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CENTRO EDUCACIONAL SESI 299
VIDA E 
OBRA DE
GRAÇA ARANHA
Valinhos
2018
CENTRO EDUCACIONAL SESI 299
Yasmim Verdadeiro Augusto
3º ano do Ensino Médio – C
nº 32
VIDA E 
OBRA DE
GRAÇA ARANHA
Trabalho apresentado como exigência da disciplina de Língua Portuguesa, ministrado pela Profª Ivonete Parentes Pereira.
Valinhos
	2018	
Resumo
O objetivo deste trabalho foi de apresentar dados gerais a respeito da vida e obra de Graça Aranha e a sua influência na literatura nacional. José Pereira da Graça Aranha foi um autor essencialmente brasileiro que se formou em Direito, mas destacou-se como diplomata, que viajando por grande parte da Europa recebeu diversas influências artísticas que o levaram a aderir ao movimento modernista e vanguardista. Ao longo de sua vida transmitiu um pouco dessas influências as suas obras, descrevendo a natureza nacional com teor Impressionista; realizando reflexões Simbolistas; defendendo teses filosóficas de Nietzsche; e acima de tudo, abordando a temática da superioridade étnica. Devido a adesão ao movimento modernista, foi inserido na Academia Brasileira de Letras e foi um dos precursores do Pré-Modernismo, o que resultou na sua participação da Semana de Arte Moderna de 1922, entretanto, como ao longo de sua carreira ele desenvolveu um estilo próprio, onde o modernismo e as vanguardas apareciam simultaneamente e fugiam do academicismo proposto pela Academia, acabou saindo desta. Graça Aranha não publicou nenhuma obra, mas a de maior destaque que produziu foi “Canaã”, na qual o autor referiu-se a um fato que ocorria muito naquele período de início da República e fim da escravidão: imigração. Graça Aranha proporcionou uma reflexão de que os imigrantes vinham ao Brasil em busca da terra prometida, quando na verdade, o país não tinha condições de recebê-los, logo, ele realizou uma crítica social por meio da ironia, além de que propiciou o estudo de afirmações humanitárias e preconceituosas por meio de diálogos filosóficos. Ao longo de sua vida, Aranha produziu outras obras menos reconhecidas nacionalmente, mas seu objetivo em todas era de que com o desenvolvimento de um estilo próprio, com misto de elementos acadêmico e inovadores, houvesse a reflexão das problemáticas sociais brasileiras, portanto, Graça Aranha, mesmo que pouco valorizado no ramo literário, desempenhou um papel importante na construção social e cultural do país.
Sumário
52. Desenvolvimento	�
52.1. Biografia	�
72.2. Obras de Graça Aranha	�
72.2.1. “Canaã”	�
92.2.1.1. Romance fracassado	�
92.2.2. “Malazarte”	�
112.2.3. “A Estética da Vida”	�
122.2.4. “Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco”	�
132.2.5. “O Espírito Moderno”	�
142.2.6. “Futurismo, Manifesto de Marinetti e Seus Companheiros”	�
152.2.7. “A Viagem Maravilhosa”	�
162.2.8. “O Meu Próprio Romance”	�
162.2.9. “Manifesto dos Mundos Sociais”	�
172.3. Características estilísticas do autor	�
183. Conclusão	�
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1. Introdução
Graça Aranha foi um escritor e diplomata brasileiro pertencente ao movimento pré-modernista no Brasil. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1897, sendo titular da cadeira número 38, cujo patrono foi Tobias Barreto. (DIANA, 2018)
Segundo Diana (2018), viajou para vários países da Europa (Inglaterra, Itália, Suíça, Noruega, Dinamarca, França e Holanda) exercendo o cargo de diplomata. Essas viagens foram essenciais para que ele aderisse ao movimento modernista que despontava no Brasil, isso porque teve contato com as vanguardas europeias e a arte moderna. 
Foi organizador da Semana de Arte Moderna que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo em 1922. Além de organizador, ele ficou encarregado de proferir o discurso inicial intitulado: “A emoção estética na arte moderna”. Embora tenho sido um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), rompeu com a ABL em 1924, porque suas ideias vanguardistas aliadas ao modernismo vigente não estavam de acordo com o academicismo difundido pela Academia. (DIANA, 2018)
Teve muitas de suas ideias e obras baseadas nas obras vanguardistas, mas também de filósofos, sendo que muitas de suas obras são pautadas na reflexão a partir do diálogo, muito mais do que por ações. Participou do movimento Futurista, mas a descrição que realizava em suas obras, valorizando o cenário brasileiro, se assemelhava ao Impressionismo. Ademais, abordou em suas obras diversos problemas sociais, sendo o autor que introduziu na temática nacional o debate acerca da superioridade de raças, evidenciado na sua obra de maior destaque “Canaã”.
Apesar de ser adepto do movimento Modernista, realizando críticas sócias, suas obras eram marcadas possuíam um tom Simbolista e Romântico, mas acima de tudo, Graça Aranha buscava, assim como as vanguardas, romper com o tradicional, portanto, mesmo apoiando a causa da Semana de Arte Moderna, desenvolveu um estilo próprio que marcou presença em suas obras literárias. Analisando, então, esses aspectos, o presente trabalho visa descrever e analisar a vida e obra de Graça Aranha como determinante da mudança cultural e social nacional.
2. Desenvolvimento 
2.1. Biografia
	José Pereira da Graça Aranha, conhecido como Graça Aranha (Figura 1) nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luís, Maranhão, filho de Temístocles da Silva Maciel Aranha e de Maria da Glória da Graça, família abastada e culta o que favoreceu e seu desenvolvimento cultural. Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 26 de janeiro de 1931. (BRASILEIRA, 2018; FRAZÃO, 2017)
Figura 1. Retrato de Graça Aranha
Fonte: BRASILEIRA, 2018
	Formado em Direito em 1886, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seguiria a carreira de juiz. No mesmo ano da Proclamação da República, 1889, já era magistrado em Campos, estado do Rio. Em 1890, foi nomeado juiz municipal em Porto Cachoeiro, no Espirito Santo, fato que lhe iria fornecer matéria para um de seus mais notáveis trabalhos - o romance “Canaã”, publicado com grande sucesso editorial em 1902. (BRASILEIRA, 2018; FRAZÃO, 2017)
	Segundo Brasileira (2018), ao traçar-lhe o perfil, o romancista Afrânio Peixoto se manifestara da seguinte forma: 
“Magistrado, diplomata, romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco, com muito ruído.”
Em 1897, antes da publicação do romance "Canaã", foi precocemente eleito membro da Academia Brasileira de Letras, no ano de sua fundação. Ocupou a cadeira nº 38, cujo patrono foi Tobias Barreto. (FRAZÃO, 2017)
	Na França publicou, em 1911, o drama “Malazarte”. De 1920, já no Brasil, publicou “A estética da vida” e, três anos mais tarde, “A correspondência de Joaquim Nabuco e “Machado de Assis”. (BRASILEIRA, 2018)
	De acordo com Brasileira (2018), iniciou uma fase agitada nos círculos literários do país. Graça Aranha é considerado um dos chefes do movimento renovador de nossa literatura, fato que vai acentuar-se com a conferência “O Espírito Moderno”, lida na Academia Brasileira de Letras, em 19 de junho de 1924, na qual o orador declarou: “A fundação da Academia foi um equívoco e foi um erro”.
	O romancista Coelho Neto deu pronta resposta a Graça Aranha: “O brasileirismo de Graça Aranha, sem uma única manifestação em qualquer das grandes campanhas libertadoras da nossa nacionalidade, é um brasileirismo europeu, copiado do que o conferente viu em sua carreira diplomática, apregoado como uma contradição à sua própria obra.” (BRASILEIRA, 2018)
Desempenhou várias missões diplomáticas de 1900 a 1920 na Inglaterra, Itália, Suíça, Noruega, Dinamarca França e Holanda como diplomata do Itamarati, até que regressou ao Brasil, convencido de que a literatura brasileira precisava mudar. Passa a integrar o movimento que revolucionou o país, e na Semana da Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, Graça Aranha profere, em 13 de fevereirode 1922, a conferência intitulada: “A emoção estética na arte moderna”. (BRASILEIRA, 2018)	
Em 18 de outubro de 1924, Graça Aranha comunicou o seu desligamento da Academia por ter sido recusado o projeto de renovação que elaborara: (BRASILEIRA, 2018)
“A Academia Brasileira morreu para mim, como também não existe para o pensamento e para a vida atual do Brasil. Se fui incoerente aí entrando e permanecendo, separo-me da Academia pela coerência.” 
Diplomata aposentado, Graça Aranha regressara ao Brasil pouco depois do término da 1ª. Guerra Mundial. O Acadêmico Afonso Celso tentou, em 19 de dezembro do referido ano, promover o retorno de Graça Aranha às lides acadêmicas. Este, contudo, três dias depois, agradeceu o convite, acrescentando: “A minha separação da Academia era definitiva”, e, mais: “De todos os nossos colegas me afastei sem o menor ressentimento pessoal e a todos sou muito grato pelas generosas manifestações em que exprimiram o pesar da nossa separação”. (BRASILEIRA, 2018)
De personalidade combativa, em 1930 aderiu à Revolução de Outubro, que colocou Getúlio Vargas no poder (FRAZÃO, 2017), e surgiu “A viagem maravilhosa”, derradeiro romance do autor de “Canaã”, obra em que a opinião dos críticos da época se dividiu em louvores e ataques. Inicia sua autobiografia, mas esta foi interrompida pela sua morte no ano de 1931. Foi o único dos fundadores da Academia Brasileira de Letras a nela entrar sem nenhum livro publicado, contrariando o estatuto. (BRASILEIRA, 2018)
2.2. Obras de Graça Aranha
2.2.1. “Canaã”
“Canaã” (Figura 2), foi um romance publicado no ano de 1902, sendo a obra mais emblemática de Graça Aranha e uma das mais importantes do Pré-Modernismo. Trata-se de um romance regionalista que possui valor documental (seu estilo é comparada com o de “Os Sertões” de Euclides da Cunhas), onde a temática explorada gira em torno da questão da migração alemã no Estado do Espírito Santo. (GONZAGA, 2018)
Figura 2. Imagem ilustrativa da obra literária “Canaã”
Fonte: Diana, 2018
Segundo Gonzaga (2018), Graça Aranha expõe nessa obra a vida do imigrante, na luta para se adaptar e se fixar em terras brasileiras. Denuncia as extorsões praticadas pelos poderosos, os preconceitos e o racismo. Por essas características e por seu valor documental, o romance se destaca como o marco inicial do Pré-Modernismo e se classifica como romance de tese ou de ideias por mesclar o relato convencional com o debate ideológico explícito. 
A obra retrata dois imigrantes com ideias diferentes. Lentz acena com ideias colonialistas. O Brasil seria um país sem expressão pela presença dominante das raças mestiças. A tarefa do imigrante consistiria em manifestar a superioridade da raça ariana. No plano pessoal, há em Lentz uma nostalgia "prussiana": ele crê num universo dividido em "guerreiros" - seres fortes, cheios de vontade e etnicamente puros - e a massa, grupo amorfo e incapaz. (GONZAGA, 2018)
	Já Milkau defende a integração do imigrante na realidade brasileira, seja do ponto de vista social, seja do ponto de vista racial (sonha com uma democracia étnica). A isso acrescenta uma filosofia individual baseada num vago socialismo cristão, no qual imperam as ideias de amor, solidariedade e piedade. Um mundo de paz e harmonia, eis o seu projeto, colocado visionariamente no futuro do Brasil, terra prometida, Canaã. (GONZAGA, 2018)
Os temas sociais e filosóficos são debatidos entre o protagonista Milkau e seu compatriota, Lentz, como na fala de Lentz e na de Milkau, respectivamente: (VILARINHO, 2018)
“[...] Mas o que se tem feito é quase nada, e ainda assim é o esforço do europeu. 
O homem brasileiro não é um fator do progresso; é um híbrido. E a civilização não se fará jamais nas raças inferiores. Vê, a história... [...]”
“[...] Os seres são desiguais, mas, para chegarmos à unidade, cada um 
tem que contribuir com uma porção de amor. O mal está na força... [...]”
	Segundo Gonzaga (2018), o discurso empregado está recoberto pelo caráter humanitário e universalista, defendido pelo protagonista Milkau, sendo que condicionado pelo ambiente brasileiro, Lentz, no final da obra, acaba por se mostrar humano e generoso. O fato significa uma adesão, embora involuntária às teses de seu compatriota. E Milkau, de certa maneira, torna-se o vencedor do debate. Ao contrário do pessimismo de Euclides da Cunha, fica visível o otimismo de Graça Aranha quanto ao destino luminoso que aguarda o país.
Na obra, o autor dá colorido impressionista à descrição da natureza, retratando o país, entre cores exuberantes. Dessa forma, cumpre a principal proposta do Pré-Modernismo: a "redescoberta do Brasil", por meio da denúncia da realidade brasileira. (GONZAGA, 2018)
	Embora não apresente personagens bem estruturadas e convincentes, a linguagem empregada demonstra a preocupação do autor com a qualidade estética. Além da presença do imigrante, da colônia e do mulato, há a recorrência ao folclore indígena e europeu, ressaltando a diferença cultural existente. Segundo Alfredo Bosi, “Canaã” nasce como o "retrato de algumas teses em choque e deleitação romântico-naturalista das realidades vitais. A dualidade, não resolvida por um poderoso talento artístico, criou graves desequilíbrios na estrutura da obra...". (GONZAGA, 2018)
2.2.1.1. Romance fracassado
Como romance, “Canaã” fracassa. Prejudica-o não só o caráter de ensaio, como também a ausência de nexo real entre muitos episódios, que se tornam gratuitos. A intromissão teórica do narrador provoca ainda mais a desestruturação do texto. (GONZAGA, 2018)
De acordo com Gonzaga (2018), o debate entre Milkau e Lentz sobre a função do imigrante guarda certo interesse. O imigrante alemão Milkau, após um período de crise existencial e isolamento, procura, no Brasil, desenvolver a “simpatia humana” e integrar-se com o universo através de sensações despertadas pela natureza; daí a recorrência de passagens que exploram cores, formas, sons e cheiros. Vê-se aí a ideologia justificatória da imigração. Mas, quando as ideias sociais resvalam para o campo da argumentação metafísica, o malogro literário parece ampliar-se. 
Além de tudo, o estilo do livro - influência da época - prima pelo excesso verbal e pela ornamentação, sem atingir o vigor poético e a grandiosidade retórica da linguagem de Euclides da Cunha. (GONZAGA, 2018)
2.2.2. “Malazarte”
“Malazarte” (Figura 3) foi um teatro produzido em 1911, sendo a primeira investida Simbolista de Graça Aranha, o que permitiu diversos pontos de interseção entre Canaã e Malazarte – a começar pelo cenário, a ambientação triunfante da natureza (uma resposta pronta ao racionalismo que havia levado à urbanização caótica) e no fato de haver uma concentração dos diálogos na ideia e não na ação. (CONSENTINO, 2003)
Figura 3. Livro “Malazarte”
Fonte: Diana, 2018
Segundo Consentino, 2003), Graça Aranha prefere que as personagem descrevam, narrem, contém a ação do que propriamente a encenem. Neste sentido, o enredo montado de ‘Malazarte” se resume a poucos elementos, mas, acrescido das situações narradas, a peça não é de toda simples. Não bastasse isto, o cerne dos diálogos não concentra-se nem na narração, nem na ação, mas na filosofia, especialmente de Nietzsche.
Desconfiar da razão, o atributo universal de Kant necessário à formação de uma moral, era o exercício predileto de Nietzsche. A razão foi a invenção que os fracos, os ressentidos, os escravos fundamentaram para se proteger dos fortes. Assim, subvertemos a nossa própria natureza, a nossa vontade de poder, os nossos instintos, e estruturamos a civilização sobre um ideal de passividade, de asceticismo, culpa e medo. Somente na natureza, na nossa própria natureza, livre desta razão domesticada, que para Nietzsche nasce com Platão e o cristianismo, encontramos a fundamentação da moral. Tanto em “Canaã” quanto em “Malazarte”, o irracionalismo não aparece como uma idolatria acrítica de Graça Aranha a Nietzsche. Em ambas as obras, a filosofiaé destilada na dialética de personagens antagônicos – Milkau e Paulo Maciel contrapõem-se a Lentz, em “Canaã”; em “Malazarte” as oposições são mais complexas, com Malazarte e Dionísia contrapondo-se a Eduardo, e, este, à Militina e à Mãe. (CONSENTINO, 2003)
Outro ponto marcante de produção de Graça Aranha é a valorização da imaginação, que ele vê como o “traço característico coletivo” da cultura brasileira. Referências a lendas, como a do Curupira e da Mãe-d’água, aparecem em tanto em “Canaã” quando em “Malazarte” e prenunciam um repertório de destaque no modernismo, mesmo sem compartilhar do “espírito satírico-paródico” de alguns dos integrantes do grupo. (GONZAGA, 2018)
Dessa forma, “Malazarte”, peça de Graça Aranha estreada em 1911, em Paris, é uma amostra significativa de como o simbolismo europeu influenciou a dramaturgia pré-modernista brasileira. No palco, os personagens não servem tanto à ação, mas a uma discussão filosófica norteada pelos questionamentos morais de Nietzsche – questionamentos deliberadamente irracionais e perfeitos para o ideal simbolista do período. Um paralelo entre Canaã – romance anterior de Graça Aranha que também discute as ideias de Nietzsche – e Malazarte é possível e revela como as convicções filosóficas do autor transformaram-se num curto período de tempo. Ainda que a peça tenha fracassado como solução estética, a obra é uma tentativa de modernização da dramaturgia brasileira em um momento em que o país carecia de grupos teatrais profissionais. (CONSENTINO, 2003)
2.2.3. “A Estética da Vida”
“A Estética da Vida” (Figura 4) foi um ensaio produzido em 1921. Obra de pretensão filosófica, não acrescenta nada a sua carreira e reforça os críticos que apontam no pensador Graça Aranha a falta de clareza e de rigor intelectual. (GONZAGA, 2018)
Figura 4. Livro “A estética da vida”
Fonte: Diana, 2018
Nesta obra, Graça Aranha defende a tese do ideal da filosofia monista de fusão de matéria e espírito no todo infinito, o que só se consegue pela religião, pela filosofia, pela arte ou pelo amor. (CULTURAL, 2018)
	2.2.4. “Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco”
“Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco” (Figura 5) de 1923, apresentada e anotada por Graça Aranha, ultrapassa em muito o âmbito de conversa protocolar ou particular de amigos, e levanta questões importantes acerca do papel do intelectual e do escritor no período compreendido entre o final do Império e os primórdios da República Velha. (ABL, 2018)
Figura 5. Livro “Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco”
Fonte: Diana, 2018
Antonio Carlos Secchin escreve na apresentação do livro: (ABL, 2018)
“[...] Muitos consideram a introdução à correspondência Machado/Nabuco a obra maior de Graça Aranha, e não faltam motivos para isso. Às vezes, sobretudo em decorrência da discreta índole machadiana, as cartas se apresentam como um esboço ou esqueleto a que nosso comentarista acrescenta nervos e consistência, esclarecendo pormenores ocultos na História e desenhando com maestria o perfil psicológico dos dois missivistas a partir de frases certeiramente pinçadas do diálogo epistolar. [...] Destacando-se entre todos os temas, percebe-se como a consolidação da Academia Brasileira de Letras foi, de fato, uma das maiores motivações da vida de Machado. Ainda aqui, revelam-se os dois temperamentos - fraternos mas contrastantes: Nabuco na linha de frente, agitador, propondo e hierarquizando candidaturas, comentando-as abertamente, manifestando-se favorável à inclusão de alguns "notáveis" para comporem o quadro acadêmico; Machado, sereno observador, evitando opinar sobre nomes, e defendendo, acima de tudo, a necessidade de fortalecer a instituição.” 
2.2.5. “O Espírito Moderno”
“O Espírito Moderno” (Figura 6), ensaio de 1925 realizado em uma conferência. Nessa obra, Graça Aranha discorreu sobre a Arte. (ESCREVINHADOR, 2007)
Figura 6. Imagem ilustrativa de obra “O Espírito Moderno”
Fonte: Diana, 2018
Disse, Graça Aranha, na mencionada conferência: 
"[...] Que é o espírito moderno? No ardente e perpétuo movimento da sensibilidade e da inteligência como distinguir a expressão inequívoca do momento, o propulsor espiritual, que nos separa do Passado e nos arrebata para o Futuro? Não será uma contradição pretender-se fixar o que só tem uma existência imaginária e só é abstração? Para o observador, que assiste à fuga do tempo, nada é atual; o Presente é uma ilusão. Como as águas de um rio, em cada instante que passa, o espírito do homem não é mais o mesmo. 
[...]
A finalidade da arte não é a imitação da natureza. Ela tem o seu fim em si mesma. O espírito humano é tão criador (como é a natureza e só se atinge a obra de arte, quando o espírito se liberta da natureza e age independente. As formas artísticas que se limitam a reproduzir a natureza são de qualidade inferior àquelas que o artista formula como criação individual e livre. Nem todos os povos primitivos se subordinaram à natureza, muitos foram verdadeiramente artistas, criando obras de arte sem imitação, como jogos de fantasia espiritual. Quanto mais uma civilização é artista, mais ela se afasta da natureza. A arte não é um canto da natureza visto através de um temperamento, como a paisagem não é um estado da alma. Todas estas fórmulas subjetivas fizeram o seu tempo. (174) São incompreensíveis hoje. A essência da arte está nas emoções provocadas pelos sentimentos vagos, que nos vêm dos contatos sensíveis com o Universo e que se exprimem nas cores, nas linhas, nos sons, nas palavras.
Que é a Natureza? Não é a matéria universal. Ela está na matéria, na energia, porque nada existe fora desta e realiza-se perpetuamente na profunda inconsciência, independente do espírito humano. No sentido artístico, a Natureza é tudo o que se apresenta aos nossos sentidos como exterior a nós. As artes plásticas são as que mais procuram reproduzir a Natureza. A música é mais independente. Depois da grande vassalagem à Natureza, a arte libertou-se e cria livre de toda a submissão. É a suprema vitória do espírito humano. A imitação no princípio, a libertação no fim. Não há uma máquina, um aparelho, que não seja no seu início uma cópia de um fato natural. O primeiro vapor idealizado tinha patas de palmípede; o avião asas de pássaro. E, quando as máquinas sucediam a outros aparelhos, guardavam a estrutura destes. O automóvel foi a princípio um côche sem cavalos. Depois estas máquinas se emancipam da imitação e tomam formas próprias, constituem organismos originais, distintos e característicos, fixando o tipo, a espécie. Hoje, o vapor, o avião, o automóvel têm a sua forma própria e modelar. Assim será a obra de arte, que a cultura liberta da imitação da natureza, para dar-lhe forma artística, forma espiritual, peculiar, como um organismo novo, vindo da força criadora do homem. [...]”
2.2.6. “Futurismo, Manifesto de Marinetti e Seus Companheiros”
“Futurismo, Manifesto de Marinetti e Seus Companheiros” (Figura 7) de 1927 foi um livro que iniciou o movimento Futurista e Graça Aranha, então, tentou recuperar a liderança do modernismo no papel de anfitrião do criador do futurismo. (ROCHA, 2018) 
Figura 7. “Futurismo, Manifesto de Marinetti e Seus Companheiros”
Fonte: Diana, 2018
No discurso inaugural da primeira conferência de Marinetti no Rio de Janeiro, no teatro Lírico, em 15 de maio, Aranha esclareceu: (ROCHA, 2018)
"Marinetti iniciou e organizou a ação libertadora (...). Diante desta grandeza, como é pueril discutir-se se o futurismo de Marinetti já é passadismo". 
Em seguida, analisou a cena brasileira, sugerindo um padrão idêntico para a avaliação de seu papel na Semana de Arte Moderna. Mário compreendeu a estratégia, aceitando o raciocínio, mas invertendo suas consequências. Graça Aranha bem poderia ser o Marinetti brasileiro. No entanto, dado o princípio de "tal pai, qual filho", se Marinetti não passava de uma imagem retrospectiva desi mesmo, Aranha seria inevitavelmente "passadista". Com esse astucioso raciocínio, Mário reforçava sua liderança ao mesmo tempo em que desautorizava o grupo reunido em torno do autor de "Canaã", grupo disposto a recuperar a hegemonia do movimento modernista. (ROCHA, 2018)
Nesse contexto, "Manifestos de Marinetti e Seus Companheiros" é um livro importante. O prefácio, "Futurismo", assinado por Graça Aranha, reproduz na íntegra o discurso de apresentação proferido na primeira conferência do italiano no Rio de Janeiro. Na sequência, sempre em francês, 11 manifestos são reunidos. Tratava-se de fornecer aos intelectuais brasileiros a súmula futurista - talvez uma resposta ao aparecimento, no ano anterior, da mais importante declaração de princípios do modernismo brasileiro, "A Escrava que Não É Isaura". (ROCHA, 2018)
2.2.7. “A Viagem Maravilhosa”
“A Viagem Maravilhosa” (Figura 8) foi um romance de 1927. Nessa obra, a protagonista Tereza se entrega aos sentidos como forma de evasão ao casamento infeliz e de busca da liberdade, processo que se acentua ao conhecer o amor com Filipe. Essa semelhança de aspirações deve-se nitidamente à defesa que o escritor faz do ideal da filosofia monista de fusão de matéria e espírito no todo infinito, o que só se consegue pela religião, pela filosofia, pela arte ou pelo amor, segundo tese de “A Estética da Vida” (1921), sendo este o cerne de seu pensamento. (GONZAGA, 2018)
Figura 8. Imagem ilustrativa do romance “A Viagem Maravilhosa”.
Fonte: Diana, 2018
2.2.8. “O Meu Próprio Romance”
“O Meu Próprio Romance” (Figura 9) é a autobiografia de Graça Aranha que teve que ser interrompida devido a sua morte no ano de 1931. Nessa obra, Graça Aranha expressa a intenção de mostrar que toda sua vida se pauta no impulso de libertação, o que aproxima, em essência, a imagem que constrói de si e a dos protagonistas de seus romances. (GONZAGA, 2018)
Fonte: Diana, 2018
2.2.9. “Manifesto dos Mundos Sociais”
“O Manifesto dos Mundos Sociais” de 1935 evidenciou as principais características de Graça Aranha na questão de denúncia social, fazendo uma ligação com fatos políticos, econômicos e sociais contemporâneos, 
diminuindo a distância entre a realidade e a ficção. (DIANA, 2018)
2.3. Características estilísticas do autor 
Predominam em Graça Aranha o estilo retórico, grandiloquente e a farta adjetivação, influência, talvez, do contato com a cultura europeia, já que, como diplomata, viveu algum tempo na França, principalmente. Há exageros nessa técnica, especialmente quando o texto, mesmo em prosa, assume anseios poéticos na linguagem. Quanto à ambiência física – pessoas e natureza –, muitas vezes desponta o jeito impressionista com nítida influência dos romances de tese dos naturalistas. (BARDINE, 2018)
	A obra que fez o diplomata maranhense Graça Aranha famoso foi o romance “Canaã”, de 1902. Essa obra tem como tema os contrastes culturais entre os imigrantes alemães no Espírito Santo e a população local, sendo que Graça Aranha foi um dos primeiros escritores brasileiros a tratar das teorias da dominância étnica como tema central. Antecipa, assim, uma das mais complexas questões que atormentam o homem dos séculos XX e XXI: a luta étnica, que foi um dos estopins da Segunda Guerra Mundial; que é causa dominante das lutas no Oriente Médio e entre o Oriente Médio e o Ocidente; e que dizimou boa parte da população falante de português em Timor Leste, na Indonésia. (BARDINE, 2018)
	Segundo Bardine (2018), romance estruturalmente irregular, “Canaã”, assim como a maior parte de sua obras, oscila entre longos trechos digressivos, em que se expõem as concepções de vida das personagens, e um tom oratório, em que elas discutem essas concepções.
	Se o debate em forma de discurso teórico é resquício do determinismo naturalista, a cena final da obra “Canaã”, em que o casal de imigrantes foge em busca da terra prometida, retoma a romântica cena final de “O guarani”, de José de Alencar, em que o índio Peri e a branca Cecília fogem da inundação para formar a raça brasileira. Atente-se para a contaminação simbolista de certos trechos reflexivos do livro, sobretudo esse final, que antecipa certa tendência vanguardista para a escrita vertiginosa e inconsciente. (BARDINE, 2018)
	
3. Conclusão
Graça Aranha teve importante papel na história e constituição cultural brasileira, principalmente devido ao seu engajamento na militância intelectual, preocupado com a cultura e o desenvolvimento do país, muito mais do que pelo seu trabalho literário. Foi grande incentivador da implantação do Modernismo no Brasil. Mesmo sendo membro da Academia Brasileira de Letras, discursou, na Semana de Arte Moderna de 1922, contra o imobilismo artístico e o convencionalismo político dessa instituição. Não conseguindo realizar as reformas que desejava na Academia, abandonou-a.
Mesmo nesse contexto, Graça Aranha publicou uma obra que o deixou imortalizado, chamada de “Canaã”, em 1902. Ela foi escrita enquanto ele exercia o cargo de juiz, em Espírito Santo, onde buscou elementos necessários para criar essa obra, mostrando ter algumas ideias diferentes e contraditórias.
Portanto, a literatura de Graça Aranha, apesar de ser ele um entusiasta e articulador do movimento que culminou na Semana de 22, nunca aderiu plenamente à estética modernista e, mesmo em seus momentos mais próximos, deflagrou um estilo peculiar, mas utilizou dessa ferramenta para realizar análises filosóficas e críticas a estrutura do Brasil, o que auxiliou na construção cultural e social nacional.
Referências
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