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Unidade 4
Alternativas socioambientais para a sustentabilidade
Aula 1
Estado de Direito Ecológico
Estado de direito ecológico
Estado de direito ecológico
Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para
você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a
sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
É uma alegria tê-lo conosco em uma nova unidade de ensino
da disciplina de Responsabilidade Social e Ambiental!
Nosso objetivo é apresentar as principais alternativas e
possibilidades para a sustentabilidade, diante disso, iremos
discutir os elementos estruturantes do Estado Ecológico de
Direito, o qual destaca o meio ambiente ecologicamente
equilibrado como um direito fundamental, impondo deveres
para a consecução da dimensão ecológica da dignidade e da
proteção aos processos ecológicos essenciais.
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/ac8acf41-aef4-5db6-a43b-de2a1b280f9f.pdf
Além disso, trabalharemos as dimensões éticas e sua
interface na proteção ambiental, incluindo a configuração no
universo jurídico brasileiro.
Agora, vamos trabalhar a nossa situação-problema, onde
você, um renomado pesquisador que atua na área da ética
ambiental, foi convidado para palestrar no mais importante
evento nacional que tem foco em destacar a importância do
Estado de Direito Ecológico. Você ficou extremamente
empolgado com a oportunidade e resolveu já iniciar a
preparação do material que irá apresentar no evento.
Inicialmente, você decidiu selecionar três questões para
guiar a elaboração dessa apresentação, são elas:
Qual é a definição do Estado de direito ecológico?
Existe Estado de direito no Brasil?
O que é, e qual a importância do biocentrismo?
Com isso, você deverá, inicialmente, organizar esses
questionamentos para, posteriormente, preparar a
apresentação para o evento!
Boa jornada!  
Vamos Começar!
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Vamos Começar!
Surgimento do estado de direito
ecológico
Na modernidade, o constitucionalismo passou pelas feições
de Estado liberal, social e atualmente encontra-se como
Estado democrático de direito. Mas, com o advento do
Antropoceno, novas abordagens têm sido suscitadas, tais
como Estado socioambiental de direito, Estado de direito
ambiental e, mais recentemente, Estado ecológico de direito.
Cada uma dessas novas perspectivas possui características
assentadas na ética das relações com a natureza. Apesar da
multiplicidade terminológica, há um ponto de partida
unificador: a incorporação do meio ambiente como marco
fundamental do Estado contemporâneo.
A primeira proposição é o Estado socioambiental de direito,
que estabelece o esverdeamento constitucional pela
inserção da variável ecológica em conjunto com os valores e
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conquistas das concepções liberais e sociais (Sarlet;
Fensterseifer, 2017). O constitucionalismo socioambiental
incorpora, diante do contexto atual, a dimensão ambiental,
de garantia de proteção do meio ambiente sem
desguarnecer do combate às desigualdades sociais,
especialmente nos países do sul global.
Quanto ao Estado de direito ambiental, que em muitos
pontos se aproxima do modelo socioambiental, trata-se de
uma construção teórica como “[...] aquele que faz da
incolumidade do seu meio ambiente sua tarefa, critério e
meta procedimental de suas decisões, o que não exclui, por
óbvio, o âmbito social” (Leite; Silveira: Bettega; 2017, p. 68). O
Estado de direito ambiental é a firme inserção do meio
ambiente nos textos e discussões constitucionais. Ele está
aprumado na proteção do meio ambiente, reciprocamente,
como um direito fundamental e um dever estatal, norteador
das políticas públicas. O dever estatal é cumprido por meio
de uma atuação positiva e negativa. Atuação positiva
mediante políticas públicas de proteção e melhoria da
qualidade ambiental; a negativa, pela ausência de
interferências deletérias no meio ambiente.
O Estado de direito ambiental reconhece a importância dos
sistemas ecológicos, considerando os componentes naturais
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sujeitos à proteção jurídica intrínseca, isto é, com tutela
independente das valorações humanas. Temos, ademais, a
compreensão de uma ética biocêntrica, que, a propósito, é a
fundamentação para a proteção aos direitos dos animais.
Por fim, o Estado de direito ecológico, teorizado mais
recentemente, por vezes é tido como sinônimo de Estado de
direito ambiental. 
 O Estado de direito
ecológico dialoga com as tradições do sul global, como as
cosmovisões do bem-viver, pachamama, sumak kaysay e
outras, que são a compreensão dos povos originários das
suas relações com a natureza, em um paradigma de
interdependência, em que homem e natureza não estão
separados. 
 Com o avanço do conhecimento científico
Uma primeira proposição para o Estado
de direito ecológico é que se trata de uma ampliação da
interpretação ética, em que é possível o reconhecimento dos
direitos da natureza e, portanto, a possibilidade de uma
tutela jurídica em sentido amplo.
O Estado de direito ecológico é uma construção
teórica que, diante das complexidades que as questões
ambientais suscitam no mundo contemporâneo, converge
para uma finalidade de salvaguarda da vida e da natureza.
Outra formulação do Estado de direito ecológico confere a
justificativa da proteção ambiental ligada aos desafios do
Antropoceno.
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sobre os complexos processos do sistema planetário,
incluindo os impactos da influência humana nele, é exigido,
como expõe Aragão (2017), um arcabouço de proteção mais
rigoroso, porque há uma obrigação geral para todos os
atores e em todas as escalas de não ultrapassarmos os
limites biofísicos do planeta. O Estado de direito ecológico,
portanto, atua para um espaço operacional seguro para a
vida planetária.
É preciso atentar-se, por fim, que não há um modelo único
para as denominações Estado Socioambiental, Estado de
Direito Ambiental e Estado Ecológico de Direito. Por isso,
optamos por usar a expressão Estado Ecológico de Direito,
por conjugar os aspectos de todas as concepções.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Princípios estruturantes do
Estado de Direito Ecológico
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É possível falar na existência de um Estado de direito
ambiental ou mesmo de um Estado de direito ecológico no
Brasil? Entendemos que sim, porque a proteção da
dignidade humana e dos processos ecológicos essenciais
está prevista na Constituição de 1988.
O art. 225 da Constituição de 1988 traz como norma-matriz o
direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado. Esse direito deve ser entendido como um meio
ambiente não poluído, saudável, com salubridade. A sadia
qualidade de vida só é realizável com o meio ambiente
ecologicamente equilibrado. A propósito, a Constituição de
1988 “[...] associou o meio ambiente ecologicamente
equilibrado ao direito à vida, em especial à sadia qualidade
de vida, em direcionamento voltado para o princípio
estruturante do texto constitucional: a dignidade da pessoa
humana” (Melo, 2017, p. 45). O direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado é um direito fundamental de
terceira dimensão, diretamente relacionado ao cumprimento
dos demais direitos fundamentais. Dessa forma,
[....] a efetivação dos direitos civis e políticos (direitos de
primeira dimensão) e dos direitos econômicos, sociais e
culturais (direitos de segunda dimensão) só é possível
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com um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Afinal, como é possível garantir o direito à vida, à saúde
ou ao trabalho em um ambiente poluído? O meio
ambiente ecologicamente equilibrado reveste-se como
indeclinável para a efetivaçãoàs emergências ecológicas e climáticas pertinentes ao
desenvolvimento da economia. Nesse evento, importantes
palestrantes apresentaram propostas e alternativas para o
desenvolvimento sustentável e sua relação econômica.
Uma discussão instigante é sobre a capacidade da economia
em conferir alternativas para as questões postas pelas
emergências ecológica e climática.
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Você selecionou algumas das propostas e trouxe essa
temática para as unidades do centro educacional. Com isso,
fomentou a discussão dos seguintes pontos: economia
verde, pós-desenvolvimento, economia ecológica, economia
estável e economia em decrescimento.
Agora, cada centro educacional deverá focar-se no assunto e
defender a implantação de uma dessas propostas citadas
anteriormente.
Para auxiliá-los nessa discussão, vamos abordar em nossa
aula uma série de pontos importantes relacionados a essa
temática.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Desenvolvimento e pós-
desenvolvimento
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Com o término da Segunda Guerra Mundial, o
desenvolvimento, conceito que foi associado ao crescimento
econômico, tornou-se o objetivo social da comunidade
internacional.
A mensuração do sucesso e do insucesso de um país está na
capacidade de crescimento da sua economia. Para tanto, a
essência do crescimento é expressa pelo aumento do
produto interno bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e
serviços produzidos por uma nação ou região durante o
período de um ano. Aumentar o PIB tornou-se uma
prioridade para governos e sociedade. Esse indicador,
contudo, é criticado por conferir ênfase ao crescimento
econômico e não contemplar outras variáveis.
Por isso, o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud) estabeleceu o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), conjugando, ao lado dos
parâmetros econômicos, indicadores como educação e
saúde. Para exemplificar, o país com melhor IDH do mundo é
a Suíça, ao passo que o Brasil ocupa a 87ª posição no ranking
global, tendo como referência o ano de 2021.
Em qualquer das métricas utilizadas pela Organização das
Nações Unidas (ONU), a ideia de desenvolvimento é central.
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Tanto que a ONU editou, em 1986, a Declaração sobre o
Direito ao Desenvolvimento, em que pretendia inserir o
desenvolvimento no rol dos direitos humanos. Dessa forma,
O direito ao desenvolvimento é um direito humano
inalienável em virtude do qual todos os seres humanos e
todos os povos têm o direito de participar, de contribuir e
de gozar o desenvolvimento econômico, social, cultural e
político, no qual todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais se possam plenamente realizar (ONU,
1986).
O direito ao desenvolvimento é um direito humano
inalienável em virtude do qual todos os seres humanos e
todos os povos têm o direito de participar, de contribuir e de
gozar o desenvolvimento econômico, social, cultural e
político, no qual todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais possam se realizar plenamente (ONU, 1986).
A compreensão do desenvolvimento passou por uma série
de interpretações, sendo que, a partir do Relatório Nosso
Futuro Comum, de 1987, recebeu o adjetivo sustentável
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(ONU, 1991). Atualmente, falamos em desenvolvimento
sustentável, cujo maior exemplo da abrangência propositiva
é o conteúdo da Agenda 2030, de 2015, com os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável para o ano de 2030 (ONU,
2015).
Mas é preciso problematizar o desenvolvimento sustentável
diante das emergências ecológica e climática, notadamente
pelo acelerado esgotamento dos recursos naturais e o
aumento da poluição. Sendo assim, como repensar as
questões da economia com o meio ambiente? É possível
articular uma economia ecológica? Existem alternativas para
o desenvolvimento sustentável? Essas são perguntas para a
prospecção de novos debates.
 Entre
elas, os defensores do que é denominado pós-
desenvolvimento, que reúne os críticos à ideia de
desenvolvimento.
Em que pese a expressão desenvolvimento sustentável ser
dominante nas instâncias de deliberação em nível
internacional e nacional, nos últimos anos surgiram
correntes que articulam novas leituras e compreensões para
o enfrentamento das emergências contemporâneas.
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Na corrente do pós-desenvolvimento, destaca-se a teoria do
decrescimento, que, a partir da crítica ao crescimento
econômico como objetivo social e de seus malogros para o
meio ambiente, defende que é preciso parar imediatamente
a velocidade e a intensidade do consumo global, sobretudo
pelos países ricos. O conceito de decrescimento, segundo
Latouche, tem “[...] como objeto marcar fortemente o
abandono do objetivo do crescimento pelo crescimento [...]”
(Latouche, 2006, p. 13).  Para os defensores do
decrescimento, o crescimento é antieconômico e
ecologicamente insustentável (Demaria; Kallis; D’alisa, 2016).
É antieconômico porque os problemas causados são o
aumento das desigualdades e das injustiças; é
ecologicamente insustentável porque está exaurindo com os
recursos naturais e aumentando significativamente a
poluição no planeta. Em razão disso, o decrescimento vai
propor uma abordagem não paliativa, consistente na
redefinição das relações econômicas e sociais como forma
de sustentação da vida planetária.
Siga em Frente...
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Economia e sustentabilidade
Tanto o desenvolvimento sustentável quanto o pós-
desenvolvimento terão de ser analisados à luz dos modelos
e possibilidades da economia, com destaque para a
economia verde e a economia ecológica. Ambas são
estratégias para adequar a economia à sustentabilidade.
A partir de 2008, o Programa de Meio Ambiente das Nações
Unidas (Pnuma) começou a defender o fomento de uma
economia verde, em que a sustentabilidade é inserida no
centro da formulação das políticas econômicas. Essa ideia
ganharia relevância com a Conferência Rio+20, realizada no
Rio de Janeiro, em 2012. Conforme o Pnuma, a economia
verde pode ser definida como “[...] uma economia que
resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e
igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz
significativamente riscos ambientais e escassez ecológica”
(Pnuma, 2011, p. 2). Esse modelo tem como objetivos uma
economia de baixa emissão de carbono, de redução do uso
dos recursos naturais e de inclusão social. Uma das
aplicações dessa perspectiva é a substituição de energias
fósseis por renováveis (energias limpas) e a redução da
extração dos recursos naturais por meio da reciclagem
contínua.
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Para os seus críticos, a economia verde não traz novidades
quanto à escala ecológica, ou seja, de limitar o crescimento.
Além disso, ela estrutura-se em dois pressupostos sensíveis:
i) a mercantilização dos recursos naturais; ii) a crença na
tecnologia como solução para os problemas das
externalidades negativas, isto é, a poluição das atividades
industriais. A mercantilização, que consiste em atribuir
valores monetários a recursos como ar, água, fauna e flora
em busca de lucro, desconhece o valor intrínseco desses
recursos e procura inseri-los nas lógicas de mercado. Da
mesma forma, há uma aposta fundamental nas inovações
tecnológicas ambientais para a superação dos problemas
atuais, sem considerar as disparidades entre países ricos e
aqueles em desenvolvimento.
Em síntese, nesse modelo o esverdeamento não altera a
posição da economia em relação aos ciclos da vida: a
natureza continua como acessória às determinantes do
mercado e, portanto, não há alteração na crença de que o
crescimento contínuo é possível.
A economia ecológica, por sua vez, reconhece os processos
econômicos e os ecológicos como sistemas
interdependentes (Leff, 2021) e, por isso, há limites de
crescimento para as atividades econômicas, notadamente
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pela finitudedos recursos naturais. A premissa é “[...] que
existem limites biofísicos à expansão da economia,
principalmente de uma economia global fortemente
ancorada na extração de minerais e queima de combustíveis
fósseis [...]” (Cechin, 2018, p. 51). O sistema econômico atual,
diante do uso acelerado dos recursos naturais, com a
consequente escassez, está com os dias contados. De forma
mais direta, não há como o planeta manter os padrões
atuais de produção e consumo, assim como não possui
capacidade de absorver o nível de poluição decorrente.
Com base nas constatações da economia ecológica, uma
parcela de economistas propõe uma economia do “estado
estacionário” ou mais recentemente denominada “economia
estável”, em que “[...] a quantidade de recursos da natureza
seria suficiente para apenas manter constantes o capital e a
população” (Cechin, 2018, p. 45). Em outras palavras, uma
economia que não cresça acima do capital natural, da
regeneração dos recursos e da absorção dos seus resíduos
(Leff, 2021). Essa proposta pressupõe que os estoques de
bens manufaturados sejam duráveis e a degradação
decorrente desses seja sempre em níveis mais baixos, de
acordo com a recomposição dos sistemas (Moraes, 2015).
Uma economia de “estado estável” se desenvolve, mas não
cresce.
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Por fim, a corrente do decrescimento, cuja premissa é uma
inversão ao que temos, ou seja, de que não há como manter
os níveis de produção e consumo atuais, especialmente
aqueles dos países do norte global. A teoria do
decrescimento propõe uma mudança de paradigma, da
passagem do desenvolvimento sustentável para a
autossustentabilidade, o que implica uma mudança de
escala na produção, privilegiando as características e
demandas locais. Assim, essa concepção “[...] pretende
construir formas de produção e de vida social e
ecologicamente sustentáveis, justas e solidárias” (Acosta;
Brand; 2018, p. 117).
Alternativas sistêmicas
Os principais modelos discutidos, da dominante economia
verde às prospectivas derivadas da economia ecológica, se
quiserem ser implementados em um processo de transição,
terão que passar por uma série de políticas e ações que
requerem a participação de todos os atores, da escala global
à local, incluindo organismos internacionais, Estados,
comunidades e pessoas.
Em qualquer perspectiva, é uma tarefa desafiadora, porque,
de um lado, há a necessidade de se controlar a produção de
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bens e serviços em nível global, com os desafios ecológicos e
climáticos cada dia mais evidentes; e, de outro lado, os riscos
de um decrescimento, com consequências imprevisíveis em
relação aos pressupostos da sociedade contemporânea.
Em razão disso, articular-se-ão algumas medidas e iniciativas
de transição, tanto na perspectiva do desenvolvimento
sustentável quanto do pós-desenvolvimento. Afinal, “[...] a
contradição entre crescer e decrescer não deve ser
entendida como uma disjuntiva sobre a qual se deva optar
tão somente por um dos lados” (Veiga, 2012, p. 13).
Uma pauta importante entre essas leituras é a proteção dos
serviços ecossistêmicos, que são aqueles benefícios diretos e
indiretos gerados pelos ecossistemas. São exemplos de
serviços ecossistêmicos “[...] o solo fértil, a qualidade do ar, a
qualidade da água, os produtos provenientes das funções
ecossistêmicas, com os frutos, a madeira, as sementes, as
plantas medicinais, os cultivos agrícolas, etc.” (Jodas, 2021, p.
138).
Os serviços ecossistêmicos podem ser estimulados por meio
dos serviços ambientais que, segundo a Lei 14.119/2021, são
as “atividades individuais ou coletivas que favorecem a
manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços
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ecossistêmicos” (Brasil, 2021). Essas atividades, no Brasil, se
dão por intermédio de uma transação voluntária, chamada
de pagamento por serviços ambientais (PSA), “[...] mediante a
qual um pagador de serviços ambientais transfere a um
provedor desses serviços recursos financeiros ou outra
forma de remuneração, nas condições acertadas [...]” (Brasil,
2021). Assim, um pagador, que poderá ser o poder público,
uma organização da sociedade civil (ONG) ou um agente
privado, pessoa física ou jurídica, proverá o pagamento de
serviços ambientais para uma pessoa física ou jurídica, ou
um grupo familiar ou comunitário que se comprometa a
manter, recuperar ou melhorar as condições ambientais dos
ecossistemas.
Sob a perspectiva do decrescimento, as proposições são
mais assertivas. O mais importante teórico dessa corrente, o
economista Nicholas Georgescu-Roegen (2012), defende um
processo mais intenso de adequação das estruturas
econômicas e sociais para atender às equações planetárias.
Ele elenca oito pontos fundamentais para o decrescimento,
que são estruturantes para a formulação de um programa
bioeconômico mínimo:
1. O primeiro ponto é o fim da guerra e da produção de
armamentos (Georgescu-Roegen, 2012). Para o autor,
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deve ser interditada a estrutura da máquina bélica, com
o fim da mortandade em massa e, doravante, será
possível traçar os novos rumos da humanidade.
2. O segundo ponto é que, com o bloqueio dos conflitos
bélicos, a produção de bens poderá ser usada para que
nações subdesenvolvidas cheguem a um nível mais
rápido de condições dignas de vida, mas sem luxo
(Georgescu-Roegen, 2012).
3. O terceiro ponto é que “a humanidade deveria reduzir
progressivamente a sua população até um nível em que
uma agricultura orgânica bastasse para alimentá-la
adequadamente” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 133).
4. O quarto ponto é o de evitar, cuidadosamente, todo
desperdício de energia, até que o uso direto da energia
solar não estiver totalmente implementado (Georgescu-
Roegen, 2012). Compreende-se aqui a defesa do uso de
energias limpas e renováveis.
5. O quinto ponto é parar com a produção de “engenhocas
extravagantes” ou “mamutes”, expressões que o autor
usa para aqueles bens de utilidade duvidosa ou
desnecessária, como é o caso de carrinhos de golfe e
carros possantes (Georgescu-Roegen, 2012).
6. O sexto ponto é abandonar a moda. Nas palavras do
autor: “[...] é, de fato, um crime bioeconômico comprar
um carro "novo" a cada ano e remodelar a casa a cada
dois anos. Outros autores já afirmaram que as
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mercadorias deveriam ser fabricadas para durarem”
(Georgescu-Roegen, 2012, p. 133). Ele vai consignar ainda
que os próprios consumidores se eduquem, de forma a
não levar em conta os excessos da moda (Georgescu-
Roegen, 2012).
7. O sétimo ponto, em conjunto com o anterior, aborda a
necessidade de durabilidade das mercadorias em geral,
devendo ser reparadas em vez de descartadas. Aqui
temos a proposição de um consumo sustentável, que
privilegia o uso e o reaproveitamento em oposição à
obsolescência e ao consumo pelo consumo.
8. Por fim, o oitavo ponto, de que “[...] temos de nos
acostumar com a ideia de que toda existência digna de
ser vivida tem, como pré-requisito indispensável, um
tempo de lazer suficiente, usado de maneira inteligente”
(Georgescu-Roegen, 2012, p. 134). Trata-se da defesa de
uma vida saudável, em que o tempo livre seja um pré-
requisito para uma vida plena. À guisa de conclusão,
quanto mais cedo começar o decrescimento, maior será
a sobrevida das atividades econômicas (Cechin, 2018).
Vamos Exercitar?
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Vamos Exercitar?
Nesta aula, você estudou uma abordagem do
desenvolvimento sustentável no contexto da economia
verde, que é a principal orientação para as políticas públicas
globais, as teses de pós-desenvolvimento, como a economia
ecológica, a economia estável e, em especial, a teoria do
decrescimento.
Retornando à nossa situação-problema, você, como um dos
diretores de um centro educacional que possui diversas
unidades espalhadas no Brasil, participou de um evento
internacional que abordou as alternativas relacionadas às
emergências ecológicase climáticas relacionadas ao
desenvolvimento da economia. Nesse evento, importantes
palestrantes apresentaram propostas e alternativas para o
desenvolvimento sustentável e sua relação econômica. Você
selecionou algumas dessas propostas e trouxe essa temática
para as unidades do centro educacional. Com isso, fomentou
a discussão dos seguintes pontos: economia verde, pós-
desenvolvimento, economia ecológica e economia estável.
Assim, chegou o momento de cada centro defender a sua
proposta. O centro número 1 defendeu a economia verde.
Dessa forma, abordou a temática baseado no contexto que
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sua implantação resulta em melhoria do bem-estar da
humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que
reduz significativamente riscos ambientais e escassez
ecológica. Esse modelo tem como objetivos uma economia
de baixa emissão de carbono, de redução do uso dos
recursos naturais e de inclusão social. Uma das aplicações
dessa perspectiva é a substituição de energias fósseis por
renováveis (energias limpas) e a redução da extração dos
recursos naturais por meio da reciclagem contínua.
O grupo número 2 trabalhou o pós-desenvolvimento, no
qual destaca-se a teoria do decrescimento, que, a partir da
crítica ao crescimento econômico como objetivo social e de
seus malogros para o meio ambiente, defende que é preciso
parar imediatamente a velocidade e a intensidade do
consumo global, sobretudo pelos países ricos. Para os
defensores do decrescimento, o crescimento é
antieconômico e ecologicamente insustentável. É
antieconômico porque os problemas causados são o
aumento das desigualdades e das injustiças; é
ecologicamente insustentável porque está exaurindo os
recursos naturais e aumentando significativamente a
poluição no planeta.
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Na sequência, o grupo número 3 trabalhou o contexto da
economia ecológica, que reconhece os processos
econômicos e os ecológicos como sistemas
interdependentes e que, por isso, há limites de crescimento
para as atividades econômicas, notadamente pela finitude
dos recursos naturais. A premissa é de que existem limites
biofísicos à expansão da economia, principalmente de uma
economia global fortemente ancorada na extração de
minerais e queima de combustíveis fósseis.
Por fim, o grupo número 4 destacou a economia estável, em
que a quantidade de recursos da natureza seria suficiente
para apenas manter constantes o capital e a população. Em
outras palavras, uma economia que não cresça acima do
capital natural, da regeneração dos recursos e da absorção
dos seus resíduos (Leff, 2021). Essa proposta pressupõe que
os estoques de bens manufaturados sejam duráveis e que a
degradação decorrente deles seja sempre em níveis mais
baixos, de acordo com a recomposição dos sistemas
(Moraes, 2015). Uma economia de “estado estável” se
desenvolve, mas não cresce.
É importante compreendermos que, em qualquer dessas
perspectivas, temos o inevitável desafio de enfrentar uma
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mudança no rumo das questões econômicas para conferir
respostas às alterações ecológicas e climáticas.
Saiba mais
Saiba mais
Para aprofundar as discussões em face dos desafios das
emergências ecológicas e climáticas, a sugestão é conhecer
relatórios e artigos das principais alternativas. Com relação à
economia verde, o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente é responsável pelas principais publicações.
Destacamos duas: o relatório Descobrindo Caminhos para
uma Economia Verde e Inclusiva, e o relatório Rumo a uma
Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento
Sustentável e a Erradicação da Pobreza. 
Em relação à teoria do decrescimento, a página Ecodebate
traz um conjunto de artigos e matérias sobre as
possibilidades do decrescimento. 
Além disso, a Fundação Heinrich Böll disponibiliza,
gratuitamente, o livro Decrescimento: o vocabulário para um
novo mundo, que traz um conjunto de possibilidades para o
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https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/9838/uncovering_pathways_green_economy_PT.pdf?sequence=4&isAllowed=y
https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/9838/uncovering_pathways_green_economy_PT.pdf?sequence=4&isAllowed=y
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2514705/mod_resource/content/1/economia_verde_pnuma.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2514705/mod_resource/content/1/economia_verde_pnuma.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2514705/mod_resource/content/1/economia_verde_pnuma.pdf
https://www.ecodebate.com.br/2020/08/19/o-que-e-o-decrescimento-e-por-que-pode-ser-a-unica-solucao-para-a-crise-pandemica-e-climatica/?cn-reloaded=
https://br.boell.org/sites/default/files/decrescimento_brazil.pdf
https://br.boell.org/sites/default/files/decrescimento_brazil.pdf
decrescimento e também apresenta as principais linhas de
pensamento (parte 1 - Linhas de Pensamento).
Bons estudos! 
Referências
Referências
ACOSTA, A.; BRAND, U. Pós-extrativismo e decrescimento.
São Paulo: Elefante, 2018.
BRASIL. Lei 14.119, de janeiro de 2021. Institui a Política
Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais; e altera
as Leis nºs 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.629, de 25 de
fevereiro de 1993, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973, para
adequá-las à nova política. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 20 jan. 2021. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=14119&ano=2021&ato=303MTR61UMZpW
T33e. Acesso em: 13 nov. 2023.
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos?tipo=LEI&numero=8212&ano=1991&data=24/07/1991&ato=b99ATSE9UMFpWTc9b
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos?tipo=LEI&numero=8629&ano=1993&data=25/02/1993&ato=6a4ATTU5ENFpWT108
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos?tipo=LEI&numero=6015&ano=1973&data=31/12/1973&ato=5e5EzZq5EenRVT275
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14119&ano=2021&ato=303MTR61UMZpWT33e
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14119&ano=2021&ato=303MTR61UMZpWT33e
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14119&ano=2021&ato=303MTR61UMZpWT33e
CECHIN, A. Fundamento central da economia ecológica. In:
MAY, P. (org.) Economia do meio ambiente. 3. ed. Rio:
Elsevier, 2018.
DEMARIA, F.; KALLIS, G.; D’ALISA, G. Decrescimento:
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Editorial, 2016.
GEORGESCU-ROEGEN, N. O decrescimento: entropia,
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JODAS, N. Pagamento por serviços ambientais. Rio: Lumen
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ONU. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E
DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio: FGV,
1991.
Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
ONU. Transformando nosso mundo: a agenda 2030 para o
desenvolvimento sustentável. 2015. Brasil UN. Disponível
em: https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-
09/agenda2030-pt-br.pdf. Acesso em: 13 nov. 2023.
PORTUGAL. Ministério Público. Declaração sobre o direito ao
desenvolvimento de 1986. Disponível em:
https://gddc.ministeriopublico.pt/sites/default/files/decl-
dtodesenvolvimento.pdf. Ministério Público Portugal. Acesso
em: 13 nov. 2023.
PNUMA. Caminhos para o desenvolvimento sustentável e a
erradicação da pobreza: síntese para tomadores de decisão
2011. Unep. Disponível em: www.unep.org/greeneconomy.
Acesso em: 13 nov. 2023.
VEIGA, J. E. da. Economia em transição. In: ALMEIDA, F. (org.)
Desenvolvimento sustentável 2012-2050: visão, rumos e
contradições. Rio: Elsevier, 2012. 
Aula 5
Alternativas socioambientais para a sustentabilidade
Alternativas socioambientais para a sustentabilidade
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https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdf
https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdfhttps://gddc.ministeriopublico.pt/sites/default/files/decl-dtodesenvolvimento.pdf
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Alternativas
socioambientais para a
sustentabilidade
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Ponto de Chegada
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Ponto de Chegada
Os riscos sistêmicos das emergências ecológica e climática
constituem a motivação para um período de redefinições
nas estruturas estatais e econômicas contemporâneas,
porque, no estágio atual de conhecimento científico dos
sistemas de suporte da vida no planeta, não há como manter
os padrões de crescimento e consumo.
Pesquisas recentes apresentam um cenário climático ainda
mais drástico para o futuro, indicando a possibilidade de
eventos de extinção envolvendo até a manutenção da
população humana. Um artigo publicado na revista
Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS),
realizado por uma equipe internacional de pesquisadores
liderada pela Universidade de Cambridge, propõe o
desenvolvimento de uma agenda de pesquisa para enfrentar
cenários, desde o ruim até o pior. Estes incluem resultados
que vão desde uma perda de 10% da população global até a
eventual extinção humana (Kemp, 2022).
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Tais pesquisadores pedem ao Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que dedique um relatório
futuro às mudanças climáticas catastróficas para estimular a
pesquisa e informar ao público. De acordo com o autor
principal dessa pesquisa, dr. Luke Kemp, “há muitas razões
para acreditar que a mudança climática pode se tornar
catastrófica, mesmo em níveis modestos de aquecimento. As
mudanças climáticas desempenharam um papel em todos
os eventos de extinção em massa. Ajudou a derrubar
impérios e moldou a história. Até o mundo moderno parece
adaptado a um nicho climático específico”, prosseguiu ele.
“Os caminhos para o desastre não se limitam aos impactos
diretos das altas temperaturas, como eventos climáticos
extremos. Efeitos indiretos, como crises financeiras, conflitos
e novos surtos de doenças, podem desencadear outras
calamidades e impedir a recuperação de possíveis desastres,
como a guerra nuclear” (Kemp, 2022).
Diante dessa possiblidade, é vital que tenhamos pesquisas
em todas as áreas das mudanças climáticas, incluindo a
assustadora realidade de eventos catastróficos. Isso ocorre
porque sem toda a verdade e todos os impactos potenciais
devidamente identificados não faremos as escolhas
informadas de que precisamos e não conduziremos a ação
climática com pressão suficiente. Para que isso ocorra, é de
fundamental importância o envolvimento de todos.
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Em primeiro plano, o constitucionalismo e as exigências
estatais devem ser reposicionados, incorporando a proteção
e a promoção do meio ambiente. Uma nova conformação
estatal exige um Estado ecológico de direito, que conjugue
os ideários liberais e sociais com a dimensão ecológica da
pessoa humana e os processos ecológicos essenciais. O meio
ambiente ecologicamente equilibrado é um direito
fundamental e um dever estatal. Na primeira perspectiva, é
um direito fundamental de terceira dimensão, essencial à
sadia qualidade de vida e à dignidade humana. Na segunda
perspectiva, há deveres estatais, positivos e negativos, para a
salvaguarda de um meio ambiente ecologicamente
equilibrado.
Não há mais espaço para normas programáticas ou sem
efetividade na proteção do ambiente, muito menos a
aceitação da irresponsabilidade na gestão dos processos
ecológicos. O Estado tem um dever de se orientar pela
precaução nas intervenções ambientais, diretas ou
autorizadas, e nos resultados da execução das políticas
públicas. Ademais, o Estado ecológico de direito é uma
viragem na dimensão ética, reconhecendo a concepção
biocêntrica e os direitos da natureza.
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Para tanto, novas concepções ecológicas demandam a
implementação do direito à educação ambiental como um
vetor para que indivíduos e coletividade construam valores
sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
para a sustentabilidade. A educação ambiental conjuga a
compreensão humanista, holística, democrática e
participativa, de forma a estimular a consciência crítica sobre
o contexto ambiental e social, estando diretamente ligada à
participação social e ao exercício da cidadania.
Outra dinâmica a ser reposicionada são as dinâmicas e
impactos das relações de consumo. Se, em um primeiro
momento, a sociedade de consumo proporcionou a
melhoria da qualidade de vida, hoje ela se transformou
numa sociedade de hiperconsumo, em que a distorção é o
consumismo. Os níveis de produção e consumo são
insustentáveis, tanto no processo de uso dos recursos
naturais quanto no de descarte dos resíduos sólidos. Por
isso, hoje exige-se, reciprocamente, um consumo
sustentável, com a tomada de consciência do consumidor, e
a produção sustentável, evitando práticas como a
obsolescência programada, que reduz a durabilidade e a
vida útil de produtos. Além disso, há a responsabilidade de
todos no ciclo de gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos, por meio de instrumentos para a proteção da
qualidade ambiental e da saúde humana.
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Por fim, no que tange às estruturas econômicas, a dimensão
do crescimento econômico como objetivo social de governos
e sociedade deverá ser repensada. Trata-se do
reconhecimento de que não é possível manter as taxas de
crescimento econômico atuais sem comprometer a vida no
planeta. Diante disso, surgem as prospectivas, tanto
reformistas, em que o maior exemplo é o desenvolvimento
sustentável por meio de uma economia verde, quanto
aquelas mais assertivas, como a tese do pós-
desenvolvimento, notadamente a corrente do
decrescimento.
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
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Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você,
como especialista na resolução de demandas ambientais, foi
contratado para elaborar um plano de ação com um
conjunto de soluções para os desafios e problemas
ecológicos do município X, no estado do Paraná.
O município em questão atravessa um ciclo de crescimento
das atividades industriais. Por consequência, em paralelo,
com o retorno da geração do número de empregos e da
arrecadação tributária, registrou-se um aumento
demográfico significativo, com novos bairros e complexos
residenciais, estimulando, o surgimento de pequenos
empreendimentos, como comércios, restaurantes, bares e
outros. É um cenário desejável e positivo para o município X.
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Contudo, como a expansão econômica e urbana ocorreu
sem o devido planejamento territorial, o município X está
enfrentando uma série de problemas estruturais, em
especial de natureza ambiental.
Em primeiro lugar, tanto as atividades industriais quanto os
empreendimentos do comércio são geradores significativos
de resíduos sólidos, em quantidade e escala crescentes.
Além disso, os moradores não têm observado parâmetros
com relações aos resíduos sólidos residenciais, com
lançamento nas encostas das vias terrestres e nos cursos
d’água. Isso tem ocasionado enchentes no período das
chuvas e questões de natureza epidemiológica, como o
alastramento de pequenos animais roedores e insetos
peçonhentos.
Em segundo lugar, diante da ausência de uma política
municipal para o gerenciamento dos resíduos sólidos, o
município X tem sido obrigado a fazer a coleta de resíduos
sólidos sem a segregação adequada, sem diferenciar
produtos orgânicos de inorgânicos.Esse fato tem causado
problemas tanto no transporte quanto na recusa de
recebimento dos resíduos na cidade vizinha, já que o
município X não possui aterro próprio. A recusa tem sido
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feita pelo aterro com a alegação de que certos resíduos são
passíveis de reciclagem e reaproveitamento.
Diante desse cenário, o município X precisa de um plano de
ação, com orientações e procedimentos para enfrentar os
problemas no gerenciamento dos resíduos sólidos. Ele deve
contemplar, ademais, uma alternativa para os resíduos que
podem ser reciclados. Por fim, o plano de ação deverá
contemplar medidas para conscientizar a população do
município X sobre a destinação dos seus resíduos
domiciliares.
Reflita
Você acredita que a implantação da economia verde pode
ser um ‘divisor de águas’ na problemática do
desenvolvimento sustentável diante das emergências
ecológicas e climáticas, notadamente pelo acelerado
esgotamento dos recursos naturais e o aumento da
poluição? Por quê?
Uma nova conformação estatal exige um Estado ecológico de
direito que conjugue os ideários liberais e sociais com a
dimensão ecológica da pessoa humana e os processos
ecológicos essenciais. O meio ambiente ecologicamente
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equilibrado é um direito fundamental e um dever estatal.
Como você compreende, nesse cenário, o papel de dever
estatal e de direito fundamental?
Para muitos, novas concepções ecológicas demandam a
implementação do direito à educação ambiental. Nesse
contexto, por que a educação ambiental deve ser
considerada uma temática fundamental na conjuntura da
problemática ambiental?  
 
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Resolução do Estudo de Caso
Passamos agora para a análise dos principais instrumentos e
procedimentos para a resolução do estudo de caso.
Em primeiro lugar, é necessário contextualizar que o cerne
do estudo de caso se encontra na sistemática da Lei
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/ece60822-2bee-5c1c-a1d1-76a31f9c0bfc.pdf
12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos
Sólidos (Brasil, 2010).
Considerando o reconhecimento de que a dinâmica de
expansão do município X ocorreu sem a observância do
planejamento territorial, antes de adentrar nas questões
relacionadas, uma orientação fundamental está na
necessidade de elaboração de plano municipal de gestão
integrada de resíduos sólidos, previsto nos artigos 18 e 19 da
Lei Política Nacional de Resíduos Sólidos (Brasil, 2010). A
propósito, em qualquer análise ou parecer sobre temáticas
setoriais, em qualquer âmbito, federal, estadual ou
municipal, é recomendável que se verifique a existência de
políticas públicas correspondentes.
Assim, por meio do plano municipal, teremos o diagnóstico
da situação dos resíduos sólidos gerados no município; os
procedimentos operacionais e especificações mínimas para
os serviços públicos; a definição dos instrumentos aplicáveis,
como é o caso da coleta seletiva; dentre outros aspectos.
Portanto, toda a dinâmica da gestão e do gerenciamento de
resíduos sólidos do município em questão passará pelo
plano municipal.
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No que se refere ao lançamento de resíduos sólidos
domiciliares pelos moradores, o plano municipal de
gerenciamento poderá estabelecer a instituição da coleta
seletiva. Por meio desse instrumento, os moradores deverão
acondicionar, de forma adequada e diferenciada, os resíduos
sólidos gerados e, além disso, disponibilizar adequadamente
os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou
devolução (Brasil, 2010). Mas a coleta seletiva demanda um
processo de informação e orientação da população. Por isso,
é interessante e desejável programas de educação
ambiental, que poderão ser implantados nas escolas sob
responsabilidade do município e nas empresas, por meio de
parcerias. Os meios de comunicação do município X poderão
desempenhar um papel fundamental para a educação
ambiental. A própria Lei da Política Nacional de Resíduos
Sólidos relaciona a sua articulação com a educação
ambiental (Brasil, 2010). Em conjunto com esses aspectos, o
município pode fomentar a coleta seletiva por meio de
incentivos econômicos aos consumidores, mediante a
aprovação de lei municipal, ao teor do art. 35 da Lei 12.305
(Brasil, 2010).
A questão da coleta seletiva tem reflexos imediatos em outro
aspecto do estudo de caso: a segregação e a destinação dos
resíduos sólidos. Afinal, por meio da segregação, ficará mais
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fácil o município X identificar os resíduos passíveis de
transporte para o aterro na cidade vizinha.
Outro instrumento da Lei da Política Nacional de Resíduos
Sólidos que pode contribuir para que o município X reduza
os resíduos é a instituição da logística reversa. Assim, todos
os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes
de produtos como agrotóxicos, embalagens perigosas,
pneus, pilhas, baterias, produtos eletroeletrônicos e outros
deverão, após a entrega desses produtos pelo consumidor,
conferir a destinação final ambientalmente adequada,
fomentando a reciclagem, de forma a minimizar a geração
de resíduos sólidos. A logística reversa traz as empresas e
outros setores econômicos do município X para a
responsabilidade pós-consumo.
Com esse conjunto de medidas, por meio da adoção de uma
política municipal de gerenciamento de resíduos sólidos que
contemple a coleta seletiva, a logística reversa e a educação
ambiental, o município X poderá reduzir os problemas
ambientais.
Assimile
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Figura 1 | Alternativas socioambientais para a
sustentabilidade: principais tópicos. Fonte: elaborada pelo
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autor.
Referências
BRASIL. Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política
Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de
fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 3 ago. 2010, p. 3. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT
0f1. Acesso em: 14 nov. 2023.
KEMP, L. et al. Climate endgame: exploring catastrophic
climate change scenarios. Disponível em:
https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2108146119#bibliog
raphy. Acesso em: nov. 2023.
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2108146119#bibliography
https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2108146119#bibliographydas demais dimensões de
direitos humanos (Melo, 2017, p. 45).
Portanto, sem um meio ambiente ecologicamente
equilibrado não há a dimensão ecológica da dignidade da
pessoa humana. Por essa razão, a Constituição de 1988 traz
um conjunto de deveres para o poder público, expresso no §
1º do art. 225.
Um deles é a obrigação de “preservar e restaurar os
processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico
das espécies e ecossistemas” (Brasil, 1988).  Os processos
ecológicos essenciais são os fiadores da vida. Por meio deles
temos a proteção da biodiversidade, incluindo a
variabilidade genética de espécies e ecossistemas. No caso
da humanidade, esses processos ecológicos são os
garantidores da produção de alimentos, da saúde e das
condições climáticas de habitabilidade terrestre. Nota-se,
assim, que processos ecológicos essenciais assumem a
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salvaguarda tanto da vida humana quanto da biodiversidade
e da natureza.
É importante destacar outras obrigações constitucionais de
proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, tais
como (i) preservar a integridade e a diversidade do
patrimônio genético e (ii) de definir espaços territoriais
especialmente protegidos (Brasil, 1988). A preservação do
patrimônio genético, entendido como a informação de
origem genética de espécies vegetais, animais ou
microbianas, é o dever de proteção à biodiversidade. No que
se refere aos espaços protegidos, a instituição de unidades
de conservação, que são áreas com características naturais
relevantes, legalmente instituídas pelo poder público para
fins de preservação ou conservação ambiental.
Com essas observações, constata-se a dupla dimensão
protetiva a partir da norma-matriz do meio ambiente
ecologicamente equilibrado, tanto da dignidade da pessoa
humana quanto dos processos ecológicos essenciais. Em
uma ou outra perspectiva, as nomenclaturas ambiental ou
ecológica estão presentes no texto constitucional. Em
síntese, a Constituição de 1988 permite, como decorrência
das adversidades do Antropoceno, o alargamento
conceitual-teórico para a salvaguarda ecológica.
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Aplicação das políticas públicas
no paradigma ecológico
Quais são os compromissos do Estado ecológico de direito?
Quais as matrizes éticas para essa abordagem estatal?
Em primeiro lugar, a diferença do Estado tradicional e do
Estado de direito ecológico está na força jurídica das
obrigações impostas para a proteção do meio ambiente
(Aragão, 2017).
No Estado tradicional, o direito ambiental assenta-se na
obrigação de evitar os danos ambientais e, conjuntamente,
melhorar a qualidade ambiental, tudo baseado em
“esforços” (Aragão, 2017). Trata-se de um direito ambiental
que, basicamente, fixa restrições para os empreendimentos
na gestão dos recursos naturais (Winter, 2017).
No Estado ecológico de direito, por sua vez, o objetivo é o de
alcançar resultados na proteção ambiental, ou seja, diante
do cenário atual, em que temos conhecimento das
consequências dos impactos humanos no planeta, não
podemos nos contentar com meros esforços, é hora de
adotar medidas e políticas públicas efetivas para o
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enfrentamento das emergências do Antropoceno (Aragão,
2017).
Assim,
[...] não é suficiente aplicar estas medidas ambientais se,
ao mesmo tempo, não houver um acompanhamento
permanente para saber se os efeitos das medidas
correspondem ao que é necessário para alcançar os fins,
ou se é necessário adotar novas e reforçadas medidas de
proteção ou recuperação ambiental (Aragão, 2017, p. 33). 
É preciso respeitar o espaço operacional seguro, de forma
que as interferências econômicas no ambiente não
acentuem o desequilíbrio dos sistemas de sustentação
planetária. Afinal, se conhecemos os limites, não é aceitável
que atividades dissonantes sejam franqueadas.
Por isso há a necessidade de redimensionar o princípio da
precaução, pois ele é decisivo nas avaliações e nos
monitoramentos ambientais. Esse princípio tem como objeto
o controle da incerteza científica e do perigo in abstrato,
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entendidos como a ausência de pesquisas e informações
sobre a potencialidade lesiva ou não de determinada
atividade para o meio ambiente e a saúde humana. Além
desses aspectos, redimensionar o princípio da precaução
implica inserir a variável social de modo que as avaliações
das atividades e dos empreendimento considerem os
impactos e consequências sociais para as comunidades.
Deve-se observar que essas intervenções não ocasionem
situações de vulnerabilidades ou desigualdades
socioambientais.
No cerne do Estado de direito ecológico está a superação de
uma compreensão ética assentada no antropocentrismo
utilitarista, da humanidade como o centro de todas as
relações jurídicas. A dimensão da dignidade ecológica impõe
a aceitação da matriz biocêntrica que, em pese as diversas
correntes de interpretação, manifesta-se por meio da
proteção da biodiversidade e dos animais, considerados
como valores intrínsecos.
A propósito, o conceito de meio ambiente na legislação
brasileira, previsto na Lei da Política Nacional do Meio
Ambiente, é de matriz biocêntrica. Desse modo, o art. 3º, I,
da Lei 6.938/1981, dispõe: “meio ambiente, o conjunto de
condições, leis, influências e interações de ordem física,
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química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas” (Brasil, 1981). Nota-se que a proteção
ambiental é para todas as formas de vida, não somente a
humana. A ética biocêntrica é exemplificada em julgados do
Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiram práticas
consideradas cruéis contra os animais não humanos, como
no caso das rinhas de galo, da farra do boi e da vaquejada
(Melo, 2017).
Por fim, o reconhecimento dos direitos da natureza, em uma
visão ecocêntrica. Essa matriz não é contemplada pelo
direito e pelos julgados dos tribunais superiores brasileiros.
Na América Latina, todavia, temos exemplos da matriz
ecocêntrica nas constituições do Equador e da Bolívia. No
âmbito do Poder Judiciário, um dos casos paradigmáticos é
uma sentença da Corte Constitucional da Colômbia, que, ao
decidir sobre a proteção e conservação do Rio Atrato, que
corta aquele país, o reconheceu como sujeito de direitos. O
Tribunal Constitucional do Equador, por sua vez, em decisão
de novembro de 2021, afirmou que: “Os direitos da natureza
protegem os ecossistemas e processos naturais por seu
valor intrínseco, complementando o direito humano a um
meio ambiente saudável e ecologicamente equilibrado”
(Ecuador, 2021). Nota-se, assim, que a natureza como sujeito
de direitos é uma dimensão que está em processo de
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aceitação nesses países, em um paradigma que poderá ser
albergado por outros sistemas jurídicos.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Nesta aula destacamos a importância do Estado de direito
ecológico, o qual representa uma alternativa viável à melhor
regulação que o Direito deve fornecer para combater os
retrocessos ambientais, garantir a tutela integral da
dignidade humana e da integridade dos ecossistemas.
Agora, vamos retomar nossa situação-problema, em que
você, um renomado pesquisador que atua na área da ética
ambiental, foi convidado para palestrar no mais importante
evento nacional cujo foco é destacar a importância do Estado
de direito ecológico. Você ficou extremamente empolgado
com a oportunidade e resolveu começar a preparação do
material que irá apresentar no evento. Inicialmente, você
decidiu selecionar três questões para guiar a elaboração
dessa apresentação:
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Qual é a definição do Estado de direito ecológico?
Pode ser definido como aquele que faz da incolumidade do
seu meio ambiente sua tarefa, critério e meta procedimental
de suas decisões, o que não exclui, obviamente, o âmbito
social. O Estado de direito ambiental é a firmeinserção do
meio ambiente nos textos e discussões constitucionais. Ele
está aprumado na proteção do meio ambiente
reciprocamente como um direito fundamental e como um
dever estatal, norteador das políticas públicas.
Existe Estado de direito no Brasil?
Sim! Podemos considerar essa afirmação, pois a proteção da
dignidade humana e dos processos ecológicos essenciais
estão previstos na Constituição de 1988. Destaca-se o art.
225 da Constituição de 1988, que traz como norma-matriz o
direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado. Esse direito deve ser entendido como um meio
ambiente não poluído, saudável, com salubridade. A sadia
qualidade de vida só é realizável com o meio ambiente
ecologicamente equilibrado. A propósito, a Constituição de
1988 “[...] associou o meio ambiente ecologicamente
equilibrado ao direito à vida, em especial à sadia qualidade
de vida, em direcionamento voltado para o princípio
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estruturante do texto constitucional: a dignidade da pessoa
humana”.
O que é e qual a importância do biocentrismo?
O biocentrismo é uma posição filosófica que concebe a
considerabilidade moral como inerente à vida e aos seres
vivos, em reverência ao bem próprio de cada sujeito vivo. O
biocentrismo não privilegia a racionalidade nem a senciência
enquanto critérios morais definidores da categoria de sujeito
moral.
Dessa maneira, nota-se que a proteção ambiental deve ser
feita para todas as formas de vida, não somente a humana. A
ética biocêntrica é exemplificada em julgados do Supremo
Tribunal Federal (STF), que proibiram práticas consideradas
cruéis contra os animais não humanos, como no caso das
rinhas de galo, da farra do boi e da vaquejada.
Agora, com informações já levantadas, você estará apto para
iniciar a construção de sua apresentação, que será um
enorme sucesso nesse importante evento! 
Saiba mais
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Saiba mais
A configuração do Estado de direito ecológico é objeto de
estudos por teóricos e pesquisadores. Uma entidade
acadêmica que aprofunda as discussões da temática é o
Instituto O Direito por um Planeta Verde, que disponibilizou
em sua página uma obra coletiva sobre o Estado de Direito
Ecológico. 
Destacamos nesta aula o conceito de biocentrismo, que é a
proteção ambiental para todas as formas de vida, não
somente a humana. Para saber mais sobre esse assunto, leia
Do antropocentrismo ao biocentrismo, e compreenda esse
conceito.
O Estado de direito ambiental é fundamental para o
desenvolvimento sustentável. Ele integra as necessidades
ambientais aos elementos essenciais do Estado de direito,
além de fornecer a base para o aprimoramento da
governança ambiental. Você pode conhecer mais sobre o
estado de direito ambiental acessando página ONU/Estado
de Direito Ambiental.
Bons estudos!
Referências
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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http://www.planetaverde.org/arquivos/biblioteca/arquivo_20221108171214_8395.pdf
http://www.planetaverde.org/arquivos/biblioteca/arquivo_20221108171214_8395.pdf
https://www.ihu.unisinos.br/categorias/596577-do-antropocentrismo-ao-biocentrismo
https://www.unep.org/pt-br/explore-topics/direitos-ambientais-e-governanca/what-we-do/estado-de-direito-ambiental
https://www.unep.org/pt-br/explore-topics/direitos-ambientais-e-governanca/what-we-do/estado-de-direito-ambiental
Referências
ARAGÃO, A. O estado de direito ecológico no antropoceno e
os limites do planeta. In: LEITE, J. R. M. (org). Estado de direito
ecológico: conceito, conteúdo e novas dimensões para a
proteção da Natureza. São Paulo: Instituto o Direito por um
Planeta Verde, 2017.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2021]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/
Constituiçao.htm. Acesso em: 8 nov. 2023.
BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.  Dispõe sobre
a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 ago.
1981. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT1
5d Acesso em: 8 nov. 2023.
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
ECUADOR. Corte Constitucional de Ecuador. Caso nº 1149-
19-JP/20. Rel. Juiz Agustín Grijalva Jiménez, 21 de noviembre
de 2021. Disponível em:
http://esacc.corteconstitucional.gob.ec/storage/api/v1/10_D
WL_FL/e2NhcnBldGE6J3RyYW1pdGUnLCB1dWlkOic2MmE3M
mIxNy1hMzE4LTQyZmMtYjJkOS1mYzYzNWE5ZTAwNGYucGR
mJ30=. Acesso em: 8 nov. 2023.
LEITE, J. R. M.; SILVEIRA, P. G.; BETTEGA, B. Princípios
estruturantes da estado de direito para a natureza. In: LEITE,
J. R. M. (org.). Estado de direito ecológico: conceito, conteúdo
e novas dimensões para a proteção da Natureza. São Paulo:
Instituto O Direito por um Planeta Verde, 2017.
MELO, F. Direito ambiental. 2. ed. São Paulo: Método, 2017.
SARLET, I.; FENSTERSEIFER, T. Direito constitucional
ambiental. 5. ed. São Paulo: RT, 2017.
WINTER, G. Problemas jurídicos no antropoceno: da proteção
ambiental à autolimitação. In: LEITE, J. R. M. (org.). Estado de
direito ecológico: conceito, conteúdo e novas dimensões
para a proteção da Natureza. São Paulo: Instituto O Direito
por um Planeta Verde, 2017. 
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Aula 2
Educação Ambiental
Educação ambiental
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
É uma alegria tê-lo conosco em um novo encontro, em que
discutiremos a educação ambiental!
É por meio dela que tomamos consciência e refletimos sobre
a importância da proteção do meio ambiente em nosso
cotidiano.
A educação ambiental é um dever não somente do poder
público e das instituições de ensino, mas igualmente de
empresas, entidades de classe, organizações privadas,
órgãos de imprensa e da sociedade como um todo.
Falar em educação ambiental é discutir os valores,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências para o
exercício de uma cidadania voltada para a sustentabilidade.
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Para melhor compreendermos, vamos conhecer nossa
situação-problema, que trata do caso de André, que trabalha
em uma granja na cidade de Águas Claras. Essa granja sofria
com as perdas naturais, o que gerava muitos resíduos, como
cascas de ovos quebradas. André propôs que fizessem a
coleta seletiva dessas perdas para a produção de ração
animal. Apoiado pela empresa, ele começou a coleta seletiva
e passou a processar as cascas de ovos junto com o milho,
que já produzia em sua pequena propriedade rural, e assim
obtevea ração animal.
André teve sucesso na venda de sua ração, com produção
acima do esperado, e passou a ter, além da cultura de milho,
a criação de porcos. Em razão do crescimento de seu
agronegócio, se viu obrigado a contar com os vizinhos do
sítio. Unidos, montaram uma cooperativa para gerir os
negócios e passaram a pedir uma melhor gestão. Com isso,
André e os cooperados buscaram conhecer melhor a cadeia
ambiental, para que, além de obter lucro, também
pudessem manter o equilíbrio socioambiental e um convívio
harmônico. Pela internet, procuraram um curso on-line de
gestão, o qual fora subsidiado pela cooperativa. Essa medida
foi tomada para que o crescimento do agronegócio de todos
se realizasse com sustentabilidade. O primeiro curso eleito
foi Como fazer para aproveitar ao máximo água.
Posteriormente, outros cursos seriam feitos pelo grupo.
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Pergunta-se:
Essa decisão tomada pelos cooperados para melhor
aproveitamento e gestão do agronegócio está baseada
na educação ambiental e isso levará ao desenvolvimento
sustentável do agronegócio iniciado por André?
A educação ambiental, nesse caso, está representada
pelo curso on-line realizado pelos cooperados?
Os cooperados poderão implementar com técnicas
novas o agronegócio?
Vamos juntos no estudo dessa instigante temática!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Conceito de educação ambiental
A Educação Ambiental parte da reflexão das práticas
socioambientais de prevenção de impactos ambientais e
preservação dos recursos naturais, a fim de garantir que o
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meio ambiente não seja degradado de tal modo que
comprometa o planeta.
É importante considerar que a educação ambiental, dada a
sua importância, foi objeto do encontro da União
Internacional para a Conservação da Natureza – UICN –, de
1948, e se efetiva na Conferência de Estocolmo, em 1972,
com a ideia de inseri-la na agenda internacional em favor do
meio ambiente, consagrando-se no Programa Internacional
de Educação Ambiental, em 1975, em Belgrado, na então
Iugoslávia, no qual se definiram princípios e orientações com
vistas às gerações futuras,
A Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano
destacou, em seu princípio 19, que:
É indispensável um esforço para a educação em questões
ambientais, dirigida tanto às gerações jovens como aos
adultos e que preste a devida atenção ao setor da
população menos privilegiado, para fundamentar as
bases de uma opinião pública bem-informada, e de uma
conduta dos indivíduos, das empresas e das coletividades
inspirada no sentido de sua responsabilidade sobre a
proteção e melhoramento do meio ambiente em toda sua
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dimensão humana. É igualmente essencial que os meios
de comunicação de massas evitem contribuir para a
deterioração do meio ambiente humano e, ao contrário,
difundam informação de caráter educativo sobre a
necessidade de protegê-lo e melhorá-lo, a fim de que o
homem possa desenvolver-se em todos os aspectos
(ONU, 1972).
Já em 1977, ocorreu a Conferência Intergovernamental sobre
Educação Ambiental (Tbilisi, Geórgia, antiga URSS),
considerada um dos principais eventos de educação
ambiental do planeta. Tal conferência foi organizada a partir
de uma parceria entre a Unesco e o Programa de Meio
Ambiente da ONU – Pnuma e esse encontro resultou nas
definições, nos objetivos, nos princípios e nas estratégias
para a educação ambiental no mundo. Nessa Conferência
estabeleceu-se que o processo educativo deveria ser
orientado para a resolução dos problemas concretos do
meio ambiente, por meio de enfoques interdisciplinares e da
participação ativa e responsável de cada indivíduo e da
coletividade.
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A Constituição de 1988, por sua vez, estabelece, no art. 225,
§ 1º, VI, como dever do poder público “[...] promover a
educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio
ambiente” (Brasil, 1988). Esse dever foi regulamentado pela
Lei 9.795/1999, que instituiu a Política Nacional de Educação
Ambiental (PNEA), inserindo a educação ambiental como
componente essencial e permanente da educação nacional,
e disciplinando os seus princípios, objetivos e
responsabilidades para todos os atores públicos e privados.
Para a PNEA, a educação ambiental é entendida como “[...]
os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
atitudes e competências voltadas para a conservação do
meio ambiente [...]” (Brasil, 1999). Ademais, a PNEA, ao teor
da Constituição de 1988, reconhece o meio ambiente como
“[...] bem de uso comum do povo, essencial à sadia
qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Brasil, 1999).
A educação ambiental “[...] é um componente essencial e
permanente da educação nacional, devendo estar presente,
de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do
processo educativo, em caráter formal e não-formal” (Brasil,
1999). Entende-se por educação formal aquela que ocorre
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nos sistemas oficiais de ensino, desenvolvida no âmbito dos
currículos das instituições públicas e privadas. A PNEA
estabelece que a educação ambiental deve ser considerada
como “[...] uma prática educativa integrada, contínua e
permanente em todos os níveis e modalidades do ensino
formal” (Brasil, 1999). Já a educação ambiental não formal
são “[...] as ações e práticas educativas voltadas à
sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais
e à sua organização e participação na defesa da qualidade
do meio ambiente” (Brasil, 1999). As práticas e vivências em
ambientes como comunidades e entidades em geral são
exemplos de iniciativas da educação não formal.
O documento com as Diretrizes Curriculares Nacionais para
a Educação Ambiental, aprovado pelo Conselho Nacional de
Educação em 2012, estabelece que:
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[...] A Educação Ambiental é uma dimensão da educação,
é atividade intencional da prática social, que deve
imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social
em sua relação com a natureza e com os outros seres
humanos, visando potencializar essa atividade humana
com a finalidade de torná-la plena de prática social e de
ética ambiental (MEC, 2012, p. 2).
Por meio da educação ambiental, é possível uma formação
crítica e dialógica do contexto, das complexidades e
exigências estabelecidas pelas questões ecológicas à
sociedade contemporânea. Além disso, a educação
ambiental permite o conhecimento dos mecanismos e
instrumentos para o exercício de uma cidadania ecológica
ativa.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
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Princípios e objetivos da
educação ambiental
A implementação dos planos, programas e projetos de
educação ambiental é orientada por oito princípios,
estabelecidos no artigo 4º da PNEA (Brasil, 1999).
O primeiro princípio é o “enfoque humanista, holístico,
democrático e participativo” (Brasil, 1999). Ao contrário de
uma leitura reducionista, fragmentada e de mero repasse de
informações, esse princípio pressupõe uma perspectiva
dialógica para a educação ambiental, por meio da
problematização das causas e efeitos das temáticas
ecológicas, com o chamamento à participação comunitária
baseado em pressupostos democráticos.
O segundo princípio é “a concepção do meio ambiente em
sua totalidade, considerando a interdependência entre o
meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque
da sustentabilidade” (Brasil, 1999). Esse princípio refuta
concepções estanques e supostamente independentes dos
elementos que compõem o meio ambiente. Ao reverso,
reconhece o meio ambiente como totalidade, com suas
dimensões interligadas, em uma relação de
interdependência; o meio ambiente é uno e indivisível.
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O terceiro princípio é “o pluralismo de ideias e concepçõespedagógicas, na perspectiva da inter, multi e
transdisciplinaridade” (Brasil, 1999). Não há uma única
perspectiva pedagógica, mas olhares e possibilidades
múltiplas na abordagem do meio ambiente, que devem ser
contemplados e conjugados nas práticas educacionais. Na
perspectiva multidisciplinar, temos o reconhecimento de que
as questões ambientais envolvem saberes disciplinares
distintos; em relação à interdisciplinar, há a interação e
reciprocidade entre os princípios desses saberes
disciplinares; e sob a ótica da perspectiva transdisciplinar,
compreende-se que os conhecimentos disciplinares fazem
parte de um mesmo “sistema” complexo e integrado.
O quarto princípio, é “a vinculação entre a ética, a educação,
o trabalho e as práticas sociais” (Brasil, 1999), isto é, não há
desvinculação dessas práticas e valores e a proteção ao meio
ambiente.
O quinto princípio é “a garantia de continuidade e
permanência do processo educativo” (Brasil, 1999), em que a
educação ambiental não se resume a ações datadas ou
transitórias e, conforme o sexto princípio, da “permanente
avaliação crítica do processo educativo” (Brasil, 1999). Trata-
se de reconhecer a educação ambiental como um contínuo
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de avaliações e reavaliações, de críticas e autocríticas, diante
das dinâmicas e transformações ecológicas em curso.
O sétimo princípio é “a abordagem articulada das questões
ambientais locais, regionais, nacionais e globais” (Brasil,
1999). As demandas ambientais estão em múltiplas escalas,
do global ao local. Só podemos ser globais com as ações
locais. Os programas e projetos de educação ambiental
devem contemplar essas múltiplas escalas, sem perder,
todavia, o contexto e os desafios do chão da vida, isto é, a
escala da proximidade.
Por fim, o oitavo princípio, o “reconhecimento e o respeito à
pluralidade e à diversidade individual e cultural” (Brasil,
1999). É preciso levar em conta a pluralidade e a diversidade
cultural de um país como o Brasil, com os saberes e
conhecimentos dos diferentes grupos formadores da
sociedade brasileira. Para tanto, uma ecologia dos saberes,
em que o conhecimento científico dialoga com as práticas
populares, em uma abertura para as tradições e vivências
dos povos originários, das comunidades tradicionais, das
periferias e dos rincões do Brasil.
Com base nesses princípios, temos os objetivos
fundamentais da educação ambiental no Brasil, previstos no
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art. 5º da PNEA (Brasil, 1999). Destacaremos três deles, que
reputamos necessários para a compreensão da educação
ambiental.
O primeiro objetivo, “o estímulo e o fortalecimento de uma
consciência crítica sobre a problemática ambiental e social”
(Brasil, 1999), é o compromisso da educação ambiental como
um elemento crítico para a conscientização e a mobilização
em face dos impasses contemporâneos. Sem contextualizar
as estruturas que estão no cerne e que engendram a
problemática ambiental, a educação ambiental perde a
possibilidade de fomentar um sujeito e uma sociedade
comprometidos com o exercício dos direitos
socioambientais.
O segundo objetivo é “o incentivo à participação individual e
coletiva, permanente e responsável, na preservação do
equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da
qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício
da cidadania” (Brasil, 1999). A proteção ambiental não se
circunscreve a ativismos, com propagandas e discursos por
mais e mais direitos. Ela requer ações políticas no encontro
com a realidade, em uma cidadania contra a apatia e a
passividade, de compromisso com a solidariedade entre as
presentes e futuras gerações.
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O terceiro objetivo, por fim, é “o estímulo à cooperação entre
as diversas regiões do País, em níveis micro e
macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade
ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da
liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça
social, responsabilidade e sustentabilidade” (Art. 5º, V). Esse
objetivo reúne os valores fundamentais de uma sociedade
ecológica e democrática, em conformidade com os objetivos
constitucionais da República Federativa do Brasil, previstos
no art. 3º da Constituição Federal (Brasil, 1988).
A aplicação da educação
ambiental nos contextos social e
corporativo
O art. 3º da PNEA traz as incumbências para que o poder
público, as instituições educativas, os órgãos integrantes do
Sistema Nacional de Meio Ambiente, os meios de
comunicação de massa, as empresas, as instituições públicas
e privadas e a sociedade como um todo possam
implementar os processos de educação ambiental (Brasil,
1999). Essa conjugação de atores é um demonstrativo que a
educação ambiental, como processo integrante da cidadania,
é um compromisso da sociedade brasileira.
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Em primeiro plano, cabe ao poder público, consoante as
políticas de educação e meio ambiente, “[...] definir políticas
públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a
educação ambiental em todos os níveis de ensino e o
engajamento da sociedade na conservação, recuperação e
melhoria do meio ambiente” (Brasil, 1999). A condução
dessas políticas é de responsabilidade dos ministérios da
Educação e do Meio Ambiente, que devem se articular na
incorporação da dimensão ambiental, tanto no ensino
formal quanto na formação e capacitação de docentes em
todos os níveis educacionais.
Já às instituições educativas cabem “[...] promover a
educação ambiental de maneira integrada aos programas
educacionais que desenvolvem” (Brasil, 1999). Pontua-se que
a autorização e supervisão do funcionamento de instituições
de ensino e de seus cursos, nas redes pública e privada,
dependem do cumprimento das prescrições da educação
ambiental.
Os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio
Ambiente (Sisnama) devem “[...] promover ações de
educação ambiental integradas aos programas de
conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente”
(Brasil, 1999). Os órgãos do Sisnama, como indutores e
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fiscalizadores da proteção ambiental no país, não podem
prescindir da execução de programas e projetos de
educação ambiental. Afinal, entidades como o Ibama, o
Instituto Chico Mendes e os órgãos ambientais e municipais
podem tanto promover quanto fomentar as dinâmicas de
educação ambiental em suas áreas de atuação.
A PNEA, consciente da importância e do papel dos meios de
comunicação de massa na sociedade, estabeleceu para eles
a incumbência de “colaborar de maneira ativa e permanente
na disseminação de informações e práticas educativas sobre
meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua
programação” (Brasil, 1999). É preciso destacar que alguns
desses meios de comunicação, como emissoras de televisão
e de rádio são concessões públicas e nada mais pertinente
que contribuírem para a conscientização da sociedade sobre
a necessidade de proteção e promoção dos valores
ecológicos.
Já às empresas, entidades de classe, instituições públicas e
privadas, foi estabelecida a atribuição de “promover
programas destinados à capacitação dos trabalhadores,
visando à melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente
de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo
produtivo no meio ambiente” (Brasil, 1999). Esse dispositivo
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conjuga dois aspectos. Primeiro, o conceito de meio
ambiente contempla questões laborais, ou seja, a
preocupação com a saúde e a segurança dos trabalhadores.
Segundo, a conscientização dos trabalhadores dos efeitos da
atividade produtiva sobre o meio ambiente, de modo a
refletir em práticas sustentáveis.
Por fim, à sociedade como um todo, é necessário “manter
atenção permanente à formação de valores, atitudes e
habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva
voltada para a prevenção, a identificação e a solução de
problemas ambientais” (Brasil, 1999). É o reconhecimentoque a educação ambiental possui dimensões individual e
coletiva, que se refletem na participação cidadã nos
processos de decisão e no exercício das atividades, valores e
atitudes compromissados com a promoção de uma
sociedade sustentável.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
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Nesta seção, você estudou os aspectos relevantes da
educação ambiental. Sua prática tem sido considerada de
importância ímpar para a consciência ambiental. A educação
ambiental analítica, crítica e inovadora compreende um ato
político, objetivando a transformação social que, pelo
enfoque holístico, abrange a integração pessoa humana,
natureza e universo.
Retornando à nossa situação-problema, percebemos que,
com o crescimento do seu agronegócio, André se viu
obrigado a contar com os vizinhos do sítio, que, unidos,
montaram uma cooperativa para gerir os negócios e
passaram a pedir uma melhor gestão. Esse modelo de
gestão solidária fez com que André e os cooperados
buscassem conhecer melhor a cadeia ambiental, para que,
além de obter lucro, também pudessem manter o equilíbrio
socioambiental e um convívio harmônico.
Tendo em vista que a água é a questão do momento nesse
agronegócio e a preocupação com a cadeia que se perfez,
procurar educar-se ambientalmente foi uma das iniciativas
prudentes e que resultará em frutos benéficos a todos e ao
meio ambiente.
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Portanto, a decisão tomada pelos cooperados implicará um
melhor aproveitamento dos recursos e levará a uma gestão
equilibrada, resultando num agronegócio sustentável. A
educação ambiental leva conhecimento técnico e científico, e
deve ser realizada utilizando uma linguagem que todos
possam entender.
O desenvolvimento sustentável do agronegócio de André
tende a ter êxito com a decisão de integrar a educação
ambiental como recurso para prosperar. O curso on-line é o
passo para a educação ambiental e é uma importante
inciativa de André. Todos os cooperados participantes
poderão aprender novas técnicas e aplicá-las a fim de
garantir o equilíbrio socioambiental. No caso, eles iniciaram
com a água, recurso finito de importância ímpar a todas as
espécies, por isso utilizá-la de modo consciente e consistente
é certeza de sucesso ao empreendimento, representado
pelo agronegócio iniciado por André. 
Saiba mais
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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Uma das formas de aprofundar o aprendizado em educação
ambiental é conhecer e pesquisar no conjunto de
publicações que o Ministério da Educação (MEC) disponibiliza
em seu portal. Nele, temos as diretrizes para as políticas
públicas e as orientações temáticas para a educação
ambiental, como no caso do consumo, da mudança do clima
e das transformações ecológicas.
A Conferência Intergovernamental de Tbilisi, na antiga União
Soviética, é considerada um dos principais eventos de
educação ambiental do planeta. Nessa conferência, foram
estabelecidos os objetos e princípios de Tbilisi. Para saber
mais sobre esse evento importante, leia a matéria
Entendendo a Conferência de Tbilisi (1977).
Para compreender todos os aspectos da educação
ambiental, leia o artigo O que é Educação Ambiental?, no
Portal de Educação Ambiental, e mergulhe nessa importante
temática!
Bons estudos! 
Referências
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http://portal.mec.gov.br/component/content/article/194-secretarias-112877938/secad-educacao-continuada-223369541/13639-educacao-ambiental-publicacoes
https://blog.portaleducacao.com.br/entendendo-a-conferencia-de-tbilisi-1977/
https://semil.sp.gov.br/educacaoambiental/2023/06/o-que-e-educacao-ambiental/#:~:text=%E2%80%9CA%20educa%C3%A7%C3%A3o%20ambiental%20%C3%A9%20um,culturas%20e%20seus%20meios%20biof%C3%ADsicos.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/%20Constitui%C3%A7ao.htm
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=6938&ano=1981&ato=5b0UTRE50MrRVT15d
ECUADOR. Corte Constitucional de Ecuador. Caso nº 1149-
19-JP/20. Rel. Juiz Agustín Grijalva Jiménez, em 21 de
noviembre de 2021. Disponível em:
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Aula 3
Consumos Sustentável
Consumo sustentável
Consumo sustentável
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Bons estudos!
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Se por um lado temos os benefícios proporcionados pela
sociedade de consumo, por outro precisamos reconhecer os
impactos sobre o meio ambiente, em especial a pressão
sobre os recursos naturais e o descarte dos resíduos sólidos.
É preciso refutar práticas econômicas prejudiciais, como é o
caso da obsolescência planejada, que, de forma deliberada,
reduz a durabilidade dos produtos como forma de estimular
o consumo repetitivo. Por isso, a necessidade de estabelecer
padrões de consumo sustentável e de aprofundar os
instrumentos de gestão dos resíduos sólidos.
Para pensar em alternativas para a construção deuma
sociedade sustentável é fundamental discutir as relações de
consumo.
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Para auxiliar a dinâmica abordada nesta aula, elencamos
algumas questões importantes para discutirmos ao longo
dessa temática:
Qual a definição da obsolescência planejada e a sua
relação com o consumismo?
O que é adotar um consumo sustentável?
Qual a importância da Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS)? Cite dois instrumentos importantes da
PNRS.
Vamos juntos estudar as dinâmicas do consumo sustentável?
Estou te esperando!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O conceito de consumo
sustentável
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Somos uma sociedade de consumo. Trata-se de reconhecer
que as relações de consumo constituem um elemento
indissociável das expectativas da sociedade contemporânea.
Com a modernidade, o crescimento econômico e o consumo
foram os fiadores da superação dos níveis básicos de
sobrevivência para uma parcela da população mundial, por
meio do sistema de produção em massa. Mas, a partir da
segunda metade do século XX, sua maximização nos trouxe
aquilo que é chamado de sociedade consumista. O consumo
deixou de ser uma condição importante para a melhoria da
qualidade de vida e se transformou em um vetor para o
hedonismo individual, de um consumo pelo consumo, em
um mundo supostamente de abundância, sem preocupação
com o descarte dos produtos e seus impactos. Tem-se,
então, o consumismo, que é uma distorção do consumo
(Crespo, 2012).
De forma mais grave, nas últimas décadas, o consumo
assumiu contornos emocionais, com a aquisição de produtos
e serviços para atender o prazer de possuí-los como
significado de vida e reconhecimento social (Crespo, 2012).
Esse estágio é chamado de hiperconsumo, ou seja, a
identificação do que somos e como vivemos é marcada pela
satisfação de nossas pulsões e desejos por meio do
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consumo. Mas essa exacerbação não significou o aumento
dos níveis de satisfação e felicidade pessoal.
Os pressupostos do consumismo são uma ameaça para os
predicados de sobrevivência global. Afinal, quanto mais
consumo, mais produção e maior geração de resíduos
sólidos. Desse modo,
O problema da produção e do consumo realizados em
bases não sustentáveis é simples de ser entendido: não
podemos extrair mais recursos naturais do que a
natureza é capaz de repor, quando se trata de recursos
renováveis, e não podemos extrair indefinidamente
recursos finitos, não renováveis. Também não podemos
descartar mais resíduos do que a natureza é capaz de
assimilar (Crespo, 2012, p. 81).
Relacionado ao consumismo, temos a Teoria de Beck (1986),
que diz respeito à sociedade industrial, cuja característica é a
produção e distribuição de bens, dando origem à sociedade
de risco, porque a distribuição dos riscos não corresponde
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às diferenças econômicas, sociais, sequer geográficas,
chamadas de primeira modernidade.
A ciência e a tecnologia não dão conta do controle dos riscos
e, como consequência, geram danos à saúde humana e ao
meio ambiente. A princípio, com aparente não efeito,
contudo, em longo prazo podem tornar-se irreversíveis.
Entre os riscos apontados por Beck (1986), está o ecológico,
o químico, os nucleares e os genéticos produzidos pela
indústria, externados pela economia, juridicamente
individuais, cientificamente legitimados e minimizados
politicamente. A esses riscos a economia incorporou as
quedas nos mercados financeiros internacionais.
Segundo Beck (1999), esses riscos gerariam uma nova forma
de capitalismo, economia, ordem global, sociedade e de vida
pessoal. Assim, o conceito de risco liga-se ao de globalização.
São riscos democráticos que afetam os países e as classes
sociais sem respeitar as suas fronteiras.
É por esse cenário que devemos redefinir a dinâmica das
relações de consumo, pois trata-se de fator indissociável
para uma sociedade sustentável. Por isso, o surgimento de
expressões como consumo sustentável, consumo verde,
consumo consciente, entre outras. Optamos pela
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denominação consumo sustentável por ser ampla e abarcar
as demais, como o consumo verde, que confere ênfase ao
papel do ato de compra do consumidor para as escolhas
sustentáveis; e o consumo consciente, como aquele
efetuado a partir de concepções éticas, com base em
definições como produção local, autossustentáveis e outras
variantes.
 Nessa perspectiva, a ênfase não está
exclusivamente nas questões tecnológicas, mas também no
desafio das mudanças dos valores socioambientais. Afinal,
apesar da importância dos avanços tecnológicos,
isoladamente, eles não são suficientes para resolver a
demanda da população, da poluição e do consumismo sem
que determinações legais, econômicas e morais sejam
estabelecidas para mudar a relação com a natureza (Odum,
2001).
O consumo sustentável conjuga as obrigações de todos os
atores da sociedade de consumo para com a
sustentabilidade intergeracional. Isto é, adotar o consumo
sustentável é respeitar a capacidade dos sistemas de
sustentação da vida na Terra e, por decorrência, garantir um
mundo com disponibilidade de recursos naturais para as
futuras gerações.
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Portanto, no paradigma do consumo sustentável é
estipulado um conjunto de obrigações para o poder público,
o setor produtivo e os consumidores, como partícipes
decisivos para as mudanças necessárias. Para o poder
público, tem-se a exigência de normas de regulação e de
incentivo para os processos de produção ecologicamente
equilibrados. Para o setor empresarial, a adoção de
processos de produção que respeitem a finitude dos
recursos naturais, além de minimizarem o descarte dos
produtos. E para o consumidor, o imperativo de mudança
nos padrões de consumo, o que, é preciso reconhecer, não é
uma tarefa das mais fáceis.
Com esses apontamentos, podemos definir o consumo
sustentável como os princípios, as políticas e as obrigações
do poder público, do setor produtivo e dos consumidores
para a definição de padrões de consumo compatíveis com a
capacidade de suporte planetário e a garantia dos recursos
naturais para as futuras gerações.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
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Políticas para o consumo
sustentável
A legislação brasileira prevê políticas públicas com
parâmetros para a produção e o consumo sustentáveis.
Ambos estão correlacionados, ou seja, a produção e o
consumo são faces de uma mesma moeda.
 A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece os
padrões sustentáveis de produção e consumo. Esses devem
“[...] atender as necessidades das atuais gerações e permitir
melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade
ambiental e o atendimento das necessidades das gerações
futuras” (Brasil, 2010). Portanto, produção e consumo são
orientados para a sustentabilidade no diálogo ético entre as
gerações.
Contudo, algumas dinâmicas de mercado estão em
dissonância com os pressupostos da sustentabilidade. Para
exemplificar, uma prática sensível e altamente gravosa às
exigências atuais: a obsolescência planejada. Trata-se de um
conjunto de técnicas e procedimentos que, de forma artificial
e deliberada, definem limites na durabilidade e/ou
desejabilidade dos produtos, como forma de estimular o
consumo repetitivo. Os produtos são feitos para serem
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trocados ou repostos após curto período de duração ou uso,
antecipando, de forma intencional, a sua substituição, em
um estímulo do consumo pelo consumo. Embora a
obsolescência seja natural em qualquer produto, na
planejada temos uma estratégia de mercado perniciosa,
para que ela ocorra antes.
Moraes (2015) menciona a existência de três modalidades de
obsolescência: (i) de qualidade; (ii) de função ou funcional; e
(iii) de desejabilidade ou psicológica. A obsolescência de
qualidade é aquela em que o produtor, de formadeliberada,
projeta o tempo de vida útil do produto, com técnicas e
materiais inferiores, com a redução da durabilidade (Moraes,
2015). A obsolescência de função ou funcional torna um
produto obsoleto com o lançamento de outro no mercado,
ou dele mesmo, com ajustes e melhoramentos pontuais
(Moraes, 2015). Por fim, a obsolescência de desejabilidade
ou psicológica, que consiste na estratégia de defasagem do
produto em decorrência da aparência ou design, afetando o
desejo por ele e, por consequência, colocando o consumidor
em estado de ansiedade pela sua substituição (Moraes,
2015).
A obsolescência planejada tem efeitos prejudiciais nas
relações de consumo, quebrando a boa-fé objetiva, e
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danosos em matéria ambiental, especialmente no que se
refere à geração de resíduos sólidos.
Na primeira perspectiva, do direito do consumidor, o
Superior Tribunal de Justiça possui julgado sobre os
problemas da obsolescência:
(...) independentemente de prazo contratual de garantia,
a venda de um bem tido por durável com vida útil inferior
àquela que legitimamente se esperava, além de
configurar um defeito de adequação (art. 18 do CDC),
evidencia uma quebra da boa-fé objetiva, que deve
nortear as relações contratuais, sejam de consumo, sejam
de direito comum. Constitui, em outras palavras,
descumprimento do dever de informação e a não
realização do próprio objeto do contrato, que era a
compra de um bem cujo ciclo vital se esperava, de forma
legítima e razoável, fosse mais longo (Superior Tribunal de
Justiça, 2012).
Na decisão, evidenciou-se a obsolescência em razão de
qualidade, em que, ao se constatar duração inferior de
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produto com expectativa de vida útil maior, ocorreu um
procedimento incompatível com as relações de consumo.
Atualmente, por ausência de legislação sobre a
obsolescência planejada no Brasil, o Código de Defesa do
Consumidor é um importante instrumento para o
questionamento de práticas prejudiciais aos consumidores,
impondo ação governamental no sentido de protegê-los,
com a “[...] garantia dos produtos e serviços com padrões
adequados de qualidade, segurança, durabilidade e
desempenho” (Brasil, 1990).
Na segunda perspectiva, o viés ambiental, a obsolescência
planejada é dissonante das exigências ecológicas. O estímulo
ao consumismo, por meio da substituição permanente de
produtos, tem por correspondência a extração maior de
recursos minerais e o aumento do consumo de energia, com
impactos significativos sobre o meio ambiente, tanto na
disponibilidade de recursos quanto na geração de resíduos
sólidos, ou seja, de poluição por resíduos sólidos.
A implementação de
instrumentos para o consumo
sustentável
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A definição das responsabilidades e a implementação dos
instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
são fundamentais para a construção de uma sociedade
sustentável. Com efeito, a PNRS estrutura-se na conjugação
de obrigações para as diferentes esferas do poder público, o
setor empresarial e os segmentos da sociedade para a
proteção da saúde pública e da qualidade ambiental (Brasil,
2010).
Em primeiro lugar, destaca-se o papel do poder público, por
meio dos planos de resíduos sólidos, articulados em vários
níveis, como o plano nacional, os planos estaduais, os planos
intermunicipais, os planos municipais, entre outros. Esses
planos são instrumentos de diagnóstico, análise e
planejamento para as políticas públicas de produção e
consumo em longo prazo; no caso do plano nacional e dos
planos estaduais de resíduos sólidos, o prazo de duração é
de vinte anos e atualização a cada quatro anos (Brasil, 2010).
O plano nacional de resíduos sólidos traz em seu conteúdo
as metas de redução, reutilização, reciclagem, entre outras,
com vistas a minimizar a quantidade de resíduos e rejeitos
produzidos no país (Brasil, 2010).  Os planos, em síntese, são
os norteadores da gestão integrada e do gerenciamento de
resíduos sólidos no Brasil.
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Com os instrumentos da Política Nacional de Resíduos
Sólidos, temos o compromisso de todos os atores com os
padrões sustentáveis de produção e consumo e, ademais,
com as dinâmicas do fluxo de gestão dos resíduos sólidos,
notadamente a responsabilidade pós-consumo. Nessa
perspectiva, dois instrumentos se destacam: a logística
reversa e a coleta seletiva.
A logística reversa é um instrumento econômico e social
destinado a “[....] viabilizar a coleta e a restituição dos
resíduos sólidos ao setor empresarial [...]” (Brasil, 2010), após
o uso pelo consumidor. Esses resíduos poderão ser usados
para reaproveitamento nos ciclos produtivos ou para
destinação final ambientalmente adequada. A logística
reversa é uma obrigação de fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes de produtos que causem
riscos à saúde humana e ao meio ambiente (Brasil, 2010).
Segundo a Lei 12.305/2010, a logística reversa é obrigatória
para os seguintes produtos: (i) agrotóxicos, seus resíduos e
embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem,
após o uso, constitua resíduo perigoso: (ii) pilhas e baterias;
(iii) pneus; (iv) óleos lubrificantes, seus resíduos e
embalagens; (v) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e
mercúrio e de luz mista; e (vi) produtos eletroeletrônicos e
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seus componentes (Brasil, 2010). Outros produtos podem
ser inseridos, de acordo com os riscos para a saúde humana
e o meio ambiente, como é o caso de embalagens plásticas,
metálicas, de vidro etc. Os consumidores, por sua vez,
deverão efetuar a devolução dos produtos e das embalagens
após o uso, no caso, aos comerciantes ou distribuidores
(Brasil, 2010).
Outro instrumento relevante é a coleta seletiva, que é a
“coleta de resíduos sólidos previamente segregados
conforme sua constituição ou composição” (Brasil, 2010). O
ente federativo responsável pela implementação da coleta
seletiva é o município. Ele implementa a coleta seletiva por
meio do órgão titular dos serviços públicos de limpeza
urbana e de manejo de resíduos sólidos. A coleta seletiva
traz duas obrigações para os consumidores: (i) acondicionar
adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos
gerados; e (ii) disponibilizar adequadamente os resíduos
sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução
(Brasil, 2010).
Além da PNRS, é pertinente destacar a questão das compras
governamentais. A Lei 14.133/2021, que é o novo diploma
legal para as licitações, tem o desenvolvimento nacional
sustentável como princípio e um de seus objetivos (Brasil,
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2021). O poder de contratação dos entes federativos é
determinante para que padrões ambientalmente
sustentáveis de produtos e serviços sejam produzidos e
alocados não só na administração pública, como
reflexamente em toda a sociedade.
Em conjunto com as obrigações e procedimentos legais,
como nós, consumidores, podemos articular as dinâmicas de
consumo em uma perspectiva cidadã? Trata-se de uma
questão sensível, mas é preciso destacar que o consumo
ultrapassa a esfera individual e constitui-se como conduta
com impactos coletivos. Enquanto consumidores, as
escolhas que são feitas no presente são determinantes para
as disponibilidades futuras. É imperativo atentar-se para a
solidariedade intergeracional, com o compromisso de legar
às gerações futuras recursos e condições para a
sobrevivência, mesmo para tentar algo diferente do rumo
até hoje traçado.  Por isso, um estilo de vida sem excessos
ou desperdícios no consumo é requisito para as
transformações requeridas. Sem repensar as relações e
distorções do consumo, não há como acreditar na
possibilidade de uma sociedade sustentável.
Vamos Exercitar?
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Vamos Exercitar?
Nesta seção, você compreendeu a importância em valorizar
as alternativas para a construção de uma sociedadesustentável, sendo fundamental discutir as relações de
consumo.
Aprendemos que para suprir a demanda crescente por bens
de consumo, ocorre a extração excessiva de recursos
naturais, como minérios, petróleo e água, gerando o seu
esgotamento e levando à degradação de ecossistemas e à
perda de biodiversidade. Se por um lado temos os benefícios
proporcionados pela sociedade de consumo, por outro lado
precisamos reconhecer os seus impactos.
Uma pergunta fundamental em relação a essa temática é:
Qual será o destino dos resíduos gerados pelo bem
consumido?
Agora, vamos debater as questões que destacamos no início
da nossa aula:
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Qual a definição da obsolescência planejada e a sua
relação com o consumismo?
A obsolescência planejada é um conjunto de técnicas e
procedimentos que, de forma artificial e deliberada, definem
limites na durabilidade e/ou desejabilidade dos produtos,
como forma de estimular o consumo repetitivo. Os produtos
são feitos para serem trocados ou repostos após curto
período de duração ou uso, antecipando de forma
intencional a sua substituição, em um estímulo do consumo
pelo consumo. Embora a obsolescência seja natural em
qualquer produto, na planejada temos uma estratégia de
mercado perniciosa, elaborada para que ela ocorra antes.
O que é adotar um consumo sustentável?
Adotar o consumo sustentável é respeitar a capacidade dos
sistemas de sustentação da vida na Terra e, por decorrência,
garantir um mundo com disponibilidade de recursos
naturais para as futuras gerações. Nessa perspectiva, a
ênfase não está exclusivamente nas questões tecnológicas,
mas também no desafio das mudanças dos valores
socioambientais.
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Qual a importância da Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS)? Cite dois instrumentos importantes da
PNRS.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece os
padrões sustentáveis de produção e consumo. Sua função é
atender às necessidades das atuais gerações e permitir
melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade
ambiental e o atendimento das necessidades das gerações
futuras.
Esses resíduos poderão ser usados para reaproveitamento
nos ciclos produtivos ou para destinação final
ambientalmente adequada. Outro instrumento é a coleta
seletiva, que é a coleta de resíduos sólidos previamente
segregados, conforme sua constituição ou composição.
Todos esses pontos destacados anteriormente formam uma
rede importante para o controle do consumo e,
consequentemente, auxílio, preservação e manutenção dos
recursos naturais.
Entre os instrumentos importantes da PNRS, destacamos a
logística reversa, que é um instrumento econômico e social
destinado a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos
sólidos ao setor empresarial após o uso pelo consumidor.
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Saiba mais
Saiba mais
Você estudou nesta aula a temática do consumo consciente
e os seus desafios. O consumo consciente é a prática de
repensar os hábitos de consumo, promovendo um estilo de
vida mais sustentável e equilibrado. Para saber mais sobre
esse tópico, leia Consumo consciente e conheça mais essa
importante temática.
O Instituto Akatu é uma referência da sociedade civil na
formulação de propostas e iniciativas para o consumo
consciente. A entidade traz, em seu portal, iniciativas e
orientações sobre o consumo sustentável em áreas como
moda, resíduos sólidos, água, alimentos e outras. Vale a
pena conhecer e pesquisar as diversas publicações.
Você pode conhecer um pouco mais do tema sociedade de
risco. Para saber mais, sugerimos que leia A teoria da
sociedade de risco, de Ulrich Beck: entre o diagnóstico e a
profecia.
Bons estudos!
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https://www2.camara.leg.br/a-camara/estruturaadm/gestao-na-camara-dos-deputados/responsabilidade-social-e-ambiental/ecocamara/consumo-consciente
https://akatu.org.br/
https://revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/188
https://revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/188
https://revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/188
Referências
Referências
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a
Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605,
de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 3 ago. 2010, p. 3. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT
0f1. Acesso em: 3 out. 2022.
BRASIL. Lei nº 14.133, de 1 de abril de 2021. Lei de Licitações
e Contratos Administrativos. Diário Oficial da União, Brasília,
DF 1 abr. 2021, p. 1. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=14133&ano=2021&ato=8d4MTTE5UMZpW
Tf64. Acesso em: 16 out. 2022.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Nº
984.106/SC. Relator: Min. Luís Felipe Salomão, 4 de outubro
de 2012. Disponível em:
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/medi
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=12305&ano=2010&ato=e3dgXUq1keVpWT0f1
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14133&ano=2021&ato=8d4MTTE5UMZpWTf64
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14133&ano=2021&ato=8d4MTTE5UMZpWTf64
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=14133&ano=2021&ato=8d4MTTE5UMZpWTf64
https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=1182088&num_registro=200702079153&data=20121120&formato=PDF
ado/?
componente=ITA&sequencial=1182088&num_registro=2007
02079153&data=20121120&formato=PDF. Acesso em: 15
out. 2022.
CRESPO, S. Enfrentando o desafio da produção e do
consumo sustentáveis: uma visão a partir das políticas
governamentais recentes. In: ALMEIDA, F. (org.)
Desenvolvimento sustentável 2012-2050: visão, rumos e
contradições. Rio: Elsevier, 2012.
MORAES, K. G. Obsolescência planejada e direito:
(in)sustentabilidade do consumo à produção de resíduos.
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2015.
ODUM, E. P. Fundamentos de ecologia. 6. ed. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
Aula 4
Desenvolvimento e Pós-Desenvolvimento
Desenvolvimento e pós-desenvolvimento
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https://processo.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=1182088&num_registro=200702079153&data=20121120&formato=PDF
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Desenvolvimento e pós-
desenvolvimento
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
 Será possível, de fato, um
desenvolvimento sustentável diante das exigências de
governos e sociedade pelo crescimento econômico
contínuo?
Essa é, sem dúvida, a questão dos nossos tempos!
Nesse contexto, vamos construir uma situação fictícia para
auxiliá-lo neste processo de aprendizagem: Imagine que
existe um centro educacional que possui instituições de
ensino espalhadas por todo o território nacional. Você é um
dos diretores da referida instituição e participou de um
evento internacional que abordou alternativas relacionadas

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