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MECANISMO DE PARTO E FASES CLÍNICAS DO PARTO P R O F . A N A S O U Z A , P R O F . M A R I N A A Y A B E E P R O F . N A T Á L I A C A R V A L H O Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Mecanismo de parto e fases clínicas do parto 2OBSTETRÍCIA PROFs. ANA SOUZA, MARINA AYABE E NATALIA CARVALHO @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed APRESENTAÇÃO: @profnataliacarvalho O que trazemos, neste livro, fará com que entenda a evolução do trabalho de parto e a realização do diagnóstico das distocias, bem como saiba como é a assistência adequada à parturiente. Os mecanismos de parto descrevem os movimentos fetais observados durante sua passagem pelo canal de parto, até seu total desprendimento do corpo materno. Já as fases clínicas do parto caracterizam os diferentes momentos da evolução do trabalho de parto, desde as contrações mais iniciais até os fenômenos que ocorrem no corpo materno durante a primeira hora após o nascimento. Seu entendimento dos conceitos apresentados a respeito dos Mecanismos de Parto será facilitado se você já tiver estudado o livro digital sobre BACIA OBSTÉTRICA, PELVIMETRIA E ESTÁTICA FETAL. Caso ainda não tenha feito isso, sugiro que interrompa sua leitura por aqui e faça a leitura sobre bacia obstétrica e estática fetal. @estrategiamed Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. 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Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 4 1.0 MECANISMO DE PARTO CAPÍTULO Mecanismos de parto são movimentos passivos que as contrações uterinas provocam no feto quando o impulsionam contra os pontos de resistência da pelve materna. Tais movimentos fazem com que os maiores diâmetros fetais coincidam com os maiores diâmetros da bacia obstétrica e, dessa forma, a apresentação fetal possa progredir pelos planos da bacia. MOTOR CONTRAÇÕES OBJETO FETO TRAJETO PELVE MATERNA Note, portanto, que os mecanismos de parto dependem de três fatores: O motor são as contrações uterinas, que estudaremos detalhadamente no capítulo sobre as fases clínicas do parto. Tanto o objeto, representado pelo feto, quanto o trajeto, definido pelas características da bacia óssea, têm suas características detalhadas no livro digital BACIA OBSTÉTRICA, PELVIMETRIA E ESTÁTICA FETAL. Neste livro, estudaremos os movimentos que resultam da influência desses três componentes uns sobre os outros e que culminam no nascimento do concepto e recebem o nome de "mecanismo de parto". Fernando Magalhães propôs uma divisão em três tempos, insinuação, descida e desprendimento, que, eventualmente, é tema de questões de prova. Porém, a divisão do parto em seis tempos é a mais utilizada para descrever os processos envolvidos na evolução do parto. Os seis tempos do mecanismo de parto são: • Insinuação • Descida • Rotação interna • Desprendimento cefálico • Rotação externa • Desprendimento das espáduas Figura 1. Tempos do mecanismo de parto É muito importante que fique claro para você que, embora nosso estudo vá se ater individualmente a cada um desses tempos, eles ocorrem sucessivamente e de forma contínua à medida em que o trabalho de parto progride, e não de forma estanque. Então, vamos conhecer melhor a nomenclatura dos tempos do mecanismo de parto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 5 TEMPOS DO MECANISMO DE PARTO Neste primeiro momento, iremos avaliar os tempos do mecanismo de parto com ênfase nos movimentos relacionados à apresentação fetal cefálica fletida, uma vez que ela é a mais frequente na prática clínica e nas provas. Então, vamos começar! O primeiro tempo do mecanismo de parto é a insinuação. 1.1 INSINUAÇÃO Insinuação caracteriza-se pela passagem do maior diâmetro transverso da apresentação fetal pelo estreito superior da bacia materna ou, ainda, na maioria das mulheres, pelo ponto de referência ósseo da apresentação fetal atingir o estreito médio da bacia obstétrica, ou seja, o nível das espinhas isquiáticas. Figura 2. Primeiro tempo – insinuação. A insinuação, na variedade de apresentação cefálica fletida, é quando o diâmetro biparietal ultrapassa o estreito superior da bacia materna ou quando for possível tocar seu vértice na altura das espinhas isquiáticas. A partir da definição apresentada acima, perceba que, para compreender o conceito de insinuação, você precisa ter clareza sobre o que é o estreito superior da bacia obstétrica e notar que o ponto de referência fetal, para definir se houve insinuação, varia de acordo com a variedade de apresentação do feto. Figura 3. Estreito Superior da bacia. Esteja atento a que, embora a insinuação possa ser sugerida pelo exame físico abdominal ao realizar-se a terceira e a quarta manobras de Leopold-Zweifel, é o toque vaginal que permite perceber que o ponto de referência ósseo da apresentação fetal alcançou o nível das espinhas isquiáticas, ou seja, o plano zero de De Lee ou plano III de Hodge, os quais demarcam o estreito médio da bacia obstétrica. Figura 4. Vértice fetal e planos de De Lee. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 6 Ainda pensando sobre a insinuação fetal, perceba que, uma vez que os movimentos que o feto apresenta durante sua evolução pelo canal de parto são passivos, a insinuação resulta da pressão que as contrações uterinas exercem sobre o feto, impulsionando-o contra a resistência óssea da pelve. Tal mecanismo promove, na maioria das vezes, a flexão do polo cefálico, embora também possa acontecer a deflexão do mesmo, conforme descrito pela teoria de Zweifel. ATENÇÃO! A insinuação fetal permite afirmar que o estreito superior é adequado à passagem do feto. Mas, não quer dizer que os estreitos médio e inferior também sejam compatíveis. 1.2 DESCIDA Descida caracteriza-se pela progressão do feto pelo canal de parto, passando do estreito superior ao estreito inferior da bacia obstétrica, até sua completa expulsão. A descida da apresentação fetal está relacionada ao impulso que as contrações uterinas geram sobre o feto, impelindo-o a passar do estreito superior em direção ao estreito inferior da bacia obstétrica. A descida fetal durante o trabalho de parto é avaliada a partir da determinação da altura da apresentação do feto segundo os planos de DeLee ou de Hodge e é um importante parâmetro na avaliação da evolução do parto. As contrações uterinas, ao impulsionar o feto pelo canal de parto, também promovem movimentos de flexão lateral do polo cefálico. Saiba que esses movimentos permitem que o feto se acomode progressivamente ao trajeto de parto e, dessa forma, possa progredir por ele. Minha dica é que você pense nesse movimento como se fosse um “jeitinho”, que permite à apresentação fetal se acomodar e atravessar o trajeto de parto. Perceba ainda que, se o feto está fazendo movimentos de flexão lateral com a cabeça, isso significa que um osso parietal se antecipa ao outro, isto é, desce primeiro do que o outro, durante a progressão do feto pelo canal de parto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 7 Assinclitismo é o nome dado para esse movimento de flexão lateral do polo cefálico, com o posicionamento assimétrico do polo cefálico fetal dentro do canal de parto, caracterizado pela maior proximidade da sutura sagital das estruturas anteriores ou posteriores da pelve materna. Chegamos em um ponto que os examinadores adoram abordar na prova! Então, antes de continuarmos e apesar do nome esquisito, acorde seus neurônios que já entraram no modo automático de leitura para estar com a concentração redobrada agora. Quando o osso parietal anterior é o primeiro a descer, denomina-se essa condição de assinclitismo anterior ou obliquidade de Näegele. Nesse caso, a sutura sagital fica mais próxima do sacro materno. O assinclitismo anterior ocorre com maior frequência na presença de flacidez abdominal, sendo mais comum em multíparas. Por outro lado, chama-se de assinclitismo posterior ou obliquidade de Litzmann quando o osso parietal posterior é o que desce primeiro. Nessa situação, a sutura sagital está mais próxima da sínfise púbica materna. O assinclitismo posterior relaciona-se mais comumente a primíparas devido à prensa abdominal tender a ser mais forte. Vale ressaltar que, embora o assinclitismo seja um movimento fisiológico, se ele for exacerbado e o polo cefálico não retornar à posição de sinclitismo, isso pode impedir a progressão do trabalho de parto por aumentar o diâmetro fetal apresentado à bacia obstétrica, acarretando um parto distociado por desproporção cefalopélvica. Em contrapartida, quando os dois parietais progridem simultaneamente pelo canal de parto e a sutura sagital fica equidistante do sacro e da sínfise púbica, denomina-se sinclitismo. Figura 5. Assinclitismo e sinclitismo. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 8 Estrategista, para ajudá-lo a guardar essa “decoreba” que os examinadores adoram cobrar nas provas: - O “A” vem antes no nome NAegele do que LitzmAnn, logo NAegele é o assinclitismo Anterior. ATENÇÃO!!! A classificação em anterior e posterior do assinclitismo costuma causar bastante confusão. Para isso não acontecer com você, perceba que a denominação do assinclitismo depende de que parietal desce e fica mais exposto no canal de parto, e não da posição da sutura sagital. Repare ainda que o nome do assinclitismo será sempre contrário ao posicionamento da sutura sagital. Para lembrar: · Assinclitismo Posterior – sutura sagital mais perto da Pube materna · Assinclitismo Anterior – sutura sagital mais perto do sAcro materno O movimento de descida do feto é documentado no partograma por meio de uma circunferência, , e é determinante no diagnóstico das distocias do período pélvico, também chamadas distocias de descida. A avaliação da descida fetal e as possíveis repercussões relacionadas a ela, quando não ocorre da maneira prevista, são um dos temas explorados no livro digital PARTOGRAMA E DISTOCIA. 1.3 ROTAÇÃO INTERNA Rotação interna é o movimento no sentido horário ou anti-horário que a apresentação fetal realiza ao ser impulsionada pelas contrações uterinas contra os pontos de resistência da pelve materna e que permite que o feto adapte seu maior diâmetro ao maior diâmetro da bacia obstétrica. É importante lembrar a definição da variedade de posição do feto, isto é, a relação entre o ponto de referência da apresentação fetal e o ponto de referência da pelve materna, o que você aprendeu durante o estudo da estática fetal. Nas fases iniciais do parto, o feto encontra-se, na maioria das vezes, na variedade transversa, de modo a adaptar-se ao maior diâmetro do estreito superior da pelve materna. À medida em que a descida pelo canal de parto avança, percebe-se, mais frequentemente, a variedade oblíqua. Ao atingir o estreito inferior, a variedade de posição direta, isto é, quando o occipício fetal está voltado para a pube (OP) ou para o sacro (OS) materno, é a variedade de posição mais comum, permitindo que o feto acomode seu maior diâmetro ao diâmetro anteroposterior da bacia. Perceba que ocorre o alinhamento do eixo anteroposterior fetal com o anteroposterior materno. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 9 Posto que a variedade de posição com melhor prognóstico para o desprendimento do polo cefálico é a occipitopúbica (OP), é esperado que a rotação interna ocorra no sentido da menor rotação possível para atingi-la durante a descida do feto pelo canal de parto. Figura 6. Variedade de posição occipitopúbica (OP) Retomando o foco de nossa atenção nesse momento: a rotação que a apresentação fetal realiza DENTRO do canal de parto é denominada rotação INTERNA. Uma vez que esse assunto despenca nas provas, respire fundo e vamos entender definitivamente esse movimento para garantir seus pontinhos preciosos em sua prova. Para responder às questões sobre rotação interna, lembre-se de que o feto deve girar e posicionar-se na variedade occipitopúbica (OP). O próximo passo é saber reconhecer as variedades de posição fetal por meio de uma ilustração, ou imaginar como o feto está posicionado se for apresentada a você a descrição da variedade de posição. Você deve imaginar um relógio e a movimentação de seus ponteiros pode ajudar bastante seu raciocínio nessas situações. Imagine que os números do relógio são as diferentes variedades de posição. Lembre-se ainda de que cada quadrante em uma circunferência representa uma rotação de 90 graus. A figura abaixo foi pensada para ajudá-lo a memorizar esse conceito e ajudar em seu raciocínio, já que ela o auxiliará a visualizar todas as variedades de posições. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 10 DICA DE PROVA D E S E N H E !!! Quando você estiver diante de questões relativas aos graus e/ou sentido de rotação da apresentação fetal, seja na prova escrita, seja na prova prática, nossa dica é: DESENHE e sempre imagine a paciente em posição ginecológica a sua frente. Traços simples podem ajudá-lo a guiar seu raciocínio e evitar erros, especialmente em um momento estressante como o da prova. Figura 7. Variedade de posição com a respectiva simbologia. Neste momento, para reforçar o conteúdo, pratique e resolva muitas questões sobre esse tópico para não cair nas pegadinhas de provas. Por fim, apesar de termos estudado os três primeiros tempos do mecanismo de parto separadamente, entenda que insinuação,descida e rotação interna ocorrem de forma contínua e simultânea, à semelhança de uma espiral. A imagem de um parafuso sendo preso pode ajudá-lo a imaginar essa dinâmica (Figura 8). Ah... e caso você tenha se deparado consigo mesmo movendo a cabeça de um lado para o outro ao resolver essas questões, fique tranquilo! Você não está enlouquecendo de tanto estudar. Esse é um bom caminho para raciocinar também. Figura 8. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 11 1.4 DESPRENDIMENTO CEFÁLICO Desprendimento cefálico, como o nome sugere, relaciona-se ao movimento que permite que a cabeça fetal se desprenda do corpo materno. Como já mencionado anteriormente, a maneira mais favorável para que o polo cefálico se desprenda do corpo materno consiste em o occipício fetal estar posicionado abaixo da pube da parturiente, isto é, na variedade de posição occipitopúbica (OP). Figura 9. Hipomóclio. Isso ocorre porque, quando o feto atinge o estreito inferior da pelve materna, as contrações uterinas o impulsionam para fora do canal de parto enquanto a musculatura do períneo materno oferece resistência a esse movimento. Quando a variedade de posição fetal é a occipitopúbica, essas forças contrárias uma a outra sobre o feto acarretam um processo de alavanca, em que o occipício do feto é pressionado contra a região subpúbica da bacia materna, promovendo a deflexão da cabeça fetal e sua consequente exteriorização do canal de parto. Fique atento, porque algumas bancas utilizam o termo deflexão cefálica como sinônimo de desprendimento cefálico. É importante ainda que você saiba que esse movimento de alavanca recebe o nome de hipomóclio. Lembre-se também de que as videoaulas são um bom recurso para ajudá-lo a compreender os movimentos relativos a cada tempo do mecanismo de parto. Concluindo: por facilitar a mecânica necessária para o desprendimento cefálico, isto é, o hipomóclio, a variedade de posição occipitopúbica (OP) é a de melhor prognóstico para ultimação do parto vaginal. Vamos estudar agora o quarto tempo do parto: o desprendimento cefálico. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 12 Antes de terminarmos esse tópico, lembre-se de que, no momento do desprendimento fetal, ocorre a retropulsão do cóccix, promovendo o aumento desse diâmetro, que passa a ser chamado de conjugata exitus, permitindo a passagem do feto. Olhe aí a importância dos estudos da bacia obstétrica, alinhando os conceitos. Se esqueceu, volte a revisar esse conceito no estudo da bacia obstétrica para prosseguir os estudos. O próximo tempo do mecanismo de parto que você precisa conhecer é o quinto tempo, a rotação externa. 1.5 ROTAÇÃO EXTERNA Rotação externa consiste no movimento que restitui o dorso fetal para posição em que estava inicialmente no interior do canal de parto. A rotação externa ocorre após o desprendimento do polo cefálico, quando se observa a cabeça fetal, que já está fora do corpo materno, girar. Associado a esse movimento do polo cefálico, o dorso do feto rotaciona também e retorna para o lado ao qual estava voltado durante o trajeto do parto. Esse tempo do mecanismo de parto também pode ser chamado de restituição, fazendo menção ao movimento do dorso que restitui sua posição inicial. Figura 11. Quinto tempo - Rotação externa. Dessa forma, o movimento de rotação externa é importante para que o diâmetro biacromial, que estava posicionado transversalmente no canal de parto durante o hipomóclio, possa rotacionar e posicionar-se no sentido anteroposterior de forma a acomodar-se ao maior diâmetro do estreito inferior, permitindo o desprendimento do ovoide córmico. Esse movimento é chamado de rotação interna das espáduas. Rotação interna das espáduas ocorre concomitantemente à rotação externa da apresentação fetal. Figura 10. Retropulsão do cóccix. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 13 Enquanto na rotação interna o movimento da apresentação fetal acontece dentro do canal de parto, na rotação externa, o movimento giratório do polo fetal que se desprendeu do corpo materno realiza-se fora do corpo materno, sendo possível observá-lo facilmente. Cuidado para não confundir a ordem dessas duas rotações. Primeiro, o feto está INTERNO para, depois, estar EXTERNO. Além disso, perceba que, se a rotação externa restitui o dorso fetal à posição em que ele estava antes de ocorrer a rotação interna, portanto, a rotação externa ocorrerá em sentido CONTRÁRIO ao da rotação interna. Muito bem! Chegamos ao sexto e último tempo do mecanismo de parto, o desprendimento das espáduas. Vamos lá? 1.6 DESPRENDIMENTO DAS ESPÁDUAS O desprendimento das espáduas caracteriza-se pelo movimento que resulta na exteriorização dos ombros fetais, sendo que, geralmente, o ombro anterior se desprende primeiro, seguido pelo ombro posterior. O diâmetro biacromial é o diâmetro fetal que pode representar empecilho ao desprendimento do feto do corpo materno após os diâmetros cefálicos terem se desprendido do canal de parto. A impactação do ombro anterior do feto sob a pube materna, impedindo que o desprendimento fetal se complete, recebe o nome de distocia de ombro ou distocia bisacromial e é estudada detalhadamente no livro digital ASSISTÊNCIA AO PARTO. Figura 12. Sexto tempo – desprendimento das espáduas. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. 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Vou deixar, abaixo, alguns termos que serão necessários para a compreensão da contratilidade uterina. • TÔNUS UTERINO: é o menor valor registrado entre as contrações. • INTENSIDADE: elevação da pressão intrauterina provocada pela contração acima do nível definido como tônus. • FREQUÊNCIA: número de contrações em 10 minutos. Figura 14. Representação do gráfico de contratilidade uterina. não oferecer grandes resistências à passagem pelo canal de parto, tende a ocorrer de forma rápida e não representar problemas para o nascimento. Chamamos esse momento do parto de desprendimento do ovoide córmico. E, para fechar, aquela figura com todos os movimentos dos mecanismos de parto: Figura 13. Resumo mecanismo de parto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | ResumoEstratégico | 2024 15 ATIVIDADE UTERINA: é o produto da intensidade das contrações x frequência em 10 minutos (unidades de Montevidéu – mmHg/10 minutos). Para entender como ocorre o estímulo contrátil e a propagação dessa contração no útero, é preciso que você entenda o tríplice gradiente descendente. TRÍPLICE GRADIENTE DESCENDENTE Figura 15. Disposição das fibras musculares miometriais. Em cada inserção tubária no útero, existem dois marca-passos (esquerdo e direito) que iniciam os estímulos elétricos. Esse estímulo elétrico deflagraria a atividade muscular e percorreria todo o útero em torno de 15 segundos. O marca-passo direito parece ser soberano, mas eles podem agir independente ou conjuntamente ao esquerdo. A onda contrátil uterina é mais intensa e duradoura no FUNDO UTERINO e vai descendo até as áreas mais baixas uterinas, o que é denominado TRÍPLICE GRADIENTE DESCENDENTE. A capacidade contrátil vai descendo pelo corpo, segmento uterino e termina no orifício interno do colo uterino. O orifício externo do colo não apresenta atividade contrátil. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 16 E por que isso é importante? Porque a onda contrátil descendente auxilia na dilatação e expulsão fetal e não atua como uma força constritiva ao feto. Abaixo, deixo as principais alterações que a contratilidade provoca no organismo materno: Efeito da contratilidade no organismo materno Aumento da pressão arterial PAS aumento de 30 a 40 mmHg PAD sobe 20 a 25 mmHg Aumento da frequência cardíaca Oscila entre 145 a 155 bpm Aumento do retorno venoso Sangue da placenta e do miométrio para a veia cava inferior Lembre-se de que o decúbito materno também provoca repercussões hemodinâmicas. O decúbito dorsal provoca compressão da veia cava inferior, diminuindo o retorno venoso, levando à hipotensão arterial e à síndrome da hipotensão supina. A conduta é manter a gestante em DECÚBITO LATERAL ESQUERDO com a descompressão da veia cava inferior, melhora dos parâmetros e recuperação hemodinâmica. E como se comportam as contrações uterinas durante o ciclo gravídico puerperal? Existem 2 tipos de atividade contrátil durante a gestação: • TIPO A: são contrações de alta frequência e baixa amplitude; intensidade de 2 a 4 mmHg. São contrações localizadas que ocorrem durante a gestação, em torno de 1 contração/min. • TIPO B: são contrações de alta amplitude, inicialmente com intensidade de 10 a 20 mmHg, chamadas de Braxton Hicks, que se difundem parcial ou totalmente pelo útero. Ocorre um aumento gradual da intensidade com a evolução da gestação e coordenação de sua frequência, principalmente 4 semanas antes do parto. Ao iniciar o trabalho de parto, atingem intensidade de 20 a 40 mmHg e frequência de 2 contrações em 10 minutos. Para ajudá-lo, montei uma tabela a seguir, para facilitar seus estudos, com as principais características do padrão contrátil durante o ciclo gravídico puerperal. Isso já caiu em provas, então fique atento. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 17 O que você deve saber sobre o TÔNUS UTERINO? O tônus uterino é o menor valor registrado entre as contrações. Durante a gestação, geralmente o TÔNUS UTERINO é inferior a 10 mmHg. DICA DA CORUJA: o tônus é o menor valor registrado entre as contrações. Então, fique atento à base da onda contrátil. Em algumas situações, existem alterações da onda contrátil chamadas de DISCINESIA. Ela pode variar de uma onda contrátil ineficiente para dilatar o colo ou uma contratilidade exagerada levando a um parto rápido ou taquitócico. Pode ser encontrada uma elevação do tônus uterino, principalmente na HIPERDISTENSÃO UTERINA, em gestações múltiplas ou no polidrâmnio, e, assim, o tônus uterino pode chegar a 20 mmHg. Além disso, no caso do descolamento prematuro de placenta, o tônus pode elevar-se a 30 mmHg. A característica típica é a HIPERTONIA AUTÊNTICA, sendo imperceptível a diferença entre tônus e a contração uterina. Observe a elevação do tônus pelas imagens: 28 semanas Fase ativa Contrações de Braxton Hicks Expulsivo • Atividade uterina baixa • Contações discretas e indolores • Intensidade de 2 a 8 mmHg • Contrações mais frequentes • 3 contrações por hora • Intensidade de 10 a 20 mmHg • 2 a 3 contrações em 10 minutos • Intensidade de 50 mmHg • 5 contrações em 10 minutos • Intensidade de 50 mmHg • Somadas aos puxos maternos • Contrações mais frequentes • Contrações mais perceptíveis TIPO A TIPO B GESTAÇÃO PRÉ-PARTO (4 semanas antes) TRABALHO DE PARTO Figura 16: Padrão contrátil durante o ciclo gravídico-puerperal. Figura 17. Contratilidade uterina. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 18 Figura 18. Comparativo do tônus uterino normal e em situações de distensão uterina (A) ou no descolamento prematuro de placenta (B). Aproveitando essa avaliação da onda contrátil, veja um outro padrão contrátil no parto taquitócico. É o parto com duração da fase ativa menor do que 4 horas de evolução. Ele ocorre devido à taquissistolia com aumento da frequência das contrações (mais do que 5 contrações em 10 minutos). Veja o padrão contrátil encontrado: Figura 19. Padrão das ondas contráteis no parto taquitócico (taquissistolia). Espero que esse direcionamento sobre contratilidade o ajude a responder as questões ligadas a esse tema. Então, vamos iniciar, e agora é de verdade, o estudo dos quatro períodos clínicos do parto: a dilatação, a expulsão fetal, a dequitação e a primeira hora pós-parto. A. B. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 19 CAPÍTULO 3.0 FASES CLÍNICAS DO PARTO Já iniciamos com aquele quadro que deve estar firme em seus conceitos ou deve estar colado em sua parede do quarto até o final de suas provas. As fases ou períodos clínicos do parto são divididos em: 1° Período Dilatação 2° Período Expulsão 3° Período Dequitação 4° Período Primeira hora pós-parto ou GREENBERG Golden hour Mas, antes de detalhar as fases clínicas do parto, preciso que você entenda 4 etapas que ocorrem durante a gestação e puerpério como um processo fisiológico e de transição. Fase 1 – QUIESCÊNCIA: período que dura quase toda a gestação, útero não responde a agentes que provocam contrações e as poucas contrações que ocorrem não provocam alterações do colo uterino. Fase 2 – ATIVAÇÃO: é a fase de preparo para a dilatação do trabalho de parto. É considerada uma fase pré-parto, que dura de 6 a 8 semanas. Uma característica dessa fase é a descida do fundo uterino e, observada no exame físico, a diminuição da altura uterina de 2 a 4 cm, conhecida como a “queda do ventre materno”. É nessa etapa que ocorre o início das contrações uterinas de baixa intensidade e com frequência variável chamadas de contrações de Braxton Hicks, que se mantêm até o início do trabalho de parto. Elas surgem geralmente no terceiro trimestre da gestação e “preparam” o colo uterino para a fase de dilatação. Essas contrações irregulares e de menor intensidade provocam pequenas alterações cervicais. Durante as modificações cervicais iniciais, a gestante refere a eliminação do tampão mucoso pela percepção de um material mucoide mais espessoacompanhado ou não por pequenas raias de sangue pela via vaginal. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 20 Fase 3 – ESTIMULAÇÃO: nessa etapa, ocorre o início das contrações efetivas, levando à dilatação cervical progressiva, expulsão fetal e dequitação. "Professora, quando é considerada uma contração efetiva?" A CONTRAÇÃO EFETIVA é aquela que provoca modificação cervical com dilatação e esvaecimento, além da expulsão fetal. CONTRAÇÕES EFETIVAS: apresentam frequência regular, de 2 a 5 contrações a cada 10 minutos com intensidade de 20 a 60 mmHg (média de 40 mmHg) e cada uma com duração de 30 a 90 segundos. Contração uterina efetiva Dilatação cervical Expulsão fetal Observe que as contrações das fibras musculares do fundo e corpo uterino levam a uma força resultante que empurra o feto para baixo, e as fibras do segmento e colo uterino são tracionadas para cima pela tensão do ligamento redondo e do ligamento uterosacro, fazendo com que ocorra a dilatação cervical e incorporação do colo para o segmento uterino. Figura 20: Esquema de força resultante da contração no período expulsivo do parto. Fase 4 – INVOLUÇÃO: é a fase de retorno ao estado pré-gravídico, que corresponde ao período do puerpério. 3.1 1º PERÍODO – DILATAÇÃO Esse é o primeiro período do parto e corresponde ao período de modificação cervical. Essa etapa inclui tanto a fase latente quanto a fase ativa do trabalho de parto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 21 Essa fase tem início desde as modificações cervicais iniciais e termina com a dilatação completa (10 cm). Para entender as alterações do colo uterino, existem duas modificações bem distintas: a dilatação e o esvaecimento. Ao realizar um toque vaginal, a diferença entre elas deve estar bem firme em sua avaliação. A dilatação é o diâmetro cervical encontrado por meio do toque bidigital. Varia de impérvio (fechado) até a dilatação completa do colo uterino (10 cm). Observe essa evolução da dilatação por meio da figura 21 e perceba que os “10 cm”, na realidade, advém da percepção apenas do polo cefálico fetal que já ultrapassou o colo uterino, e esse não se torna mais perceptível. Com a dilatação completa, todo o canal de parto está formado. Figura 21. Demonstração, ao toque vaginal, da percepção da dilatação cervical. Já o esvaecimento ou apagamento cervical ocorre pela ação das contrações e compressão do polo cefálico contra o colo uterino, levando à incorporação do colo à cavidade uterina. A sensação ao toque é de diferentes espessuras do colo uterino até a polpa digital do examinador atingir o polo cefálico fetal. O esvaecimento vai variar de colo uterino grosso até um colo 100% esvaecido ou também chamado de colo fino ou apagado. Veja, pela figura abaixo, como é a avaliação do esvaecimento. Figura 22. Representação do esvaecimento. Observe a mesma dilatação com diferentes espessuras do colo uterino. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 22 O processo de dilatação e esvaecimento cervical ocorre de forma diferente em nulíparas e multíparas. Geralmente, em nulíparas, o esvaecimento é antes da dilatação e, em multíparas, é simultâneo. Estrategista, você entendeu que, ao iniciar as modificações do colo uterino, estamos diante do trabalho de parto. Então, vamos falar um pouco mais sobre essa etapa. 3.1.1 DIAGNÓSTICO DO TRABALHO DE PARTO É realmente difícil definir exatamente qual é o momento da transição da fase latente para a fase ativa do trabalho de parto. O segredo para o diagnóstico correto é combinar tanto a percepção de contrações efetivas quanto o resultado provocado no colo uterino por meio da dilatação e esvaecimento. ATENÇÃO DA CORUJA: NÃO considerar isoladamente as contrações uterinas ou a dilatação cervical. Você deve COMBINAR os dois resultados: Contração >2 Contrações em 10 minutos Dilatação Mínimo de 3cm Modificação cervical PROGRESSIVA (dilatação + esvaecimento) Um ponto importante que preciso que fique claro para você: DICA DA CORUJA: o TEMPO é um dos parâmetros mais importantes para o acompanhamento do trabalho de parto. Para isso, é preciso que você entenda a evolução da dilatação do colo uterino descrita por Friedman em 1954. Por isso, preciso que você se esforce e entenda o gráfico de Friedman. Aguente firme, preste atenção e vamos lá! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 23 3.1.2 GRÁFICO DE FRIEDMAN Para você finalmente entender as curvas descritas por Friedman, saiba que ele estudou 500 nulíparas em trabalho de parto e demonstrou a evolução da dilatação cervical pelo tempo por meio de uma CURVA SIGMOIDE e outra curva em HIPÉRBOLE, que indica a descida. Vamos avaliar cada curva separadamente. CURVA EM SIGMOIDE: perceba, em uma visão geral, que, na primeira etapa ou fase latente do trabalho de parto, o colo apresenta uma modificação da dilatação muito lenta ou mínima. Quando se inicia a fase ativa, a dilatação atinge uma velocidade bem mais rápida. Perceba que ela é dividida em 3 etapas (aceleração, dilatação máxima e desaceleração). Alcançada a dilatação completa (10 cm), termina o primeiro período de dilatação e inicia o segundo estágio ou período de expulsão fetal. Observe a curva em sigmoide. A dilatação cervical na fase latente é descrita como um período de preparação do colo uterino. No entanto, a fase ativa ou de dilatação propriamente dita é dividida em 3 etapas: • Aceleração: existe tanto a dilatação quanto o esvaecimento do colo uterino (modificações plásticas do colo). Nessa etapa, se for indicada a analgesia, ela pode interromper o início da fase ativa do trabalho de parto. • Aceleração máxima: é o período de dilatação rápida, que vai de 3 a 9 cm. Quando indicada a analgesia, não há interferência na dilatação. • Desaceleração: momento que antecede a dilatação completa (10 cm). • Preparação • Aceleração • Aceleração máxima • Desaceleração FASE LATENTE FASE ATIVA DILATAÇÃO Considera-se FASE LATENTE do trabalho de parto, ou também chamado de falso trabalho de parto, quando as contrações se tornam mais regulares e pouco dolorosas, porém com duração e intensidade ainda variáveis e que não provocam modificações significativas na dilatação cervical. A velocidade de dilatação ainda é lenta, em torno de 0,35 cm/h. A característica é uma dilatação lenta e que pouco se modifica ao longo do tempo. Segundo Friedman, a fase latente dura em torno de 8 até 20 horas. Não se sabe exatamente o momento de transição da fase latente para a fase ativa do trabalho de parto. O diagnóstico de FASE ATIVA ocorre por meio da percepção de contrações regulares, mais frequentes, intensas e que se tornam mais dolorosas. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 24 Considera-se FASE ATIVA do trabalho de parto quando há em torno de 3 contrações em 10 minutos e 4 a 6 cm de dilatação cervical, mas cuidado, porque isso não é uma regra! Fique atento principalmente para a efetividade da contração, istoé, aquela que provoca a modificação progressiva do colo uterino (esvaecimento e dilatação). Segundo Friedman, a velocidade da fase ativa do trabalho de parto é diferente para nulíparas e multíparas: • Nulíparas: dilatação cervical em média de 1,2 cm/h. • Multíparas: dilatação cervical em média de 1,5 cm/h. Deixo uma tabela resumo para ajudar em seus estudos e revisões: ETAPA CONTRAÇÃO COLO DILATAÇÃO VELOCIDADE FASE LATENTE Preparação Regular e pouco dolorosa ( 6 cm de dilatação: destacou um novo marco de transição da FASE LATENTE para FASE ATIVA. Na fase ativa, a velocidade de dilatação em nulíparas demorava de 1,4 a 2,2 horas para cada centímetro de dilatação e, em multíparas, de 0,8 a 1,8 hora para cada centímetro. Aumento em torno de 1 hora no período expulsivo estabelecido por Friedman. Zhang descreve a duração do período expulsivo para primigesta de 3,6 horas com analgesia e 2,8 horas sem analgesia. Sem analgesia 2,8 horas PRIMÍPARA PERÍODO EXPULSIVO POR ZHANG Com analgesia 1 hora a mais que FRIEDMAN 3,6 horas Conclusão: Por que um estudo mais atual não deve ser recomendado e alterado como conduta geral? Porque o trabalho de Zhang refere pontos importantes no processo de assistência que encorajam um trabalho de parto mais longo do que os assistidos nos dias de hoje, tanto para a fase de dilatação quanto para o período expulsivo, mas não oferece evidências de segurança materna e/ou perinatal. 3.2 2O PERÍODO – EXPULSÃO O segundo período corresponde ao período em que o feto será totalmente expelido do útero através do canal de parto. Após a dilatação cervical completa, imagine o canal de parto totalmente formado unindo o segmento inferior do útero, o colo do útero totalmente dilatado e a vagina formando um canal completo. O que há de diferença nessa etapa quanto às contrações? Nessa etapa, ocorrem tanto as contrações uterinas mais frequentes e intensas quanto as contrações voluntárias maternas, conhecidas como puxos, realizados pela parturiente. Os puxos são contrações voluntárias da musculatura abdominal materna e espontâneas que irão adicionar força às contrações uterinas para a expulsão fetal. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 26 É nesse período que ocorre a maioria dos fenômenos mecânicos do parto: - descida - término da rotação interna - desprendimento cefálico - rotação externa - desprendimento das espáduas Além disso, durante a descida do período expulsivo, existem duas etapas, a chamada FASE PÉLVICA e FASE PERINEAL. Lá vem teoria, mas veja que não é nada complicado. Observe que a grande descida do feto ocorre quando a dilatação se completa. Figura 24. Etapas da descida do período expulsivo. “Mas, professora, quanto tempo será necessário para o feto progredir pelo canal de parto nessa etapa?” Fique atento, porque o tempo de descida pelo canal de parto depende das contrações uterinas, da adequada proporção cefalopélvica e do efeito da analgesia. A fase pélvica é estimada, em média, em 30 minutos em multíparas e 1 hora em primíparas. O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) relatou ser difícil orientar o período máximo seguro para o período expulsivo do parto. Se houver preservação da vitalidade fetal, o período expulsivo pode ser mantido por um tempo maior. O período expulsivo prolongado depende de três fatores principais: da paridade, da proporção cefalopélvica e do uso ou não de analgesia de parto. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 27 A figura a seguir vai ajudar na estimativa de tempo, que você deve saber para acompanhar o período expulsivo e para responder às questões de partograma baseadas nas orientações de Friedman. Primípara Multípara Primípara Multípara 2 horas 1 hora 3 horas 2 horas SEM ANALGESIA COM ANALGESIA TEMPO LIMITE DE OBSERVAÇÃO NO PERÍODO EXPULSIVO No momento da expulsão cefálica, deve-se realizar a manobra de Ritgen, uma manobra de proteção do períneo, utilizando o apoio com uma compressa no períneo e mantendo o desprendimento lento do polo cefálico como um “freio” bem lento. Ela está indicada para diminuir as lacerações perineais com a expulsão abrupta do polo cefálico. Após o desprendimento cefálico, o feto realiza espontaneamente a rotação externa e, na sequência, é realizado o desprendimento das espáduas e do ovoide córmico, culminando no nascimento e encerrando o período expulsivo. Muito bem! Terminamos o segundo período do parto com a expulsão completa do feto e iniciamos a expulsão da placenta, chamada de dequitação ou secundamento, que compõe o terceiro período do parto. 3.3 3O PERÍODO – DEQUITAÇÃO OU SECUNDAMENTO O terceiro período ou período de dequitação ou, também, chamado de secundamento é o período com início após a expulsão completa fetal e vai até a eliminação completa da placenta e membranas. Nesse momento, não podemos nos esquecer de dois pontos principais detalhados no livro de assistência ao parto: 1. Indicação profilática da ocitocina logo após o nascimento como medida de prevenção primária para redução da hemorragia pós-parto (redução de 50% das causas de hemorragias provocadas pela atonia uterina). Indicação universal 10 UI intramuscular (parto vaginal ou cesariana) logo após o nascimentoOcitocina Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 28 2. Indicação do clampeamento tardio do cordão umbilical.BENEFÍCIO: • Maior reserva de ferro • Menor risco de transfusão sanguínea • Melhor estabilidade circulatória • Menos hemorragia intraventricular • Menos risco de enterocolite necrotizante INDICAÇÃO: • Alteração de vitalidade do RN • Risco materno TARDIO ou OPORTUNO (1 a 3 minutos) IMEDIATO (logo ao nascimento) CLAMPEAMENTO DO CORDÃO UMBILICAL 3. Manter a TRAÇÃO CONTROLADA da placenta por profissional treinado com o objetivo de diminuir o tempo de dequitação e sangramento. Fica aqui a lembrança de evitar a tração vigorosa da placenta pelo risco de inversão uterina ou de romper o cordão umbilical. A dequitação espontânea varia de 10 minutos a 1 hora pós-parto. Ela geralmente deve ocorrer em até 30 minutos, porém, em 80% dos casos, ela ocorre nos primeiros 10 minutos. Por definição, é considerada como dequitação prolongada quando ocorre acima de 30 minutos pelo aumento do risco hemorrágico. Nesse momento, pode-se indicar a extração manual da placenta mediante analgesia, mas, se a puérpera não apresentar intercorrências no parto ou patologias maternas que aumentem o risco para sangramento pós-parto, pode-se aguardar até 1 hora para dequitação espontânea sem a necessidade de extração manual. O descolamento da placenta ocorre por meio de duas formas clássicas: a mais comum, que ocorre em 85% dos casos, com o descolamento central da placenta por meio de seu descolamento pelo fundo uterino, com a visualização da face fetal da placenta chamada de Baudelocque-Schultze (BS). E a segunda forma de expulsão é por meio do descolamento lateral e periférico da placenta, com a visualização da exteriorização da placenta pela face materna e saída de coágulos antes da expulsão placentária, chamada de Baudelocque-Duncan (BD). Veja a figura abaixo. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 29 Quando a área placentária se exterioriza pelo introito vaginal, o assistente ao parto deve rodar a placenta com o objetivo de desprender a membrana aderida na parede uterina, um movimento conhecido por manobra de Jacob Dublin. Figura 25. Manobra de Jacob ou Jacob Dublin. Dessa forma, após sua expulsão total, deve-se realizar a revisão sistemática da placenta com o objetivo de avaliar tanto a face materna (área dos cotilédones) quanto a face fetal (área com o cordão umbilical e membranas), avaliando se houve a saída completa de suas partes e se não ocorreu a retenção de restos placentários. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 30 Face fetal (inserção do cordão umbilical) b. Face materna (cotilédones) Figura 26. Imagem face materna e face fetal da placenta. Fonte: acervo pessoal. Estamos quase terminando, mas, agora, chegamos na hora de ouro da obstetrícia, ou 4º período de Greenberg ou primeira hora pós- parto. Fique atento a esse tópico, já que o cuidado com o risco de sangramento é redobrado. 3.4 4O PERÍODO – PRIMEIRA HORA PÓS-PARTO (GREENBERG) É também conhecido como o quarto período de Greenberg, porém muitos consideram esse termo incorreto, pois, na verdade, trata- se da primeira hora do puerpério. Essa primeira hora de puerpério é considerada a golden hour da obstetrícia. É o momento em que ocorre o maior risco de hemorragia da puérpera e sua vigília deve ser maior. Para que o sangramento uterino diminua após o descolamento da placenta, os dois principais mecanismos que ocorrem são o miotamponamento e o trombotamponamento. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 31 O MIOTAMPONAMENTO ocorre por meio da contração das fibras musculares de forma fixa e constante, levando à compressão dos vasos sanguíneos miometriais, conhecidos como ligaduras vivas de Pinard. É um dos mecanismos mais importantes para a contenção do sangramento do pós-parto imediato. Conseguimos perceber a ação do miotamponamento pelo exame físico abdominal, por meio da palpação do fundo uterino contraído próximo à cicatriz umbilical, conhecido como globo de segurança de Pinard. É nesse momento que precisamos lembrar que ocorre tanto a ação da ocitocina endógena produzida pela paciente quanto a da ocitocina realizada na dose profilática para todas as pacientes logo após o nascimento (10 UI, via intramuscular). Figura 27. Palpação do útero contraído próximo da cicatriz umbilical (globo de segurança de Pinard). Um segundo mecanismo para conter o sangramento é o TROMBOTAMPONAMENTO. Ocorre por meio da formação de coágulos intrauterinos que recobrem o leito uteroplacentário, logo após o desprendimento da placenta. Nesse período, é importante manter a paciente em um local de maior vigilância, controlando os sinais vitais maternos e o volume de sangramento vaginal. Deixo, abaixo, o quadro com a regra dos 4 “Ts”, que você deve memorizar sobre as principais causas de hemorragia pós-parto e que deve estar em sua parede de revisões, mas que será detalhado no livro digital sobre hemorragia pós-parto. TÔNUS 70% • Atonia uterina *Globo de segurança de Pinard (miotamponamento/ trombotamponamento) TRAUMA 19% • Lacerações • Hematomas *Checar canal de parto TECIDO 10% • Retenção de tecidos placentários TROMBINA 1% • Coagulopatias • Uso de anticoagulantes Figura 28. Principais causas de hemorragia pós-parto (regra dos 4 “Ts”). É com esse quadro que encerro a descrição dos quatro períodos clínicos do parto, que é alvo frequente de questões de prova. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 32 Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/4VMV Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://estr.at/4VMV Prof.s Ana Souza, Marina Ayabe e Natalia Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 Mecanismo de parto e fases clínicas do partoOBSTETRÍCIA 33 CAPÍTULO 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. MONTENEGRO, Carlos Antonio Barbosa; REZENDE FILHO, Jorge de. Obstetrícia fundamental, Rezende. 14.ed. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. 2. MORAIS, R.M.; ROCHA, J.E.S.; TISSIANE, M.P.; FILHO, R.M.M. Tratado de Obstetrícia FEBRASGO. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. 3. ZUGAIB, M.; CABAR, F.R.; CODARIN, R.R.; BUNDUKI, V. Zugaib Obstetrícia. São Paulo: Atheneu, 2020. CAPÍTULO 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Você terminou o estudo de temas teóricos de menor incidência nas provas, mas que são base para o raciocínio de vários outros temas, como partograma e assistência ao parto vaginal. Esteja atento para não confundir as nomenclaturas que se referem aos seis tempos do mecanismo de parto com as quatro fases clínicas do parto. A dica de ouro é: não deixe de resolver as listas de questões preparadas para você. Elas contribuirão bastante para quesedimente esse conhecimento, além de serem uma ótima ferramenta para que você perceba se alguma dúvida ainda precisa ser sanada. Nesse caso, não hesite em nos procurar, pois qualquer esclarecimento é importante para seu aprendizado. Esperamos ter atingido sua expectativa com este material. Contamos com seu estudo e empenho, para logo comemorarmos sua aprovação. @dra.marinamoraes @profa.anasouza @profnataliacarvalho Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina