Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ACT - FARMACOLOGIA 
UC2 
 
ACT 1 - Caracterização das bactérias 
 
O QUE É CEPA? 
Cepa é um termo utilizado principalmente em microbiologia para designar uma variação 
genética dentro de uma espécie de micro-organismo, como bactérias, vírus ou fungos. 
Mesmo pertencendo à mesma espécie, diferentes cepas podem ter características 
fenotípicas, bioquímicas ou genéticas distintas. Isso significa que duas cepas da mesma 
bactéria podem ter comportamentos diferentes, como maior ou menor capacidade de 
causar doença (virulência), resistência a antibióticos, produção de toxinas ou até diferenças 
na resposta imunológica que provocam no hospedeiro. 
Por exemplo, a bactéria Escherichia coli tem inúmeras cepas: algumas vivem 
normalmente no intestino humano sem causar problema algum, fazendo parte da microbiota 
saudável; outras, como a E. coli O157:H7, são altamente patogênicas e causam quadros 
graves de infecção intestinal e até morte. Esse tipo de diferença está justamente na 
definição de cepa. 
Além disso, em virologia, como no caso de variantes do vírus da gripe ou do SARS-CoV-2, 
usamos “cepa” para indicar mutações específicas que podem alterar a 
transmissibilidade, virulência ou escape imune, até mesmo tornando as vacinas 
ineficazes. Por isso precisamos ser constantemente vacinados contra a gripe: pela 
quantidade de cepas existentes do vírus influenza e a VARIABILIDADE GENÉTICA 
DESSES MICROORGANISMOS. 
POR QUE ISSO É IMPORTANTE? 
Saber a cepa de um microorganismo ajuda a escolher os tratamentos e antibióticos certos. 
Duas cepas da mesma bactéria podem ter respostas completamente diferentes ao mesmo 
antibiótico. O clássico é o Staphylococcus aureus: uma cepa pode ser tratada 
tranquilamente com oxacilina, enquanto outra — a famosa MRSA (Methicillin-Resistant 
Staphylococcus aureus) — não responde a quase nenhum antibiótico comum e precisa de 
drogas mais potentes e específicas, como a vancomicina. 
O QUE É MICROBIOTA? 
Microbiota é o conjunto de micro-organismos vivos que habitam um determinado ambiente 
do corpo humano ou de outro ser vivo, de forma geralmente benéfica ou comensal (ou seja, 
sem causar dano). Esses micro-organismos incluem bactérias, fungos, vírus e, em menor 
número, protozoários. Cada local do corpo (como intestino, pele, boca, trato respiratório, 
trato geniturinário) abriga uma microbiota distinta, especializada em viver nas condições 
daquele ambiente, e que PODE SER PATOGÊNICA CASO SAIA DAQUELE SÍTIO 
ANATÔMICO ESPECÍFICO. Uma bactéria que habita a pele, caso haja uma ferida e ela 
tenha acesso a circulação sistêmica, pode gerar uma infecção. 
A microbiota intestinal é a mais estudada e possui funções fundamentais para a saúde: 
auxilia na digestão e absorção de nutrientes, produz vitaminas (como vitamina K e algumas 
do complexo B), estimula e modula o sistema imunológico e impede a colonização por 
patógenos (efeito de exclusão competitiva). 
A composição da microbiota é única para cada indivíduo, moldada desde o nascimento 
(parto vaginal ou cesárea), alimentação, uso de medicamentos como antibióticos, estilo de 
vida e até o ambiente onde a pessoa vive. Quando há desequilíbrio nessa comunidade 
microbiana (disbiose) pode haver associação com várias doenças, como obesidade, 
diabetes, doenças inflamatórias intestinais, etc. 
A barreira anatômica entre os sistemas (pele, mucosas, trato gastrointestinal, geniturinário, 
etc.) é essencial para manter essa ordem. Se essa barreira é rompida — por trauma, 
cirurgia, imunossupressão ou até por uso de antibióticos que desregulam a microbiota —, 
as bactérias oportunistas aproveitam a chance. 
Por exemplo, a Escherichia coli vive tranquilamente no intestino grosso. Mas se ela migra 
para o trato urinário (pela uretra), pode causar infecção urinária — que é uma das infecções 
mais comuns em mulheres. Outro exemplo: Staphylococcus aureus pode estar presente 
na pele ou nas narinas sem causar nada, mas se entrar em contato com a corrente 
sanguínea (por ferida, cirurgia, ou cateter), pode causar septicemia ou endocardite, doenças 
graves. 
Esse fenômeno é ainda mais evidente em pacientes hospitalizados ou imunossuprimidos. 
Bactérias como Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Pseudomonas 
aeruginosa — todas podem fazer parte da microbiota intestinal — mas se colonizarem os 
pulmões ou a corrente sanguínea, causam infecções graves, especialmente em UTIs. 
BACTÉRIAS COMUNITÁRIAS E HOSPITALARES 
Uma bactéria comunitária é aquela que provoca infecção fora do ambiente hospitalar, 
ou seja, em indivíduos que não estão internados ou que não tiveram contato recente com 
ambientes de saúde. Essas bactérias geralmente têm um perfil de sensibilidade maior a 
antibióticos, porque estão menos expostas à pressão seletiva causada pelo uso frequente 
de antimicrobianos. Um exemplo clássico é a Streptococcus pyogenes, que causa 
amigdalites e faringites em crianças, ou a E. coli, causadora de infecção urinária simples 
em mulheres saudáveis. Em geral, essas infecções são tratadas com antibióticos de uso 
comum na prática clínica. 
Já uma bactéria hospitalar, também chamada de nosocomial, é aquela associada a 
infecções que ocorrem durante a internação hospitalar ou em pacientes que estiveram 
recentemente em serviços de saúde, como hemodiálise, internação, cirurgia, etc. Elas são 
perigosas porque têm alto nível de resistência a antibióticos, resultado da pressão seletiva 
intensa nesses ambientes (conhecidas como as superbactérias). Essas bactérias costumam 
ser mais agressivas e difíceis de tratar, exigindo antibióticos de amplo espectro ou de uso 
restrito. Exemplos incluem Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae produtora 
de carbapenemase (KPC), e o famoso Staphylococcus aureus resistente à meticilina 
(MRSA). Além da resistência, essas bactérias têm maior capacidade de formar biofilmes e 
invadir tecidos em pacientes debilitados, com dispositivos invasivos ou imunossuprimidos. 
BIOFILME: Comunidade de micro-organismos (geralmente bactérias) que se aderem a 
superfícies e ficam envoltas por uma matriz protetora de muco (matriz extracelular) 
produzida por elas mesmas. Essa estrutura protege contra antibióticos e o sistema imune, 
tornando infecções mais difíceis de tratar. Bactérias formam biofilme em cateteres, próteses, 
válvulas cardíacas e dentes (placa bacteriana). 
PRINCIPAIS APRESENTAÇÕES MORFOLÓGICAS DAS BACTÉRIAS 
- Cocos são esféricos e podem se organizar em cadeias (Streptococcus) ou em 
cachos (Staphylococcus), e essa disposição já orienta o diagnóstico 
microbiológico. 
- Bacilos são em forma de bastonete, com variações na espessura e na extremidade. 
- Espirilos e espiroquetas são helicoidais, e têm uma capacidade de mobilidade 
aumentada graças à presença de flagelos, e isso os torna especialistas em invadir 
tecidos profundos, como é o caso do Treponema pallidum (sífilis). 
- Vibriões têm formato de vírgula e são adaptados ao ambiente aquático, como o 
Vibrio cholerae, que causa cólera. 
Além disso, a presença de cápsula (Streptococcus pneumoniae), flagelos (Salmonella), 
fímbrias e pili (E. coli uropatogênica) são fatores de virulência que aumentam sua 
capacidade de causar infecção. A cápsula ajuda na evasão do sistema imune, os flagelos 
na motilidade e os pili na adesão a tecidos específicos. 
As bactérias também se diferenciam pela capacidade de formar esporos, como Clostridium 
e Bacillus, o que lhes permite sobreviver em ambientes extremos (falta de nutrientes, calor, 
radiação). Uma vez formados, esses esporos não são células ativas, mas ficam 
"dormentes" e podem sobreviver por anos no ambiente. Eles conseguem se dispersar 
facilmente pelo ar. Quando encontram um ambiente propício, como tecido lesionado e 
anaerobiose, germinam e a bactéria volta à sua forma ativa, capaz de causar infecção. A 
maioria das bactérias formadoras de esporos clinicamente importantes são 
anaeróbias 
DIFERENÇAS ENTRE AS BACTÉRIAS PELA COLORAÇÃO GRAM 
O que realmente importa para amedicina são as características da parede celular, 
principalmente a diferença entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Essa 
diferença está na estrutura da parede de peptidoglicano e na presença ou ausência de 
uma membrana externa. 
- GRAM POSITIVAS têm uma parede espessa de peptidoglicano que retém o cristal 
violeta, não possuem membrana externa, e são geralmente mais sensíveis à 
penicilina e antibióticos beta-lactâmicos. 
- GRAM NEGATIVAS têm uma parede mais fina, mas possuem uma membrana 
externa com lipopolissacarídeos (LPS), que são altamente inflamatórios 
(endotoxina) e essa estrutura as torna mais resistentes a muitos antibióticos. 
- Outras diferenças envolvem a presença de esporos (mais comum em 
Gram-positivas, como Clostridium e Bacillus) 
DIFERENÇA DE BACTÉRIAS ANAERÓBICAS DAS DEMAIS COM RELAÇÃO A SUAS 
INFECÇÕES 
O que define uma bactéria anaeróbia é sua intolerância ao oxigênio — algumas não 
sobrevivem nem a exposições breves a ele (anaeróbias estritas), enquanto outras até 
toleram pequenas quantidades (anaeróbias tolerantes). 
As infecções causadas por anaeróbias geralmente ocorrem em ambientes com pouco ou 
nenhum oxigênio, como tecidos profundos, cavidades fechadas e regiões com 
necrose ou má perfusão sanguínea. São comuns em locais como o intestino grosso, trato 
geniturinário, gengivas, feridas profundas e abscessos. Quando a barreira anatômica é 
rompida (trauma, cirurgia, perfuração intestinal), essas bactérias aproveitam a ausência de 
oxigênio para crescer e causar doença. 
Diferente das aeróbias, as infecções anaeróbias costumam ser mais insidiosas e 
crônicas, geram muito pus e odor fétido, formam gás nos tecidos (gangrena gasosa), e 
frequentemente exigem drenagem cirúrgica, além de antibióticos específicos como 
metronidazol ou clindamicina, já que muitos anaeróbios são naturalmente resistentes a 
penicilinas simples. 
- As bactérias anaeróbias já vivem no corpo, principalmente em locais naturais sem 
oxigênio como o intestino grosso, boca, trato genital e pele profunda. Elas 
fazem parte da microbiota normal. Você se infecta quando essas bactérias saem 
do lugar certo (por trauma, cirurgia, perfuração, necrose) e invadem tecidos 
profundos e mal oxigenados, onde conseguem crescer. Fora do corpo, elas 
sobrevivem em ambientes fechados, sujos, com tecidos mortos ou esporos 
(como Clostridium, que resiste ao oxigênio na forma de esporo até encontrar um 
ambiente anaeróbico). 
As aeróbias causam infecções mais comuns e agudas (como pneumonias, infecções 
urinárias, faringites, meningites)em tecidos bem oxigenados. Crescem facilmente em 
culturas normais, e respondem a uma variedade maior de antibióticos, pois são 
naturalmente de ambientes menos extremos e portanto possuem menos adaptações de 
sobrevivência. 
TABELA DE PRINCIPAIS BACTÉRIAS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA 
 
MICROORGANIS
MO 
TIPO SÍTIO 
ANATÔMICO 
COMUNITÁRIO 
OU 
HOSPITALAR 
DOENÇAS SINTOMAS 
Staphylococcus 
aureus 
GRAM + COCO Pele, 
nasofaringe e 
mucosas 
AMBOS Impetigo 
(infecção pele), 
endocardite, 
pneumonia pós 
viral 
Pus, dor, febre, 
lesão cutânea, 
dispneia, tosse, 
hipotensão, 
vômitos 
Staphylococcus 
Epidermidis 
GRAM + COCO Pele, mucosas HOSPITALAR Infecção de 
corrente 
sanguínea 
associada a 
cateter,Endocar
dite de válvula 
protética, 
Infecção de 
shunt de 
derivação 
ventricular, 
Infecção 
urinária 
associada à 
sonda vesical 
 
Febre 
persistente em 
pacientes com 
dispositivos, 
Inflamação 
local discreta, 
Sinais de sepse 
leve ou 
moderada 
Em 
endocardite: 
sopro novo, 
febre 
prolongada, 
sinais 
sistêmicos 
 
Streptococcus 
pyogenes 
GRAM + COCO Orofaringe, 
pele. 
Comunitário faringite, 
escarlatina, 
impetigo, 
erisipela, febre 
reumática, 
glomerulonefrite 
pós-estreptocócic
a 
Dor de 
garganta, febre, 
exsudato 
tonsilar, lesão 
cutânea 
vermelha, dor 
articular, 
edema, 
hematúria e 
necrose de 
tecidos. 
Streptococcus 
Pneumoniae 
GRAM+ 
DIPLOCOCO 
Nasofaringe, 
trato 
respiratório 
superior 
Comunitário pneumonia, 
otite média, 
sinusite, 
meningite e 
sepse 
febre alta, tosse 
com escarro 
purulento, dor 
torácica, 
otalgia, 
cefaleia, rigidez 
de nuca, vômito 
e rebaixamento 
do nível de 
consciência 
Streptococcus 
Agalactiae 
GRAM + COCO TGI, 
genitourinário 
Hospitalar sepse neonatal 
precoce, 
meningite 
neonatal, 
corioamnionite, 
infecção 
puerperal e ITU 
em gestantes e 
idosos. 
febre, 
hipotonia, 
dificuldade 
respiratória, 
irritabilidade, 
fontanela 
abaulada, febre 
intraparto, dor 
abdominal, 
corrimento e 
disúria. 
Enterococcus 
sp. - 
ESPECIALMEN
TE O 
FAECALIS. 
GRAM + COCO Intestino grosso 
e trato 
genitourinário 
Hospitalar ITU (infecção 
urinária), 
endocardite, 
peritonite, 
infecção 
intra-abdominal 
disúria (dor ao 
urinar), febre, 
dor lombar, 
sopro cardíaco, 
dor abdominal 
e sinais de 
sepse. 
Escherichia 
Coli 
GRAM - 
BACILO 
Intestino grosso AMBAS ITU, 
pielonefrite, 
sepse, diarreia 
infecciosa, 
meningite 
neonatal e 
abscesso 
intra-abdominal 
disúria, febre, 
dor lombar, dor 
abdominal, 
fezes líquidas 
+sangue, 
vômito, 
rebaixamento 
consciência em 
recém-nascidos 
Klebsiella spp. 
POSSUI TRÊS 
CEPAS. 
GRAM - 
BACILO 
trato 
gastrointestinal 
e respiratório, 
podendo 
colonizar 
equipamentos 
hospitalares. 
Hospitalar pneumonia 
nosocomial, 
ITU, sepse, 
infecção de 
feridas 
cirúrgicas e 
abscessos 
hepáticos 
febre alta, 
escarro 
espesso e 
amarelado, dor 
torácica, 
disúria, dor no 
hipocôndrio 
direito e sinais 
de infecção 
generalizada 
Citrobacter spp. GRAM - 
BACILO 
trato intestinal, 
mas é 
oportunista em 
ambientes 
hospitalares, 
especialmente 
em neonatal 
Hospitalar Meningite e 
abscessos 
cerebrais em 
recém-nascidos
- ITU e sepse 
irritabilidade, 
febre, fontanela 
abaulada, 
convulsões, 
disúria e 
rebaixamento 
do nível de 
consciência. 
Salmonella spp. GRAM - 
BACILO 
É adquirida por 
alimentos 
contaminados e 
reside 
transitoriament
e no intestino 
humano. 
Comunitário Gastroenterite, 
febre entérica 
(febre tifoide), 
bacteremia e, 
em casos 
graves, 
abscessos e 
osteomielite 
(em pacientes 
com anemia 
falciforme) 
febre alta, 
diarreia aquosa 
ou com sangue, 
dor abdominal, 
vômito, 
mal-estar e 
rash cutâneo 
(roséola tífica). 
Neisseria 
meningitidis. 
GRAM- 
DIPLOCOCO 
Coloniza a 
nasofaringe de 
forma 
assintomática 
em até 10% da 
população. 
Comunitário meningite 
bacteriana, 
meningococce
mia (sepse 
fulminante), 
pneumonia, 
artrite séptica e 
pericardite. 
 
febre alta, 
cefaleia 
intensa, rigidez 
de nuca, 
náuseas, 
vômitos, 
fotofobia, 
confusão 
mental, 
petéquias, 
púrpura, 
hipotensão e 
sinais de 
choque séptico. 
Neisseria 
gonorrhoeae 
GRAM - 
DIPLOCOCO 
mucosas 
humanas, 
colonizando o 
trato genital, 
reto, faringe e 
conjuntiva após 
transmissão 
sexual. 
Comunitária uretrite, 
cervicite, 
doença 
inflamatória 
pélvica (DIP), 
faringite, 
conjuntivite 
neonatal e 
gonorreia 
disseminada 
(artrite séptica, 
tenossinovite, 
lesões 
cutâneas). 
corrimento 
uretral 
purulento, 
disúria, dor 
pélvica, 
sangramento 
intermenstrual, 
dor à relação 
sexual, dor 
retal, faringite 
assintomática 
ou dolorosa, e 
em 
recém-nascido, 
conjuntivite 
com exsudato 
purulento 
intenso. 
Lactobacillus 
spp. 
GRAM + 
BACILO 
Vagina, 
intestino, 
cavidade oral 
Comunitário Em condições 
normais, não 
causa 
doenças, mas 
pode estar 
envolvido em 
bacteriemias 
raras em 
imunossuprimid
os ou após 
procedimentos 
invasivos. 
Sintomas 
clínicos são 
incomuns, e 
sua ausência 
ou redução 
está associada 
à vaginose 
bacteriana (por 
desequilíbrio da 
flora vaginal). 
Clostridium 
spp. 
ANAERÓBICO Intestino, solo AMBAS Clostridium 
difficile: colite 
pseudomembra
nosa associada 
ao uso de 
antibióticos; 
Clostridium 
tetani: tétano 
por 
contaminação 
de feridas com 
esporos; 
Clostridium 
botulinum: 
botulismo 
alimentar ou 
por ferida; 
Clostridium 
perfringens: 
gangrena 
gasosa e 
enterite 
necrótica. 
 
C. difficile:diarreia 
aquosa, dor 
abdominal, 
febre; 
C. tetani: 
rigidez 
muscular, 
trismo 
(travamento da 
mandíbula), 
espasmos; 
C. botulinum: 
paralisia 
flácida, visão 
dupla, 
dificuldade 
respiratória; 
C. perfringens: 
dor intensa, 
necrose 
tecidual, 
crepitação por 
gás. 
 
Candida 
albicans 
FUNGO 
DIMÓRFICO 
mucosa oral, 
vaginal, trato GI 
e pele. 
AMBAS, 
depende da 
imunidade do 
hospedeiro 
candidíase oral 
(sapinho), 
esofágica, 
vaginal, 
intertrigo, 
onicomicose e 
candidemia em 
pacientes 
prurido, 
corrimento 
branco espesso 
(tipo leite 
coalhado), dor 
ao engolir 
(esofagite), 
placas brancas 
imunossuprimid
os ou em UTI. 
na mucosa, 
eritema em 
dobras 
cutâneas e 
febre 
persistente (em 
candidemia) 
Pseudomonas 
sp. 
GRAM- 
BACILO 
altamente 
resistente e 
oportunista 
Habita 
ambientes 
úmidos (água, 
pia, 
equipamentos 
hospitalares), 
mas pode 
colonizar a 
pele, ouvidos, 
trato urinário e 
respiratório. 
Hospitalar pneumonia 
hospitalar 
associada à 
ventilação 
mecânica), ITU, 
otite maligna, 
foliculite (em 
banheiras), 
bacteremia, 
infecções em 
queimados 
febre alta, 
secreção 
purulenta 
verde/azul, dor 
torácica, 
disúria, dor 
auricular 
intensa e 
lesões 
cutâneas 
necróticas. 
 
ACT 2 - cocos gram positivos de interesse médico 
 
Principais gêneros de cocos de importância médica. Staphylococcus, Streptococcus, 
Enterococcus e Neisseria. 
 
- Staphylococcus: É formado por cocos gram-positivos que se organizam em 
cachos, como cachos de uva, visíveis ao microscópio. São catalase positivos — 
significa que a bactéria produz a enzima catalase, que quebra peróxido de 
hidrogênio (H₂O₂) em água e oxigênio (faz bolhas). Isso é importante porque 
ajuda a diferenciar bactérias morfologicamente parecidas, como 
Staphylococcus (catalase-positivo) e Streptococcus (catalase-negativo). Além 
disso, estar catalase-positivo indica certa resistência ao estresse oxidativo, ajudando 
a bactéria a sobreviver na presença de células do sistema imune. O mais relevante é 
o Staphylococcus aureus, que pode causar infecções de pele, abcessos, 
osteomielite, endocardite e até septicemia. Ele tem uma alta capacidade de 
desenvolver resistência, sendo o MRSA (resistente à meticilina) um grande 
desafio hospitalar. Já os Staphylococcus coagulase-negativos, como S. 
epidermidis, são menos virulentos, mas se aproveitam de dispositivos médicos 
como cateteres e próteses para causar infecções oportunistas. Para diferenciar dois 
staphylococcus, é necessário fazer o teste da coagulase. O aureus é positivo, e o 
epidermidis é negativo. 
 
- Streptococcus: também são cocos gram-positivos, mas ao contrário dos 
estafilococos, se dispõem em cadeias ou pares e são catalase-negativos. Dentro 
desse grupo, a classificação é feita por hemólise em ágar-sangue. S. pyogenes 
(grupo A) é beta-hemolítico e altamente invasivo, causador de faringites, erisipela, 
escarlatina e febre reumática. S. agalactiae (grupo B) está associado a infecções 
neonatais, como meningite e sepse. Já S. pneumoniae, alfa-hemolítico e com 
cápsula espessa, é o principal agente da pneumonia comunitária e também pode 
causar otite, meningite e sinusite. 
 
- Enterococcus, embora morfologicamente parecido com os estreptococos, tem 
características bioquímicas próprias. São cocos gram-positivos que habitam o 
intestino e são naturalmente mais resistentes a condições adversas e a muitos 
antibióticos. E. faecalis e E. faecium são os mais relevantes, causando infecções 
urinárias, endocardite e infecções intra-abdominais, especialmente em pacientes 
hospitalizados. Eles se destacam pela resistência intrínseca a muitos antibióticos 
e pela capacidade de adquirir resistência adicional, como os VRE (enterococcus 
resistentes à vancomicina). 
 
- Neisseria foge do padrão dos outros por ser composta de cocos gram-negativos, 
geralmente em diplococos (pares com aspecto de grão de café). São aeróbias e 
oxidase-positivas. Neisseria meningitidis causa meningite meningocócica e 
septicemia, sendo transmitida por vias aéreas superiores e com potencial para 
surtos em ambientes fechados. Já Neisseria gonorrhoeae é a agente da gonorreia, 
uma infecção sexualmente transmissível, que afeta o trato geniturinário inferior e, se 
não tratada, pode gerar complicações como DIP (doença inflamatória pélvica) e 
infertilidade. 
CLASSIFICAÇÃO POR CAPACIDADE DE HEMÓLISE 
Hemólise em ágar-sangue é a capacidade que uma bactéria tem de lisar (destruir) os 
glóbulos vermelhos presentes em um meio de cultura chamado ágar-sangue. Essa reação é 
observada como uma alteração na cor ou na transparência do meio ao redor das colônias 
bacterianas, e é usada para classificar e identificar principalmente estreptococos, mas 
também outras bactérias. 
Existem três tipos principais de hemólise: 
● Beta-hemólise (β): destruição total dos glóbulos vermelhos → forma uma área clara 
e transparente ao redor da colônia. Ex: Streptococcus pyogenes e Agalactiae. 
● Alfa-hemólise (α): destruição parcial → forma uma área esverdeada ao redor da 
colônia devido à oxidação da hemoglobina. Ex: Streptococcus pneumoniae. 
● Gama-hemólise (γ): nenhuma hemólise → o ágar permanece inalterado ao redor 
da colônia. Ex: Enterococcus faecalis. 
PRINCIPAIS FONTES DE CONTAMINAÇÃO 
 
Staphylococcus: especialmente S. aureus, tem como principal fonte a própria pele e 
mucosas do nariz de portadores assintomáticos. A contaminação ocorre por contato direto 
com a pele, secreções ou objetos contaminados (fômites), principalmente em feridas, 
procedimentos cirúrgicos e uso de dispositivos invasivos. Já os Staphylococcus 
coagulase-negativos, como S. epidermidis, vêm da flora normal da pele e contaminam 
cateteres, próteses e válvulas cardíacas, causando infecções oportunistas. 
Streptococcus: varia conforme a espécie. S. pyogenes (grupo A) é transmitido por 
gotículas respiratórias e contato direto com secreções ou lesões de pele. S. 
pneumoniae habita a nasofaringe e também é transmitido por aerossóis e contato com 
secreções respiratórias, sendo comum em surtos em creches e lares. S. agalactiae 
coloniza o trato genital feminino e pode ser transmitido verticalmente da mãe para o 
recém-nascido no parto, causando sepse neonatal. 
Enterococcus: E. faecalis e E. faecium, faz parte da microbiota do trato gastrointestinal e 
geniturinário inferior. A contaminação acontece principalmente por autoinoculação ou 
durante procedimentos médicos, como sondagens urinárias, cirurgias e antibioticoterapia 
prolongada, que favorecem infecção oportunista e resistência antimicrobiana (ex: VRE). 
Neisseria: tem duas espécies de destaque, com fontes diferentes. N. meningitidis se 
transmite por gotículas respiratórias, com colonização inicial da nasofaringe — pode 
permanecer assintomática ou invadir a corrente sanguínea e o SNC. Já N. gonorrhoeae é 
exclusivamente sexual — transmite-se por contato com secreções genitais contaminadas, 
colonizando o trato geniturinário inferior, podendo ascender e causar doença inflamatória 
pélvica. 
INFECÇÕES CAUSADAS POR ESSAS BACTÉRIAS 
 
Staphylococcus aureus causa infecções de pele (impetigo, furúnculo, celulite), 
pneumonia, osteomielite, endocardite, bacteremia e síndrome do choque tóxico. Em 
ambiente hospitalar, pode infectar próteses, cateteres e feridas cirúrgicas. MRSA é 
resistente e comum em hospitais. 
Staphylococcus coagulase-negativo (ex: S. epidermidis) é menos virulento, mas causa 
infecções associadas a cateteres, próteses e válvulas cardíacas, principalmente em 
pacientes imunocomprometidos. 
Streptococcus pyogenes (grupo A) causa faringite, escarlatina, impetigo, erisipela, celulite 
e pode levar a febre reumática e glomerulonefrite pós-infecção. 
Streptococcus pneumoniae é causa frequente de pneumonia comunitária, meningite, otite 
média, sinusite e bacteremia, especialmente em extremos de idade. 
Streptococcus agalactiae (grupo B) provoca sepse, pneumonia e meningite em 
recém-nascidos, geralmente transmitido no parto. Em adultos,pode causar ITU e infecções 
de feridas. 
Enterococcus faecalis/faecium causam ITU (sobretudo com sonda), endocardite, 
peritonite, infecção intra-abdominal e bacteremia hospitalar. Resistência à vancomicina 
(VRE) é relevante. 
Neisseria meningitidis provoca meningite bacteriana e meningococcemia (sepse 
fulminante com púrpura). Transmitida por gotículas, com potencial epidêmico. 
Neisseria gonorrhoeae causa gonorreia (uretrite, cervicite), DIP, orofaringite, proctite e 
artrite gonocócica disseminada. É IST e frequentemente resistente a múltiplos antibióticos. 
 
DESAFIO: Gilnara, 47 anos, usava um cateter central para a administração de 
quimioterápicos diretamente em sua circulação. Sempre muito cuidadosa com a limpeza 
para evitar contaminações. Entretanto num dia seu marido curioso ficou mexendo com seu 
dedo no acesso e por fim Gilnara fez um quadro de infecção sistêmica associada ao cateter. 
 
A. Quais os prováveis agentes etiológicos desta infecção? 
 
Staphylococcus aureus ou epidermidis (agente mais frequente em infecção associada a 
cateter) da pele do marido de Gilnara adentrou a circulação sistêmica dela, causando um 
quadro infeccioso. Talvez possa ser um Streptococcus pyogenes, pois ele também habita a 
pele. 
 
B. A prova da catalase poderia auxiliar neste processo de identificação? Como? 
 
A prova da catalase é um teste laboratorial simples usado para detectar a presença da 
enzima catalase em bactérias. A catalase quebra o peróxido de hidrogênio (H₂O₂) em água 
e oxigênio, e isso gera liberação de bolhas. Ajuda no diagnóstico microbiológico pois 
diferencia Staphylococcus de Streptococcus, duas bactérias morfologicamente muito 
parecidas. 
 
 
A) Avalie os dois antibióticos abaixo e sem exame algum, escolha um tratamento 
para Gilnara. 
 
 
MEDICAMENTO DOSE ESPECTRO DE AÇÃO 
ÁCIDO NALIDÍXICO 500mg bacilos e cocos GRAM 
NEGATIVOS 
CEFTRIAXONA 2g cocos GRAM POSITIVOS, 
negativos, bacilos gram 
negativos 
 
 
O melhor tratamento para Gilnara seria a Ceftriaxona, pois as duas principais hipóteses 
diagnósticas englobam COCOS GRAM POSITIVOS (staphylococcus e streptococcus), logo, 
o medicamento têm de agir sobre esse tipo de bactéria específica. Além disso, essa droga 
possui um espectro de ação mais amplo, atuando sobre outras classes de bactérias, 
garantindo uma eficácia e possibilidade de acerto terapêutico maiores. Ideal como terapia 
empírica inicial enquanto se aguarda cultura. 
 
 
ACT 3 - Bacilos de importância médica 
 
ELENCAR AS PRINCIPAIS ENTEROBACTÉRIAS 
 
As principais enterobactérias de relevância médica incluem Escherichia coli, Salmonella 
spp., Shigella spp., Proteus mirabilis e Klebsiella pneumoniae. Todas são bacilos 
Gram-negativos, oxidase-negativos, fermentadores de glicose e vivem ou infectam 
predominantemente o trato gastrointestinal. 
- Escherichia coli: Parte da microbiota intestinal humana, mas possui cepas 
patogênicas capazes de causar infecções intestinais e extraintestinais. Ela é a causa 
mais comum de infecção do trato urinário, especialmente em mulheres, além de 
estar envolvida em pielonefrite, septicemia, meningite neonatal e infecções 
intra-abdominais. Algumas cepas específicas, como EHEC (produtora de toxina 
Shiga), causam colite hemorrágica e podem levar à síndrome hemolítico-urêmica. 
 
- Salmonella spp., principalmente S. enterica, são patógenos intestinais adquiridos 
por ingestão de alimentos contaminados, como ovos ou carnes cruas. Podem 
causar desde gastroenterite autolimitada até formas mais invasivas como febre 
tifóide, que cursa com bacteremia, hepatoesplenomegalia e distúrbios intestinais 
graves. É uma infecção associada a má higiene alimentar e é frequentemente 
identificada em surtos. 
 
- Shigella spp., altamente patogênica, causa disenteria bacilar, uma diarreia com 
sangue, muco e pus. A infecção ocorre com ingestão de uma quantidade mínima 
de bactérias e é comum em ambientes com saneamento básico precário, 
afetando principalmente crianças. Ela invade células do cólon e libera toxinas que 
provocam inflamação intensa, febre e tenesmo. 
 
- Proteus mirabilis é notável por sua capacidade de produzir urease, o que aumenta 
o pH urinário e favorece a formação de cálculos de estruvita. Ele é uma das 
principais causas de infecção urinária complicada, especialmente em pacientes 
sondados ou com malformações urinárias. É altamente motil, o que contribui para 
sua disseminação no trato urinário. 
 
- Klebsiella pneumoniae, por sua vez, é um patógeno oportunista associado a 
infecções hospitalares, como pneumonia (principalmente em alcoólatras e pacientes 
em ventilação mecânica), infecções urinárias, septicemias e abscessos hepáticos. 
Possui cápsula espessa, que aumenta sua resistência à fagocitose e a diversos 
antibióticos, sendo frequente a presença de cepas multirresistentes (KPC – 
Klebsiella produtora de carbapenemase). 
 
Diferenciar as enterobactérias dos bacilos não fermentadores quanto a sua origem e 
foco de contaminação. 
 
As enterobactérias têm origem primária no trato gastrointestinal humano e animal. Elas 
fazem parte da microbiota intestinal e são eliminadas pelas fezes (via biliar). Por isso, a 
contaminação geralmente ocorre por via fecal-oral, através de alimentos ou água 
contaminados, ou por auto inoculação (pessoa leva as bactérias da sua microbiota 
natural para um local do corpo onde elas não deveriam estar, provocando infecção). Seu 
foco de infecção mais comum está em locais onde normalmente não deveriam estar, como 
o trato urinário, a corrente sanguínea, feridas cirúrgicas e outros tecidos extra intestinais. 
As infecções intestinais também são comuns, especialmente com cepas patogênicas de E. 
coli, Shigella e Salmonella — Isso acontece por ingestão de cepas exógenas patogênicas 
(que não fazem parte da sua microbiota), disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) 
por antibióticos, doenças ou dieta pobre e sistema imune enfraquecido. Elas são 
frequentemente responsáveis por infecções comunitárias, mas também atuam como 
agentes hospitalares, sobretudo em infecções urinárias e intra-abdominais. 
Já os bacilos não fermentadores, como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter 
baumannii, não têm origem intestinal. Eles são ambientais, sendo encontrados na água, 
solo, superfícies úmidas e equipamentos hospitalares. São geralmente inócuos para 
pessoas saudáveis, mas causam infecções graves e oportunistas em pacientes 
imunossuprimidos, hospitalizados, com feridas abertas ou em uso de dispositivos 
invasivos. O foco de contaminação está relacionado a ambientes hospitalares — como 
respiradores, cateteres, lavatórios, soluções contaminadas — e eles são notórios por 
causarem pneumonias nosocomiais, bacteremias, infecções em queimados e ITUs 
hospitalares, muitas vezes com resistência múltipla a antibióticos. 
RESUMO: Enterobactérias vêm da flora intestinal e fezes, causando infecções por 
translocação ou contaminação fecal, enquanto os bacilos não fermentadores vêm do 
ambiente hospitalar ou úmido, atacando pacientes vulneráveis com infecções 
frequentemente graves e difíceis de tratar. 
Descrever as infecções frequentemente causadas por estes patógenos. 
 
 
GRUPO MICROORGANISMO INFECÇÃO COMUM 
ENTEROBACTÉRIA Escherichia Coli Infecção urinária, 
pielonefrite, sepse, 
meningite neonatal, 
infecção abdominal 
 
ENTEROBACTÉRIA Klebsiella Pneumoniae Pneumonia nosocomial, 
ITU, sepse, abscesso 
hepático 
ENTEROBACTÉRIA Salmonella spp. Gastroenterite, febre tifoide, 
bacteremia 
ENTEROBACTÉRIA Shigella spp.. Disenteria bacilar (diarreia 
com sangue e muco) 
ENTEROBACTÉRIA Protheus mirabilis ITU complicada, formação 
de cálculos renais, 
pielonefrite 
BACILO Pseudomona aeruginosa Pneumonia hospitalar, 
infecção em queimados, 
bacteremia, ITU, otite 
externa maligna 
BACILO Acinetobacter baumanii Infecção pulmonar, 
septicemia, infecção de 
feridas e cateteres (UTI) 
BACILO Stenotrophomonas 
maltophilia 
Infecções pulmonares e 
hospitalares em 
imunossuprimidos,sepse 
 
 
DESAFIO: Shirley 2 anos de idade apresentou febre sem foco aparente a dois dias. Sua 
mãe a levou ao pediatra que solicitou cultura de urina. Ao avaliar a urocultura da paciente 
encontramos os seguintes resultados: 
- Número de Colônias superior a 1000.000 UFC: crescimento de colônias de 
Escherichia coli e Proteus mirabilis 
 
A. Estas bactérias são da microbiota do trato urinário do paciente? 
 
Não, essas são enterobactérias, com sítio anatômico sendo no trato gastrointestinal, por 
onde possuem maior afinidade. 
 
B. Qual a principal causa para esta infecção? 
 
Presentes nas fezes, elas podem infectar o trato urogenital através de uma má higiene 
íntima e, pela paciente se tratar de uma criança de dois anos, provavelmente ainda faz uso 
de fraldas, o que explicaria o contato do bolo fecal com o canal vaginal, causando assim 
uma infecção urinária. 
 
C. Se trata de uma infecção comunitária ou hospitalar? 
 
Se trata de uma infecção comunitária, uma vez que a paciente não possui sonda, cateter, 
internação ou procedimento médico recente. 
 
ACT 4 - Antibiograma e cepas multirresistentes 
 
BACTÉRIA MULTIRRESISTENTE 
 
Bactérias multirresistentes são aquelas capazes de sobreviver e se multiplicar mesmo na 
presença de muitos antibióticos de diferentes classes, ou seja, elas apresentam resistência 
simultânea a vários tipos de fármacos que normalmente seriam eficazes contra elas. Essa 
resistência pode surgir por mutações genéticas espontâneas, pela aquisição de genes de 
resistência através de plasmídeos e outros elementos genéticos móveis, ou pela pressão 
seletiva feita por ambientes hospitalares. 
Essas bactérias representam um dos maiores desafios da medicina moderna, pois limitam 
drasticamente as opções de tratamento, principalmente em infecções graves, como 
pneumonias hospitalares, infecções de corrente sanguínea, infecções urinárias complicadas 
e infecções de feridas cirúrgicas. Elas são especialmente comuns em ambientes 
hospitalares, onde o uso intenso de antibióticos e a presença de pacientes 
imunocomprometidos criam o cenário ideal para a seleção e disseminação desses 
microrganismos. 
Alguns exemplos emblemáticos de multirresistência incluem o Staphylococcus aureus 
resistente à meticilina (MRSA), o Enterococcus faecium resistente à vancomicina 
(VRE), as enterobactérias produtoras de betalactamase de espectro estendido (ESBL), a 
Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC), e a Pseudomonas 
aeruginosa multirresistente. A presença dessas bactérias obriga o uso de antibióticos de 
última linha, muitas vezes mais tóxicos, mais caros e menos eficazes. 
 
Definir CIM (concentração inibitória mínima), antibiograma, Comissão de Controle de 
Infecção Hospitalar(CCIH). 
 
A CIM (Concentração Inibitória Mínima) é a menor concentração de um antibiótico 
capaz de inibir o crescimento visível de uma bactéria em laboratório. Ela é usada para 
determinar a sensibilidade ou resistência de um micro-organismo a um antibiótico 
específico. Quanto menor a CIM, mais sensível a bactéria é ao antibiótico, e maior a 
eficácia do tratamento. Essa medida é fundamental na escolha do antibiótico certo, 
especialmente em infecções graves ou causadas por bactérias multirresistentes. 
O antibiograma é um teste laboratorial que mostra o perfil de sensibilidade de uma 
bactéria isolada a diversos antibióticos, ou seja, como ela responde a uma série de 
antibióticos. Ele pode ser feito por métodos como disco-difusão (teste de Kirby-Bauer) ou 
pela determinação da CIM. O resultado classifica o micro-organismo como sensível, 
intermediário ou resistente a cada antibiótico testado pelo tamanho do halo de inibição 
formado, e também por outros fatores associados. O TAMANHO DO HALO DE INIBIÇÃO 
NÃO É SUFICIENTE PARA DETERMINAR QUAL O MELHOR ANTIBIÓTICO, MAS É UM 
FATOR IMPORTANTE. É uma ferramenta essencial para o tratamento direcionado e 
racional das infecções bacterianas. VOCÊ TRATA O PACIENTE COM O MEDICAMENTO 
AO QUAL A CULTURA BACTERIANA É SENSÍVEL. 
A CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) é um grupo multidisciplinar 
obrigatório nos hospitais, responsável por prevenir, monitorar e controlar infecções 
relacionadas à assistência à saúde. Ela estabelece protocolos de higienização, uso racional 
de antibióticos, isolamento de pacientes com infecções multirresistentes, e promove 
educação para profissionais da saúde. A atuação da CCIH é decisiva para reduzir taxas de 
infecção hospitalar e conter a disseminação de bactérias resistentes para fora do ambiente 
hospitalar. 
Elencar as principais, mais frequentes cepas multirresistentes de importância médica 
e relacionar com locais de colonização 
 
 
 
O mais importante sobre as bactérias multirresistentes é que elas não respondem aos 
antibióticos comuns, causam infecções graves em ambiente hospitalar, e exigem 
tratamentos mais tóxicos e complexos. Elas se espalham em UTIs, afetam pacientes com 
sondas, cateteres, próteses e imunossuprimidos, e são difíceis de erradicar por formarem 
biofilmes ou resistirem a desinfetantes. 
Os nomes-chave que você precisa gravar são: 
● MRSA (resistente à meticilina) 
● VRE (resistente à vancomicina) 
● ESBL (produtor de beta-lactamase) 
● KPC (resistente a carbapenêmicos) 
● Pseudomonas MDR e Acinetobacter MDR (resistência múltipla) 
 
 
 
 
DESAFIO: Bernardete 39 anos passou um longo período internada devido à infecção pelo 
SARSCOV-19, neste período foi sondada, entubada foi do quarto para a UTI e por fim 
apresentou melhora do quadro e foi de alta. Após 10 dias apresentou crescente 
desconforto ao urinar e retornou ao hospital. Neste momento foi colhida uma Urina I que 
apresentou numerosos leucócitos, nitritos e proteínas reagentes. 
 
ANOTAÇÕES INICIAIS: 
- Ela teve internação prévia, com procedimentos invasivos. A probabilidade de ter sido 
contaminada por uma bactéria hospitalar RESISTENTE A ANTIBIÓTICOS é alta. 
- O desconforto ao urinar, leucócitos (células de defesa), nitritos (metabólitos do ciclo 
do nitrogênio feito por bactérias) e proteínas reagentes demonstra uma INFECÇÃO 
URINÁRIA. 
 
 
 
 
A. Essa infecção foi causada por qual tipo de bactéria? 
 
Klebsiella pneumoniae é um bacilo gram negativo, ou seja, possui dupla barreira de 
peptideoglicano e lipopolissacarídeo. Essa bactéria é de infecção hospitalar, podendo 
causar infecção no TGI, TGU, trato respiratório e infectar equipamentos hospitalares. 
 
B. É uma bactéria de origem comunitária ou hospitalar? Qual fato o auxiliou nesta 
classificação? 
 
Além da Klebsiella ser conhecida por ser hospitalar, também existe o histórico hospitalar 
recente da paciente e realização de procedimentos invasivos com equipamentos 
hospitalares sujeitos a contaminação. 
 
C. Apresente uma escolha de tratamento para Bernardete. 
 
Qualquer tratamento para ela, de espectros amplos e principalmente que englobasse 
bacilos gram negativos, seria útil para tratá-la (menos a ampicilina, pois a Klebsiella é 
resistente a ela). Os melhores tratamentos para ela seriam principalmente por meio da 
Ceftazidima e Ceftriaxona. 
 
ACT 5 - Avaliação laboratorial da inflamação. 
 
Elencar os principais marcadores de inflamação usados na prática médica, a saber 
PCR e VHS. 
 
Os principais marcadores de inflamação usados na prática médica são a PCR (Proteína C 
reativa) e a VHS (Velocidade de Hemossedimentação). Ambos são exames laboratoriais 
que ajudam a detectar e acompanhar processos inflamatórios ou infecciosos no organismo. 
A PCR é uma proteína produzida pelo fígado em resposta à liberação de citocinas 
inflamatórias, principalmente a interleucina-6. Seus níveis aumentam rapidamente (em 6 a 
12 horas) após o início da inflamação e também caem rapidamente quando o processo 
inflamatório ou infeccioso é controlado. Por isso, a PCR é considerada um marcador 
sensível e dinâmico, muito útil no acompanhamento de infecções agudas, doenças 
autoimunes e resposta ao tratamento antibiótico. É altamente valorizadapor sua rapidez e 
especificidade relativa à inflamação. 
Já a VHS, ou Velocidade de Hemossedimentação, mede o tempo que os glóbulos 
vermelhos levam para se sedimentar no tubo de ensaio em uma hora. Em processos 
inflamatórios, as proteínas do plasma aumentam a agregação dos eritrócitos (acontece a 
agregação plaquetária), acelerando a sedimentação (coagulação). No entanto, o VHS é um 
marcador inespecífico: ele pode estar aumentado em infecções, inflamações crônicas, 
anemias, gestação, neoplasias e até envelhecimento. Sua elevação é mais lenta e sua 
normalização também leva mais tempo, sendo mais útil para doenças crônicas ou 
monitoramento a longo prazo. 
● PCR (Proteína C Reativa) 
○ Produzida pelo fígado em resposta à inflamação. 
○ Sobe rápido (6–12h) e cai rápido com melhora. 
○ Alta sensibilidade para infecções agudas e inflamações. 
○ Útil para acompanhar resposta ao tratamento. 
● VHS (Velocidade de Hemossedimentação) 
○ Mede a velocidade com que os glóbulos vermelhos sedimentam. 
○ Mais lento para subir e cair. 
○ Menos específico, mas útil em doenças inflamatórias crônicas e autoimunes. 
○ Pode se elevar por outras causas: anemias, gravidez, câncer, idade. 
○ PCR → inflamações agudas / VHS → inflamações crônicas 
Classificar alterações leucocitárias (linfocitose e leucocitose) como os diferentes 
processos infecciosos. 
A leucocitose é o aumento do número total de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue, 
geralmente acima de 10.000/mm³. Ela é típica de infecções bacterianas, principalmente 
agudas. Nesses casos, o aumento é predominante de neutrófilos, especialmente quando 
há desvio à esquerda (neutrófilos jovens, bastonetes), o que indica uma resposta 
inflamatória intensa e ativa. Leucocitose com neutrofilia é clássica em pneumonias, 
infecções de pele, apendicite, pielonefrite e sepse. 
A linfocitose, por outro lado, é o aumento específico do número de linfócitos, e está mais 
associada a infecções virais. É comum em quadros como mononucleose infecciosa (EBV), 
hepatites virais, citomegalovírus, rubéola e caxumba. Em algumas doenças virais, como 
dengue, pode haver leucopenia com linfocitose relativa. 
● Leucocitose com neutrofilia → infecção bacteriana aguda 
● Linfocitose → infecção viral ou infecção crônica específica 
● A análise do leucograma (contagem e tipo de leucócitos) ajuda a diferenciar tipos 
de infecção e guiar a conduta clínica inicial. 
 
DESAFIO: Libério 78 anos internado com quadro de infecção pulmonar segue com terapia 
antimicrobiana endovenosa com piperacilina + tazobactam. Avalie criticamente os dados 
apresentados e proponha intervenções ao paciente. 
 
 
 
Pelo padrão laboratorial e pela dinâmica dos marcadores, o mais provável é que Libério 
teve uma resposta inicial parcial ao antibiótico, mas houve falha na erradicação completa da 
infecção, levando a uma recrudescência do processo inflamatório. Esse padrão pode indicar 
duas situações principais: 
1. Resistência bacteriana à piperacilina + tazobactam: o antibiótico inicialmente 
conteve a infecção, mas a bactéria pode ser parcialmente resistente ou produzir 
mecanismos de escape, como ESBL ou outras beta-lactamases, levando à 
retomada do quadro inflamatório. 
2. Nova infecção ou coinfecção: especialmente em pacientes idosos e debilitados, 
pode surgir outra bactéria hospitalar durante a internação, como Pseudomonas 
aeruginosa ou Klebsiella multirresistente, agravando o quadro.

Mais conteúdos dessa disciplina