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INTRODUÇÃO AO
SISTEMA NERVOSO E
ASPECTOS
MORFOFUNCIONAIS
DO SISTEMA NERVOSO
CENTRAL
Aula 1
ORGANIZAÇÃO GERAL DO
SISTEMA NERVOSO
Organização geral do sistema
nervoso
Olá, estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade de
explorar com detalhes o sistema nervoso, desde seu
desenvolvimento até suas divisões anatômicas e funcionais. Com
ela, você compreenderá também os aspectos histológicos desse
sistema, por meio da análise dos diferentes tipos de células, bem
como das características distintas das substâncias branca e
cinzenta. Além disso, você entenderá a complexidade das sinapses
elétricas e químicas, os diversos neurotransmissores envolvidos
nessa sinalização e os fascinantes circuitos neurais. Prepare-se
para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!
Ponto de Partida
Nesta aula, você, estudante, iniciará o estudo do sistema nervoso a
fim de conhecer um pouco mais sobre seu desenvolvimento, sua
anatomia e suas principais características funcionais. Com isso, será
capaz de reconhecer as principais características histológicas e
anatômicas desse sistema, bem como diferenciar os tipos de
sinapses e entender como influenciam uma variedade de processos
fisiológicos no nosso organismo, tornando possível a compreensão
e a aplicação desses conhecimentos na sua prática profissional.
Então, não perca tempo! Venha explorar os segredos do sistema
nervoso e descobrir como aplicar esses conhecimentos no seu
cotidiano profissional!
Para contextualizar seu aprendizado, a partir de agora, você
acompanhará o caso de Pedro, um aluno de graduação na área da
saúde que, em conversa com seu amigo de infância Joaquim,
depara-se com uma situação bastante delicada. Joaquim, que está
visivelmente abalado, explica que há um mês sua mãe foi
diagnosticada com esclerose múltipla e que não entende
completamente as consequências dessa condição de saúde, pois a
explicação do médico foi confusa e ele está cheio de dúvidas e
preocupações. Pedro, ao perceber a angústia de seu amigo e
intrigado com a complexidade da doença, decide se aprofundar no
assunto. Assim, busca entender melhor o que é a esclerose múltipla,
suas causas, seus sintomas, os tratamentos disponíveis, como a
doença afeta o sistema nervoso e, consequentemente, como pode
afetar a vida da mãe de seu amigo. Com sua determinação em
compreender e ajudar seu amigo, Pedro busca conhecimento para
oferecer apoio e esclarecimento nesse momento difícil.
Diante da situação apresentada, como você, caro estudante,
ajudaria a solucionar as dúvidas de Pedro?
Vamos Começar!
O sistema nervoso (SN) desempenha várias funções essenciais ao
corpo humano, coordenando e regulando uma série de processos
para garantir a sobrevivência e o funcionamento adequado do
organismo como um todo. Essas funções incluem:
Detecção de estímulos internos e externos, como calor, dor, luz
e pressão, por meio de receptores sensoriais localizados em
todo o corpo.
Processamento, feito pelo cérebro e pela medula espinhal, de
informações sensoriais recebidas, que são interpretadas e
integradas para formar uma resposta apropriada (função
integradora).
Controle motor por meio do controle da contração muscular e
da coordenação dos movimentos do corpo, tanto voluntários
quanto involuntários, que também inclui a coordenação fina dos
músculos para movimentos delicados e a regulação dos
reflexos automáticos.
Regulação do ambiente interno, da qual o sistema nervoso
autônomo participa regulando funções corporais internas, como
a frequência cardíaca, a pressão arterial, a respiração, a
digestão e a temperatura corporal, mantendo um ambiente
interno estável (homeostase corporal).
Percepção do ambiente e consciência do mundo ao redor, bem
como de si mesmo.
Aprendizado e memória, que permitem aos indivíduos
adquirirem novas habilidades e reterem informações.
Comunicação, que facilita a comunicação entre diferentes
partes do corpo, transmitindo sinais elétricos e químicos por
meio dos neurônios.
Regulação do humor e das emoções, influenciando os estados
emocionais e comportamentais dos indivíduos.
O SN pode ser dividido em: sistema nervoso central (SNC) e
sistema nervoso periférico (SNP). O primeiro é formado pelo
encéfalo e pela medula espinal. O encéfalo está localizado no crânio
e contém aproximadamente 85 bilhões de neurônios, enquanto a
medula espinal está conectada ao encéfalo pelo forame magno do
osso occipital e circundada pelas vértebras da coluna vertebral. O
encéfalo é o centro de controle do corpo humano, sendo
responsável pela interpretação de informações sensoriais, pela
coordenação de atividades motoras voluntárias e pela regulação de
funções cognitivas, como pensamento, memória e emoção. A
medula espinal atua como um centro de comunicação entre o
encéfalo e o resto do corpo, sendo responsável pela coordenação
de reflexos rápidos e automáticos.
Já o SNP é formado por nervos e receptores sensitivos, ou seja,
pela parte do SN que está fora do SNC. O nervo é um feixe
composto de fibras nervosas (axônios), além de tecido conjuntivo e
vasos sanguíneos associados. Eles transmitem sinais entre o SNC e
o resto do organismo e podem ser classificados em nervos
cranianos (que se originam no encéfalo) e nervos espinais (que se
originam na medula espinal).
O SNP está organizado em divisões sensitivas e motoras. A divisão
sensitiva ou aferente transmite o estímulo para o SNC por meio de
receptores sensitivos no corpo, fornecendo-lhe informações
sensitivas sobre os sentidos somáticos (sensações táteis, térmicas,
dolorosas e proprioceptivas) e sentidos especiais (olfato, paladar,
visão, audição e equilíbrio). A divisão motora, ou eferente, desse
sistema transmite a resposta do SNC para os efetores (músculos e
glândulas). Essa divisão é subdividida em sistema nervoso somático
(SNS) e sistema nervoso autônomo (SNA). O somático transmite a
resposta do SNC apenas para os músculos esqueléticos, enquanto
o autônomo transmite a resposta do SNC para os músculos liso e
cardíaco e para as glândulas. O SNA apresenta duas divisões:
simpática e parassimpática.
O desenvolvimento do sistema nervoso se inicia na terceira semana
do desenvolvimento embrionário, a partir da placa neural, uma
região espessada da ectoderme, localizada na região posterior do
embrião trilaminar. É importante lembrar que, nesse período, as três
camadas germinativas primárias (ectoderme, mesoderme e
endoderme) já estão estabelecidas e formam o disco embrionário
trilaminar. Assim, o SN se desenvolve a partir da placa neural que
logo começa a sofrer invaginação no mesoderma, formando o sulco
neural na região mediana da placa. Simultaneamente, as bordas
laterais da placa neural se elevam formando as pregas neurais.
Conforme ocorre o desenvolvimento do sistema, as pregas neurais
se aproximam cada vez mais uma da outra e se fusionam, formando
o tubo neural. Esse fechamento ocorre inicialmente na região medial
do embrião, de forma que, por tempo limitado, as extremidades
cranial e caudal desse tubo permanecem abertas, formando os
neuróporos cranial (anterior) e caudal (posterior). Os neuróporos
separam a luz do tubo neural da cavidade amniótica sobrejacente. O
neuróporo cranial se fecha por volta do 25º dia do desenvolvimento
embrionário, enquanto o fechamento do neuróporo caudal se dá
cerca de três dias mais tarde. Concomitantemente ao fechamento
do tubo neural, células ectodérmicas, situadas ao longo da margem
interna de cada prega neural, formam uma massa achatada
denominada crista neural. Conforme o tubo neural se destaca da
ectoderme superficial, essa massa achatada, localizada entre o tubo
neural e a ectoderme sobrejacente, começa a se separar em duas
partes, uma à direita e outra à esquerda, que se deslocam para as
regiões dorsolaterais do tubo neural, originando posteriormente os
gânglios sensoriais dos nervos espinais e craniano, bem como os
gânglios simpáticos e parassimpáticos e as células cromafins nas
glândulas adrenais.
No final da quarta semana de desenvolvimento embrionário, a
extremidade cefálica do tubo neural passao cérebro? Por que seu
avô está apresentando todos esses sintomas? Como pode ser
tratado? Existe cura?
Você, no lugar de Pedro, como responderia a todos esses
questionamentos? 
Vamos Começar!
O cerebelo, segunda maior estrutura do encéfalo, está localizado na
fossa posterior do crânio, abaixo dos lobos occipitais do cérebro e
dorsal ao tronco encefálico. Da mesma forma que o cérebro, o
cerebelo é constituído de substância cinzenta e substância branca.
Sua camada superficial, chamada córtex cerebelar, é formada por
substância cinzenta e por várias cristas delicadas e paralelas
chamadas folhas do cerebelo. Profundamente em relação à
substância cinzenta, encontram-se tratos de substância branca
conhecidos como árvore da vida, pois lembram galhos de uma
árvore. Essa região de substância branca é denominada medula
cerebelar. Internamente na substância branca, estão os núcleos do
cerebelo (núcleo fastigial, núcleo interposto e núcleo denteado),
regiões de substância cinzenta que originam axônios transmissores
de informações do cerebelo para outros centros encefálicos.
O cerebelo é formado por dois hemisférios, cada um formado por
dois lobos, anterior e posterior, que são separados pela fissura
primária. Os lobos anterior e posterior auxiliam no planejamento, na
execução e na coordenação dos movimentos do tronco e dos
membros. A área central, que separa os hemisférios cerebelares, é
denominada verme do cerebelo. Na região anterior e inferior aos
hemisférios cerebelares, encontra-se o lóbulo flóculo-nodular,
relacionado à manutenção do equilíbrio e ao controle dos
movimentos oculares.
O cerebelo está conectado ao tronco encefálico e à medula espinal
pelos pedúnculos cerebelares, feixes de substância branca
formados por axônios de neurônios que conduzem informações
entre o cerebelo e outras regiões do encéfalo. Os pedúnculos
cerebelares superiores conectam o cerebelo ao mesencéfalo, ao
diencéfalo e ao cérebro. Os pedúnculos cerebelares médios ligam o
cerebelo à ponte, uma parte do tronco encefálico. E os pedúnculos
cerebelares inferiores conectam o cerebelo ao bulbo e à medula
espinal.
Figura 1 | Cerebelo. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
As funções primárias do cerebelo envolvem: integração de
informações sensoriais e motoras para ajuste e correção de
movimentos em tempo real, garantindo precisão e coordenação;
regulação da amplitude, da força e da direção dos movimentos
voluntários; e manutenção do equilíbrio e da postura.
O tronco encefálico, parte do encéfalo, é composto por três
estruturas: mesencéfalo, ponte e bulbo. O mesencéfalo está
conectado ao diencéfalo e logo acima da ponte, sendo formado por
núcleos e tratos. Ele é atravessado pelo aqueduto do mesencéfalo,
que conecta o terceiro ventrículo ao quarto ventrículo. Na porção
anterior, estão os pedúnculos cerebrais, que conectam o córtex
motor primário aos neurônios motores no tronco encefálico e à
medula espinal. A parte posterior do mesencéfalo é chamado teto do
mesencéfalo e contém dois pares de núcleos conhecidos como
colículos superiores e colículos inferiores, que atuam como estações
de retransmissão envolvidas com o processamento de sensações
visuais e auditivas. Os colículos superiores atuam como centros de
reflexos de atividades visuais e reflexos que controlam os
movimentos da cabeça, dos olhos e do tronco em resposta a
estímulos visuais. Já os colículos inferiores, transmitem informações
dos receptores auditivos presentes na orelha interna para o
encéfalo. Além disso, os colículos inferiores são centros do reflexo
do susto (movimentos abruptos da cabeça, dos olhos e do tronco
quando o indivíduo se assusta).
Siga em Frente...
No mesencéfalo, também são encontrados os principais núcleos da
formação reticular. Cada lado do mesencéfalo apresenta um par de
núcleos: rubro e substância negra. O núcleo rubro, por apresentar
uma rica vascularização, tem uma coloração mais avermelhada. Ele
está envolvido na regulação e na coordenação de movimentos
motores finos e precisos, além de receber informações sensoriais e
motoras de outras áreas do cérebro, integrando-as para controlar
movimentos voluntários, especialmente os relacionados aos
membros superiores e à manutenção do tônus muscular. A
substância negra, localizada lateralmente ao núcleo rubro, contém
células pigmentadas que lhe conferem uma coloração escurecida.
Neurônios da substância negra que secretam dopamina, um
neurotransmissor essencial para o controle motor, projetam-se para
o corpo estriado, ajudando a controlar as atividades musculares
conscientes. A perda desses neurônios está associada à doença de
Parkinson, caracterizada por uma combinação de tremor, rigidez,
acinesia/bradicinesia e alterações posturais. A dopamina é essencial
para a modulação dos circuitos motores nos núcleos da base,
particularmente na via nigroestriatal, que conecta a substância negra
ao estriado.
Figura 2 | Tronco encefálico. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
A ponte, localizada inferiormente ao mesencéfalo e acima do bulbo,
também é constituída por núcleos e tratos. Ela é dividida em duas
regiões principais: a dorsal e a ventral. Na região ventral, uma área
de retransmissão sináptica, encontram-se os núcleos pontinhos, dos
quais vários tratos de substância branca entram e saem,
proporcionando conexões entre o córtex de um hemisfério cerebral
com o oposto. Esse circuito está envolvido na coordenação e no
aumento da eficiência da eferência motora voluntária. Já a região
dorsal contém tratos ascendentes e descendentes ao longo dos
núcleos dos nervos cranianos. Na ponte está o centro respiratório
pontino, que, juntamente com o centro respiratório bulbar, atua no
controle da respiração. A ponte também apresenta núcleos
associados a quatro pares de nervos cranianos (trigêmeos,
abducentes, faciais e vestibulococleares), que recebem informações
sensoriais e motoras e transformam em reposta motora envolvida no
controle dos músculos mastigatórios movimentos oculares,
expressão facial e sensação de equilíbrio.
O bulbo é a parte mais inferior do tronco encefálico e está conectado
à medula espinal. Sua substância branca apresenta tratos sensoriais
e motores que se projetam para a medula espinal e outras partes do
encéfalo. Na porção anterior do bulbo, parte da substância branca
forma protrusões denominadas pirâmides, constituídas pelos tratos
corticoespinais, que se projetam do telencéfalo para a medula
espinal e estão relacionados com o controle dos movimentos
voluntários dos membros e do tronco. O bulbo também contém
vários núcleos, como o centro cardiovascular, o respiratório bulbar, o
do vômito e o da deglutição, que estão envolvidos na regulação do
batimento cardíaco, do diâmetro dos vasos sanguíneos, do ritmo
respiratório normal, no reflexo de vômito, de deglutição, dos
espirros, da tosse e dos soluços. A parte posterior do bulbo contém
núcleos (grácil e cuneiforme) associados a sensações de pressão,
vibração, propriocepção e tato. Também estão presentes no bulbo
núcleos que compõem vias sensoriais para audição, equilíbrio e
gustação, além de núcleos sensoriais e motores associados a cinco
pares de nervos cranianos (vestibulococleares, glossofaríngeos,
vagos, acessórios e hipoglossos), que participam da regulação de
funções autonômicas (frequência cardíaca e motilidade
gastrointestinal) e controle motor e sensorial (deglutição, fala,
secreção salivar).
A medula espinal também faz parte do encéfalo e se estende do
forame magno do crânio até a margem inferior da primeira vértebra
lombar, medindo, em um indivíduo adulto, aproximadamente 45
centímetros. Pode ser dividida em quatro regiões: cervical, torácica,
lombar e sacral. A medula espinal apresenta duas dilatações, uma
superior e outra inferior. A dilatação superior, chamada
intumescência cervical, estende-se da quarta vértebra cervical até a
primeira torácica. A dilatação inferior, denominada intumescência
lombossacral, estende-se da nona à décima segunda vértebra
torácica. Inferiormente à intumescência lombossacral,a medula
espinal termina como uma estrutura cônica chamada cone medular,
que, em adultos, termina no nível do disco intervertebral entre a
primeira e a segunda vértebra lombar. Como observado no encéfalo,
a medula espinal é revestida pelas meninges (dura-máter, aracnoide
e pia-máter).
Na medula espinal, cada região é subdividida em segmentos e, a
partir de cada segmento surge um par bilateral de nervos espinais.
Pouco antes do nervo espinal unir-se à medula espinal, ele se divide
em dois ramos, denominados raízes. A raiz dorsal de cada nervo
espinal é especializada em conduzir a entrada de informações
sensoriais. Na raiz dorsal, encontramos dilatações localizadas antes
de entrar na medula espinal. Essas dilatações são os gânglios da
raiz dorsal, que contêm corpos celulares de neurônios sensoriais. A
raiz ventral transmite informações oriundas do sistema nervoso
central para músculos e glândulas.
A medula espinal também é formada por substância branca e
cinzenta, contudo, diferentemente do encéfalo, na medula espinal a
substância cinzenta é interna, em forma de letra H, rodeada pela
substância branca, que é externa. A substância cinzenta, constituída
principalmente por dendritos e corpos celulares de neurônios, é
composta por núcleos motores e sensoriais. A substância cinzenta
de cada lado da medula espinal é subdividida em regiões chamadas
cornos. Os cornos dorsais (posteriores) de substância cinzenta
contêm axônios de neurônios sensoriais, corpos celulares e axônios
de interneurônios. As fibras sensoriais da raiz dorsal fazem sinapse
com interneurônios dos cornos dorsais. Os cornos ventrais
(anteriores) contêm corpos celulares de neurônios motores, que
conduzem sinais eferentes para músculos e glândulas. Já os
núcleos laterais da substância cinzenta contêm corpos celulares de
neurônios motores autônomos, reguladores da atividade do músculo
cardíaco, da musculatura lisa e das glândulas. Assim, a medula
espinal exerce um papel fundamental na condução de sinais
nervosos entre o encéfalo e o corpo, além de mediar reflexos
motores e sensoriais.
Agora que você conheceu as principais características anatômicas e
funcionais do cerebelo e do tronco encefálico, você é capaz de
compreender a importância do conhecimento desses temas para
uma boa atuação profissional.
Vamos Exercitar?
Após todo esse aprendizado a respeito das principais características
anatômicas e funcionais do cerebelo e do tronco encefálico e da
importância dessas estruturas para um bom funcionamento do corpo
humano, vamos retomar nossa situação-problema.
Diante disso, consideremos novamente o caso de Pedro, um aluno
de graduação na área da saúde, cujo avô João foi diagnosticado
com doença de Parkinson. João, 65 anos, sempre foi muito ativo,
adorava brincar com seus netos e fazer caminhadas diárias. Mas,
nos últimos meses, sua família começou a notar algumas mudanças
preocupantes: João estava com tremores constantes nas mãos,
seus movimentos estavam mais lentos e ele apresentava rigidez
muscular. Além disso, tinha dificuldade em manter o equilíbrio e sua
expressão facial parecia mais rígida. Preocupados com o bem-estar
de João, a família decidiu levá-lo ao médico e, após uma série de
exames neurológicos e uma avaliação detalhada, veio o diagnóstico
de doença de Parkinson. Como Pedro é um estudante da área da
saúde, acabou sendo bastante questionado pela família a respeito
da patologia do avô. Assim, para auxiliar todos com os
esclarecimentos necessários e para ajudar a família a lidar com a
situação, Pedro decidiu entender melhor sobre a doença de
Parkinson a fim de responder as dúvidas que também tinha a
respeito dela: o que causa o Parkinson? Que regiões são afetadas e
como isso acomete o cérebro? Por que seu avô está apresentando
todos esses sintomas? Como pode ser tratado? Existe cura?
Agora você já é capaz de ajudar Pedro a responder esses
questionamentos. Vamos lá?
Primeiramente, você deve lembrar que a doença de Parkinson (DP)
é um distúrbio degenerativo crônico do funcionamento dos
neurônios dopaminérgicos da substância negra. É a segunda
doença degenerativa mais comum do sistema nervoso central,
iniciando normalmente entre os 50 e os 79 anos e raramente
acometendo crianças ou adolescentes. A causa da DP é
provavelmente multifatorial, resultando de uma interação complexa
entre fatores ambientais e genéticos, além da idade. No Parkinson,
a perda gradativa de neurônios dopaminérgicos da substância negra
resulta em diminuição da liberação de dopamina por esses
neurônios, que fazem parte da via nigroestriatal. Assim, a
degeneração dos neurônios dopaminérgicos leva a uma redução
significativa dos níveis de dopamina no putame (parte do estriado),
uma área do cérebro envolvida no controle do movimento. Como
resultado, aparecem os sintomas motores clássicos da DP, como
tremor em repouso, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão de
movimento), instabilidade postural e face em máscara (músculos
faciais que controlam as expressões não se mexem como
normalmente deveriam). Além da perda de dopamina, a presença de
corpos de Lewy (agregados anormais da proteína alfa-sinucleína)
nos neurônios é uma característica patológica da DP. Os corpos de
Lewy contribuem para a disfunção e morte neuronal. Além dos
sintomas motores, a DP também pode causar sintomas não
motores, como depressão, distúrbios do sono, perda de olfato,
constipação, demência, alucinações e paranoia. Esses sintomas são
atribuídos à degeneração de outras áreas cerebrais e redes de
neurotransmissores. O tratamento da DP visa principalmente aliviar
os sintomas, melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos,
retardar a progressão da doença. Como ela é progressiva e não tem
cura atualmente, os tratamentos focam em gerenciar os sintomas
motores e não motores. O tratamento farmacológico mais utilizado é
a levodopa, que é convertida em dopamina no cérebro, ajudando a
aliviar os sintomas motores. O tratamento não farmacológico
envolve fisioterapia (ajuda a melhorar a mobilidade, a flexibilidade e
a força, aliviando a rigidez e melhorando a postura e o equilíbrio),
terapia ocupacional (auxilia os pacientes a realizarem atividades
diárias com maior facilidade e segurança, adaptando as tarefas e o
ambiente) e suporte nutricional (uma dieta equilibrada pode ajudar a
gerenciar alguns sintomas e melhorar a saúde geral. A ingestão
adequada de fibras e fluidos é essencial para evitar constipação,
comum nessa patologia).
Saiba Mais
Cerebelo
O cerebelo, localizado na parte posterior do cérebro, é essencial
para a coordenação motora, o equilíbrio e a precisão dos
movimentos. Ele recebe informações sensoriais e ajusta a atividade
muscular para garantir movimentos suaves e coordenados. Além de
regular o equilíbrio, contribui para a aprendizagem motora e a
execução de movimentos voluntários. Sua importância é
fundamental para atividades diárias, desde uma simples caminhada
até tarefas complexas que requerem precisão e coordenação.
Para saber mais sobre o cerebelo e sua importância para nosso
corpo, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:
KANDEL, E. R. et al. Princípios de neurociências. 5. ed. Porto
Alegre: AMGH, 2014. cap. 42, p. 865-882.
Tronco encefálico (divisão e funções)
O tronco encefálico, composto por bulbo, ponte e mesencéfalo, faz
parte do encéfalo, uma estrutura vital do sistema nervoso central. O
tronco encefálico conecta o cérebro à medula espinal e regula
funções essenciais à vida, como respiração, frequência cardíaca e
pressão arterial. Além disso, ele coordena reflexos vitais e é a via de
passagem para as fibras nervosas que conectam o cérebro ao
corpo. Sua integridade é essencial para a sobrevivência e o
funcionamento adequado de processos automáticos e involuntários
do corpo humano.
Para explorar mais esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap.
14, p. 502-504.
Medula espinal (estrutura e função)A medula espinal é uma estrutura do sistema nervoso central
localizada dentro da coluna vertebral. Ela é responsável por
transmitir sinais entre o cérebro e o corpo, permitindo o controle de
movimentos e a percepção sensorial. Além de servir como via de
comunicação, ela coordena reflexos rápidos e automáticos,
essenciais para a nossa sobrevivência. Sua integridade é vital para
o funcionamento neurológico adequado, destacando sua
importância na manutenção da mobilidade, da sensibilidade e dos
reflexos do corpo humano.
Para saber mais sobre a estrutura da medula espinal e suas
funções, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:
KOEPPEN, B. M.; STANTON, B. A. Berne & Levy: fisiologia. 7. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024. cap. 9, p. 161-172. 
Referências Bibliográficas
CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2017.
KANDEL, E. R. et al. Princípios de neurociências. 5. ed. Porto
Alegre: AMGH, 2014.
KOEPPEN, B. M.; STANTON, B. A. Berne & Levy: fisiologia. 7. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Encerramento da Unidade
INTRODUÇÃO AO SISTEMA
NERVOSO E ASPECTOS
MORFOFUNCIONAIS DO
SISTEMA NERVOSO
CENTRAL
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula, você continuará a jornada
fascinante pelo sistema nervoso central (SNC), explorando
conceitos essenciais para a sua prática profissional. Você já
desvendou vários mistérios que envolvem os componentes e o
funcionamento do SNC, agora venha continuar essa jornada! Assista
à videoaula e descubra como o conhecimento sobre esse sistema
pode enriquecer e transformar a sua prática profissional. Não perca!
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que
é “ter senso crítico para reconhecer e explicar as principais
características do sistema nervoso, compreendendo tanto suas
estruturas quanto seus aspectos anatômicos, histológicos e
fisiológicos” e “compreender a divisão do sistema nervoso central,
suas características anatômicas e funcionais”, você primeiramente
conheceu, em detalhes, os conceitos fundamentais relacionados à
organização geral do sistema nervoso; entendeu como cada divisão
do sistema nervoso é composto e como contribui para o
funcionamento adequado do nosso organismo. Além disso, você
também explorou o sistema nervoso central, suas características
anatômicas e funcionais, desenvolvendo um entendimento crítico
sobre ele, relacionando as estruturas às suas funções e entendendo
como suas interações mantêm o corpo humano funcionando. Assim,
a abordagem desses assuntos ao longo da unidade permitiu-lhe
consolidar sua compreensão a respeito, refletir sobre os assuntos
abordados e entender como aplicar esses conhecimentos em
contextos práticos.
É Hora de Praticar!
Lucas e João, dois estudantes de graduação na área da saúde,
estavam conversando sobre a recente notícia que abalou a família
de João: sua tia, Dona Lúcia, havia sido diagnosticada com ataxia
cerebelar, o que estava preocupando toda a família. Segundo o
relato de sua prima, Lúcia começou a apresentar dificuldades
significativas para caminhar, frequentemente perdendo o equilíbrio e
precisando de apoio para se locomover. Ela também começou a ter
problemas de coordenação, como dificuldade em pegar objetos
pequenos, e seus movimentos se tornaram desajeitados e
imprecisos. Lúcia reclamava ainda de tremores nas mãos quando
tentava realizar tarefas que exigiam precisão, como escrever ou
mexer no celular. Com todos esses sintomas, Lúcia decidiu procurar
um médico. Realizou vários exames e foi diagnosticada com ataxia
cerebelar. João, embora fosse estudante da área da saúde, tinha
muitas dúvidas sobre a patologia que estava acometendo sua tia: o
que exatamente é a ataxia cerebelar? O que causa isso? Será que
tem cura?
Você, no lugar de João, como responderia a todos esses
questionamentos?
Reflita
Qual a relação entre os receptores sensoriais e o córtex
cerebral?
De que maneira as lesões no cerebelo podem impactar a
coordenação e o equilíbrio de um indivíduo
Por que a integridade do tronco encefálico é vital para nossa
sobrevivência?
Resolução do estudo de caso
A partir de agora, vamos considerar o caso da tia de João, que, em
conversa com o amigo Lucas, disse estar bastante preocupado com
ela, pois havia sido recentemente diagnosticada com ataxia
cerebelar.
Lúcia começou a apresentar dificuldades significativas para
caminhar, frequentemente perdendo o equilíbrio e precisando de
apoio para se locomover. Ela também começou a ter problemas de
coordenação, como dificuldade em pegar objetos pequenos, e seus
movimentos se tornaram desajeitados e imprecisos. Lúcia
reclamava ainda de tremores nas mãos quando tentava realizar
tarefas que exigiam precisão, como escrever ou mexer no celular.
Com todos esses sintomas, Lúcia decidiu procurar um médico.
Realizou vários exames e foi diagnosticada com ataxia cerebelar.
Diante do diagnóstico, João ficou com algumas dúvidas sobre a
patologia que estava acometendo sua tia: o que exatamente é a
ataxia cerebelar? O que causa isso? Será que tem cura?
Agora você já é capaz de ajudar João a responder esses
questionamentos. Vamos lá?
Primeiramente, é importante ressaltar que ataxia cerebelar é uma
condição neurológica caracterizada pela falta de coordenação dos
movimentos voluntários, resultante de uma degeneração do
cerebelo, parte do cérebro responsável pela coordenação motora,
pelo equilíbrio e pela precisão dos movimentos. Quando essa área é
afetada, os movimentos se tornam desajeitados, imprecisos e a
pessoa pode ter dificuldades para manter o equilíbrio.
A ataxia cerebelar pode ser causada por uma variedade de fatores,
incluindo:
· Fatores genéticos: algumas formas de ataxia são
hereditárias e causadas por mutações genéticas.
· Lesões cerebrais: são ocasionadas por traumas na
cabeça, acidentes vasculares encefálicos (AVEs), tumores ou
infecções que afetam o cerebelo.
· Doenças degenerativas, como a esclerose múltipla ou a
doença de Huntington.
· Intoxicações, exposição prolongada ao álcool, drogas
ou certos medicamentos.
· Deficiências nutricionais, como a deficiência de vitamina
E.
Os principais sintomas da ataxia cerebelar incluem dificuldade para
caminhar (marcha instável e perda frequente de equilíbrio),
problemas de coordenação (movimentos desajeitados e imprecisos,
dificuldade em realizar tarefas que exigem precisão), tremores
intencionais (tremores que ocorrem durante a execução de
movimentos voluntários, como escrever ou mexer no celular),
disartria (dificuldade na articulação da fala) e nistagmo (movimentos
involuntários dos olhos). A cura da ataxia cerebelar depende da
causa subjacente. Em alguns casos, tratar a causa subjacente pode
aliviar os sintomas. Por exemplo, se a ataxia for ocasionada por uma
deficiência nutricional ou intoxicação, a correção desses fatores
pode melhorar os sintomas. Para formas hereditárias ou
degenerativas, não há cura, mas os sintomas podem ser
gerenciados com fisioterapia, terapia ocupacional e, em alguns
casos, medicamentos para controlar sintomas específicos como
tremores. O tratamento também envolve medidas de suporte para
melhorar a qualidade de vida, como dispositivos de auxílio à
mobilidade e exercícios para melhorar a coordenação e o equilíbrio.
Dê o play!
Assimile
Olá, estudante! Você está convidado a embarcar, a partir de agora,
na jornada fascinante pelo sistema nervoso, para explorar as
informações ricas e instigantes presentes nesta animação. Aprecie e
aproveite cada estrutura e cada função que lhe serão apresentadas!
Vamos lá?
Referências
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: bases
patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia.10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.a apresentar três
dilatações denominadas vesículas encefálicas primárias: o
prosencéfalo, o mesencéfalo e o rombencéfalo, que formam o
encéfalo primitivo. Sua extremidade posterior sofre apenas uma
pequena diferenciação, originando posteriormente a medula espinal.
Simultaneamente, ocorre a formação de duas flexuras: a cervical, na
junção entre o rombencéfalo e a medula espinal, e a cefálica na
região do mesencéfalo. Após a quinta semana do desenvolvimento
embrionário, essas vesículas encefálicas primárias se diferenciam
em cinco vesículas secundárias: 1) o prosencéfalo forma o
telencéfalo e o diencéfalo; 2) o mesencéfalo permanece; e 3) o
rombencéfalo forma o metencéfalo e o mielencéfalo.
Assim, cada uma das vesículas encefálicas secundárias contribuirá
para a formação de uma parte diferente do encéfalo. O telencéfalo
formará os hemisférios cerebrais; do diencéfalo serão originados
tálamo e hipotálamo, glândula hipófise e vesícula óptica; o
mesencéfalo dará origem aos colículos anterior (visual) e posterior
(auditivo) e ao aqueduto cerebral; o metencéfalo formará a ponte e o
cerebelo, enquanto o mielencéfalo dará origem ao bulbo. Desse
modo, durante o desenvolvimento embrionário do SN, o tubo neural
se diferenciará em SNC, constituído pelo encéfalo e pela medula
espinal, enquanto as cristas neurais darão origem às células que
formam a maioria do SNP e do SNA.
No sistema nervoso, podemos encontrar dois tipos de células: os
neurônios e as neuroglias ou células da glia. Os neurônios são
responsáveis por receber e processar informações e por transmitir
informações a outras células. São células tão especializadas que
apresentam capacidade de gerar impulso nervoso, embora não
tenham capacidade de se multiplicar.
Eles são constituídos de corpo celular (soma), dendritos e axônio.
No corpo celular, encontramos o núcleo da célula, bem como
organelas celulares. Os dendritos são as partes receptoras ou de
entrada de um neurônio e apresentam vários sítios receptores para
a ligação de mensageiros químicos de outros neurônios,
denominados espinhas dendríticas. Os dendritos geralmente são
curtos, afilados e altamente ramificados. O axônio é um
prolongamento único, de diâmetro constante em quase todo seu
percurso e frequentemente ramificado em sua porção terminal. É
uma estrutura especializada na condução de impulsos nervosos
para outro neurônio, fibra muscular ou célula glandular.
Figura 1 | Estrutura do neurônio. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
O comprimento dos axônios é muito variado, mas quase sempre são
mais longos do que os dendritos. O axônio geralmente se une ao
corpo celular em uma elevação em forma de cone chamada cone de
implantação. A parte do axônio mais próxima ao cone de
implantação é chamada de segmento inicial. Na maioria dos
neurônios, os impulsos nervosos surgem na junção do cone de
implantação com o segmento inicial, uma área denominada zona de
gatilho, a partir da qual se propagam ao longo do axônio até um
próximo neurônio, uma fibra muscular ou uma glândula.
O citoplasma do axônio é chamado de axoplasma, circundado por
uma membrana plasmática conhecida como axolema. Ao longo do
comprimento de um axônio, ramificações laterais chamadas axônio
colaterais podem se projetar, normalmente em um ângulo reto com o
axônio. O axônio e seus colaterais acabam se dividindo em muitos
processos finos, denominados terminais axônicos, nos quais estão
presentes pequenas dilatações, os botões sinápticos ou botões
terminais, por meio dos quais os axônios estabelecem as sinapses
com outras células. Os botões sinápticos contêm, no seu interior,
vesículas sinápticas, que armazenam substâncias químicas
chamadas de neurotransmissores, que, quando liberados de uma
vesícula sináptica, podem excitar ou inibir a célula-alvo.
Quanto à sua estrutura, os neurônios podem ser classificados em:
Pseudounipolares ou unipolares, que apresentam dendritos e
um axônio em fusão para formar um único processo que
emerge do corpo celular. Os corpos celulares da maioria dos
neurônios pseudounipolares estão localizados nos gânglios dos
nervos espinais e cranianos.
Bipolares, que apresentam um dendrito principal e um axônio
que emergem de lados opostos do corpo celular. São
encontrados na retina, na orelha interna e na área olfatória do
cérebro.
Multipolares, que possuem vários dendritos e somente um
axônio. A maioria dos neurônios do SNC é desse tipo.
Quanto à função, os neurônios podem ser classificados de acordo
com a direção em que o impulso nervoso é transmitido em relação
ao SN. Nesse caso, os neurônios podem ser:
Sensitivos ou aferentes: apresentam receptores sensitivos em
suas extremidades distais (dendritos) ou estão localizados logo
após os receptores sensitivos. Assim, esses neurônios
transmitem sinais sensoriais dos receptores sensoriais (como
os encontrados na pele, nos olhos, nos ouvidos, na língua e
nos órgãos internos) para o sistema nervoso central. Eles
convertem estímulos externos ou internos em sinais elétricos
(transdução do sinal), que são, então, transmitidos ao longo de
seus axônios em direção ao SNC pelos nervos cranianos e
espinais para processamento. A maioria dos neurônios
sensitivos tem estrutura unipolar.
Motores ou eferentes: transmitem os impulsos nervosos do
SNC em direção aos efetores (músculos e glândulas), por meio
dos nervos cranianos ou espinais. Os neurônios motores são
multipolares em estrutura.
Interneurônios ou neurônios de associação: localizados
principalmente no SNC entre os neurônios sensitivos e os
motores, atuam integrando as informações sensitivas recebidas
dos neurônios sensitivos e, em seguida, induzem uma resposta
motora ativando os neurônios motores apropriados. A maioria
dos interneurônios tem estrutura multipolar.
Outro tipo celular encontrado no SN é a neuróglia. Essa célula é
responsável pelo suporte, pela proteção e pela nutrição dos
neurônios. As neuróglias representam a maioria das células do SN
e, diferentemente dos neurônios, não são capazes de gerar ou
propagar impulsos nervosos. Por outro lado, conseguem se
multiplicar e se dividir no SN maduro. Desse modo, em casos de
lesão ou doença, as neuróglias se multiplicam para preencher os
espaços anteriormente ocupados por neurônios. Existem seis tipos
de neuróglias, sendo quatro deles (astrócitos, oligodendrócitos,
micróglias e células ependimárias) encontrados no SNC e dois deles
(células de Schwann e células satélites) encontradas no SNP.
Siga em Frente...
Os astrócitos são as células gliais mais abundantes no SNC e
apresentam muitos prolongamentos finos e ramificados que se
estendem em várias direções, lembrando a forma de uma estrela.
Essas células desempenham várias funções, incluindo suporte
estrutural para os neurônios, regulação da composição química do
ambiente extracelular e participação na barreira hematoencefálica
(que regula o fluxo de substâncias do sangue para o cérebro).
As micróglias são células pequenas e com finos processos que
emitem projeções semelhantes a espinhos. Essas células funcionam
como fagócitos, removendo restos celulares formados durante o
desenvolvimento normal do SN, fagocitando microrganismos
invasores, células mortas ou danificadas.
Os oligodendrócitos são bastante semelhantes aos astrócitos,
porém menores e com menos processos. São responsáveis pela
formação e pela manutenção da bainha de mielina (uma camada
isolante que ajuda na transmissão rápida e eficiente dos impulsos
nervosos) ao redor dos axônios dos neurônios do SNC.
As células ependimárias são células desde cúbicas a colunares
dispostas em uma única camada, com presença de microvilosidades
e cílios. Elas revestem os ventrículos do encéfalo e o canal central
da medula espinal (espaços preenchidos com líquido cerebrospinal),
sendo responsáveis por produzir o líquido cerebrospinal ou líquor.
As células de Schwann são células gliais encontradas no SNP e,
assim como os oligodendrócitos, também formam a bainha de
mielina ao redor dos axônios, facilitando a transmissão rápida dos
impulsos nervosos.Essas células também desempenham um papel
importante na regeneração dos axônios no SNP.
As células satélites são planas e circundam os corpos celulares
dos neurônios dos gânglios do SNP. Atuam fornecendo suporte
estrutural e regulando as trocas de substâncias entre os corpos
celulares dos neurônios e o líquido intersticial.
Os neurônios podem ser classificados de acordo com a presença ou
não da bainha de mielina em torno de seus axônios em: amielínicos
(não apresentam bainha de mielina circundando o axônio) e
mielínicos ou mielinizados (com presença de bainha de mielina
circundando o axônio). A mielina é constituída principalmente por
lipídios e atua como um isolante elétrico, aumentando a velocidade
de condução dos impulsos nervosos ao longo do axônio. A bainha
de mielina, como mencionado anteriormente, é formada no SNC
pelos oligodendrócitos e, no SNP, pelas células de Schwann. Essas
células se enrolam em torno dos axônios formando uma membrana
de múltiplas camadas e rica em lipídios ao seu redor. À medida que
as células continuam a se enrolar ao redor do axônio, seu núcleo e o
citoplasma acabam ficando na camada mais externa e a bainha de
mielina na sua porção interna. A bainha de mielina não é contínua
ao longo do axônio: é interrompida por pequenos espaços
chamados de nódulos de Ranvier, que permitem a condução
saltatória do impulso nervoso. O processo de mielinização continua
após o nascimento e durante a infância e a adolescência. Em muitas
regiões do cérebro, a mielinização continua até a idade adulta,
acompanhando o desenvolvimento cognitivo e motor.
Macroscopicamente, o encéfalo e a medula espinal apresentam
duas regiões distintas no cérebro, uma região mais externa,
denominada substância cinzenta, e outra mais interna, chamada de
substância branca, composta principalmente de axônios
mielinizados. Como a mielina tem uma cor esbranquiçada, as
regiões do SNC nas quais a mielina existe em grande quantidade
foram denominadas substância branca. Já a substância cinzenta
contém corpos celulares de neurônios, dendritos, axônios
amielínicos, terminais axônicos e neuroglia. Como há pouca ou
nenhuma mielina nessas áreas, acabam tendo uma coloração mais
escura, daí o nome substância cinzenta.
O neurônio, assim como outras células do corpo, também se
comunica com outros neurônios ou com células efetoras (célula
muscular ou glandular). A região onde ocorre essa comunicação é
denominada sinapse, crucial para a homeostasia corporal, pois
permite que as informações sejam filtradas e integradas. Nessa
comunicação, a célula nervosa que carrega um impulso nervoso em
direção a uma sinapse, ou seja, que é responsável por enviar o
sinal, é chamada de neurônio pré-sináptico; a que recebe o sinal é
chamada de célula pós-sináptica. Ela pode ser uma célula nervosa
(neurônio pós-sináptico) que carrega um impulso nervoso de uma
sinapse, ou uma célula efetora, que responde ao impulso na
sinapse. A maioria das sinapses entre neurônios é axodendrítica (do
axônio ao dendrito), as outras são axossomáticas (do axônio ao
corpo celular) ou axoaxônicas (entre dois axônios).
As sinapses também podem ser classificadas como elétricas ou
químicas. Nas sinapses elétricas, os neurônios se comunicam
através de junções comunicantes, canais proteicos que formam uma
passagem direta entre os citoplasmas das células pré e pós-
sinápticas. Isso permite a passagem direta de íons e outras
moléculas entre os neurônios, tornando a transmissão do impulso
nervoso rápida. Além disso, as sinapses elétricas podem sincronizar
(coordenar) a atividade de um grupo de neurônios ou fibras
musculares, resultando em contração coordenada dessas células.
Nas sinapses químicas, os neurônios não estão diretamente
conectados, pois existe um pequeno espaço que os separa,
chamado de fenda sináptica. Quando um potencial de ação chega
ao botão sináptico na terminação axonal da célula pré-sináptica,
desencadeia a abertura de canais de Ca+2 dependentes de
voltagem que estão presentes na membrana dos botões sinápticos,
permitindo a entrada de íons cálcio para dentro do botão. O
aumento na concentração de Ca+2 dentro do botão sináptico serve
para desencadear a migração das vesículas sinápticas e promover a
fusão dessas vesículas com a membrana plasmática.
Desse modo, as moléculas de neurotransmissores dentro das
vesículas são liberadas na fenda sináptica por exocitose. As
moléculas de neurotransmissores se difundem pela fenda sináptica
e se ligam aos receptores específicos para esses
neurotransmissores presentes na membrana plasmática do neurônio
pós-sináptico. A ligação de moléculas de neurotransmissores a seus
receptores específicos, ativa a abertura de canais e permite que
íons específicos fluam através da membrana. Conforme os íons
fluem através dos canais abertos, a voltagem através da membrana
se altera, gerando um potencial pós-sináptico, que pode ser uma
despolarização (excitação) ou uma hiperpolarização (inibição).
Quando um potencial despolarizante pós-sináptico atinge o limiar,
gera um impulso nervoso no axônio do neurônio pós-sináptico.
Assim, um neurotransmissor pode gerar tanto um potencial
excitatório quanto inibitório. O neurotransmissor que causa
despolarização da membrana pós-sináptica é excitatório. O
potencial pós-sináptico despolarizante é denominado potencial pós-
sináptico excitatório (PPSE). Embora normalmente um único PPSE
não seja capaz de iniciar um potencial de ação, a célula pós-
sináptica torna-se mais excitável, parcialmente despolarizada, sendo
mais provável que atinja o limiar quando ocorrer o próximo PPSE.
Um neurotransmissor que causa hiperpolarização da membrana
pós-sináptica é inibitório. Durante a hiperpolarização, a geração de
um potencial de ação é mais difícil do que o normal e ainda mais
distante do limiar do que quando a célula está em seu estado de
repouso. Um potencial pós-sináptico de hiperpolarização é
denominado potencial pós-sináptico inibitório (PPSI).
Agora, que você conheceu as divisões e características histológicas
do sistema nervoso, como são classificados os neurônios e como
podem se comunicar, você é capaz de compreender a importância
do conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional.
Vamos Exercitar?
Agora que você conheceu e aprendeu as divisões e características
histológicas do sistema nervoso, como são classificados os
neurônios e como podem se comunicar, retornemos à nossa
situação-problema.
A partir de agora, então, vamos considerar o caso de Pedro, um
estudante de graduação da área da saúde que, em conversa com
seu amigo de infância, Joaquim, descobre que a mãe dele havia
sido diagnosticada com esclerose múltipla há um mês. Joaquim
também comenta que não entende completamente as
consequências dessa condição de saúde, pois a explicação do
médico tinha sido confusa e agora ele está cheio de dúvidas e
preocupações. Pedro, ao perceber a angústia de seu amigo e
intrigado com a complexidade da doença, decide se aprofundar no
assunto, buscando entender melhor o que é a esclerose múltipla,
suas causas, seus sintomas, os tratamentos disponíveis, como a
doença afeta o sistema nervoso e, consequentemente, como pode
afetar a vida da mãe de seu amigo. Com sua determinação, Pedro
busca conhecimento para oferecer apoio e esclarecimento nesse
momento difícil.
Agora você já é capaz de ajudar a solucionar as dúvidas de Pedro.
Vamos lá?
Primeiramente, é importante lembrar que a esclerose múltipla (EM)
é uma doença autoimune, na qual o próprio sistema imunológico do
indivíduo causa um processo inflamatório que culmina na destruição
progressiva das bainhas de mielina nos neurônios do SNC. Essa
doença é mais prevalente em mulheres e, geralmente, começa entre
20 e 40 anos de idade, embora possa iniciar a qualquer momento
entre os 15 e os 60 anos. Sua causa não ainda não é clara, mas
alguns fatores como suscetibilidade genética e exposição a fatores
ambientais (vírus do herpes, por exemplo) podem contribuir para
desencadear a patologia.
O termo “esclerose múltipla” refere-se àsvárias áreas de
cicatrização ou placas endurecidas (esclerose) que se formam como
resultado da destruição da bainha de mielina (desmielinização) na
substância branca do encéfalo e da medula espinal. Essa destruição
da bainha de mielina causa um atraso ou um curto-circuito na
propagação dos impulsos nervosos. Como as lesões da EM podem
ocorrer em qualquer lugar do SNC, os sintomas contam com uma
variedade de manifestações clínicas, como sensação de peso ou
fraqueza nos músculos, sensações anormais ou visão dupla,
dormência, formigamento, sensação de queimação ou pressão na
face ou nas extremidades envolvidas. Outros sintomas comuns são
anormalidade de marcha, disfunção vesical e sexual, vertigem,
nistagmo e distúrbios de fala. Geralmente, os sintomas duram vários
dias ou semanas, sendo seguidos de resolução completa ou parcial.
A EM é caracterizada por períodos de funcionamento normal ou
relativamente normal, seguidos de períodos de surtos no qual
surgem novos sintomas. Assim, essa patologia vai piorando
gradativamente ao longo do tempo.
O tratamento da EM visa reduzir a atividade inflamatória e os surtos,
contribuindo para minimizar a perda da capacidade do indivíduo ao
longo dos anos. Dessa forma, o tratamento envolve: uso de
imunomoduladores para diminuir atividade inflamatória e agressão à
mielina, reduzindo, assim, os surtos em intensidade e frequência;
imunossupressores, que reduzem a atividade ou eficiência do
sistema imunológico; e altas doses de corticoides durante os surtos.
Saiba Mais
Desenvolvimento, divisões anatômicas e funcionais do sistema
nervoso
O desenvolvimento do sistema nervoso é um processo complexo e
vital, que começa durante a embriogênese e continua ao longo da
vida. Esse processo envolve a formação e organização de células
nervosas, conexões sinápticas e estruturas cerebrais que moldam
nossa capacidade de percepção, movimento, pensamento e
emoção. Compreender esse desenvolvimento é fundamental para
elucidar as bases de doenças neurológicas e psiquiátricas, além de
orientar intervenções terapêuticas que promovam a saúde do
sistema nervoso ao longo da vida.
Para explorar mais o desenvolvimento do sistema nervoso, leia a
seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: MOORE, K. L.;
PERSAUD, T. V. N.; TORCHIA, M. G. Embriologia básica. 10 ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. cap. 16, p. 242-257.
Histologia do sistema nervoso: tipos de células, substâncias
branca e cinzenta
Compreender a histologia do sistema nervoso é essencial para
qualquer profissional da área da saúde, pois permite, por meio do
estudo detalhado das células e das estruturas nervosas,
compreender não somente o funcionamento do sistema nervoso,
mas também suas alterações patológicas e as bases para o
desenvolvimento de tratamentos eficazes.
Para saber mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
ABRAHAMSOHM, P. Tecido nervoso. In: JUNQUEIRA, L. C. U.;
CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 9, p. 163-179.
Sinapse elétrica, sinapse química, neurotransmissores e
circuitos neurais
A sinapse, que permite a comunicação entre os neurônios, pode ser
química ou elétrica. Essa transmissão de sinais é essencial para o
funcionamento adequado do corpo humano, uma vez que coordena
desde simples movimentos até processos cognitivos complexos. A
eficácia das sinapses impacta diretamente nossa capacidade de
aprender, memorizar, sentir e reagir ao ambiente ao nosso redor.
Portanto, compreender a importância da sinapse é fundamental para
entender não apenas o funcionamento do sistema nervoso, mas
também aspectos essenciais da nossa própria existência.
Estrutura da sinapse.
Sinapse nervosa (química).
Referências Bibliográficas
ABRAHAMSOHM, P. Tecido nervoso. In: JUNQUEIRA, L. C. U.;
CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 9, p. 163-179.
ESTRUTURA da sinapse. Khan Academy, [s. l., s. d.]. Disponível
em: https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-
anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/synapse-
structure. Acesso em: 21 abr. 2024.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e
atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
LYONS, V. T.; NETTER, F. H. Netter: anatomia sistêmica essencial.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N.; TORCHIA, M. G. Embriologia
básica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. cap. 16, p.
242-257.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. Ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021. 
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/synapse-structure
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/neuronal-synapses-chemical
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/synapse-structure
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/synapse-structure
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/synapse-structure
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 
SINAPSE nervosa (química). Khan Academy, [s. l., s. d.].
Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/health-and-
medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-
introduction/v/neuronal-synapses-chemical. Acesso em: 21 abr.
2024. 
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Aula 2
SISTEMA NERVOSO
CENTRAL
Sistema nervoso central
Olá, estudante! Nesta videoaula, você explorará a divisão anatômica
do sistema nervoso central ao mergulhar nas intricadas estruturas
do encéfalo, incluindo as meninges, o líquido cerebrospinal e a
crucial barreira hematoencefálica. Além disso, você conhecerá o
diencéfalo, compreendendo suas regiões específicas, como o
hipotálamo e o tálamo, e suas funções essenciais para a regulação
de diversas atividades corporais. Não perca a oportunidade de
ampliar seu conhecimento e aprimorar suas habilidades! Vamos lá!
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/neuronal-synapses-chemical
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/neuronal-synapses-chemical
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/neuronal-synapses-chemical
Ponto de Partida
Nesta aula, você conhecerá o sistema nervoso central. Para tanto,
estudará um pouco mais suas principais características anatômicas
e funcionais. A partir disso, será capaz de reconhecer a divisão
anatômica desse sistema, bem como diferenciar e compreender as
funções de alguns de seus componentes, como as meninges, a
barreira hematoencefálica e o líquido cerebrospinal. Por fim, você
conhecerá as estruturas que fazem parte do diencéfalo, bem como
suas funções principais, tornando possível a compreensão e a
aplicação desses conhecimentos na sua prática profissional. Então,
não perca tempo! Prepare-se para uma jornada de aprendizado
enriquecedora que lhe proporcionará uma prática profissional mais
eficaz e gratificante! Vamos lá!
A partir de agora, você acompanhará o caso de Sara, uma
estudante da área da saúde, que, durante um passeio ao shopping,
tem um encontro inesperado com Ana, sua antiga vizinha. Ana
comenta com Sara que anda bastante preocupada com seu neto
recém-nascido, cuja saúde vem enfrentando desafios desde os
primeiros meses de vida. O bebê, logo aos dois meses, começou a
apresentar sintomas como irritabilidade, vômitos frequentes e
aumento do tamanho da cabeça. A família, muito preocupada,
buscou auxílio médico e recebeu o diagnósticode hidrocefalia. Ana
comenta também que o bebê precisará passar por uma cirurgia para
colocação de um “tubo” na cabeça, pois, segundo o médico, essa
condição pode trazer graves consequências para o cérebro do bebê.
Ana, então, muito confusa e abalada, buscou respostas para
entender melhor a condição do neto. Ela sabe que Sara está se
graduando na área da saúde e faz os seguintes questionamentos:
"Sara, o que é a hidrocefalia? Como isso afeta o cérebro do meu
neto? O que poderia ter causado essa condição? Por que precisam
colocar o tubo na cabeça dele?”.
Você, no lugar de Sara, como responderia a todos esses
questionamentos?
Vamos Começar!
O sistema nervoso central, composto pelo encéfalo e pela medula
espinal, atua desempenhando um papel fundamental no controle e
na coordenação de todas as funções corporais. O encéfalo, em um
indivíduo adulto, pesa cerca de 1,5 kg e é formado pelo telencéfalo
(cérebro), pelo diencéfalo, pelo cerebelo e pelo tronco encefálico. O
telencéfalo, ou cérebro, inclui os hemisférios cerebrais e os núcleos
da base. O diencéfalo é constituído pelo epitálamo, pelo tálamo e
pelo hipotálamo. E o tronco encefálico é composto pelo
mesencéfalo, pela ponte e pelo bulbo.
O encéfalo é protegido pelos ossos do crânio, enquanto a medula
espinal se mantém, ao longo do canal da coluna vertebral, sendo
protegida pelas vértebras. Entre os ossos e os tecidos do sistema
nervoso central (SNC), encontramos três membranas denominadas
meninges: a dura-máter, a aracnoide e a pia-máter. Elas auxiliam na
estabilização do tecido neural e na proteção contra impactos,
atuando como amortecedores. A dura-máter é a mais externa, mais
espessa e mais resistente das meninges. Está associada a veias
que drenam o sangue do encéfalo através de vasos ou cavidades,
chamadas de seios. A aracnoide é uma membrana delicada, que se
situa entre a dura-máter e a pia-máter. Como ela não se fixa
firmemente à dura-máter, um espaço potencial pode se formar em
casos de traumatismos, por exemplo. Esse espaço é denominado
espaço subdural. Em casos de traumatismos craniocerebrais, a
ruptura de vasos sanguíneos da dura-máter pode levar à hemorragia
subdural, com formação de um coágulo sanguíneo denominado
hematoma subdural, que afasta a aracnoide da dura-máter,
formando esse espaço subdural e preenchendo-o. Como resultado,
pode haver compressão do tecido neural subjacente, levando a
sintomas como dor de cabeça, confusão mental, déficits
neurológicos e até mesmo comprometimento grave da função
cerebral, dependendo da gravidade e da localização do hematoma
subdural. A pia-máter é a meninge mais interna e mais delicada,
que se adere à superfície do encéfalo e da medula espinal. A pia-
máter encefálica é densamente vascularizada e atua na sustentação
das artérias que suprem o encéfalo. Entre a aracnoide e a pia-máter
há um espaço denominado espaço subaracnóideo, preenchido por
líquido cerebrospinal (LCS), células trabeculares, artérias e veias.
Filamentos da aracnoide atravessam esse espaço e se conectam à
pia-máter, dando a ele um aspecto de teia de aranha, por isso o
nome aracnoide para essa meninge.
Figura 1 | Revestimentos protetores das meninges. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Outra estrutura que protege o encéfalo é a barreira
hematoencefálica, uma barreira funcional que separa o tecido
nervoso no SNC da circulação sistêmica e cuja principal função é
controlar seletivamente quais substâncias podem ser deslocadas do
plasma sanguíneo para o líquido extracelular no tecido nervoso do
encéfalo. Essa barreira evita, então, que o tecido nervoso entre em
contato com substâncias potencialmente nocivas presentes no
sangue e com patógenos circulantes. Além disso, não apenas ajuda
a manter a homeostase do microambiente cerebral, controlando a
entrada de íons e nutrientes essenciais necessários para o
funcionamento adequado das células do tecido nervoso, mas
também desempenha um papel importante na regulação do fluxo
sanguíneo local, garantindo um suprimento adequado de oxigênio e
nutrientes para as células do tecido nervoso no encéfalo.
A barreira hematoencefálica é formada por células endoteliais dos
capilares sanguíneos, que suprem o encéfalo, e por astrócitos. As
características únicas apresentadas pelas células endoteliais dos
capilares encefálicos garantem a formação dessa barreira funcional.
Nos capilares periféricos, as células endoteliais apresentam
fenestrações que permitem livre troca de solutos entre o plasma e o
líquido intersticial. Ainda, nos capilares periféricos, as células
endoteliais apresentam espaços intercelulares mal vedados.
Diferentemente, nos capilares do SNC, as células endoteliais estão
firmemente unidas por junções oclusivas, que impedem a difusão de
substâncias entre células endoteliais adjacentes. A formação dessas
junções oclusivas parece ser induzida por sinais parácrinos oriundos
dos podócitos (pés) dos astrócitos que envolvem os capilares.
Assim, somente compostos lipossolúveis (O2, CO2, álcool etílico,
barbitúricos, nicotina, hormônios esteroides e cafeína) conseguem
se difundir através da membrana plasmáticas das células endoteliais
para o líquido intersticial do encéfalo e da medula espinal. Outros
compostos úteis usam transportadores e canais de membrana
específicos para serem transportados do sangue para o líquido
intersticial do encéfalo. Da mesma forma, os resíduos presentes no
líquido intersticial são transportados para o plasma por
transportadores de membrana. A barreira hematoencefálica está
presente em todo o SNC, com exceção de algumas áreas do
cérebro denominadas de órgãos circunventriculares. Essas áreas
monitoram mudanças homeostáticas na circulação sistêmica e
precisam ser capazes de fazê-la detectar essas mudanças e
deflagrar processos fisiológicos protetores em resposta às
alterações na homeostasia. Dentre os órgãos circunventriculares
temos a eminência mediana, a neuro-hipófise, a glândula pineal, o
órgão subcomissural, a área postrema, o órgão vascular da lâmina
terminal e o órgão subfornical.
Siga em Frente...
O LCS também é um componente protetor do SNC. Ele é um líquido
incolor, constituído principalmente por água e que apresenta baixas
concentrações de O2, glicose, cátions (Na+, K+, Ca+2, Mg+2), ânions
(Cl-, HCO3-), proteínas, ácido lático, ureia e alguns leucócitos. É
encontrado nos ventrículos cerebrais e no espaço subaracnóideo,
sendo continuamente secretado pelo plexo coroide (região
especializada nas paredes dos ventrículos). Existem quatro
ventrículos cerebrais: dois ventrículos laterais, um em cada
hemisfério cerebral; o terceiro ventrículo, uma cavidade estreita
localizada ao longo da linha mediana, superior ao hipotálamo, entre
as metades direita e esquerda do tálamo; o quarto ventrículo,
localizado anteriormente, entre a ponte e o bulbo, e posteriormente
ao cerebelo. O LCS produzido nos plexos coroides de cada
ventrículo lateral flui para o terceiro ventrículo pelos forames
interventriculares. No terceiro ventrículo, o volume de LCS que
chegou dos ventrículos laterais se soma ao LCS produzido pelo
plexo coroide presente no teto desse ventrículo. O LCS flui para o
quarto ventrículo através do aqueduto do mesencéfalo, somando-se
ao LCS produzido pelo plexo coroide do quarto ventrículo. Desse
local, o LCS flui para o espaço subaracnóideo através da abertura
mediana e das aberturas laterais. A partir daí, flui através do canal
central da medula espinal e do espaço subaracnóideo ao redor da
superfície do encéfalo e da medula espinal. O LCS protege o
encéfalo e a medula espinal contra choques mecânicos, atuando
como um amortecedor, absorvendo impactos e protegendo o tecido
nervoso. Esse líquido também possibilita que o encéfalo “flutue”
dentro do crânio, evitando danos por compressão ou movimentos
bruscos. Além disso, é o responsável por transportar nutrientes
essenciais e O2 para as células nervosas do encéfalo e da medula
espinal, garantindo seu funcionamento adequado e, por remover
resíduos do metabolismo celular, auxiliando na manutençãode um
ambiente interno estável.
Figura 2 | Localização dos ventrículos no encéfalo. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Como mencionado anteriormente, o encéfalo é formado pelo
telencéfalo (cérebro) e pelo diencéfalo. Este está localizado entre o
tronco encefálico e o cérebro e consiste em tálamo, hipotálamo,
glândula pineal e hipófise. O tálamo é composto por numerosos
núcleos, um em cada hemisfério cerebral, conectados por uma
massa de substância cinzenta denominada aderência intertalâmica.
O tálamo desempenha um papel crucial na transmissão e na
integração de sinais sensoriais, servindo como uma estação de
retransmissão para as vias sensoriais que se dirigem do corpo (a
partir da medula espinal e do tronco encefálico) ao córtex cerebral,
para interpretação e percepção consciente. O tálamo ajuda a regular
os estados de consciência, excitação e sono. Além disso, participa
do controle motor, transmitindo informações do cerebelo e do corpo
estriado para o córtex motor primário.
O hipotálamo também faz parte do diencéfalo e localiza-se logo
abaixo do tálamo. Apresenta cerca de 12 núcleos, que formam o
centro da homeostasia e controlam várias funções corporais, como
os comportamentos motivados (sede, fome, comportamento sexual,
entre outros). As eferências do hipotálamo influenciam várias
funções do sistema nervoso autônomo, regulando a contração tanto
da musculatura lisa quanto do músculo cardíaco e as secreções de
muitas glândulas. Dessa forma, o hipotálamo recebe informações
sensoriais sobre o estado interno do corpo e do ambiente externo e
responde ajustando a atividade do sistema nervoso autônomo para
manter a homeostase corporal. Uma das funções principais do
hipotálamo é controlar a liberação de hormônios pela glândula
hipófise, uma das principais glândulas endócrinas do corpo. Esse
controle ocorre por meio da produção de hormônios (hormônios
liberadores e inibidores) que regulam a produção e secreção de
hormônios pela hipófise e o funcionamento de outras glândulas
endócrinas no corpo, como a tireoide, as glândulas suprarrenais e
as paratireoides. Além disso, o hipotálamo secreta dois hormônios: a
vasopressina (ADH, hormônio antidiurético), que restringe a perda
de água pelos rins, e a ocitocina, que promove as contrações
uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação.
Esses dois hormônios são liberados na neuro-hipófise, onde
permanecem armazenados até o estímulo para sua liberação. O
hipotálamo também atua na regulação da temperatura corporal,
monitorando as variações internas de temperatura e coordenando
respostas fisiológicas para ajustar a temperatura corporal dentro dos
limites de normalidade. Por fim, o hipotálamo tem um papel
essencial na regulação do ritmo circadiano (ciclo de
aproximadamente 24h que regula nossos padrões de sono, vigília e
outros processos fisiológicos), coordenando e sincronizando os
ritmos circadianos internos com os ciclos ambientais de claro (luz) e
escuro.
Quadro 1 | Principais funções do hipotálamo
Ativa o sistema nervoso
simpático
· Controla a liberação
de catecolaminas da medula
adrenal.
· Ajuda a manter a
concentração de glicose no
sangue, atuando no
pâncreas endócrino.
· Estimula os tremores
e a sudorese.
Mantém a temperatura corporal
Controla a osmolaridade
corporal
· Estimula a sede e o
comportamento de sede.
· Estimula a secreção
de vasopressina.
Controla as funções
reprodutivas
· Regula a secreção de
ocitocina (contração uterina
no parto e ejeção do leite na
amamentação).
Fonte: adaptado de Silverthorn (2017).
Agora que você conheceu as divisões do sistema nervoso central,
as principais características anatômicas e funcionais das estruturas
que protegem o encéfalo e a medula espinal e as principais
características morfofuncionais do diencéfalo, você é capaz de
compreender a importância do conhecimento desses temas para
uma boa atuação profissional.
Vamos Exercitar?
Após ter conhecido e aprendido a respeito das divisões do sistema
nervoso central, de quais são e como atuam as estruturas que
· Controla os hormônios
tróficos da adeno-hipófise
(FSH e LH).
Controla a ingestão alimentar
· Estimula tanto centro
da saciedade quanto o da
fome.
Interage com o sistema límbico,
influenciando os
comportamentos e as emoções
Influencia o centro de controle
cardiovascular no bulbo
Secreta hormônios tróficos que
controlam a liberação de
hormônios da adeno-hipófise
protegem o encéfalo e medula espinal, e de quais são as principais
características anatômicas e funcionais do diencéfalo, vamos
retornar à nossa situação-problema.
A partir de agora, consideremos que você seja Sara, uma estudante
da área de saúde que, durante um passeio ao shopping, encontrou
Ana, uma antiga vizinha. Nesse encontro, Ana comenta com você
que anda bastante preocupada com o neto recém-nascido, cuja
saúde vem enfrentando desafios desde os primeiros meses de vida.
O bebê, logo aos dois meses, começou a apresentar sintomas como
irritabilidade, vômitos frequentes e aumento do tamanho da cabeça.
A família, muito preocupada, buscou auxílio médico e recebeu o
diagnóstico de hidrocefalia. Ana comenta, então, que o bebê
precisará passar por uma cirurgia para colocação de um “tubo” na
cabeça, pois, segundo o médico, essa condição pode trazer graves
consequências para o cérebro do bebê. Ana, muito confusa e
abalada, busca respostas para entender melhor a condição do neto.
Ela sabe que você está se graduando na área da saúde e faz os
seguintes questionamentos: "O que é a hidrocefalia? Como isso
afeta o cérebro do meu neto? O que poderia ter causado essa
condição? Por que precisam colocar o tubo na cabeça dele?”.
Agora você já é capaz de responder a esses questionamentos.
Vamos lá?
Primeiramente, você deve lembrar que o sistema nervoso central é
dividido em encéfalo e medula espinal. No encéfalo, estão os
ventrículos cerebrais, um sistema de cavidades interconectadas no
cérebro, preenchidas por líquido cerebrospinal (LCS). Existem
quatro ventrículos principais: dois ventrículos laterais, um terceiro
ventrículo e um quarto ventrículo, que são revestidos por células
ependimárias produtoras do LCS, que circula pelos ventrículos, pelo
espaço subaracnóideo e pelo canal central da medula espinhal.
Esse líquido proporciona um amortecimento mecânico ao cérebro,
protegendo-o contra traumas e lesões e mantendo a flutuação do
tecido cerebral. Assim, ajuda a remover resíduos metabólicos do
cérebro e a manter um ambiente químico estável.
O aumento anormal do volume de LCS nos ventrículos cerebrais
leva à sua dilatação, o que caracteriza um quadro denominado
hidrocefalia. As principais causas dessa condição são a diminuição
da absorção de LCS e a obstrução do fluxo desse mesmo líquido.
Na hidrocefalia, o acúmulo excessivo de LCS promove a dilatação
dos ventrículos cerebrais, com consequente ampliação dos
hemisférios cerebrais e aumento da pressão intracraniana. Quando
a hidrocefalia se desenvolve em bebês, como as suturas cranianas
ainda não se fundiram, os ventrículos se expandem, as suturas
cranianas se separam, ocasionando o aumento anormal do tamanho
da cabeça e abaulamento de fontanelas. Como o crânio é capaz de
se expandir, pode não haver aumento da pressão intracraniana,
preservando o tecido cerebral. Contudo, se não tratada, a
hidrocefalia pode causar danos cerebrais, resultando em déficits
cognitivos, motores e desenvolvimento inadequado. Em adultos, não
se observa o aumento do tamanho da cabeça, uma vez que as
suturas cranianas já estão totalmente fundidas. Nesse caso, ocorre
aumento da pressão intracraniana, cefaleia, vômitos, visão turva ou
dupla, problemas de equilíbrio e coordenação. Caso não seja
tratada, ocasiona graves danos cerebrais. O tratamento mais
comum da hidrocefalia inclui o implante cirúrgico de um desvio
(shunt), que envolve a colocação de um tubo para desviar o LCS
dos ventrículos para outra parte do corpo, como a cavidade
abdominal, onde pode ser reabsorvido,impedindo o aumento
anormal da cabeça e a manifestação de déficits neurológicos.
Saiba Mais
Divisão anatômica do sistema nervoso central
O sistema nervoso central (SNC) é composto pelo encéfalo e pela
medula espinal. O SNC é fundamental para o corpo humano, pois
integra e processa informações sensoriais, coordena atividades
motoras e é responsável pelas funções cognitivas, como
pensamento, memória e emoção. Além disso, o SNC regula funções
vitais involuntárias, como respiração, batimento cardíaco e
circulação sanguínea, mantendo a homeostase e respondendo a
estímulos internos e externos para garantir a sobrevivência e o bem-
estar do organismo.
Estrutura do sistema nervoso.
Divisão anatômica do encéfalo: as meninges, o líquido
cerebrospinal e a barreira hematoencefálica
Nos seres humanos, o encéfalo está envolto por estruturas ósseas
que formam o crânio e o protegem. Além dos ossos, outras
estruturas também auxiliam na sua proteção, como as meninges, o
líquido cerebrospinal e a barreira hematoencefálica.
Para saber mais sobre as sinapses e sua importância para o
organismo humano, leia a seguinte obra, disponível na Biblioteca
Virtual:
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. cap. 9, p. 280-283.
Diencéfalo (hipotálamo e tálamo)
O diencéfalo é uma estrutura central do cérebro localizada entre os
hemisférios cerebrais e o tronco encefálico. Ele se divide em quatro
partes principais: tálamo, hipotálamo e epitálamo. O tálamo atua
como um centro de retransmissão para impulsos sensoriais,
direcionando-os ao córtex cerebral. Já o hipotálamo regula funções
essenciais como temperatura corporal, fome, sede, sono e ritmos
circadianos, além de controlar o sistema endócrino por meio da
hipófise. Dessa forma, o diencéfalo é fundamental para a integração
e a regulação de funções corporais fundamentais que mantêm a
homeostase e o equilíbrio do organismo.
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/structure-of-the-nervous-system
Para explorar mais esse tema, leia a seguinte obra disponível na
Biblioteca Virtual:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap.
14, p. 509-511.
Referências Bibliográficas
CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2017.
ESTRUTURA do sistema nervoso. Khan Academy, [s. l., s. d.].
Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/health-and-
medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-
introduction/v/structure-of-the-nervous-system. Acesso em: 22 abr.
2024.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Aula 3
CÉREBRO
Cérebro
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/structure-of-the-nervous-system
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/structure-of-the-nervous-system
https://pt.khanacademy.org/science/health-and-medicine/human-anatomy-and-physiology/nervous-system-introduction/v/structure-of-the-nervous-system
Olá, estudante! Nesta videoaula, você continuará a explorar o
sistema nervoso central, mas agora, explorará as estruturas que
compõem o cérebro, sua anatomia e as funções essenciais para o
funcionamento adequado do corpo humano. Não perca a
oportunidade de ampliar seu conhecimento e aprimorar suas
habilidades! Vamos lá!
Ponto de Partida
Nesta aula, você, estudante, conhecerá um pouco mais das
principais características anatômicas e funcionais do cérebro, que
faz parte do encéfalo. Com isso, você será capaz de reconhecer a
divisão anatômica do cérebro, bem como diferenciar e compreender
as funções de alguns de seus componentes, como o córtex cerebral
e os núcleos da base, tornando possível a compreensão e a
aplicação desses conhecimentos na sua prática profissional.
Prepare-se para mais uma jornada de muito aprendizado! Vamos lá!
A partir de agora, você acompanhará o caso de Maria, 45 anos, que
sofreu um acidente vascular encefálico (AVE) que afetou o
hemisfério esquerdo de seu cérebro. Após o evento, ela foi
hospitalizada e submetida a uma série de exames e avaliações, pois
apresentava dificuldade em articular palavras e formar frases,
embora compreendesse bem o que lhe era dito. Além disso, Maria
apresentava debilidade motora, com presença de fraqueza no lado
direito do corpo, especialmente no braço e na perna. No caso de
Maria, qual seria a relação dos sintomas apresentados após o AVE
com a estrutura do cérebro? Que áreas podem ter sido afetadas
com essa lesão e que implicariam no aparecimento de todos esses
sintomas?
Como você responderia a esses questionamentos? 
Vamos Começar!
O cérebro, maior região do encéfalo, preenche a maior parte da
cavidade craniana. Ele é composto por dois hemisférios que,
embora separados ao meio pela fissura sagital, estão conectados
pelo corpo caloso, uma estrutura formada por axônios que cruzam
de um lado para o outro do cérebro, permitindo que os dois
hemisférios se comuniquem e cooperem um com o outro. Com isso,
informações sensoriais, motoras e cognitivas são compartilhadas
entre ambos os lados do cérebro. Normalmente, o hemisfério
cerebral direito recebe informação de sensações e controla o
movimento do lado esquerdo do corpo, enquanto o hemisfério
cerebral esquerdo está envolvido com as sensações e movimentos
do lado direito do corpo. O cérebro pode ser dividido em quatro
lobos (frontal, parietal, temporal e occipital), nomeados de acordo
com os ossos do crânio onde cada um está localizado. A superfície
do cérebro apresenta uma aparência enrugada, com ranhuras
denominadas de sulcos, que dividem circunvoluções chamadas de
giros.
Figura 1 | Lobos cerebrais. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
O cérebro é formado pela substância cinzenta, mais externa, e pela
substância branca, mais interna. A substância cinzenta cerebral
pode ser dividida em três regiões principais: o córtex cerebral, os
núcleos da base e o sistema límbico. O córtex cerebral é a camada
mais externa do cérebro, com apenas alguns milímetros de
espessura, apresentando neurônios dispostos em camadas
distintas, e sendo responsável por funções cognitivas complexas,
processamento sensorial e controle motor.
Funcionalmente, o córtex cerebral pode ser dividido em: áreas
sensoriais, que recebem informações sensoriais e traduzem em
percepção (consciência); áreas motoras, que controlam a execução
de movimentos voluntários; e áreas de associação, que integram as
informações de áreas sensoriais e motoras.
 
Áreas sensoriais
As informações sensoriais chegam às áreas sensoriais primárias no
córtex cerebral, oriundas de receptores periféricos. Geralmente,
adjacentes às áreas sensoriais primárias, estão as áreas de
associação sensoriais, que podem tanto receber aferências das
áreas sensoriais primárias como de outras regiões do encéfalo,
integrando as informações sensoriais e gerando padrões de
reconhecimento e conscientização.
O córtex sensorial primário (córtex somatossensorial primário) está
localizado no lobo parietal, imediatamente posterior ao sulco central.
Os neurônios dessa área recebem informações sensoriais de
receptores tato, pressão, vibração, dor, prurido e posição do corpo
(propriocepção). As informações sensoriais relacionadas com visão,
audição, olfato e gustação chegam a outras regiões do córtex
cerebral, onde são processadas.
O córtex visual, localizado no lobo occipital, recebe informações dos
olhos, a partir de fotorreceptores presentes na retina. O córtex
auditivo, localizado no lobo temporal, recebe informações
relacionadas à audição. O córtex olfatório, também localizado no
lobo temporal,recebe informações dos quimiorreceptores
localizados no epitélio olfatório no teto da cavidade nasal. O córtex
gustatório, localizado mais profundamente no hemisfério, perto da
borda do lobo frontal, recebe informações sensoriais originadas em
receptores presentes principalmente nos botões gustatórios do
dorso da língua.
 
Áreas motoras
O córtex motor é responsável pelo planejamento, pelo controle e
pela execução dos movimentos voluntários. Está localizado
principalmente no lobo frontal e é composto por várias áreas
distintas, cada uma com funções específicas. As principais áreas
motoras incluem o córtex motor primário, o córtex pré-motor e a área
motora suplementar. O córtex motor primário está localizado no giro
pré-central do lobo frontal. Seus neurônios comandam os
movimentos voluntários, controlando os neurônios motores
somáticos no tronco encefálico e na medula espinal. Cada região do
córtex motor primário controla as contrações voluntárias de
músculos ou grupos de músculos esqueléticos no lado oposto do
corpo.
O córtex pré-motor, localizado anteriormente ao córtex motor
primário, é responsável por enviar informações para o córtex motor
primário, que, por sua vez, planeja os movimentos que promovem a
contração de músculos específicos, permitindo a realização de
movimentos como tocar um instrumento musical e digitar. Assim, o
córtex pré-motor está envolvido no planejamento e na preparação
de movimentos, especialmente aqueles que são complexos e
requerem coordenação de múltiplos grupos musculares, sendo
também importante para a aprendizagem de novas habilidades
motoras e para a execução de movimentos baseados em estímulos
externos (como resposta a um sinal visual ou auditivo).
A área motora suplementar, superior ao córtex pré-motor, na face
medial do hemisfério cerebral, está estreitamente ligada ao córtex
pré-motor e ao córtex motor primário. Está envolvida na
coordenação de movimentos bilaterais e sequenciais, como
caminhar ou tocar um instrumento, sendo também importante na
execução de movimentos internos, ou seja, aqueles autoiniciados e
não necessariamente desencadeados por estímulos externos.
Siga em Frente...
Áreas de associação
Cada uma das áreas sensoriais e motoras do córtex está conectada
a uma área de associação próxima envolvida com a integração de
informação sensorial ou motora. Essas áreas não recebem a
informação sensorial diretamente nem originam comandos motores,
mas são responsáveis por interpretar aferências sensoriais
provenientes de outros locais do córtex cerebral e planejar, preparar
e ajudar a coordenar a eferência motora. Assim, são responsáveis
por funções cognitivas superiores, como percepção, pensamento,
memória, linguagem e planejamento. As áreas de associação estão
conectadas entre si por fibras de associação. Fazem parte das
áreas de associação:
Área de associação visual: localizada no lobo occipital é
responsável por integrar e processar informações visuais
complexas provenientes do córtex visual primário, permitindo o
reconhecimento de formas, cores, movimentos e objetos.
Área de associação auditiva: localizada no lobo temporal, está
relacionada com o processamento e a interpretação de
informações auditivas, facilitando a compreensão de sons,
linguagem e música.
Área de associação somatossensorial: localizada no lobo
parietal, é responsável por integrar informações táteis e
proprioceptivas, contribuindo para determinação de formato e
textura de objetos, percepção do corpo e orientação espacial,
bem como armazenamento de memórias de experiências
sensoriais somáticas pregressas, possibilitando a comparação
de sensações atuais com as experiências prévias.
Área de associação pré-frontal: localizada na parte anterior do
lobo frontal, está envolvida em funções executivas,
planejamento, tomada de decisões, controle de
comportamento, resolução de problemas, raciocínio abstrato e
atenção, bem como na regulação das emoções e no
comportamento social.
Área de reconhecimento facial: localizada na porção inferior do
lobo temporal, é responsável por receber informações da área
de associação visual, armazenando informações sobre faces e
possibilitando o reconhecimento facial das pessoas.
Córtex orbitofrontal: localizado no lobo frontal, é responsável
por processar recompensas, tomada de decisão e regulação
emocional e, desse modo, influenciar o comportamento social e
a tomada de decisão baseada em avaliações emocionais e de
recompensa.
Área de Wernicke: localizada nos lobos temporal e parietal
esquerdos, é responsável pela interpretação do significado da
fala por meio do reconhecimento das palavras pronunciadas.
As regiões no hemisfério cerebral direito que correspondem a
essa área no hemisfério cerebral esquerdo, também
contribuem para a comunicação verbal ao acrescentar
conteúdo emocional, como raiva ou alegria, às palavras
pronunciadas.
Figura 2 | Córtex cerebral. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
As áreas funcionais do córtex cerebral de ambos os lados do
cérebro, embora sejam similares, podem, algumas vezes, ser
funcionalmente diferentes. Como a especialização funcional não é
simétrica no córtex cerebral, cada lobo tem funções especiais que
não são compartilhadas com o lobo correspondente do lado oposto,
o que é denominado lateralização cerebral da função ou
dominância cerebral (dominância do cérebro direito/dominância do
cérebro esquerdo).
Nesse sentido, o cérebro direito é predominantemente responsável
pela linguagem, pelo raciocínio lógico, pelas habilidades analíticas e
pelo processamento sequencial. Abriga áreas críticas como a Área
de Broca (produção da fala) e a Área de Wernicke (compreensão da
linguagem). Já o cérebro esquerdo está mais envolvido no
processamento espacial, no reconhecimento de padrões, na
percepção musical, na intuição e nas habilidades artísticas. É
essencial para a percepção holística e para a interpretação de
contextos emocionais. Geralmente, o cérebro esquerdo é dominante
para pessoas destras e o direito para a maioria das pessoas
canhotas. Contudo, habilidades normalmente relacionadas a um
lado do córtex cerebral podem ser desenvolvidas pelo outro lado do
cérebro, como quando uma pessoa destra com a mão direita
quebrada aprende a escrever com a mão esquerda.
Ainda, na substância cinzenta do cérebro, estão os núcleos da
base, que recebem aferências do córtex cerebral e enviam
eferências para as partes motoras do córtex, por meio dos núcleos
dos grupos mediais e ventrais do tálamo. No geral, os núcleos da
base desempenham papéis essenciais no controle motor, bem como
em funções cognitivas e emocionais. Eles estão envolvidos na
modulação de movimentos voluntários, na aprendizagem de
habilidades motoras, na regulação de comportamentos e em
processos de recompensa. As principais estruturas dos núcleos da
base incluem o núcleo caudado, o putame e o globo pálido.
Figura 3 | Núcleos da base. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Agora que você conheceu o cérebro, suas principais características
anatômicas e funcionais, bem como suas divisões, você é capaz de
compreender a importância do conhecimento desse tema para uma
boa atuação profissional.
Vamos Exercitar?
Após estudar as principais características anatômicas e funcionais
do cérebro e a importância do seu funcionamento adequado, vamos
retomar nossa situação-problema. A partir de agora, consideremos o
caso de Maria, 45 anos, que sofreu um acidente vascular encefálico
(AVE) que afetou o hemisfério esquerdo de seu cérebro. Após o
evento, ela foi hospitalizada e submetida a uma série de exames e
avaliações, pois apresentava dificuldade em articular palavras e
formar frases, embora compreendesse bem o que lhe era dito. Além
disso, Maria apresentava debilidade motora, com presença de
fraqueza no lado direito do corpo, especialmente no braço e na
perna. No caso de Maria, qual seria a relação dos sintomas
apresentados após o AVE com a estrutura do cérebro? Que áreas
podem ter sido afetadas com essa lesão e que levariam ao
aparecimento de todos esses sintomas?Agora você já é capaz de
responder a esses questionamentos. Vamos lá?
Primeiramente, você deve lembrar que o cérebro é a maior porção
do encéfalo, sendo composto por dois hemisférios. Ele é formado
por uma substância branca e uma substância cinzenta. Nesta, estão
três regiões: o córtex cerebral (camada externa), os núcleos da base
e o sistema límbico. O córtex cerebral atua como um centro de
integração para informações sensoriais e uma região de tomada de
decisões para vários tipos de respostas motoras. Essa estrutura é
subdividida em diferentes áreas com funções específicas. As áreas
funcionais do córtex cerebral não necessariamente correspondem a
lobos anatômicos do encéfalo, de modo que uma especialização
funcional não é simétrica no córtex cerebral, o que é denominado de
lateralização cerebral ou dominância cerebral. Assim, cada
hemisfério acaba sendo dominante para determinadas funções, ou
seja, determinadas funções cognitivas e comportamentais são
predominantemente controladas por um dos hemisférios cerebrais.
Lesões ou disfunções nas áreas do córtex cerebral podem resultar
em uma variedade de déficits motores, neurológicos e psiquiátricos.
No caso apresentado, Maria tem uma lesão no hemisfério esquerdo,
ocasionada pelo AVE e que resulta em dificuldades na articulação de
palavras e formação de frases, além de fraqueza motora no lado
direito do corpo. Esses sintomas indicam lesão em duas áreas
principais do cérebro:
1. Área de Broca, localizada no giro frontal inferior esquerdo e
responsável pela produção da fala e pela articulação verbal.
Essa área coordena os movimentos musculares necessários
para falar e está envolvida na gramática e na construção de
frases. A lesão nessa área causa a afasia de Broca,
caracterizada por dificuldades na fala (articulação lenta e difícil,
frases curtas e malformadas) e na construção de frases,
embora a compreensão permaneça intacta. No caso
apresentado, Maria consegue entender bem o que lhe é dito,
mas tem dificuldades significativas em expressar-se
verbalmente.
2. Córtex motor primário, situado no giro pré-central do lobo
frontal esquerdo, e que controla os movimentos voluntários do
lado contralateral do corpo. A lesão dessa área resulta em
fraqueza no braço e na perna do lado direito devido ao controle
motor cruzado. Essa fraqueza no braço e na perna é típico,
pois o córtex motor primário controla movimentos específicos e
finos, especialmente nas extremidades. Nesse contexto, vale
ressaltar que, como o hemisfério esquerdo é
predominantemente responsável pela linguagem em indivíduos
destros e na maioria dos canhotos, a lesão desse hemisfério
pode afetar significativamente as habilidades linguísticas. Além
disso, o controle motor é contralateral, ou seja, o hemisfério
esquerdo controla o lado direito do corpo.
Saiba Mais
Lobos cerebrais
Os lobos cerebrais são divisões anatômicas do cérebro que
desempenham funções específicas e essenciais. Existem quatro
lobos principais: frontal, parietal, temporal e occipital. A integração
das funções desses lobos permite a execução de comportamentos
complexos e a adaptação ao ambiente, tornando-os fundamentais
para a cognição e a interação humana.
Para saber mais sobre os lobos cerebrais e suas funções, leia a
seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:
MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia
humana. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. cap.15, p. 430-432.
Córtex cerebral (áreas sensoriais, motoras e associativas)
O córtex cerebral é a camada externa do cérebro, essencial para
funções cognitivas avançadas, percepção sensorial, movimento
voluntário e linguagem. Dividido em áreas específicas, cada região
do córtex contribui para diferentes aspectos motores, da cognição e
do comportamento. A complexa rede de neurônios no córtex
cerebral permite a integração de informações e a execução de
funções sofisticadas, sendo fundamental para a inteligência e a
consciência humanas.
Visão geral das funções do córtex cerebral. 
Núcleos da base
Os núcleos da base compreendem um grupo de estruturas
subcorticais do cérebro, incluindo o núcleo caudado, o putame e o
globo pálido. Eles desempenham um papel crucial na modulação e
no controle dos movimentos voluntários, bem como em funções
cognitivas e emocionais. Atuando como intermediários entre o córtex
cerebral e outras regiões do cérebro, os núcleos da base ajudam a
iniciar e regular os movimentos, garantir a fluidez das ações motoras
e participar da aprendizagem de habilidades motoras.
Para saber mais sobre as funções dos núcleos da base, acesse a
seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual:
TOLEDO, C. A. B.; BRITTO, L. R. G. Cerebelo, núcleos da base e
movimento voluntário. In: AIRES, M. M. Fisiologia. 5. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. cap. 23; p. 387-389.
Referências Bibliográficas
CURI, R.; PROCÓPIO, J. Fisiologia básica. 2. Ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2017. 
MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLITSCH, R. B. Anatomia
humana. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. cap.15, p. 430-432.
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/v/overview-of-the-functions-of-the-cerebral-cortex
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TOLEDO, C. A. B.; BRITTO, L. R. G. Cerebelo, núcleos da base e
movimento voluntário. In: AIRES, M. M. Fisiologia. 5. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. cap. 23; p. 387-389.
VISÃO geral das funções do córtex cerebral. Khan Academy, [s. l.,
s. d.]. Disponível em:
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-
nervous-system/v/overview-of-the-functions-of-the-cerebral-cortex.
Acesso em: 3 jun. 2024.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. 
Aula 4
CEREBELO, TRONCO
ENCEFÁLICO E MEDULA
ESPINAL
Cerebelo, tronco encefálico e
medula espinal
Olá, estudante! Nesta videoaula, você continuará explorando o
sistema nervoso central, logo aprenderá sobre o cerebelo, o tronco
encefálico e a medula espinal, suas características anatômicas e
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/v/overview-of-the-functions-of-the-cerebral-cortex
https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervous-system/v/overview-of-the-functions-of-the-cerebral-cortex
suas funções. Não perca a oportunidade de ampliar seu
conhecimento e aprimorar suas habilidades! Vamos lá!
Ponto de Partida
Nesta aula, você, estudante, conhecerá o cerebelo, o tronco
encefálico e a medula espinal, estruturas vitais que fazem parte do
encéfalo. Com isso, você estudará suas principais características
anatômicas e funcionais, o que tornará possível a compreensão e a
aplicação desses conhecimentos na sua prática profissional.
Prepare-se para muito aprendizado! Vamos lá!
A partir de agora, você acompanhará Pedro, um aluno de graduação
na área da saúde, que anda muito preocupado com a saúde de seu
avô João. Ele tem 65 anos e sempre foi muito ativo, adorava brincar
com seus netos e fazer caminhadas diárias. Mas, nos últimos
meses, sua família começou a notar algumas mudanças
preocupantes: João estava com tremores constantes nas mãos,
seus movimentos estavam mais lentos e ele apresentava rigidez
muscular. Além disso, tinha dificuldade em manter o equilíbrio e sua
expressão facial parecia mais rígida. Preocupados com o bem-estar
de João, a família decidiu levá-lo ao médico e, após uma série de
exames neurológicos e uma avaliação detalhada, ele foi
diagnosticado com doença de Parkinson, para o desespero de
todos. Como Pedro é um estudante da área da saúde, acaba sendo
bastante questionado pela família a respeito da patologia do avô.
Assim, para auxiliar todos com os esclarecimentos necessários e,
assim, ajudar a família a lidar com a situação, Pedro decidiu
entender melhor sobre a doença de Parkinson, pois tem, ainda,
várias dúvidas a serem respondidas: o que causa o Parkinson? Que
regiões são afetadas e como isso acomete

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