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PARTE 1 — A GLICOSE ENTRA NA CÉLULA, MAS PRECISA SER PRESA 
A glicose está no sangue. Ela quer entrar na célula para virar energia. 
 Mas quando ela entra, existe um problema: 
Se ela ficar como glicose normal, ela pode sair novamente. 
Ou seja, é como se entrasse na casa e deixasse a porta aberta. 
Então a célula faz o seguinte: 
Assim que a glicose entra, ela ganha um fosfato 
isso vira Glicose-6-fosfato (G6P) 
Quem coloca o fosfato? 
● No músculo → Hexoquinase 
 
● No fígado → Glicoquinase 
 
Esse fosfato funciona como uma coleira 
 Agora a glicose não consegue mais sair da célula. 
 Ficou presa lá dentro, obrigada a virar energia ou virar armazenamento. 
 
PARTE 2 — A CÉLULA PERGUNTA: “VOU GUARDAR OU GASTAR?” 
Agora dentro da célula, a G6P pode seguir dois caminhos: 
 
CAMINHO A: GUARDAR ENERGIA = GLICOGÊNESE 
Se o corpo tem MUITA glicose (depois de comer, por exemplo), a célula pensa: 
 ➡ “não preciso de energia agora, vou guardar” 
Então acontece a glicogênese (produção de glicogênio) 
- G6P é transformada em G1P 
- G1P vira UDP-glicose (uma glicose ativada, pronta para ser encaixada no glicogênio) 
- Agora entra a Glicogênio Sintase 
-> ela pega cada glicose e monta uma corrente: glicose—glicose—glicose—glicose… 
- Depois entra a enzima ramificadora 
 -> ela cria “galhos” para que o glicogênio fique compacto e fácil de tirar quando precisar 
Onde isso acontece muito? No fígado e no músculo 
Quem manda guardar? 
 ➡ Insulina 
 Quando a insulina está alta, ela diz: 
 “Tem glicose sobrando! Guardem isso em forma de glicogênio!” 
CAMINHO B: USAR ENERGIA = GLICOGENÓLISE 
Agora pensa no contrário. 
Se o corpo está sem comida, em jejum, ou você começou a correr: 
➡ “preciso de energia agora, libera o estoque!” 
Então acontece a glicogenólise (quebra do glicogênio) 
Quem quebra o glicogênio? 
 ➡ Glicogênio Fosforilase 
Ela vai arrancando glicoses de uma em uma do glicogênio, transformando em Glicose-1-fosfato, depois 
Glicose-6-fosfato. 
Mas agora vem algo MUITO importante: 
● No FÍGADO existe a enzima Glicose-6-fosfatase 
 👉 ela converte G6P em glicose livre 
 👉 a glicose sai para o sangue 
 👉 serve para alimentar todo o corpo 
● No MÚSCULO essa enzima NÃO existe 
 👉 então o músculo não manda glicose para o sangue 
 👉 ele usa pra ele mesmo 
Por isso: 
● Fígado controla a glicemia 
● Músculo só cuida de si 
 
Quem manda liberar o estoque? 
 ➡ Glucagon (jejum) 
 ➡ Adrenalina/Epinefrina (estresse, exercício) 
 
 PARTE 3 — A GLICOSE COMEÇA A VIRAR ENERGIA (GLICÓLISE) 
Agora vamos pro uso da energia. 
A glicose presa dentro da célula (G6P) começa uma sequência de transformações para virar ATP. 
➡ Esse processo se chama glicólise 
 ➡ Acontece no citosol da célula 
 ➡ Não precisa de oxigênio 
A glicose (que tem 6 carbonos) vai sendo cortada e modificada até virar 2 moléculas de piruvato (3 
carbonos cada). 
Durante esse processo: 
 - A célula gasta 2 ATP no começo 
 - Mas depois ganha 4 ATP 
 = saldo = 2 ATP de lucro 
Também produz 2 NADH (moedas que serão trocadas por mais ATP na mitocôndria) 
 
 PARTE 4 — O PIRUVATO CHEGA NO MOMENTO DA ESCOLHA 
Aqui é simples: 
Se NÃO tem oxigênio (anaeróbio) 
Ex: exercício intenso, corrida, músculos cansados 
 ➡ piruvato vira lactato 
 ➡ isso regenera NAD+ 
 ➡ assim a glicólise pode continuar e produzir ATP rápido 
Exemplo clássico: ardência muscular 
Se TEM oxigênio (aeróbio) 
➡ piruvato vai para a mitocôndria 
 ➡ vira Acetil-CoA 
PARTE 5 — ACETIL-CoA ENTRA NO CICLO DE KREBS 
Agora estamos na mitocôndria, o centro de energia. 
O Acetil-CoA entra no ciclo de Krebs, que é um conjunto de reações repetitivas que servem para extrair o 
máximo de energia possível. 
A cada rodada do ciclo, conseguimos: 
3 NADH 
1 FADH2 
1 GTP (que vale como ATP) 
2 CO₂ 
Essas moléculas NADH e FADH₂ carregam energia eletrônica para a última etapa. 
PARTE 6 — CADEIA RESPIRATÓRIA / FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA 
Agora estamos na membrana interna da mitocôndria. 
Os NADH e FADH₂ entregam seus elétrons para vários complexos de proteínas. 
 Esses complexos bombeiam prótons (H+) criando uma bateria química. 
➡ Quem usa essa bateria? 
 ATP sintase 
É como uma turbina que gira com a força dos prótons e monta ATP. 
É aqui que a MAIOR parte do ATP é feita: 
 ➡ aproximadamente 30–32 ATP por glicose 
RESUMO DA JORNADA DA GLICOSE (VERSÃO HISTÓRIA) 
1. glicose entra na célula 
2. ganha fosfato e fica presa como G6P 
3. decide: guardar (glicogênio) ou usar para energia 
4. glicólise → vira piruvato + 2 ATP rápidos 
5. com oxigênio: vira Acetil-CoA 
6. Acetil-CoA roda no Ciclo de Krebs 
7. NADH e FADH₂ viram ATP na cadeia respiratória 
1) ENTRADA DA GLICOSE + “PRISÃO” DA GLICOSE 
REAÇÃO 1: Glicose → Glicose-6-fosfato (G6P) 
● Enzima no músculo: Hexoquinase 
○ alta afinidade (funciona mesmo com pouca glicose) 
○ inibida pelo produto (G6P) 
● Enzima no fígado: Glicoquinase 
○ baixa afinidade (funciona muito quando há muita glicose — após refeições) 
○ NÃO é inibida por G6P 
● Energia: usa 1 ATP 
● Função do fosfato: prender a glicose dentro da célula 
 
2) SE QUISER GUARDAR ENERGIA → GLICOGÊNESE 
acontece quando tem insulina 
REAÇÃO: G6P → G1P 
● Enzima: Fosfoglicomutase 
 
REAÇÃO: G1P → UDP-glicose 
● Enzima: UDP-glicose pirofosforilase 
 
● usa UTP (uridina trifosfato) 
 
UDP-glicose é a glicose “ativada”, pronta para entrar no glicogênio. 
Construção do glicogênio 
● Enzima principal: Glicogênio Sintase 
 
○ liga glicoses com ligações α-1,4 
 
○ INSULINA ativa essa enzima 
 
● Início da molécula: proteína glicogenina 
 
○ as primeiras glicoses se ligam ao aminoácido tirosina dessa proteína 
 
● Ramificações: Enzima ramificadora 
 
○ cria ligações α-1,6 
 
resultado: glicogênio grande, solúvel e com MUITAS pontas para quebrar depois 
 
3) QUANDO PRECISA DE ENERGIA → GLICOGENÓLISE 
acontece quando há glucagon (jejum) e adrenalina (exercício) 
REAÇÃO: glicogênio → G1P 
● Enzima: Glicogênio Fosforilase 
 
○ quebra ligações α-1,4 
 
○ regula por fosforilação e por hormônios via AMP → ativa, ATP → inibe 
 
Problema: ramificações 
● Glicogênio Fosforilase para quando restam 4 glicoses antes da ramificação 
 
● entra a Enzima Desramificadora: 
 
○ parte dela move glicoses para outra cadeia 
 
○ outra parte quebra a ligação α-1,6 
 
REAÇÃO: G1P → G6P 
● Enzima: Fosfoglicomutase 
 
Agora acontece a diferença entre fígado e músculo: 
FÍGADO 
● tem Glicose-6-fosfatase 
 
● converte G6P → Glicose livre 
 
● glicose é liberada no sangue 
 
MÚSCULO 
● NÃO tem glicose-6-fosfatase 
 
● G6P entra direto na glicólise para gerar energia para ele mesmo 
 
 
4) GLICÓLISE — 10 REAÇÕES COM ENZIMAS 
A glicose vira 2 piruvatos. Vamos com calma: 
 FASE DE INVESTIMENTO (gasta ATP) 
1) Glicose → G6P 
 enzima: Hexoquinase/Glicoquinase 
 → usa 1 ATP 
2) G6P → Frutose-6-fosfato (F6P) 
 enzima: Fosfoglicose isomerase 
3) F6P → Frutose-1,6-bisfosfato (F1,6BP) 
 enzima: PFK-1 (fosfofrutoquinase-1) 
 → usa 1 ATP 
 PFK-1 é a enzima mais importante da glicólise 
● inibida por ATP e citrato 
● ativada por AMP e ADP 
 
CORTANDO A MOLÉCULA EM DUAS 
4) F1,6BP → DHAP + Gliceraldeído-3-fosfato (G3P) 
 enzima: Aldolase 
5) DHAP → G3P (para não desperdiçar carbono) 
 enzima: Triosafosfato isomerase 
Agora temos 2 moléculas de G3P, então as próximas reações acontecem duas vezes. 
 
FASE DE GANHO DE ENERGIA 
6) G3P → 1,3-bisfosfoglicerato (1,3-BPG) 
 enzima: Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase 
 ➕ produz NADH 
7) 1,3-BPG → 3-fosfoglicerato (3PG) 
 enzima: Fosfoglicerato quinase 
 aqui sai ATP 
 ✅ essa é fosforilação em nível de substrato 
8) 3PG → 2-fosfoglicerato (2PG) 
 enzima: Fosfoglicerato mutase 
9) 2PG → Fosfoenolpiruvato (PEP) 
 enzima: Enolase 
10) PEP → Piruvato 
 enzima: Piruvato quinase 
 aqui sai ATP de novo 
 fosforilação em nível de substrato 
Resumo energético da glicólise: 
● Gastou: 2 ATP 
● Ganhou: 4 ATP 
 ➡ Lucro = 2 ATP 
● Produziu: 2 NADH 
 
5) SE NÃO TEM OXIGÊNIO → VIA DO LACTATO 
1 Piruvato→ Lactato 
● enzima: Lactato desidrogenase 
● função: regenerar NAD+ para a glicólise continuar 
 
 
 6) SE TEM OXIGÊNIO → MITOCÔNDRIA 
2) Piruvato → Acetil-CoA 
● enzima: Complexo Piruvato Desidrogenase 
● produz NADH 
● libera CO₂ 
● cofatores importantes: B1, B2, B3, B5, lipoato, Mg²⁺ 
 
 
 7) CICLO DE KREBS (COM AS ENZIMAS) 
Cada volta usa 1 acetil-CoA: 
1. Citrato Sintase 
 oxaloacetato + acetil-CoA → citrato 
 
2. Aconitase 
 citrato → isocitrato 
 
3. Isocitrato Desidrogenase 
 isocitrato → α-cetoglutarato 
 ➕ NADH 
 ➕ CO₂ 
 
4. α-Cetoglutarato Desidrogenase 
 → Succinil-CoA 
 ➕ NADH 
 ➕ CO₂ 
 
5. Succinil-CoA Sintetase 
 → Succinato 
 ➕ GTP (≈ ATP) 
 fosforilação em nível de substrato 
 
6. Succinato Desidrogenase 
 → Fumarato 
 ➕ FADH₂ 
 
7. Fumarase 
 → Malato 
 
8. Malato Desidrogenase 
 → Oxaloacetato 
 ➕ NADH 
 
e o ciclo recomeça 
8) CADEIA RESPIRATÓRIA 
● os NADH e FADH₂ feitos na glicólise, PDH e Krebs entregam elétrons 
● prótons são bombeados 
● a ATP sintase usa essa energia para fazer ATP 
 
-> rendimento total: cerca de 30–32 ATP por molécula de glicose 
 
	PARTE 1 — A GLICOSE ENTRA NA CÉLULA, MAS PRECISA SER PRESA 
	PARTE 2 — A CÉLULA PERGUNTA: “VOU GUARDAR OU GASTAR?” 
	CAMINHO A: GUARDAR ENERGIA = GLICOGÊNESE 
	CAMINHO B: USAR ENERGIA = GLICOGENÓLISE 
	Se NÃO tem oxigênio (anaeróbio) 
	Se TEM oxigênio (aeróbio) 
	PARTE 5 — ACETIL-CoA ENTRA NO CICLO DE KREBS 
	PARTE 6 — CADEIA RESPIRATÓRIA / FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA 
	RESUMO DA JORNADA DA GLICOSE (VERSÃO HISTÓRIA) 
	1) ENTRADA DA GLICOSE + “PRISÃO” DA GLICOSE 
	REAÇÃO 1: Glicose → Glicose-6-fosfato (G6P) 
	2) SE QUISER GUARDAR ENERGIA → GLICOGÊNESE 
	REAÇÃO: G6P → G1P 
	REAÇÃO: G1P → UDP-glicose 
	Construção do glicogênio 
	3) QUANDO PRECISA DE ENERGIA → GLICOGENÓLISE 
	REAÇÃO: glicogênio → G1P 
	Problema: ramificações 
	REAÇÃO: G1P → G6P 
	4) GLICÓLISE — 10 REAÇÕES COM ENZIMAS 
	 FASE DE INVESTIMENTO (gasta ATP) 
	CORTANDO A MOLÉCULA EM DUAS 
	FASE DE GANHO DE ENERGIA 
	5) SE NÃO TEM OXIGÊNIO → VIA DO LACTATO 
	 6) SE TEM OXIGÊNIO → MITOCÔNDRIA 
	 7) CICLO DE KREBS (COM AS ENZIMAS) 
	8) CADEIA RESPIRATÓRIA

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