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1 LEITURA E FORMAÇÃO DO LEITOR 1 Sumário LEITURA E FORMAÇÃO DO LEITOR ......................... Erro! Indicador não definido. NOSSA HISTÓRIA ....................................................... Erro! Indicador não definido. LEITURA ..................................................................................................................... 4 AQUISIÇÃO DA LEITURA ....................................................................................... 4 LEITURA E GÊNEROS LITERÁRIOS ......................................................................... 5 GÊNERO ÉPICO OU NARRATIVO: ........................................................................ 6 GÊNERO LÍRICO: ................................................................................................... 6 GÊNERO DRAMÁTICO: .......................................................................................... 6 GÊNERO DRAMÁTICO ........................................................................................... 7 GÊNERO ÉPICO ..................................................................................................... 7 GÊNERO LÍRICO .................................................................................................... 8 GÊNERO NARRATIVO ......................................................................................... 10 GÊNEROS DISCURSIVOS ................................................................................... 11 GÊNERO JORNALÍSTICO .................................................................................... 12 GÊNERO JURÍDICO ............................................................................................. 12 GÊNERO LITERÁRIO (COMO JÁ VISTO ACIMA) ................................................ 12 GÊNERO EPISTOLAR OU INTERPESSOAL, OU SEJA, MSN, SALA DE BATE- PAPO ..................................................................................................................... 13 GÊNERO PUBLICITÁRIO ..................................................................................... 14 LEITURA E ENSINO: O SILENCIAMENTO DE SENTIDO NO LIVRO DIDÁTICO ... 14 LEITURA ................................................................................................................... 16 Leitura diária. ......................................................................................................... 17 Leitura colaborativa ............................................................................................... 17 A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER ...................................................................... 17 TIPOS DE LEITURA .............................................................................................. 18 A leitura como decodificação ............................................................................. 18 file:///C:/Users/Cliente/Desktop/leitura.docx%23_Toc57044779 2 A leitura como avaliação .................................................................................... 18 LETRAMENTO ...................................................................................................... 19 Concepções Sobre o Texto - ..................................................................................... 21 O texto como conjunto de elementos gramaticais ................................................. 21 O texto como repositório de informações .............................................................. 22 O TEXTO EM SI .................................................................................................... 22 CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, SUJEITO, TEXTO E SENTIDO ................................. 23 A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS NO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA ........... 25 O ENSINO DE PORTUGUÊS NO ENSINO BÁSICO ............................................ 26 O TEXTO LITERÁRIO ........................................................................................... 26 LITERATURA ........................................................................................................ 27 A LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO ..................................................................... 28 O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DO LIVRO DIDÁTICO NA ESCOLA BRASILEIRA.......................................................................................................... 29 LIVROS DIDÁTICOS ............................................................................................. 30 Processo de Leitura .................................................................................................. 31 ESTRATÉGIAS DE LEITURA ................................................................................ 32 Habilidades que devem ser desenvolvidas antes da leitura ............................... 32 Habilidades que devem ser desenvolvidas durante a leitura ............................. 33 Habilidades que devem ser desenvolvidas depois da leitura ............................. 33 ANTECIPAÇÃO (HIPÓTESE); INFERÊNCIA; AUTO-REGULAÇÃO E AUTOCORREÇÃO. ............................................................................................... 34 A LEITURA DO TEXTO NA SALA DE AULA......................................................... 36 PRÁTICA DOCENTE – FORMAÇÃO DE LEITOR ................................................ 37 UMA LEITURA PRAZEROSA ................................................................................ 37 ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: LEITURA DO MUNDO ..................................... 38 CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES ........................................................................ 38 3 A FORMAÇÃO DE LEITOR CRÍTICO: UMA CONTRIBUIÇÃO INTERDISCIPLINAR NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM ........................................................... 40 FUNDAMENTANDO A AÇÃO DE FORMAR LEITORES CRÍTICOS .................... 41 INTERAÇÃO COM OS EDUCANDOS SOBRE O ATO DE LER ........................... 47 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 53 4 LEITURA A leitura, que é um testemunho oral da palavra escrita de diversos idiomas, com a invenção da imprensa, tornou-se uma atividade extremamente importante para a civilização, atendendo múltiplas finalidades. A leitura é parte fundamental no processo educacional, resultando na construção do indivíduo. AQUISIÇÃO DA LEITURA Podemos vincular o conceito de leitura ao processo de literária, numa compreensão mais ampla do processo de aquisição das capacidades de leitura e escrita e principalmente da prática social destas capacidades. Deste modo, a leitura nos insere em um mundo mais vasto, de conhecimentos e significados, nos habilitando inclusive a decifrá-lo; daí a noção tão difundida de leitura do mundo. Ampliar a noção e o hábito de leitura acentua a visão de mundo em âmbitos culturais e intelectuais. Para o bibliófilo José Mindlin, "é fundamental facilitar o acesso das pessoas a livros" a fim de que se habituem à leitura - independente do gênero e da idade. O importante, lembra ele, é que se crie o hábito. 5 A escrita deve ter um sentido para quem lê, pois saber ler não pode ser representar apenas a decodificação de signos, de símbolos. Ler é muito mais que isso; é um movimento de interação das pessoas com o mundo e delas entre si e isso se adquire quando passa a exercer a função social da língua, ou seja, quando sai do simplismo da decodificação para a leitura e reelaboração dos textos que podem ser de diversas formas apresentáveis e que possibilitam uma percepção do mundo. Segundo Fany Abramovich e Carla Alexandre, é através da leitura que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, de outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política,Portanto, um mediador na aquisição da linguagem. Um educador que será capaz de ajudá-los a “compreender a realidade, expressar a realidade e expressar- se, descobrir e assumir a responsabilidade de ser elemento de mudança da realidade”. Assim, ler e escrever, desta forma deixará de ser mecânicos atos, mas sim um ato de liberdade. “Ler é compreender a vida e apreender a sua obscura linguagem” (Purchkine). E para isto, é preciso paixão. UMA LEITURA PRAZEROSA Há (poucas) escolas que adotam a prática de “roda da leitura” que consiste em cada aluno de uma mesma sala de aula adquira um livro e após o término da leitura de um, vá trocando de livro com os demais colegas de classe para ao final do ano letivo terem lido no mínimo uns 30 livros. O interessante, a princípio, é não cobrar nenhuma atividade do aluno até fazer com que eles adquiram o gosto da leitura pela leitura, somente discutir o que cada um achou da obra lida, o que chamou sua atenção, se gostou ou não e ainda o que aprendeu com ela. Com a prática de leitura constante, na escola, daí sim trabalhar a interpretação, contexto histórico, a construção dos sentidos, as técnicas que deverão seguir ao ler, para aperfeiçoar o olhar crítico e analítico do aluno durante uma leitura. Com esse conhecimento literário a leitura será muito mais fácil e prazerosa, visto que o texto só tem sentido com a relação estabelecida entre leitor, autor e sociedade. A leitura só tem fundamento quando o indivíduo está aberto ao aprendizado, pois quando se acredita que já se sabe tudo, ela perde sua importância significativa em relação à leitura do mundo. 38 Acredita-se que a análise literária na escola pode tirar a beleza e a magia do texto. Deveríamos somente encantar-nos com ele, mas isso poderia distanciar-nos da literatura pois pareceria-nos inacessível, inatingível. Mas a “análise literária, quando bem realizada, permite que o leitor compreenda melhor essa magia e penetre com mais intensidade” (Cosson, 2006, p.29). A leitura nos convida a interagir com o leitor e a obra, deixando com que preenchamos suas lacunas. A escola deve ensinar aprender a ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO: LEITURA DO MUNDO Este livro é voltado para o ensino-aprendizagem do nível fundamental, na disciplina de Língua Portuguesa, indicado a uma turma de 7ª série. Visto que ao estudarmos uma língua temos que saber fazer uso dela em diferentes situações concretas de comunicação. Lembrando que fazemos parte de uma sociedade que faz uso de uma língua para a interlocução de comunicadores. Para tal, devemos nos apropriar das ferramentas que compõe sua estrutura, organização. Além dos meios de construção, como a semântica, sintaxe, morfologia, semiótica e a distinção de tipologias. Assim, teremos condições de perceber a maneira como ela relaciona-se com os seus falantes. Neste primeiro capítulo estudaremos a leitura de diferentes textos, porém antes do primeiro texto o livro apresenta-nos, ou melhor, aos leitores um clássico da literatura: CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES O presente trabalho desenvolvido mostrou em sua composição diversos conceitos teóricos sobre a leitura, a sua importância. Vimos às concepções de língua, sujeito, texto e sentido. Entendendo cada parte, uma vez que todas elas relacionam- se entre si. O grau de letramento que o leitor deve possuir. Como é necessário saber fazer uso de todos os tipos de textos presentes na sociedade. Apreendemos a diferenciar o alfabetizado do letrado; o letramento da alfabetização. Porque, ser letrado não significa apenas saber ler e escrever é preciso saber fazer uso, ou seja, ser capaz de 39 exercer as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive, além de conjugá-las com as práticas sociais de interação oral. Um entremeado de visões de mundo, discutimos a necessidade de valorizar o conhecimento internalizado do leitor. A sua participação na leitura, a importância em propiciar oportunidades concretas de criação de significado, pois uma leitura sempre será subjetiva e pessoal; mesmo que ela seja coletiva. Desse modo, levantamos em questão como é trabalhada a leitura dentro da sala de aula, através da pesquisa realizada pela PUC/RS [15], entendemos melhor a função do livro didático nas aulas de leitura. No entanto, observamos algumas falhas por práticas ineficientes e que continuam naquele ensino tradicional e moralista. Ensino onde somente o professor é dominador do saber, além de que o livro didático também recebe este título. Pois é tido como o único possuidor do saber e isento de qualquer falha. Um roteiro que possui verdades absolutas. A partir daí, com os fundamentos de alguns especialistas da área de linguística em leitura e ensino, tivemos a noção de como deve ser trabalhada a leitura. O processo de leitura em sim, quais habilidades deveria ser desenvolvida antes, durante e depois da leitura. Além de estratégias que motivassem o interesse do aluno/leitor para a leitura de diversos gêneros textuais. Consagrando-os cada um em sua importância distinta. Ou seja, todos nós fazemos uso da escrita e da leitura no nosso cotidiano. Ainda observando a leitura do texto na sala de aula, analisamos de forma isolada o papel do professor como mediador entre o leitor e o texto. Qual era sua participação, o que os alunos/leitores esperam dele. Disto isto, entre os estudiosos consultados é unânime a afirmação: “É preciso paixão”, O professor deve ser o exemplo de leitor para seus alunos/leitores. Assim, partiremos da seguinte ideologia a formação de um leitor eficiente somente findara-se ao levarmo-lo a sentir prazer por esta atividade. No entanto, diferente do que esperávamos a leitura em sua maioria é algo imposto, as chamadas “leituras obrigatórias” para posteriormente ser solicitada uma avaliação em que nada favorecerá para a compreensão do aluno. Porque, este leitor, cumprirá unicamente o que a atividade quer/solicita e não fará a apropriação do seu significado. Por isso, foi ressaltada a magnificência das rodas de leituras. Entretanto, em sua maioria as escolas não fazem uso desta estratégia de motivação. Perdendo, com isso, a oportunidade de formar leitores que leram mais textos, gradativamente. 40 Concluindo, para evidenciar todos os temas levantados foi realizada uma análise em um livro didático, na disciplina de Língua Portuguesa. O livro escolhido é “Leitura do Mundo”, das autoras Lúcia Teixeira & Norma Discini, data de publicação 2003, ambas as linguistas são profissionais que atuaram no ensino aplicando a leitura e hoje são responsáveis cada uma em sua respectiva área de atuação em propagar com o mesmo interesse, a leitura. Citando ainda a análise, houve-se a preocupação em perceber se todos os fundamentos descritos atendiam a formação do leitor. A análise buscava saber se as autoras propiciavam e qual era a maneira que as estratégias de leitura eram postas aos leitores. Ambas as estratégias de leitura, nomeadas de: antecipação (hipótese), inferência, auto-regulação e autocorreção foram de fato atendidas e valorizadas. No entanto, não houve uma identificação clara para as estratégias de leitura após a leitura do texto escolhido. Porém, vale ressaltar que um ponto que mereceu destaque na análise foi a utilização de textos que não ficam presos a leitura de textos gráficos. Por exemplo, as autoras escolheram para a leitura inicial da unidade I a leitura de um quadro, uma obra de arte. Contudo, a leitura de textos literários permaneceu na leitura de pequenos excertos retirados da obra original. Perfazendo o tradicionalismo trabalho de leitura. A FORMAÇÃO DE LEITOR CRÍTICO: UMA CONTRIBUIÇÃO INTERDISCIPLINAR NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM Utilizamos a leitura em vários locais e com diversas finalidades em nossas vidas: no trabalho, na escola, no lazer ou em casa.é um processo de compreensão, de intelecção de mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem: a sua capacidade simbólica e de interação com o outro pela mediação da palavra”. Compreendemos, então, que ler não é uma tarefa fácil, uma vez que se trata de capacidades humanas que muitas vezes encontram-se adormecidas, e reavivá-las requer tempo e estratégias atrativas o suficiente para atrair o leitor. Para tanto, um texto não pode ser compreendido como algo pronto e acabado, pelo contrário, deve ser entendido como uma estrutura em acabamento, com lacunas, e que necessita que alguém o complete e atribua um caráter significativo. Prosseguindo, Brandão e Michelitti apud. Chiappini (1998, p. 18) comentaram que “Se um texto é marcado por sua incompletude e só se completa no ato de leitura, se o leitor é aquele que vai fazer ‘funcionar’ o texto, na medida em que o opera através da leitura, o ato de ler não pode se caracterizar como uma atividade passiva”. O leitor precisa ser visto como peça fundamental no processo de leitura e na interação leitor texto, interligado às demais atividades propostas em outras disciplinas, não devendo ser responsabilidade só do professor da disciplina de Língua Portuguesa. Essa postura proporciona um ensino-aprendizagem mais contextualizado e voltado para o desenvolvimento do raciocínio crítico do estudante em qualquer uma das áreas de conhecimentos. Observamos que a leitura deve se apresentar como uma necessidade, um gosto para despertar o prazer no estudante para que ele possa absorver e aprender cada vez mais além de desenvolver suas competências leitoras dentro e fora da escola. Por isso, é que “A prática da leitura na escola precisa se assemelhar à prática da leitura fora da escola” (VELIAGO 1999, p.50). Nessa concepção, a escola precisa rever seus conceitos e ter definido que tipo de leitor quer formar e que tipo de leitura está disponibilizando para seus alunos a fim de que se tornem leitores críticos. Começa-se, então, uma luta pela valorização da leitura e do ato de ler que pode começar na sala de aula, passar pela escola e repercutir no meio sociocultural que o estudante está inserido. 45 Essa luta pode chegar ainda a sensibilização dos leitores diante da necessidade de ler e compreender o que se estar lendo. Uma vez que terá significância para a vida e para o trabalho. Para Kleiman (1998, p.61) “O ensino da leitura é um empreendimento de risco se não estiver fundamentado numa concepção teórica firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na compreensão de texto. Tal ensino pode facilmente desembocar na exigência de mera reprodução das vozes de outros leitores, mais experientes ou mais poderosos do que o aluno”. De acordo com a autora acima mencionada, se o trabalho com a leitura na sala de aula não tiver embasado em uma concepção bem definida de leitura, ou seja, se o professor e a escola não tiverem teoria suficiente e objetiva bem definida acerca do que pretende através desse trabalho, o mesmo corre o risco de não se configurar em si, e também pode tomar outros rumos, distanciando-se do que se pretende que é utilizar a leitura para formar cidadãos cada vez mais críticos e reflexivos. Pressupondo-se que no ensino fundamental os estudantes não estiveram em contato com atividades envolvendo a leitura, centrada em concepções definidas que focalizam a formação do leitor crítico e o despertar para o ato de ler, para compreender e gerar significado, sem se deter apenas ao que o autor quis dizer, mas complementando e recriando o sentido do que foi escrito “cabe ao ensino médio oferecer aos estudantes oportunidades de uma compreensão mais aguçada dos mecanismos que regulam nessa língua [...]” (BRASIL, 2002, p. 55). Dentre esses mecanismos, a leitura configura-se como essencial, uma vez que proporciona aos sujeitos que a realizam conhecimentos, tanto acerca da língua e seus elementos constitutivos quanto a conhecimentos relativos a vida social, cultural e principalmente no que compete aos saberes científicos. Considerando as competências e habilidades propostas nos Parâmetros Curriculares Nacionais, “o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas possibilidades de expressão linguística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos 46 representativos de nossa cultura”. (BRASIL, 2002, p. 55). Pelo que se percebe, a leitura está presente nas mais diversas situações da vida do ser humano e cada vez mais se faz necessário explorá-la em sala de aula, utilizando mecanismos que desperte o senso crítico do aluno e deixe de ser encarada como atividade sem significado para o aprendizado dos estudantes. Ler compreensivamente é utilizar uma prática que precisa ganhar cada vez mais espaço nas escolas e fora dela, pois é através desse ato que o indivíduo compreende o mundo e a sua maneira de nele atuar como cidadão, sensibilizado dos seus direitos e deveres. Para isso, é mister considerar o que afirma Brandão e Michelitti apud. Chiappini (1998, p. 22): “À leitura como exercício de cidadania exige um leitor privilegiado, de aguçada criticidade, que, num movimento cooperativo, mobilizando seus conhecimentos prévios (linguísticos, textuais e de mundo), seja capaz de preencher os vazios do texto, que não se limita à busca das intenções do autor, mas construa a significação global do texto percorrendo as pistas, as indicações nele colocadas”. Dessa forma, o ponto de partida para uma leitura verdadeiramente significativa é a formação do leitor crítico, sensibilizado da sua responsabilidade diante do ato de ler e da realização de uma leitura compreensiva, mais criteriosa diante da formação do cidadão para agir e interagir em seu meio social entende-se que o valor da leitura é primordial, principalmente diante dos números cada vez mais crescentes que mostram uma realidade dura em que a compreensão do que é lido nem sempre acompanha o que está sendo lido, considerando, também, que a leitura está intimamente relacionada com as questões sociais, culturais e econômicas nas quais o leitor está inserido. Sendo assim, estudantes oriundos de um universo não letrado, que não tem contato com uma diversificada gama de gêneros textuais, nunca leram um livro ou nem sequer ouvem rádio e assistem televisão, apresentam dificuldades em relação ao ato de ler e compreender determinados textos, que outros estudantes, os quais fazem parte de um ambiente, que mesmo sem muita intencionalidade, circulam jornais, revistas, livros e a mídia, não apresentam. Principalmente na questão da 47 contextualização do conteúdo que está sendo lido, e na sua relação de significado com a realidade. INTERAÇÃO COM OS EDUCANDOS SOBRE O ATO DE LER É importante que a leitura se constitua como uma prática social de diferentes funções, pelas quais estudantes podem perceber que precisam ler não somente para compreender, mas também para se comunicarem, adquirir conhecimentos, ampliar os horizontes em relação ao mundo e as questões inerentes ao seu bem estar social. Configura-se, então, como uma necessidade básica na vida de cada uma que pode ser produtiva para enriquecer as relações interpessoais dentro do seu grupo ou até mesmo no mercado de trabalho. Diante dessa necessidade presente no meio educacional, diversos programas do Governo Federal tentam trazer para a escola uma oportunidade de se constituir na prática um leitor realmente compreensivo e crítico, e traz para as salas de aulas obras que colocam o aluno em contato com materiais de qualidade, que se bem explorados resultam positivamente, como é o caso do programa Literatura em minha casa, que distribui entre os alunos do ensino fundamental, livros de literatura infanto-juvenil que contemplam peças de teatro, poesias, contos,novelas e narrativas de autores consagrados de nossa literatura. Também organizações não governamentais engajam-se em distribuição de livros e tenta atribuir à leitura um caráter lúdico, visando prender a atenção do aluno- leitor. Todas as contribuições nesse âmbito são válidas, desde que não desvie a leitura do seu objetivo principal que é a compreensão e a estimulação da criatividade e da criticidade do leitor. Em geral, os textos apresentados nos livros didáticos fogem da realidade social na qual nossos alunos estão inseridos, tornando-se de difícil compreensão. Por meio da reforma do Ensino Médio e a divisão das disciplinas por áreas, surgiu também a tentativa de contextualizar o livro didático de Língua Portuguesa. Tal tentativa afastou ainda mais o educando do uso habitual desse material, pelo fato de que para entender os conteúdos precisa ler cada vez mais, e, aí chega no ponto chave que boa parte dos jovens não gostam de ler, e torna a coisa cada vez mais difícil. 48 Para Luckesi (1994, p. 144), “O livro didático, de forma alguma, deve ser instrumento descartável no processo de ensino. Ele é um instrumento importante, desde que tem a possibilidade de registrar e manter, com fidelidade e permanência a mensagem. O que está escrito permanece escrito; não é tão perecível quanto à memória viva”. Tomando como base o ensino e aprendizagem da leitura crítica, bem como a formação do leitor competente, o livro didático não pode ausentar-se desse processo, principalmente pelo fato de ser, em alguns casos, o único material a esse respeito que o aluno dispõe em casa e até mesmo na escola. Cabe, então, ao professor, utilizar o mais significativamente possível os textos abordados por este tipo de livro, considerando o que o aluno sabe e o que pode aprender com a contribuição desse documento. O desenvolvimento de ações que viabilizem a formação do leitor crítico é fundamental, principalmente entre os jovens que cursam essa modalidade de ensino, pelo fato de poderem estar adquirindo mais segurança na leitura e também tomando gosto pelo ato de ler. Para tanto, é fundamental que o professor sirva de modelo, mostrando-se leitor ativo e compreensivo, para que possa mediar o processo de interação entre seus alunos e o universo letrado que envolve a leitura. Podemos afirmar que formar um leitor crítico não é tarefa fácil, entretanto fica claro que se trata de algo extremamente significativo para o aluno. As mudanças no currículo do ensino médio contemplam disciplinas que abordam conteúdos, que dão significado e reflexos na sua vida cotidiana. Assim, a leitura contribui não somente para a formação intelectual do indivíduo, mas para a formação moral e cultural, sendo um conhecimento de base para todos os outros que pode vir a adquirir ao longo da vida, além de servir também de entretenimento e prazer. É função de a escola ensinar esse tipo de leitura sob estes paradigmas. Na verdade, o que se almeja alcançar do trabalho com a leitura crítica no ensino médio é um leitor que seja capaz de ultrapassar os limites pontuais de um texto e incorporá-lo reflexivamente no seu universo de conhecimento de forma a levá-lo a melhor compreender seu mundo e seu semelhante. Partindo do ponto de vista de que “o verbo ler mão suporta imperativo” (PENNAC, 1993, p. 13), a leitura não deve ser encarada nem pelo professor nem pelo aluno como uma obrigação, um dever, e sim 49 como uma atividade prazerosa. Para tanto, o professor deve demonstrar paixão pela mesma e apresentá-la como fundamental para a formação intelectual dos educandos. Para Kleiman (1998, p. 51): “O leitor proficiente faz escolhas baseando-se em predições quanto ao conteúdo do livro. Essas predições estão apoiadas no conhecimento prévio, tanto sobre o assunto (conhecimento enciclopédico), como sobre o autor, a época da obra (conhecimento social, cultural, pragmático) o gênero (conhecimento textual). Daí ser necessário que todo programa de leitura permita ao aluno entrar em contato com um universo textual amplo e diversificado”. Assim, é essencial para o sucesso com o trabalho da leitura em sala de aula, a utilização de um universo textual amplo e diversificado, fazendo-se necessário que o aluno entre em contato com os vários tipos de textos que circulam socialmente, para adquirir autonomia e escolher o tipo de texto que mais se encaixa com o seu gosto ou com as suas necessidades. Por isso, é importante proporcionar para os alunos diversificadas situações nas quais a leitura esteja em foco, pois se aprende ler lendo e a interpretar o que leu interpretando. No entanto, para se formar um leitor crítico o mais coerente é propor para o estudante leitura crítica. As estratégias de leitura, envolvem vários tipos de conhecimentos e várias habilidades do leitor ao manusear o texto. Segundo Kleiman (1998, p. 49); “Quando falamos de estratégias de leitura, estamos falando de operações regulares para abordar o texto. Essas estratégias podem ser inferidas a partir da compreensão do texto, que por sua vez é inferida a partir do comportamento verbal e não verbal do leitor, isto é, do tipo de respostas que ele dá a perguntas sobre o texto, dos resumos que ele faz, de suas paráfrases, como também da maneira como ele manipula o objeto: se sublinha, se apenas folheia sem se deter em parte alguma, se passa os olhos rapidamente e espera a próxima atividade começar, se relê”. É importante, para o trabalho com a leitura que se utilize estratégias, as quais, oportunizem aos alunos adquirirem certa familiaridade para abordar o texto, adquirindo intimidade com o escrito e criando maneiras próprias e confortáveis de 50 entrar em contato com a leitura e compreender o que leu. Também é mister salientar que a autora mencionada acima afirma que as estratégias de leitura são importantes para o leitor apropriar-se do texto. No entanto, não são suficientes para garantir que o trabalho com a leitura na sala de aula se concretize, se fazendo necessário, então, um planejamento cuidadoso e principalmente coerente com a realidade do aluno. A leitura é uma atividade que está presente na escola em todas as atividades que envolvem as disciplinas do currículo. Lê-se para ampliar os limites do próprio conhecimento. Por isso, precisa se fazer presente na vida do estudante, não como algo paralelo do seu ensino-aprendizagem, mais como alguma coisa essencial para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes e principalmente dentro de um contexto real de leitura e análise de textos, para que o ato de ler possa passar a fazer sentido para os educandos. Pois, “Heráclito nos ensina que ninguém desce duas vezes no mesmo rio, pois suas águas mudam constantemente” (NASCIMENTO & SOLIGO, 1999, p. 40). Assim, o texto também se modifica a cada leitura que se realiza, porque o leitor coloca nele suas experiências, seus conhecimentos, aspectos da sua cultura, sua visão de mundo e também a sua opinião a respeito do tema exposto e à medida que lê o texto, vai ampliando os seus horizontes a respeito do tema que nele está exposto. Por isso, trabalhar com a leitura na sala de aula precisa que se crie situações com as quais os alunos possam ler os textos, não só uma, mas várias vezes, para perceber que seu conteúdo é uma fonte inesgotável de informação e de criação de novos conceitos. Diante disso, é importante também que a escola ofereça condições para que se realize a leitura no seu contexto, dispondo de biblioteca ou sala especializada para tal atividade. Se a instituição dispõe deste espaço, já terá dado um importante passo para a formação do leitor crítico. No entanto, só o espaço em si não é suficiente para assegurar a prática da leitura na escola. Para Nascimento & Soligo (1999, p.40) “exista ou não um ambiente privilegiado, o mais importante é mesmo o trabalho de leitura que se faz.A formação de leitores não depende da existência de um local determinado”. Um ambiente propício para desenvolver a leitura na escola, favorece as atividades pedagógicas que visam a formação de leitores, mas se a instituição não 51 dispor deste espaço, não é motivo para não realizar um trabalho voltado para o incentivo ao hábito de ler, pois mais significativo do que o local é o trabalho e/ou as atividades que se materializam para seduzir os alunos para o hábito da leitura crítica. Soligo (1999, p. 53) afirma que: “À compreensão da leitura depende da relação entre os olhos e o cérebro, processo que a longo tempo os estudiosos procuram entender. Nas últimas três décadas houve um avanço significativo nessa direção, mas ainda não se conseguiu desvendar a complexidade do ato de ler”. O ato de ler não se resume na atividade de passar os olhos sobre o escrito, é uma tarefa mais complexa e que mesmo frente a inúmeras discussões e estudos a respeito do assunto, ainda não foi possível chegar a um claro consenso sobre como é que se realiza o ato de ler. Ao propor a leitura para os alunos, é essencial considerar a complexidade do ato de ler para não lhe exigir algo que não é capaz de realizar em relação a leitura de textos, “[…] o processo de leitura depende de várias condições: a habilidade e o estilo pessoal do leitor, o objetivo da leitura, o nível de conhecimento prévio do assunto tratado e o nível de complexidade oferecido pelo texto” (SOLIGO, 1999, p. 53). Aprender ler e se tornar um leitor crítico que além de realizar leitura compreende o texto, exige empenho, tanto por parte do aluno quanto por parte de quem propõe o trabalho com a leitura. É preciso que ambos entendam que não se lê só para aprender a ler, mas sim para responder as suas necessidades pessoais. Faz- se necessário prosseguir com Soligo (1999, p.58-59), ao afirmar que “os alunos devem ver na leitura algo interessante e desafiador, uma conquista capaz de dar autonomia e independência. E devem estar confiantes, condição para enfrentar o desafio e aprender fazendo”. O estudante precisa, sentir-se estimulado para desenvolver uma prática constante de leitura, precisa deparar-se com situações com as quais possa raciocinar, refletir e progredir cognitivamente precisa esforçar-se para se encaixar no perfil do leitor crítico e para isso, dois pontos são de suma importância: o tipo de material utilizado e a proposta pedagógica que se realiza dentro das instituições de ensino. 52 No estudo sobre a formação do leitor crítico, é pertinente considerar que formar um leitor com esta característica é também desenvolver uma prática de leitura que desperte e cultive o desejo de ler, ou seja, uma prática pedagógica eficiente que dê suporte ao aluno para realizar o esforço intelectual de ler não só textos simples, mas também aqueles nos quais precisará utilizar e pôr a prova todas as suas estratégias de leitura. Para Eco (2000, p. 31) “um texto é um universo aberto onde o intérprete pode descobrir uma infinidade de conexões”. Ou seja, um texto é um conjunto de significados amplos e abertos e permite ao leitor mergulhar nele e relacioná-lo com outras diferentes situações com as quais tem contato no seu dia a dia e/ou com conteúdo das mais diversas áreas de conhecimento, proporcionando a quem lê preencher as lacunas deixadas pelo escritor para que a este mesmo texto, seja acrescidos, novas ideias e argumentos, com o intuito de que a cada leitura, sejam criadas expectativas novas em relação ao seu conteúdo. Diante disso, é preciso esclarecer que o texto é amplo, mas, no entanto não cabe a ele todo tipo de interpretação, como se qualquer entendimento servisse para explicar as suas entrelinhas, cabe nesse caso, certa harmonia entre as ideias, ou seja, uma coerência entre o que está escrito e o que é possível compreender a partir da leitura do mesmo. Na perspectiva de formar um leitor crítico, pretende-se formar alguém que a medida que lê, procura no texto um código secreto, procura definir as estratégias que produz modos infinitos de compreender o texto. Analisar criticamente um texto significa procurar mostrar como agem seus personagens e/ou está exposto o seu conteúdo, a fim de criar alternativas que o torna suscetível de inúmeras interpretações, considerando que a interpretação de um texto nunca pode ser única e definitiva. Entendemos que é uma necessidade formar o leitor crítico e argumentamos também que fazer do aluno um leitor com este perfil é uma urgência dentro das instituições escolares, pois o rendimento escolar de determinados alunos é marcado pelo fracasso, em virtude de não serem bons leitores e consequentemente, bons interpretadores de textos e/ou enunciados, que não estão presentes só em Língua Portuguesa, mas em todas as disciplinas do currículo escolar. Desenvolvendo habilidades de leitura crítica, certamente este aluno passará a ter desempenho melhor nas demais disciplinas com as quais tem contato na escola. 53 Para Solé (1998, p.22): “O leque de objetivos e finalidades que faz com que o leitor se situe perante um texto é amplo e variado: devanear, preencher um momento de lazer e desfrutar, procurar uma informação concreta; seguir uma pauta ou instruções para realizar uma determinada atividade (cozinhar, conhecer as regras de um jogo); informar sobre um determinado fato (ler o jornal, ler um livro de consulta sobre a Revolução Francesa); confirmar ou refutar um conhecimento prévio; ampliar a informação obtida com a leitura de um texto na realização de um trabalho, etc”. É importante que o leitor perceba que existem várias possibilidades de se transmitir uma informação através de um texto e que o mesmo varia à medida que muda o conteúdo que está exposto, mas não é só isso, muda também a estrutura do texto. Um texto informativo tem uma linguagem objetiva e não se confunde com os textos de natureza literária ou artística, que utiliza a subjetividade, e a criatividade prevalece para encantar o leitor. Que por sua vez difere-se do texto narrativo, uma vez que relata fatos e acontecimentos e do texto descritivo, que representam objetos e personagens que participam do texto narrativo. Já o texto argumentativo, procura convencer o leitor, propondo ou impondo uma interpretação. A preocupação do trabalho com a leitura centra-se na necessidade de fazer com que o leitor entenda o texto e seja capaz de manuseá-lo de diferentes formas para resultar em uma leitura significativa e crítica. É preciso que o leitor sinta-se motivado a interagir com o texto, para buscar várias formas de entender o seu conteúdo. Para formar um leitor crítico, o exercício da leitura é imprescindível, de um tipo de leitura que permita ao leitor discorrer sobre o texto e criar possibilidades para compreender suas entrelinhas e a medida que realiza novas leituras, cria novas alternativas para construir seu significado com mais autonomia. REFERÊNCIAS BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. Série Educação em Ação. 6ª ed. São Paulo: Ática, 1995. BRANDÃO, H; MICHELITTI, G. (Coord.). Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. 3 vol. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1997. BRASIL. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes da Educação Nacional. Disponível em: Acesso em: 15.dez.2006. 54 _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação à Distância. (Cadernos da TV Escola) v. 1 – Português. NASCIMENTO, Cecília Regina do & SOLIGO, Rosaura. Leitura e leitores. – Brasília, 1999. _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação à Distância. (Cadernos da TV Escola) v. 1 – Português. SOLIGO, Rosaura. Para ensinar a ler. – Brasília, 1999. _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação à Distância. (Cadernos da TV Escola) v. 1 – Português. VELIAGO, Rosangela. Como ganhar o mundosem sair do lugar. – Brasília, 1999. _______. Parâmetros Curriculares do Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999. _______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. / Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnologia. – MEC; SEMTEC, 2002. (B) _______. PCN + ENSINO MÉDIO: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, códigos e suas tecnologias. / Secretaria de Educação Média e Tecnologia. – Brasília: MEC; SEMTEC, 2002. (A) CHIAPPINI, L. (Coord.).Aprender e ensinar com textos didáticos e para-didáticos. Vol. II. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1998. ECO, Roberto. Os limites da interpretação. São Paulo: Perspectiva, 2000. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 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O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. 5ª ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991. SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ª ed. Porto Alegre: ArtMed, 1998. Disponível em: http://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-formacao-leitor- criticoumacontribuicao-interdisciplinar-.htm 55Sociologia, etc. LEITURA E GÊNEROS LITERÁRIOS Os gêneros literários podem ser classificados em três categorias básicas: gêneros épico, lírico e dramático. A Literatura é uma manifestação artística difícil de ser conceituada. Para nos ajudar a melhor entendê-la, Aristóteles, em sua Arte Poética, definiu aquilo que chamamos de gêneros literários. Portanto, é interessante observar que a história da teoria dos gêneros pode ser contada a partir da Antiguidade greco-romana, quando também surgiram as primeiras manifestações poéticas da cultura ocidental. Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam características análogas de forma e conteúdo. Essa classificação pode ser feita de acordo com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, entre 6 outros. Eles se dividem em três categorias básicas: gêneros épico, lírico e dramático. Vale salientar também que, atualmente, os textos literários são organizados em três gêneros: narrativo, lírico e dramático. GÊNERO ÉPICO OU NARRATIVO: No gênero épico ou narrativo há a presença de um narrador, responsável por contar uma história na qual as personagens atuam em um determinado espaço e tempo. Pertencem a esse gênero as seguintes modalidades: Épico; Fábula; Epopeia; Novela; Conto; Crônica; Ensaio; Romance. GÊNERO LÍRICO: Os textos do gênero lírico, que expressam sentimentos e emoções, são permeados pela função poética da linguagem. Neles há a predominância de pronomes e verbos na 1ª pessoa, além da exploração da musicalidade das palavras. Estão, entre as principais estruturas utilizadas para a composição do poema: Elegia; Ode: Écloa; Soneto. GÊNERO DRAMÁTICO: De acordo com a definição de Aristóteles em sua Arte Poética, os textos dramáticos são próprios para a representação e apreendem a obra literária em verso ou prosa passíveis de encenação teatral. A voz narrativa está entregue às 7 personagens, atores que contam uma história por meio de diálogos ou monólogos. Pertencem ao gênero dramático os seguintes textos: Auto; Comédia; Tragédia; Tragicomédia; Farsa. GÊNERO DRAMÁTICO A palavra “drama” vem do grego e significa “ação”, logo, é um acontecimento ou situação com intensidade emocional, a qual pode ser representada. No sentido literário, falar de drama é falar de teatro. Este gênero começou com a encenação em cultos a divindades gregas. A princípio os gregos abordavam apenas dois tipos de peças teatrais: a tragédia e a comédia. Algumas peças são bastante conhecidas e lidas até hoje, por serem marcos da dramaturgia da época: Prometeu acorrentado de Esquilo; Édipo-rei e Electra de Sófocles; Medéia de Eurípedes e Menandro de Antífenes. Neste estilo literário o narrador conta a história enquanto os atores encenam e dialogam através das personagens. Quanto aos estilos literários, esta modalidade literária compreende: Tragédia: representação de um fato trágico que causa catarse a quem assiste, ou seja, provoca alívio emocional da audiência. Comédia: representação de um fato cômico, que causa riso. Tragicomédia: é a mistura de elementos trágicos e cômicos. Farsa: peça teatral de caráter puramente caricatural, de crítica à sociedade, porém, sem preocupação de questionamento de valores. GÊNERO ÉPICO A palavra “épos” vem do grego e significa “versos” e, portanto, o gênero épico é a narrativa em versos que apresenta um episódio heroico da história de um povo. 8 Na estrutura épica temos: o narrador, o qual conta a história praticada por outros no passado; a história, a sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, local onde se dá a ação das personagens. Neste gênero, geralmente, há presença de figuras fantasiosas que ajudam ou atrapalham no curso dos acontecimentos. Quando as ações são narradas por versos, temos o poema épico ou epopeia. Dentre as principais epopeias, temos: Ilíada e Odisseia. As obras Ilíada e Odisseia são obras atribuídas ao poeta greco-romano Homero, o qual teria vivido por volta do século VIII a. C. A primeira trata-se da história do último ano da Guerra de Troia entre gregos e troianos. Quando os troianos sequestram a princesa Helena, os gregos articulam um plano de resgatá-la por intermédio de um grande cavalo de madeira, chamado de Troia, o qual é levado à cidade de mesmo nome como presente. Durante a madrugada, os soldados gregos que estavam dentro da barriga daquele animal madeirado atacam a cidade. Esta obra está dividida em 24 cantos e é composta de versos hexâmetros dactílicos (verso composto de seis sílabas poéticas, com sílabas variadas em uma sílaba longa e duas breves), formato tradicional do período épico grego. Este poema influenciou a era clássica na Grécia e também no Império Romano e permanece como uma das obras mais importantes de toda literatura mundial até os dias de hoje. A segunda obra trata-se do retorno dos gregos, os quais estavam em Troia, de volta à Grécia, e é focada na história de Ulisses, personagem principal deste poema. Durante a viagem, Ulisses passa por diversas aventuras e enfrenta personagens mitológicos, como o Ciclope. GÊNERO LÍRICO O termo “lírico” vem do latim (lyricu) e quer dizer “lira”, um instrumento musical grego. Durante o período da Idade Média os poemas eram cantados e divididos por 9 métricas (a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas). A combinação de palavras, aliterações e rima, por exemplo, foram cultivadas pelos poetas como forma de manter o ritmo musical. Logo, essa é a origem da métrica e da musicalidade na poesia. A temática lírica geralmente envolve a emoção, o estado de alma, os pensamentos, os sentimentos do eu-lírico, e também os pontos de vista do autor e, portanto, é inteiramente subjetiva. Esse gênero é geralmente expresso pela poesia, contudo, não é toda poesia que pertence ao gênero referido, já que dependerá dos elementos literários inseridos nela. Quanto à forma, da Idade Média aos dias de hoje, o estilo de poema que permaneceu com intensidade foi o soneto, poesia rimada, composta por quatorze versos, dois quartetos e dois tercetos, com métrica composta de versos decassílabos (dez sílabas) e versos alexandrinos (12 sílabas). Quanto ao conteúdo, predominantemente subjetivo, destacam-se: Elegia – vem do grego e significa “canto triste”; poesia lírica que expressa sentimentos tristes ou morte. Um exemplo frequente é “O cântico do calvário” de Fagundes Varela. Idílio e écloga – são poemas breves com temática pastoril. A écloga, na maioria das vezes, apresenta diálogo. Epitalâmio – na literatura grega é um poema de homenagem aos noivos no momento do casamento. Logo, é uma exaltação às núpcias de alguém. Ode ou hino – derivam do grego e significam “canto”. Ode é uma poesia que exalta algo e hino que glorifica a pátria. Sátira – poesia que ridiculariza os defeitos humanos ou determinadas situações. 10 GÊNERO NARRATIVO O gênero narrativo possui algumas divisões literárias, que são: romance, novela, conto, crônica e fábula. Ambas possuem narrador, tempo, espaço, enredo e personagens. O termo “narrar” vem do latim “narratio” e quer dizer o ato de narrar acontecimentos reais ou fictícios. Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos surgiu dentro do gênero épico a variante: gênero narrativo, a qual apresentou concepções de prosa com características diferentes, o que fez com que surgissem divisões de outros gêneros literários dentro do estilo narrativo: o romance, a novela, o conto, acrônica, a fábula. Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem? que? quando? onde? por quê? Vejamos a seguir: Narrador: é o que narra a história, pode ser onisciente (terceira pessoa, observador, tem conhecimento da história e das personagens, observa e conta o que está acontecendo ou aconteceu) ou personagem (em primeira pessoa; narra e participa da história e, contudo, narra os fatos à medida em que acontecem, não pode prever o que acontecerá com as demais personagens). Tempo: é um determinado momento em que as personagens vivenciam as suas experiências e ações. Pode ser cronológico (um dia, um mês, dois anos) ou psicológico (memória de quem narra, flashback feito pelo narrador). Espaço: lugar onde as ações acontecem e se desenvolvem. Enredo: é a trama, o que está envolvido na trama que precisa ser resolvido, e a sua resolução, ou seja, todo enredo tem início, desenvolvimento, clímax e desfecho. Personagens: através das personagens, seres fictícios da trama, encadeiam-se os fatos que geram os conflitos e ações. À personagem principal dá-se o nome de protagonista e pode ser uma pessoa, animal ou objeto inanimado, como nas fábulas. 11 O que vimos foram os recursos que os estilos narrativos têm em comum, agora vejamos cada um deles e suas características separadamente: Romance: é uma narrativa longa, geralmente dividida em capítulos, possui personagens variadas em torno das quais acontece a história principal e também histórias paralelas a essa, pode apresentar espaço e tempo variados. Novela: é um módulo mais compilado do romance e também mais dinâmico, é dividida em episódios, são contínuos e não têm interrupções. Conto: é uma narrativa curta que gira em torno de um só conflito, com poucos personagens. Crônica: é uma narrativa breve que tem por objetivo comentar algo do cotidiano; é um relato pessoal do autor sobre determinado fato do dia a dia. GÊNEROS DISCURSIVOS O que são gêneros discursivos? Na verdade são as características de cada tipo de texto, a maneira de como ele é apresentado aos leitores, seu layout, a forma de ser organizado. Esses detalhes é o que determinam a que tipo de gênero cada texto pertencem. 12 GÊNERO JORNALÍSTICO A função do jornalista é informar, o valor da linguagem simples e objetiva, assim como a clareza de ideias e de proposta, destaca-se em detrimento dos brios do profissional por trás da notícia. Presos cerca de 50 envolvidos em crimes em PE A polícia prendeu cerca de 50 pessoas suspeitas de envolvimento em cinco quadrilhas especializadas em homicídios, assaltos, tráfico de drogas e de armas, entre outros crimes. GÊNERO JURÍDICO É uma linguagem mais formal, geralmente utilizado por pessoas do ramos de advocacia, poder judiciários e médicos Características: estão em conformidades com os princípios legais. Exemplo: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Parágrafo único - O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. GÊNERO LITERÁRIO (COMO JÁ VISTO ACIMA) É geralmente dividido, desde a antiguidade, em três grupos: narrativo ou épico, lírico e dramático. Essa divisão partiu dos filósofos da Grécia antiga, Platão 13 e Aristóteles, quando iniciaram estudos para o questionamento daquilo que representaria o literário e como essa representação seria produzida. Características: narrar fatos, explorar o fictício o imaginário. Exemplo: Soneto 17 Se te comparo a um dia de verão És por certo mais belo e mais ameno O vento espalha as folhas pelo chão E o tempo do verão é bem pequeno. Ás vezes brilha o Sol em demasia Outras vezes desmaia com frieza; O que é belo declina num só dia, Na terna mutação da natureza. Mas em ti o verão será eterno, E a beleza que tens não perderás; Nem chegarás da morte ao triste inverno: Nestas linhas com o tempo crescerás. E enquanto nesta terra houver um ser, Meus versos vivos te farão viver. William Shakespeare GÊNERO EPISTOLAR OU INTERPESSOAL, OU SEJA, MSN, SALA DE BATE-PAPO É a maneira de se relacionar mais fácil com a outra pessoa abreviando palavras, inserindo caracteres, assim tendo uma conversa mais dinâmica do que o normal. EXEMPLOS DE UMA ORTOGRAFIA PARTICULAR Achar -axar Assim-axim 14 É-eh Então-entaum Coloquei-koloqei Como-komo Amigo-miguxo Não-naum Nunca-nunk Chegar-xegar Qual-Ql Quis-Qz Você -voxê ou vc Vocês-v'6s ou vcs Só-soh GÊNERO PUBLICITÁRIO Não importa o tamanho do texto, mas sim, que estratégia você quer adaptar nele. Combina imagem e mensagem para chamar a atenção do consumidor. Exemplo: Exemplo LEITURA E ENSINO: O SILENCIAMENTO DE SENTIDO NO LIVRO DIDÁTICO Esse trabalho visa à formação de um leitor crítico, consciente e capaz de criar seu próprio significado e, também, que possua autonomia para criar e recriar o seu pensamento, pois, a leitura é o processo pelo qual o leitor realiza um trabalho ativo de interação, compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que se sabe sobre linguagem. Para tal, existem características fundamentais no processo de leitura: a capacidade que o leitor tem de avaliar, de monitorar a qualidade da compreensão do 15 que está lendo. Dito isto, verificaremos se o leitor recebe subsídios adequados para se tornar um bom leitor, ou seja, aquele que é capaz de adequar os dois tipos de processamentos, isto é, confrontar os dados do texto percorrendo as marcas deixadas pelo autor, com os conhecimentos prévios socialmente adquiridos, de modo a construir o sentido do texto através da interação texto x leitor x autor. Nesta visão interacionista, diferente da visão estruturalista em que o leitor somente percorre o texto na busca das respostas, o leitor passa a ser visto como um sujeito ativo porque cabe a ele não só a tarefa de descobrir “o significado” do texto, mas de inferir sentidos a partir de sua interação com o texto. Desse modo, iremos observar como são abordados os tipos de leitura no livro didático, pois o silenciamento de sentido está ligado a uma leitura presa que limita a reflexão do aluno na construção de sua própria interpretação. Neste contexto, o leitor é submetido a responder questionários com base em respostas “fechadas”, direcionando, desse modo, as respostas, incapacitando-o desenvolver sua própria reflexão, sua construção de seu significado, ou seja, limitando-o. Objetivamos, com esse estudo, encontrar o motivo pelo qual os indivíduos leitores não atingem a excelência na interpretação de textos, consequência de falhas na aquisição do significado. Uma leitura tem que ser uma espécie de trabalho de busca por informações, conhecimentos e interesses em comum; não uma simples decodificação de códigos. A partir daí, focalizaremos a maneira como a leitura deve ser trabalhada a fim de formamos leitores com capacidades autônomas, de se guiarem, no processo de leitura. O Corpus dessa pesquisa será desenvolvido a partir da explanação de elementos necessários na construção do texto, pois muitos leitores consideram quea interpretação e/ou significado de um texto se limita apenas a uma leitura coesa e coerente. Entretanto, não é a única, por isso, observaremos o quão importante é termos definidos a concepção de língua, sujeito, texto e sentido. Além da noção de interação com o autor; sua intenção e objetivo. Para tal, serão levantadas questões de conhecimentos enciclopédicos, sociais, culturais e do contexto histórico, para uma breve análise a respeito da formação do 16 leitor; considerações sobre letramento, sociedade, leitura no Brasil, o papel da escola e o progresso na formação do leitor. Enfim, teceremos uma discussão acerca das teorias apresentadas para propormos uma possível “solução”, no que tange os métodos utilizados no trabalho com o texto dentro da sala de aula, por exemplo. LEITURA Durante muitos anos acreditou-se, ou foi pregado, que entre as massas (escolas e população) que a leitura se baseava, apenas, na decodificação de códigos. Hoje, percebemos ou, até mesmo, somos questionados por muitos estudiosos sobre a existência de diversos parâmetros para a leitura. Para tal, veremos o que os parâmetros curriculares nacionais adota como prática de leitura dentro da sala de aula. Ou seja, não uma simples decodificação de códigos, e sim uma junção de todos os elementos necessários para a leitura e interpretação do texto em si. Então, a partir do que foi dito no início deste ensaio, iremos ver que o PCN de Língua Portuguesa, de 5ª a 8ª série, diz a respeito da leitura: “É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão consequência natural dessa ação. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de "leitores" capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler”. (PCN de Língua Portuguesa, 1996, p.16). Além das condições descritas acima, são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores. Por isso, sempre devemos nos atentar em “possíveis” soluções para o ensino, incluindo, a leitura. Seguindo, este conceito de leitura, também, adotado pelo PCN o qual deve ser aplicado dentro da aula de língua portuguesa. Veja, no mesmo, algumas sugestões para o trabalho com os alunos que podem servir de referência para a geração de outras propostas. Kock (2003) ainda acrescenta que é preciso planejar aulas de leituras que atendam aos requisitos necessários para propiciar ao aluno oportunidades de vivenciar sua própria construção. 17 Leitura diária. “O trabalho com leitura deve ser diário”. Leitura colaborativa “A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e, durante a leitura, questiona os alunos sobre as pistas linguísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos”. (PCN de Língua Portuguesa, 1996, p.17) Por isso, a necessidade de projetos [2] de práticas de leitura que podem ser utilizados em sala. Entretanto, devemos estar atentos para adequações necessárias, tanto no que diz respeito ao público, quanto ao rendimento da proposta. Assim, evitaremos que metodologias não sejam desconectadas com o projeto de leitura. A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER Um dos maiores especialistas em leitura, dedicado a educação e a formação de novos leitores Paulo Freire (2005) discute, em “A Importância do Ato de Ler”: três artigos que se completam, a importância da formação de novos leitores que sejam criadores e autônomos de suas interpretações e capazes de se guiarem através do seu interesse. Contrariando, a utopia de que leitura era uma simples decodificação de códigos e repetição de fonemas. Em outras palavras, a leitura deve ser feita de forma concreta, ou seja, tenha significado com o real do leitor que deixará de ser objeto da leitura para se tornar o sujeito ativo na construção do significado, seja ele, de caráter explicito ou não. Para isso, devemos aprender a ler de maneira eficiente para que ambos os leitores/textos/autores se interliguem em leituras concretas. Uma leitura concreta, por sua vez, tende a ser uma análise crítica e interpretativa do ato de ler, compreensão esta, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na previsão do que se está lendo. Haja vista, como disse Freire (2005, p.11) “a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”. 18 Por isso, nossos educadores exercem papel primordial na formação de novos leitores. Leitores estes que são capacitados cada um em sua escala de experiências próprias e únicas. Um ser dominador de uma linguagem oral, praticada com destreza. Pois, cada indivíduo apropria-se de características que os diferenciam um do outro. Sendo assim, ao depararmos com leitores preocupados com ato de ler, veremos que estes são recriadores de sua leitura, criadores ou participantes ativos na construção do significado que não poderá ser fixo e pré-determinado. TIPOS DE LEITURA A leitura como decodificação Nos dias atuais é muito comum ver e ouvir relatos de que as crianças (que posteriormente serão nossos adultos) em sua maioria fazem uma leitura voltada apenas para a decodificação das palavras sem a menor preocupação com o seu significado ou sua representação, por exemplo, se num texto o autor faz referência apenas a um propósito, somente este será levado em consideração. Tal concepção dá lugar a leituras dispensáveis, uma vez que em nada modificam a visão de mundo do aluno. Uma atividade que se compõe de uma série de automatismos de identificação e pareamento das palavras do texto com as palavras idênticas numa pergunta ou comentário. Isto é, para responder a uma pergunta sobre alguma informação do texto, o leitor só precisa o passar do olho pelo texto à procura de trechos que repitam o material já decodificado da pergunta. (Conf: Kleiman, 2001, p.20) Por isso afirmamos que se trata de uma tarefa de mapeamento entre a informação gráfica da pergunta e sua forma repetida no texto. Essa atividade passa por leitura, quando a verificação da compreensão, também chamada, no livro didático, de “interpretação”, exige apenas que o aluno responda a perguntas sobre informação que está expressa no texto. A leitura como avaliação Esse é um outro tipo de prática que inibe, ao invés de promover, a formação de leitores. Nas primeiras séries caracteriza-se essa prática por tal preocupação de aferimento de capacidades de leitura, que a aula se reduz quase que exclusivamente 19 à leitura em voz alta. A prática é justificada porque permitiriam ao professor “perceber se o aluno está entendendo ou não”, apesar de sabermos que é mais fácil perder o fio da estória quando estamos prestando atenção à forma, à pronúncia, à pontuação, aspectos que devem ser atendidos quando estamos lendo em voz alta. Para Luzia de Maria (2002, p.21) “Ler é ser questionado pelo mundo e por si mesmo, é saber que certas respostas podem ser encontradas na produção escrita, é poder ter acesso ao escrito, é construir uma resposta que entrelace informações novas àquelas que já se possuía”. A moralização é apenas um aspecto da leitura e nem mesmo podemos afirmar que a criança, de fato leu o texto, apenas por ter pronunciado as palavras que o constituem. É a atribuição de sentido a uma mensagem escrita que se pode considerar leitura. E atribuir significado ao escrito tem a ver, também, com a informação de mundo que possuímos. Sendo assim, alguns critérios na leitura como avaliação serve apenas para dispersar o aluno e catalogá-la como uma prática avaliatória. Com isso, indutivamente o leitordesestimula-se. Ou seja, valeria muito mais a pena que se promovessem uma aula de leitura em que o aluno/leitor pudesse avançar. Um avanço onde sua interpretação, sua criticidade lhe diga; traga lhe sentido. LETRAMENTO Antes de iniciarmos, abaixo, seguirá um comentário, uma definição a respeito do assunto: Conforme definição de Soares (1999), Letramento é: “Estado ou condição de quem não só saber ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive, conjugando-as com as práticas sociais de interação oral..” (grifos da autora) (SOARES, 1999, p.3) Ainda segundo esta autora, neste conceito está implícita: 20 “...a ideia de que a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la.” (SOARES, 1998, p.17) A partir desta apresentação, percebemos que existe uma correlação entre: práticas sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas... entre outras. O indivíduo, interacionista, exerce papel fundamental na interpretação do seu texto, pois através da sua leitura que ele saberá se o que está escrito terá significado. Ou seja, não adianta escrevermos, por exemplo, um texto técnico que fala sobre medicina e querer que um retirante (que cursou apenas até a 4° série) encontre algum significado, por exemplo. Para que esta leitura tenha resultado satisfatório é importante que o que foi redigido faça parte do seu meio ou tenha alguma relação com a sua experiência de vida. Se formos mais além e pesquisarmos em dicionários veremos que nos dicionários modernos não existe o vocábulo Letramento. Só um dicionário do século XX, Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caldas Aulete, na sua 3º edição brasileira, contém tal palavra. Este tema é discutido por muitos pesquisadores da área de humanas, incluindo, pessoas ligadas ao ramo de ciências linguísticas. Continuando a pesquisa sobre estes conceitos vamos, um pouco, mais longe. Veremos as diferenças entre analfabetismo, analfabeto, alfabetizar; alfabetização, alfabetizado e, mesmo, letrado e iletrado. Analfabetismo define o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, é o “estado ou condição de analfabeto”, e analfabeto é o “que não sabe ler nem escrever”, ou seja, é que vive no estado ou condição de quem não sabe ler e escrever: a ação de alfabetizar, isto é, segundo o Aurélio, de “ensinar a ler” (e também a escrever, que o dicionário curiosamente omite) é designada por alfabetização, e alfabetizado é “aquele que sabe ler” (e escrever). Já letrado segundo o mesmo dicionário, é aquele “versado em letras, erudito”. E iletrado é “aquele que não tem conhecimentos literários”. Diante disso, partimos do pressuposto de que Letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição da qual adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de se ter apropriado da escrita. Sendo assim, recentemente esse oposto (alfabetismo e letramento) tornou-se necessário, porque só recentemente passamos a enfrentar esta nova realidade social em que não basta apenas saber ler e escrever é preciso também saber fazer uso do 21 ler e do escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz continuamente. Para tal, deveríamos propor, então, um ensino de língua que tenha o objetivo de levar o aluno a adquirir um grau de letramento cada vez mais elevado, isto é, desenvolver nele um conjunto de habilidades e comportamentos de leitura e escrita que lhe permitam fazer o maior e mais eficiente uso possível das capacidades técnicas de ler e escrever. Porque, de nada adianta, ensinar alguém a ler e escrever sem lhe oferecer ocasiões para o uso efetivo, eficiente, criativo e produtivo dessas habilidades de leitura e de escrita. Como escreve Soares (1998): “Nosso problema não é apenas ensinar a ler e a escrever, mas é, também, e sobretudo, levar os indivíduos – crianças e adultos – a fazer uso da leitura e da escrita, envolver-se em práticas sociais de leitura e de escrita”. (SOARES, 1998, p.18) Sendo assim, se tivermos um sujeito interacionista que domina essas habilidades sociais poderemos ter um leitor que saiba identificar significados dentro do texto. Sejam eles implícitos ou não. A seguir, no capítulo II, veremos como a questão da leitura é desenvolvida dentro do âmbito escolar e social de interação. Entretanto, antes, faremos um levantamento preliminar sobre a composição do texto. A partir daí, daremos situações de leituras feitas e que estão em vigor. Concepções Sobre o Texto - O texto como conjunto de elementos gramaticais O texto como conjunto de elementos gramaticais: uma prática bastante comum no livro didático considera os aspectos estruturais do texto como entidades discretas que têm um significado e função independente do contexto a que se inserem. “Uma versão dessa prática, revelada na leitura gramatical, é aquela em que o professor utiliza o texto para desenvolver uma série de atividades gramaticais, analisando, para isso, a língua enquanto conjunto de classes e funções gramaticais, frases e orações”. (Kleiman, 2001, p.17) 22 Dito isto, os livros didáticos estão cheios de exemplos em que o texto é apenas pretexto para o ensino de regras sintáticas, isto é, para procurar adjetivos, sujeitos ou frases exclamativas. No entanto, não é o único caminho, pois, com uso do livro didático poderíamos propiciar momentos de interação entre o aluno através da leitura de textos clássicos, contemporâneos ou atuais. Daí a necessidade de buscar meios propícios para a utilização da leitura, levando o leitor/sujeito a encontrar referências com o que lê e sua volta. Assim, disporemos do livro didático como ferramenta de apoio na formação de leitores capazes de usarem os textos em suas variadas esferas, fazendo uso como meio de comunicação na sociedade em que é inserido. Diferente daquele leitor que vivenciamos que faz uma leitura percorrendo os olhos pelos códigos gráficos sem se atentar pelo sentido ou a construção da interpretação e entendimento do texto. O texto como repositório de informações Partiremos para a observação de como é feita à leitura de um texto na busca unicamente de informações entre suas palavras. Parece-me a meu ver que foi conceituado e difundido entre alguns leitores de que a leitura de texto desifratória basta para a sua interpretação. Relacionando, então, a essa mesma visão de texto como conjunto de elementos diversificados (seja estrutura gramatical ou palavras) é a crença de que o texto é apenas um conjunto de palavras cujos significados devem ser extraídos um por um, para assim, cumulativamente, chegar à mensagem do texto. Baseia-se essa hipótese, por um lado, na crença de que o papel do leitor consiste em apenas extrair essas informações, através do domínio das palavras que, nessa visão, são o veiculo das informações. Uma consequência dessa atitude é a formação de um leitor passivo, que quando não consegue construir o sentido do texto acomoda-se facilmente a essa situação. O TEXTO EM SI O texto como sabemos faz parte da vida da civilização, durante muitos anos. Grandes foram às evoluções na escrita, tanto diacrônica, quanto sincronicamente e, 23 também, como foram às transformações no texto impresso. Além, do surgimento de novas tendências, tecnológicas, como o hipertexto. Porém não podemos esquecer que para o texto existem diversos conceitos: dentro do campo linguístico temos, segue abaixo: Unidade linguística (do sistema) superior à frase; Sucessão ou composições de frases; Cadeia de pronominalizações ininterruptas; Cadeia de isotopias; Complexo de proposiçõessemânticas. Inserido no campo pragmático: Intenção, como sequência de atos da fala; Cognitivos: conhecimento primário e subjetivo. O contexto que envolve a comunicação verbal. Citando Barthes (1974): “O texto redistribui a língua. Uma das vias dessa reconstrução é a de permutar textos, fragmentos de textos, que existiram ou existem ao redor do texto considerado, e, por fim, dentro dele mesmo; todo texto é um intertexto; outros textos estão presentes nele, em níveis variáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis”. (BARTHES, 1974, p.59) Isso significa que o texto é heterogêneo, polissêmico com uma relação interior, exterior, de outros textos, etc. CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, SUJEITO, TEXTO E SENTIDO O leitor para alcançar o sentido de um texto, este “sentido” pode estar claro ou não, depende, da contextualização, do texto e/ou da forma como foi proposta a escrita. Independente da intenção, nós devemos nos atentar porque a leitura não deixa de ser 24 subjetiva, entretanto, as condições em que são inseridas são de mera importância, pois irão determinar a necessidade através das interações sociais, ou seja, do convívio cultural, histórico, enciclopédico, etc. Ao iniciarmos, este levantamento referente às concepções de língua, sujeito, texto e sentido. É de extrema importância termos definido as concepções de língua, sujeito, texto e sentido. Para iniciarmos iremos fazer uma explanação de cada um destes itens. Segundo Koch (2003) a concepção de sujeito depende da forma como a concepção de língua é usada. Assim, à concepção de língua como representação do pensamento corresponde a de sujeito psicológico, individual, dono de sua vontade e de suas ações. À concepção de língua como estrutura, por seu turno, corresponde a de sujeito determinado, as sujeitado, pelo sistema, caracterizado por uma espécie de “não consciência”. Tudo está entrelaçado língua, sujeito, texto e sentido... (grifos meus) O próprio conceito de texto depende das concepções de língua e sujeito, segundo Koch (2003). Na concepção de língua como representação do pensamento e de sujeito como senhor absoluto de suas ações e de seu dizer, o texto é visto como um produto – lógico – do pensamento (representação mental) do autor, nada mais cabendo ao leitor/ouvinte senão “captar” essa representação mental, justamente com as intenções (psicológicas) do produtor, exercendo, pois, um papel essencialmente passivo. Na concepção de língua como código – portanto, como mero instrumento de comunicação – e de sujeito como (pré) determinado pelo sistema, o texto é visto como simples produto da codificação de um emissor a ser decodificado pelo leitor/ouvinte, bastante a este, para tanto, o explícito. Também nesta concepção o papel do “decodificador” é essencialmente passivo. Já na concepção interacional (dialógica) da língua, na qual os sujeitos são vistos como autores/construtores sociais, o texto passa a ser considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores, como sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se constroem e são construídos. 25 Assim, com o que foi discutido, até agora, podemos, então, afirmar que o sentido de um texto é, portanto, construído na interação texto - sujeitos (ou texto - coenunciadores) e não algo que preexista a essa interação. Para poder se assegurar sobre tais convicções Koch (2003, p.26) subscreve a definição de texto proposta por Beaugrande (1997, p.10): “evento comunicativo no qual convergem ações linguísticas, cognitivas e sociais”. Trata-se, necessariamente, de um evento dialógico, de interação entre sujeitos sociais - contemporâneos ou não, co-presentes ou não, do mesmo grupo social ou não, mas em diálogo constante. Contudo, fica claro que não se aprende, simplesmente, por exercícios, mas por práticas significativas. Do que adianta, gastarmos dias e dias letivos na intenção de encontrarmos erros na correção de exercícios propostos sem vínculo algum com a realidade do alunado, se não nos atentarmos para resultados em que o sujeito seja dominante dos usos da língua. Portanto, o domínio consciente de uma língua é o resultado de práticas efetivas, significativas, contextualizadas. A CONSTRUÇÃO DOS SENTIDOS NO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA Segundo Marcuschi (1983), os fatores de coesão são aqueles que dão conta da sequenciação superficial do texto, isto é, os mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer, entre os elementos linguísticos do texto, relações de sentido. A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir, na mentes dos interlocutores, uma configuração veiculadora de sentidos. A coerência, portanto, é resultado de uma construção feita pelos interlocutores, numa situação de interação dada, pela atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva, situacional, sociocultural e interacional (cf. Koch & Travaglia, 1989 e 1990). Se, porém, é verdade que a coerência não está no texto, é verdade também que ela deve ser construída a partir dele, levando-se, pois, em conta os recursos coesivos presentes na superfície textual, que funcionam como pistas ou chaves para orientar o interlocutor na construção do sentido, segundo Koch (2003). 26 A coerência se estabelece em diversos níveis: sintático, semântico, temático, estilístico, ilocucional, concorrendo todos eles a construção da coerência global. O ENSINO DE PORTUGUÊS NO ENSINO BÁSICO A língua portuguesa utilizada e difunda nas escolas, e entre as classes dominantes, adota como referencial e unicamente, o português padrão. Um português sistemático com normas e regras a serem seguidas e utilizadas frequentemente. Ou seja, uma língua que não se importa com o falante e suas diversidades. Objetivo da escola é ensinar o português padrão, ou, talvez mais exatamente, o de criar condições para que ele seja aprendido. Qualquer outra hipótese é um equívoco político e pedagógico. O falante é o único responsável por sua fala, fala esta que é individual. Muitas são as variações do português: regionais, sociais, culturais, históricas, idade etc. Sendo assim, temos uma língua que varia em dimensões orais e escritas. A língua é uma produção social, porque ela é produzida socialmente. Sua produção e reprodução são fatos do cotidiano. Dentro de um espaço e tempo. Uma língua que varia de acordo com o grupo social, com seu poder aquisitivo, com seu capital cultural etc. Portanto, não podemos defini-la como um bem em comum entre todos os falantes. O TEXTO LITERÁRIO A partir das concepções que foram discutidas até aqui sobre texto, língua, sujeito e sentido. Foi escolhido o texto literário por sua complexidade, por sua imensidão de informações e interpretações para exemplificarmos a concepção de sentido. A partir dele, aprofundaremos a questão do sentido e quais sãos os tipos de texto composto de literalidade. Além de uma análise sobre como o texto literário é trabalhado dentro da sala de aula. Uma pesquisadora em sua mais recente obra publicada faz há discussão sobre os tipos de texto e quais são compostos de literalidade e valor estético. Márcia Abreu (2006) publicou o livro “Cultura Letrada: Literatura e Leitura”. Partiremos, então, da discussão entre critérios de avaliação de um texto. O que pode ser considerado de excelência estética e qual o seu valor literário. Ou seja, ao fazer uma sugestão de leitura damos referências sobre determinado autor, 27 período histórico, características utilizadas. Assim temos a leitura dentro de um âmbito formado. Algo pré-formado e instituído por alguém ou uma instituição, por exemplo. Um leitor mediano não faz o mesmo tipo de leitura de uma obra dita como clássica; como faz a leitura de um texto feito por um colega de sala. Diante disso, observamos que existem parâmetros estéticose conceituais sobre determinado autor e obra. Sendo assim, vimos que existem poderes elitizadores que nomeiam e elegem obras sendo as únicas portadoras de valores estéticos e referências de literalidade. Por isso, muitos são induzidos a ler, somente, aquilo que é dito como erudito. Por trás da definição de literatura está um ato de seleção e exclusão, cujo objetivo é separar alguns textos, escritos por alguns autores do conjunto de textos em circulação. Muitos são os fatores utilizados para os critérios de seleção e adoção de um livro para torná-lo literário. Entra em cena a difícil questão do valor, no século XIX, diversos autores que hoje são tidos como referências de literalidade não tinham espaço para a publicação de suas obras porque eram tachados como inferiores. Uma obra para ser considerada Grande Literatura ela precisa ser declarada literária pelas chamadas “instâncias de legitimação”. Essas instâncias são várias: a universidade, os suplementos culturais dos grandes jornais, as revistas especializadas, os livros didáticos, etc. Então, Márcia Abreu (2006) nos leva a reflexão de que um padrão de literatura não pode ser universal. Precisamos dar importância ao fator histórico e cultural daquele indivíduo, suas referências pessoais, seus gostos. Um ser (leitor) com a oportunidade de escolher e eleger algo como literatura. Portanto, a leitura tende a ser algo subjetivo (particular), a qualidade estética não está no texto, mas nos olhos de quem lê. Um espaço aberto para criações e recriações. Diferente daquelas leituras em que se busca, apenas, uma linguagem estruturada. A maneira como foi estruturada a linguagem do texto não elimina o seu significado, pois não deixa de ser um recurso empregado. LITERATURA Variadas são as definições sobre o que é Literatura, mas não existe uma conclusão. O que se tem são parâmetros adotados os quais fazem com que surjam critérios do que pode ser adotado em uma aula de literatura, por exemplo. No Mini- Dicionário de Língua Portuguesa, Houaiss. O termo literatura segue assim: arte da utilização estética da linguagem, especialmente a escrita. Conjuntos de obras literárias pertencentes a um país, época etc. 28 Márcia Abreu (2006) traz no seu livro, também, uma das possíveis definições de literatura, vamos conferir: “Uma das definições frequentes de Literatura (lembra do L maiúsculo?) afirma que ela é um meio de aprimoramento das pessoas. Para quem adota esse ponto de vista, a literatura nos transforma em pessoas melhores, pois ao ler ficamos sabendo como é estar na pele de gente que leva uma vida muito diferente da nossa, passando por situações inusitadas. (...)” (ABREU, 2006, p.81) A partir desta “possível” definição cria-se um modelo escrito, composto de linguagem e recursos que devem, sempre, formar uma obra literária para catalogá-la como erudita. Porém, ao confrontarmos estes critérios com um leitor de cordel, de Best Sellers, por exemplo, perceberemos que esses moldes pré-determinados nada têm em comum com estes leitores. A leitura de um clássico deve ser difundida não ou, exclusivamente, transferida de acordo com seus critérios de literalidade. Assim, o que, aparentemente, não tem recurso linguístico rebuscado não deveria ser nomeado de inferior. A LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO Como é abordada a leitura entre as grandes massas e quais critérios os diferem um do outro. Conforme Abreu (2006) a avaliação estética e o gosto literário variam conforme a época, o grupo social, a formação cultural, faz que diferentes pessoas apreciem de modo distinto os romances, as poesias as peças teatrais, os filmes. Ou seja, o gosto estético pode ser compartilhado, mas não transferido. Muitos, entretanto, tomam algumas produções e algumas formas de lidar com elas como as únicas válidas. Criando o fechamento das leituras, considerando únicas às análises feitas sobre aquela determinada obra. Por sua vez, não dão à possibilidade de se levantar outras hipóteses. Quem pensa assim não conhece os diversos tipos de textos existentes e utilizados por grupos distintos. A própria autora, faz uma comparação entre uma leitura de cordel, feita por um leitor que a vê como possuidora de literalidade, e aquele, que a não vê. A leitura de um cordel feita por um leitor inserido dentro de uma cultura especifica que a valoriza, que a tem como mantenedora dos recursos tipológicos necessários para a construção de significado. Não tem o mesmo valor literário para o leitor que difere a leitura de textos comuns com os quais classificados e nomeados 29 pelas “instâncias de legitimação”. Pois este segundo, já, tem pré-formação do que seja ou deve ser lido com literalidade. Contudo, vimos que existem parâmetros socioculturais, os quais diferem o sentido de uma obra lida, seja ela classificada como literária; seja ela tachada como cultura popular. Assim, a apreciação estética não é universal: ela depende da inserção cultural dos sujeitos. Uma obra é lida, avaliada e investida de significações variadas por diferentes grupos culturais. Outra coisa que não podemos nos esquecer que além da ideia sobre o valor que a leitura tem nos dias atuais, também, houve alterações nos tipos de leitores (público feminino e de baixa renda) e na forma como o livro ou texto é publicado. Concluindo, não podemos fixar graus e valores, mas sim dar oportunidade à apreciação particular, por exemplo. Assim, a leitura de uma obra literária não será fixada, pois cada leitura será diferente quando se tratar de leitores diferentes. O ENSINO DE LITERATURA ATRAVÉS DO LIVRO DIDÁTICO NA ESCOLA BRASILEIRA O ensino de literatura no ensino básico passou por modificações, primeiro houve-se a separação de língua e literatura. Em meados dos anos 70 e 80 as escolas faziam uma junção entre as suas disciplinas. Hoje o que se vê é bem diferente, uma disciplina solta. Pois o que se aprende em língua não é relacionado com literatura. Segundo uma pesquisa da PUC/RS, a imensa maioria dos professores utilizam livros didáticos, acrescentando a eles excertos de textos literários em folhas anexas. Os professores que responderam a esta pesquisa priorizavam como objetivos a ampliação do horizonte cultural do aluno, o desenvolvimento de habilidades intelectuais e de atitudes críticas quanto à realidade. No entanto, ao verificar os procedimentos de ensino de que se utilizam para atingir estes objetivos, percebe-se certa contradição. As três técnicas mais utilizadas por estes professores para ensinar literatura são: exercícios de interpretação escrita, trabalhos individuais e aulas expositivas. Tais procedimentos evidenciam uma falta de diálogo sobre textos lidos em aula. O que talvez seja mais grave entre os procedimentos utilizados pelos professores de literatura é perceber que todos os métodos são centrados no professor, ou seja, ele é visto como detentor do saber. E saber, no caso é, um saber sobre os livros, desvinculado de uma função social. Tais características são comuns à escola tradicional. Uma escola que vê o aluno como agente passivo do saber. Nos dias atuais 30 a educação brasileira tem propostas educacionais em que o aluno tenha um papel mais ativo. Há, entretanto, uma incoerência porque o ensino de literatura praticado ainda não chegou a efetivar os ideais da escola ativa. Uma possível solução para muitos pesquisadores seria a modificação do currículo de literatura, ao menos existem diversos estudos e propostas. Um dos meios os quais a escola se vale para “preparar” o aluno para o exame de vestibular é adoção de livros didáticos. Estes tentam acompanhar as ideias em voga sobre educação, ao menos em seu discurso. Nas coleções que se preocupam em oferecer um “manual” para o professor, encontra-se a intenção de mostrar conhecimentos da situação da escola atual. Lendo as “orientações” para o educador combastante atenção, é possível perceber uma tentativa de adequar à prática escolar tradicional a ideias de educadores contemporâneos (como, por exemplo, Paulo Freire). Na prática, não é bem isto o que acontece. Para (Osman Lins, 1977, p.32) a forma de abordagem da literatura pelos livros didáticos adequa-se perfeitamente às metodologias de ensino mais tradicionais, centrados no docente (que, no caso, divide seu papel de “doador do saber” com o livro escolar). A seleção de textos é feita pelo autor do livro o qual os julga a sua maneira, porém deixa evidente que a sua leitura é a única permitida, pois, ele é o idealizador do livro. Outra tendência dos manuais escolares é mostrar autores distanciados dos alunos no tempo. Como pudemos observar, a interação proposta pelo livro didático entre o aluno e o texto literário não leva a despertar interesse pela leitura. Os exercícios propostos a partir da leitura de certos fragmentos são construídos de forma a que o aluno possa reproduzir o que leu, dando então uma resposta correta. LIVROS DIDÁTICOS Nos dias atuais existem diversos livros e pesquisas que fazem uso do pragmático livro didático. Uma maneira de quebrar crenças e revelar suas verdadeiras conotações seriam a partir desses estudos podemos ver qual segmento faz jus ao verdadeiro uso do livro didático e quais seriam suas verdades absolutas. Os livros didáticos eram tidos como verdades absolutas, imunes às críticas. O Conhecimento, enfim, constituía-se como algo pronto e acabado. O aluno, nesse caso, era visto como um ser passivo, receptáculo do conhecimento que lhe era transmitido, 31 já que o ato de ensinar limitava-se à transmissão de informação que deviam ser memorizadas e reproduzidas. No entanto, muitas destas verdades caíram por terra, pois o livro didático não cumpre em sua totalidade a função da qual foi destinado. Isto ocorre porque não dispomos de uma classe homogênea em conhecimentos e habilidades. Todos nós sabemos que somos participantes de uma sociedade composta por uma diversidade infinita de culturas, crenças e cada um em sua individualidade desenvolve habilidades diferentes e não conjuntas. Além do que não existem pensadores prontos e acabados, mas sim aprendizes em constantes processos de aprendizagem e interação. Sendo assim, mesmo que os livros didáticos sejam manuais ou roteiros para o ensino de gêneros textuais dentro da sala de aula o professor/mediador deve estar atento para equiparar o desenvolvimento do aluno/leitor. Porém, nunca deve desacelerar ou acelerar um aluno no seu processo de aprendizagem. Processo de Leitura Vimos nos capítulos iniciais, às concepções de leitura, baseando-se no que dizem os PCNs a respeito do assunto. Depois, fundamentamos a importância de ler através das posições de Paulo Freire (2005). Por fim, discutimos a questão de ser letrado e alfabetizado. A partir dessas teorias, passamos a ver como é realizado o trabalho de leitura do texto literário dentro da sala de aula; com o uso da ferramenta do livro didático. Lembrando que houve, também, a apresentação do texto escrito, porém foi fundamento as suas esferas, a relação de sentido, texto, sujeito e língua. Dito isto, observamos como é aplicado o ensino de português no ensino básico. Levantado, então, essa perspectiva, escolhemos o texto literário para ser nosso campo de estudo no que se refere à leitura dentro da sala de aula ou fora dela. No entanto, é preciso que seja posto e esclarecido o processo de leitura, em outras palavras, as habilidades que devem ser desenvolvidas antes, durante e depois da leitura a fim de criarmos leitores eficientes. Desta forma, passaremos a sintetizar esses mecanismos presentes no processo de leitura. Depois de referidos, faremos a análise para verificar se os atuais instrumentos de apoio utilizados pelo professor suprem ou não as dificuldades na aprendizagem do leitor participante de uma sociedade que faz uso da leitura. 32 ESTRATÉGIAS DE LEITURA A leitura de um texto seja ele escrito; seja oral tende a ser um ato de comunicação. Onde interlocutores comunicaram-se entre si em situações diárias de interação. Diante disto, partimos, então, da necessidade de ensinar nossos leitores a dominarem o ato de ler, todos os tipos de textos em circulação na sociedade. A maior necessidade está em saber que para diferentes eventos existem diferentes tipos de texto. Por exemplo, quando uma criança de sete anos está num ponto de ônibus ao lado de seus pais, naquela avenida passa diversos meios de transporte. Entretanto, nem todos farão o percurso até sua casa. Esta criança sentirá a necessidade de fazer uso do ato de comunicação. Assim, quando ela avistar o próximo veículo em sua direção o letreiro do ônibus por necessidade precisa fazer sentido. Em outras palavras, o bairro indicado tem que corresponder com o seu endereço. Para tal, a compreensão dos diversos tipos de texto é necessária para que possamos fazer uso da escrita e da leitura [5]. Portanto, conforme Lauriti (2005) devemos trabalhar a leitura e a escrita de forma que sejam desenvolvidas habilidades que favoreçam episódios que fazem parte do contexto real de aprendizagem. Citando, ainda, Lauriti (2005) é primordial trabalhar a diversidade de gêneros, de tipos textuais e de suportes textuais dos diferentes contextos sociais. Habilidades que devem ser desenvolvidas antes da leitura Ao iniciarmos uma leitura podemos antecipar muitas informações do texto. Para isso, buscaremos o conhecimento prévio do aluno/leitor sobre o assunto para que ele levante hipóteses. Outro ponto bem relevante é o suporte (capa, orelha, titulo, editora...) o qual através das expectativas geradas com a análise deste suporte trará para a leitura uma antecipação e aproximação a respeito do assunto. Num livro literário, por exemplo, a antecipação do tema ou ideia principal, a partir dos elementos para textuais (Títulos, subtítulos, epígrafes, prefácios) auxilia o leitor a compreender o foco do texto lido inicialmente. Assim, ele se atentará em pontos que marcaram a sua antecipação. 33 Realizar um levantamento sobre as antecipações da leitura a partir da análise dos índices anteriores (O que se espera ao ler este texto?). Ao final, definir os objetivos de leitura, vale ressaltar que o que se pretende é a busca de informações. Portanto, os passos discutidos acima servem de auxílio para a introdução do texto a ser lido. Porque do que adianta lançarmos nas mãos dos alunos textos, independente do gênero, se estes não possuem uma pré-leitura. Habilidades que devem ser desenvolvidas durante a leitura Num processo de leitura pode-se esperar que o leitor caminhe por conta própria. No entanto, essas habilidades precisam ser desenvolvidas de modo que o leitor seja autônomo na aquisição de sentido, na sua interpretação e entendimento. Durante a leitura, o leitor poderá fazer a confirmação das antecipações de sentido levantadas antes da leitura do texto. A intenção nessa estratégia serve para auxiliá-lo a entender todas as informações obtidas até ali. O uso apropriado do dicionário ou inferência para aquelas palavras desconhecidas. Busca de informações complementares em textos de apoio. Esse método ajuda na compreensão do assunto de conhecimento especifico, por exemplo. Através da busca de informações em textos complementares também podemos fazer a identificação das pistas linguísticas que marcam os conceitos, sintetizando o conteúdo. Para isso, uma sugestão dada seria a elaboração de um mapa conceitual usando flechas, símbolos e numeração. A construção do sentido global do texto tende a ser estabelecida durante a leitura. Visto que, com algumas estratégias de leitura desenvolvidas até momento será estabelecida uma predefinição sobre o que se trata o texto e sua estrutura desenvolvida.A formação de leitores não depende da existência de um local determinado”. Um ambiente propício para desenvolver a leitura na escola, favorece as atividades pedagógicas que visam a formação de leitores, mas se a instituição não 51 dispor deste espaço, não é motivo para não realizar um trabalho voltado para o incentivo ao hábito de ler, pois mais significativo do que o local é o trabalho e/ou as atividades que se materializam para seduzir os alunos para o hábito da leitura crítica. Soligo (1999, p. 53) afirma que: “À compreensão da leitura depende da relação entre os olhos e o cérebro, processo que a longo tempo os estudiosos procuram entender. Nas últimas três décadas houve um avanço significativo nessa direção, mas ainda não se conseguiu desvendar a complexidade do ato de ler”. O ato de ler não se resume na atividade de passar os olhos sobre o escrito, é uma tarefa mais complexa e que mesmo frente a inúmeras discussões e estudos a respeito do assunto, ainda não foi possível chegar a um claro consenso sobre como é que se realiza o ato de ler. Ao propor a leitura para os alunos, é essencial considerar a complexidade do ato de ler para não lhe exigir algo que não é capaz de realizar em relação a leitura de textos, “[…] o processo de leitura depende de várias condições: a habilidade e o estilo pessoal do leitor, o objetivo da leitura, o nível de conhecimento prévio do assunto tratado e o nível de complexidade oferecido pelo texto” (SOLIGO, 1999, p. 53). Aprender ler e se tornar um leitor crítico que além de realizar leitura compreende o texto, exige empenho, tanto por parte do aluno quanto por parte de quem propõe o trabalho com a leitura. É preciso que ambos entendam que não se lê só para aprender a ler, mas sim para responder as suas necessidades pessoais. Faz- se necessário prosseguir com Soligo (1999, p.58-59), ao afirmar que “os alunos devem ver na leitura algo interessante e desafiador, uma conquista capaz de dar autonomia e independência. E devem estar confiantes, condição para enfrentar o desafio e aprender fazendo”. O estudante precisa, sentir-se estimulado para desenvolver uma prática constante de leitura, precisa deparar-se com situações com as quais possa raciocinar, refletir e progredir cognitivamente precisa esforçar-se para se encaixar no perfil do leitor crítico e para isso, dois pontos são de suma importância: o tipo de material utilizado e a proposta pedagógica que se realiza dentro das instituições de ensino. 52 No estudo sobre a formação do leitor crítico, é pertinente considerar que formar um leitor com esta característica é também desenvolver uma prática de leitura que desperte e cultive o desejo de ler, ou seja, uma prática pedagógica eficiente que dê suporte ao aluno para realizar o esforço intelectual de ler não só textos simples, mas também aqueles nos quais precisará utilizar e pôr a prova todas as suas estratégias de leitura. Para Eco (2000, p. 31) “um texto é um universo aberto onde o intérprete pode descobrir uma infinidade de conexões”. Ou seja, um texto é um conjunto de significados amplos e abertos e permite ao leitor mergulhar nele e relacioná-lo com outras diferentes situações com as quais tem contato no seu dia a dia e/ou com conteúdo das mais diversas áreas de conhecimento, proporcionando a quem lê preencher as lacunas deixadas pelo escritor para que a este mesmo texto, seja acrescidos, novas ideias e argumentos, com o intuito de que a cada leitura, sejam criadas expectativas novas em relação ao seu conteúdo. Diante disso, é preciso esclarecer que o texto é amplo, mas, no entanto não cabe a ele todo tipo de interpretação, como se qualquer entendimento servisse para explicar as suas entrelinhas, cabe nesse caso, certa harmonia entre as ideias, ou seja, uma coerência entre o que está escrito e o que é possível compreender a partir da leitura do mesmo. Na perspectiva de formar um leitor crítico, pretende-se formar alguém que a medida que lê, procura no texto um código secreto, procura definir as estratégias que produz modos infinitos de compreender o texto. Analisar criticamente um texto significa procurar mostrar como agem seus personagens e/ou está exposto o seu conteúdo, a fim de criar alternativas que o torna suscetível de inúmeras interpretações, considerando que a interpretação de um texto nunca pode ser única e definitiva. Entendemos que é uma necessidade formar o leitor crítico e argumentamos também que fazer do aluno um leitor com este perfil é uma urgência dentro das instituições escolares, pois o rendimento escolar de determinados alunos é marcado pelo fracasso, em virtude de não serem bons leitores e consequentemente, bons interpretadores de textos e/ou enunciados, que não estão presentes só em Língua Portuguesa, mas em todas as disciplinas do currículo escolar. Desenvolvendo habilidades de leitura crítica, certamente este aluno passará a ter desempenho melhor nas demais disciplinas com as quais tem contato na escola. 53 Para Solé (1998, p.22): “O leque de objetivos e finalidades que faz com que o leitor se situe perante um texto é amplo e variado: devanear, preencher um momento de lazer e desfrutar, procurar uma informação concreta; seguir uma pauta ou instruções para realizar uma determinada atividade (cozinhar, conhecer as regras de um jogo); informar sobre um determinado fato (ler o jornal, ler um livro de consulta sobre a Revolução Francesa); confirmar ou refutar um conhecimento prévio; ampliar a informação obtida com a leitura de um texto na realização de um trabalho, etc”. É importante que o leitor perceba que existem várias possibilidades de se transmitir uma informação através de um texto e que o mesmo varia à medida que muda o conteúdo que está exposto, mas não é só isso, muda também a estrutura do texto. Um texto informativo tem uma linguagem objetiva e não se confunde com os textos de natureza literária ou artística, que utiliza a subjetividade, e a criatividade prevalece para encantar o leitor. Que por sua vez difere-se do texto narrativo, uma vez que relata fatos e acontecimentos e do texto descritivo, que representam objetos e personagens que participam do texto narrativo. Já o texto argumentativo, procura convencer o leitor, propondo ou impondo uma interpretação. A preocupação do trabalho com a leitura centra-se na necessidade de fazer com que o leitor entenda o texto e seja capaz de manuseá-lo de diferentes formas para resultar em uma leitura significativa e crítica. É preciso que o leitor sinta-se motivado a interagir com o texto, para buscar várias formas de entender o seu conteúdo. Para formar um leitor crítico, o exercício da leitura é imprescindível, de um tipo de leitura que permita ao leitor discorrer sobre o texto e criar possibilidades para compreender suas entrelinhas e a medida que realiza novas leituras, cria novas alternativas para construir seu significado com mais autonomia. REFERÊNCIAS BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. Série Educação em Ação. 6ª ed. São Paulo: Ática, 1995. BRANDÃO, H; MICHELITTI, G. (Coord.). Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. 3 vol. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1997. BRASIL. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes da Educação Nacional. Disponível em: Acesso em: 15.dez.2006. 54 _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação à Distância. (Cadernos da TV Escola) v. 1 – Português. NASCIMENTO, Cecília Regina do & SOLIGO, Rosaura. Leitura e leitores. – Brasília, 1999. _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação à Distância. 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