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Redação de documentos
Você vai conhecer as principais características, procedimentos e recomendações da redação de
documentos, como ata de reunião, relatório social, parecer, laudo social e declaração de comparecimento.
Prof. Luís Dallier
1. Itens iniciais
Propósito
Ao estudar as práticas de escrita no contexto das atividades do profissional das áreas de saúde e de serviço
social, você poderá ampliar sua competência escritora no contexto do exercício profissional.
Objetivos
Reconhecer os objetivos e os principais aspectos formais da documentação do exercício profissional
na saúde e no serviço social.
Identificar as principais características da linguagem e da estrutura dos documentos do exercício
profissional no serviço social.
Introdução
Quem nunca teve dificuldade ao elaborar um texto mais formal? Às vezes, não sabemos por onde começar ou
como desenvolver e finalizar o texto. Outras vezes, o problema é como encadear as ideias ou organizar as
informações que desejamos registrar.
E se essa dificuldade aparecer quando estivermos exercendo nossa atividade profissional? O que fazer se o
texto que vamos elaborar é um documento ou pertencente a determinado formato?
Esses questionamentos nos mostram a importância de conhecer os objetivos e as características do tipo de
texto que porventura vamos produzir. Escrever com correção, adequação e eficiência contribui para a própria
imagem do profissional ou da instituição que ele representa.
Por isso, abordaremos procedimentos e cuidados que devemos ter na elaboração de documentos e no
registro da emissão de opinião técnica na área da saúde e, mais especificamente, do serviço social.
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Relatório médico sendo compartilhado com profissional
de outra área.
1. Elaboração da documentação do exercício profissional
Os desafios da redação de documentos e textos técnicos
Na prática profissional, algumas atividades ou ações necessitam de registro, a fim de serem preservadas ou
comunicadas, resultando em produtos que se caracterizam como textos técnicos ou documentos. Trata-se da
documentação do exercício profissional, dando materialidade e comprovando a intervenção ou ação do
profissional.
Exemplo
Na atuação do assistente social, o produto de um estudo social pode ser a elaboração de um formulário
ou relatório objetivo, no qual consta conclusão relativa a determinado acesso. Se for uma perícia social
ou perícia técnica, o produto pode ser um laudo ou parecer social em serviço social. Se considerarmos a
atividade de um profissional da enfermagem, no caso dos registros dos cuidados prestados ao paciente,
temos como documento o prontuário do paciente.
Um importante desafio que o profissional enfrenta é o de transpor para a linguagem escrita o conhecimento e
as informações obtidos a partir da linguagem oral e da observação (CFESS, 2022).
Esse desafio torna-se ainda mais importante
quando consideramos que, muitas vezes, um
relatório, um laudo ou um parecer é elaborado
por um profissional de uma área para outro de
área diferente. Nesse caso, é preciso levar em
conta que nem sempre o profissional da outra
área tem a mesma perspectiva ou objetivo que
orientou o autor do documento (Fávero, 2009).
Além disso, um documento escrito tem uma
linguagem formal, que tende a ser mais passiva.
No entanto, aquilo que foi registrado ou escrito
vai dar continuidade à intervenção do
profissional, pois “oferece subsídios para
alguma ação ou tomada de decisão”. Dito de
outra forma, o documento escrito continua comunicando e “impactando a vida das pessoas por muito tempo
além do momento em que foi produzido” (CFESS, 2022, p. 139).
Atenção
Quem lê um parecer, relatório ou prontuário tomará decisões ou realizará procedimentos a partir do que
compreendeu, por isso todo cuidado na escrita desses documentos é muito importante!
Alguns fatores contribuem para uma linguagem adequada na elaboração do documento, impactando
positivamente seu leitor ou destinatário.
Alguns desses fatores são:
Escolher o que e como registrar.
Privilegiar a linguagem técnica ou científica, sem exageros.
Ser o mais fiel possível à realidade observada nos trechos descritivos e narrativos.
Expressar opiniões ou impressões com palavras ou termos mais precisos e delimitados.
Evitar generalizações e analogias simplistas.
Transcrever entrevistas ou depoimentos com precisão.
Oferecer elementos do contexto que contribuam para o entendimento de transcrições ou de dados
brutos.
Além disso, é importante sempre estarmos atentos à estrutura do nosso texto. Um texto técnico na área da
saúde ou do serviço social deve ter uma estrutura organizada e coerente.
Em muitos casos, é recomendável seguir a estrutura tradicional de introdução, desenvolvimento e conclusão,
apresentando de forma clara o objetivo do estudo, métodos utilizados, resultados obtidos e discussão dos
achados.
Exemplo
Laudo social – Reintegração de posse 1. Identificação: Processo nº: 123456-78.2021.8.26.0000 Partes:
Estado de São Paulo x Família Silva Assistente social: Maria dos Santos – CRESS 12/34567 2.
Introdução: Este laudo social foi elaborado com base em visitas domiciliares, entrevistas e análises
documentais, com o objetivo de subsidiar o processo de reintegração de posse e avaliar as condições
sociais e econômicas da família Silva, ocupantes da área em litígio. 3. Situação Familiar: A família Silva é
composta de cinco membros, incluindo três crianças. A renda familiar provém exclusivamente do
trabalho informal do Sr. Silva como jardineiro. A família não tem moradia própria, vivendo na área
ocupada há aproximadamente dois anos. 4. Avaliação Social: Observa-se uma situação de
vulnerabilidade social acentuada, com falta de acesso a serviços básicos, como saúde e educação. A
moradia atual não tem condições adequadas de habitabilidade, apresentando riscos à saúde e à
segurança dos ocupantes. 5. Conclusão: Recomenda-se a não execução da reintegração de posse até
que soluções habitacionais adequadas sejam providenciadas para a família Silva, a fim de evitar maiores
prejuízos sociais e emocionais. 6. Data e Assinatura: Maria dos Santos 12 de abril de 2023
O laudo contém todos os elementos necessários para apresentar as informações de maneira clara e
sistemática. Desse modo, o laudo social atende aos requisitos técnicos e éticos da profissão de assistente
social, além de ser um documento convincente e útil para o processo decisório em questões legais e sociais.
Existem situações, dependendo da natureza e do objetivo do texto ou documento, em que a estrutura pode
ser topicalizada, com cada tópico correspondendo a algum elemento de um processo ou procedimento.
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Assinatura de um documento formal.
Exemplo
Administração de medicamento por via intramuscular Preparação do paciente: Verificar a identidade do
paciente e confirmar a prescrição médica adequada para a administração do medicamento
intramuscular. Materiais necessários: Reunir os materiais necessários para a administração do
medicamento, incluindo seringa, agulha adequada, álcool 70% e algodão. Preparação do local de
aplicação: Escolher o local apropriado de aplicação, como o músculo deltoide, glúteo ou vasto lateral da
coxa. Limpar o local com álcool 70% e aguardar a secagem completa. Preparação da seringa: Retirar a
tampa da agulha e encher a seringa com a dose correta do medicamento prescrito. Eliminar o ar da
seringa, pressionando suavemente o êmbolo até que uma pequena quantidade de medicamento seja
expelida. Administração do medicamento: Realizar a técnica de punção, de acordo com o local escolhido
e a anatomia do paciente, inserindo a agulha no músculo selecionado. Injetar o medicamento lentamente
e de forma constante. Retirar a agulha com cuidado e aplicar uma leve pressão com algodão no local da
punção. Descarte adequado dos materiais: Descartar adequadamente os materiais utilizados, seguindo
as normas de biossegurança e descarte de resíduos.
No documento Administração de medicamento por via intramuscular,temos um trecho relativo a um
procedimento que pode variar conforme normas e protocolos específicos, caracterizado por uma organização
em tópicos que o descrevem.
Os desafios da redação de documentos e textos técnicos
Neste vídeo, falaremos sobre os principais elementos que caracterizam a redação dos registros da atividade
profissional.
Conteúdo interativo
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Elementos formais da redação de documentos
Vamos desenvolver um pouco mais os desafios que já abordamos, considerando outros elementos que devem
estar presentes na documentação do exercício profissional na área do serviço social e da saúde.
Existem diversos elementos que devem ser
incluídos para garantir a integridade, a
legitimidade e a eficácia do documento.
Esses elementos ajudam a estabelecer a
formalidade necessária e asseguram que o
documento atenda aos padrões éticos e legais
exigidos pelas respectivas profissões.
A seguir, podemos conferir alguns desses
elementos formais essenciais que devem
caracterizar esses documentos.
Cabeçalho
Identificação da instituição ou órgão: Nome e logo (se aplicável) da instituição responsável.
Tipo de documento: Exemplos incluem laudo social, parecer técnico, relatório de atendimento,
entre outros.
Identificação do profissional
Nome completo: Do profissional responsável pela elaboração do documento.
Registro profissional: Número de registro no conselho profissional relevante (como CRESS para
assistentes sociais).
Cargo ou função: Especificação do cargo ou função do profissional dentro da instituição.
Identificação do usuário ou cliente
Nome completo
Data de nascimento
CPF e/ou RG (quando aplicável)
Endereço (opcional)
Informações adicionais pertinentes: Como estado civil, ocupação etc.
Dados do atendimento ou intervenção
Data(s) do atendimento: Indicação das datas relevantes ao processo ou atendimento.
Motivo do atendimento: Descrição do motivo pelo qual o usuário está sendo atendido ou
avaliado.
Histórico e contexto: Breve histórico do caso e contexto social, médico ou psicológico
relevante.
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Corpo do documento
Objetivos: Clarificação dos objetivos do documento.
Metodologia: Descrição das metodologias utilizadas para a coleta de informações (entrevistas,
visitas, observações etc.).
Análise e discussão: Detalhamento da análise feita pelo profissional sobre a situação do
usuário, incluindo aspectos observados e interpretados.
Conclusões e recomendações
Sumário das conclusões: Resumo das principais conclusões extraídas da análise.
Recomendações: Sugestões ou encaminhamentos propostos com base nas conclusões.
Encerramento
Data de elaboração: Quando o documento foi finalizado.
Assinatura do profissional: Com nome legível e número de registro no conselho.
Anexos (se necessário)
Documentação complementar: Incluir quaisquer documentos, imagens ou informações adicionais que
suportem o documento principal.
Revisão e confidencialidade
Nota sobre confidencialidade: Se necessário, pode ser adicionada uma declaração sobre a
confidencialidade das informações contidas no documento.
Revisão ortográfica e de conteúdo
Garantir que o documento esteja livre de erros e seja claro e objetivo.
Os elementos essenciais ajudam a estruturar documentos, que, além de serem informativos e precisos,
respeitam as normas éticas e legais, garantindo que as informações sejam tratadas com o devido respeito e
profissionalismo.
Também devemos estar atentos a outros aspectos formais da redação de documentos:
Escrever de forma legível.
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Usar grafia correta.
Não rasurar.
Não escrever a lápis.
Não utilizar corretivo líquido.
Em anotações de enfermagem, não usar entrelinhas, linhas em branco ou espaços.
Empregar linguagem clara, completa, concisa e objetiva.
Usar linguagem técnica.
Usar descrições precisas para mensuração (cm, mm, ml, l etc.), em vez de termos valorativos (pouco,
muito, bom, ruim etc.).
Usar abreviaturas ou símbolos apenas quando previstos em literatura da área.
Anotar em ordem cronológica e formato adequado informações sobre processos, eventos e
procedimentos.
Um ponto a ser destacado é o cuidado com o vocabulário. Devem-se evitar palavras ou termos em desuso,
que revelam preconceito ou que são empregadas de modo equivocado.
Exemplo
Infante/infanta: Designa criança de pouca idade ou mesmo de qualquer outra faixa etária. Menor: Usado
indistintamente quando se quer referir a crianças ou a adolescentes.
Perceba que os termos infante ou infanta podem até fazer sentido em outras épocas, quando se referiam na
linguagem convencional jurídica e social a crianças e adolescentes pobres, pois eram expressões encontradas
no Código de Menores de 1927. Atualmente, porém, não devemos usar esses termos e conceitos porque vão
contra o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 (Franco, 2021).
As recomendações que você viu não são exaustivas, mas podemos resumi-las dizendo que a escrita de um
documento deve ser precisa, concisa, eficaz e atual.
Elementos formais da redação de documentos
Neste vídeo, apresentaremos e exemplificaremos os principais aspectos formais da elaboração de
documentos na prática do assistente social.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
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Questão 1
Leia o documento a seguir, atentando para seus aspectos formais:
Parecer social – Pedido de Benefício de Prestação Continuada (BPC)
1. Identificação:
Requerente: João de Oliveira
Assistente social: Ana Beatriz Costa – CRESS 34/56789
2. Contexto:
O senhor João de Oliveira, 68 anos, solicita o Benefício de Prestação Continuada alegando incapacidade para
o trabalho e vida independente em razão de problemas de saúde severos e crônicos.
3. Avaliação:
Durante a visita domiciliar e a análise de documentos médicos, foi constatada a presença de múltiplas
condições de saúde que comprometem significativamente a mobilidade e a autonomia do senhor Oliveira.
Além disso, sua situação econômica é precária, vivendo abaixo da linha de pobreza, conforme critérios do
BPC.
4. Opinião Técnica:
Considerando as evidências de incapacidade e a situação socioeconômica do senhor Oliveira, é opinado
favoravelmente a seu pedido de concessão do BPC, visto que ele atende aos critérios estabelecidos pela
legislação vigente.
5. Data e Assinatura:
Ana Beatriz Costa
12 de abril de 2023.
Analise as afirmativas a seguir:
I — O documento carece de elementos de identificação, prejudicando o reconhecimento das pessoas
envolvidas e da autoridade profissional.
II — Há um encerramento formal do documento, com apresentação de dados que conferem veracidade ao
texto.
III — Há descrição prolixa e extensa do contexto, fornecendo demasiadas informações ao leitor.
Está correto somente o que é afirmado em
A
I.
B
II.
C
III.
D
I e II.
E
II e III.
A alternativa B está correta.
O documento apresenta encerramento formal, com a inclusão da data e da assinatura no final, reforçando a
formalidade e a responsabilidade pessoal do assistente social pela veracidade e precisão das informações
e opiniões expressas. O documento começa com uma seção clara de identificação, listando o requerente e
o assistente social responsável, incluindo o número de registro no conselho profissional (CRESS). Isso
facilita o reconhecimento imediato dos envolvidos e da autoridade do profissional. Também se nota uma
descrição concisa do contexto, de forma direta e fornecendo informações essenciais sobre o requerente,
como idade e natureza de sua solicitação, incluindo detalhes relevantes sobre sua condição de saúde e
circunstância econômica.
Questão 2
As anotações de uma atividade profissional na área da saúde, como as anotações de enfermagem, são
fundamentais para a continuidade e a qualidade do cuidado ao paciente, além de servirem como documentos
legais e fonte de dadospara a gestão e a avaliação de saúde. Para garantir sua eficácia, as anotações devem
seguir características formais específicas. Assinale a alternativa que apresenta um trecho de anotações de
enfermagem com uma redação adequada.
A
Paciente Manuel dos Santos, nascido em 1978, registro nº 123456, sexo masculino, telefone de contato (85)
99999-9999, admitido por apresentar dores nos membros que se irradiavam para outros membros.
B
Paciente com experiência de reclamação de dores generalizadas. Nega alergias. Medicamentos em uso:
remédio para dor de cabeça.
C
Eletrocardiograma apresenta alterações compatíveis com isquemia miocárdica. Hemograma dentro dos
valores de referência. Creatinina sérica de 1,3 mg/dl.
D
Antes do almoço, a ferida do paciente foi limpa, mas ele teve febre à noite. Pela manhã, parecia cansado.
E
Paciente muito difícil hoje, deixo registrado aqui, recusou todos os procedimentos e estava irritante.
A alternativa C está correta.
Nessa alternativa, temos o registro de resultados de exames, como eletrocardiograma, hemograma,
creatinina, feito com linguagem precisa, usando abreviaturas e unidades de medida padrão. Nas demais
alternativas, encontramos uso de linguagem subjetiva e potencialmente pejorativa ("difícil", "irritante"),
desorganização temporal, que confunde a ordem dos eventos, falta de horários específicos para cada
observação, informações fragmentadas, que não seguem uma sequência lógica, e falta de detalhes e
precisão sobre dores e outras queixas do paciente.
Reunião periódica de equipe.
2. Redação de ata, relatório, parecer, laudo e declaração
Elaboração de ata de reunião
Já sabemos que, em diversas atividades profissionais, o registro de ocorrências, procedimentos e outros
eventos é fundamental. No serviço social, os registros que são mais comumente elaborados pelo assistente
social, em situações de instrução de autos processuais, “são o informe, o relatório, o laudo e o parecer”
(CFESS, 2022, p. 138). Porém, há outras situações nas quais pode ser necessário elaborar uma ata.
É uma prática das instituições e do profissional
de serviço social fazer reuniões periódicas, com
suas características e objetivos próprios.
A síntese e os aspectos relevantes da reunião,
como o que foi discutido e o que foi decidido,
podem ser registrados por meio de uma ata.
No contexto do serviço social, Sousa
apresenta-nos a seguinte definição para a ata
de reunião:
Registro de todo o processo de uma reunião, das discussões realizadas, das opiniões emitidas, e,
sobretudo, da decisão tomada — e da forma como o grupo chegou a ela (por votação, por consenso, ou
outra forma).
(Sousa, 2008, p. 129)
Na elaboração de uma ata, é preciso narrar ou descrever o que ocorreu, as decisões tomadas ou os
compromissos assumidos, buscando o máximo de clareza e precisão. Por isso, a ata acaba sendo um
documento de difícil elaboração, já que se impõe a “necessidade de interpretar, selecionar e expressar
informações geradas por vários emissores com a maior fidelidade e clareza possíveis” (Gold, 2005, p. 121).
De acordo com Gold (2005, p. 121), os elementos básicos da ata são:
Dia, mês, ano e hora da reunião.
Local da reunião.
Relação e identificação das pessoas presentes.
Ordem do dia ou pauta.
Identificação do presidente e do secretário.
Fecho.
Em relação ao local da reunião, deve constar na ata se a reunião foi remota ou híbrida. Atualmente, é possível
encontrar na internet a publicação de atas de reunião nas quais há referência inclusive ao link por meio do
qual ocorreu a reunião ou, em outros casos, à plataforma usada para a reunião.
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É importante a correção gramatical e a clareza do texto da ata, pois isso evita problemas na leitura,
além de contribuir para uma boa imagem de quem a redigiu e da própria instituição.
Vamos conferir a abertura de uma ata, publicada no site de uma prefeitura, contendo problemas de correção
gramatical. Alteramos alguns dados, para evitar a identificação da instituição e das pessoas mencionadas:
Exemplo
As quinze horas do dia dez de abril de dois mil e vinte e três, fora realizada a Reunião extraordinária do
Conselho Municipal de Assistência Social de Terra do Nunca nas dependências da Casa dos Conselhos,
sito a Rua 15 de Novembro, nº 101 – Centro, sob a Presidência da Maria Joaquina, tivemos a seguinte
pauta na ordem do dia: 1. Apreciação e aprovação das proposições referentes emendas [...]
Vamos acompanhar as correções a serem realizadas na ata apresentada:
1
Correção 1
As quinze horas → Às quinze horas.
Faltou o acento grave indicador da crase, que deve ser usado antes da indicação de horas. Além
disso, o adequado é começar se referindo à data, com o horário posteriormente: Aos dez dias de
abril de dois mil e vinte e três, às quinze horas.
2
Correção 2
fora realizada → realizou-se ou foi realizada.
O tempo verbal adequado na ata é o pretérito perfeito, e não o pretérito mais-que-perfeito.
3
Correção 3
sito a Rua 15 de Novembro → situado na Rua 15 de novembro.
Não se deve usar “sito”, mas preferir os termos “situado” ou “localizado”, além de iniciar nome de
mês com letra minúscula.
4
Correção 4
sob a Presidência da Maria Joaquina → sob a presidência da Senhora Conselheira Maria Joaquina.
A referência à presidência da reunião deve guardar alguma formalidade.
Há algumas recomendações em caso de erro na elaboração da ata, pois se trata de um documento que não
deve ser modificado depois de sua elaboração e aprovação.
Vamos conferir duas recomendações:
Erro percebido no momento da redação
da ata
No caso de erro constatado no momento em
que a ata é redigida, pode-se empregar a
partícula corretiva “digo”.
Exemplo: Aos trinta dias do mês de junho, digo,
de julho, de dois mil e vinte e quatro...
Erro percebido após a redação da ata
Quando o erro for percebido após a redação de
toda a ata, pode-se usar a expressão “em
tempo”, colocada após o texto (Em tempo: na
linha onde se lê “quarenta”, leia-se “cinquenta”).
Exemplo: Em tempo: onde se lê junho, leia-se
julho.
As recomendações, entretanto, são desnecessárias quando a elaboração da ata se dá a partir de um editor de
texto no computador, já que as correções são mais simples de ser realizadas.
Saiba mais
Veja mais orientações sobre a redação de uma ata de reunião consultando o artigo Ata de reunião: tire
suas dúvidas na hora de redigir o documento!, de autoria de Rodrigo Dias, publicado em julho de 2017 na
página da internet do software Avaliação pertencente à empresa RHboot. Confira as principais
características de uma ata e recomendações para sua publicação em diários oficiais lendo o texto Ata de
reunião – tudo o que você precisa saber, disponível na página da internet do portal E-DOU, dedicado a
assuntos referentes ao Diário Oficial da União (DOU) e aos diários oficiais dos estados (DOE).
Elaboração de ata de reunião
Neste vídeo, apresentaremos e exemplificaremos os cuidados no uso da língua ao redigir uma ata de reunião.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Elaboração de relatório
Relatórios na área da saúde
A elaboração de relatório é atividade comum a profissionais de diversas áreas. Na área da saúde, podemos
destacar alguns tipos de relatório. Vejamos!
Relatório médico
Descreve estado do paciente, resultado de exames, tratamentos, medicação utilizada, histórico etc.
Quando o relatório médico se destina ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a requisição
de benefícios, deve ser bastante abrangente em relação ao caso do paciente. Isso também se aplica
ao relatório destinado ao plano de saúde.
Relatório de enfermagem
Caracteriza-se por registrar dados e informações sobre o estado de saúde do paciente e cuidados ou
procedimentos realizados. O relatório de admissão do paciente, com informações sobre a entrada em
uma unidade de saúde, é um dos tipos de relatório de enfermagem.
Relatório nutricional
É elaborado por nutricionista, podendo conter diagnóstico nutricional, prescriçãonutricional, evolução
do paciente e sua condição alimentar e nutricional.
Relatório de auditoria em saúde
Apresenta, por meio de evidências, o que foi encontrado no processo de auditoria feito em uma
instituição de saúde. O relatório pode tanto apontar erro nas instituições de saúde quanto indicações
para sua correção ou prevenção.
Relatório gerencial hospitalar
Apresenta informações relevantes acerca do funcionamento e do desempenho de uma unidade
hospitalar, abrangendo seus setores e equipes, a fim de subsidiar análise e decisões mais adequadas
e eficientes.
Relatório social
É resultado do estudo social, elaborado pelo profissional de serviço social, apresentando descrição e
análise ou interpretação de determinada situação ou questão social a partir da intervenção desse
profissional.
Vamos nos deter, entre todos os tipos de relatórios, no relatório social, documento bastante comum na
atividade do assistente social.
Relatório social
Sousa (2008, p. 130) caracteriza o relatório social como instrumento no qual é exposto o resultado de um
trabalho realizado, bem como as “informações adquiridas durante a execução de determinada atividade”.
Assim, o relatório social corresponde ao “relato dos dados coletados e das intervenções realizadas pelo
assistente social”.
Quanto à linguagem, no relatório social há o predomínio de descrições, relatos e análises do que foi possível
conhecer a partir do estudo social.
Sousa (2008, p. 131) caracteriza o relatório social como:
uma avaliação teórica e técnica realizada pelo assistente social dos dados coletados.
(Sousa, 2008, p. 131)
Na redação do relatório social, devemos estar atentos aos seguintes pontos:
A quem se destina o relatório?
É importante levar em conta para quem se escreve o relatório. Podemos ter como destinatário outro
assistente social, alguém da área jurídica, médica ou mesmo da gestão. É possível ainda que o
relatório seja endereçado à própria equipe de serviço social na qual o assistente social está
realizando seu trabalho. Em função do destinatário, o relatório pode ser interno (para uso do próprio
profissional ou de sua equipe) ou externo (para uso de agentes externos à equipe), conforme nos
lembra Souza (2008). Quando o destinatário é um profissional de outra área, devemos ter cuidado
com o vocabulário e termos técnicos, a fim de garantir que nosso interlocutor entenda o que está
registrado.
Qual nível de detalhamento deve ter o relatório?
Vai depender “do objeto, dos objetivos e da finalidade do registro/documento, isto é, por que, o que e
para que registrar/documentar” (Fávero; Franco; Oliveira, 2020, p. 67). Desse modo, não há por que
usar palavras em demasia em detalhes desnecessários quando isso não tem a ver com o objetivo do
relatório. Quando o detalhamento for necessário, deve ser feito com termos que descrevam ou narrem
precisamente o que se quer relatar, evitando-se, entretanto, o texto prolixo, com rodeios e
redundâncias desnecessárias. Desse modo, o texto deve seguir as “normas da língua formal, [...] mas
sem recorrer a terminologias ou conceitos muito específicos e/ou herméticos, o que os levaria a
serem compreendidos tão somente por quem é da área de serviço social” (Fávero; Franco; Oliveira,
2020, p. 64).
Como deve ser a estrutura do relatório?
Geralmente, o relatório apresenta muitas informações. Isso demanda o uso de subtítulos, para
organizar o conteúdo do documento e facilitar sua leitura. A ordenação dos subtítulos e a própria
estrutura do documento podem ser adaptadas, dependendo do contexto profissional. Em linhas
gerais, recomenda-se o uso de: cabeçalho (identificação da instituição, o que pode ser dispensado no
caso de cabeçalho próprio ou papel timbrado); título do documento (relatório em serviço social);
introdução ou contextualização da demanda (síntese da demanda institucional ou do usuário e breve
histórico da questão social apresentada); procedimentos metodológicos (descrição dos
procedimentos na realização do estudo e da emissão do relatório); entre outros elementos ou
subtítulos.
Todos os pontos referentes a destinatário, nível de detalhamento e estrutura do relatório podem ser aplicados,
com alguma adaptação, também ao laudo social.
Há algumas recomendações gerais para elaboração de relatórios que podem ajudar a tornar sua linguagem
mais objetiva e precisa, com base em Brasil (1999). Confira!
Usar linguagem técnica e própria da atividade profissional.
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Usar vocabulário adequado para identificar e caracterizar pessoas.
Evitar palavras no diminutivo.
Ser fidedigno nas descrições e nas narrativas.
Usar aspas, quando necessárias, indicando a fala ou opinião de outrem.
Restringir-se pontualmente às informações que forem necessárias.
Evitar parágrafos longos e confusos.
Evitar expressões e afirmações que contenham preconceito ou julgamento pessoal.
Ser claro e conciso.
Evitar palavras ou expressões genéricas, muito amplas e sem detalhamento.
Evitar incoerências ou contradições.
Muitas vezes, nas descrições e narrações, precisamos datar, mensurar ou enumerar algo. Nesses casos, é
preciso cuidado com o registro de números. Vamos a algumas regras ou recomendações:
Escreva por extenso de zero a dez.
Use algarismo + palavra a partir de mil (2 mil).
Escreva por extenso os números que compõem nome de ruas, avenidas, praças etc.
Escreva por extenso de primeiro a décimo.
Use o número ordinal até nove na numeração de artigo de leis.
Use algarismos de 11 a 999.
Escreva o número por extenso quando for início de parágrafo.
Empregue o ponto nos números acima de mil, com exceção para ano.
Escreva em algarismo de 11º em diante.
Use o número cardinal de dez em diante na numeração de artigos de leis.
Existem muitas orientações quanto ao emprego de números e regras gramaticais para a redação de relatórios
e outros documentos oficiais.
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Saiba mais
Confira regras, exceções e exemplos de emprego de números na página da internet do Manual de
redação da Secom, do Senado Federal, em Redação e estilo. Além desse assunto, você encontra
diversas orientações sobre questões gramaticais e formais na redação oficial.
Elaboração de relatório
Neste vídeo, apresentaremos e exemplificaremos os cuidados no uso da língua ao redigir um relatório social.
Conteúdo interativo
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Parecer social, laudo e declaração de comparecimento
Parecer social
É definido por Fávero (2014, p. 58) como “esclarecimentos e análises, com base em conhecimento específico
do serviço social, a uma questão ou questões relacionadas a decisões a serem tomadas”.
O parecer também pode ser a manifestação da conclusão de um laudo ou de algum aspecto de processo que
o profissional do serviço social esteja acompanhando no âmbito do Judiciário.
Moreira e Alvarenga (2014, p. 76), por sua vez, entendem que o parecer social tem por fundamento o estudo
social de determinada situação. De qualquer modo, podemos resumir essas definições dizendo que o parecer
é a conclusão de relatório ou de laudo em serviço social.
O parecer deve ser constituído por uma redação sucinta, com foco na expressão da questão social
analisada e nos objetivos do trabalho.
(CFESS, 2022, p. 162)
Por ser mais sintético e analítico, o parecer social “pode ser sistematizado no formato de texto corrido”
(CFESS, 2022, p. 166).
O texto do parecer deve se caracterizar pela coerência, linguagem clara, “sucinta e concisa, sem ser
superficial”.
Deve-se também evitar o uso de linguagem eletrônica, além “de palavras que podem expressar discriminação
e preconceito” (Moreira; Alvarenga, 2014, p. 109).
Uma estrutura possível do parecer é aquela que contém cabeçalho; título (ou subtítulo); contextualização;
procedimentos metodológicos; desenvolvimento; e conclusão. Esses itens, entretanto, não precisam vir na
forma de subtítulos, pois o formato de texto corrido é bastante recomendável ao parecer social.Laudo
É um produto de uma perícia, constituindo-se em documento que registra por escrito o estudo e as
conclusões da perícia, oferecendo fundamentação adequada e suficiente.
Sousa (2008, p. 130) lembra que “alguns autores afirmam que o conjunto relatório/parecer social, constitui um
laudo social”, questão polêmica e sobre a qual não se discutirá aqui.
Por meio do laudo, o profissional faz seus registros a partir de um saber especializado, constituindo-
se em um trabalho técnico, o que implica usar linguagem pertinente e evitar o senso comum e a
linguagem coloquial.
Gerber (2011) afirma que existem diversos modelos ou roteiros para elaboração do laudo social. O profissional
deve optar pelo modelo mais adequado ou elaborar um laudo a partir de um roteiro que esteja adequado às
demandas institucionais de sua atividade. A autora recomenda considerar os elementos que devem constar
em um laudo no âmbito do Judiciário. Eles são:
Cabeçalho (com logomarca institucional, quando for o caso).
Dados no cabeçalho que ofereçam a identificação do usuário e o assunto a ser abordado.
Juízo ao qual está vinculado o processo, quando for o caso.
Nome da ação.
Identificação das partes envolvidas na peça processual.
Breve contextualização do estudo realizado (sujeitos envolvidos na situação e que foram ouvidos,
instrumentos utilizados etc.).
Descrição resumida do material coletado na fase inicial do estudo, por meio de relatórios de entrevista,
relatórios de observação, diário de campo ou outros instrumentos.
Apresentação da análise realizada sobre a situação, com registro do parecer, datado, assinado e
encaminhado ao juiz.
Em relação à linguagem empregada na elaboração do laudo pericial, vale resgatar o que diz o Código de
Processo Civil (CPC). O art. 473 do CPC determina que o perito deve apresentar sua fundamentação usando
“linguagem simples e com coerência lógica” (Brasil, 2015).
A linguagem simples está relacionada com clareza, objetividade e precisão, evitando-se ambiguidades e
rebuscamentos.
Declaração de comparecimento ou atendimento
Documento que o profissional de serviço social emite para atestar o comparecimento da pessoa atendida às
atividades ou ações realizadas pelo assistente social.
•
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•
•
Profissional redigindo declaração de atendimento.
Essa declaração deve se caracterizar pela linguagem
objetiva, com apresentação apenas das informações
necessárias, sendo um registro breve e pontual, limitado à
sua finalidade. O texto pode ser corrido, sem a necessidade
de subtítulos. É recomendável que a redação seja na
primeira pessoa do singular ou plural.
De acordo com CFESS (2022, p. 151), algumas indicações
ou informações devem constar no texto da declaração de
comparecimento ou atendimento. Veja!
Nome
Nome completo ou nome social completo da(o)
usuária(o) atendida(o)
Finalidade
Finalidade do comparecimento ou do
atendimento.
Local
Setor/área/local onde ocorreu o atendimento.
Data e hora
A(s) data(s) e o(s) horário(s) de início e fim do
atendimento.
O cuidado no registro das informações certamente contribuirá para que o documento, seja ele qual for,
cumpra seu propósito e seja compreendido sem grandes dificuldades.
Parecer social, laudo e declaração de comparecimento
Assista a este vídeo e veja a resposta e os comentários sobre três questões acerca da elaboração de parecer,
laudo e declaração.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Leia e compare os dois trechos de documento sobre avaliação das condições de moradia.
Texto 1
Durante a inspeção realizada na residência localizada na Rua das Flores, 123, verificou-se que as condições
de moradia são precárias. A casa, com apenas dois quartos e um banheiro, aloja uma família de seis pessoas.
Observou-se que não há ventilação adequada e a iluminação é insuficiente, o que pode comprometer a saúde
dos moradores. Recomenda-se que medidas urgentes sejam tomadas para melhorar a ventilação e a
iluminação, visando garantir um ambiente mais saudável para a família.
Texto 2
A casa onde essa família mora, sito a Rua das Flores, n. cento e vinte e três, é muito ruim e eles parecem não
se importar com a própria saúde. Tem pouca luz e ar, o que é inaceitável. Algo deve ser feito para ajudá-los,
talvez melhorando a casa ou algo assim.
A partir da análise dos textos, é correto afirmar que:
A
O primeiro texto exemplifica clareza, precisão e objetividade, enquanto o segundo ilustra subjetividade,
imprecisão e informalidade.
B
Ambos os textos são adequados, apesar de o primeiro ser mais formal e o segundo apresentar linguagem
informal, para criar empatia com os desfavorecidos.
C
O segundo texto apresenta linguagem inadequada, porque os documentos devem conter vocabulário
sofisticado e altamente técnico, para se distinguir da realidade relatada.
D
Ambos os textos apresentam linguagem inadequada, porque o primeiro é uma descrição, quando deveria ser
uma narração, e o segundo é uma narrativa política.
E
A linguagem empregada no primeiro texto é inadequada, porque descreve sem subjetividade as condições de
moradia, oferecendo um relato frio e distante.
A alternativa A está correta.
O primeiro texto descreve de forma clara e específica as condições observadas, usando termos técnicos
adequados, como "precárias", "ventilação inadequada" e "iluminação insuficiente". Ele é objetivo, focando
as condições físicas da moradia, sem emitir juízos de valor sobre os moradores. Também oferece
recomendações concretas e direcionadas, que são fundamentais em um laudo técnico para guiar ações
subsequentes. O segundo texto, no entanto, apresenta subjetividade e julgamento, falta de precisão
técnica e linguagem informal, aspectos que são inadequados.
Questão 2
Analise as afirmativas a seguir.
I — O relatório social deve ser escrito de forma sucinta, evitando detalhes desnecessários.
PORQUE
II — Um relatório sucinto facilita a compreensão rápida e eficiente dos pontos mais importantes pelos
decisores.
Assinale a alternativa correta.
A
A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
B
Ambas as afirmativas são verdadeiras, mas a II não é uma explicação correta da I.
C
Ambas as afirmativas são verdadeiras, e a II é uma explicação correta da I.
D
A afirmativa I é falsa, e a II é verdadeira.
E
Ambas as afirmativas são falsas.
A alternativa C está correta.
A concisão é uma qualidade importante em relatórios técnicos, para facilitar a tomada de decisões e
garantir que os pontos principais sejam compreendidos rapidamente. Somente quando o detalhamento
atender ao objetivo do relatório, ele deve ser realizado; porém, isso não significa elaborar um texto prolixo
ou com descrições desnecessárias.
3. Conclusão
Considerações finais
Aprendemos que, na prática profissional, documentar atividades e ações é fundamental para preservar e
comunicar intervenções, resultando em textos técnicos ou documentos, como relatórios, laudos e prontuários.
Um desafio significativo é transpor conhecimentos e observações, frequentemente orais, para a linguagem
escrita formal. Isso é especialmente complexo, quando documentos são preparados para profissionais de
outras áreas, que podem não compartilhar a mesma perspectiva ou vocabulário técnico.
Documentos escritos devem continuar a comunicar e a impactar, fornecendo bases para decisões ou ações
futuras. A redação eficaz envolve escolher apropriadamente o conteúdo a ser registrado, utilizando uma
linguagem técnica precisa e evitando generalizações ou expressões ambíguas, para assegurar que o
documento seja claro, objetivo e útil na tomada de decisões.
Também aprendemos alguns procedimentos e recomendações importantes na redação de ata de reunião,
relatório social, parecer, laudo social e declaração de comparecimento. Esses documentos demandam
cuidados específicos quanto à linguagem a ser empregada, aos dados que devem ser registrados e à
estrutura ou organização que os caracterizam.Tudo isso nos mostra que a documentação da atividade profissional é um registro que precisa ser também
uma forma de comunicação eficaz, que atinja seus objetivos.
Explore +
Desenvolva sua habilidade de comunicação e linguagem simples na saúde consultando o e-book Guia de
linguagem simples do ICICT, de Liana Braga Paraguassu e Valéria Machado da Costa, publicado e
disponibilizado gratuitamente na página da internet da Fiocruz.
Amplie sua compreensão do registro da atividade profissional do assistente social lendo o artigo A questão
dos documentos profissionais no serviço social, de Ludson Rocha Martins, publicado na Revista Temporalis,
hospedada na página da internet da plataforma de periódicos da Universidade Federal do Espírito Santo
(Ufes).
Aprofunde seu conhecimento sobre a produção de documentos na área de serviço social consultando o livro
Avaliação e linguagem: relatórios, laudos e pareceres, de Selma Marques Magalhães, e que já está em sua
quinta edição, publicado pela editora Papel Social.
Tenha uma visão mais abrangente e acadêmica do uso da linguagem na atuação do assistente social
consultando a dissertação de mestrado Serviço social e os gêneros do discurso: a linguagem como mediação
do trabalho do/a assistente social, de Ariane Aparecida Gonçalves Rodrigues, disponível na página da internet
da plataforma Sapientia da PUC-SP.
Confira algumas regras para a elaboração das anotações em enfermagem nas páginas 14 e 15 do Guia de
Recomendações para Registro de Enfermagem no Prontuário do Paciente e Outros Documentos de
Enfermagem, elaborado e publicado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e disponibilizado na
página da internet do portal do Cofen.
Referências
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da
República, 1998. Consultado na internet em: 13 maio 2024.
BRASIL. Manual de elaboração de textos. Apresentação: Dirceu Teixeira de Matos. Brasília, DF: Senado
Federal: Consultoria Legislativa, 1999.
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS. Produção de documentos e emissão de opinião técnica
em serviço social. Brasília, DF: CFESS, 2022.
FÁVERO, E. T. Instruções sociais de processos, sentenças e decisões. In: CFESS/ABEPSS (org.). Serviço aocial:
direitos sociais e competências profissionais. Brasília, DF: CFESS/ABEPSS, 2009.
FÁVERO, E. T. O estudo social: fundamentos e particularidades de sua construção na área judiciária. In: CFESS
(org.). O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: debates atuais no Judiciário, no Penitenciário
e na Previdência Social. 11. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2014.
FÁVERO, E. T.; FRANCO, A. A. P.; OLIVEIRA, R. C. S. Processos de Trabalho e Documentos em Serviço Social:
reflexões e indicativos relativos à construção, ao registro e à manifestação da opinião técnica. In: CFESS
(org.). Atribuições privativas da/o assistente social em questão. Brasília, DF: CFESS, 2020. v. II.
FRANCO, A. A. de P. Dimensão técnico-operativa da perícia em serviço social. In: FRANCO, A. A. de P.;
FÁVERO, E. T.; OLIVEIRA, R. de C. S. Perícia em serviço social. Campinas: Papel Social, 2021.
GERBER, L. M. L. Oficina de serviço social: elaboração de relatórios e laudos. Santa Catarina: Amavi, 2011.
GOLD, M. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era da globalização. 3. ed. São Paulo: Pearson
Education, 2005.
MOREIRA, M. C.; ALVARENGA, R. F. C. O parecer social: um instrumento de viabilização de direitos (relato de
uma experiência). In: CFESS (org.). O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: debates atuais
no Judiciário, no Penitenciário e na Previdência Social. 11. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2014.
SOUSA, C. T. de. A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e a intervenção profissional.
Emancipação, v. 8, n. 1, 2008.
Redação de documentos
1. Itens iniciais
Propósito
Objetivos
Introdução
1. Elaboração da documentação do exercício profissional
Os desafios da redação de documentos e textos técnicos
Exemplo
Atenção
Exemplo
Exemplo
Os desafios da redação de documentos e textos técnicos
Conteúdo interativo
Elementos formais da redação de documentos
Cabeçalho
Identificação do profissional
Identificação do usuário ou cliente
Dados do atendimento ou intervenção
Corpo do documento
Conclusões e recomendações
Encerramento
Anexos (se necessário)
Revisão e confidencialidade
Revisão ortográfica e de conteúdo
Exemplo
Elementos formais da redação de documentos
Conteúdo interativo
Verificando o aprendizado
2. Redação de ata, relatório, parecer, laudo e declaração
Elaboração de ata de reunião
Exemplo
Correção 1
Correção 2
Correção 3
Correção 4
Erro percebido no momento da redação da ata
Erro percebido após a redação da ata
Saiba mais
Elaboração de ata de reunião
Conteúdo interativo
Elaboração de relatório
Relatórios na área da saúde
Relatório médico
Relatório de enfermagem
Relatório nutricional
Relatório de auditoria em saúde
Relatório gerencial hospitalar
Relatório social
Relatório social
A quem se destina o relatório?
Qual nível de detalhamento deve ter o relatório?
Como deve ser a estrutura do relatório?
Saiba mais
Elaboração de relatório
Conteúdo interativo
Parecer social, laudo e declaração de comparecimento
Parecer social
Laudo
Declaração de comparecimento ou atendimento
Nome
Finalidade
Local
Data e hora
Parecer social, laudo e declaração de comparecimento
Conteúdo interativo
Verificando o aprendizado
3. Conclusão
Considerações finais
Explore +
Referências