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Sela e Dentes Artificiais - 54 CAPÍTULO 7 – SELA E DENTES ARTIFICIAIS SELAS 1- Conceito Sela é o componente da prótese parcial removível que preenche o espaço protético, reconstruindo, funcional e esteticamente, os tecidos ósseos e mucosos alterados pela perda dos dentes (Figura 1). Figura 1 - Sela 2 - Funções das selas A) Fixar os dentes artificiais e transmitir as cargas mastigatórias aos dentes pilares e aos demais componentes da prótese; B) Impedir a movimentação dos dentes no sen- tido horizontal (mesialização ou distalização) e vertical (extrusão); C) Auxiliar a função mastigatória; D) Estimular os tecidos subjacentes por pres- são funcional; E) Favorecer a estética nos casos de próteses anteriores; F) Preenchimento: nas próteses dento suporta- das a sela deverá justapor-se ao rebordo resi- dual e satisfazer os requisitos de conforto, esté- tica e fonética almejados pelos pacientes; G) Preenchimento e transmissão de força mas- tigatória: as próteses dentomucoso suportadas combinam os requisitos de conforto, estética e fonética, e apresentam como função principal a transmissão de grande parte das forças masti- gatórias, que incidem sobre os dentes artifici- ais, à fibromucosa de revestimento do rebordo residual. As funções das selas poderão ser me- lhor compreendidas separando-as de acordo com o planejamento das próteses parciais re- movíveis. - Selas nas próteses parciais removíveis dento suportadas ou intercaladas; - Selas nas próteses parciais removíveis dento- mucoso suportadas ou de extremidade livre. 2.1 - Selas nas próteses parciais removíveis dento suportadas ou intercaladas Nesse caso a sela será constituída de uma grade situada na região principal do rebordo residual entre os dentes pilares (Fig 2) e terá como funções principais: A) Transmitir forças apenas aos dentes pilares, sem a participação do rebordo; B) Fixar os dentes artificiais à estrutura metáli- ca; C) Preencher espaços protéticos correspon- dentes aos dentes e rebordo residual, além de proporcionar suporte aos tecidos musculares paraprotéticos adjacentes. Figura 2 - F: força mastigatória, F1 e F2: força decomposta e transmitida aos dentes pilares pelos apoios. F F2 F1 Sela e Dentes Artificiais - 55 2.2 - Selas nas próteses parciais removíveis dento-mucoso suportada ou de extremidade livre Nesse caso, a sela será constituída de uma grade metálica situada sobre a região principal do rebordo e irá suportar as superfí- cies oclusais (Figura 3). Apresenta como fun- ções principais: A) Transmitir adequadamente forças mastigató- rias aos dentes pilares e ao rebordo residual pela ausência de dente pilar posterior (extremi- dade livre); B) Preservar a saúde do periodonto de susten- tação dos dentes pilares; C) Fixar os dentes artificiais à estrutura metáli- ca; D) Preencher espaços protéticos correspon- dentes aos dentes, rebordo residual e os teci- dos musculares paraprotéticos adjacentes. Figura 3 - F: força mastigatória, F1: força mastigatória decomposta e transmitida ao dente pilar, F2: força masti- gatória decomposta e transmitida a fibromucosa. Além dessas funções, a sela também: A) Impede a impacção alimentar: os compo- nentes da prótese juntos (sela, conector menor, apoio oclusal) evitam a impacção alimentar, preservando a papila gengival adjacente ao espaço protético; B) Previne desconforto e injúria: a adaptação da sela ao rebordo residual, respeitando os limites da área chapeável, impede que partícu- las alimentares sejam introduzidas lateralmente entre a sela e o rebordo residual, criando situa- ções de desconforto para o paciente e de injú- ria para a fibromucosa que reveste o rebordo residual; C) Favorecer a estética e a fonética: os tecidos perdidos do espaço desdentado são reconstru- ídos pelo preenchimento da sela com resina acrílica, bem como pela correta colocação dos dentes artificiais, devolvendo ao paciente a estética, a fonética e a reorganização postural dos tecidos moles adjacentes (lábios e boche- chas). 3 - Classificação das selas 3.1 - Sela metaloplástica A resina é fixada à grade metálica e esse tipo de sela é utilizado na maioria das próteses parciais removíveis, onde apenas a resina acrílica entra em contato com os tecidos de suporte do rebordo. Apresenta técnica de confecção simples, restabelecimento das estru- turas de suporte perdidas ou reabsorvidas e possibilidade de reembasamento (Figura 4). Figura 4 - Sela Metaloplástica. 3.2 - Sela Metálica Utilizando a sela metálica, o contato F F2 F1 Sela e Dentes Artificiais - 56 com os tecidos da área do rebordo é exclusi- vamente metálico. A técnica de confecção labo- ratorial é difícil, mas a estabilidade e a reprodu- ção dos detalhes são melhores em relação à sela metaloplástica. Possui condutividade tér- mica vantajosa, porém não permite reembasa- mentos. São mais utilizadas em espaços des- dentados anteriores onde, devido à estética, deseja-se eliminar a resina, ficando aparentes os dentes artificiais (Figura 5). Figura 5 - Sela Metálica. 3.3 – Comparação entre sela metaloplástica e sela metálica A) Melhor condutibilidade térmica nas selas metálicas do que nas metaloplásticas; B) As selas metálicas ajustam-se melhor ao rebordo quando fundidas, não se alterando na boca; enquanto as metaloplásticas podem mu- dar devido às tensões internas, que induzem a distorção; C) As selas metálicas apresentam contato ínti- mo com a mucosa, aumentando o poder reten- tivo da prótese, o que não acontece com as metaloplásticas; D) As selas metálicas não sofrem abrasão com o tempo, nem pelo polimento; o mesmo não pode ser observado com a metaloplástica; E) Quanto à higiene, a base de acrílico facilita o depósito de detritos devido a sua porosidade, provocando irritação tecidual, enquanto a metá- lica poderá sofrer acúmulo de detritos, porém, com maior dificuldade, se estiver bem polida; F) A sela metálica é mais delgada do que a metaloplástica, ainda que o peso seja ligeira- mente maior; G) A sela metaloplástica permite reembasa- mento, e a sela total metálica, somente permite em casos de grande reabsorção. 4 - Indicações 4.1 - Selas metálicas A) Prótese dento-suportada; B) Rebordos residuais não reabsorvidos e com fibromucosa firme; C) Espaços protéticos pequenos; D) Espaços intermaxilares reduzidos, sem es- paço para resina. 4.2 - Selas metaloplásticas A) Prótese dentomucososuportada; B) Rebordos residuais irregulares e reabsorvi- dos, extrações recentes e em todos os casos de reabsorção irregular e acelerada; C) Nos casos em que a estética seja um fator importante, a sela de resina proporciona melhor acabamento e contorno das superfícies vesti- bulares e linguais; D) Nas próteses dento-suportadas, com amplo espaço desdentado. 5 - Requisitos de uma sela ideal A) Adaptação correta aos tecidos, mantendo espessura uniforme; B) Espessura suficiente para um bom acaba- mento, evitando injúrias aos tecidos; C) Condutibilidade térmica, para obter bom estímulo tissular; D) Baixa densidade; E) Dureza suficiente para resistir à fratura e à Sela e Dentes Artificiais - 57 deformação; F) Restabelecimento dos tecidos de suporte reabsorvidos, possibilitando caracterizaçõese favorecendo a estética; G) Possibilidade de reembasamento futuro; H) Facilidade para higienização. CONSIDERAÇÕES LABORATORIAIS 1 - Limites da grade metálica na mandíbula - Posterior: região equivalente ao primeiro mo- lar. - Anterior: 3,0 mm além da distal do dente pilar. - Vestibular: 1,5 mm por vestibular da crista do rebordo. - Lingual: 3,5 mm por lingual da linha da crista do rebordo. A largura da sela no sentido vestí- bulo – lingual será, portanto, de 5 mm. (Figura 6) Figura 6 - Limites da grade metálica na mandíbula 2 - Limites da grade metálica na maxila - Posterior: cobre parte da tuberosidade e pro- cessos hamulares. - Anterior: 3,0 mm além da distal do dente pilar. - Vestibular: aquém da linha que passa pelas faces vestibulares dos dentes pilares para não transparecer o metal após a prensagem da resina acrílica. - Palatino: 3 mm da crista do rebordo em dire- ção ao palato de modo a não ultrapassar a linha que passa pelas faces linguais dos dentes pilares. (Figura 7) Figura 7- Limites da grade metálica na maxila 3 - Limites da base de resina acrílica na mandíbula - Posterior: cobre a papila retromolar. - Anterior: estende-se até a linha de acabamen- to da grade metálica e é biselada para formar uma união lisa e uniforme de resina sobre o metal. - Vestibular: as bordas apresentam-se arredon- dadas e com aproximadamente 2 mm de es- pessura e são justapostas às inserções muscu- lares sem exercer pressão excessiva. - Lingual: depende da anatomia da crista milo- hídea. Se essa estrutura for retentiva, a base deverá estender-se anteriormente à retenção; se a crista não for retentiva, deve estender-se aquém do sulco alvéolo-lingual. A borda lingual deve ser arredondada para não traumatizar a língua. (Figura 8) Figura 8 - Limites da base de resina na mandíbula Sela e Dentes Artificiais - 58 4 - Limites da base de resina na maxila - Posterior: estende-se por toda a tuberosidade e processos hamulares. - Anterior: estende-se até a linha de acabamen- to da grade metálica e é biselada para formar uma união lisa e uniforme de resina sobre o metal. - Vestibular: depende da quantidade de reab- sorção óssea e mucosa nessa região. Se hou- ver mucosa suficiente, acompanhando o limite cervical entre os pilares, numa prótese classe IV, o acabamento poderá ser diretamente na cervical dos dentes artificiais, caso contrário, a resina deve estender-se por vestibular de modo que haja liberdade de movimentos para o freio e inserções musculares sem que ocorra passa- gem de ar ou acúmulo de alimento. - Palatino: deve ter espessura aproximada de 2 mm, com bordas arredondadas e polidas, a- companhando a linha de acabamento da grade metálica, de modo que não fiquem rugosidades na interface resina/metal. (Figura 9) 5 - Alívio interno da sela Um fator importante, relacionado à co- locação da resina, é o alívio interno da estrutu- ra metálica da sela que permite o contato da resina com a fibromucosa. Para que isso ocor- ra, o alívio deve ser de 0,5 mm a 1,0 mm (Figu- ra 10). Figura 10: Alívio entre a sela e o rebordo residual. SISTEMA DE RETENÇÃO PARA RESINA ACRÍLICA O sistema de retenção é o mecanismo que proporciona a fixação da resina acrílica à sela metálica, apresentando-se como uma grade metálica (Figura 11) ou pequenos pinos com extremidade achatada. Figura 11 - Grade retentiva. Embora seja de fácil execução e mais resistente, a grade metálica não é indicada para todos os casos de desdentados parciais. Quando o espaço interoclusal, na região des- dentada, é reduzido, a utilização da grade co- mo meio de retenção dificulta a montagem de dentes artificiais. Sendo assim, deve-se indicar a malha metálica, que é mais fina. Nas próteses dentosuportadas, quando o espaço protético mésio-distal e/ou interoclu- sal é reduzido, pode-se optar pela utilização de pequenos pinos, com extremidades achatadas e retentivas, para fixar a base acrílica (Figura 12). 0,5 a 1 mm d e Sela e Dentes Artificiais - 59 Figura 12 - Pinos de retenção. Nos casos de extremidade livre, pode- se criar uma extensão na parte final da grade, para que a sela fique mais estável sobre o mo- delo de gesso, na região de crista do rebordo residual (Figura 13). Figura 13 - “Stop” metálico na região de crista. SISTEMA DE ACABAMENTO PARA A RESINA ACRÍLICA O sistema de acabamento tem como objetivo favorecer a junção entre a resina acríli- ca e as bordas dos componentes da estrutura metálica. Para isso, as bordas deverão apre- sentar linhas definidas e superfícies que esta- beleçam ângulos retos (Figura 14). Figura 14 - Linha de acabamento em prótese intercalar Essa conformação proporciona corpo para que a resina apresente resistência e pos- sibilidade de polimento. A resina acrílica, quan- do terminada em ângulo agudo, não permite que se obtenham linhas definidas, mostrando- se irregular, com rachaduras e fraturando-se com facilidade. SUPERFÍCIES FUNCIONAIS DAS SELAS 1 - Interna ou basal A superfície interna ou basal (Figura 15) tem relação diretacom o rebordo residual, atu- ando como componente de suporte para a prótese parcial removível. Figuras 15 - Superfície interna ou basal Alguns aspectos importantes para a ade- quada distribuição de forças devem ser respei- tados durante o planejamento da prótese parci- Sela e Dentes Artificiais - 60 al removível. O apoio oclusal corretamente posicionado no dente pilar transmitirá a força mastigatória ao tecido ósseo subjacente por meio das fibras do ligamento periodontal, resul- tando em estímulo positivo para sua manuten- ção. Na região desdentada, a força mastigató- ria atua sobre os dentes artificiais sendo trans- mitida ao rebordo residual por meio da sela, resultando em reabsorção mais acelerada. Dessa forma, alguns cuidados devem ser to- mados: A) Adaptação adequada da parte interna da sela ao rebordo residual. Caso exista espaço entre eles, a sela tende a deslocar-se mais intensamente em direção ao rebordo, ocasio- nando instabilidade e forças laterais ao dente suporte (reabsorção acelerada); B) Correta extensão da sela abrangendo toda a área chapeável para que os esforços mastiga- tórios sejam distribuídos em uma maior super- fície; C) Montagem de dentes artificiais até 1º molar e correto ajuste oclusal da prótese, controlando a intensidade das forças sobre o rebordo, dimi- nuindo sua velocidade de reabsorção, bem como, preservando o dente pilar de forças late- rais. 2 - Polida ou vestibular e lingual As superfícies polidas (vestibular e lin- gual) (Figura 16), são importantes para estéti- ca, fonética e comodidade do paciente, além de proporcionar estabilidade e retenção à prótese, dependendo do relacionamento que essas superfícies estabelecem com os músculos ad- jacentes. Figura 16 - Superfícies polidas vestibular (a) e lingual (b) A ação negativa dos músculos sobre a prótese pode ser resultado de moldagens incor- retas ou interferências de inserções musculares sobre a área chapeável. Pode-se observar essa ação quando os músculos estão em fun- ção, sendo forçados contra as superfícies late- rais da prótese. As superfícies polidas mantêm equilíbrio com osmúsculos quando apresentam espessu- ra, largura e forma adequadas, permitindo es- tabilidade da prótese e impedindo seu deslo- camento. Dessa forma, com base em análise clínica, Fish 4 desenvolveu o conceito de Zona Neutra, definindo-a como o espaço delimitado funcionalmente pelo rebordo residual e pela musculatura paraprotética (língua, lábios e bochechas). Tal região será preenchida por sela e dentes artificiais. A estabilidade e a retenção das próteses estão relacionadas com a musculatura parapro- tética e superfícies vestibulares e linguais dos dentes artificiais. Assim, os dentes artificiais não devem ser posicionados necessariamente sobre o rebordo residual, mas onde as pres- sões da musculatura paraprotética neutralizam- se mutuamente. 11 Por essa razão, casos em que não há orientação anatômica para o posi- cionamento dos dentes em condições de neu- tralidade de forças, é necessário utilizar a téc- nica que determina a área de neutralidade a b Sela e Dentes Artificiais - 61 muscular. 3 - Oclusal A superfície oclusal (Figura 17) apre- senta importante função na prótese, pois está relacionada com sua estabilidade e retenção. Dessa forma é fundamental adequado ajuste oclusal a fim de obter relacionamento estável dos dentes artificiais com os dentes antagonis- tas. Figura 17 - Superfície Oclusal. DENTES ARTIFICIAIS 1 - Seleção de dentes artificiais A estética e a função são dois fatores de grande relevância para a seleção dos dentes artificiais. Enquanto os dentes posteriores auxi- liam na mastigação, mantém a dimensão verti- cal de oclusão e os contornos da face, os den- tes anteriores contribuem com a função e foné- tica e são importantes na satisfação estética do paciente. Os dentes artificiais podem ser selecio- nados quanto aos tipos de materiais, forma, anatomia oclusal, tamanho e cor. 2 - Tipos de materiais Quanto ao tipo de material, os dentes artificiais podem ser de porcelana, resina acríli- ca ou com a superfície oclusal metálica. 2.1 - Dente de Porcelana A) Vantagens - O desgaste é clinicamente insignificante ao longo do tempo; - Manutenção da dimensão vertical; - Pode ser esculpido e polido; - Permite reembasamento total das próteses; - Possui estabilidade de cor; - Apresenta facilidade de acabamento laborato- rial; - No processamento laboratorial, não são ne- cessários maiores cuidados no isolamento do gesso na mufla, para inclusão da resina acrílica de base. B) Desvantagens - Em espaços inter-oclusais reduzidos sua a- daptação é difícil podendo fraturar ou deslocar; - Produz ruídos durante a mastigação; - Dificuldade no ajuste oclusal; - Produz abrasão nos dentes naturais opostos, bem como nas próteses que não sejam de porcelana; - Não se une quimicamente ao material da base, necessitando artifícios que o retenha, como pinos ou orifícios; - Risco de fratura na demuflagem; - Por ser frágil, necessita de aumento de es- pessura apresentando as bordas incisais mais grossas; - Dificuldade para caracterização. 2.2 - Dente de resina acrílica A) Vantagens - Une-se quimicamente à base não necessitan- do de elementos para retenção mecânica; Sela e Dentes Artificiais - 62 - Maior facilidade na montagem, mesmo nos casos de menor espaço inter-oclusal; - Não produz ruído durante a mastigação; - A ocorrência de fratura é menor, principal- mente nas desmuflagens; - Maior versatilidade, tanto nas mudanças de forma, como nas caracterizações; - Desgaste mínimo sobre os dentes naturais e próteses opostas (exceto as de porcelana), o que constitui uma indicação precisa para sua utilização; - Não há necessidade de aumento de espessu- ra, possibilitando bordas incisais mais finas; - Facilidade nos ajustes oclusais. B) Desvantagens - Instabilidade de cor; - Perda da dimensão vertical; - Baixa resistência à abrasão; - Dificuldade de acabamento laboratorial; - Maior cuidado ao isolar o gesso da mufla, para inclusão da resina acrílica. Alguns fabricantes alteram a composi- ção dos dentes artificiais de resina acrílica adi- cionando resina composta para aumentar sua resistência ao desgaste. Resina acrílica pren- sada pode ser utilizada sobre os dentes natu- rais dos pacientes, cobrindo as superfícies incisais e/ou oclusais para restabelecer e man- ter a dimensão vertical. Nesse caso, as próte- ses parciais removíveis são denominadas “o- verlay” ou de recobrimento. 2.3 - Dentes com oclusal metálica Os dentes com oclusal metálica podem ser do tipo “overlay” (Figura 18) ou pôntico (Figura 19). Esse último é encerado juntamente com a estrutura metálica. Figura 18 - Dente artificial com oclusal metálica tipo “over- lay” Figura 19 - Dente com oclusal metálica tipo pôntico A) Indicações - Quando na forma de pônticos, os dentes com oclusal metálica são utilizados em espaços intermaxilares e interdentários estreitos, onde a falta de espaço implicaria na diminuição da resina, não proporcionando resistência às for- ças mastigatórias; - Quando na forma de “overlay”, os dentes com oclusal metálica são utilizados para o restabe- lecimento e/ou manutenção da dimensão verti- cal e contatos oclusais. 3 - Forma Quanto à forma, a seleção dos dentes artificiais da prótese parcial removível será baseada nos dentes anteriores remanescentes. Porém, na ausência desses, deve-se selecio- nar a forma do incisivo central, que se harmo- niza com a forma da face do paciente. Esses Sela e Dentes Artificiais - 63 dentes podem assumir quatro formas: quadra- do, triangular, ovóide ou misto (Figura 20). Figura 20 - Formas das faces. 4 - Anatomia oclusal Quanto à seleção dos dentes artificiais com base na anatomia oclusal, os dentes po- dem apresentar-se como anatômicos e não anatômicos. Usualmente, utilizam-se dentes anatômicos que apresentam inclinação de cús- pides aproximada de 33º. 5 - Tamanho Para a seleção do tamanho dos den- tes anteriores deve-se comparar a largura com a medida atual. Em caso de linha do sorriso alta, deve-se selecionar um dente quadrado com longo ponto de contato. Isto minimizará a exibição da gengiva interproxi- mal de resina acrílica. No caso de ausência dos dentes an- teriores, a escolha será baseada em mensu- rações executadas na base de registro em posição, em relação linha média, linha alta do sorriso e linha das comissuras labiais, indivi- dualizando as medidas para cada paciente. O rolete de cera, no sentido vertical, deve ser ajustado de acordo com a idade do paciente. Quanto à largura V-L, o dente artificial deverá apresentar-se menor do que o dente natural substituído. Pois, a forma estreita facilita a mastigação e auxilia a bochecha e a língua na manutenção da prótese sobre o rebordo residual. Quanto à largura M-D, o espaço dental a partir do canino indicará se serão colocados 3 ou 4 dentes. A utilização de 3 dentes é mais indicada devido à diminu- ição no potencial de reabsorção do rebordo. 6 – Cor A seleção de dentes em prótese parcial removível deve seguir a cor e forma dos dentes naturais. A opinião do paciente e mesmo de algum acompanhante é fundamental para a escolha da cor do dente (influência psicológi- ca), pois o conceito de estética é muito subjeti- vo. Deve-se considerar ainda alguns fato- res: A) Ambiente O consultórioodontológico deve ter cores neutras, para reduzir o cansaço visual. Deve-se, ainda, evitar interferência pela cor da roupa do paciente, bem como, por qualquer tipo de maquiagem facial. B) Observador O paciente deve estar posicionado de forma que a luz incida de maneira similar na escala de cor e no dente natural, a uma distân- cia aproximada de 60 cm. A seleção da cor deve ser realizada rapidamente (5 segundos) para se evitar cansaço da retina. Além disso, é sugerido descansar os olhos em um fundo azul durante a seleção de cor. C) Fonte de luz A seleção de cor deve ser realizada du- rante o dia, com luz natural, desligando a luz do refletor. Quadrado Misto Triangular Ovóide Sela e Dentes Artificiais - 64 REFERÊNCIAS 1. KLIEMANN, C.; OLIVEIRA, W. Próte- se: manual de prótese parcial removí- vel. 1 ed. São Paulo: Ed. Santos, 1999. cap. 15, p. 199-211. 2. DESPLATS, E. M. Prótese: a prótese parcial removível na prática diária. 3 ed. São Paulo: Ed Pancast, 1989. 3. FIORI, S. R. Prótese: atlas de prótese parcial removível. 8 ed. São Paulo: Ed. Panamed, 1983. 4. FISH E. W. Tongue space in full den- ture construction. J. Brit. Dent. Ass., v. 83, p. 137-143, oct. 1947. 5. 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