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ACT - FARMACOLOGIA UC2 ACT 1 - Caracterização das bactérias O QUE É CEPA? Cepa é um termo utilizado principalmente em microbiologia para designar uma variação genética dentro de uma espécie de micro-organismo, como bactérias, vírus ou fungos. Mesmo pertencendo à mesma espécie, diferentes cepas podem ter características fenotípicas, bioquímicas ou genéticas distintas. Isso significa que duas cepas da mesma bactéria podem ter comportamentos diferentes, como maior ou menor capacidade de causar doença (virulência), resistência a antibióticos, produção de toxinas ou até diferenças na resposta imunológica que provocam no hospedeiro. Por exemplo, a bactéria Escherichia coli tem inúmeras cepas: algumas vivem normalmente no intestino humano sem causar problema algum, fazendo parte da microbiota saudável; outras, como a E. coli O157:H7, são altamente patogênicas e causam quadros graves de infecção intestinal e até morte. Esse tipo de diferença está justamente na definição de cepa. Além disso, em virologia, como no caso de variantes do vírus da gripe ou do SARS-CoV-2, usamos “cepa” para indicar mutações específicas que podem alterar a transmissibilidade, virulência ou escape imune, até mesmo tornando as vacinas ineficazes. Por isso precisamos ser constantemente vacinados contra a gripe: pela quantidade de cepas existentes do vírus influenza e a VARIABILIDADE GENÉTICA DESSES MICROORGANISMOS. POR QUE ISSO É IMPORTANTE? Saber a cepa de um microorganismo ajuda a escolher os tratamentos e antibióticos certos. Duas cepas da mesma bactéria podem ter respostas completamente diferentes ao mesmo antibiótico. O clássico é o Staphylococcus aureus: uma cepa pode ser tratada tranquilamente com oxacilina, enquanto outra — a famosa MRSA (Methicillin-Resistant Staphylococcus aureus) — não responde a quase nenhum antibiótico comum e precisa de drogas mais potentes e específicas, como a vancomicina. O QUE É MICROBIOTA? Microbiota é o conjunto de micro-organismos vivos que habitam um determinado ambiente do corpo humano ou de outro ser vivo, de forma geralmente benéfica ou comensal (ou seja, sem causar dano). Esses micro-organismos incluem bactérias, fungos, vírus e, em menor número, protozoários. Cada local do corpo (como intestino, pele, boca, trato respiratório, trato geniturinário) abriga uma microbiota distinta, especializada em viver nas condições daquele ambiente, e que PODE SER PATOGÊNICA CASO SAIA DAQUELE SÍTIO ANATÔMICO ESPECÍFICO. Uma bactéria que habita a pele, caso haja uma ferida e ela tenha acesso a circulação sistêmica, pode gerar uma infecção. A microbiota intestinal é a mais estudada e possui funções fundamentais para a saúde: auxilia na digestão e absorção de nutrientes, produz vitaminas (como vitamina K e algumas do complexo B), estimula e modula o sistema imunológico e impede a colonização por patógenos (efeito de exclusão competitiva). A composição da microbiota é única para cada indivíduo, moldada desde o nascimento (parto vaginal ou cesárea), alimentação, uso de medicamentos como antibióticos, estilo de vida e até o ambiente onde a pessoa vive. Quando há desequilíbrio nessa comunidade microbiana (disbiose) pode haver associação com várias doenças, como obesidade, diabetes, doenças inflamatórias intestinais, etc. A barreira anatômica entre os sistemas (pele, mucosas, trato gastrointestinal, geniturinário, etc.) é essencial para manter essa ordem. Se essa barreira é rompida — por trauma, cirurgia, imunossupressão ou até por uso de antibióticos que desregulam a microbiota —, as bactérias oportunistas aproveitam a chance. Por exemplo, a Escherichia coli vive tranquilamente no intestino grosso. Mas se ela migra para o trato urinário (pela uretra), pode causar infecção urinária — que é uma das infecções mais comuns em mulheres. Outro exemplo: Staphylococcus aureus pode estar presente na pele ou nas narinas sem causar nada, mas se entrar em contato com a corrente sanguínea (por ferida, cirurgia, ou cateter), pode causar septicemia ou endocardite, doenças graves. Esse fenômeno é ainda mais evidente em pacientes hospitalizados ou imunossuprimidos. Bactérias como Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Pseudomonas aeruginosa — todas podem fazer parte da microbiota intestinal — mas se colonizarem os pulmões ou a corrente sanguínea, causam infecções graves, especialmente em UTIs. BACTÉRIAS COMUNITÁRIAS E HOSPITALARES Uma bactéria comunitária é aquela que provoca infecção fora do ambiente hospitalar, ou seja, em indivíduos que não estão internados ou que não tiveram contato recente com ambientes de saúde. Essas bactérias geralmente têm um perfil de sensibilidade maior a antibióticos, porque estão menos expostas à pressão seletiva causada pelo uso frequente de antimicrobianos. Um exemplo clássico é a Streptococcus pyogenes, que causa amigdalites e faringites em crianças, ou a E. coli, causadora de infecção urinária simples em mulheres saudáveis. Em geral, essas infecções são tratadas com antibióticos de uso comum na prática clínica. Já uma bactéria hospitalar, também chamada de nosocomial, é aquela associada a infecções que ocorrem durante a internação hospitalar ou em pacientes que estiveram recentemente em serviços de saúde, como hemodiálise, internação, cirurgia, etc. Elas são perigosas porque têm alto nível de resistência a antibióticos, resultado da pressão seletiva intensa nesses ambientes (conhecidas como as superbactérias). Essas bactérias costumam ser mais agressivas e difíceis de tratar, exigindo antibióticos de amplo espectro ou de uso restrito. Exemplos incluem Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC), e o famoso Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). Além da resistência, essas bactérias têm maior capacidade de formar biofilmes e invadir tecidos em pacientes debilitados, com dispositivos invasivos ou imunossuprimidos. BIOFILME: Comunidade de micro-organismos (geralmente bactérias) que se aderem a superfícies e ficam envoltas por uma matriz protetora de muco (matriz extracelular) produzida por elas mesmas. Essa estrutura protege contra antibióticos e o sistema imune, tornando infecções mais difíceis de tratar. Bactérias formam biofilme em cateteres, próteses, válvulas cardíacas e dentes (placa bacteriana). PRINCIPAIS APRESENTAÇÕES MORFOLÓGICAS DAS BACTÉRIAS - Cocos são esféricos e podem se organizar em cadeias (Streptococcus) ou em cachos (Staphylococcus), e essa disposição já orienta o diagnóstico microbiológico. - Bacilos são em forma de bastonete, com variações na espessura e na extremidade. - Espirilos e espiroquetas são helicoidais, e têm uma capacidade de mobilidade aumentada graças à presença de flagelos, e isso os torna especialistas em invadir tecidos profundos, como é o caso do Treponema pallidum (sífilis). - Vibriões têm formato de vírgula e são adaptados ao ambiente aquático, como o Vibrio cholerae, que causa cólera. Além disso, a presença de cápsula (Streptococcus pneumoniae), flagelos (Salmonella), fímbrias e pili (E. coli uropatogênica) são fatores de virulência que aumentam sua capacidade de causar infecção. A cápsula ajuda na evasão do sistema imune, os flagelos na motilidade e os pili na adesão a tecidos específicos. As bactérias também se diferenciam pela capacidade de formar esporos, como Clostridium e Bacillus, o que lhes permite sobreviver em ambientes extremos (falta de nutrientes, calor, radiação). Uma vez formados, esses esporos não são células ativas, mas ficam "dormentes" e podem sobreviver por anos no ambiente. Eles conseguem se dispersar facilmente pelo ar. Quando encontram um ambiente propício, como tecido lesionado e anaerobiose, germinam e a bactéria volta à sua forma ativa, capaz de causar infecção. A maioria das bactérias formadoras de esporos clinicamente importantes são anaeróbias DIFERENÇAS ENTRE AS BACTÉRIAS PELA COLORAÇÃO GRAM O que realmente importa para amedicina são as características da parede celular, principalmente a diferença entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Essa diferença está na estrutura da parede de peptidoglicano e na presença ou ausência de uma membrana externa. - GRAM POSITIVAS têm uma parede espessa de peptidoglicano que retém o cristal violeta, não possuem membrana externa, e são geralmente mais sensíveis à penicilina e antibióticos beta-lactâmicos. - GRAM NEGATIVAS têm uma parede mais fina, mas possuem uma membrana externa com lipopolissacarídeos (LPS), que são altamente inflamatórios (endotoxina) e essa estrutura as torna mais resistentes a muitos antibióticos. - Outras diferenças envolvem a presença de esporos (mais comum em Gram-positivas, como Clostridium e Bacillus) DIFERENÇA DE BACTÉRIAS ANAERÓBICAS DAS DEMAIS COM RELAÇÃO A SUAS INFECÇÕES O que define uma bactéria anaeróbia é sua intolerância ao oxigênio — algumas não sobrevivem nem a exposições breves a ele (anaeróbias estritas), enquanto outras até toleram pequenas quantidades (anaeróbias tolerantes). As infecções causadas por anaeróbias geralmente ocorrem em ambientes com pouco ou nenhum oxigênio, como tecidos profundos, cavidades fechadas e regiões com necrose ou má perfusão sanguínea. São comuns em locais como o intestino grosso, trato geniturinário, gengivas, feridas profundas e abscessos. Quando a barreira anatômica é rompida (trauma, cirurgia, perfuração intestinal), essas bactérias aproveitam a ausência de oxigênio para crescer e causar doença. Diferente das aeróbias, as infecções anaeróbias costumam ser mais insidiosas e crônicas, geram muito pus e odor fétido, formam gás nos tecidos (gangrena gasosa), e frequentemente exigem drenagem cirúrgica, além de antibióticos específicos como metronidazol ou clindamicina, já que muitos anaeróbios são naturalmente resistentes a penicilinas simples. - As bactérias anaeróbias já vivem no corpo, principalmente em locais naturais sem oxigênio como o intestino grosso, boca, trato genital e pele profunda. Elas fazem parte da microbiota normal. Você se infecta quando essas bactérias saem do lugar certo (por trauma, cirurgia, perfuração, necrose) e invadem tecidos profundos e mal oxigenados, onde conseguem crescer. Fora do corpo, elas sobrevivem em ambientes fechados, sujos, com tecidos mortos ou esporos (como Clostridium, que resiste ao oxigênio na forma de esporo até encontrar um ambiente anaeróbico). As aeróbias causam infecções mais comuns e agudas (como pneumonias, infecções urinárias, faringites, meningites)em tecidos bem oxigenados. Crescem facilmente em culturas normais, e respondem a uma variedade maior de antibióticos, pois são naturalmente de ambientes menos extremos e portanto possuem menos adaptações de sobrevivência. TABELA DE PRINCIPAIS BACTÉRIAS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA MICROORGANIS MO TIPO SÍTIO ANATÔMICO COMUNITÁRIO OU HOSPITALAR DOENÇAS SINTOMAS Staphylococcus aureus GRAM + COCO Pele, nasofaringe e mucosas AMBOS Impetigo (infecção pele), endocardite, pneumonia pós viral Pus, dor, febre, lesão cutânea, dispneia, tosse, hipotensão, vômitos Staphylococcus Epidermidis GRAM + COCO Pele, mucosas HOSPITALAR Infecção de corrente sanguínea associada a cateter,Endocar dite de válvula protética, Infecção de shunt de derivação ventricular, Infecção urinária associada à sonda vesical Febre persistente em pacientes com dispositivos, Inflamação local discreta, Sinais de sepse leve ou moderada Em endocardite: sopro novo, febre prolongada, sinais sistêmicos Streptococcus pyogenes GRAM + COCO Orofaringe, pele. Comunitário faringite, escarlatina, impetigo, erisipela, febre reumática, glomerulonefrite pós-estreptocócic a Dor de garganta, febre, exsudato tonsilar, lesão cutânea vermelha, dor articular, edema, hematúria e necrose de tecidos. Streptococcus Pneumoniae GRAM+ DIPLOCOCO Nasofaringe, trato respiratório superior Comunitário pneumonia, otite média, sinusite, meningite e sepse febre alta, tosse com escarro purulento, dor torácica, otalgia, cefaleia, rigidez de nuca, vômito e rebaixamento do nível de consciência Streptococcus Agalactiae GRAM + COCO TGI, genitourinário Hospitalar sepse neonatal precoce, meningite neonatal, corioamnionite, infecção puerperal e ITU em gestantes e idosos. febre, hipotonia, dificuldade respiratória, irritabilidade, fontanela abaulada, febre intraparto, dor abdominal, corrimento e disúria. Enterococcus sp. - ESPECIALMEN TE O FAECALIS. GRAM + COCO Intestino grosso e trato genitourinário Hospitalar ITU (infecção urinária), endocardite, peritonite, infecção intra-abdominal disúria (dor ao urinar), febre, dor lombar, sopro cardíaco, dor abdominal e sinais de sepse. Escherichia Coli GRAM - BACILO Intestino grosso AMBAS ITU, pielonefrite, sepse, diarreia infecciosa, meningite neonatal e abscesso intra-abdominal disúria, febre, dor lombar, dor abdominal, fezes líquidas +sangue, vômito, rebaixamento consciência em recém-nascidos Klebsiella spp. POSSUI TRÊS CEPAS. GRAM - BACILO trato gastrointestinal e respiratório, podendo colonizar equipamentos hospitalares. Hospitalar pneumonia nosocomial, ITU, sepse, infecção de feridas cirúrgicas e abscessos hepáticos febre alta, escarro espesso e amarelado, dor torácica, disúria, dor no hipocôndrio direito e sinais de infecção generalizada Citrobacter spp. GRAM - BACILO trato intestinal, mas é oportunista em ambientes hospitalares, especialmente em neonatal Hospitalar Meningite e abscessos cerebrais em recém-nascidos - ITU e sepse irritabilidade, febre, fontanela abaulada, convulsões, disúria e rebaixamento do nível de consciência. Salmonella spp. GRAM - BACILO É adquirida por alimentos contaminados e reside transitoriament e no intestino humano. Comunitário Gastroenterite, febre entérica (febre tifoide), bacteremia e, em casos graves, abscessos e osteomielite (em pacientes com anemia falciforme) febre alta, diarreia aquosa ou com sangue, dor abdominal, vômito, mal-estar e rash cutâneo (roséola tífica). Neisseria meningitidis. GRAM- DIPLOCOCO Coloniza a nasofaringe de forma assintomática em até 10% da população. Comunitário meningite bacteriana, meningococce mia (sepse fulminante), pneumonia, artrite séptica e pericardite. febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca, náuseas, vômitos, fotofobia, confusão mental, petéquias, púrpura, hipotensão e sinais de choque séptico. Neisseria gonorrhoeae GRAM - DIPLOCOCO mucosas humanas, colonizando o trato genital, reto, faringe e conjuntiva após transmissão sexual. Comunitária uretrite, cervicite, doença inflamatória pélvica (DIP), faringite, conjuntivite neonatal e gonorreia disseminada (artrite séptica, tenossinovite, lesões cutâneas). corrimento uretral purulento, disúria, dor pélvica, sangramento intermenstrual, dor à relação sexual, dor retal, faringite assintomática ou dolorosa, e em recém-nascido, conjuntivite com exsudato purulento intenso. Lactobacillus spp. GRAM + BACILO Vagina, intestino, cavidade oral Comunitário Em condições normais, não causa doenças, mas pode estar envolvido em bacteriemias raras em imunossuprimid os ou após procedimentos invasivos. Sintomas clínicos são incomuns, e sua ausência ou redução está associada à vaginose bacteriana (por desequilíbrio da flora vaginal). Clostridium spp. ANAERÓBICO Intestino, solo AMBAS Clostridium difficile: colite pseudomembra nosa associada ao uso de antibióticos; Clostridium tetani: tétano por contaminação de feridas com esporos; Clostridium botulinum: botulismo alimentar ou por ferida; Clostridium perfringens: gangrena gasosa e enterite necrótica. C. difficile:diarreia aquosa, dor abdominal, febre; C. tetani: rigidez muscular, trismo (travamento da mandíbula), espasmos; C. botulinum: paralisia flácida, visão dupla, dificuldade respiratória; C. perfringens: dor intensa, necrose tecidual, crepitação por gás. Candida albicans FUNGO DIMÓRFICO mucosa oral, vaginal, trato GI e pele. AMBAS, depende da imunidade do hospedeiro candidíase oral (sapinho), esofágica, vaginal, intertrigo, onicomicose e candidemia em pacientes prurido, corrimento branco espesso (tipo leite coalhado), dor ao engolir (esofagite), placas brancas imunossuprimid os ou em UTI. na mucosa, eritema em dobras cutâneas e febre persistente (em candidemia) Pseudomonas sp. GRAM- BACILO altamente resistente e oportunista Habita ambientes úmidos (água, pia, equipamentos hospitalares), mas pode colonizar a pele, ouvidos, trato urinário e respiratório. Hospitalar pneumonia hospitalar associada à ventilação mecânica), ITU, otite maligna, foliculite (em banheiras), bacteremia, infecções em queimados febre alta, secreção purulenta verde/azul, dor torácica, disúria, dor auricular intensa e lesões cutâneas necróticas. ACT 2 - cocos gram positivos de interesse médico Principais gêneros de cocos de importância médica. Staphylococcus, Streptococcus, Enterococcus e Neisseria. - Staphylococcus: É formado por cocos gram-positivos que se organizam em cachos, como cachos de uva, visíveis ao microscópio. São catalase positivos — significa que a bactéria produz a enzima catalase, que quebra peróxido de hidrogênio (H₂O₂) em água e oxigênio (faz bolhas). Isso é importante porque ajuda a diferenciar bactérias morfologicamente parecidas, como Staphylococcus (catalase-positivo) e Streptococcus (catalase-negativo). Além disso, estar catalase-positivo indica certa resistência ao estresse oxidativo, ajudando a bactéria a sobreviver na presença de células do sistema imune. O mais relevante é o Staphylococcus aureus, que pode causar infecções de pele, abcessos, osteomielite, endocardite e até septicemia. Ele tem uma alta capacidade de desenvolver resistência, sendo o MRSA (resistente à meticilina) um grande desafio hospitalar. Já os Staphylococcus coagulase-negativos, como S. epidermidis, são menos virulentos, mas se aproveitam de dispositivos médicos como cateteres e próteses para causar infecções oportunistas. Para diferenciar dois staphylococcus, é necessário fazer o teste da coagulase. O aureus é positivo, e o epidermidis é negativo. - Streptococcus: também são cocos gram-positivos, mas ao contrário dos estafilococos, se dispõem em cadeias ou pares e são catalase-negativos. Dentro desse grupo, a classificação é feita por hemólise em ágar-sangue. S. pyogenes (grupo A) é beta-hemolítico e altamente invasivo, causador de faringites, erisipela, escarlatina e febre reumática. S. agalactiae (grupo B) está associado a infecções neonatais, como meningite e sepse. Já S. pneumoniae, alfa-hemolítico e com cápsula espessa, é o principal agente da pneumonia comunitária e também pode causar otite, meningite e sinusite. - Enterococcus, embora morfologicamente parecido com os estreptococos, tem características bioquímicas próprias. São cocos gram-positivos que habitam o intestino e são naturalmente mais resistentes a condições adversas e a muitos antibióticos. E. faecalis e E. faecium são os mais relevantes, causando infecções urinárias, endocardite e infecções intra-abdominais, especialmente em pacientes hospitalizados. Eles se destacam pela resistência intrínseca a muitos antibióticos e pela capacidade de adquirir resistência adicional, como os VRE (enterococcus resistentes à vancomicina). - Neisseria foge do padrão dos outros por ser composta de cocos gram-negativos, geralmente em diplococos (pares com aspecto de grão de café). São aeróbias e oxidase-positivas. Neisseria meningitidis causa meningite meningocócica e septicemia, sendo transmitida por vias aéreas superiores e com potencial para surtos em ambientes fechados. Já Neisseria gonorrhoeae é a agente da gonorreia, uma infecção sexualmente transmissível, que afeta o trato geniturinário inferior e, se não tratada, pode gerar complicações como DIP (doença inflamatória pélvica) e infertilidade. CLASSIFICAÇÃO POR CAPACIDADE DE HEMÓLISE Hemólise em ágar-sangue é a capacidade que uma bactéria tem de lisar (destruir) os glóbulos vermelhos presentes em um meio de cultura chamado ágar-sangue. Essa reação é observada como uma alteração na cor ou na transparência do meio ao redor das colônias bacterianas, e é usada para classificar e identificar principalmente estreptococos, mas também outras bactérias. Existem três tipos principais de hemólise: ● Beta-hemólise (β): destruição total dos glóbulos vermelhos → forma uma área clara e transparente ao redor da colônia. Ex: Streptococcus pyogenes e Agalactiae. ● Alfa-hemólise (α): destruição parcial → forma uma área esverdeada ao redor da colônia devido à oxidação da hemoglobina. Ex: Streptococcus pneumoniae. ● Gama-hemólise (γ): nenhuma hemólise → o ágar permanece inalterado ao redor da colônia. Ex: Enterococcus faecalis. PRINCIPAIS FONTES DE CONTAMINAÇÃO Staphylococcus: especialmente S. aureus, tem como principal fonte a própria pele e mucosas do nariz de portadores assintomáticos. A contaminação ocorre por contato direto com a pele, secreções ou objetos contaminados (fômites), principalmente em feridas, procedimentos cirúrgicos e uso de dispositivos invasivos. Já os Staphylococcus coagulase-negativos, como S. epidermidis, vêm da flora normal da pele e contaminam cateteres, próteses e válvulas cardíacas, causando infecções oportunistas. Streptococcus: varia conforme a espécie. S. pyogenes (grupo A) é transmitido por gotículas respiratórias e contato direto com secreções ou lesões de pele. S. pneumoniae habita a nasofaringe e também é transmitido por aerossóis e contato com secreções respiratórias, sendo comum em surtos em creches e lares. S. agalactiae coloniza o trato genital feminino e pode ser transmitido verticalmente da mãe para o recém-nascido no parto, causando sepse neonatal. Enterococcus: E. faecalis e E. faecium, faz parte da microbiota do trato gastrointestinal e geniturinário inferior. A contaminação acontece principalmente por autoinoculação ou durante procedimentos médicos, como sondagens urinárias, cirurgias e antibioticoterapia prolongada, que favorecem infecção oportunista e resistência antimicrobiana (ex: VRE). Neisseria: tem duas espécies de destaque, com fontes diferentes. N. meningitidis se transmite por gotículas respiratórias, com colonização inicial da nasofaringe — pode permanecer assintomática ou invadir a corrente sanguínea e o SNC. Já N. gonorrhoeae é exclusivamente sexual — transmite-se por contato com secreções genitais contaminadas, colonizando o trato geniturinário inferior, podendo ascender e causar doença inflamatória pélvica. INFECÇÕES CAUSADAS POR ESSAS BACTÉRIAS Staphylococcus aureus causa infecções de pele (impetigo, furúnculo, celulite), pneumonia, osteomielite, endocardite, bacteremia e síndrome do choque tóxico. Em ambiente hospitalar, pode infectar próteses, cateteres e feridas cirúrgicas. MRSA é resistente e comum em hospitais. Staphylococcus coagulase-negativo (ex: S. epidermidis) é menos virulento, mas causa infecções associadas a cateteres, próteses e válvulas cardíacas, principalmente em pacientes imunocomprometidos. Streptococcus pyogenes (grupo A) causa faringite, escarlatina, impetigo, erisipela, celulite e pode levar a febre reumática e glomerulonefrite pós-infecção. Streptococcus pneumoniae é causa frequente de pneumonia comunitária, meningite, otite média, sinusite e bacteremia, especialmente em extremos de idade. Streptococcus agalactiae (grupo B) provoca sepse, pneumonia e meningite em recém-nascidos, geralmente transmitido no parto. Em adultos,pode causar ITU e infecções de feridas. Enterococcus faecalis/faecium causam ITU (sobretudo com sonda), endocardite, peritonite, infecção intra-abdominal e bacteremia hospitalar. Resistência à vancomicina (VRE) é relevante. Neisseria meningitidis provoca meningite bacteriana e meningococcemia (sepse fulminante com púrpura). Transmitida por gotículas, com potencial epidêmico. Neisseria gonorrhoeae causa gonorreia (uretrite, cervicite), DIP, orofaringite, proctite e artrite gonocócica disseminada. É IST e frequentemente resistente a múltiplos antibióticos. DESAFIO: Gilnara, 47 anos, usava um cateter central para a administração de quimioterápicos diretamente em sua circulação. Sempre muito cuidadosa com a limpeza para evitar contaminações. Entretanto num dia seu marido curioso ficou mexendo com seu dedo no acesso e por fim Gilnara fez um quadro de infecção sistêmica associada ao cateter. A. Quais os prováveis agentes etiológicos desta infecção? Staphylococcus aureus ou epidermidis (agente mais frequente em infecção associada a cateter) da pele do marido de Gilnara adentrou a circulação sistêmica dela, causando um quadro infeccioso. Talvez possa ser um Streptococcus pyogenes, pois ele também habita a pele. B. A prova da catalase poderia auxiliar neste processo de identificação? Como? A prova da catalase é um teste laboratorial simples usado para detectar a presença da enzima catalase em bactérias. A catalase quebra o peróxido de hidrogênio (H₂O₂) em água e oxigênio, e isso gera liberação de bolhas. Ajuda no diagnóstico microbiológico pois diferencia Staphylococcus de Streptococcus, duas bactérias morfologicamente muito parecidas. A) Avalie os dois antibióticos abaixo e sem exame algum, escolha um tratamento para Gilnara. MEDICAMENTO DOSE ESPECTRO DE AÇÃO ÁCIDO NALIDÍXICO 500mg bacilos e cocos GRAM NEGATIVOS CEFTRIAXONA 2g cocos GRAM POSITIVOS, negativos, bacilos gram negativos O melhor tratamento para Gilnara seria a Ceftriaxona, pois as duas principais hipóteses diagnósticas englobam COCOS GRAM POSITIVOS (staphylococcus e streptococcus), logo, o medicamento têm de agir sobre esse tipo de bactéria específica. Além disso, essa droga possui um espectro de ação mais amplo, atuando sobre outras classes de bactérias, garantindo uma eficácia e possibilidade de acerto terapêutico maiores. Ideal como terapia empírica inicial enquanto se aguarda cultura. ACT 3 - Bacilos de importância médica ELENCAR AS PRINCIPAIS ENTEROBACTÉRIAS As principais enterobactérias de relevância médica incluem Escherichia coli, Salmonella spp., Shigella spp., Proteus mirabilis e Klebsiella pneumoniae. Todas são bacilos Gram-negativos, oxidase-negativos, fermentadores de glicose e vivem ou infectam predominantemente o trato gastrointestinal. - Escherichia coli: Parte da microbiota intestinal humana, mas possui cepas patogênicas capazes de causar infecções intestinais e extraintestinais. Ela é a causa mais comum de infecção do trato urinário, especialmente em mulheres, além de estar envolvida em pielonefrite, septicemia, meningite neonatal e infecções intra-abdominais. Algumas cepas específicas, como EHEC (produtora de toxina Shiga), causam colite hemorrágica e podem levar à síndrome hemolítico-urêmica. - Salmonella spp., principalmente S. enterica, são patógenos intestinais adquiridos por ingestão de alimentos contaminados, como ovos ou carnes cruas. Podem causar desde gastroenterite autolimitada até formas mais invasivas como febre tifóide, que cursa com bacteremia, hepatoesplenomegalia e distúrbios intestinais graves. É uma infecção associada a má higiene alimentar e é frequentemente identificada em surtos. - Shigella spp., altamente patogênica, causa disenteria bacilar, uma diarreia com sangue, muco e pus. A infecção ocorre com ingestão de uma quantidade mínima de bactérias e é comum em ambientes com saneamento básico precário, afetando principalmente crianças. Ela invade células do cólon e libera toxinas que provocam inflamação intensa, febre e tenesmo. - Proteus mirabilis é notável por sua capacidade de produzir urease, o que aumenta o pH urinário e favorece a formação de cálculos de estruvita. Ele é uma das principais causas de infecção urinária complicada, especialmente em pacientes sondados ou com malformações urinárias. É altamente motil, o que contribui para sua disseminação no trato urinário. - Klebsiella pneumoniae, por sua vez, é um patógeno oportunista associado a infecções hospitalares, como pneumonia (principalmente em alcoólatras e pacientes em ventilação mecânica), infecções urinárias, septicemias e abscessos hepáticos. Possui cápsula espessa, que aumenta sua resistência à fagocitose e a diversos antibióticos, sendo frequente a presença de cepas multirresistentes (KPC – Klebsiella produtora de carbapenemase). Diferenciar as enterobactérias dos bacilos não fermentadores quanto a sua origem e foco de contaminação. As enterobactérias têm origem primária no trato gastrointestinal humano e animal. Elas fazem parte da microbiota intestinal e são eliminadas pelas fezes (via biliar). Por isso, a contaminação geralmente ocorre por via fecal-oral, através de alimentos ou água contaminados, ou por auto inoculação (pessoa leva as bactérias da sua microbiota natural para um local do corpo onde elas não deveriam estar, provocando infecção). Seu foco de infecção mais comum está em locais onde normalmente não deveriam estar, como o trato urinário, a corrente sanguínea, feridas cirúrgicas e outros tecidos extra intestinais. As infecções intestinais também são comuns, especialmente com cepas patogênicas de E. coli, Shigella e Salmonella — Isso acontece por ingestão de cepas exógenas patogênicas (que não fazem parte da sua microbiota), disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) por antibióticos, doenças ou dieta pobre e sistema imune enfraquecido. Elas são frequentemente responsáveis por infecções comunitárias, mas também atuam como agentes hospitalares, sobretudo em infecções urinárias e intra-abdominais. Já os bacilos não fermentadores, como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii, não têm origem intestinal. Eles são ambientais, sendo encontrados na água, solo, superfícies úmidas e equipamentos hospitalares. São geralmente inócuos para pessoas saudáveis, mas causam infecções graves e oportunistas em pacientes imunossuprimidos, hospitalizados, com feridas abertas ou em uso de dispositivos invasivos. O foco de contaminação está relacionado a ambientes hospitalares — como respiradores, cateteres, lavatórios, soluções contaminadas — e eles são notórios por causarem pneumonias nosocomiais, bacteremias, infecções em queimados e ITUs hospitalares, muitas vezes com resistência múltipla a antibióticos. RESUMO: Enterobactérias vêm da flora intestinal e fezes, causando infecções por translocação ou contaminação fecal, enquanto os bacilos não fermentadores vêm do ambiente hospitalar ou úmido, atacando pacientes vulneráveis com infecções frequentemente graves e difíceis de tratar. Descrever as infecções frequentemente causadas por estes patógenos. GRUPO MICROORGANISMO INFECÇÃO COMUM ENTEROBACTÉRIA Escherichia Coli Infecção urinária, pielonefrite, sepse, meningite neonatal, infecção abdominal ENTEROBACTÉRIA Klebsiella Pneumoniae Pneumonia nosocomial, ITU, sepse, abscesso hepático ENTEROBACTÉRIA Salmonella spp. Gastroenterite, febre tifoide, bacteremia ENTEROBACTÉRIA Shigella spp.. Disenteria bacilar (diarreia com sangue e muco) ENTEROBACTÉRIA Protheus mirabilis ITU complicada, formação de cálculos renais, pielonefrite BACILO Pseudomona aeruginosa Pneumonia hospitalar, infecção em queimados, bacteremia, ITU, otite externa maligna BACILO Acinetobacter baumanii Infecção pulmonar, septicemia, infecção de feridas e cateteres (UTI) BACILO Stenotrophomonas maltophilia Infecções pulmonares e hospitalares em imunossuprimidos,sepse DESAFIO: Shirley 2 anos de idade apresentou febre sem foco aparente a dois dias. Sua mãe a levou ao pediatra que solicitou cultura de urina. Ao avaliar a urocultura da paciente encontramos os seguintes resultados: - Número de Colônias superior a 1000.000 UFC: crescimento de colônias de Escherichia coli e Proteus mirabilis A. Estas bactérias são da microbiota do trato urinário do paciente? Não, essas são enterobactérias, com sítio anatômico sendo no trato gastrointestinal, por onde possuem maior afinidade. B. Qual a principal causa para esta infecção? Presentes nas fezes, elas podem infectar o trato urogenital através de uma má higiene íntima e, pela paciente se tratar de uma criança de dois anos, provavelmente ainda faz uso de fraldas, o que explicaria o contato do bolo fecal com o canal vaginal, causando assim uma infecção urinária. C. Se trata de uma infecção comunitária ou hospitalar? Se trata de uma infecção comunitária, uma vez que a paciente não possui sonda, cateter, internação ou procedimento médico recente. ACT 4 - Antibiograma e cepas multirresistentes BACTÉRIA MULTIRRESISTENTE Bactérias multirresistentes são aquelas capazes de sobreviver e se multiplicar mesmo na presença de muitos antibióticos de diferentes classes, ou seja, elas apresentam resistência simultânea a vários tipos de fármacos que normalmente seriam eficazes contra elas. Essa resistência pode surgir por mutações genéticas espontâneas, pela aquisição de genes de resistência através de plasmídeos e outros elementos genéticos móveis, ou pela pressão seletiva feita por ambientes hospitalares. Essas bactérias representam um dos maiores desafios da medicina moderna, pois limitam drasticamente as opções de tratamento, principalmente em infecções graves, como pneumonias hospitalares, infecções de corrente sanguínea, infecções urinárias complicadas e infecções de feridas cirúrgicas. Elas são especialmente comuns em ambientes hospitalares, onde o uso intenso de antibióticos e a presença de pacientes imunocomprometidos criam o cenário ideal para a seleção e disseminação desses microrganismos. Alguns exemplos emblemáticos de multirresistência incluem o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), o Enterococcus faecium resistente à vancomicina (VRE), as enterobactérias produtoras de betalactamase de espectro estendido (ESBL), a Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC), e a Pseudomonas aeruginosa multirresistente. A presença dessas bactérias obriga o uso de antibióticos de última linha, muitas vezes mais tóxicos, mais caros e menos eficazes. Definir CIM (concentração inibitória mínima), antibiograma, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar(CCIH). A CIM (Concentração Inibitória Mínima) é a menor concentração de um antibiótico capaz de inibir o crescimento visível de uma bactéria em laboratório. Ela é usada para determinar a sensibilidade ou resistência de um micro-organismo a um antibiótico específico. Quanto menor a CIM, mais sensível a bactéria é ao antibiótico, e maior a eficácia do tratamento. Essa medida é fundamental na escolha do antibiótico certo, especialmente em infecções graves ou causadas por bactérias multirresistentes. O antibiograma é um teste laboratorial que mostra o perfil de sensibilidade de uma bactéria isolada a diversos antibióticos, ou seja, como ela responde a uma série de antibióticos. Ele pode ser feito por métodos como disco-difusão (teste de Kirby-Bauer) ou pela determinação da CIM. O resultado classifica o micro-organismo como sensível, intermediário ou resistente a cada antibiótico testado pelo tamanho do halo de inibição formado, e também por outros fatores associados. O TAMANHO DO HALO DE INIBIÇÃO NÃO É SUFICIENTE PARA DETERMINAR QUAL O MELHOR ANTIBIÓTICO, MAS É UM FATOR IMPORTANTE. É uma ferramenta essencial para o tratamento direcionado e racional das infecções bacterianas. VOCÊ TRATA O PACIENTE COM O MEDICAMENTO AO QUAL A CULTURA BACTERIANA É SENSÍVEL. A CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) é um grupo multidisciplinar obrigatório nos hospitais, responsável por prevenir, monitorar e controlar infecções relacionadas à assistência à saúde. Ela estabelece protocolos de higienização, uso racional de antibióticos, isolamento de pacientes com infecções multirresistentes, e promove educação para profissionais da saúde. A atuação da CCIH é decisiva para reduzir taxas de infecção hospitalar e conter a disseminação de bactérias resistentes para fora do ambiente hospitalar. Elencar as principais, mais frequentes cepas multirresistentes de importância médica e relacionar com locais de colonização O mais importante sobre as bactérias multirresistentes é que elas não respondem aos antibióticos comuns, causam infecções graves em ambiente hospitalar, e exigem tratamentos mais tóxicos e complexos. Elas se espalham em UTIs, afetam pacientes com sondas, cateteres, próteses e imunossuprimidos, e são difíceis de erradicar por formarem biofilmes ou resistirem a desinfetantes. Os nomes-chave que você precisa gravar são: ● MRSA (resistente à meticilina) ● VRE (resistente à vancomicina) ● ESBL (produtor de beta-lactamase) ● KPC (resistente a carbapenêmicos) ● Pseudomonas MDR e Acinetobacter MDR (resistência múltipla) DESAFIO: Bernardete 39 anos passou um longo período internada devido à infecção pelo SARSCOV-19, neste período foi sondada, entubada foi do quarto para a UTI e por fim apresentou melhora do quadro e foi de alta. Após 10 dias apresentou crescente desconforto ao urinar e retornou ao hospital. Neste momento foi colhida uma Urina I que apresentou numerosos leucócitos, nitritos e proteínas reagentes. ANOTAÇÕES INICIAIS: - Ela teve internação prévia, com procedimentos invasivos. A probabilidade de ter sido contaminada por uma bactéria hospitalar RESISTENTE A ANTIBIÓTICOS é alta. - O desconforto ao urinar, leucócitos (células de defesa), nitritos (metabólitos do ciclo do nitrogênio feito por bactérias) e proteínas reagentes demonstra uma INFECÇÃO URINÁRIA. A. Essa infecção foi causada por qual tipo de bactéria? Klebsiella pneumoniae é um bacilo gram negativo, ou seja, possui dupla barreira de peptideoglicano e lipopolissacarídeo. Essa bactéria é de infecção hospitalar, podendo causar infecção no TGI, TGU, trato respiratório e infectar equipamentos hospitalares. B. É uma bactéria de origem comunitária ou hospitalar? Qual fato o auxiliou nesta classificação? Além da Klebsiella ser conhecida por ser hospitalar, também existe o histórico hospitalar recente da paciente e realização de procedimentos invasivos com equipamentos hospitalares sujeitos a contaminação. C. Apresente uma escolha de tratamento para Bernardete. Qualquer tratamento para ela, de espectros amplos e principalmente que englobasse bacilos gram negativos, seria útil para tratá-la (menos a ampicilina, pois a Klebsiella é resistente a ela). Os melhores tratamentos para ela seriam principalmente por meio da Ceftazidima e Ceftriaxona. ACT 5 - Avaliação laboratorial da inflamação. Elencar os principais marcadores de inflamação usados na prática médica, a saber PCR e VHS. Os principais marcadores de inflamação usados na prática médica são a PCR (Proteína C reativa) e a VHS (Velocidade de Hemossedimentação). Ambos são exames laboratoriais que ajudam a detectar e acompanhar processos inflamatórios ou infecciosos no organismo. A PCR é uma proteína produzida pelo fígado em resposta à liberação de citocinas inflamatórias, principalmente a interleucina-6. Seus níveis aumentam rapidamente (em 6 a 12 horas) após o início da inflamação e também caem rapidamente quando o processo inflamatório ou infeccioso é controlado. Por isso, a PCR é considerada um marcador sensível e dinâmico, muito útil no acompanhamento de infecções agudas, doenças autoimunes e resposta ao tratamento antibiótico. É altamente valorizadapor sua rapidez e especificidade relativa à inflamação. Já a VHS, ou Velocidade de Hemossedimentação, mede o tempo que os glóbulos vermelhos levam para se sedimentar no tubo de ensaio em uma hora. Em processos inflamatórios, as proteínas do plasma aumentam a agregação dos eritrócitos (acontece a agregação plaquetária), acelerando a sedimentação (coagulação). No entanto, o VHS é um marcador inespecífico: ele pode estar aumentado em infecções, inflamações crônicas, anemias, gestação, neoplasias e até envelhecimento. Sua elevação é mais lenta e sua normalização também leva mais tempo, sendo mais útil para doenças crônicas ou monitoramento a longo prazo. ● PCR (Proteína C Reativa) ○ Produzida pelo fígado em resposta à inflamação. ○ Sobe rápido (6–12h) e cai rápido com melhora. ○ Alta sensibilidade para infecções agudas e inflamações. ○ Útil para acompanhar resposta ao tratamento. ● VHS (Velocidade de Hemossedimentação) ○ Mede a velocidade com que os glóbulos vermelhos sedimentam. ○ Mais lento para subir e cair. ○ Menos específico, mas útil em doenças inflamatórias crônicas e autoimunes. ○ Pode se elevar por outras causas: anemias, gravidez, câncer, idade. ○ PCR → inflamações agudas / VHS → inflamações crônicas Classificar alterações leucocitárias (linfocitose e leucocitose) como os diferentes processos infecciosos. A leucocitose é o aumento do número total de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue, geralmente acima de 10.000/mm³. Ela é típica de infecções bacterianas, principalmente agudas. Nesses casos, o aumento é predominante de neutrófilos, especialmente quando há desvio à esquerda (neutrófilos jovens, bastonetes), o que indica uma resposta inflamatória intensa e ativa. Leucocitose com neutrofilia é clássica em pneumonias, infecções de pele, apendicite, pielonefrite e sepse. A linfocitose, por outro lado, é o aumento específico do número de linfócitos, e está mais associada a infecções virais. É comum em quadros como mononucleose infecciosa (EBV), hepatites virais, citomegalovírus, rubéola e caxumba. Em algumas doenças virais, como dengue, pode haver leucopenia com linfocitose relativa. ● Leucocitose com neutrofilia → infecção bacteriana aguda ● Linfocitose → infecção viral ou infecção crônica específica ● A análise do leucograma (contagem e tipo de leucócitos) ajuda a diferenciar tipos de infecção e guiar a conduta clínica inicial. DESAFIO: Libério 78 anos internado com quadro de infecção pulmonar segue com terapia antimicrobiana endovenosa com piperacilina + tazobactam. Avalie criticamente os dados apresentados e proponha intervenções ao paciente. Pelo padrão laboratorial e pela dinâmica dos marcadores, o mais provável é que Libério teve uma resposta inicial parcial ao antibiótico, mas houve falha na erradicação completa da infecção, levando a uma recrudescência do processo inflamatório. Esse padrão pode indicar duas situações principais: 1. Resistência bacteriana à piperacilina + tazobactam: o antibiótico inicialmente conteve a infecção, mas a bactéria pode ser parcialmente resistente ou produzir mecanismos de escape, como ESBL ou outras beta-lactamases, levando à retomada do quadro inflamatório. 2. Nova infecção ou coinfecção: especialmente em pacientes idosos e debilitados, pode surgir outra bactéria hospitalar durante a internação, como Pseudomonas aeruginosa ou Klebsiella multirresistente, agravando o quadro.