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Direito Penal IV Parte Especial Prof. M.e Cristian Lima Instagram: @cristianlimaprof E-mail: cristianlimaprof@gmail.com 1 Usurpação de função pública Usurpação de função pública Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. Objetividade jurídica: a regularidade e o normal funcionamento das atividades públicas. Tipo objetivo: Usurpar significa desempenhar indevidamente uma atividade pública, ou seja, assumir indevidamente as atividades de determinada função pública, vindo a executar atos inerentes ao ofício, sem que tenha sido aprovado em concurso ou nomeado para tal função. Exemplo: uma pessoa passa a se apresentar como policial e a realizar atos próprios desta função. Usurpação de função pública Sujeito ativo: o particular que realiza atos inerentes à função pública que não exerce. Parte da doutrina entende que também comete o crime o funcionário público que exerce, indevidamente, as funções de outro. Exemplo: escrevente que passa a praticar atos próprios de juiz de direito. Sujeito passivo: o Estado. Consumação: no instante em que o agente pratica algum ato inerente à função usurpada. É desnecessária a ocorrência de qualquer outro resultado. Tentativa: é admissível. Ação penal: pública incondicionada. Resistência Resistência Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena - detenção, de dois meses a dois anos. § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa: Pena - reclusão, de um a três anos. § 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. Objetividade jurídica: a autoridade e o prestígio da função pública. Tipo objetivo: para a caracterização do crime de resistência, é preciso que o agente empregue violência ou ameaça (não é necessário que seja grave) com o intuito de evitar a prática do ato funcional. Exemplo: para evitar uma prisão ou uma reintegração de posse. Resistência Sujeito ativo: qualquer pessoa. Não importa se é a pessoa contra quem é dirigido o ato funcional ou terceiro. Sujeito passivo: o Estado, que tem interesse no cumprimento dos atos legais, e, de forma secundária, o funcionário público contra quem é dirigida a violência ou ameaça. Consumação e figura qualificada: no momento em que for empregada a violência ou ameaça. Trata-se de crime formal, pois, para a consumação, não se exige que o sujeito consiga impedir a execução do ato. Aliás, se isso ocorrer, será aplicada a qualificadora do § 1º. Nesse caso, o que seria exaurimento funciona como qualificadora. Tentativa: é possível. Exemplo: ameaça escrita que se extravia. Ação penal: é pública incondicionada. Desobediência Desobediência Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. Objetividade jurídica: o prestígio e o cumprimento das ordens emitidas por funcionários públicos no desempenho de suas atividades. Tipo objetivo: Desobedecer é sinônimo de não cumprir, não atender, dolosamente, a ordem recebida. Pode ser praticada por ação, quando a ordem determina uma omissão, ou por omissão, quando a ordem determina uma ação. Exemplo: faltar injustificadamente à audiência para a qual foi intimada na condição de testemunha, recusar-se a enviar informações ao juízo que as requisitou, efetuar obra em local embargado, abrir estabelecimento interditado etc. Desobediência São requisitos para a configuração do crime de desobediência: Deve haver uma ordem: significa determinação, mandamento. O não atendimento de mero pedido ou solicitação não caracteriza o crime. A ordem deve ser legal: pode até ser injusta, só não pode ser ilegal. Deve ser emanada de funcionário público competente para proferi-la. Exemplo: delegado de polícia requisita informação bancária de um particular e o gerente do banco não atende. Não há crime, pois o gerente só está obrigado a fornecer a informação se houver determinação judicial. É necessário que o destinatário tenha o dever jurídico de cumprir a ordem: Além disso, não haverá crime se o descumprimento se der por motivo de força maior ou por ser impossível por algum motivo o seu cumprimento. Desobediência Sujeito ativo: trata-se de crime comum, que pode ser cometido por qualquer particular. Sujeito passivo: o Estado e, secundariamente, o funcionário público que emitiu a ordem desobedecida. Consumação: depende do conteúdo da ordem: Se determina uma omissão: o crime se consuma no momento da ação. Se determina uma ação, duas hipóteses podem ocorrer: se a ordem fixou um prazo para a ação, o crime se consumará com a expiração desse prazo, mas, se a ordem não fixou qualquer prazo, o crime estará consumado com o decurso de um tempo juridicamente relevante (a ser analisado no caso concreto), capaz de indicar com segurança a intenção de não a cumprir. Tentativa: só é possível na forma comissiva. Ação penal: é pública incondicionada. Desacato Desacato Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. Objetividade jurídica: a dignidade da Administração Pública e o respeito aos servidores públicos. Tipo objetivo: Desacatar significa desrespeitar, desprestigiar, ofender. Admite qualquer meio de execução, como palavras, gestos, vias de fato ou qualquer outro meio que evidencie a intenção de ofender o funcionário público. Exemplo: xingar o policial que o está multando; fazer sinais ofensivos; rasgar o mandado de intimação entregue pelo oficial de justiça e atirá-lo ao chão; atirar seu quepe no chão; mostrar o pênis ao policial que pediu para o agente mostrar o documento. O desacato pode, excepcionalmente, ser cometido por ato omissivo, como no caso de pessoa que, acintosamente, finge não perceber que o funcionário está lhe dirigindo a palavra. Desacato Sujeito ativo: em princípio pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo: o Estado e, de forma secundária, o funcionário público que foi ofendido. Consumação: no momento da ofensa. Tentativa: não é possível, pois o desacato reclama a presença da vítima. Ação penal: é pública incondicionada Tráfico de influência Tráfico de Influência Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. Objetividade jurídica: a confiança na Administração Pública e o seu prestígio junto à coletividade. Tipo objetivo: é uma modalidade especial de estelionato, em que o agente, gabando-se de influência sobre funcionário público, pede, exige, cobra ou recebe qualquer vantagem (material ou de outra natureza) ou promessa de vantagem, afirmando ardilosamente que irá influir em ato praticado por tal funcionário no exercício de sua função. Exemplo: alegar ter amizade com um fiscal da prefeitura e solicitar dinheiro para um comerciante a pretexto de o estabelecimento não passar por inspeções periódicas. Tráfico de influência Sujeito ativo: qualquer pessoa, inclusive funcionário público que alardeie influência sobre outro. Sujeito passivo: o Estado e, secundariamente, a pessoa ludibriada. Consumação: no exato momento em que o agente solicita, exige, cobra ou obtém a vantagem ou promessa de vantagem. Trata-se de crime formal nas três primeiras figuras e material na última (“obter”). Tentativa: possível, como, por exemplo, na hipótese de solicitação ou exigência feita por escrito, que se extravia. Ação penal: é pública incondicionada. Corrupção ativa Corrupção ativa Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitirou retardar ato de ofício: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. Objetividade jurídica: proteger a moralidade da Administração Pública e seu regular funcionamento, que podem ser colocados em risco pela corrupção. Tipo objetivo: no crime de corrupção ativa, pune-se o particular que toma a iniciativa de oferecer ou prometer alguma vantagem indevida a um funcionário público a fim de se beneficiar, em troca, com alguma ação ou omissão deste funcionário. Na oferta, o agente coloca dinheiro ou valores à imediata disposição do funcionário. Na promessa, o agente se compromete a entregar posteriormente a vantagem ao funcionário. Exemplo: estende a mão com dinheiro a um policial que está prestes a autuá-lo por infração de trânsito. Corrupção ativa Para que exista a corrupção ativa, o sujeito, com a oferta ou promessa de vantagem, deve visar que o funcionário: Retarde ato de ofício: Exemplo: para que um delegado de polícia demore a concluir um inquérito policial, visando a prescrição. Omita ato de ofício: Exemplo: para que o policial não o multe. Pratique ato de ofício. Exemplo: para que um funcionário da Prefeitura emita autorização para início de uma construção sem que tenham sido atendidas as formalidades legais. Corrupção ativa Sujeito ativo: trata-se de crime comum, que pode ser cometido por qualquer pessoa. Até mesmo funcionário público pode ser sujeito ativo. Ex.: chefe do executivo que oferece valores para integrantes do legislativo aprovarem projetos de sua autoria. Sujeito passivo: o Estado. Consumação e causa de aumento de pena: quando a oferta ou a promessa chegam ao funcionário público, ainda que ele não a aceite. Trata-se de crime formal. Se o funcionário público a aceitar e, em razão da vantagem, retardar, omitir ou praticar ato infringindo dever funcional, a pena da corrupção ativa será aumentada de um terço. Tentativa: é possível na forma escrita quando ocorre o extravio. Ação penal: é pública incondicionada. Descaminho Descaminho Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria. Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 1o Incorre na mesma pena quem: I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem; IV - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos. § 2o Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. § 3o A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. Descaminho Objetividade jurídica: o controle do Poder Público sobre a entrada e saída de mercadorias do País e os interesses em termos de tributação da Fazenda Nacional. Descaminho: é a fraude tendente a frustrar, total ou parcialmente, o pagamento de direitos de importação ou exportação ou do imposto de consumo (a ser cobrado na própria aduana) sobre mercadorias. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Sujeito passivo: o Estado, representado pela União. Consumação: com a entrada ou saída da mercadoria do território nacional. Entendemos tratar-se de crime instantâneo de efeitos permanentes, e não de crime permanente. Tentativa: é possível. Exemplo: mercadoria apreendida no setor alfandegário. Ação penal: é pública incondicionada. Contrabando Contrabando Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos. § 1o Incorre na mesma pena quem: I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou autorização de órgão público competente; III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação; IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira; V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira. § 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. § 3o A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. Contrabando Objetividade jurídica: o controle do Poder Público sobre a entrada e saída de mercadorias do País e os interesses em termos de tributação da Fazenda Nacional. Contrabando: é a clandestina importação ou exportação de mercadorias cuja entrada no País, ou saída dele, é absoluta ou relativamente proibida. Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Sujeito passivo: o Estado, representado pela União. Consumação: com a entrada ou saída da mercadoria do território nacional. Entendemos tratar-se de crime instantâneo de efeitos permanentes, e não de crime permanente. Tentativa: é possível. Exemplo: mercadoria apreendida no setor alfandegário. Ação penal: é pública incondicionada Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública, promovida pela administração federal, estadual ou municipal, ou por entidade paraestatal; afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abstém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem oferecida. Esse dispositivo foi revogado pelos arts. 93 e 95 da Lei n. 8.666/93 (Lei de Licitações), que punia as mesmas condutas com penas maiores. Atualmente, tais condutas ilícitas estão previstas no art. 337-I e K do Código Penal, inseridas pela Lei n. 14.133/2021 — que revogou expressamente a Lei n. 8.666/93. Inutilização de edital ou sinal Inutilização de edital ou de sinal Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem de funcionário público, para identificar ou cerrar qualquer objeto: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Objetividade jurídica: a regularidade no funcionamento da Administração Pública. Tipo objetivo: a primeira figura se refere a edital afixado por ordem de funcionário público, que pode ser de caráter administrativo (de casamento ou hasta pública, por exemplo), judicial (de citação, por exemplo) ou legislativo. Abrange as condutas de rasgar (cortar, lacerar), inutilizar (tornar ilegível) ou conspurcar (sujar, rabiscar, sem tornar ilegível). Edital é um comunicado oficial cuja finalidade é dar conhecimento a todos de determinado fato e, por isso, é afixado em local público. A segunda figura consiste em inutilizar ou violar (transpor) o obstáculo que o selo ou o sinal representam. Estes visam, normalmente,dar garantia oficial à identificação ou ao conteúdo de certos pacotes, envelopes etc. É necessário que tenham sido empregados por determinação legal ou de funcionário público competente. Inutilização de edital ou sinal Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Sujeito passivo: o Estado. Consumação: no exato instante em que o agente consegue rasgar, inutilizar ou conspurcar o edital, ou violar ou inutilizar o selo ou sinal, independentemente de qualquer outro resultado. Tentativa: é possível. Ação penal: é pública incondicionada. Subtração ou inutilização de livro ou documento Subtração ou inutilização de livro ou documento Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço público: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave. Objetividade jurídica: a preservação dos livros oficiais, processos e documentos mencionados no tipo penal. Tipo objetivo: as condutas típicas são: Subtrair: tirar, retirar; Inutilizar: tornar imprestável. Necessário que a conduta recaia sobre: Livro oficial: usado para escriturações ou registros; Processo: judicial ou administrativo; Documento: público ou privado, que esteja confiado à custódia de funcionário público ou de particular em serviço público. Subtração ou inutilização de livro ou documento Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Sujeito passivo: o Estado e, em segundo plano, as pessoas prejudicadas pela conduta. Consumação: no instante em que o agente subtrai ou inutiliza, total ou parcialmente, o livro, processo ou documento. Tentativa: é possível. Ação penal: é pública incondicionada. Sonegação de contribuição previdenciária Sonegação de contribuição previdenciária Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. § 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: I – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. § 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. § 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. Sonegação de contribuição previdenciária Objetividade jurídica: o patrimônio e o bom funcionamento da Seguridade Social. As condutas incriminadas são: Suprimir: deixar de declarar; Reduzir: declarar valor menor do que o devido. O objeto material do delito são as contribuições sociais, cujas hipóteses de incidência e respectivos valores são definidos em lei, e seus acessórios. Trata-se de crime de ação vinculada, que só se configura quando a sonegação (total ou parcial) se reveste de uma das formas descritas nos incs. I, II e III acima descritos. Sujeito ativo: somente o responsável pelo lançamento das informações nos documentos mencionados no texto legal (crime próprio). Pode ser sujeito ativo qualquer sócio, diretor, gerente ou administrador de um estabelecimento. É evidente, entretanto, que, no caso concreto, deve-se identificar o efetivo responsável, ou seja, a pessoa que tinha a função, dentro da empresa, de efetuar os lançamentos e não o fez. Sonegação de contribuição previdenciária Sujeito passivo: o Estado, representado pela Seguridade Social. Consumação: no momento em que o agente efetivamente suprime ou reduz a contribuição social. Tentativa: é inadmissível, já que as condutas são exclusivamente omissivas. Ação penal: é pública incondicionada.