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SANEAMENTO AMBIENTAL E SEUS COMPONENTES Professor:Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus DIREÇÃO Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Head de Produção de Conteúdos Rodolfo Pinelli Head de Planejamento de Ensino Camilla Cocchia Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey Projeto Gráfico Thayla Guimarães Design Educacional Rossana Costa Giani Design Gráfico Isabela Mezzaroba Belido Ilustração Marcelo Goto C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; MATEUS, Gustavo Affonso Pisano. Saneamento Ambiental e Saúde Pública. Gustavo Affonso Pisano Mateus. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 39 p. “Pós-graduação Universo - EaD”. 1. Saneamento. 2. Ambiental. 3. Pública. 4. EaD. I. Título CDD - 22 ed. 628 CIP - NBR 12899 - AACR/2 01 02 03 sumário SANEAMENTO AMBIENTAL E A LEGISLAÇÃO PERTINENTE |9 |15 |25 TRATAMENTO DE ÁGUA MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS E DRENAGEM URBANA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conceituar Saneamento Ambiental e discutir acerca da legislação que re- gulamenta e institui suas ações e competências. • Apresentar as principais características do tratamento de água, bem como, conceituar e compreender as etapas envolvidas no processo. • Conhecer as principais competências do manejo de águas pluviais assim como as medidas estruturais e não estruturais, executadas com enfoque na drenagem urbana. PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Saneamento Ambiental e a Legislação Pertinente • Tratamento de Água • Manejo de Águas Pluviais e Drenagem Urbana SANEAMENTO AMBIENTAL E SEUS COMPONENTES INTRODUÇÃO O saneamento ambiental compreende uma série de ações desenvolvidas por diver- sas áreas que visam garantir a qualidade ambiental, promovendo assim a saúde da população. O advento do saneamento ambiental não pode ser atrelado apenas a poucos fatores isolados, e sim, a um conjunto de ações históricas que resultaram no desenvolvimento deste campo específico de atuação da saúde pública. Legislações foram desenvolvidas para assegurar a qualidade dos serviços prestados em saneamen- to ambiental e sobretudo, para instituir a correta utilização dos recursos disponíveis, considerando as premissas do desenvolvimento sustentável. Desta forma, iremos compreender ao longo dos encontros envolvendo esta temáti- ca, um pouco sobre as peculiaridades e especificidades de cada um dos componentes do saneamento ambiental, sendo eles, o tratamento de águas para abastecimen- to, o manejo das águas pluviais e o tratamento e disposição de efluentes líquidos e resíduos sólidos. A ampla extensão de tais temáticas especialmente do tratamento de efluentes merece atenção especial, portanto, essa temática irá contar com uma unidade destinados a sua compreensão. Pós-Universo 7 Cabe ressaltar que as legislações que regem o saneamento ambiental têm princí- pios comuns ao tratamento de água e a drenagem urbana, objetivando em especial a efetividade de suas ações e também o planejamento de ações voltadas a saúde populacional. Em face do modelo econômico e do desenvolvimento acelerado, tais segmentos buscam por estratégias voltadas a manutenção dos impactos e conse- quências já causadas ao meio ambiente em sua totalidade, sendo assim, imprescindível discutir estratégias que sejam efetivas em seu manejo e conhecer ferramentas que possam auxiliar na tomada de decisão. Desta forma caro(a) aluno(a), convido você a conhecer um pouco mais acerca deste relevante segmento da saúde pública e do desenvolvimento social. Vamos lá? Pós-Universo 8 Pós-Universo 9 SANEAMENTO AMBIENTAL E A LEGISLAÇÃO PERTINENTE As ações de degradação ao meio ambiente e a saúde humana descritas nos encon- tros anteriores nos direcionam a uma discussão voltada integralmente ao saneamento Ambiental, que pode ser compreendido em sua totalidade como um conjunto de esforços socioeconômicos que buscam alcançar níveis de salubridade ambiental, me- diante ao abastecimento de água potável, coleta e disposição adequada de resíduos sólidos, gasosos e líquidos, manejo adequado do solo, drenagem urbana e contro- le de doenças transmissíveis, com o intuito de promover condições adequadas para a vida em ambiente urbano e rural. Tal conceito, torna-se relevante, pois estabelece diretrizes mínimas para a política de desenvolvimento urbano, garantindo aos bra- sileiros e estrangeiros com residência em território nacional condições dignas de sobrevivência, de responsabilidade do poder público municipal. Portanto, podemos associá-lo a todos esforços realizados a fim de alcançar salu- bridade ambiental e promover a saúde ambiental e da população. Salubridade Ambiental define-se como a qualidade ambiental capaz de prevenir a ocorrência de doenças veiculadas pelo meio ambiente e de pro- mover o aperfeiçoamento das condições mesológicas favoráveis à saúde da população urbana e rural. Fonte: BATISTA, M. E. M.; SILVA, T. C. da. O modelo ISA/JP - indicador de per- formance para diagnóstico do saneamento ambiental urbano. Eng. Sanit. Ambient., Rio de Janeiro, v. 11, n. 1, p. 55-64, Março, 2006. quadro resumo Pós-Universo 10 A garantia do acesso aos serviços que compõem o saneamento ambiental é de suma importância para o controle e prevenção de doenças extremamente relevantes para os índices de saúde pública, como por exemplo, a Cólera, Amebíase, Diarréia, Malária, Hepatite A, Leptospirose, Febre Tifóide, Dengue, Teníases e Helmintíases (COSTA et al., 2006), dentre outras que serão contempladas em outro momento. Enfermidades como estas estão atreladas a fatores/condições sociais, ambientais e econômicos, e ainda estão diretamente atreladas a contaminações em redes de abastecimento ou a o saneamento inadequado. Todavia, o que se faz relevante nesse momento é com- preender alguns fatos importantes acerca do saneamento ambiental e suas relações com fatores socioeconômicos. Segundo Tucci (2008), os principais sistemas relacionados com a água em meio ambiente urbano são: Mananciais de Águas; Abastecimento de Água; Saneamento de efluentes; Controle da Drenagem Urbana; Controle das inundações ribeirinhas. Todos esses assuntos serão contemplados ao longo dos próximos encontros. Conforme projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2050, espe- ra-se que 70% da população mundial ocupe povoados e cidades, ou seja, o espaço urbano. Um dos preceitos relacionados a essa transição, possui respaldo na ideali- zação de melhor qualidade de vida ofertada pelas cidades e na facilidade de acesso educação e saúde. Entretanto, para contemplar esse aporte populacional de forma viável e segura o planejamento urbano deverá desempenhar papel fundamental nesse processo, executando um planejamento conciso para o desenvolvimento de cidades saudáveis, sustentáveis e equitativas. Ao passo em que a urbanização e a globalização representam o tão sonhado proces- so desenvolvimento para os países emergentes, o grande deslocamento populacional pode representar agravos as condições de saúde de toda a população. Nesse contexto,ações políticas deverão ser realizadas de forma multisetorial, visando atender a todas as necessidades desta crescente demanda populacional. A conscientização e sensibilização ambiental ganham espaço com seus discursos sustentáveis para a transformação social e a garantia da qualidade de vida da população, embasada na mudança de hábitos de consumo para a efetiva preservação do meio ambiente (PICCOLI et al., 2016). Como forma de alterar esse cenário, em a Lei Federal de 11.445 de 5 de Janeiro de 2007, estabeleceu que a prestação de serviços de saneamento público deverá abran- ger o abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo urbano de resíduos sólidos (BRASIL, 2007). A referida lei preconiza os seguintes princípios fundamentais: Pós-Universo 11 I. Universalização do acesso; II. Integralidade, compreendida como o conjunto de todas as atividades e com- ponentes de cada um dos diversos serviços de saneamento básico, propiciando à população o acesso na conformidade de suas necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados; III. Abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente; IV. Disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de drenagem e manejo das águas pluviais, limpeza e fiscalização preventiva das respectivas redes, ade- quados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado; V. Adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as peculiaridades locais e regionais; VI. Articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de ha- bitação, de combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante interesse social voltadas para a melhoria da qualidade de vida, para as quais o saneamento básico seja fator determinante; VII. Eficiência e sustentabilidade econômica; VIII. Utilização de tecnologias apropriadas, considerando a capacidade de paga- mento dos usuários e a adoção de soluções graduais e progressivas; IX. Transparência das ações, baseada em sistemas de informações e processos de- cisórios institucionalizados; X. Controle social; XI. Segurança, qualidade e regularidade; XII. Integração das infra-estruturas e serviços com a gestão eficiente dos recursos hídricos. XIII. Adoção de medidas de fomento à moderação do consumo de água. Pós-Universo 12 Essa lei discorre ainda sobre a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) pelos municípios, tal plano ainda deve contemplar um diagnóstico da atual si- tuação, bem com objetivos a médio e longo prazo, além de planos e projetos a serem desenvolvidos para a efetivação dos projetos e planos propostos. Ainda sobre essa legislação, a mesma instituiu a criação do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), que universalizou os serviços de saneamento no Brasil, sendo marco referencial para políticas de estado a serem adotadas pelos governos nos 20 anos seguintes (SILVEIRA et al., 2013). Conforme Silveira e colaboradores (2013), para assegurar a efetivação e desenvolvimento do PMSB o decreto 7.217/2010 instituiu que a partir de 2014 o PMSB será indispensável para acesso a recursos financeiros destina- dos ao saneamento básicos oriundos da União ou pelo Governo Federal. Anos após a implementação da PLANSAB houveram avanços significativos no país, em especial ao desenvolvimento de políticas e investimentos voltados ao saneamento ambien- tal em todas as suas vertentes. Além das leis acerca do saneamento propriamente dito, a legislação acerca dos re- síduos sólidos no país avançou significativamente nas últimas décadas, um exemplo disso, foi a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ou Lei Federal 12.305/2010, que constituiu um marco regulatório para a gestão integrada e sus- tentável dos resíduos sólidos no país. Tal política gira em torno das necessidade e aprimoramento da coleta seletiva nos municípios brasileiros e também da substitui- ção de lixões a céu aberto por aterros sanitários (BRASIL, 2010). Essa lei, estipulou o ano de 2014 como limite para a substituição e adequação dos municípios a nova proposta de proteção ambiental, porém este prazo não foi atendido. Está temática será aborda- da em um encontro destinado somente a disposição de resíduos sólidos e líquidos. E por fim, em relação ao manejo de águas pluviais e a drenagem urbana, confor- me Martins (2012), apesar da Lei 11.445/2007 introduzir a drenagem urbana como um dos componentes do sistema de saneamento, este assunto ainda é considerado problema menos impactante que o abastecimento de água e coleta de esgotos. A lei rogava sobre “a disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado”; sendo pouco abrangente em termos de limpeza e fiscalização preventiva das respectivas redes, sendo pouco “inovadora” e “abrangente” em relação aos demais aspectos dessa mesma lei, sendo está somente revista e atua- lizada somente em 2016 pela lei 13.308/16 que alterou a lei 11.445 estabelecendo Pós-Universo 13 novas diretrizes nacionais para o saneamento básico e determinando a manutenção preventiva das redes de drenagem pluvial (BRASIL, 2016). Aspectos do manejo hídrico e da drenagem urbana serão contemplado em um encontro voltado a esta temática. Cabe ressaltar que os investimentos aplicados em saneamento ambiental em sua totalidade são fundamentais para reverter os quadros de doenças infecciosas e de po- luição hídrica, proporcionando assim, ambientes saudáveis e salubres para população e contribuindo para o bem estar coletivo (SOARES et al., 2002). Tal argumento, ganhou força quando a lei 13.329/16 foi sancionada no governo Temer, criando o regime es- pecial de incentivos para o desenvolvimento do saneamento básico (REISB) que teve por objetivo de estimular a pessoa jurídica prestadora de serviços públicos de sanea- mento básico a aumentar seu volume de investimentos, por meio da concessão de créditos relativos à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (BRASIL, 2016). Conforme exposto, no que tange ao saneamento ambiental, existem inúmeras variáveis que devem ser consideradas na busca por soluções concretas e coerentes, dentre as quais configuram as variáveis financeiras, econômicas, sociais, institucionais e políticas o que torna penoso a proposição de modelos que possam ser aplicados a todos os municípios e estados. Conforme relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) os países não estão progredindo o suficientes para atender as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) voltadas a água e saneamento. O relatório explicita que os países não satisfarão as projeções globais de aces- sibilidade universal à água potável e ao saneamento a menos que sejam tomadas medidas drásticas para utilizar os recursos financeiros. Para atingir os objetivos globais dos ODS, o Banco Mundial estima que os investimentos em infraestrutura deverão triplicar para US$ 114 bilhões por ano. Embora o déficit de financiamento seja amplo, 147 países já demons- traram a capacidade de mobilizar os recursos necessários para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir pela metade a propor- ção de pessoas sem uma melhor fonte de água e 95 atingiram o objetivo correspondente de saneamento. Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde (2017, online). saiba mais Pós-Universo 14 Pós-Universo15 TRATAMENTO DE ÁGUA É de nosso conhecimento de água é uma substância insípida, incolor e inodora, com- posta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio que pode ser encontrada dependendo das condições em estado líquido, sólido ou gasoso. Sabemos também que a água recobre aproximadamente 70% da superfície do planeta Terra e devido ao seu ciclo hidrológico, pode ser considerada um recurso renovável. Conforme Barros e colaboradores (1995), a água pode ser classificada conforme sua utilização: • Elemento de composição da natureza: meio de navegação, relativa a regu- lação da umidade do ar e do clima na Terra, fonte de geração energética e transporte de despejos sanitários e industriais (líquidos); • Ambiente para a vida aquática: habitat para organismos aquáticos; • Fator indispensável à vida terrestre: irrigação do solo, abastecimento público e industrial e dessedentação de animal. Entretanto, porque devemos discutir sobre a água e o seu uso? Essa substância é indispensável para a manutenção da vida na Terra e para a sobrevivência dos organis- mos, sendo portanto, considerada um recurso primordial para a vida, logo, podemos estabelecer uma relação na qual a quantidade de água disponível em uma região é diretamente proporcional ao conjunto de seres vivos presentes nessa mesma região. Além disso, discutimos ao longo de nossos encontros acerca da utilização consciente dos recursos naturais disponíveis e da necessidade de um manejo/gestão adequados que objetivem garantir o direito das gerações vindouras de acesso a um ambiente equilibrado. A qualidade desta substância apresenta relação direta com sua utili- zação, sendo suas características um reflexo de seu uso. Existe ainda uma relação estabelecida entre a quantidade de água necessária para diluir, dissolver e transpor- tar substâncias que podem ser benéficas ou maléficas para os indivíduos que fazem sua utilização, característica denominada autodepuração. Apesar da vasta capacidade hídrica de nosso país, evidenciada pela gama de corpos hídricos, aquíferos, mananciais e rios flutuantes, dados dos instituto Trata Brasil, indicaram que em 2015, 35 milhões de brasileiros ainda sofrem com a falta Pós-Universo 16 de abastecimento de água. Estes dados não consideram indivíduos que possuem acesso a fontes de água que não atendam aos padrões mínimos de qualidade, de- nominados padrões de potabilidade. Logo, apesar de toda a problemática causada pela ausência de saneamento ambiental, o acesso universal à água potável é de fato uma questão alarmante. Todavia, como em um país cuja a extensão territorial é privilegiada com um grande potencial hídrico a população em sua totalidade ainda não possui acesso a água de qualidade? Você sabia que os Rios Voadores são compostos por grandes massas de ar, carregadas com vapores de água e que são responsáveis pelo índice plu- viométrico em diferentes localidades? Essas correntes são deslocadas por influências eólicas e estão relacionadas a um fenômeno denominado eva- potranspiração. Esse fenômeno é realizado por grandes extensões de terras cobertas por fragmentos florestais, como por exemplo a floresta amazônica, portante, atividades antrópicas como o desmatamento podem influenciar diretamente no índice pluvial de regiões próximas. Para saber mais, acesse: <http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/>. Fonte: elaborado pelo autor. saiba mais As respostas para esse questionamento giram em torno da gestão deste recurso e das políticas que regulamentam o desenvolvimento de tecnologias e investimentos para assegurar o direito a água com elevado grau de potabilidade a todos. Da captação ao tratamento Em um primeiro momento, podemos pensar que o abastecimento de água poderá ser interminável mediante a quantidade de água que recobre a superfície terrestre, porém, se considerarmos que desta superfície a maior parte da água é salgada e portanto não pode ser utilizada para a agricultura, processos industriais e consumo humano, esse panorama já se inverte. Pós-Universo 17 Historicamente, a captação e obtenção de água doce com qualidade aceitável para atendimento das necessidades humanas sempre foi uma preocupação. Embora o conhecimento científico só tenha esclarecido/diferenciado padrões de qualidade da água mediante ao advento da tecnologia, o homem nos primórdios da história já era capaz de distinguir a água de qualidade, sem cor, odor ou sabor daquela que apresentava características atrativas. O aporte pontual ou difuso de substâncias xe- nobióticas, organismos ou de matéria orgânica em excesso a água podem resultar em uma série de agravos ao meio ambiente, como por exemplo, a poluição, conta- minação e a eutrofização. Como reflexo da evolução do conhecimento acerca da salubridade ambien- tal, o abastecimento de água de fontes seguras e o despejo do esgoto passaram a ocorrer em localidades diferentes dos corpos hídricos (manancial próximo a cidade), essa mudança teve como principal objetivo evitar doenças relacionadas a condições impróprias de saneamento, caracterizando um período histórico denominado higie- nista (TUCCI, 2008). Substâncias xenobióticas referem-se a substâncias químicas recal- citrantes estranhas ao corpo humano, aos organismos e ao meio ambiente. Referem-se a compostos sintéticos sintetizados via técnicas de engenharia química ou genética, como por exemplo, pela transfor- mação de microrganismos como fungos e bactérias. Alguns exemplos são: fármacos, agentes saneantes ou tensoativos e defensivos agrícolas. Fonte: elaborado pelo autor. atenção Os mananciais das águas urbanas são as fontes de água para abastecimento que visam atender as necessidades humanas, animais e industriais. Essas fontes podem ser superficiais (redes de rios da bacia hidrográfica da região) e subterrâneas (aquí- feros), cuja a disponibilidade de água, especialmente das fontes superficiais podem variar conforme sazonalidade, uma vez que a disponibilidade hídrica depende da ca- pacidade do rio de se regularizar ao longo do tempo (COSTA et al., 2012). Pós-Universo 18 Captação de água em fontes superficiais Entretanto, como determinar se um corpo hídrico é apto para a captação de água? Além dos padrões de qualidade, a disponibilidade hídrica é mensurada mediante a uma série de fatores ou condicionantes naturais, tais como: características da preci- pitação, evapotranspiração (total, variabilidade temporal e espacial) e da superfície do solo, fatores considerados para uma distribuição estatística temporal. Dentre as funções estatísticas hidrológicas as mais utilizadas para avaliação da disponibilidade hídrica é a curva de permanência e os hidrogramas. A Vazão refere-se a um volume de água que passa por uma seção de um corpo hídrico dividido por um determinado intervalo de tempo. A expressão matemática para o cálculo de vazão volumétrica (Qv) é: Desta forma, o volume (V) é medido em litros e o tempo (t) em segundos, portanto, a vazão pode ser expressa em litros por segundo (l.s-1). Em relação a vazão de rios é comum expressá-la em metros cúbicos por segundo (m3.s-1), sendo 1m3.s-1 igual a 1000 l.s-1 (litros por segundo). As curvas de permanência, tem por finalidade informar com que frequência a vazão de um corpo hídrico é igualada ou excedida durante determinado período de registros das vazões. Normalmente o resultado é expresso com a vazão em função da porcentagem de tempo em que essa vazão é igualada ou excedida em abscissa, como ilustrado na figura 1. Essa ferramenta é comumente empregada em estudos visando a conservação e/ou o aproveitamento dos recursos hídricos, pois a declivi- dade da curva indica as características essenciais em relaçãoao curso d’água (VOGEL, FENNESSEY, 1990). Os Hidrogramas correspondem a ferramentas gráficas que representam as vazões monitoradas em função de períodos de observação em ordem cronológica, ou seja, no caso de um corpo hídrico, um hidrograma permite visualizar facilmente a distribui- ção temporal em relação às vazões médias observadas (DAMÉ et al., 2010), conforme hidrograma hipotético expresso na figura 2. Pós-Universo 19 0 10 20 Q t 30 40 50 Porcentagem do tempo igualado ou separado 60 t% 70 80 90 100 Figura 1 - Modelo hipotético de curva de permanência. Fonte: elaborado pelo autor. O valor alcançado no eixo X (t%), nos indica o percentual de tempo em que ocorre- ram vazões iguais ou superior a Qt, considerando os registros fluviais realizados. JAN Q (v az ão n ec es sá ria a o lo ng o do te m po ) Q FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Período em que a vazão necessária não foi atingida Período em que a vazão necessária foi atingida Figura 2 - Hidrograma hipotético de um corpo hídrico Fonte: elaborado pelo autor. A figura 2 ilustra um hidrograma que nos permite visualizar períodos em que a vazão mínima necessária (dado hipotético) não foi alcançada (destacado em vermelho). Tal fato torna-se relevante pois permite avaliar os efeitos da estiagem no corpo hídrico, auxiliando na compreensão da capacidade de utilização do mesmo. Pós-Universo 20 Quando a captação é realizada a partir de grandes mananciais o risco de aten- dimento quanto a quantidade é muito baixo em função da proporção/magnitude do corpo hídrico.Caso o corpo hídrico seja o único disponível e não atinja a capaci- dade mínima para atendimento das necessidade populacionais, apenas em curtos períodos de tempo, é possível realizar o armazenamento do volume necessário em reservatórios. Porém, para que isso seja viabilizado, serão necessários investimentos não previstos em infraestrutura. A hidrologia e a mecânica de fluidos são áreas fundamentais para os estudos de preservação dos recursos. Com o intuito de democratizar o acesso a in- formação nestes segmentos a Agência Nacional de Água (ANA) disponibiliza em seu endereço eletrônico, inúmeros materiais que podem ser consulta- dos acerca dessas temáticas. Confirma! Para saber mais, acesse: <https://capacitacao.ana.gov.br/conhecerh/handle/ ana/240>. Fonte: elaborado pelo autor. saiba mais Captação de água em fontes subterrâneas Já as fontes subterrâneas compõem a maior reserva de água doce do globo (MINAYO- GOMEZ, 2011). Tais reservas dividem-se entre aquíferos confinados e não confinados de acordo com a formação geológica, que fazem referência a pressão exercida sobre os mesmo, ou seja, os confinados estão sobre influência de pressão superior à at- mosférica ao passo em que os não confinados não estão sobre pressão e podem ser repostos por fluxos naturais de escoamento (RIBEIRO, 2008). Ainda segundo Ribeiro (2008) normalmente, a água subterrânea é utilizada o abastecimento de cidades de pequeno e médio porte, pois depende da vazão de bombeamento que o aquífero permite retirar sem comprometer seu balanço de entrada e saída de água. A captação em aquíferos, merece uma atenção especial em função do risco de contaminação por substâncias xenobióticas e recalcitrantes que podem se infiltrar/percolar no lençol freático e contaminando reservas de água. Pós-Universo 21 Estações de Tratamento de água Após findarmos alguns conceitos sobre a captação de água discutiremos sobre tra- tamento e disponibilização. A água captada nos mananciais é transportada até a estação de tratamento de água (ETA) e posteriormente distribuída à população, por uma rede (ref ). Esse sistema implica elevados investimentos, geralmente públicos, para garantir água em quantidade e qualidade adequada. Na concepção de Libânio (2010), as tecnologias envolvidas no tratamento de água tem por objetivo adequar os parâmetros da água bruta aos limites estabelecidos pela portaria 2914 do Ministério da Saúde, considerando os custos de implementação, manutenção e operação mais viáveis possível. Além disso, para o autor, a escolha da tecnologia deve ser permeada por algumas premissas, sendo elas: a. As características da água bruta disponível para captação; b. Os custos envolvidos; c. Manuseio e confiabilidade dos equipamentos; d. Flexibilidade operacional; e. Localização geográfica e características da população. Normalmente os municípios adotam o modelo de ETA convencional conforme pro- posto pela resolução CONAMA 357/2005 e pela NBR 12216 de 1992. O modelo de tratamento convencional ou de ciclo completo compreende as seguintes etapas: Coagulação; Floculação; Decantação ou flotação; Filtração rápida descendente; Ajustes finais, que envolvem desinfecção, fluoretação, ajuste de pH dentre outros processos necessários. As etapas de tratamento que ocorrem em uma ETA convencional, bem como as etapas de captação e distribuição estão ilustradas na figura 3. Pós-Universo 22 1) Captação de água em corpo hídrico Bombeamento 4) Decantação 5) Filtração (�ltro de carvão, areia e cascalho) 8) Reservatório dos bairros 7) Reservatório água �nal (ETA) 6) Adição de: cal, cloro e �úor 3) Floculação 9) Distribuição 2) Adição de: sais de alumínio; cal; cloro. Figura 3 - Representação dos processo envolvidos em uma ETA comum Fonte: elaborado pelo autor. Cada uma das etapas acima ilustradas (2 a 6) possui uma finalidade no processo de tratamento de água, sendo elas: • Adição de Sais de Alumínio, Cal e Cloro: Promovem a coagulação de im- purezas presentes na água como matéria orgânica e sólidos dissolvidos ou em suspensão, alteram o pH com o intuito de aumentar a eficiência dos agentes coagulantes e atuam como agente saneante, respectivamente. • Floculação: A ação dos agentes coagulantes da etapa anterior provoca uma desestabilização das cargas superficiais das impurezas presentes, desta forma ao serem submetidas a um processo de agitação intensa, as impurezas irão se agregar, formando flocos de maior densidade que serão removidas na etapa seguinte. • Decantação: Os flocos formados irão decantar em função das forças gravi- tacionais gerando uma separação do líquido menos denso das impurezas de maior peso e agregadas em função das etapas anteriores. • Filtração: O processo de filtração granular descendente é relevante para a remoção dos parâmetros: turbidez, cor aparente, sólidos totais e densida- de de microrganismos como algas e coliformes. Pós-Universo 23 • Adição de Cal, cloro e Flúor: O cloro e o flúor adicionados nesta etapa atuam visam a eliminação de microrganismos patogênicos associados a doenças transmitidas pela água enquanto o Cal realiza o ajuste do pH em faixa condizente com as legislação estabelecida. Entretanto, atualmente métodos de tratamento de água vêm sendo repensados, em especial em função da utilização dos sais de alumínio como agentes coagulantes. Quantidades de alumínio residual na água são mais aptas a absorção biológica do que as oriundas de outras fontes, o que pode resultar em deposições de alumínio em vias neuroquímicas, causando efeitos adversos indesejáveis, dentre eles desta- cam-se os efeitos desproporcionais sobre o mal de Alzheimer (REIBER et al., 1995). Em face de tais problemáticas e também da necessidade de garantia de forneci- mento de água de qualidade a população, o Ministério da Saúde elaborou a Portaria 2914 de 2011 que dispõe sobre os parâmetros de qualidade da água potável. Sendo alguns deles expressos na tabela 1: Tabela 1 - Parâmetros de potabilidade estabelecidos pela Portaria 2914/11 do Ministérioda Saúde Parâmetro Significado Valor máximo permitido (VMP) Presença de Coliformes Grupo de bactérias que são indicadores de contami- nação ambiental Ausência em 100 mL Teor de Cloro Agente desinfetante, utilizado para eliminar micror- ganismos que possam estar presentes nas águas e provocar doenças por via hídrica 0,2 mg/L Turbidez É a medida da quantidade de partículas em suspensão (material insolúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz 5 UT (unidades de turbidez) pH Indica a natureza ácida ou básica da água. É monito- rado durante as etapas de tratamento e na rede de distribuição, evitando os processos de corrosão nas canalizações 6,0 a 9,5 Cor Parâmetro de aspecto estético de aceitação ou rejei- ção do produto. A cor indica a presença de substâncias dissolvidas ou finamente divididas que conferem co- loração específica à água 15 Unidade Hazen (mg PtCo/L). Teor de Flúor Composto químico que é adicionado à água tratada para prevenção da proliferação de microrganismos indesejados 1,5 mg/L Fonte: Portaria 2914/2011 do Ministério da Saúde. Disponível em: <https://goo.gl/E1x7FG>. Pós-Universo 24 É válido ressaltar que existem outros parâmetros relacionados a potabilidade expres- sos pela portaria. Essa mesma portaria ainda discorre acerca das responsabilidades de fiscalização e monitoramento nas esferas federal, estadual e municipal. Após o tratamento de água potável, a qualidade desta pode sofrer uma série alterações após tratamento, fazendo com que a qualidade da água destinada a po- pulação seja diferente da qualidade da água que deixa a estação de tratamento. Tais alterações podem ser causadas por variações químicas e biológicas (DEININGER et al. 1992). Conforme Clark e Coyle (1989), dentre os possíveis fatores que influenciam tais mudanças estão: a. Qualidade química e biológica da fonte hídrica; b. Eficácia do processo de tratamento, condições de armazenagem e sistema de distribuição; c. Idade, tipo, projeto e manutenção da rede; d. Qualidade da água tratada. Por fim, saliento que é impossível discutir todos os fenômenos e peculiaridades acerca do tratamento de água em apenas um encontro, em função de sua especificidade e da gamas de assuntos relacionados que podem ser abordados, entretanto, espero ter contribuído com o mínimo de informações básicas e pertinentes sobre a temática. Pós-Universo 25 MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS E DRENAGEM URBANA Apesar da Lei 11.445/2007 ter incluído a drenagem urbana como componente do sistema de saneamento, ale ainda é considerada uma problemática menos relevante que o abastecimento de água e a coleta de esgotos. Torna-se indispensável discu- tir o manejo de águas pluviais no contexto da drenagem urbana especialmente em função de seus impactos, que muitas vezes podem ser erroneamente atrelados às forças da natureza, desconsiderando as ações antrópicas, como por exemplo a imper- meabilização do solo e a má gestão dos recursos hídricos, conforme iremos abordar ao longo deste encontro. A relevância desta temática destaca-se sobretudo, quando associada ao pla- nejamento/desenvolvimento urbano, assim como, na promoção de condições de segurança e saúde populacional. O manejo das águas pluviais compreende a coleta, escoamento e drenagem das águas das chuvas por vias de drenagem urbanos su- perficiais ou subterrâneas, bueiros, bocas de lobo, dispositivos de controle de vazão e galerias de drenagem, dentre outros, bem como a posterior disposição dos efluentes em corpos receptores para o escoamento das águas pluviais, buscando evitar inun- dações, garantindo assim a saúde e segurança da população (TUCCI, 2003). A efetividade de um sistema de drenagem urbana está relacionada a acentuação de problemas ambientais, dentre eles, o agravo dos processo erosivos, inundações e assoreamentos. Portanto, a garantia do escoamento de águas pluviais evita a prolife- ração de agentes transmissores de doenças como o mosquito transmissor da dengue, febre amarela, malária, dentre outras doenças de veiculação hídrica (KRONEMBERGER et al., 2011). Bacias hidrográficas compreendem as áreas de captação natural das águas de precipitação que fazem o escoamento convergir para um único ponto de saída. Compõe-se também de um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos d’água que confluem até resultar em um leito único (TUCCI, 1997). Portanto, pode-se inferir que são compostas por rios, riachos, córregos Pós-Universo 26 e outros corpos hídricos que foram formados mediante a dinâmica pluviométrica, assim como as características do terreno, declives e coberturas vegetais envolvidas no processo. Logo, são territórios (sistemas completos) nos quais se desenvolvem atividades humanas, sejam áreas naturais, urbanas, industriais ou agrícolas. Cabe ressaltar tais territórios estão sujeitos às consequências de sua ocupação e utilização dos recur- sos ali disponibilizados (PORTO e LIMA, 2008). Com a intensificação do uso do solo ocorreram inúmeras mudanças nos sistemas hídricos, em especial para o aumento das descargas (fluxos hídricos) e aporte de elementos xenobióticos. A ocupação desordenada de extensões territoriais comprometem áreas naturais de armazenamento e escoamento, o que nos possibilita afirmar que as problemáti- cas acerca da drenagem urbana estão relacionadas a alocação de volumes de água armazenados que não possuem sistema de escoamento natural. Nesse contexto, é que os mecanismos de gestão de recursos hídricos devem atuar, mediante as ações das agências de execução dos comitês de bacias hidrográficas, visando controlar os impactos sobre corpos hídricos e as bacias. Em termos de legislação, a já apresentada constituição de 1988, configurou um marco no que tange a recursos hídricos, pois, alterou o domínio das águas, agora compreendido como bem de uso comum, anteriormente delimitado pelo código de águas de 1934 (Decreto n.24.63, de 10.7.1934) (PORTO, LIMA, 2008). A constituição ainda atribuiu a instituição de um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e definiu seus critérios de outorga de direitos de uso. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos estabelecido pela Lei n. 9.433 deve cumprir os seguintes objetivos: • Coordenar a gestão integrada das águas; • Arbitrar administrativamente os conflitos ligados ao uso da água; • Implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos; • Planejar, regular e controlar o uso, a preservação/recuperação dos recur- sos hídricos; • Promover a cobrança pelo uso da água. Pós-Universo 27 Sendos os integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos; os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados; os Comitês de Bacia Hidrográfica; os órgãos de governo cujas competên- cias estão relacionadas a gestão de recursos hídricos e as Agências de água. Cabe destacar que a Agência Nacional de Águas (ANA) foi criada em 2001 de forma a complementar a estrutura institucional da gestão de recursos hídricos do país. O artigo 21 da constituição originou a Lei 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, que visa garantir o acesso das gerações futuras aos recursos hídricos o que caracteriza nosso país como portador da legislação mais avançada em caráter mundial em termos de recursos hídricos. A Lei n. 9.433/97 ainda discorre sobre os instrumentos que devem ser utilizados para viabilizar a implanta- ção da Política Nacional de Recursos Hídricos, sendo eles: I. Os Planos de Recursos Hídricos; II. O enquadramento dos corpos de águas em classes de usos preponderantes; III. A outorgade direitos de uso dos recursos hídricos; IV. A cobrança pelo uso dos recursos hídricos; V. A compensação aos municípios; VI. Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. A Agência Nacional de Águas (ANA) é uma autarquia federal que possui como missão coordenar a gestão compartilhada dos recursos hídricos, re- gulando ao acesso à água visando a promoção do uso sustentável deste recurso, para benefício das gerações atuais e vindouras. A ANA disponibi- liza um catálogo anual de publicações de livre acesso envolvendo as mais diversas temáticas. Confirma! Para saber mais acesse: <http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/ CDOC/CatalogoPublicacoes_2016.asp>. Fonte: elaborado pelo autor. saiba mais Pós-Universo 28 Já em relação a gestão de drenagem urbana compreende um conjunto de técnicas e ações que pode ser denominado conceito dos 3P: Planejamento, Procedimento e Preparo. Segundo Martins (2012): • Planejamento inclui atividades como a elaboração dos planos diretores, projeto e implantação de sistemas de redução de risco e exige o uso de medidas, estruturais e não estruturais. • Procedimento compreende a operação e manutenção dos sistemas estru- turais implantados, a execução do monitoramento, previsão de eventos e antecipação de extremos e a adoção de medidas de sustentação, como campanhas de conscientização. • Preparo compreende a organização para resposta às emergências relacio- nadas ao sistema de drenagem urbana. Para implementar medidas sustentáveis na cidade é necessário desenvolver o Plano Diretor de Drenagem Urbana, que conforme Tucci (2003) se baseia nos seguintes princípios: a. Os novos desenvolvimentos não podem aumentar a vazão máxima; b. O planejamento e controle dos impactos existentes devem ser elaborados considerando a bacia como um todo; c. O horizonte de planejamento deve ser integrado ao Plano Diretor da cidade; d. O controle dos efluentes deve ser avaliado de forma integrada com o es- gotamento sanitário e os resíduos sólidos. No planejamento da drenagem urbana utiliza-se medidas sob a forma de ações diretas estruturais, expressos na tabela 2. Das quais as ações indiretas estruturais, cor- respondem a forma de mecanismos de controle na fonte e técnicas compensatórias, enquanto ações não estruturais, relacionam-se as medidas institucionais, legislação, fiscalização previsão, securitização e outras (BAPTISTA et al., 2005). Pós-Universo 29 Tabela 2 - Medidas Estruturais e não estruturais de planejamento e compensação Medidas Estruturais Medidas Não Estruturais Ampliação, modificação, retificação, reves- timento, canalização dos cursos d’água naturais ou execução de galerias Reserva de área para lazer e atividades com- patíveis para os espaços abertos, margens e entorno de lagos e rios Armazenamento ou desvio das águas a montante da região sujeita a inundações Controle do uso do solo fora da área de inundação Diques, muros e floodwalls Securitização da área de risco de inundação Alterações em pontes e travessias Estruturas a prova de inundação e restri- ções de aproveitamento Bacias de retenção, detenção e amortecimento Sistema de Previsão, antecipação e alerta Bacias de sedimentação, retenção de de- tritos e lixo Tratamento das populações em encostas e áreas baixas Wetlands e áreas de depuração in situ Programa de manutenção e inspeção do sistema de drenagem Parques lineares Programa de ação emergencial Repermeabilização e permeabilização ar- tificial do solo Manual de Drenagem e de gestão da drenagem Relocação e demolição de estruturas Educação Ambiental Detenção em lotes, quadras, empreendi- mentos, jardins de chuva, telhado verde. Institucionalização da drenagem urbana como serviço do estado Fonte: adaptado de Righetto (2009). Por fim, os problemas enfrentados por um governo, no que tange ao manejo de águas urbanas e a drenagem propriamente dita, serão sempre de natureza transversal, uma vez que os mesmo estarão sempre atrelados, como exemplo, a impermeabi- lização ou má gestão da drenagem urbana associada a enchentes. Isso evidencia a necessidade de seguir diretrizes orientativas que busquem o planejamento e o de- senvolvimento da forma mais sustentável e segura possível. atividades de estudo 1. Analise o hidrograma hipotético apresentado, no qual duas situações são ilustradas. A primeira é representada por Q1, sendo este dado considerado a vazão necessá- ria em um recurso hídrico, no qual será realizada a captação de água destinada ao atendimento da demanda populacional de uma determinada cidade (denomina- da cidade X). Já Q2 corresponde a demanda necessária para atendimento de outra cidade, denominada cidade Y. Considerando o exposto, analise as assertivas e assinale a alternativa correta: JAN Q2 Q1 Q FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ atividades de estudo I) O hidrograma permite concluir que a vazão (Q1) registrada ao longo do ano foi inferior a média necessária, o que indica que o corpo hídrico não é indicado para a captação de água com fins de abastecimento populacional da cidade X. II) É possível concluir que o corpo hídrico analisado é compatível com a o registro das médias de vazão (Q2) necessárias para o atendimento da cidade Y. III) Em relação a cidade X, caso não haja outro corpo hídrico com condições mais adequadas no qual possa ser realizada a captação, o armazenamento de água em reservatórios configura-se como uma solução para a problemática, atrelada a investimentos e gastos públicos. IV) Em relação a Q1, é possível afirmar que a vazão necessária do corpo hídrico com fins de abastecimento foi mantida nos meses de Janeiro, Fevereiro, Abril, Agosto e Dezembro. É correto o que se afirma em: a) II e IV. b) I e IV. c) III e IV. d) I, II e IV. e) I, II e III. atividades de estudo 2. Para o efetivo planejamento em drenagem urbana, assim como para a elaboração de um Plano Diretor, algumas ações devem ser realizadas e estar presentes, dentre elas destacam-se as ações ou medidas estruturais e não estruturais. Em relação as estas medidas, assinale a alternativa que contempla exemplos de medidas estruturais. a) Programa de manutenção e inspeção do sistema de drenagem b) Construção de bacias de retenção, detenção e amortecimento e canalização dos cursos d’água naturais. c) Reserva de área para lazer e atividades compatíveis para os espaços abertos. d) Sistema de Previsão, antecipação e alerta. e) Disseminação de programas de Educação Ambiental. atividades de estudo 3. Os eventos e peculiaridades acerca do processo de tratamento de água são diversos e apresentam-se necessários pois, visam a garantia da qualidade da água enquanto produto final de um processo de tratamento. A Portaria 2914 de 2011 elaborada pelo Ministério da Saúde dispõe sobre os parâmetros de qualidade de água necessários para consumo humano, denominado de parâmetros de potabilidade. Em relação a estes parâmetros apresentados, associe as duas colunas, relacionando os parâme- tros com a sua correta definição/finalidade. a) Cloro b) Turbidez c) pH d) Cor aparente ( ) Parâmetro relacionado a quantidade de partículas em suspensão (material inso- lúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz ( ) Indica a natureza ácida ou básica da água. ( ) Parâmetro utilizado na eliminação de microrganismos que possam estar presen- tes nas águas e que possam provocar doenças relacionadas a vias hídrica ( ) Indica a presença de substâncias dissolvidas ou finamente divididas que confe- rem coloração específica à água. A sequência correta é: a) (2), (3), (1) e (4). b) (1), (2), (3) e (4). c) (2),(4), (1) e (3). d) (2), (3), (4) e (1). e) (3), (1), (4) e (3). resumo Em relação ao saneamento ambiental propriamente dito, podemos observar ao longo destes encontros que a Lei Federal de 11.445 de 5 de Janeiro de 2007, estabeleceu que a prestação de serviços de saneamento público deverá abranger o abastecimento de água, esgotamento sani- tário, manejo urbano de resíduos sólido, ou seja, estabelece diretrizes sobre todos os segmentos de atuação do saneamento ambiental, garantindo acesso universal. Tal fato torna-se relevante pois universaliza e efetiva os esforços sociais históricos realizados que buscavam garantia da qua- lidade de vida da população. Sobre o tratamento de água, verificamos que a captação de água potável configura como uma ação estratégica, que conta com uma série de ferramentas estatísticas que auxiliam na tomada de decisão, sendo relevante sobretudo para o desenvolvimento planejado, que atende normati- zações e ocorra de forma regular. Já no que tange ao tratamento de água, as legislações ganham especificações e estabelecem limites mínimos para os padrões relacionados na qualidade, como previsto na portaria 2914 do Ministério da Saúde. Entretanto, mesmo com diretrizes acerca dos re- quisitos mínimos de qualidade, uma série de variáveis ainda podem atuar sobre a qualidade final da água tratada, relacionadas ao sistema como um todo desde a qualidade do corpo de capta- ção até as condições físicas da rede de distribuição. E por fim, no que compete ao manejo das águas pluviais, é possível concluir que o planejamento acerca da urbanização não foi tão relevante. A impermeabilização do solo em função da ocupa- ção desordenada sem fundamentação estratégica pautada em um plano diretor pode resultar em inúmeras adversidades resultando em consequências à saúde da população, mobilizando assim recursos e serviços de outras áreas para o atendimento das demandas necessárias. Este segmento ainda tornou-se relevante pelo desenvolvimento de medidas voltadas à reparação dos potenciais danos atrelados às águas pluviais. material complementar Título: Regulação do Saneamento Básico. Autor: Alceu de Castro Galvão Junior, Alisson José Maia Melo, Mario Augusto P. Monteiro Editora: Manole Sinopse: Este livro trata da interface entre a regulação, as agências reguladoras, os serviços públicos de saneamento básico e a legislação. Traz discussões sobre os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos urbanos e drenagem. Aborda também, de forma transversal, possibilitando uma compreensão conjuntural do setor – os serviços de manejo de águas pluviais urbanas. Está organizado sob três focos: • Jurídico, envolvendo discussões institucionais e legais do saneamento básico e a inserção das agências reguladoras; • Econômico, contemplando, sob uma perspectiva prática, tarifas, cálculo tarifário, cálculo da taxa de remuneração dos capitais investidos etc.; • Técnico, abordando questões sobre fiscalização, acompanhamento de planos e indicadores de desempenho. Apresenta, ainda, dois diferenciais que merecem ser destacados: aborda- gem multidisciplinar do tema e análise a partir do ponto de vista dos próprios reguladores (profissionais de agências reguladoras, consultores e acadêmicos, inclusive de âmbito inter- nacional). Além da versão impressa, o livro conta com material complementar, disponível no site www.manoleeducacao.com.br/seriesustentabilidade. Trata-se, portanto, de obra de refe- rência para estudantes, professores e profissionais que atuam na área de saneamento e que desejam aperfeiçoar seus conhecimentos. referências BARROS, R. T. V. et al. Saneamento: Belo Horizonte. Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, 1995, 221p. (Manual de Saneamento e proteção individual para os municípios, 2). BAPTISTA, M.; NASCIMENTO, N.; BARRAUD, S. Técnicas compensatórias em drenagem urbana. Porto Alegre: ABRH, 2005. 266p. BRASIL. (2007) Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Lei do Saneamento. Estabelece diretrizes na- cionais para o saneamento básico; altera as Leis n° 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei n° 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências. BRASIL. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2010/lei/l12305.htm>. BRASIL. Lei nº 13.308, de 6 de Julho de 2016. Altera a Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que es- tabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, determinando a manutenção preventiva das redes de drenagem pluvial. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2016/Lei/L13308.htm#art1>. BRASIL. Lei nº 13.329, de 1 de Agosto de 2016. Altera a Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que es- tabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, para criar o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento do Saneamento Básico - REISB, com o objetivo de estimular a pessoa jurídi- ca prestadora de serviços públicos de saneamento básico a aumentar seu volume de investimentos, por meio da concessão de créditos relativos à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13329.htm>. BRASIL. Lei nº 9.433 de 8 de Janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L9433.htm>. CLARK, R. M.; COYLE, J. A. Measuring and modeling variations in distributions systems water quality. Journal of the American Water Works Association, 82, p. 46-52, 1989. referências COSTA, M.A. et al. Impactos na Saúde e no Sistema Único de Saúde decorrentes de agravos relacio- nados a um saneamento ambiental inadequado. In: Fundação Nacional da Saúde. 1º Caderno de pesquisa em engenharia de saúde pública. 2. ed. Brasília: Funasa, 2006. p. 7-27 COSTA, A. S. et al. Regionalização de curvas de permanência de vazão de regiões hidrográficas do estado do Pará. Rev. bras. meteorol., São Paulo, v. 27, n. 4, p. 413-422, dezembro, 2012. 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Portaria Nº 2.914, de 12 de Dezembro de 2011. Dispõe sobre os procedi- mentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Brasília, 2011. PICCOLI, A. de S. et al. A Educação Ambiental como estratégia de mobilização social para o enfrenta- mento da escassez de água. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 797-808, Mar. 2016. O CENÁRIO atual do saneamento ambiental no Brasil. Instituto Trata Brasil. Disponívelem: <http:// www.tratabrasil.org.br/o-cenario-atual-do-saneamento-ambiental-no-brasil-marilia-notic>. Acesso em: 03 abr. 2017. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE- OMS. “Urban planning essential for publichealth”. (2010) Acesso em 11/11/2013. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2010/ urban_health_20100407/en/>. referências Organização Pan-Americana da Saúde. Brasil. Publicado em 13/04/2017. Online. 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