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Teoria dos direitos humanos
Prof. Adriano Moura, Profa. Ana Paula Sales
1. Itens iniciais
Descrição
A teorização e a caracterização dos direitos humanos no tempo e no espaço e suas consequências na
sociedade globalizada e na realidade contemporânea dos Estados.
Propósito
Compreender as origens da proteção normativa dos direitos humanos é essencial para a atuação profissional
em relações sociais, econômicas e jurídicas, reconhecendo as possibilidades e limitações culturais e
normativas em sua aplicação prática.
Objetivos
Reconhecer as teorias e classificações dos direitos humanos.
Distinguir as características dos direitos humanos de forma contextualizada.
Introdução
A presença dos direitos humanos nos mais diversos espaços sociais da contemporaneidade não é uma
novidade e muito menos uma estratégia limitada aos juristas e seu campo acadêmico profissional.
Discursar, justificar, requerer ou tomar decisões importantes na gestão pública e nas relações sociais de
natureza privada de maneira embasada tem sido uma prática recorrente desde a segunda metade do século
XX, ecoando importantes documentos internacionais de prescrição dos direitos humanos, sem prejuízo de
antecedentes mais restritos. Seja no campo político, executivo, legislativo ou até mesmo do espaço da
Justiça, os direitos humanos têm lugar retórico de destaque nos debates e falas organizadas.
Mas qual razão leva os direitos humanos a terem um alcance tão amplo na sociedade contemporânea, ao
mesmo tempo em que geram debates muitas vezes tão polarizados que trazem a impressão de termos
vitoriosos e derrotados pautados no mesmo conteúdo?
Veremos que inconsistências terminológicas (interpretações genéricas ou erradas dos termos dos direitos
humanos), falta de comunicação com a sociedade como um todo e uma seletividade (falsa noção de que
direitos humanos são apenas para alguns) em sua aplicação prática por parte do poder público são alguns dos
fatores responsáveis por isso.
Vamos, juntos, tratar das terminologias, teorias, dos modos de classificação e das características que levam
os direitos humanos a serem tão presentes em nossas relações do cotidiano, ainda que não tenhamos tal
percepção.
Assista ao vídeo!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
• 
• 
1. Teorias e classificações dos direitos humanos
Expressões jurídicas e seu contexto na realidade social
Uma das grandes preocupações dos estudiosos da aplicação do direito é justamente a terminologia (estudo
dos termos, das palavras e seu sentido) utilizada ao longo do tempo nos mais diversos documentos jurídicos,
tais como leis, códigos, decretos, constituições, entre outros. Uma não rara incompatibilidade entre discursos
políticos e jurídicos, espécies normativas e o direito que acaba sendo aplicado nem sempre é percebida pela
sociedade civil e pelos atores da operação do direito.
Comentário
O senso comum crê que os termos do direito são incompreensíveis e entendidos quase como um código
secreto. Ambos os lados precisam se esforçar, pois têm muito a contribuir entre si. 
Não estamos falando necessariamente da falta de conhecimento técnico das pessoas não letradas nas
ciências jurídicas, mas sim de muitas inconsistências terminológicas criadas e/ou perpetuadas por fontes de
reprodução de conteúdo “não muito científicas”, por assim dizer (sem metodologia aplicada às teorias e
práticas da área do direito e suas relações com o restante do mundo).
Sim, o mundo jurídico tem seu próprio vocabulário escrito e falado, criado nem sempre à imagem e
semelhança da melhor técnica.
Pior do que não conhecer o vocabulário técnico, algo normal em qualquer área, é não conhecê-lo e,
por ouvir dizer, passar a acreditar que ele significa algo que não tem sentido.
Não conhecer o vocabulário técnico também se agrava, em tese, com a realidade espacial do momento mais
globalizado do mundo, com possibilidades de trocas intensas, principalmente nas comunicações, que
incentiva ideias de maior amplitude de aplicação de normas jurídicas; ou com traduções menos científicas
ainda, potencialmente universais, que acabam sofrendo resistência quando aplicadas em determinado
território, povo e em realidades cultural e economicamente distintas.
E ainda mais se o desafio for tratar de direitos humanos, que são entendidos como aplicáveis a todos os seres
humanos. Vamos adentrar agora esse campo para conhecermos as divergências terminológicas, teorias e
classificações dos direitos humanos que impactam as relações cotidianas, seja qual for a sua área de atuação
profissional ou interesse pessoal.
Em outras palavras, foi criado um conceito chamado pós-verdade, que pensa nossa sociedade. 
Segundo esse conceito, passamos a crer menos no
exercício racional. Tendo em vista a fácil legitimidade de
qualquer troca de pensamento nas redes de comunicação,
passa a ser desnecessária a reflexão científica.
Assim, se você acredita em algo e busca aquilo que reforça
o seu olhar – independentemente do grau de absurdo –, isso
é suficiente para que a crença se torne verdade. Veja um
exemplo!
Direitos humanos ou direitos fundamentais: qual o
começo e qual o nosso referencial?
Os direitos humanos normalmente aparecem no mundo ao largo da história em momentos sequenciais de
grandes tragédias humanas e ou humanitárias. O ser humano, sim, ele mesmo que é tão protegido e regulado
pelo direito protagoniza, não raro, atos e fatos sociais que mancham a linha cronológica de sua própria
existência. Seja por valores e interesses materiais normalmente ligados ao direito de propriedade ou
exploração comercial, incluindo dominação de povos e territórios, conceitos e ideologias de cunho filosófico
ou religioso e até mesmo biológicos, a história relata um número exaustivo de ações de humanos contra
humanos.
Largo
As transformações da história impactam o direito. Elas não ocorrem de forma direta, mas como o direito
é social, por consequência atingem em maior ou menor grau as concepções jurídicas. Por isso, se diz “ao
largo”.
Não são casos de disputas ou rixas individuais por culpa ou dolo dos protagonistas da cena em si, mas, sim,
batalhas orquestradas e executadas com propósitos coletivos, normalmente associados a liderança de um
povo, estado ou coletivo menor que intenta impor suas ideias a força para os demais; ou castiga, quando
percebe que não conseguiu seu objetivo primário.
Aqui estão algumas atrocidades lidadas na sociedade com naturalidade. Acompanhe!
Tirania do rei Leopoldo II da Bélgica, na África
Bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki
01 
Verdade e exercício racional
02 
Pós-verdade e reforço da crença
Holocausto judaico
Massacre de Armênios
Para evitar lágrimas, queremos apenas que você perceba que fala-se em direitos humanos quando os sujeitos 
percebem o que suas ideias e verdades são capazes de fazer com o outro. Negar ou justificar qualquer tipo de
massacre faz com que você esteja reproduzindo exatamente as ideias que nos levaram a tais massacres.
Pense nisso! Vamos continuar. 
Comentário
Podemos conceber algumas ideias do Jusnaturalismo mais clássico que assimilava direitos ou ideias de
princípios da natureza e do cosmos como sendo parte integrante também do ser humano. Com
divergências e segmentações diversas, os antigos filósofos foram pioneiros em agregar essas ideias de
direitos e características. Cícero foi um desses filósofos, um dos grandes nomes de Roma. Segundo ele,
o homem deve seguir a natureza, e então perceber como funciona a característica individual de cada
grupo. A ideia de mudança social, por exemplo, é algo visto com estranheza. Quem nasce para ser
filósofo será filósofo, e ir contra sua natureza por qualquer interesse fará com que seu percurso seja
antinatural. O mesmo vale para a justiça. 
Estamos aqui falando de um período que se estende de quatro a cinco séculos antes de Cristo e que encontra
um importante marco temporal de nossa contagem histórica com a chegada do conceito de dignidade de
cada uma das pessoas, baseando-se no judaísmo e na filosofiainterativo
	Imprescritibilidade
	Conteúdo interativo
	Inalienabilidade
	Conteúdo interativo
	Irrenunciabilidade
	Conteúdo interativo
	Inviolabilidade
	Conteúdo interativo
	Historicidade
	Conteúdo interativo
	Interdependência
	Âmbito federal
	Âmbito estadual
	Âmbito municipal
	Visão dimensional dos direitos humanos
	Direitos de 1ª Geração - Liberdade dos indivíduos
	Direitos de 2ª Geração - Igualdade social
	Direitos de 3ª Geração - Fraternidade
	Direitos de 4ª Geração - Novos direitos
	Individual/Liberal
	Social
	Fraterna
	Sem nenhum passo atrás!
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciascristã, sem prejuízo do que a força religiosa da
Igreja Católica iria proporcionar na Idade Média nos séculos seguintes.
Igreja Católica
A religião judaico-cristã, filosoficamente falando, tende a propor instrumentos de proteção da pessoa
humana. Sim, o texto possui exceções e interpretações que foram utilizadas de outra forma ao longo do
tempo. 
Se olharmos para o período do século X até a chegada ao entorno contemporâneo, perceberemos
claramente a produção de legislações que procuraram proteger melhor os direitos inicialmente
individuais (e depois coletivos) dos seres humanos.
(MELLO, 2021)
Eleanor Roosevelt segurando pôster da Declaração
Universal dos direitos humanos,1949.
Fato é que, partindo do Jusnaturalismo, na poeira dos séculos, a fé, a filosofia cristã e o direito travariam
intensos debates e batalhas para atuar em direitos naturais, dignidade pessoal, liberdades individuais,
propriedades e no contato e atuação com a população indígena e com os negros como pessoas escravizadas.
Em outras palavras, ao longo do tempo tivemos uma oscilação entre a defesa da dominação do outro,
justificada de formas diversas, e a obrigação moral de protegê-lo.
Já imaginou o conflito? Para não irmos muito além, podemos aqui apontar duas atuações em especial veja!
Jesuítas e a atuação da Companhia de Jesus
A ordem Jesuíta tinha a missão de catequizar e cuidar dos índios, mas foi
acusada de exploração, escravidão e legitimação da escravidão.
Escravidão da população negra e a Lei do Ventre Livre
O ordenamento jurídico no texto da lei fala em proteção da pessoa
humana, mas continua permitindo a escravização da população negra
como um todo.
Após a Segunda Guerra Mundial, foi criada a
Declaração Universal dos direitos humanos em
1948, um marco universal do tema que ilumina,
desde então, as reformas legislativas e a busca
de um norte referencial para o comportamento
humano social, ainda que com diferenciados
níveis de aceitabilidade e aplicabilidade prática.
Caso queira, leia a declaração na íntegra e a
use para acompanhar o material daqui em
diante.
Conheça alguns dos documentos mais
importantes para a evolução desse
pensamento.
1
1888
Declarações de León
2
1215
Magna Carta Inglesa
3
1628
Petição de Direitos
4
1649
Habeas Corpus Act
5 1659
Toleration Act
6
1689
Bill of Rights
7
1776
Declaração de Independência dos Estados Unidos da América
8
1787
Constituição dos Estados Unidos da América
9
1789
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
10
1791
Declaração de Direitos
11
1864
Convenção de Genebra
12
1888
Lei Áurea do Brasil
13
1919
Convenção da Liga das Nações
14
1948
Declaração Universal dos direitos humanos
Tradição inventada
15 1963
Carta Encíclica do Papa João XXIII
Essa é só uma amostra da variedade geográfica e temporal das declarações que podem ser encontradas ao
longo da história defendendo interesses que passam ao longo dos séculos e são encorpados ou associados a
uma ideia maior dos direitos humanos.
Muitos dos documentos mencionados, bem como diversos acontecimentos contemporâneos a eles,
ocorreram, principalmente, como resposta a tragédias ou grandes violações históricas dos direitos das
pessoas. Não podemos esquecer que nem sempre “todos eram iguais perante a lei”, mesmo nos territórios
atuais de importantes países e lideranças mundiais.
Reside aí, talvez, a primeira e maior violação contra o ser humano, que afeta a própria ideia de um standard
(padrão ou modelo) mínimo refletido em alguns países como o Brasil, no Princípio Fundamental da Dignidade
da Pessoa Humana (CRFB 88, art. 1º, III).
CRFB 88, art. 1º, III
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:I. a
soberania;II. a cidadania;III. a dignidade da pessoa humana;IV. os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa;V. o pluralismo político.Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Não podemos esquecer que antigamente os costumes e tradições influenciavam o comportamento humano e
os limites da atuação dos poderes, em maior medida do que o direito formal dos chamados Estados, uma
realidade que nem sempre foi a mesma que vemos hoje em dia.
Aliás, o tema dos costumes e tradições é muito
bem-tratado na obra A Invenção das Tradições
(HOBSBAWN, 2012), quando o autor busca
explicar o conceito de tradição inventada e sua
diferenciação dos costumes, sendo mais um
indicativo da dificuldade de termos, na prática,
um rol hermético ou mais unificado de direitos
humanos universais.
Nosso hábito de voltar muito no tempo para
explicar uma sociedade é uma invenção. Os
processos que se aportam no passado são de
interesse de um grupo em afirmar que nós
pertencemos a ele. Por isso, no Brasil vivemos
com a ideia de ter um passado tão europeu.
Nesse sentido, para além dos exemplos e documentos históricos citados e apresentados acima, os direitos
humanos no século XX, principalmente desde o Pós-Guerra de 1945 até a chegada aos nosso dias, estão
consolidados como direitos que visam assegurar, no plano internacional e nos respectivos sistemas jurídicos
nacionais, as condições mínimas para a sobrevivência das pessoas.
Publicação das Consolidação das Leis do Trabalho no
Diário Oficial, 1943.
Como exemplos, podemos citar o direito ao nascimento com
vida e criação até a idade adulta, à integridade física e
moral, além de temas como ir e vir, saúde, educação,
trabalho, direitos políticos, acesso à justiça e outros temas
relevantes para uma vida digna.
Abrangem também as medidas de prevenção e reparação
das violações ocorridas. Vida digna não tem relação com
“finanças”, mas, sim, com acesso e com impedir que as
pessoas não tenham condições de dignidade humana.
A memória da guerra e da violência do seu entorno é mais importante e trabalha problemas mais próximos do
que uma tradição histórica, que serve, de fato, para legitimar e naturalizar violências.
A própria evolução da legislação e justiça do trabalho no
Brasil é um exemplo claro de como um documento jurídico
interno protege direitos humanos.
O maior expoente foi, sem dúvida, a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT) pelo Decreto nº 5452 de 1º de maio de
1943.
Ela reuniu esforços criando uma legislação trabalhista antes
espalhada em legislações diversas, e as demais legislações
trabalhistas são referenciadas e aparecem na mesma CLT.
 
A CLT está disponível no site da Casa Civil do Governo Federal.
Você percebeu que alcançamos o nosso conceito contemporâneo de direitos humanos?
Os direitos humanos na contemporaneidade são direitos que visam assegurar os direitos humanos no plano
internacional e nos respectivos sistemas jurídicos nacionais. Abrangem também as medidas de prevenção e
reparação das violações ocorridas.
Terminologia dos direitos fundamentais
Quando discutimos a terminologia dos direitos fundamentais, a sensação é de que estamos tratando de coisas
muito parecidas até aqui, não é? Então por que falarmos ora direitos humanos, ora direitos fundamentais?
E mais: o que os profissionais atualmente precisam conhecer sobre cada um deles em suas respectivas áreas
de atuação? Pois todos nós somos afetados em nossas atividades pelas proteções jurídicas e sanções
possíveis de violações dos tais direitos humanos e dos direitos fundamentais.
Recibo de venda da escrava nagô Francisca a Maria
Antônia Teixeira, 1848.
Vejamos agora que nem sempre basta um documento
jurídico ter uma expressão técnica para garantir ações e
resultados esperados.
A Constituição Imperial do Brasil, de 1824 ( encontrada na
íntegra no site da Casa Civil), continha no seu Título 8º, ao
final do texto constitucional, uma série de artigos
destinados aos direitos fundamentais entendidos como
essenciais à época, incluindo o direito à propriedade,
utilizado também para o tráfico e escravização de pessoas
de origem africana, principalmentenas atividades
econômicas de então, como bem sabemos.
Não será difícil você perceber o ponto de conexão entre as
duas expressões. Partindo, inclusive de um conceito mais jurídico, é possível ver no detalhe como a conexão
ocorre.
Os direitos fundamentais são conceituados como direitos subjetivos, assentes no direito objetivo,
positivados no texto constitucional, ou não, com aplicação nas relações das pessoas com o Estado ou na
sociedade.
(MORAES, 2000)
Repare que, quando conceituamos os direitos fundamentais na contemporaneidade, destacamos que os
países os regulam nos sistemas jurídicos nacionais, isto é, em suas Constituições, Códigos e Leis diversas. E
quando o fazem, buscam diferenciar ainda mais os direitos humanos (ou parte deles) como direitos que
estariam acima de outros direitos nacionalmente protegidos. É uma maneira de dar maior destaque e
normalmente aferir medidas de proteção e sanção diferenciadas. É o caso do Brasil, inclusive, que traz na
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB 88), em seus arts. 5º a 17, o Título chamado Dos
Direitos e Garantias Fundamentais. 
Sanção
A parte da punição que cada ato deve conter. Como neste caso, são marcantes e diferentes das demais
bases da legislação.
Ulysses Guimarães segurando uma cópia da Constituição de 1988.
Ora, já começamos a entender um pouco melhor a terminologia de direitos humanos e direitos fundamentais,
uma vez que compreendemos que alguns países elevam em suas constituições tais direitos (e outros de seu
interesse) à categoria de direitos fundamentais. Pense na palavra fundamental: ela transforma a concepção de
direitos humanos, uma proposição histórica, em direitos fundamentais (que não podem ser abdicados).
Vamos então ratificar nossas conceituações sobre o tema, para facilitar ainda mais a nossa compreensão,
entenda!
Direitos humanos
Visam assegurar, no plano internacional e nos respectivos sistemas jurídicos nacionais, as condições
mínimas para a sobrevivência das pessoas, tais como o direito ao nascimento com vida e criação até
a idade adulta, à integridade física e moral, além de temas como ir e vir, saúde, educação, trabalho,
direitos políticos, acesso à justiça e outros temas relevantes para uma vida digna. Abrangem também
as medidas de prevenção e reparação das violações ocorridas.
Direitos fundamentais
Estão assegurados na ordem jurídica interna de cada país e integram o rol de temas entendidos como
superiores em categoria aos demais direitos que regula. Se tal país é signatário de documentos
jurídicos internacionais que declaram direitos humanos, terá, em seu rol de direitos fundamentais, os
mesmos direitos, além, eventualmente, de outros mais explicitados e que reflitam realidades
nacionais, nem sempre dimensionadas no macro. Os direitos fundamentais podem refletir realidades
de bens e interesses materiais e imateriais.
Com tais conceituações, é possível chegarmos à conclusão de que países como o Brasil, por exemplo, têm
uma dupla proteção jurídica no tocante aos direitos humanos e que tais expressões não são excludentes, mas
sim fortalecedoras de que os sistemas jurídicos internacional e nacional estão afinados, cada qual ao seu
modo. Competências, decisões e força coerciva: esses países irão tomar todas as providências para proteger
os direitos de uma vida digna para as pessoas.
E mais: na esfera internacional, os atores jurídicos são os países e estados membros (no caso dos blocos) e
há, portanto, um predomínio da linguagem de direitos humanos mais ampla, com expressões macro
indefinidas no detalhamento de como deveriam ser integralmente respeitados os direitos nos espaços
políticos e jurídicos dos países.
Países
As forças internacionais impõem os direitos humanos? Não. no entanto, podem restringir a participação
nas relações internacionais. Um exemplo é o pleito dos turcos e da Sérvia à União Europeia, que foi
durante muito tempo negado por entender que os países não observavam a questão dos direitos
humanos. 
Entrada do Museu do Apartheid em Joanesburgo.
É justamente aí que temos um grande problema
de execução, pois há situações em que os
países não conseguem pôr em prática os
direitos humanos consagrados
internacionalmente, considerando fatores
locais, inclusive de natureza cultural, ligados a
tradições e costumes diversos.
 
Casos históricos do Apartheid na África do Sul
e a mutilação de partes do órgão sexual
feminino da Nigéria são alguns exemplos de
tradição de culturas que são consideradas, por
princípios, contra os direitos humanos.
Já na esfera dos sistemas jurídicos internos dos países, o acesso primário à justiça é das pessoas naturais e
jurídicas, normalmente visando esgotar o tema com as normas jurídicas mais próximas, entre particulares e
particulares ou mesmo contra o poder público. Nesse espaço, para os países que fazem a diferenciação de
direitos fundamentais, busca-se primeiro a proteção a essas normas, evoluindo-se, conforme o caso,
instâncias e violações ao espaço de tutela e atuação de organismos internacionais.
Público
A forma de acesso à lei e sua aplicação são internas e seguem as normas de cada país. 
Exemplo
É o caso da Comissão Interamericana de direitos humanos, criada para observar casos de violação. Os
procedimentos começam com uma denúncia e podem culminar com sanções econômicas aos países
signatários (OEA, 2021). 
No caso do Brasil, há um ingrediente a mais logo como princípio fundamental de nossa CRFB 88, que é a
dignidade da pessoa humana. Essa é mais uma demonstração do Brasil como país.
Na Assembleia Constituinte de 1987, o país valorizou a vida humana, assim entendida como o direito ao
nascimento, à alimentação, à moradia, ao meio ambiente saudável, à criação dos pais em uma família, ao
acesso à educação, ao trabalho, à segurança pública; e o direito de ir e vir, de competir e crescer em
igualdade de condições pela propriedade privada, entre outros.
Assembleia Constituinte de 1987
A Constituição gerada por essa assembleia em 1988 foi chamada, por essas características, de
Constituição Cidadã, e tinha como prioridade romper com o passado ditatorial. 
Tudo isso deve ser assegurado às pessoas durante todo o seu tempo de vida. Aliás, no caso dos bebês, até
antes, pois nosso Código Civil põe a salvo os direitos do nascituro. 
Nascituro
Passa a ser considerado protegido e com direitos mesmo durante a gestação. 
É possível afirmar que, em termos de documentos jurídicos, o Brasil é um país extremamente
protetivo dos direitos humanos, do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e, claro, dos direitos
fundamentais, não só na CRFB 88, mas também em sua legislação infraconstitucional.
É também comum que os entes federativos do Brasil, isto é, a União, o Distrito Federal, os estados, territórios
e municípios tenham em suas estruturas órgãos de tutela dos direitos humanos, como ministérios ou
secretarias. Veja alguns exemplos!
Município
Ministério Secretaria Municipal de Assistência
Social e direitos humanos.
União
Ministério da Mulher, da Família e dos direitos
humanos.
Estado
Secretaria de Justiça, direitos humanos e
Desenvolvimento Social.
A imagem a seguir reflete certa confusão conceitual não só entre direitos humanos e direitos fundamentais,
mas com o sistema jurídico como um todo, pois, se o direito está pautado para as relações das pessoas entre
si e com o Estado, todas as áreas deveriam entender que os aspectos inerentes aos direitos humanos
necessitariam estar presentes.
Exemplo de relação entre os elementos.
A existência de órgãos e estruturas públicas quase que exclusivamente dedicadas a proteger e tutelar essa
categoria de direitos demonstra o quão longe estamos do equilíbrio e da naturalização de sua aplicação nas
relações da vida.
Naturalização
Fenômeno em que ocorre a compreensão coletiva de que algo é necessário e socialmente natural.
Agora que conseguimos decifrar essas questões terminológicas e seus significados, vamos voltar aos direitos
humanos, sua classificação e teorias, de modo a compreendermoscomo, de fato, podemos atuar preventiva e
reativamente para a proteção de tais direitos. Isso sem esquecer da percepção do que devemos ou não
praticar como profissionais de mercado, pois já vimos que, quando lidamos com pessoas, também lidamos
com um ou mais de seus direitos humanos.
Considerações sobre a teorização e classificação dos
direitos humanos
Após tratarmos da terminologia e dos espaços dos direitos humanos e fundamentais, vamos trabalhar com a 
teorização e classificação dos direitos humanos, pois, dependendo do referencial de partida, a abrangência e
aplicação prática deles pode variar muito. É preciso entender que base teórica e critério de classificação
vamos seguir para o escopo de nossos objetivos.
Teorização e classificação dos direitos humanos
Dentro de um campo científico, é necessário compreender seus conceitos (disputas sobre seu olhar,
conhecido como teorização) e classificações (pensar como são utilizados e as características que
permitem seu reconhecimento).
Partindo de um método mais tradicional, é possível buscar uma linha de raciocínio cronológico, tendo como
referência maior a própria teorização e conceituação do direito, partindo da ideia do Jusnaturalismo, que
contempla ideias e bens jurídicos em tese sempre presentes na proteção a ser consagrada ao ser humano em
sociedade.
Tratam-se de princípios atrelados à existência do próprio homem, não necessariamente dependentes da ideia
posterior de humanidade, convívio coletivo e pactos sociais diversos.
Comentário
Historicamente, nas sociedades patriarcais como a nossa, adotamos “homem” para designar
humanidade ou o total das pessoas. Teremos que reproduzir alguns desses usos, mas se aproximando
da contemporaneidade eles ganham formas mais igualitárias de tratamento. 
Sem prejuízo dos diversos momentos e correntes do Jusnaturalismo, obviamente ele tem uma sustentação
muito favorável à defesa de direitos humanos, considerando sua própria ideia formadora como algo inerente à
existência do homem. Se existe o homem, sua vida em existência (principalmente coletiva) depende de 
standards mínimos para a sua manutenção, ao menos em teorização primária.
Seguindo, em dualidade à ordem jurídica do direito natural, encontramos já bem-sedimentada e aceita na
doutrina a ordem jurídica do direito positivo, que, apesar de ser apresentada como uma sucessora mais
segura – menos suscetível a vontades e divindades potencialmente variadas para a essencialidade de
proteção do ser humano originado do divino –, fica à mercê do caráter temporal de sua criação normativa e
vigência.
Dualidade
Apresenta-se nas normas positivas (o que as pessoas fazem e está dando certo) em vigor, que devem
ser consideradas boas, válidas e legítimas (justas). Essa dualidade faz com que a doutrina do direito
natural provoque um tensionamento constante na relação entre direito e justiça.
O apontamento inicial serve para inserirmos os direitos humanos como conteúdo capaz de estar em espaços e
fontes do direito natural e do direito positivo, bastando, para isso, que os alicerces de cada movimento de
teorização do direito os reconheçam como tal.
Pela ótica do pensamento jusnaturalista e ético, a matriz orientadora da fundamentação dos direitos humanos
prevalecentes tem um caráter mais Jusnaturalista ou de Positivismo Jurídico, vamos comparar!
Malala Yousafzai, ativista paquistanesa ganhadora do
Nobel da Paz em 2014.
Sendo assim, se em tal tempo e lugar a proteção jurídica ao corpo humano (material e imaterial) for algo
extremamente valorizado, ela poderá, sim, figurar como parte integrante do rol dos direitos humanos da
referida época e legislação. Tal proteção poderia, em um século seguinte, por exemplo, ser completamente
rechaçada pelo ordenamento jurídico de um país, bloco ou mesmo por grandes organizações internacionais.
Pensemos no caso de uma família que se dissolve, veja!
Caso 1
Um filho homem pode ter direito às posses do pai, e o compromisso de
passar a manter toda a família poderia ser um direito.
Caso 2
Em uma sociedade como a nossa, em que o direito das mulheres é visto
de outra forma e a liberdade ganha um caráter de escolhas, o direito na
relação seria aplicado em outro sentido.
Dentro de tal realidade, a matriz de natureza mais subjetivista lista a dificuldade de sustentar a existência
universal dos direitos humanos, considerando as próprias limitações globais entre povos e países. Parte do
conteúdo de direitos humanos que estamos estudando aqui é considerado ato atentatório à dignidade da
própria vida em alguns países do Oriente cuja formação e existência político-religiosa tem base no Islã, por
exemplo.
Não confunda! No caso Malala, a negação do direito aos
estudos era contestável, inclusive internamente. Ela pleiteia
esse direito e recebe uma violência marcante como forma
de manter uma tradição que não dialoga com os direitos
locais. Os costumes poderiam aceitar a negação de seu
direito de estudar, mas um conjunto vinculado à proteção e
tutela dos direitos humanos apontaria que seria necessária
uma revisão da primeira, e uma completa inaceitação da
violência sofrida por ela em consequência de pleitear tal
direito.
Tal realidade sustenta a tese de que a matriz orientadora
dos direitos humanos tem natureza mais subjetivista, sendo
que a maior prova disso é o que se coloca em parâmetros e
compromissos em documentos internacionais (declarações,
cartas, tratados ou convenções), e o mesmo vale para os
sistemas jurídicos internos dos países, como vimos há pouco.
Jusnaturalista 
Matriz orientadora da fundamentação dos
direitos humanos prevalecentes. Tem um
caráter mais objetivista, pautado nas ideias
essenciais e universais, imutáveis ao tempo,
espaço e respectiva história. Essa
fundamentação tem maior relevância na base
mais por sua razão de ser do que por seus
efeitos.
Positivismo Jurídico 
Ideias fundamentadas em uma
perspectiva mais subjetiva, embora
sejam formalmente garantidas pelo
sistema, estão ancoradas nas realidades
temporais, espaciais e culturais, sem
necessariamente refletir algum padrão
relacionado à suposta essência divina da
criação humana ou algo semelhante.
E que fique claro que não temos aqui o propósito de convencer sobre qual alinhamento matricial é o certo ou
errado.
A ideia é apresentar as bases e, de certo modo, fazer você perceber que, no modelo dos direitos humanos da
atualidade, matrizes mais subjetivas acabam por prevalecer nas democracias ocidentais, ainda que tenhamos
um número cada vez maior de direitos assegurados.
Tais matrizes vêm sustentando cada vez mais direitos humanos na sociedade contemporânea e, certamente,
também dentro do direito positivo, que se pratica principalmente desde a consagração do movimento
constitucionalista do século XX e os importantes apontamentos feitos no período após a Segunda Guerra
Mundial.
Classificação dos direitos humanos: critérios diferenciados
e Teoria do Status
A classificação de um instituto em qualquer área da ciência pressupõe a eleição de um ou mais critérios que
possam isolar quantitativa e qualitativamente partes ou o todo de um elemento já conceituado. Estamos
falando sobre os direitos humanos que já tratamos nos itens anteriores. Sabemos já importantes questões
terminológicas a seu respeito, juntamente com os chamados direito fundamentais, e conhecemos as matrizes
orientadoras de sua origem e sustentação ao longo dos séculos até os dias atuais. Agora, aprenderemos a
classificá-los e dividi-los para, na sequência, melhor entendê-los.
Antes de iniciarmos, vamos deixar claro que já contamos com alguns modelos e critérios tradicionais de
classificação. Podemos classificar os direitos humanos a partir de 3 importantes critérios e planos de
identificação.
I
Plano segundo a Teoria do Status (Georg
Jellinek)
II
Plano de gerações ou momentos
III
Plano internacional e nacional
A seguir, iremos apresentar cada plano de maneira aprofundada, vamos lá!
I - Plano segundo a Teoria do Status (Georg Jellinek)
Os direitos humanos estariam vinculados e poderiamser classificados de acordo com a interatividade e
proteção jurídica dos indivíduos com o Estado (Poder Público). As 4 possibilidades jurídicas de se invocar
direitos fundamentais seriam os status apresentados a seguir, entenda!
Passivo
Tendo o indivíduo como um sujeito em estado de submissão ao Poder Público e que tem uma série de
comportamentos exigidos.
Ativo-negativo
Tendo o indivíduo o direito de resistir em face do Poder Público, pois existem garantias do não agir
estatal. É um critério negativo para o Estado que não pode agir, sob pena de ferir os direitos do
indivíduo.
Positivo-pretensão
Tendo o indivíduo um papel de demandar do Estado uma série de medidas em prol do respeito aos
seus direitos. Refere-se à liberdade de agir, muito associada à ideia de pretensão.
Ativo-acessibilidade
Tendo o indivíduo uma série de possibilidades de integrar a estrutura do Estado, do Poder. Na maioria
das vezes, ocorre por atendimento a contratações públicas diversas, ou mesmo pleitos de
candidaturas e processos de licitação vinculantes.
II – Plano de gerações ou momentos
Os direitos humanos são classificados de acordo com a linha temporal e o tipo de direitos protegidos em cada
momento de surgimento normativo. Por tal critério de classificação, surgido no final dos anos 1970 e
defendido por Karel Vasakos, os direitos são divididos em 3 gerações que veremos melhor a seguir.
Karel Vasakos
Importante jurista tcheco-francês, com contribuições excepcionais a respeito dos direitos humanos,
especialmente no tocante aos modos de classificação e categorização deles no tempo e no espaço.
Primeira Geração (Liberdades dos indivíduos)
Aqueles ligados ao exercício de liberdades para
cada indivíduo e limitações ao agir do poder
público estatal. São os tradicionais direitos civis
e políticos, como liberdade, isonomia e acesso
à propriedade.
O Brasil sempre valorizou muito o direito de
propriedade no âmbito de nosso ordenamento
jurídico. Durante o século XIX, a regulação do
direito e acesso à propriedade imobiliária, a
aprovação das chamadas leis abolicionistas e,
em especial, a Lei do Ventre Livre (Lei nº 2040,
de 1871) revelaram a preponderância da propriedade versus a dignidade da pessoa humana, ao até permitir
que os filhos nascidos de pessoas escravizadas à época fossem libertos em dado momento da vida, mas com
uma espécie de indenização ao “Sr. Proprietário”.
Tal conceito e ideia viriam a ser equilibrados e elevados a conteúdo de Princípio Fundamental da CRFB 88,
mais de 100 anos depois. (art. 1º, III da CRFB 88).
Segunda Geração (Igualdade social)
Aqueles direcionados a possibilitar, de fato e de
direito, um sentimento de igualdade de
condições de competição. São os direitos ditos
sociais, como educação, trabalho, assistência,
saúde e moradia, entre outros.
O direito fundamental de acesso a um trabalho
seguro e saudável é ainda uma importante
pauta internacional e nos sistemas internos dos
países. A Organização Internacional do
Trabalho (OIT), por exemplo, desenvolve desde
1919 uma atividade crescente na tutela dos
interesses das pessoas em atividade laboral – ou seja, de todos nós!
Saiba mais
A OIT está disponível nas redes. Ela atua na lógica da proteção, mais uma vez marcada pelo tempo com
a mudança nas formas de trabalho e a necessidade de regulação da superioridade do empregador
diante do quadro desfavorável do trabalhador. 
Terceira Geração (Fraternidade)
Aqueles destinados ao maior equilíbrio de vida
social, tal como a paz pelo bem-estar social,
meio ambiente saudável, solidariedade,
diversidade, respeito às características étnicas,
entre outros.
Certamente você já ouviu falar das
preocupações mundiais a respeito do meio
ambiente em diversas partes do mundo,
inclusive no Brasil. Seja pelas violações mais
ordinárias, como falta de saneamento básico e
destinação correta do lixo urbano, rural,
residencial ou da produção econômica, o direito ao meio ambiente é um direito constitucionalmente protegido
e de todos.
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
(Art. 225 da CRFB 88)
Ele é tido como coletivo, numa linguagem mais universal, e “difuso”, no Brasil. Segundo as nossas leis, o direito
ao meio ambiente pode e deve ser tutelado por qualquer um do povo e, em especial, pela figura do Ministério
Público por todos os entes federativos em competência concorrente. Sendo assim, há campo de fiscalização e
legislação para todos.
Dessa forma, atualmente podemos afirmar que proteger nossa fauna e flora de um modo geral são atitudes
que tutelam os direitos fundamentais e despertam discussões ferrenhas no campo social, econômico, político
e até jurídico, na esfera nacional e internacional. Em compensação, há poucas décadas o ideal de progresso
defendia ocupação, distribuição de terras e abertura de estradas como forma de proteção e de levar o melhor
do mundo a todos.
III – Plano internacional e nacional
Os direitos humanos podem estar mais ou menos protegidos no plano internacional e no plano dos direitos
nacionais dos países. Trata-se de um critério que busca identificar, reconhecer e separar, quando for o caso,
tutelas diferenciadas de diversos níveis de direitos humanos, no sistema de proteção internacional e nacional
desses direitos.
Atenção
Os critérios ou planos de classificação não são necessariamente excludentes entre si, e visam apenas a
uma abordagem temática diferenciada, de acordo com maior ou menor interesse, por um ou outro
critério e seus resultados em determinado momento de uma região, país ou bloco de países. 
As nações ou países não são os únicos atores envolvidos. Setores públicos, privados e terceiro setor devem
ser pensados nesse conjunto, sendo “países” uma maneira de se referir a todos.
Mais do que decorar teorias e critérios de classificação dos direitos humanos, é importante saber reconhecê-
los nas atividades profissionais do cotidiano e em todas as áreas do conhecimento. No plano internacional,
tratados e convenções de direitos humanos têm exigido compromisso do Poder Público e de empresas
privadas no cumprimento de metas e políticas públicas de medidas sanatórias das desigualdades sociais
oriundas da falta de acesso a um ou outro direito, considerando-o como inerente e necessário à condição
humana.
Direitos humanos X Direitos fundamentais no Brasil
Neste vídeo, apresentaremos as diferenças e características entre direitos humanos e direitos fundamentais
no Brasil.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considerando a necessidade de medidas públicas de enfrentamento da crise mundial de saúde
desencadeada pela pandemia da covid-19, o Brasil, assim como outros países, adotou medidas restritivas de
direitos, entre elas, as previstas no art. 3º da Lei 13.979/2020, que prevê, entre outros pontos, que
autoridades públicas no âmbito de suas competências podem determinar medidas de isolamento e
quarentena com restrição do direito de ir e vir, vacinação, uso obrigatório de máscaras de proteção individual,
entre outros.
Partindo da ideia conceitual dos direitos humanos, bem como da questão terminológica envolvendo os
chamados direitos fundamentais, marque a opção correta:
A
Direitos fundamentais não são direitos humanos e podem ser limitados pela Lei 13.979/2020, mesmo em caso
de pandemia de covid-19.
B
Direitos humanos não são direitos fundamentais e podem ser limitados, desde que no âmbito internacional,
mas nunca pelas leis internas de um país, mesmo em caso de pandemia de covid-19.
C
Direitos humanos e direitos fundamentais são expressões totalmente equivalentes e são assim utilizadas por
questões de linguística típicas de traduções de importantes documentos jurídicos do inglês para o português.
D
Direitos humanos e direitos fundamentais permitem restrições normativas e pontuais quevisam proteger as
condições de dignidade da pessoa humana, sobretudo em meio a uma situação pandêmica, como ocorre no
caso do Brasil.
E
Direitos humanos são um dispositivo jurídico para conter os excessos do Estado e são baseados na ideia de
direitos fundamentais (que o Estado deve prover minimamente a todos os seus cidadãos).
A alternativa D está correta.
Os direitos humanos no plano internacional e sua incorporação no sistema jurídico brasileiro não são
violados por restrições normativas feitas em prol da saúde, da vida e da coletividade. Ao contrário, o
eventual e fundamentado sacrifício de direitos individuais pode salvar milhares de vidas e milhões de reais
de gastos públicos. No caso do Brasil, os direitos fundamentais ratificam e incorporam as ideias dos
direitos humanos pactuados no cenário internacional (art. 1º, inciso III e art. 5º, parágrafos 1º e 2º da CRFB
88).
Questão 2
“O conceito de ‘civilização’ refere-se a uma grande variedade de "fatos": ao nível da tecnologia, ao tipo de
maneiras ao desenvolvimento dos conhecimentos científicos, a ideias religiosas e aos costumes. Pode se
referir aos tipos de habitação ou à maneira como homens e mulheres vivem juntos, à forma de punição
determinada pelo sistema judiciário ou ao modo como são preparados os alimentos. Rigorosamente falando,
nada há que não possa ser feito de forma ‘civilizada’ ou ‘incivilizada’. Daí, é difícil sumariar em algumas
palavras tudo o que se pode descrever como civilização”. (ELIAS, 1994).
O texto acima trata sobre o conceito de civilização que é abordado pelo autor em sua obra, demonstrando
claramente que tal conceito é variável no tempo e no espaço. A respeito do trecho, assim como da
classificação e teorização dos direitos humanos, é correto afirmar que
A
apesar de haver um decurso temporal considerável desde a Antiguidade Clássica, os direitos humanos não
sofreram grandes alterações em sua classificação.
B
o processo civilizatório da sociedade não afeta a classificação e teorização dos direitos humanos, pois desde
sempre eles foram considerados direito natural, embora nem sempre fossem respeitados.
C
o processo civilizatório da sociedade e seus costumes no tempo e no espaço afetam diretamente a
classificação e teorização dos direitos humanos, e ainda trazem dificuldades acerca da ideia de direitos
humanos realmente universais, assim entendidos, reconhecidos e aplicados em todos os países do mundo.
D
o processo de concentração de capital nas indústrias bélicas busca a manutenção da paz.
E
a civilidade ocidental histórica remete ao Império Romano e depois passa por processos contínuos de
superação e evolução, até alcançar o capitalismo, em que o homem obtém equilíbrio e maturidade,
entendendo que existem direitos universais.
A alternativa C está correta.
A primeira fase do capitalismo financeiro se deu por meio da independência dos setores empresariais dos
interesses dos Estados Nacionais. Com o comércio internacional se tornando uma peça fundamental na
balança de poder, cada vez mais os grandes investidores (haute finance) tiveram poder sobre as decisões
dos Estados.
Soldados chilenos queimando livros durante a ditadura
militar chilena de Pinochet, 1973.
2. Características dos direitos humanos
Reflexões sobre os direitos humanos
Os direitos humanos ocupam um lugar de destaque no cenário internacional e nos sistemas jurídicos de países
e blocos de países ao redor do mundo, com especial destaque para os que se enquadram como Estados
Democráticos de Direito, que adotam regimes políticos baseados na democracia (representação direta do
povo), ainda que de maneiras diferentes, na escolha dos membros dos poderes, em especial legislativo e
lideranças dos poderes executivos.
Mas como reconhecer as características gerais
dos direitos humanos?
 
Como atentar para as especificidades de sua
aplicação na diversificada realidade de cada
país do mundo global?
 
Regimes ditatoriais, regimes de exceção e
outras formas de aristocracia adotam em via de
regra o corpo legislativo de interesse do grupo,
não da população. Logo, para eles, direitos
humanos são desnecessários ou não existem.
Podemos considerar uma única idealização,
uma única visão dimensional teórica e prática
dos direitos humanos? Vamos lá descobrir as respostas a estes questionamentos.
O que faz um direito ser um direito humano?
Confira neste vídeo algumas reflexões sobre a completa definição e amplitude dos direitos humanos. 
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Caracterização dos direitos humanos
Apesar de contarmos com importantes documentos históricos no âmbito internacional com indicativos
importantes a respeito do conteúdo jurídico dos direitos humanos, sabemos que, na prática, a doutrina e os
tribunais vêm aplicando muito mais peso às características do que a nominata de direitos propriamente dita. 
Nominata, Infraconstitucionais
Nominata, ou seja, nomes atribuídos. Quer dizer que a literatura internacional e a maturidade dos direitos
humanos impactam mais na sua aplicação do que aquilo que é referenciado na lei como direito humano. 
Tal situação ocorre também pelo fato de cada vez mais direitos humanos estarem espalhados em legislações 
infraconstitucional dos variados ramos do direito.
Congresso Nacional do Brasil, Brasília.
Infraconstitucional
Embora os direitos humanos estejam previstos como fundamentais, a sua aplicação e leitura estão
dipostas em leis dispersas abaixo da Constituição, como Estatuto do Idoso, ECA, entre outras. 
Se o corpo legislativo não é um código específico
encontrado em um vade mecum (um manual específico de
leis), como podemos fazer para reconhecê-lo difuso nas leis
de um país, ou mais especificamente nas leis brasileiras?
Vamos conhecer algumas características do corpo
legislativo e, em seguida, acompanhar comentários,
conexões e exemplificações de interesse.
Universalidade
O alcance dos direitos humanos não é excludente de qualquer ser humano por qualquer razão ligada à pessoa
humana. Outros fatores locais e normativos podem fazê-los não chegar até o indivíduo, mas sendo possível
chegar, toda pessoa humana é agraciada.
É talvez uma característica mais desejada do que efetivamente alcançada, considerando a diversidade cultural
dos países no mundo. Para além da tradicional divisão entre Oriente e Ocidente, dentro dos próprios
continentes do chamado mundo ocidental são encontradas inclusões e exclusões.
Temas como alimentação, caça aos animais, trabalhos forçados em sistemas prisionais, pena de morte,
legislação do trabalho, seguridade social e educação são tratados de forma bem diferenciada. Veja alguns
exemplos!
Caça Regulada
O direito e a prática da caça no Brasil e nos
Estados Unidos da América
Contrastes Culturais
A diferença entre a cultura de vida nos centros
urbanos e no meio rural
Observe quanta variação podemos ter. Entendeu a dificuldade da universalidade? Soma-se a isso o maior
número de relações sociais virtuais e presenciais entre pessoas e culturas diferentes em razão das atuais
tecnologias de comunicação, bem como por consequência das facilidades para se viajar. 
Essencialidade
Corolário da característica anterior, a essencialidade confirma a universalidade e vice-versa. Só é universal
pois é essencial à existência e sobrevivência de todo ser humano.
Seguindo o comentário e a característica anteriores, resta saber o conteúdo essencial em cada país e sua
interpretação jurídica interna de validar ou não o referido conteúdo. Para tal exemplo, podemos apontar a
maior ou menor tolerância que os governos têm na execução de políticas públicas em torno da população
carcerária e suas famílias.
O Massacre do Carandiru, 1992
Certamente você já ouviu a expressão direitos humanos relacionada a temas de tratamento das pessoas
apenadas preventivamente ou em caráter reativo (e possivelmente também já ouviu muitas críticas a esse
respeito), mas o fato é que a essencialidade é discutível, por mais difícil que possa parecer para cada um de
nós,a respeito da visão dos gestores públicos nacionais e internacionais.
É também um tema de conflitos constantes entre autoridades de um país e organizações internacionais que
realizam estudos e outras atividades relacionadas aos direitos humanos e direitos fundamentais das
populações carcerárias. Vamos conhecer o debate sobre o direito ao uso de armas, ouça!
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Imprescritibilidade
A regra geral da segurança formal do direito no tempo não atinge os direitos humanos. O bem jurídico tutelado
supera o decurso temporal formal. Obviamente, deve ser o titular do direito violado ou ameaçado diligente em
sua ação do Poder Judiciário, mas não há que se falar em prescrição. 
É uma característica de maior segurança jurídica, que
pretende evitar que casos de violações de direitos
fundamentais fiquem impunes. Como exemplo, temos as
notícias sobre abusos da integridade física e moral de
pessoas, rotulados de assédios, ou abusos majoritariamente
com apelo sexual.
A área do entretenimento e o campo das instituições
religiosas vivem dramas constantes com situações do
gênero. A Lei Maria da Penha seria um direito humano?
Segundo o texto da lei, sim, mas segundo a decisão do STF
(Supremo Tribunal Federal) sobre ela, não.
Ouça e saiba mais sobre a Lei Maria da Penha.
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Inalienabilidade
Ao contrário de outros direitos disponíveis, no caso dos direitos humanos a inalienabilidade visa blindar
direitos oriundos da própria condição do ser humano, evitando assim que abusos ou negócios provenientes da
exploração de mercado e suas leis próprias afetem em especial os direitos das pessoas menos favorecidas
socialmente.
A pressão do capital e de outros possíveis direitos e interesses são históricos na vida humana, em especial
nos espaços de maior liberalismo, fruto da contemporaneidade. Ocorre que, com o aumento formal de direitos
fundamentais, foi necessário taxar de inalienável o rol de direitos que cada país traz como integrante de sua
categoria diferenciada.
Casos tradicionais colocados à prova diariamente, como os reiterados usos de pessoas com crescimento
físico diferenciado, modelos de pele negra e comércio de órgãos são apenas alguns exemplos da necessidade
de proteger a mercantilização de direitos fundamentais, esbarrando sempre nos limites morais das respectivas
sociedades.
Vamos pensar agora sobre as crenças e os efeitos da intolerência religiosa, acompanhe!
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Irrenunciabilidade
Não se pode renunciar elemento ou parte integrante de seu todo, sob pena de esvaziamento do todo. É uma
incoerência lógica e jurídica. Visa, em última análise, a evitar uma forma diversa da inalienabilidade negativa.
Agora é a vez de pensarmos o direito ao trabalho sob a perspectiva dos direitos humanos. Vamos ouvir!
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Trata-se de característica também presente em grande parte dos sistemas jurídicos dos Estados
Democráticos de Direito no mundo ocidental. Visa evitar uma forma diferenciada de mercantilização às
avessas e, na maioria das vezes, com base no próprio ordenamento legal. Está normalmente associada ao
direito material e ao acesso à justiça pelas pessoas naturais.
Inviolabilidade
Antes 
Foto do Rana Plaza, um prédio de oito pisos
que abrigava fábricas de vestuário
prestadoras de serviço para grandes marcas e
um centro comercial em Savar, Bangladesh,
em 2012. O imóvel apresentava rachaduras e
corria risco de desabamento.
Depois 
O prédio continuou ocupado, até que
em 2013 ocorreu o colapso, deixando
cerca de mil trabalhadores mortos. A
tragédia inflamou debates sobre direitos
humanos e a importância de uma
cadeia de produção mais sustentável
para a moda.
Mulher com a bandeira palestina em frente aos
soldados das Forças de Defesa de Israel durante
manifestações, 2010.
Os ordenamentos jurídicos dos países não podem violar os direitos humanos, mitigando seus valores de forma
indireta em normas que possam burlar as proteções legais. Tais direitos são invioláveis.
Uma meta a ser atingida: essa é maneira mais honesta e transparente de comentar e exemplificar a
característica acima, pois, infelizmente, os direitos fundamentais são diariamente violados pelas pessoas e
pelo poder público. Um dos exemplos mais marcantes na atualidade é o direito fundamental à saúde.
Refugiados esperam assistência de voluntários em um campo de refugiados na
fronteira entre Grécia e Macedônia, 2016.
Não é preciso se esforçar muito para constatar uma violação direta ou indireta. O fato é que, apesar de haver
trocas de responsabilidade entre os juridicamente responsáveis, percebemos violações constantes há algum
tempo. Isso necessita ser revisto, sob risco de termos um sistema eternamente tolerante às violações legais e
constitucionais do tema.
Refletir a hipótese da venda de órgãos sob a perspectiva dos direitos humanos também é importante, vamos
ouvir!
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Historicidade
São construções históricas, derivadas de marcos importantes e normalmente associados a eventos com
grandes perdas humanas e violações de outros direitos correlatos. A característica geral da historicidade
ratifica a percepção a respeito das origens e possível caracterização de novos direitos na linha do tempo e do
espaço.
A historicidade é um elemento que dificulta a implementação da universalidade dos direitos fundamentais,
pois costumes, tradições e outros movimentos fazem parte da vida e não de regras imutáveis. Além disso, não
são fruto de uma evolução linear melhor ou pior, mas sim resultados da realidade social.
A historicidade vai, portanto, variar bastante nos
continentes e realidades de cada país, além de gerar
conflitos jurídicos supranacionais, principalmente no mundo
atual. É preciso ficarmos atentos para não sermos
complacentes e intolerantes com as diferenças, ainda que,
na esfera internacional, elas estejam sob o mantra dos
direitos fundamentais e humanos.
Mas está no meu livro, na minha liberdade de culto, este
povo sempre teve direito a esta terra: ouça um debate
sobre Israel e Palestina.
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Interdependência
Os direitos fundamentais estão interligados, conectados entre si nos importantes documentos jurídicos
internacionais e na legislação interna de cada país.
A interdependência dos direitos fundamentais é uma importante característica (mais prática do que teórica) e,
por isso, falaremos dela. É pela via da interdependência que validamos nossos sistemas jurídicos,
principalmente em países como o Brasil, com diferentes espaços de competência legislativa, judiciária e
executiva. Tal característica é essencial para uma pretensa harmonização em busca de maiores níveis de
eficiência da tutela dos direitos fundamentais.
Um assunto relacionado ao direito fundamental é o acesso à justiça dos consumidores, categoria da qual
dificilmente escapamos e que cada vez mais se envolve em situações jurídicas de prestação de serviços,
compra e venda, restrição de crédito e outras violações, inclusive de seus dados. Os consumidores têm
atualmente, à sua disposição, espaços diferenciados de consensualidade no âmbito federal, estadual e
municipal. Vejamos o exemplo das opções de um consumidor residente no Rio de Janeiro.
Âmbito federal Âmbito estadual
Âmbito municipal
Agora que você distinguiu as características gerais e específicas dos direitos humanos, está apto a seguir
para a contextualização de tais direitos na visão dimensional, na teoria e na prática. Vamos lá!
Visão dimensional dos direitos humanos
O estudo dos direitos humanos, sua terminologia, teorias, características e classificação ao longo dos séculos
é base para a compreensão de como tais direitos são operados dos sistemas jurídicos atuais dos países e
Ativistas em favor do voto feminino no Reino Unido,
direito aindatratado de acordo com regras nacionais
em muitos países, 1908.
também nas possibilidades e limitações no campo de um direito supranacional que possa ser aplicado em
relações jurídicas estatais e situações complexas envolvendo pessoas naturais, grandes corporações de
atuação transnacional e outros fatos que podem afetar a vida das pessoas em partes diferentes do globo.
Dentro da lógica desenvolvida e sedimentada, nos documentos históricos que tratam dos direitos humanos e,
no caso do Brasil e de alguns países europeus, na tradição dos direitos fundamentais, tais direitos
fundamentais são entendidos como aqueles assegurados na ordem jurídica interna de cada um dos países.
Eles integram o rol de temas que um país entende como
mais importante em categoria aos demais direitos que
regula.
Se tal país é signatário de documentos jurídicos
internacionais que declaram direitos humanos, é comum ter,
em seu rol de direitos fundamentais, os mesmos direitos,
além de, eventualmente, outros direitos mais explicitados e
que refletem realidades nacionais, nem sempre
dimensionadas no macro.
É possível reconhecer uma divisão ou classificação em
gerações, etapas ou, como tem sido feito ultimamente, em dimensões diferenciadas no tempo e conteúdo.
Assim, ao falarmos de como os direitos humanos são atualmente enquadrados pelos Estados de Direito (para
além dos importantes referenciais históricos, já reconhecidos baluartes de iluminação global), é no campo dos
direitos fundamentais que reconhecemos os efeitos da divisão geracional que pode refletir direitos materiais e
instrumentais de acesso à justiça e outros atos de cidadania das pessoas em caráter individual ou coletivo.
Portanto, os direitos humanos são valorizados e enquadrados em dimensões ou gerações, seguindo um
encadeamento básico que vamos recapitular agora.
Direitos de 1ª Geração - Liberdade dos indivíduos
São aqueles ligados ao exercício de liberdades para cada indivíduo e a limitações do agir do poder
público estatal. São os tradicionais direitos civis e políticos: liberdade, isonomia e acesso à
propriedade.
Direitos de 2ª Geração - Igualdade social
São aqueles direcionados a possibilitar, de fato e de direito, um sentimento de igualdade de
condições de competição. São os direitos ditos sociais, como educação, trabalho, assistência, saúde,
moradia, entre outros.
Direitos de 3ª Geração - Fraternidade
São aqueles destinados ao maior equilíbrio de vida social, tais como paz, bem-estar social, meio
ambiente saudável, solidariedade, diversidade, respeito às características étnicas, entre outros.
Direitos de 4ª Geração - Novos direitos
Essa geração, que não é consensual, ligada aos direitos de acesso à informação e comunicação
digital em rede, ao regime mais democrático possível, e novos direitos da bioética.
Seja como for, segundo Domenico de Masi, em sua ideia de paradigma, vivemos atualmente as
transformações mais intensas e rápidas desde o Renascimento, Iluminismo, Revolução Industrial e outros
importantes movimentos, em um período que traduz os efeitos da ação e reação da sociedade civil, do
mercado e dos poderes estatais em uma espiral intensa e com giros dentro de uma mesma geração.
Não são mudanças simplesmente de uma sociedade líquida. Para além da liquidez, há a superação de teses,
antíteses, tradições, costumes e outras variáveis de mudança de comportamento. Reflita alguns
questionamentos!
Que Estado atenderá aos desejos e às necessidades da geração presente, que vive consideravelmente
mais que as duas anteriores?
Que educação será adequada?
A educação será adequada apenas para a visão de mercado ou sob outras premissas sociais mais
amplas?
Não são questões enceradas, mas servem como fundamentação para defesa de revisitação dos direitos
humanos e respectivos direitos fundamentais de maneira mais intensa. Este ponto evidencia uma das razões
não para haver unanimidade na ideia de dimensões sequenciais e sem fim, mas sim uma revisitação e criação
de novos direitos para novas realidades a serem incorporados ao conjunto da obra.
Ocorre que essa visão geracional está muito ligada à noção predominante de período/tempo e a um
movimento mais positivista do direito, tendente a regulações mais específicas, o que acaba gerando um
“fatiamento” legislativo dos direitos humanos e criando barreiras práticas para sua aplicação.
Refugiados venezuelanos buscando acesso a outros países da América Latina,
fugindo da crise de segurança e liberdade em seu país de origem, 2018.
Quando trabalhamos com a ideia dimensional, estamos pensando em direitos humanos ou fundamentais que
podem ser analisados sem separação ou hierarquia nas seguintes dimensões, veja!
• 
• 
• 
Se paração das dimensões em relação aos direitos humanos.
Não há, como na didática anterior geracional, a ideia de tanta fragmentação integrar uma única realidade
dinâmica. Veja, por exemplo, o Direito Fundamental de Acesso à Justiça, previsto no art. 5º, inciso XXXV da
CRFB 88, que traz sob o prisma da igualdade a mensagem de que “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Entenda melhor cada uma das 3 dimensões. Vamos lá!
1
Individual/Liberal
Na medida que tal acesso pode ser realizado por qualquer um do povo, pessoa jurídica de direito
privado ou público, interna ou estrangeira.
2
Social
Pode ter provocação e resposta de natureza coletiva, atingindo direitos difusos, coletivos e
individuais homogêneos.
3
Fraterna
Mundialmente, a Justiça pode se dar cada vez mais por métodos adequados e consensuais de
solução ou gestão de conflitos, como mediação, conciliação e justiça restaurativa, por exemplo. É o
que chamam de Cultura da Paz, Bem-Estar Social, entre outros.
Um importante direito que está ligado a várias dimensões não é limitado ou hermético a um conceito, bem
jurídico ou instituto específico; não está isolado em período “A” ou “B” e pode ser referenciado pelos
documentos históricos mais antigos do século XIII, da Independência dos Estados Unidos e certamente da
Revolução Francesa no século XVIII; e até mesmo estudos e referenciais teóricos mais modernos, como os
trabalhos de Cappelletti e Garth do Projeto Florença e seu extrato mais conhecido, a obra Acesso à Justiça
(1998).
Atualmente, não se trabalha mais na prática com a clássica divisão Geracional e Temporal. Estamos
todos em uma ambiência única, na mesma espiral. O que importa é garantir o não retrocesso,
assegurando que as pessoas possam exercer seus direitos e que os Estados atuem como
defensores tanto de forma preventiva quanto reativa.
Sem nenhum passo atrás!
Acompanhe no vídeo um bate-papo sobre os direitos humanos para o futuro e quais são as preocupações
necessárias para as novas gerações.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considerando as características dos direitos humanos e sua relação com os direitos fundamentais, marque a
opção correta.
A
Os direitos humanos são todos imprescritíveis, enquanto os direitos fundamentais, não, pois são apenas leis
internas dos países.
B
Direitos humanos são imprescritíveis, assim como os direitos fundamentais no Brasil. A ideia da
imprescritibilidade está relacionada à segurança jurídica para a suposta vítima exercer seus direitos em busca
da Justiça.
C
A historicidade está ligada aos direitos fundamentais, mas não aos direitos humanos, pois eles estão na esfera
da história mundial, e não local.
D
A interdependência está associada apenas aos direitos que não são relacionados aos direitos humanos.
E
Os direitos humanos devem ser pensados no contexto social de cada região, não podendo se sobrepor à
cultura local. Quando signatários plenamente, aí sim podem ser cobrados pelos tribunais internacionais para
seguirem o princípio.
A alternativa B está correta.
Imprescritibilidade: nem todos os direitos fundamentais são imprescritíveis, mas a regra geral da segurança
formal do direito no tempo não atinge os direitos humanos. O bem jurídico tutelado superao decurso
temporal formal. Obviamente, deve ser o titular do direito violado ou ameaçado diligente em sua ação do
Poder Judiciário, mas não há que se falar em prescrição.
Questão 2
De acordo com o sociólogo Domenico de Masi, vivemos um novo “paradigma”, girando em torno de uma
sociedade desorientada no tempo e no espaço, diante da velocidade de incrementos tecnológicos iniciados
por uma revolução pós-industrial, com ênfase nos costumes e práticas sociais desde o final do século
passado até os nossos dias.
Segundo o estudioso, estaríamos avaliando e regulando novos tempos e ares com velhos direitos e
paradigmas, sendo assim impossível normatizar, com precisão e segurança, codificações, constituições e
outras formas de controle social.
Considerando as características estudadas dos direitos humanos, marque a opção correta.
A
A percepção de Domenico de Masi não se coaduna com nenhuma das características dos direitos humanos.
B
A percepção de Domenico de Masi se coaduna à característica da imprescritibilidade dos direitos humanos,
pois ratifica a valorização de velhos direitos no tempo.
C
O processo civilizatório da sociedade e seus costumes no tempo e no espaço estão passando por uma
intensa onda de desorientação em que vários direitos humanos estão sendo redimensionados, reforçando a
característica da historicidade.
D
O processo de concentração de capital nas indústrias bélicas busca a manutenção da paz.
E
A leitura do autor foca na inviolabilidade dos direitos humanos, sendo esse um valor universal e, por isso,
indiscutível para todos os homens.
A alternativa C está correta.
A sociedade desorientada de Domenico de Masi está passando por um redimensionamento de direitos, do
papel do Estado e das pessoas. O norteador desse processo deve ser a historicidade, compreendendo que
os elementos citados são construções históricas ligadas a marcos importantes e/ou eventos com grandes
perdas humanas e violações de outros direitos.
3. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, conhecemos as divergências terminológicas, teorias e classificações que impactam as
relações sociais e a compreensão da realidade dos direitos humanos na atualidade. A base teórica é
importante, considerando que os sistemas jurídicos dos países não necessariamente utilizam a linguagem
universal dos documentos e compromissos internacionais, gerando assim uma lacuna na racionalidade lógica
para o direito e áreas afins.
Também distinguimos as características gerais e específicas dos direitos humanos, contextualizadas com a
visão dimensional e suas práticas clássica e moderna, de modo a gerar percepções e reflexões múltiplas nas
várias áreas profissionais. O conhecimento das características e classificações, a interlocução com o sistema
constitucional dos direitos fundamentais no Brasil e a sociedade em construção e reconstrução diante dos
câmbios sociais são apenas alguns dos ingredientes necessários à prática cotidiana dos direitos humanos,
que devem estar cada vez mais inseridos no conteúdo normativo das normas jurídicas e comportamento das
pessoas.
Em outras palavras, os direitos humanos devem estar pulverizados, contidos nos mais diversos sistemas
jurídicos, e ser tratados em caráter principiológico, intrínseco a qualquer norma, devendo vir antes do direito,
inclusive, quando possível, mas não deixando de estar nele, sob qualquer pretexto.
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Leia a Declaração Universal dos direitos humanos, disponível no site da ONU.
 
Pesquise o site da Comissão Interamericana de direitos humanos e obtenha informações sobre como atuar na
defesa de tais direitos em âmbito internacional.
 
Leia as Sentenças da Corte Interamericana de direitos humanos relacionadas ao Brasil, disponíveis no site do
Governo Federal.
 
Leia o artigo Vaticano sabia que ex-cardeal dos EUA era acusado de assédio sexual, na página da Gazetaweb.
 
Leia o artigo Harvey Weinstein pega 23 anos de prisão em caso mais emblemático do MeToo, disponível no
site do jornal Folha de S.Paulo.
 
Leia o artigo direitos humanos: as Particularidades Africanas, de Marcolino José Carlos Moco, da Universidade
de Angola, disponível na página da Associação Nacional de direitos humanos, Pesquisa e Pós-Graduação.
 
No site do Supremo Tribunal Federal, leia a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 sob a ótica
da instituição.
 
Conheça o site ShareAmerica e leia o artigo Estas vozes identificaram nossos direitos humanos universais.
 Referências
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Consultado na internet em: 10 mai. 2021.
 
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HOBSBAWN, E.; RANGER, T. J. A Invenção das Tradições. São Paulo: Paz e Terra, 2012.
 
MASI, D. Paradigma. Consultado na internet em: 10 mai. 2021.
 
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UNICEF. O que são direitos humanos? Portal UNICEF, 2015. Consultado na internet em: 10 ago. 2023.
	Teoria dos direitos humanos
	1. Itens iniciais
	Descrição
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Conteúdo interativo
	1. Teorias e classificações dos direitos humanos
	Expressões jurídicas e seu contexto na realidade social
	Comentário
	Direitos humanos ou direitos fundamentais: qual o começo e qual o nosso referencial?
	Tirania do rei Leopoldo II da Bélgica, na África
	Bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki
	Holocausto judaico
	Massacre de Armênios
	Comentário
	Jesuítas e a atuação da Companhia de Jesus
	Escravidão da população negra e a Lei do Ventre Livre
	1888
	1215
	1628
	1649
	1659
	1689
	1776
	1787
	1789
	1791
	1864
	1888
	1919
	1948
	1963
	Terminologia dos direitos fundamentais
	Direitos humanos
	Direitos fundamentais
	Exemplo
	Município
	União
	Estado
	Considerações sobre a teorização e classificação dos direitos humanos
	Comentário
	Caso 1
	Caso 2
	Classificação dos direitos humanos: critérios diferenciados e Teoria do Status
	I
	II
	III
	I - Plano segundo a Teoria do Status (Georg Jellinek)
	Passivo
	Ativo-negativo
	Positivo-pretensão
	Ativo-acessibilidade
	II – Plano de gerações ou momentos
	Primeira Geração (Liberdades dos indivíduos)
	Segunda Geração (Igualdade social)
	Saiba mais
	Terceira Geração (Fraternidade)
	III – Plano internacional e nacional
	Atenção
	Direitos humanos X Direitos fundamentais no Brasil
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Características dos direitos humanos
	Reflexões sobre os direitos humanos
	O que faz um direito ser um direito humano?
	Conteúdo interativo
	Caracterização dos direitos humanos
	Universalidade
	Caça Regulada
	Contrastes Culturais
	Essencialidade
	Conteúdo

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