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-
SUMÁRIO 
, 
01. ATESTADO MEDICO •••..•.••••.•....•...................••••.•••••••••..•••....•............•••••••••. 5 
- , 
02. DECLARAÇAO DE OBITO •.•.•.........•••.......••.••••••••••...•••••••••............•.•••••.. 16 
03. DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA .............................. 36 
-04. EVOLUÇAO HOSPITALAR ......•...•.•.•••••••••...••••......................•••...••••••••••• 52 
05. PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR ............................................... 77 
ATESTADO MÉDICO 
ATESTADO MÉDICO 
1. INTRODUÇÃO 
Atestado ou certificado é um instru­
mento que tem a finalidade de fir­
mar a veracidade de certo fato ou a 
existência de determinado estado, 
ocorrência ou obrigação. 
O atestado ou certificado médico, por 
sua vez. é um relato escrito - físi­
co ou eletrônico- de uma dedu­
ção médica e seus complementos. 
É uma declaração pura e simples, 
por escrito, de um fato médico e 
suas consequências. Tem a finalida ­
de de sintetizar. de forma objetiva, o 
que resultou do exame feito em um 
paciente, sugerindo um estado de 
sanidade ou um estado de doença, 
anterior ou atual, para fins de licen­
ça, dispensa ou justificativa de fal­
tas ao serviço, entre outros. 
A utilidade e a segurança do atesta­
do estão necessariamente vinculadas 
à certeza de sua veracidade. Sua 
natureza instituciona l e seu conteú­
do de fé pública é pressuposto de 
verdade e exatidão do documento 
emitido. 
Legalmente todo e qualquer médico 
possui a chamada fé-pública. O ho­
mem. por exigência prática e jurídica, 
diante da multiplicidade das relações 
sociais. elevou à categoria de impera­
tivo de convivência a necessidade da 
crença na legitimidade e autentici­
dade dos documentos. Daí a aceita­
ção geral de que os documentos, até 
7 
prova em contrário, são autênticos. 
A isso. dá-se o nome de fé pública. 
Objetivamente, indica a autentici­
dade documental; subjetivamente, 
aponta a confiança a priori que os 
cidadãos depositam na legitimida­
de dos sinais, documentos, objetos. 
etc.. aos quais o Estado, por intermé­
dio da leg islação pública ou privada. 
at ribui valor probatório". 
\
-&-.. ~ ~ 
~ ~ 
~ .CONCEITO! A fé pública representa 
uma presunção legal de autenticida­
de dos atos praticados pelos médicos. 
Em âmbito médico. possui duas moda­
lidades: a primeira - objetiva - repre­
senta a própria veracidade dos docu­
mentos emitidos por um profissional 
regularmente habilitado, no exercício 
regular de sua prática profissional e. 
como segunda modalidade - subjetiva -
existe a confiança que a sociedade e o 
Estado depositam no conteúdo verí­
dico de tais documentos. 
SE LIGA! Esta fé pública dos médicos 
vale para todo o território nacional e 
mais. independem do cargo. atribu ição 
ou função exercida. mas se limita ape­
nas ao seu exercício profissional em Me­
dicina. não se estendendo a nenhuma 
outra área. Caracteristicamente esta fé 
pública é presumida portanto. admite 
contestação e até prova em contrário. 
ATESTADO MÉDICO 
2. CONSIDERAÇÕES 
SOBRE FORMA E 
CONTEÚDO 
O Conselho Federal de Medicina 
(CFM) emitiu a Resolução CFM N° 
1.658, de 13/12/2002 que trata es­
pecificamente do Atestado Médico 
nos seguintes termos: 
• Art. r O atestado méd ico é par­
te integrante do ato médico, sendo 
seu fornecimento direito inaliená­
vel do paciente. não podendo im­
portar em qualquer majoração de 
honorários. 
SE LIGA! Além do valor da consulta , 
o médico não pode cobrar um valor 
adicional para emissão do atestado 
médico. Vale lembrar que a consulta é 
condição indispensável para expedição 
deste documento. tendo em vista o ne­
cessário exame clínico do paciente. Por 
isso. o ato de expedir o atestado j á está 
incluído no valor da consulta. sendo este 
ato integrante do ato médico, consequ ­
ência da própria consulta. 
• Art. 2° Ao fornecer o atestado, de­
verá o méd ico registrar em ficha 
própria e/ou prontuário médico os 
dados dos exames e tratamentos 
real izados. de maneira que possa 
atender às pesquisas de informa­
ções dos médicos peritos das em­
presas ou dos órgãos públ icos da 
Previdência Social e da Justiça. 
SE LIGA! O Atestado Médico é uma 
espécie de "Documento Bumerangue". 
uma vez que é direcionado a uma ter­
ceira pessoa que se encontra fora da 
relação médico-paciente. Sendo assim. 
eventualmente. o médico que expede o 
atestado poderá ser requisitado a pres­
tar esclarecimentos sobre a veracidade 
do documento emitido. seja pelo Con­
selho Regiona l de Medicina. pelo em­
pregador do paciente ou até mesmo por 
órgãos público da Previdência Social -
INSS- e da Justiça 
8 
• Art. 3° Na elaboração do atestado 
médico. o médico assistente obser­
vará os seguintes procedimentos: 
I - Especificar o tempo concedi ­
do de dispensa à atividade, ne­
cessário para a recuperação do 
paciente; 
SE LIGA! Sugere-se escrever o período 
concedido para dispensa em numeral e 
por extenso. a fim de evitar qualquer tipo 
de adulteração. 
11 - Estabelecer o d iagnóstico, 
quando expressamente autori­
zado pelo paciente; 
111- registrar os dados de maneira 
legível; 
IV - Ident ifica r-se como em issor. 
mediante assinatura e carimbo 
ou número de registro no Conse­
lho Regional de Medicina. 
ATESTADO MÉDICO 
Parágrafo único. Quando o atesta­
do for solicitado pelo paciente ou 
seu representante legal para fins 
de perícia médica deverá observar: 
I -o diagnóstico; 
11 - os resultados dos exames 
complementares; 
111 - a conduta terapêutica; 
IV - o prognóstico; 
V- as consequências à saúde do 
paciente; 
VI -o provável tempo de repouso 
estimado necessário para a sua 
recuperação, que complemen­
tará o parecer fundamentado do 
médico perito. a quem cabe le­
galmente a decisão do benefício 
previdenciário, tais como: apo­
sentadoria, invalidez definitiva, 
readaptação; 
VIl - registrar os dados de manei­
ra legível; 
V III -identificar-se como emissor, 
mediante assinatura e carimbo 
ou número de registro no Conse­
lho Regional de Medicina. (Reda ­
ção dada pela Resolução CFM no 
1851, de 18.08.2008). 
' • Art. 4° E obrigatória, aos médicos, 
a exigência de prova de identida­
de aos interessados na obtenção 
de atestados de qualquer natureza 
envolvendo assuntos de saúde ou 
doença. 
9 
§ 1 o Em caso de menor ou interdito, 
a prova de identidade deverá ser 
exigida de seu responsável lega l. 
§ 2° Os principais dados da pro­
va de identidade deverão obriga­
toriamente constar dos referidos 
atestados. a. especificar o tempo 
concedido de dispensa à atividade, 
necessário para a completa recu ­
peração do paciente; 
• Art. 5° Os méd icos somente po­
dem fornecer atestados com o 
diagnóstico codificado ou não 
quando por justa causa. exercício 
de dever legal. solicitação do pró­
prio paciente ou de seu represen­
tante legal. 
Parágrafo único: No caso da soli­
citação de colocação de diagnós­
tico, codificado ou não, ser feita 
pelo próprio paciente ou seu re­
presentante legal, esta concor­
dância deverá estar expressa no 
atestado. 
• Art. 6° Somente aos médicos e aos 
odontólogos, estes no estrito âmbito 
de sua profissão, é facultada a prer­
rogativa do fornecimento de ates­
tado de afastamento do trabalho. 
§ 1 o Os médicos somente devem 
aceitar atestados para avaliação de 
afastamento de atividades quando 
emitidos por médicos habil itados e 
inscritos no Conselho Regional de 
Medicina. ou de odontólogos. nos 
termos do caput do artigo. 
ATESTADO MÉDICO 
§ 2° O médico poderá valer-se, 
seforçada. sequestro e 
assédio sexua l no lugar de trabalho. 
bem como em instituições educacio­
nais. estabelecimentos de saúde ou 
qualquer outro lugar. A notificação 
compulsória dos casos de violência 
contra a mulher tem caráter sigiloso. 
obrigando nesse sentido as autorida­
des sanitárias que a tenham recebido. 
A identificação da vítima de violência 
referida nesta Lei, fora do âmbito dos 
serviços de saúde, somente poderá 
ser feita, em caráter excepcional, em 
caso de ri sco à comunidade ou à ví­
t ima. a juízo da autoridade sanitária e 
com conhecimento prévio da vítima 
ou do seu responsável. 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 50 
• 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS 
51 
Ministério da saúde; PORTARIA NO- 204, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2016; disponível em 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/20 16/prt0204_17 _02_20 16.html 
LEI N° 6.43 7, DE 20 DE AGOSTO DE 1977; disponível em https://www.camara.leg.br/ 
proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=333492 
LEI N° 10.778, DE 24 DE NOVEMBRO DE 2003; disponível em http://www.planalto.gov.br/ 
ccivii_03/LEIS/2003/L10.778.htm 
A Trajetória Histórica e Conceitual da Vigilância em Saúde; disponível em http://www.rio­
comsa ude. rj .gov.br/Pu bl ico/Mostrar A rquivo.aspx?C=cHwr5dw AJ PA o/o 3D 
Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Guia de vigilância epidemiológica; 
2009. 
Ministério da Saúde, Secretaria de Vig ilância em Saúde, Coordenação-Geral de Desenvol­
vimento da Epidemiologia em Serviços; Guia de Vigilância em Saúde: volume único; 38
. Ed 
2019 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
1. INTRODUÇÃO 
Por definição. documentos médicos 
são informações obrigatoriamente 
emit idas por profissionais habilita­
dos. responsáveis pelos atos médicos 
54 
específicos de acordo com a legisla ­
ção vigente. Podem ser divididos em 
documentos médicos simples. do­
cumentos médicos legal e docu­
mentos médicos judiciais. 
FLUXOGRAMA- CLASSIFICAÇÃO DOCUMENTOS MÉDICOS 
Receita médica 
Prontuário médico 
Laudo 
Atestado 
Notificação compulsória 
Relatório médico 
Laudo 
Parecer 
Ofícios 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Entre os documentos médicos sim­
ples. o prontuário médico é um dos 
mais utilizados e importantes. sendo 
definido pelo Conselho Federal de 
Medicina como sendo "o documen­
to único constituído de um conjunto 
de informações. sinais e imagens re­
gistradas. geradas a partir de fatos, 
acontecimentos e situações sobre a 
saúde do paciente e a assistência a 
ele prestada. de caráter legal, sig ilo­
so e científico. que possibilita a co­
mun icação entre membros da equi­
pe multiprofissional e a continuidade 
da assistência prestada ao indivíduo" 
(Resolução no 1.638/2002) e con­
siderado de elaboração obrigatória 
pelo Código de Ética Médica. O sigilo 
das informações do prontuário é um 
dever do médico. definido pelo Có­
digo de Ética Médica. Código Penal, 
Código Civil e Resoluções do Conse­
lho Federal de Medicina. 
Por ser constituído do registro de to­
das as atividades executadas pela 
equipe de saúde ao paciente, durante 
55 
o período de internamento do mes­
mo, o prontuário torna-se, então, ne­
cessário para elucidação de ques­
tões jurídicas. éticas e de evolução do 
paciente. 
Por todos esses motivos, o prontuário 
é um elemento valioso e útil para di­
versos segmentos, como o paciente, 
a instituição. o médico, bem como 
para o ensino, a pesquisa e os servi­
ços de saúde pública, servindo tam ­
bém como instrumento de defesa 
legal. 
A partir da publicação da a Resolução 
CFM 1.821/07, ficou estabelecido que 
os prontuários médicos devem ser ar­
mazenados pelo período mínimo de 
20 anos. Tem como objetivos facilitar 
a assistência ao paciente. promover 
meios de comunicação entre os pro­
fissionais de saúde. assegurar a con­
tinuidade do atendimento e oferecer 
suporte para a área administrativa do 
hospital. nos aspectos financeiros e 
legais. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 56 
FLUXOGRAMA- FUN ÕES DO PRONTUÁRIO MÉDICO 
Assistência 
PRONTUÁRIO MÉDICO 
Epidemiológicos: 
internos e externos 
Apoio diagnóstico 
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/atualizacao/exLpediatria/prontuario.pdf 
"~Y.~ ~ ~ 7 oNCEITO! Segundo a Resolução 
1331/89, o prontuário do paciente é o 
conjunto de documentos padronizados 
e ordenados, destinados ao reg istro dos 
cuidados profissionais, prestados ao pa­
ciente pelos serviços de saúde públicos 
ou privados. 
Com relação ao seu papel legal. o 
prontuário médico é um documen­
to de valor probatório e serve tanto 
como defesa ética profissional quan­
to prova administrativa e financeira. 
como nos casos de auditoria realiza ­
da pela instituição médica. 
O prontuário bem organizado é im­
portante para facilitar o entendimento 
da história clín ica e da evolução dos 
pacientes. auxil iar no fornecimento 
de atestado ou relatório. além de pos­
sibilita r pesquisas científicas 
Há diversas formas de organiza r o 
conteúdo do prontuário. de acordo 
com as características de atendimen­
to de cada hospital e com a cultura 
médica local. Dessa forma. sua com­
posição em geral é compreendida por: 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 57 
FLUXOGRAMA- COMPONENTES BÁSICOS DO PRONTUÁRIO 
https://www.medicinanet.eom.br/conteudos/revisoes/5795/prontuario_de_pacientes_ 
finalidad es_preenchimento_e_questoes_eticas_e_legais.htm 
Destes itens abordados. dois são co­
muns a todas as atividades assisten­
ciais e devem estar no início da pasta: 
os dados de identificação e lista de 
problemas. A identificação é formada 
por informações cadastrais necessá­
rias para comunicação da equipe com 
o paciente. familiares ou responsá­
veis bem como para a elaboração de 
trabalhos científicos e levantamentos 
epidemiológicos. 
LIGA! Em geral, esses dados pes­
soais são colhidos pelo pessoal admi­
nistrativo da Instituição. cabendo aos 
profissionais da equipe de saúde alertar 
no caso de verificação de erros ou incor­
reções nessas informações. 
Por conseguinte. a lista de problemas 
é uma síntese dos problemas atuais e 
ativos ou passados do paciente e des­
tina -se a fornecer uma visão geral da 
situação clínica do paciente e permitir 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
a integração da equipe multidiscipli­
nar. Deve ser elaborada em ordem nu ­
mérica crescente e com o menor grau 
de abstração possível. Podem ser in­
cluídos na lista: sinais ou sintomas, 
58 
diagnósticos, perturbações fisio­
lógicas, emocionais, síndromes, 
achados morfológicos e sinais ou 
anormalidades laboratoriais. 
De acordo com o Artigo 87. do Código de Ética Médica, é vedado ao médico: deixar de ela­
borar prontuário legível para cada paciente. E o prontuário deve conter os dados cl ínicos 
necessários para a boa condução do caso. sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem 
cronológica com data. hora, assinatura e número de registro. Deve estar sob a guarda do mé­
dico ou da instituição que assiste o paciente e cabe ao médico assistente ou a seu substituto 
elaborar e entregar o sumário de alta ao paciente ou. na sua impossibilidade. ao seu repre­
sentante legal. 
Modelo SOAP 
O SOAP é um acrônimo utilizado em 
prontuário orientado por problemas e 
evidências para registro da evolução 
dos problemas das pessoas aten­
didas na prática médica diária . Esse 
método foi criado por Dr. Lawrence 
Weed, na década de 60, é constituído 
por quatro letras que refere-se ao um 
tipo de informação: Subjetivo, Obje­
tivo, Avaliação e Plano. 
Tem como função a objetividade. pra­
t icidade, organização e maior facilida­
de ao acesso das informações para 
tomada de decisões e dos planos 
diagnósticos e terapêuticos durante o 
acompanhamento do paciente. 
FLUXOGRAMA- MÉTODO SOAP 
O- ObJetivo 
A Aval1ação 
P - Plano 
Achados do exame físico e dos exames complementares 
Conclusões sobre a situação do paciente. pensamentos relativos ao 
diagnóstico e a resposta ao tratamento 
Cuidados ou condutas que serão tomados em relação ao 
problema ou necessidade avaliada 
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade15m/unidade15m.pdf 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
LIGA! Este método permite ordenar 
as informações do atendimento em uma 
sequência lógica para rápida consulta 
quando necessário, inclusive no próxi­
mo encontro com o paciente. quando 
o médico pode questionar se o mesmo 
colocou em prática o Plano proposto no 
último item do registro. o "P", como uso 
de fármacos prescritos ou realização de 
exames solicitados. 
Na ava liação, as informações são 
fundamentadas sobretudo através 
dos pensamentos re lativos ao diag­
nóst ico e a resposta ao tratamento. 
tomando por base os achados subje­
tivos e objetivos. 
59 
Caso não haja elementos para ela­
borar um diagnóstico preciso durante 
a consulta. podem ser reproduzidos 
novamente os sinais/sintomas mais 
pertinente para sua linha de raciocí­
nio clínico. como por exemplo: cefaleia 
hemicraniana pulsáti l há 24 horas. 
A proposta terapêutica inclui exames 
a serem solicitados. as razões para 
inclusão. modificação de doses ou 
ret irada de itens da terapêutica e as 
informações prestadas aos pacien­
tes e famil iares v isando orientação e 
educação. Os planos podem ser di­
vididos em alguns subtipos, como 
descrito na tabela: 
FLUXOGRAMA - TIPOS PRINCIPAIS DE PLANOS TERAPÊUTICOS 
Planejamento de provas diagnósticas 
necessárias para elucidação 
do problema 
Indicações terapêuticas para 
a resolução ou manejo do 
problema: medicamentos, 
dietas ou mudanças de hábitos 
Estratégias de seguimento longitudinal e 
continuado do paciente e do problema 
Registros das informações e orientações 
apresentadas e negociadas com o 
paciente e familiares 
https://www.unasus.unifesp.br/bibl ioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/ 
unidade 15m/unidade 15m.pdf 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
O SOAP não funciona com um sim­
ples instrumento de organização de 
dados. mas principalmente como 
meio de qualificar o raciocínio clíni­
co e o cuidado oferecido. Sendo um 
processo que exige método. habilida­
de e competência na sua elaboração. 
O método considera "problema" 
tudo aqu ilo que requer uma ação da 
60 
equipe de saúde e como consequên­
cia motivará um plano de intervenção. 
Para ter um melhor aproveitamento 
e encontrar os dados rapidamente. 
preconiza-se para as anotações na 
evolução uma forma simplificada. O 
fluxograma a seguir traz um exemplo 
de evolução pelo método SOAP. 
FLUXOGRAMA- EXEMPLO DE SOAP 
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/ 
unidade 15m/unidade15m.pdf 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
2. EVOLUÇÃO MÉDICA 
Formando também parte do prontuá­
rio. a evolução médica é caracteriza­
da como o registro das informações 
obtidas do paciente e dos familiares 
sobre o estado geral do paciente e 
dos problemas. 
~ ~ ~ONCEITO! Com base na resolução N° 
1.638, do Conselho Federal de Medici­
na. a evolução médica deve ser com­
posta por data e hora. discriminação de 
todos os procedimentos aos quais o pa­
ciente foi submetido e identificação dos 
profissionais que os realizaram. assina­
dos eletronicamente quando elaborados 
e/ou armazenados em meio eletrônico. 
Na evolução as informações devem 
ser registradas de forma precisa. para 
deixar evidente as razões de conti ­
nuar ou alterar as condutas diagnós­
ticas ou terapêuticas. assim como, 
o planejamento do seguimento do 
atendimento. 
SE LIGA! Além da evolução médica, 
existem as evoluções multiprofissionais 
no prontuário. como o controle da enfer­
magem. da nutrição ou da fisioterapia. 
No âmbito hospitalar. a evolução mé­
dica é feita diariamente pelos médi­
cos da enfermaria que acompanham 
o paciente. na maioria das vezes é 
computadorizada e tem uma estrutu­
ração básica. defin ida pela instituição 
médica. 
61 
O acompanhamento médico diário 
deve ser feito com entrevista com 
o paciente e/ou seus responsáveis. 
questionando sobre intercorrências. 
sinais de melhora ou outros achados 
relevantes ao paciente. Prossegue-se 
com exame fís ico completo. 
A estrutura da evolução medica pode 
variar de acordo com a Instituição re­
gente, tendo assim, sua conforma ­
ção básica composta por cabeçalho, 
queixa principal, história da doença 
atual, evolução diária, exame físico, 
exames complementares, lista de 
problemas e a conduta. 
Cabeçalho 
Devem conter os dados de identi­
ficação com as informações cadas­
trais básicas do paciente do hospi­
tal. essenciais para o contato com o 
paciente, famil iar ou responsável, a 
elaboração de t rabalhos científicos e 
a análise dos dados epidemiológicos 
e podem ser colhidos por auxiliares 
administrativos. 
No in ício. deve-se colocar a identifi ­
cação do paciente com informações 
básicas. como nome. sexo, idade, es­
tado civil, cor. profissão. religião. natu­
ralidade. e procedência. 
Além dos dados pessoais, é impor­
tante conter a informações referen­
tes a internação, como motivo da 
internação (queixa principal), du­
ração da queixa, data de início da 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
internação do paciente e qual dia da 
internação. 
Na breve apresentação da paciente. 
pode-se incluir também comorbida­
des prévias que influenciam o esta­
do do paciente. como doenças crôni ­
cas. oncológicas e degenerativas. Por 
exemplo: 
·-----------------------· 
I 
ID: S.M.A.S, sexo feminino, 80 
anos. viúva, parda, aposentada, 
evangélica, natural e proceden­
te de Feira de Santana-BA. 
Motivo: Paciente portadora de 
DPOC, hipertensa e diabética 
há 4 dias com febre e tosse 
produtiva (escarro amarelado) 
Data da internação: 
24/04/2020 
Data de hoje: 27/04/2020 (D3) 
I 
I 
I 
I 
I 
~-----------------------~ 
62 
História da moléstia atual (HMA) 
Parte que contém mais informações 
sobre o processo saúde-doença atu­
al do paciente. mas também são as 
mais difíceis para serem obtidas cor­
retamente. Deve conter a totalidade 
e os detalhes dos sintomas per­
tinentes ao caso de forma resumi­
da. caracterizados adequadamente. 
Além de identificar a ocorrência do 
fato que levou o paciente a procu­
rar o atendimento. todos os procedi­
mentos terapêuticos adotados até o 
momento. situações que atenuam ou 
agravam os sinais e sintomas. 
A HMA deve ser escrita de forma 
organizada e obedecendo a uma 
ordem temporal de instalação dos 
sintomas, do mais antigo para o 
mais recente. Deve-se ter o cuida­
do para se descrever cada sintoma 
individualmente. sendo interessan­
te que toda a evolução de um 
sintoma. inclusive resposta 
a tratamentos efetuados. 
estejam incluídos em um 
mesmo parágrafo. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 63 
FLUXOGRAMA - CARACTERIZAÇÃO DOS SINTOMAS 
Lista de problemas 
Um problema pode ser um sinal, um 
sintoma, um diagnóstico, uma sín­
drome, bem como problema de or­
dem psicoativa, socioeconômica. que 
esteja causando o agravo atual ao 
paciente. É importante ident ificar os 
problemas ativos e inativos e fazer 
uma lista em ordem de gravidade 
para ajudar no raciocínio clínico. 
Tem como objetivos analisar ampla ­
mente o contexto. melhorar gestão do 
tempo, permitir fácil acesso a dados 
para planejar ações preventivas e re­
dução de custos. facilitar para avaliar 
tentativas de tratamento anteriores e 
qua1s pensamentos o profissiona l já 
teve diante daquele caso e auxil iar o 
trabalho em equipe, expandindo essa 
forma de reg istro para diversas cate­
gorias profissionais. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Durante o regist ro da lista de proble­
mas. deve-se priorizar os sintomas 
graves (para o médico) ou muito 
preocupantes (pa ra o paciente). de 
forma que, o méd ico possa garantir 
o cuidado centrado na pessoa e es­
tabeleça o melhor plano de maneJO 
para o paciente. 
Evolução diária 
Contém dados para demonstrar o 
estado atual do paciente nas últimas 
64 
24 horas, para garantir a estabil ida­
de clín ica e hemodinâmica do mes­
mo. A lém da ocorrência de intercor­
rências verificadas pela equipe de 
enfermagem, assim como os dados 
vitais. eliminações fis iológ icas. per­
das. Todas essas informações devem 
ser adicionadas ao prontuário méd ico 
diariamente. Segue sua composição 
básica:FLUXOGRAMA - COMPOSIÇÃO DA EVOLUÇÃO DIÁRIA 
SE LIGA! Se o paciente tiver apresen­
tado febre. deve-se anotar o número de 
episódios febris e horários. 
Em re lação aos dados vitais, a ano­
tação deve conter os valores míni­
mos e máximos e horários de cada 
mensuraçao, através do controle de 
enfermagem. 
As informações diárias sobre o pa­
ciente devem ser organizadas de 
forma sistemática. podem incluir ain­
da os procedimentos realizados, 
resultados de exames e novas in­
formações sobre o caso. Deve-se 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
transcrever os exames laboratoriais e/ 
ou radiológicos aos quais o paciente 
foi submetido. para posterior interpre­
tação clín ica e conduta frente aos re­
sultados. Importante ressaltar a che­
cagem do andamento de exames 
de culturas e anatomopatológicos. 
SE LIGA! Durante o exame físico diário 
parâmetros como saturação, tempera ­
tura. frequência cardíaca e respiratória e 
pressão arterial podem ser acrescenta ­
das e atualizadas ao prontuário. 
Exemplo de evolução: 
65 
·--------------------------------------------------· 
Paciente evolui na enfermaria clín ica e hemodinamicamente estável. res­
pirando bem em ar ambiente. com saturação de 97%. sem desconforto 
respiratório. Sem episódios de febre nas últ imas 24 horas. em uso de an­
t ibioticoterapia. Apresenta melhora do quadro da tosse e redução da se­
creção amarelada. Refere episód io de cefaleia fronta l. de intensidade 7/10. 
sem irrad iação. na última noite. fazendo uso de analgésico. Relata apet ite 
preservado com boa aceitação da dieta por via oral. Diurese e dejeções 
presentes. nega alterações. Ciclo sono-vigíl ia preservado. 
Controle (últimas 24 horas): 
Temperatura axilar: 36.2°(- 3rC 
Frequência cardíaca: 88-102 bpm 
Frequência respiratória: 16-24 irpm 
Saturação: 95-98% (em ar ambiente) 
Exames complementares: 
Pode conter exames laboratoriais. anatomopatológicos. rad iológicos e 
ult rassonog ráficos 
Nome do exame (data da real ização do exame): resultado do exame 
Conduta do caso: 
Pode conter solicitação de inter-consulta com outras especialidades, 
pedido de exames, alteração na medicação, novas propostas de pro­
pedêutica e terapêuticas ou pendências. 
~--------------------------------------------------~ 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Febre Anafilaxia Perdas 
____ I __ 
Vômitos e diarreia 
FLUXOGRAMA- EVOLUÇÃO DIÁRIA 
Curva térmica 
Frequência 
cardíaca e 
respiratória 
Pressão arterial 
Saturação de 
oxigênio 
Novas 
Mudanças 
Persistência 
Evacuações 
I 
Aspecto, 
consistência e 
quantidade 
Anafilaxia 
66 
Volume em 
ml/m2/hora ou 
mi/Kg/min 
Aspecto 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Exame físico 
Após a checagem de dados importan­
tes do paciente segue o exame físico 
do dia, que se inicia com a coleta dos 
dados vitais. Dados antropométricos 
como peso e circunferência abdominal 
' 
são uteis em alguns casos específicos. 
Dados novos e importantes podem sur­
gir enquanto se rea liza o exame físico. 
O exame físico gera l consiste na ava­
liação do estado geral, como nível 
de consciência. fácies. fala. confusão 
menta l, mobilidade. entre outros. O 
paciente pode estar em bom esta­
do geral (BEG), regular estado geral 
(REG) ou mau estado geral (MEG; 
avaliação do grau de palidez: impor­
tante observar mucosa palpebral da 
conjuntiva. mucosa oral. leito ungueal 
e palma das mãos (caso se encont re 
67 
descorado. classificar o grau em cru­
zes); avaliação do grau de hidrata­
ção: observar umidificação da muco­
sa oral. globo ocular e turgor da pele 
(caso se encontre desidratado. clas­
sificar o grau em cruzes); avaliação 
da presença de icterícia: observar 
coloração da palma da mão, esclera 
e f re io da língua; avaliação da pre­
sença de cianose e do padrão res­
piratório: observar se há dificu ldades 
para respirar ou se está usando força 
excessiva (uso de musculatura aces­
sória) para inspirar. 
Seguido da avaliação da cabeça e pes­
coço. sistema cardiovascular. sistema 
pulmonar. região abdominal. sistema 
osteoarticular. sinais neurológicos e 
extremidade. Todos os registros de­
vem ser anotados ao prontuário. 
FLUXOGRAMA - AVALIAÇÃO DO ESTADO GERAL 
Adaptado de https://semiologiamedica.ufop.br/anamnese-
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Medicações 
Durante o exame físico. pode-se ve­
rificar a dieta prescrita. quais os me­
dicamentos em uso (especialmente 
os de uso venoso). a rotulagem de 
hidratação venosa e de medicamen­
tos em curso. Trata-se de importante 
ferramenta de conferência para a se­
gurança ao paciente. 
Como deve-se conter o registro de 
todas as medidas necessárias ao tra­
tamento do paciente. as medidas de 
reabil itação e interação com as equi­
pes multidisciplinares e sua adesão 
devem ser anotadas ao prontuário. 
SE LIGA! É essencial verificar o dia de 
antibiótico, dia do acesso venoso e dia 
das medicações não usuais com tempo 
de término. 
Condutas 
São feitas de acordo com os proble­
mas identificados, explicações e pl a­
nejamento após a anál ise do caso 
pelo médico especialista. Todos os 
manejos. como plano diagnóstico e 
plano terapêutico devem ser descri­
tos de forma clara e objetiva. 
CONCEITO: A conduta é um conjunto 
de alternativas terapêuticas definidas 
pelo médico. a partir da avaliação de 
cada caso. com enfoque multiprofissio­
nal e interdisciplinar (no decorrer dos 
exames e/ou internação). que visa obter 
maior adesão do paciente e de seus res ­
ponsáveis ao tratamento. 
3. PACIENTES GRAVES E 
COMPLEXOS - FAST HUG 
68 
O FAST HUG, expressão inglesa 
que pode ser traduzida como Rápido 
Abraço. corresponde a um mnemô­
nico que se destina principalmente a 
servir como lembrete ao profissional 
médico responsável por unidades de 
terapia intensiva a respeito de pon ­
tos-chave no manejo de pacientes 
críticos e atualmente passou a ser 
usada pela medicina interna de forma 
geral. 
O checklist FAST HUG. quando em­
pregado com critério pelos profissio­
nais de saúde, resulta em melhoria da 
qua lidade do cuidado oferecido. São. 
a seguir. listados os componentes do 
" . mnemon1co: 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
FLUXOGRAMA - FAST HUG 
https://pebmed .com.br~a-fez-o-fast-hug-no-seu­
paciente-hoje/ 
69 
Alimentação 
Nesse item. chama-se atenção para 
a evidência de que a nutrição do pa­
ciente, quando inadequada, con­
corre sobremaneira para um maior 
risco de complicações clínicas e, 
consequentemente, para um pior 
prognóstico. Não é incomum a che­
gada de pacientes em ambiente de 
UTI já com algum grau de compro­
metimento nutricional, principalmente 
aqueles portadores de afecções crôni­
cas. como neoplasias malignas do tra­
to gast rintestinal em estado avançado. 
Por outro lado, há também aque­
les que, em decorrência de um es­
tado prolongado de sepse grave, 
apresentam síndrome consumpt iva 
significativa. 
O suporte nutricional merece ser re­
visto diariamente e o jejum deve ser 
reservado nas horas que antecedem 
um exame ou ci rurgia e nos pacientes 
muito graves. com dose alta de amina 
e/ou disfunção orgânica múltipla. 
SAIBA MAIS! 
Metas de necessidade diária: 25 Kcai!Kg/dia (50-60% de Carboidratos e 25-35% de Lipí­
deos), 0,8-1 g/Kg/dia de Proteínas, com possibilidade até 1,2-1,6 g/Kg/dia e 30-35 ml!Kg/ 
dia de água. 
Nos casos de vítimas de trauma ou 
portadores de sepse, situações em 
que o estresse metabólico e as ne­
cessidades nutricionais são mais 
importantes. a dieta deve ser plane­
jada de modo a garantir em média o 
dobro do teor energético. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Quando a via oral não se encontra dis­
ponível para a administração da dieta. 
a enteral e. posteriormente. a paren­
teral podem ser utilizadas. O deses­
calonamento. isto é. o retorno de die­
ta parenteral para enteral ou mesmo 
para oral é recomendável sempre que 
possível. 
SE LIGA! Contraindicação à alimenta­
ção enteral: Obstrução gastrointestinal. 
Contraindicações relativas: fleo paralíti­
co. hemorragia digestiva alta. náuseas e 
vômitos refratários à medicação. instabi­
lidade hemodinâmica, isquemia mesen­térica. fístula gastrointestinal de alto dé­
bito e anastomose gastrointestinal distai 
à infusão. 
Analgesia 
A dor é um das causas mais impor­
tantes de desconforto do paciente 
crítico internado em UTI. seja ela ad­
vinda da própria doença de base. seja 
de procedimentos inerentes à rotina 
do serviço. como aspirações traque­
ais. banhos. mudanças de decúbito. 
coleta de sangue para exames labo­
ratoriais. dentre outros. 
Deve-se adequar uma sequência 
lógica para os analgésicos. sempre 
ponderando risco e benefício. pois 
sua ocorrência pode repercutir em 
piora hemodinâmica. aumento do 
metabolismo. depressão imunológi­
ca e distúrbios da coagulação. Dessa 
forma. desvencilhar o paciente desse 
tipo de problema não só torna mais 
70 
humanizado o atendimento. mas 
também acelera a sua recuperaçao 
fisiológica. 
Sendo um parâmetro de difícil men­
suração. a avaliação subjetiva da 
expressão facial e dos movimentos 
merece ser realizada. além do acom­
panhamento de parâmetros como 
pressão arterial e frequência cardía ­
ca. que geralmente são alterados nos 
episódios álgicos. 
Assim. emprega-se tratamento far­
macológico com classes diversas de 
analgésicos. como AINEs. acetami­
nofeno. opióides (morfina. fentanil. 
remifentanil). devendo-se optar pela 
infusão contínua em detrimento da 
aplicação repetida de bolus. 
SE LIGA! Vale ressaltar que o efeitos 
colaterais dessa abordagem podem 
ser esperados. dentre eles depressão 
respiratória. constipação. hipotensão e 
alucinações. 
Sedação 
Este é um item importante. pois a se­
dação excessiva aumenta o tempo de 
ventilação mecânica e o risco de com­
plicações infecciosas e níveis baixos 
podem levar a agitação e ansiedade. 
Entretanto. não existem regras bem 
definidas sobre a quantidade e a fre ­
quência de administração de drogas 
sedativas em pacientes críticos. 
A sedação não pode ser usada como 
substituta à analgesia. mas sim como 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
complementar. Como preceito geral, 
adota-se a CCC rule - que almeja a 
manutenção do paciente em um es­
tado calmo. confortável e cooperativo. 
A escala de Ramsay é uma das mais 
populares e é empregada no sentido 
de melhorar a precisão da 'profundi­
dade' de sedação em que o paciente 
se encontra. 
1 Ansioso, agitado ou inquieto 
2 Cooperativo, orientado e tranquilo 
3 Sedado, porem responde às ordens 
verbais 
4 Sedado, com resposta lenta ao leve estí-
mulo glabelar ou forte est ímulo auditivo 
6 Não responsivo 
Tabela 1. Escalas de Ramsay. Fonte: Marcos L. Mi­
randa. Carlos D. A. Bersot. Nivaldo R. Villela. Sedação. 
analgesia e bloqueio neuromuscular na unidade de 
terapia intensiva. Revista Hospital Universitário Pedro 
Ernesto. 2013;12(3) 102- 109 
e ge-
ralmente cursa com aumento do risco 
de trombose venosa. menor motilidade 
intestinal. hipotensão, queda da taxa de 
extração de oxigênio tecidual, aumento 
do risco de polineuropatia do paciente 
crít ico e prolongamento da estadia na 
UTI. 
Profilaxia de tromboembolismo 
Essa medida costuma ser eventual­
mente esquecida. mesmo nas pres­
crições feitas por profissionais expe­
rientes no lida r com pacientes críticos, 
o que resulta em um aumento de 13-
31% do risco de tromboses venosas 
71 
profundas, índice ainda mais signi ­
ficativo quando se tem em vista pa­
cientes vítimas de trauma. 
A profilaxia pode ser feita com me­
didas não farmacológicas, como 
deambulação precoce. meias de 
compressão, colchão pneumático e 
mudanças de decúbito. ou farma­
cológicas. Todos. sa Ivo exceções em 
que o risco supera o benefício da me­
dida, merecem receber pelo menos 
heparina subcutânea. 
SE LIGA! Estudos ainda não apresen­
tam consenso no que diz respeito ao 
melhor tipo de droga a ser usada na 
profilaxia. Deve-se atentar para a chan­
ce de sangramentos! 
Head of bed elevated - Cabeceira 
elevada do leito 
Essa intervenção fo i pensada como 
uma medida barata. simples e eficaz 
em reduzir a principal complicação 
infecciosa da hospitalização: pneu­
monia. Contudo. ela deve ocorrer no 
contexto do cuidado como um todo e 
pode envolver outros protocolos de 
prevenção, como da infecção urinária 
e do cateter venoso profundo. 
A manutenção do tronco elevado a 
30°-45°, também reduz a incidência 
de refluxo gastresofágico em pacien ­
tes sob ventilação mecânica. Usada 
principalmente em pacientes idosos. 
debilitados ou recebendo nutrição 
enteral. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
LIGA! A medida é formalmente con­
traindicada em pacientes cuja perfusão 
cerebral encontra-se ameaçada. 
Stress ulcer prevention -
Prevenção de úlcera de estresse 
Influenciada por fatores como pres­
são e fricção, idade, estado cogniti­
vo/medular, capacidade de mobili­
dade, estado nutricional, umidade/ 
incontinência, temperatura corpo­
ral e histórico de tabagismo. 
Trata-se de uma profilaxia importan­
te. sobretudo se há concomitância de 
insuficiência respiratória aguda. coa­
gulopatia. corticoterapia, histórico de 
úlcera gastro-duodenal. 
Provavelmente. não faz-se necessá­
ria para todos os pacientes de UTI, 
incluindo aqueles politraumatizadas 
72 
ou em pós-operaório. Opções far­
macológicas para a profilaxia são os 
antiácidos. o sucralfato. os anti-hista­
mínicos. os inibidores de bombas de 
prótons. 
A úlcera de decúbito e a de córnea 
são também frequentemente negli­
genciadas na prática. fato que provo­
ca maior morbidade. 
Glucose control - Controle 
glicêmico 
De um modo gera l, quando compa­
radas as repercussões negativas ad­
vindas da hipoglicemia e da hipergli­
cemia (leve}. sabe-se que a primeira 
apresenta maior risco de danos ime­
diatos ao paciente. devendo ser pre­
ferencialmente evitada. Uma meta 
entre 140-180mg/dl é razoável para 
a maioria dos pacientes. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 73 
FLUXOGRAMA - RESUMO DO FAST HUG 
Metas de 
necessidade diária 
Analgésicos 
Infusão contínua 
Complementar a 
analgesia 
Farmacológicas 
Não farmacológicas 
__ Manutenção do tronco 
elevado a 30°-45° 
Farmacológicos 
Não farmacológicos 
Meta entre 
140- 180mg/dl 
25 Kcai/Kg/dia (50-60% 
de Carboidratos e 
25-35% de Lipídeos) 
0.8 -1 g/Kg/dia de Proteínas, com 
possibilidade até 1,2- 1,6 g/Kg/dia 
30-35 mUKg/dia de água 
AINEs, acetaminofeno, opioides 
:-- Antiácidos. os anti-histamínicos e 
os inibidores de bombas de prótons 
Adaptado de: https://pebmed.com.br/ja -fez-o-fast-hug-no-seu-paciente-hoje/ 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
4. DOCUMENTOS MÉDICOS 
NA ÉTICA MÉDICA 
Para elaboração dos documentos 
médicos devem ter cuidados acerca 
da ética médica. dessa forma. o ca­
pítulo X do Código de Ética Medica 
decreta que é vedado ao médico: 
Art. 80. Expedir documento médi­
co sem ter praticado ato profissio­
nal que o justifique. que seja ten­
dencioso ou que não corresponda 
à verdade. 
Art. 81. Atestar como forma de ob­
ter vantagem. 
Art. 82. Usar formulários institu­
cionais para atestar. prescrever e 
solicitar exames ou procedimentos 
fora da instituição a que pertençam 
tais formulários. 
Art. 83. Atestar óbito quando não 
o tenha verificado pessoalmen­
te. ou quando não tenha prestado 
assistência ao paciente. salvo, no 
último caso. se o fizer como plan­
tonista. médico substituto ou em 
caso de necropsia e verificação 
médico-legal. 
Art. 84. Deixar de atestar óbito de 
paciente ao qual vinha prestando 
assistência, exceto quando houver 
indícios de morte v iolenta. 
Art. 85. Permitir o manuseio e o 
conhecimento dos prontuários 
por pessoas não obrigadas ao si­
gilo profissional quando sob sua 
responsabilidade. 
74 
Art. 86. Deixar de fornecer laudo 
médico ao paciente ou a seu repre­
sentante legal quando aquele for 
encaminhado ou transferido para 
continuação do tratamento ou em 
caso de solicitação de alta. 
Art. 87. Deixar de elaborar prontu­
ário legível para cada paciente. 
Art. 88. Negar ao paciente ou. na 
sua impossib ilidade. a seu repre­
sentante legal. acesso a seu pron­
tuário, deixar de lhe fornecer có­
pia quando solicitada, bem como 
deixar de lhe dar explicações ne-, . \ 
cessanas a sua compreensão. sal-
vo quando ocasionarem riscos ao 
I • . 
propno pac1ente ou a terceiros. 
Art. 89. Liberar cópias do prontuário 
sob sua guarda exceto para atender 
a ordem judicial ou para sua própria 
defesa. assim como quando autori­
zado por escrito pelo paciente. 
§ 1 o Quando requisitado judicial­
mente. o prontuário será enca ­
minhado ao juízo requisitante. 
§ 2° Quando o prontuário for apre­
sentado em sua própria defesa. o 
médico deverá solicitar que seja 
observado o sigilo profissional. 
Art. 90. Deixar de fornecer cópia do 
prontuário médico de seu pacien­
te quando de sua requisição pelos 
Conselhos Regionais de Medicina. 
Art. 91. Deixar de atestar atos exe­
cutados no exercício profissional, 
quando solicitado pelo paciente ou 
por seu representante legal. 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
Dados de 
identificação do 
paciente 
Motivo da 
internação 
_ I __ _ 
Queixa principal e 
duração 
Data da 
internação 
FLUXOGRAMA 13. RESUMO EVOLUÇÃO MÉDICA 
Dados vitais 
Queixas e 
atualizações 
Intercorrências 
Diurese e dejeções 
Apetite e ciclo 
sono-vigília 
Exames 
complementares 
75 
Geral Plano diagnóstico 
Plano terapêutico 
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS 
CFM. Código de Ética Médica. Brasília: CFM. 2019 
76 
Prática clínica na Estratégia Saúde da Família - organização e registro. https://www.unasus. 
unifesp.br/ 
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/atualizacao/exLpediatria/prontuario.pdf 
Gusso. Gustavo; Lopes. J.M.C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade . Porto Alegre. 
Artmed. 2012. 
https://pt.slideshare.net/alcindoneto/pucpr-aspecleg-aula-8 -e-9 -documentos-mdico-legais 
http://www.cremesp.org.br/pdfs/eventos/eve_ 11112013_102947 _PRONTUARIOo/o20ME­
DICOo/o20Eo/o20PRONTUARIOo/o20ELETRONICO.pdf 
Prontuário de pacientes finalidades preenchimento e questões éticas e legais. Disponível:ht ­
tps://www. medicina net.com. br/conteudos/revi soes/5 79 5/prontu a rio_de_pacientes_fina lida ­
des_preenchimento_e_questoes_eticas_e_legais.htm 
Barros E. Albuquerque G. Pinheiro C. Czepielewski MA. Exame clínico. Consulta rápida - 2° 
ed. Porto Alegre: Artmed; 2004. 
https://semiologiamedica.ufop.br/soap 
http://ftp. medicina .ufm g. br/clm/2 O 13/M anua l_de_A tend im ento_C li n ico_Sem i o lo ­
gia_l_26082013.pdf 
http://www.digimed.ufc.br/wiki/index.php/FasL Hug 
Rosane S. Goldwasser; Cid Marcos David. Weaning from mechanical ventilation: let's per­
form a strategy - Rev. bras. ter. intensiva vol.19 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2007 
Marcos L. Miranda. Carlos D. A. Bersot. Nivaldo R. V il leia. Sedação. analgesia e bloqueio neu­
romuscular na unidade de terapia intensiva. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. 
2013;12(3):102- 109 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
1. INTRODUÇÃO 
A prescrição médica permeia a rela­
ção médico-paciente. É fruto da boa 
anamnese e do adequado exame fí­
sico, possibil itando o alcance da hi­
pótese diagnóstica mais precisa. com 
adoção de intervenção terapêutica 
mais eficaz. Para tanto, é imprescindí­
vel o estabelecimento de uma relação 
de confiança, reciprocidade, empatia 
e respeito a autonomia do paciente. 
79 
A prescrição pode ser entendida tan ­
to como o início de um processo, de­
fin indo fluxos e responsabilidades. 
como o fim, o produto obt ido a partir 
da re lação médico-paciente. Consis­
te em uma espécie de manual, o qual 
explicita como proceder com a tera­
pêut ica do paciente, objetivando sua 
melhora. A prescrição é um ato mé­
dico. mas envolve o trabalho de toda 
equipe mult idiscipl inar. que se ocupa ­
rá da execução dos comandos apon­
tados (Fluxograma 1). 
Prescrição_ ato médico; define quais e como os medicamentos serão ofertados para o paciente 
Administração 
Administração - corresponde à aplicação do medicamento no pa~iente p:la 
enfermagem, vindo a anotar na folha da prescrição que a etapa f01 conciUida 
Fonte: Pazin-Filho, 2013 
Fluxograma 1. A dispensação de medicamentos no a~biente hosp ital~r envolver as etapas da prescrição. 
transcrição. dispensaçao e admm1straçao. 
Criamos uma espécie de FAQ (Fre­
quently Asked Questions) acerca 
da prescrição para t e ajudar a enten­
der este componente: 
Por que a prescrição é tão 
importante? 
A prescrição hospitalar orienta a ação 
de toda equipe envolvida no cuidado 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
ao paciente. Serve ainda para que 
outros médicos e internos saibam o 
que já foi feito, orientando o raciocínio 
clínico. Funciona também como um 
recordatório para o médico prescritor, 
evitando o esquecimento de itens. 
Quem utiliza? 
Todos os profissionais envolv idos no 
cuidado ao paciente. Enfermeiros, 
técn icos de enfermagem. nut ricionis­
tas. fi sioterapeutas. farmacêuticos. 
médicos e estudantes. 
Quantas vias são necessárias? 
Diferentemente da evolução. são de­
mandadas a impressão de duas vias! 
Uma. seguirá para a farmácia do hos­
pital. que dispensará o medicamento 
do paciente. conforme a prescrição. E 
outra. será anexada no prontuá rio do 
paciente. Esta auxi liará a enfermagem 
a organiza r as condutas descritas. 
Onde e quando utilizamos? 
A prescrição se dá a parti r da entra­
da do paciente no serviço. em qual ­
quer loca l que receba o paciente para 
internamento. incluindo UPA. UTI e 
hospitais. 
Qual serviço precisa estar 
prescrito? 
Serviços de prestação passiva, como 
por exemplo. leito, roupa de banho. 
80 
alimentação. água para banho, não 
precisam ser prescritos. Estes. que 
fazem parte da hotelaria. já são natu­
ralmente oferecidos pelo hospital no 
internamento de um paciente. Porém. 
serviços classificados como de pres­
tação ativa. devem constar no docu­
mento. Gases. diálise. medicação en­
dovenosa. sangue e hemoderivados. 
e acesso central . são ordens de servi ­
ços. que se não estiverem na prescri ­
ção. não serão ofertados ao paciente. 
Como organizar? 
Discuti remos em detalhes mais à 
f rente. Embora possa variar estetica­
mente de hospital para hospital, ge­
ralmente a prescrição é organizada 
em 3 componentes: Segurança do 
paciente; Esquema terapêutico; Se­
gurança do profissional. 
Lembre-se que não estamos tratando 
aqui da prescrição ambulatorial, a re­
ceita simples. A discussão baseia -se 
na prescrição hospitalar do paciente 
internado! 
2. GESTÃO HOSPITALAR 
Antes de discutirmos sobre os ele­
mentos da prescrição. é importante 
ter em mente alguns aspectos des­
te documento. Ele determina gastos 
hospitalares. direciona o trabalho da 
equipe e sofre influência das condi­
ções do meio. ou seja, dos serv iços 
disponíveis. desde mão-de-obra a 
1nsumos. 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
Dessa forma. o médico é um ordena­
dor de serviços e de despesas. de­
vendo sua prescrição estar baseada 
em evidências científicas. gerindo os 
recursos da melhor forma. É reco­
mendado que se questione se exis­
te evidência científica subsidiando a 
solicitação de determinado exame 
ou medicamento, visto que envolve­
rá a mobilização da equipe, podendo 
ainda onerar desnecessariamente o 
sistema. 
Por exemplo. uma curva térmica. Em­
bora estejamos diante de um pacien-
- I I • te com febre, esta nao e necessana 
para todo paciente. Porém. tratan­
do-se de uma gestante. com ruptura 
prematura de membranas ovulares, a 
curva térmica pode ser um marcador 
importante para determinar se está 
ocorrendo ou não uma corioamnioni­
te secundária. 
SE LIGA! Nem sempre é necessário 
assinalar na prescrição a solicitação 
do médico plantonista. É bem sabido 
pela enfermagem em quais demandas 
é necessário chamar este profissio­
nal. Sugere-se então que se escreva 
esta demanda na prescrição em casos 
muito objetivos. em que a não presen­
ça do plantonista coloque em risco a 
segurança do paciente e o sucesso da 
terapêutica. 
81 
A depender do suporte ofertado pelo 
hospital. a prescrição poderá ser fei­
ta à mão ou de modo eletrônico. Em 
hospitais mais novos. as prescrições 
são feitas de maneirade eletrônica. 
onde cada médico possui seu token 
(uma espécie de pen drive especial), 
conectando-o nos computadores. 
constando na prescrição a assinatu­
ra eletrônica dele. visto que há cert i­
ficação digita l. Assim. as prescrições 
não precisam ser impressas. sendo o 
prontuário digital e de acesso a toda 
equipe por meio do token pessoal de 
cada membro. 
A maioria dos hospitais. no entanto. 
embora apresentem suporte para a 
prescrição eletrônica. não apresen­
tam certificação digital. Desta forma. 
I I · • no fim do processo. e necessano Im-
primir o documento e assiná-lo no 
final. 
Para que você comece a se famil iari­
zar com a prescrição, vamos te apre­
sentar ao modelo aba ixo: 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
-FOLHA DE PRESCRJÇAO E 
Nome. 
Seror. 
ITEM PRESCRiçAO 
I 
• Nesta área você 2 
J deverá prescrever 
5 as condutas 
6 terapêuticas do 
7 
paciente 
Doto I I 
EVOLUçAO 
Esta área 
geralmente é de 
preenchimento da 
enfermagem. 
Também poderá 
aparecer com o 
nome "observações 
da enfermagem" 
82 
Figura 1. Observe a localização dos componentes da prescrição: 
A segurança do paciente: 8 , esquema terapêutico: C, segurança do profissional. Fonte: SANAR. 
3 ELEMENTOS DA 
PRESCRIÇÃO 
COMPONENTE A: Segurança do 
Paciente 
Este elemento se destina a identifica­
ção do paciente alvo da prescrição e 
da hora e data em que esta foi feita, 
além do dia e horário que o paciente 
fo i admitido. Apresenta nome com­
pleto do paciente. setor. leito e nú­
mero de prontuário. Lembre-se que 
é comum em uma mesma enfermaria 
ter pacientes como o mesmo nome. 
sendo importantíssimo a distinção 
destes para que se evite erros. Nesta 
área ainda, costuma-se destacar as 
alergias do paciente. 
SE LIGA! O horário da prescrição impac­
ta na dinâmica da enfermaria! Lembre­
-se que as condutas a serem tomadas 
dependem do que será prescrito, e só 
mediante este documento, poderão ser 
executadas pela equipe. Assim, nada de 
colocar o despertador no modo soneca, 
porque não vai dar para atrasar!!] 
COMPONENTE 8: Esquema 
terapêutico 
Trata-se do preenchimento das con­
dutas propriamente ditas: repouso, 
dieta. medicamentos, controles gerais 
e cuidados específicos. Deve ser pre­
enchida com clareza. evitando siglas. 
jargões ou abreviaturas. 
Para facilitar os processos. os elemen ­
tos prescritos seguem uma hierarquia 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
(Tabela 1). Inicia -se com o repouso, 
seguido da dieta, oxigenoterapia (se 
necessário), medicamentos endove­
nosos (iniciando pelos soros), medi­
camentos orais, demais vias e, por 
fim. cuidados gerais. Não muda se o 
1 
2 A limentação (Dieta) 
3 
4 
5 EV -
83 
medicamento oral vier antes do en­
dovenoso; o que se pretende é que os 
medicamentos sejam agrupados de 
acordo com sua via de administração. 
Para facilitar a memorização, pense: 
6 VO - Medicações por Via Oral 
7 OUTRAS - por Outras Vias 
8 Controles Gerais 
9 Cuidados Específicos 
Tabela 1. A seta vertical ilustra a sequência da prescrição. A seta na horizontal define as características do medica­
mento (DDVI: D - droga. D - dose. V - via. 1- intervalo). Fonte: PAZIN-FILHO. 2013. 
A tabela a seguir traz as princi­
pais características que devem ser 
observadas acerca dos medica­
mentos (DDVI - Droga, Dose. Via, 
Intervalo). 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 84 
CARACTERÍSTICA CONSIDERAÇÕES 
DROGA 
Nome do medicamento 
Apresentação 
DOSE 
Quantidade 
VIA DE ADMINISTRAÇÃO 
Via 
Cuidados especiais na administração 
INTERVALO 
Intervalo entre doses 
Quando iniciar a primeira dose 
- É preferível prescrever o nome genérico da medicação; 
- Cuidado com nomes parecidos ao prescrever no computador; 
- Descreva qual a unidade da medicação prescrita e quanto há dispo­
nível do medicamento nesta unidade. Por exemplo: uma ampola de 
cloreto de sódio 20% - 10 ml por ampola. 
- Determinar a quantidade a ser administrada do medicamento. Por 
exemplo: 1 comprimido (10 mg) de enalapril de 12 em 12 horas. 
- Especificar qual a via- endovenosa. via oral, subcutânea, aerossol 
etc.; 
- Cuidados que podem interferir com o efeito da medicação, por exem­
plo, velocidade na aplicação de adenosina endovenosa em taquicardias 
supraventriculares; 
- Evitar misturas de substâncias em soros que precipitem quando inte­
ragem ent re si. 
- Determinar o intervalo entre as doses. É importante conhecer se há 
horários padronizados de aplicação de medicação pela equipe de en­
fermagem para facilitar o trabalho; 
- Tome cuidado ao prescrever várias medicações para que elas sejam 
aplicadas conjuntamente se possível. Por exemplo, se prescrever duas 
medicações, uma com intervalo de 8/Bh e outra com intervalos de 
12/12h. veja se é possível conciliar pelo menos um dos horários para 
facilitar o trabalho e facilitar a adesão do paciente após a alta; 
- As instituições têm diferentes horários para quando a Prescrição 
começa a valer. Por exemplo, para medicações feitas no período da 
manhã. as instituições estabelecem que a prescrição começará a valer a 
partir das 16:00h. Se alguma medicação precisar ser iniciada imediata­
mente, isso deverá ser assinalado na prescrição. 
Tabela 2. Caracleríslicas a serem observadas na prescrição Fonte: PAZIN-I-ILHO. 20 13. 
Descrição dos itens 
Item 1. Repouso 
Você deve definir aqui o tipo de re­
pouso: absoluto. em situações gra ­
ves; ou relativo. na maioria dos casos; 
a posição no leito (diversos decúbitos) 
e a posição da cabeceira (sem ou com 
elevação). Neste último caso. deter­
mine o grau: 30° ou 45°. uma vez que 
elevações acima de 45° apresentam 
o risco de fechamento da v ia aérea. 
Neste item. ocorre também a deter­
minação se o paciente deverá ficar 
ou não em isolamento. Este que de­
pende da doença em questão. por 
exemplo. paciente com meningite 
bacteriana em tratamento exige 24h 
de isolamento; coqueluche exige 5 
dias. Recomenda -se ainda que todo 
paciente transferido de outra unidade 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
hospitalar, onde tenha passado mais 
de 24h, seja internado em isolamen­
to. até que se obtenha os resultados 
de cultura (cultura de vigilância) . 
Item 2. Dieta 
Devido a sua complexidade, a dieta é 
um dos itens inicia is. Pode variar na 
forma de sua administração, se ente­
ra l (associada ou não ao uso de son­
da enteral nasogástrica ou nasoenté­
rica), ou se parenteral (endovenosa) . 
Varia ainda na apresentação (líquida, 
branda, pastosa ou gera l), na compo­
sição (quando para diabéticos. hiper­
tensos ou intolerantes à lactose) e no 
fracionamento (número de refeições. 
ou ainda ênfase em alguma refeição, 
como por exemplo, lanche noturno 
para diabéticos). O nutricionista deve 
sempre ser consultado para casos 
mais complexos. 
Atente-se ainda que o idea l é não dei­
xar o paciente em dieta zero por mais 
de 12h, ou no máximo, por 24h. De­
pois disso, diante da impossibilidade 
de via oral. uma out ra v ia deve seres­
colhida (sonda nasogástrica. nasoen­
teral ou parenteral). Considere ainda 
a capacidade gástrica de 20 a 40 ml/ 
kg, iniciando a dieta com quantidade 
mínima. escalonando-a conforme a 
necessidade do paciente (o que torna 
possível aumentá-la ou reduzi-la). 
SE LIGA! Pacientes com alteração no 
sensório (irritabilidade. sonolência. tor­
por. coma) ou ainda com frequência 
respiratória (FR) acima de 60 rpm. para 
crianças de até 5 anos. e pacientes > 5 
anos de idade com FR > 40 rpm, não de­
vem receber alimentar por via oral. uma 
vez que estas condições aumentam o 
risco de broncoaspiração. 
85 
As opções para rea limentação de um 
paciente após dieta zero incluem: 
• Via oral progressiva: aqui, inicia­
-se a re introdução alimentar com 
alimentos de diferentes consistên­
cias: líquido, pastoso e sólido. 
• Sonda nasogástrica: empregada 
quando a sonda nasoenteral não 
está disponível. O paciente pode 
permanecer com a sonda por 3 a 5 
dias. sendo 4 dias o ideal. 
• Sonda nasoenteral: é mais util iza ­
da, pois o paciente pode uti lizá-la 
pormais tempo (até 8 semanas) . 
Deve ser considerada quando o 
paciente se encontra em dieta 
zero por 12h a 24h, e a condição 
que delimita sua restrição alimen­
tar não será solucionada em bre­
ve. Recomenda-se a realização 
de radiografia após a passagem 
da sonda, para verificação do seu 
posicionamento pós-pilórico. Esta 
apresenta uma ponta de mental, 
o que facilita sua visualização ao 
exame de imagem. A sonda deve 
estar localizada 4 vértebras acima 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
da cúpula diafragmática e deve 
passar 2-4 em da linha média. 
• Nutrição parenteral total: reserva­
da para pacientes muito graves. 
Item 3. Oxigenoterapia 
A oxigenoterapia deve ser adminis­
trada apenas se necessário. Você 
FI02 de até 35% 
86 
deve se basear em dados clínicos do 
paciente. além da oximetria pulso e 
gasometria. Esta terapêutica deve ser 
instituída para pacientes com satura­
ção 60 min ininterruptos 
Intermitente Administrada de forma não contínua 
Tabela 5. Formas de administração das drogas injetáveis 
Na prescrição de antibióticos, o pri­
meiro dia em que o paciente recebe a 
med icação é tido como DO; o segun­
do, Dl e assim, sucessivamente. Esta 
medida fo i instituída para que haja 
melhor controle da quantidade de do­
ses e no período de uso desta classe 
medicamentosa. Quanto à corticote­
rapia. pontuamos que após 14 dias 
de uso. é necessário realizar o des­
mame do paciente gradativamente. 
Reduz-se 25o/o da dose inicial a cada 
5- 7 dias. 
Prescreve-se então os medicamentos 
prévios. que o paciente fazia uso. e/ou 
outras medicações que sejam neces­
sárias. Por exemplo. em caso de febre, 
o antitérm ico seria adicionado neste 
momento. Dipirona ou paracetamol 
são as drogas de escolha. mas lem­
bre-se de certificar se o paciente não 
FC 
apresenta doença hepática, antes do 
emprego desta última droga. Analgé­
sicos também devem ser adicionados 
nesta etapa da prescrição. 
Itens 8 e 9. Cuidados gerais e 
específicos 
Aqui, você deve apontar os cuidados 
gerais e específicos do paciente. indi­
cando. se necessário, a monitorização 
dos dados vitais, controle glicêmico e 
balanço hídrico. além de fisioterapia 
respiratória e motora, fonoaudiologia. 
profilaxia para tromboembolismo (de­
ambulação, meias de compressão ou 
medicamentos). prevenção de úlce­
ra (mudança de decúbito ou solicitar 
uso de medicamentos) e antiemético/ 
laxante. As tabelas abaixo trazem os 
valores de alguns controles. 
FR 
RN 120- 160 60 
Lactente 100- 140 40 
Pré-escolar 90-130 30 
Escolar 80- 120 20 
Adolescente 60-100 14-20 
Tabela 6. Valores normais de FC e FR pela faixa etaria. 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
No paciente adulto internado, con­
sideramos como hipoglicemia valo­
res de glicemia capilar inferiores a 
60. Quanto a diurese consideramos 
como: 
• Normal: 1 a 2ml\kg\h 
• Oligúria: 0.5 a 1ml\kg\h 
• Anúria: menor que 0.5ml\kg\h 
COMPONENTE C: Segurança do 
profissional 
Este último componente é represen­
tado pela identificação do profissio­
nal responsável pela prescrição. Deve 
conter sua assinatura. com letra legí­
vel. não havendo recomendação for­
mal para uso do carimbo. A prescrição 
é um ato médico, e deve ser realizada 
apenas por profissionais registrados 
no Conselho Federal de Medicina. 
Conforme o apresentado. nossa pres­
crição ficaria: 
4. ESTRATÉGIAS PARA 
EVITAR O ERRO AO 
PRESCREVER 
Além da sistematização apresentada, 
para prevenir a ocorrência de erros. 
seguem alguns pontos importantes 
que você deve se atentar: 
1 - Não considerar o questionamento 
de uma prescrição como crítica. mas 
como auxílio. em que o objetivo final é 
89 
a beneficência e não-maleficência do 
paciente; 
2 - Ao atualizar uma prescrição que 
tenha sido feito no dia anterior. con­
verse com a equipe! Converse com o 
enfermeiro chefe acerca de novas in ­
formações do paciente. pergunte ao 
farmacêutico sobre protocolos e me­
dicamento disponíveis na instituição 
ou ainda sobre possíveis interações 
medicamentosas; 
3 - Ao terminar a prescrição. cheq ue 
se todos os itens necessários foram 
escritos. Ao imprimir. ana lise se todas 
as folhas estão presentes. 
4 - Pergunte ao paciente sobre seu 
antecedente medicamentoso; recal­
cule as doses; questione sobre aler­
gias. Se o paciente não estiver em 
condição de responder. contacte com 
familiares e acompanhantes; 
5 - Explique ao paciente sobre as me­
dicações que utilizará. e os horáriosque as receberá. Muitos pacientes 
saem do hospital sem saber qual me­
dicamento estava em uso. o que tem 
implicações diretas sobre sua adesão 
medicamentosa pós-a lta. Este pode 
ser ainda um momento para educa r 
o paciente acerca da necessidade de 
novos hábitos; 
6 - Mantenha um registro. em agen­
das. celulares. cadernos. de todos os 
medicamentos que já teve contato. 
Dose. diluição. via e problemas po­
tenciais. Isto lhe auxiliará a se familia­
rizar e memorizar os fármacos; 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
7 - Considerar a possibilidade de in­
teração entre as drogas prescritas. 
Ao terminar de prescrever. reavalie as 
drogas e veja se elas podem interagir 
entre si. 
8- Conheça o período de início e tér­
mino da validade da prescrição da 
instituição em que você se encontra. 
As prescrições fe itas até determ inado 
horário, são incluídas na rotina de ad­
ministração do mesmo dia. mas a pri ­
meira dose será administrada apenas 
90 
a partir do início de vigência da pres­
crição. Caso queira inserir uma me­
dicação de modo imediato. sinalize 
"PARA USO IMEDIATO" e comunique 
a enfermagem sobre o fato. 
9 - Tenha calma! Enquanto estiver 
prescrevendo, concentre-se nesta 
atividade. e além disso. tenha paci­
ência consigo mesmo! Esta atividade 
demanda prática e. em breve. será 
um hábito para você. 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 91 
MAPA MENTAL: PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
No de prontuário 
1. Repouso 
Alergias 
2. Dieta 
3. Oxigenoterapia 
4. Hidratação 
5. Medicação EV 
6. Medicação VO 
7. Medicação por outras vias 
8. Controles gerais 
9. Controles específicos 
Converse com o paciente Em duas vias 
Mantenha calma Hora limite 
Escreva um "diário" de medicações que já utilizou Não prescrever serviços de hotelaria 
Converse com a equipe 
Cheque a prescrição ao final 
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRAFICAS 
92 
DEAN. 8; et ai. Causes of prescribing errors in hospital inpatients: a prospective study. The 
Lancet. volume 359, issue 9315, P1373-1378. April. 2002. Disponível em: . 
FOXHALL. K.lnpatient medication: Too much information. or not enough?. March. 2010. Dis­
ponível em:. 
PAZIN-FILHO. A; et ai. Princípios de prescrição médica hospitalar para estudantes de medi­
cina. Medicina (Ribeirão Preto) 2013;46(2):183-94. Disponível em: . 
SANAR. Manual de Prescrição Médica Hospitalar. Disponível em: . 
SILVA A.M.S. lnpatients' medicai prescription errors. Einstein. 2009; 7(3 Pt 1):290-4. Dispo­
nível em:.julgar necessário, de opini­
ões de outros profissionais afe­
tos à questão para exarar o seu 
atestado. 
§ 3° O atestado médico goza da 
presunção de veracidade, de­
vendo ser acatado por quem de 
direito. salvo se houver divergên­
cia de entendimento por médico 
da institu ição ou perito. 
§ 4° Em caso de indício de falsi­
dade no atestado. detectado por 
médico em função pericial, este 
se obriga a representar ao Con­
selho Regional de Medicina de 
sua j urisdição. 
SE LIGA! Em muito atestados observa­
-se a seguinte expressão ""Atesto para 
' os devidos fins [ ... .]". E de bom tom es-
pecificar a que fim se dirige o atestado 
médico: afastamento do trabalho. afas­
tamento das atividades escolares. entre 
outros. 
3. CONSEQUÊNCIAS 
Absenteísmo trabalhista 
A emissão de um atestado médico 
envolve uma série de consequências. 
sendo a mais conhecida o afasta­
mento das atividades laborais. Pelo 
impacto que a ausência de um profis­
sional gera em seu ambiente de traba­
lho - atraso nas entregas, sobrecarga 
de outros colegas. etc - o médico que 
expede tal documento méd ico deve 
10 
estar ciente da seriedade e relevân ­
cia do documento que emite, deven­
do ser fiel em todas as informações 
que reg istra a fim de não prejudicar 
terceiros. Vale lembrar que a emissão 
de um atestado médico não pode ser 
feita por "bondade" ou para "angariar 
a simpatia do paciente". O atesta ­
do médico é um documento médico. 
como tal, deve ser emitido somente 
para o fim a que se propõe, qual seja 
sintetizar um estado de sanidade ou 
um estado de doença, anterior ou 
atual, para fins de licença, dispensa 
ou justificativa de faltas ao serviço, 
entre outros. 
SE LIGA! Atestado/Declaração de 
Comparecimento é diferente de Ates­
tado Médico. Enquanto o primeiro é um 
documento administrativo que apenas 
registra a presença/acompanhamento. o 
segundo é um documento médico. feito 
por um profissiona l habilitado - médi­
co -, que atesta uma cond ição clínica e 
a eventual necessidade de repouso do 
paciente. Ex: Pais que acompanham os 
filhos em consulta com o Pediatra não 
devem receber atestados médicos. vez 
que estes sequer foram examinados. O 
que se pode emitir para os pais é um 
atestado de comparecimento. Em hi­
pótese alguma deve o médico fornecer 
atestado médico para registar presença/ 
acompanhamento. vez que assim esta ­
ria desvirtuando a função do atestado 
médico. 
ATESTADO MÉDICO 
Ganhos Secundários 
Ao emitir o atestado, deve o médico 
registrar fided ignamente o estado de 
saúde do paciente, evitando assim, 
corroborar com qualquer intenção 
"desleal" do paciente de obter vanta­
gens indevidas, como um afastamen­
to desnecessário de suas atividades 
laborais. Deve o médico ficar aten­
to às intenções dos pacientes, sob 
pena de prejud icar indevidamente o 
empregador ou a Previdência Social, 
tendo em v ista que com o atestado 
o trabalhador é dispensado, tendo 
suas fa lt as abonadas e seu salário 
mantido integralmente, sem contudo, 
exercer as atividades para as quais foi 
contratado. 
' E necessário entender que a função 
do atestado é garantir o repouso para 
um paciente que necessita deste para 
reestabelecer sua saúde. Assim como 
a prescrição de um remédio, o repou­
so é condição necessária para o trata­
mento méd ico, não à toa . o atestado 
médico tem fé-pública - presunção 
de veracidade- e vincula o emprega­
dor - que deve acatar o afastamen­
to de seu empregado por motivos de 
saúde. 
Responsabilidade Penal 
A conduta de emitir atestado médico 
falso é tipificada como crime no artigo 
302 do Código Penal, podendo levar 
11 
o médico a responder penalmente 
por seu ato. 
Falsidade de atestado médico 
Art. 302 - Dar o médico, no exercício 
da sua profissão, atestado fa lso: 
Pena - detenção, de um mês a um 
ano. 
Parágrafo único - Se o crime é co ­
metido com o fim de lucro. apl ica-se 
também multa. 
O atestado falso seria aquele dado 
quando se sabe do seu uso indevido 
e criminoso. tendo por isso o caráter 
doloso. Se é fato que alguns médicos 
resistem, igualmente certo é também 
que, em alguns casos. o profissional 
é induzido por questões de amizade 
ou de parentesco. e assim, sem uma 
anál ise ma is acurad a, fornece um 
atestado gracioso ou falso. mesmo 
que seu Código de Ética diga que t al 
atitude é il ícita e o Código Penal veja 
como inf ração punível. 
Tais sa nções são justas porquanto o 
Estado tem o direito de resguardar o 
bem juríd ico da fé pública, cuja fina li­
dade é sempre proteger uma verda­
de. A fals idade do atestado médico 
está na sua f alsidade ideológica. Está 
fraudado na sua substância, no seu 
conteúdo. A sua irregularidade, por­
tanto, está no seu teor, na sua nature­
za intelectua l, praticada por um agen ­
te especial que é o médico, quando 
ATESTADO MÉDICO 
subverte o exercício regular de um 
direito. 
SE LIGA! Não confundir o crime de 
falsidade de atestado médico com o 
crime de exercício ilegal da medici­
na. Quando alguém que não é médico 
produz um atestado. o crime não é de 
falso atestado médico. mas de exercí­
cio legal de medicina. conforme o Art. 
282- Exercer. ainda que a título gra­
tuito. a profissão de médico. dentista 
ou farmacêutico. sem autorização le­
gal ou excedendo-lhe os limites: Pena 
- detenção. de seis meses a dos anos 
Parágrafo único - Se o crime é pratica­
do com o fim de lucro. aplica-se também 
multa. 
Responsabilidade Administrativa 
/ 
O Cód igo de Etica Méd ica (Resolu-
ção CFM No 2217 DE 27/ 09/2018) 
discipl ina a responsabil idade sobre a 
exped ição de atestados tanto em seu 
capítulo 111 . que trata da Responsabi­
lidade Profissiona l. quando em seu 
capítulo X. que t rata especificamente 
dos documentos méd icos. 
• Art. 11 Receitar. atestar ou emiti r 
laudos de forma secreta ou ileg ível. 
sem a devida identificação de seu 
número de registro no Conselho 
Reg ional de Medicina da sua juris­
dição, bem como assinar em bran­
co folhas de receituários, atesta­
dos. laudos ou qua isquer out ros 
documentos médicos. 
• Art. 80 Exped ir documento médico 
sem ter praticado ato profissional 
12 
que o j ustifique, que sej a tenden ­
CIOSO ou que não corresponda à 
verdade. 
O termo "documentos méd icos" é gê­
nero que eng loba todo e qualquer t ipo 
de decla ração emitida por um médico. 
durante o seu exercício profi ssional 
na Med icina. Exemplificativamente. 
são documentos médicos: atestados. 
certificados. declarações, laudos, pa­
receres. homologações. relatório. re­
ceitas. evolução. prescrições diversas. 
com unicações internas, etc. 
SE LIGA! Se você expediu o atestado 
médico para um paciente. você deve 
ter atendido ele. logo, é obrigatório a 
existência do prontuário deste paciente. 
Todo atestado médico deve estar an­
corado em um prontuário. 
• Art. 81. Atestar como forma de 
obter vantagem. 
Atestar significa declarar ou certifi­
car alguma coisa. Com base neste 
fundamento. o termo "atestar" do 
presente artigo deve ser enten ­
dido em sentido amplo, como se 
fosse "emitir qualquer documento 
médico". 
Mais que tipo de vantagem seria 
essa? A resposta é simples. En­
globa toda e qualquer tipo de be­
nef íc io possível e imaginável, in­
cluindo até a mera captação de 
cl ientes (ou pacientes). Pode ser 
ATESTADO MÉDICO 
uma vantagem financeira, políti­
ca, social ou administrativa, para 
o médico ou terceiros, tais como 
amigos e familiares. 
Comete infração a este artigo 
o médico-político que usa seus 
atestados como instrumento de 
campanha eleitoral, enviando. por 
exemplo, documentos sugerindo 
benefícios previdenciários. nota­
damente aposentadorias por inva­
lidez. visando manter sua vis ibili ­
dade "eleitoreira" na comunidade. 
No mesmo tipo de infração, se 
enquadra o médico que derrama 
atestados médicos sugerindo os 
mesmos tipos de benefícios, visan­
do não fins políticos eleitorais, mas 
apenas incrementar sua clientela e 
suas receitas. 
13 
ATESTADO MÉDICO 14 
---------------•--------------~ 
ATESTADO MÉDICO 
REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS 
15 
Código de Ética Médica: Resolução CFM no 2.217. de 27 de setembro de 2018. modificada 
pelas Resoluções CFM no 2.222/2018 e 2.22612019 I Conselho Federal de Medicina- Bra­
sília: Conselho Federal de Medicina. 2019. 
Barros Júnior. Edmi lson de Almeida. Código de ética médica: comentado e interpretado I Ed­
milson de Almeida Barros Júnior.- Timburi. SP: Editora Cia do eBook. 2019. 
FRANÇA. Genival. Direito médico- 15. ed.- Rio de Janei ro: Forense. 2019 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
A declaração de óbito (DO) é um do­
cumento muito importante e o único 
profissional de saúde que pode pre­
enchê-la é o médico. 
1. EXTINÇÃO DA 
PERSONALIDADE 
JURÍDICA: 
O ser humano passa a ser pessoa. 
sujeito a direitos e obrigações. quan­
do nasce com v ida. O preenchimento 
da declaração de óbito de um deter­
minado indivíduo. do ponto de vis­
ta jurídico. culmina na extinção da 
personalidade do mesmo. ou seja. a 
pessoa passa a não mais existir. Essa 
extinção gera desdobramentos não 
apenas ao indivíduo. mas para toda a 
sociedade. 
A morte implica na extinção de todas 
as responsabilidades que o indiví­
duo possuía. Portanto. caso a pessoa 
fosse casada o (a) seu cônjuge passa 
a ser v iúvo (a). ocorrendo a extinção 
do matrimônio, não havendo mais 
vinculações legais entre esses indi­
víduos. Caso o indivíduo que veio a 
18 
óbito tenha filhos. pode ser que esse 
venha a receber herança. pensão por 
morte do INSS (Instituto Nacional do 
Seguro Social) ou de outro sistema 
de aposentadoria e pensões. Portan­
to. a declaração de óbito implica na 
criação de uma engrenagem secu­
ritária, com despesas para a previ­
dência social ou para seguradoras 
privadas. A lém disso. a DO tam bém 
informa ao Tribunal Superior Elei­
toral (TSE) que esse indivíduo não 
votará mais. informação essa passa­
da atra~és do Sistema de Informação 
sobre Obito (SISOB). entidade que 
conecta os cartórios de registro civil, 
o INSS e o TSE. Esse processo difi ­
culta o acontecimento de fraudes nos 
processos eleitorais. 
2. DISPONIBILIDADE: 
A DO é um formulário autocarbo­
nado em 3 vias. chamado de "Kit" 
de DO. composto por uma via bran­
ca, uma via amarela e uma via rosa. 
Lembrando que, por serem autocar­
bonadas. não há necessidade de uti li ­
zar um carbono no meio! O preenchi­
mento da v ia branca (a primeira) gera 
o preenchimento das conseguintes. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 19 
,,.18 1 -
-
--... = 
r --
Figura 1. A declaração de óbito e as suas 3 vias. (Fonte: CREMEB. 20 17) 
Esse formulário é único no mode­
lo decidido pelo Ministério da Saúde 
(MS) em TODO o território nacional. 
não havendo quaisquer mudanças 
em unidades federativas específicas. 
Cada DO já vem numerada. Essa 
numeração é única e exclusiva 
para cada DO. ou seja, não existem 
DO's gêmeas. com a mesma nume­
ração. Portanto. caso haja rasuras 
importantes ou erros a DO não deve 
ser descartada. jogada no lixo ou ex­
traviada. Nesses casos. deve-se inu­
tilizar o documento. deixando claro 
através de palavras como "Inutilizada. 
Sem Efeito. Cancelada", grampeando 
as 3 vias e reencaminhando-as para 
a Secretaria Municipal de Saúde 
(SMS) . Cada DO emitida pela SMS 
deve retornar para a mesma. para 
que o sistema de informação seja ali­
mentado e repassado para os níveis 
estaduais e federais. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
Número de 
Identificação da DO 
20 
República Federativa do Brasil 
Minist6rio de Saude 
I'VIA· SECRETARIA DE SAUDE 
Declaração de Óbito 
7 Notnt 6a Mie 
1=-:fiL.,-COI,_J,I""-::.,-:'d:;i.,t (,--,:UIH..,.MI~I ... :-,:-1 ;~J -· O[]Stm..w.n~~~M 30U•diO(WIIIIQOrorau) •~ 
10FvMMntA!til (!"~o~4" .. 11•) 40SuPtt•!c. ,..,,.,,..,.._, D 
2(J Funda'nenlal I cs- a a• ~) 50 SupenQt çorn~ 9 
Figura 2. Numeração da Declaração de Óbito (DO). (Fonte: Adaptado de CREMES. 2017) 
Nos serviços de saúde em que é es­
perado que ocorram mortes de forma 
eventual ou constante. como Hospi­
tais. UPA's, UTI's, é provável que o di­
retor técnico dessas instituições sem­
pre garanta a disponibilidade da DO 
nesses locais. 
Pa ra que o diretor técnico da institui­
ção consiga pegar mais documen­
tos de DO na SMS, ele precisa levar 
as vias brancas já preenchidas. Por­
tanto. cabe aqui elucidar que quando 
um paciente vem a óbito a via branca 
é reencaminhada para a SMS. a via 
amarela fica sob a responsabilidade 
da família (que serve para resolver as 
questões burocráticas com o cartó­
rio. para que possa ocorrer o sepul­
tamento do indivíduo) e a via rosa é 
anexada ao prontuário na instituição 
de saúde que prestou atendimento 
ao indivíduo. fluxo que será mais de­
talhado a seguir. 
Caso o profissional médico atue nas 
áreas em que há atendimento do­
miciliar constante, suporte e aten ­
dimento a pacientes em situação de 
vulnerabilidade e até em pal iação, 
como a geriatria. o médico como 
Pessoa Física pode ter em sua pos­
se documentos de DO para quando 
necessite. resgatando-as da mesma 
maneira na SMS. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
~~------------------------------------------
OU4 I I I I I_J, 
~·----------------------------------------~~ 00 
dDaMnCr'l1:l dR lct!f1'111!dt tfl '--' I I I l_I_J_._.!, 
't'Qlira:ia IJI ~w:rtolõ vais,. Dochj;ill e ~ nlo T~ Mnflrac'la N IY. ~ 
Cà!LC J71, SD .-. ~ dlt Dllr:b~. ÔbUD {DO). 
~lllX~ e O:IUCICliDnlldl ~ I:JIW lQÇiD 6) dar:umuiiD de idwitdlde ~ p: ;;g• IIIUIJI::ada Klma 
cnsa . 
0U111mi!~ l:õ:suta:> tl..,ral t....,...tgN'iA1t peo uoo cbs ~ de 00 ~ à 
pe::SII)a ~ Cllm) pdo CDTg6cm • cr:mm - lllll5 ra tl::mliX do 
CÓC\9" de E!b NMlcJ ~ 39, HQ, u•. 1!5) e ~ (tâ 6SIIl,. dia l1.l2.72, q.aa 
RQT.~cma a fita~ ~e Ar·~ ct.1 !iaí1'dl rv"n. ~ sn. e o cddiQO ·Perli:ll 
ro.-.102). 
A&litDrta;Ju scne• penSai ~ Wlrtdt ••* s'd'JçS.> f'll'mll 
crc:amilrtQ:~ I f'fi#Nai\'5/MV, can • CI!"Miii:D cSiql.dl ~ 
CD.. == - - D - Jzb.. • .. át mêdiiJII&Cr.::a=. 
21 
Figura 3. Exemplo de Termo de Autorização para retirada de formulários de Declaração de Óbito, emitidos pela Secre­
taria Municipal de Saúde de Porto Alegre. (Fonte: Adaptado de Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre) 
3. AUTORIA: 
A autoria é a última sessão a ser pre­
enchida da DO. onde há um campo 
para o "nome do médico" e outro 
campo para o "CRM". O carimbo é. 
assim como em outros documentos 
médicos. facultativo. O médico que 
preenche a DO pode ser o médico as­
sistente (atendeu o paciente). médico 
substituto (não acompanhou o caso. 
mas esteve presente no momento do 
óbito. exemplo: médico plantonista). 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
médico legista (em casos de morte 
por causa externa). médico patolo­
gista nos Serviços de Verificação de 
I 
Obito (SVO) . 
~~ -- ~·mRA DA REVISÃO! O Instituto Mé­
x dico Legal (IML) está subordinado à 
Superintendência da Polícia Técnico­
-Científica e foi criado com o intuito de 
fornecer bases técnicas em Medicina 
Legal para o julgamento de causas cri­
minais. A mais conhecida de suas fun­
ções é a necropsia em mortes de etio­
logia violenta. No entanto. esse tipo de 
exame const itui apenas 30% de suas 
funções. A maior parte de seus atendi ­
mentos é dada a indivíduos em vida, 
vítimas de acidentes de trânsito, de 
agressões, acidentes de trabalho, en­
tre outras causas externas. 
O Serviço de Verificação de Óbito 
(SVO). por sua vez. se constitui no local 
onde é realizado o exame dos corpos de 
pessoas que morrem sem terem sido 
assistidas, ou por causas naturais 
desconhecidas. excetuando-se aqueles 
que morreram por causas externas. 
22 
I 
E obrigatório a disponibilização de um 
meio de contato. para que a SMS 
possa entrar em contato caso ocor­
ram eventuais dúvidas. O número ut i­
lizado pode ser institucional, como da 
clín ica. hospital ou consultório em que 
o méd ico esteja atuando. A lém disso. 
devem constar a data de preenchi­
mento da DO e a sua assinatura. 
podendo essa ser a assinatura habi ­
tual reg ist rada em cartório. 
SE LIGA! Em localidades SEM profis­
sionais médicos, é possível que dois 
cidadãos não médicos possam teste­
munharem Cartório de Registro Civil 
a morte de um indivíduo. Não há preen­
chimento do diagnóstico. nesse caso. 
Autcr;~, 
Identificação 
Médica 
Preenchimento 
em causas 
externas 
~enchimento 
1 em localidades 
~mmédicos 
-- --------------- ----------------------------------------
1 ... 2 ... .........., :s ..... avo& o.-I 
50 NOtN dro ~ 1"1 CRM ;52 O "*ko que._..,.. al4oi'IÓO>I AO taltdcto 1 
_:_11 !3 M"""'"'"""'(Te ...... '"'·•""'"" l .~-·_-_ .. _ ·_- _- ___:. _____ ~·----"'-"---------------------
M0VAVEt$CIROUNS'TANCIAS OEi MORTe. NAONATI.I\Al C f'll~deca ... r~epidemo!OOCO} 
VIII 
IX 
5I Tipo 51 ~~d01111c.lho J58 fOtltOdeir'IIOI'MI(:éo 
I ~ , """óot 1 -- I lrorn 1 Nio I .............. ~- 1 ......... ) ,_ 
• 0...0. • .......,. • ........ • o.. • ........ 
st o.cr;c.ao_.,..,. do--.,.IN:*H'IOOotooMtocMCS.~ 
_SE AOCXlRRí:NCIA FOR EM VIAPUBliC~ ANOTAR 0 ENDEREÇO 
...... l.QO~OúiO ifrl.lil, PQt;to . .-...nlóa. .-e.) 
• I " """"'"" 
'-- -·-···-·-
Figura 4. Autoria da Declaração de óbito em mortes por causas naturais, mortes por causas externas e em localidades 
sem médicos. (Fonte: Adaptado de CREMEB. 20 17) 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
' E comum que médicos sejam solicita-
dos em localidades onde não há aten­
d imento médico emergencial, princi­
palmente em interiores e localizações 
rurais, para assinar a DO de um pa­
ciente que já fo i inclusive sepultado, 
por exemplo aos finais de semana. A 
declaração de óbito possui natureza 
de atestado, e o médico não pode 
atestar um ato sem o ter realiza­
do! Esse preenchimento é, portanto, 
incorret o. 
E LIGA! O Código de Ética Médica 
Art. 114 explícita: É vedado ao médi­
co: "Atestar óbito quando não o tenha 
verificado pessoalmente. ou quando 
não o tenha prestado assistência ao 
paciente salvo. no último caso. se o fi­
zer como plantonista , médico substituto 
ou. em caso de necrópsia e verificação 
médico-legal" 
23 
~~~-----------------------------------~..z:;. 
~ .. SAIBA MAIS! 
Como a declaração de óbito possui natureza de atestado. o profissional médico que emitir 
uma declaração de óbito falsa está susceptível a cumprir um mês a um ano de detenção. bem 
como pagar uma multa. caso tenha emitido a DO para fins lucrat ivos. 
4. IDENTIFICAÇÃO: 
Com relação a identificação do indiví­
duo que veio a óbito, deve consta r na 
DO o seu nome completo, o nome 
de seus genitores, a data de nasci­
mento, a idade no momento do óbi­
to, o sexo biológico, a cor da pele, 
o estado civil, a escolaridade e, por 
fim, a sua ocupação. Lembre-se que 
"aposentado" e desempregado" não 
são ocupações! Preencha sempre a 
ocupação que o indivíduo exercia 
enquanto ativo em seu ofício. Esse 
dado é importante para a elucidação 
sobre se houve ou não alguma contri­
buição negativa do trabalho do indiví­
duo em sua morte. 
O primeiro campo da DO questiona se 
o óbito foi fetal ou não fetal. Para a 
morte feta l, basta o preenchimento da 
declaração de óbito. Por outro lado, a 
morte não fetal exige a Declaração 
de Nascido Vivo, necessitando que o 
ind ivíduo possua nome, pois chegou 
a t er personalidade j urídica. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 24 
[ Identificação l 
Classificação do óbito 
em Fetal ou Não Fetal Repubhca federativa do Brasil 
Momst4no da ~iie) sC)Sut'N'I'JOf conPtf'lo 
Declaração de Óbito 
1 lt~co,..l ' ...... ·o~::.~.,.._. 
JO20 semanas). 
quando há morte intrauterina considera-se a morte como fetal e quando há morte extrauteri-
na. após algum sinal de vida. é considerada uma morte não fetal. 
5. RESIDÊNCIA E 
OCORRÊNCIA: 
Em alguns casos. o indivíduo é re­
sidente em um lugar, porém vem a 
óbito em outro. muitas vezes por im­
portação e exportação de óbitos. 
Muitos locais não possuem um siste­
ma de saúde preparado para assisti­
-lo. acabando por recorrer a capitais e 
cidades mais capacitadas, com maio­
res recursos. Outras vezes o contrário 
ocorre, com indivíduos em v1agens. 
por exemplo. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
Local onde o 
indivíduo residia 
Local onde o 
indivíduo veio a 
óbito 
r· 
1 ...... 2 0\Mol ...... _.. ' o-.. 
.. w ...... 5 ow.. • ..,_..., 
IV 
l 
25 
,, t.· t' ., ~ •••110 
lZ UF 
Figura 6. Campo de Residência do indivíduo e da ocorrência do óbito. (Fonte: Adaptado de CREMEB. 2017) 
~ 
'-"" ~ " ~ 
~ . ONCEITO! Cabe aqui elucidar os con-
ceitos de Importação e Exportação de 
óbitos. A importação de óbitos é o con­
ceito utilizado do ponto de vista da lo­
calidade em que ocorrem os óbitos de 
indivíduos residentes em outra localida­
de. De forma antagônica. a exportação 
de óbitos é avaliada do ponto de vista 
da loca lidade de residência do indivíduo 
que vem a falecer em outro local. 
Esse dado tem sua importância jus­
tificada pela avaliação do perfil de 
morbimortalidade das localidades 
específicas, de forma a aval iar quais 
são os problemas de saúde especí­
ficos de uma região, possibilitando a 
elaboração pelos gestores em saúde 
de polít icas de saúde direcionadas e 
mais eficazes. Dessa forma, podemos 
perceber o quanto esse documen­
to extrapola a burocracia. tornando­
-se essencial em diversas esferas da 
saúde pública! 
6. CRIANÇAS E 
MULHERES: 
O falecimento de indivíduos em seu 
primeiro ano de vida configu ra como 
mortalidade infantil. 
Falecimento de mulheres em idade 
fértil (na menacme) pode configurar 
como mortalidade materna. 
Existem diversos campos que não po­
dem deixar de ser preenchidos com 
relação à mortalidade perinatal, ou 
seja, a mortalidade do feto no final 
da gravidez, do recém-nascido e da 
, 
gestante ou puerpera. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 26 
~rrência de óbitos em 
I ~;~·os ou crianças com 
PREENCHIMENTO EXCt.U$1\'0 PAAA 00.TO$ FETAl$ e DE ME.NORE$ DE 1 ANO 
Nf:ORMAÇOES S08RS: AMAE 
i)31clad• Gol ~IAnd~ (Eft'l-~--~) 
1 ~ 2 0.1variam): 
67 países globalmente se 
enquadram nessa 
categoria. 
O limite gestacional mais 
comum para países nessa 
categoria é de 12 semanas. 
Figura 8. Leis que regem a prática de abortamento a nível mundial. (Fonte: Center For Reprodutive Rights- The World's 
Abortion Laws. 2020) 
7. CAUSA MORTIS 
Para muitos, pode ser considerada a 
parte mais importante da DO, pois é 
onde se encontra a causa/motivo da 
morte. 
De imediato, podem-se observar na 
DO as linhas A, 8, C e O, perten­
centes à Parte I da Causa Morte. ou 
seja, re lacionadas a doença ou esta­
do mórbido que levou diretamente 
ao óbito. Não é necessário a util iza­
ção de todas, desde que as causas 
da morte sejam elucidadas da causa 
base (o mais abaixo possível entre 
as opções) até a causa imediata (A, 
o mais acima possível), havendo as 
causas intermediárias em sequên­
cia ent re elas. A causa base do óbito 
é a etiologia que culmina com a se­
quência de eventos que possibil ita a 
morte do indivíduo. A lém disso, de­
ve-se também investigar e elucidar o 
tempo decorrido, aproximadamen­
te, entre o início de cada diagnósti­
co e a morte do paciente. 
SE LIGA! O CID (Classificação Interna­
cional de Doenças) relativo a cada diag­
nóstico é preenchido pelos codificadores 
da SMS responsável, não devendo ser 
preenchido pelo médico! 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
A Parte 11 do campo de Causas da 
Morte diz respeito a outros aspectos 
patológicos do indivíduo que podem 
ter contribuído a longo prazo com a 
morte. mas não estão relacionados 
CAUI-AI OA MOI':TE ~._...._,,,.,.~._. "011''-'"-
PART'E I •I Causa imed ata ou terminal 
c..... ........... ~·--
.. 1 C~ 0'1 ~~ :n:t. ,.C'ÓIII'.Itdi>IH 'I w :-.1 b 
'r,WICIJ:.Jt.l~a "c;;;;D;ic;;iiiifã~;;-"------------L--.l_-_j a-Cll CCI'lll 03'~1 ~ 
c 
PARTE 11 
0W» cwt~lt$ ~;ril'a':'m qJit COIIITIIIh!l 
PIIU II'OI'It t ~ ~ etiiTW J)CIII" na 
cteelalà"a 
Figura 13. Exemplo de Preenchimento Incorreto da DO. (Fonte: Ministério da Saúde. 3° Ed. 2009)) 
8. FLUXO DA DO 
Cada via da Declaração de óbito pos­
sui um fluxo específico nas institui­
ções públicas ou privadas. 
A via Branca é preenchida pela ins­
tituição que presta o atendimento. 
sendo ela o hospital. clínica. IML (Ins­
tituto Médico-Legal) ou SVO. as quais 
encaminham para a SMS. A SMS, 
por sua vez. digita, analisa e enca­
minha a DO para a DIRES (Diretoria 
Regional de Saúde). A DIRES é res­
ponsável pela sua análise e encami­
nhamento via web para instância 
estadual (SES - Secretaria de Estado 
da Saúde) e federal (MS- Ministério 
da Saúde). 
A via Amarela é entregue para a 
família, que em sua posse a encami­
nha para o Cartório de Registro Ci­
vil. de forma a poder prosseguir com 
as questões burocráticas do sepul­
tamento, cremação. entre outros. A 
segunda via permanece arquivada 
nesse local. 
A via Rosa fica arqu ivada no local de 
prestação de atendimento médico, 
em conjunto com o prontuário do 
paciente fa lecido. seja essa instituição 
um hospital. clín ica ou ambulatório. 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 32 
FLUXOGRAMA: FLUXO DE DESTINAÇÃO INSTITUCIONAL PARA CADA UMA DAS 3 
VIAS DA DECLARAÇÃO DE ÓBITO. (FONTE: AULA SANARFLIX) 
Declaração de Óbito 
SE LIGA! Não custa lembrar que as 3 
Vias da DO devem ser utilizadas para 
o mesmo indivíduo. sempre em con­
junto. Caso contrário. há a perda de sua 
validade' 
9. CASOS ESPECIAIS 
Existem algumas situações especiais 
no preenchimento da DO. que va lem 
a pena lembrar. 
Em caso de cremação, é necessá ­
rio que a DO seja assinada por dois 
profissionais médicos, em vez de 
apenas um. 
Em caso de morte violenta, a DO só 
pode ser preenchida no IML, não 
devendo sob hipótese alguma ser 
preenchida pelo médico assistente, 
apenas pelo médico legista! 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
--~ ,i~~ 
,....-:::- ' SAIBA MAIS! 
33 
A lei n° 62 16 de 30/06/75. que corrigiu a lei n° 6015/73. a qual dispõe sobre os Registros 
Públicos. no artigo 77. parágrafo 2. preconiza: Em se tratando de corpo para ser cremado. a 
DO deverá ser firmada por 2 (dois) médicos. ou por 1 (um) médico- legista e. no caso de morte 
violenta. depois de autorizada pela autoridade judiciária. 
~~ORA DA REVISÃO )( ::::::=:: 
Os médicos-leg istas investigam a cronologia dos fatos e a ação dos eventuais agentes 
que contribuíram para o aparecimento de uma lesão ou da morte. Seu conhecimento plu­
ral é utilizado para a produção de provas. no âmbito da investigação policial e judiciária. 
São peritos oficiais do Estado. aprovados em concurso público, que passam por avaliação 
e treinamento. O CFM determina que, em caso de morte ou suspeita de causa externa. 
independentemente da condição social, financeira ou política da vítima. cabe APENAS ao 
médico leg ista emitir o atestado de óbito 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 34 
MAPA MENTAL GERAL: DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
Dívidas 
dia nóstico! 
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS 
35 
Cons. Henrique Oliveira Filho. A declaração de óbito. CREMEB, 2017. Disponível em: http:// 
www.cremeb.org.br/wp-content/uploads/20 17 /09/A-DECLARACAO-DE-OBITO-HENRI­
QUE-OLIVEIRA.pdf 
Maria Madalena dos Santos. Declaração de Óbito: Direitos e Deveres. Conse­
lho Federal de Medicina. 1999. Disponível em: http://portal.cfm.org.br/index. 
php ?option=com content&id= 20413 :decla racao-de-obito-direitos-e -deveres-
Ministério da Saúde. A declaração de óbito: documento necessário e importante. Ministério 
da Saúde, Conselho Federal de Medicina. Centro Brasileiro de Classificação de Doenças. 3a 
ed.- Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO 
COMPULSÓRIA 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
1. DOENÇAS DE 
NOTIFICAÇÃO 
COMPULSÓRIA 
As primeiras intervenções estatais no 
campo da prevenção e controle de 
doenças. desenvolvidas sob bases 
científicas modernas. datam entre o 
final do século XIX e início do século 
XX e foram orientadas pelo avanço da 
era bacteriológ ica e pela descoberta 
dos ciclos epidemiológicos de algu­
mas doenças infecciosas e parasitá­
rias. Essas intervenções consistiram 
na organização de grandes campa­
nhas sanitárias e visavam controlar 
doenças que comprometiam a ati­
vidade econômica. a exemplo da fe ­
bre amarela, peste e varío la. A ideia 
de vigilância como um instrumen­
to de saúde pública foi concebida 
no final do século XIX como uma 
ferramenta de coleta, compilação, 
avaliação e divulgação de dados 
para as autoridades de saúde e o 
público em geral a fim de permitir a 
detecção precoce de doentes com 
objetivando o seu isolamento. No 
entanto este termo foi utilizado pela 
primeira vez apenas em 1955. na de­
nominação do Programa Nacional de 
Vigilância da Poliomielite. criado pelo 
coe americano para coletar. conso­
lidar e disseminar informação epide­
miológ ica sobre essa doença. 
Foi apenas a partir da 21 a Assembleia 
da Organização Mundial de Saúde, 
em 1968. que a expressão Vigilância 
38 
Epidemiológica passou a ser internacio­
nalmente usado. tendo sido conceitua­
do como o "estudo epidemiológico de 
uma enfermidade considerada como 
um processo dinâmico que abrange 
a ecologia dos agentes infecciosos. o 
hospedeiro. os reservatórios e vetores. 
assim como os complexos mecanis­
mos que intervêm na propagação da 
infecção e a extensão com que essa 
disseminação ocorre". 
No Brasil. o primeiro órgão a uti lizar 
os conceitos e as práticas modernas 
da vigilância foi o Centro de Investi­
gações Epidemiológicas vinculado à 
Fundação de Serviços de Saúde Pú­
blica. tendo estabelecido assim o pri­
meiro sistema nacional de notificação 
de doenças. 
Em 1989 a Lei N° 8.080. que é cha­
mada Lei Orgânica da Saúde. incluiu 
como uma das atribuições do Sistema 
Único de Saúde as ações de vigilância 
sanitária; vigilância epidemiológica e 
de saúde do t rabalhador. O conceito de 
Vigi lância em Saúde que passou a ser 
ut ilizado. representa uma abordagem 
mais ampla. tal como foi efetivamente 
construído o SUS. passou a incluir a vi ­
gilância das doenças transmissíveis. a 
vigilância das doenças e agravos não 
transmissíveis e seus fatores de risco. 
a v igi lância ambiental em saúde e a v i­
gi lância da situação de saúde. 
Assim foram determinados aspectos 
fundamentais de um programa de vi­
gilância em saúde: 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
• Caráter permanente. contínuo 
e sistemático (diferente dos es­
tudos e levantamentos. feitos 
ocasionalmente). 
• Foco dirigido para determinados 
resultados específicos (estabele­
cendo objetivos e metas a serem 
atingidos). 
• Uti lização de dados diretamente 
relacionados com práticas de saú­
de pública (principalmente as infor­
mações relacionadas a morbidade e 
mortalidade para que se possa en­
tender a situação de determinadas 
doenças e seus fatores de risco). 
• Sentido utilitário, pragmático da 
atividade (no final das contas visa 
estabelecer o controle de doenças 
e não apenas ampliar o conheci­
mento sobre as mesmas). 
A vigilância epidemiológica tem, 
portanto, como propósito forne­
cer orientação técnica permanente 
para os profissionais de saúde, que 
têm a responsabilidade de decidir so­
bre a execução de ações de controle 
de doenças e agravos, tornando dis­
poníveis, para esse fim, informações 
atualizadas sobre a ocorrência dessas 
doenças e ag ravos. bem como dos fa­
tores que a condicionam. numa área 
geográfica ou população definida. 
Notificação compulsória é um regis­
tro que obriga e universaliza as no­
tificações, visando o rápido controle 
39 
de eventos que requerem pronta in­
tervenção. Para a construir o Sistema 
de Doenças de Notificação Compulsó­
ria (SDNC), criou-se uma Lista de Do­
enças de Notificação Compulsória 
(LDNC) , cujas doenças são seleciona­das através de determinados critérios 
como: magnitude, potencial de disse­
minação. transcendência, vulnerabili­
dade. d isponibi lidade de medidas de 
controle, compromisso internacional 
com programas de erradicação etc. 
Devido as alterações no perfi l epide­
miológico, a implementação de outras 
técnicas para o monitoramento de 
doenças, o conhecimento de novas 
doenças ou a reemergência de ou­
t ras, tem a necessidade de constan­
tes revisões periódicas na LDNC no 
sentido de mantê-la atualizada. 
SE LIGA! Notificação compulsória tem 
por finalidade levar ao conhecimento 
das autoridades sanitárias o surgimento 
de enfermidades que podem prejudicar 
ou ameaçar a saúde da população. 
Como e por que são escolhidas as 
doenças de notificação compulsória? 
Os parâmetros para inclusão de do­
enças e agravos na lista de notifica­
ção compulsória devem obedecer a 
alguns critérios: 
• Magnitude - aplicável a doenças 
de elevada frequência, que afe­
tam grandes contingentes popu ­
lacionais e se traduzem por altas 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
taxas de incidência, prevalência. 
mortalidade e anos potenciais de 
vida perdidos. 
• Potencial de disseminação - re­
presentado pelo elevado poder 
de transmissão da doença, atra­
vés de vetores ou outras fontes 
de infecção. colocando sob risco a 
saúde coletiva. 
• Transcendência - expressa-se 
por outras características que con­
ferem relevância especial à doença 
ou agravo. destacando-se: taxas 
de letalidade, de hospitalização 
e de sequelas; relevância social 
(avaliada. subjetivamente. pelo 
valor imputado pela sociedade à 
ocorrência da doença, e que se 
manifesta pela sensação de medo. 
de repulsa ou de indignação); e re­
levância econômica. 
• Vulnerabilidade - medida pela 
disponibilidade concreta de inst ru­
mentos específicos de prevenção e 
controle da doença. propiciando a 
atuação efetiva dos serviços de saú­
de sobre indivíduos e coletiv idades. 
• Compromissos internacionais -
Metas continentais ou mundiais 
de controle. de eliminação ou de 
erradicação de doenças. previs­
tas em acordos firmados pelo go­
verno brasileiro com organismos 
internacionais. 
• Emergências de saúde pública, 
epidemias e surtos-são situações 
40 
que impõe notificação imediata de 
todos os eventos de saúde que im­
pliquem risco de disseminação de 
doenças, com o objetivo de delimi­
tar a área de ocorrência, elucidar 
o diagnóstico e deflagrar medidas 
de controle aplicáveis. 
.. ,:? .~ 
~ ~ ~ ' ·C: NCEITO! Notificação compulsória 
comunicação obrigatória à autoridade de 
saúde, realizada pelos médicos, profis­
sionais de saúde ou responsáveis pelos 
estabelecimentos de saúde, públicos ou 
privados. sobre a ocorrência de suspei­
ta ou confirmação de doença, agravo ou 
evento de saúde pública, descritos no 
anexo, podendo ser imediata ou semanal. 
Quais são os marcos legais sobre a 
notificação compulsória de doenças? 
A Lei no 6.259, de 30 de outubro de 
1975, que dispõe sobre a organiza­
ção das ações de V igilância Epide­
miológica. sobre o Programa Nacional 
de Imunizações. estabelece normas 
re lat ivas à notificação compulsória de 
doenças. Sobre essa lei vale citar al­
guns artigos importantes: 
Art 7°: São de notificação compul­
sória às autoridades san itárias os 
casos suspeitos ou confirmados: 
1- de doenças que podem implicar 
medidas de isolamento ou qua­
rentena, de acordo com o Regu­
lamento Sanitário Internacional. 
11 - de doenças constantes de 
re lação elaborada pelo Ministé­
rio da Saúde. para cada Unidade 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
da Federação. a ser atualizada 
periodicamente. 
SE LIGA! O que isso quer dizer? Os 
agravos de notificação compulsória ou 
são doenças que podem necessitar de 
medidas sanitárias de isolamento ou 
quarentena OU são condições de inte­
resse em saúde pública. 
Art 8°: É dever de todo cidadão 
comunicar à autoridade sanitária 
local a ocorrência de fato. compro­
vado ou presumível. de caso de 
doença transmissível. sendo obri­
gatória a médicos e outros pro­
fissionais de saúde no exercício 
da profissão. bem como aos res-
, . . -
ponsave1s por organ1zaçoes e esta-
belecimentos públicos e particula­
res de saúde e ensino a notificação 
de casos suspeitos ou confirmados 
das doenças relacionadas em con­
formidade com o artigo 7°. 
LIGA! O que isso quer dizer? Qual­
quer pessoa tem o dever de notificar. 
não só os profissionais de saúde! A co­
municação de doença. agravo ou evento 
de saúde pública de notificação compul­
sória pode ser realizada à autoridade de 
saúde por qualquer cidadão que deles 
tenha conhecimento. 
Art 10°: A notificação compulsória 
de casos de doenças tem caráter 
sigiloso. obrigando nesse sentido 
as autoridades sanitárias que a te­
nham recebido. 
41 
Parágrafo único. A identificação 
do paciente de doenças referidas 
neste artigo. fora do âmbito médi­
co sanitário. somente poderá efeti­
var-se. em caráter excepcional. em 
caso de grande risco à comunida ­
de a juízo da autoridade sanitária 
e com conhecimento prévio do pa­
ciente ou do seu responsável. 
SE LIGA! O que isso quer dizer? O pa­
ciente terá sua identidade mantida sob 
sigilo a não ser que haja grande risco à 
saúde pública caso isso não seja feito. 
Como por exemplo para identificar e iso­
lar um caso-fonte, afim de evitar a dis­
seminação de uma doença contagiosa. 
Art 11°: Recebida a notificação. a 
autoridade sanitária é obrigada 
a proceder à investigação epide­
miológica pertinente para elucida ­
ção do diagnóstico e averiguação 
da disseminação da doença na po­
pulação sob o risco. 
Parágrafo único. A autoridade po­
derá exigir e executar investigações. 
inquéritos e levantamentos epide­
miológicos junto a indivíduos e a 
grupos populacionais determinados. 
sempre que julgar oportuno visando 
à proteção da saúde pública. 
SE LIGA! O que isso quer dizer? Quan­
do a autoridade sanitária recebe a notifi­
cação fará uma investigação do caso (se 
oportuno). 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
LIGA! É importante ressaltar que a 
não notificação é passível de punição 
e está prevista no Código Penal (lei 
2848/1940): 
Art. 269 - Deixar o médico de denun­
ciar à autoridade pública doença cuja 
notificação é compulsória: 
Pena - detenção. de seis meses a dois 
anos. e multa. 
2. LISTA NACIONAL DE 
NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
DE DOENÇAS, AGRAVOS 
E EVENTOS DE SAÚDE 
PÚBLICA 
Definida pela Portaria No - 204, De 
17 de Fevereiro de 2016. ela traz 
quais são as condições de saúde que 
devem ser notificadas. 
• Agravo: qualquer dano à integri­
dade física ou mental do indivíduo. 
provocado por circunstâncias no­
civas. ta is como acidentes. intoxi­
cações por substâncias químicas. 
abuso de drogas ou lesões decor­
rentes de v iolências interpessoais. 
como agressões e maus tratos. e 
lesão autoprovocada. 
• Doença: enfermidade ou estado 
clínico. independente de origem 
ou fonte. que represente ou possa 
representar um dano significativo 
para os seres humanos. 
• Epizootia: doença ou morte de ani­
mal ou de grupo de animais que pos­
sa apresentar riscos à saúde pública; 
42 
• Evento de saúde pública (ESP): 
situação que pode constituir poten­
cial ameaça à saúde pública. como 
a ocorrência de surto ou epidemia. 
doença ou agravo de causa desco­
nhecida. alteração no padrão clíni ­
coepidemiológico das doenças co­
nhecidas. considerando o potencial 
de disseminação. a magnitude. a 
gravidade, a severidade. a t rans­
cendência e a vulnerabilidade. bem 
como epizootias ou agravos decor­
rentes de desastres ou acidentes; 
Existem tipos de notificação 
compulsória: 
• Notificação compulsória ime­
diata (NCI): realizada em até 24 
horas. a partir do conhecimento 
da ocorrência de doença, agravo 
ou evento de saúde pública. pelo 
meio de comunicação mais rápido 
disponível. 
• Notificação compulsória sema­
nal (NCS): real izada em até 7 
dias. a partir do conhecimento da 
ocorrência de doença ou agravo. 
• Notificação compulsória negati­
va: comunicação semanal realiza­
dapelo responsável pelo estabe­
lecimento de saúde à autoridade 
de saúde. informando que na 
semana epidemiológica não foi 
identificado nenhuma doença, 
agravo ou evento de saúde pública 
constante da Lista de Notificação 
Compulsória. 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 43 
No que se refere às autoridades de 
saúde, o Ministério da Saúde e as Se­
cretarias de Saúde dos Estados, Dis­
trito Federal e Municípios, responsá­
veis pela vig ilância em saúde em cada 
das doenças ou agravos constantes 
no anexo. Em outras palavras: se for 
feita uma notificação imediata, to­
das as demais esferas de gestão do 
SUS devem ficar sabendo! , 
esfera de gestão do Sistema Unico As tabelas a seguir contém todas as 
doenças e agravos que são de notifi ­
cação compulsória no território nacio­
nal. É importa nte que o médico tenha 
em mente e se lembre de conferir se o 
seu paciente se enquadra numa situ ­
ação de notificação compulsória. 
de Saúde (SUS) , se receberem algu­
ma notificação compulsória imediata, 
esta autoridade deverá informa- la, 
em até 24 horas desse recebimento, 
às demais esferas de gestão do SUS, 
o conhecimento de qualquer uma 
LISTA DE DOENÇAS OU AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA SEMANAL (EM ATÉ 07 DIAS) 
Acidente de trabalho com exposição a material biológico (08S se óbito, torna-se de notificação imediata!) 
Dengue - Casos suspeitos ou confirmados 
Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) 
Doença aguda pelo vírus Zika (08S: se em gestantes ou óbito, torna-se notificação imediata!) 
Esquistossomose 
Febre de Chikungunya (08S: se caso fora de área endêmica ou óbito, torna-se notificação imediata!) 
Hanseníase 
Hepatites virais 
HIV/AIDS 
Infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou puérpera e Criança exposta ao risco de transmissão vertical do 
HIV 
Intoxicação Exógena (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados) 
Leishmaniose Tegumentar Americana 
Leishmaniose Visceral 
Malária na região amazônica (08S: se fora da região amazônica, torna-se notificação imediata!) 
Óbito: 
a.lnfantil 
b. Materno 
Sífilis: 
Adquirida 
b. Congênita 
c. Em gestante 
Toxoplasmose gestacional e congênita 
Tuberculose 
Violência doméstica e/ou outras violências (08S: se violência sexual ou tentativa de suicídio, torna-se notifi-
cação imediata!) 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 44 
LISTA DE DOENÇAS OU AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA IMEDIATA (EM ATÊ 24H) 
MINISTÉRIO 
SES SMS 
DA SAÚDE 
Acidente de trabalho: grave, fatal e em crianças e adolescentes X 
Acidente por animal peçonhento X 
Acidente por animal potencialmente transmissor da raiva X 
Botulismo X X X 
Cólera X X X 
Coqueluche X X 
Dengue (óbitos) X X X 
Difteria X X 
Doença de Chagas Aguda X X 
Doença lnvasiva por Haemophilus influenzae X X 
Doença Meningocócica e outras meningites X X 
Doenças com suspeita de disseminação intencional: 
Antraz pneumônico 
X X X 
Tularemia 
Varíola 
Doenças febris hemorrágicas emergentes/reemergentes: 
Arenavírus 
E bola 
X X X 
Marburg 
L assa 
Febre purpúrica brasileira 
Doença aguda pelo vírus Zika em gestante X X 
Óbito com suspeita de doença pelo vírus Zika X X X 
Evento de Saúde Pública (ESP) que se constitua ameaça à saúde pública X X X 
Eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação X X X 
Febre Amarela X X X 
Febre de Chikungunya em áreas sem transmissão ou óbito X X X 
Febre do Nilo Ocidental e outras arboviroses de importância em saúde pública X X X 
Febre Maculosa e outras Riquetisioses X X X 
Febre Tifo ide X X 
Hantavirose X X X 
lnfluenza humana produzida por novo subtipo viral X X X 
Malária na região extra Amazônica X X X 
Poliomielite por poliovirus selvagem X X X 
Peste X X X 
Raiva humana X X X 
Síndrome da Rubéola Congênita X X X 
Sarampo e Rubéola X X X 
Sfndrome da Paralisia Flácida Aguda X X X 
Sfndrome Respiratória Aguda Grave associada a Coronavírus 
SARS-CoV X X X 
MERS- CoV 
Varicela - caso grave internado ou óbito X X 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
LIGA! Como dica para entender essa 
extensa lista. sempre que se deparar 
com alguma doença contagiosa rara. 
nova no território em que se encontra, 
que seja grave e não t enha tratamen­
to. que seja imunoprevenível (vacina), 
que tenha grande importância pra saú­
de pública. ou que já não deveria mais 
existir. lembre-se de conferir se não é 
uma doença ou agravo de notificação 
compulsória. 
Falemos um pouco da dengue como 
um exemplo concreto da importância 
da notificação: 
A dengue é uma doença febril agu­
da. de etiologia viral e que se mani­
festa de maneira bastante variável. 
vai desde uma forma assintomática 
ou oligossintomática com sintomas 
semelhantes a um resfriado comum 
até quadros graves e hemorrágicos, 
podendo levar ao óbito. 
Figura 1. Exantema típico de um caso de dengue. Fon­
te: retirado de http://www.jornaldanoticia.com.br/2018/ 
noticia.php?codigo=12039 em 30/05/2020 
45 
O agente etiológico é constituído por 
quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, 
DENV-3, DENV-4. A transmissão 
ocorre pela picada da fêmea de mos­
quitos Aedes aegypti infectados. os 
quais possuem hábito domiciliar e es­
tão adaptados a se reproduzirem nos 
ambientes domésticos e no entorno. 
uti lizando-se de recipientes que ar­
mazenam água potável e aqueles 
que acumulam água de chuvas, co­
mumente encontrados nos lixos das 
cidades. 
Figura 2. Vetor de transmissão do vírus da dengue. 
Fonte: retirado de https://infonet.com.br/noticias/saude/ 
um-caso-de-dengue-hemorragica-e-notificado-em-la­
garto/ em 30/05/2020 
A pri meira epidemia. documentada 
clínica e laboratorialmente no Brasil, 
ocorreu em 1981- 1982. em Boa Vis­
ta-RR, causada pelos sorotipos 1 e 4. 
Em 1986. ocorreram epidemias. atin­
gindo o Rio de Janeiro e algumas capi ­
tais da região Nordeste. Desde então, 
a dengue vem ocorrendo no Brasil 
de forma continuada, intercalando­
-se com a ocorrência de epidemias. 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
geralmente associadas com a intro­
dução de novos sorotipos em áreas 
anteriormente indenes ou alteração 
do sorotipo predominante. Durante 
a década de 90. ocorreu um aumen­
to sign ificativo da incidência. ref lexo 
da ampla dispersão do A. aegypti 
no território nacional. A presença 
do vetor associada à mobilidade da 
"' o 
"O 
"' u 
t;: 
·~ 
c 
"' o 
"' e 
350.000-1 
300.000 
250.000 
200.000 
150.0001 
100.000 
50.000 
01 04 
46 
população levou à disseminação dos 
sorotipos 1 e 2. para 20 dos 27 esta­
dos do país. Entre os anos de 1990 e 
2000, vá rias epidemias foram reg is­
tradas, sobretudo nos grandes cen­
tros urbanos das regiões Sudeste 
e Nordeste. responsáveis pela maior 
parte dos casos notificados. 
07 
18.000 
16.000 
14.000 
12.000 
"' Ql 
•O 
10.000 i( 
.~ 
~ 
1
8.000 I 
6.000 
4.000 
2.000 
- Casos notificados - Hospitalizações 
Figura 3. Casos notificados e internações por dengue por mês. Brasil. 2000 a 2008. Fonte: Ministério da Saúde: Se­
cretaria de Vigilância em Saúde: Guia de vig ilância epidemiológica; 2009. 
ANO 1 REGIÃO 2 REGIÃO 3 REGIÃO 4 REGIÃO SREGIÃO O IGNORADO/ 
NOTIFICAÇÃO 
TOTAL 
NORTE NORDESTE NORDESTE SUL CENTRO-OESTE EXTERIOR 
Total 141.031 829.263 2.281.815 149.094 647.075 14 4.048.292 
2013 135 158 360 66 391 - 1.110 
2014 48.302 90.489 312.181 23.062 117.094 - 591.128 
2015 32.347 328.951 1.051.700 52.110 232.693 - 1.697.801 
2016 38.621 326.071 864.899 71.325 217.928 14 1.518.858 
2017 21.626 8 3.594 52.675 2.531 78.969 - 239.395 
Tabela 3. Casos prováveis de dengue notificados ent re os anos de 2013 e 2017 por região do país. Fonte: informações ext raí­
das do DAT ASU S-SI NA N (http://tabnet.datasu s.gov. br/cg i/tabcgi .ex e ?si n ann et/cnv/deng uebbr.def) 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 47 
Atualmente. a dengue constitui-se 
como um dos principais problemas 
de saúde pública, principalmente em 
países cujas características ambien­
tais. sociais e climáticas favorecem a 
sua disseminação. A notificação in­
dividual dos casos.o conhecimento 
do padrão de transmissão na área e 
o acompanhamento da curva epidê­
mica são atividades essenciais para 
se evitar um possível agravamento 
da situação epidemiológica da den­
gue nos municípios do país. Como 
sabemos todo agravo e doenças de 
notificação compulsória têm uma fi­
cha de notificação e/ou investigação 
que deve ser preenchida no nível lo­
cal. e seu conteúdo é posteriormente 
inserido no Sistema de Informação de 
Agravos de Notificação (SINAN). nas 
Secretarias de Saúde e consol idado 
no nível federa l. 
SINAN 
República Fect...tlva do er .. u ... ?\De i .. DftiMÇAO De AGRAVO. De NOT•tcAQAG 
Mlnls* lo da S aúde N• 
, a. ·• DENGUE E FEBRE DE CHIKUNGWf:ÇJ~'A"'---::---:-:---:------.. 
Caso suspeito de dengue: pessoa que viva ou tenha viajado nos últimos 14 d1as para área onde esteja ocorrendo 
transmissao de dengue ou tenha presença de Ae.aegypti que apresente febre, uwalmente entre 2 e 7 dias, e 
apresente duas ou mais das seguintes manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialg1as, cefaléia, dor 
retroorbttal, petéqUiaS ou prova do laço positiva e leucopenia. 
Caso suspeito de Chikungunya: febre de inicio súbito e artralgia ou artrite intensa com início agudo, nao explicado 
por outras cond1çOes, que resida ou tenha viajado para áreas endêmicas ou epidêm1cas até 14 d1as antes do 
mioo dos smtomas, ou que tenha vinculo epidemiológico com um caso 1m portado confirmado. 
I 1 I TIPO de NoiJ1lcaçao 
f-' 2 • lndlwU!I J 
j [!) Agralddoença 1- DENGUE 2- CHIKUNGUNYA 0 (CID10 fil Da1a da ~oc:acao 
i ~~-=~------------------~A~~~A~9~2 c: I I I I I I I J i l::J tJ Munoc:Jplo de NOC.façlo I 
CódlQO (IBGE) 
. I I I I I 
f:l Untc:lade de Saüde (ou outrll fonte nollficadora) 
1 
CódlgoffiData dos Primeiros Sintomas 
t:~------------------~._.1 _.1 _.1~1~1~1~~- 1 I I I I I I 
~ane do Paclen18 J fil Data de Naad"*lto J c .C I I I I I I I . 
J 
J 
Figura 4. Exemplo de ficha de notificação de Dengue e Chikungunya. Fonte: retirado de https://portalsinan.saude.gov. 
br/imagesldocumentos!Agravos/Dengue/Ficha_DENGCHIK..FINAL.pdf em 29/05/2020 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 48 
Dados clínicos e laborat oriais ) 
J 
r== ~Sinais cllnlcoa 1-51m 2- Nao 
, O Feóre 0Cefaleoa O VOmito O 0.:. nas costas O Artrite O Petéquoas 0 Prova do laço 
~ O Mlalg;a O Exantema O Náuseas 0 ConjuntlVIte O Artratgla Intensa O L.euco9enta OPOSlbva 
0.:. retroorbílal .., 
~ 
~ J34J Doenças Pf'6•xlatent .. 1-51m 2- Nlo 
.! O Diabetes O Hepatopatias O Hiperter>sao artenal O Doenças a uto-imunes 
!= 
O Doencas hematolóoicas 0Doenca rena l crOruca O Doença âcldo-pépbca 
Sorologla {lgM) Chikungunya Exame PRNT ~Resultado @!] Data da Coleta da 1• """*"' ~ Data da Coleta da 2" Amostra ~Data da Coleta S10 S2 o PRNTO (S1) (S2) 
1 11 1 111 1 1 1 1 111 I r I I I I I 
1 • Rtoegenle 2 - ~Reagenle 3 -
tnconciU..,\0 • • Nao R ealizado 
1 Sorologia (lgM) Dengue 
!•oi Resultado 
Exame NS1 
~ Resultado O @!] Data da Coleta o l•1l Data da Coleta 
l I I I I 
1- f>oeltillo 2- Negadllo 
I r I J' I I 
1· Pa.ltillo 2- NegMM> J 
.!! I I I 3- lncone!Usl\0 4 • Nao realizado I 3- tnconc!Usl\0 • • Nao reot~lzado 
~ 
J43J isolamento o f45J RT-PCR ~ Resultado O .a 11" 1 Resultado .. 
c Da ta da ~oleta 1 • Pos~i110 2 • Negativo 3 Dai da Coreta 1 • Poaltivo 2 • N egMIIIO 3J 
I "j I I I I • 4 - NÃoR _l I I I I • lnconclusl\0 4 - N ao Realizado 
~Sototlpo 
2- 0ENIIÇJ J ~ Hlstopatologia O ~unohistoqulmia{ 
• OEN\11 1- Comp•J~.W 2-lnoornpallvet 1 \0 2· Neg•t\10 ~ 
3- OEN\13 4 • OEN\14 3- lnoonclusillo 4 • Nao rea~zado :\... lnr.nnt"JJIANn • - NAn , ...... ll'A111\ 
~ {7 Oco,.,..u HoapiUIU-çAo? ~~Data da lntornaçAo ~ UF ll!!l MunJclplo do Hoeplt.l COCIIgo (IBGE) 
I I ,; 1- Sim 2 • N 80 8 · lgnor- 0 J I i I ·1 I I I .J I Ji I I I I I 
;== Local Provavel de lnfoOto !•TI Dat.e do Encen"aJ"nento 
1 ..cura 2 - 00..0 pelo~ ~ Obtto pcw- oulrae causas 
I I I I I 1 I r I I I I I 
~to .-n ~l:ig.eÇrlo •9101Wh 
I 
Preencher oa sina la clínicos oara Dengue com Sinais de Alanne e Oe'!Jlue Grave 
I 
_~ Dengue con> aln•ls de •••,.,• g llômotos pe• 2CtT &Inala ele alarme: 
~ O Hopotens&o PQ 1.000 0 Miocardito Q Aitorac;ao da .3 
Acúmulo do llqu~dos com tard•a consciência 
11 Doutros Org.Qo•. eapeclficart J ~ 
lnsuflcléncle res~ratOf"la li!!] Dele de lnlelo doa I 11 
"11 alnala do gravldado: .. 
I I I I I I I 
Figura 4. Exemplo de ficha de notificação de Dengue e Chikungunya. Fonte: retirado de https://portalsinan.saude.gov. 
br/images/documentos/Agravos/Dengue/Ficha_DENGCHIK_FINAL.pdf em 29/05/2020 
Uma vez notificado um caso sus­
peito ou confirmado de dengue, 
dá-se início a uma cadeia de ações, 
que para muitos pode passar des­
percebida, mas é de fundamental 
import ância no combate à esta do­
ença. A integração das atividades de 
vigilância epidemiológica e controle 
vetorial são de fundamental impor­
tância para o sucesso do cont role da 
doença. Ações de esclarecimento à 
população, por intermédio de meios 
de comunicação de massa (rádio e 
televisão). visitas domiciliares pelos 
agentes de endemias/saúde e pa ­
lestras nas comunidades. devem ser 
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
organizadas. Conhecimento sobre o 
ciclo de transmissão. gravidade da 
doença e situação de risco devem ser 
veiculadas. assim como medidas de 
proteção individual, como uso de re­
pelentes e de telas nas portas e jane­
las. A depender da situação entorno­
lógica (se a área de notificação está 
infestada pelo mosquito ou não) e de 
circulação prévia do vírus da dengue 
em cada área . fazem-se necessárias 
condutas de vigilância e controle di­
ferenciadas. que exigem roteiros e 
cond utas de investigação específicas. 
Todas essas ações só são possíveis 
e eficazes, se baseadas nos dados 
epidemiológicos que são prove­
nientes das fichas de notificação 
que infelizmente tantos profissio­
nais de saúde negligenciam e veem 
apenas como uma burocracia. 
Outro exemplo de importância da 
notificação que pode salvar vidas. A 
Lei No 10.778, de 24 de Novembro 
de 2003 estabeleceu a a notificação 
compulsória. no território nacional. do 
caso de violência contra a mulher 
que for atendida em serviços de 
saúde públicos ou privados. Enten­
dendo violência contra a mulher como 
violência física. sexual e psicológica e 
49 
que tenha ocorrido dentro da família 
ou unidade doméstica ou em qualquer 
outra relação interpessoal. em que o 
agressor conviva ou haja convivido 
no mesmo domicílio que a mulher e 
compreendendo. entre outros. estu ­
pro, violação. maus-tratos e abuso se­
xual. Ou que ocorrido na comunidade 
e seja perpetrada por qualquer pes­
soa e que compreende. entre outros. 
v iolação, abuso sexual. tortura. maus­
-tratos de pessoas. tráfico de mulhe­
res. prostituição