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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO Você já deve ter notado que um texto de qualidade apresenta características como originalidade, clareza e autoria. Mas você sabe construir uma relação entre ideias e frases de tal forma que seu texto revele uma sequência harmônica e uma organização interna? A coesão e a coerência textuais são fatores significativos da textualidade; portanto, devem receber atenção redobrada dos escritores. Existem diferentes procedimentos e recursos de coesão que podem contribuir com a unidade e a progressão temática. Nesse sentido, é preciso alinhar o gênero textual ao contexto e à finalidade comunicativa. Neste módulo, você vai estudar a coesão e a coerência e ver como elas aparecem em textos. Além disso, você vai verificar as formas diferentes como cada gênero textual comunica as suas mensagens. AULA 5 – ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. ▪ Compreender o conceito de psicologia ▪ Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia ▪ Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: • Identificar os conceitos de coesão e coerência. • Analisar aspectos de coesão e coerência em textos. • Comparar diferentes gêneros textuais e sua forma de comunicar. • Ilustrar exemplos de construção da coesão e coerência em textos. 1 ESTRATÉGIAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL Para se ter uma participação social efetiva é preciso dominar a língua oral e escrita, uma vez que é por meio desse domínio que o ser humano se comunica, tem acesso a informações, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento, Abdala (2017). Esse processo requer não só esforço e dedicação por parte do aluno, mas também orientação e mediação segura por parte do professor. Assim, é necessário que ambos os atores desse processo analisem o seu papel e a sua percepção. Na interação social, é necessária a presença de um locutor (quem fala), de um interlocutor (com quem se fala) e ainda de um terceiro elemento, que é classificado por Benveniste (1991) como “não pessoa” (de que ou de quem se fala). Nesse processo de aprendizado, leitura e escrita se complementam, uma vez que ninguém escreve com propriedade sobre determinado assunto sem conhecê-lo. Assim, leitura e escrita fazem parte do mesmo processo. Nesse sentido, é interessante que, ao ler um texto, você analise os objetivos dele, a sua adequação ao gênero textual proposto, as estratégias e os procedimentos utilizados em sua escrita, bem como as sequências textuais usadas. Isso traz mais segurança a você enquanto futuro produtor de novos textos (ANTÔNIO; JESUS, 2017). Segundo Bezerra (2014), as sequências textuais são unidades linguístico- textuais básicos (prototípicas) que fazem parte da constituição dos gêneros textuais, contribuindo para identificar um gênero que se estrutura com predominância de forma narrativa ou argumentativa, por exemplo. Isso quer dizer que as sequências são formas linguísticas organizadas que constituem a estrutura composicional de um gênero, sendo, por isso, mais estáveis e menos suscetíveis a alterações por influência de fatores sociais. No processo de produção de textos, há algumas regras que devem ser seguidas. Essas regras resguardam os direitos e deveres tanto do produtor quanto do ATENÇÃO! receptor textual. Embora sejam vistas como reguladoras, elas representam a materialização dos enunciados e discursos a serem produzidos. Grice (1982) aponta quatro máximas conversacionais que precisam ser respeitadas. Essas máximas se relacionam com as leis do discurso de Maingueneau (2001). Veja a seguir: Máxima da quantidade: é uma máxima relacionada à lei da informatividade e à exaustividade. Postula que o sujeito não deve dizer nem mais, nem menos do que for necessário para ser compreendido. Máxima da qualidade: é uma máxima relacionada à lei da sinceridade. Ela postula que o sujeito não deve dizer o que seja falso ou o que não julga ser genuíno. Ele deve dizer apenas o que tiver certeza ou o que for possível realizar. Máxima da relevância: é uma máxima relacionada à lei da pertinência. Postula que apenas o que for relevante deve ser dito, de forma adequada e interessante. Máxima do modo/maneira: é uma máxima relacionada à lei da modalidade. Postula que é necessário ser claro, conciso e ordenado, evitando a ambiguidade e a obscuridade. Beaugrande e Dressler (1983) pontuam ainda que a comunicação textual é orientada por três princípios reguladores e controladores. Tais princípios, portanto, necessitam ser respeitados no processo de comunicação. A seguir, veja quais são esses princípios. Princípio da eficiência: refere-se à capacidade de se comunicar bem com o mínimo de esforço, tanto por parte de que produz o texto quando por parte de quem o recebe. Princípio da eficácia: implica a busca por atingir os objetivos do texto que foi produzido, causando, assim, uma boa impressão no leitor. Princípio da adequação: relaciona-se com a capacidade de adaptação do texto ao contexto em que está inserido. Para tanto, devem ser observados tanto o gênero a que pertence o texto como o suporte no qual ele é veiculado. Ter sempre em mente essas premissas, leis e princípios vão ajudá-lo a construir textos que possuem padrões sociocomunicativos adequados e que e que atendam às suas intenções enunciativas. Koch e Elias (2014) propõem, ainda, que a atividade de escrita deve demandar de quem escreve o uso de inúmeras estratégias. Entre elas, destacam-se as seguintes: • Ativação de conhecimentos dos componentes da situação comunicativa (interlocutores, tópico a se desenvolver, adequação do texto à interação); • Cuidado na seleção, na organização e no desenvolvimento de ideias, de forma que a continuidade do tema e a progressão textual sejam garantidas; • Equilíbrio na utilização de informações explícitas e implícitas, bem como das informações consideradas novas e daquelas já conhecidas pelo leitor; • Revisão do processo de escrita, considerando sempre o objetivo do texto, a produção e a interação com o leitor. Além disso, você deve ter em mente que escrever não é apenas usar um código da língua e/ou realizar a intenção de quem escreve. Escrever é um processo de interação entre escritor e leitor, no qual os dois polos do processo são sujeitos ativos que se constroem e são construídos no texto (KOCH; ELIAS, 2014). Assim, somente uma concepção interacionista da língua, eminentemente funcional e contextualizada, pode, de forma ampla e legítima, fundamentar um ensino da língua que seja, individual e socialmente, produtivo e relevante (ANTUNES, 2003, p. 41). Em função disso, o processo de escrita deixa de ter como produto textos acabados, passando a ter como foco produtos em que o sujeito é ativo, uma vez que assume posições axiológicas, pois a todo momento é interpelado por suas ideologias. Logo, no processo de ensino da escrita, torna-se necessário que: [...] o educando rompa com uma consciência linguística que Bakhtin chama de ptolomaica (isto é, embora plurivocal, não se percebe como tal e está dogmaticamente dominada por vozes sociais incapazes de se verem pelos olhos de outras vozes do plurilinguismo), substituindo-a por uma consciência que Bakhtin chama de galileana, uma consciência linguística relativizada capaz de se ver pelos olhosda bivocalidade, pelo mútuo aclaramento crítico das vozes sociais (FARACO, 2007, p. 50). Nesse processo de aprendizado da escrita, é essencial que os alunos se entendam como participantes do “vasto diálogo cultural”, ou seja, como pessoas concretas que participam das relações sociais, como sujeitos ativos que coexistem nas interações linguísticas. Assim, nessa concepção, o ensino da escrita deve ser compreendido como propiciador dessas relações de interação, deixando de ter como foco apenas o aprendizado de regras que formam o sistema (FARACO, 2007). 1.1 Aspectos da construção textual A noção de texto compreende realizações tanto orais quanto escritas que tenham a extensão mínima de dois signos linguísticos ou de apenas um, desde que o contexto em que o texto é produzido assume o lugar de um dos signos (SIMON, 2008). Por exemplo, a palavra “silêncio” dita em uma sala de aula ou no ambiente hospitalar, ou ainda ao se iniciar uma reunião, pode ser considerada um texto, uma vez que os elementos da situação comunicativa (contexto) podem, juntamente a essa palavra, atribuir significado a ela. Assim, para a construção de um texto, é necessário conjugar diversos fatores relativos tanto a aspectos formais e a relações sintático-semânticas quanto a relações que o texto estabelece com o falante, o ouvinte e a situação comunicativa (SIMON, 2008). Segundo Beaugrande e Dressler (1983), para que o texto seja bem construído, ele necessita apresentar textualidade, um conjunto de sete características que garantam que o que foi produzido é um texto, e não um amontoado de frases. Em função disso, ao se analisar a construção de um texto tendo por base as concepções de textualidade, é necessário, inicialmente, a aceitação de que um texto não é um produto, mas um processo, uma vez que ele é construído em situações concretas de interação comunicativa e por interlocutores reais (GOMES; LIMA, 2015). Há, assim, uma parceria entre os sujeitos envolvidos no processo de escrita, uma vez que possuem a mesma finalidade. Portanto, o processo de escrita é considerado: [...] uma atividade interativa de expressão, (ex-, “para fora”) de manifestação das ideias, informações, intenções, crenças ou dos sentimentos que queremos partilhar com alguém, para, de algum modo, interagir com ele. Ter o que dizer é, portanto, uma condição prévia para o êxito da atividade de escrever. Não há conhecimento linguístico (lexical ou gramatical) que supra a deficiência do “não ter o que dizer”. As palavras são apenas a mediação, ou o material com que se faz a ponte entre quem fala e quem escuta, entre quem escreve e quem lê. Como mediação, elas se limitam a possibilitar a expressão do que é sabido, do que é pensado, do que é sentido. Se faltam as ideias, se falta a informação, vão faltar as palavras. Daí que nossa providência maior deve ser encher a cabeça de ideias, ampliar nosso repertório de informações e sensações. [...] Aí as palavras virão, e a crescente competência para a escrita vai ficando por conta da prática de cada dia, do exercício de cada evento, com as regras próprias de cada tipo e de cada gênero de texto (ANTUNES, 2003). Ao analisar o processo de construção do texto sob essa óptica, você deve considerar três fatores determinantes: o gênero textual, as sequências tipológicas que estruturam o gênero e a própria informatividade, que é um dos fatores de textualidade. Assim, antes de escrever um texto, você deve ter em mente o gênero a que tal texto pertence, suas principais características e as sequências tipológicas que constituem esse gênero. Afinal, um mesmo gênero pode ser composto de mais de uma sequência, apesar de uma delas ser sempre a predominante. Nesse sentido, a predominância de uma sequência não vai depender só do gênero, mas também de quem produz o texto, de seu propósito comunicativo e da situação de produção (GOMES; LIMA, 2015). A informatividade, por sua vez, é analisada dentro dos fatores de textualidade mencionados. Assim, segundo Beaugrande e Dressler (1983), a textualidade é composta por sete fatores, três de natureza linguística (coesão, coerência e intertextualidade) e quatro de natureza extralinguística (intencionalidade, aceitabilidade, informatividade e situacionalidade). A seguir, você conhecerá melhor cada um desses fatores. Coesão É formada pelas relações sintático-semânticas que se manifestam na superfície textual, englobando mecanismos gramaticais e lexicais que expressam relações não só entre uma frase, mas também entre frases e sequências de frases dentro de um texto (COSTA VAL, 2006, p. 6). Halliday e Hasan (1976) enumeram diferentes formas de se realizar a coesão, como você pode ver a seguir. Referências: São elementos que não podem ser interpretados e/ou compreendidos por si próprios, e sim relacionados a outros elementos do discurso. Podem ocorrer de forma situacional (exofórica) ou de forma textual (endofórica). Observe: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Substituição: Ocorre quando um item (palavra, oração inteira) é colocado no lugar de outro no texto. Veja: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Não deixe de levar esta bolsa com você Nesse caso, a referência é (exofórica), uma vez que é por meio da situação de comunicação que se sabe de que bolsa se trata: como há o uso do pronome “esta”, a bolsa está próxima do emissor. Agora veja: Lara, Gabriela e Clara são primas. Elas amam brincar no quintal o dia todo. Nesse exemplo, há uma referência endofórica, ou seja, textual. Por meio dela, o pronome “elas” retoma as primas Lara, Gabriela e Clara. Observe que, nesse caso, as informações que atribuem sentido ao trecho estão nele mesmo. Lara subiu no pé de jabuticaba e seu primo também. Nesse caso, a palavra “também” substitui a informação “subiu no pé de jabuticaba”, de forma a evitar a repetição do trecho Elipse: É a omissão de um termo da frase. Veja: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Conjunção: Essa classe gramatical estabelece relações de significados entre as palavras, orações, períodos e parágrafos de um texto. Observe: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Coesão lexical: Ocorre pela utilização de dois mecanismos: repetição de um — Você irá à missa com sua mãe hoje? — Ø Não. ØØØ A resposta dada equivale a “Eu não vou, não”. Observe que, com exceção da palavra “não”, todas as outras palavras foram apagadas sem que se prejudicasse o sentido da frase. Lara chegou cansada, porém resolveu visitar seus tios. Nesse caso, a conjunção coordenada adversativa “porém” estabelece uma relação de oposição com a primeira oração. mesmo item lexical ou utilização de pronomes, sinônimos, hipônimos, hiperônimos, etc. Veja: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Colocação: Ocorre quando se utilizam termos de um mesmo campo semântico. Veja: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Ganhei ontem uma bandeja cheia de brigadeiros e camafeus; esses doces são minha perdição. No caso, a palavra “doce” é um hiperônimo para os hipônimos “brigadeiros” e “camafeus”. Ou seja, a palavra “doce” é um termo maior que abarca o sentido dos outros dois. Agora veja: Nestas férias, quero visitar o Rio de Janeiro, afinal todos sabem que a Cidade Maravilhosa é conhecida por sua beleza natural, entre outros encantos. Nesse caso, o nome da cidade “Rio de Janeiro” foi retomado pela perífrase “Cidade Maravilhosa”. Ao iniciar a aula, o professor pediu aos alunos que abrissem suas apostilas e resolvessem os primeiros exercícios em seus cadernos. Observe queas palavras em negrito fazem parte do campo semântico “sala de aula” COERÊNCIA Diz respeito às relações e aos conceitos dispostos na superfície do texto, considerando-se, nesse caso, aspectos semânticos, lógicos e cognitivos (COSTA VAL, 2006). Assim, a coerência se manifesta na situação comunicativa, por meio da interação que o produtor e o emissor do texto estabelecem entre si. Em função disso, um texto é considerado coerente quando é compatível com o conhecimento de mundo de seu destinatário. Charolles (1978) caracteriza a coerência como uma propriedade ideativa do texto, que implica obedecer à metarregras, listadas a seguir. Repetição: Está relacionada à retomada dos termos citados no decorrer do discurso, o que garantirá a continuidade do texto. Essa metarregra vincula-se à própria coesão e pode ser contextualizada por meio de todos os exemplos já citados no item anterior. Progressão: Novas informações devem ser somadas às informações que já são tratadas no texto. Veja: Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Não contradição: O texto precisa respeitar elementos lógicos. Assim, suas ocorrências não podem se contradizer, ou seja, não se pode afirmar A e, momentos Acho que os senhores pensam que, em nossa diretoria, metade dos diretores trabalha e a outra metade nada faz. Na verdade, cavalheiros, acontece justamente o contrário. Nesse caso, um diretor de empresa está defendendo os membros da sua equipe. Observe que a metarregra da progressão não foi respeitada, uma vez que o texto fere esse princípio. Quando o diretor afirma que é “justamente o contrário”, o contrário corresponde ao mesmo que já foi dito antes: “metade dos diretores trabalha e a outra metade nada faz”. depois, o contrário de A, exceto se houver algum elemento que justifique isso. Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Relação: Em um texto, as relações estabelecidas entre as informações precisam ser pertinentes, não podendo ferir a lógica do mundo real — a menos que o gênero permita, por exemplo, em uma fábula, não é incoerente que os animais falem. Fonte adaptada Costa Val (2006) e Halliday e Hasan (1976). Intertextualidade: Está relacionada à forma com que os textos remetem a outros, uma vez que “[...] todo texto faz remissão a outro(s) efetivamente já produzido(s) e que faz(em) parte da memória dos leitores [...]” (KOCH; ELIAS, 2014, p. 101). Assim, não existe nenhum texto que seja totalmente original, já que todos trazem consigo vestígios dos discursos presentes em textos anteriores: “[...] cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados [...]” (BAKHTIN, 1992, p. 271-272). Na Figura 1, a seguir, veja um exemplo de intertextualidade. Eu não estava mentindo. Disse, sim, coisas que mais tarde se viu que eram inverídicas. O texto corresponde a um depoimento do presidente Nixon feito durante as investigações do caso Watergate. Observe que mentir e dizer “coisas inverídicas” são a mesma coisa; logo, colocá-las como ocorrências opostas implica contradizer-se. Cuidado! Tocar nesses fios provoca morte instantânea. Quem for flagrado fazendo isso será processado. Nesse exemplo, retirado de uma placa exposta em uma estação ferroviária, percebe-se que a lógica do mundo real é ferida. Afinal, não há como processar alguém que já faleceu pois tocou nos fios. Figura 1 - Intertextualidade. Fonte: www.pinterest.de Intencionalidade: Nesse fator de textualidade, analisa-se o esforço que o produtor do texto faz ao produzir uma mensagem que seja coesa, coerente, eficiente e que atinja as suas intenções comunicativas. Analise atentamente a Figura 2, a seguir. Figura 2 - Intencionalidade Fonte: Fiorin e Savioli (1996, p. 303). Observe, nesse cartão postal, que, ao iniciar o seu texto, Marco tinha como intenção contar a seus amigos tudo de bom que estava acontecendo com ele em suas férias no Caribe e que voltaria, mas ainda não sabia quando. Contudo, percebe-se nitidamente que a sua intenção mudou ao longo da escrita: o texto foi riscado e o autor destacou apenas, em negrito e sublinhado, as palavras “Não volto” Aceitabilidade: O texto deve ser compatível com a expectativa que o receptor tem de receber um texto coerente, coeso, útil, relevante, sem vazios comunicativos ou falhas de quantidade e qualidade. Caso haja algum tipo de falha que não seja tão grave a ponto de prejudicar o entendimento total do texto, pode-se estabelecer um contrato de cooperação entre produtor e receptor, de forma que o receptor realize um esforço para compreender o que se diz. A Figura 3 exemplifica esse conceito. Figura 3 - Aceitabilidade Fonte: Marinho (2010). Ao observar a Figura 3, você pode perceber que o produtor do texto não conseguiu atingir a sua intenção comunicativa em função do erro ortográfico na palavra “coco”, que foi redigida com acento circunflexo (“cocô”), significando algo totalmente diferente. Apesar disso, nada impede que o seu receptor, por meio de um contrato de cooperação, entenda o que foi escrito. Informatividade: Esse fator analisa a medida em que as informações devem ser trazidas no texto e o grau de expectativa e de conhecimentos que são ofertados nele. Assim, um texto com um grau de informatividade muito alto pode ser rejeitado pelo receptor em função de sua recepção ser mais trabalhosa; da mesma forma, um texto em que todas as informações já sejam conhecidas pelo seu receptor pode se tornar enfadonho. Portanto, considera-se que um texto ideal tenha um nível mediano de informatividade, trazendo informações novas que venham ligadas a dados já conhecidos. Observe atentamente o texto a seguir: Chama-se sintagma uma sequência de palavras que constituem uma unidade (sintagma vem de uma palavra grega que comporta o prefixo sin-, que significa com que encontramos, por exemplo, em simpatia e sincronia). Um sintagma é uma associação de elementos compostos num conjunto, organizados num todo, funcionando conjuntamente. […] sintagma significa, por definição, organização e relações de dependência e de ordem à volta de um elemento essencial (DUBOIS-CHARLIER; LEEMAN, 1977, p. 88). Caso o texto anterior seja lido por um receptor que não seja da área de letras, há o risco de ser rejeitado, uma vez que o nível de informatividade encontrado causará uma recepção mais trabalhosa, correndo-se o risco de o receptor não conseguir processar as informações. Assim, deve-se observar sempre o receptor de determinado texto para avaliar o nível de informatividade adequado. Situacionalidade: É o fator que orienta a própria produção textual, devendo ser amparado pelos seguintes questionamentos: quem fala e/ou escreve? Para que ouvinte e/ou leitor? Com que objetivo se fala e/ou escreve? A ideia é adequar, assim, a situação comunicativa ao contexto, o que funciona como critério estratégico que orienta a própria produção. Leia com atenção o texto a seguir, de Fernandes (2007, p. 68). O evento O pai lia o jornal — notícias do mundo. O telefone tocou tirrim-tirrim. A mocinha, filha dele, dezoito, vinte, vinte e dois anos, sei lá, veio lá de dentro, atendeu: “Alô. Dois quatro sete um dois cinco quatro. Mauro!!! Puxa, onde é que você andou? Há quanto tempo! Que coisa! Pensei que tinha morrido! Sumiu! Diz! Não!?! É mesmo? Que maravilha! Meus parabéns!!! Homem ou mulher? Ah! Que bom!... Vem logo. Não vou sair não”. Desligou o telefone. O pai perguntou: “Mauro teve um filho?” A mocinha respondeu: “Não. Casou”. Moral: Já não se entendem os diálogos como antigamente. No texto anterior, percebe-se que a situação comunicativa foi recebida de forma diferente pelos personagens pai e filha. Nesse caso, a diferente forma de se analisar o mesmo texto diz respeito não só ao conhecimento de mundode cada um dos personagens, mas também ao fato de um dos interlocutores não participar ativamente da ligação, apenas ouvindo a conversa entre a filha e Mauro. Como você pode notar, a situação comunicativa se reflete na produção do texto, uma vez que este sofre reflexos daquela. Assim, o receptor serve de mediador do texto; suas crenças e ideias recriam a situação de comunicação. Desse modo, o mesmo contexto pode ser avaliado de distintas formas por pessoas diferentes. 2 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALA, N. Concepções de leitura e de escrita. 2017. ANTÔNIO, A. M.; JESUS, K. P. C. C. Da leitura à escrita: estratégias de leitura e produção textual no 3º e 4º ano do Ensino Fundamental. 2017. ANTUNES, I. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003. BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso (1952-1953). In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 277–326. BEAUGRANDE, R. A.; DRESSLER, W. U. Introduction to text linguistics. London: Longman, 1983. BENVENISTE, E. A natureza dos pronomes. In: BENVENISTE, E. Problemas de linguística geral I. 3. ed. São Paulo: Pontes, 1991. BEZERRA, B. G. Colônia de gêneros introdutórios: o que é e como se constitui. In: DIONÍSIO, A. P.; HOFFNAGEL, J, C.; BARROS, K. S. M. 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