Prévia do material em texto
Farmacologia da Inflamação e da dor – AINEs Prof. Dr. Jorge Santana – Farmacêutico Clínico Mestre em Química Biológica Doutorando em Biotecnologia Medicamentos da dor e inflamação Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação dos AINES: Anti-inflamatórios, analgésicos e antipiréticos. São as drogas de primeira escolha no tratamento de doenças reumáticas e não-reumáticas como, artrite reumatoide, osteoartrite e artrite psoriática, assim como nas sequelas de traumas e contusões e ainda nos pós-operatórios. Dor leve e moderada Propriedades analgésicas prolongadas Diminuem a temperatura corporal elevada sem provocar dependência química. Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação anti-inflamatória dos AINES: COX-1 e COX-2 Mecanismo de ação Obs: A inflamação produz sensibilização dos receptores da dor A febre se deve à estimulação do centro termorregulador no hipotálamo, responsável pela regulação do nível em que a temperatura corpórea é mantida. COX-1 = Constitutiva Função homeostática (principalmente TGI e rins) Outras funções: Agregação plaquetária Diferenciação de macrófagos COX-2 Induzida em células inflamatórias quando ativadas São mediadores: IL-1 e TNF- Outras funções “constitucionais” = fisiológicas: Anti-agregação plaquetária e vasodilatação; Função renal (importante!); Possível ligação ao desenvolvimento de neoplasias (alta expressão em câncer de mama e colorretal) •Presente no SNC COX-3 Recentemente descrita Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação Analgésica dos AINES : DOR Nociceptores Polimodais (NPM) →estímulos mecânico, térmico, químico; Lesão tecidual → ↑ Prostaglandinas →sensibilização dos NPM (hiperalgesia) Bradicinina, Histamina + NPM → Σ fibras aferentes →SNC Fibras Nociceptivas → Camadas superficiais do corno dorsal → Tálamo Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação Analgésica dos AINES: Dor PGI2 Sensibilidade rápida de curta duração Hiperalgesia Sensibilização de início lento e longa duração PGE2 e PGD2 Intensidade da dor depende do mediador liberado PGL + BRADICININA + HISTAMINA PGL + HISTAMINA PGL + BRADICININA Dor moderada Dor leve Dor Intensa Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação Analgésica dos AINES: 1. Lesão tecidual, inflamação; 2. PGE2 e PGI2; 3. Sensibilização dos Nociceptores. Indicações: Em artrite, bursite, dor de dente, dismenorréia Em combinação com opioides→↓dor pós-operatória Alívio de cefaléia →↓efeito vasodilatador das PGs sobre vasos cerebrais; Lesão tecidual Inflamação PGE2 e PGI2 Sensibilização dos Nociceptores da DOR Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) AINES PGE2 x Hipotálamo ↑ set-point da toC Mecanismo de Ação Antipirética dos AINES: Hipotálamo: Controle da temperatura corporal → equilíbrio entre perda e produção de calor. Reação inflamatória Macrófagos IL-1 Aspirina, Paracetamol (Acetominofeno) e Dipirona (Metamizol) AINES PGE2 x Hipotálamo ↑ set-point da toC Mecanismo de Ação Antiagregante Plaquetária dos AINEs: Inibição irreversível da atividade das COX 1 (plaquetas, estômago e rim) e COX 2 (SNC, traqueia, rim, células endoteliais, testículos, ovários etc), Transformação do AA em PGH2 precursor imediato da PGD2, PGE2, PGF2a, PGI2 e TXA2, ocorrendo bloqueio da produção de tromboxano A2 (potente agregante plaquetário e vasoconstrictor). O TXA2 tem suas ações contrabalançadas pela liberação da prostaciclina (PGI2) das células endoteliais vasculares, produzindo vasodilatação e inibindo a agregação plaquetária. O TXA2 derivado da COX-1 (plaqueta) e altamente sensível à ação do AAS; A PGI2 COX-1 como da COX-2 (ação de longa duração em resposta ao estresse laminar de bainha que é insensível às doses convencionais da aspirina). Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Anti-Inflamatórios Não-Esteroides (AINEs) Mecanismo de Ação dos AINES: ANTIPIRÉTICA ANALGÉSICO ANTIPLAQUETÁRIO ANTINFLAMATÓRIA Efeitos colaterais dos AINEs Distúrbios gastrointestinais PGE2 estimula produção de muco e bicarbonato e modula secreção de HCl. Perda da ação protetora sobre a mucosa e deixa de inibir a secreção ácida Dispepsia, diarreia (ou constipação), náuseas, vômito, sangramento gástrico e ulceração AINE Reações cutâneas Erupções leves, urticária, fotossensibilidade (ác. Mefenâmico, sulindaco). Efeitos colaterais dos AINEs Efeitos renais PGE2, PGI2 envolvidos na manutenção da hemodinâmica renal Nefropatia por analgésicos: nefrite crônica e necrose papilar renal Efeitos colaterais dos AINEs Efeitos colaterais dos AINEs Efeitos renais Efeitos colaterais dos AINEs Broncoespasmos em indivíduos asmáticos Efeitos cardiovasculares com inibidores de COX2 Os AINES não oferecem efeitos cardioprotetores, e podem agravar problemas renais em paciente idosos, com ICC, diabéticos, cirróticos, dentre outros. Alguns AINES têm sido associados a efeitos de hepatotoxicidade. Elevação da pressão sanguínea, sendo esse efeito mais evidenciado em pacientes que fazem uso de drogas anti-hipertensivas. ⇑ doses por longo período de Fenacetina – retirada do mercado Distúrbios hepáticos e depressão da medula óssea Bloqueio da agregação plaquetária pela inibição da síntese de TxA Inibição da motilidade uterina pela inibição da síntese de PG prolongamento da gestação Efeitos colaterais dos AINEs Classificação dos AINES AINES Salicilatos Derivados do ácido Propiônico Derivados do ácido acético Derivados do oxicam Derivados das sulfonanilidas Inibidores da COX-2 AINES não-verdadeiros Classificação dos AINES Salicilatos Ác. salicílico * Salicilato de sódio * Salicilato de metila * Diflunisal * Ácido Acetilsalicílico Pirazolônicos Butazonas, dipirona Paraminofenol Fenacetina, Paracetamol = Acetominofen Ácido indolacético Indometacina, Sulindaco Classificação dos AINES Ác. Heteroarilacético Tolmetin, Diclofenaco, Cetorolaco Ác. Arilpropiônico Ibuprofeno, Naproxeno Fenoprofeno, cetoprofeno Ácido enólico Piroxican, Meloxican, Tenoxican Outros (inibidores seletivos da COX-2) Nimesulide, Celecoxibe, Rofecoxibe Histórico dos AINEs Ácido Acetilsalicílico – O primeiro AINE Ácido Acetisalicílico (AAS) Inibição irreversível da COX Uso regular Reduz o risco de câncer de colo retal Retarda o início da doença de Alzeheimer Contra-indicações Efeitos colaterais do AAS Doses terapêuticas Sangramento gástrico mínimo Doses elevadas Salicilismo Tontura, zumbido e diminuição da audição; Aumento da concentração de oxigênio; Alcalose respiratória compensada Aumento da concentração renal de bicarbonato; Doses Tóxicas Relação com a Síndrome de Reye Sindrome de Reye Risco de Síndrome de Reye (crianças e adultos jovens): com infecção por varicela ou influenza distúrbio hepático, hiperamonemia, encefalopatia, hipoglicemia H1N1 causou sintomas semelhantes na ausência de AAS. Mucosa Gástrica Paracetamol Inibição reversível da COX-3 Intoxicação hepática Antídoto N-acetilcisteína Vantagens: Não produz efeitos sobre o SCV e respiratório Sem distúrbio ácido-básico; Não produz efeitos gástricos Não antiagregante plaquetário Paracetamol: Um Perigo para o fígado Estudo publicado na British Journal of Clinical Pharmacology (2016) 663 pacientes hospitalizados com graves lesões no fígado 75% eram provocados por ingestão incorreta de paracetamol. 25% restante havia ingerido doses maiores do que a prescrita na receita médica. Dose máxima recomendada 4000 mg ao dia Hepatotixicidade: 6000 mg ao dia Glutation-paracetamol Iminoquinona N-acetil-p-benzoquinona imina Outros AINES COX não-seletivos Diflunisal Etodolac Fenoprofeno Flubiprofeno Ibuprofeno Indometacina Cetoprofeno Cetorolaco Meclofenamato e Ácido Mefenâmico Nabumetona NaproxenoOxaprozina Fenilbutazona Piroxicam Tenoxicam Tiaprofeno Derivados do ácido propiônico Dor e inflamação de artrite gotosa aguda; Tratamento da dismenorreia primária; Fechamento do ducto arterioso Toxicidade Ibuprofeno: Reações Alérgicas e Sangramento gástrico Síndrome de Stevens Johnson: Causada por reação anafilática a um vírus ou um medicamento. Sintomas: Erupções cutâneas, bolhas na boca, ouvidos e nariz e inchaço das pálpebras. 40% da pessoas que contraem a doença não sobrevivem. Macey Marsh, uma criança inglesa de 2 anos de idade, lutou pela vida após sofrer uma reação alérgica grave ao Nurofen (ibuprofeno). 1 caso a cada 100 milhões de embalagens vendidas. Oxicans (Piroxicam e Meloxicam) Artrite reumatoide e osteoartrite Distúrbios musculoesqueléticos agudos Aminorreia primária Menores efeitos gástricos Efeitos colaterais dos oxicans GI (16%), cefaléia, zumbidos, edema, prurido, erupções cutâneas, aumento transaminases, anemias, traombocitopenia, leucopenia, eosinifilia; Contra-indicação Doença GI e alteração na coagulação. Coxibes Desenvolvidos na tentativa de agir apenas nos locais de inflamação Exercem efeitos analgésicos, antipiréticos e antiinflamatórios Menos efeitos colaterais gastrointestinais Sem impacto sobre agregação plaquetária (que é mediada por COX1) COX 2 é constitutiva nos rins: por isso não são recomendados para pacientes com insuficiência renal Fármacos: Celocoxib (Celebrex®) Meloxicam (Movatec®, Meloxil®) Rofecoxib (Vioxx®) Coxibes São tão ou mais eficazes que os AINEs não seletivos para o tratamento da inflamação e sintomas associados. Como as plaquetas expressam primariamente a COX-1, esses fármacos não têm propriedades antitrombóticas. Com base em experimentos animais, observação de registros e ensaios clínicos, propôs-se que as mais importantes consequências da inibição seletiva da COX-2 em relação ao coração são: propensão à trombose, pelo desvio do balanço pró -trombótico/antitrombóticona superfície endotelial, perda do efeito protetor da regulação superior da COX-2 na isquemia miocárdica e no infarto do miocárdio. Comparação da seletividade dos agentes anti-inflamatórios não esteróides para isoenzimas da ciclooxigenase Derivados do ácido fenilacético - Diclofenaco Tratamento de artrite reumatoide e quadros clínicos não-reumáticos; Tratamento da dismenorreia primária; Uso tópico: Inflamação muscular, articulações e tendões Efeitos colaterais GI(20%): sangramentos, ulcerações ou perfuração parede hepatotoxicidade(15%): aumento de transaminases Diclofenaco de Sódio X Diclofenaco de Potássio A real diferença está na velocidade com que cada um deles será absorvido! Diclofenaco Sódico Apresenta uma absorção mais lenta, seus comprimidos são revestidos e tem liberação entérica. Sendo indicado principalmente para: artrite, reumatismo, torções. Dores crônicas Diclofenaco Potássico Fármaco mais hidrossolúvel (solúvel em água) do que o sódico. Sendo empregado principalmente como analgésico. Dores agudas Dipirona - Metamizol Inibidor da cox-3 alívio de febre e dores, como as dores de dente, neuralgias, dores de cabeça e miosites Toxicidade da Dipirona Dipirona Retenção de líquidos e de sódio Uso excessivo de dipirona vômitos, vertigens, dores abdominais e náuseas Dipirona é realmente um VILÃO? Fármaco proscrito na Europa, Ásia e nos Estados Unidos Produção de AGRANULOCITOSE Diminuição da concentração de Neutrófilos Por que ainda é comercializada no BRASIL? Nimesulida Derivado da sulfonanilida Inibidor seletivo de Cox-2 Risco Cardiovascular da Nimesulida Efeitos adversos da Nimesulida Efeitos adversos da Nimesulida Obrigado! (88) 99307-7688 @dr.jorgesantana.farma edersantana22@hotmail.com Contatos: “A ignorância gera mais confiança do que o conhecimento: são os que sabem pouco, e não os que sabem muito, que afirmam positivamente que esse ou aquele problema nunca pode ser resolvido pela ciência.” Charles Darwin image3.png image4.png image5.png image6.png image7.emf image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.emf image14.png image15.png image16.jpeg image17.jpeg image18.png image19.emf image20.emf image21.emf image22.emf image23.png image24.png image25.jpeg image26.jpeg image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.emf image41.emf image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.jpeg image52.png image53.png image54.png image55.emf image56.png image57.png image58.jpeg image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.png image67.png image68.png image1.png image2.png