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DIREITO CONSTITUCIONAL Controle de Constitucionalidade Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 221103555299 LUCIANO DUTRA Advogado da União desde 2009, com atuação no Supremo Tribunal Federal. Autor de livros. Professor de Direito Constitucional com ampla experiência em cursos preparatórios para concursos públicos e Exames de Ordem presenciais e on-line. Aprovado em diversos concursos públicos. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora e pós-graduado em Direito Público. Graduado e pós-graduado em Ciências Militares. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra SUMÁRIO Controle de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 2. Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 3. Pressupostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 4. Legislação Aplicada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 5. Inconstitucionalidade por Ação e por Omissão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 6. Inconstitucionalidade Material e Formal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 7. Inconstitucionalidade Total ou Parcial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 8. Sistemas de Controle de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 9. Momento do Controle de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 10. Modelos de Controle de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 11. Formas de Controle de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 12. Controle Difuso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 13. Controle Concentrado – Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) . . . . . . . . 34 14. Controle Concentrado – Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 15. Controle Concentrado – Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) . . . . 55 16. Controle Concentrado – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 17. Controle Concentrado – Representação Interventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 18. Inconstitucionalidade por Arrastamento, por Arrasto, por Atração, Consequencial ou por Reverberação Normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 19. Inconstitucionalidade Superveniente versus Revogação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 20. Normas Constitucionais Originárias Inconstitucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 21. Transcendência dos Motivos Determinantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 22. Declaração de Nulidade sem Redução de Texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 23. Inconstitucionalidade Progressiva, Lei ainda Constitucional ou O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Inconstitucionalidade em Trânsito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 24. Bloco de Constitucionalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 25. Controle de Constitucionalidade nos Estados-Membros e no Distrito Federal 72 26. Controle de Constitucionalidade pelos Tribunais de Contas . . . . . . . . . . . . . . . 73 27. Controle de Constitucionalidade na Ação Civil Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 28. Estado de Coisas Inconstitucional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 29. Súmulas e Jurisprudência Aplicáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADECONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 1 . introDuÇÃo1 . introDuÇÃo Querido(a) aluno(a), estamos de volta. Espero que você esteja pleno(a) de saúde e disposto(a), pois enfrentaremos uma árdua caminhada. Primeiramente, caso você tenha preconceito com o controle de constitucionalidade, peço, encarecidamente, que se livre dessa mágoa. Reconheço que o controle de constitucionalidade é uma matéria extensa, mas está longe de ser um “bicho de sete cabeças”. Aliás, reputaria o assunto como fácil. Mas, para absorver os conhecimentos que apresentarei, concito que esteja de alma leve, sem trazer para nosso agradável encontro dissabores passados. Combinado? Então, vamos lá!!! Aperte o cinto que o avião do Gran Cursos Online decolará! 2 . ConCeito2 . ConCeito O que é e para que serve o controle de constitucionalidade? O controle de constitucionalidade é um conjunto de atos tendentes a garantir a supremacia formal da Constituição. Destina-se a averiguar a compatibilidade vertical das demais normas jurídicas e atos do Poder Público com o seu fundamento de validade – a Constituição Federal. Se uma lei é elaborada desrespeitando os mandamentos constitucionais, deve ser expurgada do ordenamento jurídico. Para isso, os órgãos estatais se valem do controle de constitucionalidade. 3 .Federal; X – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; XI – os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. Por fim, do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula vinculante aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. 037. 037. Súmula vinculante deve ser aprovada por maioria absoluta dos votos do STF e incidir sobre matéria constitucional que tenha sido objeto de decisões reiteradas desse tribunal. O quórum é de 2/3. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 32 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 038. 038. A súmula vinculante terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Exatamente isso!!! Certo. 039. 039. Uma decisão judicial do Tribunal de Justiça do Estado X contrariou a súmula vinculante 43, que dispõe ser “inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido”. Contra a decisão judicial que contraria a súmula caberá: a) Recurso Extraordinário. b) Reclamação Constitucional ao STF. c) Mandado de Segurança. d) Habeas data. É o que determina o art. 103-A, § 3º, da CF/1988. Letra b. Ponto interessante que merece destaque diz respeito à extensão dos efeitos vinculantes. Como disse na minha obra Direito Constitucional Essencial, conforme delineado pelo caput e pelo § 3º do art. 103-A, o efeito vinculante dirige-se, precipuamente, ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo das três esferas federativas. Isso não significa que o Poder Legislativo não seja atingido pelos efeitos vinculantes da súmula, haja vista que, atipicamente, também exerce atividades administrativas. Vale dizer, o efeito vinculante da súmula atinge o Poder Legislativo quando atua na realização de sua função atípica de administrador (exemplo: nomeação de servidor público). A súmula vinculante não atinge o Legislativo na sua função típica de legislar. Não vincula, portanto, os atos legislativos próprios (leis ordinárias, leis complementares, emendas constitucionais etc.). A ideia estende- se às medidas provisórias que, apesar de criadas pelo Poder Executivo, cuida-se de verdadeiro ato normativo primário e, portanto, não sujeito ao efeito vinculante da súmula. O Poder Legislativo deve respeitar, por exemplo, o enunciado da súmula vinculante 13: a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos Poderes O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 33 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.2 DE OLHO NO DETALHE Os efeitos vinculantes da súmula atingem: 1) o Poder Executivo, salvo quando exerce a função típica de legislar; 2) o Poder Judiciário; 3) o Poder Legislativo, quando exerce as funções atípicas de administrar e julgar. 040. 040. Uma súmula vinculante editada pelo STF terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, não atingindo, pelo princípio da separação dos poderes, os Poderes Legislativo e Executivo, que possuem meios próprios de vinculação de seus atos. Atinge o Legislativo no exercício da sua função atípica de administrador, bem como atinge o Poder Executivo. Só não alcança a função legislativa. Errado. Antes de continuarmos, vejamos um mapa mental. 2 DUTRA, Luciano. Direito Constitucional Essencial. Editora Método. 3ª edição. 2017. p. 78. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 34 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 3° São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – o Procurador-Geral da República; V – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VI – o Defensor Público-Geral da União; VII– partido politico com representação no Congresso Nacional; VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional; IX- a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; X – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; XI – os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. LEGITIMADOS influenciada pelas “stare decisis” norte-americanas (as decisões da Suprema Corte gozam de efeito vinculante) EFEITO art. 103-A REQUISITOS art. 103-A. § 2º? art. 3° da Lei n. 11.417, de 2006, ampliou o rol 2/3 reiteradas decisões controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à toda a administração pública atinge o Legislativo na função atípica de administrador (ex.: SV 13) não atinge o Legislativo na função típica de legislador (separação dos poderes) não atinge o Executivo na função atípica de legislador SÚMULA VINCULANTE 13. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DIRETA DE 13. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI)INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) Legitimação ativa: temos que decorar o rol do art. 103, I a IX. Vejamos: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII – partido político com representação no Congresso Nacional; IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Reconheço que não é tarefa fácil esta memorização. Vou passar para você uma dica: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquermeios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 35 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra DICA DO LD 3 autoridades: Presidente da república; Governadores; Procurador-Geral da república . 3 mesas: Mesa do senado Federal; Mesa da Câmara dos Deputados; Mesa das assembleias legislativas . 3 instituições: Conselho Federal da oaB; partido político com representação no Congresso nacional; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional . DE OLHO NOS DETALHES 1) Entende-se por partido político com representação no Congresso Nacional aquele que possui pelo menos um Deputado Federal ou um Senador da República. 2) Segundo o entendimento do STF, a representação há de ser comprovada no momento da propositura da ação e não no momento do seu julgamento. Ou seja, não se fala em perda superveniente de legitimidade se, entre a propositura da ADI e o julgamento, o partido político perder sua representação no Congresso Nacional. 3) Só a confederação sindical possui legitimidade ativa. Isto é, os sindicatos, as federações sindicais e as centrais sindicais não são legitimadas ativas. 4) Quanto às entidades de classe de âmbito nacional, o STF muda seu entendimento para reconhecer a legitimidade das denominadas “associações de associações” (também conhecidas como entidades de classe de segundo grau), que congregam exclusivamente pessoas jurídicas como associados. 5) Segundo o STF, as entidades de classe de âmbito nacional, que reúnam membros de mais de uma atividade profissional ou econômica, em razão da heterogeneidade da sua composição, não possui legitimidade ativa. 041. 041. Não possui legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade: a) A mesa da Câmara dos Deputados. b) A mesa do Senado Federal. c) A mesa do Congresso Nacional. d) A mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal. e) A confederação sindical de âmbito nacional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 36 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra A única alternativa que não representa um legitimado ativo presente no art. 103 é a letra c. Percebeu como é importante memorizar o rol do art. 103? Letra c. 042. 042. O controle da inconstitucionalidade por omissão pode ocorrer por meio do mandado de injunção ou da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, a qual pode ser proposta por ministério público estadual, que é constitucionalmente um dos legitimados ativos. Conforme o rol taxativo do art. 103, o MP estadual não pode propor ADI. Errado. 043. 043. A ação direta de inconstitucionalidade tem por finalidade a declaração de que determinada lei ou parte dela vai contra o texto constitucional brasileiro. Nesse sentido, é INCORRETO afirmar que seja legitimado a propor ação direta de inconstitucionalidade. a) Governador de Estado ou do Distrito Federal. b) Procurador-Geral da República. c) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. d) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito estadual ou nacional. e) Partido político com representação no Congresso Nacional. Considerando o rol do art. 103, da CF/1988, a única alternativa incorreta é a letra “d”. Todos os demais são legitimados ativos para entrar com as ações de controle concentrado de constitucionalidade. Letra d. É importante dizer que nesse rol taxativo do art. 103 há legitimados universais e legitimados especiais. Mas qual a diferença? Os legitimados universais podem arguir a inconstitucionalidade de qualquer matéria, ao passo que os legitimados especiais só podem levar para o STF a discussão de matérias sobre as quais demonstrarem interesse (aquilo que se denomina pertinência temática). São legitimados universais: Presidente da República; Mesa do Senado Federal; Mesa da Câmara dos Deputados; Procurador-Geral da República; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; partido político com representação no Congresso Nacional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 37 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra São legitimados especiais: Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; Governador de Estado ou do Distrito Federal; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 044. 044. Não se exige, para fins de ajuizamento e conhecimento da ADI, a prova da pertinência temática por parte das Mesas do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das assembleias legislativas dos estados ou da Câmara Legislativa do DF. As Mesas da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal são legitimados especiais, ou seja, devem demonstrar a pertinência temática. Errado. 045. 045. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade os legitimados no art. 103 da Constituição Federal, entretanto a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acrescentou a necessidade de comprovar a pertinência temática, como exigência adicional por parte, entre outros, a) do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. b) do Procurador-Geral da República. c) de confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. d) de partido político com representação no Congresso Nacional. e) do Presidente da República. A confederação sindical e a entidade de classe de âmbito nacional são legitimadas ativas especiais, que devem demonstrar pertinência temática. Todos os demais aqui citados são legitimados ativos universais. Letra c. 046. 046. O Presidente da República e um Governador de Estado propuseram, em conjunto, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sem a demonstração da pertinência temática. O Ministro Relator, entretanto, indeferiu liminarmente a ADI, sob a alegação de que ambos são legitimados especiais e deveriam comprovar o efetivo interesse na causa. Nesse caso, com base na jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que a) apenas o Presidente precisa comprovar interesse na causa. b) o Governador precisa comprovar interesse na causa. c) ambos precisam comprovar interesse na causa. d) nem o Presidente nem o Governador precisam comprovar interesse na causa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 38 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra O Presidente da República é legitimado ativo universal, não necessitando demonstrar pertinência temática. No entanto, o Governador é legitimado ativo especial, devendo demonstrar o interesse na causa. Letra b. Outro ponto que merece nossa abordagem é a necessidade ou não de constituir advogado. Será que todos os legitimados têm capacidade postulatória para ir ao Supremo sem advogado? Na verdade, não. Uns possuem essa capacidade postulatória, outros não. Portanto, quem necessita de advogado? Os partidos políticos com representação no Congresso Nacional, as confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional NECESSITAM da assistência de advogado para a propositura da ADI. Em sentido contrário, os demais legitimados poderão impetrar a ação direta sem a necessidade de um advogado, na medida em que detêm capacidade postulatória.047. 047. Uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Governador do Distrito Federal perante o Supremo Tribunal Federal deve necessariamente ser assinada por Procurador do Distrito Federal. O Governador de Estado e o Governador do DF não precisam constituir advogado, porque possuem a capacidade postulatória para impetrar a ADI. Errado. Art. 103, I a IX 3 autoridades, 3 mesas e 3 instituições Legitimados universais e especiais (pertinência temática) Só confederações sindicais (não sindicatos, federações sindicais e centrais sindicais) CAPACIDADE POSTULATÓRIA não possuem: partido político, confederação sindical e entidade de classe ADI LEGITIMAÇÃO ATIVA ENTIDADES DE CLASSE de segundo grau (“associações de associações”): sim heterogêneas: não PARTIDOS POLÍTICOS 1 Dep. ou 1 Sen. não há perda superveniente de legitimidade Objeto: o primeiro ponto aqui é memorizar o art. 102, I, a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 39 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; Portanto, fica claro que a competência do STF para julgar ADI alcança somente leis federais e estaduais, não alcançando as leis municipais. E as normas do Distrito Federal, como ficam? Bem, o DF possui a chamada competência cumulativa, ou seja, acumula as competências estaduais e municipais. Se a norma do DF for no exercício das competências estaduais, poderá ser atacada no STF por ADI, no entanto, se for no uso das competências municipais, não poderá. Aliás, dessa maneira foi sumulada no STF, perceba: Súmula 642, do STF: “não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal”. Nessa linha, podem ser objeto de ADI: emendas constitucionais de reforma, emendas constitucionais de revisão, tratados internacionais equiparados às emendas, leis ordinárias, leis complementares, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos, resoluções, tratados internacionais não equiparados às emendas, decretos autônomos, regimentos internos dos tribunais, Constituições Estaduais, Lei Orgânica do Distrito Federal. DE OLHO NOS DETALHES 1) Só podem ser objeto de ADI atos normativos primários (aqueles que buscam seu fundamento de validade direto da Constituição Federal) federais e estaduais. 2) Leis municipais não podem ser objeto de ADI. É o que a doutrina chama de “silêncio eloquente”. O silêncio da Constituição afirma que não pode ADI em face de lei municipal. 3) leis distritais só podem ser objeto de ADI se forem editadas no uso de competência estadual. DICAS DO LD 1) em razão da jurisprudência do stF, só poderão ser impugnadas em ação direta as leis e atos normativos federais e estaduais que: a) sejam pós-constitucionais: para o supremo não é possível o controle de constitucionalidade de lei anterior à Constituição pela via da ação direta de inconstitucionalidade; b) possuam conteúdo normativo geral e abstrato: segundo o stF, só constitui ato normativo idôneo a submeter-se ao controle abstrato da ação direta de inconstitucionalidade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 40 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra aquele dotado de um coeficiente mínimo de abstração ou, pelo menos, de generalidade; c) não sejam tipicamente regulamentares: o stF não admite aDi em face de atos normativos de caráter regulamentar (chamados de atos normativos secundários) . no caso, a ofensa à Constituição é meramente reflexa. Não há, na verdade, uma inconstitucionalidade, mas mera crise de legalidade; d) estejam em vigor: é pacífico o entendimento do stF no sentido de não ser cabível a ação direta de inconstitucionalidade contra ato revogado; e) não sejam questões interna corporis; f) não sejam normas constitucionais originárias: não se admite controle concentrado ou difuso de constitucionalidade de normas produzidas pelo Poder Constituinte originário; 2) as súmulas de jurisprudência aprovadas pelos tribunais do Poder Judiciário não podem ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade, por não apresentarem características de ato normativo . as súmulas, apesar de refletirem a interpretação dada pelo Poder Judiciário, não constituem, por si só, uma norma, mas decisões sobre normas . 3) o stF passou a admitir a propositura de aDi em face de atos de efeitos concretos com caráter genérico e abstrato, como as leis orçamentárias . 048. 048. A emenda constitucional pode ser objeto de controle de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal (STF). É uma lei em sentido amplo federal, portanto, pode ser objeto de ADI. Certo. 049. 049. São objeto de ADI: atos normativos primários, tratados internacionais, atos normativos federais, regimento interno, decreto autônomo, leis ou atos normativos anteriores a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 41 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 05/10/1988, constituições e leis estaduais, decretos (com força de lei) e atos normativos estaduais. Os atos normativos primários (aqueles que buscam seu fundamento de validade direto da Constituição Federal), tratados internacionais, atos normativos federais, regimento interno dos tribunais, decreto autônomo (produzido à luz do art. 84, VI), constituições e leis estaduais, decretos (com força de lei) e atos normativos estaduais PODEM ser objeto de ADI. No entanto, leis ou atos normativos anteriores a 05/10/1988, data da publicação do ato de promulgação da atual Constituição, não. Somente leis e atos normativos federais e estaduais pós-constitucionais podem ser objeto de ADI. Errado. 050. 050. É possível discutir judicialmente a constitucionalidade formal e material de uma Emenda Constitucional regularmente promulgada e publicada. Emenda constitucional, como norma constitucional derivada, pode ser objeto de controle de constitucionalidade. O que não pode são as normas constitucionais originárias. Certo. 051. 051. Em respeito ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, quando não caracterizado o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis. Conforme pacífica jurisprudência do STF, não pode ser objeto de controle de constitucionalidade matéria interna corporis. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 42 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra ADI OBJETO Art. 102, I, a Leis e atosnormativos federais e estaduais Leis municipais: silêncio eloquente Leis distritais: só na competência estadual (Súmula 642 do STF) Súmula de jurisprudência: não Atos de efeitos concretos com caráter genérico e abstrato (leis orçamentárias): sim primário atos regulamentares não (inconstitucionalidade é reflexa) – crise de legali- dade pós-constitucionais em vigor não sejam questões “interna corporis” não sejam normas constitucionais originárias SOMENTE ATOS NORMATIVOS: Atuação do Procurador-Geral da República (PGR): a atuação do PGR tem base constitucional no art. 103, VI (como legitimado universal) e no mesmo art. 103, § 1º. Perceba: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: […] VI – o Procurador-Geral da República; […] § 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal. Ou seja, o PGR é um dos legitimados para propor as ações de controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da comprovação de interesse na matéria (legitimado ativo universal). Além disso, deverá ele ser previamente ouvido em todas as ações do controle concentrado e nos demais processos de competência do STF na qualidade de custus legis (fiscal da lei). Importante sabermos que o parecer do PGR é obrigatório, porém ele tem total liberdade para opinar a favor ou contra a inconstitucionalidade do tema constitucional sob julgamento. Atuação do Advogado-Geral da União (AGU): o AGU também desempenha um papel importante no julgamento da ADI, haja vista que é citado para defender o ato normativo impugnado. É o que está expresso no art. 103, § 3º: Art. 103, § 3º Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 43 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Cuidado com isso!!! É uma atuação vinculada (defender o ato impugnado), mas o Supremo relativizou o comando constitucional autorizando que, em dadas situações, o AGU poderá defender a inconstitucionalidade, nos casos em que o próprio STF já tiver se manifestado em outro processo pela inconstitucionalidade da norma atacada. DE OLHO NOS DETALHES 1) O PGR sempre será ouvido nas ações de controle concentrado. 2) Dada a sua independência funcional, o PGR é livre para se manifestar pela constitucionalidade ou pela inconstitucionalidade da lei atacada. 3) O AGU será citado para defender o ato impugnado. Ele atua como curador do princípio da constitucionalidade das leis. 4) O STF admite que o AGU defenda a inconstitucionalidade da norma atacada quando o próprio STF já tiver se manifestado pela inconstitucionalidade da lei em outro processo (ADI 1.616). 052. 052. A citação prévia do Advogado-Geral da União em todas as ações de inconstitucionalidade apreciadas pelo STF representa a realização de função constitucional imprescindível e que se equipara à de curador em defesa das normas infraconstitucionais. O único erro é o termo “imprescindível”. Primeiramente, o AGU não é citado nas ações declaratórias de constitucionalidade, justamente pelo fato do autor buscar a declaração de constitucionalidade. Assim, não há necessidade do AGU defender aquilo que o autor pede. Além disso, em ações diretas de inconstitucionalidade em que há precedente no STF pela inconstitucionalidade, o AGU pode defender a inconstitucionalidade da norma, conforme ensinei acima. Errado. 053. 053. Quando o STF apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, compete ao Advogado-Geral da União exercer a função de curador especial do princípio da presunção de constitucionalidade da norma, razão pela qual não poderá, em hipótese alguma, manifestar-se pela inconstitucionalidade do ato impugnado. Mais uma vez, temos o mesmo erro. Há a possibilidade de o AGU defender a inconstitucionalidade nas situações em que o próprio STF já tiver se manifestado pela inconstitucionalidade da norma atacada. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 44 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra ATUAÇÃO DO AGU ATUAÇÃO DO PGR Legitimado universal (art. 103, VI) “Custus legis” (art. 103, § 1º) Parecer obrigatório com liberdade para opinar Atuação vinculada como regra (are. 103, § 3°) Defende como regra a constitucionalidade Curador da presunção de constitucionalidade das leis Exceção: quando já houver posicionamento do STF pela inconstitucionalidade (ADI 1616) ADI Impossibilidade de desistência: art. 5º da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 5º Proposta a ação direta, não se admitirá desistência. DICA DO LD Não se admite desistência do pedido principal e da medida cautelar (liminar) eventualmente suscitada. 054. 054. Antes da concessão da liminar em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, é possível que seu autor peça desistência da mesma. Proposta a ADI, não cabe desistência. Errado. 055. 055. A Ação Direta de Inconstitucionalidade, em face de sua natureza e finalidade especial, é suscetível de desistência a qualquer tempo. Pela mesma razão!!! Errado. Impossibilidade de intervenção de terceiros: art. 7º, caput, da Lei n. 9.868, 1999. Art. 7º Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 45 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra VAMOS APROFUNDAR Cuidado! Muito embora não caiba intervenção de terceiros, o STF admite o “amicus curiae”. O “amicus curiae” (numa tradução literal significa amigo da Corte) é o terceiro interessado, mas não legitimado, que atua no controle concentrado de constitucionalidade como colaborador. Tem por finalidade pluralizar o debate do tema constitucional impugnado, especialmente de assuntos muito técnicos, permitindo que o Tribunal disponha dos elementos necessários à melhor solução da controvérsia constitucional, legitimando democraticamente as decisões do STF. É o que está no art. 7º, § 2º, da Lei 9.868, de 1999, segundo o qual “o relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir a manifestação de outros órgãos ou entidades”. Segundo entendimento do STF, a admissão do “amicus curiae” tem como prazo limite a data de remessa dos autos para mesa de julgamento (ADI 4.071). Diga-se que, se o STF inadmitir o pedido de ingresso do “amicus curiae”, cabe a interposição de agravo. O novo Código de Processo Civil (CPC) tornou o estudo do “amicus curiae” um pouco mais complexo. Como dito acima, em seu art. 7º, caput, a Lei n. 9.868, de 1999, veda a intervenção de terceiros, haja vista o caráter objetivo do processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, incompatível com a busca de interesses econômicos de agentes alheios à relação jurídico- processual. No entanto, justamente pelo caráter objetivo do controle concentrado, o § 2º do art. 7º da Lei n. 9.868, de 1999, autoriza a admissão, pelorelator, de outros órgãos ou entidades, na qualidade de “amici curiae” (plural de “amicus curiae”), sempre que a matéria seja de significativa relevância e os requerentes ostentem representatividade adequada. Segundo o próprio STF: “a intervenção de “amicus curiae” no controle concentrado de atos normativos primários destina-se a pluralizar e a legitimar social e democraticamente o debate constitucional, com o aporte de argumentos e pontos de vista diferenciados, bem como de informações fáticas e dados técnicos relevantes à solução da controvérsia jurídica e, inclusive, de novas alternativas de interpretação da Carta Constitucional, o que se mostra salutar diante da causa de pedir aberta das ações diretas”. Será que caberia pessoa física como “amicus curiae” em controle concentrado de constitucionalidade? O tema é controverso. Reconhece-se que o novo CPC trouxe uma novidade quanto às regras aplicadas ao “amicus curiae”, qual seja, a aceitação da pessoa física como amiga da Corte. No entanto, o STF tem jurisprudência histórica no sentido de que a falta de representatividade da pessoa natural torna-se um obstáculo ao reconhecimento de sua condição como “amicus curiae”. Sendo assim, muito embora o novo CPC traga a possibilidade de aceitação de pessoa física como “amicus curiae”, tal perspectiva depende de mudança da jurisprudência histórica do STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 46 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra OK? 056. 056. Qualquer pessoa juridicamente interessada na declaração de inconstitucionalidade pode ingressar como assistente na ação direta de inconstitucionalidade. Conforme afirmado, não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade. Errado. 057. 057. Segundo a Lei n. 9.868/1999, assinale a alternativa incorreta: a) Se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade. b) O relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado. c) Vencidos os prazos do artigo anterior, o relator lançará o relatório, com cópia a todos os Ministros, e pedirá dia para julgamento. d) Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias. e) Proposta a ação direta, não se admitirá desistência. Na verdade, não se admite intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade, conforme o art. 7º, “caput”, da Lei nº 9.868, 1999. Letra a. Natureza dúplice ou ambivalente: art. 24 da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. Em outras palavras, à luz do art. 24 da Lei n. 9.868, de 1999, e tendo por base que, em sede de ADI, o pedido formulado pelo autor é pelo reconhecimento da inconstitucionalidade da norma, teremos o seguinte: a) se a ação direta é julgada procedente, será declarada a inconstitucionalidade da norma impugnada; b) se a ação direta é julgada improcedente, será declarada a constitucionalidade do texto guerreado3. Perceba que mesmo a improcedência 3 DUTRA, Luciano. Direito Constitucional Essencial. Editora Método. 4ª edição. 2019. p. 87-88. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 47 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra da ação produz efeitos, qual seja, o reconhecimento pelo STF da constitucionalidade da lei impugnada. Impossibilidade de recurso (salvo embargos de declaração) e de ação rescisória: art. 26 da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória. DICA DO LD em Constitucional, não precisamos saber o que são embargos de declaração e ação rescisória . Basta-nos saber o que está no art . 26, da lei n . 9 .868, de 1999 . 058. 058. Decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de norma pode ser atacada por embargos de declaração, mas não poderá ser desconstituída em ação rescisória. Exatamente isso!!! Certo. 059. 059. É cabível ação rescisória contra decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade após o trânsito em julgado da decisão. Não cabe ação rescisória. Errado. 060. 060. O partido L promoveu ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, tendo obtido decisão que declarou a inconstitucionalidade de determinada lei federal. Tal decisão, nos termos da lei de regência, é irrecorrível, salvo a apresentação de: a) ação rescisória b) agravo regimental c) incidente de infringência d) embargos declaratórios O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 48 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra É o que estabelece o art. 26, da Lei nº 9.868, de 1999. Letra d. Não há perda do direito de ação por decurso do prazo: importante que se diga que a propositura de ADI não se sujeita a nenhum prazo limite, ou seja, os legitimados pelo art. 103 podem propor a ação em qualquer tempo, uma vez que os atos inconstitucionais não se convalidam pelo decurso do tempo. 061. 061. Para a propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade, se faz necessário observar um dos requisitos objetivos pertinente ao prazo prescricional. Conforme afirmamos, não há prazo. Errado. 062. 062. O ajuizamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade não se sujeita a prazos prescricional ou decadencial, vez que atos inconstitucionais não são suscetíveis de convalidação pelo decurso do tempo. Exatamente isso!!! Certo. Efeitos da decisão: muito cuidado com esse ponto!!! Despenca em concurso público. Vamos inicialmente ler o art. 102, § 2º, da CF, e o art. 28, parágrafo único, da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 102, § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 49 de 158gran.com.br Direito ConstituCionalControle de Constitucionalidade Luciano Dutra redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. Portanto, são efeitos da decisão tomada pelo STF no julgamento das ADIs: 1) eficácia erga omnes (contra todos que se encontrem perante a mesma situação jurídica enfrentada no julgamento): por se tratar de processo objetivo, os efeitos da decisão atingem a todos que se encontram sob a mesma situação jurídica; 2) efeito vinculante: atinge todo o Poder Judiciário (menos o próprio STF, que poderá mudar seu entendimento), bem como o Poder Executivo e o Poder Legislativo quando executam a função administrativa. Não vinculam o Poder Legislativo e o Poder Executivo quando exercem a função legislativa, sob pena de ferir a independência entre os Poderes; 3) efeitos retroativos (ex tunc): em regra, a declaração de inconstitucionalidade retroage ao início da vigência do ato guerreado, uma vez que vige a tese da nulidade dos atos inconstitucionais. Porém, a lei permite que o STF, em situações excepcionais, modifique os efeitos temporais da sua decisão, nos termos do art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999. Vejamos: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. DICA DO LD Muito embora concebida para o controle concentrado de constitucionalidade, é possível a aplicação da modulação dos efeitos temporais da decisão proferida pelo stF no controle difuso de constitucionalidade . 063. 063. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria absoluta de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Maioria de 2/3. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 50 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 064. 064. O STF admite a modulação de efeitos da decisão que declare a inconstitucionalidade no controle difuso concreto e no controle concentrado abstrato. O comando do art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999, aplica-se tanto no controle concentrado quanto no difuso, mas sempre pelo STF. Certo. Não vinculação à causa de pedir: no julgamento da ADI, o STF pode decidir por fundamentação diversa daquela trazida pelo autor. É o que se chama de causa de pedir aberta. Mas cuidado, o pedido vincula!!! Ou seja, se o autor pede a declaração de inconstitucionalidade apenas do art. 1º de uma determinada lei, o STF só analisará este art. 1º por força do princípio da demanda. 065. 065. Em matéria de ação direta de inconstitucionalidade, é certo que o Supremo Tribunal Federal fica vinculado aos fundamentos apresentados pelo proponente, por ser a causa de pedir restrita ou fechada, vedando-se que a decisão seja assentada em qualquer parâmetro constitucional. É justamente o contrário. O Supremo Tribunal Federal NÃO fica vinculado aos fundamentos apresentados pelo proponente, por ser a causa de pedir ABERTA, PERMITINDO que a decisão seja assentada em qualquer parâmetro constitucional. Errado. 066. 066. Na ação direta de inconstitucionalidade, a atividade judicante do STF está condicionada pelo pedido, mas não pela causa de pedir, que é tida como “aberta”. Exatamente isso!!! Certo. Possibilidade de concessão de medida cautelar: segundo o art. 10, da Lei n. 9.868, de 1999, salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do STF, após a audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão pronunciar-se no prazo de cinco dias. Segundo o art. 11, § 1º, da Lei n. 9.868, de 1999, a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o STF entender que deva conceder- lhe eficácia retroativa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 51 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Importante dizer que, segundo o STF, somente a concessão da medida cautelar terá efeito vinculante. Por fim, a concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário pelo STF (art. 11, § 2º, da Lei n. 9.868, de 1999). Sobre a possibilidade de concessão de medida cautelar, a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que o Supremo deve analisar a conveniência política de eventual suspensão cautelar da lei impugnada. Na ADI 5.077, o Min. Alexandre de Moraes cita diversos precedente da Corte para afirmar que “A análise dos requisitos do fumus boni iuris e periculum in mora para a concessão de medida liminar em sede de controle abstrato de constitucionalidade admite maior discricionariedade por parte do STF, com a realização de verdadeiro juízo de conveniência política da suspensão da eficácia”. Entendeu ADI? Espero que sim! Para finalizar essa parte, vejamos alguns mapas mentais. NATUREZA DÚPLICE OU AMBIVALENTE MEDIDA CAUTELAR Possível (arts. 10 e 11 da Lei n. 9.868, de 1999) Eficácia “ex nunc” (como regra), “erga omnes” e vinculante (art. 11, § 1º, da Lei n. 9.868, de 1999) STF: somente a concessão possui efeito vinculante A concessão da medida cautelar produz efeito repristinatórios tácito (art. 11, § 2º, da 9.868, de 1999) Art. 24 da Lei n. 9.868, de 1999 ADI Art. 5º da Lei n. 9.868, de 1999 Do pedido principal e do pedido de concessão de medida cautelar Art. 7º , “caput”, da Lei n. 9.868, de 1999 IMPOSSIBILIDADE DE DESISTÊNCIA Terceiro interessado, mas não legitimado Colaborador para pluralizar o debate Art. 7º, § 2º, da Lei n. 9.868, de 1999 Prazo: remessa dos autos para julgamento (STF) STF: não aceita pessoa física Decisão que admitir é irrecorrível Decisão que inadmitir cabe agravo “AMICUS CURIAE” IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS ADI O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 52 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra causa de pedir abertaNÃO VINCULAÇÃO À CAUSA DE PEDIR VINCULAÇÃO AO PEDIDO Art. 26 da Lei n. 9.868, de 1999IMPOSSIBILIDADE DE RECURSO (SALVO ED) E DE AÇÃO RESCISÓRIA IMPOSSIBILIDADE DE PERDA DO DIREITO DE AÇÃO POR DECURSO DO PRAZO EFEITOS DA DECISÃO Art. 102, § 2° Eficácia “erga omnes” Efeito vinculante Eficácia “ex tunc”, como regra Possibilidade de modulação dos efeitos temporais (art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999) ADI 14. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DIRETA DE 14. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO)INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO) Querido(a) aluno(a), fique com a seguinte ideia: o julgamento da ADO segue o mesmo procedimento anteriormente estudado para a ADI, ressalvadas as peculiaridades a seguir examinadas. Portanto, os assuntosestudados nas seções anteriores, como o objeto, a não vinculação à causa de pedir, a vinculação ao pedido, a impossibilidade de desistência, a impossibilidade de intervenção de terceiros, a natureza dúplice, a impossibilidade de recurso (salvo embargo de declaração), a impossibilidade de ação rescisória e a inexistência de perda do direito de ação por decurso do prazo valem para a ADO também. Vamos tratar das peculiaridades da ADO, ok? Venha comigo. Finalidade: conforme vimos anteriormente, o Poder Público pode ofender a Constituição por uma inação, nas situações em que a própria Constituição exige um fazer do Estado. O não fazer inconstitucional pode ser atacado pela ADO, para que o STF reconheça a inconstitucionalidade por omissão. Legitimação ativa: é a mesma para a propositura da ADI, ou seja, o rol taxativo do art. 103, I a IX. Atuação do PGR: vale exatamente o que vimos na ADI, isto é, é obrigatória e livre (art. 103, IV e art. 103, § 1º). Conforme ensinamos, o PGR é um dos legitimados para propor as ações de controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da comprovação de interesse na matéria. Além disso, deverá ele ser previamente ouvido em todas as ações do controle concentrado e nos demais processos de competência do STF na qualidade de custus legis (fiscal da lei). Atuação do AGU: segundo a norma aplicável, a atuação do AGU é facultativa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 53 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Vejamos o art. 12-E, da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 12-E. Aplicam-se ao procedimento da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, no que couber, as disposições constantes da Seção I do Capítulo II desta Lei. § 1º Os demais titulares referidos no art. 2º desta Lei poderão manifestar-se, por escrito, sobre o objeto da ação e pedir a juntada de documentos reputados úteis para o exame da matéria, no prazo das informações, bem como apresentar memoriais. § 2º O relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias. § 3º O Procurador-Geral da República, nas ações em que não for autor, terá vista do processo, por 15 (quinze) dias, após o decurso do prazo para informações. 067. 067. Na Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão é obrigatória a oitiva do Advogado- Geral da União, tendo em vista que qualquer ato impugnado deve ser defendido. Como vimos, no julgamento da ADO, a oitiva do AGU é facultativa, uma vez que o relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União. Errado. 068. 068. O Advogado-Geral da União deverá ser obrigatoriamente ouvido, em ações de inconstitucionalidade por comissão ou omissão, para defesa do ato normativo ou inércia alegada, ainda que sua origem seja estadual. O Advogado-Geral da União deverá ser obrigatoriamente ouvido, em ações de inconstitucionalidade por comissão APENAS, para defesa do ato normativo, ainda que sua origem seja estadual. Já sabemos que no caso de ADO, a manifestação do AGU é facultativa. Errado. Efeitos da decisão: em caso de omissão imputável a um Poder (Legislativo, Executivo e Judiciário), o STF dará ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias. Já em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser adotadas no prazo de 30 dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido. É o que diz o art. 103, § 2º, da CF, e art. 12-H, caput, e § 1º da Lei n. 9.868, de 1999. Art. 103, § 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 54 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 12-H. Declarada a inconstitucionalidade por omissão, com observância do disposto no art. 22, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias. (Incluído pela Lei n. 12.063, de 2009). § 1º Em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser adotadas no prazo de 30 (trinta) dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Tribunal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido. 069. 069. Considerada a disciplina constitucional e a respectiva regulamentação legal da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser adotadas no prazo de 30 (trinta) dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido. É exatamente isso que extraímos das normas aplicáveis. Certo. 070. 070. Antes de declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência e oportunidade para que o Poder competente adote as providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. Não é bem isso. Na verdade, após o julgamento da ADO pelo STF, será dada ciência e oportunidade para que o Poder competente adote as providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias ou em prazo razoável a ser fixado pelo STF. Errado. Medida cautelar: segundo o art. 12-F, da Lei n. 9.868, de 1999, em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 dias. A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo STF (art. 12-F, § 1º, da Lei n. 9.868, de 1999). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 55 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Dito isso, vejamos dois mapas mentais sobre ADO. possível (art. 12-F da Lei n. 9.868, de 1999)MEDIDA CAUTELAR declarar uma omissão inconstitucionalFINALIDADE LEGITIMAÇÃO ATIVA OBJETO Art. 103, I a IX Art. 102, I, a Leis e atos normativos federais e estaduais (sob a ótica da omissão) ADO EFEITOS DA DECISÃO ATUAÇÃO DO PGR ATUAÇÃO DO AGU Legitimado universal (art. 103, VI) “Custus legis” (art. 103, § 1º) Parecer obrigatório com liberdade para opinar Art. 103, § 2º; art. 12-H, caput, e § 1º da Lei n. 9.868, de 1999 Poder competente: ciência Órgão administrativo: adoção das providências em 30 dias ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo STF Facultativa (art. 12-E, § 2º , da Lei n. 9.868, de 1999)ADO 15. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DECLARATÓRIA DE 15. CONTROLE CONCENTRADO – AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE(ADC)CONSTITUCIONALIDADE (ADC) Querido(a) aluno(a), vamos agora trabalhar a ADC. Inicialmente, é importante fixar que essa ação de controle concentrado foi a única que foi criada por emenda à Constituição, por meio da EC n. 3, de 1993. As demais são normas constitucionais originárias (estão no texto da Constituição, desde o início). 071. 071. A ação declaratória de constitucionalidade foi instituída pelo constituinte originário na Constituição de 1988. Como vimos, a ADC foi instituída pelo constituinte derivado, por meio da Emenda Constitucional n. 3, de 1993. Errado. Finalidade: questão interessante é saber o porquê da criação da ADC. A ideia é encerrar, definitivamente, relevante controvérsia judicial sobre a validade de uma lei FEDERAL, haja vista que a decisão do STF nessa ação produzirá eficácia erga omnes e efeito vinculante em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 56 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. De acordo com o princípio da presunção de constitucionalidade das leis, uma lei nasce constitucional até declaração em contrário do Poder Judiciário (ou seja, a norma goza de presunção relativa de constitucionalidade). Assim, quando o STF declara uma lei constitucional no controle concentrado, encerra-se definitivamente qualquer discussão acerca da validade da norma. A partir daí, os demais membros do Poder Judiciário deverão considerar a lei CONSTITUCIONAL, possuindo, doravante, presunção absoluta de constitucionalidade. Legitimação ativa: os mesmos da ADI previstos no art. 103, I a IX, da CF. 072. 072. Tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade, exceto: a) O Governador de Estado e do Distrito Federal. b) O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. c) Os Prefeitos. d) O Presidente da República. e) Partido político com representação no Congresso Nacional50. Prefeito não está no rol do art. 103, portanto, não tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade. Letra c. Objeto: muito cuidado com isso. Conforme se extrai do art. 102, I, a, só é possível entrar com ADC em face de lei FEDERAL. 073. 073. Compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. Essa é uma pegadinha clássica. Compete ao STF processar e julgar originariamente a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. Porém, no que tange à ação declaratória de constitucionalidade, a competência do Supremo restringisse à lei ou ato normativo federal. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 57 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 103, I a IX OBJETO Tornar a presunção relativa de constitucionalidade das leis em absolutaFINALIDADE ÚNICA CRIADA POR EMENDA CONSTITUCIONAL (EC N. 3, de 1993) LEGITIMAÇÃO ATIVA Art. 102, I, a Leis e atos normativos federais ADC Relevante controvérsia judicial: para que seja admissível uma ADC no STF, o autor deve demonstrar a existência de relevante controvérsia judicial. É o que cita o art. 14, inciso III, da Lei n. 9.868, de 1999. Importante destacar que relevante controvérsia doutrinária não basta para o conhecimento da ação declaratória de constitucionalidade pelo STF. Art. 14. A petição inicial indicará: I – o dispositivo da lei ou do ato normativo questionado e os fundamentos jurídicos do pedido; II – o pedido, com suas especificações; III – a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. 074. 074. É pressuposto de admissibilidade da ação declaratória de constitucionalidade a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação do dispositivo legal cuja constitucionalidade se discute. Exatamente isso!!! Certo. Atuação do PGR: exatamente da mesma maneira das demais ações do controle concentrado de constitucionalidade, ou seja, obrigatória e livre, conforme se vê no art. 103, IV, e no art. 103, § 1º, ambos da CF. Atuação do AGU: cuidado com isso!!! Na ADC, o AGU não se manifesta (QO ADC 1). Como o papel do AGU é defender a constitucionalidade do ato impugnado e nesta ação de controle concentrado o autor busca justamente a declaração da constitucionalidade, não há razão para a manifestação do AGU. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 58 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 075. 075. Deve haver a manifestação do Advogado-Geral da União nas ações declaratórias de constitucionalidade, em virtude da possibilidade de declaração, nessas ações, da inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo federal. Na ADC, o AGU não se manifesta!!! Errado. 076. 076. Um deputado estadual de Sergipe, insatisfeito com os recursos que o estado vinha recebendo da União, resolveu apresentar um projeto de lei estadual criando um novo imposto, incidente sobre a exploração da atividade de lavra de petróleo nesse estado por empresas privadas e estatais. Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes. A mencionada lei estadual, se publicada, poderá ser objeto de controle de constitucionalidade, na via concentrada, por meio de ação declaratória de constitucionalidade, perante o STF, devendo, nessa situação, o advogado-geral da União ser citado para defender a constitucionalidade da lei. Dois erros. Primeiro, norma estadual não pode ser objeto de ADC, somente norma FEDERAL. Segundo, na ADC, o AGU não se manifesta. Errado. Medida cautelar: à luz do art. 21, da Lei n. 9.868, de 1999, o STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. possível (art. 21 da Lei n. 9.868, de 1999) Não se manifesta (QO ADC 1)ATUAÇÃO DO AGU Art. 14, III, da Lei n. 9.868, de 1999 Não é possível controvérsia doutrinária RELEVANTE CONTROVÉRSIA JUDICIAL MEDIDA CAUTELAR ATUAÇÃO DO PGR Legitimado universal (art. 103, VI) “Custus legis” (art. 103, § 1º ) Parecer obrigatório com liberdade para opinar ADC O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 59 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Aspectos comuns entre ADI e ADC: 1) impossibilidade de desistência (art. 16 da Lei n. 9.868, de 1999); Art. 16. Proposta a ação declaratória, não se admitirá desistência. 2) impossibilidade de intervenção de terceiros (art. 18 da Lei n. 9.868, de 1999); Art. 18. Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de açãodeclaratória de constitucionalidade. 3) inexistência de perda do direito de ação por decurso do prazo; 4) natureza dúplice (art. 24 da Lei n. 9.868, de 1999); Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. 5) irrecorribilidade da decisão de mérito (salvo embargos de declaração) e impossibilidade de ação rescisória (art. 26 da Lei n. 9.868, de 1999). Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória. 6) admissibilidade de “amicus curiae” pelo STF, mesmo com o veto ao § 2º do art. 18 da Lei n. 9.868, de 1999. 077. 077. Não se admitem a desistência e a ação rescisória dos julgados de ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade. Exatamente isso!!! Certo. 078. 078. As alternativas a seguir apontam diferenças entre a ADI e a ADC, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a. a) Rol de legitimados para a propositura da ação. b) Objeto da ação. c) Exigência de controvérsia judicial relevante. d) Manifestação do Advogado-Geral da União. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 60 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra O rol de legitimados é o mesmo. Letra a. Efeitos da decisão: são semelhantes aos efeitos já estudados em ADI, perceba: 1) eficácia erga omnes (contra todos que se encontrem perante a mesma situação jurídica enfrentada no julgamento): por se tratar de processo objetivo, os efeitos da decisão atingem a todos que se encontram sob a mesma situação jurídica; 2) efeito vinculante: atinge todo o Poder Judiciário (menos o próprio STF, que poderá mudar seu entendimento), bem como o Poder Executivo e o Poder Legislativo quando executam a função administrativa. Não vinculam o Poder Legislativo e o Poder Executivo quando exercem a função legislativa, sob pena de ferir a independência entre os Poderes; 3) efeitos retroativos (ex tunc): a declaração de constitucionalidade retroage ao início da vigência da lei, transformando a presunção relativa de constitucionalidade em presunção absoluta de constitucionalidade. Porém, se o STF julgar improcedente a ADC, estará declarando a inconstitucionalidade da lei, situação em que poderá aplicar o art. 27, da Lei n. 9.868, de 1999. Relembremos, por importante, o teor do citado art. 27, da Lei n. 9.868, de 1999: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Em outras palavras, se a conclusão do STF é pela constitucionalidade da lei, isso significa que a norma atacada é (e sempre foi) compatível com a Constituição Federal, vale dizer, procedente a ADC, os efeitos da decisão serão ex tunc pelo reconhecimento em definitivo da constitucionalidade do texto impugnado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 61 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Vejamos agora mais um mapa mental sobre ADC. ASPECTOS COMUNS COM A ADI Art. 102, § 2° Eficácia “erga omnes” Efeito vinculante Eficácia “ex tunc”, como regra Possibilidade de modulação dos efeitos temporais – no caso da declaração de inconstitucionalidade (art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999) EFEITOS DA DECISÃO impossibilidade de perda do direito de ação por decurso do prazo Impossibilidade de desistência (art. 16 da Lei n. 9.868, de 1999) Impossibilidade de intervenção de terceiros (art. 18 da Lei n. 9.868, de 1999) Possibilidade de “amicus curiae” (admitido pelo STF, apesar do veto ao § 2° do art. 18 da Lei n. 9.868, de 1999) Impossibilidade de recurso (salvo ED) e impossibilidade de ação rescisória (art. 26 da Lei n. 9.868, de 1999) Natureza dúplice ou ambivalente ADC 16. CONTROLE CONCENTRADO – ARGUIÇÃO DE 16. CONTROLE CONCENTRADO – ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF)DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF) Prezado(a) aluno(a), inicialmente é importante fixar que a ADPF tem previsão constitucional no art. 102, § 1º, a saber: Art. 102, § 1º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. A lei citada é a Lei n. 9.882, de 1999. Objeto: o objeto da ADPF é delineado no art. 1º, da Lei n. 9.882, de 1999: Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I – quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; 079. 079. Caso hipotético: A lei municipal X de 2021 está em desconformidade com a Constituição Federal de 1988 (CF). A via adequada para exercer o controle de constitucionalidade da referida norma no STF é o(a): O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 62 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra a) arguição de descumprimento de preceito fundamental. b) ação direta de inconstitucionalidade c) ação declaratória de constitucionalidade. d) mandado de segurança. No caso, a única ação cabível em face da citada lei municipal é a arguição de descumprimento de preceito fundamental. Letra a. Da leitura da norma transcrita, extraímos que existem duas modalidades de ADPFs: a) ADPF autônoma (que tem por finalidade evitar ou reparar lesão a preceito fundamental); b) ADPF incidental (que pressupõe a existência de uma outra controvérsia constitucional prévia). A ADPF autônoma pode ser preventiva ou repressiva. Assim, temos: 1) ADPF autônoma preventiva: utilizada para evitar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público; 2) ADPF autônoma repressiva: utilizada para reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público; 3) ADPF incidental: utilizada diante de relevante controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição Federal de 1988. 080. 080. O controle de constitucionalidade abstrato de lei municipal em relação à Constituição Federal pode ser feito via arguição de descumprimento de preceito fundamental. No caso, trata-se de uma ADPF incidental. Certo. 081. 081. A respeito da arguição de descumprimento de preceito fundamental, é correto afirmar que não ocorre de forma preventiva perante o Supremo Tribunal Federal, mas repressiva para reparar lesões a direitos quando causadas pela conduta comissiva ou omissiva de qualquer dospoderes públicos. Vimos que existe, sim, a ADPF autônoma preventiva. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 63 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Visto o objeto da ADPF, surge uma dúvida: o que é preceito fundamental? O STF não definiu, de maneira prévia, o que sejam os preceitos fundamentais na Constituição Federal. Na verdade, a Corte fixou o entendimento, no julgamento da questão de ordem na ADPF 01, de que a ele próprio (o STF), no caso concreto, compete identificar as normas constitucionais que devam ser consideradas preceitos fundamentais para o fim de conhecimento das ADPFs ajuizadas. Apesar de não haver um delineamento objetivo e prévio do que sejam preceitos fundamentais, tarefa que cabe, como visto, à Suprema Corte caso a caso, a doutrina identifica como preceitos fundamentais na Constituição: a) os princípios fundamentais do Título I (artigos 1º ao 4º); b) os direitos e garantias fundamentais (espalhados por todo o texto constitucional); c) os princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII); d) as cláusulas pétreas (art. 60, § 4º); e) as limitações materiais implícitas.4 Legitimação ativa: a mesma das demais ações de controle concentrado prevista no art. 103, I a IX. 082. 082. A arguição de descumprimento de preceito fundamental somente pode ser ajuizada pelos legitimados para propositura de ação direta de inconstitucionalidade. Exatamente isso!!! Certo. Caráter subsidiário: muito cuidado com isso!!! De acordo com o art. 4º, § 1º, da Lei n. 9.882, de 1999, não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. Isso é o que se chama caráter subsidiário da ADPF. Só impetra a ADPF se não houver outra ação ou recurso apto para prevenir ou sanar lesão a preceito fundamental. É importante que se diga que a mera possibilidade de utilização de outros meios processuais não basta; os instrumentos disponíveis devem ser aptos para sanar ou prevenir de modo eficaz a lesividade. 083. 083. A respeito da arguição de descumprimento de preceito fundamental, é correto afirmar que tem caráter subsidiário, porque a lei expressamente veda a possibilidade de arguição 4 DUTRA, Luciano. Direito Constitucional Essencial. Editora Método. 4ª edição. 2019. p. 96. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 64 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. Exatamente isso!!! Certo. 084. 084. A ação de descumprimento de preceito fundamental a) possui caráter subsidiário em relação a outras ações que podem vir a sanar a lesividade observada. b) tem como um dos legitimados universais a Mesa do Congresso Nacional. c) acarreta decisão, em regra, de eficácia ex nunc. d) identifica-se com o controle difuso de constitucionalidade. e) tem como um de seus legitimados especiais a Defensoria Pública do Estado e da União. É uma característica essencial da ADPF o seu caráter subsidiário. Letra a. Fungibilidade entre a ADPF e ADI: outro ponto muito interessante no estudo da ADPF é o reconhecimento pelo STF da fungibilidade entre essa ação e a ADI. Caso o autor da ADPF tenha se equivocado, sendo, na verdade, hipótese de ADI, o STF receberá a ADPF como se ADI fosse, desde que presentes os demais requisitos para a ADI. No mesmo sentido, se o autor entrar com uma ADI, mas, na verdade, seja caso de ADPF, presentes os demais requisitos da ADPF, o STF receberá a ADI como ADPF. 085. 085. De acordo com o entendimento do STF, a arguição de descumprimento de preceito fundamental não pode ser conhecida como ADI, em face de sua especificidade, ainda que o objeto do pedido principal da arguição seja a declaração de inconstitucionalidade de preceito autônomo por ofensa a dispositivos constitucionais, e que estejam presentes os demais requisitos da ADI. É justamente o contrário. O entendimento do STF é no sentido de que a ADPF PODE ser conhecida como ADI na hipótese em que o pedido principal da arguição seja a declaração de inconstitucionalidade de preceito autônomo por ofensa a dispositivos constitucionais, e que estejam presentes os demais requisitos da ADI. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 65 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 4° , § 1° , da Lei n. 9.882, de 1999 OUTRO MEIO EFICAZ STF: qualquer outra ação ou recurso STF: o outro meio deve ser eficaz CARÁTER SUBSIDIÁRIO FUNGIBILIDADE ENTRE A ADPF E A ADI Art. 103, I a IX STF: não há um rol expresso na CF. Cabe ao próprio STF, no caso concreto, identificar Art. 1º da Lei n. 9.882, de 1999 LEGITIMAÇÃO ATIVA OBJETO PRECEITO FUNDAMENTAL evitar lesão a preceito fundamental (ADPF autônoma preventiva) reparar lesão a preceito fundamental (ADPF autônoma repressiva) diante de relevante controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à CF/88 (ADPF incidental) ADPF Atuação do PGR: mais uma vez fixamos o entendimento de que a manifestação do PGR é obrigatória e livre, com fundamento nos já citados art. 103, IV, e art. 103, § 1º. Atuação do AGU: não há previsão legal, mas tem sido usual a sua manifestação. Medida cautelar: o STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental (art. 5º, da Lei n. 9.882, de 1999). ATUAÇÃO DO AGU MEDIDA CAUTELAR ATUAÇÃO DO PGR possível (art. 5º da Lei n. 9.882, de 1999) Não há previsão legal, mas tem sido usual Art. 7º da Lei n. 9.882, de 1999 Legitimado universal (art. 103, VI) “Custus legis” (art. 103, § 1º ) Parecer obrigatório com liberdade para opinar ADPF Dito isso, após esgotarmos a atuação do PGR e do AGU nas ações de controle concentrado de constitucionalidade, vou deixar uma tabelinha para você jamais esquecer a atribuição de cada um deles. Venha comigo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 66 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra AGU PGR ADI Manifestação obrigatória. Atua na defesa do ato impugnado como curador da constitucio- nalidade, como regra Legitimado ativo universal ou custus legis ADO Manifestação facultativa Legitimado ativo universal ou custus legis ADC Não se manifesta Legitimado ativo universal ou custus legis ADPF Não há previsão legal, mas tem sido usual a manifestação Legitimado ativo universal ou custus legis Percebeu que a atuação do PGR é sempre a mesma? Ou ele é o autor da ação de controle concentrado de constitucionalidade (como legitimado ativo universal, podendo questionar qualquer matéria, independentemente de interesse) ou ele atua como fiscal da lei, emitindo parecer de caráter obrigatório, com plena liberdade de atuação, em razão da sua independência funcional. A diferença está na atuação do AGU. Para não remanescer dúvida, vamos a umPressuPostos3 . PressuPostos São pressupostos do controle de constitucionalidade a rigidez constitucional e sua supremacia formal. Sabemos que, quanto à alterabilidade, as Constituições podem ser classificadas como imutáveis, rígidas, semirrígidas e flexíveis. Nos Estados que adotam Constituições rígidas (como é o caso do Brasil), as normas constitucionais só podem ser alteradas por um procedimento mais rigoroso do que aquele previsto para a alteração das demais normas infraconstitucionais (estudaremos o processo de alteração da nossa Constituição Federal ao tratarmos do Processo Legislativo). Nesse modelo, segundo o escalonamento normativo proposto por Hans Kelsen, a Constituição ocupa o ápice do ordenamento jurídico, servindo de fundamento de validade para toda a produção normativa subsequente, ou seja, as normas constitucionais possuem uma força destacada apta a condicionar a validade das normas infraconstitucionais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Como consequência dessa estrutura hierarquizada de normas, fala-se em supremacia formal das normas constitucionais em face das demais leis do ordenamento jurídico. Pode-se afirmar, portanto, que em um sistema jurídico dotado de supremacia constitucional, todas as normas constitucionais, independentemente de seu conteúdo, equivalem-se em termos de hierarquia (isso é muito importante) e são dotadas de supremacia formal em relação às demais normas infraconstitucionais. DE OLHO NO DETALHE Todas as normas que estão na Constituição Federal são igualmente constitucionais, independentemente do seu conteúdo. Não existe uma norma constitucional que esteja acima das demais. Portanto, a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III) é tão constitucional quanto o confisco de propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo (art. 243). A consolidação da tese da supremacia formal da Constituição está intimamente ligada às ideias propostas por Konrad Hesse, a partir da divulgação de sua obra A Força Normativa da Constituição, que se contrapõem às ideias trazidas por Ferdinand Lassalle. Lembre-se do seguinte: Lassalle nega a existência de força normativa da Constituição jurídica (também chamada por ele de Constituição escrita ou Constituição formal), e, por consequência, nega a possibilidade de supremacia formal do seu texto, pois, no seu entender, caberia à Constituição apenas a expressão dos “fatores reais do poder” que regem uma nação. Para ele, a Constituição não tem força normativa para condicionar os atores estatais. Em sentido contrário, Konrad Hesse afirma que a Constituição jurídica não configura apenas a representação dos “fatores reais do poder”. Significa muito mais do que o simples reflexo das forças sociais e políticas. Para ele, a Constituição jurídica possui força ativa capaz de condicionar a realidade política e social de um Estado, o que denominou de “força normativa da Constituição”. A Constituição possui força normativa se os mandamentos constitucionais forem efetivamente realizados pelos detentores do poder político – é o que o autor denomina “vontade de Constituição”. Hesse concorda com Lassalle ao afirmar que a Constituição jurídica é condicionada pela realidade político-social; concorda, também, que a pretensão de eficácia da Constituição somente pode ser realizada se for levada em conta essa realidade. Entretanto, não concorda com Lassalle quando este conceitua a Constituição jurídica como “mera folha de papel”, pois, para Hesse, é inconcebível reduzir a Constituição jurídica à mísera função de justificar as relações de poder dominantes. Segundo a visão de Hesse, a Constituição jurídica e a Constituição sociológica estão em relação de coordenação, condicionando-se mutuamente. No entanto, em caso de eventual conflito entre ambas, a Constituição jurídica deve prevalecer, uma vez que é dotada de força normativa própria. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Em resumo, nossa atual Constituição Federal de 1988 é rígida, possuindo, portanto, supremacia formal em relação às demais normas infraconstitucionais. Dessa maneira, as leis só são válidas e estão aptas a produzir seus efeitos no mundo jurídico se, e somente se, forem compatíveis com seu fundamento de validade – a Constituição Federal vigente. DE OLHO NOS DETALHES Para Konrad Hesse: 1) a Constituição possui força ativa capaz de condicionar a realidade política e social de um Estado, o que denominou de “força normativa da Constituição”; 2) a força normativa da Constituição está ligada à vontade do detentor do poder em observar as normas constitucionais – o que o autor denomina de “vontade de Constituição”; 3) em caso de eventual conflito entre as Constituições jurídica e real, a Constituição jurídica deve prevalecer, uma vez que é dotada de força normativa própria. DICA DO LD 1) Da rigidez constitucional decorre sua supremacia formal e, em virtude desta, controla-se a constitucionalidade das demais leis e atos normativos . 2) impor tante destacar que a declaração de inconstitucionalidade de uma lei é uma medida excepcional, em razão do princípio da constitucionalidade das leis . uma lei nasce constitucional e dessa forma deve ser preservada até que o Judiciário a declare inconstitucional, se for o caso . Vejamos como isso pode cair na sua prova. 001. 001. Entre os pressupostos do controle de constitucionalidade, destacam-se a supremacia da CF e a rigidez constitucional. Exatamente o que acabo de explicar! Certo. 002. 002. A norma constitucional que prevê a liberdade de convicção religiosa tem maior hierarquia que a norma constitucional que estabelece a imunidade tributária dos locais destinados a cultos religiosos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Em consequência da supremacia formal da Constituição Federal, todas as normas constitucionais equivalem-se em termos de hierarquia. Errado. 003. 003. É prevalecente, na doutrina constitucional brasileira, o entendimento de que as normas que consagram as cláusulas pétreas estão em nível hierárquico superior às demais normas constitucionais. Mais uma vez, todas as normas constitucionais equivalem-se em termos de hierarquia. Errado. 004. 004. A existência de supremacia formal da constituição independe da existência de rigidez constitucional. Só se fala em supremacia formal da Constituição em Estados que adotam a Constituição do tipo rígida. Errado. 005. 005. A supremacia da constituição ocorre mesmo nas chamadas constituições flexíveis. Mais uma vez, para fixarmos definitivamente a ideia central: só se fala em supremacia formal da Constituição em Estados que adotam a Constituição do tipo rígida. Errado. 006. 006. A concepção de constituição, defendida por Konrad Hesse, não tem pontos em comum com a concepção de constituição defendida por Ferdinand Lassalle, uma vez que, para Konrad Hesse, os fatores históricos, políticos e sociais presentes namapa mental que sintetiza a atuação do AGU. manifestação facultativa não se manifesta não há previsão legal, mas tem sido usualADPF manifestação obrigatória (curador da constitucionalidade das leis, como regra)ADI ADO ADC AGU Irrecorribilidade e impossibilidade de ação rescisória: art. 12 da Lei n. 9.882, de 1999. Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória. 086. 086. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 67 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra É o que determina o art. 12, da Lei nº 9.882, de 1999. Certo. Importante lembrar que em Direito Constitucional não precisamos saber aspectos recursais próprios do Direito Processual Civil, tampouco precisamos saber o que é uma ação rescisória. OK? 087. 087. A respeito da arguição de descumprimento de preceito fundamental, é correto afirmar que da decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido cabe recurso, inclusive ação rescisória. É justamente o contrário. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não podendo ser objeto de ação rescisória. Errado. Efeitos da decisão: art. 10, caput, e § 3º, da Lei n. 9.882, 1999. Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental. § 3º A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. Podemos dizer que os efeitos da decisão são semelhantes aos já estudados até aqui, perceba: 1) eficácia erga omnes (contra todos que se encontrem perante a mesma situação jurídica enfrentada no julgamento): por se tratar de processo objetivo, os efeitos da decisão atingem a todos que se encontram sob a mesma situação jurídica; 2) efeito vinculante: atinge todo o Poder Judiciário (menos o próprio STF, que poderá mudar seu entendimento), bem como o Poder Executivo e o Poder Legislativo quando executam a função administrativa. Não vinculam o Poder Legislativo e o Poder Executivo quando exercem a função legislativa, sob pena de ferir a independência entre os Poderes; 3) efeitos retroativos (ex tunc): em regra, a declaração de inconstitucionalidade retroage ao início da vigência do ato guerreado, uma vez que vige a tese da nulidade dos atos inconstitucionais. Porém, a lei permite que o STF, em situações excepcionais, modifique os efeitos temporais da sua decisão, nos termos do art. 11 da Lei n. 9.882, de 1999. Vejamos: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 68 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Art. 11. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, no processo de arguição de descumprimento de preceito fundamental, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Entendeu ADPF? Espero que sim. Vamos ao último mapa mental sobre a ADPF. IRRECORRIBILIDADE E IMPOSSIBILIDADE DE AÇÃO RESCISÓRIA EFEITOS DA DECISÃO Art. 1º, “caput” e § 3°, da Lei n 9.882, de 1999 Eficácia “erga omnes” Efeito vinculante Eficácia “ex tunc”, como regra Possibilidade de modulação dos efeitos temporais (art. 11 da Lei n. 9.882, de 1999) Art. 12 da Lei n. 9.882, de 1999 ADPF 17. CONTROLE CONCENTRADO – REPRESENTAÇÃO 17. CONTROLE CONCENTRADO – REPRESENTAÇÃO interVentiVainterVentiVa Agora, meu(minha) aluno(a), preciso que você imprima a Lei n. 12.562, de 2011. Combinado? Feito isso, leiamos juntos o art. 36, III, da CF, e o art. 2º, da Lei n. 12.562, de 2011: Art. 36. A decretação da intervenção dependerá: […] III – de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal. Art. 2º, da Lei n. 12.562, de 2011 A representação será proposta pelo Procurador-Geral da República, em caso de violação aos princípios referidos no inciso VII do art. 34 da Constituição Federal, ou de recusa, por parte de Estado-Membro, à execução de lei federal. Da leitura das normas transcritas, percebemos que a representação interventiva pode ocorrer em duas hipóteses constitucionais: a) ofensa aos princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII); b) recusa à execução de lei federal por parte de Estado-membro (art. 34, VI). Nessas duas situações, a intervenção federal dependerá de provimento pelo Supremo Tribunal Federal de representação interventiva proposta pelo Procurador-Geral da República. Ou seja, a competência é do STF e a legitimidade ativa é apenas do PGR. Caso o STF dê provimento à representação interventiva proposta pelo PGR, o STF dará ciência ao Presidente da República para que este tome as providências cabíveis. Portanto, quem decretará a intervenção, se for o caso, será o Presidente da República, a partir de requisição do STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 69 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra DE OLHO NOS DETALHES 1) Legitimidade ativa: PGR. 2) Competência: STF. 3) Hipóteses: ofensa aos princípios constitucionais sensíveis, previstos no art. 34, VII, e recusa à execução de lei federal por parte de Estado-membro. 4) Executor da intervenção: Presidente da República. Essas são as informações importantes sobre representação interventiva expostas no mapa mental a seguir. HIPÓTESES COMPETÊNCIA LEGITIMADO ATIVO STF PGR ofensa aos princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII) recusa à execução de lei federal (art. 34, VI) REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA Para fechar o tema controle de constitucionalidade, vamos trazer algumas observações finais, começando pela inconstitucionalidade por arrastamento. 18 . inConstituCionaliDaDe Por arrastaMento, 18 . inConstituCionaliDaDe Por arrastaMento, Por arrasto, Por atraÇÃo, ConseQuenCial ou Por Por arrasto, Por atraÇÃo, ConseQuenCial ou Por reVerBeraÇÃo norMatiVareVerBeraÇÃo norMatiVa A inconstitucionalidade por arrastamento ocorre em caso de dependência recíproca entre normas, de maneira que a inconstitucionalidade de uma “arrasta” a outra. EXEMPLO Imagine que um dos legitimados do art. 103 entre com uma ADI em face de uma Lei X, e que essa Lei X tenha sido regulamentada pelo Decreto Y. A declaração de inconstitucionalidade da Lei X produz por arrastamento a inconstitucionalidade do seu Decreto regulamentar Y. 088. 088. Em atenção ao princípio da adstrição, o ordenamento jurídico brasileiro não admite a inconstitucionalidade por arrastamento, que consistiria na possibilidade de o STF declarar a inconstitucionalidade de uma norma objeto de pedido e também de outro ato normativo quenão tenha sido objeto do pedido, em virtude de correlação, conexão ou interdependência entre uma e outro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 70 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra O STF admite a inconstitucionalidade por arrastamento, que consiste na possibilidade de o STF declarar a inconstitucionalidade de uma norma objeto do pedido e de outro ato normativo que não tenha sido objeto do pedido, em virtude de correlação, conexão ou interdependência entre uma e outro. Errado. 089. 089. Em matéria de ação direta de inconstitucionalidade, é certo que o Supremo Tribunal Federal aprecia a validade dos dispositivos legais indicados no pedido formulado pelo autor da ação, porém admite a inconstitucionalidade por “arrastamento” ou por atração. Exatamente isso!!! Certo. 19 . inConstituCionaliDaDe suPerVeniente 19 . inConstituCionaliDaDe suPerVeniente VERSUSVERSUS reVoGaÇÃoreVoGaÇÃo De início, importante fixar que, no Brasil, não se fala em inconstitucionalidade superveniente. Haveria a chamada inconstitucionalidade superveniente quando a invalidade da norma resultasse da sua incompatibilidade com o texto constitucional futuro, seja ele originário ou derivado (fruto de emenda constitucional). Como dito, no Brasil, de acordo com a jurisprudência pacífica do STF, não se admite inconstitucionalidade superveniente. Para a Corte, a superveniência de texto constitucional provoca a revogação das leis anteriores materialmente incompatíveis. 090. 090. A constitucionalidade superveniente, plenamente admitida no ordenamento brasileiro, consiste em convalidar norma originalmente inconstitucional, tornando-a constitucional, à parte de mudanças futuras na Constituição. Não se admite no Brasil a chamada inconstitucionalidade superveniente. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 71 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 20 . norMas ConstituCionais oriGinÁrias 20 . norMas ConstituCionais oriGinÁrias inConstituCionaisinConstituCionais Em provas mais complexas, pode o examinador querer o conhecimento do autor alemão chamado Otto Bachof. Otto Bachof, em sua obra “Normas Constitucionais Inconstitucionais”, defendeu a possibilidade da declaração de inconstitucionalidade de normas constitucionais originárias. Sua teoria foi influenciada pelos horrores da Segunda Guerra Mundial. Afirmou o autor que haveria normas constitucionais originárias inconstitucionais se a Constituição de um determinado Estado fosse utilizada para legitimar o exercício arbitrário do Poder Político. No Brasil, não se admite normas constitucionais originárias inconstitucionais. Por outro lado, é perfeitamente possível a existência de normas constitucionais derivadas inconstitucionais, seja pela ótica material, seja pela ótica formal, uma vez que os Poderes Constituintes derivado reformador e derivado revisor submetem-se às regras constitucionais. 21 . transCenDÊnCia Dos MotiVos DeterMinantes21 . transCenDÊnCia Dos MotiVos DeterMinantes Segundo a teoria da transcendência dos motivos determinantes, não só a conclusão do julgamento, mas também a sua fundamentação ( a ratio decidendi – razões para decidir), poderia fazer coisa julgada. Exemplo: uma decisão acerca da inconstitucionalidade de uma norma estadual, em que a motivação do julgado seria suficiente para que se entendesse igualmente inconstitucionais normas de outros Estados-membros com o mesmo conteúdo, sem a necessidade de pronunciamento específico pelo STF. É uma tendência do Supremo, mas não podemos afirmar que essa teoria é utilizada pela Corte hoje. Conheçamos para fins de prova. Não se aplica ao obter dictum (comentários paralelos que não influenciam a decisão). 22 . DeClaraÇÃo De nuliDaDe seM reDuÇÃo De teXto22 . DeClaraÇÃo De nuliDaDe seM reDuÇÃo De teXto Haverá declaração de nulidade sem redução de texto, como técnica de interpretação constitucional aplicada ao controle de constitucionalidade, quando o STF afasta, por inconstitucional, um sentido que não poderá ser aplicado (declara a inconstitucionalidade). Não se confunde com a interpretação conforme a Constituição, pois, neste caso, o STF determina o sentido a ser dado a uma norma polissêmica (que admite mais de um sentido), a fim de conformá-la com a Constituição da República (declara a constitucionalidade). DE OLHO NOS DETALHES 1) Na declaração de nulidade sem redução de texto: declara-se a inconstitucionalidade da norma. 2) Na interpretação conforme a Constituição: declara-se a constitucionalidade da norma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 72 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 23 . inConstituCionaliDaDe ProGressiVa, lei ainDa 23 . inConstituCionaliDaDe ProGressiVa, lei ainDa ConstituCional ou inConstituCionaliDaDe eM ConstituCional ou inConstituCionaliDaDe eM trÂnsitotrÂnsito Na inconstitucionalidade progressiva, também chamada de lei ainda constitucional ou inconstitucionalidade em trânsito, a lei é considerada “ainda constitucional”, embora, no futuro, venha a ser necessariamente inconstitucional, em razão de mudanças ocorridas nas relações fáticas. Exemplo: instalação das Defensorias Públicas (art. 5º, LXXIV c/c 134, caput) e o prazo em dobro para o processo penal. O Supremo, considerando a precariedade das Defensorias Públicas, declarou o prazo em dobro para a Defensoria Pública atuar no processo penal constitucional, em detrimento do prazo simples à disposição do Ministério Público. Mas, quando houver uma devida estruturação das Defensorias Públicas (uma mudança fática posterior), esse prazo em dobro deve ser reconhecido como inconstitucional, em razão da “paridade de armas” que a Defensoria Pública deve ter em relação ao Ministério Público. Ou seja, essa norma que prevê o prazo em dobro hoje é constitucional, mas sua inconstitucionalidade está em trânsito. Vale dizer, quando a Defensoria Pública possuir a mesma estrutura do Ministério Público, o prazo em dobro de ser necessariamente considerado inconstitucional. Compreendeu? 24 . BloCo De ConstituCionaliDaDe 24 . BloCo De ConstituCionaliDaDe Entende-se por bloco de constitucionalidade o conjunto de normas constitucionais que servem de parâmetro de controle de constitucionalidade. Esse assunto ganhou importância com o advento da Emenda Constitucional 45, de 2004, que inseriu o § 3º ao art. 5º, permitindo que tratados internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, sejam equivalentes às emendas constitucionais. A existência de tratados internacionais sobre direitos humanos com força de emenda constitucional alargou o parâmetro de controle de constitucionalidade das leis. 25. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NOS ESTADOS-25. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NOS ESTADOS- MeMBros e no Distrito FeDeralMeMBros e no Distrito FeDeral Os tribunais de justiça dos Estados-membros e do Distrito Federal podem realizar o controle de constitucionalidade de leis estaduais e municipais em face de suas Constituições Estaduais/Lei Orgânica do Distrito Federal. É o que prevê o art. 125, § 2º: “cabe aos Estados a instituiçãode representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 73 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra DE OLHO NO DETALHE A Constituição Estadual e a Lei Orgânica do DF não podem atribuir a legitimidade ativa para a propositura da representação de inconstitucionalidade a apenas um órgão. Ou seja, deve haver mais de um legitimado ativo. DE OLHO NA JURISPRUDÊNCIA 1) Segundo o STF, compete ao tribunal de justiça o julgamento da ação de controle abstrato de constitucionalidade quando o parâmetro de controle for a Constituição Estadual, mesmo que se trate de norma de reprodução obrigatória da Constituição Federal, resguardada a possibilidade de recurso extraordinário para o STF. 2) Segundo o STF, os tribunais de justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais, utilizando como parâmetro de controle normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados-membros. 26 . Controle De ConstituCionaliDaDe Pelos 26 . Controle De ConstituCionaliDaDe Pelos triBunais De ContastriBunais De Contas Os Tribunais de Contas poderão exercer o controle concreto ( jamais abstrato) de constitucionalidade das leis e dos atos normativos do Poder Público, conforme entendimento trazido pela Súmula 347, do STF. É bem verdade que a decisão mais recente da Suprema Corte foi no sentido da impossibilidade de controle de constitucionalidade pelos tribunais de contas. Por importante, leiamos o julgado: “Dentro da perspectiva constitucional inaugurada em 1988, o Tribunal de Contas da União é órgão técnico de fiscalização contábil, financeira e orçamentária, cuja competência é delimitada pelo artigo 71 do texto constitucional, (...). É inconcebível, portanto, a hipótese do Tribunal de Contas da União, órgão sem qualquer função jurisdicional, permanecer a exercer controle difuso de constitucionalidade nos julgamentos de seus processos, sob o pretenso argumento de que lhe seja permitido em virtude do conteúdo da Súmula 347 do STF, editada em 1963, cuja subsistência, obviamente, ficou comprometida pela promulgação da Constituição Federal de 1988”. Ocorre que o teor da Súmula 347, do STF, continua em vigor. Então como levaremos para a prova? Temos que ser fiéis ao enunciado da questão. Se o “amado” examinador disser “segundo súmula do STF, os tribunais de contas poderão apreciar a constitucionalidade de leis”, somos obrigados a marcar a questão como certa, em razão da Súmula 347. Porém, se a questão disser “segundo a decisão mais recente do STF, os tribunais de contas poderão apreciar a constitucionalidade das leis e atos do Poder Público”, aí temos que marcar errado, por conta da decisão acima transcrita. Combinado? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 74 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 091. 091. De acordo com o STF, é vedada ao Tribunal de Contas a apreciação da constitucionalidade das leis e dos atos do poder público, sendo tal atribuição de competência da Suprema Corte. O STF admite que os Tribunais de Contas realizem controle concreto de constitucionalidade, conforme o que estabelece a Súmula 347. Errado. 27 . Controle De ConstituCionaliDaDe na aÇÃo CiVil 27 . Controle De ConstituCionaliDaDe na aÇÃo CiVil PÚBliCaPÚBliCa É possível a realização de controle difuso de constitucionalidade em sede de ação civil pública, segundo entendimento do STF. Mas cuidado! O STF veda o uso da ação civil pública para declaração de inconstitucionalidade de lei em tese, com efeitos erga omnes, pois, nesse caso, funcionaria como sucedâneo de uma ação direta de inconstitucionalidade, usurpando a competência exclusiva do STF na realização do controle concentrado de constitucionalidade. 28 . estaDo De Coisas inConstituCional28 . estaDo De Coisas inConstituCional “Estado de coisas inconstitucional” é uma terminologia nova utilizada pelo Min. Marco Aurélio no julgamento da ADPF 347, replicando termos usados pela Corte Constitucional da Colômbia. Segundo as decisões da Corte Colombiana, há três pressupostos principais para a caracterização do “estado de coisas inconstitucional”: a) situação de violação generalizada de direitos fundamentais; b) inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a situação; c) a superação das transgressões exigir a atuação não apenas de um órgão, e sim de uma pluralidade de autoridades. 29 . sÚMulas e JurisPruDÊnCia aPliCÁVeis29 . sÚMulas e JurisPruDÊnCia aPliCÁVeis 1) ADIs 3.406 e 3.470 (mutação constitucional do art. 52, X, da CF): o STF proibiu o uso do amianto em todo o Brasil e reinterpretou o art. 52, X, da CF, afirmando que as decisões de inconstitucionalidade do STF já produzem efeitos gerais e vinculantes, independentemente da atuação do Senado Federal. O Tribunal reconheceu que houve uma mutação constitucional do art. 52, X, da CF, que antes previa que o Senado Federal dava eficácia geral às decisões de inconstitucionalidade do STF. Agora, entende-se O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 75 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra que a decisão do STF por si só já tem efeito vinculante e erga omnes — o Senado faz a publicação e intensifica a publicidade. Esse julgado marca uma mutação constitucional, fortalecendo o papel do Supremo na guarda da Constituição e mostrando que o STF evoluiu para uma atuação mais autônoma e centralizadora. É exemplo clássico de mutação constitucional e de eficácia imediata das decisões do STF. [ADI 3.406 e ADI 3.470, rel. min. Rosa Weber, j. 29-11-2017, P, Informativo 886.] 2) MS 27.971 (perda do mandato e legitimidade do parlamentar): um parlamentar (Deputado/Senador) impetrou mandado de segurança no STF para questionar o modo como Câmara e Senado apreciavam medidas provisórias (MPs). No decorrer do processo, ele perdeu o mandato. Surgiu, então, a dúvida: ele ainda teria legitimidade para continuar no processo? Tese firmada pelo STF: a perda do mandato parlamentar faz com que o congressista perca a legitimidade ativa para continuar com o mandado de segurança. [MS 27.971, rel. min. Celso de Mello, j. 1º-7-2011, dec. monocrática, DJE de 1º-8-2011.] 3) MS 32.033 (controle preventivo pelo Judiciário): o STF reconheceu que somente o parlamentar (deputado ou senador) tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança visando garantir o respeito às normas constitucionais que regem o processo legislativo. Segundo a Corte, o parlamentar (e somente ele) possui direito líquido e certo de participar do processo legislativo conforme as regras constitucionais. Assim, se houver violação ao devido processo legislativo, ele pode acionar o STF para corrigir a ilegalidade. [MS 24.667 AgR, rel. min. Carlos Velloso, j. 4-12-2003, P, DJ de 23-4-2004 = MS 32.033, rel. p/ o ac. min. Teori Zavascki, j. 20-6-2013, P, DJE de 18-2-2014.] 4) Súmula Vinculante 10: viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, emboranão declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. 5) Tema 856 da Repercussão Geral (exceção à reserva de plenário): não é necessária a submissão da questão ao Plenário do tribunal (reserva de plenário) quando o órgão fracionário apenas aplica entendimento já firmado pelo Plenário do STF ou súmula deste Tribunal. O art. 97 da CF/1988 exige a deliberação do Plenário quando há declaração nova de inconstitucionalidade. Mas, quando a decisão segue precedente do Plenário do STF ou súmula vinculante, não há nova declaração — apenas aplicação de jurisprudência consolidada, o que dispensa a reserva de plenário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 76 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 6) ADI 1.507 (pertinência temática e legitimidade ativa): a legitimidade ativa de entidades como confederações sindicais, entidades de classe de âmbito nacional, Mesas das Assembleias Legislativas e Governadores depende de pertinência temática entre o objeto da ação e os fins institucionais do autor. O STF destacou que a CF (art. 103) concede legitimidade restrita a certas entidades, que só podem propor ADI quando o tema tiver ligação direta com sua finalidade institucional. Assim, não basta estar na lista do art. 103 — é preciso mostrar relação entre o tema da norma e a atuação da entidade. [ADI 1.507 MC-AgR, rel. min. Carlos Velloso, j. 3-2-1997, P, DJ de 6-6-1997.] 7) ADI 2.618 (legitimidade ativa e perda superveniente de representação parlamentar): a legitimidade ativa do partido político para propor ADI é verificada no momento da propositura da ação. Se ele tinha representação parlamentar quando propôs a ADI, a perda posterior dessa representação não retira sua legitimidade nem extingue o processo. [ADI 2.618 AgR-AgR, rel. min. Gilmar Mendes, j. 12-8-2004, P, DJ de 31-3-2006 = ADI 2.427, rel. min. Eros Grau, j. 30-8-2006, P, DJ de 10-11-2006.] 8) ADPF 264 (natureza jurídica dos conselhos profissionais e legitimidade para controle abstrato): os conselhos de fiscalização profissional (com exceção da OAB) não são entidades de classe, mas autarquias — pessoas jurídicas de direito público que exercem poder de polícia administrativa. Por isso, não têm legitimidade para propor ações de controle concentrado de constitucionalidade. [ADPF 264 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 18-12-2014, P, DJE de 25-2-2015.] 9) ADI 3.617 (requisito da representatividade nacional das entidades de classe): não tem legitimidade ativa para propor ADI a entidade de classe que, embora tenha previsão estatutária de atuação nacional, não demonstre efetiva presença em pelo menos nove Estados da Federação nem represente toda a categoria profissional cujos interesses pretende defender. [ADI 3.617 AgR, rel. min. Cezar Peluso, j. 25-5-2011, P, DJE de 1º-7-2011 = ADI 4.230 AgR, rel. min. Dias Toffoli, j. 1º-8-2011, P, DJE de 14-9-2011.] 10) ADI 4.029 (cláusulas abertas, interpretação constitucional e democracia participativa): no julgamento da ADI 4.029, o STF, sob voto do ministro Luiz Fux, abordou o modo como se deve interpretar a Constituição de 1988, especialmente seus princípios e cláusulas abertas, como dignidade da pessoa humana, liberdade e O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 77 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra igualdade. O caso serviu para reforçar o papel ativo e participativo da sociedade civil no processo de concretização constitucional. A Constituição de 1988 contém cláusulas abertas e conceitos jurídicos indeterminados, que ganham sentido e força normativa por meio da interpretação judicial e da participação da sociedade. Essa participação confere legitimidade democrática ao Poder Judiciário, que, embora não seja eleito, atua ouvindo e refletindo os anseios sociais. A Constituição é um sistema aberto de regras e princípios (Robert Alexy). Esses princípios (como dignidade, liberdade e igualdade) precisam ser concretizados pelo intérprete judicial. Como o Judiciário não é eleito, sua legitimidade democrática decorre da abertura para a participação social — por meio de audiências públicas, amici curiae, manifestações de entidades civis e outros instrumentos. Essa visão reflete a “democracia participativa” ou “sociedade aberta dos intérpretes da Constituição”, conceito de Peter Häberle, segundo o qual todos os cidadãos e instituições participam do processo de interpretação constitucional. [ADI 4.029, voto do rel. min. Luiz Fux, j. 8-3-2012, P, DJE de 27-6-2012.] 11) ADI 2.971 (conceito de Constituição e bloco de constitucionalidade): no voto do ministro Celso de Mello, o STF discutiu o que se entende por “Constituição” e quais normas podem ser usadas como parâmetro no controle de constitucionalidade. O ministro defendeu uma visão ampla e principiológica da Constituição, afastando o positivismo jurídico restritivo. A Constituição não se resume ao texto formal escrito, mas engloba também princípios, valores suprapositivos e normas infraconstitucionais que concretizam os preceitos constitucionais — formando o chamado bloco de constitucionalidade. O bloco de constitucionalidade compreende o conjunto de normas e princípios que servem de parâmetro de controle da validade das leis e atos normativos. Isto é, o conjunto de disposições que o STF utiliza para comparar com as leis e verificar se são constitucionais ou não. [ADI 2.971 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 6-11-2014, P, DJE de 13-2-2015.] 12) ADI 2.535 (inconstitucionalidade direta x inconstitucionalidade reflexa): ação direta de inconstitucionalidade não é cabível para questionar atos normativos cuja suposta inconstitucionalidade seja apenas reflexa ou indireta, ou seja, dependa da análise prévia de norma infraconstitucional. Há inconstitucionalidade reflexa quando a violação à Constituição é mediata, isto é, decorrente da contrariedade a uma lei infraconstitucional que funciona como “norma intermediária” entre o ato impugnado e a Constituição. Nesses casos, o problema não é propriamente constitucional, mas legal, e deve ser resolvido pelas vias ordinárias (ação comum ou recurso). Já a inconstitucionalidade direta ocorre quando o ato normativo viola imediatamente um O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 78 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra preceito constitucional, sem necessidade de interpretar norma infraconstitucional. No caso da ADI 2.535, o STF entendeu que a alegação era de inconstitucionalidade direta, pois o questionamento se referia a princípios e regras constitucionais, e não apenas a uma violação de lei federal. [ADI 2.535 MC, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 19-12-2001, P, DJ de 21-11-2003.] 13) MS 32.033 (controle preventivo de constitucionalidade e limites da atuação judicial): o sistema constitucional brasileiro não admite o controle jurisdicional de constitucionalidade de projetos de lei — ou seja, não cabe ao Judiciário interferir preventivamente no mérito de normas em formação. O controle de constitucionalidade só pode ocorrer após a norma ser aprovada e publicada — isso é o controle repressivo. O controlepreventivo de constitucionalidade é exceção e só é possível quando houver violação concreta ao devido processo legislativo (o único legitimado, nesse caso, é o parlamentar). Permitir que o Judiciário controle antecipadamente o conteúdo de projetos de lei violaria a separação dos poderes, interferindo na liberdade do Legislativo de deliberar e corrigir eventuais vícios antes da aprovação. [MS 32.033, rel. p/ o ac. min. Teori Zavascki, j. 20-6-2013, P, DJE de 18-2-2014.] 14) MS 27.744 (CNMP e impossibilidade de controle de constitucionalidade): o CNMP não tem competência para realizar controle de constitucionalidade de leis, pois é órgão administrativo, e não jurisdicional. Suas atribuições se limitam ao controle da atuação administrativa e funcional do Ministério Público. [MS 27.744, rel. min. Luiz Fux, j. 14-4-2015, 1ª T, DJE de 8-6-2015.] 15) RE 411.156 (controle difuso em ação civil pública): a ação civil pública não pode ser usada para promover controle abstrato (em tese) de constitucionalidade, mas pode ser instrumento legítimo para o controle difuso (incidental), quando a questão constitucional surgir como ponto prejudicial à solução do caso concreto. O controle abstrato de constitucionalidade (em tese) só pode ser feito pelas ações de controle concentrado — ADI, ADC, ADO e ADPF — e somente pelos legitimados do art. 103 da CF. Entretanto, se a ação civil pública busca resolver uma situação jurídica específica, e a questão constitucional aparece como questão incidental (prejudicial), o juiz pode exercer o controle difuso para resolver o caso. Nesse cenário, a inconstitucionalidade não é o objeto principal da demanda, mas apenas um instrumento para decidir o conflito concreto. [RE 411.156, rel. min. Celso de Mello, j. 19-11-2009, dec. monocrática, DJE de 3-12-2009.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 79 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 16) Rcl 22.012 (transcendência dos motivos determinantes e cabimento de reclamação): a Reclamação Constitucional é um instrumento usado para garantir a autoridade das decisões do STF ou preservar sua competência (art. 102, I, “l”, CF). No caso, buscava-se usar a reclamação para obrigar outro órgão judicial a seguir os fundamentos (motivos determinantes) de uma decisão anterior do STF, ainda que sem identidade exata de dispositivo. O STF firmou que é incabível reclamação com base apenas na “teoria da transcendência dos motivos determinantes”, ou seja, não é possível usar a reclamação para impor a observância dos fundamentos (ratio decidendi) de uma decisão com efeito vinculante, quando não houver identidade de dispositivo ou comando decisório. E o que seria a teoria da transcendência dos motivos determinantes? É a ideia de que não apenas o dispositivo (parte final da decisão), mas também os fundamentos essenciais (motivos determinantes) de um julgamento deveriam ter força vinculante. Em outras palavras: que o que o STF “pensa e explica” no acórdão (e não só o que ele decide formalmente) teria que ser seguido em outros casos. A jurisprudência da Corte não adota essa teoria em sentido amplo. A força vinculante das decisões do STF (ADI, ADC, ADPF, súmulas vinculantes, repercussão geral) se limita ao dispositivo e à tese firmada, não aos fundamentos genéricos do voto. Assim, não cabe reclamação para exigir cumprimento de uma “ideia” ou “entendimento genérico” expresso no acórdão, se não houver identidade entre o caso e o comando decisório. [Rcl 16.619 AgR, rel. min. Edson Fachin, j. 6-10-2015, 1ª T, DJE de 20-10-2015 = Rcl 22.012, rel. p/ o ac. min. Ricardo Lewandowski, j. 5-12-2017, 2ª T, DJE de 27-2-2018] 17) ADI 5.081 (reexame de constitucionalidade e limites da coisa julgada no controle abstrato): a ADI discutia se o STF poderia reexaminar a constitucionalidade de uma norma que já havia sido considerada válida em julgamento anterior, mas apenas sob o aspecto formal. A dúvida era: a decisão anterior impediria o Tribunal de analisar novamente a norma, agora sob o aspecto material (de conteúdo)? Decidiu o STF que a Corte pode reapreciar norma anteriormente julgada constitucional, se a análise anterior tiver se limitado a aspectos formais, deixando de examinar eventuais vícios materiais. A coisa julgada e a causa de pedir aberta no controle abstrato não impedem nova análise quando se trata de questão constitucional ainda não apreciada. A coisa julgada no controle concentrado não é absoluta como no processo comum, pois envolve interesse público e tutela da Constituição. Lembrando que, segundo a causa de pedir aberta, o STF pode examinar qualquer fundamento de inconstitucionalidade, mesmo que não tenha sido expressamente alegado. Impedir o reexame criaria uma imunidade inconstitucional, mantendo normas potencialmente contrárias à Constituição apenas porque já foram validadas de modo superficial. [ADI 5.081, voto do rel. min. Roberto Barroso, j. 27-5-2015, Plenário, DJE de 19-8-2015.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 80 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 18) ADI 2.971 (papel de “legislador negativo” do STF): a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) é um instrumento de defesa objetiva da Constituição, por meio do qual o STF exerce uma função política e de governo, eliminando do ordenamento jurídico normas contrárias à Constituição. O STF, nessa função, atua como “legislador negativo”, retirando leis inconstitucionais do sistema jurídico. O controle concentrado de constitucionalidade (por ADI, ADO, ADC, ADPF) tem natureza objetiva, ou seja, não busca proteger interesses individuais, mas a integridade da Constituição. O STF exerce função política, pois atua como órgão de garantia da hierarquia normativa da Constituição, acima dos demais Poderes. Ao declarar uma lei inconstitucional, o STF retira o ato do mundo jurídico — ele não cria normas novas, mas elimina as incompatíveis com a Constituição, motivo pelo qual é chamado de “legislador negativo”. Essa atuação é essencial para a preservação da supremacia da Constituição e da separação dos poderes. [ADI 2.971 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 6-11-2014, P, DJE de 13-2-2015.] 19) ADPF 254 (legitimidade ativa e representatividade da entidade de classe de âmbito nacional): associações que representam apenas uma fração ou parcela de determinada categoria profissional não têm legitimidade ativa para propor ações de controle concentrado de constitucionalidade (ADI, ADO, ADC, ADPF). A Constituição (art. 103, IX) confere legitimidade para propositura de ADI, ADO, ADC e ADPF às entidades de classe de âmbito nacional. Essa legitimidade é excepcional e exige: 1 Âmbito nacional comprovado (atuação em pelo menos 9 Estados, segundo jurisprudência); 2 Representatividade ampla da totalidade da categoria, e não apenas de um setor, subgrupo ou especialidade. [ADPF 254 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 18-5-2016, P, DJE de 30-6-2017.] 20) ADI 4.462 (legitimidade da ANAMAGES e limites da atuação de entidades de classe): a ANAMAGES não tem legitimidade ativa para propor ADI contra normas de interesse de toda a magistratura brasileira, pois não representa a totalidade da categoria, apenas os magistrados estaduais. Todavia, tem legitimidade para questionar normas que afetem especificamente a magistratura estadual. O art. 103, IX, da CF/1988, confere legitimidade às entidades de classe de âmbito nacional, desde que representem toda a categoriaprofissional. – A ANAMAGES representa somente uma parte da magistratura (a estadual), e não os magistrados federais, trabalhistas ou eleitorais. – Assim, não é entidade de classe nacional em relação à categoria “magistratura” como um todo. Contudo, quando a norma impugnada afeta exclusivamente os magistrados estaduais, há pertinência temática e representatividade suficiente. [ADI 4.462 MC, rel. min. Cármen Lúcia, j. 29-6-2011, P, DJE de 16-11-2011 = ADPF 254 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 18-5-2016, P, DJE de 30-6-2017.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 81 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 21) Súmula 642, do STF: não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. 22) ADI 3.534 (alteração redacional x alteração substancial e perda de objeto): alterações meramente redacionais ou formais no texto da norma não implicam perda do objeto da ação direta de inconstitucionalidade. Só ocorre prejuízo da ação quando há modificação substancial do conteúdo normativo. O controle concentrado de constitucionalidade exige que o objeto (ato normativo impugnado) continue existindo e tenha validade no ordenamento jurídico. Se o texto da norma é revogado, substancialmente alterado ou perde eficácia, a ação pode perder o objeto. Contudo, se a modificação é apenas de redação, forma, ou ajustes sem alterar o conteúdo normativo, não há perda de objeto, e o STF pode seguir julgando o mérito. O que importa é o conteúdo normativo, e não a forma literal da norma. 23) ADI 4.081 (teoria da divisibilidade das leis no controle de constitucionalidade): segundo a teoria da divisibilidade das leis, somente os dispositivos que apresentem vício de inconstitucionalidade devem ser declarados inválidos. As partes autônomas e independentes que não apresentem o vício devem permanecer válidas e eficazes. O controle de constitucionalidade não exige a anulação integral da norma, quando é possível isolar o dispositivo inconstitucional sem afetar o restante. O Tribunal deve preservar o máximo possível da vontade do legislador, mantendo as partes autônomas e compatíveis com a Constituição. Essa técnica reforça a segurança jurídica e evita o “efeito dominó” da declaração de inconstitucionalidade total. Aplicou-se, portanto, o princípio da preservação das normas constitucionais (ou da “conservação das leis”). [ADI 4.081, rel. min. Edson Fachin, j. 22-11-2015, P, DJE de 4-12-2015.] 24) ADI 5.316 (cumulação de pedidos de ADI e ADC): é processualmente cabível a cumulação simples de pedidos de ADI e ADC em uma única demanda, desde que: 1 haja identidade de objeto normativo (a mesma lei ou conjunto de dispositivos); e 2 sejam atendidos os requisitos processuais previstos na Lei 9.868/1999 e no CPC. Tanto a ADI quanto a ADC são instrumentos do controle concentrado de constitucionalidade e têm a mesma natureza e finalidade geral: garantir a supremacia e a integridade da Constituição. A diferença entre elas está apenas na direção da pretensão: • ADI pretende a retirada da norma do ordenamento (declaração de inconstitucionalidade); • ADC pretende confirmar a validade da norma (declaração de constitucionalidade). Sendo assim, é possível formular ambos os pedidos em conjunto, quando se quer resolver de modo completo a controvérsia sobre uma mesma norma. Essa cumulação reforça a economia processual e evita decisões contraditórias. [ADI 5.316 MC, rel. min. Luiz Fux, j. 21-5-2015, P, DJE de 6-8-2015.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 82 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 25) ADO 25 (finalidade e natureza da ação direta de inconstitucionalidade por omissão): a ADO é um instrumento de defesa da Constituição que busca neutralizar os efeitos lesivos da inércia do poder público em regulamentar normas constitucionais. Tem como objetivo tornar efetivas as normas constitucionais cuja aplicação depende de providência legislativa ou administrativa. A Constituição impõe deveres de legislar e obrigações de regulamentar determinados dispositivos constitucionais. Quando o Poder Público não cumpre esse dever, ocorre uma omissão inconstitucional, que impede a plena eficácia da Constituição. A ADO foi criada justamente para reagir a esse desprestígio da Constituição, permitindo ao STF afirmar a supremacia e a força normativa da Carta de 1988. O estado de mora legislativa é caracterizado quando há decurso excessivo de tempo sem a edição da norma regulamentadora, configurando o requisito da omissão abusiva. A ADO não cria a lei faltante, mas reconhece a omissão e comunica ao órgão competente para que atue, podendo o STF, em certos casos, fixar prazo ou medidas concretizadoras. [ADO 25, voto do min. Celso de Mello, j. 30-11-2016, P, DJE de 18-8-2017.] 26) ADC 15 (requisito da controvérsia judicial relevante): a comprovação da controvérsia judicial relevante é requisito essencial para o conhecimento da ADC. Sem a demonstração de que há decisões judiciais conflitantes sobre a aplicação da norma, a petição inicial é inepta e a ação não pode ser conhecida. A ADC tem como objetivo garantir a segurança jurídica e a estabilidade do ordenamento, quando há insegurança causada por decisões judiciais divergentes sobre a constitucionalidade de determinada norma. O art. 14, III, da Lei 9.868/1999, exige que o autor comprove a existência de controvérsia judicial relevante, isto é, decisões judiciais conflitantes sobre a validade da norma. Sem essa prova, não há razão para o STF intervir, pois não há risco de insegurança jurídica. Além disso, o STF ressaltou que a ADC não pode ser usada para resolver interesses subjetivos, mas apenas questões objetivas de constitucionalidade. [ADC 15, rel. min. Cármen Lúcia, j. 15-3-2007, dec. monocrática, DJ de 27-3-2007.] 27) ADC 1 (requisito da controvérsia judicial relevante e natureza da ADC): o ajuizamento de ADC exige a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da norma federal impugnada. Sem essa demonstração, a ação é inadmissível, pois se transformaria em consulta teórica — e o STF não exerce função consultiva, apenas jurisdicional. A ADC é um processo objetivo de controle abstrato, mas só pode ser proposta quando há insegurança jurídica decorrente de decisões judiciais contraditórias sobre a validade de determinada lei federal. A ausência de controvérsia O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 83 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra judicial relevante descaracterizaria a natureza jurisdicional da ADC, transformando-a em simples consulta, o que é vedado pela Constituição. A controvérsia deve ser efetiva, concreta e relevante, ou seja, deve haver número significativo de decisões judiciais conflitantes, gerando instabilidade jurídica e perplexidade social. É a existência de decisões judiciais conflitantes sobre a constitucionalidade ou aplicação de uma norma federal, de forma a gerar insegurança jurídica e incerteza social. Não basta discordância doutrinária — é preciso comprovar decisões judiciais concretas e divergentes. [ADC 8 MC, rel. min. Celso de Mello, j. 13-10-1999, P, DJ de 4-4-2003.= ADC 1, rel. min. Moreira Alves, j. 1º-12-1993, P, DJ de 16-6-1995.] 28) ADPF 127 (natureza e requisitos de cabimento da ADPF): a ADPF é um instrumento de integração entre o controle difuso e o concentrado, destinado a evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, quando não houver outro meio eficaz. Para ser cabível, a lesão deve ser relevante e de difícil reversibilidade. A ADPF amplia o alcance da jurisdição constitucional, permitindo que o STF controle atos normativos ou decisões que não poderiam ser impugnados por ADI ou ADC, como: • normas anteriores à Constituição de 1988 (pré-constitucionais); • atos municipais; • decisões judiciais que violem preceitos fundamentais. Contudo, a Lei 9.882/1999 (art. 4º, § 1º) estabelece que a ADPF só é cabível quando não houver outro meio eficaz para sanar a lesão — isso é o princípio da subsidiariedade. Além disso, o STF afirmou que a ADPF só cabe quando a lesão é grave, relevante e difícil de reverter, ou seja, afetando diretamente valores essenciais da Constituição. [ADPF 127, rel. min. Teori Zavascki, j. 25-2-2014, dec. monocrática, DJE de 28-2-2014.] 29) ADPF 387 (flexibilização do requisito da subsidiariedade): a subsidiariedade da ADPF não deve ser interpretada de forma absoluta. A mera existência de outros processos ou recursos judiciais não impede o cabimento da ADPF, se esses meios não forem igualmente eficazes para resolver a controvérsia constitucional de forma ampla e definitiva. A ADPF foi criada para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental e uniformizar a interpretação constitucional. Embora o art. 4º, § 1º, da Lei 9.882/1999, exija a subsidiariedade, o STF entendeu que esse requisito deve ser interpretado de modo funcional e não literal. A ADPF é cabível, portanto, mesmo havendo outros meios processuais, quando estes não têm a mesma abrangência, celeridade ou efeito vinculante. A multiplicidade de decisões judiciais divergentes sobre a mesma questão constitucional justifica a ADPF, para que o STF dê uma solução concentrada e uniforme, evitando insegurança jurídica. [ADPF 387, voto do rel. min. Gilmar Mendes, j. 23-3-2017, P, DJE de 25-10-2017.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 84 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 30) ADPF 347 (Estado de Coisas Inconstitucional e o sistema prisional brasileiro): a ADPF 347 foi proposta para discutir a situação de violação generalizada de direitos fundamentais nas prisões brasileiras, como superlotação, tortura, falta de assistência médica e jurídica, e condições desumanas de encarceramento. O STF reconheceu que essa situação violava de forma massiva a Constituição, especialmente os direitos à dignidade humana, à integridade física e moral e à assistência jurídica (arts. 1º, III, 5º, III, XLIX, e 134 da CF). O STF reconheceu a existência de um “estado de coisas inconstitucional” (ECI) no sistema prisional brasileiro. Esse reconhecimento permitiu ao Tribunal determinar medidas estruturais e coordenadas entre os Poderes para superar a violação generalizada de direitos fundamentais. O estado de coisas inconstitucional é caracterizado quando há: 1 violação generalizada e sistemática de direitos fundamentais; 2 inércia ou incapacidade persistente das autoridades públicas em resolver o problema; 3 necessidade de atuação coordenada de múltiplos órgãos estatais (Executivo, Legislativo e Judiciário). O STF reconheceu que o sistema prisional brasileiro preenche esses três requisitos. O papel do Supremo, nesse cenário, não é substituir o Executivo ou o Legislativo, mas retirar o Estado da inércia, provocar a formulação de políticas públicas, monitorar sua execução e garantir a efetividade dos direitos fundamentais. [ADPF 347 MC, voto do rel. min. Marco Aurélio, j. 9-9-2015, P, DJE de 19-2-2016.] 31) ADI 314 (erro grosseiro na escolha da via – impossibilidade de fungibilidade entre ADPF e ADI): quando houver erro grosseiro na escolha do instrumento de controle concentrado, não é possível converter a ADPF em ADI. Isso ocorre porque o art. 4º, § 1º, da Lei 9.882/1999, exige que a ADPF só seja cabível quando não houver outro meio eficaz, o que afasta sua utilização quando seria possível ajuizar ADI ou ADC. A ADPF é um instrumento subsidiário — ou seja, só cabe quando não há outro meio eficaz de sanar a lesão a preceito fundamental. Quando o ato impugnado poderia ser objeto de ADI, a ADPF não é cabível. O ajuizamento de ADPF nesses casos configura erro grosseiro, pois viola a regra de subsidiariedade expressa na Lei 9.882/1999. Como consequência, o STF não pode converter a ADPF em ADI, sob pena de violar os requisitos e ritos próprios de cada ação constitucional. [ADPF 314 AgR, rel. min. Marco Aurélio, j. 11-12-2014, P, DJE de 19-2-2015.] 32) ADPF 178 (aplicação do princípio da fungibilidade entre ADI e ADPF): a ADPF 178 é o complemento perfeito da ADI 314 — ela trata do outro lado da moeda: enquanto a ADI 314 reconheceu o erro grosseiro que impede a fungibilidade, a ADPF 178 admitiu a aplicação do princípio da fungibilidade processual entre as ações de controle concentrado quando houver dúvida razoável e presentes os requisitos da ação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 85 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra cabível. É lícito aplicar o princípio da fungibilidade e conhecer uma ADI como ADPF, desde que estejam preenchidos todos os requisitos de admissibilidade desta última e que o equívoco na escolha da via não configure erro grosseiro. A ADI e a ADPF são instrumentos de controle concentrado com finalidades próximas: ambas servem para proteger a Constituição e assegurar a supremacia dos preceitos fundamentais. Por isso, quando a ADI é inadmissível (por exemplo, quando o ato questionado não tem caráter normativo ou é anterior à Constituição de 1988), mas o caso se enquadra na hipótese de ADPF, o STF pode receber a ação sob essa forma, aplicando a fungibilidade. Essa conversão só é admitida se o erro for escusável — ou seja, se houver dúvida objetiva e razoável sobre qual instrumento seria o mais adequado. Não se aplica a fungibilidade em caso de erro grosseiro, como afirmou a ADI 314. [ADI 4.180 REF-MC, rel. min. Cezar Peluso, j. 10-3-2010, P, DJE de 27-8-2010.] vide ADPF 178, rel. min. presidente Gilmar Mendes, dec. monocrática, j. 21-7-2009, DJE de 5-8-2009 vide ADPF 72 QO, rel. min. Ellen Gracie, j. 1º-6-2005, P, DJ de 2-12-2005 33) ADI 5.875 (amicus curiae e pluralização do debate constitucional): a ADI 5.875 é fundamental para compreender o papel e os limites do amicus curiae (amigo da Corte) no controle concentrado de constitucionalidade. O art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/1999, autoriza a participação do amicus curiae em ações de controle concentrado sempre que houver matéria de grande relevância e demonstrado o nexo de pertinência entre os fins institucionais da entidade e o objeto da ação. O objetivo principal dessa intervenção é pluralizar o debate constitucional e fornecer subsídios técnicos e jurídicos ao STF. A intervenção do amicus curiae tem o propósito democrático e técnico de enriquecer o contraditório, permitindo que vozes da sociedade civil e especialistas participem do debate constitucional. Essa figura não é parte do processo, mas colabora com o Tribunal, oferecendo elementos informativos, argumentos e perspectivas diversas. A admissão do amicus depende de dois requisitos principais:1 pertinência temática: o objeto da ação deve ter relação direta com as finalidades institucionais do requerente; 2 relevância da matéria: o tema deve ser constitucionalmente relevante e de repercussão social. O relator tem discricionariedade técnica para admitir ou não o amicus, mas deve fundamentar sua decisão. [ADI 5.875, rel. min. Luiz Fux, j. 26-11-2018, dec. monocrática, DJE de 28-11-2018.] 34) RE 602.584 (irrecorribilidade da decisão que nega ingresso como amicus curiae): a decisão que nega o ingresso de amicus curiae é irrecorrível. Isso porque a participação do amicus é facultativa, discricionária e colaborativa, não constituindo direito subjetivo da entidade postulante. O amicus curiae não é parte do processo, mas colaborador O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 86 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra da Corte, cuja participação é facultativa e eventual. Sua intervenção é um privilégio processual, e não um direito. A decisão sobre seu ingresso é ato discricionário do relator, que avalia a pertinência temática e a utilidade da intervenção. Tanto o art. 138 do CPC/2015 quanto o art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/1999 são claros ao não preverem recurso contra a decisão que indefere o pedido. Admitir recurso nesses casos atrapalharia o andamento processual, especialmente em ações de grande repercussão, com múltiplos pedidos de intervenção. [RE 602.584 AgR, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, j. 17-10-2018, P, Informativo 920.] 35) RE 705.423 (função democrática e ampliada do amicus curiae): o amicus curiae pode atuar também em processos subjetivos, desde que estejam presentes os requisitos legais: 1 relevância da matéria, especificidade do tema ou repercussão social da controvérsia; e 2 representatividade adequada da pessoa ou entidade que pretende intervir. O amicus curiae é um instrumento de abertura democrática e dialógica da jurisdição constitucional, que permite a participação da sociedade civil e de especialistas na interpretação e aplicação da Constituição. Sua atuação não se restringe às ações de controle abstrato (ADI, ADC, ADPF, ADO), mas também se aplica a processos concretos (subjetivos), como recursos com repercussão geral. [RE 705.423 AgR-segundo, voto do rel. min. Edson Fachin, j. 15-12-2016, P, DJE de 8-2-2017.] 36) RE 730.462 (efeitos das decisões do STF – eficácia normativa e executiva): tese fixada (Tema 733 da repercussão geral) – a decisão do STF que declara a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de norma não gera automaticamente a revisão de decisões judiciais anteriores que aplicaram entendimento diferente. Para desconstituí-las, é necessária ação própria (recurso cabível ou ação rescisória), observando-se o prazo decadencial de 2 anos (art. 495 do CPC). As decisões do STF em controle concentrado produzem duas espécies de efeitos: 1 eficácia normativa: mantém ou retira a norma do ordenamento jurídico (atua erga omnes e ex nunc ou ex tunc, conforme o caso); 2 eficácia executiva (ou instrumental): impõe vinculação a decisões futuras, administrativas e judiciais, para que respeitem o que o STF decidiu. Essa eficácia executiva tem início com a publicação do acórdão no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). Assim, atos e sentenças anteriores à publicação não são automaticamente atingidos. A decisão do STF não rescinde automaticamente sentenças anteriores, devendo-se utilizar ação rescisória se o prazo e as condições estiverem presentes. Ou seja: – as decisões do STF não anulam automaticamente decisões anteriores contrárias; – somente atingem atos e decisões futuras (eficácia O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 87 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra ex nunc da vinculação); – decisões pretéritas só podem ser revistas por ação rescisória ou recurso adequado; – protege a segurança jurídica e o trânsito em julgado. [RE 730.462, rel. min. Teori Zavascki, j. 28-5-2015, P, DJE de 9-9-2015, tema 733.] 37) ADI 5.127 (técnica da “lei ainda constitucional”): na ADI 5.127, o STF reafirmou a possibilidade de aplicar a técnica da “lei ainda constitucional” quando a realidade social ou institucional exige uma transição gradual. O Tribunal destacou que nem toda inconstitucionalidade deve ser reconhecida de forma imediata, pois isso pode causar vácuos normativos e desorganização institucional. Trata-se de uma solução prudente e temporária, até que a situação fática permita a plena aplicação da Constituição. A Constituição não é aplicada no vazio, mas em um contexto histórico e social. Quando a imediata declaração de inconstitucionalidade causar colapso normativo ou institucional, o Tribunal pode reconhecer a norma como “ainda constitucional”. Essa técnica preserva a estabilidade jurídica e o princípio da proporcionalidade, permitindo que a Constituição se concretize de forma progressiva e realista. O Tribunal deve indicar o marco temporal ou as condições fáticas que tornarão a norma definitivamente inconstitucional. [ADI 5.127, rel. p/ o ac. min. Edson Fachin, voto da min. Rosa Weber, j. 15-10-2015, P, DJE de 11-5-2016.] 38) ADI 5.105 (leis “in your face” e mutação constitucional pela via legislativa): a ADI 5.105 discutiu o que ocorre quando o Congresso Nacional aprova uma lei que contraria, de forma explícita e consciente, um entendimento consolidado do STF sobre a Constituição — fenômeno que a doutrina denomina “lei in your face” (expressão do direito constitucional norte-americano que significa “lei na cara” da Corte). Leis que afrontam frontalmente a jurisprudência do STF nascem com presunção relativa (iuris tantum) de inconstitucionalidade. Cabe ao Legislador o ônus argumentativo de demonstrar que: 1 o precedente do STF deve ser revisto (mutação constitucional pela via legislativa), ou 2 as premissas fáticas e axiológicas que sustentavam o entendimento anterior não mais subsistem. Quando o Legislativo edita uma norma contrária à jurisprudência consolidada, ele não está proibido de fazê-lo, mas assume o dever de justificar essa mudança de forma argumentativa e racional. O STF pode, em tese, reexaminar seu entendimento anterior diante de nova realidade social, axiológica ou institucional (mutação constitucional). No entanto, enquanto o STF não modificar seu precedente, a nova lei nasce sob suspeita de inconstitucionalidade, porque viola a autoridade interpretativa da Corte e o princípio da supremacia da Constituição. Essa análise deve ser ainda mais rigorosa se o precedente contrariando envolver cláusulas pétreas (ex.: direitos fundamentais, separação de poderes, voto direto etc.). [ADI 5.105, rel. min. Luiz Fux, j. 1º-10-2015, P, DJE de 16-3-2016.] O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 88 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 39) Rcl 4.335 (conceito e natureza da mutação constitucional): a mutação constitucional é uma transformação no sentido normativo da Constituição, sem alteração do texto. Ela ocorre quando o intérprete extrai do mesmo texto uma nova norma constitucional, diferente da que originalmente se reconhecia, em razão da mudança das circunstâncias históricas, axiológicas ou institucionais. Interpretaçãoe mutação não são a mesma coisa. Na interpretação constitucional comum, o intérprete transforma o texto em norma, isto é, dá-lhe sentido e aplicabilidade conforme o caso concreto. Já na mutação constitucional, ocorre mudança de sentido do próprio enunciado normativo, sem alteração de sua redação. É uma substituição de texto normativo, não apenas de norma. Em outras palavras, a Constituição continua escrita da mesma forma, mas o que se entende por aquele texto muda substancialmente, porque a sociedade, os valores e as circunstâncias evoluíram. Os efeitos da mutação constitucional são: – reforça o papel do STF como intérprete evolutivo e dinâmico da Constituição; – permite que a Constituição se adapte a novas realidades sociais, sem precisar ser constantemente reformada; – garante a atualização axiológica e democrática do texto constitucional. [Rcl 4.335, voto do rel. min. Eros Grau, j. 20-3-2014, P, DJE de 22-10-2014.] 40) ADI 3.659 (conflito de competência no controle abstrato: STF x TJ estadual): a ADI 3.659 analisou a situação em que duas ações diretas de inconstitucionalidade são propostas contra a mesma norma estadual: uma perante o Tribunal de Justiça do Estado, com base na Constituição estadual; e outra perante o STF, com base na Constituição Federal. O STF precisou definir quando a decisão do TJ prejudica (ou não) a ação em trâmite no Supremo. A decisão do Tribunal de Justiça somente prejudica a ADI em curso no STF se for pela procedência (ou seja, se declarar a inconstitucionalidade da norma) e quando a inconstitucionalidade reconhecida for por violação a dispositivo tipicamente estadual (sem similar na Constituição Federal). Caso contrário, subsiste a jurisdição do STF. A Constituição Federal, pelo art. 125, § 2º, autoriza os Tribunais de Justiça a exercerem controle abstrato de constitucionalidade de leis estaduais e municipais em face da Constituição estadual. O STF, por sua vez, exerce o controle abstrato em face da Constituição Federal (art. 102, I, “a”, CF). Assim, o parâmetro de controle (CF x CE) define a competência: a) se a inconstitucionalidade reconhecida pelo TJ se baseia em norma da Constituição estadual tipicamente estadual (sem correspondente na CF), a decisão esgota o controle e prejudica eventual ADI no STF; b) mas se a norma estadual foi declarada inconstitucional com base em dispositivo da Constituição estadual que reproduz regra da CF (obrigatoriamente ou por opção), o STF mantém competência para julgar a ADI, pois o parâmetro federal continua relevante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 89 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Conceitos-chave para entender esse julgado: 1) reprodução obrigatória: normas da CF que devem ser reproduzidas nas constituições estaduais (ex: princípios do art. 37, CF); 2) reprodução facultativa: normas que podem ser repetidas, por opção política, mas não são exigidas; 3) tipicamente estadual: normas próprias da organização do Estado-membro, sem correspondência na CF (ex: estrutura do Ministério Público local). [ADI 3.659, rel. min. Alexandre de Moraes, j. 13-12-2018, P, DJE de 8-5-2019.] 41) RE 650.898 (Tema 484 – controle abstrato pelos TJs com parâmetro na Constituição Federal): no RE 650.898, discutiu-se se os Tribunais de Justiça poderiam julgar ações diretas de inconstitucionalidade de leis municipais com base em normas da Constituição Federal, ou se isso seria competência exclusiva do STF. O art. 125, § 2º, da CF, diz que os TJs julgam ADIs de leis estaduais ou municipais “em face da Constituição Estadual”. O problema é: e se a violação da lei municipal for contra um princípio da CF (ex.: moralidade, impessoalidade), também previsto na CE por reprodução obrigatória? O TJ pode aplicar esse parâmetro? Tese fixada (Tema 484): Os Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais com base em normas da Constituição Federal, desde que estas sejam de reprodução obrigatória pelas Constituições Estaduais. O art. 125, § 2º, CF, dá aos TJs a competência para o controle abstrato estadual, mas não proíbe o uso de normas da CF que obrigatoriamente devem ser reproduzidas nas CEs. Certos princípios e regras da CF têm caráter nacional e vinculante, como os princípios da administração pública (art. 37, caput), legalidade, isonomia, moralidade etc. Como essas normas devem constar da Constituição estadual, o TJ pode aplicá-las como parâmetro, ainda que originem da CF, porque também pertencem ao texto estadual. Trata-se, portanto, de controle formalmente estadual, mas materialmente federal. [RE 650.898, rel. p/ o ac. min. Roberto Barroso, j. 1º-2-2017, P, DJE de 24-8-2017, Tema 484.] É isso, meu(minha) aluno(a). Mais uma vez, volto a dizer que o controle de constitucionalidade é um assunto extenso, mas está longe de ser um “bicho de sete cabeças”. Tenho certeza de que aqueles que ultrapassaram possíveis traumas iniciais com relação ao assunto em voga, neste momento do estudo, já estão aptos a acertar todas as questões de concurso público sobre controle de constitucionalidade. Como fechamento da nossa aula, quero trazer dois lembretes: 1) o Gran Cursos Online possui um fórum de dúvidas para que possamos ajudá-lo(a) na plena compreensão do Direito Constitucional; 2) gostaria de receber sua avaliação acerca da nossa aula. Isso é muito importante para nós. Muito obrigado pela credibilidade. Fique com Deus, fortíssimo abraço e bons estudos! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 90 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra RESUMORESUMO CONCEITO O Controle de Constitucionalidade é um conjunto de atos que garantem a supremacia formal da Constituição Federal. Ele verifica se normas jurídicas e atos do Poder Público são compatíveis com a Constituição. PRESSUPOSTOS Pressuposto Explicação Rigidez Constitucional A Constituição só pode ser alterada por um processo mais rigoroso que as demais normas. Supremacia Formal As normas constitucionais são superiores às normas infraconstitucionais e equivalentes entre si. INCONSTITUCIONALIDADE (TIPOS E EXEMPLOS) Tipo Descrição Exemplo Por Ação Quando há um ato do Poder Público contrário à Constituição. Lei que viola um direito fundamental. Por Omissão Quando o Poder Público deixa de atuar conforme exigência constitucional. Falta de regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. Material (nomoestática) O vício está no conteúdo da norma. Lei que permite tortura, contrariando a Constituição. Formal (nomodinâmica) O vício está no processo legislativo. Lei complementar aprovada por maioria simples. Total Toda a norma é inconstitucional. Toda a lei que fere a Constituição. Parcial Apenas parte da norma é inconstitucional. Um artigo de uma lei é inconstitucional, mas o restante é válido. SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Sistema Explicação Exemplo de País Judicial O Poder Judiciário realiza o controle de constitucionalidade. Brasil (predominante), EUA. Político Órgãos fora do Judiciário fazem o controle. França (Conselho Constitucional Francês). Misto Parte das leis são controladas pelo Judiciário e outra parte por órgãos políticos. Suíça. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aosinfratores à responsabilização civil e criminal. 91 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra • No Brasil, existem alguns traços de controle político: − CCJ das Casas Legislativas analisam projetos de lei. − O Presidente pode vetar um projeto por inconstitucionalidade. − Tribunais de Contas podem analisar a constitucionalidade de atos administrativos (Súmula 347 do STF). MOMENTO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Tipo Descrição Quem Pode Realizar? Preventivo Ocorre antes da norma ser promulgada. CCJ do Congresso Nacional, Presidente da República (veto jurídico), STF via mandado de segurança de parlamentar. Repressivo Ocorre após a norma ser promulgada. Congresso Nacional (art. 49, V e art. 52, X da CF), Presidente da República (nega cumprimento a normas inconstitucionais), Poder Judiciário (controle difuso e concentrado). MODELOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Modelos Descrição Exemplo Controle Difuso Qualquer juiz pode declarar a inconstitucionalidade de uma norma em um caso concreto. Um juiz trabalhista declara inconstitucional uma lei que limita direitos trabalhistas. Controle Concentrado Apenas o órgão de cúpula do Poder Judiciário pode declarar uma norma inconstitucional de forma abstrata. O STF julga uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). FORMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Forma Descrição Exemplo Controle Concreto (Difuso) A inconstitucionalidade é discutida em um caso real, com partes interessadas. Ação judicial alegando que uma lei viola um direito individual. Controle Abstrato (Concentrado) A inconstitucionalidade da norma é analisada em tese, sem necessidade de um caso concreto. Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Procurador-Geral da República. EXEMPLO No controle concreto, um cidadão entra com uma ação pedindo para não pagar IPVA alegando que a lei é inconstitucional. No controle abstrato, o STF julga a ADI proposta pelo PGR questionando a validade da mesma lei estadual. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 92 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra CONTROLE DIFUSO • Legitimação ativa: qualquer parte do processo pode alegar a inconstitucionalidade (autor, réu, MP, juiz de ofício). • Competência: qualquer juiz pode declarar a inconstitucionalidade da norma. • Princípio da Reserva de Plenário (CF, art. 97): Tribunais só podem declarar uma lei inconstitucional pelo voto da maioria absoluta do plenário ou órgão especial. Exceções à Reserva de Plenário: 1. Quando o STF já tiver decidido a questão. 2. Quando o próprio tribunal já tiver julgado a mesma norma inconstitucional. JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante 10 (STF): Viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei, afasta sua incidência, no todo ou em parte. EFEITOS DA DECISÃO NO CONTROLE DIFUSO Tipo de Efeito Descrição Inter partes A decisão só afeta as partes envolvidas no processo. Ex tunc A decisão retroage para invalidar a norma desde sua criação (princípio da nulidade dos atos inconstitucionais). Possibilidade de Modulação STF pode modular os efeitos temporais da decisão (art. 27 da Lei 9.868/1999). SÚMULA VINCULANTE • Definição: Enunciado normativo do STF que possui efeito vinculante para o Poder Judiciário e a Administração Pública. • Origem: Inspirada no stare decisis dos EUA (precedentes obrigatórios da Suprema Corte). • Base Legal: − Art. 103-A da CF/1988 – Inserido pela EC 45/2004. − Lei n. 11.417/2006 – Regulamenta a Súmula Vinculante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 93 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra REQUISITOS PARA EDIÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE Requisito Descrição Quórum de 2/3 dos Ministros do STF Necessário um mínimo de 8 Ministros para aprovação. Reiteradas decisões A súmula vinculante deve ser baseada em julgamentos repetidos do STF sobre o mesmo tema. Controvérsia jurídica atual O tema deve gerar insegurança jurídica e multiplicação de processos. Finalidade: Garantir validade, interpretação e eficácia de normas constitucionais sobre temas de grande impacto. LEGITIMADOS PARA PROPOR, REVISAR OU CANCELAR SÚMULAS VINCULANTES • Legitimados da ADI (Art. 103 da CF/88) + Outros previstos no Art. 3º da Lei 11.417/2006: Legitimado Quem pode propor? Chefes de Poderes Presidente da República, Governadores, Mesas do Senado, da Câmara e das Assembleias Legislativas. Órgãos Judiciais + PGR Procurador-Geral da República, Tribunais Superiores, Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais. Entidades Representativas Conselho Federal da OAB, Defensor Público-Geral da União, confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional e partidos com representação no Congresso. DICA o rol da lei 11 .417/2006 é mais amplo que o da aDi . EFEITOS DA SÚMULA VINCULANTE Efeito Descrição Vinculante Obriga todos os órgãos do Poder Judiciário e Administração Pública direta e indireta (União, Estados, DF e Municípios). Não Vincula o Poder Legislativo na Função Típica Não obriga o Legislativo ao criar novas leis (princípio da separação dos poderes). Vincula o Legislativo na Função Atípica Exemplo: proibição de nepotismo ao nomear servidores (SV 13). Pode ser Revisada ou Cancelada Pelo próprio STF, seguindo o mesmo procedimento de aprovação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 94 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra COMPARAÇÃO ENTRE SÚMULA COMUM E SÚMULA VINCULANTE Critério Súmula Comum Súmula Vinculante Órgão Responsável STF, STJ, TST etc. Apenas STF. Obrigatoriedade Persuasiva (orientação). Obrigatória para o Judiciário e a Administração Pública. Base Repetição de julgados. Repetição + insegurança jurídica e multiplicação de processos. Efeito Não vinculante. Vinculante. Reclamação Constitucional Não cabe. Cabe Reclamação ao STF. DICA a súmula Comum serve como referência, enquanto a súmula Vinculante deve ser obrigatoriamente seguida . CONTROLE CONCENTRADO • Realizado exclusivamente pelo STF • Legitimados ativos (CF, art. 103): − Presidente da República − PGR − Governadores − Mesas: Senado/Câmara/Assembleia Legislativa de Estado/Câmara Legislativa do DF − Conselho Federal da OAB − Partidos com representação no Congresso − Confederações sindicais e entidades de classe O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 95 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra PRINCIPAIS AÇÕES DO CONTROLE CONCENTRADO: Ação Objetivo Exemplo ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) Questiona a constitucionalidade de uma lei federal ou estadual em tese. O PGR propõe ADI contra uma lei estadual. ADC (Ação Declaratória de Constitucionalidade) Busca confirmar a constitucionalidade de uma lei federal. O PGR pede que o STF declare constitucional uma lei federal. ADO (Ação Direta de Inconstitucionalidade porsociedade não concorrem para a força normativa da constituição. Konrad Hesse concorda com Ferdinand Lassalle no sentido de que a Constituição jurídica é condicionada pela realidade político-social; concorda, também, que a pretensão de eficácia da Constituição somente pode ser realizada se for levada em conta essa realidade. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 007. 007. A ideia de supremacia constitucional coloca todas as normas constitucionais em igualdade hierárquica, do ponto de vista do sistema normativo, e em posição de superioridade em relação a todas as demais normas. Exatamente como ensinamos. Certo. 008. 008. Na leitura de Konrad Hesse, a Constituição ostenta força normativa capaz não somente de espelhar sociologicamente os fatores reais de poder, mas, ainda além, de condicionar a realidade política e social de um Estado. De acordo com o que falamos, essa é a ideia central da teoria de Konrad Hesse. Certo. 009. 009. A supremacia constitucional é garantida pela rigidez das normas constitucionais e pelo controle de constitucionalidade. Exatamente isso. Certo. 4 . leGislaÇÃo aPliCaDa4 . leGislaÇÃo aPliCaDa Para estudarmos o controle de constitucionalidade, é fundamental estarmos de posse, além da nossa tradicional fonte de estudo (a Constituição Federal), das Leis n. 9.868, de 1999, e n. 9.882, também de 1999. Portanto, imprima as leis citadas e as mantenha ao seu lado durante o estudo. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Conjunto de atos tendentes a garantir a supremacia formal da CF Declaração de inconstitucionalidade é uma medida excepcional (princípio da presunção de constitucionalidade das leis) PRESSUPOSTO Rigidez constitucional (só há supremacia formal em Constituições rígidas) LEGISLAÇÃO APLICÁVEL CF Lei n. 9.868, de 1999 Lei n. 9.882, de 1999 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 5 . inConstituCionaliDaDe Por aÇÃo e Por oMissÃo5 . inConstituCionaliDaDe Por aÇÃo e Por oMissÃo Considerando que a inconstitucionalidade é justamente o indesejável desrespeito à Constituição vigente, é importante fixar que essa desconformidade pode se dar por ação ou por omissão. A inconstitucionalidade por ação diz respeito à verificação da compatibilidade vertical entre as normas jurídicas e os atos do Poder Público com o seu parâmetro de controle – a Constituição Federal. Significa um fazer inconstitucional do Poder Público. Por sua vez, a inconstitucionalidade por omissão decorre de um não fazer do Estado que ofende uma determinação constitucional. A falta de ação do Poder Público em regulamentar o direito de greve dos servidores públicos civis caracteriza uma inércia inconstitucional. A aferição desta inconstitucionalidade por omissão pode se dar pela via concentrada, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão, ou pela via difusa, por meio de mandado de injunção. Essa omissão inconstitucional pode ser total (ausência total da norma regulamentadora do direito constitucionalmente previsto) ou parcial (existe a norma regulamentadora, mas a normatização é deficiente). Daqui a pouco falaremos das ações de controle concentrado de constitucionalidade. Por ora, basta saber que existem instrumentos capazes de combater a omissão inconstitucional. 010. 010. A supremacia da Constituição exige que todas as situações jurídicas se conformem com os princípios e preceitos da Constituição, mas ainda não existe instrumento jurídico capaz de corrigir omissão inconstitucional. Conforme vimos, existem mecanismos jurídicos para corrigir omissão inconstitucional. Pela via concentrada, o instrumento será a ação direta de inconstitucionalidade por omissão (estudada mais à frente). Já pela via difusa, poderá ser utilizado o mandado de injunção, que será estudado em Remédios Constitucionais. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 11 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra O que é inconstitucionalidade? É uma ofensa à constituição. POR AÇÃO fazer inconstitucional POR OMISSÃO inércia ofensiva à CF somente possível quando a CF exige um fazer total ou parcial ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE 6 . inConstituCionaliDaDe Material e ForMal6 . inConstituCionaliDaDe Material e ForMal Teremos a inconstitucionalidade material (também chamada de nomoestática) quando o vício está no conteúdo da norma (na sua matéria). Já na inconstitucionalidade formal (ou nomodinâmica), o vício está no processo legislativo. Essa inconstitucionalidade formal subdivide-se em: a) subjetiva: o vício está na iniciativa para a propositura do projeto de lei. Pense o seguinte: o art. 61, § 1º, determina que as matérias ali previstas sejam de iniciativa privativa do Presidente da República. Caso um parlamentar federal apresente um projeto de lei sobre uma daquelas matérias, haverá uma inconstitucionalidade formal subjetiva; b) objetiva: o vício estará situado nas demais fases do processo legislativo, como, por exemplo, uma lei complementar, que exige um quórum de maioria absoluta (art. 69), aprovada por maioria simples. Isso gera uma inconstitucionalidade formal objetiva; c) orgânica: aqui, o vício está na repartição constitucional de competências, como, por exemplo, uma lei estadual que legisle sobre trânsito. Como a matéria é federal (art. 22, XI), caso isso aconteça, haverá uma inconstitucionalidade formal orgânica. 011. 011. Verifica-se a inconstitucionalidade formal, também conhecida como nomodinâmica, quando a lei ou o ato normativo infraconstitucional contém algum vício em sua forma, independentemente do conteúdo. Exatamente isso. Na inconstitucionalidade formal, o vício é na forma, ou seja, no processo legislativo. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 12 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 012. 012. A inobservância da competência constitucional de um ente federativo para a elaboração de determinada lei enseja a declaração da inconstitucionalidade material do ato normativo. Na verdade, a inobservância da competência constitucional de um ente federativo para a elaboração de determinada lei enseja a declaração da inconstitucionalidade formal orgânica do ato normativo. Errado. 013. 013. Qualquer ato normativo que desrespeite preceito ou princípio da CF deve ser declarado inconstitucional, por possuir vício formal insanável. Se o vício é no conteúdo por ter desrespeitado matéria constitucional, teremos a inconstitucionalidade material. Errado. 014. 014. Inconstitucionalidade formal orgânica decorre da inobservância da competência legislativa para elaboração do ato. Exatamente isso. Certo. 7 . inConstituCionaliDaDe total ou ParCial7 . inConstituCionaliDaDe total ou ParCial Como o próprio nome já indica, a inconstitucionalidade total atinge todo o ato normativo, ao passo que, na inconstitucionalidadeOmissão) Questiona a inércia do Poder Público em regulamentar normas constitucionais. O Conselho Federal da OAB ajuíza ADO pedindo regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) Evita ou repara lesões a preceitos fundamentais da Constituição. Partido político questiona ato do Executivo que viola direitos fundamentais. COMPARAÇÃO ENTRE CONTROLE DIFUSO E CONTROLE CONCENTRADO Critério Controle Difuso Controle Concentrado Quem pode provocar Qualquer cidadão, MP, juiz de ofício. Apenas os legitimados do art. 103 da CF. Órgão Julgador Qualquer juiz ou tribunal. Apenas STF. Efeito da decisão Inter partes (atinge apenas as partes). Erga omnes (atinge todos). Momento do controle Aplicado em casos concretos. Aplicado em abstrato. Possibilidade de Modulação Sim, pelo STF. Sim, pelo STF. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) • Finalidade: verificar a compatibilidade de leis e atos normativos federais e estaduais com a Constituição. • Competência: STF (art. 102, I, “a” da CF). • Natureza: Controle abstrato e concentrado. LEGITIMAÇÃO ATIVA – ART. 103 DA CF/1988 DICA Para memorização: 3 autoridades, 3 mesas, 3 instituições O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 96 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Grupo Legitimados Ativos Autoridades Presidente da República, Governadores, Procurador-Geral da República Mesas Legislativas Mesa do Senado Federal, Mesa da Câmara dos Deputados, Mesa da Assembleia Legislativa ou Câmara Legislativa do DF Instituições Conselho Federal da OAB, partido político com representação no Congresso Nacional, confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional Detalhes importantes: Partidos políticos – precisam de pelo menos um Deputado Federal ou Senador no momento da propositura. Confederações sindicais – sindicatos, federações e centrais sindicais NÃO têm legitimidade para propor ADI. Entidades de classe nacionais – precisam ter atuação homogênea e podem ser associações de associações. Legitimados Universais (não precisam comprovar pertinência temática): • Presidente da República, • Mesas do Senado e da Câmara, • PGR, • Conselho Federal da OAB, • Partidos Políticos com representação no Congresso. Legitimados Especiais (precisam demonstrar pertinência temática): • Mesas das Assembleias Legislativas, • Governadores, • Confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional. Objeto da ADI – O que pode ser impugnado? Pode ser objeto de ADI? Exemplos ✅ Sim Emendas constitucionais, leis federais, leis estaduais, medidas provisórias, decretos autônomos, resoluções, regimentos internos de tribunais, tratados internacionais com status de emenda, leis do DF (competência estadual). ❌ Não Leis municipais (silêncio eloquente), normas constitucionais originárias, atos normativos secundários (regulamentares), matérias interna corporis dos poderes, normas revogadas, leis pré-constitucionais. JURISPRUDÊNCIA Súmula 642 do STF: Não cabe ADI contra lei do DF derivada da competência legislativa municipal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 97 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Importante: • Leis distritais podem ser questionadas se forem no exercício de competência estadual. • Leis orçamentárias podem ser objeto de ADI se tiverem conteúdo normativo geral e abstrato. PROCEDIMENTO Fase Descrição Petição Inicial Deve indicar claramente a norma atacada e a ofensa constitucional. Citação do Advogado-Geral da União (AGU) Defende o ato impugnado. Parecer do Procurador-Geral da República (PGR) Atua como fiscal da lei (custos legis). Relator do STF Pode pedir informações ao órgão que editou a norma. Decisão do STF O julgamento final pode declarar constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma. Detalhes importantes: • AGU defende a constitucionalidade da norma, salvo se o STF já tiver decidido pela sua inconstitucionalidade. • PGR tem liberdade para opinar a favor ou contra a norma. • ADI não admite desistência (Art. 5º da Lei 9.868/99). EFEITOS DA DECISÃO NO CONTROLE CONCENTRADO Efeito Descrição Erga omnes Vale para todos (além das partes do processo). Efeito vinculante Obriga a Administração Pública e o Judiciário (exceto o próprio STF). Efeito ex tunc (retroativo) Em regra, a decisão retroage à origem da norma inconstitucional. Modulação de efeitos STF pode definir que a decisão tenha efeito ex nunc (daqui para frente) ou pro futuro (em um momento futuro) por razões de segurança jurídica ou de interesse social (art. 27 da Lei 9.868/99). DICA efeito vinculante nÃo atinge o legislativo na sua função típica de legislar . O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 98 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra “Amicus Curiae” (Art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/99) • Quem pode participar? Órgãos, entidades com interesse na causa. • Finalidade: Qualificar o debate com argumentos técnicos. • Não há prazo fixo, mas deve ser antes do julgamento. • Pessoa física? STF tem entendimento restritivo (normalmente não aceita). • Decisão que admite é irrecorrível; decisão que nega pode ser questionada via agravo. Cuidados finais: • Pedido vincula, causa de pedir não. • Decisão irrecorrível (salvo embargos de declaração). • Impossibilidade de ação rescisória. • Proposta a ação direta, não se admitirá desistência. • Não se admitirá intervenção de terceiros. • Natureza dúplice (o não provimento da ADI, gera a declaração de constitucionalidade da norma). AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO (ADO) • Finalidade: Identificar uma inação inconstitucional do Poder Público quando há uma obrigação constitucional de agir. • Competência: STF (Art. 102, I, “a” da CF). • Natureza: Controle abstrato e concentrado. Diferença entre ADI e ADO: • ADI: Ataca norma já existente que viola a Constituição. • ADO: Ataca a falta de norma exigida pela Constituição. Legitimação Ativa – Art. 103 da CF/1988 (os mesmos legitimados da ADI) Objeto da ADO – O que pode ser questionado? • Quando a Constituição exige uma atuação estatal e esta não ocorre, gerando uma omissão inconstitucional. • Pode ser ajuizada contra a omissão de qualquer um dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) ou contra órgãos administrativos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 99 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra PROCEDIMENTO Fase Descrição Petição Inicial Deve demonstrar que há uma omissão inconstitucional. Citação do Advogado-Geral da União (AGU) Facultativa – pode ser solicitado pelo relator (art. 12-E, § 2º da Lei 9.868/99). Parecer do Procurador-Geral da República (PGR) Obrigatório e livre para opinar. Relator do STF Pode pedir informações ao órgão omisso. Decisão do STF Pode determinar que o órgão tome providências para sanar a omissão. Detalhes importantes: • AGU defende o ato impugnado na ADI, mas na ADO suamanifestação é facultativa. • PGR deve se manifestar obrigatoriamente. Efeitos da Decisão no Controle Concentrado • O STF pode apenas reconhecer a omissão e determinar que o órgão competente tome providências. • Se a omissão for de órgão administrativo, ele terá 30 dias para agir ou um prazo fixado pelo STF. Dispositivos relevantes: CF, Art. 103, § 2º: Declarada a inconstitucionalidade por omissão, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em 30 dias. • Lei 9.868/99, Art. 12-H: STF pode estipular prazo razoável para o cumprimento da decisão. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE (ADC) • Finalidade: tornar a presunção relativa de constitucionalidade de uma lei federal em presunção absoluta. • Competência: STF (Art. 102, I, “a” da CF). • Natureza: Controle abstrato e concentrado. • Origem: Criada pelo constituinte derivado por meio da EC n. 3/1993. Diferença entre ADI e ADC: • ADI: O autor busca a declaração de inconstitucionalidade de uma norma. • ADC: O autor busca a declaração de constitucionalidade da norma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 100 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Legitimação Ativa – art. 103 da CF/1988: os mesmos legitimados da ADI. Objeto da ADC – o que pode ser questionado? • Somente leis e atos normativos federais podem ser objeto da ADC. • Não cabe ADC para normas estaduais ou municipais. Pressuposto de Admissibilidade – Relevante Controvérsia Judicial Para que uma ADC seja admitida, deve haver relevante controvérsia judicial sobre a norma. • Relevante controvérsia judicial = divergência entre juízes e tribunais sobre a aplicação da norma. • Controvérsia doutrinária NÃO basta. Dispositivo legal: art. 14, III, da Lei n. 9.868/99: A petição inicial indicará (...) a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. Atuação do PGR e AGU • PGR (Procurador-Geral da República): − Obrigatório e livre para opinar (Art. 103, VI e § 1º da CF). • AGU (Advogado-Geral da União): − Não se manifesta na ADC (QO ADC 1 – STF). Isso porque seu papel é defender a constitucionalidade das leis, e a ADC já busca essa declaração. PROCEDIMENTO Fase Descrição Petição Inicial Deve demonstrar que há relevante controvérsia judicial sobre a norma. Parecer do PGR Obrigatório, mas livre para opinar. Citação do AGU Não ocorre na ADC. Relator do STF Pode pedir informações ao órgão que editou a norma. Decisão do STF Declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da norma. Efeitos da Decisão na ADC • STF pode declarar a norma constitucional ou inconstitucional. • A decisão tem os seguintes efeitos: Eficácia erga omnes: atinge a todas as pessoas. Efeito vinculante: vincula todos os órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública direta e indireta. Não vincula o STF, que pode mudar seu entendimento. Eficácia ex tunc: a decisão retroage à data de vigência da norma, confirmando sua validade desde o início (ou, se a ADC é julgada improcedente, anula a norma impugnada). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 101 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Exceção – Modulação dos Efeitos: se o STF julgar a norma inconstitucional, pode modular os efeitos temporais (Art. 27 da Lei n. 9.868/99). • Decisão irrecorrível (salvo embargos de declaração). • Impossibilidade de desistência. • Impossibilidade de intervenção de terceiros. • Possibilidade de “amicus curiae”. • Impossibilidade de ação rescisória. • Natureza dúplice (se a ADC é julgada improcedente, o STF declara a norma inconstitucional). ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF) • Previsão constitucional: art. 102, § 1º da CF/88. • Lei regulamentadora: Lei n. 9.882/1999. • Finalidade: Evitar ou reparar lesão a um preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. • Competência: STF (Art. 102, § 1º da CF/88). • Natureza: Controle abstrato e concentrado. Pontos importantes: • A ADPF pode questionar leis federais, estaduais ou municipais. • A ADPF pode ser utilizada contra normas anteriores à CF/88. • A ADPF tem caráter subsidiário (só pode ser usada se não houver outro meio eficaz). Modalidades de ADPF ADPF autônoma preventiva: • Para evitar lesão a preceito fundamental. • ADPF autônoma repressiva: • Para reparar lesão a preceito fundamental. ADPF incidental: • Quando há relevante controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluindo normas anteriores à CF/88. Legitimação Ativa – Quem pode propor ADPF? Os mesmos da ADI (art. 103 da CF) Caráter Subsidiário da ADPF Regra: a ADPF só pode ser utilizada se não houver outro meio eficaz de sanar a lesão. Fundamento: art. 4º, § 1º da Lei n. 9.882/1999. • O outro meio processual deve ser realmente eficaz para sanar a lesão. • A mera existência de outros meios processuais não impede a ADPF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 102 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Fungibilidade entre ADPF e ADI • Se o autor entrar com ADPF, mas for caso de ADI, o STF pode convertê-la em ADI. • Se o autor entrar com ADI, mas for caso de ADPF, o STF pode convertê-la em ADPF. PROCEDIMENTO Fase Descrição Petição Inicial Deve demonstrar que há lesão a preceito fundamental. Parecer do PGR Obrigatório, mas livre para opinar. Citação do AGU Não há previsão legal, mas é usual sua manifestação. Relator do STF Pode pedir informações ao órgão que editou a norma. Decisão do STF Declara a inconstitucionalidade ou a constitucionalidade da norma. • Pode suspender processos judiciais e administrativos sobre a norma questionada. Efeitos da Decisão na ADPF Os mesmos efeitos da ADI e ADC: • Eficácia erga omnes: − Atinge a todas as pessoas. • Efeito vinculante: − Obriga todos os juízes e tribunais a reconhecerem a constitucionalidade ou in- constitucionalidade da norma, bem como vincula toda a Administração Pública. − Não vincula o STF, que pode mudar seu entendimento. • Eficácia ex tunc: − A decisão retroage à data de vigência da norma, confirmando (ou não) sua validade desde o início. Exceção – Modulação dos Efeitos: • O STF pode modular os efeitos da decisão por razões de segurança jurídica ou interesse social (art. 11 da Lei n. 9.882/1999). Irrecorribilidade e Impossibilidade de Ação Rescisória • Regra: a decisão da ADPF é irrecorrível e não pode ser objeto de ação rescisória (art. 12 da Lei n. 9.882/1999). OBSERVAÇÕES FINAIS • INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO: STF admite se houver conexão entre normas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 103 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Ocorre quando uma norma declarada inconstitucional “arrasta” outra norma dependente. • Fundamento: Interdependência entre as normas. • Exemplo: Lei X declarada inconstitucional → Decreto Y que a regulamentatambém é inconstitucional. • INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE: não existe no Brasil, ocorre revogação. • NORMAS CONSTITUCIONAIS ORIGINÁRIAS INCONSTITUCIONAIS: Brasil não admite essa teoria. • TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES: STF ainda não adota formalmente. Teoria: além do dispositivo, a fundamentação do STF (ratio decidendi) teria efeito vinculante. Exemplo: Se o STF declarar inconstitucional uma lei estadual, outras leis idênticas de outros estados poderiam ser automaticamente consideradas inconstitucionais. • DECLARAÇÃO DE NULIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO: mantém o texto, mas afasta um sentido inconstitucional. • INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA: norma “ainda constitucional”, mas inconstitucional no futuro. • BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE: conjunto de normas constitucionais que servem de parâmetro de controle de constitucionalidade. Inclui tratados de direitos humanos com força de emenda. • CONTROLE NOS ESTADOS: TJ pode exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis estaduais e municipais em face da Constituição Estadual ou Lei Orgânica do DF. Art. 125, § 2º da CF: Estados devem prever controle de constitucionalidade, mas não podem atribuir essa legitimidade a apenas um órgão. • TRIBUNAIS DE CONTAS: Súmula 347 permite controle concreto, mas decisão recente do STF nega. • AÇÃO CIVIL PÚBLICA: pode ser usada para controle difuso, mas não para controle abstrato. • ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL: situação de violação sistêmica de direitos fundamentais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 104 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (2025/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLV) A Lei Federal nº 1.079/1950 define os crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da República e traz normas regulando o respectivo processo. Há poucos meses, o Diretório Nacional do Partido Político Alfa consultou você, como advogado(a), sobre a possibilidade de ingressar com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para impugnar alguns dispositivos da Lei nº 1.079/1950 que considera incompatíveis com a ordem constitucional. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. a) Como a Lei nº 1.079/1950 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente, continuando a produzir efeitos nas últimas décadas, a Ação Direta de Inconstitucionalidade é via de controle objetiva adequada para impugná-la. b) Diante da fungibilidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal entre a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, admite- se, em qualquer caso, a conversão de uma via impugnativa em outra. c) Embora seja cabível o ajuizamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade em face da Lei nº 1.079/1950, para reconhecer a compatibilidade de seus dispositivos com a CRFB/88, a Ação Direta de Inconstitucionalidade não se presta a impugnar dispositivos de lei pré-constitucional. d) A Ação Direta de Inconstitucionalidade não é a via de controle objetivo adequada para impugnar dispositivos de Lei nº 1.079/1950, e, por se tratar de erro grosseiro, o Supremo Tribunal Federal não admite a fungibilidade com a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. 002. 002. (2023/TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS/JUIZ SUBSTITUTO) A súmula vinculante pode ser aprovada mediante decisão de dois terços dos ministros do STF para que, a partir de sua publicação, tenha efeito vinculante sobre: a) demais instâncias do Poder Judiciário; b) Administração Pública direta e demais instâncias do Poder Judiciário; c) Administração Pública direta e indireta na esfera federal e os demais órgãos do Poder Judiciário; d) demais órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal; e) os órgãos deliberativos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. 003. 003. (2023/CONSELHO REGIONAL DOS TÉCNICOS INDUSTRIAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO/ ADVOGADO) Caberá arguição de descumprimento de preceito fundamental, quando for O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 105 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, desde que não seja anterior à Constituição Federal de 1988. 004. 004. (2023/PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO DE NATAL/PROCURADOR DO MUNICÍPIO) Em relação à arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), assinale a opção correta. a) A decisão proferida em ADPF terá efeito restrito às partes e aos interessados no processo. b) Indeferida a petição inicial em processo de ADPF, caberá recurso ordinário, no prazo de 10 dias. c) A possibilidade de suspensão dos processos ou dos efeitos das decisões judiciais foi julgada inconstitucional pelo STF, por ferir o princípio da economia processual. d) As decisões a respeito das ADPF serão tomadas em sessão com a presença de, no mínimo, 2/3 dos ministros do STF. e) Da decisão que julgar improcedente a ADPF caberá agravo, no prazo de 10 dias. 005. 005. (2023/Procuradoria Geral da Universidade de São Paulo/Procurador) “O dogma da nulidade da lei inconstitucional pertence à tradição do Direito brasileiro. A teoria da nulidade tem sido sustentada por praticamente todos os nossos importantes constitucionalistas. Fundada na antiga doutrina americana, segundo a qual the inconstitutional statute is not law at all, significativa parcela da doutrina brasileira posicionou-se em favor da equiparação entre inconstitucionalidade e nulidade. Afirmava-se, em favor dessa tese, que o reconhecimento de qualquer efeito a uma lei inconstitucional importaria na suspensão provisória ou parcial da Constituição”. MENDES, Gilmar Ferreira e BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 1283-1284. Por isso, pode-se afirmar que a) a declaração de nulidade total da lei inconstitucional ocorre apenas quando o Supremo Tribunal Federal reconhece a inconstitucionalidade material de um de seus dispositivos e, por arrastamento, declara a inconstitucionalidade de toda a lei. b) o reconhecimento da inconstitucionalidade de uma lei, no Direito brasileiro, pode acarretar quatro possíveis declarações: (i) nulidade total, (ii) nulidade parcial, (iii) nulidade parcial sem redução de texto e (iv) interpretação conforme a Constituição. c) o dogma da nulidade da lei inconstitucional foi relativizado pelo artigo 27 da Lei nº 9.868/1999, que passou a permitir, dentre outras relativizações, a chamada modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade. d) a declaração de nulidade parcial sem redução de texto é incompatível com o dogma da nulidade da lei inconstitucional e, dessa forma, somente é aplicada em situações de reconhecimento de inconstitucionalidade formal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 106 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra e) a interpretação conforme a Constituição é, em todas as situações em que efetivamente invocada pelo STF, equiparável à declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. 006. 006. (2023/POLÍCIA CIVIL DO ALAGOAS/DELEGADODE POLÍCIA CIVIL) Embora a finalidade da ação declaratória de constitucionalidade seja a obtenção de julgamento para afirmar a validade constitucional de uma norma, seu resultado pode ser a declaração de inconstitucionalidade desta, situação em que é juridicamente possível haver modulação dos efeitos do julgamento. 007. 007. (2023/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO/PROCURADOR DO MUNICÍPIO) A respeito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), assinale a alternativa correta. a) A arguição incidental constitui um incidente de inconstitucionalidade, que tem por objeto qualquer ato do Poder Público e ser suscitada, de ofício, pelo órgão judicial responsável pelo julgamento do caso. b) Caso o Supremo Tribunal Federal admita a arguição incidental, o processo que a originou será suspenso por 120 dias. c) Para que a ADPF seja admitida, é necessária a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante, por meio de decisões divergentes de pelo menos dois tribunais diferentes. d) Assim como se dá no âmbito da ação direta de inconstitucionalidade, o direito municipal não pode ser objeto de ADPF. e) Tanto a arguição autônoma quanto a incidental podem ter por objeto qualquer ato do Poder Público, inclusive anteriores à Constituição, administrativos e jurisdicionais. 008. 008. (2023/MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Sobre a cláusula full bench, é CORRETO afirmar: a) A cláusula full bench, embora sem previsão expressa na ordem jurídica nacional, é admitida pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. b) É norma constitucional expressa no direito brasileiro. c) Trata-se de princípio hermenêutico constitucional, especial em relação aos critérios ordinários de resolução das antinomias normativas, como os critérios hierárquico, cronológico e da especialidade. d) Não tem previsão na ordem jurídica nacional e os posicionamentos doutrinários favoráveis não foram agasalhados pela jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal. 009. 009. (2023/PREFEITURA DE DOUTOR PEDRINHO/ADVOGADO PÚBLICO) Controle de constitucionalidade é um dos temas mais importantes no âmbito do Direito Constitucional. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 107 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra a) O controle de constitucionalidade abstrato estadual terá por objeto leis ou atos normativos federais, estaduais ou municipais, concorrentemente. b) É possível que a Ação Direta de Preceito Fundamental seja apreciada pelo juiz de primeiro grau, a depender do tipo de lesão a preceito fundamental a ser reparada. c) Por decisão da maioria relativa dos seus membros, o STF poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade. d) A inconstitucionalidade formal, conhecida como nomodinâmica, verifica-se quando a lei ou o ato normativo infraconstitucional contiver algum vício em sua `forma´, ou seja, em seu processo de formação, por exemplo, no processo legislativo de sua elaboração. e) O controle de constitucionalidade posterior ou repressivo pode se dar tanto sobre a lei como também sobre o projeto de lei. 010. 010. (2023/CÂMARA DE SÃO JOAQUIM DA BARRA/PROCURADOR JURÍDICO) Pela via do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade de ato normativo emanado pelo Poder Público, a inconstitucionalidade somente pode ser reconhecida pelo voto da maioria absoluta dos membros do Tribunal, ou de respectivo Órgão Especial. Esta orientação decorre do Princípio a) da Concentração. b) da Boa-fé Processual. c) da Reserva de Plenário. d) do Duplo Grau de Jurisdição. 011. 011. (2023/MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) No tocante à arguição incidental da inconstitucionalidade, assinale a opção correta. a) A proteção à coisa julgada atinge, via de regra, a declaração incidental de inconstitucionalidade de norma. b) No controle incidental de constitucionalidade, o juízo pode reconhecer de ofício a inconstitucionalidade. c) Na arguição incidental de inconstitucionalidade, a decisão judicial que a acatar deve registrar esse fato no dispositivo. d) Na declaração incidental de inconstitucionalidade, os efeitos, para as partes, são ex nunc. e) Ao receber do Supremo Tribunal Federal (STF) comunicação de julgamento incidental de inconstitucionalidade, o Senado Federal está obrigado a editar resolução, suspendendo nacionalmente a eficácia da norma. 012. 012. (INÉDITA/2026) Segundo entendimento do STF, o deputado federal que não queira participar de votação de projeto de lei, que considere inconstitucional por violar o devido O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 108 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra processo legislativo, poderá impetrar um mandado de segurança preventivo para impedir a tramitação. 013. 013. (INÉDITA/2026) Para facilitar o amplo acesso à justiça em todos os graus de jurisdição, será admitida arguição de descumprimento fundamental mesmo quando houver outro meio eficaz capaz de sanar a lesividade. 014. 014. (INÉDITA/2026) Dentre os modelos de controle de constitucionalidade, considera- se controle concentrado de constitucionalidade aquele que pode ser exercido por todo e qualquer juiz ou tribunal. 015. 015. (INÉDITA/2026) A jurisprudência do STF admite, em sede de ação direta de inconstitucionalidade, o controle de constitucionalidade de atos normativos pré-constitucionais. 016. 016. (INÉDITA/2026) Qualquer cidadão é parte legítima para propor arguição de descumprimento de preceito fundamental que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 017. 017. (INÉDITA/2026) O governador de um estado ou a assembleia legislativa que impugna ato normativo de outro estado não tem necessidade de demonstrar a relação de pertinência da pretendida declaração de inconstitucionalidade da lei. 018. 018. (INÉDITA/2026) A administração pública indireta, assim como a direta, nas esferas federal, estadual e municipal, fica vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade. 019. 019. (INÉDITA/2026) É possível controle de constitucionalidade do direito estadual e do direito municipal no processo de arguição de descumprimento de preceito fundamental. 020. 020. (INÉDITA/2026) A ADPF, criada com o objetivo de complementar o sistema de proteção da CF, constitui instrumento de controle concentrado de constitucionalidade a ser ajuizado unicamente no STF. 021. 021. (INÉDITA/2026) O controle de constitucionalidade consiste na verificação da compatibilidade de qualquer norma infraconstitucional com a CF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 109 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 022. 022. (INÉDITA/2026) A obrigatoriedade de deliberação plenária dos tribunais, no sistema de controle de constitucionalidade brasileiro, significa que somentepelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 023. 023. (INÉDITA/2026) Declarando o Supremo Tribunal Federal, incidentalmente, a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em face da Constituição do Brasil, caberá ao Senado Federal suspender a execução da lei, total ou parcialmente, conforme o caso, desde que a decisão do Supremo Tribunal Federal seja definitiva. 024. 024. (INÉDITA/2026) Não ofende a Constituição da República norma de Constituição Estadual que atribui legitimidade para a propositura de representação de inconstitucionalidade aos Deputados Estaduais e ao Procurador-Geral do Estado. 025. 025. (INÉDITA/2026) Mudanças propostas por constituinte derivado reformador estão sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelecidas na Constituição da República. 026. 026. (INÉDITA/2026) A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), regulada pela Lei n. 9.882/99, tem por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Pode-se afirmar que, de acordo com a Lei n. 9.882/99, vige o princípio da subsidiariedade quanto ao cabimento da ADPF. 027. 027. (INÉDITA/2026) É impossível o esclarecimento de matéria de fato em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade. 028. 028. (INÉDITA/2026) Enquanto a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Ação Declaratória de Constitucionalidade não admitem desistência, a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão admite a desistência a qualquer tempo. 029. 029. (INÉDITA/2026) Uma súmula vinculante editada pelo STF terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, não atingindo, de maneira nenhuma, pelo princípio da separação dos poderes, os Poderes Legislativo e Executivo, que possuem meios próprios de vinculação de seus atos. 030. 030. (INÉDITA/2026) Muito embora o sistema brasileiro não admita ADI contra lei municipal, é cabível contra essa espécie de lei o controle difuso de constitucionalidade, assim como o controle concentrado por meio de arguição de descumprimento de preceito fundamental. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 110 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 031. 031. (INÉDITA/2026) No julgamento da ação direta de inconstitucionalidade ajuizada perante o STF, apesar de lhe ser aplicável o princípio da congruência ou da adstrição ao pedido, admite-se a declaração de inconstitucionalidade de uma norma que não tenha sido objeto do pedido, na hipótese configuradora da denominada inconstitucionalidade por arrastamento. 032. 032. (INÉDITA/2026) Frente a duas interpretações possíveis de uma lei, deve ser adotada a interpretação compatível com a Constituição Federal, sendo admitida também a declaração de inconstitucionalidade daquela que se encontre em dissonância com o texto constitucional, por meio de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF. 033. 033. (INÉDITA/2026) Os órgãos fracionários dos tribunais submeterão, obrigatoriamente, ao plenário ou ao seu órgão especial, se houver, a arguição de inconstitucionalidade de determinada norma, ainda que estes já tenham se pronunciado acerca da questão suscitada. 034. 034. (INÉDITA/2026) Se a inconstitucionalidade de uma norma atinge outra, tem-se a denominada inconstitucionalidade consequencial ou por arrastamento. 035. 035. (INÉDITA/2026) Partidos políticos com representação no Congresso Nacional e entidades de classe de âmbito nacional têm legitimidade ativa para propositura da ação declaratória de constitucionalidade. 036. 036. (INÉDITA/2026) Conforme determina a Constituição Federal de 1988, podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, exceto: a) o Presidente da República. b) a Mesa do Senado Federal. c) a Mesa da Câmara dos Deputados. d) a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. e) o Prefeito. 037. 037. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) Admite-se a propositura de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) para contestar decisões judiciais que supostamente violem preceitos fundamentais, quando inexistir outro meio processual igualmente eficaz para sanar a lesão de forma ampla, geral e imediata. 038. 038. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) Admite-se o controle jurisdicional a fim de interpretar o sentido e o alcance de normas meramente regimentais das casas legislativas quando ficar caracterizado desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 111 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 039. 039. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) É incabível ação direta de inconstitucionalidade para questionar a validade de atos normativos de natureza secundária e cuja função seja regulamentar dispositivos infraconstitucionais. 040. 040. (2025/TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 6ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ESPECIALIDADE: OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL) Podem propor, dentre outros legitimados, a ação direta de inconstitucionalidade à a) Procurador-Geral da República e a Mesa da Câmara dos Deputados e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. b) Advogado-Geral da União e a Mesa da Câmara Legislativa dos Estados ou do Distrito Federal e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tomar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em até sete dias. c) Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. d) Procurador-Geral da República, a entidade de classe de âmbito estadual e a Mesa do Senado Federal e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tomar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. e) Presidente da República e o Governador de Estado e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em até cinco dias. 041. 041. (2025/PREFEITURA DE TANGARÁ DA SERRA – MT/PROCURADOR MUNICIPAL – ADAPTADO) O desrespeito à cláusula de iniciativa reservada das leis, em qualquer das hipóteses taxativamente previstas no texto da Carta Política, traduz situação configuradora de inconstitucionalidade material, insuscetível de produzir qualquer consequência válida de ordem jurídica. A usurpação da prerrogativa de iniciar o processo legislativo qualifica-se como ato destituído de qualquer eficácia jurídica, contaminando, por efeito de repercussão causal prospectiva, a própriavalidade constitucional da lei que dele resulte. 042. 042. (2024/PREFEITURA DE APARECIDA/AUXILIAR DE SERVIÇOS JURÍDICOS) O Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, declarou a inconstitucionalidade de lei municipal que estabelece regras para o parcelamento de multas aplicadas a veículos automotores, sob a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 112 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra justificativa de que usurpam a competência privativa da União para legislar sobre trânsito e transporte. Com base na situação hipotética e nas noções de controle de constitucionalidade, é correto afirmar que a) a inconstitucionalidade em questão é material, por contrariar normas constitucionais de fundo. b) a lei, quando promulgada, está sujeita ao controle preventivo de constitucionalidade, que é aplicável nas situações em que os atos normativos estão formados, mas ainda não foram utilizados na prática pela Administração. c) o controle de constitucionalidade exercido pelo Supremo Tribunal Federal é político, pois tem como resultado excluir do ordenamento jurídico um ato editado por representantes do povo. d) a inconstitucionalidade em questão é formal orgânica, por violar norma definidora do órgão competente para tratar da matéria. e) a norma pode ter sido objeto de ação direta de inconstitucionalidade proposta diretamente no Supremo Tribunal Federal. 043. 043. (2024/SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE VIÇOSA/PROCURADOR JURÍDICO) A respeito do controle de constitucionalidade, à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa INCORRETA a) A Ação Direta de Inconstitucionalidade é meio processual inadequado ao controle de constitucionalidade de decreto regulamentar de lei estadual. b) O advogado que assina a petição inicial de ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com poderes específicos, devendo o instrumento mencionar a lei ou ato normativo impugnado na ação. c) A alteração do parâmetro constitucional quando o processo ainda está em andamento não prejudica o conhecimento da ação direta de inconstitucionalidade. d) É possível a cumulação de pedidos típicos de ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade em uma única demanda de controle concentrado. e) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor da ação. 044. 044. (2024/CÂMARA DE BRUSQUE – SC/ANALISTA LEGISLATIVO) Sobre o controle de constitucionalidade, mais precisamente o controle difuso, assinale a alternativa correta: a) No controle difuso, os efeitos da decisão serão inter partes e ex nunc. b) É competência privativa do Senado Federal, mediante a edição de decreto, suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 113 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra c) Não se admite a manifestação de outros órgãos ou entidades (amicus curiae) no controle difuso de constitucionalidade. d) Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. e) A cláusula de reserva de plenário aplica-se às Turmas Recursais dos Juizados Especiais. 045. 045. (2024/CÂMARA DE MANAUS – AM/ANALISTA LEGISLATIVO MUNICIPAL) Carlos, Analista Legislativo, foi questionado sobre a possibilidade de questionar a inércia do poder público em cumprir determinada norma constitucional. Qual ação judicial é adequada para essa finalidade? a) Reclamação constitucional. b) Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. c) Habeas data. d) Mandado de segurança. e) Habeas corpus. 046. 046. (2021/SENADO FEDERAL) É constitucionalmente possível que um Senador obtenha, no Supremo Tribunal Federal, ordem proibindo a deliberação de proposta de emenda à Constituição. 047. 047. (2021/DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SANTA CATARINA/DEFENSOR PÚBLICO) A partir da Emenda Constitucional no 45/2004, pode propor a ação declaratória de constitucionalidade a) a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil. b) a Mesa da Assembleia Legislativa. c) o Defensor Público-Geral Federal. d) o Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege). e) o partido político com representação na Câmara dos Deputados. 048. 048. (2021/SECRETARIA DA FAZENDA DE RORAIMA/AUDITOR-FISCAL DE TRIBUTOS ESTADUAIS) Acerca do controle de constitucionalidade, assinale a opção correta. a) As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade produzem eficácia inter partes e efeito vinculante. b) O Poder Legislativo realiza controle de constitucionalidade. c) A ação declaratória de constitucionalidade é espécie de controle de constitucionalidade difuso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 114 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) É materialmente inconstitucional lei de iniciativa parlamentar cujo objeto seja constitucionalmente previsto como de iniciativa privativa do presidente da República. e) Ao contrário das entidades de classe de âmbito regional, as de âmbito local não são legitimadas para propor ação direta de constitucionalidade. 049. 049. (2021/SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DO ALAGOAS/AUDITOR DE FINANÇAS E CONTROLE DE ARRECADAÇÃO DA FAZENDA ESTADUAL) O efeito vinculante e a eficácia contra todos submetem os órgãos do Poder Legislativo, que, a partir da publicação do acórdão, ficam impedidos de editar novas produções legislativas de matérias retratadas na lei anteriormente declarada inconstitucional. 050. 050. (2021/PREFEITURA DE ARACAJU-SE/AUDITOR DE TRIBUTOS MUNICIPAIS – ÁREA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO) Caso tramite no Congresso Nacional emenda constitucional incompatível com dispositivos constitucionais que disciplinam o processo legislativo, a competência para impetrar mandado de segurança acerca do assunto no Supremo Tribunal Federal será somente a) do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. b) dos parlamentares c) do procurador-geral da República. d) do presidente da República. e) de governador de estado. 051. 051. (2021/PREFEITURA DE CANOAS-RS/PROCURADOR MUNICIPAL) De acordo com o disposto sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal (Lei n º 9.868/1999), quem NÃO pode propor a ação direta de inconstitucionalidade? a) O Ministro da Justiça. b) O Procurador-Geral da República. c) O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. d) Partido político com representação no Congresso Nacional. e) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 052. 052. (2021/POLÍCIA CIVIL DO CEARÁ/ESCRIVÃO) Em decisão judicial de primeira instância, o juízo do Município X decidiu aumentar o vencimento de professor da rede municipal de ensino, fundamentando sua decisão exclusivamente no princípio da isonomia. A decisão pode ser objeto de qual remédio constitucional? a)Ação Direta de Inconstitucionalidade. b) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 115 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra c) Mandado de Injunção. d) Reclamação Constitucional. e) Mandado de Segurança. 053. 053. (2021/POLÍCIA CIVIL DO CEARÁ/INSPETOR) É legitimado para propor a Ação Declaratória de Constitucionalidade a) o Advogado-Geral da União. b) um partido político. c) uma entidade de classe de âmbito nacional. d) o Presidente de um Tribunal Regional Federal. e) o Presidente do Conselho Nacional de Justiça. 054. 054. (2021/PREFEITURA DE CRATO-CE/ANALISTA PREVIDENCIÁRIO) São legitimados especiais para proporem ação de controle de constitucionalidade concentrado e abstrato de lei municipal perante o Supremo Tribunal Federal, exceto: a) O Governador de Estado e do Distrito Federal; b) O Procurador Geral da República; c) A mesa diretora da Assembleia legislativa e Câmara Legislativa do Distrito Federal; d) Entidade de classe em nível nacional; e) Federação Sindical ou sindicato em nível nacional; 055. 055. (2021/POLÍCIA MILITAR DO ALAGOAS/OFICIAL COMBATENTE) Os governadores de estado e as mesas das assembleias legislativas são legitimados para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade e de ação declaratória de constitucionalidade. 056. 056. (2021/CONSELHO REGIONAL DOS CORRETORES DE IMÓVEIS DO MATO GROSSO DO SUL/ ADVOGADO) Partidos políticos com representação no Congresso Nacional e entidades de classe de âmbito nacional têm legitimidade ativa para propositura da ação declaratória de constitucionalidade. 057. 057. (2021/DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO DE POLÍCIA) Segundo a Doutrina Majoritária e a Constituição Federal, são legitimados ativos especiais para propositura de ações diretas de inconstitucionalidade e ações declaratórias de constitucionalidade o Presidente da República, a Mesa do Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas. 058. 058. (2021/POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ/DELEGADO DE POLÍCIA) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, exceto: a) o Presidente da República. b) a Mesa do Senado Federal. c) a Mesa da Câmara dos Deputados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 116 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. e) o Prefeito. 059. 059. (2022/CONDESUS-RS/ASSESSOR JURÍDICO/ADAPTADA) A inconstitucionalidade formal, também conhecida como nomodinâmica, é verificada quando lei ou ato normativo infraconstitucional contiver algum vício em sua “forma”, ou seja, em seu processo de formação; no processo legislativo de sua elaboração, ou, ainda, em razão de sua elaboração por autoridade incompetente. 060. 060. (2022/MPE-RJ – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/ADAPTADA) É cabível ação direta de inconstitucionalidade de Lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. 061. 061. (2022/DPE-SE/DEFENSOR PÚBLICO/ADAPTADA) Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública desde que a arguição de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. 062. 062. (2022/DPE-SE/DEFENSOR PÚBLICO/ADAPTADA) A ADPF é cabível quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei municipal anterior à CF de 1988. 063. 063. (2022/PC-AM/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) O Procurador-Geral do Município Alfa reuniu-se com o Prefeito Municipal e o Presidente da Câmara Municipal, para informar que determinada entidade de classe de âmbito nacional ingressara com arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), na qual sustenta a inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX/1987, em razão da afronta a princípios fundamentais da Constituição da República, almejando que isto seja declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao responder às perguntas formuladas, o Procurador-Geral do Município informou corretamente que ainda que o pedido seja julgado procedente, com a declaração de inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX, o Poder Legislativo pode aprovar outra lei de idêntico teor. 064. 064. (2022/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) A respeito da figura denominada Estado de coisas inconstitucional, é correto afirmar que encontra fundamento nos casos de inadimplemento reiterado de direitos fundamentais pelos poderes do Estado, sem que haja possibilidade de remédio para vias tradicionais, ocasião em que o tribunal assume o papel de coordenador de políticas públicas por meio da denominada tutela estruturante. 065. 065. (2022/PGE-RO/PROCURADOR DO ESTADO) A ação direta de constitucionalidade é ação de controle de constitucionalidade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 117 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra a) abstrato que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo estadual. b) difuso que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo federal. c) concentrado cuja decisão definitiva de mérito perante o STF produz eficácia ex tunc, erga omnes e vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. d) incidental que pode ser ajuizada perante o STF pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. e) abstrato que pode ser ajuizada perante o STF por governador de estado, admitindo-se intervenção de terceiros no processo. 066. 066. (2022/PC-PB/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) Se, em ação direta de inconstitucionalidade proposta perante o Supremo Tribunal Federal, for alegada a inconstitucionalidade de certa lei federal, a) a decisão definitiva de mérito vinculará o Poder Legislativo. b) o Poder Legislativo ficará impossibilitado de revogar a lei questionada. c) o Poder Legislativo ficará impossibilitado de reeditar o diploma julgado inconstitucional. d) a decisão definitiva de mérito vinculará parcialmente o Poder Judiciário. e) a decisão definitiva de mérito vinculará todos os níveis da administração pública. 067. 067. (2022/PREFEITURA DE SÃO GONÇALO-RJ/ANALISTA PROCESSUAL) Buiu Check é advogado e representa o partido político “Todos Nós” que não possui representação no Congresso Nacional. Ocorre que os membros do partido desejam impugnar a constitucionalidade de determinada lei federal. Nos termos da Constituição Federal, podem propor ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal: a) o Presidente da República e o Prefeito do Distrito Federal b) o Procurador-Geral da República e Governador de Estado c) o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil d) a Confederação Sindical e a União de Associações Civis 068. 068. (2022/PREFEITURA DE PRESIDENTE PRUDENTE-SP/PROCURADOR MUNICIPAL/ADAPTADA) A decisão judicial fundada em jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal será julgada diretamente pelo órgão fracionário, não devendo ser submetida ao plenário ou órgão especial do tribunal local. 069. 069. (2022/PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/PROCURADOR) Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídicaou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria absoluta de seus membros, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 118 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 070. 070. (2022/TJ-RS/JUIZ SUBSTITUTO/ADAPTADA) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. 071. 071. (2022/IPE SAÚDE/ANALISTA DE GESTÃO EM SAÚDE/DIREITO/ADAPTADA) O vício formal subjetivo, ou de iniciativa, dá lugar à chamada inconstitucionalidade nomodinâmica. 072. 072. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) Os vícios formais afetam o ato normativo singularmente considerado, atingindo diretamente o seu conteúdo e referindo-se aos pressupostos e aos procedimentos relativos à formação da lei. 073. 073. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) A lei editada em compatibilidade com a ordem constitucional não poderá, posteriormente, se tornar com ela incompatível em virtude de mudanças ocorridas nas relações fáticas ou na interpretação constitucional. 074. 074. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) A inconstitucionalidade por ação pressupõe uma conduta positiva do legislador, que não se compatibilize com os princípios constitucionalmente consagrados. 075. 075. (FGV/2022/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI/PRIMEIRA FASE) O governador do Estado Alfa pretendia criar um novo município no âmbito do seu estado. No entanto, tinha conhecimento de que o Art. 18, § 4º, da CRFB/88, que trata dessa temática, é classificado como norma de eficácia limitada, que ainda está pendente de regulamentação por lei complementar a ser editada pela União. Em razão dessa constatação, resolve ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO), perante o Supremo Tribunal Federal (STF), com o intuito de sanar a omissão legislativa. Ao analisar a referida ADO, o STF, por maioria absoluta de seus membros, reconhece a omissão legislativa. Diante dessa narrativa, assinale a opção que está de acordo com o sistema brasileiro de controle de constitucionalidade. a) O STF, com o objetivo de combater a síndrome da ineficácia das normas constitucionais, deverá dar ciência ao Poder Legislativo para a adoção das providências necessárias à concretização do texto constitucional, obrigando-o a editar a norma faltante em trinta dias. b) O STF, em atenção ao princípio da separação de poderes, deverá dar ciência ao Poder Legislativo para a adoção das providências necessárias à concretização da norma constitucional. c) O STF, a exemplo do que se verifica no mandado de injunção, atuando como legislador positivo, deverá suprir a omissão inconstitucional do legislador democrático, criando a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 119 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra norma inexistente que regula a constituição de novos municípios, o que obsta a atuação legislativa superveniente. d) A referida ação deveria ter sido julgada inepta, na medida em que somente as normas constitucionais de eficácia contida podem ser objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. 076. 076. (2022/FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI/PRIMEIRA FASE) O atual governador do Estado Delta entende que, de acordo com a CRFB/88, a matéria enfrentada pela Lei X, de 15 de agosto de 2017, aprovada pela Assembleia Legislativa de Delta, seria de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo estadual. Porém, na oportunidade, o projeto de lei foi proposto por um deputado estadual. Sem saber como proceder, o atual Chefe do Poder Executivo buscou auxílio junto ao Procurador-geral do Estado Delta, que, com base no sistema jurídico-constitucional brasileiro, afirmou que o Governador a) poderá tão somente ajuizar uma ação pela via difusa de controle de constitucionalidade, pois, no caso em tela, não possui legitimidade para propor ação pela via concentrada. b) poderá, pela via política, requisitar ao Poder Legislativo do Estado Delta que suspenda a eficácia da referida Lei X, porque, no âmbito jurídico, nada pode ser feito. c) poderá propor uma ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, alegando vício de iniciativa, já que possui legitimidade para tanto. d) não poderá ajuizar qualquer ação pela via concentrada, já que apenas a Mesa da Assembleia Legislativa de Delta possuiria legitimidade constitucional para tanto. 077. 077. (2023/FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVII/PRIMEIRA FASE) Um terço dos membros do Senado Federal apresentou proposta de emenda à Constituição da República (PEC), propondo o acréscimo de um inciso ao Art. 5º. Segundo a PEC, o novo inciso teria a seguinte redação: “LXXX – é garantida a inclusão digital e o acesso amplo e irrestrito à Internet, nos termos da lei.” A proposta foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal por mais de três quintos dos membros em um único turno de votação. Ato contínuo, a PEC foi promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Sobre a PEC descrita na narrativa, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta. a) Apresenta uma inconstitucionalidade material, que vem a ser a violação de cláusula pétrea, haja vista a impossibilidade de qualquer alteração no Art. 5º da Constituição da República. b) É formalmente inconstitucional, pois o procedimento a ser seguido pelas casas do Congresso Nacional, que funcionam como poder constituinte derivado reformador, não foi corretamente observado. c) Ostenta um vício de iniciativa, visto que é da competência exclusiva do chefe do Poder Executivo a apresentação do projeto de emenda à Constituição. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 120 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) Apresenta vício formal, pois, em qualquer ato de produção normativa, especialmente no caso de emenda à constituição, a competência para o ato de promulgação é do Presidente da República. 078. 078. (2023/FGV/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVII/PRIMEIRA FASE) Determinada lei federal de 2020 gerou intensa controvérsia em vários órgãos do Poder Judiciário, bem como suscitou severas críticas de importantes juristas que questionaram a constitucionalidade de diversos dos seus dispositivos. Afinal, cerca de metade dos juízes e tribunais do País inclinou- se por sua inconstitucionalidade. A existência de pronunciamentos judiciais antagônicos vem gerando grande insegurança jurídica no País, daí a preocupação de um legitimado à deflagração do controle concentrado de constitucionalidade em estabelecer uma orientação homogênea na matéria regulada pela lei federal em tela, sem, entretanto, retirá-la do mundo jurídico. Sem saber como proceder para afastar a incerteza jurídica a partir da mitigação de decisões judiciais conflitantes, esse legitimado solicitou que você, como advogado(a), se manifestasse. Assinale a opção que indica a ação cabível para atingir esse objetivo. a) Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). b) Representação deInconstitucionalidade (RI). c) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). d) Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 121 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra GABARITOGABARITO 1. d 2. d 3. E 4. d 5. c 6. C 7. e 8. b 9. d 10. c 11. b 12. C 13. E 14. E 15. E 16. E 17. E 18. C 19. C 20. C 21. C 22. C 23. C 24. C 25. C 26. C 27. E 28. E 29. E 30. C 31. C 32. C 33. E 34. C 35. C 36. e 37. C 38. C 39. C 40. a 41. E 42. d 43. e 44. d 45. b 46. C 47. b 48. b 49. E 50. b 51. a 52. d 53. c 54. b 55. C 56. C 57. E 58. e 59. C 60. E 61. C 62. C 63. C 64. C 65. c 66. e 67. b 68. C 69. E 70. C 71. C 72. E 73. E 74. C 75. b 76. c 77. b 78. d O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 122 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (2025/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XLV) A Lei Federal nº 1.079/1950 define os crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da República e traz normas regulando o respectivo processo. Há poucos meses, o Diretório Nacional do Partido Político Alfa consultou você, como advogado(a), sobre a possibilidade de ingressar com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para impugnar alguns dispositivos da Lei nº 1.079/1950 que considera incompatíveis com a ordem constitucional. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. a) Como a Lei nº 1.079/1950 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente, continuando a produzir efeitos nas últimas décadas, a Ação Direta de Inconstitucionalidade é via de controle objetiva adequada para impugná-la. b) Diante da fungibilidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal entre a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, admite- se, em qualquer caso, a conversão de uma via impugnativa em outra. c) Embora seja cabível o ajuizamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade em face da Lei nº 1.079/1950, para reconhecer a compatibilidade de seus dispositivos com a CRFB/88, a Ação Direta de Inconstitucionalidade não se presta a impugnar dispositivos de lei pré-constitucional. d) A Ação Direta de Inconstitucionalidade não é a via de controle objetivo adequada para impugnar dispositivos de Lei nº 1.079/1950, e, por se tratar de erro grosseiro, o Supremo Tribunal Federal não admite a fungibilidade com a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. a) Errada. O fato de a lei ter sido recepcionada e produzir efeitos não muda sua natureza cronológica. Por ser de 1950, ela jamais poderá ser objeto de ADI. b) Errada. A fungibilidade não é admitida “em qualquer caso”. Ela exige: (I) dúvida objetiva sobre qual ação usar; (II) inexistência de erro grosseiro; e (III) observância do prazo (se houver). Errar o marco temporal de 1988 é considerado erro grosseiro. c) Errada. A Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) também só é cabível para leis pós-constitucionais (federais). Assim como a ADI, a ADC não serve para leis de 1950. d) Certa. No sistema de controle de constitucionalidade brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) só serve para atacar leis ou atos normativos editados após a promulgação da Constituição de 1988 (atos pós-constitucionais). A Lei nº 1.079 é de 1950, portanto, é anterior à nossa atual Constituição (1988). Quando uma lei antiga confronta uma nova Constituição, não falamos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 123 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra em “inconstitucionalidade”, mas sim em revogação (se for incompatível) ou recepção (se for compatível). Assim para questionar no STF uma lei anterior a 1988 que viole a nova ordem, a única via do controle concentrado cabível é a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental). Ainda, o STF entende que ajuizar uma ADI contra uma lei de 1950 é um erro crasso/grosseiro, o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade (quando o juiz aceita uma ação pela outra). Letra d. 002. 002. (2023/TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS/JUIZ SUBSTITUTO) A súmula vinculante pode ser aprovada mediante decisão de dois terços dos ministros do STF para que, a partir de sua publicação, tenha efeito vinculante sobre: a) demais instâncias do Poder Judiciário; b) Administração Pública direta e demais instâncias do Poder Judiciário; c) Administração Pública direta e indireta na esfera federal e os demais órgãos do Poder Judiciário; d) demais órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal; e) os órgãos deliberativos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. A súmula vinculante, conforme previsto na Constituição Federal de 1988 (art. 103-A) e na Lei 11.417, de 2006, é um instrumento jurídico pelo qual o Supremo Tribunal Federal pode consolidar entendimentos firmes e reiterados sobre matérias constitucionais. Ela é aprovada por decisão de dois terços dos ministros do STF e, a partir de sua publicação, passa a ter efeito vinculante. A súmula vinculante produz efeitos sobre os demais órgãos do Poder Judiciário e sobre toda a Administração Pública direta e indireta em todas as esferas (federal, estadual, distrital e municipal), obrigando-os a seguir o entendimento consolidado pelo STF em suas decisões. Letra d. 003. 003. (2023/CONSELHO REGIONAL DOS TÉCNICOS INDUSTRIAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO/ ADVOGADO) Caberá arguição de descumprimento de preceito fundamental, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, desde que não seja anterior à Constituição Federal de 1988. A ADPF é um instrumento de controle concentrado de constitucionalidade previsto na Constituição Federal de 1988, regulamentado pela Lei nº 9.882, de 1999. Ela é cabível para O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 124 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do poder público, seja ele lei ou ato normativo federal, estadual, distrital ou municipal. A ADPF pode ser utilizada para questionar leis ou atos normativos anteriores à Constituição de 1988, o que torna a questão errada. Errado. 004. 004. (2023/PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO DE NATAL/PROCURADOR DO MUNICÍPIO) Em relação à arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), assinale a opção correta. a) A decisão proferida em ADPF terá efeito restrito às partes e aos interessados no processo. b) Indeferida a petição inicial em processo de ADPF, caberá recurso ordinário, no prazo de 10 dias. c) A possibilidade de suspensão dos processos ou dos efeitos das decisões judiciais foi julgada inconstitucional pelo STF, por ferir o princípio da economia processual. d) Asdecisões a respeito das ADPF serão tomadas em sessão com a presença de, no mínimo, 2/3 dos ministros do STF. e) Da decisão que julgar improcedente a ADPF caberá agravo, no prazo de 10 dias. Conforme o artigo 8º da Lei nº 9.882, de 1999, a decisão sobre a arguição de descumprimento de preceito fundamental somente será tomada se presentes na sessão pelo menos dois terços dos Ministros. Letra d. 005. 005. (2023/Procuradoria Geral da Universidade de São Paulo/Procurador) “O dogma da nulidade da lei inconstitucional pertence à tradição do Direito brasileiro. A teoria da nulidade tem sido sustentada por praticamente todos os nossos importantes constitucionalistas. Fundada na antiga doutrina americana, segundo a qual the inconstitutional statute is not law at all, significativa parcela da doutrina brasileira posicionou-se em favor da equiparação entre inconstitucionalidade e nulidade. Afirmava-se, em favor dessa tese, que o reconhecimento de qualquer efeito a uma lei inconstitucional importaria na suspensão provisória ou parcial da Constituição”. MENDES, Gilmar Ferreira e BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 1283-1284. Por isso, pode-se afirmar que a) a declaração de nulidade total da lei inconstitucional ocorre apenas quando o Supremo Tribunal Federal reconhece a inconstitucionalidade material de um de seus dispositivos e, por arrastamento, declara a inconstitucionalidade de toda a lei. b) o reconhecimento da inconstitucionalidade de uma lei, no Direito brasileiro, pode acarretar quatro possíveis declarações: (i) nulidade total, (ii) nulidade parcial, (iii) nulidade parcial sem redução de texto e (iv) interpretação conforme a Constituição. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 125 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra c) o dogma da nulidade da lei inconstitucional foi relativizado pelo artigo 27 da Lei nº 9.868/1999, que passou a permitir, dentre outras relativizações, a chamada modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade. d) a declaração de nulidade parcial sem redução de texto é incompatível com o dogma da nulidade da lei inconstitucional e, dessa forma, somente é aplicada em situações de reconhecimento de inconstitucionalidade formal. e) a interpretação conforme a Constituição é, em todas as situações em que efetivamente invocada pelo STF, equiparável à declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. O artigo 27, da Lei nº 9.868, de 1999, introduz a possibilidade de modulação dos efeitos temporais das decisões de inconstitucionalidade pelo STF, permitindo que a Corte estabeleça limites temporais para a eficácia da declaração de inconstitucionalidade. Letra c. 006. 006. (2023/POLÍCIA CIVIL DO ALAGOAS/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) Embora a finalidade da ação declaratória de constitucionalidade seja a obtenção de julgamento para afirmar a validade constitucional de uma norma, seu resultado pode ser a declaração de inconstitucionalidade desta, situação em que é juridicamente possível haver modulação dos efeitos do julgamento. A ADC tem como objetivo principal obter um julgamento que confirme a validade constitucional de uma norma. Ela é utilizada para dirimir controvérsias sobre a constitucionalidade de leis ou atos normativos federais e eliminar a incerteza e insegurança jurídica quanto à aplicação dessas normas. Apesar da finalidade da ADC ser a declaração de constitucionalidade, o STF pode, no julgamento da ação, concluir pela inconstitucionalidade da norma em análise. Essa situação, embora não seja o objetivo principal da ação, é uma consequência lógica do processo de revisão constitucional conduzido pela Corte. No caso de declaração de inconstitucionalidade em uma ADC, o STF tem a possibilidade de modular os efeitos temporais dessa decisão. Certo. 007. 007. (2023/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO/PROCURADOR DO MUNICÍPIO) A respeito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), assinale a alternativa correta. a) A arguição incidental constitui um incidente de inconstitucionalidade, que tem por objeto qualquer ato do Poder Público e ser suscitada, de ofício, pelo órgão judicial responsável pelo julgamento do caso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 126 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra b) Caso o Supremo Tribunal Federal admita a arguição incidental, o processo que a originou será suspenso por 120 dias. c) Para que a ADPF seja admitida, é necessária a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante, por meio de decisões divergentes de pelo menos dois tribunais diferentes. d) Assim como se dá no âmbito da ação direta de inconstitucionalidade, o direito municipal não pode ser objeto de ADPF. e) Tanto a arguição autônoma quanto a incidental podem ter por objeto qualquer ato do Poder Público, inclusive anteriores à Constituição, administrativos e jurisdicionais. A ADPF pode ser utilizada para questionar atos do poder público que violem preceitos fundamentais, incluindo atos administrativos e jurisdicionais, bem como atos normativos anteriores à Constituição. Letra e. 008. 008. (2023/MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Sobre a cláusula full bench, é CORRETO afirmar: a) A cláusula full bench, embora sem previsão expressa na ordem jurídica nacional, é admitida pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. b) É norma constitucional expressa no direito brasileiro. c) Trata-se de princípio hermenêutico constitucional, especial em relação aos critérios ordinários de resolução das antinomias normativas, como os critérios hierárquico, cronológico e da especialidade. d) Não tem previsão na ordem jurídica nacional e os posicionamentos doutrinários favoráveis não foram agasalhados pela jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal. A cláusula full bench, ou princípio da reserva de plenário está prevista no art. 97, da CF/1988, segundo o qual “somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. Letra b. 009. 009. (2023/PREFEITURA DE DOUTOR PEDRINHO/ADVOGADO PÚBLICO) Controle de constitucionalidade é um dos temas mais importantes no âmbito do Direito Constitucional. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta: a) O controle de constitucionalidade abstrato estadual terá por objeto leis ou atos normativos federais, estaduais ou municipais, concorrentemente. 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A declaração de inconstitucionalidade parcial pelo Poder Judiciário pode recair sobre fração de artigo, parágrafo, inciso ou alínea, até mesmo sobre uma única palavra de um desses dispositivos da lei. No entanto, o Poder Judiciário não poderá subverter o intuito da lei, mudando o sentido e o alcance da norma, sob pena de ofensa ao princípio da separação dos poderes. 015. 015. A inconstitucionalidade formal relaciona-se, sempre, com a inconstitucionalidade total, visto que o ato editado em desconformidade com as normas previstas constitucionalmente deve todo ele ser declarado inconstitucional. 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Haverá uma inconstitucionalidade formal apenas em parte da lei. Errado. Antes de continuarmos, vejamos um mapa mental. ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (NOMOESTÁTICA) FORMAL (NOMODINÂMICA) TOTAL PARCIAL vício no processo legislativo Subjetiva vício na iniciativa (Ex.: art. 61, § 1°) Objetiva vício nas demais fases (Ex.: art. 69) Orgânica vício na repartição de competências (Ex.: art. 22) conflito de conteúdo Toda a lei Parte da lei 8 . sisteMas De Controle De ConstituCionaliDaDe8 . sisteMas De Controle De ConstituCionaliDaDe Pelo mundo, os sistemas de controle de constitucionalidade são o jurisdicional (ou judicial), o político e o misto. No controle jurisdicional ou judicial, a competência para realizar o controle de constitucionalidade é conferida aos órgãos que integram o Poder Judiciário. Por sua vez, no controle político, o controle de constitucionalidade recai sobre órgãos que não integram o Poder Judiciário (exemplo: na França, o controle de constitucionalidade é realizado pelo Conselho Constitucional Francês). Já no controle misto, parte das leis são fiscalizadas por órgãos de natureza política, alheios à estrutura do Poder Judiciário, e outra parte são fiscalizadas pelo próprio Poder Judiciário (exemplo: na Suíça, as leis nacionais submetem- se ao controle político; já as leis locais são submetidas ao controle judicial). E como é no Brasil? No Brasil, o controle é predominantemente judicial. Não se trata de um modelo jurisdicional puro, haja vista existir, pontualmente, controles de natureza política realizados pelos demais Poderes da República. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 14 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra São exemplos de controle político no Brasil: a) a competência das Comissões de Constituição e Justiça para verificarem a constitucionalidade dos projetos de lei; b) o veto jurídico do Presidente da República pela inconstitucionalidade do projeto de lei (art. 66, § 1º); e c) o enunciado da Súmula 347, do STF, permite que os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, apreciem a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público. Essa competência dos Tribunais de Contas para realizarem controle de constitucionalidade SEMPRE se dará no concreto, jamais no abstrato (faremos essa distinção mais à frente). Como você pode notar, são órgãos que não integram o Poder Judiciário realizando controle de constitucionalidade no Brasil. 016. 016. No Brasil, o controle de constitucionalidade realiza-se mediante a submissão das leis federais ao controle político do Congresso Nacional, e as leis estaduais, municipais, ou distritais ao controle jurisdicional. No Brasil, quem detém a competência para realizar o controle de constitucionalidade é o Poder Judiciário, havendo apenas traços de controle político. Errado. 017. 017. De acordo com a jurisprudência do STF, os tribunais de contas, no exercício de suas atribuições, não podem apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público, em razão de suas decisões serem de caráter eminentemente administrativo. À luz da Súmula 347, do STF, é permitido que os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, apreciem a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público. Errado. 018. 018. O vigente sistema constitucional brasileiro não admite o controle de constitucionalidade abstrato preventivo de proposições legislativas. O que se admite é o controle concreto preventivo, por meio de mandado de segurança proposto pelo parlamentar da Casa em que está tramitando o projeto de lei. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 15 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra SISTEMAS DE CONTROLE JUDICIAL POLÍTICO MISTO NO BRASIL realizado por órgãos não integrantes do Poder Judiciário ex.: França (realizado pelo Conselho Constitucional Francês) parcialmente judicial e parcialmente político ex.: Suíça (leis nacionais – controle político; leis locais – controle judicial) predominantemente judicial CCJ Veto jurídico (art. 66, § 1° ) Súmula 347 do STF realizado pelo Poder Judiciário CONTROLES POLÍTICOS NO BRASIL sempre no controle concreto Súmula 347, do STF: o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público. 9 . MoMento Do 9 . MoMento Do Controle De ConstituCionaliDaDeControle De ConstituCionaliDaDe Quanto ao momento do controle de constitucionalidade, pode ser preventivo ou repressivo. Será preventivo quando se fiscaliza um projeto de lei, com o fim de se evitar que seja inserida no ordenamento jurídico uma norma incompatível com a Constituição. Todos os Poderes da República têm a possibilidade de atuar no controle preventivo. No caso do Poder Legislativo, o controle preventivo fica a cargo das já citadas Comissões de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O Poder Executivo exerce o controle preventivo por meio do veto jurídico do Presidente da República previsto no art. 61, § 1º. Cuidado com o que eu vou dizer agora!!! O Poder Judiciário atua no controle preventivo em apenas uma única hipótese: quando houver um mandado de segurança impetrado no Supremo Tribunal Federal por parlamentar da própria Casa legislativa em que esteja o projeto de lei pela inobservância do devido processo legislativo constitucional. Imagine que esteja tramitando no Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para abolir uma cláusula pétrea. Essa PEC está na Câmara dos Deputados. Um Deputado Federal poderá entrar no STF com um mandado de segurança pedindo o arquivamento dessa PEC, por ofensa à Constituição Federal, haja vista que é proibida proposta de emenda tendente a abolir as matérias elencadas no art. 60,sua elaboração. e) O controle de constitucionalidade posterior ou repressivo pode se dar tanto sobre a lei como também sobre o projeto de lei. A inconstitucionalidade formal (ou nomodinâmica) ocorre quando há um vício no processo de formação da lei. Não se relaciona ao conteúdo da norma, mas sim à maneira como ela foi criada. Letra d. 010. 010. (2023/CÂMARA DE SÃO JOAQUIM DA BARRA/PROCURADOR JURÍDICO) Pela via do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade de ato normativo emanado pelo Poder Público, a inconstitucionalidade somente pode ser reconhecida pelo voto da maioria absoluta dos membros do Tribunal, ou de respectivo Órgão Especial. Esta orientação decorre do Princípio a) da Concentração. b) da Boa-fé Processual. c) da Reserva de Plenário. d) do Duplo Grau de Jurisdição. Este princípio, também conhecido como “cláusula de reserva de plenário”, está previsto no artigo 97 da Constituição Federal do Brasil. Ele determina que apenas o plenário do tribunal ou seu órgão especial pode declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, e isso deve ser feito pela maioria absoluta de seus membros. Esse princípio visa garantir a deliberação colegiada e a segurança jurídica no controle de constitucionalidade realizado pelos tribunais. Letra c. 011. 011. (2023/MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) No tocante à arguição incidental da inconstitucionalidade, assinale a opção correta. a) A proteção à coisa julgada atinge, via de regra, a declaração incidental de inconstitucionalidade de norma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 128 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra b) No controle incidental de constitucionalidade, o juízo pode reconhecer de ofício a inconstitucionalidade. c) Na arguição incidental de inconstitucionalidade, a decisão judicial que a acatar deve registrar esse fato no dispositivo. d) Na declaração incidental de inconstitucionalidade, os efeitos, para as partes, são ex nunc. e) Ao receber do Supremo Tribunal Federal (STF) comunicação de julgamento incidental de inconstitucionalidade, o Senado Federal está obrigado a editar resolução, suspendendo nacionalmente a eficácia da norma. No controle incidental (ou difuso) de constitucionalidade, o juiz pode declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo de ofício, ou seja, sem que seja necessário que uma das partes suscite a questão. Letra b. 012. 012. (INÉDITA/2026) Segundo entendimento do STF, o deputado federal que não queira participar de votação de projeto de lei, que considere inconstitucional por violar o devido processo legislativo, poderá impetrar um mandado de segurança preventivo para impedir a tramitação. É a única hipótese de controle preventivo realizada pelo Poder Judiciário, qual seja: mandado de segurança impetrado por parlamentar no STF por desrespeito ao devido processo legislativo constitucional, conforme entendimento do STF. Certo. 013. 013. (INÉDITA/2026) Para facilitar o amplo acesso à justiça em todos os graus de jurisdição, será admitida arguição de descumprimento fundamental mesmo quando houver outro meio eficaz capaz de sanar a lesividade. Segundo o art. 4º, § 1º, da Lei n. 9.882/1999, “não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade”. Errado. 014. 014. (INÉDITA/2026) Dentre os modelos de controle de constitucionalidade, considera- se controle concentrado de constitucionalidade aquele que pode ser exercido por todo e qualquer juiz ou tribunal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 129 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra No Brasil, há dois modelos de controle de constitucionalidade: o difuso e o concentrado. O controle difuso de constitucionalidade é aquele que pode ser exercido por todo e qualquer juiz ou tribunal. Todos os membros do Poder Judiciário ( juízes, desembargadores e ministros), ao julgarem suas causas, dispõem de competência para declarar a inconstitucionalidade das leis aplicáveis ao caso sob julgamento. Já o controle concentrado, é aquele realizado exclusivamente pelo STF. Errado. 015. 015. (INÉDITA/2026) A jurisprudência do STF admite, em sede de ação direta de inconstitucionalidade, o controle de constitucionalidade de atos normativos pré-constitucionais. Do estudo da jurisprudência consolidada do STF, conclui-se não ser possível, em sede de ação direta de inconstitucionalidade, o controle de constitucionalidade de atos normativos pré-constitucionais. Com efeito, é imperioso destacar que, em razão das restrições impostas pela jurisprudência do Supremo, só poderão ser impugnadas em ação direta as leis e atos normativos federais e estaduais que: • sejam pós-constitucionais; • possuam conteúdo normativo geral e abstrato; • não sejam tipicamente regulamentares; • estejam em vigor; • não sejam questão interna corporis; e • não sejam normas constitucionais originárias. Errado. 016. 016. (INÉDITA/2026) Qualquer cidadão é parte legítima para propor arguição de descumprimento de preceito fundamental que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Podem propor a arguição de descumprimento de preceito fundamental os mesmos legitimados para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade, previstos no art. 103 da CF/1988. São eles: o presidente da República; a Mesa do Senado Federal; a Mesa da Câmara dos Deputados; a Mesa de Assembleia Legislativa O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 130 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o governador de Estado ou do Distrito Federal; o procurador-geral da República; o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; partido político com representação no Congresso Nacional; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Nesse sentido, conclui-se que cidadão não possui legitimidade ativa para propor arguição de descumprimento de preceito fundamental. Errado. 017. 017. (INÉDITA/2026) O governador de um estado ou a assembleia legislativa que impugna ato normativo de outro estado não tem necessidade de demonstrar a relação de pertinência da pretendida declaração de inconstitucionalidade da lei. O governador de um estado ou a Assembleia Legislativa que impugna ato normativo de outro estado deve demonstrar a pertinência temática da pretendida declaração de inconstitucionalidade da lei, uma vez que são legitimados especiais. Os legitimados para propor a ação direta de inconstitucionalidade (genérica e por omissão), a ação declaratória de constitucionalidade e a arguição de descumprimento de preceito fundamental estão exaustivamente elencados nos incisos I a IX do art. 103 da CF/1988. Tais legitimados dividem- se em universais e especiais. Os legitimados universais poderão impugnar qualquer matéria, independentemente da comprovação de interesse(pertinência temática), são eles: • presidente da República; • Mesa do Senado Federal; • Mesa da Câmara dos Deputados; • procurador-geral da República; • Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; e • partido político com representação no Congresso Nacional. Errado. 018. 018. (INÉDITA/2026) A administração pública indireta, assim como a direta, nas esferas federal, estadual e municipal, fica vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade. Dispõe o art. 102, § 2º, da CF/1988, com sua redação dada pela Emenda Constitucional n. 45/2004, que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 131 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra e municipal”. Ademais, prevê o parágrafo único do art. 28 da Lei n. 9.868/1999, que “a declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal”. Certo. 019. 019. (INÉDITA/2026) É possível controle de constitucionalidade do direito estadual e do direito municipal no processo de arguição de descumprimento de preceito fundamental. Segundo o art. 102, § 1º, da CF/1988, “a arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei”. Em regulamentação à norma constitucional, foi editada a Lei n. 9.882, de 1999, que, em seu art. 1º, parágrafo único, inciso I, estabelece que “caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição”. Assim, a Lei n. 9.882/1999 permite a impetração de ADPF nas seguintes hipóteses: • para evitar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do poder público (ADPF preventiva); • para reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do poder público (ADPF repressiva); e • quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo • federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. Certo. 020. 020. (INÉDITA/2026) A ADPF, criada com o objetivo de complementar o sistema de proteção da CF, constitui instrumento de controle concentrado de constitucionalidade a ser ajuizado unicamente no STF. A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é uma ação de controle concentrado de constitucionalidade que pode ser ajuizada perante o Supremo Tribunal Federal, após iniciativa dos legitimados constitucionais, estabelecidos no rol do art. 103 da CF/1988. Podem ser atacados pela ADPF os atos do poder público (atos normativos e atos de efeito concreto), conforme se extrai do art. 1 º, caput, da Lei n. 9.882/1999, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 132 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra desde que não haja outro meio eficaz para sanar a lesividade, de acordo com o art. 4 º, § 1 º, do mesmo diploma legal (princípio da subsidiariedade). De fato, a regulamentação da ADPF tem por objetivo complementar o sistema de proteção previsto na CF/1988. Por esclarecedor, vejamos o que leciona Dirley da Cunha Júnior : “[...] pode-se assegurar que a arguição de descumprimento de preceito fundamental consiste em uma ação constitucional especialmente destinada a provocar a jurisdição constitucional concentrada do Supremo Tribunal Federal para a tutela da supremacia dos preceitos mais importantes da Constituição Federal. Vale dizer, é uma ação específica vocacionada a proteger exclusivamente os preceitos constitucionais fundamentais, ante a ameaça ou lesão resultante de qualquer ato ou omissão do poder público. A partir de sua introdução no direito brasileiro, a jurisdição constitucional brasileira, tal como vinha sendo formatada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, sofreu profundas alterações, [...], para admitir, repise-se, o controle abstrato de constitucionalidade do direito ordinário pré-constitucional, do direito municipal contestado diretamente em face da Constituição Federal e dos atos normativos secundários (infralegais) e até dos atos administrativos, materiais e concretos do poder público, além de ter possibilitado um controle concentrado-incidental de constitucionalidade, em moldes semelhantes do que já vinha ocorrendo na Áustria, na Itália, na Alemanha e na Espanha”. Certo. 021. 021. (INÉDITA/2026) O controle de constitucionalidade consiste na verificação da compatibilidade de qualquer norma infraconstitucional com a CF. O controle de constitucionalidade é o conjunto de atos tendentes a garantir a supremacia formal da Constituição. Destina-se a averiguar a compatibilidade das demais normas jurídicas com o seu fundamento de validade: a Constituição Federal. O controle de constitucionalidade possui como pressupostos a supremacia da Constituição e a rigidez constitucional. Isso porque, se estamos num regime de Constituição flexível, em que as normas constitucionais e as normas ordinárias são alteradas segundo o mesmo processo legislativo, não se pode falar em fiscalização de uma frente a outra. Assim, para que se possa falar em controle de constitucionalidade, é imprescindível que o texto constitucional seja rígido, isto é, apenas modificável por processo legislativo mais rigoroso do que aquele aplicado às demais normas existentes em um ordenamento jurídico. Da rigidez constitucional decorre sua supremacia formal e, em virtude desta, controla-se a constitucionalidade das demais leis e atos normativos. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 133 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 022. 022. (INÉDITA/2026) A obrigatoriedade de deliberação plenária dos tribunais, no sistema de controle de constitucionalidade brasileiro, significa que somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A presente questão retorna ao conhecimento do art. 97 da CF/88, que trata do princípio da reserva de plenário, segundo o qual “somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. A cláusula da reserva de plenário, segundo acentua Alexandre de Moraes , atua como verdadeira condição de eficácia jurídica da própria declaração jurisdicional de inconstitucionalidade dos atos do poder público,aplicando-se para todos os tribunais, via difusa, e para o STF, também no controle concentrado. Registre-se que a jurisprudência do STF informa que o desrespeito ao princípio da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão colegiada se, emanada de órgão fracionário, tenha declarado a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Certo. 023. 023. (INÉDITA/2026) Declarando o Supremo Tribunal Federal, incidentalmente, a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em face da Constituição do Brasil, caberá ao Senado Federal suspender a execução da lei, total ou parcialmente, conforme o caso, desde que a decisão do Supremo Tribunal Federal seja definitiva. Segundo o art. 52, X, da CF/1988, “compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Assim, declarando o Supremo Tribunal Federal, incidentalmente, a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, estadual, distrital ou municipal em face da Constituição do Brasil, caberá, pois, ao Senado Federal suspender a execução da lei, total ou parcialmente, conforme o caso, desde que a decisão do Supremo Tribunal Federal seja definitiva. Tal ato do Senado tem, por fim, estender os efeitos da decisão a terceiros não integrantes da relação jurídico-processual primitiva, por meio da suspensão da execução da lei ou do ato normativo, vale dizer, a decisão que possuía efeitos inter partes passa a ter eficácia erga omnes. Em relação a essa competência do Senado Federal, lembremos que: • o Senado Federal não está obrigado a suspender a execução da lei; • o ato que formaliza a suspensão da execução da lei é uma resolução do Senado Federal; • o Senado Federal não poderá alterar os termos da decisão do STF; • a suspensão da execução da lei pelo Senado Federal é ato irretratável; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 134 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra • o Senado Federal dispõe de competência para suspender a execução de normas federais, estaduais, distritais e municipais; • a atuação do Senado Federal somente ocorre no controle difuso; e • a suspensão da execução da lei possui eficácia ex nunc. Certo. 024. 024. (INÉDITA/2026) Não ofende a Constituição da República norma de Constituição Estadual que atribui legitimidade para a propositura de representação de inconstitucionalidade aos Deputados Estaduais e ao Procurador-Geral do Estado. A presente questão cobra o conhecimento do art. 125, § 2º, da CF/1988: “cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão”. De fato, não ofende a Constituição da República norma de Constituição estadual que atribui legitimidade para a propositura de representação de inconstitucionalidade aos deputados estaduais e ao procurador-geral do Estado. É livre ao Estado definir, em sua Carta Política, qual o rol de legitimados que entenda pertinente para representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais contestadas em face da Constituição estadual. Certo. 025. 025. (INÉDITA/2026) Mudanças propostas por constituinte derivado reformador estão sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelecidas na Constituição da República. De fato, as emendas à Constituição estão sujeitas ao controle de constitucionalidade. Ademais, as emendas à Constituição devem respeitar as cláusulas pétreas estabelecidas no art. 60, § 4º, da Constituição da República. Certo. 026. 026. (INÉDITA/2026) A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), regulada pela Lei n. 9.882/99, tem por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Pode-se afirmar que, de acordo com a Lei n. 9.882/99, vige o princípio da subsidiariedade quanto ao cabimento da ADPF. Conforme o art. 4º, § 1º, da Lei n. 9.882/1999, “não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 135 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra É o chamado princípio da subsidiariedade da arguição de descumprimento de preceito fundamental. O que se entende por “outro meio eficaz”? Outro meio eficaz, segundo o STF, tendo por base o julgamento da ADPF n. 3, da relatoria do ministro Sidney Sanches, significa que a lesividade poderá ser sanada por qualquer ação ou recurso e não apenas por outras ações de controle concentrado. Vale dizer, se houver outro meio processual apto a sanar a lesividade, a Suprema Corte não conhecerá a ADPF. Certo. 027. 027. (INÉDITA/2026) É impossível o esclarecimento de matéria de fato em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade. Fiz questão de trazer essa tema porque se trata de algo bem inusual e pouco dito. Conforme o art. 20, § 1º, da Lei n. 9.868, “em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão ou fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria”. Errado. 028. 028. (INÉDITA/2026) Enquanto a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Ação Declaratória de Constitucionalidade não admitem desistência, a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão admite a desistência a qualquer tempo. Na verdade, em nenhum dos casos poderá haver desistência. Vejamos o que dispõe a Lei n. 9.868/1999 sobre o tema em análise: • Art. 5º Proposta a ação direta, não se admitirá desistência. • Art. 12-D. Proposta a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência. • Art. 16. Proposta a ação declaratória, não se admitirá desistência. Errado. 029. 029. (INÉDITA/2026) Uma súmula vinculante editada pelo STF terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, não atingindo, de maneira nenhuma, pelo princípio da separação dos poderes, os Poderes Legislativo e Executivo, que possuem meios próprios de vinculação de seus atos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 136 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra A extensão dos efeitos da súmula vinculante é assunto deveras intrincado. À luz do caput e do § 3º do art. 103-A, o efeito vinculante dirige-se, precipuamente, ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo das três esferas federativas. Isso não significa que o Poder Legislativo não seja atingido pelos efeitos vinculantes da súmula, haja vista que, atipicamente, também exerce atividades administrativas. Vale dizer, o efeito vinculante da súmula atinge o Poder Legislativo quando atua na realização de sua função atípica de administrador (ex.: nomeação de servidor público). A súmula vinculante não atinge o Legislativo na sua função típica de legislar. Não vincula,portanto, os atos legislativos próprios (leis ordinárias, leis complementares, emendas constitucionais etc.). A ideia estende-se às medidas provisórias que, muito embora criadas pelo Poder Executivo, cuidam-se de verdadeiros atos normativos primários e, portanto, não sujeitos ao efeito vinculante da súmula. O Poder Legislativo deve respeitar, por exemplo, o enunciando da Súmula Vinculante n. 13: “a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”. Errado. 030. 030. (INÉDITA/2026) Muito embora o sistema brasileiro não admita ADI contra lei municipal, é cabível contra essa espécie de lei o controle difuso de constitucionalidade, assim como o controle concentrado por meio de arguição de descumprimento de preceito fundamental. De fato, é cabível contra lei municipal o controle difuso de constitucionalidade, assim como o controle por meio de arguição de descumprimento de preceito fundamental (art. 1º, I, da Lei n. 9.882/1999). Certo. 031. 031. (INÉDITA/2026) No julgamento da ação direta de inconstitucionalidade ajuizada perante o STF, apesar de lhe ser aplicável o princípio da congruência ou da adstrição ao pedido, admite-se a declaração de inconstitucionalidade de uma norma que não tenha sido objeto do pedido, na hipótese configuradora da denominada inconstitucionalidade por arrastamento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 137 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra A inconstitucionalidade por arrastamento ocorre em caso de dependência recíproca entre normas, de maneira que a inconstitucionalidade de uma “arrasta” a outra. Na própria decisão, o STF define quais normas são “arrastadas”, reconhecendo a nulidade das demais normas. Segundo o STF, não há afronta aos limites da demanda fixados na peça de ingresso, já que há um pedido implícito que alcança a segunda norma que, a rigor, está numa relação de dependência com a norma objeto do pedido. EXEMPLO A declaração de inconstitucionalidade da lei produz por arrastamento a inconstitucionalidade do seu decreto regulamentar. Como assevera Sylvio Motta, “ao se declarar inconstitucional a norma primária (com fundamento direto na Constituição) esta é eliminada do ordenamento jurídico, portanto, a norma secundária perde seu fundamento de validade (na norma primária) passando a encontrar fundamento direto na Constituição e por tanto inconstitucional, salvo se puder ter existência autônoma (em relação à norma primária declarada inconstitucional)”. Certo. 032. 032. (INÉDITA/2026) Frente a duas interpretações possíveis de uma lei, deve ser adotada a interpretação compatível com a Constituição Federal, sendo admitida também a declaração de inconstitucionalidade daquela que se encontre em dissonância com o texto constitucional, por meio de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF. A presente questão aborda a diferença entre a interpretação conforme a Constituição e a declaração de nulidade sem redução de texto. Com efeito, haverá declaração de nulidade sem redução de texto, como técnica de interpretação constitucional aplicada ao controle de constitucionalidade, quando o STF afasta, por inconstitucional, um sentido que não poderá ser aplicado (declara a inconstitucionalidade). Difere da interpretação conforme a Constituição, pois, nesse caso, o STF determina o sentido a ser dado a uma norma polissêmica (que admite mais de um sentido), a fim de conformá-la com a Constituição da República (declara a constitucionalidade). Certo. 033. 033. (INÉDITA/2026) Os órgãos fracionários dos tribunais submeterão, obrigatoriamente, ao plenário ou ao seu órgão especial, se houver, a arguição de inconstitucionalidade de determinada norma, ainda que estes já tenham se pronunciado acerca da questão suscitada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 138 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Quando o Plenário ou órgão especial (quando houver) de um determinado tribunal, ou, ainda, o Plenário do STF já tiver resolvido a questão de constitucionalidade debatida em outro processo, poderão os órgãos fracionários aplicar o mesmo entendimento aos demais casos concretos. É o que se extrai da leitura do art. 949, parágrafo único, do Código de Processo Civil: “Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. Errado. 034. 034. (INÉDITA/2026) Se a inconstitucionalidade de uma norma atinge outra, tem-se a denominada inconstitucionalidade consequencial ou por arrastamento. Como dito, a inconstitucionalidade por arrastamento ocorre em caso de dependência recíproca entre normas, de maneira que a inconstitucionalidade de uma “arrasta” a outra. Certo. 035. 035. (INÉDITA/2026) Partidos políticos com representação no Congresso Nacional e entidades de classe de âmbito nacional têm legitimidade ativa para propositura da ação declaratória de constitucionalidade. As entidades citadas estão no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988, que diz que: “Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII – partido político com representação no Congresso Nacional; IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional”. É importantíssimo memorizar esse rol. Certo. 036. 036. (INÉDITA/2026) Conforme determina a Constituição Federal de 1988, podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, exceto: a) o Presidente da República. b) a Mesa do Senado Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 139 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra c) a Mesa da Câmara dos Deputados. d) a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. e) o Prefeito. O Prefeito não está no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988, acima transcrito. Letra e. 037. 037. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) Admite-se a propositura de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) para contestar decisões judiciais que supostamente violem preceitos fundamentais, quando inexistir outro meio processual igualmente eficaz para sanar a lesão de forma ampla, geral e imediata. A Arguição de Descumprimento dePreceito Fundamental (ADPF), prevista no art. 102, § 1º, da Constituição Federal de 1988, e regulamentada pela Lei nº 9.882/1999, pode ser utilizada para contestar decisões judiciais que violem preceitos fundamentais, desde que preenchido o requisito da subsidiariedade. O princípio da subsidiariedade (art. 4º, § 1º, da Lei nº 9.882/1999) determina que a ADPF só pode ser ajuizada quando não houver outro meio processual eficaz para sanar a lesão ao preceito fundamental de maneira ampla, geral e imediata. Isso significa que, se houver outro instrumento processual disponível e adequado para corrigir a violação, a ADPF não será admitida. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a possibilidade de utilização da ADPF para impugnar decisões judiciais que afrontem preceitos fundamentais, desde que fique demonstrado que não há outro meio processual capaz de sanar a lesão de maneira eficaz. Certo. 038. 038. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) Admite-se o controle jurisdicional a fim de interpretar o sentido e o alcance de normas meramente regimentais das casas legislativas quando ficar caracterizado desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo. Sim, admite-se o controle jurisdicional sobre normas regimentais das Casas Legislativas quando houver violação às normas constitucionais que disciplinam o processo legislativo. O Supremo Tribunal Federal (STF) entende que os regimentos internos do Poder Legislativo, embora normatizem a organização e o funcionamento interno das Casas, estão sujeitos à Constituição. Dessa forma, quando há afronta a princípios constitucionais, como o devido processo legislativo (art. 59 a 69 da CF/1988), a separação dos Poderes (art. 2º da CF/1988) ou O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 140 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra o devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF/1988), o Poder Judiciário pode exercer o controle de constitucionalidade. Um exemplo é a ADI 5127, na qual o STF analisou a tramitação de medidas provisórias, considerando aspectos regimentais que tinham impacto no devido processo legislativo. Certo. 039. 039. (2025/AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO/ESPECIALISTA EM RECURSOS MINERAIS – ÁREA DIREITO) É incabível ação direta de inconstitucionalidade para questionar a validade de atos normativos de natureza secundária e cuja função seja regulamentar dispositivos infraconstitucionais. A ação direta de inconstitucionalidade (ADI) tem por objeto o controle concentrado de normas que contrariem diretamente a Constituição Federal. Atos normativos de natureza secundária, como decretos regulamentares e portarias, não podem ser impugnados por ADI se apenas regulamentam normas infraconstitucionais, pois sua eventual ilegalidade deve ser questionada por outros meios. Certo. 040. 040. (2025/TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 6ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ESPECIALIDADE: OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL) Podem propor, dentre outros legitimados, a ação direta de inconstitucionalidade à a) Procurador-Geral da República e a Mesa da Câmara dos Deputados e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. b) Advogado-Geral da União e a Mesa da Câmara Legislativa dos Estados ou do Distrito Federal e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tomar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em até sete dias. c) Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. d) Procurador-Geral da República, a entidade de classe de âmbito estadual e a Mesa do Senado Federal e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tomar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias. e) Presidente da República e o Governador de Estado e, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 141 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Poder competente para adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em até cinco dias. a)Certa. A ação direta de inconstitucionalidade (ADI) pode ser proposta pelos legitimados do art. 103 da Constituição Federal de 1988, que são: Presidente da República; Mesa do Senado Federal; Mesa da Câmara dos Deputados; Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF; Governador de Estado ou do DF; Procurador-Geral da República; Conselho Federal da OAB; partido político com representação no Congresso Nacional; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Além disso, quando a ADI por omissão for julgada procedente, será dada ciência ao Poder competente para adoção das providências necessárias (art. 103, § 2º, CF/88). b) Errada. O Advogado-Geral da União (AGU) não é legitimado para propor ADI, apenas para defender a norma impugnada. A Mesa da Câmara Legislativa dos Estados não existe como legitimada, pois a CF/88 fala em Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF. Não há prazo de sete dias para cumprimento da decisão em caso de omissão. c) Errada. O AGU não pode propor ADI, pois sua função é atuar como defensor da norma questionada. d) Errada. Entidades de classe de âmbito estadual não possuem legitimidade para propor ADI, pois o art. 103 da CF exige que sejam de âmbito nacional. e) Errada. O prazo de cinco dias para órgãos administrativos não existe na Constituição. A CF/88 apenas determina que o Poder competente seja cientificado para adotar as providências necessárias, sem impor prazos. Letra a. 041. 041. (2025/PREFEITURA DE TANGARÁ DA SERRA – MT/PROCURADOR MUNICIPAL – ADAPTADO) O desrespeito à cláusula de iniciativa reservada das leis, em qualquer das hipóteses taxativamente previstas no texto da Carta Política, traduz situação configuradora de inconstitucionalidade material, insuscetível de produzir qualquer consequência válida de ordem jurídica. A usurpação da prerrogativa de iniciar o processo legislativo qualifica-se como ato destituído de qualquer eficácia jurídica, contaminando, por efeito de repercussão causal prospectiva, a própria validade constitucional da lei que dele resulte. O enunciado da questão trata da iniciativa reservada das leis, ou seja, dos casos em que a Constituição Federal determina que apenas um determinado órgão ou autoridade pode dar início ao processo legislativo sobre certos temas. A usurpação da iniciativa privativa configura uma inconstitucionalidade formal (e não material), o que torna a lei inválida desde a origem, ou seja, desde o seu nascimento. Portanto, o erro do enunciado está em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.142 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra afirmar que essa hipótese trata de inconstitucionalidade material, quando, na realidade, é uma inconstitucionalidade formal por vício de iniciativa. Errado. 042. 042. (2024/PREFEITURA DE APARECIDA/AUXILIAR DE SERVIÇOS JURÍDICOS) O Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, declarou a inconstitucionalidade de lei municipal que estabelece regras para o parcelamento de multas aplicadas a veículos automotores, sob a justificativa de que usurpam a competência privativa da União para legislar sobre trânsito e transporte. Com base na situação hipotética e nas noções de controle de constitucionalidade, é correto afirmar que a) a inconstitucionalidade em questão é material, por contrariar normas constitucionais de fundo. b) a lei, quando promulgada, está sujeita ao controle preventivo de constitucionalidade, que é aplicável nas situações em que os atos normativos estão formados, mas ainda não foram utilizados na prática pela Administração. c) o controle de constitucionalidade exercido pelo Supremo Tribunal Federal é político, pois tem como resultado excluir do ordenamento jurídico um ato editado por representantes do povo. d) a inconstitucionalidade em questão é formal orgânica, por violar norma definidora do órgão competente para tratar da matéria. e) a norma pode ter sido objeto de ação direta de inconstitucionalidade proposta diretamente no Supremo Tribunal Federal. b) Errada. A inconstitucionalidade não é material, mas sim formal (no caso, por usurpação da competência privativa da União). A inconstitucionalidade material está relacionada com a violação de normas constitucionais de fundo, como princípios e direitos fundamentais, o que não é o caso aqui, já que a questão é sobre a competência legislativa. b) Errada. O controle preventivo de constitucionalidade ocorre antes da promulgação da norma, quando ela ainda está em tramitação, ou seja, enquanto o ato normativo ainda não foi formalmente adotado. A questão descreve um controle repressivo, que ocorre após a norma ser promulgada e aplicada. c) Errada. O controle de constitucionalidade exercido pelo Supremo Tribunal Federal não é político. O STF realiza o controle jurídico de constitucionalidade, uma vez que se trata de um controle de constitucionalidade realizado por um órgão que integra o Poder Judiciário. d) Certa. A inconstitucionalidade é em questão é orgânica. A violação da competência da União para legislar sobre trânsito e transporte é uma violação de competência legislativa, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 143 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra o que caracteriza um vício formal orgânico, pois a norma foi criada por um ente federativo que não tinha essa prerrogativa. e) Errada. A norma municipal que viola a competência privativa da União pode ser questionada em arguição de descumprimento de preceito fundamental e não em ação direita de inconstitucionalidade. Letra d. 043. 043. (2024/SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE VIÇOSA/PROCURADOR JURÍDICO) A respeito do controle de constitucionalidade, à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a alternativa INCORRETA a) A Ação Direta de Inconstitucionalidade é meio processual inadequado ao controle de constitucionalidade de decreto regulamentar de lei estadual. b) O advogado que assina a petição inicial de ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com poderes específicos, devendo o instrumento mencionar a lei ou ato normativo impugnado na ação. c) A alteração do parâmetro constitucional quando o processo ainda está em andamento não prejudica o conhecimento da ação direta de inconstitucionalidade. d) É possível a cumulação de pedidos típicos de ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade em uma única demanda de controle concentrado. e) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor da ação. a) Certa. De fato, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) não é adequada para questionar decreto regulamentar de lei estadual. A ADI é utilizada para questionar leis e atos normativos que possuam natureza legislativa. Decretos regulamentares de leis estaduais, como uma norma infralegal, não são objeto dessa ação. A norma apropriada para questionar decretos é o controle difuso de constitucionalidade, ou, em casos excepcionais, a ADPF. b) Certa. O advogado que propõe a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) precisa de procuração com poderes específicos, ou seja, a procuração deve ser explicitamente conferida para ajuizar a ação, e o instrumento deve mencionar a norma impugnada. Isso está de acordo com a jurisprudência do STF. c) Certa. A alteração do parâmetro constitucional durante o andamento de uma ADI não prejudica o conhecimento da ação. O STF pode continuar o julgamento da ação com base no novo parâmetro constitucional, se ele for alterado, sem que isso implique em prejuízo à análise da constitucionalidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 144 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) Certa. É possível a cumulação de pedidos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) em uma única demanda. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando se deseja discutir uma norma que, simultaneamente, pode ser considerada inconstitucional em parte e, em outra parte, constitucional, e em um único processo pode-se resolver ambos os aspectos. e) Errada. O Supremo Tribunal Federal não está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor da ação ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade. O STF pode, inclusive, criar sua própria fundamentação para declarar a inconstitucionalidade de normas, mesmo que o autor da ADI tenha utilizado outros argumentos. O Tribunal tem autonomia para construir a fundamentação jurídica de suas decisões. Letra e. 044. 044. (2024/CÂMARA DE BRUSQUE – SC/ANALISTA LEGISLATIVO) Sobre o controle de constitucionalidade, mais precisamente o controle difuso, assinale a alternativa correta: a) No controle difuso, os efeitos da decisão serão inter partes e ex nunc. b) É competência privativa do Senado Federal, mediante a edição de decreto, suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF. c) Não se admite a manifestação de outros órgãos ou entidades (amicus curiae) no controle difuso de constitucionalidade. d) Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. e) A cláusula de reserva de plenário aplica-se às Turmas Recursais dos Juizados Especiais. a) Errada. No controle difuso de constitucionalidade, a decisão é inter partes (ou seja, seus efeitos se restringem às partes envolvidas no processo) e ex tunc (com efeitos a partir da entrada em vigor da norma impugnada). b) Errada. Essa competência do Senado Federal é realizada por meio de um decreto legislativo e não por simples decreto. c) Errada. No controle difuso de constitucionalidade, é admitida a manifestação de terceiros interessados, chamados de amicus curiae. Esses terceiros têm interesse naquestão constitucional discutida e podem ajudar a esclarecer os efeitos e as implicações de uma possível declaração de inconstitucionalidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 145 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) Certa. É o que determina o art. 97, da CF/1988, segundo o qual “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. e) Errada. A cláusula de reserva de plenário não se aplica às Turmas Recursais dos Juizados Especiais. Essa cláusula, que exige a decisão do plenário do tribunal para declarar a inconstitucionalidade de uma norma, aplica-se apenas a tribunais e não se estende às turmas recursais dos juizados especiais (que não são tribunais). Segundo o STF, “O princípio da reserva de plenário não se aplica no âmbito dos juizados de pequenas causas (art. 24, X, da Constituição Federal) e dos juizados especiais em geral (art. 98, I, da CF/88), que, pela configuração atribuída pelo legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob o regime de plenário ou de órgão especial”. Letra d. 045. 045. (2024/CÂMARA DE MANAUS – AM/ANALISTA LEGISLATIVO MUNICIPAL) Carlos, Analista Legislativo, foi questionado sobre a possibilidade de questionar a inércia do poder público em cumprir determinada norma constitucional. Qual ação judicial é adequada para essa finalidade? a) Reclamação constitucional. b) Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. c) Habeas data. d) Mandado de segurança. e) Habeas corpus. A Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) é a ação adequada quando o poder público não cumpre uma norma constitucional, ou seja, quando há omissão em relação à adoção de medidas necessárias para efetivar uma norma constitucional. O Supremo Tribunal Federal pode declarar que a omissão do poder público viola a Constituição e, se for o caso, determinar que o Poder competente adote as providências necessárias. Letra b. 046. 046. (2021/SENADO FEDERAL) É constitucionalmente possível que um Senador obtenha, no Supremo Tribunal Federal, ordem proibindo a deliberação de proposta de emenda à Constituição. É possível, por meio da impetração de mandado de segurança. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 146 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 047. 047. (2021/DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SANTA CATARINA/DEFENSOR PÚBLICO) A partir da Emenda Constitucional no 45/2004, pode propor a ação declaratória de constitucionalidade a) a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil. b) a Mesa da Assembleia Legislativa. c) o Defensor Público-Geral Federal. d) o Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege). e) o partido político com representação na Câmara dos Deputados. Dentre as alternativas apresentadas, a única que se encontra no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988, é a letra “b”. Letra b. 048. 048. (2021/SECRETARIA DA FAZENDA DE RORAIMA/AUDITOR-FISCAL DE TRIBUTOS ESTADUAIS) Acerca do controle de constitucionalidade, assinale a opção correta. a) As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade produzem eficácia inter partes e efeito vinculante. b) O Poder Legislativo realiza controle de constitucionalidade. c) A ação declaratória de constitucionalidade é espécie de controle de constitucionalidade difuso. d) É materialmente inconstitucional lei de iniciativa parlamentar cujo objeto seja constitucionalmente previsto como de iniciativa privativa do presidente da República. e) Ao contrário das entidades de classe de âmbito regional, as de âmbito local não são legitimadas para propor ação direta de constitucionalidade. O Poder Legislativo realiza controle de constitucionalidade preventivo e repressivo. Letra b. 049. 049. (2021/SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DO ALAGOAS/AUDITOR DE FINANÇAS E CONTROLE DE ARRECADAÇÃO DA FAZENDA ESTADUAL) O efeito vinculante e a eficácia contra todos submetem os órgãos do Poder Legislativo, que, a partir da publicação do acórdão, ficam impedidos de editar novas produções legislativas de matérias retratadas na lei anteriormente declarada inconstitucional. O efeito vinculante não atinge o Poder Legislativo na sua função típica de legislar. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 147 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 050. 050. (2021/PREFEITURA DE ARACAJU-SE/AUDITOR DE TRIBUTOS MUNICIPAIS – ÁREA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO) Caso tramite no Congresso Nacional emenda constitucional incompatível com dispositivos constitucionais que disciplinam o processo legislativo, a competência para impetrar mandado de segurança acerca do assunto no Supremo Tribunal Federal será somente a) do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. b) dos parlamentares c) do procurador-geral da República. d) do presidente da República. e) de governador de estado. O único legitimado ativo para entrar com esse mandado de segurança é o parlamentar da Casa Legislativa em que está tramitando a emenda constitucional. Letra b. 051. 051. (2021/PREFEITURA DE CANOAS-RS/PROCURADOR MUNICIPAL) De acordo com o disposto sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal (Lei n º 9.868/1999), quem NÃO pode propor a ação direta de inconstitucionalidade? a) O Ministro da Justiça. b) O Procurador-Geral da República. c) O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. d) Partido político com representação no Congresso Nacional. e) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. O Ministro da Justiça não se encontra no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988. Letra a. 052. 052. (2021/POLÍCIA CIVIL DO CEARÁ/ESCRIVÃO) Em decisão judicial de primeira instância, o juízo do Município X decidiu aumentar o vencimento de professor da rede municipal de ensino, fundamentando sua decisão exclusivamente no princípio da isonomia. A decisão pode ser objeto de qual remédio constitucional? a) Ação Direta de Inconstitucionalidade. b) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. c) Mandado de Injunção. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 148 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) Reclamação Constitucional. e) Mandado de Segurança. A decisão do juiz em questão contrariou a Súmula Vinculante nº 37. Nesse caso, conforme o art. 103-A, § 3º, da CF/1988, cabe reclamação constitucional no STF. Letra d. 053. 053. (2021/POLÍCIA CIVIL DO CEARÁ/INSPETOR) É legitimado para propor a Ação Declaratória de Constitucionalidade a) o Advogado-Geral da União. b) um partido político. c) uma entidade de classe de âmbito nacional. d) o Presidente de um Tribunal Regional Federal. e) o Presidente do Conselho Nacional de Justiça. Das alternativas apresentadas,a única que se enquadra no art. 103, da CF/1988, é a letra “c”. Letra c. 054. 054. (2021/PREFEITURA DE CRATO-CE/ANALISTA PREVIDENCIÁRIO) São legitimados especiais para proporem ação de controle de constitucionalidade concentrado e abstrato de lei municipal perante o Supremo Tribunal Federal, exceto: a) O Governador de Estado e do Distrito Federal; b) O Procurador Geral da República; c) A mesa diretora da Assembleia legislativa e Câmara Legislativa do Distrito Federal; d) Entidade de classe em nível nacional; e) Federação Sindical ou sindicato em nível nacional; O PGR é legitimado ativo universal. Letra b. 055. 055. (2021/POLÍCIA MILITAR DO ALAGOAS/OFICIAL COMBATENTE) Os governadores de estado e as mesas das assembleias legislativas são legitimados para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade e de ação declaratória de constitucionalidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 149 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Estão presentes no rol do art. 103, da CF/1988. Certo. 056. 056. (2021/CONSELHO REGIONAL DOS CORRETORES DE IMÓVEIS DO MATO GROSSO DO SUL/ ADVOGADO) Partidos políticos com representação no Congresso Nacional e entidades de classe de âmbito nacional têm legitimidade ativa para propositura da ação declaratória de constitucionalidade. Estão no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988. Certo. 057. 057. (2021/DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO DE POLÍCIA) Segundo a Doutrina Majoritária e a Constituição Federal, são legitimados ativos especiais para propositura de ações diretas de inconstitucionalidade e ações declaratórias de constitucionalidade o Presidente da República, a Mesa do Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas. O Presidente da República é um legitimado ativo universal. Além disso, a Mesa do Congresso Nacional não é legitimada ativa. Errado. 058. 058. (2021/POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ/DELEGADO DE POLÍCIA) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, exceto: a) o Presidente da República. b) a Mesa do Senado Federal. c) a Mesa da Câmara dos Deputados. d) a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. e) o Prefeito. O Prefeito não está no rol de legitimados do art. 103, da CF/1988. Letra e. 059. 059. (2022/CONDESUS-RS/ASSESSOR JURÍDICO/ADAPTADA) A inconstitucionalidade formal, também conhecida como nomodinâmica, é verificada quando lei ou ato normativo infraconstitucional contiver algum vício em sua “forma”, ou seja, em seu processo de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 150 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra formação; no processo legislativo de sua elaboração, ou, ainda, em razão de sua elaboração por autoridade incompetente. É o conceito de inconstitucionalidade formal ou nomodinâmica. Certo. 060. 060. (2022/MPE-RJ – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/ADAPTADA) É cabível ação direta de inconstitucionalidade de Lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. Só é cabível ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa estadual. Errado. 061. 061. (2022/DPE-SE/DEFENSOR PÚBLICO/ADAPTADA) Admite-se o controle difuso de constitucionalidade em ação civil pública desde que a arguição de inconstitucionalidade não se confunda com o pedido principal da causa. É possível controle difuso em ação civil pública, desde que a arguição de inconstitucionalidade esteja na fundamentação do pedido e não no pedido principal da demanda. Certo. 062. 062. (2022/DPE-SE/DEFENSOR PÚBLICO/ADAPTADA) A ADPF é cabível quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei municipal anterior à CF de 1988. É uma das hipóteses de ADPF previstas no art. 1º, parágrafo único, inc. I, da Lei nº 9.882, de 1999. Art. 1º A arguição prevista no § 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental: I – quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição; II – (VETADO) Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 151 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 063. 063. (2022/PC-AM/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) O Procurador-Geral do Município Alfa reuniu-se com o Prefeito Municipal e o Presidente da Câmara Municipal, para informar que determinada entidade de classe de âmbito nacional ingressara com arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), na qual sustenta a inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX/1987, em razão da afronta a princípios fundamentais da Constituição da República, almejando que isto seja declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao responder às perguntas formuladas, o Procurador-Geral do Município informou corretamente que ainda que o pedido seja julgado procedente, com a declaração de inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX, o Poder Legislativo pode aprovar outra lei de idêntico teor. O efeito vinculante não atinge o Poder Legislativo na sua função típica de legislar. Certo. 064. 064. (2022/PC-RJ/DELEGADO DE POLÍCIA/ADAPTADA) A respeito da figura denominada Estado de coisas inconstitucional, é correto afirmar que encontra fundamento nos casos de inadimplemento reiterado de direitos fundamentais pelos poderes do Estado, sem que haja possibilidade de remédio para vias tradicionais, ocasião em que o tribunal assume o papel de coordenador de políticas públicas por meio da denominada tutela estruturante. Exatamente isso. Certo. 065. 065. (2022/PGE-RO/PROCURADOR DO ESTADO) A ação direta de constitucionalidade é ação de controle de constitucionalidade a) abstrato que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo estadual. b) difuso que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo federal. c) concentrado cuja decisão definitiva de mérito perante o STF produz eficácia ex tunc, erga omnes e vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. d) incidental que pode ser ajuizada perante o STF pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. e) abstrato que pode ser ajuizada perante o STF por governador de estado, admitindo-se intervenção de terceiros no processo. A ADI, ao lado da ADC, da ADO e da ADPF, é uma ação de controle de constitucionalidade concentrado cuja decisão definitiva de mérito perante o STF produz eficácia ex tunc, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 152 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra erga omnes e vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e a toda Administração Pública. Letra c. 066. 066. (2022/PC-PB/DELEGADODE POLÍCIA CIVIL) Se, em ação direta de inconstitucionalidade proposta perante o Supremo Tribunal Federal, for alegada a inconstitucionalidade de certa lei federal, a) a decisão definitiva de mérito vinculará o Poder Legislativo. b) o Poder Legislativo ficará impossibilitado de revogar a lei questionada. c) o Poder Legislativo ficará impossibilitado de reeditar o diploma julgado inconstitucional. d) a decisão definitiva de mérito vinculará parcialmente o Poder Judiciário. e) a decisão definitiva de mérito vinculará todos os níveis da administração pública. Conforme o art. 102, § 2º, da CF/1988, “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal”. Letra e. 067. 067. (2022/PREFEITURA DE SÃO GONÇALO-RJ/ANALISTA PROCESSUAL) Buiu Check é advogado e representa o partido político “Todos Nós” que não possui representação no Congresso Nacional. Ocorre que os membros do partido desejam impugnar a constitucionalidade de determinada lei federal. Nos termos da Constituição Federal, podem propor ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal: a) o Presidente da República e o Prefeito do Distrito Federal b) o Procurador-Geral da República e Governador de Estado c) o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil d) a Confederação Sindical e a União de Associações Civis Conforme o art. 103, da CF/1988, “podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 153 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Brasil; VIII – partido político com representação no Congresso Nacional; IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Letra b. 068. 068. (2022/PREFEITURA DE PRESIDENTE PRUDENTE-SP/PROCURADOR MUNICIPAL/ADAPTADA) A decisão judicial fundada em jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal será julgada diretamente pelo órgão fracionário, não devendo ser submetida ao plenário ou órgão especial do tribunal local. Se há precedente do STF sobre o tema impugnado, o órgão fracionário pode aplicar o mesmo entendimento sem violação do princípio da reserva de plenário. Certo. 069. 069. (2022/PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO-RS/PROCURADOR) Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria absoluta de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. O quórum exigido é de 2/3. Segundo o art. 27, da Lei nº 9.868, de 1999, ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Errado. 070. 070. (2022/TJ-RS/JUIZ SUBSTITUTO/ADAPTADA) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. Os legitimados ativos previstos no art. 103, da CF/1988, são os mesmo para ADI, ADO, ADC e ADPF. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 154 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 071. 071. (2022/IPE SAÚDE/ANALISTA DE GESTÃO EM SAÚDE/DIREITO/ADAPTADA) O vício formal subjetivo, ou de iniciativa, dá lugar à chamada inconstitucionalidade nomodinâmica. A inconstitucionalidade formal também é chamada de inconstitucionalidade nomodinâmica. Certo. 072. 072. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) Os vícios formais afetam o ato normativo singularmente considerado, atingindo diretamente o seu conteúdo e referindo-se aos pressupostos e aos procedimentos relativos à formação da lei. O vício de conteúdo caracteriza a inconstitucionalidade material. Errado. 073. 073. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) A lei editada em compatibilidade com a ordem constitucional não poderá, posteriormente, se tornar com ela incompatível em virtude de mudanças ocorridas nas relações fáticas ou na interpretação constitucional. É a chamada inconstitucionalidade progressiva. Uma lei pode hoje ser considerada constitucional, no entanto, alterando as relações fáticas, pode a mesma lei ser considerada inconstitucional no futuro. Errado. 074. 074. (2022/CRF-GO/ADVOGADO) A inconstitucionalidade por ação pressupõe uma conduta positiva do legislador, que não se compatibilize com os princípios constitucionalmente consagrados. A inconstitucionalidade por ação pressupõe um fazer inconstitucional. Certo. 075. 075. (FGV/2022/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI/PRIMEIRA FASE) O governador do Estado Alfa pretendia criar um novo município no âmbito do seu estado. No entanto, tinha conhecimento de que o Art. 18, § 4º, da CRFB/88, que trata dessa temática, é classificado como norma de eficácia limitada, que ainda está pendente de regulamentação por lei complementar a ser editada pela União. Em razão dessa constatação, resolve ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO), perante o Supremo Tribunal Federal (STF), O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 155 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra com o intuito de sanar a omissão legislativa. Ao analisar a referida ADO, o STF, por maioria absoluta de seus membros, reconhece a omissão legislativa. Diante dessa narrativa, assinale a opção que está de acordo com o sistema brasileiro de controle de constitucionalidade. a) O STF, com o objetivo de combater a síndrome da ineficácia das normas constitucionais, deverá dar ciência ao Poder Legislativo para a adoção das providências necessárias à concretização do texto constitucional, obrigando-o a editar a norma faltante em trinta dias. b) O STF, em atenção ao princípio da separação de poderes, deverá dar ciência ao Poder Legislativo para a adoção das providências necessárias à concretização da norma constitucional. c) O STF, a exemplo do que se verifica no mandado de injunção, atuando como legislador positivo, deverá suprir a omissão inconstitucional do legislador democrático, criando a norma inexistente que regula a constituição de novos municípios, o que obsta a atuação legislativa superveniente. d) A referida ação deveria ter sido julgada inepta, na medidaem que somente as normas constitucionais de eficácia contida podem ser objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. Em respeito ao art. 103, § 2º, da CF/1988, “Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias”. Letra b. 076. 076. (FGV/2022/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI/PRIMEIRA FASE) O atual governador do Estado Delta entende que, de acordo com a CRFB/88, a matéria enfrentada pela Lei X, de 15 de agosto de 2017, aprovada pela Assembleia Legislativa de Delta, seria de iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo estadual. Porém, na oportunidade, o projeto de lei foi proposto por um deputado estadual. Sem saber como proceder, o atual Chefe do Poder Executivo buscou auxílio junto ao Procurador-geral do Estado Delta, que, com base no sistema jurídico-constitucional brasileiro, afirmou que o Governador a) poderá tão somente ajuizar uma ação pela via difusa de controle de constitucionalidade, pois, no caso em tela, não possui legitimidade para propor ação pela via concentrada. b) poderá, pela via política, requisitar ao Poder Legislativo do Estado Delta que suspenda a eficácia da referida Lei X, porque, no âmbito jurídico, nada pode ser feito. c) poderá propor uma ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, alegando vício de iniciativa, já que possui legitimidade para tanto. d) não poderá ajuizar qualquer ação pela via concentrada, já que apenas a Mesa da Assembleia Legislativa de Delta possuiria legitimidade constitucional para tanto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 156 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Diz o art. 103, da CF/1988, que “Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII – partido político com representação no Congresso Nacional; IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional”. Letra c. 077. 077. (FGV/2023/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVII/PRIMEIRA FASE) Um terço dos membros do Senado Federal apresentou proposta de emenda à Constituição da República (PEC), propondo o acréscimo de um inciso ao Art. 5º. Segundo a PEC, o novo inciso teria a seguinte redação: “LXXX – é garantida a inclusão digital e o acesso amplo e irrestrito à Internet, nos termos da lei.” A proposta foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal por mais de três quintos dos membros em um único turno de votação. Ato contínuo, a PEC foi promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Sobre a PEC descrita na narrativa, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta. a) Apresenta uma inconstitucionalidade material, que vem a ser a violação de cláusula pétrea, haja vista a impossibilidade de qualquer alteração no Art. 5º da Constituição da República. b) É formalmente inconstitucional, pois o procedimento a ser seguido pelas casas do Congresso Nacional, que funcionam como poder constituinte derivado reformador, não foi corretamente observado. c) Ostenta um vício de iniciativa, visto que é da competência exclusiva do chefe do Poder Executivo a apresentação do projeto de emenda à Constituição. d) Apresenta vício formal, pois, em qualquer ato de produção normativa, especialmente no caso de emenda à constituição, a competência para o ato de promulgação é do Presidente da República. Conforme o art. 60, § 2º, da CF/1988, “A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros”. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 157 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 078. 078. (FGV/2023/OAB/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVII/PRIMEIRA FASE) Determinada lei federal de 2020 gerou intensa controvérsia em vários órgãos do Poder Judiciário, bem como suscitou severas críticas de importantes juristas que questionaram a constitucionalidade de diversos dos seus dispositivos. Afinal, cerca de metade dos juízes e tribunais do País inclinou- se por sua inconstitucionalidade. A existência de pronunciamentos judiciais antagônicos vem gerando grande insegurança jurídica no País, daí a preocupação de um legitimado à deflagração do controle concentrado de constitucionalidade em estabelecer uma orientação homogênea na matéria regulada pela lei federal em tela, sem, entretanto, retirá-la do mundo jurídico. Sem saber como proceder para afastar a incerteza jurídica a partir da mitigação de decisões judiciais conflitantes, esse legitimado solicitou que você, como advogado(a), se manifestasse. Assinale a opção que indica a ação cabível para atingir esse objetivo. a) Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). b) Representação de Inconstitucionalidade (RI). c) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). d) Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC). O casso narrado enquadra-se na hipótese de impetração de ADC. Nesse sentido, o art. 14, III, da Lei nº 9.868, de 1999, exige que a petição inicial indique a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Controle de Constitucionalidade 1. Introdução 2. Conceito 3. Pressupostos 4. Legislação Aplicada 5. Inconstitucionalidade por Ação e por Omissão 6. Inconstitucionalidade Material e Formal 7. Inconstitucionalidade Total ou Parcial 8. Sistemas de Controle de Constitucionalidade 9. Momento do Controle de Constitucionalidade 10. Modelos de Controle de Constitucionalidade 11. Formas de Controle de Constitucionalidade 12. Controle Difuso 13. Controle Concentrado – Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 14. Controle Concentrado – Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 15. Controle Concentrado – Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 16. Controle Concentrado – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 17. Controle Concentrado – Representação Interventiva 18. Inconstitucionalidade por Arrastamento, por Arrasto, por Atração, Consequencial ou por Reverberação Normativa 19. Inconstitucionalidade Superveniente versus Revogação 20. Normas Constitucionais Originárias Inconstitucionais 21. Transcendência dos Motivos Determinantes 22. Declaração de Nulidade sem Redução de Texto 23.§ 4º, conhecidas como cláusulas pétreas. Na situação apresentada, o Poder Judiciário estará atuando, excepcionalmente, no controle preventivo de constitucionalidade, retirando do mundo jurídico um projeto de lei (no caso, uma PEC). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 16 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 019. 019. O controle de constitucionalidade preventivo pode ser exercido pelas Comissões de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e pelo veto do Presidente da República. Exatamente o que falamos. Certo. 020. 020. O controle judicial preventivo de constitucionalidade, que envolve vício no processo legislativo, deve ser exercido pelo STF via mandado de segurança. Única hipótese de controle preventivo realizado pelo Poder Judiciário. Certo. 021. 021. O controle prévio ou preventivo de constitucionalidade não pode ocorrer pela via jurisdicional, uma vez que ao Poder Judiciário foi reservado o controle posterior ou repressivo, realizado tanto de forma difusa quanto de forma concentrada. Como alertamos, há uma única hipótese para o Poder Judiciário atuar no controle preventivo: quando houver um mandado de segurança impetrado por parlamentar da própria Casa legislativa pela inobservância do devido processo legislativo constitucional. Errado. Por sua vez, o controle será repressivo quando recair sobre uma lei já existente. Também é realizado por todos os Poderes da República. Vejamos. O Poder Legislativo atua no controle repressivo nas seguintes hipóteses: a) art. 49, V – a competência exclusiva do Congresso Nacional para sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; b) art. 52, X – a possibilidade de o Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF em controle difuso de constitucionalidade; DE OLHO NA JURISPRUDÊNCIA O STF caminha para entender que se está diante de verdadeira mutação constitucional do art. 52, X, especialmente com a adoção da repercussão geral nos recursos extraordinário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 17 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra O que se propõe é uma interpretação que confira ao Senado Federal a possibilidade de simplesmente, mediante publicação, divulgar a decisão do STF (ADIs 3.406 e 3.470). c) art. 62, § 5º – a verificação do atendimento dos pressupostos constitucionais da relevância e urgência das medidas provisórias realizada por cada uma das Casas do Congresso Nacional. No caso da atuação do Poder Executivo no controle repressivo, há uma controvérsia sobre essa possibilidade, mas a doutrina majoritária entende que o Presidente da República poderia orientar os órgãos da Administração Pública federal a não observar uma lei que entenda inconstitucional, uma vez que os três Poderes estão no mesmo nível. VAMOS APROFUNDAR Sobre essa possibilidade de descumprimento de lei inconstitucional pelo Presidente da República, importante trazer os seus aspectos históricos. O controle concentrado de constitucionalidade surge com a EC 16/1965, que estabeleceu como único legitimado o Procurador-Geral da República. Nessa época, a doutrina e a jurisprudência firmaram o entendimento de que o Presidente da República poderia deixar de aplicar uma lei que entendesse inconstitucional, orientando a Administração Pública a seguir esse entendimento, uma vez que o Ministério Público detinha o monopólio para provocar o controle concentrado de constitucionalidade. Por sua vez, com o advento da atual Constituição Federal, o argumento, fundado na exclusividade de legitimidade perde espaço, haja vista a ampliação de competência para o controle concentrado de constitucionalidade, sobretudo porque o Presidente da República tornou-se um legitimado ativo. Com isso, passou-se a questionar a possibilidade de o Presidente da República negar de ofício o cumprimento da lei inconstitucional. Ocorre que o princípio da supremacia da Constituição nos revela que a aplicação de uma lei flagrantemente inconstitucional é a própria negação da Constituição. Nesse sentido, não há razão para que o Presidente da República aplique uma norma inconstitucional, mesmo legitimado para impetrar uma ação direta de inconstitucionalidade. Por tudo isso, ainda é defensável a tese de que o Presidente da República, mesmo com a mudança do contexto jurídico, negue cumprimento a uma lei contrária à Constituição. DE OLHO NA JURISPRUDÊNCIA Para ampliar esse debate, há um recente precedente que envolveu um Decreto de Governador de Estado que suspendeu a execução de uma lei estadual que, no seu entendimento, feria a Constituição Federal. Trata-se da ADI 5.297, em que o STF, à unanimidade, definiu que o chefe do Poder Executivo não pode, por decreto, suspender a eficácia de lei que considera inconstitucional — é ato inconstitucional e O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 18 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra usurpa competência do Judiciário. Segundo o Supremo, se o Governador considera uma lei inconstitucional, deve: a) vetá-la, ou b) propor ADI ao STF, se o veto for derrubado. A Corte definiu, portanto, que o chefe do Poder Executivo não pode, por decreto, impor suspensão aos efeitos de lei regularmente aprovada pelo Poder Legislativo, cabendo-lhe apenas exercer controle preventivo pelo veto ou controle abstrato mediante ação própria perante o Judiciário. Por fim, o Poder Judiciário realiza o controle repressivo de constitucionalidade, tanto por meio do controle difuso, quanto por meio do controle concentrado (a seguir explicarei a diferença entre os dois). MOMENTO DO CONTROLE PREVENTIVO REPRESSIVO sobre o projeto de lei sobre a lei LEGISLATIVO EXECUTIVO JUDICIÁRIO LEGISLATIVO EXECUTIVO JUDICIÁRIO TCU CCJ MS impetrado pelo parlamentar da própria Casa pelo desrespeito ao processo legislativo constitucional (ex.: PEC tendente a abolir cláusula pétrea) – única hipó- tese de atuação do Judiciário no controle preventivo Competência do CN para sustar atos normativos (art. 49, V) Possibilidade do SF suspender a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF (art. 52, X) Verificação dos pressupostos da MP (art. 62, § 5° ) possibilidade de o Presidente negar cumprimento a uma lei inconstitucional – aplicar uma lei inconstitucional é a própria negação da CF (divergência: o Presidente deve impetrar uma ADI) função típica Súmula 347 do STF Veto jurídico (art. 66, § 1 º)NO BRASIL NO BRASIL 10 . MoDelos De Controle De ConstituCionaliDaDe10 . MoDelos De Controle De ConstituCionaliDaDe O Poder Judiciário brasileiro atua em dois modelos de controle de constitucionalidade: o modelo concentrado (também conhecido como reservado) e o modelo difuso (também chamado de aberto ou incidental). Haverá controle de constitucionalidade concentrado quando o Supremo Tribunal Federal julgar as seguintes ações: a) ação direta de inconstitucionalidade genérica (ADI); b) ação declaratória de constitucionalidade (ADC); c) ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO); O conteúdo deste livroInconstitucionalidade Progressiva, Lei ainda Constitucional ou Inconstitucionalidade em Trânsito 24. Bloco de Constitucionalidade 25. Controle de Constitucionalidade nos Estados-Membros e no Distrito Federal 26. Controle de Constitucionalidade pelos Tribunais de Contas 27. Controle de Constitucionalidade na Ação Civil Pública 28. Estado de Coisas Inconstitucional 29. Súmulas e Jurisprudência Aplicáveis Resumo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadoeletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 19 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra d) arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF); e e) ação direta de inconstitucionalidade interventiva (ADI interventiva). Por sua vez, o modelo será o difuso, ou sistema norte-americano, quando realizado pelos demais órgãos do Poder Judiciário brasileiro. Será considerado controle difuso, também, quando o STF julgar as demais ações que não sejam aquelas elencadas no parágrafo anterior, como, por exemplo, um mandado de segurança. 022. 022. O sistema jurisdicional instituído com a CF, influenciado pelo constitucionalismo norte- americano, acolheu exclusivamente o critério de controle de constitucionalidade difuso, ou seja, por via de exceção. No Brasil, há os dois modelos de controle de constitucionalidade: o difuso e o concentrado. Errado. 023. 023. O controle difuso (ou jurisdição constitucional difusa) e o controle concentrado (ou jurisdição constitucional concentrada) são dois critérios de controle de constitucionalidade. O primeiro é verificado quando se reconhece o seu exercício a todos os componentes do Poder Judiciário, e o segundo ocorre se só for deferido ao tribunal de cúpula ou a uma corte especial. Exatamente isso! Certo. Acerca dos antecedentes históricos, segundo Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino1, o modelo concentrado teve sua origem na Áustria, em 1920, sob a influência do jurista Hans Kelsen. Para Kelsen, a fiscalização da validade das leis representava tarefa especial, autônoma, que não deveria ser conferida a todos os membros do Poder Judiciário, já encarregados de exercerem a jurisdição, mas somente a uma Corte Constitucional, que deveria desempenhar exclusivamente essa função. Sob esse pensamento, foi criado o Tribunal Constitucional Austríaco, com a função exclusiva de realizar o controle de constitucionalidade das leis. Na visão de Kelsen, a função precípua do controle concentrado não seria a solução de casos concretos, mas sim a anulação genérica da lei incompatível com as normas constitucionais. Por outro lado, no modelo difuso, ou sistema norte-americano, todos os órgãos do Poder Judiciário, inclusive o próprio STF, podem realizar o controle de constitucionalidade das leis e 1 PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito constitucional descomplicado. 4. ed. São Paulo: Método, 2009. p. 706. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 20 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra dos atos normativos. A sua origem histórica está assentada no famoso caso Madison versus Marbury (1803), em que o Juiz Marshall da Suprema Corte Americana afirmou que é ínsito da atividade jurisdicional interpretar e aplicar a lei e, ao fazê-lo, identificando contradição entre a legislação e a Constituição Federal, deve o magistrado aplicar esta última por ser superior a qualquer lei infraconstitucional. NO BRASIL CONCENTRADO + DIFUSO DIFUSO todos os órgãos do Poder Judiciário (inclusive o STF) ORIGEM HISTÓRICA caso Madison x Marbury: o juiz Marshall da Suprema Corte americana afirmou que é ínsito a todos os juízes realizar controle de constitucionalidade CONCENTRADO somente pelo órgão de cúpula do Poder Judiciário ORIGEM HISTÓRICA Áustria (1920): Kelsen entendia que a fiscalização das leis deveria ser realizada somente por uma Corte Constitucional NO BRASIL (STF) ADI ADC ADO ADPF ADI Interventiva MODELOS DE CONTROLE 11 . ForMas De Controle De ConstituCionaliDaDe11 . ForMas De Controle De ConstituCionaliDaDe Existem duas formas pelas quais se pode buscar no Poder Judiciário a declaração de inconstitucionalidade de uma norma: pela via concreta e pela via abstrata. Na via concreta (ou por via de exceção), a impugnação de uma lei pressupõe a comprovação de lesão a direito daquele que alega. Tenho me valido de um exemplo hipotético esdrúxulo, mas elucidativo. Exemplo: imagine que um Estado-membro altere a alíquota do IPVA para 95% do valor do carro. Essa lei que trouxe essa nova alíquota fere a Constituição Federal, que proíbe tributos com caráter confiscatório. Eu, contribuinte do IPVA, posso ir até o Poder Judiciário e entrar com uma ação. No pedido da ação, digo: não quero pagar o IPVA; na fundamentação do pedido alego que a lei é inconstitucional. O juiz que julgar a minha ação realizará o controle de constitucionalidade concreto, uma vez que a inconstitucionalidade da norma está vinculada a uma situação real. Percebeu? Já pela via abstrata (ou por via de ação), a inconstitucionalidade é requerida “em tese”, sem vinculação à ofensa a direito, sem vinculação a um caso concreto. Vamos utilizar o mesmo exemplo acima. Mas agora um dos legitimados do art. 103 entra com uma ADI. No próprio pedido da ação, o autor requererá a inconstitucionalidade da lei, independentemente O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 21 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra da comprovação de lesão a direito de alguém, porque, pela via abstrata, o que se busca é a preservação da Constituição Federal que foi violada por uma lei inconstitucional. Ou seja, na via abstrata não há um caso concreto a ser analisado, apenas se a lei ofende ou não a Constituição. Creio que tenha ficado claro. 024. 024. Quando se realiza o controle de constitucionalidade de atos normativos por um único tribunal, independentemente da existência de um caso concreto a ser julgado, diz-se que esse controle é concentrado e abstrato. Exatamente isso. É concentrado porque realizado por apenas um tribunal, no caso brasileiro, o STF, e abstrato porque não se liga a um caso concreto. Certo. Exemplo hipotético: lei estadual que eleva a alíquota do IPVA para 95% (fere o princípio do não confisco) contra lei em teseABSTRATO exige a comprovação de lesão a direitoCONCRETO FORMAS DE CONTROLE 12 . Controle DiFuso12 . Controle DiFuso Legitimação ativa: a legitimação ativa no controle difuso (ou incidental) de constitucionalidade é ampla, uma vez que qualquer das partes (autor ou réu) poderá fundamentar suas razões em uma tese de inconstitucionalidade de uma norma. O Ministério Público que oficie no feito também pode levantar a questão de inconstitucionalidade da lei aplicável ao caso, bem como o próprio magistrado de ofício. 025. 025. No controle incidental, os juízes e tribunais só podem se manifestar sobre a inconstitucionalidade de uma lei, deixando de aplicá-la a casos concretos, se, antes, tiverem sido provocados por uma das partes. Conforme vimos, no controle difuso ou incidental, o juiz de ofício pode fundamentar sua decisão pela inconstitucionalidade da lei aplicável ao caso sob julgamento, independentemente de provocação das partes (autor ou réu). Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 22 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Competência: todos os membros do Poder Judiciário ( juízes, desembargadores e ministros), ao julgarem suas causas, dispõem decompetência para declarar a inconstitucionalidade das leis aplicáveis ao caso sob julgamento. Mas muito cuidado com isso: quando o processo chega aos tribunais, um órgão fracionário desse tribunal (turma, sessão etc.) não possui essa competência, porque deverá ser respeitado o princípio da reserva de plenário prescrito no art. 97. Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Esse princípio da reserva de plenário (também chamado de cláusula full bench) estabelece que dentre todos os órgãos do tribunal, somente o plenário ou o órgão especial – quando houver (veja o art. 93, XI, que trata deste tal “órgão especial”) – poderão declarar a inconstitucionalidade das leis, por deliberação de maioria absoluta de seus membros. Art. 93, XI – nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno; Tal previsão significa que os órgãos fracionários e monocráticos dos tribunais (um desembargador ou um ministro isoladamente, ou uma turma, ou uma sessão) não possuem competência para declarar a inconstitucionalidade da norma atacada, somente o plenário ou órgão especial, se houver. Importante que se diga que todos os tribunais se submetem ao princípio da reserva de plenário, inclusive o próprio STF. Sobre esse último ponto, precisamos aprofundar um pouco mais. Compulsando as obras de Direito Constitucional (e tenho muitas), a quase totalidade dos livros afirmam que o STF deve respeitar a cláusula da reserva de plenário. A nosso sentir, esta é a melhor interpretação, considerando que se evita, a partir disso, decisões conflitantes entre as Turmas do Supremo acerca da validade de leis e atos do poder público. No entanto, deve-se destacar que existe um precedente da 2ª Turma do STF que afirma expressamente que a cláusula da reserva de plenário não se aplica ao Supremo. Por importante, cite-se: [...] O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da Constituição Federal. (RE 361829 ED, Relatora Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 02/03/2010) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 23 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra Assim, sugiro adotar a tese de que o STF deve respeitar a cláusula da reserva de plenário, tendo em vista a massiva doutrina nesse sentido. Até porque o precedente citado é bem antigo, o que nos leva a crer que o examinador não irá adotá-lo. Combinado? 026. 026. Nenhum órgão fracionário de tribunal dispõe de competência para declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos emanados do Poder Público, visto tratar- se de prerrogativa jurisdicional atribuída, exclusivamente, ao plenário dos tribunais ou ao órgão especial, onde houver. Essa é a regra geral prevista no citado art. 97, da CF. Certo. 027. 027. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial podem os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público. Exatamente isso. Veja como é importante o estudo do princípio da reserva de plenário. Certo. Aliás, o Supremo editou uma importantíssima súmula vinculante sobre o princípio da reserva de plenário que despenca em concurso público, vejamos: JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante n.10: viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. A ideia dessa Súmula Vinculante é a seguinte: se na tese levantada pelas partes tem a análise da inconstitucionalidade de uma lei, deve o tribunal enfrentar essa análise pelo plenário ou órgão especial, se houver. Os órgão fracionários não podem simplesmente afastar a incidência da lei trazida pelas partes (autor ou réu) e julgar por outro fundamento. Se assim o fizer, estará sendo desrespeitado o princípio da reserva de plenário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 24 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 028. 028. Situação hipotética: Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade de determinada lei, turma do Superior Tribunal de Justiça determinou sua não incidência parcial em determinado caso concreto. Assertiva: Nesse caso, fica configurada violação à cláusula de reserva de plenário. De acordo com o teor da Súmula Vinculante 10. Certo. 029. 029. Conforme a jurisprudência do STF, a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei, afasta sua incidência, no todo ou em parte, viola, especificamente: a) a cláusula de reserva de plenário. b) a presunção de constitucionalidade da lei. c) a sistemática do controle difuso de constitucionalidade. d) o princípio da motivação adequada das decisões judiciais. É o que determina a Súmula Vinculante n. 10. Letra a. 030. 030. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, não viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Na verdade, conforme a Súmula Vinculante 10, viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Errado. Agora cuidado: esse princípio da reserva de plenário não é absoluto. Quando o plenário ou órgão especial (se houver) de um determinado tribunal, ou, ainda, o plenário do STF já tiver resolvido a questão de inconstitucionalidade em outro processo, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 25 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra poderão os órgãos fracionários aplicar o mesmo entendimento ao caso sob julgamento. É o que se extrai da leitura do art. 949, parágrafo único, do novo Código de Processo Civil: os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes (plenário ou órgão especial do próprio tribunal) ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. Isso é muito importante!!! 031. 031. O incidente de deslocamento do processo da arguição de inconstitucionalidade, das turmas de um tribunal ao seu plenário ou órgão especial, quando não houver pronunciamento destes, é desnecessário se o ato normativo questionado já tiver sido declarado inconstitucional por quaisquerdas turmas do STF. Não é isso!!! O incidente de deslocamento do processo da arguição de inconstitucionalidade, das turmas de um tribunal ao seu plenário ou órgão especial, quando não houver pronunciamento destes, é desnecessário se o ato normativo questionado já tiver sido declarado inconstitucional pelo plenário do STF. Errado. DICA DO LD o princípio da reserva de plenário não se aplica em caso de análise de direito pré-constitucional frente à nova Constituição, vale dizer, a verificação da recepção ou não de uma norma, justamente por não envolver juízo de inconstitucionalidade, dispensa a aplicação da reserva de plenário, permitindo o reconhecimento por órgão fracionário dos tribunais de que a lei pré-constitucional foi ou não recebida pela nova ordem constitucional . DE OLHO NA JURISPRUDÊNCIA 1) Segundo o STF, os órgãos fracionários dos tribunais podem aplicar a denominada interpretação conforme a Constituição sem a observância da cláusula de reserva de plenário, haja vista que, no caso, haverá uma declaração de constitucionalidade e não de inconstitucionalidade conforme se refere o art. 97. Ou seja, pode o órgão O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 26 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra fracionário do tribunal declarar a norma constitucional, sem necessidade de instaurar o incidente processual próprio da reserva de plenário (RE 579.721). 2) Fixou o STF que a decisão monocrática do relator exarada em medida cautelar não se submete à cláusula da reserva de plenário albergada no art. 97 da Constituição Federal (Rcl 11.768). CONTROLE DIFUSO COMPETÊNCIA LEGITIMAÇÃO ATIVA ampla (autor, réu, MP, juiz de ofício) qualquer juiz cláusula ”full bench” órgão fracionário de tribunal não pode inclusive o STF art. 949, parágrafo único, do CPC SV 10 não se aplica em análise de recepção (não envolve juízo de inconstitucionalidade) STF: 1) não se aplica na interpretação conforme (a declaração é de constitucionalidade); 2) não se aplica em caso de decisão monocrática cautelar. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO (art. 97) Efeitos da decisão: os efeitos da decisão no controle difuso de constitucionalidade serão inter partes (atingindo apenas as partes – autor e réu) e ex tunc (retroagindo ao início da vigência da norma, em razão do princípio da nulidade dos atos inconstitucionais). É importante dizer que é possível a modulação dos efeitos temporais da decisão no controle difuso, aplicando, como fundamento, o art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999. Dispõe a norma: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 032. 032. A técnica de modulação de efeitos somente é aplicável ao controle concentrado de constitucionalidade, não se a admitindo em controle difuso, eis que, extraindo seu O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 27 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra fundamento da segurança jurídica, não estará em risco quando os efeitos da decisão se conservarem entre as partes. Segundo pacífica jurisprudência do STF, é possível modulação dos efeitos temporais no controle difuso de constitucionalidade. Errado. Atuação do Senado, à luz do art. 52, X, da CF: a Constituição Federal vigente autoriza que o Senado Federal suspenda a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. A ideia central aqui é a seguinte: quando o STF julga no controle difuso, os efeitos da decisão serão inter partes. Entretanto, o Senado, ao tomar conhecimento da decisão do STF, poderá, por meio de uma resolução, estender os efeitos daquela decisão para que atinja pessoas estranhas ao processo, mas que se enquadrem na mesma relação jurídica, transformando a decisão que outrora possuía efeitos inter partes em erga omnes (para todos). Alguns questionamentos emergem desse debate. Acompanhe comigo!!! 1) O Senado Federal está obrigado a suspender a execução da lei? Não. É um ato discricionário do Senado. 2) Qual espécie de lei formaliza a suspensão? Uma resolução do Senado Federal. 3) Poderá o Senado Federal modificar os limites da decisão do STF? Não. O Senado, decidindo pela suspensão da norma, não poderá modificar os limites da decisão do STF. Em outras palavras, suspende nos termos da decisão do STF. 4) Pode o Senado Federal voltar atrás, desistindo da suspensão? Não. Uma vez editada a resolução, o Senado não poderá voltar atrás, por se tratar de um ato irretratável. 5) Quais leis podem ser suspensas? Todas. A competência do Senado Federal para tal fim alcança normas federais, estaduais, distritais e municipais. 6) Qual a eficácia da suspensão? Depende. Em regra, a suspensão da execução da lei pelo Senado Federal possui eficácia ex nunc (não retroativa). Mas, se se tratar de uma norma federal, a eficácia será ex tunc (retroagindo), por força do art. 1º, § 2º, do Decreto n. 2.346, de 1997. Perceba: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 28 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. DICA DO LD a partir da adoção da sistemática da repercussão geral, os recursos extraordinários, que possuíam efeitos inter partes, passam a ter eficácia erga omnes, tornando despicienda a norma escrita noart . 52, X, para os casos em apreço . nesse contexto, o stF passou a considerar que o sentido normativo do art . 52, X, seria: “compete privativamente ao senado Federal dar publicidade à suspensão da execução, operada pelo supremo tribunal Federal, de lei declarada inconstitucional, no todo ou em parte, por decisão definitiva do supremo” . 033. 033. A suspensão de lei considerada inconstitucional em controle difuso, de regra, acarreta efeitos ex tunc. Tais efeitos atingem somente as partes do processo. Todavia, se o Senado Federal, por resolução, usar a prerrogativa constante do art. 52, X, da CF, qual seja, a de suspender, no todo ou em parte, a execução da lei tida por inconstitucional, desde que a decisão tenha sido definitiva e deliberada pela maioria absoluta do pleno do tribunal, os efeitos serão erga omnes, porém valerão a partir do momento em que a resolução do Senado Federal for publicada na imprensa oficial. Exatamente isso. A decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, em controle difuso, produz, de regra, efeitos ex tunc. O termo “de regra” foi inserido na questão, considerando a possibilidade excepcional do STF modular os efeitos temporais da decisão para ex nunc, ou, até mesmo, pro futuro. O Senado Federal, por resolução, pode usar a prerrogativa constante do art. 52, X, da CF, qual seja, a de suspender, no todo ou em parte, a execução da lei tida por inconstitucional, desde que a decisão tenha sido definitiva e deliberada pela maioria O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 29 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra absoluta do pleno do tribunal. Caso o faça, os efeitos serão erga omnes, porque atingirão a todos que se enquadrarem na situação jurídica objeto de julgamento pelo Supremo. A suspensão pelo Senado produz efeitos, via de regra, a partir do momento em que a resolução do Senado Federal for publicada na imprensa oficial (ex nunc). Certo. 034. 034. A resolução do Senado Federal que suspende a execução da lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, terá efeitos erga omnes e ex tunc. A resolução do Senado Federal que suspende a execução da lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal terá efeitos erga omnes e ex nunc. Errado. EFEITOS DA DECISÃO ATUAÇÃO DO SF (art. 52, X) “inter partes” “ex tunc” (princípio da nulidade dos atos inconstitucionais) possibilidade de modulação dos efeitos temporais (art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999) RE com repercussão geral (art. 102, § 3° ): “erga omnes” ato discricionário por resolução não pode modificar os limites da decisão do STF irretratável normas federais, estaduais, distritais e municipais eficácia “ex nunc” (como regra) eficácia “ex tunc” (norma federal) – Decreto n. 2.346, de 1997, art. 1º , § 2º CONTROLE DIFUSO Súmula vinculante: a criação do instituto da súmula vinculante no Brasil foi influenciada pelas “stare decisis” norte-americanas (as decisões da Suprema Corte gozam de efeito vinculante). Nesse contexto, o art. 103-A, da CF, inserido pela Emenda Constitucional n. 45, de 2004, declara que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula [súmula vinculante] que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, no caso a Lei n. 11.417, de 2006. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 30 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 035. 035. A Constituição Federal prevê a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para a aprovação dessa súmula vinculante, exige-se que: a) o Supremo Tribunal Federal seja provocado pelo Presidente da República. b) seja protocolada reclamação no Supremo Tribunal Federal por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. c) o Supremo Tribunal Federal seja provocado pelo Congresso Nacional. d) seja aprovada por dois terços dos membros do Supremo Tribunal Federal. É o que estabelece o art. 103-A, “caput”, da CF/1988. Letra d. 036. 036. A Constituição Federal prevê a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para a aprovação dessa súmula vinculante, exige-se que: a) o Supremo Tribunal Federal seja provocado pelo Presidente da República. b) seja protocolada reclamação no Supremo Tribunal Federal por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. c) o Supremo Tribunal Federal seja provocado pelo Congresso Nacional. d) seja aprovada por dois terços dos membros do Supremo Tribunal Federal. É o que estabelece o art. 103-A, “caput”, da CF/1988. Letra d. A súmula vinculante terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Portanto, são requisitos para edição de uma súmula vinculante: 1) quórum de 2/3 dos membros do STF (mínimo de 8 Ministros); 2) reiteradas decisões sobre matéria constitucional; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para WALBER SOUZA DE ANDRADE - 57006725291, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 31 de 158gran.com.br Direito ConstituCional Controle de Constitucionalidade Luciano Dutra 3) controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a Administração Pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Ademais, sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula vinculante poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Cuidado com essa previsão do § 2º do art. 103- A, uma vez que, na verdade, a Lei n. 11.417, de 2006, em seu art. 3º, ampliou o rol de legitimados para propor aprovação, revisão ou cancelamento de súmula vinculante para além dos legitimados da ADI. Art. 3° da Lei n. 11.417, de 2006: São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante: I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – o Procurador-Geral da República; V – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VI – o Defensor Público-Geral da União; VII– partido politico com representação no Congresso Nacional; VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional; IX- a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito