Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Avaliação Postural e 
da Marcha
Aline Andressa Matiello
Avaliação Postural e da 
Marcha
2
Introdução
A avaliação fisioterapêutica da postura e da marcha são ações corriqueiras na atuação 
profissional de fisioterapia. Essas avaliações contribuem para o estabelecimento dos 
diagnósticos fisioterapêuticos do paciente e, ainda, são a base do plano de tratamento. 
Tanto a manutenção de uma postura adequada quanto a realização de uma marcha 
funcional são funções que integram inúmeras habilidades do corpo humano.
Reconhecer como essas atividades são desempenhadas pelo paciente é tarefa do 
fisioterapeuta, especialmente porque, por meio de sua análise, pode visualizar a 
presença de alterações, resultantes de alguma disfunção/doença ou a presença 
de doença que crie alterações corporais, evidenciadas na postura do paciente e na 
maneira como ele deambula.
Vamos estudar o passo a passo dessas atividades, reconhecendo os parâmetros de 
referência e os sinais que podem indicar algumas anormalidades.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, espera-se que você seja capaz de:
• Reconhecer os aspectos a serem analisados na avaliação postural.
• Identificar o mecanismo de marcha fisiológico e alterações nessa função.
3
Avaliação Postural
A postura se refere à posição relativa das partes do corpo, normalmente associada 
à posição estática. Para identificar características que possam indicar uma postura 
inadequada, pode-se realizar uma avaliação postural por meio do alinhamento relativo 
dos segmentos do membro adjacente (OATIS, 2014). Essa avaliação poderá identificar 
uma postura correta/ideal ou uma postura defeituosa.
Postura correta
É uma posição na qual cada articulação é imposta a um estresse mínimo e a 
atividade muscular necessária para manter a posição é mínima.
Postura defeituosa
Trata-se de qualquer posição que aumente o estresse sobre as articulações 
(MAGEE, 2005). 
De modo a compreender essa definição de postura correta, a figura a seguir traz 
algumas estruturas que devem estar alinhadas para caracterizar a postura ideal. 
4
Acromio
Trocanter
maior
Eixo do
joelho
Articulação
do tornozelo
Figura 1 – Postura Adequada
Fonte: Oatis (2014, p. 879).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de uma mulher de perfil, 
com setas indicando o acrômio, trocanter maior, eixo do joelho e tornozelo.
Nessa postura, o corpo está alinhado, como se passasse uma linha pelo centro de 
massa do corpo, muito próxima à orelha, levemente anterior ao acrômio da escápula, 
próxima ao trocanter maior, levemente anterior à articulação do joelho e anterior à 
articulação do tornozelo (OATIS, 2014). 
Segundo Palmer e Epler (2000), a adoção da postura adequada citada é caracterizada 
pelo alinhamento do corpo com máxima eficiência fisiológica e biomecânica, o que 
minimiza o estresse e as tensões transmitidas ao sistema de suporte corporal.
5
Importância da Avaliação Postural
A avaliação postural, comumente realizada por fisioterapeutas, parte da premissa 
de que alterações posturais, que levem a desalinhamentos, podem contribuir para 
alterações na mecânica articular e muscular fisiológicas, causando deficiências e dor. 
Oatis (2014) cita, por exemplo, a presença de queixas com disfunções circulatórias, 
respiratórias, digestivas e excretórias; dores de cabeça, nas costas; depressão, entre 
outras, que podem estar associadas a desalinhamentos posturais. 
Magee (2005) reforça que, além de contribuir para queixas e deficiências, no sistema 
neuromusculoesquelético, muitas queixas musculoesqueléticas são refletidas na 
postura. Dessa forma, há a necessidade de analisar a postura de um indivíduo, 
considerando suas queixas e manifestações.
Estudos atuais tentam comprovar relações entre os 
desalinhamentos e as queixas dos pacientes, mas ainda não 
se sabe exatamente quais as consequências diretas da postura 
inadequada em relação às queixas, às deficiências e às limitações 
funcionais apresentadas. Por isso, não se pode afirmar que queixas 
de dores nas costas, por exemplo, sejam consequência direta da 
postura inadequada, já que muitos outros fatores também podem 
contribuir para essa situação.
Reflita
A percepção mais aceita, na atualidade, é que os desalinhamentos posturais 
geram mudanças na adaptação nos músculos situados em torno das articulações 
desalinhadas. Nesses casos, acredita-se que os músculos de um lado da articulação 
sejam mantidos alongados, enquanto os músculos antagonistas se mantenham 
encurtados. Sugere-se também, segundo Oatis (2014), que essas mudanças, 
no comprimento muscular, levam a deficiências articulares, incluindo debilidade 
muscular e amplitude de movimento limitada, que contribuem para as queixas do 
paciente.
Apesar dessas percepções e de inúmeros estudos que mostram associações claras 
entre desalinhamentos e deficiências, ainda não é possível esclarecer totalmente as 
ligações existentes. 
6
Todo paciente com desalinhamento postural apresentará queixas 
musculoesqueléticas? Não. Imagine um paciente com músculos 
fortes e flexíveis. Alguns desalinhamentos, nesse caso, podem 
não afetar as articulações, pois o organismo possui capacidade 
de mudar a posição das articulações prontamente, evitando 
estresses excessivos. Mas, em pacientes com sistema muscular 
fraco, rígido ou excessivamente alongado, assim como com 
articulações rígidas ou excessivamente móveis, a postura não é 
facilmente alterada, a fim de corrigir o desalinhamento, podendo 
ocasionar, nessa situação, algum tipo de patologia. 
Curiosidade
A instalação de alguma patologia relacionada aos desalinhamentos posturais pode 
ser resultado do efeito cumulativo (crônico) de pequenos estresses (chamados de 
microtraumas) de repetição durante um longo período ou resultado de estresses 
anormais (macrotraumas), que ocorrem constantemente durante um curto período.
A presença de estresses anormais, mesmo que crônicos, sobre o sistema músculo 
esquelético, pode resultar os mesmos problemas que podem ser observados na 
presença de um estresse agudo. 
De maneira geral, os estresses crônicos sobre estruturas do corpo humano levam 
a um desgaste excessivo das superfícies articulares, podendo induzir a produção 
de osteófitos e esporões de tração, os quais, segundo Magee (2005), representam 
uma forma de o corpo modificar sua estrutura, para se acomodar a esses estresses 
de repetição, por exemplo. Por isso, os desalinhamentos posturais nem sempre 
desencadeiam sintomas, mas, ao longo do tempo, a presença desses desalinhamentos 
pode exacerbar algum problema e produzir sinais e sintomas. 
Etapas da Avaliação da Postura
A primeira etapa de uma avaliação postural é compreender qual seria a postura 
adequada esperada e, em seguida, compreender que a avaliação postural deve ser 
estruturada em anamnese, em inspeção, além de em testes adicionais.
7
Anamnese
Deve incluir a história do problema, a condição de saúde do paciente e o histórico 
familiar.
Muitos pacientes podem procurar atendimento com sintomas 
musculoesqueléticos, sem estar querendo realizar avaliação 
postural. Por isso, o fisioterapeuta deve conhecer as inúmeras 
condições patológicas subjacentes aos desalinhamentos.
Atenção
Inspeção
É a parte principal da avaliação postural e consiste na observação da postura 
do paciente, buscando por alterações assimétricas que possam contribuir 
ou ser o resultado de uma postura defeituosa. Para fazer essa observação, 
recomenda-se que o paciente esteja despido, vestindo apenas roupas de banho 
e sem calçados.
Magge (2005) recomenda que a observação seja feita com o paciente em pé 
inicialmente, a fim de observar em uma vista anterior, lateral e posterior.
As avaliações posturais, quase em sua totalidade, avaliam 
unicamente a postura vertical ereta do paciente. Todavia, deve-
se partir do pressuposto de que as pessoas se movimentam e se 
posicionam em diversas posturas, além da ereta, e que a análise 
de uma única postura, na avaliação postural, pode ser insuficiente 
paracompreender a ligação entre a postura e as manifestações/
queixas do paciente (OATIS, 2014).
Atenção
Durante a observação, o fisioterapeuta deve buscar pelo posicionamento adequado 
e por assimetrias no alinhamento postural, de acordo com a vista em que está 
8
observando o paciente. A seguir, são descritos os posicionamentos esperados em 
cada segmento corporal e os sinais de postura defeituosa observados.
Cabeça
Deve estar ereta, sinais de queixo alto demais, cabeça rodada ou inclinada 
indicam postura defeituosa.
Membros superiores
Devem estar relaxados nas laterais do corpo, com as palmas das mãos voltadas 
para ele, cotovelos levemente flexionados, ombros no mesmo nível e escápulas 
de encontro à caixa costal (separação em torno de 10 cm entre elas) .
Tórax
 Posicionado levemente para cima e para a frente. Tórax deprimido ou elevado 
e costelas proeminentes indicam postura defeituosa.
Abdômen
Em adultos, deve ser plano, apesar de crianças, até os 12 anos, possuírem o 
abdômen proeminente de forma fisiológica.
Pelve e coluna
Os glúteos devem se inclinar levemente para baixo, quadris alinhados, a coluna 
possui quatro curvaturas fisiológicas, no pescoço e na região inferior do dorso, 
a curva é para a frente, e, na região superior do dorso e na parte mais inferior da 
coluna, essa curva é para trás. A curva sacral é uma curva fixa, e as outras três 
são flexíveis. Sinais de retificação da curvatura normal da coluna, inclinações 
pélvicas para anterior ou posterior, aumento da curva para trás (hipercifose), 
aumento da curva para a frente (hiperlordose) e curva lateral da coluna 
(escoliose) indicam posturas defeituosas.
9
Membros inferiores
São retos, com patelas se direcionando para frente. Os pododáctilos devem ser 
retos, estendendo-se para frente, alinhados com o pé. Rotações mediais ou 
laterais da patela, alterações no arco plantar, desvio medial ou lateral dos pés 
são indicativos de postura defeituosa.
Além dessas informações, a seguir, você pode conferir algumas das alterações que 
podem ser vistas em cada vista de observação do paciente.
Vista anterior
Torcicolo, escoliose, inclinação pélvica lateral, rotação anterior de um ílio sobre 
o sacro, ante ou retroversão excessiva, coxa valga ou vara, torção femoral 
medial ou lateral, torção tibial medial ou lateral, joelho vago ou varo e hálix 
valgo, entre outras alterações. 
Vista lateral
Cabeça anteriorizada, lordose excessiva, inclinação pélvica anterior ou 
posterior, retroversão ou retrotorção tibial, entre outras.
Vista posterior
Escoliose, retropé varo, supinação subtalar excessiva (calcâneo varo), retropé 
valgo, pronação subtalar excessiva (calcâneo valgo) e antepé varo.
10
Além dessas observações, o fisioterapeuta pode realizar testes adicionais. 
Testes adicionais
Eles servem para complementar a anamnese e a inspeção do paciente, podendo 
identificar ou confirmar algum achado da observação. Entre os testes adicionais, 
destacam-se o teste de mensuração de comprimento de membros e o teste de 
flexão anterior da coluna.
Teste de mensuração de membro inferior
O paciente deve ficar em decúbito dorsal, com os membros inferiores estendidos, 
distantes de 15 a 20 centímetros um do outro e paralelos entre si. Posterior a 
isso, o fisioterapeuta utiliza uma fita métrica, para mensurar a distância entre 
a face distal da espinha ilíaca anterossuperior e o maléolo medial ou lateral. 
Nesses casos, uma diferença de 1,0 a 1,5 centímetro é considerada fisiológica, 
embora possa ser relevante caso haja alguma patologia. 
Figura 2 – Teste de mensuração de membro inferior
Fonte: Magee (2005, p. 1.008).
#PraTodosVerem: a imagem representa a foto de um homem de sunga deitado em uma maca, com pernas estendi-
das e uma pessoa medindo o membro inferior direito com uma fita métrica.
11
Teste de flexão anterior da coluna
O paciente deve estar em pé e realizar um movimento de flexão da coluna 
torácica e lombar, mantendo o queixo na posição neutra, para evitar a flexão 
do pescoço e da cabeça. Após esse posicionamento, o fisioterapeuta deve 
observar se há presença de alguma proeminência na coluna vertebral, o que 
indica um quadro de escoliose.
Figura 3 – Teste de flexão anterior da coluna
Fonte: Magee (2005, p. 1.006).
#PraTodosVerem: a imagem representa a foto de uma mulher de shorts e top, em pé, tentando encostar a ponta dos 
dedos das mãos no chão, com joelhos estendidos. Ao lado, há uma ilustração posterior de coluna em flexão, com 
seta indicando um corcunda e uma concavidade.
Além desses testes, destaca-se o slump test (utilizado para avaliar irritação neural) e 
o teste de Thomas (adotado para verificar encurtamento de iliopsoas).
Alterações Posturais Mais Prevalentes
Por meio da avaliação postural, podemos identificar algumas condições patológicas, 
como alguns desvios posturais, a exemplo da escoliose.
12
Figura 4 – Escoliose
Fonte: Magee (2005, p. 987).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de uma coluna vertebral, 
com uma curvatura para a direita.
Segundo Magee (2005), nas escolioses, há uma curvatura lateral da coluna vertebral, 
podendo ser classificadas em estrutural ou não estrutural (funcional).
Não estrutural
Pode ser causada por problemas posturais, histeria, irritação de raízes nervosas, 
inflamação ou compensação causada por discrepância de comprimento de 
membros inferiores ou contratura. Não existe deformidade óssea; esse tipo 
de escoliose não é progressiva. A coluna vertebral apresenta certa limitação 
segmentar, mas a flexão lateral geralmente é simétrica. A curva escoliótica, 
quando não é estrutural, desaparece com a flexão anterior. 
Estrutural
Há presença de deformidade óssea, que pode ser congênita ou adquirida 
ou é decorrente de fraqueza muscular excessiva; o paciente não apresenta 
flexibilidade normal e a flexão lateral se torna assimétrica. Ao realizar o teste de 
flexão anterior, a curva não desaparece. Essa escoliose pode ser progressiva, 
estando mais localizada na região torácica ou toracolombar. Presença 
de vértebra em cunha, hemivértebra, doenças neuromusculares, distrofia 
muscular estão entre as causas. A escoliose idiopática juvenil é um exemplo 
de escoliose estrutural.
13
Além dessa condição patológica, podemos ter lordoses e cifoses patológicas, as quais 
se caracterizam pelo aumento da curvatura normal da coluna. Na lordose patológica, 
tem-se uma curvatura anterior excessiva da coluna vertebral (MAGEE, 2005).
Figura 5 – Lordose patológica
Fonte: Wiki Commons (2024).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de uma pessoa de perfil, 
com lordose lombar aumentada.
Na cifose patológica, tem-se um aumento na curvatura posterior da coluna vertebral. 
Segundo Magee (2005), pode-se citar três tipos de cifose postural, que são: dorso 
curvo, corcunda ou giba, e cifose progressiva.
Figura 6 – Cifoses patológicas
Fonte: Magee (2005, p. 982-984).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de três ilustrações laterais 
de coluna. Na primeira, uma pessoa com dorso curvo, na segunda, uma com 
corcunda e, na terceira, uma com cifose progressiva.
14
No dorso curvo, observa-se uma longa curva arredondada, redução da inclinação, 
pélvica (cíclico que possui eventos repetíveis, os quais continuam, 
de forma seguida, até que o indivíduo pare o movimento; ou seja, caracteriza-se por 
movimentos alternados dos membros inferiores (OATIS, 2014). 
A marcha normal é avaliada após a etapa de anamnese, quando se realiza a observação 
dos ciclos de marcha. Segundo Mansour (2019), o ciclo de marcha, avaliado após a 
anamnese, consiste no intervalo de tempo e na sequência de movimentos entre dois 
contatos iniciais consecutivos do mesmo pé; ou seja, descreve os movimentos que 
acontecem em um membro inferior, durante a marcha.
O ciclo da marcha começa quando o calcanhar entra em contato 
com o solo e o momento em que esse mesmo calcanhar toca o 
solo novamente (MANSOUR, 2019). Isso inclui dois passos, que 
são definidos como o período desde o contato de um pé com o 
solo até o contato do pé oposto com o solo. 
Reflita
O ciclo da marcha é dividido em duas fases, a primeira delas, chamada de apoio, 
representa 60% do ciclo e começa quando o calcanhar está em contato com o solo; 
15
a fase de balanço representa 40% do ciclo e se refere ao momento em que esse 
calcanhar deixa o solo.
• Fase de apoio: pode ser dividida em cinco etapas, descritas a seguir. 
1. Contato inicial: refere-se ao momento em que o calcanhar de um dos mem-
bros inferiores entra em contato com o solo.
2. Resposta à carga: refere-se ao momento em que toda a planta do pé toca o 
solo.
3. Apoio médio: caracteriza-se pela fase em que o peso do corpo passa direta-
mente sobre a extremidade inferior de apoio.
4. Apoio final: refere-se ao momento em que o calcanhar sai do solo.
5. Pré-balanço: caracteriza-se pelo momento em que os dedos deixam o solo 
(MANSOUR, 2019).
Contato
inicial
Apoio médio
(apoio sobre um
único membro inferior
Resposta
à carga 
Apoio 
terminal
Pré-balanço
Figura 7 – Fase de apoio da marcha
Fonte: Magee (2005, p. 943).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de cinco pessoas com 
membros inferiores em contato com o solo em diferentes fases: contato inicial, 
resposta à carga, apoio médio, apoio terminal e pré balanço.
• Fase de balanço: é dividida em três etapas, descritas a seguir.
1. Balanço inicial: os dedos saem do solo, ou seja, o pé não está mais em con-
tato com o solo.
2. Balanço médio: a perna que está na fase de balanço passa o membro inferior 
de apoio.
16
3. Balanço final: o membro inferior se prepara para realizar o contato com o solo 
de novo; sendo que essa fase termina quando o pé entra em contato com o 
solo e a fase de apoio se inicia novamente.
Figura 8 – Fase de balanço da marcha
Fonte: Oatis (2014, p. 896).
#PraTodosVerem: a imagem representa a ilustração de três membros inferiores 
de perfil, o primeiro está com um pé tocando o solo e a sinalização de 60 a 70% 
- balanço inicial; no segundo, a sinalização é de 75 a 85% - balanço médio; e o 
terceiro apresenta entre 85 e 100% da marcha - balanço terminal.
Segundo Oatis (2014), o ciclo fisiológico da marcha, em velocidade livre, dura cerca de 
um segundo, com velocidade em torno de 4,8 a 6,4 quilômetros por hora – velocidade 
que depende diretamente do comprimento dos passos e da cadência (passos/
minuto). 
Outros termos relacionados à marcha são a passada e o passo. Uma passada 
consiste no movimento de ambos os membros durante um ciclo da marcha e contém 
dois passos. Já o passo é definido como o movimento de um único membro a partir 
do contato com o solo de um membro até o contato com o solo do membro oposto. 
 Ciclos e Parâmetros Normais da Marcha
Na avaliação da marcha de um paciente, é essencial que o fisioterapeuta conheça 
alguns parâmetros, os quais são capazes de diferenciar indivíduos com e sem 
comprometimentos. Na tabela a seguir, têm-se alguns desses parâmetros, os quais 
ajudam a descrever um ciclo de marcha típico em pessoas de oito a 45 anos.
17
Parâmetro Definição
Valores 
aproximados
Comprimento da passada
A distância entre o contato 
com o solo de um pé e o 
contato subsequente com o 
solo do mesmo pé
Cerca de 144 cm
Comprimento do passo
A distância entre o contato 
com o solo de um pé e o 
contato subsequente com o 
solo do pé oposto
Cerca de 72 cm
Base de sustentação 
(largura do passo)
A distância perpendicular 
entre pontos similares em 
ambos os pés, medida 
durante dois passos 
consecutivos
5 a 10 cm
Velocidade
Distância/tempo, 
normalmente descrita em 
m/seg
1,4 m/s
Cadência Passos por minuto 90 a 120 passos/minuto
Tabela 1 – Variáveis da marcha
Fonte: Adaptado de Magee (2005, p. 945).
Sobre o comprimento do passo, ele varia de acordo com a idade e o gênero, sendo que 
os passos das crianças são menores que os dos adultos, e os passos das mulheres 
são menores que os dos homens. A altura também tem influência, pois pessoas mais 
altas possuem esse parâmetro maior; em contrapartida, aumento da idade, fadiga, 
dor e doenças tendem a reduzir o comprimento do passo. 
Sobre o comprimento da passada, ela representa um ciclo da marcha e, assim como 
o comprimento do passo, esse parâmetro reduz com a idade, com a presença de dor 
e de doenças e com a fadiga.
18
Sobre a base de sustentação, segundo Magee (2005), quando ela é mais larga, pode-
se suspeitar de alguma patologia que acarrete déficit de equilíbrio; de uma condição 
como diabetes ou neuropatia periférica, que pode indicar uma perda de sensibilidade; 
ou de um problema musculoesquelético. Nesses casos, o paciente tende a apresentar 
uma base mais larga para manter o equilíbrio. Por fim, acerca da cadência, a idade é 
um dos principais fatores capazes de reduzir esse parâmetro. 
Na prática, muitas disfunções da marcha são evidenciadas a partir de parâmetros 
alterados de tempo e de distância, de velocidade e de comprimento da passada, os 
quais normalmente se encontram reduzidos (OATIS, 2014).
Marcha Patológica 
A presença de desvios na marcha indica uma marcha patológica; que pode ocorrer 
em decorrência de patologia; ou de lesão em uma articulação específica; ou por 
compensações frente a alguma lesão ou enfermidade. Segundo Magee (2005), temos:
Marcha escarvante
É resultado da paralisia ou fraqueza muscular de dorsiflexores, gerando como 
resultado um pé caído. Durante a marcha, para evitar que os dedos sejam 
arrastados no solo, o paciente precisa elevar o joelho de forma aumentada.
Marcha em tesoura
Ocorre em casos de paralisia espástica de adutores do quadril, de modo que 
os joelhos se movam em conjunto durante a passada; assim, para colocar os 
membros inferiores para frente, o paciente precisa fazer um grande esforço. É 
comum em pacientes com diplegia espástica.
Marcha hemiplégica ou hemiparética
Caracteriza-se pelo movimento de circundação pelo membro inferior, de modo 
que o paciente jogue o membro inferior para frente e para fora, em um movimento 
de círculo. É comum em hemiparesias por acidente vascular encefálico.
19
Marcha parkinsoniana
Também chamada de marcha festinante, é comum em pacientes com doenças 
de parkinson. É caracterizada pela flexão de tronco e joelhos, associada 
ao movimento de arrastar os pés, em passos curtos e rápidos, enquanto os 
membros superiores permanecem sem movimentação durante a marcha.
Marcha atáxica
É resultado de comprometimentos na sensibilidade, falta de coordenação 
muscular ou ajuste de tônus (lesões cerebelares), podendo levar a um 
desequilíbrio, induzindo o paciente a caminhar com uma base alargada, a fim 
de evitar a queda; assim, a marcha fica irregular, espasmódica e ondulante, 
semelhante ao andar de uma pessoa alcoolizada.
Figura 9 – Marchas patológicas
Fonte: Magee (2005, p. 965-969).
#PraTodosVerem: a imagem representa uma ilustração de cinco idosos em 
pé. O primeiro está erguendo um joelho; o segundo está encostando os joelhos 
durante a caminhada; o terceiro acabou de movimentar a perna direita; o quarto 
caminha com passos curtos; o quinto tem a base entre os pés alargada e tron-
co semiflexionado.
Marcha antálgica
Tem característica autoprotetora, como resultadode uma lesão em alguma 
região da pelve, quadril ou membro inferior. Nesse caso, a fase de apoio sobre o 
membro afetado é menor, de modo a reduzir o tempo de descarga de peso sobre 
ele. Tem-se, então, um comprimento do passo menor e redução da velocidade 
da marcha e da cadência.
20
Marcha artrogênica
É resultado da rigidez, frouxidão ou deformidade de quadril ou joelho, podendo, 
ou não, estar associada à dor. Nessa marcha, o paciente eleva todo o membro 
inferior mais que o normal, para o tirar do solo, em razão da limitação do quadril 
ou do joelho.
Marcha de trendelenburg
Também chamada de marcha do glúteo médio, ocorre quando o paciente tem 
fraqueza da musculatura abdutora do quadril, como glúteo médio e mínimo, 
de modo que a estabilidade da pelve fique comprometida durante a fase de 
apoio, havendo uma inclinação lateral excessiva do tronco, associado ao 
impulsionamento lateralmente para manter o centro de gravidade. 
Além desses padrões de marcha patológicos, podem ser encontrados outros padrões 
na literatura.
21
Conclusão
Este conteúdo apresentou informações essenciais acerca dos tópicos a serem 
seguidos nas avaliações de postura e de marcha, quais os padrões esperados e, 
ainda, os possíveis sinais de alerta que possam indicar algum comprometimento 
nessas funções.
A partir desses conhecimentos, é possível realizar, de forma adequada, tanto a avaliação 
postural, como a avaliação de marcha de seus pacientes, no dia a dia profissional; e, a 
partir delas, elaborar planos de tratamento individualizados e efetivos.
22
Referências
MAGEE, D. Avaliação musculoesquelética. São Paulo: Manole, 2005.
MANSOUR, N. R. Cinesiologia e biomecânica. Porto Alegre: SAGAH, 2019.
OATIS, C. A. Cinesiologia: a mecânica e a patomecânica do movimento humano. 2. 
ed. São Paulo: Manole, 2014.
PALMER, M. L.; EPLER, M. E. Fundamentos das técnicas de avaliação 
musculoesquelética. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

Mais conteúdos dessa disciplina