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TEORIA DO PODER
Aula 1
REFLEXÕES SOBRE O
CONCEITO DE PODER.
Reflexões sobre o conceito de
poder
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 1/50
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Ponto de Partida
Prezado estudante;
Você já se perguntou o que é o poder? De onde vem essa
concepção que no imaginário popular chamamos de poder? A quem
podemos chamar de poderosos na acepção do termo? Em algum
momento já ligamos ter poder a ter dinheiro – por que isso
acontece? Qual é a relação entre ter dinheiro e ter poder, e como
isso passa pela política? Nesta aula, vamos compreender esse
elemento que liga economia e política no mundo contemporâneo.
Mas a complexidade da questão não pode ser abarcada nesta aula,
e com certeza entender a nossa realidade exige uma compreensão
inicial clássica. Por isso, vamos começar pela teoria clássica e
analisar o conceito à luz dos autores que a ciência política trabalha e
pesquisa. Preparado para mais um desafio? Vamos juntos! 
Vamos Começar!
Poder e sociedade
Anthony Giddens (2009), em seu livro A constituição da sociedade,
desenvolveu uma compreensão do poder a partir de aspectos
estruturantes sociais entre ação e poder. Portanto, não há como
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negar que para entender o poder devemos partir da compreensão
do conceito em sistemas sociais. É pela relação entre os indivíduos
dotados da ação humana no sentido orientado que se define o
conceito de poder para o autor, em uma relação de influência, que
Giddens denomina:
dialética do controle em sistemas sociais. […]
O poder em sistemas sociais que desfrutam de certa
continuidade no tempo e no espaço pressupõe relações
regularizadas de autonomia e dependência entre atores ou
coletividades em contextos de interação social. Mas todas as
formas de dependência oferecem alguns recursos por meios
dos quais aqueles que são subordinados podem influenciar
as atividades de seus superiores. É a isso que chamo de
dialética do controle em sistemas sociais (Giddens, 2009, p.
18).
Direcionamos, então, nosso estudo para compreensão de relações
determinadas, de indivíduos reais, em condições de fazer sua
própria história, e que não podem ser desvinculados das condições
reais de existência histórica. Relações de poder são relações de
dominação e autoridade; desse modo, poder, em política, é a
capacidade de agir no sentido de orientar e/ou determinar a ação de
outrem. A isso chamamos de dominação. Domina quem tem poder,
e este, por isso mesmo, é o que dá sentido à dominação. Na
prática: 
o homem não é só sujeito, mas também o objeto do poder
social. É poder social a capacidade que um pai tem para dar
ordem a seus filhos ou a capacidade de um Governo de dar
ordem aos seus cidadãos. (Bobbio; Matteucci; Pasquino,
2010, p. 933).
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Etienne de La Boétie: o discurso sobre a servidão voluntária
Algumas perguntas se colocam com a definição do que é o poder. O
que tem um pai sobre o filho se não poder – isso é autoridade? Do
mesmo modo, o que o governo exerce ao dar ordem aos seus
cidadãos se não dominação? O poder é a fonte da autoridade e da
dominação. Só está autorizado a mandar e dominar aquele que
detém poder. Podemos esclarecer o que é o poder de maneira
conceitual, mas ainda fica a questão: o que faz um indivíduo, um
agente social, obedecer a outro? No mesmo sentido, qual é a fonte
do poder utilizado por aquele que exerce autoridade e domina?
Para responder a essas indagações vamos recorrer às ideias de
Etienne de La Boétie, autor francês que viveu entre a primeira e a
segunda metade do século XVI, escritor do ensaio O discurso da
servidão voluntária.
Nesse texto, La Boétie propõe uma reflexão que poderíamos
resumir em uma pergunta: afinal, por que muitos homens e
mulheres (a sociedade) se deixam dominar por apenas um indivíduo
(o governante)? Para o autor, aquele que domina um coletivo
humano será sempre um tirano. Em suas palavras:
No momento, gostaria apenas que me fizessem compreender
como é possível que tantos homens, tantas cidades, tantas
nações às vezes suportem tudo de um Tirano só, que tem
apenas o poderio que lhe dão, que não tem o poder de
prejudicá-los senão enquanto aceitam suportá-lo, e que não
poderia fazer-lhes mal algum se não preferissem, a
contradizê-lo, suportar tudo dele. Coisa realmente
surpreendente (e, no entanto, tão comum que se deve mais
gemer por ela que surpreender-se) é ver milhões e milhões de
homens miseravelmente subjugados e, de cabeça baixa;
submissos a um julgo deplorável; não que a ele sejam
obrigados por força maior, mas porque são fascinados e, por
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assim dizer, enfeitiçados apenas pelo nome de um que não
deveriam temer, pois ele é só [...] (La Boétie, 1999, p. 74).
La Boétie denominou esse fenômeno em que um único indivíduo (o
governante) se torna capaz de dominar um conjunto de indivíduos
(os governados ou súditos) “servidão voluntária”. Depreende-se,
pois, que muitos se deixam ser governados por um voluntariamente,
muitas vezes sem ao menos questionar o porquê dessa relação de
dominação. Nesse sentido, a dominação pode ser compreendida
como algo quase inconsciente, muito embora seja real, concreta e
cotidiana.
Segundo o autor, são três as fontes dessa dominação voluntária, ou
seja, s do poder entre os homens. Vejamos:
O costume: os homens se deixam dominar porque são
educados a ser dominados. De geração em geração, nos é
transmitida a ideia de que um único homem deve ser
responsável pela condução da vida coletiva. A educação,
transmitida de pai para filho, perpetua e "naturaliza" as relações
de dominação. De certo modo, podemos argumentar que está
implícita a ideia de que a humanidade desconfia do pacto
coletivo se nele não estiver contida a ideia de que alguém deve
ser responsável pelo destino comum. Para o autor, nascemos
em sociedade e nela sempre houve aquele que comanda e
aqueles que são comandados. Podemos argumentar, também,
por meio das ideias do autor, que há um princípio coletivo que
fundamenta a dominação entre os homens.
O encantamento: os homens se deixam encantar pelos que
dominam. Isso ocorre porque há sempre uma distância, por
maior ou menor que seja, entre o dominante e os dominados.
Utilizando essa distância, os governantes jogam com o poder
para se fazerem temer, para persuadir, convencer e usar os
governados. Isso explica por que na dominação deve haver
persuasão por parte do governante, mesmo que, para isso, ele
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use ardil, carisma e/ou força. Assim, além do princípio coletivo
da dominação, há um fundamento subjetivo da autoridade.
Deixamo-nos governar porque somos “encantados” pelas
palavras do líder, por seus atos e por sua expressão.
A estrutura da dominação: segundo La Boétie (1999), há uma
rede de dominação que faz que do topo à base da pirâmide
todos se deixem governar. Em volta do tirano, do governante,
há sempre uma dezena de fiéis seguidores – seus ministros,
secretários, agentes diretos. Estes, por sua vez, por estarem
bem próximos ao tirano, têm poder para, sob seus domínios,
ter um outro conjunto de dezenas e dezenas de indivíduos fiéis.
Assim, esses últimos, por estarem próximos daqueles que10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
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humanos naturais. À medida que as condições se tornam
iguais, os homens adquirem consciência de sua semelhança
uns aos outros; essa consciência evoca sentimentos de
genuína simpatia, e basta um ato da imaginação para permitir
que um experimente os sofrimentos do outro. A revolução
democrática revela a bondade natural do homem; um homem
não feriria outro sem necessidade. Podemos reconhecer aqui
o paralelismo entre o homem “democrático” de Tocqueville e o
homem “natural” de Rousseau (Strauss, 2019, p. 697).
Como o capitalismo no mundo avança de maneira acelerada na
contemporaneidade, é preciso lembrar que o modo capitalista de
produção não é o único modelo de sociedade, mas o modo de
produção que se tornará hegemônico em relação ao processo de
mundialização. Com isso também a causa complexa do poder, mais
precisamente, de compreender o poder, imerso em uma realidade
contraditória, de classes, muito mais complexa e em que o poder
político do Estado se coloca de maneira a atenuar os conflitos. Por
isso a democracia vai ser debatida como regime político e como tipo
específico de Estado, que deve considerar as nossas relações
sociais atuais.
Joseph, A. Schumpeter (1883-1950), desenvolve uma concepção de
democracia já no século XX, que devemos entender e acompanhar
quando tratamos de poder. Esse autor vai dizer que a democracia
no século XX se caracteriza muito mais pela concorrência e pelo
arranjo feito de maneira institucionalizada da política.
Democracia, diz Schumpeter, “é a livre competição pelo voto
livre”: eis aqui um dos aspectos mais originais de sua
concepção de democracia. Tal como no mercado econômico,
em que empresários competem pela preferência do
consumidor, encontramos no mercado político empresários
políticos que disputam a preferência dos eleitores
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(consumidores de bens públicos). Nesse mercado, a
contraprestação do eleitor é o voto, enquanto a do político é
uma vantagem, sob a forma de um bem ou de um serviço.
Partidos políticos e eleitores, segundo Anthony Downs, à
semelhança de empresários e consumidores, atuam
racionalmente no sentido de que os partidos calculam a
trajetória e os meios de sua ação para maximizar seus votos
(lucros), enquanto os eleitores, da mesma forma, procuram
maximizar suas vantagens (utilidades) (Amantino, 1998, p.
134).
Portanto, o eixo da análise das relações de poder modernos, da
política moderna e do Estado modernos devem considerar as
expressões atuais do poder, na complexa relação em que os
indivíduos se colocam no capitalismo em geral, sem descartar os
indivíduos, grupos e classes sociais, suas aspirações, suas
contradições e, principalmente, entendendo o caráter dos conflitos,
que na atualidade também ganham contornos planetários. Mais do
que nunca a ciência política é necessária.
É Hora de Praticar!
Gaspar é um entusiasta dos livros de história. Ele adora as
passagens que descrevem os grandes acontecimentos políticos e,
sobretudo, os grandes líderes políticos. Em meio às suas leituras,
ele sempre se questiona como Napoleão conseguiu reunir um
imenso exército de franceses para lutar por seus propósitos. Por que
Napoleão liderou o período pós-revolucionário daquele país, e não
qualquer outro francês? Outro dia, Gaspar se fez a mesma pergunta
em relação a Hitler. Como um homem com ideias tão perigosas
conseguiu liderar um país inteiro, a Alemanha, atraindo todo o
mundo para a Segunda Grande Guerra? Quando lê a respeito da
história do Brasil, Gaspar fica se perguntado como Getúlio Vargas
conseguiu iniciar as transformações que modernizaram nosso país. 
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Na verdade, perguntas como a de Gaspar foram feitas por
importantes autores da filosofia e das ciências sociais, que nos
deixaram importantes explicações acerca de como o ser humano
exerce o poder e a autoridade sobre outrem. Na atualidade, qual é a
importância da democracia em meio à nossa realidade desigual e
que exclui do poder a maioria das pessoas? 
Reflita
Quais diferenças se estabelecem entre a concepção de poder na
Antiguidade e do poder na realidade moderna?
As contradições, a exploração do trabalho e do “homem pelo
homem” podem ser compreendidas no mundo contemporâneo a
partir da análise do poder e da política?
Podemos perceber a presença das classes sociais no Brasil no
nosso meio social e político? 
Clique aqui para acessar os slides.
 
Resolução do estudo de caso
Uma vez realizada a leitura desta seção, podemos ajudar Gaspar a
resolver suas indagações. Com base nas ideias dos autores que
lemos, poderíamos responder que provavelmente Napoleão
expressava carisma em seus discursos e convocações para as
batalhas que travou. Naquele momento, nenhum outro francês
possivelmente conseguiu se expressar com tamanha convicção e
carisma. Os franceses acreditaram em Napoleão porque seu
discurso era convincente. O conceito de dominação carismática de
Max Weber explica essa compreensão. Por outro lado, poderíamos
argumentar que Napoleão tinha conhecimentos técnicos de guerra –
afinal, era militar.
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Gaspar também se perguntou como um homem com ideias tão
perigosas como Hitler conseguiu liderar um país inteiro, a Alemanha,
atraindo todo o mundo para a Segunda Grande Guerra. Poderíamos
argumentar o mesmo que falamos para entender a fonte do poder
de Napoleão. Em todo caso, o resultado do poder e do governo de
Hitler nos leva a pensar que o poder e a dominação nem sempre
resultam no bem comum para os governados e os cidadãos, e a
democracia é instrumentalizada a partir de interesses. Por isso os
autores debatem o conceito de democracia moderna.
Ademais, Gaspar se perguntou como Getúlio Vargas moveu o país
do contexto rural para o urbano. Entre todos os presidentes
brasileiros, Getúlio Vargas é o mais reconhecido pelo seu carisma e
por sua capacidade de discursar e se fazer entender e acreditar por
diferentes setores da sociedade. Foi, reconhecidamente, um dos
políticos mais carismáticos da história do país. Poucos foram os
momentos da história do Brasil em que as ruas foram tomadas por
tantas pessoas como em seu funeral. Ainda, se lembrarmos que La
Boétie dizia que a distribuição do poder na estrutura do Estado era
fundamental para que o governante pudesse governar, podemos
argumentar que nenhum outro governante brasileiro produziu uma
estrutura de governo tão centralizada e, ao mesmo tempo, grande o
suficiente para compartilhar cargos e comandos, como Getúlio
Vargas, colocando um enorme desafio para compreendermos a
democracia em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira.
Dê o play!
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
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Assimile
Fonte: elaborada pelo autor. 
Referências
AMANTINO, A. K. Democracia: a concepção de Schumpeter. Teor.
Evid. Econ., Passo Fundo, v. 5, n. 10, p. 127-140, maio 1998.
Disponível em:
http://cepeac.upf.br/download/rev_n10_1998_art7.pdf. Acesso em: 3
jan. 2024.
BERAS, C. Democracia, cidadania e sociedade civil. Curitiba:
Intersaberes, 2013.
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 49/50
http://cepeac.upf.br/download/rev_n10_1998_art7.pdf
BIANCHI, A. O conceito de estado em Max Weber. Lua Nova:
Revista de Cultura e Política, n. 92, p. 79–104, maio 2014.
CHAUI, M. Convite à Filosofia.São Paulo: Ática, 2000.
FARIAS, F. P.; DEL PASSO, O. F. Poder político e classes sociais de
Nicos Poulantzas. Lutas Sociais, São Paulo, v. 24, n. 44, p. 173-
179, jan./jun. 2020.
LUCAS, J. I. P. Ciência Política. Caxias do Sul: Educs, 2021.
MARX, K., ENGELS, F. O manifesto comunista. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2023.
MARX, K. Manuscritos Económico Filosóficos. Portugal: Edições
70, 2017.
SCHUMPETER, J. A. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio
de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.
TOCQUEVILLE, A. de. A democracia na América: leis e costumes
de certas leis e certos costumes políticos que foram naturalmente
sugeridos aos americanos por seu estado social democrático.
Tradução de Eduardo Brandão; prefácio, bibliografia e cronologia
por François Furet. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, (Paidéia),
2005.
TRAUSS, L. História da Filosofia Política. Rio de Janeiro:
Forense, 2019.
WEBER, M. Política como vocação e ofício. Petrópolis: Vozes,
2020. 
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 50/50são
próximos do governante, também se sentem poderosos e, por
isso, têm também sob seu domínio outras dezenas de
dominados, e assim por diante. Esse jogo piramidal “distribui” o
poder e gera uma rede, uma estrutura de dominação que leva
os homens, de dezenas a milhões, a se atarem no centro da
trama representada por um, o governante. Logo, quanto mais
próximos do centro estiverem os indivíduos, mais poder têm, e
quanto mais distantes, menos poder possuem. De todo modo,
pode-se argumentar que, na trama que leva à dominação
voluntária, todos têm alguma parcela de poder.
 
Os três elementos propostos por La Boétie como fundamentos do
poder, podem, no entanto, ser desconstruídos. Repare que no
argumento do autor, para que o dominante domine, deve haver uma
rede, uma estrutura de dominação que gera a crença e o costume.
Podemos argumentar que se a rede se quebra em algum ponto, se
os dominados deixam de estar confiantes, encantados pelo
dominante, não passarão à frente a ideia de que aquele governante
continuará governando.
Dito isso, dependerá dos muitos dominados deixarem de servir
voluntariamente na rede de dominação para que o governante perca
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a legitimidade de sua autoridade. Na inter-relação entre o costume,
a crença e a estrutura do poder, não pode haver desconfiança ou
descontentamento por parte dos súditos, dos dominados. Daí que o
governante é, de certo modo, tão refém de seu próprio poder e
autoridade quanto os governados.
Será a fonte da autoridade o bom uso do poder pelo governante? La
Boétie, em sua obra Discurso da servidão voluntária, afirma que a
democracia não era um regime comum a muitos países, mas parece
que seus argumentos são válidos para pensarmos a política na
atualidade; afinal, nas democracias contemporâneas, governantes
que não fazem bom uso do poder recebem rapidamente a
desconfiança – para não dizer aversão – dos cidadãos.
Siga em Frente...
Norberto Bobbio: uma tipologia dos poderes
No pensamento de alguns autores contemporâneos, a delimitação
do conceito de poder, no interior das estruturas sociais
historicamente construídas, segue a ciência política para o
aprofundamento dos estudos das relações que se estabelecem
entre o poder, a política e a sociedade.
Seria o caso de perguntar como o escritor político (de modo
geral, o cientista social) pode ter comportamento diferente do
botânico (de modo geral, do cientista da natureza). O
problema é muito complexo, mas pode ter uma resposta
bastante simples: a postura assumida pelo cientista social e
pelo cientista da natureza, diante do objeto da sua
investigação, é influenciada pelo fato de que o primeiro crê
poder interferir diretamente nas transformações da sociedade,
enquanto o segundo não pretende influir sobre as
transformações da natureza (Bobbio, 1988, p. 34).
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
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Nesse caminho, autores como Norberto Bobbio (1988), trazem essa
espécie de tipologia para análise, que está intimamente ligada ao
reflexo dos poderes dos Estados em meio ao desenrolar capitalista
no âmbito internacional, sem prescindir de analisar o conflito em
moldes contemporâneos. Vai levantar o autor a respeito dos
conflitos da nossa “era” que diante da competição entre as duas
grandes potências pela supremacia que 
devoram imensas riquezas, sem objetivo, e com o único
resultado de tornar a confirmar a persistência da vontade de
potência na história humana, impedindo o desenvolvimento
civil e econômico dos países mais atrasados (Bobbio, 1988,
p. LVI).
Que as relações de poder atingiram uma proporção diferente
daquela entendida na antiguidade, mas que conserva o caráter da
busca do poder, mesmo em moldes jurídicos e políticos da
modernidade:
No entanto se reconhece a paridade jurídica na comunidade
internacional; que se provocou e alimentou guerras de
extermínio, como aquelas na Coréia e no Vietnã; que se
dividiu e colocou uns contra os outros, gentes, povos e
nações; diante do crescimento indiscriminado de armas cada
vez mais mortíferas e mais insidiosas de ambas as partes,
não obstante as longas negociações diplomáticas raramente
concluídas em tratados, aliás, quase sempre imediatamente
violados, o meu estado de ânimo, quando escrevi a maioria
das páginas que compõem este livro, está expresso, lá onde,
refletindo sobre a hipocrisia das declarações de paz em
perene contraste com a crua realidade das ações de guerra,
coloquei-me a pergunta: “Quem os detém, quem os deterá?
(Bobbio, 2009, p. LVI).
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 8/50
Para tanto, a “tipologia” que levantamos em Norberto Bobbio pode
ser verificada na forma como o poder é exercido, ou seja, na forma e
no exercício do poder na modernidade. O autor vai levantar, em seu
livro A teoria das formas de governo, uma análise dos pensadores
clássicos e das relações de poder a partir do exercício do poder
político, que considera as transformações na construção dos direitos
e da cidadania modernas, como na classificação dos poderes em
Montesquieu, por exemplo, com as formas despóticas e da ditadura
como termos de concentração do poder na atualidade.
Os termos "despotismo" e "ditadura" são empregados, na
linguagem marxista, como sinônimos, nas expressões
"despotismo de classe" e "ditadura de classe". Mas, como
também já dissemos, "ditadura" terminou por prevalecer, de
modo que hoje, tanto na linguagem comum como na
especializada, dos três termos tradicionalmente empregados
para indicar um governo absoluto, exclusivo, pessoal, moral e
juridicamente condenável - "tirania", "despotismo" e "ditadura"
-, os dois primeiros caíram em desuso. Só o terceiro é usado
continuamente, aplicado às situações mais diversas (Bobbio,
1988, p. 158).
Para o autor, temos de considerar esses elementos políticos na
atualidade, sem distanciá-los do momento histórico e da atual
conjuntura social e política correspondentes à dinâmica de poder,
que no capitalismo envolve as diferentes formas de governos e
poder contemporâneos. Temos, portanto, de considerar a ditadura
como forma contemporânea de concentração do poder e que está
de maneira contraposta à versão dos direitos políticos, sociais e
civis. Afinal, qual a correlação na nossa sociedade entre democracia
e ditadura? Conversaremos mais adiante a esse respeito. 
Vamos Exercitar?
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 9/50
O que retiramos do conhecimento acerca do poder é que, de fato,
está presente no centro das relações humanas. Não importa o
quanto as sociedades humanas se complexifiquem, criem formas de
organização cada vez mais específicas e delimitadas, as relações
de poder estão ligadas ao nosso devir. No entanto, esse
determinismo deve ser relativizado, na mesma medida em que
criamos formas de organização em que o poder político possa ser
voltado a uma sociedade mais igualitária e justa. Isso só
amadurecerá no seio de uma sociedade igualitária e justa. Será que
a sociedade capitalista, tomando essa forma de sociedade na
história, no momento em que estamos dialogando, é a forma
societal que busca igualdade? Somente nós, no agir coletivo,
podemos construir maneiras de organização que equilibrem o
processo histórico. Não podemos negar o poder e as relações
políticas, porém, compreendê-lo a luz da ciência política parece um
caminho e fato histórico.
Saiba Mais
O contato e o conhecimento da literatura e obra clássicas na área da
ciência política nos revelam que o objeto científico e as relações que
atualmente nos cercam a respeito do poder já estavam presentes na
análise dos autores no século XVI. Por isso, acesse o conteúdo
clássico indicado a seguie o aproxime do nosso devir histórico, com
as palavras do próprio pensador.
LA BOÉTIE, É. O discurso da servidão voluntária. Petrópolis:
Vozes, 2022. 
Referências Bibliográficas
BOBBIO, N. A Teoria das Formas de Governo. Brasília: UnB,
1988.
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
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GIDDENS, A. A constituição da sociedade. São Paulo: Editora
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LA BOÉTIE, E. Discurso da servidão voluntária. São Paulo:
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LAFER, C. Norberto Bobbio: trajetória e obra. São Paulo:
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SOUSA, M. R. A verdade inconveniente de Étienne de La Boétie e a
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Aula 2
KARL MARX E A CIÊNCIA
POLÍTICA
Karl Marx e a Ciência Política
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Ponto de Partida
Muito bem-vindo ao nosso encontro de ciência política, desta vez
abordando Karl Marx.
Algumas perguntas logo nos aparecem quando falamos de poder,
não é mesmo? É possível concebermos 
outra sociedade em que não exista exploração do homem pelo
homem? O que nos faz refletir quando observamos as
desigualdades sociais no nosso entorno? Será que politicamente
podemos construir uma sociedade em que o poder não esteja
concentrado, e sim a serviço de todos os indivíduos? É possível
uma sociedade sem classes sociais? Essas e outras questões
abordaremos em ciência política a partir do pensamento de um dos
autores mais conhecidos na história das ideias políticas: Karl Marx.
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Vamos Começar!
É preciso elencar alguns esclarecimentos teóricos quando tratamos
de um pensador que marcou a teoria política da
contemporaneidade. Existe um limite tênue e que não pode ser
ultrapassando quando falamos de Karl Marx, que é considerar o
devido tempo histórico em que o autor escreve e desenvolve sua
teoria. Portanto, não se pode transportar ideologias para as ideias
de um autor que marcou o século XIX. Dito isso, temos ainda que
desmontar alguns preceitos que porventura já estejam
estabelecidos, fruto de considerações ideológicas externas.
Poder político e as classes sociais no capitalismo
Começaremos pela abordagem, levantando apenas a política em
Marx. Esse autor que nasceu em Trier, na Alemanha, em 1818, vive
o teor do processo de industrialização do capitalismo do século XIX
e pode ser considerado cientista social, filósofo, pensador e
revolucionário. Ao contrário do que muitos apregoam, o marxismo
não está na figura de Karl Marx e suas ideias, mas no método que
esse autor inaugura na ciência: o materialismo histórico e dialético.
Com isso, temos de levantar a pergunta que nos movimenta nesta
aula: onde está o poder para Marx?
Partindo do seu método de análise social, o poder está na classe. O
poder está nas relações sociais, que constituem a essência do
capitalismo formador das classes sociais como as conhecemos.
Portanto, conhecendo as classes sociais como categorias analíticas,
podemos também compreender o que é o poder em Marx. Se o
poder está na classe social, como podemos defini-la de maneira
científica?
As classes sociais ocupam o epicentro da teoria, como visto pela
própria leitura que o autor desenvolve da realidade e das condições
dos trabalhadores no século XIX. É conhecida a seguinte afirmação
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dos autores do Manifesto do Partido Comunista: “A história de toda
sociedade até nossos dias é a história da luta de classes”.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo,
mestre e oficial, em suma, opressores e oprimidos sempre
estiveram em constante oposição; empenhados numa luta
sem trégua, ora velada, ora aberta, luta que a cada etapa
conduziu a uma transformação revolucionária de toda a
sociedade ou ao aniquilamento das duas classes em
confronto (Marx, 2016, p. 24).
Portanto, o poder na classe social significa a própria existência da
classe, que nas diferentes formas e sociedades humanas na história
a dialética de formação das classes sempre condicionou as relações
de poder e autoridade. O poder político, no entanto, se modifica com
as forças sociais que tomam forma a cada período histórico, a cada
modo de produção e suas contradições de classe, pela maneira
como os indivíduos produzem e reproduzem a vida.
Nicos Poulantzas (1978), um estudioso marxista que marcou o
século XX, abordará a classe social em Marx da seguinte forma:
As classes sociais são conjuntos de agentes sociais
determinados principalmente, mas não exclusivamente, por
seu lugar no processo de produção, isto é, na esfera
econômica. [...] Para o marxismo, o econômico assume um
papel determinante em um modo de produção e numa
formação social: mas o político e o ideológico, enfim a
superestrutura, desempenham igualmente um papel muito
importante. De fato, todas as vezes que Marx, Engels, Lênin e
Mao procedem a uma análise das classes sociais, não se
limitam somente ao critério econômico, mas se referem
explicitamente a critérios políticos e ideológicos (Poulantzas,
1978, p. 14).
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No capitalismo, essa delimitação não está somente ligada ao lugar
que nós ocupamos na cadeia produtiva do capital, mas nossas
aspirações, ideologias, convicções, posições políticas e,
principalmente, as práticas de classe. E quais são as classes sociais
no capitalismo atual e quem são os agentes sociais responsáveis
por ocupar essas posições? Somos nós, no momento e na
conjuntura da luta de classes.
Para Karl Marx, as classes sociais fundamentais são as que
observamos a partir da dialética da produção e da reprodução
sociais. No capitalismo, o autor chamará de classes fundamentais,
como modelos e categorias observáveis na história, a burguesia e o
proletariado, assim como suas frações de classe resultantes do
modo de produção dominante nessa formação social. A classe
média, a pequena burguesia, o campesinato, o lumpemproletariado.
Podemos observar que os apontamentos teóricos de Marx e Engels
em O Capital, no livro III, sistematizado após a morte de Karl Marx,
atentam para três classes fundamentais:
Os proprietários de mera força de trabalho, os proprietários
de capital e os proprietários fundiários, que têm no salário, no
lucro e na renda da terra suas respectivas fontes de
rendimento, isto é, os assalariados, os capitalistas e os
proprietários fundiários, formam as três grandes classes da
sociedade moderna, fundada no modo de produção
capitalista (Marx, 2017, p. 947).
A problemática das classes sociais em Marx ocupa o lugar central, e
a complexidade da dialética entre a “infraestrutura” e a
“superestrutura” torna o método verificável e rico em materialidade,
incluindo a nossa atualidade. Quem nunca observou as contradiçõesque envolvem as desigualdades sociais? As desigualdades são
elementos históricos e que apontam para as contradições do modo
de produção e sociedade em que vivemos, e é por esse motivo que
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Karl Marx demonstrará como os aspectos econômicos e políticos
estão intimamente ligados.
Siga em Frente...
Golpe de estado e bonapartismo
Como a classe social é uma categoria central para Karl Marx e o
poder está na própria classe, mais precisamente na relação de luta
entre as classes, a história das sociedades humanas é a história do
conflito entre as diferentes classes sociais. O exercício do poder se
dá em meio às condições do próprio capitalismo de maneira diversa
e complexa, porém, a partir do poder político de Estado. Convém
levantar o conceito, a categoria e o significado que o Estado tem na
teoria de Karl Marx:
O Estado não é, portanto, de modo algum, um poder que é
imposto de fora da sociedade e tão pouco é “a realidade da
ideia ética”, nem “a imagem e a realidade da razão”, como
afirma Hegel. É antes um produto da sociedade, quando essa
chega a um determinado grau de desenvolvimento. É o
reconhecimento de que essa sociedade está enredada numa
irremediável contradição com ela própria, que está dividida
em oposições inconciliáveis de que ela não é capaz de se
livrar. Mas para que essas oposições, classes com interesses
econômicos em conflito não se devorem e não consumam a
sociedade numa luta estéril, tornou-se necessário um poder
situado aparentemente acima da sociedade, chamado a
amortecer o choque e a mantê-lo dentro dos limites da
“ordem” (Engels, 1984, p. 209).
Portanto, o Estado moderno, propriamente na visão de Marx e
Engels, não é um poder autônomo em condições exteriores e acima
dos indivíduos, é diametralmente oposto a essa determinação e se
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configura como o reflexo das forças sociais. Temos de ressaltar
nesse campo teórico que o poder político de Estado tem uma
autonomia frente aos indivíduos, consolidada pela conjuntura
histórica de classes. Não quer dizer que estamos rotulando a que
classes nos situamos, mas que não é possível, no capitalismo,
ignorar a contradição e a desigualdade. Por esse motivo o autor
desenvolve sua teoria do Estado margeando as relações
econômicas materializadas no capitalismo – o Estado, enquanto
esfera política da superestrutura, também determina a ação dos
indivíduos e das classes sociais, afinal, não há como ignorar a
presença política do Estado moderno nas leis, por exemplo.
Neste ponto fica claro que o Estado capitalista possui uma
originalidade frente às estruturas das relações de produção,
por um lado, e ao campo da luta de classes, por outro. A
separação do produtor direto dos meios de produção
relaciona-se à institucionalização do sujeito jurídico dos
indivíduos. Essa relação do Estado com as relações de
produção tem no personalismo individualista a sua forma
ideológica, substituindo a crença religiosa como o centro da
instância ideológica desde a transição ao capitalismo. Já a
relação do Estado com a luta de classes é subdividida em
duas: a relação com a luta econômica e a relação com a luta
política. A estrutura jurídica e ideológica do Estado instaura,
em seu nível, a ocultação das relações de classe dos
produtores, que são distribuídos em classes, mas passam a
se perceber como indivíduos autônomos, sujeitos de direito. A
concorrência no capitalismo não é, portanto, somente
decorrente da estrutura nas relações capitalistas de
produção, mas também um efeito do jurídico e ideológico
sobre as práticas econômicas (Farias; Del Passo, 2020, p.
175).
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Da teoria marxista do Estado, temos que mencionar a proposta e a
categoria de bonapartismo. Essa categoria revela que o poder e o
exercício do poder político entre as classes sociais em luta encontra
na esfera personificada e executiva do poder do Estado moderno a
sua condição individualista de dominação e poder sobre a sociedade
e os indivíduos no capitalismo. O bonapartismo constitui uma forma
de poder que se materializa em um indivíduo recoberto pela forma
de uma ditadura no exercício desse poder. Quando Marx elabora a
categoria de bonapartismo, o faz mediante análise do golpe de
Estado ocorrido na França do século XIX:
Nos escritos de Marx e Engels, a expressão bonapartismo
refere-se a uma forma de regime político da sociedade
capitalista na qual a parte executiva do Estado, sob domínio
de um indivíduo, alcança poder ditatorial sobre todas as
outras partes do Estado e sobre a sociedade. O bonapartismo
constitui, assim, uma manifestação extrema daquilo que, em
escritos marxistas recentes sobre o Estado, foi chamado de
sua “autonomia relativa” (Poulantzas, 1968). O principal
exemplo dessa forma de regime durante a vida de Marx foi o
de Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão I, que passou a ser
Napoleão III depois do golpe de Estado que deu em 2 de
dezembro de 1851 (Bottomore, 2001, p. 35).
Da categoria do bonapartismo, surgem definições atuais de poder e
das classes que só podemos verificar na ação histórica e real do
método. No Brasil, atualmente, a presença das classes é notável e
passível de análise para o campo da ciência política.
A Comuna de Paris
De todos os episódios históricos que Marx desenvolveu análises, a
Comuna de Paris talvez seja o mais interessante, porque o autor
escreve nos próprios acontecimentos. Marcada no ano de 1871, o
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episódio da Comuna de Paris, como ficou conhecido, foi debatido
por Marx no seu texto A guerra civil na França (1871).
A Comuna de Paris durou dois meses e leva esse nome pelo fato da
tomada do poder em Paris pelos trabalhadores. Mesmo com a
derrota, o período deixa grandes noções para o campo teórico e
prático da luta de classes e pode ser desenhado para interlocução
das relações de poder entre as classes sociais no capitalismo do
século XIX.
Durante os 72 dias transcorridos entre 18 de março e 28 de
maio de 1871, a França foi testemunha de uma experiência
única, sem precedentes: a Comuna de Paris. Sua instauração
foi antecedida pela feroz guerra franco-prussiana e a
derrubada do II Império, com Luís Bonaparte à frente. Com a
Comuna, a classe operária conquistava o poder político pela
primeira vez na história, o que deixou valiosíssimos
ensinamentos aos revolucionários de todo o mundo e cuja
vigência e utilidade prática se agigantou com o passar do
tempo (Boron, 2011, p. 241).
Claro que essa passagem na história não foi colocada por Marx
como uma receita revolucionária, tampouco como um caminho geral
a ser seguido pelo proletariado em geral, mas as medidas que se
referiam a França naquele momento poderiam ser entendidas para o
contexto de classe do que o autor vai desenhar como a “ditadura do
proletariado”, categoria do seu método que ainda fomenta debates. 
Os fatos que tiveram lugar em Paris nesse breve lapso
permitiram refinar significativamente a teoria marxista do
Estado e da política (Boron, 2011, p. 241).
A Comuna de Paris não foi uma revolução socialista. Essa afirmação
recorre do conceito de revolução na teoria de Marx que ocupa lugar
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central e que trata, por definição, de uma transformação profunda da
totalidade social, ou seja, de todo o capitalismo. Não foi o que
ocorreu com o caráter geral do capitalismo no mundo, porém, a
Paris sitiada colocou essa grande interrogação aos capitalistas da
épocana Europa. Por isso, é possível retirarmos elementos de
compreensão do materialismo histórico e dialético a partir do
episódio ocorrido na França do século XIX, em meio à expansão
capitalista e dos monopólios que se concretizariam a partir do
contexto.
Em seu texto, Marx introduz uma importante distinção ao
assinalar, a propósito da gestão cotidiana do governo da
Comuna, que “ao passo que os órgãos meramente
repressivos do velho poder estatal deveriam ser amputados,
suas funções legítimas seriam arrancadas a uma autoridade
que usurpava à sociedade uma posição proeminente e
restituídas aos agentes responsáveis dessa sociedade”
(Marx, 2011: 58). Como consequência, a Comuna materializa
uma reapropriação social das funções expropriadas pelo
Estado, dando nascimento a “um governo da classe operária,
o produto da luta da classe produtora contra a classe
apropriadora, a forma política enfim descoberta para se levar
a efeito a emancipação econômica do trabalho” (Marx, 2011:
59). Contrariamente ao que assinalam os críticos do
marxismo, que a acusam de pretender funcionar sem Estado
em uma sociedade tão complexa como a atual, os
ensinamentos da Comuna demonstram que a organização
política da sociedade pode se construir seguindo lineamentos
distintos e alternativos ao Estado: manutenção e expansão
das suas legítimas funções (abastecimento de insumos
básicos, provisão da saúde, educação, moradia e previdência
social, defesa diante das agressões externas etc.), uma vez
que as repressivas haviam sido amputadas (Boron, 2011, p.
243).
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O grande interesse de Marx pela Comuna passava também pelo
caráter democrático do governo proletário em meio ao poder do
capitalismo e do Estado capitalista. Com a devida autonomia relativa
desse exercício, é possível hoje em dia debatermos a forma
elementar do Estado capitalista em meio a uma realidade desigual e
que exclui do poder as classes menos favorecidas no processo.
Afinal, no Brasil atual não podemos verificar esses elementos? O
capitalismo brasileiro não se desenvolveu em fatores da
desigualdade? É possível outras formas de políticas que envolvam
uma governança mais equitativa do poder sem considerar a luta de
classes e suas frações no Brasil? Talvez os autores possam nos
ajudar a compreender a realidade contraditória que nos cerca. Por
esse motivo, a ciência política tem muito a nos dizer.
Vamos Exercitar?
Toda e qualquer forma de sociedade na história produziu e
reproduziu sua existência em fatores materiais, sociais e políticos.
Das relações de poder, a partir da divisão do trabalho e das
sociedades mais complexas, indivíduos reais em condições reais de
existência também desenvolveram formas políticas que estão
diretamente ligadas ao poder – mais precisamente ao poder como
algo coletivo, ou seja, de classe. Na medida em que os indivíduos se
apropriam da produção social da riqueza, percebemos a divisão da
sociedade entre classes opostas e que, no nosso caso, no
capitalismo, antagônicas. Significa que atualmente, a partir da leitura
científica de Karl Marx, podemos também falar da realidade
brasileira imersa em determinações capitalistas muito peculiares. É
possível examinar, por exemplo, as políticas econômica, social,
externa e de cidadania dos governos e a própria dificuldade política
para a ampliação da democracia e dos direitos sociais no Brasil. 
Saiba Mais
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O episódio histórico da Comuna de Paris pode ser observado nos
elementos da teoria de Karl Marx no artigo de Atílio Boron indicado a
seguir.
BORON, A. A. Os duradouros ensinamentos da Comuna de Paris.
Lutas Sociais, São Paulo, n. 25/26, p. 241-247, 2º sem. de 2010 e
1º sem. de 2011. 
Referências Bibliográficas
BORON, A. A. Os duradouros ensinamentos da Comuna de Paris.
Lutas Sociais, São Paulo, n. 25/26, p. 241-247, 2º sem. de 2010 e
1º sem. de 2011. Disponível em:
https://ri.conicet.gov.ar/handle/11336/192943?show=full. Acesso em:
31 dez. 2023.
BOTTOMORE, T. (org.). Dicionário do pensamento marxista. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
COLLIN, D. Compreender Marx. Petrópolis: Vozes, 2008.
ENGELS, F. A origem da família da propriedade privada e do
Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
FARIAS, F. P.; PASSO, O. F. Poder político e classes sociais.
Resenha. Lutas Sociais, São Paulo, v. 24, n. 44, p. 173-179,
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MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista: 1948.
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MARX, K. As lutas de classe na França. São Paulo: Boitempo,
2012.
MARX, K. O Capital: crítica da economia política: livro III: o
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https://ri.conicet.gov.ar/handle/11336/192943?show=full
https://ri.conicet.gov.ar/handle/11336/192943?show=full
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POULANTZAS, N. As classes sociais no capitalismo de hoje. Rio
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POULANTZAS, N. Poder político e classes sociais. Campinas:
Editora Unicamp, 2019.
SILVA, S. Introdução ao pensamento social clássico. Curitiba:
Intersaberes, 2019.
ZIZEK, S. A atualidade do manifesto comunista. Petrópolis:
Vozes, 2021. 
Aula 3
MAX WEBER E A CIÊNCIA
POLÍTICA
Max Weber e a Ciência Política
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Quais são as características daqueles que exercem o poder? Como
evoluímos de formas tradicionais de dominação para formas mais
modernas, compatíveis com o que chamamos de cidadania? As
formas e os sistemas políticos sob os quais vivemos atualmente
guardam relações com o passado? Nesta conversa trataremos
juntos das formas de dominação e poder, a partir da contribuição de
Max Weber, para reflexão do problema político e seu campo teórico
compreensivo da política. Você vai compreender e aplicar essa
teoria na dimensão das nossas relações atuais, e verá como a
leitura de um autor considerado clássico para a ciência política ainda
hoje nos demonstra suas considerações. Mãos à obra! 
Vamos Começar!
Max Weber e a política
O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) desenvolveu uma
teoria para o poder e a dominação que ficou muito conhecida e
ainda é muito difundida e utilizada por sociólogos, cientistas políticos
e economistas. Trata-se da teoria dos três tipos de dominação
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legítima. Veremos que a teoria de Weber se assemelha às ideias do
primeiro autor que abordamos, La Boétie, mas são um pouco mais
refinadas, dado que Weber estrutura tipos de dominação cuja
legitimidade, isto é, a aceitação do dominante pelos dominados, está
baseada em motivos de ordem racional, mas também históricas e
subjetivas.
É possível afirmar que no plano das ciências sociais esse pensador
é considerado clássico, assim como o debate com a teoria de Karl
Marx no século anterior, já que o autor está escrevendo no século
XX. Weber elege como seu grande interlocutoro próprio campo
teórico de Marx, defendendo que o marxismo parte do
economicismo. Segundo Weber, a sua concepção de política estava
intimamente ligada à ação dos indivíduos e no significado que o
poder toma diante de uma realidade que passa pelo processo
histórico da racionalização. Assim o é também com a política e sua
concepção de Estado.
O que entendemos por política? É extraordinariamente amplo
o conceito e abrange toda espécie de atividade diretiva
autônoma. [...] Por política entenderemos tão-somente a
direção do agrupamento político hoje denominado “Estado”
ou a influência que se exerce nesse sentido (Weber, 2004, p.
59).
Isso nos indica a concepção de Estado em Max Weber que passa
pelo uso da força como monopólio legítimo da violência em uma
relação de autoridade e dominação. Essa afirmação deve ser
precisa, porque o autor percebe a multiplicidade sociológica de
determinações sobre o Estado, tratado por ele como agrupamento
político e suas formas de dominação:
Assim como todos os agrupamentos políticos que o
precederam no tempo, o Estado consiste em uma relação de
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dominação do homem pelo homem, com base no instrumento
da violência legítima – ou seja, da violência considerada
como legítima. Por conseguinte, o Estado pode existir
somente sob condição de que os homens dominados se
submetam a autoridade continuamente reivindicada pelos
dominadores (Weber, 2004, p. 61).
Weber: os tipos de dominação e legitimidade
Para Weber, a dominação – portanto, o poder de um sobre outros –
pode estar fundamentada na burocracia, na tradição e no carisma.
Vejamos cada ponto.
A fonte do poder na dominação de tipo racional-legal ou burocrática
é a baseada nas normas, nas leis e na estrutura do Estado, bem
como nos processos legais que levam à eleição ou à contratação
dos indivíduos que serão responsáveis pelo mando e/ou pelo
governo. Quando falamos, por exemplo, em eleição, estamos
tratando de um processo organizado de forma racional pelo qual os
indivíduos concorrerão ao poder. Do mesmo modo que, por
exemplo, um indivíduo, para se tornar juiz e exercer o mando nos
tribunais, precisa ter formação específica e se candidatar em um
concurso público. O que define as regras das eleições e dos
concursos é justamente a lei e, por isso, os ocupantes do poder,
nesses casos, têm seu poder baseado na estrutura do Estado, nos
regimentos e processos legais, e na burocracia. A dominação, dessa
forma, é racional-legal ou burocrática, e:
a associação dominante é eleita ou nomeada (Weber, 2002,
p. 128).
O segundo tipo de dominação definida por Max Weber é a baseada
na tradição. A fonte do poder na dominação tradicional é a crença
nos costumes e nas ordenações antigas. Pense, por exemplo, nas
antigas monarquias absolutistas da Europa, nas quais o poder de
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governar era transmitido de pai para filho. Nesse caso, o critério de
escolha do governante não são leis que possibilitam a concorrência
entre candidatos, mas a hereditariedade. O mesmo pode se pensar
da escolha dos papas no Vaticano. A fonte de seu poder está
garantida na antiga crença cristã e não simplesmente na figura do
religioso que pleiteia o cargo. A dominação tradicional é baseada no
padrão de transferência do poder de geração para geração no
sentido de que se acredita que "se sempre assim foi, assim
continuará sendo". Nas palavras de Max Weber, nesse tipo de
dominação
obedece-se à pessoa em virtude de sua dignidade própria,
santificada pela tradição: por fidelidade. O conteúdo da ordem
está fixado pela tradição […] (Weber, 2002, p. 131).
O terceiro e último tipo de dominação legítima pensado por Max
Weber é a carismática. Segundo o autor, a dominação carismática
ocorre
em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e seus
dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a
faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder
intelectual ou de oratória (Weber, 2002, p. 134-135). 
Pense, por exemplo, na relação entre um pastor e seus fiéis: é uma
relação de dominação, cuja fonte do poder do pastor sobre seus
seguidores está baseada, sobretudo, na capacidade de oratória, na
expressão física e no carisma que ele desempenha diante de sua
plateia. No entanto, não só os religiosos precisam ter carisma para
dominar; veja, por exemplo, que mesmos os políticos que concorrem
em eleições precisam demonstrar algum tipo de carisma, passar
confiança a seus eleitores, falar bem e fazer seus votantes
acreditarem em suas promessas.
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Esses três tipos de dominação pensados por Weber estão
separados na teoria, em uma formatação de tipos ideais
metodológicos e, na realidade, um líder político, um governante ou
um mandatário precisa ter um pouco de cada um para conseguir
governar. De nada vale um candidato concorrer em uma eleição se
ele não tiver carisma e se não conhecer as tradições da localidade e
dos cidadãos que governará. Desse modo, podemos argumentar
que quem exerce poder o faz por múltiplas qualidades que é capaz
de apresentar.
Siga em Frente...
Ciência e política: duas vocações
Em uma das suas últimas conferências, Ciência e política: duas
vocações, Max Weber desenvolverá a particularidade do Estado
moderno no mundo e no processo de racionalização, que seria, para
o pensador, uma forma específica diante dos outros poderes na
história. A racionalização também estaria para a política nessa
configuração do agrupamento político no uso da força, porém, como
os elementos modernos racionais do capitalismo, com uma
administração e gestão modernas. A esse elemento ele dedicou
particular atenção, por somá-lo ao monopólio da coação física e que
trouxe para a sua teoria uma complexa análise do que ele chamou
de burocracia.
Por esse motivo, em Ciência e política: duas vocações, Weber
desenvolve uma definição conceitual de Estado moderno em relação
às várias características modernas da racionalização, baseando a
sua análise já nos acontecimentos empíricos do século XX:
O Estado moderno é um agrupamento de dominação que
apresenta caráter institucional e que procurou – com êxito –
monopolizar, nos limites de um território, a violência física
legitima como instrumento de domínio e que, tendo esse
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objetivo, reuniu nas mãos dos dirigentes os meios materiais
de gestão. Isso é o mesmo que dizer que o Estado moderno
expropriou todos os funcionários que, consoante o princípio
dos “Estados” dispunha no passado, por direito próprio, de
meios de gestão, substituindo-se a esses funcionários, no
topo da hierarquia inclusive (Weber, 2004, p. 66).
Neste sentido, a racionalidade na política cria aspectos específicos
na atualidade capitalista e nas ações dos indivíduos agindo
socialmente. O fim estabelecido de dominação e poder ganha corpo
próprio nessa teoria de compreensão das complexas e múltiplas
relações que atualmente estabelecemos no cotidiano, desde o
pagamento de um imposto à escolha de um representante na
democracia contemporânea. 
Vamos Exercitar?
Quando falamos em burocracia, pensamos em pilhas e pilhas de
papéis e a procedimentos demorados e infindáveis. Percebemos,
segundo a teoria de Max Weber, que a burocracia está diretamente
ligada à substituição de uma ordem em que o poder se estabelecia
por direito, e não na legitimidade da escolha. Portanto, a burocracia
trata de uma ordem racional avançada e que nos cerca atualmente
na política. Por isso, temos a constatação de que evoluímos de
formas tradicionais de poder e dominação para a atualidade da
democracia em meio a um tipo de Estado,moderno e racional. Falar
da teoria de Max Weber é também compreender que as nossas
ações políticas estão orientadas pelas e para as ações dos outros, e
por isso o poder deve ser compreendido a partir do Estado moderno
e das nossas próprias ações. Uma tese interessante e
extremamente atual, não é mesmo?
Saiba Mais
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Saiba mais a respeito da obra e da teoria de Max Weber na sua
própria Biblioteca Virtual. Você vai perceber que o pensamento do
autor ainda está presente nas teses e trabalhos de compreensão da
realidade social, para além da esfera política e do poder.
Compreender as nossas ações e a nossa orientação social é tarefa
fundamental ao cientista político, ao sociólogo e aos que se
preocupam com a sociedade.
LIMA, R. Introdução à Sociologia de Max Weber. Curitiba: Ibpex,
2009.
Referências Bibliográficas
COLLIOT-THÉLÈNE, C. A Sociologia de Max Weber. Petrópolis:
Vozes, 2016.
GIL, A C. Sociologia geral. São Paulo: Atlas S.A., 2011.
LIMA, R. Introdução à Sociologia de Max Weber. Curitiba: Ibpex,
2009.
WEBER, M. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin
Claret, 2004.
WEBER, M. Política como vocação e ofício. Petrópolis: Vozes,
2020.
WEBER, M. Economia e Sociedade: Fundamentos da sociologia
compreensiva. 2. Vol. São Paulo: Editora UnB, 2004.
WEBER, M. Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 2002.
WERNECK VIANNA, L. Weber e a interpretação do Brasil.
Gramsci.org., 1999. Disponível em:
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=85. Acesso
em: 31 dez. 2023.
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http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=85
WHIMSTER, S. Weber. (Introdução/filosofia). São Paulo: Artmed,
2007. 
Aula 4
A DEMOCRACIA
A Democracia
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Ponto de Partida
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Olá, estudante!
Você já percebeu que o uso da palavra democracia atualmente está
muito ligado às eleições? E que ao falarmos de democracia,
estamos mais direcionados a compreendê-la como modelo político
em que nossa vontade é respeitada? De fato, a nossa constatação
imediata não corresponde ao conteúdo clássico e definidor do que
chamamos de democracia. Vamos entender a razão disso? O
convite é estudarmos juntos o conteúdo histórico e contemporâneo
desse termo que tem demarcado todo o debate político
contemporâneo. Vamos entender um pouco mais o que a ciência
política tem a nos dizer a esse respeito. Bons estudos! 
Vamos Começar!
A democracia na história
À crítica tão veemente de Platão com relação à democracia – “o
governo do número”, “o governo de muitos”, “o governo da liberdade
excessiva” –, colocando-a como a menos boa das boas formas de
governo e a menos má das formas de governo – ou seja, a
democracia é fraca e traz poucos benefícios aos seus cidadãos
(Bobbio; Matteucci; Pasquino, 2004, p. 320) –, surge o contraponto
de Aristóteles. Para Châtelet, Duhamel e Pisier (2009), a reação
mais interessante à concepção de democracia platônica é a de
Aristóteles, que adota uma posição filosófica:
[...] tornar a filosofia praticável no seio da Cidade tal como ela
é, mas também de dar-lhe credibilidade como instrumento
teórico capaz de determinar, para cada cidade e em geral,
qual a melhor Constituição e quais as virtudes e capacidades
exigidas dos cidadãos (Châtelet; Duhamel; Pisier, 2009, p.
20).
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Eis que surge a teoria clássica da democracia calcada na tradição
aristotélica das três formas de governo:
[...] segundo a qual a Democracia, como o Governo do povo,
de todos os cidadãos, ou seja, de todos aqueles que gozam
de direito de cidadania, se distingue da monarquia, como
Governo de um só, e da aristocracia, como Governo de
poucos (Bobbio; Matteucci; Pasquino, 2004, p. 319).
Todas contêm em si a possibilidade de degeneração, que é se
distanciar de um governo voltado para o bem comum, e são elas
respectivamente: a demagogia, a oligarquia e a tirania.
Nesse sentido, e retomando a linhagem das ideias políticas feita por
Châtelet, Duhamel e Pisier (2009, p. 21), a fim de entender Atenas
como o lócus da gênese do pensamento democrático, o autor
apodera-se das palavras de Aristóteles: 
quer seja monárquico, oligárquico ou democrático, o regime
moderado vale mais que o excessivo; e uma combinação
equilibrada de democracia e oligarquia permite, sem dúvida, a
melhor existência.
Ou seja, a concretização do bem comum.
Na ciência política, como verificamos, da Grécia antiga até os
nossos dias, a democracia vem sendo estudada. O exemplo mais
puro, por assim dizer, de democracia direta tem sido a que se
materializou na história grega. Porém, é necessário entender o
caráter da sociedade ateniense que se estabeleceu nos séculos V e
IV a.C., e os limites de ação do Estado de Atenas naquele período.
Na verdade, o único limite respeitado pelo Estado
(democrático) ateniense, na sua ação, foi aquele imposto
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pelos interesses escravistas; ainda que alterasse por vezes a
legislação sobre as formas de escravidão, o Estado ateniense
jamais propôs a liquidação da escravidão em si mesma
(Saes, 1987, p. 45).
Assim também podemos considerar a democracia na Idade Média.
De maneira geral, a democracia medieval se relaciona a Estados
feudais em momentos anteriores à constituição do Estado moderno
e no apogeu do feudalismo europeu. O fio condutor deve ser a
sociedade que se forma a partir das novas maneiras de organização
política, e por sua vez, também novas configurações de classe e
econômicas. Assim, nas repúblicas urbanas da Idade Média
europeia nem todas as pessoas eram consideradas cidadãs.
Durante a Idade Média, a democracia de classe exploradora
se implantava nos verdadeiros sub-Estados em que se vão
convertendo as cidades, a partir do momento (séculos XI e
XII) em que conquistam a autonomia jurídico-política diante
do Estado monárquico central. Tais cidades agora regidas por
uma Carta, ou Constituição própria, podem se organizar como
tiranias (isto é, ditaduras); mas também podem,
alternativamente, se organizar como repúblicas ou
consulados (isto é, democracias). Nesta última categoria
estão inseridas inúmeras cidades italianas (Florença, Veneza,
Luca, Bolonha etc.), no período que se estende do século X
ao XIV, algumas cidades belgas do século XIV (Bruges,
Liège, Gand), certas cidades do sul da França (Marselha,
Arles, Nimes etc.) (Saes, 1987, p. 46).
Alexis de Tocqueville e a democracia na américa
Alexis de Tocqueville nasceu em 29 de julho de 1805, em Paris. Foi
um pensador político, escritor e autor de obras como A democracia
na América e O Antigo Regime e a Revolução, nas quais abordou o
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desenrolar do tema da democracia, em uma proposta liberal, assim
como questões que tratam do governo, das ideias, dos costumes, da
ciência, das artes, da literatura etc.
A obra de Alexis de Tocqueville A democracia na América marca um
pressuposto importante de rompimento político, apesar de muito
utilizar pressupostos aristotélicos com a antiguidade clássica.Essa
diferença está relatada e estabelecida pelo estudo da democracia
nos Estados Unidos da América no século XIX, contrapondo-a à
 democracia antiga pelos elementos da modernidade e das
revoluções burguesas que marcaram a passagem para a
contemporaneidade.
A democracia americana se torna possível para ele pela
“igualdade de condição”, sendo essa na realidade uma
condição necessária, isto é, pela igualdade de acesso das
pessoas não somente para votar ou ocupar cargos públicos,
mas também uma igualdade de vantagens econômicas e,
culturalmente, em atitudes antiaristocráticas (Cunningham,
2009, p. 17).
Tocqueville está relacionado ao pensamento liberal que transpassa
a consolidação do capitalismo nos países que vivenciam o século
XIX. Isso reverbera em sua análise, cheia de preocupações
normativas. Tocqueville vai buscar na América a concepção de
democracia mais alinhada com a potencialização dos vetores
revolucionários europeus modernos, advindos da herança
revolucionária francesa.
Um dos conceitos estudados pelos autores que interpretam a obra
de Alexis de Tocqueville é o de tirania da maioria. Essa expressão
recorre à teoria democrático-liberal do autor, de que “em uma
democracia, pessoas com propensões, para não mencionar crenças
políticas, fora do acordo com a maioria serão marginalizadas” ou, de
outro modo, “maltratadas pela maioria com pontos de vista políticos
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alternativos e gostos culturais, de acordo com ela, corrompidos”
(Cunningham, 2009, p. 67).
“O que é maioria”, Tocqueville escreve, “senão um indivíduo
com opiniões e comumente com interesses contrários a outro
indivíduo, chamado minoria?” Na forma mais completamente
realizada de democracia (a América para ele), essa maioria é
dotada de poderes sem controle, o que ocasiona a
preocupação de que “se você admite que um homem
investido de onipotência possa abusar contra seus
adversários, por que não admitir o mesmo com referência à
maioria?” (1969 [1835-1840], p. 251). Tocqueville pensou que
isso é exatamente o que aconteceu na América, e ele usou a
agora bem conhecida frase, “a tirania da maioria”, para
descrever uma quantidade de falhas (Cunningham, 2009, p.
24).
Esse conceito ainda hoje colocado à prova nas democracias
contemporâneas, dado o caráter procedimental e instrumental das
democracias nos países, assim como o fator liberal que conduz os
vetores econômicos e políticos atuais.
Siga em Frente...
Schumpeter e a democracia
Joseph Alois Schumpeter (1883-1950), assim como Alexis de
Tocqueville, está entre os autores proeminentes das teorias da
democracia, posto o caráter de demonstração moderno trazido para
a contemporaneidade. Schumpeter aproxima o conteúdo da
democracia da análise econômica, e isso traz pressupostos
importantes.
Com a publicação do seu livro Capitalismo, Socialismo e
Democracia, em 1942, o autor demonstra uma aproximação com o
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marxismo, e um provável declínio do capitalismo marcando as
análises da democracia no século XX. As interpretações acerca da
democracia e seu caráter no capitalismo industrial e no panorama
político do século XX marcam o que os autores vão chamar de
realismo na análise. A conclusão de Schumpeter foi que o
pensamento clássico deveria ser substituído por algo mais concreto,
em consonância com o próprio funcionamento real da democracia
no mundo moderno.
O autor resumiu, por assim dizer, a democracia a um método para
selecionar políticos, e definiu este método simplesmente como
“aqueles arranjos institucionais para chegar a decisões políticas nos
quais indivíduos adquirem o poder de decidir por meio de disputa
competitiva pelos votos das pessoas” (Cunningham, 2009, p. 24).
A razão para isso não é difícil de encontrar. A democracia é
um método político, isto é, um certo tipo de arranjo
institucional para chegar a uma decisão política (legislativa ou
administrativa) e, por isso mesmo, incapaz de ser um fim em
si mesmo, sem relação com as decisões que produzirá em
determinadas condições históricas. E justamente este deve
ser o ponto de partida para qualquer tentativa de definição.
(Schumpeter, 1961, p. 296).
A democracia, para o autor, poderia ser pensada no seu bom
funcionamento em acordo com a “disponibilidade de líderes políticos
qualificados; segurança de que os especialistas e não os políticos
decidam questões que requeiram conhecimento ou talentos
especiais”. Até mesmo uma burocracia avançada e uma população
reciprocamente tolerante para permitir aos políticos uma “relativa
liberdade de ação no governo”. (Cunningham, 2009, p. 24),
Se sociedades geralmente chamadas de democráticas são
vistas em termos de como elas realmente funcionam (daí a
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etiqueta realista), é óbvio, Schumpeter insistiu, que são
governadas não pelo povo ou pela maioria tomada como um
todo, mas por políticos eleitos junto com partidos políticos
não-eleitos e servidores burocratas. Esse é claramente o
caso na base do dia-a-dia e ano-a-ano em que os políticos
comumente (e necessariamente evitam o caos das eleições
ou referendos perpétuos) buscam políticas em acordo com
seus próprios interesses ou suas estimativas do que é melhor
(Cunningham, 2009, p. 19).
De maneira geral e em um espectro relativamente amplo, podemos
mencionar a nossa realidade brasileira. Você já pensou em como
analisar a democracia brasileira e quais os elementos para essa
análise os autores nos forneceram? Essa leitura é essencial,
necessária e própria da ciência política. 
Vamos Exercitar?
Os autores têm propostas e teorias diversas em acordo com o
tempo histórico em que o capitalismo de maneira geral avança para
o teor político. Um ponto levantado pelos teóricos que estudamos é
a devida leitura social e política que permeia o melhor modelo de
organização e que atenda ao bem comum. Não podemos negar as
contradições, as desigualdades e o caráter dos estudos que tratam
da democracia que demonstram isso. No Brasil, vivemos a realidade
de uma democracia capitalista, periférica e reforçada por condições
de desigualdade. Os limites apontados pelos teóricos clássicos da
democracia ainda se colocam para a nossa realidade e para a
importância de uma forma política correspondente à nossa
heterogênea formação social. Ainda temos muito a caminhar quando
o assunto é a democracia. 
Saiba Mais
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Para exercitar o conteúdo, avalie as noções clássicas de
democracia em meio à realidade brasileira, analisando pontos da
obra referenciada em sua Biblioteca Virtual:
GRAZIANO, X. O fracasso da democracia. São Paulo: Almedina,
2020.
Referências Bibliográficas
BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de
política. V. 2. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.
BEÇAK, R. Democracia: hegemonia e aperfeiçoamento. São Paulo:
Saraiva, 2014.
CHÂTELET, F.; DUHAMEL, O.; PISIER, E. História das ideias
políticas. São Paulo: Zahar, 2009.
CUNNINGHAM, F. Teorias da democracia. São Paulo: Artmed,
2009.
GRAZIANO, X. O fracasso da democracia. São Paulo: Almedina,
2020.
SAES, D. Democracia. São Paulo: Ática, 1987.
SANTOS, B. de S. Direitos humanos, democracia e
desenvolvimento. São Paulo: Cortez, 2014.
SCHUMPETER, J. A. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio
de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.
TOCQUEVILLE, A de. A democracia na América: leis e costumes
de certas leis e certos costumes políticos que foram naturalmente
sugeridos aos americanos por seu estado social democrático.
Tradução de Eduardo Brandão; prefácio, bibliografia e cronologia
por François Furet.2. ed. São Paulo: Martins Fontes, (Paidéia),
2005.
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786586618204/pageid/0
TOCQUEVILLE, A de. A democracia na América: sentimentos e
opiniões: de uma profusão de sentimentos e opiniões que o estado
social democrático fez nascer entre os americanos. Tradução de
Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, (Paidéia), 2000.
TOCQUEVILLE, A de. O antigo regime e a revolução. 4. ed.
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.
Encerramento da Unidade
TEORIA DO PODER
Videoaula de Encerramento
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Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, Teoria do poder,
que é avaliar a dinâmica do poder nas suas diferentes interfaces a
partir de uma elaboração dialógica entre a teoria e a prática
histórica; assim como avaliar os instrumentos necessários para
demonstrar como as relações de poder e o poder em si são
operacionalizados no campo político no interior do Estado, a partir
da teoria clássica em ciência política, você deverá primeiramente
conhecer os conceitos e as dimensões do poder. O poder e suas
dimensões foram estudados por autores que se dedicaram e
marcaram a história das ideias políticas.
O mesmo ocorre com o conceito de poder, pois ele também
recebeu tratamento reflexivo na Antiguidade. Aliás, pode-se
dizer que o conceito de poder é até mais abrangente e
essencial para as relações sociais do que o conceito de
política, ainda que eles tenham sido identificados como partes
de um mesmo processo (Lucas, 2021, p. 16).
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Alguns elementos nos saltam ao tratar da perspectiva do poder. São
os aspectos jurídicos, políticos e ideológicos em relação à dimensão
do poder do Estado, que no construto das sociedades humanas
ganha um contorno relacional, e no que diz respeito à nossa
sociedade capitalista, o Estado moderno tem protagonismo. Os
autores, debatem a respeito do Estado moderno e da origem do
poder. Em Étienne de La Boétie (1530-1563) no Discurso da
servidão voluntária, o poder político é o epicentro da análise quando
o autor trata da submissão do povo, da vontade de cidades e
lugares inteiros à tirania e a autoridade de uma só pessoa.
La Boétie mostra que não é por medo que obedecemos à
vontade de um só, mas porque desejamos a tirania. Como
explicar que o tirano, cujo corpo é igual ao nosso, tenha
crescido tanto, com mil olhos e mil ouvidos para nos espionar,
mil bocas para nos enganar, mil mãos para nos esganar, mil
pés para nos pisotear? Quem lhe deu os olhos e os ouvidos
dos espiões, as bocas dos magistrados, as mãos e os pés
dos soldados? O próprio povo (Chaui, 2000, p. 527).
As origens do debate moderno que tratam do poder, estão, por
assim dizer, ligadas à gênese do Estado moderno como uma forma
específica de poder concentrado, e para alguns autores, à origem da
própria sociedade capitalista. O conjunto de relações que formatarão
o nosso mundo capitalista é complexo e toma vários caminhos
políticos e do poder político.
O poder para Karl Marx (1818-1883), teórico alemão que
desenvolveu o método de análise do materialismo histórico e
dialético, está na classe social – a classe entendida na dialética
entre o lugar que os indivíduos ocupam na cadeia produtiva e
também nos espaços jurídicos, políticos e ideológicos. O autor vai
buscar e demonstrar o poder político no capitalismo e na nossa
realidade a partir das classes e, principalmente, na luta entre elas.
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Alguns marxistas no século XX e XXI ainda utilizam o método para
explicação da realidade contraditória em que vivemos.
As instituições não têm poder por si; elas são a
materialização do poder de classe e, por isso, se tornam
centros de poder. O Estado é o centro do exercício do poder
político. Na mesma toada, entende-se que a autonomia
relativa das instituições estatais não se deve ao poder
próprio, mas à sua relação com as estruturas e a
materialização de poder que ali se realiza (Farias; Del Passo,
2020, p. 175).
A partir das teses de Karl Marx no século XIX, a questão do poder e
do poder político não foi mais desvinculada do capitalismo como
forma de sociedade na história em que o Estado moderno ocupa
lugar estratégico e estruturante político. Max Weber (1864-1920)
defenderá que a origem do capitalismo está nas ações sociais dos
indivíduos e não nas classes sociais no sentido de Marx. Na ciência
política de Max Weber, o processo de racionalização e
desencantamento do mundo moderno também transforma o poder
político em racional, assim como a origem do capitalismo deve ser
buscada em uma espécie de ética – logo, também está para o poder
político. Todo Estado, como agrupamento político moderno, se
fundamenta no uso da força, do monopólio legítimo da violência e na
transformação racional da política moderna, que pode ser olhada a
partir de formas específicas de dominação.
Poder e dominação são os conceitos primeiros dessa
sociologia da dominação e aqueles a partir dos quais se
tornava possível a reconstrução do conceito de Estado. Para
Weber, o poder (Macht) "significa toda probabilidade de impor
a própria vontade numa relação social, mesmo contra
resistências". Tal conceito seria, entretanto, pouco útil para a
análise das relações sociais, uma vez que todo indivíduo
10/02/2025, 21:25 Teoria do Poder
https://alexandria-html-published.platosedu.io/5310086a-4a27-409d-80a6-094b62f44496/v1/index.html 43/50
poderia pôr outro em uma situação na qual este último seria
obrigado a aceitar sua vontade. Em uma relação entre
empregado e empregador, ambos teriam, por exemplo, em
situações diversas, poder para fazerem valer suas vontades
no mercado de força de trabalho sem que fosse possível
determinar de antemão qual das partes prevaleceria (Bianchi,
2014, p. 87).
Formas e exercício do poder do Estado moderno em meio ao
próprio desenrolar da sociedade capitalista na história e o poder e
suas dimensões são trabalhados por autores como Alexis de
Tocqueville (1805-1859), na proposta de compreensão do mundo
contemporâneo. Como as revoluções que marcaram a queda do
antigo regime, a ascensão do modo liberal de vida e as instituições
ganham corpo na mesma medida de representação política no
interior do Estado, que em suas atribuições deve garantias e
direitos. A democracia é debatida por Tocqueville nestes moldes.
Alexis de Tocqueville “foi o primeiro autor moderno a realizar uma
investigação abrangente acerca do modo como o princípio
democrático, a igualdade, funciona como causa primeira na medida
em que molda ou afeta todos os aspectos da vida na sociedade”
(Strauss, 2019, p. 692).
O individualismo e o materialismo, características da
democracia que causam discórdia, são até certo ponto
compensados por um abrandamento geral dos costumes e
pelo desenvolvimento de um espírito de compaixão humana
ou por um sentimento de companheirismo. As classes da
Idade Média encaravam umas às outras como seres
pertencentes a diferentes espécies, tal era a diferença em
suas maneiras, ocupações e gostos. A sociedade era fria,
intransigente, rígida. A revolução democrática com sucesso
anula obrigações sociais ou políticas ao trazer à tona os laços

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