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TÉCNICAS TERAPÊUTICAS
MANUAIS
TÉCNICAS 
TERAPÊUTICAS 
MANUAIS
ORGANIZADORAS MARGARETE DIPRAT TREVISAN; MARIANA ZANCAN.
ORGANIZADORAS MARGARETE DIPRAT TREVISAN; MARIANA ZANCAN.
Técnicas terapêuticas m
anuais
GRUPO SER EDUCACIONAL
Técnicas terapêuticas manuais é um livro direcionado para estudantes dos 
cursos de �sioterapia e correlatos.
Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre avaliação e 
tratamento nas terapias manual e postural, manejo da pelve, manejo da 
coluna vertebral, diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticu-
lares, e disfunções da coluna vertebral.
Após a leitura da obra, o leitor vai saber as melhores técnicas de terapia 
manual; aprender a executar a avaliação postural; conferir os dese-
quilíbrios musculares e suas repercussões no corpo humano; aprender as 
principais técnicas utilizadas em tecidos moles e articulações para trata-
mento dos distúrbios sacroilíacos; veri�car as particularidades da coluna 
vertebral cervical, principais acometimentos, testes e técnicas usadas no 
tratamento das suas disfunções; conhecer os métodos diagnósticos de 
cada tipo de lesão; descobrir como é feito o tratamento de cada lesão; 
dominar as particularidades da hipercifose e seu tratamento; com-
preender as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo; analisar 
as particularidades da escoliose e seu tratamento, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
gente criando futuro
I SBN 9786555582994
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TÉCNICAS 
TERAPÊUTICAS 
MANUAIS
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Trevisan, Margarete Diprat.
Técnicas terapêuticas manuais / Margarete Diprat Trevisan; Mariana Zancan. – São Paulo: 
Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555582994
 1. Fisioterapia 2. Zancan, Mariana.
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Margarete Diprat Trevisan
Doutoranda em Gerontologia Biomédica (PUC-RS).
Pós-graduanda em Docência no Ensino Superior (Fadergs).
Mestre em Gerontologia Biomédica (PUC-RS).
Pós-graduada em Gestão da Atenção à Saúde do Idoso (GHC).
Especialista em Fisioterapia Respiratória (Assobrafir).
Bacharel em Fisioterapia (Unilasalle).
Mariana Zancan
Graduada em Fisioterapia pela Universidade de Passo Fundo (UPF). 
Especialista em Anatomia Humana Clínica e Funcional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS). 
Mestre em Ciência da Reabilitação pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre 
(UFCSPA), onde realizou pesquisa na área de reabilitação neurológica, com período sanduíche no 
Instituto Cajal – Conselho Superior de Investigação Científica de Madri. 
Doutora em Neurociências/Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS). 
Experiência nas áreas de Fisioterapia, atuando em Fisioterapia Pneumológica/ Intensiva e Neurológica 
– esta última com formação na Unidade de Cuidados pós-AVC agudo do Hospital de Clínicas de Porto 
Alegre (HCPA) –, e Neurociências, com ênfase em Fisiologia a Anatomia.
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - Terapia manual e postural: avaliação e tratamento ..................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 Introdução à terapia manual e postural ............................................................................................. 11
2 Testes de tensão neural ..................................................................................................................... 15
3 Inibição muscular recíproca ............................................................................................................... 17
4 Posturologia ....................................................................................................................................... 21
5 Técnicas posturais .............................................................................................................................. 25
6 Biomecânica óssea ............................................................................................................................ 28
7 Desequilíbrios musculares e suas repercussões ................................................................................ 30
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................33
UNIDADE 2 - Manejo de pelve e coluna .........................................................................................35
Introdução.............................................................................................................................................36
1 Quadril ...............................................................................................................................................37
2 Testes diagnósticos para a articulação sacroilíaca ............................................................................. 40
3 Técnicas para tratamento de disfunções da articulação sacro-ilíaca .................................................42
4 Coluna cervical .................................................................................................................................. 46
5 Técnicas para tratamento da coluna cervical ................................................................................... 49
6 Coluna lombar ................................................................................................................................... 51
7 Técnicas de tratamento para coluna lombar ..................................................................................... 53
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................56com o membro inferior do lado da disfunção 
com flexão de 90º da coxa. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para pelve 
do paciente. Uma das mãos faz contato com a espinha ilíaca anterossuperior do ilíaco oposto para 
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bloquear a pelve do paciente e a outra mão faz contato na região medial do joelho do paciente. 
Primeiramente, deve-se buscar a barreira de rotação lateral do ilíaco levando sua coxa no sentido 
lateral. Ao encontrar a barreira, o Osteopata estabiliza o membro inferior do paciente e pede para 
que ele realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em adução do quadril – levando a coxa 
no sentido interno. Ao final de cada contração, o osteopata aumenta a barreira de abdução do 
quadril do paciente. A técnica somente deve ser finalizada quando não houver mais amplitude para 
aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra.
• Técnica de relaxamento miofascial para torção pélvica esquerda
O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com adução da coxa esquerda e abdução 
máxima do braço direito. O fisioterapeuta fica em pé, à altura da coxa do paciente. Uma mão faz 
contato com a região inferior da espinha ilíaca anterossuperior esquerda do paciente e a outra 
mão faz contato com a região superior da espinha ilíaca anterossuperior direita do paciente. O 
fisioterapeuta busca uma resistência (barreira) quando leva o ilíaco esquerdo no sentido posterior 
e o ilíaco direito no sentido anterior. A técnica consiste em pedir respirações amplas e profundas 
ao paciente e, na expiração, aumentar as resistências (barreiras) dos ilíacos. Repete-se a manobra 
até que a resistência (barreira) máxima seja atingida.
3.2 Técnicas articulares
• Técnica semidireta de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo anterior 
O paciente é posicionado em decúbito lateral direito, com membro inferior direito em 
extensão. Colocar a alavanca inferior flexionando o membro inferior esquerdo até o movimento 
atingir o nível do braço maior da articulação sacroilíaca. A alavanca superior é colocada realizando 
flexão do tronco até L5. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve do paciente e toma contato 
com seu membro inferior direito para manipular com a técnica de kick. A mão direita faz contato 
pisiforme sobre o ísquio (com antebraço orientado nos sentidos anterior e superior). A mão 
esquerda estabiliza o tronco com contato no sulco deltopeitoral. A técnica consiste em reduzir o 
slack com a mão caudal (direita) no sentido anterior e superior, e o thrust deve ser realizado no 
mesmo sentido, simultaneamente ao kick.
• Técnica de mobilização para disfunção anterior (em DD) 
O paciente fica em decúbito dorsal, com flexão da coxa em 90º. O fisioterapeuta fica na 
altura da pelve do paciente, contralateral à disfunção, com a mão superior na espinha ilíaca 
anterossuperior (o joelho do paciente faz contato com sua axila e seu tórax fica em contato com a 
tíbia do paciente) e a mão inferior no ísquio. Busca-se a resistência (barreira) de rotação posterior 
do ilíaco aumentando a flexão do quadril e leva-se a espinha ilíaca anterossuperior no sentido da 
maca e o ísquio no sentido do teto. Encontrada a resistência (barreira), aumenta-se a resistência 
(barreira) de rotação posterior de maneira progressiva com movimentos lentos e rítmicos.
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• Técnica de mobilização (volante) para disfunção anterior (em DL) 
O paciente fica em decúbito lateral contralateral à disfunção, com flexão da coxa em 90º. O 
fisioterapeuta permanece na altura da pelve do paciente, com a mão superior na espinha ilíaca 
anterossuperior (o antebraço passa por baixo da coxa do paciente) e a mão inferior no ísquio. 
Busca-se a resistência (barreira) de rotação posterior do ilíaco aumentando a flexão do quadril 
e levando a espinha ilíaca anterossuperior no sentido posterior e o ísquio no sentido anterior. 
Encontrada a resistência (barreira), aumenta-se essa resistência (barreira) de rotação posterior 
de maneira progressiva com movimentos lentos e rítmicos.
• Técnica de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo em rotação lateral 
O paciente em decúbito lateral direito (posição de lumbar roll), com rotação esquerda e 
flexão do tronco até esses movimentos chegarem a S2. O fisioterapeuta fica em pé na altura da 
pelve do paciente. Uma mão contata com sua coxa caudal na região lateral da coxa do paciente 
(como na manipulação em body drop). A mão esquerda estabiliza o tronco. O antebraço direito 
em pronação é posicionado sobre região anterolateral do ilíaco (região anterior da crista ilíaca, 
próximo à espinha ilíaca anterossuperior). A técnica baseia-se na redução do slack com a mão 
esquerda aumentando a rotação do tronco e a mão direita deslocando-se no sentido do solo para 
induzir a rotação medial do ilíaco. 
• Técnica de thrust para disfunção de ilíaco esquerdo em rotação medial 
O paciente é posicionado em decúbito lateral direito (posição de lumbar roll), com rotação 
esquerda e flexão do tronco até esses movimentos chegarem a S2. O fisioterapeuta fica em pé na 
altura da pelve do paciente, olhando para a cabeça dele. A mão esquerda estabiliza o tronco e o 
antebraço direito, em pronação, se posiciona na região posterolateral do ilíaco (região posterior 
da crista ilíaca, próximo à espinha ilíaca póstero-superior). A técnica consiste em reduzir o slack 
com a mão esquerda aumentando a rotação do tronco e a mão direita é deslocada na direção 
da maca para induzir a rotação lateral do ilíaco. Não se utiliza contato de body drop na coxa do 
paciente. O thrust é feito deixando o peso do tronco cair, com o antebraço levando a pelve em 
direção ao solo. 
• Técnica direta para disfunção de ilíaco anterior 
O paciente é posicionado em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica em pé na altura da pelve 
do paciente, faz contato pisiforme com a mão superior na região posterior da tuberosidade 
isquiática do lado da disfunção reforçada pela mão inferior. O antebraço do contato inferior deve 
estar voltado no sentido anterior (do solo) e cefálico. A técnica baseia-se em reduzir o slack no 
sentido cefálico anterior utilizando o peso do corpo e realizar o thrust na mesma direção da 
redução do slack.
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4 COLUNA CERVICAL 
A coluna cervical é um segmento da coluna vertebral composto por sete vértebras, que 
apresenta uma curvatura em lordose fisiológica. Por ser uma curvatura secundária, condiciona 
ampla mobilidade nos três planos de espaço, porém precisa proporcionar estabilidade e 
coordenação aos movimentos da cabeça. Do ponto de vista mecânico, é um segmento bastante 
exigido, tornando-a vulnerável a distúrbios álgicos e/ou degenerativos em alguns segmentos, 
principalmente C5-C6 e C6-C7. Clinicamente, a instabilidade nesse segmento é frequente.
Estudos sugerem que cerca de 70% das pessoas têm ou terão algum episódio de cervicalgia, 
esse índice fica atrás apenas das lombalgias. Esse segmento da coluna vertebral tem funções 
significativas do ponto de vista mecânico e articular e também relações fisiológicas de grande 
importância para outras partes do corpo.
4.1 Diagnóstico osteopático para a coluna cervical 
As cervicalgias/cervicobraquialgias ocorrem por diversos motivos e são causas frequentes 
nas clínicas fisioterapêuticas. Nos pacientes com queixa de dor nesse segmento (C3-C7), o 
fisioterapeuta deve eliminar causas mais graves (tumor, fratura, impressão basilar etc.), que 
são contraindicadas ao tratamento, e buscar sinais e sintomas característicos das patologias. 
Eliminadas as contraindicações, deve-se investigar o tecido responsável pelos sintomas atuais 
para, assim, planejar e aplicar um tratamento específico.
4.2 Testes articulares para a coluna cervical
Teste de mobilidade analítica
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Estuda diferentes parâmetros de movimentos de cada segmento vertebral. Com esses testes, 
é possível determinar os maiores parâmetros das disfunções e, dessa maneira, eleger a técnica 
de correção maisadequada.
• Flexão-extensão
O paciente fica sentado na maca. O fisioterapeuta fica em pé ao lado do paciente. Uma 
mão contata o topo da cabeça do paciente. A outra contata com a polpa dos dedos nas apófises 
espinhosas que deseja avaliar. Com a mão que está na cabeça, induz-se o tronco movimentos de 
flexão-extensão, avalia a qualidade do movimento e a sensação de barreira.
• Rotação
O paciente fica sentado na maca. O fisioterapeuta fica em pé, atrás da cabeça do paciente. 
Uma mão contata o topo da cabeça do paciente. A outra contata bilateral nas lâminas da vértebra 
que deseja testar, com as polpas do indicador e polegar. A mão da cabeça induz movimentos de 
rotação cervical monitorando os movimentos com os contatos da mão para sentir as barreiras de 
movimento. Quando é induzida uma rotação para a esquerda, por exemplo, a lâmina direita deve 
anteriorizar, enquanto que a esquerda deve posteriorizar.
• Inclinação lateral
Paciente na mesma posição e fisioterapeuta em pé ao seu lado. Uma mão contata o topo 
da cabeça do paciente. A outra palpa lateralmente as apófises transversas dos níveis que quer 
avaliar com a polpa do polegar e indicador. A mão da cabeça induz os movimentos de inclinação 
enquanto os contatos da mão posterior induzem translações laterais das vértebras no sentido da 
convexidade e analisam os movimentos que ocorrem nas transversas.
4.3 Teste de Mitchell para a coluna cervical inferior 
Esse teste analisa a capacidade de translação lateral das vértebras cervicais e é possível 
diagnosticar o tipo específico da disfunção. O paciente fica em decúbito dorsal na maca. O 
fisioterapeuta, sentado na cadeira, atrás da cabeça do paciente, contata com a polpa dos dedos 
(indicador e médio) na face lateral dos processos transversos bilateralmente, da vértebra que 
quer testar. O resto da mão toma contato com a face lateral do crânio do paciente. A coluna 
cervical deve estar em posição neutra de flexão/extensão. O fisioterapeuta inclina passivamente 
a coluna cervical para um dos lados ao mesmo tempo que realiza translação da vértebra para 
o lado da convexidade com a polpa dos dedos. Esse deslizamento/translação é acompanhado 
fisiologicamente da inclinação para o lado oposto. 
Em caso de restrição articular na translação da direita para a esquerda, pode estar ocorrendo 
duas situações distintas: 1) a faceta articular do lado esquerdo recusa desimbricar; ou 2) a faceta 
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articular do lado direito recusa imbricar. Para saber qual a disfunção, o fisioterapeuta impõe flexão 
ou extensão no segmento e retesta a capacidade de translação da vértebra. Se durante a flexão 
a capacidade de translação melhora, logo, FRS à esquerda. Se durante a extensão a capacidade 
de translação melhora, logo, ERS à esquerda. Isso porque quando se aproxima a vértebra do 
parâmetro disfuncional, a cápsula articular permite o movimento de translação mais amplo. 
Quando se realiza uma translação da direita para a esquerda, há uma inclinação para a direita 
e as facetas articulares ao lado direito são imbricadas e do lado esquerdo desimbricadas. Se a 
vértebra está livre, o movimento ocorre sem resistência para ambos os lados.
4.4 Testes ortopédicos para a coluna cervical
• Teste de Spurling 
Utilizado para verificar dores facetarias ou irritação neural. O paciente, sentado, inclina e roda 
cervical para um lado. O fisioterapeuta fica em pé atrás do paciente com uma mão localizada no 
topo da cabeça do paciente. Com a outra mão, o examinador realiza pequenas compressões na 
mão que está no topo da cabeça. Se o paciente não apresentar sintomas nessa posição, deve-se 
agregar a extensão cervical para diminuir ainda mais o diâmetro do forame de conjugação e canal 
vertebral. Isso é realizado bilateralmente.
• Teste de distração cervical
Diferencia sintomas radiculares dos de origem muscular ou ligamentar. Com o paciente 
sentado o fisioterapeuta contata o crânio do paciente com uma das mãos na região inferior da 
mandíbula e a outra mão na fossa posterior do crânio. O fisioterapeuta exerce tração axial superior 
no crânio do paciente. A distração cervical reduz a carga nos discos intervertebrais e também 
nas raízes nervosas dos níveis cervicais. A redução dos sintomas radiculares quando a cervical 
é tracionada, é sinal sugestivo de irritação nervosa de origem discal. O aumento dos sintomas 
durante esse procedimento sugere alteração funcional cervical por patologias de origem articular, 
muscular e capsulo-ligamentar.
• Teste de depressão do ombro 
O paciente sentado e o fisioterapeuta atrás dele pressiona caudalmente um dos ombros 
enquanto inclina a cervical para o lado oposto. A provocação dos sintomas radiculares é sinal de 
adesão do saco dural e/ou raiz nervosa. A dor está aumentada no lado da musculatura alongada, 
assim como o tônus está aumentado do trapézio e esternocleidomastóideo. A redução da 
sintomatologia no lado que não está sendo alongado indica alterações funcionais envolvendo 
tensão muscular. O teste deve ser feito bilateralmente.
• Teste de extensão cervical
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Com o paciente em pé ou sentado, o fisioterapeuta realiza extensão cervical máxima 
do paciente e mantém por 20-25 segundos. Se o paciente referir aumento dos sintomas na 
região cervical, interescapular ou membro superior, o teste é considerado positivo, sugerindo 
comprometimento discogênico. 
5 TÉCNICAS PARA TRATAMENTO DA COLUNA 
CERVICAL 
Veremos agora as técnicas para tratamento da coluna cervical tanto de tecidos moles como 
técnicas articulares.
5.1 Técnicas de tecidos moles 
• Técnica de streching dos músculos posteriores
Promove relaxamento da tensão das aponeuroses e fáscias dos músculos posteriores da 
região cervical, reduzindo densidades, quebrando aderências e aumentando a vascularização. O 
paciente encontra-se em supino e o fisioterapeuta fica em pé, contrário ao lado dos músculos que 
trabalha. Uma mão faz contato com o frontal para controlar o crânio. Os quatro dedos da outra 
mão são posicionados nos processos espinhosos cervicais no lado contralateral. Realiza-se um 
tissue pull no sentido lateral. Essa técnica preconiza o movimento rítmico de rotação da cabeça 
para o mesmo lado dos músculos trabalhados, ao passo que a mão dos processos espinhosos é 
levada na direção do teto. 
• Técnica de streching do esternocleidomastóide 
Promove relaxamento da tensão das aponeuroses e fáscias do esternocleidomastóide 
(ECOM), reduzindo densidades, quebrando aderências e aumentando a vascularização. O 
paciente é posicionado em supino e o fisioterapeuta fica em pé no lado oposto ao músculo que 
vai trabalhar. Uma mão contata o frontal para controlar os movimentos da cabeça. Os quatro 
dedos da outra mão contatam a região posterior do ventre do ECOM. A mão do frontal impõe 
uma rotação da cabeça para o lado do ECOM trabalhado. A outra mão leva as fibras do ECOM em 
direção do teto. Esses movimentos são feitos ritmados até que se atinja os objetivos da técnica.
• Técnica de inibição do longo do pescoço 
Relaxa o músculo longo do pescoço e a aponeurose prévertebral. O paciente fica em decúbito 
dorsal e o fisioterapeuta sentado atrás da cabeça do paciente. Se for tratar o longo do pescoço 
ao lado direito, deve-se posicionar a mão direita com a polpa dos dedos (últimos quatro) por 
baixo das fibras do esternocleidomastóide, na direção dos corpos vertebrais cervicais (os dedos 
ficam transversais à coluna vertebral). A mão esquerda inclina homolateral à cervical para 
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relaxar os tecidos moles, permitindo que a mão direita penetre o máximo possível próximo aos 
corpos vertebrais. Uma vez atingida a penetração máxima dos dedos, o fisioterapeuta realiza 
compressão, seguida de pequenos movimentos cefalocaudais e em círculo de forma alternada, 
para diminuir a tensão nas fibras musculares. 
• Técnica de liberação fascial das fibras superiores do trapézio 
O paciente fica em decúbito lateral com a região a ser tratada para cima, flexão 90º do quadril 
e dos joelhos. O fisioterapeuta, empé na frente do paciente, contata com uma mão o antebraço 
abaixo do cotovelo do paciente. A outra mão contata com a região tênar nas fibras superiores 
do trapézio. Primeiramente, o fisioterapeuta com a mão que está no trapézio aproxima suas 
fibras levando a cintura escapular na direção da cabeça. Depois, leva seu centro de gravidade na 
direção posterior, estirando as fibras musculares enquanto a mão fixa essas fibras. A técnica é 
feita ritmada até a redução da densidade tecidual.
5.2 Técnicas articulares
• Técnica de thrust para disfunções em E(extensão) R(rotação) S(inclinação lateral) 
Desimbrica a faceta articular com um movimento de rotação em alta velocidade. Paciente 
em decúbito dorsal e o fisioterapeuta em pé no lado esquerdo da cabeça do paciente. A mão 
esquerda contata com o segundo dedo (articulação interfalangeana proximal ou distal) no 
processo articular esquerdo da vértebra que se encontra em disfunção (imbricada). O polegar fica 
na mandíbula e os outros dedos ficam posicionados na fossa posterior do crânio. A mão direita 
controla a cabeça do paciente, contatando a face lateral direita do crânio e deixando o ECOM 
direito entre o terceiro e quarto dedos. 
Para parametrizar o paciente: inclinação esquerda até o nível, rotação direita de cerca de 
45 graus e regular a flexão/extensão até o nível, translação póstero-anterior e da esquerda para 
a direita. Reduz-se o slack em rotação até a barreira motriz e aplica-se, em alta velocidade, um 
impulso em rotação direita.
• Técnicas de thrust para disfunções em F(flexão) R(rotação) S(inclinação lateral) 
Imbrica a faceta articular contralateral à posterioridade com um impulso em translação lateral. 
Paciente em decúbito dorsal. O fisioterapeuta fica em pé no lado esquerdo da cabeça do paciente. 
Sua mão esquerda contata a face lateral do processo transverso esquerdo da vértebra em disfunção, 
o polegar na mandíbula e os outros dedos na fossa posterior do crânio. O antebraço fica voltado 
para o ombro contralateral do paciente. A mão direita controla a cabeça do paciente, contatando a 
face lateral direita do crânio e deixando o ECOM direito entre o terceiro e quarto dedos. 
Para parametrizar o paciente: inclinação esquerda até o nível, rotação direita de cerca de 30º, 
51
translação da esquerda para a direita. Alcançada a barreira motriz, aplica-se o impulso com a mão 
esquerda, em direção ao ombro direito do paciente.
6 COLUNA LOMBAR 
É uma curvatura secundária composta por cinco vértebras, sendo um segmento bastante 
móvel, principalmente nos seus últimos níveis (L4 e L5). É frequente que nessas áreas ocorra 
maior incidência de processos degenerativos que podem provocar sintomas locais e/ou nos 
membros inferiores em algum momento da vida. É uma zona álgica do corpo humano com grande 
incidência de problemas.
Relaciona-se mecânica e neurologicamente com os membros inferiores, com vísceras 
abdominais e pélvicas e com a pelve, como já discutimos. Apresenta mobilidade nos três planos 
de espaço, mas em razão da anatomia de suas facetas articulares, apresenta mais capacidade 
de movimentos no plano sagital (flexão e extensão) e pouca mobilidade nos planos transversal 
(rotação) e frontal (inclinação lateral).
6.1 Principais patologias da região lombar
A hipermobilidade pode gerar sobrecarga nas articulações interfacetárias, ocasionando a 
síndrome facetaria. A hérnia de disco, talvez a tapotlogia mais recorrente, caracterizada pelo 
deslizamento de uma parte do anel fibroso e/ou núcleo pulposo no canal vertebral ou forame 
de conjugação. Pode gerar inflamação local, acometendo a raiz nervosa em decorrência da 
compressão mecânica, irritação química e resposta autoimune.
6.2 Avaliação da coluna lombar 
A avaliação da coluna lombar tem um primeiro e grande objetivo no caso da existência de 
sintomas locais: saber se a dor é de origem mecânica/funcional ou se tem origem estrutural. Na 
inspeção dinâmica, recomenda-se a realização de movimentos em todos os planos para observar 
a qualidade dos movimentos, presença de espasmos e/ou alteração de movimento. No intuito de 
que algum sintoma de dor seja relatado pelo paciente.
6.3 Testes articulares 
No teste articular Quick scanning para coluna lombar, o paciente é posicionado na maca e o 
fisioterapeuta em pé, ao lado do paciente, estabiliza o tronco com uma das mãos e posiciona a 
outra mão nos processos espinhosos das vértebras lombares. O antebraço fica direcionado no 
sentido póstero-anterior. Desloca-se as vértebras no sentido anterior até a sua barreira mecânica 
e verifica-se se essa barreira é elástica (fisiológica) ou restritiva, indicando disfunção local. Esse 
teste pode ser aplicado para toda a coluna vertebral e para as articulações sacroilíacas, indicando 
52
zonas de restrição, mas não o tipo específico de disfunção.
No teste de mobilidade analítica da coluna lombar, são testados os seguintes aspectos:
• Flexão
Para testar a flexão, o paciente fica sentado na maca com os membros superiores cruzados em 
“V”. O fisioterapeuta fica em pé ao lado do paciente e sua mão contata os membros superiores 
do paciente para poder controlar os movimentos do tronco. Sua outra mão contata com a polpa 
dos dedos em dois, três ou quatro processos espinhosos das vértebras lombares. Em seguida, o 
fisioterapeuta flexiona o tronco do paciente e observa o que ocorre com os processos espinhosos 
vertebrais. É esperado que os processos espinhosos se afastem com o movimento. Caso isso não 
aconteça, é indicativo de hipomobilidade.
• Extensão
Para testar a extensão, o paciente é posicionado como para testar a flexão. A mão do 
fisioterapeuta contata os membros superiores do paciente para poder controlar os movimentos 
do tronco. A outra mão contata com a polpa dos dedos em dois, três ou quatro processos 
espinhosos das vértebras lombares. Depois, o fisioterapeuta estende o tronco do paciente e 
observa o que ocorre com os processos espinhosos vertebrais. É esperado que os processos 
espinhosos se aproximem com esse movimento. Se um processo espinhoso não se movimentar, 
é indicativo de hipomobilidade.
• Inclinação
Para testar a inclinação segue o mesmo posicionamento acima. O fisioterapeuta realiza a 
inclinação homolateral do tronco do paciente e observa os processos espinhos vertebrais. É 
esperado que os processos espinhosos se desloquem contralateral à inclinação do tronco. Se um 
processo espinhoso não se movimentar, é indicativo de hipomobilidade.
• Rotação
Para testar a rotação, o mesmo posicionamento acontece. O fisioterapeuta realiza o 
movimento com sua mão e o polegar empurrando o processo transverso no sentido anterior 
percebe o seu deslocamento e sensação de barreira. É esperado que o processo transverso se 
desloque no sentido anterior no final do movimento. Se houver uma barreira restritiva importante, 
é indicativo de hipomobilidade vertebral, uma incapacidade de a vértebra realizar essa rotação.
6.4 Testes ortopédicos
Para o ortopédico, os seguintes testes são realizados:
53
• Teste de Laségue 
Paciente em decúbito dorsal. Fisioterapeuta em pé, passivamente, paciente flexiona a coxa 
mantendo o joelho em extensão. Se houver irradiação nos primeiros graus da flexão, há indício 
de protrusão importante. Se a irradiação for qualquer angulação da flexão da coxa, há indicativo 
de sofrimento do nervo ciático ou de suas raízes. 
• Teste da campainha 
Paciente em decúbito ventral. Fisioterapeuta do lado do paciente, na altura da sua pelve, 
posiciona seus polegares sobrepostos na região posterior do processo espinhoso da vértebra que 
quer avaliar e pressiona no sentido anterior. Em caso de dor irradiada para o membro inferior, há 
indicativo de sofrimento discal.
7 TÉCNICAS DE TRATAMENTO PARA COLUNA 
LOMBAR 
Veremos a seguir as técnicas de tratamento para a coluna lombar, tanto para tecidos moles 
como para correções das disfunções articulares.
7.1 Técnicas para tecidos moles 
• Técnica de liberação do quadrado lombar (paciente sentado)Paciente sentado. Fisioterapeuta em pé atrás do paciente, com seu joelho apoiado na maca 
no lado oposto ao que será trabalhado, apoiando a região lateral da coluna lombar do paciente. 
Com uma mão bloqueia a pelve do paciente contra a maca e com a outra posiciona o tronco do 
paciente em inclinação lateral e traciona as últimas costelas superiormente. Busca-se parâmetros 
de tensão em todos os planos, com deslocamentos anteroposteriores e rotacionais das mãos. 
• Técnica de liberação do iliopsoas 
Paciente em decúbito dorsal com flexão do membro inferior do lado oposto ao que será 
tratado. Essa flexão do quadril e joelho é mantida pelas mãos do paciente. O membro inferior do 
lado tratado deve ser colocado para fora da maca com extensão do quadril. O fisioterapeuta fica 
em pé de frente para o paciente. Uma das mãos contata o joelho do lado que não será tensionado 
para estabilizar o paciente. A outra mão contata a coxa do lado a ser tratado. Deve-se tensionar 
a aponeurose do psoas impondo a extensão passiva do quadril até atingir a barreira restritiva. 
Atingida a barreira restritiva (técnica direta), o fisioterapeuta pode aplicar duas técnicas: 
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1) manter estaticamente a tensão restritiva e quando liberar, buscar novas barreiras e evoluir 
nesse sentido até que perceba mais barreira. 
2) tensionar rítmica e dinamicamente os tecidos fasciais, progressivamente, acompanhando a 
liberação dos tecidos. Assim, quanto mais as tensões se liberam, mais amplitude o fisioterapeuta ganha. 
• Técnica de energia muscular (TEM) para o iliopsoas 
Posiciona-se o paciente em decúbito dorsal com flexão do membro inferior do lado oposto 
ao que será tratado mantida pelo paciente. O membro inferior do lado tratado deve ser colocado 
para fora da maca com extensão do quadril. O fisioterapeuta, em pé, de frente para o paciente, 
utiliza uma das mãos contatando o joelho do lado que não será tensionado para auxiliar a 
estabilizar o paciente e a outra mão contatando a coxa do lado a ser tratado. 
Tensiona-se a aponeurose do psoas impondo a extensão passiva do quadril até atingir a 
barreira restritiva. Uma vez atingida a barreira, o fisioterapeuta orienta o paciente a realizar 
contrações isométricas do íliopsoas, levando a coxa na direção do teto. Após essa contração, 
o fisioterapeuta aproveita a fase de inibição tecidual para encontrar nova barreira tensional, 
aumentando a extensão do quadril. Esse procedimento é repetido até que não se encontrem 
barreiras e que se perceba a liberação da restrição desse tecido.
• Técnica neuromuscular (TNM) para os paravertebrais lombares 
O paciente fica em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica no lado que será manipulado, na 
altura da coxa do paciente. Uma mão, espalmada, fica sobre o sacro impondo tensão caudal 
nos tecidos moles locais e a outra sobre a aponeurose dos paravertebrais desde suas inserções 
caudais. A técnica é realizada bloqueando os tecidos com a mão espalmada e gerando um 
deslizamento profundo e progressivo com o polegar da outra mão, no sentido cefálico. O 
deslizamento não é controlado pelo fisioterapeuta, mas pela liberação dos tecidos do paciente. 
Quanto mais densidade, mas lento é o deslizamento. 
7.2 Técnicas para correções das disfunções articulares 
Para a técnica de correção de posterioridade (decúbito ventral), o paciente fica em decúbito 
ventral e o fisioterapeuta em pé de frente para a coluna lombar do paciente. Uma mão contata na 
EIAS contralateral e a outra mão o pisiforme na posterioridade vertebral que será corrigida. A mão 
do pisiforme tensiona a posterioridade bloqueando-a no sentido da maca. A mão da EIAS busca 
a barreira tensional levando a pelve no sentido do teto. Encontrada a barreira, o fisioterapeuta 
realiza a técnica: 
• rítmica e oscilatória, levando a pelve anteriormente para aumentar a barreira e relaxar a 
tensão em seguida. Aumentar a tensão progressivamente.
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• estática, mantendo a tensão máxima, levando a pelve no sentido do teto e aumentando 
progressivamente essa tensão conforme os tecidos permitam esse aumento.
A técnica de energia muscular (TEM) para correção de disfunção de ERS esquerda, desimbrica 
a faceta do lado esquerdo. Inicia-se com o paciente sentado no meio da maca. O fisioterapeuta 
impõe parâmetros com o tronco do paciente no sentido da correção direta até o nível desejado: 
flexão, inclinação direita e rotação direita. Após, deita o paciente sobre seu lado direito, deixando 
a imbricação voltada para o teto. Em seguida, contata a vértebra que será tratada com uma mão e 
com a outra posiciona os membros inferiores com flexão 90º de quadril e joelhos, levando os pés 
do paciente no sentido do solo para aumentar a inclinação contralateral (direita) da coluna lombar. 
Com essas barreiras, o fisioterapeuta orienta o paciente a levar seus pés no sentido do teto 
enquanto mantém a resistência para que a contração seja isométrica. Após a contração muscular, 
o fisioterapeuta aproveita a fase de inibição tecidual para encontrar nova barreira tensional 
em inclinação lateral da coluna, levando os pés mais no sentido do solo. Esse procedimento é 
repetido até que não seja mais possível atingir novas barreiras e que se perceba a liberação da 
restrição desse tecido.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• saber que o quadril é responsável por grande sustentação de peso e, por isso, muito 
sujeito a desconforto quando uma ou mais partes não desempenham corretamente 
suas funções; 
• conhecer os testes diagnósticos provocativos e de mobilidades mais empregados 
para a articulação sacroilíaca;
• aprender as principais técnicas utilizadas em tecidos moles e articulações para trata-
mento dos distúrbios sacroilíacos;
• verificar as particularidades da coluna vertebral cervical, principais acometimentos, 
testes e técnicas usadas no tratamento das suas disfunções; 
• saber as particularidades da coluna lombar, suas principais patologias e seus testes, 
articulares e ortopédicos, utilizados para detectar eventuais disfunções; 
• conhecer as principais técnicas para correção de disfunções da coluna lombar, que 
englobam técnicas relativas a tecidos moles e técnicas para disfunções articulares.
PARA RESUMIR
CHAITOW, L. Técnicas de energia muscular. São Paulo: Manole, 2001.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São 
Paulo: Manole, 2009.
LE CORRE, F.; RAGEOT, E. Atlas Prático de Osteopatia. Porto Alegre: Artmed, 2004.
LEWIT, K. A Manipulação na reabilitação do Sistema Locomotor. 3. ed. São Paulo: Santos, 
2000.
PARSONS, J.; MARCER, N. Osteopathy: Models for Diagnosis, Treatment and Practice. 1. 
ed. Elsevier Health Sciences, 2006.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 3
Diagnóstico e tratamento das doen-
ças musculoarticulares
Olá,
Você está na unidade Diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares. Conheça 
aqui a fisiopatologia e o diagnóstico das lesões que mais acometem os membros superiores 
e inferiores. Aprenda também a utilizar a terapia manual na reabilitação desses pacientes.
Bons estudos!
Introdução
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1 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS 
MUSCULOESQUELÉTICAS 
Diversas são as lesões musculoesqueléticas de forças físicas variadas, incluindo contusão, 
ruptura de tendões e ligamentos. A maioria das forças causais de lesão musculoesqueléticas é 
típica de um ambiente, uma atividade ou uma faixa etária específica. A principal causa de morte 
em adultos menores de 44 anos são os traumas resultantes de acidentes automobilísticos de alta 
velocidade.
Já em crianças e adolescente entre 0 e 19 anos, as quedas constituem a principal causa de 
lesões não fatais. Também correspondem à causa mais comum de lesão em idosos. Atualmente, 
as estatísticas indicam que um a cada três idosos sofre pelo menos uma queda por ano. 
1.1 Lesões desportivas
As lesões ocasionadas pela prática de esporte podem ser de origem aguda ou por uso 
excessivo (overuse).
•Aguda
As lesões agudas são decorrentes de trauma súbito e incluem as lesões de tecidos moles, 
como contusões, distensões e estiramentos e de ossos, as fraturas. 
• Overuse 
As lesões por overuse são consideradas lesões crônicas e ocorrem devido à prática de esportes 
associada a curtos períodos de afastamento esportivo, resultando em tempo insuficiente para a 
cicatrização da lesão inicial.
As lesões por sobrecarga correspondem à metade de todas as lesões desportivas pediátricas. 
São mais frequentes no cotovelo e nos tecidos em que os tendões são inseridos no osso, como 
o calcanhar, joelho e ombro. Os esportes de contato frequentemente resultam em lesão no 
pescoço, na coluna vertebral e nas placas de crescimento em crianças e adolescentes que ainda 
não atingiram a maturidade óssea.
Para evitar essas fraturas, deve ser realizado um treinamento adequado, uso adequado de 
equipamento de segurança e limitar o nível de competitividade de acordo com a habilidade e o 
tamanho da criança ou adolescente, e não por faixa etária unicamente. Para diagnosticar traumas 
musculoesqueléticos e lesões por overuse, é recomendado a realização de uma ressonância 
magnética.
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1.2 Lesões de tecidos moles
A maioria das lesões musculoesqueléticas é associada a lesões de tecidos moles (músculos, 
tendões ou ligamentos). Contusões, hematomas e lacerações são exemplos de lesões de tecidos 
moles.
A contusão é uma lesão de tecido mole resultante do trauma direto. Comumente é provocada 
pelo golpe de uma parte do corpo contra um objeto rígido. Na contusão, a pele que recobre 
a lesão permanece intacta. Inicialmente, surge uma equimose devido à hemorragia local; 
posteriormente, a equimose vai clareando conforme a absorção do sangue.
Uma grande área de hemorragia local recebe a denominação de hematoma. Os hematomas 
provocam dor quando o sangue fica retido, pressionando as terminações nervosas. A dor se 
agrava quando o local é pressionado ou durante os movimentos. A dor e o edema decorrentes de 
um hematoma custam regredir mais do que aqueles associados a uma contusão. O crescimento 
bacteriano pode infectar um hematoma. A contusão não gera drenagem, já um hematoma 
esporadicamente pode romper a pele devido ao aumento da pressão, produzindo drenagem. 
O tratamento de uma contusão e um hematoma envolve a elevação da parte afetada e o uso 
de crioterapia a cada 4h durante cerca de 20 minutos a 1h para diminuir a hemorragia local. 
Eventualmente, um hematoma pode necessitar de aspiração.
A laceração é uma lesão na qual a pele sofre ruptura, tendo sua continuidade interrompida. O 
tamanho e a profundidade da ferida e a existência de contaminação a partir do objeto causador 
da lesão determinam a gravidade da lesão. Perfurações por pregos ou material enferrujado 
representam o risco para o crescimento bacteriano, como aquelas causadoras de tétano e a 
gangrena gasosa.
As lacerações são tratadas por fechamento da ferida, que só ocorre após a limpeza adequada 
da ferida. A ferida é então coberta com um curativo estéril. Isso é fundamental para reduzir 
sua contaminação e para controlar o sangramento. Quando infectadas ou em casos de fratura 
expostas são irrigadas e desbridadas, e a pele geralmente fica aberta para facilitar a cicatrização 
e impedir o desenvolvimento de uma infecção anaeróbia ou uma fístula.
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2 LESÕES ARTICULARES OU MUSCULOTENDÍNEAS
As articulações são os locais em que dois ou mais ossos se encontram. As articulações 
diartrodiais são sustentadas por feixes de fibras colágenas rígidos denominados ligamentos, que 
são inseridos à cápsula articular e ligam as extremidades articulares dos ossos. Os tendões unem 
os músculos ao periósteo dos ossos que estão se articulando. As lesões articulares são causadas 
por sobrecarga mecânica ou torção ou distensão forçada.
2.1 Estiramentos e distensões
Estiramento é uma lesão decorrente de uma sobrecarga mecânica que se estende a um 
músculo ou a uma unidade musculotendínea. Trata-se de uma lesão que pode ser resultante de 
uma contração muscular inesperada ou de um alongamento excessivamente forçado. Geralmente 
é associado a sintomas como dor, rigidez e edema. Os locais mais frequentemente atingidos são 
a parte inferior das costas e a região cervical da coluna vertebral. O cotovelo e o ombro também 
são estruturas suportadas por unidades musculotendíneas, portanto sujeitas a estiramentos. O 
estiramento do pé geralmente ocorre devido a tensões de descarga de peso sobre os pés. Pode 
ser decorrente de um apoio muscular e ligamentar incorreto, sobrepeso ou excesso de exercícios.
A lombalgia de causa mecânica é cada vez mais comum no adolescente atleta. O uso excessivo, 
principalmente os movimentos de hiperextensão da coluna lombar em esportes como atletismo, 
luta, ginástica e mergulho, pode lacerar os músculos, as fáscias e os ligamentos. É preciso um 
diagnóstico criterioso, uma vez que a lombalgia crônica pode ser indicativa de fratura por estresse. 
As fraturas próximas às superfícies superior e inferior das vertebras comumente ocorrem quando 
a coluna lombar em crescimento é submetida a esforços excessivos, colaborando para que os 
discos pressionem as raízes de nervos espinais. São fundamentais a detecção e o tratamento 
precoces para evitar complicações e incapacidade.
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O tratamento dos estiramentos nas costas requer um breve período de repouso e analgésicos 
leves, seguido por um retorno gradual às atividades. É indicado utilizar compressas frias ou 
gelo para diminuir a dor e o edema na área afetada. Exercícios, postura correta e boa mecânica 
corporal colaboram para a redução do risco de novas lesões.
2.2 Entorses 
Envolve as estruturas ligamentares em torno de uma articulação, é semelhante a um 
estiramento, porém a dor e o edema demoram mais a diminuir. A causa geralmente é relacionada 
a um movimento anormal ou excessivo na articulação. No caso da entorse, os ligamentos 
podem ser parcialmente rompidos ou, em entorses graves, lacerados ou totalmente rompidos. 
Eventualmente pode ser encontrada uma lasca de osso quando todo o ligamento, incluindo a 
parte inserida no osso, foi rompido ou lacerado do osso. Os sinais incluem dor, edema agudo, 
calor, incapacidade, descoloração e limitação da função.
Figura 1 - Entorse de tornozelo 
Fonte: Onfokus, Istock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra um pé com entorse de tornozelo. Ele está edemaciado e 
com hematomas.
Qualquer articulação pode sofrer uma entorse, no entanto a articulação mais frequentemente 
acometida é o tornozelo e, em menor proporção, o joelho. A maioria das entorses de tornozelo 
afeta a parte lateral do tornozelo quando o pé é virado para dentro sob o peso corporal, fazendo 
um movimento de inversão forçado, além dos limites estruturais. Em relação aos joelhos, 
geralmente afeta o ligamento colateral e cruzado anterior. Bem como ocorre nos estiramentos, 
a lesão de tecidos moles associadas à entorse não é evidente nas radiografias. Punhos também 
podem sofrer entorses, geralmente quando ocorre, são relacionadas a quedas sobre a mão 
estendida. 
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2.3 Cicatrização
As lesões musculotendíneas geralmente cicatrizam com recuperação da força tênsil, desde 
que tratadas de forma adequada. Os fibroblastos reparam o interior da bainha tendínea ou, 
quando o tendão não tiver bainha, pelo tecido conjuntivo frouxo que envolve o tendão.
Durante o processo de cicatrização tecidual, os capilares infiltram a área lesionada, 
fornecendo aos fibroblastos os substratos necessários para a produção de grandes quantidades 
de colágeno. Nas primeiras duas semanas, ocorre a produção de feixes colágenos longos e, apesar 
de a resistência à tração aumentar continuamente depois disso, é insuficiente para favorecer a 
tração do tendão suficientemente forte durante aproximadamente 60 dias.
Durante a fase de cicatrização, tem-se o risco de que a contração muscular cause o afastamento 
das extremidades lesionadas, provocando uma cicatrizaçãona posição distendida. Há também o 
risco do desenvolvimento de aderências nas áreas nas quais os tendões passam pelos canais 
fibrosos, como na extremidade distal da palma das mãos, inutilizando o tendão.
2.4 Tratamento
O tratamento das distensões e entorses ligamentares são parecidos em diversos aspectos. 
Em algumas situações apenas a elevação do membro afetado seguido pela crioterapia pode ser 
suficiente. A compressão pode ser feita com o uso de bandagens adesivas ou de tala removível, 
auxiliando na redução de edema e fornecendo suporte. Em casos de entorses graves, é 
necessário colocar um aparelho gessado, principalmente naquelas que exigem reparo cirúrgico. 
A imobilização de um estiramento muscular deve ser mantida até que a dor e edema cessem. 
A cicatrização do tecido conjuntivo denso envolvido nas lesões articulares exige tempo para a 
recuperação das estruturas, de forma que estejam adequadamente fortes para suportar as forças 
impostas sobre a articulação. As lesões de ligamentos podem requerer uma intervenção cirúrgica, 
com a aproximação das diversas faixas fibrosas para auxiliar a cicatrização.
Nas entorses, a articulação afetada precisa ser imobilizada por várias semanas. Após a imobilização, 
FIQUE DE OLHO
As articulações são as estruturas mais frágeis do sistema esquelético e, por isso, propensas 
à lesão, em decorrência de sobrecarga mecânica ou torção ou estiramento forçado. A lesão 
pode incluir danos aos tendões, que conectam os músculos aos ossos; aos ligamentos, que 
mantêm a conexão dos ossos; ou às cartilagens, que recobrem a superfície articular.
66
gradualmente deve-se evoluir no tratamento de reabilitação com exercícios ativos. Diagnosticar 
precocemente, tratar e reabilitar é fundamental para evitar a instabilidade crônica dos ligamentos.
2.5 Luxações 
A luxação envolve um deslocamento ou afastamento das extremidades ósseas de uma 
articulação, com perda do movimento articular. Frequentemente, ocorre após um trauma grave que 
rompe as inserções dos ligamentos. As articulações do ombro e acromioclavicular são as articulações 
mais acometidas por luxações. A maioria das luxações de ombro traumáticas são anteriores ou 
são eventos frequentes após uma lesão anterior, como a luxação ou subluxação. A subluxação é 
uma luxação parcial, em que as extremidades ósseas de uma articulação ainda estão parcialmente 
conectadas uma à outra. As luxações podem ser de origem congênita, traumática ou patológica. 
• Congênita
As luxações congênitas ocorrem no joelho e no quadril.
• Traumática 
As traumáticas podem ser decorrentes de quedas, golpes ou lesões rotacionais. No ombro e 
na patela as luxações podem ser tornar recorrentes, principalmente em atletas. As luxações se 
repetem com o mesmo movimento, porém cada vez é necessário menos força para causar dano.
• Patológica
A luxação patológica no quadril é uma complicação tardia decorrentes de infecções, artrite 
reumatoide, paralisia e doenças neuromusculares.
As luxações das articulações falângicas não são graves e geralmente são resolvidas através 
da manipulação. Punho e região mediotarsal são locais menos comuns de luxação, mas ocorrem 
com maior frequência em adultos jovens. Quando ocorrem, geralmente são decorrentes de 
força direta, como quando a queda ocorre sobre a mão estendida. O diagnóstico é respaldado 
pela história, exame físico e achados radiológicas. Os principais sintomas são dor, deformidade 
articular e limitação do movimento.
O tratamento será de acordo com a articulação acometida, mecanismo da lesão e lesões 
associadas, como a fratura. Quando a luxação não corrige de forma espontânea, geralmente 
necessita de manipulação ou reparo cirúrgico. Diversas opções cirúrgicas existem para evitar a 
recorrência das luxações da patela, do ombro ou do acromioclavicular. São precisas várias semanas 
de imobilização após um evento de luxação para permitir a cicatrização das articulações. Nas 
luxações que atingem o joelho, a cirurgia pode ser substituída por exercícios de fortalecimento 
isométrico do quadríceps femoral e uma tala temporária.
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2.6 Corpos livres
Os corpos livres são pequenos pedaços de osso ou cartilagem intra-articular. Podem ser 
decorrentes de um trauma articular ou em situações de desgaste da cartilagem articular (artrose), 
fazendo com que uma parte necrótica do osso se separe e flutue livremente. Os sintomas 
geralmente são dolorosos e geralmente levam ao travamento e bloqueio articular. Os corpos livres 
geralmente localizam-se no joelho, cotovelo, quadril e tornozelo. O pedaço solto frequentemente 
fica preso repetidamente em uma fenda articular, causando pinçamento da cartilagem saudável 
subjacente. Exceto que o corpo livre seja removido, pode resultar em osteoartrite e restrição do 
movimento. O tratamento requer remoção artroscópica. 
3 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS LESÕES 
ARTICULARES DO MEMBRO SUPERIOR
Diversas lesões podem acometer as articulações dos membros superiores, porém aqui vamos 
nos deter àquelas mais frequentes. 
3.1 Lesão do ombro e manguito rotador
O ombro é a articulação mais complexa do corpo humano, isso porque ela envolve uma 
série de articulações que permitem uma enorme amplitude de movimento. No entanto, toda 
essa mobilidade custa uma certa instabilidade à articulação. Essa instabilidade, associada com a 
sua posição, de certa forma exposta torna o ombro muito vulnerável a danos, como entorses e 
luxações e processos degenerativos, como transtornos do manguito rotador.
O ombro compõe-se de três ossos: a escápula, a clavícula e o úmero. A escápula se articula 
com o úmero através da cavidade glenoidal e com a clavícula através do acrômio, bem como com 
a caixa torácica. As fraturas de clavícula são uma das mais comuns entre as crianças. O mecanismo 
mais frequente de fratura é a queda sobre a lateral do ombro. Ele constitui-se de três articulações: 
a articulação acromioclavicular, a articulação esternoclavicular e a articulação glenoumeral. Uma 
série de músculos e tendões fornecem a estabilidade dessa articulação. 
As entorses da articulação acromioclavicular geralmente são resultantes de um golpe na 
parte superior do ombro, mas também ocorrem em situações de queda sobre as partes lateral 
ou posterior do ombro. A articulação mais afetada pelas luxações de ombro é a articulação 
glenoumeral. A luxação anterior da cabeça do úmero em relação à cavidade glenóide representa 
a luxação de ombro mais grave, geralmente resultante de abdução de ombro, forçadamente 
estendido e rodado. Outros mecanismos envolvem a queda sobre o braço estendido ou um golpe 
sobre o ombro posterior.
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Cada vez que movimentamos o ombro, há o envolvimento e a ação coordenada dos músculos 
do manguito rotador (supraespinhal, redondo menor, infraespinal, subescapular) e suas 
inserções musculotendíneas. Esses músculos são afastados do arco coracoacromial sobrejacente 
por duas bolsas, a subdeltóidea e subcoracoide. Essas bolsas, também denominadas de bolsas 
subacromiais, muitas vezes se comunicam e são afetadas pelas lesões do manguito rotador.
O manguito rotador, bem como outros grupos musculares, tem seu risco de lesão aumentado 
quando é preciso realizar uma função com alto estresse em um estado descondicionado. As lesões 
do manguito rotador e as disfunções de pinçamento podem resultar de uso excessivo, golpe direto ou 
lesão por estiramento, frequentemente envolvendo arremesso ou oscilação. As lacerações ou rupturas 
completas do manguito rotador geralmente ocorrem em pessoas jovens após um trauma grave.
Os distúrbios ocasionados por uso excessivo e degenerativo têm um início mais lento e são 
encontrados em idosos com ou sem história de trauma. Os tendões do manguito rotador se unem 
próximo de suas inserções nas tuberosidades do úmero formando o manguito musculotendíneo. 
A degeneração desses tendões pode ocorrer por diversos fatores, tais como microtraumas 
repetitivos, problemas na vascularização relacionadas ao envelhecimento ou instabilidade doombro com sobrecarga secundária do manguito.
Próximo da inserção tendínea, a degeneração é mais grave. O mais afetado é o supraespinal. 
Quando os movimentos do braço causam compressão e pinçamento dos tecidos existentes entre 
o úmero e o arco sobrejacente, pode haver dor e impacto. A tendinite grave também pode causar 
a ruptura parcial ou completa do manguito rotador.
Diversas manobras podem ser utilizadas no exame físico para auxiliar no diagnóstico do 
ombro. É importante analisar a história e o mecanismo de lesão. Podem ser utilizadas as 
radiografias tradicionais, artrografias, tomografias computadorizadas ou ressonância magnética. 
O exame artroscópico pode ser utilizado tanto para fins diagnósticos quanto para o reparo 
de lacerações graves. O tratamento conservador pode ser realizado com uso de agentes anti-
inflamatórios, injeções de corticosteroides e fisioterapia. Após um período em repouso, deve-se 
seguir um programa de exercícios e reabilitação personalizada para melhorar a força muscular, 
flexibilidade e resistência. Após a cirurgia para lesões de manguito rotador, a cicatrização do sítio 
cirúrgico ainda pode demorar de 6 a 12 meses para se concluir.
4 TERAPIA MANUAL NO TRATAMENTO DAS LESÕES 
ARTICULARES DE MEMBROS SUPERIORES
Independente da lesão, de uma forma geral, as lesões articulares caracterizam-se por um 
quadro inflamatório que causa dor, levando à perda da funcionalidade e, assim, da independência.
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4.1 Mobilização articular de ombro
Para realizar a técnica de deslizamento da capsula inferior, deve-se posicionar o paciente em 
decúbito dorsal e prender o braço do paciente posicionando o antebraço dele entre o braço e o 
corpo do fisioterapeuta. A mão caudal do fisioterapeuta segura o cotovelo em extensão e a mão 
cefálica deve estabilizar a escápula. Realizar a mobilização da cabeça do úmero inferiormente. 
Essa técnica é indicada quando há comprometimento no plano sagital da articulação, ou seja, na 
flexão e abdução de ombro.
Agora, você aprenderá a realizar a técnica de tração de ombro que é utilizada quando o 
paciente obteve evolução no tratamento identificado através da melhora da amplitude de 
movimento para a abdução de ombro. Primeiro, é preciso posicionar o braço do paciente em 90° 
de abdução, com o fisioterapeuta estabilizando esse braço da mesma forma descrita na manobra 
de “deslizamento da capsula inferior”. Realizar a decoaptação das estruturas, afastando o úmero 
da cavidade glenoidal.
4.2 Mobilização articular de escápula
Com o paciente em decúbito lateral, o fisioterapeuta deve posicionar sua mão caudal abaixo 
do ângulo inferior da escápula do paciente e a mão cefálica deve ser apoiada na região superior da 
articulação do ombro. Nessa posição, o fisioterapeuta deve realizar as mobilizações da escápula, 
conforme na figura a seguir.
Figura 2 - Mobilização articular de escápula 
Fonte: karelnoppe, Istock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma fisioterapeuta realizando a manobra de mobilização 
articular de ombro em uma paciente, uma excelente forma de soltar aderências escapulares.
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4.3 Mobilização articular radioulnar distal e rádio-cárpica
Com o paciente sentado com o braço apoiado sobre uma mesa, o fisioterapeuta estabiliza 
a região distal do rádio e ulna e mobiliza a região do carpo, no sentido anteroposterior. Nessa 
mesma manobra, é possível realizar a tração, fazendo o afastamento das estruturas do rádio e 
ulna e a primeira fileira dos ossos do carpo.
4.4 Técnicas miofasciais e manobras inibitórias
Nessa sessão, ensinaremos algumas técnicas que podem ser utilizadas tanto nos quadros 
dolorosos de membros superiores quanto inferiores. Vale lembrar que para tornar essa 
experiência mais confortável para o paciente, o fisioterapeuta deve ter suas unhas aparadas e 
não aplicar óleo ou hidratante, para favorecer a aplicação adequada da técnica.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
4.5 Pressão profunda
A pressão profunda, tal como o nome diz, requer a pressão digital mantida sobre um ponto-
gatilho durante 8 a 60 segundos. A pressão de um ponto pode ser aumentada tanto em termos de 
tempo de sustentação quanto em profundidade à medida que a sensibilidade à dor do paciente 
reduzir. Veja na figura a seguir um exemplo de massagem profunda.
71
Figura 3 - Massagem profunda 
Fonte: fotostorm, Istock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra como é feita a massagem profunda de pontos-gatilho 
localizados no bordo medial das escápulas.
4.6 Vibração
A vibração diretamente aplicada sobre um ponto-gatilho é indicada para liberar áreas que não 
cedem em resposta à digitopressão. Essa manobra ajuda a alterar a percepção da dor muscular 
ou articular por estimular os nervos circundantes. A vibração para liberação de um ponto-gatilho 
deve iniciar com uma compressão leve e adicionar um movimento trêmulo para baixo e para 
cima.
4.7 Stripping
Trata-se de um tipo de deslizamento profundo que segue por todo o comprimento da fibra 
muscular. Assim, o stripping deve ser aplicado durante toda a faixa tensa da região do ponto-
gatilho. Geralmente em torno de 10 sessões de stripping são capazes de aliviar os sintomas de 
fibrosite e de dor miofascial. Veja na figura a seguir uma monobra de stripping.
72
Figura 4 - Manobra de stripping de gastrocnêmios 
Fonte: gilaxia, Istock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra um fisioterapeuta realizando a manobra de stripping de 
gastrocnêmios em um paciente deitado. O profissional localiza a estrutura anatômica desejada, 
no caso os músculos gastrocnêmios, para só então realizar a técnica.
4.8 Inibição recíproca
Para realizar essa manobra, deve-se pedir para o paciente contrair a musculatura antagonista 
àquela que se deseja alongar, o fisioterapeuta deve resistir a essa contração de tal forma que a 
resistência à força do paciente vá cedendo de modo a atingir a amplitude desejada. Para tornar 
mais ilustrativo, imagine que você deseja alongar o bíceps femoral do seu paciente (músculos 
flexores de joelho). Para atingir a amplitude desejada, você deve pedir para ele realizar uma 
extensão de joelho contra a resistência manual do fisioterapeuta que deve ser gradual para que o 
paciente consiga atingir a amplitude-alvo do tratamento.
5 FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DAS LESÕES 
ARTICULARES DOS MEMBROS INFERIORES
Agora, abordaremos as principais lesões articulares encontradas em membros inferiores.
5.1 Lesões do joelho
O joelho é um local frequente de lesões, principalmente aquelas relacionadas com esportes 
nos quais o joelho é submetido a forças excessivas de torção e compressão. Tais forças podem 
causar lesões meniscais, subluxação e luxação de patela e condromalácia. Veja a figura a seguir 
para relembrar a anatomia do joelho.
73
Figura 5 - Anatomia do joelho 
Fonte: Viktoriia_P, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra a estrutura anatômica do joelho com seus respectivos 
nomes.
5.2 Lesões de menisco 
Os meniscos são placas de fibrocartilagem em forma de “C” que se sobrepõem entre os 
côndilos do fêmur e da tíbia. Cada joelho possui um menisco medial e um lateral. Nas margens 
externas, esses meniscos são mais espessos e vão afunilando até formarem bordas finas e não 
acopladas em sua margem interna. Em suas extremidades, eles se inserem firmemente na parte 
intercondilar da tíbia e são apoiados pelos ligamentos coronário e transverso do joelho. A função 
dos meniscos é suportar a carga e amortecer impactos. Eles também ajudam na estabilização 
do joelho, aprofundando o soquete tibial e mantendo o fêmur e a tíbia na posição correta. Os 
meniscos também colaboram na lubrificação das articulações, servindo como fonte nutricional à 
cartilagem articular do joelho.
As lesões de meniscos geralmente são decorrentes de uma lesão rotacional por um movimento 
de pivô súbito ou agudo ou um golpe direto no joelho. Geralmente estão relacionadas a outras 
lesões, como uma laceração do ligamento colateral anterior. O tipo e a localização da laceração 
de menisco são de acordocom a magnitude e direção da força que atua sobre o joelho e pela 
posição do joelho no momento da lesão.
As lesões de menisco são descritas pela sua aparência como bico de papagaio e alça de 
balde, por exemplo, ou pela localização como corno posterior ou corno anterior, por exemplo. 
O joelho com lesão tem como sinais o edema e a dor, principalmente nos casos de hiperflexão 
74
e hiperextensão. Um corpo livre pode comprometer a estabilidade do joelho, bem como causar 
seu bloqueio.
O diagnóstico é realizado através do exame físico e confirmado pela ressonância magnética. Às 
vezes é preciso uma radiografia para descartar a possibilidade de uma osteoartrite. Inicialmente, 
o tratamento das lesões de menisco pode ser conservador. Pode ser colocado no joelho um 
imobilizador removível. Também podem ser prescritos exercícios isométricos para fortalecimento 
de quadríceps. Geralmente, há uma restrição nas atividades até que haja a recuperação total 
dos movimentos. Quando há bloqueio persistente ou recorrente, derrame recorrente ou dor 
incapacitante, pode ser indicado uma meniscectomia.
Há perda de função do menisco devido à deterioração progressiva da funcionalidade do 
joelho. A cartilagem articular injuriada tem sua capacidade de cicatrização limitada devido a 
sua natureza pobre em vascularização e mobilização inadequada das células regenerativas. Há 
procedimentos cirúrgicos de reconstrução de menisco que buscam a preservação dessas funções 
antes do desenvolvimento de importantes alterações degenerativas, evitando a necessidade de 
substituição total da articulação posteriormente. 
5.3 Subluxação 
Tanto a luxação quanto a subluxação recorrente de patela são lesões frequentes em adultos 
jovens. Esportes que requerem rotação externa do pé e da perna com flexão de joelho, como 
esqui ou tênis, podem estressar a patela. Isso porque esse movimento exerce pressão em rotação 
sobre o joelho. Além disso, algumas variações congênitas de joelho também predispõem a essas 
lesões.
Quando ocorre uma luxação, geralmente o paciente refere uma sensação de patela 
“estalando”. Outras queixas são os falseios, edemas, crepitações, rigidez e redução da amplitude 
de movimento do joelho. O tratamento inicialmente envolve métodos conservadores, que 
incluem a imobilização com joelho em extensão, órteses, uso de agentes anti-inflamatórios e 
exercícios de fortalecimento isométrico do quadríceps femoral. Quando a cirurgia é necessária, 
envolve a redução e fixação interna ou remoção.
5.4 Condromalácia
Popularmente conhecida como amolecimento da cartilagem articular, é mais frequente na 
parte inferior da patela e atinge mais os adultos jovens. Pode ser provocada por uma subluxação 
recorrente da patela ou devido ao uso excessivo em atividades esportivas de alta performance. O 
sintoma relatado geralmente é dor, principalmente ao subir escadas ou se sentar com os joelhos 
flexionados. Eventualmente pode haver fraqueza do joelho. Veja na figura a seguir comparação 
de um joelho normal com um com condromalácia.
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Figura 6 - Condromalácia 
Fonte: Alila Medical Media, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra a ilustração de um joelho normal à esquerda e um joelho 
com condromalácia à direita. No joelho com condromalácia é possível obsevar que não há 
nenhum espaço articular entre a patela e o fêmur.
Dificilmente é possível diagnosticar a condromalácia patelar sem o uso de ressonância 
magnética e de artroplastia. O tratamento envolve repouso, exercícios isométricos e crioterapia 
após o exercício. Em casos graves pode ser removido cirurgicamente uma pequena parte da 
patela. Em casos de menor complexidade, a porção mole é raspada através do uso de uma serra 
inserida por meio de um procedimento de artroscopia. 
5.5 Lesões do quadril
O quadril é uma articulação do tipo elipsóidea na qual a cabeça femoral se articula 
profundamente no acetábulo. A parte proximal do fêmur envolve a cabeça, o colo e o trocânter 
maior. A anatomia vascular da cabeça do fêmur merece um olhar atento em qualquer disfunção do 
quadril. Os vasos intramedulares e as artérias retinaculares que emergem das artérias circunflexas 
femorais passam pela região intertrocantérica proximal para nutrir a cabeça do fêmur. Dessa 
forma, doenças ou lesões que comprometem a circulação podem inviabilizar a cabeça do fêmur e 
culminar com necrose avascular ou osteonecrose. Os distúrbios do quadril incluem as luxações e 
fraturas do quadril. Veja a figura a seguir para relembrar a articulação do quadril.
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Figura 7 - Articulação do quadril 
Fonte: Albina Glisic, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma ilustração da articulação do quadril. A cabeça do fêmur 
se encaixa no acetábulo para se articular, permitindo a movimentação dele.
5.6 Luxações do quadril
Geralmente resultam de um trauma grave no sentido posterior. Sendo mais frequentemente 
decorrentes de um golpe no joelho num dado momento em que o quadril e o joelho 
estão flexionados. Tal força leva a uma impulsão da cabeça femoral para fora do acetábulo 
posteriormente. As luxações anteriores são mais raras e resultantes, na maioria das vezes, de 
uma força sobre o joelho com o quadril abduzido.
A luxação do quadril representa uma emergência médica devido à grande tensão exercida 
sobre o suprimento sanguíneo, podendo resultar em necrose avascular. A redução precoce é 
fundamental para evitar essa complicação. Comumente a descarga de peso é limitada após a 
redução, para evitar que a luxação ocorra novamente e possibilitar que ocorra a cicatrização.
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Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
6 TERAPIA MANUAL NO TRATAMENTO DAS LESÕES 
ARTICULARES DE MEMBROS INFERIORES
Independente da lesão, de uma forma geral, as lesões articulares caracterizam-se por um 
quadro inflamatório que causa dor, levando à perda da funcionalidade e, assim, da independência. 
Dessa forma, a terapia manual é de fundamental importância no manejo desses pacientes.
Vamos praticar?
Convide um familiar, amigo ou colega para receber uma deliciosa sessão de terapia manual, 
aproveite para avaliar sua técnica perguntando quais as sensações experimentadas pelo seu 
“paciente”. Não se esqueça de manter o material teórico próximo de você para ir consultando 
detalhadamente a forma de aplicação. Boa prática!
6.1 Mobilização articular de quadril
Para realizar a técnica de deslizamento inferior, é preciso posicionar o paciente em decúbito 
dorsal com flexão coxofemoral e a perna apoiada no ombro do terapeuta. Com o bordo cubital das 
mãos, puxar o fêmur no sentido caudal. Essa técnica é muito indicada para o ganho de amplitude 
de movimento de flexão e abdução de quadril.
78
Para o ganho de amplitude na extensão de quadril, é preciso colocar o paciente em decúbito 
ventral, quadril estendido e coxa apoiada no seu braço caudal. O bordo cubital da mão cefálica 
do fisioterapeuta deve ser apoiado sobre a articulação coxofemoral do paciente e realizar a 
mobilização da articulação.
6.2 Mobilização articular de joelho
Nessa manobra, deve-se colocar o paciente em decúbito dorsal, quadril e joelhos flexionados 
com o pé apoiado sobre a maca. Estabilizar o pé do paciente com o joelho do fisioterapeuta ou 
se sentando sobre o joelho. Posicionar as mãos do fisioterapeuta envolvendo a articulação do 
joelho e realizar a mobilização semelhante ao movimento de abrir e fechar uma gaveta (anterior 
e posterior). Veja a manobra de gaveta anterior/posterior de joelho na figura a seguir.
Figura 8 - Manobra de gaveta anterior/posterior de joelho 
Fonte: AndreyPopov, Istock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra um fisioterapeuta aplicando a técnica de gaveta anterior/
posterior de joelho, que é uma técnica de mobilização articular de joelho.
Também é possível estabilizar um dos ossos, tíbia ou fíbula, e mobilizar o outro, realizando 
movimentos com o osso em questão.
FIQUE DE OLHO
É possível realizar uma outra variação da técnica de deslizamento inferior de quadril, 
basta posicionar o membro inferiora ser tratado do paciente em extensão e o membro 
contralateral em flexão. Segurar a articulação do tornozelo do paciente e realizar a manobra 
de mobilização puxando a perna do paciente no sentido caudal. Nessa manobra, há a 
mobilização do quadril e a tração do joelho.
79
6.3 Mobilização articular tíbio-tarsica
Com o paciente em decúbito dorsal, flexão de quadril e joelhos e dorsiflexão de tornozelo 
com o calcâneo apoiado sobre a maca, o fisioterapeuta deve estabilizar uma das mãos na região 
dos ossos do tarso do paciente e a outra mão posicionar na região anterior da tíbia e fíbula distal 
e realizar a mobilização no sentido anteroposterior.
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• aprender sobre os mecanismos de lesões articulares;
• conhecer os métodos diagnósticos de cada tipo de lesão;
• descobrir como é feito o tratamento de cada lesão;
• aprender a realizar as mobilizações articulares;
• aprender técnicas de mobilização miofascial.
PARA RESUMIR
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São 
Paulo: Manole, 2009.
MELLO, P. R.; MEIJA, D. P. M. Efeitos da utilização da técnica de crochetagem 
mioaponeurótica no tratamento da fascite plantar: revisão bibliográfica. Pós-graduação 
em Ortopedia e traumatologia com ênfase em terapia manual. Faculdade Ávila, 2015.
PEREIRA JÚNIOR, N. da S.; ALMEIDA, R. M. Manual de recursos terapêuticos manuais. 
João Pessoa: Editora da UFPB, 2016.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 4
Disfunções da coluna vertebral
Olá,
Você está na unidade Disfunções da coluna vertebral. Conheça aqui alguns aspectos 
estruturais da coluna vertebral. Compreenda a parte fisiológica e, assim, avançaremos 
nas disfunções que podem acometer os segmentos e como identificá-las através de 
uma correta avaliação postural. Várias ferramentas existem e estão à disposição do 
fisioterapeuta para chegar ao correto diagnóstico acerca da qual disfunção acomete seu 
paciente.
Bons estudos!
Introdução
85
1 DESEQUILÍBRIOS POSTURAIS
Conceitualmente, postura é definida como uma posição arranjada que o corpo assume para 
desempenhar uma atividade específica ou, ainda, simplesmente o alinhamento do corpo e sua 
orientação no espaço. Uma postura adequada é aquela onde as articulações que sustentam o 
peso estão alinhadas e um mínimo de ação muscular é necessária para manter a postura ereta.
O desequilíbrio relacionado com a postura tem como base as solicitações mecânicas (forças 
contrárias patológicas), que pode ser em: compressão, tração, rotação, torção, cisalhamento 
e impactação. Essas alterações podem acontecer em diferentes níveis, a saber: articulares, 
capsulares, osteoligamentares, musculares, tendíneos e aponeuróticos.
Independente da posição, o indivíduo sempre realiza uma força contra a gravidade para 
manter estável o centro gravitacional. Essa manutenção ocorre de forma reflexa pelo tônus dos 
músculos posturais ou automática, através das adaptações dos segmentos corporais que buscam 
o centro da gravidade.
1.1 Adaptação da postura à posição bípede
Na postura bípede, a cabeça é o centro de deslocamento do corpo; equilibra-se na região 
cervical, favorecendo a diminuição da sobrecarga dos músculos do pescoço e aumentando a 
amplitude de movimento articular. As reações corporais de retificação (relacionadas com a 
cervical e com o aparelho labiríntico) dizem respeito à posição da cabeça no espaço e representam 
as reações básicas do deslocamento e da noção de espaço corporal. Sendo assim, a sobrecarga 
é quase exclusiva da região cervical, ao mesmo tempo que não deixa de incidir sobre as demais 
regiões da coluna vertebral.
• Pelve 
A pelve e os membros inferiores trabalham para manter o equilíbrio dos membros superiores 
e o tronco. A gravidade, incidindo longitudinalmente, promove adaptação e dissociação das 
cinturas escapular e pélvica, favorecendo o equilíbrio do tronco e a liberação dos movimentos do 
esqueleto apendicular.
• Pés
Os pés, agentes desequilibrantes, em determinadas situações podem desencadear um 
desequilíbrio corporal ou então se ajustar às compensações que eventualmente outros segmentos 
corporais desencadeiam.
A adoção da postura bípede fez com que o homem adquirisse novas habilidades para controle 
dos movimentos, tornando-se capaz de realizar múltiplas tarefas. Basicamente, o controle postural 
86
na posição ereta é pré-requisito para a deambulação e necessita do alinhamento dos segmentos 
articulares que mantêm o centro de gravidade alinhado e dentro dos limites de estabilidade e a 
interação do sistema musculoesquelético e neuromuscular para garantir a relação sincrônica para 
uma postura adequada.
Algumas posturas, segundo Moffat e Vickery (2002) são relevantes para o desempenho das 
atividades de vida diária e se realizadas de forma incorreta e continuamente podem acarretar em 
prejuízo:
• Marcha
Para caminhar com uma boa postura, é necessário erguer a cabeça, posicionar ombros para 
trás, olhar no horizonte, tocar o chão primeiramente com o calcanhar e depois com o antepé. 
• Sentado
A cadeira deve ter uma altura de forma que os joelhos permaneçam a 90º e os pés fiquem 
apoiados no chão, evitar cruzar as pernas, ombros para trás e a coluna deve ficar reta apoiada 
na cadeira. 
• Levantar e transportar pesos
As queixas de dores na coluna, muitas vezes, são desencadeadas durante a inclinação anterior 
do tronco de forma inadequada. Por isso, é preciso adotar uma posição neutra com boa postura 
e cabeça ereta. É preciso colocar um dos pés um pouco atrás do outro e flexionar os joelhos para 
abaixar o corpo até o objeto. Trazer o objeto para perto do corpo e não inclinar o tronco.
• Equilíbrio do peso
Não carregar peso a mais de um lado do corpo em relação ao outro, como quando se carrega 
uma bolsa pesada sobre o ombro, pois poderá provocar um desalinhamento das costas e do 
pescoço para um lado. Distribua o peso em dois sacos menores, um para cada braço ou então 
opte por uma mochila. 
• Carregamento de mochila
Utilizar uma mochila para transportar peso, presa nos dois ombros. Comparando com outros 
métodos de transporte de peso, este reduz consideravelmente as chances de lesar a coluna, 
mesmo assim não se deve sobrecarregar a mochila. 
• Inclinação da cabeça
Não inclinar a cabeça para cima ou para baixo durante longos períodos, ambas as posições 
alteram a postura do pescoço.
87
1.2 Curvas secundárias 
Na vida intrauterina, a coluna possui curvatura em C, com a convexidade situada 
posteriormente. Ao nascimento, com o estímulo dos reflexos, há um aumento do tônus da 
musculatura posterior do pescoço, promovendo uma concavidade posterior nessa região. 
Essa curvatura acentua-se logo nos primeiros meses após o nascimento e é a primeira lordose 
vertebral.
Por sua vez, a lordose lombar tem seu surgimento mediante a passagem da criança da posição 
deitada para a ajoelhada com apoio, momento este que coincide com o início da extensão do tronco 
com anteroversão pélvica, acentuada pela manutenção do tronco na posição em pé com apoio.
2 ALTERAÇÕES POSTURAIS 
Os desvios que podem acometer a coluna vertebral classificam-se em idiopáticos quando 
são provocados por contraturas de partes moles, como músculos, fáscias e cápsulas. Efeitos 
mecânicos de tração, compressão e rotação impostos pelas partes moles também podem ser a 
causa de deformidades ósseas.
A importância da sua identificação, seja na forma acentuada ou persistente, reside no fato de 
que uma intervenção precoce (seja educativa ou propriamente uma intervenção fisioterapêutica) 
seria capaz de evitar a instalação de deformidades estruturais em função do grande poder 
adaptativo do sistema musculoesquelético. 
2.1 Alterações no joelho
Na fase de crescimento das estruturas ósseas, pode ocorrer deformidade em virtude da 
presença de desequilíbrio muscular afetando e alterando os desvios posturais. Especificamente, 
o joelho pode apresentar algumas deformidades como:
• Genoflexo
Nãoapresenta extensão total do joelho, tendo certa limitação, apresentando sua flexão.
• Genorecurvado
Apresenta hiperextensão do joelho, curvatura acentuada para trás.
• Genovaro
Quando o joelho apresenta leve curvatura à parte externa, conhecido também como pernas 
curvas ou de cawboy. 
88
• Genovalgo
Apresenta curvatura oposta ao genovaro, a curvatura é acentuada para o lado interno das 
pernas, fazendo com que os joelhos fiquem mais próximos um do outro.
2.2 Alterações nos pés
A sobrecarga e má distribuição de peso nas articulações podem provocar alterações 
consideráveis nos arcos plantares, comprometendo a absorção de impacto e a sua mobilidade. 
Conheça alguns tipos de desvios ocasionados nos pés:
• Plano ou chato
Relacionado com a diminuição do arco plantar, o pé mantém contato com o chão, encostando 
toda a sola. Esse tipo de desvio pode ser congênito ou adquirido e pode provocar outros desvios 
posturais como já citado nas pernas, que é o genovalgo.
• Cavo
O arco do pé está aumentado, sua origem é proveniente de doenças neurológicas, paralisia 
etc.
• Supinado ou varo
Associado a um joelho genovaro, caracteriza-se pela queda lateral do arco transversal e o 
tendão calcâneo torna-se varo.
• Pronado ou valgo
Associado ao joelho genovalgo, essa deformidade apresenta queda medial do arco transversal 
e o tendão calcâneo torna-se valgo.
• Convergente
Os pés são voltados para dentro, o hálux aproxima-se da linha medial e o calcâneo fica 
direcionado ligeiramente para fora.
• Abduto
Contrário do convergente, o hálux é direcionado para fora enquanto os calcâneos estão 
voltados para dentro.
Para diagnosticar esses desvios posturais, deve-se selecionar o plano em que o indivíduo será 
avaliado e obter um diagnóstico sucinto.
89
2.3 Avaliação postural 
O diagnóstico correto da etiologia da deformidade passa por uma boa avaliação do paciente 
e da deformidade. Deve ser documentada qualquer complicação decorrente da deformidade, 
como dor, insuficiência cardiopulmonar ou sintomas neurológicos.
Deve-se atentar para informações sobre a deformidade vertebral, história familiar, idade do 
paciente e maturidades fisiológica e óssea. O exame postural compreende três etapas que se 
completam: exame da forma, distribuição, alinhamento e equilíbrio corporal (utilizando o fio de 
prumo); avaliação muscular – atrofias e força muscular e avaliação radiológica. Além disso, três 
aspectos importantes devem ser documentados: deformidade, etiologia e complicações.
Idealmente, o paciente deve ser examinado com o mínimo de roupa possível; após a avaliação 
geral, que pode fazer suspeitar o diagnóstico etiológico, procede-se a avaliação postural e da 
curva propriamente dita. Pelo fato de a postura ser uma questão de ortostática indiscutivelmente, 
o paciente deve ser investigado em três posições: de frente, de costas e de perfil.
O que observar? Desvio da linha espondílea, descompensação do tronco com relação ao quadril, 
desnivelamento dos ombros e das escápulas, assimetria do triângulo do talhe, comprimento dos 
membros superiores, presença de dobras, altura das cristas ilíacas, comprimento dos membros 
inferiores, presença de manchas, contraturas e tumorações, prova de flexão lombar (usado nos 
programas de revisão escolar) para observar a formação de giba costal, revelando a presença de 
escoliose já com rotação vertebral e a formação de cifose patológica.
A mobilidade da coluna e a flexibilidade da curva são avaliadas na flexão lateral, extensão e 
flexão para a frente do paciente. Se existir dor, deve-se palpar cuidadosamente a área. Com o 
teste de inclinação para frente ocorre a correção da lordose, acontecendo desvio do tronco para 
um dos lados, sugerindo lesão irritativa, especialmente tumor de medula vertebral, hérnia de 
disco ou osteoma osteóide, que é a causa mais comum de escoliose dolorosa em adolescentes.
Tomografia computadorizada, mielografia, punção lombar, cintilografia óssea e ressonância 
nuclear magnética são exames indicados para o quadro de curva torácica esquerda, dor intensa, 
exame neurológico anormal e outros sinais de alerta, para melhor avaliação ainda no teste de 
flexão lombar. A formação de giba é um sinal característico de que a curva escoliótica é maior do 
que 10° e requer avaliação radiológica.
A presença de manchas “café com leite” faz suspeitar de neurofibromatose. Um bom exame 
neurológico é necessário em todos os pacientes para verificação do tônus, da sensibilidade, 
dos reflexos e da capacidade motora. A avaliação muscular é de extrema importância porque a 
verificação dos desequilíbrios musculares é essencial para planejar o tratamento de cada paciente. 
Os testes para verificação da força muscular e alongamento, por sua vez, são indispensáveis.
90
2.4 Avaliação postural com fio de prumo
A avaliação postural com fio de prumo é o teste mais básico dentro do mundo da avaliação 
postural e permite avaliar o quão longe o paciente está de sua postura padrão. Com este teste é 
possível visualizar a postura do paciente na posição em pé, utilizando o fio de prumo, uma linha 
em absoluta verticalidade, onde há um peso na ponta. O ponto na linha onde o fio de prumo é 
suspenso deve ser um ponto fixo padronizado. Na postura ortostática, o único ponto fixo são os 
pés do paciente, que contatam o solo, sendo que o ponto de referência do teste no fio de prumo 
está na base. Na vista lateral, o ponto de referência fixo é levemente anterior ao maléolo externo 
e representa o ponto ideal de alinhamento corporal. Na vista posterior, o ponto situa-se no meio 
do caminho entre os calcanhares e representa o ponto básico de alinhamento ideal do corpo.
Para começar o teste, o paciente é posicionado em pé atrás do fio de prumo. Após a localização 
do fio de prumo sobre esses primeiros pontos de referência, alguns outros pontos são utilizados 
para avaliar a postura e a localização deve ser abaixo do fio para que a postura seja considerada 
padrão, respeitando as individualidades de cada paciente. Caso o fio de prumo não coincida com 
algum dos pontos, pode-se dizer que o paciente apresenta um alinhamento defeituoso, ou seja, 
uma alteração postural.
Ao realizar a avalição postural com o fio de prumo, deve-se atentar para os segmentos corporais. 
No plano sagital deve-se observar a posição dos joelhos (normais, hiperestendidos ou fletidos), a 
posição da pelve (normal, anteroversão ou retroversão), e posição do tórax (normal, deprimido ou 
elevado). O fio de prumo também permite avaliar se há um desequilíbrio do corpo do paciente para 
frente ou para trás. Ainda, pode-se perceber uma eventual verticalidade, onde o fio, fisiologicamente 
deve descer por C7, cair no sulco interglúteo e passar à meia distância dos calcanhares.
2.5 Avaliação postural por imagem digital (fotogrametria)
A avaliação postural por imagem digital (fotogrametria) facilita a avaliação eficiente, não 
invasiva e de baixo custo. Essas avaliações são utilizadas para acompanhar o desenvolvimento de 
tratamentos osteopáticos e acompanhar as variações de maneira quantificada, conferindo maior 
confiabilidade para a técnica.
A proposta dessa técnica é obter imagens digitais de distintos segmentos corporais, 
registrando essas imagens e direcionando-as a uma interface para o correto processamento. A 
partir dos resultados coletados, pode-se confrontar os dados com os da goniometria, para fins de 
comparação e correlação, por exemplo.
Uma alternativa à fotogrametria é a biofotogrametria, uma combinação de recursos de 
fotografia digital com softwares que permitem a mensuração de ângulos e distâncias horizontais e 
verticais. Um programa conhecido e já reportado na literatura é o SAPO (Software para Avaliação 
91
Postural), de acesso gratuito e fácil pela internet, desenvolvido por pesquisadores da Universidade 
de São Paulo. Trata-se de uma ferramenta cuja fundamentação baseia-se na documentação de 
imagens marcadas e medidas para avaliação postural bidimensional. Por exemplo, o pacienteREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................57
UNIDADE 3 - Diagnóstico e tratamento das doenças musculoarticulares .......................................59
Introdução.............................................................................................................................................60
1 Fisiopatologia e diagnóstico das doenças musculoesqueléticas .......................................................61
2 Lesões articulares ou musculotendíneas ........................................................................................... 63
3 Fisiopatologia e diagnóstico das lesões articulares do membro superior..........................................67
4 Terapia manual no tratamento das lesões articulares de membros superiores ................................68
5 Fisiopatologia e diagnóstico das lesões articulares dos membros inferiores .....................................72
6 Terapia manual no tratamento das lesões articulares de membros inferiores ..................................77
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................80
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................81
UNIDADE 4 - Disfunções da coluna vertebral..................................................................................83
Introdução.............................................................................................................................................84
1 Desequilíbrios posturais .................................................................................................................. 85
2 Alterações posturais .......................................................................................................................... 87
3 Hiperlordose cervical ......................................................................................................................... 91
4 Dorso curvo ou hipercifose ................................................................................................................ 93
5 Hiperlordose lombar ....................................................................................................................... 94
6 Escoliose ............................................................................................................................................98
7 Retificação da coluna ........................................................................................................................ 102
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................105
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................106
Esta obra, intitulada Técnicas terapêuticas manuais, apresenta, além de conceitos 
triviais da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades.
Dando início, a primeira unidade, Terapia manual e postural: avaliação e tratamento, 
aborda as principais técnicas de terapia manual para trabalho postural, a adequada 
avaliação postural, e como identificar e localizar as disfunções osteomusculoarticulares 
por meio da técnica de palpação.
A segunda unidade, Manejo da pelve e da coluna vertebral, explica os principais 
testes utilizados para detectar disfunções, as técnicas que ser aplicadas no tratamento, 
as estruturas interligadas que desempenham um importante papel na locomoção, 
na sustentação do peso corporal e na posição bípede, e como avaliar corretamente e 
prescrever o tratamento para recuperar a função e reduzir o desconforto do paciente.
Na sequência, a terceira unidade, Diagnóstico e tratamento das doenças 
musculoarticulares, trata da fisiopatologia e do diagnóstico das lesões que mais 
acometem os membros superiores e inferiores, e a utilizar a terapia manual na 
reabilitação de pacientes.
Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Disfunções da coluna vertebral, 
discorre sobre alguns aspectos estruturais da coluna vertebral, as disfunções que 
podem acometer os segmentos, as ferramentas existem e estão à disposição do 
fisioterapeuta para o correto, o melhor manejo para o paciente, e mais.
Após a leitura deste livro na íntegra, o leitor vai compreender de forma efetiva as 
principais técnicas terapêuticas manuais.
Agora é com você! Sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
Terapia manual e postural: avaliação 
e tratamento
Olá,
Você está na unidade Terapia manual e postural: avaliação e tratamento. Conheça aqui 
as principais técnicas de terapia manual para trabalho postural. Aprenda como fazer uma 
adequada avaliação postural que lhe auxiliará na condução do tratamento adequado e 
eficaz. Aprenda também a identificar e localizar as disfunções osteomusculoarticulares 
por meio da técnica de palpação que será uma importante ferramenta de avaliação do 
seu paciente.
Bons estudos!
Introdução
11
1 INTRODUÇÃO À TERAPIA MANUAL E POSTURAL
A terapia manual é a área da fisioterapia que utiliza um conjunto de recursos terapêuticos 
manuais no tratamento de pacientes, diante de uma visão global do organismo. A maior parte 
dessas técnicas pode ser utilizada tanto como recursos diagnósticos quanto terapêuticos, 
beneficiando o paciente. Dentre tantos recursos manuais, destacam-se a massoterapia, a 
pompagem articular e muscular, a mobilização articular e tração, a inibição muscular, as técnicas 
miotensivas, a crochetagem, a massagem transversa de ciriax, mobilização neural e as posturais 
baseando-se nos conhecimentos da anatomia palpatória, biomecânica e cinesiologia.
As técnicas posturais geralmente utilizam só as mãos, quando utilizam algo mais, são no 
máximo elásticos, bastões, bolas de diversos tamanhos, calços e, no caso do RPG, uma maca 
especial onde o paciente fará as posturas para o trabalho de cadeias. No caso das técnicas posturais 
das terapias manuais puras, como o Maitland e a osteopatia, as mãos do terapeuta são seus 
únicos instrumentos de trabalho, necessitando de máxima precisão nos movimentos executados. 
As práticas posturais caracterizam-se pelo tratamento do paciente em sua individualidade, uma 
vez que cada indivíduo é diferente do outro e reage de forma distinta às diversas patologias.
A maioria dos distúrbios no sistema musculoesquelético caracteriza-se por alterações 
biomecânicas assintomáticas em um estágio inicial, podendo ser tratadas manualmente antes 
do surgimento dos sintomas. As técnicas baseiam-se nos princípios da artrocinemática e utilizam 
movimentos acessórios ou micromovimentos, influenciando diretamente na prevenção de 
processos degenerativos e inflamatórios.
As técnicas posturais podem ser utilizadas não só para distúrbios posturais e da coluna 
vertebral, mas também em casos de pés planos e cavos, joelho valgo e varo, joanetes, torcicolo, 
cervicalgia, dorsalgia, hérnias de disco, labirintite, artrites, artroses, bursites, tendinites, 
problemas respiratórios, estresse e problemas circulatórios.
Através do uso dessas técnicas, o fisioterapeuta também pode atuar com pacientes no leito 
hospitalar, auxiliando as mudanças de decúbito e o adequado posicionamento de estruturas 
osteomioarticulares e nas tarefas de transferências, com o intuito de minimizar agravos no 
quadro clínico desses pacientes. Os recursos terapêuticos manuais também podem ser utilizados 
em diversas outras áreas como a traumato-ortopedia, neurologia, dermatofuncional, desportiva, 
entre outras.
A prática das técnicas manuais tem inúmeros detalhes que são adquiridos progressivamente 
conforme a prática clínica. Essa prática é fundamental para que o estudante consiga se aperfeiçoar 
nas manobras e torne-se habilitado suficientemente para a aplicação das técnicas em seusé 
fotografado nas posturas de frente, perfil esquerdo e de costas. As referências ósseas servem 
como guias para calcular os ângulos articulares. Trata-se de uma avaliação confiável, de fácil 
aplicabilidade e com medidas consistentes.
2.6 Plataforma de força 
Através da plataforma de força é possível medir o eixo gravitacional no plano sagital. Na 
prática clínica, o emprego da radiografia é feito para situar o alinhamento vertical entre os corpos 
vertebrais. No entanto, com o advento tecnológico no meio biomédico, implementou-se essa 
nova técnica para estudar as influências posturais que o corpo humano sofre constantemente.
A plataforma de força, através do controle postural, estabelece a avaliação de três movimentos 
principais:
• rotação no eixo da articulação do tornozelo;
• balanceio pélvico no momento da caminhada;
• movimento global, com a influência segmentar entre as articulações dos joelhos, da 
cabeça e dos movimentos dos braços.
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3 HIPERLORDOSE CERVICAL
A coluna cervical é formada por sete vértebras e tem uma curvatura côncava na região posterior 
ao pescoço. Essa concavidade é chamada de lordose cervical e possui aproximadamente 20°; e sua 
92
acentuação é chamada de hiperlordose cervical. A hiperlordose cervical caracteriza-se pela projeção 
da cabeça à frente da linha dos ombros; simultaneamente ocorre sua extensão, na tentativa de 
realinhar a coluna. Essa disfunção está intimamente relacionada às posturas inadequadas e/ou às 
posturas do dia a dia, que solicitam a posição da cabeça em extensão continuamente.
Essa postura pode ser decorrente das atividades laborais, por exemplo, a falta de ergonomia no 
posicionamento de um monitor de computador acima da linha dos olhos, ou ainda em atividades 
esportivas, como ocorre com os ciclistas de velocidade, que mantêm a cabeça projetada à frente 
e em extensão, para favorecer a aerodinâmica junto com a bicicleta sem perder o campo visual.
A coluna cervical é responsável somente pela sobrecarga relativa da cabeça. A musculatura 
posterior do pescoço encurtada acaba tracionando a cabeça e/ou o pescoço para trás da linha 
dos ombros, visto que músculos como trapézio superior, semiespinhal da cabeça e do pescoço 
e esplênios da cabeça e do pescoço ligam a cabeça ou o pescoço ao tronco. Esses músculos, 
com tônus aumentado, podem favorecer, com o tempo, a instalação de uma deformidade óssea 
dessa região, permanentemente e de difícil tratamento. A deformidade instalada acentua a 
curvatura posterior do pescoço, sobrecarregando diretamente os espaços intervertebrais e, 
consequentemente, os discos intervertebrais localizados nessa região.
Com a redução dos espaços intervertebrais, as raízes nervosas podem ser afetadas, causando 
dores na região do pescoço (cervicalgias) ou até mesmo dores que irradiam para o membro superior 
(cervicobraquialgias). Sabendo que a maioria dos casos de hiperlordose cervical pode ser desencadeada 
por alteração que se inicia pela posição da cabeça, deve-se levar em consideração que alterações em 
segmentos inferiores também podem desencadear compensações oriundas de outros segmentos. Essas 
compensações podem ser provenientes das regiões da coluna torácica ou da lombar, mas também 
podem ser um processo longo de compensações que se iniciaram por alterações dos pés, por exemplo. 
3.1 Abordagem fisioterapêutica
A quiropraxia tem uma boa aceitação e apresenta bons resultados. Essa terapia age 
diretamente nas vértebras, alinhando-as e reduzindo a pressão entre os nervos, músculos e ossos. 
Quando já está instalada uma deformidade em hiperlordose cervical, o tratamento baseia-se no 
realinhamento da coluna, para que os sintomas que os pacientes relatam, como rigidez, dor no 
pescoço, fraqueza dos músculos dessa região e formigamento, possam ser sanados e resolvidos.
Para tanto, tem-se como opção essa terapia, que preconiza o alinhamento através da 
flexibilidade e força muscular. Exercícios corretivos são recomendados e, nesse mesmo raciocínio 
de tratamento focado em todo o sistema musculoesquelético, tem-se as estratégias do RPG, com 
alongamentos que trabalham no fortalecimento de toda a musculatura. Quando necessário e 
benéfico, o fisioterapeuta pode sugerir ao paciente o uso de órteses com o objetivo de manter 
ossos e articulações em seus lugares.
93
3.2 Uso da bola suíça como estratégia terapêutica
A bola suíça é um acessório muito utilizado na prática clínica. O exercício proposto com a 
utilização de uma bola suíça difere de outros exercícios resistidos porque tem a propriedade de 
recrutar os músculos responsáveis pela estabilização da coluna vertebral durante o movimento. 
Também foi demonstrada a segurança musculoesquelética. Corrêa e Bérzin (2007) propuseram 
um protocolo de tratamento composto por exercícios em bola suíça, com o objetivo de alongar e 
as cadeias musculares anteriores e posteriores e fortalecer os músculos estabilizadores da coluna.
Os exercícios são realizados em vários decúbitos e consistem em fortalecimento de músculos 
paravertebrais: 
Na posição prona sobre a bola (concha, extensão das costas com membros superiores fletidos 
ao lado da cabeça e com membros superiores abduzidos a 90°, extensão de membro inferior e 
superior de lados alternados).
Na posição ajoelhada com membros superiores estendidos sobre a bola (movimento da bola 
nos sentidos laterais direito/esquerdo e anterior/posterior). 
Para estabilização corporal, o programa inclui exercícios na posição sentada sobre a 
bola (movimentos alternados de rotação anterior e posterior da pelve, com variações nos 
movimentos dos membros superiores) e exercícios abdominais. Na posição supina sobre a bola, 
são enfatizados exercícios de alongamento (combinado a alongamento manual dos músculos 
escalenos, esternocleidomastóideo) e estabilização pélvica (ponte). Além disso, recomenda-se a 
associação com a reeducação do padrão respiratório por meio de estímulo manual diafragmático.
Esses exercícios são propostos para esse distúrbio, mas não se deve esquecer que eles podem ser 
adaptados e utilizados para tratamento de outros segmentos da coluna que se encontram em disfunção.
4 DORSO CURVO OU HIPERCIFOSE
A coluna torácica é formada por 12 vértebras que originam a curvatura convexa posterior à 
região do tronco. A essa curvatura dá-se o nome de cifose torácica e é formada na vida intrauterina, 
sendo, por isso, classificada como primária. Possui um padrão de aproximadamente 30° a 40° de 
convexidade posterior e seu aumento é classificado comumente como hipercifose, dorso curvo 
ou cifose patológica. O padrão postural dos pacientes acometidos por essa disfunção é variado. 
Aumentos dessa curvatura podem ocorrer na infância em consequência da desnutrição ou, ainda, 
de doenças que provoquem perda de massa muscular e geram distúrbios na sustentação das 
estruturas esqueléticas.
As posturas em atividades do dia a dia, como ficar horas à frente do computador, comer 
94
sempre no sofá, em frente à televisão e passar horas de estudo ou trabalho mantendo uma 
postura arcada, são fatores que determinam de forma importante o aumento da curvatura dorsal. 
São causas de alterações também o sedentarismo, as atitudes viciosas, a fraqueza muscular e até 
mesmo as atividades físicas intensas favorecem o desequilíbrio muscular.
Mesmo que essas alterações tenham um fator corporal como ponto de partida, são causadas 
pela falta de manutenção da musculatura antigravitacional, que se encontra descompensada por 
encurtamento e/ou por debilidade e fraqueza muscular de um ou mais grupamentos musculares. 
Músculos abdominais e dorsais debilitados e peitorais encurtados favorecem a manutenção 
desse biotipo característico do cifótico. Uma postura arcada constante é determinante para 
encurtamentos musculares e, consequentemente, para deformidades ósseas permanentes.
4.1 Exame físico na hipercifose
Facilmente pode ser observado o aumento da cifose torácica (assim como um aumento 
dalordose lombar). A cifose mostra perda de sua mobilidade e não se corrige completamente 
quando o paciente faz a hiperextensão torácica. A lordose lombar não é morfológica e, portanto, 
corrige-se quando o paciente flexiona o tronco. Algumas vezes, pode-se observar uma pequena 
escoliose, com discreta proeminência costal. Frequentemente há retrações musculares e 
contraturas, observadas especialmente nos músculos peitorais e isquiossurais, projetando a 
cintura escapular para frente e limitando a elevação da perna estendida.
4.2 Abordagem fisioterapêutica
A abordagem da disfunção através do RPG, focando na reversão da hipercifose torácica, 
traz inúmeros benefícios ao paciente e, quando bem executado previne sobrecargas aos demais 
segmentos vertebrais. Através do método Isostretching, que é uma ginástica postural global, 
pode-se trabalhar o fortalecimento da musculatura profunda, a melhora da flexibilidade muscular 
e mobilidade articular, o controle respiratório e a consciência corporal, demandando um trabalho 
de todo o corpo a cada postura e realizando as correções necessárias através do posicionamento 
da pelve, alinhamento da coluna vertebral e análise e correção das compensações.
5 HIPERLORDOSE LOMBAR 
A coluna vertebral tem relativa dependência às cinturas pélvica e escapular, o que a faz 
suscetível às alterações que ocorrem nesses pontos. Além de sofrer as variações de todo o 
desequilíbrio dos segmentos superiores do corpo, a coluna lombar sofre a ação direta da angulação 
pélvica, que é de cerca de 20°. Essas oscilações de equilíbrio ocorrem por causa de adaptações 
para a fixação dos membros inferiores e da ação de músculos que se ligam na pelve ou no tronco 
para agirem nos membros. Assim, todas as alterações de comprimento ou debilidades desses 
músculos acabam alterando o posicionamento pélvico.
95
A hiperlordose é assim denominada em função de um aumento da curvatura lombar 
acima dos ângulos considerados normais à lordose fisiológica, que fica em torno de 50°. Essa 
curvatura pode se acentuar em caso de aumento da obliquidade pélvica ou extensão do tronco 
posteriormente à linha de gravidade, posição essa que diretamente leva ao desequilíbrio de todo 
o corpo, independente da posição ser em pé ou sentada, porque desloca a ação da gravidade 
sobre o ponto côncavo da coluna, pressionando as apófises interespinhosas e ocasionando a 
redução dos espaços posteriores dos corpos vertebrais.
As posturas inadequadas, juntamente com a debilidade dos músculos antigravitacionais 
do tronco e/ou encurtamento de músculos da coxa que se ligam no quadril são as principais 
causas de hiperlordose lombar. Outro fator importante para as alterações lombares diz respeito 
à ação do músculo diafragma, que está fixo na segunda vértebra lombar e que, em situação de 
encurtamento, aumenta a lordose lombar e restringe a amplitude ventilatória.
Para além do diafragma, outros músculos contribuem para a hiperlordose através da 
anteroversão pélvica, a saber: reto da coxa, sartório, tensor da fáscia lata, iliopsoas, lombares e 
adutores, quando se encontram em grande contratura (com exceção do adutor magno).
Figura 1 - Coluna vertebral com lordose lombar 
Fonte: Barbosa et al., 2011.
96
#ParaCegoVer: A imagem mostra a coluna vertebral de um paciente com lordose lombar em 
ortostatismo medida pelo método de Cobb. Linhas tangenciais às plataformas superiores das 
vértebras limite L1 e S1 são traçadas. De acordo com os preceitos geométricos, o ângulo entre as 
duas vértebras (ângulo de Cobb) que corresponde à lordose lombar é o ângulo da intersecção das 
linhas perpendiculares às tangenciais traçadas.
Os principais retroversores, os abdominais, o glúteo máximo e os isquiotibiais são antagonistas 
verdadeiros e, portanto, equilibram as ações anteroposteriores da pelve.
5.1 Benefícios da Reeducação Postural Global (RPG) na hiperlordose 
lombar
Na hiperlordose lombar tem-se um ângulo lombar superior ao fisiológico, tendo como causa 
principal uma fraqueza muscular no entorno da coluna lombar. Em torno da metade do peso 
corporal se encontra em um equilíbrio estável sobre a coluna lombar, tornando a musculatura 
abdominal de grande importância para o equilíbrio dessa região. Nesse contexto, o tratamento 
dessa função com o RPG sobre as cadeias de tensão da musculatura com a utilização posturas 
de alongamento, em vez de exercícios de repetição, trata as cadeias musculares diagnosticadas 
como alteradas, tendo um efeito proprioceptivo sobre a postura.
Dentre as vantagens das posturas de alongamento, uma é que elas evidenciam as cadeias de 
tensão que causam o bloqueio em posição de desequilíbrio. A técnica de RPG trabalha o paciente 
de uma maneira global, das cadeias musculares que estão encurtadas ao desbloqueio de forma 
pessoal e quantitativa, e trata do sintoma à causa da lesão, que proporcionam o relaxamento 
respiratório e o reequilíbrio do tônus postural. As vantagens do método vão da abordagem não 
invasiva até a não haver efeitos colaterais.
Para determinar a escolha das posturas de RPG, é preciso um exame detalhado, que 
compreende a avaliação geral da estática do paciente, um interrogatório, manobras de correção 
das deformações ou das lesões em diversas situações de famílias posturais e dá preferência à 
postura na qual é mais difícil ou a que desencadeia dor. Sendo assim, esse método é qualitativo 
e progressivo, contando com a participação ativa do paciente e respeitando a regra da 
individualidade, ou seja, o limite de desconforto do paciente.
Na correção da hiperlordose lombar, os músculos abdominais e o iliopsoas desempenham um 
papel fundamental. Essa correção proporciona estabilização segmentar e conscientização postural, 
advinda do equilíbrio das cadeias musculares, que possibilita a adaptação e reestruturação dos 
segmentos corporais, além de ter um impacto importante na estabilização articular.
97
5.2 Benefícios de posturas estáticas no tratamento da hiperlordose 
lombar
Uma abordagem que também pode ser utilizada na no tratamento das alterações posturais, 
especialmente na hiperlordose lombar, são as posturas estáticas de alongamento. Essa prática 
baseia-se no alongamento isotônico excêntrico, permitindo que todas as cadeias musculares 
sejam colocadas sob tensão, evitando compensações e produzindo alongamento de todas as 
estruturas adjacentes. Sendo assim, o alongamento parece ser mais eficaz porque promove 
uma resposta viscoelástica nos tendões e estimula a síntese proteica. Como há uma tensão 
prolongada, admite-se que as moléculas de colágeno possam se organizar em série, enquanto as 
fibras de colágeno e os feixes conjuntivos se alongam, agindo na organização de todo o sistema 
(inclusive o linfático, cuja relação será detalhada a seguir).
Quando o tecido conjuntivo está sob tensão, apresenta uma alteração e pode tornar-se 
mais denso se submetido a estímulos repetitivos pela sua organização paralela, pela elastina e 
pelo líquido lacunar. Isso torna o tecido menos elástico, mais compacto e resistente, gerando 
alterações de outros sistemas, como o sistema linfático, que é composto por vasos cuja função 
está centrada na coleta de linfa do meio intersticial. A liberação desses vasos para passagem da 
linfa é facilitada pela movimentação dos tecidos na adjacência. Em caso de tensão desses tecidos 
adjacentes, com as fibras dispostas em paralelo, a propriedade de condução do tecido conjuntivo 
ficará alterada porque os capilares linfáticos não desempenharão adequadamente sua função 
pela diminuição do espaço lacunar, ocasionando acúmulo de líquido.
Dessa forma, o tensionamento do tecido conjuntivo pode ser visualizado em muitas 
patologias, inclusive na hiperlordose lombar. Durante uma minuciosa avaliação, pode-se eleger 
os pacientes que se beneficiam da técnica. A seguir, a descrição de um exemplo de postura de 
alongamento estático.
Postura de alongamento da cadeia anterior sem carga: os pacientes são posicionados em 
decúbito dorsal com os quadrisem flexão, abdução e rotação externa, os joelhos fletidos até 
completa aposição das plantas dos pés. Inicialmente, realiza-se pompagem lombar e sacral, com 
o objetivo de promover uma retificação da coluna lombar, seguida de uma pompagem na região 
cervical e, quando necessário, colocação de um suporte nessa região, com a finalidade de alinhar 
a coluna cervical. Para a manutenção da postura, a fisioterapeuta utiliza comandos verbais e 
contatos manuais para aperfeiçoar o alongamento e impedir compensações. Os pacientes são 
orientados a realizar a respiração diafragmática inspirando de forma suave e prolongada, com 
protusão do abdômen, e em seguida expirando de maneira prolongada, utilizando 2 tempos: o 
tempo 1 através da região superior do tórax e o tempo 3 através da região abdominal inferior.
98
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6 ESCOLIOSE 
As curvas fisiológicas da coluna são visualizadas de perfil; em uma vista anterior ou 
posterior, apresenta-se alinhada. Define-se escoliose como uma inclinação lateral da coluna com 
componente rotacional dos corpos vertebrais, sendo progressiva e incapacitante. Essa rotação 
pode originar-se da contratura dos músculos profundos do tronco que rodam as vértebras 
quando elas se inclinam. É fundamental diferenciar a escoliose com componente rotacional das 
escolioses posturais, originadas atitudes posturais incorretas e encurtamentos musculares, sem 
que apresentem componente rotacional.
As escolioses, segundo suas etiologias, são classificadas como: idiopática, congênita, 
neurofibromatosa e traumática. Sabendo-se da origem, fica muito mais fácil entender melhor as 
consequências que a escoliose pode ocasionar.
Como a coluna é um eixo equilibrado por 24 vértebras isoladas, mais sacro e cóccix (vértebras 
fundidas), quando um dos segmentos está fora do seu eixo, compensações secundárias causarão 
uma readaptação dos demais segmentos ascendentes e descendentes da vértebra primária. Essa 
explicação esclarece que, no que diz respeito às alterações corporais, tudo está interligado e 
nada isolado. Isto é, dificilmente uma escoliose que não é tratada precocemente se estabelece 
apenas com um ponto fora do eixo normal de alinhamento do corpo. Geralmente se apresentam 
associadas à retificação das curvas fisiológicas, tanto dorsal quanto lombar. Isso ocorre porque 
contraturas em extensão e rotação dos corpos vertebrais ocasionam uma rigidez osteomuscular 
da região escoliótica.
As escolioses geralmente são identificadas por meio de exame postural, mas a sua classificação 
quanto ao grau de inclinação e rotação é dada por exame radiológico em AP ou PA panorâmico 
99
de coluna. Os raios X detectam alterações conjuntas da coluna e, por meio do ângulo de Cobb, diz 
exatamente quantos graus possui cada curvatura.
Para o tratamento deve-se propor a periodização do tratamento específico sobre a curvatura 
lateral, analisar o padrão global de equilíbrio corporal pela detecção da causa desencadeante. 
Por exemplo, uma escoliose pode ser em decorrência de uma assimetria de comprimento 
dos membros inferiores, que leva a uma báscula lateral da pelve na tentativa de compensar a 
assimetria e, consequentemente, a uma inclinação lateral da coluna. Nesses casos, recomenda-
se a prescrição de palmilhas para correção, que por mais que não resolvam o problema, agem 
com efeito tampão para a deambulação, evitando a báscula da pelve e, consequentemente, 
prevenindo a interferência no alinhamento da coluna vertebral.
Muitas vezes, o problema pode ter tido início na parte superior do corpo. Uma postura 
inadequada no trabalho ou na escola pode favorecer os encurtamentos musculares e a elevação 
dos ombros. A princípio, seria somente um encurtamento de trapézio superior, mas como ele 
tem relação com a cabeça e com o tronco, pode-se ter em seguida uma tração da coluna do lado 
do encurtamento, levando a uma deformação da coluna em inclinação lateral. A ideia de padrão 
em cadeia define também que mesmo que a alteração tenha se iniciado na cintura escapular, 
desequilíbrios compensatórios favorecerão o surgimento de novas compensações, levando o 
fisioterapeuta a pensar em alternativas que provoquem efeitos tampões em pontos importantes 
do corpo (como a pelve e os pés) no intuito de estabilizar os demais segmentos corporais.
6.1 Orientação terapêutica 
O objetivo da conduta terapêutica é conseguir que o paciente adquira coluna o mais reta 
possível, equilibrada e estável. Em curvas discretas que são precocemente diagnosticadas, o 
objetivo é prevenir a evolução da deformidade. Em casos mais avançados, o objetivo é conseguir 
maior correção possível da curvatura, bem como a manutenção dessa correção. Em ambos os 
casos, prevenção ou correção, o tratamento pode ser cirúrgico ou não cirúrgico.
As curvas de Cobb são obtidas traçando-se linhas retas superiormente nas vértebras que estão 
acima da vértebra ápice e a partir desta e linhas inferiormente pelas faces das vértebras que estão 
abaixo. Algumas linhas são convergentes e outras divergentes. Procura-se por linhas convergentes 
FIQUE DE OLHO
Didaticamente, pode-se dividir a orientação acerca da terapêutica da escoliose em 3 
abordagens: curvas de até 20° Cobb: observação e controle de três em três meses; curvas 
entre 20° e 40° Cobb: órtese ou cirurgia precoce e curvas acima de 40° Cobb: cirurgia.
100
que determinam as vértebras limite superior e inferior, então, a partir disso, as linhas começam a 
ser divergentes em relação à anterior. Em seguida são traçadas retas perpendiculares a essas duas 
linhas e o ângulo da curva é encontrado.
6.2 A escoliose na perspectiva da fisioterapia
Para tratar a escoliose, primeiramente pensa-se em prevenção. Na doença moderada, o 
tratamento é baseado na prevenção da progressão da escoliose. Nessa fase do tratamento, tem-se 
a proposta de um programa de exercícios com revisões regulares e engloba a chamada escoliose 
menor (com ângulo Cobb inferior a 20º). A parte preventiva posteriormente torna-se terapia, através 
de um programa de exercícios específicos e cinesioterapia. Nessa fase, o objetivo é melhorar a 
capacidade neuromotora de acordo com as características da escoliose e do paciente. Os programas 
são pensados para melhorar as capacidades específicas dos indivíduos (equilíbrio e coordenação) 
na realidade do equilíbrio biomecânico (ou seja, movimento nos três planos espaciais).
• Prevenção secundária
Outro aspecto é a chamada prevenção secundária, isto é, tratamento com objetivo de 
prevenir a lesão subsequente à presença de um estado avançado da doença. Aqui o tratamento 
é pensado com o intuito de regredir a escoliose e, por isso, tratar a doença e a deficiência, para 
prevenir a limitação da atividade. 
• Prevenção terciária
A prevenção terciária, por sua vez, é entendida como reabilitação no sentido real. Essa é a 
fase típica da recuperação.
A intervenção da fisioterapia em pacientes com escoliose apresenta diversas abordagens, a 
saber: terapia manual (massagem); estimulação elétrica; ultrassons; mobilização, manipulação 
e tração manual; exercícios de alongamento, essencialmente, do lado da concavidade; e ativos 
isotônicos e exercícios para fortalecimento, especialmente do lado da convexidade (vários 
programas são sugeridos).
Os objetivos da terapia manipulativa da coluna e outros procedimentos fisioterapêuticos 
(estimulação eléctrica e exercícios) são relaxar, fortalecer ou alongar as estruturas 
músculotendinosas e/ou ligamentares. Além disso, também atuam para diminuir curvaturas 
escolióticas e fortalecer a fraqueza ou o desequilíbrio postural presente.
Nos últimos tempos, muitas abordagens de exercícios surgiram designadamente: os exercícios 
convencionais da fisioterapia, Pilates, abordagem científica dos exercícios para escoliose, terapia 
funcional individual para escoliose, reabilitação intensiva para escoliose, programa de exercícios 
fisiológico e estabilização lombo-pélvica.
101
Como coadjuvante no tratamento da escoliose,está o método Klapp, uma técnica antiga na 
clínica baseada no alongamento e fortalecimento da musculatura de tronco através da adoção 
da posição de gatas e joelhos semelhante ao que os quadrúpedes adotavam. Isso porque seu 
idealizar observou que os quadrúpedes eram isentos de serem acometidos pela escoliose, 
enquanto os bípedes, pela adoção da postura ereta, tinham a gravidade agindo e desenvolviam 
essa patologia.
Dessa forma, existe uma sequência de tratamento a ser adotada, a saber: relaxamento, 
engatinhar perto do chão, deslizamento horizontal, deslizamento lateral, engatinhar lateral, arco 
grande, virar o braço e grande curva.
• Exercício de relaxamento
Para a realização do exercício de relaxamento, o paciente é posicionado em decúbito dorsal, 
com quadril e joelhos semiflexionados e com as palmas da mão em cima da região diafragmática 
anterior. Recomenda-se a utilização da respiração profunda e lenta para que seja possível auxiliar 
na diminuição das tensões e preocupações. Os exercícios seguintes são realizados com o paciente 
na posição de gatas e joelhos, semelhante aos quadrúpedes. 
• Engatinhar perto do chão
No exercício de engatinhar perto do chão, o paciente fica apoiado nos cotovelos a 90º, os 
dedos e as mãos direcionados para frente, cabeça erguida, quadril e joelhos a 90º e realiza 
movimentos de hipercifose torácica e hiperlordose lombar. 
• Deslizamento horizontal
No exercício de deslizamento horizontal, o paciente, ainda de gatas, com o quadril e joelho 
a 90º de flexão, é orientado a estender o tronco e os membros superiores à frente sem tocar os 
cotovelos no chão, mantendo a cabeça erguida e a distância entre as mãos igual à largura dos 
ombros.
• Deslizamento lateral
No exercício de deslizamento lateral, o paciente desliza o tronco e os membros superiores em 
direção ao lado convexo da escoliose.
• Engatinhar lateral
No exercício engatinhar lateral, o paciente permanece na posição quadrúpede, com as mãos 
direcionadas interiormente, levando para frente o membro superior e para trás o membro inferior 
do lado da concavidade, mantendo a cabeça rodada para o lado da convexidade.
102
• Arco grande
No exercício arco grande, o paciente, também na posição quadrúpede, estende o membro 
superior e o membro inferior do lado côncavo em diagonal. O joelho e o cotovelo contralateral 
são mantidos aproximados. 
• Virar o braço
No exercício virar o braço, o paciente, ainda na posição de gatas, posiciona o membro superior 
do lado côncavo em extensão e abdução de 90º e realizava uma rotação do tronco acompanhado 
da cabeça também em direção ao lado da concavidade. 
• Grande curva
Por fim, no exercício grande curva, o paciente, na posição quadrúpede, realiza uma extensão 
do membro superior e do inferior do lado da concavidade.
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7 RETIFICAÇÃO DA COLUNA 
As quatro curvas fisiológicas da coluna vertebral favorecem a capacidade da coluna de resistir 
sobrecargas a ela imposta. Já o aumento dessas curvas e/ou o aparecimento de outras, prejudicam 
a dissipação dessas forças que atuam sobre ela. A retificação da coluna é fator importante para a 
análise das alterações posturais, pois a perda de uma curvatura em um dos segmentos da coluna 
ou até mesmo o não surgimento, levará à modificação do centro de gravidade do corpo, gerando 
sobrecargas em pontos específicos da coluna, em função da perda da dissipação das cargas.
Cita-se como exemplo de retificação que causa importante sobrecarga na coluna a retificação 
lombar. Ocorre, geralmente, em razão de uma retropulsão ou de uma retroversão pélvica, em que a 
103
linha de gravidade passa à frente dos corpos vertebrais, sobrecarregando os discos intervertebrais 
da região. Uma perda da lordose lombar causa sobrecarga aos discos intervertebrais dessa região, 
altera todo o cinturão toracolombar e, como consequência, causa deficit no equilíbrio estático 
e dinâmico. Os músculos abdominais sobressaem-se aos seus antagonistas, comprometendo a 
estabilidade pélvica. Os músculos retroversores encontram-se encurtados, causando alteração do 
alinhamento dos membros inferiores até os pés. O tronco também tem sua estabilidade perdida 
pelo desalinhamento da base, comprometendo os segmentos superiores.
A retificação pode ocorrer em qualquer segmento da coluna vertebral, por exemplo, a perda 
da lordose cervical ou a retificação da cifose torácica. As duas comprometem as estruturas 
corporais circunjacentes. A região lombar, diferente das outras, recebe a maior carga corporal e, 
para além disso, permite grande mobilidade, ao contrário do que é observado na região cervical, 
que sustenta apenas a cabeça, e da região torácica, que possui menos mobilidade. Não há 
possibilidade terapêutica conservadora de, mediante uma retificação, propor a formação de uma 
curvatura fisiológica em pessoas com formação óssea completa.
7.1 Impactos funcionais 
A retificação da coluna, em qualquer segmento, acarreta em uma sobrecarga em pontos da 
coluna. Essa má distribuição de cargas ocasiona episódios de dor. Essa queixa de dor não é somente 
porque a coluna encontra-se retificada, mas porque começam a surgir alterações compensatórias 
dos músculos, da coluna vertebral e dos discos. A retificação da coluna inevitavelmente reflete 
em uma mobilidade reduzida, sendo que em alguns casos o segmento até pode tornar-se rígido. 
Essa falta de mobilidade também acarreta em encurtamento muscular, fraqueza, que restringe 
os movimentos do tronco.
7.2 Abordagem fisioterapêutica
A abordagem engloba o reequilíbrio muscular a fim de minimizar as assimetrias. Maiores 
retificações são conseguidas mediante intervenção cirúrgica. É possível propor também os 
seguintes exercícios:
• Pilates
Com os exercícios que têm como base o método Pilates, pode-se trabalhar o condicionamento 
da musculatura do paciente de forma que se obtenha mobilidade e estabilidade que tanto 
necessita, mas que não esteja atrelada à dor, não tenha restrição de movimentos e, muito 
importante, não venha a desenvolver movimentos/posturas compensatórias permanentes. 
Após a correta e minuciosa avaliação, o fisioterapeuta deve direcionar os exercícios que melhor 
atendam às necessidades do paciente. A sequência definida deve ser progressiva e deve-se 
atentar para que o paciente não aumente a retificação durante o movimento.
104
• Cat Stretch
Para a mobilidade torácica também existem alguns exercícios que podem ser propostos. 
Um deles é o Cat Stretch. Basicamente, o exercício consiste no posicionamento do paciente em 
quatro apoios, e fará o movimento do exercício Cat Stretch. No entanto, em vez de mobilizar a 
coluna lombar, a tentativa será a mobilização da coluna torácica. Dessa forma, quando o paciente 
inspirar, ele levará o peito em direção ao chão, aproximando as escápulas ao mesmo tempo em 
que estende a coluna; e quando expirar, ele levará a coluna torácica para o teto, aproximando as 
escápulas e flexionando a coluna.
• Báscula
Para trabalhar a mobilidade da coluna lombar, também há uma proposta de exercício, e com 
base neste, outros tantos podem ser estimulados. No exercício denominado Báscula, o paciente é 
posicionado em decúbito dorsal, flexão de joelhos e quadril, coluna neutra e membros superiores 
ao longo do corpo. Quando for realizar a inspiração, a orientação é que faça a retroversão da 
pelve, tirando o cóccix do chão, e quando for expirar, faça a anteroversão, apoiando o cóccix no 
chão e tirando a lombar do apoio.
A sugestão para todos os exercícios é que conforme passa o tempo consiga-se progredir na 
dificuldade, mudando a posição, inserindo algum acessório e até orientando para a execução em 
domicílio.
As restrições relacionadas aos exercícios que os pacientes irão desempenhar vão depender 
das lesões associadas que o paciente já tem. Assim como qualquer outro exercício, não deve ser 
executado em caso de dor durante o movimento e, caso isso esteja acontecendo, é importante 
adaptá-los e ajustá-los. Por exemplo,em caso de hérnia de disco, deve-se encorajar o paciente a 
realizar exercícios que promovam a extensão da coluna e evitem a flexão do tronco. Na artrose, 
orienta-se poucas repetições dos exercícios e com desenvolvimento lento para evitar um estresse 
articular maior.
Como a retificação gera uma redução da mobilidade dos segmentos da coluna, deve-se 
sempre estimular a inclusão de exercícios para mobilidade dos segmentos em todos os planos de 
movimento, evitando que os exercícios estimulem e acabem por acarretar uma estabilidade da 
coluna em extensão.
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender as adaptações à postura bípede;
• conhecer algumas origens das disfunções posturais;
• aprender algumas formas de avaliação postural;
• conhecer as particularidades da hipercifose e seu tratamento;
• analisar as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo;
• aprender as particularidades da escoliose e seu tratamento;
• conhecer as causas e o tratamento da retificação dos segmentos vertebrais.
PARA RESUMIR
BARBOSA J.; FILIPE F.; MARQUES E.; SANCHO J. Lumbar Hyperlordosis. Revista da 
Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação. v. 20. n. 2. 2011.
CORRÊA, E. C. R., Bérzin F. Efficacy of physical therapy on cervical muscle activity and on 
body posture in school-age mouth breathing children. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 
71(10): 1527-35, 2007.
KISNER, C., COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5. ed. São 
Paulo: Manole, 2009.
MACIEL, M. A. S. et al. Posturas Estáticas de Alongamento no Tratamento da Hiperlordose 
Lombar: Relato de Casos. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. 16. 45-50, 2012.
MOFFAT, M.; VICKERY, S. Manual de manutenção e reeducação postura. Porto Alegre: 
Artmed, 2002.
PORTAL do projeto Software para Avaliação Postural [homepage na Internet]. São Paulo: 
Incubadora Virtual Fapesp. Disponível em: http://sapo.incubadora.fapesp.br/portal. 
Acesso em: 5 maio 2020. 
RIBEIRO, T. P.; RIBEIRO, V. Utilização do método Klapp no tratamento da escoliose: 
estudo de casos. Trabalho de conclusão de curso. Alfenas: Universidade José do Rosário 
Vellano. Curso de Fisioterapia. Departamento de Fisioterapia, 2002.
SCHILDT-RUDOLFF, K.; SACHSE, J. Coluna Vertebral – Terapia Manual: Exame e 
Tratamento de Alterações Músculo-Esqueléticas. 4. ed. Loures: Lusociência – Edições 
Técnicas e Científicas, Lda. 2003.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Técnicas terapêuticas manuais é um livro direcionado para 
estudantes dos cursos de fisioterapia e correlatos.
Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre 
avaliação e tratamento nas terapias manual e postural, manejo da 
pelve, manejo da coluna vertebral, diagnóstico e tratamento das 
doenças musculoarticulares, e disfunções da coluna vertebral.
Após a leitura da obra, o leitor vai saber as melhores técnicas 
de terapia manual; aprender a executar a avaliação postural; 
conferir os desequilíbrios musculares e suas repercussões no corpo 
humano; aprender as principais técnicas utilizadas em tecidos 
moles e articulações para tratamento dos distúrbios sacroilíacos; 
verificar as particularidades da coluna vertebral cervical, principais 
acometimentos, testes e técnicas usadas no tratamento das suas 
disfunções; conhecer os métodos diagnósticos de cada tipo de 
lesão; descobrir como é feito o tratamento de cada lesão; dominar 
as particularidades da hipercifose e seu tratamento; compreender 
as peculiaridades da hiperlordose lombar e seu manejo; analisar as 
particularidades da escoliose e seu tratamento, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
	Capa E-Book_Técnicas Terapêuticas Manuais_CENGAGE_V2.pdf
	E-Book Completo_Técnicas Terapêuticas Manuais_CENGAGE_V2.pdfpacientes.
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1.2 Pompagem articular e muscular
A pompagem consiste em manobras em que o terapeuta realiza uma distensão terapêutica na 
fáscia muscular associada a movimentos respiratórios. É uma técnica de fácil aplicação que traz 
benefícios quase imediatos aos pacientes. 
• Técnica
A pompagem deve ser realizada em três momentos, sendo eles: 1) Tensionamento do 
segmento a ser tratado que deve ser realizado de forma lenta, regular e progressiva; 2) 
Manutenção do tensionamento em torno de 10 a 20 segundos de acordo com o objetivo; 3) 
Retorno à posição inicial que também deve ser realizado de forma lenta. O tensionamento do 
segmento deve ser executado nas fases expiratórias do ciclo ventilatório.
• Objetivos
Reestabelecimento da elasticidade e comprimento das fáscias, relaxamento muscular, 
estimulação circulatória, aumento do espaço articular e nutrição das cartilagens.
• Indicação
Em casos de contraturas musculares não agudas, estase líquida, ou seja, quando não há 
movimento do líquido intersticial, encurtamentos e tensões musculares, dores musculares 
subagudas ou crônicas e disfunções miofasciais em geral. 
• Contraindicação
Nos casos de estiramento muscular ou ligamentar, contraturas musculares agudas e rupturas 
ligamentares e fasciais.
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1.2 Mobilização articular e tração
Para compreendermos os efeitos da mobilização articular e da tração precisamos recordar 
alguns aspectos fisiopatológicos das lesões. As lesões articulares caracterizam-se por um 
quadro inflamatório que gera dor, edema, calor local resultando em perda de movimento e, 
consequentemente, alterações funcionais. Assim, essas técnicas comumente são indicadas para o 
manejo das disfunções osteomioarticulares. Biomecânicamente falando, as articulações possuem 
dois tipos de movimentos. 
O movimento fisiológico é resultante das contrações musculares, concêntricas e excêntricas, 
que agem movendo um osso ou uma articulação, são também conhecidos por movimento 
osteocinemático.
O movimento acessório caracteriza-se pela forma na qual uma articulação desliza em relação 
à outra, também denominado movimento artrocinemático. 
Os movimentos acessórios envolvem o deslizamento, rolamento e giro, podendo ser 
classificado em:
• Hipomóveis, quando o movimento para em um ponto denominado barreira patológica, 
anterior à barreira anatômica. É causado por dor, espasmo ou resistência aos tecidos;
• Hipermóveis, quando o movimento ultrapassa a barreira anatômica devido à frouxidão 
das estruturas adjacentes, necessitando de tratamento com exercícios de fortalecimento 
que proporcionem a estabilização;
• Articulações normais. 
As mobilizações articulares baseiam-se nos princípios de Maitland, descritas em cinco graus, 
14
sendo que a aplicação é de acordo com o quadro clínico do paciente. Já a tração é baseada nos 
princípios de Kalterborn, apresentando três graus, que envolvem a mobilização de um segmento 
articular com o intuito de produzir alguma separação das duas superfícies. Na avaliação deve 
ser observada a prevalência de dor ou rigidez articular, para decidir qual é o grau de mobilização 
articular ou tração será aplicado.
• Técnica
Cada articulação possui suas peculiaridades e o aprimoramento da aplicação da técnica 
manual só é possível com a prática clínica. Amplamente falando, o fisioterapeuta deve estabilizar 
a parte proximal da articulação a ser trabalhada e mobilizar a outra. Juntamente com essa 
técnica é possível realizar a tração da articulação, que deve ocorrer no sentido longitudinal dela, 
tracionando-se a parte distal e mantendo o afastamento por alguns segundos e, após, retornar à 
posição inicial. Na mobilização articular, deve-se afastar e aproximar as estruturas repetidamente, 
no plano perpendicular das estruturas.
• Objetivo
Recuperar a amplitude de movimento ativo, restaurar os movimentos passivos articulares, 
reposicionar ou realinhar a articulação, readquirir a distribuição normal de forças e de estresses 
em torno da articulação e reduzir a dor.
• Indicação
Hipomobobilidade articular, dor articular, rigidez e limitação da amplitude de movimento.
• Contraindicação
Artrite inflamatória, doença óssea, comprometimento neurológico, fraturas ósseas e 
deformidades ósseas congênitas.
1.3 Mobilização neural
O sistema nervoso é uma unidade composta pelas estruturas do Sistema Nervoso Central 
e Sistema Nervoso Periférico. Como é um tecido contínuo, possui propriedades que favorecem 
o alongamento tecidual e movimentação, já que a função e a mecânica do sistema nervoso são 
interligadas.
Na avaliação cinético-funcional, o fisioterapeuta precisa identificar características relacionadas 
ao quadro clínico do paciente. Em relação ao quadro álgico, alguns testes são necessários para 
determinação da origem da dor que pode ser devido a disfunções articulares, musculares ou neurais.
Se o quadro clínico do indivíduo estiver relacionado a disfunções neurais, o exame deverá 
15
ser baseado no teste de força muscular da musculatura associada com os níveis dos miótomos, 
testes dos reflexos dos tendões, exame de sensibilidade (dermátomos) e testes de tensão neural, 
que serão importantes para conduzir o fisioterapeuta a um diagnóstico cinético-funcional mais 
preciso.
A avaliação clínica respaldada nos testes de tensão neural deve ser realizada cautelosamente, 
uma vez que é fundamental que o fisioterapeuta explique ao paciente como os testes serão 
conduzidos. Durante a realização das manobras, deve-se observar o início da resistência do tecido 
e a dor, buscando identificar as posições antálgicas para o paciente. Sempre lembrar de repetir 
cada teste em ambos os lados, até mesmo para que sirva de comparação do membro sadio com 
o membro a ser tratado.
• Técnica
A seguir descreveremos os testes de tensão neural de flexão cervical passiva (PNF), testes 
de tensão para membros superiores (ULTT) para nervos mediano, ulnar e redial, além de testes 
para o nervo ciático, tibial, sural e fibular comum e as técnicas para tratamento. O tratamento 
das disfunções neurais pode ser realizado através das técnicas de mobilizações oscilatórias, 
manutenção da posição estática e mobilização indireta.
• Objetivo
Melhorar a elasticidade neural, favorecendo a redução da dor e condução nervosa.
• Indicação
Disfunções neurais.
• Contraindicação
Doenças degenerativas, inflamatórias e malignas do sistema nervoso, estenoses extremas, 
sinais neurológicos com início abrupto ou progressivo, aderências do tecido neural e problemas 
cognitivos.
2 TESTES DE TENSÃO NEURAL
Os testes a seguir auxiliam o fisioterapeuta a identificar as disfunções causadoras do quadro 
clínico e assim estabelecer o tratamento mais adequado ao paciente. Alguns testes também 
podem ser utilizados como técnicas de tratamento.
• Flexão passiva da cervical (PNF)
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta coloca a mão na base do 
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occipital do paciente, realizando a flexão da cabeça. Se o paciente sentir dor ou alguma alteração, 
o fisioterapeuta pode utilizar esse teste como tratamento, mantendo o paciente nessa posição 
durante aproximadamente um minuto.
• ULTT para nervo mediano
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deprime o ombro do 
paciente, realiza flexão de cotovelo e abdução de ombro a 90°. Depois, estender o punho e dedos 
com rotação externa de ombro, supinação de antebraço e extensão de cotovelo. Finalmente, 
deve solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado contralateral. 
Para tratamento do nervo mediano, realizar a manutenção dessa postura de forma estática 
ou fazer mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. O 
tratamento também pode ser realizado ativamente orientando o paciente a abduzir e deprimir os 
ombros bilateralmente. Um dos punhos inicia em flexão e o outro em extensão. Então o paciente 
deveflexionar e estender alternadamente os punhos.
• ULTT para nervo ulnar
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). Deprimir o ombro e flexionar o cotovelo 
do paciente com o ombro em abdução de 90°. Depois, estender o punho e os dedos, rotar 
externamente o ombro com pronação de antebraço e flexão de cotovelo. Finalmente, deve 
solicitar que o paciente incline lateralmente o pescoço para o lado contralateral.
Para tratamento do nervo ulnar, manter a postura de forma estática ou realizando 
mobilizações oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para 
realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a realizar uma pinça entre os 1° 
e 2° dedos bilateralmente. Depois, o paciente deve posicionar a borda cubital das mãos sob a 
mandíbula, tentando posicionar o ângulo formado pelas pinças dos dedos (de forma invertida) na 
região dos olhos, como se fosse um óculos.
• ULTT para nervo radial
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve deprimir o ombro com 
flexão de cotovelo e pronação de antebraço. Depois, estender o cotovelo, flexionar o punho e os 
dedos com abdução de ombro. Finalmente, o paciente deve inclinar lateralmente o pescoço para 
o lado contralateral.
Para tratamento do nervo radial, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações 
oscilatórias do punho, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para realizar ativamente, 
o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha, posicionando-a na região da coluna 
e segurando-a com uma mão posicionada na parte inferior, próxima da coluna lombar, e a outra 
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mão superiormente próxima à coluna cervical, realizar flexão e extensão de cotovelos como se 
estivesse enxugando as costas.
• Nervo ciático
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do 
paciente com uma dorsiflexão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve flexionar a cabeça do 
paciente.
Para tratamento do nervo ciático, manter a postura de forma estática ou realizando 
mobilizações oscilatórias do tornozelo, realizando de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. Para 
realizar ativamente, o fisioterapeuta deve instruir o paciente a utilizar uma toalha apoiada na 
planta do pé, realizando mobilizações oscilatórias de dorsiflexão de tornozelo puxando a toalha.
• Nervo tibial
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril do 
paciente com uma dorsiflexão e inversão de tornozelo. Depois, o fisioterapeuta deve aduzir o 
quadril do paciente. Para o tratamento do nervo tibial, manter a postura de forma estática ou 
realizando mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. 
• Nervo sural
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril com 
uma dorsiflexão e versão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para o tratamento 
do nervo sural, manter a postura de forma estática ou realizando mobilizações oscilatórias do 
tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. 
• Nervo fibular comum
Posicionar o paciente em decúbito dorsal (DD). O fisioterapeuta deve flexionar o quadril 
com uma flexão plantar e inversão de tornozelo. Depois, aduzir o quadril do paciente. Para 
o tratamento do nervo fibular comum, manter a postura de forma estática ou realizando 
mobilizações oscilatórias do tornozelo, fazendo de 10 a 40 oscilações em 20 segundos. 
3 INIBIÇÃO MUSCULAR RECÍPROCA
A inibição recíproca refere-se às relações entre os músculos agonista e antagonista. Lembrando 
que o músculo que contrai é o agonista e o movimento resultante corresponde à musculatura 
antagonista, ou seja, estes se alongam para permitir a contração dos agonistas.
Quando os neurônios motores do músculo agonista recebem impulsos excitatórios a partir 
18
dos nervos aferentes, os neurônios motores que suprem os músculos antagonistas são inibidos 
através dos impulsos aferentes.
Assim, a contração ou o alongamento duradouro do músculo agonista gera um relaxamento ou 
a inibição do antagonista. Igualmente, um alongamento de curta duração do músculo antagonista 
favorece a contração do agonista. Trata-se de uma técnica baseada no alongamento pela técnica 
de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP).
• Técnica
Trata-se de contrair o músculo oposto ao encurtado, assim o fisioterapeuta deve posicionar o 
paciente de forma a alongar confortavelmente o músculo-alvo do tratamento mediante contração 
da musculatura oposta. Deve-se resistir ao movimento de tal forma a ir reduzindo sua resistência 
para que o paciente consiga ir ganhando amplitude. Para elucidar, utilizaremos como exemplo 
o bíceps femoral. Para alongá-lo devemos resistir à extensão de joelho e ir reduzindo essa 
resistência para que o paciente consiga ganhar amplitude, alongando reflexamente a musculatura 
flexora de joelho.
• Objetivo
Alongamento de músculo retraído que não consegue ser diretamente alongado devido à dor, 
um exemplo dessa condição são as câimbras. 
• Indicação
Prevenção de contraturas ou quando já estão instaladas, recuperação de amplitude de 
movimento fisiológica e mobilidade dos tecidos moles, aumentar a flexibilidade antes e depois 
dos exercícios de fortalecimento, prevenir ou reduzir os riscos de lesões dos músculos e tendões 
relacionados à atividade física e desequilíbrios musculares.
• Contraindicação
Bloqueios ósseos ou corpos estranhos, fraturas recentes, processos inflamatórios ou 
infecciosos agudos, dor aguda ou movimento articular ou alongamento, suturas cirúrgicas e 
hematomas.
3.1 Técnicas miotensivas
Trata-se de técnicas que aproveitam a força muscular para mobilizar uma articulação 
bloqueada. Após realizar uma contração, o músculo torna-se mais relaxado do que era antes 
da contração. Tal fenômeno é amplamente utilizado para aumentar a eficácia do alongamento. 
Primeiramente, deve ser feita uma avaliação cinético-funcional detalhada para localizar a 
articulação bloqueada.
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• Técnica
Após a adequada localização da articulação a ser mobilizada, em qual direção e em 
que direção, o paciente deve ser posicionado de tal forma que favoreça esse movimento. 
Imediatamente após, o fisioterapeuta solicita uma contração na direção oposta, devendo fixar a 
posição para que mesmo diante da força do paciente o movimento não ocorra (isometria). Após 
alguns segundos de contração, o terapeuta força a postura levando a uma mobilização lenta e 
controlada da articulação bloqueada.
• Objetivo
Mobilização de articulação bloqueada.
• Indicação
Mobilizações articulares que não requerem estímulo nervoso, mobilizações conjuntas 
nas quais as técnicas de alta velocidade não devam ser executadas após uma técnica de alta 
velocidade, quando ainda é necessário melhorar o movimento.
• Contraindicação
Quando a postura necessária para a mobilização articular seja dolorosa ou cause outro 
sintoma, como tontura.
3.2 Crochetagem
A crochetagem é um método de liberação miofascial que se utiliza de um instrumento 
metálico que apresenta uma curvatura na sua extremidade final (em formato de gancho), 
aplicado e mobilizado contra a pele, situados em profundidade e inacessíveis à palpação digital 
para tratamento das algias mecânicas do aparelho locomotor para a destruição das aderências e 
dos corpúsculos irritativos interaponeuróticos ou mioaponeuróticos.
• Técnica
Primeiramente, o fisioterapeuta deve fazer uma busca palpatória nas regiões adjacentes ao 
local da dor. Essa busca segue as cadeias lesionadas que estão em relação anatômica com a lesão. 
Isso é fundamental para evitar o aumento da dor pelo efeito rebote. Então, após a palpação 
da área a ser tratada, é feita a palpação com o gancho que permitirá localizar precisamente as 
fibras conjuntivas aderentes e os corpúsculos fibrosos. Depois, deve-se proceder realizando 
movimentos lentos no sentido anteroposterior. Nessa etapa, já é possível interpretar a resistência 
encontrada.Finalmente, realiza-se uma tração complementar através do gancho com o intuito de 
alongar ou romper as fibras conjuntivas que formam a aderência ou para deslocar ou achatar o 
corpúsculo fibroso.
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• Objetivo
Tratar as algias de origem mecânica do aparelho locomotor.
• Indicação
Aderências fibrosas que dificultam o movimento de deslizamento, a circulação sanguínea 
venosa e linfática; as aderências provenientes de traumas com derrame tecidual; as aderências 
consecutivas a uma fibrose cicatricial cirúrgica; as disfunções locomotoras; as nevralgias 
provenientes de irritação mecânica dos nervos periféricos e as síndromes tróficas dos membros.
• Contraindicação
Pele em más condições como aquelas hipotróficas, com ulcerações ou dermatoses; em 
situação de mau estado circulatório, apresentando fragilidade capilar sanguínea, reações 
hiperhistamínicas, varizes venosas e adenomas; paciente em uso de anticoagulantes.
3.3 Massagem transversa de Cyriax
Trata-se de uma técnica de massagem profunda que consiste em movimentos de fricção 
transversais às fibras do tecido envolvido. Através desses movimentos são liberadas as estruturas 
doloridas das aderências existentes e prevenindo a formação de outras devido a um aumento na 
maleabilidade tecidual.
• Técnica
Realizar a manobra de fricção transversal utilizando o dedo indicador apoiado pelo dedo 
médio ou ao contrário, o dedo médio apoiado pelo indicador estabilizado pelos outros dedos ou 
até o polegar com os demais dedos em contraposição. As manobras devem ser localizadas com 
duração de 3 a 5 minutos para lesões agudas ou até de 15 a 20 minutos para lesões crônicas. As 
regiões tratadas ficam sensibilizadas, mas ainda assim não é recomendado diminuir a pressão da 
manobra, apenas aumentar o intervalo entre as sessões, que pode variar entre dois e sete dias.
• Objetivo
Tratar aderências teciduais diminuindo a dor.
• Indicação
Cicatrizes antigas e imóveis, lesões musculares, tendinosas e ligamentares. As fricções 
transversais agem num maior aporte sanguíneo para os tecidos mal vascularizados, fazendo com 
que esses tecidos sejam mais bem nutridos.
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• Contraindicação
Processos infecciosos, doenças de pele, neoplasias ou tuberculose, lesões vasculares como 
tromboflebite e trombose venosa profunda.
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4 POSTUROLOGIA
Trata-se de um método de avaliação corporal global, que tem a finalidade de tratar e evitar 
desequilíbrios crônicos decorrentes dos desajustes posturais. Todos os seres humanos precisam 
de uma postura corporal estável e equilibrada para apoio, na qual movimentos voluntários e 
coordenados possam ser iniciados como parte das funções naturais. Postura é a posição que as 
distintas partes corporais têm em relação umas às outras:
• Postura ideal
Precisa ter equilíbrio entre as estruturas de apoio, com o mínimo de esforço e sobrecarga e 
com a máxima eficiência do corpo.
• Má postura
Refere-se a um processo de lesões motoras repetitivas resultantes de uma biomecânica 
deficiente que cria alavancas que causam várias cargas de trabalho para os sistemas articulares.
A Academia Americana de Ortopedia refere-se à postura como o equilíbrio musculoesquelético 
que favorece a proteção das demais estruturas do corpo contra traumas. A manutenção de 
uma postura adequada requer tônus e flexibilidade muscular adequados, já que os músculos 
necessitam agir continuamente contra a gravidade e em harmonia um com o outro. A contração 
dos músculos antagonistas é essencial para permitir as várias articulações do pescoço, dos 
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ombros e dos membros, que são responsáveis pelo suporte de peso do corpo e caracterizam a 
postura como um complexo sistema funcional.
O ser humano nunca está em total equilíbrio mecânico, uma vez que não possui um corpo 
estático ou rígido, mas busca constantemente seu equilíbrio. O controle da postura durante a 
deambulação, em pé ou sentado, demonstra a capacidade do indivíduo de manter o centro de 
pressão (CDP), que coincide com a projeção perpendicular do centro de gravidade (CDG), dentro 
dos limites de estabilidade, ou seja, bordas de uma área no espaço onde o corpo possa manter 
sua posição sem modificar a base de suporte.
Os limites de estabilidade não são fixos e mudam de acordo com as condições da atividade 
do sujeito, a situação do sistema musculoesquelético, os estados emocionais e os aspectos 
relacionados ao meio ambiente. Se a qualquer momento o CDP extrapolar os limites de 
estabilidade, a queda será inevitável, exceto se uma manobra de correção repentina for realizada. 
O sistema de equilíbrio evita quedas por meio de ajustes contínuos da postura em pé e reduz as 
influências desestabilizadoras, como a gravidade ou outros vetores de força.
Existem diversas estratégias para manutenção do equilíbrio, que variam de acordo com 
a intensidade do estímulo desestabilizador e impedem que o CDP extrapole os limites de 
estabilidade, como: a estratégia do tornozelo e a estratégia do quadril.
• Estratégia do tornozelo
Gira o corpo em torno da articulação tíbia-talar, resultando principalmente em esforços de 
direção anteroposterior.
• Estratégia do quadril
Concentra os movimentos em torno dessa articulação e é produzida quando a base de 
suporte é pequena e quando o CDG se move rapidamente em direção aos limites da estabilidade. 
Essa estratégia produz principalmente esforços de direção no meio lateral.
Vários sistemas auxiliam na manutenção e regulação dessa postura específica para cada um: 
a visão, o aparelho vestibular e a propriocepção plantar trabalham como sensores por meio dos 
quais as informações entram pela periferia e atingem o nível do sistema nervoso central (SNC). 
Favorecendo o reconhecimento e filtragem, além de nos conscientizar da posição adotada em 
todos os momentos, ao mesmo tempo, o SNC envia impulsos adequados à periferia, no nível do 
sistema musculoesquelético, em resposta à adaptação da postura de acordo com as necessidades 
de cada momento.
Para realizar esse “feito” neurofisiológico, o corpo utiliza fontes distintas, o ouvido interno 
é um dos elementos fundamentais. Se, em termos funcionais, o ouvido interno, incorporado na 
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massa petrosa, não é muito bem regulado, isso não se aplica aos pés e aos olhos. Esses elementos 
constituem os principais insumos do sistema, sendo que toda modificação do suporte no solo ou 
da convergência ocular terá repercussões na postura. 
No conceito de manutenção da estabilidade, o pé se torna a entrada plantar do sistema 
postural “fino”, que informa a posição do corpo em relação ao solo. Manipulando a entrada do 
pé, podemos modificar toda a postura do indivíduo. Isso é obtido modificando as informações 
recebidas dos apanhadores de pés. Os exteroceptores (barorreceptores, células de Paccini 
e Golgi), presentes na planta do pé, percebem variações na pressão. Já os proprioceptores 
(corpúsculos de Ruffini e Paccini, eixos neuromusculares e órgãos tendinosos de Golgi), presentes 
nas articulações, relatam angulação, velocidade e direção do movimento.
Quando há falha dos sensores e proprioceptores dos olhos, pés, vestíbulos e órgãos 
responsáveis pela transmissão de dados ao sistema nervoso, um trabalho adicional é feito pelo 
organismo para recuperar o equilíbrio, resultando em fadiga, dor lombar, dor cervical e lesões 
osteomusculares graves e outras disfunções fisiológicas. Testar a regulação do tônus postural 
ajuda o fisioterapeuta a compreender o mecanismo da lesão, fornecendo novas ferramentas para 
a abordagem do paciente.
A estabilometria verifica e quantifica as oscilações posturais do paciente em pé, em diversas 
situações, ajudando a compreender sobre seu equilíbrio e seu sistema postural; estudando a 
projeção na base do suporte, o centro de pressão associado ao centro de gravidade do corpo.
Após realizada uma minuciosa avaliação postural, o fisioterapeuta conta com diversas técnicas 
que atuam tanto na prevenção quanto na recuperação das disfunções posturais.As tabelas a 
seguir mostram uma sugestão de avaliação postural.
4.1 Tipos de posturas
Cada indivíduo possui suas peculiaridades posturais, porém, de forma geral, observamos 
quatro diferentes padrões posturais:
• Postura cifótica: Caracterizada por uma curvatura aumentada na parte torácica da coluna 
vertebral. Também apresenta outras peculiaridades, como projeção de queixo ou cabeça, 
hiperextensão cervical, abdução de escápulas, coluna torácica em flexão, reto do abdome 
proeminente e/ou tenso.
24
Tabela 1 - Avaliação postural em posição ortostática do corpo, vista posterior 
Fonte: Massey, 2012 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela de sete linhas e quatro colunas que apresenta 
as devidas observações a serem feitas de acordo com a estrutura anatômica avaliada em posição 
ortostática do corpo, vista posterior.
Dorso curvo ou postura relaxada: Caracterizado por quadris projetados para frente com 
inclinação anterior de pelve, lordose. Inicia com uma curvatura quase plana e finaliza com uma 
curvatura mais acentuada. A cifose torácica é maior e pode se alongar até a coluna lombar. Também 
apresenta cabeça projetada para frente, postura ligeiramente cifótica, glúteos encurtados ou 
fracos, joelhos hiperextendidos, isquiostibiais encurtados e fortes.
Tabela 2 - Avaliação postural em posição ortostática do corpo, vista lateral 
Fonte: Massey, 2012 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela de sete linhas e quatro colunas que apresenta 
as devidas observações a serem feitas de acordo com a estrutura anatômica avaliada em posição 
ortostática do corpo, vista lateral.
• Postura lordótica: Curvatura lombar exagerada, inclinação anterior da pelve, reto do ab-
dome, oblíquos externos, glúteos médio e máximo fracos, músculos isquiostibiais tensos, 
quadril em flexão, musculatura lombar e flexores de quadril fortes.
• Postura retificada das costas: Possui uma curvatura lombar reduzida, cabeça para frente, 
inclinação pélvica posterior, musculo reto do abdome e isquiotibiais encurtados e fortes, 
flexores do quadril fracos e alongados, joelhos hiperextendidos.
25
5 TÉCNICAS POSTURAIS
Atualmente, o fisioterapeuta conta com inúmeros métodos de trabalho postural, cabendo a 
ele definir as ferramentas que serão utilizadas, além de se especializar para o uso correto, uma 
vez que na graduação conhecemos de forma rasa cada uma delas, não tendo o tempo necessário 
para o adequado treinamento de cada uma. Sendo assim, abordaremos a seguir os métodos mais 
utilizados hoje.
5.1 Pilates
Trata-se de um método que integra todo o corpo, trabalhando isoladamente ou em conjunto 
cada parte corporal por meio da aplicação dos princípios de movimento e estabilidade. Cada 
exercício tem um objetivo ou foco muscular, como controle motor, flexibilidade, equilíbrio 
muscular, entre outros. As áreas trabalhadas vão sendo recrutadas em níveis progressivos 
diferentes para oportunizar ao paciente a construção da habilidade e construção que cada 
exercício vai requerendo. 
5.2 Reeducação Postural Global (RPG)
O RPG é um método baseado na teoria do “campo fechado”, que busca esclarecer as razões as 
quais fazem com que os seres humanos consigam se manter em pé para realizar seus movimentos. 
No conceito desse método, para o ser humano conseguir se manter em pé para realizar todas suas 
atividades cotidianas depende da harmonia entre as cadeias musculares estáticas e dinâmicas, 
as quais quando ativam e relaxam nos permite realizar tais movimentos com equilíbrio e força 
necessários.
O RPG, com suas posturas, permite que tais musculaturas atuem harmoniosamente, de forma 
global o que evita ou até recupera disfunções posturais e, assim, as dores e incômodos causados 
por ela.
5.3 Método hipopressivo
O método hipopressivo é uma técnica que trabalha com exercícios posturais e respiratórios 
associados a um ritmo de execução e metodologia de treino específica. O termo hipopressivo 
se refere à negativação de pressão nas três cavidades (torácica, abdominal e pélvica). Dessa 
forma, durante a execução das pautas posturais, além do controle postural, associa-se respiração 
controlada com vácuo abdominal. 
26
Quando foram criados eram destinados à recuperação pós-parto, porém logo depois começou 
a sofrer adaptações que o consagraram no meio fitness devido aos seus inúmeros benefícios, 
principalmente aos músculos estabilizadores do tronco (core abdominal).
5.4 Anatomia palpatória
Quando falamos em terapia manual, torna-se indispensável o conhecimento das técnicas de 
anatomia palpatória, uma vez que não basta ao fisioterapeuta saber tratar, antes é preciso saber 
diagnosticar e, para tanto, saber localizar e identificar as estruturas anatômicas é fundamental.
A palpação deve ser realizada no momento da inspeção, já que as estruturas inspecionadas 
são as mesmas que devem ser palpadas. Podemos palpar pele, tecidos, moles, subcutâneos, 
estruturas ósseas e articulares.
A palpação pode ser realizada com a ponta dos dedos ou com toda a mão para facilitar o 
processo de “sentir”, de acordo com o objetivo do fisioterapeuta. Toques mais leves são úteis 
para palpar tecidos superficiais e toques com maior pressão para músculos profundos e órgãos 
mais internos.
A palpação é uma ferramenta extremamente útil para o adequado tratamento do paciente. 
Na pele, por exemplo, devemos começar com toque leve, investigando a temperatura tecidual, 
presença de aderências, entre outras características, como dor, edema e crepitações. As tabelas a 
seguir mostram as estruturas palpadas de acordo com cada região corporal.
FIQUE DE OLHO
O método hipopressivo é uma das poucas ferramentas de trabalho postural com excelentes 
benefícios, tanto no mundo fitness como no tratamento clínico, uma vez que seus benefícios 
não incluem apenas melhoras posturais, mas também promovem prevenção e tratamento 
de diástase abdominal e incontinência urinária, redução de circunferência abdominal, 
melhoras na performance esportiva e na relação sexual, além de seus inúmeros benefícios 
ao trabalho puramente postural.
FIQUE DE OLHO
Dominar a arte da palpação depende de prática, então, apenas treinando e insistindo 
você conseguirá identificar as estruturas anatômicas por meio do tato. Quando os olhos 
são fechados, o envolvimento das mãos é ampliado devido à redução da entrada das 
informações de outros sentidos, aprimorando o uso do tato.
27
Tabela 3 - Guia de palpação anatômica (parte 1) 
Fonte: Massey, 2012 (Adaptado).
Tabela 4 - Guia de palpação anatômica (parte 2) 
Fonte: Massey, 2012 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra duas tabelas de oito linhas e cinco colunas cada que 
apresenta as estruturas anatômicas que devem ser palpadas de acordo com cada região corporal.
28
6 BIOMECÂNICA ÓSSEA 
O osso é um tecido vivo e dinâmico que tem como funções mecânicas sustentar e proteger 
outros tecidos corporais e atuar como um sistema de alavancas rígidas que podem ser mobilizadas 
pelos músculos que se inserem nelas.
Toda a força e resistência óssea a uma eventual fratura é dependente de sua composição 
material e da estrutura organizacional. Os minerais colaboram para a rigidez óssea e para a 
resistência à compressão, o colágeno contribui para sua flexibilidade e resistência à tração. O 
osso cortical é mais rígido e forte do que o osso trabecular, porém este tem maior capacidade de 
absorção a choques.
O osso é um tecido dinâmico que é modelado e remodelado continuamente, conforme a lei 
de Wolff. Os ossos crescem em termos de comprimento até que as lâminas epifisiais se fecham 
na adolescência, mas os ossos sofrem modificações de forma contínua em densidade, tamanho e 
formato por meio das ações dos osteoblastos e osteoclastos.
6.1 Biomecânica muscular
O músculo é um tecido elástico e extensível que responde ao estímulo e é o único tecido 
biológico que produz tensão.
A unidade motora é a unidade funcional do sistema neuromuscular, ela consiste em um único 
neurônio motor e todas as fibras que ele inerva.As fibras de uma unidade motora podem ser 
de contração lenta, rápida com resistência à fadiga ou rápida e rapidamente fatigável. Ambas 
as fibras (contração lenta ou rápida), estão presentes em todos os músculos humanos, porém 
a proporção dessa composição é variável. Nos músculos esqueléticos humanos, o número e a 
distribuição das fibras musculares podem ser determinados pela genética e ter relação com a 
idade. Em relação a sua organização, as fibras podem ser paralelas ou peniformes.
• A disposição peniforme permite a produção de força.
• O arranjo paralelo das fibras favorece o maior encurtamento muscular.
Os músculos respondem aos estímulos produzindo tensão. Quando outras forças estiverem 
agindo, a ação resultante poderá ser concêntrica, excêntrica ou isométrica. Dessa forma, o 
músculo poderá diminuir, aumentar ou manter seu comprimento durante essa ação. O sistema 
nervoso central atua fazendo o gerenciamento do recrutamento das unidades motoras de tal 
forma que a velocidade e a magnitude da produção de tensão muscular sejam de acordo com as 
necessidades da atividade.
29
Existe uma definição das relações entre o desenvolvimento muscular de força e a velocidade 
do encurtamento muscular, o comprimento muscular no momento do estímulo e o tempo a partir 
do início do estímulo. Quando um músculo é ativamente previamente alongado, sua produção 
de força é aumentada, isso se deve à contribuição extra dos componentes elásticos do músculo 
e da facilitação neural.
O desempenho muscular se traduz em força, potência e resistência muscular. A força é a 
capacidade de um grupo muscular produzir torque em uma articulação, a potência é a taxa da 
produção de torque em uma articulação e a resistência é a capacidade de resistir à fadiga.
6.2 Biomecânica dos membros superiores 
O ombro é a articulação mais complexa do corpo humano, possui quatro articulações diferentes 
atuantes nos movimentos. A articulação glenoumeral é esferóidea frouxamente estruturada, 
nela a amplitude de movimento é substancial e pouco estável. A articulação esternoclavicular 
promove pouco movimento dos ossos da cintura escapular, clavícula e escápula. Os movimentos 
da cintura escapular favorecem o adequado posicionamento da articulação glenoumeral em 
diferentes movimentos umerais. Movimentos mínimos também são permitidos nas articulações 
acromioclavicular e coracoclavicular.
• Articulação umeroulnar
Gerencia a flexão e a extensão do cotovelo. Nas articulações radiulnares proximal e distal 
ocorrem os movimentos de pronação e supinação do antebraço.
• Articulação condiloide
Entre o rádio e os três ossos do carpo permitem o movimento do punho que incluem flexão, 
extensão, flexão radial e ulnar.
• Na mão, as articulações carpometacarpal do polegar, metacarpofalângicas realizam a 
maior parte dos movimentos e nas articulações interfalângicas os gínglimos.
6.3 Biomecânica dos membros inferiores
O membro inferior tem como principais funções a sustentação de peso e locomoção. O 
quadril é uma articulação do tipo esferóidea típica, que realiza flexão, extensão, abdução, adução, 
abdução horizontal, adução horizontal, rotação medial e lateral e circundução permitidas.
• Joelho 
É uma articulação complexa composta por duas articulações elipsóideas lado a lado. Os 
meniscos medial e lateral facilitam o encaixe entre as superfícies articulares dos ossos e ajudam 
30
a absorver as forças transmitidas por meio da articulação. Muitos ligamentos cruzam o joelho 
limitando sua mobilidade. Neles, os movimentos realizados são a flexão, extensão e mínima 
rotação da tíbia, apenas quando está em flexão. 
• Tornozelo 
Constitui-se das articulações da tíbia e da fíbula com o tálus, sendo uma articulação do tipo 
gínglimo que é reforçada lateral e medialmente pelos ligamentos. Os movimentos do tornozelo 
são a dorsiflexão e a plantiflexão. 
• Pé
É composto por vários ossos pequenos e suas articulações, os movimentos dessa articulação 
são a inversão e eversão, abdução e adução, flexão e extensão dos dedos do pé. 
6.4 Biomecânica da coluna e pelve
A coluna vertebral compõe-se de 33 vértebras que se dividem em cinco regiões: cervical, 
torácica, lombar, sacral e coccígea.
A coluna cervical, torácica e lombar possui segmento móvel, que são os pares de vertebras 
adjacentes e seus tecidos moles interpostos. Três articulações conectam as vertebras de cada 
segmento móvel. Os discos intervertebrais têm a função de amortecer o impacto nas articulações 
vertebrais que sustentam o peso.
Os músculos do pescoço e do tronco são nomeados em pares, um de cada lado do corpo. 
Esses músculos trabalham realizando a flexão e/ou rotação lateral do tronco quando agem 
unilateralmente e a flexão ou extensão do tronco quando agem de forma bilateral.
As forças atuantes sobre a coluna vertebral incluem o peso do corpo, a tensão nos ligamentos 
vertebrais e a tensão nos músculos circundantes, a pressão intra-abdominal e qualquer carga 
aplicada externamente.
A coluna vertebral atua como caixa protetora da medula espinal, por isso as lesões vertebrais 
são tão graves. 
7 DESEQUILÍBRIOS MUSCULARES E SUAS 
REPERCUSSÕES
Os desequilíbrios musculares referem-se à diferença de força e flexibilidade entre grupos 
musculares que agem sobre uma mesma articulação. Geralmente, isso acontece quando um 
31
grupo muscular está mais forte, encurtado ou tensionado que seu antagonista.
O equilíbrio do corpo é totalmente relacionado ao sistema nervoso central, ao feedback 
sensorial das estruturas osteoligamentares e ao controle da musculatura ativa. Dessa forma, 
quando ocorre uma disfunção, o resultado é a instabilidade, que de alguma forma será 
compensada pelo corpo. Para compensar esses desequilíbrios musculares, os músculos mais 
utilizados tornam-se mais fortes ou encurtados em detrimento dos seus antagonistas que se 
tornam mais fracos.
Diversos são os fatores contribuintes e agravantes dos desequilíbrios musculares. Um deles é 
o desalinhamento postural resultante de uma alteração do posicionamento das estruturas ósseas. 
Também há sobrecargas excessivas em algumas articulações, ligamentos ou outras estruturas que 
corroboram para as lesões agudas ou até mesmo crônico-degenerativas.
Como explicação para os desequilíbrios musculares, também temos as causas secundárias 
como uma lesão antiga, como em lesões traumáticas e neurológicas que muitas vezes trazem 
como consequência a inibição ou facilitação das contrações de determinados músculos. Um 
desequilíbrio muscular dificilmente é percebido na sua fase inicial, sendo percebido apenas 
quando se iniciam seus quadros álgicos e/ou deformidades.
32
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer as melhores técnicas de terapia manual;
• conhecer as principais ferramentas de trabalho postural;
• aprender a fazer avaliação postural;
• aprender sobre biomecânica óssea e muscular;
• aprender sobre a biomecânica da coluna, pelve e extremidades;
• aprender sobre os desequilíbrios musculares e suas repercussões no corpo humano.
PARA RESUMIR
HALL, S. J. Biomecânica Básica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 5. edição. São 
Paulo: Manole, 2009.
MELLO, P. R.; MEIJA, D. P. M. Efeitos da utilização da técnica de crochetagem mioaponeu-
rótica no tratamento da fascite plantar: revisão bibliográfica. Pós-graduação em ortope-
dia e traumatologia com ênfase em terapia manual. Faculdade Ávila, 2015.
MASSEY, P. Pilates: uma abordagem anatômica. Barueri: Manole, 2012.
PEREIRA JÚNIOR, N. S.; ALMEIDA, R. M. Manual de recursos terapêuticos manuais. João 
Pessoa: Editora da UFPB, 2016.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 2
Manejo de pelve e coluna 
Olá,
Você está na unidade Manejo de pelve e coluna. Conheça aqui os principais testes 
utilizados para detectar disfunções e quais técnicas podem ser aplicadas no tratamento 
clínico. Compreenda a estrutura e função do quadril, quais são os testes diagnósticospara a articulação sacroilíaca, bem como as técnicas para tratamento de disfunções dessa 
articulação. Conheça a estrutura da coluna cervical e como realizar avaliações dessa parte 
do corpo, pois as duas estruturas estão interligadas e desempenham um papel importante 
na locomoção, na sustentação do peso corporal e na posição bípede.
Bons estudos!
Introdução
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1 QUADRIL
Em virtude de sua localização central, as forças provenientes dos membros inferiores são 
transmitidas para cima por meio dos quadris, para a pelve e para o tronco durante a marcha 
e outras atividades dos membros inferiores. Os quadris também suportam o peso do tronco, 
cabeça e membros superiores. 
1.1 Estrutura e função do quadril
A cintura pélvica, também chamada de cíngulo do membro inferior, une o membro inferior 
ao tronco e tem um papel importante na articulação do quadril e nas articulações vertebrais. Os 
ossos da articulação do quadril constituem na região proximal da pelve e do fêmur, conforme 
pode-se observar na figura a seguir. Estruturalmente, a pelve e o fêmur são apropriados para dar 
apoio ao peso e transmitir as forças através das articulações do quadril.
Figura 1 - Articulação do quadril 
Fonte: KISNER; COLBY, 2009 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra a ilustração de uma pelve composta por seus ossos: púbis, 
ísquio e ílio. O fêmur e o sacro, a sínfise púbica e a articulação objeto de estudo, a sacroilíaca.
A articulação sacroilíaca é uma articulação sinovial, estável, com componentes móveis e 
fibrosos. Uma vez que a função dessa articulação é a estabilização pélvica, ajuda a prevenir a 
mobilização excessiva. Existem vetores de forças que são paralelos, mas não estão na mesma 
direção nem no mesmo eixo, de forma que o peso da cabeça e do tronco são direcionados 
verticalmente ao sacro. Uma pessoa que está completamente em apoio monopodal, 100% da 
carga é direcionada à articulação sacroilíaca, ao passo que estando em apoio bipodal, o peso está 
distribuído 50% em cada perna.
38
A cintura pélvica é constituída para resistir às tensões provocadas pelo peso do corpo e 
pela vigorosa musculatura. Compreende dois ossos: o ílio superiormente e o sacro (o ísquio 
inferiormente e o púbis anteriormente). Os ossos púbicos estão unidos anteriormente pela sínfise 
púbica
Para melhor compreender o conteúdo, é necessário retomar o estudo biomecânico da cintura 
pélvica em cinemática (estudo do movimento de partículas e corpos rígidos no espaço) e cinética 
(estudo das forças que produzem, param ou modificam o movimento dos objetos).
A articulação sacroilíaca é responsável pelo movimento do tronco e dos membros inferiores, 
tendo dois movimentos:
• Nutação é a movimentação do promontório sacral para frente, havendo inclinação ante-
rior da região superior do sacro. 
• Contranutação é o oposto, o movimento para trás do promontório sacral, havendo incli-
nação posterior da região superior do sacro.
Para que ocorra a rotação anterior do inominado, o indivíduo deve fletir para frente o tronco 
(quando ele se senta a partir da posição de decúbito dorsal), havendo uma rotação da cintura 
pélvica como um todo sobre os fêmures. 
• Rotação anterior unilateral 
A rotação anterior unilateral ocorre durante a extensão do membro inferior, representando o 
mesmo que a contranutação do sacro. 
• Rotação posterior 
A rotação posterior do inominado ocorre bilateralmente durante a extensão do tronco 
(havendo a rotação da cintura pélvica como um todo sobre os fêmures). 
• Rotação posterior unilateral
A rotação posterior unilateral ocorre durante a flexão do membro inferior, representando o 
mesmo que a nutação do sacro. 
Em pessoas jovens, a articulação sacroilíaca geralmente é móvel, mas com o passar da idade 
tornam-se progressivamente rígidas.
Músculos e ligamentos têm uma função muito importante na estabilização da articulação 
sacroilíaca. Em alguns estudos utilizando traçados de eletromiografia, foi observado que a 
fraqueza de determinados músculos ou grupos musculares ocasionava certa instabilidade na 
região, o que posteriormente acarretava dores lombares. Além disso, observou-se que em alguns 
39
pacientes com queixas de dores na articulação sacroilíaca o traçado mostrava um atraso na 
contração de alguns músculos considerados importantes na estabilidade local.
Sabe-se que não existe um único músculo ou grupo muscular responsável pela articulação, 
o que existem são cerca de 40 músculos que podem influenciar o movimento articular. O sacro 
move-se quando a coluna vertebral muda de posição e o ilíaco quando as extremidades inferiores 
alteram sua posição.
1.1 Disfunção sacroilíaca
As disfunções da articulação sacroilíaca podem ser classificadas em três classes a saber: 
• Subluxação 
Definida como uma luxação posterior do ilíaco sobre o sacro. 
• Rotação 
Acontece quando há um desequilíbrio muscular axial e apendicular, uma vez que o mecanismo 
lombopélvico excede o seu potencial de adaptação. 
• Exacerbação 
É uma disfunção decorrente de uma assimetria articular, quando o plano articular encontra-
se excessivamente anteromedializado ou póstero-lateralizado. 
As articulações sacroilíacas estão livres. Os movimentos dos dois ilíacos seguem as direções 
impostas pelo movimento, por isso, uma tensão pode levar o ilíaco a uma rotação anormal.
As disfunções dessa articulação estão relacionadas com o exagero dos movimentos fisiológicos 
do ílio em relação ao sacro. Os membros inferiores são responsáveis pelos mecanismos lesionais. 
Uma lesão que ocorre posteriormente é acompanhada por espasmos dos músculos espinhais 
lombares, iliopsoas, glúteo máximo e piriforme. Os sinais clínicos de tais lesões incluem: perna 
FIQUE DE OLHO
A certeza é que uma articulação sinovial, componente da sacroilíaca, tem como função 
principal o movimento. Se, por algum motivo, a articulação é impedida de realizar 
movimentos normais, inicia-se um ciclo disfuncional com implicação em todos os tecidos 
circunjacentes. A consequência é a hipomobilidade, dor, espasmo muscular e, finalmente, 
os tecidos acabam adaptando-se à condição disfuncional.
40
encurtada homolateral, espinha ilíaca póstero-superior baixa e posteriorizada; espinha ilíaco 
anterossuperior mais alta e posteriorizada, sulco profundo e sínfise púbica alta. 
2 TESTES DIAGNÓSTICOS PARA A ARTICULAÇÃO 
SACROILÍACA
Conceitualmente, o diagnóstico osteopático utiliza-se de três preceitos: a assimetria das 
estruturas do sistema musculoesquelético, a amplitude de movimento de uma articulação 
e a alteração de textura que os tecidos podem apresentar. Por outro lado, testes irritativos 
podem ser empregados pelo fisioterapeuta com fins provocativos e avaliativos dos movimentos 
artrocinemáticos, objetivando encontrar dor ou alguma alteração de mobilidade da articulação.
A testagem da sacroilíaca é desafiadora por alguns motivos: os testes acabam movimentando 
outras articulações, a quantidade relativamente pequena de movimento articular é difícil de 
ser mensurada. O difícil acesso à articulação acaba sendo um empecilho, uma vez que pode 
deixar dúvidas sobre aspectos clínicos relevantes correspondentes às disfunções sacroilíacas. 
Uma disfunção da articulação sacro-ilíaca leva a uma diferença no comprimento dos membros 
inferiores, torção e obliquidade pélvica e aumento da dor ao sentar.
2.1 Testes provocativos
Os testes provocativos são manobras que provocam tensão na articulação sacroilíaca e, por 
consequência, provocam dor. Infelizmente não são específicos, no entanto apresentam boa 
confiabilidade e boa reprodutibilidade para uso clínico. Os testes de Patrick e de Gaenslen são 
exemplos bem conhecidos e serão detalhados a seguir.
• Teste de Patrick 
Também chamado de Fabere. O paciente fica posicionado em decúbito dorsal com o membro 
inferior em posição de flexão, abdução e rotação externa, de maneira que a posição forme um 
quatro. O teste permite o estresse da articulação sacroilíaca do lado em que o membro inferior 
está posicionado.O fisioterapeuta pressiona o joelho ipsilateral para baixo e faz uma pressão 
contra a espinha ilíaca anterossuperior da pelve do lado contralateral. Se houver relato de dor 
ispilateral durante o teste, é considerado positivo.
• Teste de Gaenlsen
A posição do paciente é em decúbito dorsal na beira da maca com os joelhos abraçados. O 
fisioterapeuta fica ao lado da maca e solicita que deixe o membro inferior pendendo para fora. 
A posição final do teste ocasionará uma rotação da articulação sacroilíaca no lado testado. Se o 
paciente referir dor na região posterior, é considerado positivo.
41
2.2 Testes de mobilidade
Os testes de mobilidade baseiam-se nas alterações de uma referência que podem surgir em 
movimentos padronizados. Esses testes têm baixa confiabilidade, por isso seu uso é sugerido com 
cautela. São exemplos de testes de mobilidade o teste de Gillet e o teste de rotação de quadril.
No teste de Gillet, o paciente deverá ficar em pé. O fisioterapeuta palpa a crista ilíaca postero-
superior (EIPS) do lado que se quer testar com uma mão e o processo espinhoso de S2 com 
a outra mão. O paciente deve flexionar o quadril a 90º. O examinador deve sentir movimento 
inferior e lateralmente da EIPS em relação ao sacro. O teste é considerado positivo quando esse 
movimento for ausente. O examinador deve, então, comparar esse lado com o lado oposto. Um 
método alternativo para o presente teste é palpar ambas as EIPS ao mesmo tempo e comparar 
a posição final. Ao realizar o teste, o fisioterapeuta objetiva avaliar a limitação de mobilidade na 
região sacroilíaca.
No teste de rotação de quadril, a posição do paciente é sentada e o movimento que irá 
realizar é a abdução e a adução. O fisioterapeuta posiciona-se atrás do paciente de modo que 
consiga palpar com as mãos as espinhas ilíacas póstero-superior. Espera-se que na abdução (ou 
rotação externa), as espinhas ilíacas se juntem e na adução (rotação interna) se afastem.
O teste de Downing é o mais utilizado para verificar a rotação anterior e posterior dos ilíacos, 
através de uma rotação externa e interna do quadril respectivamente. Sendo utilizado para 
determinar se o osso ilíaco está bloqueado em posterior, o que deixa o membro mais curto ou 
em anterior, deixando o membro mais longo. A correção dessas alterações dá-se pela técnica de 
thrust, para normalização anterior ou posterior.
O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com os membros inferiores em extensão. O 
fisioterapeuta deve pedir para que o paciente faça flexão de 90º da coxa, eleve a pelve da maca 
e retorne (para equilibrar/neutralizar a pelve). O avaliador faz extensão dos membros inferiores 
passivamente e marca e toma contato na borda inferior dos maléolos mediais para buscar verificar 
o comprimento dos membros inferiores. Depois, passivamente, realiza abdução e rotação interna 
da coxa do paciente e retorna.
Nessa manobra, espera-se que o membro inferior que está sendo testado encurte. Após essa 
manobra de encurtamento, o avaliador deve novamente palpar os maléolos mediais e verificar se 
ocorreu ou não o encurtamento esperado.
Reequilibrar/neutralizar a pelve e logo após, passivamente, realizar adução e rotação externa 
da coxa do paciente e retorna. Nessa manobra, espera-se que o membro inferior que está sendo 
testado alongue-se. Após a manobra de alongamento, o avaliador deve novamente palpar os 
maléolos mediais e verificar se ocorreu ou não o alongamento esperado.
42
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3 TÉCNICAS PARA TRATAMENTO DE DISFUNÇÕES 
DA ARTICULAÇÃO SACRO-ILÍACA
Veremos a seguir as técnicas de disfunção da articulação sacro-ilíaca tanto de tecidos moles 
como técnicas articulares.
3.1 Tecidos moles 
• Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco anterior em decúbito dorsal
O paciente fica em decúbito dorsal, com o membro inferior do lado da disfunção com flexão 
de 90º da coxa. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para a pelve do 
paciente. Sua mão cefálica contata a articulação sacroilíaca e sua outra mão contata a região 
proximal da tíbia do paciente. Inicialmente, o fisioterapeuta busca uma barreira levando o ilíaco 
no sentido da rotação posterior, até que se perceba esse movimento com a mão cefálica. Ao 
encontrar a barreira, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente e pede que realize 
contrações isométricas (3 a 5 segundos) empurrando seu joelho no sentido da extensão da coxa. 
Ao final de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a amplitude de rotação posterior o ilíaco 
até que alcance uma nova barreira. A técnica é considerada finalizada quando não houver mais 
amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para 
que isso ocorra.
• Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco anterior em decúbito lateral
O paciente é posicionado em decúbito lateral contralateral à disfunção, com membro inferior 
do lado a ser tratado em flexão. O fisioterapeuta fica em pé à altura da coxa do paciente, com 
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uma mão (a posterior) na articulação sacroilíaca e a outra mão (anterior) controlando o joelho do 
paciente. O paciente repousa o pé sobre a pelve (EIAS) do fisioterapeuta e o ilíaco é conduzido em 
rotação posterior (flexão do quadril), até que a mão do fisioterapeuta perceba essa mobilidade. 
Em seguida, o fisioterapeuta pede ao paciente que realize contrações isométricas (3 a 5 
segundos), empurrando seu joelho no sentido da extensão da coxa. Ao final de cada contração, o 
fisioterapeuta estimula o aumento da amplitude de rotação posterior do ilíaco até que uma nova 
barreira seja sentida. A técnica finaliza-se quando não houver mais amplitude para aumentar 
após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra.
• Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco posterior (Mitchell)
O paciente é posicionado em decúbito ventral. O fisioterapeuta fica em pé, na altura da pelve 
do paciente, contralateral à disfunção. Uma de suas mãos (a superior) faz contato na espinha 
ilíaca póstero-superior do paciente e a outra mão (a inferior) sobre a região anterior e distal da 
coxa do paciente. Em um primeiro momento o fisioterapeuta deve encontrar uma resistência (ou 
barreira) na rotação anterior do ilíaco, levando a coxa em extensão até que a mão perceba essa 
mobilidade. Ao encontrar a resistência, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente 
e orienta para que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em flexão do quadril – levando 
a coxa no sentido da maca. Ao final de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a resistência da 
extensão do quadril do paciente. A técnica é finalizada quando não houver mais amplitude para 
aumentar após as contrações. Igualmente, são necessárias 3 a 5 contrações para que isso ocorra.
• Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco em rotação lateral
O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com o membro inferior do lado da disfunção 
com flexão. O fisioterapeuta fica em pé, do lado a ser tratado, de frente para a pelve do paciente. 
Uma das mãos faz contato na articulação sacroilíaca. A outra mão faz contato com a região lateral 
do joelho do paciente. Primeiramente, o fisioterapeuta deve encontrar a resistência (barreira) de 
rotação medial do ilíaco, levando a coxa do paciente medialmente até que a mão perceba essa 
resistência. Ao encontrar a barreira, o fisioterapeuta estabiliza o membro inferior do paciente e 
pede que realize contrações isométricas (3 a 5 segundos) em abdução do quadril – levando a coxa 
no sentido lateral. No fim de cada contração, o fisioterapeuta aumenta a resistência (barreira) 
em rotação medial do ilíaco (adução do quadril). A técnica finaliza-se quando não houver mais 
amplitude para aumentar após as contrações. Geralmente são necessárias 3 a 5 contrações para 
que isso ocorra.
• Técnica de energia muscular para disfunção de ilíaco em rotação medial 
O paciente é posicionado em decúbito dorsal,

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