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Planejamento urbano e regional: temas selecionados
Book · March 2015
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3 authors, including:
Adriana Kunen
Federal University of Technology - Paraná/Brazil (UTF…
52 PUBLICATIONS   8 CITATIONS   
SEE PROFILE
Carlos Cassemiro Casaril
Universidade Estadual do Paraná
11 PUBLICATIONS   42 CITATIONS   
SEE PROFILE
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Guilherme Daltoé 
Carlos Cassemiro Casaril 
 
Organizadores 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL: 
TEMAS SELECIONADOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Francisco Beltrão 
2015 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL: 
TEMAS SELECIONADOS 
 
 
 
 
 
Projeto: Produção e disseminação do conhecimento urbano regional 
 
 
Grupo de Estudos e Pesquisas Urbanas e Regionais 
vinculado aos docentes do Curso de Arquitetura e Urbanismo 
da UNIPAR - Francisco Beltrão 
 
 
 
2015 
 
Copyright © 2015 Grupo de Estudos e Pesquisas Urbanas e Regionais Vinculado aos 
Docentes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIPAR - Francisco Beltrão 
 
Esta obra possui Conselho Editorial indicada pelo Grupo de Estudos e Pesquisas 
Urbanas e Regionais Vinculado aos Docentes do Curso de Arquitetura e 
Urbanismo da UNIPAR - Francisco Beltrão: 
Guilherme Daltoé – Presidente 
Carlos Cassemiro Casaril 
Fernando Caetano Durso Neves 
Gislaine da Silva Fernandes 
João Luciano Bandeira 
 
Revisão: Conselho Editorial 
Capa, Projeto gráfico e Diagramação: Guilherme Daltoé 
Formatação digital: Guilherme Daltoé 
 
Tiragem: 200 
 
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) 
P712 
Planejamento urbano e regional: temas selecionados. / 
Guilherme Daltoé; Carlos Cassemiro Casaril (Orgs.). - Francisco 
Beltrão: Grafisul, 2015. 250 p. 
 
ISBN: 978-85-98799-89-6 
 
1. Planejamento Urbano; 2. Planejamento Regional; 3. 
Urbanismo. Propostas Urbanísticas. I. Daltoé, Guilherme. II. 
Casaril, Carlos Cassemiro. III. Título 
 
CDU: 720 
Bibliotecário responsável: Nilson Tibúrcio - CRB9/1750 
 
 
1ª edição: agosto de 2015 
 
A responsabilidade dos conteúdos de cada texto é de seus respectivos autores. 
 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou 
reproduzida sem a autorização dos autores. 
 
Impresso por Grafisul Gráfica e Editora 
Av. Luiz Antônio Faedo, 477 – CEP: 85601-275 – Francisco Beltrão – PR 
Tel (46) 3055 5766 – (46) 3524 5766 – jaime@grafisul.com.br 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 Apresentação 
Guilherme Daltoé e Carlos Cassemiro Casaril ............... 07 
 
Capítulo 1 PLANEJAMENTO E GESTÃO DOS SISTEMAS DE 
INFRAESTRUTURA URBANA: UMA ANÁLISE 
REFLEXIVA A PARTIR DA REVISÃO CONCEITUAL 
Andrea Claudia de Oliveira; Ariadne Silvia de Farias.. 10 
 
Capítulo 2 PROPOSTA DE MOBILIDADE REGIONAL PARA OS 
MUNICÍPIOS DE FRANCISCO BELTRÃO, 
MARMELEIRO E RENASCENÇA - PR 
Rafael Wurlitzer Colla; Willian Marques Debacker; 
César Augusto da Silva Hellmann; Guilherme 
Daltoé.............................................................................. 
 
 
26 
 
Capítulo 3 INTERVENÇÕES DE PLANEJAMENTO URBANO EM 
BAIRROS SEGREGADOS DE FRANCISCO 
BELTRÃO/PR 
Emanuele De Costa Oldra; Vanessa Cristina Zapchau; 
Lais Cristine Fischer; Gislaine da Silva Fernandes; 
João Luciano Bandeira................................................... 
 
41 
Capítulo 4 ESTATUTO DA CIDADE: UMA PROPOSTA URBANA 
PARA FRANCISCO BELTRÃO/PR 
Cristiane Oliveira de Moura; Carlos Cassemiro 
Casaril............................................................................. 
 
65 
 
Capítulo 5 INTERVENÇÕES URBANÍSTICAS PARA A SOLUÇÃO 
DOS ALAGAMENTOS NA CIDADE DE 
CHOPINZINHO/PR 
Edson Ricardo Poletto; Marcelo Somavila; Adriana 
Kunen.............................................................................. 
 
86 
 
 
 
Capítulo 6 VERTICALIZAÇÃO E ADENSAMENTO URBANO DE 
FRANCISCO BELTRÃO/PR: ANÁLISE E PROPOSTA 
Caroline Grison; Lucas Iser; Manoela Fernanda de 
Luca Lima Oliveira; Monich Fernanda Osowski; 
Carlos Cassemiro Casaril............................................... 
 
 
110 
 
Capítulo 7 MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL: DEBATE 
SOBRE A DEMOCRACIA DO ESPAÇO PÚBLICO E 
ANÁLISE DOS FLUXOS CENTRAIS DE FRANCISCO 
BELTRÃO/PR 
Vinicius André; Mônica Aparecida Gonçalves............... 134 
 
Capítulo 8 REVITALIZAÇÃO PAISAGISTICA EM FRANCISCO 
BELTRÃO/PR: UMA PROPOSTA PARA A AVENIDA 
JÚLIO ASSIS CAVALHEIRO 
Eliane Aparecida Centenaro; Elizandra Castanheiro; 
Samari Moreira; Daniele Pagno.................................... 
 
156 
 
Capítulo 9 SUSTENTABILIDADE URBANA: NOVOS SISTEMAS 
DE TRATAMENTO DOS EFLUENTES – WETLANDS 
Danielly Leticia Rebelato; Fernanda Mombach 
Goncalves; Jean Carlos Ravanelli Appel; Rodney 
Rebelato; Ariadne Silvia de Farias................................. 
 
 
170 
 
Capítulo 10 OCUPAÇÃO DESORDENADA DO SOLO E 
ENCHENTES: ESTUDO DE FRANCISCO BELTRÃO/PR 
Maicon de Oliveira; Monique Capoani; Telmo 
Cioatto; Guilherme Daltoé............................................. 
 
195 
 
Capítulodemográficos: 
População total de Francisco Beltrão: 79.850 habitantes. 
 
 
Densidade Populacional: 
A densidade populacional por domicílio é bastante equilibrada 
tanto na área urbana como na área rural. Os bairros Padre Ulrico e 
Antônio de Paiva Cantelmo são as áreas urbanas que concentram a 
maior densidade, 3,93 e 3,83 pessoas por domicílios, respectivamente. 
Dados do Bairro Padre Ulrico: 
 
51 
 
 
Tabela 1: Situação da população do bairro Padre Ulrico, Francisco Beltrão. 
População 
residente 
Número de 
domicílios 
Densidade por domicilio 
(hab/dom): 
3127 796 3,93 
Fonte: Trabalho de campo. 
 
 
 
 
Tabela 2: População de Francisco Beltrão: dados demográficos. 
 
(2) Pessoas em situação de pobreza é a população calculada em função da 
renda familiar per capita de até 1/2 salário mínimo. Os dados referentes a 
Situação de Pobreza são provenientes dos microdados do Censo Demográfico 
(IBGE) e das Tabulações especiais feitas pelo Ipardes. 
 Fonte: IPARDES; IBGE, 2011. 
 
No ano de 2013 foi realizada uma pesquisa por alunos do curso 
de Arquitetura e Urbanismo com auxilio de professores orientadores 
através do Programa de Iniciação Cientifica (PIC) da Universidade 
Paranaense – UNIPAR. A pesquisa foi realizada em 150 unidades 
habitacionais das quais foram doadas pelo município a moradores 
retirados de áreas de risco e relocados para esse local, deve-se levar em 
52 
 
consideração ainda que estes moradores possuem perfil de baixa renda 
(0 a 3 salários mínimos), o conjunto habitacional faz parte do Bairro 
Padre Ulrico. 
 O artigo analisado mostra a satisfação dos moradores quanto 
aos aspectos funcionais e construtivos, os dados são importantes para 
nos mostrar a qualidade de vida e avaliação e visão que estes moradores 
tem quanto o bairro aonde vivem. Foram aplicados questionários com a 
presença dos avaliadores onde os ocupantes das residências respondiam 
perguntas que tinham valores de 1 a 4, sendo 1 para menor e 4 para 
maior. Os dados foram tabulados e a seguir serão repassados os 
resultados e conclusões obtidas. 
Das 150 unidades habitacionais que fazem parte do loteamento, 
foram aplicados 123 questionários, representando 82% do total. Em 
contrapartida, 18% dos usuários não responderam aos questionamentos 
em razão de residências vazias, residências com moradores ausentes e 
outros que não quiseram participar, totalizando 27 famílias. 
Quanto à categoria construtiva foram analisados o tamanho e a 
quantidade de ambientes em relação aos usuários; o funcionamento das 
instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias; qualidade dos 
revestimentos, pisos e torneiras. Na categoria funcional foram 
analisados: temperatura, ventilação e iluminação natural, segurança e 
área externa. A privacidade foi analisada conforme a localização das 
aberturas e proximidade com os vizinhos; e a segurança através das 
aberturas e muros. Em relação ao conjunto habitacional foram 
53 
 
analisadas áreas externas, áreas de lazer, acessos, iluminação pública, 
infraestrutura mínima, assim como escolas, mercados e farmácia. 
 
 
Gráfico 1: Avaliação de satisfação dos usuários em relação a habitação 
MCMV. 
 
Gráfico 2: Avaliação técnica em relação a habitação MCMV. 
 
Em relação à categoria funcional, é possível perceber que, a 
maior parte dos moradores estão satisfeitos com a sua moradia. Mais de 
50% dos entrevistados atribuíram a nota máxima às questões 
relacionadas a esta classe. Menos de 10% foram os que deram a nota 
mínima neste quesito, representando o menor índice. 
54 
 
 Como na categoria funcional, na construtiva também a maioria 
dos questionados conferiram a nota 4 para estas perguntas, somando 
mais de 40% dos pesquisados. Diferentemente da categoria anterior, a 
nota 1 não foi a menos atribuída às questões, visto que quase 20% dos 
respondentes optaram por este peso. 
Além da pesquisa de opinião dos usuários, realizou-se uma 
avaliação técnica sobre as mesmas questões e a partir desta análise é 
possível constatar uma opinião bem diferenciada da dos moradores 
sobre os mesmos aspectos, funcionais e construtivos. 
A avaliação técnica, mostra que foram atribuídas notas 
diferenciadas das dos usuários, sendo que o maior percentual obtido foi 
da nota 3 para as duas categorias. Já a menor nota na categoria 
funcional foi a 1 e na categoria construtiva as notas 1 e 4, que estão 
praticamente empatadas. É importante salientar que de modo geral, as 
pessoas estão satisfeitas, mas cruzando a opinião do ponto de vista 
técnico com a do usuário, percebe-se a necessidade de melhorias neste 
tipo de edificação principalmente nos aspectos de: segurança contra 
terceiros, instalações elétricas e quantidade de ambientes; este último 
aspecto depende muito da necessidade e da quantidade de indivíduos 
residentes no local, as casas são projetadas para 3 ou 4 pessoas e muitas 
delas estão ocupadas por até 7 pessoas. Estes resultados devem ser 
considerados informações importantes no desenvolvimento de projetos 
similares futuros. 
A partir desses dados podem-se tirar algumas conclusões sobre 
a forma com que os moradores desse bairro vivem. Não há apenas esses 
55 
 
conjuntos habitacionais, existem também casas em situações precárias 
em terrenos irregulares, muitas vezes até 3 unidades ocupam um mesmo 
lote, os moradores desses locais não tem uma segurança, infraestrutura e 
locais de lazer adequados, fazendo com que a qualidade de vida seja 
cada vez menor e mais deficiente. 
 
Aspectos críticos do desenho para preparação de projetos futuros 
Os programas de desenvolvimento em geral e em particular, os 
de urbanização de favelas, dedicam atenção maior ao tratamento de 
problemas de caráter físico-urbanístico e arquitetônico por meio de 
componentes urbanos e habitacionais. 
Vários fatores técnicos interferem de maneira direta na 
qualidade das opções de projeto, como por exemplo: infraestrutura 
urbana (água, luz, esgoto, acesso viário, pavimentação...), de integração 
urbanística e acessibilidade, implantação de unidades e as opções 
tecnológicas de projeto arquitetônico (qualidade e adequação dos 
sistemas construtivos e os materiais utilizados, funcionalidade das 
unidades, ente outros). 
A alternativa tomada para a reurbanização das favelas deve 
levar em conta se pode oferecer não só a moradia em boa qualidade, 
mas outras facilidades inclusas como transporte público, infraestrutura, 
equipamentos sociais, saneamento, comércio, saúde, educação, etc. Essa 
decisão de qual programa usar está diretamente ligado a decisões 
políticas. 
56 
 
Existem ainda os fatores gerais e estruturantes, estes afetam na 
qualidade arquitetônica, perenidade, fluidez, coerência, a escolha 
correta da área, equilíbrio entre custo e qualidade dos projetos 
arquitetônicos e a eficácia da operação e manutenção dos investimentos 
físicos realizados. 
A qualidade dos aspectos específicos dos projetos aplica-se a 
duas escalas: a da intervenção urbana e do projeto arquitetônico da 
unidade. 
A dimensão local das decisões técnicas de projeto também é 
importante, pois permite que haja mudança da área determinada para a 
mudança, devido a imprevistos como por exemplo, número maior que o 
esperado de moradores por unidade, disputa locais e internas às 
comunidades. 
Existe ainda um último fator que diz respeito ao equilíbrio entre 
a viabilidade financeira e a qualidade dos projetos urbanos e 
arquitetônicos. Que significa que a falta de qualidade não é decorrente 
apenas do desenho da planta, ou da escolha dos materiais. Em geral a 
má qualidade vem pelo uso inadequado de materiais para determinado 
uso e local como escolha errada de materiais que possam gerar boas 
condições térmicas e acústicas, conforto ambiental, e menor 
necessidade de manutenção. As “escolhas de materiais errados” se dão 
pelo menor preço. 
Como regra geral os projetos urbanospara assentamento 
precários devem ser adequados a cada caso. Por exemplo, uma área com 
grande risco de inundação não pode ser levado em conta os mesmos 
57 
 
parâmetros que uma área construída em baixo de um viaduto sob risco 
de incêndio. 
Segundo Denaldi (2004), as áreas para reurbanização e 
relocação das famílias precisam ser de preferência uma área estruturada, 
com boa acessibilidade, transporte público, saneamento adequado, 
dentre outros fatores. 
É sabido que em projetos habitacionais a tipologia das 
edificações deve ser adequada, as condições do terreno, conforto 
ambiental do local, topografia, forma do terreno, tudo isso incide 
diretamente e indiretamente nos custos da obra. 
 
Propostas de intervenção 
 Como já mencionada a situação atual do bairro Padre Ulrico 
está precária, havendo uma segregação sócio espacial negativa, sendo 
um bairro precário e sem condições de infraestrutura urbana. Dessa 
forma propõe-se propostas de intervenções que podem ajudar a resolver 
os problemas encontrados no local. 
 
É inegável que, para enfrentar o problema da 
proliferação das favelas, é necessário ampliar o 
mercado residencial legal e promover a gestão 
urbana inclusiva, no entanto não se pode deixar de 
intervir nas favelas existente, buscando-se integrá-
las à cidade formal (DENALDI, 2004, p.8). 
 
 Seguindo as propostas de intervenção do governo nas favelas de 
Teresina, pode-se levar em consideração: 
 
58 
 
A infraestrutura física (pavimentação, 
abastecimento de água, energia elétrica, 
regularização fundiária, melhoria habitacional e 
unidade sanitária); infraestrutura comunitária (à 
atenção integral a criança e ao adolescente, 
instalação de creche, de unidade de saúde, de 
escola, de praça, de campo de futebol e de quadra 
poliesportiva); Ação educativa (educação 
ambiental, arborização e distribuição de filtros); 
Geração de emprego e renda (instalação de centro 
comunitário de treinamento e produção, de 
lavanderias comunitárias, de hortas comunitárias e 
de quitais urbanos de produção) (LIMA, 2008, 
p.7). 
 
Os tópicos irão abranger todos assuntos necessários para 
transformar o bairro Padre Ulrico em um local, habitável, desejado 
pelos moradores, reconhecido não mais como um bairro segregado em 
relação ao restante da cidade, e sim, como parte enriquecedora do 
município. 
 
A urbanização de favelas não se limita à 
construção de casas ou à reabilitação das 
construções existentes. O componente social é a 
chave de todo o processo. Em última instância, o 
objetivo final é garantir acesso à qualificação e a 
melhores condições de vida (Urbanização de 
Favelas em Foco: Experiências de Seis Cidades; 
2008; p.57). 
 
Qual o resultado a curto e longo prazo da intervenção 
As intervenções se tratam principalmente de: rede de 
abastecimento de água nos locais que não a possuem; esgotamento 
59 
 
sanitário; drenagem; pavimentação; coleta de lixo; iluminação pública e 
energia elétrica; áreas de lazer e serviços públicos. 
 
 O verdadeiro desafio é lidar com a situação de 
precariedade na posse da terra da moradia daqueles 
que estão física e socialmente excluídos. Para 
enfrentar este desafio, é necessária uma mudança 
de paradigmas. Uma abordagem orientada por 
projetos, focada na produção de novas moradias e 
na extensão de redes de infraestrutura urbana, 
idealizada e implementada separadamente pelas 
diferentes secretarias da administração municipal, 
tem que ser substituída por uma abordagem 
programática e integrada (Urbanização de Favelas 
em Foco: Experiências de Seis Cidades; 2008; 
p.02). 
 
A partir de estudos já realizados em bairros segregados e 
favelas afirma-se que as melhorias são significativas. Ao analisar os 
impactos sobre as condições de vida da população desses locais após 
intervenções realizadas no Rio de Janeiro e sobre as possibilidades de 
integração da área pela criação de acessos, praças e espaços públicos 
apurou-se na pesquisa amostral que, na visão da população, esses 
melhoraram: 
- 68,3% dos entrevistados não sentem falta de outros espaços livres na 
comunidade; 
- 98,3% dos que moravam na favela antes das obras de urbanização 
consideram que melhoraram os espaços para as crianças brincarem; 
- 75,0% afirmam que depois das obras ficou mais fácil chegar em casa, 
apontando com maior frequência a pavimentação e os novos acessos, 
60 
 
não deixando de enumerar com pesos equitativos a iluminação, a 
construção de escadarias e o acesso de veículos. 
 
Temos então que a participação dos moradores 
cumpre um papel importante para a produção de 
programas adequados, portanto com maiores 
chances de serem sustentáveis e assim este 
componente deve ser replicado. Não tivemos 
registro de que a participação dos moradores de 
modo interativo tenha provocado retardos ou 
entraves aos programas. Por outro lado, onde ela 
não ocorreu, verificamos inadequações. Assim, 
argumento de que a participação pode atrapalhar o 
desenvolvimento de programas deste tipo, pelo 
menos nos casos pesquisados, não se confirmou 
(“Parâmetros Técnicos para Urbanização de 
Favelas” FUPAM/LABHAB/FAUUSP – 
FINEP/CEF 1998/1999; p. 172). 
 
Esta é apenas uma parte do que foi analisado quanto as 
melhorias realizadas após as intervenções urbanísticas nessas locais. 
Existe a necessidade que os moradores colaborem ajudando na 
execução dessas melhorias assim como cuidem desses locais após as 
mesmas serem realizadas. As intervenções realizadas trarão aos 
moradores maior segurança, qualidade de vida, lazer, saúde, 
mobilidade, entre outras melhorias a curto e longo prazo. Com a 
manutenção e cuidado esses locais deixarão se ser bairros considerados 
segregados atraindo atenção e trazendo novas classes sociais que irão 
interagir e usufruir das melhorias ali realizadas, integrando-o com toda 
cidade. 
 
Considerações finais 
61 
 
Este trabalho teve como proposta principal levantar dados 
geográficos e históricos da região e do território ocupado por parte da 
população (que vivem nas áreas periféricas pobres), de forma a 
apresentar a compreensão do problema. Analisou-se e foram propostas 
intervenções urbanísticas de forma que essas possam integrar o bairro 
segregado Padre Ulrico ao restante da cidade de Francisco Beltrão – PR, 
assim como trazer aos moradores dessa área locais de lazer e 
infraestrutura adequada. 
Após o entendimento do que se trata a segregação sócio 
espacial, como surgem as áreas segregadas e da forma que são tratadas 
e vistas pelo restante da cidade, realizou-se uma pesquisa com base em 
dados encontrados no IBGE e outros fornecidos por um artigo que 
continha dados sobre uma pequena área do Bairro Padre Ulrico. Os 
dados do IBGE nos mostram que o bairro estudado é o que possui maior 
densidade populacional por domicilio da cidade de Francisco Beltrão – 
Paraná, chegando a quase 4 habitantes por domicilio; segundo o artigo 
seus moradores se encaixam no perfil de baixa renda (0 a 3 salários 
mínimos), podendo assim ser considerado um bairro de população 
carente. 
 Assim, percebeu-se que os moradores do Bairro Padre Ulrico, 
apesar das diferenças que existem ali, tendem a um perfil 
socioeconômico marcado por um baixo poder aquisitivo, fruto das 
atividades que desenvolvem para obtenção de renda, ou seja, das 
oportunidades de trabalhos que lhes são ofertadas, de seu papel na 
divisão social do trabalho. 
62 
 
São pessoas que conseguiram encontrar um local próprio para 
reproduzirem as suas vidas. Entretanto, essa reprodução se dá sem que 
essa função seja realizada com êxito, dadas as condições de 
infraestrutura, de serviços e bens de consumo ofertados naquele local. 
As áreas segregadas funcionam como abrigos para aqueles que são 
excluídos do processo de crescimento da cidade. Essa população sofre 
um desenvolvimento desigual (espacial, econômico etc.) e passam a 
lidarcom alguns problemas sociais, que afligem mais duramente a 
população pobre e socialmente vista como periférica, a exemplo, a 
questão da violência. 
 
O espaço de reprodução da vida para esses 
moradores passa a ser o próprio bairro que é o 
espaço consumido no qual criam uma identidade, e 
que, pelo uso cotidiano, se apropriam para a 
realização da vida, da vida em família, do lazer, 
das brincadeiras na rua com os vizinhos, das 
visitas, ida à igreja, reuniões de bairro, do 
trabalho (MARES, 2013, p.17). 
 
 Esse desenvolvimento desigual pode ser visto nas diferentes 
condições de moradia e acesso à residência as quais a maioria da 
população está sujeita, em relação à infraestrutura urbana básica e na 
situação em termos de renda e escolaridade da população. Observamos 
que, em termos espaciais, embora haja uma clara relação centro áreas 
segregadas, é observado que algumas áreas da cidade já apresentam 
diferenças marcantes, tanto em termos de riqueza quanto em termos de 
pobreza: é o caso dos assentamentos precários. 
63 
 
Aos moradores dessas áreas segregados como o Bairro Padre 
Ulrico, o que se prevê é que dificuldades estarão ainda presentes em seu 
dia a dia e que cabe ao Estado o papel de minimizar as desigualdades 
sociais através da formulação de políticas públicas eficazes e que sejam 
capazes de reduzir as desigualdades de maneira integrada e 
democrática, trazendo para os moradores desses locais lazer, 
infraestrutura adequada e qualidade de vida. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BASTOS, P. Urbanização de favelas. 2003. 221p. 
BEDIN, M. V; NASCIMENTO, E. Urbanização e segregação socioespacial 
em Chapecó, Santa Catarina, Brasil: bases histórico-geográficas. 2003. 19p. 
DENALDI. R. Santo André: urbanização de favelas e inclusão social. 2004. 
20p. 
GONÇALVES. T. G. B. Periferias segregadas, segregação nas periferias: 
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65 
 
 
 
CAPÍTULO 4 
 
ESTATUTO DA CIDADE: UMA PROPOSTA DE 
REFORMA URBANA PARA FRANCISCO BELTRÃO, 
PARANÁ 
 
Cristiane Oliveira de Moura 
Carlos Cassemiro Casaril 
 
Introdução 
O objetivo deste texto é apresentar uma breve análise do 
que seria a reforma urbana e sua materialização com o Estatuto da 
Cidade que traz vários instrumentos para elaboração de planos 
diretores participativos, buscando a função social da propriedade 
e o direito a cidade. Além de apresentar propostas para a 
realização de uma pequena reforma urbana em Francisco Beltrão. 
Iniciaremos expondo o histórico do rápido crescimento 
urbano no país, citando o êxodo rural, mencionando também o 
caso de Brasília e as cidades-satélites. Seguindo para o tópico que 
tratará sobre o processo gradativo de ações para a criação do 
Estatuto da Cidade. 
66 
 
Posteriormente, abordaremos o caso de Francisco Beltrão, 
Paraná. No qual será manifestado sugestões que possivelmente 
beneficiarão uma maior parcela da população, incluindo famílias 
de classe social que hoje muitas vezes estão excluídas 
politicamente e desfavorecidas socialmente. Além disto, buscar-
se-á demostrar a influência exercida pela especulação imobiliária 
frente, a questão dos divisores topográficos, da preservação 
ambiental e do avanço da expansão urbana horizontal. 
 
Compreendendo Melhor a Proposta 
Este trabalho tem como principal objetivo analisar a 
discussão sobre a Reforma Urbana e, a partir dela tecer algumas 
propostas, no sentido de, alcançar uma pequena Reforma Urbana 
em Francisco Beltrão, Paraná. Ajustando e aperfeiçoando 
determinados serviços e sistemas, estes, essenciais para a 
população e para o desenvolvimento local e regional. 
Para alcançarmos o objetivo principal, elencamos alguns 
objetivos específicos, a) propor uma cidade para todos de maneira 
justa, equilibrada e mais igualitária; b) recuperação de áreas em 
desuso para fins sociais e comunitários; c) implantação do IPTU 
progressivo para amenizar a segregação social, a especulação 
imobiliária e a expansão horizontal desordenada; d) 
67 
 
reaperfeiçoamento de espaços e serviços públicos, tais como: 
infraestruturas básicas, praças, passeios, etc.; 
O referido trabalho se justifica pelo fato de não haver 
neste município aplicações que abranjam estas ordens. E por 
encontrarmos desequilíbrios sócios espaciais, segregação social e, 
uma porção de negligências na gestão de alguns bairros. 
 
Sobre o Crescimento Urbano Acelerado 
O êxodo rural ocorrido no Brasil, sobretudo, entre as 
décadas de 1950 e 1980, fez com que milhares de trabalhadores 
rurais e pequenos proprietários rurais (expropriados) migrassem 
para as cidades, atraídos por novas fontes de trabalhos, ofertas de 
emprego, muitas em grandes indústrias da época, modelos de vida 
urbano-industrial, ou seja, nosso país deixava de ser agrário-
exportador para se tornar urbano-industrial. 
 
[...] nosso processo de urbanização elevou 
drasticamente a demanda por empregos, moradia e 
serviços públicos nas áreas urbanas, que já 
abrigam quatro em cada cinco brasileiros. A partir 
da crise mundial de 1929, que alcançou o ciclo do 
café paulista e empurrou grandes contingentes de 
desempregados em direção às cidades, passando 
pelos efeitos da 2ª Guerra Mundial no estímulo à 
produção fabril, até o final da década de 70 do 
século XX, caracterizada por grandes 
investimentos públicos em infra-estrutura de 
transportes e comunicações, o Brasil foi marcado 
por um processo de concentração progressiva e 
68 
 
acentuada da população em núcleos urbanos 
(CHAFFUN, 1996 Apud BASSUL, 2002). 
 
Tamanha movimentação de pessoas resultou na expansão 
urbana desordenada, que transformou as cidades muito 
rapidamente e assim, trouxe consigo inúmeras patologias. Que se 
apresentam até a atualidade, algumas delas ligadas a deficiência 
na mobilidade urbana, incompatibilidade das infraestruturas 
municipais com o número de habitantes, isso quando há alguma 
rede de saneamento básico, energético, drenagem urbana, 
distribuição de água potável, sistema viário, gestão de resíduos 
sólidos e meios de comunicação, além da falta de espaços 
públicos bem planejados que atendam a população, dentre outros 
serviços à sociedade. 
Requisitos essenciais para preservar a saúde, mantendo a 
população saudável e controlar a expansão territorial. Bem como 
observou Ferreira (2005): 
 
A insalubridade, as epidemias, decorrentes da 
ausência de infraestrutura, como por exemplo o 
saneamento básico, a violência, aalta densidade 
urbana, eram marcas de uma parte da cidade, e já 
mostravam a tônica do que viria a ser a cidade 
brasileira do século XX (FERREIRA, 2005, p.5). 
 
Em alguns casos, a migração foi tão densa que originou 
novas cidades, como no caso da Capital Federal, Brasília é uma 
das poucas cidades brasileiras que nasceu com um planejamento 
69 
 
urbano bem definido, atraindo ainda mais emigrantes, talvez por 
isso, tenha como consequência as chamadas “cidades-satélites”, 
sendo elas também chamadas em sua fase embrionária de 
“cidades dormitório”, as quais não tinham autonomia política, 
criadas inicialmente com o objetivo básico de acolher os cidadãos 
que apenas trabalhavam em Brasília, elas contam ainda com 
serviços básicos do ramo da saúde, educação, comércios locais e 
espaços de lazer. 
 
Estatuto da Cidade 
A luta para que o poder público e político voltassem sua 
atenção ao meio urbano, aconteceu em várias etapas. Inicialmente 
não ocorreu de maneira fácil, nada tão simples. 
Uma primeira discussão ocorreu em 1963, no Congresso 
Nacional de Arquitetura e Urbanismo, realizado no Hotel 
Quitandinha em Petrópolis, Rio de Janeiro. Neste Congresso, 
uniram-se Urbanistas, Geógrafos, Economistas, Servidores 
Sociais, dentre outras categorias e produziu-se um primeiro 
esboço do que seria a Reforma Urbana. Esse era um tempo de 
efervescência em nosso país, um momento que se pensava na 
possibilidade concreta da realização das mais variadas 
“Reformas”, como a Reforma Social, Sanitária, Econômica, 
Política, Agrária, Urbana, dentre outras. Porém, em abril de 1964 
70 
 
veio à tona o Golpe Civil Militar no Brasil, o que por sua vez, 
revogou com qualquer possibilidade de realização de Reformas. 
O Movimento Nacional pela reforma urbana fortaleceu-se, 
somente, na década de 1980, com organizações de movimentos 
sociais voltados às melhorias urbanas, à função social da 
propriedade e ao direito a cidade. Na construção da Constituição 
de 1988, foi solicitado à implementação de medidas desta ordem. 
Incluindo, portanto, na Constituição Federal, os artigos n
o
 182 e 
n
o
 183 no Capítulo de Política Urbana. Em 10 de Julho de 2001 
estes artigos da Constituição Federal, foram aprovados no 
Congresso, a partir da lei 10.257/2001, cuja denominação ficou 
conhecida como Estatuto da Cidade. 
Aprovado após doze anos de tramitação no Congresso 
Nacional, o Estatuto da Cidade traz para a sociedade em geral e 
para gestores municipais uma gama de instrumentos urbanísticos 
que, na realidade, procuram concretizar o “direito à cidade”. 
Como informado na própria lei, busca-se materializar o “direito à 
terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura 
urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao 
lazer, para as presentes e futuras gerações” (Brasil, 2001). 
Não se pode deixar de mencionar que o Estatuto da 
Cidade, traz a obrigatoriedade para municípios acima de 20 mil 
habitantes, da realização e implantação de Planos Diretores 
71 
 
Participativos, neste devem estar presentes os vários instrumentos 
urbanísticos do Estatuto da Cidade. 
 
A Materialização da Reforma Urbana em Francisco Beltrão, 
PR: uma proposta! 
Baseando-se em instruções legais, ou seja, fundamentos 
do Estatuto da Cidade, buscar-se-á soluções viáveis para executar 
um plano de Reforma Urbana em Francisco Beltrão, PR, que nada 
mais é do que uma política de planejamento e gestão social, com 
objetivos de democratizar o direito à cidade. 
Tornando assim o munícipio com maior homogeneidade 
social. Distribuindo benefícios de maneira justa a todos os 
extratos sociais. 
Através destas políticas fundamentais, dispor-se-á a cidade 
de maneira mais organizada, afinal, terrenos vazios (que não 
estejam cumprindo uma função social da propriedade, em áreas 
servidas de boa infraestrutura urbana) terão utilidades de modo a 
oferecer cidadania, lazer, educação e cultura, somando-se a estas 
dimensões, outras de fundamentais importâncias à população, tais 
como, segurança, acessibilidade e conforto. 
Ou ainda, concentrar a expansão populacional em áreas 
onde já há toda infraestrutura essencial instalada, impedindo o 
crescimento horizontal desordenado e ainda mais distante de 
72 
 
pontos centrais. Também, na tentativa de instruir o trafego de 
veículos, mercadorias e produtos, evitando grandes e caóticos 
deslocamentos. 
Consequentemente, uma boa parte do meio ambiente local 
será poupado, principalmente os divisores topográficos, no caso, 
os “topos” de morros que cercam a cidade, onde atualmente 
observa-se cortes e intervenções que os degradam, com o intuito 
de expandir a cidade formando novos loteamentos, o que por sua 
vez, traz a tona o agravamento das enchentes na área urbana de 
Francisco Beltrão. 
Diante disso, a seguir referenciar-se-á tópicos de medidas 
urbanísticas iniciais, para desenvolver a proposta de maneira mais 
organizada. 
 
a) Propor uma cidade para todos de maneira mais justa, 
equilibrada e igualitária: 
Observa-se que em vários bairros desta cidade, a situação 
social e de infraestrutura é precária. Escassez de serviços básicos, 
como rede de esgoto sanitário atinge um relevante número de 
moradores em bairros periféricos ao centro, em diagnóstico 
realizado in loco, constou-se que no caso da Cidade Norte, onde 
os bairros iniciaram sua formação por volta da década de 80 – 
segundo informação verbal de funcionários da secretaria de 
73 
 
urbanismo do município, apenas no início de 2015 iniciaram-se as 
obras de implantação da tubulação para coleta de esgoto. Estima-
se que a conclusão geral da obra será de 600 dias, iniciada em 
30/09/2014 até 22/05/2016. Podendo ser prorrogado conforme 
tramitação legal jurídica. Além de parte de domicílios em bairros 
como: São Miguel, Novo Mundo, São Francisco e São Cristóvão. 
74 
 
 
Figura 1: À esquerda mapa da cidade com numerações (1-3) e linhas de chamadas com nome dos bairros. 
75 
 
À direita, quadro explicativo das numerações. 
Fonte: SANEPAR, 2014. Org.: MOURA, C. O. 2015. 
76 
 
Índices de violência, segundo noticiários locais, são mais 
comuns nas periferias, locais estes onde se concentra alta 
densidade populacional de baixa renda, e menor nível de 
escolaridade. Para estes, sobretudo, para o bairro Padre Ulrico, 
defende-se a reivindicação da população, ou seja, a implantação 
de uma “base física” da Polícia Militar e uma maior integração 
desta com a comunidade local. 
Objetivando uma cidade para todos de maneira mais justa 
na distribuição de recursos, serviços, benefícios, 
acompanhamentos e manutenção de tais em todo o território 
municipal, equilibrando assim uma melhor condição de vida a 
todos os munícipes, com segurança e dignidade. 
 
b) Recuperação de áreas em desuso para fins sociais e 
comunitários: 
Ao se percorrer a área urbana de Francisco Beltrão, pode-
se encontrar uma infinidade de terrenos em ociosos (se valendo da 
especulação imobiliária), portanto, terrenos que não cumprem 
uma função social da propriedade urbana, principalmente no 
centro principal e bairros vizinhos, alguns apresentam vegetações 
densas, características gerais que dão a impressão de abandono já 
há vários anos. 
77 
 
 
Figura 2: À esquerda, terreno baldio R. Florianópolis B. Centro. À direita, 
terreno baldio R. Palmas B. Nossa Senhora Aparecida. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
 
Figura 3: À esquerda, terrenos baldios R. Giocondo Felipe B. Vila Nova. À 
direita, terrenos baldios R. Niterói B. Nossa. Senhora. Aparecida. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
Dentro da lei (Estatuto da Cidade) espaços ociosos com 
estes atributos, que não cumprem uma função social da 
propriedade urbana, e estejam localizados em áreas dotadas de 
boa infraestrutura urbana, devem seguir determinadas ordens: 
 Edificação/Parcelamento compulsório – Obriga o 
proprietário a edificarou parcelar o terreno, enfim 
utilizar a área (dar uma função social a propriedade); 
 IPTU progressivo no tempo – O proprietário do 
terreno subutilizado será notificado, caso não cumpra o 
78 
 
que está estabelecido no Plano Diretor, o poder 
municipal pode aplicar um aumento da alíquota do 
IPTU, até no máximo de 15% do valor do imóvel. Após 
cinco anos de cobrança do IPTU progressivo (se o 
proprietário não der uma função social à propriedade), 
o município irá desapropriar o local, pagando ao 
proprietário o valor venal da propriedade (e não o valor 
de mercado) com títulos da dívida pública resgatáveis 
em dez anos. 
 
Diante da desapropriação, propõem-se a instalação de artifícios 
voltados à interação e desenvolvimento social, dentro das áreas 
culturais, esportivas, recreativas, capacitação, e educação, visto que no 
próprio município há bons exemplos, vejamos as imagens abaixo, ou 
ainda locais de produção orgânica, como por exemplo, hortas urbanas 
comunitárias. 
 
 
Figura 4: Fotografias do Parque Marrecas no bairro Alvorada. Com pista de 
caminhada, áreas para descanso, contemplação e espaço para prática de esporte 
ao ar livre. Desenvolvendo recreações e interação social. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
79 
 
 
 
Figura 5: À esquerda, pista de atletismo e campo de futebol no bairro São 
Cristóvão. À direita, pista de skate, em frente ao campo e a pista de atletismo 
no bairro São Cristóvão. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
 
 
 
Figura 6: Imagens de uma praça bem estruturada no município, localizada no 
bairro Vila Nova, acima, playground; centralizada, observa-se a arborização, 
postes de iluminação e pavimentação adequada; abaixo, espaço para prática de 
esportes ao ar livre, no caso, uma tabela e cesta de basquete, além da caixa de 
areia para divertimento infantil. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
80 
 
Além desses bons exemplos que já se demonstraram 
possíveis de se implantar na cidade, podemos somar como 
proposta mais inovadora, as hortas urbanas comunitárias, onde 
nada mais são que, espaços organizados como canteiros de 
legumes, hortaliças e verduras, criados pela própria população 
daquela área, que preparará a terra com adubação, covas, 
irrigação, semeadura, e cultivará estes alimentos, para o consumo 
coletivo. Visto que o Governo Federal incentiva com recursos 
financeiros à criação destas hortas, como é o caso do município 
de Maringá, no Paraná. 
 
 
Figura 7: À esquerda publicação no site da prefeitura de Maringá, divulgando 
a fotografia de uma horta comunitária periurbana e a contemplação de R$2 
milhões de vindos do Governo Federal para o programa das hortas 
comunitárias. À direita, fotografia de uma horta urbana em São Paulo, 
organizada pela ONG “Cidade Sem Fome”. 
Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/sustentavel/indicacao/ong-cidades-
sem-fome-desenvolve-projetos-de-hortas-urbanas-em-sao-paulo/ São Paulo, 
2014. 
 
81 
 
c) Implantação do IPTU progressivo para amenizar a segregação 
social, a especulação imobiliária e a expansão horizontal 
desordenada: 
Como já citado no tópico anterior, referente ao IPTU 
progressivo, Raquel Rolnik (2001), apenas reforça que: 
 
[...] áreas vazias ou subutilizadas situadas em áreas 
dotadas de infraestrutura estão sujeitas ao 
pagamento de IPTU progressivo no tempo e a 
edificação e parcelamento compulsórios, de acordo 
com a destinação prevista para a região pelo Plano 
Diretor. A adoção deste instrumento pode 
representar uma luz no fim do túnel para as 
cidades que em vão tentam enfrentar a expansão 
horizontal ilimitada, avançando vorazmente sobre 
áreas frágeis ou de preservação ambiental, que 
caracterizam nosso urbanismo selvagem e de alto 
risco (ROLNIK, 2001, p.01). 
 
O IPTU progressivo obriga os proprietários de terrenos a 
utilizá-los, mais do que isto, impede o avanço da especulação 
imobiliária, tornando a cidade mais adensada verticalmente e 
espaços com valores (teoricamente) mais acessíveis. 
 
d) Reaperfeiçoamento de espaços e serviços públicos, tais 
como: infraestruturas básicas, praças, passeios, etc. 
Juntamente com o que já fora exposto sobre a 
precariedade de determinadas áreas da cidade, tem-se ainda outros 
pontos que merecem atenção. São praças, passeios/calçadas, 
82 
 
Academias da Terceira Idade (ATI), campos de futebol, pistas de 
skate e atletismo, ginásios de esportes, centros comunitários, 
dentre outros. 
Observa-se que na grande maioria dos bairros, pelo menos 
cinco destes itens anteriores, constam – praças, passeios, ATI, 
campos e centro comunitários. Porém não basta apenas implantá-
los, é necessário acompanhamento, manutenção e agora, 
recuperação de certos pontos, onde não há pavimentação 
adequada tanto em calçadas quanto em praças, onde nem se quer 
há iluminação suficiente. 
 
 
 
 
83 
 
Figura 8: À esquerda: ATI bairro São Cristóvão – escassez de iluminação 
pública e, à direita: Rua Ardelino Martini esquina com a Rua Francisco 
Comunello, bairro Sadia – sem acessibilidade adequada à calçada. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
 
Figura 9: Rua Ardelino Martini, bairro Sadia – mal estado de calçada em outro 
trecho, à esquerda e, à direita verifica-se o mal estado da pavimentação 
asfáltica. 
Fonte: MOURA, C. O. 2014. 
 
Considerações Finais 
Para conquistarmos uma sociedade fraterna, integrada, 
saudável e rica, precisamos atentar fielmente ao trabalho com 
seriedade, objetivando o progresso de maneira justa e ampla. Sem 
exclusões populacionais. 
É necessário sensibilização e transparência política dos 
poderes governantes. 
É fundamental a voz do povo (participação popular), 
cobrando e exigindo a aplicação da lei. Conhecer nossos direitos e 
usufruir deles. E, nisso os urbanistas, geógrafos, sociólogos, 
economistas, advogados, dentre outros profissionais teriam um 
papel imprescindível, de tornar a legislação urbanística e social 
84 
 
clara ao senso comum como um todo e, estes profissionais ao lado 
da população tem o dever de exigir e fiscalizar a aplicação da lei e 
da elaboração de planos diretores participativos. 
Considerando todo o exposto e visando melhorias, 
propomos que além das manutenções necessárias as áreas 
precárias, os espaços subutilizados podem receber estruturação 
para o desenvolvimento de hortas comunitárias, pavilhões para 
prática de esportes olímpicos, muitos ainda desconhecidos aqui, 
como esgrima, tiro com arco, etc., espaços públicos 
aconchegantes para prática de meditação, yoga, leitura ao ar livre, 
convívio, etc., pracinhas com diferenciais especiais, como: 
playground às crianças, atrativo aos jovens, assentos e 
estruturação aos adultos, segurança e acessibilidade aos idosos. 
Dentre infinitas outras intervenções (sempre levando em conta a 
cultura local), que além de embelezar a cidade proporcionam bem 
estar e qualidade de vida a todos. 
 
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(Santiago), Santiago, v. 28, n. 84, sept. 2002. Disponível em: 
. Acesso em 10 de Outubro de 2014. 
BRASIL. Lei Nº 257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade). Diário 
Oficial da União, Seção I (Atos do Poder Legislativo). Edição Nº 133, de 
11/7/2001. Brasília, 2001. 
85 
 
FERREIRA, J. S. W. A cidade para poucos: breve história da propriedade 
urbana no Brasil, “Interfaces das representações urbanas em tempos de 
globalização”, UNESP Bauru e SESC Bauru, 21 a 26 de agosto de 2005. 
MARICATO, E. 2013, O direito à cidade depende da democratização do 
uso e a ocupação do solo, Rede Mobilizadores COEP. (Entrevista). Disponível 
em: . Acesso em 22 de Outubro de 
2014. 
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R$ 2 milhões do Governo Federal. Disponível em: 
 Acesso em 30 de Maio de 2015. 
ROLNIK, R. Estatuto da Cidade - instrumento para as cidades que 
sonham crescer com justiça e beleza, 2001. Disponível em: 
. Acesso em 22 de Outubro de 
2014. 
REDAÇÃO CATRACA LIVRE, 2014. ONG Cidade Sem Fome desenvolve 
projetos de hortas urbanas em SP. Disponível em: 
 Acesso em 30 de 
Maio de 2015. 
SOUZA, M. L. de, ABC do desenvolvimento urbano. Rio de Janeiro: 
Bertrand Brasil, 2003. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
86 
 
 
 
CAPÍTULO 5 
 
INTERVENÇÕES URBANÍSTICAS PARA A SOLUÇÃO 
DAS ENCHENTES NA CIDADE DE CHOPINZINHO – PR 
 
Edson Ricardo Poletto 
Marcelo Somavila 
Adriana Kunen 
 
Introdução 
Com o aumento populacional nos espaços urbanos, muitas 
vezes desordenados, em regiões com pouca análise e planejamento, 
fazendo com que alguns fatores influenciam diretamente na qualidade 
de vida dos usuários nesses espaços urbanos, as enchentes causadas por 
falta de permeabilidade do solo, chuvas intensas, pouco afastamento da 
urbanização dos leitos dos rios que cruzam as cidades, lixo obstruindo o 
deslocamento do rio, entre outros fatores. 
A cidade abordada para análise é Chopinzinho, localizada no 
sudoeste do estado do Paraná com aproximadamente 19.752 habitantes 
(IPARDES, 2013), clima subtropical semiúmido e índice pluviométrico 
anual que varia de 1400 a 1800 milímetros, vem enfrentando em épocas 
de chuvas intensas, problemas de enchentes em pontos específicos no 
87 
 
espaço urbano, causando sérios danos ambientais e socioeconômicos à 
população. 
Este artigo apresentará dados, históricos nacionais e municipais, 
análises e intervenções para minimização do problema gerado pelas 
enchentes. Para contemplação destes dados foram coletadas 
informações de fontes bibliográficas referentes à temática abordada, 
também algumas entrevistas junto a Prefeitura Municipal de 
Chopinzinho, mais especificamente na Secretaria de Agricultura e Meio 
Ambiente. 
O objetivo principal deste trabalho foi desenvolver e levantar 
informações referentes à problemas e consequências geradas pelas 
enchentes, para alcançarmos nosso objetivo principal, elencamos alguns 
objetivos específicos, a) levantamentos de bibliografias, dados e 
históricos referente a enchentes; b) estudos relativos aos pontos 
específicos da cidade de Chopinzinho com problemas de enchentes; c) 
análise das intervenções para a minimização dos problemas gerados 
pelas enchentes. 
Esse trabalho se justifica pela falta de estudos relacionados ao 
tema, sobretudo em se tratando da cidade abordada. 
 
Histórico de enchentes, inundações e alagamentos 
O processo de urbanização brasileira, fez com que muitas 
famílias deixassem a zona rural para morar nas cidades, o chamado 
êxodo rural provocou uma grande aglomeração de pessoas, atraídas por 
expectativas de melhores condições de vida. 
88 
 
Com o desenvolvimento urbano, ocorre a impermeabilização do 
solo através de telhados, ruas, calçadas e pátios, entre outros. Dessa 
forma, a parcela da água que infiltrava passa a escoar pelos condutos, 
aumentando o escoamento superficial. O volume que escoava 
lentamente pela superfície do solo e ficava retido pelas plantas, com a 
urbanização, passa a escoar no canal, exigindo maior capacidade de 
escoamento das seções. 
Partindo do princípio natural, quando há ocorrência de chuvas 
intensas, o leito de um rio ou córrego recebe uma quantidade muito 
grande de água e não tem a capacidade de suportá-la, acaba 
transbordando e causando as inundações. Esse processo é natural e todo 
rio precisa ter uma área chamada de “área de inundação” para a qual a 
água irá escoar. 
Como não há um controle e nem uma fiscalização, um dos 
grandes problemas que causam as enchentes, inundações e alagamentos 
nas cidades, são a ocupação desordenada dessas áreas ribeirinhas, 
fazendo com que em épocas de chuvas, essas casas que estão muito 
próximas dos rios sejam invadidas pelas águas. 
Conforme a ilustração da Figura 1 abaixo se pode identificar a 
diferença entre enchente, inundação e alagamento. 
89 
 
 
Figura 1: Ilustração da diferença entre enchente, inundação e alagamento. 
Fonte: Defesa Civil de São Bernardo do Campo, SP. 
 
Outro fator muito importante, no que diz respeito às 
inundações, é que junto com a grande urbanização que começou a 
ocorrer depois da revolução industrial, em sua maior parte o processo 
foi feito sem nenhum tipo de planejamento, não pensando no 
dimensionamento de galerias pluviais e principalmente na grande área 
de impermeabilização do solo que nos grandes centros é uma das 
principais causas das enchentes, aliada ao grande acumulo de lixo que 
se concentra trancando as galerias, não deixando a água escoar. 
Um dos primeiros casos de enchentes registrados no Brasil é 
datado de 1855, o fato foi registrado através de uma carta de Bruno Otto 
Blumenau, fundador da colônia onde hoje é a cidade de Blumenau-SC, 
no documento ele relata que em menos de 36 horas o Rio Itajaí-Açu 
subiu algo em torno de 15 metros do seu leito normal. (RIBEIRO, 
2014). 
90 
 
No ano de 1941 ocorre uma das maiores enchentes da cidade de 
Porto Alegre/RS (Figura 2), o lago Guaíba alcançou a cota de 4,75 
metros, entre os meses de abril e maio, somando 791mm, deixando 70 
mil pessoas desabrigadas. (RIBEIRO, 2014). 
 
 
Figura 2: Enchente de Porto Alegre-RS, 1941. 
Fonte: Acervo do Museu Joaquim José Felizardo. 
 
Com o passar dos anos os casos de enchentes foram se tornando 
mais frequentes, a região Sudeste é uma das mais afetadas por este 
fenômeno, pois ali concentram-se os principais estados que tiveram sua 
urbanização acelerada e desorganizada, São Paulo e Rio de Janeiro, 
além do estado de Minas Gerais (Figura 3) e, também o Espírito Santo 
têm um histórico muito grande de enchentes. (RIBEIRO, 2014). 
 
91 
 
 
Figura 03: Enchente de Ipatinga, localizada no Vale do Aço-MG, 1979. 
Fonte: Acervo do historiador José Augusto Moraes. 
 
Segundo Ribeiro (2014), em 2009 o estado do Amazonas 
(Figura 4) teve 40 dos 62 municípios em estado de calamidade pública. 
As fortes chuvas atingiram uma enorme região entre os estados do 
Norte e Nordeste do País deixando 186 mil pessoas desabrigadas. 
 
Figura 4: Enchente de Trizidela do Vale-MA tem quase 90% da população 
atingida, 2009. 
Fonte: Acervo de Antônio Cruz/ABr. 
 
92 
 
Como não poderia ser diferente o estado do Paraná também 
entra nas estatísticas com problemas relacionados às enchentes, 
municípios como Francisco Beltrão (Figura 5) que nos últimos anos tem 
sofrido com várias catástrofes, destruindo várias casas e trazendo 
prejuízos para as famílias e para a administração pública. 
 
 
Figura 5: Enchente de Francisco Beltrão-PR, 2014. O rio Marrecas chegou a 
5,9 metros acima do nível normal. 
Fonte: Leandro Czemiaski/Imprensa Prefeitura Municipal de Francisco 
Beltrão. 
 
No município de Chopinzinho (Figura 6 e 7), objeto de estudo 
deste trabalho, os anos de 2013 e 2014 foram um marco negativo na 
história, pois registrou-se várias enchentes em diferentes pontos da 
cidade. 
 
93 
 
 
Figura 6: Enchente de Chopinzinho-PR, junho 2014. Mais de 30 famílias 
desabrigadas. 
Fonte: Francione Pruch/RBJ Chopinzinho. 
 
 
Figura 7: Enchente de Chopinzinho-PR, junho 2014. 
Fonte: Francione Pruch/RBJ Chopinzinho. 
94 
 
 
O município conta com cerca de 20 mil habitantes, destes 
12.508 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 
2014) moram na área urbana. Ao longo dos últimos 30 anos a 
população aumentou muito na área urbana, acompanhando o que 
aconteceu em nível nacional,a desenfreada e desordenada ocupação por 
parte principalmente da população mais carente, que procurou locais pra 
se instalarem irregularmente próximas aos leitos dos rios, ajudou a 
provocar os prejuízos a elas mesmas, pois com o acúmulo de água suas 
residências são invadidas e acabam por perderem seus bens. 
 
Caracterização da área de estudo 
 
Localização no estado e limites 
O Município de Chopinzinho está situado na Mesorregião 
Sudoeste Paranaense, que está localizada no Terceiro Planalto 
Paranaense. A Mesorregião Sudoeste faz fronteira a oeste com a 
Argentina, através da foz do rio Iguaçu e ao sul com o Estado de Santa 
Catarina. Possui como principal divisa ao norte o rio Iguaçu. 
O município (Figura 8) faz limite com oito municípios, nas 
seguintes direções: Coronel Vivida ao Sul, Mangueirinha, Foz do 
Jordão à Leste, Candói, Porto Barreiro, Saudade do Iguaçu e Rio Bonito 
do Iguaçu ao Norte e Sulina e São João à Oeste. 
95 
 
 
Figura 8: A esquerda visualizamos a Localização do Município no Estado e a 
Direita visualizamos os Limites do Município de Chopinzinho 
Fonte: Wikipedia, 2013; Base Cartográfica da SEMA, 2013. 
 
Clima 
O clima predominante na região é o clima subtropical 
semiúmido. Apresenta verões quentes e, geadas pouco frequentes, as 
quais costumam ocorrer, quase sempre após os dias de chuva, devido ao 
vento sul, com ar frio da frente polar. Temperatura Média 19° Celsius. 
A temperatura máxima registrada até o presente momento foi de 38º 
Celsius e a mínima de 2º Celsius. (IAPAR, 2012). 
No que se refere à precipitação, o índice pluviométrico anual 
varia de 1400 a 1800 milímetros, com boa distribuição durante o ano 
todo, sendo que os meses de maior precipitação para a região são: 
março, abril e maio. O vento predominante é o da direção nordeste. 
Estes dados historicamente comprovados por medições feitas 
diariamente, são de extrema importância, para qualquer 
dimensionamento que se venha a fazer para as tubulações de galerias 
pluviais, porém, ultimamente o índice de precipitação em curto espaço 
de tempo é muito alto, aumentando repentinamente o volume de água, 
como o dimensionamento, muitas vezes antigo, das galerias pluviais, 
96 
 
não suportam a quantidade de água e com a ajuda do lixo que se 
acumulam, causam o entupimento de bueiros contribuindo com as 
enchentes e inundações. 
 
Relevo 
O relevo apresenta a cota máxima de 919 metros no extremo 
sudeste do território, junto à divisa com o município de Mangueirinha. 
A cota mais baixa está na barra do rio Luciano com o Iguaçu, no 
extremo nordeste do município, com cotas em torno de 500 metros. O 
relevo municipal é fortemente ondulado, com desníveis de até 200 
metros ao longo dos vales escavados nos derrames de basalto. (Plano 
Diretor Chopinzinho, 2007). 
No que se refere ao relevo dos rios que atravessam a área 
urbana do município, deve ser levado em consideração o fraco desnível 
que os rios apresentam, facilitando assim o acúmulo de lixo pela fraca 
vazão que possui. 
 
Hidrografia 
O município de Chopinzinho apresenta em seu território quinze 
bacias hidrográficas, sendo elas compreendidas, bacia do córrego São 
Pedro, bacia do rio Mirim, bacia do rio Capivara, bacia do rio Fartura, 
bacia do rio Pedrosa (onde se encontra o corpo do manancial de 
abastecimento público), bacia do lajeado Grande, bacia do rio Campina, 
bacia do rio Chopinzinho, sendo essa bacia a de maior extensão 
territorial, bacia do córrego Água Branca, bacia do rio Bugre, bacia do 
97 
 
rio Barra Grande, bacia do Rio Iguaçu, bacia do Rio Luciano, bacia do 
Rio Palmeirinha e bacia do Rio Lajeado Grande dos Índios. 
 
Histórico de alagamentos na cidade de Chopinzinho-PR 
Conforme informações da secretaria de Agricultura e Meio 
Ambiente da Prefeitura Municipal de Chopinzinho constatou-se que 
uma das primeiras enchentes que se tem registro na área urbana é datada 
da década de 1980, mais precisamente no ano de 1982, onde o leito do 
Rio Pedrosa transbordou e a água invadiu 5 casas que na época tinham 
sido construídas muito próximas ao leito natural do rio, não respeitando 
o seu leito maior. 
Da década de 1980 aos dias atuais a cidade cresceu, como 
consequência desse crescimento a urbanização acompanhou o ritmo 
acelerado pela busca de moradia, as pessoas continuaram construindo 
suas casas próximas ao leito dos rios e pela falta de fiscalização 
acabaram por serem regularizadas nestes locais. 
Porém a bacia hidrográfica do Rio Pedrosa, principal Rio que 
do meio urbano do município tem pouca vazão em virtude de sua 
declividade muito baixa, por consequência disso quando há ocorrência 
de chuvas intensas o rio transborda, agravando ainda mais a situação 
das famílias. 
O manancial de captação de água no Município de Chopinzinho 
está incluso na Bacia Hidrográfica do Rio Pedrosa (Figura 9), onde a 
captação de água da Sanepar é realizada ao final da formação da bacia. 
98 
 
A figura 09 mostra a bacia do Rio Pedrosa desde a nascente até a 
captação da água pela SANEPAR. 
 
 
Figura 9: Visualização da Bacia de Captação do Rio Pedrosa levantada no 
Programa Track Maker. 
Fonte: Prefeitura Municipal – Departamento de Meio Ambiente, 2013. 
 
Observando a figura, e ainda de acordo com informações da 
mesma secretaria da prefeitura, notamos que a nascente do Rio Pedrosa 
fica em torno de 15km da estação de captação de água, na localidade de 
Linha Santo Antônio. Situa-se no divisor de águas com o município de 
Coronel Vivida. 
Ao longo do seu percurso o Rio Pedrosa vai recebendo 
ramificações de rios menores, sangas e córregos. Um ponto muito 
99 
 
importante no que diz respeito ás enchentes causadas na área urbana, 
são a conservação do solo nesta área da bacia com cerca de 2.374,17 
hectares ou 23,74 Km². (KURPEL, 2013). 
Considerando o uso do solo, destaca-se a maior parte do 
parcelamento, usado por agriculturas temporárias (soja, milho, trigo, 
etc), demais áreas usadas para criação de animais, como bovinos de 
leite e de corte. O percentual de cada uso do solo não tem levantamento, 
sendo que nas áreas de preservação permanente tem um múltiplo-uso, 
agricultura temporária e pastagens. (KURPEL, 2013). 
Contribuições para erosão e assoreamento do leito do rio são 
evidentes devido a má pratica empregada na cobertura de solo, em 
determinadas regiões da bacia, potencializando o problema devido o 
rebaixamento de murundus em lavouras. Causa essa vista, em 
problemas relacionadas as enchentes já ocorridas. 
A figura 10 a seguir nos mostra os principais pontos de 
alagamentos na cidade de Chopinzinho – PR, estes locais 
principalmente no ano de 2013 e 2014 sofreram com enchentes. 
100 
 
 
Figura 10: Pontos de alagamentos na área urbana de Chopinzinho. 
Fonte: Prefeitura Municipal de Chopinzinho: Editado pelo autor 
 
Ao observarmos o mapa acima verificamos que os pontos de 
alagamentos são isolados, isso se deve muito pelo fato de nesses pontos 
não ter sido respeitado as margens dos rios, onde a população acabou 
construindo sem projetos e a época não existia fiscalização para coibir 
tais construções. 
Mais um fato que chama a atenção para a contribuição das 
enchentes diz respeito à canalização das águas pluviais que 
praticamente em sua totalidade são lançadas diretamente nos rios 
aumentando significativamente o volume de água em épocas de chuvas 
intensas. 
Aliado a isso, ainda temos a grande quantidade de lixo que se 
acumula ao longo do percurso dos rios muito devido aos cursos d‟agua 
serem meandrados, isto é, o rio procura seu equilíbrio dinâmico, se 
101 
 
tornando cheio de curvas, possibilitando mais facilmente o acumulo de 
sedimentos, facilitando às enchentes. 
 
Intervenções para minimização do problema de enchentes e 
alagamentos na área urbana no município de Chopinzinho-PR 
 
No início do ano de 2013, fortes chuvas, típicas desta épocado 
ano, porém com maior intensidade, castigaram toda a região, e em 
Chopinzinho não foi diferente, um grande volume de água atingiu a 
cidade, cerca de 140 mm em quatro horas. Como a superfície está 
bastante impermeabilizada, o escoamento superficial aumenta e 
consequentemente o leito natural e o leito maior do rio acabam por 
transbordar causando catástrofes naturais. 
Muitas destas catástrofes poderiam ser evitadas, se no decorrer 
dos anos medidas contingentes tivessem sido tomadas, no caso 
específico respeitar os limites de ocupação nas áreas de APP‟s (Área de 
Preservação Permanente), acúmulo de lixo no leito dos rios entre outros. 
No ano de 2013, no sentido de minimizar os impactos causados 
pelas chuvas torrenciais, o município de Chopinzinho, através da 
Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente desenvolveu um estudo de 
levantamento de dados sobre as principais causas de alagamentos. Com 
o estudo viabilizou algumas medidas, juntamente com órgãos federais e 
estaduais, no sentido de poder resolver os problemas causados pelas 
fortes chuvas que castigaram as cidades em dois períodos: início de 
janeiro de 2013 e no mês de julho de 2014. 
102 
 
 
Desassoreamento e limpeza dos rios 
O desassoreamento de um rio nada mais é do que a retirada de 
terra do fundo dos rios para que a água tenha mais espaço para o 
escoamento pelo seu leito natural, esse trabalho é feito em muitas 
regiões para que se evite transbordamentos em épocas de precipitações 
pluviométricas de grandes intensidades que possam vir a trazer 
prejuízos aos cidadãos, tanto social quanto economicamente. 
O principal trabalho da administração pública de Chopinzinho 
no que diz respeito aos alagamentos ocorridos no município, está ligada 
à limpeza da calha dos rios que naturalmente atravessam a cidade. 
Esses problemas começam bem longe da área urbana, no início 
da bacia do Rio Pedrosa o mesmo vai recebendo, ao longo de seu 
percurso, vários corpos estranhos, por vários motivos, sejam eles de 
causas naturais ou por intervenções humanas. Em entrevista junto a 
Prefeitura, constatamos que na última atividade feita para a limpeza da 
calha dos rios, inúmeros foram os objetos encontrados e retirados, tais 
como: pneus, plásticos, galhos de árvore, carcaça de automóveis e 
muitos outros. 
O assoreamento, advindo da má conservação do solo agrícola 
ao longo do rio, a falta de Áreas de Preservação Permanentes que 
ajudam a conter a terra que pode chegar ao leito através de enxurradas, 
o próprio lixo acumulado ao longo do percurso, são fatores que ajudam 
e muito no aumento das águas na calha natural dos rios propiciando 
103 
 
assim, que em fortes chuvas, as águas desviem o seu percurso invadindo 
espaços públicos e particulares trazendo prejuízos consideráveis. 
Juntamente com o desassoreamento e limpeza dos rios, será 
feita intervenções no sentido de alargamento da calha natural dos rios, 
nos pontos que mais sofrem em épocas de enchentes. Esse alargamento 
consiste numa espécie de margem superior à calha natural também 
chamada de margem do leito maior, onde a água irá escoar quando o 
volume do rio não for suportado pela margem do leito menor. 
Isso permite que o acúmulo de água que possa transbordar a 
calha natural do rio, antes de chegar às casas tenha esse espaço como 
opção de escoamento, diminuindo consideravelmente os prejuízos. 
Esse trabalho será realizado pela prefeitura de Chopinzinho, 
acompanhado pelo engenheiro ambiental Kennithy Kurpel. 
 
 
 
Substituição de pontes e tubos 
Ainda no sentido de minimizar os impactos causados pelas 
precipitações repentinas e de grande intensidade, a administração 
pública do município interviu de maneira ampla e intensiva nos pontos 
mais fortes de alagamentos da área urbano no que diz respeito a 
substituição de postes e tubos. 
Relatos de moradores destacam que, a substituição de pontes e 
tubos foi um dos principais fatores que contribuíram de forma 
104 
 
significativa na diminuição da grande quantidade de água que 
transbordava em épocas de chuvas. 
Os tubos eram subdimensionados, e não suportavam a 
quantidade de água que por eles passavam, em vários pontos já nem 
existiam mais tubos inteiros, estavam quebrados e muito velhos. Foram 
feitos cálculos de vazão para que sua substituição fosse feita de maneira 
a não subdimensionar a tubulação desses pontos. 
Intervenções com o apoio do Estado, possibilitaram a 
substituição de pontes em dois locais de extrema necessidade, vias de 
grande fluxo de veículos e pessoas que em épocas de chuvas não tão 
intensas acabavam transbordando e impossibilitando a trafegabilidade. 
Com a sua substituição a ligação entre os bairros e o centro ficou mais 
acessível e menos perigoso em épocas de chuvas torrenciais. 
 
 
 
 
 
Retificação do leito do rio 
No ano de 2014, após os alagamentos no mês de junho, a 
prefeitura propôs que uma parte do rio Pedrosa fosse retificado, 
diminuindo assim as várias curvas naquele ponto específico facilitando 
o escoamento da água. 
Devido à importância da obra a ser realizada e a ação antrópica 
prevista, no intuito de estancar problemas relacionados com enchentes 
105 
 
no rio Pedrosa, que ocasionaram alagamentos em áreas residenciais, 
buscou-se alternativas para tal problema. Depois de tomados os 
conhecimentos sobre todos os aspectos relevantes, foram desenvolvidas 
medidas para que o processo de retificação do Rio Pedrosa fosse 
realizado. Essa análise foi realizada pelo perito e engenheiro ambiental 
da prefeitura de Chopinzinho, Kennithy Kurpel. 
A obra em questão, busca, no sentido social, a minimização do 
impacto sobre as famílias que já sofreram com os sinistros já ocorridos, 
bem como a questão da saúde pública, que por contato com a água suja 
dos alagamentos, cheia de lixos acabam por poderem contrair alguma 
doença e ainda na questão de segurança dessas famílias. 
Quando se fala em retificar um rio vemos que além da mudança 
do traçado do curso d`agua, teremos a melhora no escoamento da 
mesma, recuperação de sua marginal e até mesmo possibilidade de 
navegação em casos de rios maiores. 
Dentre vários aspectos relevantes no que tange a retificação de 
um rio vale ressaltar alguns aspectos, tais quais: dimensionamentos, 
métodos a serem empregados como: escavações, nivelamento, 
compactação, escoramento entre outros. 
Todos esses aspectos têm o seu grau de importância e 
complexidade dentro do contexto de retificação do rio, portanto devem 
ser feitos estudos específicos para cada caso. No Rio Pedrosa, esses 
aspectos foram estudos e tabelados para que fossem seguidos 
rigorosamente todas as etapas, a seguir segue a tabela com as 
considerações: 
106 
 
 
Tabela 1: Atividades para Retificação do Rio Pedrosa 
Ordem de 
Execução 
Manejo Descrição 
Primeira Escavação 
- Local inicial, abaixo da Rua Frei Everaldo; 
- Retirada de toda a camada vegetal; 
- Dimensionamento dos cortes no solo; 
- Abertura e retirada de solo; 
Segunda 
Nivelamento e 
Dimensionamento do 
Canal 
- Locar o eixo do canal retificado no escavo; 
- Dimensionar as áreas de aterramento; 
- Fazer o levantamento altimétrico do fundo 
do canal retificado, deixando nas mesmas 
proporções com o fundo do leito do rio 
Pedrosa. 
Terceira Compactação 
- Realizar a compactação, o cascalhamento e 
novamente a compactação do fundo do canal 
retificado; 
- Transpor o solo novamente a área de 
aterramento, realizando a compactação de 
cada camada depositada. 
Quarta Encoramento 
- Realizar o sistema de encoramento em 
todas as margens do canal retificado, 
apresentando uma largura de 60 centímetros 
e altura de 3,60 metros, utilizando pedra 
rachão, realizando a compactação. 
Quinta 
Recomposição 
Florestal 
- Realizar a Recomposição e a restauração da 
área afetada, buscando o equilíbrio ecológico 
do local e a estabilidade da área. 
Fonte: Prefeitura Municipalde Chopinzinho 
 
A figura 11 a seguir mostra na fase de estudo como que ficará o 
Rio Pedrosa depois da retificação, onde temos: linhas azuis claras em 
curva – Percurso Natural do Rio Pedrosa, linhas amarelas próxima a 
mata – Locais de Retificação, construção do Novo Leito do Rio 
Pedrosa; e linhas vermelhas, linhas próxima as casas – Rua Frei 
Everaldo com a Rua das Pitangueiras (Bairro São José). (KURPEL, 
2013). 
107 
 
 
 
Figura 11: Localização das áreas de retificação. 
Fonte: Prefeitura Municipal de Chopinzinho. 
 
Notadamente percebeu-se uma significativa melhora no que diz 
respeito ao nível d`agua que passa pelo percurso delimitado na pesquisa 
e posteriormente executado o serviço de retificação do Rio Pedrosa. 
Este serviço trouxe um pouco de alívio aos moradores do bairro 
São José de uma maneira geral e em específico aos mais próximos das 
margens do Rio. O efeito positivo trazido pela execução do serviço de 
retificação do rio, aliado aos outros serviços executados amenizou 
notoriamente o efeito trazido pelas fortes chuvas. 
 
Considerações finais 
Ao finalizar os estudos sobre este trabalho, notoriamente 
percebe-se alguns problemas em potencial causados pelas enchentes e 
alagamentos na cidade de Chopinzinho, constata-se que há a extrema 
108 
 
necessidade de intervenções urbanísticas na reestruturação da cidade, 
como forma de minimizar os impactos alarmantes que estão 
acontecendo. 
Os trabalhos já realizados para a minimização dos prejuízos 
causados pelas devastadoras chuvas que precipitam em poucas horas, 
têm solucionado os problemas temporariamente, pois com o acúmulo de 
lixo que ainda acontece, a precariedade das tubulações pluviais, a falta 
de manutenção de todos os sistemas, ainda é notória, por isso os 
trabalhos e estudos neste contexto são de grande importância para 
resolver a situação e não deixá-la se alastrar e trazer mais prejuízos de 
ordem social e econômica, tanto para a administração pública quanto 
para os moradores de modo geral, mas principalmente por aqueles 
afetados diretamente com as catástrofes. 
Porém, algumas soluções para estes problemas dependem de 
questões financeiras do município, outras soluções mais fáceis de 
compreender, como o planejamento urbano juntamente com seu 
crescimento, aumento da capacidade de permeabilidade urbanística, 
conscientização da população e principalmente trabalhar a malha urbana 
integrada ao plano diretor da cidade onde contém informações sobre 
diretrizes de expansão urbana, são fatores que devem ser analisados 
com um olhar mais atencioso por parte de toda a sociedade. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
IAPAR. Disponível em: 
http://www.iapar.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=856. Acesso 
em maio de 2015. 
109 
 
IBGE - Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/. Acesso em maio de 
2015. 
IPARDES - Disponível em: http://www.ipardes.gov.br/. Acesso de maio de 
2015. 
KURPEL, K.. Levantamento e avaliação ambiental da bacia de captação de 
água do município de Chopinzinho. 2013.45 f. Monografia (Especialização) 
– Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Francisco Beltrão, 2013. 
MENDES, H.C.; Mediondo M.E.. Histórico da expansão urbana e 
Incidência de inundações. O Caso da Bacia do Gregório, São Paulo, v. 12, p. 
27, 2007. 
MUNICÍPIO DE CHOPINZINHO - Disponível em: 
http://www.chopinzinho.pr.gov.br/portal/. Acesso em maio de 2015. 
Plano Diretor de Chopinzinho – PDM-CH. Prefeitura Municipal de 
Chopinzinho. Fevereiro de 2007. 
RIBEIRO, L.; Histórico de enchentes no Brasil. 2014. Disponível em: 
http://aquafluxus.com.br/?p=5711. Acesso em abril de 2015. 
SANEPAR. Disponível em: http://site.sanepar.com.br/a-sanepar/servicos/. 
Acesso em maio de 2015. 
TUCCI. M. E C.; Plano diretor de Drenagem Urbana, Princípios e 
Concepção, Porto Alegre, v. 2 n. 2, p. 12, 1997. 
TEODORO. P. H. M.; NUNES, J. O. R.; Os Alagamentos em Presidente 
Prudente -SP, Um trabalho interdisciplinar embasado no mapeamento 
geomorfológico, Presidente Prudente, v. 2 n. 2, p. 81-102, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.ibge.gov.br/home/
http://www.ipardes.gov.br/
http://www.chopinzinho.pr.gov.br/portal/
110 
 
 
 
CAPÍTULO 6 
 
VERTICALIZAÇÃO E ADENSAMENTO URBANO DE 
FRANCISCO BELTRÃO: ANÁLISE E PROPOSTA 
 
Caroline Grison 
Lucas Iser 
Manoela Fernanda de Luca Lima Oliveira 
Monich Fernanda Osowski 
Carlos Cassemiro Casaril 
 
Introdução 
Os processos desordenados de expansão urbana, que 
iniciaram após a Revolução Industrial, têm gerado inúmeros 
problemas de infraestrutura que perduram até os dias de hoje. Nos 
últimos tempos, discute-se muito sobre as práticas que podem ser 
aplicadas para amenizar as consequências desses problemas, além 
de propostas que priorizem as pessoas e não veículos. 
A verticalização urbana é uma das soluções defendidas por 
urbanistas e outros profissionais da área, e trata do adensamento, 
formando cidades mais compactas, onde a mobilidade é 
repensada, diminuindo-se os gastos com combustíveis e 
111 
 
possibilitando o acesso às atividades de lazer, trabalho e moradia 
próximos. 
O objetivo do presente trabalho é apresentar o conceito de 
verticalização e adensamento urbano, verificando esse processo 
em Francisco Beltrão, e desta forma, apresentar uma proposta 
coerente para a cidade em questão, contribuindo para o seu 
crescimento e desenvolvimento urbano. 
Para isso, a metodologia a ser utilizada, é a pesquisa 
bibliográfica, para obter as informações necessárias para elaborar 
uma proposta voltada para a verticalização urbana em Francisco 
Beltrão, tendo como base também, alguns estudos de caso 
referentes a outras cidades do Brasil. 
Com este trabalho, pode-se ampliar a visão e as vantagens 
da verticalização urbana, que poderão contribuir com o 
desenvolvimento de Francisco Beltrão em questões de 
mobilidade, garantia de infraestrutura adequada, e qualidade de 
vida para a população, já que a cidade tem crescido de maneira 
rápida e desordenada e, já mostra sinais de sua incapacidade no 
suporte de infraestrutura urbana e social a população. 
O adensamento aplicado à expansão horizontal urbana dá 
origem a segregação sócio espacial, que divide a sociedade 
limitando o desenvolvimento de uma região pelas características à 
ela atribuídas segundo, principalmente, fatores econômicos, sendo 
112 
 
isso visível em Francisco Beltrão. Pode-se perceber a clara 
concentração de um núcleo de maior renda nas proximidades do 
Centro e quanto mais distante, a concentração da população de 
menor renda. 
 Além disso, essa expansão horizontal gera maiores gastos 
com infraestrutura urbana, e no caso específico da cidade 
analisada, tem permitido a ocorrência de ocupações irregulares 
em topos de morros e próximos aos cursos d‟água. 
 
Verticalização e adensamento urbano 
O processo de urbanização brasileiro desenvolveu-se 
muito apressadamente no início do século XX, e como 
consequência, vem ocasionando grande déficit habitacional e 
carência de infraestrutura urbana, além de problemas ambientais. 
Com isso, é possível perceber significativos problemas de acesso 
à habitação digna no país (BONDUKI, 2004). 
Mello (2002), afirma que, de acordo com interesses 
políticos e econômicos da época, a formação e o crescimento das 
cidades brasileiras se deu de forma desordenada. 
Consequentemente, esse aumento populacional nas cidades, 
desencadeou vários problemas sociais, ambientais e econômicos 
nos centros urbanos, comprometendo áreas que deveriam ser de 
113 
 
preservação ambiental, gerando, ocasionalmente, um conjunto de 
eventos trágicos a cada período de chuvas. 
Benévolo (1983) também salienta que a maioria da 
população mundial vive nos centros urbanos. Sendo assim, o 
acelerado processo de urbanização gerou sérios problemas 
sociais, impulsionando a periferização e a segregação urbana. 
Muitos autores discorrem sobre as possíveissoluções para 
melhorar a condição das cidades, e a qualidade de vida das 
pessoas no meio urbano. A verticalização parece ser um ponto de 
concordância entre vários autores, como se pode ver: 
 
[...] verticalizar significa criar novos solos 
sobrepostos que abriguem um grande contingente 
populacional. Ou seja, a partir da reprodução do 
solo, dá-se condições para a multiplicação do 
número pessoas e de famílias que habitarão no 
mesmo terreno, gerando um grande aumento da 
densidade demográfica (MACEDO, 1987, p.9). 
 
Já Somekh (1997, p. 20), relaciona a cidade vertical à 
noção de edifício alto, de arranha-céu e define verticalização “(...) 
como a multiplicação efetiva do solo urbano, possibilitada pelo 
uso do elevador”. A partir do elevador, tem-se a possibilidade de 
intensificar o processo. 
Costa (2000, p. 33), por sua vez, ao estabelecer análise da 
relação verticalização com as transformações do espaço urbano, 
explica que “[...] a verticalização tem se caracterizado como 
114 
 
elemento responsável pelas modificações morfológicas e 
funcionais da paisagem urbana, uma vez que ela produz solos 
adicionais superpostos” (TWÖS; MENDES, 2011 apud. COSTA, 
2000 p. 33). 
A verticalização não é nem boa, nem má (SCUSSEL; 
SATTLER, 2010). Em cada caso, é necessário analisar qual a 
melhor forma para essa prática, considerando o suporte da 
infraestrutura oferecida, e da que é possível de ser executada. 
Nem sempre a verticalização precisa ser acentuada, ao contrário, 
devem ser evitados os extremos, para que haja economia de 
custos. 
Para que um planejamento que propõe o adensamento seja 
adequado, deve-se considerar também a diversidade de serviços 
prestados, em uma determinada área, possibilitando atividades de 
trabalho, lazer e moradia que sejam próximos. Ou seja, não 
somente a habitação deve ser condensada, mas também os 
serviços. 
Aí então, vem à tona a questão da mobilidade. 
Atualmente, se veem cidades dependentes dos combustíveis 
fósseis, através da matéria-prima para a locomoção dos veículos, 
ou seja, as cidades não foram projetadas para os pedestres, e hoje, 
necessitam de uma reforma urbana, para transformar essa 
consciência e melhorar a qualidade de vida dos moradores. 
115 
 
Através da verticalização, podem ser obtidos resultados 
satisfatórios quanto a mobilidade, com a formação de zonas com 
maior adensamento, que diminuirá o deslocamento. 
Segundo Roaf, Crichton e Nicol (2009) existem outros 
fatores que podem ser gerados pela verticalização, como a 
alteração do clima local – devido ao efeito de sombreamento e 
aumento da velocidade dos ventos, prejuízo ao conforto térmico, 
lumínico e acústico, do entorno e do próprio edifício, conforme a 
altura e o posicionamento de determinada unidade habitacional. 
Essas interferências na qualidade de vida dos moradores locais 
devem ser analisadas, já que o que se procura é um 
desenvolvimento sustentável, e uma das premissas da 
sustentabilidade é justamente a qualidade de vida das pessoas. 
Ainda outro fator a ser considerado, que é indicado por 
Campos Filho (1992), é que a super-verticalização faz com que os 
preços dos imóveis nas áreas centrais aumentem, já que mais 
serviços terão que ser oferecidos, e assim, ocupam-se os lotes das 
periferias, mais baratos, deixando lotes vagos nas áreas mais 
internas. 
O Estado tem grande participação nas ações de 
verticalização. Através da legislação, como leis de zoneamento e 
de uso do solo, o Estado define os espaços urbanos. 
 
116 
 
Francisco Beltrão 
Francisco Beltrão localiza-se na mesorregião Sudoeste 
paranaense (Figura 1). O território municipal abrange uma área de 
731,731 km² e apresenta uma população de 78.943 habitantes 
(IBGE, 2010). 
 
 
Figura 1: Mapa de localização de Francisco Beltrão – Paraná 
Fonte: IBGE, 2000. Org: Casaril, C. C., 2015. 
 
Observando o crescente desenvolvimento da cidade, 
percebe-se que este se deve a implantação das instituições de 
ensino superior, que trazem muitos moradores e movimentam os 
negócios, além dos vários loteamentos que têm sido aprovados, e 
117 
 
contribuindo para a expansão urbana de Francisco Beltrão. As 
Informações obtidas da Secretaria da Saúde apontam que o 
município possui instituições de saúde que atendem outros 26 
municípios da região e possui Lei de incentivos à instalação de 
empresas através da doação de terrenos. Por essas razões, 
Francisco Beltrão pode ser considerada uma cidade de porte 
médio, independentemente do número de habitantes, já que 
exerce um papel de comando e de principal área de influência de 
sua rede urbana. 
O plano diretor de Francisco Beltrão (Lei nº 3300/2006) 
serve como instrumento dirigente e normativo dos processos de 
transformações do ambiente urbano e rural do Município nos 
aspectos político, sociais, econômicos, físicos ambientais e 
administrativos. O Plano Diretor de Francisco Beltrão tem por 
finalidade, orientar a atuação do poder público e da iniciativa 
privada, bem como assegurar o “direito à cidade para todos, 
compreendendo: o direito à terra urbana; à moradia digna; ao 
saneamento ambiental com a preservação e recuperação do 
ambiente natural; à infra-estrutura urbana; a mobilidade, a 
acessibilidade priorizando o transporte coletivo público; aos 
serviços públicos; ao trabalho e ao lazer” (Art 6º, inciso III). 
Além disso, o Plano Diretor ainda considera: “consolidar a 
conformação de crescimento e adensamento da cidade com a 
118 
 
integração do uso do solo, sistema viário e transportes, 
respeitando as restrições ambientais e estimulando os aspectos 
sociais e econômicos” (Art. 38°, inciso II). Além de promover o: 
“(...) adensamento construtivo e populacional em áreas de 
urbanização em desenvolvimento com capacidade de suporte da 
infra-estrutura instalada” (Art. 39°, inciso II). 
Analisando o Zoneamento, percebe-se que as Zonas 
Central, de Comércio e Serviços e de Eixo de Comércio, 
permitem número de pavimentos acima de quatro, enquanto que 
as outras zonas, predominantemente residenciais, permitem 
construção de edifícios em até 4 pavimentos. Essas últimas zonas 
citadas, podem ser exploradas para a criação de subcentros, após 
análise de adequação da infraestrutura. 
 
Análise e proposta 
Em 1940 a maioria da população brasileira morava no 
meio rural. Esse quadro mudou quando, na década de 1950, 
iniciou-se um grande desenvolvimento industrial, o que trouxe 
essa população para as cidades em busca de novas oportunidades 
de emprego (PEREIRA, 2005). 
A concentração urbana de atividades econômicas é o 
motivo de atração de migrantes, porém, ao mesmo tempo em que 
facilita a vida do cidadão ao acesso a serviços, pode trazer-lhe, 
119 
 
senão existir um controle apropriado, sérios problemas. Pois, o 
crescimento populacional, juntamente com o crescimento do nível 
de atividade econômicas urbanas, leva a uma crescente demanda 
por serviços públicos, tais como: água, luz, escolas, saúde 
pública, saneamento, o que gera maior gasto com infraestrutura. 
É nesse ponto que a verticalização se torna interessante, 
pois esta, quando bem planejada e executada, pode acarretar 
diversos benefícios ao meio urbano, visto que a verticalização 
ajuda a concentrar população e serviços em espaços menores, 
auxiliando a formação de novos centros urbanos e gerando 
melhoria na mobilidade urbana. Além disso, também é benéfico 
ao meio ambiente, uma vez que a expansão horizontal é um dos 
motivos pela diminuição da vegetação nativa. 
Um exemplo de bairro vertical é o “Quartier”, projetado 
pelo escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados para ser 
executado na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Será o 
primeiro bairro vertical que visa a sustentabilidade e mobilidade 
no Brasil e terá capacidade para 10 mil habitantes. 
Em Francisco Beltrão os edifícios com 4 ou mais 
pavimentos estão praticamente todos11 PROCESSO DE VERTICALIZAÇÃO EM 
PINHALZINHO/SC 
Elissandra Duarte; Mônica Aparecida Gonçalves ........ 217 
 
Capítulo 12 USO DE NOVAS TECNOLOGIAS EM PROL DA VIDA 
URBANA 
Degiani Zamboni; Fernando Henrique Faquinello 
Medeiros; Henrique Bubniak de Mello; Daniele 
Pagno.............................................................................. 
 
 
232 
 
 
Capítulo 13 GESTÃO AMBIENTAL E O GERENCIAMENTO DE 
RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM 
DOIS VIZINHOS/PR 
Gabriela Jaiana Três; Priscila Vanin Renosto; Carlos 
Cassemiro Casaril; Guilherme Daltoé .......................... 
 
245 
 
 
7 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
Este livro é resultado do trabalho conjunto de discente e 
docentes do curso de Arquitetura é Urbanismo da UNIPAR, unidade de 
Francisco Beltrão, Paraná. Mais especificamente, fruto de artigos 
produzidos, como um dos requisitos finais da disciplina de 
Planejamento Urbano e Regional, ministrada para a turma do 4º Ano do 
curso, em 2014. 
Após esta materialização a sequência ocorreu com os docentes 
do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unipar, que juntos elencaram 
os melhores trabalhos e se responsabilizaram pelo andamento final na 
transformação dos artigos em capítulos que integram o presente livro. 
Vale destacar que a temática planejamento urbano e regional é 
ampla e contempla inúmeras possibilidades de se pensar o urbano e o 
regional. 
Para tanto, basta verificarmos os capítulos que integram este 
livro que veremos as múltiplas possibilidades e determinações de se 
analisar e/ou abordar o tema. 
A contribuição do primeiro capítulo intitulada Planejamento e 
gestão dos sistemas de infraestrutura urbana: uma análise reflexiva a 
partir da revisão conceitual tem autoria de Andrea C. de Oliveira e da 
Prof
a.
 Ms. Ariadne S. de Farias. 
O segundo capítulo nos apresenta a Proposta de mobilidade 
regional para os municípios de Francisco Beltrão, Marmeleiro e 
Renascença – PR e, tem como autores Rafael W. Colla, Willian M. 
Debacker, César A. da Silva Hellmann e o Prof. Ms. Guilherme Daltoé. 
8 
 
O terceiro capítulo Intervenções de planejamento urbano em 
bairros segregados de Francisco Beltrão/PR, tem como autores 
Emanuele de Costa Olda, Vanessa C. Zapchau, Lais C. Fischer, a Prof
a.
 
Ms. Gislaine da Silva Fernandes e o Prof. Ms. João Luciano Bandeira. 
No quarto capítulo, Cristiane Oliveira de Moura e o Prof. Dr. 
Carlos Cassemiro Casaril produzem uma contribuição sobre Estatuto da 
Cidade: uma proposta urbana para Francisco Beltrão/PR. 
No quinto capítulo, Edson R. Poletto, Marcelo Somavila e a 
Prof
a.
 Esp. Adriana Kunen apresentam a contribuição Intervenções 
urbanísticas para a solução dos alagamentos na cidade de 
Chopinzinho/PR. 
O sexto capítulo Verticalização e adensamento urbano de 
Francisco Beltrão/PR: análise e proposta tem autoria de Caroline 
Grison, Lucas Iser, Manoela F. de L. Lima Oliveira, Monich F. 
Osowski e do Prof. Dr. Carlos Cassemiro Casaril. 
O sétimo capítulo Mobilidade urbana sustentável: debate sobre 
a democracia do espaço público e análise dos fluxos centrais de 
Francisco Beltrão/PR é assinado por Vinicius André e pela prof
a.
 
Mestranda Mônica Aparecida Gonçalves. 
O oitavo capítulo Revitalização paisagística em Francisco 
Beltrão/PR: uma proposta para a Avenida Júlio Assis Cavalheiro é 
assinado por Eliane A. Centenaro, Elizandra Castanheiro, Samari 
Moreira e pela Prof
a.
 Esp. Daniele Pagno. 
O nono capítulo Sustentabilidade urbana: novos sistemas de 
tratamento dos efluentes – Wetlands é assinado por Danielly L. 
Rebelato, Fernanda M. Gonçalves, Jean C. R. Appel, Rodney Rebelato 
e pela Prof
a.
 Ms. Ariadne S de Farias. 
No décimo capítulo Maicon de Oliveira, Monique Capoani, 
Telmo Cioatto e o Prof. Ms. Guilherme Daltoé apresentam a 
contribuição Ocupação desordenada do solo e enchentes: estudo de 
Francisco Beltrão/PR. 
9 
 
O décimo primeiro capítulo Processo de verticalização em 
Pinhalzinho/SC é assinado por Elissandra Duarte e pela Profa. 
Mestranda Mônica Aparecida Gonçalves. 
No décimo segundo capítulo Degiani Zamboni, Fernando H. F. 
Medeiros, Henrique B. de Mello e a Profa. Esp. Daniele Pagno 
apresentam a contribuição Uso de novas tecnologias em prol da vida 
urbana. 
Na última contribuição do livro, décimo terceiro capítulo, os 
autores Gabriela J. Tres, Priscila V. Renosto, Prof. Dr. Carlos 
Cassemiro Casaril e o Prof. Ms. Guilherme Daltoé abordam o tema 
Gestão ambiental e gerenciamento de resíduos sólidos da construção 
civil em Dois Vizinhos/PR: breve abordagem. 
Deste modo, percebe-se, que a discussão em torno da temática 
do planejamento urbano e regional é muito complexa, pois contempla 
várias dimensões e vertentes teóricas de análise. Nesse sentido, o livro 
Planejamento urbano e regional: temas selecionados trata-se de uma 
coletânea de contribuições que abordam esta temática. É 
“multidisciplinar”, pois pretende (re)visitar este tema com diferentes 
olhares de autores com formação em Arquitetura e Urbanismo, 
Engenharias e Geografia, com especializações em diversas áreas do 
conhecimento. É uma “contribuição”, pois de maneira alguma, 
pretende-se esgotar o tema, mas apenas, participar da discussão que se 
apresenta sempre em voga no cenário político e acadêmico brasileiro. 
 
 
Francisco Beltrão, 05 de agosto de 2015. 
 
Carlos Cassemiro Casaril 
Guilherme Daltoé 
 
Os Organizadores 
 
10 
 
 
 
CAPÍTULO 1 
 
PLANEJAMENTO E GESTÃO DOS SISTEMAS DE 
INFRAESTRUTURA URBANA: UMA ANÁLISE 
REFLEXIVA A PARTIR DA REVISÃO CONCEITUAL 
 
Andrea Claudia de Oliveira
 
Ariadne Silvia de Farias
 
 
Introdução 
O espaço urbano não se constitui simplesmente pela 
combinação de área edificadas e áreas livres, interligadas através dos 
sistemas viários (ZMITROWICS; ANGELIS NETO, 1997). Ele está 
inserido em um ambiente e estruturado por sistemas específicos, os 
quais permitem o desenvolvimento das atividades urbanas. Para a 
realização destas atividades é necessário um conjunto de sistemas 
técnicos, denominado “infraestrutura urbana”, a qual é composta de 
subsistemas que refletem diretamente no funcionamento e no 
crescimento da malha urbana. 
Para o perfeito funcionamento de uma cidade são necessários 
investimentos públicos em sistemas de infraestrutura. Segundo Couto 
(1981 apud OLIVEIRA; BENADUCE, 2011, p. 3), “os equipamentos 
11 
 
urbanos comunitários desempenham importante função para o 
equilíbrio social, político, cultural e psicológico de uma população”, 
funcionando como escape das tensões geradas pela vida em 
comunidade. 
O crescimento urbano gera entre outros fatores, o aumento da 
população, e consequentemente uma maior demanda por infraestrutura 
urbana. Segundo Mota (1999 apud SANTOS; PACHECO, 2013, p.8), 
“o aumento da população e a ampliação das cidades deveria ser sempre 
acompanhado do crescimento de toda a infraestrutura urbana,” de modo 
a proporcionar aos habitantes o atendimento das necessidades básicas 
sociais. Porém geralmente a urbanização dos espaços nunca vem 
acompanhada da infraestrutura necessária para aquele momento. 
Muitos estudiosos apontam a ocupação desequilibrada do 
espaço urbano como um dos graves problemas existentes nas cidades 
brasileiras, na maioria das vezes, decorrentes da falta de planejamento 
urbano, da inexistência de legislações específicas e da dificuldade dos 
órgãos públicos em gerir seus recursos. Para Del Rio (1990), o 
planejamento deve ser entendido como um processo permanente, e uma 
atividade indispensável para a tomada de decisões. 
A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 182, atribuiu ao 
município a responsabilidade de executar a política de desenvolvimento 
urbano, seguindo as diretrizes legais fixadas por meio de planos 
diretores. No entanto, na grande maioria dos municípios brasileiros, 
existe uma dificuldade dos gestores públicos em promover esse 
desenvolvimentolocalizados na área central 
da cidade (como pode-se notar na figura 2) e segundo o 
Zoneamento é nessa área que são permitidos prédios com 
gabaritos mais altos. Nesse caso, tem-se um problema de 
120 
 
mobilidade, pois o sistema viário não suporta a demanda do 
adensamento que foi criado na área central da cidade. Quem por 
ali transita diariamente lida com a falta de estacionamentos, 
trânsito tumultuado nos horários de pico, transporte público que 
não consegue oferecer um serviço de qualidade, pois são muitas 
as pessoas que moram nos bairros e precisam se deslocar ao 
centro para o trabalho, entre outros. 
 
 
Figura 2: Situação atual de edifícios em Francisco Beltrão – PR. 
Fonte: Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão, 2013. 
Org.: GRISON, C.; ISER, L.; LUCA, M. F. de; OSOWSKI, M. F., 2015. 
 
Desse modo, entende-se o porquê de as áreas centrais 
serem tão adensadas enquanto os bairros e áreas periféricas o 
gabarito das edificações permanece basicamente térreo ou dois 
pavimentos. A criação de subcentros é interessante pelo fato de 
121 
 
desafogar o fluxo no centro e trazer aos moradores do bairro 
opções de serviços cotidianos sem necessidade de um 
deslocamento via veículo automotor. O subcentro “[...] é 
caracterizado por uma atividade ou por conjuntos de atividades 
que conferem características de centralidade ao espaço urbano” 
(PALLHARES, 2008, p. 16). 
Como confirma Pallhares (2008) a seguir: 
 
[...] o desenvolvimento de subcentros em cidades 
brasileiras de porte médio distribui o fluxo de 
veículos no espaço urbano total, melhorando o 
trânsito na região central. Os centros urbanos estão 
cada vez mais sobrecarregados de pessoas e de 
veículos; com os subcentros muitas pessoas 
reduzirão o número de viagens até o centro da 
cidade, já que encontrarão o que precisam perto de 
suas residências, como consequência o fluxo de 
veículos motorizados na região central será 
amenizado (PALLHARES, 2008, p. 16). 
 
Nesse caso, entende-se que para a cidade de Francisco 
Beltrão, descentralizar e criar políticas que norteiem esse processo 
é a melhor solução. Com a cidade descentralizada, os habitantes 
terão uma melhoria na qualidade de vida, pois a poluição sonora e 
a poluição do ar na região central da cidade irão diminuir, as 
pessoas terão também a vantagem de economia de tempo, já que 
seus deslocamentos serão menores. 
Com a criação dos chamados “subcentros”, os bairros 
passariam a ser mais verticalizados, e consequentemente 
122 
 
abastecidos com comércio de uso cotidiano como farmácias, 
panificadoras, mercados, entre outros. Além de gerar empregos 
para quem reside, oferece serviços básicos do cotidiano sem que 
seja necessário um deslocamento até a área central. 
 
O subcentro consiste, portanto, numa réplica em 
tamanho menor do centro principal, com o qual 
concorre em parte sem, entretanto, a ele se igualar. 
Atende aos mesmos requisitos apenas para uma 
parte da cidade, e o centro principal cumpre-os 
para toda a cidade (VILLAÇA, 1998, p. 194). 
 
Segundo Pallhares (2008, p.14), “com o desenvolvimento 
de subcentros, com atividades de comércio e de serviços que 
atendam a área de entorno, em diferentes bairros da cidade, o 
número de viagens ao centro da cidade será reduzido e com ele o 
uso do transporte motorizado”. E quanto maior for a variedade de 
comércio e serviços oferecidos menor será o número de viagens 
que um consumidor precisará fazer ao centro da cidade para ter 
todas suas necessidades atendidas, haverá um equilíbrio do fluxo 
de veículos no espaço urbano. 
A verticalização pode contribuir muito no município de 
Francisco Beltrão, já que muitos loteamentos são aprovados, por 
vezes em locais de topografia acentuada - topos de morros - e essa 
rápida expansão urbana horizontal, gera dificuldades para o 
provimento qualitativo de serviços de infraestrutura. 
123 
 
No decorrer de 2014, a população vivenciou a falta de 
abastecimento de água potável em Francisco Beltrão, já que a 
concessionária responsável pelo abastecimento não conseguiu 
atender a demanda. O principal fator que ocasionou este problema 
foi o calor ocorrido no período, que consequentemente aumentou 
a demanda de captação e tratamento da água. A estrutura da 
concessionária de água Sanepar, não era suficiente para atender 
esse demasiado consumo, ou seja, a capacidade de armazenagem 
e tratamento era inferior a consumida pela população, para 
procurar resolver esse problema, a estação de tratamento está 
sendo ampliada, e após conclusão das obras possibilitará um 
aumento de 50% de água tratada, a previsão de término da obra é 
para o segundo semestre de 2015. A expansão horizontal leva a 
gastos com infraestrutura, como o abastecimento de água e outros 
serviços. 
Outro fator que é muito perceptível no município estudado 
é o não cumprimento das leis de uso e ocupação do solo, 
edificando-se em locais de Área de Preservação Permanente 
(APP), e topos de morros, como loteamentos no bairro Cristo Rei 
e Prolongamento da Av. Julio Assis Cavalheiro, além das 
margens do Rio Marrecas, onde se encontram casas e 
estabelecimentos comerciais que não respeitam a devida faixa a 
ser preservada. Se houver verticalização, não é necessário 
124 
 
expandir-se os bairros para áreas que podem e devem ser 
preservadas. Porém, para que isso se estabeleça, é importante que 
se proponham leis punitivas e uma rigorosa fiscalização da 
legislação municipal vigente, bem como, elementos jurídicos que 
punam com a desoneração do cargo e obrigação de devolução dos 
recursos desviados e/ou da propina aceita (leia-se corrupção) por 
servidores municipais, estaduais e federais, que aprovaram 
loteamentos e edificações em áreas de APP, designadas no Plano 
Diretor Municipal. 
Os espaços urbanos devem ser pensados como um todo, 
para que desta forma, evitem-se os transtornos que a má ocupação 
traz, como os alagamentos e outras catástrofes. 
Como resposta a atual situação urbana de Francisco 
Beltrão e procurando contribuir para o crescimento da cidade de 
forma consciente, a proposta sugerida é implantar a verticalização 
(trazendo a obrigatoriedade da verticalização via legislação 
adequada, as futuras edificações), principalmente junto a Avenida 
Júlio Assis Cavalheiro, seu Prolongamento e Rua Curitiba que se 
situa perpendicularmente à Avenida. A região do Prolongamento 
da Avenida é uma área de expansão urbana, enquanto que a Rua 
Curitiba tem grande potencial para a verticalização e para o 
adensamento comercial, pelas suas vias mais largas, existência de 
ciclo-faixa e fazer parte de um sistema binário com a Rua Tenente 
125 
 
Camargo. Além disso, a Rua Curitiba, possui terrenos ociosos nas 
áreas mais distantes ao centro, e junto com a Avenida Júlio Assis, 
pode criar um eixo em cruz de crescimento gradual, através de 
avenidas, vias coletoras e vias locais, criando assim um espaço 
onde a população possa residir, trabalhar e ter acesso a serviços 
próximos a suas casas (conforme figura 3). 
Contudo, existem outras regiões que mostram potencial 
para adensamento vertical por já possuírem características 
importantes para a formação de subcentros. 
Na região Norte da cidade, com a implantação de 
indústrias como a Brasil Foods (BRF), houve um crescimento da 
ocupação residencial e então, pela necessidade da realização de 
atividades cotidianas, um subcentro esta sendo formado, 
conhecido como Cidade Norte. Essa região possui bancos, 
supermercado, edificações comerciais, industriais e de prestação 
de serviços. Isso contribuiu com os moradores locais diminuindo 
a necessidade de deslocamento até o núcleo central da cidade para 
vários serviços. O que se propõe para essa área é o adensamento, 
utilizando dos artifícios existentes e impulsionando o crescimento 
com práticas sustentáveis, através de legislações e ações de 
infraestrutura. 
A Av.União da Vitória é uma via importante para a 
cidade, sendo praticamente toda ela comercial. Inclusive, é 
126 
 
importante destacar que existe o projeto de um shopping de 
containers que será implantado nessa Avenida
3
. No entanto, 
apesar de oferecer diferentes tipos de comércio, como 
supermercados, farmácias, panificadoras, opções de ensino 
fundamental e superior e, até mesmo, prestadores de serviços 
como o de bancos através de correspondentes, existem alguns 
outros pontos que podem ser explorados, visando transformar o 
espaço entre as Ruas Antônio Marcelo e Guanabara, um 
subcentro. Por exemplo, a implantação de instituições da área da 
saúde, bancos etc. Contudo, os enfoques do presente artigo são a 
verticalização e adensamento, que nesse caso especificamente, 
podem ser aplicados no melhor aproveitamento de lotes ociosos e 
que apresentam baixo gabarito (menos de quatro pavimentos), 
tanto na Av. União da Vitória, como em algumas de suas 
transversais. 
 
 
3
 Informação do dia 25 de maio de 2015, obtida no site do Jornal de 
Beltrão. 
127 
 
 
Figura 3: Terrenos ociosos. 
Fonte: Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão, 2013. 
Org.: GRISON, C.; ISER, L.; LUCA, M. F. de; OSOWSKI, M., 2015. 
 
Ainda, outro bairro que demonstra grande potencial para 
desenvolvimento é o Cristo Rei, próximo ao Centro. Nessa área 
propõe-se adensar a Rua Santo Antônio, uma das principais vias 
do bairro, que é pouco explorada, sendo predominantemente 
residencial. Pode-se se citar algumas instituições presentes na Rua 
Santo Antônio, como a Paróquia Cristo Rei, em frente a unidade 
128 
 
de saúde da família Cristro Rei, e equipamentos urbanos como 
academia do idoso. 
Essas ações resultariam em uma mudança da mobilidade. 
Desta forma, propõe-se uma nova ciclo-faixa na Avenida Luiz 
Antônio Faedo, que seja ligada a ciclo-faixa já existente na Rua 
Curitiba (conforme mapa 3). 
Para ser efetivamente verticalizado, o poder público teria 
de investir em leis, que sejam devidamente fiscalizadas. Essas leis 
de uso do solo trariam para essa região, a obrigatoriedade de 
construções com não menos de quatro pavimentos, adequando o 
limite de pavimentos à hierarquia viária. 
Ainda outra política aplicada, seria a redução de taxa do 
IPTU para os proprietários de imóveis que disponibilizarem 
estacionamento para clientes em edifícios comerciais, isso 
auxiliaria no bom funcionamento da ciclo-faixa que, atualmente, 
possui funcionamento permanente, após várias tentativas da 
Associação Comercial e Empresarial de Francisco Beltrão 
(ACEFB), de mantê-la em funcionamento no contra turno do 
horário comercial. 
Além disso, nos edifícios a partir de quatro pavimentos, 
também se torna obrigatória a implantação de salas comerciais no 
pavimento térreo, ainda prevendo estacionamento interno, com 
número de vagas delimitado conforme área construída e 
129 
 
finalidade da edificação, trazendo assim, uma solução para a 
grande demanda desses espaços, existente hoje no município. 
Para evitar as ilhas de calor, os lotes teriam suas taxas de 
ocupação ajustadas. Atualmente, a taxa de ocupação nas Zonas 
Centrais e de Comércio e Serviços chega a 80%. Em um bairro 
verticalizado, como o proposto, essa taxa de ocupação seria 
reduzida, aumentando-se o coeficiente de aproveitamento, para 
desta forma, melhorar aspectos de ventilação e iluminação. Além 
disso, é interessante a criação de coberturas verdes que podem ser 
implantadas através de legislações que obriguem o plantio de pelo 
menos uma árvore por propriedade, por exemplo, já que somente 
o aumento da taxa de permeabilidade não significa a presença de 
árvores. 
A tabela 1 apresenta dados do zoneamento vigente no 
município de Francisco Beltrão. O município é dividido em 
quinze zonas em que a taxa de ocupação máxima é de 80%. O que 
a proposta indica é a alteração desses valores e no coeficiente de 
aproveitamento nas Zonas de Comércio e Serviços e Central, 
além das Zonas de Uso Misto onde o potencial de crescimento e 
verticalização poderá ser mais explorado. 
 
Tabela 1: Parâmetros de Ocupação do Solo Urbano de Francisco Beltrão. 
 
Zonas 
Taxa 
de 
Coeficien
te de 
Altura 
Máxim
Áre
a 
Test
ada 
Rec
uo 
Afasta
mentos 
Taxa de 
Permeab
130 
 
Ocup
ação 
Máxi
ma 
(%) 
Aproveit
amento 
Máximo 
a (nº 
de 
pavim
entos) 
Mín
ima 
(m²) 
Mín
ima 
(m) 
Fro
ntal 
(Latera
is e 
Fundo) 
ilidade 
(%) 
ZC 
Zona 
Centra
l 
80 
8 (*3) 
(*10) 
LIVRE 
300,
00 
10,0
0 
(*1) 
(*5) 
1,5 (*2) 10,00 
ZCS 
Zona 
de 
Comé
rcio e 
Serviç
os 
80 
6 (*3) 
(*4) (*10) 
(*13) 
10 
300,
00 
10,0
0 
5 
(*1) 
(*5) 
1,5 (*2) 10,00 
ZSI 
Zona 
de 
Serviç
o e 
Indúst
ria 
60 2 (*3) 4 
1000
,00 
20,0
0 
10,0
0 
(*5) 
2,00 20,00 
ZI1 
Zona 
Indust
rial 1 
(*6) 
(*12) 
50 2 4 
2000
,00 
20,0
0 
15,0
0 
Soma = 
7,0 
25,00 
ZI2 
Zona 
Indust
rial 2 
(*7) 
(*12) 
50 2 4 
2000
,00 
20,0
0 
15,0
0 
Soma = 
7,0 
25,00 
ZE
CS2 
Zona 
de 
Eixo 
de 
Comé
rcio 2 
60 2 10 
300,
00 
10,0
0 
5,00 
(*14
) 
1,5 (*2) 20,00 
SA 
Setor 
Aerov
iário 
X X X X X X X X 
ZU
M1 
Zona 
de 
Uso 
Misto 
1 
60 
4 (*3) 
(*4) (*10) 
10 
300,
00 
10,0
0 
5,00 
(*5) 
1,5 
(*11) 
20,00 
ZU
M2 
Zona 
de 
Uso 
Misto 
2 
50 2(*4) 4 
240,
00 
10,0
0 
5,00 
(*5) 
1,5 
(*11) 
20,00 
ZP
A 
Zona 
do 
X X X X X X X X 
131 
 
Parqu
e do 
Aerop
orto 
(*12) 
ZP
AV 
Zona 
de 
Proteç
ão de 
áreas 
Verde
s 
(*12) 
20 0,2 2 
2000
,00 
20,0
0 
5,00 
Soma = 
5,0 
30,00 
ZPP 
Zona 
de 
Preser
vação 
Perma
nente 
(*12) 
X X X X X X X X 
SPQ 
Setor 
de 
Parqu
e 
(*12) 
X X X X X X X X 
ZR
O 
Zona 
de 
Restri
ção à 
Ocupa
ção 
(*12) 
10 0,2 2 
2000
,00 
20,0
0 
5,00 
Soma = 
5,0 
30,00 
ZEI
S 
Zona 
Especi
al de 
Intere
sse 
Social 
(*9) 
X X X X X X X X 
Fonte: Lei Nº 3384/2007 – Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo Urbano 
de Francisco Beltrão. 
 
Considerações finais 
Neste artigo verificaram-se os benefícios da verticalização 
e a forma como ela pode ser aplicada. Após uma análise realizada 
132 
 
em Francisco Beltrão, conclui-se que esta é uma boa solução e 
trará benefícios a cidade, uma vez que concentrará parte da 
população e serviços em espaços menores, criando novos 
subcentros que, consequentemente, auxiliará na questão da 
mobilidade na cidade. 
Aliado a isso, a ocupação dessa área pode, além de 
diminuir (ou retardar) a expansão periférica, reduzir impactos 
ambientais, o que seria de grande valia, visto que há na cidade 
grandes problemas relacionados a ocupação irregular. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 1983. 
BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil. Arquitetura 
moderna, lei do inquilinato e difusão da casa própria. 4ª edição, São Paulo, 
Estação Liberdade, 2004. 
MACEDO, S. São Paulo: paisagem e habitação verticalizada. Tese de 
Doutorado. São Paulo: FAUUSP, 1988. 
MELLO, F. A. O. Análise do Processo de Formação da Paisagem Urbana 
do Município de Viçosa, Mina Gerais. Dissertação (Mestrado em Engenharia 
Florestal) – Departamento de Engenharia Florestal. Viçosa: UFV, 2002. 
PALLHARES, C. R. C. Desenvolvimento de subcentros como forma de 
planejamento urbano e de transportes em cidades de médio porte. 2008, 
113 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Uberlândia, 
Uberlândia – MG. 
PEREIRA, S. H. F. et al. Impactos sócio-ambientais do adensamento 
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da América Latina, Universidade de São Paulo, 2005. 
SATTLER, M. A.; SCUSSEL, M. C. B. Cidades em (trans)formação: impacto 
da verticalização e densificação na qualidade do espaço residencial. Ambiente 
Construído. Porto Alegre, v. 10, n. 3, p. 137-150, jul./set.2010 
133 
 
 
SITES CONSULTADOS 
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Pelotas, no Rio Grande do Sul. Disponível em 
 Acessado em 8 nov 2014 
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: 
. Acessado em 27 out 2014. 
Prefeitura de Francisco Beltrão (PR). Disponível em: . Acessado em 27 out 2014. 
Jornal de Beltrão. Calor é a principal causa da falta de abastecimento em 
muitos bairros. Disponível em: 
. Acessado em 27 mai 2015 
 
LEGISLAÇÃO 
Prefeitura Municipal de Francisco Beltrão. Lei municipal n° 3300/2006, Plano 
Diretor de Francisco Beltrão. [lei na internet]. [acesso em 27 out 2014]. 
Disponível em: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://franciscobeltrao.pr.gov.br/
134 
 
 
 
CAPÍTULO 7 
 
MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL: DEBATE 
SOBRE A DEMOCRACIA DO ESPAÇO PÚBLICO E 
ANÁLISE DOS FLUXOS CENTRAIS DE FRANCISCO 
BELTRÃO – PR 
 
Vinicius André 
Mônica Aparecida Gonçalves
 
 
Introdução 
A história da humanidade sempre foi marcada por diversos 
fatores que facilitaram e mudaram o cotidiano do ser humano gerando 
maior comodidade e conforto, desenvolvendo e beneficiando diversas 
atividades e deslocamentos que se faziam necessários. Toda esta 
mudança ocorreu em um espaço, tempo e lugar. O espaço inicial era 
configurado como um conjunto de complexos naturais, que ao longo da 
história foi sendo marcado por estradas, plantações, moradias, 
comércios, indústrias, que descaracterizaram o natural para a 
transformação de um complexo humanizado de funções (SANTOS, 
2006). 
135 
 
Ainda segundo Santos (2006) o espaço é formado por um 
conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de 
objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como 
o quadro único no qual a história se dá. No começo era a natureza 
selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história vão 
sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, 
mecanizados e, depois, cibernéticos, fazendo com que a natureza 
artificial tenda a funcionar como uma máquina. 
Segundo Corrêa (1999), este espaço transformado pelo homem 
se consolida como um “[...] conjunto de diferentes usos da terra 
justapostos entre si”. Esta justaposição irá definir as demais áreas da 
cidade: central (concentrando atividades comerciais, de serviços e 
bens), industriais, residenciais, locais sociais e de lazer e áreas de 
possíveis expansões. Nesta visão pode-se acrescentar ainda, segundo o 
mesmo autor, que o espaço urbano é fragmentado, mas possui relações 
espaciais que caracterizam este cenário, como uma complexa 
organização de fluxos (veículos, pessoas e bens). Este mesmo espaço 
materializado fisicamente pode ser fragmentado, mas é articulado, é 
transformado por diversas classes sociais e é constituidor de símbolos e 
marcos de lutas (CORREA). Ainda se acordo com a ideia, Wilheim 
(2008) cita que toda estrutura física materializada sobre um espaço, só é 
permitida pelo relacionamento dos “sistemas de vidas” com as 
atividades que eles desempenham de uma forma sistêmica. Ou seja, 
toda estrutura física deve estar interligada com as estruturas já 
existentes articulando-se por um conjunto de sistemas urbanos. 
136 
 
Os conjuntos de sistemas urbanos infraestruturais diferenciam-
se pelas suas necessidades de implantação, desenvolvimento ou gestão, 
e pelas eventuais funções ou usos. Podem realizar a circulação diária de 
pessoas e bens, esgotamentos sanitários, abastecimento elétrico e de 
água potável, telecomunicações, estruturando toda a rede fragmentada 
de uma cidade. Assim como o espaço, estes sistemas estruturais 
articulam-se entre si e não desempenham um papel de forma isolada. 
O sistema viário pode ser considerado uma infraestrutura de 
grande importância no cenário urbano, pois por ele passam os fluxos 
primordiais de articulação e localizam-se a maioria dos outros 
subsistemas de infraestruturas urbanas. Segundo Mascaró (1987) apud 
Zmitrowics e Angelis Neto (1997), é o sistema que apresenta maior 
custo, chegando a abranger 50% do custo total de projeto; pode ocupar 
até ¼ do parcelamento do solo; depois de implantado apresenta alto 
grau de dificuldade para aumentar a sua capacidade (envolvendo 
dificuldades de operação e custos); é o subsistema mais vinculado aos 
seus usuários, pois é nele que se apresentam tráfegos de meios de 
transporte e de pessoas. Nele estão presentes as pistas de rolamento de 
veículos motorizados ou não, as calçadas, os mobiliários urbanos, a 
arborização urbana, o sistema de abastecimento de água, esgoto, elétrico 
e de telecomunicações, o transporte coletivo e a drenagem pluvial. 
Após esta contextualização sobre infraestruturas urbanas e sua 
importância no processo do fluxo e articulação dentro do cenário 
urbano, pode-se estabelecer o conceito sobre a mobilidade urbana como 
a capacidade de se locomover de um espaço a outro com eficiência e 
137 
 
rapidez, surgindo assim à necessidade de rotas alternativas para 
deslocamentos expressivos em áreas como as centrais. 
No ano de 2003 com a criação do Ministério das Cidades, foi 
criada a SeMob – Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade 
Urbana, representando um grande avanço para a política de 
desenvolvimento dos sistemas de transportes alternativos brasileiros 
(BOARETO, 2008). No ano de 2012 foi promulgada a lei da 
Mobilidade Urbana Nacional, com o objetivo de estabelecer diretrizes 
para o desenvolvimento das áreas urbanas integradas com os diferentes 
modais de transporte, garantindo acessibilidade e mobilidade as pessoas 
e mercadorias dentro dos municípios. 
A política de mobilidade urbana surgiu da necessidade da 
superação dos atuais problemas que as cidades enfrentam como 
congestionamentos, ineficiência dos transportes coletivos, e da falta de 
acessibilidade aos espaços e equipamentos públicos que inviabilizam o 
direito à cidade. Apesar da promulgação de políticas públicas para o 
setor, a realidade continua a mesma, faltando planejamentos eficientes 
para os meios alternativos como a bicicleta e o transporte coletivo e a 
exclusão das calçadas e pedestres dentro da democratização do solo. 
Na cidade de Francisco Beltrão – PR, com uma população 
estimada pelo IBGE em 2014 em 85.486 habitantes, considerada o polo 
de sua microrregião dentro do estado, a estrutura de ciclovias e o 
transporte coletivo ainda são ineficientes. A frota de automóveis do 
município em Junho de 2014, segundo o DENATRAN – Departamento 
Nacional de Trânsito, era de 53.357 veículos, representando 
138 
 
aproximadamente 1,60 veículo/habitante, sendo a maior frota da 
mesorregião sudoeste do Paraná. O transporte coletivo ainda não 
consegue suprir toda a sua demanda e as ciclovias quando existentes 
não apresentam representatividade dentro do espaço urbano. 
A estrutura viária responsável pelo ir e vir cotidiano deve 
abrigar veículos, vias, ciclovias e pedestres. O fato de sermos todos 
pedestres nos faz repensar a utopia de que o espaço viário deve ser 
pensado apenas para os veículos. Também não deve ser pensado apenas 
para o transporte público, tendo em vista que atualmente é considerado 
o único meio alternativo de planejamento para o deslocamento nas 
cidades brasileiras (DUARTE, 2011). 
Observando a falta de um planejamento preventivo nas 
principais vias localizadas na zona central de Francisco Beltrão, a 
precariedade de um sistema de transporte coletivo que se apresenta 
falho a muitas áreas da cidade e a inexistência deum sistema de 
ciclovias interligadas que promovam deslocamentos expressivos, 
observa-se a necessidade de uma análise mais ampla da mobilidade na 
cidade de Francisco Beltrão. Para isto este trabalho possui como 
objetivo geral explicitar os principais elementos constituidores deste 
espaço público democrático, e analisar os fluxos de mobilidade da área 
central. Como objetivos específicos o trabalho visa desenvolver mapas 
representativos das vias centrais segundo sua classificação e aspectos 
notórios, e mapear os principais fluxos do sentido Bairros – área 
Central. 
 
139 
 
Breve histórico da mobilidade no Brasil e no mundo 
Segundo Silva (2009), a primeira forma de locomoção vista na 
história da humanidade passa a ser a pé, seguida pela utilização de 
animais de carga, que ajudaram o deslocamento de mercadorias e 
pessoas por grandes distâncias, e passaram a ser o principal meio de 
transporte das cidades em seu contexto mundial. Neste processo, 
podemos observar o advento das charretes, carroças e lombos de 
animais como meios de transportes públicos predominantes dentro do 
cenário urbano. No Brasil, a utilização da força animal esteve 
predominantemente presente do período colonial até o advento das 
estradas de ferro. 
Com a Revolução Industrial observamos o surgimento da 
ferrovia e da locomotiva, que beneficiaram o escoamento da produção 
de forma eficiente, e fizeram com que o homem passasse a possuir um 
deslocamento mais rápido, unindo economias, povos, culturas e espaços 
urbanos que até então eram desconhecidos pela grande maioria das 
pessoas (SILVA, 2009). 
No século XIX os espaços públicos das vias passaram por um 
processo de remodulação e distinção entre pedestres e veículos de 
propulsão animal, remodulando as principais capitais da época. Esta 
nova modulação das infraestruturas possibilitou a implantação dos 
automóveis dentro do espaço das cidades, que por seus diversos pontos 
favoráveis foram se tornando cada vez mais protagonistas das paisagens 
das cidades do século XX. No Brasil diversas políticas públicas 
140 
 
passaram a estimular o uso intensivo dos automóveis no espaço urbano 
(SILVA, 2009). 
Com relação aos transportes públicos brasileiros, Brasileiro 
(1996) apud Azambuja (2002) afirma que até o ano de 1955 os 
transportes urbanos de passageiros eram feitos por diversos 
profissionais que em suas horas vagas dirigiam ônibus, micro-ônibus, 
pick-ups, caminhonetes, furgões e kombis. O autor ressalta ainda que a 
partir de 1955 a responsabilidade do transporte público passou a ser dos 
municípios, pois até então eram administrados pelos estados da 
federação brasileira. Em um primeiro momento o transporte público 
municipal das cidades brasileiras passou a existir através de critérios 
políticos, amizades, parentescos ou favores eleitorais, já que as cidades 
não possuíam recursos suficientes para operar um sistema de transporte 
rígido e eficiente. As cidades construíam as suas redes de vias para 
facilitar o uso do automóvel, deixando o transporte coletivo em um 
segundo plano (AZAMBUJA, 2002). 
Para uma comparação plausível da falta de incentivo à 
democratização do espaço público urbano, podemos observar no caso 
do Brasil que o primeiro automóvel passou a circular em 1893, 15 anos 
antes do primeiro ônibus e 82 anos antes do primeiro metrô (BALBIM, 
2003). 
 
Elementos constituidores de um espaço público democrático 
 
O Automóvel e os Veículos Motorizados 
141 
 
 
As décadas de 30 e 40 do século XX representaram uma 
mudança de comportamento do ser humano em relação à via pública. 
Com a expansão das áreas urbanas sem um transporte coletivo eficiente, 
passa-se a valorizar o automóvel e os veículos motorizados como um 
bem de consumo necessário, construindo-se cada vez mais 
infraestruturas desprovidas de qualidade pelo sacrifício da necessidade 
de fluidez urbana (COSTA, 2008). Esta ideia é reforçada com Seixas 
(2010), dizendo que “[...] garantir a sobrevivência das cidades era 
assegurar o automóvel como modo de transporte”. 
Mas, a garantia da mobilidade nas cidades atuais, conta com 
uma grande diversidade de modais favoráveis do ponto de vista técnico 
e econômico. Os modelos de políticas públicas que privilegiam os 
veículos motorizados individuais necessitam de grandes vias em 
comprimento e largura, ajudando a gerar a segregação urbana, os 
congestionamentos, os altos níveis de poluição sonora, visual e 
ambiental, a desigualdade social, e demais consequências diretas ou 
indiretas (MANCINI, 2011). 
Segundos os autores OLIVEIRA, M. F. S. de; OLIVEIRA, O. J. 
R. de; OLIVEIRA, J. F. S. de. (2010), este bem de consumo motorizado 
(automóvel) está cada vez mais atrelado ao sonho e desejo das pessoas. 
Os autores enfatizam ainda que a perspectiva atual onde não são 
investidos recursos suficientes para o desenvolvimento de 
infraestruturas qualificadas que atendam à demanda, faz com que o 
142 
 
transporte coletivo seja visto como um “[...] símbolo de pobreza, 
exposição ao desconforto e à violência”. 
As políticas públicas da União estão estruturadas no modelo da 
gestão e provisão da ampliação da malha urbana ou de ações voltadas 
para a fluidez do tráfego motorizado das cidades. Os sistemas viários 
são planejados pela visão de que todas as pessoas poderão possuir 
automóveis, não beneficiando o bem estar coletivo, mas sim, os 
modelos de pensamento e determinações do mercado. O direito de ir e 
vir, garantido pela constituição, acaba sendo usado de forma 
indiscriminada atrelando-se apenas aos motoristas e não aos pedestres 
(OLIVEIRA, M. F. S. de; OLIVEIRA, O. J. R. de; OLIVEIRA, J. F. S. 
de., 2010). 
 
As Calçadas e os Pedestres 
 
As calçadas assim como as vias podem ser consideradas vitais 
para o funcionamento da cidade. São nelas que um indivíduo deposita 
confiança no lugar em que frequenta ou mora. As calçadas ainda são 
tradicionalmente vistas como espaços destinados aos fluxos de 
pedestres e acessos aos prédios, e continuam sendo desprezadas como 
elementos imprescindíveis para a segurança, para a interação da vida 
pública e da multiplicidade funcional urbana. Calçadas largas podem 
comportar árvores, circulações de pessoas, mobiliários públicos, e 
diversos tipos de interações sociais e recreativas, mas suas larguras são 
comprometidas pelo espaço destinado aos veículos, contudo, não se 
143 
 
podem ignorar as funções das vias públicas dentro do espaço urbano 
(JACOBS, 2011). 
Segundo Del Rio (1990) apud Melo (2005), as calçadas em bom 
estado de conservação possuem duas funções principais. A primeira está 
atrelada ao tráfego de pedestres segregados dos automóveis, diminuindo 
os riscos de acidentes de trânsito, causados pelo desvio dos pedestres 
dentro da via. A segunda relaciona-se ao ato de caminhar, pois com 
calçadas preservadas os espaços passam a ser mais convidativos. 
Os pedestres podem ser considerados os usuários mais 
fragilizados dentro do sistema de transportes e merecem atenção 
especial durante o planejamento e a sua gestão (OGDEN, 1996 apud 
MELO, 2005). Os pedestres podem ser caracterizados como todos 
aqueles que se deslocam com força própria dentro do espaço público, 
com exceção dos ciclistas que utilizam a bicicleta para o deslocamento. 
O principal erro dos planejadores de transportes é considerar o modo a 
pé menos importante do que o transporte mecanizado, sabendo que o 
modelo mais básico de deslocamento se dá por esta forma e não 
complementar a ela, como acaba sendo tratado (MELO, 2005). 
 
As Bicicletas e as Ciclovias 
 
Desde que surgiu no Brasil a bicicleta passou a ser o meio de 
transporte mais popular entre os trabalhadores das grandes áreas 
urbanas. Isto mudou com o advento da indústria automobilística na 
cadeia de produção nacional durante a década de 50, quando surgem 
144 
 
também as primeiras indústrias de produção de ônibuse transporte 
coletivo urbano (MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, 2001). 
A bicicleta pode ser considerada um meio alternativo para as 
viagens de curto percurso, substituindo o automóvel com uma grande 
vantagem tanto para o ciclista tanto para o espaço público urbano. Esta 
redução da participação dos automóveis nas cidades é vital para o 
desenvolvimento da mobilidade urbana sustentável. Além de “não 
poluente, silenciosa, econômica, discreta e acessível” ela ajuda a 
melhorar o condicionamento físico e a garantir uma melhor qualidade 
de vida (SILVEIRA, 2010). 
As políticas públicas devem incentivar o processo de mudança 
da cultura da supervalorização do automóvel como principal meio de 
transporte nas cidades. O planejamento e implantação de infraestruturas 
eficientes, acessíveis e adequadas aos pedestres e ciclistas deve buscar 
uma melhora significativa nas calçadas e nas rotas de deslocamentos 
urbanos. As ciclovias e/ou ciclofaixas devem apresentar segurança, 
equipamentos urbanos como bicicletários, conexões com o transporte 
público e interligações com os principais fluxos e destinos das cidades 
(CREA – PR, 2011). 
Segundo o Ministério das Cidades (2007a), nas cidades médias 
e grandes brasileiras, com raras exceções, o uso de bicicletas não 
aproveita todo o seu potencial, utilizadas apenas pela classe média alta 
como um equipamento de prática esportiva, e pela classe de renda mais 
baixa como o meio principal de transporte, onde se encontram os 
números mais expressivos de usuários. 
145 
 
 
O uso e ocupação do solo urbano 
Mitchell (2008) apud Boareto (2008) destaca dois pontos 
fundamentais para um bom funcionamento das metrópoles, que podem 
ser considerados fundamentais a todas as cidades: o primeiro, a boa 
gestação do uso e da ocupação do solo, seguido de um bom sistema de 
transporte público. O autor ressalta ainda que no Brasil e na maioria dos 
países, a análise fragmentada do problema de mobilidade das cidades 
desassocia o sistema de transporte coletivo, a circulação de veículos 
motorizados e o uso e a ocupação do solo. Este processo fragmentado 
de análise faz com que: 
 
O uso e a ocupação do solo [...] sejam analisados 
dentro de uma relação de mercado, em que a 
função social da terra urbana precisa ser 
efetivamente garantida, apesar de previsto no 
Estatuto da Cidade e dos instrumentos urbanísticos 
disponíveis (BOARETO, 2008, p.02). 
 
A SeMob representou um grande avanço no aspecto das 
políticas públicas urbanas pois estabeleceu a superação destas análises 
fragmentadas entre o trânsito e o transporte e o parcelamento, uso e 
ocupação do solo, que no Brasil historicamente se mostraram 
inadequadas para resolver os problemas dos congestionamentos, 
transporte público, a acessibilidade e a democratização do espaço 
urbano (BOARETO, 2008). 
Mas, de acordo com Litman (2006) apud Magagnin e Silva 
(2008) as cidades brasileiras passam, apesar das políticas públicas 
146 
 
adequadas, por um processo onde a localização de novas residências e 
serviços nas áreas periféricas das cidades, está afetando diretamente a 
mobilidade urbana das mesmas. As cidades não estão preparadas para 
oferecer serviços necessários e em muitos casos observa-se a falta do 
planejamento urbano atrelado com o planejamento de transportes, não 
prevendo questões importantes como o uso e a ocupação do solo 
urbano. 
Os autores OLIVEIRA; OLIVEIRA; OLIVEIRA, (2010), 
destacam os dois principais modelos de cidades do mundo: o modelo 
americano e o modelo europeu. O modelo americano está baseado na 
dispersão de moradias dentro do espaço urbano sem conexões com os 
usos do solo, o que representa uma maior demanda pelo veículo 
automotor e pouca integração social, já que o espaço público passa a ser 
planejado para os automóveis e não para os pedestres. No modelo 
europeu, existe proximidade dos usos do solo, lugares mais sociais e o 
pertencimento comunitário, com práticas de incentivo a não utilização 
dos veículos motorizados. 
Dentro deste processo o planejador urbano pode nortear 
diferentes formas de estruturação urbana e utilização do solo, 
privilegiando como no caso americano o transporte particular ou como 
no caso europeu o transporte coletivo. Assim, a falta de planejamento 
histórico da urbanização das cidades brasileiras, não pode ser uma 
desculpa para a falta de planejamento e de transformação do espaço das 
cidades. O planejamento urbano não pode ser visto como um “produto 
acabado”. Ele apenas é norteador das futuras decisões que serão 
147 
 
tomadas, a respeito de uma precariedade observada, que se pretende 
superar. Um bom planejamento envolve agentes do campo físico, 
econômico, social e administrativo. Pode ser responsabilidade de 
arquitetos, paisagistas, geógrafos, engenheiros, economistas, 
sociólogos, psicólogos, políticos, administradores, mas é principalmente 
responsabilidade de todos os cidadãos (WILHEIM, 2008). 
 
As cidades e a mobilidade sustentável 
A mobilidade urbana para a elaboração de cidades mais 
sustentáveis é resultado de políticas que beneficiem a democratização 
do espaço urbano, priorizem os meios de transporte coletivos e não 
motorizados, que reduzam a segregação espacial contribuindo para a 
inclusão social e favoreçam a sustentabilidade (MINISTÉRIO DAS 
CIDADES, 2007b). 
Boareto (2008) divide as cidades brasileiras em dois grupos de 
ações com relação à mobilidade urbana. No primeiro grupo encontram-
se as cidades com uma visão mais tradicional dos problemas e preferem 
investir nas soluções que priorizem a fluidez dos veículos motorizados, 
representando um planejamento de atraso. O segundo grupo pertence às 
cidades que buscam eficiência em um modelo de mobilidade, 
incorporando soluções de melhoria dos fluxos para as pessoas que não 
utilizam carros, com a criação de corredores exclusivos de ônibus e 
ciclovias. Mas o autor afirma que deve ser criado um terceiro grupo, 
formado pelas cidades que buscam o desenvolvimento sustentável, com 
mobilidade e criação de uma nova concepção do espaço urbano. 
148 
 
Promover a mobilidade sustentável dentro das cidades depende 
de vários fatores dentre eles a conscientização dos gestores públicos 
para a importância destes conceitos, e da aceitação do público em geral 
da necessidade de equidade do espaço público. Este processo necessita 
de uma mudança de cultura para que as análises técnicas passem a ser 
introduzidas dentro do espaço urbano. Depois de introduzidas devem 
ser utilizadas, minimizando a utilização de veículos motores e 
introduzindo os transportes não poluentes ou coletivos, que garantam 
segurança, comodidade e deslocamentos expressivos, dividindo o 
mesmo sistema viário (AZEVEDO FILHO, 2012). 
 
Resultados parciais 
A pesquisa que se encontra em processo de desenvolvimento, 
analisa a área do bairro Centro, onde se localizam os principais e 
primordiais fluxos de bens, veículos e pessoas na cidade de Francisco 
Beltrão. Em um primeiro momento a pesquisa trabalhará com a 
quantificação dos fluxos externos ao bairro, que adentram na área 
devido a sua característica comercial e de prestação de serviços. 
Posteriormente, serão observados os principais fluxos internos do 
mesmo (Figura 1). 
 
149 
 
 
Figura 1: Área do bairro Centro – Situação do Perímetro 
Fonte: Mapa Guia Paraná Sudoeste. Perímetro Urbano de Fco. Beltrão – 2012, 
adaptado pelo o autor em 2014. 
 
Ainda dentro desta análise foi necessária a observação da 
hierarquização das vias baseando-se na lei do sistema viário municipal 
que as classifica conforme o mapa 2. 
Apesar de preliminar foram estabelecidos 22 cruzamentos na 
área (Mapa 3). Destes 22, foram analisados 15 cruzamentos, 
representando aproximadamente 70% da pesquisa. A pesquisa levou em 
consideração um período de análise de 30 minutos nos cruzamentos, 
quantificando a quantidade de veículos, a existência do transportepúblico, a utilização de bicicletas e observações analisadas durante o 
processo. 
150 
 
 
Figura 2: Hierarquização das Vias na Área Central 
Fonte: Mapa Guia Paraná Sudoeste. Perímetro Urbano de Fco. Beltrão – 2012, 
adaptado pelo o autor em 2014. 
 
 
Figura 3: Cruzamentos de Fluxos Externos do Bairro Centro de Fco.Beltrão 
Fonte: Mapa Guia Paraná Sudoeste. Perímetro Urbano de Fco. Beltrão – 2012, 
adaptado pelo o autor em 2014. 
 
Anel Central 
Vias Centrais 
Vias Arteriais 
Vias Coletoras 
Hierarquização 
151 
 
A partir destas análises poderá haver uma compreensão das 
rotas principais e secundárias de fluxos dos bairros adjacentes ao centro, 
e analisar os principais cruzamentos de “vazão” do trânsito. O intuito da 
primeira parte da pesquisa é observar o comportamento do tráfego e 
veículos na cidade para propor metas para a democratização do espaço 
público central de Francisco Beltrão – PR. 
 
Tabela 1: Cruzamentos, Sentidos de Fluxos, Quantificação de Veículos. 
Cruzam. Sentido do Fluxo 
Hora Analisada 
Segunda-feira 
Dia 10/11 
Qnt. 
Veículos 
7 R. Guaporê - R. Maranhão 14:00hs as 14:30hs 56 
8 R. Tenente Camargo - Centro - R. Maranhão 14:35hs as 15:05hs 264 
9 R. Curitiba - R. Maranhão 15:10hs as 15:40hs 233 
10 Av. Santo Fregonesi - Centro - R. Maranhão 15:45hs as 15:15hs 78 
11 R. União da Vitória - Centro - R. União da Vitória 15:20hs as 16:50hs 275 
12.1 R. Antônio de Paiva Cantelmo - Centro - R. União 
da Vitória 
16:55hs as 17:25hs 12 
12.2 Av. Luiz Antônio Faedo - Centro - R. União da 
Vitória 
17:30hs as 18:00hs 247 
13 Av. Julio Assis Cavalheiro - Centro - R. União da 
Vitória 
18:05hs as 18:35hs 147 
14 R. São Paulo - Centro - R. União da Vitória 8:00hs as 8:30hs 25 
15 R. Romeu Lauro Werlang - Centro - R. União da 
Vitória 
8:35hs as 9:05hs 190 
16.1 R. Otaviano Teixeira dos Santos - Centro - União 
da Vitória 
9:10hs as 9:40hs 6 
16.2 R. Paula Freitas - R. Otaviano Teixeira dos Santos 9:45hs as 10:15 hs 11 
17 R. Palmas - Centro - R. Otaviano Teixeira dos 
Santos 
10:20hs as 10:50hs 85 
18 R. Curitiba - Centro - R. Otaviano Teixeira dos 
Santos 
10:55hs as 11:25hs 121 
19 R. Tenente Camargo - R. Otaviano Teixeira dos 
Santos 
11:30hs as 12:00hs 178 
Fonte: Autor, 2014. 
 
152 
 
Foram totalizados 1928 veículos que transitavam dentro destes 
cruzamentos. Devem ser decrescidos 357 veículos por representarem 
um fluxo contraditório ao centro, indo em direção aos bairros, por 
serem vias de mãos únicas. Do total geral parcial foram contabilizados 
1571 veículos, 8 cruzamentos onde deslocavam-se transportes coletivos, 
e 12 cruzamentos onde deslocavam-se bicicletas (31 no total). 
Além da quantificação puderam ser observados aspectos como: 
a quantidade de fluxos e sentidos onde trafegavam, características de 
desvios de trânsito, fluxo de motocicletas ou caminhões de cargas, 
largura das vias, existência de transportes alternativos, potenciais de 
equipamentos urbanos construídos, falta de acessibilidade, auto índice 
de tráfego de veículos motorizados nos cruzamentos, conflitos de 
trânsito, cruzamentos perigosos, potencialidades gerais e interferências. 
 
Considerações finais 
Apesar de preliminar, a pesquisa pode fornecer dados que 
extrapolam a quantificação de números. Os fluxos existentes dentro da 
área analisada podem prever ou até mesmo diagnosticar problemas 
futuros, que acarretariam no acréscimo ou decréscimo da qualidade de 
vida urbana. As rotas utilizadas por modais diversificados podem servir 
como base para a criação de uma cidade sustentável e democrática. 
Observando a vocação das vias e indo muito mais além de sua 
hierarquização pode-se prover um espaço dotado de qualidade, e 
sustentável social e economicamente. O papel ambiental também não 
153 
 
deve ser deixado de lado, promovendo a inserção da arborização 
adequada e da readequação de infraestruturas subutilizadas. 
A quantificação não é tão necessária quanto a análise dos 
resultados observados. Os números podem variar de acordo com as 
condições do tempo, fatores climáticos, horários ou até mesmo 
comemorações municipais, mas os problemas observados ainda estarão 
presentes no espaço. 
Ao elevar, no âmbito do espaço público, os interesses próprios e 
de setores predominantes, se passa a tratar o espaço que assim deveria 
ser denominado- público- transformando-o em um espaço privado e 
para poucos. Ao mesmo tempo, se historicamente o país e a gestão 
pública sofreram pelo descaso aos métodos e meios adequados para dar 
a equidade necessária ao espaço público das cidades, atualmente 
amparado por políticas de leis nacionais, meios alternativos 
econômicos, esta não deve mais ser uma desculpa plausível de beneficio 
para um modal em detrimento aos outros. O pedestre acima de tudo será 
pedestre sem um meio de locomoção motor. Democratizar o espaço é 
garantir que ele seja sustentável, optativo e eficiente para todas as 
classes, opiniões e setores. 
 
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156 
 
 
 
CAPÍTULO 8 
 
REVITALIZAÇÃO PAISAGÍSTICA EM FRANCISCO 
BELTRÃO – PR: UMA PROPOSTA PARA A AVENIDA JÚLIO 
ASSIS CAVALHEIRO 
 
Eliane Centenaro 
Elizandra Castanheiro 
Samari Moreira 
Daniele Pagno 
 
Introdução 
Antes da existência dos centros urbanos, onde hoje eles se 
erguem o ambiente era composto por florestas, campos e cursos d'água, 
que em conjunto, convivem harmoniosamente com os demais elementos 
naturais. Atualmente, a maioria da população mora em cidades, 
obedecendo a uma tendência de concentração que tende a crescer. Isto 
acarretou algumas modificações ao sistema natural, como a 
impermeabilização do solo por pavimentação e construções, a utilização 
maciça de materiais como concreto, vidro, ferro, asfalto e cerâmica, a 
redução drástica da cobertura vegetal e o aumento da poluição 
atmosférica, hídrica, visual e sonora. Como consequência, o padrão do 
ambiente urbano tornou-se muito inferior àquele necessário para dar 
157 
 
condições de vida humana mais adequada. Entretanto, se o processo de 
urbanização é irreversível, o que se deve buscar é tornar este ambiente 
urbano o mais próximo possível do ambiente natural, compatibilizando 
o desenvolvimento com a preservação ambiental e proporcionando uma 
melhor qualidade de vida à população do município. 
De acordo com Pedrosa, (1983) arborizar uma cidade não 
significa apenas plantar árvores em ruas, jardins e praças ou criar áreas 
verdes de recreação, a arborização deve atingir objetivos de 
ornamentação, melhoria microclimática e diminuição da poluição, 
atribuindo às arvores um valor sentimental, cultural ou histórico. As 
alterações que as árvores sofrem em função das estações do ano fazem 
com que estas se apresentem ora com flores, ora com folhas ou sem 
folhas. Estas modificações são importantes pela renovação da paisagem 
urbana. Elementos como textura, estrutura, forma e cor, inerentes às 
arvores, alteram o aspecto da cidade, quebrando a monotonia e a frieza 
típica das cidades. 
Este trabalho justifica-se pelos aspectos positivos que a 
arborização proporciona a cidade e aos munícipes, destacando as 
contribuições sociais, que podem ser definidas como a saúde física e 
mental do homem. As arvores no meio urbano proporcionam relevantes 
benefícios ambientais às comunidades, tais como: Sombreamento; 
absorção do CO
2
; melhoria do clima urbano, com redução da 
temperatura e liberação de umidade para o ar; maior equilíbrio 
ecológico; amenização da poluição sonora; prevenção contra 
inundações, pois retém agua nas copas e auxiliam sua infiltração no 
158 
 
solo, reduzindo o fluxo superficial da agua. Outra qualidade que podem 
ser atribuída às árvores urbanas é seu poder de interferir em 
microclimas (PEDROSA, 1983). 
A paisagem está disponível à integridade do ser humano. Diz-se 
do auditivo, do olfativo, do táctil e do gustativo, mas ainda há mais: o 
psicológico, o emocional, o histórico e, por que não, o espiritual. 
 
Arborização urbana atua sobre o 
conforto no ambiente por meio das 
características naturais das 
espécies, sendo desta maneira, em 
tema que vem se destacando nas 
discussões sobre os problemas das 
cidades, na busca de maior 
qualidade de vida para a população 
(WESTPHAL). 
 
Baseado nas estatísticas do Instituto Brasileiro de geografia e 
estatística (IBGE), em 2014 a população de Francisco Beltrão esta 
estimada em 85.486 habitantes. É também considerada como o coração 
do Sudoeste, pela localização mais centralizada, e a grande procura dos 
habitantes dos municípios vizinhos pelo comércio, serviços 
especializados e hospitalares. 
A partir desse contexto, o objetivo deste trabalho é propor um 
projeto de revitalização paisagística planejado para a Avenida Júlio 
Assis Cavalheiro, na cidade de Francisco Beltrão, visualizando a 
possibilidade de diversos resultados positivos, visto que essa avenida é 
a principal da cidade e não possui uma arborização adequada. Tem-se 
um grande um aumento na população que vive nos centros das cidades 
159 
 
brasileiras que se montam em estruturas como asfalto, edificações, pisos 
de concreto, telhas cerâmicas, amiantos, vidros e estruturas metálicas, 
elementos com alta capacidade de refletora, que geram microclimas 
quentes denominados ilhas de calor, além de compatibilização do solo. 
Surgindo assim a necessidade de planejar a arborização que e são 
indispensáveis para o desenvolvimento urbano para que não tragam 
prejuízos futuros ao meio ambiente. Em virtude a tal necessidade 
propõem–se um projeto paisagístico que seja analisado as 
condicionantes do local como: Elementos arquitetônicos, ritmos 
naturais e humanos, efeitos sensoriais, materiais disponíveis, tecnologia 
disponível e manutenção. 
 
Estudo de caso 
Com base no estudo de caso realizado na Avenida Júlio Assis 
Cavalheiro na cidade de Francisco Beltrão realizado em outubro de 
2014, observa-se o uso de vários vasos de concreto para o plantio de 
vegetações decorativas, porem com ausência de irrigação e manutenção 
adequada. 
 
 
160 
 
Figura 1: Avenida Júlio Assis Cavalheiro – Francisco com vegetação 
Angiquinho (floração o ano todo) e Buxos, Fênix e Cica 
Fonte: Fotos dos autores. 
 
Nota-se também, a utilização de blocos intertravados de 
concreto como revestimento dos canteiros, contribuindo para formação 
de ilhas de calor. Quanto à análise das árvores já existentes foram 
avaliadas espécies, estado de conservação, formas de plantio. 
 
 
Figura 2: Avenida Júlio Assis Cavalheiro - Francisco Beltrão com vegetação: 
Mini azaleias e árvores Pata de Vaca – Floração: outubro/janeiro 
Fonte: Fotos dos autores. 
 
Metodologia 
O tratamento do espaço livre é de suma importância, tanto no 
jardim da pequena casa, seja ele um milionário ou um trabalhador 
comum, como nos espaços coletivos, públicos e privados, clubes, pátios 
de edifícios, calçadões, vias – parques, praças, etc., e sua existência está 
vinculada à ideia de qualidade de vida urbana. 
Surgiram pesquisas importantes que tratavam das modificações 
climáticas em áreas urbanas provocadas pelo efeito da urbanização, 
161 
 
destacando-se o trabalho de Landsberg (1956), The Climate of towns (O 
clima das cidades). Este, por sua vez, representou um marco histórico 
nos estudos climatológicos, pois, é a primeira síntese que trata sobre os 
estudos dos climas urbanos em cidades de latitudes médias, assinalando 
os atributos que particularizam os estados atmosféricos que, em 
contraste com o circundante, são observados devido à interferência 
urbana. Monteiro (1976, p. 57), descreve os aspectos fundamentais que 
caracterizam o clima urbano nesta síntese: 
 O clima urbano é a modificação substancial 
de um clima local; 
 O desenvolvimento urbano tende a 
acentuar ou eliminar as diferenças causadas pela 
posição do sítio; 
 A cidade modifica o clima através de 
alterações em superfície; 
 A cidade produz um aumento de calor 
devido às modificações na ventilação,na umidade 
e até nas precipitações, que tendem a ser mais 
acentuadas; 
 A poluição atmosférica representa o 
problema básico da climatologia das modernas 
cidades industrializadas (MONTEIRO, 1976, p. 
57). 
No Brasil, as pesquisas envolvendo o clima urbano surgiram em 
meados da década de 1970 com o trabalho de Monteiro, que procurava 
enfocar o comportamento climático das cidades sob uma perspectiva 
conjuntiva e integradora. Monteiro, em 1976, ao aplicar as noções da 
funcionalidade sistêmica aos estudos sobre o clima urbano apresentou 
uma hipótese para o seu estudo, denominado Sistema Clima Urbano, 
designado pela sigla S.C.U. O autor considera o clima urbano como um 
162 
 
sistema aberto, dinâmico e adaptativo, visando compreender a 
organização climática de uma cidade, centrando essencialmente sobre 
os impactos da área urbana na atmosfera. A análise do Sistema Clima 
Urbano é feita a partir dos campos de percepção humana e os resultados 
visam, acima de tudo, o planejamento da cidade (MENDONÇA, 1994). 
As alterações no clima local variam de uma cidade para outra 
em função do processo de crescimento urbano, da intensidade e da 
morfologia do uso do solo, além das características geoecológicas do 
lugar. A ação ecológica natural associada aos fenômenos urbanos 
constitui um conjunto complexo de inter-relações que caracterizam o 
clima do ambiente urbano, o que podemos chamar de “clima urbano” 
(LOMBARDO, 1985). 
O foco da pesquisa é a ação de projeto sobre tais espaços, isto é, 
a adaptação formal desses espaços para o uso cotidiano. No caso, 
interessa aquele “projeto” elaborado para um espaço existente, 
reservado e estruturado previamente para essa ou aquela atividade, 
como um pátio, jardim, vias ou parque. Entende-se projeto como uma 
ação formal de construção e, portanto, de adaptação e qualificação de 
um espaço para uma ou mais atividades simultâneas, dentro de padrões 
estéticos preestabelecidos. 
O projeto será classificado em dois tipos, para sua forma de 
concepção: 
1. A primeira parte consistirá na formulação de um 
inventário das plantas já existentes ao longo da Avenida 
163 
 
Júlio Assis Cavalheiro; e mobiliários existentes no 
local. 
2. Segunda parte será a proposta de revitalização 
paisagística da Avenida Júlio Assis Cavalheiro, no 
centro da cidade de Francisco Beltrão – PR; onde 
caberá estudos, condicionantes e concepção do projeto. 
O projeto é composto por várias fases importantes: 
estudo preliminar, anteprojeto, projeto de pré-execução, 
projeto executivo, divulgação e promoção, memorial 
descritivo, relatórios justificativos, plano de trabalho ou 
cronograma físico financeiro, orçamento, execução da 
obra, instruções sobre manutenção, contrato de 
manutenção e registro de projeto. 
 
É muito importante para um projeto paisagístico que seja 
analisado as condicionantes do local como: Elementos arquitetônicos, 
ritmos naturais e humanos, efeitos sensoriais, materiais disponíveis, 
tecnologia disponível e manutenção. 
 
Concepção estética do projeto 
São características pertinentes ao objeto – inclusive às plantas – 
que influenciam, definem os efeitos, ou representam as bases para a 
própria elaboração da composição. Determinada planta, revestimento ou 
acessório é escolhido com base em sua forma, cor ou textura ou, ainda, 
todos estes simultaneamente. A seleção das espécies deve considerar, 
164 
 
necessariamente, os seguintes itens: capacidade de adaptação, 
sobrevivência e desenvolvimento no local do plantio, além de 
características como porte, tipo de copa, folhas, flores, ausência de 
frutos, hábito de crescimento das raízes, ausência de princípios tóxicos, 
adaptabilidade climática, resistência a pragas e doenças, tolerância a 
poluentes e a baixas condições de aeração do solo. 
Mas podem ganhar variedade com diferenças de distância do 
observador, iluminação, sombras e contrastes. Para o desenvolvimento 
estético do projeto, avalia-se: os elementos estéticos e os princípios da 
composição. O programa de arborização deve estabelecer para cada rua 
ou padrão de rua a espécie e o porte de árvore a utilizar. 
 
 
Figura 3: Detalhe da proposta de revitalização da Avenida Júlio Assis 
Cavalheiro 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
 
165 
 
 
Figura 4: Imagens volumetrica da proposta de revitalizacao da Avenida Julio 
Assis Cavalheiro - Francisco Beltrao – PR 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
 
Figura 5: Imagens volumetrica da proposta de revitalizacao da Avenida Julio 
Assis Cavalheiro - Francisco Beltrao – PR 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
Elementos do projeto 
São os elementos que efetivamente comporão a alteração 
paisagística do local. 
 Espécies a utilizar para redução da poluição; 
 Espécies a utilizar em estacionamentos; 
 Espécies a utilizar em canteiros centrais; 
 Parâmetros para Implantação de Arborização em Calçadas. 
Proposta de plantio dos seguintes tipos de árvores e vegetações: 
 Carambola; 
166 
 
 Jerivá; 
 Acácia Mimosa; 
 Podocarpo; 
 Manacá da serra; 
 Gramíneas; 
 Flores das Estações. 
Constituem-se na materialização das soluções e propostas 
levantadas a partir dos problemas analisados nas fases anteriores e o 
emprego dos princípios estéticos. Entre estes podem existir: piso, 
modelagem do terreno, obstruções visuais, infraestrutura a acrescentar, 
estruturas a construir, vegetação, mobiliário, iluminação, sinalização e 
obras de arte e elementos decorativos. 
Para a exposição das soluções propostas, devem existir recursos 
visuais e explicativos que mostrem claramente: o proposto na 
concepção global do projeto, todos os elementos nele contidos, 
procedimentos e etapas de execução. 
 
Legislação 
De acordo com a Constituição Federal, toda cidade com mais de 
20 mil habitantes deve, obrigatoriamente, contar com plano diretor 
aprovado pela Câmara Municipal. Daí a existência de zoneamentos 
urbanos identificando setores com vocações, destinações e regras de 
ocupação específicas. Os zoneamentos determinam as regras de 
167 
 
ocupação específicas que, por sua vez, geram facilidades e/ou 
dificuldades para a existência da arborização urbana. 
A junção destas determinações legais básicas define as 
possibilidades de efetivação da arborização urbana em seus diferentes 
aspectos. 
As Leis que atribuem às prefeituras a responsabilidade sobre a 
realização da poda são o Art. 65 do Código Civil e o Art. 151 do 
Código das Águas. Em áreas urbanas os cortes e as podas são 
licenciados pelos municípios, normalmente pelas Secretarias de 
Agricultura e de Meio Ambiente. 
 
Considerações finais 
A presente pesquisa acadêmica foi realizada com o objetivo de 
expor as relações entre cidade e arborização e as confrontações dessa 
compreensão e a realidade observada na Avenida Júlio Assis Cavalheiro 
na cidade de Francisco Beltrão. Para se alcançar os objetivos 
realizaram-se pesquisas bibliográficas e de observação, com emprego 
de instrumento de coleta de dados in loco e através de pesquisa. Pôde-se 
perceber, pela pesquisa, que os fatores que influenciam com uma 
arborização adequada, dependem de múltiplas variáveis, as quais 
extrapolam o escopo deste trabalho. Há necessidades que vão desde as 
teorias sobre os espaços, planejadores até a necessidade de 
conhecimentos amplos sobre planejamento e estruturação de 
arborização por parte de todos os agentes envolvidos na urbanização. 
Verificou-se que, embora haja normatização, orientações legais para o 
168 
 
planejamento, construção, uso e manutenção dos espaços e das arvores 
e vegetações ali propostas. Embora pesem favoravelmente as iniciativas 
e ações dos integrantes da instituição, e mesmo que o trabalho de 
adequação dos ambientes tenha sido considerado “adequado” pelos que 
estão no poder urbanístico hoje do município, é evidente a carência de 
uma arborização planejada na avenida.No que se refere ao das arvores 
para cada ser humano e a importância de cada espécie citada na 
metodologia da pesquisa. 
Existem dificuldades no que se refere à irrigação das vegetações 
hoje plantadas. Constatou-se não haver essa compreensão, 
principalmente por parte do serviço publico. Salienta-se que para se 
chegar às presentes considerações foram essenciais os ensinamentos dos 
autores pesquisados, que engrandeceram a fundamentação teórica. 
 
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170 
 
 
 
CAPÍTULO 9 
 
SUSTENTABILIDADE URBANA: O SISTEMA WETLAND 
PARA O TRATAMENTO DE EFLUENTES 
 
Jean C. Appel 
Fernanda Mombach Gonçalves 
Danielly Leticia Rebelato 
Rodney Rebelato 
Ariadne Silvia de Farias 
 
Introdução 
O presente texto se propõe a tratar de um problema crescente e 
muito preocupante em nossa sociedade. O crescimento desenfreado de 
áreas urbanas e os problemas acarretados por esse crescimento sem 
planejamento. O que se observa, atualmente, é um aumento 
significativo no consumo de bens duráveis e não duráveis, sem a 
preocupação com seu descarte, a expansão das grandes cidades, cada 
vez mais povoadas e menos verdes, além da degradação da natureza via 
a emissão de gases tóxicos e poluidores do meio ambiente, entre tantos 
outros exemplos. 
Faz-se necessário uma reflexão acerca do sistema que vem sendo 
adotado nas grandes, médias e pequenas cidades. O rápido adensamento 
dos centros urbanos demanda a adoção de medidas e intervenções 
171 
 
sustentáveis, na busca por um ambiente urbano construído de forma 
mais eficiente, sob uma configuração sócio espacial, econômica, 
ambiental e cultural menos individualista e mais coletivista. Segundo 
Paula Raquel da Rocha Jorge Vendramini (2005), na obra “Limites e 
possibilidades da sustentabilidade do meio urbano”, as cidades são 
cheias de especificidades devido a concentração de pessoas, que 
possuem necessidades culturais e sociais e aonde se misturam o meio 
ambiente natural e o construído. Devido a estes problemas, surge a 
emergência em adotar medidas que se proponham a transformar a atual 
realidade urbana, buscando um ambiente urbano mais equilibrado, que 
possa contar com o auxílio das novas tecnologias para a construção de 
cidades mais verdes e sustentáveis. 
 
O metabolismo das cidades 
O metabolismo das cidades depende, além de seu ambiente 
construído e natural, de seu funcionamento diário. Segundo Vendramini 
et. al (2005), o funcionamento das cidades possui dois lados: de um lado 
a cidade precisa de bens que a movimentem, energia, combustível, 
alimentos, água, etc. De outro lado, a cidade gera resíduos poluentes 
como a poluição do ar, da água através de resíduos líquidos e sólidos. 
Segundo Vendramini (2005), a poluição do ar, os efluentes líquidos, os 
resíduos sólidos e os produtos químicos precisam de uma área natural 
capaz de assimilá-los ou simplesmente armazená-los. Essa área 
impactada no processo de produção dos recursos somada a área 
necessária para a deposição e a assimilação de seus resíduos chama-se 
172 
 
Pegada Ecológica. Segundo Girardet (apud Vendramini, 2005), o 
metabolismo das cidades corre de forma unidirecional e se chama 
metabolismo linear e é essa forma de metabolismo para a situação 
ambiental insustentável que se vive hoje. 
Este metabolismo, além de prejudicial, vem sendo alterado 
devido ao crescimento acelerado das cidades, o aumento da população e 
do uso dos recursos naturais renováveis e não renováveis sem 
discriminação, o que vem causando uma saturação no meio ambiente, 
podendo ocasionar um colapso em nosso sistema. Por isso vem-se 
falando em desenvolvimento sustentável. Mas a questão é o que seria o 
desenvolvimento sustentável? Para se ter um desenvolvimento 
sustentável devemos abranger diversas áreas, considerando os quesitos 
ambiental, ecológico, social, político, econômico, cultural, espacial e 
institucional. 
Entre estes, o meio ambiente deve ser pensado abrangendo a fauna, a 
flora, os rios, mares, matas, mas também o meio ambiente artificial, 
abrangendo cidades, áreas agrícolas ou praças e parques onde houve 
modificação de suas características naturais, e ainda o meio ambiente 
cultural, ampliando a área de atuação para o patrimônio histórico, 
arquitetura vernacular ou processos de manejo. 
Dentre os diversos problemas apresentados pelas grandes e 
pequenas cidades, um dos mais graves é a redução das áreas verdes. O 
que se encontra é uma supervalorização do ambiente construído e as 
áreas verdes naturais sendo deixadas em segundo plano, diminuindo a 
qualidade de vida dos seus cidadãos. É o meio ambiente natural que 
173 
 
garante a sobrevivência do meio ambiente artificial, pois é o primeiro 
que produz energia, alimento, oxigênio e que absorve os malefícios 
causados pela poluição causada pelos humanos. 
Antigamente pensava-se na natureza como sendo uma fonte 
inesgotável de recursos, mas com o uso indiscriminado destes e o pouco 
tempo para sua recuperação, o que presenciamos é um esgotamento dos 
mesmos. O meio ambiente se encontra sobrecarregado e suas fontes 
estão sendo cada vez mais poluídas. Segundo Vendramini e Martini 
(2005), as cidades ocupam apenas 5% do território terrestre. Para Alva, 
o funcionamento das cidades pode ser comparado à Segunda Lei da 
Termodinâmica; assim, quanto mais intensa for a entropia, maior a 
dependência por recursos externos e maior será o potencial de gerar 
impactos negativos no seu entorno. 
Para seu funcionamento, as cidades são compostas por diversos 
elementos estruturais, divididas em diversos setores, que são 
responsáveis por sua organização e funcionamento. Muitos desses 
setores são apenas organizacionais ou de embelezamento, mas em sua 
grande maioria, possuem funções estruturais, essenciais para o correto 
funcionamento dessa complexa malha urbana.São cinco os principais 
subsistemas da malha urbana: subsistema viário, de abastecimento de 
água, de drenagem pluvial, de esgoto sanitário, de energia e subsistema 
de comunicação. Um dos que mais causa problemas é o de esgoto 
sanitário, causando poluição em nossas águas, devido à falta de 
tratamento ou, ainda, ao tratamento inadequado. 
 
174 
 
 
 
Subsistema de recolhimento e tratamento de esgoto 
O subsistema de esgotamento sanitário está intimamente ligado 
ao sistema de abastecimento de água, já que uma vez fornecida, gera a 
necessidade de coleta e disposição destas águas servidas, serviço 
indispensável nos centros urbanos, como forma de manter o solo, os 
lençóis freáticos, livres das impurezas das águas servidas. Segundo 
Azevedo Netto et al (1998), define-se como sistema de esgoto sanitário 
o conjunto de obras e instalações destinadas a propiciar a coleta, 
afastamento, condicionamento (tratamento, quando necessário) e 
disposição final do esgoto sanitário de uma comunidade, de forma 
contínua e higienicamente segura (sem riscos para a saúde). 
(AZEVEDO NETTO et al., 1998). 
Conforme Azevedo Netto et al (1998), a instalação desse 
sistema visa a melhoria das condições de higiene; a conservação dos 
recursos naturais (especialmente da água); a coleta e afastamento do 
esgoto sanitário; a disposição adequada dos efluentes; a eliminação dos 
focos de poluição e contaminação, assim como de aspectos estáticos 
desagradáveis; a proteção da comunidade e de estabelecimentos de 
jusante; a preservação de áreas para lazer e práticas esportivas. 
Contudo o sistema adotado atualmente, de tratamento biológico, 
pode não ser o mais adequado a nossas necessidades atuais. Algumas 
cidades sofrem com o tratamento inadequado e o despejo da água ainda 
não tratada adequadamente aos cursos d´água. No Brasil menos de 40% 
175 
 
do tratamento urbano é tratado (RedeAcqua, 2011). Outro problema se 
encontra no mau cheiro desses sistemas de tratamento e a má impressão 
causada pela estrutura muitas vezes feia dessas estações de tratamento. 
Por isso o estudo de novas tecnologias adotadas. 
 
Busca por soluções inovadoras e sustentáveis: o sistema wetlands 
Um novo sistema que vem sendo usado em países mais 
desenvolvidos e já em algumas cidades brasileiras, e com grande 
aprovação por parte dos cientistas e da população, é o sistema das 
wetlands construídas. 
Segundo Zanella, Nour e Roston (2009), conceitua-se wetland 
como: 
Wetland é a denominação inglesa genérica dada às 
áreas úmidas naturais onde ocorre a transição entre 
os ambientes aquáticos e terrestres, reconhecidas 
como um rico habitat para diversas espécies e 
capazes de melhorar a qualidade das águas. Os 
pântanos, brejos, charcos, várzeas, lagos muito 
rasos e manguezais são exemplos desse tipo de 
terreno. 
 
Já a wetland construída é definida como sistemas naturais de 
tratamento de efluentes que tiram partido do conjunto solo-planta para o 
pós-tratamento de efluentes. Os sistemas de wetlands-construídas, ao 
contrário dos alagados naturais, são elaborados com a finalidade de 
receber esgotos previamente tratados e proporcionar um incremento na 
qualidade desse esgoto. Podem ser definidas como sistemas alagados ou 
saturados, de matriz solo, planta e microrganismos, construídos 
176 
 
especificamente para o controle de poluição ou tratamento de efluentes. 
São, portanto, sistemas controlados que simulam e aceleram as 
condições naturais encontradas nos terrenos alagados naturais. (NOUR 
e ROSTON, 2009). 
Esse novo sistema além da melhoria no tratamento do esgoto, 
tem o apelo estético, já que sua cobertura vegetal embeleza o ambiente, 
o que acaba por atrair a população, que por vezes é contra a implantação 
de sistemas de esgoto próximo a suas casas devido ao aspecto feio e ao 
mau cheiro. 
Basicamente, esses sistemas são constituídos de canais 
preenchidos por meio poroso com alta condutividade hidráulica 
(usualmente cascalho, areia grossa ou brita), o qual dá suporte ao 
crescimento de macrófitas e de biofilme, além do fundamental papel de 
atuar como filtro para alguns poluentes. Mas sofre algumas variações, 
de acordo com as especificidades do local aonde será implantado. As 
variantes são: o fluxo principal de escoamento; e, a posição da lâmina 
d‟água em relação ao meio suporte e em relação ao tipo de vegetação 
utilizado. A classificação dessas variantes ocorre da seguinte forma: 
fluxo horizontal; fluxo superficial, por meio de: vegetação emergente, 
vegetação flutuante, vegetação fixa de folhas flutuantes, e/ou, ainda, 
vegetação submersa (fixa ou livre); fluxo sub superficial; fluxo 
combinado; e, fluxo vertical. 
As wetlands de fluxo sub superficial construídas para o 
tratamento de efluentes são tanques rasos ou canais preenchidos com 
meio suporte, sendo adicionada vegetação adaptada a este tipo de água 
177 
 
poluída e saturada. O esgoto deve escoar horizontalmente pelo leito, 
com o nível da lâmina líquida abaixo da superfície do leito, evitando, 
assim a geração de odores, a exposição dessas águas ao homem ou 
animais e a proliferação de insetos. Esse esgoto deve sofrer ação de 
microrganismos aderidos ao meio suporte e das plantas e de processos 
físicos de filtração e decantação. Já o meio de suporte proporciona uma 
superfície para a adesão de biofilme, funcionando, assim, como uma 
área ativa nos tratamentos dos efluentes. Isso acarreta um melhor 
aproveitamento da área, sendo necessária uma menor área no 
tratamento. 
 
Estudos de caso 
1. Feagri 
Foi realizado um experimento, utilizando um sistema que trata o 
esgoto gerado pela Feagri e laboratórios adjacentes e conta com um 
reator compartimentado anaeróbio de três câmaras, responsável pelo 
tratamento secundário, e um conjunto de seis wetlands-construídas, 
operando em paralelo, para o pós-tratamento. Cada uma das wetlands 
tem dimensões de 2,7 m de comprimento por 1,7 m de largura por 0,50 
m de profundidade e volume total de 2,3 m³. O volume útil teórico dos 
tanques é função do índice de vazios do meio suporte utilizado: 44,7% 
para brita e 73,4% para os anéis de bambu. 
Três das wetlands têm como meio suporte pedra britada n°1 
adquirida comercialmente, as demais são preenchidas com um meio 
178 
 
suporte inovador: anéis de bambu de cerca de 5 cm de altura por 5 cm 
de diâmetro. 
Embora ainda não corriqueiro, uma série de 
espécies vegetais de interesse ornamental pode ser 
adaptada ao sistema de pós-tratamento de esgotos. 
Inicialmente duas espécies haviam sido escolhidas 
como espécies principais para avaliação: Cyperus 
papyrus (papiro), Zantedeschia aethiopica (copo 
de leite). Após problemas de adaptação 
apresentados pelo copo de leite, novas espécies 
foram agregadas ao sistema, dentre elas mais duas 
espécies consideradas principais: Canna x 
Generalis (biri) e Cyperus isocladus (mini papiro); 
e espécies secundárias: Alpinia purpurata 
(alpínia), Alpinia zerumbet variegata (alpínia 
concha listrada), Zingiber spectabile (gengibre 
ornamental), Agapanthus africanus (agapanto), 
Dietes bicolor (moréia), Heliconia psittacorum 
(helicônia-papagaio), Neomarica caerulea (falso 
íris), Nelumbo nucifera (flor de lótus). 
Devido ao seu crescimento vigoroso, o papiro foi 
utilizado como planta principal em dois tanques. 
Outros dois, chamados de “plantas mistas”, 
tiveram o copo de leite, o mini papiro e o biri 
como plantas principais. Os últimos dois tanques 
não foram vegetados. 
O crescimento vegetal foi visivelmente superior 
nas wetlands-construídas que utilizavam leito de 
brita. Os valores médios de interesse para os 
parâmetros de controle das wetlands-construídas 
são apresentados na Tabela 1. 
Os resultados referentes à eficiência de remoção 
são apresentados tomando por base a concentração 
do parâmetro no líquido, método tradicional de 
verificação, embora a remoção real dode maneira adequada. Geralmente causada pela falta 
12 
 
de técnicos habilitados, especialmente de arquitetos e urbanistas, para 
planejar e gerir questões inerentes a essa problemática. Fato apontado 
por Infraguide quando afirma que os órgãos responsáveis pela gestão 
municipal, muitas vezes, não possuem condições técnicas para atender, 
muito menos para prever as necessidades da população (2003 apud 
MICHEL; BRANDLI; LOPES, 2013, p.13), 
Dentro deste contexto, percebe-se como o meio urbano precisa 
de uma infraestrutura proporcional à demanda do seu crescimento, e 
como os órgãos públicos necessitam aprimorar o seu corpo técnico, para 
poder regular e minimizar com eficiência os problemas causados pelo 
crescimento urbano. Partindo desses pressupostos, o presente trabalho 
objetiva discutir e averiguar a atuação do profissional arquiteto e 
urbanista perante a gestão e o planejamento dos sistemas de 
infraestrutura urbana. 
Sendo assim, para o melhor entendimento da capacidade deste 
profissional quanto à resolução dos problemas apontados, o artigo será 
organizado em três seções. Inicialmente será apresentada a conceituação 
e a importância dos sistemas de infraestrutura urbana. Na segunda parte 
será abordada a urbanização no Brasil e a sua relação com a 
infraestrutura urbana. Por fim, na terceira parte será discutida a 
responsabilidade do poder publico quanto ao planejamento e quanto à 
gestão urbana, especificamente quanto aos sistemas de infraestrutura 
urbana, e como o profissional arquiteto e urbanista pode contribuir neste 
contexto. 
 
13 
 
 
 
Sistemas de infraestrutura urbana: conceituação 
A infraestrutura urbana, segundo Zmitrowics (1997) é 
conhecida como o conjunto de sistemas técnicos de equipamentos e 
serviços necessários ao desenvolvimento das funções do meio urbano. 
Zmitrowics (1997) definem estas funções sob os seguintes 
aspectos: 
− Aspecto social: visa promover adequadas 
condições de moradia, trabalho, saúde, educação, 
lazer e segurança. 
− Aspecto econômico: deve propiciar o 
desenvolvimento de atividades de produção e 
comercialização de bens e serviços. 
− Aspecto institucional: deve oferecer os meios 
necessários ao desenvolvimento das atividades 
político-administrativas da própria cidade. 
 
Pode-se classificar o sistema de infraestrutura urbana, segundo 
Zmitrowics (1997), como o conjunto dos seguintes subsistemas técnicos 
setoriais: 
a) Subsistema Viário: é composto de uma ou mais 
redes de circulação, de acordo com o tipo de 
espaço urbano, sendo complementado pelo 
subsistema de drenagem de águas pluviais, que 
assegura o uso sob quaisquer condições climáticas. 
b) Subsistema de Drenagem Pluvial: tem como 
função promover o adequado escoamento da água 
das chuvas que caem nas áreas urbanas, 
assegurando o trânsito público e a proteção das 
edificações, bem como evitando os efeitos das 
inundações. 
c) Subsistema de Abastecimento de Água: tem 
como função prover toda a população de água 
14 
 
potável suficiente para todos os usos. Sendo assim, 
a qualidade e a quantidade da água são, pois, as 
duas condições primordiais a serem observadas. 
d) Subsistema de Esgotos Sanitários: tem a função 
de afastar a água distribuída à população após o 
seu uso, sem comprometer o meio ambiente. 
Sendo assim, este subsistema constitui-se no 
complemento necessário do subsistema de 
abastecimento de água e cada trecho da rede de 
distribuição de água deve corresponder ao da rede 
coletora de água servida. 
e) Subsistema Energético: fundamentalmente tem 
a função de prover a população com dois tipos de 
energia: elétrica e de gás. Basicamente, para ter-se 
o fornecimento de energia elétrica é necessário um 
conjunto de elementos interligados com a função 
de captar energia primária, convertê-la em elétrica, 
transportá-la até os centros consumidores e 
distribuí-la neles, onde é consumida por usuários 
residenciais, industriais, serviços públicos, entre 
outros. 
f) Subsistema de Comunicações: compreende a 
rede telefônica e a rede de televisão a cabo, sendo 
as conexões feitas por condutores metálicos. As 
redes de infraestrutura que compõem este 
subsistema (cabeamento e fios) seguem 
especificações similares às do sistema energético. 
 
A classificação desse sistema pode ser vista também, sobre 
outro aspecto. Segundo Mascaró e Yoshinaga (2005), os serviços de 
infraestruturas estão divididos em dois grandes grupos: o primeiro 
abrange todos os serviços essenciais para qualquer cidade, enquanto que 
o segundo abrange as infraestruturas de grande porte, abundantes nos 
grandes centros urbanos. Ainda divide esses grupos em subsistemas, de 
acordo com vários critérios. O primeiro grupo pode se classificar 
segundo a sua função, a sua localização no espaço urbano ou o seu 
15 
 
princípio de funcionamento. Já o segundo grupo, que é considerado de 
grande porte, apenas se encontra nas grandes cidades. São elas as redes 
metropolitanas e os anéis rodoviários. 
 
A relação entre a urbanização e a infraestrutura urbana 
O processo de urbanização nada mais é do que a construção da 
cidade, pois nela são estabelecidos os espaços que atendem às 
necessidades da população, os quais devem proporcionar bem estar e 
qualidade de vida (MARICATO, 2001 apud NOGUEIRA; BIDARRA, 
2012, p.4). No Brasil este processo se intensificou, especialmente, a 
partir da década de 50, tendo influência direta do desenvolvimento da 
industrialização no país. Deste modo, as cidades se constituíram no 
modo capitalista de produção, que se caracteriza por uma intensa 
desigualdade social. 
Neste contexto, temos a exclusão social, segundo Nascente e 
Ferreira (2007) como um dos principais marcos do processo de 
urbanização. O desenvolvimento urbano dentro de um sistema 
capitalista se comporta de tal maneira, que acaba deixando de lado as 
classes mais pobres, que são segregados, viverem em áreas de menor 
valor econômico, sem acesso a serviços urbanos e infraestrutura 
adequada. 
Segundo Mascaró e Yoshinaga (2005, p.21), “um dos maiores 
desafios do crescimento equilibrado e duradouro das populações é 
provê-las de serviços urbanos em quantidade e qualidade suficientes.” 
Para Nogueira e Bidarra (2012) o crescimento territorial de uma cidade 
16 
 
deve vir acompanhado da implantação de infraestrutura e de 
equipamentos urbanos, pois à medida que o espaço urbano cresce, o que 
anteriormente era satisfatório, pode, então, tornar-se ineficaz. 
Desde modo, percebe-se como a infraestrutura urbana é de 
fundamental importância para uma cidade, uma vez que forma parte 
indissolúvel dela (ZMITROWICS; ANGELIS NETO, 1997). É 
importante ressaltar que o desenvolvimento e a implantação de redes de 
infraestrutura são tão antigos quanto a evolução das cidades, pois, desde 
a antiguidade até hoje, as redes têm acompanhado as diferentes etapas 
pelas quais as cidades passaram até a atualidade (MASCARÓ E 
YOSHINAGA, 2005). 
 
Gestão e planejamento dos sistemas de infraestrutura urbana 
A gestão pública é uma consequência da administração de 
recursos disponíveis, levando em consideração as necessidades 
imediatas. Esta gestão estará presente durante todas as fases do 
planejamento. Dessa forma, o planejamento urbano sempre antecederá a 
gestão (MICHEL; BRANDLI; LOPES, 2013). 
Cada administração desenvolve um modelo de gestão apoiados 
em padrões de planejamento, integração territorial, estratégias e 
participação, envolvendo opiniões e anseios da população (MICHEL; 
BRANDLI; LOPES, 2013). 
Segundo Silva (2010 apud NOGUEIRA; BIDARRA, 2012, p.4) 
o planejamento urbano pode ser visto como um conjunto de ações que 
auxiliam na ordenação da cidade, tendo metas a serem atingidas e 
17 
 
sofrendo modificações periódicas. Ainda na perspectiva do autor citado, 
tem-se o cenário brasileiro, onde o planejamento urbano efetiva-se 
através de quatro tipossistema 
deva ser verificada em termos de carga já que 
muita água é perdida pela evapotranspiração da 
vegetação utilizada, subestimando a capacidade do 
sistema. 
179 
 
 
Tabela 1: Valores médios dos parâmetros de controle do sistema de wetlands-
construídas 
Parâmetro 
brita + 
papiro 
brita + 
mistas 
brita sem 
vegetação 
bambu + 
papiro 
bambu + 
mistas 
bambu sem 
vegetação 
TDH (dias) 1,5 1,9 2,1 1,3 1,0 1,3 
Remoção de DBO 
(%) 
49,4 61,6 58,4 30,9 20,1 45,4 
Remoção de DQO 
(%) 
62,1 63,9 55,8 23,1 29,7 20,4 
Remoção de SST 
(%) 
71,6 76,2 74,8 60,8 52,0 62,5 
Remoção de SSF 
(%) 
69,2 70,8 51,3 62,1 39,9 54,3 
Remoção de SSV 
(%) 
71,5 82,4 77,9 56,0 64,0 64,1 
OD (mg.L-1) 3,3 2,5 2,7 1,8 1,8 1,4 
Cor (mgPt.L-1) 242,11 200,67 159,09 415,39 404,47 384,62 
Turbidez (UT) 27,5 19,0 12,5 47,1 48,1 45,3 
Remoção de Ptotal 
(%) 
31,9 7,9 5,1 6,7 8,3 3,4 
Remoção de 
nitrato (%) 
21,1 29,5 38,5 31,1 17,3 13,0 
Remoção de nitrito 
(%) 
-89,5 -15,8 -27,3 -57,9 -79,2 -49,8 
Remoção de 
Namoniacal (%) 2,9 -17,0 -5,8 -23,2 -21,0 -32,3 
Remoção de 
Norgânico (%) 
5,3 -18,5 26,4 1,7 5,9 7,2 
Remoção de 
Coliformes totais 
(%) 
86,0 75,1 51,1 92,0 50,3 40,1 
Remoção de 
coliformes 
termotolerantes 
(%) 
91,7 59,9 92,8 91,6 71,0 75,9 
180 
 
Fonte: http://www.cehop.se.gov.br/. Acesso em: maio/2015. 
 
Segundo o experimento, esse sistema mostrou-se apto para ser 
utilizado como pós-tratamento de reatores anaeróbios tratando esgotos 
domésticos e apresentou as características paisagísticas buscadas, com 
boa adaptação das espécies utilizadas às condições impostas pelo 
sistema. As espécies que melhor se adaptaram foram o papiro, biri e 
mini-papiro. Já os anéis de bambu surgem como possibilidade de 
material suporte à vegetação e aos microrganismos em sistemas de 
wetlands-construídas embora os resultados obtidos com leito de brita 
tenham sido melhores. 
2. Nanterre - França 
Na França, o Rio Sena também sofre com a poluição. Em 
Nanterre, foi construído um centro de tratamento que parece um parque, 
aberto ao público, com a objetivo de purificar o Rio Sena. Este projeto é 
obra do arquiteto Thierry Jacquet. O parque estoca água limpa para que 
quando houver tempestade ou um tempo de crise, com muita poluição, a 
água limpa é enviada ao rio para que os peixes não morram asfixiados. 
O sistema funciona da seguinte maneira: a água do rio Sena é 
levada à uma estação através do Parafuso de Arquimedes, um 
equipamento mecânico que consome pouca energia, até os jardins aonde 
será filtrada. 
181 
 
 
Figura 1: Parafuso de Arquimedes. 
Fonte: Imagem retirada do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2d. Acesso em: out./2014. 
 
No primeiro jardim é realizada a primeira etapa do tratamento, é 
tirado o grosso, retira o que deixa a água mais turva, a gordura, os 
hidrocarbonetos, os compostos e partículas orgânicas são filtradas 
naturalmente e depositadas no fundo, no nível das raízes das plantas, 
que vão decompor essa matéria. O objetivo desta primeira etapa é ter 
uma água mais clara, para se passar à segunda etapa. Nesta segunda 
etapa, no segundo jardim, o objetivo é o tratamento bacteriológico, com 
a retirada dos germes patogênicos e dos organismos perigosos para a 
saúde humana. 
As plantas utilizadas não acumulam a sujeira. Os componentes 
orgânicos são tratados nas raízes das plantas, não chegando às mesmas. 
Dentre as plantas usadas, as ninféias são utilizadas porque elas são uma 
bombinha de aeração de água, pequena bomba de ar que aumenta o 
nível de oxigênio da água, principal fator para o funcionamento do 
processo. Terminando a etapa de oxigenação da água, esta fica limpa, 
182 
 
quase potável, podendo ser ingerida sem o perigo de contaminação e 
também é indicada para banho. Esta água tratada fica estocada em um 
local grande, que o arquiteto chama de rio, com capacidade para 
armazenar 30 mil metros cúbicos e essa água é enviada ao rio Sena 
quando necessário. 
O parque era um antigo lixão e os caminhos foram feitos de 
concreto misturados com pets, vidros encontrados ali. Portanto é um 
parque ecológico também. Fica localizado no bairro de Nanterre, no 
subúrbio de Paris e foi valorizado com a implantação do parque, tendo 
inclusive, um considerável aumento dos valores de seus lotes. 
O sistema também tem a vantagem de ser mais barato do que o 
sistema de tratamento de água tradicional, chegando a ser 30% mais 
barato e sendo sua manutenção cerca de 10 a 20% do valor de custos de 
uma unidade de tratamento tradicional, já que não usa produtos 
químicos nem eletricidade. 
 
 
Figura 2: Água no estado inicial 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
183 
 
 
 
Figura 3: Jardins 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
 
 
Figura 4: Jardins 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
 
184 
 
 
Figura 5: Blocos de concreto reciclados 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
 
 
Figura 6: Ninféias 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
 
185 
 
 
Figura 7: Água limpa após o processo 
Fonte: imagens retiradas do programa assistido em 
http://www.youtube.com/watch?v=44xuoigQ2do. Acesso em: out./2014. 
 
Cidades que adotam o sistema no Brasil: alguns exemplos 
 
Novo Hamburgo - RS 
A cidade de Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul vem 
adotando o sistema de wetland. O município tinha apenas 5% do seu 
esgoto tratado e a expectativa é que com a implantação do sistema, 
passe à 40%. Esse sistema foi implantado no município devido ao 
estudo realizado pela Universidade Feevale – Federação de 
Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo. O 
município que gastava cerca de um milhão e meio de reais no 
tratamento de esgoto, pode economizar até um terço do valor. 
A cidade já destinou cerca de 11 hectares de terra para a 
implantação do sistema, aonde serão construídas 9 lagoas. Segundo os 
organizadores do projeto, esse será o maior local de tratamento com 
plantas macrófitas flutuantes do mundo e a intenção é de que vire um 
local de estudo e de visitação pública, motivo pelo qual está sendo 
186 
 
realizado um projeto urbanístico e paisagístico, visando atender as 
excursões de escolas e de turistas. 
 
Alagoinhas - BA 
Na cidade de Alagoinhas, foi instalado o sistema Wetland e os 
estudos realizados confirmam a eficiência do sistema na redução da 
matéria orgânica, que chegou a 70%, o equivalente a uma unidade de 
tratamento primária. Os valores encontrados indicaram uma redução de 
DBO de 73% e de DQC. Já a redução de sólidos suspensos e da 
turbidez da água foram de 71,8% e 54,7%, respectivamente. 
Segundo os estudos, o emprego de sistemas semelhantes a este 
em pontos de lançamento de esgoto doméstico em corpos d'água 
atenuariam os impactos nos corpos hídricos, melhorando a qualidade de 
suas águas e promovendo uma melhor qualidade para a vida aquática e 
reduzindo o processo de assoreamento. 
Ainda, foi constatado que o investimento para a implantação de 
outras unidades, que funcionariam como pré e pós-tratamento e 
custariam um total de aproximadamente R$ 15,00 por habitante, 
trazendo uma redução de 70% na remoção de DBO do lançamento num 
corpo receptor, conforme comprovam as tabelas apresentadas pelos 
autores: 
 
 
 
 
 
187 
 
Tabela 2: Valores médios de Coliformes Fecais, Coliformes Totais, Demanda 
Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO), 
Sólidos Suspensos (SS), e Turbidez no sistema Caixa de Areia/”Wetland”, 
Alagoinhas, 2003.Parâmetros 
Eficiência de remoção (%) 
Entrada da caixa de 
areia 
Entrada da 
“wetland” 
Saída da “wetland” 
Coliforme fecal 
(NMP) 
4,5 x 105 4,3 x 105 2,6 x 105 
Coliforme total 
(NMP) 
5,0 x 105 5,4 x 105 2,4 x 105 
DBO (mg/1) 601,6 598,3 162,3 
DQO (mg/1) 1.121,5 1.097,5 215,5 
OD (mg/1) 0,8 1,1 1,7 
pH 6,8 6,9 7,0 
S. Suspenso (mg/1) 699,0 419,5 74,3 
S. Totais (mg/1) 2.204,0 1.571,8 620,5 
Turbidez (UNT) 232,8 205,0 105,6 
Fonte: REIS et. al (2003, p. 5). 
 
 
Tabela 3: Eficiência média de remoção de Coliformes Fecais, Coliformes 
Totais, Demanda de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO), 
Sólidos Suspensos (SS), e Turbidez no sistema Caixa de Areia/”Wetland”, 
Alagoinhas, 2003. 
Parâmetros 
Eficiência de remoção (%) 
“wetland” Caixa de areia e “wetland” 
Colifrme fecal 40,1 42,9 
Coliforme total 55,5 51,5 
DBO 72,9 73,0 
DQO 80,4 80,8 
S. Suspenso 60,5 71,8 
Turbidez 48,4 54,7 
Fonte: REIS et. al (2003, p. 5). 
 
Proposta de intervenção 
A proposta consiste na implantação de uma wetland na cidade 
de Francisco Beltrão, nas proximidades do prolongamento da Avenida 
Júlio Assis Cavalheiro, visando atender a demanda por tratamento de 
esgoto dos loteamentos que estão surgindo e dos bairros próximos. O 
188 
 
sistema faria parte de complexo de parque urbano na extensão do novo 
lago instalado próximo à Universidade Paranaense – UNIPAR, e tem 
por objetivo, não apenas a adoção de um novo sistema de tratamento de 
esgoto, mas também proporcionar aos moradores dos bairros próximos 
e mesmo ao município, um local de passeio, agradável, aonde possam 
praticar esportes, caminhar ou apenas passear com amigos e família. 
O município de Francisco Beltrão possui uma estação de 
tratamento de esgotos sanitários, mas esta já está defasada e devido a 
sua localização, não possui mais meios de crescimento. Seu sistema, 
também, interfere na qualidade de vida dos moradores vizinhos, que já 
sentem o desconforto devido ao mau cheiro. 
Esse sistema, sendo implantado, não traz qualquer desconforto 
visual ou olfativo, além de reduzir os gastos com o tratamento, 
podendo, após todo o processo, despejar a água já limpa nos lagos e rios 
da cidade. 
 
Figura 8: Localização da proposta 
Fonte: Adaptado de Google Maps. 
 
189 
 
 
Figura 9: Mapa com localização segundo mapa de Francisco Beltrão 
Fonte: Adaptado de http://franciscobeltrao.pr.gov.br 
 
190 
 
 
Figura 9: Áreas de abrangência da proposta 
Fonte: Adaptado Google Maps 
 
 
 
Figura 10: Implantação do parque ambiental 
191 
 
Fonte: Os autores (2014). 
 
Figura 11: Representação gráfica da estação wetland 
Fonte: Os autores (2014). 
 
 
 
 
Figura 12: Representação do funcionamento 
Fonte: http://www.phytorestore.com/en/la-bioferme.html. Acesso em: 
out./2014. 
 
192 
 
 
Figura 13: Representação do funcionamento do sistema com as plantas 
Fonte: http://projects.inweh.unu.edu/inweh/display.php?ID=2721. Acesso em: 
out./2014. 
 
Considerações finais 
A gestão dos resíduos e efluentes humanos é umas das questões 
mais problemáticas enfrentadas hoje pelos gestores do espaço urbano. 
No Brasil, muitas casas, sejam em áreas urbanas ou rurais, não possuem 
coleta e tratamento adequado de seus efluentes, que acabam sendo 
lançados sem qualquer tratamento em rios, lagos, córregos e, por vezes, 
diretamente no solo. Mais alguns agravantes, há muito tempo 
anunciados, a escassez de água, a poluição dos rios e lagos e mesmo de 
nossos aquíferos, são situações inaceitáveis. 
Muitos estudos vêm procurando acabar com esses problemas 
sociais, através de tratamentos novos e diferenciados. As wetlands se 
configuram como um sistema natural menos dispendioso e que não 
ocasiona grandes alterações no meio urbano, podendo fazer parte das 
áreas comuns da população. Os sistemas de wetlands aqui apresentados, 
são soluções modernas, mais baratas e muito eficientes, que além de 
193 
 
apresentarem uma solução para o tratamento de esgoto sanitário, 
também possuem uma função paisagística para a área de sua 
implantação. 
 
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YOUTUBE. Home Page. Programa Globo News: Cidades e Soluções. 
Disponível em acesso em 
29 de Outubro de 2014. 
YOUTUBE. Home Page. Programa Fish TV - Tratamento de esgoto com 
plantas. Disponível em 
acesso em 29 de Outubro de 2014. 
 
 
 
195 
 
 
 
CAPÍTULO 10 
 
OCUPAÇÃO DESORDENADA DO SOLO E ENCHENTES: 
ESTUDO DE FRANCISCO BELTRÃO - PR 
 
Maicon de Oliveira 
Monique Capoani 
 Telmo Cioatto 
Guilherme Daltoé 
 
Introdução 
O planeta está passando por alterações climáticas cada vez mais 
graves, onde os fatores da natureza, como a chuva e a temperatura, 
estão atípicos. Essas alterações trazem alguns dos fenômenos naturais 
que não desejamos, sendo eles: as cheias, inundações, alagamentos e 
enchentes.De acordo com VALENTE (2009), cheias, enchentes e 
inundações, são resultados de comportamentos de cursos d`água, já os 
alagamentos, se define sendo o acúmulo de água formados pelas 
enxurradas, ocorridas em áreas total ou parcialmente 
impermeabilizadas. 
Estes fenômenos citados são considerados fenômenos naturais, 
no entanto estão cada vez mais graves por consequência das 
196 
 
interferências irregulares dos homens perante a natureza. Para TUCCI 
(1995): 
As enchentes urbanas são um problema crônico no 
Brasil, devido principalmente à gerência 
inadequada do planejamento de drenagem e à 
filosofia errônea dos projetos de engenharia. A 
gestão deficiente é resultado da falta de 
mecanismos legais e administrativos, de controle 
da ampliação das cheias devido à urbanização 
(TUCCI, 2008, p.15). 
 
Em Francisco Beltrão, esses fenômenos já se tornaram 
realidade. De acordo com o jornal Gazeta do Povo em um dos 
alagamentos ocorridos na cidade em Junho de 2014, um total de 200 
famílias apresentaram-se desabrigadas, o que causou desordem na vida 
das famílias atingidas, problemas de saúde decorrente da água em 
contato com o lixo, perdas materiais, deixando um prejuízo ao 
município de aproximadamente, R$ 4,5 milhões. (PEREIRA, 2014) 
De acordo com MENDONÇA (1994), no município de 
Francisco Beltrão, as inundações que ocorrem na área urbana de tempos 
em tempos e que marcaram seu desenvolvimento e a vida de seus 
moradores, estão vinculadas ao transbordamento das águas dos canais 
naturais do rio Marrecas e seus afluentes, Urutago e Lonqueador, 
situados na parte interna da cidade. 
Dentro deste contexto, o objetivo da presente pesquisa é 
analisar o histórico do processo de enchentes ocorridas na área urbana 
de Francisco Beltrão – PR, buscando apresentar as causas e 
consequências, além das possíveis soluções para amenizar esta 
problemática na cidade. 
197 
 
 
Problemática 
Francisco Beltrão localiza-se na região sudoeste do Paraná. Este 
município, a exemplo do que aconteceu com muitas cidades durante 
suas gêneses, teve a formação de sua área urbana nas margens de um 
rio, o Rio Marrecas. Na época, da formação da cidade não houve o 
planejamento com relação à expansão urbana, e com o crescimento 
horizontal desordenado apareceram algumas problemáticas, entre elas 
os alagamentos, ainda presentes nos dias atuais. 
A falta de ações administrativas que possam oferecer soluções 
para as áreas de risco traz ao longo tempo, registros de vários 
alagamentos e perdas de bens por muitas famílias. Por outro lado, 
mesmo com as indicações previstas na lei do uso do solo (Lei nº 6.766, 
de 19 de dezembro de 1979) e no estatuto da cidade (Lei nº 10.257, de 
10 de julho de 2001) a realidade que se encontra na cidade continua 
dando prioridade para a especulação imobiliária, que continua a ocupar 
áreas inadequadas. 
Segundo PENA (2014), os rios intermitentes, aqueles que nunca 
secam durante o ano, costumam ter dois tipos de leito: um menor e 
principal, por onde a água corre durante a maior parte do tempo, e um 
maior e complementar, que é inundado apenas em períodos de cheias. 
Essa manifestação é mais comum em áreas planas, também chamadas 
de planícies de inundação. Justamente as famílias mais afetadas são 
aquelas que estão assentadas sobre o leito maior. 
198 
 
Levando-se em consideração todo o material de pesquisa 
levantado, conversa com profissionais e sugestões populares, 
questionamos se é possível controlar a inundação na cidade de 
Francisco Beltrão, quais seria as medidas cabíveis para se viabilizar 
uma nova solução para esse problema? 
 
Histórico da expansão urbana e incidência de inundações em 
Francisco Beltrão 
Segundo o censo do IBGE do ano de 2010, a população total de 
Francisco Beltrão é de 79.850 habitantes, sendo 63.880 habitantes da 
área urbana, sendo a maior população no Sudoeste do Paraná. 
Atualmente a taxa de crescimento demográfico é de 1,1% ao ano (2000-
2007), próxima a média estadual. 
Ainda de acordo com o IBGE, o município atravessou a sua 
fase de maior crescimento nas décadas de 60 e 70 quando grandes 
contingentes de imigrantes gaúchos e catarinenses chegaram a região, se 
fixando muitos no próprio município de Francisco Beltrão como 
também em outros da região, período que muitos pequenos municípios 
foram então emancipados. 
Segundo informações publicadas no site da Prefeitura de 
Francisco Beltrão, os primeiros imigrantes instalaram-se às margens do 
rio Marrecas, construíram galpões provisórios, que se tornaram então, 
definitivos. A partir deste local, formou-se o povoado, e então, a cidade 
de Francisco Beltrão. E, é a partir do Rio Marrecas, e seus afluentes, 
Urutago e Lonqueador, que em Francisco Beltrão ocorrem as 
199 
 
inundações. Em dias de grande volume pluviométrico, o nível do rio 
cresce aceleradamente, não tendo para onde escoar transborda e acaba 
por afetar as moradias mais próximas da bacia hidrográfica. 
De acordo com SANTIS (2014) as enchentes e inundações 
desse rio devido ao alto índice pluviométrico, datam dos anos 50 e 60, 
já eram motivos de preocupação aos habitantes (Figura 1). Segundo a 
mesma fonte, se tem o depoimento do pioneiro Roberto Grando em que 
ele diz ''Houve uma grande enchente. O rio Marrecas subiu tanto que 
suas águas chegaram ao moinho do lago, distante três quadras das 
margens do rio. Em 1961, o leito do Marrecas transbordou a ponto de 
interditar a ponte da CANGO (bairro local)''. 
 
 
Figura 1: Enchente do rio Marrecas, atingindo ponte de madeira de acesso a 
cidade e. 19/06/1954. 
Fonte: Antropologia Visual de Francisco Beltrão – 2012. 
 
Os relatos de Grando indicam continuidade das enchentes, no 
ano de 1963 houve uma enchente e em 1964, a enchente se deu por 
200 
 
conta da terraplanagem feita nas ruas. E no ano de 1965 ocorreram duas 
enchentes, segundo ele, a década de sessenta foi uma época de muita 
chuva em toda a região do Sudoeste. (SANTIS, 2014) E, em agosto de 
1972, mais um alagamento (Figura 2). 
 
Figura 2: Enchente Rio Marrecas entre as pontes da Av. Luiz Antônio Faedo e 
Av. Júlio Assis Cavalheiro, alagamento das ruas Antonina, Porto Alegre, 
Florianópolis e Guiomar Lopes, em agosto de 1972. 
Fonte: Antropologia Visual de Francisco Beltrão – 2012. 
 
Segundo SANTIS e MENDONÇA, foi no ano de 1983 (Figuras 
3 e 4), que Francisco Beltrão, noticiou a sua maior enchente, atingindo 
no total 4.500 pessoas. 
 
O rio Marrecas subiu 10 m. acima de seu nível 
normal, saindo da caixa, alagando bairros e até a 
Avenida Júlio Assis Cavalheiro, além de represar 
os rios Urutago e Lonqueador. Mais de 1000 casas 
foram atingidas, desabrigando 4.500 pessoas (...) 
Em 20/05, das 9 horas da manhã de Quarta-feira às 
nove da manhã de Quinta feira, registrou-se um 
recorde de 156,2mm de chuva e daquela hora até 
às 20 horas da mesma Quinta feira, mais 70 mm, 
totalizando 226,2mm em apenas 35 horas. O 
marrecas começou a encher por volta das 17 horas 
201 
 
da Quinta-feira, dia 19 e atingiu o ápice às 10 
horas do dia seguinte (Jornal O Estado do Paraná, 
apud SANTIS; MENDONÇA, p.03). 
 
 
Figura 3: Ponte da Av. Júlio Assis Cavalheiro coberta pelas águas do Rio 
Marrecas, em maio de 1983. 
Fonte: Antropologia Visual de Francisco Beltrão - 2012 
 
 
 
Figura 4: Rua Porto Alegre, atingida pela enchente, entre as ruas Sergipe e 
Antônio De Paiva Cantelmo, em maio de 1983. 
Fonte: Antropologia Visual de Francisco Beltrão - 2012 
 
202 
 
No que diz respeito ao ano de 2014, ocorreram três enchentes 
em Francisco Beltrão, a primeira, no dia 1
o 
de maio, a segunda, no dia 
26 de junho, e a última, até então, no dia 29 de setembro. A primeira 
enchente de 2014, fez com que o Rio Marrecas, atingisse 6,4 metros 
acima do leito normal, com dificuldade de vazão, não apenas no rio, 
mas também nos seus córregos, conforme informações do Diário doSudoeste. Com índice pluviométrico superior a 200 mm, foram 
registrados o atendimento de aproximadamente 180 famílias, segundo o 
Corpo de Bombeiros da cidade. 
A segunda enchente de 2014, sendo essa e a anterior, ocorridas 
em um prazo de 60 dias, fez com que Francisco Beltrão, pela segunda 
vez reconhecesse situação de emergência, após uma chuva contínua de 
mais de 200 mm fez com que, o Rio Marrecas atingisse 5,9 metros 
acima do nível normal, deixando um rastro de 200 famílias 
desabrigadas ou em situação grave, segundo informações do site da 
Prefeitura de Francisco Beltrão. 
A última enchente de 2014, até então, obteve um registro de 
110 famílias desalojadas, decorrentes do acréscimo de 5 metros acima 
do nível normal do rio, ocasionado pelo represamento de córregos 
afluentes como os rios Lonqueador, Urutago e Progresso, durante e 
após, aproximadamente 170 mm de chuva. Segundo informações do 
Jornal Gazeta do Povo. 
A cada enchente que acontece em Francisco Beltrão, novos 
pontos são afetados, criando assim um fator surpresa para muitas 
famílias, visto que até então nunca havia chegado até essas residências. 
203 
 
Tem-se como base, um mapa com as áreas afetadas pelas enchentes em 
Francisco Beltrão (Figura 5). 
 
Figura 5: Mapa dos pontos (manchas claras) de alagamentos de Francisco 
Belrão em 2014. 
Fonte: Imagem do Google Earth modificada pelos autores. 
 
A cada dia que a chuva começa, em Francisco Beltrão, 
moradores que de uma forma ou de outra foram afetados, ficam com um 
sentimento de medo, aflitos com os acontecimentos, e na esperança, que 
a chuva não provoque mais danos. Francisco Beltrão, precisa, e logo, de 
projetos e atitudes que minimizem essa situação. 
 
204 
 
Enchentes devido à urbanização 
Da forma desordenada como está acontecendo a ocupação do 
solo urbano no Brasil, sem considerar as características principais e 
deficiências do solo para certas implantações, muitas vezes, aliados à 
falta de infraestrutura adequada, vem ocasionando inúmeros impactos 
negativos para a qualidade do meio urbano. Apesar de atingirem o 
ambiente como um todo, esses impactos se refletem de maneira 
acentuada na qualidade de vida dos habitantes. 
 
O espaço urbano é definido como consequência da 
relação que o homem tem com o espaço construído 
e a natureza, no instante em que surgem 
aglomerados populacionais e as atividades 
humanas se diversificam. Essa relação produz 
mudanças no ambiente para adequação das 
necessidades do homem para torná-lo apto a sua 
habitação e atividades (MOREIRA,1999 apud 
BISPO, 2011, p.02). 
 
A ocupação inadequada dessas áreas, geram impactos 
ambientais que passam pela impermeabilização do solo, alterações na 
topografia, erosão das margens, aumento do escoamento superficial e a 
modificação na quantidade e qualidade dos recursos hídricos, gerando, 
assim, grandes perdas para a cidade, pois domicílios são atingidos. 
De acordo com TUCCI (2008, p.19): 
 
A tendência da urbanização, é ocorrer no sentido 
de jusante para montante, por causa das 
características do relevo. Quando se é projetado 
um loteamento, os municípios exigem que o 
projeto de esgoto pluvial, seja eficiente para drenar 
a água de todo o loteamento, mas quando o 
205 
 
município não tem esse controle, a ocorrência de 
problemas devido a chuva, aumenta, com isso 
ocorrendo perdas sociais e econômicas (TUCCI, 
2008, p.19). 
 
De acordo com AMORIM e CORDEIRO, as cidades no 
passado localizavam-se próximas a rios de médio e grande portes, fato 
esse que aconteceu aqui em Francisco Beltrão. E a partir disso, a parcela 
do leito maior que é ocupada pela população sempre dependeu da 
memória dos habitantes e da frequência com que as enchentes ocorriam. 
E para a maioria dos habitantes, uma sequência de anos sem 
inundações, é motivo para que a sociedade pressione e que não haja 
preocupação para a ocupação do leito maior do rio e suas margens. 
A falta do planejamento sobre a ocupação do solo gera 
consequências que são sentidas em praticamente, todas as cidades, tanto 
de pequeno, médio e grande porte. Depois que o espaço está 
praticamente todo ocupado, as soluções até mesmo para a amenização 
do problema, se tornam extremamente onerosas. Então, o poder público 
passa a investir parte significativa do orçamento para tentar revitalizar 
uma parte da cidade, por falta do planejamento e mau ocupação do solo, 
dinheiro este que poderia estar sendo empregado em outras diretrizes. 
 
Parcelamento do solo 
Conforme ARRUDA (1997), ao se parcelar o solo urbano pode 
ser considerado um início para o desenvolvimento do planejamento. A 
implantação de um loteamento apenas com a finalidade de criar lotes 
para a população sem pensar em como o solo vai agir a esta situação, 
206 
 
como realizado antigamente, tem demonstrado que não foi executado da 
maneira correta. 
 
A dita cooperativa vendeu imóveis em um 
loteamento a terceiros, omitindo a existência de 
hipoteca em favor da Caixa Econômica Federal. E 
o pior: que, em virtude de débitos entre a 
cooperativa e o credor da hipoteca, esta já estava 
sendo executada, estando penhorados os imóveis 
alienados, diversas outras irregularidades foram 
encontradas, desde irregularidades na natureza da 
constituição da cooperativa, até a falta de obras de 
infraestrutura no loteamento (ROSA et al., 2007). 
 
A principal importância do parcelamento de solo pode ser 
considerado como um mecanismo de estruturas dentro do espaço 
urbano, sempre que foi executado a sua implantação o espaço destinado 
para diversos fins fara parte de sua estrutura. Assim torna-se essencial 
que seus projetistas dominem completamente a técnica de parcelamento 
para todos os ambientes possíveis, gerando mais qualidade de vida. 
 
Explorando a cidade como um organismo vivo, 
REGISTER (2002) faz uma analogia da anatomia 
da cidade com a anatomia humana. As ruas, redes 
de água, esgoto drenagem e gás funcionam como o 
Sistema Circulatório, a arquitetura com seus 
elementos verticais funciona como apoio, similar 
ao Sistema Esquelético, os alimentos e os 
combustíveis funcionam como o Sistema 
Digestivo, que transformam a energia armazenada. 
Os sistemas de tratamento de agua ou 
compostagem funcionam como um sistema de 
filtragem e Reciclagem e, os lixo incineradores e 
saídas de esgotos atuam como o Sistema de 
Excreção. Esse tratamento pode ser interessante 
para efeitos de educação ambiental da população, 
207 
 
mas para o urbanismo o desempenho das 
atividades tem que estar associado a morfologia, 
no lugar ou sitio em que cada cidade está 
implantada (ANDRADE; ROMERO, 2007). 
 
Ao comparar o corpo humano com uma cidade, é visível que é 
necessário um entendimento de parcelamentos de solos para a 
elaboração de intervenções urbanas. Sobre as atuais condições da cidade 
de, os planejadores e empreendedores devem analisar o projeto de um 
loteamento no espaço urbano como uma intervenção aplicada ao 
contexto da cidade, pensando no desenvolvimento sustentável. 
O parcelamento do solo urbano não deve ser visto apenas como 
uma parte de uma gleba de terra dividida em várias partes 
comercializáveis, e sim deve ser pensada e executada para torná-la um 
espaço que apresente condições reais de uma moradia ou comércio 
sustentável pensando no uso ideal de cada parcela de solo, tendo em 
toda sua área redes de esgoto, água potável e drenagem de aguas 
pluviais, para evitar enchentes. 
Conforme exposto por Saule Jr. e Uzzo (2009), uma das 
principais preocupações para os próximos anos é a defesa das terras 
públicas para atender as necessidades das populações pobres e a 
constituição de uma política nacional de preservação aos conflitos 
fundiários. Nesse sentido, é importante ressaltar que as terras 
alagadiças, além de impróprias para a ocupação residencial, deveriam 
ser de posse do poder público. Além disso, é deextrema importância 
que a política pública voltada para esta questão dos alagamentos, 
208 
 
amenizando o máximo possível os problemas daqueles que hoje 
ocupam áreas inadequadas. 
Vale lembrar que um planejamento adequado é mais econômico 
a longo prazo do que os investimentos necessários para sanar o caos 
causado após as épocas de chuvas da região, preservando, assim, os 
cofres públicos e permitindo que se utilize estes recursos para outras 
necessidades no ambiente urbano e garantindo o direito de todos à uma 
cidade socialmente adequada. 
 
Entrevista com arquiteto e urbanista Dalcy Salvati 
O arquiteto e urbanista pioneiro de Francisco Beltrão, Dalcy 
SALVATI, que desde a década de 1980 trabalhou junto a gestão pública 
da prefeitura em várias administrações, na área de planejamento urbano, 
arquitetura e infraestrutura, relata em entrevista falada algumas 
deficiências e soluções para os casos de alagamentos em Francisco 
Beltrão. 
SALVATI que reside em Francisco Beltrão desde 9 de 
setembro de 1952 recorda e comenta sobre as enchentes que 
aconteceram nos anos de 1954, 1961 e 1972, as maiores ocorreram no 
ano de 1983, sendo a primeira em maio e a segunda em junho. 
Com relação às enchentes atuais, SALVATI afirma que elas 
estão longe das de 1983, a diferença é que naquela época a cidade era 
menos ocupada. “Aquela área da parte baixa das ruas São Paulo e 
Vereador Romeu Lauro Werlang eram quase vazias nas enchentes de 
1972, mas já nas de 1983 já estavam bem ocupadas. Nas atuais não 
209 
 
chegaram a serem atingidas. Um exemplo é o Hospital São Francisco 
(antigo Dr. Kit Abdalla) que nas de 1983 chegou a ter mais de um metro 
de água em seu interior.”. 
Como urbanista já apresentou muitas propostas de planejamento 
para Francisco Beltrão e quando questionado se as propostas eram 
aceitas ou se havia resistência em se pensar no futuro da cidade, 
SALVATI conta que em 1983 foi apresentado o primeiro Plano diretor 
do Município. Já estava na proposta daquele plano a criação do Parque 
Alvorada, nos dois lados da Rodovia PR 483. E a criação do Parque 
Linear do Rio Marrecas em toda a sua extensão urbana. Este plano já 
tinha a preocupação com as enchentes, recentemente acontecidas. À 
administração municipal aceitou algumas das propostas e fez a retirada 
de mais de 200 moradias das áreas de risco e transferindo estas famílias 
para outro local. Tais áreas seriam integradas ao Parque Linear, porém 
com a mudança do governo municipal voltaram a ser doadas para a sua 
ocupação novamente. 
Quando questionado se a prefeitura sabia dessas áreas de 
inundações e mesmo assim fizeram doações de terrenos para obras 
institucionais, SALVATI conta que as administrações sempre souberam 
deste grande problema de nossa cidade, mas pouco fizeram, ou então se 
tomaram alguma ação, a fizeram-na de modo equivocado e sem 
planejamento. “A única administração que fez algo de concreto foi a do 
o prefeito Guiomar Lopes, após as grandes enchentes de 1983. 
Desapropriação de áreas de risco, dragagem e alargamento do leito do 
210 
 
Rio Marrecas, ampliação da ponte do bairro da Cango na Av. Luiz A. 
Faedo, e indenização de terrenos.” 
Com relação ao problema das enchentes SALVATI diz que o 
problema está fora da cidade e não aqui dentro. “Como sempre digo, o 
problema está fora da cidade e não aqui dentro. Aqui sofremos as 
consequências.” A bacia do Rio Marrecas possui 859,53 km2, sendo 
que, acima da ponte da Rodovia PR 483, ou seja, no montante da cidade 
esta área é de 448,18 km
2
. Considerando-se ainda mais o Rio Erval / 
Santa Rosa, o Córrego Lonqueador e o Córrego Urutago esta área 
aumenta para 632,48 km
2
, sobrando apenas 227,05 km
2
 a jusante ou 
abaixo da cidade. A área do município é de 731,73 km
2
. Portando a 
bacia toda do Rio Marrecas extrapola os limites do município. 
“Desde a nascente do Rio Marrecas, no Município de Flor da 
Serra do Sul, até a sua foz no Rio Santana, no Município de Itapejara 
D‟Oeste, percorre 136,02 km, dos quais 72,17 km acima da cidade, 
desde a nascente até a captação de água da Sanepar. Todos os canais 
(sangas, córregos, rios) que formam a bacia do Rio Marrecas, num total 
de 4.999, totalizam um comprimento de 3.210,33 km. A declividade do 
Rio Marrecas é baixa, somente 0,33 %, na média. Nasce numa altitude 
de 930 m e termina numa altitude de 480 m. No perímetro urbano tem a 
sua parte mais plana.”, relata SALVATI. 
Existem medidas e que podem ser adotadas para amenizar os 
efeitos dos alagamentos, segundo SALVATI são medidas estruturais e 
não estruturais tanto na área urbana como na área rural, as medidas 
estruturais na parte rural consistem, basicamente em controle de águas 
211 
 
nas vertentes das bacias: terraceamento de áreas agrícolas – caixas de 
retenção em finais de terraços; adequação das estradas com caixas de 
retenção de enxurradas; proteção de fontes; recomposição florestal e 
vegetal – matas ciliares e encostas; barragens, bacias de regularização, 
contenção ou retenção de vazões. “Tem o efeito do retardamento e 
regularização dos escoamentos. Redução do pico de enxurradas (na 
superfície) e de ondas de cheias (cotas de rios). 55% da bacia do Rio 
marrecas possuem condições para isso.” 
As medidas estruturais na parte urbana consistem em: 
desocupação das áreas baixas - mais sujeitas a inundações – e a sua 
transformação em áreas de uso público – áreas verdes e parques de 
lazer; Nas bacias do Rio Lonqueador, Urutago e outros córregos, a 
implantação de bacias de contenção e parques de lazer; Construção de 
reservatórios de amortecimento ou caixas de retenção de águas pluviais 
nas vias públicas; Implantação de caixas de retenção de águas pluviais 
nos lotes – com ou sem o reuso da água; Elaboração de planos e ou 
projetos de macrodrenagem para o Rio Lonqueador, Córregos Urutago, 
Progresso e outros canais; Mapeamento das tubulações existentes e seu 
redimensionamento – levantamento das deficiências e problemas; 
Incentivo ao uso de pavimentos permeáveis – ruas e calçadas. 
As medidas não estruturais para a área rural consistem em: 
Incentivo a piscicultura para o aproveitamento dos tanques – bacias de 
contenção; Plano de adoção de práticas de conservação de solo e água; 
Implantação de bacias de contenção com duplo propósito – 
regularização de enxurradas e cheias e reservação de água para períodos 
212 
 
de estiagem. Há viabilidade técnica para a implantação de uma ou mais 
usinas de geração de energia – PCHs – com reservatório de acumulação 
e regularização (diária, semanal ou mensal). 
As medidas não estruturais para a área urbana consistem em: 
Zoneamento de áreas de risco – fundos de vales – determinando zonas 
não edificáveis com cota de alto risco, zona edificável com restrições – 
sob pilotis – cota de médio risco; Alteração ou adequação da legislação 
visando a ocupação dentro dos critérios do Plano Diretor, atendimento 
da área mínima de infiltração, ampliação das caixas de retenção – 
compensação da área de impermeabilização; Desobstrução dos 
caminhos das águas – cercas em lugar de muros, pilotis; Definição de 
demarcação da cota máxima de cheias; Não ocupação das áreas 
íngremes com loteamentos; Disposição adequada de resíduos e 
entulhos; Monitoramento de cheias e sistema de alerta; Educação 
ambiental com foco na disposição de resíduos e entulhos e não 
ocupação de áreas de risco; Incentivos econômicos de crédito e isenções 
fiscais pela adoção de medidas sinérgicas ao controle de cheias ou 
atendimento da legislação municipal; Fiscalização direta e efetiva sobre 
as intervenções urbanas. 
Sobre a politica correta do uso do solo em Francisco Beltrão, 
SALVATI afirma que existe plano Diretor, existe a Lei do Perímetro 
Urbano, existe a Lei de Zoneamento e Uso do Solo, existe a Lei de 
Parcelamento de Solo (loteamentos), porém, existem também falhas em 
nossa legislação. Não existeuma política urbana clara e objetiva. “Não 
se sabe para onde a cidade vai. Não se definiu se queremos uma cidade 
213 
 
linear ou radial. Não sabemos se queremos uma cidade mais 
verticalizada ou com uma ocupação mais horizontal. O Município de 
Francisco Beltrão precisa ter de volta o IPPUB – Instituto de Pesquisa e 
Planejamento ou algo similar. Que seja uma autarquia, não afeta as 
mudanças de governo ou de influência política. Só assim podemos ter 
certeza que teremos uma cidade melhor e mais planejada.” 
Com o crescimento do número de loteamentos em torno da 
cidade SALVATI fala que quanto mais se ocupam as áreas com novos 
loteamentos mais se agrava o problema. Para isto deve-se implantar nos 
loteamento um sistema de captação e reservação das águas na própria 
área do loteamento, evitando-se que elas corram para as galerias e 
canais já saturados. “A legislação já prevê mas falta uma fórmula 
matemática para a sua aplicação real e efetiva.” 
Para finalizar, SALVATI afirma que a solução definitiva para o 
problema das enchentes, seria ter um plano de ação e principalmente 
vontade política para resolver o problema, o plano de ação compreende 
a elaboração de um planejamento com único objetivo de desenvolver 
ações que minimizem ou resolvam definitivamente as cheias em 
Francisco Beltrão. “Faz-se necessária a cobrança – pelos políticos – 
junto ao Governo Federal para que as verbas sejam liberadas. Foram 
encaminhados planos e orçamentos desde 2012.” 
SALVATI acredita que se houver vontade e se for criada uma 
secretaria especial, ou um gerente de tarefa com uma equipe, 
exclusivamente para tratar desta “ação”, em alguns anos poderemos ter 
a solução definitiva. 
214 
 
 
Considerações finais 
 
[...] O avanço da degradação mundial, 
especialmente no Brasil, é resultado de mudanças 
artificiais e perturbações no meio ambiente, 
provocados pela ação humana (LEVINO; 
MORAIS, 2009 apud BISPO; LEVINO, 2011). 
 
As alterações no equilíbrio climático e ambiental, são 
preocupações mundiais, que envolve, tanto os aspectos naturais, quanto 
a estrutura que compõe essa modificação no ambiente. 
De acordo com tudo o que foi analisado, e com a entrevista com 
o pioneiro de Francisco Beltrão, Dalcy SALVATI, concluímos que, 
Francisco Beltrão pode, ainda, ser solucionado, em relação à essas 
enchentes, é preciso que tenha, primeiro, uma iniciativa do governo, que 
o Plano diretor seja seguido rigorosamente para que construções não se 
insiram em lugares inadequados. 
Francisco Beltrão precisa passar por muitas análises e é preciso 
que essa questão seja levada a sério, medidas tanto na parte urbana 
quanto na rural precisam ser analisadas corretamente e postas em 
prática, pois são famílias que a cada chuva prolongada passam por 
tristeza e muitos prejuízos. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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pela ocupação antrópica de fundos de vale. Universidade de São Carlos, São 
Carlos. 
215 
 
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Desempenho de Assentamentos Urbanos Sustentáveis: proposta 
metodológica. Annais do I Conferência Latino-Americana de Construção 
Sustentável e X Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. 
São Paulo: 2004. ISBN 85-89478-08-4. 
ARRUDA, Ângelo Marcos Vieira de. Parcelamento de Solo Urbano em 
Campo Grande: visão crítica e roteiro legal. Campo Grande: UNIDERP, 
1997. 
BISPO, T. C.; LEVINO, N. de A. Impactos ambientais decorrentes do uso e 
ocupação desordenada do solo: um estudo da região da periferia de 
Maceió/AL. Belo Horizonte: 2011. 
BRASIL. Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979. Lei do Uso do Solo. 
Disponível em: Acesso 
em: 15/03/2015. 
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Disponível em: 
 Acesso 
em: 15/03/2015. 
FRANCISCO BELTRÃO. Beltrão decreta novamente estado de 
emergência; veja fotos da enchente. Disponível em: 
. Acesso em: 29 out. 2014. 
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MENDONÇA, F. A . O Clima e o Planejamento Urbano de Cidades de 
Porte Médio e Pequeno (Proposição Metodológica para o Estudo e sua 
Aplicação à Cidade de Londrina/PR. Tese [Doutorado]. São Paulo: 
USP/FFCH, 1994. 
MESQUITA, Pinheiro Adailson. Parcelamento do Solo Urbano e suas 
Diversas Formas. Curitiba: IESDE, 2008. 
PENA, Rodolfo Alves. O problema das enchentes. Disponível em: 
 Acesso em: 10 dez. 
2014. 
PEREIRA, R. Enchente em Francisco Beltrão faz 110 famílias deixarem suas 
casas. Gazeta do Povo. 30 set. 2014. Disponível em: 
. Acesso em: 29 out. 2014. 
216 
 
ROSA, Amilton Plácido da; PUCCINELLI JUNIOR, André. Ação 
civil pública contra loteamentos irregulares. Disponível em: 
 Acesso em: 05 out. 2014. 
ROSSI, M. Francisco Beltrão sofre com enchente. Diário do Sudoeste. 02 
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SALVATI, Darcy. Entrevista falada. Francisco Beltrão, 15 out. 2015. 
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através da história de vida de Roberto Grando. Monografia 
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SAULE JR., Nelson; UZZO, Karina. A trajetória urbana no Brasil. Diálogos, 
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http://base.d-p-h.info/pt/fiches/dph/fiche-dph-8583.html Acesso: 20/06/2015 
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VALENTE, O. F. Reflexões Hidrológicas sobre inundações e alagamentos 
urbanos. Cidades do Brasil. Ano 10. 2009. Disponível em: 
 Acesso 
em: 15 dez. 2015. 
 
 
 
 
 
 
 
217 
 
 
 
CAPÍTULO 11 
 
PROCESSO DE VERTICALIZAÇÃO EM 
PINHALZINHO-SC 
 
Elissandra Duarte 
Mônica Aparecida Gonçalves 
 
Introdução 
O processo de verticalização teve sua origem nos Estados 
Unidos e esteve ligada à formação das cidades americanas e ao 
desenvolvimento capitalista. A verticalização é entendida como um 
processo de produção do espaço que vem se expandindo pelos 
continentes (SOMECK, 1987). 
A verticalização, ou seja, a construção de edifícios de quatro 
pavimentos ou mais, começou a ser expandida no Brasil na década de 
1920, tendo como destaque a cidade de São Paulo. Nas últimas décadas 
houve um aumento expressivo na intensificação da construção de 
edifícios devido a fatores como o aumento do crédito para aquisição de 
imóveis, inovações técnicas na área de construção civil e imposições 
culturais, como o êxodo rural, e a ascensão da classe média. Além de 
um novo arranjo espacial, a verticalização representa as relações sociais 
218 
 
presentes em determinada sociedade, assim como também estabelece 
novas relações. Desta forma, é a manifestação espacial do processo 
social, alterando a paisagem, transformando o espaço urbano e criando 
novas especialidades (TÖWS; MENDES, 2011). 
O estado também tem grande importância no ordenamento da 
verticalização e onde o processo pode se desenvolver.Com o desenvolvimento do processo de verticalização surge 
uma nova responsabilidade para o Poder Público, no sentido de 
disciplinar o seu processo, através de zoneamentos, definição de 
gabaritos dos prédios, estipulação das taxas de ocupação e índices de 
aproveitamento dos lotes. Na grande maioria dos trabalhos a legislação 
urbana assume um papel de destaque nas análises, evidenciando a 
importância do Estado na gestão desse processo. Quando se relaciona 
verticalização e legislação urbana a regra geral é a subordinação desta 
última aos grupos de interesses [...] que produzem o espaço urbano 
(RAMIRES, 1998, p.102). 
Uma evolução das estruturas urbanas gera também impactos 
negativos ao meio natural, resultando em problemas ambientais como: 
maior concentração de poluentes no ar, água e degradação do subsolo, 
comprometendo a qualidade do meio com inundações, movimentos de 
massa e poluição (TONETTI, 2011). 
A cidade é um espaço dinâmico que constantemente se 
modifica. Cidades com densidades demográficas e características 
regionais distintas das grandes metrópoles também estão sujeitas ao 
processo de verticalização, e como exemplo se pode citar a cidade foco 
219 
 
deste estudo: Pinhalzinho-SC. Nesta cidade, se observa uma aceleração 
no processo de verticalização, mais acentuado do que em outras cidades 
de porte e características similares. Desta forma, o presente trabalho tem 
como objetivo discutir e formular hipóteses para o processo de 
verticalização na cidade de Pinhalzinho-SC. 
A intensificação da verticalização não é decorrente apenas da 
demanda por habitação, mas de uma série de fatores econômicos, 
sociais e técnicos (SILVA, 2008). Portanto, para que se possa 
compreender o processo de verticalização desta cidade, é necessário 
uma compreensão dos fatores que afetam seu crescimento, 
principalmente os de características econômicas. 
 
A verticalização em médias e pequenas cidades 
A verticalização do espaço urbano brasileiro não é mais um 
processo que está restrito às metrópoles e grandes cidades, está presente 
também nas cidades médias e pequenas. 
As cidades médias e pequenas no Brasil desempenham o papel 
de núcleo estratégico da rede urbana, pois tais cidades apresentam 
destaques significativos nas dinâmicas econômicas, demográficas e 
culturais. 
Ao se denominar cidade como média e/ou pequena, faz-se 
menção ao tamanho da cidade que, por sua vez, conduz ao estudo das 
redes e hierarquia urbanas. Cidade pequena se contraporia a cidade 
grande, e cidade média seria aquela de dimensão intermediária. Assim, 
na classe de cidades pequenas inserem-se aquelas que possuem até 20 
220 
 
mil habitantes; acima deste número são classificadas como médias e 
aquelas com mais de 500 mil habitantes são consideradas cidades 
grandes (GOVERNO DA BAHIA, 2010). 
No entanto, somente o contingente populacional não é 
suficiente para adjetivar a dinâmica do conjunto de cidades, pois se 
observa discrepâncias nestes espaços. Se pode afirmar, por exemplo, 
que uma cidade com população de 100 mil habitantes no interior da 
Bahia, é diferente de uma cidade com o mesmo contingente 
populacional no estado de São Paulo, pois os fatores socioeconômicos, 
culturais, geográficos e territoriais, e consequentemente a população 
destas cidades, mesmo quantitativamente similar, são diferentes por 
advirem dos fatores acima citados. 
Neste contexto, as cidades médias passaram a exercer novos 
papéis no cenário urbano brasileiro. Como consequência do crescimento 
apresentado por essas cidades, as mesmas passam a vivenciar novas 
formas de expansão urbana até então materializadas, sobretudo, nas 
metrópoles. A expansão territorial das cidades faz parte de sua própria 
lógica de desenvolvimento que cresce horizontalmente a partir da 
formação de novos loteamentos em suas periferias, e, verticalmente, a 
partir da produção ampliada do solo urbano. 
No caso da produção de edifícios, fica evidente que a 
penetração da técnica, associada ao surgimento de múltiplos agentes 
interessados nessa produção, articula-se sob formas que se vão 
diferenciando, aliada à característica geral de desenvolvimento da 
sociedade no espaço ou dela resultante, que vai configurar os diferentes 
221 
 
períodos de produção do edifício, ou processo de verticalização. 
(SOUZA, 1994, p.88). 
 
 
Dinâmica do estado de Santa Catarina 
O Estado de Santa Catarina possui um perfil diversificado, 
apresentando uma agricultura representativa, baseada em minifúndios 
rurais (SEBRAI/SC,2013). Além disso, divide espaço com um parque 
industrial atuante, considerado o quarto maior do país. Indústrias de 
grande porte e pequenas empresas espalham-se, fazendo do estado de 
Santa Catarina a oitava maior economia brasileira (SEBRAE/SC,2013). 
O dinamismo da economia catarinense reflete-se em índices elevados de 
crescimento, alfabetização, emprego e renda per capita, sendo superior à 
média nacional, garantindo assim uma melhor qualidade de vida aos 
seus habitantes, mas, com contrastes quanto ao desenvolvimento 
socioeconômico de seus municípios. 
Como exemplo do crescimento econômico no estado de Santa 
Catarina podemos citar o município de Pinhalzinho, o qual será 
discutido neste artigo, pois com uma população de 16 mil habitantes 
demonstra elevado crescimento econômico e social, devido às fábricas, 
universidades, e ao comércio em expansão, refletindo nos índices de 
verticalização urbana que vem aumentando com o passar dos anos. 
 
Aspectos gerais e populacionais do município de Pinhalzinho-SC 
222 
 
Em 1914, segundo o IBGE (2012), as terras que hoje pertencem 
ao município de Pinhalzinho-SC, foram habitadas por “caboclos”, isto 
é, homens de origem brasileira, que se estabeleceram no Oeste de Santa 
Catarina, porém ainda não constituindo núcleos povoados, pois eram 
trabalhadores de empreitadas, que trabalhavam nas lavouras de milho. 
Por volta de 1933, chegaram os primeiros moradores de origem alemã, 
vindos do Rio Grande do Sul, estabelecendo-se e desenvolvendo as 
primeiras atividades econômicas ligadas à indústria madeireira e 
produção agrícola. Ao final dos anos 50, uma grande leva de 
descendentes italianos se instalou no município, destacando-se pela 
atividade comercial. Com a construção da BR 282, muitos imigrantes 
vieram de todos os lugares do Brasil, possibilitando que se construísse 
uma grande miscigenação que caracteriza, na atualidade, o povo e a 
cultura de Pinhalzinho. 
Pinhalzinho pertenceu ao município de Chapecó, cuja jurisdição 
abrangia todo o Oeste do Estado. O município foi emancipado de 
acordo com o artigo 22 da Constituição Estadual em 30 de dezembro de 
1961 (SEBRAE/SC,2013). O Quadro 1 e 2 apresentam aspectos gerais e 
populacionais do Município de Pinhalzinho. 
Emancipação 07/12/1961 
Instalação 30/12/1961 
Altitude 660 m 
Cidades próximas 
Modelo, Sul Brasil, Nova Erechim, 
Saudades, Águas Frias, União do Oeste, 
Chapecó. 
Colonização: Alemã e Italiana 
Associação de município AMOSC 
Território 128,159 km² 
223 
 
Estabelecimentos de Saúde SUS 3 
Índice de Desenvolvimento Humano 
Municipal - 2010 (IDHM 2010): 
0,783 
 
Densidade demográfica (hab/km²) 127,44 
Gentílico Pinhalense 
População Residente (Senso 2010) 16.332,00 
Quadro 1: Aspectos gerais e históricos do Município de Pinhalzinho. 
Fonte: SEBRAE/SC, 2013 
 
 
População N° de Habitantes 
Residente (Senso 2010) 16.332 
 
Estimada (IBGE-2014) 18.284 
 
Homens 8.177 
 
Mulheres 8.155 
Alfabetizada 14.396 
População residente que frequentava creche ou 
Escola 
5.487 
Residente pertencente religião Católica Apostólica Romana 14.194 
População Pertencente à religião Espírita 32 
População pertencente à religião evangélica 1.693 
 
Quadro 2: Índice Populacional 
Fonte: SEBRAE/SC, 2013 
 
A população de Pinhalzinho apresentou no ano de 2010, 
crescimento de 32,18% desde o censoDemográfico realizado em 2000. 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
em 2010 a população da cidade alcançou 16.332 habitantes, o 
equivalente a 0,26% da população do Estado. O gráfico a seguir 
demonstra a evolução populacional do município nos últimos Censos. 
224 
 
 
Gráfico 1: Evolução Populacional 
Fonte: IBGE, 2012. 
Já em relação à taxa de crescimento anual da população, 
Pinhalzinho apresenta valores superiores à taxa anual estadual e 
nacional, como demonstra o gráfico a seguir: 
 
Gráfico 2: Taxa de crescimento populacional anual 
Fonte: IBGE, 2012. 
 
Pinhalzinho vem se destacando também na área industrial, pois, 
de 2008 a 2011, a taxa de criação de empresas no município foi de 
15,33% e a de empregos 30,40%. O Gráfico 3 apresenta o comparativo 
com a taxa regional, estadual e nacional. 
225 
 
 
Gráfico 3: Taxa de crescimento de empresas. 
Fonte: SEBRAE/SC, 2013. 
 
Gráfico 4: Taxa de crescimento de empregos 
Fonte: SEBRAE/SC, 2013. 
 
Domicílios particulares e coletivos do município 
Os domicílios são considerados locais de morada ou pouso, 
separados e independentes, podendo abrigar uma ou mais pessoas. No 
município de Pinhalzinho, se pode perceber a grande diferença entre 
domicílios particulares e coletivos, pois, em 2010 Pinhalzinho possuía 
5.560 domicílios registrados, sendo 5.552 particulares e 8 coletivos 
226 
 
(IBGE, 2012). Dentre as categorias de domicílios coletivos, se 
encontram hotéis, pensões, hospitais, entre outros. Já os domicílios 
particulares são residências familiares. 
Dentre os domicílios presentes no município, se pode destacar 
cinquenta e duas (52) unidades, as quais são representadas por edifícios 
verticalizados. O mapa abaixo demonstra que o adensamento maior é no 
centro da cidade onde estão localizados 27 unidades destas edificações, 
sendo este dado característico, pois nesta área se encontra a zona 
comercial da malha urbana do município (IBGE,2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maior 
adensamento 
dos prédios. 
Sendo 27 
localizados no 
Centro. 
227 
 
 
 
 
Mapa 1: Índices de Verticalização do Município. 
Fonte: Prefeitura Municipal de Pinhalzinho-SC,2014, adaptado por Elissandra 
Duarte em 2014. 
 
No Quadro 3 podemos demonstrar como está a divisão dos 
prédios na cidade por bairros. 
Bairros Quantidades de Prédios 
Centro 27 
São José 1 
Santo Antônio 7 
Panorama 1 
Bela Vista 0 
Jardim MªTerezinha 1 
Pioneiro 3 
Nova Divineia 6 
Efacip 5 
Travessa Santa Catarina 1 
Total de Prédios 52 
Tabela 2: Número de prédios por bairros 
Fonte: Prefeitura Municipal de Pinhalzinho –SC, 2014. 
 
O Gráfico a seguir apresenta as unidades de edifícios com os 
respectivos números de pavimentos: 
 
Maior 
adensamento 
dos prédios. 
Sendo 27 
localizados no 
Centro. 
 
228 
 
 
Gráfico 5: Relação de edifícios e numero de andares 
Fonte: Prefeitura Municipal de Pinhalzinho- SC, 2014. 
 
Como se pode observar de acordo com os demostrativos 
apresentados, Pinhalzinho é uma cidade em crescente processo de 
verticalização. Isso se deve à indústria e comércio fortalecidos, 
principalmente através de atividades como a indústria e 
eletrodomesticos e móveis, também a fatores que impulsionaram a 
economia local, dentre os quais se pode citar o aporte estudantil, já que 
o municipio apresenta três campus de universidades: Universidade do 
Estado de Santa Catarina (UDESC) sendo esta pública e estadual, 
fazendo com que dessa maneira haja migração de estudantes de outros 
municípios da região; Horus Faculdade de Pinhalzinho e Fundação 
Universidade do Oeste de SC (UNOESC). 
 
Conclusão 
A verticalização não é um processo presente somente em 
grandes cidades, como demonstra a análise dos dados deste estudo, 
229 
 
referentes ao município de Pinhalzinho-SC, o qual mesmo sendo 
considerado de pequeno porte, e possuindo cerca de 16.000 habitantes 
de acordo com dados fornecidos pelo IBGE/SC, apresenta significativo 
processo de verticalização, o que se dá, sobretudo, de acordo com o 
progresso socioeconômico da cidade, ligado à presença da indústria 
fortalecida, principalmente nos setores de fabricação de moveis e 
eletrodomésticos, ao comércio pujante, com destaque para a 
comercialização de roupas e calçados, e a gastronomia, assim como 
pelas três universidades instaladas no município, as quais, a partir do 
ano de 2003, passaram a contribuir de maneira significativa para com o 
desenvolvimento local, tendo como ponto culminante, no viés deste 
estudo, a presença da verticalização do meio urbano, ocupando 
principalmente a região central. 
O estudo que trouxe como exemplo a cidade de Pinhalzinho-
SC, demonstra que a caracterização de fatores de desenvolvimento da 
paisagem urbana de grandes centros, como é o caso da verticalização 
dos edifícios, pode ocorrer também em cidades de pequeno porte. As 
induções de um sistema econômico capitalista, possibilitam com que 
pequenas cidades do interior possam também experimentar aspectos de 
desenvolvimento do meio urbano baseado no adensamento e 
aproveitamento dos sistemas urbanos e do território, algo ainda 
característico de grandes cidades, de forma a legitimar a geração de 
lucro e o capital. Desta forma, cidades como Pinhalzinho, a qual estaria 
no hall de cidades mais caracterizadas como periferia ruralizada do que 
como centro industrializado, passem por transformações 
230 
 
desenvolvimentistas capazes de caracteriza-las como novos centros 
econômicos, à frente de muitas cidades da região, devido sobretudo à 
crescente economia que impulsiona processos urbanos tal como a 
verticalização das edificações. 
 
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232 
 
 
 
CAPÍTULO 12 
 
USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS EM PROL DA VIDA 
URBANA 
 
Degiani Zamboni 
Fernando Medeiros 
Henrique B. de Mello 
Daniele Pagno 
 
Introdução 
Mobilidade urbana pode ser definida como o deslocamento de 
um indivíduo entre dois ou mais pontos para a realização das atividades 
cotidianas de forma segura e confortável seja utilizando deveículos, 
bicicletas ou a pé. Porém a expansão dos grandes centros urbanos vem 
tornando cada vez mais complicado e inseguro esse deslocamento 
devido ao aumento expressivo no número de veículos quer circulam 
diariamente causando congestionamentos, stress e diminuindo a 
qualidade de vida e segurança do cidadão. 
O processo acelerado de urbanização, junto ao crescimento 
populacional e as novas atividades que se instalam nos grandes centros, 
provocam o que chamamos de “crises urbanas”. Para melhorarmos esse 
problema devemos pensar sobre as formas como se organizam os fluxos 
233 
 
na cidade e as formas de acessos das pessoas aos locais e equipamentos 
da cidade, para garantirmos a “facilidade” de deslocamento, e a 
tranquilidade do cidadão dentro do espaço urbano. 
Variadas são as problemáticas que envolvem a mobilidade 
urbana, tanto um planejamento deficiente, questões 
políticas/financeiras, malha urbana antiga, tornando impossível a 
adequação as novas tendências e ainda a questão ambiental que muito 
tem sofrido com o aumento da massa de veículos em circulação. 
Na última década, aconteceu e ainda acontece uma disseminação 
massiva de sensores, capazes de fornecer uma enorme quantidade de 
informação, seja ela estatística, quantitativa, ou exata. Esses sensores 
foram massificados através da telefonia celular, aparelhos GPS, câmeras 
de monitoramento, e muitos outros aparatos eletrônicos. 
Esses sensores e tecnologias de monitoramento estão sendo 
designadas para auxiliar a solução dos problemas de mobilidade, saúde 
publica, segurança, monitoramento meteorológico, mapeamento, 
acessibilidade, etc. Várias empresas estão se dedicando inteiramente a 
questão, desde o auxilio no controle do tráfego, gerenciamento de dados 
gerando estatísticas que auxiliam na compreensão e solução dos 
problemas até aplicativos para dispositivos móveis que mostram vagas 
de estacionamentos disponíveis e linhas de ônibus disponível para 
diferentes rotas, até mapas de GPS interativos que trazem informações 
ao vivo sobre condições de trânsito, acidentes, crimes, informações de 
utilidade pública, etc. Essas empresas, que gerenciam e processam toda 
essa infinidade de dados, retornam informações úteis ao indivíduo que 
234 
 
vive no ambiente urbano, por meio dos celulares, tablets, computadores, 
ou ainda painéis interativos públicos, e auxiliam a vida deste indivíduo, 
permitindo que ele chegue mais rápido a um destino, ou que evite uma 
área perigosa, ou que permitam a ele saber se há tempo suficiente para 
comprar um café antes do transporte público chegar, e através da 
informação tenta compensar os efeitos colaterais da expansão massiva 
urbana. 
Desde o surgimento dos computadores na década de 50, seu uso 
já era voltado para resolver problemas sociais e econômicos, e no inicio 
da década de 60, surgiram os primeiros programas para resolver e 
simular questões de uso do solo e transporte. Na sequência então 
surgem os Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), cujo objetivo é 
gerenciar dados Geográficos. Tendo diversos usos tal como analises 
ambientais, de topografia, os SIGs se mostraram muito úteis também 
para gerenciamento de informações urbanas. Com o advento de 
dispositivos de sensoriamento, tal como o GPS (Global position system) 
a relevância desses softwares se tornaram cada vez maior para a análise 
e monitoramento das áreas urbanas, especialmente das grandes 
metrópoles. (Almeida et Al, 2007) 
Bem mais recentemente houve uma massificação de 
dispositivos de sensoriamento, devido as inovações tecnológicas que 
permitiram que os equipamentos de monitoramento, e sensoriamento 
ficassem bem mais acessíveis financeira e socialmente. Ou seja, ficaram 
acessíveis a ponto que se tornou viável para quase qualquer um poder 
adquirir tais equipamentos até para uso privado. Também houve uma 
235 
 
massificação dos SIGs, sendo eles hoje acessíveis a qualquer pessoa de 
forma gratuita. Um dos sistemas mais famosos é o do Google 
Earth/Google Maps, mas existem muitos outros com da Nokia (Here 
Maps) ou ainda sistemas completamente abertos como 
OpenStreetMaps, tudo por meio da internet. 
O simples fato da massificação dos softwares SIGs por meio da 
internet e dos dispositivos, sendo que muitos deles também estão 
conectados a rede, trouxe uma nova possibilidade ao meio urbano, que é 
a de analisar os dados das cidades em tempo real. 
Hoje com o advento do Smartphone, que possui integrado uma 
diversidade enorme de sensores, e a capacidade dele se conectar a 
internet e enviar esses dados, a uma nuvem de dados similares, e 
receber no mesmo aparelho, dados de centenas ou milhares de outros 
dispositivos semelhantes a fim de oferecer alguma informação útil. 
Antes dessa revolução da analise em tempo real, as SIGs 
serviam muito mais para analise do espaço urbano para os planejadores 
urbanos. Hoje ela vai muito mais além, e fornecer dados muito mais 
variados e exatos, e ela também permite que os usuários da cidade 
também possam tirar proveito dessas informações. 
Mas nem todos os dados precisam ser fornecidos através de 
smarphones. Tomando como exemplo, a prefeitura do Rio de Janeiro, 
instalou dispositivos de monitoramento GPS em todos os ônibus da sua 
frota urbana, e disponibilizaram essas informações aos fiscais da 
prefeitura e a toda população, através da Internet, de dispositivos 
móveis e até através de painéis nos pontos de ônibus. Dessa forma os 
236 
 
próprios usuários podem analisar os dados de transporte publico em 
tempo real, e tomar decisões como, por exemplo, evitar pegar um 
ônibus que demoraria chegar, em troca do metrô, ou sair 5 minutos mais 
cedo para poder chegar no ponto a tempo de não perder um ônibus 
(FREDERICO, 2013). 
No caso do Rio de Janeiro a iniciativa é publica, mas em outros 
casos ocorrem iniciativas privadas que tem o mesmo objetivo. São 
Paulo é um bom exemplo, seguindo a mesma ideia de monitoramento 
de ônibus em tempo real algumas empresas lançaram aplicativos para 
celular que informam a localização dos trens, metros e ônibus na 
cidade. Que é o caso dos aplicativos “Urbanoide”, “Onde está meu 
ônibus”, “Moovit”, “Ônibus”, entre outros (SANTOS, 2013). 
A interferência de sistemas de monitoramento urbano na vida 
dos cidadãos, não se a resume a gerenciamento de transito, apesar de 
este ter impacto mais direto. As possibilidades trazidas pelo uso das 
SIGs por meio da internet possibilitaram a Secretaria de segurança 
publica do estado de São Paulo, monitorar a criminalidade de 601 dos 
645 municípios do estado em tempo real, a partir da possibilidade do 
envio dos boletins de ocorrência, e com o georeferenciamento deles. 
Com esses dados as policias podem alertar os cidadãos das áreas mais 
perigosas, e tipos de crimes que costumam ocorrer com mais frequência 
em determinadas áreas (SSPSP, 2010). 
Ainda se tratando de segurança, algumas empresas 
desenvolveram aplicativos mobiles justamente para que as pessoas 
possam indicar aonde ocorrem crimes, paralelamente os sistemas de 
237 
 
segurança pública das policias, para uso da população em geral. Esse 
tipo de aplicativo através de seus mapas tem mudado muito a rotina de 
milhares de pessoas nos grandes centros urbanos, que mudaram suas 
rotas, justamente para evitar as zonas perigosas e diminuir a 
possibilidade de serem vitimas de um crime (ORTEGA, 2014). 
Grande parte desses softwares tem feito uso de informações 
colaborativas, do dito “movimento WIKI”, que parte do principio de 
que cada pessoa ajuda a criar uma pequena parte do banco de dados 
colaborando com uma pequena parcela, e em troca recebe a informação 
de outras pessoas que usam o sistema similar. Nota-se que nem sempre 
as pessoas precisam tomar alguma atitude para compartilhar as 
informações, visto que apenas o ato de consultar o sistema requer que a 
pessoa envie informações estatísticas e anônimasque ajudam a 
construir o banco de dados, e a atualiza-lo. 
Alguns softwares como é o caso da empresa Waze, além de 
fazer uso das informações colaborativas para aliviar a vida dos 
motoristas, fazendo com que eles evitem congestionamentos, ela 
também faz um papel de rede social, que é bem frequente nesse tipo de 
software, pois ajuda a manter uma base de usuários ativos no sistema, o 
que reflete diretamente na qualidade das informações (WAZE, 2014). 
Um caso interessante de ser estudado é o do Foursquare, um 
aplicativo SIGs para celulares, que criou o maior banco de dados do 
mundo no quesito comercial. O software permitia que os usuários 
criassem estabelecimentos comerciais, classificassem conforme sua 
função e dar notas de atendimento, e fazer “check-in” no 
238 
 
estabelecimento. Hoje diversas empresas compram esses dados para 
fazer estudo de implantação de seus negócios em uma cidade. E ainda 
as pessoas comuns recebem sugestões de onde ir, e podem ter uma ideia 
da qualidade do serviço, ou ainda dicas e sugestões de consumo 
(JUNIOR, 2014). 
 
Metodologia 
As informações obtidas nesta pesquisa partiram de análises 
sobre casos já existentes do uso de tecnologia na mobilidade urbana e 
de projetos em fase de estudos para implantação. Nesse caso nomeia-se 
de estudo exploratório, pois é fundamental para identificar variáveis que 
não sejam conhecidas ou não estejam totalmente definidas (COOPER; 
SCHINDLER, 2003). 
 
Revisão bibliográfica 
Nesta revisão teórica serão apresentados casos e estudos 
relacionados à influência da tecnologia na mobilidade urbana de modo a 
facilitar o deslocamento. Além da tecnologia nos meios de 
comunicação, serão citados casos de bairros inteligentes, a segurança 
ofertada com essas propostas e a influência que os mapas, GPS e 
aplicativos voltados aos deslocamentos urbanos trazem para os 
municípios em avançado desenvolvimento. 
A bibliografia existente hoje não chega a ser a melhor fonte de 
consulta para estudar as novas formas de gerenciamento visto a 
rapidez com a qual os sistemas vem surgindo e se integrando a outros 
239 
 
sistemas maiores e mais completos. Por conta disso boa parte de nossa 
pesquisa se deu através da análise de empresas e softwares que provém 
esse tipo de soluções. 
 
Tecnologia móvel de informação e mobilidade 
Com a evolução que a tecnologia no setor de comunicação e 
informação vem tendo, vêm também propiciado muitas soluções aos 
problemas de mobilidade urbana. A miniaturização dos aparelhos 
possibilitou o lançamento de tecnologias móveis (notebooks, 
smartphones, celulares, agendas eletrônicas, GPS) que tem como 
característica a portabilidade, ou seja, pode ser carregado para qualquer 
lugar um dispositivo desses. Tem também a tecnologia de informação 
sem fio, conhecida do inglês como wireless, que são as que envolvem o 
uso do dispositivo móvel à uma rede de comunicação via links sem fio. 
Ambas tem se tornado cada vez mais populares nas mais diversas áreas 
de atividades, pelo fato de ser simples, funcional e portátil. 
O Reino Unido tem um dos maiores mercados de tecnologia 
móvel do mundo, lá sete em cada dez britânicos possuem smartphone e 
mais da metade também tem um tablet. Em apenas cinco anos o tráfego 
móbile disparou de 0,02% para mais de 50% em 2014, significando que 
o uso da internet está sendo mais frequente nos celulares e tablets do 
que em computadores e notebooks, essa mudança influencia no 
desenvolvimento massivo de aplicativos para smartphones. 
The Train Line é um exemplo usado no Reino Unido, que 
permite ao usuário planejar viagens de trem, chegar rotas, preços e 
240 
 
comprar passagens emitindo tickets sem precisar passar por um guichê 
na estação. 
Outro exemplo é o CityMapper, que acessa os bancos de dados 
de todos os operadores e oferece um aplicativo de rotas generalizado e 
com informações em tempo real, calcula emissões de poluentes, gasto 
calórico e o preço da viagem para cada modal. 
Stravel é outro aplicativo que tem foco no social das viagens, 
onde os usuários são recompensados por escolherem modais 
sustentáveis. 
Comparável com o Brasil, o Reino Unido tem muito mais 
acessibilidade completa para aplicativos de transportes, isso vem da 
disponibilidade de dados por parte dos órgãos públicos e operadores de 
transportes dos britânicos. A Transport for London, por exemplo, 
disponibiliza todo seu banco de dados sem custos para desenvolvedores, 
incentivando também a criar aplicativos a partir dos dados coletados nos 
ônibus, trens, metrôs e bicicletas compartilhadas. 
No Brasil existe apenas um aplicativo unificado de transportes 
que engloba todos os modais disponíveis em um planejar próprio, no 
caso o Moovit junta informações de ônibus, trens e metrôs, porém ele 
não se mostra muito eficiente no planejamento de viagens não 
motorizadas. 
A dificuldade do desenvolvimento de aplicativos para 
transporte no Brasil se encontra em obter dados econômicos e 
geográficos das redes urbanas. Muitos órgãos públicos estão em fase de 
digitalização, poucos estão em fase final para disponibilidade de dados 
241 
 
online. Porém o cenário pode mudar em pequeno prazo, as previsões 
são de que a América Latina terá um mercado praticamente tão 
desenvolvido quanto a Europa, subindo o potencial das tecnologias 
móveis e atingindo a ubiquidade. 
 
Bairros inteligentes 
O conceito de bairro inteligente visa a estruturação de novos ou 
já existentes bairros em tecidos urbanos consolidados de cidades com 
bom desenvolvimento econômico. Seu desenho pare de uma visão 
holística do ambiente urbano, levando em consideração os princípios de 
sustentabilidade e os preceitos do novo urbanismo. 
Compreende tanto áreas residenciais como áreas industriais, 
comerciais, parques, serviços e pode ser tanto em verticalização quanto 
horizontalizadas. Valoriza o uso misto e a integração das atividades 
cotidianas: morar, trabalhar, estudar e lazer em áreas próximas para o 
pedestre, valorizam também os espaços públicos e pontos de encontro. 
Estes bairros tendem a tirar o foco da locomoção dos veículos e 
transferir para as bicicletas e os pedestres e nas edificações o foco é a 
eficiência energética que as mesmas devem gerar. São práticos devido 
ao uso de chips para realizar os pagamentos, localização de lugares ou 
vagas de estacionamento e seguros devido aos sistemas de vigilância 
que garantem a prevenção de crimes e acidentes. 
No Japão, uma cidade inteira foi e está sendo moldada nestes 
quesitos de bairro inteligente. Mi nato Mirai 21, distrito de Yokohama, 
conhecida como a primeira cidade inteligente do mundo. 
242 
 
Um sistema de calefação e ar condicionado central cuidam da 
ventilação do local, que abriga cerca de 90 mil pessoas. Dispositivos 
alugam bicicletas para os usuários, só se utilizam meios de pagamentos 
eletrônicos e para os carros elétricos há tomadas nas ruas e lojas para 
recarga grátis. 
A cidade de Recife em Pernambuco receberá um modelo de 
bairro inteligente inspirado em Minato Mirai, lá já foi confirmada a 
instalação de um campus da Universidade Estadual de Pernambuco, de 
um Hipermercado inteligente e um Shopping Center além de ter a 
população inicial estimada em 18 mil habitantes. O bairro terá o mais 
novo sistema de vigilância baseado no reconhecimento facial que 
analisa faces e detecta pessoas procuradas pela justiça além de 
comportamento duvidoso. 
A dificuldade de se implantar um bairro inteligente no Brasil é 
devido ao fato de ser muito custoso inicialmente, e por desfavorecer o 
carro é visto com certa preocupação e desinteresse por parte da 
população e das grandes fabricantes de veículos. 
 
Segurança 
A Secretaria de Segurança publica do estado de São Paulo tem 
diversos documentos e matérias, que retratam a importância do uso das 
novas tecnologias para fazer a manutenção da segurança nas nossas 
cidades.diferentes de ações, sendo elas: strictu sensu, 
zoneamento, planejamento de novas cidades e urbanismo sanitarista. 
Quando fala-se em planejamento e gestão urbana é 
indispensável a discussão das questões inerentes aos sistemas de 
infraestrutura urbana, pois estas estruturam o meio urbano, além de 
interferirem diretamente no desenvolvimento urbano. 
No espaço urbano a combinação de aumento populacional e 
planejamento urbano ineficiente são responsáveis pela geração de 
inúmeros impactos socioambientais, dentre eles merece destaque o 
padrão de crescimento periférico das cidades (COMITRE e 
ANDRADE, 2011). Crescimento que, segundo Bolaffi (1975, p.58 apud 
COMITRE e ANDRADE, 2011, p.8), “aumenta as distâncias, encarece 
os investimentos para a implantação de serviços públicos, eleva os 
custos de operação e de manutenção e reduz o aproveitamento per 
capita dos equipamentos existentes”. 
Neste contexto a cidade se desenvolve apresentando um caráter 
contraditório, sendo sua estrutura um produto de crescentes 
desigualdades, o que permite, deste modo, a constatação da 
fragmentação do território, composto de um lado por grupos de alta 
renda com áreas que possuem qualidade e quantidade em infraestrutura 
e serviços, e por outro pela escassez destes equipamentos para os grupos 
de renda menor (COMITRE e ANDRADE, 2011). 
18 
 
Essas condicionantes são responsáveis por interferir diretamente 
no preço do solo urbano. De acordo com Pereira (2012), o Estado, 
através da implantação de benfeitorias financiadas com recursos 
públicos, contribui diretamente para a valorização das propriedades 
localizadas próximas das mesmas. 
 
O Estado atua de forma direta na produção do 
espaço urbano quando realiza obra de 
infraestrutura, sistema viário, equipamentos 
públicos e ainda quando constrói habitações de 
interesse social (SILVA; OLIVEIRA; SOARES, 
2011). 
 
Existem também as formas de participação indireta, como por 
exemplo, no caso da regularização fundiária. Porém as formas mais 
frequentes de participação indireta do Estado neste contexto se realizam 
por meio da criação de normas técnicas e jurídicas de ordenação e 
condicionamento das cidades (SILVA; OLIVEIRA; SOARES, 2011). 
Segundo Pereira (2012), a atuação do estado ocorre de modo 
associado ao setor privado, atendendo os interesses deste setor, 
justificando a sua atuação com o argumento de que o crescimento da 
cidade irá beneficiar a todos os grupos sociais, gerando empregos, 
fortalecendo a base tributária municipal e produzindo recursos para a 
ampliação das políticas sociais. 
Na óptica desse autor, tem-se através do desejo de 
desenvolvimento, a criação de um consenso onde cobrem-se de 
legalidade as concessões feitas a empreendedores, a permissividade da 
legislação de uso do solo e a facilitação dos processos de licenciamento 
19 
 
ambiental. “Desta forma, consegue-se convencer a sociedade de que o 
objetivo da política urbana é viabilizar o crescimento através do 
favorecimento das elites capitalistas.” (PEREIRA, 2012). 
Neste contexto, percebe-se quanto a implantação de 
infraestrutura pode tornar atrativo o solo urbano, e como é de 
fundamental importância o planejamento e a gestão adequada destas 
questões, para que os interesses dos proprietários não se sobreponham 
sobre os interesses da coletividade. 
De acordo com o artigo 24 da Constituição da República, 
compete à União, aos estados e ao Distrito Federal legislar sobre o 
direito urbanístico. Entretanto, no artigo 30 da Constituição Federal de 
1988, menciona ainda que compete ao município legislar sobre assuntos 
de interesse local e promover o ordenamento territorial, mediante 
planejamento e controle do uso do solo, do parcelamento e da ocupação 
do solo. Cabe, portanto, ao Governo, em todas as suas esferas, 
promover o desenvolvimento urbano igualitário. 
Entretanto, na maioria das vezes, o mercado imobiliário 
apropria-se do espaço e direciona o crescimento das cidades. 
“Historicamente, o Estado sempre esteve associado às elites e 
representa os interesses dos proprietários de terras, empreendedores e 
empresários” (PEREIRA, 2012). Neste contexto, a legislação é utilizada 
como moeda de troca e como instrumento de dominação. 
Dentre as ferramentas utilizadas pelo poder público para a 
promoção do desenvolvimento urbano, destaca-se o plano diretor 
municipal, por conseguir atender cada cidade de acordo com as suas 
20 
 
particularidades. A existência de planos diretores, para as maiores 
cidades brasileiras, remonta às primeiras décadas do século XX 
(SILVA; OLIVEIRA; SOARES, 2011). Mas a sua obrigatoriedade foi 
consolidada apenas em 1988 com a Constituição federal e seu artigo 
182, que exigiu que todas as cidades com mais de vinte mil habitantes 
tivessem um plano diretor. Porém a regulamentação deste artigo só 
ocorreu em 2001, através do Estatuto da Cidade, que reforçou a 
condição do município como protagonista na condução da politica de 
desenvolvimento urbano. 
O plano diretor, segundo o Estatuto das Cidades (2001), pode 
determinar questões inerentes ao parcelamento do solo, código de obras, 
utilização de compulsórios urbanos, do direito de preempção, da 
outorga onerosa do direito de construir, dentre outros fatores que 
interferem na execução da política urbana. 
Dentro deste contexto, Pereira (2012), alerta sobre a formulação 
dos planos diretores, observando que geralmente, o resultado final nem 
sempre é um projeto comum para o bem-estar de todo o município, mas 
o somatório dos interesses de três grandes grupos: o mercado 
imobiliário, o setor popular e a classe média. Deste modo, “no cômputo 
final, o mercado imobiliário e as classes médias conseguem assegurar 
maior parcela de benefícios” (PEREIRA, 2012). 
Apesar de toda responsabilidade estabelecida em lei, na maioria 
das vezes os municípios não possuem capacidade para atender todas 
essas atribuições. Há uma dificuldade dos gestores municipais em 
promover o desenvolvimento urbano de forma adequada. Além do 
21 
 
interesse particular sobre essa política, têm-se outros impeditivos dentre 
eles, a falta de corpo técnico habilitado é considerada uma das 
principais problemáticas neste contexto. 
O arquiteto e urbanista atuante na área urbanística têm papel 
fundamental neste contexto, pois detém conhecimento técnico sobre o 
assunto, podendo planejar e propor estratégias adequadas para o 
desenvolvimento urbano igualitário. Sua habilitação está prevista na Lei 
nº 12.378/2010, a qual estabelece em seu artigo 2º: 
 
As atribuições profissionais do arquiteto e 
urbanista a que se refere o artigo anterior são as 
seguintes: 
I - supervisão, coordenação, gestão e orientação 
técnica; 
II - coleta de dados, estudo, planejamento, projeto 
e especificação; 
III - estudo de viabilidade técnica e ambiental; 
IV - assistência técnica, assessoria e consultoria; 
V - direção de obras e de serviço técnico; 
VI - vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, 
laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem; 
VII - desempenho de cargo e função técnica; 
VIII - treinamento, ensino, pesquisa e extensão 
universitária; 
IX - desenvolvimento, análise, experimentação, 
ensaio, padronização, mensuração e controle de 
qualidade; 
X - elaboração de orçamento; 
XI - produção e divulgação técnica especializada; 
e 
XII - execução, fiscalização e condução de obra, 
instalação e serviço técnico. 
Parágrafo único. As atribuições de que trata este 
artigo aplicam-se aos seguintes campos de atuação: 
[...] 
22 
 
V - do Planejamento Urbano e Regional, 
planejamento físico-territorial, planos de 
intervenção no espaço urbano, metropolitano e 
regional fundamentados nos sistemas de 
infraestrutura, saneamento básico e ambiental, 
sistema viário, sinalização, tráfego e trânsito 
urbano e rural, acessibilidade, gestão territorial e 
ambiental, parcelamento do solo,Desde meados do século XIX, novas tecnologias vêm sendo 
desenvolvidas para aumentar a segurança de quem se utiliza dos meios 
243 
 
de locomoção urbanos, desde os simples semáforos, passando pelos 
GPS e sistemas de controle de velocidade até os sistemas mais 
modernos embutidos em carros e meios de transporte público. 
A exemplo disso, temos a empresa SERTTEL do Recife em 
Pernambuco que oferece sistemas de controle de estacionamento pelo 
celular (Zona Azul Eletrônica) onde se paga o estacionamento através 
do celular no aplicativo da empresa que desconta do cartão de crédito 
(SERTTEL, 2014). 
 
Considerações finais 
São pequenas iniciativas que melhoram consideravelmente o 
entendimento da vida urbana e servem tanto para as analises dos 
profissionais do urbanismo quanto para um cidadão qualquer do meio 
urbano. 
Essas novas tecnologias que interagem com o cidadão devem 
ser incentivadas tanto pelo poder público quanto por iniciativas 
privadas, pois no final todos queremos um mundo melhor. 
 
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245 
 
 
 
CAPÍTULO 13 
 
GESTÃO AMBIENTAL E O GERENCIAMENTO DE 
RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM DOIS 
VIZINHOS-PR: BREVE ABORDAGEM 
 
Gabriela Jaiana Três 
Priscila Vanin Renosto 
Carlos Cassemiro Casaril 
Guilherme Daltoé 
 
Introdução 
A presente contribuição tem por objetivo geral analisar a 
geração e destinação de resíduos da construção civil no município de 
Dois Vizinhos-PR e examinar se esse está de acordo com Resolução 
307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) de 05 de 
julho de 2002. 
Para atingir o objetivo principal, elencaram-se alguns objetivos 
específicos, a) verificar o que pode ser realizado para mitigar a geração 
de Resíduos Sólidos da Construção Civil (RSCC); b) apresentar dados e 
informações dos resíduos gerados pelos empreendimentos; c) analisar se 
246 
 
ocorre aplicação de um sistema de gerenciamento de resíduos sólidos de 
construção civil no município. 
Esse trabalho se justifica devido a preservação do meio 
ambiente, que deve ser respeitada quando ocorre o desenvolvimento de 
um município (sobretudo, em se tratando de sua área urbana) e a 
construção civil deixa um imenso rastro negativo para o ambiente, além 
disso o que nos chamou atenção é o fato que existem leis para a questão 
em vigor, entretanto estas não são aplicadas e quando o são, carece-se 
de fiscalização. 
Diante dessa proposta, é necessária uma análise para o 
desenvolvimento de formas para minimizar os problemas causados 
pelos RSCC, como um plano de gerenciamento de resíduos sólidos da 
construção civil, juntamente com métodos para a reciclagem, 
reutilização em obra e armazenamento adequado. 
Pois a grande problemática se caracteriza devido ao crescimento 
da urbanização que gera uma demanda maior de investimentos na área 
da construção civil e infraestrutura urbana, esse aumento excepcional 
tem como resultado negativo os danos para o meio ambiente, os quais 
são reparáveis a curto, médio e longo prazo. 
O impacto ambiental que é causado pela geração de resíduos da 
construção civil deve ser levado em consideração pelos efeitos que ele 
causa ao meio ambiente, economia e sociedade. A reciclagem e 
reutilização são maneiras para mitigar os impactos que os construtores 
causam, contribuindo para a minimização dos problemas ambientais e 
dos custos de remoção, tratamento e disposição final. 
247 
 
Entretanto, a imensa quantidade de resíduos provocados pelas 
construções nem sempre tem uma destinação final adequada, 
principalmente quando se trata de pequenas reformas, além disso, a 
maioria das cidades brasileiras não possui um plano de gerenciamento 
adequado, sendo assim toda a geração de RSCC que poderia ser 
reciclada ou reutilizada são despejados em bueiros, terrenos baldios, 
margens de córregos e em menor quantidade em aterros específicos para 
esses resíduos. 
Dois Vizinhos - PR não se encontra em situação diferente, o 
desperdício de material, sua disposição final e outros fatores nem 
sempre estão de acordo com as leis e normas que deveriam ser seguidas, 
a prefeitura realiza ocasionalmente o recolhimento dos resíduos 
depositados em lugares clandestinos levando esses para o aterro 
sanitário, e essa forma incorreta de disposição final, também é realizada 
pelas construtoras, bem como, pela empresa de “Disk Entulho” (a única 
de Dois Vizinhos). 
Independentemente do desenvolvimento de um dado município, 
o ambiente precisa e necessita ser respeitada para desenvolver sua 
função no universo. 
Contudo, apresenta-se a problemática demonstrando através de 
pesquisas bibliográficas a importância de mitigar os RSCC, através de 
métodos simples e medidasa serem adotadas nas construções, sendo 
que, os custos para o município e para as construtoras poderiam ser 
minimizados, além disso, evitaria a extração de matéria prima e 
deposições em lugares inadequados. 
248 
 
Os impactos gerados pela construção civil 
Ao longo de séculos a sociedade vem evoluindo-se com 
tecnologias, avanços e recursos. O cientista inglês Isaac Newton em 
seus estudos defendeu a lei de ação e reação, aquela que para todo ato 
há uma resposta imediata. O descompasso entre o homem e a natureza, 
faz com que a natureza sofra os impactos gerados pelo homem. 
Quando a sociedade começou a notar a degradação ambiental e 
a sofrer as influências de tais, como por exemplo: na qualidade do ar, do 
solo e dos recursos hídricos, isso serviu como um sinal de alerta sobre 
essa forma de desenvolvimento (CASSA; CARNEIRO; BRUM, 2001). 
O progresso traz para o meio ambiente vários fatores que o 
destroem. Um dos principais foi a intensa urbanização iniciada no 
período da metade do século XVIII com a revolução industrial. Sabe-se 
que nessa época havia duas realidades divergentes: uma o grave 
empobrecimento nas áreas rurais e a outra é que nas cidades, as 
indústrias estavam a todo o vapor nos seus processos expansivos, isto, 
levou-se ao um estado preocupante, acarretando a urgência da migração 
dos camponeses às cidades para serem mão-de-obra às indústrias. 
Após a segunda metade do século XX, os principais aspectos, 
que levam a população a maior concentração nas áreas urbanas, de 
acordo com Vilhena (2002, p.7) são a “migração interna, a mecanização 
da agricultura, o processo de industrialização, a busca de melhores 
oportunidades de empregos e a qualidade de vida”. 
Quando determinada cidade evolui e não considera os danos 
causados à natureza, ocorre desarmonia e o sofredor de tais danos é o 
249 
 
meio ambiente. Esta situação leva-se segundo Cavalcanti (1995), a 
ampliação da tecnologia e aumento do poder econômico e tem como 
decorrência o desequilíbrio, agravando a miséria, a deterioração 
ambiental e a poluição. 
Por isso, a questão ambiental deve ser levada em conta quando 
uma cidade pretende implantar um sistema econômico que tenha como 
meta o desenvolvimento. Assim sendo, deverá ser realizado um 
planejamento no qual seja incorporado o uso adequado dos recursos 
naturais, a melhoria do bem estar da sociedade e o progresso do 
município. 
Devido o acelerado processo da urbanização houve e há a 
criação de novos materiais em grandes proporções. A problemática 
diante dessa grande demanda é que natureza não consegue absorver os 
mesmos na velocidade que esses são produzidos levando a graves 
consequências locais, regionais e até mesmo globais. 
Segundo Pinto (1999), a origem dos RCC se encontra entre 
41% a 70% do total dos Resíduos Sólidos Urbanos, sendo que de 
acordo com Motta (2004), as origens dos resíduos nas cidades 
brasileiras são em média de 500 Kg/ano/pessoa. 
A construção civil é símbolo do desenvolvimento de uma 
cidade. Essa gera impactos visuais em função dos aspectos perceptivos 
do ambiente que se encontra com RSCC. Esses impactos têm como 
causa a degradação do meio ambiente na retirada dos Recursos Naturais 
(RN) para a formulação dos materiais necessários nas obras. 
250 
 
Nas considerações de JOHN (2000), a construção civil é 
responsável por até 50% do uso dos RN em nossa sociedade. Para o 
autor, esse setor é o culpado por cerca de 50% do CO2 lançado na 
atmosfera. Nada mais que do quase a metade da quantidade dos 
resíduos sólidos gerados no mundo. 
Como se não bastasse os danos que as construções geram para o 
meio ambiente na retirada dos RN, ainda ocorre a disposição irregular 
dos RSCC que tem como consequências diretas: “[...] a proliferação de 
insetos e roedores, obstrução do escoamento (provoca inundações) e 
deslizamento de encostas” (VILHENA, 2002, p. 179). 
Os RSCC de acordo com a NBR 10.004/04 (Resíduos Sólidos - 
Classificação) são classificados como resíduos inertes - classe II. Os 
RSCC são formados de acordo com Vilhena (2002, p.179), “[...] por 
resíduos de fragmentos e de restos, o primeiro compostos por elementos 
pré-moldados e o segundo originados em obra”. 
Segundo a Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio 
Ambiente – os RCC são: 
Os provenientes de construções, reformas, reparos 
e demolições de obras de construção civil, e os 
resultantes da preparação e da escavação de 
terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, 
concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, 
colas, tintas, madeiras e compensados, forros, 
argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, 
vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., 
comumente chamados de entulhos de obras, 
caliças ou metralha (CONAMA, 2002, p. 95). 
251 
 
Os geradores de acordo com a Resolução 307/2002 do 
CONAMA são as “[...] pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou 
privadas, responsáveis por atividades ou empreendimentos que gerem 
os resíduos”. A resolução ainda cita que estes deverão ter como 
“objetivo prioritário a não geração de resíduos e secundários, a redução, 
a reutilização, a reciclagem e a destinação final” (CONAMA, 2002, p. 
96). 
Qualquer gerador tem como base para construir a necessidade 
de um componente fundamental que é o cimento, esse material é 
empregado de diversas maneiras, tais como: elementos estruturais 
(pilar, viga, laje) argamassa de revestimento, assentamento de blocos, 
tijolos, azulejos entre outras funções. Vilhena (2002) relata que no 
documento Industrialização da Construção Habitacional (1994), foi-se 
discriminado num dos relatórios, uma pesquisa de maneira indireta, 
onde é afirmado que os consumidores particulares são os que possuem 
maior mercado de consumo com 50,3%, isso indica que a maioria dos 
RSCC são gerados provenientes de construções de pequeno porte, que 
provavelmente são depositados de formas irregulares. 
Os RSCC são muitos, porém tais resíduos devem ser 
reaproveitados como novas matérias primas, desta forma gera-se 
economia ambiental e social. 
Na reutilização, deve-se evitar o descarte de materiais que 
podem ser utilizados novamente com a mesma ou com outra finalidade. 
"[...] É comum proceder ao tratamento de resíduos industriais com 
252 
 
vistas à sua reutilização ou, pelo menos, torná-los inertes" 
(MONTEIRO, 2001, p.138). 
A reciclagem/reutilização segundo Vilhena (2002, p. 81), “[...] é 
o resultado de uma série de processos pelos quais os materiais são 
atenuados sendo utilizados como matéria prima na manufatura de novos 
produtos", ou seja, a utilização desse método diminui a retirada dos RN, 
diminui os preços, evita que os resíduos sejam depositados de forma 
incorreta em lugares desapropriados. Entre outras contribuições destaca-
se a “[...] redução de volume de extração de matérias-primas e a 
correção dos problemas ambientais urbanos gerados pela disposição 
final inadequada” (MONTEIRO, 2001, p.131). 
A reciclagem já está sendo aplicada em muitos 
empreendimentos e a capacidade de se desenvolver um gerenciamento 
acessível e satisfatório já é possível. Segundo Silva (2006), constata-se 
que estão sendo estudadas soluções para aplicação e uso dos RSCC 
reciclado; algumas que estão sendo postas em prática em determinadas 
cidades brasileiras, os resultados estão sendo satisfatórios e triunfais, 
como as pavimentações, os agregados para concreto e agregado para 
confecção de argamasseiras. 
A partir da gestão dos resíduos da construção civil, observa-se 
que com o desenvolvimento de um processo de reciclagem, a destinação 
de resíduos para aterros poderá diminuir significantemente, mas, antes 
que a prefeitura programe a implantação ou incentive outra empresa a 
instalar esse sistema no município, deve ser analisado se ocorre a 
demanda dos produtos que serão reciclados. Pois, a reciclagem é uma 
253 
 
"[...] atividade econômica que deve fazerparte de um conjunto de ações 
integradas que visam um melhor gerenciamento dos resíduos" 
(VILHENA, 2002, p. 81). Não podemos segregar materiais para a 
reciclagem se não ocorrer uma demanda desses resíduos. 
Segundo Vilhena (2002, p.188), "[...] deve ser realizado na 
pesquisa a análise dos aspectos básicos do município", ou seja, a origem 
dos materiais, a localização do empreendimento (neste aspecto deve-se 
observar os pontos de coleta para economia de transporte), os 
problemas ambientais causados pelas disposições irregulares e a origem 
dos RN utilizados (normalmente são extraídos de rios e pedreiras). 
Após verificar se os dados obtidos tiveram aspecto positivo, 
cabe-se destacar que é fundamental ter o conhecimento das classes e 
disposição correta para cada resíduo, que segundo CONAMA(2002) são 
separados em quatro classes distintas conforme demonstra a tabela 1. 
 
TABELA 1: Classificação dos resíduos da construção civil segundo a 
Resolução 307/2002-CONAMA. 
Classe Característica Destinação 
A 
Resíduos reutilizáveis ou recicláveis: 
agregados, tijolos, blocos, telhas, placas de 
revestimento, argamassas, concretos, tubos, 
meio-fio, solos de terraplanagem. 
Deverão ser reutilizados 
ou reciclados na forma de 
agregados, ou 
encaminhados à áreas de 
aterro de resíduos da 
construção civil, sendo 
dispostos de modo a 
permitir a sua utilização ou 
reciclagem futura. 
B 
Resíduos recicláveis para outras destinações. 
Tais como plásticos, papel/papelão, metais, 
madeiras. 
Deverão ser reutilizados, 
reciclados ou 
encaminhados à áreas de 
armazenamento 
temporário, sendo 
254 
 
Fonte: CONAMA, 2002; CONAMA, 2004. 
 
Além de analisar o mercado dos produtos que serão reciclados 
deve-se haver também uma pesquisa sobre o mercado consumidor e não 
se pode esquecer que ao implantar o sistema precisa ser também 
apurado o controle de qualidade dos agregados com análises 
laboratoriais de curto e longo prazo. A partir dos estudos comparativos 
poder-se-á ser gerados materiais cada vez mais parecidos com os usados 
normalmente, pois, produtos gerados da reciclagem nem sempre terão 
composições que podem ser igualadas aos originais (VILHENA, 2002). 
Nos últimos tempos tem sido elaboradas leis para a proteção do 
meio ambiente, pois os impactos gerados pelos resíduos da construção 
civil são extremos. Diante desse impasse A Resolução 307/2002 
estabelece “diretrizes, critérios e procedimentos para disciplinar às 
ações necessárias com o intuito de minimizar os impactos ambientais” 
(CONAMA, 2002, p. 95). Entre as diretrizes a citada resolução 
dispostos de modo a 
permitir à sua utilização ou 
reciclagem futura. 
C 
Resíduos ainda sem tecnologias ou aplicações 
economicamente viáveis para a sua 
reciclagem/recuperação. Dentre outros 
destacasse os oriundos do gesso (tratamento 
pelo gerador); 
Deverão ser armazenados, 
transportados e destinados 
em conformidade com as 
normas técnicas 
específicas. 
D 
São resíduos perigosos oriundos do processo de 
construção. Destaca-se as tintas, os solventes, 
os óleos e outros ou aqueles contaminados ou 
prejudiciais à saúde oriundos de demolições, 
reformas e reparos de clínicas radiológicas, 
instalações industriais e outros, bem como 
telhas e demais objetos e materiais que 
contenham amianto ou outros produtos nocivos 
à saúde. (nova redação dada pela Resolução n° 
348/04). 
Deverão ser armazenados, 
transportados, reutilizados 
e destinados em 
conformidade com as 
normas técnicas 
específicas. 
255 
 
determina que os municípios e o Distrito Federal implantem o Plano 
Integrado de Gerenciamento de RCC. 
O Plano Integrado de Gerenciamento de RCC de acordo com a 
Resolução 307 deve desenvolver soluções para os pequenos volumes 
que são gerados. Entre as principais funções, está a de disciplinar os 
grandes geradores; cabe ao município de acordo com seus critérios, 
determinar quem é o grande ou pequeno gerador. 
Para os pequenos geradores foi instituído pela resolução o prazo 
de 12 meses para que os municípios e o Distrito Federal formulassem o 
Plano (até Janeiro/2004) e para a implementação, o prazo de 18 meses 
(até Julho/2004). 
Para os grandes geradores a resolução deu o prazo de 24 meses 
(até Janeiro/2005) para a formulação do plano (o qual deve considerar 
todas as etapas de acordo com a classe dos resíduos, como pode ser 
observado na tabela 1). 
O projeto para o Plano Integrado de Gerenciamento de RCC 
tem como função "destinar de forma correta os resíduos que são gerados 
pelo município o qual deve considerar a caracterização, triagem, 
acondicionamento, transporte e destinação" (CONAMA, 2002, p. 96) e 
a função de cada setor é descrita por Júnior (2005) como mostra a tabela 
02. 
TABELA 2: Agentes envolvidos e suas responsabilidades 
Agente Responsabilidades 
Gerador de Resíduos Gerenciar os resíduos desde a geração até a destinação final, 
com adoção de métodos e processos de manejo compatíveis, 
com a sua destinação ambiental, sanitária e economicamente 
desejáveis. 
256 
 
Cedente de área para 
recebimento de 
Inertes 
Cumprir e fazer cumprir as determinações que disciplinam os 
procedimentos e operações de aterros de inertes, em especial o 
seu controle ambiental. 
Prestador de 
Serviços/ 
Transportador 
Cumprir e fazer cumprir as determinações normativas que 
disciplinam os procedimentos e operações do processo de 
gerenciamento de RSCC. 
Poder Publico Normalizar, orientar, controlar e fiscalizar a conformidade da 
execução dos processos de gerenciamento do Plano Integrado 
de gerenciamentos dos RCC. 
Fonte: JÚNIOR, 2005. 
Mesmo com prazos pré-estabelecidos muitas municipalidades e 
empresas burlam e/ou mascaram até os dias atuais a legislação sobre a 
deposição final dos RSCC. 
Associação brasileira de normas técnicas (ABNT) noticiou em 
2004, inúmeras normas as quais tratam dos RCC. Estas estão inclusas 
nas propostas da Resolução 307/2002-CONAMA e tratam de uma série 
de aspectos. 
 NBR15112/2004 – Resíduos da construção civil e 
resíduos volumosos – Área de transbordo e triagem – Diretrizes para 
projeto, implantação e operação; 
 NBR15113/2004 – Resíduos sólidos da construção civil 
e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para projeto, implantação e 
operação; 
 NBR15114/2004 – Resíduos sólidos da construção civil 
– Áreas de reciclagem – Diretrizes para projeto, implantação e 
operação; 
 NBR15115/2004 – Agregados reciclados de resíduos 
sólidos da construção civil – Execução de camadas de pavimentação – 
Procedimentos; 
 NBR15116/2004 – Agregados reciclados de resíduos 
sólidos da construção civil – Utilização em pavimentação e preparo de 
concreto sem função estrutural – Requisitos. 
Vale destacar que, as Normas acima apresentadas pela ABNT, 
somadas a Resolução CONAMA 307/2002 e a Política Nacional de 
257 
 
Resíduos Sólidos (PNRS) em vigor desde 2010 são destaques na 
política nacional do setor ambiental, bem como, vêm movendo a cadeia 
produtiva do setor da construção civil, pois estas legislações definem as 
responsabilidades de cada setor. 
 
Considerações Finais 
Dois Vizinhos – PR a exemplo da maioria das municipalidades 
brasileiras e empresas da cadeia produtiva da construção civil não 
seguem a risca as disposições apresentadas na Resolução CONAMA 
307/2002 e na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). E, 
sobretudo, não seguem a legislação devido a falta de fiscalização de 
órgãos competentes, basta verificar que, a deposição de RSCC em 
lugares clandestinos e/ou irregulares como os aterros sanitários, 
continuam ocorrendo com frequência. 
Conforme é o desenvolvimento de uma cidade, esta necessita a 
implantação de um sistema de gerenciamento para poder dar aos RSCC 
uma coleta, transporte e destinação final de forma correta e sustentável. 
Desta forma, o Plano Integrado de Gerenciamento de RSCC vêm como 
forma deatingir tal objetivo. 
Os RN que são utilizados pelo ramo da construção tornam-se 
cada vez mais precários e custosos. Precários, pelo fato dos órgãos 
ambientais estarem mais exigentes na retirada da matéria prima e nem 
todos conseguem adequar-se as novas leis e normas. São custosos, pois 
estão mais distantes dos grandes centros, isso faz com que ocorra um 
aumento sob o material por conta do transporte. 
258 
 
Podemos notar que referente ao ramo da construção civil o 
empenho em avaliar a quantia de resíduos gerados pelo setor da mesma 
já não é novidade, mas o enfoque dos construtores está mais 
direcionado e economia e redução dos desperdícios. 
Com a redução do desperdício nas obras ocorre também 
economia para os geradores, além da conservação do meio ambiente, 
colocando a cadeia produtiva da indústria da construção civil no centro 
das discussões na procura pelo desenvolvimento sustentável 
(desperdício e impacto zero) nas suas diversas dimensões e soluciona os 
principais problemas mencionados nesta contribuição. 
O processo de redução, reciclagem e reutilização dos RSCC 
aplicados de forma correta encaminhar-se-á a um sistema de vantagens, 
pois as indústrias de construções irão além de diminuir a geração de 
resíduos, pagar menos por um produto com qualidade relativamente 
proporcional ao original, já no município irá diminuir as tantas 
disposições incorretas e na natureza será mitigada a retirada das 
matérias primas das jazidas. 
Os gerenciamentos dos RSCC tornam o setor mais lucrativo e 
competitivo e enquadram-se numas das soluções para evitar-se o 
desperdício de materiais e a retirada dos RN. Proporcionando um 
melhor equilíbrio entre o desenvolvimento e o meio ambiente. 
Vale ressaltar que no Brasil já existem usinas de reciclagem que 
desenvolvem um satisfatório trabalho e se tornaram exemplares com a 
implantação do sistema de reciclagem, como a Estação de reciclagem 
259 
 
Estoril e a Estação de reciclagem Pampulha, as duas localizadas em 
Belo Horizonte – MG. 
 
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https://www.researchgate.net/publication/339912048loteamento, 
desmembramento, remembramento, arruamento, 
planejamento urbano, plano diretor, traçado de 
cidades, desenho urbano, inventário urbano e 
regional, assentamentos humanos e requalificação 
em áreas urbanas e rurais. 
 
Portanto, embasado nas atribuições estabelecidas acima, 
considera-se de fundamental importância a inclusão permanente deste 
profissional no corpo técnico de todos os municípios. Entretanto, no 
Brasil, são poucos profissionais que trabalham com planejamento 
urbano, devido à carência de cargos criados pelo setor publico. O 
gráfico, a seguir, demonstra melhor essa questão: 
 
 
 
35% - arquitetura e urbanismo - concepção 
16% - arquitetura e urbanismo – execução 
15% - arquitetura de interiores 
5% - serviço/funcionário público 
4% - planejamento urbano e regional 
23 
 
3% - ensino 
3% - arquitetura paisagística 
9% - patrimônio histórico, sistemas construtivos, entre outros 
10% - outros (resposta aberta) 
Gráfico 1: Área de atuação do profissional Arquiteto e 
Urbanista em 2011 e 2012. 
Fonte: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (2015). 
 
 
De acordo com o gráfico 1 acima, nota-se que apenas três por 
cento dos arquitetos e urbanistas brasileiros atuam no planejamento 
urbano e regional. Esses dados evidenciam a insuficiência de corpo 
técnico na grande maioria dos municípios brasileiros. 
 
 
Considerações finais 
O crescimento urbano, aliado a políticas públicas inadequadas é 
responsável pela geração de uma cidade ineficiente, composta por 
espaços sem infraestrutura urbana apropriada e, consequentemente, que 
compromete a qualidade de vida para a população. É evidente que a 
grande maioria das cidades brasileiras possui problemas urbanos, 
existindo diferença apenas com relação à escala dos mesmos. Tal fato, 
solidifica a necessidade de analisar e questionar as políticas públicas 
realizadas no espaço urbano, já que são elas que possuem significativo 
poder para atenuar estas problemáticas. 
Assim, uma das propostas evocadas neste trabalho remeteu-se à 
discussão sobre as possíveis contribuições do profissional arquiteto e 
urbanista para o planeamento e a gestão urbana, através de estudos 
técnicos e de diagnósticos eficientes. Deste modo, cabe ao poder 
24 
 
público, reconhecer a importância desse profissional no quadro 
funcional do setor de planejamento e gestão urbanística, buscando 
garantir a efetividade das políticas públicas em prol ao desenvolvimento 
urbano, à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida nas 
cidades. 
 
REFERÊNCIAS 
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Brasil: promulgada em 8 de outubro de 1988. 8. Ed. São Paulo: Revista dos 
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25 
 
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ZMITROWICS, Witold. ANGELIS NETO, Generoso de. Infra-estrutura 
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26 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
PROPOSTA DE MOBILIDADE REGIONAL PARA OS 
MUNICÍPIOS DE FRANCISCO BELTRÃO, 
MARMELEIRO E RENASÇENÇA - PR 
 
Rafael Wurlitzer Colla 
Willian Marques Debacker 
César Hellmann 
Guilherme Daltoé 
 
Introdução 
Cada vez mais as cidades enfrentam problemas relacionados à 
mobilidade. Fato este que vem comprometendo a qualidade de vida das 
pessoas, principalmente em áreas urbanas. O aumento excessivo do 
número de automóveis particulares, somado ao transporte público 
precário e com baixos investimentos, tornou-se um dos principais 
problemas em grandes centros urbanos. 
Segundo o relatório Estado das Cidades da América Latina e 
Caribe, 80% da população latino-americana vive em centros urbanos e 
14% (cerca de 65 milhões) habitam metrópoles como São Paulo e 
Cidade do México. Entretanto, as políticas de infraestrutura e 
urbanização não acompanharam esse exagerado crescimento de forma 
27 
 
satisfatória para a resolução do problema de transporte público e 
mobilidade urbana (ONU, 2012). 
O autor Fábio Duarte afirma que: 
 
Para o bom planejamento das cidades, as leis de 
uso de ocupação do solo e a mobilidade urbana 
devem estar integradas, criando o maior número de 
possibilidades de locomoção, mas reduzindo os 
deslocamentos motorizados. Nesse sentido, os 
planos diretores municipais podem adotar medidas 
concretas (DUARTE, 2007, p. 161). 
 
Para frequentar locais cotidianos como ir à escola, ao trabalho, 
ou até mesmo a lugares para praticar atividades relacionadas ao lazer, é 
necessário que haja qualidade e eficiência no transporte público. 
O transportecoletivo motorizado é um dos principais meios que 
o cidadão possui de direitos básicos, já que, o mesmo permite acessos 
ao mercado de trabalho, serviços públicos e equipamentos urbanos. 
Entretanto, o número crescente de veículos particulares faz com que se 
tenha uma reflexão sobre os transportes urbanos, não restringindo em 
apenas um modelo, mas possibilitando outros meios de transporte 
(DUARTE et al., 2007). 
Para proporcionar diversidade modal devem-se planejar 
articulações entre os diferentes modos a serem empregados. O sistema 
modal utiliza uma única modalidade, isto é, o transporte pode ser 
terrestre, (pedestres, bicicleta, motocicleta, automóvel e ônibus), 
aquáticos (barco, lancha, entre outros), aéreos (helicóptero, avião) ou 
ainda ferroviários (trem, metrô e aero móvel). 
28 
 
Dessa forma, pensar nas diferentes modalidades de locomoção é 
a alternativa mais adequada, pois possibilita o deslocamento cotidiano 
entre as cidades e seu interior. Duarte (2007) descreve que a 
multimodalidade nos transportes urbanos pode promover o equilíbrio 
social, ambiental e econômico. 
O presente estudo relaciona a mobilidade entre os municípios 
de Francisco Beltrão, Marmeleiro e Renascença localizados na região 
sudoeste do Paraná e propõe alternativas para amenizar a situação atual 
desta região que utiliza apenas a modalidade terrestre para o 
deslocamento de pessoas e cargas os veículos mais usados são 
motocicletas, automóveis, ônibus e caminhão, podendo ser estes 
veículos públicos ou privados. 
A mobilidade nesta região busca atender os usuários 
classificados como: a comunidade em geral, estudantes, universitários e 
trabalhadores, sendo esses conduzidos pelo transporte público e 
privado. O transporte privado compreende a modalidade de 
deslocamento em que os passageiros podem ser ou não proprietários do 
veículo, ou até mesmo sendo de um terceiro (passageiro pagante ou não 
ou ainda um locatário). 
Por transporte público designamos um meio de transporte em 
que os passageiros não são os proprietários do veículo, podendo esses 
serem servidos por terceiros, como empresas públicas ou até mesmo 
privadas. 
Na busca de consolidar a mobilidade regional entre os municípios desta 
região foram levantadas problemáticas e o público a ser atendido, 
29 
 
através de um diagnóstico. Em busca da melhoria da mobilidade 
regional propõem-se algumas intervenções como um novo contorno 
viário integrando as três cidades, o uso da ciclofaixa, a duplicação dos 
trechos e a criação de pontos turísticos, sendo um deles o zoobotânico 
valorizando assim as áreas rurais. 
 
A origem do planejamento regional 
De acordo com as referências demonstradas por Hall (2002), o 
planejamento regional nasceu com Patrick Geddes
1
, mas foi através do 
encontro com Lewis Mumford
2
em 1903 que sua teoria foi desenvolvida. 
O encontro entre os autores propiciou que as ideias de Geddes 
ganhassem coerência mais tarde, vindo a fundar a RPAA (Regional 
Planning Association of America), traduzida para o português como 
"Associação de Planejamento Regional da América", e a partir daí 
difundindo sua mensagem para o mundo (Hall, 2002). 
Segundo Geddes o estudo regional propiciava o conhecimento 
de um ambiente ativo e vivenciado, que era a força motriz do 
desenvolvimento humano. Para o autor, é essencial partir de um 
levantamento dos recursos da região natural para elaborar o 
planejamento. Trata-se de um levantamento geográfico, histórico e 
 
1
Patrick Geddes (1854–1932) foi um biólogo e filósofo escocês, também conhecido 
por seu pensamento inovador nos campos do planejamento urbano e da educação. 
Responsável pela introdução do conceito de região no urbanismo e pela criação dos 
termos "conurbação" e "megalópole", é considerado o "pai" do planejamento regional. 
2Lewis Mumford (1895 - 1990) foi um historiador norte americano que realizou 
pesquisas nas áreas da arte, ciência e tecnologia e saúde. Foi também escritor, crítico 
literário e professor. 
30 
 
social, em que relaciona as características culturais dos povos às 
características naturais presentes em seus locais de origem. (HALL, 
2002) 
Em seu livro “Cidades em Evolução”, publicado em 1915, 
Geddes divulga um esclarecimento mais coerente de suas ideias. As 
novas tecnologias neotécnicas (energia elétrica e motor de combustão 
interna) causaram a dispersão das cidades de forma desordenada, 
desperdiçando recursos e energia, consequentemente, fazendo com que 
se conglomerassem. A esses “agregados-cidade” o autor denominou de 
"conurbações". E como solução, ele propunha trazer o campo para a 
cidade, defendendo a ideia de que o levantamento regional estava 
destinado a tornar-se pensamento-chave para as próximas gerações. 
 
Difundindo a teoria do planejamento regional baseada nos 
trabalhos de Geddes 
De acordo com Hall (2002), no início do século XX é formada 
Regional Planning Association of America (a RPAA), e seus membros 
principais eram Mumford, Stein, Mackaye, Ackerman e Wright. Visto a 
entãoa tendência do automóvel, do telefone, do rádio e da eletricidade 
causou a dispersão da população e da malha urbana, cabia a eles 
planejar essa nova migração para evitar erros cometidos no passado por 
falta de planejamento. 
Mumford retorna ao tema do advento da era neotécnica e afirma 
que através do planejamento regional pode haver cidades super 
crescidas que cresçam ainda mais, estimulando uma vida intensa e 
31 
 
criativa para a sociedade, sem destruir as vantagens naturais do lugar. 
Pois “o planejamento regional vê o povo, a indústria e a terra com uma 
única unidade”. (HALL, 2002). 
Porém, em meio a teoria do planejamento regional baseada nos 
trabalhos de Geddes, surgiram na década de 1920 as ideias de Thomas 
Adams, um dos fundadores do planejamento urbano britânico foi 
contratado para fazer um levantamento e plano para toda a região de 
Nova York. Adams enfatizava a importância de considerar o 
desenvolvimento regional que circunda o município para um esquema 
de planejamento urbano satisfatório, pois é neste local que as novas 
indústrias estão se estabelecendo. (HALL, 2002) 
A metodologia de Adams entrava em conflito com a os ideais 
da RPAA, uma vez que para ele o Plano Regional não deveria ter um 
teor revolucionário, e sim “[...] um conjunto de controles brandos sobre 
os abusos do mercado, em favor da eficiência” (HALL, 2002, p. 182), 
incluindo também novas estradas e parques. Portanto, a visão de 
Adams, que era um planejador para homens de negócios, era muito 
mais comercial do que as ideias da RPAA. 
O que estava errado era a filosofia partilhada por Adams e seu 
grupo, que via região como fixado em definitivo, que admitia apenas 
modificações incrementais e marginais, rejeitando o planejamento de 
uma região inteira. Essas manifestações se manifestavam de várias 
formas, como acrescentar alguns desvios ou anéis viários em um plano 
rodoviário. 
32 
 
Hall (2002) afirma que o verdadeiro impacto das ideias da 
RPAA não se deu em seu próprio país, mas nas capitais da Europa. Ao 
longo dos anos 20 e 30, ideias norte-americanas de planejamento 
estavam sendo aplicadas em vários contextos britânicos. Então, em 
1943, surge o Plano do Condado de Londres elaborado por 
Abercrombie e Forshaw que se revela como o mais amplo planejamento 
elaborado até então. O Plano do Condado possuía “qualidades 
excepcionais que por si só bastariam para recomendá-lo junto ao mais 
purista dos membros da RPAA" (HALL, 2002, p.196). 
Abercrombie utilizou os métodos de levantamento geddesiano, 
a implantação de uma hierarquia viária que resolvia o problema do 
congestionamento e dava forma às comunidades reconstruídas com 
espaços livres tão necessários, além de cumprir a função de aproximar a 
natureza da cidade. 
O Plano do Condado utilizou o novo sistema viário para criar 
umaLondres celular, com estrutura orgânica, que permanece ao passar 
do Plano do Condado para o Plano da Grande Londres. A base feita em 
círculos concêntricos, que indicam a intensidade decrescente da 
população e atividade: o Interno, com o centro de Londres como anel 
nuclear; o Externo ou suburbano; o Cinturão Verde, preservado para 
áreas de lazer; e Periferia Rural, para uso agrícola e para população 
proveniente da descentralização de Londres. Cada círculo aparece 
definido por um anel viário, como parte do sistema hierárquico. 
 
Mobilidade e interconexão regional 
33 
 
A mobilidade em termos gerais pode ser considerada um dos 
grandes problemas enfrentados pelas cidades do mundo inteiro, pois 
atinge diretamente o setor econômico do município, seja pela demora 
no transporte de mercadorias ou então pelo difícil acesso a pontos 
comerciais. 
Trazendo a discussão para a escala regional, podemos constatar 
que o problema se agrava, pois acaba interferindo nos interesses de 
várias cidades, que na maioria das vezes diferem muito umas das outras. 
Para tentar amenizar as problemáticas deve-se pensar no 
conjunto como um todo, entretanto, é aconselhável que se coloque em 
prática a solução em uma escala menor, começando por uma 
microrregião, e então, expandindo-a para toda a região. 
Levando isso em consideração, foram escolhidas três cidades 
que formam uma microrregião (Francisco Beltrão, Marmeleiro e 
Renascença) que, além de sua proximidade, tem interesses comerciais 
semelhantes, e assim, foram elaboradas propostas com a intenção de 
beneficiá-las de maneira uniforme. 
A primeira proposta seria criar um sistema de transporte que 
integrasse essas três cidades, tornando o trajeto mais seguro, pelo fato 
de haver uma diminuição de automóveis percorrendo esse trajeto, e 
mais barato, pois seria cobrado um valor reduzido por conta do grande 
volume de passageiros. 
Essa escolha foi feita porque hoje se tem um volume muito 
grande de moradores em Marmeleiro e Renascença que fazem esse 
percurso diariamente para a cidade de Francisco Beltrão. Na sua 
34 
 
maioria são trabalhadores com carteira assinada e estudantes 
universitários. Outra parcela é de pessoas que estão a passeio ou 
influenciados pelo comércio que é mais forte em Francisco Beltrão, 
estes fazem visitas com menos frequências a cidade. Há ainda pacientes 
da área da saúde, que buscam em Francisco Beltrão especialidades 
médicas que não encontram em suas cidades. Também há muitos 
moradores de Francisco Beltrão que trabalham ou por outro motivo 
visitam diariamente as cidades vizinhas. 
Por conta da inexistência de um sistema de transporte público 
que percorra esse trajeto, praticamente todos que fazem essa rota 
diariamente utilizam um veículo particular, o que aumenta 
drasticamente o número de veículos em circulação. Pensando que nem 
todos gostam de utilizar o transporte público, uma das propostas a ser 
implantada seria a chamada „‟carona solidaria‟‟, que consiste na criação 
de um cadastro de pessoas que se interessem pela ideia e a partir dele 
são apresentadas outras pessoas que fazem o mesmo trajeto diariamente 
para que haja um rodízio de veículos, assim, cada veículo pode levar de 
três a quatro pessoas, diferente do que ocorre hoje. 
Outra melhoria seria a duplicação dos trechos Francisco Beltrão 
– Marmeleiro e Marmeleiro – Renascença, que juntamente com a 
implantação do sistema de transporte público conjunto, deixaria o 
trajeto mais rápido, sendo que hoje as partes já duplicadas não são o 
suficiente para atender a demanda dos veículos. 
Outro motivo existente é pelo uso da estrada para transporte de 
materiais diversos, como por exemplo, os frangos produzidos para a 
35 
 
empresa Brasil Foods (BRF). Essa região tem uma zona industrial 
muito forte, assim como a agricultura, e o comércio gerado dessa 
origem exige que seja feito o transporte do material proveniente dessa 
produção diariamente, o que aumenta muito o número de caminhões e 
carretas nas estradas que interligam os municípios. O uso desse 
caminho por caminhões e carretas acaba deixando o trânsito mais lento, 
aumentando o número de ultrapassagens em locais não permitidos e 
assim fazendo com que aumente as chances de acidentes graves e com 
vítimas fatais. 
O forte crescimento das três cidades também faz com que se 
vise seguir as ideias para a duplicação dessa estrada, pois se pensando 
em longo prazo, algum dia elas acabarão se encontrando e esse trecho 
ficara dentro da área urbana e habitada da “cidade” (futura conurbação), 
dificultando possíveis ampliações. 
A segunda medida adotada, seria a criação de uma estrada 
secundaria (Figura 1), que faria o trajeto entre os municípios de 
Renascença e Francisco Beltrão. 
36 
 
 
Figura 1: Trajeto Renascença - Francisco Beltrão. 
Fonte: Google Maps, adaptado pelos autores 2014. 
 
Um dos motivos existentes por trás da criação desse “contorno” 
seria a de agilizar o trajeto Francisco Beltrão – Renascença, eliminando 
a passagem por dentro do perímetro urbano de Marmeleiro, situação 
que hoje acontece e acrescenta alguns minutos na viajem de quem faz 
esse caminho. 
Aproveitando-se das obras originadas pelas ampliações feitas 
nas pistas poderia se propor a implantação de uma ciclovia que percorra 
todo o trajeto entre as três cidades e também acompanhe a nova via 
criada. Essa iniciativa se justifica, pois apesar da grande distância entre 
Francisco Beltrão e Renascença, pode ser utilizada para caminhos 
menores, como residências que se localizam entre as zonas urbanas e 
37 
 
também incentivar o uso da bicicleta, sem que o ciclista sinta medo de 
usá-la por falta de um lugar seguro para trafegar. 
Analisando a Figura 1 acima é possível perceber que as cidades 
de Marmeleiro e Renascença estão crescendo em sentido contrario a 
Francisco Beltrão, atitude que é adequada até certo ponto, pois assim 
expande o território das cidades sem se aproximar demais da cidade 
vizinha e não desenvolvendo uma urbanização muito grande. 
Entretanto, chegará um momento em que as cidades não terão mais para 
onde crescer e começarão a ocupar esse espaço. 
O crescimento acontecendo na direção dessa área central pode 
não ser o mais indicado, pois acabaria criando um aglomerado 
populacional como ocorre nas grandes cidades, entretanto precisamos 
entender desde já que isso é algo possível e provável de acontecer, 
sendo o mais indicado implantar medidas que controlem o crescimento 
desordenado, prevendo a criação de novos centros comerciais e 
trabalhando com o posicionamento de vias coletoras e arteriais, 
diferente do que ocorre hoje na maioria dos loteamentos que são 
aprovados no entorno das três cidades, pois além de fazer com que as 
cidades tenham maior interação entre si, proporciona uma facilidade 
maior de locomoção entre elas. 
Com a criação dessa via, outro fator que poderia ser trabalhado 
na região é o turismo rural, que trabalhado de maneira certa pode ser 
algo muito lucrativo para a região. 
38 
 
Mas, a criação desses pontos turísticos não seria algo imediato 
na região do contorno, pois sendo ali uma área rural em quase toda sua 
totalidade, teria um impacto grande demais em relação aos agricultores. 
Por conta disso, até mesmo o traçado da via foi pensado, não utilizando 
uma área aleatória para sua criação, optamos por procurar uma estrada 
já existente, e dentre as muitas encontradas havia uma que seu trajeto 
saia de Renascença, passava por toda região rural e quase chegava a 
Francisco Beltrão. Com certeza seu trajeto passaria por modificações, 
para deixá-lo mais retilíneo e eliminar a maioria das curvas não 
necessárias, deixando o percurso mais confortável e seguro. 
O que foi levado em consideração ao utilizar uma estrada já 
existente foi tentar diminuir ao máximo as áreas de desapropriação de 
propriedade, pois isso aumentaria os custos daconstrução e criaria certa 
rejeição por parte dos agricultores, que teriam suas terras diminuídas e 
até mesmo cortadas ao meio. 
 
Considerações finais 
Após a análise geral do entorno dos municípios de Francisco 
Beltrão, Marmeleiro e Renascença, localizados no Sudoeste do Paraná 
constata-se que é necessário a intervenção de novos recursos viários 
junto a melhorias de infraestrutura. 
Portanto, para um bom planejamento de transporte ocasiona 
benefícios socioeconômicos – como a diminuição de 
congestionamentos, o que garante melhor qualidade de tráfego e 
39 
 
diminuição dos custos com combustíveis – bem como benefícios 
ambientais, pela diminuição da poluição atmosférica. 
Pata tal foi proposto: implantação da “carona solidária”; 
Investimento em transporte público de qualidade; duplicação da estrada 
existente entre as cidades; pavimentação da estrada rural como uma 
segunda opção; implantação de ciclo faixas nas laterais de ambas as 
estradas. 
Quando atingido os esforços propostos, acreditasse que 
ocorrerão melhorias nos espaços das cidades, com a diminuição de 
automóveis, pelo incentivo do uso de outras modalidades, aumentando 
assim os espaços para o transporte não motorizado intervindo também 
em áreas de convívio. 
 
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DUARTE, Fábio; SÁNCHES, Karina; LIBARDI, Rafaela. Introdução à 
mobilidade urbana. 1 ed. Curitiba: Juruá, 2010. 
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planejamento e do projeto urbano no século XX. São Paulo: Perspectiva, 
2002. 
 
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SALATIEL, José Renato. Mobilidade urbana: Como solucionar o problema do 
trânsito nas metrópoles. Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação 
40 
 
16/11/2012. Disponível em: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-
disciplinas/atualidades/mobilidade-urbana-como-solucionar-o-problema-do-
transito-nas-metropoles.htm. Acesso em 05/11/2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
 
CAPÍTULO 3 
 
INTERVENÇÕES DE PLANEJAMENTO URBANO EM 
BAIRROS SEGREGADOS DE FRANCISCO BELTRÃO – 
PARANÁ 
 
Emanuele de Costa Oldra 
Laís Cristine Fischer
 
Vanessa Cristina Zapchau 
Gislaine da Silva Fernandes 
João Luciano Bandeira 
 
 
Introdução 
O tema escolhido para a elaboração dessa pesquisa visa mostrar 
a má distribuição do espaço urbano das nossas cidades e as 
desigualdades (socioeconômicas, politicas, culturais) nelas encontradas. 
Relevando as precariedades e ausências que a grande parte da 
população é submetida. 
Deste modo o presente trabalho, busca levantar dados 
geográficos e históricos da região e do território ocupado por parte da 
população (que vivem nas áreas periféricas pobres), de forma a 
apresentar a compreensão do problema. 
42 
 
A pesquisa se justifica pelo fato da cidade de Francisco Beltrão 
– PR e especificamente o bairro Padre Ulrico vem sendo alvo de 
degradação e de baixa infraestrutura, sofrendo assim, uma segregação 
sócio espacial. Contudo deve-se atentar que, apesar de periferia, o 
bairro faz parte da cidade como um todo e deve ser melhor inserido na 
dinâmica urbana da cidade, dessa forma coloca-se propostas para a boa 
qualidade de vida da população atingida. 
O principal objetivo deste trabalho é analisar e propor 
intervenções urbanísticas de forma que essas possam integrar o bairro 
segregado Padre Ulrico ao restante da cidade de Francisco Beltrão – PR, 
assim como trazer aos moradores dessa área, locais de lazer e 
infraestrutura adequada. 
Os objetivos específicos são: analisar a área em questão e 
levantar dados que indiquem os motivos da segregação; propor 
intervenções que solucionem os problemas sociais e urbanos desses 
locais segregados; dotar esses locais de infraestrutura e áreas de lazer 
adequadas; trazer melhor qualidade de vida aos moradores do bairro; 
integrar o Bairro Padre Ulrico a toda cidade de Francisco Beltrão, PR. 
Contudo, a importância de conhecer os termos utilizados, no 
presente trabalho, é de suma importância para a compreensão do 
mesmo. Dessa forma, será apresentado o que é a segregação sócio 
espacial, como considera um bairro segregado e favelas, o problema 
desta segregação, a situação do local analisado (bairro Padre Ulrico, 
Francisco Beltrão – PR), aspectos críticos do desenho para a preparação 
de projetos futuros e, a partir daí, propor intervenções adequadas e 
43 
 
cabíveis para o local, buscando atingir o objetivo do trabalho através da 
justificativa do mesmo. 
 
Segregação sócio espacial 
A segregação sócio espacial é um fenômeno complexo que se 
desenvolve na cidade capitalista, com destaque para a consolidação e 
evolução deste processo no espaço intra-urbano. 
Segundo Villaça (1998, p. 142) “segregação é um processo 
segundo o qual diferentes classes ou camadas sociais tendem a se 
concentrar cada vez mais em diferentes regiões gerais ou conjuntos de 
bairros da metrópole”. 
Pela falta de alternativas habitacionais para a população de 
menor renda, a cidade ilegal assume proporções sempre crescentes. Na 
maioria dos principais centros metropolitanos – cidades como São 
Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Salvador – de 20% a 
40% da população total reside em favelas (MARICATO, 2001). A 
totalidade das grandes cidades brasileiras (com mais de quinhentos mil 
habitantes) apresenta favelas, assim como cerca de 80% das cidades 
com população entre cem e quinhentos mil habitantes (BREMAKER, 
2001). 
O quadro crescente das desigualdades sociais e da pobreza nas 
grandes cidades brasileiras e a emergência de um novo padrão de 
segregação sócio espacial expresso em novos fenômenos sociais, como 
a violência urbana, os lugares auto segregados sob a forma de enclaves 
44 
 
fortificados (CALDEIRA, 1997), têm sido uma preocupação constante 
para população em geral. 
 
O primeiro, dotado da maioria dos serviços 
urbanos, públicos e privados, é ocupado pelas 
classes de mais alta renda. A segunda, subequipada 
e longínqua, é ocupada predominantemente pelos 
excluídos. O espaço atua [assim] como um 
mecanismo de exclusão (VILLAÇA, 1998, p. 143). 
 
Segundo Dias e Lima (2012) a segregação muda em 
terminologia, de acordo com o momento histórico, e as realidades 
espaciais, podendo ser conceituada como residencial, urbana, espacial, 
ou sócio espacial. 
 
Porém, muito mais que ter respeitado o seu direito 
à cidade, essa parcela da população residente em 
áreas periféricas pobres deve ter o real acesso à 
uma vida urbana digna e usufruir de todos os 
elementos que a integram, exceto aqueles que, 
nesses tempos, a torna cruel - a desigualdade; essa 
que se exprime em todas as dimensões da vida 
urbana (MARES, 2013, p.02). 
 
A desigualdade social é um problema que vem crescendo com o 
decorrer dos anos e com isso aumenta o número de pessoas 
desabrigadas, desempregadas ou então moradores desprovidos de 
infraestrutura básica, os quais vão se unindo, assim formando um 
número considerável de pessoas com baixa renda, existindo assim os 
bairros segregados. 
Sabe-se que o surgimento e a formação das periferias se deram 
pelo intenso processo de urbanização e expansão da malha urbana, ou 
45 
 
seja, a ocupação intensa de pessoas em uma cidade, precisando ser 
ocupada áreas até então afastadas do centro por serem longe, áreas de 
riscos, morros, encostas de rios, dentre outras, denominadas 
“periferias”. 
 “Ao se observar a estrutura da sociedade atual, vê-se que é, 
antesde tudo, uma estrutura desigual e contraditória, mediante as ações 
sofridas advindas de processos sócio espaciais e por um sistema 
econômico que visa exploração e dominação”. (MARES, 2013, p. 2-3). 
Os moradores dessas áreas são submetidos pelo 
desenvolvimento desigual a viverem sem mudanças, evitando que 
consigam se auto proporcionar um padrão de vida melhor em um bairro 
de classe média ou alta. Essa diferença da periferia versus centro sofre 
problemas sociais, entrando então a questão da violência (tráfico, 
homicídios, roubos e etc.). 
O espaço de reprodução desses moradores passa a ser o próprio 
bairro, que é onde se sentem bem, são bem acolhidos, por vizinhos, 
amigos, dentre outros, e que não se sentem excluídos pela sociedade, 
pelo fato de todos que ali se encontram na mesma situação. 
O governo criou vários programas para retirada das pessoas 
dessas periferias, como: Habitação de Interesse Social – PLHIS, 
Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat – PBQP-
H, Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH, Minha 
Casa Minha Vida – PMCMV (LUCENA, p.02). 
A partir da definição de segregação sócio espacial, o presente 
trabalho visa proporcionar soluções de planejamento urbanístico para 
46 
 
estes locais segregados, e de qual forma pode melhorar tais áreas 
prejudicadas pela desigualdade social. 
Levando-se em considerações todos os problemas que podem 
ser encontrados durante o percurso, desde a reelaboração da malha 
urbana, prevendo futuros aumentos das áreas segregadas, ou ao avanço 
da desigualdade social, até mesmo a desapropriação de famílias de 
lugares de riscos e o deslocamento das mesmas para lugares mais 
adequados. 
Na maioria das vezes as famílias não aceitam sair das suas 
moradias, do local onde nasceram e cresceram, porém para que haja 
uma boa reurbanização é necessário fornecer a essas famílias um local 
mais adequado. Tendo como base leis que gerem áreas de protação ao 
lado de rios, canalização dos mesmos, área de reflorestamento, entre 
outros. 
Existe então a necessidade de cada cidade intervir de forma com 
que traga para os moradores desse locais segregados soluções 
urbanísticas para assim lhes oferecer uma melhor qualidade de vida. 
 
Como considerar um bairro segregado e o que são favelas 
A concentração de uma determinada classe no espaço urbano, 
não impede a presença nem o crescimento de outras classes no mesmo 
espaço. Pois o que determina, em uma região, a segregação de uma 
classe é a concentração significativa dela, em mais do que em qualquer 
outra região da metrópole. 
47 
 
A segregação é uma manifestação da renda fundiária urbana, 
um fenômeno produzido pelos mecanismos de formação dos preços do 
solo, determinados pela nova divisão social e espacial do trabalho. 
(LOJIKINE, 1981, p. 166 apud VILLAÇA, 2001). 
Ainda para Lojkine, existem três tipos de segregação urbana: 1) 
uma oposição entre o centro, onde o preço do solo é mais alto, e a 
periferia; 2) uma separação crescente entre as zonas e moradias 
reservadas ás camadas sociais mais privilegiadas e as zonas de moradia 
popular; 3) um esfacelamento generalizado das funções urbanas 
disseminadas em zonas geograficamente distintas e cada vez mais 
especializadas: zonas de escritórios, zona industrial, zona de moradia, 
etc. O nosso caso se encaixa na segunda opção, na qual as zonas 
residências e industriais que fazem a caracterização de um espaço 
metropolitano, estão afastadas das zonas residências nobres da cidade. 
Nesse sentido a segregação é um processo fundamental para a 
compreensão da estrutura espacial intra-urbano. 
Para Santos (1993, p. 96 apud VILLAÇA, 2001), sítio social é 
conforme a especulação imobiliária, onde há a conjugação de dois 
movimentos convergentes: a disputa de um sítio social, natural e, a 
disputa entre atividades e pessoas pela dada localização do imóvel ou 
terreno. 
Ainda para Santos é dessa maneira que alguns pontos se tornam 
mais acessíveis, atrativos e valiosos. Principalmente os lugares 
residenciais, a lógica é a mesma, pessoas de maiores recursos buscando 
alojarem-se onde lhes pareça mais conveniente, segundo os parâmetros 
48 
 
de cada época, o que inclui também a moda. É desse modo que várias 
parcelas da cidade ganham ou perdem valores ao longo do tempo. 
Um bairro, para ser segregado, deve ser de baixa especulação 
imobiliária, conciliando fatores sociais, econômicos e políticos, onde 
grandes partes da população da mesma classe social estão agrupadas. 
Outrora as favelas formaram-se e cresceram em muitas partes 
diferentes do mundo e por razões distintas. Entre as causas para o 
surgimento delas estão o rápido êxodo do campo rumo as áreas urbanas, 
a estagnação ou a depressão econômica, o elevado nível de desemprego, 
a pobreza, a economia informal, a falta de planejamento urbano, os 
desastres naturais e os conflitos sócio-políticos. 
Historicamente a favela é a ausência. Caracterizada e definida 
como um espaço destituído de infraestrutura urbana, água, luz, esgoto, 
coleta de lixo, sem arruamento, miserável, sem ordem, sem lei, sem 
moral. Expressão do caos. Outros elementos característicos de favelas 
são os morros, as margens de rios, casas ou apartamentos precários, 
com altos níveis e incidências de violências. 
 
Problemática da segregação sócio espacial 
 O problema da segregação sócio espacial está crescendo 
rapidamente, pois as cidades estão evoluindo desenfreadamente devido 
à tecnologia e, a periferia, a pobreza e, consequentemente a 
desigualdade social, acompanham essa evolução, assim transformando 
o problema de segregação cada vez maior. 
49 
 
 O processo de modernização capitalista tinha em vista o 
processo de desenvolvimento econômico, porém houve o "mito do 
desenvolvimento", "o qual se apoia na ideia de que desenvolvimento 
econômico significaria desenvolvimento social segurando a todos nos 
revela atualmente que não significou aumento de justiça social" 
(GONÇALVES, p.1). 
 Segundo Lima (2008), a desigualdade social teve como 
principal autor o Estado, que favorece o interesse do capital imobiliário, 
dessa forma atingindo a população das classes média e alta, da mesma 
forma, não enfrentam o problema da moradia popular, onde criou-se o 
BNH (Banco Nacional de Habitação), que só fez crescer a desigualdade 
social, locando essas pessoas em lugares sem a mínima condição de 
moradia e, que até hoje as cidades constam com espaço para este tipo de 
habitação. 
 Com o avanço das cidades, o centro, como o próprio nome já 
diz, foi expandindo, surgindo prédios comerciais e, a aglomeração de 
poder aquisitivo, foi "empurrando" as pessoas de baixa renda o mais 
longe possível do centro, por não possuírem renda o suficiente para um 
espaço no centro. Pessoas vindas de outros estados, que já moravam em 
lugares precários e, na falta de emprego, vêm para cidades maiores em 
busca de "uma vida melhor", porém o que encontram é uma vida difícil, 
devido ao fato de que mesmo conseguindo emprego, o custo de vida é 
mais alto, fazendo assim com que morem em periferias da mesma forma 
e, esse número de pessoas tem aumentado nas grandes cidades 
50 
 
significativamente, um grande alvo desse fato no Brasil, são pessoas do 
nordeste migrando para São Paulo. 
 O processo de segregação atinge diretamente os moradores, 
incluindo vários fatores: falta de saneamento básico, falta de acesso 
(vias), moradias em risco, falta de canalização dos rios e poluiçãalém 
disso, a população ainda sofre com os ambientes públicos e 
administrativos, acesso a parques, áreas verdes, hospitais, praças, 
creches, escolas, entre outros. 
 
Situação atual do bairro Padre Ulrico 
Os dados a seguir são fornecidos através do site da Prefeitura de 
Francisco Beltrão – Paraná com base no Censo realizado pelo Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2011. 
 
Aspectos

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