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Química Geral II Dispersões Professor: Guilherme Siegfried Vergnano. 1 – Conceitos gerais São sistemas nos quais uma substância está disseminada em uma segunda substância. Na dispersão, a substância disseminada na forma de pequenas partículas é denominada de disperso, enquanto a outra é chamada de dispersante ou dispergente. De acordo com o tamanho médio das partículas do disperso, a dispersão pode ser classificada como: Nome da dispersão Tamanho médio das partículas Exemplo Soluções verdadeiras entre 0 a 1 nm açúcar na água Soluções coloidais entre 1 e 100 nm gelatina na água suspensões acima de 100 nm terra suspensa na água Obs.: 1nm (nanômetro) = 10–9 metros 2 – Soluções São misturas entre solutos (dispersos) e solventes (dispersantes). Genericamente, se diz que o componente presente em maior quantidade é o solvente e o de menor quantidade é o soluto. Classificação das soluções: a) Quanto ao estado de agregação: • soluções sólidas: ligas metálicas • soluções líquidas: sal em água • soluções gasosas: ar atmosférico b) Quanto à natureza do soluto: • soluções moleculares: açúcar em água • soluções iônicas: sal em água c) Quanto à proporção soluto e solvente: • solução diluída: contém pouco soluto em relação ao solvente. Ex.: 5g de NaCl em 1 litro de água • solução concentrada: as que contém muito soluto. Ex.: 50g de NaCl em 1 litro de água OBS.: Embora não exista um parâmetro rigoroso para essa avaliação, admite-se: • solução diluída: é aquela que contém, no máximo, 0,1 mol de soluto por litro de solução. • solução concentrada: é aquela que contém acima de 0,1 mol de soluto por litro de solução. d) Quanto à saturação: Coeficiente de solubilidade (Cs): indica a quantidade máxima de soluto que podemos dissolver em cada quantidade fixa de solvente sob determinadas condições de temperatura e pressão. Ex.: Cs do C12H22O11 = 204g de açúcar em 100g de H2O a 20ºC e 1 atm • solução insaturada: a quantidade de soluto é inferior ao seu coeficiente de solubilidade. Ex.: 150g de açúcar em 100g de H2O a 20ºC e 1 atm. • solução saturada: a quantidade de soluto é igual ao seu coeficiente de solubilidade. Ex.: 204g de açúcar em 100g de H2O a 20ºC e 1 atm. • solução supersaturada: a quantidade de soluto é superior ao seu coeficiente de solubilidade. Ex.: 205g de açúcar em 100g de H2O a 20ºC e 1 atm. Obs.: As soluções supersaturadas são instáveis, ou seja, com qualquer perturbação ou adição de um cristal (do próprio soluto), o excesso irá precipitar (na forma sólida), produzindo uma solução saturada com corpo de fundo. e) Curvas de solubilidade: São gráficos que relacionam a solubilidade de uma substância a uma determinada temperatura. GRÁFICO I − Todos os pontos que coincidem na curva (Região I) representam soluções saturadas. – Todos os pontos abaixo da curva (Região II) representam soluções insaturadas. – Todos os pontos acima da curva (Região III) representam soluções supersaturadas. GRÁFICO II – Curva I: representa a solubilidade de uma dissolução endotérmica, ou seja, a substância se dissolve com maior facilidade com o aumento da temperatura. – Curva II: representa a solubilidade de uma dissolução exotérmica, ou seja, a substância se dissolve com menor facilidade com a diminuição da temperatura. – Curva III: representa a solubilidade de uma substância hidratada. Os pontos a e b são chamados de pontos de inflexão que indicam uma mudança de estrutura do soluto. Ex.: 1 − CaCl2 • 4H2O → CaCl2 • 2H2O 2 − CaCl2 • 2H2O → CaCl2 3 − CaCl2 3 – Concentrações de soluções Para determinar a concentração de uma solução pode-se utilizar de duas ferramentas: regra de três ou a utilização de fórmulas. Quando utilizamos fórmulas, para facilitar o melhor entendimento dos vários tipos de concentração, vamos adotar a seguinte convenção: • Índice 1: para quantidades relativas ao soluto. • Índice 2: para quantidades relativas ao solvente. • Sem índice: para quantidades relativas à solução. a) Concentração (C) → É a relação entre a massa do soluto (m1) pelo volume da solução (V). 𝐂 = 𝐦𝟏 𝐕 OBS.: Chama-se concentração comum quando a massa do soluto for expressa em gramas e o volume da solução em litros. unidade: g/L ou g • L–1 b) Densidade (d) → É a relação entre a massa da solução (m) pelo volume da solução. 𝐝 = 𝐦 𝐕 lembre-se que m = m1 + m2 OBS.: Não existe uma unidade específica para densidade. Geralmente são g/mL ou g • mL−1 , e g/cm3 ou g • cm−3. c) Porcentagens: c.1 – Porcentagem em massa (Título – Ʈ) → É a relação entre a massa do soluto e a massa da solução. Ʈ = 𝐦𝟏 𝐦 lembre-se que m = m1 + m2 Ʈ = 𝐦𝟏 𝐦 • 𝟏𝟎𝟎 = % c.2 – Porcentagem em volume (Tv) → É a relação entre a o volume do soluto e o volume da solução. 𝐓𝐯 = 𝐯𝟏 𝐯 lembre-se que m = v1 + v2 𝐓𝐯 = 𝐯𝟏 𝐯 . 𝟏𝟎𝟎 = % c.3 – Partes por milhão (ppm) → Indica a quantidade em gramas do soluto em um milhão de gramas de solução. c.4 – Partes por bilhão (ppb) → Indica a quantidade em gramas do soluto em um bilhão de gramas de solução. c.5 – Partes por trilhão (ppt) → Indica a quantidade em gramas do soluto em um trilhão de gramas de solução. d) Concentração em quantidade de matéria [ ] → Indica o número de mols do soluto em um litro de solução. [ ] = n1 V se n1 = m1 MM então [ ] = m1 MM • V unidade: mol/L ou mol.L−1 e) Fração em mols (X) → É a relação entre o número de mols do soluto e o número de mols do solvente. Fração em mols do soluto (X1) Fração em mols do solvente (X2) A soma de X1 + X2 é X1 = 𝐧𝟏 𝐧𝟏+𝐧𝟐 X2 = 𝐧𝟐 𝐧𝟏+𝐧𝟐 sempre igual a 1. f) Molalidade (W) → Indica a quantidade de matéria (n1) dissolvido em 1 Kg de solvente (m2). W = 𝐧𝟏 𝐦𝟐 unidade: molal, mol/Kg ou mol . Kg−1 g) Algumas relações entre os diferentes tipos de soluções. Quando a C e a d apresentam a mesma unidade ( g/L ou mg/cm3) utilizar a fórmula: C = d . Ʈ Se a C for g/L e a d for mg/cm3 utilizar a fórmula: C = 1000 . d . Ʈ C = [ ] . MM d . Ʈ = [ ] . MM ou 1000 . d . Ʈ = [ ] . MM (0 mesmo caso acima). 4 – Diluição de soluções Concentração inicial Concentração fina Fórmula de diluição Concentração comum Ci = m1 Vi Cf = m1 Vf Ci . Vi = 𝐂𝐟 . Vf Título Ʈi = m1 Vi Ʈf = m1 Vf Ʈi . mi = Ʈf . mf Concentração em quantidade de matéria [ ]i = n1 Vi [ ]’ = n1 Vf [ ]i . Vi = [ ]f . Vf Lembrem-se que Vi + Vsolvente adicionado = Vf 5 – Mistura de soluções a) de mesmo soluto Solução A Solução B Solução final CA = mA VA CB = mB VB Cf = mf Vf CA . VA = mA CB . VB = mB Cf . Vf = mf Se a massa final do soluto é mA + mB = mf , então: CA . VA + CB . VB = Cf . Vf . O mesmo raciocínio pode ser aplicado para as demais concentrações. Lembrem-se que VA + VB = Vf . Para concentração em quantidade de matéria: [ ]A . VA + [ ]B . VB = [ ]f . Vf Para o título: ƮA . VA + ƮB . VB = Ʈf . Vfb) de solutos diferentes sem reação V = 1 L V = 1L V = 2 L Notamos que as concentrações de matéria na solução final permanecem constantes. Só ocorre mudança no volume final e, consequentemente, altera as concentrações finais dos solutos. Portanto trata-se apenas de uma diluição. Para o NaOH: [ ]i . Vi = [ ]f . Vf → 0,1 . 1 = [ ]f . 2 → [ ]f = 0,05 mol/L Para o NaCl: [ ]i . Vi = [ ]f . Vf → 0,2 . 1 = [ ]f . 2 → [ ]f = 0,1 mol/L c) de solutos diferentes com reação → É preciso saber equacionar a equação, balancear a mesma e reconhecer as proporções em mols dos reagentes e produtos. Exemplo 1: Inadvertidamente, uma pessoa deixou cair 2 pastilhas de NaOH(S) em um béquer que continha 100mL de HCℓ 0,06 mol/L. Que quantidade de HCℓ, em mol, restou na solução remanescente? Dado: massa de 1 pastilha de NaOH = 0,02 g 1º passo: Equacione a reação. Essa reação é entre duas substâncias composta e, consequentemente, é uma reação de neutralização. HCl(aq) + NaOH(aq) → NaCl(aq) + H2O(aq) 2º passo: Faça o balanceamento da equação. HCl(aq) + NaOH(aq) → NaCl(aq) + H2O(aq) 3º passo: Determinar o número de mols de cada reagente. 2 pastilhas de NaOH = 0,04 g 𝑛1 = m1 massa molar → 𝑛1 = 0,04 40 → 𝑛1 = 0,001 mol. Para o HCl: [ ] = n1 V → 0,06 = n1 0,1 → n1 = 0,006 mol 4º passo: Fazer a relação de números de mols dos reagentes 1mol de HCl -------- 1 mol de NaOH x mol de HCl -------- 0,001 mol de NaOH x = 0,001 mol gasto de HCl Quantidade inicial: 0,006 mol – 0,001 = 0,005 mol de ácido remanescente. Exemplo 2: São misturados 250 mL de solução 2 mol/L de HCℓ com 1 L de solução de Ca(OH)2 0,5 mol/L. Calcule: a) o excesso de reagente em mols; 1º passo: Equacione a reação. Essa reação é entre duas substâncias composta e, consequentemente, é uma reação de neutralização. HCl(aq) + Ca(OH)2(aq) → CaCl2(aq) + H2O(aq) 2º passo: Faça o balanceamento da equação. 2 HCl(aq) + Ca(OH)2(aq) → CaCl2(aq) + 2 H2O(aq) 3º passo: Determinar o número de mols de cada reagente. Para o HCl: [ ] = n1 V → 2 = n1 0,25 → n1 = 0,5 mol Para o Ca(OH)2: [ ] = n1 V → 0,5 = n1 1 → n1 = 0,5 mol de Ca(OH)2 4º passo: Fazer a relação de números de mols dos reagentes 2 mols de HCl ------- 1 mol de Ca(OH)2 2 mols de HCl ------- 1 mol de Ca(OH)2 0,5 mol de HCl ------- x mol de Ca(OH)2 y mols de HCl ------- 0,5 mol de Ca(OH)2 x = 0,25 mol de Ca(OH)2 y = 1mol de HCl (0,5 > 0,25) Reagente em excesso (0,5