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APG 8 - SISTEMA LINFÁTICO ★ Anatomia do sistema linfático O sistema linfático consiste em linfa, vasos linfáticos, inúmeras estruturas e órgãos contendo tecido linfático e medula óssea vermelha. O tecido linfático é uma forma especializada de tecido conectivo reticular que contém grande número de linfócitos. A maioria dos componentes do plasma sanguíneo é filtrada pelas paredes dos vasos capilares sanguíneos para formar o líquido intersticial, o fluido que envolve as células dos tecidos corporais. Após passar para os vasos linfáticos, o líquido intersticial é chamado de linfa. Ambos os líquidos são quimicamente similares ao plasma sanguíneo. A principal diferença é que o líquido intersticial e a linfa contêm menos proteínas do que o plasma sanguíneo, porque a maioria das moléculas proteicas do plasma é demasiadamente grande para ser filtrada pelas paredes do vaso capilar. Esse líquido deve retornar ao sistema circulatório, para manter o volume sanguíneo (diariamente, aproximadamente 20 litros de líquido são filtrados do sangue para os espaços teciduais). O sistema linfático tem três funções primárias: 1. Drenagem do excesso de líquido intersticial: os vasos linfáticos drenam o excesso de líquido intersticial e as proteínas provenientes dos espaços teciduais, retornando-os ao sangue. Essa atividade ajuda a manter o balanço hídrico corporal e impede a depleção das proteínas plasmáticas vitais. 2. Transporte de lipídeos alimentares: os vasos linfáticos transportam os lipídeos e as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) absorvidas pelo trato gastrintestinal até o sangue. 3. Execução das respostas imunes: o tecido linfático inicia respostas extremamente específicas direcionadas contra micróbios específicos ou células anormais. ● Vasos linfáticos e circulação da linfa Os vasos linfáticos começam como capilares linfáticos. Esses minúsculos vasos apresentam uma extremidade fechada e se localizam nos espaços intercelulares. Os capilares linfáticos são ligeiramente maiores que os vasos capilares sanguíneos e apresentam uma estrutura única que permite o fluxo do líquido intersticial para dentro, mas não para fora. ÓRGÃO: HISTOLOGIA E ORGANIZAÇÃO ★ Timo O timo é um órgão situado no mediastino, na altura dos grandes vasos do coração. É formado por dois lobos envolvidos por uma delicada cápsula de tecido conjuntivo denso. A cápsula origina delgados septos que penetram no parênquima delimitando lóbulos. Enquanto os outros órgãos linfoides são de origem exclusivamente mesodérmica, o timo tem origem embriológica dupla: mesodérmica e endodérmica. Ao contrário dos outros órgãos linfoides, o timo não tem folículos linfoides. Em cada lóbulo há uma zona cortical, periférica, corada intensamente pela hematoxilina por ter maior número de linfócitos com escasso citoplasma e uma região central mais clara denominada zona medular. Na zona medular, encontram-se estruturas características do timo, os corpúsculos de Hassall. As células mais abundantes no timo são os linfócitos T em diversos estágios de diferenciação e maturação. Além dos linfócitos T, o timo contém células reticulares epiteliais (CRE), CDs, macrófagos e fibroblastos. ● Células reticulares epiteliais As CRE têm origem endodérmica. São células de núcleos grandes de cromatina delicada que têm numerosos prolongamentos citoplasmáticos que se ligam aos das células adjacentes por desmossomos, formando uma malha tridimensional cujos espaços são ocupados principalmente por linfócitos T. Os prolongamentos são muito delgados e não podem ser observados por microscopia óptica em preparados rotineiros. Ao microscópio eletrônico de transmissão, podem ser observados grânulos semelhantes a grânulos de secreção e feixes de filamentos intermediários constituídos de citoqueratinas, o que evidencia a origem epitelial dessas células ● Corpúsculo de Hassall Os corpúsculos de Hassall são formados por CRE organizadas em camadas concêntricas unidas por numerosos desmossomos. Algumas dessas células, as mais centrais, podem degenerar e morrer, deixando restos celulares que podem calcificar. Os corpúsculos de Hassall são encontrados exclusivamente na região medular do timo e sua observação em cortes histológicos auxilia o diagnóstico diferencial entre órgãos linfoides. ● Vascularização e barreira hematotímica As artérias penetram no timo pela cápsula, ramificam-se em arteríolas que acompanham os septos conjuntivos penetrando no parênquima e seguem pela região limítrofe entre a cortical e a medular. Dessas arteríolas, originam-se capilares que tornam a entrar na zona cortical, na qual se ramificam e se anastomosam, formando arcos, e dirigem-se de volta para a zona medular, na qual desembocam em vênulas. A vascularização da região cortical do timo é particular. Os capilares que irrigam a zona cortical têm endotélio sem poros e lâmina basal muito espessa. CRE envolvem externamente os capilares, contribuindo para a formação da barreira hematotímica, cujos outros componentes são os seguintes: os pericitos dos capilares, a lâmina basal do endotélio, a lâmina basal das células reticulares e as células endoteliais não fenestradas da parede capilar. Essa barreira hematotímica só existe na zona cortical na qual estão se diferenciando os linfócitos T, e impede a entrada, nessa zona, de antígenos existentes no sangue. A irrigação da zona medular é por capilares convencionais que se originam diretamente das arteríolas que estão no limite corticomedular. Não há barreira hematotímica na zona medular. As vênulas da medular confluem para formar veias que penetram nos septos conjuntivos e saem do timo pela cápsula do órgão. O timo não contém vasos linfáticos aferentes e não constitui um filtro para a linfa, como ocorre nos linfonodos. Os poucos vasos linfáticos no timo são todos eferentes e localizam-se nas paredes dos vasos sanguíneos e no tecido conjuntivo dos septos e da cápsula do órgão. ● Atividade funcional do timo O timo é o órgão de diferenciação e seleção de linfócitos T. Alcança seu desenvolvimento máximo no feto a termo e no recém-nascido (peso de 12 a 15 g), e cresce até a puberdade (peso de 30 a 40 g), quando começa a sua involução. Em torno dos 60 anos, o timo pesa apenas 10 a 15 g. A involução relacionada à idade atinge principalmente a zona cortical, que progressivamente se torna mais delgada. As CRE e os corpúsculos de Hassall são mais resistentes à involução do que os linfócitos. Em idade muito avançada, o órgão mantém CRE, corpúsculos de Hassall, alguns linfócitos e grande quantidade de tecidos conjuntivo e adiposo. O timo involui, mas não desaparece totalmente, e o potencial de promover a diferenciação de linfócitos T é mantido. É essa capacidade que proporciona a repopulação do organismo com linfócitos T nos pacientes com leucemia. Nesses pacientes, procede-se à eliminação total das células leucêmicas e de todos os linfócitos seguida de transplante de células-tronco obtidas da medula óssea. Essas células podem ser próprias ou provir de doador sadio histocompatível (mesmo MHC). Vários fatores de crescimento proteicos que estimulam a proliferação e a diferenciação de linfócitos T são produzidos no timo, principalmente pelas CRE. Entre esses fatores, estão: timosina alfa, timopoetina, timulina e fator tímico humoral. O timo está sujeito à influência de vários hormônios. A injeção de certos corticosteroides causa atrofia acentuada da zona cortical do timo. O hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), produzido na hipófise, tem efeito semelhante, pois estimula a secreção dos esteroides na adrenal. Os hormônios sexuais também aceleram a involução do timo. ★ Linfonodos Os linfonodos (antigamente chamados de gânglios linfáticos) são órgãos encapsulados constituídos de tecido linfoide, espalhados pelo corpo sempre interpostos no trajeto de vasos linfáticos. São encontrados de modo constante na axila, na virilha, ao longo dos grandes vasos do pescoço e em grande quantidade nas cavidades torácica e abdominal, no hilo pulmonar e em torno de vasossanguíneos, e no interior dos folhetos que formam o mesentério. Os linfonodos em geral têm a forma semelhante à do rim, com uma face convexa e uma face côncava, em que há um hilo, pelo qual penetram artérias e saem veias e vasos linfáticos. Os linfonodos são envolvidos por uma cápsula de tecido conjuntivo denso que envia trabéculas para o seu interior, dividindo o parênquima em compartimentos incompletos e interligados. Como acontece em outros órgãos do tecido linfoide (exceto o timo), as células do parênquima do órgão são sustentadas por um arcabouço de células reticulares e fibras reticulares, sintetizadas por essas células. A cápsula, as trabéculas e as fibras reticulares compõem o estroma dos linfonodos. Linfa formada no interstício dos tecidos e dos órgãos circula por meio dos linfonodos de maneira unidirecional: ela é transportada pelos vasos linfáticos aferentes que entram na face convexa do órgão. A linfa cai em um espaço chamado seio subcapsular e espalha-se pelo órgão, saindo pelos vasos linfáticos do hilo (vasos linfáticos eferentes). O parênquima do linfonodo apresenta uma região cortical, que se localiza abaixo da cápsula, e uma região medular, que ocupa o centro do órgão e o seu hilo. Entre essas duas regiões, encontra-se a região cortical profunda, ou região paracortical. ● Região cortical A região cortical superficial é constituída de vários componentes: seio subcapsular e seios peritrabeculares, folículos linfoides e vários outros tipos celulares espalhados entre essas estruturas. Os diversos seios dos linfonodos são constituídos de tecido linfoide frouxo, que tem menor concentração de células. São espaços irregulares delimitados de modo descontínuo por células endoteliais, células reticulares com fibras reticulares e macrófagos. Constituem os espaços por onde a linfa perfunde os linfonodos. Os seios da região cortical recebem a linfa trazida pelos vasos linfáticos aferentes, encaminhando-a na direção dos seios medulares. Como suas paredes são muito permeáveis, linfa e células entram e saem dos seios durante o seu trajeto pelo linfonodo. O espaço irregular dos seios dos linfonodos é penetrado por prolongamentos das células reticulares e dos macrófagos. A região cortical é formada por tecido linfoide difuso, constituído de milhares de linfócitos livres dispersos aparentemente sem organização e por inúmeros folículos linfoides. Esses se localizam exclusivamente na região cortical mais externa Chamam a atenção em cortes histológicos por se apresentarem como áreas circulares ou ovais coradas em azul (após coloração por HE) devido à grande quantidade de linfócitos pequenos com escasso citoplasma A região cortical profunda ou paracortical, adjacente à região medular, não apresenta folículos linfoides. A região medular tem dois componentes principais: os cordões medulares e os seios medulares. Os primeiros são cordões de células constituídos principalmente de linfócitos, contendo também plasmablastos e plasmócitos, macrófagos e células reticulares. Entre os cordões medulares, encontram-se os seios medulares, que são espaços que, na região do hilo, originam os vasos linfáticos eferentes. Os seios medulares contêm linfa e linfócitos e leucócitos polimorfonucleares que vêm das várias regiões do linfonodo e chegam ao seu interior após atravessarem facilmente a sua parede. Na região do hilo do linfonodo, os seios medulares se fundem originando os vasos linfáticos eferentes, pelos quais saem linfa e linfócitos. Também é pelo hilo que chega a artéria aferente e sai a veia eferente do órgão. Na região hilar do linfonodo, a artéria se ramifica e as vênulas confluem. ● Atividade funcional dos linfonodos Os linfonodos acham-se interpostos nos vasos linfáticos que transportam a linfa. O líquido intersticial nos tecidos que não é reabsorvido por capilares venosos é captado pelos capilares linfáticos que têm paredes altamente permeáveis. A linfa é conduzida por capilares linfáticos que confluem em vasos linfáticos, atingindo os primeiros linfonodos de uma série. São os linfonodos satélites que drenam a linfa de um órgão ou de determinada região. A linfa chega aos linfonodos pelos linfáticos aferentes na região cortical, distribui-se nos seios subcapsulares e perfunde o linfonodo, chegando aos seios medulares e saindo do órgão pelos vasos linfáticos eferentes do hilo. A arquitetura dos seios dos linfonodos diminui a velocidade de fluxo da linfa, facilitando a fagocitose e a difusão da linfa pelos cordões medulares. As válvulas existentes nos vasos linfáticos aferentes e eferentes asseguram o fluxo unidirecional de linfa, desde a entrada na superfície convexa do linfonodo até a saída pelo linfático eferente no hilo. A passagem da linfa pelo linfonodo traz grande parte das moléculas, dos microrganismos e dos fragmentos celulares, e as DCs vindas do tecido do qual se originaram. É no linfonodo onde ocorre a estimulação inicial da resposta imune aos antígenos proveniente do meio externo. A ativação e expansão clonais determinam o aparecimento de áreas mais claras centrais nos folículos, os centros germinativos. Ocorrem também aumento dos plasmócitos, retenção de linfa e, secundariamente, infiltração por monócitos e polimorfonucleares neutrófilos. Os linfonodos satélites aumentam muito de tamanho em resposta a infecções e tornam-se dolorosos, conhecidos popularmente como íngua. ★ Baço O baço é o órgão isolado com maior acúmulo de tecido linfoide do organismo e, na espécie humana, o único órgão linfoide interposto na circulação sanguínea. Em virtude de sua riqueza em linfócitos e células fagocitárias, e do contato íntimo entre essas células e o sangue, o baço é um importante órgão de defesa contra microrganismos presentes no sangue circulante. É também o principal órgão em que são eliminados eritrócitos envelhecidos. ● Componentes do baço Ao se observar a olho nu a superfície cortada de um baço, percebem-se pontos esbranquiçados que são folículos linfoides pertencentes ao componente do baço denominado polpa branca. Entre os folículos, há um tecido vermelho-escuro, rico em sangue, chamado polpa vermelha. As polpas branca e vermelha compõem o interior do baço também conhecido como parênquima esplênico. No baço encontram-se células e fibras reticulares, macrófagos, células apresentadoras de antígenos, linfócitos isolados ou agrupados em torno de vasos ou formando folículos e também as células circulantes no sangue (hemácias, leucócitos polimorfonucleares, monócitos, plaquetas, além de linfócitos). O baço é revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo denso, em torno da qual há um folheto da membrana peritoneal. A cápsula emite trabéculas de tecido conjuntivo que dividem o parênquima ou polpa esplênica em compartimentos incompletos e intercomunicantes. Na superfície medial do baço há um hilo, no qual a cápsula emite maior número de trabéculas pelas quais penetram os ramos da artéria esplênica e os nervos. Pelo hilo também saem a veia esplênica, formada pela junção das veias do parênquima, e os vasos linfáticos originados nas trabéculas. Na espécie humana, o parênquima esplênico não contém vasos linfáticos. A cápsula, as trabéculas e uma rica rede de fibras reticulares constituem o estroma esplênico. ● Circulação sanguínea do baço A artéria esplênica divide-se ao penetrar no hilo do baço originando ramos que seguem no interior das trabéculas conjuntivas – são as artérias trabeculares. Os ramos dessas artérias deixam as trabéculas e penetram no parênquima, no qual são chamados de arteríolas centrais ou arteríolas da polpa branca. Envolvendo essas arteríolas há uma bainha compacta de linfócitos, chamada de bainha linfoide periarteriolar (PALS). Ao longo das bainhas linfoides periarteriolares, encontram-se folículos linfoides. Na região dos folículos, a arteríola se desvia ligeiramente de modo que, em corte transversal, observa-se, no interior dos folículos linfoides do baço, uma pequena arteríola, denominada artéria central do folículo, apesar de ser uma arteríolae de, geralmente, não se encontrar no centro do folículo. Após o trajeto em que estão envolvidas pelas PALS, as arteríolas se dividem, formando as arteríolas peniciladas, que são muito delgadas, com diâmetro externo de aproximadamente 0,25 μm. Só ocasionalmente as arteríolas peniciladas contêm músculo liso em sua parede. Elas são formadas por endotélio que se apoia em espessa lâmina basal e uma delgada adventícia. As artérias peniciladas se continuam em capilares arteriais, que levam o sangue para os capilares sinusoides ou seios esplênicos. Os sinusoides se situam entre cordões celulares denominados cordões esplênicos ou cordões de Billroth. Os seios esplênicos e os cordões esplênicos compõem a polpa vermelha do baço. Há duas maneiras pelas quais o sangue trazido pela artéria esplênica percorre o baço para ser coletado em vênulas e sair pela veia esplênica: 1. Na chamada circulação fechada, o sangue permanece sempre no interior dos vasos: os capilares arteriais abrem-se diretamente no lúmen dos sinusoides, que se continuam com as veias da polpa vermelha. 2. Na circulação aberta, o sangue arterial contendo células e plasma sai para os cordões esplênicos para depois voltar aos sinusoides adjacentes aos cordões. O revestimento desses sinusoides é descontínuo, permitindo a passagem fácil de células entre as células endoteliais dos sinusoides Na espécie humana, a circulação esplênica é aberta Dos sinusoides, o sangue passa para as veias da polpa vermelha, que se fundem e penetram nas trabéculas, formando as veias trabeculares. Estas confluem e originam a veia esplênica, que sai pelo hilo do baço. As veias trabeculares não têm paredes próprias, a não ser uma camada endotelial; suas paredes são formadas pelo tecido conjuntivo das trabéculas. ● Polpa branca A polpa branca é constituída por tecido linfoide, que forma as bainhas periarteriais, que envolvem as artérias centrais, e pelos folículos linfoides, adjacentes às bainhas periarteriais. No limite entre a polpa branca e a polpa vermelha, há uma zona mal delimitada, constituída pelos seios marginais. Nesses seios, encontram-se linfócitos, macrófagos e células dendríticas (APCs), que retêm e processam os antígenos trazidos pelo sangue. Muitas arteríolas derivadas da artéria central drenam diretamente nos seios marginais, e outras se estendem além da polpa branca, mas fazem um trajeto curvo e retornam, desembocando também nos seios marginais. Assim, os seios marginais têm papel importante na circulação e na “filtração” do sangue no baço. ● Polpa vermelha A polpa vermelha é formada por cordões celulares, os cordões esplênicos, que são separados por sinusoides. Os cordões esplênicos são cordões de células, contínuos e de espessura variável. São constituídos de uma rede frouxa de células reticulares e fibras reticulares. Os sinusoides esplênicos são vasos de lúmen dilatado e trajeto irregular, revestidos por células endoteliais alongadas, cujo eixo maior é paralelo ao sinusoide. O revestimento endotelial é descontínuo, com espaços de 2 a 3 mm entre células endoteliais adjacentes. As células endoteliais das paredes dos sinusoides também apresentam orifícios. Essa parede delgada e incompleta é envolvida por uma lâmina basal descontínua e, mais externamente, por fibras reticulares que se dispõem principalmente em sentido transversal ao capilar, como os aros de um barril. Longos filamentos de vimentina no citoplasma na face basal das células endoteliais unem essas células ao arcabouço externo formado pelas fibras reticulares transversais e as que correm em outras direções. ● Atividades funcionais do baço As funções mais relevantes do baço são: resposta imune dos linfócitos a antígenos e a agentes patogênicos que alcançam ou estão na circulação sanguínea, destruição de eritrócitos envelhecidos e armazenamento de sangue. ★ Tecido linfoide associado às mucosas No corpo, há vários aglomerados de tecido linfoide, situados no tecido conjuntivo das paredes dos sistemas digestório, respiratório e geniturinário, assim como na pele. São locais sujeitos a invasões microbianas frequentes, porque estão expostos ao meio externo; portanto, a localização do tecido linfoide nesses locais é estratégica para detectar antígenos rapidamente, especialmente microrganismos, e proteger o organismo contra patógenos do meio ambiente. Em alguns locais, esses acúmulos de tecido linfoide formam órgãos permanentes e bem estruturados, como as tonsilas e as placas de Peyer da região do íleo do intestino delgado. Acúmulos temporários de tecido linfoide podem ocorrer em qualquer local de tecido conjuntivo, se houver inflamação ou infecção local, ou a introdução de antígenos, mas desaparecem após se resolver a causa inicial. A pele também apresenta muitas células do sistema imune, como linfócitos, macrófagos e células de Langerhans. O conjunto do tecido linfoide das mucosas é conhecido pela sigla MALT. Há denominações específicas para o tecido linfoide associado ao tubo digestório (GALT, do inglês gut-associated lymphoid tissue), aos brônquios (BALT, do inglês bronchus-associated lymphoid tissue), à pele (SALT, do inglês skin-associated lymphoid tissue), assim como para outros locais do corpo. ★ Tonsilas As tonsilas são órgãos constituídos de aglomerados de tecido linfoide incompletamente encapsulados, localizados sob o epitélio de revestimento da orofaringe.