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GESTÃO FINANCEIRA Unidade 4 Análise econômica de investimentos CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ALESSANDRA FERREIRA Gerente Editorial LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria JÚLIO BECHER 4 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 A U TO RI A Júlio Becher Olá! Sou economista, com MBA em Gestão de Projetos e mestrado em Engenharia de Produção. Atualmente, sou douto- rando em Economia. Atuei em empresas dos segmentos público e privado e em multinacionais, sempre na área financeira e eco- nômica e como consultor em projetos de expansão e valuation. Atualmente, curso parte do meu doutorado na Universidade de Cambridge na Inglaterra e trabalho como consultor remoto em projetos da OIM e ACNUR, estudando a viabilidade de projetos e políticas aplicadas ao desenvolvimento regional. Fui convidado pela Editora Telesapiens para integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 ÍC O N ESEsses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos: OBJETIVO No início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Caso haja a necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando são necessárias observações ou complementações. IMPORTANTE Se as observações escritas tiverem que ser priorizadas. EXPLICANDO MELHOR Se algo precisar ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Se existirem curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo. SAIBA MAIS Existência de textos, referências bibliográficas e links para aprofundar seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar sites para fazer downloads, assistir vídeos, ler textos ou ouvir podcasts. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo cumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência é concluída e questões são explicadas. 6 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 SU M Á RI O Engenharia econômica e tipificação de projetos de investimento .............................................................................. 9 Notas Introdutórias ............................................................................................. 9 Engenharia Econômica .....................................................................................10 Tipificação de projetos ......................................................................................11 Risco e Incerteza .................................................................................15 Estrutura analítica requerida ...........................................................................16 Principais técnicas de avaliação econômica de projetos .... 21 Método do valor presente líquido ..................................................................22 Método da taxa interna de retorno ................................................................25 Método payback .................................................................................................27 Método do índice de lucratividade .................................................................29 Análise real e nominal ............................................................ 39 Elementos introdutórios .................................................................................39 Correção monetária e inflação ........................................................................41 Índice de preços .................................................................................................46 Avaliação de rentabilidade real e nominal .......................... 52 Equação de Fisher ............................................................................................53 Índice de preços ponderados ........................................................................56 Índice de Laspeyres (método do ano-base) ...................................58 Índice de Paasche (método do ano corrente) ...............................60 7GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 A PR ES EN TA ÇÃ O Prezado aluno, esse conteúdo desenvolverá sua habilidade em construir avaliações econômicas de projetos, sendo capaz de apontar o mais rentável ao acionista. Além disso, você aprenderá a lidar com preços, ajustes monetários e construção de índices de preços, além de adquirir uma capacidade analítica e quantitativa. A aplicação das técnicas que você aprenderá aqui são diversas, desde a decisão da criação de um novo negócio ou produto até a aprovação de financiamentos que são utilizados tanto no setor privado quanto no público. O desconhecimento desses métodos faz com que as decisões empresariais sejam tomadas no escuro, e o risco de fracasso é potencializado. Esse conteúdo requer domínio das operações algébricas básicas, como potenciação, logaritmos e funções, assim como regimes de capitalização, operações de empréstimos, conteúdo que já estudamos ao longo da disciplina. Estimulados? Vamos lá. Bons estudos. 8 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4 – Análise econômica de investimentos. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Reconhecer as decisões de investimento da empresa; 2. Explicar as técnicas de avaliação econômica de projetos e investimentos; 3. Saber analisar os projetos; 4. Identificar diversas visões de rentabilidade e retorno na organização. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Bons estudos. 9GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Engenharia econômica e tipificação de projetos de investimento OBJETIVO Essa competência tem por objetivo apresentar a você os conceitos e as definições necessárias para o entendimento da avaliação econômica de projetos. Você entenderá a quais projetos se aplicam as técnicas e o contexto do uso do ferramental a ser descrito. Notas Introdutórias A Engenharia Econômica é um campo da engenharia que se dedica à análise da viabilidade econômica de projetos de investimento. Ela envolve a aplicação de técnicas matemáticas e princípios financeiros para avaliar e comparar os custos e benefícios associados a projetos de engenharia. Esta disciplina é essencial para garantir que os recursos sejam alocados de maneira eficiente e sustentável, maximizando o retorno sobre o investimento enquanto minimiza os custos e riscos. A tipificação de projetos de investimento, por sua vez, envolve a classificação dos projetos com base em características como escopo, complexidade, impacto econômico e ambiental, e risco financeiro. Os projetos podem variar desde pequenas melhorias operacionais até grandes infraestruturas públicas. A análise da tipificação ajuda os engenheiros econômicos e os tomadores de decisão a compreenderem melhor as particularidades de cada projeto, permitindo uma avaliação mais precisa e a seleção de métodos de análise financeira adequados para cada tipo de investimento. 10 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Introduzir a temática da Engenharia Econômica e a tipificação de projetos de investimento requer uma compreensão das metodologias de análise de custo-benefício, valor presente líquido, taxa interna de retorno, entre outras ferramentas que possam ajudar a ilustrar o valor e o potencial de um projeto. Adicionalmente, abordar essa temática implica reconhecer a intersecção entre a engenharia, a economia e a sustentabilidade — cada vez mais relevante no contexto atual de desenvolvimento. Engenharia Econômica A Engenharia Econômica, que surge da confluência entre a engenharia e a economia, busca a harmonização entre a eficiência tecnológica e econômica.pela divisão do custo total da cesta de bens e serviços no período atual pelo custo total da mesma cesta no período base, com os pesos baseados no período atual. 3. Atualização dos pesos: uma característica importante do Índice de Paasche é que os pesos são atualizados regularmente, refletindo as mudanças mais recentes nos padrões de consumo. Isso o torna mais sensível a mudanças no comportamento do consumidor e nas preferências do mercado. 4. Comparação com o Índice de Laspeyres: enquanto o Índice de Laspeyres usa pesos fixos baseados no ano base, o Índice de Paasche usa pesos que são atualizados periodicamente. Isso pode resultar em diferenças entre os dois índices, especialmente em períodos de mudanças rápidas de preços ou padrões de consumo. 5. Aplicações: o Índice de Paasche é frequentemente usado em análises econômicas para avaliar a inflação e outras mudanças no custo de vida. Ele é particularmente útil para entender as mudanças de curto prazo nos preços e padrões de consumo. 6. Limitações: uma limitação desse índice é que ele pode ser mais difícil e caro de calcular, devido à necessidade de atualização constante dos pesos com base no consumo do ano corrente. Além disso, pode não ser tão útil para comparações de longo prazo, já que os pesos mudam a cada período. 62 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 O Índice de Paasche é, portanto, uma ferramenta importante para medir mudanças nos preços e no custo de vida, adaptando-se dinamicamente às tendências atuais do mercado e do consumo. Assim, o Índice de Paasche é sensível às mudanças nos padrões de consumo entre o período base e o período corrente. Isso pode torná-lo mais preciso para refletir o custo de vida atual, mas também pode ser mais difícil de calcular devido à necessidade de obter dados sobre quantidades atuais. No índice de Paasche, a ponderação é feita em função dos preços e das quantidades do período atual. Por causa disso, ele tende a exagerar a baixa, por considerar as quantidades (ou preços) iguais às do período atual. a. Paasche para preços FÓRMULA: Pp,0 = Pt i Qt i P0 i Qt i i=1 i=1 ∑n ∑n (4.4) Em que: Pt i ≡ Preço dos bens no ano corrente. Qt i ≡ Quantidade dos bens no ano corrente. P0 i ≡ Preço dos bens no ano-base. b. Paasche para quantidades FÓRMULA: Pp,0 = Pt i Qt i Pt i Qo i i=1 i=1 ∑n ∑n (4.5) Em que: 63GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Pt i ≡ Preço dos bens no ano corrente. Qt i ≡ Quantidade dos bens no corrente. Q0 i ≡ Quantidade dos bens no ano-base. EXEMPLO: considere a seguinte cesta de bens representativa. Calcule o índice ponderado para quantidade, com base na fórmula de Paasche. Bens 2018 2019 P Q P Q Vestuário 200 50 210 60 Sapato 100 300 90 280 Combustível 4,5 1000 5 1200 Solução: Com base na equação (4.5), temos: Pp,0 = Pt i Qt i Pt i Qo i i=1 i=1 ∑n ∑n P19,18 = (210*60) + (90*280) + (5*1200) (210*50) + (90*300) + (5*1000) ∴ L19,18 = 43800 42500 ∴ L19,18 = 1,03 64 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 ATIVIDADES EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO: 1. Com base nos dados da tabela a seguir, calcule os índices de preços e quantidades, pelos métodos de Laspeyres e Paasche, para o ano de 2017. Bens 2016 2017 P Q P Q A 2 5 3 6 B 4 2 6 3 C 6 5 8 6 2. O PIB, a preços correntes, foi de R$ 200 no ano 1 e de R$ 264 no ano 2. A preços do ano anterior, o PIB do ano 2 foi de R$ 215. Podemos afirmar que o crescimento nominal foi de 7,5% entre o ano 2 e 1? Nessa competência, vimos os conceitos e as aplicações da inflação no processo de correção monetária. Assim como a construção de índice de preços livres e ponderados. RESUMINDO Esse capítulo fecha um ciclo de aprendizado. Você foi exposto aos métodos de avaliação econômica de projetos, a suas aplicações e a seus usos. Tais métodos são amplamente difundidos e utilizados na literatura e no mercado bancário, além de serem peça fundamental na construção de planos de negócios e na concessão de crédito para projetos de investimento. 65GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 BRUNI, A.; FAMA, R. Matemática financeira com HP12c e Excel. Rio de Janeiro: Atlas, 2010. DAMODARAN, A. Valuation: como avaliar empresas e escolher as melhores opções. São Paulo: Atlas, 2016. FERREIRA, R. G. Engenharia econômica e avaliação de projetos de investimento: critérios de seleção. São Paulo: Atlas, 2009. FERREIRA, R. G. Matemática financeira aplicada. São Paulo: Atlas, 2008. LAPPONI, J. C. Projetos de investimento na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 2007. WEBER, Max. História Económica General. México: Fundo de Cultura Económica, 1961 MOTTA, R. Rocha. Engenharia econômica e finanças. Rio de Janeiro: Elseivier, 2009. RE FE RÊ N CI A S Engenharia econômica e tipificação de projetos de investimento Notas Introdutórias Engenharia Econômica Tipificação de projetos Risco e Incerteza Estrutura analítica requerida Principais técnicas de avaliação econômica de projetos Método do valor presente líquido Método da taxa interna de retorno Método payback Método do índice de lucratividade Análise real e nominal Elementos introdutórios Correção monetária e inflação Índice de preços Avaliação de rentabilidade real e nominal Equação de Fisher Índice de preços ponderados Índice de Laspeyres (método do ano-base) Índice de Paasche (método do ano corrente)Ela visa adequar as técnicas de produção ao objetivo da atividade econômica humana, ponderando como as necessidades humanas podem ser atendidas e o custo para satisfazê-las . Esse campo emprega conceitos como fluxos monetários e descontos, considerando o valor do dinheiro no tempo para avaliar investimentos, enfatizando que tais avaliações devem considerar diversas alternativas até que todas as opções viáveis sejam exploradas . Max Weber, em seus estudos sobre o capitalismo moderno, identificou a “contabilidade racional do capital” como fundamental para a existência de empresas modernas lucrativas, apontando para o surgimento da necessidade de medir objetivos e meios de atividades econômicas de maneira quantitativa, por meio da unidade monetária. A Engenharia Econômica representa essa racionalidade quantitativa, essencial para a tomada de decisões de investimento nas empresas. 11GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Os fundamentos da decisão de investimento abrangem: • Valor Presente (VP) – o valor atual de uma quantia futura depois de descontada a uma taxa de juros ou de desconto. É o inverso do valor futuro. • Valor Futuro (VF) – o montante que um investimento atual valerá no futuro após ser aplicado a uma taxa de juros composta ao longo do tempo. • Séries de Pagamento – fluxos de caixa periódicos, constantes ou variáveis, gerados ao longo de um período. • Taxa de Juros e Desconto – a taxa de juros é o custo do dinheiro ao longo do tempo e a taxa de desconto é a taxa usada para trazer fluxos de caixa futuros para o presente. • Valor Presente Líquido (VPL) – a soma dos fluxos de caixa futuros descontados menos o investimento inicial. • Taxa Interna de Retorno (TIR) – a taxa de desconto que iguala o VPL a zero. • Payback – o tempo necessário para recuperar o capital inicial investido em um projeto. Esses conceitos e métodos são essenciais para determinar a viabilidade financeira de um investimento. Tipificação de projetos Imagine que você é gestor de alguma empresa, e a equipe de produção lhe informa que uma máquina está com avarias, o que implica muitas horas de retrabalho. Então você precisa decidir: comprar uma máquina nova ou reparar a antiga. Qual a melhor opção? 12 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Outra situação hipotética é que você trabalha numa companhia que é responsável pela coleta de lixo de um município qualquer, e sua função é organizar a rota dos caminhões. Você percebe que muitos desses caminhões estão velhos e ficam muito tempo no departamento de manutenção. Então será a hora de fazer uma nova frota de veículos? Por fim, pense que você trabalha no setor público, digamos na Secretaria de Educação, e, dado o orçamento disponível, você precisa construir uma nova escola. As questões que surgem são “qual o melhor local?”; “qual a dimensão?”; “qual o público-alvo?” Enfim, seja lá qual for a sua área de atuação, as decisões anteriormente exemplificadas, e tantas outras, requerem critérios de escolha racionais, que levam em consideração o valor aportado, o retorno esperado e a lucratividade planejada. A escolha entre os melhores projetos dentro das empresas é uma atividade racional e deve sempre considerar os agentes envolvidos e impactados. DEFINIÇÃO Projeto são atividades que possuem explicitamente início, meio e fim e que têm métricas financeiras e de tempo claramente definidas. A escolha do melhor projeto precisa seguir critérios claros e previamente definidos pela organização e exige, pela inversão financeira ocorrida, que haja métricas tangíveis para sua escolha, considerando parâmetros financeiros de decisão. Do contrário, há um risco elevado de se escolherem projetos que ou trarão prejuízos ou adicionarão menos valor aos acionistas. Naturalmente, a depender da origem da organização, essas métricas podem variar. Por exemplo, quando se trata de uma empresa privada com fins lucrativos, o parâmetro mais 13GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 importante é o lucro que o projeto deverá gerar, ou seja, ela deve maximizar o capital próprio. Mas, se essa empresa é pública, os impactos sociais precisam entrar na conta. É o que chamamos de maximizar o bem-estar social da população afetada. E, por fim, existirão aqueles projetos híbridos, que buscam tanto a maximização de lucro quanto o bem-estar da população. Por exemplo, pense na concessão pública que o governo faz para a prestação do serviço de transporte coletivo, digamos a linha de metrô da cidade XPTO. Note que, nesse caso, há interesse no bem- estar da população que será beneficiada com o funcionamento desse serviço, porém há um agente privado envolvido, o concessionário, que é uma empresa privada e necessita obter lucro nos seus negócios, caso contrário, fechará as portas. Em todos esses casos, usar técnicas de avaliação econômica de projetos é condição necessária para a decisão em novos projetos. Essas técnicas são amplamente utilizadas na literatura e são facilmente compreendidas como critérios de seleção. Os projetos de investimento podem ser amplamente categorizados em projetos de expansão, substituição e novos empreendimentos. 1. Projetos de expansão: são iniciados para aumentar a capacidade produtiva ou expandir as operações da empresa. Tais projetos são geralmente influenciados pela demanda do mercado e têm um impacto direto sobre o crescimento da receita. 2. Projetos de substituição: Focam a substituição de ativos antigos ou obsoletos. A análise desses projetos frequentemente envolve o cálculo de custos de manutenção, economias de eficiência energética ou produtiva e redução de custos operacionais. 14 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 3. Novos empreendimentos: envolve a criação de novas linhas de produtos ou a entrada em novos mercados. Eles são considerados os mais arriscados, pois requerem análises de mercado profundas, incluindo a avaliação do potencial do mercado, a concorrência e o comportamento do consumidor. A análise de investimento considerará o retorno esperado, o custo de capital e o perfil de risco de cada tipo de projeto, bem como o alinhamento com a estratégia corporativa da empresa. Para realizar uma análise comparativa entre diferentes projetos de investimento, é necessário seguir um processo estruturado. 1. Definição de critérios: escolha métricas financeiras que refletem o valor do dinheiro no tempo. O VPL permite avaliar a rentabilidade ao comparar o valor atual dos fluxos de caixa futuros com o investimento inicial. A TIR é a taxa de desconto que torna o VPL de um projeto igual a zero, representando o seu rendimento esperado. O payback calcula o período necessário para que o investimento inicial seja recuperado, não levando em conta o valor do dinheiro no tempo. 2. Coleta de dados: reúna informações detalhadas sobre todas as entradas e saídas financeiras esperadas ao longo da vida útil do projeto. Isso inclui custos iniciais, custos operacionais, receitas esperadas e quaisquer outros fluxos de caixa relevantes. 3. Análise quantitativa: calcule cada um dos critérios financeiros estabelecidos para todos os projetos considerados. Isso fornece uma base para comparação objetiva entre as diferentes opções de investimento. 15GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 4. Avaliação estratégica: considere como cada projeto se alinha com os objetivos estratégicos da empresa, como crescimento de mercado, inovação ou sustentabilidade. 5. Decisão: compare os projetos com base nos critérios quantitativos e estratégicos para selecionar aqueles que melhor atendem aos objetivos da empresa. Essa abordagem ajuda a assegurar que os investimentos escolhidos maximizem o valor para os acionistas e estejam em linha com a direção de longo prazo da empresa. Risco e Incerteza Risco e incerteza são elementos inerentes aos projetos de investimento. O risco é quantificável e refere-se às probabilidades conhecidas de ocorrência de diferentes resultados. A incerteza, por outrolado, envolve cenários onde a probabilidade de ocorrências não pode ser calculada. Métodos como análise de sensibilidade, simulação e opções reais são empregados para avaliar e gerenciar esses aspectos. Análise de sensibilidade: avalia o impacto de variáveis- chave no retorno do investimento, permitindo identificar e priorizar os riscos. Essa técnica avalia como diferentes variáveis, como custo de insumos, taxas de juros ou preços de venda, afetam o resultado de um projeto. Ela permite identificar quais fatores têm maior impacto no sucesso do projeto, facilitando a identificação de pontos críticos que requerem atenção especial. Simulação: usa modelos probabilísticos para prever uma gama de resultados possíveis, ajudando a compreender a volatilidade e a incerteza do projeto. Utiliza modelos 16 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 computacionais para recriar e analisar o comportamento de um projeto sob várias condições e cenários. É frequentemente usada para modelar cenários complexos onde múltiplas variáveis interagem de maneira não linear. As simulações podem oferecer uma distribuição de resultados prováveis, ajudando a entender melhor o risco e a incerteza. Opções reais: oferece a flexibilidade de tomar decisões futuras com base na resolução de incertezas, adicionando valor ao gerenciamento de projetos ao permitir ajustes na estratégia conforme novas informações são disponibilizadas. Essa abordagem trata investimentos de projetos como “opções” financeiras, proporcionando o direito, mas não a obrigação, de tomar certas decisões no futuro. As opções reais permitem que os gestores se adaptem a mudanças e incertezas, ajustando estratégias de investimento ao longo do tempo, como expandir, reduzir, adiar ou abandonar projetos, com base nas condições de mercado e outros fatores relevantes. Essas técnicas oferecem uma estrutura robusta para a tomada de decisão sob incerteza, permitindo uma melhor avaliação e gestão dos riscos associados aos projetos de investimento. Estrutura analítica requerida A estrutura analítica requerida para a análise de projetos de investimento envolve a criação de um framework que possa decompor e avaliar sistematicamente cada aspecto do projeto. Essa estrutura deve permitir a identificação de todas as variáveis relevantes, a inter-relação entre elas e o impacto potencial que elas podem ter no sucesso do projeto. Isso geralmente envolve uma combinação de análise financeira detalhada, avaliação de riscos, alinhamento estratégico e análise de mercado. Cada um desses 17GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 componentes ajuda a formar uma visão completa da viabilidade e do valor do projeto de investimento. A avaliação construída está consubstanciada na ótica financeira do projeto, o que implica dizer que é preciso traduzir a ideia do projeto, isto é, a compra de uma máquina, a renovação de uma frota de caminhões ou a construção de uma nova escola em ganhos monetários. Ou seja, é preciso que tal projeto seja traduzido em termos de receitas, custos, despesas, impostos e, finalmente, lucro. Essa estrutura financeira recebe o nome de fluxo de caixa incremental. Aqui, esse termo terá fundamental importância. Seja qual for o método analisado ou o critério selecionado, seja em empresas privadas ou públicas, a construção correta do fluxo de caixa é um ponto crucial no projeto, pois serão essas projeções financeiras que serão utilizadas no cálculo dos indicadores. A outra variável de impacto significativo é a determinação, pela empresa, de uma Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Esse conceito será visto com mais ênfase agora. Lembre-se de que a TMA é aquela taxa de remuneração requerida pela empresa ou pelo proprietário do capital para aportar seus recursos em alguma atividade, isto é, seus projetos. Ela é obtida a partir do cálculo do custo do capital da empresa, e existem, na literatura, diversas metodologias para o cálculo. Contudo, dado nosso escopo, não trataremos desses métodos aqui, seremos mais pragmáticos na determinação da TMA. Todavia, é importante que você, estudante, saiba da existência desses métodos. 18 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 É vital destacar as características desse método, sendo elas: 1. Benchmark de rentabilidade – serve como um ponto de referência para decidir se um investimento vale a pena, comparando a taxa de retorno do projeto com a TMA. 2. Risco e preferência temporal – reflete o risco do investimento e a preferência temporal do dinheiro, indicando que um valor no presente é preferível a um valor equivalente no futuro. 3. Custo de oportunidade – representa o custo de oportunidade do capital, ou seja, a melhor taxa de retorno que poderia ser obtida em uma alternativa de investimento com risco semelhante. 4. Influência do mercado – pode ser influenciada por taxas de juros de mercado, taxas de retorno de investimentos de risco similar e expectativas de inflação. 5. Personalização – embora possa ser baseada em indicadores de mercado, a TMA geralmente é ajustada para refletir as necessidades específicas, o apetite ao risco e as condições de mercado da empresa ou investidor. A TMA é uma ferramenta vital na avaliação de projetos e na tomada de decisões de investimento, assegurando que os recursos sejam alocados de maneira eficiente para gerar o máximo valor possível. Então, seremos mais arbitrários na decisão da nossa TMA. Por exemplo, imagine que uma empresa avalia a construção de uma nova sede. E, para isso, ela obteve um financiamento de 70% do valor da obra e aportou os 30% restantes com recursos 19GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 próprios, assim a TMA será uma ponderação entre esses dois percentuais. Fórmula: Não existe uma fórmula única para calcular a Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Ela é estimada com base em três fatores principais: • Custo de oportunidade: é o retorno que o investidor poderia obter em outra aplicação com o mesmo risco do investimento que está sendo avaliado. • Risco do negócio: quanto maior o risco do negócio, maior será a TMA exigida pelo investidor. • Liquidez: quanto maior a liquidez do investimento, menor será a TMA exigida pelo investidor. Considerando esses fatores, uma fórmula aproximada para calcular a TMA é a seguinte: TMA = custo de oportunidade + prêmio de risco Onde: • custo de oportunidade: é o retorno que o investidor poderia obter em outra aplicação com o mesmo risco do investimento que está sendo avaliado. • prêmio de risco: é uma taxa adicional exigida pelo investidor para compensar o risco do negócio. Por exemplo, se o custo de oportunidade for de 10% e o prêmio de risco for de 5%, a TMA será de 15%. Em alguns casos, a TMA pode ser igual ao custo médio ponderado de capital (WACC). O WACC é uma medida que considera 20 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 o custo de capital próprio e o custo de capital de terceiros de uma empresa. O WACC é calculado da seguinte forma: WACC = (E/V) * Ke + (D/V) * Kd * (1 - T) Onde: • E: é o valor de mercado do capital próprio da empresa. • V: é o valor de mercado da empresa. • Ke: é a taxa de retorno esperada do capital próprio da empresa. • D: é o valor de mercado do capital de terceiros da empresa. • Kd: é a taxa de juros do capital de terceiros da empresa. • T: é a alíquota tributária da empresa. Uma empresa desenvolvedora de software decidiu expandir para um novo mercado e construir uma nova sede. A obra custará à empresa R$ 500 mil. Desse valor, 70% foram financiados pelo BNDES, cuja taxa de juros foi de 5% ao ano. Os 30% restantes serão pagos pela empresa, que retirou de um fundo de investimento, que remunera 10% ao ano. Qual a TMA desse projeto? Solução: Usando a equação Erro: Origem da referência não encontrada, temos: O custo do financiamento do BNDES é de R$ 350 mil * 0,05 = R$ 17.500 por ano. O custo do capital próprio é de R$ 150 mil * 0,10 = R$ 15.000 por ano. 21GESTÃO FINANCEIRA U ni da de4 O custo total do projeto é de R$ 17.500 + R$ 15.000 = R$ 32.500 por ano. Assim, a TMA desse projeto é de R$ 32.500 / R$ 500.000 = 6,5% ao ano. É importante notar que essa é apenas uma estimativa da TMA. O valor real pode variar dependendo de uma série de fatores, como o custo de oportunidade da empresa, o risco do negócio e a liquidez do investimento. No caso específico desse projeto, a empresa está expandindo para um novo mercado, o que pode aumentar o risco do negócio. Além disso, a empresa está construindo uma nova sede, o que pode reduzir a liquidez do investimento. Com base nesses fatores, é possível que a TMA real seja superior a 6,5% ao ano. Assim, a taxa mínima requerida nesse projeto é um retorno de 6,5%. Caso seja menor, deverá ser rejeitada pela empresa. A estrutura apresentada demonstra a regra geral. Significa dizer que haverá projetos que são financiados apenas pelo capital próprio e outros, mais raros, financiados integralmente pelo capital de terceiros. Ambos os casos serão tratados como particularidades da regra exposta pela equação (1.1). RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. O conteúdo que vimos serviu para introduzir você ao mundo da avaliação financeira. Foi útil também para contextualizar a aplicabilidade das técnicas e apresentar dois conceitos importantes, fluxo de caixa incremental e TMA. 22 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Principais técnicas de avaliação econômica de projetos OBJETIVO Vamos agora apresentar os principais métodos quantitativos utilizados pela literatura para a avaliação econômica de projetos, com seus critérios de aceite e principais interpretações. Essa temática de avaliação faz parte de uma área bem específica da gestão financeira, chamada de engenharia econômica ou avaliação econômica de projetos, cujo objetivo é construir argumentos quantitativos para tomar decisões entre alternativas de investimentos. Imagem 4.1 – Tipologias de projetos de investimento Projetos de Investimento Substituição Expansão Intangíveis Modernização Fonte: Adaptado de Lapponi (2007). Tais decisões são relativas a quaisquer tipos de projetos, desde a aquisição ou as substituições de bens de capital até o investimento em bens intangíveis, como publicidade, treinamento e branding. Como vimos, aplica-se tanto a empresas quanto a entidades do governo. 23GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Os principais métodos são: • Valor presente líquido (VPL); • Taxa interna de retorno (TIR); • Payback; • Índice de lucratividade. Vamos analisar, detalhadamente, cada um deles! Método do valor presente líquido Esse método busca obter o valor atual do fluxo de caixa incremental concebido pelo novo projeto. A ideia é buscar o valor líquido em termos de adição de valor à empresa caso realize aquela alternativa de investimento. Em termos algébricos, não há diferenças em termos de obtenção do valor presente de uma série de pagamentos convencional. A novidade é que, agora, precisaremos descontar o valor do investimento inicialmente realizado, uma vez que ele é tratado como um custo ao projeto. Com isso, obteremos o valor atual do FC, em termos líquidos. Note que, para o cálculo desse indicador, é necessária a existência de uma taxa de juros de desconto, assim como nos regimes de capitalização. Essa é exatamente o custo do capital da empresa ou do financiamento obtido. Obtendo o VPL de um fluxo de caixa: FÓRMULA: VPL = FC1 (1 + i)1 + FC2 (1 + i)2 + FC3 (1 + i)3 + ... + FCn (1 + i)n –I0 (2.1) Em que: 24 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 FCk ≡ Fluxo de caixa incremental,com k = 1…n. i ≡ Taxa de juros ou custo do capital da empresa. I0 ≡ Investimento incial realizado pela empresa. A equação (2.1) pode ser simplificada, de forma que: FÓRMULA: VPL = FCk (1 + i)k∑ n k = 1 –I0 (2.2) Assim, o VPL poderá ser interpretado com a capacidade de criação de valor do projeto para a empresa, em termos monetários, dado que, se o VPL > 0, isto é, positivo. Significa dizer que o FC projetado não somente cobriu todos os custos, como pagou o investimento realizado e ainda deixou a empresa com saldo monetário positivo. Essa interpretação clara e objetiva torna o VPL o principal indicador na avaliação financeira. O critério de aceite será: • Se VPL ≥ 0, projeto deve ser aceito. • Se VPL VPLb > VPLC > ⋯ Desejamos realizar aquele projeto cujo VPL seja o maior possível. Vamos a um exemplo prático: EXEMPLO: um projeto de expansão gerou o seguinte FC incremental. Avalie se o projeto deve ser aceito. Considere um custo de capital equivalente a 8% ao ano. 1000 200 1 2 3 4 5 300 350 440 150 25GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Solução: Dada a equação (2.2), temos: VPL = 200 (1,08)1 + 300 (1,08)2 + 350 (1,08)3 + 440 (1,08)4 + 150 (1,08)5 – 1000 VPL = 1.145,73 – 1.000,00 => VPL = 145,73 Logo, dizemos que o VPL foi de R$ 145,73; e o projeto é economicamente atraente. Para finalizarmos esse método, apresento um quadro- resumo com as principais vantagens e desvantagens: Quadro 4.1 – Comparativo analítico para VPL Vantagens Desvantagens Resultado é um valor, logo é claro no resultado; É facilmente entendido como resultado (sucesso de um projeto), se positivo; Pode ser comparado com outros resultado de projetos, em quaisquer áreas. Arbitração de taxa de desconto; Mudança de sinais do fluxo de caixa; Projeto de periodicidade diferente. Método de previsão de receitas e custos. Fonte: Adaptado de Damoradan (2016). Método da taxa interna de retorno A taxa interna de retorno ou TIR é uma taxa de remuneração de referência que serve para mensurarmos o resultado financeiro de um projeto. Ela expressa o retorno, em termos percentuais, que o projeto devolve à empresa caso o VPL seja nulo, isto é, VPL = 0. 26 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 A importância dessa taxa é que ela serve de parâmetro comparativo. Isso significativa dizer que, dada a TIR, qualquer custo de capital maior que esse valor deve ter o projeto descartado, pois gerará um VPL negativo. FÓRMULA: VPL = FC1 (1 + i)1 + FC2 (1 + i)2 + FC3 (1 + i)3 + ... + FCn (1 + i)n –I0 = 0 (2.3) Em que: FCk ≡ Fluxo de caixa incremental,com k=1…n. i ≡ Taxa de juros ou custo do capital da empresa. I0 ≡ Investimento incial realizado pela empresa. A solução dessa expressão fornecerá um valor para i, tal que i ≡ TIR. Essa taxa, se aplicada ao fluxo de caixa, produzirá um VPL nulo. O critério de aceite será: • Se TIR > TMA, projeto deve ser aceito. • Se TIR TIRb > TIRc > ⋯ Desejamos realizar aquele projeto cuja TIR seja a maior possível. Vamos a um exemplo prático: EXEMPLO: um projeto de expansão gerou o seguinte FC incremental. Avalie se o projeto deve ser aceito. Considere um custo de capital equivalente a 8% ao ano. 1000 200 1 2 3 4 5 300 350 440 150 27GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Solução: Dada a equação (2.3), temos: 0 = 200 (1 + i)1 + 300 (1 + i)2 + 350 (1 + i)3 + 440 (1 + i)3 + 150 (1 + i)5 – 1000 i = 13,2% Como a TIR > TMA, pois 13,2% > 8%, o projeto é economicamente atraente. Para finalizarmos esse método, apresento um quadro- resumo com as principais vantagens e desvantagens: Quadro 4.2 – Comparativo analítico para TIR Vantagens Desvantagens Resultado é uma taxa, que pode ser comparada com a remuneração mínima esperada ou com o custo do capital da empresa. É facilmente entendido como resultado (sucesso de um projeto). Mudança de sinais do fluxo de caixa. Problemas com projetos mutuamente excludentes ou com diferenças na escala. Fonte: Adaptado de Damoradan (2016). Método payback Esse método é possivelmente o mais conhecidode todos, e expressa, em termos de tempo, quando o investimento realizado no projeto será plenamente recuperado, ou seja, quando o FC incremental atingirá a marca do VPL = 0. A regra de aceite desse método é bem simples e direta. Quanto menor for o tempo para recuperação, melhor será o 28 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 projeto. Outra estratégia de comparação é que o payback seja menor que a vida útil do negócio. Pense na situação em que uma empresa, produtora de latas, realiza a compra de uma máquina para envazar o líquido dentro das latas. O fornecedor afirma que a vida útil da máquina é de 10 anos. Então, se o payback produzido pelo FC incremental for maior que 10 anos, não faz sentido a compra. Você terá que substituir a máquina antes mesmo da recuperação do investimento. Diferentemente do VPL e da TIR, não há uma fórmula direta para a obtenção do payback. O que existe na literatura é a forma de realizar sua apuração. São basicamente duas formas: payback simples e payback descontado. a. Payback simples Como o próprio nome sugere, esse método desconsidera a existência de uma taxa de juros que incide sobre o FC incremental. Vejamos um exemplo. EXEMPLO: um projeto de expansão gerou o seguinte FC incremental. Avalie se o projeto deve ser aceito. Considere um custo de capital equivalente a 8% ao ano. 1000 200 1 2 3 4 5 300 350 440 150 Solução: Teremos: Ano 0 –1.000 Ano 1 –1.000 + 200 = –800 29GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Ano 2 –800 + 300 = –500 Ano 3 –500 + 350 = –150 Ano 4 –150 + 440 = 310 (Investimento retorna a partir do ano 4) Logo, como o tempo de recuperação é menor que o tempo do FC (4 1: para cada unidade de investimento, o valor presente dos futuros fluxos de caixa é maior que 1. Significa que o investimento será recuperado e ainda haverá um incremento de riqueza, ou seja, temos VPL > 0. • IL = 1: para cada unidade de investimento, o valor presente dos futuros fluxos de caixa é igual a 1. Significa que o investimento será recuperado, mas não haverá incremento de riqueza. Equivale a dizer que temos VPL = 0. • IL IL = 1.000 1.145,73 => IL =1,146 Logo, como a IL > 1, pois 1,146 > 1, o projeto é economicamente atraente. ATIVIDADES EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO: 1. As estimativas de lançamento de um sabonete líquido estão registradas na tabela seguinte. O retorno do sétimo ano (R$ 1.000.000,00) é o resultado da soma do fluxo de caixa operacional (R$ 750.000,00) mais o valor residual do custo inicial estimado em R$ 250.000,00. Considerando uma TMA de 10%, verifique se esse projeto deve ser executado. Anos FC incremental Anos FC incremental 0 250.000 4 750.000 1 350.000 5 750.000 2 450.000 6 800.000 3 500.000 7 1.000.000 Resolução: Primeiramente, devemos calcular o valor do utilizando a fórmula: VPL = (1 + i)k FCk – I0 Retirando os dados do problema, temos: VPL = ? 33GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 i = 10% ou 0,1 I0 = 2500000 FC = 3008428,39 FC1 FC1 FC2 FC2 FC5FC3 FC6FC4 FC7 FCkFC = FC = …+ + ++ ++ + (1 + i)1 (1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)2 (1 + i)5(1 + i)3 (1 + i)6(1 + i)4 (1 + i)7 (1 + i)k 350000 350000 350000 450000 450000 450000 750000 750000 750000 500000 500000 500000 800000 800000 800000 750000 750000 750000 1000000 1000000 1000000 FC = FC = FC = FC = 318181,818 + 371900,826 + 375657,400 + 512260,092 + 465690,992 + 451579,144 + 513158,118 FC = 3008428,39 + + + + + + + + + + + + + + + + + + (1+0,1)1 (1,1)1 1,1 (1+0,1)2 (1,1)2 1,21 (1+0,1)5 (1,1)5 1,61051 (1+0,1)3 (1,1)3 1,331 (1+0,1)6 (1,1)6 1,771561 (1+0,1)4 (1,1)4 1,4641 (1+0,1)7 (1,1)7 1,9487171 Para o cálculo do FC, devemos utilizar a seguinte fórmula: Assim, conseguimos calcular o valor do VPL: VPL = (1 + i)k FCk –I0 VPL = 3.008.428,39 – 250.000 VPL = 2.758.428,39 Agora, podemos calcular o índice de lucratividade utilizando a fórmula: IL = I0 VPL + I0 , em que: IL = ? 34 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 VPL = 2.758.428,39 I0 = 250.000 IL = 250.000 2.758.428,39 + 250.000 IL = 250.000 2.758.428,39 IL = 10,03337 Desse modo, o IL>1, ou seja, VPL>0, portanto podemos dizer que o investimento será recuperado e ainda haverá um incremento de riqueza. ATIVIDADES 2. Um produtor visitou uma feira e se interessou por uma máquina que, de acordo com o fornecedor, deve ter os seguintes retornos anuais: R$ 7 mil; R$ 7,5 mil; R$ 8,2 mil; R$ 9 mil e R$ 12 mil. A máquina custa R$ 30 mil, e o produtor consegue uma linha de crédito com custo de 16% ao ano. Diante dessas condições, a compra da máquina é viável? Qual é o prazo de recuperação do investimento? Resolução: Primeiramente, devemos calcular o valor do VPL utilizando a fórmula: VPL = (1 + i)k FCk – I0 Retirando os dados do problema, temos: VPL = ? i = 16% ou 0,16 I0 = 30000 FC = 27545,57 35GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 FC1 FC1 FC2 FC2 FC5FC3 FC4 FCkFC = FC = …+ + ++ + (1 + i)1 (1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)2 (1 + i)5(1 + i)3 (1 + i)4 (1 + i)k 7000 7000 7000 7500 7500 7500 12000 12000 12000 8200 8200 8200 9000 9000 9000 FC = FC = FC = FC = 6034,48276 + 5573,72176 + 5253,39292 + 4970,61988 + 5713,35618 FC = 27545,57 + + + + + + + + + + + + (1+0,16)1 (1,16)1 1,16 (1+0,16)2 (1,16)2 1,3456 (1+0,16)5 (1,16)5 2,10034166 (1+0,16)3 (1,16)3 1,560896 (1+0,16)4(1,16)4 1,81063936 Para o cálculo do FC, devemos utilizar a seguinte fórmula: Assim, conseguimos calcular o valor do VPL: VPL = (1 + i)k FCk – I0 VPL = 27545,57 – 30000 VPL = – 2454,43 Agora, podemos calcular o índice de lucratividade utilizando a fórmula: IL = I0 VPL + I0 , em que: IL = ? VPL = – 2454,43 I0 = 30000 IL = 30000 – 2454,43 + 30000 36 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 IL = 30.000 27545,57 IL = 0,918 Desse modo, o ILmonetárias e fiscais, demanda agregada, custos de produção, choques de oferta e mais. 7. Medição – é medida por índices de preços, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou o Índice de Preços ao Produtor (IPP). 8. Efeitos econômicos – a inflação afeta as taxas de juros, os investimentos, as poupanças, o consumo e as decisões de política econômica. Compreender a inflação é essencial para tomadores de decisão econômica, investidores, empresas e consumidores, pois afeta todas as áreas da economia. 43GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Inflação média elevada ou acima de um patamar planejado pela autoridade monetária do país implica uma série de constrangimentos à população, em especial por contrair o poder de compra. Ou seja, as pessoas não sabem exatamente o valor dos bens e serviços, e estes aumentam rapidamente e sem explicações prévias, destruindo a capacidade de compra da moeda do país. No entanto, de forma mais específica, é possível verificar também problemas na distribuição de renda, especialmente nos grupos econômicos com rendimento fixo e com prazo legal de ajuste, como trabalhadores que recebem salário mínimo. Além de efeitos negativos sobre a alocação de recursos, mudando o perfil de investidores de longo prazo para os de curto prazo, cujo perfil é mais especulador. Na economia brasileira, tivemos momentos bem críticos no que tange ao controle da inflação. Em determinado momento – início dos anos 1990 –, a inflação alcançou o patamar dos 4.500% de variação acumulada. Isso causou consequências incalculáveis à população. Imagem 4.2 – Evolução da taxa de inflação (%) do Brasil – 1980-1994 Fonte: Adaptado de Bacen. 44 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 O descontrole de preços evidenciados foi causado, primor- dialmente, pela fragilidade do sistema monetário vigente à época. Entre 1987 e 1992, houve mais de sete planos econômicos distin- tos, com mudanças de moeda (justamente por não conseguirem cumprir com suas funcionalidades). Tivemos cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, URV e real. Em termos de causa da inflação, os manuais de macroeconomia tratam de duas causalidades básicas. A inflação de demanda, cuja origem está no excesso de consumo agregado, dada a restrição na capacidade de produção. Isso empurra os preços para cima, pois a economia é incapaz de atender toda a demanda no curto prazo. Políticas econômicas contracionistas são, em geral, o método para conter esse tipo de inflação. O outro tipo é a inflação de custos, que, como o próprio nome já diz, é causada por aumento nos custos de produzir no país. Pode ser de origem pontual, por exemplo, entressafras agrícolas, estiagens, greves de trabalhadores, ausência de matéria-prima etc.; ou de origem legal, como aumento nos preços de produtos importados em função de alíquotas de importação ou aumento no salário de categorias específicas, fatos que aumentam o custo das firmas. 45GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 NOTA Em um cenário de inflação, o poder de compra da moeda diminui, o que significa que uma quantida- de maior de dinheiro é necessária para comprar a mesma quantidade de bens ou serviços do que em períodos anteriores. Para projetos de investimen- to, isso implica que os custos estimados podem aumentar ao longo do tempo, exigindo ajustes nos cálculos financeiros e na análise de viabilidade para assegurar a precisão do planejamento e da execução orçamentária. A inflação de custos deve ser considerada em projeções de fluxo de caixa e na determinação da taxa de desconto apropriada para avaliar o valor presente de um investimento. No caso da inflação de custos, um fator muito relevante é o impacto que o dólar possui na formação de preços internos. Principalmente em países cuja dependência de bens importados é elevada, como é o caso do Brasil. Quer um exemplo? A alteração nos preços de carne no mercado interno no final de 2019. Se você acompanhou esse movimento, deve ter visto uma série de notícias sobre o tema. E dois argumentos econômicos explicam rapidamente esse abrupto crescimento nos preços. Primeiro, o valor do dólar, comparado ao real (chamamos de taxa de câmbio), vem subindo desde o ano de 2015, porém teve uma aceleração maior nesses últimos meses, atingindo patamares nunca vistos na história desse país. No final do mês de novembro de 2019, atingiu sua máxima em 4,21%. Perceba que um aumento do valor do dólar estimula as exportações do país, pois, com a mesma quantidade da moeda estrangeira, é possível comprar mais mercadorias no país. Agora vem a cereja do bolo! A China, principal compradora de carne bovina brasileira, passou por um grande problema interno, relativo a um grande vírus que atacou em cheio a pecuária chinesa. Isso 46 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 direcionou a demanda para diversos outros setores, incluindo o brasileiro. E, associadas ao dólar alto, tivemos algumas questões internas, como a revogação da prisão em segunda instância e declarações infelizes da alta cúpula do Ministério da Economia. Isso se traduziu como uma bomba do preço interno. Ou seja, a esse preço (do dólar) e dada essa demanda (da China), o produtor local prefere exportar a vender no mercado interno. E o resultado é escassez do produto no setor primário e consequente elevação no preço do produto no mercado interno, ou seja, para o consumidor final. Agora que você já conhece as terminologias e definições mais usuais da inflação, bem como suas causas e principais impactos na economia. Vamos detalhar um pouco mais sobre a formação e o uso dos índices de preços. Índice de preços Um índice de preços é uma medida estatística que reflete a média ponderada dos preços de um conjunto selecionado de bens e serviços, conhecido como “cesta de mercado”, em um dado período de tempo. É um indicador essencial para entender a inflação e o poder de compra da moeda, sendo amplamente utilizado para ajustes econômicos, como a indexação de salários, pensões, contratos e políticas monetárias. Existem diferentes tipos de índices de preços, cada um com sua metodologia específica, para atender a diversos objetivos econômicos e financeiros. Em termos práticos e aplicados, o conceito de inflação precisa ser traduzido em um indicador, que é utilizado para corrigir valores monetários ao longo do tempo. Como já vimos, isso é necessário para manter o poder de compra dos salários 47GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 em consonância com a evolução dos preços dos bens e serviços demandados. Imagem 4.3 – Inflação e consumo Fonte: Freepik Desse modo, é importante mencionar que o índice de preços é vital por diversas razões. 1. Medir a inflação: é o principal instrumento para calcular a taxa de inflação, que é um indicador chave da saúde econômica de um país. 2. Política monetária: bancos centrais usam índices de preços para tomar decisões sobre taxas de juros e controle da oferta monetária. 3. Ajuste de contratos: os índices de preços são usados para atualizar valores de contratos de longo prazo, incluindo aluguéis e salários, para manter o poder de compra. 4. Planejamento econômico: governos e empresas utilizam índices de preços para planejamento orçamentário e financeiro. 48 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 5. Poder de compra: ajuda consumidores e investidores a entenderem como a inflação afeta seu poder de compra e a tomar decisões informadas. A forma de realizar essa mensuração é via índice de preços, cujo objetivo é medir a mudança nos preços de bens e serviços de um período para outro. No mercado, existem diversos índices, por exemplo, IPCA, IGP-M, INCC, entre outros. Apesar de diferentes, possuem convergências em termos avaliativos. Significa dizer que, a longo prazo, todos convergiram para a mesma tendência, ou seja, não haverá nenhum índice apontando para o crescimento dos preços e outro apontando para o decrescimento nos preços. No entanto, em termos metodológicos, há mudanças relevantes. Por exemplo,o IPCA é o índice oficial da economia brasileira. Esse é o indicador monitorado pelo Bacen e utilizado como termômetro nos preços. Porém, se analisarmos alguns tipos de contratos, de aluguel, por exemplo, é muito comum a utilização do INCC, que é um índice específico à construção civil. Então, seja cuidadoso na escolha do índice na formulação dos contratos. 49GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 DEFINIÇÃO • IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo: é um índice utilizado para medir a variação nos preços no consumidor final. É medido pelo IBGE, mensalmente, entre os dias comerciais. • IGP-M – Índice geral de preços de mercado: registra a variação de preços variados no produtor, desde matérias-primas agrícolas até bens industriais e de capital. É medido pela FGV e é muito utilizado na correção de tarifas públicas, concessionárias e títulos financeiros. • INCC – Índice nacional da construção civil: registra a variação dos preços de bens e serviços vinculados ao setor da construção, desde matérias-primas, como ferro, aço e cimento, até o custo de moradia. É muito utilizado na correção de contratos de aluguel e financiamentos imobiliários. Vamos destacar em mais detalhes o IPCA, por ser o índice oficial e mais utilizado na correção monetária de valores. Nesse caso, o IBGE estabelece uma cesta de bens padrão e representativa dos hábitos de consumo da população, por faixa de renda. O instituto mensalmente visita estabelecimentos comer- ciais, públicos e privados e coleta os preços in loco. Esses bens e serviços são previamente categorizados entre moradia, alimenta- ção e bebidas, saúde e higiene pessoal, artigos para casa, despe- sas pessoais, educação, comunicação, transporte e vestuário. Após essa coleta, os preços são mensurados sob um regime de pesos, considerando a renda da população, ou seja, os preços dos bens e serviços têm pesos distintos conforme a classe econômica. A coleta ocorre de forma amostral nas cidades de Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), 50 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Distrito Federal (DF), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS). É importante não esquecer que o IPCA é um indicador médio e ponderado dos preços da economia. O que implica dizer que, se o IPCA subir, não necessariamente todos os bens ou categorias terão aumento. Basta que itens mais relevantes (com maior peso na cesta de consumo) tenham subido, como aluguel, gasolina, alimentos básicos e outros. E vice-versa. Imagem 4.4 – Evolução do IPCA (%) no acumulado de 12 meses – 2018-2019 Fonte: Adaptado de Bacen. Um ponto de destaque quando falamos de inflação é a existência de uma política monetária pautada em regimes de metas de inflação. Isso quer dizer que existe um compromisso do Bacen com o controle da inflação, e este é delineado pelo regime de metas. Em termos mais simples, o Bacen estabelece previamente qual deve ser a inflação anual no país, e hoje essa meta é de 3,5%. Com isso, ele executará sua política monetária para alcançar esse objetivo. Então, se as prévias de inflação estão superando esse limite, há de se esperar políticas contracionistas; se as prévias estão abaixo da meta, há de se esperar políticas expansionistas. 51GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Este capítulo permitiu que explorássemos novas terminologias de custos e aplicações. Além disso, você pôde entender todo o processo de mensuração dos custos dentro das etapas de produção, até chegarmos ao CPV. Assim, você percebeu que sua apuração é um processo complexo e que requer bastante atenção. 52 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Avaliação de rentabilidade real e nominal OBJETIVO Apresentar a aplicação dos índices de preço, em termos de mensuração da rentabilidade de operações financeiras, assim como a construção de índice de preços ponderados. A rentabilidade real de um investimento é a taxa de retorno que considera o poder de compra do dinheiro, ou seja, leva em conta a inflação. Já a rentabilidade nominal é a taxa de retorno sem ajustes pela inflação. A diferença entre elas é crucial para entender o verdadeiro ganho de um investimento. Se a taxa de inflação for alta, a rentabilidade nominal de um investimento pode parecer atrativa, mas a rentabilidade real pode ser baixa ou até negativa se a inflação for descontada. Para avaliar adequadamente o desempenho de um investimento, é importante considerar ambos os tipos de rentabilidade. A rentabilidade nominal é a percentagem de ganho ou perda em um investimento sem ajuste pela inflação. Ela é medida pela variação do valor nominal do investimento ao longo do tempo. Já a rentabilidade real ajusta essa variação pelo efeito da inflação, refletindo o verdadeiro poder de compra dos retornos do investimento. Para calcular a rentabilidade real, subtrai-se a taxa de inflação da taxa de rentabilidade nominal. Por exemplo, se um investimento oferece um retorno nominal de 8% ao ano e a inflação no período foi de 3%, a rentabilidade real seria de aproximadamente 5%. Esse cálculo é essencial para avaliar o verdadeiro desempenho dos investimentos, especialmente em ambientes de alta inflação, onde a rentabilidade nominal pode ser enganosamente alta. 53GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Vamos então compreender um pouco mais sobre esse conteúdo. Equação de Fisher Iniciamos esse tópico relembrar o que vem a ser a equação de Fisher. A Equação de Fisher, nomeada em homenagem ao economista Irving Fisher, é uma relação fundamental na economia que descreve a relação entre as taxas de juros nominais e reais sob o efeito da inflação. A equação é geralmente expressa como: 1 + i = (1 + r) (1 + π) Em que: • i é a taxa de juros nominal, • r é a taxa de juros real, e • π é a taxa de inflação. Agora que já fomos devidamente apresentados aos índices de preços, é hora de aprendermos a utilizá-los como instrumento de correção monetária. E isso nos tornará aptos a avaliar a rentabilidade sob dois aspectos: nominal e real. Para começarmos, pense no seguinte exemplo hipotético: no ano de 2019, seu salário na empresa XPTO era R$ 2.000,00. Seu gestor lhe informou que, a partir de 2020, seu salário passará a R$ 3.000,00. Boa notícia, não? Talvez. A resposta dependerá de quanto aumentarão os preços dos bens que você compra usualmente. Entenda melhor. Esse aumento de R$ 2 mil para R$ 3 mil é o que chamamos de aumento ou ganho nominal e reflete-se em termos monetários se o valor dos preços ou salários aumenta ou não. No entanto, para que esse ganho nominal se traduza em 54 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 ganho real (esse é o que importa), é preciso que o aumento no salário tenha sido superior à inflação. Voltando ao exemplo, seu aumento nominal será de 50%. Agora imagine que a inflação oficial, no mesmo período, seja também de 50%. O benefício monetário que você obteve não se traduzirá em nenhuma melhora do seu poder de compra, pois os bens que você consome também subirão de preço. Então, como mensurar o ganho (ou perda) em termos reais e nominais? Vamos propor um exemplo para induzir o seu raciocínio sobre o tema. EXEMPLO: imagine que você realizou uma aplicação, em um título público, de R$ 15.000,00 e que receberá, no prazo de um ano, o valor de R$ 18.000,00. Se a inflação do período foi de 5%, você terá ganho real? Solução: Primeiro passo é obter o ganho nominal. Note que o VP da operação é R$ 15.000,00 e o VF é R$ 18.000,00. Logo, o ganho financeiro foi de R$ 3.000,00. Assim, a rentabilidade nominal será obtida tal que: 15.000 3.000 = 0,2 ∴ 20%. Como a inflação, no mesmo período, foi de 5%, então você obteve ganho real na operação, dado que a variaçãonominal foi superior à variação da inflação. Com essa exposição, estamos aptos a generalizar a lógica analítica anterior para todos os tipos de operações. Para isso, utilizaremos a Equação de Fisher, que relaciona ganho real e inflação. A Equação de Fisher é largamente utilizada na economia financeira, que estima a relação entre taxa nominal, taxa real e 55GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 inflação. Foi concebido pelo economista Irving Fisher, em seu livro Theory of interest. Seja r a taxa de juros real, i a taxa de juros nominal e π a inflação no período, é possível obter a seguinte relação: i ∼ r + π Por aproximação linear, essa expressão pode ser reescrita como: i = r + π A expressão pode ser utilizada tanto em análises ex- ante como em análises ex-post. Estas últimas são utilizadas para obtermos uma paridade de poder de compra, tal que: r = i – π Fisher propôs uma aproximação mais ajustada para essa relação, que é expressa pela equação (4.1). FÓRMULA: (1 + i) = (1 + r) * (1 + π) (4.1) Em que: i ≡ Taxa de variação nominal. r ≡ Taxa de variação real. π ≡ Taxa de inflação esperada. EXEMPLO: você trabalha na empresa Dufflo Inc., e seu salário atual é de R$ 1.500,00. Seu gestor lhe informou que você receberá um aumento de 10%. Você ficou feliz, mas lembrou que esse ganho é apenas nominal. Então decidiu verificar se você estará, de fato, melhor financeiramente 56 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 com esse aumento. Na sua pesquisa, você encontrou que a inflação esperada é de 7%. Você terá ganho real? De quanto? Solução: Aplicando a equação (4.1) aos dados do problema, temos que: (1 + i) = (1 + r) * (1 + π) (1 + 0,1) = (1 + r) * (1 + 0,07) ∴ (1 + r) = 1,07 1,1 ∴ 1 + r = 1,028 ∴ r = 0,028 ou 2,8% Logo, seu ganho real será de 2,8% com esse aumento. Bem menor que os 10% anunciados. ATIVIDADES EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO: 1. Considere um título do governo que deseja pagar exatamente 2% de rentabilidade real por período. Sabendo que a inflação esperada é de 1,75%, qual deve ser a taxa nominal desse título? 2. Considere que você deseja comprar um título que promete pagar 3,25% no mês. Contudo, a inflação no mês passado foi de 2%. Qual será seu ganho real se você decidir comprar o título? Índice de preços ponderados Um índice de preços ponderados é uma medida estatística que combina e compara preços individuais de um conjunto de produtos em diferentes períodos de tempo, atribuindo pesos diferentes para cada item. Isso reflete a importância relativa de cada item dentro do total do orçamento do consumidor ou 57GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 da economia. Os pesos podem ser baseados em volumes de vendas, participação de mercado ou qualquer outra medida de importância econômica. Esse tipo de índice é útil para avaliar a inflação ou variações de preços de um modo que considere as mudanças no comportamento de consumo ou produção. Aqui estão alguns pontos-chave sobre como isso funciona. 1. Seleção de itens: primeiro, seleciona-se um conjunto de bens e serviços representativos. Esses itens são normalmente aqueles comumente comprados pelos consumidores. 2. Pesos: a cada item é atribuído um peso, que reflete a importância desse item no total de gastos do consumidor. Por exemplo, itens em que os consumidores gastam uma maior proporção de seus rendimentos, como habitação ou alimentos, geralmente recebem pesos maiores. 3. Coleta de preços: regularmente, coletam-se os preços atuais de cada item no conjunto. 4. Cálculo do índice: o índice é calculado multiplicando o preço de cada item pelo seu peso e somando esses produtos. Depois, compara-se esse total com o total base, que é geralmente o total dos preços dos itens em um ano base. 5. Ajustes: o índice pode ser ajustado periodicamente para refletir mudanças nos padrões de consumo ou na disponibilidade de novos produtos. O índice de preços ao consumidor (IPC) é um dos exemplos mais conhecidos de um índice de preços ponderados. Ele é usado para medir as mudanças nos preços dos bens e serviços adquiridos pelos agregados familiares para consumo próprio. 58 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Além dos índices de preço convencionais, temos um outro conjunto de índices. Esses são mais aplicados a realidades específicas, visto que o IPCA, por exemplo, considera uma série de bens e serviços que não são relevantes na formação de preço de uma empresa específica. Esses índices têm o papel de serem mais customizados, representando mais adequadamente o cenário de uma empresa. Além disso, são muito utilizados na literatura da macroeconomia, por considerarem o efeito da mudança na composição de cestas de bens ao longo do tempo. Para a plena utilização desses índices na avaliação temporal de valores monetários, é preciso conceituarmos duas terminologias muito usais nesse contexto. DEFINIÇÃO • Ano-base: estabelece-se um ano de referência (base), congelando preços e quantidades, e se mede o aumento (diminuição) comparativamente a esse ano. • Ano-corrente: é ano atual, no qual existem os valores de preços e as quantidades. Os índices mais utilizados são os de Laspeyres e Paasche. Vamos tratar cada um deles de forma separada. Esses índices consideram a importância relativa dos bens que compõem a cesta de bens vendidos ou produzidos. Índice de Laspeyres (método do ano- base) O Índice de Laspeyres é uma medida estatística usada para determinar a variação do preço de um conjunto de bens e serviços ao longo do tempo, mantendo constante a cesta de bens 59GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 do período base. Esse índice é calculado tomando-se a razão entre o custo total da cesta de bens no período corrente aos preços do período base e o custo total da mesma cesta de bens no período base aos preços do período base. Por usar quantidades fixas do período base, ele pode não refletir as mudanças nos padrões de consumo ao longo do tempo, mas é mais fácil de calcular e é amplamente utilizado, especialmente em índices de inflação. No Índice de Laspeyres, a ponderação é feita em função dos preços e das quantidades do período-base. Por causa disso, ele tende a exagerar a alta, por considerar as quantidades (ou preços) iguais às do período-base. O índice é subdivido em dois grupos. a. Laspeyres para preços FÓRMULA: Lp,0 = Pt i Q0 i Pt i Q0 i i=1 i=1 ∑n ∑n (4.2) Em que: Pt i ≡ Preço dos bens no ano corrente. Q0 i ≡ Quantidade dos bens no ano-base. P0 i ≡ Preço dos bens no ano-base. b. Laspeyres para quantidades FÓRMULA: Lp,0 = P0 i Qt i P0 i Q0 i i=1 i=1 ∑n ∑n (4.3) Em que: Q0 i ≡ Quantidade dos bens no ano-base. P0 i ≡ Preço dos bens no ano-base. 60 GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 Q0 i ≡ Quantidade dos bens no ano-base. EXEMPLO: considere a seguinte cesta de bens representativa. Calcule o índice ponderado para preços, baseado na fórmula de Laspeyres. Bens 2018 2019 P Q P Q Pipoca 2 10 3 8 Água 4 30 3 25 Cinema 1,5 80 2 80 Solução: Com base na equação (4.2), temos: Lp,0 = Pt i Q0 i Po i Q0 i i=1 i=1 ∑n ∑n Lp,0 = (3*8) + (3*25) + (2*80) (2*10) + (4*30) + (1,5*80) ∴ L19,18 = 84 48 ∴ L19,18 = 1,75 Índice de Paasche (método do ano corrente) O Índice de Paasche é um tipo de índice de preço que mede a variação do custo de uma cesta de bens e serviços ao longo do tempo. Utilizando o método do ano corrente, ele pondera os preços com as quantidades do ano atual, diferentemente do Índice de Laspeyres, que usa as quantidades do ano base. Aqui estão os pontos-chave sobre o Índice de Paasche. 1. Definição: o Índice de Paasche é um índice de preços que utiliza os pesos do ano corrente para calcular a 61GESTÃO FINANCEIRA U ni da de 4 variação de preços entre diferentes períodos. Isso significa que ele reflete mais diretamente as mudanças nos padrões de consumo e preços no período mais recente. 2. Fórmula: matematicamente, o índice é calculado