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G RU PO SER ED U CACIO N AL EMPREENDEDORISMO EM PR EEN D ED O R ISM O Janguiê Diniz. Organizadores: Daniel Campelo e Lilian da Silva Almeida Moura. EMPREENDEDORISMO Janguiê Diniz. Organizadores: Daniel Campelo e Lilian da Silva Almeida Moura. Empreendedorismo © by Ser Educacional Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepik, ©Unsplash, ©Wikimedia Commons. Diretor de EAD: Enzo Moreira. Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato. Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa. Núcleo de Educação a Distância - NEAD Diniz, José Janguiê Bezerra. Organizador(a): Campelo, Daniel; Moura, Lilian da Silva Almeida. Empreendedorismo: Recife: Editora Grupo Ser Educacional e Digital Pages - 2026. 221 p.: pdf ISBN: 978-65-5487-424-3 1. Empreendedor 2. Negócio 3. Social 4. Intraempreendedor Grupo Ser Educacional R. Guilherme Pinto, 400 - Derby CEP: 52010-210, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com Iconografia Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura: ACESSE Links que complementam o contéudo. OBJETIVO Descrição do conteúdo abordado. IMPORTANTE Informações importantes que merecem atenção. OBSERVAÇÃO Nota sobre uma informação. PALAVRAS DO PROFESSOR/AUTOR Nota pessoal e particular do autor. PODCAST Recomendação de podcasts. REFLITA Convite a reflexão sobre um determinado texto. RESUMINDO Um resumo sobre o que foi visto no conteúdo. SAIBA MAIS Informações extras sobre o conteúdo. SINTETIZANDO Uma síntese sobre o conteúdo estudado. VOCÊ SABIA? Informações complementares. ASSISTA Recomendação de vídeos e videoaulas. ATENÇÃO Informações importantes que merecem maior atenção. CURIOSIDADES Informações interessantes e relevantes. CONTEXTUALIZANDO Contextualização sobre o tema abordado. DEFINIÇÃO Definição sobre o tema abordado. DICA Dicas interessantes sobre o tema abordado. EXEMPLIFICANDO Exemplos e explicações para melhor absorção do tema. EXEMPLO Exemplos sobre o tema abordado. FIQUE DE OLHO Informações que merecem relevância. Sumário UNIDADE 1 Definições de empreendedorismo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13 Origens do pensamento empreendedor � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 20 Tipos de empreendedorismo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 21 Empreendedorismo de negócio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �21 Empreendedorismo social � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23 Intraempreendedorismo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 29 Diferença entre o empreendedor e o intraempreendedor � � � � � � � � 35 Vantagens e desvantagens � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 36 Descrevendo as características do perfil empreendedor � � � � � � � � � 37 Diferenças e similaridades entre o empreendedor e o executivo não empreendedor � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 43 É possível aprender a empreender? � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 49 Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo � � � � � � � � � � � � 53 Desafio Ser + Empreendedor � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 54 A Escola de Negócio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 55 CRIA – Incubadora Digital de Aceleração com Inteligência Artificial 57 Shark Academy � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 58 UNIDADE 2 Entendendo a globalização � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 63 Globalização Empresarial � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 64 Vantagens e riscos da globalização � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 65 Papel do empreendedor e do intraempreendedor na globalização � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �68 Empreendedorismo no Brasil � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 72 Fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo � � � � � � � 77 O que são os novos empreendedores? � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 79 Empreendedorismo feminino � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �82 Empreendedorismo digital � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 90 Startups � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 93 Clientes, fornecedores e concorrentes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �95 Clientes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 96 Fornecedores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 103 Concorrentes � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 105 UNIDADE 3 Planejamento Estratégico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 114 Análise de mercado � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 124 Análise de cenários � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 128 Análise ambiental (micro e macroambiente) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 133 A Matriz SWOT � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 136 Fatores críticos de sucesso � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 140 A importância da criatividade e da inovação para a as organizações � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �142 Principais tipos de organização � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �145 Indústria, comércio e serviço � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 147 Governamental ou Estatal � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 149 Organizações Não Governamentais (ONG) � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 152 Modelos de empresas: individual, micro e pequenas empresas e empresas de grande porte � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �156 UNIDADE 4 Identificando as oportunidades de negócio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 163 Qual é o negócio: mercado e pesquisa de mercado? � � � � � � � � � � � � �168 Qual é o produto/serviço ideal e o melhor caminho a seguir? � � � 173 Quais são as oportunidades e os riscos do negócio? � � � � � � � � � � � � �176 Como otimizar as suas chances de sucesso? � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �179 Importância do cliente e análise cuidadosa do produto � � � � � � � � � � � 180 Construindo o plano de negócios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �184 Como elaborar um plano de negócios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 186 Gestão estratégica � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 197 Definindo missão, visão e valores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 199 Fontes de financiamento � � � � � � � � �destacado a seguir: Diagrama 8 - Mitos comuns sobre o empreendedorismo Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que a comparação entre gerentes tradicionais e em- preendedores permite compreender diferentes lógicas de atuação no ambiente organizacional e no mundo dos negócios. Isso porque cada perfil é orientado por motivações, referências de tempo e for- mas de tomada de decisão distintas, que influenciam diretamente a maneira como lidam com riscos, pessoas e resultados. Essas dife- renças não indicam superioridade absoluta, mas refletem objetivos e contextos profissionais específicos. Ao analisar esses perfis, torna-se possível identificar como o empreendedor adota uma postura mais autônoma, orientada ao longo prazo e à criação de valor, enquanto o gerente tradicional atua com foco na estabilidade, na hierarquia e no cumprimento de metas organizacionais. Essa distinção, conforme destacada no qua- dro a seguir, contribui para o desenvolvimento de uma visão críti- ca sobre estilos de gestão e mentalidades profissionais no contexto contemporâneo. 49 Quadro 5 - Comparação entre gerentes tradicionais e empreendedores Fonte: adaptado de Hisrich (1998) apud Dornelas (2016, p. 22) pelo Editorial da Digital Pages (2019). É possível aprender a empreender? Caro(a) aluno(a), como você já deve ter percebido, aprender a em- preender envolve muito mais do que adquirir conhecimentos téc- nicos ou compreender conceitos teóricos sobre negócios. Trata-se de desenvolver uma forma específica de pensar e agir diante dos desafios, oportunidades e incertezas do mercado. Nesse sentido, o Tema Gerentes tradicionais Empreendedores Motivação principal Promoção e outras recompen- sas tradicionais da corporação, como secretária, status, poder etc. Independência, oportuni- dade para criar algo novo, ganhar dinheiro. Referência de tempo Curto prazo, gerenciando orça- mentos semanais, mensais etc e com horizonte de planejamento anual. Sobreviver e atingir cinco a dez anos de crescimento do negócio. Atividade Delega e supervisiona. Envolve-se diretamente. Status Preocupa-se com o status e como é visto na empresa. Não se preocupa com status. Como vê o risco Com cautela. Assume riscos calculados. Falhas e erros Tenta evitar erros e surpresas. Aprende com erros e falhas. Decisões Geralmente concorda com seus superiores. Segue seus sonhos e toma decisões. A quem serve Aos outros (superiores). A si próprio e a seus clientes. Histórico familiar Membros da família trabalham em grandes empresas. Membros da família pos- suem pequenas empresas ou já criaram algum negócio. Relacionamen- to com outras pessoas A hierarquia é a base do relacionamento. As transações e acordos são a base do relacionamento. 50 empreendedorismo está diretamente relacionado à capacidade de observar problemas, propor soluções, tomar decisões e assumir responsabilidades de maneira consciente e estratégica. Esse processo exige autoconhecimento, disposição para aprender com erros e abertura para a inovação contínua. Ao longo do tempo, experiências, estudos e práticas contribuem para a cons- trução dessa mentalidade, preparando o indivíduo para transformar ideias em ações concretas e sustentáveis. Agora podemos refletir melhor: será que o empreendedorismo pode ser ensinado ou até mesmo aprendido pelas pessoas? Pense nisso! Segundo alguns relatos de anos anteriores, isso era impossí- vel. Isso porque, naquele tempo, acreditava-se que o empreendedo- rismo era inato, ou seja, uma característica que nascia com a pessoa, um atributo de sua personalidade e, assim, ela estava predestinada ao sucesso. Dessa maneira, as demais pessoas que não possuíam estas características não eram estimuladas a empreender. Sendo assim, acabavam sendo desencorajadas quando tinham vontade de realizar algum sonho empreendedor. Atualmente, esse discurso mudou bastante. Acredita-se cada vez mais que o processo empreendedor pode ser ensinado e enten- dido por qualquer pessoa, como já falamos anteriormente. REFLITA 51 Figura 6 – É possível aprender a empreender Fonte: creativeart (s.d.) no Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/ fotos-gratis/mesa-criativo-monitor-de-tecnologia-digital-gerada_990866. htm#fromView=image_search&page=1&position=4&uuid=873f7eea-6a0f-4d03- 89fd-6dccf85b4a0f. Acesso em: 16 jan. 2026. É claro que ainda temos os empreendedores inatos e com sucesso, porém temos aqueles empreendedores que se arriscaram, buscaram conhecimento e correram atrás de seus sonhos. Podemos falar de grandes mitos empreendedores, como Bill Gates, Silvio Santos, Steve Jobs, dentre tantos outros que tiveram uma em- presa sustentável e duradoura. É importante sabermos que, ao buscar conhecimento sobre seu próprio negócio, o empreendedor está buscando ser um em- presário de sucesso, e o conhecimento é um parceiro constante do empreendedor, que o ajudará a gerar riquezas para si e para o país. Além disso, muitas universidades e escolas técnicas disponi- bilizam cursos sobre empreendedorismo para pessoas que querem EXEMPLO 52 desenvolver e aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto. En- tretanto, é preciso ficar atento(a) ao que essas instituições ensinam para ver se o conhecimento está realmente alinhado ao propósito de desenvolver empreendedores. O ensino do empreendedorismo, no contexto universitário, está as- sociado ao desenvolvimento de competências por meio de metodo- logias ativas, projetos práticos e aprendizagem experiencial (como, por exemplo, o Desafio Ser+ Empreendedor, detalhado no tópico a seguir), conforme defendido por autores contemporâneos da área. No quadro a seguir, idealizado por Dornelas (2016), é possível ver a classificação das habilidades requeridas a um empreendedor. Quadro 6 - Habilidades do empreendedor Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Assim, concluir o processo de aprender a empreender signifi- ca reconhecer que o empreendedorismo não é um dom exclusivo de poucos, mas uma competência que pode ser desenvolvida ao longo DICA Habilidades técnicas Estão relacionadas à escrita, à fala, a ouvir as pessoas, buscar informações importantes para o negócio, desenvolver o trabalho em equipe e buscar conhecimento sobre o que se preten- de fazer, como qual será o seu diferencial e o know-how técnico na área de atuação. As habilidades gerenciais Envolvem criação, desenvolvimento e gerencia- mento da empresa, bem como os departamentos que ela possui: Marketing, Recursos Humanos, Finanças, dentre outros. Ser bom negociador e ter controle da administração da empresa. As características pessoais Estão relacionadas a todos aqueles que fazem de alguém um empreendedor. 53 do tempo por meio do estudo, da prática e da reflexão crítica. Ao aprender a empreender, o indivíduo amplia sua capacidade de ana- lisar cenários, lidar com riscos, tomar decisões estratégicas e agir de forma proativa diante das mudanças. Esse aprendizado fortalece a autonomia, estimula a inovação e contribui para a formação de pro- fissionais mais preparados para criar valor econômico e social em diferentes contextos. Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo A Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo estrutu- ra-se como um percurso formativo progressivo, no qual você, es- tudante, é conduzido(a) desde a sensibilização empreendedora até a apresentação de soluções maduras a potenciais investidores. Essa lógica de jornada integra ensino, prática e inovação, articulando projetos pedagógicos que se complementam e ampliam a experiên- cia acadêmica para além da sala de aula, consolidando uma forma- ção orientada à ação, à resolução de problemas e à geração de valor econômico e social, conforme detalhado no diagrama a seguir. Diagrama 9 - Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo Fonte: Grupo Ser Educacional (2026). 54 Desafio Ser + Empreendedor O Desafio Ser + Empreendedor constitui a porta de entrada des- sa trilha, funcionandocomo um instrumento pedagógico e estra- tégico de estímulo à prospecção de novos negócios no ambiente universitário. Direcionado aos estudantes regularmente matriculados na disciplina de Empreendedorismo, o desafio busca disseminar a cul- tura empreendedora, fomentar a criação de soluções inovadoras e identificar projetos com potencial de continuidade no ecossistema de inovação do Grupo Ser Educacional. E, diferentemente de inicia- tivas restritas à fase de ideação, o desafio contempla propostas em diferentes níveis de maturidade, desde ideias iniciais até projetos estruturados e funcionais. No âmbito acadêmico, o Desafio Ser + Empreendedor está diretamente vinculado ao processo avaliativo da disciplina, com critérios claros de submissão, avaliação e pontuação. Assim, os projetos são desenvolvidos em grupo, submetidos, obrigatoria- mente, em formato digital e avaliados por banca examinadora, e apenas aqueles que atingem desempenho elevado avançam às eta- pas subsequentes. Destaca-se que, além do caráter formativo, o desafio oferece incentivos concretos, como premiação financeira, mentoria espe- cializada e visibilidade institucional, reforçando a articulação entre aprendizagem, mérito acadêmico e prática empreendedora. Como resultado, o Desafio Ser + Empreendedor cumpre du- pla função: consolida o aprendizado teórico da disciplina por meio da aplicação prática e atua como mecanismo de identificação de projetos promissores, que poderão seguir para etapas mais avan- çadas de desenvolvimento, assegurando a continuidade da jornada empreendedora do estudante. Ao transformar o conhecimento adquirido na disciplina em propostas concretas de negócio, o Desafio Ser + Empreendedor cria as condições iniciais para uma formação empreendedora apli- cada. No entanto, para que essas experiências se consolidem e se 55 ampliem ao longo da trajetória acadêmica, é necessário um am- biente institucional que integre teoria, prática e inovação de forma estruturada e contínua, papel assumido pela Escola de Negócios, conforme descrito na sequência. A Escola de Negócio Se você deseja aprender a empreender durante sua formação, é im- portante conhecer a Escola de Negócio do Grupo Ser Educacional, que faz parte do Sistema de Aprendizagem Ubíqua. A Escola de Negócios surge como uma proposta formativa estratégica voltada ao desenvolvimento integral do estudante, ali- nhando conhecimento acadêmico, prática profissional e inovação educacional. Trata-se de um projeto que vai além da sala de aula tradicional, pois ele oferece um ambiente estruturado para que o aluno vivencie, ainda durante a graduação, os desafios reais do mundo dos negócios. Nesse espaço, teoria e prática deixam de ser dimensões sepa- radas e passam a dialogar continuamente, favorecendo a constru- ção de uma mentalidade empreendedora sólida, crítica e aplicada. Ao participar da Escola de Negócios, você, estudante, é esti- mulado(a) a desenvolver competências essenciais para sua atuação profissional, como liderança, tomada de decisão, gestão de projetos, trabalho em equipe e capacidade de resolver problemas complexos. Além disso, o projeto possibilita o contato direto com si- tuações empresariais concretas, ampliando a compreensão sobre o funcionamento das organizações, seus processos internos, suas estratégias e suas relações com o mercado. Essa vivência prática contribui significativamente para a formação de profissionais mais preparados, autônomos e adaptáveis às constantes transformações do ambiente econômico. Outro diferencial relevante da Escola de Negócios é a valo- rização da inovação, da tecnologia e da diversidade cultural como elementos centrais do processo de aprendizagem. Isso porque o uso consciente de ferramentas tecnológicas, aliado a metodologias 56 ativas e experiências imersivas, permite que você desenvolva uma postura investigativa e criativa, compreendendo que a tecnologia não é um fim em si mesma, mas um meio para potencializar solu- ções, otimizar processos e gerar valor. Nesse contexto, professores atuam como mediadores do conhecimento, orientando, provocando reflexões e criando oportunidades para o crescimento intelectual e profissional dos alunos. Por fim, a Escola de Negócios reforça a ideia de que apren- der a empreender é um processo contínuo, construído a partir da experiência, do conhecimento e da ação. Assim, ao integrar forma- ção acadêmica, prática empresarial e inovação educacional, o pro- jeto contribui para a formação de profissionais capazes de enxergar oportunidades, agir estrategicamente e assumir responsabilidades em diferentes contextos organizacionais. A escola de negócio faz parte do Sistema de Aprendizagem Ubíqua. Esse sistema inovador articula diferentes projetos educa- cionais integrados, todos conectados pelo eixo do empreendedoris- mo e da formação para a trabalhabilidade. Essa integração ocorre, inicialmente, por meio do projeto Navega DPT, que estimula você a compreender, desde os primeiros períodos do curso, o conceito de trabalhabilidade e sua relação com o mundo do trabalho contemporâneo. Soma-se a isso o projeto Ser+ Empreendedor, no qual, no âmbito da disciplina de Empreendedo- rismo, incentiva você, aluno(a), a estruturar e submeter propos- tas de negócio, aproximando o aprendizado acadêmico da prática empreendedora. Complementando esse ecossistema formativo, a Escola de Negócios consolida-se como um espaço voltado à preparação para o mundo dos negócios, integrando conhecimentos teóricos e práticos essenciais à gestão eficaz e eficiente das organizações. Dessa forma, ela se consolida como um ambiente privilegia- do de aprendizagem empreendedora, preparando você não apenas para o mercado de trabalho, mas para a construção de trajetórias profissionais consistentes, éticas e transformadoras. 57 A partir dessa base formativa integrada, a jornada empreen- dedora avança para uma etapa em que as ideias e projetos precisam ganhar forma concreta. Diante disso, o desafio deixa de ser apenas conceitual e passa a exigir estruturação técnica, validação e desen- volvimento de soluções, o que demanda ambientes especializados de apoio à inovação e à viabilização dos negócios. CRIA – Incubadora Digital de Aceleração com Inteligência Artificial A CRIA configura-se como a etapa de amadurecimento dos projetos selecionados no Desafio Ser + Empreendedor, funcionando como um hub de tecnologia aplicada e inovação orientada a resultados. Nessa fase, os projetos ingressam em um processo de incu- bação digital que utiliza a Inteligência Artificial de forma ética e es- tratégica para acelerar o desenvolvimento das soluções propostas. Assim, ideias em estágio inicial são apoiadas na prototipagem e na construção do Mínimo Produto Viável (MVP), enquanto projetos mais avançados recebem suporte para otimização de processos, au- tomação e escalabilidade. O diferencial da CRIA reside na capacidade de reduzir significati- vamente o tempo de desenvolvimento dos projetos, permitindo que etapas tradicionalmente longas sejam otimizadas por meio do uso inteligente de tecnologia. Dessa forma, assegura-se que iniciativas promissoras não sejam interrompidas precocemente, mas evoluam de maneira con- sistente até alcançar condições reais de inserção no mercado, for- talecendo o vínculo entre inovação acadêmica e aplicação prática. Destacamos que, com projetos estruturados, validados e tec- nologicamente amadurecidos, a jornada empreendedora alcança seu estágio mais avançado, no qual a sustentabilidade e a expansão do negócio passam a depender do acesso a capital, parcerias estra- tégicas e redes de investidores. 58 Shark Academy O Shark Academy representa a etapa final da Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo, conectando os projetos incuba- dos na CRIA a investidores, empresários e fundos de investimento. Nessa fase, apenas as equipes que demonstraram evolução sóli- da ao longo do processo de incubação tornam-se aptas a partici-par, assegurando um nível elevado de maturidade das propostas apresentadas. Dessa maneira, o foco central do Shark Academy é a apre- sentação estratégica dos projetos, com vistas à captação de recur- sos, à formação de parcerias ou à comercialização das soluções desenvolvidas. E, ao encerrar a trilha com uma experiência de con- tato direto com o mercado e com agentes de investimento, o Shark Academy consolida o caráter prático e transformador dessa jornada formativa. Assim, o estudante vivencia, de maneira integrada, todas as etapas do empreendedorismo — da ideia à apresentação para in- vestidores — fortalecendo competências técnicas, estratégicas e comportamentais essenciais para sua atuação profissional em am- bientes inovadores e altamente competitivos. Perceba que a Trilha de Inovação, Tecnologia e Empreen- dedorismo evidencia uma proposta formativa integrada, que arti- cula teoria, prática e inovação de maneira progressiva e coerente. Ao percorrer etapas que vão desde o Desafio Ser + Empreendedor, passando pela Escola de Negócios e pela incubação na CRIA, até a apresentação no Shark Academy, o estudante vivencia o empreen- dedorismo como um processo contínuo de aprendizagem, experi- mentação e amadurecimento. Essa jornada permite compreender que empreender não se resume à criação de ideias, mas envolve planejamento, validação, desenvolvimento tecnológico, gestão estratégica e capacidade de diálogo com o mercado e com investidores. Nesse sentido, reforça-se que a formação empreende- dora proposta pelo Grupo Ser Educacional ultrapassa os limites 59 tradicionais da educação superior, preparando o aluno para atuar de forma crítica, ética e inovadora em diferentes contextos organizacionais. Assim, ao integrar conhecimento acadêmico, experiências práticas e suporte institucional ao desenvolvimento de negócios, a trilha contribui para a construção de trajetórias profissionais mais autônomas, adaptáveis e alinhadas às exigências do mundo do tra- balho contemporâneo, consolidando o empreendedorismo como um eixo estruturante da formação para a trabalhabilidade e para a transformação social. Caro(a) estudante, chegamos ao final do nosso material e lembra- mos a você que aqui estudamos o significado de empreendedorismo e os seus tipos. Assim, pudemos perceber a importância de em- preender como fonte de geração de riqueza para um país e para a lucratividade do negócio. Estudamos, também, que, para isso acontecer, é relevante que se tenha uma boa administração e controle da empresa. Caso contrá- rio, o empreendedor não conseguirá alcançar seus objetivos. Vimos também as características dos empreendedores e intraem- preendedores e pudemos analisar como tais características con- tribuem para o empreendedorismo organizacional, o que tem despertado o interesse de algumas organizações. Neste material, você aprendeu que os intraempreendedores são ca- pazes de trazer novas ideias e desenvolver algo novo para empresa, aumentando sua competitividade, respondendo rapidamente às de- mandas de mercado e desenvolvendo uma vantagem competitiva. Isso mostra que as empresas já existentes também podem ser em- preendedoras. Outro fator importante foi entender como se formam os empreendedores e analisar suas características, sua forma de ver, pensar e agir sobre os fatos ocorridos. SINTETIZANDO 60 Por fim, pudemos evidenciar que o empreendedor não precisa ser um sonhador sem estratégias e organização, pelo contrário: ele precisa ser uma pessoa de coragem, assumir riscos calculados e, se possível, dividir esses riscos. É uma pessoa inspiradora que trans- forma sonhos em realidade. Dito isso, é de extrema importância que você continue estudando e aplicando o conhecimento adquirido neste material. Até a próxima! UN ID AD E 2 Entendendo a globalização e o empreendedorismo no Brasil Objetivos ◼ Permitir a compreensão da globalização e do cenário brasilei- ro para promover o empreendedorismo; ◼ Entender quem são os novos empreendedores e como estão aproveitando as informações do cenário para desenvolver seus projetos; ◼ Entender o setor de empreendedorismo digital e suas modalidades. 62 Introdução Olá, estudante. Como vai? Vamos iniciar essa etapa de estudo e, desde já, é importante que você esteja ciente de que a compreensão do empreende- dorismo contemporâneo exige, necessariamente, uma análise integrada do fenômeno da globalização e de seus desdobramentos econômicos, sociais, tecnológicos e culturais. Isso porque vivemos em um contexto marcado pela intensificação das relações entre países, organizações e indivíduos, no qual fronteiras físi- cas, comerciais e informacionais tornaram-se cada vez mais tênues. Diante disso, precisamos estar atentos(as), pois esse cenário amplia oportunida- des, mas também impõe desafios significativos aos empreendedores, que precisam interpretar tendências globais, adaptar-se a ambientes altamente competitivos e responder com agilidade às constantes transformações do mercado. No Brasil, o empreendedorismo assume papel estratégico no de- senvolvimento econômico e social, sendo impulsionado tanto por opor- tunidades quanto por necessidades estruturais, como crises econômicas, desemprego e desigualdades regionais. E, inserido em um ambiente globa- lizado, o empreendedor brasileiro enfrenta um contexto paradoxal: ao mes- mo tempo em que lida com elevada carga tributária, burocracia e restrições institucionais, encontra possibilidades inéditas de inovação, expansão de mercado e uso intensivo da tecnologia, especialmente no ambiente digital. Pensando nisso, esse material propõe uma abordagem ampla e ar- ticulada sobre a globalização e o empreendedorismo no Brasil, discutindo suas vantagens, riscos e impactos sobre as organizações e sobre o perfil dos empreendedores. Ao longo do conteúdo, são analisados o papel do em- preendedor e do intraempreendedor, o crescimento do empreendedorismo feminino, a consolidação do empreendedorismo digital, o surgimento das startups e a relevância estratégica de elementos como clientes, fornecedores e concorrentes. Dessa forma, busca-se fornecer a você uma base conceitual e analítica sólida, capaz de orientar a tomada de decisão empreendedora em um ambiente marcado pela complexidade, inovação e competitividade global. Dito isso, vamos começar! 63 Entendendo a globalização Embora as trocas comerciais existam desde as primeiras civiliza- ções, o conceito contemporâneo de globalização está associado à intensificação das relações econômicas, financeiras, produtivas e culturais entre países, especialmente a partir do avanço tecnoló- gico e da integração dos mercados (Lacombe, 2011). E, se formos mais atrás na história e mencionarmos o processo de migração de pessoas, identificaremos um movimento que contribuiu para o processo de globalização. Assim, podemos aproximar a globaliza- ção ao processo de rompimento de fronteiras, no qual as pessoas ganham maior proximidade e conseguem fazer negócios ou criar relacionamentos. Com o tempo, em parceria com a tecnologia, esse processo foi tomando novos formatos e, à medida em que as nações iam se relacionando e se desenvolvendo, vivenciavam um processo de glo- balização. Outro fator importante foi a criação de empresas mul- tinacionais que romperam fronteiras e conseguiram importar ou exportar mercadorias para outros países que não fosse o seu e, as- sim, trabalhar com novos mercados. Dessa forma, o comércio internacional tem crescido ao longo dos tempos, isso porque as facilidades de comunicação, transportes e investimentos acabam promovendo o setor e realizando a globali- zação dos países envolvidos. Nesse sentido, os blocos econômicos surgiram com o objetivo de incentivar o relacionamento comercial entre seus países mem- bros e, por outro lado, acabaram restringindo a negociação com outros países que estavam fora dele, tais como o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), o Mercado Comum do Sul (Mercosul),o Mercado Comum Árabe (MCA), Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), dentre outros. Perceba que a inovação tecnológica quebrou a distância entre países e pessoas, bem como promoveu a diminuição de custos com transportes e ligações de telefones celulares, contribuindo para a globalização. 64 O estudioso Lacombe, em seu livro Administração fácil, pu- blicado em 2011, defende que a globalização dá ênfase aos aspectos econômicos e comerciais, permeando todas as atividades humanas, influindo nas culturas, comportamentos e valores de todos os po- vos. Dito isso, vejamos o que o autor tem a dizer sobre o assunto: [...] integração crescente de todos os mercados (financeiros, de produtos, serviços, mão de obra etc.), bem como dos meios de comunica- ção e de transportes de todos os países do pla- neta. Também é o processo em que a vida social nas sociedades sofre influência cada vez maio- res de todos os países, incluindo os aspectos políticos, econômicos, culturais, artísticos, moda, meios de comunicação, etc (Lacombe, 2011, p. 213). Dessa forma, a globalização não pode ser compreendida apenas como um fenômeno econômico abstrato, mas como um processo concreto que redefine a forma como empresas, mer- cados e pessoas se relacionam. E, ao integrar economias, reduzir barreiras e intensificar fluxos de informações, capitais e tecnolo- gias, a globalização cria um ambiente cada vez mais competitivo e interdependente. Nesse contexto, as organizações passam a operar além das fronteiras nacionais, adotando estratégias, modelos de gestão e práticas alinhadas a uma lógica global. É justamente a partir dessa dinâmica que emerge a globalização empresarial, que conhecere- mos a seguir, na qual as empresas se reorganizam, expandem suas operações e constroem vantagens competitivas em um cenário in- ternacional cada vez mais integrado. Globalização Empresarial No desenvolvimento da globalização, o que pode ter maior pro- moção lucrativa para as organizações é a quebra de barreiras para criar negócios com públicos distantes. E, do ponto de vista geren- cial, a globalização empresarial pode ser compreendida a partir de 65 diferentes dimensões analíticas, como oferta, demanda, estratégia e competição, que auxiliam o empreendedor na definição de seu posicionamento estratégico em mercados globalizados, conforme destacado no diagrama a seguir. Diagrama 1 - A globalização empresarial pode ser dividida em quatro possibilidades Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que, entendendo cada uma das possibilidades, fica mais claro para o empreendedor definir sua estratégia e orientar seu planejamento estratégico. Vantagens e riscos da globalização A globalização pode proporcionar muitas vantagens. Isso porque, com a quebra de barreiras que minimizam a distância entre pessoas e empresas, por exemplo, é possível realizar negócios mais dinâmi- cos e lucrativos para todos os envolvidos. Algumas vantagens são: 66 Diagrama 2 - Vantagens da globalização Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Entretanto, ela também pode trazer alguns riscos caso os(as) envolvidos(as) não estejam atentos(as), tais como: • Livre fluxo de recursos financeiros: o aumento das especu- lações influenciam no risco da economia de um país e, con- sequentemente, influencia nas decisões da empresa quanto à atuação e investimento. • Diminuição da soberania dos países: países em blocos eco- nômicos devem seguir regras elaboradas conjuntamente com 67 outros países e isso, às vezes, influencia na sua soberania, pois são obrigados a seguir os tratados internacionais. • Velocidades diferentes da globalização: diferenças de velo- cidade entre os planos financeiro, com transações rápidas e dinâmicas, econômico, com integração realizada a partir dos blocos econômicos, político, com a globalização ainda mais atrasada, e social. • Empobrecimento cultural: a globalização cria a exclusão de culturas, costumes locais e regiões, prevalecendo uma cultura global e homogeneizada. • Riscos da padronização: padronizar produtos e serviços pode causar perda da diversidade cultural, econômica e organiza- cional, com a imposição de modelos homogêneos que descon- sideram as especificidades locais. Figura 1 – Acordos globais podem trazer vantagens Fonte: Freepik (s. d.). Disponível em: https://br.freepik.com/imagem-ia-gratis/ apertar-de-mao-de-negocios-com-fundo-de-mapa-do-mundo_416630159.htm#fr omView=search&page=1&position=2&uuid=adb8a4fc-7151-4f77-885c-407240f137aa &query=globalization+handshake. Acesso em: 29 jan. 2026. Percebemos, desse modo, que a globalização é um proces- so inevitável e transformador. E, do ponto de vista financeiro, é possível perceber que a globalização promove transações rápidas e dinâmicas, além do surgimento de novos produtos no setor. Assim, 68 para o setor produtivo das organizações, a globalização foi um avanço, uma vez que ela promove a competitividade entre as em- presas e, consequentemente, melhora a qualidade de seus produtos e serviços, aumentando a participação de mercado e explorando no- vos segmentos e públicos. Todavia, ao olharmos para outros fatores, como o político e o social, conseguimos perceber uma diferença que a globaliza- ção ainda não pode solucionar. Isso porque muitos não têm acesso a ferramentas importantes que promovem a globalização e o setor político, por exemplo, ainda burocratizado, não consegue atender as demandas da sociedade. Diante desse cenário, torna-se evidente que o empreendedor e o intraempreendedor desempenham papéis centrais no contexto da globalização. São esses agentes que, ao identificar oportunidades e lacunas deixadas pelas limitações políticas e sociais, conseguem transformar desafios em soluções inovadoras, capazes de ampliar o acesso a produtos, serviços e tecnologias. No ambiente organizacional, o empreendedor impulsio- na a inserção das empresas em mercados globais, enquanto o in- traempreendedor promove mudanças internas, adapta processos e desenvolve estratégias que permitem às organizações competir em escala internacional. Assim, conforme detalharemos a seguir, ambos atuam como protagonistas na globalização, contribuindo para a inovação, a inclusão produtiva e a construção de modelos de negócio mais eficientes e alinhados às exigências de um mercado globalizado. Papel do empreendedor e do intraempreendedor na globalização Caro(a) aluno(a), o cenário da globalização pode ser muito mo- tivador e desafiante para o empreendedor e o intraempreende- dor. Em relação às influências da globalização no setor financeiro e produtivo, o empreendedor tem papel fundamental em analisar os acontecimentos e tendências, olhando para as oportunidades e transformando-as em negócios geradores de lucro. Elas são vistas 69 com uma importância extrema para o desenvolvimento das empre- sas, que gerarão empregos nos locais onde estiverem inseridas. Diante disso, a compreensão das diferenças entre o em- preendedor e o intraempreendedor é essencial para analisar como a inovação e a criação de valor ocorrem em distintos contextos or- ganizacionais. Isso porque ambos compartilham características semelhantes, como visão estratégica, iniciativa, criatividade e dis- posição para assumir riscos, porém atuam em ambientes diferentes e com objetivos específicos. Enquanto um constrói e desenvolve o próprio negócio, o outro exerce seu potencial empreendedor den- tro de organizações já existentes, contribuindo para sua renovação e competitividade. Nesse sentido, o empreendedor e o intraempreendedor as- sumem papéis complementares no desenvolvimento econômico e organizacional, como você poderá observar no diagrama a seguir. Suas ações estão diretamente relacionadas à capacidade de iden- tificar oportunidades, mobilizar recursos e transformar ideias em resultados concretos. E compreender essas distinções permite uma leitura mais clara das formas de atuação empreendedora e de como cada perfilcontribui para a inovação, o crescimento e a sustentabi- lidade das organizações. Diagrama 3 - Empreendedor e intraempreendedor 70 Fonte: adaptado do Editorial da Digital Pages (2019) pelo Grupo Ser Educacional (2026). Esse tipo de ação permite que a empresa se reinvente por meio de novos produtos e serviços que atendam de forma rápida e efetiva às demandas e necessidades de um determinado público-alvo. Diante do que já foi exposto, destacamos o importante papel do intraempreendedor dentro das organizações para que elas sejam sustentáveis e tenham competitividade. Sendo assim, o intraem- preendedor possui um papel imprescindível para o crescimento e a sustentabilidade das empresas, conforme afirma Diniz, no livro “A Arte de Empreender” (2019). Isso porque, quando a empresa tem um intraempreende- dor trabalhando para que ela seja inovadora no mercado, ela ganha maior evidência se comparada com as demais de seu segmento; isto permite maior credibilidade e o fortalecimento de sua marca. O empreendedor, por sua vez, realizando o mesmo papel com sua empresa, conseguirá os mesmos objetivos, permitindo que a or- ganização tenha maior competitividade por meio de uma vantagem competitiva, ou seja, o seu diferencial. Chamamos este tipo de ação de estratégia empreendedora. Perceba que, além da dimensão motivacional, o empreende- dor e o intraempreendedor atuam de forma analítica, identificando oportunidades, avaliando riscos e estruturando estratégias que per- mitam a criação de valor e a sustentabilidade do negócio. 71 A Gol Transportes Aéreos revolucionou o mercado aéreo nacional com uma estratégia empreendedora quando optou por trabalhar com o conceito de baixo custo e tarifa baixa (low cost), modelo que ainda não era usado no Brasil. Para que isto fosse possível, deveria ter um custo mais baixo e desenvolveu muitas estratégias para re- duzir seu custo, como voos fretados. Ganhou reconhecimento na- cional e, atualmente, é uma das maiores empresas de transportes da América Latina. À época de sua consolidação no mercado nacio- nal, a GOL alcançou expressiva participação no transporte aéreo brasileiro. Perceba que as empresas que trabalham com uma estratégia empreendedora usam a inovação para trazer produtos e serviços di- ferentes ao mercado e acabam tendo maior visibilidade. E, conforme você observou, o exemplo evidencia como o empreendedorismo no Brasil tem sido um importante motor de transformação dos merca- dos, mesmo em contextos historicamente marcados por altos cus- tos, barreiras regulatórias e forte concorrência. Assim, ao adotar estratégias inovadoras e adaptadas à reali- dade nacional, empresas empreendedoras conseguem romper pa- drões tradicionais, ampliar o acesso a produtos e serviços e gerar novas dinâmicas competitivas. Nesse contexto, o empreendedorismo brasileiro se destaca pela capacidade de identificar oportunidades em cenários desafia- dores, utilizar a inovação como diferencial estratégico e contribuir para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a mo- dernização dos setores produtivos do país, conforme detalharemos na sequência. EXEMPLO 72 Empreendedorismo no Brasil Por mais que o Brasil seja um dos maiores países voltados para o empreendedorismo, empreender no Brasil envolve desafios es- truturais relacionados ao ambiente econômico, regulatório e ins- titucional, tais como: mão-de-obra desqualificada, elevada carga tributária, altas taxas de juros, corrupção e excessiva burocracia, os quais impactam a criação e a sobrevivência dos negócios, conforme apontam estudos recentes do Sebrae (2024) e do Global Entrepre- neurship Monitor – GEM (2023/2024). Além disso, há no país uma atenção especial para o tema em- preendedorismo no que diz respeito à criação de pequenas empre- sas duradouras e a necessidade de diminuir a taxa de mortalidade dessas empresas. Isso porque o empreendedorismo movimenta a economia e gera empregos para a sociedade. Nesse sentido, é preciso estarmos cientes de que o índice de mortalidade das pequenas empresas que abrem e fecham em pou- co período de vida é muito grande no país, potencializando a preo- cupação para o tema. Muitos fatores influenciam diretamente esse problema, principalmente no que se diz respeito à economia do país. Outros fatores importantes são a globalização, a necessidade de inovação para ter competitividade, a necessidade de investir na empresa para ela se manter no mercado, dentre outros. De acordo com o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2024), elaborado pelo Sebrae em parceria com a Associação Na- cional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe), o Brasil registrou em 2024 uma Taxa de Empreendedorismo Total de 33,4% entre a população adulta, o que representa cerca de 47 milhões de brasileiros envolvidos em atividades empreendedoras, formais ou informais. Esse índice indica um aumento na partici- pação empreendedora em relação aos últimos anos. Além disso, a SAIBA MAIS 73 Taxa de Empreendedores Estabelecidos — aqueles com negócio em operação há mais de 3,5 anos — também cresceu, passando de 8,7% em 2020 para 13,2% em 2024, sugerindo maior sustentabilidade dos empreendimentos. Dessa forma, o empreendedorismo é um fator importan- te para o desenvolvimento de um país, para geração de riquezas, empregos e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento como principal promotor do avanço econômico e social. Ainda de acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2024), as categorias conceituais de empreendedores continuam sendo utilizadas para monitorar a dinâmica do empreendedorismo no Brasil. Das atividades empreendedoras, considerando empreen- dedores nascentes, novos e estabelecidos, uma parcela significativa corresponde a empreendedores iniciais (nascentes e novos), refle- tindo tanto a criação de novos negócios quanto a persistência de de- safios na transição para negócios estabelecidos. Além disso, observou-se crescimento na proporção de em- preendedores consolidados em relação aos anos anteriores, indi- cando maior sustentabilidade de negócios iniciados no país. Assim, para entendermos estes resultados, é importante conhecermos a classificação dos empreendedores dentro da pesquisa: • Nascentes: indivíduos donos de um negócio que ainda estão começando e não pagaram salários ou qualquer outra forma de remuneração aos donos por mais de três meses. • Novos: são donos de empreendimentos que já conseguiram remunerar de alguma forma o proprietário por um período superior a três meses e inferior a 42 meses, ou seja, 3,5 anos. • Estabelecidos ou consolidados: são donos de empreendi- mentos que conseguem remunerar seus proprietários com um período superior a 42 meses. Tanto os empreendedores nascentes como os novos são con- siderados empreendedores iniciais. E, para compreender de for- ma mais objetiva a dinâmica do empreendedorismo no Brasil, é 74 fundamental analisar os diferentes estágios em que os empreende- dores se encontram ao longo do ciclo de vida de seus negócios. Para isso, as classificações adotadas pelos estudos do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Sebrae, permi- tem distinguir os empreendedores conforme o grau de maturidade de suas iniciativas, evidenciando desde aqueles que estão em fase de concepção, ou início das atividades, até os que já possuem ne- gócios consolidados no mercado. Nesse contexto, os empreende- dores nascentes e os novos compõem o grupo dos empreendedores iniciais, refletindo a intensidade da atividade empreendedora no país. A tabela a seguir apresenta esses dados, permitindo uma visão quantitativa do empreendedorismo brasileiro e de sua relevância econômica e social. Tabela 1 - Empreendedores no Brasil (18 A 60 anos) ESTÁGIO TAXAS (%) ESTIMATIVA (Unidades) Total de empreendedores 33,4 ≈ 47.000.000 Empreendedores iniciais (TEA) 20,2 ≈ 28.400.000 • Novos 15,8 ≈ 22.200.000 • Nascentes 4,4 ≈ 6.200.000 • Empreendedores estabelecidos13,2 ≈ 18.600.000 Fonte: adaptado do Sebrae – GEM Brasil (2025) pelo Grupo Ser Educacional (2026). Perceba que a Tabela 1 apresenta a distribuição dos empreen- dedores brasileiros por estágio, conforme a metodologia do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). E, de acordo com os dados mais recentes do GEM Brasil 2024, a Taxa Total de Empreendedorismo alcançou 33,4% da população adulta entre 18 e 64 anos, o que re- presenta cerca de 47 milhões de brasileiros envolvidos em algum tipo de negócio próprio, formal ou informal. Desse total, aproxima- damente 20,2% correspondem aos empreendedores iniciais, que englobam os empreendedores nascentes (negócios em fase muito inicial) e novos (negócios com até 42 meses de atividade). 75 Já os empreendedores estabelecidos, aqueles com mais de 3,5 anos de funcionamento, representam 13,2% da população adulta, indicando um avanço na sustentabilidade e na sobrevivência dos empreendimentos no país. Esses dados evidenciam a relevância do empreendedorismo na economia brasileira e reforçam a necessi- dade de políticas e estratégias voltadas não apenas à criação, mas também à consolidação dos negócios. Complementando, a partir da consolidação de dados ins- titucionais citados, observa-se uma tendência de empresarial de aumento da sobrevivência das empresas brasileiras e redução da mortalidade após dois anos de operação, conforme detalhado na ta- bela a seguir. Tabela 2 - Taxa de sobrevivência de empresas de dois anos no Brasil Ano de Constituição da Empresa Taxa de sobrevivência após 2 anos (%) 2015 69,3 2016 70,1 2017 71,8 2018 73,2 2019 74,4 2020 75,6 2021 76,1 2022 76,8 2023 77,5 Fonte: adaptado do Sebrae (2025) pelo Grupo Ser Educacional (2026). A partir de dados sistematizados pelo autores, observa-se uma tendência de aumento gradual da taxa de sobrevivência em- presarial após dois anos de operação, especialmente para empresas nascidas a partir da segunda metade da década de 2010. Empresas constituídas em 2015 apresentam uma taxa de sobrevivência na fai- xa de 69,3%, enquanto as criadas em 2023 apresentam uma taxa estimada em torno de 77,5%. 76 Esses indicadores sugerem que, ao longo dos últimos anos, fatores como maior acesso à formalização (incluindo o microem- preendedor individual), políticas de simplificação tributária e iniciativas de apoio à gestão contribuíram para uma maior susten- tabilidade dos novos empreendimentos no Brasil. Assim, a evolução positiva dessa taxa reduzida destaca a importância de estratégias de suporte ao longo dos primeiros anos de vida da empresa, espe- cialmente em contextos de competitividade e incerteza econômica. A pesquisa também nos apresenta dados referentes à taxa de mortalidade, ou seja, empresas que abrem e não conseguem sobre- viver mais de dois anos de existência, conforme mostra a tabela a seguir. Tabela 3 - Taxa de mortalidade de empresas de dois anos no Brasil Ano de constituição da empresa Taxa de mortalidade (%) 2015 30,7 2016 29,9 2017 28,2 2018 26,8 2019 25,6 2020 24,4 2021 23,9 2022 23,2 2023 22,5 Fonte: adaptado do Sebrae (2025) pelo Grupo Ser Educacional (2026). Perceba que a tabela 3 apresenta a evolução da taxa de mor- talidade de empresas com até dois anos de atividade no Brasil, considerando empreendimentos constituídos entre 2015 e 2023. Observa-se uma tendência de redução gradual da mortalidade empresarial ao longo do período, passando de aproximadamente 30,7% entre as empresas constituídas em 2015 para cerca de 22,5% entre aquelas criadas em 2023. 77 Assim, a taxa de mortalidade complementa a análise da taxa de sobrevivência apresentadas nas Tabelas 2 e 3, evidenciando que a diminuição do encerramento precoce dos negócios está associa- da a melhorias no ambiente empreendedor brasileiro. Fatores como maior formalização, ampliação do microempreendedor individual, acesso à informação gerencial e políticas de apoio ao pequeno negó- cio contribuíram para a maior permanência das empresas nos pri- meiros anos de atividade, ainda que a mortalidade continue sendo um desafio relevante. Diante desse cenário, torna-se necessário compreender quais elementos explicam essa melhoria gradual na sobrevivência das empresas e a redução da mortalidade nos primeiros anos de ati- vidade. Isso porque o comportamento empreendedor não ocorre de forma isolada, mas é fortemente influenciado por condições econô- micas, institucionais, sociais e culturais que moldam o ambiente de negócios. Assim, para aprofundar essa análise, faz-se essencial exami- nar os fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo no Brasil, identificando como políticas públicas, acesso a crédito, ca- pacitação, inovação, formalização e apoio institucional contribuem para a criação, consolidação e sustentabilidade dos empreendimen- tos no país, conforme detalharemos na sequência. Fatores que influenciam e fomentam o empreendedorismo Caro(a) aluno(a), o empreendedorismo no Brasil é uma prática constante e faz parte da cultura do país, estimulada por muitos fa- tores. Dentre eles, um dos que mais estimula tal prática é viver sob constantes momentos de crise. Dessa forma, o brasileiro é mais estimulado a abrir seu próprio negócio quando está passando por uma situação financeira complicada, como o desemprego, e precisa de alguma forma suprir a renda que recebia. É possível também identificar uma maior concentração de perfis empreendedores nas grandes cidades, pois a concentração de 78 empresas é maior e, consequentemente, o número de desemprega- dos, assim como as oportunidades são maiores. Desse modo, quando não há muitas alternativas para voltar ao mercado de trabalho, os funcionários demitidos passam a criar novos negócios, mesmo sem contar com experiência e conhecimen- to do ramo. Sendo assim, criam apenas com o que receberam de sua rescisão, Fundo de Garantia, dentre outros investimentos. Em ou- tras palavras, essas pessoas passam a se ver como donos e patrões de maneira muito abrupta e precisam saber administrar muito bem sua empresa para que ela não caia no índice de falência com pouco tempo de vida. Com tudo isso, o conhecimento é imprescindível para um empreendedor de sucesso. Sem ele, é impossível que o negócio dê certo. Além disso, o conhecimento não é limitado, pois o bom em- preendedor busca informações de todos os fatores que envolvem seu negócio. Pensando nisso, além de obter informações e conhe- cimento do seu ramo de atuação, deve conhecer seu público-alvo, concorrentes, fornecedores, mercados, dentre outros. Perceba que muita gente tem vontade de abrir seu próprio negócio. Entretanto, em muitos casos, devido à falta de informações tão importantes, essas pessoas acabam desistindo. Assim, um gran- de empreendedor deve ter como base de sua empresa três pilares importantes, sendo eles: Diagrama 4 - Os três pilares de um grande empreendedor Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Além disso, tanto no meio acadêmico quanto nas áreas de interesse relacionadas ao tema, observa-se um crescimento sig- nificativo de estudos e discussões voltados à compreensão do 79 empreendedorismo e de seus impactos econômicos e sociais. Para- lelamente, ao longo das últimas décadas, o Estado brasileiro passou a estruturar diferentes políticas e programas de apoio ao públi- co empreendedor, com destaque para iniciativas de capacitação, orientação gerencial e acesso ao crédito. No final da década de 1990, um exemplo dessas ações foi o Progra- ma Brasil Empreendedor, criado em 1999 pelo Governo Federal com o objetivo de capacitar empreendedores por meio do desenvol- vimento de planos de negócios e do planejamento financeiro. Atual- mente, esse papel é desempenhado por um conjunto mais amplo e permanente de iniciativas, especialmente aquelas coordenadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Se- brae), que atua de forma contínua na qualificação, no apoio à gestão e no fortalecimento dos pequenos negócios emtodo o país. Além disso, temos alguns recentes do Governo Federal, como é o caso do Programa Acredita (2023–2024), que ampliou o acesso ao crédito para pequenos negócios; a Agenda de Empreendedorismo e Produtividade do Governo Federal e a integração com MEI, Sim- ples Nacional e programas de formalização. O que são os novos empreendedores? Embora algumas características clássicas permaneçam, o em- preendedor contemporâneo atua em um ambiente mais complexo, exigindo maior qualificação, acesso à informação e capacidade de adaptação. Nesse sentido, trata-se de um perfil com criatividade, inova- ção, persistência, flexibilidade, busca pelo conhecimento, resiliên- cia etc. Assim, são pessoas extremamente focadas e persistentes, CURIOSIDADE 80 e possuem o objetivo de criar negócios que tragam benefícios aos usuários e, consequentemente, lucratividade. Segundo o professor Janguiê Diniz, os empreendedores de sucesso são aqueles que passam a vida estudando, aprimorando seus conhecimentos e buscando informações para colocar em práti- ca seu projeto. Essas informações estão relacionadas ao seu próprio negócio, sobre os concorrentes, os clientes e o mercado. Além disso, é importante mencionar que o empreendedor atual precisa buscar muito mais informações do que o empreende- dor de antes. Isto ocorre devido à livre concorrência e à alta compe- titividade das empresas. Portanto, é preciso ter conhecimento para sobreviver no mercado, entender o segmento dentro do qual se atua, conhecer o cliente, seus gostos e comportamentos, bem como saber quem são os seus concorrentes, quais estratégias estão sendo desenvolvidas por eles e quais são os fornecedores que podem permitir que seu produto ou serviço tenha mais qualidade e diferencial de mercado. Também é necessário saber como realizar parcerias produtivas e estar atualizado com a economia do país, bem como a cultura das pessoas que consumirão seus produtos, os fatores climáticos que podem influenciar sua produção, quais as legislações possíveis que sua empresa deve seguir para evitar o pagamento de multas e perder dinheiro, dentre outros fatores. De acordo com levantamento do Sebrae (2025), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do IBGE, o empreendedorismo entre os jovens brasileiros tem crescido de forma consistente na última década. Em 2024, cerca de 4,9 milhões de jovens entre 18 e 29 anos lideram seus próprios negócios, o que representa aproximadamente 16% do total de empreendedores no país. Esse grupo registrou um crescimento da ordem de 25% entre 2012 e 2023, evidenciando uma expansão sig- nificativa da participação jovem no empreendedorismo brasileiro. De acordo com o relatório Empreendedorismo Jovem no Bra- sil – 4º Trimestre de 2024, elaborado pelo Sebrae com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Con- tínua (PNAD Contínua) do IBGE, o empreendedorismo entre jovens 81 brasileiros tem apresentado crescimento consistente e sustentado ao longo da última década. Em 2024, estima-se que aproximada- mente 4,9 milhões de jovens entre 18 e 29 anos estejam à frente de seus próprios negócios, o que corresponde a cerca de 16% do total de empreendedores no país, evidenciando a relevância desse gru- po no cenário empreendedor nacional. O estudo também aponta que a maior parte dos jovens em- preendedores atua no setor de serviços, refletindo tanto a estru- tura produtiva brasileira quanto a menor necessidade de capital inicial nesse segmento. No que se refere ao perfil por gênero, obser- va-se predominância masculina, com cerca de 62,6% dos jovens empreendedores sendo homens, enquanto 37,4% são mulheres. Apesar dessa diferença, o relatório destaca uma tendência gradual de aumento da participação feminina no empreendedorismo jovem, acompanhando mudanças sociais, educacionais e de inserção no mercado de trabalho, conforme veremos no tópico a seguir. Em relação à raça/cor, os dados revelam uma expressiva di- versidade: aproximadamente 57,7% dos jovens empreendedo- res se autodeclaram negros (pretos ou pardos), o que evidencia o empreendedorismo como um importante mecanismo de inserção produtiva e geração de renda para grupos historicamente mais vul- neráveis no mercado de trabalho brasileiro. Esse aspecto reforça o papel do empreendedorismo jovem como vetor de inclusão econô- mica e social. No campo educacional, o relatório indica que a maioria dos jovens empreendedores possui ao menos o ensino médio comple- to, além de destacar um movimento contínuo de elevação do ní- vel de escolaridade, com parcela significativa cursando ou já tendo concluído o ensino superior. Esse dado sinaliza uma mudança qua- litativa no perfil do empreendedor jovem, cada vez mais associado à busca por qualificação, capacitação gerencial e desenvolvimento de competências técnicas. Dessa forma, o empreendedorismo jovem no Brasil não apenas cresce em termos quantitativos, mas também apresenta transformações qualitativas importantes em sua composição so- cioeconômica. A ampliação da participação de jovens, a diversidade 82 racial, a melhora nos níveis educacionais e a concentração em se- tores dinâmicos da economia indicam que esse grupo desempenha papel estratégico no fortalecimento do ambiente empreendedor brasileiro, conforme evidenciado pelos dados oficiais do Sebrae e do IBGE. Empreendedorismo feminino As mulheres têm conquistado grande representatividade no seg- mento empreendedor. Um dos fatores importantes revelados para que isso ocorra é o fato de muitas mulheres sustentarem a casa atualmente. Nesse sentido, observamos que o papel das mulheres no em- preendedorismo brasileiro tem se mantido expressivo nas últimas décadas. Segundo o relatório Global Entrepreneurship Monitor – GEM Brasil 2024, aproximadamente 41% dos empreendedores no país são mulheres, o que demonstra a relevância crescente das mulheres como protagonistas na criação e gestão de negócios em diversos se- tores, embora em proporção menor que os homens. Estudos do empreendedorismo feminino também mostram que a busca por maior flexibilidade na conciliação entre vida pessoal e responsabilidades familiares, aliada à necessidade ou oportuni- dade de aumentar a renda familiar ou conquistar autonomia finan- ceira, tem sido uma motivação importante para muitas mulheres empreenderem, inclusive por meio de negócios iniciados em casa ou em formatos que permitam essa compatibilidade. Esses fatores ilustram não apenas a participação quantitativa das mulheres, mas também as especificidades socioculturais que marcam sua atuação no ambiente empreendedor. Além disso, estudos contemporâneos sobre empreendedo- rismo no Brasil indicam que a participação das mulheres no univer- so empreendedor continua sendo significativa. Pesquisas mais recentes apontam que, entre as empreende- doras, há uma tendência de níveis de escolaridade iguais ou ligei- ramente superiores aos observados entre empreendedores homens 83 em determinadas faixas etárias, o que reforça a importância da educação formal como fator de qualificação e sustentabilidade de negócios. Ainda assim, mulheres empreendedoras enfrentam desafios específicos no acesso a crédito e financiamento: diversos estudos indicam que elas têm menor facilidade de acesso ao crédito formal e, quando conseguem, frequentemente enfrentam condições mais onerosas, mesmo em cenários de inadimplência semelhante ou in- ferior à dos homens. No contexto das microempresas individuais (MEI), a parti- cipação feminina permanece relevante, representando uma parte significativa desse segmento. E, embora não exista um número úni- co consolidado sobre a proporção de mulheres que empreendem a partir de casa, diversos levantamentos setoriais apontam que mui- tas optam por modelos de negócio domiciliares, especialmente em atividades de serviços. Perceba que comparações internacionais continuam a mos- trar que o Brasil tem uma participação relativaelevada de mulheres no empreendedorismo inicial, embora os rankings variem conforme os países e os indicadores adotados. Por fim, conforme detalhado no gráfico a seguir, estudos do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) indicam que o Brasil apre- senta, historicamente, uma alta participação feminina no em- preendedorismo inicial, quando comparado a outros países. Dados mais recentes do GEM mostram que a razão entre mulheres e ho- mens entre os empreendedores iniciais no país permanece próxi- ma da paridade, situando-se acima da média global. Esse resultado evidencia que o Brasil continua sendo um caso de destaque inter- nacional no que se refere à inserção feminina nas fases iniciais da atividade empreendedora, ainda que a posição exata em rankings internacionais varie conforme o conjunto de países e os critérios metodológicos adotados em cada edição do estudo. 84 Gráfico 1 - Mulheres/homens empreendedores iniciais no mundo Fonte: adaptado de GEM (2018) apud Sebrae (2019) pelo Editorial da Digital Pages (2019). O empreendedorismo feminino no Brasil é uma das di- mensões mais dinâmicas da economia nacional, com participa- ção significativa nos negócios formais e informais. Dados recentes do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Brasil 2023/2024 apon- tam que cerca de 40% a 42% dos empreendedores brasileiros são mulheres, o que evidencia sua presença expressiva no ambiente empreendedor. Importante destacar que muitas mulheres empreendedoras optam por dedicar a maior parte de sua jornada ao próprio negócio, buscando maior autonomia e flexibilidade, especialmente quando conciliam suas atividades com funções de cuidado e responsabili- dade familiar. Estudos setoriais também indicam que a decisão de empreender para complementar a renda familiar ou alcançar inde- pendência financeira continua sendo um fator motivador relevante. Apesar desses avanços, mulheres empreendedoras ainda en- frentam desafios particulares, como dificuldades de acesso ao cré- dito e a linhas de financiamento, bem como condições financeiras que, em alguns casos, podem ser menos favoráveis em comparação aos homens — especialmente em termos de garantia exigida e custo do crédito. 85 Esses indicadores refletem tanto o potencial como as barrei- ras para as mulheres no ambiente empreendedor brasileiro, refor- çando a necessidade de políticas públicas e mecanismos de suporte que promovam igualdade de oportunidades. Além disso, embora os indicadores mostrem que a informa- lidade ainda seja relevante no Brasil, observa-se uma tendência de maior formalização entre as mulheres empreendedoras, especial- mente por meio do registro como Microempreendedora Individual (MEI). Segundo levantamento da plataforma MaisMei (2025), cer- ca de 43,7 % dos Microempreendedores Individuais no Brasil são mulheres, enquanto os homens representam a maior parte dos registros. Perceba que essa participação feminina no MEI vem se con- solidando ao longo da última década, refletindo um crescimento gradual da presença das mulheres no segmento de microempreen- dedores formalizados. Ao mesmo tempo, estudos mostram que uma parte significativa das mulheres continua a atuar em negócios de menor porte, com predomínio de atividades de serviços, e muitas optam por trabalhar sem sócios, o que pode estar associado à bus- ca por maior autonomia e compatibilidade com responsabilidades familiares. Pesquisas setoriais também apontam que, apesar da expan- são da formalização, desafios como acesso ao crédito, custo finan- ceiro e equilíbrio entre trabalho e vida familiar persistem como barreiras para as mulheres empreendedoras, ao lado de diferenças observadas nos perfis de renda e na estrutura dos negócios quando comparadas aos empreendedores homens. Essas tendências socie- tais reforçam a importância de políticas públicas e estratégias de suporte específicas para reduzir desigualdades de gênero no am- biente empreendedor. Diante desse contexto, torna-se relevante observar como essas desigualdades e desafios se refletem na própria composição do empreendedorismo formal no país, especialmente no regime do Microempreendedor Individual (MEI). A distribuição por gê- nero ao longo do tempo permite identificar avanços, estagnações 86 e inflexões no processo de inclusão feminina, evidenciando que a formalização, embora crescente, não ocorre de maneira linear nem isenta de retrocessos. Nesse sentido, a análise histórica da participação de homens e mulheres entre os MEIs contribui para compreender como fatores econômicos, institucionais e sociais impactam de forma diferencia- da os empreendedores. Assim, ainda de acordo com informações do MaisMei (2025), a tabela a seguir apresenta a evolução da distri- buição de MEIs por gênero entre 2016 e 2024, oferecendo uma base empírica para aprofundar essa discussão, veja: Tabela 4 - Distribuição de MEI por gênero (2016 A 2024) Ano Homens (%) Mulheres (%) 2016 52,4 47,6 2017 52,0 48,0 2018 51,8 48,2 2019 51,6 48,4 2020 51,4 48,6 2021 51,2 48,8 2022 51,0 49,0 2023 50,6 49,4 2024 56,3 43,7 Fonte: adaptado de dados MaisMei (2024) pelo Grupo Ser Educacional (2026). A tabela ilustra a evolução da participação de homens e mu- lheres entre os Microempreendedores Individuais (MEI) no Brasil ao longo de mais de uma década. Observa-se que, embora os homens ainda representem uma parcela maior dos MEIs, a participação fe- minina vem se aproximando ao longo dos anos, com quase metade dos registros nos últimos anos sendo de mulheres. Em 2024, apro- ximadamente 43,7 % dos MEIs são formalizados por mulheres, refletindo uma trajetória de crescimento gradual da presença femi- nina na formalização de pequenos empreendimentos. 87 Destacamos que os segmentos atuantes das mulheres são di- versos. Entretanto, a maior concentração da sua atuação está nos segmentos relacionados à beleza, moda e alimentação, conforme quadro a seguir. Quadro 1 - Segmentos atuantes das mulheres empreendedoras no brasil % DE MEI SETOR DESCRIÇÃO 76 COMÉRCIO Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. 79 SERVIÇOS Cabeleireiros. 96 SERVIÇOS Outras atividades de tratamento de beleza. 75 INDÚSTRIA Fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar. 73 COMÉRCIO Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal. 90 INDÚSTRIA Confecção, sob medida, de peças do vestuário, exceto roupas íntimas. 85 INDÚSTRIA Confecção de peças do vestuário, exce- to roupas íntimas e as confeccionadas sob medida. 81 INDÚSTRIA Fabricação de produtos diversos não especificados anteriormente. 63 COMÉRCIO Comércio varejista de artigos de arma- rinho. 60 COMÉRCIO Comércio varejista de outros produtos. Fonte: adaptado de Sebrae (2017) apud Sebrae (2019) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Analisamos, então, que o empreendedorismo feminino pode ser visto como um outro fenômeno do empreendedorismo que se concentra mais na necessidade de ter uma renda e na falta de pre- paro para iniciar um empreendimento. 88 Ter dados e analisar o segmento feminino é fundamental para trazer informações relevantes a várias áreas que possam de- senvolver produtos e serviços que atendam às necessidades femi- ninas, como a área de crédito. Pesquisas revelam que as mulheres que empreendem se preocupam muito com carreira, maternidade, apoio do parceiro, da família e apoio financeiro. Além disso, cons- tatou-se que elas sofrem preconceitos e enfrentam alguns desafios no momento de abrir a própria empresa, ocasionando em um nível maior de solidão na hora de empreender. Pesquisas realizadas pela Instituição Rede Mulher Em- preendedora (2017) revelam que as mulheres empreendedoras ainda precisam desenvolver algumas habilidades, como saber dele- gar tarefas e funções, bem como aprender a desenvolver um plane- jamento financeiro. Por outro lado, são muito otimistas, o que torna tudo à sua volta melhor, vivem se capacitando para entender me- lhor do seunegócio e possuem bom networking (relacionamento). Estudos do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2024) Brasil e análises do Sebrae mostram que a busca por capacitação contínua, educação empreendedora e participação em redes de re- lacionamento (networking) é uma característica bastante presente entre as mulheres empreendedoras, contribuindo para sua resiliên- cia e adaptabilidade no mercado. Além disso, a literatura em empreendedorismo destaca que a busca por autonomia, flexibilidade e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal continua sendo um fator importante na decisão de muitas mulheres de empreenderem, especialmente em formatos que per- mitem compatibilizar responsabilidades familiares e profissionais. Por outro lado, desafios como acesso ao crédito, estruturação fi- nanceira e desenvolvimento de habilidades gerenciais permanecem como obstáculos relevantes, reforçando a necessidade de políti- cas públicas e iniciativas de apoio que promovam a equiparação de oportunidades no ambiente empreendedor. 89 A história da empresa Beleza Natural é frequentemente citada como exemplo de empreendedorismo no Brasil. Fundada no início da década de 1990 por empreendedores de origem social diversa — entre eles uma empregada doméstica, um taxista e Leila Velez, que, posteriormente, se tornou presidente da empresa —, surgiu a partir de experimentações voltadas à solução de um problema comum en- tre mulheres com cabelos crespos e ondulados. A iniciativa trans- formou uma necessidade pessoal em oportunidade de mercado, levando à criação de uma empresa que, ao longo de sua trajetória, alcançou grande escala de atendimento e se consolidou como refe- rência nacional no segmento de cuidados capilares. Para conhecer ainda mais sobre a empresa, sugerimos que acesse seu site oficial. Nesse contexto, o empreendedorismo digital surge como uma alternativa estratégica capaz de potencializar os fatores motivacio- nais que impulsionam a atuação feminina, ao mesmo tempo em que contribui para mitigar parte dos obstáculos estruturais enfrentados por essas empreendedoras. Modelos de negócio baseados em plataformas digitais, co- mércio eletrônico, serviços on-line e uso intensivo de tecnologias permitem maior flexibilidade de tempo e espaço, redução de cus- tos operacionais e ampliação do alcance de mercado, favorecendo a conciliação entre vida profissional e responsabilidades pessoais. Além disso, o ambiente digital amplia o acesso à informação, à capacitação e a redes de apoio, criando oportunidades para o de- senvolvimento de competências gerenciais e financeiras. Assim, o empreendedorismo digital configura-se como um caminho rele- vante para promover inclusão, autonomia econômica e maior equi- dade de gênero no ecossistema empreendedor, conforme veremos a seguir. ACESSE 90 Empreendedorismo digital O empreendedorismo digital vem se transformando em um fenô- meno e em uma tendência das empresas empreendedoras. Conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2024), o acesso à internet nos do- micílios brasileiros tem apresentado crescimento contínuo ao longo dos últimos anos. Para você ter uma ideia do que estamos falando, em 2023 aproximadamente 92,5% dos domicílios do país pos- suíam acesso à internet, o que representa mais de 70 milhões de residências conectadas (IBGE, 2024). Esse avanço está diretamente associado à crescente dissemi- nação de smartphones, que se consolidaram como o principal meio de acesso à rede no Brasil. Paralelamente, observa-se a ampliação do uso de aplicativos móveis, o que contribui para o fortalecimento das lojas virtuais, dos serviços digitais e do comércio eletrônico. Esse cenário tem ampliado as oportunidades para negócios digitais e modelos de empreendedorismo baseados em plataformas online, especialmente entre pequenos empreendedores e microempresas. Nesse sentido, a internet, cada vez mais acessível e simpli- ficada, vem promovendo a entrada de novos empreendedores nes- te setor. Consequentemente, a ampliação das possibilidades neste ambiente está cada vez mais forte no empreendedorismo digital: Desse modo, os negócios virtuais têm obtido muitas facili- dades que promovem o empreendimento e o espaço virtual otimiza os negócios virtuais, pois possui alguns princípios importantes, tais como: 91 Diagrama 5 - Princípios importantes do empreendedorimo digital Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Grandes exemplos de empresas que operam segundo os prin- cípios dos negócios digitais e do comércio eletrônico incluem orga- nizações como Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza, Shopee, iFood e Hotmart, que utilizam intensivamente plataformas digi- tais, logística integrada e tecnologias de informação para ampliar escala, alcance e eficiência. Esses modelos refletem a consolidação do comércio eletrônico e das plataformas digitais como elemen- tos centrais da economia contemporânea. Atualmente, os negócios digitais utilizam uma ampla varie- dade de ferramentas, como plataformas de e-commerce e mar- ketplaces, aplicativos móveis, cursos on-line, redes sociais, produção de conteúdo digital, softwares como serviço (SaaS), análise de dados e soluções baseadas em inteligência artificial, ampliando as possibilidades de atuação empreendedora. Apesar desses avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios no campo da inovação. De acordo com o Índice Global de Inovação, o Brasil mantém posição intermediária no ranking mundial, distan- te de economias líderes como a Suíça, o que reflete, entre outros 92 fatores, o baixo nível de investimento em Pesquisa, Desenvolvi- mento e Inovação, que gira em torno de 1,2% do PIB (WIPO, 2023; UNESCO, 2023). No cenário nacional, o desenvolvimento da inovação tem se apoiado em ecossistemas regionais, que articulam universidades, empresas, governo e startups. Entre os principais ecossistemas de inovação no Brasil destacam-se Recife (Porto Digital), Belo Ho- rizonte (San Pedro Valley), Florianópolis, Campinas, São José dos Campos, Porto Alegre, Santa Rita do Sapucaí e a cidade de São Paulo, que se consolidou como o principal hub nacional de em- preendedorismo inovador. Outro ponto importante para o empreendedorismo digital são os parques tecnológicos que têm o objetivo de reunir universidades e empresas em um espaço em comum para desenvolver produtos e serviços inovadores. Neles encontramos diversas empresas incuba- doras que auxiliam empreendedores a começar seu próprio negócio com significativo grau de inovação. Neste ambiente, elas encontram suporte técnico, administrativo, mercadológico e gerencial. Além disso, as pessoas envolvidas podem realizar cursos de empreende- dorismo e têm acesso a novas tecnologias. Com este suporte, o em- preendimento é acompanhado desde a sua fase inicial, tendo todo o auxílio para seu planejamento e desenvolvimento. Detacamos que as incubadoras favorecem a ação empreen- dedora e o desenvolvimento nas principais áreas importantes para o negócio: gestão empresarial e tecnológica, marketing e vendas, contabilidade, apoio jurídico, dentre outras. Nesse contexto, o am- biente de incubação atua como uma ponte natural para o universo das startups, uma vez que compartilha com elas a lógica da inovação, da experimentação e do crescimento estruturado. É nesse cenário que elas surgem, em geral, a partir de ideias escaláveis, intensivas em conhecimento e tecnologia, demandando suporte especializa- do para transformar propostas inovadoras em modelos de negócio sustentáveis. Conforme veremos no tópico a seguir, assim como nas incu- badoras, essas organizações emergentes necessitam de orientação estratégica, validação de mercado, estruturação gerencial e acesso 93 a redes de apoio. Desse modo, a incubação cria as condições insti- tucionais e técnicas para que iniciativas embrionárias evoluam para startups consolidadas, reduzindo riscos, acelerando o aprendiza- do organizacional e ampliando as chances de sucesso no mercadocompetitivo. Startups Diferentemente do empreendedorismo tradicional, temos as star- tups. Elas utilizam amplamente as inovações tecnológicas de ponta, especialmente as tecnologias de inovação e comunicação, que auxi- liam o mercado a satisfazer suas demandas, acelerando considera- velmente os empreendimentos ligados à tecnologia. O conceito de startup se firmou no Brasil e está frequente- mente associado ao ambiente digital, embora seu conceito esteja ligado principalmente à inovação, escalabilidade e atuação em am- bientes de incerteza. Desse modo, startup pode ser considerada um modelo de negó- cio inovador, rápido, dinâmico, que tenha escalabilidade, repli- cabilidade e com o propósito de gerar muita lucratividade para o empreendedor. Nesse sentido, o diagrama a seguir sintetiza, de forma di- dática, a lógica que fundamenta o conceito de startup no contexto contemporâneo. Assim, ao evidenciar a relação entre inovação or- ganizacional e ambientes de incerteza, o esquema reforça que star- tups não são definidas apenas pelo uso de tecnologias digitais, mas pela capacidade de desenvolver soluções escaláveis em cenários nos quais ainda não há garantias de validação de mercado. DICA 94 Dessa maneira, a possibilidade de atrair investidores-anjo decorre justamente do potencial de crescimento acelerado e do ca- ráter inovador dessas iniciativas. Contudo, como o modelo de ne- gócio ainda está em fase de experimentação, a lucratividade não é imediata, estando condicionada à validação da ideia, ao ajuste do produto ao mercado e à redução progressiva das incertezas ineren- tes ao processo empreendedor. Diagrama 6 - Startups Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que a facilidade do negócio consiste na abrangência de pessoas que ele pode rapidamente atingir a um custo muito baixo (escalabilidade). Não à toa, a maioria das startups são digitais. De acordo com levantamentos recentes sobre o ecossistema de inovação no Brasil, o país tem registrado um crescimento ex- pressivo no número de startups ao longo da última década, consoli- dando uma nova geração de empreendedores orientados à inovação, à tecnologia e a modelos de negócio escaláveis. Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups, 2023) indicam que o número de startups mapeadas no país aumentou de forma significativa desde o início da década de 2010, ultrapassando atualmente a marca de 20 mil empresas, conforme diferentes bases de monitoramento do setor. Esse crescimento contribuiu para posicionar o Brasil como o principal ecossistema de startups da América Latina, com destaque 95 para empresas que alcançaram elevado valor de mercado, conheci- das como unicórnios, ou seja, startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Entre os exemplos frequentemente citados estão Nubank, iFood, QuintoAndar, Stone e Creditas, que atuam em segmentos como serviços financeiros, plataformas digitais, logística e mercado imobiliário. Destacamos que o avanço das startups no Brasil reflete mu- danças estruturais no perfil do empreendedor contemporâneo, ca- racterizado pela adoção intensiva de tecnologias digitais, pela busca de inovação contínua e pela capacidade de escalar soluções em mer- cados nacionais e internacionais. Nesse cenário, a atuação das startups passa a ser fortemente condicionada pelas relações que estabelecem com clientes, fornece- dores e concorrentes, elementos centrais do ambiente de mercado. Assim, os clientes deixam de ser apenas receptores finais dos produtos ou serviços e assumem um papel ativo no processo de vali- dação e aprimoramento das soluções oferecidas, contribuindo para ajustes rápidos e inovação contínua. Os fornecedores, por sua vez, tornam-se parceiros estratégicos, especialmente no acesso a tec- nologias, insumos e conhecimentos especializados que viabilizam a escalabilidade do negócio. Já os concorrentes exercem pressão constante por diferenciação, estimulando eficiência, criatividade e vantagem competitiva. Assim, a interação dinâmica com esses agentes reforça a lógica de adaptação e aprendizado permanente que caracteriza o ecossistema das startups, conforme detalhado no tópico a seguir. Clientes, fornecedores e concorrentes Seja um empreendedor tradicional ou digital, entender o comporta- mento dos clientes, fornecedores e concorrentes é essencial. Vamos entender a partir de agora cada um destes elementos. 96 Clientes Para este novo objeto de estudo, continuaremos a nos embasar em meus estudos ao longo de minha carreira e na obra de Dantas, em seu livro Gestão da Informação sobre a satisfação dos consumidores/ clientes: condição primordial na orientação para o mercado, publicado em 2014. Assim, é importante entendermos que a essência da empresa é viver para atender as necessidades de seus clientes. E, seguindo essa linha de raciocínio, devemos tratar o cliente como se fôssemos seu médico em mesa de cirurgia: com o maior cuidado e atenção possível para que tudo ocorra bem. Nesse contexto, o diagrama apresentado a seguir contri- bui para esclarecer a distinção conceitual entre consumidores e clientes, reforçando a centralidade dessas figuras na estratégia organizacional. Ao evidenciar que o consumidor pode realizar compras pon- tuais, enquanto o cliente estabelece uma relação recorrente com a empresa, o esquema destaca a importância da fidelização e da sa- tisfação contínua. Essa diferenciação é essencial para a tomada de decisões gerenciais, especialmente em ambientes competitivos, nos quais a permanência do cliente depende da qualidade percebida em cada interação. Assim, ao compreender essas categorias, a empresa fortale- ce sua orientação para o mercado, alinhando processos, produtos e serviços à lógica do cuidado permanente com quem sustenta sua existência econômica. 97 Diagrama 7 - Consumidores e clientes Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Nesse sentido, podemos entender que o cliente é o maior mo- tivador do negócio da empresa. Em outras palavras, não existe em- presa sem cliente. Desse modo, é importante que ele seja o cerne da organização, do seu planejamento, do desenvolvimento de produtos e dos serviços. Assim, o lucro da empresa é muito importante, mas, mais importante ainda, é quando as duas partes ganham, ou seja, empresa e cliente, pois com esta ação ela acaba por fidelizá-los. 98 Caro(a) aluno(a), pare e pense: como fazer com que o cliente ganhe também? Para responder o questionamento, é de extrema impor- tância que a empresa adote um comportamento e uma postura éti- ca, baseados em princípios e com responsabilidade social, entregue o que o produto divulgou em suas ações de marketing e não faça propagandas enganosas que frustrem o cliente. Pense nisso! Desse modo, a empresa cria mecanismos para surpreender o cliente quando o conhece. Em outras palavras, quando ela entende seu perfil e comportamento de compra, pode desenvolver produtos e serviços que atendam suas necessidades. Assim, o empreendedor deve ter os olhos sempre voltados para este fator. Lembre-se que, antigamente, as empresas desenvolviam um produto, o lançavam no mercado e analisavam se o cliente poderia comprá-lo ou não. Dessa forma, as grandes empresas ditavam as regras, criando seus produtos e serviços sem precisar da opinião do público, independentemente de conhecerem seus comportamentos e gostos. Atualmente, com a concorrência acirrada e a busca pela competitividade, a postura das empresas mudou e deve ser assim: as empresas procuram responder rapidamente às necessidades de seus clientes, buscando como parceiras a inovação e a tecnologia, conseguindo, assim, ter vantagem competitiva de mercado. Para isso, as empresas podem realizar pesquisas de mercado para enten- der seu público-alvo. Além disso, elas podem realizar pesquisas de satisfação do cliente, questionando fatores importantes como qualidade, aten- dimento, facilidades, localização e perguntar ao cliente o que ele deseja comprar. Com estas informações,� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 201 Como definir o investimento inicial � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 204 Fontes de financiamento e linhas de crédito � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 205 Apresentando o seu negócio ao mercado � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 208 Preparação da equipe � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 209 Preparação da produção � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 211 Preparação do marketing � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 212 Preparação das finanças � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 213 Apresentação Olá, aluno(a)! Tudo bem com você? Vamos iniciar nossos estudos e já adiantamos para você que a disciplina de Empreendedorismo tem como propósito central desenvolver em você, estudante, uma compreensão ampla, crítica e aplicada do fenômeno empreendedor, reconhecendo-o como um dos principais motores de transformação econômica, social e organizacional na contemporaneidade. Para isso, partimos do entendi- mento de que empreender não se restringe à abertura de novos negócios, mas envolve atitude, ação, capacidade de inovação, tomada de decisão sob incerteza e geração de valor para a sociedade, seja no âmbito individual, organizacional ou coletivo. Nesse sentido, ao longo da disciplina, você será conduzido(a) pelos fundamentos conceituais do empreendedorismo, suas origens históricas e correntes teóricas, até a análise dos diferentes tipos de empreendedoris- mo, incluindo o social, o corporativo (intraempreendedorismo), o digital e o sustentável. Assim, serão discutidas as características do perfil em- preendedor, suas competências, motivações, riscos e desafios, bem como as diferenças e similaridades entre o empreendedor, o intraempreende- dor e o executivo não empreendedor, permitindo uma leitura realista e estratégica dos diversos papéis profissionais. Dessa maneira, a disciplina também enfatiza a importância do am- biente econômico, da globalização e do contexto brasileiro para a atividade empreendedora, analisando oportunidades, limitações estruturais e ten- dências contemporâneas. Na dimensão prática, abordaremos ferramen- tas essenciais de planejamento estratégico, análise de mercado, análise de cenários, matriz SWOT e construção do plano de negócios, capacitando você, estudante, a estruturar ideias, avaliar viabilidade e apresentar pro- jetos, de forma consistente, ao mercado e a potenciais investidores. Nesse sentido, você perceberá que o empreendedorismo se confi- gura como uma disciplina formativa e aplicada, que integra teoria e prá- tica, estimula a mentalidade empreendedora e prepara o estudante para agir de forma inovadora, ética e estratégica em diferentes contextos pro- fissionais e organizacionais. Dito isso, vamos começar! Autoria José Janguiê Bezerra Diniz. Olá, estudante! Como vai? Sou o professor José Janguiê Bezerra Di- niz, doutor (2003), mestre (1998) e bacharel (1987) em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e graduado em Letras (1987) pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Tra- balhei durante toda a graduação e, antes de me formar, montei meu primeiro escritório. Depois disso, atuei como Juiz Federal do Trabalho do TRT – 6ª Região, como Procurador do Trabalho do Ministério Público da União e como professor de Direito. Minha vida profissional co- meçou cedo e, de certa forma, sempre estive envolvido com a área educacional. Em 1994, fundei um dos cursos preparatórios para os concur- sos mais qualificados de Recife e, em 1998, fundei uma escola que até hoje atende alunos da Educação Infantil ao Ensino Pré-vestibular. Atualmente, sou Fundador e Presidente do Conselho de Ad- ministração do grupo Ser Educacional. Além disso, possuo mais de 20 livros publicados. Dentre eles, minha autobiografia Transfor- mando sonhos em realidade – a trajetória do ex-engraxate que chegou à lista da Forbes, publicada em 2015, além de livros sobre estratégias para se obter sucesso e sobre empreendedorismo. Espero auxiliá-lo(a) nessa busca do crescimento pessoal e profissional. Currículo Lattes Organizadores Daniel Campelo. Caro(a) aluno(a), tudo bem com você? Sou o professor Daniel Cam- pelo, mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável (2013) pela Universidade de Pernambuco (UPE) e graduado em Eco- nomia (2004). Atualmente, sou doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano na Universidade da Amazônia (PA). Sou pesquisador e consultor nas áreas de Administração, Economia e Gestão, com atuação destacada no ensino superior, na produção acadêmica e no desenvolvimento de projetos aplicados à realidade organizacional. Possuo sólida formação acadêmica, com trajetória construída de forma contínua entre o estudo, a prática profissional e o compromisso com a educação de qualidade. Minha vida profissional iniciou-se precocemente, concilian- do trabalho e formação acadêmica, experiência que contribuiu para o desenvolvimento de uma visão pragmática e estratégica sobre or- ganizações, mercados e políticas públicas. Ao longo do tempo, atuei como docente em cursos de graduação e pós-graduação, além de participar de projetos de consultoria organizacional, análise eco- nômica e planejamento estratégico, sempre integrando teoria e prática. No campo acadêmico, desenvolvo pesquisas voltadas ao de- senvolvimento sustentável, à economia urbana, à agricultura urba- na e às políticas públicas, com ênfase na gestão eficiente de recursos e na inovação como vetor de transformação social. Além da atuação acadêmica, mantenho envolvimento ativo com iniciativas de forma- ção profissional, empreendedorismo e inovação educacional, contribuindo para a construção de ambientes de aprendizagem críticos, contempo- râneos e alinhados às demandas do mercado e da sociedade. Conte comigo! Currículo Lattes Lilian da Silva Almeida Moura. Olá, aluno(a)! Sou a professora Lilian da Silva Almeida Moura, li- cenciada em Pedagogia pela Uninove (2017), mestra em Gestão de Pessoas e Organizações pela Umesp (2012). Além disso, possuo extensão internacional pela University of La Verne, na área de Mar- keting, Strategic Executive Management (2007). Também sou es- pecialista em Marketing de Serviços pela Unip (2006), em Gestão Empresarial pela Fecap (2005) e bacharel em Administração com ênfase em Comércio Exterior também pela Uninove (2000). Sou docente do ensino superior há 12 anos, ministrando dis- ciplinas de Marketing, RH e Administração. Tenho vasta experiên- cia na área comercial com empresas multinacionais para serviços de análise de crédito e serviços financeiros. Também tenho experiência em projetos de inclusão social, ministrando cursos de Administra- ção para pessoas com deficiência física e auditiva. É um prazer tê- -lo(a) como aluno(a)! Currículo Lattes UN ID AD E 1 Definições de empreendedorismo Objetivos ◼ Permitir a compreensão do termo empreendedorismo e os ti- pos existentes; ◼ Entender diferenças e similaridades entre empreendedor e intraempreendedor; ◼ Perceber as características do empreendedor e do administra- dor (não empreendedor). 12 Introdução No contexto atual, torna-se cada vez mais evidente o crescimento e a importância do empreendedorismo. Isso ocorre porque as pes- soas perdem seus empregos e precisam arranjar outras maneiras de rendimento, ou até mesmo porque elas querem mudar de profissão, descobrem habilidades para executar novas atividades e querem colocar seus sonhos em prática. Sendo assim, os motivos que levam pessoas a empreender são inúmeros. Entretanto, sabemos que essa atitude, além de muito co- rajosa, requer o uso de algumas ferramentas importantes de apoio à ação empreendedora, como conhecimentos sobre o segmento no qual se quer empreender, informações sobre os clientes,os empreendedores po- dem desenvolver seus produtos e serviços de maneira diferencia- da, atraindo novos clientes e fidelizando os que já estão “em casa”. Perceba que visar o lucro é condição fundamental para a empresa no sistema capitalista. REFLITA 99 Quando todos os envolvidos ganham, ou seja, clientes, fornecedores e parceiros, o processo se torna ainda mais interessante, pois esta preocupação reflete uma ação de responsabilidade social que todas as empresas deveriam ter. Dessa maneira, quando se tem um pensamento voltado para a responsabilidade social, coisas importantes são levadas em con- sideração, como: Diagrama 8 - Responsabilidade social Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Lembre-se que sem clientes/consumidores não há orga- nizações que sobrevivam, pois é deles que provém todo o recur- so para empresa sobreviver e investir. Portanto, não adianta ter IMPORTANTE 100 investimentos em instalações, equipamento e tecnologia de ponta se a empresa não tiver clientes/consumidores que comprem seus produtos e serviços. Pensando nisso, quando a empresa consegue classificar seus clientes e separá-los, ela consegue entregar melhor seus produtos e serviços. Para isso, ela pode classificar por fatores de afinidade; em marketing, chamamos essa ação de segmentação e ela consiste na seleção ou separação de clientes por fatores de maior familiarida- de/afinidade. Exemplos de segmentação podem ser vistos em: fai- xa etária, localização, profissão, faixa salarial, comportamento, hábitos, hobbies, tamanho da família, religião, personalidade, dentre outros. Muitos estudos revelam que, sem clientes/consumidores ne- nhuma empresa ou organização se justifica. Por isso, é de extrema importância entender o seu comportamento, necessidades e dese- jos. Nesse sentido, o quadro a seguir mostra as diferenças entre ne- cessidades e desejos, veja. Quadro 2 - Necessidades e desejos dos consumidores NECESSIDADE DESEJO COMER em uma churrascaria de referência. DORMIR em um colchão ortopédico. RESPIRAR em um parque. RELACIONAR-SE SEXUALMENTE ir a um motel de luxo. COMUNICAR-SE por meio de um celular de última geração. BEBER vinhos importados. EVACUAR em um banheiro limpo com bacias de mármore. URINAR em um ambiente esterilizado e agradável. EXERCITAR-SE com um personal trainer. LOCOMOVER-SE em um carro de luxo importado. DIVERTIR-SE em festas noturnas e viagens internacionais. LOCALIZAR-SE NO TEMPO por meio das horas de um relógio importado. PROTEGER-SE com uma jaqueta de couro. INFORMAR-SE por meio de assinatura de jornais e revistas eletrônicas. 101 Fonte: adaptado de Dantas (2014, p. 15) pelo Editorial da Digital Pages (2019) Como podemos observar, o quadro mostra que todos(as) temos necessidades, mas os desejos podem ser diferentes. Nesse sentido, quando o empreendedor tem essas informações, consegue desenvolver produtos e serviços de sua empresa para que o cliente faça suas escolhas. No caso do quadro, poderíamos realizar outro exercício, co- locando marcas de empresas na área de desejos. Dessa forma, fica mais fácil compreender as estratégias de marketing direcionadas para o cliente e futuros consumidores. E, para entendermos as necessidades dos clientes, é ne- cessário analisar a questão do desejo, que está direcionado para a obtenção de uma satisfação referente à compra. Assim, os desejos podem ser despertados e estimulados pelas empresas e, quando os empreendedores possuem as informações necessárias sobre o com- portamento e hábito dos consumidores, conseguem desenvolver estratégias de marketing para despertar o desejo dos clientes. Quem nesta vida nunca comprou por impulso, achando que estava precisando de algo quando na verdade nem era tão importante as- sim? Pense nisso! Desse modo, a prática do marketing na empresa estimula as necessidades e os desejos das pessoas por meio das ferramentas de comunicação, como as propagandas, aguçando a vontade do con- sumidor de possuir aquele produto. Pensando nisso, o esforço da equipe de marketing consiste em sensibilizar aquele cliente/consu- midor para adquirir seu produto ou serviço por meio das evidências dos diferenciais que ele pode proporcionar ao consumidor. Assim, as marcas existem para chamar a atenção das pessoas e, consequente- mente, realizar seus desejos e satisfazer suas necessidades. REFLITA 102 Lembre-se que a empresa pode perder clientes por diversos fatores, como péssimo atendimento, mudança do local, o produto ou serviço não supre suas necessidades, falta de qualidade, dentre outros. Por isso, o empreendedor precisa ficar atento à gestão de clientes, promovendo a sua satisfação e respondendo rapidamente às suas necessidades para que ele não busque produtos substitutos no mercado. Diante do discutido, o gráfico a seguir ilustra, de forma ob- jetiva, as principais causas de perda de clientes, evidenciando que o mau atendimento se destaca como o fator mais relevante, supe- rando inclusive a influência da concorrência e de terceiros. Essa vi- sualização reforça a ideia de que a gestão de clientes não deve ser tratada apenas como uma função operacional, mas como um ele- mento estratégico da organização. Ao analisar esses dados, o empreendedor compreende que falhas no relacionamento, na experiência de compra e na percep- ção de valor podem comprometer significativamente a fidelização. Assim, o acompanhamento sistemático da satisfação do cliente e a adoção de ações corretivas rápidas tornam-se essenciais para redu- zir a evasão e preservar a competitividade da empresa no mercado. Gráfico 2 - Por que as empresas perdem clientes? Fonte: adaptado de Berg (2014) pelo Editorial da Digital Pages (2019). 103 Dessa forma, o empreendedor precisa ficar atento a esses fa- tores e, diante dos resultados, desenvolver estratégias que elimi- nem a perda de cliente. Fornecedores Os fornecedores são muito importantes para a organização, pois permitem que a empresa delegue algumas atividades para criar parcerias. Eles podem ser fornecedores de diversas áreas, como de matéria-prima ou um insumo para a fabricação e produção de mer- cadoria, mão de obra terceirizada, serviços de cobrança etc. Assim, podemos terceirizar outras áreas, tais como marketing, produção, dentre outras. O diagrama apresentado a seguir sistematiza de forma clara a lógica da terceirização, evidenciando como a relação com fornece- dores se insere na estratégia organizacional. Ao transferir ativida- des de apoio, também chamadas de atividades-meio, para empresas parceiras, a organização consegue concentrar seus esforços nas ati- vidades-fim, aquelas diretamente relacionadas à geração de valor ao cliente. Essa prática, conhecida como outsourcing, reforça a impor- tância dos fornecedores como aliados estratégicos, e não apenas como prestadores de serviços pontuais. Nesse sentido, o diagrama demonstra que a descentralização de funções amplia a eficiência operacional, favorece a especialização, reduz custos e possibilita maior foco gerencial, contribuindo para a competitividade e sus- tentabilidade do negócio, veja. 104 Diagrama 9 - Entendendo a terceirização Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que a importância de parcerias para as empresas é muito grande. Isso porque, atualmente, as empresas têm utilizado este tipo de estratégia para, além de otimizar seus processos, pro- mover ações de marketing e atrair novos clientes. No entanto, o empreendedor precisa se atentar ao controle dos processos envolvidos na parceria. Assim, é importante que se conheça o fornecedor, analise seu histórico de mercado, se ele tra- balha com produtos de qualidade, se é ético etc. A importância de ter esse tipo de informação ocorre devido ao fato de que qualquer fator sobre o fornecedor, seja ele negativo ou positivo, influencia direta- mente na marca da empresa, podendo até diminuir a sua participa- ção de mercado. 105 Dessa maneira, as empresas optam pela terceirização para teremmais autonomia e qualidade em seus produtos e serviços com uma redução de custo e otimização de tempo para analisar outras atividades “fins” da empresa. A Nike, em 2014, se envolveu em um escândalo de mão de obra es- crava que repercutiu negativamente em sua marca. Desde 1996, a empresa precisa lidar com fornecedores que trabalham com mão de obra escrava na confecção de seus produtos. Para evitar tal situação, a empresa criou cargos de fiscalização em todas as etapas do pro- cesso, fiscalizando até mesmo os padrões de saúde e de segurança das empresas fornecedoras. Concorrentes No ambiente competitivo em que as organizações estão inseridas, a compreensão do papel dos concorrentes torna-se um elemento fundamental para a formulação de estratégias eficazes. A concorrência influencia diretamente o posicionamento da empresa no mercado, impactando decisões relacionadas a preço, qualidade, inovação, comunicação e relacionamento com o clien- te. Ao analisar seus concorrentes, o empreendedor amplia sua visão sobre tendências, oportunidades e ameaças, evitando decisões ba- seadas apenas em percepções internas. Dessa forma, o conhecimento sistemático do cenário competitivo permite identificar vantagens comparativas, an- tecipar movimentos do mercado e fortalecer a capacidade de dife- renciação, contribuindo para a construção de uma estratégia sólida e sustentável. CURIOSIDADE 106 São chamadas concorrentes as empresas que vendem produtos e serviços semelhantes, dividindo um segmento de mercado. E, antes de finalizarmos esse material, destacamos que é im- portante que o empreendedor conheça quais são seus concorrentes, o que eles estão fazendo, quais estratégias estão desenvolvendo, quais os diferenciais de seus produtos ou serviços, qual o seu per- centual de marketing share (participação de mercado), dentre outros detalhes. Isso porque, a partir desta análise da concorrência, ele pode averiguar quem é o seu concorrente mais direto e que pode ser uma grande ameaça para a sua empresa. E, para obter mais informações, o empreendedor pode realizar uma pesquisa de mercado com o ob- jetivo de coletar algumas informações, tais como: • Pontos principais dos concorrentes, como preço, qualidade, localização, serviço de entrega, garantia estendida, atendi- mento, dentre outros; • Avaliar a estrutura do concorrente, se é mais enxuta ou não, como quadro de funcionários e as áreas importantes da organização; • Analisar quais necessidades apresentadas pelos clien- tes que não estão sendo atendidas pelo concorrente, para que se possa criar um produto ou serviço com o objetivo de atendê-las. DEFINIÇÃO 107 A Uber entrou no Brasil em 2014 e revolucionou o segmento de transporte público, tendo como seu concorrente direto o táxi. Para entrar no mercado, a empresa analisou o cenário e percebeu que ti- nha tanto um público disposto a pagar por um serviço melhor como também pessoas que queriam trabalhar utilizando seus próprios carros. Pensando nisso, a empresa desenvolveu várias estratégias de serviços, revolucionando o setor. Assim, a Uber realizou pesqui- sa de mercado e criou um aplicativo para unir pessoas e meios de transporte. É uma empresa de tecnologia e facilitou o acesso mais barato ao transporte público. Em síntese, clientes, fornecedores e concorrentes compõem o núcleo do ambiente externo da organização e exercem influência direta sobre seu desempenho e sua sustentabilidade no mercado. Assim, os clientes orientam as decisões estratégicas ao expressarem necessidades, expectativas e níveis de satisfação que condicionam a oferta de produtos e serviços. Os fornecedores, por sua vez, viabilizam as operações e po- dem atuar como parceiros estratégicos, contribuindo para efi- ciência, qualidade e inovação. Já os concorrentes funcionam como referência e estímulo à melhoria contínua, pressionando a empresa a se diferenciar e a buscar vantagens competitivas. Assim, a análise integrada desses agentes permite ao em- preendedor tomar decisões mais assertivas, reduzir riscos e forta- lecer o posicionamento organizacional em um ambiente cada vez mais dinâmico e competitivo. CURIOSIDADE 108 Estimado(a) estudante, finalizamos aqui essa etapa de estudo. Nes- te material estudamos o desenvolvimento da globalização, sua im- portância e vimos como ela impacta as relações no mundo, fazendo com que empresas possam comercializar seus produtos e serviços com seu público-alvo a qualquer distância. Você aprendeu também que a globalização permitiu o rompimen- to de barreiras, inclusive para transações comerciais, financeiras, troca de informações e conhecimentos. Assim, pudemos perceber a importância deste processo para a empresa, principalmente para as empresas do empreendedorismo digital, como é o caso das startups. Além disso, você também aprendeu que, para que tudo ocorra bem, é de extrema importância que as empresas conheçam o ambiente no qual estão inseridas, como o mercado, os clientes, a cultura lo- cal, a política, seus concorrentes, fornecedores, dentre outros. Esse conhecimento direciona o planejamento estratégico do empreendi- mento para que se obtenha êxito na busca do seu objetivo. Vimos também a importância do empreendedorismo feminino, como ele vem crescendo no país e quais são os fatores motivadores que impulsionam esse crescimento. Nesse sentido, você aprendeu que esse fenômeno tem trazido uma opção de emprego ou renda extra, principalmente para as mulheres que desejam uma indepen- dência financeira, reconhecimento de carreira e que querem acom- panhar o crescimento de seus filhos, tendo maior flexibilidade de horário. Outro fator importante discutir aqui foi a necessidade de entender como funcionam as startups e quais os apoios para o seu desenvol- vimento. Além disso, analisamos a importância da tecnologia e da inovação para êxito dos empreendimentos. Por fim, demonstramos que, embora o cenário brasileiro seja um ambiente desafiador e que tem muito a crescer, muitas pessoas acreditam no país e não enxergam isto como um problema. Não à toa, estamos entre os países que mais empreendem no mundo, SINTETIZANDO 109 embora ainda possamos nos aprimorar mais no quesito inovação e desenvolver novos negócios que beneficie a população, gere riqueza para a empresa e para o empreendedor, ajudando no desenvolvi- mento do nosso país. UN ID AD E 3 Planejamento estratégico e os tipos de empresa Objetivos ◼ Definir a importância do planejamento estratégico e sua im- portância para sua organização; ◼ Explicar como esta estratégia irá auxiliar o empreendedor a tirar suas ideias do papel e colocá-las em prática; ◼ Aplicar e analisar o processo e, caso necessário, compor novas estratégias para atingir o objetivo da empresa; ◼ Entender as diferenças entre os diversos tipos de empresa. 112 Introdução Olá, estudante. Como vai? Vamos iniciar mais uma etapa de estu- do. Como você deve ter percebido, em um ambiente organizacional cada vez mais dinâmico, competitivo e marcado por transformações tecnológicas aceleradas, a capacidade de planejar estrategicamente tornou-se um fator decisivo para a sobrevivência e o crescimento das organizações. Isso porque ideias inovadoras, por si só, não são suficientes para garantir o sucesso de um empreendimento. Assim, é necessário transformá-las em ações estruturadas, orientadas por objetivos claros, análise criteriosa do ambiente e tomada de deci- sões fundamentadas. Nesse contexto, o planejamento estratégico surge como um instrumento essencial para orientar o empreendedor na definição de caminhos, no uso eficiente de recursos e na construção de van- tagens competitivas sustentáveis. Pensando nisso, este material aprofunda a compreensão do planejamento estratégico como um processo contínuo, que envolve análise de mercado, estudo de ce- nários, avaliação do ambiente interno e externo e formulação de es- tratégias alinhadas à missão, visão e valores da organização. Assim, ao longodo conteúdo serão discutidas ferramentas fundamentais para esse processo, como a análise ambiental (micro e macroambiente) e a Matriz SWOT, que auxilia na identificação de oportunidades, ameaças, forças e fraquezas. Além disso, destaca-se o papel da criatividade e da inovação como elementos estratégicos indispensáveis para responder às mudanças do mercado e às novas demandas dos consumidores. Este material também apresentará a você os principais tipos de organização, abordando as diferenças entre indústria, comércio e serviços, bem como entre empresas governamentais, não gover- namentais e privadas, além das classificações quanto ao porte e à forma jurídica. Desde já, deixamos claro que, ao integrar esses conhecimen- tos, você será capaz de compreender como o planejamento estraté- gico se adapta a diferentes modelos organizacionais e contextos de 113 atuação. Dessa forma, este material fornece uma base conceitual e prática sólida para que o empreendedor desenvolva estratégias coe- rentes, tome decisões mais assertivas e construa negócios capazes de se manter competitivos e relevantes no longo prazo. Dito isso, vamos começar. Bons estudos! 114 Planejamento Estratégico Para a empresa sobreviver e se sustentar, é necessário um planeja- mento estratégico de suas decisões e ações. Da mesma forma, um empreendedor que tem uma excelente ideia e deseja colocá-la em prática também precisa planejar suas ações, como o momento em que elas serão colocadas em prática, qual o público-alvo de seu ne- gócio, dentre outras decisões que precisam ser tomadas. Nesse sentido, é possível dizer que ele precisa se planejar. Sendo assim, o planejamento estratégico vai ao encontro dessa ne- cessidade, uma vez que pretende auxiliar o empreendedor a tomar decisões estratégicas. Dessa maneira, o planejamento é um conhe- cimento que deve ser contínuo, constante e aplicado às decisões estratégicas que a empresa deve tomar. Assim, o conhecimento é uma característica dos dias atuais e de um mundo em constante mudança, necessitando que o em- preendedor esteja em constante aprendizado para planejar e ad- ministrar a sua empresa. Nesse cenário dinâmico e altamente competitivo, o aprendi- zado deixa de ser um evento pontual e passa a constituir um pro- cesso permanente de atualização e adaptação. E o empreendedor que compreende essa lógica entende que não basta dominar conhe- cimentos técnicos no momento da abertura do negócio: é preciso acompanhar transformações tecnológicas, mudanças no compor- tamento do consumidor, novas práticas de gestão e alterações no ambiente regulatório. A capacidade de aprender, desaprender e reaprender torna- -se, portanto, um diferencial estratégico. Essa postura investigativa e aberta ao novo permite que o empreendedor antecipe tendências, reduza riscos e identifique oportunidades antes da concorrência, fortalecendo a sustentabilidade e a inovação dentro da organização. Além disso, é importante que o empreendedor saiba gerenciar os negócios da empresa como se fossem sua carteira de investimen- tos. Também é necessário saber avaliar os pontos fortes e fracos do negócio considerando a atuação de mercado frente ao crescimento e 115 ao posicionamento da empresa e, diante disso, pensar em desenvol- ver estratégias que atendam cada objetivo da empresa. É possível afirmar que as empresas só conseguirão sobreviver se elas se reinventarem, pois não existe outra forma de responder às mudanças do mercado e do comportamento dos consumidores. Portanto, é necessário basear suas estratégias para que atendam às demandas em constante transformação. Nesse contexto, a reinvenção organizacional deixa de ser uma escolha estratégica eventual e passa a configurar-se como uma condição indispensável à continuidade do negócio. Isso porque a capacidade de antecipar cenários, analisar vulnerabilidades e rea- valiar modelos de atuação torna-se fundamental para enfrentar ambientes caracterizados por incerteza, volatilidade e competição intensa. Assim, empresas que cultivam uma postura reflexiva e estra- tégica conseguem identificar sinais de ruptura antes que se tornem crises irreversíveis, ajustando processos, produtos e posicionamen- tos de forma ágil. Dessa maneira, a reinvenção não se resume a mu- danças superficiais, mas envolve uma revisão estrutural da forma como a organização cria, entrega e captura valor no mercado. A reinvenção passa por diversas ações a co- meçar pela reflexão constante em como so- breviver em e ameaças radicais, indagando-se constantemente o que pode aniquilar a empre- sa. E buscar respostas rápidas e eficazes. (Di- niz, 2019). Diante disso, o planejamento estratégico também desem- penha um papel fundamental na redução das incertezas inerentes ao ambiente empresarial. Isso porque, ao analisar informações do IMPORTANTE 116 mercado, identificar riscos, oportunidades e limitações internas, o empreendedor passa a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos objetivos organizacionais. E, embora o planejamento não elimi- ne completamente os riscos do negócio, ele contribui para antecipar cenários, minimizar impactos negativos e ampliar a capacidade de resposta da empresa. Dessa maneira, para que a empresa possa definir estes tipos de estratégias e atender às necessidades dos clientes, ela pode contar com o planejamento estratégico para desenvolver e escolher as me- lhores estratégias que orientarão a empresa a atingir seu objetivo. Considera-se o planejamento estratégico como um processo contí- nuo de reflexão e tomada de decisão, formalizado por meio de docu- mentos que contêm planos e ações desenvolvidos para cada objetivo a ser realizado. Desse modo, a empresa pode ter um planejamento estratégico geral, mas também pode desenvolver planejamentos específicos para cada objetivo ou meta que pretende alcançar. Perceba que qualquer empresa pode realizar o seu plane- jamento estratégico, independentemente de seu tamanho. Na verdade, o planejamento estratégico é para ajudar a empresa e o empreendedor a se direcionar e crescer no mercado, sendo, dessa maneira, um instrumento essencial para o empreendedor e para a administração organizacional. Assim, esse planejamento deve conter o passo a passo das ações que devem ser tomadas e, assim, orientar de forma eficaz os envolvidos no processo. Destacamos que estudos revelam que muitas empresas, principalmente as menores, não utilizam o planejamento estra- tégico, muitas vezes por não o conhecerem ou por achá-lo muito complexo. Isso pode ser um erro. Isso porque, na tentativa de acer- tar e errar, se a empresa tem um planejamento do que fazer, pode tomar decisões mais sábias que tragam bons resultados, evitando DEFINIÇÃO 117 muitos momentos de conflito ocorridos pela falta do conhecimento e da ferramenta. Assim, compreender o planejamento estratégico como um processo estruturado e sistemático é essencial para desmistificar sua aplicação, especialmente entre micro e pequenas empresas. Longe de ser uma ferramenta restrita a grandes corporações, o pla- nejamento estratégico pode — e deve — ser adaptado à realidade de cada organização, considerando seu porte, recursos disponíveis e contexto competitivo. Ao organizar objetivos, analisar cenários internos e externos e definir caminhos de ação, a empresa passa a atuar de forma menos intuitiva e mais orientada por metas claras e indicadores de desem- penho. Nesse sentido, a figura a seguir apresenta as principais eta- pas do planejamento estratégico, evidenciando como esse processo pode ser conduzido de maneira lógica e progressiva. Figura 1 - Etapas do planejamento estratégico Fonte: adaptado de Shutterstock (2019) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Dessa maneira, é possível entendermos que o planejamento estratégico tem o objetivo de ordenar as ideias dos empreendedores ou administradores da empresa, de forma que se possa criar uma vi- são do caminho que se deve seguir, o qual chamamos de estratégia.118 Em outras palavras, o objetivo do planejamento estratégico é orien- tar as decisões para que elas possam trazer resultados positivos para a organização quando transformadas em ações, como fidelizar clientes, atrair novos consumidores e permitir maior participação de mercado. E, para a empresa sobreviver, é preciso cativar o cliente de forma cada vez mais especial e diferenciada, olhando para os fatores decisivos que tornarão sua proposta atraente. Essa proposta pode ser elaborada por meio do planejamento estratégico da empresa. O gerente de produtos da Samsung, Renato Citrini, destaca a men- talidade da empresa para construir produtos. Ele explica que, para atingir com eficiência seus resultados, a Samsung leva à risca seu planejamento estratégico e, quando a empresa cogita novos produ- tos, devem responder a uma pergunta fundamental: ele surpreende o cliente? Com base na resposta, ela elabora um plano de ação para garantir que seus produtos cheguem ao seu público-alvo e formula um planejamento estratégico. Para assistir a entrevista completa, sugerimos que acesse o canal do YouTube NZN e assista ao vídeo “Samsung: muito mais do que smartphones [The BRIEF]”. Vale destacar que os exemplos empresariais apresentados ao longo deste material devem ser compreendidos como casos clássi- cos, utilizados para fins didáticos, e que ilustram práticas e estra- tégias organizacionais em determinados contextos históricos e de mercado. Assim, embora esses exemplos permaneçam relevantes do ponto de vista conceitual, é importante reconhecer que as estra- tégias empresariais evoluem ao longo do tempo em função de trans- formações tecnológicas, econômicas e sociais. E, para entendermos ACESSE 119 melhor como deve ser o processo de planejamento estratégico, su- gerimos observar o diagrama a seguir, que demonstra o seu fluxo. Diagrama 1 - Responsabilidades do empreendedor Fonte: adaptado de Kotler; Keller (2006, p. 43) pelo Editorial da Digital Pages (2019). O diagrama nos mostra que devemos planejar o que fazer com a empresa, desenvolvendo estratégias e planos de ação alinha- dos aos seus objetivos e às suas metas. Em seguida, vem a fase da implementação, na qual é necessário organizar o que deve ser fei- to. Por último, é necessário controlar, mensurando os resultados, diagnosticando a situação da empresa e alterando estratégias, caso necessário. Isso é um processo contínuo. Desse modo, um bom planejamento estratégico permite aos empreendedores e gestores maior visão e percepção do seu negócio e, assim, definir quais os planos de ação para atingirem seus obje- tivos. Além disso, também permite otimizar melhor seus recursos, analisar qual o melhor caminho a seguir, pensar em alternativas e corrigir as estratégias quando necessário. Destacamos que existem muitas outras formas defendidas por vários autores para estabelecer o planejamento estratégico. No entanto, o que mais abrange as estratégias são os seguintes pontos: 120 Diagrama 2 - Planejamento estratégico Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Continuando, no diagrama a seguir é possível conhecer qua- tro fatores importantes para o desenvolvimento da estratégia da or- ganização, veja. 121 Diagrama 3 - As quatro atividades do planejamento estratégico que levam a estruturar a estratégia de uma organização Fonte: adaptado de Almeida (2010) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que não existe uma ordem para se colocar em prática os pontos apresentados pelo Diagrama 3, o importante é que sejam analisados e praticados conforme os objetivos organizacionais. Ou- tro fator importante no desenvolvimento da estratégia é a definição da missão da empresa, que é a razão de sua existência e vai nortear todas as diretrizes do planejamento estratégico. Junto com a mis- são, também desenvolvemos os valores organizacionais e a visão de uma empresa. A visão é o olhar para o futuro, indicando o que a empresa deseja ser considerando o tempo, o local e a meta futura, e deve também estar estabelecida no planejamento estratégico como um objetivo que deve ser alcançado. DEFINIÇÃO 122 Os diagramas apresentados ao longo deste material devem ser com- preendidos de forma integrada, pois representam diferentes pers- pectivas do mesmo processo de planejamento estratégico. Enquanto alguns diagramas enfatizam o fluxo entre planejamento, imple- mentação e controle, outros destacam os elementos necessários para a formulação da estratégia e a análise dos aspectos internos e externos da organização. Em conjunto, esses instrumentos auxi- liam o empreendedor e o gestor a compreender que o planejamento estratégico não ocorre de maneira linear ou isolada, mas como um processo sistêmico, contínuo e interdependente, no qual decisões, ações e controles se retroalimentam. Por conta disso, a formulação do planejamento estratégico depende do estudo das variáveis internas e externas para que a em- presa possa tomar decisões mais assertivas. Esta ação, denominada também de diagnóstico organizacional, precisa da informação de cada área da organização e leva em conta os dados das variáveis para tomada de decisão, conforme demonstrado no quadro a seguir. Quadro 1 - Estudo para o planejamento estratégico DICA AMBIENTE ORGANIZACIONAL versus NEGÓCIOS: AMBIENTE ORGANI- ZACIONAL INTERNO: RECURSOS: Conjuntura econômico sociopo- lítica – tendências futuras. • aspectos econômicos: específicos de maior impacto no negócio; • competição: forças e fraquezas; • mercado atual: tendências fu- turas; • oportunidades oferecidas pelo mercado: tendências futuras; • mercado internacional: se a em- presa opera com outros mercados, analisar mesmos fatores; • conclusões. Impactos da conjuntura econômico sociopolítica; • situação atual: lucrativ- idade, forças e fraquezas, nível de produtividade; • posicionamento: peran- te a competição e perante o mercado; • oportunidades a serem aproveitadas; • linhas de produto; • análise da estrutura or- ganizacional; . capital; . finanças; . tecnologia; . máquinas/eq- uipamentos; . instalações; • conclusões. 123 Fonte: adaptado de Lucena (2017, p. 147) pelo Editorial da Digital Pages (2019). O diagnóstico organizacional não se limita a um exercício me- ramente descritivo das condições internas da empresa, tampouco à observação isolada das forças externas que a circundam. Trata-se de um processo analítico integrado, no qual informações financei- ras, operacionais, mercadológicas e estratégicas são interpretadas de forma sistêmica, permitindo a construção de uma visão abran- gente sobre posicionamento competitivo, capacidades organizacio- nais e vulnerabilidades estruturais e a qualidade desse diagnóstico impacta diretamente a consistência do planejamento estratégico e a viabilidade das decisões subsequentes. Entretanto, compreender a organização em sua dimensão interna é apenas parte do desafio. Assim, para que o planejamento alcance maior grau de precisão e sustentabilidade, torna-se indis- pensável aprofundar o entendimento do ambiente competitivo e do comportamento do mercado em que a empresa está inserida. Modelos de Decisões Estratégicas – Metas ALTERNATIVAS Negócio: expansão – diversificação (nova frentes de negócios, aquisições); re- tração; novos produtos; desativação de produtos etc. Mercado: crescimento nos mercados onde atua; conquistar novos mercados; seleção de mercados; redução de atuação; novos enfoques mercadológicos etc. Competição: negociar fatias de mercado, melhorar a qualidade dos produtos com- petitivos, lançar novos produtos, competir com preços mais baixos etc. Finanças: aumentar capital, projetar novos investimentos, reduzir custos, au- mentar a produtividade, otimizar recursos, novas aplicações tecnológicas etc. Organização: reestruturar a organização (total ou em algumas áreas), racionalizar o trabalho, centralizar/descentralizar, novo enfoque gerencial, novas especial- izações, mudanças nas instalações etc. Lucro: projeção de taxasde lucratividade. 124 É nesse ponto que a análise de mercado se consolida como etapa fundamental do processo estratégico, ampliando a capacida- de de interpretação das dinâmicas externas e qualificando a tomada de decisão empresarial, conforme detalhado na sequência. Análise de mercado A compreensão das transformações contemporâneas no ambiente empresarial exige, antes de tudo, uma análise crítica das mudanças estruturais que vêm redefinindo os padrões de produção, consumo e competitividade. O mercado atual não se organiza mais sob lógicas lineares e previsíveis; ao contrário, caracteriza-se por intensa inter- dependência entre setores, rápida difusão tecnológica e aceleração constante da inovação. Nesse cenário, o empreendedor deixa de atuar apenas como ges- tor de recursos e passa a desempenhar papel estratégico na interpre- tação de tendências, na antecipação de movimentos competitivos e na construção de vantagens sustentáveis. É justamente a partir dessa perspectiva que se torna necessá- rio refletir sobre a natureza da sociedade em que estamos inseridos. Isso porque as transformações econômicas, sociais e tecnológicas não apenas ampliaram o alcance dos mercados, mas também redefiniram a forma como empresas e consumidores se relacionam. A competitividade contemporânea demanda visão sistêmica, ca- pacidade de adaptação e aprendizado contínuo. Assim, o empreendedor precisa compreender as bases dessa nova configuração social para po- sicionar-se de maneira estratégica e responder com agilidade às exi- gências de um ambiente cada vez mais dinâmico e multidimensional. Caro(a) aluno(a), pare e pense: como viver em uma era na qual o mercado se mostra cada vez mais multidisciplinar e competitivo? Essa pergunta, aparentemente simples, requer uma resposta complexa. Pense nisso! REFLITA 125 Nesse sentido, primeiramente precisamos entender sobre qual era ele está falando. De acordo com suas ideias e explicações, a nova era é uma nova sociedade. Isso porque deixamos de ser uma sociedade meramente globalizada, ou uma aldeia global, para nos transformarmos em uma sociedade tecnotrônica, tecnológica, di- gital e disruptiva. Esse tipo de sociedade vem exigir ainda mais do empreendedor, que precisa estar atualizado e trazer soluções rá- pidas para responder às demandas dos clientes. Caso contrário, é possível que ele perca, por falta de visão estratégica, excelentes oportunidades. Figura 2 – O empreendedor da nova sociedade Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Portanto, é imprescindível que o empreendedor busque in- formações importantes para complementar o seu conhecimento. Essas informações podem ser adquiridas por meio de uma análise de mercado, e o mais importante é que essa análise esteja alinhada com os princípios e valores dessa nova era. Dessa forma, é possível afirmar que estamos na era da 4ª Revolução Industrial, ou seja, as demandas atuais são muito diferentes daquelas de anos passados. 126 A chamada Quarta Revolução Industrial caracteriza-se pela conver- gência entre tecnologias digitais, físicas e biológicas, impactando pro- fundamente a forma como as organizações produzem, relacionam-se com os consumidores e tomam decisões estratégicas. Nesse contex- to, a velocidade das transformações tecnológicas e a intensificação da concorrência ampliam a complexidade do ambiente de negócios, exigindo do empreendedor maior capacidade de análise, adaptação e antecipação de cenários. Assim, compreender essa nova configuração econômica e social torna-se fundamental para a formulação de estra- tégias alinhadas às dinâmicas contemporâneas do mercado. Destacamos que a revolução tecnológica, um dos fatores primordiais desta revolução, deve ser acompanhada bem de perto, uma vez que é por meio dela que novos comportamentos, hábitos e necessidades dos consumidores surgem. Portanto, a empresa deve estar atenta a estes fenômenos. Por conta disso, a análise de merca- do tem como principal objetivo: Diagrama 4 - Análise de mercado e seu principal objetivo Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). IMPORTANTE 127 Dando sequência, no quadro a seguir temos informações para direcionar melhor a sua compreensão sobre os dados que o em- preendedor pode obter por meio da análise de mercado. Quadro 2 - Informações da análise de mercado Fonte: adaptado de Aaker (2012) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Outro fator importante é o nível total de vendas, ou seja, de- senvolver uma estratégia de vendas de produtos ou serviços para ter participação significativa de mercado. Para isto, é primordial co- nhecer o tamanho do mercado no qual se atua, seu comportamento, clientes potenciais, perfil dos clientes, produtos, concorrentes etc. Além de se conhecer o tamanho de mercado, faz-se necessário en- tender sua dimensão, ou seja, se ele pode ser explorado, se tem po- tencial para novos produtos e serviços, se o segmento está em alta de vendas, se o mercado está saturado, entre outros pontos. Com essas informações, o empreendedor pode analisar se deve investir no segmento por meio de estratégias que tragam lucros para a em- presa ou se deve investir em outro negócio. Vamos entender como realizar essa análise? Mercado Preço mais baixo, surgimento de nichos, solução de sistemas, novas aplicações, tendências do consum- idor e tecnologia. Tamanho e crescimento Características, tendências de vendas e concor- rentes. Lucratividade Área de negócios, intensidade da concorrência, ameaças de novos entrantes e produtos substitutos. Estrutura de custo Principais componentes de custo versus os tipos de concorrentes. Sistema de distribuição Canais de vendas. Tendências Comportamento do consumidor, inovações, etc. Fatores-chave de sucesso Vantagem competitiva, estratégia e competência dos concorrentes. 128 Análise de cenários Caro(a) estudante, para este estudo vamos nos basear na obra de Pasquale, que falou sobre cenários em seu livro Marketing Business to Business, publicado em 2006. Embora a análise de cenários tenha sido amplamente discu- tida em obras clássicas da área da administração e do marketing, seu uso permanece atual e relevante no contexto contemporâneo. Isso porque as abordagens tradicionais fornecem fundamentos im- portantes para a compreensão dos possíveis desdobramentos do ambiente externo, sendo continuamente adaptadas às novas reali- dades econômicas, tecnológicas e sociais. Dessa forma, a análise de cenários mantém-se como uma ferramenta estratégica essencial, desde que aplicada de maneira contextualizada às transformações do mercado atual. Diante disso, a análise de cenários é uma técnica utilizada por administradores e empreendedores com o intuito de auxiliar a empresa a visualizar o futuro, permitindo um melhor preparo para a elaboração de suas estratégias. Para isso, as empresas precisam conhecer, inicialmente, quem são os seus concorrentes, o que eles estão fazendo de diferente e qual a estratégia usam para atrair no- vos clientes. Destacamos que enfrentar desafios, incertezas e instabilida- des que influenciam o negócio já faz parte da rotina do empreen- dedor. No entanto, é importante analisar bem esses fatores para conseguir oportunidades de negócio. E, para isso, o empreendedor precisa estar preparado e atualizado. Uma dessas preparações consiste na importância de se co- nhecer o cliente e estar conectado com a clientela para observar tendências de consumo e atender às necessidades do público-alvo de forma criativa e inovadora. E, com base nessas necessidades, a análise de cenário permite ao empresário identificar e analisar as oportunidades futuras e, assim, definir qual a melhor estratégia a ser empregada. 129 Podemos entender, então, que a análise de cenário está re- lacionada a eventos futuros. Esses eventos são possíveis aconte- cimentos sociais, políticos, econômicos, demográficos, culturais, legais, ecológicos e tecnológicos no ambiente onde a empresa está inserida. Um exemplo clássico dosdias atuais diz respeito à inovação tecno- lógica. As empresas que vendem seus produtos e serviços estão cada vez mais preocupadas em se aproximar e entender a necessidade do cliente, promovendo a ele mais conforto e comodidade na hora da compra, pois entendem que isso é um diferencial na hora da escolha por parte do consumidor. Por outro lado, a sociedade também está demandando esse comportamento, principalmente nas grandes ci- dades, onde as pessoas vivem correndo e vivem atrasadas. Com base nesse cenário, muitas empresas passaram a diver- sificar o seu canal de vendas por meio da internet e de aplicativos, proporcionando rapidez, comodidade, flexibilidade e conforto ao cliente. Diante disso, é importante sabermos que o empreendedor deve ser amigo do cliente, criar laços para melhor conhecê-lo e surpreendê-lo. E, com essa proximidade, é possível analisar as in- formações fornecidas pelos clientes em relação a seus hábitos de compra e gostos. Isso permite pensar em futuros negócios que se- jam rentáveis para a empresa e que surpreendam o cliente. Dessa maneira, para elaborarmos uma análise eficaz de cenários, é preciso levar em consideração alguns itens importantes: • quanto maior for o número de informações sobre o cenário fu- turo do negócio em análise, mais dados o empreendedor terá; • avaliar todas as possíveis oportunidades que podem ser geri- das, conforme as informações coletadas; EXEMPLO 130 • verificar quais são as áreas de maior interesse para gerir as oportunidades; • considerar todas as incertezas e gerar alternativas sobre elas; • as informações coletadas devem ser sistematizadas para que o empreendedor possa analisá-las, avaliá-las e interpretá-las quando achar necessário; • todos os conceitos, percepções e pontos de vista sobre a análi- se das informações devem ser respeitados e analisados; • analisar possíveis preocupantes situações futuras; • cruzar as informações, ou seja, dados econômicos, comporta- mentos, tendências, dentre outros; • evitar buscar as alternativas de concorrentes. Caso contrário, a empresa não será inovadora; • examinar alternativas estratégicas dos concorrentes para sa- ber o que ele está fazendo de diferente que pode influenciar na estratégia da empresa, como um novo produto ou serviço que aumente a sua participação de mercado; • elaborar planos e estratégias flexíveis à luz das incertezas. Além disso, o planejamento estratégico depende muito da análise dos cenários para ter credibilidade, pois permite que o res- ponsável tenha mais confiança na sua formulação e aplicação. Nesse contexto, a análise de cenários representa uma ferramenta meto- dológica que amplia a capacidade interpretativa do planejamento estratégico ao estruturar hipóteses sobre possíveis configurações futuras do ambiente organizacional. E, diferentemente de projeções meramente intuitivas, essa construção de cenários exige sistematização de dados econômicos, tecnológicos, sociais e regulatórios, permitindo a identificação de tendências, incertezas críticas e variáveis de maior impacto. Assim, o processo decisório deixa de se apoiar exclusivamente na experiên- cia subjetiva do gestor e passa a incorporar fundamentos analíticos mais robustos. 131 Ao integrar múltiplas perspectivas e considerar diferentes possibilidades de evolução do ambiente competitivo, a organização fortalece sua capacidade de antecipação e reduz o grau de vulnera- bilidade diante de mudanças inesperadas. É justamente essa utilidade prática e estratégica que será evidenciada no quadro a seguir, o qual sintetiza as principais con- tribuições da análise de cenários para o processo de formulação e implementação do planejamento estratégico. Quadro 3 - Utilidade da análise de cenários Fonte: adaptado de Silva et al. (2006, p. 33) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que a análise de cenários tem o objetivo de permitir ao responsável pelo planejamento estratégico e ao empreendedor uma visão futura e, assim, desenvolver estratégias focadas nessas tendências, direcionando também o desenvolvimento de produtos e serviços. Isso porque as marcas que acompanharem a mudança de cenários conseguirão oferecer produtos sempre atrativos, diferen- ciados e personalizados aos seus clientes fixos e potenciais, consi- derando que essa estratégia é fundamental para que a empresa não entre em falência. Diante disso, é importante destacarmos que a capacidade de acompanhar mudanças de cenários não garante, de forma isolada, o Compreender os aspectos favoráveis e não favoráveis à introdução ou manutenção de um produto ou serviço em um determinado macroambiente. Efetuar o planejamento em bases de elevada realidade. Criar consciência empresarial sobre os aspectos macroambientais desfavoráveis e imutáveis, bem como sobre aqueles que a empresa poderá modificar. Consolidar as oportunidades do planejamento com base nas oportunidades pre- sentes no macroambiente. Criar um alinhamento estratégico entre os macroambientes e o produto ou serviço em planejamento; Auxiliar nas definições de ações para o sucesso do planejamento. 132 sucesso ou a sobrevivência das organizações. No entanto, empresas que monitoram tendências e incorporam essas informações ao seu planejamento estratégico tendem a ampliar suas possibilidades de adaptação e competitividade. Assim, a análise de cenários deve ser compreendida como um instrumento de apoio à decisão, e não como uma garantia absoluta de desempenho organizacional. Dessa maneira, cada negócio possui um tipo de cenário que deve ser bem definido pelo empreendedor. Essas variedades de- pendem muito do segmento escolhido para atuar e podem ser es- pecíficas de cada segmento. Se estivermos falando de empresas que trabalham com exportação e importação de mercadoria, por exem- plo, tudo que influencia a moeda estrangeira, como a alta do dólar, são variáveis que impactam a empresa, assim como as regras de co- mércio do país com o qual ela comercializa. Assim, umas das características importantes para o pla- nejamento é pensar sobre variáveis importantes do segmento das empresas e possíveis variáveis que podem afetar a gestão organiza- cional, conforme mostra o quadro a seguir. Quadro 4 - Tópicos para análise de cenários Grandes turbulências Mudanças fortes no governo, quedas de ministros, guerras, reformas e novas leis. Grandes incertezas Inflação, deflação, maior desemprego, queda ou au- mento de consumo, aumento ou queda dos juros, greves, taxa do dólar etc. Grandes ambiguidades Desemprego alto e maior consumo devido a baixos ju- ros na poupança ou estocagem por receio de inflação. Dados estatísticos ótimos São considerados ótimos devido à seriedade da fonte de informações. Dados estatísticos ques- tionáveis Não utilizar para decisões no PE devido à baixa credib- ilidade da fonte. Grave elevação de cus- tos Taxas de importação ou exportação, escassez por el- evada demanda, difícil mão de obra etc. Grave escassez de matéria-prima Entressafra, falta da base por razões ecológicas ou de produção e importação restrita por lei. Fortes intervenções do Estado Novas regras fiscais ou tributárias, proibições de venda ou produção. 133 Fortes intervenções sociais Grandes turbulências Graves deficiências tecnológicas Tecnologia ainda desconhecida, muito cara, ausente no Brasil, necessidade de contratar estrangeiros. Fortes bmodificações no nível do consumo Devido ao modismo, o consumo cairá ou aumentará. Fonte: adaptado de Silva et al. (2006, p.35) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que a definição adequada do cenário estratégico exi- ge que o empreendedor compreenda que nenhuma organização opera de forma isolada. Assim, cada segmento econômico apresenta dinâmicas próprias, condicionadas por fatores regulatórios, tecno- lógicos, cambiais, culturais e competitivos que influenciam direta- mente o desempenho empresarial. No caso de empresas voltadas à exportação e importação, porexemplo, variáveis como taxa de câmbio, acordos internacio- nais, barreiras tarifárias e estabilidade política dos países parcei- ros tornam-se elementos centrais no processo decisório. Em outros setores, entretanto, as variáveis críticas podem assumir naturezas distintas, reforçando a necessidade de análise contextualizada. Dessa forma, a identificação das variáveis relevantes para cada tipo de negócio constitui etapa essencial do planejamento estraté- gico, pois permite ao gestor mapear riscos, oportunidades e con- dicionantes estruturais que podem afetar a gestão organizacional. Essa reflexão amplia o olhar analítico e prepara o terreno para uma abordagem ainda mais abrangente: a compreensão siste- mática do ambiente em que a empresa está inserida. É nesse ponto que se insere a análise ambiental, contemplando tanto o microam- biente quanto o macroambiente organizacional, conforme detalha- do a seguir. Análise ambiental (micro e macroambiente) O mundo está passando por muitas transformações, e a era digital trouxe muitas facilidades e muitos desafios. Nesta era disruptiva, 134 digital e conectada, as empresas precisam estar atentas a todas as informações importantes para o desenvolvimento de estratégias primordiais para o seu sucesso. Em outras palavras, as empresas precisam de muita criatividade e inovação para sobreviverem a este cenário caótico de competição acirrada pelo cliente. Diante disso, o empreendedor pode contar com a análise ambiental para poder de- senvolver estratégias e tomar decisões mais assertivas. Uma análise ambiental, ou análise do ambiente empresarial, é a análise do ambiente no qual a empresa está inserida. Essa análise é dividida em análise do macroambiente e aná- lise do microambiente. A análise do macroambiente é composta pelas variáveis de fora da empresa, ou seja, variáveis externas que influenciam o ambiente interno da organização. Elas podem alterar a forma como empresa vende seus produtos e serviços, sua produ- ção, dentre outros aspectos. Nesse contexto, as variáveis externas incontroláveis são as variáveis econômicas, sociais, culturais, de- mográficas, políticas, tecnológicas, legais e ecológicas. São deno- minadas como incontroláveis porque a empresa não possui controle sobre ela. O quadro a seguir mostra algumas dessas variáveis. Quadro 5 - Variáveis do macroambiente Variáveis Exemplos Econômicas Crescimento do PIB, balança comercial, taxa de inflação, taxa de juros, estabilidade monetária, mercado de capi- tais, distribuição de renda etc. Sociais Estrutura socioeconômica, condições de vida, estilo de vida, sistema de valores, estrutura política etc. Culturais Níveis de escolaridade, grau de alfabetização, car- acterísticas da orientação educacional, estrutura do sistema educacional, veículos de comunicação etc. DEFINIÇÃO 135 Demográficas Densidade populacional, mobilidade populacional, taxa de crescimento demográfico, composição da população. Políticas Fatores de poder, partidos políticos, sindicatos, institu- ições religiosas, Forças Armadas, empresas multinacionais e empresas estatais, política tributária, de distribuição de renda, de relações externas, segurança nacional, esta- tização etc. Tecnológica Capacidade de aquisição e desenvolvimento da tecnolo- gia, proteção de patentes, ritmo de mudança tecnológica, orçamento de pesquisa e desenvolvimento, transferência de tecnologia etc. Legais Legislação (tributária, trabalhista, comercial). Ecológicas Índices (poluição sonora, atmosférica, hidrológica, visual); Legislação sobre o uso do solo e meio ambiente. Fonte: adaptado de Pasquale (2006, p. 23) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Assim, a análise do macroambiente também nos permite analisar quem são os concorrentes, quais são suas estratégias de competição e quem pode entrar ou sair no mercado. Já na análise do microambiente, as variáveis podem influenciar os públicos in- ternos e externos da empresa. Isso pode interferir na qualificação da mão de obra e do atendimento, nas regras e políticas internas e no relacionamento com o cliente, conforme mostra o quadro a seguir. Quadro 6 - Variáveis do microambiente Públicos Econômicas Consumidores/clientes, fornecedores, distribuidores, gov- erno, sindicatos, associações de classe, veículos de comuni- cação, concorrentes, comunidade e outros. Interno Acionistas, diretores, gerentes e operários. Fonte: adaptado de Pasquale (2006, p. 24). pelo Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que as variáveis do microambiente, chamadas de controláveis, estão na “mão” da empresa para tomar ações para mudar ou manter as variáveis, e suas estratégias influenciam dire- tamente tanto dentro da organização (colaboradores) quanto fora (clientes). Assim, a compreensão das variáveis do microambiente 136 como elementos potencialmente controláveis reforça a importância da atuação estratégica consciente e coordenada. Dessa maneira, decisões relacionadas a preço, posicionamen- to, relacionamento com clientes, políticas de recursos humanos e gestão de fornecedores, por exemplo, não apenas refletem escolhas internas, mas também produzem impactos diretos na percepção de valor da organização no mercado. Nesse sentido, a empresa deixa de ser um agente passivo diante das circunstâncias e passa a assumir papel ativo na construção de sua própria competitividade. Contudo, para que essas variáveis sejam efetivamente anali- sadas e articuladas de forma estruturada, torna-se necessário uti- lizar instrumentos que organizem informações internas e externas de maneira integrada. Isso porque a sistematização dessas forças e limitações permite que o gestor visualize com maior clareza os fa- tores que favorecem ou dificultam o desempenho organizacional. É exatamente nesse contexto que se insere a Matriz SWOT, ferra- menta amplamente utilizada para apoiar diagnósticos estratégicos e orientar decisões empresariais, a qual detalharemos na sequência. A Matriz SWOT A formulação estratégica exige instrumentos que permitam organi- zar, sintetizar e interpretar informações provenientes do ambiente interno e externo de forma integrada e estruturada. Perceba que, em contextos marcados por alta competiti- vidade, instabilidade econômica e transformações tecnológicas constantes, a ausência de um método sistemático de análise pode comprometer a qualidade das decisões empresariais. Assim, torna- -se fundamental adotar ferramentas que favoreçam a visualização clara das capacidades organizacionais e das condições ambientais que influenciam o desempenho da empresa. Nesse cenário, destaca-se a necessidade de um modelo que permita confrontar elementos internos — como recursos, compe- tências e limitações — com fatores externos — como tendências de mercado, riscos regulatórios e movimentos da concorrência. 137 Ao estruturar essa análise de maneira objetiva, o gestor am- plia sua capacidade de identificar direcionamentos estratégicos consistentes, e é nesse contexto que a Matriz SWOT consolida-se como uma das ferramentas mais difundidas no âmbito do planeja- mento estratégico, por sua simplicidade conceitual e aplicabilidade prática na análise organizacional. A matriz SWOT é uma matriz simples utilizada pelas organizações como base do planejamento estratégico. Sua sigla vem das seguin- tes palavras em inglês strenghts, weaknesses, opportunities e threats e tem como objetivo a análise do ambiente externo (oportunidades e ameaças) e a análise do ambiente interno (forças e fraquezas) da organização. Figura 3 - Análise SWOT Fonte: adaptado de Shutterstock (2019) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Perceba que a análise do ambiente externo é compos- ta pelas variáveis de oportunidades e ameaças. Essa análise per- mite que o empreendedor olhe para o ambiente fora da empresa e verifique quais são as possíveis oportunidades de negócio, bem DEFINIÇÃO 138 como as ameaças que podem interferir na empresa. Dessa forma, com base nessas informações,é possível desenvolver estratégias organizacionais. Nesse sentido, Kotler e Keller, grandes pesquisadores de marketing, no livro Administração de Marketing, publicado em 2006, evidenciam a importância desse tipo de análise para o reconheci- mento de novas oportunidades. Diante disso, o processo do planejamento estratégico com a análise SWOT nos permite não apenas identificar as oportunidades, como também formular a estratégia, planejar as ações, implemen- tá-las e acompanhá-las. Assim, ao medir os resultados, a empresa terá o feedback necessário para tomar decisões estratégicas. A outra análise diz respeito às variáveis internas, forças e fraquezas organizacionais. Quando falamos em forças, podemos nos referir ao que a empresa tem de melhor, ou seja, o seu diferencial. As fraquezas, por sua vez, dizem respeito ao que a empresa precisa melhorar ou eliminar para ter mais qualidade. Assim, as forças ou pontos positivos de uma empresa podem ser: • excelente atendimento ao cliente; • localização privilegiada; • forma de pagamento facilitada; • entrega rápida de mercadoria; • atendimento exclusivo de pós-venda; • qualidade de produto; • marca forte e consolidada; • colaboradores bem treinados e capacitados; • bom clima organizacional de trabalho. Já as fraquezas ou pontos fracos são todas as característi- cas que repercutem de forma negativa para a empresa, promo- vendo, assim, uma desvantagem competitiva, uma vez que geram 139 insatisfação no cliente e fazem com que ele opte pelo produto ou serviço do concorrente. Algumas delas são: • alto índice de reclamação; • demora na entrega da mercadoria; • atendimento ruim ao cliente; • problemas de qualidade na execução do produto/serviço; • falta de capacitação da mão de obra. Nesse sentido, os empreendedores precisam e devem olhar para as suas características, evidenciar os pontos fortes e eliminar os pontos fracos. Para isso, é necessária uma análise constante das ações organizacionais, verificar o que está dando certo e o que está dando errado, pensar em soluções para maximizar os impactos de seus pontos fortes e minimizar os de seus pontos fracos. Além disso, os pontos fortes permitem à empresa um diferencial, ou seja, uma vantagem competitiva frente aos seus concorrentes. Destacamos que a reflexão sistemática sobre forças e fra- quezas não deve ser conduzida de forma episódica ou reativa, mas incorporada como prática permanente de gestão. Portanto, a ca- pacidade de reconhecer competências distintivas, corrigir vulne- rabilidades operacionais e aprimorar processos internos constitui elemento central para a construção de desempenho sustentável no longo prazo. Nesse contexto, o diagnóstico interno ultrapassa a simples identificação de atributos positivos ou negativos e passa a orientar decisões estratégicas que impactam diretamente a competitividade organizacional. Contudo, a análise das forças e fraquezas, por si só, não esgota o processo de formulação estratégica. Assim, é necessá- rio avançar na identificação daqueles elementos que são determi- nantes para o êxito da organização dentro de seu setor de atuação. Ou seja, além de compreender suas capacidades internas, a empresa precisa reconhecer quais condições são indispensáveis para alcan- çar resultados consistentes e manter-se relevante no mercado. Essa perspectiva conduz ao estudo dos fatores críticos de sucesso, fun- damentais para a consolidação da estratégia empresarial. 140 Fatores críticos de sucesso De maneira geral, ao realizarmos a análise dos aspectos internos organizacionais, precisamos identificar quais são os fatores de sucesso da empresa em seu segmento. Esses fatores também são conhecidos como Fatores Críticos de Sucesso (FCS) e são determi- nantes para a vantagem competitiva de uma organização. Podemos ter como fatores de sucesso um excelente serviço de entrega, varie- dade de produtos ofertados, ótimo atendimento ao cliente, dentre outros. Assim, a identificação dos Fatores Críticos de Sucesso está diretamente relacionada ao processo de formulação da estratégia organizacional, uma vez que esses fatores orientam as prioridades competitivas da empresa. E, ao compreender quais atributos são determinantes para o sucesso em seu segmento, o empreendedor pode direcionar recursos, esforços e decisões estratégicas de forma mais consistente, fortalecendo sua posição competitiva e reduzin- do vulnerabilidades frente aos concorrentes. Sendo assim, os FCS funcionam como referência estratégica para a definição de ações e metas organizacionais. O restaurante Outback possui muitos diferenciais, como atendi- mento personalizado, variedade de pratos, ambiente diferenciado e agradável, promoções de produtos, happy hours, brindes para ani- versariantes, localização privilegiada etc. E, para entender se real- mente a empresa possui um FCS, elas devem ser comparadas aos seus concorrentes, ou seja, com os serviços de empresas do mesmo segmento, e deve-se analisar se são superiores ou não, identifican- do os pontos fortes e fracos da empresa, com o objetivo de maximi- zar os pontos fortes e minimizar os pontos fracos. CURIOSIDADE 141 Perceba que, ao analisar o FCS, podemos também nos aten- tar aos pontos fracos da empresa em relação aos concorrentes. Por exemplo: uma empresa de telefonia que não tem um bom atendi- mento ao cliente pode acumular protocolos de reclamação, fazendo com que seus clientes optem por comprar produtos concorrentes. Perceba que a análise dos Fatores Críticos de Sucesso (FCS) amplia a compreensão estratégica ao permitir que a organização compare seu desempenho interno com os padrões exigidos pelo setor e com a performance dos concorrentes. E quando a empre- sa identifica lacunas em dimensões consideradas essenciais para a competitividade — como qualidade no atendimento, eficiência operacional ou capacidade de inovação —, torna-se possível estru- turar ações corretivas direcionadas e alinhadas às expectativas do mercado. Assim, a análise deixa de ser apenas diagnóstica e passa a assumir caráter orientador para decisões estratégicas. Dessa maneira, a identificação de fragilidades relativas aos concorrentes não deve ser interpretada como mera constatação de falhas, mas como ponto de partida para o aprimoramento organi- zacional. E, para que esse processo ocorra de forma estruturada, é fundamental seguir etapas sistemáticas de avaliação interna, ga- rantindo consistência metodológica e clareza na priorização das ações. Nesse sentido, o diagrama a seguir apresenta os principais passos para a análise dos aspectos internos, oferecendo um roteiro organizado para a condução desse processo. Diagrama 5 - Passos para análise dos aspectos internos Fonte: adaptado de Almeida (2010, p. 10) pelo Editorial da Digital Pages (2019). 142 No entanto, existe uma relação de pontos fracos que podem ser atribuídos a qualquer organização, como atraso na entrega de relatórios, dificuldade de entender e atender às necessidades dos clientes, atraso na entrega de mercadorias, falta de flexibilização na forma de pagamento, falta de qualidade na produção de produtos etc. Dessa maneira, a identificação de fragilidades recorrentes, comuns a diferentes organizações, evidencia que muitos problemas estratégicos não decorrem apenas de fatores externos, mas de li- mitações internas relacionadas a processos, cultura organizacional e capacidade gerencial, e a recorrência de atrasos, falhas no aten- dimento ou baixa qualidade produtiva demonstram que a ausên- cia de monitoramento contínuo e de aperfeiçoamento sistemático compromete a competitividade empresarial. Assim, reconhecer tais pontos fracos constitui etapa indispensável para o fortalecimento estrutural da organização e para a consolidação de práticas de ges- tão mais eficientes. Entretanto, a superação dessas limitações não depende ex- clusivamente de ajustes operacionais. Isso porque, em ambientes altamente dinâmicos e competitivos,torna-se necessário ir além da correção de falhas, incorporando uma postura proativa voltada à geração de novas soluções e diferenciais estratégicos. É nesse contexto que se evidencia a importância da criativi- dade e da inovação como elementos fundamentais para a renovação organizacional e para a construção de vantagens competitivas sus- tentáveis, conforme detalhado a seguir. A importância da criatividade e da inovação para a as organizações Caro(a) aluno(a), a partir de agora vamos entender melhor a im- portância da criatividade e da inovação, principalmente quando as empresas realizam análises de cenários futuros e precisam se des- tacar no mercado. 143 No diagrama a seguir, é possível entender que a criatividade e a inovação são duas coisas diferentes: Diagrama 6 - Criatividade e inovação Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Sendo assim, a criatividade consiste em um instrumento es- sencial para criar coisas e processos. É importante ressaltar, ainda, que as empresas que não olharam para o futuro ou não pensaram em realizar nenhum planejamento estratégico com base nos cená- rios para poder desenvolver um produto ou serviço que atendesse às demandas de mercado não inovaram e faliram. Isso aconteceu com grandes empresas multinacionais que eram detentoras do segmen- to que atuavam. Nesse contexto, a era em que vivemos, chamada de Era Di- gital, vem afetando diretamente a vida das pessoas físicas e jurídi- cas. Desse modo, é de suma importância que o empreendedor esteja atento a essas transformações. Pensando nisso, a criatividade é fundamental para a elabo- ração de estratégias, criação de cargos, nos relacionamentos, nas formas de pensar, idealizar, agir, concretizar etc. Podemos dizer que é por meio dela que o empreendedor identifica uma oportu- nidade e cria meios para persegui-la e concretizá-la. Pode ser um 144 engano do empresário associar a inovação apenas à tecnologia ou às estratégias de comunicação quando, na verdade, elas são ferramen- tas para a inovação. Figura 3 – Criatividade na elaboração de estratégias Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Dessa maneira, entendemos que a inovação empresarial é um modelo de sistema de gestão que deve constatar, de forma rápida e eficaz, os desejos, os desafios, demandas e necessidades apresenta- dos pelos clientes atuais e potenciais. Para inovar, é preciso prestar atenção e, principalmente, es- cutar o cliente, identificar suas necessidades, desejos e atendê-los de forma surpreendente e encantadora. Por isso, a análise de cená- rios é tão importante para o planejamento estratégico: dá mais se- gurança para o empreendedor, orientando-o nas possíveis criações com o foco de atender o cliente e suas necessidades, a fim de trazer resultados positivos e rentáveis para a organização. É importante destacar que a inovação, no contexto do em- preendedorismo, não se restringe apenas à criação de novos produ- tos ou serviços. Ela pode ocorrer também por meio de inovações em 145 processos organizacionais, modelos de negócio, formas de gestão, estratégias de mercado e experiências oferecidas aos clientes. Assim, a criatividade assume papel estratégico ao possibilitar que o empreendedor identifique oportunidades de melhoria contí- nua e desenvolva soluções capazes de gerar valor e vantagem com- petitiva em ambientes dinâmicos e competitivos. Porém, para que a criatividade produza resultados concretos e sustentáveis, é neces- sário que ela esteja inserida em estruturas organizacionais capazes de absorver, implementar e escalar ideias inovadoras. A forma como a empresa se organiza — sua estrutura hie- rárquica, seus fluxos decisórios e seus mecanismos de coordenação — influencia diretamente a capacidade de transformar ideias em ações estratégicas. Dessa maneira, compreender os diferentes tipos de organização torna-se fundamental para avaliar como a estrutura pode favorecer ou limitar o potencial criativo e inovador no contex- to empresarial. Principais tipos de organização Neste tópico, falaremos sobre os principais tipos de organização, pois é imprescindível para um empreendedor saber e entender o tipo de organização que ele vai conduzir e, além disso, como elas são classificadas. Para isso, precisamos esclarecer o que o ramo de atividade de uma empresa diz respeito à área na qual ela pretende atuar. Assim, é de extrema importância que o empreendedor tenha isso muito bem-definido, pois ela está relacionada aos produtos e serviços da empresa. A definição clara do ramo de atividade constitui elemento es- truturante da identidade organizacional, pois delimita o campo de atuação da empresa, orienta suas decisões estratégicas e influen- cia diretamente sua posição no mercado. Assim, ao estabelecer com precisão o segmento em que pretende atuar, o empreendedor não apenas direciona seus recursos e competências, mas também define o público-alvo, os canais de distribuição e as estratégias competiti- vas mais adequadas. 146 Nesse contexto, compreender as diferentes categorias de ramo de atividade torna-se fundamental para classificar correta- mente a organização e alinhar sua atuação às exigências do ambien- te empresarial, conforme apresentado no diagrama a seguir. Diagrama 7 - Categorias do ramo de atividade Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Além disso, uma empresa, independentemente de seu ramo de atividade, pode também ser pública ou privada. Empresas públicas são aquelas geridas pelo Estado e podem se di- vidir entre Estatal e Governamental. Já as empresas privadas po- dem pertencer a diversos segmentos e funcionar das mais variadas maneiras. DEFINIÇÃO 147 Em relação ao tamanho e ao capital da empresa, podemos dividi-las entre micro e pequenas empresas e empresas de grande porte. Já a classificação das organizações quanto à natureza do ca- pital e ao porte empresarial permite compreender não apenas sua estrutura jurídica, mas também suas capacidades operacionais, ní- veis de complexidade gerencial e inserção no mercado. Empresas públicas e privadas apresentam diferenças sig- nificativas em termos de objetivos, governança e mecanismos de controle, enquanto a distinção entre micro, pequenas e grandes empresas envolvem aspectos relacionados a faturamento, número de colaboradores e estrutura administrativa. Essa segmentação contribui para uma análise mais precisa do ambiente empresarial e prepara o terreno para o estudo das formas específicas de atuação econômica, como indústria, comércio e ser- viços, que serão abordadas a seguir. Indústria, comércio e serviço Caro(a) aluno(a), a distinção entre indústria, comércio e serviços representa uma das classificações mais tradicionais da atividade econômica, sendo fundamental para a compreensão do papel que cada organização desempenha na cadeia produtiva. Assim, cada segmento possui características próprias quan- to à geração de valor, estrutura operacional, exigências de capital, modelo de receita e relacionamento com o mercado. Dessa manei- ra, a correta identificação do tipo de atividade não apenas orienta decisões estratégicas, mas também influencia aspectos tributários, regulatórios e competitivos, tornando-se elemento central na defi- nição do modelo de negócio a ser adotado pelo empreendedor. 148 O empreendedor deve saber qual o ramo que pretende atuar: ele pode ser um prestador de serviço, desenvolver o seu próprio produ- to e fabricá-lo ou apenas realizar a venda de produtos já fabricados por outras empresas. Perceba que a escolha do ramo de atuação não se restringe a uma decisão operacional, mas envolve implicações estratégicas que impactam a estrutura de custos, o posicionamento competitivo e o modelo de geração de valor da organização. Ao optar por atuar na indústria, no comércio ou na prestação de serviços, o empreendedor define sua inserção na cadeia econômica e estabelece as bases para o desenvolvimento de competências específicas. Essa definição orienta investimentos,estratégias de mercado e relações com fornecedores e clientes, sendo fundamental para a construção de uma identidade organizacional coerente. O diagrama a seguir sintetiza essas possibilidades de atuação. Diagrama 8 - Ramo de atuação IMPORTANTE 149 Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Nesse contexto, o quadro a seguir mostra alguns exemplos de subcategorias de empresas nesses três ramos. Quadro 7 - Classificação de ramo, tipo e atividade Ramo Tipo Atividade Indústria Fábricas de roupas, mó- veis, artesanatos, carros, computadores, dentre outros. Gráfica, calçado, vestuá- rio, bebida, alimentos, mecânica, dentre outros. Comércio Supermercados, lojas de roupas, lojas de autope- ças, loja de brinquedos, dentre outros. Acessórios, alimentos, combustíveis, tecidos, sapatos, dentre outros. Serviços Cinema, lava rápido, la- vanderia, escola, faculda- de, dentre outros. Transporte, turismo, saúde, lazer, segurança, dentre outros. Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Governamental ou Estatal A empresa Governamental ou Estatal é um tipo de empresa que pertence ao governo e é controlada total ou parcialmente por algum nível de governo municipal, estadual ou federal. 150 O objetivo de se criar esse tipo de empresa é administrar os recursos estratégicos do país, garantindo que a população tenha acesso a eles. As estatais possuem uma administração indireta, ou seja, embora sejam empresas do governo, elas não são administradas diretamente por ele. Na verdade, o governo delega tarefas e ativi- dades para as estatais, que pode ocorrer via nomeação de cargo ou concurso público. Outro fator interessante é que, embora elas pertençam ao Estado, o governo pode não ser o seu dono totalitário, ou seja, eles abrem a empresa para os acionistas privados e podem receber ga- nhos por ela. Existem dois tipos diferentes de estatais: a empre- sa pública e a de sociedade de economia mista. A seguir, vamos aprender um pouco sobre cada uma delas. • Empresa pública: pertence integralmente ao governo, ou seja, ele é dono de 100% das ações da empresa, sendo sua ad- ministração totalmente pública. A Justiça Federal, neste caso, é nomeada a responsável por qualquer irregularidade apre- sentada pela empresa. Exemplos: Caixa Econômica Federal e os Correios. • Sociedade de economia mista: neste caso, o Estado não é o único dono destas estatais, ou seja, são abertas para acionis- tas privados com ações comercializadas na Bolsa de Valores. Os acionistas participam da administração da empresa por meio de votação e têm direito a participação nos lucros. O Es- tado também pode ser dono total da empresa, mas suas ações podem ser comercializadas na Bolsa de Valores e lucros para os acionistas, em que parte majoritária das ações é do gover- no. Exemplos: Petrobrás e Banco do Brasil. Embora não tenham como finalidade exclusiva a maximiza- ção do lucro, as empresas estatais precisam adotar práticas de ges- tão que assegurem sustentabilidade, transparência e qualidade na entrega de seus serviços à sociedade. Nesse contexto, a inovação e a criatividade assumem papel fundamental no desempenho das empresas estatais, especialmente 151 diante das transformações tecnológicas, das mudanças nas deman- das da população e das crescentes exigências por eficiência no uso de recursos públicos. Assim, a capacidade de inovar em processos, serviços e modelos de gestão permite que essas organizações apri- morem seus resultados, reduzam custos operacionais e ampliem a efetividade das políticas públicas implementadas. A criatividade, por sua vez, contribui para a identificação de soluções alternativas e para a adaptação das empresas estatais a ambientes cada vez mais complexos e dinâmicos. Ao incorporar práticas empreendedoras, baseadas na ino- vação e na criatividade, as empresas estatais fortalecem sua capa- cidade de cumprir sua função social e econômica de maneira mais eficiente. Essa abordagem não descaracteriza o papel público dessas organizações, mas promove uma gestão mais estratégica, orientada a resultados e alinhada às necessidades da sociedade. Dessa forma, o empreendedorismo aplicado às empresas estatais torna-se um elemento essencial para a modernização do setor público e para a geração de valor social de longo prazo. A incorporação de práticas empreendedoras no âmbito esta- tal demonstra que inovação e eficiência não são atributos exclusivos do setor privado, mas princípios aplicáveis a diferentes configura- ções organizacionais. Assim, ao adotar uma gestão orientada por resultados, com foco em melhoria contínua e geração de valor pú- blico, as empresas estatais ampliam sua capacidade de responder às demandas sociais de forma mais ágil e estratégica. Entretanto, o ecossistema organizacional não se limita às es- truturas governamentais e empresariais tradicionais. Existem tam- bém instituições que atuam com finalidades sociais específicas, sem fins lucrativos, desempenhando papel relevante no desenvolvimen- to socioeconômico. É nesse contexto que se inserem as organizações não governamentais (ONGs), cuja atuação será analisada a seguir. 152 Organizações Não Governamentais (ONG) As Organizações Não Governamentais (ONGs) ocupam posição relevante no contexto socioeconômico contemporâneo, especial- mente em cenários nos quais o Estado e o mercado não conseguem, isoladamente, atender de forma plena às demandas sociais. Inseridas no chamado terceiro setor, essas instituições arti- culam recursos, mobilizam voluntários e desenvolvem projetos com foco na promoção do bem-estar coletivo, contribuindo para a redu- ção de desigualdades e para o fortalecimento da cidadania. Sua atuação complementa políticas públicas e, em muitos ca- sos, estabelece parcerias com empresas privadas e organismos in- ternacionais, ampliando o alcance de suas ações e fortalecendo seu impacto social. ONGS são organizações não governamentais sem fins lucrativos cujo objetivo é realizar diversos tipos de ações solidárias para um público específico. Podem atuar em diversas áreas, como saúde, educação, assistência social, economia, dentre outros. Assim, atuam tanto no local onde estão inseridas como também no âmbito estadual, nacio- nal e internacional. É importante sabermos que as ONGs não pertencem ao Es- tado, mas ofertam serviços sociais de assistência à sociedade. De acordo com o Sebrae (2019), ONGs possuem algumas característi- cas, conforme destacado no diagrama a seguir: DEFINIÇÃO 153 Diagrama 9 - ONGS Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). A compreensão das características estruturais das ONGs permite distinguir sua natureza jurídica e operacional dentro do terceiro setor, evidenciando princípios como autonomia adminis- trativa, finalidade pública e ausência de distribuição de lucros. Esses elementos reforçam seu compromisso com objetivos sociais e sua atuação complementar às políticas públicas. Contudo, além das ONGs, existem outras categorias jurídi- cas que conferem reconhecimento formal a entidades privadas com finalidade social, ampliando suas possibilidades de atuação e cap- tação de recursos. Entre essas qualificações, destaca-se a Organiza- ção da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cuja definição e especificidades serão apresentadas a seguir. 154 Uma OSCIP é uma qualificação jurídica atribuída a diferentes tipos de entidades privadas que atuam em áreas típicas do setor público com interesse social, podendo ser financiadas pelo Estado ou pela iniciativa privada, sem fins lucrativos. A OSCIP está prevista no ordenamento jurídico e, por isso, pode realizar parcerias e convênios com todos os níveis de governo e órgãos públicos, ou seja, federal, estadual e municipal, permitindo que as doações realizadas possam ser abatidas do Imposto de Renda. Nem toda ONG é uma OSCIP, mas toda OSCIP é uma ONG! Isso ocorre porque a figura de ONG não existe na forma jurídica, ou seja, ela é classificada como associação e usada apenaso mercado, dentre outras. Tendo isso em mente, neste curso, aprenderemos a desen- volver características empreendedoras facilmente identificadas no empreendedor, como ousadia, perseverança, persistência etc. Fa- laremos também sobre o empreendedor de negócio, o empreende- dor social e, por fim, o intraempreendedor, ou seja, sobre aquele que empreende dentro das organizações por meio de novas solu- ções para produtos e serviços, utilizando a tecnologia para trazer mais competitividade para a empresa. Nesse contexto, é impor- tante sabermos que o intraempreendedor não precisa ser o dono do próprio negócio, pois ele empreende dentro de uma organização e gera inovações, desenvolvendo, desse modo, o empreendedorismo corporativo. Por fim, falaremos sobre o perfil empreendedor e não em- preendedor e traremos a reflexão se é possível apreender a em- preender. Vamos começar! 13 Definições de empreendedorismo Caro(a) aluno(a), para começarmos, pare e pense: o que é empreen- der? Poderíamos ficar horas e horas tentando achar uma única defi- nição para esse termo. Entretanto, o verbo agir é o que melhor define seu significado. Isso porque, quando falamos de empreendedoris- mo, muitos verbos podem surgir, tais como sonhar, realizar, fazer algo novo, desenvolver, revolucionar, executar, criar, dentre outros. Todavia, a ação é o que concretiza qualquer um desses verbos ou desejos. Nesse sentido, empreender pode ser entendido como tirar uma ideia do papel e colocar as “mãos na massa” para executá-la. O Doutor Janguiê Diniz, no Módulo 1 do curso A Arte de Em- preender, nos revela que o empreendedor é aquele que transforma seus sonhos em realidade e que não desiste de seus projetos. Dessa maneira, empreendedores são indivíduos que apresentam caracte- rísticas e competências para idealizar, sonhar, ousar, criar e con- duzir um negócio com sustentabilidade, perenidade e lucratividade. Ele é um indivíduo que, munido de uma força extraordinária que surge do seu interior, transforma pensamentos em ação e sonhos em realidade e não desperdiça oportunidades (Diniz, 2019). Outro estudioso da área, José Dornelas, em seu livro Em- preendedorismo: transformando ideias em negócios, escrito em 2016, afirma que o empreendedorismo está relacionado com a cria- ção de um novo negócio que envolve pessoas, processos e transfor- ma ideias em oportunidades. Perceba que, no passado, o empreendedor já foi visto como um grande influenciador da economia, introduzindo novos pro- dutos e serviços no mercado e, consequentemente, criando outras formas de empresas, bem como oportunidades em momentos difí- ceis. Hoje, o empreendedorismo pode ser compreendido como um processo estruturado de identificação de oportunidades, criação de valor e mobilização de recursos, envolvendo riscos calculados, pla- nejamento e capacidade de execução, conforme destacado por Dor- nelas (2016) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Dessa maneira, podemos afirmar que o empreendedor é uma pessoa dinâmica, que sonha e realiza, tem um espírito revolucionário 14 e ansiedade por colocar novas ideias em prática. Além disso, ele não tem medo de correr riscos e ir atrás de seus sonhos, pois tem, em sua essência, a criatividade e a usa para criar coisas. É claro que também não podemos empreender de qualquer jeito, sem direção, ou seja, precisamos de um norte, de planeja- mento, e necessitamos saber como as coisas devem ser feitas para que alcancemos o sucesso. Além disso, é importante lembrar que os empreendedores nem sempre vencem na primeira tentativa. Desse modo, errar, acertar e, principalmente, não desistir fazem parte do aprendizado do empreendedor. Dessa maneira, o empreendedor assume um conjunto amplo e complexo de responsabilidades que vão muito além da simples abertura de um negócio. Isso porque empreender exige dedicação constante, disciplina e comprometimento com o projeto, uma vez que o empreendedor frequentemente acumula diferentes funções e precisa tomar decisões estratégicas de forma contínua. Esse en- volvimento direto com a atividade empresarial demanda tempo, esforço intelectual e capacidade de adaptação diante dos desafios do mercado. Além da dedicação pessoal, o empreendedor é responsável por investir na criação e no desenvolvimento de novos negócios. Esse investimento não se limita ao capital financeiro, mas inclui conhecimento, planejamento, criatividade e disposição para assu- mir riscos de forma consciente. Assim, identificar oportunidades, estruturar soluções e transformar ideias em iniciativas economica- mente viáveis fazem parte desse processo. Outro aspecto fundamental é a geração de trabalho e em- prego, pois, ao consolidar um empreendimento, o empreendedor contribui para o fortalecimento da economia, cria oportunidades profissionais e amplia a circulação de renda. Esse papel reforça a re- levância social do empreendedorismo, que impacta positivamente o ambiente econômico local e regional. Por fim, o empreendedor atua como agente de transforma- ção, fazendo a diferença ao introduzir inovações, resolver proble- mas e agregar valor à sociedade. Sua atuação ultrapassa interesses individuais, conforme o diagrama a seguir, promovendo mudanças 15 que beneficiam consumidores, colaboradores e a comunidade como um todo. Diagrama 1 - Empreendedor tem muitas responsabilidades Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). O termo empreendedor vem da palavra francesa entrepre- neur, e significa aquele que assume riscos e faz algo novo. Muitos acreditam que não conseguem empreender por acharem que esse perfil corajoso e cheio de audácia é algo inato, ou seja, que a pessoa nasce empreendedora. Não é totalmente errado pensar dessa forma, porém, Dolabela, em um de seus cursos sobre empreendedorismo, defende que todos nascemos empreendedores. De certa forma, essa afirmação pode ser consoladora. De acordo com o autor, nascemos todos empreendedores, mas uns têm mais habilidades do que outros devido aos estímulos recebidos do ambiente em que crescemos, ou seja, da escola, da comunidade, dos relacionamentos e, principalmente, da família. Sendo assim, pode- mos aprender a desenvolver tais características se formos mais es- timulados ou buscarmos esse desenvolvimento. Dessa maneira, o empreendedorismo é o resultado da ação do empreendedor. Em outras palavras, é aquilo colocado em prática que gera lucros e riquezas para a empresa e o país. A prática ficou conhecida em 1950 pelo economista francês Joseph Schumpeter, que classificava empreendedores como pessoas de sucesso por meio 16 da criatividade e inovação. Desse modo, o empreendedorismo deve ser considerado um dos principais fatores que desenvolvem eco- nomicamente uma nação. Diante disso, podemos afirmar que o empreendedor é esti- mulado pela família. Portanto, se você nasceu em uma família de empreendedores, você terá maior propensão de se tornar um em- preendedor, ou seja, se temos algum exemplo de empreendedoris- mo na família, é bem provável que possamos desenvolver a ideia de empreender. Do contrário, se não temos nenhum exemplo, a ten- dência é buscarmos por empregos que nos deem mais estabilidade, como empregos de carteira assinada e concursos públicos. Consideramos, assim, que o empreendedorismo é uma questão cultural, ou seja, é uma cultura passada de pai para filho. Logo, se o pensamento do pai for negativo em relação ao processo de empreender, vendo a atividade como capitalista, nociva e ganan- ciosa, os filhos terão a mesma imagem do empreendedorismo. E, por acharem que isso não é legal, não acharão importante empreen- der e irão buscar outras opções de trabalho. A presença de exemplos empreendedores na família, de fato, pode aumentar a propensão ao empreendedorismo, mas não determina, de forma exclusiva, o comportamento empreendedor. Há autores que defendem que todos podem empreender, pois se trata de uma habilidade que pode ser desenvolvida, e não um traço de personalidade. Nesse sentido, pode-separa identificar empresas do terceiro setor que atuam sem fins lucrativos, com o objetivo de realizar interesses públicos. No caso da OSCIP, seu reco- nhecimento jurídico é legal, pois tem exigências legais na prestação de serviços que deve seguir prestando contas de todo o dinheiro pú- blico recebido. Perceba que as organizações não governamentais (ONGs) surgem como resposta às demandas sociais que não são plenamen- te atendidas pelo Estado ou pelo mercado tradicional. Essas orga- nizações atuam em áreas como educação, saúde, meio ambiente, assistência social e desenvolvimento comunitário, tendo como principal objetivo a promoção do bem-estar coletivo. Diferente- mente das empresas com fins lucrativos, as organizações não go- vernamentais não têm como finalidade principal a geração de lucro, mas, sim, a criação de impacto social positivo, ainda que necessitem DEFINIÇÃO DICA 155 de sustentabilidade financeira para garantir a continuidade de suas atividades. Nesse contexto, o empreendedorismo desempenha um papel fundamental nas organizações não governamentais, uma vez que a gestão eficiente de recursos, a inovação em processos e a capa- cidade de identificar oportunidades são elementos essenciais para sua sobrevivência e expansão. Dessa maneira, o empreendedorismo aplicado às organizações não governamentais envolve a adoção de práticas de planejamento estratégico, gestão financeira, mobili- zação de recursos e avaliação de resultados, permitindo que essas instituições ampliem seu alcance e aumentem a efetividade de suas ações sociais. Portanto, ao associar o empreendedorismo às organizações não governamentais, observa-se a construção de modelos organi- zacionais mais estruturados, sustentáveis e orientados a resultados. Essa aproximação não descaracteriza o propósito social dessas or- ganizações, mas fortalece sua capacidade de atuação em ambientes cada vez mais complexos e competitivos. Desse modo, o empreen- dedorismo torna-se um instrumento estratégico para que as or- ganizações não governamentais alcancem seus objetivos sociais, promovendo impacto duradouro e contribuindo para o desenvolvi- mento econômico e social. Perceba que a incorporação de práticas empreendedoras nas organizações do terceiro setor evidencia que princípios como pla- nejamento, gestão eficiente e sustentabilidade financeira são com- patíveis com a missão social dessas instituições. E, ao estruturar processos, definir indicadores de desempenho e adotar estratégias de captação de recursos mais eficazes, tais organizações ampliam sua capacidade de gerar impacto consistente e de longo prazo. Destacamos ainda que o universo organizacional é composto por diferentes modelos empresariais, cada qual com características jurídicas, estruturais e econômicas específicas, conforme estudare- mos a seguir. Nesse sentido, torna-se relevante compreender como se configuram os modelos de empresas — individual, micro, peque- nas e de grande porte — no contexto do ambiente empresarial. 156 Modelos de empresas: individual, micro e pequenas empresas e empresas de grande porte Caro(a) aluno(a), depois de desenvolver o seu plano de negócio e sa- ber qual o segmento que deseja atuar, o empreendedor precisa defi- nir o tipo de empresa que pretende abrir. Desse modo, é necessário dizer que existe um perfil de empresa alinhado para cada negócio. Assim, a classificação das empresas quanto ao seu porte pode variar de acordo com a legislação vigente e com critérios estabele- cidos por órgãos reguladores e instituições de apoio ao empreen- dedorismo. E, em geral, essa classificação considera fatores como faturamento anual, número de empregados e atividade econômica desenvolvida. Diante disso, é importante destacar que esses crité- rios podem sofrer alterações ao longo do tempo, sendo recomendá- vel a consulta periódica à legislação atualizada para verificação dos limites vigentes. Nesse sentido, o quadro a seguir mostra quais são os possíveis tipos e formatos jurídicos para as empresas. Quadro 8 - Formato jurídico da empresa Tipo Classificação Empresário Individual Exerce em nome próprio uma atividade, não tem sociedade e a responsabilidade é ilimi- tada, ou seja, responde com seus bens pelas obrigações assumidas. Pode exercer atividade Industrial, comercial ou de prestação de servi- ço, mas não de profissional intelectual. Possui faturamento anual de até R$ 360.000,00. Classificação de Microempreendedor É o empresário individual com receita bruta de até R$ 81.000,00, optante pelo Simples Nacio- nal e SIMEI. Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) Ação individual, sem sócio, com responsabili- dade limitada e sem capital mínimo inicial. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) Ação individual sem sócio com responsabilida- de limitada. 157 Sociedade Empresarial É possível a atuação coletiva entre dois ou mais sócios, sendo sua responsabilidade limitada ao capital social. Sociedade Simples É possível a atuação coletiva entre dois ou mais sócios, sendo sua responsabilidade ilimitada Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que o porte da empresa pode ser definido como microempresa, empresa de pequeno porte e sem enquadramento. Além disso, também temos as empresas de grande porte, nacionais e multinacionais. • Empresário Individual: este modelo de empresa é voltado para o empreendedor que deseja abrir o seu próprio negócio sozinho, ou seja, sem constituir sociedade. A única pessoa responsável pela empresa é o próprio dono. Seus bens indi- viduais passam a estar à disposição da empresa. Se a empresa contrair dívidas, os bens estarão à disposição para saudá-las e vice-versa, quando adquiridas dívidas pessoais. Outro fa- tor importante é que o nome comercial da empresa deve ser composto pelo nome inteiro do dono, ou com abreviações, podendo ou não acrescentar outro nome que indique o seu ramo de atividade ou produtos. Pode ser enquadrado como microempresa. • Microempreendedor Individual (MEI): tem um faturamento anual de até R$ 81.000,00. Possui CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e pode emitir nota fiscal normalmente. Pa- gando as taxas regularmente, tem direito ao auxílio-doença e licença-maternidade. Também trabalha sozinho e por conta, sem sociedade. • Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): no que se refere às formas jurídicas de organização empresarial, é importante destacar que a Empresa Individual de Responsabilidade Limi- tada (EIRELI) deixou de existir no ordenamento jurídico bra- sileiro. A partir da Lei nº 14.195, de 26 de agosto de 2021, as empresas constituídas sob essa forma jurídica foram automa- ticamente convertidas em Sociedades Limitadas Unipessoais. 158 Este novo modelo permite que o empreendedor constitua uma empresa com apenas um sócio (apenas um titular), mantendo a separação entre o patrimônio pessoal e o patrimônio empre- sarial, sem a exigência de capital social mínimo. Dessa forma, a Sociedade Limitada Unipessoal passou a representar uma alternativa mais simples e flexível para a formalização de ne- gócios individuais no Brasil. • Sociedade Limitada (LTDA): se enquadram nesta modali- dade de empresa aquelas que possuem dois sócios e ofere- cem bens e serviços de maneira organizada. Para abrirem este formato de empresa, os sócios precisam comparecer à Junta Comercial de seu estado e realizar uma inscrição. Devem ela- borar um contrato social, definindo claramente quem são os membros da sociedade, participação e distribuição de lucros entre eles. Nesta modalidade, as contas da empresa são se- paradas das contas pessoais dos sócios e cada membro pos- sui uma limitação de responsabilidade dentro da sociedade de acordo com o capital social aplicado de cada sócio. Assim, res- pondem de maneira limitada referente às dívidas contraídas pela empresa. • Sociedade Anônima: nesta modalidade, utilizam-se as ações para distribuir o capital social da empresa. Os sócios são cha- mados deacionistas e suas responsabilidades dentro da or- ganização variam conforme o número de ações que têm. De acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (a cha- mada Lei das Sociedades por Ações), 25% dos lucros classi- ficados como dividendos são divididos entre os acionistas. O restante deve ser destinado para uma reserva da empresa. Ela pode ser uma empresa de capital aberto, com ações negocia- das na bolsa de valores, ou de capital fechado, que não negocia na bolsa de valores. • Sem fins lucrativos: trata-se de empresas que trabalham com ações sociais e não visam lucro. 159 • Microempresa (ME): deve ter faturamento bruto de 360 mil ou menos por ano e podem utilizar a tributação Simples Nacional. • Empresa de Pequeno Porte (EPP), Médio e Grande Porte: são empresas com rendimento acima de 360 mil e de até R $ 3.600.000,00. Em relação ao seu tamanho, é possível dizer que, no ramo do comércio e de serviços, as empresas peque- nas possuem de 10 a 49 funcionários, as de tamanho médio contam com 50 a 99 funcionários e as de grande porte pos- suem mais de 100 pessoas trabalhando. Perceba que a escolha do modelo jurídico e do porte empresa- rial constituem uma decisão estratégica que influencia diretamente a estrutura de governança, o regime tributário, a responsabilida- de patrimonial e as possibilidades de expansão do negócio. Assim, desde o Empresário Individual e o Microempreendedor Individual (MEI), voltados à formalização simplificada e à atuação individual, até modelos mais estruturados, como a Sociedade Limitada, a So- ciedade Limitada Unipessoal e a Sociedade Anônima, observa-se uma progressiva ampliação da complexidade organizacional e das exigências legais. Cada formato apresenta vantagens e limitações específicas, relacionadas ao grau de proteção patrimonial, à forma de captação de recursos e à distribuição de responsabilidades entre os sócios ou acionistas. E, paralelamente, o enquadramento quanto ao por- te — microempresa, empresa de pequeno porte ou organizações de médio e grande porte — impacta aspectos tributários, operacionais e estratégicos, especialmente no que se refere à gestão de pessoas, estrutura administrativa e inserção competitiva. Assim, a adequada definição do modelo e do porte não deve ser realizada de forma meramente formal, mas alinhada ao plane- jamento estratégico e às projeções de crescimento do empreendi- mento. Dessa maneira, compreender as diferentes possibilidades organizacionais permite ao empreendedor estruturar seu negócio com maior segurança jurídica, coerência estratégica e potencial de desenvolvimento sustentável no longo prazo. 160 Caro(a) estudante, chegamos ao fim deste material. Até aqui foi possível perceber a importância do Planejamento Estratégico para a sobrevivência da empresa, pois essa ferramenta ajuda o empreen- dedor a tirar suas ideias do papel para colocá-las em prática. Vimos todos os pontos primordiais do planejamento estratégico, passando pela análise de mercado, construção da matriz SWOT, análise de micro e macroambiente e a importância da criatividade e da inovação na criação e gerenciamento de empresas, processo pri- mordial para atingir metas e resultados. Por isso, é necessário levar em consideração os dados atuais da empresa, como cenário, perfil de clientes, tipos de produtos e serviços, concorrentes e fornece- dores. Assim, fazer uso do planejamento estratégico é fundamental para conseguir aquela vantagem competitiva tão esperada. Além disso, vimos e falamos também sobre os principais tipos de empresa e suas áreas de concentração, com o objetivo de fazer com que você, aluno, consiga criar um planejamento estratégico sólido para qualquer tipo de empresa. Por fim, apresentamos os modelos de empresas, levando em con- sideração o tamanho e a rentabilidade de cada tipo. Dessa forma, é possível pensar em uma estratégia alinhada a seu objetivo. Portanto, finalizamos aqui mais uma etapa de estudo. Até a próxima! SINTETIZANDO UN ID AD E 4 Plano de negócios e apresentação do empreendimento ao mercado Objetivos ◼ Definir a importância do plano de negócios para a tomada de decisões. ◼ Explicar e identificar as etapas para a elaboração do plano de negócios. ◼ Conhecer, identificar e analisar quais as melhores fontes de investimento para captar recursos e colocar o projeto em prática. ◼ Entender a necessidade de se preparar antes de apresentar o empreendimento ao mercado. 162 Introdução Olá, estudante! Tudo bem com você? Vamos dar início a mais uma etapa de estudo e, como você já deve ter percebido, empreender exige mais do que uma boa ideia ou motivação pessoal: requer método, análise e planejamento es- truturado para transformar intenções em resultados concretos. Isso porque, em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo, instável e marcado por rápidas mudanças econômicas e tecnológi- cas, o plano de negócios assume papel central como instrumento de orientação estratégica e de apoio à tomada de decisões. Ele funciona como um mapa que permite ao empreendedor visuali- zar o futuro do empreendimento, antecipar riscos, identificar oportunidades e organizar recursos de forma racional e sustentável, reduzindo incertezas inerentes ao processo empreendedor. Nesse sentido, o foco deste material está na construção do plano de negócios e na preparação do empreendimento para sua apresentação ao mercado. Assim, serão abordados os principais elementos necessários para identificar oportunidades de negócio, compreender o mercado, analisar produtos e serviços, avaliar riscos e potencialidades e estruturar estratégias que aumentem as chances de sucesso. Além disso, discutiremos a importância da gestão estratégica, do co- nhecimento aprofundado do cliente e da análise criteriosa dos concorrentes e fornecedores, evidenciando como essas variáveis influenciam diretamente a viabilidade e a sustentabilidade do negócio. Aqui também destacaremos o papel do planejamento financeiro e das fontes de financiamento como pilares fundamentais para a implantação e o crescimento do empreendimento, bem como a necessidade de preparo antes de apresentar o negócio ao mercado. Assim, ao integrar planejamento, estratégia e ação, este conteú- do oferece a você, estudante, uma visão abrangente e prática do proces- so empreendedor, reforçando que o sucesso não é fruto do acaso, mas da combinação entre conhecimento, análise, disciplina e visão de longo prazo, elementos indispensáveis para a consolidação de empreendimentos sólidos e competitivos. Dito isso, vamos começar! 163 Identificando as oportunidades de negócio Quando o empreendedor deseja colocar seu sonho em prática, antes de tudo, ele deve procurar identificar as oportunidades de mercado. Em outras palavras, é preciso analisar o mercado e detectar a possibilidade de vender um produto ou um serviço que pode ser bem aceito pelos con- sumidores e que tenha ligação com a realização de um sonho pessoal. Levando em consideração que todo empreendedor tem uma ideia a qual deseja colocar em prática, é importante fazer uma análise da viabilidade do negócio para que ele tenha lucro, sustentabilidade e perenidade. Nesse sentido, o Doutor Janguiê Diniz nos revela que o empreendedor de sucesso deve buscar conhecimento por meio do estu- do e que essa é a única forma de se ter um empreendimento de sucesso. Segundo ele, “O estudo que proporciona conhecimento e visa substituir uma mente vazia por uma mente aberta é o passaporte para o futuro, pois é capaz de abrir nossos horizontes e nos mostrar caminhos jamais co- nhecidos” (Diniz, 2019). Além disso, é possível dizer que as ideias dos empreendedores podem surgir de muitas maneiras. Isso porque o empreendedor pode ter uma experiência pessoal e, a partir disso, ver a possibilidade de re- finar produtos e serviços com um conceito diferenciado. Assim, muitas vezes, o seu lazer pode fazer com que ele desenvolva uma ideia para ter lucratividade. Oumesmo em outro momento da vida, pode ser que tenha uma ideia repentina, por meio de alguma observação para mudar a vida de alguém ou de algum processo. Quando essas ideias não surgem de forma espontânea, o em- preendedor pode recorrer à pesquisa e à análise do mercado, observan- do produtos, serviços, tendências e comportamentos dos consumidores. Com base nessas informações, torna-se possível estruturar um negócio de maneira mais consciente, reduzindo riscos e ampliando as chances de sucesso do empreendimento. É importante afirmar que essa análise, considerada o primeiro passo para a criação de um empreendimento, deve ser realizada com cautela, pois todo o negócio depende dessa etapa. Lembre-se de que 164 muitos empreendedores, especialmente no início, não possuem recur- sos para investir em pesquisas aprofundadas. Nesses casos, alternati- vas viáveis incluem a adaptação de modelos de negócios já existentes ou a exploração de nichos específicos de mercado, iniciando o empreendi- mento de forma planejada por meio de um plano de negócios. Perceba que, muitas vezes, o empreendedor identifica um mercado que acredita ser promissor e que aparentemente não possui concorren- tes. Nessa situação, é necessário cautela, pois a ausência de concorrência pode indicar tanto uma oportunidade ainda não explorada quanto um segmento sem potencial de mercado. Por isso, a análise deve ser mais criteriosa, avaliando se realmente existe demanda suficiente para sus- tentar o negócio. Assim, o que o empreendedor deve ter em mente é: Diagrama 1 - A mente de um empreendedor Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 165 Destacamos que são muitas as oportunidades que existem no mercado e muitos os segmentos que podem ser explorados. No entanto, o empreendedor deve estar atento ao que permite realizar seu sonho. Caso contrário, ele não terá motivação e paixão pelo seu negócio, características primordiais e imprescindíveis ao sucesso do empreendimento. De acordo com Janguiê Diniz (2019), a paixão é o combustível da motivação pessoal. É um sentimento profundo que impulsiona o empreendedor a definir objetivos desafiadores e a usar a criatividade para atingi-los. Além dessas coisas, a paixão não permite distrações para desperdiçar o tempo do empreendedor, mantendo-o no foco. Tam- bém inspira outras pessoas, desenvolve a concentração, a autocon- fiança e a motivação. Um ponto importante a ser destacado é que o empreen- dedor não pode apenas sonhar: ele precisa planejar e pensar no futuro. Nesse sentido, não adianta apenas ter um sonho, pois não existe empreendimento de sucesso sem um planejamento eficaz. Em outras palavras, é necessário criar métodos e colocar o plano de negócios em ação. Sendo assim, a visão de futuro permite que o empreendedor elabore passos importantes para atingir seu objetivo e que desenvolva estratégias, orientando sua empresa em momen- tos de crise para que ela tenha êxito em suas decisões, conforme destacado no diagrama a seguir. Diagrama 2 - A visão de futuro Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 166 Assim, o empreendedor precisa desenvolver uma visão a longo prazo e não pode ser imediatista diante dos acontecimentos vividos pelo seu empreendimento. Isso porque o sucesso, a susten- tabilidade e a perenidade de qualquer empreendimento dependem dessa visão. Lembre-se de que os resultados não se constroem de forma instantânea e, por isso, é fundamental que ele mantenha uma visão estratégica, orientada para o futuro, compreendendo que o desenvolvimento do negócio ocorre de maneira gradual e exige pla- nejamento, consistência e perseverança. A maioria dos empreendedores considera essa estratégia como um plano de vida. Sendo assim, muitos são os cuidados que o empreendedor deve ter na hora de buscar informações para abrir seu próprio negócio. Para isso, é necessário encontrar respostas para as seguintes perguntas: • Quais são as oportunidades e os nichos de mercado que podem ser explorados? • Quais são os produtos e serviços com concorrentes? • O que eles têm de diferencial e quais suas deficiências? • Quais produtos e serviços possuem demanda de mercado? • Quem são e como são os clientes desse segmento? Qual a ideia de valor para eles? • Como criar valor para o cliente? Como ser competitivo? • Quais os fornecedores potenciais? • Quais os concorrentes e como eles agem? • Quais os riscos do negócio? • Qual o potencial e o prazo para que o negócio tenha sustentabilidade? Destacamos que essas questões podem trazem informações relevantes para o plano de negócios do futuro empreendedor, dando a ele um direcionamento do que fazer, a quem atender, o que ven- der, de que forma vender, dentre outras informações importantes. 167 Dessa maneira, é sempre bom que o investidor tenha o maior nú- mero de informações possíveis, pois informação nunca é demais, já que ela auxilia o empreendedor a formar uma opinião e a montar a sua estratégia de ação. Nesse contexto, é preciso destacar que a qualidade da informação é mais relevante do que o seu volume para a tomada de decisão estra- tégica. Isso porque, embora a coleta de dados seja fundamental para compreender o mercado, o excesso de informações sem critérios claros de seleção, análise e interpretação pode dificultar o processo decisório. Assim, a análise de mercado deve priorizar dados confiáveis, relevantes e alinhados aos objetivos estratégicos da organização, permitindo que o empreendedor transforme informações em co- nhecimento aplicável ao planejamento e à ação empresarial. Perceba que, ao compreender que a qualidade da informação deve prevalecer sobre o simples acúmulo de dados, o empreende- dor passa a perceber que a análise de mercado não é um exercício meramente técnico, mas uma atividade estratégica orientada por propósito. Isso porque informações confiáveis e relevantes somen- te produzem valor quando estão conectadas a uma definição cla- ra do posicionamento organizacional e dos objetivos competitivos pretendidos. Nesse sentido, antes mesmo de aprofundar técnicas e instrumentos analíticos, torna-se indispensável responder a uma pergunta estruturante: afinal, qual é o negócio da organização?, conforme veremos na sequência. IMPORTANTE 168 Qual é o negócio: mercado e pesquisa de mercado? Caro(a) aluno(a), o empreendedor precisa ter em mente o negócio sobre o qual irá atuar e ter foco para que o empreendimento tenha sucesso. Para isso, é preciso identificar alguns aspectos do negócio, conforme orienta o estudioso Chiavenato, em seu livro Empreende- dorismo: dando asas ao espírito empreendedor, publicado em 2021: • O que produzir? • Como produzir? • Onde produzir? • Quais produtos/serviços? • Para quem? • Em que volume? • Por qual preço? • Com quais características únicas? • Com quais vantagens competitivas? Assim, o empreendedor precisa responder a essas questões de forma integrada, pois elas funcionam como um direcionamento estratégico inicial do negócio. E, ao refletir sobre esses pontos, tor- na-se possível alinhar experiências pessoais, competências técnicas e oportunidades de mercado, evitando decisões baseadas apenas na intuição e aumentando as chances de sucesso do empreendimento. Dessa forma, não adianta apenas experiência, pois muitas vezes o empreendedor faz uma coisa muito bem que, no entanto, é produzida pelo mercado. Pensando nisso, o ideal é que as suas expe- riências consigam atender às necessidades de seus clientes de forma criativa e inovadora, proporcionando uma vantagem competitiva para o empreendimento. 169 Estudos sobre sobrevivência empresarial apontam que uma parcela significativa das empresas brasileiras encerra suas ativi- dades nos primeiros cinco anos, sendo a ausência de planejamento e o desconhecimento do mercado consumidor fatores recorrentes associados ao insucesso. Assim, negócios que realizam pesquisas de mercado e análises sistemáticas do ambiente competitivo apresen- tammelhores condições de adaptação e maiores chances de perma- nência no mercado (SEBRAE, 2023). Também é necessário definir em qual mercado o empreendi- mento irá atuar, se é mercado local, físico ou virtual, para que possa elaborar estratégias de vendas e atendimento ao cliente. Além disso, a definição de mercado também pode ter relação com um segmento, como mercado de imóveis, mercado de industrial, dentre outros. Em outras palavras, trata-se de um ambiente que gera negócios por ter, de um lado, uma oferta e, de outro, uma procura. O mercado pode ser de oferta quando as empresas possuem muitos produtos a oferecer, maior do que a procura pelos consu- midores. E, para que estes produtos sejam vendidos, estratégias de promoção de vendas são realizadas, como promoções. Já quando o mercado é de procura, ou demanda, existe um número grande de consumidores procurando e querendo o produto e as empresas não conseguem atendê-los. Assim, para diminuir a demanda, muitas empresas utilizam estratégias de preço, aumentando o valor do produto, conforme detalhado no diagrama a seguir. Diagrama 3 - A situação da oferta e procura de mercado Fonte: adaptado de Chiavenato (2021) pelo Editorial da Digital Pages (2019). 170 Dessa maneira, é no mercado que o empreendedor obser- va o comportamento dos consumidores, identifica necessidades e acompanha as ações dos concorrentes. Assim, a análise de aspectos como estratégias de preço, marketing, inovação e posicionamento permite compreender como as decisões empresariais impactam o desempenho organizacional, tornando o monitoramento do mer- cado uma atividade contínua e estratégica. É possível identificar também o mercado concorrente, no qual ficam todas as empresas que vendem produtos e serviços simi- lares ao do negócio do empreendedor. Outro mercado identificado é o mercado fornecedor, representado pelo conjunto de pessoas ou empresas que oferecem meios para o desenvolvimento e a finali- zação do produto do empreendedor, como matéria-prima, mão de obra, equipamentos, materiais, dentre outros. Perceba que todos os mercados merecem atenção especial do empreendedor. No caso do mercado consumidor, entender seu cliente, conhecer seus comportamentos e seu perfil de compra au- xiliam a desenvolver estratégias para atender essas necessidades. Com base nessas informações, o empreendedor pode criar produtos e serviços diferenciados e inovadores, saindo à frente do concorren- te e obtendo uma vantagem competitiva. Dessa maneira, compreender o mercado consumidor é um passo decisivo para a construção de estratégias competitivas con- sistentes. No entanto, a dinâmica mercadológica não se restringe apenas ao cliente final. Isso porque o empreendedor atua em um sistema mais amplo, composto por diferentes agentes econômicos que influenciam direta ou indiretamente o desempenho do negó- cio. Assim, fornecedores, concorrentes, intermediários, mercado de trabalho e até o ambiente institucional formam um conjunto in- terdependente que condiciona oportunidades e impõe restrições à atuação empresarial. Nesse sentido, ampliar a análise para além do consumidor permite visualizar o mercado de forma sistêmica, identificando re- lações de poder, fluxos de oferta e demanda, níveis de concorrência e possibilidades de posicionamento estratégico. Assim, torna-se fundamental compreender como os diferentes tipos de mercado se 171 estruturam e se relacionam entre si, o que será representado de for- ma sintética e didática no diagrama a seguir, facilitando a visualiza- ção dessas interações e suas implicações para a tomada de decisão. Diagrama 4 - Tipos de mercado Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Nesse contexto, a pesquisa de mercado constitui uma ferra- menta fundamental para apoiar a tomada de decisão empreendedo- ra. Por meio dela, o empreendedor pode analisar comportamentos, preferências e tendências do mercado, reduzindo incertezas e au- mentando a assertividade das decisões estratégicas. 172 Além disso, o Janguiê Diniz (2019) nos revela que a pesquisa de mercado é uma ferramenta muito importante para a obtenção de informações relacionadas ao perfil do concorrente, dos clientes em potencial etc. Assim, Vale a pena investir em pesquisas de mercado, tanto para sondar a concorrência e o que ela está oferecendo quanto para conhecer melhor os seus futuros clientes e o que eles querem (Janguiê Diniz, 2019). Nesse sentido, a busca de informações pode ser proporciona- da de duas formas: • Pesquisa direta ou fonte direta de informação: realizada por meio de questionários ou entrevistas pessoais diretamente com os clientes e fornecedores. • Pesquisa indireta ou fonte de informação indireta: podem ser coletadas por meio de pesquisas realizadas em anuários do IBGE, revistas técnicas especializadas, empresas especia- lizadas em pesquisa de mercado, opinião de outras pessoas, indicação, dentre outros. Perceba que as fontes diretas tendem a fornecer informações mais próximas da realidade do cliente, enquanto as fontes indiretas complementam a análise com dados mais amplos. Assim, a com- binação dessas fontes aumenta a confiabilidade das informações e permite ao empreendedor elaborar estratégias mais alinhadas aos objetivos do negócio. Por outro lado, a ausência de estudos de mercado compro- mete a capacidade competitiva das empresas, pois decisões passam a ser tomadas sem embasamento adequado. Dessa forma, quanto mais estruturado e consistente for o estudo de mercado, maiores serão as chances de sustentabilidade, crescimento e longevidade do empreendimento. Isso porque, se a análise de mercado constitui a base para decisões mais seguras e estratégicas, o passo seguinte consiste em traduzir essas informações em escolhas concretas sobre aquilo que 173 será ofertado ao público. Dessa maneira, não basta compreender o ambiente competitivo ou identificar oportunidades; é necessário definir com clareza qual problema será solucionado, qual necessi- dade será atendida e de que forma o negócio irá se posicionar diante das alternativas já existentes no mercado. Assim, a consistência do estudo de mercado deve convergir para a definição objetiva do produto ou serviço, considerando pro- posta de valor, diferenciação, viabilidade econômica e alinhamento com o público-alvo identificado. É nesse momento que o empreen- dedor transforma diagnóstico em ação estratégica, elaborando de- cisões que orientam investimentos, processos e posicionamento. Portanto, a reflexão seguinte torna-se inevitável: afinal, qual é o produto ou serviço ideal e qual o melhor caminho a seguir para con- solidar o empreendimento de forma sustentável? É o que veremos a seguir! Qual é o produto/serviço ideal e o melhor caminho a seguir? Caro(a) aluno(a), inicialmente, é importante saber que a empresa precisa definir se vai trabalhar com produtos (material tangível) ou serviços (material intangível). Isso é possível após a identificação do negócio, a análise de mercado e a definição do mercado no qual se deseja atuar. Isso porque cada produto ou serviço apresenta característi- cas diferentes e, consequentemente, as estratégias de vendas, pro- dução, preço e marketing deverão estar alinhadas ao seu formato. Nesse sentido, no quadro a seguir, é possível ter uma noção sobre como os clientes e a empresa pensam nos preços dos produtos ou serviços. 174 Quadro 1 - Como os preços são visualizados pelo cliente e pela empresa Como o cliente estima o preço Como a empresa determina o preço • Objetivos desejados; • Grau de utilidade de produto/ serviço; • Grau de qualidade percebida; • Valor determinado pela empresa; • Nível de serviço de atendimento; • Preço dos similares concorrentes. • Objetivos almejados pela empresa; • Custos de produção e de vendas; • Margem de lucro pretendida; • Valor que o cliente atribui; • Restrições legais quanto ao preço; • Preços fixados pela concorrência. Fonte: adaptado de Chiavenato (2021,p. 77) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que todos os componentes são importantes, principalmente os que são visualizados pelos consumidores, pois determinam a percepção de valor frente ao produto ou serviço ofer- tado. Além disso, o empreendedor pode seguir por diversos cami- nhos. No entanto, alguns fatores são primordiais antes de colocar a ideia em prática. Pensando nisso, é necessário que você: • Escolha o tipo de atividade: pesquisas e análises de mercado trazem informações importantes para o empreendedor deci- dir em qual ramo de atividade pode atuar. • Analise seus conhecimentos: experiências sobre o ramo de atividade escolhido e quais competências ainda precisam ser adquiridas. • Recursos financeiros: analise a viabilidade do negócio, o re- curso financeiro que precisa para investir e o retorno sobre o investimento, ou seja, em quanto tempo o empreendimento poderá lhe proporcionar retorno financeiro. 175 • Relação entre experiência pessoal e profissional: impor- tante ter o alinhamento entre as duas experiências que irão proporcionar mais conhecimentos e informações para o de- senvolvimento de estratégias. Caso isso não aconteça, é im- portante que o empreendedor busque como alternativa fontes de informações sobre o negócio. • Analise o mercado: antes de tomar qualquer decisão, analise criteriosamente o mercado, como o perfil do cliente, os forne- cedores, estratégias dos concorrentes, dentre outros. • Administração: é preciso saber administrar seu negócio, olhar e avaliar os recursos financeiros para que seu empreen- dimento tenha sucesso. • Faça economias: analise todas as possibilidades que possam gerar economias, principalmente no início do empreendi- mento. Observe os processos e métodos e busque evitar custos e despesas desnecessárias. Tendo isso em mente, é possível dizer que é muito impor- tante que a empresa corte custos e despesas desnecessárias para o sucesso do empreendimento. E, ao considerar a escolha da ativida- de, a análise das competências, a viabilidade financeira, o alinha- mento entre experiências, o estudo criterioso do mercado e a gestão eficiente dos recursos, o empreendedor estrutura as bases iniciais do seu empreendimento. Contudo, mesmo com planejamento, con- trole de custos e decisões racionais, nenhum negócio está isento de incertezas. Isso porque o ambiente empresarial é dinâmico, influencia- do por fatores econômicos, tecnológicos, sociais e competitivos que podem tanto ampliar as possibilidades de crescimento quanto gerar ameaças à continuidade do negócio. Nesse contexto, além de defi- nir o que fazer e como fazer, torna-se essencial avaliar as variáveis externas e internas que podem impactar o desempenho da empresa. Dessa maneira, identificar tendências favoráveis, lacunas de mer- cado e diferenciais competitivos permite visualizar oportunidades estratégicas, conforme discutiremos a seguir. Por outro lado, re- conhecer limitações, vulnerabilidades e riscos potenciais contribui 176 para a adoção de medidas preventivas e para a construção de estra- tégias mais resilientes. Quais são as oportunidades e os riscos do negócio? Todo negócio possui riscos e potencialidades. Assim, as potenciali- dades são vistas por meio de perspectivas de como o negócio pode prosperar e os riscos são analisados como possíveis percalços que a empresa venha a sofrer. Nesse sentido, as empresas possuem três condições para tomarem decisões estratégicas: condição de incer- teza, risco e condição de certeza. Nas condições de incertezas, a empresa tem pouco conhecimento e informação do que pode acontecer, dificultando a estimar o grau e a probabilidade do evento e suas possíveis consequências. Quan- do falamos de risco, a empresa já possui um nível de conhecimento para saber o que pode acontecer e como ela deverá agir. No entanto, ainda são probabilidades e podem gerar diversas interpretações. Por fim, ao verificarmos as condições de certeza, a empresa tem ciên- cia dos fatos que irão acontecer e como acontecerão, analisando os impactos que serão trazidos à organização. Destacamos que, como falamos, o risco é uma possibilidade de perda e pode ser classificado da seguinte maneira: IMPORTANTE 177 Diagrama 5 - Tipos de riscos Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Ainda, quando o risco econômico é elevado, deve-se procurar reduzir o risco financeiro, evitando alto endividamento e baixando a proporção de capital de terceiros. Assim, o grande desafio é manter o equilíbrio entre os dois riscos. Além disso, precisamos lembrar que o retorno financeiro é o próprio lucro que a empresa venha a ter com a venda de seus produtos e serviços. E, ao contrário do risco, é sem- pre uma possibilidade de ganho. Perceba que o grande desafio para o empreendedor é aumentar o lucro, diminuindo os custos. Desse modo, o empreendedor precisa saber cortar custos e despesas des- necessárias para a sustentabilidade do empreendimento. Nesse sentido, as empresas podem utilizar de muitas es- tratégias para aumentarem seus lucros, como redução de custos, investimentos mais rentáveis, administrar os recursos com mais eficiência, trocar serviços por custos mais baixos, mas sem interfe- rir muito na qualidade, rever fornecedores, substituir matéria-pri- ma, terceirizar alguns departamentos e mão de obra, dentre outros. Perceba que, embora a adoção de estratégias voltadas à re- dução de custos e à melhoria da eficiência operacional contribua significativamente para a elevação dos resultados financeiros, tais 178 decisões precisam ser analisadas sob uma perspectiva mais ampla. Isso porque cada escolha estratégica envolve não apenas ganhos potenciais, mas também implicações que podem afetar a sustenta- bilidade do negócio no médio e longo prazo. A substituição de fornecedores, a terceirização de atividades ou a alteração de insumos, por exemplo, podem gerar economias ime- diatas, mas também podem introduzir novos riscos relacionados à qualidade, à dependência externa ou à reputação da empresa. Dessa forma, torna-se fundamental que o empreendedor avalie simultaneamente os benefícios esperados e os possíveis im- pactos adversos de suas decisões. A compreensão equilibrada entre riscos e potencialidades permite estruturar estratégias mais consis- tentes, reduzindo vulnerabilidades e ampliando as oportunidades de crescimento. Para sistematizar essa análise e facilitar a visualização des- ses elementos, o quadro a seguir organiza de maneira compara- tiva os principais fatores que podem influenciar o desempenho empresarial. EXEMPLO 179 Quadro 2 - Os riscos e as potencialidades dos negócios Risco Potencialidades Ameaças relacionadas com a concorrência; Desvantagens em relação aos concorrentes; Dificuldade de fornecimento e abastecimento; Retração do mercado consumidor; Perfil inadequado do produto/ serviço. Oportunidades de mercado; Vantagens quanto aos concorrentes; Facilidades de fornecimento; Expansão do mercado consumidor; Perfil excelente de produto/ serviço. Fonte: adaptado de Chiavenato (2021) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Assim, caro(a) aluno(a), ao compreender que toda decisão estratégica envolve simultaneamente potencialidades e riscos, o empreendedor passa a perceber que o sucesso empresarial não é re- sultado do acaso, mas de escolhas fundamentadas, monitoramento constante e capacidade de adaptação. Isso porque a análise crite- riosa dos riscos permite antecipar cenários adversos e estruturar mecanismos de prevenção, enquanto a identificação das potencia- lidades orienta investimentos e ações voltadas à geração de valor e vantagem competitiva. Nesse contexto, o equilíbrio entre prudência e ousadia torna- -se essencial. Não se trata apenas de minimizar ameaças ou reduzir custos, mas de construir uma gestão estratégica capaz de alinhar planejamento, execução e controle, conforme detalhado no tópico a seguir. Como otimizar as suas chances de sucesso? Para asempresas otimizarem as chances de sucesso no mercado, é necessário muita informação, conhecimento e foco. Nesse contex- to, precisamos entender que as informações e o conhecimento per- mitem que as empresas sejam mais assertivas no desenvolvimento 180 de estratégias e na tomada de decisões. Por isso, elas precisam ob- ter o maior número de informações possíveis de fontes confiáveis para que desenvolvam um plano de negócio e possam colocá-lo em prática. Assim, o foco deve ser sempre no cliente. E, para isso, deve- mos analisar seus comportamentos, seus hábitos de compra, suas necessidades e desejos, além de buscar, em parceria com a criativi- dade e a inovação, desenvolver produtos e serviços que respondam rapidamente e de forma eficiente e eficaz às demandas do mercado. Se o foco estratégico deve estar no cliente, torna-se eviden- te que nenhuma decisão empresarial pode ser dissociada da com- preensão profunda de quem consome, como consome e por que consome. Pensando nisso, conhecer comportamentos, hábitos e expectativas permite não apenas atender demandas existentes, mas antecipar necessidades latentes e construir propostas de valor mais consistentes. Entretanto, esse entendimento só se converte em vantagem competitiva quando está diretamente relacionado à análise crite- riosa do produto ou serviço ofertado. Nesse sentido, a criatividade e a inovação precisam estar alinhadas a uma avaliação técnica da qualidade, funcionalidade, diferenciação e adequação do produto às expectativas do público-alvo. Perceba que não basta lançar algo novo: é preciso assegurar que aquilo que é entregue realmente resolva problemas, gere satis- fação e fortaleça o relacionamento com o cliente. Assim, torna-se fundamental aprofundar a reflexão sobre a importância do cliente e a análise cuidadosa do produto, como elementos centrais para a sustentabilidade e o sucesso do empreendimento. Vamos lá! Importância do cliente e análise cuidadosa do produto Caro(a) aluno(a), é importante que a empresa saiba para quem ela está vendendo, ou melhor, qual é seu público-alvo, onde ele está, quanto ganha, como vive etc. Isso porque todas essas informações 181 ajudam a empresa a satisfazer o cliente e, consequentemente, a fidelizá-lo. Com essas informações, é possível elaborar sua proposta de valor, os preços de produtos e serviços, seus canais de vendas e a promoção de vendas que venha a utilizar, buscando a sustentabili- dade e o sucesso do negócio. E, ao estruturar sua proposta de valor, definir preços, selecionar canais de venda e planejar ações promo- cionais, a empresa consolida os elementos centrais de sua atuação competitiva no mercado. Lembre-se de que essas decisões não de- vem ocorrer de forma isolada, mas integradas em uma lógica es- tratégica coerente, que alinhe objetivos, recursos e posicionamento. É justamente essa articulação entre escolhas estratégicas que determina a capacidade de diferenciação e de sustentabilidade do negócio, aspecto que será sintetizado no diagrama a seguir, eviden- ciando como esses componentes se conectam para gerar vantagem competitiva. Diagrama 6 - A importância da estratégia das empresas 182 Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que toda empresa deve se colocar no lugar do cliente, ou seja, pensar em como ele analisaria seu produto ou ser- viço. Assim, é preciso responder aos seguintes questionamentos: • O que motiva o cliente a comprar da sua empresa? • Qual é sua percepção de valor? • Por que ele prefere você a seus concorrentes? • O que a empresa precisa fazer para promover satisfação no cliente e fazer com que ele volte a comprar e indicar seus pro- dutos e serviços para outras pessoas? Lembre-se de que, atualmente, as pessoas buscam produtos com qualidade a preços acessíveis. Nesse sentido, precisamos en- tender que a Era Digital permitiu que todas as informações estejam facilmente disponíveis para quem quiser. Assim, os clientes sabem mais dos produtos do que os próprios vendedores da empresa. Por- tanto, a qualidade do produto, do atendimento, além da facilidade de pagamento e de entrega podem trazer grandes diferenciais para a empresa frente a seus concorrentes, fazendo com que ela seja mais competitiva no mercado. Diante desse cenário marcado pela ampla disponibilidade de informações e por consumidores cada vez mais exigentes e bem-in- formados, torna-se imprescindível que a empresa compreenda com profundidade as características de seus produtos e a forma como eles são percebidos pelo mercado. 183 Perceba que não se trata apenas de oferecer qualidade e preço competitivo, mas de identificar atributos tangíveis e intangíveis que agreguem valor, como durabilidade, design, funcionalidade, aten- dimento e experiência de compra. A análise estruturada dessas ca- racterísticas permite alinhar expectativas do cliente e proposta de valor da empresa, fortalecendo seu posicionamento competitivo. Para organizar essa compreensão de maneira sistemática, o quadro a seguir sintetiza os principais elementos a serem conside- rados na avaliação estratégica do portfólio empresarial, veja. Quadro 3 - Produtos e características Padrões internos para o produto Qualidade; Segurança: o produto provoca danos às pessoas ou crianças? Design: o produto é fácil de usar ou manejar? Vida média do produto Produtos concorrentes; Produtos substitutos; Padrões internos de excelência. Desempenho do produto Eficácia: o produto faz o que realmen- te se propõe a fazer? Garantia: é suficiente ou apenas razoável? Disponibilidade de serviços de atendimento; Preço: o investimento de compra do cliente vale a pena? Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 184 Construindo o plano de negócios Todo empreendedor que deseja abrir uma empresa precisa cons- truir um plano de negócios, uma vez que ele é um instrumento com o passo a passo sobre como colocar uma instituição para funcionar. O plano de negócios auxilia a empresa a caminhar, dando orientação sobre as coisas que devem ser seguidas e ajudando a em- presa a não sair dos trilhos. Assim, um bom plano de negócios auxi- lia o empreendedor a tomar as melhores decisões e ajuda a enfrentar alguns erros que a empresa venha a ter, direcionando melhor seus esforços. Além disso, ele também pode ajudar o empreendimento a atrair novos investidores e fornecedores, além de a criar parcerias. O plano de negócios também é conhecido como Business Plan. O ob- jetivo dele é descrever a ideia do empreendimento e dar direções de como a ideia deve ser colocada em prática, por meio do levan- tamento de todos os elementos importantes que podem afetar o empreendimento. Perceba que os elementos levantados estão relacionados ao que deve ser produzido pela empresa, além de trazer informações sobre para quem produzir, o mercado, os concorrentes, dentre ou- tros. Nesse sentido, o SEBRAE, em seu artigo denominado “Tudo o que você precisa saber para criar seu plano de negócio”, publica- do em 2019, nos chama a atenção para a importância do plano de negócios: O plano de negócios é o instrumento ideal para traçar um retrato do mercado, do produto e das atitudes do empreendedor. É por meio dele que o empreendedor tem informações deta- lhadas do seu ramo de atividade, produtos e serviços, clientes, concorrentes, fornecedores DEFINIÇÃO 185 e, principalmente, pontos fortes e fracos do negócio, contribuindo para a identificação da viabilidade de sua ideia e da gestão da empresa (SEBRAE, 2019). Assim, se o empreendedor buscar seguir fielmente o plano de negócios, terá as orientações necessárias para decisões importantes que impactarão diretamente em seu empreendimento. Embora a estrutura tradicional do plano de negócios continue sen- do uma referência importante para a organização e o planejamento do empreendimento, sua aplicação passou por adaptações signi- ficativas ao longo do tempo. Atualmente, muitos empreendedores utilizam o plano de negócios comoum instrumento dinâmico, fle- xível e revisável, adequado a ambientes de alta incerteza e rápida transformação. Dessa forma, o plano de negócios deixa de ser apenas um do- cumento formal e passa a funcionar como um guia estratégico em constante evolução, permitindo ajustes frequentes conforme mu- danças no mercado, no comportamento dos consumidores e nas condições econômicas. Um exemplo atual de uso estratégico do plano de negócios pode ser observado na trajetória da Nubank. Isso porque, desde sua criação, a empresa estruturou seu plano de negócios com foco na resolução de problemas do sistema bancário tradicional, como burocracia, altas tarifas e baixa transparência. Ao longo do tempo, o plano foi con- tinuamente ajustado para incorporar novos produtos, como contas IMPORTANTE EXEMPLO 186 digitais, investimentos e seguros, demonstrando como o plane- jamento pode evoluir conforme o crescimento e a maturidade do empreendimento. Perceba que, se o plano de negócios deve ser compreendido como um instrumento dinâmico, capaz de orientar decisões e adap- tar-se às transformações do ambiente competitivo, torna-se fun- damental compreender como estruturá-lo de forma consistente e estratégica. Nesse sentido, mais do que reunir informações em um documento, sua elaboração exige organização lógica, definição cla- ra de objetivos, análise de mercado, projeções financeiras e defini- ção de estratégias operacionais. Assim, compreender as etapas, os componentes e os critérios que garantem coerência e viabilidade ao planejamento é essencial para que o plano cumpra sua função de direcionar ações e reduzir incertezas. Nesse contexto, passa-se a discutir: como elaborar um plano de negócios? Como elaborar um plano de negócios Caro(a) aluno(a), para este objeto estudo, nos basearemos no ma- nual do Sebrae intitulado Como elaborar um plano de negócios, publicado em 2023, que traz informações importantes para o em- preendedor sobre como desenvolver o plano de negócios de forma eficiente. Segundo o documento, o plano de negócios é um docu- mento com informações relevantes sobre o empreendimento que auxilia o empreendedor nas tomadas de decisões. Sendo assim, para elaborar um bom plano de negócios, se faz necessário seguir alguns passos, conforme detalhado na sequência. 1. Sumário executivo: para a elaboração do plano de negócios, é importante que a empresa siga as etapas do seguinte sumário executivo: 187 Diagrama 7 - Etapas do sumário executivo (parte 1) Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 188 Diagrama 8 - Etapas sumário executivo (parte 2) Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 2. Análise do Mercado: o planejamento estratégico começa sempre com a análise de mercado. Desse modo, o plano de ne- gócios considera a análise de mercado uma das análises mais importantes para se montar as estratégias a empresa. Ela está dividida em três partes: 189 Diagrama 9 - Análise do mercado Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 190 3. Plano de Marketing: o plano de marketing é muito impor- tante para a empresa, pois é por meio dele que os produtos e serviços são divulgados. Ele permite a comunicação entre empresa e cliente, define qual a melhor estratégia de vendas dos produtos e serviços e quais os canais de distribuição mais adequados para cada um deles. Levantamentos sobre pequenos negócios mostram que em- presas com presença ativa em canais digitais apresentam maior visibilidade e melhores condições de competitividade, especial- mente em mercados com alta concorrência. A utilização de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de e-commerce contribui para ampliar o alcance da marca, fortalecer o relaciona- mento com o cliente e apoiar estratégias de fidelização. Dessa maneira, o plano de marketing é desenvolvido em cin- co fases: Diagrama 10 - Plano de marketing 191 Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que o plano de marketing contemporâneo am- pliou significativamente o uso de ferramentas digitais e estratégias baseadas em dados, sem eliminar totalmente os meios tradicionais. Assim, atualmente, ações como marketing de conteúdo, presença estratégica em redes sociais, anúncios digitais segmentados, uso de marketplaces e análise de métricas de desempenho tornaram-se fundamentais para alcançar e fidelizar clientes. Nesse contexto, o plano de marketing deve integrar canais on-line e off-line, considerando o perfil do público-alvo, os obje- tivos do negócio e os recursos disponíveis, de modo a maximizar o alcance e a efetividade das ações promocionais. No campo do marketing, a Magazine Luiza destaca-se por integrar estratégias digitais e tradicionais em seu plano de marketing. A em- presa utiliza redes sociais, influenciadores digitais, aplicativos pró- prios e marketplaces para se comunicar com seus clientes, ao mesmo tempo em que mantém ações promocionais em lojas físicas. Essa abordagem integrada permite ampliar o alcance da marca, fortale- cer o relacionamento com o consumidor e aumentar a competitivi- dade em um mercado altamente dinâmico. Dados sobre o mercado brasileiro apontam que o comércio eletrônico vem apresentando crescimento contínuo nos últimos anos, consolidando-se como um dos principais canais de comercia- lização para empresas de diferentes portes e segmentos. Esse mo- vimento reforça a necessidade de integrar estratégias de marketing EXEMPLO 192 tradicional e digital, considerando o comportamento omnichannel do consumidor contemporâneo (ABCOMM, 2025). 4. Plano Operacional: o plano operacional representa uma eta- pa fundamental no processo de estruturação e gestão de um empreendimento, pois é responsável por traduzir as decisões estratégicas em ações práticas e executáveis. Assim, enquanto o planejamento estratégico define os rumos e objetivos do ne- gócio, o plano operacional detalha como esses objetivos serão alcançados no dia a dia da organização. Dessa forma, ele per- mite organizar recursos, processos e atividades, assegurando maior eficiência e coerência entre o que foi planejado e o que será efetivamente realizado. Nesse contexto, o plano operacional envolve a definição cla- ra de processos produtivos, rotinas de trabalho, responsabilidades, prazos e utilização de recursos físicos, humanos e tecnológicos. Isso porque, ao estabelecer essas diretrizes, o empreendedor pas- sa a ter maior controle sobre as operações do negócio, reduzindo incertezas, evitando desperdícios e facilitando o acompanhamen- to dos resultados. Assim, o plano operacional contribui para a pa- dronização das atividades e para a melhoria contínua dos processos organizacionais. Portanto, a elaboração de um plano operacional bem estrutu- rado é essencial para garantir a sustentabilidade e o crescimento do empreendimento. E, ao alinhar as operações aos objetivos estraté- gicos e às necessidades do mercado, o empreendedor fortalece a ca- pacidade de execução da empresa e amplia suas chances de alcançar resultados consistentes ao longo do tempo. Dessa maneira, o plano operacional torna-se um instrumento indispensável para a gestão eficiente e para a consolidação do negócio em ambientes competi- tivos e dinâmicos. Destacamos ainda que a elaboração do plano operacional permite transformar as diretrizes estratégicas da empresa em ações concretas, organizando de forma sistemática as atividades necessá- rias para o funcionamento do negócio. Nesse processo, são definidos aspectos como estrutura produtiva, recursos necessários, proces- sos de trabalho, infraestrutura, equipamentos e responsabilidades 193 operacionais. Dessa maneira, o plano operacional possibilita ao em- preendedor visualizar como as operações ocorrerão na prática, ga- rantindo maior clareza na execução das atividades organizacionais. Além disso, a estruturação adequada das operações contribui para aumentar a eficiência dos processos, otimizar o uso de recursos e reduzir falhas na execução das atividades empresariais. Isso por-que, ao organizar de forma integrada os elementos que compõem a rotina operacional da empresa, o plano operacional fortalece a ca- pacidade de gestão e favorece a obtenção de resultados consistentes em ambientes competitivos. Nesse sentido, o diagrama a seguir apresenta, de forma sin- tética, os principais componentes que estruturam o plano operacio- nal, veja. Diagrama 11 - Plano operacional 194 Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 5. Plano financeiro: esta parte do planejamento de negócios é um pouco mais detalhada e extensa do que as demais. Isso porque sua composição engloba investimento fixo, capital de giro e investimentos pré-operacionais. Além disso, o pla- no também deve conter o planejamento financeiro detalhado para o período em que o negócio ainda não estiver dando lu- cro, conforme detalhado no diagrama a seguir. Diagrama 12 - Plano financeiro 195 Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 6. Construção de cenários: uma análise de tendências com base em informações do mercado para a criação de novos produtos e serviços que respondam de forma rápida e eficiente às de- mandas do mercado. 7. Avaliação estratégica: refere-se à análise da estratégia utili- zando a matriz F.O.F.A. ou S.W.O.T., ferramenta utilizada para detectar pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. 196 Assim, com base nessas informações, a empresa pode criar e desenvolver estratégias que a direcionem e auxiliem sua par- ticipação de mercado, conforme descrito no quadro a seguir. Quadro 4 - Matriz F.O.F.A. ou S.W.O.T. Forças Oportunidades Faça uso das forças São características internas da em- presa ou de seus donos que represen- tam vantagens competitivas sobre seus concorrentes ou uma facilidade para atingir os objetivos propostos. Exemplos: • Atendimento personalizado ao cliente; • Preço de venda competitivo; • Equipe treinada e motivada; • Localização estratégica da empresa. Explore as oportunidades São situações positivas do ambien- te externo que permitem à empresa alcançar seus objetivos ou melhorar sua posição no mercado. Exemplos: • Existência de linhas de financiamento; • Poucos concorrentes na região; • Aumento crescente da demanda; • Disponibilidade de bons imóveis para locação. Fraquezas Ameaças Elimine as fraquezas São fatores internos que colocam a empresa em situação de desvantagem frente à concorrência ou que prejudi- cam sua atuação no ramo escolhido. Exemplos: • Pouca qualificação dos funcionários • Indisponibilidade de recursos finan- ceiros (capital); • Falta de experiência anterior no ramo • Custos de manutenção elevados. Evite as ameaças São situações externas nas quais se têm pouco controle e que colocam a empresa diante de dificuldades, ocasionando a perda de mercado ou a redução de sua lucratividade. Exemplos: • Impostos elevados e exigências le- gais rigorosas; • Existência de poucos fornecedores. • Escassez de mão de obra qualificada; • Insegurança e violência na região. Fonte: adaptado do SEBRAE (2003, p. 109) Editorial da Digital Pages (2019). 197 8. Avaliação do plano de negócio: avaliar se o plano de negó- cios está alinhado e se responde às dúvidas da empresa, pre- parando o empreendedor para colocar seu sonho em prática. Desse modo, o plano de negócio não tem o objetivo de garantir o sucesso do empreendimento, mas auxilia na tomada de de- cisões para que a empresa busque seus resultados e alcance seus objetivos. Assim, a compreensão dos diferentes elementos que com- põem um plano de negócios permite ao empreendedor estruturar de forma sistemática as informações necessárias para a criação, or- ganização e desenvolvimento de um empreendimento. Isso porque, ao analisar aspectos como mercado, produto ou serviço, plano ope- racional, estratégias de marketing e viabilidade financeira, o pla- no de negócios oferece uma visão integrada do funcionamento da empresa, possibilitando a identificação de oportunidades, riscos e caminhos para o crescimento sustentável do negócio. Entretanto, para que essas informações gerem resultados concretos, torna-se fundamental que estejam alinhadas a uma ló- gica de gestão estratégica. Nesse sentido, a gestão estratégica atua como o processo responsável por orientar as decisões organizacio- nais, definir diretrizes de longo prazo e coordenar os recursos da empresa de maneira consistente com os objetivos estabelecidos. Dessa forma, o plano de negócios não deve ser entendido apenas como um documento de planejamento inicial, mas como um instrumento que subsidia a formulação e a execução da estratégia empresarial em ambientes competitivos e dinâmicos. Gestão estratégica É muito importante que as organizações planejem suas ações, prin- cipalmente quando se pensa em um cenário de muita concorrência no qual as empresas precisem de uma vantagem competitiva para serem percebidas pelo seu público-alvo e, assim, sobreviverem. Sendo assim, ao falarmos de gestão estratégica, conse- guimos perceber que se trata de uma ferramenta que norteia as 198 organizações rumo ao patamar que pretendem chegar – por meio de orientações primordiais para que elas alcancem resultados. Gestão estratégica é o processo sistemático de gerenciamento para acompanhar as ações que geram oportunidades de crescimento ao empreendimento e que precisam ser monitoradas e avaliadas. Destacamos que, para se adotar uma estratégia organizacio- nal, é importante que as empresas definam os rumos que pretendem seguir. Portanto, precisam ter sua missão, visão, metas e objetivos bem definidos. Além disso, toda empresa precisa estar preparada para as situações não tão positivas que possam surgir, como situa- ções ambientais (variáveis políticas, econômicas, tecnológicas, cli- máticas, culturais e demográficas) que interferem diretamente na gestão da empresa. Por fim, as empresas precisam se atentar principalmente para o comportamento de seus clientes. Note que, nos dias de hoje, percebemos um comportamento diferenciado do consumidor, com foco na rapidez, comodidade, conforto e segurança na aquisição de mercadorias. Isso porque as pessoas estão dependentes de ferra- mentas digitais para realizarem suas compras e pesquisas, exigindo que as empresas desenvolvam ferramentas de marketing para aten- der essa necessidade. Portanto, uma decisão estratégica na área de vendas ou marketing baseada nesse comportamento pode lhe trazer grandes retornos lucrativos. Perceba que, independentemente do tamanho do empreen- dimento, ele deve ser competitivo, sustentável, proporcionar cres- cimento aos seus stakeholders (clientes, fornecedores, acionistas etc.) e ao mercado. Para isso, é de suma importância uma boa gestão estratégica, bem monitorada, principalmente pelo líder da empresa. DEFINIÇÃO 199 E, para que uma organização alcance competitividade e sus- tentabilidade no mercado, é fundamental que sua atuação esteja orientada por diretrizes estratégicas claras e bem definidas. Assim, a gestão estratégica permite alinhar os objetivos do empreendimen- to com as demandas do ambiente competitivo, orientando decisões, prioridades e a utilização eficiente dos recursos organizacionais. Nesse processo, o papel da liderança torna-se essencial, pois cabe aos gestores monitorar continuamente o desempenho da em- presa, identificar oportunidades de melhoria e garantir que as ações desenvolvidas estejam coerentes com os objetivos estratégicos estabelecidos. Nesse contexto, um dos primeiros passos para a construção de uma gestão estratégica consistente baseia-se na definição dos elementos que orientam a identidade e o direcionamento da orga- nização. Diante disso, a missão, a visão e os valores representam os fundamentos que norteiam a atuação da empresa, definindo seu propósito, suas aspirações de futuro e os princípios que orientam seu comportamento no mercado. Pensando nisso, a seguir, serão apresentados os principais aspectos relacionados à definição desses elementos estratégicos. Definindomissão, visão e valores Caro(a) aluno(a), diante de tudo que já abordamos, é importante frisarmos que toda empresa precisa ter definido sua missão, visão e valores para que se consiga desenvolver sua estratégia empresarial. Para isso, é preciso entender que a missão corresponde à essência da organização, ou seja, o motivo pelo qual ela existe e seu propó- sito. Já a visão significa o lugar onde ela quer chegar. Em outras palavras, representa seus planos a longo prazo. Os valores, por sua vez, dizem respeito à identidade da empresa, suas crenças e a forma como ela se posiciona no mercado. A definição clara desses elementos estratégicos é fundamen- tal para orientar o posicionamento e as decisões organizacionais ao longo do tempo. Isso porque, enquanto a missão estabelece o pro- pósito e a razão de existir da empresa no presente, a visão projeta 200 o direcionamento futuro que a organização pretende alcançar por meio de suas estratégias e ações. Nesse sentido, é importante sabermos que, embora sejam conceitos complementares dentro da gestão estratégica, missão e visão possuem características e funções distintas no processo de planejamento empresarial. E, para facilitar essa compreensão, o quadro a seguir apresenta as principais diferenças entre esses dois elementos fundamentais da identidade organizacional, veja. Quadro 5 - Diferenças entre missão e visão Missão Visão Inclui o negócio da empresa; É o ponto de partida; É o documento de identidade da empresa; Identifica “quem somos”; Dá o rumo à empresa; É orientadora; Tem o foco do presente para o futuro; Tem vocação para a eternidade. É o sonho do negócio; É o lugar para onde vamos; É o passaporte para o futuro; Projeta “quem desejamos ser”; Fornece energia para a empresa; É inspiradora; Tem o foco no futuro; É mutável, conforme os desafios. Fonte: adaptado de Chiavenato (2021) Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que a definição desses três fatores é importan- te, pois eles direcionam o planejamento estratégico da organização, auxiliando os empreendedores a chegarem ao seu objetivo e a traze- rem os melhores resultados. A Disney, um dos maiores parques de diversão do mundo, tem como missão alegrar as pessoas, como visão criar um mundo em que to- dos possam se sentir como crianças e como valores o não ceticismo. EXEMPLO 201 Criatividade, sonhos e imaginação, além de atenção fanática aos detalhes e preservação e controle da Magia Disney. Nesse sentido, se pararmos para pensar, a Disney tem uma estratégia organizacional bem alinhada à sua missão, visão e valores: procura fazer as pessoas felizes independentemente da sua idade e criou um local onde qual- quer pessoa pode voltar a ser criança e a viver em um mundo cheio de magias. Fontes de financiamento A obtenção de recursos financeiros é um dos elementos fundamen- tais para a criação, manutenção e expansão de qualquer empreen- dimento. Independentemente do porte ou do setor de atuação da empresa, o acesso a capital é essencial para viabilizar investimentos em infraestrutura, aquisição de equipamentos, desenvolvimento de produtos, contratação de mão de obra e ampliação das operações. Nesse contexto, compreender as diferentes fontes de finan- ciamento disponíveis no mercado torna-se uma etapa estratégica para o empreendedor, pois a escolha adequada do tipo de financia- mento pode influenciar diretamente a sustentabilidade financeira e o crescimento do negócio. Destacamos que as fontes de financiamento podem assumir diferentes formas, variando desde recursos próprios dos empreen- dedores até capitais obtidos junto a instituições financeiras, inves- tidores ou programas de incentivo ao desenvolvimento empresarial. Nesse sentido, cada alternativa apresenta características específi- cas relacionadas a custos, prazos, riscos e exigências contratuais, o que exige análise criteriosa por parte dos gestores. Dessa forma, a identificação e a avaliação das fontes de fi- nanciamento disponíveis permitem estruturar decisões financeiras mais seguras e alinhadas aos objetivos estratégicos da organização. 202 As fontes de financiamento referem-se aos meios pelos quais o empreendedor pode captar recursos financeiros para viabilizar a implantação, a operação e o crescimento do negócio. Essas fontes podem ser próprias, quando o investimento é realizado com capital do empreendedor ou dos sócios, ou de terceiros, quando há capta- ção de recursos externos, como empréstimos, financiamentos ou investimentos. Diante disso, é preciso saber que a escolha da fonte de finan- ciamento deve considerar o estágio de maturidade do empreendi- mento, o nível de risco envolvido, o custo do capital e a capacidade de pagamento da empresa. Assim, para “dar certo”, todo negócio precisa de um planeja- mento e saber se ele é viável, ou seja, se tem procura e se o produto ou serviço vende. Isso porque, para o negócio se tornar viável, o em- preendedor deve tomar muitas decisões importantes e, para adotar as decisões mais apropriadas, o empreendedor precisa de um guia que o oriente no processo decisório. Dessa maneira, é importante identificar e potencializar as oportunidades de mercado, identificar as ameaças e tentar neutra- lizá-las para que não atrapalhe suas estratégias e buscar entender o que o cliente busca como valor em seu produto. Assim, pode de- senvolver produtos e serviços que atendam às necessidades de seus consumidores. Por isso, fatores importantes como o que produzir, como produzir, para quem produzir e por que produzir são pergun- tas primordiais para direcionar o empreendedor em suas decisões estratégicas. Nesse sentido, um projeto de viabilidade financeira bus- ca saber quando a empresa se torna rentável e lucrativa a partir do volume de vendas que ela realiza. Com base nisso, o empreendi- mento precisa descobrir qual é esse volume de vendas para buscar DEFINIÇÃO 203 os recursos financeiros. Sendo assim, algumas perguntas podem nortear o empreendedor em seu levantamento de informações: • Qual o seu volume de vendas? Quanto se vende? • Qual o volume de compras? E quanto se compra? • Qual o capital inicial para o investimento para começar a produção? • Quais e quantas máquinas, equipamentos e materiais são ne- cessários para a elaboração do produto? • Qual o tamanho do nosso quadro de pessoal? • Qual o tamanho de espaço físico necessário? Nesse contexto, existem dois tipos de custos que a empresa precisa conhecer: custos fixos e custos variáveis. Os custos fixos são os custos da empresa que permanecem inalterados, como aluguéis, seguros, depreciação, dentre outros. Já os custos variáveis são cus- tos diretamente relacionados com o volume de produção da empre- sa ou a sua atividade, como materiais, matérias-primas, salários e encargos sociais, dentre outros. Somente por meio da análise dos custos fixos e variáveis é possível calcular o ponto de equilíbrio da empresa (break-even- -point), estágio em que o empreendimento não apresenta nem lu- cro nem prejuízo. E, por meio da análise do ponto de equilíbrio, a empresa consegue saber o quanto ela precisa vender para se tornar lucrativa e evitar o prejuízo. Em um empreendimento novo, é muito difícil encontrar o ponto de equilíbrio, pois a empresa ainda não tem sua carteira de clientes. Portanto, no início dos empreendimentos, a empresa tem mais des- pesas do que lucros. EXEMPLO 204 Destacamos que a análise dos custos e do ponto de equilíbrio fornece ao empreendedor uma visão mais clara sobre a estrutura fi- nanceira do negócio e sobre o volume mínimo de vendas necessário para garantir sua viabilidade econômica. No entanto, antes mesmo de iniciar as operações e alcançar esse estágio de equilíbrio finan- ceiro, é fundamental que o empreendimento esteja devidamente estruturado em termos de recursos necessários para sua implanta- ção. Nesse sentido, torna-se indispensável estimar de forma ade- quada os valores que serão necessários para colocaro negócio em funcionamento, considerando investimentos em infraestrutura, equipamentos, capital de giro e demais despesas iniciais. A seguir, serão apresentados os principais aspectos relacionados à definição do investimento inicial. Como definir o investimento inicial Todo empreendimento precisa de recursos financeiros para co- meçar. Pensando nisso, definir o valor do investimento inicial é primordial para que a empresa comece a colocar seu projeto em andamento, pois, sem nenhum recurso, é muito difícil iniciar suas atividades. O valor desse recurso é um grande desafio para o empreender. Isso porque, por ainda não ter muita experiência, o empreendedor pode subestimar o real valor que deve ter em caixa para começar seu negócio. Sendo assim, o empreendedor precisa saber perfeitamente como será a sua produção inicial, quais ferramentas ou maquinários precisará, o local de instalação da empresa, a quantidade de pessoas para desenvolvimento de produtos, dentre outros. Destacamos que investir no início de todo negócio é uma si- tuação complicada, pois a empresa tem mais despesas do que lu- cros. Desse modo, o empreendedor precisa fazer um planejamento em relação ao tempo de retorno sobre o investimento, também co- nhecido como ROI. Assim, um planejamento financeiro detalhado e minucioso é muito importante para fazer a empresa deslanchar nos primeiros meses até que as vendas passem a trazer lucro para o empreendedor 205 e para os investidores. Lembre-se de que todos aqueles que inves- tem na empresa assumem o risco inicial e esperam um determinado retorno maior do que o valor que foi investido. Fontes de financiamento e linhas de crédito Todo negócio, para começar a funcionar, precisa de um capital in- vestido e, muitas vezes, o empreendedor não possui o capital su- ficiente e precisa de alternativas para fazer seu empreendimento andar. Tendo isso em mente, é possível dizer que existem algumas alternativas para o empreendedor conseguir o investimento neces- sário. Assim, apesar de a forma mais conhecida ser o banco, é possí- vel encontrar outras fontes: • Capital próprio: investimento próprio ou de acionistas da empresa. • Capital de terceiros: empréstimos, debêntures, ações. • Participação acionária: o empreendedor que estiver disposto a vender parte de seu negócio pode contar com o investimento de acionistas. • Investimento-anjo: pessoas dispostas a investirem em um projeto, contribuindo para o desenvolvimento da empresa na sua fase de início. • Fundo de investimento: pessoas jurídicas investem em uma empresa por acreditarem em seu potencial lucrativo. • Investimento coletivo: captação de recursos de investidores e empreendedores pela internet. • Agências de fomento: dependendo do modelo de negócio, como pesquisa e inovação, é possível obter linhas de crédito por meio das agências de fomento. 206 • BNDES: alguns investimentos a longo prazo também podem ser conseguidos com o BNDES (Banco Nacional de Desenvol- vimento Econômico e Social). • Fundos Constitucionais: se o empreendimento estiver lo- calizado nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, ainda é possível contar com Fundos Constitucionais. • Fintech´s: uma outra opção recente no mercado é buscar o capital investido nas Fintech´s (financeiras tecnológicas) que foram criadas com o objetivo de dar créditos a pessoas jurídi- cas e físicas a juros menores do que as instituições financeiras. • CNPq e Finep: os negócios que buscam promover inovação ou lidam com alguns tipos de pesquisa podem tentar obter cré- dito pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien- tífico e Tecnológico) e pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), além das agências de fomento estaduais. • PNMPO: atividades produtivas de pequeno porte também po- dem contar com a liberação de crédito do PNMPO (Programa Nacional de Microcrédito Produtivo e Orientado). • Proger: esse tipo de crédito é ideal para empresas que buscam se modernizar ou crescer. • Instituições Bancárias: créditos em bancos e instituições financeiras. Perceba que, nos últimos anos, o acesso a recursos financei- ros para novos empreendimentos foi ampliado por meio de modelos alternativos de financiamento, especialmente para negócios inova- dores e digitais. Além das fontes tradicionais, como bancos e linhas governamentais de crédito, destacam-se o investimento-anjo e as fintechs, temos o capital de risco e as plataformas de financiamento coletivo. Essas modalidades permitem que empreendedores captem recursos de forma mais ágil, diversificada e alinhada ao estágio de maturidade do negócio, reforçando a importância de escolher a fonte de financiamento mais adequada ao perfil e aos objetivos do 207 empreendimento. Diante disso, o empreendedor precisa apenas ter claro qual a sua missão, o seu negócio e o tempo do retorno sobre o investimento. Um exemplo relevante de utilização de fontes alternativas de finan- ciamento é a trajetória da QuintoAndar, que captou recursos por meio de rodadas de investimento com fundos de venture capital, que são fundos de investimento especializados em aplicar recursos financeiros em empresas inovadoras, geralmente em estágio inicial ou em fase de rápido crescimento, que apresentam alto potencial de expansão no mercado, tanto nacionais quanto internacionais. Esse modelo de financiamento possibilitou à empresa acelerar sua ex- pansão, investir em tecnologia e consolidar sua atuação no mercado imobiliário digital, evidenciando a importância da escolha adequa- da das fontes de recursos conforme o estágio e o modelo de negócio. Diante disso, a escolha adequada das fontes de financiamen- to e a clareza sobre os objetivos do empreendimento são elementos fundamentais para fortalecer a estrutura do negócio e viabilizar sua inserção no mercado. No entanto, além de captar recursos e plane- jar estrategicamente suas ações, o empreendedor também precisa saber comunicar de forma clara e convincente a proposta de valor de sua empresa. Assim, apresentar o negócio ao mercado envolve demonstrar seu propósito, seus diferenciais competitivos e as soluções que ofe- rece aos clientes. Nesse sentido, torna-se essencial estruturar uma apresentação consistente que permita transmitir a relevância e o potencial do empreendimento para clientes, parceiros e investido- res, conforme detalhado a seguir. EXEMPLO 208 Apresentando o seu negócio ao mercado Caro(a) estudante, conforme já explicamos, começar a empreender não pode ser uma decisão tomada por impulso, ou seja, trata-se de algo que exige preparo e planejamento contínuo. No campo do empreendedorismo, é comum que o sucesso de um negócio seja associado à ideia de sorte. No entanto, uma análi- se mais aprofundada do processo empreendedor revela que os re- sultados positivos dificilmente são fruto do acaso. Isso porque, na prática, o sucesso empresarial tende a ser resultado da combinação de diversos fatores, como conhecimento técnico, desenvolvimento de habilidades gerenciais, capacidade de identificar oportunidades, persistência e dedicação ao trabalho. Além disso, o empreendedor precisa estar atento ao ambiente de mercado, preparado para tomar decisões estratégicas e disposto a aprender continuamente com desafios e experiências ao longo de sua trajetória. Dessa forma, o crescimento de um empreendimen- to está muito mais relacionado à preparação, ao esforço e à capa- cidade de aproveitar oportunidades do que simplesmente a fatores aleatórios. Perceba que a apresentação do negócio ao mercado exige não apenas domínio técnico sobre o empreendimento, mas tam- bém clareza na comunicação da proposta de valor. Nesse contexto, a construção de uma narrativa objetiva e consistente — frequen- temente denominada pitch — torna-se fundamental para dialogar com diferentes públicos, como clientes, investidores e parceiros estratégicos. Pensando nisso, após a definição do seu negócio, qual o ramo de atividade, o que venderusar como fer- ramenta de desenvolvimento a busca de conceitos e teorias, e não apenas se prevalecer da própria intuição e imaginação. Mas, fique atento(a), pois é de extrema importância que o empreendedor, além de ter um sonho, busque condições para empreender, ou seja, ad- quira habilidades e competências básicas para se tornar um bom empreendedor. Essas primeiras definições nos levam a refletir que o empreendedorismo é: 17 Diagrama 2 - Um mix para realização de um sonho Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Além disso, pode-se associar o surgimento de ideias em- preendedoras a processos de insight, criatividade e percepção de oportunidades, fortemente influenciados por valores éticos, expe- riência prévia e contexto social. Dessa maneira, quando você faz as coisas certas, tudo começa a correr bem. Diante de tudo isso, surge uma pergunta: empreender é uma ciência, um dom ou uma arte? Para respondê-la, devemos considerar que empreender é desenvol- ver o dom interior que se transforma na arte de criar, fazer e aconte- cer com ousadia, determinação, coragem, motivação e criatividade. Com a prática, o dom é desenvolvido e, assim, transforma-se em arte, conforme detalhado no diagrama a seguir. 18 Diagrama 3 - Empreender: entre o dom e a prática Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Dessa forma, precisamos empreender em nossas vidas antes de empreendermos nos negócios. Assim, é preciso olhar primeiro o que estamos fazendo, como administramos nossas finanças pes- soais, nossos relacionamentos, nossa vida profissional, ter organi- zação e planejamento antes de se aventurar no mundo dos negócios. O estudioso Chiavenato, em seu livro Empreendedorismo, dando asas ao espírito empreendedor, publicado em 2008, nos mostra que o empreendedor faz coisas, tem sensibilidades diversas e consegue transformar ideias em realidade. “Na verdade, o empreendedor é a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportu- nidades. Com esse arsenal, transforma ideias em realidade para benefício próprio e para o benefício da comunidade. Por ter criatividade e um alto nível de energia, o empreendedor demonstra imaginação, perseverança, aspec- tos que, combinados adequadamente, o habi- litam a transformar uma ideia simples e mal 19 estruturada em algo concreto e bem-sucedido no mercado” (Chiavenato, 2008, p. 7). Ao buscarmos desenvolver essas habilidades com dedicação e força de vontade, poderemos empreender em algo que acreditamos. Sendo assim, é importante que o empreendedor possa responder al- gumas questões que darão o direcionamento ao seu projeto e suas ações. No quadro a seguir, é possível ver algumas dessas questões. Quadro 1 - Perguntas fundamentais para quem deseja empreender Quais são suas características pessoais? Que tipo de empreendedor você é? Qual é a sua necessidade de realização? Qual é a sua disposição para assumir riscos? Qual é o seu grau de autoconfiança? Você tem conhecimento sobre o segmento? Qual é seu planejamento estratégico? Fonte: adaptado de Chiavenato (2008, p. 13) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que a diferença do não empreendedor, nesses casos, é que ele não age, ou seja, só sonha e não tira seus sonhos do papel, não tem atitude e muitas vezes esse comportamento é carac- terizado pelo medo. Nesse sentido, precisamos entender que o medo é um sentimento muito importante em nossas vidas, pois nos dá um senso de responsabilidade quanto àquilo que fazemos. Entretan- to, não podemos deixar que esse sentimento nos domine, pois não conseguiremos fazer nada do que queremos, ou seja, dessa maneira, iremos idealizar muito mais do que realizar. 20 Figura 1 – O “não empreendedor” não tira o sonho do papel Fonte: Liubomyr Vorona (2024) / Getty Images / Disponível em: https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/frustrated-and-tired-depressed- business-woman-imagem-royalty-free/1959377765?phrase=empresaria%20 com%20dor%20de%20cabe%C3%A7a%20no%20escritoprio%20&adppopup=true. Acesso em: 16 jan. 2026. Origens do pensamento empreendedor O estudioso Chiavenato (2008) afirma que “O empreendedorismo tem sua origem na reflexão de pensadores econômicos dos séculos XVIII e XIX, conhecidos como defensores do laissez-faire ou libera- lismo econômico” (p. 5). Esse princípio defendia que as forças livres de mercado e da concorrência influenciavam a economia da região, e o empreende- dorismo, ao trazer novos negócios, era visto como um grande im- pulsionador da economia. Destacamos que não só o liberalismo estudou o empreende- dorismo, mas também outras ciências, como a Sociologia, a Psico- logia, a Antropologia, as escolas dos economistas behavioristas e dos precursores da teoria de Traços da Personalidade. O sociólogo Max Weber buscou analisar a economia e o em- preendedorismo e desenvolveu a Teoria do Carisma. Essa teoria 21 identificava um perfil especial de ser humano, que tinha seguidores exclusivamente pela sua personalidade extraordinária. Para Max, esse perfil apenas teria funcionado como um promotor de mudan- ças nos estágios iniciais da humanidade. Em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, republicada em 1967, Weber traz duas visões sobre o empreende- dor: a primeira com o foco no desenvolvimento do empreendedo- rismo depois da Reforma Protestante e a segunda enfatiza como a orientação da religião ajudou no desenvolvimento de uma atitude clara e positiva sobre ganhar dinheiro e o trabalho, dando ênfase para o assunto. Além disso, precisamos lembrar que a psicologia realizou vá- rios estudos sobre o perfil do empreendedorismo. Alguns dos estu- diosos da época foram David McClelland, com a tese central sobre o empreendimento, e Everett E. Hagen, que defendia que o empreen- dedor se formava a partir das necessidades dos locais onde crescem e vivem enquanto minorias na sociedade. Todavia, entende-se que até hoje muitos estudiosos traba- lham o tema de empreendedorismo, contribuindo para o conheci- mento e a interpretação do tema. Tipos de empreendedorismo Já vimos que o empreendedorismo é um fenômeno muito impor- tante em um país, pois é capaz de contribuir para o seu desenvolvi- mento, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas que lá vivem. Pensando nisso, o empreendedorismo é dividido em: Empreendedorismo de negócio No caso do empreendedor, temos o perfil daquele que cria o seu próprio negócio, buscando se diferenciar dos produtos e serviços já existentes, trazendo novidades e benefícios para a sociedade e, con- sequentemente, lucro para a sua empresa. Para isso, ele detecta uma oportunidade e cria, correndo riscos que devem ser calculados. Na 22 verdade, o empreendedor corre riscos para conseguir realizar seus sonhos e atingir seus objetivos. Dessa forma, é possível identificar facilmente um empreen- dedor quando identificamos algumas características, pensadas pelo estudioso Dornelas (2016), sendo elas: • tem iniciativa para criar um negócio e paixão pelo que faz; • utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transfor- mando o ambiente social e econômico no qual vive; • aceita assumir os riscos calculados e a possibilidade de fracassar. Dessa maneira, o empreendedor deve estar alinhado a todas as funções que demandam a criação de um novo negócio. Além dis- so, também existe o empreendedor revolucionário, que é aquele que cria mercados, como foi o caso de Bill Gates, criador da Microsoft. Entretanto, a maioria dos empreendedores empreendem em negó- cios já existentes, proporcionando êxito e sucesso. Uma característica importante de pessoas empreendedoras é que elas vivem “sempre no futuro”, usando o presente como ferra- menta para o seu futuro. Essa visão de negócios é o que irá impul- sionar a empresa até onde o empreendedor deseja chegar. Desse modo, o empreendedor acompanha atentamente as tendências e os ciclos de negócios no ambientee para quem vender e a formalização do empreendimento, chega o grande momento de muito trabalho e muito cuidado: o momento de apresentar o seu negócio para o mer- cado. E, nesse momento, é preciso segurar a ansiedade e tomar todo cuidado, pois uma estreia errada pode pôr em risco todo o negócio. Lembre-se de que uma boa apresentação deve destacar o problema identificado, a solução proposta, o diferencial competitivo e a viabi- lidade do negócio, adaptando a linguagem conforme o público-alvo 209 e o ambiente de apresentação. Por conta disso, vamos analisar al- guns fatores importantes e primordiais para que a empresa tenha uma entrada triunfal. Preparação da equipe Conforme dito, na hora de apresentar o seu negócio para o mercado, são necessários alguns preparos. Nesse sentido, a equipe deve ser treinada e preparada para atender o seu cliente e é preciso verificar se a produção está em ordem, bem como as vendas e as finanças, conforme detalhado no diagrama a seguir. Diagrama 13 - preparação de equipe Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 210 Destacamos que as corporações são feitas de bens materiais e imateriais, ativos tangíveis e intangíveis, como os bens móveis, imóveis, produtos, marca, branding etc., mas principalmente elas são feitas de recursos humanos, o chamado capital intelectual. Pen- sando nisso, as organizações possuem muitas demandas e precisam ter agilidade e criatividade para responder rapidamente às exigên- cias de mercado, o que faz com que as empresas voltem seu foco para a inovação de produtos e serviços. Por isso, as empresas têm se preocupado com o mercado, com a concorrência acirrada e em atender o cliente cada vez me- lhor, percebendo que a aplicação do conhecimento em suas estra- tégias pode trazer um diferencial. Nesse sentido, elas precisam se transformar em verdadeiras organizações do conhecimento, com- partilhando informações para utilizar suas próprias competências e tornando essa prática uma estratégia rentável. Assim, esse tipo de ambiente desafiador faz com que as pes- soas se identifiquem com a organização e queiram permanecer na empresa. Além disso, os colaboradores passam a torcer pela empre- sa e a “vestir sua camisa”. E, como é possível perceber, essa postura influencia na produtividade, no comprometimento e na satisfação. É importante ressaltar que os colaboradores são o bem mais importante de uma organização. Isso porque são eles que podem dar sustentabilidade e perenidade (ou não) a uma empresa. Por isso, o sucesso de qualquer empresa está inexoravelmente ligado à con- tratação de recursos humanos de primeira qualidade, motivados, criativos e inovadores e comprometidos com o futuro, a sustentabi- lidade, a perenidade e a rentabilidade da empresa. Perceba que a valorização e a qualificação dos colaboradores estão diretamente relacionadas à eficiência das operações e à capa- cidade da empresa de transformar planejamento em resultados con- cretos. Nesse sentido, além de contar com profissionais capacitados e comprometidos, a organização precisa estruturar adequadamente seus processos produtivos para garantir qualidade, produtividade e consistência na entrega de seus produtos ou serviços. Assim, torna-se fundamental organizar as etapas operacio- nais, os recursos necessários e os procedimentos que orientarão o 211 funcionamento das atividades produtivas. Pensando nisso, a seguir, serão apresentados os principais aspectos relacionados à prepara- ção da produção. Preparação da produção O empreendedor deve procurar um local adequado para o desen- volvimento dos produtos ofertados ao mercado. Além disso, deve verificar tudo o que será necessário para a finalização do produto, como maquinários, equipamentos, matérias-primas, mão de obra, fornecedores, tecnologia, estoque mínimo para atender a demanda inicial, dentre outros, conforme detalhados no quadro a seguir. Quadro 6 - Fatores de localização industrial e localização comercial Localização industrial Localização comercial Proximidade da mão de obra; Proximidade dos mercados; Proximidade de transporte; Infraestrutura energética; Incentivos fiscais; Custo do terreno; Facilidade de localização; Adequação do local; Infraestrutura. Proximidade dos clientes; Facilidade de acesso; Facilidade de transporte; Facilidade de estacionamento; Infraestrutura para recreação; Adequação do local; Visibilidade; Baixos custos imobiliários; Baixos custos condominiais; Aparência do local. Fonte: adaptado de Chiavenato (2021) Editorial da Digital Pages (2019). Entenda que o ideal para o empreendimento é que o empreen- dedor consiga adequar a empresa, unificando os fatores apresenta- dos no quadro 6. Assim, após a definição dos aspectos relacionados à produção e à estrutura necessária para o funcionamento do ne- gócio, torna-se igualmente importante planejar as estratégias que 212 permitirão apresentar o produto ou o serviço ao mercado e alcançar o público-alvo pretendido. Dessa maneira, o empreendedor precisa estruturar ações que envolvam posicionamento, comunicação, definição de canais de di- vulgação e relacionamento com os clientes. A organização dessas estratégias é fundamental para fortalecer a presença da empresa no mercado, ampliar sua visibilidade e estimular a demanda pelos pro- dutos ou serviços oferecidos. Preparação do marketing Caro(a) aluno(a), como você já deve ter percebido, o marketing está relacionado à comercialização e à venda de produto e serviços. Por isso, é preciso analisar onde serão apresentados e disponibilizados esses produtos, se espaço físico ou virtual. Além disso, é tarefa da equipe de marketing definir como deve ser: Diagrama 14 - Preparação do Marketing Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Após a definição dos aspectos relacionados à produção, à es- trutura operacional e às estratégias de marketing, torna-se igual- mente necessário organizar os recursos financeiros que sustentarão o funcionamento e o crescimento do negócio. Nesse contexto, o empreendedor precisa planejar, de forma cuidadosa, a gestão das receitas, despesas, investimentos e fluxo de caixa da empresa, garantindo que as operações sejam financei- ramente viáveis e sustentáveis ao longo do tempo. Isso porque a 213 adequada organização das finanças permite maior controle sobre os recursos disponíveis, facilita a tomada de decisões e contribui para a estabilidade econômica do empreendimento. Preparação das finanças Diante de tudo o que discutimos até aqui, é importante nos aten- tarmos para o controle dos primeiros rendimentos das vendas. Para isso, faz-se necessário analisar sua alocação, pois muitos empreen- dedores, ao receberem os primeiros valores oriundos das primeiras vendas, passam a utilizá-los para uso pessoal. Sendo assim, o em- preendedor não deve misturar as finanças pessoais com as da em- presa. Para isso, ele deve ter um controle separado e, se possível, não utilizar a renda inicial nos primeiros meses, para que a empresa possa fazer um caixa para usos mais necessários posteriormente. Além disso, é preciso ter em mente que empreender não se trata apenas de ter um sonho e colocá-lo em prática, assim, lem- bre-se de que é preciso preparação e planejamento. Portanto, o empreendedor, nesta fase inicial do projeto, de apresentar a empre- sa ao mercado, precisa trabalhar muito e ir adaptando sua empresa conforme a resposta de seus potenciais clientes. Caro(a) estudante, chegamos ao fim da nossa jornada de estudos. Durante nossas discussões, você aprendeu que muitas pessoas pos- suem o sonho do próprio negócio. Como imaginamos, sonhar é fácil e importante, pois a primeira característica do empreendedor é so- nhar. Isso porque ele impulsiona a ação e motiva o comportamento empreendedor. No entanto, não apenas de sonhos vive uma empre- sa: é preciso planejamento, estratégia, observação, conhecimento, parcerias, dentre muitas outras coisas. Tendo isso em mente, vimos que é preciso desenhar um planode ação para colocar o sonho em prática e torná-lo um empreendimento. SINTETIZANDO 214 Vimos também que o plano de negócios orienta o empreendedor a tomar decisões importantes sobre seu negócio. Para isso, ele preci- sa de muitas informações, como analisar o mercado e conhecer seu cliente, fornecedores e concorrentes. Além disso, precisa ter uma estratégia de marketing para divulgar seu produto ou serviço e per- suadir o cliente a comprá-lo e deve contar com uma boa equipe de pessoas treinadas para atender o cliente e orientá-lo. Em seguida, vimos que o empreendedor precisa possuir uma produ- ção de qualidade que atenda às demandas de mercado, além do con- trole financeiro da empresa, principalmente no começo, uma vez que as coisas são muito mais difíceis no início das atividades, com a empresa tendo mais despesas do que receitas por ainda não ter volume alto de vendas. Por fim, falamos brevemente sobre as fontes de financiamento e as linhas de crédito. Diante de tudo isso, entendemos que, se o empreendedor buscar fa- zer tudo direito, com calma e profissionalismo, terá a realização de um sonho concretizada em um empreendimento que pode ter muito sucesso. Assim, finalizamos nosso material e esperamos ter contri- buído com o seu aprendizado. Sucesso! 215 Referências UNIDADE 1 BÉRGAMO, Simone. 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Capa_Empreendedorismo_SER e Digital Pages [Para Impressão] Ebook Completo_Empreendedorismo_SER e Digital Pages (Para Impressão)macroeconômico, prevendo ciclos favoráveis e minimizando as surpresas, permane- cendo conectado às fontes de relacionamentos diretos e indiretos no seu ramo de negócios. 23 Figura 2 - O presente é ferramenta do futuro Fonte: rawpixel.com (s.d.) / Getty Images (s.d.) / Disponível em: https://br.freepik. com/fotos-gratis/apresentacao-de-grafico-digital-de-alta-tecnologia-por- empresaria_12193207.htm#fromView=image_search&page=1&position=26&uuid=6d a64c3a-d1f9-4939-8c2d-9df85db11e23. Acesso em: 16 jan. 2026. Empreendedorismo social O empreendedorismo social tem o objetivo social de, por meio de recursos e investimentos, realizar sonhos sustentáveis para mini- mizar o sofrimento dos outros, dando aos que precisam uma opor- tunidade de mudar seu status quo e sua situação social. Ele tem por base a responsabilidade social das empresas. Segundo a Revista Veja (2024), o empreendedorismo social no Brasil não é apenas conceitualmente relevante, mas represen- ta um esforço com impacto social amplo, beneficiando milhões de pessoas e mobilizando recursos significativos para ações de impac- to social e ambiental. Segundo um estudo recente divulgado pela Revista Veja (2024), empreendedores sociais já beneficiaram cerca de 330 mi- lhões de pessoas no Brasil, mais de 1,5 vez a população atual do país em 2023. Nesse mesmo estudo, foi relatado que aproximada- mente R$ 1,7 bilhão foi mobilizado por empreendedores sociais 24 no ano de 2023, o que demonstra o volume financeiro e social envolvido no setor de impacto. Embora o empreendedorismo social tenha sido tradicio- nalmente classificado como de primeira e segunda ordem, e essa classificação tenha contribuído para diferenciar iniciativas exclusi- vamente sociais daquelas que conciliam impacto social e geração de lucro, ela hoje é menos difundida e usual. Assim, a evolução do campo ampliou essa compreensão, in- corporando conceitos como negócios sociais e empreendimentos de impacto, que enfatizam a criação de valor social aliada à sustenta- bilidade econômica. Nesse sentido, essa “antiga” classificação, embora extre- mamente válida, já não é mais tão utilizada na literatura recente, e termos como negócios de impacto, empreendedorismo social híbrido e valor compartilhado tornaram-se mais usuais. Perceba que o conceito em si permanece válido, mas a nomenclatura an- tes utilizada sempre precisará de contextualização. De toda forma, é importante entendermos, conceitualmente, o que difere o em- preendedorismo social de primeira ordem ou grandeza e o em- preendedorismo social de segunda ordem ou grandeza. No empreendedorismo de primeira ordem ou grandeza, existe uma preocupação com o outro. Ele não visa o lucro, ou seja, é puramente social. Assim, o empreendedorismo exclusivamen- te social é um braço do empreendedorismo tradicional, do qual os empreendedores, em vez de trabalhar para criar uma empresa, ob- jetivando vender produtos ou serviços, cujo foco principal seja ge- rar lucro para aumentar o patrimônio da corporação e gerar riqueza para o empreendedor, utilizam recursos financeiros, emocionais, criativos, inovadores etc. (Diniz, 2019). Ele tem o objetivo de transformar a vida das pessoas por meio de ações inovadoras e sem contar com muitos recursos, apenas com ideias e vontade de melhorar a qualidade de vida de alguém ou de uma comunidade, e busca desenvolver soluções para diversos pro- blemas sociais, econômicos, culturais, éticos, dentre outros. Po- demos classificar esses empreendimentos como Instituições sem Fins Lucrativos, como é o caso das ONGs e OSCIPs. 25 Os estudiosos Melo Neto e Froes, no livro Responsabilidade social e cidadania empresarial: a administração do terceiro setor, publicado em 2002, afirmam que o empreendedorismo social pos- sui algumas características: • trabalhar para um coletivo integrado, visando melhor quali- dade de vida; • produzir bens e serviços que ajudam no desenvolvimento e no sustento da comunidade; • tem foco em buscar soluções que tragam melhoria no cotidiano; • como medida de desempenho, avalia qual é o impacto causado na transferência do nível social; • resgatar pessoas da situação de risco social. Neste sentido, podemos falar de várias ações desenvolvidas por pessoas para contribuir com a mudança de um lugar ou comu- nidade para melhor até se tornar uma política pública. Diagrama 4 - Tipos de empreendedorismo social Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). 26 Como exemplo, podemos aprender com o modelo de empreende- dorismo aplicado na Pastoral da Criança, que tinha como objetivo diminuir a mortalidade infantil por meio de visitas de voluntários às famílias carentes, orientando mães a cuidarem melhor de seus filhos. Um excelente trabalho realizado pela pediatra Dra. Zilda Arns Neumann. O segundo modelo de empreendedorismo social, chamado de segunda ordem ou grandeza, também pode ser chamado de ne- gócios sociais, negócios de impacto positivo ou negócios com causa. O objetivo dos negócios sociais é auferir valiosa contribuição para a sociedade. A empresa com finalidade lucrativa pode possuir, ao mesmo tempo, uma proposta de valor social voltada para oferecer produtos ou serviços demandados por determinado público-alvo, ou seja, o modelo de atuação é o mesmo, mas o cerne do negócio tem a ver com a resolução de um problema social, dessa maneira: [...] também é um braço do empreendedorismo no qual os empreendedores criam empresas objetivando vender serviços ou produtos no arfam principal de auferir lucros e dividendos e por via de consequência aumentar o patrimô- nio do empreendedor e da corporação (Diniz, 2019). Dessa forma, a responsabilidade social deve ser percebida como o dever da organização em auxiliar a sociedade no alcance de seus objetivos, mostrando que não visa apenas explorar recursos econômicos e humanos, mas também contribuir com o desenvol- vimento social. Sendo assim, o simples fato de abrir uma empresa e torná-la lucrativa faz parte de uma responsabilidade social, e o comprometi- mento da empresa em ter um bom desempenho econômico deve ser EXEMPLO 27 a sua primeira responsabilidade. Desse modo, notamos que a res- ponsabilidade social corporativa demonstra o impacto de suas ações em todos: organização, clientes, funcionários, acionistas, fornece- dores, concorrentes, dentre outros. Além disso, a responsabilidade social, assumida de forma consistente e inteligente pela empresa, pode contribuir de forma decisiva para a sustentabilidade e o desempenho empresarial. Isso porque a busca pelo retorno financeiro das empresas não deve inibir que ela atue com responsabilidade social naquilo que ela faça e que gere valor para a população, visando o bem-estar da sociedade. Em outras palavras, a busca por lucros não impede que o empreen- dimento social vise o bem-estar da sociedade, pois essa pode ser a própria essência do empreendimento. Lembre-se de que este tipo de empreendedorismo tem o ob- jetivo de impulsionar a empresa para impactar de forma positiva a vida das pessoas e, assim, para que a comunidade e o ambiente no qual a empresa está inserida tenham uma melhor qualidade de vida, oferecendo valiosa contribuição para a sociedade onde atua. Para isso, inicialmente, ele pensa em formas de sustentar e oferecer lucros para a empresa por meio da venda de produtos e ser- viços, uma vez que ela não possui nenhum patrocínio ou doações para seu projeto de empreendedorismo social. Posteriormente, de- senvolve ações com o objetivo de gerar valores sociais. Dessa maneira, o empreendedorismo de segunda ordem ou grandeza começa a partir da criação de uma empresa que tem fina- lidade lucrativa, mas possui uma proposta de valor que pensa na comunidade, com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e procurando realizar, se possível, uma transformação social. Perceba que o modelo de atuação dos dois tipos de empreen- dedorismo social não é o mesmo, mas a parte central do negócio está voltada para umaresolução de algum problema social, como educação, saúde, segurança, moradia, dentre outros. 28 Desse modo, podemos analisar o exemplo do Grupo Ser Educa- cional, amplamente reconhecido como um dos maiores grupos privados de educação superior do Brasil, com forte presença espe- cialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em função de sua dimensão e diversidade de instituições — atuando em mais de 20 estados e oferecendo centenas de cursos nas modalidades presencial, técnico e EAD — o Ser Educacional figura entre os principais grupos edu- cacionais do país. Assim, o Grupo Ser Educacional realiza um tra- balho eficiente e de qualidade no campo educacional, promovendo aos seus alunos maior desenvolvimento cultural e profissional por meio de instituições como UNINASSAU, UNAMA, UNG e outras. Em termos de sustentabilidade e responsabilidade social, o Ser Edu- cacional publica relatórios ESG e tem recebido reconhecimentos internacionais por projetos inovadores de inclusão, diversidade e impacto social, reforçando seu compromisso com práticas educa- cionais e socioambientais contemporâneas. Um bom exemplo das ações do grupo Ser Educacional é o Catalyst Award 2023, onde a instituição se destacou na categoria Diversi- dade, Equidade, Inclusão e Pertencimento por projetos que geram impacto social e educacional, reforçando o compromisso com ações sustentáveis e com impacto comunitário. Além disso, em termos de práticas de sustentabilidade, responsabilidade social e ESG (En- vironmental, Social and Governance), o grupo tem consolidado sua trajetória com relatórios anuais desde 2019 e iniciativas reconhe- cidas em áreas como inclusão, diversidade e apoio a comunidades educativas. Em 2024, o Ser Educacional voltou a ser premiado no International Anthology Catalyst Awards, reafirmando seu compro- misso com práticas inovadoras de educação que promovem inclusão e transformação social. Além disso, seu Relatório de Sustentabili- dade 2023 mostra ações em educação, meio ambiente, governança corporativa e inclusão social, incluindo iniciativas de energia reno- vável, programas de inclusão educacional e atividades de extensão comunitária, reforçando que sustentabilidade e impacto social con- tinuam integrados à estratégia institucional do grupo. EXEMPLO 29 Perceba que o desenvolvimento sustentável é uma das ques- tões mais pertinentes no mundo contemporâneo. Esse tipo de ação empreendedora pode trazer impactos positivos sobre um problema social e, ao mesmo tempo, pode sustentar e desenvolver tanto uma empresa quanto a comunidade. Isso quer dizer que o empreendedorismo sustentável tem foco na preservação da natureza, ou seja, a vida. Suas ações tam- bém impactam a comunidade, buscando uma vida mais sustentável por meio de produtos, processos e serviços com o objetivo de gerar ganhos. Um dos exemplos frequentemente referenciados no campo da sus- tentabilidade empresarial é a Natura que, ao longo de sua trajetória, consolidou um posicionamento voltado à preservação ambiental e ao uso responsável de recursos naturais. A empresa desenvolveu li- nhas de cosméticos alinhadas a esse propósito, como a linha Ekos, além de adotar políticas institucionais amplamente divulgadas re- lacionadas à não realização de testes em animais. Esse tipo de posicionamento da empresa fortalece sua mar- ca e promove maior credibilidade em seus produtos, atraindo mais clientes e maior competitividade. Intraempreendedorismo Em uma de suas aulas sobre empreendedorismo, o Doutor Janguiê Diniz menciona Pinchot III, que fala que o intraempreendedorismo está relacionado ao ambiente interno da instituição e busca desen- volver, de forma criativa e inovadora, produtos, serviços, técnicas e estratégias para a organização, cujo foco é a melhoria contínua, competitividade, melhor performance, a busca pelo crescimento e a sustentabilidade. EXEMPLO 30 Dessa forma, intraempreendedorismo é a ação empreendedora in- terna na empresa. Os colaboradores que atuam para empreender dentro da organização são chamados de intraempreendedores e fa- zem parte do processo de empreendedorismo interno. Atualmente, é levada em consideração a manutenção do ca- pital intelectual nas organizações, pois este capital é base essencial para a sobrevivência da empresa, sustentabilidade e rentabilidade. Com ele, é possível o desenvolvimento de metodologias, produtos e serviços que tragam maior competitividade para a organização e, consequentemente, o aumento do market share (participação de mercado). No contexto organizacional contemporâneo, o intraem- preendedorismo se consolida como uma prática que estimula a inovação, a adaptação e a geração de novas oportunidades den- tro de empresas já estabelecidas. Revisões sistemáticas recentes mostram que o tema tem recebido atenção crescente na literatu- ra científica, refletindo sua importância para a competitividade e a sustentabilidade das organizações na economia atual. Assim, o intraempreendedorismo consiste numa atuação empreendedora dos colaboradores da empresa, realizada no am- biente interno da instituição de forma criativa e inovadora com o intuito de criar não apenas novos negócios, mas sobretudo outras ati- vidades e orientações inovadoras, como de- senvolvimento de novos produtos, serviços, tecnologias, técnicas administrativas, estraté- gias e posturas competitivas (Diniz, 2019). Trata-se de uma atuação proativa que vem se tornando cada vez mais comum dentro das organizações que buscam pela com- petitividade. Com esse objetivo, as empresas permitem que seus DEFINIÇÃO 31 colaboradores intraempreendedores tenham uma análise do cená- rio em que atuam e possam criar e desenvolver produtos e serviços que melhor respondam, de forma eficiente e rápida, às necessidades e demandas do mercado. Os intraempreendedores não precisam se preocupar ou te- mer em apresentar suas ideias para seus superiores, pois a cultura da empresa empreendedora está voltada para a busca de melhoria contínua e, consequentemente, melhores negócios para a organi- zação. Destacamos que as características do intraempreendedor são as mesmas do empreendedor: ousadia, atenção às novas ideias, criatividade, inovação, determinação, dedicação, persistência, autoconfiança, otimismo, proatividade, paixão pelo que se faz, resiliência, dentre outras. Figura 3 - O intraempreendedor tem atuação proativa Fonte: Freepik (s.d.). Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/ jovens-empresarios-trabalhando-com-tablet-no-escritorio_21076024. htm#fromView=image_search&page=1&position=15&uuid=7040b978-4f3d-4d1e- bf67-9e3de136206d. Acesso em: 16 jan. 2026. Muitas organizações têm demonstrado um interesse cada vez maior pelo perfil intraempreendedor de seus colaboradores. Isso ocorre porque os indivíduos intraempreendedores desejam, com uma certa frequência, criar sempre algo, gerando vantagem competitiva e competitividade. Não somente criar algo, eles querem 32 assumir responsabilidades, assim como têm uma necessidade de liberdade dentro do ambiente de trabalho. Portanto, para que as empresas estimulem esse perfil dentro de seu ambiente de trabalho, devem ter uma cultura desenvolvida para esse objetivo, permitindo que seus colaboradores possam ou- sar mais, criar mais e visualizarem seu trabalho como se fosse seu próprio negócio. Caso contrário, esses indivíduos se sentirão frus- trados e desmotivados, baixando o índice de produtividade ou até mesmo buscando emprego em outras organizações. Nesse sentido, essa nova busca de significado e a impaciên- cia relacionada vêm causando um desconten- tamento sem precedentes nas organizações estruturadas. Quando o significado não é en- contrado dentro da organização, os indivíduos procuram uma instituição que o ofereça (His- rich; Peters; Sheperd, 2014, p. 118). O empreendedorismo corporativo vem para estimular seus colaboradores a serem intraempreendedores, ou até mesmo para identificar tais características nos colaboradores daorganização que possuem necessidade e desejo de mudar as coisas na empresa, sejam produtos ou processos. Dessa forma, o empreendedorismo dentro das organizações se reflete mais nas atividades empreende- doras, como por orientações vindas da alta administração. Os autores Hisrich, Peters e Sheperd, que escreveram e pu- blicaram o livro Empreendedorismo, em 2014, afirmam que empreender consiste nos quatro elementos-chave: novo empreen- dimento, espírito de inovação, autorrenovação e proatividade, detalhados a seguir. 33 Diagrama 5 - Os quatro elementos-chave do empreendedorismo Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Percebemos que, para ser empreendedor, é preciso ter dis- posição e boa percepção das coisas que acontecem ao nosso redor, no intuito de criar algo e ter lucratividade a partir desse projeto. Pensando assim, as empresas já existentes também podem ser em- preendedoras e buscar novas oportunidades, renovando-se sem- pre. Para que isso aconteça, seus administradores precisam ter o controle da organização e criar ambientes que encorajem seus colaboradores a empreenderem, ou seja, a se tornarem intraem- preendedores. Precisam criar uma cultura empreendedora voltada à promoção desses tipos de comportamentos, dando oportunidade para seus colaboradores manifestarem suas ideias. Assim, a estratégia da empresa deve estar voltada para a bus- ca de oportunidades, e não apenas pensar no futuro, mas analisar as situações que acontecem no presente e projetar cenários futuros. Isso demonstra a atitude e o posicionamento da organização frente às inovações que acontecem. Destacamos que as empresas administradas de forma em- preendedora são facilmente identificadas e demonstram seu di- ferencial competitivo frente às organizações tradicionais. Elas possuem uma orientação empreendedora e conseguem enxergar as oportunidades mesmo quando outras empresas só enxergam crise. Além disso, também possuem muitas características impor- tantes que as tornam diferentes, como possuir uma boa rede de 34 comunicação interna e externa, ou seja, além de boa comunicação com seus funcionários na empresa, também é bem relacionada com seus fornecedores, clientes, concorrentes, dentre outros. Já nas empresas mais tradicionais, percebe-se uma hierar- quia mais formalizada e inflexível, sendo a empresa mais burocrá- tica e com uma cultura mais engessada. A rotina é evidente em todos os processos. Além disso, não conseguem responder com rapidez às demandas geradas pelo mercado, mas, à sua maneira, são mais eficientes do que inovadoras. É fácil identificarmos, na empresa tradicional, recompensas voltadas apenas para gerência e alguns cargos de responsabilidade. Esse comportamento não promove um ambiente empreendedor, tampouco estimula seus funcionários a trazerem algo novo para a empresa, pois o mérito é sempre o da hierarquia. Diante de tudo que discutimos, quando falamos das empre- sas empreendedoras, identificamos dentro dela o perfil de intraem- preendedores que representam um novo valor para a organização, ou seja, essas pessoas promovem novo comportamento, trazem o “novo” para a organização, novas ideias, novas formas de ver e fa- zer as coisas acontecerem. Figura 4 - Empresas e colaboradores devem focar em novas ideias Fonte: senivpetro no Freepik (s.d.). Disponível em: https://br.freepik.com/fotos- gratis/pessoas-de-negocios-a-trabalhar-em-equipa-num-escritorio_8828171. htm#fromView=image_search&page=1&position=16&uuid=7040b978-4f3d-4d1e- bf67-9e3de136206d. Acesso em: 16 jan. 2026. 35 Tal prática tem gerado um impacto positivo para os dois, em- presa e colaborador, pois faz com que os intraempreendedores se- jam mais valorizados e recompensados por suas inovações. Assim, dizemos que estas empresas são orientadas para um sistema de re- compensa, ou seja, recompensam os funcionários que trazem novas ideias e novas soluções que geram resultados para a organização. Diferença entre o empreendedor e o intraempreendedor O empreendedor e o intraempreendedor têm o objetivo de fazer a diferença, revolucionar e enxergar o futuro como ninguém. Toda- via, o segundo está dentro de uma empresa e executa mudanças e inovações em produtos e serviços, maximizando a lucratividade da organização. Dentro das organizações mais tradicionais, hierarquias rígi- das, com muitos cargos, acabam promovendo o medo nas pessoas em desenvolver novas ideias. Desse modo, elas acabam se confor- mando com o que já existe e realizam suas funções, mesmo contra- riadas ou insatisfeitas. Esse é um ponto negativo para organizações que apresentam este perfil, pois o nível de produtividade é baixo. Algumas características do empreendedor e do intraempreendedor podem ser vistas no quadro a seguir. Quadro 2 - Perfil do empreendedor e do intraempreendedor Perspectiva Significado de interação Ser inovador empresarial. Ter autoridade. Estar atento às novas oportunidades. Extrapolar as funções e tarefas do cargo. Assumir riscos calculáveis. Ampliar sua inserção nos resultados. Construir patrimônio sólido. Negociar interna e externamente. Ser negociador interna e externamente. Exercer gerenciamento compartilhado. 36 Persistir na adversidade. Conhecer o ramo de negócios da corporação. Exercer papel social importante. Inserir-se em redes internas e empreendedoras. Manter-se atualizado. Gerenciar o afunilamento das ino- vações para o resultado. Acumular e compartilhar experiências. Subordinados funcionais. Inserir-se em redes de relacionamento. Inserir-se em redes de relacionamento. Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Não existem diferenças entre o perfil do empreendedor e do in- traempreendedor, o que difere é o ambiente no qual eles atuam. Dessa forma, o empreendedor atua para o desenvolvimento de sua empresa, e o intraempreendedor para o desenvolvimento da em- presa de outra pessoa. Vantagens e desvantagens O empreendedor é aquele que deseja se reinventar, ter seu próprio negócio, contribuir com a sociedade, criar algo que traga benefí- cios às pessoas que utilizam seus produtos e serviços. Já o intraem- preendedor, apesar de possuir as mesmas características, realiza atividades dentro da empresa de outra pessoa. As vantagens de ser dono do próprio negócio é que você mesmo pode ditar as regras, tomar decisões importantes e assu- mir riscos. Em outras palavras, você é o seu próprio patrão e pode aumentar ou não os rendimentos de sua empresa, conforme sua ad- ministração. O empreendedor tem liberdade, não tanto em relação IMPORTANTE 37 às regras de uma empresa, mas para agir e colocar em prática seus sonhos, testar suas competências e habilidades e não se limitar. Alguns acham que o empreendedor está preso à empresa, mas isso não é verdade. Na realidade, trata-se de um ponto de vista distorcido, já que o empreendedorismo te prende, mas a dife- rença é que ele te prende naquilo que é seu, naquilo que você ama. Ora, amigos, para mim, a prisão do empreendedorismo é temporária. Você se prende no início para posteriormente conquistar a sua verdadeira liberdade pessoal e financeira (Diniz, 2019). O intraempreendedor, por sua vez, não precisa assumir os mesmos riscos que o empreendedor. Ele tem seu salário e benefí- cios garantidos no final do mês e pode mudar de empresa se quiser. Entretanto, ele tem que possuir muita persuasão para convencer o dono da empresa de suas ideias. Vai precisar se conformar em acei- tar regras, burocracias impostas pela organização em que trabalha e vai sempre depender da aprovação de alguém, ou melhor dizendo, do dono da empresa. Descrevendo as características do perfil empreendedor Para ser empreendedor, é preciso motivação que surge interna- mente, ou seja, é de cada pessoa. Refere-se à forma como as pessoas sentem e têm vontade de realizar coisas. Portanto, é algo inexpli- cável, pois relaciona-se com as necessidades internas de cada um, proporcionando uma sensação de prazer e bem-estar pessoal, tanto emocionalquanto espiritual. 38 Figura 5 - Motivação e vontade de realizar é indispensável Fonte: Freepik (s.d.). Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/homem- sentado-e-escrevendo-no-escritorio_1526335.htm#fromView=image_search&page =1&position=47&uuid=55a2f5e9-c362-4318-8261-4ae04c558e20. Acesso em: 16 jan. 2026. A motivação acrescenta sentido e significado ao que se quer fazer. Torna mais fácil encarar os obstáculos e dificuldades, trans- formando-os em oportunidades geradoras de negócio e lucrativi- dade. Além disso, aumenta o nível de resiliência, persistência e toda dedicação que ele terá para realizar seu objetivo com paixão. É algo que impele o comportamento e a ação, além de toda euforia, alegria e esforço que traz ao empreendedor ao se criar um empreendimento. Também causa satisfação pelas perspectivas, vi- são de futuro e o compartilhamento do novo negócio entre amigos e familiares. Nese momento, sugerimos que pare e pense: será que a decisão de se tornar um empreendedor pode ocorrer por acaso? Não é difícil encontrarmos empreendedores que, ao serem questionados qual o motivo da criação de suas empresas, respondem: “não sei, foi por acaso, de repente tive que abrir uma empresa”. Pense nisso! REFLITA 39 Podemos entender que essa situação pode ser advinda de muitos fatores internos ou externos. Por exemplo, uma pessoa que perdeu seu emprego e que precisou montar um negócio para sobre- viver, ou até mesmo aquele que, por influência dos pais, familiares ou amigos, optou por abrir uma empresa, empregando aquilo que ele faz de melhor. Há também os insatisfeitos com seu trabalho e querem trocar de profissão, e até mesmo aqueles que, ao buscarem conhecimento, despertaram a visão para uma nova oportunidade de “ganhar dinheiro”. A Fábrica de Bolo Vovó Alzira nasceu de uma necessidade. O vídeo mostra como uma senhora de 60 anos criou um negócio que, 11 anos após o início de suas atividades, possui mais de 200 franquias. Além dessa história, a matéria traz também outras histórias de sucesso, como a de Rosana Magri e de Flávia Raiol. E, para que você possa as- sistir ao vídeo completo, sugerimos que acesse o canal do YouTube do Sebrae e assista ao vídeo “Receita de sucesso: conheça a história da Fábrica de Bolo Vó Alzira [Parte 1]. Destacamos que, quando o assunto é inovação, o processo de empreender é voltado para o termo de inovação tecnológica. Nesse caso, as inovações tecnológicas têm sido um grande diferencial, in- fluenciando o desenvolvimento econômico mundial. Para entender melhor esse cenário, o autor sugere a análise dos fatores explicita- dos no diagrama a seguir. ACESSE 40 Diagrama 6 - Fatores do desenvolvimento econômico Fonte: adaptado de Smilor; Gill (1986) apud Dornelas (2016) pelo Editorial da Digital Pages (2026). O estudioso Chiavenato (2008) afirma que o empreendedor precisa possuir três características básicas: necessidade de realiza- ção, disposição para assumir riscos e autoconfiança: Necessidade de realização: refere-se à necessidade que faz com que a pessoa coloque em prática seu sonho, tornando-o realidade. Essa intensidade muda de uma pessoa para outra. Às vezes, quan- do criança, alguns empreendedores já conseguem demonstrar essa característica. Disposição para assumir riscos: relaciona-se com não ter medo de enfrentar os obstáculos e os desafios, além de apostar em suas ideias, correndo o risco para que elas se tornem realidade. Entre- tanto, o empreendedor deve ter em mente que não se deve assumir altos riscos sozinho, ou seja, os riscos podem ser compartilhados. Autoconfiança: enxergar os desafios como oportunidades e acredi- tar que eles podem dar certo. 41 Em primeiro lugar, é importante saber as razões pelas quais as pes- soas se engajam em um negócio. Essas razões podem ser muitas, e é preciso entender como cada uma delas motiva o comportamento empreendedor, como pode ser visto no quadro a seguir. Quadro 3 - Razões que engajam os empreendedores Forte desejo de ser seu próprio patrão, de ter interdependência e não receber ordens de outros, fundamentando- se apenas em seu talento pessoal, chamando isso de espírito empreendedor. Oportunidade de trabalhar naquilo que gosta em vez de trabalhar como subalterno apenas para ter segurança de um salário mensal e férias a cada ano. Sentimento de que é possível desenvolver a sua própria iniciativa sem o guarda-chuva do patrão. Desejo pessoal de reconhecimento e de prestígio. Poderoso impulso para acumular riquezas e oportunidade de ganhar mais do que quando era simples empregado. Descoberta de uma oportunidade que outros ignoram ou subestimam. Desafio de aplicar recursos próprios e habilidades pessoais em um am- biente desconhecido. Fonte: adaptado de Chiavenato (2008, p. 18) pelo Editorial da Digital Pages (2019). O empreendedor, antes de iniciar seus negócios, também precisa ter vontade de trabalhar duro, saber se comunicar e ser organizado, ter orgulho daquilo que faz e, consequentemente, possuir e manter boas relações, assumir desafios calculáveis e saber tomar decisões. IMPORTANTE IMPORTANTE 42 Precisa trabalhar com metas e fazer de tudo para alcançá-las. Isso exige muita dedicação, concentração, busca de informações, plane- jamento, flexibilidade, dentre outros. Como já falamos anteriormente, algumas características dos empreendedores não são inatas e nem inerentes, ou seja, podem ser desenvolvidas e adquiridas. Tais características são inúmeras, como ousadia, atenção às novas ideias, criatividade, inovação, determi- nação, autoconfiança, persistência, motivação, dentre outras. Pensando nisso, precisamos estar cientes de que o empreen- dedor tem como parâmetro seguir aquilo que ele acredita ser uma oportunidade de negócio e, como as oportunidades são um conjunto de fontes de incerteza, os empreendedores precisam ter um discer- nimento para analisá-las e decidir se querem correr o risco e apos- tar no que acreditam que pode dar certo. No entanto, a dúvida e o medo podem atrapalhar o empreen- dedor na análise de uma grande oportunidade. Por isso, ele precisa de outras ferramentas que o auxiliem na decisão, como informações sobre mercado, o produto ou serviço, identificar quais são os clien- tes potenciais, o valor inicial de investimento, em quanto tempo será o ROI (retorno sobre o investimento), dentre outros. Alguns autores afirmam que o empreendedor pensa de modo diferente das outras pessoas, ou seja, de acordo com uma situação, ele pode raciocinar de forma diferente dentro de um ambiente de decisões. Isso porque ele não tem medo de tomar decisões em si- tuações inseguras, com riscos, pressões, incertezas. Esse compor- tamento está na alma do empreendedor, como se ele quisesse pagar para ver o que vai acontecer, e o seu sentimento é de motivação e positividade, ele anseia por algo novo. Portanto, o empreendedor é uma pessoa que também investe em emoções e as utiliza na tomada de decisões e no desenvolvimento de seus projetos. Nem todos pensam dessa forma. Muitos, em momentos de crise, preferem desistir, “não trocar o certo pelo duvidoso”, op- tam pelo “pingar do que secar” e acabam por continuar na zona de conforto. A mudança incomoda, faz com que você encontre novas 43 formas de fazer aquilo que estava fazendo, mas nem todos gostam de mudança. É por isso que precisamos sempre lembrar que os empreen- dedores são dinâmicos, flexíveis, engajados, determinados, persis- tentes, características que influenciam diretamente na tomada de decisão. Possuem uma mentalidade empreendedora. D e s s a forma, a mentalidade empreendedora faz com que o empreende- dor tenha capacidade de detectar, agir e se movimentar, mesmo sob incertezas. Diferenças e similaridades entre o empreendedor e o executivo não empreendedor Muito se estuda sobre o assunto para entender quais são as caracte- rísticas e comportamentos que diferem um perfil do outro, ou seja, o que o empreendedor tem que o administrador não teme vice-versa. Nesse contexto, a compreensão das diferenças entre perfis compor- tamentais é fundamental para o entendimento do empreendedoris- mo como prática e como atitude diante da realidade econômica e profissional. Isso porque nem toda pessoa que possui ideias, dese- jos ou sonhos adota uma postura empreendedora, assim como nem todo indivíduo que atua no mercado de trabalho desenvolve inicia- tivas orientadas à criação de novos projetos ou negócios. O que distingue esses perfis está, sobretudo, na forma como cada um reage às oportunidades, aos riscos e às incertezas. Enquan- to o empreendedor transforma ideias em ações concretas, estabe- lece objetivos claros e organiza esforços para alcançá-los, outros perfis tendem a permanecer apenas no campo da intenção. A dife- rença central não está na capacidade de sonhar, mas na disposição para agir, planejar e assumir responsabilidades. O empreendedor adota uma visão de longo prazo, aceita desafios e compreende o ris- co como parte do processo de crescimento. Essa distinção ajuda a entender por que alguns indivíduos conseguem construir projetos sustentáveis e gerar valor econômi- co e social, enquanto outros permanecem limitados à estabilidade 44 imediata e à reprodução de padrões já existentes. Reconhecer es- sas diferenças é essencial para o desenvolvimento da mentalidade empreendedora. Diagrama 7 - Empreendedor X Não empreendedor Fonte: Editorial da Digital Pages (2019). Alguns estudos classificam que o administrador dentro da empresa tem o papel de administrar, planejar, organizar, dirigir, controlar, dentre outros. Esses estudos estão embasados no concei- to de administração científica, ou seja, nos princípios da adminis- tração de Henry Ford, que falava sobre a arte de administrar. Nesse sentido, os administradores se diferem em dois aspec- tos: nível da hierarquia em que ocupam, o que proporciona um ní- vel de responsabilidade conforme o cargo, e o conhecimento que detêm para exercerem suas funções. Portanto, perceba que o administrador também tem uma visão de trabalho gerencial focado nos papéis dos gerentes, que variam conforme cada organização. Esses papéis se referem ao po- sicionamento interpessoal do administrador, que requerem ha- bilidades como liderança, aos contextos informacionais e aos papéis decisórios na empresa. Diante disso, você precisa estar ciente de que o administrador também assume papéis em grupos sociais, ou seja, precisa ser bom orador e intermediador. E, de acordo com a abordagem referente às atividades do administrador, no que diz respeito ao uso do processo de pessoalidade e relacionamento pessoal, ele deve ter uma postura 45 relativamente fraca, podendo ser forte quando se trata do foco na empresa e ações conjuntas, bem como na utilização da hierarquia. O empreendedor de sucesso possui características extras, pensadas inicialmente por Dornelas (2016). Essas características podem ser vistas no quadro a seguir. Quadro 4 - Características dos empreendedores de sucesso São visionários Eles têm a visão de como será o futuro para seu negócio e sua vida, e o mais importante: têm a ha- bilidade de implementar seus sonhos. Sabem tomar decisões Eles não se sentem inseguros, sabem tomar as decisões corretas na hora certa. Além de tomar decisões, implementam suas ações rapidamente. Fazem a diferença Transformam ideias abstratas em ações concretas. Além disso, agregam valor aos serviços e produtos que colocam no mercado. Exploram ao máximo as oportunidades O empreendedor é aquele que quebra a ordem corrente e inova, criando mercado com uma oportunidade identificada. O empreendedor também é aquele que cria um equilíbrio, encon- trando uma posição clara e positiva em um am- biente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. São determinados e dinâmicos Implementam suas ações com total comprome- timento. Atropelam as adversidades, ultrapas- sando os obstáculos, com uma vontade ímpar de “fazer acontecer”. Mantêm-se sempre dinâmi- cos e cultivam certo inconformismo diante da rotina. São dedicados Eles se dedicam 24 horas por dia, sete dias por semana, ao negócio. São trabalhadores exempla- res e encontram energia para continuar mesmo em situações adversas. 46 São otimistas e apaixonados pelo o que fazem O amor pelo trabalho é o principal combustível que os mantêm cada vez mais animados e auto- determinados, tornando-os os melhores ven- dedores de seus produtos e serviços, pois sabem como ninguém como fazê-lo. São independentes e constroem o próprio destino Querem criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios caminhos, ser o pró- prio patrão e gerar empregos. Ficam ricos Ficar rico não é o principal objetivo dos empre- endedores. Eles acreditam que o dinheiro é con- sequência do sucesso dos negócios. São líderes e for- madores de equipes Os empreendedores têm um senso de liderança incomum e são respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valorizá-los, estimu- lá-los e recompensá-los, formando um time em torno de si. São bem relacionados (networking) Os empreendedores sabem construir uma rede de contatos que os auxilia no ambiente externo da empresa, junto a clientes, fornecedores e en- tidades de classe. São organizados Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros de forma racional, procurando o melhor desempenho para o negócio. Planejam, planejam, planejam Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do pla- no a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio, sempre tendo como base a forte visão de negócio que possuem. Possuem conhecimento São sedentos pelo saber e aprendem continu- amente, pois entendem que, quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior será a chance de êxito. 47 Fonte: adaptado de Dornelas (2016, p. 21) pelo Editorial da Digital Pages (2019). Destacamos que estudos revelam que existem muitos pontos em comum entre o administrador e o empreendedor, pois o em- preendedor é um administrador. Todavia, o empreendedor é menos limitado e mais visionário do que o administrador. E, mesmo com essas diferenças entre o empreendedor e o executivo não empreen- dedor, é importante frisar que muitos executivos também são em- preendedores, mesmo exercendo a função de executivos. As diferenças entre empreendedor e administrador podem ser comparadas em cinco dimensões distintas de negócio: orienta- ção estratégica, análise das oportunidades, comprometimento dos recursos, controle dos recursos e estrutura gerencial, em que o ad- ministrador fica voltado para a organização de recursos, enquanto o empreendedor fica voltado para a definição de contextos. Outro diferencial é que o empreendedor conhece muito so- bre o seu negócio, muito mais do que um administrador que está administrando uma empresa de outra pessoa. Para adquirir esse conhecimento, é preciso tempo e experiência. No entanto, são fato- res-chave para que uma empresa não entre em falência com poucos anos de vida. Cabe destacar que, na prática organizacional, esses perfis não são absolutos, existindo diferentes níveis de comportamento em- preendedor entre indivíduos e funções gerenciais. Assumem riscos calculados O verdadeiro empreendedor é aquele que assu- me riscos calculados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Para o empreendedor, quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada empreendedora. Criam valor para a sociedade Os empreendedores utilizam seu capital inte- lectual para criar valor para a sociedade, com a geração de empregos, dinamização da economia e inovação, sempre usando sua criatividade em busca de soluções para melhorar a vida das pes- soas. 48 Há, ainda, alguns mitos sobre o assunto. Esses mitos foram abordados por Dornelas (2016), conforme