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a. I, II, III e IV . b. II e IV, apenas. c. I, II e IV, apenas. d. I, II e III, apenas. e. I e III, apenas. Texto I Mariana é vendedora de pacotes de viagens e, recentemente, por dificuldades financeiras, não entregou o pacote com destino à França (hotel e hospedagem) adquirido individualmente pelos amigos Luíza, Bernardo, Juliana e Olívia. Passado 1 ano desde o inadimplemento, nenhuma solução foi acertada entre as partes. Nesse sentido, ainda indignada, Luíza ajuizou uma ação de ressarcimento contra Mariana. Bernardo, por ser servidor público da União Federal lotado na Embaixada Brasileira nos Estados Unidos da América (há muitos anos), até o momento não conseguiu fazer maiores cobranças contra Mariana. Por fim, quanto a Juliana e Olívia, por contar com uma relação de maior proximidade com elas, Mariana tem trocado diversos e-mails, em que confirmou a devolução parcial do valor pago, bem como pediu prorrogações de prazo para pagamentos, além de parcelamento do restante do valor a ser devolvido, negociações que seguem em andamento. Fonte: Saraiva Educação A partir das informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir: I. A condição de Bernardo enquanto servidor público lotado no estrangeiro, enseja a suspensão ou interrupção da prescrição. II. As trocas de e-mails, concessão de prazo e pagamento parcial de Juliana e Olivia para Mariana configuram interrupção da prescrição. III. O protocolo da ação judicial de Luíza contra Mariana interrompe a prescrição da pretensão de Luíza. IV. Em razão da provável prática de estelionato (crime) por Mariana, a prescrição ficará suspensa até a sentença penal definitiva. Considerando o contexto apresentado, é CORRETO o que se afirma em: Escolha uma: a. I, II e IV, apenas. b. I e III, apenas. c. II e IV, apenas. d. I, II, III e IV. e. I, II e III, apenas. Questão 2 Incorreto Atingiu 0,00 de 1,00 Texto I Alberto reside em imóvel alugado, na cidade de São Paulo/SP. Por conta de dificuldades financeiras, Alberto deixou de pagar os últimos 3 aluguéis, passando a receber cobranças e ameaças constantes de que Francisco, locador do imóvel, irá realizar o seu despejo nos próximos dias. Por conta disso, Alberto, que jamais realizou operações envolvendo metais preciosos antes, decide vender para Francisco todas as suas jóias pelo preço equivalente a 10% de seu valor de mercado, evitando o seu imediato despejo do imóvel. Francisco, por sua vez, apesar de manter união estável com Jóice, vendeu as joias e comprou um veículo, registrando-o exclusivamente em seu nome. Como pretendia dissolver a sua união estável com Jóice, Francisco transferiu o carro para o nome de seu irmão, Carlos, objetivando eximir-se da obrigação de divisão do bem com sua companheira. Fonte: Saraiva Educação. A partir das informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir: I. O negócio jurídico praticado entre Alberto e Francisco pode ser classificado como lesivo pois Alberto, movido por urgente necessidade e inexperiência, contraiu prestação claramente desproporcional à de Francisco. II. O negócio jurídico praticado entre Francisco e Carlos pode ser classificado como simulado, na medida em que movido por vontade falsa decorrente de conluio entre os contratantes, com a finalidade de enganar Jóice. III. Em razão do vício de consentimento (lesão) no negócio jurídico firmado entre Alberto e Francisco e do vício social (simulação) no negócio firmado entre Francisco e Carlos, ambos os negócios são nulos. IV. A anulação da venda das joias para quitação dos aluguéis atrasados poderá ser afastada caso Francisco ofereça suplemento suficiente à Alberto ou caso Francisco concorde em reduzir o proveito obtido no negócio jurídico. Considerando o contexto apresentado, é CORRETO o que se afirma em: Escolha uma: a. V – V – F – F. Questão 3 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I O decurso do tempo tem grande influência na aquisição e na extinção de direitos. Distinguem -se, pois, duas espécies de prescrição: a extintiva e a aquisitiva, também denominada usucapião. Alguns países tratam conjuntamente dessas duas espécies em um único capítulo. O Código Civil brasileiro regulamentou a extintiva na Parte Geral, dando ênfase à força extintora do direito. No direito das coisas, na parte referente aos modos de aquisição do domínio, tratou da prescrição aquisitiva, em que predomina a força geradora. Em um e outro caso, no entanto, ocorrem os dois fenômenos: alguém ganha e, em consequência, alguém perde. Como o elemento “tempo” é comum às duas espécies de prescrição, dispõe o art. 1.244 do Código Civil que as causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição também se aplicam à usucapião. O instituto da prescrição é necessário para que haja tranquilidade na ordem jurídica, pela consolidação de todos os direitos. Dispensa a infinita conservação de todos os recibos de quitação, bem como o exame dos títulos do alienante e de todos os seus sucessores, sem limite no tempo. Segundo Cunha Gonçalves, a prescrição é indispensável à estabilidade e consolidação de todos os direitos. Sem ela, nada seria permanente; o proprietário jamais estaria seguro de seus direitos, e o devedor, livre de pagar duas vezes a mesma dívida. A Lei n. 14.010, de 10 de junho de 2020, dispõe sobre “o Regime Jurídico Emergencial e Transitório das relações jurídicas de Direito Privado (RJET) no período da pandemia do coronavírus (Covid-19)” e estatui, no art. 3º: “Os prazos prescricionais consideram-se impedidos ou suspensos, conforme o caso, a partir da entrada em vigor desta Lei até 30 de outubro de 2020. 1º Este artigo não se aplica enquanto perdurarem as hipóteses específicas de impedimento, suspensão e interrupção dos prazos prescricionais previstas no ordenamento jurídico nacional. 2º Este artigo aplica-se à decadência, conforme ressalva prevista no art. 207 da Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)”. Fonte: GONÇALVES, C. R.; LENZA, P. Direito civil esquematizado®. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. p. 973-974. A partir das informações apresentadas e de seu conhecimento, julgue as afirmativas a seguir em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas. ( ) Enquanto a decadência corre para todos, a prescrição não corre entre os cônjuges, na constância do casamento. ( ) A prescrição intercorrente ocorre no processo em andamento que permanece inerte por culpa do autor. ( ) Apesar de existirem pretensões imprescritíveis, as vantagens econômicas vinculadas a tais direitos, contudo, prescrevem. ( ) Os prazos previstos nos artigos 205 e 206, da Lei 10.406, aplicam-se tanto para a prescrição como para a decadência. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. Escolha uma: b. V – V – V – F. c. V – F – V – F. d. V – F – V – V. e. F – F – V – V. Questão 4 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I Embora verse o presente capítulo sobre a invalidade do negócio jurídico – ou seja, já superada a questão de sua existência –, parece-nos relevante tecer algumas considerações sobre o chamado ato (ou negócio) jurídico inexistente. A doutrina tradicional, notadamente por meio da obra de AUBRY E RAU, propunha uma terceira classe de invalidade, além dos atos nulos e anuláveis, justamente os inexistentes, que seriam os atos que nem chegaram a se constituir juridicamente, sendo definidos por MARCEL PLANIOL como aqueles “a que falta um elemento essencial à sua formação, de modo que não se possa conceber a formação do ato na ausência desse elemento”. Isso porque parte da doutrina, talvez considerando o fato de o nosso legislador não haver consagrado em norma expressa a teoria da inexistência, sufragou tese no sentido de que a nulidade absoluta do ato jurídico prejudicaria a sua própria existência, de forma que, em sendo nulo, não chegaria nem a se formar... Nesse sentido, é a doutrina do Prof. ARNOLDO WALD: “O ato jurídico nulo é o que não chega a se formar em virtude da ausência de um elemento básico que é a declaração de vontade consciente”. Com a devidavênia, não aceitamos esse entendimento. Dentro da divisão metodológica desenvolvida desde PONTES DE MI RANDA para a análise dos planos de existência, validade e eficácia, claro está que a ausência de declaração de vontade consciente interferirá, não no plano da validade, mas sim no existencial, consoante se demonstrou linhas acima. Fonte: GAGLIANO, P. S.; FILHO, R. P. Manual de direito civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E- book. p. 838. Texto II A expressão “Da invalidade do negócio jurídico”, dada ao Capítulo V do Código Civil, abrange a nulidade e a anulabilidade do negócio jurídico. É empregada para designar o negócio que não produz os efeitos desejados pelas partes, o qual será classificado pela forma supramencionada de acordo com o grau de imperfeição verificado. O Código Civil de 2002 deixou de lado, assim, a denominação utilizada pelo diploma de 1916, que era “Das nulidades”. Fonte: GONÇALVES, C. R.; LENZA, P. Direito civil esquematizado®. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. p. 873 De acordo com as informações apresentadas na tabela a seguir, faça a associação da Coluna A com a Coluna B. Coluna A Coluna B I. Classifica-se como o ato jurídico atingido por nulidade absoluta (ex.: declaração de vontade simulada). 1. Negócio Jurídico Ineficaz a. I - 1; II - 3; III - 2; IV - 4. b. I - 4; II - 3; III - 2; IV - 1. c. I - 2; II - 1; III - 4; IV - 3. d. I - 4; II - 1; III - 2; IV - 3. e. I - 3; II - 4; III - 1; IV - 2. II. Classifica-se como o ato jurídico atingido por condição suspensiva (ex.: declaração de vontade suspensa) 2. Negócio Jurídico Anulável III. Classifica-se como o ato jurídico atingido por nulidade relativa (ex.: declaração de vontade viciada). 3. Negócio Jurídico Inexistente IV. Classifica-se como o ato jurídico que carece de elemento estrutural (ex.: ausência de declaração de vontade). 4. Negócio Jurídico Nulo Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. Escolha uma: a. I, II e IV, apenas b. I, II, III e IV. c. I e III, apenas. d. I, II e III, apenas. e. II e IV, apenas Questão 5 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I João Pedro é casado com Maria Clara no regime de comunhão universal de bens. Há 25 anos, o casal firmou um contrato bancário com a instituição financeira XYZ. Recentemente, João Pedro e Maria Clara ajuizaram uma ação de cobrança contra a instituição financeira XYZ, justamente lastreada em direito supostamente constante no antigo contrato. Fonte: Saraiva Educação A partir das informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir: I. Apesar de caber aos autores (João e Maria) a prova do fato constitutivo do seu direito, o juiz poderá determinar ao banco XYZ que junte o contrato firmado entre as partes no processo, redistribuído o ônus da prova. II. Os autores (João e Maria) poderão utilizar as provas documentais de que dispunham previamente ao processo e as provas produzidas na sua tramitação, não podendo requerer a produção antecipada de prova. III. Apesar de a ampla prova ser um direito das partes, cabe ao juiz, de ofício ou a requerimento delas, fixar as provas necessárias ao julgamento do mérito, devendo indeferir as que entender inúteis ou protelatórias. IV. As provas utilizadas tanto pelos autores (João e Maria) como pelo réu (banco XYZ) deverão ser produzidas durante a instrução do processo, não se admitindo a utilização de prova produzida em outra ação judicial. Considerando o contexto apresentado, é CORRETO o que se afirma em: Escolha uma: a. V – V – F – F. Questão 6 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I A matéria relativa à prova não é tratada, como no Código Civil de 1916, junto ao negócio jurídico, pois todos os fatos jurídicos, e não apenas o negócio jurídico, são suscetíveis de ser provados. Entre as inovações que esse título apresenta, destacam -se a disciplina da confissão (arts. 213 e 214) e a admissão de meios modernos de prova (arts. 223 e 225). Prova é o meio empregado para demonstrar a existência do ato ou negócio jurídico. Deve ser: - admissível: não proibida por lei e aplicável ao caso em exame; - pertinente: adequada à demonstração dos fatos em questão; e - concludente: esclarecedora dos fatos controvertidos. Quanto aos princípios básicos: - não basta alegar, é preciso provar, pois allegare nihil et allegatum non probare paria sunt (nada alegar e alegar e não provar querem dizer a mesma coisa); - o que se prova é o fato alegado, e não o direito a aplicar, pois é atribuição do juiz conhecer e aplicar o direito (iura novit curia); - o ônus da prova incumbe a quem alega o fato, e não a quem o contesta; - os fatos notórios independem de prova. A regulamentação dos princípios referentes à prova é encontrada no Código Civil e no Código de Processo Civil. Ao primeiro, cabe a determinação das provas, a indicação do seu valor jurídico e as condições de admissibilidade; ao diploma processual civil, o modo de constituir a prova e de produzi - la em juízo. Fonte: GONÇALVES, C. R.; LENZA, P. Direito civil esquematizado®. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. P. 1038-1040. A partir das informações apresentadas e de seu conhecimento, julgue as afirmativas a seguir em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas. ( ) O deficiente poderá testemunhar igualmente às demais pessoas, garantindo-lhe todos os recursos de tecnologia assistiva para tanto. ( ) A prova documental deve ser apresentada na forma impressa, não sendo admitida a utilização de documento eletrônico. ( ) Tanto o Código Civil como o Código de Processo Civil prevêem meios de prova, admitindo-se outros não previstos em lei. ( ) A confissão poderá ser revogada caso a parte comprove o seu arrependimento ou que a fez sob coação ou erro de fato. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. Escolha uma: b. V – F – V – F. c. V – V – V – F. d. F – F – V – V. e. V – F – V – V. Questão 7 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I O Código Civil coloca no rol dos defeitos do negócio jurídico a fraude con tra credores, não como vício do consentimento, mas como vício social, uma vez que não conduz a um descompasso entre o íntimo querer do agente e a sua declaração. A vontade manifestada corresponde exatamente ao seu desejo, mas é exteriorizada com a intenção de prejudicar terceiros, ou seja, os credores. Por essa razão, é considerada vício social. A regulamentação jurídica desse instituto assenta -se no princípio do direito das obrigações segundo o qual o patrimônio do devedor responde por suas obrigações. É o princípio da responsabilidade patrimonial, previsto no art. 957 do Código, nesses termos: “Não havendo título legal à preferência, terão os credores igual direito sobre os bens do devedor comum”. O patrimônio do devedor constitui a garantia geral dos credores. Se ele o desfalca maliciosa e substancialmente, a ponto de não garantir mais o pagamento de todas as dívidas, tornando-se assim insolvente, com o seu passivo superando o ativo, configura-se a fraude contra credores. Esta só se caracteriza, porém, se o devedor já for insolvente ou tornar-se insolvente em razão do desfalque patrimonial promovido. Se for solvente, isto é, se o seu patrimônio bastar, com sobra, para o pagamento de suas dívidas, ampla é a sua liberdade de dispor de seus bens. Fraude contra credores é, portanto, todo ato suscetível de diminuir ou onerar seu patrimônio, reduzindo ou eliminando a garantia que este representa para pagamento de suas dívidas, praticado por devedor insolvente ou por ele reduzido à insolvência. Tendo em conta que o patrimônio do devedor responde por suas dívidas, pode-se concluir que, desfalcando-o a ponto de ser suplantado por seu passivo, o devedor insolvente, de certo modo, está dispondo de valores que não mais lhe pertencem, pois tais valores se encontram vinculados ao resgate de seus débitos. Daí permitir o Código Civil que os credores possam desfazer os atos fraudulentos praticados pelo devedor, em detrimento de seus interesses. Fonte: GONÇALVES,C. R.; LENZA, P. Direito civil esquematizado®. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. p. 833-835 De acordo com as informações apresentadas na tabela a seguir, faça a associação da Coluna A com a Coluna B. Coluna A Coluna B I. Trata-se de incidente em processo já em andamento, com devedor já citado, reconhecida por simples petição nos próprios autos, que torna o negócio fraudulento ineficaz quanto aos credores. 1. Fraude Contra Credores nas Transmissões Onerosas II. Trata-se de hipótese de vício social cuja anulação demanda a comprovação apenas do eventus damni (que a alienação levou o devedor à insolvência), pois a lei presume o consilium fraudis (má-fé do terceiro adquirente). 2. Ação Pauliana ou Revocatória III. Trata-se de medida cabível para anulação de vício social, de natureza desconstitutiva, anulando-se os negócios fraudulentos e determinando o retorno do bem ao patrimônio do devedor. 3. Fraude Contra Credores nas Alienações Gratuitas IV. Trata-se de hipótese de vício social cuja anulação demanda a comprovação do eventus damni (que a alienação levou o devedor à insolvência) e do consilium fraudis (má-fé do terceiro adquirente). 4. Fraude à Execução a. I - 2; II - 1; III - 4; IV - 3. b. I - 3; II - 4; III - 1; IV - 2. c. I - 4; II - 3; III - 2; IV - 1. d. I - 4; II - 1; III - 2; IV - 3. e. I - 1; II - 3; III - 2; IV - 4. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. Escolha uma: Questão 8 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I A expressão “Da invalidade do negócio jurídico”, dada ao Capítulo V do Código Civil, abrange a nulidade e a anulabilidade do negócio jurídico. É empregada para designar o negócio que não produz os efeitos desejados pelas partes, o qual será classificado pela forma supramencionada de acordo com o grau de imperfeição verificado. O Código Civil de 2002 deixou de lado, assim, a denominação utilizada pelo diploma de 1916, que era “Das nulidades”. Fonte: GONÇALVES, C. R.; LENZA, P. Direito civil esquematizado®. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. P. 872. Texto II Conforme ensina CARVALHO SANTOS, a nulidade é um “vício que retira todo ou parte de seu valor a um ato jurídico, ou o torna ineficaz apenas para certas pessoas”. No mesmo sentido, doutrina MARIA HELENA DINIZ que a nulidade “vem a ser a sanção, imposta pela norma jurídica, que determina a privação dos efeitos jurídicos do negócio praticado em desobediência ao que prescreve”. Desses conceitos tradicionais, podemos extrair a conclusão de que a nulidade se caracteriza como uma sanção pela ofensa a determinados requisitos legais, não devendo produzir efeito jurídico, em função do defeito que carrega em seu âmago. Como sanção pelo descumprimento dos pressupostos de validade do negócio jurídico, o direito admite, e em certos casos impõe, o reconhecimento da declaração de nulidade, objetivando restituir a normalidade e a segurança das relações sociojurídicas. Esta nulidade, porém, sofre gradações, de acordo com o tipo de elemento violado, podendo ser absoluta ou relativa, como a seguir verificaremos. Com fulcro no pensamento de GRINOVER, CINTRA e DINAMARCO, é correto afirmar-se que o reconhecimento da nulidade de um ato viciado é uma forma de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. De fato, a previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais, portadores de vícios mais ou menos graves, a depender da natureza do interesse jurídico violado. Dentro dessa perspectiva, é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta), desvalioso por excelência, viola norma de ordem pública, de natureza cogente, e carrega em si vício considerado grave. O ato anulável (nulidade relativa), por sua vez, contaminado por vício menos grave, decorre da infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. Tais premissas devem ser corretamente fixadas, uma vez que a natureza da nulidade determinará efeitos variados, interferindo, até mesmo, na legitimidade ativa para a arguição dos referidos vícios. (...) O Código Civil de 2002, corretamente, adota a expressão “invalidade” como categoria genérica das subespécies de nulidade: absoluta e relativa, destinando um capítulo próprio para suas disposições gerais (arts. 166 a 184). Conforme se verifica, no que tange à invalidade do negócio jurídico, pode-se verificar a ocorrência de vícios de maior gravidade (denominados nulidades absolutas) e de vícios de menor gravidade (denominados nulidades relativas). Quanto às nulidades relativas (anulabilidades), a PRINCIPAL característica é a. a impossibilidade de seu saneamento por confirmação ou suprimento judicial, devendo ser pronunciada de ofício pelo julgador, independentemente de provocação. b. a possibilidade de sua alegação por qualquer pessoa, em nome próprio, ou pelo Ministério Público, quando a ele couber intervenção em nome da coletividade envolvida. c. a possibilidade de o seu reconhecimento ocorrer a qualquer tempo, não se sujeitando a prazo prescricional, decadencial ou se validando com o decurso do tempo. d. o seu reconhecimento via ação declaratória de nulidade, ocorre por sentença de natureza declaratória, com efeitos ex tunc (eliminando os efeitos do ato nulo desde a sua criação). e. a sua decretação no interesse privado da pessoa prejudicada, não se vislumbrando interesse público atingido pelo negócio jurídico relacionado, mas mera conveniência das partes. Escolha uma: Questão 9 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I Como dizia o poeta, “o tempo não para...”. E é justamente sobre os efeitos jurídicos do decurso do tempo que trataremos no presente capítulo. O tempo é um fato jurídico natural de enorme importância nas relações jurídicas travadas na sociedade, uma vez que tem grandes repercussões no nascimento, exercício e extinção de direitos. O decurso de certo lapso temporal no exercício de determinadas faculdades jurídicas pode ser o fato gerador da aquisição de direitos, como, por exemplo, no usucapião, em que a posse mansa e pacífica – ainda que sem boa-fé – possibilita a aquisição da propriedade móvel ou imóvel. Além disso, o tempo tem força modificativa, a exemplo do que ocorre na teoria das capacidades. Com o passar dos anos, modificamos a nossa situação jurídica individual: partimos da absoluta incapacidade para a prática dos atos da vida civil (abaixo dos dezesseis anos), avançamos para a fase interme diária da incapacidade relativa (entre dezesseis e dezoito anos), e, finalmente, atingimos a plena capacidade civil ao atingirmos a maioridade (dezoito anos). Da mesma forma, para poder exercer determinados direitos, a lei, por vezes, pode condicionar tal prerrogativa ao transcurso de um período de tempo. Era o caso do divórcio, antes da Emenda Constitucional n. 66/2010, em que o ajuizamento da ação constitutiva negativa tinha como requisito necessário, para seu êxito, justamente o passar inexorável do tempo, a partir do qual se poderia exercer, a qualquer tempo, o direito potestativo, como se verificava do texto original do art. 1.580 do CC/2002 (hoje superado). Por fim, o tempo também poderá fulminar de morte certos direitos ou as pretensões decorrentes de sua violação, que é o caso justamente dos institutos, respectivamente, da decadência e da prescrição, objeto desse capítulo. Mas qual é o fundamento doutrinário desses institutos? (...) O maior fundamento da existência do próprio direito é a garantia de pacificação social. De fato, ao fazermos tal afirmação, temos em mente a ideia de que o ordenamento jurídico deve buscar prever, na medida do possível, a disciplina das relações sociais, para que todos saibam – ou tenham a expectativa de saber – como devem se portar para o atendimento das finalidades – negociais ou não – que pretendam atingir. Por isso, não é razoável, para a preservação do sentido de estabilidade social e segurança jurídica, que sejam estabelecidas relações jurídicas perpé tuas, que podem obrigar, sem limitação temporal, outros sujeitos,à mercê do titular. O exercício de direitos, seja no campo das relações materiais, seja por ações judiciais, deve ser uma consequência e garantia de uma consciência de cidadania, e não uma “ameaça eterna” contra os sujeitos obrigados, que não devem estar submetidos indefinidamente a uma “espada de Dâmocles” sobre as suas cabeças. Ademais, a existência de prazo para o exercício de direitos e pretensões é uma forma de disciplinar a conduta social, sancionando aqueles titulares que se mantêm inertes, numa aplicação do brocardo latino dormientibus non sucurrit jus. Afinal, quem não tem a dignidade de lutar por seus direitos não deve sequer merecer a sua tutela. (...) Justamente por tais circunstâncias é que a ordem jurídica estabelece os prazos de prescrição e decadência, que garantem a relativa estabilidade das relações jurídicas na sociedade. Compreendidos os fundamentos sociais dos institutos, resta a pergunta: como conceituá-los e diferenciá-los? Sobre a prescrição e a decadência, qual alternativa se apresenta CORRETA? Escolha uma: a. Prescrição é a perda da pretensão de reparação de um direito violado, por conta da inércia do titular, após o decurso do prazo previsto no artigo 205, da Lei 10.406 e artigo 206, da Lei 10.406. b. Tanto o prazo de prescrição como o prazo de decadência, desde que previstos em lei, podem ser objeto de renúncia, pois são de natureza individual. c. As normas que impedem, interrompem ou suspendem os prazos prescricionais se aplicam, como regra, aos prazos decadenciais, eis que de idêntica natureza. d. Enquanto na prescrição o prazo começa a fluir no momento em que o direito nasce, na decadência a contagem se inicia a partir do instante em que se viola o direito. e. Decadência é a perda de um direito violado, por conta da inércia de seu titular, após transcorrido o prazo previsto no artigo 205, da Lei 10.406 e artigo 206, da Lei 10.406. a. I, II e IV, apenas. b. I e III, apenas. c. I, II e III, apenas. d. II e IV, apenas. e. I, II, III e IV. Questão 10 Correto Atingiu 1,00 de 1,00 Texto I Judite, de 13 anos de idade, costuma navegar por horas a fio na internet. Recentemente, realizou uma série de compras e vendas em sites virtuais. Henrique, com 17 anos de idade, igualmente realizou uma série de compras em sites virtuais. Tanto Judite como Henrique não honraram alguns dos compromissos assumidos, gerando a insatisfação de vendedores virtuais. Fonte: Saraiva Educação. A partir das informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir: I. Os negócios firmados por Judite são anuláveis, pois firmados por absolutamente incapaz, resguardando-se interesse de ordem pública. II. Os negócios firmados por Henrique não anuláveis, pois firmados por relativamente incapaz, permitindo-se sua confirmação pelas partes. III. Os negócios firmados por Judite manterão seus efeitos até o momento em que prolatada sentença desconstitutiva do ato, com efeitos ex nunc. IV. Caso Henrique, no ato da contratação, tenha ocultado sua idade ou se declarado maior ao vendedor, será mantida a validade do negócio jurídico. Considerando o contexto apresentado, é CORRETO o que se afirma em: Escolha uma: