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Dimensionamento da infraestrutura
Apresentação
É importante compreender que, quando se dimensiona uma ponte, esta não estará apoiada sobre 
um material rígido e indeformável ou com propriedades rigorosamente conhecidas, mas sobre solo 
ou rocha, que são materiais naturais e apresentam intrínseca variabilidade na sua resistência e 
deformabilidade e, ao contrário dos insumos de construção usuais, produzidos e utilizados 
respeitando rigorosos critérios de qualidade, não escolhemos e não controlamos as propriedades 
do estrato em que apoiamos uma ponte. No máximo, é possível escolher, dentre os materiais que 
compõem o subsolo, aquele que possui melhor comportamento mecânico (note que um material 
melhor não quer dizer que seja um bom material). O que se pode e se deve fazer é investigar 
adequadamente o subsolo de forma a conhecer tão bem quanto possível o local onde se pretende 
construir a ponte, para minimizar as incertezas associadas ao projeto. Uma vez conhecidas 
satisfatoriamente as características resistentes e de deformabilidade dos materiais que compõem o 
subsolo, dá-se um importante passo para otimizar nosso projeto de fundações.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as características fundamentais de fundações 
de pontes, sejam elas fundações rasas, diretas ou profundas, calcular os esforços resistentes que 
cada sistema de fundações fornece e configurá-lo para que seja adequado para responder às 
solicitações impostas pela superestrutura da ponte.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir filosofia de cálculo para consideração das ações nas fundações.•
Relacionar métodos de projeto e considerações específicas para fundações de pontes.•
Calcular esforços resistentes para fundações rasas e profundas.•
Infográfico
Tubulões são sistemas de fundações muito usados em pontes. Sua execução, porém, necessita ser 
realizada com extrema perícia e responsabilidade.
Veja neste Infográfico os principais cuidados necessários e riscos associados.
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Conteúdo do livro
Fundações é sempre um tema que desperta dúvidas, por ser uma área que lida diretamente com o 
material de propriedades mais variáveis que temos em construções: o solo.
Na obra Pontes, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo Dimensionamento da 
infraestrutura, onde você aprenderá a desenvolver projetos básicos de fundações para pontes e 
verá quais são as verificações necessárias para o dimensionamento de sistemas de fundações de 
pontes, assim como métodos para a determinação da capacidade de carga.
PONTES
Augusto Bopsin 
Borges
 
Dimensionamento da 
infraestrutura de pontes 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir filosofia de cálculo para consideração das ações nas fundações.
  Relacionar métodos de projeto e considerações específicas para fun-
dações de pontes.
  Calcular esforços resistentes para fundações rasas e profundas.
Introdução
O que muitas vezes nos surpreende e nos deixa apreensivos quando 
lidamos com fundações e estudamos o assunto é a aparente subjetividade 
e o empirismo com que os métodos de dimensionamento nos são apre-
sentados, ainda que tudo possa sempre ser mais racional e aprofundado. 
Chama-se a atenção para essa realidade porque, por trás do aparente 
empirismo dominante com que muitas vezes nos confrontamos no es-
tudo de fundações, está o fato de que os métodos que tradicionalmente 
são ensinados são fortemente baseados em resultados de performance 
de fundações em provas de carga e na experiência de profissionais e 
acadêmicos da área. Assim, esses resultados e experiências tornam-se 
ferramentas extremamente úteis– não precisamos reinventar a roda.
No dimensionamento de fundações, especificamente para pontes, 
continuam válidos os conceitos e métodos tradicionais, sendo que alguns 
serão invocados aqui. Porém, chama-se a atenção para as considerações 
“empíricas” com as quais muitas vezes nos deparamos. Em fundações de 
pontes, é necessário um maior emprego desse tipo de julgamento de 
engenharia por parte do projetista e da equipe técnica envolvida.
U N I D A D E 4 
Neste capítulo, você vai estudar essas particularidades, bem como o 
dimensionamento de fundações rasas e profundas, pontos que tornam 
as fundações de pontes um tema diferenciado. Você também vai estudar 
a filosofia de cálculo para a consideração das ações nas fundações e 
vai relacionar métodos de projeto e considerações específicas para as 
fundações de pontes.
Generalidades
No Brasil, o projeto e a execução de fundações de qualquer tipo são norma-
lizados pela NBR 6122, devendo ainda os sistemas de fundações em pontes 
satisfazerem a norma DNIT 121/2009 – ES. Essa última é uma especifi cação 
de serviço do órgão federal responsável diretamente por sistemas viários que, 
apesar de não fornecer praticamente nenhum critério de projeto específi co, 
dá orientações sobre o aceite ou não de obras de fundações e sobre critérios 
específi cos para os materiais e métodos construtivos utilizados (escavações, 
consumo de cimento, concretagem, etc.) (BRASIL, 2009). A norma do DNIT 
estabelece que são aceitos sistemas de fundações para pontes compostos de 
blocos, sapatas e radiers, estacas (de madeira, aço, pré-moldadas de concreto, 
escavadas moldadas in loco, injetadas de pequeno diâmetro), tubulões e caixões. 
Fundações de pontes são fundações como quaisquer outras; a diferença 
principal está nos fatores adicionais a serem considerados. As principais 
considerações para fundações de pontes (Figura 1), além das considerações 
padrão de projeto para fundações usuais, são:
  erosão generalizada ou localizada na base de pilares, que pode erodir 
a camada de suporte de fundações superficiais e expor estacas e/ou 
grupos de estacas;
  possibilidade de cargas laterais nas estacas, por carregamentos assi-
métricos em fundações próximas a aterros de aproximação de ponte; e
  recalques excessivos, tanto nas fundações dos pilares das pontes quanto 
nos aterros de aproximação.
Tais fatores, se não adequadamente avaliados e prevenidos, podem com-
prometer tanto o desempenho estrutural quanto as condições de serviço da 
ponte. Este capítulo focará a atenção na capacidade de carga das fundações 
e na escolha da fundação adequada.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes2
Figura 1. Fatores específicos a serem considerados no dimensionamento de fundações 
para pontes.
Fonte: Adaptada de Cardoso (2008).
Fundo Inicial
Recalque no
encontro
Carregamento
lateral
Nível Normal
Erosão total no encontro
Δ�h
Erosão localizada
em
sapata
Fundo Final
Erosão generalizada
devido à cheia
Erosão localizada
em
estacas
Nível de Cheia
Nível de Cheia
Os métodos tradicionalmente utilizados no dimensionamento de fundações continuam 
válidos para fundações de pontes, e alguns serão apresentados a seguir. O que diferencia 
as fundações de pontes de fundações usuais de residências e edifícios de uso geral 
são os fenômenos específicos que merecem nossa atenção, como: cargas laterais nas 
estacas por carregamento assimétrico, erosão localizada nas vizinhanças dos pilares e 
recalques excessivos, tanto nas fundações quanto em aterros de aproximação.
Definição da filosofia de cálculo para 
consideração das ações nas fundações
De acordo com a norma NBR 6122 para o projeto e execução de fundações, 
há duas abordagens possíveis para a consideração dos esforços nas fundações 
– para o projeto das mesmas –, devido às ações e suas combinações de carga, 
provenientes da superestrutura. Segundo a norma, cabe ao projetista da supe-
restrutura (da ponte em si) fornecer o conjunto de esforços (combinações de 
carga) para verifi cação dos estados-limites últimos (ELU) e dos estados-limites 
de serviço (ELS). As duas fi losofi as de projeto que a norma possibilita, paraconsideração dos esforços para o projeto de fundações, são:
3Dimensionamento da infraestrutura de pontes
  Projeto de fundações em termos de fator de segurança global:forma 
clássica por meio da qual, historicamente, tem-se elaborado projetos 
de fundações. 
  Projeto de fundações em termos de valores de projeto (fatores de 
segurança parciais): baseia-se na mesma filosofia de cálculo do projeto 
estrutural. Ou seja, para essa modalidade tem-se que as ações de projeto 
devem ser menores ou iguais à carga resistente de projeto (Sd ≤ Rd).
Do cálculo estrutural da superestrutura da ponte, tradicionalmente realizado 
segundo a filosofia de cálculo em termos de coeficientes de segurança parciais, 
resultam ações e combinações de carga calculadas que já consideram majoração 
das ações e minoração da resistência dos materiais da superestrutura. Cabe 
ao engenheiro estrutural, a critério do engenheiro responsável pelo projeto de 
fundações, informar as combinações críticas de carga em termos de valores 
de projeto (aqueles que usualmente são acompanhados do subscrito d) ou 
valores dos coeficientes pelos quais devem ser divididas as ações de projeto 
para, em cada caso, reduzi-las às solicitações características.
A tendência é que cada vez mais se adote, em projetos de fundações, a 
filosofia de cálculo em termos de fatores de segurança parciais e valores de 
projeto, como se reflete nas últimas edições das principais normas ao redor 
do mundo. Porém, no Brasil, é ainda praticamente unânime a utilização de 
fatores de segurança global, tanto por motivos históricos como por uma possível 
falta de respaldo de norma para as inúmeras situações de projeto possíveis.
Normalmente, mas não por regra, o projeto estrutural dos elementos de 
fundação é realizado pelo projetista da superestrutura e segue as diretrizes 
correntes para o dimensionamento de estruturas de concreto, madeira ou aço, 
devendo atender, respectivamente, às normas NBR 6118, NBR 7190 e NBR 
8800, bem como algumas diretrizes específicas listadas na NBR 6122.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes4
Tradicionalmente, os projetos de fundações e demais projetos geotécnicos são realiza-
dos com fator de segurança global (FSglobal), pois as cargas de ruptura são deduzidas 
por meio de análise limite ou de resultados de inúmeros ensaios e provas de carga. 
Nessa filosofia, para equilibrar o sistema, são utilizadas as cargas que efetivamente 
atuam. Na análise limite, por exemplo, observando a ruptura do solo sob uma sapata 
ou uma ruptura de talude, supõe-se um mecanismo de ruptura que seja parecido 
com o real e calcula-se, para aquele mecanismo de ruptura específico, a mobilização 
de esforços que equilibra o sistema, conforme afirma Salençon (2013).
Algumas perguntas surgem instantaneamente: esse mecanismo, ou seja, o formato 
geométrico suposto para a ruptura, corresponde à realidade em todos os casos pos-
síveis? Se não corresponde totalmente, pelo menos aproximadamente? O quanto a 
situação real se desvia da situação idealizada e calculada? Ainda, toda fundação vai 
romper, como romperam as inúmeras outras semelhantes nas provas de carga?
Imagino que a resposta seja quase intuitiva para você: “depende”. Depende da 
heterogeneidade do solo, depende do tipo de solo, se está seco ou se está saturado, 
depende das configurações do terreno. Enfim, depende de muitas variáveis, e não 
poucas vezes a situação real desvia consideravelmente do mecanismo suposto. Na 
realidade, somos incapazes de modelar todos os fatores que influenciam na ruptura 
real. Ao longo dos anos e com a experiência acumulada, porém, conseguimos contornar 
esse desvio entre o real e o idealizado e ter segurança contra a ruptura, minorando 
a resistência à ruptura, que calculamos por meio de um fator de segurança global 
adequado. A menor resistência entre essa resistência minorada por FSglobal e o limite 
de carga para recalque admissível leva o codinome de resistência admissível, e 
comparamos esse valor com as ações características (Sk≤Radm).
Verificações de projeto requeridas 
A NBR 6122 traz as verifi cações necessárias para o ELU e o ELS. Em resumo, 
qualquer sistema de fundações deve possuir os requisitos listados a seguir.
Segurança à ruptura do solo ou rocha de fundação
Requer-se que as tensões atuantes, transmitidas pela superestrutura às fun-
dações, não excedam os esforços resistentes admissíveis no solo de fundação. 
Lembre-se que valores admissíveis são aqueles nos quais a resistência do 
solo já foi minorada por fator de segurança global e/ou já está limitada por 
consideração dos recalques admissíveis para a estrutura.
5Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Se os pilares estão sobre fundações superficiais (sapatas e blocos), a norma 
NBR 6122 recomenda fator de segurança (FS) parcial de 2,15 ou FSglobal de 
3,00 para a pressão da sapata no solo. Quando há duas ou mais provas de 
carga realizadas ainda na fase de projeto, permite-se a redução do FSparcial para 
1,40 e do FSglobal para 2,00, considerando-se os resultados das mesmas. Para o 
caso de os pilares estarem sobre fundações profundas (estacas ou tubulões), 
a resistência característica de estacas por métodos semi-empíricos pode ser 
determinada por
 Rc, k= Min [(Rc, cal) med / ξ1; (Rc, cal)min / ξ2] (1)
em que Rc,ké a resistência característica a ser adotada, (Rc,cal)med é a resistência 
característica calculada com base nos valores médios dos parâmetros do solo, 
(R c,cal)min é a resistência característica calculada com base nos valores mínimos 
dos mesmos e ξ1 e ξ2 são fatores de minoração da resistência (Tabela 1).
 Fonte: Adaptado de NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). 
na 1 2 3 4 5 6 ≥ 10
ξ1
b 1,42 1,35 1,33 1,31 1,29 1,27 1,27
ξ2
c 1,42 1,27 1,23 1,20 1,15 1,13 1,11
a n é o número de perfis de ensaios por região representativa do terreno.
b,c valores podem ser multiplicados por 0,9 caso haja ensaios complementares a SPTs.
 Tabela 1. Valores de norma para os fatores ξ1 e ξ2 
Pode haver a impressão de que os valores calculados de Rc,k na Equação 1 já contêm 
fatores de segurança pelo uso de ξ1 e ξ2. Na verdade, Rck é a resistência característica, 
devendo ainda ser minorada por fator de segurança global de, no mínimo, 1,4. A 
NBR 6122 traz ainda critérios para o cálculo de Rck de estacas e tubulões, obtido por 
provas de carga executadas na fase de projeto, possibilitando menor FS e, portanto, 
maior economia.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes6
A resistência admissível (Radm), tanto em fundações profundas quanto 
superficiais, é determinada não apenas pela segurança contra ruptura por 
esgotamento da capacidade de carga do terreno, mas também em função de 
condições de serviço, como recalque tolerável (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). 
Integridade estrutural do(s) elemento(s) de fundação
Elementos de fundação são enterrados, e, por essa razão, garante-se a integri-
dade dos elementos com uma execução exemplar dos mesmos, com armaduras 
locadas corretamente e muita atenção na concretagem. Como recomendação 
prática, pode-se requerer para o concreto fresco não bombeado um slump 
mínimo de 12 ± 2 cm, para qualquer elemento de fundação superfi cial ou 
profunda, e de 20 ± 2 cm, para concreto bombeado. Em fundações profun-
das, deve-se atentar particularmente para a limpeza de pontas de estacas e 
– principalmente – de tubulões. Particularmente para tubulões, que trabalham 
principalmente por ponta, deve-se prever no alargamento da base calcanhares 
mínimos de 20 cm (Figura 9a, mais adiante), para garantir que o concreto e 
a pasta cimentícia não segreguem dos agregados e cubram completamente 
toda a área de sua base. 
A verificação da integridade estrutural de elementos de fundação é pres-
crita de forma genérica pela NBR 6122 para todas as fundações, tamanha a 
importância do tema. A “estrangulação” do fuste é um problema frequente, 
principalmente em estacas escavadas, prejudicando ou até mesmo impedindo atransmissão da carga a ser resistida ao elemento de fundação na sua inteireza.
Segurança contra tombamento e deslizamento do conjunto da 
ponte
Aplica-se principalmente para fundações superfi ciais. Em um corte transversal 
da seção de uma ponte, deve-se garantir o equilíbrio tanto quanto à translação 
horizontal (deslizamento) quanto ao giro da ponte (tombamento). Quando a 
verifi cação das solicitações for realizada considerando-se as ações do vento 
como variável principal, como é o caso de pontes, os valores de tensão ad-
missível de sapatas e tubulões e de cargas admissíveis em estacas podem ser 
majorados em até 30%; nesse caso, deve ser feita a verifi cação estrutural do 
elemento de fundação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI-
CAS, 2010). A Figura 2 ilustra as ações do vento e as reações nas fundações 
para essa consideração.
7Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Figura 2. Verificação de segurança contra tombamento e deslizamento.
Direção
do fluxo
Direção
do fluxo
Ação do
vento
Recalques nos elementos de fundação que não comprometam a 
segurança estrutural da ponte, sua aparência e seu uso
Recalques excessivos, especialmente em pontes, são um grande problema. 
Na realidade, os recalques diferenciais são especialmente críticos, pois geram 
fi ssuras mesmo em níveis relativamente pequenos de recalques, dependendo da 
tecnologia construtiva da ponte e sua concepção estrutural.Além dos cuidados 
gerais acima comentados, sistemas de fundações de pontes requerem cuidados 
específi cos adicionais, alguns dos quais serão estudados em detalhes mais 
adiante. Gusmão Filho (2003) resume os requisitos para as fundações de pontes:
  Execução segura do elemento de fundação, atentando para procedi-
mentos de escavações, construção de ensecadeiras, rebaixamento do 
nível de água e sistemas de tubulões a ar comprimido.
  Assentamento das fundações (se fundações diretas), em cota inferior 
à cota de erosão máxima, junto aos pilares da ponte, e consideração da 
possibilidade de erosão parcial do solo no comprimento das estacas, 
verificando-as quanto à possibilidade de flambagem e prevendo, se 
metálicas, espessura de sacrifício pela potencial oxidação no caso de 
variação do nível de água e exposição das estacas.
  Segurança contra cargas laterais oriundas de carregamentos assi-
métricos, especialmente na fundação dos encontros e próximos a eles 
(efeito Tschebotarioff).
Dimensionamento da infraestrutura de pontes8
Ademais, uma questão importante é a variação estratigráfica presente 
nos solos em leitos de rios e localidades adjacentes. Ao longo das eras, rios 
mudam seu traçado, sua velocidade de escoamento, sua inclinação e assim 
por diante. Esse fato resulta em perfis estratigráficos muito variáveis, com 
alternância entre solos arenosos (transportados por velocidades de fluxo 
relativamente altas) e solos argilosos (frutos de sedimentação de finos por 
baixa velocidade de fluxo).
Relação de métodos de projeto e considerações 
de projeto específicas para pontes
Consideração da erosão
Sendo ou não construída uma ponte sobre um rio, o leito de um rio passa por 
transformações constantes devido às cheias e secas, que transportam volumes 
de água com velocidades diferentes em períodos diferentes. As variações de 
velocidade de escoamento e nível de água de um rio permitem o carreamento 
de sedimentos para outra localidade, erodindo o leito do rio, ou ainda transpor-
tando e sedimentando mais material. Tal processo é natural, mas no que tange 
às fundações de pontes,deve ser bem tipifi cado. Uma vez que se espera que 
as fundações estejam assentes sobre solo competente, naturalmente espera-se 
também que o solo de suporte não seja erodido pela variação natural do leito 
do rio. Devemos então nos certifi car, em primeiro lugar, que qualquer sistema 
de fundações de pontes esteja assente abaixo da cota de erosão geral máxima 
ou erosão generalizada máxima que pode ocorrer.
Como estudo preliminar, Gusmão Filho (2003) sugere que se pode estimar 
a erosão generalizada a partir da equação
 eg = Ky – y 
em que y é a profundidade média do rio em enchentes, provinda de estudo 
hidrológico, e K é um fator de majoração para estimativa da erosão, conforme 
esquema ilustrado na Figura 3. A dá sugestões da literatura para valores do 
fator K.
9Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Figura 3. Erosão geral.
Fonte: Gusmão Filho (2003, p. 89).
Nível de água estimado na enchente
Leito natural nas águas baixas
Ky
M
áx
im
o 
er
os
ão
 Fonte: Adaptado de Lacey (1958). 
Locação Fator multiplicativo
Trecho reto de rio 1,25 (ou 1,50)
Trecho moderadamente curvo de rio 1,50
Trecho severamente curvo de rio 1,75
Trecho de curva de rio em ângulo reto 2,00
 Tabela 2. Fatores de majoração para determinação da máxima profundidade de erosão 
generalizada 
Junto aos pilares de pontes, devido ao escoamento turbulento do rio in-
duzido pelos pilares como obstáculos, desenvolve-se a erosão localizada e 
progressiva (Figura 4a, b, c e d). Qualquer elemento de fundação deve ter sua 
capacidade resistente considerada abaixo da cota dada pela soma da erosão 
generalizada e da erosão localizada, segundo May, Ackers e Kirby (2002).
Há vários métodos hidráulicos para determinação da erosão generalizada 
e da erosão localizada, cabendo um estudo hidrológico completo para a de-
terminação dessas profundidades. Cabe ressaltar, porém, que como pilares 
de pontes transmitem cargas de magnitude maior que as usuais de edifícios 
de uso geral, é comum os encontros de pilares com sapatas ou blocos terem 
dimensões alargadas com relação às seções dos pilares. Além disso, quando o 
Dimensionamento da infraestrutura de pontes10
sistema de fundações é composto por fundações em estacas ou tubulões, grupos 
de estacas ou tubulões são agrupados por um bloco também de dimensões 
maiores que os pilares. Deve-se prever a possibilidade de que a seção do bloco 
ou grupo de estacas seja progressivamente exposta ao escoamento. Para esse 
caso, considera-se para o cálculo da erosão localizada a maior dimensão entre 
o bloco e o pilar, o que pode resultar em maior profundidade de erosão total.
As Figuras 4c e 4d mostram como, com o passar do tempo, a soma da 
erosão generalizada e localizada pode vir a provocar falta de suporte para a 
estrutura e possível ruína da ponte, principalmente para fundações superfi-
ciais. Tal fato contribui para que fundações de pontes sejam, normalmente, 
profundas, dado que, por mais que existam estudos hidrológicos suficiente-
mente confiáveis quanto à determinação da profundidade total de erosão, há 
casos históricos nos quais, mesmo com estudos criteriosos realizados, pontes 
ruíram por conta da erosão e da consequente falta de capacidade de suporte 
de fundações superficiais.
Figura 4. Erosão localizada junto às fundações de pontes.
Fonte: Gusmão Filho (2003, p. 112).
(a)
Turbilhão
Turbilhão
Turbilhão
(b)
(c) (d)
Carregamento assimétrico (efeito Tschebotarioff)
As margens de rios são, frequentemente, fruto de subsequentes períodos de 
inundações e secas sucessivas, quando a água pode se depositar nesses locais e 
permitir a sedimentação de material mais fi no em suspensão. Por esse motivo, 
é frequente que os encontros de ponte sejam formados por depósitos de argilas 
moles, altamente compressíveis que, para a construção de pontes, são aterrados 
11Dimensionamento da infraestrutura de pontes
de forma a proporcionar o greide necessário para a entrada e a saída da ponte. 
Esses aterros sobre margens, com subsolo de camadas de argila mole, são 
muitas vezes um ponto crítico no projeto global da ponte, pois além de serem 
em si uma sobrecarga que causa carregamento assimétrico, sofrem muitas 
vezes grandes recalques, produzindo os conhecidos desníveis que motoristas 
experimentam ao trafegar nas entradas e saídas de pontes. Esses aterros são 
alvo de projetos específi cos.
Uma consequência direta da sobrecarga assimétrica e dos recalques nos 
aterros de encontronas fundações de pontes sobre estaqueamentos é o carre-
gamento lateral induzido. Tais carregamentos laterais devem ser diretamente 
considerados nas verificações estruturais de estacas sujeitas aos mesmos. Por 
essa razão, a seção transversal de estacas de encontro de pontes e viadutos é, 
muitas vezes, maior que a seção de estacas de edifícios convencionais, não 
necessariamente devido ao carregamento vertical a ser suportado, mas para 
que possa resistir a tais esforços assimétricos. As Figuras 5a e 5b mostram o 
efeito Tschebotarioff em muros de arrimos sobre estacas, típico de encontro 
de pontes, e o acréscimo assimétrico de carregamento lateral diretamente no 
estaqueamento, respectivamente.
Figura 5. Exemplos do efeito Tschebotarioff.
Fonte: Adaptada de Velloso e Lopes (2010, p. 469).
Argila Mole
Aterro
Aterro
(a) (b)
Argila Mole∆�h
Esse carregamento assimétrico é chamado de efeito Tschebotarioff jus-
tamente porque Tschebotarioff (1962) foi o primeiro a descrever e abordar 
metodologicamente o caso. Por seu método, pode-se estimar o momento 
fletor ao qual as estacas estarão sujeitas, a partir de um carregamento lateral 
Dimensionamento da infraestrutura de pontes12
triangular nas estacas com valor máximo ph no centro da camada compressível 
(Figura 6). O valor de ph (TSCHEBOTARIOFF, 1967) pode ser calculado por:
Ph = DKγH
em que K é o coeficiente de empuxo para um depósito argiloso normalmente 
adensado (em torno de 0,45) e γH é a sobrecarga devido ao aterro de altura H.
Figura 6. Carregamento lateral assimétrico.
ph
D
�H
As estacas, portanto, podem ser estruturalmente dimensionadas para o mo-
mento fletor máximo, como vigas engastadas no bloco e rotuladas na sua ponta, 
com vão igual à espessura da camada de argila mole. Embora normalmente não 
seja o caso para fundações de encontros de ponte em estacas, estacas muito 
esbeltas (trilhos e perfis I, por exemplo), que atravessam grandes espessuras 
de argila mole, devem ser verificadas estruturalmente quanto à possibilidade 
de flambagem, considerando-se a contenção lateral do solo. Da Costa (2016) 
exemplifica o cálculo completo por um método existente específico, mas há 
outros métodos na literatura, conforme Velloso e Lopes (2010). É uma situação 
rara, mas de simples avaliação e prevenção.
13Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Capacidade de carga de fundações superficiais
O projeto de fundações superfi ciais, segundo a NBR 6122, é realizado de tal 
forma que as ações características e suas combinações não sejam superiores 
à pressão admissível no solo de fundação.Essa pressão admissível, integrada 
à área de contato da fundação com o solo, fornece a capacidade de carga da 
fundação superfi cial e pode ser determinada a partir das seguintes aborda-
gens: 
a) por métodos teóricos;
b) por meio de prova de carga sobre placa;
c) por métodos semi-empíricos;
d) por métodos empíricos.
No Brasil, é comum estimar-se a pressão admissível com base em correla-
ções com ensaios SPT. Tal prática é a base de praticamente todos os métodos 
empíricos e semi-empíricos para determinação de capacidade de carga tanto 
de fundações superficiais como de fundações profundas.
A versão da NBR 6122 de 1996 trazia no seu texto uma versão da Tabela 3, 
com valores básicos para estimativa das pressões admissíveis nas fundações 
em contato direto com o solo. Tais valores são considerados apenas como 
uma ordem de grandeza para a etapa de concepção das fundações de pontes. 
Quando da etapa de projeto executivo, estudos mais detalhados devem ser 
realizados e, preferivelmente, em número exigido por norma, levando-se em 
conta os resultados de provas de carga executados ainda na etapa de concepção 
do projeto. Para o projeto final, deve-se avaliar criteriosamente a capacidade 
de carga e os parâmetros de resistência do solo utilizados, solicitando ensaios 
de campo e/ou laboratório que tragam informações adicionais e mais ade-
quadas à situação da obra do que as sondagens de simples reconhecimento. 
Essas solicitações devem ser feitas sempre que necessário, como para o caso 
de argilas moles, ensaios de piezocone (CPTu) e de palheta. Ainda, pode-se 
solicitar a coleta de amostras indeformadas de solo para a realização de ensaios 
de laboratório, como cisalhamento direto, compressão simples, triaxial tipo 
UU e ensaios oedométricos, para estimativa de recalques. A capacidade de 
carga deve ser avaliada sempre por diferentes métodos, levando-se em conta o 
contexto de formulação dos mesmos e sua aplicabilidade. Deve-se ter sempre 
em mente que o solo não é um material industrializado, como o concreto ou 
o aço de construção, e apresenta complexidades que não somos capazes de 
prever sem investigações geotécnicas abrangentes.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes14
Descrição NSPT Valores 
(MPa)
Rocha sã, maciça, sem laminação 
ou sinal de decomposição
– 3,0
Rochas laminadas, com pequenas 
fissuras, estratificadas
– 1,5
Solos granulares concrecionados 
– conglomerados
– 1,0
Solos pedregulhosos compactos 
a muito compactos
– 0,6
Solos pedregulhososfofos – 0,3
Areias muito compactas NSPT> 40 0,5
Areias compactas 19 ≤NSPT≤ 40 0,4
Areias medianamente compactas 9 ≤NSPT 40 0,4
Areias argilosas compactas 19 ≤NSPT≤ 40 0,3
Areias argilosas medianamente compactas 9 ≤NSPT 40 0,4
Areias silto-argilosas compactas 19 ≤NSPT≤ 40 0,3
Areias silto-argilosas medianamente compactas 9 ≤NSPT 40 0,4
Siltes arenosos compactos 19 ≤NSPT≤ 40 0,3
Siltes arenosos medianamentecompactos 9 ≤NSPTa resistência de ponta. Tendo em vista que a magnitude de cargas 
transmitidas a fundações em pontes é elevada, geralmente há necessidade de 
grupos de tubulões ou estacas para suporte de cada um dos pilares. Porém, 
mesmo que estejam em grupo, o dimensionamento da carga última de cada 
estaca ou tubulão é calculado individualmente. A NBR 6122 prescreve que 
a carga admissível de um grupo de estacas ou tubulões, porém, não pode ser 
maior que a carga admissível de uma sapata hipotética de mesmo contorno 
que o do grupo, assentada a uma profundidade acima da ponta das estacas 
ou tubulões igual a 1/3 do comprimento de penetração na camada de suporte 
(Figura 7). Atendidas essas condições, o espaçamento mínimo entre estacas 
ou tubulões deve considerar o modo como a carga é transmitida ao solo de 
fundação e o efeito da instalação das estacas adjacentes do mesmo grupo.
Figura 7. Grupo de elementos de fundação profunda.
Fonte: NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010, p. 29)..
Corte A-A
Contorno da sapata hipotéticaf = embutimento na camada de suporte
A A
f
f/
3
17Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Cálculo dos esforços resistentes para fundações 
rasas e profundas
Para fundações de pontes, sejam elas fundações rasas ou profundas, deve-
-se considerar para o cálculo dos esforços resistentes as combinações de 
carga provindas do dimensionamento da superestrutura. A norma NBR 6122 
prescreve que a segurança das fundações deve contemplar verifi cações dos 
estados-limites últimos e verifi cações dos estados-limites de serviço, além 
de outras solicitações conhecidas e previsíveis e da sensibilidade da estrutura 
a recalques.
Sapatas e blocos
Para o cálculo da capacidade de carga de sapatas e blocos, ou seja, de seus 
esforços resistentes, pode ser utilizada a formulação teórica proposta por 
Terzaghi (1943), pela qual pode ser determinada a pressão última do solo por 
meio da equação
qult = c′ · Nc· Sc + γ · D · Nq · Sq + ½ · γP·B·Nγ·Sγ
em que c′ é o intercepto coesivo efetivo do solo; γP é o peso específico 
médio entre a profundidade da base da fundação e uma vez a dimensão da 
seção da mesma; γ é o peso específico médio do solo entre a superfície e a 
profundidade da base da fundação; Nc, Nq e Nγ são fatores de capacidade de 
carga adimensionais e função do ângulo de atrito (Tabela 4) e Sc, Sq e Sγ são 
fatores que consideram o formato da fundação superficial (Tabela5). Demais 
parâmetros geométricos são mostrados na Figura 8. Devido às hipóteses 
assumidas (estado plano de deformações), Terzaghi (1943) sugere ainda a 
adoção de valores reduzidos de c′ e ϕ′, tomando c* = 2/3c′ e tan(ϕ*) = 2/3 
tan(ϕ′). Quando o solo é de baixa resistência, substituem-se Nc, Nq e Nγpor 
N′c, N′q e N′γ(Tabela 4).
As dimensões da base da fundação superficial (sapata, caixão ou bloco) 
ou, mais precisamente, a área resistente necessária em contato com o solo, 
pode ser calculada de forma que
A = Sk/qadm
em que A é a área resistente necessária, qadm é a pressão admissível (qadm= 
qult / FSglobal) e Sk são as ações a serem resistidas.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes18
A principal diferença entre sapatas e blocos é que sapatas são dimensio-
nadas em concreto armado, de forma que as tensões de tração resultantes são 
resistidas pela armadura, enquanto blocos são dimensionados de forma que as 
tensões de tração sejam resistidas pelo concreto. Segundo a NBR 6122 blocos 
de fundação devem ser dimensionados de forma que o ângulo β (Figura 9b) 
satisfaça à desigualdade
(tan β) / β ≥ qadm/ fct + 1
para a qual, na ausência de ensaios de tração no concreto, pode-se utilizar 
fct = 0,084 e fck
2/3 ≤ 0,8 MPa (valores de fck em megapascal). β é expresso em 
radianos e o fck máximo do concreto para projeto é de 20 MPa. A norma NBR 
6122 prescreve que a altura máxima para tubulões a céu aberto seja menor 
que 1,80 m (tubulões a céu aberto somente em solo coesivo e acima do nível 
de água), e até 3,00 m para tubulões a ar comprimido, com medidas de esta-
bilização, caso necessário.
 Fonte: Adaptada de Terzaghi (1943). 
Φ(°) Nc Nq Nγ N ć N q́ N γ́
0 5,7 1,0 0,0 5,7 1,0 0,0
5 7,3 1,6 0,5 6,7 1,4 0,2
10 9,6 2,7 1,2 8,0 1,9 0,5
15 12,9 4,4 2,5 9,7 2,7 0,9
20 17,7 7,4 5,0 11,8 3,9 1,7
25 25,1 12,7 9,7 14,8 5,6 3,2
30 37,2 22,5 19,7 19,0 8,3 5,7
35 57,8 41,4 42,4 25,2 12,6 10,1
40 95,7 81,3 100,4 34,9 20,5 18,8
45 172,3 173,3 297,5 51,2 35,1 37,7
 Tabela 4. Fatores adimensionais de capacidade de carga 
19Dimensionamento da infraestrutura de pontes
 Fonte: Adaptada de Terzaghi (1943). 
Forma da 
fundação
Fatores de forma
Sc Sq Sγ
Corrida 1,0 1,0 1,0
Quadrada 1,3 0,8 1,0
Circular 1,3 0,6 1,0
Retangular 1,1 0,9 1,0
 Tabela 5. Fatores de forma para formulação teórica de Terzaghi para capacidade de carga 
de fundações superficiais 
Figura 8. Fundação superficial idealizada.
Solo
� • D
B
D
N.T.
Figura 9. Ângulo β nos (a) tubulões e (b) blocos.
Fonte: NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010).
20 cm
(a)
� �
(b)
Dimensionamento da infraestrutura de pontes20
Estacas
Para o cálculo da capacidade de carga de estacas, ou seja, de seus esforços 
resistentes, pode ser utilizado o método Décourt e Quaresma (DÉCOURT, 
QUARESMA, 1978, 1982; DÉCOURT, 1982), baseado em ensaios SPT. Pelo 
método, é possível calcular a resistência última (Rult) de uma estaca, em [tf], 
por meioda seguinte relação:
 
em que RP é a resistência de ponta [tf],RL é a resistência lateral [tf], C[tf/m2] 
é um coeficiente empírico cujos valores são fornecidos na Tabela 6, NP é o 
valor NSPT, considerando um diâmetro de estaca acima e abaixo da sua ponta, 
AP [m2] é a área da ponta da estaca, U [m] é o perímetro do fuste da estaca, L 
[m] é o comprimento total da estaca e é a média dos valores NSPTao longo 
do fuste (se NSPT 50, considerar NSPT = 50).
Por consideração de momentos na cabeça das estacas, sugere-se que estacas 
em pontes sejam agrupadas em estaqueamentos de, no mínimo, quatro estacas.
 Fonte: Adaptada de Décourt e Quaresma (1978); Décourt (1986). 
Tipo de solo Estacas escavadas Demais estacas
C[tf/m2]
Argilas 10 12
Solo argiloso residual 12 20
Solo arenoso residual 14 25
Areias 20 40
 Tabela 6. Valores de C 
Para a carga admissível, considerando-se evitar recalques excessivos, 
variações devidas aos parâmetros do solo, formulação adotada e segurança 
com relação à carga de trabalho, Décourt e Quaresma (1978) sugerem FSglobal 
de 4,0 para RP e 1,3 para RL, ou seja:
Radm = RP / 4,0 + RL / 1,3
21Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Para estacas escavadas como uso de lama bentonítica, o autor sugere a 
desconsideração da resistência de ponta. A Radm calculada com os FSglobal do 
método deve ser comparada com a Radm com fatores da NBR 6122, tomando-se 
a menor dentre essas duas.
Uma vez calculada a capacidade de carga de uma estaca isoladamente, 
calcula-se quantas são as estacas necessárias para prover carga resistente 
admissível, de modo que
n = Sk / Radm
Dessa forma, podemos calcular o número n de estacas (com o diâmetro e 
profundidade escolhidos) que comporá o estaqueamento.
Tubulões
Para o cálculo da capacidade de carga de tubulões, ou seja, de seus esforços 
resistentes, podem ser utilizados também métodos semi-empíricos estatísticos 
ou métodos empíricos, como o da NBR 6122. Opta-se por fundações profun-
das tipo tubulão quando o solo competente, capaz de fornecer capacidade de 
carga compatível com as cargas a serem resistidas, está a profundidades que 
exigem fundações profundas. Tubulões geralmente fornecem alta capacidade 
de carga e, por isso, são e, principalmente no passado, eram muito utilizados 
em fundações de pontes.
As dimensões da base do tubulão ou, mais precisamente, a área resistente 
necessária em contato com o solo, pode ser calculada de forma que
A = qadm / Sk
em que A é a área resistente necessária, qadm é a pressão admissível (qadm= 
qult / FSglobal) e Sk são as açõesa serem resistidas.
Tubulões normalmente são armados apenas na sua ligação com o bloco 
de coroamento (trecho inicial de 3 m com As,mín = 0,005 ∙ Afuste), de forma a 
prover confinamento adequado na transmissão da carga. O fuste mínimo do 
tubulão – não encamisado – é dimensionado de tal forma que seja possível a 
descida de operários para o alargamento da base e que a tensão no concreto, 
no fuste, não ultrapasse 5,0 MP. Considera-se fck = 20 MPa como valor máximo 
de projeto para resistência característica do concreto, independentemente de 
terem sidos utilizados concretos de maior resistência.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes22
Há casos onde um único tubulão resiste às ações de um único pilar e é 
ligado diretamente ao pilar, sem bloco de coroamento. Quando esse foro caso, 
o comprimento acima da superfície do solo será dimensionado normalmente 
como pilar.
Opta-se por tubulões quando solo competente não está disponível a peque-
nas profundidades. Para que o custo e o risco adicional por conta da execução 
do tubulão sejam minimamente justificáveis, deve-se assentar a base do tubulão 
em solos com NSPT não menores que 15 golpes.Um esquema típico de um 
tubulão a ar comprimido pode ser visto na Figura 10. A inclinação da base do 
tubulão é calculada de forma análoga ao cálculo para blocos (Figura 9a). Para 
descida de operários para escavação e alargamento da base, recomenda-se, 
como boa prática, diâmetro do fuste mínimo de 70 cm.
Figura 10. Esquema de tubulão a ar comprimido.
Fonte: Alonso (2010).
“Cachimbo” para
colocar armação
Registros
“Cachimbo” de
concretagem
“Cachimbo” de
saída de terra
Anel
Câmara de
trabalho
Seção transversalVista geral
“Faca”
Armação
Tubulão
d ≥ 70 cm20 cm
NA
Ar comprimido
Balde
Guincho Manômetro
Porta de entrada
de operários
23Dimensionamento da infraestrutura de pontes
Apesar de tubulões serem capazes de prover altas capacidades de carga, sua execução é 
ainda hoje praticamente “artesanal”. Operários ou máquinas escavam o fuste do tubulão, 
mas para o alargamento de sua base e garantia de qualidade na sua execução e limpeza, 
ainda hoje é necessário que eles desçam e realizem o procedimento manualmente.
Tubulões submersos, utilizados quando se deve executar tubulões dentro de rios e 
em locais com nível freático próximo à superfície, são executados, igualmente, com 
descida de operários para a escavação da base. Para tanto, trabalha-se com tubulões 
a ar comprimido, nos quais gera-se pressão suficiente para equilibrar a pressão 
hidrostática no fundo da escavação, a fim de não permitir a entrada de água. Esse 
tipo de tubulão requer utilização de camisas de aço ou anéis de concreto ao longo 
do seu fuste, propriamente dimensionados (considerando-se como 1,5 a pressão de 
trabalho, desprezando empuxos externos de solo e água).
Obviamente este é um serviço com altíssimos riscos e fatal em caso de acidentes, motivo 
pelo qual tubulões têm sido cada vez menos utilizados e até mesmo abolidos em certas 
regiões. Quando utilizado, a descompressão da campânula deve ser realizada de forma 
gradual, para evitar que o operário sofra de embolia gasosa, decorrente da expansão 
do ar em seus pulmões pela variação instantânea de pressão (como ocorre como 
mergulhador que sobe de grandes profundidades à superfície de forma muito rápida).
Na teoria, o engenheiro responsável pela execução das fundações deve sempre descer 
no tubulão para conferência do mesmo e liberação da concretagem. Você topa esse 
tipo de “engenharia raiz”?
Dimensionamento da infraestrutura de pontes24
1. Um pilar de seção quadrada, 60 
x 60 cm, descarrega sobre uma 
sapata apoiada sobre o solo, cuja 
tensão de ruptura é 3 kg/cm2, 
uma carga vertical de projeto de 
3.500 kN. Qual a dimensão ótima 
para o lado de uma sapata de 
base quadrada para esse caso? 
Considere que a tensão de ruptura 
foi determinada por meio de 
métodos semi-empíricos, que a 
abordagem de cálculo da fundação 
é em termos de valores admissíveis 
e que o projetista estrutural 
forneceu o coeficiente de 1,65 para 
a conversão das ações de projeto 
em ações características. Considere 
também que, nesse nível de carga, 
o recalque da fundação é tolerável.
Por motivos construtivos, o 
lado da base da sapata deve ser 
expresso com precisão de 5 cm.
a) 2,70 m.
b) 3,45 m.
c) 4,65 m.
d) 5,95 m.
e) 7,60 m.
2. Você deve dimensionar as 
fundações para um pilar circular 
de um encontro de ponte com 
seção transversal de área igual a 
0,385 m2, que transmite uma carga 
vertical característica de 900 kN. 
Para tanto, você decidiu que uma 
opção viável seria um tubulão único 
suportando toda a carga do pilar. 
Para evitar recalques excessivos, a 
melhor profundidade para assentar 
a base do seu tubulão, levando 
em conta o ensaio SPT abaixo?
Desconsidere qualquer 
carregamento assimétrico e 
considere que, no perfil do 
ensaio SPT apresentado, os 
valores de NSPT correspondem a 
profundidades de cota cheia (1m, 
2m, 3m, ...). No boletim de ensaio, 
em profundidades maiores que 
20m,se considera que foi alcançado 
o impenetrável à percussão. 
a) 17 m.
b) 18 m.
c) 19 m.
d) 20 m.
e) 21 m.
3. Para uma carga vertical característica 
de 900 kN (mesma ação do 
25Dimensionamento da infraestrutura de pontes
exercício anterior), qual deve ser 
o diâmetro do fuste do tubulão 
para respeitar, respectivamente, 
os requisitos de norma e o 
diâmetro mínimo prático para 
possibilitar a descida de operários 
para alargamento da base? 
(valores com precisão de 5 cm).
a) 47 cm e 50 cm.
b) 48 cm e 50 cm.
c) 48 cm e 70 cm.
d) 50 cm e 50 cm.
e) 50 cm e 70 cm.
4. Considerando que a tensão 
admissível da camada de suporte 
da base do tubulão seja de 0,4 MPa, 
que o concreto utilizado possua fck 
= 35 MPa e que deve ser suportada 
uma carga vertical característica de 
900 kN, qual é o diâmetro necessário 
para a base alargada do tubulão de 
base circular, que estará em contato 
com o solo? Qual é a dimensão 
mínima do calcanhar do tubulão? 
Qual é a altura da base escavada 
(definida pelo valor do ângulo β)?
Considere o ângulo β com 
precisão de 0,5° e a altura 
com precisão de 5 cm.
5. Caso você opte solucionar as 
fundações para uma carga vertical 
característica de 900 kN, perfil de 
solo conforme o boletim de ensaio 
fornecido, com uso de estacas 
cravadas de seção quadrada 
(16 x 16) até a profundidade de 
20 m, o estaqueamento deverá 
ser composto por, no mínimo, 
qual número de estacas?
Utilize o método semi-
empírico de determinação de 
capacidade de carga de Décourt 
e Quaresma, considerando solo 
inteiramente argiloso, e despreze 
considerações de atrito negativo.
a) 1 estaca.
b) 2 estacas.
c) 3 estacas.
d) 4 estacas.
e) 5 estacas.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes26
ALONSO, U. R. Exercícios de fundações. São Paulo: Blücher, 2010. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: projetos de estruturas 
de concreto: procedimento. Rio de Janeiro, 2014.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: projeto e execução de 
fundações. Rio de Janeiro, 1996.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: projeto e execução de 
fundações. Rio de Janeiro, 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7190: projeto de estruturas de 
madeira. Rio de Janeiro, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8800: projeto de estruturas 
de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro, 2008.
BERBERIAN, D. Engenharia de fundações. Brasilia: UnB/Infrasolo-Geotechpress, 2010. v. 1. 
BRASIL. Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. DNIT 121 – ES: pontes 
e viadutos rodoviários: fundações: especificação de serviço. Rio de Janeiro: IPR, 2009.
CARDOSO, R. A. F. Infraescavação em pilares de pontes. 2008. Dissertação (Mestrado 
em Engenharia Civil) - Universidade de Aveiro, Portugal, 2008.
DÉCOURT, L. Prediction of the bearing capacity of piles based exclusively on N values 
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DÉCOURT, L. Previsão da capacidade de estacas com base nos ensaios SPT e CPT. Divisão 
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DÉCOURT, L; QUARESMA, A. R. Capacidade de carga de estacas a partir de valores 
SPT. In: Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações, 6. 
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DÉCOURT, L.; QUARESMA, A. R. Como calcular (rapidamente) a capacidade de carga 
limite de uma estaca. A Construção, São Paulo, n. 1800, ago. 1982.
GUSMÃO FILHO, J. A. Fundações para pontes: hidráulica e geotécnica. Recife: Ed. 
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LACEY, G. Flow in alluvial channels with sandy mobile beds. Proceedings of the Institution 
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MAY, R. W. P., ACKERS, J. C., KIRBY, A. M. Manual on scour at bridge and other hydraulic 
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SALENÇON, J. Yield design. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2013. 
27Dimensionamento da infraestrutura de pontes
TERZAGHI, K. Theoretical soil mechanics. New York: John Wiley & Sons, 1943.
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- Division 4. In: PAN-AMERICAN CSMFE, 3., 1967, Caracas. Proceeding ... Caracas, 1967. 
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TSCHEBOTARIOFF, G. P. Retaining structures. In: LEONARDS, G. A. (Ed.). Foundation 
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VELLOSO, D. A.; LOPES, F. R. Fundações. São Paulo: Oficina de Textos, 2010.
Leituras recomendadas
CHEN, W. F.; DUAN, L. Bridge engineering: substructure design. Boca Raton: CRC Press, 
2003.
FALCONI, F. et al. (Ed.). Fundações: teoria e prática. São Paulo: PINI, 1998.
Dimensionamento da infraestrutura de pontes28
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Dica do professor
Você já percebeu que os valores resultantes do dimensionamento da superestrutura não são os 
mesmos valores considerados para o projeto das fundações?
Nesta Dica do Professor, você entenderá o porquê dessa diferença, o modo como se dá a 
conversão entre os valores calculados para a superestrutura e os valores considerados no projeto 
de fundações e por que essa questão é fundamental no projeto de pontes. 
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Na prática
Um problema importante a ser resolvido em fundações de pontes é o carregamento lateral em 
estacas próximas a encontros de pontes ou viadutos. A priori o solo desses locais é o que é 
(frequentemente argilas moles), e a abordagem direta é lidar com esses carregamentos e 
dimensionar o estaqueamento para resistir a esses esforços. 
 
No entanto, e se fosse possível (e se valesse a pena) achar uma solução na qual esses 
carregamentos, que muitas vezes são significativos, fossem reduzidos e causassem menores 
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Ponte Rio-Niterói II: construção das fundações do vão central
Nesta Unidade de Aprendizagem, vimos os principais pontos a serem considerados em fundações 
de pontes. Veja neste vídeo um belo comentário de um dos engenheiros envolvidos no projeto de 
fundações de uma das maiores obras já realizadas no Brasil, a ponte Rio-Niterói.
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Estudo de estacas de madeira para fundações de pontes de 
madeira
Nem todas as pontes são grandes, com grandes cargas e grandes vãos. Quase noventa por cento da 
malha viária do Brasil é composta de estradas não pavimentadas que escoam a produção agrícola 
desde os pontos de produção até as grandes rodovias. Nessas estradas vicinais, há pontes de 
madeira que têm um papel fundamental na cadeia produtiva do país. Veja esta tese que trata de 
estacas de madeira para pontes de madeira.
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