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SIGNERS CRIAM
ou situação.
evoluíram.
e a máquina,
Essas tensões
E CONTI N UAM A
então, documentos
m tipos mobilizou
LETRA I 47
Interstate Light
Interstate Light Compressed
Interstate Light Condensed
Interstate Regular
Interstate Regular Compressed
Interstate Regular Condensed
Interstate Bold
Interstate Bold Compressed
Interstate Bold Condensed
Interstate Black
Interstate Black Compressed
Interstate Black Condensed
Projetada por Tobias Frere-Jones, Font Bureau, '993
nn pp
Scala Scala Sans
Scala Italic Scala Sans Italic
SCALA CAPS SCALA SANS CAPS
Scala Bold Scala Sans Bold
A Scala, de Martin Majoor, Scala Sans Bold
usada neste livro, começou
como uma fonte serifada.
SCALA JEWEL CRYSTAMais tarde, Majoor adicionou
a ela uma subfamaia
SCALA JEWEl DIAMOND
sem serifa e um conjunto
ornamental denominado SCALA JEWEL PEARL
jewel U6iaJ. O diagrama
acima,foi to por ele, mostra SCALA JEWEL SAPHYR
a espinha comum entre as
versões serifada e sem serifa.
GRANDES PAMÍLIAS
u
......................
u
u
........... ___.._ "-1.......
u
u
..............--..- ,... ,......
u
A UNIVERSfoi projetada pelo tipógrafo suíço Adrian
Frutiger em '957. Ele desenhou 21 versões da Univers,
em cinco pesos e larguras. Ao contrário de muitas famaias
tipográficas, que crescem com o tempo ao ganharem
popularidade, a Univers foi concebida como um sistema
total desde o princípio.
Um tipo romano tradicional de livro
costuma ter uma família pequena - um
grupo nuclear consistindo de romana,
itálica, versaletes e talvez um peso
bold e um semibold (cada qual com sua
itálica). As famílias sem serifa possuem
normalmente muitos outros pesos e
tamanhos - fino, leve, preto, ultra
estreito, estreito etc. Nos anos 1990,
muitos designers de tipos criaram
famílias com versões serifadas e sem
serifa. Versaletes e algarismos não
alinhados (uma cortesia normalmente
reservada a famílias serifadas) foram
incluídos nas versões sem serifa da
Thesis, da Scala, e de muitas outras
grandes famílias contemporâneas.
PROJETANDO FONTES LETRA I 48
M ERC URY BO LO SMALL CA PS
Prova, 2 003
Designer: Jonathan HoeAer,
The HoeAer Type Foundry
A Mercury foi projetada para a
produção de jornais modernos, ou
seja, para a impressão rápida e de
grande volume em papel barato.
As notas desta prova, que mostram
apenas uma das variantes dessa
vasta famaia tipográfica, comentam
tudo - da largura ou peso das letras
ao tamanho e à forma das serifas.
LETRA I 49 PROJETANDO PONTES
LAS VEGAS: CASTAWAYS
Desenhos e tipos acabados . 2001
Direção de arte: Andy Cruz
Design tipográfico: Ken Barber
Engenharia de fonte: Rich Roat
House I ndustries
A Castaways pertence a uma série de Jontes digitais
baseadas na sinalização comercial de Las Vegas.
A sinalização original Joi frita por artistas letristas
cujos letreiros e logotipos eram Jeitos à mão. A Hou se
lndustries é uma JUndição tipográfica digital que cria
fontes inspiradas na cultura popular e na história
do designo O designer Ken BarberJaz desenhos a lápis
e depois digitaliza seus contornos.
Por mais de quinhentos anos, a produção de fontes
foi um processo industrial. A maioria dos tipos
eram moldados em chumbo até o surgimento da
fotocomposição nos anos 1960 e 1970; as primeiras
fontes digitais (também criadas nesse período)
ainda requeriam equipamento especializado para o
seu projeto e produção. O desenho de fontes só se
tornaria um campo mais acessível com o advento
dos microcomputadores. No final do século xx,
"fundições tipográficas" digitais haviam aparecido
no mundo todo, muitas delas lideradas por um ou
dois designers.
Contudo, produzir uma fonte completa
ainda é uma tarefa enorme. Mesmo uma
família pequena possui centenas de caracteres
diferentes, e cada um deles requer muitas fases de
refinamento. O designer tipográfico também precisa
determinar como deve ser o seu espacejamento,
que plataformas irá usar e como irá funcionar em
diversos tamanhos, meios e linguagens.
LETRA I 50
THE LOCUST [ESQ.]
E MElT BANANA [DI R.]
Cartazes serigrafados, 2002
Designer: Nolen Strals
Nem todas as letras são
tipográficas. A letragem
manual ainda é uma força
vibrante no design gráfico,
como mostram esses cartazes
de dois eventos musicais
de Baltimore. A letragem
manual também é a base de
várias fontes digitais, mas
dificilmente elas chegam
perto da potência das letras
verdadeiramente fritas à mão.
I so
MELT BANANA [OI R.]
serigrafados , 2002
Nolen Strals
Nem todas as letras silo
tipográficas. A letragem
manual ainda é uma força
vibrante no design gráfico,
como mostram esses cartazes
de dois eventos musicais
de Baltimore. A letragem
manual também é a base de
várias fontes digitais, mas
dificilmente elas chegam
perto da potência das letras
verdadeiramente feitas à mão.
LOGOTIPOS LETRA I 52
Johannes Hübner
übner
Ingenieurbüro
Informalions- und
Funklechnik
TeI0351-4772181
Fax 0351-4772191
Funk 0172-3513564
BünaustraBe 21
01109 Dresden
www.johannes-huebner.de
mail@johannes-huebner.de
H ÜSNER
Programa de identidade, 1998
Designer: Anton Stankowski
A identidade visual desta firma
de engenharia usa a letra H como
marca. As proporções da marca
mudam de acordo com o contexto.
LETRA I 53 LOGOTIPOS
RACHEL COMEY
Logotipos, 2003
Designer: Anton Ginzburg
Esses logotipos, f eitos para
uma designer de moda, usam
letras tradicionais de manei ra
contemporânea. A formalidad e
dos caracteres manuscritos
clássicos é atenuada pelo uso
de letras minúsculas na escrita
do nome da designer, enquanto
a letra M em caixa·alta na
partícula "coMey" injeta um
elemento-surpresa no nome.
OS LOGOTIPOS usam a tipografia e a letragem para
grafar o nome de uma organização de um modo
memorável. Se algumas marcas são feitas com
símbolos abstratos ou ícones pictóricos, um logotipo
usa letras para criar uma imagem distinta.
Os logotipos podem ser feitos com
fontes existentes ou com letras personalizadas.
Atualmente, muitos deles têm várias versões para
uso em situações diversas. Um logotipo faz parte
de um programa de identidade mais abrangente,
que o designer concebe como uma linguagem viva
(e mutante) de acordo com as circunstâncias.
museumthe
THE NOGUCHI MUSEUM
Logotipo, 2004
Designers: Abbott Miller e
Jeremy Hoffrnan, Pentagram
Os lados de um quadrado foram suavemente
encurvados em referência à obra de Isamu Noguchi,
que dá nome ao Noguchi Museum. O quadrado
côncavo coordena-se com a fonte Balance,
que também possui elementos levemente curvos.
PONTES DE TELA LETRA I 54
L ETTE RS CAP ES
Site, 2002
Designer: Peter Cho
Esse site experimental traz
letras bitrnap animadas em
um espaço tridimensional.
Fui ficando cansado da gritaria por tipos mais suavizados que corrigissem o serrilhamento dos
tipos digitais. Enquanto urna parte de mim chorava ao ver a Gararnond retalhada na grade de
pixels, a outra parte pensava, "E dai?" John Maeda, 2001
\ 54
serrilhamento dos
na grade de
LETRA \ 55 FONTES DE TELA
A suavização, que usa tons de
cinza para criar a ilusão de
contornos curvOS;J é eficaz para a
reprodução de textos na tela
em tamanhos grandes.
Em mmmb:J.~, no 9b.n1D" eIIIIIeS BII:II ~ d ... Úx;;IIr,.
Mu:iIm ~ te:le:itxms) ~USIr ii::m.e. ~ pIIRh em 1:30.
LETRA SUAVIZADA LETRA BITMAP
A suavização digital
[anti-aliasing] cria a aparência
de uma borda suave ao Jazer
com que alguns pixels da borda
de uma letra apareçam em tons
de cinza. Ela i mais eficaz em
títulos grandes do que em textos
pequenos.
FONTES PARA IMPRESSÃO FONTES PARA A TELA
A Helvetica, criadana Suíça em A Verdana é uma fonte sem serifa
1957, é uma das fontes mais projetada por Matthew Carter
populares do mundo. especialmente para a tela.
Embora a Helvetica seja a fonte-padrão de muitos A Verdana possui altura-x maior, curvas mais
computadores, ela foi projetada para impressão. simples e formas mais abertas que a Helvetica.
HELVETlCA 12 E 8 PT Projetada por Max Miedinger, 1957 VERDANA 12 E 8 PT Projetada por Matthew Carter, 1996
Criada para um jomallondrino, a Times A Georgia é uma fonte serifada de tela
Roman também é muito popular, em projetada com curvas simples, formas
grande parte por sua enorme distribuição, abertas e espacejamento generoso.
Ela é a fonte-padrão de muitos sites, porque se pode esperar Georgia e Verdana, encomendadas pela Microsoft, foram
que muitos usuários a possuam em seus computadores. amplamente distribuídas, tornando-se úteis para a internet.
TIMES 12 E 8 PT Projetada por Stanley Morison, 1931 GEORGIA 12 E 8 PT Projetada por Matthew Carte" 1996
FONTES BITMAP LETRA I 56
fontes bitmap são feitas para mostraoores oigitais,
fontes Ditma~ são feitas ~ara mostra~ores ~i~itais em tamannos es~ecíficos,
Fontes bitmap são para mostradores digitais.
Fontesbitmapsão feitas para mostradores digitais.
fontes bitmap são feitas para mostradores digitais em tamanhos específicos,
Fontes b innap são te itas para mostradoresdigitais.
FAMÍLIA LO·RES Projetada por Zuzana Licko para a Emigre, '985
Essas fontes bitmap incoporam as famaias tipográficas precedentes Emigre, Emperor, Oakland e Universal, todas da mesma designer.
Fontes bitmap sao feitas para mostrad(,res digitais em tamanh(,s espedfi(os .
Fontes bitmap sao feitas para mostradores digitais em tamanhos específicos.
Fonres lJitmap são Teiras para mostradores digirais em ramanlJ-os especÍficos.
PIXELLA REGULAR, ITALlC, BOLO, E BOLO ITALlC DE 8 PT
Projetada por Chester para a Thirstype, 2003
Fontes bitmap são feitas para mostradores digitais em tamanhos especí1icos.
Fontes bitmop são feitos poro mostrodores digitois em tomonhos específicos_
Fontes bitmop são feitos poro mostrodores digitois_
Fontes bitmap são feitas para mostradores digitais em tamanhos especí1icos.
Fontes bitmap são feitas para mostradores digitais em tamanhos especí1icos.
fontes bitmop são feitos poro mostrodores digitois em tomonhos específicos_
fontes bitmop são feitos poro mostrodores digitais_
FFF CORPORATE DE 8 PT Projetada por Walter Apai para a Fonls for Flash, 2003
Essas fontes são projetada especificamente para funcionar com o aplicativo de autoração multimídia Macromedia Flash.
01
LETRA I 57 FONTES BITMAPI 56
IS,
es ~ecíTIco s ~
digitais.
e s pe c ífi cos,
AS FONTES BITMAP são feitas dos pixels (picture
elements [ou elementos pictográficos]) que estruturam
a tela. Se uma letra PostScript consiste de um
contorno vetorizado, um caractere bitmap contém
um número fixo de unidades retilíneas "ligadas"
ou "desligadas".
Fontes de contorno são escaláveis, ou seja,
podem ser reproduzidas em meios de alta resolução
bem como impressas em quase qualquer tamanho.
No entanto, são dificeis de ler em pequenas
dimensões na tela, onde os caracteres são traduzidos
em pixels. (A suavização pode até piorar a legibilidade
de textos pequenos.) Em uma fonte bitmap, os pixels
não se dissolvem à medida que as letras crescem.
Alguns designers gostam de explorar esse efeito, que
chama a atenção para a geometria digital das letras.
As fontes de pixels são amplamente utilizadas tanto
no meio impresso quanto no digital.
8 pH Corporate
16 pH Corporate
24 PH Corporate
32 PH Corporate
Uma fonte bitmap é projetada para ser usada
em tamanhos especificos tais como 8 pixels,
B08a-JANDEL NIJHOF g, LEE
STAALSTRAAT 13-A
1011 Jf{ AMSTERDAM
22/05/03 13: 12
000000 00094 b'ED.1
VERZOO.mST. 42.50
TVf'OI3RAFIE 6.00
TVf'OI3~'AFIE 16.50
TVP\]~'AFIE 19.50
TVPOIJI;:AFIE 3.3.95
r r "':"t:"TVPOGRAFIE ~~ ....''"'
TVPOI3RAFIE 32.00
TVPOGRAFIE 59.00
TVPOGRAFIE 40.00
WPOGRAFIE 50.40
Wf'OI3RAFIE 47.25
TVPDGRAFIE 80.00
WPOGRAFIE 37.70
SIJE:TDTAL 520.15
BTW LAAG 29.44
STUf{S 13Q
CREDIT 520.1.5
O[]f( ANTWUARIAAT
TEL:020-6203980
F A>:: 020-6393294
N I )HOF & LEE
Recibo, 2003
t?SpU~?7CC/s.
específicos.
s específicos.
específicos.
. Flash.
porque seu corpo é construído precisamente com
unidades de tela. Em tela, uma fonte bitmap
deve ser mostrada em múltiplos pares de seu
tamanho original (um tipo de 8 px deve ser
ampliado para 16, 24, J2 px e assim por diante).
As telas de Macs e PCs mostram 72 pixels por
polegada. Desse modo, um pixel equivale a
aproximadamente um ponto.
Esse recibo de caixa
registradora, impresso com
uma fonte bitmap, vem
de uma livraria de design e
tipografia em Amsterdã .
(A autora ainda está em
débito com essa transação.)
EXERCÍCIO COM LETRAS
Crie um protótipo para uma fonte bitmap
desenhando letras em uma malha quadrada.
Substitua as curvas e diagonais das letras
tradicionais por elementos retilíneos.
Evite fazer "escadas" detalhadas, que não
passam de curvas e diagonais disfarçadas.
Esse exercício revisita os anos 19IO e
1920, quando designers de vanguarda
faziam fontes experimentais baseados em
elementos geométricos simples. O projeto
também reflete a estrutura das tecnologias
digitais - dos recibos de caixas registradoras
e placas de LEDS às fontes de tela - ,
mostrando de que maneira uma fonte pode
funcionar como um sistema de elementos.
Exemplos de trabalhos de estudantes do
Maryland lnstitute College ofArt
JAMES ALVAREZ
LETRA I 58
-.-1
.JL
WENDY NEESE
LETRA I 59 EXERCÍCIO COM LETRAS
JOEY POUS
[
BRUCE WILLE N
BRENDON MCCLEAN
THE XIX AMENDMENT
Instalação tipográfica na Grand Central Station.
Nova York. 1995
Designer: S tephen Doyle
Cliente: The New York State Division of Women
Patrocinadores: The New York State Division
of Women. Metropolitan Transportation Authority.
Revlon e Merrill Lynch
TEXTO I 62
CYBERSPACE ANO CIVIL
SOCIETY
Cartaz, 1996
Designer: Hayes Henderson
Em vez de representar o
ciberespaço como um diagrama
etéreo, o designer usou manchas
de textos sobrepostos para
construir um vulto agourento.
1996
: Hayes Henderson
vez de representar o
IClb f:resp1aço como um diagrama
etéreo, o designer usou manchas
de textos sobrepostos para
construir um vulto agourento.
TEXTO
LETRAS REÚNEM-SE EM PALAVRAS ; PALAVRAS CONSTROEM SENTENÇAS.
Em tipografia , o termo "texto" é definido como uma seqüência contínua
de palavras, distinta de legendas ou títulos mais curtos. O bloco principal é
freqüentemente chamado de "corpo" e contém a principal massa de conteúdo.
Também conhecido como "texto corrido", pode fluir de uma página, coluna
ou caixa para outra. O texto pode ser visto como uma coisa - um objeto
impávido e robusto - ou como um fluido derramado nos continentes da
página e da tela. Pode ser sólido ou líquido, corpo ou sangue.
Como corpo, o texto é mais íntegro e completo que os elementos
que o circundam, sejam eles imagens, legendas e fólios, ou banners,
botões e menus. Os designers geralmente tratam o corpo de texto com
consistência, fazendo-o aparecer como uma substância coerente distribuída
ao longo dos espaços de um documento. Nos meios digitais, textos
longos são normalmente partidos em pedaços que podem ser alcançados
por mecanismos de busca ou links de hipertexto. Designers e escritores
contemporâneos produzem conteúdo para vários contextos - de páginas
impressas a uma gama de ambientes de software, tipos de telas e dispositivos
digitais, cada qual com seus próprios limites e oportunidades.
Os designers abrem caminhos para dentro - e para fora - do
fluxode palavras quebrando o texto em partes e oferecendo atalhos e rotas
alternativas através da massa de informação. De um simples recuo (que
sinaliza a entrada para uma nova idéia) a um link destacado (que anuncia
um salto para outro local) , a tipografia auxilia os leitores a navegarem
pela correnteza do conteúdo. Eles podem procurar um dado específico ou
esforçar-se para processar rapidam~nte um volume de conteúdo e dele extrair
elementos para uso imediato. Embora muitos livros vinculem o propósito
da tipografia à melhoria da legibilidade da palavra escrita, uma das funções
mais refinadas do design é de fato ajudar os leitores a não precisar ler.
TEXTO I 64
PSALTER-HOURS
I nglês. século XIII
Walters Ms_ Wro2. fo I. 33v
Acervo do Walters Art
Museum. Baltimore
Um monge escala a lateral
da página para substituir um
trecho incorreto pela linha
corrigida da margem inferior.
TEXTO I 65
Marshall McLuhan,
A galáxia de Gutenberg
(São Paulo: Cia Editora
Nacional/Edusp, 1972).
A respeito do futuro da
propriedade intelectual,
ver Lawrence Lessig, Free
Culture: How Big Media
Uses Technology and the
Law to Lock Down Culture
and Control Creativity (Nova
York: Penguin, 2004).
ERROS E PROPRIEDADE
A tipografia ajudou a consolidar a noção literária do "texto" como obra
original e completa - um corpo estável de idéias expresso de forma essencial.
Antes da invenção da imprensa, os documentos manuscritos coalhavam-
se de erros. Cópias eram copiadas de cópias , cada qual com suas próprias
irregularidades e lacunas. Os escribas desenvolveram maneiras inventivas
de inserir linhas faltantes nos manuscritos para salvar e reparar esses
objetos laboriosamente preparados.
Substituindo o manuscrito copiado à mão, a impressão com tipos
móveis foi o primeiro sistema de produção em massa. Assim como ocorre
com outros sistemas de produção em massa, o custo de compor os tipos,
assegurar sua correção e rodar a impressão cai unitariamente à medida
que o volume de impressão aumenta. O investimento de trabalho e capital
destina-se mais a instrumentar e preparar a tecnologia que a fazer unidades
individuais. O sistema de impressão permite que autores e editores corrijam
uma obra ao passar do manuscrito à galé tipográfica. As "provas" são cópias
de teste feitas antes do início da produção final. O ofício do revisor assegura
a fidelidade do texto impresso ao original do autor.
No entanto, mesmo o texto que consegue transpor os portais da
impressão é inconstante. Cada edição de um livro é o registro fóssil de um
texto - um registro que muda a cada tradução, citação, revisão, interpretação
ou discussão. Desde a ascenção das ferramentas digitais de escrita e edição,
os originais manuscritos fizeram tudo menos desaparecer. A correção
eletrônieãestá-substitttindo-os-hierogli[os--do-editor. Textos on-line podem
ser descarregados, reformatados, readequados e recombinados.
A imprensa ajudou a estabelecer a figura do autor como o
proprietário de um texto e as leis de copyright foram estabelecidas no
início do século XVI II para proteger seu direito a essa propriedade. A era
digital é cingida por batalhas entre aqueles que defendem a liberdade
fundamental de dados e idéias e aqueles que esperam proteger - às vezes
indefinidamente - os investimentos feitos na produção e edição de conteúdo.
A página tipográfica clássica enfatiza a completude da obra e a sua
autoridade como produto acabado. Já as estratégias alternativas de design
nos séculos xx e XXI refletem a n~tureza contestada da autoria, revelando a
abertura dos textos ao fluxo das informações e à corrosividade da história.
A tipografia tendeu a fazer com que a linguagem deixasse de ser um meio de percepção
e exploração para transformar-se em um produto portátil. Marshall McLuhan, 1962
TH E TELEPH ON E BOOK:
TE CHNO LO GY, SCHI ZO
P HR ENI A, ELECTRI C S PE ECH
Livro, 1989
Des igne r: Richard Ecke rs ley
Autor: Avital Rone ll
Composição: Michae l Iensen
Editora : Unive rs ity of
Nebraska Press
Fotografia: Dan Meye rs
Este livro - um estudo filosófico
da escrita como tecnologia
material, usa a tipografia
para enfatizar o argumento
retórico do texto_ Esta dupla,
por exemplo, é fra turada por
"rios" tipográficos (espaços que se
conectam verticalmente através
da página). Os rios violam sua
textura uniforme e unificada
- um objetivo sagrado do design
tipográfico tradicional.
"How indccd could I aim my argument ar some singular destinarion.
or anolher among you whos<: proptr name I might foraamplc:t know? And thro, is knowing a proper name: tantamount toknowing acone
someonc?" (MC, 2). Otrrida dtmOnstratts for his part Ihat me mostj
a srrucrure af the mark participares in a spccch dtsrined in .dgeneral ~
addrtsStts (destina/Rira) who are not easily determinable or~ vancc: ro
"ti
~
who,as far as any possiblc calcularian is concerned, in any case COm-
O
~
manda great reserve ofindctermination. This involvcs a languagc op
craringas asysrcrn afmarks: "Languagc, howcvcr, is only oncamong
lhos< systems ofmarlrs Ihat c1aim Ihis curious tendency as Iheir prop
erty: Ihey simultaneously incline rowards incrcasing the reserves or
random indctenninarion as weU as the capaciry for coding and ovcr·
coding or, in othcr words, for control and sclf-regulation" (Me, ! ).
We begín to discem how dle simultaneiry of detemüning, oodíng,
and cvcn supereoding forros a deep cooperarion wilh the inclination
in language toward anticoding, ar what Derrida sees as me inflatt:dre
servts of random indeterminatentss. This double-edged coding, wt
must rcmember1 regards, as it were, nonschizophrenic language, if
such a thing there bc:. "Such competition between randomness and
code disrupts lhe very systematiciry of lhe system while it also, how
ever, regulates lhe ttstl.:ss, unstable interplay of lhe system.
Whatever its singulariry in this respect, lhe linguisric system of
m= traCts or marks would merely bt, it scems to me, justa par
ocular cxample ofme law ofdestabilization" (MC, 2) . It may be
useful to note mat Derrida understands languagc in terms primar
ily of traCts and marks, where Lainguage conccms signs in the
first placc, and in particular the broken rapport of that which ~
signifYing to what ostensibly lies hidden bthind ir, or the discon
nection between signs and signs ar signs and referents. Laíng ~
Icd to assume the latency ofasingle, unique, localizable but rimid
presence-rather than trace ar residual mark- from where it
oould bt securely determined who speaks, and to whom.
This aU too bricf excursion into "My Chances,» which may unwit·
tingly reproduce lhe effect and trauma of a chance cncountcr,
means to cngage a dialogue bttween lhe qutsrion of address
raised by Laing and lhe ones raised in rum by Derrida. Foritnow
appears Ihat Laíng placts his btes on the sustained systematicicy
oflhe system which Otnida shows a1ways a1ready to falI unde"
law ofdcsrabilization.89 Morcover, Dcrrida does not suggest lan
guagCIO~
sttm! 10
~
lightof.,
bttn~
makc""",
srnctor
lOuch. ln
mal I duto
com<
andUlrt
dcstinarion,
forcxamplc
to knowing
the most
dcstincd in ad
dctcrminablc or
anycase com·
language cp
onearnong
theirprop
restrves or
andova
(Me, l).
coding,
indinarion
inflattdrc
coding, wt
languagc, if
ir also, how
S)"tcm.
sysremof
justa par
ltmaybc
Ihat which ~
or lhe discon-
Laing ~
butumid \
whtrt ir
whom. \
mayunwir·
cncountcr,
of addrtss
For itnoW
syste.rnaticity
fali under .
suggcst lan tanciry of
TEXT O 167
ESPACEJAMENTO
o design é tanto um ato de marcar quanto de espaçar. A arte do tipógrafo
não lida apenas com a textura positiva das letras, mas com os espaçosnegativos entre elas e ao seu redor. Na prensa tipográfica, todo espaço
é construído por um objeto fisico (uma peça de metal ou madeira sem
imagens proeminentes) . Os lingotes de chumbo e as fatias de cobre
inseridos anonimamente entre palavras e letras são tão fisicos quanto os
caracteres à sua volta. Finas tiras de chumbo dividem as linhas de tipos;
uma "mobília" feita de blocos mais largos contém as margens da página.
Embora as quebras entre as palavras nos pareçam naturais , a
linguagem falada é percebida como um fluxo contínuo, sem vazios audíveis.
No entanto, o espacejamento tornou-se crucial para a escrita alfabética. Ele
foi adotado depois da invenção do alfabeto grego para tornar as palavras
inteligíveis como unidades distintas. Tentelerumalinhadetextosemespacejam
entoparapercebersuaimportância.
Com a invenção da tipografia, o espacejamento e a pontuação
deixaram de ser vazios e gestos e ganharam a ossatura dos artefatos
fisicos . As marcas de pontuação; que eram usadas de maneiras diferentes
pelos diversos escribas, tornaram-se parte do aparato padronizado e
regulamentado da página impressa. O estudioso da comunicação Walter
Ong demonstrou como a imprensa converteu a palavra em um objeto visual
precisamente localizado no espaço: "A impressão tipográfica do alfabeto,
na qual cada letra era moldada em uma peça isolada de metal (o tipo) foi uma revolução psicológica
de primeira ordem... A impressão situa as palavras no espaço com uma fixidez que a escrita nunca
atingiu. Se a escrita transportou as palavras do mundo do som para o mundo do espaço visual, a
impressão fixou sua posição nesse espaço". A tipografia transformou o texto em uma coisa, em um
Walter Ong, Orality and objeto material com dimensões conhecidas e localizações fixas.
Literacy: The Technologizing O filósofo francês Jacques Derrida, que desenvolveu a teoria
ofthe Word (Londres e Nova desconstrutivista nos anos 1960, declarou que, embora o alfabeto represente York: Methuen, 198r) . Ver
também Jacques Derrida, o som, ele não pode funcionar sem marcas e espaços de silêncio. A tipografia
Gramatologia (São Paulo: manipula as dimensões silenciosas do alfabeto, empregando hábitos e técnicas
Perspectiva, 2006) . que são vistos mas não ouvidos, tais como o espacejamento e a pontuação.
Em vez de tornar-se um código transparente de gravação do discurso falado ,
o alfabeto desenvolveu recursos visuais próprios, ganhando poder tecnológico
ao deixar para trás suas conexões com o mundo falado.
Que um discurso supostamente vivo se preste a ser espacejado quando
grafado é algo que diz respeito à sua própria morte. Jacques Derrida, 1976
TEXTO 68
LINEARIDADE
No ensaio "Da obra ao texto", o crítico francês Roland Barthes apresentou
dois modelos opostos de escrita: a "obra" fechada e fixa versus o "texto" aberto
e instável. Na visão de Barthes, a obra é um objeto asseado e bem embalado,
revisto e protegido, aperfeiçoado e completado pela arte da impressão. O texto,
ao contrário, é impossível de ser contido e opera através de uma rede dispersa
de enredos-padrão e idéias recebidas . Barthes enxergava o texto como algo
"inteiramente tecido por citações, referências, ecos e linguagens culturais (e que linguagem não
é cultural?), anteriores e contemporâneos, que abrem caminho por uma vasta estereofonia ( ... )
A metáfora do texto é a rede" . Escrevendo nos anos 1960 e 1970, Barthes
antecipou a internet como uma rede descentralizada de conexões.
Barthes descrevia a literatura, mas suas idéias ressoam na tipografia
- a manifestação visual da linguagem. O "corpo" singular da página de
texto tradicional tem sido apoiado há muito tempo pelas características de
navegação do livro - dos fólios e títulos que marcam a posição do leitor a
dispositivos tais como índice, apêndice, resumo, nota de rodapé e sumário,
que puderam emergir porque o livro tipográfico é uma seqüência fixa de
páginas, um corpo alojado em uma grade de coordenadas conhecidas.
Todos esses dispositivos atacam a linearidade, fornecendo meios
de acesso e escape da corrente unívoca do discurso. Se a fala flui em uma
única dimensão, a escrita ocupa tempo e espaço. Uma das tarefas mais
urgentes da tipografia consiste em explorar essa dimensão espacial, liberando
os leitores das amarras da linearidade.
Embora os meios digitais sejam celebrados por seu potencial
de comunicação não-linear, a linearidade triunfa no meio eletrônico, seja nas
linhas de informação que rastejam ao pé da tela de canais como a CN N ,
ou nos letreiros luminosos que movimentam informações no ambiente
urbano. As aberturas de filmes - elogiadas convergências da tipografia com
o cinema - servem para distrair a audiência do tédio dos créditos.
A linearidade domina muitos dos programas que alegaram
ter revolucionado a escrita e a comunicação cotidianas. Programas de
processamento de texto, por exemplo, tratam os documentos como um fluxo
linear. (Programas de paginação como QuarkXPress e Adob InDesign, ao
contrário, permitem aos usuários trabalhar espacialmente, quebrando textos
em colunas e páginas que podem ser ancoradas e localizadas.) Programas
Um texto { ... } é um espaço multidimensional onde diversas escritas
nenhuma delas original- misturam-se e colidem. Roland Barthes, 1971
Roland Barthes •• Da obra
ao texto". in O rumor da
língua. Parte II (São Paulo:
Brasiliense. 1988).
68
de apresentação como o PowerPoint destinam-se a iluminar a fala guiando
a audiência pelo desdobramento linear do discurso oral. Entretanto, eles
reforçam o fluxo de mão única do discurso ao invés de aliviá-lo. Uma só folha
de papel poderia fornecer um mapa ou um sumário de uma apresentação
oral, mas o PowerPoint arrasta-se no tempo com sua multidão de telas .
Nem todos os meios digitais favorecem o fluxo linear em
detrimento do arranjo espacial. A base de dados , uma das estruturas
informacionais emblemáticas do nosso tempo, é essencialmente
uma forma não-linear, um sistema de elementos que podem ser rearranjados
em incontáveis seqüências, oferecendo a leitores e escritores um menu
simultâneo de opções. Leiautes de páginas podem ser construídos em
tempo real a partir de porções independentes de informação, concatenadas
de acordo com as respostas do usuário. A internet está forçando autores ,
editores e designers a trabalharem inventivamente com novas modalidades
de "microconteúdo" (títulos de página, palavras-chave, alt tags [códigos que
identificam arquivos de imagem]) que permitem a busca, a indexação, a
marcação, a conversão de dados para áudio etc.
As bases de dados são a base dos jogos eletrônicos, revistas e
catálogos - gêneros que criam um espaço informacional mais que uma
seqüência linear. As lojas e livrarias que vemos no ambiente construído não
passam de bases de dados feitas de objetos tangíveis. O crítico de mídia
Lev Manovich descreveu a própria linguagem como uma espécie de base de
dados, um arquivo de elementos que usamos para articular as afirmações
lineares do discurso. Muitos projetos de design pedem mais ênfase no espaço,
no sistema e na estrutura simultânea do que na seqüência, na afirmação
e na narrativa linear. O design atual freqüentemente combina aspectos da
arquitetura, da tipografia, do cinema, da sinalização, do branding e de outros
discursos. Dramatizando a qualidade espacial de um projeto, os designers
podem estimular a compreensão de documentos ou ambientes complexos.
A história da tipografia é marcada pelo uso cada vez mais
sofisticado do espaço. Na era digital, onde os caracteres não são recolhidos
de pesadas gavetas cheias de unidades manufaturadas, mas acessados com
teclado e mouse, o espaço tornou-se mais líquido e menos concreto e a
tipografia evoluiu de um corpo estável de objetos para um sistema flexível
de atributos.
A base dedados e a narrativa são inimigos naturais_ Competindo pelo mesmo território da cultura
humana, clamam para si o direito exclusivo de dar significado ao mundo. Lev Manovich, 2002
111~:Udi':CJ. ll não
~reoltorua (...)
Barthes, "Da obra
texto", in O rumor da
Parte II (São Paulo:
Irasl.uen:se, [988) .
TEXTO 1 69
Sobre a linearidade do
processamento de palavras,
ver Nancy Kaplan, "Blake's
Problem and Ours:
Some Reflections on the
lmage and the Word",
ReaderlyjWriterly Texts, 3.2
(primavera/verão 1996) ,
p. 125. Sobre o programa
PowerPoint, ver Edward R.
Tufte, "The Cognitive Style
Df PowerPoint", (Cheshire,
Connecticut: Graphics
Press, 2003).
Para mais informações
sobre a estética das bases
de dados, ver Lev Manovich,
The Language Df New Media
(Cambridge: M IT Press,
2 0 02).
--
-~--
.~
TEXTO I 70
~p--.-
, / ,1'" , ,
VISUAL THESAURUS 2.0
Mídia interativa, 2003
Designers: Plumb Design [nc.
Esse dicionário digital de sinônimos apresenta as palavras em uma
rede tridimensional de relações. O termo central é ligado a nós que
representam seus diferentes sentidos. Quanto mais conexões um
satelite nodal tiver, tanto maior e mais próxima será sua aparição
na tela. Clicar em um termo-satelite o leva ao centro.
TEXTO I 7'
~ nt
malevefeR
li :,Ó· ev
:,;~ ral •I.. ".
'.t.
• W~E ed
Sucedendo ao autor, o "scriptor" não traz mais paixões, humores,
sentimentos e impressões dentro de si, mas um imenso dicionário do
qual extrai uma escrita que não conhece fim. Roland Barthes, 1968
KATHERINEmcCoy
MICHAEL
mcCoy
A"sclence
Nothing pulls you into the territory between ..rt and
science quite 50 quickly 8S design.lt is lhe borderline where contradictions and teo
sioos exisl between lhe quantifiable and Lhe poetic. It is lhe field between desire
and necessity. Designers thrive in those conditions, moving belween land and W8
t r. A typical critique aI Cranbrook ca" easily move in a rnatterof minutes belween
e MA'II.~" "C. poel lc
a discussion oIthe object as a validation of being to lhe precise mechanical proposal
for actuating lhe object. The discussion moves from Heidegger to lhe "strange
material of lhe week" or from Lyotard to prinLing lechnologies without missing a
beato The free flow of ideas, and lhe leaps from lhe technical to lhe mythical, stem
from lhe attempt to maintain a studio plal- form Ihal supports each student's search lO
&
Dl sl·' necess'ty
find his or herown voice as a designer. The sludio is a hothouse lhat enables students
and faculty lo e~coun~er their o~n visions of lhe world a~d acl ~n lh~~ - a
.. process lhat 15 ai Llrnes chaoue, eonnicting, and occaslonally InspIrlng.
Watching the process of students .bsorbing new ideas .nd in
nuences, and lhe incredible range of in- lerpretalions of lhose ideas ioto design, is
M ,lMOlO·' technology
ao annual experience lhat is always arnsz- ing. In recent yeaJ'S, for example. the de
partment has had the experienee ofwatchingwood craftsmen discourse
metamorphose into high technologists , and graphic designers
ioto software humanists. Yet it ali seems eonsistent. They are bringing a very per
sonal vision to an area thal desperately needs it. The messiness of human experi
, u r I • t P I u r o I 1st
ence is wanning up lhe cold precision of technology lO make it livable, and lived in.
Unlike the Bauhaus, Cranbrook never embraced a si ngular
teachingmethodorphilosophy,otherthan Saarinen's exhortation to each student to
find his ar her own way, in the company of olher artists and designers who were en
gaged in lhe same search. The energy aI Cranbrook seems lo come from lhe fael of
Individuai C om m una I
themutualsearch,although notlhemutual conclusion. If design is about life. why
shouldn't iI have ali Lhe complexity, vari- ety, contradiction, and subljm.ity of life?
Much of the work done .. t Cr .. nbrook h.s been dedicated
to changing Lhe status quo. h is polemical. calculated to ruilledesigners' feathers. And
D .. ".I.OU· rlgorous
TEXTO 73
CRANBROOK DESIGN :
THE NEW DISCOURSE
Livro, '990
Designers:
Katherine McCoy,
P. Scott Makela e
Mary Lou KIOh
Editora: Rizzoli
Fotografia: Dan Meyers
Sob a direção de Katherine e
Michael McCoy, o programa
de graduação em design visual
e industrial na Cranbrook
Academy ofArt tornou-se um
centro de ponta para o design
experimental dos anos '970
ao início dos '990. Katherine
desenvolveu o modelo de
"tipografia como discurso",
no qual o designer e o leitor
interpretam ativamente o
texto de um autor.
o NASCIMENTO DO USUÁRIO
o modelo de Roland Barthes, que vê o texto como uma rede aberta de referências
e não como uma obra fechada e perfeita, afirma a importância do leitor na
criação do significado: "o texto aciona sua leitura (como uma porta, como
uma máquina com botão 'play') e o leitor a sobreaciona, jogando com o texto
como quem joga um jogo, procurando uma prática que o reproduza". Assim
como uma interpretação musical, a leitura é uma performan.ce da palavra escrita_
Os designers gráficos abraçaram a idéia do texto do leitor nos
anos 1980 e no início dos 1990, usando camadas de texto e diagramas
interconectados para explorar a teoria de Barthes a respeito da "morte do autor"_
Em lugar do modelo clássico, que vê a tipografia como o cálice de cristal do
conteúdo, essa visão alternativa pressupõe que o próprio conteúdo muda a cada
ato de representação_A tipografia toma-se um modo de interpretação.
Ao redefinir a tipografia como "discurso", a designer Katherine
McCoy implodiu a tradicional dicotomia entre ver e ler. Imagens podem
ser lidas (analisadas, decodificadas, isoladas) e palavras podem ser vistas
(percebidas como ícones , formas ; padrões). Valorizando a ambigüidade
e a complexidade, seu método desafiou leitores a produzirem seus próprios
significados, procurando elevar o status dos designers no processo autoral.
No final dos anos 1990, um outro modelo enfraqueceu essa
tentativa de tomada do poder pelos designers_ Ele não foi tomado
de empréstimo da crítica literária, mas dos estudos de interação homem
computador [HeI, em inglês] e dos campos do design de interface e
de usabilidade_ Nem leitor, nem escritor: o sujeito dominante de nossa era
tomou-se o usuário, uma figura concebida como um conjunto de necessidades
e limitações cognitivas, físicas e emocionais_ Assim como um paciente
ou uma criança, o usuário é alguém a se proteger e cuidar, mas também a
se escrutinizar e controlar por meio de pesquisas e testes_
O uso do texto toma-se mais importante que seu significado_
Alguém clicou aqui para chegar ali. Quem comprou isso também comprou
aquilo_ O ambiente interativo não apenas dá aos usuários um certo grau de
controle e direcionamento, mas tâ'mbém reúne dados a seu respeito de um
modo mais silente e insidioso_ O texto imaginado por Barthes como um jogo
a ser jogado persiste à medida que o usuário responde aos sinais do sistema_
Nós podemos jogar com o texto, mas ele também joga conosco.
Projete urna interface homem-máquina de acordo com as habilidades e as fraquezas da
humanidade, e você terá ajudado o usuário não apenas a realizar urna tarefa, mas a ser alguém
mais feliz e produtivo. Jef Raskin, 2000
TEXT O I 74
Os designers gráficos podem usar as teorias da interatividade para
revi sita r algumas suposições básicas a respeito da comunicação visual. Um
exemplo: por que os leitores da internet são mais impacientes que os leitores
de materiais impressos? O senso comum diz que a tela é inerentemente
mais dificil de ler que o papel. No entanto, estudos de HCI feitos no final dos
anos 1980 provaram que um texto preto nítido sobre um fundo branco pode
ser lido comtanta eficiência na tela quanto na página impressa.
A impaciência do leitor digital vem da cultura, não da natureza
da tela. Os usuários de sites têm expectativas diferentes dos usuários
de impressos. Eles querem sentir-se "produtivos", não contemplativos;
não querem processar, querem buscar; esperam ser desapontados, distraídos
e atrasados por pistas falsas. Os hábitos culturais da tela estão gerando
mudanças no design de impressos e reafirmando o papel da imprensa como
um lugar onde uma leitura extensiva ainda pode ocorrer.
Outra assunção comum é que os ícones são um modo mais
universal de comunicação que o texto. Eles são peças centrais das interfaces
gráficas [Graphic User Interface ou GUI, em inglês) que conectam
os usuários aos computadores. Mesmo assim, os textos poderiam fornecer
indicações mais específicas e precisas que os ícones. O fato é que eles não
simplificam a tradução de conteúdos em diversas línguas porque requerem
explicação em múltiplas línguas. Os infindáveis ícones do desktop, funcionam
mais como reforço da identidade da marca que como suporte de usabilidade.
Os designers modernos do séculos xx glorificaram a linguagem "universal"
da figura, mas , na era do código, o texto tomou-se um denominador
mais comum que as imagens, capaz de ser buscado, traduzido, reformatado
e reestilizado para meios de comunicação alternativos ou futuros.
Integrar fisicamente forma e conteúdo talvez tenha sido o impulso
mais persistente da arte e do design do século xx. Os poetas dadaístas e
futuristas, por exemplo, usaram a tipografia para criar textos cujo conteúdo era
inseparável do leiaute concreto de letras específicas em uma página.
No século XXI , forma e conteúdo voltaram a ser separados. Folhas de estilo, por
exemplo, impelem os designers a pensarem global e sistematicamente ao
invés de se concentrarem na construção fixa de uma superficie particular. Esse
modo de pensar permite que o conteúdo seja reformatado para dispositivos e
Sobre a legibilidade na tela ,
ver John D. Gould et ai.,
"Reading from CRT Displays
Can Be as Fast as Reading
from Paper", Human Factors,
n 29, v 5 (I987): 497-5I7·
A respeito do usuário
agitado, ver Jakob Nielsen,
Designing Web Usability
(lndianápolis: New Riders,
2000).
Sobre o fracasso dos ícones de
interface, ver Jef Raskin,
The Humane Interface: New
Direetions for Designing
Interaetive Systems (Reading,
Massachusetts: Addison·
Wesley, 2000).
Usuários da internet não gostam de ler ( ...) Querem continuar movendo-se e clicando.
Jakob Nielsen, 2000
174
Be as Fast as Reading
Paper", Human Fa'Cwrs,
v 5 (1987): 497-517.
do usuário
ver Jakob Nielsen,
Web Usability
t:lianapollS: New Riders,
o fracasso dos ícones de
ver Jef Raskin,
Humane Interface: New
for Designing
. Systtms (Reading,
~assaclJUsletts: Addison
clicando.
TEXTO 1 7S
A respeito do pensamento
sobre o design transmidiático,
ver Brenda Laurel, Utopian
Entrepreneur (Cambridge:
MIT Press, 2001).
Jef Raskin fala a respeito da
escassez da atenção humana
e do mito do espaço vazio
em The Humane Interface:
New Directions for Designing
Interactive Systems, citado
na página 74.
usuários diversos e o prepara para a sua pós-vida, enquanto os meios de
estocagem eletrônica iniciam seus ciclos de decadência e obsolescência.
No século xx, artistas e críticos modernos afirmaram a
especificidade de cada meio. O cinema, por exemplo, foi definido como uma
linguagem construtiva distinta do teatro, e a pintura foi descrita como um
meio fisico auto-referente. Hoje, no entanto, o meio nem sempre é a
mensagem. O design tornou-se uma empresa transmidiática, onde autores e
produtores criam mundos de personagens, lugares, situações e interações
que podem aparecer em diversos produtos. Um jogo pode apresentar
versões diferentes na TV, no computador, no console de videogames ou no
celular, bem como em camisetas, lancheiras e bonecos de plástico.
A beleza e a maravilha do "espaço vazio" é outro mito modernista
sujeito a revisão na era do usuário. Os designers modernos descobriram que
o espaço aberto na página pode ter tanta presença fisica quanto as áreas
impressas. Mas o espaço em branco nem sempre é uma delicadeza mental.
Edward Tufte, um feroz advogado da densidade visual, defende a máxima
ampliação do volume de dados presentes em uma única página ou tela.
Para ajudar o leitor a conectar, comparar e localizar dados rapidamente,
uma só superficie lotada de informações bem organizadas pode ser melhor
que várias páginas com muito espaço em branco. Na tipografia como na vida
urbana , a densidade convida ao intercâmbio íntimo de pessoas e idéias.
Nessa tão falada era da sobrecarga de informações, as pessoas
continuam podendo processar só uma mensagem de cada vez. Esse fato bruto
da cognição é o segredo por trás dos passes de mágica: truques que ocorrem
quando a audiência está desatenta. A feroz competição pela atenção dos leitores
dá a eles a chance de criar uma economia da informação ao escolher para onde
olhar. Os designers podem ajudá-los a fazer escolhas satisfatórias.
A tipografia é uma interface com o alfabeto. A teoria do usuário
tende a favorecer soluções normativas em detrimento das inovadoras,
deixando o design em segundo plano. Os leitores, por sua vez, costumam
ignorar essa interface, deslizando confortavelmente por ela no compasso
habitual do alfabeto. Às vezes, no entanto, essa interface deveria poder falhar.
Ao evidenciar-se, a tipografia pode iluminar a construção e a identidade de
uma página, tela, lugar ou produto.
Se as pessoas não fossem boas em achar coisas minúsculas em listas longas,
o Wall Street Journal teria saído do mercado há anos. lef Raskin, 2000
TEXTO I 76
INVENTADA NO RENASCIMENTO , A TIPOGRAFIA permitiu ao texto tornar-se
uma forma fixa e estável. Assim como ocorreu com o corpo da letra, o corpo
do texto foi transformado pela imprensa em um produto industrial, que
gradualmente tornou-se mais aberto e flexível.
Os críticos dos meios eletrônicos notaram que a ascenção da
comunicação em rede não levou à tão temida destruição da tipografia (ou
mesmo à morte da imprensa) , mas à explosão do império alfabético:
"O texto alfanumérico renasceu das próprias cinzas, como uma fênix digital
voando nos monitores, nas redes e nos ambientes do espaço virtual".
A tela do computador acolhe o texto com mais hospitalidade que as telas
do cinema ou da televisão porque oferece proximidade física, controle do
usuário e escala apropriada ao corpo.
O livro não é mais o principal responsável pela custódia da palavra
escrita. Os projetos de branding são poderosas variantes da alfabetização
que operam com símbolos, ícones e padrões tipográficos, deixando marcas
em edifícios, embalagens, capas de discos, sites, mostruários de lojas e
outras incontáveis superfícies e espaços. Com a expansão da internet,
novas (e velhas) convenções ligadas à apresentação de textos rapidamente
coagularam-se, apropriando-se de metáforas provenientes da imprensa e
da arquitetura: janela, moldura, página, banner, menu. Os designers que
trabalham nesse fluxo de múltiplos meios confrontam o texto de inúmeras
maneiras , dando forma a corpos extensos mas também a manchetes, olhos,
legendas, notas, testemunhos, logotipos, barras de navegação, alt tags e
outras próteses lingüísticas que anunciam, apóiam e até mesmo eclipsam
o corpo principal de texto.
A dissolução da escrita é mais extremada no ambiente da internet,
onde leitores distraídos resguardam seu tempo e dão mais valor à função
que à forma. Essa inquietude, como já foi dito, não vem da natureza dos
monitores, mas dos novos comportamentos engendrados pela internet, um
local de busca e encontro, rastreamento e escavação. Tendo tomadoo trono do escritor ao longo do século xx, o leitor agora se aflige e se atrasa,
substituído pelo sujeito dominante de nossa era, o usuário, cuja escassa
atenção é nosso produto mais cobiçado. Não a desperdice.
o hipertexto significa o fim da morte da literatura. Stuart Moulthrop, 1991
Sobre a escrita eletrônica,
ver Peter Lunenfeld , Snap
to Crid: A User's Cuide to
Digital Arts, Media, and
Cultures (Cambridge: M IT
Press, 2001) ; Jay David
Bolter, Writing Space:
Computers, Hypertext, and
the Remediation of Print
(Mahwah, NJ: Lawrence
Erlbaum Associates , 2001),
and Stuart Moulthrop, "You
Say You Want a Revolution?
H ypertext and the Laws
ofMedia," The New Media
Reader, Noah Wardrip·
Fruin e Nick Monfort (ed.)
(Cambridge: M IT Press,
2003), pp 691-7°3
a escrita eletrônica,
Lunenfeld, Snap
A User's Cuide to
Arts, Media, and
(Cambridge: M lT
2001); Jay David
Writing Space:
Hypertext, and
Re"~edl:atl(m of Print
NJ: Lawrence
Associates, 2001),
Stuart Moulthrop, "You
Vou Want a Revolution?
and the Laws
The New Media
Noah Wardrip
Nick Monfort (ed.)
TEXTO 177
~.,t ! HUVY A CRunn CATALOGUE
~ i BACKPACIl PROFILES • PRESElHlNG • IMC • LOSIN ~. TEU US • FAOS
07 :01· Sepumber 18·2003
Ne-w update 8t Anna Komonen's stylinQ 'w'ebsite.
Nlce l
Anna Komonen
Pos ted by Kustaa Saksi
lti :37 . Sepunlber V . 2003
generatlve abstractlons, interact,ve
composltlons & experimentai interfece3 .,
transphormetic. Ttlanks Paul
Posb!d by Rhett Oash woo d
16:25· Sepumber 17 · 2003
ConceptArt .org has some great concept art,
(rom some great concept artlsb.
Posted by ~ Rhett Dash ll' ood
17 :47 . September U . 2003
StudlO Dumbar 1$ 8: design aqency establ ished in
1977. Solld graphlc deSlgn (but need a Ilttle
hei p 'W'Uh site navig8tlon)
Pos b!d by Rhett Oa s hwood
16:40 . September I:> . 2003
S",eet and lovely I,nk. Slnce 2001. Sty leboo. t
i . relounched , rede.igned, rebooted .
Posted by Rhett Oash woo d
H EAVY BAC KPACK
Site, 2003
Uma celebração da densidade
visual pode ser vista nesse site
que coleta e escreve notas sobre
links que levam a outros sitos.
he corpse of the Australopithecus he had
illed lay nude before him. Using two fiat
tones. he made a cradle to hold his musico
~he thick book of mysteries he had found
n the weeds: Grant's Anatomy and DissectIJr
e knelt down beside her. a cellist about te
Do we not have hand erform. Hold .the scalpel1ike a ce110 bow.
organs . dimension '..e. read. grlpplI~g a sharpened clam shell.
'?.$ _1_ hen-a quick check against the diagram
.~ - tne book=h~ed tho o .... o;)ll·s pointi- / ..~nto the ape-woman's chest/ he flesh yieldll!
;:: rasily. blood oozing out ~. "'" from a mortal
. ~ puncture but with no ~essure or urgency.
! ~ /IS though it was OkJ Y' and he continued his ~ pow·s stroke-the)ow opening of a requiem
gaining confid~e as he lengthened the
~ cision towaoo her Mons Veneris (fig·cA ).
e wiPe~t{ sweat from his eyes. Since sheEI as mor simian than a Neanderthal. he 1wI
expec~ her hide to be at least as thick as
ca Jus so was surprised to find how much
. e himself an Australopithecus could be.
HANUFACT UR E DF WHOLLT HICROFABRICATED BI05 ENSORS
,.0_
stra!OpHllt"- "'~ he had
the diagram
tho ~"'olll's point
ne flesh yielded
, from a mortal
n"'~.':11l·" or urgency,
and he continued his
opening of a r equiem
as he lengthened the
Mons Veneris ( fi f.·cA' )·
from his eyes . Since she
a Neanderthal, he had
at least as thick as
to find how much
could be.
~ROf"R.ltATEO BIOSENSQRS
•• 0 .•
He took a deep breath, then began a
long cut, curving around the
then the navel, duplicating
in the book till her torso was ae'JITwI'Le",\
by a ur.lllJ,tiWlL
In the book, transparenL .. \" ...... '''VR
as membranes, presented .ne\[lOC1Y
where everything rhymed,
he wished i t were that
a bloody smudge
...divide the pleura,
,.. B _
I
...
~
VAS: AN OPERA IN FlATLAND
Livro, 2002
Designer: S tephen Farrell
Autor: Steve Tomasula
Editora: Station Hill Press
Nessa novela tipográfica sobre
a civilização pós-genética,
textos e imagens são alinhados
a uma série de linhas fi nas
que decoram as margens
externas. As let ras em negrito
ao longo da margem alinhada
do texto acentuam a estrutura
das colunas. O livro é todo
impresso em três cores (carne,
sangue e preto). O corpo
do texto é explorado como
um sistema aberto.
KERNING
Távola
SCAIA COM KERNING SUPRIMIDO
O espacejamento parece desigual, com vazios ao redor do T e do v.
Távola
SCALA COM KERNING
Tudo fica mais uniforme, embora os caracteres quase encostem.
D'alva
SCALA ITALlC COM KERNING SUPRIMIDO
Um vazio aparece em volta do apóstroJe e entre o I e o v.
D'alva
SCALA ITALlC COM KERNING
A intimidade característica do itálico requer kerning.
glub glub
glub~ub
glub~ub
TEXTO I 80
KERNING Se as letras de uma fonte forem
espacejadas muito uniformemente, produzirão um
padrão que não parece bem uniforme. Os vazios, por
exemplo, aparecem em tomo de letras cujas formas
abrem-se em ângulo ou emolduram um espaço
aberto (L, T, V, W, Y). Nos tipos de metal, uma
letra com keming extravasa as laterais do lingote de
chumbo que a sustenta, permitindo a aproximação
com outras. Nas fontes digitais usadas atualmente,
o espaço entre diferentes combinações de letras
é especificado por uma tabela de pares de keming.
NOVE BAGUETTES
As combinações VE e TIJazem as palavras parecerem desajustadas.
NOVE BAGUETTES
Com o kerning ajustado manualmente, elas parecem mais homogê/lllll
FAZENDO O KERNING DE CORPOS MAIORES
Como o espaço entre os caracteres aumenta de
acordo com o corpo, os designers muitas vezes
fazem o ajuste fino do espacejamento ao trabalhar
com letras grandes. À medida que a palavra
"glub" aumenta, o vazio entre u e b fica mais óbvio.
CRIME TIPOGRÁFICO:
MUlTO ESPAÇO
Atente para os vazios,
especialmente
em corpos grandes.
glub
80
te forem
e, produzirão um
rme. Os vazios, por
etras cujas formas
lm um espaço
metal, uma
do lingote de
parecem mais homogêneas.
a palavra
e b fica mais óbvio.
TEXTO 181
ESPACEJAMENTO Diferentemente do ajuste do
espaço entre dois caracteres, o ajuste do espaço
global entre as letras é chamado de espacejamento.
Espacejar versais e versaletes enobrece-as e é uma
prática comum . O designer pode criar um campo
visual mais arejado ao espacejar levemente um corpo
de texto. O espacejamento negativo raramente é
desejável e deve ser usados com parcimônia para
ajustar uma ou mais linhas de texto justificado.
As letras em caixa·baixa
respondem de modo menos
favorável ao espacejamento
que as letras em caixa·alta
porque foram projetadas para
postar·se intimamente lado
a lado na linha.
ESPACEjAM ENTO NORMAL
As letras amam umas às
outras. Entretanto, devido às
suas diferenças anatômicas,
algumas letras têm problemas
para ganhar intimidade. Veja
a letra V, por exemplo, cujo
vale sedutor faz seus galhos
desabrocharem acima de
sua base. O L, ao contrário,
pisa firme no chão mas
ostenta um certo vazio acima
da cintura. Na maioria das
ESPACEJAMENTO
BAGUETTES
SCALA CAPITALS COM ESPACEJAMENTO NORMAL
BAGUETT ES
SCALA CAPITALS COM ESPACEjAMENTO SOLTO
BAGU ETTES BA G U ETTE S
SCALA SMALL CAPITALS COM ESPACEjAMENTO NORMAL x SOLTO
baguettes baguettes
SCALA, ROMAN E ITALlC COM ESPACEjAMENTO SOLTO
baguettes baguettes
SCALA, ROMAN E ITALlC COM ESPACEjAMENTO NORMAL
ESPACEjAM ENTO POSITIVO ESPACEjAM ENTO NEGATIVO
As letras amam umas às As letras amam umas às
outras. Entretanto, devido às outras. Entretanto, devido às
suasdiferenças anatômicas, suas diferenças anatômicas,
algumas letras têm problemas algumas letras têm problemas
para ganhar intimidade. Veja para ganhar intimidade. Veja
a letra V, por exemplo, cujo a letra V, por exemplo, cujo
vale sedutor faz seus ga lhos vale sedutor faz seus galhos
desabrocharem acima de desabrocharem acima de sua
sua base. O L, ao contrário, base. O L, ao contrário, pisa
pisa firme no chão mas firme no chão mas ostenta um
ostenta um certo vazio acima certo vazio acima da cintura.
da cintura. Na maioria das Na maioria das vezes, esses
glub
vezes , esses problemas são
resolvidos pelas tabelas de
keming, mas algumas letras
precisam de mais atenção em
corpos maiores. As versais ,
quadradas e conservadoras,
preferem manter uma certa
distância de suas vizinhas.
vezes, esses problemas são
resolvidos pelas tabelas de
kerning. mas algumas letras
precisam de mais atenção em
corpos maiores. As versais ,
quadradas e conservadoras,
preferem 111,ênter uma certa
distância de suas vizinhas.
problemas são resolvidos pelas
tabelas de keming. mas algumas
letras precisam de mais atenção
em corpos maiores. As versais,
quadradas e conservadoras,
preferem man ter uma certa
distância de suas vizinhas.
CRIM E TIPOGRÁFI CO :
ESPACEjAMENTO NEGATIVO
Ajuste o sapato, não o pé.
Não use espacejamento negativo
para ganhar espaço.
TEXTO I 82
Ancient maps of the world
An
when the world was flat
Avid
inform us, conceming the void
Dream
where America was waiting
Of
to be discovered,
Trans-
Here Be Dragons . .._ ..I'~
for
o to be a dragon.
mation.-_.__..._",~
MARGO JEFFERSON
DANCE INK: AN AVIO DREAM
OF TRANSFORMATION
Página de revista , 1992
Designer: Abbott Miller
Editor: Patsy Tarr
O entrelinhamento extremado permite
entrelaçar duas correntes de texto.
TEXTO I 83 ENTRELINHAMENTO
A distância da linha de base
de uma linha ti pográfica para
outra é chamada de entrelinha.
Em inglês. também é chamada
de leaáing. em referência às
tiras de chumbo [lead) usadas
para separar as linhas dos
tipos de metal. A entrelinha
padrão da maior parte dos
programas de paginação é
um pouco maior que a altura
de versal do tipo. Expandi-Ia
torna a cor do bloco de texto
mais leve e aberta. Aumentá
la ainda mais faz as linhas
tornarem-se elementos lineares
independentes e deixarem de
ser partes de uma textura geral.
7/7 SCALA
tipo de 7 pt com
entrelinha de 7 pt
•Entrelinha de corpo".
Quando as linhas são compostas
juntas assim, as ascendentes
e descendentes começam a
encostar, produzindo um efeito
desconfortável.
A distância da linha de base
de uma linha tipográfica para
outra é chamada de entrelinha.
Em inglês. também é chamada
de leading. em referência às
tiras de chumbo [lead) usadas
para separar as linhas dos
tipos de metal. A entrelinha
padrão da maior parte dos
programas de paginação é
um pouco maior que a altura
de versa I do tipo. Expandi-Ia
torna a cor do bloco de texto
mais leve e aberta. Aumentá
la ainda mais faz as linhas
tornarem-se elementos lineares
independentes e deixarem de
ser partes de uma textura geral.
7/8.5 SCALA
auto-entrelinha; tipo de 7 pt
com entrelinha de 8.5 pt
Na maioria dos programas de
paginação, a entrelinha-padrão
é de 120%. um pouco maior que
a altura de versa/.
A distância da linha de base
de uma linha tipográfica para
outra é chamada de entrelinha.
Em inglês. também é chamada
de leading. em referência às
tiras de chumbo [leadl usadas
para separar as linhas dos
tipos de metal. A entrelinha
padrão da maior parte dos
programas de paginação é
um pouco maior que a altura
de versa I do tipo. Expandi-Ia
torna a cor do bloco de texto
mais leve e aberta. Aumentá
la ainda mais faz as linhas
tomarem-se elementos lineares
independentes e deixarem de
ser partes de uma textura geral.
7/9 SCALA
tipo de 7 pt com
entrelinha de 9 pt
Essa coluna foi composta com
entrelinha maior que o padrão.
A distância da linha de base
de uma linha tipográfica para
outra é chamada de entrelinha.
Em inglês, também é chamada
de leading, em referência às
tiras de chumbo [lead) usadas
para separar as linhas dos
tipos de metal. A entrelinha
padrão da maior parte dos
programas de paginação é
um pouco maior que a altura
de versal do tipo. Expandi-Ia
torna a cor do bloco de texto
mais leve e aberta. Aumentá
la ainda mais faz as linhas
tornarem-se elementos lineares
independentes e deixarem de
ser partes de uma textura geral.
7/10 SCALA
tipo de 7 pt com
entrelinha de 10 pt
À medida que a entrelinha
aumenta, o bloco de texto
passa a ser visto não como um
tom de cinza, mas como linhas
nitidamente separadas.
ALINHAMENTO TEXTO I 84
o arranjo de colunas de texto com bordas duras
ou suaves é chamado de alinhamento. Cada estilo
básico de alinhamento traz qualidades estéticas
e prejuízos potenciais ao design da página ou da
tela. O texto justificado, com bordas uniformes à
esquerda e à direita, tem sido a norma desde a
invenção dos tipos móveis, possibilitando a cria
ção de páginas e páginas com colunas de bordas
retas. A tipografia justificada faz uso eficiente do
espaço e produz uma forma limpa na página. No
entanto, vazios feiosos podem aparecer quando o
comprimento da linha é muito curto em relação
ao tamanho do tipo. A hifenização é um recurso
que quebra palavras longas e ajuda a manter as
linhas de texto bem empacotadas. O espacejamen
to também pode ser usado para ajustar as linhas.
JUSTIFI CADO
As margens esquerda e direita
são regulares.
Quando é bom: O texto justificado
produz uma forma limpa na página.
Seu uso eficiente do espaço faz com
que ele seja a norma para jornais e
livros de texto longo.
Quando é mau: Vazios feios podem
aparecer quando o texto for forçado
a caber em colunas com o mesmo
comprimento. Evite-os certificando-se
de que a linha é grande o suficiente
em relação ao corpo do tipo. Fontes
menores permitirão que mais
tipos caibam na linha.
Vazios feios a parecem C R I M E
se o designer TIPOGRÁ FI CO:
fizer linhas muito MUITOS BURACOS
curtas ou quando Coluna muito estreita
selec ionar palavras cheia de vazios.
longas de mai s.
No texto alinhado à esquerda a margem esquerda
é dura e a direita é suave. Os espaços entre
as palavras não variam. Desse modo, grandes
buracos nunca aparecem nas linhas de texto.
Esse formato , raramente usado antes
do século xx, respeita o fluxo da linguagem
e não se submete à lei da caixa. A despeito de
suas van tagens, entretanto, ele traz muitos
perigos. Acima de tudo, o designer precisa
trabalhar duro para controlar a aparência
do desalinhamento ao longo da margem direita.
Um bom desalinhamento ostenta uma
agradável inconstância, sem linhas muito longas
ou curtas e com o menor número possível
de hifens. Ele é considerado "ruim"
quando fica muito regular (ou irregular)
ou quando cria formas regulares, tais como
cunhas, luas ou trampolins.
ALINHAMENTO À ESQUERDA
A margem esquerda é dura,
a direita é suave.
Quando é bom: Os designers usam esse
alinhamento quando querem respeitar
o fluxo orgânico da linguagem e evitar o
espacejamento irregular que infesta as
colunas estreitas de texto justificado.
Quando é mau: A coluna alinhada
à esquerda perde sua aparência
orgânica quando é desgraçada pelo mau
desalinhamento. Batalhe firme para
criar margens aleatórias e naturais,
sem cair na tentação dos hifens.
Um desalinhamento CRIME
ruim produz formas TIPOGRÁFICO:
estranhas à sua
MAU
direita ao invés DESALINHAMENTO
de parecer Uma feia diagonal
aleatório.
estraga a margem.
TEXTO 18 5 ALINHAMENTO
o alinhamento à direita éuma variante do
alinhamento à esquerda, mais familiar. Entre
os tipógrafos, sabe·se que o texto alinhado à
direita é difícil de ler porque força o olho do
leitor a achar uma nova posição no início de
cada linha. Isso tanto pode ser verdade quanto
lenda urbana. Seja como for, esse tipo de
composição raramente é empregado em textos
longos. Em blocos menores, no entanto, o texto
alinhado à direita produz boas notas marginais,
barras laterais, citações, olhos de texto e
outras passagens que comentam o texto ou a
a imagem principal. O uso de margens retas e
irregulares pode sugerir atração (ou repulsão)
entre bocados de informação.
ALINHAMENTO À DIREITA
A margem direita é dura,
a esquerda é suave.
Quando é bom: O alinhamento à direita
pode ser bem-vindo como um desvio do
familiar. Ele produz boas legendas, barras
laterais e notas marginais, sugerindo
afinidades entre os elementos da página.
Quando é mau: Ele também pode não ser
um desvio bem-vindo, enervando leitores
cautelosos. O mau desalinhamento o
ameaça tanto quanto aos textos alinhados
à esquerda, com uma dificuldade
adicional: a pontuação nos finais de linha
pode enfraquecer a margem direita.
Muita pontuação CRIME
(nos finais de linha) TIPOGRÁFICO :
ataca, ameaça,
A PONTUAÇÃO COM E
e, de um modo geral , A MARGEM
enfraquece É mais uma concessão
a margem direita. que um crime de fato.Cuidado com ela.
O texto centralizado é simétrico
como a fachada de um edifício clássico.
A tipografia centralizada é muito empregada em
convites, folhas de rosto, certificados e epitáfios.
Às margens de uma coluna centralizada
permite·se que sejam dramaticamente irregulares.
As quebras nas linhas centralizadas podem ocorrer
para dar ênfase a frases importantes
(tais como o nome da noiva
ou a data do seu casamento)
ou para deixa r que um novo pensamento inicie em linha própria.
Quebrar linhas dessa maneira tem um nome:
quebra pelo sentido.
CENTRALIZADO
Linhas irregulares são centraliz adas entre
as margens esquerda e direita.
Quando é bom: O texto centralizado
é clássico e formal, trazendo ricas
associações com a história e a tradição.
Ele convida o designer a quebrá·lo de
acordo com o seu sentido e a criar uma
forma orgânica em resposta ao fluxo
do conteúdo.
Quando é mau: O texto centralizado
é estático e convencional. Empregado
sem cuidado, pode parecer tedioso,
estático e melancólico como uma lápide.
A morte não é um
crime. O texto
DES CANSE centralizado também
EM não. Mesmo assim, use
PAZ a sóbria formalidade
dessa composição com
cuidado.
TEXTO I 86
fit the fads of what they make.
86
BEVOND NOSTALGIA
Embroidery, woodcarving, and minutely delailed ceramic glazes are
no! techmques we usually assoclate wlth contemporary art and designo
These age-old methods nonetheless play a promment part in lhe work
of several currenl artlsts and designers, mcludmg Berend Slrik, Wim
Delvoye, and Hella Jongerius.
Berend Slnk's work resembles an amalgam of modern vulgar cul
ture, old crafts, and new subject malter. For one of his besl-known
pieces (Untitled, 1993), Strik pasled gapmg female mouths in a row, cut
away a similar number of phalluses, and accenluated the lip outlines
with eleganl lines of cross-stitching and other ornamental embroidery.
The modification tempts the spectator away from the obvious porno
graphic interprelalion 50 Ihal, suddenly, lhe slrains of a heavenly choir
seem to emerge Irom Ihose unmislakably lubricious lips. The publica
tion of French philosopher Georges Batai lle's book Les {armes d'Eras
(1986) has made us aware of just how far rehgious ecstasy is intertwined
with sexuality, death, and violence. Strik's subjecl is lhe same. His
quainl embroidery lechnlque challenges lhe hypocrisy with which past
HELLA jONGE RI U S
Livro, 200 3
Designers : COMA, AmsterdamfNova York
Autora: Louise Schouwenberg
Editora: Phaidon
Fotografia: Dan Meyers
THE BEG/NNING
Ilooked into the form without really knowing it at first; I saw walls
flying across space. The t ilti ng planes c1i mbed and cut into each other,
violent, shattering any notion of building in the conventional sense.
And the dialogue began between Daniel Libesk ind and myself, how
could such a form be built?
Libeskind took me back to ancient times, to the Pyramids. We talked of
stone and how to build a form like this from masonry - but the oblique
planes and large spans would have needed huge 'strapping ' with
prestress or numerous tie devices. Attractive as the idea was in its
primitive urges, I advocated concrete or steel to mainta in the
daring alignments .
There were two ways to consider the question :
implant a certain massiveness and celebrate a high redundancy in
the configuration;
ortrap the tilting planes in a modern rationale of discrete 'framing '.
The former would give concrete as a material of tradition, used in an
extreme definition; the latter would reduce the great planes to a
framing buttressed by internai stiffeners and cross bracing . One
method provides density, opacity, and three-dimensional surface as
structure, the other lightness and openness that is then c1ad and
The first answer leads to a labyrinth, t he second to transparency.
We exchanged metaphors.
form were c1osed, it could be a mineral deposit, or if an open
transparent steel framed building, it could be a lantern or a beacon . If it
were heavy, could it be hacked out of granite, or was it buildable out of
speClal masonry? The images helped loosen the thinking and inspired
us to look for the radical.
193
INFORMAL
LiVTO, 2002
Designer: Januzzi Smith
Autor: Cecil Balmond
Editora: Prestei
Fotografia: Dan Meyers
Esse livro é um manifesto em
fa vor de um modo "informal"
de trabalhar com a engenharia
e a arquitetura de estruturas.
Ao longo de suas páginas, a
tipografia combina alinhamentos
à esquerda e à direita, criando
uma fissura minúscula
mas insistente no interior da
coluna de texto e produzindo
desalinhamentos irregulares
nas margens externas. Essa
construção expressa com beleza
o principio da informalidade,
sublinhada pela integração dos
esboços com a tipografia do livro.
ALINHAMENTO VERTICAL TEXTO I 90
LU FRAN MOTEL [ESQ.)
Wildwood, Nova jersey
Fotografia: Dorothy Kresz
ILLUMINATED SIGNS
[AO LADO]
Japão, 192 4
Sinais comerciais muitas
vezes utilizam caracteres
empilhados.
LOM BADAS NA PRATELEIRA
Letras empilhadas aparecem
às vezes nas lombadas dos
livros, mas linhas de base
verticais são mais comuns.
A leitura de cima para baixo
é predominante, especialmente
nos Estados Unidos.
----------------
são mais comuns.
de cima para baixo
muitas
caracteres
reaomllnUl"<, especialmente
Estados Unidos.
TEXTO 191
v v
E E
R R
T T
I I
G G
E E
M M
VERSALETES EM PI LHA DOS
CAIXA-ALTA
EMPILHADA
As letras romanas foram
feitas para ficar lado a
lado, não uma em cima
da outra. As letras em
caixa-alta formam pilhas
mais estáveis que as
letras em caixa-baixa.
Centralizar a coluna
ajuda a homogeneizar
as diferenças de largura.
(A letra I é sempre um
problema.)
v v
e e
r r
t t
1 t
g g
e e
m m
CR IM E TIPOGRÁF ICO :
CA I XA-BAIXA EMPILHADA
CAIXA-BAIXA
EMPILHADA
As pilhas de letras
em caixa-baixa
são especialmente
esquisitas porque
as ascendentes e
descendentes fazem
o espacejamento
vertical parecer
desigual. Além disso,
a diferença de largura
dos caracteres faz a
pilha parecer precária.
Inglês não é chinês. John Kane, 2002 [Português também não]
ALINH AMENTO VERTICAL
S
c: (])8 -<(1) bJ)rJl
-~. I-t Q) • t""""Ic: o ~ c-+ u. ~ 8
~. $::l(1) H ::-:
Õ
~
CIQ C,) o (]) ~
CIl (1) "O o(1),
tTl .... > ~ C1S ~ ;:j ÕC CIl
"OI>l (1) ,
., S S
o
~
~ 'Q)(])
~
tTl
'" CC"l bJ) .2. I»
.,o
;:j • t""""I Q) ~
....., "O o~ o
.... C"l~ H(1) o~ ;:j(]) ....., '" s I>l> ~ <"(1)
'"
SCALA CAIXA-BAIXA COM BASE VERTICAL
para baixo para cima em duas direções
LINHAS DE BASE VERTICAIS
O modo mais simples de fazer com
que uma linha de texto forme uma
linha vertical é mudar a orientação da
linha de base, preservando a afinidade
natural das letras que se apóiam nela.
Não há regra fixa que determine
a leitura de cima para baixo ou vice
versa. No entanto, é mais comum
compor os textos nas lombadas dos
livros de cima para baixo, especialmente
nos Estados Unidos. (Também é
possível compor o texto nas duas
direções ao mesmo tempo.)
T EXTO I 92
TEXTO I 93
PARALLELEN IM
SCHNITTPUNKT
[CRUZAMENTO DE
PARALELAS]
Cartazes. 1997
Designer: Gerwin Schmidt
Editora: Art-Club Karlsruhe
Os eixos da tipografia e da
paisagem se cruzam para criar
esses cartazes simples. fortes e
diretos. O texto é espelhado em
francês e alemão.
HIERARQUIA TEXTO I 94
HIERARQUIA Hierarquia HIERARQUIA H I ERARQUIA
Divisão dos anjos Divisão dos an jos D IVISÃO DOS ANJOS
A. Anjo Anjo Anjo anjo
B. Arcanjo Arcanjo Arcanjo DIVISÃO arcanjo
C. Querubim Querubim Querubim DOS ANJOS querubim
D. Serafim Serafim Serafim serafim
11 Alto comando do clero Alto comando do clero ALTO COMAN DO DO CLERO
A. Papa Papa Papa papa
B. Cardeal Cardeal Cardeal ALTO COMANDO cardeal
C. Arcebispo Arcebispo Arcebispo DO CLERO arcebispo
D. Bispo Bispo Bispo bispo
111 Partes do texto Partes do texto PARTES DO TEXTO
A. Obra Obra Obra obra
B. Capítulo Capítulo Capítulo PARTES capítulo
C. Seção Seção Seção DO TEXTO seção
D. Sub· seção Sub·seção Sub·seção sub·seção
SÍMBOLO S, RE CUOS RECUOS E QUEBRAS CONSTRASTE DE TIPOS, CONTRASTE DE T I POS
E QUEBRA S D E LI N H A DE LI NHA RECUOS E QUEBRAS E ALINHAMENTOS COM
DE LINHA QUEBRAS DE LINHA
HIERARQUIA Uma hierarquia tipográfica indica um
sistema que organiza conteúdo, enfatizando alguns
dados e preterindo outros. A hierarquia ajuda os
leitores a localizarem-se no texto, sabendo onde
entrar e sair e como selecionar algumas de suas
ofertas. Cada nível deve ser indicado por um ou mais
sinais aplicados consistentemente ao longo
do texto. Eles podem ser espaciais (recuo, entrelinha
ou posição na página) ou gráficos (tamanho, estilo,
cor ou fonte). As possibilidades são infinitas.
REDUNDÂNCIA Os escritores geralmente são
treinados para evitar redundâncias tais como
"planos para o futuro" ou "história do passado".
Em tipografia, alguma redundância é aceita e até
mesmo recomendada. Quebras de parágrafos, por
exemplo, são marcadas por uma quebra de linha
e um recuo, redundância muito prática onde um
sinal ampara o outro. Para criar uma elegante
economia de sinais, tente não usar mais de três
sinais para cada nível ou quebra de um documento.
VERSAIS
SUBLINHADAS
ITÁLICAS
EM NEGRITO!
CR IM E T I POGRÁFI CO :
MUITOS SINAIS
É possível criar ênfase com
apenas uma mudança.
ÊNFASE EM TEXTOS CORRIDOS
Enfatizar uma palavra ou frase em um texto corrido
normalmente requer apenas um sinal. O itálico é a
forma-padrão. No entanto, há diversas alternativas,
tais como o uso de negrito, VERSALETES e mudanças
de cor. Também é possível criar ênfase usando
outra fonte. Famílias tipográficas de amplo espectro,
tais como a Scala, possuem muitas variantes
projetadas para funcionarem umas com as outras.
Se quiser misturar farnílias como a Scala e a Futura,
ajuste seus tamanhos para que suas alturas-x casem.
TEXTO \ 95 HIERARQUIA\ 94
HIERARQUIA
anjo
DIVISÃO arcanjo
ANJOS querubim
serafim
papa
COMANDO cardeal
DO CLERO arcebispo
bispo
obra
PARTES capítulo
DO TEXTO seção
sub·seção
DE T I POSNTRASTE
ALINHAMENTOS COM
tais como
do passado" .
é aceita e até
de parágrafos, por
quebra de linha
prática onde um
uma elegante
usar mais de três
de um documento.
TÍTULO PRINCIPAL
TEXTO PRINCIPAL
SUB-SEÇÕES
Há infinitas
maneiras
de indicar a
hierarquia de um
documento.
--- MALES TIPOGRÁFI COS COMUNS
---
Várias disfunções ocorrem em populações expostas à
tipografia por longos períodos de tempo. Algumas das aflições
observadas com maior freqüência são listadas aqui.
TI POFl LIA Caracterizada por excessiva afeição e fascínio pela
forma das letras, freqüentemente excluindo demais interesses e
objetos. Os tipofilicos normalmente morrem pobres e solitários.
TlPOFOBIA Desgosto irracional pelas letras, normalmente
marcado pela preferência por ícones. dingbats e - em casos fatais
- por marcadores e adagas. Pode·se acalmar (mas não curar) o
tipófobo com doses regulares de Helvetica e Times Roman.
TlPOCONDRIA Ansiedade persistente. na qual se acredita ter
escolhido o tipo errado. Esse mal é normalmente acompanhado
de uma DKO (disfunção do keming óptico). que obriga ao
constante ajuste e rea juste do espacejamento entre letras.
TI POTERM IA Recu~a promíscua a comprometer-se com uma
fonte - ou mesmo com cinco ou seis, como recomendam alguns
médicos - por toda a vida. O tipotérmico vê·se sempre tentado a
testar fontes "saídas do fomo', normalmente sem permissão.
MALES TIPOGRÁFICOS COMUNS
Várias disfunções ocorrem em populações expostas à
tipografia por longos períodos de tempo. Algumas das
aflições observadas com maior freqüência são li stadas aqui.
1ipofililJ Caracterizada por excessiva afeiçlo e fascínio pela forma das letras.
freqüentemente excluindo demais interesses e objetos. Os lipofilicos
normalmente morrem pobres e solitários.
TIpofobia Desgosto irrarionaJ pelas letras. normalmente marcado pela
preferência por ícones. dingbals e - em casos fatais - por marcadores
e adagas. Pode-se acalmar (mas m.o curar) o tip6fobo com doses
regulares de Helvetica e TImes Roman.
TIpocondria Ansiedade persistente. na qual se acredita ter escolhido o tipo errado.
Esse mal é normalmente acompanhado de uma DKO (disfunção do
Iurning óptico), que obriga ao constante ajuste e reajuste do
espacejamento entre letras.
TIpolt:rmia Re<:usa promíscua a comprometer·se com uma fonte - ou mesmo com
cinco ou seis. como recomendam alguns médicos - por toda a vida.
O lipotérmico vê-se sempre tentado a testar fontes ~sajdas do forno~.
nonnalmente sem permissão.
TEXTO I 9 6
zur Huldigung des Ko; - ~. u.
",sers
abgebildet:
r
Karl Kraus zahlt Wilhelm 11.
zu "den Schwerverbrechern
auf dem Thron" mit der
"Beteuerung, daB sie es nicht
gewollt haben, woran sie,
da sie es taten, doch schuldig
sind" [F 595,2].
1920; F 531,521.
.. gemeinsames Vorgehen
.. etwas zum Vortrag bringen
.. '" di. Falle gehen
.. ich habe alies reiflich erwogen
.. im Lauf des Abends
.. &in Laut aul den Lippen
.. zum 5chluB
.. zu Mantua in Banden Der Ireue
Hof., WaI
.. Gesellschaft mil beschránkler
Haftung I G. m. b. H.
i vorlleb nehmen
- - (Momentan sind wir z. B. hei
seit der Thronbesteigung I) _ _
- - So erlebte ich, da6 er einen
Major, den Adjutanten des Kronprinzen
Ohr zog, ihm einen tüchtigen S~
g a b und sagte : - _
.. - - empfing er in Tempelhof im
mlntster und den Chef des Militarkabinetl!!
ai t e n E sei glaubt, daI! ihr alles besser
" ) Deutsche Verlagsanstalt, Stutt~art,
Und daJ3 das »gemeinsame Vorgehen« für
war, »sobald Kraus die Satire auf Kaiser
werde«, beweist eine Vertrautheit der
Programm, die ich selbst am Nachmittag
ihnen in die Falle gegangen! Aber wenn
Innsbruck auf Demonstrationen
Abends eine Ahnung von demwill ich dem Wilhelm gla uben, daB er es
Josef, daJ3 er alles reiflich erwogen hal.
einer vagen Kenntnis meiner Gesinnung,
die ihre auszuleben, in den Saal
zwei Diebsgenerale - hatten
der Laut auf den Lippen erstarb, und
über die eigene Unregsamkeit ihnen
ihre Anwesenheit legitimierten, indem