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Gota Introdução ● É um transtorno metabólico caracterizado por hiperuricemia e crises recidivantes de artrite aguda. Com o passar dos anos, a artrite torna-se crônica e surgem os tofos (Figura 19.22), que são acúmulos de monourato de sódio nas articulações, nos ossos e no tecido subcutâneo. A deposição dessa substância nos rins leva à insuficiência renal. ● A gota pode ser primária, de caráter genético, quando os pacientes são primariamente hiperprodutores ou hiperexcretores de ácido úrico, ou secundária, em que há superprodução de ácido úrico como decorrência de uma enfermidade (leucemia, policitemia, mieloma múltiplo) que transtorna o metabolismo das purinas. ● Entre as causas de gota secundária incluem se também o uso de diferentes medicamentos (diuréticos que são responsáveis por 20% dos casos de gota secundária, aminofilina, corticoides, diazepam, fármacos citotóxicos, tiazídicos, salicilatos, etambutol, metaqualona) e a insuficiência renal crônica. ● A artrite aguda é a manifestação clínica inicial mais comum da gota; ● Habitualmente, no início, é afetada apenas uma única articulação, porém a gota aguda poliarticular pode ocorrer em episódios subsequentes; ● A articulação metatarsofalângica do hálux é acometida com frequência; ● O primeiro episódio de artrite gotosa aguda costuma começar à noite, com forte dor e edema articular. As articulações tornam-se rapidamente quentes, avermelhadas e hipersensíveis, com um aspecto clínico que, com frequência, simula o da celulite; Causas ● Excesso dietético; ● traumatismo, cirurgia; ● ingestão excessiva de etanol; ● terapia hipouricemiante e ● enfermidades clínicas sérias, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral; Depois de muitos ataques monoarticulares ou oligoarticulares, alguns pacientes gotosos podem apresentar sinovite não simétrica crônica, levando a uma possível confusão com artrite reumatoide. Diagnóstico ● Mesmo quando o aspecto clínico sugere enfaticamente a presença de gota, o diagnóstico presuntivo deve ser confirmado, de preferência por aspiração com agulha das articulações acometidas aguda ou cronicamente ou dos depósitos tofáceos; ● Durante os ataques gotosos agudos, os cristais de MSU com formato de agulha são normalmente visualizados tanto no interior das células quanto extracelularmente; ● As contagens de leucócitos no líquido sinovial são elevadas, de 2.000 a 60.000/μL; ● A grande quantidade de cristais produz ocasionalmente um líquido articular pastoso espesso ou calcário FIGURA 365-1 Cristais de urato monossódico extracelulares e intracelulares, conforme visualizados em um preparado fresco de líquido sinovial, ilustrando cristais com formato de agulha e de bastão. Esses cristais são fortemente birrefringentes negativos na microscopia com luz polarizada compensada. ● Os níveis séricos de ácido úrico podem estar normais ou baixos por ocasião de um ataque agudo, visto que as citocinas inflamatórias podem ser uricosúricas; ● O exame de urina, a creatinina sérica, a hemoglobina, a contagem de leucócitos, as provas de função hepática e os lipídeos séricos devem ser obtidos, devido às possíveis sequelas patológicas da gota e outras doenças associadas que exigem tratamento; ● A ultrassonografia pode ser útil para o estabelecimento de um diagnóstico mais precoce, pela demostração de um sinal de duplo contorno sobre a cartilagem articular; ● A tomografia computadorizada (TC) com dupla energia pode revelar aspectos específicos, estabelecendo a presença de cristais de urato. Tratamento ● O alicerce do tratamento durante um ataque agudo é a administração de agentes anti-inflamatórios, tais como medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou glicocorticoides; ● A aplicação de compressas geladas e o repouso das articulações afetadas podem ser úteis; Terapia hipouricemiante ● O controle definitivo da gota depende da correção do defeito subjacente básico, a hiperuricemia. As tentativas de normalizar o nível sérico de ácido úrico para