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ORÇAMENTO PÚBLICO Tipos e Funções do Orçamento AULA INVERTIDA: Métodos Orçamentários Explore diferentes abordagens para a gestão do orçamento público, fundamentais para a eficiência e transparência dos gastos governamentais. Orçamento Base Zero (OBZ) Orçamento Incremental Orçamento Participativo Tipos de Orçamento Os tipos de orçamento estão diretamente ligados ao regime político ou sistema de governo adotado no país. Existem três tipos principais: Tipo Legislativo Comum em regimes parlamentaristas, onde o poder legislativo tem predomínio nas decisões orçamentárias, ficando o executivo responsável apenas pela execução. Tipo Executivo Comum em regimes mais autoritários, onde o poder executivo controla todas as etapas do ciclo orçamentário, desde o planejamento até a avaliação. Tipo Misto Adotado no Brasil e comum em regimes democráticos, onde há divisão de responsabilidades entre os poderes executivo e legislativo. É importante observar que o poder judiciário não participa diretamente deste processo orçamentário. O Ciclo Orçamentário O ciclo orçamentário é composto por quatro etapas principais, independentemente do tipo de orçamento adotado: Elaboração Planejamento inicial do orçamento Votação Discussão e aprovação (ou apreciação do legislativo) Execução Implementação das atividades previstas Controle Avaliação e acompanhamento Tipo Legislativo: Responsabilidades Características: No orçamento do tipo legislativo, comum em regimes parlamentaristas, as responsabilidades são distribuídas da seguinte forma: O poder legislativo é responsável pela elaboração do orçamento, ou possui participação substancial no processo orçamentário. O legislativo também realiza a votação e aprovação A execução fica a cargo do poder executivo O controle e avaliação retornam ao poder legislativo Exemplos do Tipo Legislativo Países que adotam o orçamento do tipo legislativo, onde o Poder Legislativo tem maior participação e controle no processo orçamentário Estados Unidos O Congresso americano (Câmara dos Representantes e Senado) tem autonomia significativa para alterar, aprovar ou rejeitar a proposta de orçamento enviada pelo Presidente, controlando as finanças federais. Reino Unido O Parlamento britânico (Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes) detém amplos poderes orçamentários, podendo emendar, aprovar ou rejeitar a proposta apresentada pelo Governo. Alemanha O Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) participa ativamente na aprovação do orçamento federal, com capacidade de realizar alterações substanciais na proposta governamental. Exemplos do Tipo Legislativo Japão O Parlamento japonês possui poderes consideráveis sobre o orçamento, podendo aprovar, rejeitar ou emendar a proposta elaborada e apresentada pelo Gabinete. Canadá O Parlamento canadense (Câmara dos Comuns e Senado) exerce influência relevante no processo orçamentário, com capacidade de sugerir modificações e aprovar o orçamento final proposto pelo Governo federal. Tipo Executivo: Responsabilidades Características: Todas as etapas do ciclo orçamentário ficam sob responsabilidade do poder executivo: Elaboração do orçamento Discussão e aprovação Execução das atividades previstas Controle e avaliação dos resultados Neste modelo, não há separação de poderes no que diz respeito ao processo orçamentário, concentrando todas as decisões no executivo. Exemplos do Tipo Executivo Países que demonstram uma forte centralização do poder no Executivo no que diz respeito ao controle orçamentário: Rússia Com um regime político autoritário, a Rússia centraliza fortemente o poder no Executivo. O Presidente exerce controle significativo sobre o processo orçamentário, desde a elaboração até a execução. China Governada pelo Partido Comunista Chinês, a China opera sob um sistema político autoritário. O Executivo detém controle extenso e decisivo sobre as finanças e o orçamento do Estado. Arábia Saudita Sendo uma monarquia absolutista, a Arábia Saudita concentra o poder executivo e político supremo no Rei, que detém o controle total sobre a elaboração e execução do orçamento nacional. Tipo Misto: O Modelo Brasileiro Este modelo funciona com base no sistema de freios e contrapesos (checks and balances), garantindo a independência entre os poderes, mas com controle mútuo. 1 Elaboração Responsabilidade do poder executivo, que formula a proposta orçamentária 2 Apreciação O legislativo analisa, propõe emendas e aprova o orçamento 3 Execução O executivo implementa as atividades previstas no orçamento aprovado 4 Controle O legislativo fiscaliza, acompanha e monitora a execução orçamentária Principal diferença entre os tipos de orçamentos A distinção fundamental entre os tipos de orçamento reside na distribuição de responsabilidades e poderes entre os Poderes Executivo e Legislativo ao longo do ciclo orçamentário. Essa configuração reflete os princípios de separação de poderes e o sistema de "freios e contrapesos" (checks and balances) inerentes a cada sistema político nacional. Legislativo O Poder Legislativo exerce um protagonismo marcante, sendo responsável por etapas cruciais como a elaboração, votação e controle do orçamento. O Executivo atua primariamente na execução. Executivo Caracteriza-se pela centralização do poder no Executivo. Este Poder controla integralmente todas as fases do ciclo orçamentário, desde a concepção até a avaliação, com pouca ou nenhuma participação do Legislativo nas decisões. Misto (Brasil) Busca o equilíbrio e a colaboração entre os Poderes. O Executivo propõe o orçamento, mas o Legislativo detém o poder de emendar, aprovar e fiscalizar a sua execução, garantindo a autonomia e o controle mútuo. Funções do Orçamento Além dos tipos de orçamento, é fundamental compreender as funções que o governo desempenha através do orçamento público. Estas funções, também conhecidas como funções econômicas ou funções do governo, representam como o Estado atua na economia. O tripé das funções orçamentárias Função Alocativa Oferta de bens e serviços públicos e correção de falhas de mercado Função Distributiva Ajustamento na distribuição de renda e promoção da justiça social Função Estabilizadora Manutenção da estabilidade econômica e alto nível de emprego Bens Públicos Puros: Características Essenciais Bens Públicos ou Bens Puros são um conceito econômico fundamental, referindo-se a um tipo específico de bem ou serviço que apresenta as seguintes características: 1. Não Rivalidade no Consumo O consumo do bem por um indivíduo não reduz a quantidade disponível para os demais. O uso por uma pessoa não impede ou prejudica o uso simultâneo por outras. Exemplo: Assistir a um show de música ao vivo em um espaço amplo ou desfrutar da defesa nacional. O fato de uma pessoa consumir esse bem não diminui a capacidade de outras o fazerem. 2. Não Exclusividade É impossível ou muito difícil excluir alguém do consumo desse bem, mesmo que a pessoa não pague por ele. Exemplo: A iluminação pública de uma rua ou a sinalização de navegação marítima. Uma vez providenciados, é praticamente inviável impedir que qualquer pessoa que esteja na área de alcance desfrute desses serviços. Exemplos de Bens Públicos Puros A compreensão das características de não-rivalidade e não-exclusividade torna-se mais clara ao observar exemplos concretos de bens públicos puros que beneficiam toda a sociedade: Defesa Nacional A segurança e proteção de um país beneficiam todos os cidadãos simultaneamente, sem que o consumo por um indivíduo reduza a proteção de outro. É impossível excluir qualquer cidadão dessa proteção, independentemente de sua contribuição. Iluminação Pública Uma vez instalada, a iluminação nas ruas serve a todos que por ali passam, sem que o uso de uma pessoa diminua a luz para outra.Tampouco é possível impedir que alguém usufrua da luz sem arcar com custos proibitivos. Serviços de Pesquisa e Desenvolvimento A produção de conhecimento científico fundamental (como a cura de doenças ou descobertas sobre o universo) é um bem não- rival e não-excludente. A informação gerada pode ser utilizada por inúmeras pessoas sem esgotar-se e é difícil restringir seu acesso. Sistemas de Sinalização e Trânsito Semáforos e placas de trânsito regulam o fluxo de veículos para todos os motoristas. O uso de um motorista não impede o uso de outro, e é inviável excluir um veículo da observação dessas sinalizações nas vias públicas. Parques Naturais e Áreas de Preservação Quando mantidos para usufruto público geral e conservação ambiental, a beleza cênica e os benefícios ecológicos de um parque nacional, por exemplo, podem ser desfrutados por muitos simultaneamente, e a exclusão de visitantes pode ser impraticável se o acesso é livre. Bens Meritórios: Além dos Bens Públicos Bens meritórios são serviços ou produtos que, apesar de terem características de bens privados (rivalidade e exclusividade), geram fortes benefícios para a sociedade, conhecidos como externalidades positivas. Por essa razão, o governo intervém para incentivar seu consumo ou fornecê-los diretamente, corrigindo a tendência do mercado de ofertá-los em quantidade insuficiente. Natureza Essencial Considerados cruciais para o bem-estar individual e coletivo, como educação, saúde e cultura. Externalidades Positivas Seu consumo não beneficia apenas o indivíduo, mas toda a comunidade, elevando o nível social e econômico. Subprovisão do Mercado A iniciativa privada tende a não ofertar esses bens na quantidade socialmente ótima, devido a falhas de mercado. Características Mistas Diferentemente dos bens públicos puros, são bens rivais e excludentes, mas seu alto valor social justifica a intervenção. Intervenção Justificada O governo age para garantir acesso universal e promover seu consumo, através de subsídios ou provisão gratuita. Bens Meritórios: Características Principais Para aprofundar a compreensão sobre bens meritórios, destacamos suas características essenciais que justificam a intervenção governamental: Externalidades Positivas O consumo desses bens gera benefícios que se estendem não apenas ao indivíduo, mas a toda a sociedade, melhorando o bem-estar coletivo. Alto Valor Social O Estado reconhece o impacto positivo desses bens e busca garantir seu acesso universal, independente da capacidade financeira do cidadão. Provisão Mista Podem ser oferecidos pelo setor privado, mas frequentemente com regulamentação, subsídios ou provisão direta do governo para assegurar a disponibilidade ideal. Subprovisão de Mercado Se deixados exclusivamente à lógica do mercado, esses bens seriam consumidos em quantidade inferior à socialmente desejável. Exemplos de Bens Meritórios Bens meritórios são investimentos cruciais que o governo prioriza para o bem-estar coletivo, mesmo que o mercado não os forneça em quantidade ou qualidade ideais. Eles geram benefícios amplos para toda a sociedade, justificando a intervenção pública. Educação Pública Aumenta o capital humano, produtividade e inovações, reduzindo desigualdades e promovendo a ascensão social, beneficiando a sociedade como um todo. Serviços de Saúde Pública Garantem acesso a tratamentos e prevenção de doenças, melhorando a saúde geral da população e evitando epidemias que afetariam a todos. Saneamento Básico Investimentos em água tratada, esgoto e coleta de lixo previnem doenças, promovem a saúde pública e a qualidade de vida, com impactos diretos no desenvolvimento. Programas de Assistência Social Reduzem a pobreza e a exclusão social, fornecendo redes de segurança que promovem a dignidade e a coesão social, essenciais para a estabilidade do país. Museus e Centros Culturais Públicos Preservam a memória e o patrimônio, estimulam a criatividade, o pensamento crítico e a identidade cultural, enriquecendo a vida cívica e intelectual. Programas de Prevenção e Tratamento de Dependências Químicas Diminuem os custos sociais e de saúde associados ao vício, reintegrando indivíduos e fortalecendo famílias e comunidades. Falhas de Mercado: Quando o Mercado Precisa de Ajuda As falhas de mercado são situações em que o mecanismo de preços, por si só, não consegue alocar de forma eficiente os recursos, impedindo o mercado de gerar o melhor resultado para a sociedade. (resultado subótimo) Externalidades Ocorrem quando a produção ou consumo de um bem afeta terceiros não envolvidos na transação. Exemplos incluem poluição (negativa) ou vacinação (positiva). Assimetria de Informação Uma parte possui mais ou melhor informação que a outra, levando a decisões subótimas. Comum em mercados como seguros ou carros usados. Monopólios Naturais Situações em que um único fornecedor é mais eficiente devido a altos custos fixos e baixos custos marginais, como em serviços de água ou energia. Função Alocativa Definição: A função alocativa trata da alocação de recursos pelo governo para oferecer bens e serviços que o mercado não forneceria adequadamente por conta própria. Principais características: Oferta de bens públicos puros Fornecimento de bens meritórios ou semipúblicos Correção de falhas de mercado Tratamento de externalidades positivas e negativas Políticas utilizadas: O governo utiliza principalmente: Política fiscal (impostos e subsídios) Política regulatória Externalidades na Função Alocativa As externalidades são efeitos indiretos de uma atividade econômica que afetam terceiros não diretamente envolvidos. O governo atua para corrigir ou aproveitar estas externalidades. Externalidades Positivas Benefícios não planejados que uma atividade gera para a sociedade. Exemplo: Educação gera não apenas benefícios individuais, mas também sociais como redução da criminalidade. Ação do governo: Redução de tributos ou concessão de subsídios para incentivar estas atividades. Externalidades Negativas Custos não planejados que uma atividade impõe à sociedade. Exemplo: Poluição gerada por fábricas ou veículos. Ação do governo: Aumento de tributos ou regulamentação mais rígida para desestimular estas atividades. Função Distributiva Definição: A função distributiva visa ajustar a distribuição de renda e riquezas na sociedade, promovendo uma alocação considerada mais justa dos recursos. Principais características: Busca reduzir desigualdades sociais e econômicas Promove transferências de renda entre diferentes grupos sociais Utiliza mecanismos de tributação progressiva Implementa programas de assistência social Política utilizada: O governo utiliza principalmente a política fiscal para exercer sua função distributiva. Exemplos da Função Distributiva 1 Transferências de Renda Programas como Bolsa Família, BPC e Renda Básica, que visam reduzir a desigualdade e garantir um mínimo de bem-estar a populações vulneráveis. 2 Financiamento da Seguridade Social Gastos com previdência, assistência social e saúde pública, redistribuindo recursos entre diferentes grupos geracionais e sociais. 3 Investimentos em Educação e Saúde Recursos para educação básica, ensino superior e acesso à saúde, criando oportunidades e melhorando a qualidade de vida para todos. 4 Incentivos Fiscais Seletivos Benefícios tributários e isenções que favorecem setores específicos ou grupos da população, como deduções de IR para saúde e educação. 5 Tributação Progressiva Sistema tributário com alíquotas maiores para indivíduos e empresas de maior renda, contribuindo para a redistribuição de recursos na sociedade. Função Estabilizadora A função estabilizadora visa manter a estabilidade econômica, política e social do país, atuando sobre agregados macroeconômicos. Estabilização da Renda e do EmpregoProgramas de transferência de renda, seguro-desemprego e outras políticas sociais atuam como "estabilizadores automáticos" Estabilidade Econômica Controle da inflação, equilíbrio da balança de pagamentos e crescimento econômico sustentável. Estabilidade Social e Política Redução de tensões sociais e manutenção da ordem pública através de políticas econômicas adequadas. O governo atua sobre a demanda agregada utilizando mecanismos como transferências, tributos e subsídios para estabilizar a economia. Políticas da Função Estabilizadora Para exercer sua função estabilizadora, o governo utiliza três principais políticas: Política Monetária: Controle da oferta de moeda e das taxas de juros pelo Banco Central Política Fiscal: Gestão dos gastos públicos e da arrecadação de tributos Política Cambial: Intervenção no mercado de câmbio para controlar a taxa de câmbio Estas políticas são utilizadas de forma coordenada para manter a estabilidade macroeconômica, especialmente em momentos de crise ou desequilíbrios significativos. Comparativo das Funções Orçamentárias Função Objetivo Principal Políticas Utilizadas Exemplos Alocativa Oferta de bens públicos e correção de falhas de mercado Fiscal e Regulatória Impostos sobre cigarros, subsídios para educação Distributiva Ajustamento da distribuição de renda Fiscal Imposto de renda progressivo, programas de transferência de renda Estabilizadora Manutenção da estabilidade econômica Monetária, Fiscal e Cambial Controle da inflação, estímulos fiscais em períodos de recessão Estas três funções são complementares e, muitas vezes, uma mesma política pode servir a mais de uma função simultaneamente, dependendo do contexto econômico e social. Aplicação Prática no Brasil Tipo de Orçamento: O Brasil adota o tipo misto de orçamento, com o poder executivo elaborando a proposta e executando o orçamento, enquanto o legislativo aprecia, aprova e fiscaliza. Funções Orçamentárias: Alocativa: Investimentos em infraestrutura, educação e saúde Distributiva: Programas sociais como Bolsa Família e tributação progressiva Estabilizadora: Política de metas de inflação e controle fiscal O sistema orçamentário brasileiro é composto por três instrumentos principais: Plano Plurianual (PPA) Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Lei Orçamentária Anual (LOA) Estes instrumentos formam um sistema integrado de planejamento e orçamento, permitindo ao governo exercer suas funções de forma coordenada e eficiente. Orçamento Clássico ou Tradicional O orçamento clássico ou tradicional é um documento elaborado com um fim básico de controle orçamentário, sem objetivos específicos traçados para atender necessidades públicas e sem preocupação com o planejamento para resolver problemas públicos. Características do Orçamento Tradicional Planejamento Desvinculado Não há conexão direta entre o planejamento de longo prazo e a elaboração orçamentária anual. Foco nos Meios A ênfase está no que o governo adquire (gastos), e não nos resultados ou objetivos a serem alcançados. Natureza Contábil É predominantemente um instrumento de controle financeiro e contábil, sem preocupação com eficiência ou eficácia. Classificação por Unidades As despesas são organizadas por unidades administrativas (órgãos), dificultando a análise por programas ou funções. Caráter Incremental O orçamento é construído a partir do ano anterior, com pequenos ajustes, perpetuando despesas e prioridades passadas. Orçamento de Desempenho ou de Realizações Também chamado de funcional é um documento orçamentário que apresenta duas dimensões importantes: Objetivo do gasto Indica claramente qual a finalidade dos recursos alocados, permitindo melhor compreensão do propósito dos gastos públicos. Programa de trabalho Contém as ações a serem desenvolvidas, detalhando como os recursos serão aplicados para atingir os objetivos propostos. Embora não se constitua um instrumento de planejamento efetivo, representa um avanço em relação ao orçamento tradicional, pois indica os benefícios a serem alcançados pelos diversos gastos e mede o desempenho organizacional. Características do Orçamento de Desempenho O orçamento de desempenho concentra seus esforços no desempenho organizacional (organização ou unidade orçamentária), representando uma evolução em relação ao modelo tradicional. Principais avanços: Indica os benefícios a serem alcançados pelos diversos gastos Mede o desempenho organizacional Considera o objetivo do gasto, não apenas o objeto Inclui programas de trabalho com ações a serem desenvolvidas Uma limitação importante deste modelo é que não há vinculação obrigatória entre planejamento e execução, o que reduz sua eficácia como instrumento de gestão pública. Orçamento-Programa O orçamento-programa representa a mais moderna técnica de elaboração orçamentária, com uma concepção gerencial do orçamento público. É o modelo atualmente utilizado no Brasil, sendo obrigatório para todas as Unidades da Federação. Planejamento Efetivo elo entre o planejamento e as ações executivas da Administração Pública Objetivos Ênfase no objetivo — e não no objeto — do gasto Avaliação Permite avaliar o resultado das ações governamentais através das medidas de eficiência, eficácia e efetividade A concepção é transferida dos meios para os fins, priorizando-se a classificação funcional e a estrutura programática. Há vinculação necessária entre planejamento e execução. Programa de Trabalho no Orçamento-Programa É um instrumento de organização da atuação governamental que articula um conjunto de ações para a concretização de um objetivo comum, visando solucionar um problema ou atender uma demanda da sociedade. Funciona como módulo integrador entre o plano e o orçamento. Em termos de estruturação, Origem e Implementação do Orçamento-Programa Origem histórica: 1949: Governo dos EUA recomendou a adoção de um orçamento baseado em funções, atividades e projetos (Performance Budgeting) 1956: Desenvolvimento do Planing, Programming and Budgeting System (PPBS) Final da década de 50: Difundido pela Organização das Nações Unidas (ONU) Base Legal do Orçamento-Programa no Brasil Lei 4320/64 "Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade e anualidade." Decreto 200/67 "Art. 16. Em cada ano, será elaborado um orçamento- programa, que pormenorizará a etapa do programa plurianual a ser realizada no exercício seguinte e que servirá de roteiro à execução coordenada do programa anual." Constituição Federal "Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais." A Constituição Federal também estabelece em seu Art. 167 que são vedados o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual e que nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual. Decreto Federal nº 2.829/98 O Decreto Federal nº 2.829/98 foi fundamental para a aplicação efetiva do orçamento-programa no Brasil, estabelecendo que toda ação finalística do Governo Federal deveria ser estruturada em Programas orientados para objetivos estratégicos. Segundo o Art. 2º, cada Programa deve conter: Objetivo Órgão responsável Valor global Prazo de conclusão Fonte de financiamento Indicador que quantifique a situação a ser modificada Metas correspondentes aos bens e serviços necessários Ações não integrantes do Orçamento Geral da União Regionalização das metas por Estado O tipo de orçamento moderno que enfatiza a vinculação entre planejamento e orçamento e o estabelecimento de metas e objetivosé o orçamento-programa. Instrumentos de Planejamento e Orçamento O Orçamento-Programa consiste em um plano de trabalho compatibilizado através dos três principais instrumentos de planejamento e orçamento do governo brasileiro: Plano Plurianual (PPA) Estabelece as diretrizes, objetivos e metas estratégicas para um período de 4 anos, servindo como base para os investimentos e programas de duração continuada. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Define as metas e prioridades para o ano subsequente, orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual e dispõe sobre as alterações na legislação tributária. Lei Orçamentária Anual (LOA) Operacionaliza todas as ações governamentais e aloca os recursos para o alcance dos objetivos e metas estabelecidos no PPA e detalhados na LDO. Essa sinergia entre os instrumentos assegura que o Orçamento-Programa seja um mecanismo eficaz para o planejamento e a execução das políticas públicas. ATIVIDADE QUALITATIVA (ESAF – Analista Administrativo – ANAC – 2016) A ação do governo por meio da política fiscal abrange três funções básicas: a função alocativa, a função distributiva e a função estabilizadora. Com relação às políticas alocativa, distributiva e estabilizadora do governo, assinale a opção incorreta. a) A alocação dos recursos pelo governo tem como objetivo principal a oferta de determinados bens e serviços, que são necessários e desejados pela sociedade e não são providos pelo setor privado. b) A política distributiva altera a distribuição de renda ditada pelos mercados na medida em que se torna socialmente inaceitável. c) A política estabilizadora busca a equidade. d) A ação distributiva da renda é feita por meio de oportunidades educacionais, pagamentos em dinheiro e gastos públicos sociais. e) As medidas de estabilização dizem respeito às grandes variáveis macroeconômicas, cujo desempenho afeta a economia em uma dimensão nacional. ATIVIDADE QUALITATIVA (FGV – Técnico de Administração – Conder – 2013) O Estado realiza políticas econômicas para promover o emprego e o desenvolvimento social, diante da incapacidade do mercado em promovê-los. Essa ação do Estado está baseada na função: (A) distributiva. (B) alocativa. (C) social. (D) estabilizadora. (E) financeira. ATIVIDADE QUALITATIVA (FGV – Analista – Orçamento e Finanças – IBGE – 2016) As concepções que norteiam o desenvolvimento das técnicas orçamentárias passaram por constante evolução, sobretudo em decorrência da maior complexidade das atividades desempenhadas pelos entes estatais. Porém, os primeiros modelos de orçamento foram desenvolvidos a partir da concepção de orçamento tradicional. Uma característica associada a essa concepção inicial do orçamento é: (A) alocação de recursos visando à consecução de objetivos e metas; (B) classificações suficientes para instrumentalizar o controle de despesas; (C) consideração dos custos dos projetos, inclusive os que extrapolam o exercício; (D) decisões orçamentárias tomadas com base em avaliações; (E) estrutura do orçamento relacionada a aspectos administrativos e de planejamento. ATIVIDADE QUALITATIVA (CESPE – Administrador - Polícia Federal – 2014) No Brasil, elabora-se o orçamento do tipo legislativo, dada a competência para votar e aprovar o orçamento ser do Poder Legislativo. Julgue o item como Certo (C) ou Errado (E).