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COMPUTAÇÃO EM NUVEM: USO BÁSICO E ACESSÍVEL CLOUD COMPUTING: BASIC AND ACCESSIBLE USAGE UCHOA, Tarcisio Cavalcante1 Pós-Graduando em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação – INSTITUTO BRASIL DE ENSINO – IBRA RESUMO Neste artigo apresento o conceito de computação em nuvem e sua evolução, com exemplos e dicas de uso básico e acessível, desmistificando a tecnologia e apresentando aplicações práticas que muitos usuários já vivenciam no dia a dia sem perceber e/ou que possam vir a utilizar, buscando principalmente segurança, além de produtividade e entretenimento, em casa ou no trabalho. Palavras-chave: Computação em nuvem. Internet. Inovações tecnológicas. Tecnologia da Informação. ABSTRACT In this article, I present the cloud computing concept and its evolution, with examples and tips of basic and accessible usage, demystifying the technology and presenting practical applications that many users already experience daily without noticing that and / or that they may use, seeking for safety, productivity and entertainment, at home or at work. Keywords: Cloud computing. Internet. Technological innovations. Information Technology. 1 Pós-Graduando em Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação - INSTITUTO BRASIL DE ENSINO – IBRA; tcavalcante@outlook.com 2 1 INTRODUÇÃO Este artigo apresenta um estudo sobre a computação em nuvem, abordando sua conceituação técnica, estrutura, modelos, atores e cenários, mas com o principal propósito de abordar sua utilização diária na prática, em casa ou no trabalho. O objetivo é levar o leitor a reconhecer o quanto a computação em nuvem já está inserida em seu dia a dia e aprender como utilizar-se ainda mais do conceito para melhoria de produtividade, segurança e entretenimento. 2 UMA NOVA “FONTE DE ENERGIA” Há pouco mais de um século, as empresas deixaram de produzir sua própria energia e plugaram-se às redes elétricas recém-construídas. Não era mais necessário produzir sua própria energia para então produzir seus produtos. A luz elétrica alterou os ritmos da vida, as linhas de montagem elétricas redefiniram o mundo da indústria e do trabalho, e os aparelhos elétricos levaram a Revolução Industrial para dentro de casa. A eletricidade barata e abundante deu forma ao mundo em que vivemos hoje (CARR, 2008). A oferta de eletricidade abundante e barata para as empresas (e residências) provocou uma reação em cadeia de transformações econômicas e sociais que gerou o mundo moderno. Hoje, uma revolução semelhante está em pleno curso na indústria da Tecnologia da Informação. Usinas gigantescas de processamento de dados nos entregam informações e códigos de software via internet. O que aconteceu à geração da energia elétrica, há um século, agora está acontecendo com o processamento de informações. Sistemas privados de computação, construídos e operados por empresas individuais, estão sendo suplantados por serviços oferecidos por intermédio de uma rede comum – a internet – por centrais de processamento de dados. A computação está transformando-se em um serviço público (...) (CARR, 2008). Essa transformação tem um impacto muito grande para a indústria da informação e para a sociedade como um todo, com recursos sendo rapidamente otimizados, provisionados, acessados, criados e compartilhados, acelerando o desenvolvimento intelectual, ampliando o poder de processamento e armazenamento. A internet está se transformando (se já não o é) em um supercomputador mundial. Assim como não conhecemos – ou não precisamos conhecer – todo o processo de geração e transmissão de eletricidade, bastando que tenhamos acesso 3 a ela na forma de serviço, Carr (2008) compara que a proposta básica da computação em nuvem é que a provisão de recursos computacionais seja de responsabilidade das empresas especializadas, de forma que apenas especialistas venham a se preocupar em gerenciá-los e mantê-los, e que os recursos nos sejam disponibilizados como serviços. Já estamos vivendo essa transformação em tempo real e numa incrível velocidade. Até poucos anos atrás, a computação em nuvem era tida como uma tendência. Artigos, livros e matérias sobre o tema tratavam-na como uma novidade a ser desbravada e os verbos se referiam à tecnologia quase sempre no futuro. Desde então vemos a cada dia novas empresas e serviços sendo lançados baseados em nuvem ou no que a computação em nuvem favoreceu, trazendo seu conceito e utilização para tão perto que às vezes nem notamos que já estamos nas nuvens: redes sociais, serviços de armazenamento e backup on-line, softwares on- line, streaming de música e vídeo, jogos e aplicativos de smartphones, entre outros. 3 CONCEITO DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM Quando se fala em computação em nuvem, fala-se na possibilidade de acessar arquivos e executar diferentes tarefas pela internet (a “nuvem”). Você não precisaria mais instalar aplicativos ou armazenar arquivos no seu computador, pois tudo estaria disponível “na nuvem” (AMOROSO, 2012). Basta ter acesso à internet. A nuvem é considerada uma metáfora para a internet, sendo baseada em abstrações que ocultam a complexidade de infraestruturas, onde cada parte é disponibilizada como serviço e hospedada em centros de dados que utilizam hardware compartilhado para computação e armazenamento. Os consumidores poderão acessar aplicações e dados da “nuvem” a partir de qualquer lugar no mundo (BUYYA et al., 2008). A Microsoft (2018) resume a computação em nuvem como a distribuição de serviços de computação – servidores, armazenamento, banco de dados, redes, software, análises, inteligência e muito mais pela internet (“a nuvem”), proporcionando inovações mais rápidas, recursos flexíveis e economia na escala. O usuário normalmente paga apenas pelos serviços de nuvem que utiliza, ajudando a reduzir os 4 custos operacionais, a executar sua infraestrutura com mais eficiência e a dimensionar conforme as necessidades de sua empresa mudam. De forma mais simples, Armbrust et al. (2010) definem a computação em nuvem como aplicações fornecidas via internet e o hardware e software localizados nos centros de dados os quais provém esses serviços. Já o Glossário de TI da Gartner (2016) define a computação em nuvem como um estilo de computação onde recursos de TI escaláveis e elásticos são entregues como serviço utilizando a internet. 3.1 Principais benefícios da computação em nuvem A computação em nuvem, é uma grande mudança na forma tradicional de se usar recursos de TI. Estes são alguns dos motivos mais comuns pelos quais as organizações estão adotando os serviços de computação em nuvem: 3.1.1 Baixo custo A computação em nuvem elimina o gasto com a aquisição de hardware e software, instalação e execução de datacenters locais, disponibilidade constante de eletricidade para energia e resfriamento, além de especialistas de TI para o gerenciamento da infraestrutura (MICROSOFT, 2018). Em vez de investir em uma infraestrutura cara, basta comprar os serviços de computação necessários para o negócio. Como toda a estrutura computacional fica em servidores virtuais, espaço físico e recursos são reduzidos (RUIZ, 2018). 3.1.2 Mobilidade Uma das maiores vantagens de utilizar a computação em nuvem numa empresa é poder acessar todos os arquivos a partir de qualquer lugar, a partir de qualquer dispositivo, como computador, smartphone ou tablet, bastando fazer login e ter o acesso à internet. Dessa forma, não é mais necessário o uso de HD externo, pendrives, servidores físicos e outros equipamentos (AUGUSTO, 2014). Qualquer colaborador, com a devida permissão, pode acessar informações relevantes da empresa sem precisar estar fisicamente no escritório. Em outras palavras, a nuvem seria um ponto de acesso centralizado para as necessidades 5 computacionais de seus usuários, estandodisponível o tempo todo e em qualquer lugar (BUYYA et al., 2008). 3.1.3 Colaboração Com a computação em nuvem, vários usuários podem ter acesso aos arquivos de um projeto simultaneamente e, se aplicável, ao mesmo tempo. Com ferramentas como o Google Apps e Office 365, o usuário tem acesso a todos os recursos e ferramentas de escritório e concentra todos os arquivos na nuvem, facilitando o acesso e a edição dos documentos por todos os colaboradores, inclusive ao mesmo tempo, com modificações aparecendo automaticamente na tela para quem está trabalhando no documento. Além disso, por manter o armazenamento na nuvem, não ocupa espaço do computador, podendo ser usado, inclusive, em smartphones (ECO IT, 2015). 3.1.4 Flexibilidade Recurso conhecido também como elasticidade ou escalabilidade, é provavelmente a característica mais inovadora da computação em nuvem. É a capacidade de disponibilizar, aumentar ou remover recursos computacionais em tempo de execução. Para o usuário, os recursos parecem ser ilimitados e podem ser adquiridos em qualquer quantidade, podendo ser alterado a qualquer momento, de forma rápida e transparente (BORGES et al., 2011). Com a computação em nuvem, é possível alterar a infraestrutura de tecnologia com toda facilidade. Esse benefício é particularmente bom para quem tem uma empresa com negócios sazonais, que tem picos de vendas e movimento. Os recursos à disposição podem ser aumentados ou diminuídos com facilidade, conforme a necessidade do negócio (AUGUSTO, 2014). A capacidade de armazenamento de arquivos em nuvem é ilimitada. Caso a empresa queira aumentar ainda mais seu espaço, basta alocar mais espaço ou mais um disco à ferramenta (RUIZ, 2018). 3.1.5 Produtividade Datacenters locais normalmente exigem pilhas de equipamentos e implementações, como configuração de hardware, correção de software e outras 6 tarefas demoradas de gerenciamento da TI. A computação em nuvem remove a necessidade de muitas destas tarefas, para que as equipes de TI possam investir seu tempo na obtenção de suas metas comerciais mais importantes (MICROSOFT, 2018). Com a computação em nuvem, a equipe de TI não terá mais que ter uma grande carga para infraestrutura, aplicações e usuários desktop. Dessa forma, seu potencial poderá ser direcionado para soluções inovadoras para a empresa, focar em estratégias de crescimento e novos negócios (AUGUSTO, 2014). 3.1.6 Segurança Muitos provedores em nuvem oferecem um amplo conjunto de políticas, tecnologias e controles que fortalecem sua postura geral de segurança, ajudando a proteger os dados, os aplicativos e a infraestrutura contra possíveis ameaças (MICROSOFT, 2018). Um computador ou dispositivo móvel com problemas na nuvem não afeta o armazenamento de informações e os documentos permanecem intactos. Isso ocorre porque os servidores ficam a milhares de quilômetros de distância entre si e, se algum deles sair do ar, os sistemas e arquivos armazenados continuarão disponíveis. Em casos de desastres naturais ou incidentes, como uma enchente, um incêndio ou uma falha na energia, os dados em nuvem são preservados (RUIZ, 2018). 3.2 Modelos de serviço da nuvem O National Institute of Standards and Technology (NIST, 2011) definiu três camadas de modelos de serviço para computação em nuvem: • Software como Serviço (Software as a Service – SaaS); • Plataforma como Serviço (Platform as a Service – PaaS); • Infraestrutura como Serviço (Infrastructure as a Service – IaaS). Cada um com um tipo de serviço e público-alvo diferente. No quadro 1 estão detalhadas a especificação de cada camada, seu público-alvo e exemplos de serviços. 7 Quadro 1 – Modelos de serviço da computação em nuvem 3.2.1 Software como Serviço (Software as a Service – SaaS) O modelo SaaS provê serviços de computação para o usuário final. É composto por aplicativos que são executados no ambiente da nuvem e os usuários acessam o serviço por meio da internet, geralmente pelo navegador, sem precisar saber onde o aplicativo está sendo executado. No SaaS, o software já está pronto para uso e é acessado por várias pessoas ao mesmo tempo, sem precisar instalar nada em suas máquinas (além do navegador de internet ou de um aplicativo exclusivo, no caso de smartphones). São exemplos de aplicações SaaS: sistemas de armazenamento on-line (Dropbox, Google Drive, Microsoft OneDrive), suítes de escritório que funcionam no navegador (Google Docs, Microsoft Office 365), redes sociais (Facebook, Twitter), softwares especialistas (SketchUp Free, Pixlr), softwares de CRM/ERP (eGestor, Microsoft Dynamics CRM, RD Station), blogs (Blogspot, WordPress.com), webmails (Hotmail, Outlook, Gmail). Nesse modelo, o usuário enxerga apenas o software que precisa usar e não tem conhecimento de onde, realmente, estão localizados os recursos empregados, nem quais linguagens de programação foram usadas no desenvolvimento do serviço, nem o sistema operacional e o hardware sobre o qual a aplicação executa (CARISSIMI, 2015). 3.2.2 Plataforma como Serviço (Platform as a Service – PaaS) No modelo PaaS, o cliente final são os desenvolvedores de aplicações e software. Nesse ambiente, o desenvolvedor não precisa se preocupar com o hardware sobre o qual está desenvolvendo suas aplicações. O PaaS fornece um ambiente Camada Função Quem utiliza Serviços Exemplos SaaS Aplicações Usuário final e-mails, aplicativos de escritórios, blogs, redes sociais, CRM etc. Google Aps, Salesforce, Microsoft Cloud Services PaaS Framework Desenvolvedores Desenvolvimento, integração, implantação e testes Google App Engine, Microsoft Azure, Force.com IaaS Hardware Gerentes de sistemas Máquinas virtuais, sistemas operacionais, redes, CPU, memória etc. Amazon EC2, Eucalyptus, Open Nebula Fonte: Elaborado pelo autor. 8 completo com os recursos necessários para desenvolvimento de software, como linguagens de programação, bibliotecas, serviços, bancos de dados, ferramentas de suporte, para que o cliente possa implantar softwares criados ou adquiridos por ele. Rountree e Castrillo (apud MEDEIROS, 2015) definem PaaS como um serviço pelo qual os clientes recebem uma plataforma para uso de suas necessidades computacionais, onde, na maioria das vezes, é utilizada para o desenvolvimento de software. E que dependendo do provedor, a plataforma de desenvolvimento pode ser simplesmente um sistema operacional ou uma plataforma de desenvolvimento completa que inclui um servidor web e bibliotecas de desenvolvimento. A plataforma pode ainda ser alugada para hospedar websites ou para prover serviços do tipo SaaS. São exemplos de SaaS: Windows Azure Platform, Force.com, Google App Engine etc. 3.2.3 Infraestrutura como Serviço (Infrastructure as a Service – IaaS) A IaaS limita-se ao fornecimento de infraestrutura aos seus clientes. Nesse modelo é fornecido um sistema computacional composto por processadores, memória e armazenamento. Nesse caso, o cliente precisa instalar e configurar todos os serviços à utilização do sistema, como compiladores, bancos de dados, softwares, inclusive o próprio sistema operacional. Em contraste aos modelos anteriores, a cobrança no modelo IaaS considera a quantidade de recurso contratado, destinado ao cliente, durante um período de tempo, se considerar se está ou não sento efetivamente utilizado. O cliente não tem controle sobre a infraestrutura que compõe a nuvem, mas tem controle sobre o espaço de armazenamento contratado e as aplicações instaladas. Alguns exemplos de provedores de IaaS: Windows Azure, Amazon EC2 e Citrix Eucalyptus. 4 APLICAÇÕES PRÁTICAS E ACESSÍVEIS DA COMPUTAÇÃO EM NUVEM Após conceituar a computação em nuvem e explanar seus modelos de serviço, fica fácil perceber como já vivemos imersos “na nuvem”, reconhecer serviços 9 que já utilizamos em nosso dia a dia e – como objetivo desteartigo – conhecer melhor esses e outros serviços em nuvem e aprender como tirar melhor proveito deles. 4.1 Backup e armazenamento em nuvem Uma atividade comumente ignorada pela maioria dos usuários (inclusive em empresas), até que um problema maior aconteça. Alguns usuários podem alegar falta de tempo ou de recursos e custos para aquisição de equipamentos específicos ou um disco rígido extra, por exemplo. Com o advento da computação em nuvem, atualmente já é possível armazenar grandes quantidades de seus dados mais importantes (ou todos eles) em serviços de armazenamento e backup em nuvem, com opções gratuitas ou bem acessíveis. Inclusive alguns desses serviços, como o Microsoft OneDrive, já vem integrado ao sistema operacional, sincronizando os arquivos automaticamente, sem que o usuário precise lidar com configurações mais complicadas. A maior vantagem de se trabalhar com armazenamento em nuvem é ter facilidade de acesso e possibilidade de recuperação instantânea. Uma vez na nuvem, é possível acessar os arquivos a partir de qualquer dispositivo padrão conectado à internet: computador, tablet ou smartphone. Os arquivos podem ser sincronizados em mais de um dispositivo, por exemplo, ter os mesmos arquivos no computador de casa e do trabalho, ambos sincronizados na nuvem. Ao criar um arquivo em casa ou fazer a edição de um arquivo existente, ele é automaticamente sincronizado com a nuvem e ao chegar no trabalho, o arquivo novo ou que foi alterado em casa já está no computador do trabalho. Se o computador do usuário for roubado ou sofrer alguma pane, todos os arquivos pessoais armazenados na nuvem continuam disponíveis, podendo ser acessados a partir de qualquer outro dispositivo. E quando comprar um novo computador, só baixar uma cópia dos arquivos mantendo-os sincronizados na nuvem. Se o usuário mantém os arquivos no Microsoft OneDrive, por exemplo, serviço de armazenamento em nuvem integrado ao Windows (desde a versão 8). Se perder o computador (por roubo ou pane), ao configurar sua conta Microsoft num novo 10 computador, automaticamente os arquivos armazenados do OneDrive serão baixados e sincronizados no novo computador. 4.1.1 Dropbox2 Lançado em 2008 como um serviço de armazenamento e compartilhamento de arquivos com opção de sincronização. Conquistou grande popularidade devido à forma como contabiliza o espaço disponível nas contas gratuitas: inicialmente com 2 GB para armazenar o que quiser, mas com possibilidade de aumentar o espaço ao convidar amigos para usarem o Dropbox. Quando um novo usuário convidado se cadastra no Dropbox, quem convidou recebe mais 500 MB de espaço adicional. Possui aplicativo de sincronização, que funciona semelhante aos demais serviços disponíveis no mercado. Ao instalar a aplicação, uma pasta é criada no computador e tudo o que for colocado nessa pasta é sincronizado na nuvem do Dropbox, podendo então ser acessado por qualquer outro dispositivo. O Dropbox conta ainda com histórico de versões dos arquivos. Útil para quem trabalha com arquivos de texto ou programação, que precisa ocasionalmente recuperar ou revisar versões anteriores. Nas contas gratuitas, o Dropbox armazena históricos de alterações dos arquivos por até 30 dias. É uma ótima alternativa para quem precisa de um pouco de espaço para armazenar os arquivos mais importantes ou trabalhos que precisam estar sempre disponíveis online, mas também conta com versões pagas (a partir de US$ 8,25 por mês) com mais espaço disponível e outros recursos. Atualmente o Dropbox conta com os planos Plus (1 TB de espaço de armazenamento) e Professional (2 TB) para pessoas físicas e Standard (3 TB) e Advanced (ilimitado) para equipes. 4.1.2 Microsoft OneDrive3 Lançado pela Microsoft em 2008 como SkyDrive (alterou o nome para OneDrive em 2014), oferece 5 GB de espaço de armazenamento gratuito para contas novas com possibilidade de ganhar mais 500 MB a cada amigo convidado (o amigo 2 www.dropbox.com 3 onedrive.live.com 11 convidado também ganha mais 500 MB somado aos 5 GB iniciais), com o limite máximo de 10 GB adicionais. Tem a vantagem de vir integrado ao sistema operacional Windows, desde a versão 8 (em versões anteriores é necessário instalar o aplicativo de sincronização) e trabalhar integrado com o pacote de escritório Microsoft Office, inclusive com a opção de edição colaborativa em tempo real com outros usuários. A sincronia dos arquivos funciona semelhante ao Dropbox, com uma pasta específica no computador para sincronizar com a nuvem e é possível acessar os arquivos a partir de qualquer dispositivo com acesso à internet. O plano gratuito e com o aumento de espaço com os convites, é suficiente para armazenar arquivos mais importantes ou os que precisam estar sempre disponíveis on-line, mas também tem versões pagas mais acessíveis que o Dropbox para pessoa fisica, com pagamento em Reais. É possível adquirir 50 GB de espaço de armazenamento por R$ 7,00 por mês, mas o OneDrive fica mais interessante quando é feita uma assinatura do Office 365 Personal por R$ 239,00 por ano (R$ 24,00 por mês), onde o usuário adquire 1 TB de espaço de armazenamento do OneDrive junto com a suíte completa de escritório Microsoft Office. Existe ainda a assinatura do pacote Office 365 Home (R$ 299,00 por ano ou R$ R$ 29,00 por mês), uma espécie de pacote família, onde é possível compartilhar a assinatura com 5 usuários, cada um com 1 TB de espaço de armazenamento mais uma instalação do pacote Office. Há também outros planos de assinatura disponíveis para empresas, com mais espaço de armazenamento e outras vantagens específicas para corporações. 4.1.3 Google Drive4 Uma experiência completa – e gratuita – de computação em nuvem, com aplicativos de escritório, e-mail, armazenamento de arquivos e outros. O Google Drive é o serviço de armazenamento do Google, integrado com todos os outros serviços gratuitos da empresa, como o Gmail e Google Docs (suíte de escritório gratuita e on- line). Oferece 15 GB de espaço de armazenamento gratuito, porém esse espaço é compartilhado com os demais serviços do Google, como o Gmail e o Photos, o que 4 drive.google.com 12 pode ser um inconveniente para quem tem muitos arquivos ou trabalha com muitos e- mails. Na figura 1 é exibido um gráfico real de utilização de armazenamento em uma conta do Google Drive, onde o Gmail ocupa a maior parte do espaço. Figura 1 – Gráfico de utilização de armazenamento na conta do Google Drive Fonte: Print screen do site em execução. O Google One (versão paga do Google Drive) tem planos que vão de 100 GB (R$ 6,99 por mês) a 30 TB (R$ 1.049,99 por mês). 4.1.4 Mega5 Lançado em 2013 pelo criador da plataforma de compartilhamento de arquivos Megaupload (fechada pelo FBI em 2012). O Mega reformulou a plataforma de compartilhamento de arquivos, surgindo como serviço armazenamento em nuvem com foco em segurança. O grande atrativo do serviço é a oferta gratuita de 50 GB de espaço de armazenamento (sujeito à participação no programa de conquistas, como instalar o aplicativo ou convidar outros usuários). Assim como os demais serviços citados, oferece aplicativo de sincronização com o computador, acesso via navegador e por dispositivos como tablets e smartphones. 5 mega.co.nz 13 Também oferece pacotes pagos de armazenamento, que vão de 200 GB (por 4,99 € por mês) a 8 TB (R$ 29,99 € por mês). 4.2 Sistemas e softwares online Armazenar arquivos na nuvem já é um grande passo de produtividade e segurança: não depender de um computador ou servidor local e ainda ter acesso aos arquivos a partir de qualquer dispositivo. Mas dependendo da atividade a ser executada, o usuário ainda está dependente de um software e espaço emdisco para abrir ou editar documentos, criar gráficos, editar fotografias, conversar com amigos, ler livros etc. Hoje, o desenvolvimento de softwares em nuvem está acelerado. Empresas estão deixando de adquirir servidores, licenças de software, contratar equipes de especialistas e desenvolvedores, para investir em sistemas em nuvem, com armazenamento e plataforma de acesso, tudo via navegador da web ou aplicativo para smartphone ou tablet. Gestão financeira, plataforma de gerenciamento de tarefas e soluções de CRM (Customer Relationship Management – Gestão de Relacionamento com o Cliente) são opções bastante difundidas atualmente como soluções em nuvem, em vez dos velhos softwares de prateleira engessados vendidos para empresas sem a possibilidade de modificações ou atualizações. Softwares em nuvem costumam ter atualizações e melhorias constantes, além da possibilidade de personalização para cada cliente. Em linhas gerais, qualquer aplicação do nosso dia a dia poderia ser rodada em nuvem. Bastaria instalá-la em máquinas virtuais provenientes de servidores, ter acesso remoto a esse conteúdo e pronto (CANAL COMSTOR, 2013). A SPS Consultoria6, por exemplo, trabalha com instalação e integração de sistemas de diversas áreas comerciais, entre elas, com o sistema SAP Business One (um famoso sistema de ERP – Enterprise Resource Planning, ou Sistema Integrado de Gestão Empresarial), onde o sistema é executado em máquinas virtuais nos servidores da SPS e os clientes utilizam a aplicação via acesso remoto e podem utilizar de 6 www.spsconsultoria.com.br/ 14 integrações, como um portal de vendas, via navegador da web, com o CRMB1, um portal de vendas para o SAP Business One, da Arkab Tecnologia da Informação7. Programas como o Evernote8, Google Keep9 e Microsoft OneNote10 e tantos outros semelhantes disponíveis no mercado ajudam a coletar, organizar e compartilhar ideias, anotações, tarefas, listas de compras, atividades etc. Também funcionam como clipping, para organizar textos, artigos, links e outros tipos de conteúdo. Podendo ser utilizados individualmente ou com colaboração entre equipe ou compartilhamento. O Google Docs11 é um pacote de escritório completamente on-line e gratuito contendo editor de texto, de planilhas, apresentações e formulários. Permite aos usuários criar e editar documentos on-line ao mesmo tempo, colaborando em tempo real com outros usuários (função adicionada ao Microsoft Office 365, inclusive com versão on-line que funciona diretamente no navegador) e utiliza o espaço de armazenamento do Google Drive. Os aplicativos são compatíveis com programas já consagrados como o OpenOffice.org/BrOffice.org, KOffice e Microsoft Office e é possível baixar os arquivos criados no Google Docs para o computador com extensão compatível com outros softwares. Antes restrito a softwares poderosos como o Adobe Photoshop, Corel PhotoPaint ou GIMP, hoje é possível realizar edições simples e medianas em softwares on-line e gratuitos, como Fotor12, Canva13, Fotojet14 e tantos outros. Retoques em fotografias, aplicação de efeitos, recortes e criações gráficas. Até aplicações mais complexas como a criação de modelos 3D já utiliza o poder da computação em nuvem. O software de modelagem 3D SketchUp sempre trabalhou com aplicativos para download em versão gratuita (SketchUp Make) e paga (SketchUp Pro), mas na sua última atualização, a versão gratuita (agora SketchUp Free15) passou a ser disponibilizada somente via navegador. 7 www.arkabit.com 8 www.evernote.com 9 keep.google.com 10 www.onenote.com 11 docs.google.com 12 www.fotor.com/pt 13 www.canva.com/pt_br 14 www.fotojet.com/pt 15 www.sketchup.com/products/sketchup-free 15 4.3 Smartphones, aplicativos, streaming e jogos na nuvem Aplicações comuns já presentes em nosso dia a dia são exemplos do poder da computação em nuvem. Desde o lançamento dos smartphones, mais especificamente do Apple iPhone em 2007, que levou o poder da internet e possibilidade de instalação de aplicativos para os aparelhos, temos acesso virtualmente a qualquer tipo de aplicação, de jogos a utilitários e redes sociais, bastando a instalação de um “app” que funciona como porta de entrada na nuvem. Os dados de nossos amigos virtuais, textos e imagens publicados no Facebook, Twitter e Instagram são armazenados nos servidores dessas empresas. Com o avanço da internet e da computação em nuvem, entramos em mundos virtuais, como nos jogos de MMORPG (Massively Multiplayer Online Role Playing Game), com acesso de milhares de jogadores em tempo real, seja em apps para smartphones e tablets, seja em softwares para computador ou diretamente no navegador. A evolução da internet, a facilidade de acesso e o aumento da velocidade de conexão, junto com a computação em nuvem, favoreceu também o crescimento do mercado de streaming (transmissão contínua) de música e filmes, o que impactou e mudou o rumo dessas indústrias, diminuindo inclusive a pirataria desses tipos de conteúdo (HIGA, 2016). Os exemplos mais promissores e bem presentes em nossos dispositivos são a Netflix16 para filmes e o Spotify17 para música. 5 CONCLUSÃO O termo computação em nuvem – ou cloud computing – pode ainda parecer restrito a livros e publicações técnicas, mas ao entender melhor o seu funcionamento e perceber a sua larga utilização com os exemplos apresentados neste artigo, percebemos como já estamos familiarizados – e até dependentes – da computação em nuvem no nosso dia a dia, seja no trabalho ou em casa. Para além de simplesmente entender melhor a computação em nuvem e reconhecer que já a utilizamos em larga escala, espero que as dicas aqui 16 www.netflix.com 17 www.spotify.com 16 apresentadas permitam que o leitor possa ir além e aproveitar melhor o poder da tecnologia para sua produtividade e segurança. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMOROSO, Danilo. O que é computação em nuvens? TecMundo, 2012. Disponível em https://www.tecmundo.com.br/computacao-em-nuvem/738-o-que-e- computacao-em-nuvens-.htm. Acesso em: 17 nov. 2018. ARMBRUST, Michael; FOX, Armando; GRIFFITH, Rean; JOSEPH, Anthony D.; KATZ, Randy; KONWINSKY, Andy; LEE, Gunho; PATTERSON, David; RABKIN, Ariel; STOICA, Ion; ZAHARIA, Matei. A View of Cloud Computing. Communications of the ACM, Vol. 53, Nº 4, 2010. Disponível em https://cacm.acm.org/magazines/2010/4/81493-a-view-of-cloud-computing/fulltext. Acesso em: 17 nov. 2018. AUGUSTO, Henrique. 5 benefícios da Cloud Computing para a sua empresa. Qi Network, 2014. 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