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1. A Vitimologia contemporânea classifica o processo de vitimização em três fases
distintas. Sobre a "Vitimização Secundária" (ou Sobrevitimização), assinale a
alternativa correta de acordo com o texto base: A) Refere-se ao dano direto, físico ou
patrimonial, causado exclusivamente pela conduta do criminoso no momento do delito.
B) É o processo de estigmatização social sofrido pela vítima perante sua comunidade e
família após a ocorrência do crime. C) Trata-se do sofrimento adicional causado pelas
instâncias formais de controle social (polícia, judiciário), muitas vezes decorrente de
despreparo ou burocracia. D) É a fase em que a vítima assume a culpa pelo crime devido
ao seu "estilo de vida" ou fatores de risco.
2. A "Vitimologia Crítica" diferencia-se das abordagens positivistas ao questionar
as definições de crime e vítima. Qual é o foco principal desta vertente segundo o
material? A) Analisar estatisticamente os padrões de rotina que levam ao crime. B)
Identificar a precipitação da vítima na ocorrência do delito patrimonial. C) Focar nas
"vítimas invisíveis" de crimes corporativos, ambientais e do Estado, questionando a
seletividade do sistema. D) Propor o aumento de penas para crimes de furto e roubo como
forma de proteção social.
3. De acordo com a Teoria das Atividades Rotineiras (Cohen e Felson), o crime
ocorre na convergência de três elementos no tempo e no espaço. Assinale a
alternativa que contém esses três elementos: A) Desigualdade social, impunidade e
vitimização primária. B) Um ofensor motivado, um alvo adequado e a ausência de um
guardião capaz. C) Um ofensor psicopata, uma vítima provocadora e a ausência de lei
penal. D) O dolo do agente, a culpa da vítima e a omissão do Estado.
4. A Lei de Execução Penal (LEP) prevê o Exame Criminológico como forma de
individualizar a pena. Sobre a jurisprudência recente (Súmulas Vinculantes e do
STJ) citada no texto, é correto afirmar: A) O exame criminológico é obrigatório para
a progressão para o regime aberto em todos os casos. B) A gravidade abstrata do crime e
o tempo longo de pena a cumprir são fundamentos suficientes e idôneos para exigir o
exame. C) Para a progressão de regime, o exame é admissível desde que determinado por
decisão motivada com base em elementos concretos da execução (ex: faltas disciplinares),
não sendo obrigatório por lei. D) O STF proibiu totalmente a realização do exame
criminológico por considerá-lo inconstitucional e violador da dignidade humana.
5. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADPF 347, reconheceu o "Estado de
Coisas Inconstitucional" no sistema prisional brasileiro. Segundo a análise da
Macro-Criminologia apresentada, o que esse reconhecimento significa? A) Que a
superlotação é um problema temporário de gestão que será resolvido com a construção
de mais presídios. B) Que há uma violação massiva, estrutural e persistente de direitos
fundamentais, indicando que a LEP não está sendo cumprida pelo próprio Estado. C) Que
os presos devem ser soltos imediatamente devido à falta de vagas. D) Que o Poder
Judiciário não deve intervir em políticas públicas penitenciárias para respeitar a separação
dos poderes.
6. O Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) alterou a LEP (Art. 21) para incluir um
direito específico à vítima na fase de execução penal. Qual é esse direito e sua
condição de exercício? A) Direito de vetar a progressão de regime do condenado, caso
não tenha sido reparada financeiramente. B) Direito automático de ser informada sobre a
soltura ou progressão do apenado, independentemente de solicitação. C) Direito de ser
informada sobre a progressão de regime ou soltura do apenado, desde que assim o
requeira. D) Direito de participar presencialmente das audiências de custódia do apenado.
7. Sobre a reparação do dano à vítima como requisito para benefícios na execução
penal, qual é o entendimento consolidado pelo STJ nos últimos 5 anos? A) A falta de
reparação do dano impede a progressão de regime em qualquer hipótese, privilegiando a
vítima. B) O apenado insolvente (pobre) não pode ser impedido de progredir de regime;
o benefício só é negado se houver recusa deliberada (dolo) em pagar tendo condições para
tal. C) A reparação do dano é irrelevante para a execução penal, sendo uma questão
puramente cível. D) O Estado deve pagar a indenização à vítima caso o preso não tenha
condições financeiras.
8. Analisando a LEP sob a ótica de Michel Foucault (obra "Vigiar e Punir"), como
o texto descreve a função real do sistema prisional e do discurso humanista? A) O
sistema prisional falhou em seu objetivo, pois não consegue ressocializar o indivíduo
conforme promete a LEP. B) O humanismo da LEP é genuíno e busca transformar a alma
do criminoso através da educação e do trabalho. C) A prisão não falhou, mas teve sucesso
em criar um "corpo dócil" e gerir uma classe de delinquentes através do poder disciplinar,
usando o humanismo como técnica de controle. D) Foucault defende que a LEP deve ser
endurecida para garantir a retribuição justa pelo mal causado à sociedade.
9. No tocante ao Princípio da Insignificância (ou Bagatela), onde ele atua dentro do
conceito analítico de crime, segundo o entendimento pacificado pelo STF e STJ? A)
Exclui a Culpabilidade do agente. B) Exclui a Ilicitude do fato. C) Exclui a Tipicidade
Material, tornando o fato atípico. D) É uma causa de extinção da punibilidade que ocorre
após a sentença.
10. Considerando o Iter Criminis e a jurisprudência do TJGO e STJ (Súmula 582)
sobre o crime de roubo, quando se considera consumado o delito? A) Apenas quando
o agente tem a posse mansa e pacífica da coisa subtraída, longe da vigilância da vítima.
B) Com a inversão da posse do bem mediante violência ou grave ameaça, ainda que por
breve tempo e seguida de perseguição imediata. C) Apenas se a vítima não conseguir
recuperar o bem subtraído. D) No momento em que o agente anuncia o assalto, mesmo
que não consiga pegar o objeto (tentativa).
Gabarito e Fundamentação
1. Resposta: C
• Fundamentação: A Vitimização Secundária é o sofrimento adicional causado à
vítima pelas instâncias formais de controle social (polícia, judiciário), e não pelo
criminoso. É o momento em que operadores do Direito podem agravar o trauma
por despreparo.
2. Resposta: C
• Fundamentação: A Vitimologia Crítica questiona as definições de crime e foca
nas "vítimas invisíveis" do sistema , como vítimas de crimes de colarinho branco,
ambientais e do Estado.
3. Resposta: B
• Fundamentação: A Teoria das Atividades Rotineiras sugere que o crime ocorre
na convergência de: 1. Um ofensor motivado; 2. Um alvo adequado; 3. A ausência
de um guardião capaz.
4. Resposta: C
• Fundamentação: A Súmula 439 do STJ admite o exame na progressão (fechado
para semiaberto) se determinado por decisão motivada. O STJ exige elementos
concretos da execução (ex: faltas disciplinares) e rejeita justificativas genéricas
como a gravidade abstrata do crime.
5. Resposta: B
• Fundamentação: O "Estado de Coisas Inconstitucional" reconhece formalmente
que o sistema prisional vive uma violação massiva, estrutural e persistente de
direitos fundamentais, e que a LEP não está sendo cumprida pelo Estado.
6. Resposta: C
• Fundamentação: A Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime) alterou o Art. 21 da LEP
para informar a vítima sobre a progressão ou soltura, mas a norma impõe uma
limitação: "se assim o requerer".
7. Resposta: B
• Fundamentação: O entendimento consolidado do STJ é que a falta de reparação
só impede o benefício se o apenado tinha condições financeiras e se recusou
deliberadamente (dolo). O STJ impede que a "insolvência" se transforme
automaticamente em maior tempo de encarceramento.
8. Resposta: C
• Fundamentação: Para Foucault, a prisão moderna não "falhou"; ela foi um
sucesso em produzir o "delinquente" e estabelecer o poder disciplinar. O
humanismo é vistocomo uma técnica de poder para controlar a "alma" e criar
corpos dóceis.
9. Resposta: C
• Fundamentação: O Princípio da Insignificância exclui o Fato Típico,
especificamente a "Tipicidade Material". Se a lesão é insignificante, o fato é
materialmente atípico.
10. Resposta: B
• Fundamentação: O TJGO adota a Teoria da Amotio, consolidada na Súmula 582
do STJ: consuma-se o roubo com a inversão da posse, ainda que por breve tempo
e seguida de perseguição imediata, sendo dispensável a posse mansa e pacífica.
1. A Vitimologia identifica uma terceira fase no processo de sofrimento da vítima,
denominada "Vitimização Terciária". Segundo o material estudado, esta fase
caracteriza-se por: A) Sofrimento original infligido diretamente pelo ofensor no
momento do crime. B) Maus-tratos sofridos pela vítima nas delegacias e fóruns devido à
burocracia estatal. C) Falta de amparo e estigmatização social por parte da comunidade,
família ou sociedade, que rotulam ou isolam a vítima. D) Necessidade de a vítima
contratar advogados particulares para atuar na assistência de acusação.
2. No contexto da transição do modelo de justiça, o texto destaca a passagem do
modelo Retributivo para o Restaurativo. Qual é o objetivo central da Justiça
Restaurativa (JR)? A) Garantir que a pena seja cumprida integralmente em regime
fechado para satisfação da sociedade. B) Focar exclusivamente no castigo do ofensor e
na reafirmação da autoridade da lei. C) Resolver o conflito envolvendo ativamente vítima,
ofensor e comunidade, buscando a reparação do dano e a compreensão do impacto do
crime. D) Privatizar o sistema prisional para torná-lo mais eficiente na gestão de custos.
3. O fenômeno da "Prisionalização" (Prisonization), conceituado por Donald
Clemmer e aprofundado por Goffman, é utilizado pela Criminologia Crítica para
refutar o "mito da ressocialização". O que esse fenômeno descreve? A) O processo
de adaptação saudável do preso às regras de convívio social dentro da prisão. B) O
aprendizado da "cultura da prisão" (códigos de violência e submissão), resultando na
dessocialização do indivíduo em relação ao mundo exterior. C) O aumento do número de
prisões construídas pelo Estado para combater a superlotação. D) A transferência
automática de presos de facções para presídios federais.
4. A Lei de Execução Penal (LEP) estabelece a Comissão Técnica de Classificação e
o Exame Criminológico. De qual escola criminológica este instituto é herdeiro
direto? A) Da Criminologia Crítica, que foca nas estruturas de poder. B) Da Escola
Clássica, que foca no livre-arbítrio e na pena justa. C) Da Criminologia Clínica (ou
Positivista), que buscava diagnosticar a "periculosidade" e a personalidade do indivíduo.
D) Da Teoria do Etiquetamento (Labeling Approach), que estuda a reação social.
5. Sobre as alterações trazidas pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) e o
fortalecimento de facções criminosas, qual é o argumento da Doutrina
Criminológica Crítica apresentado no texto? A) O endurecimento das leis e o maior
isolamento (RDD) desmantelam as facções, impedindo a comunicação entre seus
membros. B) O Pacote Anticrime resolve as causas estruturais da violência ao investir em
inteligência policial. C) O aumento da "prisionalização" e do isolamento tende a fortalecer
as facções, solidificando-as como única fonte de identidade e proteção para o preso. D) A
criação de percentuais de progressão mais rígidos incentiva o preso a colaborar com a
justiça através da delação premiada.
6. A Vitimologia Crítica utiliza a expressão "roubo do conflito" (Nils Christie) para
descrever a relação histórica do Estado com a vítima. O que isso significa no contexto
da Execução Penal? A) Que o Estado confisca os bens do criminoso para pagar as custas
processuais, deixando a vítima sem reparação. B) Que o Estado assume o monopólio da
punição e silencia a vítima, transformando o conflito em uma relação "Estado vs.
Infrator", ignorando as necessidades reais de quem sofreu o dano. C) Que os advogados
de defesa roubam a cena no tribunal, impedindo o promotor de atuar. D) Que a vítima
deve "roubar de volta" o direito de punir, exercendo vingança privada quando o Estado
falha.
7. Analisando a obra "Vigiar e Punir" de Foucault em paralelo à LEP, como o autor
interpreta a transição do suplício (castigo físico) para a prisão (disciplina)? A) Como
uma evolução humanitária, onde a sociedade tornou-se mais bondosa e preocupada com
os direitos humanos. B) Como uma mudança na tecnologia de poder: o objetivo deixou
de ser punir o corpo para ser vigiar e controlar a "alma", tornando o poder mais eficiente
e onipresente (Panoptismo). C) Como uma falha do Estado, que perdeu a capacidade de
impor medo através da dor física. D) Como uma exigência da Igreja para salvar a alma
dos pecadores através do isolamento monástico.
8. Sob a ótica de Foucault, qual é a função real do "Exame" (psicológico,
criminológico) dentro do sistema disciplinar? A) É uma ferramenta terapêutica
destinada a curar os traumas de infância do detento. B) É um instrumento científico neutro
que prevê com 100% de certeza a reincidência criminal. C) É uma ferramenta de "poder-
saber" que cria a verdade sobre o sujeito, rotulando-o e fixando-o na identidade de
"delinquente". D) É uma forma de garantir que apenas pessoas mentalmente sãs sejam
presas.
9. Segundo o texto, a Justiça Restaurativa na fase de execução penal permite um
protagonismo real à vítima que o modelo tradicional não oferece. Entre as
possibilidades citadas, a vítima pode: A) Decidir sozinha o tempo de pena que o
agressor deve cumprir. B) Vetar a saída temporária do preso em feriados. C) Ser ouvida,
expressar o impacto do crime e ter perguntas respondidas (o "porquê" do crime)
diretamente pelo ofensor em ambiente mediado. D) Receber automaticamente parte do
salário que o preso ganha no trabalho prisional sem necessidade de processo judicial.
10. A Teoria das Atividades Rotineiras não é considerada uma teoria "crítica", mas
sim uma teoria de oportunidade. Qual é a principal implicação dessa teoria para a
compreensão da vitimização? A) A vitimização é aleatória e depende apenas da má sorte
do indivíduo. B) A vitimização está ligada a padrões sociais e rotinas que aproximam o
ofensor do alvo na ausência de vigilância, permitindo a prevenção situacional. C) A
vitimização ocorre porque a vítima inconscientemente deseja ser punida. D) A
vitimização é resultado exclusivo da desigualdade econômica gerada pelo capitalismo.
Gabarito e Fundamentação
1. Resposta: C
• Fundamentação: A Vitimização Terciária é definida como o processo de
estigmatização social e falta de amparo por parte da comunidade, família ou
sociedade, onde a vítima é "rotulada" ou evitada.
2. Resposta: C
• Fundamentação: O Modelo Restaurativo busca resolver o conflito envolvendo
as três partes (vítima, ofensor, comunidade), focando na reparação do dano e em
fazer o ofensor compreender o mal causado, diferentemente do modelo retributivo
focado no castigo .
3. Resposta: B
• Fundamentação: A prisionalização (prisonization) é o processo onde o indivíduo
aprende a cultura da prisão (códigos de violência/submissão), o que acaba por
dessocializá-lo, tornando a ressocialização um mito .
4. Resposta: C
• Fundamentação: O Exame Criminológico é o ponto mais explícito de
intersecção com a Criminologia Clínica (ou Positivista), que buscava diagnosticar
a "periculosidade" ou traçar prognósticos de reincidência .
5. Resposta: C
• Fundamentação: A Doutrina Criminológica Crítica argumenta que o
endurecimento (isolamento/RDD) aumenta a prisionalização e, paradoxalmente,
fortalece as facções, que se tornam a única fonte de identidade e proteção para o
preso, solidificando a lealdade ao grupo .
6. Resposta: B
• Fundamentação: A Vitimologia Crítica aponta que o sistema penal "rouba" o
conflito da vítima.O Estado assume o monopólio, e a execução da pena é o ápice
desse silenciamento, ignorando o trauma e as necessidades da vítima .
7. Resposta: B
• Fundamentação: Para Foucault, a transição não foi por bondade (humanismo),
mas por eficiência. O Estado moderno busca controlar a "alma" através da
disciplina e da vigilância (Panoptismo), internalizando o controle .
8. Resposta: C
• Fundamentação: Foucault vê o exame como uma ferramenta de "poder-saber".
Não visa curar, mas criar uma verdade sobre o sujeito, rotulando-o e definindo-o
como delinquente ("fabricação do delinquente") .
9. Resposta: C
• Fundamentação: A Justiça Restaurativa é o único paradigma que dá
protagonismo à vítima na execução, permitindo que ela seja ouvida, entenda o
"porquê" do crime e participe da discussão sobre a reparação .
10. Resposta: B
• Fundamentação: A Teoria das Atividades Rotineiras sugere que o crime ocorre
na convergência de ofensor, alvo e ausência de guardião. A implicação é que a
vitimização não é aleatória, mas ligada a padrões sociais e rotinas .
21. A Vitimologia contemporânea busca superar a antiga ideia de "precipitação da
vítima" (que tendia a culpabilizá-la). Ao estudar o papel da vítima na ocorrência do
delito, qual é o enfoque moderno dessa ciência? A) Provar que a vítima sempre
contribui, ainda que inconscientemente, para o crime. B) Analisar fatores de risco e
vulnerabilidade sem realizar julgamentos morais ou estigmatizantes. C) Determinar a
pena do criminoso com base exclusivamente no comportamento da vítima. D) Ignorar a
participação da vítima, focando apenas na patologia do criminoso.
22. O texto descreve a "Vitimização Primária" como a primeira fase do sofrimento
da vítima. Assinale a alternativa que define corretamente esta etapa: A) É o
sofrimento derivado do tratamento frio e burocrático nas delegacias de polícia. B) É a
rejeição que a vítima sofre por parte de seus vizinhos e familiares após o crime. C) É o
dano direto (físico, psicológico, material) causado pela prática do crime, sendo o
sofrimento original infligido pelo ofensor. D) É a sensação de impunidade gerada pela
demora do processo judicial.
23. Sobre a aplicação do Exame Criminológico na execução penal e a Súmula
Vinculante 26 do STF, é correto afirmar que: A) O exame criminológico é obrigatório
para a progressão para o regime aberto, independentemente da gravidade do crime. B) O
STF proibiu a realização do exame criminológico em qualquer fase da execução penal.
C) Para a progressão de regime, o exame criminológico não é obrigatório, devendo o juiz
fundamentar a decisão caso entenda necessário realizá-lo. D) O exame só pode ser
realizado se a vítima do crime concordar expressamente.
24. A teoria de Erving Goffman sobre "Instituições Totais" e o conceito de
"Prisionalização" são utilizados no texto para criticar qual objetivo declarado da
Lei de Execução Penal (LEP)? A) O objetivo de retribuição (castigo), argumentando
que a prisão é muito branda. B) O ideal de ressocialização (integração social),
argumentando que a prisão ensina códigos de violência e dessocializa o indivíduo. C) O
objetivo de arrecadação financeira através do trabalho prisional. D) A separação de presos
provisórios e condenados.
25. No contexto da ADPF 347 e do reconhecimento do "Estado de Coisas
Inconstitucional" (ECI) pelo STF, o que se entende por "ativismo judicial
estrutural"? A) A interferência indevida de juízes em questões partidárias e eleitorais.
B) A atuação do Judiciário no monitoramento de políticas públicas e na exigência de
planos concretos (como planos de vagas) para resolver violações massivas de direitos. C)
A criação de novas leis penais diretamente pelos juízes do STF, sem passar pelo
Congresso. D) A proibição de construção de novos presídios até que a criminalidade
diminua.
26. A Vitimologia Crítica argumenta que os "crimes de colarinho branco" e os
"crimes do Estado" produzem vítimas que o sistema de justiça tende a ignorar. Qual
é a principal crítica feita a esse respeito? A) O sistema é eficiente em punir crimes
patrimoniais comuns, mas lento ou ineficaz em reconhecer e reparar vítimas de crimes
corporativos ou estatais. B) Crimes de colarinho branco não geram vítimas reais, pois o
dano é apenas financeiro. C) As vítimas de crimes ambientais são sempre indenizadas
rapidamente pelas grandes corporações. D) O Estado deve focar apenas nos crimes
violentos, pois crimes financeiros não afetam a sociedade.
27. O Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) trouxe a obrigatoriedade de líderes de
facções iniciarem o cumprimento da pena em estabelecimentos de segurança
máxima. Segundo a análise da "Subcultura Carcerária" apresentada, qual é o efeito
colateral possível dessa medida? A) A dissolução imediata da facção devido à falta de
comunicação. B) O fortalecimento da identidade da facção e da lealdade ao grupo, já que
o isolamento (RDD) não quebra o vínculo, mas o solidifica como única forma de
sobrevivência. C) A conversão automática dos líderes para comportamentos lícitos. D) A
redução drástica da criminalidade nas ruas no dia seguinte à prisão.
28. Uma das funções da informação à vítima sobre a soltura do apenado (Art. 21,
Parágrafo único da LEP) é a "prevenção vitimária situacional". O que isso significa
na prática? A) Permitir que a vítima se vingue do agressor assim que ele sair da prisão.
B) Permitir que a vítima adote medidas de autoproteção (evitar surpresas), especialmente
em casos de violência doméstica ou perseguição (stalking). C) Garantir que a vítima
receba uma arma de fogo do Estado para sua defesa. D) Obrigar a vítima a comparecer à
delegacia para receber o agressor.
29. Foucault, em "Vigiar e Punir", argumenta que a visibilidade é uma armadilha
("Panoptismo"). Como esse conceito se aplica à execução penal moderna e ao RDD?
A) O preso deve ver tudo o que acontece fora da prisão para se sentir parte da sociedade.
B) O poder é mais eficaz quando é invisível, mas o indivíduo é totalmente visível,
levando-o a internalizar a vigilância e a se autodisciplinar. C) As celas devem ter paredes
de vidro para que o público possa assistir à rotina prisional. D) A vigilância só funciona
se houver um guarda fisicamente presente em cada cela 24 horas por dia.
30. Sobre a tensão entre a cobrança da reparação do dano e a pobreza do apenado
na jurisprudência do STJ, é correto afirmar: A) A pobreza do réu é motivo para
aumentar a pena, pois demonstra falta de esforço laboral. B) O apenado deve permanecer
preso até que familiares paguem a dívida da reparação. C) A "insolvência" (falta de
dinheiro) do condenado não pode impedir automaticamente a progressão de regime, salvo
se houver recusa deliberada (dolo) em pagar tendo condições. D) A reparação do dano foi
abolida da LEP pelo Pacote Anticrime.
Gabarito e Fundamentação
21. Resposta: B
• Fundamentação: A Vitimologia estuda o papel da vítima superando a ideia
estigmatizante de "precipitação" para analisar fatores de risco e vulnerabilidade .
22. Resposta: C
• Fundamentação: A Vitimização Primária é definida como o dano direto (físico,
psicológico, material, financeiro) causado pela prática do crime. É o sofrimento
original infligido pelo ofensor .
23. Resposta: C
• Fundamentação: A Súmula Vinculante 26 do STF determina que, para a
progressão para o regime aberto, o exame não é obrigatório. O STJ (Súmula 439)
admite o exame se houver decisão motivada.
24. Resposta: B
• Fundamentação: O conceito de Prisionalização (Prisonization) demonstra que a
prisão não ressocializa, ela dessocializa. O indivíduo aprende a "cultura da
prisão", absorvendo códigos que são disfuncionais no mundo exterior,
contrariando o ideal de ressocialização da LEP .
25. Resposta: B
• Fundamentação: Decisões recentes na ADPF 347 envolvem o Judiciário
assumindo um papel de monitoramento de políticas públicas (ex: planosde
vagas), o que a doutrina chama de "ativismo judicial estrutural" .
26. Resposta: A
• Fundamentação: A Vitimologia Crítica questiona por que o sistema é tão
eficiente em punir crimes patrimoniais comuns e tão lento ou ineficaz em
reconhecer e reparar vítimas de crimes corporativos ou estatais (vítimas
invisíveis) .
27. Resposta: B
• Fundamentação: A Doutrina Criminológica Crítica argumenta que o aumento do
isolamento (RDD) fortalece as facções, pois não quebra a lealdade, mas muitas
vezes a solidifica como única fonte de identidade .
28. Resposta: B
• Fundamentação: A doutrina aponta que a informação à vítima é uma medida de
prevenção vitimária situacional. O objetivo é permitir que a vítima adote medidas
de autoproteção, evitando a surpresa de encontrar o agressor .
29. Resposta: B
• Fundamentação: O Panoptismo de Foucault sugere que o poder é mais eficaz
quando é invisível, mas o indivíduo é totalmente visível. O preso, não sabendo
quando é vigiado, internaliza a vigilância e se autodisciplina .
30. Resposta: C
• Fundamentação: O STJ impede que a insolvência se transforme
automaticamente em maior tempo de encarceramento. A falta de reparação só
impede o benefício se demonstrado que o apenado tinha condições e se recusou
deliberadamente .