Prévia do material em texto
PROCESSO SAÚDE DOENÇA ANTÔNIO CARLOS FRIAS acfrias@usp.br Desde o momento que o homem adquire consciência sobre si e sobre os eventos que o cercam, ele se questiona. O porquê das doenças? O porquê da morte? Quais os motivos que levam alguns dos membros da comunidade ou da tribo a adoeceram e outros não. A doença é mais antiga que o homem, é tão antiga como a vida , porque é um atributo da própria vida. George Rosen Visão ONTOLÓGICA da doença. Doença como uma “ENTIDADE” que se apossava do corpo Visão FUNCIONALISTA da doença. Doença como um “DESEQUILÍBRIO” interno ou externo do corpo ANTIGUIDADE Causas naturais, Feitiçaria, Deuses. SAÚDE É A AUSÊNCIA DE DOENÇA GRÉCIA e ROMA Berço da civilização ocidental, base da democracia, direito, teatro, história, filosofia, arte e medicina. Hipócrates O equilíbrio dos elementos e dos humores. Hipócrates (460 -377 a.C.) FOGO AR TERRA ÁGUA IDADE MÉDIA Miasmas, Contágio, O castigo divino. IDADE MÉDIA A teoria miasmática Os ares que emanavam dos pântanos e dos corpos putrefatos provocavam odores desagradáveis ou “maus ares” que provocavam febre nas pessoas, daí provem o nome da doença conhecida como “malária”, uma entidade da natureza não definida, responsável pela “fermentações” “putrefação de humores” “partículas da atmosfera” Não se relacionava a drenagem e aterro dos pântanos com o fim dos mosquitos Aenófolis. Santa Inquisição IDADE MÉDIA Lepra para Igreja purificar as impurezas da alma. amparado pelo antigo testamento “Levítico”. confinamento e ao isolamento. considerando os leprosos como impuros, estes, deveriam ser segregados do convívio social. Lepra Varíola UNICAUSAL Positivismo, O microscópio, Para cada doença um agente. Antony van Leeuwenhoek - 1676 UNICAUSAL O Renascimento - pensamento cartesiano Normalidade e anormalidade fisiológica; Anatomia humana; O olhar armado pelo microscópio ( SCLIAR 1987); Identificação o agente infeccioso; Vacinas e antibióticos; A era bacteriológica. UNICAUSAL Robert Koch em 1876 em seu laboratório,, isola o bacilo do anthrax bovino, UNICAUSAL Louise Pasteur em 1877, realizou um trabalho semelhante ao de Kock isolando o bacilo e inoculando-o em coelhos UNICAUSAL Edgard Jenner (1796) Este inoculou o cowpox (vírus da varíola bovina), em seus filhos, nos amigos de seus filhos, nas criadas, todos ficaram imunes a doença. vaccina UNICAUSAL Alexander Fleming 1929 descoberta da penicilina, “Era dos antibióticos” cultivava estafilococos - a contaminação de algumas colônias com o fungo Penicillium notatum. UNICAUSAL Até 1890 já tinham sido reconhecidos os agentes das seguintes doenças: anthrax, febre tifóide, lepra, malária, tuberculose, cólera, infecção de pele, difteria, tétano pneumonia e gonorréia (UJVARI, 2003). Foi um salto da concepção miasmática para a biológica UNICAUSAL Modelo unidimensional baseado nos sinais e sintomas das doenças. Agente doença homem Este modelo linear resgata o conceito da doença estar novamente no corpo do indivíduo. UNICAUSAL O Modelo unicausal, esgotou-se enquanto modelo explicativo para as causas das doenças (NUNES, 1982). O microscópio além de reduzir a visão da doença reduz o foco de visão do médico sobre o corpo humano. Rudolf Virchow no Século XIX propôs a compreensão das doenças endêmicas como manifestação de desajustes sociais e culturais (ROSEN, 1994). UNICAUSAL John Snow sobre a disseminação da cólera em Londres em 1854, enfatiza a condições exaustivas de trabalhos, concentração de moradias em bairros super populosos e insalubres, o esgoto correndo a céu aberto, condições precárias de higiene, além da subnutrição e a ingestão de água contaminada, facilitavam a contaminação da cólera nestes grupos populacionais. MULTICAUSALIDADE Tríade ecológica, –agente, –hospedeiro e o –ambiente MULTICAUSALIDADE Assim sendo baseado-se no pensamento naturalista e de resgate do homem a natureza, começa a despontar um modelo chamado ecológico onde o fator meio ambiente é introduzido no binômio saúde- doença. A “Balança de Gordon” é um protótipo da tríade ecológica que dominou todo o desenvolvimento deste pensamento multicausal e ecológico AMBIENTE Agente Hospedeiro Estimulo doença eliminado ou destruído permanece em latência aumento; multiplicação ou carência. Cura Cura com defeito Sinais Horizonte Clinico Sinais e Sintomas Graus Variáveis de incapacidade Defeito Estado Crônico Período Pré-Patogênico Período Patogênico Morte Interação Agente Fatores ambientais Hospedeiro HISTÓRIA NATURAL DO PROCESSO-DOENÇA NO HOMEM ( LEAVELL & CLARK, 1965 ) HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA É o conjunto de processos interativos compreendendo as inter-relações do agente, do suscetível (hospedeiro) e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até às alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. Leavell & Clark Sintetizam os conceitos de promoção, prevenção e reabilitação no modelo da “história natural da doença” Partem de uma visão biológica da doença, derivada do conhecimento da patogênese das enfermidades infecciosas. SAÚDE Estado de completo bem estar físico, mental e social; e não meramente a ausência de doença ou defeito” . (OMS1947) Saúde - OMS Físico Mental Social Saúde - OMS Físico Mental Social COMPLEXIDADE HIERARQUIA MULTICAUSALIDADE “A perfeição do bem-estar” é irreal, pois é muito mais próximo de um estado de inércia ou “estado comatoso” (HUDSON), pois saúde não é um estado estático, mas um processo dinâmico da vida na sociedade, tanto no nível individual como no coletivo. Modelo Social Estruturalista “História Social da Doença” Breihl & Granda 1986 Processo Saúde-Doença como resultante de um conjunto de determinantes que operam numa sociedade concreta, produzindo nos diferentes grupos sociais o aparecimento de risco ou potencialidades característicos, que se manifestam na forma de perfis ou padrões de doença ou saúde. Modelo Social Estruturalista “História Social da Doença” Breihl & Granda 1986 Há relação entre morbi/mortalidade e classe social . Morrer, estar doente ou sadio é determinada pela classe social do indivíduo e a respectiva condição de vida, em razão dos fatores de risco a que este determinado grupo da população está exposto. INFLUÊNCIA SOCIAL A América Latina, região caracterizada pela presença de desigualdades históricas na distribuição de riquezas em sua formação social. “socialmente excluídos” O surgimento e a gravidade das doenças na sociedade tem como fator a distribuição de bem e serviços desigual na sociedade. Modelo do Campo da Saúde Reforma do Sistema de Saúde Canadense na década de 1970, identificou que as condições de saúde dependem de quatro conjunto de fatores. Modelo do Campo da Saúde Esquematicamente que as condições de saúde depende de quatro conjuntos de fatores Saúde Biologia Humana Ambiente: Condições sociais , econômicas e ambientais Serviços de Saúde Estilo de vida Modelo do Campo da Saúde Tem como principal atributo uma abordagem mais abrangente e integrada dos quatro grupos, permitindo a inclusão detodos os diversos campos de responsabilidade pela questão de saúde, como autoridades (dentro e fora do setor saúde). Promoção de Saúde Modelo voltado para revalorização das dimensões sociais e culturais determinantes do processo saúde-enfermidade, ultrapassando o foco exclusivo do combate a doença somente depois de instalada. Romper com a hegemonia do modelo biomédico. Alma-Ata- 1978 Saúde foi reconhecida como direito. Acesso aos serviços e à intersetorialidade. Estratégia de “Atenção Primária à Saúde” (APS). Participação dos usuários no processo. Carta de Ottawa -1986 1º Conferencia Internacional sobre Promoção de Saúde. Estratégias: Política públicas saudáveis; Ambientes favoráveis à saúde; Reorientação dos serviços de Saúde; Reforço da ação comunitária; Desenvolvimento das habilidades pessoais. Conferencia Internacional sobre Promoção de Saúde 1ª Ottawa – 1986 – Canadá “Promoção da Saúde nos Países Industrializados” 2ª Adelaide – 1988 – Austrália “Promoção da Saúde e Políticas Públicas Saudáveis” 3ª Sundsvall – 1991 – Suécia “Promoção da Saúde e Ambientes Favoráveis á Saúde” 4ª Jacarta – 1997 – Indonésia “Promoção da Saúde no Século XXI” 5ª Cidade do México – 2000 – México “Promoção da Saúde: Rumo a Maior Equidade” 6ª Bangkok – 2005 – Tailândia “Promoção da Saúde num Mundo Globalizado” Século XX - XXI Processos sociais e culturais da humanidade contemporânea: Industrialização predatória; Saturação urbana; Cultura consumista de massa. Século XX - XXI Envelhecimento da população; Difusão de hábitos sedentários; Alimentação industrializada; Exposição a ambientes poluídos; Estresse urbanos; Iniqüidades sociais. Um dos principais mecanismos pelos quais as iniqüidades de renda produzem um impacto negativo na situação de saúde é o desgaste do capital social. Ou seja, as relações de solidariedade e confiança em ter pessoas e grupos. Conseqüentemente baixos níveis de participação política. As estratégias de combater as iniqüidades sociais, devem incluir a geração de oportunidades econômicas como medias que favoreçam a construção de redes de apoio e o aumento das capacidades destes grupos para melhor conhecer os problemas locais e globais, participando das decisão da vida social como atores sociais ativos. IDADE, SEXO E FATORES HEREDITÁRIOS CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO AMBIENTE DE TRABALHO DESEMPREGO ÁGUA E ESGOTO SERVIÇOS SOCIAIS DE SAÚDE HABITAÇÃO EDUCAÇÃO PRODUÇÃO AGRÍCOLA E DE ALIMENTOS Determinantes do Processo Saúde Doença DAHLGREN & WHITEHEAD, 1991 Determinantes do Processo Saúde Doença DAHLGREN & WHITEHEAD, 1991 Determinantes “Proximais” – vinculados aos comportamentos individuais. Determinantes “Intermediários” – relacionados às condições de vida e trabalho. Determinantes “Distais” referentes à macroestrutura econômica, social e cultural. Determinantes do Processo Saúde Doença INTERVENÇÕES: Políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, desenvolvimento sustentável; Políticas que assegurem a melhoria das condições de vida - ambiente, educação , serviços; Políticas que favoreçam ações de promoção de saúde – redes de apoio ; Políticas que favoreçam mudanças de comportamentos para a redução de riscos. Determinantes do Processo Saúde Doença DAHLGREN & WHITEHEAD, 1991 Para que as intervenções nos diversos níveis do modelo sejam viáveis, efetivas e sustentáveis, devem estar fundamentadas em três pilares básicos: Intersetorialidade; Participação Social; Evidências científicas. A Saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante a políticas sociais e econômicas que visem à redução de risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação