas é tratado em normativos específicos. São ainda classificáveis como Imobilizado: • Despesas com mão de obra na fabricação de bens ou construção de imóveis de uso próprio que devem ser acrescidos aos respectivos custos; • Impostos de importação, despesas de importação e fretes e carretos relacionados à importação de máqui- nas e equipamentos; • Todos os impostos pagos na aquisição de bens do Imobilizado, exceto o imposto de transmissão ou outros impostos que a legislação correspondente admita a recuperação; 270 Co nt ab ili da de F in an ce ira • Contribuição de melhoria; • Benfeitorias em imóveis de terceiros, desde que se agreguem à propriedade de terceiros e aumentem o valor do bem; • Corretagem na aquisição do imóvel. Os juros incidentes sobre o financiamento de bens do Imobilizado não deverão integrar o valor de custo do bem. 6.7.2 Avaliação O artigo 183 – V da Lei nº 6.404/76 determina que os direitos classificados no imobilizado serão avaliados pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva depre- ciação, amortização ou exaustão. Além desse critério, o Imobilizado também deve ser deduzido das perdas estimadas por redução ao valor recupe- rável (Impairment), segundo as disposições do Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. 6.7.3 Escrituração Vamos simular algumas situações que envolvem ativos imobilizados. 1. Compra de máquina para o Imobilizado, no total de R$20.000,00, tendo sido pago um adiantamento no valor de R$10.000,00 com entrega prevista para 60 dias. Pela realização do adiantamento D Imobilizações em Andamento R$10.000,00 Conta de Ativo C Bancos conta Movimento R$10.000,00 Conta de Ativo Valor referente a adiantamentos por conta de imobilizações. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 271 Pelo recebimento do bem e respectivo pagamentorestante 2. Baixa pela venda de um veículo no valor de R$28.000,00, cujo valor contábil líquido, na data da venda, era de R$20.000,00, sendo R$30.000,00 o valor de custo e R$10.000,00, o saldo da depreciação acumulada. D Máquinas e Equipamentos R$20.000,00 Conta de Ativo C Imobilizações em Andamento R$10.000,00 Conta de Ativo C Bancos conta Movimento R$10.000,00 Conta de Ativo Valor referente à aquisição de máqui- na conforme NF XXX. Bancos Conta Movimento (SI) 50.000 10.000 (1) 10.000 (2) Imobilização em Andamento (1) 10.000 10.000 (2) Máquinas e Equipamentos (2) 20.000 Apuração do valor do ganho de capital: R$28.000,00 - R$20.000,00 = R$8.000,00 D Bancos conta Movimento R$28.000,00 Conta de Ativo D Depreciação Acumulada R$10.000,00 Conta de Ativo (Redutora) C Veículos R$30.000,00 Conta de Ativo C Ganho de Capital R$8.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda do veículo XHK. 272 Co nt ab ili da de F in an ce ira 3. Baixa pela venda de um veículo no valor de R$15.000,00, cujo valor contábil líquido, na data da venda, era de R$20.000,00, sendo R$30.000,00 o valor de custo e R$10.000,00, o saldo da depreciação acumulada. Ganho de Capital 8.000 (1) Veículos (SI) 30.000 30.000 (1) Depreciação Acumulada (1) 10.000 10.000 (SI) Bancos Conta Movimento (1) 28.000 Apuração do valor da perda de capital: R$15.000,00 - R$20.000,00 = (R$5.000,00) D Bancos conta Movimento R$15.000,00 Conta de Ativo D Depreciação Acumulada R$10.000,00 Conta de Ativo (Redutora) D Perda de Capital R$5.000,00 Conta de Resultado C Veículos R$30.000,00 Conta de Ativo Valor referente à venda do veículo XHK. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 273 6.8 Intangíveis Os Ativos Intangíveis, como o próprio nome sugere, dizem respeito aos bens incorpóreos da entidade. O Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível define esse ativo como sendo um ativo não monetário identi- ficável, sem substância física. 6.8.1 Classificação Segundo o artigo 179 - VI da Lei nº 6.404/76, devem ser classificados como Intangíveis “os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da compa- nhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido”. São exemplos de Intangíveis: marcas e patentes, fundo de comércio28 adquirido, softwares, direitos de exploração de serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público etc. 28. Fundo de Comércio (Goodwill): denominação do conjunto de direitos favoráveis ao comerciante e que incluem bens materiais e imateriais. Perda de Capital (1) 5.000 Veículos (SI) 30.000 30.000 (1) Depreciação Acumulada (1) 10.000 10.000 (SI) Bancos Conta Movimento (1) 15.000 274 Co nt ab ili da de F in an ce ira 6.8.2 Avaliação A forma de avaliação de um Intangível está condicio- nada à determinação ou não da sua vida útil. 6.8.3 Escrituração A escrituração de um ativo intangível, seja na sua aquisição ou baixa pela venda, bem como no que se refere à sua amortização, quando aplicável, em nada difere de um Imobilizado. Chegamos ao fim de mais uma aula! Quantos concei- tos novos, não? Mas, se analisarmos com mais calma, vamos ver que a maioria deles já foram abordados em aulas prece- dentes. Na realidade, fizemos uma grande revisão, aprofun- dando alguns conhecimentos. Nesta aula, os conceitos foram concentrados de forma a fornecer uma visão global das con- tas do Ativo e, consequentemente, das aplicações dos recur- sos de uma entidade. Antes de checarmos se conseguimos alcançar nossos objetivos, aí vai a resposta da questão sobre o recebimento de uma duplicata ser uma origem ou uma aplicação de recursos: Intangível com vida útil definida = amortização pelo tempo de vida útil do ativo e teste de valor recuperável (Impairment); Intangível sem vida útil definida = teste de valor recupe- rável (Impairment) O recebimento do valor de uma duplicata por meio de cheque pré-datado é uma origem ou uma aplicação de recursos? E se o cheque for à vista? Resposta: Em qualquer das duas situações, seja recebi- mento com cheque pré-datado ou recebimento à vista, houve uma troca entre ativos (Cheques a Receber ou Bancos Conta Movimento X Clientes) e, portanto, não ocorreu nenhuma nova aplicação ou, tampouco, origem. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 275 Muito bem! Após essa autoavaliação já podemos nos preparar para a próxima aula. Nela, vamos estudar outro dos principais ativos/aplicações de uma entidade – os Estoques. Objetivos de aprendizagem Conhecemos as principais aplicações de recursos e suas peculiaridades? Conhecemos as características de cada grupo de contas? Conhecemos e aprendemos a aplicar os conceitos básicos de mensuração e avaliação dos principais ativos de uma entidade? Aprendemos como realizar a escrituração de fatos contá- beis que envolvam os ativos de uma entidade? Vamos relembrar? A Aula 6 nos possibilitou estudar os grupos de contas do Ativo, exceto o grupo de Estoques que será estudado na próxima aula, conhecendo suas principais características, formas de avaliação e escrituração, buscando entender tais grupos no contexto de “aplicações” dos recursos captados. Revimos as condições para classificação dos ativos como Ativos Circulantes ou Não Circulantes e passamos a estu- dar cada um dos grupos de contas que os compõem. Começamos com o primeiro deles, o Disponível e, dentro dele, estudamos o que significa a denominação Caixa e Equivalentes de Caixa. Aprendemos a constituir um fundo fixo de caixa e a contabilizar sua reposição. Conhecemos as características gerais, a avaliação e a contabilização das aplicações financeiras, inclusive das aplicações em ouro. Estudamos o Contas a Receber, sua composição, avaliação e contabilização das duplicatas a receber, além de termos revisto a constituição das perdas estimadas em créditos de liquidação. Finalizamos estudando as aplicações de caráter perma- nente, conhecendo as disposições gerais que norteiam a classificação dessas aplicações como Investimentos, Imobilizado e Intangível. 276 Co nt ab ili da de F in an ce ira Qu estões pa r a r eflex ão e au toaVali aÇão O texto a seguir classifica os “intangíveis” de uma institui- ção financeira como seus “maiores ativos”. Analise o texto e responda: • O valor dos ativos citados no texto estarão demons- trados no Balanço Patrimonial da instituição finan- ceira? Justifique sua resposta. O patrimônio intelectual, o capital humano e a marca Bic Banco se constituem nos maiores ativos da organização O BICBANCO acumula conhecimentos, experiências, con- dutas e práticas que se transformaram em bens intangí- veis para a Organização. Dentre os ativos intangíveis mais importantes estão sua marca, sua forte presença nas prin- cipais cidades e capitais do país, sua expertise nos diversos mercados em que atua, seus sistemas de gerenciamento de riscos e principalmente a capacidade de inovação do seu qualificado capital humano. Desde a sua fundação, a Instituição se dedica a financiar a atividade produtiva e acumula experiência significativa no setor de crédito. Para atender à demanda de seus clientes e às necessida- des do Banco foram desenvolvidas metodologias próprias, ferramentas e processos que se tornaram um diferencial, seja na operacionalização dos negócios ou nos sistemas de controle e avaliação deconcessão de crédito. O foco na área de middle market por mais de duas déca- das também gerou valor intangível para a Organização. Ao longo desse período, seus profissionais desenvolveram expertise nesse segmento e em suas peculiaridades, o que resultou no maior ativo intangível do Banco: seu patrimô- nio intelectual e humano. A consciência desse patrimônio levou o Banco a elaborar mecanismos para reter esse conhe- cimento e reconhecer a competência de seus profissionais. Cabe às pessoas e à sua experiência os méritos pelas inú- meras conquistas e prêmios obtidos seguidamente pela Instituição, fatores que reforçam sua reputação frente aos acionistas e ratificam as qualidades de sua marca. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 277 RESOLUÇÃO: Realmente os ativos citados no texto são muito valiosos para qualquer entidade, entretanto, tais ativos não atendem às condições necessárias para serem contabilizados e, portanto, não aparecem nos balanços. O valor de uma marca pode cair, vertiginosamente, de um dia para o outro; o capital intelectu- al gerado pelos recursos humanos, também pode ser perdido sem nenhum aviso, basta que as pessoas que agregam esse valor resolvam sair da empresa! Tais ativos só podem ser di- vulgados em textos promocionais como o que foi apresentado e nos relatórios anuais das empresas. lei t u r as r ecom en da das BANCO DO BRASIL. Cartilha CDB final. Disponível em: http://www.bb.com.br/docs/pub/voce/dwn/CartilhaCDB.pdf MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2012 MARCA E IMAGEM A marca BICBANCO é um de seus maiores bens, por estar aliada a conceitos como segurança, solidez, confia- bilidade, dinamismo, integridade e responsabilidade cor- porativa. Esta imagem institucional positiva é fruto de 70 anos de lisura em sua atuação e do comprometimento do banco com seus clientes. Para fortalecer essa marca e soli- dificar ainda mais os atributos associados a sua imagem, o Banco estabelece princípios e políticas de atuação e con- duta, que orientam suas ações em todas as iniciativas. O Banco desenvolve campanhas publicitárias, destinada ao seu público-alvo, investe no contato com a mídia e supre de informações os interessados em seus meios de comunicação e materiais institucionais, com o objetivo de tornar sua marca mais conhecida e proporcionar suporte a suas atividades. Fonte: http://www5.bicbanco.com.br/RAO/2010/port/ra/10. htm 278 Co nt ab ili da de F in an ce ira li n Ks i n dica dos www.cfc.org.br www.cpc.org.br r ef er Ênci as GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási- cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012. IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. Pr in ci pa is ap lic aç õe s d e r ec ur so s: at iv os ci rc ul an te s e n ão ci rc ul an te s 279 ( 7 ) Estoques e operações com mercadorias Olá prezados alunos, Reta final! Penúltima porta! Mais um pequeno trecho a percorrer na busca de conhecimento! Busca esta que deve ser constante e sempre renovada, para que todas as “nossas por- tas” permaneçam abertas! Nesta etapa vamos estudar o ativo mais importante de uma empresa industrial ou comercial – seus estoques. Porque o mais importante? Porque são os estoques que retratam a ati- vidade principal de uma empresa. Uma empresa de serviços não possui estoques físicos, a não ser de materiais utilizados na prestação dos seus serviços e, neste caso, embora também importantes, tais estoques não têm o mesmo significado para a contabilizada, mas isso não quer dizer que tais empresas não precisem se preocupar com sua gestão financeira. Ao contrário, com a crescente partici- pação do setor de serviços na economia, os ativos intangíveis 284 Co nt ab ili da de F in an ce ira que compõem os estoques das empresas desse setor merecem especial atenção. São os recursos aplicados/investidos nos estoques que deverão produzir os resultados necessários para garantir o sucesso e a continuidade da entidade – razão da sua impor- tância. Uma boa gestão dos estoques pode ser vital para garantir a sobrevivência de uma empresa. Como se pode observar, já que estamos enfatizando os recursos investidos em estoques, então, não se pode disso- ciar a gestão desses estoques da respectiva gestão financeira. Pelo contrário, elas se fundem, pois aspectos como quanti- dade, qualidade, tempo de produção, reposição, segurança, controle, financiamento, entre outros, afetam não só os esto- ques físicos, mas, sobretudo, as finanças das empresas. Assim, com o objetivo principal de conhecer os funda- mentos gerais da composição, controle e contabilização dos esto- ques e, em particular, dos estoques de mercadorias, nesta aula teremos como meta alcançar os seguintes objetivos específicos: O desenvolvimento do conteúdo a ser estudado obede- cerá à seguinte ordem: 7.1 Conceitos de estoque e sua importância na gestão financeira 7.1.1 Conceitos Objetivos de aprendizagem Compreender a importância dos estoques na gestão financeira das empresas; Conhecer as principais formas de controle dos estoques; Conhecer e escriturar as operações de compra e venda de mercadorias; Conhecer e escriturar as operações correlatas às com- pras e às vendas de mercadorias; Conhecer e escriturar mercadorias em consignação e outros aspectos envolvendo transações com mercadorias. Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 285 7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques 7.2 Inventários: periódico e permanente 7.2.1 Inventário periódico 7.2.2 Inventário permanente 7.3 Avaliação dos estoques 7.3.1 Apuração do custo dos estoques 7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro que sai 7.3.3 Custo Médio Móvel 7.4 Impostos e contribuições nos estoques 7.4.1 ICMS s/ obre Compras 7.4.2 IPI sobre Compras 7.4.3 PIS/COFINS sobre Compras 7.5 Compras de mercadorias 7.5.1 Fretes sobre compras 7.5.2 Bonificações recebidas 7.5.3 Abatimentos sobre compras 7.5.4 Devolução de compras 7.5.5 Descontos comerciais obtidos 7.5.6 Descontos financeiros obtidos 7.5.7 Adiantamentos a fornecedores 7.6 Vendas 7.6.1 Fretes sobre vendas 7.6.2 Vendas com cartões de crédito 7.6.3 Descontos comerciais 7.6.4 Bonificações concedidas 7.6.5 Devolução de vendas 7.6.6 Abatimento sobre vendas 7.6.7 Descontos financeiros concedidos 7.6.8 Adiantamentos recebidos de clientes 7.7Mercadorias em consignação 7.8 Quebras ou perdas de estoque 7.9 Resultados com mercadorias Bom estudo a todos! 286 Co nt ab ili da de F in an ce ira 7.1 Conceitos de estoque e sua importância na gestão financeira 7.1.1 Conceitos O Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques, aprovado pela Resolução CFC nº 1.170/09, afirma que estoques são ativos: a) Mantidos para venda no curso normal dos negócios; b) Em processo de produção para venda; ou c) Na forma de materiais ou suprimentos a serem con- sumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Iudícibus et al (2010, p. 72) define estoques como “bens tangíveis ou intangíveis adquiridos ou produzidos pela empresa com o objetivo de venda ou utilização própria no curso normal de suas atividades”. No que se refere ao estoque de ativos intangíveis, estes não são tratados no grupo de contas de Estoques. Devido às suas características, tais estoques são contabilizados como Ativos Especiais. Normalmente, os Ativos Especiais dizem respeito aatividades que não se enquadram no conceito tradicional de produção de manufaturas ou comércio de mercadorias como, por exemplo, a produção de filmes, cujos direitos podem ser integralmente comercializados ou podem, somente, ser objeto de cessão de direitos de exibição. Trata-se de conteúdo artís- tico-cultural, ou seja, um “estoque” intangível, assim como softwares que são produzidos ou adquiridos com o objetivo Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 287 de comercialização dos direitos de uso. Tais ativos serão estu- dados em outro momento do curso. O grupo de contas de Estoques deve contemplar a exis- tência de subcontas que permitam visualizar seus principais componentes. São exemplos de contas que devem fazer parte desse grupo: • Produtos acabados; • Produtos em elaboração; • Mercadorias para revenda; • Mercadorias em trânsito; • Mercadorias entregues em consignação; • Importações em andamento; • Almoxarifado; • Adiantamentos a fornecedores; • Perda estimada para redução ao valor realizável líquido; • Perda estimada em estoques; • Ajuste ao valor presente. 7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques Os estoques representam as principais operações de uma empresa e, consequentemente, a razão que motivou a sua criação. Uma indústria existe para fabricar produtos, uma empresa comercial para comercializá-los, os estoques, por sua vez, retratam exatamente o que a empresa está fabricando ou já fabricou ou o que ela tem de mercadorias a comercializar. Desses estoques resultará a principal receita da entidade. Partindo dessa premissa, é possível afirmar que a maior parte dos recursos captados por uma entidade deve ser direcionada para a produção dos seus estoques ou para ativos que componham o processo produtivo (máquinas, 288 Co nt ab ili da de F in an ce ira equipamentos etc.), visto que é daí que ela vai extrair seus principais resultados. Mas, resultados, além de receitas, envolvem também custos/despesas, não é mesmo? Veja só: os custos dos estoques representam as aplica- ções de recursos que neles foram feitas. São, portanto, essas aplicações que vão gerar as receitas, mas, se esses custos ou aplicações não forem bem geridos ou se os estoques demora- rem para serem vendidos, ou seja, demorarem para gerar as receitas, o resultado obtido, com certeza, não será o esperado ou não será suficiente para que a entidade obtenha sucesso na sua atividade. O prazo que os estoques demoram para serem vendi- dos, isto é, para gerar receitas, é chamado de “giro de esto- ques”. Quanto menor for esse prazo, mais satisfatório será o resultado e a gestão financeira da entidade. A figura a seguir, utilizada em um exemplo da aula anterior, pode nos ajudar a entender melhor esse processo: A aplicação de R$100,00 transforma-se em resultado de R$80,00 que é “acrescentado” ao caixa da empresa. Ou seja, a aplicação de R$100,00 rendeu um “aporte” de recursos Estoque R$100,00 (Aplicação) Caixa R$180,00 Origem R$100,00 Origem Resultado = R$80,00 R$180,00 - R$100,00 Total Aplicações = R$180,00 Total origens = R$180,00 Receita de Vendas CMV ATIVO PASSIVO Contas a Receber R$100,00 + R$80,00 = R$180,00 Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 289 de R$80,00. Quanto mais rápido for esse processo, melhores serão os resultados obtidos. Obviamente, a entidade poderá desenvolver outras ati- vidades acessórias às suas atividades principais que lhe aju- darão a compor o resultado obtido, mas o resultado das suas operações é o que importa em qualquer tipo de análise, por parte dos interessados no seu desempenho. Muito bem! Se estivermos convencidos de que a ges- tão do estoque é importante, vamos conhecer os detalhes que impactam e facilitam essa gestão. 7.2 Inventários: periódico e permanente O que é inventário? A avaliação dos estoques ao final de um período qual- quer, mas especialmente por ocasião do fechamento do Balanço Patrimonial, é absolutamente necessária para a apu- ração do resultado da empresa. É por meio dessa avaliação que se determina o custo dos produtos ou das mercadorias vendidas, conforme estudado na nossa Aula 4. Lembram-se que, para a determinação desse custo, precisamos saber o saldo final e o saldo inicial dos estoques? Inventário é um levantamento, uma relação dos bens com- ponentes do estoque, com as respectivas quantidades. 290 Co nt ab ili da de F in an ce ira Pois bem, como “avaliar” corretamente os saldos contá- beis dos estoques, sem saber a quantidade de cada componente presente neles? Concordam que, se houver erro nesses valores, o resultado apurado também fica incorreto? A confirmação dos saldos é feita por meio da confrontação com os inventários. Iudícibus et al (2010, p. 92) comenta que “um aspecto fundamental quanto aos estoques refere-se a uma correta determinação de suas quantidades físicas na data do balanço”. Esse aspecto, segundo os mesmos autores, tem “gerado dis- torções significativas nas demonstrações financeiras de inú- meras empresas, e nada adianta um bom critério de avaliação e de custos se as quantidades estiverem erradas”. Além dos aspectos contábeis e gerenciais, há uma exi- gência fiscal para que o inventário dos estoques seja feito, no mínimo, quando do fechamento do Balanço. Existe, inclusive, a obrigatoriedade de escrituração de um livro de inventário (obrigação fiscal acessória). Existem, basicamente, dois tipos de inventários que podem ser adotados pelas empresas: o inventário periódico e o inventário permanente. 7.2.1 Inventário periódico O sistema de inventário periódico, por ser mais simples, não requer a existência de controles excessivamente detalha- dos. É elaborado por meio da contagem física dos estoques, no CMV = Ei + Co - Ef Onde: ✓ CMV = Custo das Mercadorias Vendidas ✓ Ei = estoque inicial de mercadorias ✓ Co = Valor líquido das compras de mercadorias no período ✓ Ef = Estoque final de mercadorias Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 291 final de um período, razão da sua denominação “periódico”, que pode ser o contábil (um ano) ou em períodos menores. Neste caso, segundo Greco (2012, p. 242), “o registro contá- bil do estoque das mercadorias ocorrerá apenas no final dos exer- cícios, quando da contagem física das quantidades existentes”. A apuração do custo das mercadorias vendidas exigirá que as operações de compras, devoluções, abatimentos, fretes e seguros sejam registradas em contas adequadas. Adotando o sistema de inventário periódico, a empresa não poderá optar pela avaliação dos seus estoques pelo custo médio, que estudaremos ainda nesta aula. 7.2.2 Inventário permanente O registro permanente de estoque compreende o con- trole, por meio de fichas (em papel ou meio eletrônico), de cada item que o compõe, registrando a sua movimentação em quantidade, preço unitário e valor total. Esse tipo de inventário possibilita que o custo das mer- cadorias ou dos produtos vendidos sejam contabilizados no ato da venda, sendo necessária a confrontação dos saldos contábeis com o inventário (contagem física) no final do exer- cício (dezembro), para atendimento à legislação fiscal. Apesar de complexo é um sistema mais completo, capaz de atender às exigências fiscais, à excelência dos regis- tros contábeis, particularmente no que se refere à apuração dos resultados da entidade e, principalmente, contribuir para o processo decisório como instrumento gerencial. 292 Co nt ab ili da de F in an ce ira 7.3 Avaliação dos estoques A avaliação dos estoques envolvedois aspectos: a apuração do custo, principalmente para efeitos de apuração do custo unitário dos produtos, mercadorias ou serviços e apuração do custo das vendas; e a atualização do valor dos estoques ao seu valor realizável líquido para efeito de apre- sentação da correta situação patrimonial no Balanço. O Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques determina que os estoques sejam avaliados pelo valor do custo ou valor realizável líquido, dos dois o menor, entendendo-se como tal, o preço de venda estimado no curso normal dos negócios, dimi- nuído dos custos estimados para a respectiva conclusão e dos gastos estimados necessários para a concretização da venda. 7.3.1 Apuração do custo dos estoques O principal problema encontrado na apuração dos custos é o fato de que uma entidade pode ter o mesmo produto adquirido em datas diferentes e a preços diferentes. Vamos ver um exemplo: Suponha a existência de uma empresa comercial que compra e vende televisores de uma única marca e modelo, mas que, por força de interesses comerciais, adquire e vende suas mercadorias em diferentes datas e, consequentemente por diferentes preços de aquisição. Em determinado período, a empresa em questão, que já tinha um estoque anterior correspondente a 10 aparelhos de TV a um custo unitário de R$810,00, efetuou 5 compras de 15 TVs, em um total de 75 unidades a preços diferentes e em diferentes datas. No mesmo período ela vendeu 60 aparelhos. Qual seria o custo dos aparelhos vendidos a ser computado no resultado Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 293 da referida empresa? Esta é uma questão quase impossível de ser respondida se a empresa não mantiver um controle deta- lhado dos seus estoques. Mas, mesmo que tenha esse controle, como as compras e vendas ocorrem em datas diferentes, a dife- rentes valores, e os aparelhos de TV são da mesma marca e do mesmo modelo, o valor do custo dos aparelhos vendidos terá que seguir um critério lógico para sua apuração. Controle do estoque de TVs O pe ra - çõ es D at as C om pr as V en da s Sa ld o Qtde. R $ Qtde. R $ Qtde. R $ U ni t. A cu m ul ad o U ni t. A cu m ul ad o U ni t. A cu m ul ad o Sa ld o A nt er io r 10 81 0, 00 8. 10 0, 00 - 10 81 0, 00 8 .1 00 ,0 0 C om pr a D ia 0 2 15 81 2, 00 12 .1 80 ,0 0 - - - 25 ? 20 .2 80 ,0 0 C om pr a D ia 0 5 15 81 3, 00 12 .1 95 ,0 0 - - - 40 ? 32 .4 75 ,0 0 Ve nd a D ia 0 5 - - - 10 ? 30 ? ? C om pr a D ia 0 7 15 81 1, 00 12 .1 65 ,0 0 - - - 45 ? ? Ve nd a D ia 0 7 - - - 15 ? ? 30 ? ? Ve nd a D ia 1 5 - - - 5 ? ? 25 ? ? C om pr a D ia 1 6 15 81 1, 50 1 2. 17 2, 50 - - - 40 ? ? Ve nd a D ia 1 8 - - - 20 ? ? 20 ? ? C om pr a D ia 2 0 15 81 2, 00 12 .1 80 ,0 0 - - - 35 ? ? Ve nd a D ia 3 0 - - - 10 ? ? 25 ? ? 294 Co nt ab ili da de F in an ce ira A partir da primeira operação de compra já não se sabe qual o valor unitário das peças em estoque, pois ao saldo anterior de 10, foram somadas 15 novas peças que custaram mais do que aquelas que estavam armazenadas. Como apurar o valor unitá- rio das peças quando ocorre qualquer tipo de movimentação? Há várias formas de se apurar o valor do custo uni- tário dos estoques e, por consequência, o valor do custo das peças vendidas. Entretanto, somente duas delas são admiti- das pelos Princípios Fundamentais de Contabilidade e, tam- bém, pela legislação fiscal: “Custo Médio (Móvel e Fixo)” e “PEPS – Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai”, do inglês FIFO - First In First Out. Dentre as diversas formas de se apurar o custo dos estoques, pode-se destacar o UEPS – Último que Entra é o Primeiro que Sai, do inglês LIFO – Last In First Out e o Custo de Reposição. Não sendo permitidos contábil ou fiscalmente, tais métodos somente são utilizados para fins gerenciais. Outra prática possível para apuração do custo é o método do Preço Específico, que consiste em controlar cada unidade pelo valor efetivamente pago, o que só é possível quando a quantidade, o valor e as características da mercadoria ou mate- rial o permitam (Exemplo: revenda de automóvel usado). Vamos abordar as duas metodologias mais utilizadas e aceitas pelo fisco e pelas normas contábeis: 7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro que sai Esta avaliação baseia-se na premissa de que a primeira peça que entrou no estoque será a primeira a ser baixada quando ocorrer a venda. Utilizando o mesmo exemplo anterior, teríamos a seguinte situação: Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 295 Controle do estoque de TVs (PEPS) A ficha de controle de estoques permite a apuração do custo das mercadorias na data da venda e, também, pelo perí- odo desejado (soma dos valores da coluna Vendas/Acumulado). 7.3.3 Custo médio móvel Esta avaliação consiste em apurar o custo médio uni- tário da mercadoria (ou matéria-prima) da seguinte forma: a) Adiciona-se ao saldo anterior o valor das compras e divide-se o valor obtido pelo número total de peças em estoque, obtendo-se o custo médio unitário até aquela data; Opera- ções Datas Compras Vendas Saldo Q td e. R$ Q td e. $ Q td e. R$ Unit. Acumul. Unit. Acumul. Unit. Acumul. Saldo Anterior 10 810,00 8.100,00 - 10 810,00 8.100,00 Compra Dia 02 15 812,00 12.180,00 - - - 25 812,00 20.280,00 Compra Dia 05 15 813,00 12.195,00 - - - 40 813,00 32.475,00 Venda Dia 05 - - - 10 810,00 8.100,00 30 810,00 24.375,00 Compra Dia 07 10 811,00 8.110,00 - - - 45 811,00 32.485,00 Venda Dia 07 5 811,00 4.055,00 15 812,00 12.180,00 30 812,00 24.360,00 Venda Dia 15 - - - 5 813,00 4.065,00 25 813,00 20.295,00 Compra Dia 16 15 811,50 12.172,50 - - 40 811,50 32.467,50 Venda Dia 18 - - - 20 20 - 16.227,50 10 813,00 8.130,00 10 811,00 8.110,00 Compra Dia 20 15 812,00 12.180,00 - - - 35 812,00 28.407,50 Venda Dia 30 - - - 10 25 - 20.295,00 5 811,00 4.055,00 5 811,50 4.057,50 Composição do Saldo Final 10 peças 811,50 = 8.115,00 15 peças 812,00 = 12.180,00 20.295,00 CMV no período = 48.697,50 296 Co nt ab ili da de F in an ce ira b) Multiplica-se esse custo médio unitário pela quan- tidade de peças vendidas para apuração do valor do custo total da venda, na ocorrência da primeira venda, após essa data; c) Apura-se o novo custo médio unitário, subtraindo-se do saldo anterior, o valor do custo da última venda e dividindo- -se o resultado pelo número total de peças em estoque. No exemplo anterior, a situação do estoque seria a seguinte: Controle do estoque de TVs (Custo Médio) O pe ra - çõ es D at as C om pr as V en da s Sa ld o Qtde. R $ Qtde. R $ Qtde. R $ U ni t. A cu m ul . U ni t. A cu m ul . U ni t. A cu m ul . Sa ld o A nt er io r 10 81 0, 00 8. 10 0, 00 - 10 81 0, 00 8 .1 00 ,0 0 C om pr a D ia 0 2 15 81 2, 00 12 .1 80 ,0 0 - - - 2581 1, 20 20 .2 80 ,0 0 C om pr a D ia 0 5 15 81 3, 00 12 .1 95 ,0 0 - - - 40 81 1, 88 32 .4 75 ,0 0 Ve nd a D ia 0 5 - - - 10 81 1, 88 8. 11 8, 80 30 81 1, 87 24 .3 56 ,2 0 C om pr a D ia 0 7 15 81 1, 00 12 .1 65 ,0 0 - - - 45 81 1, 58 36 .5 21 ,2 0 Ve nd a D ia 0 7 - - - 15 81 1, 58 12 .1 73 ,7 0 30 81 1, 58 24 .3 47 ,5 0 Ve nd a D ia 1 5 - - - 5 81 1, 58 4. 05 7, 90 25 81 1, 58 20 .2 89 ,6 0 C om pr a D ia 1 6 15 81 1, 50 1 2. 17 2, 50 - - - 40 81 1, 55 32 .4 62 ,1 0 Ve nd a D ia 1 8 - - - 20 81 1, 55 16 .2 31 ,0 0 20 81 1, 56 16 .2 31 ,1 0 C om pr a D ia 2 0 15 81 2, 00 12 .1 80 ,0 0 - - - 35 81 1, 75 28 .4 11 ,1 0 Ve nd a D ia 3 0 - - - 10 81 1, 75 8. 11 7, 50 25 81 1, 74 20 .2 93 ,6 0 48 .6 98 ,9 0 Sa ld o fin al : 20 .2 93 ,6 0 C M V : 48 .6 98 ,9 0 Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 297 Essa metodologia de apuração de custos dos estoques é muito utilizada. 7.4 Impostos e contribuições nos estoques Alguns impostos e contribuições incidentes sobre componentes do estoque têm caráter não cumulativo, ou seja, podem ser compensados com aqueles devidos pela entidade. Dessa forma, há que dar um tratamento contábil especial para esses impostos e contribuições. Tais impostos e contri- buições não devem integrar o custo dos estoques e devem ser deduzidos da Receita de Vendas, conforme já estudado na DRE – Demonstração do Resultado do Exercício. Vamos estudar o tratamento dos impostos e das con- tribuições incidentes sobre as compras, uma vez que aque- les incidentes sobre as vendas já foram estudados em nossa Aula 4. 7.4.1 ICMS sobre compras Como já mencionado, os impostos recuperáveis inci- dentes sobre compras não podem ser computados como custo de aquisição. Vamos supor que uma empresa tenha adquirido, a prazo, mercadorias para revenda no valor de R$100.000,00, com um ICMS embutido de 18% - R$18.000,00. Na venda dessas mercadorias, também a prazo, por R$120.000,00, a empresa gerou uma obrigação de recolher um ICMS, à mesma alíquota, no valor de R$21.600,00. Vejamos como fica- ria a contabilização: 298 Co nt ab ili da de F in an ce ira Pela compra da mercadoria Pela venda da mercadoria Pela obrigação de recolhimento do ICMS Pela compensação do ICMS pago na compra D Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00 Conta de Ativo D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$82.000,00 Conta de Passivo Valor referente à compra de mercadorias para revenda D Clientes R$120.000,00 Conta de Ativo C Vendas (Receitas) R$120.000,00 Conta de Resultado Valor referente à venda de mercadorias D Impostos sobre Vendas (Receitas) R$21.600,00 Conta de Resultado (Redutora da Receita) C Impostos a Recolher – ICMS R$21.600,00 Conta de Passivo Valor referente ao ICMS sobre venda D Impostos a Recolher – ICMS R$18.000,00 Conta de Passivo C Impostos a Recu-perar – ICMS R$18.000,00 Conta de Ativo Valor referente à compensação de ICMS pago sobre compras Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 299 Pela apropriação do custo da mercadoria Pelo recolhimento do ICMS Razonetes: D Custo da Mercadoria Vendida R$82.000,00 Conta de Resultado C Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00 Conta de Ativo Valor referente à apropriação de custo de mercadoria vendida D Impostos a Recolher - ICMS R$3.600,00 Conta de Pas- sivo C Bancos - Conta Movimento R$3.600,00 Conta de Ativo Valor referente à compensação de ICMS pago sobre compras Fornecedores 100.000 (1) Clientes (2) 120.000 Mercadorias para Revenda (1) 82.000 82.000 (4) Impostos para Revenda (3) 21.600 ICMS a Recuperar (1) 18.000 18.000 (5) Bancos Conta Movimentp (SI) 15.000 3.600 (6) Vendas 120.000 (2) ICMS a Recuperar (5) 18.000 21.600 (3) (6) 3.600 Custo da Merca- doria Vendida (4) 82.000 300 Co nt ab ili da de F in an ce ira 7.4.2 IPI sobre compras No caso de o IPI também ser recuperável para a enti- dade, os procedimentos relativos à contabilização serão idên- ticos ao ICMS. 7.4.3 PIS/COFINS sobre compras As contribuições não cumulativas ao PIS e à COFINS, também compensáveis, seguirão o mesmo critério de conta- bilização do ICMS. 7.5 Compras de mercadorias Para ilustrar a contabilização de uma operação de com- pra de mercadoria, utilizaremos o mesmo exemplo indicado na contabilização do ICMS: Pela compra da mercadoria Pelo pagamento ao fornecedor D Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00 Conta de Ativo D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$82.000,00 Conta de Passivo Valor referente à compra de mercadorias para revenda D Bancos - Conta Movimento R$100.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo Valor referente pagamento a fornecedores de mercadorias Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 301 Razonetes: 7.5.1 Fretes sobre compras Os fretes pagos sobre compra de mercadorias integra- rão o valor do custo dos estoques. Vamos supor que no exem- plo acima tenha ocorrido a seguinte situação: Como se pode observar, o frete pago integra o valor do custo do estoque. 7.5.2 Bonificações recebidas As bonificações são constituídas de unidades de mer- cadorias oferecidas ao comprador, em razão do volume de compras, promoções ou deferência especial do fornecedor. Exemplo: Supondo que a Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. tenha recebido uma bonificação no valor de R$5.000,00, já incluso um ICMS de R$900,00. Tal bonificação seria registrada da seguinte forma: Mercadorias para Revenda (1) 82.000 Bancos Conta Movimento (SI) 150.000 100.000 (2) ICMS a Recuperar (1) 18.000 Fornecedores (2) 100.000 100.000 (1) Mercadoria R$95.000,00 Fretes sobre compras R$5.000,00 Valor a ser contabilizado com custo da mercadoria R$100.000,00 302 Co nt ab ili da de F in an ce ira Pelo recebimento da bonificação 7.5.3 Abatimento sobre compras O “abatimento” sobre compras não é um desconto comercial ou, tampouco, financeiro, trata-se de uma compen- sação concedida pelo fornecedor ao comprador por conta de avarias nos produtos durante o transporte, defeitos ou outras anomalias que caracterizem diferença entre o que foi pedido e o que foi efetivamente entregue. Supondo que uma empresa tenha recebido um abati- mento de R$1.500,00 em compra efetuada, a prazo, e já con- tabilizada pelo seu valor de custo, o lançamento contábil do abatimento seria o seguinte: Caso a empresa tivesse comprado o estoque à vista, o débito seria feito diretamente na conta Caixa ou Bancos - Conta Movimento. D Estoques R$4.100,00 Conta de Ativo D Impostos a Recuperar – ICMS R$900,00 Conta de Ativo C Bonificações Recebi- das (Outras Receitas Operacionais) R$5.000,00 Conta de Resultado Valor referente ao pagamento a fornecedores de mercadorias D Fornecedores R$1.500,00 Contade Ativo C Estoques R$1.500,00 Conta de Passivo Valor referente ao abatimento conce- dido pelo fornecedor Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 303 7.5.4 Devolução de compras No caso de devolução de compras pela empresa com- pradora, esta tomará por base os dados da nota fiscal original, pela qual foi dada entrada da mercadoria (ou matéria-prima) nos estoques da empresa. Se a devolução ocorrer no mesmo exercício social da compra, não haverá maiores problemas, basta “reverter” o lançamento contábil original, utilizando os valores propor- cionais à mercadoria devolvida. Vamos supor que 20% da mercadoria adquirida em nosso exemplo anterior, tenha sido devolvida. Considerando que a mercadoria foi registrada em Estoques pelo seu valor líquido do ICMS, temos que a sua devolução deve ser contabilizada pelo valor de: R$19.000,00 - R$3.600,00 = R$15.400,00 O frete, anteriormente apropriado como custo dos estoques, deverá ser contabilizado como despesa, pelo valor proporcional de R$1.000,00, uma vez que não há mais o esto- que respectivo. O ICMS sobre o estoque devolvido deverá agora, ser contabilizado pelo valor proporcional de R$3.600,00, como ICMS a Recolher, uma vez que foi compensado anterior- mente. Caso ainda não tenha sido compensado, deverá ser creditado na conta de Impostos a Recuperar – ICMS. Mercadoria R$95.000,00 x 20% = R$19.000,00 Fretes sobre compras R$5.000,00 x 20% = R$1.000,00 ICMS sobre compras R$18.000,00 x 20% = R$3.600,00 304 Co nt ab ili da de F in an ce ira Obs.: Na hipótese da compra ter sido realizada à vista, o débito deverá ser feito diretamente na conta Caixa ou Bancos - Conta Movimento, ou, ainda, em uma conta de Outros Créditos, caso o fornecedor não credite o valor da devolução imediatamente. 7.5.5 Descontos comerciais obtidos Os descontos comerciais incondicionais concedidos pelo fornecedor ao comprador são oferecidos no ato da opera- ção de compra, estando consignados na respectiva nota fiscal. Usualmente, a compra em que se obteve o desconto é contabilizada pelo seu valor líquido. Vamos supor que em uma compra a prazo, de R$100.000,00, com ICMS de R$18.000,00, o comprador tenha obtido um desconto de R$10.000,00. D Fornecedores R$15.400,00 Conta de Passivo D Fretes sobre Devolução de Compras (Outras Despesas Operacionais) R$1.000,00 Conta de Resultado D ICMS a Recolher R$3.600,00 Conta de Passivo C Mercadorias para Revenda (Estoques) R$20.000,00 Conta de Ativo Valor referente à devolução de merca- doria ao fornecedor D Mercadorias para Re-venda (Estoques) R$72.000,00 Conta de Ativo D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$90.000,00 Conta de Passivo Valor referente à compra líquida de desconto obtido, conforme NF XXX Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 305 7.5.6 Descontos financeiros obtidos Os descontos financeiros são obtidos posteriormente à realização da compra, em função de pagamento antecipado ou cumprimento do prazo de pagamento junto ao fornecedor. Assim, tais descontos devem ser apropriados diretamente em Receitas Financeiras. Supondo que no pagamento de R$100.000,00 a um forne- cedor, o comprador tenha obtido um desconto financeiro de 10%, portanto de R$10.000,00, o lançamento contábil seria o seguinte: 7.5.7 Adiantamentos a fornecedores Os adiantamentos efetuados a fornecedores por conta de mercadorias ou materiais adquiridos, devem ser contabili- zados no Ativo Circulante ou Não Circulante, de acordo com o prazo previsto para entrega. Supondo que na compra de mercadorias para revenda, no valor total de R$100.000,00, com a incidência de 18% de ICMS, tenha sido realizado um adiantamento no valor de R$20.000,00, vejamos como seria a contabilização: Pela realização do adiantamento D Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo C Bancos - Conta Movimento R$90.000,00 Conta de Ativo C Descontos Financeiros Obtidos R$10.000,00 Conta de Resultado Valor referente ao pagamento ao fornecedor XYZ líquido de desconto financeiro obtido. C Adiamentos a Fornecedores R$20.000,00 Conta de Ativo C Bancos - Conta Movimento R$20.000,00 Conta de Ativo Valor referente ao adiantamento feito ao fornecedor XYZ 306 Co nt ab ili da de F in an ce ira Razonetes: Pelo recebimento da mercadoria Pela compensação do adiantamento Bancos Conta Movimento 20.000 (1) Adiantamentos a Fornecedores (1) 20.000 D Mercadorias para Revenda R$82.000,00 Conta de Ativo C Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00 Conta de Ativo C Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo Valor referente à aquisição de mercadoria conforme NF XXX Fornecedores 100.000 (2) Mercadorias para Revenda (2) 82.000 ICMS a Recuperar (2) 18.000 D Fornecedores R$20.000,00 Conta de Passivo C Adiantamentos a Fornecedores R$20.000,00 Conta de Ativo Valor referente à compensação do adian- tamento efetuado ao fornecedor XYZ Adiantamentos a Fornecedores (1) 20.000 20.000 (3) Fornecedores (3) 20.000 100.000 (2) Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 307 7.6 Vendas Conforme já estudado anteriormente, as vendas de produtos, mercadorias e de serviços são registradas como Receita de Vendas, ou ainda, Receita Bruta de Vendas. Vamos retomar o exemplo utilizado na Aula 4 para tra- tarmos das operações de vendas de mercadorias e revermos, também, os impostos incidentes sobre as vendas. Foram vendidos, em determinado período, produtos a prazo no valor de R$1.500.000,00, tendo sido cobrado IPI de 15%29 e ICMS de 18%. Veja os lançamentos contábeis: Contabilizando o faturamento Contabilizando o IPI 29. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): imposto cujas alíquotas diferem de acordo com produto. D Clientes R$1.995.000,00 Conta de Ativo C Receita Bruta de Vendas R$1.995.000,00 Conta de Resultado Valor referente ao faturamento bruto do período D IPI sobre Faturamento Bruto R$225.000,00 Conta de Resultado (Redutora da Receita Bruta) C Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$225.000,00 Conta de Passivo Valor referente ao IPI incidente sobre o faturamento bruto do período 308 Co nt ab ili da de F in an ce ira Contabilizando a recuperação do IPI Tem-se, então, que a entidade deverá recolher R$125.000,00 de IPI, após compensado o valor do imposto pago por ocasião da compra dos materiais. Vamos ver essas contabilizações em razonetes: D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$100.000,00 Conta de Passivo C Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00 Conta de Ativo Valor referente à recuperação de IPI inci- dente sobre faturamento bruto Estoques (1) 500.000 Impostos a Recuperar IPI (1) 100.000 100.000 (4) Fornecedores 690.000 (1) Impostos a Re- cuperar ICMS (1) 90.000 Clientes (2) 1995.000 Receita Bruta de Vendas 1995.000 (2) Obrigações Fis- cais IPI a Recolher (4) 100.000 225.000 (3) 125.000 IPI sobre Faturamento Bruto (3) 225.000 COMPRA DE MATERIAIS VENDA DE PRODUTOS E COMPESAÇÃO DO IPI Es to qu es e op er aç õe s c om m er ca do ria s 309 O recolhimento do IPI se dará pelo valor líquido, ou seja, pelo valor devido pela entidade, compensado com o valor de crédito ao qual ela tem direito e que corresponde ao imposto que ela própria pagou quando adquiriu os materiais para fabricar os seus produtos. Vamos, então contabilizar o recolhimento do IPI: Vamos rever, agora, a contabilização do ICMS. No nosso exemplo,