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AULA 15 - DORES NA COLUNA E IRRADIAÇÕES Objetivo: Identificar em modelos anatômicos e em exames de imagem a constituição morfológica e funcional da coluna vertebral. A coluna vertebral de um adulto é formada normalmente por 33 vertebras organizadas em cinco regiões: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas. As vértebras tornam-se maiores gradualmente, à medida que a coluna vertebral desce até o sacro, e depois tornam-se progressivamente menores em direção ao ápice do cóccix. A mudança de tamanho está relacionada com o fato de as vértebras sucessivas suportarem cada vez mais peso corporal, à medida que se desce a coluna vertebral. As vértebras atingem o tamanho máximo imediatamente acima do sacro, que transfere o peso para o cíngulo do membro inferior nas articulações sacroilíacas. A coluna vertebral é flexível porque é formada por muitos ossos relativamente pequenos, chamados vértebras, que são separados por discos intervertebrais elásticos. O tamanho e outras características das vértebras variam de uma região da coluna vertebral para outra e, em menor grau, dentro de cada região; entretanto, sua estrutura básica é igual. ➢ Vértebra típica A vértebra típica consiste em um corpo vertebral, um arco vertebral e sete processos. O corpo vertebral é a parte anterior do osso, de maiores proporções, aproximadamente cilíndrica, que confere resistência à coluna vertebral e sustenta o peso do corpo. O tamanho dos corpos vertebrais aumenta à medida que se desce na coluna, principalmente de T IV para baixo, pois cada um deles sustenta cada vez mais peso. O arco vertebral está situado posteriormente ao corpo vertebral e consiste em dois pedículos e lâminas (direitos e esquerdos). Os pedículos são processos cilíndricos sólidos e curtos que se projetam posteriormente do corpo vertebral para encontrar duas placas de osso largas e planas, denominadas lâminas, que se unem na linha mediana posterior. Sete processos originam-se do arco vertebral de uma vértebra comum: • Um processo espinhoso mediano projeta-se posteriormente a partir do arco vertebral na junção das lâminas • Dois processos transversos projetam-se posterolateralmente a partir das junções dos pedículos e lâminas • Quatro processos articulares — dois superiores e dois inferiores — também se originam das junções dos pedículos e lâminas, cada um deles apresentando uma face articular. Os processos espinhosos e transversos são locais de fixação dos músculos profundos do dorso e servem como alavancas, facilitando os músculos que fixam ou mudam a posição das vértebras. Os processos articulares estão em aposição aos processos correspondentes de vértebras adjacentes (superiores e inferiores) a eles, formando as articulações dos processos articulares (zigapofisárias). Esses processos determinam os tipos de movimentos permitidos e restritos entre as vértebras adjacentes de cada região. Os processos articulares também ajudam a manter alinhadas as vértebras adjacentes, particularmente evitando o deslizamento anterior de uma vértebra sobre outra. ➢ Vértebras cervicais As vértebras cervicais formam o esqueleto do pescoço, são as menores das 24 vértebras móveis e estão localizadas entre o crânio e as vértebras torácicas. As duas vértebras cervicais superiores são atípicas. A vértebra C I, também denominada atlas, é singular porque não tem corpo nem processo espinhoso. Os processos transversos do atlas originam-se das massas laterais, fazendo com que estejam posicionados lateralmente em relação aos das vértebras inferiores. Essa característica torna o atlas a mais larga das vértebras cervicais, o que proporciona maior alavanca para os músculos fixados. A vértebra C II, também denominada áxis, é a mais forte das vértebras cervicais. C I, que sustentam o crânio, gira sobre C II (p. ex., quando a pessoa diz “não” com a cabeça). A característica que distingue C II é o dente rombo, que se projeta do seu corpo para cima C II tem um grande processo espinhoso bífido que pode ser palpado profundamente no sulco nucal, o sulco vertical superficial no dorso do pescoço. Atlas, Vista superior Atlas, Vista inferior O atributo mais característico das vértebras cervicais é o forame transversário oval no processo transverso. Os processos transversos das vértebras cervicais terminam lateralmente em duas projeções: um tubérculo anterior e um tubérculo posterior. Os ramos anteriores dos nervos espinais cervicais seguem inicialmente sobre os processos transversos nos sulcos do nervo espinal entre os tubérculos. Os tubérculos anteriores da vértebra C6 são chamados de tubérculos caróticos,porque as artérias carótidas comuns podem ser comprimidas nesse local, no sulco entre o tubérculo e o corpo, para controlar o sangramento desses vasos. As vértebras C III a C VII são vértebras cervicais típicas. Os processos espinhosos das vértebras C III a C VI são curtos e geralmente bífidos em pessoas brancas, sobretudo homens. A C VII é uma vértebra saliente caracterizada por um processo espinhoso longo. Em função desse processo saliente, C VII é chamada de vértebra proeminente. ➢ Vértebras torácicas: As vértebras torácicas estão localizadas na parte superior do dorso, suas principais características são as fóveas costais para articulação com as costelas. Características: • Os processos espinhosos são muito inclinados • Corpo vertebral com formato de coração • Corpo com 1 ou 2 fóveas costais para articulação com a cabeça da costela • Forame vertebral circular e menor que os forames das vértebras cervicais e lombares • Processos transversos diminuem de T1 para T12 • Facetas articulares situam-se principalmente num plano frontal • Articulam-se com as costelas por meio do corpo vertebral e dos processos transversos • De T1 – T4 há algumas características comuns com as vértebras cervicais • T1 é atípica pois possui processo espinhoso longo quase horizontal * As vértebras T IX a T XII têm algumas características das vértebras lombares (p. ex., tubérculos semelhantes aos processos acessórios). No entanto, a maior parte da transição nas características da região torácica para a região lombar ocorre ao longo da extensão de uma única vértebra: T XII. ➢ Vértebras lombares • Possuem corpos grandes devido ao peso que sustentam aumentar em direção à extremidade inferior da coluna vertebral • L5 é a maior de todas as vértebras móveis. Distingue-se por seu corpo e processos transversos grandes. O peso do corpo é transmitido da vértebra L5 para a base do sacro, formado pela superfície superior da vértebra S1 • Os processos espinhosos são curtos e quadriláteros, situando-se no mesmo plano horizontal dos corpos vertebrais • Não apresentam fóvea costal e forame transverso • Facetas articulares estão situadas em um plano ântero-posterior de modo que se articulam quase em plano sagital • Forame vertebral triangular menor que o das cervicais e maior que o das torácicas ➢ Sacro O sacro, que é cuneiforme, geralmente é formado por cinco vértebras sacrais fundidas em adultos. Está situado entre os ossos do quadril e forma o teto e a parede posterossuperior da metade posterior da cavidade pélvica. O sacro garante resistência e estabilidade à pelve e transmite o peso do corpo ao cíngulo do membro inferior, o anel ósseo formado pelos ossos do quadril e o sacro, aos quais estão fixados os membros inferiores. O canal sacral é a continuação do canal vertebral no sacro. ➢ CÓCCIX: É um pequeno osso triangular que geralmente é formado pela fusão das quatro vértebras coccígeas rudimentares. ➢ As articulações da coluna vertebral incluem: ✓ Articulações dos corpos vertebrais ✓ Articulações dos arcos vertebrais ✓ Articulações craniovertebrais (atlantoaxiais e atlantoccipitais) ✓ Articulações costovertebrais(Articulação da cabeça da costela e a Articulação costotransversal) ✓ Articulações sacroilíacas. Em verde são as articulações citadas no roteiro. 1. Articulações dos corpos vertebrais: As articulações dos corpos vertebrais são sínfises (articulações cartilagíneas secundárias) destinadas a sustentação de peso e resistência. As faces articulares das vértebras adjacentes são unidas por discos intervertebrais e ligamentos. Os discos intervertebrais oferecem fixações fortes entre os corpos vertebrais, unindo-os em uma coluna vertebral semirrígida contínua e formando a metade inferior da margem anterior do forame intervertebral. Cada disco intervertebral é formado por um anel fibroso, uma parte fibrosa externa, composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, e uma massa central gelatinosa, denominada núcleo pulposo. 2.Articulações craniovertebrais (atlantoaxiais e atlantoccipitais): Existem dois grupos de articulações craniovertebrais, as articulações atlantoccipitais, formadas entre o atlas (vértebra C I) e o occipital no crânio, e as articulações atlantoaxiais, entre o atlas e o áxis (vértebra C II). As articulações craniovertebrais são articulações sinoviais que não têm discos intervertebrais. As articulações incluem os côndilos occipitais, o atlas e o áxis. • Articulações atlantoccipitais: situam-se entre as faces articulares superiores das massas laterais do atlas e os côndilos occipitais. O principal movimento é de flexão, com leve flexão lateral e rotação. São articulações sinoviais do tipo elipsóideo e têm cápsulas articulares finas e frouxas. O crânio e C I também estão unidos por membranas atlantoccipitais anterior e posterior, que se estendem dos arcos anterior e posterior de C I até as margens anterior e posterior do forame magno. • Articulações atlantoaxiais: Existem três articulações atlantoaxiais - duas articulações atlantoaxiais laterais (direita e esquerda) (entre as faces inferiores das massas laterais de C I e as faces superiores de C II), e uma articulação atlantoaxial mediana (entre o dente de C II e o arco anterior do atlas). As articulações atlantoaxiais laterais são sinoviais planas, enquanto a articulação atlantoaxial mediana é trocóidea. 2. Articulações costovertebrais (Articulação da cabeça da costela e a Articulação costotransversal): As articulações costovertebrais incluem a articulação da cabeça da costela, na qual a cabeça articula-se com dois corpos vertebrais adjacentes e o disco intervertebral entre eles, e a articulação costotransversária, na qual o tubérculo da costela articula-se com o processo transverso de uma vértebra. Peças do Morfo-Funcional Vértebras cervicais Vértebras torácicas Vértebras lombares ➢ Radiologia