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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO Medicina Veterinária – Campus Em Seropédica Jeferson Bruno Da Silva – Matrícula: 201406074-4 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Conceitos Gerais em Medicina Interna: Anatomia Topográfica Abdominal Estudo da Anatomia: É divido em dois ramos. Anatomia Descritiva – Descrição dos diversos sistemas. Anatomia Topográfica - estudo em conjunto de todos os sistemas contidos em cada região do corpo e das relações entre eles. A necessária a descrição de: Direção, Formas e Posições Anatômicas. É importante definir nomes das regiões para áreas específicas do corpo. Planos Anatômicos Para se ter referência da posição dos órgãos e também entre eles, facilitando a interpretação da imagem. Plano Sagital ou Longitudinal – Plano orientado de forma longitudinal ao axis do corpo. Usado na ultrassonografia abdominal e torácica. Quando passa exatamente sobre a linha média do corpo e divide o corpo na metade, é chamada linha mediana e, qualquer linha paralela é um corte sagital. Plano Transversal - Passam pelo corpo perpendicularmente ao axis e divide o corpo ou órgão em segmentos craniais e caudais. Usado na ultrassonografia abdominal e torácica. Plano Frontal, Dorsal ou Coronal - Perpendiculares aos planos sagitais e transversos e dividem o corpo longitudinalmente em segmentos dorsais e ventrais, mais usado para avaliação do rim. Paralelo ao dorso. Importantes para a avaliação ultrassonográfica de rim, alça intestinal, testículo, ovário, etc. Secciona-se o órgão em vários planos para fazer uma varredura completa daquela órgão pois ele pode apresentar, por exemplo, um nódulo que talvez não aparecesse em um plano mas ficaria evidente em outro. O rim sempre tem que fazer corte sagital e depois fazer mensuração. Não precisa fazer mensuração da largura? Estudos provam que a largura tem variabilidade muito grande dependendo do tempo que o animal ingeriu líquido e outros, então isso não tem muita importância. Na rotina, avalia-se mesmo o comprimento, ou seja, tamanho é documento. Cavidade Abdominal Se estende do diafragma à região pélvica. Limites: Cranial – Diafragma Dorsal – Vértebras e músculos lombares Lateral – Músculos oblíquo e transverso Ventral – Músculo reto Recoberta pelo peritônio: membrana serosa, dividida em: Parietal – Superfície interna da parede abdominal Visceral – Órgãos abdominais Conectivo – Refere-se ao omento e mesentério Espaço retroperitoneal: Área dorsal ao peritônio e ventral aos músculos sublombares. Divisão Abdominal – Linhas Imaginárias Região Abdominal Cranial (Epigástrica) - Liga Ponta do último par de costelas uma a outra. Região Abdominal Média (Mesogástrica) – Região entre os íleos, região inguinal. Região Abdominal Caudal (Hipogástrica) – Caudal à região entre os íleos. Quadrantes Abdominais: Para tornar mais fácil a localização dos órgãos na cavidade abdomino pélvica, os anatomistas dividiram a cavidade em nove regiões (Quadrantes). Região Epigástrica, Região Mesogástrica, Região Hipogástrica é mais utilizado. Subdividindo em direita, esquerda e central. Com que objetivo divide-se em quadrantes? Para entender órgãos e estruturas localizadas naquele quadrante. Se digo que tem um nódulo na região paracondríaca esquerda, automaticamente deve-se ter uma noção em que porção de que órgão aquele nódulo pode estar localizado. EXAME RADIOGRÁFICO *Fornece perspectiva global da cavidade abdominal, diferente do ultrassom, em que consegue avaliar de forma dinâmica pequenas áreas. Leitura do exame radiográfico: Seguir sequência de visualização das estruturas/órgãos habitualmente identificáveis (Posição topográfica). Analisar essas estruturas em relação a radiopacidade, forma, tamanho e contorno. Limitações: Definição e avaliação da arquitetura interna do parênquima dos órgãos. Alterações Radiográficas: Opacidade, tamanho, forma, posição, margens. Os órgãos abdominais têm muita semelhança em relação à sua radiopacidade, porém têm forma diferente, contorno diferente e localização diferente, além de uma pequena variação de radiopacidade. Avalia a opacidade, tamanho, forma, posição e margens. Aspectos Técnicos: Posicionamento/Enquadramento Imagem radiográfica: Visualização de toda cavidade abdominal. Visão panorâmica. (diafragma até alguns centímetros caudal as articulações coxofemorais). Pelo menos duas projeções (Perpendiculares entre si). Lateral direita/lateral esquerda. Ventro dorsal. Ideal = 3 projeções radiográficas. DV: não usada rotineiramente. Normalmente utilizada para avaliação do coração. Técnica Radiográfica: Deve ter o mAs alto e o KV baixo. Poucas escalas de cinza e mais pretos e brancos porque se for cinza os órgãos vão se assemelhar muito, o ideal é que tenham mais contraste. Cães abdômen > 10cm – Grande antidifusora. A radiografia simples não é o melhor exame de imagem para diagnosticar alterações nos órgãos abdominais. Preparo do Animal: Depende do exame radiográfico – Jejum 12h (preferencialmente). Exame simples (sempre deve ser realizado). Exame contrastado (quando solicitado pelo clínico). Após do exame simples. Utiliza-se contraste, e normalmente é a base de iodo. Incidências radiográficas: VD LL Em caso de tórax, é ideal fazer a VD, latero-lateral direito e latero-lateral esquerda. Ideal são 3 posições. Na lateral esquerda, um rim se sobrepõe a outro. Não ocorrendo na latero-lateral direita. Visualização Dos Órgãos Abdominais Depende: Densidade dos órgãos (diferença de opacidade entre os órgãos). Quantidade de gordura, mesentério e omento (contraste). Variação da densidade do conteúdo dos órgãos abdominais (opacidade). Ajuda a delinear o órgão (ar ou gás no estômago, fezes no colon). Animal jovem normalmente tem pouca gordura e o contraste diminui, o que é ruim para a técnica. É bom visualizar ar, gás na radiografia pois ele confere um contraste e permite melhor visualização dos órgãos. Fezes no cólon, gás no duodeno ou na bexiga servem como contraste para melhor visualização do órgão. Fatores que Afetam a Qualidade Diagnóstica (Diminuição de Detalhe) Magro x Gordo – Mais dificuldade se for magro Animais Jovens – Contraste insuficiente Líquido Abdominal – Dificulta a visualização dos órgãos abdominais pois tem radiopacidade semelhante a tecido mole. Muitas vezes não sabe se é ascite ou massa (aumento generalizado do órgão), por exemplo. O que fazer? Ultrassom, pois líquido não é igual a tecido mole. Interpretação Radiográfica Identificar todas as estruturas na radiografia e verificar as anormalidades. Possíveis explicações para as anormalidades. Correlacionar a sinais clínicos e exames complementares. Possíveis diagnósticos em ordem de probabilidades (diagnósticos diferenciais, ideal 3 possíveis diagnósticos). Para Finalizar o Laudo, Precisa-se de: Experiência radiográfica e conhecimento de anatomia radiográfica. Processos fisiológicos e patológicos. Quadro clínico. Exames complementares. Não indica-se raio x na suspeita de piometra pois o conteúdo dentro do útero é líquido e não dá contraste com os demais órgãos e, por isso, muitas vezes, não consegue-se diagnosticar piometra só com raio x, necessita-se do ultrassom onde é possível diferenciar estruturas líquidas. Numa avaliação abdominal, diafragma, fígado, estômago, intestinos, rins, bexiga, próstata, vesícula biliar conseguem ser avaliados claramente no raio-x. Já pâncreas, adrenais, linfonodos, ovário, útero são difíceis de serem avaliados em condições normais. Se estiverem aumentados, por exemplo, essa visualização torna-se mais fácil. ULTRASSONOGRAFIA Tem substituído o exame radiográfico abdominal na rotina. Excelente método de triagem. Ultrassonografia Abdominal Fornece informações sobre: Topografia/posição Contornos/Superfícies/Margens Forma do órgão Dimensões Ecogenicidade (Interação tecido com feixe sonoro) Hiperecoico - Branco Hipoecoico – Cinza (ex: baço) Anecoico – Preto Com icogenicidade ou não (mais denso ou não) Ecotextura(Distribuição interna dos ecos – aparência) Parenquitomatosos: Homogêneo/heterogêneo Arquitetura (Aspecto anatômico) Após tricotomia, pode-se aplicar álcool, porém o gel é indispensável, pois aumenta superfície de contato e diminui a camada de ar. Órgãos Cavitários Não têm ecotextura. Avalia-se Topografia Repleção Conteúdo Anecóico Hipoecóico Parede Espessura Regular ou Irregular Técnica Plano Sagital: ventral (topo do monitor), dorsal (base do monitor), Cranial (lado direito do monitor) e caudal (lado esquerdo do monitor). Decúbito dorsal, tricotomia quando necessário, gel, seleção do transdutor, posicionamento do transdutor. Preparo prévio Dimeticona quando necessário para diminuir gases (9-10 mg/kg) 3 x. Posicionamento Tricotomia Gel Seleção do Transdutor Varredura abdominal A varredora é feita no sentido anti horário. Interpretação da imagem: Corte sagital/longitudinal (transdutor apontado para a cabeça do animal). Tela: V Cr Cau D Transdutor apontado para a direita. Tela: V Dir Esq D Avaliar ecogenicidade, topografia, forma, arquitetura. Fazer cortes sagital e transversal. E fazer medição dos órgãos. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Fatia o animal (pão de forma). Um exame pode chegar a 2500 cortes em um exame. Um exame regional faz em média, 250, 300 cortes. TC (Multislice) •Alta sensibilidade •Precisão diagnóstica –Diagnóstico precoce de doenças •Densidade: Quantidade de radiação absorvida por cada parte do corpo (radiodensidade) –Escala de cinza •Pulmão/ar –preto •Gordura –cinza escuro •Água /partes moles –cinza médio •Osso –branco •Exame; •Jejum: 8 a 12h Terminologia •Isoatenuante-atenuação semelhante •Hipoatenuante–menores que o padrão •Hiperatenuante–maiores que o padrão •Unidade Hounslfield(HU) -0-água •-1000 –mais escuro •+ 1000 –mais claro •Ar: -1000 HU •Osso:300 a 350 HU •Gordura: -120 a 080 HU •Músculo: 50 a 55 HU