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Fisiologia Faculdade AtenasFaculdade Atenas

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## Resumo sobre o Neurônio do Sistema Nervoso Central (SNC) e a Transmissão SinápticaO neurônio é a unidade funcional básica do Sistema Nervoso Central (SNC), que contém mais de 100 bilhões dessas células. Cada neurônio recebe sinais aferentes por meio de sinapses localizadas principalmente nos dendritos e no corpo celular, podendo ter até 200.000 conexões sinápticas aferentes. O sinal eferente é transmitido por um único axônio, que pode se ramificar para diversas regiões do sistema nervoso ou para a periferia do corpo. Uma característica fundamental da maioria das sinapses é a condução unidirecional do sinal, do axônio do neurônio pré-sináptico para os dendritos do neurônio pós-sináptico, garantindo que a informação siga o caminho correto para a execução das funções nervosas.O sistema nervoso possui uma parte sensorial, que inicia suas atividades a partir da excitação dos receptores sensoriais (visuais, auditivos, táteis, entre outros), e uma parte motora, que controla as respostas do corpo por meio dos efetores, como músculos esqueléticos, músculos lisos e glândulas. A informação sensorial é transmitida ao SNC por nervos periféricos e distribuída para múltiplas áreas, incluindo a medula espinal, formação reticular, cerebelo, tálamo e córtex cerebral. O controle motor é realizado tanto pelo neuroeixo motor esquelético, que regula a musculatura esquelética, quanto pelo sistema nervoso autônomo, que controla músculos lisos e glândulas. As regiões inferiores do SNC são responsáveis por respostas automáticas e reflexas, enquanto as superiores comandam movimentos complexos e deliberados, integrados a processos cognitivos.### Processamento e Integração da Informação no SNCO sistema nervoso processa a informação aferente para gerar respostas mentais e motoras adequadas, descartando mais de 99% das informações sensoriais consideradas irrelevantes. As sinapses desempenham papel crucial nesse processamento, determinando a direção e a intensidade da transmissão dos sinais nervosos. Elas podem facilitar ou inibir a passagem dos impulsos, amplificar sinais fracos e distribuir sinais em múltiplas direções, o que permite uma ação seletiva e complexa na rede neuronal. A memória é um processo de armazenamento da informação sensorial, principalmente no córtex cerebral, mas também em regiões subcorticais e na medula espinal. A facilitação sináptica, que ocorre quando sinapses são repetidamente ativadas, aumenta a capacidade de transmissão dos sinais, possibilitando a evocação de memórias mesmo na ausência do estímulo original.O SNC é organizado em três grandes níveis funcionais: o nível medular, o nível cerebral inferior (subcortical) e o nível cerebral superior (cortical). A medula espinal não é apenas uma via de passagem para sinais, mas também executa funções organizadas como reflexos de marcha, reflexos de retirada, controle vascular e funções gastrointestinais. O nível subcortical, que inclui o bulbo, ponte, mesencéfalo, hipotálamo, tálamo, cerebelo e gânglios da base, controla muitas atividades subconscientes, como pressão arterial, respiração, equilíbrio e padrões emocionais. O córtex cerebral, por sua vez, é o principal reservatório de memória e responsável pela maior parte dos processos mentais, funcionando em associação com as estruturas subcorticais para garantir respostas precisas e conscientes.### Sinapses: Estrutura, Função e NeurotransmissoresA transmissão da informação no SNC ocorre principalmente por potenciais de ação que se propagam de neurônio a neurônio através das sinapses, que podem ser químicas ou elétricas. As sinapses químicas são as mais comuns e envolvem a liberação de neurotransmissores pelo terminal pré-sináptico, que atuam em receptores específicos na membrana do neurônio pós-sináptico, promovendo excitação ou inibição. A liberação do neurotransmissor é dependente da entrada de íons cálcio no terminal pré-sináptico, que ocorre após a chegada do potencial de ação. Os receptores pós-sinápticos podem ser ionotrópicos, que controlam diretamente canais iônicos, ou metabotrópicos, que ativam sistemas de segundos mensageiros para efeitos prolongados, como alterações metabólicas e transcrição gênica.Os canais iônicos envolvidos na transmissão sináptica são classificados em catiônicos (permitindo passagem de sódio, potássio e cálcio) e aniônicos (permitindo passagem de cloreto). A abertura dos canais catiônicos geralmente excita o neurônio, enquanto a abertura dos canais aniônicos inibe a atividade neuronal. A existência de receptores excitatórios e inibitórios na membrana pós-sináptica permite um controle refinado da atividade neuronal, possibilitando tanto a ativação quanto a contenção das respostas nervosas.Os neurotransmissores podem ser divididos em duas grandes categorias: moléculas pequenas de ação rápida e neuropeptídeos de ação lenta. Os neurotransmissores de moléculas pequenas, como acetilcolina, norepinefrina, dopamina, serotonina, GABA, glicina e glutamato, são responsáveis pelas respostas rápidas do sistema nervoso, como a transmissão sensorial e o controle motor. Já os neuropeptídeos, que incluem hormônios liberadores hipotalâmicos, encefalinas, substância P, entre outros, atuam em processos mais prolongados, como modulação da excitabilidade neuronal, mudanças na expressão gênica e plasticidade sináptica, sendo fundamentais para funções como a memória de longo prazo.### Eventos Elétricos e Mecanismos de Excitação e Inibição NeuronalO potencial de repouso da membrana do corpo celular do neurônio motor é aproximadamente −65 mV, menos negativo que em fibras nervosas periféricas, o que permite um controle mais flexível da excitabilidade neuronal. A excitação sináptica ocorre quando neurotransmissores excitatórios aumentam a permeabilidade da membrana ao sódio, gerando um potencial pós-sináptico excitatório (PPSE) que torna o interior do neurônio mais positivo, aproximando-o do limiar para disparo do potencial de ação. Esse limiar é geralmente atingido no segmento inicial do axônio, onde há maior concentração de canais de sódio dependentes de voltagem.Por outro lado, a inibição sináptica é mediada pela abertura de canais de cloreto e potássio, que aumentam a negatividade interna do neurônio, gerando o potencial pós-sináptico inibitório (PPSI) e dificultando o disparo do potencial de ação. Além da inibição pós-sináptica, existe a inibição pré-sináptica, que ocorre nos terminais pré-sinápticos e reduz a liberação de neurotransmissores excitatórios, sendo um mecanismo importante para o controle da transmissão sináptica e para evitar a dispersão lateral dos sinais sensoriais.A soma dos potenciais pós-sinápticos pode ocorrer de duas formas: somação espacial, quando múltiplos terminais pré-sinápticos são ativados simultaneamente em diferentes locais do neurônio, e somação temporal, quando um único terminal dispara repetidamente em rápida sucessão. A combinação desses processos determina se o potencial de ação será gerado. A facilitação ocorre quando o neurônio está próximo do limiar de excitação, tornando-o mais sensível a estímulos adicionais.### Características Especiais e Modulação da Transmissão SinápticaOs dendritos desempenham papel fundamental na recepção e integração dos sinais sinápticos, recebendo a maior parte das terminações pré-sinápticas. Embora a maioria dos dendritos não gere potenciais de ação devido à baixa densidade de canais de sódio, eles conduzem sinais por meio de condução eletrotônica, que sofre decremento à medida que o sinal se propaga em direção ao corpo celular. Assim, sinapses localizadas próximas ao corpo celular têm maior eficácia na modulação da excitabilidade neuronal.A frequência de disparo dos neurônios depende do estado excitatório, que é a soma dos impulsos excitatórios e inibitórios recebidos. Neurônios podem disparar continuamente se o estado excitatório estiver acima do limiar, e a frequência pode ser modulada por sinais inibitórios. A fadiga sináptica é um fenômeno importante que limita a excitabilidade excessiva, ocorrendo pela exaustão dos neurotransmissores,
inativação dos receptores e alterações iônicas, sendo um mecanismo protetor contra convulsões.Fatores como o pH do líquido intersticial e o suprimento de oxigênio influenciam a excitabilidade neuronal: alcalose aumenta a excitabilidade e pode precipitar convulsões, enquanto acidose e hipóxia deprimem a atividade neuronal, podendo levar ao coma. Diversos fármacos modulam a transmissão sináptica, como a cafeína, que aumenta a excitabilidade, e anestésicos, que elevam o limiar de excitação e bloqueiam a condução nervosa.Por fim, o retardo sináptico, que é o tempo necessário para a transmissão do sinal entre neurônios, é da ordem de 0,5 milissegundo, refletindo os processos de liberação, difusão e ação do neurotransmissor.---## Destaques- O neurônio do SNC recebe milhares de conexões sinápticas aferentes e transmite sinais por um único axônio, com condução unidirecional nas sinapses químicas.- O SNC integra informações sensoriais e motoras em níveis medular, subcortical e cortical, com funções que vão desde reflexos automáticos até movimentos complexos e processos cognitivos.- A transmissão sináptica envolve neurotransmissores químicos que atuam em receptores ionotrópicos e metabotrópicos, modulando a excitabilidade neuronal por meio de canais iônicos e sistemas de segundos mensageiros.- A excitação e inibição neuronais são mediadas por potenciais pós-sinápticos excitatórios e inibitórios, cuja soma espacial e temporal determina o disparo do potencial de ação.- Fatores como fadiga sináptica, pH, oxigenação e fármacos influenciam a transmissão sináptica, sendo essenciais para o controle da excitabilidade e proteção contra disfunções neuronais.

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