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APG 3 - DOENÇAS CONGÊNITAS DO CORAÇÃO
O sistema circulatório é um dos primeiros sistemas formados em um embrião, e o coração é
o primeiro órgão funcional.
O coração começa a se desenvolver a partir do mesoderma 18 ou 19 dias após a
fertilização. Na extremidade cefálica do embrião, o coração se desenvolve a partir de um
grupo de células do mesoderma denominadas mesênquima cardiogênico.
Em resposta a sinais provenientes do endoderma subjacente, o mesoderma no
mesênquima cardiogênico forma um par de filamentos alongados, os cordões
cardiogênicos. Pouco depois, esses cordões desenvolvem um centro oco e passam a ser
conhecidos como tubos endocárdicos. A dobradura lateral do embrião aproxima os tubos
endocárdicos pareados e os funde em um tubo único, chamado tubo cardíaco, no 21º dia
após a fertilização
No 22o dia, o tubo cardíaco apresenta cinco regiões distintas e começa a bombear sangue.
Essas regiões são, da extremidade caudal para a extremidade cefálica (e no mesmo sentido
do fluxo sanguíneo), denominadas: (1) seio venoso, (2) átrio primitivo, (3) ventrículo
primitivo, (4) bulbo cardíaco e (5) tronco arterial. O seio venoso recebe, inicialmente, sangue
de todas as veias no embrião; as contrações do coração começam nessa região e
prosseguem sequencialmente nas outras regiões. Portanto, nesse estágio, o coração
consiste em várias regiões não pareadas. Os destinos das regiões são os seguintes:
1.O seio venoso se torna parte do átrio direito (parede posterior), seio coronário e nó SA.
2.O átrio primitivo se torna parte do átrio direito (parede anterior), aurícula direita, parte do
átrio esquerdo (parede anterior) e a aurícula esquerda.
3.O ventrículo primitivo se torna o ventrículo esquerdo.
4.O bulbo cardíaco se torna o ventrículo direito.
5.O tronco arterial se torna a parte ascendente da aorta e o tronco pulmonar.
No 23o dia, o tubo cardíaco se alonga. Como o bulbo cardíaco e o ventrículo primitivo
crescem muito mais rapidamente do que outras partes do tubo e as extremidades atrial e
venosa do tubo estão confinadas pelo pericárdio, o tubo começa a formar alças e
dobraduras. A princípio, o coração adota o formato de U; depois adota a forma da letra S
(Figura 20.19 C). Como resultado desses movimentos, que estão completos até o 28o dia
após a fertilização, os átrios e ventrículos primitivos do futuro coração são reorientados para
adotar suas posições finais. O restante do desenvolvimento do coração consiste em
remodelagem das câmaras e na formação de septos e valvas para formar um coração com
quatro câmaras.
Em torno do 28o dia, surgem espessamentos do mesoderma do revestimento interno da
parede do coração, denominados coxins endocárdicos (Figura 20.20). O crescimento
desses coxins é convergente e eles se fundem e dividem o canal atrioventricular (região
entre átrios e ventrículos) único em canais atrioventriculares direito e esquerdo, que são
menores e separados. Além disso, o septo interatrial começa a crescer em direção aos
coxins endocárdicos fundidos. O septo interatrial e os coxins endocárdicos unem-se e surge
uma abertura no septo, o forame oval. O septo interatrial divide a região atrial em um átrio
direito e um átrio esquerdo. Antes do nascimento, o forame oval possibilita que boa parte do
sangue que chega ao átrio direito passe para o átrio esquerdo. Após o nascimento, o
forame oval normalmente se fecha de modo que o septo interatrial se torna uma divisão
completa. O resquício do forame oval é a fossa oval (Figura 20.4 A). A formação do septo
interventricular divide a região ventricular em um ventrículo direito e um ventrículo esquerdo.
A septação do canal atrioventricular, da região atrial e da região ventricular está
basicamente completa até o final da quinta semana de gestação. As valvas
atrioventriculares formam-se entre a quinta e a oitava semanas. As valvas da aorta e do
tronco pulmonar formam-se entre a quinta e a nona semanas.
2. Defeitos cardíacos congênicos
Um defeito congênito é aquele que existe por ocasião do nascimento e, geralmente, na vida
intrauterina. Muitos desses defeitos não são graves e podem passar despercebidos por toda
a vida, ao passo que outros são potencialmente fatais e precisam de reparo cirúrgico. Entre
os vários defeitos congênitos que comprometem o coração estão os seguintes:
Coarctação da aorta. Nessa condição, um segmento da aorta está muito estreitado e,
portanto, o fluxo de sangue oxigenado para o corpo é reduzido; diante disso, o ventrículo
esquerdo é forçado a bombear com mais força e ocorre elevação da pressão arterial.
Habitualmente, o reparo da coarctação da aorta é cirúrgico, com retirada da área de
obstrução. Intervenções cirúrgicas realizadas na infância exigem revisão na idade adulta.
Outro procedimento cirúrgico consiste em dilatação da aorta com cateter-balão. Um stent
pode ser inserido e deixado no local de modo a manter a patência do vaso
Persistência do canal arterial (PCA). Em alguns recém-nascidos, o ducto (canal) arterial, um
vaso sanguíneo temporário entre a aorta e o tronco pulmonar, permanece pérvio em vez de
se fechar logo após o nascimento. Como resultado, o sangue na aorta flui para o tronco
pulmonar de pressão mais baixa, aumentando assim a pressão arterial no tronco pulmonar
e sobrecarregando os dois ventrículos. Na PCA não complicada, pode ser utilizada
medicação para promover o fechamento do canal arterial. Nos casos mais graves, é
necessária intervenção cirúrgica
Defeitos dos septos. Um defeito de septo é uma abertura no septo que separa o interior do
coração nos lados esquerdo e direito. No defeito de septo interatrial, também conhecido
como comunicação interatrial (CIA), o forame oval fetal entre os dois átrios não se fecha
após o nascimento. Um defeito de septo interventricular, também conhecido como
comunicação interventricular (CIV), é causado por desenvolvimento incompleto do septo
interventricular; nesses casos, sangue oxigenado flui diretamente do ventrículo esquerdo
para o ventrículo direito, onde se mistura com sangue desoxigenado. A condição é corrigida
cirurgicamente
Tetralogia de Fallot. É uma combinação de quatro defeitos do desenvolvimento: um defeito
do septo interventricular (comunicação interventricular), uma aorta que emerge dos dois
ventrículos em vez de emergir apenas do ventrículo esquerdo, estenose da valva pulmonar
e dilatação do ventrículo direito. Nessa condição, o fluxo de sangue para os pulmões está
diminuído e existe mistura do sangue dos dois lados do coração. Isso provoca cianose, a
coloração azulada que é vista mais facilmente nos leitos ungueais e nas mucosas quando o
nível de hemoglobina desoxigenada é elevado; o recém-nascido é denominado, por vezes,
“bebê azul”. Apesar da evidente complexidade dessa condição, o reparo cirúrgico é, em
geral, bem-sucedido.
Pq o sistema cardiovascular começa a ser formado na terceira semana?
R: Pq até a terceira semana o embrião só está na base da difusão. Quando chega a
terceira semana, o embrião começa a formar tecidos e precisa de um maior aporte
nutricional.

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