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TÉCNICAS TERAPÊUTICAS MANUAIS TÉCNICAS TERAPÊUTICAS MANUAIS ORGANIZADORAS MARGARETE DIPRAT TREVISAN; MARIANA ZANCAN. ORGANIZADORAS MARGARETE DIPRAT TREVISAN; MARIANA ZANCAN. Técnicas terapêuticas m anuais GRUPO SER EDUCACIONAL Técnicas terapêuticas manuais é um livro direcionado para estudantes dos cursos de �sioterapia e correlatos. Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre avaliação e tratamento nas terapias manual e postural, manejo da pelve, manejo da coluna vertebral, diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticu- lares, e disfunções da coluna vertebral. Após a leitura da obra, o leitor vai saber as melhores técnicas de terapia manual; aprender a executar a avaliação postural; conferir os dese- quilíbrios musculares e suas repercussões no corpo humano; aprender as principais técnicas utilizadas em tecidos moles e articulações para trata- mento dos distúrbios sacroilíacos; veri�car as particularidades da coluna vertebral cervical, principais acometimentos, testes e técnicas usadas no tratamento das suas disfunções; conhecer os métodos diagnósticos de cada tipo de lesão; descobrir como é feito o tratamento de cada lesão; dominar as particularidades da hipercifose e seu tratamento; com- preender as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo; analisar as particularidades da escoliose e seu tratamento, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos! gente criando futuro I SBN 9786555582994 9 786555 582994 > C M Y CM MY CY CMY K TÉCNICAS TERAPÊUTICAS MANUAIS Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Trevisan, Margarete Diprat. Técnicas terapêuticas manuais / Margarete Diprat Trevisan; Mariana Zancan. – São Paulo: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555582994 1. Fisioterapia 2. Zancan, Mariana. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Margarete Diprat Trevisan Doutoranda em Gerontologia Biomédica (PUC-RS). Pós-graduanda em Docência no Ensino Superior (Fadergs). Mestre em Gerontologia Biomédica (PUC-RS). Pós-graduada em Gestão da Atenção à Saúde do Idoso (GHC). Especialista em Fisioterapia Respiratória (Assobrafir). Bacharel em Fisioterapia (Unilasalle). Mariana Zancan Graduada em Fisioterapia pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Anatomia Humana Clínica e Funcional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Ciência da Reabilitação pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), onde realizou pesquisa na área de reabilitação neurológica, com período sanduíche no Instituto Cajal – Conselho Superior de Investigação Científica de Madri. Doutora em Neurociências/Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Experiência nas áreas de Fisioterapia, atuando em Fisioterapia Pneumológica/ Intensiva e Neurológica – esta última com formação na Unidade de Cuidados pós-AVC agudo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) –, e Neurociências, com ênfase em Fisiologia a Anatomia. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Terapia manual e postural: avaliação e tratamento ..................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1 Introdução à terapia manual e postural ............................................................................................. 11 2 Testes de tensão neural ..................................................................................................................... 15 3 Inibição muscular recíproca ............................................................................................................... 17 4 Posturologia ....................................................................................................................................... 21 5 Técnicas posturais .............................................................................................................................. 25 6 Biomecânica óssea ............................................................................................................................ 28 7 Desequilíbrios musculares e suas repercussões ................................................................................ 30 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................33 UNIDADE 2 - Manejo de pelve e coluna .........................................................................................35 Introdução.............................................................................................................................................36 1 Quadril ...............................................................................................................................................37 2 Testes diagnósticos para a articulação sacroilíaca ............................................................................. 40 3 Técnicas para tratamento de disfunções da articulação sacro-ilíaca .................................................42 4 Coluna cervical .................................................................................................................................. 46 5 Técnicas para tratamento da coluna cervical ................................................................................... 49 6 Coluna lombar ................................................................................................................................... 51 7 Técnicas de tratamento para coluna lombar ..................................................................................... 53 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................56com o membro inferior do lado da disfunção com flexão de 90º da coxa. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para pelve do paciente. Uma das mãos faz contato com a espinha ilíaca anterossuperior do ilíaco oposto para 44 bloquear a pelve do paciente e a outra mão faz contato na região medial do joelho do paciente. Primeiramente, deve-se buscar a barreira de rotação lateral do ilíaco levando sua coxa no sentido lateral. Ao encontrar a barreira, o Osteopata estabiliza o membro inferior do paciente e pede para que ele realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em adução do quadril – levando a coxa no sentido interno. Ao final de cada contração, o osteopata aumenta a barreira de abdução do quadril do paciente. A técnica somente deve ser finalizada quando não houver mais amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra. • Técnica de relaxamento miofascial para torção pélvica esquerda O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com adução da coxa esquerda e abdução máxima do braço direito. O fisioterapeuta fica em pé, à altura da coxa do paciente. Uma mão faz contato com a região inferior da espinha ilíaca anterossuperior esquerda do paciente e a outra mão faz contato com a região superior da espinha ilíaca anterossuperior direita do paciente. O fisioterapeuta busca uma resistência (barreira) quando leva o ilíaco esquerdo no sentido posterior e o ilíaco direito no sentido anterior. A técnica consiste em pedir respirações amplas e profundas ao paciente e, na expiração, aumentar as resistências (barreiras) dos ilíacos. Repete-se a manobra até que a resistência (barreira) máxima seja atingida. 3.2 Técnicas articulares • Técnica semidireta de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo anterior O paciente é posicionado em decúbito lateral direito, com membro inferior direito em extensão. Colocar a alavanca inferior flexionando o membro inferior esquerdo até o movimento atingir o nível do braço maior da articulação sacroilíaca. A alavanca superior é colocada realizando flexão do tronco até L5. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve do paciente e toma contato com seu membro inferior direito para manipular com a técnica de kick. A mão direita faz contato pisiforme sobre o ísquio (com antebraço orientado nos sentidos anterior e superior). A mão esquerda estabiliza o tronco com contato no sulco deltopeitoral. A técnica consiste em reduzir o slack com a mão caudal (direita) no sentido anterior e superior, e o thrust deve ser realizado no mesmo sentido, simultaneamente ao kick. • Técnica de mobilização para disfunção anterior (em DD) O paciente fica em decúbito dorsal, com flexão da coxa em 90º. O fisioterapeuta fica na altura da pelve do paciente, contralateral à disfunção, com a mão superior na espinha ilíaca anterossuperior (o joelho do paciente faz contato com sua axila e seu tórax fica em contato com a tíbia do paciente) e a mão inferior no ísquio. Busca-se a resistência (barreira) de rotação posterior do ilíaco aumentando a flexão do quadril e leva-se a espinha ilíaca anterossuperior no sentido da maca e o ísquio no sentido do teto. Encontrada a resistência (barreira), aumenta-se a resistência (barreira) de rotação posterior de maneira progressiva com movimentos lentos e rítmicos. 45 • Técnica de mobilização (volante) para disfunção anterior (em DL) O paciente fica em decúbito lateral contralateral à disfunção, com flexão da coxa em 90º. O fisioterapeuta permanece na altura da pelve do paciente, com a mão superior na espinha ilíaca anterossuperior (o antebraço passa por baixo da coxa do paciente) e a mão inferior no ísquio. Busca-se a resistência (barreira) de rotação posterior do ilíaco aumentando a flexão do quadril e levando a espinha ilíaca anterossuperior no sentido posterior e o ísquio no sentido anterior. Encontrada a resistência (barreira), aumenta-se essa resistência (barreira) de rotação posterior de maneira progressiva com movimentos lentos e rítmicos. • Técnica de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo em rotação lateral O paciente em decúbito lateral direito (posição de lumbar roll), com rotação esquerda e flexão do tronco até esses movimentos chegarem a S2. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve do paciente. Uma mão contata com sua coxa caudal na região lateral da coxa do paciente (como na manipulação em body drop). A mão esquerda estabiliza o tronco. O antebraço direito em pronação é posicionado sobre região anterolateral do ilíaco (região anterior da crista ilíaca, próximo à espinha ilíaca anterossuperior). A técnica baseia-se na redução do slack com a mão esquerda aumentando a rotação do tronco e a mão direita deslocando-se no sentido do solo para induzir a rotação medial do ilíaco. • Técnica de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo em rotação medial O paciente é posicionado em decúbito lateral direito (posição de lumbar roll), com rotação esquerda e flexão do tronco até esses movimentos chegarem a S2. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve do paciente, olhando para a cabeça dele. A mão esquerda estabiliza o tronco e o antebraço direito, em pronação, se posiciona na região posterolateral do ilíaco (região posterior da crista ilíaca, próximo à espinha ilíaca póstero-superior). A técnica consiste em reduzir o slack com a mão esquerda aumentando a rotação do tronco e a mão direita é deslocada na direção da maca para induzir a rotação lateral do ilíaco. Não se utiliza contato de body drop na coxa do paciente. O thrust é feito deixando o peso do tronco cair, com o antebraço levando a pelve em direção ao solo. • Técnica direta para disfunção de ilíaco anterior O paciente é posicionado em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve do paciente, faz contato pisiforme com a mão superior na região posterior da tuberosidade isquiática do lado da disfunção reforçada pela mão inferior. O antebraço do contato inferior deve estar voltado no sentido anterior (do solo) e cefálico. A técnica baseia-se em reduzir o slack no sentido cefálico anterior utilizando o peso do corpo e realizar o thrust na mesma direção da redução do slack. 46 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4 COLUNA CERVICAL A coluna cervical é um segmento da coluna vertebral composto por sete vértebras, que apresenta uma curvatura em lordose fisiológica. Por ser uma curvatura secundária, condiciona ampla mobilidade nos três planos de espaço, porém precisa proporcionar estabilidade e coordenação aos movimentos da cabeça. Do ponto de vista mecânico, é um segmento bastante exigido, tornando-a vulnerável a distúrbios álgicos e/ou degenerativos em alguns segmentos, principalmente C5-C6 e C6-C7. Clinicamente, a instabilidade nesse segmento é frequente. Estudos sugerem que cerca de 70% das pessoas têm ou terão algum episódio de cervicalgia, esse índice fica atrás apenas das lombalgias. Esse segmento da coluna vertebral tem funções significativas do ponto de vista mecânico e articular e também relações fisiológicas de grande importância para outras partes do corpo. 4.1 Diagnóstico osteopático para a coluna cervical As cervicalgias/cervicobraquialgias ocorrem por diversos motivos e são causas frequentes nas clínicas fisioterapêuticas. Nos pacientes com queixa de dor nesse segmento (C3-C7), o fisioterapeuta deve eliminar causas mais graves (tumor, fratura, impressão basilar etc.), que são contraindicadas ao tratamento, e buscar sinais e sintomas característicos das patologias. Eliminadas as contraindicações, deve-se investigar o tecido responsável pelos sintomas atuais para, assim, planejar e aplicar um tratamento específico. 4.2 Testes articulares para a coluna cervical Teste de mobilidade analítica 47 Estuda diferentes parâmetros de movimentos de cada segmento vertebral. Com esses testes, é possível determinar os maiores parâmetros das disfunções e, dessa maneira, eleger a técnica de correção maisadequada. • Flexão-extensão O paciente fica sentado na maca. O fisioterapeuta fica em pé ao lado do paciente. Uma mão contata o topo da cabeça do paciente. A outra contata com a polpa dos dedos nas apófises espinhosas que deseja avaliar. Com a mão que está na cabeça, induz-se o tronco movimentos de flexão-extensão, avalia a qualidade do movimento e a sensação de barreira. • Rotação O paciente fica sentado na maca. O fisioterapeuta fica em pé, atrás da cabeça do paciente. Uma mão contata o topo da cabeça do paciente. A outra contata bilateral nas lâminas da vértebra que deseja testar, com as polpas do indicador e polegar. A mão da cabeça induz movimentos de rotação cervical monitorando os movimentos com os contatos da mão para sentir as barreiras de movimento. Quando é induzida uma rotação para a esquerda, por exemplo, a lâmina direita deve anteriorizar, enquanto que a esquerda deve posteriorizar. • Inclinação lateral Paciente na mesma posição e fisioterapeuta em pé ao seu lado. Uma mão contata o topo da cabeça do paciente. A outra palpa lateralmente as apófises transversas dos níveis que quer avaliar com a polpa do polegar e indicador. A mão da cabeça induz os movimentos de inclinação enquanto os contatos da mão posterior induzem translações laterais das vértebras no sentido da convexidade e analisam os movimentos que ocorrem nas transversas. 4.3 Teste de Mitchell para a coluna cervical inferior Esse teste analisa a capacidade de translação lateral das vértebras cervicais e é possível diagnosticar o tipo específico da disfunção. O paciente fica em decúbito dorsal na maca. O fisioterapeuta, sentado na cadeira, atrás da cabeça do paciente, contata com a polpa dos dedos (indicador e médio) na face lateral dos processos transversos bilateralmente, da vértebra que quer testar. O resto da mão toma contato com a face lateral do crânio do paciente. A coluna cervical deve estar em posição neutra de flexão/extensão. O fisioterapeuta inclina passivamente a coluna cervical para um dos lados ao mesmo tempo que realiza translação da vértebra para o lado da convexidade com a polpa dos dedos. Esse deslizamento/translação é acompanhado fisiologicamente da inclinação para o lado oposto. Em caso de restrição articular na translação da direita para a esquerda, pode estar ocorrendo duas situações distintas: 1) a faceta articular do lado esquerdo recusa desimbricar; ou 2) a faceta 48 articular do lado direito recusa imbricar. Para saber qual a disfunção, o fisioterapeuta impõe flexão ou extensão no segmento e retesta a capacidade de translação da vértebra. Se durante a flexão a capacidade de translação melhora, logo, FRS à esquerda. Se durante a extensão a capacidade de translação melhora, logo, ERS à esquerda. Isso porque quando se aproxima a vértebra do parâmetro disfuncional, a cápsula articular permite o movimento de translação mais amplo. Quando se realiza uma translação da direita para a esquerda, há uma inclinação para a direita e as facetas articulares ao lado direito são imbricadas e do lado esquerdo desimbricadas. Se a vértebra está livre, o movimento ocorre sem resistência para ambos os lados. 4.4 Testes ortopédicos para a coluna cervical • Teste de Spurling Utilizado para verificar dores facetarias ou irritação neural. O paciente, sentado, inclina e roda cervical para um lado. O fisioterapeuta fica em pé atrás do paciente com uma mão localizada no topo da cabeça do paciente. Com a outra mão, o examinador realiza pequenas compressões na mão que está no topo da cabeça. Se o paciente não apresentar sintomas nessa posição, deve-se agregar a extensão cervical para diminuir ainda mais o diâmetro do forame de conjugação e canal vertebral. Isso é realizado bilateralmente. • Teste de distração cervical Diferencia sintomas radiculares dos de origem muscular ou ligamentar. Com o paciente sentado o fisioterapeuta contata o crânio do paciente com uma das mãos na região inferior da mandíbula e a outra mão na fossa posterior do crânio. O fisioterapeuta exerce tração axial superior no crânio do paciente. A distração cervical reduz a carga nos discos intervertebrais e também nas raízes nervosas dos níveis cervicais. A redução dos sintomas radiculares quando a cervical é tracionada, é sinal sugestivo de irritação nervosa de origem discal. O aumento dos sintomas durante esse procedimento sugere alteração funcional cervical por patologias de origem articular, muscular e capsulo-ligamentar. • Teste de depressão do ombro O paciente sentado e o fisioterapeuta atrás dele pressiona caudalmente um dos ombros enquanto inclina a cervical para o lado oposto. A provocação dos sintomas radiculares é sinal de adesão do saco dural e/ou raiz nervosa. A dor está aumentada no lado da musculatura alongada, assim como o tônus está aumentado do trapézio e esternocleidomastóideo. A redução da sintomatologia no lado que não está sendo alongado indica alterações funcionais envolvendo tensão muscular. O teste deve ser feito bilateralmente. • Teste de extensão cervical 49 Com o paciente em pé ou sentado, o fisioterapeuta realiza extensão cervical máxima do paciente e mantém por 20-25 segundos. Se o paciente referir aumento dos sintomas na região cervical, interescapular ou membro superior, o teste é considerado positivo, sugerindo comprometimento discogênico. 5 TÉCNICAS PARA TRATAMENTO DA COLUNA CERVICAL Veremos agora as técnicas para tratamento da coluna cervical tanto de tecidos moles como técnicas articulares. 5.1 Técnicas de tecidos moles • Técnica de streching dos músculos posteriores Promove relaxamento da tensão das aponeuroses e fáscias dos músculos posteriores da região cervical, reduzindo densidades, quebrando aderências e aumentando a vascularização. O paciente encontra-se em supino e o fisioterapeuta fica em pé, contrário ao lado dos músculos que trabalha. Uma mão faz contato com o frontal para controlar o crânio. Os quatro dedos da outra mão são posicionados nos processos espinhosos cervicais no lado contralateral. Realiza-se um tissue pull no sentido lateral. Essa técnica preconiza o movimento rítmico de rotação da cabeça para o mesmo lado dos músculos trabalhados, ao passo que a mão dos processos espinhosos é levada na direção do teto. • Técnica de streching do esternocleidomastóide Promove relaxamento da tensão das aponeuroses e fáscias do esternocleidomastóide (ECOM), reduzindo densidades, quebrando aderências e aumentando a vascularização. O paciente é posicionado em supino e o fisioterapeuta fica em pé no lado oposto ao músculo que vai trabalhar. Uma mão contata o frontal para controlar os movimentos da cabeça. Os quatro dedos da outra mão contatam a região posterior do ventre do ECOM. A mão do frontal impõe uma rotação da cabeça para o lado do ECOM trabalhado. A outra mão leva as fibras do ECOM em direção do teto. Esses movimentos são feitos ritmados até que se atinja os objetivos da técnica. • Técnica de inibição do longo do pescoço Relaxa o músculo longo do pescoço e a aponeurose prévertebral. O paciente fica em decúbito dorsal e o fisioterapeuta sentado atrás da cabeça do paciente. Se for tratar o longo do pescoço ao lado direito, deve-se posicionar a mão direita com a polpa dos dedos (últimos quatro) por baixo das fibras do esternocleidomastóide, na direção dos corpos vertebrais cervicais (os dedos ficam transversais à coluna vertebral). A mão esquerda inclina homolateral à cervical para 50 relaxar os tecidos moles, permitindo que a mão direita penetre o máximo possível próximo aos corpos vertebrais. Uma vez atingida a penetração máxima dos dedos, o fisioterapeuta realiza compressão, seguida de pequenos movimentos cefalocaudais e em círculo de forma alternada, para diminuir a tensão nas fibras musculares. • Técnica de liberação fascial das fibras superiores do trapézio O paciente fica em decúbito lateral com a região a ser tratada para cima, flexão 90º do quadril e dos joelhos. O fisioterapeuta, empé na frente do paciente, contata com uma mão o antebraço abaixo do cotovelo do paciente. A outra mão contata com a região tênar nas fibras superiores do trapézio. Primeiramente, o fisioterapeuta com a mão que está no trapézio aproxima suas fibras levando a cintura escapular na direção da cabeça. Depois, leva seu centro de gravidade na direção posterior, estirando as fibras musculares enquanto a mão fixa essas fibras. A técnica é feita ritmada até a redução da densidade tecidual. 5.2 Técnicas articulares • Técnica de thrust para disfunções em E(extensão) R(rotação) S(inclinação lateral) Desimbrica a faceta articular com um movimento de rotação em alta velocidade. Paciente em decúbito dorsal e o fisioterapeuta em pé no lado esquerdo da cabeça do paciente. A mão esquerda contata com o segundo dedo (articulação interfalangeana proximal ou distal) no processo articular esquerdo da vértebra que se encontra em disfunção (imbricada). O polegar fica na mandíbula e os outros dedos ficam posicionados na fossa posterior do crânio. A mão direita controla a cabeça do paciente, contatando a face lateral direita do crânio e deixando o ECOM direito entre o terceiro e quarto dedos. Para parametrizar o paciente: inclinação esquerda até o nível, rotação direita de cerca de 45 graus e regular a flexão/extensão até o nível, translação póstero-anterior e da esquerda para a direita. Reduz-se o slack em rotação até a barreira motriz e aplica-se, em alta velocidade, um impulso em rotação direita. • Técnicas de thrust para disfunções em F(flexão) R(rotação) S(inclinação lateral) Imbrica a faceta articular contralateral à posterioridade com um impulso em translação lateral. Paciente em decúbito dorsal. O fisioterapeuta fica em pé no lado esquerdo da cabeça do paciente. Sua mão esquerda contata a face lateral do processo transverso esquerdo da vértebra em disfunção, o polegar na mandíbula e os outros dedos na fossa posterior do crânio. O antebraço fica voltado para o ombro contralateral do paciente. A mão direita controla a cabeça do paciente, contatando a face lateral direita do crânio e deixando o ECOM direito entre o terceiro e quarto dedos. Para parametrizar o paciente: inclinação esquerda até o nível, rotação direita de cerca de 30º, 51 translação da esquerda para a direita. Alcançada a barreira motriz, aplica-se o impulso com a mão esquerda, em direção ao ombro direito do paciente. 6 COLUNA LOMBAR É uma curvatura secundária composta por cinco vértebras, sendo um segmento bastante móvel, principalmente nos seus últimos níveis (L4 e L5). É frequente que nessas áreas ocorra maior incidência de processos degenerativos que podem provocar sintomas locais e/ou nos membros inferiores em algum momento da vida. É uma zona álgica do corpo humano com grande incidência de problemas. Relaciona-se mecânica e neurologicamente com os membros inferiores, com vísceras abdominais e pélvicas e com a pelve, como já discutimos. Apresenta mobilidade nos três planos de espaço, mas em razão da anatomia de suas facetas articulares, apresenta mais capacidade de movimentos no plano sagital (flexão e extensão) e pouca mobilidade nos planos transversal (rotação) e frontal (inclinação lateral). 6.1 Principais patologias da região lombar A hipermobilidade pode gerar sobrecarga nas articulações interfacetárias, ocasionando a síndrome facetaria. A hérnia de disco, talvez a tapotlogia mais recorrente, caracterizada pelo deslizamento de uma parte do anel fibroso e/ou núcleo pulposo no canal vertebral ou forame de conjugação. Pode gerar inflamação local, acometendo a raiz nervosa em decorrência da compressão mecânica, irritação química e resposta autoimune. 6.2 Avaliação da coluna lombar A avaliação da coluna lombar tem um primeiro e grande objetivo no caso da existência de sintomas locais: saber se a dor é de origem mecânica/funcional ou se tem origem estrutural. Na inspeção dinâmica, recomenda-se a realização de movimentos em todos os planos para observar a qualidade dos movimentos, presença de espasmos e/ou alteração de movimento. No intuito de que algum sintoma de dor seja relatado pelo paciente. 6.3 Testes articulares No teste articular Quick scanning para coluna lombar, o paciente é posicionado na maca e o fisioterapeuta em pé, ao lado do paciente, estabiliza o tronco com uma das mãos e posiciona a outra mão nos processos espinhosos das vértebras lombares. O antebraço fica direcionado no sentido póstero-anterior. Desloca-se as vértebras no sentido anterior até a sua barreira mecânica e verifica-se se essa barreira é elástica (fisiológica) ou restritiva, indicando disfunção local. Esse teste pode ser aplicado para toda a coluna vertebral e para as articulações sacroilíacas, indicando 52 zonas de restrição, mas não o tipo específico de disfunção. No teste de mobilidade analítica da coluna lombar, são testados os seguintes aspectos: • Flexão Para testar a flexão, o paciente fica sentado na maca com os membros superiores cruzados em “V”. O fisioterapeuta fica em pé ao lado do paciente e sua mão contata os membros superiores do paciente para poder controlar os movimentos do tronco. Sua outra mão contata com a polpa dos dedos em dois, três ou quatro processos espinhosos das vértebras lombares. Em seguida, o fisioterapeuta flexiona o tronco do paciente e observa o que ocorre com os processos espinhosos vertebrais. É esperado que os processos espinhosos se afastem com o movimento. Caso isso não aconteça, é indicativo de hipomobilidade. • Extensão Para testar a extensão, o paciente é posicionado como para testar a flexão. A mão do fisioterapeuta contata os membros superiores do paciente para poder controlar os movimentos do tronco. A outra mão contata com a polpa dos dedos em dois, três ou quatro processos espinhosos das vértebras lombares. Depois, o fisioterapeuta estende o tronco do paciente e observa o que ocorre com os processos espinhosos vertebrais. É esperado que os processos espinhosos se aproximem com esse movimento. Se um processo espinhoso não se movimentar, é indicativo de hipomobilidade. • Inclinação Para testar a inclinação segue o mesmo posicionamento acima. O fisioterapeuta realiza a inclinação homolateral do tronco do paciente e observa os processos espinhos vertebrais. É esperado que os processos espinhosos se desloquem contralateral à inclinação do tronco. Se um processo espinhoso não se movimentar, é indicativo de hipomobilidade. • Rotação Para testar a rotação, o mesmo posicionamento acontece. O fisioterapeuta realiza o movimento com sua mão e o polegar empurrando o processo transverso no sentido anterior percebe o seu deslocamento e sensação de barreira. É esperado que o processo transverso se desloque no sentido anterior no final do movimento. Se houver uma barreira restritiva importante, é indicativo de hipomobilidade vertebral, uma incapacidade de a vértebra realizar essa rotação. 6.4 Testes ortopédicos Para o ortopédico, os seguintes testes são realizados: 53 • Teste de Laségue Paciente em decúbito dorsal. Fisioterapeuta em pé, passivamente, paciente flexiona a coxa mantendo o joelho em extensão. Se houver irradiação nos primeiros graus da flexão, há indício de protrusão importante. Se a irradiação for qualquer angulação da flexão da coxa, há indicativo de sofrimento do nervo ciático ou de suas raízes. • Teste da campainha Paciente em decúbito ventral. Fisioterapeuta do lado do paciente, na altura da sua pelve, posiciona seus polegares sobrepostos na região posterior do processo espinhoso da vértebra que quer avaliar e pressiona no sentido anterior. Em caso de dor irradiada para o membro inferior, há indicativo de sofrimento discal. 7 TÉCNICAS DE TRATAMENTO PARA COLUNA LOMBAR Veremos a seguir as técnicas de tratamento para a coluna lombar, tanto para tecidos moles como para correções das disfunções articulares. 7.1 Técnicas para tecidos moles • Técnica de liberação do quadrado lombar (paciente sentado)Paciente sentado. Fisioterapeuta em pé atrás do paciente, com seu joelho apoiado na maca no lado oposto ao que será trabalhado, apoiando a região lateral da coluna lombar do paciente. Com uma mão bloqueia a pelve do paciente contra a maca e com a outra posiciona o tronco do paciente em inclinação lateral e traciona as últimas costelas superiormente. Busca-se parâmetros de tensão em todos os planos, com deslocamentos anteroposteriores e rotacionais das mãos. • Técnica de liberação do iliopsoas Paciente em decúbito dorsal com flexão do membro inferior do lado oposto ao que será tratado. Essa flexão do quadril e joelho é mantida pelas mãos do paciente. O membro inferior do lado tratado deve ser colocado para fora da maca com extensão do quadril. O fisioterapeuta fica em pé de frente para o paciente. Uma das mãos contata o joelho do lado que não será tensionado para estabilizar o paciente. A outra mão contata a coxa do lado a ser tratado. Deve-se tensionar a aponeurose do psoas impondo a extensão passiva do quadril até atingir a barreira restritiva. Atingida a barreira restritiva (técnica direta), o fisioterapeuta pode aplicar duas técnicas: 54 1) manter estaticamente a tensão restritiva e quando liberar, buscar novas barreiras e evoluir nesse sentido até que perceba mais barreira. 2) tensionar rítmica e dinamicamente os tecidos fasciais, progressivamente, acompanhando a liberação dos tecidos. Assim, quanto mais as tensões se liberam, mais amplitude o fisioterapeuta ganha. • Técnica de energia muscular (TEM) para o iliopsoas Posiciona-se o paciente em decúbito dorsal com flexão do membro inferior do lado oposto ao que será tratado mantida pelo paciente. O membro inferior do lado tratado deve ser colocado para fora da maca com extensão do quadril. O fisioterapeuta, em pé, de frente para o paciente, utiliza uma das mãos contatando o joelho do lado que não será tensionado para auxiliar a estabilizar o paciente e a outra mão contatando a coxa do lado a ser tratado. Tensiona-se a aponeurose do psoas impondo a extensão passiva do quadril até atingir a barreira restritiva. Uma vez atingida a barreira, o fisioterapeuta orienta o paciente a realizar contrações isométricas do íliopsoas, levando a coxa na direção do teto. Após essa contração, o fisioterapeuta aproveita a fase de inibição tecidual para encontrar nova barreira tensional, aumentando a extensão do quadril. Esse procedimento é repetido até que não se encontrem barreiras e que se perceba a liberação da restrição desse tecido. • Técnica neuromuscular (TNM) para os paravertebrais lombares O paciente fica em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica no lado que será manipulado, na altura da coxa do paciente. Uma mão, espalmada, fica sobre o sacro impondo tensão caudal nos tecidos moles locais e a outra sobre a aponeurose dos paravertebrais desde suas inserções caudais. A técnica é realizada bloqueando os tecidos com a mão espalmada e gerando um deslizamento profundo e progressivo com o polegar da outra mão, no sentido cefálico. O deslizamento não é controlado pelo fisioterapeuta, mas pela liberação dos tecidos do paciente. Quanto mais densidade, mas lento é o deslizamento. 7.2 Técnicas para correções das disfunções articulares Para a técnica de correção de posterioridade (decúbito ventral), o paciente fica em decúbito ventral e o fisioterapeuta em pé de frente para a coluna lombar do paciente. Uma mão contata na EIAS contralateral e a outra mão o pisiforme na posterioridade vertebral que será corrigida. A mão do pisiforme tensiona a posterioridade bloqueando-a no sentido da maca. A mão da EIAS busca a barreira tensional levando a pelve no sentido do teto. Encontrada a barreira, o fisioterapeuta realiza a técnica: • rítmica e oscilatória, levando a pelve anteriormente para aumentar a barreira e relaxar a tensão em seguida. Aumentar a tensão progressivamente. 55 • estática, mantendo a tensão máxima, levando a pelve no sentido do teto e aumentando progressivamente essa tensão conforme os tecidos permitam esse aumento. A técnica de energia muscular (TEM) para correção de disfunção de ERS esquerda, desimbrica a faceta do lado esquerdo. Inicia-se com o paciente sentado no meio da maca. O fisioterapeuta impõe parâmetros com o tronco do paciente no sentido da correção direta até o nível desejado: flexão, inclinação direita e rotação direita. Após, deita o paciente sobre seu lado direito, deixando a imbricação voltada para o teto. Em seguida, contata a vértebra que será tratada com uma mão e com a outra posiciona os membros inferiores com flexão 90º de quadril e joelhos, levando os pés do paciente no sentido do solo para aumentar a inclinação contralateral (direita) da coluna lombar. Com essas barreiras, o fisioterapeuta orienta o paciente a levar seus pés no sentido do teto enquanto mantém a resistência para que a contração seja isométrica. Após a contração muscular, o fisioterapeuta aproveita a fase de inibição tecidual para encontrar nova barreira tensional em inclinação lateral da coluna, levando os pés mais no sentido do solo. Esse procedimento é repetido até que não seja mais possível atingir novas barreiras e que se perceba a liberação da restrição desse tecido. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 56 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • saber que o quadril é responsável por grande sustentação de peso e, por isso, muito sujeito a desconforto quando uma ou mais partes não desempenham corretamente suas funções; • conhecer os testes diagnósticos provocativos e de mobilidades mais empregados para a articulação sacroilíaca; • aprender as principais técnicas utilizadas em tecidos moles e articulações para trata- mento dos distúrbios sacroilíacos; • verificar as particularidades da coluna vertebral cervical, principais acometimentos, testes e técnicas usadas no tratamento das suas disfunções; • saber as particularidades da coluna lombar, suas principais patologias e seus testes, articulares e ortopédicos, utilizados para detectar eventuais disfunções; • conhecer as principais técnicas para correção de disfunções da coluna lombar, que englobam técnicas relativas a tecidos moles e técnicas para disfunções articulares. PARA RESUMIR CHAITOW, L. Técnicas de energia muscular. São Paulo: Manole, 2001. KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São Paulo: Manole, 2009. LE CORRE, F.; RAGEOT, E. Atlas Prático de Osteopatia. Porto Alegre: Artmed, 2004. LEWIT, K. A Manipulação na reabilitação do Sistema Locomotor. 3. ed. São Paulo: Santos, 2000. PARSONS, J.; MARCER, N. Osteopathy: Models for Diagnosis, Treatment and Practice. 1. ed. Elsevier Health Sciences, 2006. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 3 Diagnóstico e tratamento das doen- ças musculoarticulares Olá, Você está na unidade Diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares. Conheça aqui a fisiopatologia e o diagnóstico das lesões que mais acometem os membros superiores e inferiores. Aprenda também a utilizar a terapia manual na reabilitação desses pacientes. Bons estudos! Introdução 61 1 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS MUSCULOESQUELÉTICAS Diversas são as lesões musculoesqueléticas de forças físicas variadas, incluindo contusão, ruptura de tendões e ligamentos. A maioria das forças causais de lesão musculoesqueléticas é típica de um ambiente, uma atividade ou uma faixa etária específica. A principal causa de morte em adultos menores de 44 anos são os traumas resultantes de acidentes automobilísticos de alta velocidade. Já em crianças e adolescente entre 0 e 19 anos, as quedas constituem a principal causa de lesões não fatais. Também correspondem à causa mais comum de lesão em idosos. Atualmente, as estatísticas indicam que um a cada três idosos sofre pelo menos uma queda por ano. 1.1 Lesões desportivas As lesões ocasionadas pela prática de esporte podem ser de origem aguda ou por uso excessivo (overuse). •Aguda As lesões agudas são decorrentes de trauma súbito e incluem as lesões de tecidos moles, como contusões, distensões e estiramentos e de ossos, as fraturas. • Overuse As lesões por overuse são consideradas lesões crônicas e ocorrem devido à prática de esportes associada a curtos períodos de afastamento esportivo, resultando em tempo insuficiente para a cicatrização da lesão inicial. As lesões por sobrecarga correspondem à metade de todas as lesões desportivas pediátricas. São mais frequentes no cotovelo e nos tecidos em que os tendões são inseridos no osso, como o calcanhar, joelho e ombro. Os esportes de contato frequentemente resultam em lesão no pescoço, na coluna vertebral e nas placas de crescimento em crianças e adolescentes que ainda não atingiram a maturidade óssea. Para evitar essas fraturas, deve ser realizado um treinamento adequado, uso adequado de equipamento de segurança e limitar o nível de competitividade de acordo com a habilidade e o tamanho da criança ou adolescente, e não por faixa etária unicamente. Para diagnosticar traumas musculoesqueléticos e lesões por overuse, é recomendado a realização de uma ressonância magnética. 62 1.2 Lesões de tecidos moles A maioria das lesões musculoesqueléticas é associada a lesões de tecidos moles (músculos, tendões ou ligamentos). Contusões, hematomas e lacerações são exemplos de lesões de tecidos moles. A contusão é uma lesão de tecido mole resultante do trauma direto. Comumente é provocada pelo golpe de uma parte do corpo contra um objeto rígido. Na contusão, a pele que recobre a lesão permanece intacta. Inicialmente, surge uma equimose devido à hemorragia local; posteriormente, a equimose vai clareando conforme a absorção do sangue. Uma grande área de hemorragia local recebe a denominação de hematoma. Os hematomas provocam dor quando o sangue fica retido, pressionando as terminações nervosas. A dor se agrava quando o local é pressionado ou durante os movimentos. A dor e o edema decorrentes de um hematoma custam regredir mais do que aqueles associados a uma contusão. O crescimento bacteriano pode infectar um hematoma. A contusão não gera drenagem, já um hematoma esporadicamente pode romper a pele devido ao aumento da pressão, produzindo drenagem. O tratamento de uma contusão e um hematoma envolve a elevação da parte afetada e o uso de crioterapia a cada 4h durante cerca de 20 minutos a 1h para diminuir a hemorragia local. Eventualmente, um hematoma pode necessitar de aspiração. A laceração é uma lesão na qual a pele sofre ruptura, tendo sua continuidade interrompida. O tamanho e a profundidade da ferida e a existência de contaminação a partir do objeto causador da lesão determinam a gravidade da lesão. Perfurações por pregos ou material enferrujado representam o risco para o crescimento bacteriano, como aquelas causadoras de tétano e a gangrena gasosa. As lacerações são tratadas por fechamento da ferida, que só ocorre após a limpeza adequada da ferida. A ferida é então coberta com um curativo estéril. Isso é fundamental para reduzir sua contaminação e para controlar o sangramento. Quando infectadas ou em casos de fratura expostas são irrigadas e desbridadas, e a pele geralmente fica aberta para facilitar a cicatrização e impedir o desenvolvimento de uma infecção anaeróbia ou uma fístula. 63 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 LESÕES ARTICULARES OU MUSCULOTENDÍNEAS As articulações são os locais em que dois ou mais ossos se encontram. As articulações diartrodiais são sustentadas por feixes de fibras colágenas rígidos denominados ligamentos, que são inseridos à cápsula articular e ligam as extremidades articulares dos ossos. Os tendões unem os músculos ao periósteo dos ossos que estão se articulando. As lesões articulares são causadas por sobrecarga mecânica ou torção ou distensão forçada. 2.1 Estiramentos e distensões Estiramento é uma lesão decorrente de uma sobrecarga mecânica que se estende a um músculo ou a uma unidade musculotendínea. Trata-se de uma lesão que pode ser resultante de uma contração muscular inesperada ou de um alongamento excessivamente forçado. Geralmente é associado a sintomas como dor, rigidez e edema. Os locais mais frequentemente atingidos são a parte inferior das costas e a região cervical da coluna vertebral. O cotovelo e o ombro também são estruturas suportadas por unidades musculotendíneas, portanto sujeitas a estiramentos. O estiramento do pé geralmente ocorre devido a tensões de descarga de peso sobre os pés. Pode ser decorrente de um apoio muscular e ligamentar incorreto, sobrepeso ou excesso de exercícios. A lombalgia de causa mecânica é cada vez mais comum no adolescente atleta. O uso excessivo, principalmente os movimentos de hiperextensão da coluna lombar em esportes como atletismo, luta, ginástica e mergulho, pode lacerar os músculos, as fáscias e os ligamentos. É preciso um diagnóstico criterioso, uma vez que a lombalgia crônica pode ser indicativa de fratura por estresse. As fraturas próximas às superfícies superior e inferior das vertebras comumente ocorrem quando a coluna lombar em crescimento é submetida a esforços excessivos, colaborando para que os discos pressionem as raízes de nervos espinais. São fundamentais a detecção e o tratamento precoces para evitar complicações e incapacidade. 64 O tratamento dos estiramentos nas costas requer um breve período de repouso e analgésicos leves, seguido por um retorno gradual às atividades. É indicado utilizar compressas frias ou gelo para diminuir a dor e o edema na área afetada. Exercícios, postura correta e boa mecânica corporal colaboram para a redução do risco de novas lesões. 2.2 Entorses Envolve as estruturas ligamentares em torno de uma articulação, é semelhante a um estiramento, porém a dor e o edema demoram mais a diminuir. A causa geralmente é relacionada a um movimento anormal ou excessivo na articulação. No caso da entorse, os ligamentos podem ser parcialmente rompidos ou, em entorses graves, lacerados ou totalmente rompidos. Eventualmente pode ser encontrada uma lasca de osso quando todo o ligamento, incluindo a parte inserida no osso, foi rompido ou lacerado do osso. Os sinais incluem dor, edema agudo, calor, incapacidade, descoloração e limitação da função. Figura 1 - Entorse de tornozelo Fonte: Onfokus, Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra um pé com entorse de tornozelo. Ele está edemaciado e com hematomas. Qualquer articulação pode sofrer uma entorse, no entanto a articulação mais frequentemente acometida é o tornozelo e, em menor proporção, o joelho. A maioria das entorses de tornozelo afeta a parte lateral do tornozelo quando o pé é virado para dentro sob o peso corporal, fazendo um movimento de inversão forçado, além dos limites estruturais. Em relação aos joelhos, geralmente afeta o ligamento colateral e cruzado anterior. Bem como ocorre nos estiramentos, a lesão de tecidos moles associadas à entorse não é evidente nas radiografias. Punhos também podem sofrer entorses, geralmente quando ocorre, são relacionadas a quedas sobre a mão estendida. 65 2.3 Cicatrização As lesões musculotendíneas geralmente cicatrizam com recuperação da força tênsil, desde que tratadas de forma adequada. Os fibroblastos reparam o interior da bainha tendínea ou, quando o tendão não tiver bainha, pelo tecido conjuntivo frouxo que envolve o tendão. Durante o processo de cicatrização tecidual, os capilares infiltram a área lesionada, fornecendo aos fibroblastos os substratos necessários para a produção de grandes quantidades de colágeno. Nas primeiras duas semanas, ocorre a produção de feixes colágenos longos e, apesar de a resistência à tração aumentar continuamente depois disso, é insuficiente para favorecer a tração do tendão suficientemente forte durante aproximadamente 60 dias. Durante a fase de cicatrização, tem-se o risco de que a contração muscular cause o afastamento das extremidades lesionadas, provocando uma cicatrizaçãona posição distendida. Há também o risco do desenvolvimento de aderências nas áreas nas quais os tendões passam pelos canais fibrosos, como na extremidade distal da palma das mãos, inutilizando o tendão. 2.4 Tratamento O tratamento das distensões e entorses ligamentares são parecidos em diversos aspectos. Em algumas situações apenas a elevação do membro afetado seguido pela crioterapia pode ser suficiente. A compressão pode ser feita com o uso de bandagens adesivas ou de tala removível, auxiliando na redução de edema e fornecendo suporte. Em casos de entorses graves, é necessário colocar um aparelho gessado, principalmente naquelas que exigem reparo cirúrgico. A imobilização de um estiramento muscular deve ser mantida até que a dor e edema cessem. A cicatrização do tecido conjuntivo denso envolvido nas lesões articulares exige tempo para a recuperação das estruturas, de forma que estejam adequadamente fortes para suportar as forças impostas sobre a articulação. As lesões de ligamentos podem requerer uma intervenção cirúrgica, com a aproximação das diversas faixas fibrosas para auxiliar a cicatrização. Nas entorses, a articulação afetada precisa ser imobilizada por várias semanas. Após a imobilização, FIQUE DE OLHO As articulações são as estruturas mais frágeis do sistema esquelético e, por isso, propensas à lesão, em decorrência de sobrecarga mecânica ou torção ou estiramento forçado. A lesão pode incluir danos aos tendões, que conectam os músculos aos ossos; aos ligamentos, que mantêm a conexão dos ossos; ou às cartilagens, que recobrem a superfície articular. 66 gradualmente deve-se evoluir no tratamento de reabilitação com exercícios ativos. Diagnosticar precocemente, tratar e reabilitar é fundamental para evitar a instabilidade crônica dos ligamentos. 2.5 Luxações A luxação envolve um deslocamento ou afastamento das extremidades ósseas de uma articulação, com perda do movimento articular. Frequentemente, ocorre após um trauma grave que rompe as inserções dos ligamentos. As articulações do ombro e acromioclavicular são as articulações mais acometidas por luxações. A maioria das luxações de ombro traumáticas são anteriores ou são eventos frequentes após uma lesão anterior, como a luxação ou subluxação. A subluxação é uma luxação parcial, em que as extremidades ósseas de uma articulação ainda estão parcialmente conectadas uma à outra. As luxações podem ser de origem congênita, traumática ou patológica. • Congênita As luxações congênitas ocorrem no joelho e no quadril. • Traumática As traumáticas podem ser decorrentes de quedas, golpes ou lesões rotacionais. No ombro e na patela as luxações podem ser tornar recorrentes, principalmente em atletas. As luxações se repetem com o mesmo movimento, porém cada vez é necessário menos força para causar dano. • Patológica A luxação patológica no quadril é uma complicação tardia decorrentes de infecções, artrite reumatoide, paralisia e doenças neuromusculares. As luxações das articulações falângicas não são graves e geralmente são resolvidas através da manipulação. Punho e região mediotarsal são locais menos comuns de luxação, mas ocorrem com maior frequência em adultos jovens. Quando ocorrem, geralmente são decorrentes de força direta, como quando a queda ocorre sobre a mão estendida. O diagnóstico é respaldado pela história, exame físico e achados radiológicas. Os principais sintomas são dor, deformidade articular e limitação do movimento. O tratamento será de acordo com a articulação acometida, mecanismo da lesão e lesões associadas, como a fratura. Quando a luxação não corrige de forma espontânea, geralmente necessita de manipulação ou reparo cirúrgico. Diversas opções cirúrgicas existem para evitar a recorrência das luxações da patela, do ombro ou do acromioclavicular. São precisas várias semanas de imobilização após um evento de luxação para permitir a cicatrização das articulações. Nas luxações que atingem o joelho, a cirurgia pode ser substituída por exercícios de fortalecimento isométrico do quadríceps femoral e uma tala temporária. 67 2.6 Corpos livres Os corpos livres são pequenos pedaços de osso ou cartilagem intra-articular. Podem ser decorrentes de um trauma articular ou em situações de desgaste da cartilagem articular (artrose), fazendo com que uma parte necrótica do osso se separe e flutue livremente. Os sintomas geralmente são dolorosos e geralmente levam ao travamento e bloqueio articular. Os corpos livres geralmente localizam-se no joelho, cotovelo, quadril e tornozelo. O pedaço solto frequentemente fica preso repetidamente em uma fenda articular, causando pinçamento da cartilagem saudável subjacente. Exceto que o corpo livre seja removido, pode resultar em osteoartrite e restrição do movimento. O tratamento requer remoção artroscópica. 3 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS LESÕES ARTICULARES DO MEMBRO SUPERIOR Diversas lesões podem acometer as articulações dos membros superiores, porém aqui vamos nos deter àquelas mais frequentes. 3.1 Lesão do ombro e manguito rotador O ombro é a articulação mais complexa do corpo humano, isso porque ela envolve uma série de articulações que permitem uma enorme amplitude de movimento. No entanto, toda essa mobilidade custa uma certa instabilidade à articulação. Essa instabilidade, associada com a sua posição, de certa forma exposta torna o ombro muito vulnerável a danos, como entorses e luxações e processos degenerativos, como transtornos do manguito rotador. O ombro compõe-se de três ossos: a escápula, a clavícula e o úmero. A escápula se articula com o úmero através da cavidade glenoidal e com a clavícula através do acrômio, bem como com a caixa torácica. As fraturas de clavícula são uma das mais comuns entre as crianças. O mecanismo mais frequente de fratura é a queda sobre a lateral do ombro. Ele constitui-se de três articulações: a articulação acromioclavicular, a articulação esternoclavicular e a articulação glenoumeral. Uma série de músculos e tendões fornecem a estabilidade dessa articulação. As entorses da articulação acromioclavicular geralmente são resultantes de um golpe na parte superior do ombro, mas também ocorrem em situações de queda sobre as partes lateral ou posterior do ombro. A articulação mais afetada pelas luxações de ombro é a articulação glenoumeral. A luxação anterior da cabeça do úmero em relação à cavidade glenóide representa a luxação de ombro mais grave, geralmente resultante de abdução de ombro, forçadamente estendido e rodado. Outros mecanismos envolvem a queda sobre o braço estendido ou um golpe sobre o ombro posterior. 68 Cada vez que movimentamos o ombro, há o envolvimento e a ação coordenada dos músculos do manguito rotador (supraespinhal, redondo menor, infraespinal, subescapular) e suas inserções musculotendíneas. Esses músculos são afastados do arco coracoacromial sobrejacente por duas bolsas, a subdeltóidea e subcoracoide. Essas bolsas, também denominadas de bolsas subacromiais, muitas vezes se comunicam e são afetadas pelas lesões do manguito rotador. O manguito rotador, bem como outros grupos musculares, tem seu risco de lesão aumentado quando é preciso realizar uma função com alto estresse em um estado descondicionado. As lesões do manguito rotador e as disfunções de pinçamento podem resultar de uso excessivo, golpe direto ou lesão por estiramento, frequentemente envolvendo arremesso ou oscilação. As lacerações ou rupturas completas do manguito rotador geralmente ocorrem em pessoas jovens após um trauma grave. Os distúrbios ocasionados por uso excessivo e degenerativo têm um início mais lento e são encontrados em idosos com ou sem história de trauma. Os tendões do manguito rotador se unem próximo de suas inserções nas tuberosidades do úmero formando o manguito musculotendíneo. A degeneração desses tendões pode ocorrer por diversos fatores, tais como microtraumas repetitivos, problemas na vascularização relacionadas ao envelhecimento ou instabilidade doombro com sobrecarga secundária do manguito. Próximo da inserção tendínea, a degeneração é mais grave. O mais afetado é o supraespinal. Quando os movimentos do braço causam compressão e pinçamento dos tecidos existentes entre o úmero e o arco sobrejacente, pode haver dor e impacto. A tendinite grave também pode causar a ruptura parcial ou completa do manguito rotador. Diversas manobras podem ser utilizadas no exame físico para auxiliar no diagnóstico do ombro. É importante analisar a história e o mecanismo de lesão. Podem ser utilizadas as radiografias tradicionais, artrografias, tomografias computadorizadas ou ressonância magnética. O exame artroscópico pode ser utilizado tanto para fins diagnósticos quanto para o reparo de lacerações graves. O tratamento conservador pode ser realizado com uso de agentes anti- inflamatórios, injeções de corticosteroides e fisioterapia. Após um período em repouso, deve-se seguir um programa de exercícios e reabilitação personalizada para melhorar a força muscular, flexibilidade e resistência. Após a cirurgia para lesões de manguito rotador, a cicatrização do sítio cirúrgico ainda pode demorar de 6 a 12 meses para se concluir. 4 TERAPIA MANUAL NO TRATAMENTO DAS LESÕES ARTICULARES DE MEMBROS SUPERIORES Independente da lesão, de uma forma geral, as lesões articulares caracterizam-se por um quadro inflamatório que causa dor, levando à perda da funcionalidade e, assim, da independência. 69 4.1 Mobilização articular de ombro Para realizar a técnica de deslizamento da capsula inferior, deve-se posicionar o paciente em decúbito dorsal e prender o braço do paciente posicionando o antebraço dele entre o braço e o corpo do fisioterapeuta. A mão caudal do fisioterapeuta segura o cotovelo em extensão e a mão cefálica deve estabilizar a escápula. Realizar a mobilização da cabeça do úmero inferiormente. Essa técnica é indicada quando há comprometimento no plano sagital da articulação, ou seja, na flexão e abdução de ombro. Agora, você aprenderá a realizar a técnica de tração de ombro que é utilizada quando o paciente obteve evolução no tratamento identificado através da melhora da amplitude de movimento para a abdução de ombro. Primeiro, é preciso posicionar o braço do paciente em 90° de abdução, com o fisioterapeuta estabilizando esse braço da mesma forma descrita na manobra de “deslizamento da capsula inferior”. Realizar a decoaptação das estruturas, afastando o úmero da cavidade glenoidal. 4.2 Mobilização articular de escápula Com o paciente em decúbito lateral, o fisioterapeuta deve posicionar sua mão caudal abaixo do ângulo inferior da escápula do paciente e a mão cefálica deve ser apoiada na região superior da articulação do ombro. Nessa posição, o fisioterapeuta deve realizar as mobilizações da escápula, conforme na figura a seguir. Figura 2 - Mobilização articular de escápula Fonte: karelnoppe, Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra uma fisioterapeuta realizando a manobra de mobilização articular de ombro em uma paciente, uma excelente forma de soltar aderências escapulares. 70 4.3 Mobilização articular radioulnar distal e rádio-cárpica Com o paciente sentado com o braço apoiado sobre uma mesa, o fisioterapeuta estabiliza a região distal do rádio e ulna e mobiliza a região do carpo, no sentido anteroposterior. Nessa mesma manobra, é possível realizar a tração, fazendo o afastamento das estruturas do rádio e ulna e a primeira fileira dos ossos do carpo. 4.4 Técnicas miofasciais e manobras inibitórias Nessa sessão, ensinaremos algumas técnicas que podem ser utilizadas tanto nos quadros dolorosos de membros superiores quanto inferiores. Vale lembrar que para tornar essa experiência mais confortável para o paciente, o fisioterapeuta deve ter suas unhas aparadas e não aplicar óleo ou hidratante, para favorecer a aplicação adequada da técnica. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4.5 Pressão profunda A pressão profunda, tal como o nome diz, requer a pressão digital mantida sobre um ponto- gatilho durante 8 a 60 segundos. A pressão de um ponto pode ser aumentada tanto em termos de tempo de sustentação quanto em profundidade à medida que a sensibilidade à dor do paciente reduzir. Veja na figura a seguir um exemplo de massagem profunda. 71 Figura 3 - Massagem profunda Fonte: fotostorm, Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra como é feita a massagem profunda de pontos-gatilho localizados no bordo medial das escápulas. 4.6 Vibração A vibração diretamente aplicada sobre um ponto-gatilho é indicada para liberar áreas que não cedem em resposta à digitopressão. Essa manobra ajuda a alterar a percepção da dor muscular ou articular por estimular os nervos circundantes. A vibração para liberação de um ponto-gatilho deve iniciar com uma compressão leve e adicionar um movimento trêmulo para baixo e para cima. 4.7 Stripping Trata-se de um tipo de deslizamento profundo que segue por todo o comprimento da fibra muscular. Assim, o stripping deve ser aplicado durante toda a faixa tensa da região do ponto- gatilho. Geralmente em torno de 10 sessões de stripping são capazes de aliviar os sintomas de fibrosite e de dor miofascial. Veja na figura a seguir uma monobra de stripping. 72 Figura 4 - Manobra de stripping de gastrocnêmios Fonte: gilaxia, Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra um fisioterapeuta realizando a manobra de stripping de gastrocnêmios em um paciente deitado. O profissional localiza a estrutura anatômica desejada, no caso os músculos gastrocnêmios, para só então realizar a técnica. 4.8 Inibição recíproca Para realizar essa manobra, deve-se pedir para o paciente contrair a musculatura antagonista àquela que se deseja alongar, o fisioterapeuta deve resistir a essa contração de tal forma que a resistência à força do paciente vá cedendo de modo a atingir a amplitude desejada. Para tornar mais ilustrativo, imagine que você deseja alongar o bíceps femoral do seu paciente (músculos flexores de joelho). Para atingir a amplitude desejada, você deve pedir para ele realizar uma extensão de joelho contra a resistência manual do fisioterapeuta que deve ser gradual para que o paciente consiga atingir a amplitude-alvo do tratamento. 5 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS LESÕES ARTICULARES DOS MEMBROS INFERIORES Agora, abordaremos as principais lesões articulares encontradas em membros inferiores. 5.1 Lesões do joelho O joelho é um local frequente de lesões, principalmente aquelas relacionadas com esportes nos quais o joelho é submetido a forças excessivas de torção e compressão. Tais forças podem causar lesões meniscais, subluxação e luxação de patela e condromalácia. Veja a figura a seguir para relembrar a anatomia do joelho. 73 Figura 5 - Anatomia do joelho Fonte: Viktoriia_P, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra a estrutura anatômica do joelho com seus respectivos nomes. 5.2 Lesões de menisco Os meniscos são placas de fibrocartilagem em forma de “C” que se sobrepõem entre os côndilos do fêmur e da tíbia. Cada joelho possui um menisco medial e um lateral. Nas margens externas, esses meniscos são mais espessos e vão afunilando até formarem bordas finas e não acopladas em sua margem interna. Em suas extremidades, eles se inserem firmemente na parte intercondilar da tíbia e são apoiados pelos ligamentos coronário e transverso do joelho. A função dos meniscos é suportar a carga e amortecer impactos. Eles também ajudam na estabilização do joelho, aprofundando o soquete tibial e mantendo o fêmur e a tíbia na posição correta. Os meniscos também colaboram na lubrificação das articulações, servindo como fonte nutricional à cartilagem articular do joelho. As lesões de meniscos geralmente são decorrentes de uma lesão rotacional por um movimento de pivô súbito ou agudo ou um golpe direto no joelho. Geralmente estão relacionadas a outras lesões, como uma laceração do ligamento colateral anterior. O tipo e a localização da laceração de menisco são de acordocom a magnitude e direção da força que atua sobre o joelho e pela posição do joelho no momento da lesão. As lesões de menisco são descritas pela sua aparência como bico de papagaio e alça de balde, por exemplo, ou pela localização como corno posterior ou corno anterior, por exemplo. O joelho com lesão tem como sinais o edema e a dor, principalmente nos casos de hiperflexão 74 e hiperextensão. Um corpo livre pode comprometer a estabilidade do joelho, bem como causar seu bloqueio. O diagnóstico é realizado através do exame físico e confirmado pela ressonância magnética. Às vezes é preciso uma radiografia para descartar a possibilidade de uma osteoartrite. Inicialmente, o tratamento das lesões de menisco pode ser conservador. Pode ser colocado no joelho um imobilizador removível. Também podem ser prescritos exercícios isométricos para fortalecimento de quadríceps. Geralmente, há uma restrição nas atividades até que haja a recuperação total dos movimentos. Quando há bloqueio persistente ou recorrente, derrame recorrente ou dor incapacitante, pode ser indicado uma meniscectomia. Há perda de função do menisco devido à deterioração progressiva da funcionalidade do joelho. A cartilagem articular injuriada tem sua capacidade de cicatrização limitada devido a sua natureza pobre em vascularização e mobilização inadequada das células regenerativas. Há procedimentos cirúrgicos de reconstrução de menisco que buscam a preservação dessas funções antes do desenvolvimento de importantes alterações degenerativas, evitando a necessidade de substituição total da articulação posteriormente. 5.3 Subluxação Tanto a luxação quanto a subluxação recorrente de patela são lesões frequentes em adultos jovens. Esportes que requerem rotação externa do pé e da perna com flexão de joelho, como esqui ou tênis, podem estressar a patela. Isso porque esse movimento exerce pressão em rotação sobre o joelho. Além disso, algumas variações congênitas de joelho também predispõem a essas lesões. Quando ocorre uma luxação, geralmente o paciente refere uma sensação de patela “estalando”. Outras queixas são os falseios, edemas, crepitações, rigidez e redução da amplitude de movimento do joelho. O tratamento inicialmente envolve métodos conservadores, que incluem a imobilização com joelho em extensão, órteses, uso de agentes anti-inflamatórios e exercícios de fortalecimento isométrico do quadríceps femoral. Quando a cirurgia é necessária, envolve a redução e fixação interna ou remoção. 5.4 Condromalácia Popularmente conhecida como amolecimento da cartilagem articular, é mais frequente na parte inferior da patela e atinge mais os adultos jovens. Pode ser provocada por uma subluxação recorrente da patela ou devido ao uso excessivo em atividades esportivas de alta performance. O sintoma relatado geralmente é dor, principalmente ao subir escadas ou se sentar com os joelhos flexionados. Eventualmente pode haver fraqueza do joelho. Veja na figura a seguir comparação de um joelho normal com um com condromalácia. 75 Figura 6 - Condromalácia Fonte: Alila Medical Media, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra a ilustração de um joelho normal à esquerda e um joelho com condromalácia à direita. No joelho com condromalácia é possível obsevar que não há nenhum espaço articular entre a patela e o fêmur. Dificilmente é possível diagnosticar a condromalácia patelar sem o uso de ressonância magnética e de artroplastia. O tratamento envolve repouso, exercícios isométricos e crioterapia após o exercício. Em casos graves pode ser removido cirurgicamente uma pequena parte da patela. Em casos de menor complexidade, a porção mole é raspada através do uso de uma serra inserida por meio de um procedimento de artroscopia. 5.5 Lesões do quadril O quadril é uma articulação do tipo elipsóidea na qual a cabeça femoral se articula profundamente no acetábulo. A parte proximal do fêmur envolve a cabeça, o colo e o trocânter maior. A anatomia vascular da cabeça do fêmur merece um olhar atento em qualquer disfunção do quadril. Os vasos intramedulares e as artérias retinaculares que emergem das artérias circunflexas femorais passam pela região intertrocantérica proximal para nutrir a cabeça do fêmur. Dessa forma, doenças ou lesões que comprometem a circulação podem inviabilizar a cabeça do fêmur e culminar com necrose avascular ou osteonecrose. Os distúrbios do quadril incluem as luxações e fraturas do quadril. Veja a figura a seguir para relembrar a articulação do quadril. 76 Figura 7 - Articulação do quadril Fonte: Albina Glisic, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra uma ilustração da articulação do quadril. A cabeça do fêmur se encaixa no acetábulo para se articular, permitindo a movimentação dele. 5.6 Luxações do quadril Geralmente resultam de um trauma grave no sentido posterior. Sendo mais frequentemente decorrentes de um golpe no joelho num dado momento em que o quadril e o joelho estão flexionados. Tal força leva a uma impulsão da cabeça femoral para fora do acetábulo posteriormente. As luxações anteriores são mais raras e resultantes, na maioria das vezes, de uma força sobre o joelho com o quadril abduzido. A luxação do quadril representa uma emergência médica devido à grande tensão exercida sobre o suprimento sanguíneo, podendo resultar em necrose avascular. A redução precoce é fundamental para evitar essa complicação. Comumente a descarga de peso é limitada após a redução, para evitar que a luxação ocorra novamente e possibilitar que ocorra a cicatrização. 77 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 6 TERAPIA MANUAL NO TRATAMENTO DAS LESÕES ARTICULARES DE MEMBROS INFERIORES Independente da lesão, de uma forma geral, as lesões articulares caracterizam-se por um quadro inflamatório que causa dor, levando à perda da funcionalidade e, assim, da independência. Dessa forma, a terapia manual é de fundamental importância no manejo desses pacientes. Vamos praticar? Convide um familiar, amigo ou colega para receber uma deliciosa sessão de terapia manual, aproveite para avaliar sua técnica perguntando quais as sensações experimentadas pelo seu “paciente”. Não se esqueça de manter o material teórico próximo de você para ir consultando detalhadamente a forma de aplicação. Boa prática! 6.1 Mobilização articular de quadril Para realizar a técnica de deslizamento inferior, é preciso posicionar o paciente em decúbito dorsal com flexão coxofemoral e a perna apoiada no ombro do terapeuta. Com o bordo cubital das mãos, puxar o fêmur no sentido caudal. Essa técnica é muito indicada para o ganho de amplitude de movimento de flexão e abdução de quadril. 78 Para o ganho de amplitude na extensão de quadril, é preciso colocar o paciente em decúbito ventral, quadril estendido e coxa apoiada no seu braço caudal. O bordo cubital da mão cefálica do fisioterapeuta deve ser apoiado sobre a articulação coxofemoral do paciente e realizar a mobilização da articulação. 6.2 Mobilização articular de joelho Nessa manobra, deve-se colocar o paciente em decúbito dorsal, quadril e joelhos flexionados com o pé apoiado sobre a maca. Estabilizar o pé do paciente com o joelho do fisioterapeuta ou se sentando sobre o joelho. Posicionar as mãos do fisioterapeuta envolvendo a articulação do joelho e realizar a mobilização semelhante ao movimento de abrir e fechar uma gaveta (anterior e posterior). Veja a manobra de gaveta anterior/posterior de joelho na figura a seguir. Figura 8 - Manobra de gaveta anterior/posterior de joelho Fonte: AndreyPopov, Istock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra um fisioterapeuta aplicando a técnica de gaveta anterior/ posterior de joelho, que é uma técnica de mobilização articular de joelho. Também é possível estabilizar um dos ossos, tíbia ou fíbula, e mobilizar o outro, realizando movimentos com o osso em questão. FIQUE DE OLHO É possível realizar uma outra variação da técnica de deslizamento inferior de quadril, basta posicionar o membro inferiora ser tratado do paciente em extensão e o membro contralateral em flexão. Segurar a articulação do tornozelo do paciente e realizar a manobra de mobilização puxando a perna do paciente no sentido caudal. Nessa manobra, há a mobilização do quadril e a tração do joelho. 79 6.3 Mobilização articular tíbio-tarsica Com o paciente em decúbito dorsal, flexão de quadril e joelhos e dorsiflexão de tornozelo com o calcâneo apoiado sobre a maca, o fisioterapeuta deve estabilizar uma das mãos na região dos ossos do tarso do paciente e a outra mão posicionar na região anterior da tíbia e fíbula distal e realizar a mobilização no sentido anteroposterior. 80 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • aprender sobre os mecanismos de lesões articulares; • conhecer os métodos diagnósticos de cada tipo de lesão; • descobrir como é feito o tratamento de cada lesão; • aprender a realizar as mobilizações articulares; • aprender técnicas de mobilização miofascial. PARA RESUMIR KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São Paulo: Manole, 2009. MELLO, P. R.; MEIJA, D. P. M. Efeitos da utilização da técnica de crochetagem mioaponeurótica no tratamento da fascite plantar: revisão bibliográfica. Pós-graduação em Ortopedia e traumatologia com ênfase em terapia manual. Faculdade Ávila, 2015. PEREIRA JÚNIOR, N. da S.; ALMEIDA, R. M. Manual de recursos terapêuticos manuais. João Pessoa: Editora da UFPB, 2016. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Disfunções da coluna vertebral Olá, Você está na unidade Disfunções da coluna vertebral. Conheça aqui alguns aspectos estruturais da coluna vertebral. Compreenda a parte fisiológica e, assim, avançaremos nas disfunções que podem acometer os segmentos e como identificá-las através de uma correta avaliação postural. Várias ferramentas existem e estão à disposição do fisioterapeuta para chegar ao correto diagnóstico acerca da qual disfunção acomete seu paciente. Bons estudos! Introdução 85 1 DESEQUILÍBRIOS POSTURAIS Conceitualmente, postura é definida como uma posição arranjada que o corpo assume para desempenhar uma atividade específica ou, ainda, simplesmente o alinhamento do corpo e sua orientação no espaço. Uma postura adequada é aquela onde as articulações que sustentam o peso estão alinhadas e um mínimo de ação muscular é necessária para manter a postura ereta. O desequilíbrio relacionado com a postura tem como base as solicitações mecânicas (forças contrárias patológicas), que pode ser em: compressão, tração, rotação, torção, cisalhamento e impactação. Essas alterações podem acontecer em diferentes níveis, a saber: articulares, capsulares, osteoligamentares, musculares, tendíneos e aponeuróticos. Independente da posição, o indivíduo sempre realiza uma força contra a gravidade para manter estável o centro gravitacional. Essa manutenção ocorre de forma reflexa pelo tônus dos músculos posturais ou automática, através das adaptações dos segmentos corporais que buscam o centro da gravidade. 1.1 Adaptação da postura à posição bípede Na postura bípede, a cabeça é o centro de deslocamento do corpo; equilibra-se na região cervical, favorecendo a diminuição da sobrecarga dos músculos do pescoço e aumentando a amplitude de movimento articular. As reações corporais de retificação (relacionadas com a cervical e com o aparelho labiríntico) dizem respeito à posição da cabeça no espaço e representam as reações básicas do deslocamento e da noção de espaço corporal. Sendo assim, a sobrecarga é quase exclusiva da região cervical, ao mesmo tempo que não deixa de incidir sobre as demais regiões da coluna vertebral. • Pelve A pelve e os membros inferiores trabalham para manter o equilíbrio dos membros superiores e o tronco. A gravidade, incidindo longitudinalmente, promove adaptação e dissociação das cinturas escapular e pélvica, favorecendo o equilíbrio do tronco e a liberação dos movimentos do esqueleto apendicular. • Pés Os pés, agentes desequilibrantes, em determinadas situações podem desencadear um desequilíbrio corporal ou então se ajustar às compensações que eventualmente outros segmentos corporais desencadeiam. A adoção da postura bípede fez com que o homem adquirisse novas habilidades para controle dos movimentos, tornando-se capaz de realizar múltiplas tarefas. Basicamente, o controle postural 86 na posição ereta é pré-requisito para a deambulação e necessita do alinhamento dos segmentos articulares que mantêm o centro de gravidade alinhado e dentro dos limites de estabilidade e a interação do sistema musculoesquelético e neuromuscular para garantir a relação sincrônica para uma postura adequada. Algumas posturas, segundo Moffat e Vickery (2002) são relevantes para o desempenho das atividades de vida diária e se realizadas de forma incorreta e continuamente podem acarretar em prejuízo: • Marcha Para caminhar com uma boa postura, é necessário erguer a cabeça, posicionar ombros para trás, olhar no horizonte, tocar o chão primeiramente com o calcanhar e depois com o antepé. • Sentado A cadeira deve ter uma altura de forma que os joelhos permaneçam a 90º e os pés fiquem apoiados no chão, evitar cruzar as pernas, ombros para trás e a coluna deve ficar reta apoiada na cadeira. • Levantar e transportar pesos As queixas de dores na coluna, muitas vezes, são desencadeadas durante a inclinação anterior do tronco de forma inadequada. Por isso, é preciso adotar uma posição neutra com boa postura e cabeça ereta. É preciso colocar um dos pés um pouco atrás do outro e flexionar os joelhos para abaixar o corpo até o objeto. Trazer o objeto para perto do corpo e não inclinar o tronco. • Equilíbrio do peso Não carregar peso a mais de um lado do corpo em relação ao outro, como quando se carrega uma bolsa pesada sobre o ombro, pois poderá provocar um desalinhamento das costas e do pescoço para um lado. Distribua o peso em dois sacos menores, um para cada braço ou então opte por uma mochila. • Carregamento de mochila Utilizar uma mochila para transportar peso, presa nos dois ombros. Comparando com outros métodos de transporte de peso, este reduz consideravelmente as chances de lesar a coluna, mesmo assim não se deve sobrecarregar a mochila. • Inclinação da cabeça Não inclinar a cabeça para cima ou para baixo durante longos períodos, ambas as posições alteram a postura do pescoço. 87 1.2 Curvas secundárias Na vida intrauterina, a coluna possui curvatura em C, com a convexidade situada posteriormente. Ao nascimento, com o estímulo dos reflexos, há um aumento do tônus da musculatura posterior do pescoço, promovendo uma concavidade posterior nessa região. Essa curvatura acentua-se logo nos primeiros meses após o nascimento e é a primeira lordose vertebral. Por sua vez, a lordose lombar tem seu surgimento mediante a passagem da criança da posição deitada para a ajoelhada com apoio, momento este que coincide com o início da extensão do tronco com anteroversão pélvica, acentuada pela manutenção do tronco na posição em pé com apoio. 2 ALTERAÇÕES POSTURAIS Os desvios que podem acometer a coluna vertebral classificam-se em idiopáticos quando são provocados por contraturas de partes moles, como músculos, fáscias e cápsulas. Efeitos mecânicos de tração, compressão e rotação impostos pelas partes moles também podem ser a causa de deformidades ósseas. A importância da sua identificação, seja na forma acentuada ou persistente, reside no fato de que uma intervenção precoce (seja educativa ou propriamente uma intervenção fisioterapêutica) seria capaz de evitar a instalação de deformidades estruturais em função do grande poder adaptativo do sistema musculoesquelético. 2.1 Alterações no joelho Na fase de crescimento das estruturas ósseas, pode ocorrer deformidade em virtude da presença de desequilíbrio muscular afetando e alterando os desvios posturais. Especificamente, o joelho pode apresentar algumas deformidades como: • Genoflexo Nãoapresenta extensão total do joelho, tendo certa limitação, apresentando sua flexão. • Genorecurvado Apresenta hiperextensão do joelho, curvatura acentuada para trás. • Genovaro Quando o joelho apresenta leve curvatura à parte externa, conhecido também como pernas curvas ou de cawboy. 88 • Genovalgo Apresenta curvatura oposta ao genovaro, a curvatura é acentuada para o lado interno das pernas, fazendo com que os joelhos fiquem mais próximos um do outro. 2.2 Alterações nos pés A sobrecarga e má distribuição de peso nas articulações podem provocar alterações consideráveis nos arcos plantares, comprometendo a absorção de impacto e a sua mobilidade. Conheça alguns tipos de desvios ocasionados nos pés: • Plano ou chato Relacionado com a diminuição do arco plantar, o pé mantém contato com o chão, encostando toda a sola. Esse tipo de desvio pode ser congênito ou adquirido e pode provocar outros desvios posturais como já citado nas pernas, que é o genovalgo. • Cavo O arco do pé está aumentado, sua origem é proveniente de doenças neurológicas, paralisia etc. • Supinado ou varo Associado a um joelho genovaro, caracteriza-se pela queda lateral do arco transversal e o tendão calcâneo torna-se varo. • Pronado ou valgo Associado ao joelho genovalgo, essa deformidade apresenta queda medial do arco transversal e o tendão calcâneo torna-se valgo. • Convergente Os pés são voltados para dentro, o hálux aproxima-se da linha medial e o calcâneo fica direcionado ligeiramente para fora. • Abduto Contrário do convergente, o hálux é direcionado para fora enquanto os calcâneos estão voltados para dentro. Para diagnosticar esses desvios posturais, deve-se selecionar o plano em que o indivíduo será avaliado e obter um diagnóstico sucinto. 89 2.3 Avaliação postural O diagnóstico correto da etiologia da deformidade passa por uma boa avaliação do paciente e da deformidade. Deve ser documentada qualquer complicação decorrente da deformidade, como dor, insuficiência cardiopulmonar ou sintomas neurológicos. Deve-se atentar para informações sobre a deformidade vertebral, história familiar, idade do paciente e maturidades fisiológica e óssea. O exame postural compreende três etapas que se completam: exame da forma, distribuição, alinhamento e equilíbrio corporal (utilizando o fio de prumo); avaliação muscular – atrofias e força muscular e avaliação radiológica. Além disso, três aspectos importantes devem ser documentados: deformidade, etiologia e complicações. Idealmente, o paciente deve ser examinado com o mínimo de roupa possível; após a avaliação geral, que pode fazer suspeitar o diagnóstico etiológico, procede-se a avaliação postural e da curva propriamente dita. Pelo fato de a postura ser uma questão de ortostática indiscutivelmente, o paciente deve ser investigado em três posições: de frente, de costas e de perfil. O que observar? Desvio da linha espondílea, descompensação do tronco com relação ao quadril, desnivelamento dos ombros e das escápulas, assimetria do triângulo do talhe, comprimento dos membros superiores, presença de dobras, altura das cristas ilíacas, comprimento dos membros inferiores, presença de manchas, contraturas e tumorações, prova de flexão lombar (usado nos programas de revisão escolar) para observar a formação de giba costal, revelando a presença de escoliose já com rotação vertebral e a formação de cifose patológica. A mobilidade da coluna e a flexibilidade da curva são avaliadas na flexão lateral, extensão e flexão para a frente do paciente. Se existir dor, deve-se palpar cuidadosamente a área. Com o teste de inclinação para frente ocorre a correção da lordose, acontecendo desvio do tronco para um dos lados, sugerindo lesão irritativa, especialmente tumor de medula vertebral, hérnia de disco ou osteoma osteóide, que é a causa mais comum de escoliose dolorosa em adolescentes. Tomografia computadorizada, mielografia, punção lombar, cintilografia óssea e ressonância nuclear magnética são exames indicados para o quadro de curva torácica esquerda, dor intensa, exame neurológico anormal e outros sinais de alerta, para melhor avaliação ainda no teste de flexão lombar. A formação de giba é um sinal característico de que a curva escoliótica é maior do que 10° e requer avaliação radiológica. A presença de manchas “café com leite” faz suspeitar de neurofibromatose. Um bom exame neurológico é necessário em todos os pacientes para verificação do tônus, da sensibilidade, dos reflexos e da capacidade motora. A avaliação muscular é de extrema importância porque a verificação dos desequilíbrios musculares é essencial para planejar o tratamento de cada paciente. Os testes para verificação da força muscular e alongamento, por sua vez, são indispensáveis. 90 2.4 Avaliação postural com fio de prumo A avaliação postural com fio de prumo é o teste mais básico dentro do mundo da avaliação postural e permite avaliar o quão longe o paciente está de sua postura padrão. Com este teste é possível visualizar a postura do paciente na posição em pé, utilizando o fio de prumo, uma linha em absoluta verticalidade, onde há um peso na ponta. O ponto na linha onde o fio de prumo é suspenso deve ser um ponto fixo padronizado. Na postura ortostática, o único ponto fixo são os pés do paciente, que contatam o solo, sendo que o ponto de referência do teste no fio de prumo está na base. Na vista lateral, o ponto de referência fixo é levemente anterior ao maléolo externo e representa o ponto ideal de alinhamento corporal. Na vista posterior, o ponto situa-se no meio do caminho entre os calcanhares e representa o ponto básico de alinhamento ideal do corpo. Para começar o teste, o paciente é posicionado em pé atrás do fio de prumo. Após a localização do fio de prumo sobre esses primeiros pontos de referência, alguns outros pontos são utilizados para avaliar a postura e a localização deve ser abaixo do fio para que a postura seja considerada padrão, respeitando as individualidades de cada paciente. Caso o fio de prumo não coincida com algum dos pontos, pode-se dizer que o paciente apresenta um alinhamento defeituoso, ou seja, uma alteração postural. Ao realizar a avalição postural com o fio de prumo, deve-se atentar para os segmentos corporais. No plano sagital deve-se observar a posição dos joelhos (normais, hiperestendidos ou fletidos), a posição da pelve (normal, anteroversão ou retroversão), e posição do tórax (normal, deprimido ou elevado). O fio de prumo também permite avaliar se há um desequilíbrio do corpo do paciente para frente ou para trás. Ainda, pode-se perceber uma eventual verticalidade, onde o fio, fisiologicamente deve descer por C7, cair no sulco interglúteo e passar à meia distância dos calcanhares. 2.5 Avaliação postural por imagem digital (fotogrametria) A avaliação postural por imagem digital (fotogrametria) facilita a avaliação eficiente, não invasiva e de baixo custo. Essas avaliações são utilizadas para acompanhar o desenvolvimento de tratamentos osteopáticos e acompanhar as variações de maneira quantificada, conferindo maior confiabilidade para a técnica. A proposta dessa técnica é obter imagens digitais de distintos segmentos corporais, registrando essas imagens e direcionando-as a uma interface para o correto processamento. A partir dos resultados coletados, pode-se confrontar os dados com os da goniometria, para fins de comparação e correlação, por exemplo. Uma alternativa à fotogrametria é a biofotogrametria, uma combinação de recursos de fotografia digital com softwares que permitem a mensuração de ângulos e distâncias horizontais e verticais. Um programa conhecido e já reportado na literatura é o SAPO (Software para Avaliação 91 Postural), de acesso gratuito e fácil pela internet, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo. Trata-se de uma ferramenta cuja fundamentação baseia-se na documentação de imagens marcadas e medidas para avaliação postural bidimensional. Por exemplo, o pacienteREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................57 UNIDADE 3 - Diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares .......................................59 Introdução.............................................................................................................................................60 1 Fisiopatologia e diagnóstico das doenças musculoesqueléticas .......................................................61 2 Lesões articulares ou musculotendíneas ........................................................................................... 63 3 Fisiopatologia e diagnóstico das lesões articulares do membro superior..........................................67 4 Terapia manual no tratamento das lesões articulares de membros superiores ................................68 5 Fisiopatologia e diagnóstico das lesões articulares dos membros inferiores .....................................72 6 Terapia manual no tratamento das lesões articulares de membros inferiores ..................................77 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................81 UNIDADE 4 - Disfunções da coluna vertebral..................................................................................83 Introdução.............................................................................................................................................84 1 Desequilíbrios posturais .................................................................................................................. 85 2 Alterações posturais .......................................................................................................................... 87 3 Hiperlordose cervical ......................................................................................................................... 91 4 Dorso curvo ou hipercifose ................................................................................................................ 93 5 Hiperlordose lombar ....................................................................................................................... 94 6 Escoliose ............................................................................................................................................98 7 Retificação da coluna ........................................................................................................................ 102 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................106 Esta obra, intitulada Técnicas terapêuticas manuais, apresenta, além de conceitos triviais da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades. Dando início, a primeira unidade, Terapia manual e postural: avaliação e tratamento, aborda as principais técnicas de terapia manual para trabalho postural, a adequada avaliação postural, e como identificar e localizar as disfunções osteomusculoarticulares por meio da técnica de palpação. A segunda unidade, Manejo da pelve e da coluna vertebral, explica os principais testes utilizados para detectar disfunções, as técnicas que ser aplicadas no tratamento, as estruturas interligadas que desempenham um importante papel na locomoção, na sustentação do peso corporal e na posição bípede, e como avaliar corretamente e prescrever o tratamento para recuperar a função e reduzir o desconforto do paciente. Na sequência, a terceira unidade, Diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares, trata da fisiopatologia e do diagnóstico das lesões que mais acometem os membros superiores e inferiores, e a utilizar a terapia manual na reabilitação de pacientes. Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Disfunções da coluna vertebral, discorre sobre alguns aspectos estruturais da coluna vertebral, as disfunções que podem acometer os segmentos, as ferramentas existem e estão à disposição do fisioterapeuta para o correto, o melhor manejo para o paciente, e mais. Após a leitura deste livro na íntegra, o leitor vai compreender de forma efetiva as principais técnicas terapêuticas manuais. Agora é com você! Sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Terapia manual e postural: avaliação e tratamento Olá, Você está na unidade Terapia manual e postural: avaliação e tratamento. Conheça aqui as principais técnicas de terapia manual para trabalho postural. Aprenda como fazer uma adequada avaliação postural que lhe auxiliará na condução do tratamento adequado e eficaz. Aprenda também a identificar e localizar as disfunções osteomusculoarticulares por meio da técnica de palpação que será uma importante ferramenta de avaliação do seu paciente. Bons estudos! Introdução 11 1 INTRODUÇÃO À TERAPIA MANUAL E POSTURAL A terapia manual é a área da fisioterapia que utiliza um conjunto de recursos terapêuticos manuais no tratamento de pacientes, diante de uma visão global do organismo. A maior parte dessas técnicas pode ser utilizada tanto como recursos diagnósticos quanto terapêuticos, beneficiando o paciente. Dentre tantos recursos manuais, destacam-se a massoterapia, a pompagem articular e muscular, a mobilização articular e tração, a inibição muscular, as técnicas miotensivas, a crochetagem, a massagem transversa de ciriax, mobilização neural e as posturais baseando-se nos conhecimentos da anatomia palpatória, biomecânica e cinesiologia. As técnicas posturais geralmente utilizam só as mãos, quando utilizam algo mais, são no máximo elásticos, bastões, bolas de diversos tamanhos, calços e, no caso do RPG, uma maca especial onde o paciente fará as posturas para o trabalho de cadeias. No caso das técnicas posturais das terapias manuais puras, como o Maitland e a osteopatia, as mãos do terapeuta são seus únicos instrumentos de trabalho, necessitando de máxima precisão nos movimentos executados. As práticas posturais caracterizam-se pelo tratamento do paciente em sua individualidade, uma vez que cada indivíduo é diferente do outro e reage de forma distinta às diversas patologias. A maioria dos distúrbios no sistema musculoesquelético caracteriza-se por alterações biomecânicas assintomáticas em um estágio inicial, podendo ser tratadas manualmente antes do surgimento dos sintomas. As técnicas baseiam-se nos princípios da artrocinemática e utilizam movimentos acessórios ou micromovimentos, influenciando diretamente na prevenção de processos degenerativos e inflamatórios. As técnicas posturais podem ser utilizadas não só para distúrbios posturais e da coluna vertebral, mas também em casos de pés planos e cavos, joelho valgo e varo, joanetes, torcicolo, cervicalgia, dorsalgia, hérnias de disco, labirintite, artrites, artroses, bursites, tendinites, problemas respiratórios, estresse e problemas circulatórios. Através do uso dessas técnicas, o fisioterapeuta também pode atuar com pacientes no leito hospitalar, auxiliando as mudanças de decúbito e o adequado posicionamento de estruturas osteomioarticulares e nas tarefas de transferências, com o intuito de minimizar agravos no quadro clínico desses pacientes. Os recursos terapêuticos manuais também podem ser utilizados em diversas outras áreas como a traumato-ortopedia, neurologia, dermatofuncional, desportiva, entre outras. A prática das técnicas manuais tem inúmeros detalhes que são adquiridos progressivamente conforme a prática clínica. Essa prática é fundamental para que o estudante consiga se aperfeiçoar nas manobras e torne-se habilitado suficientemente para a aplicação das técnicas em seusé fotografado nas posturas de frente, perfil esquerdo e de costas. As referências ósseas servem como guias para calcular os ângulos articulares. Trata-se de uma avaliação confiável, de fácil aplicabilidade e com medidas consistentes. 2.6 Plataforma de força Através da plataforma de força é possível medir o eixo gravitacional no plano sagital. Na prática clínica, o emprego da radiografia é feito para situar o alinhamento vertical entre os corpos vertebrais. No entanto, com o advento tecnológico no meio biomédico, implementou-se essa nova técnica para estudar as influências posturais que o corpo humano sofre constantemente. A plataforma de força, através do controle postural, estabelece a avaliação de três movimentos principais: • rotação no eixo da articulação do tornozelo; • balanceio pélvico no momento da caminhada; • movimento global, com a influência segmentar entre as articulações dos joelhos, da cabeça e dos movimentos dos braços. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 HIPERLORDOSE CERVICAL A coluna cervical é formada por sete vértebras e tem uma curvatura côncava na região posterior ao pescoço. Essa concavidade é chamada de lordose cervical e possui aproximadamente 20°; e sua 92 acentuação é chamada de hiperlordose cervical. A hiperlordose cervical caracteriza-se pela projeção da cabeça à frente da linha dos ombros; simultaneamente ocorre sua extensão, na tentativa de realinhar a coluna. Essa disfunção está intimamente relacionada às posturas inadequadas e/ou às posturas do dia a dia, que solicitam a posição da cabeça em extensão continuamente. Essa postura pode ser decorrente das atividades laborais, por exemplo, a falta de ergonomia no posicionamento de um monitor de computador acima da linha dos olhos, ou ainda em atividades esportivas, como ocorre com os ciclistas de velocidade, que mantêm a cabeça projetada à frente e em extensão, para favorecer a aerodinâmica junto com a bicicleta sem perder o campo visual. A coluna cervical é responsável somente pela sobrecarga relativa da cabeça. A musculatura posterior do pescoço encurtada acaba tracionando a cabeça e/ou o pescoço para trás da linha dos ombros, visto que músculos como trapézio superior, semiespinhal da cabeça e do pescoço e esplênios da cabeça e do pescoço ligam a cabeça ou o pescoço ao tronco. Esses músculos, com tônus aumentado, podem favorecer, com o tempo, a instalação de uma deformidade óssea dessa região, permanentemente e de difícil tratamento. A deformidade instalada acentua a curvatura posterior do pescoço, sobrecarregando diretamente os espaços intervertebrais e, consequentemente, os discos intervertebrais localizados nessa região. Com a redução dos espaços intervertebrais, as raízes nervosas podem ser afetadas, causando dores na região do pescoço (cervicalgias) ou até mesmo dores que irradiam para o membro superior (cervicobraquialgias). Sabendo que a maioria dos casos de hiperlordose cervical pode ser desencadeada por alteração que se inicia pela posição da cabeça, deve-se levar em consideração que alterações em segmentos inferiores também podem desencadear compensações oriundas de outros segmentos. Essas compensações podem ser provenientes das regiões da coluna torácica ou da lombar, mas também podem ser um processo longo de compensações que se iniciaram por alterações dos pés, por exemplo. 3.1 Abordagem fisioterapêutica A quiropraxia tem uma boa aceitação e apresenta bons resultados. Essa terapia age diretamente nas vértebras, alinhando-as e reduzindo a pressão entre os nervos, músculos e ossos. Quando já está instalada uma deformidade em hiperlordose cervical, o tratamento baseia-se no realinhamento da coluna, para que os sintomas que os pacientes relatam, como rigidez, dor no pescoço, fraqueza dos músculos dessa região e formigamento, possam ser sanados e resolvidos. Para tanto, tem-se como opção essa terapia, que preconiza o alinhamento através da flexibilidade e força muscular. Exercícios corretivos são recomendados e, nesse mesmo raciocínio de tratamento focado em todo o sistema musculoesquelético, tem-se as estratégias do RPG, com alongamentos que trabalham no fortalecimento de toda a musculatura. Quando necessário e benéfico, o fisioterapeuta pode sugerir ao paciente o uso de órteses com o objetivo de manter ossos e articulações em seus lugares. 93 3.2 Uso da bola suíça como estratégia terapêutica A bola suíça é um acessório muito utilizado na prática clínica. O exercício proposto com a utilização de uma bola suíça difere de outros exercícios resistidos porque tem a propriedade de recrutar os músculos responsáveis pela estabilização da coluna vertebral durante o movimento. Também foi demonstrada a segurança musculoesquelética. Corrêa e Bérzin (2007) propuseram um protocolo de tratamento composto por exercícios em bola suíça, com o objetivo de alongar e as cadeias musculares anteriores e posteriores e fortalecer os músculos estabilizadores da coluna. Os exercícios são realizados em vários decúbitos e consistem em fortalecimento de músculos paravertebrais: Na posição prona sobre a bola (concha, extensão das costas com membros superiores fletidos ao lado da cabeça e com membros superiores abduzidos a 90°, extensão de membro inferior e superior de lados alternados). Na posição ajoelhada com membros superiores estendidos sobre a bola (movimento da bola nos sentidos laterais direito/esquerdo e anterior/posterior). Para estabilização corporal, o programa inclui exercícios na posição sentada sobre a bola (movimentos alternados de rotação anterior e posterior da pelve, com variações nos movimentos dos membros superiores) e exercícios abdominais. Na posição supina sobre a bola, são enfatizados exercícios de alongamento (combinado a alongamento manual dos músculos escalenos, esternocleidomastóideo) e estabilização pélvica (ponte). Além disso, recomenda-se a associação com a reeducação do padrão respiratório por meio de estímulo manual diafragmático. Esses exercícios são propostos para esse distúrbio, mas não se deve esquecer que eles podem ser adaptados e utilizados para tratamento de outros segmentos da coluna que se encontram em disfunção. 4 DORSO CURVO OU HIPERCIFOSE A coluna torácica é formada por 12 vértebras que originam a curvatura convexa posterior à região do tronco. A essa curvatura dá-se o nome de cifose torácica e é formada na vida intrauterina, sendo, por isso, classificada como primária. Possui um padrão de aproximadamente 30° a 40° de convexidade posterior e seu aumento é classificado comumente como hipercifose, dorso curvo ou cifose patológica. O padrão postural dos pacientes acometidos por essa disfunção é variado. Aumentos dessa curvatura podem ocorrer na infância em consequência da desnutrição ou, ainda, de doenças que provoquem perda de massa muscular e geram distúrbios na sustentação das estruturas esqueléticas. As posturas em atividades do dia a dia, como ficar horas à frente do computador, comer 94 sempre no sofá, em frente à televisão e passar horas de estudo ou trabalho mantendo uma postura arcada, são fatores que determinam de forma importante o aumento da curvatura dorsal. São causas de alterações também o sedentarismo, as atitudes viciosas, a fraqueza muscular e até mesmo as atividades físicas intensas favorecem o desequilíbrio muscular. Mesmo que essas alterações tenham um fator corporal como ponto de partida, são causadas pela falta de manutenção da musculatura antigravitacional, que se encontra descompensada por encurtamento e/ou por debilidade e fraqueza muscular de um ou mais grupamentos musculares. Músculos abdominais e dorsais debilitados e peitorais encurtados favorecem a manutenção desse biotipo característico do cifótico. Uma postura arcada constante é determinante para encurtamentos musculares e, consequentemente, para deformidades ósseas permanentes. 4.1 Exame físico na hipercifose Facilmente pode ser observado o aumento da cifose torácica (assim como um aumento dalordose lombar). A cifose mostra perda de sua mobilidade e não se corrige completamente quando o paciente faz a hiperextensão torácica. A lordose lombar não é morfológica e, portanto, corrige-se quando o paciente flexiona o tronco. Algumas vezes, pode-se observar uma pequena escoliose, com discreta proeminência costal. Frequentemente há retrações musculares e contraturas, observadas especialmente nos músculos peitorais e isquiossurais, projetando a cintura escapular para frente e limitando a elevação da perna estendida. 4.2 Abordagem fisioterapêutica A abordagem da disfunção através do RPG, focando na reversão da hipercifose torácica, traz inúmeros benefícios ao paciente e, quando bem executado previne sobrecargas aos demais segmentos vertebrais. Através do método Isostretching, que é uma ginástica postural global, pode-se trabalhar o fortalecimento da musculatura profunda, a melhora da flexibilidade muscular e mobilidade articular, o controle respiratório e a consciência corporal, demandando um trabalho de todo o corpo a cada postura e realizando as correções necessárias através do posicionamento da pelve, alinhamento da coluna vertebral e análise e correção das compensações. 5 HIPERLORDOSE LOMBAR A coluna vertebral tem relativa dependência às cinturas pélvica e escapular, o que a faz suscetível às alterações que ocorrem nesses pontos. Além de sofrer as variações de todo o desequilíbrio dos segmentos superiores do corpo, a coluna lombar sofre a ação direta da angulação pélvica, que é de cerca de 20°. Essas oscilações de equilíbrio ocorrem por causa de adaptações para a fixação dos membros inferiores e da ação de músculos que se ligam na pelve ou no tronco para agirem nos membros. Assim, todas as alterações de comprimento ou debilidades desses músculos acabam alterando o posicionamento pélvico. 95 A hiperlordose é assim denominada em função de um aumento da curvatura lombar acima dos ângulos considerados normais à lordose fisiológica, que fica em torno de 50°. Essa curvatura pode se acentuar em caso de aumento da obliquidade pélvica ou extensão do tronco posteriormente à linha de gravidade, posição essa que diretamente leva ao desequilíbrio de todo o corpo, independente da posição ser em pé ou sentada, porque desloca a ação da gravidade sobre o ponto côncavo da coluna, pressionando as apófises interespinhosas e ocasionando a redução dos espaços posteriores dos corpos vertebrais. As posturas inadequadas, juntamente com a debilidade dos músculos antigravitacionais do tronco e/ou encurtamento de músculos da coxa que se ligam no quadril são as principais causas de hiperlordose lombar. Outro fator importante para as alterações lombares diz respeito à ação do músculo diafragma, que está fixo na segunda vértebra lombar e que, em situação de encurtamento, aumenta a lordose lombar e restringe a amplitude ventilatória. Para além do diafragma, outros músculos contribuem para a hiperlordose através da anteroversão pélvica, a saber: reto da coxa, sartório, tensor da fáscia lata, iliopsoas, lombares e adutores, quando se encontram em grande contratura (com exceção do adutor magno). Figura 1 - Coluna vertebral com lordose lombar Fonte: Barbosa et al., 2011. 96 #ParaCegoVer: A imagem mostra a coluna vertebral de um paciente com lordose lombar em ortostatismo medida pelo método de Cobb. Linhas tangenciais às plataformas superiores das vértebras limite L1 e S1 são traçadas. De acordo com os preceitos geométricos, o ângulo entre as duas vértebras (ângulo de Cobb) que corresponde à lordose lombar é o ângulo da intersecção das linhas perpendiculares às tangenciais traçadas. Os principais retroversores, os abdominais, o glúteo máximo e os isquiotibiais são antagonistas verdadeiros e, portanto, equilibram as ações anteroposteriores da pelve. 5.1 Benefícios da Reeducação Postural Global (RPG) na hiperlordose lombar Na hiperlordose lombar tem-se um ângulo lombar superior ao fisiológico, tendo como causa principal uma fraqueza muscular no entorno da coluna lombar. Em torno da metade do peso corporal se encontra em um equilíbrio estável sobre a coluna lombar, tornando a musculatura abdominal de grande importância para o equilíbrio dessa região. Nesse contexto, o tratamento dessa função com o RPG sobre as cadeias de tensão da musculatura com a utilização posturas de alongamento, em vez de exercícios de repetição, trata as cadeias musculares diagnosticadas como alteradas, tendo um efeito proprioceptivo sobre a postura. Dentre as vantagens das posturas de alongamento, uma é que elas evidenciam as cadeias de tensão que causam o bloqueio em posição de desequilíbrio. A técnica de RPG trabalha o paciente de uma maneira global, das cadeias musculares que estão encurtadas ao desbloqueio de forma pessoal e quantitativa, e trata do sintoma à causa da lesão, que proporcionam o relaxamento respiratório e o reequilíbrio do tônus postural. As vantagens do método vão da abordagem não invasiva até a não haver efeitos colaterais. Para determinar a escolha das posturas de RPG, é preciso um exame detalhado, que compreende a avaliação geral da estática do paciente, um interrogatório, manobras de correção das deformações ou das lesões em diversas situações de famílias posturais e dá preferência à postura na qual é mais difícil ou a que desencadeia dor. Sendo assim, esse método é qualitativo e progressivo, contando com a participação ativa do paciente e respeitando a regra da individualidade, ou seja, o limite de desconforto do paciente. Na correção da hiperlordose lombar, os músculos abdominais e o iliopsoas desempenham um papel fundamental. Essa correção proporciona estabilização segmentar e conscientização postural, advinda do equilíbrio das cadeias musculares, que possibilita a adaptação e reestruturação dos segmentos corporais, além de ter um impacto importante na estabilização articular. 97 5.2 Benefícios de posturas estáticas no tratamento da hiperlordose lombar Uma abordagem que também pode ser utilizada na no tratamento das alterações posturais, especialmente na hiperlordose lombar, são as posturas estáticas de alongamento. Essa prática baseia-se no alongamento isotônico excêntrico, permitindo que todas as cadeias musculares sejam colocadas sob tensão, evitando compensações e produzindo alongamento de todas as estruturas adjacentes. Sendo assim, o alongamento parece ser mais eficaz porque promove uma resposta viscoelástica nos tendões e estimula a síntese proteica. Como há uma tensão prolongada, admite-se que as moléculas de colágeno possam se organizar em série, enquanto as fibras de colágeno e os feixes conjuntivos se alongam, agindo na organização de todo o sistema (inclusive o linfático, cuja relação será detalhada a seguir). Quando o tecido conjuntivo está sob tensão, apresenta uma alteração e pode tornar-se mais denso se submetido a estímulos repetitivos pela sua organização paralela, pela elastina e pelo líquido lacunar. Isso torna o tecido menos elástico, mais compacto e resistente, gerando alterações de outros sistemas, como o sistema linfático, que é composto por vasos cuja função está centrada na coleta de linfa do meio intersticial. A liberação desses vasos para passagem da linfa é facilitada pela movimentação dos tecidos na adjacência. Em caso de tensão desses tecidos adjacentes, com as fibras dispostas em paralelo, a propriedade de condução do tecido conjuntivo ficará alterada porque os capilares linfáticos não desempenharão adequadamente sua função pela diminuição do espaço lacunar, ocasionando acúmulo de líquido. Dessa forma, o tensionamento do tecido conjuntivo pode ser visualizado em muitas patologias, inclusive na hiperlordose lombar. Durante uma minuciosa avaliação, pode-se eleger os pacientes que se beneficiam da técnica. A seguir, a descrição de um exemplo de postura de alongamento estático. Postura de alongamento da cadeia anterior sem carga: os pacientes são posicionados em decúbito dorsal com os quadrisem flexão, abdução e rotação externa, os joelhos fletidos até completa aposição das plantas dos pés. Inicialmente, realiza-se pompagem lombar e sacral, com o objetivo de promover uma retificação da coluna lombar, seguida de uma pompagem na região cervical e, quando necessário, colocação de um suporte nessa região, com a finalidade de alinhar a coluna cervical. Para a manutenção da postura, a fisioterapeuta utiliza comandos verbais e contatos manuais para aperfeiçoar o alongamento e impedir compensações. Os pacientes são orientados a realizar a respiração diafragmática inspirando de forma suave e prolongada, com protusão do abdômen, e em seguida expirando de maneira prolongada, utilizando 2 tempos: o tempo 1 através da região superior do tórax e o tempo 3 através da região abdominal inferior. 98 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 6 ESCOLIOSE As curvas fisiológicas da coluna são visualizadas de perfil; em uma vista anterior ou posterior, apresenta-se alinhada. Define-se escoliose como uma inclinação lateral da coluna com componente rotacional dos corpos vertebrais, sendo progressiva e incapacitante. Essa rotação pode originar-se da contratura dos músculos profundos do tronco que rodam as vértebras quando elas se inclinam. É fundamental diferenciar a escoliose com componente rotacional das escolioses posturais, originadas atitudes posturais incorretas e encurtamentos musculares, sem que apresentem componente rotacional. As escolioses, segundo suas etiologias, são classificadas como: idiopática, congênita, neurofibromatosa e traumática. Sabendo-se da origem, fica muito mais fácil entender melhor as consequências que a escoliose pode ocasionar. Como a coluna é um eixo equilibrado por 24 vértebras isoladas, mais sacro e cóccix (vértebras fundidas), quando um dos segmentos está fora do seu eixo, compensações secundárias causarão uma readaptação dos demais segmentos ascendentes e descendentes da vértebra primária. Essa explicação esclarece que, no que diz respeito às alterações corporais, tudo está interligado e nada isolado. Isto é, dificilmente uma escoliose que não é tratada precocemente se estabelece apenas com um ponto fora do eixo normal de alinhamento do corpo. Geralmente se apresentam associadas à retificação das curvas fisiológicas, tanto dorsal quanto lombar. Isso ocorre porque contraturas em extensão e rotação dos corpos vertebrais ocasionam uma rigidez osteomuscular da região escoliótica. As escolioses geralmente são identificadas por meio de exame postural, mas a sua classificação quanto ao grau de inclinação e rotação é dada por exame radiológico em AP ou PA panorâmico 99 de coluna. Os raios X detectam alterações conjuntas da coluna e, por meio do ângulo de Cobb, diz exatamente quantos graus possui cada curvatura. Para o tratamento deve-se propor a periodização do tratamento específico sobre a curvatura lateral, analisar o padrão global de equilíbrio corporal pela detecção da causa desencadeante. Por exemplo, uma escoliose pode ser em decorrência de uma assimetria de comprimento dos membros inferiores, que leva a uma báscula lateral da pelve na tentativa de compensar a assimetria e, consequentemente, a uma inclinação lateral da coluna. Nesses casos, recomenda- se a prescrição de palmilhas para correção, que por mais que não resolvam o problema, agem com efeito tampão para a deambulação, evitando a báscula da pelve e, consequentemente, prevenindo a interferência no alinhamento da coluna vertebral. Muitas vezes, o problema pode ter tido início na parte superior do corpo. Uma postura inadequada no trabalho ou na escola pode favorecer os encurtamentos musculares e a elevação dos ombros. A princípio, seria somente um encurtamento de trapézio superior, mas como ele tem relação com a cabeça e com o tronco, pode-se ter em seguida uma tração da coluna do lado do encurtamento, levando a uma deformação da coluna em inclinação lateral. A ideia de padrão em cadeia define também que mesmo que a alteração tenha se iniciado na cintura escapular, desequilíbrios compensatórios favorecerão o surgimento de novas compensações, levando o fisioterapeuta a pensar em alternativas que provoquem efeitos tampões em pontos importantes do corpo (como a pelve e os pés) no intuito de estabilizar os demais segmentos corporais. 6.1 Orientação terapêutica O objetivo da conduta terapêutica é conseguir que o paciente adquira coluna o mais reta possível, equilibrada e estável. Em curvas discretas que são precocemente diagnosticadas, o objetivo é prevenir a evolução da deformidade. Em casos mais avançados, o objetivo é conseguir maior correção possível da curvatura, bem como a manutenção dessa correção. Em ambos os casos, prevenção ou correção, o tratamento pode ser cirúrgico ou não cirúrgico. As curvas de Cobb são obtidas traçando-se linhas retas superiormente nas vértebras que estão acima da vértebra ápice e a partir desta e linhas inferiormente pelas faces das vértebras que estão abaixo. Algumas linhas são convergentes e outras divergentes. Procura-se por linhas convergentes FIQUE DE OLHO Didaticamente, pode-se dividir a orientação acerca da terapêutica da escoliose em 3 abordagens: curvas de até 20° Cobb: observação e controle de três em três meses; curvas entre 20° e 40° Cobb: órtese ou cirurgia precoce e curvas acima de 40° Cobb: cirurgia. 100 que determinam as vértebras limite superior e inferior, então, a partir disso, as linhas começam a ser divergentes em relação à anterior. Em seguida são traçadas retas perpendiculares a essas duas linhas e o ângulo da curva é encontrado. 6.2 A escoliose na perspectiva da fisioterapia Para tratar a escoliose, primeiramente pensa-se em prevenção. Na doença moderada, o tratamento é baseado na prevenção da progressão da escoliose. Nessa fase do tratamento, tem-se a proposta de um programa de exercícios com revisões regulares e engloba a chamada escoliose menor (com ângulo Cobb inferior a 20º). A parte preventiva posteriormente torna-se terapia, através de um programa de exercícios específicos e cinesioterapia. Nessa fase, o objetivo é melhorar a capacidade neuromotora de acordo com as características da escoliose e do paciente. Os programas são pensados para melhorar as capacidades específicas dos indivíduos (equilíbrio e coordenação) na realidade do equilíbrio biomecânico (ou seja, movimento nos três planos espaciais). • Prevenção secundária Outro aspecto é a chamada prevenção secundária, isto é, tratamento com objetivo de prevenir a lesão subsequente à presença de um estado avançado da doença. Aqui o tratamento é pensado com o intuito de regredir a escoliose e, por isso, tratar a doença e a deficiência, para prevenir a limitação da atividade. • Prevenção terciária A prevenção terciária, por sua vez, é entendida como reabilitação no sentido real. Essa é a fase típica da recuperação. A intervenção da fisioterapia em pacientes com escoliose apresenta diversas abordagens, a saber: terapia manual (massagem); estimulação elétrica; ultrassons; mobilização, manipulação e tração manual; exercícios de alongamento, essencialmente, do lado da concavidade; e ativos isotônicos e exercícios para fortalecimento, especialmente do lado da convexidade (vários programas são sugeridos). Os objetivos da terapia manipulativa da coluna e outros procedimentos fisioterapêuticos (estimulação eléctrica e exercícios) são relaxar, fortalecer ou alongar as estruturas músculotendinosas e/ou ligamentares. Além disso, também atuam para diminuir curvaturas escolióticas e fortalecer a fraqueza ou o desequilíbrio postural presente. Nos últimos tempos, muitas abordagens de exercícios surgiram designadamente: os exercícios convencionais da fisioterapia, Pilates, abordagem científica dos exercícios para escoliose, terapia funcional individual para escoliose, reabilitação intensiva para escoliose, programa de exercícios fisiológico e estabilização lombo-pélvica. 101 Como coadjuvante no tratamento da escoliose,está o método Klapp, uma técnica antiga na clínica baseada no alongamento e fortalecimento da musculatura de tronco através da adoção da posição de gatas e joelhos semelhante ao que os quadrúpedes adotavam. Isso porque seu idealizar observou que os quadrúpedes eram isentos de serem acometidos pela escoliose, enquanto os bípedes, pela adoção da postura ereta, tinham a gravidade agindo e desenvolviam essa patologia. Dessa forma, existe uma sequência de tratamento a ser adotada, a saber: relaxamento, engatinhar perto do chão, deslizamento horizontal, deslizamento lateral, engatinhar lateral, arco grande, virar o braço e grande curva. • Exercício de relaxamento Para a realização do exercício de relaxamento, o paciente é posicionado em decúbito dorsal, com quadril e joelhos semiflexionados e com as palmas da mão em cima da região diafragmática anterior. Recomenda-se a utilização da respiração profunda e lenta para que seja possível auxiliar na diminuição das tensões e preocupações. Os exercícios seguintes são realizados com o paciente na posição de gatas e joelhos, semelhante aos quadrúpedes. • Engatinhar perto do chão No exercício de engatinhar perto do chão, o paciente fica apoiado nos cotovelos a 90º, os dedos e as mãos direcionados para frente, cabeça erguida, quadril e joelhos a 90º e realiza movimentos de hipercifose torácica e hiperlordose lombar. • Deslizamento horizontal No exercício de deslizamento horizontal, o paciente, ainda de gatas, com o quadril e joelho a 90º de flexão, é orientado a estender o tronco e os membros superiores à frente sem tocar os cotovelos no chão, mantendo a cabeça erguida e a distância entre as mãos igual à largura dos ombros. • Deslizamento lateral No exercício de deslizamento lateral, o paciente desliza o tronco e os membros superiores em direção ao lado convexo da escoliose. • Engatinhar lateral No exercício engatinhar lateral, o paciente permanece na posição quadrúpede, com as mãos direcionadas interiormente, levando para frente o membro superior e para trás o membro inferior do lado da concavidade, mantendo a cabeça rodada para o lado da convexidade. 102 • Arco grande No exercício arco grande, o paciente, também na posição quadrúpede, estende o membro superior e o membro inferior do lado côncavo em diagonal. O joelho e o cotovelo contralateral são mantidos aproximados. • Virar o braço No exercício virar o braço, o paciente, ainda na posição de gatas, posiciona o membro superior do lado côncavo em extensão e abdução de 90º e realizava uma rotação do tronco acompanhado da cabeça também em direção ao lado da concavidade. • Grande curva Por fim, no exercício grande curva, o paciente, na posição quadrúpede, realiza uma extensão do membro superior e do inferior do lado da concavidade. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 7 RETIFICAÇÃO DA COLUNA As quatro curvas fisiológicas da coluna vertebral favorecem a capacidade da coluna de resistir sobrecargas a ela imposta. Já o aumento dessas curvas e/ou o aparecimento de outras, prejudicam a dissipação dessas forças que atuam sobre ela. A retificação da coluna é fator importante para a análise das alterações posturais, pois a perda de uma curvatura em um dos segmentos da coluna ou até mesmo o não surgimento, levará à modificação do centro de gravidade do corpo, gerando sobrecargas em pontos específicos da coluna, em função da perda da dissipação das cargas. Cita-se como exemplo de retificação que causa importante sobrecarga na coluna a retificação lombar. Ocorre, geralmente, em razão de uma retropulsão ou de uma retroversão pélvica, em que a 103 linha de gravidade passa à frente dos corpos vertebrais, sobrecarregando os discos intervertebrais da região. Uma perda da lordose lombar causa sobrecarga aos discos intervertebrais dessa região, altera todo o cinturão toracolombar e, como consequência, causa deficit no equilíbrio estático e dinâmico. Os músculos abdominais sobressaem-se aos seus antagonistas, comprometendo a estabilidade pélvica. Os músculos retroversores encontram-se encurtados, causando alteração do alinhamento dos membros inferiores até os pés. O tronco também tem sua estabilidade perdida pelo desalinhamento da base, comprometendo os segmentos superiores. A retificação pode ocorrer em qualquer segmento da coluna vertebral, por exemplo, a perda da lordose cervical ou a retificação da cifose torácica. As duas comprometem as estruturas corporais circunjacentes. A região lombar, diferente das outras, recebe a maior carga corporal e, para além disso, permite grande mobilidade, ao contrário do que é observado na região cervical, que sustenta apenas a cabeça, e da região torácica, que possui menos mobilidade. Não há possibilidade terapêutica conservadora de, mediante uma retificação, propor a formação de uma curvatura fisiológica em pessoas com formação óssea completa. 7.1 Impactos funcionais A retificação da coluna, em qualquer segmento, acarreta em uma sobrecarga em pontos da coluna. Essa má distribuição de cargas ocasiona episódios de dor. Essa queixa de dor não é somente porque a coluna encontra-se retificada, mas porque começam a surgir alterações compensatórias dos músculos, da coluna vertebral e dos discos. A retificação da coluna inevitavelmente reflete em uma mobilidade reduzida, sendo que em alguns casos o segmento até pode tornar-se rígido. Essa falta de mobilidade também acarreta em encurtamento muscular, fraqueza, que restringe os movimentos do tronco. 7.2 Abordagem fisioterapêutica A abordagem engloba o reequilíbrio muscular a fim de minimizar as assimetrias. Maiores retificações são conseguidas mediante intervenção cirúrgica. É possível propor também os seguintes exercícios: • Pilates Com os exercícios que têm como base o método Pilates, pode-se trabalhar o condicionamento da musculatura do paciente de forma que se obtenha mobilidade e estabilidade que tanto necessita, mas que não esteja atrelada à dor, não tenha restrição de movimentos e, muito importante, não venha a desenvolver movimentos/posturas compensatórias permanentes. Após a correta e minuciosa avaliação, o fisioterapeuta deve direcionar os exercícios que melhor atendam às necessidades do paciente. A sequência definida deve ser progressiva e deve-se atentar para que o paciente não aumente a retificação durante o movimento. 104 • Cat Stretch Para a mobilidade torácica também existem alguns exercícios que podem ser propostos. Um deles é o Cat Stretch. Basicamente, o exercício consiste no posicionamento do paciente em quatro apoios, e fará o movimento do exercício Cat Stretch. No entanto, em vez de mobilizar a coluna lombar, a tentativa será a mobilização da coluna torácica. Dessa forma, quando o paciente inspirar, ele levará o peito em direção ao chão, aproximando as escápulas ao mesmo tempo em que estende a coluna; e quando expirar, ele levará a coluna torácica para o teto, aproximando as escápulas e flexionando a coluna. • Báscula Para trabalhar a mobilidade da coluna lombar, também há uma proposta de exercício, e com base neste, outros tantos podem ser estimulados. No exercício denominado Báscula, o paciente é posicionado em decúbito dorsal, flexão de joelhos e quadril, coluna neutra e membros superiores ao longo do corpo. Quando for realizar a inspiração, a orientação é que faça a retroversão da pelve, tirando o cóccix do chão, e quando for expirar, faça a anteroversão, apoiando o cóccix no chão e tirando a lombar do apoio. A sugestão para todos os exercícios é que conforme passa o tempo consiga-se progredir na dificuldade, mudando a posição, inserindo algum acessório e até orientando para a execução em domicílio. As restrições relacionadas aos exercícios que os pacientes irão desempenhar vão depender das lesões associadas que o paciente já tem. Assim como qualquer outro exercício, não deve ser executado em caso de dor durante o movimento e, caso isso esteja acontecendo, é importante adaptá-los e ajustá-los. Por exemplo,em caso de hérnia de disco, deve-se encorajar o paciente a realizar exercícios que promovam a extensão da coluna e evitem a flexão do tronco. Na artrose, orienta-se poucas repetições dos exercícios e com desenvolvimento lento para evitar um estresse articular maior. Como a retificação gera uma redução da mobilidade dos segmentos da coluna, deve-se sempre estimular a inclusão de exercícios para mobilidade dos segmentos em todos os planos de movimento, evitando que os exercícios estimulem e acabem por acarretar uma estabilidade da coluna em extensão. 105 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender as adaptações à postura bípede; • conhecer algumas origens das disfunções posturais; • aprender algumas formas de avaliação postural; • conhecer as particularidades da hipercifose e seu tratamento; • analisar as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo; • aprender as particularidades da escoliose e seu tratamento; • conhecer as causas e o tratamento da retificação dos segmentos vertebrais. PARA RESUMIR BARBOSA J.; FILIPE F.; MARQUES E.; SANCHO J. Lumbar Hyperlordosis. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação. v. 20. n. 2. 2011. CORRÊA, E. C. R., Bérzin F. Efficacy of physical therapy on cervical muscle activity and on body posture in school-age mouth breathing children. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 71(10): 1527-35, 2007. KISNER, C., COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São Paulo: Manole, 2009. MACIEL, M. A. S. et al. Posturas Estáticas de Alongamento no Tratamento da Hiperlordose Lombar: Relato de Casos. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. 16. 45-50, 2012. MOFFAT, M.; VICKERY, S. Manual de manutenção e reeducação postura. Porto Alegre: Artmed, 2002. PORTAL do projeto Software para Avaliação Postural [homepage na Internet]. São Paulo: Incubadora Virtual Fapesp. Disponível em: http://sapo.incubadora.fapesp.br/portal. Acesso em: 5 maio 2020. RIBEIRO, T. P.; RIBEIRO, V. Utilização do método Klapp no tratamento da escoliose: estudo de casos. Trabalho de conclusão de curso. Alfenas: Universidade José do Rosário Vellano. Curso de Fisioterapia. Departamento de Fisioterapia, 2002. SCHILDT-RUDOLFF, K.; SACHSE, J. Coluna Vertebral – Terapia Manual: Exame e Tratamento de Alterações Músculo-Esqueléticas. 4. ed. Loures: Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda. 2003. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Técnicas terapêuticas manuais é um livro direcionado para estudantes dos cursos de fisioterapia e correlatos. Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre avaliação e tratamento nas terapias manual e postural, manejo da pelve, manejo da coluna vertebral, diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares, e disfunções da coluna vertebral. Após a leitura da obra, o leitor vai saber as melhores técnicas de terapia manual; aprender a executar a avaliação postural; conferir os desequilíbrios musculares e suas repercussões no corpo humano; aprender as principais técnicas utilizadas em tecidos moles e articulações para tratamento dos distúrbios sacroilíacos; verificar as particularidades da coluna vertebral cervical, principais acometimentos, testes e técnicas usadas no tratamento das suas disfunções; conhecer os métodos diagnósticos de cada tipo de lesão; descobrir como é feito o tratamento de cada lesão; dominar as particularidades da hipercifose e seu tratamento; compreender as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo; analisar as particularidades da escoliose e seu tratamento, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos! Capa E-Book_Técnicas Terapêuticas Manuais_CENGAGE_V2.pdf E-Book Completo_Técnicas Terapêuticas Manuais_CENGAGE_V2.pdfpacientes. 12 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.2 Pompagem articular e muscular A pompagem consiste em manobras em que o terapeuta realiza uma distensão terapêutica na fáscia muscular associada a movimentos respiratórios. É uma técnica de fácil aplicação que traz benefícios quase imediatos aos pacientes. • Técnica A pompagem deve ser realizada em três momentos, sendo eles: 1) Tensionamento do segmento a ser tratado que deve ser realizado de forma lenta, regular e progressiva; 2) Manutenção do tensionamento em torno de 10 a 20 segundos de acordo com o objetivo; 3) Retorno à posição inicial que também deve ser realizado de forma lenta. O tensionamento do segmento deve ser executado nas fases expiratórias do ciclo ventilatório. • Objetivos Reestabelecimento da elasticidade e comprimento das fáscias, relaxamento muscular, estimulação circulatória, aumento do espaço articular e nutrição das cartilagens. • Indicação Em casos de contraturas musculares não agudas, estase líquida, ou seja, quando não há movimento do líquido intersticial, encurtamentos e tensões musculares, dores musculares subagudas ou crônicas e disfunções miofasciais em geral. • Contraindicação Nos casos de estiramento muscular ou ligamentar, contraturas musculares agudas e rupturas ligamentares e fasciais. 13 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.2 Mobilização articular e tração Para compreendermos os efeitos da mobilização articular e da tração precisamos recordar alguns aspectos fisiopatológicos das lesões. As lesões articulares caracterizam-se por um quadro inflamatório que gera dor, edema, calor local resultando em perda de movimento e, consequentemente, alterações funcionais. Assim, essas técnicas comumente são indicadas para o manejo das disfunções osteomioarticulares. Biomecânicamente falando, as articulações possuem dois tipos de movimentos. O movimento fisiológico é resultante das contrações musculares, concêntricas e excêntricas, que agem movendo um osso ou uma articulação, são também conhecidos por movimento osteocinemático. O movimento acessório caracteriza-se pela forma na qual uma articulação desliza em relação à outra, também denominado movimento artrocinemático. Os movimentos acessórios envolvem o deslizamento, rolamento e giro, podendo ser classificado em: • Hipomóveis, quando o movimento para em um ponto denominado barreira patológica, anterior à barreira anatômica. É causado por dor, espasmo ou resistência aos tecidos; • Hipermóveis, quando o movimento ultrapassa a barreira anatômica devido à frouxidão das estruturas adjacentes, necessitando de tratamento com exercícios de fortalecimento que proporcionem a estabilização; • Articulações normais. As mobilizações articulares baseiam-se nos princípios de Maitland, descritas em cinco graus, 14 sendo que a aplicação é de acordo com o quadro clínico do paciente. Já a tração é baseada nos princípios de Kalterborn, apresentando três graus, que envolvem a mobilização de um segmento articular com o intuito de produzir alguma separação das duas superfícies. Na avaliação deve ser observada a prevalência de dor ou rigidez articular, para decidir qual é o grau de mobilização articular ou tração será aplicado. • Técnica Cada articulação possui suas peculiaridades e o aprimoramento da aplicação da técnica manual só é possível com a prática clínica. Amplamente falando, o fisioterapeuta deve estabilizar a parte proximal da articulação a ser trabalhada e mobilizar a outra. Juntamente com essa técnica é possível realizar a tração da articulação, que deve ocorrer no sentido longitudinal dela, tracionando-se a parte distal e mantendo o afastamento por alguns segundos e, após, retornar à posição inicial. Na mobilização articular, deve-se afastar e aproximar as estruturas repetidamente, no plano perpendicular das estruturas. • Objetivo Recuperar a amplitude de movimento ativo, restaurar os movimentos passivos articulares, reposicionar ou realinhar a articulação, readquirir a distribuição normal de forças e de estresses em torno da articulação e reduzir a dor. • Indicação Hipomobobilidade articular, dor articular, rigidez e limitação da amplitude de movimento. • Contraindicação Artrite inflamatória, doença óssea, comprometimento neurológico, fraturas ósseas e deformidades ósseas congênitas. 1.3 Mobilização neural O sistema nervoso é uma unidade composta pelas estruturas do Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico. Como é um tecido contínuo, possui propriedades que favorecem o alongamento tecidual e movimentação, já que a função e a mecânica do sistema nervoso são interligadas. Na avaliação cinético-funcional, o fisioterapeuta precisa identificar características relacionadas ao quadro clínico do paciente. Em relação ao quadro álgico, alguns testes são necessários para determinação da origem da dor que pode ser devido a disfunções articulares, musculares ou neurais. Se o quadro clínico do indivíduo estiver relacionado a disfunções neurais, o exame deverá 15 ser baseado no teste de força muscular da musculatura associada com os níveis dos miótomos, testes dos reflexos dos tendões, exame de sensibilidade (dermátomos) e testes de tensão neural, que serão importantes para conduzir o fisioterapeuta a um diagnóstico cinético-funcional mais preciso. A avaliação clínica respaldada nos testes de tensão neural deve ser realizada cautelosamente, uma vez que é fundamental que o fisioterapeuta explique ao paciente como os testes serão conduzidos. Durante a realização das manobras, deve-se observar o início da resistência do tecido e a dor, buscando identificar as posições antálgicas para o paciente. Sempre lembrar de repetir cada teste em ambos os lados, até mesmo para que sirva de comparação do membro sadio com o membro a ser tratado. • Técnica A seguir descreveremos os testes de tensão neural de flexão cervical passiva (PNF), testes de tensão para membros superiores (ULTT) para nervos mediano, ulnar e redial, além de testes para o nervo ciático, tibial, sural e fibular comum e as técnicas para tratamento. O tratamento das disfunções neurais pode ser realizado através das técnicas de mobilizações oscilatórias, manutenção da posição estática e mobilização indireta. • Objetivo Melhorar a elasticidade neural, favorecendo a redução da dor e condução nervosa. • Indicação Disfunções neurais. • Contraindicação Doenças degenerativas, inflamatórias e malignas do sistema nervoso, estenoses extremas, sinais neurológicos com início abrupto ou progressivo, aderências do tecido neural e problemas cognitivos. 2 TESTES DE TENSÃO NEURAL Os testes a seguir auxiliam o fisioterapeuta a identificar as disfunções causadoras do quadro clínico e assim estabelecer o tratamento mais adequado ao paciente. Alguns testes também podem ser utilizados como técnicas de tratamento. • Flexão passiva da cervical (PNF) Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta coloca a mão na base do 16 occipital do paciente, realizando a flexão da cabeça. Se o paciente sentir dor ou alguma alteração, o fisioterapeuta pode utilizar esse teste como tratamento, mantendo o paciente nessa posição durante aproximadamente um minuto. • ULTT para nervo mediano Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deprime o ombro do paciente, realiza flexão de cotovelo e abdução de ombro a 90°. Depois, estender o punho e dedos com rotação externa de ombro, supinação de antebraço e extensão de cotovelo. Finalmente, deve solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado contralateral. Para tratamento do nervo mediano, realizar a manutenção dessa postura de forma estática ou fazer mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. O tratamento também pode ser realizado ativamente orientando o paciente a abduzir e deprimir os ombros bilateralmente. Um dos punhos inicia em flexão e o outro em extensão. Então o paciente deveflexionar e estender alternadamente os punhos. • ULTT para nervo ulnar Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). Deprimir o ombro e flexionar o cotovelo do paciente com o ombro em abdução de 90°. Depois, estender o punho e os dedos, rotar externamente o ombro com pronação de antebraço e flexão de cotovelo. Finalmente, deve solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado contralateral. Para tratamento do nervo ulnar, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a realizar uma pinça entre os 1° e 2° dedos bilateralmente. Depois, o paciente deve posicionar a borda cubital das mãos sob a mandíbula, tentando posicionar o ângulo formado pelas pinças dos dedos (de forma invertida) na região dos olhos, como se fosse um óculos. • ULTT para nervo radial Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve deprimir o ombro com flexão de cotovelo e pronação de antebraço. Depois, estender o cotovelo, flexionar o punho e os dedos com abdução de ombro. Finalmente, o paciente deve inclinar lateralmente o pescoço para o lado contralateral. Para tratamento do nervo radial, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha, posicionando-a na região da coluna e segurando-a com uma mão posicionada na parte inferior, próxima da coluna lombar, e a outra 17 mão superiormente próxima à coluna cervical, realizar flexão e extensão de cotovelos como se estivesse enxugando as costas. • Nervo ciático Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do paciente com uma dorsiflexão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve flexionar a cabeça do paciente. Para tratamento do nervo ciático, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha apoiada na planta do pé, realizando mobilizações oscilatórias de dorsiflexão de tornozelo puxando a toalha. • Nervo tibial Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do paciente com uma dorsiflexão e inversão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve aduzir o quadril do paciente. Para o tratamento do nervo tibial, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. • Nervo sural Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril com uma dorsiflexão e versão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para o tratamento do nervo sural, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. • Nervo fibular comum Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril com uma flexão plantar e inversão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para o tratamento do nervo fibular comum, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. 3 INIBIÇÃO MUSCULAR RECÍPROCA A inibição recíproca refere-se às relações entre os músculos agonista e antagonista. Lembrando que o músculo que contrai é o agonista e o movimento resultante corresponde à musculatura antagonista, ou seja, estes se alongam para permitir a contração dos agonistas. Quando os neurônios motores do músculo agonista recebem impulsos excitatórios a partir 18 dos nervos aferentes, os neurônios motores que suprem os músculos antagonistas são inibidos através dos impulsos aferentes. Assim, a contração ou o alongamento duradouro do músculo agonista gera um relaxamento ou a inibição do antagonista. Igualmente, um alongamento de curta duração do músculo antagonista favorece a contração do agonista. Trata-se de uma técnica baseada no alongamento pela técnica de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). • Técnica Trata-se de contrair o músculo oposto ao encurtado, assim o fisioterapeuta deve posicionar o paciente de forma a alongar confortavelmente o músculo-alvo do tratamento mediante contração da musculatura oposta. Deve-se resistir ao movimento de tal forma a ir reduzindo sua resistência para que o paciente consiga ir ganhando amplitude. Para elucidar, utilizaremos como exemplo o bíceps femoral. Para alongá-lo devemos resistir à extensão de joelho e ir reduzindo essa resistência para que o paciente consiga ganhar amplitude, alongando reflexamente a musculatura flexora de joelho. • Objetivo Alongamento de músculo retraído que não consegue ser diretamente alongado devido à dor, um exemplo dessa condição são as câimbras. • Indicação Prevenção de contraturas ou quando já estão instaladas, recuperação de amplitude de movimento fisiológica e mobilidade dos tecidos moles, aumentar a flexibilidade antes e depois dos exercícios de fortalecimento, prevenir ou reduzir os riscos de lesões dos músculos e tendões relacionados à atividade física e desequilíbrios musculares. • Contraindicação Bloqueios ósseos ou corpos estranhos, fraturas recentes, processos inflamatórios ou infecciosos agudos, dor aguda ou movimento articular ou alongamento, suturas cirúrgicas e hematomas. 3.1 Técnicas miotensivas Trata-se de técnicas que aproveitam a força muscular para mobilizar uma articulação bloqueada. Após realizar uma contração, o músculo torna-se mais relaxado do que era antes da contração. Tal fenômeno é amplamente utilizado para aumentar a eficácia do alongamento. Primeiramente, deve ser feita uma avaliação cinético-funcional detalhada para localizar a articulação bloqueada. 19 • Técnica Após a adequada localização da articulação a ser mobilizada, em qual direção e em que direção, o paciente deve ser posicionado de tal forma que favoreça esse movimento. Imediatamente após, o fisioterapeuta solicita uma contração na direção oposta, devendo fixar a posição para que mesmo diante da força do paciente o movimento não ocorra (isometria). Após alguns segundos de contração, o terapeuta força a postura levando a uma mobilização lenta e controlada da articulação bloqueada. • Objetivo Mobilização de articulação bloqueada. • Indicação Mobilizações articulares que não requerem estímulo nervoso, mobilizações conjuntas nas quais as técnicas de alta velocidade não devam ser executadas após uma técnica de alta velocidade, quando ainda é necessário melhorar o movimento. • Contraindicação Quando a postura necessária para a mobilização articular seja dolorosa ou cause outro sintoma, como tontura. 3.2 Crochetagem A crochetagem é um método de liberação miofascial que se utiliza de um instrumento metálico que apresenta uma curvatura na sua extremidade final (em formato de gancho), aplicado e mobilizado contra a pele, situados em profundidade e inacessíveis à palpação digital para tratamento das algias mecânicas do aparelho locomotor para a destruição das aderências e dos corpúsculos irritativos interaponeuróticos ou mioaponeuróticos. • Técnica Primeiramente, o fisioterapeuta deve fazer uma busca palpatória nas regiões adjacentes ao local da dor. Essa busca segue as cadeias lesionadas que estão em relação anatômica com a lesão. Isso é fundamental para evitar o aumento da dor pelo efeito rebote. Então, após a palpação da área a ser tratada, é feita a palpação com o gancho que permitirá localizar precisamente as fibras conjuntivas aderentes e os corpúsculos fibrosos. Depois, deve-se proceder realizando movimentos lentos no sentido anteroposterior. Nessa etapa, já é possível interpretar a resistência encontrada.Finalmente, realiza-se uma tração complementar através do gancho com o intuito de alongar ou romper as fibras conjuntivas que formam a aderência ou para deslocar ou achatar o corpúsculo fibroso. 20 • Objetivo Tratar as algias de origem mecânica do aparelho locomotor. • Indicação Aderências fibrosas que dificultam o movimento de deslizamento, a circulação sanguínea venosa e linfática; as aderências provenientes de traumas com derrame tecidual; as aderências consecutivas a uma fibrose cicatricial cirúrgica; as disfunções locomotoras; as nevralgias provenientes de irritação mecânica dos nervos periféricos e as síndromes tróficas dos membros. • Contraindicação Pele em más condições como aquelas hipotróficas, com ulcerações ou dermatoses; em situação de mau estado circulatório, apresentando fragilidade capilar sanguínea, reações hiperhistamínicas, varizes venosas e adenomas; paciente em uso de anticoagulantes. 3.3 Massagem transversa de Cyriax Trata-se de uma técnica de massagem profunda que consiste em movimentos de fricção transversais às fibras do tecido envolvido. Através desses movimentos são liberadas as estruturas doloridas das aderências existentes e prevenindo a formação de outras devido a um aumento na maleabilidade tecidual. • Técnica Realizar a manobra de fricção transversal utilizando o dedo indicador apoiado pelo dedo médio ou ao contrário, o dedo médio apoiado pelo indicador estabilizado pelos outros dedos ou até o polegar com os demais dedos em contraposição. As manobras devem ser localizadas com duração de 3 a 5 minutos para lesões agudas ou até de 15 a 20 minutos para lesões crônicas. As regiões tratadas ficam sensibilizadas, mas ainda assim não é recomendado diminuir a pressão da manobra, apenas aumentar o intervalo entre as sessões, que pode variar entre dois e sete dias. • Objetivo Tratar aderências teciduais diminuindo a dor. • Indicação Cicatrizes antigas e imóveis, lesões musculares, tendinosas e ligamentares. As fricções transversais agem num maior aporte sanguíneo para os tecidos mal vascularizados, fazendo com que esses tecidos sejam mais bem nutridos. 21 • Contraindicação Processos infecciosos, doenças de pele, neoplasias ou tuberculose, lesões vasculares como tromboflebite e trombose venosa profunda. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4 POSTUROLOGIA Trata-se de um método de avaliação corporal global, que tem a finalidade de tratar e evitar desequilíbrios crônicos decorrentes dos desajustes posturais. Todos os seres humanos precisam de uma postura corporal estável e equilibrada para apoio, na qual movimentos voluntários e coordenados possam ser iniciados como parte das funções naturais. Postura é a posição que as distintas partes corporais têm em relação umas às outras: • Postura ideal Precisa ter equilíbrio entre as estruturas de apoio, com o mínimo de esforço e sobrecarga e com a máxima eficiência do corpo. • Má postura Refere-se a um processo de lesões motoras repetitivas resultantes de uma biomecânica deficiente que cria alavancas que causam várias cargas de trabalho para os sistemas articulares. A Academia Americana de Ortopedia refere-se à postura como o equilíbrio musculoesquelético que favorece a proteção das demais estruturas do corpo contra traumas. A manutenção de uma postura adequada requer tônus e flexibilidade muscular adequados, já que os músculos necessitam agir continuamente contra a gravidade e em harmonia um com o outro. A contração dos músculos antagonistas é essencial para permitir as várias articulações do pescoço, dos 22 ombros e dos membros, que são responsáveis pelo suporte de peso do corpo e caracterizam a postura como um complexo sistema funcional. O ser humano nunca está em total equilíbrio mecânico, uma vez que não possui um corpo estático ou rígido, mas busca constantemente seu equilíbrio. O controle da postura durante a deambulação, em pé ou sentado, demonstra a capacidade do indivíduo de manter o centro de pressão (CDP), que coincide com a projeção perpendicular do centro de gravidade (CDG), dentro dos limites de estabilidade, ou seja, bordas de uma área no espaço onde o corpo possa manter sua posição sem modificar a base de suporte. Os limites de estabilidade não são fixos e mudam de acordo com as condições da atividade do sujeito, a situação do sistema musculoesquelético, os estados emocionais e os aspectos relacionados ao meio ambiente. Se a qualquer momento o CDP extrapolar os limites de estabilidade, a queda será inevitável, exceto se uma manobra de correção repentina for realizada. O sistema de equilíbrio evita quedas por meio de ajustes contínuos da postura em pé e reduz as influências desestabilizadoras, como a gravidade ou outros vetores de força. Existem diversas estratégias para manutenção do equilíbrio, que variam de acordo com a intensidade do estímulo desestabilizador e impedem que o CDP extrapole os limites de estabilidade, como: a estratégia do tornozelo e a estratégia do quadril. • Estratégia do tornozelo Gira o corpo em torno da articulação tíbia-talar, resultando principalmente em esforços de direção anteroposterior. • Estratégia do quadril Concentra os movimentos em torno dessa articulação e é produzida quando a base de suporte é pequena e quando o CDG se move rapidamente em direção aos limites da estabilidade. Essa estratégia produz principalmente esforços de direção no meio lateral. Vários sistemas auxiliam na manutenção e regulação dessa postura específica para cada um: a visão, o aparelho vestibular e a propriocepção plantar trabalham como sensores por meio dos quais as informações entram pela periferia e atingem o nível do sistema nervoso central (SNC). Favorecendo o reconhecimento e filtragem, além de nos conscientizar da posição adotada em todos os momentos, ao mesmo tempo, o SNC envia impulsos adequados à periferia, no nível do sistema musculoesquelético, em resposta à adaptação da postura de acordo com as necessidades de cada momento. Para realizar esse “feito” neurofisiológico, o corpo utiliza fontes distintas, o ouvido interno é um dos elementos fundamentais. Se, em termos funcionais, o ouvido interno, incorporado na 23 massa petrosa, não é muito bem regulado, isso não se aplica aos pés e aos olhos. Esses elementos constituem os principais insumos do sistema, sendo que toda modificação do suporte no solo ou da convergência ocular terá repercussões na postura. No conceito de manutenção da estabilidade, o pé se torna a entrada plantar do sistema postural “fino”, que informa a posição do corpo em relação ao solo. Manipulando a entrada do pé, podemos modificar toda a postura do indivíduo. Isso é obtido modificando as informações recebidas dos apanhadores de pés. Os exteroceptores (barorreceptores, células de Paccini e Golgi), presentes na planta do pé, percebem variações na pressão. Já os proprioceptores (corpúsculos de Ruffini e Paccini, eixos neuromusculares e órgãos tendinosos de Golgi), presentes nas articulações, relatam angulação, velocidade e direção do movimento. Quando há falha dos sensores e proprioceptores dos olhos, pés, vestíbulos e órgãos responsáveis pela transmissão de dados ao sistema nervoso, um trabalho adicional é feito pelo organismo para recuperar o equilíbrio, resultando em fadiga, dor lombar, dor cervical e lesões osteomusculares graves e outras disfunções fisiológicas. Testar a regulação do tônus postural ajuda o fisioterapeuta a compreender o mecanismo da lesão, fornecendo novas ferramentas para a abordagem do paciente. A estabilometria verifica e quantifica as oscilações posturais do paciente em pé, em diversas situações, ajudando a compreender sobre seu equilíbrio e seu sistema postural; estudando a projeção na base do suporte, o centro de pressão associado ao centro de gravidade do corpo. Após realizada uma minuciosa avaliação postural, o fisioterapeuta conta com diversas técnicas que atuam tanto na prevenção quanto na recuperação das disfunções posturais.As tabelas a seguir mostram uma sugestão de avaliação postural. 4.1 Tipos de posturas Cada indivíduo possui suas peculiaridades posturais, porém, de forma geral, observamos quatro diferentes padrões posturais: • Postura cifótica: Caracterizada por uma curvatura aumentada na parte torácica da coluna vertebral. Também apresenta outras peculiaridades, como projeção de queixo ou cabeça, hiperextensão cervical, abdução de escápulas, coluna torácica em flexão, reto do abdome proeminente e/ou tenso. 24 Tabela 1 - Avaliação postural em posição ortostática do corpo, vista posterior Fonte: Massey, 2012 (Adaptado). #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela de sete linhas e quatro colunas que apresenta as devidas observações a serem feitas de acordo com a estrutura anatômica avaliada em posição ortostática do corpo, vista posterior. Dorso curvo ou postura relaxada: Caracterizado por quadris projetados para frente com inclinação anterior de pelve, lordose. Inicia com uma curvatura quase plana e finaliza com uma curvatura mais acentuada. A cifose torácica é maior e pode se alongar até a coluna lombar. Também apresenta cabeça projetada para frente, postura ligeiramente cifótica, glúteos encurtados ou fracos, joelhos hiperextendidos, isquiostibiais encurtados e fortes. Tabela 2 - Avaliação postural em posição ortostática do corpo, vista lateral Fonte: Massey, 2012 (Adaptado). #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela de sete linhas e quatro colunas que apresenta as devidas observações a serem feitas de acordo com a estrutura anatômica avaliada em posição ortostática do corpo, vista lateral. • Postura lordótica: Curvatura lombar exagerada, inclinação anterior da pelve, reto do ab- dome, oblíquos externos, glúteos médio e máximo fracos, músculos isquiostibiais tensos, quadril em flexão, musculatura lombar e flexores de quadril fortes. • Postura retificada das costas: Possui uma curvatura lombar reduzida, cabeça para frente, inclinação pélvica posterior, musculo reto do abdome e isquiotibiais encurtados e fortes, flexores do quadril fracos e alongados, joelhos hiperextendidos. 25 5 TÉCNICAS POSTURAIS Atualmente, o fisioterapeuta conta com inúmeros métodos de trabalho postural, cabendo a ele definir as ferramentas que serão utilizadas, além de se especializar para o uso correto, uma vez que na graduação conhecemos de forma rasa cada uma delas, não tendo o tempo necessário para o adequado treinamento de cada uma. Sendo assim, abordaremos a seguir os métodos mais utilizados hoje. 5.1 Pilates Trata-se de um método que integra todo o corpo, trabalhando isoladamente ou em conjunto cada parte corporal por meio da aplicação dos princípios de movimento e estabilidade. Cada exercício tem um objetivo ou foco muscular, como controle motor, flexibilidade, equilíbrio muscular, entre outros. As áreas trabalhadas vão sendo recrutadas em níveis progressivos diferentes para oportunizar ao paciente a construção da habilidade e construção que cada exercício vai requerendo. 5.2 Reeducação Postural Global (RPG) O RPG é um método baseado na teoria do “campo fechado”, que busca esclarecer as razões as quais fazem com que os seres humanos consigam se manter em pé para realizar seus movimentos. No conceito desse método, para o ser humano conseguir se manter em pé para realizar todas suas atividades cotidianas depende da harmonia entre as cadeias musculares estáticas e dinâmicas, as quais quando ativam e relaxam nos permite realizar tais movimentos com equilíbrio e força necessários. O RPG, com suas posturas, permite que tais musculaturas atuem harmoniosamente, de forma global o que evita ou até recupera disfunções posturais e, assim, as dores e incômodos causados por ela. 5.3 Método hipopressivo O método hipopressivo é uma técnica que trabalha com exercícios posturais e respiratórios associados a um ritmo de execução e metodologia de treino específica. O termo hipopressivo se refere à negativação de pressão nas três cavidades (torácica, abdominal e pélvica). Dessa forma, durante a execução das pautas posturais, além do controle postural, associa-se respiração controlada com vácuo abdominal. 26 Quando foram criados eram destinados à recuperação pós-parto, porém logo depois começou a sofrer adaptações que o consagraram no meio fitness devido aos seus inúmeros benefícios, principalmente aos músculos estabilizadores do tronco (core abdominal). 5.4 Anatomia palpatória Quando falamos em terapia manual, torna-se indispensável o conhecimento das técnicas de anatomia palpatória, uma vez que não basta ao fisioterapeuta saber tratar, antes é preciso saber diagnosticar e, para tanto, saber localizar e identificar as estruturas anatômicas é fundamental. A palpação deve ser realizada no momento da inspeção, já que as estruturas inspecionadas são as mesmas que devem ser palpadas. Podemos palpar pele, tecidos, moles, subcutâneos, estruturas ósseas e articulares. A palpação pode ser realizada com a ponta dos dedos ou com toda a mão para facilitar o processo de “sentir”, de acordo com o objetivo do fisioterapeuta. Toques mais leves são úteis para palpar tecidos superficiais e toques com maior pressão para músculos profundos e órgãos mais internos. A palpação é uma ferramenta extremamente útil para o adequado tratamento do paciente. Na pele, por exemplo, devemos começar com toque leve, investigando a temperatura tecidual, presença de aderências, entre outras características, como dor, edema e crepitações. As tabelas a seguir mostram as estruturas palpadas de acordo com cada região corporal. FIQUE DE OLHO O método hipopressivo é uma das poucas ferramentas de trabalho postural com excelentes benefícios, tanto no mundo fitness como no tratamento clínico, uma vez que seus benefícios não incluem apenas melhoras posturais, mas também promovem prevenção e tratamento de diástase abdominal e incontinência urinária, redução de circunferência abdominal, melhoras na performance esportiva e na relação sexual, além de seus inúmeros benefícios ao trabalho puramente postural. FIQUE DE OLHO Dominar a arte da palpação depende de prática, então, apenas treinando e insistindo você conseguirá identificar as estruturas anatômicas por meio do tato. Quando os olhos são fechados, o envolvimento das mãos é ampliado devido à redução da entrada das informações de outros sentidos, aprimorando o uso do tato. 27 Tabela 3 - Guia de palpação anatômica (parte 1) Fonte: Massey, 2012 (Adaptado). Tabela 4 - Guia de palpação anatômica (parte 2) Fonte: Massey, 2012 (Adaptado). #ParaCegoVer: A imagem mostra duas tabelas de oito linhas e cinco colunas cada que apresenta as estruturas anatômicas que devem ser palpadas de acordo com cada região corporal. 28 6 BIOMECÂNICA ÓSSEA O osso é um tecido vivo e dinâmico que tem como funções mecânicas sustentar e proteger outros tecidos corporais e atuar como um sistema de alavancas rígidas que podem ser mobilizadas pelos músculos que se inserem nelas. Toda a força e resistência óssea a uma eventual fratura é dependente de sua composição material e da estrutura organizacional. Os minerais colaboram para a rigidez óssea e para a resistência à compressão, o colágeno contribui para sua flexibilidade e resistência à tração. O osso cortical é mais rígido e forte do que o osso trabecular, porém este tem maior capacidade de absorção a choques. O osso é um tecido dinâmico que é modelado e remodelado continuamente, conforme a lei de Wolff. Os ossos crescem em termos de comprimento até que as lâminas epifisiais se fecham na adolescência, mas os ossos sofrem modificações de forma contínua em densidade, tamanho e formato por meio das ações dos osteoblastos e osteoclastos. 6.1 Biomecânica muscular O músculo é um tecido elástico e extensível que responde ao estímulo e é o único tecido biológico que produz tensão. A unidade motora é a unidade funcional do sistema neuromuscular, ela consiste em um único neurônio motor e todas as fibras que ele inerva.As fibras de uma unidade motora podem ser de contração lenta, rápida com resistência à fadiga ou rápida e rapidamente fatigável. Ambas as fibras (contração lenta ou rápida), estão presentes em todos os músculos humanos, porém a proporção dessa composição é variável. Nos músculos esqueléticos humanos, o número e a distribuição das fibras musculares podem ser determinados pela genética e ter relação com a idade. Em relação a sua organização, as fibras podem ser paralelas ou peniformes. • A disposição peniforme permite a produção de força. • O arranjo paralelo das fibras favorece o maior encurtamento muscular. Os músculos respondem aos estímulos produzindo tensão. Quando outras forças estiverem agindo, a ação resultante poderá ser concêntrica, excêntrica ou isométrica. Dessa forma, o músculo poderá diminuir, aumentar ou manter seu comprimento durante essa ação. O sistema nervoso central atua fazendo o gerenciamento do recrutamento das unidades motoras de tal forma que a velocidade e a magnitude da produção de tensão muscular sejam de acordo com as necessidades da atividade. 29 Existe uma definição das relações entre o desenvolvimento muscular de força e a velocidade do encurtamento muscular, o comprimento muscular no momento do estímulo e o tempo a partir do início do estímulo. Quando um músculo é ativamente previamente alongado, sua produção de força é aumentada, isso se deve à contribuição extra dos componentes elásticos do músculo e da facilitação neural. O desempenho muscular se traduz em força, potência e resistência muscular. A força é a capacidade de um grupo muscular produzir torque em uma articulação, a potência é a taxa da produção de torque em uma articulação e a resistência é a capacidade de resistir à fadiga. 6.2 Biomecânica dos membros superiores O ombro é a articulação mais complexa do corpo humano, possui quatro articulações diferentes atuantes nos movimentos. A articulação glenoumeral é esferóidea frouxamente estruturada, nela a amplitude de movimento é substancial e pouco estável. A articulação esternoclavicular promove pouco movimento dos ossos da cintura escapular, clavícula e escápula. Os movimentos da cintura escapular favorecem o adequado posicionamento da articulação glenoumeral em diferentes movimentos umerais. Movimentos mínimos também são permitidos nas articulações acromioclavicular e coracoclavicular. • Articulação umeroulnar Gerencia a flexão e a extensão do cotovelo. Nas articulações radiulnares proximal e distal ocorrem os movimentos de pronação e supinação do antebraço. • Articulação condiloide Entre o rádio e os três ossos do carpo permitem o movimento do punho que incluem flexão, extensão, flexão radial e ulnar. • Na mão, as articulações carpometacarpal do polegar, metacarpofalângicas realizam a maior parte dos movimentos e nas articulações interfalângicas os gínglimos. 6.3 Biomecânica dos membros inferiores O membro inferior tem como principais funções a sustentação de peso e locomoção. O quadril é uma articulação do tipo esferóidea típica, que realiza flexão, extensão, abdução, adução, abdução horizontal, adução horizontal, rotação medial e lateral e circundução permitidas. • Joelho É uma articulação complexa composta por duas articulações elipsóideas lado a lado. Os meniscos medial e lateral facilitam o encaixe entre as superfícies articulares dos ossos e ajudam 30 a absorver as forças transmitidas por meio da articulação. Muitos ligamentos cruzam o joelho limitando sua mobilidade. Neles, os movimentos realizados são a flexão, extensão e mínima rotação da tíbia, apenas quando está em flexão. • Tornozelo Constitui-se das articulações da tíbia e da fíbula com o tálus, sendo uma articulação do tipo gínglimo que é reforçada lateral e medialmente pelos ligamentos. Os movimentos do tornozelo são a dorsiflexão e a plantiflexão. • Pé É composto por vários ossos pequenos e suas articulações, os movimentos dessa articulação são a inversão e eversão, abdução e adução, flexão e extensão dos dedos do pé. 6.4 Biomecânica da coluna e pelve A coluna vertebral compõe-se de 33 vértebras que se dividem em cinco regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. A coluna cervical, torácica e lombar possui segmento móvel, que são os pares de vertebras adjacentes e seus tecidos moles interpostos. Três articulações conectam as vertebras de cada segmento móvel. Os discos intervertebrais têm a função de amortecer o impacto nas articulações vertebrais que sustentam o peso. Os músculos do pescoço e do tronco são nomeados em pares, um de cada lado do corpo. Esses músculos trabalham realizando a flexão e/ou rotação lateral do tronco quando agem unilateralmente e a flexão ou extensão do tronco quando agem de forma bilateral. As forças atuantes sobre a coluna vertebral incluem o peso do corpo, a tensão nos ligamentos vertebrais e a tensão nos músculos circundantes, a pressão intra-abdominal e qualquer carga aplicada externamente. A coluna vertebral atua como caixa protetora da medula espinal, por isso as lesões vertebrais são tão graves. 7 DESEQUILÍBRIOS MUSCULARES E SUAS REPERCUSSÕES Os desequilíbrios musculares referem-se à diferença de força e flexibilidade entre grupos musculares que agem sobre uma mesma articulação. Geralmente, isso acontece quando um 31 grupo muscular está mais forte, encurtado ou tensionado que seu antagonista. O equilíbrio do corpo é totalmente relacionado ao sistema nervoso central, ao feedback sensorial das estruturas osteoligamentares e ao controle da musculatura ativa. Dessa forma, quando ocorre uma disfunção, o resultado é a instabilidade, que de alguma forma será compensada pelo corpo. Para compensar esses desequilíbrios musculares, os músculos mais utilizados tornam-se mais fortes ou encurtados em detrimento dos seus antagonistas que se tornam mais fracos. Diversos são os fatores contribuintes e agravantes dos desequilíbrios musculares. Um deles é o desalinhamento postural resultante de uma alteração do posicionamento das estruturas ósseas. Também há sobrecargas excessivas em algumas articulações, ligamentos ou outras estruturas que corroboram para as lesões agudas ou até mesmo crônico-degenerativas. Como explicação para os desequilíbrios musculares, também temos as causas secundárias como uma lesão antiga, como em lesões traumáticas e neurológicas que muitas vezes trazem como consequência a inibição ou facilitação das contrações de determinados músculos. Um desequilíbrio muscular dificilmente é percebido na sua fase inicial, sendo percebido apenas quando se iniciam seus quadros álgicos e/ou deformidades. 32 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer as melhores técnicas de terapia manual; • conhecer as principais ferramentas de trabalho postural; • aprender a fazer avaliação postural; • aprender sobre biomecânica óssea e muscular; • aprender sobre a biomecânica da coluna, pelve e extremidades; • aprender sobre os desequilíbrios musculares e suas repercussões no corpo humano. PARA RESUMIR HALL, S. J. Biomecânica Básica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 5. edição. São Paulo: Manole, 2009. MELLO, P. R.; MEIJA, D. P. M. Efeitos da utilização da técnica de crochetagem mioaponeu- rótica no tratamento da fascite plantar: revisão bibliográfica. Pós-graduação em ortope- dia e traumatologia com ênfase em terapia manual. Faculdade Ávila, 2015. MASSEY, P. Pilates: uma abordagem anatômica. Barueri: Manole, 2012. PEREIRA JÚNIOR, N. S.; ALMEIDA, R. M. Manual de recursos terapêuticos manuais. João Pessoa: Editora da UFPB, 2016. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Manejo de pelve e coluna Olá, Você está na unidade Manejo de pelve e coluna. Conheça aqui os principais testes utilizados para detectar disfunções e quais técnicas podem ser aplicadas no tratamento clínico. Compreenda a estrutura e função do quadril, quais são os testes diagnósticospara a articulação sacroilíaca, bem como as técnicas para tratamento de disfunções dessa articulação. Conheça a estrutura da coluna cervical e como realizar avaliações dessa parte do corpo, pois as duas estruturas estão interligadas e desempenham um papel importante na locomoção, na sustentação do peso corporal e na posição bípede. Bons estudos! Introdução 37 1 QUADRIL Em virtude de sua localização central, as forças provenientes dos membros inferiores são transmitidas para cima por meio dos quadris, para a pelve e para o tronco durante a marcha e outras atividades dos membros inferiores. Os quadris também suportam o peso do tronco, cabeça e membros superiores. 1.1 Estrutura e função do quadril A cintura pélvica, também chamada de cíngulo do membro inferior, une o membro inferior ao tronco e tem um papel importante na articulação do quadril e nas articulações vertebrais. Os ossos da articulação do quadril constituem na região proximal da pelve e do fêmur, conforme pode-se observar na figura a seguir. Estruturalmente, a pelve e o fêmur são apropriados para dar apoio ao peso e transmitir as forças através das articulações do quadril. Figura 1 - Articulação do quadril Fonte: KISNER; COLBY, 2009 (Adaptado). #ParaCegoVer: A imagem mostra a ilustração de uma pelve composta por seus ossos: púbis, ísquio e ílio. O fêmur e o sacro, a sínfise púbica e a articulação objeto de estudo, a sacroilíaca. A articulação sacroilíaca é uma articulação sinovial, estável, com componentes móveis e fibrosos. Uma vez que a função dessa articulação é a estabilização pélvica, ajuda a prevenir a mobilização excessiva. Existem vetores de forças que são paralelos, mas não estão na mesma direção nem no mesmo eixo, de forma que o peso da cabeça e do tronco são direcionados verticalmente ao sacro. Uma pessoa que está completamente em apoio monopodal, 100% da carga é direcionada à articulação sacroilíaca, ao passo que estando em apoio bipodal, o peso está distribuído 50% em cada perna. 38 A cintura pélvica é constituída para resistir às tensões provocadas pelo peso do corpo e pela vigorosa musculatura. Compreende dois ossos: o ílio superiormente e o sacro (o ísquio inferiormente e o púbis anteriormente). Os ossos púbicos estão unidos anteriormente pela sínfise púbica Para melhor compreender o conteúdo, é necessário retomar o estudo biomecânico da cintura pélvica em cinemática (estudo do movimento de partículas e corpos rígidos no espaço) e cinética (estudo das forças que produzem, param ou modificam o movimento dos objetos). A articulação sacroilíaca é responsável pelo movimento do tronco e dos membros inferiores, tendo dois movimentos: • Nutação é a movimentação do promontório sacral para frente, havendo inclinação ante- rior da região superior do sacro. • Contranutação é o oposto, o movimento para trás do promontório sacral, havendo incli- nação posterior da região superior do sacro. Para que ocorra a rotação anterior do inominado, o indivíduo deve fletir para frente o tronco (quando ele se senta a partir da posição de decúbito dorsal), havendo uma rotação da cintura pélvica como um todo sobre os fêmures. • Rotação anterior unilateral A rotação anterior unilateral ocorre durante a extensão do membro inferior, representando o mesmo que a contranutação do sacro. • Rotação posterior A rotação posterior do inominado ocorre bilateralmente durante a extensão do tronco (havendo a rotação da cintura pélvica como um todo sobre os fêmures). • Rotação posterior unilateral A rotação posterior unilateral ocorre durante a flexão do membro inferior, representando o mesmo que a nutação do sacro. Em pessoas jovens, a articulação sacroilíaca geralmente é móvel, mas com o passar da idade tornam-se progressivamente rígidas. Músculos e ligamentos têm uma função muito importante na estabilização da articulação sacroilíaca. Em alguns estudos utilizando traçados de eletromiografia, foi observado que a fraqueza de determinados músculos ou grupos musculares ocasionava certa instabilidade na região, o que posteriormente acarretava dores lombares. Além disso, observou-se que em alguns 39 pacientes com queixas de dores na articulação sacroilíaca o traçado mostrava um atraso na contração de alguns músculos considerados importantes na estabilidade local. Sabe-se que não existe um único músculo ou grupo muscular responsável pela articulação, o que existem são cerca de 40 músculos que podem influenciar o movimento articular. O sacro move-se quando a coluna vertebral muda de posição e o ilíaco quando as extremidades inferiores alteram sua posição. 1.1 Disfunção sacroilíaca As disfunções da articulação sacroilíaca podem ser classificadas em três classes a saber: • Subluxação Definida como uma luxação posterior do ilíaco sobre o sacro. • Rotação Acontece quando há um desequilíbrio muscular axial e apendicular, uma vez que o mecanismo lombopélvico excede o seu potencial de adaptação. • Exacerbação É uma disfunção decorrente de uma assimetria articular, quando o plano articular encontra- se excessivamente anteromedializado ou póstero-lateralizado. As articulações sacroilíacas estão livres. Os movimentos dos dois ilíacos seguem as direções impostas pelo movimento, por isso, uma tensão pode levar o ilíaco a uma rotação anormal. As disfunções dessa articulação estão relacionadas com o exagero dos movimentos fisiológicos do ílio em relação ao sacro. Os membros inferiores são responsáveis pelos mecanismos lesionais. Uma lesão que ocorre posteriormente é acompanhada por espasmos dos músculos espinhais lombares, iliopsoas, glúteo máximo e piriforme. Os sinais clínicos de tais lesões incluem: perna FIQUE DE OLHO A certeza é que uma articulação sinovial, componente da sacroilíaca, tem como função principal o movimento. Se, por algum motivo, a articulação é impedida de realizar movimentos normais, inicia-se um ciclo disfuncional com implicação em todos os tecidos circunjacentes. A consequência é a hipomobilidade, dor, espasmo muscular e, finalmente, os tecidos acabam adaptando-se à condição disfuncional. 40 encurtada homolateral, espinha ilíaca póstero-superior baixa e posteriorizada; espinha ilíaco anterossuperior mais alta e posteriorizada, sulco profundo e sínfise púbica alta. 2 TESTES DIAGNÓSTICOS PARA A ARTICULAÇÃO SACROILÍACA Conceitualmente, o diagnóstico osteopático utiliza-se de três preceitos: a assimetria das estruturas do sistema musculoesquelético, a amplitude de movimento de uma articulação e a alteração de textura que os tecidos podem apresentar. Por outro lado, testes irritativos podem ser empregados pelo fisioterapeuta com fins provocativos e avaliativos dos movimentos artrocinemáticos, objetivando encontrar dor ou alguma alteração de mobilidade da articulação. A testagem da sacroilíaca é desafiadora por alguns motivos: os testes acabam movimentando outras articulações, a quantidade relativamente pequena de movimento articular é difícil de ser mensurada. O difícil acesso à articulação acaba sendo um empecilho, uma vez que pode deixar dúvidas sobre aspectos clínicos relevantes correspondentes às disfunções sacroilíacas. Uma disfunção da articulação sacro-ilíaca leva a uma diferença no comprimento dos membros inferiores, torção e obliquidade pélvica e aumento da dor ao sentar. 2.1 Testes provocativos Os testes provocativos são manobras que provocam tensão na articulação sacroilíaca e, por consequência, provocam dor. Infelizmente não são específicos, no entanto apresentam boa confiabilidade e boa reprodutibilidade para uso clínico. Os testes de Patrick e de Gaenslen são exemplos bem conhecidos e serão detalhados a seguir. • Teste de Patrick Também chamado de Fabere. O paciente fica posicionado em decúbito dorsal com o membro inferior em posição de flexão, abdução e rotação externa, de maneira que a posição forme um quatro. O teste permite o estresse da articulação sacroilíaca do lado em que o membro inferior está posicionado.O fisioterapeuta pressiona o joelho ipsilateral para baixo e faz uma pressão contra a espinha ilíaca anterossuperior da pelve do lado contralateral. Se houver relato de dor ispilateral durante o teste, é considerado positivo. • Teste de Gaenlsen A posição do paciente é em decúbito dorsal na beira da maca com os joelhos abraçados. O fisioterapeuta fica ao lado da maca e solicita que deixe o membro inferior pendendo para fora. A posição final do teste ocasionará uma rotação da articulação sacroilíaca no lado testado. Se o paciente referir dor na região posterior, é considerado positivo. 41 2.2 Testes de mobilidade Os testes de mobilidade baseiam-se nas alterações de uma referência que podem surgir em movimentos padronizados. Esses testes têm baixa confiabilidade, por isso seu uso é sugerido com cautela. São exemplos de testes de mobilidade o teste de Gillet e o teste de rotação de quadril. No teste de Gillet, o paciente deverá ficar em pé. O fisioterapeuta palpa a crista ilíaca postero- superior (EIPS) do lado que se quer testar com uma mão e o processo espinhoso de S2 com a outra mão. O paciente deve flexionar o quadril a 90º. O examinador deve sentir movimento inferior e lateralmente da EIPS em relação ao sacro. O teste é considerado positivo quando esse movimento for ausente. O examinador deve, então, comparar esse lado com o lado oposto. Um método alternativo para o presente teste é palpar ambas as EIPS ao mesmo tempo e comparar a posição final. Ao realizar o teste, o fisioterapeuta objetiva avaliar a limitação de mobilidade na região sacroilíaca. No teste de rotação de quadril, a posição do paciente é sentada e o movimento que irá realizar é a abdução e a adução. O fisioterapeuta posiciona-se atrás do paciente de modo que consiga palpar com as mãos as espinhas ilíacas póstero-superior. Espera-se que na abdução (ou rotação externa), as espinhas ilíacas se juntem e na adução (rotação interna) se afastem. O teste de Downing é o mais utilizado para verificar a rotação anterior e posterior dos ilíacos, através de uma rotação externa e interna do quadril respectivamente. Sendo utilizado para determinar se o osso ilíaco está bloqueado em posterior, o que deixa o membro mais curto ou em anterior, deixando o membro mais longo. A correção dessas alterações dá-se pela técnica de thrust, para normalização anterior ou posterior. O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com os membros inferiores em extensão. O fisioterapeuta deve pedir para que o paciente faça flexão de 90º da coxa, eleve a pelve da maca e retorne (para equilibrar/neutralizar a pelve). O avaliador faz extensão dos membros inferiores passivamente e marca e toma contato na borda inferior dos maléolos mediais para buscar verificar o comprimento dos membros inferiores. Depois, passivamente, realiza abdução e rotação interna da coxa do paciente e retorna. Nessa manobra, espera-se que o membro inferior que está sendo testado encurte. Após essa manobra de encurtamento, o avaliador deve novamente palpar os maléolos mediais e verificar se ocorreu ou não o encurtamento esperado. Reequilibrar/neutralizar a pelve e logo após, passivamente, realizar adução e rotação externa da coxa do paciente e retorna. Nessa manobra, espera-se que o membro inferior que está sendo testado alongue-se. Após a manobra de alongamento, o avaliador deve novamente palpar os maléolos mediais e verificar se ocorreu ou não o alongamento esperado. 42 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 TÉCNICAS PARA TRATAMENTO DE DISFUNÇÕES DA ARTICULAÇÃO SACRO-ILÍACA Veremos a seguir as técnicas de disfunção da articulação sacro-ilíaca tanto de tecidos moles como técnicas articulares. 3.1 Tecidos moles • Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco anterior em decúbito dorsal O paciente fica em decúbito dorsal, com o membro inferior do lado da disfunção com flexão de 90º da coxa. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para a pelve do paciente. Sua mão cefálica contata a articulação sacroilíaca e sua outra mão contata a região proximal da tíbia do paciente. Inicialmente, o fisioterapeuta busca uma barreira levando o ilíaco no sentido da rotação posterior, até que se perceba esse movimento com a mão cefálica. Ao encontrar a barreira, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente e pede que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) empurrando seu joelho no sentido da extensão da coxa. Ao final de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a amplitude de rotação posterior o ilíaco até que alcance uma nova barreira. A técnica é considerada finalizada quando não houver mais amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra. • Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco anterior em decúbito lateral O paciente é posicionado em decúbito lateral contralateral à disfunção, com membro inferior do lado a ser tratado em flexão. O fisioterapeuta fica em pé à altura da coxa do paciente, com 43 uma mão (a posterior) na articulação sacroilíaca e a outra mão (anterior) controlando o joelho do paciente. O paciente repousa o pé sobre a pelve (EIAS) do fisioterapeuta e o ilíaco é conduzido em rotação posterior (flexão do quadril), até que a mão do fisioterapeuta perceba essa mobilidade. Em seguida, o fisioterapeuta pede ao paciente que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos), empurrando seu joelho no sentido da extensão da coxa. Ao final de cada contração, o fisioterapeuta estimula o aumento da amplitude de rotação posterior do ilíaco até que uma nova barreira seja sentida. A técnica finaliza-se quando não houver mais amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra. • Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco posterior (Mitchell) O paciente é posicionado em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica em pé, na altura da pelve do paciente, contralateral à disfunção. Uma de suas mãos (a superior) faz contato na espinha ilíaca póstero-superior do paciente e a outra mão (a inferior) sobre a região anterior e distal da coxa do paciente. Em um primeiro momento o fisioterapeuta deve encontrar uma resistência (ou barreira) na rotação anterior do ilíaco, levando a coxa em extensão até que a mão perceba essa mobilidade. Ao encontrar a resistência, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente e orienta para que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em flexão do quadril – levando a coxa no sentido da maca. Ao final de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a resistência da extensão do quadril do paciente. A técnica é finalizada quando não houver mais amplitude para aumentar após as contrações. Igualmente, são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra. • Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco em rotação lateral O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com o membro inferior do lado da disfunção com flexão. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para a pelve do paciente. Uma das mãos faz contato na articulação sacroilíaca. A outra mão faz contato com a região lateral do joelho do paciente. Primeiramente, o fisioterapeuta deve encontrar a resistência (barreira) de rotação medial do ilíaco, levando a coxa do paciente medialmente até que a mão perceba essa resistência. Ao encontrar a barreira, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente e pede que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em abdução do quadril – levando a coxa no sentido lateral. No fim de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a resistência (barreira) em rotação medial do ilíaco (adução do quadril). A técnica finaliza-se quando não houver mais amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra. • Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco em rotação medial O paciente é posicionado em decúbito dorsal,