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13
Questão 1
01. A crítica religiosa de Erasmo tinha grandes 
02. afinidades com a que Lutero começou a dirigir 
03. contra Roma, a partir de 1517: denúncia das 
04. indulgências, defesa de um Cristianismo depurado 
05. de idolatrias e superstições, volta .......... Bíblia, etc. 
06. Por isso, Lutero tentou incansavelmente obter a 
07. adesão de Erasmo, mas este respondia com 
08. evasões, até que, pressionado pelos católicos para 
09. que definisse sua posição, escreveu contra Lutero, 
10. em 1524, um texto em que se colocava 
11. frontalmente contra um dos pontos centrais da 
12. Reforma: De Libero Arbitrio. Nesse texto, Erasmo 
13. defendia a tese da vontade livre, consumando, 
14. assim, sua ruptura pública com o protestantismo, 
15. que, pelo menos em sua versão luterana, era 
16. radicalmente determinista.
17. Lutero respondeu .......... um texto intitulado De 
18. Servo Arbitrio, em que defendia a tese de que a 
19. mera hipótese de uma ação livre do homem, 
20. independente de Deus ou em cooperação com Ele, 
21. já constituía uma limitação da liberdade de Deus e 
22. uma afronta às Escrituras, que mostravam que a 
23. queda condenava o homem a um saber 
24. necessariamente imperfeito e a uma razão 
25. necessariamente heterônoma. Para Erasmo, como 
26. para os humanistas em geral, essa doutrina era 
27. inaceitável tanto por razões puramente religiosas – 
28. pois, sem o pressuposto da liberdade, caem por 
29. terra todos os preceitos morais, dirigidos a uma 
30. vontade que pode ou não aceitá-los – quanto por 
31. razões humanas. A Renascença havia instalado o 
32. homem no centro da história, e Erasmo não estava 
33. disposto a abrir mão dessa conquista, a mais 
34. valiosa dos novos tempos. Ele não aceitava a ideia 
35. agostiniana de natura deleta, da depravação 
36. congênita do homem, em consequência do pecado 
37. original. Para Erasmo, o homem é por natureza 
38. dotado de razão, e ela o impele à concórdia e à 
39. solidariedade. A violência, a guerra, a brutalidade 
40. são contrárias .......... natureza razoável do homem.
Adaptado de: ROUANET, Sérgio Paulo. Erasmo, pensador iluminista. In:___ . As razões do
Iluminismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 284-285.
 
Assinale a alternativa que estabelece uma relação de referência correta entre o primeiro e o segundo
segmentos extraídos do texto.
(A) isso (l. 06) – a [crítica] que Lutero começou a dirigir contra Roma (l. 02-03)
(B) sua (l. 14) – a tese da vontade livre (l. 13)
(C) essa doutrina (l. 26) – a queda condenava o homem a um saber necessariamente
imperfeito (l. 22-24)
(D) dessa conquista (l. 33) – A Renascença havia instalado o homem no centro da história (l.
31-32)
(E) o (l. 38) – Erasmo (l. 37)
Gabarito:
D
Resolução:
(Resolução oficial)
 
O único antecedente plausível para "dessa conquista" (l. 31) é a conquista expressa na oração que
vai da linha 31 à 32.
Questão 2
01. Yaqub demorou no quintal, depois visitou
02. cada aposento, reconheceu os móveis e
03. objetos, se emocionou ao entrar sozinho no
04. quarto onde dormira. Na parede viu uma
05. fotografia: ele e o irmão sentados no tronco
06. de uma árvore que cruzava um igarapé;
07. ambos riam: o Caçula, com escárnio, os
08. braços soltos no ar; Yaqub, um riso contido,
09. as mãos agarradas no tronco e o olhar
10. apreensivo nas águas escuras. De quando era
11. aquela foto? Tinha sido tirada um pouco antes
12. ou talvez um pouco depois do último baile de
13. Carnaval no casarão dos Benemou. No plano
14. de fundo da imagem, na margem do igarapé,
15. os vizinhos, ...................... rostos pareciam tão
16. borrados na foto quanto na memória de
17. Yaqub. Sobre a escrivaninha viu outra
18. fotografia: o irmão sentado numa bicicleta, o
19. boné inclinado na cabeça, as botas lustradas,
20. um relógio no pulso. Yaqub se aproximou,
21. mirou de perto a fotografia para enxergar as
22. feições do irmão, o olhar do irmão, e se as-
23. sustou ao ouvir uma voz: “O Omar vai chegar
24. de noitinha, ele prometeu jantar conosco.”
25. Era a voz de Zana; ela havia seguido os
26. passos de Yaqub e queria.................. o lençol e as
27. fronhas .................. bordara o nome dele. Desde
28. que soubera de sua volta, Zana repetia todos
29. os dias: “Meu menino vai dormir com as
30. minhas letras, com a minha caligrafia.” Ela
31. dizia isso na presença do Caçula, que,
32. enciumado, perguntava: “Quando ele vai
33. chegar? Por que ele ficou tanto tempo no
34. Líbano?” Zana não lhe respondia, talvez porque,
35. também para ela, era inexplicável o fato de
36. Yaqub ter passado tantos anos longe dela.
Adaptado de: HATOUM, M.Dois irmãos.
São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 17-18.
 
Em seu sentido global, o texto trata
 
(A) de sentimentos e reminiscências provocados pelo retorno de Yaqub a seu lar.
(B) das lembranças de Yaqub ao rever as feições do irmão em fotos antigas.
(C) da relação entre dois irmãos, Yaqub e Omar, após o retorno do mais velho.
(D) das emoções e lembranças de Zana, mãe de Yaqub e Omar.
(E) das preocupações de Zana com relação ao reencontro de Yaqub com o irmão, o Caçula.
Gabarito:
A
Resolução:
(Resolução oficial)
A alternativa correta é a primeira, já que logo no seu início, o texto se concentra em sentimentos e
reminiscências que Yaqub tem ao retornar a sua casa; no segundo, em sentimentos e reminiscências
de Zana com respeito ao retorno de Yaqub.
Questão 3
“Lindoneia” é uma composição de Caetano Veloso e Gilberto Gil que faz parte do disco Tropicália ou
Panis et Circensis, manifesto do Tropicalismo gravado em maio de 1968. A letra foi inspirada num
quadro de Rubens Gershman chamado A Bela Lindoneia, ou A Gioconda do Subúrbio.
 
LINDONEIA
01. Na frente do espelho
02. Sem que ninguém a visse
03. Miss
04. Linda, feia
05. Lindoneia desaparecida
06. Despedaçados
07. Atropelados
08. Cachorros mortos nas ruas
09. Policiais vigiando
10. O sol batendo nas frutas
11. Sangrando
12. Oh, meu amor
13. A solidão vai me matar de dor
14. Lindoneia, cor parda
15. Fruta na feira
16. Lindoneia solteira
17. Lindoneia, domingo
18. Segunda-feira
19. Lindoneia desaparecida
20. Na igreja, no andor
21. Lindoneia desaparecida
22. Na preguiça, no progresso
23. Lindoneia desaparecida
24. Nas paradas de sucesso
25. Ah, meu amor
26. A solidão vai me matar de dor
27. No avesso do espelho
28. Mas desaparecida
29. Ela aparece na fotografia
30. Do outro lado da vida
[..]
 
 
 
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações sobre as duas obras apresentadas acima,
poema e quadro.
 
( ) Ambas as obras sugerem que Lindoneia foi vítima de violência.
( ) No poema-alegoria, os versos 05 a 11 expressam o drama do povo brasileiro no contexto
ditatorial.
( ) Em ambas as obras, Lindoneia representa o tipo brasileiro em sua miscigenação.
( ) Os versos 29 e 30 revelam que o eu lírico vence a solidão através da fotografia de Lindoneia.
 
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
 
(A) F − F − V − V.
(B) F − V − F − F.
(C) V − F − F − V.
(D) V − F − V − F.
(E) V − V − V − F.
Gabarito:
E
Resolução:
(Resolução oficial)
A observação atenta do quadro e do poema sugere Lindoneia como vítima de violência. A referência
ao desaparecimento de Lindoneia vem seguida da enunciação abrupta dos cachorros “despedaçados
e atropelados”, sem falar nos policiais vigilantes que parecem observar a cena toda. Temos, enfim,
uma atmosfera de ameaça em toda a canção. No quadro, Lindoneia aparece com um hematoma no
olho e com o rosto deformado por uma provável agressão. Trata-se de um poema alegórico em que
se expõe o drama do povo brasileiro no contexto da época da ditadura. Parda (mestiça), Lindoneia
representa o tipo brasileiro em sua miscigenação.
Questão 4
Para responder, leia a cena inicial da comédia O noviço, de Martins Pena.
 
AMBRÓSIO: No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não
tem inteligência para vê-la e a alcançar.Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna.
Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os
meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, era eu pobre e miserável, e hoje sou rico, e
mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está o mérito... Mas um dia pode tudo mudar. Oh, que temo eu? Se
em algum tempo tiver de responder pelos meus atos, o ouro justificar-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais fizeram-
se para os pobres...
(Martins Pena. Comédias (1844-1845), 2007.)
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a
modificação de sua forma. É o que se denomina derivação imprópria. Na fala de Ambrósio, constitui
exemplo de derivação imprópria o vocábulo destacado em
 
(A) “O como não importa”.
(B) “Mas um dia pode tudo mudar”.
(C) “No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la”.
(D) “Pintam-na cega”.
(E) “Em mim se vê o exemplo”.
Gabarito:
A
Resolução:
Na fala de Ambrósio, constitui exemplo de derivação imprópria o vocábulo "como" destacado em “O
como não importa”. Isso pode ser comprovado pela observação de que ocorre no trecho a mudança
da classe gramatical da palavra "como", originalmente um advérbio que aparece empregado como
substantivo, processo garantido pela presença antecedente do artigo definido “o", que nominaliza o
termo ("o como").
Questão 5
Para responder, leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.
 
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de
macela1. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de
supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro da
qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e profere
estupefato: “I know kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado
de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso
hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais,
impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as
planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento,
associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram
que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,
independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de
significado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da
otimização de variáveis fisiológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo
benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os
efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é suficiente para melhorar o
aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.)
1 macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros.
Em “Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas
também acelerava o aprendizado” (3º parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem
prejuízo para o sentido do texto, por:
 
(A) Por conseguinte.
(B) Inclusive.
(C) Todavia.
(D) Além disso.
(E) Conquanto.
Gabarito:
C
Resolução:
O termo “contudo", destacado no trecho, pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto,
por "todavia", sendo ambos conjunções adversativas, que estabelecem oposição entre os períodos
que conectam.
Questão 6
Para responder, leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias.
 
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identificação com outras
pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de seus
semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito mais
clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de
outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil identificar-se
com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a
maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles
podem prever seu próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais —
como indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação.
(A solidão dos moribundos, 2001.)
Em “Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte
com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão” (2º parágrafo), o termo
destacado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
 
(A) A menos que.
(B) Mesmo que.
(C) Desde que.
(D) Uma vez que.
(E) Contanto que.
Gabarito:
B
Resolução:
A conjunção "embora" expressa a ideia de que os fatos que seguirão serão considerados exceção.
Trata-se de uma conjunção concessiva que, no contexto, poderia ser substituída por "mesmo que".
Questão 7
Para responder, leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias.
 
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identificação com outraspessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de seus
semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito mais
clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de
outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil identificar-se
com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a
maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles
podem prever seu próprio fim, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais —
como indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação.
(A solidão dos moribundos, 2001.)
Em “De todo modo, teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem ‘Morituri moriturum
salutant' (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer)” (1º parágrafo), o termo destacado
pertence à mesma classe gramatical do termo sublinhado em
 
(A) “Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos,
esquartejamentos e suplícios na roda.” (1º parágrafo)
(B) “Porém, numa sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria
gladiadores ou imperadores.” (1º parágrafo)
(C) “Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais.” (1º parágrafo)
(D) “as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas.” (1º parágrafo)
(E) “Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte constitui um problema só para os seres
humanos.” (2º parágrafo)
Gabarito:
B
Resolução:
Na oração do enunciado, o termo "se" é uma conjunção, função sintática que também é exercida pelo
termo "porém", destacado na oração "Porém, numa sociedade (...)". Em seu outro uso (em "se
acreditavam"), o mesmo termo é um pronome reflexivo. Já os termos "a" e "entre" são preposições,
enquanto "só" é advérbio no contexto em que aparece na questão.
Questão 8
Leia o trecho do ensaio “Economia e Felicidade”, do economista Eduardo Giannetti, para responder às questões.
 
Os gregos antigos inscreveram no templo de Apolo, na ilha de Delfos, a máxima que sintetiza o princípio da
moderação: “Nada em excesso”. As instâncias da sabedoria apolínea abundam. A ética desligada da ciência é vazia; a
ciência desligada da ética é cega. A intuição sem lógica é dogmática; a lógica sem intuição é eunuca. A criação
apartada da tradição é caótica; a tradição apartada da criação é estéril. A liberdade sem disciplina é suicida; a
disciplina sem liberdade é deserta. O sonho desprovido de senso prático naufraga; o senso prático privado de sonho
não zarpa. O ideal não é, portanto, a polaridade excludente — “competição ou solidariedade” —, mas o arco teso da
conjunção: “competição e solidariedade”.
Mas é preciso também lembrar, por fim, que o princípio da moderação aloja uma curiosíssima contradição lógica.
Como economista e adepto da racionalidade, defendo o equilíbrio, a prudência e o autocontrole como elementos
centrais de um viver bem conduzido. O cálculo dos meios e a análise criteriosa dos fins são ferramentas do agir
consequente. O caminho da ruptura, da entrega apaixonada e do impulso irrefletido revela-se, com frequência, o
atalho mais curto para o desastre e arrependimento. Juízo míope, agir descomedido.
O que acontece, entretanto, quando aplicamos o “nada em excesso” apolíneo a si mesmo? Algo surpreendente: a
moderação da moderação! Do ponto de vista da melhor vida, pecar pelo excesso de moderação pode revelar-se tão
fatal quanto pecar pela falta dela. Pois uma vida pautada pela aplicação uniforme do “nada em excesso” leva a um
viver insípido e defensivo.
O que esperar, afinal, de uma existência imune à entrega, ao arrebatamento e às apostas no imponderável? De uma
existência reta, em que toda exaltação entusiástica e toda concentração de valor é suspeita? Nenhum desastre, é
certo, mas também nada além de uma cinza mediocridade e tépido viver. Como dizia o ultrarracionalista Sócrates no
Fedro de Platão, “as nossas maiores bênçãos nos vêm mediante a loucura.” “Sem a loucura”, acrescenta Fernando
Pessoa, “que é o homem mais que a besta sadia, cadáver adiado que procria.” Quando a criação do novo está em
jogo, nada mais irracional do que ignorar os limites da razão. A moderação, concluo, não escapa de si: também ela
precisa ser moderada.
Eduardo Giannetti. O elogio do vira-lata e outros ensaios, 2018.
 
a) Considere os seguintes enunciados:
 
1. Como economista e adepto da racionalidade, defendo o equilíbrio, a prudência e o autocontrole como elementos
centrais de um viver bem conduzido. (2º parágrafo)
2. O caminho da ruptura, da entrega apaixonada e do impulso irrefletido revela-se, com frequência, o atalho mais
curto para o desastre e arrependimento. (2º parágrafo)
3. O que acontece, entretanto, quando aplicamos o “nada em excesso” apolíneo a si mesmo? (3º parágrafo)
4. A moderação, concluo, não escapa de si: também ela precisa ser moderada. (4º parágrafo)
 
Qual desses enunciados pode ser considerado mais impessoal? Justifique sua resposta.
 
b) Cite duas palavras do segundo parágrafo cujos prefixos expressam sentido de negação.
Gabarito:
a) O enunciado "2. O caminho da ruptura, da entrega apaixonada e do impulso irrefletido revela-se,
com frequência, o atalho mais curto para o desastre e arrependimento" pode ser considerado mais
impessoal, por não apresentar marcas textuais da primeira pessoa. Nos demais enunciados elencados
temos marcas de pessoalidade seja em informações descritivas sobre o enunciador, seja nas
desinências de número e pessoa nos verbos conjugados ou ainda no diálogo com o leitor, marcando
interlocução (1. "Como economista e adepto da racionalidade", "defendo"; 3. "quando aplicamos",
estrutura de pergunta; 4. "concluo").
b) Do segundo parágrafo, podemos citar as palavras "irrefletido" e "descomedido", cujos prefixos
expressam sentido de negação. A primeira traz o prefixo "i-", que nega "refletido", resultando no
sentido "sem reflexão"; a segunda traz o prefixo "des-" que nega o sentido de "comedido", resultando
no sentido "sem comedimento".
Resolução:
Questão 9
Para responder, leia a crônica “A voz do Zaire”, de Carlos Drummond de Andrade, publicada
originalmente em 11.04.1974.
De futebol não entendo, e é tarde para começar a entender. Por isso não me permito dar conselho a
mestre Zagallo, e muito menos chamá-lo à ordem, como faz tanta gente que tem no bolso da calça a
Seleção ideal, além da fórmula infalível para que o Brasil tire de letra o quarto Campeonato Mundial.
Confio em Zagallo como costumo confiar no motorista de ônibus (também não entendo de condução
de veículos) que, quase sempre, me leva para casa, no horário vespertino. O primeiro já
demonstrou seu saber de experiências feito.O segundo, idem, pois até agora tenho regressado são e
salvo, o que significa, mais ou menos: vitorioso.
Este nariz de cera tem como objetivo esclarecer que, se vou falar hoje em Zaire, não é absolutamente
com vistas à análise crítica do futebol do Zaire, e às possibilidades que a Seleção Brasileira tem de
triunfar no jogo com os atletas de lá. Porque agora só se pensa nesse país em termos de pelota, e
dizer Zaire é dizer um competidor do caneco.
Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.
 
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a
modificação de sua forma. É o que se denomina derivação imprópria. Constitui exemplo de derivação
imprópria o vocábulo destacado em:
 
a) “De futebol não entendo, e é tarde para começar a entender.”
b) “Confio em Zagallo como costumo confiar no motorista de ônibus (também não entendo de
condução de veículos) que, quase sempre, me leva para casa, no horário vespertino.”
c) “O primeiro já demonstrou seu saber de experiências feito.”
d) “O segundo, idem, pois até agora tenho regressado são e salvo, o que significa, mais ou menos:
vitorioso.”
e) “Porque agora só se pensa nesse país em termos de pelota, e dizer Zaire é dizer um competidor
do caneco.”
Gabarito:
C
Resolução:
Ocorre derivação imprópria no uso do vocábulo "saber" no trecho destacado. O termo, um verbo no
infinitivo, passa a ser um nome a partir da anteposição de um determinante ("seu"), que o transforma
em substantivo no contexto.
Questão 10
Atente para o seguinte trecho “O poeta vencedor dessa etapa competirá na Copa do Mundo de Slam,
realizada todo ano em dezembro, na França” (linhas 180-183). O item, acima destacado, se refere
A) à Copa do Mundo de Poesia Slam.
B) ao Campeonato Brasileiro de Slam.
C) à batalha das letras.
D) ao Slam da Guilhermina.
Gabarito:
B
Resolução:
No termo destacado, o pronome "essa", contraído com a preposição "de", se refere à expressão
anteriormente mencionada, o "Campeonato Brasileiro de Slam", evento que precede a Copa do
Mundo da modalidade.
Questão 11
Leia o trecho a seguir, retirado do primeiro capítulo do livro “Pedagogia da autonomia” de Paulo Freire:
Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Quem ensina ensina alguma coisa a alguém.
Por isso é que, do ponto de vista gramatical, o verbo ensinar é um verbo transitivo-relativo. Verbo que pede um objeto
direto – alguma coisa – e um objeto indireto – a alguém. Do ponto de vista democrático em que me situo, mas também
do ponto de vista da radicalidade metafísica em que me coloco e de que decorre minha compreensão do homem e da
mulher como seres históricos e inacabados e sobre que se funda a minha inteligência do processo de conhecer,
ensinar é algo mais que um verbo transitivo-relativo.
Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens
descobriram que era possível ensinar. Foi assim, socialmente aprendendo, que ao longo dos tempos mulheres e
homens perceberam que era possível – depois, preciso – trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar. Aprender
precedeu ensinar ou, em outras palavras, ensinar se diluía na experiência realmente fundante de aprender. Não temo
dizer que inexiste validade no ensino de que não resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de
recriar ou de refazer o ensinado, em que o ensinado que não foi apreendido não pode ser realmente aprendido pelo
aprendiz.
Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total,
diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos
dadas com a decência e com a seriedade.
Às vezes, nos meus silêncios em que aparentemente me perco, desligado, flutuando quase, penso na importância
singular que vem sendo para mulheres e homens sermos ou nos termos tornado, como constata François Jacob,
“seres programados, mas, para aprender”*. É que o processo de aprender, em que historicamente descobrimos que
era possível ensinar como tarefa não apenas embutida no aprender, mas perfilada em si, com relação a aprender, é
um processo que pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente, que pode torná-la mais e mais criador. O que
quero dizer é o seguinte: quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói e
desenvolve o que venho chamando “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal
do objeto.
Fonte: FREIRE, Paulo. “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa”. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
“A Nova gramática do português contemporâneo”, de Celso Cunha e Lindley Cintra, apresenta as seguintes
definições para a transitividade dos verbos:
Verbos significativos são aqueles que trazem uma ideia nova ao sujeito. Podem ser intransitivos e transitivos.
Verbos Intransitivos - verificamos que a ação está integralmente contida nas formas verbais sobe e
desce. Tais verbos são, pois, intransitivos, ou seja, não transitivos: a ação não vai além do verbo.
Exemplo: Sobe a névoa… A sombra desce…
Verbos Transitivos - vemos que as formas verbais agradece e dou exigem certos termos para completar-
lhes o significado. Como o processo verbal não está integralmente contido nelas, mas se transmite a
outros elementos (o pronome me na primeira oração, o pronome lhe e o substantivo tempo na segunda),
estes verbos chamam-se transitivos.
Exemplo: Ele não me agradece, nem eu lhe dou tempo.
Os verbos transitivos podem ser diretos (pedem um complemento sem auxílio de preposição), indiretos (pedem
um complemento com auxílio de preposição) ou diretos e indiretos/bitransitivos (pedem dois complementos, um
com auxílio de preposição e outro sem auxílio de preposição).
Verbos Reflexivos – vemos que no caso do verbo olhar a ação praticada pelo sujeito ocorre no próprio sujeito,
ou seja, quando o sujeito gramatical é ao mesmo tempo agente e paciente da ação.
Exemplo: Ela se olhou no espelho.
(...)
Sabendo que essas classificações verbais não são definitivas, “já que é o uso na sentença que explicita a decisão
tomada pelo falante” (CASTILHO, 2010, p. 263) e considerando a argumentação desenvolvida por Paulo Freire acerca
das relações entre ensinar e aprender, explique qual das definições gramaticais elencadas melhor expressaria o
pensamento do educador sobre o verbo “ensinar”.
Gabarito:
(Resolução oficial)
O verbo ensinar é considerado como um verbo reflexivo de acordo com a argumentação traçada por Paulo Freire, pois,
segundo ele, quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Isso significa que há uma ação
reflexiva que volta ao sujeito da oração, seja ensinando ou aprendendo.
Resolução:
 
Questão 12
Assinale o que for correto.
01) Em “Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças.” (linha 1), há um trecho marcado pela ausência de verbos, com
expressões nominais cujos núcleos são substantivos.
02) Expressões quantitativas como “terço” (linha 32), “primeiro” (linha 62) e “dobro” (linha 68) classificam-se como
numerais cardinais.
04) Em “uma extensão territorial maior do que a Bélgica” (linha 30), o elemento “maior” corresponde ao grau
comparativo de superioridade do adjetivo mau.
08) Em “os Yanomami” (linha 93), a marcação de pluralidade aparece unicamente no artigo definido, visto que o
substantivo “Yanomami” não apresenta em sua estrutura morfológica o morfema de plural -s.
16) O item lexical “que” (linha 21) é pronome relativo invariável, por isso não sofre flexão, ao contrário do seu
equivalente o qual, que apresenta forma variável de gênero e número.
Gabarito:
01 + 08 + 16 = 25
Resolução:
01) Em “Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças.” (linha 1), temos o uso de frases nominais cujos
núcleos são substantivos, e ausência de núcleos verbais que marcam os predicados verbais.
08) Em “os Yanomami” (linha 93), a marcação de pluralidade aparece unicamente no artigo definido,
"os", masculino plural. De fato o nomepróprio “Yanomami” não apresenta em sua estrutura
morfológica o morfema de plural -s.
16) O item lexical “que” (linha 21) é pronome relativo invariável, por isso não sofre flexão, ao
contrário do seu equivalente o qual, que apresenta forma variável de gênero e número ("o qual", "a
qual", o "os quais", "as quais").
Questão 13
Assinale o que for correto.
01) Em “A experiência desses indígenas na guerra contra o garimpo, entretanto, é longa.” (linhas 60 e 61), a
conjunção “entretanto” equivale semanticamente ao advérbio de confirmação “realmente”.
02) Na linha 34, o vocábulo “porque” corresponde a uma conjunção subordinada adverbial que expressa finalidade.
04) Em “chega quase até Boa Vista” (linhas 14 e 15), o uso de “até” apresenta um sentido de alcance temporal
idêntico ao que ocorre em um enunciado como o garimpeiro trabalhou até meio-dia.
08) A expressão “pelo menos 500 garimpeiros” (linha 64) indica que a quantidade de garimpeiros atraídos não chegou
a 500 pessoas.
16) Em “A comunidade se transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal” (linhas 16 e 17), a preposição
“com” expressa relação semântica de contrariedade, e não de companhia.
Gabarito:
16
Resolução:
16) Em “A comunidade se transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal” (linhas 16 e 17),
a preposição “com” expressa relação semântica de contrariedade, ou seja, de contraste em relação à
realidade anterior vivida pela comunidade.
Questão 14
Assinale o que for correto.
01) Pelo contexto, depreende-se que o pronome “elas” (linha 36) tem como antecedente o termo “solicitações” (linha
34), e não “terras indígenas” (linha 36).
02) Na fala “‘Nosso povo sabe se proteger em uma guerra e agora é isso que estamos fazendo.’” (linhas 54 e 55), a
conjunção “e” pode ser substituída por porém sem prejuízo semântico.
04) A expressão “Além disso” (linha 89) funciona como um elemento coesivo que expressa a ideia de acréscimo na
progressão argumentativa.
08) Em “(o que só veio a acontecer em 1992).” (linha 66), o termo “só” explicita o posicionamento dos autores de que
o reconhecimento formal da terra indígena demorou para acontecer.
16) Ao usarem a expressão “Sem medidas efetivas das autoridades” (linhas 51 e 52), os autores explicitam a sua
visão de que o governo tem sido cauteloso, e não omisso, em lidar com um conflito tão complexo como o que ocorre
entre indígenas e garimpeiros.
Gabarito:
01 + 04 + 08 = 13
Resolução:
01) Pelo contexto, pelo fato de que as "solicitações" não tiveram seguimento, porém também não
foram superadas, podendo mudar seu andamento a partir da possível mudança legislativa aguardada
pelos interessados, depreende-se que o pronome “elas” (linha 36) tem como antecedente o termo
“solicitações” (linha 34), e não “terras indígenas” (linha 36).
04) A expressão coesiva “Além disso” (linha 89) constitui operador argumentativo que estabelece
entre as ideias em questão uma relação de acréscimo na progressão argumentativa, de adição de
mais um argumento.
08) Em “(o que só veio a acontecer em 1992)” (linha 66), o termo “só” tem valor de comentário que
aponta o quão tardio foi o reconhecimento formal da terra indígena em foco, ou seja, o evento
deveria estar situado em um ponto anterior na linha do tempo.
Questão 15
Considere as seguintes afirmações acerca de formas temporais e suas relações de sentido expressas no texto.
I. Os empregos da forma hoje (l. 06 e 15) referem-se exclusivamente ao dia em que o autor escreveu o texto.
II. O uso de foi (l. 05), é (l. 05) e será (l. 05) são formas verbais vindas de infinitivos distintos para expressar passado,
presente e futuro.
III. As formas admiravam (l. 08) e venciam (l. 08), pertencentes ao pretérito imperfeito, apresentam a ideia de
ação passada habitual ou repetida.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.
Gabarito:
C
Resolução:
I. INCORRETA. O correto seria afirmar que os empregos da forma hoje (l. 06 e 15) referem-se à
atualidade, e não exclusivamente ao dia em que o autor escreveu o texto.
II. INCORRETA. O correto seria afirmar que o uso de foi (l. 05), é (l. 05) e será (l. 05) são formas
verbais vindas do mesmo infinitivo, o verbo "ser", para expressar passado, presente e futuro.
III. CORRETA. As formas admiravam (l. 08) e venciam (l. 08), pertencentes ao pretérito imperfeito,
apresentam a ideia de ação passada habitual ou repetida.
Questão 16
Sobre a relação entre letras e fonemas, associe corretamente o bloco inferior ao superior.
1. Palavras que têm mais fonemas do que letras.
2. Palavras que têm mais letras do que fonemas.
3. Palavras que têm o mesmo número de letras e fonemas.
( ) glória (l. 14).
( ) boxe (l. 21).
( ) regime (l. 22).
( ) Impossível (l. 24).
( ) exaltados (l. 36).
( ) horrorosos (l. 37).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
(A) 3 – 3 – 1 – 2 – 1 – 2.
(B) 2 – 3 – 1 – 3 – 1 – 1.
(C) 3 – 1 – 3 – 2 – 3 – 3.
(D) 2 – 1 – 1 – 1 – 2 – 2.
(E) 3 – 1 – 3 – 2 – 3 – 2.
Gabarito:
E
Resolução:
1. Palavras que têm mais fonemas do que letras: boxe [fonemas: /b/o/c/s/e].
2. Palavras que têm mais letras do que fonemas: impossível (fonemas: /i/,/n/, /p/, /o/, /s/, /i/, /v/, /e/,
/u/); horrorosos (fonemas: /o/, /R/, /o/, /r/, /o/,/z/, /o/, /s/).
3. Palavras que têm o mesmo número de letras e fonemas: glória (fonemas: /g/, /l/,/ó/, /r/, /i/, /a/);
regime (fonemas: /r/, /e/, /g/, /i/, /m/, /e/); exaltados (fonemas: /e/, /z/, /a/, /u/, /t/, /a/, /d/, /o/, /s/).
(3) glória (l. 14).
(1) boxe (l. 21).
(3) regime (l. 22).
(2) Impossível (l. 24).
(3) exaltados (l. 36).
(2) horrorosos (l. 37).
Questão 17
Leia a crônica a seguir, retirada do livro Histórias que os jornais não contam, de Moacyr Scliar, e responda à questão.
Nesta enquete eleitoral a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. (23/10/2005)
O estatístico acordou e, como sempre o fazia, espiou pela janela. Céu nublado. Deveria levar o guarda-chuva? Com
base em sua experiência pregressa, avaliou a possibilidade de chuva em 38%, com uma margem de erro de dois
pontos percentuais, para mais ou para menos. Decidiu não levar o guarda-chuva, mesmo porque já havia esquecido
três ou quatro no escritório.
A mulher dormia ainda e ele decidiu não acordá-la; professora universitária, ela tinha ficado até a
meia-noite corrigindo trabalhos. Merecia o descanso. E de repente uma pergunta lhe ocorreu: será que ainda se
amavam? Qual era a possibilidade de que isso acontecesse depois de quinze anos, três meses e oito dias de
casamento, depois de dois filhos, um com treze anos, seis meses e sete dias, outro com dez anos, dois meses e 20
dias? Poderia arriscar uma cifra, mas decidiu não fazê-lo, mesmo porque estava atrasado. Engoliu rapidamente o
café (frio: cerca de 32 graus, concluiu, e não costumava errar: sua chance de acertar a temperatura dos líquidos
era de cerca de 91%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos). Desceu para a
garagem do prédio e entrou no carro, um velho Gol. O motor não quis pegar, e por um momento ele temeu que o
automóvel o deixasse na mão. Mas as chances de que isso acontecesse eram de apenas 12%, com uma margem de
erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e logo ele estava no trânsito, congestionado como sempre.
Estimou a sua chance de chegar no horário em 72%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais
ou para menos. De fato, às nove em ponto estava sentando à sua mesa.
Tinha várias pesquisas para examinar naquele dia. As chances de uma marca de sabão ser preferida em relação à
outra, as chances de um candidato à presidência de empresa ser eleito em relação a outro. Um trabalho a que estava
habituado e que em geral transcorria com facilidade; as chances de concluir a análise de uma pesquisa em duas horas
e trinta e oito minutos eram de 83%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O fato, porém, é que uma pergunta o atormentava:será que ainda amava a esposa? Na semana anterior a empresa
havia admitido uma nova estatística, moça simpática e linda que fizera balançar o seu coração.
Naquele momento o telefone tocou. Era a mulher: só queria dizer que o amava. E ele, jubiloso, concluiu que também a
amava. As chances eram de 100%. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais, só para mais.
SCLIAR, Moacyr. Para mais ou para menos. In: Histórias que os jornais não contam. 3.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
p.121-122.
Sobre as características tipológicas da crônica, considere as afirmativas a seguir.
I. A estrutura do texto narrativo mantém relação com determinados tempos verbais do modo indicativo,
principalmente os pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito, como comprova a crônica.
II. O pretérito perfeito exprime um fato concluído e o mais-que-perfeito é usado para retomar um acontecimento ainda
mais anterior aos fatos que narra, como no trecho “moça simpática e linda que fizera balançar o seu coração”.
III. Os tempos verbais utilizados no texto configuram um tipo de discurso comentado, com características descritivas,
típico do gênero jornalístico ao qual a crônica pertence.
IV. O presente histórico é utilizado para enfatizar fatos passados como se estivessem acontecendo no momento da
fala, pois, ao narrar, o cronista menciona fatos ocorridos e, portanto, anteriores ao tempo em que se fala.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
Gabarito:
A
Resolução:
(Resolução oficial)
I. Correta. É característica do texto narrativo o uso de verbos no modo indicativo, principalmente, no
pretérito perfeito (acordou, espiou) e no imperfeito (dormia, atormentava).
II. Correta. O pretérito indica que a ação do verbo foi praticada antes do ato de fala; o mais-qu-
-perfeito indica um fato passado mais anterior ainda ao ato de fala.
III. Incorreta. Discurso narrado.
IV. Incorreta. Não há presente histórico no texto. O presente é usado em lugar do pretérito perfeito
em narrações (presente histórico).
Questão 18
Leia o fragmento a seguir, retirado da obra O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa, e responda à questão.
Félix conheceu Ângela Lúcia na inauguração de uma mostra de pintura. Creio – mas isto é mera suposição – que se
apaixonou por ela assim que trocaram as primeiras palavras, porque a vida inteira o preparara para se entregar à
primeira mulher que, vendo-o, não recuasse horrorizada. Quando digo recuar, entendam-me, não é para ser tomado
de forma literal. Ao serem apresentadas a Félix Ventura, há mulheres que recuam realmente, dão um curto passo
atrás, ao mesmo tempo que lhe estendem a mão. A maior parte, porém, recua em espírito, isto é, estendem-lhe a mão
(ou o rosto), dizem “muito prazer”, e a seguir desviam os olhos e lançam algum comentário frouxo sobre o estado do
tempo. Ângela Lúcia estendeu-lhe o rosto, ele beijou-a, ela beijou-o, e depois disse:
- É a primeira vez que beijo um albino.
Adaptado de. AGUALUSA, José Eduardo. O vendedor de passados. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. p. 131-132.
Quanto aos recursos coesivos presentes no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. No fragmento “Ao serem apresentadas a Félix Ventura”, fica evidente o sentido condicional condizente à sequência
do que é narrado depois.
II. Em “... dizem ’muito prazer’, e a seguir desviam os olhos”, há na expressão entre aspas um exemplo de discurso
indireto livre.
III. A expressão “recua em espírito” caracteriza uso conotativo da linguagem, em conformidade ao que foi expresso
anteriormente: “não é para ser tomado de forma literal”.
IV. Ao longo do trecho, as ocorrências dos pronomes “o” e “lhe” fazem referência direta a Félix Ventura.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
Gabarito:
C
Resolução:
(Resolução oficial)
I. Incorreta. Trata-se de oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo; equivale a
“quando são apresentadas a Felix Ventura”.
II. Incorreta. As aspas marcam o discurso direto.
III. Correta. Uso metafórico.
IV. Correta. Os pronomes se referem a Felix Ventura.
Questão 19
As vacinas são uma das mais belas criações da humanidade. Uma delas erradicou a varíola, outras derrubaram as
mortes por febre amarela, sarampo e meningite e são elas que agora sustentam a volta à vida depois do período mais
duro da pandemia de Covid-19. Seu princípio básico de funcionamento é tremendamente simples: estimular o corpo a
identificar e combater um agente estranho ao organismo. Baseados nesse conceito, há décadas pesquisadores na
área do câncer perguntam-se qual seria o efeito do recurso contra a doença, uma vez que os tumores são
conglomerados anormais de células crescendo entre os tecidos, configurando-se, portanto, em algo alheio à natureza
dos órgãos. Não tem sido fácil achar a resposta, mas o anúncio feito há duas semanas pela Cleveland Clinic, dos
Estados Unidos, mostra que os estudiosos raciocinam no caminho certo.
Considerado um dos melhores do mundo, o centro americano de tratamento e pesquisa em saúde informou o início de
um estudo clínico para testar a eficácia e segurança de uma vacina na prevenção e tratamento do tipo mais agressivo
de câncer de mama. Se der certo, será o primeiro imunizante capaz de evitar diretamente o surgimento de um tumor.
Atualmente, há opções de proteção indireta, como as vacinas de HPV e da hepatite B. A primeira atua sobre alguns
tipos do Papilomavírus humano responsáveis por tumores, como o que causa câncer de colo de útero. A segunda
protege de infecções pelo vírus da hepatite B, doença que promove inflamação crônica do fígado, tornando as células
do órgão vulneráveis à proliferação descontrolada (característica do câncer).
Participarão do ensaio clínico entre 18 e 24 pacientes que tiveram o diagnóstico do câncer em etapa inicial
nos últimos três anos, encontram-se sem o tumor, mas apresentam grande risco de recidiva. Até setembro de
2022, quando esse braço da pesquisa será encerrado, cada uma receberá três doses da vacina, aplicadas com
intervalos de duas semanas entre cada uma. Nessa fase, o objetivo é examinar a resposta imune desencadeada pela
vacina e efeitos colaterais. Ou seja, avaliar o desempenho do imunizante do ponto de vista terapêutico.
Adaptado de: PEREIRA, Cilene. Uma vacina tão esperada. Veja. São Paulo: Ed. Abril. 10 de novembro de 2021. ed. 2763, ano 54, nº
44, p.62-63.
Sobre os recursos linguísticos empregados no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.
a) A noção de “conceito” contesta o que é nomeado antes como “princípio básico de funcionamento”, por agregar
muitos elementos mais complexos, segundo o texto.
b) A ideia de “recurso” pode ser sintetizada na identificação precoce de um “agente estranho ao organismo”.
c) O termo “tumores” representa uma excepcionalidade no organismo de pessoas que já possuíam a doença à
época da detecção do problema.
d) O termo “alheio” corresponde à voracidade do câncer como doença que leva à morte com muita rapidez.
e) O termo “resposta” está conectado com uma longeva linha de investigação mantida por pesquisadores do câncer.
Gabarito:
E
Resolução:
(Resolução oficial)
a) Incorreta. Os tumores não são exceção em pessoas com câncer.
b) Incorreta. “recurso” corresponde ao combate do mal.
c) Incorreta. O termo “conceito” não contesta o “princípio básico de funcionamento”.
d) Incorreta. O termo “alheio” está associado a uma natureza particular e diferente nos órgãos.
e) Correta.
Questão 20
“Esta é minha última fala, proclamou Silvestre Vitalício. (...) A fronteira entre Jesusalém e a cidadenão foi nunca
traçada pela distância. O medo e a culpa foram a única fronteira. Nenhum governo do mundo manda mais que o medo
e a culpa. O medo me fez viver, recatado e pequeno. A culpa me fez fugir de mim, desabitado de memórias. (...)”
No fragmento citado, a ausência de elementos de transição entre os períodos não prejudica a progressão temática da
narrativa.
Identifique o recurso responsável pela manutenção dessa progressão, citando os elementos que o caracterizam.
Explique, ainda, como esses elementos marcam a trajetória de Silvestre Vitalício no romance.
Gabarito:
(Resolução oficial)
A questão reflete a orientação da prova, uma vez que relaciona aspectos da estruturação textual a aspectos do texto
literário. Nesse caso específico, a coesão é o ponto explorado. No trecho em análise, a progressão temática é feita por
meio da repetição de palavras, cujos valores lexicais relacionam-se à trajetória do personagem no enredo.
Resolução:

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