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Sela e Dentes Artificiais - 54 
 
CAPÍTULO 7 – SELA E DENTES 
ARTIFICIAIS 
 
SELAS 
 
1- Conceito 
Sela é o componente da prótese parcial 
removível que preenche o espaço protético, 
reconstruindo, funcional e esteticamente, os 
tecidos ósseos e mucosos alterados pela perda 
dos dentes (Figura 1). 
 
 
 
Figura 1 - Sela 
 
2 - Funções das selas 
A) Fixar os dentes artificiais e transmitir as 
cargas mastigatórias aos dentes pilares e aos 
demais componentes da prótese; 
B) Impedir a movimentação dos dentes no sen-
tido horizontal (mesialização ou distalização) e 
vertical (extrusão); 
C) Auxiliar a função mastigatória; 
D) Estimular os tecidos subjacentes por pres-
são funcional; 
E) Favorecer a estética nos casos de próteses 
anteriores; 
F) Preenchimento: nas próteses dento suporta-
das a sela deverá justapor-se ao rebordo resi-
dual e satisfazer os requisitos de conforto, esté-
tica e fonética almejados pelos pacientes; 
G) Preenchimento e transmissão de força mas-
tigatória: as próteses dentomucoso suportadas 
combinam os requisitos de conforto, estética e 
fonética, e apresentam como função principal a 
transmissão de grande parte das forças masti-
gatórias, que incidem sobre os dentes artifici-
ais, à fibromucosa de revestimento do rebordo 
residual. 
As funções das selas poderão ser me-
lhor compreendidas separando-as de acordo 
com o planejamento das próteses parciais re-
movíveis. 
- Selas nas próteses parciais removíveis dento 
suportadas ou intercaladas; 
- Selas nas próteses parciais removíveis dento-
mucoso suportadas ou de extremidade livre. 
 
2.1 - Selas nas próteses parciais removíveis 
dento suportadas ou intercaladas 
Nesse caso a sela será constituída de uma 
grade situada na região principal do rebordo 
residual entre os dentes pilares (Fig 2) e terá 
como funções principais: 
A) Transmitir forças apenas aos dentes pilares, 
sem a participação do rebordo; 
B) Fixar os dentes artificiais à estrutura metáli-
ca; 
C) Preencher espaços protéticos correspon-
dentes aos dentes e rebordo residual, além de 
proporcionar suporte aos tecidos musculares 
paraprotéticos adjacentes. 
 
 
Figura 2 - F: força mastigatória, F1 e F2: força decomposta 
e transmitida aos dentes pilares pelos apoios. 
 
F 
F2 
F1 
 
 
 
Sela e Dentes Artificiais - 55 
 
2.2 - Selas nas próteses parciais removíveis 
dento-mucoso suportada ou de extremidade 
livre 
 Nesse caso, a sela será constituída de 
uma grade metálica situada sobre a região 
principal do rebordo e irá suportar as superfí-
cies oclusais (Figura 3). Apresenta como fun-
ções principais: 
A) Transmitir adequadamente forças mastigató-
rias aos dentes pilares e ao rebordo residual 
pela ausência de dente pilar posterior (extremi-
dade livre); 
B) Preservar a saúde do periodonto de susten-
tação dos dentes pilares; 
C) Fixar os dentes artificiais à estrutura metáli-
ca; 
D) Preencher espaços protéticos correspon-
dentes aos dentes, rebordo residual e os teci-
dos musculares paraprotéticos adjacentes. 
 
 
 
Figura 3 - F: força mastigatória, F1: força mastigatória 
decomposta e transmitida ao dente pilar, F2: força masti-
gatória decomposta e transmitida a fibromucosa. 
 
 Além dessas funções, a sela também: 
A) Impede a impacção alimentar: os compo-
nentes da prótese juntos (sela, conector menor, 
apoio oclusal) evitam a impacção alimentar, 
preservando a papila gengival adjacente ao 
espaço protético; 
B) Previne desconforto e injúria: a adaptação 
da sela ao rebordo residual, respeitando os 
limites da área chapeável, impede que partícu-
las alimentares sejam introduzidas lateralmente 
entre a sela e o rebordo residual, criando situa-
ções de desconforto para o paciente e de injú-
ria para a fibromucosa que reveste o rebordo 
residual; 
C) Favorecer a estética e a fonética: os tecidos 
perdidos do espaço desdentado são reconstru-
ídos pelo preenchimento da sela com resina 
acrílica, bem como pela correta colocação dos 
dentes artificiais, devolvendo ao paciente a 
estética, a fonética e a reorganização postural 
dos tecidos moles adjacentes (lábios e boche-
chas). 
 
3 - Classificação das selas 
 
3.1 - Sela metaloplástica 
A resina é fixada à grade metálica e 
esse tipo de sela é utilizado na maioria das 
próteses parciais removíveis, onde apenas a 
resina acrílica entra em contato com os tecidos 
de suporte do rebordo. Apresenta técnica de 
confecção simples, restabelecimento das estru-
turas de suporte perdidas ou reabsorvidas e 
possibilidade de reembasamento (Figura 4). 
 
 
 
Figura 4 - Sela Metaloplástica. 
 
3.2 - Sela Metálica 
Utilizando a sela metálica, o contato 
F 
F2 F1 
 
  
Sela e Dentes Artificiais - 56 
 
com os tecidos da área do rebordo é exclusi-
vamente metálico. A técnica de confecção labo-
ratorial é difícil, mas a estabilidade e a reprodu-
ção dos detalhes são melhores em relação à 
sela metaloplástica. Possui condutividade tér-
mica vantajosa, porém não permite reembasa-
mentos. São mais utilizadas em espaços des-
dentados anteriores onde, devido à estética, 
deseja-se eliminar a resina, ficando aparentes 
os dentes artificiais (Figura 5). 
 
 
 
Figura 5 - Sela Metálica. 
 
3.3 – Comparação entre sela metaloplástica e 
sela metálica 
A) Melhor condutibilidade térmica nas selas 
metálicas do que nas metaloplásticas; 
B) As selas metálicas ajustam-se melhor ao 
rebordo quando fundidas, não se alterando na 
boca; enquanto as metaloplásticas podem mu-
dar devido às tensões internas, que induzem a 
distorção; 
C) As selas metálicas apresentam contato ínti-
mo com a mucosa, aumentando o poder reten-
tivo da prótese, o que não acontece com as 
metaloplásticas; 
D) As selas metálicas não sofrem abrasão com 
o tempo, nem pelo polimento; o mesmo não 
pode ser observado com a metaloplástica; 
E) Quanto à higiene, a base de acrílico facilita o 
depósito de detritos devido a sua porosidade, 
provocando irritação tecidual, enquanto a metá-
lica poderá sofrer acúmulo de detritos, porém, 
com maior dificuldade, se estiver bem polida; 
F) A sela metálica é mais delgada do que a 
metaloplástica, ainda que o peso seja ligeira-
mente maior; 
G) A sela metaloplástica permite reembasa-
mento, e a sela total metálica, somente permite 
em casos de grande reabsorção. 
 
4 - Indicações 
 
4.1 - Selas metálicas 
A) Prótese dento-suportada; 
B) Rebordos residuais não reabsorvidos e com 
fibromucosa firme; 
C) Espaços protéticos pequenos; 
D) Espaços intermaxilares reduzidos, sem es-
paço para resina. 
 
4.2 - Selas metaloplásticas 
A) Prótese dentomucososuportada; 
B) Rebordos residuais irregulares e reabsorvi-
dos, extrações recentes e em todos os casos 
de reabsorção irregular e acelerada; 
C) Nos casos em que a estética seja um fator 
importante, a sela de resina proporciona melhor 
acabamento e contorno das superfícies vesti-
bulares e linguais; 
D) Nas próteses dento-suportadas, com amplo 
espaço desdentado. 
 
5 - Requisitos de uma sela ideal 
A) Adaptação correta aos tecidos, mantendo 
espessura uniforme; 
B) Espessura suficiente para um bom acaba-
mento, evitando injúrias aos tecidos; 
C) Condutibilidade térmica, para obter bom 
estímulo tissular; 
D) Baixa densidade; 
E) Dureza suficiente para resistir à fratura e à 
Sela e Dentes Artificiais - 57 
 
deformação; 
F) Restabelecimento dos tecidos de suporte 
reabsorvidos, possibilitando caracterizaçõese 
favorecendo a estética; 
G) Possibilidade de reembasamento futuro; 
H) Facilidade para higienização. 
 
CONSIDERAÇÕES LABORATORIAIS 
 
1 - Limites da grade metálica na mandíbula 
- Posterior: região equivalente ao primeiro mo-
lar. 
- Anterior: 3,0 mm além da distal do dente pilar. 
- Vestibular: 1,5 mm por vestibular da crista do 
rebordo. 
- Lingual: 3,5 mm por lingual da linha da crista 
do rebordo. A largura da sela no sentido vestí-
bulo – lingual será, portanto, de 5 mm. (Figura 
6) 
 
 
 
Figura 6 - Limites da grade metálica na mandíbula 
 
2 - Limites da grade metálica na maxila 
- Posterior: cobre parte da tuberosidade e pro-
cessos hamulares. 
- Anterior: 3,0 mm além da distal do dente pilar. 
- Vestibular: aquém da linha que passa pelas 
faces vestibulares dos dentes pilares para não 
transparecer o metal após a prensagem da 
resina acrílica. 
- Palatino: 3 mm da crista do rebordo em dire-
ção ao palato de modo a não ultrapassar a 
linha que passa pelas faces linguais dos dentes 
pilares. (Figura 7) 
 
 
 
Figura 7- Limites da grade metálica na maxila 
 
3 - Limites da base de resina acrílica na 
mandíbula 
- Posterior: cobre a papila retromolar. 
- Anterior: estende-se até a linha de acabamen-
to da grade metálica e é biselada para formar 
uma união lisa e uniforme de resina sobre o 
metal. 
- Vestibular: as bordas apresentam-se arredon-
dadas e com aproximadamente 2 mm de es-
pessura e são justapostas às inserções muscu-
lares sem exercer pressão excessiva. 
- Lingual: depende da anatomia da crista milo-
hídea. Se essa estrutura for retentiva, a base 
deverá estender-se anteriormente à retenção; 
se a crista não for retentiva, deve estender-se 
aquém do sulco alvéolo-lingual. A borda lingual 
deve ser arredondada para não traumatizar a 
língua. (Figura 8) 
 
 
 
Figura 8 - Limites da base de resina na mandíbula 
Sela e Dentes Artificiais - 58 
 
4 - Limites da base de resina na maxila 
 
- Posterior: estende-se por toda a tuberosidade 
e processos hamulares. 
- Anterior: estende-se até a linha de acabamen-
to da grade metálica e é biselada para formar 
uma união lisa e uniforme de resina sobre o 
metal. 
- Vestibular: depende da quantidade de reab-
sorção óssea e mucosa nessa região. Se hou-
ver mucosa suficiente, acompanhando o limite 
cervical entre os pilares, numa prótese classe 
IV, o acabamento poderá ser diretamente na 
cervical dos dentes artificiais, caso contrário, a 
resina deve estender-se por vestibular de modo 
que haja liberdade de movimentos para o freio 
e inserções musculares sem que ocorra passa-
gem de ar ou acúmulo de alimento. 
- Palatino: deve ter espessura aproximada de 2 
mm, com bordas arredondadas e polidas, a-
companhando a linha de acabamento da grade 
metálica, de modo que não fiquem rugosidades 
na interface resina/metal. (Figura 9) 
 
5 - Alívio interno da sela 
Um fator importante, relacionado à co-
locação da resina, é o alívio interno da estrutu-
ra metálica da sela que permite o contato da 
resina com a fibromucosa. Para que isso ocor-
ra, o alívio deve ser de 0,5 mm a 1,0 mm (Figu-
ra 10). 
 
 
Figura 10: Alívio entre a sela e o rebordo residual. 
SISTEMA DE RETENÇÃO PARA RESINA 
ACRÍLICA 
 
O sistema de retenção é o mecanismo 
que proporciona a fixação da resina acrílica à 
sela metálica, apresentando-se como uma 
grade metálica (Figura 11) ou pequenos pinos 
com extremidade achatada. 
 
 
 
Figura 11 - Grade retentiva. 
 
Embora seja de fácil execução e mais 
resistente, a grade metálica não é indicada 
para todos os casos de desdentados parciais. 
Quando o espaço interoclusal, na região des-
dentada, é reduzido, a utilização da grade co-
mo meio de retenção dificulta a montagem de 
dentes artificiais. Sendo assim, deve-se indicar 
a malha metálica, que é mais fina. 
Nas próteses dentosuportadas, quando 
o espaço protético mésio-distal e/ou interoclu-
sal é reduzido, pode-se optar pela utilização de 
pequenos pinos, com extremidades achatadas 
e retentivas, para fixar a base acrílica (Figura 
12). 
 
 
 
0,5 a 1 mm 
 d
 e 
Sela e Dentes Artificiais - 59 
 
 
 
 
Figura 12 - Pinos de retenção. 
 
Nos casos de extremidade livre, pode-
se criar uma extensão na parte final da grade, 
para que a sela fique mais estável sobre o mo-
delo de gesso, na região de crista do rebordo 
residual (Figura 13). 
 
 
Figura 13 - “Stop” metálico na região de crista. 
 
SISTEMA DE ACABAMENTO PARA A 
RESINA ACRÍLICA 
 
O sistema de acabamento tem como 
objetivo favorecer a junção entre a resina acríli-
ca e as bordas dos componentes da estrutura 
metálica. Para isso, as bordas deverão apre-
sentar linhas definidas e superfícies que esta-
beleçam ângulos retos (Figura 14). 
 
 
 
Figura 14 - Linha de acabamento em prótese intercalar 
 
Essa conformação proporciona corpo 
para que a resina apresente resistência e pos-
sibilidade de polimento. A resina acrílica, quan-
do terminada em ângulo agudo, não permite 
que se obtenham linhas definidas, mostrando-
se irregular, com rachaduras e fraturando-se 
com facilidade. 
 
SUPERFÍCIES FUNCIONAIS DAS SELAS 
 
1 - Interna ou basal 
A superfície interna ou basal (Figura 15) 
tem relação diretacom o rebordo residual, atu-
ando como componente de suporte para a 
prótese parcial removível. 
 
 
Figuras 15 - Superfície interna ou basal 
 
Alguns aspectos importantes para a ade-
quada distribuição de forças devem ser respei-
tados durante o planejamento da prótese parci-
 
Sela e Dentes Artificiais - 60 
 
al removível. O apoio oclusal corretamente 
posicionado no dente pilar transmitirá a força 
mastigatória ao tecido ósseo subjacente por 
meio das fibras do ligamento periodontal, resul-
tando em estímulo positivo para sua manuten-
ção. Na região desdentada, a força mastigató-
ria atua sobre os dentes artificiais sendo trans-
mitida ao rebordo residual por meio da sela, 
resultando em reabsorção mais acelerada. 
Dessa forma, alguns cuidados devem ser to-
mados: 
A) Adaptação adequada da parte interna da 
sela ao rebordo residual. Caso exista espaço 
entre eles, a sela tende a deslocar-se mais 
intensamente em direção ao rebordo, ocasio-
nando instabilidade e forças laterais ao dente 
suporte (reabsorção acelerada); 
B) Correta extensão da sela abrangendo toda a 
área chapeável para que os esforços mastiga-
tórios sejam distribuídos em uma maior super-
fície; 
C) Montagem de dentes artificiais até 1º molar 
e correto ajuste oclusal da prótese, controlando 
a intensidade das forças sobre o rebordo, dimi-
nuindo sua velocidade de reabsorção, bem 
como, preservando o dente pilar de forças late-
rais. 
 
2 - Polida ou vestibular e lingual 
As superfícies polidas (vestibular e lin-
gual) (Figura 16), são importantes para estéti-
ca, fonética e comodidade do paciente, além de 
proporcionar estabilidade e retenção à prótese, 
dependendo do relacionamento que essas 
superfícies estabelecem com os músculos ad-
jacentes. 
 
 
 
 
Figura 16 - Superfícies polidas vestibular (a) e lingual (b) 
 
A ação negativa dos músculos sobre a 
prótese pode ser resultado de moldagens incor-
retas ou interferências de inserções musculares 
sobre a área chapeável. Pode-se observar 
essa ação quando os músculos estão em fun-
ção, sendo forçados contra as superfícies late-
rais da prótese. 
As superfícies polidas mantêm equilíbrio 
com osmúsculos quando apresentam espessu-
ra, largura e forma adequadas, permitindo es-
tabilidade da prótese e impedindo seu deslo-
camento. Dessa forma, com base em análise 
clínica, Fish
4
 desenvolveu o conceito de Zona 
Neutra, definindo-a como o espaço delimitado 
funcionalmente pelo rebordo residual e pela 
musculatura paraprotética (língua, lábios e 
bochechas). Tal região será preenchida por 
sela e dentes artificiais. 
A estabilidade e a retenção das próteses 
estão relacionadas com a musculatura parapro-
tética e superfícies vestibulares e linguais dos 
dentes artificiais. Assim, os dentes artificiais 
não devem ser posicionados necessariamente 
sobre o rebordo residual, mas onde as pres-
sões da musculatura paraprotética neutralizam-
se mutuamente.
11
 Por essa razão, casos em 
que não há orientação anatômica para o posi-
cionamento dos dentes em condições de neu-
tralidade de forças, é necessário utilizar a téc-
nica que determina a área de neutralidade 
a 
b 
Sela e Dentes Artificiais - 61 
 
muscular. 
 
3 - Oclusal 
A superfície oclusal (Figura 17) apre-
senta importante função na prótese, pois está 
relacionada com sua estabilidade e retenção. 
Dessa forma é fundamental adequado ajuste 
oclusal a fim de obter relacionamento estável 
dos dentes artificiais com os dentes antagonis-
tas. 
 
 
 
Figura 17 - Superfície Oclusal. 
 
DENTES ARTIFICIAIS 
 
1 - Seleção de dentes artificiais 
A estética e a função são dois fatores de 
grande relevância para a seleção dos dentes 
artificiais. Enquanto os dentes posteriores auxi-
liam na mastigação, mantém a dimensão verti-
cal de oclusão e os contornos da face, os den-
tes anteriores contribuem com a função e foné-
tica e são importantes na satisfação estética do 
paciente. 
Os dentes artificiais podem ser selecio-
nados quanto aos tipos de materiais, forma, 
anatomia oclusal, tamanho e cor. 
 
2 - Tipos de materiais 
Quanto ao tipo de material, os dentes 
artificiais podem ser de porcelana, resina acríli-
ca ou com a superfície oclusal metálica. 
 
2.1 - Dente de Porcelana 
 
A) Vantagens 
- O desgaste é clinicamente insignificante ao 
longo do tempo; 
- Manutenção da dimensão vertical; 
- Pode ser esculpido e polido; 
- Permite reembasamento total das próteses; 
- Possui estabilidade de cor; 
- Apresenta facilidade de acabamento laborato-
rial; 
- No processamento laboratorial, não são ne-
cessários maiores cuidados no isolamento do 
gesso na mufla, para inclusão da resina acrílica 
de base. 
 
B) Desvantagens 
- Em espaços inter-oclusais reduzidos sua a-
daptação é difícil podendo fraturar ou deslocar; 
- Produz ruídos durante a mastigação; 
- Dificuldade no ajuste oclusal; 
- Produz abrasão nos dentes naturais opostos, 
bem como nas próteses que não sejam de 
porcelana; 
- Não se une quimicamente ao material da 
base, necessitando artifícios que o retenha, 
como pinos ou orifícios; 
- Risco de fratura na demuflagem; 
- Por ser frágil, necessita de aumento de es-
pessura apresentando as bordas incisais mais 
grossas; 
- Dificuldade para caracterização. 
 
2.2 - Dente de resina acrílica 
 
A) Vantagens 
- Une-se quimicamente à base não necessitan-
do de elementos para retenção mecânica; 
Sela e Dentes Artificiais - 62 
 
- Maior facilidade na montagem, mesmo nos 
casos de menor espaço inter-oclusal; 
- Não produz ruído durante a mastigação; 
- A ocorrência de fratura é menor, principal-
mente nas desmuflagens; 
- Maior versatilidade, tanto nas mudanças de 
forma, como nas caracterizações; 
- Desgaste mínimo sobre os dentes naturais e 
próteses opostas (exceto as de porcelana), o 
que constitui uma indicação precisa para sua 
utilização; 
- Não há necessidade de aumento de espessu-
ra, possibilitando bordas incisais mais finas; 
- Facilidade nos ajustes oclusais. 
 
B) Desvantagens 
- Instabilidade de cor; 
- Perda da dimensão vertical; 
- Baixa resistência à abrasão; 
- Dificuldade de acabamento laboratorial; 
- Maior cuidado ao isolar o gesso da mufla, 
para inclusão da resina acrílica. 
Alguns fabricantes alteram a composi-
ção dos dentes artificiais de resina acrílica adi-
cionando resina composta para aumentar sua 
resistência ao desgaste. Resina acrílica pren-
sada pode ser utilizada sobre os dentes natu-
rais dos pacientes, cobrindo as superfícies 
incisais e/ou oclusais para restabelecer e man-
ter a dimensão vertical. Nesse caso, as próte-
ses parciais removíveis são denominadas “o-
verlay” ou de recobrimento. 
 
2.3 - Dentes com oclusal metálica 
Os dentes com oclusal metálica podem 
ser do tipo “overlay” (Figura 18) ou pôntico 
(Figura 19). Esse último é encerado juntamente 
com a estrutura metálica. 
 
 
 
 
Figura 18 - Dente artificial com oclusal metálica tipo “over-
lay” 
 
 
 
Figura 19 - Dente com oclusal metálica tipo pôntico 
 
A) Indicações 
- Quando na forma de pônticos, os dentes com 
oclusal metálica são utilizados em espaços 
intermaxilares e interdentários estreitos, onde a 
falta de espaço implicaria na diminuição da 
resina, não proporcionando resistência às for-
ças mastigatórias; 
- Quando na forma de “overlay”, os dentes com 
oclusal metálica são utilizados para o restabe-
lecimento e/ou manutenção da dimensão verti-
cal e contatos oclusais. 
 
3 - Forma 
 Quanto à forma, a seleção dos dentes 
artificiais da prótese parcial removível será 
baseada nos dentes anteriores remanescentes. 
Porém, na ausência desses, deve-se selecio-
nar a forma do incisivo central, que se harmo-
niza com a forma da face do paciente. Esses 
Sela e Dentes Artificiais - 63 
 
dentes podem assumir quatro formas: quadra-
do, triangular, ovóide ou misto (Figura 20). 
 
Figura 20 - Formas das faces. 
 
4 - Anatomia oclusal 
 Quanto à seleção dos dentes artificiais 
com base na anatomia oclusal, os dentes po-
dem apresentar-se como anatômicos e não 
anatômicos. Usualmente, utilizam-se dentes 
anatômicos que apresentam inclinação de cús-
pides aproximada de 33º. 
 
5 - Tamanho 
Para a seleção do tamanho dos den-
tes anteriores deve-se comparar a largura 
com a medida atual. Em caso de linha do 
sorriso alta, deve-se selecionar um dente 
quadrado com longo ponto de contato. Isto 
minimizará a exibição da gengiva interproxi-
mal de resina acrílica. 
No caso de ausência dos dentes an-
teriores, a escolha será baseada em mensu-
rações executadas na base de registro em 
posição, em relação linha média, linha alta do 
sorriso e linha das comissuras labiais, indivi-
dualizando as medidas para cada paciente.
 
O 
rolete de cera, no sentido vertical, deve ser 
ajustado de acordo com a idade do paciente. 
Quanto à largura V-L, o dente artificial 
deverá apresentar-se menor do que o dente 
natural substituído. Pois, a forma estreita 
facilita a mastigação e auxilia a bochecha e a 
língua na manutenção da prótese sobre o 
rebordo residual. Quanto à largura M-D, o 
espaço dental a partir do canino indicará se 
serão colocados 3 ou 4 dentes. A utilização 
de 3 dentes é mais indicada devido à diminu-
ição no potencial de reabsorção do rebordo. 
 
6 – Cor 
A seleção de dentes em prótese parcial 
removível deve seguir a cor e forma dos dentes 
naturais. A opinião do paciente e mesmo de 
algum acompanhante é fundamental para a 
escolha da cor do dente (influência psicológi-
ca), pois o conceito de estética é muito subjeti-
vo. 
Deve-se considerar ainda alguns fato-
res: 
A) Ambiente 
 O consultórioodontológico deve ter 
cores neutras, para reduzir o cansaço visual. 
Deve-se, ainda, evitar interferência pela cor da 
roupa do paciente, bem como, por qualquer 
tipo de maquiagem facial. 
 
B) Observador 
O paciente deve estar posicionado de 
forma que a luz incida de maneira similar na 
escala de cor e no dente natural, a uma distân-
cia aproximada de 60 cm. A seleção da cor 
deve ser realizada rapidamente (5 segundos) 
para se evitar cansaço da retina. Além disso, é 
sugerido descansar os olhos em um fundo azul 
durante a seleção de cor. 
 
C) Fonte de luz 
A seleção de cor deve ser realizada du-
rante o dia, com luz natural, desligando a luz do 
refletor. 
 
 
 
 Quadrado Misto Triangular Ovóide 
Sela e Dentes Artificiais - 64 
 
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11. SCHIESSER, F. J. The neutral zone 
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12. STRATTON, R. J.; WIEBLT, F. J. 
Prótese: an atlas of removable partial 
denture design. 2 ed. Chicago: Quin-
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13. TURANO, J. C.; TURANO, L. M. Pró-
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