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O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• É, sobretudo com Iamamoto (1982) no início dos anos 80 que a teoria social de Marx 
inicia sua efetiva interlocução com a profissão. 
• Como matriz teórico‐metodológica a teoria social de Marx:
– apreende o ser social a partir de mediações. Ou seja, parte da posição de que a 
natureza relacional do ser social não é percebida em sua imediaticidade; 
– compreende que as relações sociais são sempre mediatizadas por situações, 
instituições etc., que ao mesmo tempo revelam/ocultam as relações sociais imediatas;
O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• Como matriz teórico‐metodológica a teoria social de Marx (continuação):
– tem seu ponto de partida a aceitação de fatos, dados como indicadores, como 
sinais, mas não como fundamentos últimos do horizonte analítico;
– sustenta um conhecimento que não é manipulador e que apreende dialeticamente 
a realidade em seu movimento contraditório. Movimento no qual e através do qual 
se engendram, como totalidade, as relações sociais que configuram a sociedade 
capitalista. 
O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• É no âmbito da adoção do marxismo como referência analítica, que se torna 
hegemônica no Serviço Social no país, a abordagem da profissão como componente 
da organização da sociedade inserida na dinâmica das relações sociais participando 
do processo de reprodução dessas relações (cf. IAMAMOTO, 1982). 
• O referencial marxista, a partir dos anos 80 e avançando nos anos 90, vai imprimir 
direção ao pensamento e à ação do Serviço Social no país.
O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• O referencial marxista adotado pelo SS:
– permeia as ações voltadas à formação de assistentes sociais na sociedade brasileira 
(o currículo de 1982 e as atuais diretrizes curriculares); 
– baliza os eventos acadêmicos e aqueles resultantes da experiência associativa dos 
profissionais, como suas Convenções, Congressos, Encontros e Seminários; 
– está presente na regulamentação legal do exercício profissional e em seu Código de 
Ética;
– dá uma nova qualidade no processo de recriação da profissão na busca de sua 
ruptura com seu histórico conservadorismo e no avanço da produção de 
conhecimentos, nos quais a tradição marxista aparece hegemonicamente como 
uma das referências básicas. 
O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• A partir da filiação à teoria social crítica, o Serviço Social vai apropriar‐se a partir 
dos anos 80 do pensamento de:
– Antonio Gramsci e particularmente de suas abordagens acerca do Estado, da 
sociedade civil, do mundo dos valores, da ideologia, da hegemonia, da subjetividade 
e da cultura das classes subalternas;
– Agnes Heller e à sua problematização do cotidiano;
– Georg Lukács e à sua ontologia do ser social fundada no trabalho;
– E.P. Thompson e à sua concepção acerca das "experiências humanas“;
– Eric Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores marxistas da 
contemporaneidade, e de tantos outros cujos pensamentos começam a permear 
nossas produções teóricas, nossas reflexões e posicionamentos ideopolíticos. 
O Serviço Social nos anos 80: filiação da profissão à teoria 
social de Marx
• O processo de construção da hegemonia de novos referenciais 
teórico‐metodológicos e interventivos, a partir da tradição marxista, para a profissão 
ocorre em um amplo debate em diferentes fóruns de natureza acadêmica e/ou 
organizativa, além de permear a produção intelectual da área. Trata‐se de um debate 
plural, que implica na convivência e no diálogo de diferentes tendências, mas que 
supõe uma direção hegemônica. 
O Serviço Social nos anos 90: as tendências históricas e 
teórico-metodológicas o debate profissional
• O Serviço Social da década de 90, se vê confrontado com um conjunto de 
transformações societárias (dadas pela globalização, pela reestruturação produtiva 
e pelo neoliberalismo) no qual é desafiado a compreender e intervir nas novas 
configurações e manifestações da "questão social", que expressam a precarização 
do trabalho e a penalização dos trabalhadores na sociedade capitalista 
contemporânea. 
• Trata‐se de um contexto em que são apontadas alternativas privatistas e 
refilantropizadas para questões relacionadas à pobreza e à exclusão social. 
O Serviço Social nos anos 90: as tendências históricas e 
teórico-metodológicas o debate profissional
• Cresce o denominado terceiro setor, amplo conjunto de organizações e iniciativas 
privadas, não lucrativas, sem clara definição, criadas e mantidas com o apoio do 
voluntariado e que desenvolvem suas ações no campo social, no âmbito de um 
vastíssimo conjunto de questões, em espaços de desestruturação (não de eliminação) 
das políticas sociais, e de implementação de novas estratégias programáticas como, 
por exemplo, os programas de Transferência de Renda, em suas diferentes 
modalidades. 
• Emergem processos e dinâmicas que trazem para a profissão, novas temáticas, novos, 
e os de sempre.
O Serviço Social nos anos 90: as tendências históricas e 
teórico-metodológicas o debate profissional
• As transformações societárias que caracterizam a década de 1990, vão encontrar um 
Serviço Social consolidado e maduro na sociedade brasileira, uma profissão com 
avanços e acúmulos, que, ao longo desta década construiu, com ativa participação da 
categoria profissional, através de suas entidades representativas um projeto ético 
político profissional para o Serviço Social brasileiro, que integra valores, escolhas 
teóricas e interventivas, ideológicas, políticas, éticas, normatizações acerca de direitos 
e deveres, recursos político‐organizativos, processos de debate, investigações e, 
sobretudo interlocução crítica com o movimento da sociedade na qual a profissão é 
parte e expressão. 
O Serviço Social nos anos 90: as tendências históricas e 
teórico-metodológicas o debate profissional
• A direção social que orienta o projeto de profissão tem como referência a relação 
orgânica com o projeto das classes subalternas, reafirmado pelo Código de Ética de 
1993, pelas Diretrizes Curriculares de 1996 e pela Legislação que regulamenta o 
exercício profissional (Lei n. 8662 de 07/06/93). 
• Outra questão que permeou o debate dos assistentes sociais nos anos 1990 refere-se ao 
movimento de precarização e de mudanças no mercado de trabalho dos profissionais 
brasileiros, localizado no quadro mais amplo de desregulamentação dos mercados de 
trabalho de modo geral, quadro em que se alteram as profissões, redefinem‐se suas 
demandas, monopólios de competência e as próprias relações de trabalho.
Características do Serviço Social Brasileiro Contemporâneo
• O Serviço Social brasileiro construiu um projeto profissional radicalmente 
inovador e crítico, com fundamentos históricos e teórico-metodológicos 
hauridos [extraídos da] na tradição marxista, apoiado em valores e princípios 
éticos radicalmente humanistas e nas particularidades da formação histórica do 
país. 
• Nosso projeto profissional adquire materialidade no conjunto das 
regulamentações profissionais: 
– o Código de Ética do Assistente Social (1993);
– a Lei da Regulamentação da Profissão (1993);
– as Diretrizes Curriculares norteadoras da formação acadêmica (1996).
Polarizações no Serviço Social
• Há quase cinquenta anos, o debate no Serviço Social tem sido polarizado por 
um duplo e contraditório movimento: 
– o mais representativo foi o processo de ruptura teórica e política com o lastro 
conservador de suas origens, cujo marco inicial foi o movimento de 
reconceituação do Serviço Social latino-americano, em meados dos anos de 
1960, movimento esse superado no processo de amadurecimento intelectual e 
político do Serviço Social brasileiro; 
– em sinal contrário, verificou-se o revigoramento de uma reação (neo) 
conservadora aberta e/ou disfarçada em aparênciasque a dissimulam, apoiada 
nos lastro da produção pós-moderna e sua negação da sociedade de classes. 
Expressões do (neo) conservadorismo no Serviço Social
• A reação (neo) conservadora hoje atinge profundamente as políticas públicas, 
estruturadas segundo as recomendações dos organismos internacionais vinculadas aos 
preceitos neoliberais;
• Tendência de fragmentar os usuários das políticas segundo características de geração – 
jovens, idosos, crianças e adolescentes –, de gênero e étnico-culturais – mulheres, negros 
e índios –, abordados de forma transclassista e em sua distribuição territorial, o que 
ocorre em detrimento de sua condição comum de classe;
• A fragmentação dos sujeitos, descolados de sua base social comum, pode ser 
incorporada no âmbito do Serviço Social de forma acrítica em decorrência direta das 
classificações efetuadas pelas políticas públicas. É nesse contexto que a família passa a 
ocupar lugar central na política social governamental, tida como célula básica da 
sociedade, mediando a velha relação entre “homem e meio”, típica das formulações 
profissionais ultraconservadoras.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Vivencia-se na contemporaneidade o avanço insidioso [enganador, traiçoeiro] do 
conservadorismo no Brasil e em todo o mundo.
• O conservadorismo nunca esteve ausente da profissão e se alimenta no tempo 
presente por determinações societárias que fortalecem seu avanço. Há uma linha 
tênue que a profissão possui entre a crítica radical e o sistema conservador. 
• Este é um tema recorrente no campo do Serviço Social, pois, não raro, análises 
conservadoras reiteram que existiria um fosso entre um projeto de formação 
baseado na teoria crítica marxista e uma prática profissional que não incorporaria 
essas referências teóricas e incorreria em trabalhos profissionais conservadores e 
reiterativos. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Há análises que insistem em reafirmar a existência de um enorme distanciamento 
entre uma vanguarda profissional que afirma e defende o Projeto Ético-Político — e 
aqui se incluem, sobretudo, docentes e direção das entidades — e uma base de 
assistentes sociais que estaria cada vez mais desconectada profissional e 
politicamente desse projeto. Esse distanciamento, dizem essas análises, resultaria de 
um avanço do conservadorismo no âmbito da prática profissional, que afastaria os 
assistentes sociais da vanguarda profissional e estaria na base de um processo de 
derruição do Projeto Ético-Político Profissional.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• O Brasil vive, na última década, um período obscuro da sua história. 
• Na atual quadra societária, a defesa da conservação da ordem vem carregada de 
violência e de elementos ideológicos e culturais que se materializam no desejo de 
eliminação do outro, utilizando da militarização e da força, com evidente 
aproximação ao pensamento conservador e neofascista. 
• A política no Brasil dos últimos anos vem se imprimindo com abertos discursos 
antidemocráticos e de supressão de direitos, especialmente da classe subalterna. O 
que se apresenta como horizonte para o atendimento das refrações da questão 
social é a política de extermínio, a militarização e a criminalização da vida social.
• Abriu-se espaço para o resgate e avanço de uma onda conservadora que vem dando 
concretude a um desmantelamento dos direitos humanos e sociais, resultando em 
perdas substanciais, em especial, para a parcela de pessoas pobres desse país.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Traços da cultura política de atraso foram exacerbados, como o apelo religioso; a 
desvalorização feminina; a exaltação da família nucelar; o clientelismo e nepotismo 
políticos; a violência contra as minorias; o elogio público a torturadores e assassinos; 
a defesa do fim da democracia no país, apelando para a implantação de governos 
autoritários sob o discurso de proteger o país do autoritarismo do comunismo; 
defesa do armamento do “cidadão de bem” para que esse possa se tornar o 
assassino, legalmente constituído, da classe trabalhadora precarizada; defesa da 
abstenção sexual como proposta de política pública de prevenção da gravidez na 
adolescência; ridicularização de uma pandemia mundial vista como uma 
“gripezinha”; rechaçamento e negação da ciência como forma explicativa do mundo; 
teoria da “Terra plana”; e movimento digital antivacina; dentre outros. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Em tempos de agudização da ofensiva do capital sobre a classe trabalhadora e do 
avanço do pensamento conservador sobre a cena social e política, o assistente social, 
muitas vezes, tem sua subjetividade capturada pela lógica societal, expressando no 
seu fazer profissional os mesmos traços de conservadorismo presentes nas relações 
sociais contemporâneas. 
• É necessário refletir e discutir para que se possa desvendar a presença dos 
elementos que conduzem a uma ação profissional permeada de conservadorismo, 
mesmo quando o discurso do profissional possa estar vinculado à uma visão crítica 
da realidade.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Não houve na profissão um rompimento absoluto com as influências do fundamento 
genético e da tradição do conservadorismo, já que persiste uma dinâmica que o 
reproduz, recriando, na atualidade, formas de atuação que provém de sua origem e 
não permite um desenvolvimento profissional de maior relevância. 
• O assistente social mergulhado nessa realidade caótica é chamado a repor as bases 
conservadoras da profissão. São reclamadas as ações policialescas, sindicantes, 
moralizadoras e higienistas junto aos usuários das políticas sociais. 
• O empregador passa a exigir desse profissional o mero cumprimento de rotinas 
institucionais, o alcance de metas de trabalho, maior eficiência e efetividade no seu 
fazer, estabelecendo normas específicas até mesmo à luz da lógica do mercado. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• A atuação profissional diante de um quadro de agudização do conservadorismo - 
marcado pelo discurso de ódio, pelo apelo à ordem pela via da violência, pelo apelo 
aos preceitos religiosos como forma de organização da vida cotidiana, pela 
criminalização da questão social - em muitos momentos é capturada por essa 
realidade e reproduz a ordem vigente com todas as suas perversidades e 
antagonismos. 
• Não se trata, portanto, de uma culpabilização ou responsabilização do indivíduo 
assistente social, mas do reconhecimento da determinação social que tem 
condicionado a atuação profissional. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Na realidade atual conservadora são muitos os atravessamentos que perpassam o 
exercício profissional no cotidiano e reforçam a importância de estarmos sempre 
atentos aos fundamentos da profissão e da vida social, embasados em uma leitura 
crítica da realidade, para que o exercício profissional não seja confundido com a 
mera execução dos interesses institucionais e/ou da classe dominante.
• A conjuntura sustentada pela estrutura da exploração é capaz de capturar a 
subjetividade e objetividade profissional e tornar a intervenção profissional míope, 
fragmentada, focalizada, moralizadora, recuperando os traços de conservadorismo 
presentes na profissão e na sociedade como um todo, é também verdade que é no 
cotidiano do trabalho profissional que estão postas as possibilidades de resistência e 
a construção de estratégias de mudança. É a própria realidade que oferece isso.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• A reatualização do conservadorismo no âmbito do “fazer profissional” está 
intimamente relacionada, e mesmo determinada, pelo avanço de certos traços 
conservadores na formação profissional. 
• A incorporação do pensamento pós-moderno nos currículos, à revelia das 
Diretrizes Curriculares, tem revitalizado alguns traços conservadores:
– Metodologismo;
– Teoricismo acrítico;
– Aligeiramento da formação e da pesquisa;– Pragmatismo;
– Empirismo;
– Voluntarismo;
– Contentamento com o possibilismo.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Metodologismo: 
– ressurge sob a forma de ênfase no tecnicismo e legalismo positivista, como 
elemento crucial na formação e na pesquisa, em detrimento do 
questionamento, da crítica, da grande política como elementos fundamentais 
do pensamento crítico;
– por meio dele fortalece-se a suposição de que uma boa técnica, ou um arsenal 
de técnicas, pode substituir a análise crítica e a ação política coletiva na 
transformação do real;
– produz elaborações teórico-metodológicas orientadas por abordagens 
conservadoras, prescritivas ou descritivas, que realçam o empirismo e rebaixam 
o pensar crítico e a intervenção comprometida com a transformação coletiva.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Teoricismo acrítico: 
– caracteriza-se como conceituação operacional e adoção de categorias pós-modernas e 
conservadoras das Ciências Sociais (sobretudo Sociologia, Psicologia e Antropologia), 
que aceitam sem criticidade as teses do “fim da história”, ou mesmo teorias que 
defendem as relações mercantis, ainda que sob a égide da social-democracia;
– trata-se da ênfase às abordagens abstratas que não desvendam o real em sua 
totalidade e reiteram a conservação de relações mercantis e mercantilizadas. 
– fundado em abordagens que supõem, falsamente, que a neutralidade é possível e não 
percebem (ou escondem) que a suposta neutralidade ou a criticidade é uma poderosa 
arma da conservação;
– incorpora no arcabouço teórico do Serviço Social categorias próprias do arsenal 
conservador, como integração, vigilância, vulnerabilidade, empoderamento, justiça 
social, terceiro setor, entre outras. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Aligeiramento da formação e da pesquisa:
– O expansionismo superficial de cursos é extremamente funcional ao 
conservadorismo, pois conserva e mesmo agudiza a perspectiva de formação 
funcional ao mercado e subordina os conteúdos profissionais à demanda do 
mercado, ou seja, do capital.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Pragmatismo:
– alimenta um tipo de formação, mas também de trabalho profissional, baseado 
na filosofia utilitarista, no imediatismo, no famoso discurso de que “na prática a 
teoria é outra”;
– leva à negação da teoria, à adesão ao praticismo acrítico, à ação imediatista, 
desprovida de compromisso político com a transformação estrutural das 
relações socioeconômicas;
– é responsável pelo profundo empirismo de que a profissão se nutre e por uma 
determinada maneira de conceber a relação teoria e prática;
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Pragmatismo (continuação):
– supervalorização da prática, identificada como pura experiência, dos hábitos e 
costumes que serão verdadeiros se bem-sucedidos e se servirem à solução 
imediata de problemas;
– responsável pelo profundo desprezo que, em geral, alguns profissionais sentem 
por uma teoria crítica, não por qualquer saber, não pelo saber prático-
instrumental, mas por aquele que efetivamente busca os fundamentos e, por 
isso, nem sempre se reverte em respostas imediatas.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Empirismo:
– resultado da materialização do Serviço Social na divisão social do trabalho;
– dele decorre o caráter de uma profissão interventiva, que necessita dar 
resposta prática para as contradições sociais. 
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Voluntarismo:
– revela um subjetivismo descolado da objetividade e das múltiplas 
determinações do real;
– alimenta-se na pobreza teórica que considera desnecessário estudar, ler, 
conhecer em profundidade as teorias e seus autores;
– favorece a ação pragmática individualizada e a responsabilidade pessoal e 
profissional no trato das expressões da questão social;
– provoca o esvaziamento do pensar crítico, das lutas sociais coletivas e favorece 
a doce ilusão da “competência técnica” como suficiente para a “resolução de 
problemas”.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Contentamento com o possibilismo:
– é típico do conformismo com mudanças no quadro das instituições capitalistas 
existentes;
– é a concordância com a “melhoria” social possível nos marcos do capitalismo. 
[O “reformismo” social-democrata do pós-Segunda Guerra Mundial possibilitou 
a ampliação de alguns direitos no capitalismo, mas jamais se propôs a 
emancipar a humanidade das relações de exploração capitalista, acabando por 
se render ao possibilismo contrarreformista.]
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Contentamento com o possibilismo:
• A perspectiva de Serviço Social que se contenta com o avanço dos direitos no 
capitalismo se localiza nos marcos do reformismo social-democrata, mas a 
perspectiva de Serviço Social que se curva e incorpora as orientações neoliberais de 
privatização, focalização, universalismo básico e tantos outros modismos se localiza 
nos marcos do neoliberalismo contrarreformista, sendo meramente possibilista. 
Ambas são poderosas armas da conservação da ordem burguesa, ainda que possam 
ter algumas diferenças entre si. Tanto o reformismo social-democrata quanto o 
possibilismo neoliberal alimentam posições e intervenções que incorrem em práticas 
conservadoras, como a focalização, a seletividade, a integração, o assistencialismo, 
o individualismo, a competitividade, o quantitativismo, o fortalecimento do capital 
humano.
Serviço Social e Conservadorismo Contemporâneo
• Muitos dos traços conservadores são fomentados pelo desencanto e pelas sucessivas 
perdas sociais históricas, submetidas à barbárie neoliberal. Enfrentá-las e superá-las 
exige construir estratégias coletivas pautadas no Projeto Ético-Político Profissional, 
que possibilitou ao Serviço Social alcançar sua maioridade teórico-política. 
• Debelar os traços conservadores:
– requer recusar a formação aligeirada, acrítica e tecnicista e defender a 
formação na perspectiva de totalidade sem nenhuma concessão ao 
possibilismo e ao reformismo;
– exige recusar os modismos tecnicistas e pragmáticos na formação e no trabalho 
profissional e defender firmemente o trabalho como espaço de fortalecimento 
dos direitos da classe trabalhadora, direitos entendidos como mediação para 
acumular forças, para fortalecer as lutas universais pela libertação das relações 
mercantis. 
Perfil Profissional Pertinente à Contemporaneidade
• O exercício da profissão exige um sujeito profissional que tenha competência 
para propor, para negociar com a instituição os seus projetos, para defender o 
seu campo de trabalho, suas qualificações e atribuições profissionais. Requer ir 
além das rotinas institucionais para buscar apreender, no movimento da 
realidade, as tendências e possibilidades, ali presentes, passíveis de serem 
apropriadas pelo profissional, desenvolvidas e transformadas em projetos de 
trabalho. 
Perfil Profissional Pertinente à Contemporaneidade
• A análise das experiências profissionais:
– requer muito mais que o seu relato e a elaboração de manuais prescritos 
voltados ao como fazer;
– exige uma análise crítica e teoricamente fundamentada do trabalho realizado 
na trama de interesses sociais que o polarizam; da construção de estratégias 
coletivas, articuladas às forças sociais progressistas, que permitam 
potencializar caminhos que reforcem os direitos nos diversos espaços 
ocupacionais em que atuamos;
• A perspectiva que move a ação não é a mera reiteração do instituído, mas o 
impulso ao protagonismo político dos sujeitos na articulação e defesa de suas 
necessidades e interesses coletivos na cena pública. 
Serviço Social x Transformações Societárias
• As transformações societárias decorrentes das estratégias do capital para se 
recuperar da crise iniciada no esgotamento dos “trinta anos gloriosos” do 
capitalismo instaurou um cenário avesso aos direitos que nos interpela. 
• É na tensão entre produção da desigualdade, da rebeldia e doconformismo que 
trabalham os assistentes sociais, situados nesse terreno movido por interesses 
sociais distintos, os quais não é possível abstrair – ou deles fugir –, pois tecem a 
trama da vida em sociedade. Foram as lutas sociais que romperam o domínio 
privado nas relações entre capital e trabalho, extrapolando a questão social para 
a esfera pública, exigindo a interferência do Estado no reconhecimento e a 
legalização de direitos e deveres dos sujeitos sociais envolvidos, 
consubstanciados nas políticas e serviços sociais, mediações fundamentais para 
o trabalho do assistente social. 
Desafios ao Serviço Social na cena contemporânea 
• 1) a exigência de rigorosa formação teórico-metodológica que permita explicar o 
atual processo de desenvolvimento capitalista sob a hegemonia das finanças e o 
reconhecimento das formas particulares pelas quais ele vem se realizando no 
Brasil, assim como suas implicações na órbita das políticas públicas e 
consequentes refrações no exercício profissional; 
• 2) rigoroso acompanhamento da qualidade acadêmica da formação universitária 
ante a vertiginosa expansão do ensino superior privado e da graduação à 
distância no país; 
• 3) a articulação com entidades, forças políticas e movimentos dos trabalhadores 
no campo e na cidade em defesa do trabalho e dos direitos civis, políticos e 
sociais; 
Desafios ao Serviço Social na cena contemporânea 
• 4) a afirmação do horizonte social e ético-político do projeto profissional no 
trabalho cotidiano, adensando as lutas pela preservação e ampliação dos direitos 
mediante participação qualificada nos espaços de representação e 
fortalecimento das formas de democracia direta; 
• 5) o cultivo de uma atitude crítica e ofensiva na defesa das condições de trabalho 
e da qualidade dos atendimentos, potenciando a nossa autonomia profissional. 
Desafios ao Serviço Social na cena contemporânea 
• Estratégias para superar os desafios:
– recuperar para a análise de nosso tempo o profícuo estilo de trabalho de Marx: 
uma forte interlocução crítica com o pensamento de diferentes extrações 
teóricas elaborado em sua época; 
– realizar uma efetiva integração com as forças vivas que animam o movimento 
da classe trabalhadora em suas distintas frações e segmentos;
– reapropriar o legado já acumulado pelo pensamento social crítico brasileiro 
sobre a interpretação do Brasil no quadro latino-americano
– elucidar as particularidades dos processos sociais que conformam o Brasil no 
presente, solidificando as bases históricas do projeto profissional. 
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