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Terceiro Setor, Meio 
Ambiente e 
Sustentabilidade
Unidade 2 | Estado, Mercado e 
Terceiro Setor. 
Profª Ma. Nelma dos Santos Assunção Galli
Unidade de Ensino: 02 - Estado e terceiro setor
Competência da Unidade: Compreender o papel do
Estado e da Sociedade Civil no enfrentamento da questão
social.
Resumo: Caracterizar e contextualizar o conceito de
terceiro setor e o papel assumido no enfretamento da
questão social, bem como suas qualificações jurídicas.
Palavras-chave: Questão Social; Qualificações jurídicas;
Terceiro Setor; CEBAS.
Título da Teleaula: Estado, Mercado e Terceiro Setor.
Teleaula nº: 02
Contextualização
Intuito: Problematizar a interferência da Reforma do
Estado brasileiro no enfrentamento da questão social,
diante da transferência de responsabilidade para a
sociedade civil. Conceituar terceiro setor e suas
qualificações jurídicas.
Objetivo: Estimular o aluno a uma reflexão crítica, sobre
o enfrentamento da questão social pela sociedade civil,
diante da terceirização do Estado.
Percurso Conceitual
• Reforma do Estado brasileiro e o enfrentamento da
questão social;
• Sociedade Civil e questão social;
• Reforma do Estado, questão social e políticas públicas;
• Ordenamento jurídico do Terceiro Setor no Brasil;
• Titulação e qualificação jurídica;
• CEBAS - Certificação das entidades beneficentes de
assistência social.
Reforma do Estado 
brasileiro e o 
enfrentamento da 
questão social
Características do processo de Reforma do Estado
• Marca um processo de reordenamento do Estado, a
partir dos interesses do capital, em oposição à
garantia de direitos sociais via políticas sociais
públicas.
• Subordinou os direitos sociais à lógica do mercado e
da solidariedade.
• Apresentou um novo quadro de respostas às
expressões da questão social: a precarização das
políticas sociais de responsabilidade do Estado e a
privatização, esta última através da re-mercantilização
e da re-filantropização dos serviços sociais.
• Movimento de publicização - viabilizou a transferência
para o setor público não estatal privado a
responsabilidade pela execução de serviços que não
envolvem o exercício do poder direto do Estado, mas
devem ser subsidiados por ele;
• Minimização do papel do Estado enquanto fomentador
dos serviços e programas de proteção social;
• Transferência das responsabilidades atribuídas
historicamente ao Estado para o terceiro setor;
• Instrumentalização do Terceiro Setor para atuar nas
expressões da questão social.
Consequências
• Acirramento das expressões da questão social.
• Despolitização da questão social e imediaticidade.
• Apelo midiático e cultural de não responsabilização do
Estado.
• Parcerias tem se tornado o caminho para o
enfrentamento das expressões da questão social.
• Ocultação dos direitos sociais.
Condução das políticas sociais para o enfrentamento da 
questão social.
Estado em relação às políticas sociais: racionalizar
recursos e esvaziar o poder das instituições públicas, já
que instituições democráticas são permeáveis às
pressões e demandas da população, além de serem
consideradas como improdutivas, pela lógica de mercado.
A responsabilidade pela execução das políticas sociais 
deve ser repassada para a sociedade: 
 Para os neoliberais, por meio da privatização
(mercado);
 Para a Terceira Via pelo público não-estatal (sem fins
lucrativos). (PERONI, 2006, p. 14)
Sociedade Civil e 
questão social
Sociedade Civil
• Entendemos sociedade civil como aquela
compreendida fora do aparato estatal, embora
mantenha relação indissociável com o Estado à medida
que o institui, o legitima e o mantém.
• A questão da cidadania também nos remete ao
conceito de sociedade civil, pois civil implica que a
sociedade é formada de cidadãos a quem são
atribuídos direitos e deveres (direitos civis, direitos
políticos e direitos sociais).
Sociedade Civil e o enfrentamento da questão social
De acordo com Montaño (2010) , a sociedade é
responsável pela resposta às sequelas da “questão
social”, o Estado é, na verdade, o instrumento
privilegiado de sua realização.
Assim, a intervenção estatal na “questão social” é
financiada mediante a contribuição compulsória de toda a
sociedade, incluindo o capital. (MONTAÑO, 2010, p. 235)
A partir da década de 90, a política neoliberal minimiza
consideravelmente a intervenção do Estado na área
social, apela para a participação da chamada sociedade
civil na execução de políticas sociais e abre espaço para o
capital financeiro internacional, além de estimular um
discurso ideológico de “ineficiência, corrupção,
desperdício” em torno de tudo o que é estatal, enquanto
o privado aparece como sinônimo de “eficiência,
probidade, austeridade” (BORÓN, 1995).
Questão Social
Segundo Montaño (2007, p.53), o conceito de terceiro
setor é reduzido e fragmentado como “se o 'político'
pertencesse à esfera estatal, o 'econômico' ao âmbito do
mercado e o 'social' remetesse apenas à sociedade civil,
num conceito reducionista”.
1. Respostas privadas às expressões da questão social;
2. Responsabilidade é repassada para a “sociedade civil”
que irá responder a essas demandas da sociedade por
meio de filantropia e através de práticas caritativas.
“nova forma” de intervir na “nova questão social”
• Estado se coloca – respondendo as expressões da
questão social – através da manutenção precária das
políticas públicas sociais e assistenciais, fornecidas
gratuitamente a população.
• (re)mercantilização dos serviços sociais transformados
em mercadoria, eles são vendidos ao consumidor,
consolidando o fornecimento empresarial de serviços
sociais à população que pode pagar pelos mesmos.
• Sociedade Civil: assume o caráter de refilantropização
e assistencialismo e trata a questão social de forma
pontual com enfoque emergencial, descaracterizando a
garantia de direitos sociais. Incentivo às práticas de
voluntariado;
• Discurso de solidariedade e responsabilidade social,
apropriando-se estrategicamente da vontade de seus
agentes sociais em resolver problemas da sociedade e
impõe o projeto de ajuda mútua como possibilidade
única de o cidadão ter seus objetivos alcançados.
Reforma do Estado, 
questão social e 
políticas públicas. 
Impactos da Reforma do Estado
• Reforma da Previdência;
• Mercantilização da saúde e educação;
• Focalização e filantropização da assistência social.
Previdência Social
• Emenda Constitucional Nº 20/1998;
• Fundos privados de previdência;
• Pagamento da dívida pública.
Saúde 
• Saúde deixa de ser área de ação exclusiva do Estado
e, como tal, pode ter seus serviços geridos por
organizações sociais (NOB-1996).
• Fortalecimento das parcerias público-privadas, as
terceirizações, a ampliação de cooperativas médicas;
• Instituição dos planos populares de saúde;
• A Emenda Constitucional n.º 95, conhecida como a
Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos
primários durante 20 anos.
Assistência Social
• Assistencialização da proteção social brasileira;
• Comunidade Solidária;
• LOAS Lei 8742/93 – Art. 3º;
• PNAS – SUAS - 2005;
• Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais
2009
• Parcerias com as OSC’s;
Políticas Educacionais
Parceria público-privado na Educação;
Modalidades:
• Programas de infraestrutura em que o setor privado
concede serviços de construção e gestão do espaço,
enquanto o governo fornece serviços pedagógicos.
• Programas de prestação de serviços pedagógicos em
escolas públicas já existentes.
• Programas de gestão, no qual o parceiro privado
administra setor financeiro, planejamento de longo
prazo e setor pessoal;
• Sistemas de vouchers:
• Modelos de escolas charters
Passos para a 
constituição de uma 
associação sem fins 
lucrativos
Constituição de uma associação:
(Art 46 do Código Civil)
1. Constituição da pessoa jurídica;
2. Registro;
3. Estatuto;
4. Assembleia;
5. Recursos;
Qual a interferência 
ocasionada pela Reforma do 
Estado brasileiro para o 
enfrentamento das 
manifestações da questãosocial? Como a questão 
sociais passa a ser tratada?
Ordenamento jurídico 
do Terceiro Setor no 
Brasil
Ordenamento legal
• Quando nos referimos as organizações do terceiro
setor, são muitas as nomenclaturas que observamos.
• No universo das Organizações do Terceiro Setor a
legislação que compreende está presente na Lei nº
10.406 de 10 de janeiro de 2002, a qual se refere ao
código civil brasileiro.
• Essa lei irá classificar as organizações de acordo com a
sua natureza, estabelecendo distinção entre as
atividades as quais poderão realizar, os procedimentos
metodológicos para a sua composição de acordo com
sua natureza e os responsável pela fiscalização.
Personalidades jurídicas
• Resulta da união de pessoas ou de patrimônios, as
quais a legislação/ordenamento jurídico permite a
adquirir e exercer direitos e a contrair obrigações.
• Personalidade jurídica trata da disposição de bens
materiais e do agrupamento de pessoas para a
satisfação de interesses coletivos ou privados.
• Enquanto personalidade jurídica, estão divididas em
dois blocos: direito público e de direito privado.
Associação
• As associação são formadas pela união de indivíduos,
para consecução de objetivos comuns entre eles sendo
que seu caráter, sua meta não deve estar alicerçada na
perseguição de obtenção de lucros ou ainda ter fins
econômicos.
• Associação: pode ser educacional, religiosa, cultural,
científica, de assistência social, saúde, etc.
Fundações
• Para a criação de uma fundação é necessário um ato
de vontade, de um instituidor, ou seja, uma pessoa
que idealiza a organização e possibilite sua
operacionalização.
• As fundações também não permite que suas atividades
tenham, como finalidade a obtenção de lucro ou como
fim último o desenvolvimento de atividades
econômicas.
Uma organização é considerada pertencente ao Terceiro
setor quando possui no mínimo cinco características
básicas:
1. Organização: possuir certo grau de institucionalização
como: estatuto, endereço, regimento, registros
diversos, com diretoria legalmente constituída;
2. Privada: institucionalizada separadamente do aparelho
estatal; embora possam manter convênios ou
parcerias com o poder público, devem manter sua
autonomia administrativa e financeira;
3. Não distribuidora de lucros aos seus associados ou
diretores: não retornar nenhum ganho a seus
proprietários. Toda a receita advinda de doações,
parcerias ou prestação de serviços deve ser aplicada na
própria instituição e no atendimento aos seus usuários;
4. Autogovernada: ser apta a controlar suas atividades
tendo gestão própria;
5. Trabalho voluntário: deve envolver algum tipo de
participação voluntária em seus ações.
Titulação e 
qualificação jurídica
Utilidade Pública 
• Utilidade pública federal: historicamente marcada para
a obtenção de uma isenção junto à contribuição da
previdência.
• (Lei Federal n. 91 de 1935; Lei n. 3577 de 1959;
Decreto n. 1.117 de 1962 regulamenta lei 3577/59)
• De acordo com Simões (2008) as organizações de
utilidade pública federal são aquelas constituías no
país, com personalidade jurídica, de fins não
lucrativos, devendo servir desinteressadamente a toda
a sociedade, gratuitamente, no campo da educação,
da pesquisa científica, da cultura e filantrópica.
Vantagens:
• Permite receber recursos de dedução do imposto de
renda de pessoa física e jurídica.
• Receber bens apreendidos pelo Estado.
• Reconhecimento por parte do Estado pelas ações
realizadas.
Deveres:
• Encaminhar anualmente relatório de suas atividades ao
ministério da justiça (Decreto 3415 de 2000).
• Devem estar em funcionamento há mais de 3 anos e
comprovar não remunerar sua diretoria, comprovando
idoneidade moral de seus dirigentes.
Qualificações jurídicas para organizações do terceiro 
setor:
Três modalidades de organizações privadas prestadoras
de serviços sociais:
• OS – Organizações sociais;
• OSCIP – Organizações da sociedade civil de interesse
público;
• OSC - Organizações da Sociedade Civil - filantrópicas.
A qualificação é opcional e traz benefícios e deveres para
as organizações civis.
Organizações Sociais – OS Lei nº 9.637 de 15/05/1998
• Ensino, pesquisa científica, desenvolvimento
tecnológico, proteção e preservação do meio
ambiente, cultura e saúde.
• Emerge juntamente ao processo de reforma do
Estado: Instituições públicas podem se converter em
organizações sociais, passando a atuar como
organizações privadas, sem fins lucrativos.
• Uma parte dos recursos é composta do orçamento
público e a outra parte pode ser captada no mercado
com a venda de serviços.
Exemplo: no âmbito da saúde, uma OS pode vender
serviços ao SUS, aos Planos de Saúde e a pacientes
particulares.
Organizações da sociedade civil de interesse público –
OSCIP - Lei nº 9.790 de 23/03/1999
• Assistência Social. Cultura. Educação gratuita. Saúde
gratuita. Segurança Alimentar. Meio Ambiente.
Desenvolvimento Sustentável. Voluntariado. Combate
a pobreza. Novos modelos de produção, comércio,
emprego e crédito. Promoção de Direitos. Assistência
jurídica gratuita. Promoção da ética, da paz,
cidadania, direitos humanos, democracia e outros
valores universais. Estudos e pesquisas. Tecnologias
alternativas.
• A OSCIP poderá adquirir, com recurso público, imóvel
e há a possibilidade de remunerar os dirigentes
executivos.
Organizações filantrópicas - Lei nº 9.732 de 11/12/1998
• Assistência social beneficente e gratuita a pessoas
carentes, especialmente crianças, adolescentes,
idosos e pessoas com deficiência.
• Na saúde: Prestação de serviços de pelo menos 60%
ao SUS.
• Na Educação: Oferta de vagas integralmente gratuitas
a carentes por entidades educacionais.
• Os títulos que terá de conquistar para ser reconhecida
como filantrópica pelo Estado são: Declaração de
Utilidade Pública (federal, estadual ou municipal) e o
de Entidade Beneficente de Assistência Social,
adquirido no Conselho Nacional de Assistência Social
(CNAS).
CEBAS - Certificação 
das entidades 
beneficentes de 
assistência social
CEBAS - Certificação das entidades beneficentes de 
assistência social
• Fornecidas para organizações de direto privado sem
fins lucrativos – Lei 12.101/2009.
• Criado para fomentar ações de Assistência Social.
• Era concedido pelo CNAS.
• Vinculava organizações de Assistência Social, Educação
e Saúde.
• Benefício principal é a isenção de contribuições para a
seguridade social.
• Grande incentivo para as organizações.
Organizações Filantrópicas de Saúde
1. Celebrar contrato, convênio ou instrumento
congênere com o gestor do SUS;
2. Ofertar a prestação de seus serviços ao SUS no
percentual mínimo de 60% (sessenta por cento);
3. Comprovar, anualmente, da forma regulamentada
pelo Ministério da Saúde, a prestação dos serviços,
com base nas internações e nos atendimentos
ambulatoriais realizados.
Organizações filantrópicas de Educação
• Concessão de bolsas de estudo para fins do processo
de certificação de entidades beneficentes de
assistência social constituem-se em instrumentos de
promoção da política pública de acesso à educação do
Ministério da Educação.
Organizações filantrópicas de Assistência Social
A certificação ou sua renovação será concedida à
entidade de assistência social que presta serviços ou
realiza ações socioassistenciais, de forma gratuita,
continuada e planejada, para os usuários e para quem
deles necessitar, sem discriminação.
OSCIP e Moeda Social
• Experiências de Bancos Comunitários / Moeda Social
1) Banco Palmas
• https://bancopalmas.com/
2) Moeda Social Mumbunca
• https://www.marica.rj.gov.br/programa/moeda-social-
mumbuca/#:~:text=Mumbuca%20%C3%A9%20a%2
0moeda%20social,equivale%20a%20R%24%201).
3) Moeda Social Arariboia – Niterói
• http://www.niteroi.rj.gov.br/2022/07/22/moeda-social-
arariboia-seis-meses-transformando-a-vida-dos-
niteroienses/
https://bancopalmas.com/
https://www.marica.rj.gov.br/programa/moeda-social-mumbuca/#:~:text=Mumbuca%20%C3%A9%20a%20moeda%20social,equivale%20a%20R%24%201http://www.niteroi.rj.gov.br/2022/07/22/moeda-social-arariboia-seis-meses-transformando-a-vida-dos-niteroienses/
Quais as vantagens da 
qualificação para as 
organizações da 
sociedade civil?
Recapitulando
• Posicionamento do Estado, pós reforma, quanto as
políticas sociais e a questão social;
• Trato da “nova questão social”, transformada em
mercadoria;
• Políticas de Seguridade Social;
• Parcerias com o terceiro setor (Saúde, Assistência
Social e Educação);
• Qualificações jurídicas e as modalidades de
organizações e suas implicações;
• Características das Organizações Sociais – OS;
Organizações da sociedade civil de interesse público –
OSCIP e Organizações Filantrópicas;
• CEBAS – Diferencial para as ONG’s; poucas possuem
acesso, isenções fiscais;
• Estimulo as parcerias com o Estado, sendo colocadas
como estratégias de garantir “um novo modelo de
administração pública” no qual Estado e Sociedade
estabelecem uma relação de aliança na execução de
ações de caráter público;
Referências bibliográficas.
DUARTE. Janaína Lopes do Nascimento. A Funcionalidade Do
Terceiro Setor E Das Ongs No Capitalismo Contemporâneo: O Debate
Sobre Sociedade Civil E Função Social. Libertas, Juiz de Fora, v.8,
n.1, p. 50 - 72, jan-jun / 2008
LANDIM, L. As ONG’s são Terceiro Setor? In: ONG’s no Brasil: perfil
de um mundo em mudança. Fortaleza: Fundação Konrad Adenauer,
p. 107-133, 2003.
MONTAÑO, C. Terceiro Setor e Questão Social: crítica ao padrão
emergente de intervenção social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
SALAMON, L.A emergência do Terceiro Setor – uma revolução
associativa global. RAUSP Management Journal, v. 33, n. 1, p. 5-
11, 1998.

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