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Contabilidade Financeira
Contabilidade Financeira
© Copyright 2013 da Laureate. É permitida a reprodução total ou parcial, 
desde que sejam respeitados os direitos do Autor, conforme determinam a 
Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal, art. 5º, inc. 
XXVII e XXVIII, "a" e "b". 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Sistema de Bibliotecas da UNIFACS Universidade Salvador - Laureate 
International Universities)
P426c
Peralta, Telma Martins
Contabilidade Financeira/ Telma Martins Peralta. –
Salvador: UNFACS, 2013.
378 p. ; 18,3 x 23,5cm.
ISBN 978-85-8344-004-8
1. Contabilidade financeira. 2.Contabilidade I. Título. 
 
CDD:657.3
Apresentação
Prezados alunos,
Dando continuidade à trajetória evolutiva do nosso 
plano de aprendizado, neste semestre vamos estudar a 
Contabilidade Financeira. 
Por que a denominação Contabilidade Financeira? Logo 
veremos.
Na disciplina anterior – Contabilidade Introdutória – 
tivemos a oportunidade de conhecer o Balanço Patrimonial, 
demonstrativo contábil que mostra a “saúde” do patrimô-
nio das entidades, e aprendemos os primeiros passos de sua 
elaboração. Nesta disciplina vamos aprofundar um pouco 
mais nosso conhecimento dessa tão importante demonstra-
ção contábil e agregaremos a ele mais um demonstrativo, a 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
O Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados 
são demonstrativos fundamentais no processo de gestão e 
controle dos patrimônios das entidades e a Contabilidade 
Financeira vai propiciar a compreensão dos seus conteúdos 
e de suas estruturas, além de introduzir conceitos básicos de 
análise financeira desses demonstrativos. 
A disciplina terá como objetivo geral:
Ao término do estudo da disciplina, teremos apren-
dido a:
1. Utilizar o método das partidas dobradas para a escri-
turação dos fatos contábeis mais comuns como com-
pra e venda de mercadorias, produtos e serviços, 
provisões, depreciações, amortizações, etc., identifi-
cando-os como origens ou aplicações de recursos.
2. Elaborar o Balanço Patrimonial (BP), analisando os 
aspectos financeiros relacionados às mutações do 
patrimônio, sob a perspectiva de financiamentos e 
investimentos, e respectivos reflexos no resultado 
das organizações.
3. Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício 
(DRE) e analisar o desempenho da organização 
Propiciar o conhecimento e a prática das técnicas uti-
lizadas para a escrituração dos fatos contábeis, no con-
texto de financiamento das operações e investimentos 
e consequente elaboração do Balanço Patrimonial e da 
Demonstração do Resultado. Isso, buscando o embasa-
mento teórico-prático necessário para a utilização da 
Contabilidade Financeira como instrumento fundamental 
de análise da situação patrimonial e do desempenho das 
organizações e de atendimento às disposições legais.
com base nesse demonstrativo, entendendo a sua 
correlação com a evolução do patrimônio e com o 
Balanço Patrimonial.
4. Elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa 
(DFC) e correlacioná-la com a DRE, de forma a 
compreender quanto do resultado gerado no perí-
odo realmente já se transformou em caixa para a 
entidade e qual o grupo de operações contribuiu 
para o consumo ou geração desse caixa.
Para atingirmos tais objetivos, vamos organizar nosso 
estudo da seguinte forma:
Aula 1: Contabilidade Financeira – conceito, definições e uti-
lização no processo decisório.
Aula 2: Principal origem de recursos – Lucro.
Aula 3: Provisões contábeis e despesas que não afetam o cai-
xa.
Aula 4: Demonstração do resultado do exercício. 
Aula 5: Outras Origens de recursos – Passivos Circulantes e 
Não Circulantes.
Aula 6: Principais Aplicações de Recursos – Ativos Circulan-
tes e Não Circulantes.
Aula 7: Aplicações de Recursos – Estoques e Operações com 
Mercadorias.
Aula 8: Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC.
Muita coisa nova e interessante nos espera. Vamos lá?
Profa. Geni Vanzo
Importante: Os links para sites contidos neste livro podem ter 
expirado após a sua última edição, em novembro de 2013.
Sumário
( 1 ) Contabilidade Financeira: conceito, defi-
nições e utilização no processo decisório, 19
1.1 O que é Contabilidade Financeira?, 23
1.2 Contabilidade Financeira no processo de-
cisório, 24
1.3 Origens e aplicações de recursos: decisões 
financeiras, 32
1.3.1 Decisões de financiamento e de inves-
timento, 32
1.3.2 Decisões financeiras e Balanço Patri-
monial, 34
1.3.3 Recursos próprios e de terceiros, 37
( 2 ) Principal origem de recursos: o lucro, 43
2.1 Lucro como principal fonte de recursos, 47
2.2.Regimes de apuração do resultado, 56
2.2.1 Regime de caixa, 58
2.2.2 Regime de competência, 59
2.2.3 Despesas pegas antecipadamente, 64
2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e 
resultados de exercícios futuros, 67
2.3 Apuração do resultado, 70
( 3 ) Provisões contábeis e despesas que não 
afetam o caixa, 81
3.1 Provisões: conceitos e efeitos no resultado, 85
3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e 
previsões/estimativas, 87
3.1.2 Constituição de provisões, 90
3.1.3 Reversão de provisões e de perdas 
estimadas, 96
3.1.4 Principais provisões, 99
( 4 ) Demonstração do resultado do exercício , 133
4.1 Reconhecimento de receitas e despesas 
conforme as IFRS, 138
4.1.1 Receita bruta de vendas, 144
4.1.2 Deduções da receita bruta, 146
4.1.3 Deduções da receita operacional líqui-
da, 154
4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais, 
162
4.1.5 Outras receitas e outras despesas, 166
4.1.6 Outras Deduções, 170
( 5 ) Outras origens de recursos: passivos 
circulantes e não circulantes, 185
5.1 Revisão de conceitos, 189
5.1.1 Passivo exigível, 189
5.1.2 Registro e avalição dos passivos, 192
5.2 Fornecedores, 195
5.3 Obrigações fiscais, 198
5.4 Outras obrigações, 199
5.4.1 Adiantamentos de clientes, 200
5.4.2 Contas a pagar, 201
5.4.3 Ordenados e salários a pagar, 202
5.4.4 Encargos sociais a pagar e FGTS a 
recolher, 202
5.4.5 Dividendos a Pagar, 203
5.4.6 Ajuste ao Valor Presente, 205
5.4.7 Outras Obrigações a Pagar, 207
5.5 Empréstimos e Financiamentos, 207
5.5.1 Registro contábil de empréstimos e de 
financiamentos, 208
5.5.2 Registro contábil de financiamentos 
bancários a curto prazo, 213
5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e 
financiamentos, 215
5.6 Debêntures e Outros Títulos de Dívida, 218
5.6.1 Debêntures, 218
5.6.2 Notas Promissórias (Commercial 
Papers), 219
5.7 Provisões , 220
( 6 ) Principais aplicações de recursos: ativos 
circulantes e não circulantes, 227
6.1 Revisão de conceitos, 232
6.1.1 Ativo Circulante e não Circulante, 232
6.1.2 Registro e avaliação dos ativos, 235
6.2 Caixa e Equivalentes de Caixa, 237
6.2.1 Definição, 237
6.2.2 Fundo Fixo de Caixa, 239
6.2.3 Caixa Flutuante, 241
6.2.4 Pagamento e Recebimentos com Che-
ques Pré-datados, 242
6.2.5 Contas Bancárias, 245
6.3 Aplicações Financeiras, 247
6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avalia-
ção e escrituração, 247
6.3.2 Aplicações em Ouro, 251
6.4 Títulos em Cobrança Bancária, 251
6.5 Contas a Receber, 254
6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avalia-
ção e escrituração, 254
6.6 Investimentos Permanentes, 267
6.6.1 Classificação, 267
6.6.2 Avaliação, 268
6.7 Imobilizado (Ativos Fixos), 268
6.7.1 Classificação, 268
6.7.2 Avaliação, 270
6.7.3 Escrituração, 270
6.8 Intangíveis, 273
6.8.1 Classificação, 273
6.8.2 Avaliação, 274
6.8.3 Escrituração, 274
( 7 ) Estoques e operações com mercadorias , 281
7.1 Conceitos deEstoque e sua Importância 
na Gestão Financeira, 286
7.1.1 Conceitos, 286
7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques, 287
7.2 Inventários: Periódico e Permanente, 289
7.2.1 Inventário periódico, 290
7.2.2 Inventário permanente, 291
7.3 Avaliação dos Estoques, 292
7.3.1 Apuração do custo dos estoques, 292
7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro 
que sai , 294
7.3.3 Custo Médio Móvel, 295
7.4 Impostos e Contribuições nos Estoques, 297
7.4.1 ICMS sobre Compras, 297
7.4.2 IPI sobre Compras, 300
7.4.3 PIS/COFINS sobre Compras, 300
7.5 Compras de Mercadorias, 300
7.5.1 Fretes sobre compras, 301
7.5.2 Bonificações recebidas , 301
7.5.3 Abatimento sobre Compras, 302
7.5.4 Devolução de Compras, 303
7.5.5 Descontos Comerciais Obtidos, 304
7.5.6 Descontos Financeiros Obtidos, 305
7.5.7 Adiantamentos a Fornecedores, 305
7.6 Vendas, 307
7.6.1 Fretes sobre Vendas, 311
7.6.2 Vendas com Cartões de Crédito, 311
7.6.3 Descontos Comerciais, 312
7.6.4 Bonificações Concedidas, 314
7.6.5 Devolução de Vendas, 315
7.6.6 Abatimentos sobre Vendas, 318
7.6.7 Descontos Financeiros Concedidos, 319
7.6.8 Adiantamentos Recebidos de Clientes, 320
7.7 Mercadorias em Consignação, 321
7.8 Quebras ou perdas de estoques, 326
7.9 Resultados com mercadorias, 327
( 8 ) Demonstração dos fluxos de caixa – 
 DFC , 335
8.1 Antes de começar, 340
8.1.1 Objetivos e alcance, 341
8.2 Definições, 342
8.2.1 Componentes de caixa e equivalentes 
de caixa , 343
8.2.2 Atividades operacionais, 344
8.2.3 Atividades de investimento, 345
8.2.4 Atividades de financiamento, 347
8.2.5 Outras Definições, 347
8.3 Elaboração e apresentação da DFC, 351
8.3.1 Método direto, 352
8.3.2 Método indireto, 365
8.3.2 Método indireto, 365
( 1 )
Contabilidade Financeira: 
conceito, definições e utilização 
no processo decisório
Olá prezados alunos, 
Bem-vindos à primeira aula de Contabilidade Finan-
ceira! Vamos juntos “abrir” a porta que nos levará a mais um 
estágio do nosso aprendizado!
O sucesso de toda tarefa depende, quase sempre, de 
como a iniciamos. Planejarmos como alcançar nosso objetivo 
é o primeiro passo para conduzirmos nossas ações de forma 
produtiva. Mas para planejar é preciso saber o que se quer 
alcançar.
Em cada uma das nossas aulas iremos estabelecer obje-
tivos intermediários que nos levarão à consecução do objetivo 
geral pretendido. Vamos acompanhar se realmente estare-
mos cumprindo esses objetivos intermediários para não ter-
mos surpresas no final do nosso percurso. Mas como faremos 
isso? Esse acompanhamento requer que saibamos:
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1º Ler com atenção os objetivos propostos no início da 
aula;
2º Analisar se, no decorrer da aula, os objetivos pro-
postos estão sendo alcançados e, na hipótese de não 
estarmos seguros sobre isso, retornar até o último 
ponto sobre o qual estamos certos de ter conseguido 
atingi-los e revermos a nossa compreensão do conte-
údo. Este será o momento de esclarecer dúvidas, pes-
quisar a bibliografia indicada, trocar experiências com 
os colegas, enfim, “de correr atrás”.
3º Analisar com total comprometimento com a rea-
lidade se, ao final da aula, os objetivos iniciais foram 
atingidos.
Quer mais dicas de como estudar? Consulte o site: 
http://www.brasilescola.com/dicas-de-estudo/ 
Então, vamos começar estabelecendo os objetivos que 
pretendemos alcançar com esta aula, dentro do contexto do 
nosso objetivo geral. 
Com esse propósito, organizamos a Aula 1 em seis 
tópicos:
1.1 O que é Contabilidade Financeira
1.2 Contabilidade Financeira no processo decisório1
1. Processo decisório: processo que leva a uma tomada de decisão.
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entender o que é Contabilidade Financeira e por que ela 
recebe esse nome.
 ‚ Conhecer as principais definições relacionadas à 
Contabilidade Financeira.
 ‚ Compreender a utilização da Contabilidade Financeira 
no processo decisório das entidades.
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1.3 Origens e aplicações de recursos: decisões 
financeiras
 1.3.1 Decisões de financiamentos e investimentos
 1.3.2 Decisões financeiras e Balanço Patrimonial
 1.3.3 Recursos próprios e de terceiros
Bom estudo a todos!
1.1
O que é Contabilidade 
Financeira?
Existem várias justificativas para a denomina-
ção “Contabilidade Financeira” que, por sua vez, origina a 
expressão “Demonstrações Financeiras”. Entre essas justifi-
cativas, pode-se destacar:
• A escrituração contábil, assim como os respecti-
vos relatórios e demonstrativos gerados pela contabili-
dade, deve ser elaborada em moeda. Ou seja, o caráter 
financeiro está intrínseco à contabilidade;
• Os demonstrativos contábeis, também conhecidos 
como Demonstrações Financeiras, são imprescindíveis 
para a gestão financeira das entidades.
Ricardino (2005), ao estudar as classificações que con-
ferem à Contabilidade a denominação como financeira ou 
gerencial, concluiu que não há informações precisas sobre as ati-
vidades abrangidas por tais denominações. Esse autor entende 
que toda a contabilidade pode ser considerada “financeira”, visto 
que suas informações são expressas em termos monetários. 
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Outra característica que remete a essa denominação 
é o fato de que o Balanço Patrimonial, uma das três princi-
pais demonstrações financeiras de uma entidade, segundo 
Stickney e Weil (2009, p. 37), “apresenta uma fotografia dos 
investimentos de uma empresa (ativo) e do financiamento 
desses investimentos (passivo e patrimônio líquido) em uma 
data específica”. Ora, financiamentos e investimentos são 
operações essencialmente financeiras e, portanto, justificam 
que se denomine a fonte que originou as informações do 
Balanço Patrimonial como “financeira”.
Popularmente, é comum, ainda, utilizar-se Contabilidade 
Financeira como sinônimo de Contabilidade Geral, justamente 
pelo caráter financeiro da escrituração e das demonstrações 
contábeis.
Muito bem. Já sabemos o que é Contabilidade 
Financeira, mas para que ela serve?
1.2
Contabilidade Financeira no 
processo decisório
Quando estudamos a Contabilidade Introdutória 
aprendemos que a Ciência Contábil é o principal instru-
mento a ser utilizado para a gestão de uma entidade. É por 
meio das informações geradas pela Contabilidade, embasa-
das pela estrutura teórica da Ciência Contábil que se torna 
possível apurar, analisar e controlar o patrimônio e o respec-
tivo desempenho das entidades. 
No mundo em que vivemos, o desenvolvimento das 
sociedades está atrelado ao desempenho das organizações 
que compõem a economia dos países e é possível avaliar a 
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importância da Contabilidade como responsável por regis-
trar, compilar e analisar as informações sobre essas organi-
zações, com ou sem fins lucrativos. Daí o caráter social da 
Ciência Contábil, classificada como Ciência Social Aplicada. 
Não temos razão ao sentir orgulho da profissão que escolhe-
mos? Afinal, são os profissionais contábeis os responsáveis 
por esse instrumento essencial para o desenvolvimento eco-
nômico e social da sociedade, em termos mundiais. 
Bem, chega de confete. Vamos continuar. 
No tópico anterior foi mencionado que uma das justi-
ficativas para a denominação Contabilidade Financeira era, 
justamente, o fato de um dos principaisdemonstrativos con-
tábeis – o Balanço Patrimonial – retratar, em um momento 
específico, os investimentos (ativos) e os financiamentos (pas-
sivo e patrimônio líquido) das entidades. Com base nesse 
demonstrativo contábil, podem-se tomar diversas decisões 
que dizem respeito ao patrimônio.
Stickney e Weil (2009, p. 37) afirmam que o Balanço 
Patrimonial permite que o usuário da informação contábil 
possa responder a diversas perguntas sobre a posição finan-
ceira de uma empresa como, por exemplo, sobre o comporta-
mento dos prazos de suas dívidas (financiamentos) e dos seus 
investimentos. 
Observe o Balanço Patrimonial da TAM (Transportes 
Aéreos Meridionais) em 31/03/2012 e em 31/03/2011:
Demonstração Consolidada do Balanço Patrimonial (BP)
Ativo 31/03/2012 31/03/2011
valores em milhões de reais (M) (3m) (3m)
Ativo Total 15.743,6 M 14.560,8 M 
Ativo Circulante 4.925,7 M 4.357,6 M 
Caixa e Equivalentes de Caixa 553,6 M 564,3 M 
Aplicações Financeiras 1.344,0 M 1.325,7 M 
Contas a Receber 2.125,8 M 1.897,3 M 
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FONTE: Econoinfo – Informações para Investidores. Disponível em: http://www.eco-
noinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/balanco-patrimonial?ce=TAMM - 18/07/2013
Estoques 220,1 M 208,7 M 
Tributos a Recuperar 411,4 M 108,0 M 
Despesas Antecipadas 0,0 M 0,0 M 
Outros Ativos Circulantes 270,8 M 253,7 M 
Ativo Não Circulante 10.818,0 M 10.203,2 M 
Ativo Realizável em Longo Prazo 852,4 M 693,8 M 
Imobilizado 9.372,6 M 8.863,4 M 
Intangível 592,9 M 645,9 M 
Critério de consolidação Consolidada Consolidada
Critério de elaboração IFRS
Passivo e Patrimônio Líquido 31/03/2012 31/03/2011
valores em milhões de reais (M) (3m) (3m)
Passivo Total 15.743,60 M 14.560,80 M 
Passivo Circulante 5.191,00 M 4.908,90 M 
Fornecedores 566,00 M 565,70 M 
Obrigações Fiscais 368,60 M 310,80 M 
Empréstimos e Financiamentos 2.021,80 M 1.446,20 M 
Outras Obrigações 2.234,70 M 2.586,10 M 
Passivo Não Circulante 8.335,30 M 6.892,10 M 
Empréstimos e Financiamentos 6.838,70 M 5.693,60 M 
Outras Obrigações 1.113,00 M 779,30 M 
Tributos Diferidos 108,50 M 213,40 M 
Provisões 275,10 M 205,80 M 
Patrimônio Líquido Consolidado 2.217,30 M 2.759,80 M 
Capital Social Realizado 819,90 M 819,90 M 
Reservas de Capital 145,80 M 129,10 M 
Reservas de Lucros 530,00 M 895,60 M 
Lucros/Prejuízos Acumulados 100,6 M 127,7 M 
Ajustes de Avaliação Patrimonial 577,90 M 584,80 M 
Ajustes Acumulados de Conversão 0,00 M 0,00 M 
Outros Resultados Abrangentes 0,00 M 0,00 M 
Participação dos Acionistas Não 
Controladores 
43,00 M 202,70 M 
Critério de consolidação Consolidada Consolidada
Critério de elaboração IFRS IFRS
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Vamos destacar algumas informações importantes 
para a nossa análise, tomando por base o período encerrado 
em 31/12/2012:
Ativo Total = R$15.743,60
Ativo Circulante = R$4.925,70
Ativo Não Circulante = R$10.818,00
Imobilizado = R$9.372,60
Passivo Total = R$15.743,60
Passivo Circulante = R$5.191,00
Passivo Não Circulante = R$8.335,30
Patrimônio Líquido Consolidado = R$2.217,30
Observando esses dados, o usuário da informação con-
tábil poderia obter, facilmente, respostas para as seguintes 
questões sobre a posição financeira da TAM na data analisada:
• O financiamento das operações da empresa é feito, 
prioritariamente, por recursos obtidos a curto ou longo 
prazo?
Resposta: Os financiamentos/dívidas de longo prazo 
da TAM, na data sob exame, demonstrados no Passivo Não 
Circulante (R$8.335,30), representam 52,9% do total de finan-
ciamento, correspondente a R$15.743,60 (Passivo Total). Em 
outras palavras, do total de recursos captados (capital de ter-
ceiros + capital próprio), mais da metade (52,9%) deverá ser 
“devolvido” aos financiadores a longo prazo.
Mas porque essa informação é importante? Ela pode 
indicar, por exemplo, que a empresa não precisará de valores 
significativos de caixa a curto prazo para honrar o pagamento 
de suas obrigações. Esse tipo de informação é fundamental 
para o gestor financeiro ou, até mesmo, para os fornecedores 
que poderão decidir sobre o prazo que poderão conceder para 
que a empresa pague suas obrigações, entre outras diversas 
conclusões que podem ser extraídas dessa informação.
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Se essa primeira informação for combinada com a aná-
lise do Ativo (R$4.925,70) e do Passivo (R$5.191,00) Circulantes, 
isto é, valores que podem representar entradas de caixa a curto 
prazo, combinados com os valores que representarão saídas de 
caixa, também a curto prazo, pode-se observar que, aparen-
temente, as entradas de caixa não serão suficientes para fazer 
face às saídas de caixa no mesmo prazo.
• Onde e de que forma estão sendo investidos os 
recursos obtidos pelos financiamentos de longo prazo? 
Resposta: É interessante observar que as aplicações 
de recursos em investimentos, também de longo prazo, são 
bastante significativas. O valor do Imobilizado, que é de 
R$9.372,60, representa 86,6% das aplicações de longo prazo 
(Ativo Não Circulante) que, por sua vez, é mais da metade 
(68,7%) do total das aplicações dos recursos (Ativo Total). 
A combinação dos resultados obtidos na análise desses 
três itens permite concluir que:
• Há um “descasamento” entre os financiamentos e os 
investimentos de longo prazo. Para 52,9% de financiamen-
tos de longo prazo, observa-se a existência de 68,7% de 
investimentos também de longo prazo. Ou seja, os inves-
timentos em ativos realizáveis (possíveis de se transfor-
mar em caixa) a longo prazo superam as dívidas de longo 
prazo, podendo indicar que, em algum momento, poderá 
faltar “fôlego” para saldar tais dívidas. 
• O investimento de longo prazo está concentrado, 
basicamente, em ativos imobilizados, isto é, em ati-
vos que deverão participar do processo produtivo por 
um longo tempo. Isso pode significar que o “descasa-
mento” indicado no parágrafo anterior pode não ser 
tão importante, visto que se espera que tais investi-
mentos gerem resultados operacionais a curto prazo, 
traduzíveis em entradas de caixa.
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• Os investimentos de longo prazo podem estar afe-
tando a capacidade de a empresa saldar suas obrigações 
de curto prazo (liquidez), observando-se também um 
“descasamento” entre o Ativo e o Passivo Circulantes.
Vamos entender melhor esse processo no gráfico abaixo:
Tais conclusões são particularmente interessantes para 
o gestor financeiro que deve suprir as deficiências de caixa, 
mas também são fundamentais para os outros gestores, visto 
que eles devem decidir sobre o nível dos investimentos em 
bens de capital (Imobilizado), sobre o processo produtivo que 
deverá sustentar as vendas, sobre as campanhas de marke-
ting que devem alavancar as vendas de tal forma que seja 
possível gerar caixa no momento desejado, sobre os prazos 
TAM TRANSPORTES AÉREOS MERIDIONAIS
BALANÇO PATRIMONIAL
Aplicações 
(investimentos)
Aspectos 
financeiros (caixa)
ORIGENS (FI-
NANCIAMEN-
TOS) PASSIVOS 
(R$)Ativos (R$)
Entradas
(R$)
Saídas 
(R$)
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9.372,60
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2.217,30
Total 15.743,6 TOTAL 15.743,60
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30
a serem concedidos aos clientes nas vendas a prazo e assim 
por diante. É uma “cadeia” de procedimentos, cujas decisões 
devem ser tomadas em cima das informações geradas pela 
Contabilidade Financeira. 
No exame simples e rápido desses dados, pode-se per-
ceber que uma informação isolada pode não representar muita 
coisa, mas que, ao combiná-la com outras informações obtidas 
no próprio Balanço Patrimonial ou em outras demonstrações, 
é possível estabelecer correlações e conclusões necessárias e 
imprescindíveis ao processo de tomada de decisão. 
Assim como a análise do Balanço Patrimonial per-
mite inferir importantes informações sobre o patrimônio 
da entidade, as características dos seus financiamentos/ori-
gens e de seus investimentos/aplicações de recursos, a análise 
de outros demonstrativos contábeis complementa e diversi-
fica tais informações. A Demonstração do Resultado, por 
exemplo, vai retratar o desempenho da entidade, por meio 
da demonstração de suas receitas e despesas, ou seja, do 
seu resultado positivo (lucro) ou negativo (prejuízo), gerado 
pelos seus investimentos e financiamentos de recursos. A 
Demonstração dos Fluxos de Caixa2, por outro lado, vai per-
mitir a análise do que foi gerado pelas operações da entidade, 
o que permite decisões importantes sobre as suas finanças 
(investimentos e fontes de financiamento). 
2. Fluxo de Caixa: compreende as entradas e as saídas de numerário do caixa da entidade e suas 
respectivas destinações.
Importante
As análises foram realizadas somente para efeitos didá-
ticos, tomando-se por base um número restrito de dados 
e, portanto, não devem ser consideradas absolutas ou 
conclusivas.
Co
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Resumindo:
As análises financeiras só podem ser feitas com base 
em dados históricos?
Será que analisar acontecimentos já passados pode 
auxiliar as decisões de forma efetiva? E se os gestores qui-
serem saber o que pode ocorrer no futuro, mediante esta ou 
aquela decisão, a Contabilidade Financeira também será útil? 
Sabe-se que a Contabilidade registra e elabora as 
demonstrações com base em fatos já ocorridos. A análise 
dos demonstrativos gerados, por conseguinte, será base-
ada em acontecimentos passados, o que, absolutamente, 
não invalida a sua utilidade para efeito de tomada de deci-
sões. É fundamental analisar o que já ocorreu para efeito 
de controle e, também, para a percepção de tendências. 
Para tanto, a Contabilidade Financeira, como já vimos, é a 
principal ferramenta.
Mas e com relação às decisões que vão afetar o futuro 
das entidades? Neste ponto a Contabilidade Financeira 
começa a confundir-se com a Contabilidade Gerencial que 
será nosso objeto de estudo em futuro próximo. A maio-
ria dos conceitos e das técnicas utilizadas na Contabilidade 
Financeira também é aplicável à elaboração e à análise de 
Demonstrações Contábeis projetadas para datas futuras, em 
função da construção de cenários que se deseje alcançar.
A Contabilidade Financeira gera informações funda-
mentais para a tomada de decisão de seus usuários. Tais 
informações dizem respeito, basicamente, aos financia-
mentos/origens e aos investimentos/aplicações de recursos 
(Balanço Patrimonial), assim como aos resultados gerados 
por eles (Demonstração do Resultado), e às entradas e às 
saídas de dinheiro, isto é, ao fluxo de caixa (Demonstração 
do Fluxo de Caixa) que financiamentos, investimentos, 
receitas e despesas representam para a entidade.
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Para concluir, vamos retomar alguns termos que foram 
estudados até aqui, tendo em vista a importância deles para 
o entendimento e para a ratificação dos conceitos que serão 
vistos a seguir:
• Financiamentos = Origens de Recursos
 ▪ Origens de Recursos = Capital de Terceiros + 
Capital Próprio
 − Capital de Terceiros = Recursos resultantes de 
financiamentos concedidos à entidade por terceiros. 
Passivo (Obrigações)
 − Capital Próprio = Recursos resultantes dos inves-
timentos realizados na entidade, pelos sócios ou 
acionistas. Patrimônio Líquido
 ▪ Origens de Recursos = Passivo + Patrimônio 
Líquido
• Investimentos = Aplicações de Recursos
• Aplicações de Recursos = Ativo
• Fluxo de Caixa = Entradas e saídas de numerário 
do caixa
1.3
Origens e aplicações de 
recursos: decisões financeiras 
1.3.1 Decisões de financiamentos e de 
investimentos
A viabilização das atividades de uma entidade está 
diretamente relacionada a dois grandes grupos de decisões 
que são tomadas de forma contínua, a saber:
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• Captação de recursos financeiros que irão “finan-
ciar” suas operações; e
• Aplicação dos recursos captados, de forma a obter 
os resultados desejados.
Segundo Assaf Neto (2009, p. 43), “os montantes deter-
minados por essas decisões, assim como suas diferentes 
naturezas, estão apurados nos ativos (investimentos) e passi-
vos (financiamentos) contabilizados pela empresa”.
Do sucesso dessas decisões dependerá a estabilidade 
e a consequente continuidade da entidade e, portanto, elas 
não podem ser tomadas isoladamente. Tanto a captação como 
a aplicação dos recursos têm que estar correlacionadas, uma 
vez que são interdependentes. A análise feita no tópico ante-
rior sobre os financiamentos e os investimentos de recursos 
a longo prazo é um exemplo típico dessa interdependência. 
Outro detalhe importante, também ressaltado na análise 
feita anteriormente, é o nível de imobilização dos investimen-
tos, ou seja, quanto dos recursos captados deve ser investido 
em ativos fixos, aqueles que vão contribuir para o processo 
produtivo, visto que o retorno financeiro desses investimen-
tos somente será observado no decorrer do ciclo operacional e 
dependerá, fundamentalmente, do custo dos passivos corres-
pondentes, isto é, do custo dos respectivos financiamentos. 
Para uma posição de equilíbrio finan-
ceiro, torna-se essencial uma adequa-
ção entre a maturidade dos passivos e 
a capacidade de geração de caixa dos 
ativos. Uma decisão de empréstimo de 
curto prazo direcionado para financiar 
bens de natureza permanente, por ex-
emplo, sinaliza uma deterioração da 
estabilidade financeira da empresa, 
tornando-a dependente da renovação 
da dívida circulante para manter os 
ativos de longo prazo (ASSAF NETO, 
2009, p. 44).
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O desempenho das entidades, portanto, está atrelado 
à correta gestão dos financiamentos e dos investimentos rea-
lizados. O retorno que os investimentos (Ativos) são capazes 
de gerar ao serem confrontados com os custos dos respecti-
vos financiamentos é que proporcionará (ou não) os resulta-
dos financeirosesperados.
As decisões financeiras, ao terem como foco a estabili-
dade e a continuidade da empresa, estarão garantindo, tam-
bém, as expectativas de retorno do investimento realizado 
pelos sócios ou acionistas e, por conseguinte, a atratividade 
de novos investimentos e a valorização da empresa.
1.3.2 Decisões financeiras e balanço 
patrimonial
Tomando por base, mais uma vez, o Balanço 
Patrimonial da TAM (Transportes Aéreos Meridionais) trans-
crito de forma simplificada, verifica-se que esse demonstra-
tivo propicia a observação clara das fontes dos recursos e das 
respectivas aplicações:
TAM - TRANSPORTES AÉREOS MERIDIONAIS
BALANÇO PATRIMONIAL
APLICAÇÕES 
(INVESTIMENTOS)
ORIGENS 
(FINANCIAMENTOS) 
ATIVOS (R$) PASSIVOS (R$)
Ativo 
Circulante 4.925,60
Passivo 
Circulante 5.191,90
Ativo Não 
Circulante 10.818,00
Passivo Não 
Circulante 8.335,30
Imobilizado 9.372,60
Outros Ativos 
não 
Circulantes
1.445,40
Patrimônio 
Líquido 
Consolidado
2.217,30
Total 15.743,60 TOTAL 15.743,60
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 Origens de Recursos (Financiamentos)
• Recursos de Terceiros = R$13.526,30 (Passivo 
Circulante e Não Circulante)
• Recursos Próprios = R$2.217,30
Total de Origens de Recursos = R$15.743,60
Aplicações de Recursos (Investimentos)
• Aplicações em Imobilizados = R$9.372,60
• Outras Aplicações = R$6.371,00
Total das Aplicações de Recursos = R$15.743,60
Vamos fazer uma pausa para relembrarmos alguns 
conceitos já vistos anteriormente e que nos ajudarão a fixar 
melhor esse assunto. Examinemos o Balanço Patrimonial 
simplificado da Luz Azul Materiais Elétricos Ltda.: 
Trata-se do Balanço de abertura da empresa e ele nos 
mostra que:
• O Capital Social representa uma “origem” de recur-
sos (captação) decorrente do investimento dos sócios 
na empresa.
• O recurso captado/originado do investimento dos 
sócios está “aplicado” no Ativo representado pela 
conta Bancos - Conta Movimento.
LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA
BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVOS (R$) PASSIVOS + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (R$)
Ativo Circulante Passivo Circulante
Bancos - Conta 
Movimento 70.000,00
Passivo Não 
Circulante
Ativo Não Circulante 1.445,40 Patrimônio Líquido 
Capital Social
Capital Subscrito 100.000,00
(-) Capital a Realizar - 30.000,00
Total 70.000,00 TOTAL 70.000,00
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Além disso, podemos destacar que:
 − O valor de R$70.000,00 na conta Bancos - Conta 
Movimento é um Ativo, pois satisfaz as condições 
para ser assim classificado:
• É um Direito;
• Está sob o controle da empresa;
• É representável em moeda; e
• É um benefício presente com condições de 
gerar benefícios futuros.
 − O valor do Capital Social é o investimento feito 
na empresa pelos proprietários e, portanto, deve 
figurar como Patrimônio Líquido no lado direito 
do Balanço Patrimonial, chamado de Passivo, de 
acordo com a Lei das Sociedades por Ações.
 − O valor do Capital Subscrito – R$100.000,00 – é 
aquele que foi pactuado no Contrato Social de cons-
tituição da empresa, retratando o compromisso 
assumido pelos sócios.
 − O valor do Capital a Realizar – R$30.000,00 – é o 
valor que falta ser integralizado pelos sócios.
 − O valor líquido do Capital Social é de R$70.000,00, 
representando a contrapartida do depósito bancário 
efetuado pelos sócios na conta corrente da empresa 
e registrado na conta Bancos - Conta Movimento.
Para completar nossa seção flash back, vamos relembrar 
como seria o lançamento contábil que originou esse Balanço 
Patrimonial, em razonetes:
Capital Subscrito Bancos - Conta Movimento Capital a Integralizar
D C D C D C
100.000 70.000 30.000
100.000 70.000 30.000
As unidades de capital social de uma empresa Limitada 
(LTDA) são representadas pelo que mesmo?
Consulte o site: http://www.portaldoempreendedor.gov.
br/legislacao/sociedade-empresaria-limitada 
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Além disso, podemos destacar que:
 − O valor de R$70.000,00 na conta Bancos - Conta 
Movimento é um Ativo, pois satisfaz as condições 
para ser assim classificado:
• É um Direito;
• Está sob o controle da empresa;
• É representável em moeda; e
• É um benefício presente com condições de 
gerar benefícios futuros.
 − O valor do Capital Social é o investimento feito 
na empresa pelos proprietários e, portanto, deve 
figurar como Patrimônio Líquido no lado direito 
do Balanço Patrimonial, chamado de Passivo, de 
acordo com a Lei das Sociedades por Ações.
 − O valor do Capital Subscrito – R$100.000,00 – é 
aquele que foi pactuado no Contrato Social de cons-
tituição da empresa, retratando o compromisso 
assumido pelos sócios.
 − O valor do Capital a Realizar – R$30.000,00 – é o 
valor que falta ser integralizado pelos sócios.
 − O valor líquido do Capital Social é de R$70.000,00, 
representando a contrapartida do depósito bancário 
efetuado pelos sócios na conta corrente da empresa 
e registrado na conta Bancos - Conta Movimento.
Para completar nossa seção flash back, vamos relembrar 
como seria o lançamento contábil que originou esse Balanço 
Patrimonial, em razonetes:
Capital Subscrito Bancos - Conta Movimento Capital a Integralizar
D C D C D C
100.000 70.000 30.000
100.000 70.000 30.000
As unidades de capital social de uma empresa Limitada 
(LTDA) são representadas pelo que mesmo?
Consulte o site: http://www.portaldoempreendedor.gov.
br/legislacao/sociedade-empresaria-limitada 
1.3.3 Recursos próprios e de terceiros
Já vimos que o desempenho de uma entidade está 
condicionado uma boa gestão dos seus financiamentos e 
investimentos. Os custos dos financiamentos devem ser con-
frontados com as expectativas de retorno dos investimentos 
(Ativos), sendo que ele dependerá de diversas variáveis, nem 
sempre controláveis pelos gestores, pois dependem de forne-
cedores, mercado, políticas econômicas etc. Já os custos dos 
financiamentos se submetem a um menor número de variá-
veis e se condicionam, primeiramente, a duas modalidades: 
recursos originados de terceiros (credores) e recursos pró-
prios, provenientes de sócios ou acionistas.
O custo de recursos de terceiros é representado pela 
remuneração – juros e outras despesas financeiras – combi-
nada com o credor (terceiro). É chamado de custo de capital 
de terceiros.
O custo do capital próprio é representado pelo lucro 
distribuído ao sócio ou ao acionista, na forma de dividendo 
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que, percentualmente, costuma ser maior do que o custo 
pago pelo capital de terceiros. Entretanto, há que se ressaltar 
que a remuneração do capital próprio somente se efetivará na 
ocorrência de lucros que, inclusive, podem ser reinvestidos 
na empresa com custo zero.
Outra variável importante a se considerar em relação ao 
custo dos financiamentos é o prazo, visto que, quanto maior 
ele for, maior também será a tendência de encarecer tal custo. 
Nunca é demais repetir, no entanto, que a gestão dos 
custos somente será eficaz quando feita em conjunto com o 
que se espera obter de retorno dos investimentos.
Bem, parece que esgotamos os assuntos que nos pro-
pusemos a estudar neste aula. Será? Claro que não. Apenas 
começamos. Para sedimentar o que aprendemos, vamos bus-
car mais conhecimento nos sites recomendados e na biblio-
grafia indicada.
Antes de encerrarmos esta aula vamos refletir se con-
seguimos alcançar nossos objetivos.Se cumprimos a nossa missão, podemos ir em frente! 
Para a próxima aula vamos estudar um assunto que interessa 
a todo mundo: o “lucro”!
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entendemos o que é Contabilidade Financeira e por que 
ela recebe esse nome?
 ‚ Já conhecemos os principais conceitos e definições rela-
cionados à Contabilidade Financeira?
 ‚ Compreendemos a utilidade da Contabilidade Financeira 
no processo decisório das entidades?
Vamos relembrar?
Nesta primeira aula pudemos estudar o que é Contabili-
dade Financeira, por que ela é assim denominada, e qual 
é a sua utilidade. Pudemos, ainda, entender que ela auxi-
lia o gestor na tomada de decisões de caráter financeiro e 
que, por consequência, reflete no desempenho das entida-
des. Para tanto, a Contabilidade Financeira, por meio de 
seus demonstrativos, possibilita a realização de análises 
importantes que levarão os gestores a gerir o patrimônio 
das entidades de forma adequada.
Aprendemos, ainda, que a gestão do patrimônio está 
diretamente relacionada às decisões sobre financiamen-
tos e investimentos e que são representados no Balanço 
Patrimonial, respectivamente, no Passivo/Patrimônio 
Líquido (origens) e no Ativo (aplicações). 
Também foi ressaltado que a gestão dos financiamentos e 
dos investimentos deve ocorrer de forma interdependente, 
com foco nos custos e nos retornos que possam produzir.
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que, percentualmente, costuma ser maior do que o custo 
pago pelo capital de terceiros. Entretanto, há que se ressaltar 
que a remuneração do capital próprio somente se efetivará na 
ocorrência de lucros que, inclusive, podem ser reinvestidos 
na empresa com custo zero.
Outra variável importante a se considerar em relação ao 
custo dos financiamentos é o prazo, visto que, quanto maior 
ele for, maior também será a tendência de encarecer tal custo. 
Nunca é demais repetir, no entanto, que a gestão dos 
custos somente será eficaz quando feita em conjunto com o 
que se espera obter de retorno dos investimentos.
Bem, parece que esgotamos os assuntos que nos pro-
pusemos a estudar neste aula. Será? Claro que não. Apenas 
começamos. Para sedimentar o que aprendemos, vamos bus-
car mais conhecimento nos sites recomendados e na biblio-
grafia indicada.
Antes de encerrarmos esta aula vamos refletir se con-
seguimos alcançar nossos objetivos. 
Se cumprimos a nossa missão, podemos ir em frente! 
Para a próxima aula vamos estudar um assunto que interessa 
a todo mundo: o “lucro”!
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entendemos o que é Contabilidade Financeira e por que 
ela recebe esse nome?
 ‚ Já conhecemos os principais conceitos e definições rela-
cionados à Contabilidade Financeira?
 ‚ Compreendemos a utilidade da Contabilidade Financeira 
no processo decisório das entidades?
Vamos relembrar?
Nesta primeira aula pudemos estudar o que é Contabili-
dade Financeira, por que ela é assim denominada, e qual 
é a sua utilidade. Pudemos, ainda, entender que ela auxi-
lia o gestor na tomada de decisões de caráter financeiro e 
que, por consequência, reflete no desempenho das entida-
des. Para tanto, a Contabilidade Financeira, por meio de 
seus demonstrativos, possibilita a realização de análises 
importantes que levarão os gestores a gerir o patrimônio 
das entidades de forma adequada.
Aprendemos, ainda, que a gestão do patrimônio está 
diretamente relacionada às decisões sobre financiamen-
tos e investimentos e que são representados no Balanço 
Patrimonial, respectivamente, no Passivo/Patrimônio 
Líquido (origens) e no Ativo (aplicações). 
Também foi ressaltado que a gestão dos financiamentos e 
dos investimentos deve ocorrer de forma interdependente, 
com foco nos custos e nos retornos que possam produzir.
Qu estões pa r a r eflex ão
Analise o texto abaixo e, com base no conteúdo teórico 
estudado, responda as seguintes questões: 
1. Quais fatores levam as empresas a buscarem recur-
sos no mercado de capitais por meio da emissão de 
novas ações?
2. Esses recursos obtidos pelas empresas são origens 
ou aplicações?
3. Em termos de custos de financiamento, quais as 
vantagens e desvantagens desse tipo de captação?
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40
Empresas fazem abertura de capital para crescer e 
investir
Cerca de 130 empresas brasileiras iniciaram oferta pública de ações de 
2004 até hoje.
A oferta pública inicial de ações (também conhecida como 
IPO, na sigla em inglês) é um processo utilizado pelas 
empresas para captar recursos para expandir suas ativi-
dades, ter um referencial de seu valor, profissionalizar a 
gestão da companhia ou mesmo como uma alternativa 
para a sucessão, no caso de uma empresa familiar. Na 
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade 
(FEA) da USP um estudo pesquisou as companhias brasi-
leiras que abriram seu capital na Bolsa de Valores entre os 
anos de 2004 e 2010, período marcado pelo maior número 
de IPOs da história recente do País.
Os resultados indicam que as em-
presas que abriram o capital foram 
aquelas que vinham investindo sig-
nificativamente no seu crescimento 
e/ou aquelas que vinham aumentan-
do o seu endividamento e encon-
tra-ram na abertura de capital uma 
alternativa para adequar a sua estru-
tura de capital (diminuir a relação 
de dívida versus capital próprio). 
Conta o administrador Bruno Cals de Oliveira, responsá-
vel pelo estudo de mestrado Fatores determinantes para 
abertura de capital de empresas brasileiras, orientado pelo 
professor Roy Martelanc.
A pesquisa de Cals mostrou que as empresas encontra-
ram na abertura de capital uma boa opção para continuar 
investindo e crescendo. “Além disso, as empresas que ini-
ciaram a negociação de suas ações apresentaram maior 
nível de rentabilidade, aproveitando uma janela de opor-
tunidade do mercado para fazer seu IPO”, conta ele. Cerca 
de 130 companhias brasileiras abriram seu capital entre 
2004 e 2011 — 64 delas o fizeram durante o ano de 2007, 
estabelecendo um recorde.
Disponível em: http://www.usp.br/agen/?p=89248. Acessado em 
19/07/2013. 
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lei t u r as r ecom en da das
IUDICIBUS, S. et al. Manual de contabilidade societária. São 
Paulo: Atlas, 2010.
MADEIRA, D. K. Análise das demonstrações contábeis. Ma-
naus: UNINORTE/CED, 2009. Disponível em: http://conteudo.
unp.br/ebooks_ead/Analise_Demonstracoes_Contabeis.pdf
li n Ks i n dica dos
Abertura de Capital (IPO): Um caminho para o crescimento 
[Workshop Completo]: http://www.endeavor.org.br/videos/es-
trategia-crescimento/workshops/abertura-de-capital-ipo/aber-
tura-de-capital-um-caminho-para-o-crescimento-workshop-
-completo?gclid=cmi68m3pvlgcfzrj7aodquoasg 
Glossário de termos contábeis: http://www.portaldecontabili-
dade.com.br/glossario.htm 
r ef er Ênci as
ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços. 8 ed. São 
Paulo: Atlas, 2009.
RICARDINO, A. Contabilidade gerencial e financeira. São 
Paulo: Atlas, 2005.
STICKNEY, C. P.; WEIL, R. L. Contabilidade financeira. São 
Paulo: Cengage Learning, 2009.
( 2 )
Principal origem de recursos: 
o lucro
Olá prezados alunos, 
Continuando nossa trajetória de aprendizado da 
Contabilidade Financeira, nesta aula teremos a oportuni-
dade de conhecer os detalhes da principal fonte de recursos 
de qualquer entidade – o LUCRO. Aliás, esta é uma fonte em 
que todos nós gostamos de “beber” não é mesmo?
Em uma economia capitalista como a que vivemos, o 
lucro éintensamente perseguido, embora alguns autores pre-
firam concentrar suas análises no que o lucro representa em 
termos de fluxos de caixa positivos, ou seja, em entrada efe-
tiva de dinheiro no caixa da entidade. Goldratt (2008), por 
exemplo, construiu uma teoria chamada Teoria das Restrições 
(Theory of Constraints – TOC), baseado no princípio de que a 
“meta” de uma empresa é “ganhar dinheiro” e não somente 
obter lucro. 
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Popularmente, costuma-se afirmar que “um negócio 
só é bom quando dá lucro” ou, ainda, que “saímos no lucro” 
quando obtemos resultados positivos em alguma situação. Na 
realidade, existem diversas conotações para a palavra lucro e, 
nesta aula, vamos conhecer como se apura o lucro contábil e a 
sua importância enquanto fonte/origem de recursos.
Mas, seguindo nossa linha de trabalho, vamos relem-
brar que é necessário planejar como iremos conduzir esse 
aprendizado. Primeiramente, vamos estabelecer os objetivos 
de aprendizagem que queremos alcançar. Ao final desta aula, 
deveremos ser capazes de:
Para alcançar esses objetivos, esta aula será estrutu-
rada da seguinte forma:
2.1 Lucro como principal fonte de recursos;
2.2 Regimes de apuração do resultado:
 2.2.1 Regime de caixa
 2.2.2 Regime de competência
 2.2.3 Despesas pagas antecipadamente (diferidas)
 2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e resulta-
dos de exercícios futuros
2.3 Apuração do resultado
Bom estudo a todos!
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entender por que o lucro é a principal origem de recur-
sos para uma entidade;
 ‚ Apurar o resultado contábil de uma entidade, utilizando 
os regimes de caixa e de competência, de acordo com os 
princípios contábeis; e
 ‚ Apropriar o resultado apurado ao patrimônio da 
entidade.
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2.1
Lucro como principal fonte de 
recursos
Em nossa última aula tratamos da importância da ges-
tão dos financiamentos e dos investimentos de uma entidade, 
enfatizando que a sua continuidade depende, prioritaria-
mente, do sucesso dessa gestão. Ressaltamos, ainda, que a 
gestão dos custos dos financiamentos, juntamente com a 
dos retornos dos investimentos, é fator fundamental para a 
obtenção desse sucesso.
Estudamos também que os custos de financiamen-
tos diferem dependendo da origem dos recursos que podem 
advir de terceiros (recursos ou capital de terceiros) ou de 
sócios ou acionistas (recursos ou capital próprio).
Muito bem! Mas qual é a melhor fonte de recursos? 
Qual desses recursos é o de menor custo? Os recursos pró-
prios ou os recursos de terceiros? A resposta é: depende.
Assaf Neto (2009, p. 47) afirma que “(...) em situação de 
certa estabilidade e equilíbrio econômico, o capital próprio é 
mais caro que o capital de terceiros”. Tal afirmação, segundo 
Assaf (2009, p. 47), deve-se ao fato de que a remuneração paga 
pelo capital de terceiros constitui uma despesa financeira 
(juros e taxas) e, portanto, pode ser deduzida da base de cál-
culo do imposto de renda, enquanto que o lucro não tem esse 
mesmo tratamento fiscal.
Entretanto, outros fatores devem ser considerados para 
determinar se é mais ou menos vantajoso para uma entidade 
captar recursos com terceiros ou com os sócios/acionistas, 
como o prazo de financiamento. Financiamentos mais longos 
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tendem a ter seu custo encarecido. Além disso, as taxas de 
juros embutidas em financiamentos de curto prazo, por 
exemplo, obrigações com Fornecedores, não são consideradas 
como despesas financeiras e, portanto, não se beneficiam do 
tratamento fiscal acima citado. Por outro lado, o sócio ou acio-
nista somente é remunerado diante da ocorrência de lucros 
que, dependendo do tempo em que permaneceu na empresa, 
pode ter gerado benefícios financeiros significativos.
Enfim, a situação ideal, como sempre, é dada pelo equi-
líbrio entre o capital de terceiros e o capital próprio.
Mas voltemos ao lucro. O lucro gerado por uma empresa 
pertence aos seus proprietários, ou seja, aos seus sócios ou 
acionistas. Ele representa a remuneração, o retorno do inves-
timento que eles fizeram na empresa. Entretanto, quando 
parte desse lucro/remuneração permanece na empresa, ele é 
incorporado ao patrimônio sem custo algum.
A figura a seguir demonstra o que ocorre quando o 
lucro ou parte dele não é distribuído aos sócios ou acionistas:
Fonte: MARIO N (2006, p. 81), adaptado.
ATIVO PASSIVO E PL
Aplicação Capital de terceiros
Aplicação Capital Próprio (PL)
Aplica-
ções Origens
Lucro
Diversos
Lucros
distribuídos
(Dividendos)
Capital
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Investimentos 
dos proprietários
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Marion (2006, p. 80) afirma que “a parcela do lucro não 
distribuída aos proprietários (mas retida na empresa) é o que, 
na verdade, fortalece a situação econômica” da entidade.
Como já mencionado anteriormente, existe mais de um 
significado para o termo “lucro”, entretanto, o que nos inte-
ressa a esta altura do nosso estudo é o lucro contábil, cujos efei-
tos no patrimônio, exemplificados na figura acima, podem 
ser observados no Balanço Patrimonial. 
 
O lucro contábil ou lucro econômico é o resultado positivo 
da diferença entre as receitas e as despesas de um determi-
nado período. Quando se trata de entidade sem fins lucrati-
vos, ao invés de lucro, utiliza-se a denominação superávit.
Quando o resultado é negativo, ou seja, quando as des-
pesas são maiores que as receitas, este é chamado prejuízo e, no 
caso de entidades sem fins lucrativos, recebe o nome de déficit.
O resultado também é chamado rédito por alguns 
autores. 
Vamos relembrar alguns conceitos já estudados sobre 
receitas e despesas, isto é, sobre as contas de resultado.
Contas de Resultado
• São as contas que registram as receitas e as despe-
sas da entidade;
Receitas
(-)
Despesas
=
. Lucro = Receitas > Despesas
. Prejuízo = Receitas < DespesasResultado
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• Servem de base para a apuração do resultado das 
organizações e para a elaboração da Demonstração do 
Resultado do Exercício – DRE.
De acordo com a Resolução CFC nº 1374/2011 do 
Conselho Federal de Contabilidade que aprovou a Estrutura 
Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório 
Contábil-Financeiro emitido pelo Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis (CPC), os elementos de receitas e de despesas são 
definidos como segue:
(a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos 
durante o período contábil, sob a forma da entrada de 
recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de 
passivos, que resultam em aumentos do patrimônio 
líquido, e que não estejam relacionados com a contri-
buição dos detentores dos instrumentos patrimoniais;
(b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômi-
cos durante o período contábil, sob a forma da saída 
de recursos ou da redução de ativos ou assunção de 
passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio 
líquido, e que não estejam relacionados com distribui-
ções aos detentores dos instrumentos patrimoniais.
Despesas
Despesas podem ser relacionadas a gastos, desembol-
sados ou devidos pela entidade, necessários ao desenvol-
vimento de suas atividades e que reduzem o patrimônio. 
Exemplos: salários, aluguéis, combustíveis, transportes, 
impostos, etc.
Gastos são todos os “sacrifícios de recursos” feitos pela 
entidade para a obtenção de bens ou serviços. O pagamento 
dos gastos pode ocorrer à vista (desembolso imediato) ou, 
também, a prazo (dívida/obrigação). 
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Além de despesas ou custos (que mais tarde, também 
se transformarão em despesas), os gastos podem se transfor-
mar em investimentos.
Os custos são aqueles gastos necessários para se produzir 
bens ou serviços. Exemplos: matéria-prima, aluguel da fábrica 
etc. Tais custos se transformarão em despesas quando os bens 
ou serviços produzidos forem vendidos, ou seja, quando tais 
bens ou serviços se transformarem em receitas. Isso ocorre 
em função da premissa de que para que uma receita possa ser 
gerada é necessário o consumo de recursos (despesas).
Para melhor ilustrar esse conceito, vamos utilizar como 
exemplos uma Instituição de ensino (Escola Luz do Saber) e 
uma fábrica de alimentos (Pão Nosso):
• A Escola Luz do Saber foi criada para prestar ser-
viços de ensino e, portanto, suas receitas serão gera-
das pela prestação desses serviços. Ministrando aulas e 
outros serviços relacionados à educação, a escola estará 
obtendo receitas. Em que momento? No momento em 
que ela “entregar” o serviço que se comprometeu a pres-
tar. Geralmente, em tal atividade as receitas estão atre-
ladas a um período mensal (mensalidades escolares), 
caracterizando a referida entrega do serviço. Para entre-
gar/prestar o serviço, a escola precisou efetuar gastos.
Exemplos de gastos da Escola Luz do Saber que podem 
estar relacionados com a prestação de serviços de ensino 
e, portanto, podem ser classificados como custo dos ser-
viços prestados: aluguel do prédio da escola; energia elé-
trica consumida nas instalações da escola; salário dos 
professores; serviço de limpeza das instalações; salário 
dos serventes; água consumida nas instalações; e todos 
os demais gastos sem os quais não seria possível prestar 
o “serviço de ensino” da forma como foi contratado com 
o cliente. Tais custos foram necessários para que a escola 
prestasse o serviço para o qual ela foi criada. Sem eles, ela 
não conseguiria prestá-los.
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• A Indústria de Alimentos Pão Nosso foi criada para 
produzir alimentos e, portanto, suas receitas são gera-
das pela venda dos produtos fabricados (pães, bolos 
etc.). Fabricando e vendendo seus produtos, a indústria 
estará obtendo receitas. Em que momento? Quando 
vender seus produtos. Para fabricá-los e vendê-los a 
indústria precisou realizar gastos.
 
Custos necessários para a prestação 
dos serviços
Entrega de serviços
Despesas
Receitas
Exemplos de gastos da Indústria de Alimentos Pão 
Nosso que podem estar relacionados com a produção 
dos alimentos e, portanto, podem ser classificados como 
custo dos produtos: aluguel da fábrica; energia consu-
mida da fábrica; mão de obra direta (pessoal envolvido 
diretamente com a produção); matéria prima; salários dos 
supervisores; embalagens; depreciação dos equipamentos 
da fábrica; e todos os demais gastos sem os quais não seria 
possível produzir os produtos a serem comercializados.
Venda dos produtos
Custos necessários para a produção 
dos produtosDespesas
Receitas
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Sobre a confrontação entre as receitas e as despesas 
correspondentes, a Resolução CFC nº 1374/2011 destaca:
As despesas devem ser reconhecidas 
na demonstração do resultado com 
base na associação direta entre elas e 
os correspondentes itens de receita. 
Esse processo, usualmente chamado 
de confrontação entre despesas e recei-
tas (regime de competência), envolve 
o reconhecimento simultâneo ou com-
binado das receitas e despesas que re-
sultem diretamente ou conjuntamente 
das mesmas transações ou outros even-
tos. Por exemplo, os vários componen-
tes de despesas que integram o custo 
das mercadorias vendidas devem ser 
reconhecidos no mesmo momento em 
que a receita derivada da venda das 
mercadorias é reconhecida (Resolução 
CFC nº 1374/2011, item 4.50) 
Muito bem! Acabamos de entender a diferença que 
existe entre “custos e despesas”, sendo somente uma dife-
rença temporária, visto que todos os custos serão despesas, 
mais cedo ou mais tarde. Mediante o que aprendemos, pode-
mos, inclusive, afirmar que:
As despesas que decorrem das atividades normais da 
entidade, ou seja, daquelas atividades para as quais a enti-
dade foi criada (atividades do negócio), são chamadas de 
Despesas Operacionais.
As despesas eventuais, que não decorrem das ativida-
des normais da entidade e que, portanto, não têm caráter ope-
racional, são chamadas de Perdas. Exemplos: perdas geradas 
na venda de ativos imobilizados; perdas de estoques ocorri-
das por enchentes, etc.
Despesa pode ser entendida como todo o “consumo” de 
bens ou de serviços necessários à obtenção de receitas, 
direta ou indiretamente.
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Despesas que decorrem dos juros ou multas prove-
nientes das obrigações da entidade (empréstimos, financia-
mentos etc.) são chamadas de Despesas Financeiras.
Outro tipo de gasto de fundamental importância e que 
não pode ser confundido com as despesas é aquele que repre-
senta os investimentos realizados pela entidade. Investimento 
é todo gasto que deverá trazer benefícios futuros. Será um 
Ativo da organização até que se transforme em custo ou des-
pesa. Exemplo: aquisição de veículo cujo desgaste é contabili-
zado como despesa de depreciação.
Reconhecimento das Despesas
Os critérios para reconhecimento, ou seja, para regis-
tro contábil das despesas, também foram estabelecidos pela 
Resolução CFC nº 1374/2011, podendo ser assim resumidos: 
Regra geral: Despesas devem ser reconhecidas de 
acordo com o regime de competência quando:
• Surgir um decréscimo nos futuros benefícios eco-
nômicos, seja por diminuição de um Ativo (bens e 
direitos) ou aumento de um Passivo (obrigações). 
• O respectivo valor possa ser determinado em bases 
confiáveis (razoável certeza).
Outros critérios de reconhecimento:
• Despesas devem ser reconhecidas:
1. Com base na associação direta entre elas e os 
correspondentes itens de receita (confrontação 
entre despesas e receitas – competência). Exemplo: 
custo dos produtos vendidos.
2. Quando a confrontação só puder ser feita de 
modo geral e indireto, as despesas devem ser reco-
nhecidas com base, de forma sistemática e racional. 
Exemplo: depreciações e amortizações de Ativos.
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3. Imediatamente, quando um gasto não produ-
zir benefícios econômicos futuros ou quando não 
forem classificáveis como Ativos.
4. Quando um Passivo é incorrido sem o corres-
pondente reconhecimento de um Ativo.
Receitas 
Receitas são recursos recebidos ou a receber provenien-
tes das atividades da entidade e que aumentam o patrimônio. 
Exemplos: vendas de mercadorias, produtos ou serviços, recei-
tas de aluguéis, receitas de juros etc. 
As receitas que resultam das operações da entidade, 
ou seja, que são derivadas da realização das atividades para 
as quais a entidade foi criada, são denominadas Receitas 
Operacionais.
As receitas provenientes de aplicações financeiras e 
que representam uma alternativa para a utilização de recur-
sos financeiros excedentes às necessidades imediatas de caixa 
da entidade, bem como aquelas receitas auferidas em função 
da cobrança de juros ou de taxas incidentes sobre as opera-
ções, são chamadas de Receitas Financeiras. 
Quando a entidade aufere receitas que não resultam 
das suas operações, isto é, receitas eventuais de caráter não 
operacional, elas são denominadas como Ganhos. Exemplo: 
ganho na venda de ativo imobilizado.
O que é uma “despesa incorrida”?
Despesas incorridas são aquelas de competência do perí-
odo de apuração, relativas abens empregados ou a ser-
viços consumidos nas transações ou operações exigidas 
pela atividade da empresa, tendo sido pagas ou não.
Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoa-
juridica/dipj/2005/pergresp2005/pr242a264.htm
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Reconhecimento das Receitas
As receitas, de acordo com as determinações da 
Resolução CFC nº 1374/2011, devem ser reconhecidas de 
acordo com o regime de competência quando:
• Resultarem em um aumento de benefícios econô-
micos futuros, seja por aumento de um Ativo (bens e 
direitos) ou redução de um Passivo (obrigações). 
• O respectivo valor possa ser determinado em bases 
confiáveis (razoável certeza).
Iudícibus et al (2010, p. 487) enfatizam que “não se pode 
esquecer que, para o registro da receita, é necessário estar ela 
‘ganha’, o ativo recebido deve ser realizável e serem conheci-
das ou calculáveis as despesas a ela relacionadas”.
Cabe ainda ressaltar que, em obediência ao regime 
de competência, o reconhecimento da receita (e também do 
custo) de contratos de longo prazo deve ocorrer à medida 
do progresso físico dos mesmos, utilizando-se o método de 
porcentagem de acabamento. Para saber mais sobre esses 
contratos, consulte o Pronunciamento Técnico CPC 17 (R1), 
do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado pela 
Resolução CFC nº 1411/12. 
2.2
Regimes de apuração do 
resultado
Revistos importantes conceitos relacionados às contas 
que permitem a apuração do resultado, pode-se estabelecer 
uma relação entre tais resultados e a gestão dos financiamen-
tos e investimentos das entidades.
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Pudemos observar que o lucro é apurado mediante a 
confrontação entre as receitas e as despesas corresponden-
tes e que, quando este permanece na empresa, aumenta o seu 
patrimônio, sendo uma excelente fonte de recursos, ou seja, 
excelente fonte de financiamento das operações. 
Por outro lado, também observamos que os gastos que 
a entidade realiza para fazer face às suas operações podem 
ser custos, despesas ou investimentos. Quando os custos 
tornam-se despesas, ou seja, são reconhecidos no resultado, 
quando da ocorrência das receitas correspondentes e, quando 
investimentos, permanecerão no Ativo até que sejam reali-
zados por consumo, desgaste (depreciação), perda de valor 
(amortização) ou venda. Isso significa dizer que, enquanto 
os gastos não forem apropriados ao resultado, eles permane-
cerão no Ativo como aplicações das quais se espera retorno 
suficiente para cobrir os custos de financiamento (origens de 
recursos) das operações. 
Continuando, vamos conhecer ou relembrar as for-
mas pelas quais é possível apurar os resultados das entida-
des de acordo com os fins para os quais se pretenda utilizar 
tal informação. 
O resultado (lucro ou prejuízo) das entidades pode 
ser apurado de duas formas, de acordo com o fim a que se 
destine.
• Pelo regime de caixa; e
• Pelo regime de competência.
Cada uma dessas formas de apuração terá uma utili-
dade específica em termos de gestão financeira. O regime de 
caixa, por exemplo, relaciona o resultado “diretamente” ao 
O que é regime? 
Neste caso, regime diz respeito às normas que norteiam o 
registro contábil. 
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fluxo de caixa, enquanto que o regime de competência, privi-
legiando aspectos econômicos, relaciona o resultado ao patri-
mônio das entidades. 
Antes de estudarmos os regimes de apuração do resul-
tado, vale destacar que tal apuração, assim como a geração 
de qualquer outra informação originada pela contabilidade, 
sempre estará condicionada a um período de tempo deter-
minado (mês, ano, trimestre etc.). Usualmente, tais períodos 
recebem as seguintes denominações:
• Exercício Social - É o espaço de tempo (12 meses) em 
que as pessoas jurídicas apuram seus resultados; ele 
pode coincidir, ou não, com o ano-calendário ou ano 
civil, de acordo com o que dispuser o estatuto ou o con-
trato social. Perante a legislação do imposto de renda, é 
chamado de período-base (mensal ou anual) de apura-
ção da base de cálculo do imposto devido.
• Período contábil - Espaço de tempo escolhido para cal-
cular a situação patrimonial da empresa. Normalmente 
é de um ano, para efeitos societários ou fiscais, mas 
pode ser menor para efeitos gerenciais.
• Período base - É o período de tempo delimitado pela 
legislação tributária (mês, trimestre ou ano), compre-
endido em um ano-calendário, durante o qual são apu-
rados os resultados das pessoas jurídicas e calculados 
os impostos e contribuições.
• Ano base - Período base de um ano (uso fiscal).
• Ano calendário - É o período de doze meses consecuti-
vos, contados de 1o de janeiro a 31 de dezembro (uso fiscal).
2.2.1 Regime de caixa
O regime de caixa consiste em computar no resultado 
da entidade:
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Receitas – somente quando efetivamente recebidas (entradas 
de caixa);
Despesas – somente quando efetivamente pagas (saídas de 
caixa).
2.2.2 Regime de competência
Tendo como escopo o Princípio da Competência, o 
regime de apuração de resultado por competência é univer-
salmente adotado e é um critério aceito e recomendado pela 
legislação fiscal.
Usualmente chamado de confrontação entre despesas e 
receitas, o regime de competência, segundo a Resolução CFC 
nº 1374/2011 (4.50) “envolve o reconhecimento simultâneo ou 
combinado das receitas e despesas que resultem diretamente 
ou conjuntamente das mesmas transações ou de outros even-
tos”. Além disso, o regime de competência considera que:
• Receitas devem ser reconhecidas no período em 
que são geradas, independentemente de recebimento. 
Exemplo: Receita de Vendas de Mercadorias
Nesse exemplo, a receita será registrada no momento da 
venda, se à vista, em contrapartida com a conta Caixa e, 
se a prazo, em contrapartida com a conta Duplicatas a 
Receber, ou seja, o registro da receita independe de seu 
recebimento efetivo.
• Despesas devem ser reconhecidas no perí-
odo em que forem CONSUMIDAS/INCORRIDAS/
UTILIZADAS, independentemente de pagamento. 
Exemplo: Despesas Administrativas
A apuração do resultado pelo regime de caixa tem cará-
ter eminentemente gerencial (gestão do fluxo de caixa), 
podendo ser utilizado para fins fiscais, quando expressa-
mente permitido pela legislação correspondente. 
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Nesse exemplo, a despesa será registrada no momento 
da sua ocorrência. Se à vista, em contrapartida com a 
conta Caixa e, se a prazo, em contrapartida com a conta 
Contas a Pagar, ou seja, o registro da despesa inde-
pende de seu pagamento efetivo.
Vamos ver isso na prática?
A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. rea-
lizou as seguintes operações no mês de maio de 20XX:
• Vendeu estoques de material elétrico por R$10.000,00 
à vista;
• Vendeu estoques de material elétrico por 
R$12.000,00 a prazo;
• Pagou antecipadamente a despesa de aluguel do 
mês de junho, no valor de R$2.000,00;
• Provisionou a folha de pagamentos relativa ao mês 
de maio, no valor total de R$3.500,00, a ser paga aos 
funcionários no quinto dia útil do mês de junho.
Com base nesses dados, vamos apurar o resultado do 
mês de maio de 20XX, pelos regimes de caixa e de competência:
Qual é a diferença entre os resultados apurados pelo 
regime de caixa e pelo regime de competência? 
Ambos representam a diferença entre as receitas e despe-
sas da entidade, certo? O que os diferencia é, exatamente, 
o “momento” do reconhecimento das receitas e das des-
pesas. Enquanto o regime de caixa relaciona as receitas e 
despesas com asentradas e saídas de caixa, o regime de 
competência relaciona as receitas e despesas aos períodos 
em que elas efetivamente ocorreram, independentemente 
de recebimento (receitas) ou pagamentos (despesas).
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Vamos analisar esses resultados:
• No regime de caixa não foram consideradas as 
receitas de vendas a prazo (R$12.000,00), visto que 
ainda não foram recebidas, não geraram “entradas” 
de caixa, e nem as despesas com salários (R$3.500,00), 
visto que estas ainda não foram pagas, não gerando 
“saídas” de caixa.
• No regime por competência foram consideradas as 
receitas e as despesas incorridas no período, ou seja, 
receitas de R$22.000,00 e despesas de R$3.500,00. 
E a despesa de aluguel do mês de junho que já foi paga, 
não será contabilizada? Claro que sim, mas não no 
resultado, pois não diz respeito ao período de apura-
ção, que é o mês de maio. Essa despesa, paga anteci-
padamente, ficará contabilizada como Ativo até o mês 
seguinte, período real da sua ocorrência.
• O resultado gerado pelo regime de caixa (R$8.000,00) 
traduz a disponibilidade real do caixa ao final do perí-
odo. É uma informação importantíssima para a gestão 
do caixa da entidade.
• Por outro lado, o resultado pelo regime de com-
petência demonstra a capacidade econômica que a 
empresa tem para gerar resultados. Em outras palavras, 
LUZ AZUL COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA
APURAÇÃO DO RESULTADO EM MAIO DE 20XX
REGIME DE CAIXA REGIME DE COMPETÊNCIA
R$ R$
Receitas de Vendas 10.000 Receitas de Vendas 22.000
Despesas de Aluguel (2.000) Despesas de Salários (3.500)
RESULTADO 8.000 RESULTADO 18.500
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o patrimônio da empresa será acrescido, efetivamente, 
em R$18.500,00, independentemente da disponibili-
dade de caixa.
A análise do resultado por esses diferentes ângulos é 
fundamental, de acordo com o tipo de decisão que se pre-
cise tomar com base neles. Por exemplo: se o gestor finan-
ceiro precisa saber se terá dinheiro suficiente para saldar seus 
compromissos do mês seguinte, isto é, decisões financeiras 
de curtíssimo prazo, deverá recorrer ao resultado apurado 
pelo regime de caixa; já, se o gestor precisa tomar decisões 
que envolvam a capacidade de continuidade da empresa, ou 
decisões de financiamento ou investimento, deverá recorrer à 
demonstração do resultado pelo regime de competência.
Ambas têm a sua importância, mas em Contabilidade, 
como já mencionado, somente se pode aplicar o regime de 
competência para registro das receitas e das despesas. 
Para melhor ilustrar, vamos trabalhar uma questão 
formulada no Exame de Suficiência do Conselho Federal de 
Contabilidade – CFC 02/12:
Uma sociedade empresária apresentou as informações 
abaixo do mês de agosto de 2012. 
Receitas realizadas e não recebidas: R$150.000,00
Despesas pagas antecipadamente e não incorridas: 
R$110.000,00
Receitas realizadas e recebidas: R$220.000,00
Despesas incorridas e não pagas: R$90.000,00
Receitas recebidas antecipadamente e não realizadas: 
R$130.000,00
Despesas incorridas e pagas: R$85.000,00
Utilizando o Princípio da Competência, o valor do 
resultado do período é um lucro de: 
a) R$155.000,00.
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b) R$195.000,00.
c) R$315.000,00.
d) R$325.000,00.
A resposta correta dessa questão é a alternativa “b) 
R$195.000,00”. Como se chega a ela? 
O enunciado da questão exige a utilização do Princípio 
da Competência para se apurar o resultado do período, con-
sequentemente, este deve ser apurado pelo “regime de com-
petência”. O primeiro passo, portanto, é analisar quais contas 
de receitas e despesas foram efetivamente realizadas ou incor-
ridas, pois esta é a regra básica imposta por essa regime de 
apuração: 
Muito bem! Resolvemos a questão corretamente, mas e 
as linhas do enunciado da questão que não foram utilizadas, 
Despesas Pagas Antecipadamente e Não Incorridas e Receitas 
Recebidas Antecipadamente e Não Realizadas? Nos próxi-
mos tópicos vamos estudá-las! 
RECEITAS REALIZADAS DESPESAS INCORRIDAS
R$ R$
Receitas realizadas 
e não recebidas 150.000
Despesas incorridas 
e não pagas 90.000
Receitas realiza-
das e recebidas 220.000
Despesas incorri-
das e pagas 85.000
Total de Receitas 
Realizadas 370.000
Total de 
Despesas 
Incorridas
175.000
Total de Receitas 
Realizadas 370.00
Total de Despesas 
Incorridas (175.000)
Resultado do Período 
(Lucro) 195.000
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2.2.3 Despesas pagas antecipadamente
Segundo Iudícibus et al (2010, p.96):
As aplicações em despesas do exercí-
cio seguinte são classificadas no Ativo 
Circulante e geralmente representam 
uma parcela não muito significativa, 
em comparação com os demais ativos, 
motivo pelo qual, no Balanço, são nor-
malmente apresentados pelo seu valor 
total3 . 
Tais ativos, ainda segundo os mesmos autores, men-
cionando o artigo 179 da Lei nº 6404/76 – Lei das Sociedades 
por Ações, referem-se a aplicações de recursos que, “normal-
mente, não serão recebidas em dinheiro nem representam 
bens fisicamente existentes, como é o caso de peças, mate-
riais etc.”.
Ainda segundo o artigo 179 – I da Lei nº 6404/76, os 
recursos aplicados em despesas do exercício seguinte serão 
classificados no Ativo Circulante, representando despesas 
que serão futuramente apropriadas como, por exemplo, alu-
guéis, seguros, assinaturas de periódicos, comissões etc. Para 
Greco e Arend (2012, p. 64), tais antecipações não se tratam de 
um “Ativo Circulante no sentido verdadeiro, pois não é con-
versível em meios de pagamentos, mas, sim, em algo que se 
situa como uma pendência a ser retificada”. 
Nem sempre, no entanto, os valores registrados com 
despesas antecipadas representam desembolso imediato de 
recursos. Há casos, como prêmios de seguros parcelados, por 
exemplo, em que tal registro estará representando valores a 
pagar a curto prazo. Agora complicou. Se são valores a pagar 
porque estão no Ativo? Vejam só: tratam -se de aplicações 
em despesas que ainda serão incorridas, mas que já foram 
3. Grifo nosso.
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efetivamente “contratadas” pelo compromisso formal assu-
mido com a respectiva seguradora. Utilizemos a seguinte 
situação para exemplificar um desses casos:
• A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. 
contratou um seguro com a Seguradora XYZ, no valor 
total de R$50.000,00 para cobrir possíveis riscos de 
sinistros com um dos veículos de sua frota, nas seguin-
tes condições:
1. Vigência do seguro: de 01.07.XX a 30.06.XX – 12 
meses
2. Valor do prêmio de seguro contratado, a ser 
pago em 4 parcelas iguais: R$6.000,00
3. Data da contratação: 29.06.XX
4. Vencimento da primeira parcela: 30.06.XX
Vejamos como seria feita a contabilização correspon-
dente:
• Na data da contratação (29.06.XX): 
Despesas Antecipadas a Seguros a Pagar - R$6.000,00
Obs.: Lançamento pelo valor total do prêmio de seguro 
contratado
• Na data do pagamento da primeira parcela (30.06.XX)
Seguros a Pagar a Caixa ou Bancos - R$1.500,00
Obs.: O mesmo lançamento será feito quando forem 
pagas as parcelas subsequentes.
• Na data em que se configurou a ocorrência do primeiro 
período coberto pelo seguro, ou seja, da realização da despesa 
correspondente, de acordo com o regime de competência.
Despesas de Seguros a Seguros a Pagar - R$500,00
Obs.: O valor equivalente a 1/12 do valor total (6.000 / 
12) foi calculado de forma proporcional ao período de vigên-
cia do seguro. Todos os meses, até 30.06.XX, deverá serrepe-
tida a apropriação da despesa correspondente.
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Podemos trabalhar o entendimento da despesa anteci-
pada “clássica”, ou seja, aquela que realmente foi paga antes 
de seu vencimento, utilizando o exemplo já citado anterior-
mente, em que observamos a ocorrência de uma despesa 
de aluguel paga nessa condição. Ela foi refletida no resul-
tado apurado pelo regime de caixa, mas não afetou o resul-
tado pelo regime de competência, pelo menos não no mês do 
pagamento. 
Como a despesa se referia ao período seguinte, no 
regime de competência, ela só afetará o resultado do período 
respectivo. Entretanto, ocorreu uma saída de caixa que deve 
ser contabilizada, independentemente da despesa ainda não 
ter ocorrido. O lançamento contábil seria:
Despesas Antecipadas de Aluguel a Caixa 
Utilizemos outro exemplo prático para entender 
melhor esse tipo de despesa:
• A Indústria de Alimentos Pão Nosso adquiriu, no 
mês de junho/20XX, um lote de 10.000 folhas de papel 
sulfite pelo valor de R$500,00, com a finalidade de 
utilizá-las para a impressão geral de documentos e 
relatórios dos seus departamentos administrativos. 
O pagamento ao fornecedor, Papelaria Kalunga, foi 
feito à vista na data da aquisição. No final do mês, a 
Contabilidade constatou o consumo de 30% do estoque 
de papel e fez a correta apropriação do respectivo valor 
em conta de Despesa Administrativa. 
Ativo
Despesas Antecipadas
c/ Material Escritório
Ativo Caixa
Despesas 
Administrativas
Material de Escritório
(A) 500 150 (B) 500 (A) (B) 150
(A) Compra de papel sulfite, conforme NF 1200 - Kalunga - tem natureza de um INVES-
TIMENTO
(B) Quando o material é consumido pelos departamentos, este é alocado como DESPESA
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Contabilização: 
(A) Para a Indústria de Alimentos Pão Nosso, a aqui-
sição do lote de papel sulfite, inicialmente, é um inves-
timento a ser registrado como Despesas Antecipadas 
– Material de Escritório. Trata-se, neste momento, de 
um Ativo que deverá gerar resultados futuros. Como o 
pagamento do papel foi feito à vista, ocorreu um desem-
bolso, representado pelo lançamento na conta Caixa;
(B) O consumo do papel sulfite, pelos departamentos 
administrativos da indústria de Alimentos Pão Nosso, 
constitui uma despesa administrativa com material de 
escritório, uma vez que esse consumo não faz parte da sua 
atividade operacional principal que é “fabricar alimentos”. 
Constata-se, então, que sempre que ocorrer a aquisição 
de Ativos (Investimentos) que irão se tornar despesas futu-
ras, desde que não representem custos de produção de bens 
ou serviços, elas deverão ser diferidas pelo tempo no qual 
forem consumidas/utilizadas.
A apropriação, no resultado, dessas despesas pagas ante-
cipadamente, deverá ocorrer no período ao qual elas se refe-
rem, de forma proporcional ao consumo ou utilização efetiva.
2.2.4 Receitas recebidas antecipadamente e 
resultados de exercícios futuros
Conceitualmente, existe certa confusão na interpreta-
ção e no registro do que possa ser considerado como receitas 
recebidas antecipadamente ou receitas diferidas. 
As receitas recebidas antecipadamente podem ter sua 
origem na obrigação de entrega de bens ou serviços, como 
os adiantamentos recebidos de clientes por conta da entrega 
de um produto no futuro. Tais adiantamentos não são “recei-
tas” na acepção da palavra, pois a sua realização está condi-
cionada à “entrega” do produto ou serviço, portanto, deverão 
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ser registradas como uma obrigação no Passivo (Circulante 
ou não Circulante), de acordo com o prazo das operações. 
Neste caso, o adiantamento recebido deve ser contabilizado 
na seguinte forma:
Caixa ou Bancos a Adiantamentos de Clientes
Observa-se que, na realidade, trata-se somente de um 
adiantamento recebido e que se transformará em receita no 
futuro. Há situações, no entanto, em que o valor recebido 
não está condicionado à entrega de qualquer bem ou serviço, 
constituindo-se uma antecipação real de receita. 
Exemplo: Receitas de aluguéis recebidas antecipada-
mente, no valor de R$10.000,00. Nesse caso, assim deveria ser 
feita a contabilização:
Caixa ou Bancos a Receitas Diferidas ou Receitas 
Antecipadas (Passivo) - R$10.000,00
As receitas, assim classificáveis, realmente constituirão 
resultados de exercícios futuros de acordo com o Princípio da 
Competência. Por essa razão, permanecerão registradas no 
Passivo e somente deverão ser apropriadas ao resultado no 
período ao qual corresponderem. 
No exemplo citado, a apropriação ocorreria da seguinte 
forma:
Receitas Diferidas ou Receitas Antecipadas a Receita 
de Aluguéis - R$10.000,00
Obs.: Apropriação da receita ao Resultado do período.
Mas veja que estamos falando de “resultados” de exer-
cícios futuros e já aprendemos que resultado diz respeito à 
diferença entre receitas e despesas. Isso significa que as recei-
tas devem ser reconhecidas pelo seu valor “justo”, ou seja, 
pelo seu valor real. Assim, o valor da receita deve ser dedu-
zido dos eventuais custos que lhe dizem respeito.
Utilizando o exemplo anterior, vamos supor que a 
empresa locadora deva pagar uma taxa pactuada com a 
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administradora do imóvel locado, correspondente aos servi-
ços de administração desse imóvel, no valor de R$1.000,00. 
O valor real da receita de aluguel, líquido dessa despesa 
necessária ao seu recebimento, seria igual à diferença entre 
a receita e a despesa respectiva, isto é R$9.000,00, represen-
tando o “resultado” correspondente. Vejamos as contabiliza-
ções complementares:
Despesas Diferidas (Passivo)(1) a Encargos a Vencer 
(Passivo) - R$1.000,00
Obs.: (1) Conta retificadora/redutora da conta Receitas 
Diferidas ou Receitas Antecipadas, no Passivo Circulante ou 
Não Circulante, de acordo com o prazo correspondente.
Despesas Administrativas a Despesas Diferidas 
(Passivo) - R$1.000,00
Obs.: Apropriação da despesa ao Resultado do Período.
Encargos a Vencer a Caixa ou Bancos - R$1.000,00
Obs.: Pagamento da taxa de administração.
Podemos concluir, então, que temos duas situações no 
que se refere a receitas recebidas de forma antecipada:
• Aquelas que estão vinculadas à entrega de bens ou 
serviços e que, no momento do recebimento, na ver-
dade, ainda não representam receitas, mas, obrigações; e
• Aquelas que não estão vinculadas a qualquer 
entrega de bens ou serviços e que, realmente, portanto, 
representam receitas de exercícios/períodos futuros. 
Nesse caso, tais receitas devem ser deduzidas das des-
pesas necessárias à sua geração, quando houver.
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2.3
Apuração do resultado
A apuração do resultado é um processo em que se reú-
nem, em uma só conta transitória, todas as contas de receitas 
e despesas, movimentadas em um determinado período, com 
o propósito de apurar a ocorrência de lucro ou prejuízo nesse 
mesmo período. Vamos rever alguns dos procedimentos bási-
cos que compõem esse processo.
A técnica de apuração de resultados envolve:
• A criação de uma conta transitória, geralmente 
denominada Apuração do Resultado;
• A transferência de todos os saldos das contas 
de receitas e despesas para a conta da Apuração do 
Resultado;
• A apuração do lucro ou prejuízo contábil antes do 
cálculo e da contabilização dos impostos e das contri-
buições incidentes sobre o lucro;
• A provisão dos impostos e das contribuições inci-
dentes sobre o lucro;
• A transferência das contas de despesas de impostos 
e contribuições incidentes sobre o lucro para aconta de 
Apuração de Resultado;
• O encerramento da conta de Apuração de Resultado 
e a transferência do resultado apurado para a conta 
de Lucros ou Prejuízos Acumulados no Patrimônio 
Líquido. 
A apuração do resultado de um determinado período 
é realizada mediante a utilização dos saldos apresentados no 
Balancete de Verificação. Assim, vamos aproveitar e também 
rever o que já foi aprendido sobre esse relatório contábil.
A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos Ltda. 
apresentou o seguinte Balancete de Verificação em 31/12/XX: 
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BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31/12/XX
LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA.
CONTAS SALDO ANTERIOR
ATIVO DEVEDOR CREDOR
CIRCULANTE 8.500
Caixa 300
Bancos - Conta Movimento 1.500
Duplicatas a receber 2.200
Estoque de mercadorias para revenda 4.000
Material de escritório 500
NÃO CIRCULANTE 10.000 800
Imóveis 10.000
Depreciação acumulada 800
TOTAL DO ATIVO 18.500 800
PASSIVO 
CIRCULANTE 1.800
Fornecedores 1.000
Contas a pagar 500
Salários a pagar 300
TOTAL DO PASSIVO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital 10.000
Lucros acumulados 2.600
TOTAL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 12.600
TOTAL DO PASSIVO E DO 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 14.400
CONTAS DE RESULTADO
Receita de vendas 18.400
Custo das mercadorias vendidas 12.000
Despesas administrativas 1.000
. Salários 300
. Aluguéis 500
. Material de escritório 50
. Energia elétrica 80
. Depreciação 70
Despesas de vendas 1.850
Despesas financeiras 250
TOTAL DAS CONTAS DE RESULTADO 15.100 18.400
TOTAIS 33.600 33.600
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Partindo do pressuposto de que incidirá imposto de 
renda e contribuição social sobre o lucro, a uma alíquota de 
15% e 9%, respectivamente, vamos apurar o LAIR – Lucro 
Antes do Imposto de Renda – e as Contribuições sobre o 
Lucro e provisionar ambos os encargos.
Receitas de vendas
(a) 18.400 18.400 SI
Custo Merc Vendidas
SI 12.000 12.000 (b)
Despesas Financeiras
SI 250 250 (c)
Salários
SI 300 300 (d)
Aluguéis
SI 500 500 (e)
Material de Escritório
SI 50 50 (f)
Energia Elétrica
SI 80 80 (g)
Depreciação
SI 70 70 (h)
Despesas de Vendas
SI 1.850 1.850 (i)
IRPJ e CSLL a Recolher
792 (j)
Imposto de Renda PJ
(j) 495 495 (k)
Contr. Social s/ Lucro
(j) 297 297 (l)
Apuração do Resultado
(b) 12.000 18.400 (a)
(c) 250
(d) 300
(e) 500
(f) 50
(g) 80
(h) 70
(i) 1.850
LAIR 3.300 BASE DE CÁLCULO IRPJ/CSLL
(k) 495
(l) 297
15.892 18.400 SUBTOTAIS
Cálculo IRPJ
3.300 x 0,15 = 495
Cálculo CSLL
3.300 x 0,09 = 297
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Podemos, agora, levantar o segundo Balancete de 
Verificação e contabilizar a transferência do lucro final para 
o Patrimônio Líquido, “encerrando” o período e fechando o 
Balanço Patrimonial:
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO EM 31/12/XX 
– 2º BALANCETE LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA.
CONTAS SALDO ANTERIOR
MOVIMEN-
TAÇÃO
SALDO 
FINAL
DEVE-
DOR
CRE-
DOR
DÉBI-
TOS
CRÉDI-
TOS
DEVE-
DOR
CRE-
DOR
ATIVO
CIRCULANTE 8.500 - - 8.500 -
Caixa 300 - - 300 -
Bancos Cta. 
Movimento 1.500 - - 1.500 -
Duplicatas a receber 2.200 - - 2.200 -
Estoque Mercadorias 4.000 - - 4.000 -
Material de escritório 500 - - 500 -
NÃO CIRCULANTE 10.000 800 - - 10.000 800
Imóveis 10.000 - - 10.000 -
Depreciação 
acumulada 800 - - 800
TOTAL DO ATIVO 18.500 800 - - 18.500 800
PASSIVO 
CIRCULANTE 1.800 - - - 2.592
Fornecedores 1.000 - - - 1.000
Contas a pagar 500 - - - 500
Salários a pagar 300 - - - 300
IRPJ e CSLL a 
Recolher - - 792 - 792
TOTAL DO PASSIVO 1.800 - 792 - 2.592
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
Capital 10.000 - - - 10.000
Lucros acumulados 2.600 - - - 2.600
TOTAL DO PATRI-
MÔNIO LÍQUIDO 12.600 - - - 12.600
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Agora, vamos encerrar o resultado do período e trans-
feri-lo para o patrimônio da Luz Azul Materiais Elétricos 
Ltda.
TOTAL DO 
PASSIVO E DO 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
14.400 - 792 - 15.192
CONTAS DE 
RESULTADO
Receita de vendas 18.400 18.400 - - -
Custo das Mercador-
ias Vendidas 12.000 - - 12.000 - -
Despesas 
administrativas 1.000 - - 1.000 - -
. Salários 300 - - 300 - -
. Aluguéis 500 - - 500 - -
. Material de 
escritório 50 - - 50 - -
. Energia elétrica 80 - - 80 - -
. Depreciação 70 - - 70 - -
Despesas de vendas 1.850 - - 1.850 - -
IRPJ - - 495 495 - -
CSLL - - 297 297 - -
Despesas financeiras 250 - - 250 - -
APURAÇÃO DO 
RESULTADO - - 15.892 18.400 15.892 18.400
TOTAL DAS 
CONTAS DE 
RESULTADO
15.100 18.400 35.084 35.084 - -
TOTAIS 33.600 33.600 35.084 35.876 34.392 34.392
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Finalmente, podemos fechar o Balanço Patrimonial:
Apuração do Resultado
(b) 12.000 18.400 (a)
(c) 250
(d) 300
(e) 500
(f) 50
(g) 80
(h) 70
(i) 1.850
(k) 495
(l) 297
297 2.508 (m)
Lucros Acumulados
2.508 (m)
2.508 SF
BALANÇO PARTRIMONIAL EM 31/12/XX (Em milhares)
LUZ AZUL MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA.
ATIVO R$
PASSIVO E 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
R$
CIRCULANTE 8.500 CIRCULANTE 2.592
Caixa 300 Fornecedores 1.000
Bancos Cta. Movimento 1.500 Contas a pagar 500
Duplicatas a receber 2.200 Salários a pagar 300
Estoque Mercadorias 4.000 IRPJ e CSLL a Re-colher 792
Material de escritório 500 TOTAL DO PASSIVO 2.592
NÃO CIRCULANTE 9.200 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Imóveis 10.000 Capital 10.000
Depreciação acumulada (800) Lucros acumulados 5.108
TOTAL DO 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO
15.108
TOTAL DO ATIVO 17.700 TOTAL 17.700
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Terminamos, assim, de estudar o que pretendíamos 
nesta aula, mas será que conseguimos alcançar os objetivos 
iniciais propostos? Chegou a hora daquele momento de refle-
xão, superimportante na evolução do nosso aprendizado. 
Não podemos deixar nenhuma dúvida pendente para poder-
mos evoluir com segurança!
Se respondemos positivamente a essas pergun-
tas, podemos continuar. Na próxima aula nos aguarda um 
assunto muito importante no que se refere às análises finan-
ceiras necessárias para a tomada de decisão. Vamos conhecer 
as provisões contábeis e as despesas que não afetam o caixa 
das entidades.
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entendemos porque o lucro é a principal origem de 
recursos para uma entidade?
 ‚ Somos capazes de apurar o resultado contábil de uma 
entidade, utilizando os regimes de caixa e de competên-
cia, de acordo com os princípios contábeis?
 ‚ Sabemos como apropriar o resultado apurado ao patri-
mônio da entidade?
Vamos relembrar? 
A nossa segunda aula permitiu que entendêssemos o 
lucro como a principal fonte de recursos de uma empresa, 
posto que, quando este permanece, mesmo que em parte, 
na entidade ele pode ser utilizado nas operações sem 
qualquer custo financeiro.
Se compreendemos a importância do lucro, foi preciso 
relembrar como fazer para apurá-lo e, assim, revimos 
vários conceitos interessantes sobre as contas de resultado 
– Receitas e Despesas –, além de verificarmos como apu-
rar os resultados pelos regimes de caixa e de competência. 
Vimos também quando podemos utilizar esses diferentes 
tipos de apuração de resultados.
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Qu estões pa r a r eflex ão
O miniartigo transcrito a seguir aborda, de forma bas-
tante interessante, o tema que acabamos de estudar. O autor 
sugere formas de reinvestir o lucro na empresa, ressaltando 
aspectos importantesque podem resultar dessa decisão. 
Após leitura atenta do artigo, procure responder às seguintes 
questões. Será uma forma de checar o quanto você entendeu 
sobre o conteúdo estudado.
1. Quando o autor se refere a “saldo positivo” de lucro, 
ele está se referindo a que tipo de lucro: aquele apu-
rado pelo regime de competência ou aquele apurado 
pelo regime de caixa?
2. Por que o autor enfatiza que é “obrigação” do gestor 
manter parte do lucro reinvestido na empresa?
3. Você sabe o que é capital de giro? Pesquise a 
respeito.
Antes de inserir o lucro ao patrimônio de uma empresa 
hipotética, precisamos rever, também, como se processa a 
apuração de resultado, visualizando os saldos das contas 
e a movimentação contábil nos Balancetes de Verificação.
Finalmente, depois de apurado o resultado, provisiona-
mos os impostos e as contribuições devidos sobre o lucro 
e “fechamos” o Balanço Patrimonial.
Assim, alguns empresários já programam investimen-
tos de médio e longo prazo, aplicando parte do lucro 
da empresa em investimentos bancários ou imóveis, no 
intuito de ampliar sua atuação no futuro.
Disponível em http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de-
-especialista/noticias/como-reinvestir-o-lucro-da-sua-
-empresa. Acessado em 21/07/2013.
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Você sabia?
Como reinvestir o lucro da sua empresa?
Os três caminhos mais comuns são reinvestir em capi-
tal de giro, na estrutura da empresa ou a longo prazo - 
Editado por Priscila Zuini. Respondido por Maurício 
Galhardo, especialista em finanças
Saber distinguir “saldo positivo” de “lucro” é importante, 
pois assim entenderemos se uma empresa realmente está 
gerando bons resultados ou se simplesmente está pas-
sando por um período bom de caixa.
Quando realmente é determinado que a empresa gera 
lucros, é preciso definir como e quando fazer a distribuição. 
Os três caminhos mais comuns são reinvestir em capital de 
giro, na estrutura na empresa ou no longo prazo.
É sempre bom manter certa quantia em dinheiro (ou em 
investimentos de curto prazo) para eventuais necessidades. 
Quando uma empresa cresce e assume contratos maiores, 
vale reestudar o fluxo de caixa para prever possíveis faltas.
Assim, para períodos de caixa baixo, ter uma reserva pos-
sibilitará passar por estes momentos sem sufocos e sem 
utilizar de dinheiro de terceiros (pagando juros, consequen-
temente). Para empresas novas, que sentem mais a sazona-
lidade, ou que ainda não possuem um bom planejamento 
financeiro, vale guardar certo capital de giro pelo menos 
até entender o mercado e conhecer seus altos e baixos.
Seja em máquinas, veículos, modernização de sistemas 
ou treinamento da equipe, é sempre bom manter uma 
empresa atualizada, moderna, com equipamentos novos 
e confiáveis. Isso garantirá satisfação dos clientes, confia-
bilidade nos processos produtivos, aumento (ou garantia) 
de vendas e uma imagem de empresa próspera, tanto aos 
clientes quanto aos colaboradores.
Pode-se dizer que é “obrigação” de qualquer gestor man-
ter parte do lucro de uma empresa reinvestido nela pró-
pria. É o ideal para empresas mais antigas, tradicionais ou 
que atendam um público exigente por tendências.
Quando uma empresa faz pagamentos regulares de divi-
dendos/lucros aos seus sócios, isso também pode ser 
considerado um reinvestimento. Satisfeitos, os sócios cos-
tumam alavancar o negócio ainda mais, muitas vezes 
fazendo a injeção de capital na própria empresa, seja 
em novos departamentos ou filiais em outras cidades.
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FRITZEN, G. L. Um estudo sobre a destinação legal do lucro 
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SCHERER, L. M.; MARTINS, E. Manutenção de capital e dis-
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www.cfc.org.br
www.receita.fazenda.org.br 
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GOLDRATT, E. M.; COX, J. A meta. 2 ed. São Paulo: Nobel, 
2002.
GRECO, A.; AREND, L.. Contabilidade: teoria e prática bási-
cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. 
São Paulo: Atlas, 2010.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: 
Atlas, 2006
NETO, A. A. Estrutura e análise de balanços. 8 ed. São Pau-
lo: Atlas, 2009.
( 3 )
Provisões contábeis e despesas 
que não afetam o caixa
Olá prezados alunos, 
Mais uma porta no nosso trajeto! Esta já é a terceira, 
estamos evoluindo.
Na aula anterior revimos os conceitos e o tratamento 
das contas de resultado, isto é, receitas e despesas. Destas, 
podemos inferir que receitas, em algum momento, represen-
tarão entradas de caixa e que despesas, ao contrário, repre-
sentarão saídas de caixa. 
Nesta aula vamos aprender que nem sempre as despe-
sas afetarão diretamente o caixa da entidade, como também 
iremos aprender a usar corretamente o termo “provisões”, 
cujo uso, por muito tempo, não retratou corretamente o sig-
nificado da palavra e que, atualmente, em função da adoção 
de normas contábeis internacionais deve retratar o que real-
mente representam.
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E que importância tem isto na Contabilidade 
Financeira? Enorme! Vejam só, se o objetivo é tomar decisões 
de cunho financeiro, ao analisarmos o resultado de uma enti-
dade, bem como os seus passivos (obrigações com terceiros), 
ao identificarmos quais são os valores que não irão significar 
saídas de caixa, saberemos que o fluxo financeiro não será 
afetado por tais valores, o que nos permitirá tomar decisões 
mais seguras.
Muito bem. Mas antes de estudarmos esse assunto tão 
importante e interessante, vamos estabelecer nossos objeti-
vos. Ao final desta aula, deveremos ser capazes de:
Com esses propósitos, esta aula será estruturada da 
seguinte forma:
3.1 Provisões: conceito e efeitos no resultado
 3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e 
previsões/estimativas
 3.1.2 Constituição de provisões
 3.1.3 Reversão de provisões e de perdas estimadas
 3.1.4 Principais provisões
• Perdas estimadas para créditos de liquidação 
duvidosa 
• Provisão para ajuste ao valor de mercado ou ao 
valor justo
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entender qual a diferença entre “provisões” e 
“previsões”;
 ‚ Usar corretamente o termo “provisão” de acordo com o 
seu real significado;
 ‚ Contabilizar as principais provisões contábeis;
 ‚ Conhecer e contabilizar as principais despesas que não 
afetam o caixa.
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• Ajuste ao valor presente
3.2 Despesas que não afetam o caixa
 3.2.1 Depreciação do Imobilizado
 3.2.2 Amortização e Exaustão
Bom estudo a todos!
3.1
Provisões: conceitos e efeitos no 
resultado
Provisão caracteriza o ato de prover alguma coisa, ou 
seja, abastecer com algum tipo de recurso ou, em outras pala-
vras, reservar recursos. Em Contabilidade, o significado não 
é diferente, provisionam-se recursos quando se tem conheci-
mento de que eles serão necessários no futuro. 
As “provisões”, segundo Greco e Arend (2012, p. 387), 
representam:
 Parcelas consideradas despesas, destinadas a cobrir 
perdas prováveis ou estimadas pela não realização de valores 
registrados em contas do Ativo, ou que representam obriga-
ções específicas, a serem cumpridas no futuro, lançadas em 
contas do Passivo. 
Fica claro nessa definiçãoque as provisões para 
fins contábeis não só abrangem as reservas de recursos 
para saldar as obrigações futuras, como também aque-
les recursos necessários para cobrir possíveis perdas de 
valor dos ativos. 
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Até pouco tempo atrás, o termo “provisão” foi ampla-
mente utilizado na contabilidade para referência e regis-
tro de qualquer obrigação ou, ainda, na redução de ativos 
para ajustes a seu menor valor, conforme preconizado por 
Greco e Arend, citados no parágrafo anterior. Alguns exem-
plos seriam: Provisão para Pagamentos a Efetuar; Provisão 
para Perdas por Desvalorização; Provisão para Créditos de 
Liquidação Duvidosa etc. Entretanto, o processo de con-
vergência para as Normas Internacionais de Contabilidade 
(IFRS), oficialmente iniciado com a emissão da Lei nº 11.638, 
de dezembro de 2007, requer que se ajuste velhos hábitos a 
concepções mais modernas e que, no caso em questão, real-
mente, melhor informem o usuário da informação contábil. 
Assim, seguindo os conceitos internacionais, expres-
sos particularmente no Pronunciamento Técnico CPC 
25 – Provisão e Passivo e Ativo Contingentes, do Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis, o termo “provisão”, na 
Contabilidade, deve referir-se apenas aos passivos (obriga-
ções) com prazo ou valor incerto (estimados). Para os valores 
que representam a redução de ativos, registrados nas contas 
redutoras, deve-se adotar a expressão “perdas estimadas”. 
Desta forma, a conta Provisão para Créditos de Liquidação 
Duvidosa, por exemplo, passa a ser chamada por Perdas 
Estimadas para Créditos de Liquidação Duvidosa.
Flash back
Lembram-se das Contas Redutoras ou Retificadoras do 
Ativo?
Algumas contas do Ativo têm a função de “deduzir”, dos 
saldos de outras contas do mesmo grupo, valores que se 
destinam a ajustar esses saldos de forma que, obedecendo 
ao Princípio da Prudência, os respectivos ativos sejam 
demonstrados pelo seu menor valor. Tais contas são cha-
madas de “redutoras” ou “retificadoras”.
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3.1.1 Diferença entre provisões contábeis e 
previsões/estimativas
Na realidade, como já vimos, as provisões contábeis, 
como “provimento” de recursos, considerando sua definição 
“ao pé da letra”, poderiam dizer respeito a obrigações já cons-
tituídas (líquidas e certas) ou, ainda, a obrigações ou a passi-
vos cujo valor está sendo estimado, isto é “previsto”, sem que 
se tenha absoluta certeza da sua ocorrência. Entretanto, há 
que se distinguir as seguintes situações:
a) Contas a pagar - são passivos a pagar por conta de 
bens ou serviços fornecidos ou recebidos e que tenham 
sido faturados ou formalmente acordados com o for-
necedor, isto é, obrigações reais já assumidas. Ou seja, 
não há o que se falar em reserva de recursos, visto 
que se trata de uma obrigação conhecida que deve ser 
efetivamente paga (passivos genuínos). Estas não são 
verdadeiras provisões, uma vez que já são obrigações 
reais, onde se subentende que o provimento de recur-
sos para pagamento já deve estar previsto no fluxo de 
caixa da entidade, visto que não há incerteza sobre a 
necessidade da respectiva liquidação. 
b) Provisões derivadas de apropriações por compe-
tências – são obrigações já existentes que, para aten-
dimento ao Princípio da Competência, são registradas 
no período a que se referem, mas para pagamento 
futuro. Assim como as contas a pagar são obrigações 
que podem ser consideradas reais, visto que o grau 
de incerteza nesses casos é absolutamente irrelevante, 
pode-se, então, afirmar que também não são verdadei-
ras provisões. Alguns exemplos: salários, 13º salário, 
férias, encargos sociais etc. que deverão ser registra-
dos como Salários a Pagar, 13º Salário a Pagar, Férias a 
Pagar, Encargos Sociais a Pagar etc.
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c) Provisões destinadas a cobrir possíveis obriga-
ções futuras, sobre as quais se tenha razoável certeza 
da liquidação – são provisões constituídas, utili-
zando-se valores estimados, destinadas a fazer face 
a “possíveis” obrigações futuras, mas que ainda não 
são obrigações constituídas. Por exemplo, no caso de 
processos trabalhistas em andamento se tem razoável 
certeza de que a maioria das causas trabalhistas são 
ganhas pelo reclamante, o que obriga que a possibi-
lidade de a entidade ter que pagar o valor estimado 
correspondente seja registrado contabilmente, ou seja, 
“provisionado”. Essa, sim, caracteriza uma provisão na 
acepção completa da palavra. A entidade estará pro-
visionando recursos diante da “quase certeza” de que 
ocorrerão desembolsos futuros. 
Iudícibus et al (2010, p. 333), assim explica o que deve 
ser considerado como provisão: “as provisões podem ser dis-
tinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os 
prazos e sobre os valores que serão desembolsados ou exigi-
dos para sua liquidação”.
É correto afirmar, portanto, que:
• Os valores que correspondem a perdas estimadas 
pela não realização de ativos (contas redutoras) devem 
ser tratados como: PERDAS ESTIMADAS (Ex.: Perdas 
estimadas para créditos de liquidação duvidosa). 
• Os valores resultantes de obrigações reais (con-
tas a pagar e provisões derivadas de apropriações por 
competência) devem ser tratados como: VALORES A 
PAGAR (Ex.: Férias a pagar).
• Provisões sobre as quais há incertezas sobre os pra-
zos e os valores de realização devem ser tratadas como: 
PROVISÕES (Provisão para riscos trabalhistas).
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Neste ponto, vale ressaltar um assunto que não será 
estudado a fundo neste momento, mas que deve ser abordado 
por estar correlacionado às provisões. Trata-se dos “passivos 
contingentes”.
A palavra contingência nos remete à possibilidade de 
que alguma coisa venha ou não a acontecer, isto é, uma situa-
ção de incerteza. Por conseguinte, entende-se que um passivo 
contingente é uma obrigação que pode se concretizar. Neste 
caso, tais passivos não são reconhecidos contabilmente. Em 
outras palavras, não serão constituídas provisões para passi-
vos contingentes. Ora, mas por que, se as provisões são cons-
tituídas justamente quando há incertezas sobre os prazos e os 
valores de realização de uma obrigação?
O Pronunciamento Técnico CPC 25, em seu Apêndice 
C, fornece o seguinte exemplo (10-A) de passivo contingente 
que, em um primeiro momento não é reconhecido, mas, que 
mais tarde, torna-se apto para ser considerado como provisão: 
exemplo – caso judicial: Após um casamento em 
20XX, dez pessoas morreram, possivelmente pela inges-
tão de alimentos envenenados, oriundos de produtos 
vendidos pela entidade. Procedimentos legais são instau-
rados para solicitar a indenização da entidade, mas ela 
disputa o caso judicialmente. Até a data da autorização 
para a publicação das demonstrações contábeis do exer-
cício findo em 31 de dezembro de 20XX, os advogados 
da entidade aconselham que é provável que a entidade 
não será responsabilizada. Entretanto, quando a entidade 
“O termo ‘contingente’ é utilizado para passivos e ativos 
não reconhecidos em virtude de sua existência depender 
de um ou mais eventos futuros incertos que não estejam 
totalmente sob o controle da instituição”. Iudícibus et al 
(2010, p. 333).
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elabora as suas demonstrações contábeis para o exercício 
findo em 31 de dezembro de 20XX, os seus advogados 
aconselham que, dado o desenvolvimento do caso, é pro-
vável que a entidade será responsabilizada.
(a) em 31 de dezembro de 20xx
Obrigação presente como resultadode evento passado 
que gera obrigação, baseado nas evidências disponíveis 
até o momento, em que as demonstrações contábeis foram 
aprovadas, não há obrigação como resultado de eventos 
passados. 
Conclusão – Nenhuma provisão é reconhecida. A ques-
tão é divulgada como passivo contingente, a menos que a 
probabilidade de qualquer saída seja considerada remota.
(b) em 31 de dezembro de 20xx (ano seguinte)
Obrigação presente como resultado de evento passado que 
gera obrigação – Baseado na evidência disponível, há uma 
obrigação presente. Saída de recursos envolvendo benefícios 
futuros na liquidação – Provável.
Conclusão – Uma provisão é reconhecida pela melhor estima-
tiva do valor necessário para liquidar a obrigação. 
As condições para que uma provisão seja reconhecida 
contabilmente serão discutidas no próximo tópico.
3.1.2 Constituição de provisões
O Pronunciamento Técnico CPC 25, em seu item 14, 
determina que uma “provisão” somente deve ser reco-
nhecida quando atender às seguintes condições, de forma 
cumulativa, ou seja, “todas” devem ser atendidas ao 
mesmo tempo:
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Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma pro-
visão deverá ser reconhecida.
O que é uma obrigação presente? É a obrigação que pos-
sui evidências disponíveis de que é provável que ela venha a 
existir. 
O que é um evento passado? É aquele evento/aconteci-
mento que tem condições de criar obrigações. Entende-se que 
uma obrigação é criada quando a sua liquidação for obrigató-
ria, isto é, quando a entidade não tem outra alternativa a não 
ser liquidar a obrigação.
O que é probabilidade de saída de recursos? É a possibili-
dade sobre a qual se tem razoável certeza de que será necessá-
ria a saída de recursos que incorporem benefícios econômicos 
(ativos representados por dinheiro, bens ou direitos) para a 
liquidação da obrigação. 
O que é estimativa confiável? É a estimativa que resulta 
de um conjunto de possibilidades possíveis previstas pela 
entidade para a mensuração do valor a ser provisionado, con-
siderando os riscos e as incertezas envolvidas. Será constitu-
ída pela melhor estimativa de desembolso para a liquidação 
da obrigação na data do Balanço.
Mensuração do valor da provisão ou perda estimada
Já vimos que o “valor estimado” deverá represen-
tar a melhor estimativa de desembolso para a liquidação da 
obrigação, mas como determinar qual é a melhor estimativa? 
Uma 
provisão deve 
ser reconhe-
cida quando:
(a) a entidade tem uma obrigação pre-
sente (legal ou não formaliada) como 
resultado de um evento passado;
(b) seja provável que será necessária 
uma saída de recursos que incorporam 
benefícios econômicos para liquidar a 
obrigação; e
(c) possa ser feita uma estimativa con-
fiável do valor da obrigação.
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O Pronunciamento Técnico CPC 25 assim esclarece:
As incertezas que rodeiam o valor a ser 
reconhecido como uma provisão são 
tratadas por vários meios de acordo 
com as circunstâncias. Quando a pro-
visão a ser mensurada envolve uma 
grande população de itens, a obriga-
ção é estimada ponderando-se todos os 
possíveis desfechos pelas suas proba-
bilidades associadas. O nome para esse 
método estatístico de estimativa é “val-
or esperado”. Portanto, a provisão será 
diferente dependendo de a probabili-
dade de uma perda de um dado valor 
ser, por exemplo, de 60 por cento ou de 
90 por cento. Quando houver uma es-
cala contínua de desfechos possíveis, e 
cada ponto nessa escala é tão provável 
como qualquer outro, é usado o ponto 
médio da escala (CPC 25, item 39). 
O mesmo item do citado pronunciamento fornece o 
seguinte exemplo (adaptado pela autora):
Assim, a entidade irá avaliar a probabilidade de uma 
saída para as obrigações de garantias como um todo. O valor 
esperado do custo das reparações é: 
Uma entidade vende bens com uma garantia segundo a 
qual os clientes estão cobertos pelo custo das reparações 
de qualquer defeito de fabricação que se tornar evidente 
dentro dos primeiros seis meses após a compra. Se forem 
constatados defeitos menores em todos os produtos ven-
didos, a entidade irá incorrer em custos de reparação cor-
respondentes a R$1 milhão. Se forem constatados defeitos 
maiores em todos os produtos vendidos, a entidade irá 
incorrer em custos de reparação de R$4 milhões. A expe-
riência passada da entidade e as expectativas futuras 
indicam que, para o próximo ano, 75 por cento dos bens 
vendidos não terão defeito, 20 por cento dos bens vendi-
dos terão defeitos menores e 5 por cento dos bens vendi-
dos terão defeitos maiores.
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Como ficaria a contabilização dessa provisão? Vamos lá:
Como ficaria esse lançamento em razonetes? Veja a 
seguir.
Cálculo do Valor Estimado
(75 % x 0) 
75% do custo de reparação 
de bens vendidos que não 
terão defeito, ou seja zero. 
+
(20 % x R$1 milhão)
20% do custo de reparação 
de bens vendidos que apre-
sentarem defeitos menores.
+
(5 % de R$4 milhões)
5% do custo de reparação de 
bens vendidos que apresen-
tarem defeitos maiores.
=
R$400.000 = Valor “estimado” da provisão
Essa pode ser considerada a melhor estimativa de valor 
do desembolso necessário a ser feito face à liquidação da 
obrigação presente na data do Balanço.
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Despesas com Provisão 
para Reparos de Bens 
Vendidos
R$400.000 Conta de Resultado
C Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$400.000
Conta de 
Passivo
Valor referente ao provisionamento de 
custos de possíveis reparos em bens 
vendidos
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Constituímos uma provisão, certo? Mas, no caso de 
uma perda estimada, como seria a respectiva contabilização?
Vamos supor a seguinte situação:
Uma entidade tem Duplicatas a Receber, contabiliza-
das em seu Ativo, no valor de R$800.000. Historicamente, ao 
longo dos últimos três anos, foi constatada uma inadimplência 
média de 20% do total das Duplicatas a Receber nesses perí-
odos. Assim, em obediência aos princípios contábeis, a enti-
dade irá constituir uma conta redutora do ativo Duplicatas a 
Receber, a fim de demonstrá-lo pelo seu menor valor, ou seja, 
aquele valor que, provavelmente, será efetivamente recebido. 
Primeiramente, vamos calcular qual seria o valor da 
perda estimada:
Agora vamos contabilizar esse valor:
Despesas c/ Provisão 
p/ Reparos
Provisão para reparos 
de Bens
D C D C
400.000 400.000
400.000 400.000
20% x 800.000 = 160.000
D
Despesa com Perdas 
Estimadas com Crédi-
tos de Liquidação 
Duvidosa
R$160.000 Conta de Resultado
C
erdas Estimadas com 
Créditos de Liquida-
ção Duvidos
R$160.000 Conta de Ativo
Valor referente a perdas estimadas 
para créditos de liquidação duvidosa
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E os razonetes?
No Balanço Patrimonial teríamos:
Mais adiante vamos voltar a conversar sobre essa pos-
sível perda com créditos de liquidação duvidosa. 
Reavaliação do valor das provisões
As provisões constituídas devem ser reavaliadas 
em cada data de Balanço e ajustadas para refletir, exa-
tamente, a melhor estimativa de desembolso para liqui-
dação nessas datas. Quando necessário, as provisões 
devem ser revertidas, parcial ou integralmente ou, ainda, 
complementadas.
No exercício seguinte recalcula-se o valor das perdas 
estimadas e realiza-se nova constituição, após a realização 
das perdas efetivas por meio da baixa dos créditos realmente 
nãorecebidos, como veremos em “perdas estimadas para cré-
ditos de liquidação duvidosa”.
Despesas c/ Perdas 
Estimadas p/ Créditos 
de Liq Duv
Perdas Estimadas 
p/ Créditos de Liq 
Duvidosa
D C D C
160.000 160.000
160.000 160.000
Duplicatas a Receber R$800.000
(-) Perdas Estimadas para Créditos de 
Liquidação Duvidosa
(R$160.000)
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3.1.3 Reversão de provisões e de perdas 
estimadas
As reversões das provisões e das perdas estimadas 
decorrem das respectivas reavaliações realizadas periodica-
mente. Quando não foram utilizadas, tais provisões ou per-
das estimadas devem ser revertidas a crédito do resultado 
e, quando for o caso, constitui-se nova provisão ou perda 
estimada. 
Vamos voltar ao exemplo anterior e supor que, ao final 
do período, somente foram gastos R$320.000 do valor provi-
sionado para reparos em bens vendidos.
Como ficaria o lançamento contábil da reversão de 
parte da provisão anteriormente constituída?
(refazer)
1 – Baixa da provisão pelo valor efetivamente gasto:
2 – Reversão “parcial” da provisão originalmente 
constituída:
Vejam os razonetes:
D Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$320.000
Conta de 
Passivo
C Caixa ou Bancos R$320.000 Conta de Ativo
Valor referente ao pagamento de reparos 
de bens vendidos
D Provisão para Reparos de Bens Vendidos R$80.000
Conta de 
Passivo
C Receita de Reversão de Provisões R$80.000
Conta de 
Resultado
Valor referente à reversão parcial da pro-
visão constituída para custos de reparos 
em bens vendidos
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Da mesma forma, após a reavaliação do valor de uma 
perda estimada, em se constando mudanças no valor origi-
nalmente contabilizado, deve-se proceder a reversão parcial 
ou total desse valor.
Vamos supor que no exemplo dado anteriormente, 
relativo a perdas estimadas para a carteira de Duplicatas a 
Receber, o setor de cobrança da entidade foi extremamente 
eficiente e 30% dos possíveis inadimplentes pagaram seus 
débitos dentro do período base. Conclui-se que metade da 
perda estimada foi desnecessária. Assim, é preciso reverter 
esse valor da perda estimada excedente. 
Vamos calcular qual seria esse valor:
Provisão para reparos 
de Bens Caixa
D C D C
320.000 400.000 320.000
80.000
Provisão para Reparos 
de Bens
Receita de Reversão 
de Provisões
D C D C
320.000
80.000 400.000 80.000
80.000
Perdas estimadas = R$160.000,00
Valor dos débitos liquidados pelos inadimplentes = 30% x 
160.000 = R$48.000,00
Valor da perda estimada realizada = 160.000 – 48.000 = 
R$112.000,00
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Portanto, R$48.000 é o valor da perda estimada a ser 
revertido. 
Vamos contabilizar?
1 – Pelo recebimento dos créditos:
2 – Pela reversão parcial das perdas estimadas:
Os razonetes seriam os seguintes:
1 – Pelo recebimento dos créditos:
D Caixa R$400.000 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$400.000 Conta de Ativo
Recebimento de duplicatas a receber 
de diversos clientes
D
Perdas Estimadas para 
Créditos de Liquida-
ção Duvidos
R$48.000 Conta de Ativo
C Receita de Reversão de Provisões R$48.000
Conta de 
Resultado
Valor referente à reversão parcial de 
provisão constituída para créditos de 
liquidação duvidosa
Caixa Duplicatas a Receber
D C D C
48.000 800.000 48.000
752.000
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2 – Pela reversão parcial da perda estimada
3.1.4 Principais provisões
Sempre que ocorrerem eventos que justifiquem a cons-
tituição de provisões ou o ajuste do valor de ativos pela cons-
tituição de perdas estimadas, elas devem ser realizadas em 
função do que dispõe o Princípio da Prudência.
 São exemplos de provisões:
• Provisão para garantias de produtos, bens ou 
serviços;
• Provisão para riscos fiscais;
• Provisão para riscos trabalhistas;
• Provisão para danos ambientais causados pela 
entidade;
• Provisão para penalidades por quebra de contratos;
• Provisão para contratos de construção;
• Provisão para ajuste ao valor de mercado;
• Provisão para ajuste ao valor presente; entre outras.
• São exemplos de perdas estimadas: 
• Perdas estimadas para créditos de liquidação 
duvidosa;
• Perdas estimadas em estoques;
Perdas estimadas 
para Créditos de Liq 
Duvidosa
Receita de Reversão 
de Provisões
D C D C
48.000 160.000 48.000
112.000 48.000
100
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• Perdas estimadas para redução ao valor realizável 
líquido;
• Perdas estimadas por valor não recuperável de ati-
vos imobilizados; entre outras.
Vamos destacar algumas dessas provisões e perdas 
estimadas para ilustrar o nosso estudo.
Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa
Como visto anteriormente, a constituição de perdas 
estimadas para créditos de liquidação duvidosa condiciona-
-se à existência da incerteza do recebimento pela entidade 
das suas contas a receber.
Há que se ressaltar que tais perdas são “estimadas”, ou 
seja, não são ainda efetivas, razão pela qual a legislação fis-
cal não permite a sua dedução na base de cálculo do Imposto 
de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das 
empresas.
Tal estimativa, no entanto, deve ser feita em consonân-
cia do que é previsto pelas normas internacionais e, também, 
em função do Princípio Contábil da Prudência.
O conceito que embasa a constituição de tal perda, 
segundo Iudícibus et al (2010, p. 57), “é inerente à estimativa 
do valor recuperável do ativo”, visando atender à valorização 
da informação ao usuário da contabilidade, demonstrando o 
real valor que se espera obter em termos de benefícios econô-
micos futuros pelo ativo correspondente.
Mensuração
A mensuração do valor a ser contabilizado como per-
das estimadas em créditos de liquidação duvidosa está con-
dicionada às peculiaridades de cada empresa. Geralmente 
são estudadas as situações que envolvem os clientes já em 
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inadimplência ou, ainda, que já estejam prestes a serem 
declarados inadimplentes, além de outros aspectos relativos 
à probabilidade ou não de recebimentos dos créditos como, 
por exemplo, experiências já ocorridas ou outras mudanças 
no contexto de atuação da entidade.
Como se pode perceber, deve ser feita uma “seleção” 
dos casos que possam ser considerados na composição do 
valor da perda.
Contabilização 
Contabilmente, as perdas com estimativas de crédito 
de liquidação duvidosa contemplam as seguintes situações:
• Constituição da perda estimada (já estudada no 
item 3.1.2);
• Reversão da perda estimada quando constituída 
em excesso, buscando adequá-la ao valor efetivamente 
perdido (já estudada no item 3.1.3);
• Realização da perda estimada quando a entidade 
considerar que os créditos aos quais ela se refere real-
mente não serão recebidos, ou seja, são incobráveis; e
• Baixa dos créditos como perdas efetivas do período 
quando o valor da estimativa já constituída tenha sido 
inferior às perdas realmente incorridas.
Vamos exemplificar as três últimas situações, visto que 
as duas primeiras já foram demonstradas.
1. Realização da perda estimada quando a entidade conside-
rar que os créditos aos quais ela se refere realmente não serão 
recebidos, ou seja, são incobráveis.
No exemplo trabalhado anteriormente, foi consti-
tuída uma perda estimada no valor de R$160.000,00, tendo 
sido revertida posteriormente ao valor de R$48.000,00,102
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permanecendo um saldo de perdas estimadas no valor de R$ 
112.000,00. Os créditos a receber de alguns clientes, no valor 
de R$83.000,00, computado nesse saldo, foi considerado inco-
brável, ou seja, não há qualquer possibilidade de recebimento 
pela entidade em questão. Isso significa que a perda deixou 
de ser “estimada” e passou a ser “realizada”, isto é, tornou-se 
uma perda real. Vejamos como seria a contabilização:
Usando razonetes:
2. Baixa dos créditos como perdas efetivas do período quando 
o valor da estimativa já constituída tenha sido inferior às per-
das realmente incorridas.
Ao final do ano base, a nossa entidade concluiu que a 
sua carteira de duplicatas a receber, na realidade, tinha um 
número maior de créditos “podres”, ou seja, de créditos sem 
condições de recebimento, cujo valor de R$55.000,00 excedia 
D
Perdas Estimadas para 
Créditos de Liquida-
ção Duvidosa
R$83.000 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$83.000 Conta de Ativo
Valor da realização de perdas estima-
das referentes a créditos incobráveis
Perdas Estimadas 
para Créditos de Liq 
Duvidosa
Provisão para reparos 
de Bens
D C D C
48.000
83000 160.000 800.000
48.000
83.000
29.000 669.000
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o saldo das perdas estimadas. Nesse caso, considerando que 
se trata de perda real, o valor excedente deverá ser levado 
diretamente ao resultado do período, da seguinte forma:
Valor das perdas efetivas = R$55.000,00
(-) Saldo das perdas estimadas = (R$29.000,00)
Valor a ser contabilizado como perdas do período = 
R$26.000,00
Os razonetes seriam estes:
Provisão para ajuste ao valor de mercado ou a valor 
justo
Embora muito usada em finanças, a expressão “valor 
de mercado” passou a fazer parte do cotidiano contábil com 
D
Despesas de Vendas/
Perdas com créditos de 
liquidação duvidosa
R$26.000,00 Conta de Resultado
D
Perdas Estimadas para 
Créditos de Liquidação 
Duvidosa
R$29.000,00 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$55.000,00 Conta de Ativo
Valor da realização de perdas efetivas com 
créditos incobráveis
Perdas Estimadas 
para Créditos de Liq 
Duvidosa
Duplicatas a Receber
Perdas Efetivas com 
Créditos de Liq 
Duvidosa
D C D C D C
48.000
83.000
29.000
160.000 800.000 48.000
83.000
55.000
26.000
614.000 26.000
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maior intensidade muito recentemente, assim como a expres-
são “valor justo” (fair value), introduzida juntamente com as 
normas internacionais de contabilidade. Em alguns momen-
tos, essas expressões podem se confundir e significarem a 
mesma coisa.
O valor de mercado é aquele valor que um mercado 
estaria disposto a pagar por um ativo ou a aceitar para a liqui-
dação de um passivo em qualquer data. Assim, subentende-
-se que para que algo seja avaliado a valor de mercado deve 
“existir” um mercado ativo, o que nem sempre ocorre.
O valor justo é o valor de uma transação justa realizada 
com terceiros à organização, sem qualquer tipo de favoreci-
mento, isto é, o quanto alguém de fora da organização estaria 
disposto a pagar por um ativo, ou aceitar para a liquidação de 
um passivo, sem qualquer tipo de concessão. Na realidade, é 
também um valor de mercado, mas independe da existência 
de um mercado ativo, pois pode ser apurado de outras for-
mas, como em técnicas de apreçamento4. Assim, pode-se afir-
mar que, quando houver mercado, o valor justo será o mesmo 
que o praticado nesse mercado.
Muito bem. Mas quando se faz provisão para valor 
de mercado ou valor justo? Em situações muito específicas. 
Por enquanto, a título de exemplo, vamos estudar somente a 
hipótese dos estoques de matérias-primas e outros materiais 
utilizados na produção. Outras situações serão estudadas no 
curso, mais à frente.
No caso dos estoques citados, o § 1º do artigo 183 da Lei 
nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 11.941/08, determina que eles 
tenham seus valores ajustados de forma a refletirem o seu 
valor justo: “preço pelo qual possam ser repostos, mediante 
compra no mercado”, o que significa preço de reposição, ou 
4. Técnicas de apreçamento são técnicas de atribuição de preços
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seja, o quanto tais estoques custariam se fossem adquiridos 
no mercado na data do Balanço. 
Na ocorrência de um valor justo menor que o valor 
contábil, este deverá ser ajustado por meio de uma provisão. 
Essa provisão a valor de mercado dos estoques é chamada 
Perda Estimada para Redução ao Valor Realizável Líquido. 
Bem, vamos ver como funciona na prática?
Imagine que uma indústria moveleira tem em seus 
estoques os seguintes materiais:
Importante:
 ‚ O ajuste do valor dos estoques somente será contabili-
zado quando o valor justo for MENOR que o valor contábil.
 ‚ Deverá ser apurado o custo de reposição de CADA mate-
rial componente do estoque.
Por que valor realizável líquido?
Porque alguns estoques, para serem realizados/vendidos, 
incorrem em despesas como comissões, fretes, taxas, con-
cessão de descontos etc.
O valor realizável líquido é o valor justo descontado de 
todas as despesas necessárias para a realização dos bens 
componentes do estoque.
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C
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PARAFUSOS 1,80 1.500 2.700,00 1,50 0,30
GRAMPOS 0,60 2.000 1.200,00 0,65 -
PREGOS 0,50 3.000 1.500,00 0,60 -
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Somente os parafusos apresentam valor de mercado menor 
que o valor contábil do custo: R$0,30 por peça. Calculemos, então, 
o valor da perda estimada para a redução do valor do estoque de 
parafusos ao valor realizável líquido respectivo:
Portanto, o valor a ser contabilizado como perda esti-
mada para redução do valor do estoque é de R$450,00, uma 
vez que, para os demais itens do estoque não houve a MENOR 
diferença entre o valor do custo e o valor de mercado.
Vamos contabilizar?
O ajuste ao valor justo também é aplicável a outros ati-
vos que, como já foi mencionado, serão estudados no seu devido 
tempo. O objetivo, a esta altura do nosso aprendizado, é conhecer 
esse importante conceito para a gestão financeira das entidades.
Ajuste ao valor presente
Outra expressão corriqueira na área de finanças – 
Ajuste ao Valor Presente. Vamos ver o que ela significa para 
a Contabilidade.
M
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de
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p
ro
vi
sã
o 
≠
PARAFUSOS 1,50 1.500 2.250,00 2.700,00 450,00
D
Despesa com Perda 
Estimada para 
Redução ao Valor 
Realizável Líquido
R$450,00 Conta de Resultado
C
Perda Estimada para 
Redução ao Valor 
Realizável Líquido
R$450,00
Conta de 
Ativo 
(Redutora)
Valor estimado para perdas na 
redução do valor dos estoques ao 
valor realizável líquido
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Iudícibus et al. (2010, p. 103) faz a seguinte afirmação:
A contabilidade sempre teve um de-
safio quando se trata de evidenciar a 
essência das operações referindo-se à 
apuração dos resultados das empresas, 
considerando os jurosembutidos nos 
preços das transações a prazo em rela-
ção aos correspondentes preços à vista.
Sabemos que em qualquer transação a prazo SEMPRE 
haverá a cobrança de juros embutida no respectivo valor. 
É importante conhecer tal valor, visto que ele afeta tanto o 
resultado quanto os ativos das entidades. Como isso ocorre?
Imagine uma entidade que vende seus produtos a 
prazo. Obviamente ela vai embutir o custo financeiro do 
prazo concedido ao cliente no custo do produto. Já vimos 
anteriormente que, ao vender um produto, a contrapartida 
correspondente é a conta de Receita de Vendas, a primeira 
conta que aparece na Demonstração do Resultado e que 
representa a principal fonte de receitas de qualquer empresa.
Para visualizarmos melhor, vamos supor que a indús-
tria moveleira citada anteriormente vendeu, a prazo, em 
determinado período, móveis para escritório no valor de 
R$600.000,00, sendo que R$100.000,00 correspondem aos 
juros embutidos na operação. Vamos contabilizar essa venda: 
D Duplicatas a Receber R$600.000,00 Conta de Ativo
C Receita Bruta de Vendas R$600.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à venda de móveis 
para escritório
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O custo dos produtos vendidos foi de R$300.000,00, 
portanto, seria assim contabilizado:
Na Demonstração do Resultado, teríamos a seguinte 
representação:
Receita Bruta de Vendas R$600.000
(-) Custo dos Produtos Vendidos (R$300.000)
Lucro Bruto R$300.000
A primeira análise que qualquer usuário da informa-
ção contábil faria seria em cima do quanto a entidade está 
obtendo de receita na sua principal atividade – venda de pro-
dutos. Ela é uma indústria que foi criada para obter resul-
tados positivos “fabricando móveis” e não obtendo receita 
financeira de juros, pois não é uma instituição financeira. 
Assim, o referido usuário não conseguirá perceber que 
naquela receita informada como sendo de vendas, existe um 
valor de R$100.000,00 que, na realidade, não provém da ativi-
dade “fabricar móveis”. Esta é a primeira distorção!
Outra distorção no resultado: o custo dos produtos 
vendidos que está sendo confrontado com a receita é o custo 
da atividade, não embute juros e, portanto, tal confrontação 
está distorcendo o lucro bruto.
Sabendo-se que os juros representam a cobrança pela 
diferença do valor do dinheiro no tempo, pode-se afirmar 
que os preços cobrados em transações como essas não corres-
pondem ao valor “efetivo” dessas transações. 
Como fazer, então?
D Estoques R$300.000,00 Conta de Ativo
C Custo dos Produtos Vendidos R$300.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente ao custo dos produtos 
vendidos no período
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Nas operações de curto prazo, os juros embutidos não 
costumam ser relevantes e, portanto, tais distorções são ima-
teriais, mas, em operações de longo prazo, tendem a ser mais 
significativas. Assim, nessas operações de longo prazo, ou 
ainda, nas operações de curto prazo, mas com valores de juros 
significativos, a Lei nº 6.404/76, alterada pela Lei nº 11.638/07, 
determina que “os elementos do ativo decorrentes de opera-
ções de longo prazo serão ajustados ao valor presente, sendo 
os demais ajustados quando houver efeito relevante”.
Tudo bem, entendemos, mas para ajustar tais operações 
temos, primeiro, que entender o que é VALOR PRESENTE 
(VP), certo?
Se utilizarmos o exemplo anterior, qual seria o valor 
presente daquela transação?
Grosseiramente, uma vez que não conhecemos a taxa 
de juros utilizada e nem o prazo das transações, pode-se afir-
mar que o valor presente da operação é:
Em situações reais, a determinação do ajuste ao valor 
presente requer, basicamente, as seguintes informações:
1. O valor do fluxo futuro de caixa (entradas e saídas 
de caixa ocorridas por conta do ativo ou passivo 
analisado);
2. A data em que o fluxo futuro de caixa vai ocorrer;
3. A taxa de desconto a ser utilizada para o cálculo do 
valor presente.
Presente = HOJE, portanto, valor presente é o valor da 
transação, que teria juros embutidos pelo respectivo prazo 
da operação, trazido ao valor de hoje, ou seja, sem esses 
juros. Em outras palavras, valor presente = valor de hoje.
R$600.000,00 (valor da venda) - R$100.000,00 (valor dos 
juros) = R$500.000,00 (VP)
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A taxa de desconto corresponderá à taxa efetiva da 
transação ou, nos casos em que essa taxa não for indicada, 
utiliza-se uma taxa de mercado aplicável, praticada em tran-
sações semelhantes.
O ajuste ao valor presente da nossa transação seria 
contabilizado, no momento da venda, da seguinte forma: 
Assim, no Balanço Patrimonial teríamos a seguinte 
representação no Ativo
À medida que transcorre o prazo da operação, a receita 
financeira correspondente ao ajuste ao valor presente vai 
sendo apropriada de acordo com o regime de competência:
D Receita Bruta de Vendas R$100.000,00
Conta de 
Resultado
C
VP – Receita 
Financeira Comercial a 
Apropriar
R$100.000,00
Conta de 
Ativo 
(Redutora)
Valor referente ao ajuste ao valor pre-
sente de vendas a prazo do período
Duplicatas a Receber R$600.000,00 
(-) VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar (R$100.000,00)
D
VP – Receita 
Financeira Comercial a 
Apropriar
Pelo valor 
da parcela 
mensal dos 
juros
Conta de 
Ativo
C Receita Financeira Comercial Idem
Conta de 
Resultado
Valor referente à apropriação de re-
ceita financeira comercial no período
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Vimos um exemplo sobre uma conta de Ativo, mas e 
para as contas de Passivo, o ajuste ao valor presente também 
é aplicável? Sem dúvida! Se a entidade tem uma obrigação, 
cujo valor contempla juros embutidos, deverá efetuar o ajuste 
da mesma forma.
Para exemplificar, vamos supor que uma entidade 
adquiriu uma máquina a prazo no valor total de R$27.865,00, 
correspondente a cinco parcelas iguais de R$5.573,00. Os 
juros embutidos correspondem a uma taxa de 20% ao ano. 
Quando descontamos os juros do valor total, trazendo-o ao 
seu valor presente, temos que o seu valor real na data da com-
pra é de R$20.000,00, ou seja, o valor dos juros corresponde a 
R$7.865,00. Vamos contabilizar esse ajuste:
No Passivo do Balanço Patrimonial as contas seriam 
demonstradas como segue:
À medida que transcorre o prazo do financiamento, 
o encargo financeiro correspondente ao ajuste ao valor pre-
sente vai sendo apropriado de acordo com o regime de 
competência:
D Máquinas (pelo valor presente) R$20.000,00
Conta de 
Ativo Não 
Circulante
D Encargos Financeiros a Decorrer R$7.865,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
C Financiamentos R$27.865,00 Conta de Passivo
Valor referente ao ajuste ao valor pre-
sente na compra de máquina a prazo
Financiamentos R$27.865,00
Encargos Financeiros a Decorrer (R$7.865,00)
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Os procedimentos ora estudados conferem mais qua-
lidade à informação contábil, visto que as Demonstrações 
Contábeis apresentam maior valor preditivo, possibilitando 
que o usuário da informação a utilize de forma útil no pro-
cesso de tomada de decisões. 
Despesas que não afetam o caixa
Quando pensamos em despesas, a primeira coisa que 
nos vem à cabeça são os gastos, não é mesmo? Em nossa aula 
passada, inclusive, fizemos exatamente essa relação entre gas-
tos e despesas! Mas vejam só: se retomarmos o conceito que 
é dado pela Resolução CFC nº 1374/2011 do Conselho Federal 
de Contabilidade que aprovou a Estrutura Conceitualpara 
Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro 
emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, 
veremos que as despesas não representam só “gastos”. Vamos 
analisar o que nos diz esse normativo:
Despesas são decréscimos nos benefícios 
econômicos durante o período contábil, 
D
Despesa de Encargos 
Financeiros sobre 
Financiamentos
Pelo valor 
da parcela 
mensal dos 
juros
Conta de 
Resultado
C Encargos Financeiros a Decorrer Idem
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente à apropriação de en-
cargos financeiros sobre financiamen-
tos no período
Quer ficar por dentro de assuntos do mercado financeiro? 
Conviver melhor com essas expressões: valor justo, valor 
de mercado, valor presente etc.? Navegue no site: http://
g1.globo.com/economia/mercados/ 
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sob a forma da saída de recursos ou da 
redução de ativos ou assunção de pas-
sivos, que resultam em decréscimo do 
patrimônio líquido, e que não estejam 
relacionados com distribuições aos de-
tentores dos instrumentos patrimoniais5. 
O conceito de despesa deixa claro que ela pode repre-
sentar, além da saída de recursos (gastos), a redução de ati-
vos e, também, a assunção de passivos (compras a prazo para 
consumo) que, principalmente, representam “decréscimo do 
patrimônio líquido”.
Justamente porque as despesas refletem um decrés-
cimo do patrimônio é que elas merecem tanta atenção por 
parte dos gestores e demais interessados na análise do desem-
penho das organizações.
Neste tópico vamos estudar as despesas que não afe-
tam o caixa das entidades, ou seja, aquelas despesas que 
representam reduções de ativos. E quais seriam elas?
Nos tópicos anteriores desta aula vimos algumas des-
sas despesas – as provisões e perdas estimadas – que não 
constituem saídas de caixa, mas que reduzem os ativos e o 
patrimônio líquido das entidades. Tais despesas são cons-
tituídas com a finalidade de reduzir os ativos a seus valo-
res realizáveis, proporcionando maior transparência às 
Demonstrações Contábeis e, portanto, maior confiabilidade 
nesses demonstrativos por parte dos seus usuários.
Neste tópico, vamos estudar mais algumas despesas 
que também não representam saídas de caixa, mas, sim, o 
desgaste ou a amortização de ativos que, por outro lado, irão 
reduzir os ativos que se referem a seus valores realizáveis.
Como comentamos ligeiramente no início, conhecer 
essas despesas é de fundamental importância para diversos 
5. Grifo nosso
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fins de análise, mas, sobretudo, no que se refere à gestão finan-
ceira das organizações. Tanto é assim, que elas são expurgadas 
do cálculo de um dos indicadores financeiros mais utiliza-
dos atualmente – o EBITDA – Earning Before Interest, Taxes, 
Depreciation and Amortization que, traduzido literalmente 
para o português, significa “lucro antes dos juros, impostos, 
depreciação e amortização”, o qual vamos aprender a usar 
futuramente. Por ora, vamos conhecer tais despesas.
Depreciação do Imobilizado
Os bens do Ativo Imobilizado têm um tempo limi-
tado de durabilidade, exceto os terrenos que não têm limi-
tação para sua vida econômica. Todos os demais sofrem 
desgaste pelo uso ou outras intercorrências como, por 
exemplo, obsoletismo, muito comum em equipamentos 
de alta tecnologia.
Assim, sempre considerando que os ativos devem ser 
demonstrados pelo seu valor realizável, o desgaste pelo uso 
ou o esgotamento gradual da vida econômica desses ativos 
deve ser refletido na contabilidade. Por outro lado, conside-
rando que tal desgaste contribui para a geração das receitas 
da entidade, eles devem ser confrontados com tais receitas na 
demonstração dos resultados.
Exemplo: O desgaste da máquina na preparação da 
terra para a plantação deve, necessariamente, ser computado 
na apuração do resultado em função da sua contribuição para 
a geração da receita na venda do produto final obtido.
Está curioso? Quer saber um pouco mais sobre o EBITDA 
antes de estudarmos esse assunto? Consulte o site: http://
www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/2876970/
apos-abusos-calculo-do-ebitda-agora-e-lei 
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A seguir, podemos observar um exemplo de obsoles-
cência muito comum no caso de bens que envolvem tecno-
logia. Dependendo do segmento de atuação da entidade, ela, 
necessariamente, deverá trocar seus equipamentos, periodi-
camente, em função da necessidade de acompanhar sua evo-
lução tecnológica. 
Exemplo de obsolescência: Evolução de equipamentos. 
Sobre o assunto, a legislação determina que:
A diminuição do valor dos elementos 
dos ativos imobilizado e intangível 
será registrada periodicamente nas 
contas de: (a) depreciação, quando cor-
responder à perda de valor dos direitos 
que têm por objeto bens físicos sujeitos 
a desgastes ou perda de utilidade por 
uso, ação da natureza ou obsolescência 
(...) (Lei nº 6.404/76, art. 183 § 2º). 
Ressalte-se que a legislação não menciona percentu-
ais ou qualquer outra regra para que seja apurado o valor do 
desgaste, ela cita somente “perda de valor”, de onde se pode 
depreender que qualquer outro parâmetro de medida que não 
seja o desgaste efetivo do bem pelo uso, ação da natureza ou 
obsolescência tem outros fins que não o de retratar o valor rea-
lizável do ativo, como os percentuais determinados pela legis-
lação fiscal. Tais percentuais têm efeito exclusivo na apuração 
de tributos e não devem se sobrepor às normas contábeis.
Assim, os valores a serem depreciados devem ser men-
surados de forma a retratar a perda do benefício econômico 
que o bem é capaz de gerar ao longo do tempo, trazendo o 
ativo respectivo ao seu valor realizável na data do Balanço. 
IMPORTANTE: Não confundir legislação fiscal com 
Normas Contábeis!
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Evidentemente que deve ser considerada a relação entre o 
custo e o benefício de se manter um critério apurado na men-
suração desses valores, além de sua materialidade quando 
comparados com os percentuais permitidos pela legislação 
fiscal para esse cálculo.
Valor depreciável
Para determinar o valor a ser depreciado, deverá ser 
considerado o valor estimado da vida útil econômica do bem 
e seu valor residual6, considerando as condições gerais do 
respectivo uso, as características técnicas e outros fatores que 
possam influenciar essa estimativa. 
O valor a ser apropriado a título de depreciação de 
cada bem do Ativo Imobilizado deve ser determinado pela 
diferença entre o valor de custo do bem e o seu valor residual. 
Tal valor deverá ser apropriado, periodicamente, no decorrer 
da vida útil estimada do bem. 
O valor residual e a vida útil de um ativo imobili-
zado devem ser reavaliados, no mínimo, uma vez por ano, 
regularmente.
A estimativa de vida útil econômica de um bem do 
Imobilizado é definida tomando-se por base o tempo de utili-
dade esperada para o ativo que, segundo Iudícibus et al (2010, 
p. 249), pode ser traduzida no:
• Período de tempo durante o qual a entidade espera 
utilizar o ativo; ou
• Número de unidades de produção ou unidades 
semelhantes que a entidade espera obter pela utiliza-
ção do ativo.
6. Valor residual é o valor que a entidade espera obter por um ativo ao final da sua vida útil, líquido 
dos custos necessários para a sua venda, com razoável certeza.
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O Pronunciamento Técnico – CPC 27 – Ativo 
Imobilizado cita anecessidade de se considerar os seguintes 
fatores na determinação da vida útil de um ativo:
• Uso esperado, avaliado com base na capacidade de 
produção física esperada do ativo;
• Desgastes físicos normais relacionados a fatores 
operacionais como uso em vários turnos, manutenção, 
reparos, entre outros;
• Obsolescência técnica ou comercial por mudanças 
ou melhorias na produção ou demanda pelo produto 
gerado pelo ativo;
• Limites legais, contratuais ou semelhantes ao tempo 
de uso do ativo (leasing, por exemplo).
Métodos de cálculo da depreciação
Mensurado o valor depreciável do item do Imobilizado, 
deve-se adotar um dentre os vários métodos para calcular a 
depreciação a ser contabilizada periodicamente. O método 
escolhido também deve ser revisado, no mínimo, anual-
mente. A seguir, vamos estudar os métodos mais tradicionais 
para o cálculo da depreciação.
Método das quotas constantes
Esse método é utilizado pela grande maioria das 
empresas, sendo conhecido como método linear. Sua apu-
ração consiste em dividir o valor depreciável pelo tempo de 
vida útil do bem, sendo representado pela seguinte fórmula:
Exemplo: Suponha um bem do Imobilizado com as 
seguintes características:
Depreciação = (Valor de custo do bem - valor residual) ÷ 
vida útil
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• Custo = R$10.000,00
• Vida útil estimada = 5 anos, correspondente a 60 
meses
• Sem valor residual estimado
A quota mensal de depreciação será: R$10.000,00 ÷ 60 
= R$166,67 a.m.
Método da soma dos dígitos dos anos
Esse método é outra forma, também linear, de calcular 
a depreciação. Sua apuração consiste em:
• Soma dos algarismos que compõem o número de 
anos de vida útil do bem;
• Determinação do valor da depreciação anual utili-
zando uma fração em que o denominador é a soma dos 
algarismos, obtida em (a), e o numerador corresponde 
a (n) no primeiro ano, (n-1) no segundo ano, (n-2) no 
terceiro ano e assim por diante, adotando-se para “n” o 
número total de anos de vida útil esperada.
Exemplo: Utilizando os mesmos dados do exemplo 
anterior, tem-se:
Vida útil de 5 anos => 1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15 (denomina-
dor da fração)
Frações: 5 / 15; (5 - 1) / 15; (5 – 2) / 15; (5 – 3) / 15; (5 – 4) / 15 
Como pode ser observado na tabela acima, trata-se de 
um método que contempla valores maiores de depreciação no 
início da vida útil do bem e valores menores para o seu final, 
partindo do pressuposto de que os bens, quanto mais novos, 
menos precisam de manutenção e reparos. 
Ano Fração Valor depreciável Depreciação anual
1 5 / 15 10.000 3.333,33
2 (5 - 1) / 15 10.000 2.666,67
3 (5 – 2) / 15 10.000 2.000,00
4 (5 – 3) / 15 10.000 1.333,33
5 (5 – 4) / 15 10.000 665,67
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Método de unidades produzidas
Trata-se de um método que tem por base uma estima-
tiva do número total de unidades que devem ser produzidas 
pelo bem a ser depreciado. A quota anual é calculada utili-
zando a seguinte fórmula:
 
O resultado obtido será uma fração que representará o 
percentual de depreciação a ser aplicado no ano. É um método 
de aplicação restrita, visto que exige estimativas nem sempre 
possíveis de serem realizadas com todos os tipos de bens.
Método de horas de trabalho
Este método baseia-se na representação da estimativa 
de vida útil do bem em horas de trabalho, sendo que para o 
cálculo da quota anual é utilizada a seguinte fórmula:
Como vimos, há várias formas de calcular o valor 
da depreciação e aqui abordamos somente algumas delas. 
Vamos, então, aprender como contabilizá-la:
no de unidades produzidas no ano X
no de unidades estimadas a serem
produzidas durante a vida útil do bem
Quota de 
Depreciação 
Anual
=
no de horas de trabalho no período X
no de horas de trabalho estimadas 
durante a vida útil do bem
Quota de 
Depreciação 
Anual
=
D
Despesas de 
Depreciação (ou Cus-
tos de Produção7)
Pelo valor da 
parcela men-
sal da quota 
de deprecia-
ção
Conta de 
Resultado 
(ou de Ativo, 
quando for 
custo)
C Depreciação Acumulada Idem
Conta de 
Resultado
Valor referente à quota de depreciação 
do período
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Experimente fazer a contabilização em razonetes!7
Aspectos importantes relativos à depreciação do Ativo 
Imobilizado
Vamos salientar alguns aspectos que merecem espe-
cial atenção:
• A depreciação de um bem deve ser reconhecida a 
partir do momento em que o Imobilizado a ser depre-
ciado está “disponível para uso”, ou seja, está no local 
e nas condições necessárias para começar a funcionar.
• Quando o bem deixar de pertencer ao Ativo 
Imobilizado, ou seja, quando não for mais utilizado no 
processo produtivo e for destinado à venda, a respec-
tiva depreciação deve parar de ser reconhecida.
• A vida útil do bem deve ser reavaliada periodicamente 
e as quotas de depreciação ajustadas, quando necessário. 
Vimos que as despesas de depreciação não afetam 
o caixa da entidade, no que se refere à contrapartida como 
saída de caixa, mas vale salientar que alguns autores defen-
dem outra posição. Iudícibus et al (2010, p. 248), por exem-
plo, defende que, indiretamente, afeta sim, visto que houve 
uma saída de caixa para aquisição do bem que está sendo 
depreciado e que tal saída deve ser recuperada pelas receitas 
geradas pela empresa. Mas não vamos entrar no mérito dessa 
discussão por enquanto. O fato é que, usualmente, as análises 
financeiras consideram tais despesas como não representati-
vas de saídas de recursos. 
Amortização e Exaustão
• Amortização 
O significado do termo amortização, aqui utilizado, 
7. Custos de Produção: quando se tratar de bens utilizados diretamente na produção de bens ou ser-
viços, a depreciação deve compor o custo desses bens ou serviços.
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não deve ser confundido com o que se usa quando se paga 
uma parcela de qualquer dívida, isto é, com “amortização 
de dívidas” ou quaisquer outros. A amortização que vamos 
estudar agora diz respeito à perda de valor do capital apli-
cado em certos direitos.
O artigo 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76, já citado anterior-
mente, define em seu item “b”, o que vem a ser a amortização 
de que vamos tratar, determinando que:
A diminuição do valor dos elementos 
dos ativos imobilizado e intangível será 
registrada periodicamente nas contas 
de: (...) (b) Amortização, quando cor-
responder à perda do valor do capital 
aplicado na aquisição de direitos de 
propriedade industrial ou comercial e 
quaisquer outros com existência ou ex-
ercício de duração limitada, ou cujo ob-
jeto sejam bens de utilização por prazo 
legal ou contratualmente limitado (...) 
(Lei nº 6.404/76, art. 183 § 2º). 
No que se refere à diminuição dos elementos dos ativos 
imobilizados, já foi estudada a depreciação, restando, portanto, 
os elementos do ativo intangível. Vamos defini-lo só para com-
preendermos quando estarão ou não sujeitos à amortização. 
Oportunamente, voltaremos a estudá-lo em detalhes.
Os ativos intangíveis, como o próprio nome sugere, 
são ativos que não são visivelmente identificáveis. O 
Pronunciamento Técnico – CPC 04 – Ativos Intangíveis 
o define como sendo um “ativo não monetário identificá-
vel sem substância física”, em outras palavras, sem “corpo”. 
Normalmente, representam os direitos citados no artigo 183, 
anteriormente mencionado. São exemplos de intangíveis: 
marcas e patentes, softwares, direitos de exploração de ser-
viços públicos mediante concessão ou permissão do Poder 
Público, fundo de comércio adquirido,entre vários outros.
A amortização ou não de uma ativo intangível está 
condicionada à sua vida útil: 
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• Ativo com vida útil definida (vida útil conhecida) – 
amortizável (amortization approach);
• Ativo com vida útil indefinida (ilimitada ou impos-
sível de determinar de maneira confiável) – não amorti-
zável, mas sujeito a testes de recuperação (impairment 
approach).
Nosso foco, portanto, são os ativos intangíveis com 
vida útil definida, sujeitos a amortização.
O valor amortizável do ativo intangível é o seu custo, 
partindo-se do pressuposto de que tal ativo não terá valor 
residual. Abaixo destacamos os pontos importantes que cons-
tam do item 97 do CPC 04, já citado, que normatiza o trata-
mento dos ativos intangíveis:
• O valor amortizável do ativo intangível deve ser 
apropriado, sistematicamente, ao longo da sua vida 
útil;
• A amortização é iniciada a partir do momento em 
que o ativo intangível estiver disponível para uso, 
quando for o caso;
• A amortização deverá cessar quando o ativo intan-
gível correspondente for classificado como mantido 
para venda ou na data de sua baixa, o que ocorrer 
primeiro;
• A despesa de amortização deve ser reconhecida no 
resultado.
Métodos de cálculo da amortização
O método de amortização a ser utilizado deve refle-
tir o padrão de consumo pela entidade dos benefícios eco-
nômicos futuros que serão gerados pelo ativo intangível 
respectivo. Se esse padrão de consumo não for possível de 
ser determinado, a amortização deve ser feita utilizando 
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o método linear, ou seja, dividir o valor amortizável pelo 
tempo da vida útil determinada.
Em outras palavras, uma entidade adquire um ativo 
intangível esperando que ele gere benefícios econômicos 
futuros, aliás, essa é uma das condições básicas para que um 
bem ou direito seja considerado como ativo, certo? O padrão 
de consumo desse benefício dependerá da sua natureza. Por 
exemplo, uma entidade adquire o direito de utilizar a marca 
de um produto por tempo determinado. O padrão de con-
sumo desse direito dependerá de como a entidade pretende 
explorar essa marca.
Quanto ao método linear, este é bem transparente. 
Vamos exemplificar utilizando um ativo intangível muito 
comum em todas as empresas – softwares. Supondo que uma 
entidade adquira um software específico para as suas ativi-
dades com prazo de vida útil de dois anos por R$50.000,00. A 
quota de amortização mensal corresponderá a:
R$50.000,00 ÷ 24 meses = R$2.083,33 
A contabilização da quota de amortização seria a 
seguinte: 
Com relação aos ativos intangíveis com vida útil inde-
finida, voltaremos a eles no decorrer do curso.
• Exaustão
A exaustão é aplicada a ativos representados por recur-
sos naturais, como minas, jazidas etc. Tais recursos, à medida 
que são explorados, se exaurem, ou seja, se desgastam.
D Despesa de Amortização R$2.083,33
Conta de 
Resultado
C Amortização Acumulada R$2.083,33
Conta de 
Ativo
Valor referente ao ajuste à quota de 
depreciação do período
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O objetivo da exaustão, segundo Iudícibus (2010, p. 
251), é “distribuir o custo dos recursos naturais durante o 
período em que tais recursos são extraídos ou exauridos”.
Método de cálculo da exaustão
Para o cálculo do valor a ser contabilizado como exaus-
tão, utiliza-se o método de unidades produzidas/extraí-
das. Encontra-se o percentual correspondente a extração do 
recurso natural no período em relação à possança8. Esse cál-
culo pode ser representado pela seguinte equação:
Encontrado esse percentual, ele deve ser aplicado ao custo 
de aquisição ou de prospecção dos recursos naturais explorados.
Exemplo: Suponhamos que em determinado ano, uma 
mineradora extraiu 10.000 toneladas de minério de ferro de 
sua mina, cuja possança total era de 100.000 toneladas. Vamos 
calcular o percentual de exaustão:
10.000 t ÷ 100.000 t = 10% 
Aplicando esse percentual ao valor contábil das jazidas 
de R$50.000,00, tem-se:
R$50.000,00 x 10% = R$5.000,00 – valor da quota de 
exaustão do período.
Contabilizando: 
8. Possança: termo utilizado em geologia para representar a espessura de um estrato geológico (cada 
uma das camadas de rochas sedimentares); capacidade de produção de uma mina ou jazida.
Extração do período
Possança total
Quota de 
Exaustão %
=
D Despesa de Exaustão R$5.000,00 Conta de Resultado
C Exaustão Acumulada R$5.000,00 Conta de Ativo
Valor referente à quota de exaustão do 
período
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O objetivo da exaustão, segundo Iudícibus (2010, p. 
251), é “distribuir o custo dos recursos naturais durante o 
período em que tais recursos são extraídos ou exauridos”.
Método de cálculo da exaustão
Para o cálculo do valor a ser contabilizado como exaus-
tão, utiliza-se o método de unidades produzidas/extraí-
das. Encontra-se o percentual correspondente a extração do 
recurso natural no período em relação à possança8. Esse cál-
culo pode ser representado pela seguinte equação:
Encontrado esse percentual, ele deve ser aplicado ao custo 
de aquisição ou de prospecção dos recursos naturais explorados.
Exemplo: Suponhamos que em determinado ano, uma 
mineradora extraiu 10.000 toneladas de minério de ferro de 
sua mina, cuja possança total era de 100.000 toneladas. Vamos 
calcular o percentual de exaustão:
10.000 t ÷ 100.000 t = 10% 
Aplicando esse percentual ao valor contábil das jazidas 
de R$50.000,00, tem-se:
R$50.000,00 x 10% = R$5.000,00 – valor da quota de 
exaustão do período.
Contabilizando: 
8. Possança: termo utilizado em geologia para representar a espessura de um estrato geológico (cada 
uma das camadas de rochas sedimentares); capacidade de produção de uma mina ou jazida.
Extração do período
Possança total
Quota de 
Exaustão %
=
D Despesa de Exaustão R$5.000,00 Conta de Resultado
C Exaustão Acumulada R$5.000,00 Conta de Ativo
Valor referente à quota de exaustão do 
período
Muito bem, encerramos o que pretendíamos estudar 
nesta aula. Quantos conceitos novos e importantes, não é? 
Antes de finalizarmos, vamos, como de hábito, refletir sobre 
o que aprendemos e verificar se alcançamos ou não os objeti-
vos propostos no início da aula.
 
Se ficou alguma dúvida, não siga adiante! Volte e tente 
sana-la antes de começar a Aula 4. Mas, se está confortável com 
o aprendizado até aqui, vamos em frente. Na aula 4 o desafio 
será elaborarmos juntos um demonstrativo contábil de funda-
mental importância para a avaliação do desempenho da enti-
dade – a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Entendemos a diferença entre “provisões” e “previsões”?
 ‚ Aprendemos como usar corretamente o termo “provi-
são”, de acordo com o seu real significado?
 ‚ Sabemos contabilizar as principais provisões contábeis?
 ‚ Conhecemos e sabemos contabilizar as principais despe-
sas que não afetam o caixa?
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Vamos relembrar?
Nesta aula, foram abordados conceitos importantes que 
auxiliam em diversas análises sobre o patrimônio e a 
gestão financeira das entidades.
Vimos os conceitos de provisões e a sua diferença em 
relação às previsões para cumprimento de obrigações e 
constatamos que:
 - Os valores que correspondem a perdas estimadas pela 
não realização de ativos (contas redutoras) devem ser tra-
tados como: PERDAS ESTIMADAS; 
- Os valores resultantes de obrigações reais (contas a 
pagare provisões derivadas de apropriações por compe-
tência) devem ser tratados como: VALORES A PAGAR; 
e que 
- As provisões sobre as quais há incertezas sobre os pra-
zos e os valores de realização devem ser tratadas como: 
PROVISÕES.
Também conhecemos os conceitos e aprendemos a con-
tabilizar a constituição e a reversão de algumas perdas 
estimadas e provisões, entre elas a de Perdas Estimadas 
para Créditos de Liquidação Duvidosa, uma das mais 
conhecidas.
Na sequência, estudamos também os conceitos de valor 
justo e de valor presente que, por sua vez, são causas de 
ajustes que, assim como as perdas estimadas e as pro-
visões, têm por finalidade trazer ativos e passivos aos 
seus valores efetivos de realização na data do Balanço 
Patrimonial. 
Por fim, foram abordadas as despesas que, assim como as 
provisões constituídas e as perdas estimadas, não afetam 
diretamente o caixa, como a depreciação, a amortização 
e a exaustão.
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Questões para reflexão e 
autoaValiaÇão
Para consolidar os conceitos sobre PECLD – Perdas Estima-
das com Créditos de Liquidação Duvidosa –, vamos resolver 
uma questão de concurso público. Mas, veja só, o aprendiza-
do autônomo, para ser produtivo e eficaz, requer que desa-
fiemos nossas dificuldades, o que significa que não devemos 
olhar a solução antes de tentarmos resolver a questão. Assim, 
resista bravamente à tentação de olhar a resposta! 
Prova: ESAF - 2012 - Receita Federal - Analista Tributário da Re-
ceita Federal - Prova 2 - Área Informática. Disciplina: Contabilidade 
Geral. Assuntos: Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Du-
vidosa - PECLD (antiga PDD)
A empresa Confiante Ltda. apresenta a seguinte movimenta-
ção com créditos a receber e clientes: 
• No balanço de 2010, em 31/12: tinha créditos a rece-
ber de R$2.800,00 e provisão para perdas prováveis de 
R$84,00.
• Durante o exercício de 2011, contabilizou o recebi-
mento de créditos R$980,00; a baixa por não recebimento 
R$120,00; a incorporação de novos créditos a receber 
R$1.700,00; o desconto de duplicatas no banco R$500,00. 
Em 31/12/2011, para fins de balanço, deverá fazer um nova 
provisão para perdas prováveis, no montante de:
a) R$51,00
b) R$84,00
c) R$87,00
Dica: Para resolver a questão use razonetes, pois facilita 
o raciocínio. 
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d) R$102,00
e) R$171,00
Solução: 
Vamos montar os razonetes e fazer os lançamentos contábeis 
dos eventos indicados no enunciado:
No balanço de 2010, em 31/12, havia créditos a receber de R$ 
2.800,00 e provisão para perdas prováveis de R$84,00. Portan-
to, esses são os saldos iniciais (SI) de 2011.
Acompanhe os débitos e os créditos pelos números indicados 
em cada lançamento: 
(1) Em 2011, recebimento de créditos R$980,00;
(2) Em 2011, baixa por não recebimento R$120,00;
• Aqui, tem-se que foi efetuada uma baixa de crédito 
incobrável de R$120,00, ou seja, houve uma perda real 
de R$120,00. Ora, parte desse total já era uma perda 
Contas a 
Receber
(SI) 2.800 980 (1)
(3) 1.700 120 (2)
PECLD
(2) 84 84 (SI)
51 (5)
Bancos Conta 
Movimento
(1) 980
(4) 500
Receitas de 
Vendas
1.700 (3)
Duplicatas 
Descontadas
500 (4)
Despesas 
com PECLD
(2) 36
(5) 51
(SF) 87
(SI) = Saldo Inicial (2010) (SF) = Saldo Final
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estimada -R$84,00, portanto, essa estimativa deve ser 
baixada. Veja que, na realidade, essa perda foi consti-
tuída em 2010 e, portanto, foi computada no resultado 
daquele ano. 
• Mas o valor baixado foi de R$120,00, certo? Isso sig-
nifica que, se der o total de R$84,00, refere-se a des-
pesas de 2010. A diferença, isto é, R$36,00, refere-se a 
despesas de 2011, razão pela qual deve ser apropriada 
para débito da respectiva conta.
(3) Em 2011, incorporação de novos créditos a receber 
R$1.700,00;
(4) Em 2011, desconto de duplicatas no banco R$500,00; 
(5) Em 2011, constituição de perdas estimadas no valor de 
R$51,00.
Sabe-se que o percentual de perdas estimadas utilizado pela 
entidade é de 3%. Esse percentual aplicado pelos créditos in-
corporados em 2011 representa o valor de R$51,00, portanto, 
este é o valor que deve ser contabilizado relativo às perdas 
estimadas sobre esses novos créditos.
Assim, conclui-se que o total de perdas estimadas constituí-
das em 2011 corresponderá a:
A alternativa correta, portanto, é a “c) R$87,00”
E aí? Acertou?
Sim? Parabéns!
Não? Refaça passo a passo os seus cálculos para saber onde 
errou.
R$1.700,00 x 3% = R$51,00
R$36,00 (créditos já baixados) + R$51,00 = R$87,00
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DOMINGUES, J. C. de A.; GODOY, C. R. Redução ao valor 
recuperável de ativos: um estudo nas empresas do setor pe-
trolífero mundial. Revista de Educação e Pesquisa em Con-
tabilidade. v. 6, nº 4 (2012). Disponível em: http://www.repec.
org.br/index.php/repec/article/view/306/679 
li n Ks i n dica dos
www.cfc.org.br 
www.cpc.org.br 
www.receita.fazenda.org.br 
r ef er Ênci as
GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási-
cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
IUDÍCIBUS, S. et al. Manual de contabilidade societária. São 
Paulo: Atlas, 2010.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: 
Atlas, 2006
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( 4 )
Demonstração do resultado do 
exercício 
Olá prezados alunos, 
Vamos abrir mais uma porta?
Vocês notaram que não fechamos nenhuma, só abri-
mos? Sabem por quê? Porque a Contabilidade, como toda 
ciência ou área do conhecimento, deve estar sempre sendo 
estudada, atualizada! Além disso, estamos só começando a 
nossa trajetória nessa área fascinante! Estamos nos prepa-
rando para abrir cada vez mais portas de conhecimento para 
nos tornarmos profissionais de alto nível, certo?
Somos iniciantes no estudo da Ciência Contábil, mas, 
vejam só, esta já é nossa quarta aula – metade da primeira 
parte do caminho.
Nesta aula, vamos dar continuidade ao que já apren-
demos sobre o “resultado” das entidades. Já sabemos que 
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uma entidade pode obter lucro ou prejuízo ou, ainda, supe-
rávit ou déficit, se não tiver fins lucrativos, de acordo com o 
desempenho apresentado em determinado período. O rela-
tório ou demonstrativo contábil que retrata esse desempe-
nho, por meio da sua representação na forma de contas de 
receitas e de despesas, é a Demonstração do Resultado do 
Exercício – DRE.
O Balanço Patrimonial das entidades nos dá condi-
ções de entender e analisar o comportamento dos respectivos 
patrimônios, mas, para avaliarmos quais são os resultados 
que estão sendo gerados por esses patrimônios, precisamos 
complementar nossa análise como a DRE, pois nela sabe-
remos o quanto a entidade está auferindo de receitas com 
a venda de seus produtos, por exemplo, ou quanto ela está 
tendo de custos nas suas operações, entre outros importan-
tes detalhes.
Nossos objetivos nesta quarta aula serão:
Visando conduzir o aprendizado de forma sequen-
cial e lógica na busca desses objetivos, a aula será assim 
estruturada:
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecer e aplicar as normas de reconhecimento de 
receitas e despesas de acordo com as Normas Brasileiras 
de Contabilidade, já em consonância com as Normas 
Internacionais de Contabilidade – IFRS;
 ‚ Conhecer o escopo básico da Demonstração do Resultado 
do Exercício;‚ Calcular o Custo das Mercadorias Vendidas – CMV;
 ‚ Conhecer as características de cada subgrupo de contas 
representadas na DRE;
 ‚ Elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício 
– DRE
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4.1 Reconhecimento de Receitas e Despesas conforme 
IFRS
4.1.1 Receita bruta de vendas
4.1.2 Deduções da receita bruta
 IPI – Imposto sobre Produtos Industriali-
zados 
 Vendas canceladas e devoluções
 Descontos incondicionais e abatimentos 
 Tributos incidentes sobre vendas
4.1.3 Deduções da receita operacional líquida 
 CPV - Custo dos Produtos Vendidos
 CSP - Custo dos Produtos Prestados 
 CMV - Custo das Mercadorias Vendidas
4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais
 Despesas com vendas
 Despesas financeiras
 Receitas financeiras
 Despesas administrativas
 Outras despesas operacionais
 Outras receitas operacionais
4.1.5 Outras receitas e outras despesas
4.1.6 Outras deduções
 CSLL e IRPJ
 Participações e contribuições sobre o lucro 
 
Preparados? Então, vamos lá!
Bom estudo a todos!
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4.1
Reconhecimento de receitas e 
despesas conforme as IFRS
Reconhecer receitas ou despesas de acordo com as 
IFRS – Normas Internacionais de Contabilidade, nada mais 
é do que aplicar corretamente as Normas Brasileiras de 
Contabilidade, visto que, salvo poucas exceções, já contem-
plam, praticamente na íntegra, aquelas normas. A referência 
às IFRS visa somente destacar esse momento importante que 
a área contábil está vivendo, ressaltando que o dia a dia da 
contabilidade já deve estar sendo conduzido com a certeza de 
que estamos inseridos nesse ambiente internacional. 
Reconhecer dados no Balanço Patrimonial ou na 
Demonstração do Resultado, segundo o disposto na 
Resolução CFC nº. 1374/11, que aprovou o Pronunciamento 
Conceitual Básico “Estrutura Conceitual para Elaboração e 
Apresentação das Demonstrações Contábeis”, emitido pelo 
CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), consiste na 
incorporação nesses demonstrativos de itens que se enqua-
drem na definição de “elemento” e que satisfaçam os respec-
tivos critérios de reconhecimento.
Calma. Parece difícil, mas não é! Temos que nos acos-
tumar com a linguagem utilizada nos normativos contábeis 
e legais.
Primeiro vamos entender o que vem a ser um 
“elemento” de uma demonstração contábil. O Balanço 
Patrimonial, nosso velho conhecido, por exemplo é composto 
de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, certo? Pois bem, esses 
são os elementos que o compõem. 
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Agora ficou fácil responder quais são os elementos da 
Demonstração de Resultado, não é? Vamos pensar juntos: o 
resultado de uma entidade é composto de receitas e despesas, 
logo, se queremos demonstrar esse resultado, teremos que 
fazê-lo demonstrando os seus componentes, ou seja, os seus 
elementos – receitas e despesas.
Muito bem. Quando a norma cita que “reconhecimento 
é o processo de incorporação dos elementos” no demonstra-
tivo contábil, ela está querendo dizer, no caso da DRE, que 
“reconhecimento é incorporar as receitas e as despesas na 
demonstração do resultado”. Mas, basta “incorporar” sim-
plesmente? Não! Esses elementos têm que satisfazer outras 
condições, primeiro para serem classificados como recei-
tas ou despesas (o que já estudamos na Aula 2) e, segundo, 
devem atender aos seguintes requisitos, de acordo com o item 
4.38 da citada Resolução: 
(a) Seja provável que algum benefício econômico futuro 
associado ao item (Ativo, Passivo, Receita ou Despesa) 
flua para a entidade (entradas de bens ou direitos) ou 
flua da entidade (saídas de bens ou de direitos); e
(b) Que o item tenha custo ou valor que possa ser men-
surado com confiabilidade9 10.
Então, no que se refere à Demonstração do Resultado, 
o que a norma diz é que devem ser demonstradas as recei-
tas e despesas que significarão entradas ou saídas de recur-
sos e que devem ser mensuradas de forma completa, neutra 
e livre de erro.
Viu como não é difícil?
Mas, por que não dizer logo com palavras simples e 
objetivas? Porque essa é a linguagem formal dos normativos 
9. A informação é confiável quando ela é completa, neutra e livre de erro.
10. O texto da norma foi adaptado pela autora para melhor entendimento.
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e precisamos nos acostumar com ela, sabermos interpreta-la. 
Iremos conviver com ela o resto de nossas vidas e ela não 
vai mudar. É por isso que é importante lermos muito e nos 
aprimorarmos na interpretação de textos, além de estudar-
mos Contabilidade.
Para demonstrar as receitas e despesas na DRE, deve-
-se, também, seguir alguns critérios, assim descritos na 
Resolução do CFC nº. 1374/11:
As receitas e as despesas podem ser 
apresentadas na demonstração do re-
sultado de diferentes maneiras, de 
modo a serem prestadas informações 
relevantes para a tomada de decisões 
econômicas. Por exemplo, é prática 
comum distinguir os itens de receitas 
e despesas que surgem no curso das 
atividades usuais da entidade daqueles 
que não surgem. Essa distinção é feita 
considerando que a origem de um item 
é relevante para a avaliação da capaci-
dade que a entidade tem de gerar caixa 
ou equivalentes de caixa no futuro. Por 
exemplo, atividades incidentais como 
a venda de um investimento de longo 
prazo são improváveis de voltarem a 
ocorrer em base regular. Quando da 
distinção dos itens dessa forma, deve-se 
levar em conta a natureza da entidade e 
suas operações. Itens que resultam das 
atividades usuais de uma entidade po-
dem não ser usuais em outras entidades 
(Resolução CFC nº. 1374/11 – item 4.27). 
Desse texto, pode-se ressaltar, principalmente:
• A priorização de informações relevantes, o que sig-
nifica que devem merecer destaque informações que 
sejam relevantes para a tomada de decisões. As infor-
mações irrelevantes podem ser demonstradas em uma 
única linha, não merecendo maior destaque; e
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• A distinção entre as receitas e as despesas que 
resultam das atividades da entidade daquelas que não 
resultam dessas atividades, ou seja, receitas e despesas 
de caráter operacional distintas das receitas e despesas 
não operacionais.
Essas duas características nos fornecem as primeiras 
premissas do escopo básico da Demonstração do Resultado, 
isso é, nela devem ser destacadas as informações relevantes 
e as receitas e as despesas operacionais devem ser demons-
tradas separadamente das não operacionais. Da junção das 
disposições dos normativos contábeis e da Lei nº 6.404/76, 
resultou o escopo/modelo completo que iremos estudar a 
seguir, lembrando que:
• A Demonstração do Resultado do Exercício – DRE 
evidencia a composição do resultado de uma entidade 
em um período determinado, normalmente, o exercí-
cio social. Para efeitos gerenciais, o resultado corres-
ponderá ao período que atenda às necessidades do 
usuário da informação.
Como as receitas e despesas que 
compõem a DRE estão contabilizadas 
de acordo com o regime de competên-
cia, por consequência tal demonstração 
também representará o resultado apu-
rado de acordo com esse regime. Ou 
seja, apresentará as receitas e as despe-
sas independentemente do respectivo 
recebimento ou pagamento.
• A legislação societária e tributária determina que a 
DRE seja elaborada, anualmente, por ocasião do encer-
ramento do exercício social da entidade.
Escopo / modelo da Demonstração do Resultado do Exercício 
- DRE
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DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS Períodos/
Exercícios
Atual Anterior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas
Receita com Prestação de Serviços
(-) IPI Faturado
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA
(-)Devoluções de Vendas
(-)Abatimentos sobre Vendas
(-)Desconto Comercial Concedido
(-)Impostos sobre Vendas
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA
(-)Custo das Mercadorias Vendidas
(-)Custo dos Produtos Vendidos
(-)Custo dos Serviços Prestados
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO
(-)Despesas com Vendas
(-)Despesas Administrativas
(-)Outras Despesas Operacionais
Outras Receitas Operacionais
LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO RESULTA-
DO FINANCEIRO
(-)Despesas Financeiras
Receitas Financeiras
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO
(-)Outras Despesas 
Perdas de Capital
Outras Receitas 
Ganhos de Capital
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO
(-)Contribuição Social sobre o Lucro
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IM-
POSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR)
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O modelo básico apresentado é aplicável a todas as enti-
dades, exceto àquelas que têm regulação própria, como as ins-
tituições financeiras, de seguros etc. Importa ressaltar, ainda, 
que cada entidade irá utilizar as contas que melhor repre-
sentam suas atividades. Por exemplo, uma empresa comer-
cial irá utilizar a conta Custo das Mercadorias Vendidas para 
demonstrar os seus custos, ao invés de Custos dos Produtos 
Vendidos, que é próprio das indústrias que fabricam seus 
próprios produtos. 
Outro ponto que merece destaque é a “ordem” em que 
as contas são apresentadas. Essa ordem apresenta um caráter 
“dedutivo”, em seu sentido vertical, isto é, de cima para baixo.
(-) Imposto de Renda sobre o Lucro
RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IMPOST 
DE RENDA
(-) Participações sobre o Lucro
LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXER-
CÍCIO
Lucro por ação
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Vamos, agora estudar cada um dos elementos da 
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.
4.1.1 Receita bruta de vendas
Receita bruta de vendas, receita bruta de vendas de 
produtos e serviços, receita operacional bruta, são denomi-
nações atribuídas às receitas que resultam da principal ativi-
dade da entidade, ou seja, sua atividade fim.
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
REDUTORAS DA RECEITA 
OPERACIONAL BRUTA
(+) Devoluções de Vendas
(-) Abatimentos sobre Vendas
(+) Desconto Comercial Concedido
(-) Impostos sobre Vendas
. Vendas
. Receita com Prestação de Serviços
. (-) IPI faturado
RECEITA OPERACIONAL 
LÍQUIDA
Demonstração 
Dedutiva (a conta 
posterior vai sendo 
deduzida da conta 
anterior)
Atividades fim
Indústria => atividade fim = fabricar produtos
Comércio => atividade fim = comprar e revender 
mercadorias
Serviços => atividade fim = prestação de serviços 
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Por que receita bruta?
Quando se estabelece um preço para produtos, mer-
cadorias ou serviços, eles devem prever a incidência dos 
impostos que são cobrados do cliente, porém repassados 
ao Governo. Vamos exemplificar isso de uma forma sim-
ples, supondo que uma indústria está atribuindo o preço 
do seu produto:
Custos de fabricação R$120,00
Margem de Lucro desejada R$80,00
Impostos não cumulativos cobrados destacadamente 
 R$25,00
Preço do produto R$225,00
Nesse caso, a receita “bruta” da venda do produto 
corresponderá ao valor total cobrado do cliente, entretanto, 
parte desse valor – os impostos = R$25,00 – não representa 
o “produto” em si, mas, sim, um valor que não ficará com a 
indústria, pois será repassado ao Governo. Não se trata de 
uma receita de venda verdadeira. Nesse caso, a indústria é 
um mero agente arrecadador, visto que ela cobra do cliente e 
repassa para o fisco.
Assim, o valor da receita bruta deve ser ajustado para 
demonstrar a receita “real” que decorre das vendas de produ-
tos ou serviços. São dois tipos de ajustes:
• Redutores dos componentes da receita bruta; 
• Deduções da receita bruta;
A Lei nº 6.404/76 determina, em seu artigo 187, itens I e 
II, que a receita bruta das vendas e dos serviços, as deduções 
das vendas, dos abatimentos e dos impostos e, também, sua 
receita líquida, deverão ser discriminadas na Demonstração 
do Resultado do Exercício. 
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No próximo tópico vamos estudar os elementos mais 
comuns que ajustam a receita bruta de vendas ou receita ope-
racional bruta.
4.1.2 Deduções da receita bruta
IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados<peso4>
Esse imposto inclui-se no tipo de ajuste classificado 
como redutor direto da receita bruta, pois assim prevê a legis-
lação fiscal quando determina que: 
Na receita bruta não se incluem os 
impostos não cumulativos, cobrados, 
detalhadamente, do comprador ou 
contratante (imposto sobre produtos 
industrializados) e do qual o vendedor 
dos bens ou prestador de serviços seja 
mero depositário (Lei nº 8.981/95 – art. 
31 § único).
E qual a diferença em relação às demais deduções? 
Outra definição também imposta pela legislação fiscal e 
societária define receita líquida como sendo a receita bruta 
diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedi-
dos e dos impostos que incidem sobre as vendas. Se o IPI não 
se inclui na receita bruta, significa que ele deve ser reduzido 
dela, antes que ela seja assim classificada. 
Vamos ver como isso funciona na contabilidade. 
Quando uma indústria compra, para produzir seus 
produtos, matéria-prima ou outros insumos sujeitos à 
tributação pelo IPI, o imposto pago ser-lhe-á ressarcido, 
sendo considerado um direito a receber, um ativo, por-
tanto.
Suponha que uma indústria tenha adquirido 
R$500.000,00 em materiais e sobre esse valor incidiu 20% de 
IPI e 18% de ICMS. Veja como ficaria a contabilização:
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Foram vendidos, no mesmo período, produtos a prazo 
no valor de R$1.500.000,00, tendo sido cobrado IPI de 15%11 e 
ICMS de 18%. Veja os lançamentos contábeis:
Contabilizando o faturamento:
Contabilizando o IPI:
11. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): imposto cujas alíquotas diferem de acordo com 
produto.
D Estoques R$500.000,00 Conta de Ativo
D Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00
Conta de 
Ativo
D Impostos a recuperar - ICMS R$90.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$690.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à compra de materiais para 
estoques e registro dos tributos a serem 
recuperados
D Clientes R$500.000,00 Conta de Ativo
C Receita Bruta de Vendas R$1.995.000,00 Conta de Resultado
Valor referente ao faturamento bruto do 
período
D IPI sobre Faturamento Bruto R$225.000,00
Conta de 
Resultado 
(Redutora da 
Receita Bruta)
C Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$225.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao IPI incidente sobre o 
faturamento bruto do período
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Contabilizando a recuperação do IPI:
Tem-se, então, que a entidade deverá recolher 
R$125.000,00 de IPI, após compensado o valor do imposto 
pago por ocasião da compra dos materiais. Vamos ver essas 
contabilizações em razonetes: 
D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$100.000,00
Conta de 
Passivo
C Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à recuperação de IPI inci-
dente sobre faturamento bruto 
Estoques
(1) 500.000
Fornecedores
690.000 (1)
Impostos a Recu-
perar (IPI)
100.000 100.000 (4)
Impostos a Re-
cuperar ICMS(1) 90.000
Compra de materiais
Venda de produtos e compensação do IPI
Clientes
(2) 1.995.000
Receita Bruta de 
Vendas
1.995.000 (2)
IPI sobre 
Faturamento 
Bruto
(3) 225.000
Receita Bruta de 
Vendas
(4) 100.000 225.000 (3)
125.000
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O recolhimento do IPI se dará pelo valor líquido, ou 
seja, o valor devido pela entidade, compensado com o valor 
de crédito ao qual ela tem direito e que corresponde ao 
imposto que ela própria pagou quando adquiriu os materiais 
para fabricar os seus produtos. Vamos, então, contabilizar o 
recolhimento do IPI:
Vejam como ficaria na Demonstração do Resultado do 
Exercício:
Vendas canceladas e devoluções
As vendas canceladas e as devoluções referem-se à 
anulação de valores já registrados com receita bruta de ven-
das, em virtude de cancelamentos ou devoluções e que não 
representem perdas ou ganhos decorrentes dessas operações. 
D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$125.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$125.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao recolhimento e IPI 
incidente sobre faturamento bruto 
Obrigações 
Fiscais IPI a 
Recolher
(5) 100.000 225.000
125.000
Bancos Conta
Movimento
125.000 (5)
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Anterior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
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Utilizando o exemplo anterior, vamos supor que tenha 
ocorrido um cancelamento de vendas no valor de R$12.000,00. 
Contabilizando: 
Descontos incondicionais e abatimentos
A legislação fiscal considera como descontos incondi-
cionais somente as parcelas redutoras do preço de venda que 
constem da nota fiscal de venda de bens ou da fatura de ser-
viços, desde que não dependam de nenhum evento posterior 
à data da venda para serem concedidos.
Já os abatimentos, correspondem aos valores redutores 
do preço de venda que não figuram da nota fiscal e tiveram 
sua origem em acontecimentos posteriores à sua emissão. 
Como, por exemplo, avarias em mercadorias.
Vamos supor, no nosso exemplo, que tenha sido conce-
dido um desconto comercial de R$500,00 a um determinado 
cliente. Veja a contabilização:
D
Vendas Canceladas 
(Redutora da Receita 
Bruta de Vendas)
R$12.000,00 Conta de Resultado
C Clientes R$12.000,00 Conta de Ativo
Valor referente ao cancelamento de 
vendas no período
Vendas 
Canceladas
(6) 12.000
Clientes
1.995.000 12.000 (6)
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Tributos incidentes sobre vendas
Os tributos incidentes sobre as vendas, de caráter não 
cumulativo, também deverão ser deduzidos da receita bruta, 
visto tere implícita a natureza de recuperabilidade, ou seja, 
poderão ser compensados com os tributos correspondentes 
devidos pela entidade. São os mais comuns:
• ISS – Imposto sobre Serviço
• ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e 
de Serviços
• PIS / PASEP E COFINS – Programa de Integração 
Social / Programa de Formação do Patrimônio do 
Servidor Público e Contribuição para o Financiamento 
da Seguridade Social
No nosso exemplo, vimos que existe uma cobrança de 
ICMS no valor de R$270.000,00 (R$1.500.000,00 x 18%). No 
momento da venda, teríamos a seguinte contabilização:
D
Desconto Comercial 
Concedido - (Redutora 
da Receita Bruta de 
Vendas)
R$500,00 Conta de Resultado
C Clientes R$500,00 Conta de Ativo
Valor referente a desconto comercial 
concedido a cliente
Desconto Comer-
cial Concedido
(7) 500
Clientes
1.995.000 12.000 (6)
500 (7)
152
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Contabilizando o ICMS:
Contabilizando a recuperação do ICMS:
Contabilizando o recolhimento do ICMS
Para melhor entendimento das movimentações nas 
contas, vejam os razonetes:
D ICMS sobre Fatura-mento Bruto R$270.000,00
Conta de 
Resultado 
(Redutora 
da Receita 
Bruta)
C Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$270.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao ICMS incidente 
sobre o faturamento bruto do período
D Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$90.000,00
Conta de 
Passivo
C Impostos a recuperar – ICMS R$90.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à recuperação de ICMS 
incidente sobre faturamento bruto
D Obrigações Fiscais – ICMS a Recolher R$180.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$180.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao recolhimento do ICMS 
incidente sobre faturamento bruto
ICMS sobre 
Faturamento 
Bruto
(8) 270.000
Obrigações 
Fiscais ICMS a 
Recolher
(9) 90.000 270.000 (8)
(10) 180.000
Impostos a 
Recuperar 
ICMS
(1) 90.000 90.000 (9)
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Os procedimentos contábeis em relação aos demais tri-
butos são os mesmos.
Demonstração do Resultado do Exercício
Vamos ver agora como está ficando a nossa 
Demonstração do Resultado do Exercício.
Muito bem, avançamos até o subtotal do grupo receita 
operacional líquida. Vamos fazer uma pausa para entender-
mos o que ele significa.
Já sabemos que a Receita Operacional Bruta, também 
chamada por Receita Bruta de Vendas, representa o total das 
vendas realizadas pela entidade no período, incluindo os 
Bancos Conta
Movimento
125.000 (2)
180.000 (10)
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Ante-rior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000 -
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA -
(-)Devoluções de Vendas (12.000) -
(-)Abatimentos sobre Vendas - -
(-)Desconto Comercial Concedido (500) -
(-)Impostos sobre Vendas (270.000) -
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 -
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tributos incidentes sobre tais vendas. O termo receita bruta 
já deixa transparente que ela inclui “tudo” que diz respeito à 
composição do preço de venda.
Após a linha que registra a receita bruta, foram fei-
tas as deduções necessárias para que essa receita fosse apre-
sentada pelo seu valor real, ou seja, o quanto realmente de 
receita foi obtido com a venda do produto, desconsiderando 
os tributos que estão nela embutidos. Isso, porque a entidade 
é mera “repassadora” desses tributos; ela os cobra do cliente 
para, em seguida, repassa-los ao Governo.
Também foram feitas as deduções relativas às vendas 
canceladas e cujo valor estava compondo o total da receita 
bruta. Nada mais lógico, pois, se a venda deixou de existir, ela 
não deve ser demonstrada como receita. Essa dedução não é 
feita diretamente da conta de receita bruta, em função de pre-
servar a qualidade da informação. Da mesma forma, o des-
conto concedido aparece numa conta redutora da receita bruta.
Podemos concluir, então, que a receita operacio-
nal líquida representa a receita da operação de venda, sem 
nenhum outro componente que a distorça.
4.1.3 Deduções da receita operacional líquida
Vimos anteriormente que a Demonstração do 
Resultado se apresenta de forma dedutiva, ou seja, as contas 
vão sendo deduzidas daquelas que a precedem, de maneira a 
representar cada grupo de resultado, tornando a informação 
mais clara para o usuário.
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA
(-) Custo das Mercadorias Vendidas
(-) Custo dos Produtos Vendidos
(-) Custo dos Serviços Prestados
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO
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As contas a serem deduzidas da Receita Operacional 
Líquida representam os custos que foram necessários para 
produzi-la. Já comentamos na Aula 2 que qualquer receita 
requer que se consuma recursos para a sua geração. Não 
se pode obter receita de venda sem fabricar produtos, 
adquirir mercadorias ou prestar serviços e essas ativida-
des envolvem custos. Na DRE, tais custos, já apropriados 
ao resultado da entidade como despesa são “confrontados” 
com as receitas respectivas.
Para darmos continuidade ao exemplo com o qual vie-
mos trabalhando, vamos supor que a nossa entidade, além 
de fabricar seus produtos, também compra e revende merca-
dorias. Isso é muito comum no mundo empresarial. Assim, 
vamos determinar que, no período em estudo, ela incorreu 
em Custos de Produtos Vendidos no valor de R$592.000,00 e 
Custos de Mercadorias Vendidas de R$350.000,00. 
Então, vamos conhecer melhor esses custos?
Custo dos Produtos Vendidos – CPV
O custo dos produtos vendidos é apurado utilizando-
-se os saldos do grupo de contas denominado Estoques. Esse 
grupo de contas será estudado ainda nesta aula. 
O valor do CPV é obtido mediante a seguinte equação 
geral:
Sendo:
EiPP = Estoque inicial de produtos prontos
CPP = Custo dos produtos prontos
EfPP = Estoque final de produtos prontos
CPV = EiPP + CPP - EfPP
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No nosso exemplo, temos:
Apurando o CPV:
O valor do CPV deve ser transferido da conta Estoques 
de Produtos Prontos para o Resultado, da seguinte forma:
Em razonetes:
Para se chegar ao valor do custo dos produtos prontos 
(CPP), primeiramente se apura os custos da matéria prima 
consumida no período da seguinte forma:
EiPP = R$1.100.000,00
CPP = R$340.000,00
EfPP = R$848.000,00
CPV = R$1.100.000,00 + R$340.000,00 – R$848.000,00
CPV = R$592.000,00
D Custo dos Produtos Vendidos – CPV R$592.000,00
Conta de 
Resultado
C Estoque de Produtos Prontos R$592.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à apropriação do custo 
dos produtos vendidos no período
Estoque Produtos 
Prontos
1..100.000 592.000
340.000
848.000
Custos dos Produtos 
Vendidos
592.000
CMP = Ei + Co – Ef
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Sendo: 
• CMP = Custo da matéria-prima
• Ei = Estoque inicial de matéria-prima
• Co = Compras de matéria-prima
• Ef = Estoque final de matéria-prima
Além do custo das matérias-primas consumidas na 
produção, o custo dos produtos prontos envolve uma série de 
outros insumos, como mão de obra direta, custos indiretos 
(aluguéis, energia etc.), encargos sociais sobre mão de obra 
direta, outros materiais e demais custos. Assim, a apuração 
do CPP – Custo dos Produtos Prontos – pode ser realizada 
mediante a seguinte equação:
Sendo:
• CPP = Custo dos Produtos Prontos
• EiPFF = Estoque inicial de Produtos em Fase de 
Fabricação
• CMP = Custo da matéria-prima (apurado conforme 
tópico anterior)
• MO Dir. = Mão de obra direta
• Enc. Soc. s/ MO = Encargos sociais sobre mão de obra
• GGF = Gastos gerais de fabricação
• Depr. Ind. = Depreciação industrial
• CIF = Custos indiretos de fabricação
• MD = Materiais diretos
• EfPFF = Estoque final de Produtos em Fase de 
Fabricação
CPP = EiPFF + CMPi + MO Dir. + Enc. Soc. s/ MO + GGF + 
Depr. Ind. + CIF + MD – EfPFF
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Parece complexo, mas vamos traduzir isso em núme-
ros. Para ficar mais claro, vamos supor que uma indústria de 
brinquedos apresente os seguintes valores:
Os produtos, antes de ficarem “prontos”, passaram 
pela fase de fabricação e, portanto, estavam registrados como 
Estoque de Produtos em Fase de Fabricação (R$800,00);
Estoque de Produtos em Fabricação Valores (R$MIL)
Estoque inicial de produtos em fase de 
fabricação 800
Custo da matéria-prima 400
Mão de obra direta 200
Encargos sociais sobre mão de obra 
direta 100
Gastos gerais de fabricação 80
Depreciação industrial 20
Custos indiretos de fabricação 130
Materiais diretos 70
Subtotal 1.800
Estoque final de produtos em fase de 
fabricação 1.460
= R$1000,00
#???
Custo 
dos produ-
tos
INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS
Estoque 
inicial em 
fabricação 
R$800,00
Estoque final 
em 
fabricação 
R$1.460,00
=
R$1.000,00
Produtos
Prontos
R$340,00
+ - =
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Se partirmos do saldo inicial dessa conta e agre-
garmos a ele todos os demais custos necessários a deixa-
-lo pronto (matéria-prima, mão de obra, etc.), teremos todos 
os custos do período, certo? O que já estava lá (saldo ini-
cial = R$800,00), mais o que foi agregado (custos do perí-
odo = R$1.000,00). Mas, essa soma (R$1.800,00) é diferente do 
saldo final do estoque de produtos em fase de fabricação (R$ 
1.460,00), ela é maior! Por quê? Porque uma parte dos produ-
tos já ficou pronta e, portanto, não estão mais em fabricação 
e foram transferidas para o estoque de produtos já acabados. 
Essa diferença é, justamente, o valor do custo desses produ-
tos que já ficaram prontos (R$340,00). O saldo de R$1.460 ,00 
representa o custo dos produtos que ainda permanecem em 
fabricação, ou seja, não ficaram prontos. 
Aplicando-se a equação simplificada, temos:
Custo dos Serviços Prestados – CSP
A apuração do custo dos serviços prestados requer 
que tais custos sejam escriturados em contas apropriadas de 
forma a facilitar a sua determinação, ao final do período cor-
respondente. Genericamente, quando não houver controle 
individual de custos por serviço, pode-se utilizar o mesmo 
critério já visto, trabalhando com saldos iniciais e finais:
Onde:
• CSP = Custo dos Serviços Prestados
• SiSA = Saldo Inicial de Serviços em Andamento
• CSp = Custos de Serviços do Período
CPP = R$800,00 + R$1.000,00 - R$1.460,00 = R$340,00
CSP = SiSA + CSP – SfSA
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• SfSA = Saldo Final dos Serviços em Andamento
Custo das Mercadorias Vendidas – CMV
As empresas comerciais, ou seja, aquelas que compram 
mercadorias para revenda apuram o custo das mercadorias 
vendidas, segundo a mesma sistemática já apresentada: 
Onde:
• CMV = Custo das Mercadorias Vendidas
• Ei = Estoque inicial de mercadorias
• Co = Valor líquido das compras de mercadorias no 
período
• Ef = Estoque final de mercadorias
Exemplificando, temos que a Indústria de Brinquedos 
que está servindo de base para o nosso estudo. Além de fabri-
car, também compra e revende mercadorias, isto é, brinque-
dos. Vamos apurar o CMV do período sob análise, partindo 
dos seguintes dados:12
Aplicando-se a equação, temos:
12. Compras Líquidas: preço original deduzido das eventuais devoluções e abatimentos, somando-
-se o frete pago
CMV = Ei + Co – Ef
Estoque de Mercadorias Valores (R$MIL)
Estoque inicial de mercadorias 500
Compras líquidas12 do período 300
Estoque final de mercadorias 450
CMV = R$500,00 + R$300,00 - R$450,00
CMV = R$350,00
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Vamos contabilizar?
Contabilizando as compras líquidas de mercadorias 
Transferindo o Custo das Mercadorias Vendidas para o 
resultado
Lançamentos nos razonetes:
Demonstração do Resultado do Exercício
A Demonstração do Resultado do Exercício, a esta 
altura, estará da seguinte forma:
D Estoque de Mercadorias R$300.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$300.000,00 Conta de Passivo
Valor referente às compras de merca-
dorias no período
D Custo das Mercadorias Vendidas - CMV R$350.000,00
Conta de 
Resultado
C Estoque de Mercadorias R$350.000,00Conta de 
Ativo
Valor referente à apropriação do custo 
das mercadorias vendidas no período
Fornecedores
300.000 (1)
Custo das 
Mercadorias 
vendidas
(2) 350.000
Estoque de 
Mercadorias
(SI) 500.000 350.000 (2)
(1) 300.000
450.000
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Podemos observar que, deduzindo-se da Receita 
Operacional Líquida os custos que foram necessários para 
gera-la, obtém-se o Lucro Operacional Bruto de R$545.500,00. 
Agora já podemos chamar de “lucro” porque temos 
a diferença entre as receitas e as despesas respectivas. Esse 
lucro é genuinamente “operacional”, pois resulta da princi-
pal atividade da empresa. É chamado de lucro operacional 
“bruto”, porque dele ainda não foram deduzidas as demais 
despesas ou somadas às demais receitas que irão compor o 
resultado final e que iremos estudar a seguir. 
4.1.4 Despesas e outras receitas operacionais
Além dos custos para a produção dos bens ou serviços, 
as entidades também incorrem em outras despesas necessárias 
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Ante-rior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000 -
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA -
(-)Devoluções de Vendas (12.000) -
(-)Abatimentos sobre Vendas - -
(-)Desconto Comercial Concedido (500) -
(-)Impostos sobre Vendas (270.000) -
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 -
(-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) -
(-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) -
(-)Custo dos Serviços Prestados - -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 -
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às suas operações, assim como auferem outras receitas decor-
rentes dessas atividades, além daquelas resultantes direta-
mente da venda desses bens ou serviços produzidos. 
Se são despesas necessárias às suas operações ou 
receitas delas advindas, são também de caráter operacional. 
Vamos conhecê-las!
Despesas com vendas
As “despesas com vendas” são representadas por aque-
las despesas diretamente relacionadas ao processo de venda 
de mercadorias, produtos ou serviços da entidade. Exemplos: 
salários dos vendedores; despesas com viagens de vendedo-
res; comissões pagas sobre vendas; encargos sociais sobre 
salários e outros encargos sobre vendas.
Despesas financeiras
As “despesas financeiras” são representadas pelas des-
pesas de caráter financeiro, como: juros pagos nas operações 
de empréstimos e financiamentos; juros e multas sobre paga-
mentos de obrigações em atraso; descontos financeiros conce-
didos; despesas bancárias, etc.
Receitas financeiras
As “receitas financeiras” são oriundas de operações de 
caráter também financeiro, como: receitas obtidas em aplica-
ções financeiras; descontos financeiros obtidos; juros cobra-
dos, etc. 
Despesas administrativas
As “despesas administrativas” representam todas 
as despesas relacionadas com a administração da entidade. 
Exemplos: aluguéis da administração; salários e encargos do 
pessoal administrativo; material de expediente etc.
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Outras despesas operacionais
No grupo de “outras despesas operacionais” são classi-
ficadas as demais despesas que, embora necessárias às opera-
ções da entidade, não têm relação direta com vendas ou com 
a administração. Exemplos: quebras de estoques; mercadorias 
danificadas, etc.
 Normalmente são despesas de pequeno valor e, nesse 
caso, embora apareçam na DRE em uma única linha, devem 
ser destacadas nas Notas Explicativas às Demonstrações 
Contábeis, mas, quando não o forem, devem ser destacadas 
na própria DRE.
Outras receitas operacionais
O grupo de “outras receitas operacionais” congrega 
as receitas que, apesar de serem de caráter operacional, 
não são classificáveis como receitas de vendas ou recei-
tas financeiras, como: recuperação de perdas com crédi-
tos incobráveis.
Demonstração do Resultado do Exercício
Vamos acompanhar como está ficando a Demonstração 
do Resultado do Exercício, considerando os seguintes valores 
de despesas e receitas operacionais:
Agregando despesas financeiras de R$3.000,00 e recei-
tas financeiras de R$15.000,00, temos:
Despesas / Receitas Operacionais R$Valores
Despesas com vendas 30.000
Despesas administrativas 80.000
Outras despesas operacionais 3.000
Outras receitas operacionais 5.000
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Avançamos até o lucro operacional líquido, o que sig-
nifica que já foram computadas, até aqui, todas as despesas e 
receitas de caráter operacional, em outras palavras, as despe-
sas e receitas decorrentes das operações da entidade, daque-
las atividades para as quais a entidade foi criada para realizar.
 
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Ante-rior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000 -
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA -
(-)Devoluções de Vendas (12.000) -
(-)Abatimentos sobre Vendas - -
(-)Desconto Comercial Concedido (500) -
(-)Impostos sobre Vendas (270.000) -
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 -
(-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) -
(-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) -
(-)Custo dos Serviços Prestados - -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 -
(-)Despesas com Vendas (30.000) -
(-)Despesas Administrativas (80.000) -
(-)Outras Despesas Operacionais (3.000) -
Outras Receitas Operacionais 5.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO 
RESULTADO FINANCEIRO 437.500 -
(-)Despesas Financeiras (3.000) -
Receitas Financeiras 15.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL 
LÍQUIDO 445.500 -
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4.1.5 Outras receitas e outras despesas
Além das receitas e despesas operacionais, eventual-
mente a entidade pode obter “ganhos” ou “perdas” em outras 
operações não relacionadas com a sua atividade fim. 
Vamos ver um exemplo: a Indústria de Brinquedos 
com a qual estamos trabalhando tem como atividade fim 
fabricar, comprar e vender brinquedos. É, portanto, uma 
indústria e um comércio de brinquedos. Para entregar seus 
produtos, tal indústria possui alguns caminhões registra-
dos no seu Ativo não Circulante Imobilizado. Ao precisar 
trocar um desses caminhões, cujo valor contábil líquido 
era de R$35.000,00 (R$80.000,00 em Veículos e R$45.000,00 
em Depreciação Acumulada), obteve R$38.000,00 e, por-
tanto, um ganho (receita) não operacional de R$3.000,00. 
Por que “não operacional”? Ora, sua atividade fim não é 
compra e venda de caminhões, mas produção, compra e 
venda de brinquedos. 
Só por curiosidade, vamos ver como seria a contabili-
zação dessa operação, supondo que a venda foi feita à vista?
D Bancos - Conta Movimento R$38.000,00
Conta de 
Ativo
D Depreciação Acumulada R$45.000,00
Conta de 
Ativo
C Veículos (Imobilizado) R$80.000,00 Conta de Ativo
C Ganhos na venda de Imobilizados R$3.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à venda de veículo X 
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Vamos imaginar que, ao invés de ganho, a entidade 
não conseguisse vender o caminhão por um valor maior do 
que aquele registrado no seu Ativo. Neste caso, ela teria um 
prejuízo, ou seja, uma “perda”. Supondo que ela conseguiu 
vender o caminhão por R$32.000,00, veja como ficaria a res-
pectiva contabilização: 
Bancos Conta
Movimento
38.000
Veículos
(SI) 80.000 80.000
Depreciação 
Acumulada 
Veículos
45.000 45.000 (SI)
Ganhos na vendade Imobilizados
3.000
D Bancos - Conta Movimento R$32.000,00
Conta de 
Ativo
D Depreciação Acumulada R$45.000,00
Conta de 
Ativo
C Perdas na venda de Imobilizados R$3.000,00
Conta de 
Resultado
C Veículos (Imobilizado) R$80.000,00 Conta de Ativo
Valor referente à venda de veículo X 
no período
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Note que no caso de receitas e despesas de caráter 
não operacional, elas são chamadas, respectivamente, por 
“ganhos” e “perdas”.
Na Demonstração do Resultado do Exercício, esses 
ganhos e perdas são demonstrados “depois” do Lucro 
Operacional.
 
Obs.: No exemplo foi considerado somente o ganho na 
venda do veículo.
Demonstração do Resultado do Exercício
Vamos visualizar a DRE obtida até esse momento:
Bancos Conta
Movimento
32.000
Veículos
(SI) 80.000 80.000
Depreciação 
Acumulada 
Veículos
45.000 45.000 (SI)
Ganhos na venda 
de Imobilizados
3.000
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500
(-)Outras Despesas 
Perdas de Capital
Outras Receitas 
Ganhos na Venda de Ativos 3.000
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500
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DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Ante-rior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000 -
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA -
(-)Devoluções de Vendas (12.000) -
(-)Abatimentos sobre Vendas - -
(-)Desconto Comercial Concedido (500) -
(-)Impostos sobre Vendas (270.000) -
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 -
(-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) -
(-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) -
(-)Custo dos Serviços Prestados - -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 -
(-)Despesas com Vendas (30.000) -
(-)Despesas Administrativas (80.000) -
(-)Outras Despesas Operacionais (3.000) -
Outras Receitas Operacionais 5.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO 
RESULTADO FINANCEIRO 437.500 -
(-)Despesas Financeiras (3.000) -
Receitas Financeiras 15.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500 -
(-)Outras Despesas 
Perdas de Capital - -
Outras Receitas 
Ganhos de Capital 3.000 -
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 -
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A última linha observada até aqui é a do Resultado do 
Exercício antes da Contribuição Social sobre o Lucro. Vamos 
saber do que se trata essa contribuição e outras deduções que 
são feitas no resultado.
4.1.6 Outras deduções
Antes da apuração do lucro líquido final, ainda são 
feitas algumas outras deduções como: a Contribuição Social 
sobre o Lucro Líquido (CSLL), o Imposto de Renda sobre o 
lucro (IRPJ) e as Participações e Contribuições sobre o Lucro.
CSLL e IRPJ
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
A CSLL é um tributo federal cobrado das empre-
sas, cujo cálculo segue regras específicas determinadas pela 
legislação tributária. O detalhamento do seu cálculo será 
estudado futuramente, mas, por ora, vamos aprender como 
contabiliza-la. 
Vamos supor uma CSLL de 9% incidente sobre o 
Resultado do Exercício antes da Contribuição Social sobre o 
Lucro, sem quaisquer ajustes:
Pela obrigação do recolhimento da CSLL
CSLL = R$452.500,00 X 9% = R$40.725,00
D
Contribuição Social 
sobre Lucro Líquido 
(CSLL)
R$40.725,00 Conta de Resultado
C CSLL a Recolher R$40.725,00 Conta de Passivo
Valor referente à CSLL do período
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Pelo recolhimento da CSLL
 
Deduzindo o valor da CSLL, na Demonstração do 
Resultado do Exercício, temos:
O Resultado antes do Imposto de Renda sobre o Lucro, 
também conhecido como LAIR, é a linha da DRE que serve 
de base para apuração do valor do imposto de renda inci-
dente sobre o lucro da empresa. Assim como a CSLL, o IRPJ 
(Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) é calculado segundo 
Contribuição 
Soc s/ Lucro Liq
(1) 40.725
Contribuição 
Soc a recolher
40.725 (1)
D CSLL a Recolher R$40.725,00 Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$40.725,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento da 
CSLL do período
Contribuição 
Soc a Recolher
(2) 40.725
Bancos Conta 
Movimento
40.725 (2)
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500
(-)Contribuição Social sobre o Lucro (40.725)
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IMPOSTO 
DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) 411.775
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regras específicas da legislação tributária que serão estuda-
das num outro estágio do curso.
Para exemplificarmos a contabilização do IRPJ, vamos 
trabalhar com uma alíquota de 15% incidente diretamente 
sobre o LAIR, sem quaisquer ajustes ou adicionais:
Pela obrigação do recolhimento do IRPJ
Pelo recolhimento do IRPJ
IRPJ = R$411.775,00 X 15% = R$61.766,00
D Imposto de Renda sobre o Lucro R$61.766,00
Conta de 
Resultado
C IRPJ a Recolher R$61.766,00 Conta de Passivo
Valor referente ao IRPJ incidente sobre 
o lucro do período
Imposto de 
Renda s/Lucro
(1) 61.766
Imposto de 
Renda a Recolher
61.766 (1)
D IRPJ a Recolher R$61.766,00 Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$61.766,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento do IRPJ 
do período
Imposto de 
Renda a Recolher
(2) 61.766
Bancos Conta 
Movimento
61.766 (2)
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Demonstração do Resultado do Exercício
Vejamos a DRE até este ponto:
Verificamos que, após a linha de Resultado do Exercício 
após o Imposto de Renda, ainda há mais uma dedução a ser 
estudada – as Participações sobre o Lucro. 
Participações e Contribuições sobre o Lucro
As “participações e contribuições sobre o lucro” são 
parcelas do lucro que, atendendo a determinações do esta-
tuto da empresa, são destinadas a favorecidos específicos. As 
participações mais comuns são:
• Participações de debêntures;
• Participações dos empregados;
• Participações dos administradores;
• Contribuições aos Fundos de Assistência de 
Empregados;
• Contribuições aos Fundos de Previdência de 
Empregados, etc.
As participações nos lucros também devem ser regis-
tradas, mesmo quando não previstas em estatuto, desde que 
sejam parte de algum plano de remuneração já estabelecido.
A base de cálculo das participações é o lucro líquido 
após o Imposto de Renda, após a compensação de eventu-
ais prejuízos já existentes. Os artigos nº 187 e 190 da Lei nº 
6.404/76, determinam que as participações sejam calculadas 
obedecendo-se a seguinte ordem: debêntures, empregados, 
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO IMPOSTO 
DE RENDA SOBRE O LUCRO (LAIR) 411.775
(-) Imposto de Renda sobre o Lucro (61.766)
RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IMPOSTO DE 
RENDA 350.009
(-) Participações sobre o Lucro
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administradores e partes beneficiárias. Além disso, deve-se 
observar que as respectivas bases de cálculo contemplem a 
dedução da participação imediatamente anterior. Exemplo:
Contabilizando:
Constituição da obrigação
Constituição da obrigação
Pagamento da obrigação
Participações Valor ($)
Resultado do Exercício após o IRPJ 350.009
Prejuízos de Exercícios Anteriores (50.009)
Base de cálculo inicial 300.000
Participações de debêntures (10%) (30.000)
Nova base de cálculo 270.000
Participações de empregados (10%) (27.000)
D Participações de Debêntures R$30.000,00
Conta de 
Resultado
C Participações de Debênturesa Pagar R$30.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente às participações de 
debêntures no lucro do período
D Participações de Empregados R$27.000,00
Conta de 
Resultado
C Participações de Empregados a Pagar R$27.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente às participações de 
empregados no lucro do período
D Participações de Debêntures a Pagar R$30.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$30.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento das par-
ticipações de debêntures no período
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Pagamento da obrigação
Razonetes:
 
As participações e as contribuições devem ser contabi-
lizadas na própria data do Balanço Patrimonial.
D Participações de Empregados a Pagar R$27.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$27.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento das par-
ticipações de empregados no período
Participações de 
Debêntures
(1) 30.000
Part. de Debên-
tures a Pagar
30.000 (1)
Participações de 
Debêntures a Pagar
(2) 30.000
Bancos Conta 
Movimento
30.000 (2)
Participações de 
Empregados
(1) 27.000
Participações de 
Empregados a Pagar
27.000 (1)
Participações de 
Empregados a Pagar
(2) 27.000
Bancos Conta 
Movimento
27.000 (2)
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Demonstração do Resultado do Exercício
Finalmente chegamos à última linha da DRE – 
Resultado Líquido do Exercício. Vamos ver como ficou? 
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
GRUPOS/CONTAS PERÍODOS/
EXERCÍCIOS
Atual Ante-rior
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas 1.995.000 -
Receita com Prestação de Serviços -
(-) IPI Faturado (225.000)
REDUTORAS DA RECEITA OPERACIONAL 
BRUTA -
(-)Devoluções de Vendas (12.000) -
(-)Abatimentos sobre Vendas - -
(-)Desconto Comercial Concedido (500) -
(-)Impostos sobre Vendas (270.000) -
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 1.487.500 -
(-)Custo das Mercadorias Vendidas (350.000) -
(-)Custo dos Produtos Vendidos (592.000) -
(-)Custo dos Serviços Prestados - -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL BRUTO 545.500 -
(-)Despesas com Vendas (30.000) -
(-)Despesas Administrativas (80.000) -
(-)Outras Despesas Operacionais (3.000) -
Outras Receitas Operacionais 5.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) ANTES DO 
RESULTADO FINANCEIRO 437.500 -
(-)Despesas Financeiras (3.000) -
Receitas Financeiras 15.000 -
LUCRO (PREJUÍZO) OPERACIONAL LÍQUIDO 449.500 -
(-)Outras Despesas 
Perdas de Capital - -
Outras Receitas 
Ganhos de Capital 3.000 -
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Agora que já conhecemos, linha a linha, da DRE, vale 
ressaltar:
• Comparabilidade – a DRE, assim como as demais 
Demonstrações Financeiras, sempre será divulgada 
demonstrando dois períodos: o atual e o mesmo perí-
odo do exercício anterior. Por exemplo: 2013 e 2012.
• Lucro por ação - o lucro por ação, em sua forma 
básica, corresponde ao valor do lucro líquido divido 
pelo número de ações da empresa. A Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM) é quem determina que, 
no caso das sociedades anônimas, o lucro por ação 
deve ser divulgado logo a seguir do lucro líquido do 
exercício.
• Prejuízo do exercício – Na ocorrência de prejuízo, 
ele é apresentado entre parênteses, notação que repre-
senta valores negativos.
Antes de encerrarmos esta aula é interessante sabermos 
que, além da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), 
também existe a Demonstração do Resultado Abrangente 
(DRA), mas iremos trata-la em outro momento do curso. 
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DA 
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 452.500 -
(-)Contribuição Social sobre o Lucro (40.725) -
RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTESDO 
IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO 
(LAIR)
411.775 -
(-) Imposto de Renda sobre o Lucro (61.766) -
RESULTADO DO EXERCÍCIO APÓS IM-
POST DE RENDA 350.009 -
(-) Participações sobre o Lucro (57.000) -
LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXER-
CÍCIO 293.009 -
Lucro por ação .................................................
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Como nas aulas anteriores, vamos agora refletir sobre 
os objetivos que tínhamos ao iniciar a Aula 4. Será que conse-
guimos alcança-los? Vamos conferir?
Muito bem! Mais uma etapa vencida! Na próxima aula, 
dando continuidade à visão geral sobre a captação e a aplica-
ção de recursos de uma entidade, ou seja, sua gestão finan-
ceira utilizando informações contábeis, vamos estudar outras 
origens de recursos.
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecemos e sabemos aplicar as normas de reconhe-
cimento de receitas e despesas, de acordo com as Normas 
Brasileiras de Contabilidade, já em consonância com as 
Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS?
 ‚ Conhecemos o escopo básico da Demonstração do 
Resultado do Exercício?
 ‚ Sabemos calcular e contabilizar o Custo das Mercadorias 
Vendidas – CMV?
 ‚ Conhecemos as características de cada subgrupo de con-
tas representadas na DRE?
 ‚ Aprendemos como elaborar a Demonstração do 
Resultado do Exercício – DRE?
Vamos relembrar?
Nesta aula, relembramos os critérios para reconhecimento 
de receitas e despesas, que são os “elementos” que com-
põem a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE.
A seguir, estudamos, linha a linha, as características des-
ses elementos e a forma dedutiva como eles são apre-
sentados na DRE, separando-os em operacionais e não 
operacionais (ganhos e perdas).
Estudamos e aprendemos a contabilizar a “receita bruta” e as 
suas deduções, assim como os custos dos produtos ou mer-
cadorias vendidas e dos serviços prestados. Também apren-
demos a apurar o valor desses custos (CPV / CMV / CSP).
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Qu estões pa r a r eflex ão e 
au toaVali aÇão 
1.Analise a DRE da TAM (Transportes Aéreos Meridionais), 
em 31/03/2012 e 31/03/2011 e compare com o modelo de DRE 
estudado nesta aula, identificando as semelhanças e as dife-
renças;
2.Identifique, com base no conteúdo teórico estudado, quais 
as possíveis justificativas para as diferenças identificadas;
3.Pesquise sobre o que significa “operações continuadas” e 
“operações descontinuadas”.
A cada resultado apurado nos grupos de contas discuti-
mos o que tal resultado representava, até chegarmos ao 
Resultado antes da Contribuição Social sobre o Lucro 
Líquido (CSLL), quando, simulamos um cálculo simples 
desse tributo e o contabilizamos. Fizemos a mesma coisa, 
em seguida, com o Imposto de Renda (IRPJ) e chegamos 
ao Resultado Líquido antes das Participações.
Relacionamos quais as principais participações sobre o 
lucro (debêntures, empregados, administradores e partes 
beneficiárias) e vimos como é efetuados o cálculo básico e 
a contabilização dessas participações.
Por fim, apresentamos da Demonstração do Resultado do 
Exercício – DRE em sua versão final.
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Fonte: http://www.econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/demonstracao-doFonte: 
http://www.econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/demonstracao-do-
-resultado?ce=TAMM 
TAM: Demonstração do Resultado (DRE)
Demonstração do resultado - valores 
em milhões de reais (M)
31/03/2012
(3m)
31/03/2011
(3m)
Receita de Venda de Bens e/ou Ser-
viços 3.228,5 M 3.042,5 M 
Custo dos Bens e/ou Serviços 
Vendidos -2.613,5 M -2.313,9 M 
Resultado Bruto 615,0 M 728,6 M 
Despesas/Receitas Operacionais -584,1 M -562,6 M 
Resultado Antes do Resultado 
Financeiro e dos Tributos 30,8 M 166,0 M
Resultado Financeiro 181,1 M 84,6 M 
Resultado Antes dos Tributos sobre o 
Lucro 211,9 M 250,5 M 
Imposto de Renda e ContribuiçãoSocial sobre o Lucro -94,1 M -102,5 M 
Resultado Líquido das Operações 
Continuadas 117,8 M 148,1 M 
Resultado Líquido de Operações 
Descontinuadas 0,0 M 0,0 M 
Lucro/Prejuízo Consolidado do 
Período
117,8 M 148,1 M 
Critério de consolidação Consolidada Consolidada
Critério de elaboração IFRS IFRS
Dados por Ação (Reais / ação) 31/03/2012 (3m)
31/03/2011 
(3m)
Lucro Básico por Ação “ON” 0,65 0,83 
Lucro Diluído por Ação “ON” 0,64 0,82 
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r esoluÇão:
Demonstração 
do Resultado 
valores em 
milhões de 
reais (M)
1. 
SEMELHANÇAS
1. 
DIFERENÇAS
2. 
POSSÍVEIS
JUSTIFICATIVAS
Receita de 
Venda de Bens 
e/ou Serviços 
Primeira 
linha englo-
bando as 
receitas das 
principais 
atividades 
realizadas 
pela TAM. 
Denomi-
nação: não 
consta a 
palavra 
“bruta” no 
que se refere 
às receitas de 
vendas;
Não são 
apresentadas 
deduções da 
Receita de 
Vendas
A denominação das 
contas pode variar, de 
acordo com a empresa, 
desde que tal denomina-
ção represente adequa-
damente o conteúdo;
É possível que a empre-
sa não tenha deduções a 
serem demonstradas.
Custo dos Bens 
e/ou Serviços 
Vendidos
Apresentação 
dos custos
Denomina-
ção
Idem 1º. parágrafo
Resultado 
Bruto
Apresentação 
do resultado
Denomina-
ção
Idem 
Despesas/
Receitas Ope-
racionais
Apresentação 
das despesas 
/ receitas 
operacionais
Não foram 
abertas as 
contas de 
despesas / 
receitas ope-
racionais
A publicação sob 
análise está resumida, 
mas as Demonstrações 
oficialmente publicadas, 
devem contemplar a 
abertura
Resultado An-
tes do Resulta-
do Financeiro e 
dos Tributos
Apresentação 
do resultado
Denomina-
ção
A denominação das 
contas pode variar, de 
acordo com a empresa, 
desde que tal deno-
minação represente 
adequadamente o 
conteúdo.
Resultado 
Financeiro
Apresentação 
do resultado
Não foram 
abertas as 
contas de 
despesas 
/ receitas 
financeiras
Quando o resultado 
financeiro não for 
significativo, pode se 
apresentado pelo seu 
valor líquido, ou seja, 
receitas (-) despesas.
Resultado 
Antes dos 
Tributos sobre 
o Lucro
Apresentação 
do resultado
Denomina-
ção
A denominação das 
contas pode variar, de 
acordo com a empresa, 
desde que tal denomina-
ção represente adequa-
damente o conteúdo.
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3.
a) Operações “continuadas” são as operações normais da entidade.
b) O Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo, em seu item 32, 
assim define as operações descontinuadas:
Imposto de 
Renda e Con-
tribuição Social 
sobre o Lucro
Apresentação 
dos tributos
Junção do 
Imposto de 
Renda e da 
Contribuição 
Social sobre o 
Lucro Líquido 
numa única 
linha
Idem
Resultado 
Líquido das 
Operações 
Continuadas
Apresentação 
do resultado
Denomina-
ção
Idem
Resultado 
Líquido de 
Operações 
Descontinu-
adas
Não consta 
do modelo
Sempre que necessário, 
a empresa deverá inserir 
linhas que representem 
adequadamente as suas 
informações. 
A ocorrência de ope-
rações descontinuadas 
é de ocorrência menos 
comum, razão pela qual 
não é contemplada no 
modelo. 
Lucro/Prejuízo 
Consolidado 
do Período
Apresentação 
do resultado
Denomina-
ção
Trata-se de uma demons-
tração “consolidada”, 
isto é, abrange todas 
as empresas do grupo 
empresarial.
32. Uma operação descontinuada é um componente da 
entidade que foi baixado ou está classificado como man-
tido para venda e:
(a) representa uma importante linha separada de negócios 
ou área geográfica de operações;
(b) é parte integrante de um único plano coordenado para 
venda de uma importante linha separada de negócios ou 
área geográfica de operações; ou
(c) é uma controlada adquirida exclusivamente com o 
objetivo da revenda. As operações descontinuadas são as 
vendas relativas a divisões, produtos ou atividades que 
a empresa abandonou, que não existirão mais no futuro.
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Na DRE, a linha sobre Resultado Líquido das Operações Des-
continuadas, diz respeito às receitas, já deduzidas das despe-
sas, correspondentes às operações assim definidas. 
lei t u r as r ecom en da das
GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási-
cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. 
São Paulo: Atlas, 2010.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12 ed. São Paulo: 
Atlas, 2006
li n Ks i n dica dos
www.cfc.org.br 
www.cpc.org.br 
www.receita.fazenda.org.br 
r ef er Ênci as
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº. 
1.374, de 08 de dezembro de 2011. Dá nova redação à NBC 
TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para 
Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. 
Brasília, 2011. Disponível em: www.cpc.org.br 
( 5 )
Outras origens de recursos: 
passivos circulantes e não 
circulantes
Olá prezados alunos, 
Aos poucos estamos nos aproximando do final desta 
parte do caminho para uma formação profissional bem-suce-
dida. Já estamos abrindo a nossa quinta “porta”. O conheci-
mento está esperando lá do outro lado, Então, vamos lá!
Depois de aprendermos a apurar e a demonstrar o 
resultado das empresas, partindo da premissa de que esse 
resultado, quando positivo (lucro), é a mais vantajosa fonte 
de recursos para a entidade, vamos estudar algumas outras, 
também muito importantes – os Passivos Circulantes e os 
Não Circulantes.
Também conhecidos como Recursos de Terceiros ou 
Capital de Terceiros, os passivos, sejam de curto, curtíssimo 
ou longo prazo, representam origens usuais de recursos para 
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a entidade e, algumas vezes, dependendo da política de ges-
tão financeira dessas entidades, compõem a maior parte do 
seu endividamento13.
O endividamento com terceiros é inevitável e pode ser 
muito saudável quando se destina a financiar o crescimento 
e o desenvolvimento da entidade, mas precisa ser muito bem 
gerenciado para não se tornar um problema.
Antes de pensarmos em gerir o endividamento com 
terceiros, vamos conhecer como ele é composto, certo?
Esta quinta aula terá como principais objetivos de 
aprendizagem:
Dividiremos a aula nos seguintes tópicos
5.1 Revisão de conceitos
5.1.1 Passivo exigível
5.1.2 Registro e avaliação dos passivos 
5.2 Fornecedores 
5.3 Obrigações fiscais
5.4 Outras obrigações
5.4.1 Adiantamentos de clientes
5.4.2 Contas a pagar
5.4.3 Ordenados e salários a pagar
13. Endividamento: representa o quanto a entidade “deve”, o quanto ela tem de obrigações exigíveis 
(capital de terceiros) e não exigíveis (capital próprio).
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecer os principais Passivos Circulantes e Não 
Circulantes que se constituem em fontes/origens de recur-
sos para as entidades;
 ‚ Conhecer as principais características das contas que 
compõem os Passivos Circulantes e Não Circulantes; 
 ‚ Praticar a contabilização dos fatos contábeis mais 
comuns envolvendo os Passivos.
O
ut
ra
s o
rig
en
s d
e r
ec
ur
so
s: 
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5.4.4 Encargos sociais e FGTS a recolher
5.4.5 Dividendos a pagar
5.4.6 Ajuste ao valor presente
5.4.7 Outras obrigações a pagar
5.5 Empréstimos e financiamentos 5.5.1 Registro contá-
bil de empréstimos e financiamentos
5.5.2 Registro contábil de financiamentos bancários a 
curto prazo
5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e 
financiamentosFinanciamentos diretos com fornecedores
 Financiamentos com outras pessoas jurídicas ou 
físicas
5.6 Debêntures e outros títulos de dívida
5.6.1 Debêntures
5.6.2 Notas promissórias (commercial papers)
5.7 Provisões 
Bom estudo a todos!
5.1
Revisão de conceitos
Antes de destacarmos as contas de passivo mais 
comuns e os seus respectivos conteúdos, vamos rever alguns 
conceitos importantes acerca dessas fontes de recursos.
5.1.1 Passivo exigível
O Passivo exigível é assim chamado por representar 
as obrigações da entidade que realmente podem ser exigidas 
pelos respectivos credores. Em outras palavras, deverão ser 
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“efetivamente” pagas. Tais obrigações são classificadas no 
Balanço Patrimonial de acordo com os seus prazos de realiza-
ção, em circulantes e não circulantes.
Mas, afinal, passivos são obrigações ou origens/fon-
tes de recursos? Ambos! Se a entidade está “devendo” para 
alguém significa que esse alguém está “financiando”, ou seja, 
está fornecendo recursos por um determinado prazo. 
Passivo circulante
Segundo Iudícibus et al (2010, p. 277):
Passivo Circulante é representado pelas 
obrigações da companhia cuja liquida-
ção se espera que ocorra dentro do ex-
ercício social seguinte, ou de acordo 
com o ciclo operacional14 da empresa, 
se este for superior a esse prazo. 
O Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das 
Demonstrações Contábeis, aprovado pela Resolução CFC nº 
1.180/09, coloca a observância dos seguintes critérios para a 
classificação de um passivo como circulante (item 69):
a) Espera-se que seja liquidado durante o ciclo opera-
cional normal da entidade;
b) Está mantido essencialmente para a finalidade de 
ser negociado;
c) Deve ser liquidado no período de até doze meses 
após a data do balanço; ou
d) A entidade não tem direito incondicional de diferir a 
liquidação do passivo durante pelo menos doze meses 
após a data do balanço.
As parcelas de uma obrigação não circulante, ou seja, de 
14. Ciclo operacional: período de tempo que abrange desde o momento de aquisição das matérias-
-primas ou mercadorias, até o “recebimento” pelas respectivas vendas dos produtos ou mercado-
rias.
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longo prazo, que forem vencíveis em até doze meses após a data 
do balanço, deverão ser transferidas para o Passivo Circulante.
Mas, vejam só, os autores e os normativos, ora se refe-
rem ao período de doze meses após a data do balanço como 
principal condição para a classificação de um passivo como 
circulante, ora se referem ao ciclo operacional. Afinal, qual 
prazo deve ser observado?
O artigo 180 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 
11.941/09, deixa bem claro que é o prazo do ciclo operacional 
que deve ser observado. O que acontece é que a grande maioria 
das entidades tem seu ciclo operacional compreendido dentro 
do prazo de doze meses, o que faz com que este seja o prazo 
mais conhecido. No entanto, há entidades cujo ciclo operacio-
nal é mais longo, como indústrias de máquinas e equipamen-
tos pesados, construtoras, indústria naval, aeronáutica etc.
Vejamos o que diz o referido artigo, complementado 
pelo parágrafo único do artigo 179 da citada lei:
As obrigações da companhia, inclusive 
financiamentos para aquisição de direi-
tos do ativo não circulante, serão classi-
ficados no passivo circulante, quando se 
vencerem no exercício seguinte, e no pas-
sivo não circulante, se tiverem vencimen-
to em prazo maior, observado o disposto 
no parágrafo único do art. 179 desta lei.
Art. 179 – Parágrafo único: “Na com-
panhia em que o ciclo operacional da 
empresa tiver duração maior que o 
exercício social, a classificação no cir-
culante ou longo prazo terá por base o 
prazo desse ciclo”.
As operações mais comuns, classificáveis como passi-
vos circulantes, segundo Iudícibus et al (2010, p. 277), são:
• Compra de matérias-primas a serem usadas no pro-
cesso produtivo ou mercadorias destinadas à revenda;
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• Compra de bens, insumos e outros materiais para 
uso pela empresa; 
• Arrendamento financeiro de bens para uso da 
empresa;
• Valores recebidos por conta de futura entrega de 
bens ou serviços;
• Salários, comissões e aluguéis devidos pela 
empresa;
• Despesas incorridas nas operações da empresa e 
ainda não pagas;
• Dividendos declarados a serem pagos aos acionistas;
• Impostos, taxas e contribuições devidos ao poder 
público;
• Empréstimos e financiamentos obtidos de institui-
ções financeiras; e
• Provisões, a qualquer título, referentes a obrigações 
já incorridas ou conhecidas e que possam ter os seus 
valores estimados etc. 
Para efeitos de gestão financeira, a correta classificação 
de um passivo como circulante ou não circulante é de funda-
mental importância para a gestão do fluxo de caixa da empresa 
e suas políticas de concessão de crédito para os clientes.
Passivo não circulante
O Passivo não circulante representa as obrigações da 
entidade que irão vencer em prazo superior ao seu ciclo ope-
racional ou após o exercício social seguinte e que, portanto, 
não são classificáveis como passivos circulantes.
5.1.2 Registro e avalição dos passivos
Como todos os demais registros contábeis, o registro 
dos passivos deve obedecer aos Princípios da Competência 
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e da Oportunidade, devendo ser avaliados de acordo com as 
disposições do art. 184 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei nº 
11.941/09, que estabelece:
No balanço, os elementos do passivo 
serão avaliados de acordo com os se-
guintes critérios:
I – as obrigações, encargos e riscos, 
conhecidos ou calculáveis, inclusive 
Imposto sobre a Renda a pagar com 
base no resultado do exercício, serão 
computados pelo valor atualizado15 
até a data do balanço; II – as obrigações 
em moeda estrangeira, com cláusula 
de paridade cambial, serão convertidas 
em moeda nacional à taxa de câmbio 
em vigor na data do balanço16; 
III – as obrigações, encargos e riscos 
classificados no passivo não circulante 
serão ajustados ao seu valor presente, 
sendo os demais ajustados quando 
houver efeito relevante17. 
Do texto legal destacamos alguns itens de extrema 
relevância:
a) Os valores dos passivos devem ser “atualizados” 
até a data do balanço. Isto significa que neles deverão 
estar computados todos os encargos necessários à sua 
liquidação, calculados até a data do balanço;
b) A taxa de câmbio utilizada para converter as obri-
gações em moeda estrangeira deve ser aquela que 
esteja em vigor “na data do balanço”; e
c) As obrigações de longo prazo (passivo não circu-
lante) devem ser ajustadas ao seu valor presente, como 
já visto em aula anterior.
15. Grifo nosso
16. Idem
17. Idem
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Os registros contábeis, segundo Iudícibus et al (2010, p. 
278) devem ser feitos nos seguintes agrupamentos de contas:
Passivo Circulante:
• Fornecedores;
• Obrigações fiscais;
• Outras obrigações;
• Imposto sobre a Renda e Contribuição Social a pagar;
• Empréstimos e financiamentos;
• Debêntures e outros títulos de dívida; e
• Provisões.
Passivo não Circulante:
• Empréstimos e financiamentos;
• Debêntures e outros títulos de dívida;
• Retenções contratuais;
• Imposto sobre a Renda e Contribuição Social 
diferidos;
• Resgate de partes beneficiárias;
• Provisão para riscos fiscais e outros passivos 
contingentes;
• Provisãopara benefícios a empregados; e
• Programa de recuperação fiscal.
Agora que já revimos e estudamos alguns conceitos 
básicos, podemos conhecer maiores detalhes sobre alguns 
desses grupos de contas.
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5.2
Fornecedores
No grupo de contas de Fornecedores são registradas 
as obrigações contraídas pela compra de matérias-primas, de 
mercadorias ou quaisquer outros materiais utilizados nas ati-
vidades da entidade para pagamento a prazo.
Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos 
Ltda. adquiriu, para pagamento em 45 dias, mercadorias para 
revenda no valor de R$280.000,00.
Vejamos como será a contabilização desse Passivo 
Circulante e do seu respectivo pagamento, feito em cheque, 
na data do vencimento:
Na compra das mercadorias
No pagamento ao fornecedor
D Estoque de Mercadorias R$280.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$280.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à aquisição de 
mercadorias a prazo
D Fornecedores R$280.000,00 Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$280.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento de 
mercadorias adquiridas a prazo
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Razonetes:
Vamos supor uma situação em que a Luz Azul 
Comércio de Materiais Elétricos tivesse importado um lote de 
lâmpadas chinesas que deveriam ser pagas em moeda estran-
geira, após 90 dias, nas seguintes condições:
Constatamos que a obrigação, no seu vencimento, 
sofrerá um acréscimo de R$3.000,00, em virtude da varia-
ção cambial incidente. Assim, teremos as seguintes 
contabilizações:
Fornecedores
280.000 (1)
Estoques de 
mercadorias
(1) 280.000
Bancos Conta 
Movimento
280.000 (2)
Fornecedores
(2) 280.000
Valor da obrigação em moeda nacional R$60.000,00
Valor do dólar na data de aquisição (taxa de 
câmbio)
R$2,00
Valor da obrigação em moeda estrangeira
(R$60.000,00 ÷ R$2,00)
US$30.000,00
Valor do dólar na data do pagamento (taxa de 
câmbio)
R$2,10
Valor do pagamento no vencimento
(US$30.000,00 x R$2,10)
R$63.000,00
Variação cambial
(R$63.000,00 - R$60.000,00)
R$3.000,00
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Na compra das mercadorias
Pela apropriação da variação cambial
No pagamento ao fornecedor
Razonetes:
D Estoque de Mercadorias R$60.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores Estrangeiros R$60.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente à aquisição de 
mercadorias a prazo
D Variações Cambiais – Despesas Financeiras R$3.000,00
Conta de 
Resultado
C Fornecedores Estrangeiros R$3.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente à variação cambial 
incidente sobre mercadorias 
adquiridas a prazo
D Fornecedores Estrangeiros R$63.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$63.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento de 
mercadorias adquiridas a prazo
Fornecedores
280.000 (1)
Estoques de 
mercadorias
(1) 60.000
Bancos Conta 
Movimento
63.000 (3)
Fornecedores
(3) 63.000 60.000 (1)
3.000 (2)
Variação Cambial 
Despesa Financ.
(2) 3.000
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Percebam que o grupo de contas de Fornecedores 
é o primeiro a ser demonstrado como Passivo no Balanço 
Patrimonial. Lembram-se de que as contas no Balanço 
Patrimonial são dispostas por grau de liquidez, no caso do 
Ativo, e por grau de exigibilidade, no Passivo? Qual é o nosso 
credor mais importante e, portanto, aquele a quem devemos 
pagar em primeiro lugar? 
Se a entidade não pagar seus fornecedores com prio-
ridade, corre o risco de não ter matéria-prima para fabricar 
seus produtos ou não ter mercadorias para revender.
5.3
Obrigações fiscais
No grupo de contas de Obrigações Fiscais são regis-
tradas as obrigações que a entidade tem com o Governo, 
seja federal, estadual ou municipal, relativas a tributos de 
forma geral (impostos, taxas e contribuições). As contas mais 
comuns deste grupo são:
• ICMS a recolher; 
• IPI a recolher; 
• Imposto de Renda a Recolher; 
• Contribuição Social sobre Lucro Líquido a Recolher;
• ISS a Recolher;
• PIS e COFINS a recolher;
• Impostos retidos a recolher etc.
A contabilização de alguns desses tributos já foi tra-
tada em aula anterior e voltará a ser estudada com outras 
ainda inéditas, em uma disciplina específica do curso.
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Mas como uma obrigação fiscal pode ser considerada 
como origem/fonte de recursos?
O governo permite que a entidade recolha os tributos 
devidos sempre após certo prazo, que varia de acordo com 
o tipo de tributo. Durante esse prazo, algo que já é devido 
deixa de ser pago, ou seja, o valor correspondente permanece 
no caixa da entidade para fazer face a outros compromissos. 
Isso significa que, mesmo que seja por alguns dias, o governo 
está “financiando” as atividades da entidade e, portanto, for-
necendo-lhe recursos!
5.4
Outras obrigações
Vamos estudar, agora, algumas das várias obrigações 
que uma entidade pode ter, além daquelas fiscais ou com for-
necedores. O grupo de contas “Outras Obrigações” abrange 
todas as demais obrigações contraídas com terceiros, inclu-
sive com empregados. 
Das diversas obrigações que compõem esse grupo, ire-
mos estudar:
• Adiantamentos de clientes;
• Contas a pagar;
• Ordenados e salários a pagar;
• Encargos sociais a pagar e FGTS a recolher;
• Dividendos a pagar;
• Ajuste ao valor presente (conta devedora);
• Outras obrigações a pagar.
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5.4.1 Adiantamentos de clientes
Na conta de Adiantamentos de Clientes são registra-
dos valores recebidos antecipadamente por conta de serviços 
a realizar ou produtos a entregar. A obrigação deve ser cons-
tituída, pois, geralmente, se o produto não for entregue ou o 
serviço não for realizado, a quantia recebida a título de adian-
tamento deverá ser devolvida ao cliente.
Também se aplica o uso desta conta no caso do forne-
cimento de bens ou serviços de longo prazo, isto é, cuja pro-
dução ou realização ocorra em prazo longo e os respectivos 
valores sejam pagos pelos clientes durante a produção ou 
prestação do serviço, de acordo com os prazos estabelecidos 
em contrato.
Vamos contabilizar essa transação:
Pelo recebimento do adiantamento
Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos 
fechou um contrato de importação de lâmpadas chinesas, 
especificamente para atender a uma construtora que iria 
utilizar tais lâmpadas em uma de suas obras. Para garan-
tir que o preço combinado não fosse alterado em função 
da possível variação cambial, a construtora “adiantou” 
R$75.000,00, correspondente a 50% do valor total contra-
tado. Os 50% restantes seriam pagos quando da entrega 
das lâmpadas.
D Bancos - Conta Movimento R$75.000,00
Conta de 
Ativo
C Adiantamentos de Clientes R$75.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao adiantamento 
recebido do cliente XYZ por conta da 
importação de um lote de lâmpadas
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Na entrega da mercadoria
Razonetes:
5.4.2 Contas a pagar
No grupo de Contas a Pagar são registradas as obri-
gações constituídas por conta de bens ou serviços que foram 
fornecidos para a entidade ou, ainda, que tenham sidos fatu-
radosou contratados, e cuja classificação não se enquadre 
em nenhum outro grupo de contas específico. Servem como 
exemplo: o fornecimento de água, luz, telefone, energia elé-
trica, aluguéis etc. além de contas eventuais.
A contabilização terá, sempre, como contrapartida a 
despesa correspondente, incorrida até a data do Balanço ou 
demonstrativo contábil intermediário (Balancete mensal, por 
exemplo) e que deva ser pago posteriormente a essa data.
D Adiantamentos de Clientes R$75.000,00
Conta de 
Passivo
D Bancos - Conta Movimento R$75.000,00
Conta de 
Ativo
C Receita de Vendas R$150.000,00 Conta de Resultado
Valor referente à venda de um lote de 
lâmpadas importadas ao cliente XYZ, 
ora completada.
Adiantamentos 
de Clientes
(2) 75.000 75.000 (1)
Bancos Conta 
Movimento
75.000 (1)
75.000 (2)
Receita de 
Vendas
150.000 (2)
D Despesa R$ Conta de Resultado
C Contas a Pagar RS Conta de Passivo
Valor referente a... 
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5.4.3 Ordenados e salários a pagar
Este é mais um grupo de contas que suscita dúvidas 
quanto ao fato de ser origem ou fonte de recursos para a enti-
dade. O fato é que, sempre que uma obrigação pode ser cum-
prida posteriormente à ocorrência do evento que a originou, 
estará ocorrendo um “financiamento” das atividades da enti-
dade, mesmo que por poucos dias.
No caso de ordenados e salários, quando a entidade 
efetua o pagamento no mês seguinte àquele em que o serviço 
foi prestado pelo empregado, ela estará deixando de desen-
caixar os valores correspondentes e, consequentemente, 
poderá utiliza-los para outras finalidades.
A contabilização é feita com base na “folha de paga-
mentos” da entidade e deve contemplar todas as remune-
rações de direito dos empregados, inclusive horas extras e 
quaisquer outras.
Contabilização:18
5.4.4 Encargos sociais a pagar e FGTS a recolher
Assim como os ordenados e os salários, a obriga-
ção de recolher os encargos sociais, como a contribuição ao 
INSS devida pela empresa, por exemplo, e o FGTS (Fundo de 
18. No caso de pessoal ligado à produção de bens ou serviços, o valor dos ordenados e dos salários 
será apropriado ao custo dos produtos (ativo).
D
Ordenados e Salários – 
Despesa 
Administrativa18
R$ Conta de Resultado
C Ordenados e Salários a Pagar S
Conta de 
Passivo
Valor referente aos ordenados e 
salários do mês X, conforme folha de 
pagamento
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Garantia por Tempo de Serviço), também deverá ser reconhe-
cida no mês correspondente. 
A base da contabilização, neste caso, também será a 
folha de pagamento do mês e, no caso do INSS, a obrigação 
deverá contemplar, inclusive, a contribuição que é descon-
tada do empregado para recolhimento à Previdência Social.
Contabilização:
Contribuições à Previdência Social
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(*) No caso de pessoal ligado à produção de bens ou serviços, o valor dos encargos sociais e 
do FGTS, será apropriado como custos dos produtos (Ativo).
5.4.5 Dividendos a pagar
Dividendo é a parcela do lucro que cabe ao acionista 
das sociedades por ações (Sociedades Anônimas – SA). A Lei 
nº 6.404/76 determina que os dividendos propostos sejam 
D
Encargos Sociais – 
Despesa 
Administrativa (*)
R$ Conta de Resultado
C INSS a Pagar R$ Conta de Passivo
Valor referente à contribuição previ-
denciária, parte da empresa, do mês 
X, conforme folha de pagamento.
D
Fundo de Garantia Por 
Tempo de Serviço - 
Despesa 
Administrativa (*) 
R$ Conta de Resultado
C FGTS a Recolher R$ Conta de Passivo
Valor referente ao FGTS do mês X, 
conforme folha de pagamento.
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contabilizados como uma obrigação na data do Balanço. 
Entretanto, devem-se considerar nessa contabilização 
somente os dividendos mínimos obrigatórios, determina-
dos no estatuto da sociedade, tendo em vista que o valor total 
proposto, caso seja maior, somente será uma obrigação após a 
sua aprovação pela assembleia geral.
Exemplo: Supondo que uma sociedade anônima 
tenha obtido lucro líquido de R$1.500, que o dividendo 
mínimo previsto em seu estatuto é de 25% desse lucro 
e que, a proposta inicial para pagamento de dividendos 
seja de 35% do lucro líquido, a contabilização ficaria da 
seguinte forma:
Apurando os valores a serem contabilizados:
Dividendo mínimo = R$1.500,00 x 25% = R$375,00
Dividendo proposto = R$1.500,00 x 30% = R$450,00
Diferença = R$75,00
Na data do Balanço
D Lucros Acumulados (PL) R$450,00
Conta de 
Patrimônio 
Líquido
C Dividendo Adicional Proposto (PL) R$75,00
Conta de 
Patrimônio 
Líquido
C Dividendo Obrigatório a Pagar R$375,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao dividendo sobre o 
lucro líquido do exercício X
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205
Após aprovação pela Assembleia Geral
Razonetes: 
(*) O saldo deve ser trasnferido para as contas reservas.
5.4.6 Ajuste ao valor presente
A conta de Ajuste ao Valor Presente é uma conta 
“redutora” ou “retificadora” que se presta a acolher 
os valores correspondentes aos ajustes realizados nas 
obrigações, nos encargos e nos riscos classificados nos 
Passivos Não Circulante e Circulante, quando houver 
efeito relevante.
O ajuste ao valor presente já foi estudado na Aula 3, 
mas vamos relembrar um pouco do que foi visto lá.
D Dividendo Adicional Proposto (PL) R$75,00
Conta de 
Patrimônio 
Líquido
D Dividendo Obrigatório a Pagar R$375,00
Conta de 
Passivo
C Dividendos a Pagar R$450,00 Conta de Passivo
Valor referente aos dividendos a pagar 
sobre o lucro líquido do exercício X
Dividendos a 
Pagar
450 (2)
Dividendo 
Adicional 
Proposto
(2) 75 75 (1)
Lucros 
Acumulados
(1) 100.000 1.500 (SI)
(*) 1.050
Dividendos 
Obrigatório 
a Pagar
(2) 375 375 (1)
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Para reforçar, vamos repetir o exemplo estudado 
naquela aula:
Vamos supor que uma entidade adquiriu uma máquina 
a prazo no valor total de R$27.865,00, correspondente a 5 par-
celas iguais de R$5.573,00. Os juros embutidos correspondem a 
uma taxa de 20% ao ano. Quando descontamos os juros do valor 
total, trazendo-o ao seu valor presente, temos que o seu valor 
real na data da compra é de R$20.000,00, ou seja, o valor dos 
juros corresponde a R$7.865,00. Vamos contabilizar esse ajuste:
No Passivo do Balanço Patrimonial as contas seriam 
demonstradas como segue:
À medida que transcorre o prazo do financiamento, o 
encargo financeiro correspondente ao ajuste ao valor presente 
vai sendo apropriado de acordo com o regime de competência:
O valor presente (VP) é o valor da transação que tem juros 
embutidos pelo respectivo prazo da operação, trazido ao 
valor de hoje, ou seja, sem esses juros. Em outras palavras, 
valor presente = valor de hoje.
D Máquinas (pelo valor presente) R$20.000,00
Conta de 
Ativo Não 
Circulante
D Encargos Financeiros a Decorrer (VP) R$7.865,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
C Financiamentos R$27.865,00 Conta de Passivo
Valor referente ao ajuste ao valor pre-
sente na compra de máquina a prazo
Financiamentos R$27.865,00
Encargos Financeiros a Decorrer (R$7.865,00)
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207
5.4.7 Outras obrigações a pagar
Outras obrigações, constituídas em função à obedi-
ência ao regime de competência,devem ser registradas no 
grupo de contas Outras Obrigações a Pagar e contabilizadas 
tendo como contrapartida a conta de Ativo ou de Despesa 
que melhor a represente.
5.5
Empréstimos e financiamentos
Os empréstimos e os financiamentos podem ser de 
curto ou de longo prazo, contraídos com instituições finan-
ceiras do país ou do exterior.
Em linhas gerais, o que diferencia um empréstimo de 
um financiamento é que ele costuma ter um fim específico, 
como financiar a aquisição de um bem ou de um equipamento, 
enquanto que o empréstimo não tem um objeto exclusivo, pode 
ser para fazer face à necessidade de capital de giro ou, ainda, 
para atender a amplos projetos com diversos componentes.
As contas mais comuns que compõem o grupo de 
Empréstimos e Financiamentos, no Passivo Circulante e no 
Não Circulante, são:
D
Despesa de Encargos 
Financeiros sobre 
Financiamentos
Pelo valor 
da parcela 
mensal dos 
juros
Conta de 
Resultado
C Encargos Financeiros a Decorrer (VP) Idem
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente à apropriação de 
encargos financeiros sobre 
financiamentos no período
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• Parcela a curto prazo dos empréstimos e dos finan-
ciamentos (*)
• Financiamentos bancários de curto prazo
• Desconto de duplicatas
• Desconto de promissórias
• Credores por financiamentos
• Títulos a Pagar
• Juros a pagar de empréstimos e financiamentos
• Encargos financeiros a transcorrer (conta redutora)
• Empréstimos e financiamentos a longo prazo
Iudícibus et al (2010, p. 298) recomenda que os financia-
mentos de bens e de equipamentos, feitos diretamente pelo 
fornecedor, sejam registrados em conta diferente daquela que 
registra os financiamentos realizados por instituições finan-
ceiras e sugere a conta de Credores por Financiamentos.
5.5.1 Registro contábil de empréstimos e de 
financiamentos
O registro contábil inicial dos empréstimos e finan-
ciamentos deve ser feito quando os recursos forem recebidos 
pela entidade, o que normalmente ocorre ao assinar o con-
trato correspondente. Quando o contrato prevê a liberação 
dos recursos em parcelas, o registro contábil deve ser feito no 
recebimento de cada uma delas.
A contabilização dessas operações deve considerar, 
ainda, as possíveis variações monetárias, as despesas bancárias 
(*) Valores originalmente registrados como passivos de 
longo prazo (Não Circulante) devem ser transferidos para 
o Passivo Circulante à medida que o vencimento de suas 
parcelas se enquadrem na classificação de curto prazo.
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209
e outras despesas incorridas, a apropriação dos juros corres-
pondentes e, quando for o caso, o ajuste ao valor presente.
Para ilustrar a contabilização de uma operação de 
empréstimo, vamos adaptar, para simplificar, o exemplo for-
necido por Iudícibus et al (2010, p. 301-304):
Supondo que uma empresa faça um empréstimo de 
R$2.000.000,00, nas seguintes condições:
As despesas incorridas e relacionadas com a opera-
ção de captação de recursos por meio do empréstimo devem 
ser consideradas como “encargos financeiros”, uma vez que 
não existiriam se não houvesse a operação. No exemplo, esse 
valor representa R$130.000,00 (despesas bancárias + gastos 
com consultores). Assim, temos que a taxa de juros ou o custo 
do empréstimo, na realidade, não será de 10%, conforme con-
trato, mas, sim, 13,76% (TIR – Taxa Interna de Retorno), con-
siderando que:
• O valor efetivamente recebido foi de R$1.870.000,00 
(R$2.000.000,00 - R$130.000,00);
• O valor a ser pago no vencimento é de R$2.420.000,00;
• O total das despesas a incorrer ao longo do perí-
odo é de R$550.000,00, correspondente a R$420.000,00 
de juros (R$2.420.000,00 - R$2.000.000,00), mais 
R$130.000,00 (despesas bancárias + gastos com 
consultores);
Despesas bancárias R$10.000,00
Gastos com consultores para 
viabilização da documentação exigida R$120.000,00
Taxa de juros contratuais 10% a.a.
Prazo 2 anos
Condições de pagamento: parcela única R$2.420.000,00
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Aplicando-se a taxa efetiva de 13,76% sobre o valor 
líquido recebido, obtém-se o valor dos custos financeiros inci-
dentes no primeiro ano da operação:
No segundo ano, tem-se:
Obs.: os valores foram arredondados
Observe a seguir o quadro resumo da operação de 
empréstimo:
Fonte: Iudícibus et al (2010, p. 303), adaptado
A “separação” entre os custos diversos e as despesas 
de juros pode ser ilustrada da seguinte forma:
 
R$1.870.000,00 x 13,76% = R$257.300,00 (custos financeiros 
a amortizar)
R$1.870.000,00 + R$257.300,00 = R$2.127.300,00 (saldo do 
empréstimo no primeiro ano)
R$2.127.300,00 x 13,76% = R$292.700,00
Controle de Captação de Recursos (Taxa Efetiva = 13,76%)
Ano Saldo Inicial
Efeitos na 
DRE Efeitos na DRE
Efeitos na 
DRE
1 1.870.000 (257.300) - 2.127.300
2 2.127.300 (292.700) (2.420.000) -
Despesa Financeira Total (550.000)
Despesas de Juros (420.000)
Despesas Diversas (130.000)
Despesas Desdobradas Ano a Ano
Ano Despesas com Juros
Despesas com 
amortização dos 
gastos diversos
Encargo 
financeiro total 
(DRE)
1 (200.000) (57.300) (257.300)
2 (220.000) (72.700) (292.700)
Total (420.000) (130.000) (550.000)
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211
Vamos ver, agora, a contabilização dessa operação:
Pela contratação e recebimento do empréstimo
Pela apropriação dos encargos financeiros do 1º ano
D Bancos Conta Movimento R$1.870.000,00
Conta de 
Ativo
D
Custos de 
Empréstimos a 
Amortizar
R$130.000,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
C Empréstimos e Financiamentos R$2.000.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao empréstimo 
contraído com o Banco X
Bancos Conta 
Movimento
(1) 1.870.000 75.000
Empréstimos e 
Financiamentos
2.000.000 (1)
Custos de Em-
prest. a Armonizar
(1) 130.000
D Encargos Financeiros (Despesa Financeira) R$257.300,00
Conta de 
Resultado
C
Empréstimos e Finan-
ciamentos (pela apro-
priação dos juros)
R$200.000,00 Conta de Passivo
C
Custos de Empréstimos 
a Amortizar 
(pela amortização dos 
custos diversos)
R$57.300,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente à apropriação de encar-
gos financeiros sobre empréstimos
Custos de Em-
prest. a Amortizar
(1) 130.000 57.300 (2)
Empréstimos e 
Financiamentos
2.000000 (1)
200.000 (2)
Encargos 
Financeiros
(2) 257.000
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Pontos importantes:
• Note que os gastos com a despesa bancária e a con-
sultoria, no valor total de R$130.000,00, já foram pagos 
quando descontados do valor principal do emprés-
timo. Portanto é um custo a ser amortizado.
• As despesas de juros, no entanto, só serão “incorri-
das” no final do primeiro ano.
• Assim, atendendo ao regime de competência, apro-
priam-se como encargos financeiros os custos diversos 
relativos ao 1º ano e pagos antecipadamente, juntamente 
com os juros incorridos no período e ainda não pagos.
Pela apropriação dos encargos financeiros do 2º ano
D Encargos Financeiros (Despesa Financeira) R$292.700,00
Conta de 
Resultado
C
Empréstimos e Finan-
ciamentos (pela apro-
priação dos juros)
R$220.000,00 Conta de Passivo
C
Custos de Emprésti-
mos a Amortizar (pela 
amortização dos custos 
diversos)
R$72.700,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente à apropriação de encar-
gos financeiros sobre empréstimos
Custos de Em-
prest. a Amortizar(1) 130.000 57.300 (2)
72.700 (3)
Empréstimos e 
Financiamentos
2.000000 (1)
200.000 (2)
220.000 (3)
Encargos 
Financeiros
(2) 257.300
(3) 292.700
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213
Pelo pagamento do empréstimo
(*) O saldo da conta ficará negativo. Esta situação deve ser evitada na vida real
5.5.2 Registro contábil de financiamentos 
bancários a curto prazo
Dos financiamentos bancários de curto prazo mais 
comuns, destacam-se o desconto de duplicatas, as notas pro-
missórias, os empréstimos caucionados, entre outros.
O desconto de duplicatas consiste numa operação em 
que a entidade, proprietária dos títulos, entrega-os a uma 
instituição financeira (ou factoring) em troca do valor des-
ses títulos, descontados dos respectivos encargos financei-
ros cobrados pela instituição. É como se a entidade estivesse 
fazendo um empréstimo que será quitado à medida que os 
seus clientes também forem quitando as duplicatas junto à 
instituição. Trata-se de uma forma de receber “antecipada-
mente” os recursos provenientes dessas duplicatas, sendo 
uma providência bastante adotada pelas empresas que preci-
sam de financiamento para o seu capital de giro19.
19. Capital de Giro: representa os recursos que a entidade possui para sustentar o giro dos negócios. 
Resulta das entradas e das saídas diárias do fluxo financeiro relacionado às suas atividades operacionais.
D Empréstimos e Financiamentos R$2.420.000,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$2.420.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao pagamento de 
empréstimos ao Banco X
Empréstimos e 
Financiamentos
(4) 2.420.000 2.000000 (1)
200.000 (2)
220.000 (3)
Bancos Conta 
Movimento
(1) 1.870.000 2.420000 (4)
(*)
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Geralmente a operação de desconto de duplicatas e 
outros títulos já inclui os encargos financeiros incidentes e 
a entidade recebe o valor já descontado desses encargos. Em 
atendimento ao regime de competência, faz-se necessário 
registrá-los em uma conta redutora do Passivo para apropria-
ção pro rata temporis, ou seja, de acordo com o tempo trans-
corrido da operação que, nesse caso, se dá entre a data do 
desconto e a data de quitação do título pelos clientes. 
Vamos exemplificar:
A contabilização seria a seguinte:
Pelo desconto das duplicatas 
A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos decidiu cap-
tar recursos por meio de uma operação de descontos de 
duplicatas. Analisou sua carteira de duplicatas a receber, 
no valor de R$100.000,00, e decidiu descontar 20% desse 
total. Por essa transação, o Banco X cobrou juros no valor 
de R$2.000,00 e taxas bancárias de R$300,00, tendo a Luz 
Azul recebido um valor líquido de R$17.700,00.
D Bancos - Conta Movimento R$17.700,00
Conta de 
Ativo
D Encargos Financeiros a Apropriar R$2.300,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
C Duplicatas Descontadas R$20.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao desconto de 
duplicatas no Banco X
Bancos Conta 
Movimento
(1) 17.700
Duplicatas 
Descontadas
20.000 (1)
Encargos Finan-
ceiros a Apropriar
(1) 300
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215
Pela apropriação dos encargos financeiros quando do paga-
mento pelo cliente
Pelo pagamento pelo cliente
5.5.3 Outras obrigações por empréstimos e 
financiamentos
Uma entidade pode obter empréstimos e financia-
mentos não só com instituições financeiras, mas, também, 
com outras pessoas jurídicas (fornecedores, por exemplo) ou 
mesmo com pessoas físicas.
D Despesas Financeiras R$300,00 Conta de Resultado
C Encargos Financeiros a Apropriar R$300,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente à apropriação de en-
cargos financeiros sobre o desconto de 
duplicatas no Banco X
D Duplicatas Descontadas R$20.000,00
Conta de 
Passivo
C Duplicatas a Receber R$20.000,00 Conta de Ativo
Valor referente ao recebimento de 
duplicatas nº 1234
Encargos Finan-
ceiros a Apropriar
(1) 300 300 (2)
Duplicatas 
Descontadas
(3) 20.000 20.000 (1)
Duplicatas a 
Receber
(SI) 100.000 20.000 (3)
Despesas 
Financeiras
(2) 300
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Financiamentos diretos com fornecedores
No caso de obtenção de financiamentos diretamente com 
fornecedores, eles devem ser registrados em conta separada 
daqueles que se originam de instituições financeiras para melhor 
controle. Quanto aos demais procedimentos em relação à classifi-
cação por prazos, apropriação de juros e outras despesas, ajuste ao 
valor presente, variações monetárias etc., em nada se diferenciam.
Vamos contabilizar?
Primeiramente, é necessário trazer o valor das instala-
ções ao seu valor presente, usando a taxa de 20% ao ano. Esse 
valor é igual a R$100.000,00 e, portanto, foram cobrados juros 
de R$72.800,00.
Pelo compra financiada
Exemplo: A Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos, 
ampliando suas instalações, adquiriu da FB Móveis 
Comerciais novos balcões e prateleiras por R$172.800,00. 
Esse valor foi financiado em 3 anos, em parcelas anuais e 
iguais de R$57.600,00, diretamente com a fornecedora que 
cobrou juros de 20% ao ano.
D Móveis e Instalações (Pelo valor presente) R$100.000,00
Conta de 
Ativo
D Juros de Financia-mentos a Apropriar R$72.800,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
C Credores por Financiamentos R$172.800,00
Conta de 
Passivo
Valor referente à aquisição de móveis 
e instalações, conforme NF. XXX da FB 
Móveis Comerciais
Móveis e 
Instalações
(1) 100.000
Credores por 
Financiamentos
172.800 (1)
Juros Financiamen-
tos a Apropriar
(1) 72.800
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Pela apropriação dos juros no 1º ano
Os juros do segundo ano (R$24.000,00) e do terceiro 
ano (R$28.800,00) serão apropriados da mesma forma.
Pelo pagamento da primeira parcela anual
 
As parcelas pagas no segundo e no terceiro ano serão 
contabilizadas da mesma forma.
D Despesas Financeiras R$20.000,00 Conta de Resultado
C Juros de Financia-mentos a Apropriar R$20.000,00
Conta de 
Passivo 
(Redutora)
Valor referente aos juros do financia-
mento com a FB Móveis Comerciais
Juros Financiamen-
tos a Apropriar
(1) 72.800 20.000 (2)
Despesas 
Financeiras
(2) 20.000
D Credores por Financiamentos R$57.600,00
Conta de 
Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$57.600,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à primeira parcela 
de financiamento com a FB Móveis 
Comerciais
Credores por 
Financiamentos
(2) 57.600 172.800 (1)
Bancos Conta 
Movimento
57.600 (2)
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Financiamentos com outras pessoas jurídicas ou físicas
No caso de financiamentos com outras pessoas jurí-
dicas (que não fornecedores) ou físicas, eles devem ser con-
tabilizados, preferencialmente, na conta “Títulos a Pagar”, 
observando-se, para efeito de apropriação de encargos e outros 
procedimentos, as condições negociadas no financiamento.
5.6
Debêntures e outros títulos de 
dívida
Outra forma de captação de recursos utilizada pelas 
entidades é a emissão de títulos de dívida. Mas o que é um 
título de dívida?
Um título de dívida é um documento (“papel”, na 
linguagem financeira) representativo de uma dívida cujo 
pagamento poderá ser exigido de acordo com as condições 
pactuadas entre as partes. 
A emissão de títulos de dívida é uma das formas uti-
lizadaspelas entidades para captação de recursos. Tais títu-
los são comercializados no mercado financeiro e o investidor 
que os adquire será titular de um direito de crédito perante a 
empresa emitente.
Os títulos de dívida mais comuns são as debêntures e 
as notas promissórias (commercial papers).
5.6.1 Debêntures
 Debêntures são títulos de dívida emitidos por empre-
sas constituídas sobre a forma de sociedades anônimas. 
Geralmente são títulos com vencimentos de médio a longo 
prazo, que conferem aos seus titulares os direitos de crédito 
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contra a entidade emissora, conforme estipulado na corres-
pondente escritura de emissão20.
As debêntures são títulos que serão liquidados 
somente nos respectivos vencimentos e que podem pagar 
juros periódicos, podendo a entidade emissora exercer o 
direito de resgate antecipado. Constituem-se em fontes de 
recursos para as entidades financiarem suas atividades 
em médio e a longo prazo.
A emissão e a negociação das debêntures implicam em 
gastos (custos de transação) a serem contabilizados como des-
pesas financeiras, de acordo com Pronunciamento Técnico 
CPC 08 – Custos de Transação e Prêmios na Emissão de 
Títulos e Valores Mobiliários.
5.6.2 Notas promissórias (commercial papers)
As notas promissórias (NP), conhecidas no mercado 
financeiro como commercial papers são títulos de dívida, tam-
bém emitidos por sociedades anônimas, com a finalidade de 
captação de recursos para financiamento de capital de giro.
As condições de emissão e de tratamento contábil das 
notas promissórias se assemelham às das debêntures, exceto 
no que se refere ao prazo, visto que as NPs são emitidas pelo 
prazo máximo de 180 dias, no caso de sociedades anônimas de 
capital fechado, e 360 dias, quando se tratar de capital aberto.
20. Escritura de emissão: documento legal em que constam todas as condições de emissão da debên-
ture, como prazo, periodicidade de pagamento de juros, garantias, remuneração etc.
Saiba mais
Quer saber mais sobre “títulos de dívida”? Consulte o site:
http://www.bmfbovespa.com.br/empresas/pages/empre-
sas_titulosdedivida.asp
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5.7
Provisões 
O item provisões será revisto nesta aula por se tratar 
de um tópico muitas vezes significativo para o Passivo. Além 
disso, como os demais passivos, as provisões também carac-
terizam uma fonte de recursos. Vamos relembrar, a seguir, 
um trecho importante visto na Aula 3 sobre o tema:
Provisões destinadas a cobrir possíveis 
obrigações futuras, sobre as quais se 
tenha razoável certeza da liquidação – 
são provisões constituídas, utilizando-
se valores estimados, destinadas a fazer 
face a “possíveis” obrigações futuras, 
mas que ainda não são obrigações con-
stituídas. Por exemplo, no caso de pro-
cessos trabalhistas em andamento se 
tem razoável certeza de que a maioria 
das causas trabalhistas são ganhas pelo 
reclamante, o que obriga que a pos-
sibilidade de a entidade ter que pagar 
o valor estimado correspondente seja 
registrado contabilmente, ou seja, “pro-
visionado”. Essa, sim, caracteriza uma 
provisão na acepção completa da pala-
vra. A entidade estará provisionando 
recursos diante da “quase certeza” de 
que ocorrerão desembolsos futuros. 
Como podemos observar, as provisões caracterizam obri-
gações sobre as quais se tem razoável certeza de que precisarão 
ser liquidadas, mas ainda não são efetivamente constituídas, o 
que dificulta a sua visualização como fontes de recursos. Para 
facilitar essa identificação, pode-se imaginar que tais recursos, 
na realidade, permanecem no giro da entidade, mas pertencem 
a terceiros e, portanto, estão financiando esse giro.
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221
Enfim, finalizamos esta aula. Chegou o momento de 
“checarmos” nosso aprendizado! Vamos lá?
Espero que tenham tido um bom aproveitamento, mas, 
mesmo assim, não deixem de consultar as leituras comple-
mentares e a bibliografia indicada. Elas são importantes para 
completar conceitos e esclarecer eventuais dúvidas.
Até aqui estudamos, basicamente, de onde vêm os 
recursos que “sustentam” uma entidade. A partir da próxima 
aula, vamos estudar o que a entidade faz com esses recursos, 
isto é, como e em que elas “aplicam” tais recursos.
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecemos os principais Passivos Circulantes e Não 
Circulantes que se constituem em fontes/origens de recur-
sos para a entidade?
 ‚ Conhecemos as principais características das contas que 
compõem os Passivos Circulantes e Não Circulantes? 
 ‚ Praticamos e conseguimos aprender a contabilização dos 
fatos contábeis mais comuns envolvendo os Passivos?
Vamos relembrar?
A Aula 5 possibilitou que conhecêssemos outras fontes/
origens de recursos. Aquelas que constituem o capital de 
terceiros, ou seja, recursos que se originam de pessoas 
jurídicas ou físicas externas à organização.
Aprendemos que essas origens de recursos estão 
representadas no Passivo Circulante e no Passivo Não 
Circulante e revimos os critérios para a classificação das 
operações nesses grupos. Tais critérios estão vincula-
dos aos prazos das operações e, principalmente, ao ciclo 
operacional das entidades. 
Constatamos que todos os itens do Passivo devem ser 
atualizados na data do Balanço e aprendemos que essa 
atualização pode estar vinculada à variação cambial ou 
a outras variações monetárias, assim como o registro das 
obrigações deve obedecer ao regime de competência. 
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Encerramos, revendo o conceito de “provisão” no con-
texto do Passivo, isto é, como origem de recursos. 
Qu estões pa r a r eflex ão e 
au toaVali aÇão
Leia o artigo abaixo para responder às seguintes questões:
1. Como um refinanciamento de obrigações tributárias, como 
o que está sendo abordado, pode afetar as origens de recursos 
das entidades?
2. Após pesquisar sobre o REFIS, determine se as obrigações 
tributárias renegociadas devem ser registradas no Passivo 
Circulante ou no Passivo Não Circulante.
3. Em qual grupo de contas do Passivo, dentre os que foram es-
tudados, o refinanciamento dessa dívida deve ser contabilizado?
Tal obediência obriga a observar os diferimentos dos encar-
gos financeiros incidentes sobre os empréstimos, financia-
mentos e outras obrigações e, também, ao ajuste ao valor 
presente, quando tiver efeito relevante no Circulante, e 
sempre que operações de longo prazo assim o exijam.
Estudamos as características e as contabilizações dos seguin-
tes grupos de contas do Passivo: Fornecedores; Obrigações 
Fiscais; Outras Obrigações, incluindo Contas a Pagar, 
Ordenados e Salários a Pagar, Encargos Sociais e FGTS a 
Recolher, Dividendos a Pagar, Ajuste ao Valor Presente e 
Outras Obrigações a Pagar; Empréstimos e Financiamentos; 
Debêntures e Outros Títulos de Dívida; e Provisões. 
No grupo de Empréstimos e Financiamentos, abordamos 
o diferimento de encargos financeiros, bem como ope-
rações de financiamento de curto prazo, destacando as 
Duplicatas Descontadas.
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r esoluÇão:
1. Como um refinanciamento de obrigações tributárias, como 
o que está sendo abordado, pode afetar as origens de recursos 
das entidades?
Governo deve lançar novo Refis para empresas em 
dificuldades
Programa deverá permitir que empresas com débitos tri-
butários possam refinanciá-los em condiçõesespeciais. 
Jeferson Ribeiro. 20/08/2013
Disponível em: http://exame.abril.com.br/economia/noti-
cias/governo-deve-lancar-novo-refis-para-empresas-em-
-dificuldades 
Brasília - O governo deve lançar um novo Programa de 
Recuperação Fiscal (Refis) para permitir que empresas 
com débitos tributários possam refinanciá-los em condi-
ções especiais, disseram à Reuters fontes do Executivo e 
do Legislativo.
A reabertura do Refis está sendo debatida com lideranças 
do Congresso para ser incluída em uma medida provisó-
ria já em tramitação, provavelmente a 615 que trata, entre 
outras coisas, de subvenção econômica a produtores de 
cana-de-açúcar e etanol do Nordeste.
Os detalhes do novo Refis ainda estão sendo finalizados 
pela Casa Civil e pelo Ministério da Fazenda, segundo 
duas fontes do governo. Entre os pontos debatidos estão 
os prazos e as condições do refinanciamento.
Está em estudo a possibilidade de essa nova rodada de nego-
ciações incluir todas as empresas que quiserem refinanciar 
seus débitos. Mas não está descartado permitir apenas a 
empresas que não ingressaram no último programa, de 2009.
A reabertura do Refis já foi proposta pelo Congresso 
durante a gestão da presidente Dilma Rousseff no ano 
passado, mas o governo trabalhou para barrar a proposta.
Agora, num momento em que o crescimento econômico 
está abaixo do esperado e algumas empresas podem 
sofrer com a alta do dólar em relação ao real, o governo se 
mostrou disposto a negociar. 
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O refinanciamento pressupõe a concessão de prazo para liquidação 
da dívida, o que significa que a entidade terá mais tempo para recom-
por o seu caixa ou permanecer com o recurso financeiro correspon-
dente no giro dos seus negócios. Além disto, os encargos financeiros 
cobrados são bem menores que o custo do dinheiro no mercado.
2. Após pesquisar sobre o REFIS, determine se as obrigações 
tributárias renegociadas devem ser registradas no Passivo 
Circulante ou no Passivo não Circulante.
O REFIS caracteriza um financiamento da dívida fiscal a longo pra-
zo e, portanto, as dívidas fiscais objeto desse refinanciamento devem 
ser transferidas para o Passivo não Circulante.
3. Em qual grupo de contas do Passivo, dentre os que foram es-
tudados, o refinanciamento dessa dívida deve ser contabilizado?
Deve ser contabilizado no grupo de Obrigações Fiscais, no Passivo 
não Circulante.
lei t u r as r ecom en da das
RIBEIRO, A. de C. Provisões, contingências e normas contá-
beis: um estudo de gerenciamento de resultados com con-
tencioso legal no Brasil. Dissertação de mestrado. FEA/USP. 
Ribeirão Preto: 2012. Disponível em: http://www.teses.usp.br/
teses/disponiveis/96/96133/tde-17052012-114448/pt-br.php. 
ABRASCA – Associação Brasileira de Companhias Abertas; 
ANDIMA - Associação Nacional das Instituições do Merca-
do Financeiro. O que são debêntures? São Paulo: julho/2008. 
Disponível em: http://www.debentures.com.br/downloads/
textostecnicos/cartilha_debentures.pdf 
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www.cfc.org.br 
www.cpc.org.br 
r ef er Ênci as
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução 
CFC nº 1.180 de 24 de julho de 2009. Aprova a NBC T 19.7 
– Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. Bra-
sília, 2009. 
IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. 
São Paulo: Atlas, 2010.
( 6 )
Principais aplicações de 
recursos: ativos circulantes e não 
circulantes
Olá prezados alunos, 
Aqui estamos, prontos para abrir mais uma porta e 
agregar mais conhecimento. A cada porta aberta nos torna-
mos mais preparados para encontrar um futuro que também 
nos receberá de “portas abertas”.
O futuro para o profissional contábil é extremamente 
promissor. São mais de vinte áreas de atuação em uma pro-
fissão que tem taxa de desemprego “zero”. Vale a pena con-
tinuar investindo algumas horas de estudo para adquirir 
conhecimento e desenvolver competências.
Vejam só quantas portas já foram abertas até aqui:
• Outras origens de recursos: passivos circulantes e 
não circulantes;
• Demonstração do resultado do exercício;
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• Provisões contábeis e despesas que não afetam o 
caixa;
• Principal origem de recursos: o lucro;
• Contabilidade financeira: conceitos, definições e 
utilização no processo decisório.
Em nossas aulas anteriores, vimos diversas fontes de 
recursos para viabilizar a operacionalização das entidades. A 
partir de agora, vamos começar a estudar o que é feito com os 
recursos captados e como são “aplicados”.
A operacionalização de uma entidade nada mais é do 
que ela cumprir a sua missão, o objetivo para o qual ela foi 
criada, o exercício das suas atividades fim. Para tanto, ela 
deve investir/aplicar os recursos, direta ou indiretamente, 
nas suas operações.
O sucesso de qualquer organização depende da gestão 
equilibrada das origens e das aplicações dos recursos disponíveis, 
razão pela qual vamos agora estudar as principais aplicações.
Os objetivos que pretendemos alcançar nesta aula são:
Buscando tais objetivos, vamos dividir esta aula nos 
seguintes tópicos:
6.1 Revisão de conceitos
6.2 Caixa e equivalentes de caixa
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecer as principais aplicações de recursos e suas 
peculiaridades;
 ‚ Conhecer as características de cada grupo de contas;
 ‚ Conhecer e aplicar os conceitos básicos de mensuração e 
avaliação dos principais ativos de uma entidade;
 ‚ Aprender e praticar a escrituração de fatos contábeis que 
envolvam os ativos de uma entidade. 
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 6.2.1 Definição
 6.2.2 Fundo fixo de caixa
 6.2.3 Caixa flutuante
 6.2.4 Pagamentos e recebimentos com cheques 
pré-datados
 6.2.5 Contas bancárias
6.3 Aplicações financeiras
 6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e 
escrituração
 6.3.2 Aplicações em ouro
6.4 Títulos em cobrança bancária
6.5 Contas a receber
 6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação e 
escrituração
6.6 Investimentos permanentes
 6.6.1 Classificação
 6.6.2 Avaliação
6.7 Imobilizado (Ativos Fixos)
 6.7.1 Classificação
 6.7.2 Avaliação
 6.7.3 Escrituração
6.8 Intangíveis 
 6.8.1 Classificação
 6.8.2 Avaliação
 6.8.3 Escrituração
Bom estudo a todos!
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6.1
Revisão de conceitos
Vamos relembrar alguns conceitos importantes sobre 
os ativos de uma entidade para que possamos estudar deta-
lhadamente os seus componentes, a começar pela sua corre-
lação com as aplicações de recursos.
Greco (2012, p. 80) define Ativo como sendo o grupo 
de contas que “compreende as aplicações de recursos repre-
sentadas por valores, direitos e bens”, resumindo de forma 
precisa o conceito de ativo no contexto básico de gestão finan-
ceira – o de origens e aplicações de recursos.
6.1.1 Ativo circulante e não circulante
Como já foi visto anteriormente, o Ativo é apresentado em 
dois grandes grupos: o Ativo Circulante e o Ativo Não Circulante.
Ativo Circulante
A Lei nº 6.404/76, em seu artigo 179, inciso I, determina 
que sejam classificadas no Ativo Circulante as contas repre-
sentativas de disponibilidades, direito realizáveis no curso do 
exercício social seguinte, ressalvado o disposto no parágrafo 
único do mesmo artigo e as aplicações de recursos em despe-
sas do exercício social seguinte, também considerando a citada 
ressalva. Essa ressalva, dada pelo parágrafoúnico do artigo 
179, esclarece que na empresa em que o ciclo operacional for 
maior que doze meses (exercício social), deve ser considerado o 
prazo desse ciclo para a classificação como circulante.
Os subgrupos que compõem o Ativo Circulante são:
• Disponível ou Caixa e Equivalentes de Caixa;
• Direitos e Créditos, abrangendo Clientes e Outros 
Créditos;
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• Investimentos Temporários;
• Estoques;
• Ativos especiais;
• Despesas do Exercício Seguinte. 
Obedecendo a ordem de liquidez das contas na apre-
sentação do Balanço Patrimonial, a disposição desses grupos 
facilita a análise sob o ponto de vista financeiro, visto que 
o usuário da informação percebe que os valores registrados 
em cada uma das categorias abaixo apresentam característi-
cas específicas.
• Disponível: estão imediatamente disponíveis para uso;
• Direito e créditos: embora ainda não imediatamente 
disponíveis, são recebíveis a curto prazo;
• Investimentos temporários: embora no curto prazo, 
deverão aguardar os respectivos vencimentos para 
serem resgatados e tornarem-se disponíveis;
• Estoques: ainda passarão pelo processo de produ-
ção e venda para depois tornarem-se recebíveis;
• Ativos especiais: geram receita, mas têm uma 
menor liquidez;
• Despesas do exercício seguinte: são despesas pagas 
antecipadamente.
Nota-se, aqui, a importância da correta classificação 
dos ativos para a análise e gestão financeira, não só como 
Circulantes e Não Circulantes, mas também para a sua apre-
sentação em ordem de liquidez.
Ativo Não Circulante
A mesma Lei nº 6.404/76, em seu artigo 179, inciso II, 
determina que um ativo seja classificado como não circu-
lante quando os direitos sejam realizáveis após o término 
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do exercício seguinte, também ressalvando o parágrafo 
único do mesmo artigo; quando se tratar de direitos deri-
vados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a socie-
dades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou 
outros participantes do lucro, assim como direitos que 
não constituírem negócios usuais na exploração das ativi-
dades da empresa. 
O disposto no parágrafo único do artigo 179 também 
se aplica aos ativos não circulantes, ou seja, a classificação 
deve levar em conta o prazo do ciclo operacional da entidade.
Os subgrupos que compõem o Ativo Não Circulante 
são:
1. Ativo Realizável em Longo Prazo;
• Direito e Créditos, incluindo investimentos tempo-
rários de longo prazo.
2. Investimentos;
• Participações permanentes em outras sociedades;
• Propriedades para investimento;
• Outros investimentos permanentes.
3. Ativo Imobilizado;
4. Intangível (custo).
As contas que compõem o Ativo Realizável em Longo 
Prazo geralmente têm a mesma natureza daquelas que com-
põem o Ativo Circulante, diferenciando-se delas pelos res-
pectivos prazos de realização.
Também devem ser registradas nesse grupo, indepen-
dentemente do prazo de realização, as transações com empre-
sas coligadas ou controladas21, diretores, acionistas ou outros 
participantes no lucro da entidade que não tenham relação 
21. Coligadas e Controladas: empresas do mesmo grupo econômico, nas quais a entidade participe 
nos percentuais e nas condições estabelecidas pela Lei nº 6.404/76 e atualizações.
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com as atividades usuais da empresa, como venda de ativos 
permanentes e adiantamentos ou empréstimos.
Os grupos de Investimentos e Imobilizado caracteri-
zam o que, usualmente, é chamado de “ativos permanentes”, 
ou seja, são ativos adquiridos com a intenção de permanência 
para serem usados ou beneficiarem, direta ou indiretamente, 
o processo operacional da entidade.
Também fazem parte do grupo de Investimentos, no 
Balanço individual da investidora, as contas que registram 
os valores pagos a título de “mais-valia” ou ágio/deságio 
(Goodwill) nos investimentos em participações em coligadas 
e controladas, recomendando-se que tais valores sejam regis-
trados em subcontas dos respectivos investimentos.
O grupo Intangível é composto, segundo o artigo 179 
– IV da Lei nº 6.404/76, por “direitos que tenham por objeto 
bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou 
exercidos com essa finalidade”. Ressalte-se que o valor aqui 
registrado refere-se ao respectivo custo, como o valor pago 
para registro de uma marca ou de uma patente.
6.1.2 Registro e avaliação dos ativos
O registro dos ativos e os critérios de avaliação e 
mensuração seguem os pressupostos dos Princípios da 
Competência e da Oportunidade, aplicando-se de forma dife-
renciada a cada grupo de contas. O quadro a seguir, adap-
tado do Manual de Contabilidade Societária, de Iudícibus et 
al (2010, p. 3), resume bem tais critérios.
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Fonte: Iudícibus et al (2010, p. 3, adaptado).
Calma! Você não irá aprender tudo isso ao mesmo 
tempo. Todos esses grupos serão abordados mais de uma vez 
Grupos de Contas Critérios de avaliação
Contas a receber
Valor dos títulos menos estimativas de 
perdas para reduzi-los ao valor provável 
de realização
Aplicações em instru-
mentos financeiros e 
em direitos e títulos 
de crédito (tem-
porário)
Valor justo ou custo amortizado (valor 
inicial acrescido sistematicamente dos 
juros e de outros rendimentos cabíveis), 
ajustado ao valor provável de realização, 
se ele for menor.
Estoques
Custo de aquisição ou de fabricação, 
reduzido por estimativas para ajusta-lo 
ao preço de mercado, quando ele for in-
ferior. Valor Justo aos produtos agrícolas 
e em certas commodities22.
Ativo imobilizado
Custo de aquisição deduzido da deprecia-
ção, pelo desgaste ou perda de utilidade 
ou amortização ou exaustão. Periodica-
mente deve ser feita uma análise sobre 
a recuperação dos valores registrados. 
Valor justo aos ativos biológicos
Investimentos rel-
evantes em coligadas 
e controladas (inclu-
indo joint ventures)
Método de equivalência patrimonial, ou 
seja, com base no valor do patrimônio 
líquido da coligada ou controlada, pro-
porcionalmente à participação da inves-
tidora. Quando se tratar de controladas, 
é obrigatória a consolidação proporcio-
nal. Tais critérios também se aplicam às 
joint ventures.23 
Outros investimentos 
societários Igual aos instrumentos financeiros
Outros investimentos
Custo, deduzidas estimativas para 
reconhecimento de perdas permanentes. 
Se propriedade para investimento, pode 
ser avaliada a valor justo.
Intangível
Custo incorrido na aquisição, deduzido 
do saldo da respectiva conta de amor-
tização, quando aplicável, ajustado ao 
valor recuperável, se ele for menor.
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em algumas disciplinas do curso, cada uma explorando o que 
lhe compete, de acordo com os respectivos objetivos. Por ora, 
vamos explorar somente alguns aspectos de determinados 
grupos, suficientes para embasar a análise dos ativos, como 
aplicações de recursos.22 23
6.2
Caixa e equivalentes de caixa
6.2.1 Definição
A conta Caixa, além do “dinheiro” propriamente dito, 
inclui os cheques recebidos e ainda não depositados, possí-
veis de serem descontados imediatamente. É o recurso mais 
“disponível” da entidade, razão pela qual é a primeira conta 
a ser demonstrada no Ativo Circulante, no grupo Disponível.
O Disponívelé o primeiro grupo de contas que aparece 
no Ativo do Balanço Patrimonial das entidades. Essa denomi-
nação, atribuída pela Lei nº 6.404/76, representa o que a enti-
dade dispõe de dinheiro em caixa, em bancos ou em valores 
equivalentes que permitam livre movimentação, pela enti-
dade, dos recursos correspondentes sem qualquer restrição 
para uso imediato.
 Já as normas contábeis internacionais adotam o 
conceito de Caixa e Equivalentes de Caixa que, além do 
22. Commodities (plural de commodity): termo inglês para “mercadorias”, “usado como referên-
cia aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industria-
lização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes pro-
dutores. Estes produtos “in natura”, cultivados ou de extração mineral, podem ser estocados por 
determinado período sem perda significativa de qualidade. Possuem cotação e negociabilidade 
globais, utilizando bolsas de mercadorias”. Fonte: http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.
php?area=5&menu=1955
23. Joint Venture: termo em inglês que significa “união com risco”, representa um tipo de associação 
entre duas ou mais entidades para explorar ou realizar alguma atividade, por tempo determinado, 
sem perda da identidade individual das entidades envolvidas. 
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disponível, considera valores que possam ser convertidos 
em dinheiro, a curto prazo, sem riscos. Um investimento, por 
exemplo, é classificável com equivalente de caixa se tiver ven-
cimento de curto prazo (3 meses ou menos), incluindo aplica-
ções em títulos de liquidez imediata.
Embora se inclua no conceito de equivalentes de caixa, 
as aplicações financeiras resgatáveis em até noventa dias, 
aproximadamente, devem ser demonstradas separadamente 
no Balanço Patrimonial.
Segundo Iudícibus (2010, p. 49), “os equivalentes de 
caixa são mantidos com a finalidade de atender a compromis-
sos de caixa de curto prazo, não para investimento ou outros 
fins, e devem ter conversibilidade imediata em um montante 
conhecido de caixa, além de estarem sujeitos a um insignifi-
cante risco de mudança de valor”.
Vamos exemplificar duas formas de demonstração 
desse grupo de contas no Balanço Patrimonial:
Ativo circulante
Observe o Ativo do Balanço Patrimonial da TAM 
(Transportes Aéreos Meridionais), em 31/03/2012 e 31/03/2011:
Hipótese 1 Hipótese 2
DISPONÍVEL DISPONÍVEL
Caixa R$500,00 Caixa e Equiva-lentes de Caixa R$4.500,00
Bancos - Conta 
Movimento ou De-
pósitos Bancários 
à Vista
R$3.500,00
 Numerários em 
trânsito R$200,00
Aplicações de Li-
quidez Imediata R$300,00
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FONTE: Econoinfo – Informações para Investidores. Disponível em: http://www.
econoinfo.com.br/demonstracoes-financeiras/balanco-patrimonial?ce=TAMM 
Note que as Aplicações Financeiras não estão inseridas 
na linha de Caixa e Equivalentes de Caixa. Por quê?
Porque, provavelmente, tais aplicações financeiras 
não atendem às condições de conversibilidade imediata em 
dinheiro. 
6.2.2 Fundo fixo de caixa
A conta Caixa, normalmente, inclui subcontas que faci-
litam o seu controle. Tais contas vão variar de acordo com as 
necessidades de controle de cada entidade, mas, basicamente, 
podem-se destacar duas subcontas: Fundo Fixo de Caixa ou 
Caixa – Fundo Fixo e Caixa Flutuante.
Demonstração do Balanço Patrimonial Consolidado (BP)
Ativo
valores em milhões de reais 
(M) 31/03/2012 (3m) 31/03/2011 (3m)
Ativo Total 15.743,6 M 14.560,8 M 
Ativo Circulante 4.925,7 M 4.357,6 M 
Caixa e Equivalentes de 
Caixa 553,6 M 564,3 M 
Aplicações Financeiras 1.344,0 M 1.325,7 M 
Contas a Receber 2.125,8 M 1.897,3 M 
Estoques 220,1 M 208,7 M 
Tributos a Recuperar 411,4 M 108,0 M 
Despesas Antecipadas 0,0 M 0,0 M 
Outros Ativos Circulantes 270,8 M 253,7 M 
Ativo Não Circulante 10.818,0 M 10.203,2 M 
Ativo Realizável em Longo 
Prazo 852,4 M 693,8 M 
Imobilizado 9.372,6 M 8.863,4 M 
Intangível 592,9 M 645,9 M 
Critério de consolidação Consolidada Consolidada
Critério de elaboração IFRS
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O Fundo Fixo de Caixa consiste na definição de um 
valor fixo a ser entregue ao responsável pela sua gestão, 
destinado a fazer face ao pagamento de pequenas despe-
sas diárias, em determinado período de tempo, que pode 
ser semanal, quinzenal, ou qualquer outro que a entidade 
entenda adequado. Ao final do período, o responsável jun-
tará todos os comprovantes de despesas pagas e solicitará a 
“reposição” do caixa que voltará a ter disponível o valor ini-
cial, por mais um período. 
A conta Fundo Fixo de Caixa é movimentada somente 
quando da sua constituição, aumento ou redução, pela altera-
ção do valor do fundo fixo. Portanto, todas as demais entradas 
e saídas de caixa deverão ser controladas em outra sub-
conta ou, diretamente na conta Bancos - Conta Movimento, 
mediante depósitos diários e pagamentos em cheque ou meio 
eletrônico.
Vamos constituir um fundo fixo de caixa para a Luz 
Azul Comércio de Materiais Elétricos?
O supervisor administrativo da Luz Azul, após fazer 
um levantamento dos gastos semanais com pequenas despe-
sas como transporte, correio, jornais etc. concluiu que neces-
sitaria de, aproximadamente, R$1.500,00 para fazer face a 
esses gastos e solicitou a constituição de um fundo fixo de 
caixa, tendo sido atendido pelo gerente financeiro. 
Constituição do Fundo Fixo de Caixa
D Fundo Fixo de Caixa R$1.500,00 Conta de Ativo
C Bancos - Conta Movimento R$1.500,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à constituição do fundo 
fixo de caixa, conforme cheque xxxxxx.
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No final da semana, o supervisor levantou os seguin-
tes comprovantes dos pagamentos efetuados:
• Despesas com transporte público = R$200,00;
• Despesas de correio = R$150,00;
• Compra de jornais e revistas especializadas: 
R$120,00;
• Despesas de táxi = R$300,00;
• Confecção de carimbos = R$180,00;
• Compra de utensílios para a copa = R$150,00. 
Total de gastos da semana = R$1.100,00
Reposição do fundo fixo
Note que, conforme comentado, na reposição não se 
movimentou a conta Fundo Fixo de Caixa.
6.2.3 Caixa flutuante
Quando a entidade adota a conta Caixa Flutuante pode 
ocorrer uma maior dificuldade na classificação dos valores que 
Bancos Conta 
Movimento
(SI) 50.000 1.500 (1)
Fundo Fixo de 
Caixa
(1) 1.500
D
Transporte
Correio
Jornais e revistas
Diversas
R$500,00
R$150,00
R$120,00
R$330,00
Contas de 
Resultado 
(Despesas)
C Bancos - Conta Movimento R$1.100,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à reposição do Fundo 
Fixo de Caixa, conforme cheque 
xxxxxx, pelo pagamento de diversas 
despesas conforme comprovantes.
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transitam no seu caixa, uma vez que eles nem sempre estão 
representados só por dinheiro, mas, também, por vales, adian-
tamentos, cheques ainda não depositados etc. Cada uma dessas 
movimentações pode exigir, inclusive, uma classificação diferente 
do Disponível, como é o caso dos adiantamentos, por exemplo.
Por ocasião do fechamento do Balanço Patrimonial, o 
saldo da conta Caixa deve refletir somente o que houver em 
“dinheiro” no caixa e, portanto, todas as demais movimenta-
ções, devem ser corretamente classificadas.
6.2.4 Pagamento e recebimentos com che-
ques pré-datados
Pagamentos e recebimentos com cheques pré-datados 
são uma práticacomum, principalmente no comércio varejista. 
Como proceder a contabilização desses títulos de crédito que 
ficam no “caixa” da entidade até os respectivos depósitos? 
Pagamentos com cheques pré-datados
Se houver fundos para cobertura dos cheques emiti-
dos, a obrigação correspondente deve ser baixada normal-
mente, mesmo que o depósito somente seja feito pelo credor 
posteriormente.
Supondo uma obrigação com fornecedores liquidada 
com cheque pré-datado para dez dias após o vencimento da 
obrigação, embora a entidade tenha fundos suficientes para 
a cobertura do cheque na sua conta bancária, teríamos o 
seguinte lançamento contábil:
D Fornecedores R$ Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$
Conta de 
Ativo
Valor referente pagamento ao fornece-
dor XYZ, conforme cheque xxxxxx.
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Porém, se na conta bancária não houver fundos sufi-
cientes para a cobertura do cheque emitido, a contabilização 
deverá ocorrer em conta específica do Passivo. 
Quando houver fundos na conta bancária
Recebimentos com cheques pré-datados
No recebimento de cheques pré-datados, a entidade 
está constituindo, na realidade, um direito de crédito, 
uma “conta a receber”. Sendo assim, tais cheques deve-
rão permanecer em uma conta de Ativo até o seu efetivo 
recebimento.
Supondo que a entidade recebedora do cheque pré-
-datado seja a fornecedora XYZ, citada no exemplo anterior, 
teríamos o seguinte lançamento contábil:
D Fornecedores R$ Conta de Passivo
C Cheques a Pagar R$ Conta de Passivo
Valor referente ao pagamento ao for-
necedor XYZ, conforme cheque xxxxxx, 
aguardando provimento de fundos.
D Cheques a Pagar R$ Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$
Conta de 
Ativo
Valor referente pagamento ao fornece-
dor XYZ, conforme cheque xxxxxx. 
D Cheques a Receber R$ Conta de Ativo
C Clientes (Contas a Receber) R$
Conta de 
Ativo
Valor referente pagamento ao cheque 
xxxxxx, emitido pelo cliente ZZZ, para 
pagamento da duplicata 000.
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No depósito do cheque 
Vamos supor, agora que a Luz Azul Comércio de 
Materiais Elétricos vendeu R$2.500,00 em mercadorias em 
23/08 e recebeu um cheque pré-datado para 10/09. Nesse caso, 
a contabilização seria a seguinte:
Na data da venda
No depósito do cheque
D Bancos - Conta Movimento R$
Conta de 
Ativo
C Cheques a Receber R$ Conta de Ativo
Valor referente pagamento ao fornece-
dor XYZ, conforme cheque xxxxxx. 
D Cheques a Receber R$2.500,00 Conta de Ativo
C Vendas (Receitas) R$2.500,00 Conta de Resultado
Valor referente venda de mercadorias 
conforme NF 000, com recebimento 
em cheque pré-datado de número 
xxxxxx. 
D Bancos - Conta Movimento R$2.500,00
Conta de 
Ativo
C Cheques a Receber R$2.500,00 Conta de Ativo
Valor referente ao recebimento do 
cheque pré-datado de número xxxxxx.
O recebimento do valor de uma duplicata por meio de 
cheque pré-datado é uma origem ou uma aplicação de 
recursos? E se o cheque for à vista?
Obs.: A resposta está no final da aula, mas tente respon-
der sem olhar. 
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6.2.5 Contas bancárias
As contas bancárias de uma entidade estão represen-
tadas no grupo de contas de Bancos - Conta Movimento ou 
Depósitos Bancários à Vista. Geralmente tais contas são de 
livre movimentação e podem, a critério da entidade, ser divi-
didas por bancos e/ou pelas características da correspondente 
movimentação. Por exemplo: conta movimento, contas para 
pagamentos específicos como os da folha de pagamentos de 
salários, contas para cobrança/recebimento de títulos etc.
Contas negativas
A maioria das contas bancárias, atualmente, admite a 
existência de saldos negativos. Na existência de saldos negati-
vos, no entanto, o que está ocorrendo é um “empréstimo/finan-
ciamento” bancário. Assim, quando o saldo contábil dessas 
contas for negativo, ou seja, credor, este deve ser transferido 
para o passivo, como uma obrigação por empréstimo que é o 
que realmente ele representa. Há casos em que tais saldos nega-
tivos são automaticamente cobertos por limites de crédito ou 
outras operações, como o resgate de aplicações financeiras, por 
exemplo, e, nesses casos, não há necessidade de transferência.
Supondo que, no balancete da Luz Azul Comércio 
de Materiais Elétricos, o saldo da conta Bancos - Conta 
Movimento, subconta “Banco Cruzeiro”, apresenta um saldo 
credor de (R$5.500,00), em 31/12/XX, veja como seria feita a 
transferência para o Passivo: 
D
Bancos - Conta 
Movimento – Banco 
Cruzeiro
R$5.500,00 Conta de Ativo
C Empréstimos Bancários R$5.500,00
Conta de 
Passivo
Valor referente à transferência do 
saldo credor na conta bancária do 
Banco Cruzeiro
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Mesmo que o saldo total da conta Bancos - Conta 
Movimento fosse positivo, em função de saldos em con-
tas bancárias de outros bancos, o saldo negativo do Banco 
Cruzeiro não poderia ser compensado com os demais e deve-
ria, mesmo assim, ser transferido.
Pagamentos em cheques
No caso de pagamentos em cheque efetuados pela enti-
dade, eles devem ser contabilizados na data da respectiva 
emissão, caso ocorra próxima à data da entrega aos respec-
tivos beneficiários, visto essa entrega ser o que caracteriza a 
“saída” dos recursos.
Entretanto, se na data do Balanço, os cheques emitidos, 
de valores significativos, ainda não tiverem sido entregues aos 
beneficiários, deverão ser “estornados”, ou seja, voltar para 
suas contas de origem no Ativo (conta Bancos) e no Passivo 
(conta que retrata a obrigação baixada). 
Contas bancárias em moeda estrangeira
No caso da entidade possuir saldos bancários em 
moeda estrangeira, o respectivo valor em moeda nacional 
deve contemplar a variação cambial correspondente, utili-
zando a taxa cambial vigente na data do balanço.
Conciliação bancária
Um dos instrumentos mais importantes de controle 
dos saldos bancários, e o que eles representam para a saúde 
financeira da entidade, é a conciliação bancária.
A conciliação bancária consiste na comparação entre 
os saldos contábeis e os saldos apresentados nos extratos 
bancários. Ela deve ser realizada periodicamente, sendo 
indispensável na data do Balanço. Por meio dela pode-se 
identificar a ocorrência de pagamentos ou recebimentos 
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não contabilizados, sendo possível corrigir as pendências 
em tempo hábil.
6.3
Aplicações financeiras
6.3.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação 
e escrituração
Aspectos gerais
As aplicações financeiras são instrumentos financeiros 
utilizados para manter atualizado o valor dos recursos dispo-
níveis e sem uso imediato pela entidade. Tais “excessos” de 
disponibilidades são, geralmente, aplicados em títulos e valo-
res mobiliários, podendo ser de curto ou longo prazo, mas 
também podem ter por objeto outros instrumentos.
Classificação 
As aplicações financeiras serão classificadas no Ativo 
Circulante quando os respectivos resgastes estiverem previs-
tos para ocorrer em até doze meses, observada a ressalva em 
relação ao ciclo operacional, já estudada anteriormente.
As aplicações financeiras, cujos respectivos resgates esti-
verem previstos para ocorrer após esse prazo, devem ser classi-
ficadas no Ativo Não Circulante – Realizável em Longo Prazo.Avaliação
Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata
As aplicações financeiras de curtíssimo prazo, classifica-
das no Disponível e conhecidas como Aplicações Financeiras de 
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Liquidez Imediata são consideradas como equivalentes de caixa 
e não apresentam regras especiais de avaliação.
Outras aplicações / instrumentos financeiros
O artigo 183 – I da Lei nº 6.404/76, atualizado pela Lei 
nº 11.638/07, determina o tratamento a ser aplicado para a ava-
liação dos instrumentos financeiros como segue:
I – as aplicações em instrumentos fi-
nanceiros, inclusive derivativos, e em 
direitos e títulos de créditos, classifica-
dos no ativo circulante ou no realizável 
a longo prazo, serão avaliados:
a) Pelo seu valor justo, quando se tratar 
de aplicações destinadas à negociação 
ou disponíveis para a venda; e
b) Pelo valor de custo de aquisição ou 
valor de emissão, atualizado conforme 
disposições legais ou contratuais, 
ajustado ao valor provável de realiza-
ção, quando este for inferior, no caso 
das demais aplicações e os direitos e 
títulos de crédito. 
Escrituração
Vamos exemplificar uma aplicação financeira realizada 
pela Luz Azul Comércio de Materiais Elétricos, nas seguin-
tes condições:
• Valor aplicado: R$100.000,00
• Data da aplicação: 01/12/XX
• Data do resgate: 30/01/XX
• Tipo de rendimento: pré-fixado (2,5% a.m.)
• Valor de resgate: R$105.063,00
• Imposto de renda na fonte: 22,5%
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Na data da aplicação
 
Em 31/12/XX pela apropriação dos juros pro rata temporis
 
Em 30/01/XX pela apropriação dos juros pro rata temporis
D Aplicações Financeiras R$100.000,00
Conta de 
Ativo
C Bancos - Conta Movimento R$100.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à aplicação financeira 
de curto prazo
Bancos Conta 
Movimento
(SI) 150.000 100.00 (1)
Aplicações
Financeiras
(1) 100.000
D Aplicações Financeiras R$2.500,00
Conta de 
Ativo
C Rendimentos sobre Aplicações Financeiras R$2.500,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à apropriação pro rata 
temporis de rendimentos de aplicação 
financeira
Aplicações
Financeiras
(1) 50.000
(2) 2.500
Rendimentos de 
Aplic. Financeiras
2.500 (2)
D Aplicações Financeiras R$2.563,00
Conta de 
Ativo
C Rendimentos sobre Aplicações Financeiras R$2.563,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à apropriação pro rata 
temporis de rendimentos de aplicação 
financeira
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No resgate
(*) Imposto de Renda a Compensar
Quando o rendimento da aplicação financeira estiver 
sujeito à retenção do imposto de renda na fonte, o valor do 
imposto retido, caso a empresa seja tributada com base no 
Aplicações
Financeiras
(1) 100.000
(2) 2.500
(3) 2.563
Rendimentos de 
Aplic. Financ.
2.500 (2)
2.563 (3)
D Bancos - Conta Movimento R$103.924,00
Conta de 
Ativo
D
Imposto de Renda na 
Fonte a Compensar(*)
(Pelo imposto retido 
na fonte)
R$1.139,00 Conta de Ativo
C Aplicações Financeiras R$105.063,00
Conta de 
Ativo
Valor referente resgate de aplicação 
financeira
Aplicações
Financeiras
(1) 100.000 105.063
(2) 2.500
(3) 2.563
Bancos Conta 
Movimento
(SI) 150.000 100.00 (1)
103.924
Imposto de Renda na 
Fonte a Compensar
1.139
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lucro real24, poderá ser compensado com o imposto devido 
sobre o lucro do período base.
Algumas pessoas jurídicas são tributadas pelo lucro 
presumido, que é outra forma de tributação, onde o imposto 
não é calculado sobre o lucro, mas sobre a receita bruta ajus-
tada. Nesse caso, o imposto de renda retido na fonte será con-
tabilizado como despesa financeira.
6.3.2 Aplicações em ouro
As aplicações em ouro recebem o mesmo tratamento 
das aplicações financeiras, quando forem realizadas em bol-
sas de valores, mercadorias, de futuros ou, ainda, com a 
mediação de instituições financeiras. Esse tratamento tam-
bém é o mesmo no que se refere à correspondente avaliação 
(vide item 6.3.1).
Sua classificação contábil é feita de acordo com a inten-
ção do investidor em negocia-la no curto ou no longo prazo 
(Ativo Circulante ou Não Circulante), ou se pretende perma-
necer com ela a título de investimento.
Quando destinada à negociação no curto prazo, a apli-
cação em ouro, devido ao seu alto grau de liquidez, é demons-
trada logo após o grupo de contas do Disponível.
6.4
Títulos em cobrança bancária
A entidade pode encarregar uma instituição financeira 
de efetuar a cobrança dos seus títulos mediante o pagamento 
de uma comissão pelo serviço prestado pela instituição. Não 
24. Lucro real: base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
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há qualquer benefício financeiro nesse tipo de procedimento, 
é uma decisão unicamente operacional, visto que pode ser 
mais vantajoso para a entidade remunerar a instituição finan-
ceira do que manter um setor para realizar tal cobrança.
Entretanto, há que se redobrar a atenção no controle desses 
títulos, uma vez que eles são “fisicamente” entregues à instituição 
que, ao recebê-los dos clientes, faz o crédito na conta corrente da 
entidade mediante aviso. As duplicatas não recebidas são devol-
vidas pelo banco à entidade. Esse controle pode ser feito de forma 
eficaz por meio da utilização de “contas de compensação”.
O que são contas de compensação?
Vamos exemplificar a contabilização de uma remessa de 
títulos para cobrança e a respectiva baixa, quando do recebimento:
Remessa dos títulos para cobrança bancária, mediante elabo-
ração de um “borderô de cobrança”25 
25. Borderô de Cobrança: listagem dos títulos enviados para cobrança. Serve como documento com-
probatório da entrega dos títulos.
Contas de compensação são contas contábeis criadas uni-
camente com a finalidade de “controle” de certas opera-
ções. Não causam mutações no patrimônio das entidades, 
razão pela qual não figuram no Balanço Patrimonial. O 
registro simultâneo dos valores dessas contas no Ativo e 
no Passivo utiliza a lógica das partidas dobradas para a 
realização do controle necessário dessas operações.
D Banco - Conta Cobrança
R$ (valor total 
do borderô)
Conta de 
Compensação 
Ativo
C Títulos em Cobrança R$ (valor total do borderô)
Conta de 
Compensação 
Passivo
Valor referente à remessa de títulos 
para a cobrança bancária, conforme 
borderô número XXX. 
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Quando do recebimento do título pelo banco, comunicado 
mediante aviso bancário26
Pela cobrança de comissão pelo serviço prestado pelo banco, 
mediante aviso bancário
26. Lançamento contábil relativo, exclusivamente, à baixa nas contas de compensação. A baixa do 
título do Contas a Receber, que será tratada no próximo tópico (5), deve ser feita, simultaneamente, 
nas contas patrimoniais correspondentes.
D Títulos em Cobrança R$ (valor do 
título recebido)
Conta de 
Compensação 
Passivo
C Banco conta Cobrança
R$ (valor do 
título recebido)
Conta de 
Compensação 
Ativo
Valor referente à baixa pelo recebi-
mento do título nº XXXX enviados 
para cobrança bancária. 
D Despesas Bancárias (Desp. Financeiras)
R$ (valor da 
comissão 
cobrada)
Conta de 
Resultado
C Bancos contaMovimento
R$ (valor da 
comissão 
cobrada)
Conta de 
Ativo
Valor referente à comissão cobrada 
pelo Banco XYZ conforme aviso 
bancário
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6.5
Contas a receber
6.5.1 Aspectos gerais: classificação, avaliação 
e escrituração
Aspectos gerais
As contas a receber representam os direitos de crédito 
que a entidade tem com os seus clientes e outros devedores. 
Originam-se da venda a prazo de produtos, mercadorias ou 
serviços ou de outras transações que podem não estar dire-
tamente ligadas à sua principal atividade, mas são considera-
das normais no curso das suas operações.
Classificação
O grupo de Contas a Receber geralmente faz parte do 
Ativo Circulante, mas, eventualmente, pode figurar no Ativo 
Não Circulante de acordo com o respectivo prazo de realização. 
Para melhor controle e transparência para o usuário, 
esse grupo de contas deve ser desmembrado em contas a 
receber de Clientes e de outros devedores (Outros Créditos).
No subgrupo de Clientes estará contida a conta 
Duplicatas a Receber que, por sua vez, também poderá estar 
subdividida em Duplicatas a Receber de Clientes e Duplicatas 
a Receber de Controladas e Coligadas.
Duplicatas a receber
As duplicatas a receber são títulos representativos de 
crédito que têm sua origem nas vendas a prazo realizadas pela 
entidade e já faturadas. Um conjunto de duplicatas é denomi-
nado “carteira”, expressão comum na linguagem empresarial.
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Qual a diferença entre fatura e duplicata?27
<box.fim>
As duplicatas a receber, por representarem o produto 
imediato das vendas a prazo da entidade, estão diretamente 
relacionadas às receitas de vendas que, por sua vez, represen-
tam o desempenho da entidade na realização da sua princi-
pal atividade.
Outros créditos
O grupo de contas representativo de outros créditos, 
que não aqueles decorrentes da principal atividade da enti-
dade, congrega as demais contas a receber que são classifica-
das de forma idêntica às contas a receber de clientes.
Avaliação
As contas a receber devem ser avaliadas segundo o dis-
posto no artigo 183 da Lei nº 6.404/76 que, em se inciso I, item 
“b”, determina que tais ativos serão avaliados pelo “valor de 
emissão, atualizado conforme disposições legais ou contra-
tuais, ajustado ao valor provável de realização”. Entende-se 
como valor provável de realização, o valor que a entidade 
27. Título de crédito: “papel” representativo de uma obrigação de pagamento (cheque, duplicata, 
nota promissória etc.). Cada tipo de título de crédito tem uma legislação específica que regulamenta 
a sua emissão.
A fatura corresponde a um documento emitido pela enti-
dade vendedora de bens ou serviços, em que estão relacio-
nados. Caracteriza a entrega desses bens ou serviços, sem 
o respectivo recebimento. Um bom exemplo é a sua fatura 
do cartão de crédito.
 Em casos que envolvem a cobrança de impostos (ISS, 
ICMS, IPI) pode existir a figura da Nota Fiscal Fatura, ou 
seja, uma fatura que atende aos requisitos fiscais.
Já a duplicata é um título de crédito27 emitido com base na 
fatura; é o título que configura o compromisso do devedor 
em pagar o que está contido na respectiva fatura.
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conseguiria obter por aquele ativo na data do Balanço, consi-
derando, inclusive, possíveis inadimplências.
Ajuste ao valor presente
Segundo o inciso VIII do artigo mencionado no pará-
grafo anterior, os ativos de longo prazo devem, ainda, ser ajus-
tados ao valor presente, sendo tal critério também aplicável 
aos ativos de curto prazo que apresentem ajustes relevantes.
Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa<peso5>
O ajuste ao valor provável de realização da carteira de 
contas a receber requer que se faça a estimativa das suas perdas 
prováveis, ou seja, deve-se apurar o valor da incerteza de rece-
bimento dos valores que compõem essa carteira. Admite-se, 
inclusive, que seja computada, no valor dessas perdas, a esti-
mativa das despesas de cobrança e dos possíveis descontos ou 
abatimentos, mensuráveis com razoável certeza.
Em nossa Aula 3 e, particularmente, no item Perdas esti-
madas em créditos de liquidação duvidosa, estudamos detalha-
damente a constituição e outras peculiaridades dessas perdas.
Outros créditos
Os outros créditos, ou seja, aqueles que, normal-
mente, não decorrem do objeto principal da entidade, tam-
bém devem ser avaliados ao seu valor provável de realização, 
inclusive no que se refere à constituição de perdas estimadas 
e ajustes ao valor presente.
São comuns nesse grupo as contas de: Títulos a Receber, 
Cheques em Cobrança, Dividendos a Receber, Juros a Receber, 
Adiantamentos a Terceiros, Adiantamentos e outros créditos con-
cedidos a funcionários, Tributos a Compensar ou a Recuperar etc.
Escrituração
Reconhecimento
O reconhecimento das contas a receber de clien-
tes e, particularmente, das duplicatas a receber, como já 
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257
mencionado, está diretamente relacionado ao reconheci-
mento das receitas de vendas.
Assim, o momento de reconhecimento das dupli-
catas a receber, assim como o das respectivas receitas, é 
aquele em que ocorre a “transferência dos riscos e bene-
fícios significativos inerentes à propriedade dos bens” 
(Pronunciamento Técnico CPC 30) para o cliente com-
prador. No caso de serviços, esse reconhecimento ocorre 
quando o serviço é prestado.
Na maior parte dos casos de transações comerciais 
e, particularmente, nas vendas a varejo, a transferência 
dos riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens 
ocorre juntamente com a transferência da titularidade 
legal ou da transferência da posse do ativo para o com-
prador. Em outros casos, porém, tal transferência ocorre 
em momento diferente.
É comum o registro das vendas e correspondentes 
duplicatas a receber no momento da emissão das notas 
fiscais de vendas, visto que praticamente coincide com o 
momento da entrega, embarque ou despacho do produto 
ou mercadoria.
Vamos trabalhar a escrituração de um exemplo de 
venda de mercadorias a prazo, com emissão de duplicata no 
valor de R$8.000,00:
Por ocasião da venda da mercadoria a prazo
D Clientes - Duplicatas a Receber R$8.000,00
Conta de 
Ativo
C Vendas (Receita) R$8.000,00 Conta de Resultado
Valor referente venda a prazo de 
mercadorias.
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Pelo recebimento do cliente, no vencimento
 
Vamos supor que o cliente não pagou a duplicata no 
vencimento e, quando efetuou o pagamento, foram cobrados 
juros e multa de 10%. Veja como seria a contabilização:
Pelo recebimento do cliente, com atraso no pagamento
D Bancos conta Movimento R$8.000,00
Conta de 
Ativo
C Clientes – Duplicatas a Receber R$8.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente recebimento da 
duplicata nº XXX.
Vendas
8.000 (1)
Duplicatas a 
Receber
(1) 8.000
Duplicatas a 
Receber
(1) 8.000 8.000 (2)
Bancos Conta
Movimento
(2) 8.000
D Bancos conta Movimento R$8.080,00
Conta de 
Ativo
C Clientes – Duplicatas a Receber R$8.000,00
Conta de 
Ativo
C Juros e Multas (Receita Financeira) R$80,00
Conta de 
Resultado
Valor referente recebimento da 
duplicata nº XXX.
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Perdas estimadas em créditos de liquidaçãoduvidosa
Embora tenhamos estudado a constituição das perdas 
em créditos de liquidação duvidosa em nossa Aula 3, vamos 
relembrar um exemplo, já que estamos estudando a carteira 
de contas a receber:
Primeiramente, vamos calcular qual seria o valor da 
perda estimada:
Agora, vamos contabilizar esse valor:
Duplicatas a 
Receber
(1) 8.000 8.000 (2)
Juros e Multas
80 (2)
Bancos Conta 
Movimento
(2) 8.080
Uma entidade tem Duplicatas a Receber, contabilizadas 
em seu Ativo, no valor de R$800.000,00. Historicamente, 
ao longo dos últimos três anos, foi constatada uma 
inadimplência média de 20% do total das Duplicatas a 
Receber nesses períodos. Assim, em obediências aos prin-
cípios contábeis, a entidade irá constituir uma conta redu-
tora do ativo Duplicatas a Receber, a fim de demonstra-lo 
pelo seu menor valor, ou seja, aquele valor que, provavel-
mente, será efetivamente recebido. 
20% x 800.000 = R$160.000,00
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E os razonetes?
No Balanço Patrimonial, teríamos:
Vamos supor agora que, nesse exemplo, o setor de 
cobrança da entidade foi extremamente eficiente e 30% dos 
possíveis inadimplentes pagaram seus débitos dentro do 
período base. Conclui-se que metade da perda estimada foi 
desnecessária. Assim, é preciso reverter esse valor da perda 
estimada excedente. 
Vamos calcular qual seria esse valor:
D
Despesa com Perdas 
Estimadas com Cré-
ditos de Liquidação 
Duvidosa
R$160.000,00 Conta de Resultado
C
Perdas Estimadas 
com Créditos de Li-
quidação Duvidosa
R$160.000,00 Conta de Ativo
Valor referente às perdas estimadas 
para créditos de liquidação duvidosa.
Despesa c/ Perdas 
Estimadas p/ Crédi-
tos de Liq Duv
D C
160.000
160.000
Perdas Estimadas
para Créditos de Liq 
Duvidosa
D C
160.000
160.000
Duplicatas a Receber R$800.000,00
Perdas Estimadas para Créditos de Liquidação 
Duvidosa (R$160.000,00)
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Portanto, R$48.000,00 é o valor da perda estimada a ser 
revertido. 
Vamos contabilizar?
1 – Pelo recebimento dos créditos
2 – Pela reversão parcial das perdas estimadas
Razonetes: 
1 – Pelo recebimento dos créditos
Perdas estimadas = R$160.000,00
Valor dos débitos liquidados pelos inadimplentes = 30% x 
160.000 = R$48.000,00
Valor da perda estimada realizada = 160.000 – 48.000 = 
R$112.000,00
D Caixa R$48.000,00 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$48.000,00 Conta de Ativo
Recebimento de duplicatas a receber 
de diversos clientes.
D
Perdas Estimadas 
para Créditos de 
Liquidação Duvidosa
R$48.000,00 Conta de Ativo
C Receita de Reversão de Provisões R$48.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à reversão parcial de 
provisão constituída para créditos de 
liquidação duvidosa.
Caixa
D C
48.000
Duplicatas a Receber
D C
800.000 48.000
752.000
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2 – Pela reversão parcial da perda estimada
Nesse exemplo foi constituída uma perda estimada no 
valor de R$160.000,00, tendo sido revertido posteriormente 
o valor de R$48.000,00, permanecendo um saldo de perdas 
estimadas no valor de R$112.000,00. Os créditos a receber de 
alguns clientes, no valor de R$83.000,00, computado nesse 
saldo, foram considerados incobráveis, ou seja, não há qual-
quer possibilidade de recebimento pela entidade em questão. 
Isso significa que a perda deixou de ser “estimada” e passou 
a ser “realizada”, ou seja, se tornou uma perda real. Vejamos 
como seria a contabilização:
Realização da perda estimada quando a entidade considerar 
que os créditos aos quais ela se refere realmente não serão recebidos, 
ou seja, são incobráveis
<
Receitas de Reversão 
de Provisões
D C
48.000
48.000
Perdas Estimadas 
para créditos de Liq 
Duvidosa
D C
48.000 160.000
112.000
D
Perdas Estimadas 
para Créditos de 
Liquidação Duvidosa
R$83.000,00 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$83.000,00 Conta de Ativo
Valor da realização de perdas estima-
das referentes a créditos incobráveis.
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Usando razonetes:
Ao final do ano base, a nossa entidade concluiu que a 
sua carteira de duplicatas a receber, na realidade, tinha um 
número maior de créditos “podres”, ou seja, de créditos sem 
condições de recebimento, cujo valor de R$55.000,00 excedia o 
saldo das perdas estimadas. Nesse caso, em se considerando 
que se trata de perda real, o valor excedente deverá ser levado 
diretamente ao resultado do período, da seguinte forma:
Baixa dos créditos como perdas efetivas do período quando o 
valor da estimativa já constituída tenha sido inferior às perdas real-
mente incorridas
Duplicatas a 
Receber
D C
800.000 48.000
83.000
669.000
Perdas Estimadas 
para créditos de Liq 
Duvidosa
D C
48.000 160.000
83.000
29.000
Valor das perdas efetivas R$55.000,00
Saldo das perdas estimadas (R$29.000,00)
Valor a ser contabilizado como perdas do período 
 R$26.000,00
D
Despesas de Vendas 
/ Perdas com cré-
ditos de liquidação 
duvidosa
R$26.000,00 Conta de Resultado
D
Perdas Estimadas 
para Créditos de Li-
quidação Duvidosa
R$29.000,00 Conta de Ativo
C Duplicatas a Receber R$55.000,00 Conta de Ativo
Valor da realização de perdas 
efetivas com créditos incobráveis
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Os razonetes seriam estes:
Ajuste ao valor presente
O ajuste ao valor presente também já foi estudado 
na Aula 3 e, naquela ocasião, coincidentemente usamos um 
exemplo relativo às duplicatas a receber de uma indústria 
moveleira. Vamos rever esse exemplo?
Uma indústria moveleira vendeu, a prazo, em determi-
nado período, móveis para escritório no valor de R$600.000,00, 
sendo que R$100.000,00 correspondem aos juros embutidos 
na operação.
Contabilização da venda
Qual seria o valor presente dessa transação?
Grosseiramente, uma vez que não conhecemos a taxa 
de juros utilizada e nem o prazo das transações, pode-se afir-
mar que o valor presente da operação é:
 
Duplicatas a 
Receber
D C
800.000 48.000
83.000
55.000
614.000
Perdas Estimadas 
para créditos de Liq 
Duvidosa
D C
48.000 160.000
83.000
29.000
-
Perdas Estimadas 
com créditos de Liq 
Duvidosa
D C
26.000
26.000 (1)
D Duplicatas a Receber R$600.000,00 Conta de Ativo
C Receita Bruta de Vendas R$600.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente à venda de móveis 
para escritório.
R$600.000,00 (valor da venda) - R$100.000,00 (valor dos 
juros) = R$500.000,00 (VP)
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265
Em situações reais, a determinação do ajuste ao valor 
presente requer, basicamente, as seguintes informações:
1. O valor do fluxo futuro de caixa (entradas e saídas 
de caixa ocorridas por conta do ativo ou passivo 
analisado);
2. A data em que o fluxo futuro de caixa vai ocorrer;
3. A taxa de desconto a ser utilizada para o cálculo do 
valor presente.
A taxa de desconto corresponderá à taxa efetiva da 
transação ou, nos casos em que essa taxa não for indicada, 
utiliza-se uma taxa de mercado aplicável, praticada em tran-
sações semelhantes.
O ajuste ao valor presente da nossa transação seria 
contabilizado, no momento da venda, da seguinte forma: 
Assim, no Balanço Patrimonialteríamos a seguinte 
representação no Ativo
À medida que transcorre o prazo da operação, a receita 
financeira correspondente ao ajuste ao valor presente vai 
sendo apropriada, de acordo com o regime de competência:
D Receita Bruta de Vendas R$100.000,00
Conta de 
Resultado
C
VP – Receita 
Financeira Comercial 
a Apropriar
R$100.000,00
Conta de 
Ativo 
(Redutora)
Valor referente ao ajuste ao valor pre-
sente de vendas a prazo do período.
Duplicatas a Receber R$600.000,00
VP – Receita Financeira Comercial a Apropriar 
 (R$100.000,00)
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Muito bem! Aprendemos o essencial sobre esse impor-
tante grupo de contas do Ativo – Contas a Receber. Mas se esse 
grupo de contas representa valores que a entidade tem a rece-
ber, porque afirmamos que ele é uma “aplicação de recursos”?
Analise a figura a seguir antes de responder:
D
VP – Receita Finan-
ceira Comercial a 
Apropriar
Pelo valor da 
parcela men-
sal dos juros
Conta de 
Ativo
C Receita Financeira Comercial Idem
Conta de 
Resultado
Valor referente à apropriação de re-
ceita financeira comercial no período.
Estoque R$100,00
(Aplicação)
Caixa R$180,00
Origem R$100,00
Origem
Resultado = R$80,00
R$180,00- R$100,00
Total Aplicações = R$180,00 Total origens = R$180,00
Receita
de 
Vendas
CMV
ATIVO PASSIVO
Contas a Receber
R$100,00 + R$80,00 =
R$180,00
Veja que o recurso original foi aplicado nos Estoques da 
entidade. Posteriormente, ao vendê-lo, obteve-se uma 
receita líquida, ou seja, a receita de vendas deduzida do 
custo das mercadorias vendidas de R$80,00. Esse resul-
tado figurará no Patrimônio Líquido da entidade como 
capital próprio, isto é, uma “origem”.
No momento da venda o que ocorreu foi uma “transferên-
cia” da aplicação de R$100,00 dos Estoques para Contas 
a Receber. A receita líquida/origem de R$80,00, se realiza 
como aplicação efetiva quando do recebimento da venda, 
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6.6
Investimentos permanentes
Investimentos permanentes são as aplicações de 
recursos realizadas com o propósito de que os ativos cor-
respondentes venham a produzir benefícios pela sua “per-
manência” na entidade e não pelo seu envolvimento direto 
em suas atividades.
6.6.1 Classificação
Os investimentos permanentes são classificados no 
Ativo Não Circulante, no subgrupo Investimentos. O artigo 
179 – III da Lei nº 6.404/76 determina que devem ser classifi-
cadas nesse grupo “as participações permanentes em outras 
sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificá-
veis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção 
da atividade da companhia ou da empresa”. Entende-se aqui 
que a lei é aplicável também aos investimentos não classificá-
veis no Realizável em Longo Prazo, tendo ocorrido uma falha 
na sua redação.
Entre os investimentos permanentes, destacam-se
a) As participações permanentes em outras socieda-
des que representam a participação da sociedade no 
capital de outras sociedades por meio da aquisição de 
ações ou quotas;
pela entrada de recursos no Caixa. Assim, observa-se que 
a aplicação que, inicialmente, foi feita em Estoques, agora 
está no Caixa, acrescida da receita líquida ou lucro de 
R$80,00. Sabemos que o lucro pertence aos sócios ou acio-
nistas, certo? Portanto, são eles que estão “financiando” os 
R$80,00 que está no caixa.
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b) As propriedades para investimentos são representa-
das por imóveis mantidos para aluguel, arrendamento ou 
especulação, tendo em vista uma possível venda futura;
c) Outros investimentos permanentes representados 
por imóveis destinados a uso futuro, obras de arte etc.
Investimentos não permanentes, mas classificáveis 
no Realizável em Longo Prazo, são denominados 
Investimentos Temporários.
6.6.2 Avaliação
Os investimentos permanentes são avaliados de acordo 
com a sua natureza, destacando-se:
• Participações permanentes em outras sociedades: 
avaliadas por equivalência patrimonial, valor justo ou 
custo, dependendo das suas características;
• Propriedades para investimento: avaliadas pelo 
valor justo ou custo;
• Outros investimentos permanentes: avaliados pelo 
custo.
6.7
Imobilizado (ativos fixos)
O grupo Imobilizado é caracterizado por congregar os 
ativos destinados à “exploração” e à manutenção das ativida-
des-fim da entidade.
6.7.1 Classificação
 Segundo o artigo 179 – IV da Lei nº 6.404/76, serão clas-
sificados como Imobilizado os direitos que tenham por objeto 
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bens corpóreos que se destinem à manutenção das atividades 
da companhia, incluindo os direitos decorrentes de opera-
ções que transfiram para ela os riscos e controles desses bens.
Também são classificáveis no Imobilizado, as florestas 
para exploração ou os direitos contratuais de exploração de 
florestas de prazo maior que dois anos, florestas destinadas a 
cortes e adiantamentos a fornecedores de máquinas, equipa-
mentos ou outros bens destinados à manutenção ou explora-
ção das atividades da entidade.
O grupo de contas do Imobilizado se subdivide nos 
seguintes subgrupos:
• Bens em operação;
• Depreciação, amortização e exaustão acumulada;
• Imobilizado em andamento;
• Perdas estimadas por redução ao valor recuperável.
No caso de ativos biológicos (animais e vegetais), pró-
prios de atividades pecuárias ou agrícolas, o elenco de contas 
é tratado em normativos específicos.
São ainda classificáveis como Imobilizado:
• Despesas com mão de obra na fabricação de bens ou 
construção de imóveis de uso próprio que devem ser 
acrescidos aos respectivos custos;
• Impostos de importação, despesas de importação e 
fretes e carretos relacionados à importação de máqui-
nas e equipamentos;
• Todos os impostos pagos na aquisição de bens 
do Imobilizado, exceto o imposto de transmissão 
ou outros impostos que a legislação correspondente 
admita a recuperação;
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• Contribuição de melhoria;
• Benfeitorias em imóveis de terceiros, desde que se 
agreguem à propriedade de terceiros e aumentem o 
valor do bem;
• Corretagem na aquisição do imóvel.
Os juros incidentes sobre o financiamento de bens do 
Imobilizado não deverão integrar o valor de custo do bem.
6.7.2 Avaliação
O artigo 183 – V da Lei nº 6.404/76 determina que os 
direitos classificados no imobilizado serão avaliados pelo 
custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva depre-
ciação, amortização ou exaustão.
Além desse critério, o Imobilizado também deve ser 
deduzido das perdas estimadas por redução ao valor recupe-
rável (Impairment), segundo as disposições do Pronunciamento 
Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos.
6.7.3 Escrituração
Vamos simular algumas situações que envolvem ativos 
imobilizados.
1. Compra de máquina para o Imobilizado, no total de 
R$20.000,00, tendo sido pago um adiantamento no valor de 
R$10.000,00 com entrega prevista para 60 dias.
Pela realização do adiantamento 
D Imobilizações em Andamento R$10.000,00
Conta de 
Ativo
C Bancos conta Movimento R$10.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente a adiantamentos por 
conta de imobilizações.
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Pelo recebimento do bem e respectivo pagamentorestante
2. Baixa pela venda de um veículo no valor de 
R$28.000,00, cujo valor contábil líquido, na data da venda, 
era de R$20.000,00, sendo R$30.000,00 o valor de custo e 
R$10.000,00, o saldo da depreciação acumulada.
D Máquinas e Equipamentos R$20.000,00
Conta de 
Ativo
C Imobilizações em Andamento R$10.000,00
Conta de 
Ativo
C Bancos conta Movimento R$10.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à aquisição de máqui-
na conforme NF XXX.
Bancos Conta 
Movimento
(SI) 50.000 10.000 (1)
10.000 (2)
Imobilização 
em Andamento
(1) 10.000 10.000 (2)
Máquinas e 
Equipamentos
(2) 20.000
Apuração do valor do ganho de capital:
R$28.000,00 - R$20.000,00 = R$8.000,00
D Bancos conta Movimento R$28.000,00
Conta de 
Ativo
D Depreciação Acumulada R$10.000,00
Conta de 
Ativo 
(Redutora)
C Veículos R$30.000,00 Conta de Ativo
C Ganho de Capital R$8.000,00 Conta de Resultado
Valor referente à venda do veículo 
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3. Baixa pela venda de um veículo no valor de 
R$15.000,00, cujo valor contábil líquido, na data da venda, 
era de R$20.000,00, sendo R$30.000,00 o valor de custo e 
R$10.000,00, o saldo da depreciação acumulada.
Ganho de 
Capital
8.000 (1)
Veículos
(SI) 30.000 30.000 (1)
Depreciação
Acumulada
(1) 10.000 10.000 (SI)
Bancos Conta 
Movimento
(1) 28.000
Apuração do valor da perda de capital:
R$15.000,00 - R$20.000,00 = (R$5.000,00)
D Bancos conta Movimento R$15.000,00
Conta de 
Ativo
D Depreciação Acumulada R$10.000,00
Conta de 
Ativo 
(Redutora)
D Perda de Capital R$5.000,00 Conta de Resultado
C Veículos R$30.000,00 Conta de Ativo
Valor referente à venda do veículo 
XHK.
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6.8
Intangíveis
Os Ativos Intangíveis, como o próprio nome sugere, 
dizem respeito aos bens incorpóreos da entidade.
O Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível 
define esse ativo como sendo um ativo não monetário identi-
ficável, sem substância física.
6.8.1 Classificação
Segundo o artigo 179 - VI da Lei nº 6.404/76, devem ser 
classificados como Intangíveis “os direitos que tenham por 
objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da compa-
nhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de 
comércio adquirido”.
São exemplos de Intangíveis: marcas e patentes, fundo 
de comércio28 adquirido, softwares, direitos de exploração de 
serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder 
Público etc.
28. Fundo de Comércio (Goodwill): denominação do conjunto de direitos favoráveis ao comerciante 
e que incluem bens materiais e imateriais.
Perda de Capital
(1) 5.000
Veículos
(SI) 30.000 30.000 (1)
Depreciação
Acumulada
(1) 10.000 10.000 (SI)
Bancos Conta 
Movimento
(1) 15.000
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6.8.2 Avaliação
A forma de avaliação de um Intangível está condicio-
nada à determinação ou não da sua vida útil.
6.8.3 Escrituração
A escrituração de um ativo intangível, seja na sua 
aquisição ou baixa pela venda, bem como no que se refere 
à sua amortização, quando aplicável, em nada difere de um 
Imobilizado.
Chegamos ao fim de mais uma aula! Quantos concei-
tos novos, não? Mas, se analisarmos com mais calma, vamos 
ver que a maioria deles já foram abordados em aulas prece-
dentes. Na realidade, fizemos uma grande revisão, aprofun-
dando alguns conhecimentos. Nesta aula, os conceitos foram 
concentrados de forma a fornecer uma visão global das con-
tas do Ativo e, consequentemente, das aplicações dos recur-
sos de uma entidade. 
Antes de checarmos se conseguimos alcançar nossos 
objetivos, aí vai a resposta da questão sobre o recebimento de 
uma duplicata ser uma origem ou uma aplicação de recursos:
Intangível com vida útil definida = amortização pelo 
tempo de vida útil do ativo e teste de valor recuperável 
(Impairment);
Intangível sem vida útil definida = teste de valor recupe-
rável (Impairment)
O recebimento do valor de uma duplicata por meio de 
cheque pré-datado é uma origem ou uma aplicação de 
recursos? E se o cheque for à vista?
Resposta: Em qualquer das duas situações, seja recebi-
mento com cheque pré-datado ou recebimento à vista, 
houve uma troca entre ativos (Cheques a Receber ou 
Bancos Conta Movimento X Clientes) e, portanto, não 
ocorreu nenhuma nova aplicação ou, tampouco, origem.
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Muito bem! Após essa autoavaliação já podemos nos 
preparar para a próxima aula. Nela, vamos estudar outro dos 
principais ativos/aplicações de uma entidade – os Estoques. 
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Conhecemos as principais aplicações de recursos e suas 
peculiaridades?
 ‚ Conhecemos as características de cada grupo de contas?
 ‚ Conhecemos e aprendemos a aplicar os conceitos básicos 
de mensuração e avaliação dos principais ativos de uma 
entidade?
 ‚ Aprendemos como realizar a escrituração de fatos contá-
beis que envolvam os ativos de uma entidade?
Vamos relembrar?
A Aula 6 nos possibilitou estudar os grupos de contas do 
Ativo, exceto o grupo de Estoques que será estudado na 
próxima aula, conhecendo suas principais características, 
formas de avaliação e escrituração, buscando entender tais 
grupos no contexto de “aplicações” dos recursos captados.
Revimos as condições para classificação dos ativos como 
Ativos Circulantes ou Não Circulantes e passamos a estu-
dar cada um dos grupos de contas que os compõem.
Começamos com o primeiro deles, o Disponível e, dentro 
dele, estudamos o que significa a denominação Caixa e 
Equivalentes de Caixa. Aprendemos a constituir um fundo 
fixo de caixa e a contabilizar sua reposição. Conhecemos 
as características gerais, a avaliação e a contabilização das 
aplicações financeiras, inclusive das aplicações em ouro. 
Estudamos o Contas a Receber, sua composição, avaliação 
e contabilização das duplicatas a receber, além de termos 
revisto a constituição das perdas estimadas em créditos 
de liquidação.
Finalizamos estudando as aplicações de caráter perma-
nente, conhecendo as disposições gerais que norteiam 
a classificação dessas aplicações como Investimentos, 
Imobilizado e Intangível. 
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O texto a seguir classifica os “intangíveis” de uma institui-
ção financeira como seus “maiores ativos”. Analise o texto e 
responda:
• O valor dos ativos citados no texto estarão demons-
trados no Balanço Patrimonial da instituição finan-
ceira? Justifique sua resposta.
O patrimônio intelectual, o capital humano e a 
marca Bic Banco se constituem nos maiores ativos 
da organização
O BICBANCO acumula conhecimentos, experiências, con-
dutas e práticas que se transformaram em bens intangí-
veis para a Organização. Dentre os ativos intangíveis mais 
importantes estão sua marca, sua forte presença nas prin-
cipais cidades e capitais do país, sua expertise nos diversos 
mercados em que atua, seus sistemas de gerenciamento 
de riscos e principalmente a capacidade de inovação do 
seu qualificado capital humano. Desde a sua fundação, 
a Instituição se dedica a financiar a atividade produtiva 
e acumula experiência significativa no setor de crédito. 
Para atender à demanda de seus clientes e às necessida-
des do Banco foram desenvolvidas metodologias próprias, 
ferramentas e processos que se tornaram um diferencial, 
seja na operacionalização dos negócios ou nos sistemas de 
controle e avaliação deconcessão de crédito.
O foco na área de middle market por mais de duas déca-
das também gerou valor intangível para a Organização. 
Ao longo desse período, seus profissionais desenvolveram 
expertise nesse segmento e em suas peculiaridades, o que 
resultou no maior ativo intangível do Banco: seu patrimô-
nio intelectual e humano. A consciência desse patrimônio 
levou o Banco a elaborar mecanismos para reter esse conhe-
cimento e reconhecer a competência de seus profissionais. 
Cabe às pessoas e à sua experiência os méritos pelas inú-
meras conquistas e prêmios obtidos seguidamente pela 
Instituição, fatores que reforçam sua reputação frente aos 
acionistas e ratificam as qualidades de sua marca.
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RESOLUÇÃO:
Realmente os ativos citados no texto são muito valiosos para 
qualquer entidade, entretanto, tais ativos não atendem às 
condições necessárias para serem contabilizados e, portanto, 
não aparecem nos balanços. O valor de uma marca pode cair, 
vertiginosamente, de um dia para o outro; o capital intelectu-
al gerado pelos recursos humanos, também pode ser perdido 
sem nenhum aviso, basta que as pessoas que agregam esse 
valor resolvam sair da empresa! Tais ativos só podem ser di-
vulgados em textos promocionais como o que foi apresentado 
e nos relatórios anuais das empresas. 
lei t u r as r ecom en da das
BANCO DO BRASIL. Cartilha CDB final. Disponível em: 
http://www.bb.com.br/docs/pub/voce/dwn/CartilhaCDB.pdf 
MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis. 7 ed. 
São Paulo: Atlas, 2012
MARCA E IMAGEM
A marca BICBANCO é um de seus maiores bens, por 
estar aliada a conceitos como segurança, solidez, confia-
bilidade, dinamismo, integridade e responsabilidade cor-
porativa. Esta imagem institucional positiva é fruto de 70 
anos de lisura em sua atuação e do comprometimento do 
banco com seus clientes. Para fortalecer essa marca e soli-
dificar ainda mais os atributos associados a sua imagem, 
o Banco estabelece princípios e políticas de atuação e con-
duta, que orientam suas ações em todas as iniciativas.
O Banco desenvolve campanhas publicitárias, destinada 
ao seu público-alvo, investe no contato com a mídia e 
supre de informações os interessados em seus meios de 
comunicação e materiais institucionais, com o objetivo de 
tornar sua marca mais conhecida e proporcionar suporte 
a suas atividades.
Fonte: http://www5.bicbanco.com.br/RAO/2010/port/ra/10.
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www.cfc.org.br 
www.cpc.org.br 
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GRECO, A.; AREND, L. Contabilidade: teoria e prática bási-
cas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
IUDÍCIBUS, S. de et al. Manual de contabilidade societária. 
São Paulo: Atlas, 2010.
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( 7 )
Estoques e operações com 
mercadorias 
Olá prezados alunos,
Reta final! Penúltima porta! Mais um pequeno trecho a 
percorrer na busca de conhecimento! Busca esta que deve ser 
constante e sempre renovada, para que todas as “nossas por-
tas” permaneçam abertas!
Nesta etapa vamos estudar o ativo mais importante de 
uma empresa industrial ou comercial – seus estoques. Porque 
o mais importante? Porque são os estoques que retratam a ati-
vidade principal de uma empresa.
Uma empresa de serviços não possui estoques físicos, a 
não ser de materiais utilizados na prestação dos seus serviços 
e, neste caso, embora também importantes, tais estoques não 
têm o mesmo significado para a contabilizada, mas isso não 
quer dizer que tais empresas não precisem se preocupar com 
sua gestão financeira. Ao contrário, com a crescente partici-
pação do setor de serviços na economia, os ativos intangíveis 
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que compõem os estoques das empresas desse setor merecem 
especial atenção. 
São os recursos aplicados/investidos nos estoques que 
deverão produzir os resultados necessários para garantir o 
sucesso e a continuidade da entidade – razão da sua impor-
tância. Uma boa gestão dos estoques pode ser vital para 
garantir a sobrevivência de uma empresa.
Como se pode observar, já que estamos enfatizando os 
recursos investidos em estoques, então, não se pode disso-
ciar a gestão desses estoques da respectiva gestão financeira. 
Pelo contrário, elas se fundem, pois aspectos como quanti-
dade, qualidade, tempo de produção, reposição, segurança, 
controle, financiamento, entre outros, afetam não só os esto-
ques físicos, mas, sobretudo, as finanças das empresas.
Assim, com o objetivo principal de conhecer os funda-
mentos gerais da composição, controle e contabilização dos esto-
ques e, em particular, dos estoques de mercadorias, nesta aula 
teremos como meta alcançar os seguintes objetivos específicos:
O desenvolvimento do conteúdo a ser estudado obede-
cerá à seguinte ordem: 
7.1 Conceitos de estoque e sua importância na gestão 
financeira 
 7.1.1 Conceitos
Objetivos de aprendizagem
 ‚ Compreender a importância dos estoques na gestão 
financeira das empresas;
 ‚ Conhecer as principais formas de controle dos estoques;
 ‚ Conhecer e escriturar as operações de compra e venda 
de mercadorias;
 ‚ Conhecer e escriturar as operações correlatas às com-
pras e às vendas de mercadorias;
 ‚ Conhecer e escriturar mercadorias em consignação e 
outros aspectos envolvendo transações com mercadorias.
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 7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques
7.2 Inventários: periódico e permanente 
 7.2.1 Inventário periódico
 7.2.2 Inventário permanente
7.3 Avaliação dos estoques
 7.3.1 Apuração do custo dos estoques
 7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro que sai 
 7.3.3 Custo Médio Móvel 
7.4 Impostos e contribuições nos estoques
 7.4.1 ICMS s/ obre Compras
 7.4.2 IPI sobre Compras
 7.4.3 PIS/COFINS sobre Compras
7.5 Compras de mercadorias
 7.5.1 Fretes sobre compras
 7.5.2 Bonificações recebidas
 7.5.3 Abatimentos sobre compras
 7.5.4 Devolução de compras
 7.5.5 Descontos comerciais obtidos
 7.5.6 Descontos financeiros obtidos
 7.5.7 Adiantamentos a fornecedores
7.6 Vendas
 7.6.1 Fretes sobre vendas
 7.6.2 Vendas com cartões de crédito
 7.6.3 Descontos comerciais
 7.6.4 Bonificações concedidas
 7.6.5 Devolução de vendas
 7.6.6 Abatimento sobre vendas
 7.6.7 Descontos financeiros concedidos
 7.6.8 Adiantamentos recebidos de clientes
7.7Mercadorias em consignação
7.8 Quebras ou perdas de estoque
7.9 Resultados com mercadorias
Bom estudo a todos!
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7.1
Conceitos de estoque e sua 
importância na gestão 
financeira
7.1.1 Conceitos
O Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques, aprovado 
pela Resolução CFC nº 1.170/09, afirma que estoques são ativos:
a) Mantidos para venda no curso normal dos negócios;
b) Em processo de produção para venda; ou
c) Na forma de materiais ou suprimentos a serem con-
sumidos ou transformados no processo de produção 
ou na prestação de serviços.
Iudícibus et al (2010, p. 72) define estoques como “bens 
tangíveis ou intangíveis adquiridos ou produzidos pela 
empresa com o objetivo de venda ou utilização própria no 
curso normal de suas atividades”.
No que se refere ao estoque de ativos intangíveis, estes 
não são tratados no grupo de contas de Estoques. Devido às 
suas características, tais estoques são contabilizados como 
Ativos Especiais.
Normalmente, os Ativos Especiais dizem respeito aatividades que não se enquadram no conceito tradicional de 
produção de manufaturas ou comércio de mercadorias como, 
por exemplo, a produção de filmes, cujos direitos podem ser 
integralmente comercializados ou podem, somente, ser objeto 
de cessão de direitos de exibição. Trata-se de conteúdo artís-
tico-cultural, ou seja, um “estoque” intangível, assim como 
softwares que são produzidos ou adquiridos com o objetivo 
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de comercialização dos direitos de uso. Tais ativos serão estu-
dados em outro momento do curso.
O grupo de contas de Estoques deve contemplar a exis-
tência de subcontas que permitam visualizar seus principais 
componentes. São exemplos de contas que devem fazer parte 
desse grupo:
• Produtos acabados;
• Produtos em elaboração;
• Mercadorias para revenda;
• Mercadorias em trânsito;
• Mercadorias entregues em consignação;
• Importações em andamento;
• Almoxarifado;
• Adiantamentos a fornecedores;
• Perda estimada para redução ao valor realizável 
líquido; 
• Perda estimada em estoques;
• Ajuste ao valor presente.
7.1.2 Gestão financeira e gestão de estoques
Os estoques representam as principais operações de 
uma empresa e, consequentemente, a razão que motivou a 
sua criação. Uma indústria existe para fabricar produtos, uma 
empresa comercial para comercializá-los, os estoques, por sua 
vez, retratam exatamente o que a empresa está fabricando ou 
já fabricou ou o que ela tem de mercadorias a comercializar. 
Desses estoques resultará a principal receita da entidade.
Partindo dessa premissa, é possível afirmar que a 
maior parte dos recursos captados por uma entidade deve 
ser direcionada para a produção dos seus estoques ou para 
ativos que componham o processo produtivo (máquinas, 
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equipamentos etc.), visto que é daí que ela vai extrair seus 
principais resultados.
Mas, resultados, além de receitas, envolvem também 
custos/despesas, não é mesmo? 
Veja só: os custos dos estoques representam as aplica-
ções de recursos que neles foram feitas. São, portanto, essas 
aplicações que vão gerar as receitas, mas, se esses custos ou 
aplicações não forem bem geridos ou se os estoques demora-
rem para serem vendidos, ou seja, demorarem para gerar as 
receitas, o resultado obtido, com certeza, não será o esperado 
ou não será suficiente para que a entidade obtenha sucesso 
na sua atividade.
O prazo que os estoques demoram para serem vendi-
dos, isto é, para gerar receitas, é chamado de “giro de esto-
ques”. Quanto menor for esse prazo, mais satisfatório será o 
resultado e a gestão financeira da entidade.
A figura a seguir, utilizada em um exemplo da aula 
anterior, pode nos ajudar a entender melhor esse processo:
A aplicação de R$100,00 transforma-se em resultado 
de R$80,00 que é “acrescentado” ao caixa da empresa. Ou 
seja, a aplicação de R$100,00 rendeu um “aporte” de recursos 
Estoque R$100,00
(Aplicação)
Caixa R$180,00
Origem R$100,00
Origem
Resultado = R$80,00
R$180,00 - R$100,00
Total Aplicações = R$180,00 Total origens = R$180,00
Receita
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Contas a Receber
R$100,00 + R$80,00 =
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de R$80,00. Quanto mais rápido for esse processo, melhores 
serão os resultados obtidos.
Obviamente, a entidade poderá desenvolver outras ati-
vidades acessórias às suas atividades principais que lhe aju-
darão a compor o resultado obtido, mas o resultado das suas 
operações é o que importa em qualquer tipo de análise, por 
parte dos interessados no seu desempenho.
Muito bem! Se estivermos convencidos de que a ges-
tão do estoque é importante, vamos conhecer os detalhes que 
impactam e facilitam essa gestão.
7.2
Inventários: periódico e 
permanente
O que é inventário?
A avaliação dos estoques ao final de um período qual-
quer, mas especialmente por ocasião do fechamento do 
Balanço Patrimonial, é absolutamente necessária para a apu-
ração do resultado da empresa. É por meio dessa avaliação 
que se determina o custo dos produtos ou das mercadorias 
vendidas, conforme estudado na nossa Aula 4. Lembram-se 
que, para a determinação desse custo, precisamos saber o 
saldo final e o saldo inicial dos estoques?
Inventário é um levantamento, uma relação dos bens com-
ponentes do estoque, com as respectivas quantidades.
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Pois bem, como “avaliar” corretamente os saldos contá-
beis dos estoques, sem saber a quantidade de cada componente 
presente neles? Concordam que, se houver erro nesses valores, 
o resultado apurado também fica incorreto? A confirmação dos 
saldos é feita por meio da confrontação com os inventários.
Iudícibus et al (2010, p. 92) comenta que “um aspecto 
fundamental quanto aos estoques refere-se a uma correta 
determinação de suas quantidades físicas na data do balanço”. 
Esse aspecto, segundo os mesmos autores, tem “gerado dis-
torções significativas nas demonstrações financeiras de inú-
meras empresas, e nada adianta um bom critério de avaliação 
e de custos se as quantidades estiverem erradas”.
Além dos aspectos contábeis e gerenciais, há uma exi-
gência fiscal para que o inventário dos estoques seja feito, no 
mínimo, quando do fechamento do Balanço. Existe, inclusive, 
a obrigatoriedade de escrituração de um livro de inventário 
(obrigação fiscal acessória).
Existem, basicamente, dois tipos de inventários que 
podem ser adotados pelas empresas: o inventário periódico e 
o inventário permanente.
7.2.1 Inventário periódico
O sistema de inventário periódico, por ser mais simples, 
não requer a existência de controles excessivamente detalha-
dos. É elaborado por meio da contagem física dos estoques, no 
CMV = Ei + Co - Ef
Onde:
✓ CMV = Custo das Mercadorias Vendidas
✓ Ei = estoque inicial de mercadorias
✓ Co = Valor líquido das compras de mercadorias no 
período
✓ Ef = Estoque final de mercadorias
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final de um período, razão da sua denominação “periódico”, que 
pode ser o contábil (um ano) ou em períodos menores.
Neste caso, segundo Greco (2012, p. 242), “o registro contá-
bil do estoque das mercadorias ocorrerá apenas no final dos exer-
cícios, quando da contagem física das quantidades existentes”.
A apuração do custo das mercadorias vendidas exigirá 
que as operações de compras, devoluções, abatimentos, fretes 
e seguros sejam registradas em contas adequadas.
Adotando o sistema de inventário periódico, a empresa 
não poderá optar pela avaliação dos seus estoques pelo custo 
médio, que estudaremos ainda nesta aula.
7.2.2 Inventário permanente
O registro permanente de estoque compreende o con-
trole, por meio de fichas (em papel ou meio eletrônico), de 
cada item que o compõe, registrando a sua movimentação em 
quantidade, preço unitário e valor total.
Esse tipo de inventário possibilita que o custo das mer-
cadorias ou dos produtos vendidos sejam contabilizados no 
ato da venda, sendo necessária a confrontação dos saldos 
contábeis com o inventário (contagem física) no final do exer-
cício (dezembro), para atendimento à legislação fiscal. 
Apesar de complexo é um sistema mais completo, 
capaz de atender às exigências fiscais, à excelência dos regis-
tros contábeis, particularmente no que se refere à apuração 
dos resultados da entidade e, principalmente, contribuir para 
o processo decisório como instrumento gerencial.
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7.3
Avaliação dos estoques
A avaliação dos estoques envolvedois aspectos: a 
apuração do custo, principalmente para efeitos de apuração 
do custo unitário dos produtos, mercadorias ou serviços e 
apuração do custo das vendas; e a atualização do valor dos 
estoques ao seu valor realizável líquido para efeito de apre-
sentação da correta situação patrimonial no Balanço.
O Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques determina 
que os estoques sejam avaliados pelo valor do custo ou valor 
realizável líquido, dos dois o menor, entendendo-se como tal, o 
preço de venda estimado no curso normal dos negócios, dimi-
nuído dos custos estimados para a respectiva conclusão e dos 
gastos estimados necessários para a concretização da venda.
7.3.1 Apuração do custo dos estoques
O principal problema encontrado na apuração dos custos é 
o fato de que uma entidade pode ter o mesmo produto adquirido 
em datas diferentes e a preços diferentes. Vamos ver um exemplo:
Suponha a existência de uma empresa comercial que 
compra e vende televisores de uma única marca e modelo, 
mas que, por força de interesses comerciais, adquire e vende 
suas mercadorias em diferentes datas e, consequentemente 
por diferentes preços de aquisição. 
Em determinado período, a empresa em questão, que já 
tinha um estoque anterior correspondente a 10 aparelhos de TV 
a um custo unitário de R$810,00, efetuou 5 compras de 15 TVs, 
em um total de 75 unidades a preços diferentes e em diferentes 
datas. No mesmo período ela vendeu 60 aparelhos. Qual seria 
o custo dos aparelhos vendidos a ser computado no resultado 
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da referida empresa? Esta é uma questão quase impossível de 
ser respondida se a empresa não mantiver um controle deta-
lhado dos seus estoques. Mas, mesmo que tenha esse controle, 
como as compras e vendas ocorrem em datas diferentes, a dife-
rentes valores, e os aparelhos de TV são da mesma marca e do 
mesmo modelo, o valor do custo dos aparelhos vendidos terá 
que seguir um critério lógico para sua apuração.
Controle do estoque de TVs
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A partir da primeira operação de compra já não se sabe 
qual o valor unitário das peças em estoque, pois ao saldo anterior 
de 10, foram somadas 15 novas peças que custaram mais do que 
aquelas que estavam armazenadas. Como apurar o valor unitá-
rio das peças quando ocorre qualquer tipo de movimentação?
Há várias formas de se apurar o valor do custo uni-
tário dos estoques e, por consequência, o valor do custo das 
peças vendidas. Entretanto, somente duas delas são admiti-
das pelos Princípios Fundamentais de Contabilidade e, tam-
bém, pela legislação fiscal: “Custo Médio (Móvel e Fixo)” e 
“PEPS – Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai”, do inglês 
FIFO - First In First Out.
Dentre as diversas formas de se apurar o custo dos 
estoques, pode-se destacar o UEPS – Último que Entra é o 
Primeiro que Sai, do inglês LIFO – Last In First Out e o Custo 
de Reposição. Não sendo permitidos contábil ou fiscalmente, 
tais métodos somente são utilizados para fins gerenciais.
Outra prática possível para apuração do custo é o método 
do Preço Específico, que consiste em controlar cada unidade 
pelo valor efetivamente pago, o que só é possível quando a 
quantidade, o valor e as características da mercadoria ou mate-
rial o permitam (Exemplo: revenda de automóvel usado). 
Vamos abordar as duas metodologias mais utilizadas e 
aceitas pelo fisco e pelas normas contábeis:
7.3.2 PEPS – Primeiro que entra é o primeiro 
que sai 
Esta avaliação baseia-se na premissa de que a primeira 
peça que entrou no estoque será a primeira a ser baixada 
quando ocorrer a venda.
Utilizando o mesmo exemplo anterior, teríamos a 
seguinte situação:
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Controle do estoque de TVs (PEPS)
A ficha de controle de estoques permite a apuração do 
custo das mercadorias na data da venda e, também, pelo perí-
odo desejado (soma dos valores da coluna Vendas/Acumulado).
7.3.3 Custo médio móvel
Esta avaliação consiste em apurar o custo médio uni-
tário da mercadoria (ou matéria-prima) da seguinte forma:
a) Adiciona-se ao saldo anterior o valor das compras e 
divide-se o valor obtido pelo número total de peças em 
estoque, obtendo-se o custo médio unitário até aquela data;
Opera-
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Compras Vendas Saldo
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Unit. Acumul. Unit. Acumul. Unit. Acumul.
Saldo Anterior 10 810,00 8.100,00 - 10 810,00 8.100,00
Compra Dia 02 15 812,00 12.180,00 - - - 25 812,00 20.280,00
Compra Dia 05 15 813,00 12.195,00 - - - 40 813,00 32.475,00 
Venda Dia 05 - - - 10 810,00 8.100,00 30 810,00 24.375,00 
Compra Dia 07 10 811,00 8.110,00 - - - 45 811,00 32.485,00 
Venda Dia 07 5 811,00 4.055,00 15 812,00 12.180,00 30 812,00 24.360,00 
Venda Dia 15 - - - 5 813,00 4.065,00 25 813,00 20.295,00 
Compra Dia 16 15 811,50 12.172,50 - - 40 811,50 32.467,50 
Venda Dia 18 - - - 20 20 - 16.227,50 
10 813,00 8.130,00 
10 811,00 8.110,00 
Compra Dia 20 15 812,00 12.180,00 - - - 35 812,00 28.407,50 
Venda Dia 30 - - - 10 25 - 20.295,00 
5 811,00 4.055,00 
5 811,50 4.057,50
Composição do Saldo Final
10 peças 811,50 = 8.115,00
15 peças 812,00 = 12.180,00
20.295,00
CMV no período = 48.697,50
296
Co
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 F
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ira
b) Multiplica-se esse custo médio unitário pela quan-
tidade de peças vendidas para apuração do valor do 
custo total da venda, na ocorrência da primeira venda, 
após essa data;
c) Apura-se o novo custo médio unitário, subtraindo-se do 
saldo anterior, o valor do custo da última venda e dividindo-
-se o resultado pelo número total de peças em estoque.
No exemplo anterior, a situação do estoque seria a 
seguinte:
Controle do estoque de TVs (Custo Médio)
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ria
s
297
Essa metodologia de apuração de custos dos estoques 
é muito utilizada. 
7.4
Impostos e contribuições nos 
estoques
Alguns impostos e contribuições incidentes sobre 
componentes do estoque têm caráter não cumulativo, ou seja, 
podem ser compensados com aqueles devidos pela entidade. 
Dessa forma, há que dar um tratamento contábil especial 
para esses impostos e contribuições. Tais impostos e contri-
buições não devem integrar o custo dos estoques e devem ser 
deduzidos da Receita de Vendas, conforme já estudado na 
DRE – Demonstração do Resultado do Exercício.
Vamos estudar o tratamento dos impostos e das con-
tribuições incidentes sobre as compras, uma vez que aque-
les incidentes sobre as vendas já foram estudados em nossa 
Aula 4.
7.4.1 ICMS sobre compras
Como já mencionado, os impostos recuperáveis inci-
dentes sobre compras não podem ser computados como custo 
de aquisição.
Vamos supor que uma empresa tenha adquirido, a 
prazo, mercadorias para revenda no valor de R$100.000,00, 
com um ICMS embutido de 18% - R$18.000,00. Na venda 
dessas mercadorias, também a prazo, por R$120.000,00, 
a empresa gerou uma obrigação de recolher um ICMS, à 
mesma alíquota, no valor de R$21.600,00. Vejamos como fica-
ria a contabilização:
298
Co
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Pela compra da mercadoria
Pela venda da mercadoria
 
Pela obrigação de recolhimento do ICMS
Pela compensação do ICMS pago na compra
D Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00
Conta de 
Ativo
D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$82.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à compra de 
mercadorias para revenda
D Clientes R$120.000,00 Conta de Ativo
C Vendas (Receitas) R$120.000,00 Conta de Resultado
Valor referente à venda de 
mercadorias
D Impostos sobre Vendas (Receitas) R$21.600,00
Conta de 
Resultado 
(Redutora da 
Receita)
C Impostos a Recolher – ICMS R$21.600,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao ICMS sobre venda
D Impostos a Recolher – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Passivo
C Impostos a Recu-perar – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à compensação de 
ICMS pago sobre compras
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s
299
Pela apropriação do custo da mercadoria
Pelo recolhimento do ICMS
Razonetes:
D Custo da Mercadoria Vendida R$82.000,00
Conta de 
Resultado
C Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à apropriação de 
custo de mercadoria vendida
D Impostos a Recolher - ICMS R$3.600,00
Conta de Pas-
sivo
C Bancos - Conta Movimento R$3.600,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à compensação de 
ICMS pago sobre compras
Fornecedores
100.000 (1)
Clientes
(2) 120.000
Mercadorias para 
Revenda
(1) 82.000 82.000 (4)
Impostos para
Revenda
(3) 21.600
ICMS a 
Recuperar
(1) 18.000 18.000 (5)
Bancos Conta
Movimentp
(SI) 15.000 3.600 (6)
Vendas
120.000 (2)
ICMS a 
Recuperar
(5) 18.000 21.600 (3)
(6) 3.600
Custo da Merca-
doria Vendida
(4) 82.000
300
Co
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ira
7.4.2 IPI sobre compras
No caso de o IPI também ser recuperável para a enti-
dade, os procedimentos relativos à contabilização serão idên-
ticos ao ICMS.
7.4.3 PIS/COFINS sobre compras
 As contribuições não cumulativas ao PIS e à COFINS, 
também compensáveis, seguirão o mesmo critério de conta-
bilização do ICMS.
7.5
Compras de mercadorias
Para ilustrar a contabilização de uma operação de com-
pra de mercadoria, utilizaremos o mesmo exemplo indicado 
na contabilização do ICMS:
Pela compra da mercadoria
Pelo pagamento ao fornecedor
D Mercadorias para Revenda (Estoques) R$82.000,00
Conta de 
Ativo
D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$82.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à compra de 
mercadorias para revenda
D Bancos - Conta Movimento R$100.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo
Valor referente pagamento a 
fornecedores de mercadorias
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s
301
Razonetes:
7.5.1 Fretes sobre compras
Os fretes pagos sobre compra de mercadorias integra-
rão o valor do custo dos estoques. Vamos supor que no exem-
plo acima tenha ocorrido a seguinte situação:
Como se pode observar, o frete pago integra o valor do 
custo do estoque. 
7.5.2 Bonificações recebidas 
As bonificações são constituídas de unidades de mer-
cadorias oferecidas ao comprador, em razão do volume de 
compras, promoções ou deferência especial do fornecedor.
Exemplo: Supondo que a Luz Azul Comércio de 
Materiais Elétricos Ltda. tenha recebido uma bonificação 
no valor de R$5.000,00, já incluso um ICMS de R$900,00. Tal 
bonificação seria registrada da seguinte forma:
Mercadorias 
para Revenda
(1) 82.000
Bancos Conta
Movimento
(SI) 150.000 100.000 (2)
ICMS a 
Recuperar
(1) 18.000
Fornecedores
(2) 100.000 100.000 (1)
Mercadoria R$95.000,00
Fretes sobre compras R$5.000,00
Valor a ser contabilizado com custo da mercadoria R$100.000,00
302
Co
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Pelo recebimento da bonificação 
7.5.3 Abatimento sobre compras
O “abatimento” sobre compras não é um desconto 
comercial ou, tampouco, financeiro, trata-se de uma compen-
sação concedida pelo fornecedor ao comprador por conta de 
avarias nos produtos durante o transporte, defeitos ou outras 
anomalias que caracterizem diferença entre o que foi pedido 
e o que foi efetivamente entregue.
Supondo que uma empresa tenha recebido um abati-
mento de R$1.500,00 em compra efetuada, a prazo, e já con-
tabilizada pelo seu valor de custo, o lançamento contábil do 
abatimento seria o seguinte:
Caso a empresa tivesse comprado o estoque à vista, 
o débito seria feito diretamente na conta Caixa ou Bancos - 
Conta Movimento.
D Estoques R$4.100,00 Conta de Ativo
D Impostos a Recuperar – ICMS R$900,00
Conta de 
Ativo
C
Bonificações Recebi-
das (Outras Receitas 
Operacionais)
R$5.000,00 Conta de Resultado
Valor referente ao pagamento a 
fornecedores de mercadorias
D Fornecedores R$1.500,00 Contade Ativo
C Estoques R$1.500,00 Conta de Passivo
Valor referente ao abatimento conce-
dido pelo fornecedor
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s
303
7.5.4 Devolução de compras
No caso de devolução de compras pela empresa com-
pradora, esta tomará por base os dados da nota fiscal original, 
pela qual foi dada entrada da mercadoria (ou matéria-prima) 
nos estoques da empresa.
Se a devolução ocorrer no mesmo exercício social da 
compra, não haverá maiores problemas, basta “reverter” o 
lançamento contábil original, utilizando os valores propor-
cionais à mercadoria devolvida.
Vamos supor que 20% da mercadoria adquirida em 
nosso exemplo anterior, tenha sido devolvida.
Considerando que a mercadoria foi registrada em 
Estoques pelo seu valor líquido do ICMS, temos que a sua 
devolução deve ser contabilizada pelo valor de:
R$19.000,00 - R$3.600,00 = R$15.400,00
O frete, anteriormente apropriado como custo dos 
estoques, deverá ser contabilizado como despesa, pelo valor 
proporcional de R$1.000,00, uma vez que não há mais o esto-
que respectivo. 
O ICMS sobre o estoque devolvido deverá agora, ser 
contabilizado pelo valor proporcional de R$3.600,00, como 
ICMS a Recolher, uma vez que foi compensado anterior-
mente. Caso ainda não tenha sido compensado, deverá ser 
creditado na conta de Impostos a Recuperar – ICMS.
Mercadoria R$95.000,00 x 20% = R$19.000,00
Fretes sobre compras R$5.000,00 x 20% = R$1.000,00
ICMS sobre compras R$18.000,00 x 20% = R$3.600,00
304
Co
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 F
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ira Obs.: Na hipótese da compra ter sido realizada à 
vista, o débito deverá ser feito diretamente na conta Caixa 
ou Bancos - Conta Movimento, ou, ainda, em uma conta de 
Outros Créditos, caso o fornecedor não credite o valor da 
devolução imediatamente.
7.5.5 Descontos comerciais obtidos
Os descontos comerciais incondicionais concedidos 
pelo fornecedor ao comprador são oferecidos no ato da opera-
ção de compra, estando consignados na respectiva nota fiscal.
Usualmente, a compra em que se obteve o desconto é 
contabilizada pelo seu valor líquido.
Vamos supor que em uma compra a prazo, de 
R$100.000,00, com ICMS de R$18.000,00, o comprador tenha 
obtido um desconto de R$10.000,00. 
D Fornecedores R$15.400,00 Conta de Passivo
D
Fretes sobre Devolução 
de Compras (Outras 
Despesas Operacionais)
R$1.000,00 Conta de Resultado
D ICMS a Recolher R$3.600,00 Conta de Passivo
C Mercadorias para Revenda (Estoques) R$20.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à devolução de merca-
doria ao fornecedor
D Mercadorias para Re-venda (Estoques) R$72.000,00
Conta de 
Ativo
D Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$90.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à compra líquida de 
desconto obtido, conforme NF XXX
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s
305
7.5.6 Descontos financeiros obtidos
Os descontos financeiros são obtidos posteriormente à 
realização da compra, em função de pagamento antecipado 
ou cumprimento do prazo de pagamento junto ao fornecedor. 
Assim, tais descontos devem ser apropriados diretamente em 
Receitas Financeiras.
Supondo que no pagamento de R$100.000,00 a um forne-
cedor, o comprador tenha obtido um desconto financeiro de 10%, 
portanto de R$10.000,00, o lançamento contábil seria o seguinte: 
7.5.7 Adiantamentos a fornecedores
Os adiantamentos efetuados a fornecedores por conta 
de mercadorias ou materiais adquiridos, devem ser contabili-
zados no Ativo Circulante ou Não Circulante, de acordo com 
o prazo previsto para entrega.
Supondo que na compra de mercadorias para revenda, 
no valor total de R$100.000,00, com a incidência de 18% de 
ICMS, tenha sido realizado um adiantamento no valor de 
R$20.000,00, vejamos como seria a contabilização:
Pela realização do adiantamento
D Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo
C Bancos - Conta Movimento R$90.000,00
Conta de 
Ativo
C Descontos Financeiros Obtidos R$10.000,00
Conta de 
Resultado
Valor referente ao pagamento ao 
fornecedor XYZ líquido de desconto 
financeiro obtido.
C Adiamentos a Fornecedores R$20.000,00
Conta de 
Ativo
C Bancos - Conta Movimento R$20.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente ao adiantamento feito ao 
fornecedor XYZ
306
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Razonetes:
Pelo recebimento da mercadoria
Pela compensação do adiantamento
Bancos Conta
Movimento
20.000 (1)
Adiantamentos 
a Fornecedores
(1) 20.000
D Mercadorias para Revenda R$82.000,00
Conta de 
Ativo
C Impostos a Recuperar – ICMS R$18.000,00
Conta de 
Ativo
C Fornecedores R$100.000,00 Conta de Passivo
Valor referente à aquisição de 
mercadoria conforme NF XXX
Fornecedores
100.000 (2)
Mercadorias 
para Revenda
(2) 82.000
ICMS a 
Recuperar
(2) 18.000
D Fornecedores R$20.000,00 Conta de Passivo
C Adiantamentos a Fornecedores R$20.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à compensação do adian-
tamento efetuado ao fornecedor XYZ
Adiantamentos 
a Fornecedores
(1) 20.000 20.000 (3)
Fornecedores
(3) 20.000 100.000 (2)
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307
7.6
Vendas
Conforme já estudado anteriormente, as vendas de 
produtos, mercadorias e de serviços são registradas como 
Receita de Vendas, ou ainda, Receita Bruta de Vendas.
Vamos retomar o exemplo utilizado na Aula 4 para tra-
tarmos das operações de vendas de mercadorias e revermos, 
também, os impostos incidentes sobre as vendas.
Foram vendidos, em determinado período, produtos a 
prazo no valor de R$1.500.000,00, tendo sido cobrado IPI de 
15%29 e ICMS de 18%. Veja os lançamentos contábeis:
Contabilizando o faturamento
Contabilizando o IPI
29. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): imposto cujas alíquotas diferem de acordo com 
produto.
D Clientes R$1.995.000,00 Conta de Ativo
C Receita Bruta de Vendas R$1.995.000,00 Conta de Resultado
Valor referente ao faturamento bruto do 
período
D IPI sobre Faturamento Bruto R$225.000,00
Conta de 
Resultado 
(Redutora 
da Receita 
Bruta)
C Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$225.000,00
Conta de 
Passivo
Valor referente ao IPI incidente sobre o 
faturamento bruto do período
308
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Contabilizando a recuperação do IPI
Tem-se, então, que a entidade deverá recolher 
R$125.000,00 de IPI, após compensado o valor do imposto 
pago por ocasião da compra dos materiais.
Vamos ver essas contabilizações em razonetes: 
D Obrigações Fiscais – IPI a Recolher R$100.000,00
Conta de 
Passivo
C Impostos a recuperar – IPI R$100.000,00
Conta de 
Ativo
Valor referente à recuperação de IPI inci-
dente sobre faturamento bruto
Estoques
(1) 500.000
Impostos a 
Recuperar IPI
(1) 100.000 100.000 (4)
Fornecedores
690.000 (1)
Impostos a Re-
cuperar ICMS
(1) 90.000
Clientes
(2) 1995.000
Receita Bruta de 
Vendas
1995.000 (2)
Obrigações Fis-
cais IPI a Recolher
(4) 100.000 225.000 (3)
125.000
IPI sobre 
Faturamento Bruto
(3) 225.000
COMPRA DE MATERIAIS
VENDA DE PRODUTOS E COMPESAÇÃO DO IPI
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309
O recolhimento do IPI se dará pelo valor líquido, ou 
seja, pelo valor devido pela entidade, compensado com o 
valor de crédito ao qual ela tem direito e que corresponde ao 
imposto que ela própria pagou quando adquiriu os materiais 
para fabricar os seus produtos. Vamos, então contabilizar o 
recolhimento do IPI:
 
Vamos rever, agora, a contabilização do ICMS.
No nosso exemplo,

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