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Assinale a alternativa correta.

A) Dentro do procedimento de licenciamento ambiental, qualquer obra ou atividade necessitará da realização de Estudo Prévio de Impacto Ambiental, que será exigido pelas entidades e pelos órgãos ambientais, para que seja autorizada a sua instalação.
B) O decurso dos prazos de licenciamento, sem a emissão da licença ambiental, implica emissão tácita e autoriza a prática de ato que dela dependa ou decorra.
C) O Estudo Prévio de Impacto Ambiental será exigido pelo Poder Executivo quando a atividade ou o empreendimento for potencial causador de significativo impacto ambiental, e será custeado pelo empreendedor.
D) Nos termos da Lei Complementar 140/2011, está entre as ações próprias dos Estados-membros localizados nas fronteiras territoriais brasileiras promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos conjuntamente no território brasileiro e em país limítrofe.
E) Nos termos da Lei Complementar 140/2011, constitui objetivo fundamental da União proteger, defender e conservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, promovendo gestão centralizada e eficiente.

João construiu uma suntuosa mansão de veraneio ao lado do leito de um rio e em Área de Preservação Permanente (APP), com considerável supressão de vegetação. Constando a ocorrência de graves danos ambientais e de ilegal atividade causadora de impacto ambiental, o Ministério Público ajuizou ação civil pública, pleiteando a demolição da edificação ilegal e o reflorestamento da área degradada. Na contestação, João alegou que, inobstante não tenha obtido prévia licença para a construção, o Município tinha ciência da construção de sua casa, eis que fiscais de meio ambiente estiveram no local e não lavraram auto de infração. Assim, argumenta o réu que o poder público quedou-se inerte, devendo ser aplicada a teoria do fato consumado, pois a construção já ocorreu há dez anos. Consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a tese defensiva:

a) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido, apesar de não ter ocorrido prescrição, já houve consolidação da situação fática no tempo pelo fato de o poder público ter tolerado a construção em APP;
b) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido e da inércia do poder público que tolerou a construção em APP, aplica-se a estabilização dos efeitos do ato administrativo omissivo;
c) merece prosperar, eis que os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade informam que o direito de propriedade deve prevalecer em razão da inércia do Município, mas João deve ser condenado a compensar os danos ambientais provocados;
d) não merece prosperar, pois não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental, que equivaleria a perpetuar e perenizar um suposto direito de poluir que vai ao encontro ao postulado do meio ambiente ecologicamente equilibrado.

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Assinale a alternativa correta.

A) Dentro do procedimento de licenciamento ambiental, qualquer obra ou atividade necessitará da realização de Estudo Prévio de Impacto Ambiental, que será exigido pelas entidades e pelos órgãos ambientais, para que seja autorizada a sua instalação.
B) O decurso dos prazos de licenciamento, sem a emissão da licença ambiental, implica emissão tácita e autoriza a prática de ato que dela dependa ou decorra.
C) O Estudo Prévio de Impacto Ambiental será exigido pelo Poder Executivo quando a atividade ou o empreendimento for potencial causador de significativo impacto ambiental, e será custeado pelo empreendedor.
D) Nos termos da Lei Complementar 140/2011, está entre as ações próprias dos Estados-membros localizados nas fronteiras territoriais brasileiras promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos conjuntamente no território brasileiro e em país limítrofe.
E) Nos termos da Lei Complementar 140/2011, constitui objetivo fundamental da União proteger, defender e conservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, promovendo gestão centralizada e eficiente.

João construiu uma suntuosa mansão de veraneio ao lado do leito de um rio e em Área de Preservação Permanente (APP), com considerável supressão de vegetação. Constando a ocorrência de graves danos ambientais e de ilegal atividade causadora de impacto ambiental, o Ministério Público ajuizou ação civil pública, pleiteando a demolição da edificação ilegal e o reflorestamento da área degradada. Na contestação, João alegou que, inobstante não tenha obtido prévia licença para a construção, o Município tinha ciência da construção de sua casa, eis que fiscais de meio ambiente estiveram no local e não lavraram auto de infração. Assim, argumenta o réu que o poder público quedou-se inerte, devendo ser aplicada a teoria do fato consumado, pois a construção já ocorreu há dez anos. Consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a tese defensiva:

a) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido, apesar de não ter ocorrido prescrição, já houve consolidação da situação fática no tempo pelo fato de o poder público ter tolerado a construção em APP;
b) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido e da inércia do poder público que tolerou a construção em APP, aplica-se a estabilização dos efeitos do ato administrativo omissivo;
c) merece prosperar, eis que os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade informam que o direito de propriedade deve prevalecer em razão da inércia do Município, mas João deve ser condenado a compensar os danos ambientais provocados;
d) não merece prosperar, pois não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental, que equivaleria a perpetuar e perenizar um suposto direito de poluir que vai ao encontro ao postulado do meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Prévia do material em texto

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R. Cupertino</p><p>Revisão Ortográfica: Ana Carolina de Souza Assis</p><p>PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.</p><p>O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para</p><p>a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.</p><p>O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por</p><p>fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.</p><p>4</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Prezado(a) Pós-Graduando(a),</p><p>Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!</p><p>Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança</p><p>em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se</p><p>decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as</p><p>suas expectativas.</p><p>A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma</p><p>nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-</p><p>dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a</p><p>ascensão social e econômica da população de um país.</p><p>Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-</p><p>de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos.</p><p>Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas</p><p>pessoais e profissionais.</p><p>Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são</p><p>outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-</p><p>ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver</p><p>um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-</p><p>ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo</p><p>importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-</p><p>rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de</p><p>ensino.</p><p>E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a)</p><p>nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial.</p><p>Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos</p><p>conhecimentos.</p><p>Um abraço,</p><p>Grupo Prominas - Educação e Tecnologia</p><p>5</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>6</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!</p><p>É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha</p><p>é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-</p><p>sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é</p><p>você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-</p><p>rança, disciplina e organização.</p><p>Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como</p><p>as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua</p><p>preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo</p><p>foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de</p><p>qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.</p><p>Estude bastante e um grande abraço!</p><p>Professor: Valério Cunha Parentoni Senra</p><p>7</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao</p><p>longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-</p><p>nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela</p><p>conhecimento.</p><p>Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes</p><p>importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-</p><p>formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao</p><p>seu sucesso profisisional.</p><p>8</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>O meio ambiente está presente na vida de todos os seres</p><p>humanos, sendo esse imprescindível para nossa sobrevivência, tendo</p><p>em vista que muitas das nossas ações e atividades diárias necessitam</p><p>dos recursos naturais, para poderem ser efetuadas da maneira dese-</p><p>jada. Contudo, o fato de precisarmos do meio ambiente deveria ser</p><p>mais do que motivo suficiente para que as devidas preocupações e</p><p>cuidados fossem destinados à sua existência, manutenção, proteção</p><p>e preservação, porém, vivemos em uma sociedade, na qual ainda são</p><p>visualizadas tragédias ambientais, ocorridas por descuido e desaten-</p><p>ções, desastres esses que geram prejuízos incalculáveis e muitas ve-</p><p>zes irreversíveis. Assim, as legislações presentes no território nacional</p><p>tentam regular as situações que ameacem de uma alguma forma os</p><p>espaços ambientais e natural presentes no Brasil, bem como prevê</p><p>métodos de punição àqueles que violam as normas e causam impac-</p><p>tos negativos ao meio ambiente. Em virtude disso, a presente discipli-</p><p>na pretende apresentar algumas dessas normas, buscando relacionar</p><p>o meio ambiente e as normas presentes no texto da Constituição da</p><p>República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Meio Ambiente. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Legislações Infraconstitucionais.</p><p>9</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 01</p><p>ASPECTOS GERAIS ACERCA DO DIREITO AMBIENTAL</p><p>Apresentação do Módulo ______________________________________ 11</p><p>13</p><p>39</p><p>15</p><p>Definição e Composição do Meio Ambiente _____________________</p><p>Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA ________________</p><p>A Constituição Federal e o Meio Ambiente _______________________</p><p>CAPÍTULO 02</p><p>A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE</p><p>Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente ___________ 34</p><p>28Recapitulando ________________________________________________</p><p>25Direito Ambiental ______________________________________________</p><p>41Espaços Territoriais Especialmente Protegidos __________________</p><p>Recapitulando _________________________________________________ 47</p><p>CAPÍTULO 03</p><p>POLUIÇÕES, DANOS AMBIENTAIS, RECURSOS HÍDRICOS E GESTÃO</p><p>DE FLORESTAS PÚBLICAS</p><p>Poluição: Conceitos e Tipos ____________________________________ 51</p><p>Danos Ambientais _____________________________________________ 56</p><p>Recursos Hídricos _____________________________________________ 59</p><p>10</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Gestão de Florestas Públicas ____________________________________ 63</p><p>Recapitulando __________________________________________________ 66</p><p>Fechando a Unidade ____________________________________________</p><p>Referências _____________________________________________________</p><p>71</p><p>74</p><p>11</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Em épocas passadas, a natureza não era ameaçada pelos</p><p>avanços do homem, pelo contrário, a fauna, a flora e os homens pare-</p><p>ciam viver em harmonia, em um contexto natural e respeitoso, afinal,</p><p>havia a compreensão da necessidade da relação entre todos esses ele-</p><p>mentos, até mesmo para o funcionamento adequado da cadeia alimen-</p><p>tar hierárquica. Além disso, conseguimos imaginar com facilidade um</p><p>mundo sem os seres humanos, tendo em vista que os animais conti-</p><p>nuariam vivendo da mesma forma, assim como as plantas, os rios e os</p><p>oceanos continuariam desempenhando o seu papel da mesma manei-</p><p>ra, contudo, o cenário inverso é inimaginável, pois, a humanidade não</p><p>consegue sobreviver sem os recursos</p><p>licenças ambientais:</p><p>Figura 3 - Espécies de Licença Ambiental</p><p>Fonte: (AUTOR, 2023).</p><p>A Licença Prévia (LP), como o próprio nome estabelece, será</p><p>39</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>fornecida ainda na fase preliminar do planejamento, por meio desse</p><p>será aprovada a localização e a concepção, verificando a viabilidade do</p><p>ambiente em questão e o estabelecimento de requisitos básicos, mas</p><p>que condicionam a implementação aos seus termos.</p><p>Por sua vez, a Licença de Instalação (LI) é a responsável por</p><p>autorizar a instalação do empreendimento ou atividade, cumprindo as</p><p>especificações presentes nos planos, programas e projetos aprovados,</p><p>devem ser levadas em consideração as medidas voltadas aos controles</p><p>ambientais e os aspectos que derivam desses, para serem fixados os</p><p>motivos determinantes.</p><p>Por fim, a Licença de Operação (LO) é a incumbida por promo-</p><p>ver a operação da atividade ou do empreendimento em si, ou seja, pos-</p><p>teriormente a efetivação do cumprimento das licenças já mencionadas,</p><p>levando em conta as medidas de controles ambientais e condicionantes</p><p>determinados para a operação.</p><p>O artigo 10 da Resolução CONAMA 237/97 aborda o procedi-</p><p>mento do licenciamento, diante disso, a leitura atenta desse dispositivo</p><p>deverá ser feita para haver um melhor entendimento acerca da matéria.</p><p>SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – SISNAMA</p><p>Como já estudamos anteriormente, a Constituição Federal da</p><p>República de 1998 determina que o meio ambiente é um bem público</p><p>e comum do povo, sendo necessário para a vida e, por isso, estando</p><p>diretamente ligado ao princípio da dignidade da pessoa humana, deve</p><p>uma preocupação voltada à sua preservação e proteção, já que precisa</p><p>continuar existindo o ecossistema e os recursos naturais, tanto para que</p><p>as atuais gerações se beneficiem deles, como àquelas que continuam</p><p>por vir, para que também possam deles usufruir, mas claro que com</p><p>responsabilidade, cautela e sustentabilidade.</p><p>O Sistema Nacional do Meio Ambiente, também conhecido pela</p><p>sigla SISNAMA, é composto por um conjunto de órgãos e entidades, cujo</p><p>objetivo é coordenar e emitir normas gerais à aplicação da legislação</p><p>ambiental em todo território nacional. Os referidos órgãos e entidades po-</p><p>dem ser de natureza da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-</p><p>nicípios, devendo demonstrar a preocupação pela preservação ao meio</p><p>ambiente, bem como buscar métodos para melhorar o desenvolvimento e</p><p>estabelecer a recuperação da qualidade ambiental no Brasil.</p><p>Nesse sentido, é analisar importante analisar alguns órgãos,</p><p>bem como as funções desempenhadas. O primeiro a ser mencionado é o</p><p>órgão superior, por meio do Conselho do Governo, tendo esse a função</p><p>40</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>principal de assessorar o Presidente da República, nos assuntos referen-</p><p>tes à formulação da política nacional, bem como naquelas temáticas vol-</p><p>tadas às diretrizes governamentais direcionadas ao meio ambiente e aos</p><p>recursos naturais que dela fazem parte. Assim, a sua composição será</p><p>formada pelos Ministros de Estado, pelos titulares essenciais da Presi-</p><p>dência da República e pelo Advogado-Geral da União, devendo destacar</p><p>que o presidente do referido conselho será o Presidente da República,</p><p>ou, nos casos em que esse preferir, o Ministro da Casa Civil.</p><p>O Conselho Nacional do Meio Ambiente, também conhecido</p><p>pela sua sigla, CONAMA, por sua vez, é o órgão consultivo e delibe-</p><p>rativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente, dessa forma terá como</p><p>finalidade apresentar propostas e estudos, bem como assessorias ao</p><p>Conselho do Governo, tendo como objetivo discutir diretrizes de políti-</p><p>cas para o meio ambiente e para os recursos naturais. Além disso, tam-</p><p>bém terá como função a deliberação, no que lhe competir, de normas e</p><p>padrões que sejam compatíveis com a existência e a promoção de um</p><p>ambiente ecologicamente equilibrado.</p><p>Figura 4 - Composição do CONAMA</p><p>Fonte: (AUTOR, 2023).</p><p>Já o órgão central é composto pelo Ministério do Meio Ambien-</p><p>te, tendo esse substituído a Secretaria do Meio Ambiente da Presidên-</p><p>cia da República, conhecido como SEMA. A finalidade desse Ministério</p><p>está voltada para o planejamento, coordenação, supervisão e controle</p><p>dos órgãos federais, da política nacional e das diretrizes governamen-</p><p>41</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>tais que têm como foco o meio ambiente.</p><p>Os órgãos executores do Sistema Nacional do Meio Ambiente</p><p>são formados pela parceria entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente</p><p>e dos Recursos Naturais Renováveis, que é mais conhecido por sua si-</p><p>gla, IBAMA, e o Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade</p><p>(ICMBio). O primeiro desses institutos desenvolverá suas atividades tendo</p><p>como principal foco a execução das propostas apresentadas pelos órgãos</p><p>federais, pela Política Nacional do Meio Ambiente e pelas diretrizes gover-</p><p>namentais que visam o meio ambiente, bem como os seus recursos natu-</p><p>rais. Ressalta-se ainda que o IBAMA é uma autarquia federal dotada de re-</p><p>gime especial e que possui vinculação com o Ministério do Meio Ambiente.</p><p>Por sua vez, os órgãos seccionais serão formados a partir de</p><p>órgãos ou entidades de nível estadual, sendo que esse são responsá-</p><p>veis pela execução de programas e projetos, assim como pelo controle</p><p>e fiscalização das atividades que possam gerar algum tipo de prejuízo</p><p>dentro do território estadual. Diante desse fato e com o fim de cumprir</p><p>tais funções, o Estado poderá se organizar para criar os seus próprios</p><p>órgãos e instituições.</p><p>Por fim, os órgãos seccionais se assemelham aos locais, con-</p><p>tudo, enquanto aqueles se referem às competências estaduais, estes</p><p>tratam acerca das funções assumidas pelo Município, dessa forma, o</p><p>mencionado ente federativo deverá se preocupar em manter o controle</p><p>e fiscalizar as atividades que podem gerar algum tipo de prejuízo ou</p><p>dano dentro de sua jurisdição.</p><p>ESPAÇOS TERRITORIAIS ESPECIALMENTE PROTEGIDOS</p><p>Segundo o art. 225, §1º, III, da Constituição Federal da Re-</p><p>pública do Brasil 1988, em conjunto com o art. 9º, VI, da Lei 6.938/81,</p><p>deverão ser fixados limites territoriais voltados à proteção de espaços</p><p>determinados, tendo em vista a importância que esses locais específi-</p><p>cos exercem à promoção de um meio ambiente equilibrado e gerador</p><p>de benefícios e qualidade à sociedade como um todo.</p><p>Os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos são áreas geográficas públi-</p><p>cas ou privadas (porção do território nacional) dotadas de atributos ambientais</p><p>que requeiram sua sujeição, pela lei, a um regime jurídico de interesse público</p><p>que implique sua relativa imodificabilidade e sua utilização sustentada, tendo</p><p>em vista a preservação e a proteção da integridade de amostras de toda a di-</p><p>versidade de ecossistemas, a proteção ao processo evolutivo das espécies, a</p><p>preservação e a proteção dos recursos naturais. (SILVA, 2012, p. 212).</p><p>42</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Nesse sentido, os espaços territoriais especiais protegidos</p><p>podem ser compreendidos como espaços presentes na geografia de</p><p>natureza pública ou privada, mas que são possuidores de incríveis e</p><p>consideráveis atributos ambientais, e, que dessa forma, acabam repre-</p><p>sentado uma grande pertinência para a ecologia e o ecossistema, no</p><p>qual se encontra, devendo por esse motivo ser preservado.</p><p>Apesar dessa ser uma temática merecedora de um grande desta-</p><p>que no âmbito do direito ambiental, ainda não há uma definição concreta e</p><p>certa acerca de quais são os espaços territoriais especialmente protegidos,</p><p>já que todo ambiente responsável por conter uma gama de recursos natu-</p><p>rais e espécies animais e vegetais importantes à formação de um ecossis-</p><p>tema merece</p><p>ser preservado. Dessa forma, acaba ficando difícil aquilo que</p><p>merece ser tratado de forma especial e aquilo que merece atenção, mas</p><p>pode ser abordado de maneira comum. Tendo em vista a facilitação dos re-</p><p>feridos entendimentos, a maioria da doutrina separa o estudo dos espaços</p><p>territoriais protegidos nas seguintes categorias: a) áreas de preservação</p><p>permanente, b) reserva legal e c) unidades de conservação.</p><p>Áreas de Preservação Permanente (APP)</p><p>A Lei n.º 12.651 de 2012, também conhecida como o Novo Có-</p><p>digo Floresta, é o responsável por dispor acerca das normas voltadas à</p><p>proteção da vegetação, bem como às áreas de preservação permanen-</p><p>te e as reservas legais, visa ainda abordar a exploração florestal e as</p><p>suas matérias-primas, tendo em vista o controle da origem dos produtos</p><p>florestais e a prevenção de danos às florestas, principalmente, àqueles</p><p>causados por incêndios, diante disso, também aborda os instrumentos</p><p>econômicos e financeiros responsáveis pelo alcance das determinadas</p><p>funções e objetivos.</p><p>O referido Código traz em suas disposições o seguinte concei-</p><p>to para as áreas de preservação permanente:</p><p>Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:</p><p>II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não</p><p>por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hí-</p><p>dricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o</p><p>fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das</p><p>populações humanas; (BRASIL, 2012).</p><p>Diante desse conceito, as referidas áreas de preservação de-</p><p>verão manter-se originais em todas as suas características, por isso,</p><p>não deverão ser tocadas e nem alteradas, sendo que essa determi-</p><p>43</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>nação vale tanto para órgãos públicos, como para os privados, com-</p><p>preendendo assim, aqueles que têm a posse ou a propriedade sobre</p><p>determinada área que deve se manter preservada. Dessa maneira, por</p><p>mais que a propriedade seja um direito fundamental da pessoa huma-</p><p>na, garantida e assegurada pelo texto da Constituição Federal de 1988,</p><p>existem algumas exceções acerca do seu exercício, nesse sentido, a</p><p>proteção destinada às áreas de preservação permanente pode ser en-</p><p>tendida como uma dessas.</p><p>As APP podem dividir-se em áreas de preservação por impo-</p><p>sição legal ou instituídas por ato do Poder Público. As Áreas de Preser-</p><p>vação Permanente por Imposição Legal estão presentes no artigo 4º</p><p>do Código Florestal, dessa forma para melhor entendimento acerca da</p><p>matéria recomenda-se a leitura do mencionado artigo, tendo em vista</p><p>que, por meio desse, são listadas as delimitações das referidas áreas.</p><p>Por sua vez, as Áreas de Preservação Permanente Instituídas</p><p>por Ato do Poder Público estão presentes no artigo 6º do mencionado</p><p>Código Florestal, sendo essas:</p><p>Art. 6º Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando decla-</p><p>radas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo, as áreas</p><p>cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a uma ou</p><p>mais das seguintes finalidades:</p><p>I - conter a erosão do solo e mitigar riscos de enchentes e deslizamentos de</p><p>terra e de rocha;</p><p>II - proteger as restingas ou veredas;</p><p>III - proteger várzeas;</p><p>IV - abrigar exemplares da fauna ou da flora ameaçados de extinção;</p><p>V - proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico, cultural ou</p><p>histórico;</p><p>VI - formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;</p><p>VII - assegurar condições de bem-estar público;</p><p>VIII - auxiliar a defesa do território nacional, a critério das autoridades militares.</p><p>IX - proteger áreas úmidas, especialmente as de importância internacional.</p><p>(BRASIL, 2012).</p><p>Em virtude da importância das áreas de preservação, a sua in-</p><p>tervenção ou supressão de vegetação nativa só será permitida quando</p><p>existir caso de utilidade pública, interesse social ou quando os impactos</p><p>ambientais provocados forem de baixo nível, contudo, em todas essas</p><p>situações será preciso a devida autorização do órgão competente. Res-</p><p>salta-se ainda que o proprietário ou possuidor que descumprir a presente</p><p>determinação terá como obrigação recompor a vegetação que tiver sido</p><p>ilegalmente suprima da área de preservação permanente em questão.</p><p>44</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Reserva Legal</p><p>A supramencionada Lei n.º 12.651 de 2012, mais conhecida</p><p>como o Novo Código Florestal, também traz em seu texto a definição</p><p>legal para as reservas, sendo essa:</p><p>Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por:</p><p>III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse</p><p>rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de assegurar o uso</p><p>econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxi-</p><p>liar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a</p><p>conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna</p><p>silvestre e da flora nativa;</p><p>Nesse sentido, a reserva legal pode ser compreendida como de-</p><p>terminada área presente no imóvel rural, coberta por vegetação natural,</p><p>dessa forma poderá ser explorada desde que seja realizado o devido</p><p>manejo floresta sustentável, obedecendo aos limites estabelecidos pelos</p><p>instrumentos legais, visando a preservação do bioma e dos ecossistemas</p><p>presentes na referida localidade. A necessidade da reserva legal existe,</p><p>tendo em vista o ambiente natural, no qual aquela área está inserida, por</p><p>isso, é preciso haver uma manutenção da biodiversidade local, para que</p><p>essa não seja danificada e nem consideravelmente alterada.</p><p>Diante do exposto, a reserva legal é uma das manifestações</p><p>que buscam pela proteção ao meio ambiente, mas, além disso, tentam</p><p>conciliar essa preservação com os avanços necessários e desejados da</p><p>economia, pois, esses dois fatores são considerados direitos da pessoa</p><p>humana, contudo, um não pode interferir no outro, gerando prejuízos</p><p>irreversíveis, dessa forma, devem ser desenvolvidos em parceria e ha-</p><p>vendo a devida observância dos limites legais.</p><p>A ideia de reserva legal antes de se tornar o que conhecemos</p><p>hoje passou por diversas modificações, dessa maneira o percentual a</p><p>ser respeitado será o seguinte:</p><p>Art. 12. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação na-</p><p>tiva, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre</p><p>as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais</p><p>mínimos em relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art.</p><p>68 desta Lei: (Redação dada pela Lei nº 12.727, de 2012).</p><p>I - localizado na Amazônia Legal:</p><p>a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;</p><p>b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;</p><p>c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;</p><p>II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento). (BRASIL,</p><p>45</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>2012).</p><p>Ressalta-se ainda que as normas referentes e específicas as</p><p>reservas legais deverão ser visualizadas em conjunto com as normas</p><p>destinadas às áreas de preservação permanente, ou seja, uma não ex-</p><p>cluí a outra, pelo contrário, apenas se agregam, em virtude do bem</p><p>maior que, nesse caso, é a preservação, a proteção e a manutenção do</p><p>meio ambiente.</p><p>A regra é a de que todos os imóveis rurais devem possuir re-</p><p>serva legal, dessa forma os proprietários das referidas localidades de-</p><p>vem buscar fazer o seu registro no órgão ambiental competente, seja</p><p>esse de natureza estadual ou municipal, por meio de inscrição no Ca-</p><p>dastro Ambiental Rural (CAR), cuja função será reunir as informações</p><p>ambientais acerca das propriedades e posses rurais, sendo esses da-</p><p>dos utilizados para o controle, monitoramento, planejamento ambiental</p><p>e econômico, bem como o combate</p><p>ao desmatamento.</p><p>Unidades de Conservação (UC)</p><p>O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza,</p><p>também conhecido pela sigla SNUC, estabelecido pela Lei n.º 9.985 de</p><p>2000, determina que as Unidades de Conservação serão as áreas naturais</p><p>que deverão ser protegidas em virtude de suas características especias.</p><p>Art. 2º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:</p><p>I - Unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais,</p><p>incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes,</p><p>legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e</p><p>limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam</p><p>garantias adequadas de proteção; (BRASIL, 2000).</p><p>Diante disso, as unidades de conservação visa proteger por-</p><p>ções significativas e ecologicamente viáveis das populações espalhadas</p><p>em todo o território nacional, estando dentro dessas áreas os habitats,</p><p>ecossistemas, bem como outros tipos de recursos naturais e hídricos.</p><p>As unidades de conservação dividem-se em dois grandes gru-</p><p>pos. O primeiro é denominado como as Unidades de Proteção Inte-</p><p>gral, sendo essa incumbida pela manutenção dos ecossistemas livres</p><p>de alterações causadas por interferências do homem, dessa maneira,</p><p>só será permitido o uso indireto dos recursos naturais presentes nessa</p><p>categoria, podemos citar como exemplo: a estação ecológica, a reserva</p><p>biológica e o parque nacional. O segundo grupo, por sua vez, é conheci-</p><p>46</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do como as Unidades de Uso Sustentável, sendo que essas não podem</p><p>ser consideradas intocáveis, em outras palavras, o seu uso é permitido,</p><p>desde que seja feito por meio de métodos que presem pela sustenta-</p><p>bilidade dos seus recursos naturais, são exemplos: a área de proteção</p><p>ambiental, a floresta nacional e a reserva extrativista.</p><p>47</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 1</p><p>Ano: 2022 Banca: TRF - 3ª REGIÃO Órgão: TRF - 3ª REGIÃO Prova:</p><p>Juiz Substituto</p><p>Em maio de 2022, no Incidente de Assunção de Competência (IAC 13),</p><p>o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu quatro teses relativas ao</p><p>direito de acesso à informação no direito ambiental. A base para julga-</p><p>mento deste IAC 13 pelo Superior Tribunal de Justiça foi a incidência,</p><p>na hipótese, da Lei de Acesso à Informação (LAI), de 2011, e da Lei de</p><p>Acesso à Informação Ambiental, de 2003. À luz da legislação e/ou da</p><p>jurisprudência dominante, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) Os órgãos e entidades da Administração Pública, integrantes do Siste-</p><p>ma Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA, ficam obrigados a permitir</p><p>o acesso público aos documentos, expedientes e processos administra-</p><p>tivos que tratem de matéria ambiental e a fornecer todas as informações</p><p>ambientais que estejam sob sua guarda, com exceção de informações</p><p>relativas ao agronegócio, como sobre as que envolvem o uso de subs-</p><p>tâncias tóxicas e perigosas e de organismos geneticamente modificados.</p><p>b) Os entes federativos não têm obrigação de franquear amplo acesso</p><p>às informações acerca da execução de Planos de Manejos de Áreas de</p><p>Proteção Ambiental (APA), podendo permitir o acesso a órgãos públicos</p><p>e a entidades ambientais cadastradas.</p><p>c) Na obrigação de transparência ambiental pelo Estado, não cabe falar em</p><p>transparência reativa, aquela decorrente do dever de produção de informa-</p><p>ção ambiental ainda inexistente no âmbito da administração pública.</p><p>d) Para assegurar o direito constitucional ao meio ambiente sadio e</p><p>equilibrado, o poder público tem o dever de promover a educação am-</p><p>biental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a</p><p>preservação ambiental.</p><p>QUESTÃO 2</p><p>Ano: 2020 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Itajaí - SC Prova:</p><p>Advogado</p><p>Assinale a alternativa que indica corretamente o princípio que se</p><p>aplica a impactos ambientais já conhecidos e dos quais se possa,</p><p>com segurança, estabelecer um conjunto de nexos de causalidade</p><p>que seja suficiente para a identificação dos impactos futuros mais</p><p>prováveis.</p><p>a) Democrático</p><p>b) Da prevenção</p><p>c) Do desenvolvimento</p><p>48</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>d) Do poluidor pagador</p><p>QUESTÃO 3</p><p>Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-PA Prova: Delega-</p><p>do de Polícia Civil</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Dentro do procedimento de licenciamento ambiental, qualquer obra</p><p>ou atividade necessitará da realização de Estudo Prévio de Impacto</p><p>Ambiental, que será exigido pelas entidades e pelos órgãos ambientais,</p><p>para que seja autorizada a sua instalação.</p><p>b) O decurso dos prazos de licenciamento, sem a emissão da licença</p><p>ambiental, implica emissão tácita e autoriza a prática de ato que dela</p><p>dependa ou decorra.</p><p>c) O Estudo Prévio de Impacto Ambiental será exigido pelo Poder Exe-</p><p>cutivo quando a atividade ou o empreendimento for potencial causador</p><p>de significativo impacto ambiental, e será custeado pelo empreendedor.</p><p>d) Nos termos da Lei Complementar 140/2011, está entre as ações</p><p>próprias dos Estados-membros localizados nas fronteiras territoriais</p><p>brasileiras promover o licenciamento ambiental de empreendimentos</p><p>e atividades localizados ou desenvolvidos conjuntamente no território</p><p>brasileiro e em país limítrofe.</p><p>QUESTÃO 4</p><p>Ano: 2020 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Ilhabela - SP Pro-</p><p>va: Analista - Direito - Gestão Pública</p><p>Instrumento de natureza constitucional e que se desencadeia no</p><p>âmbito do processo de licenciamento ambiental, o Estudo Prévio</p><p>de Impacto Ambiental (Epia) insere-se entre as competências do</p><p>Poder Público para assegurar o direito ao meio ambiente ecologi-</p><p>camente equilibrado. Sobre o Epia, afirma-se que:</p><p>a) atua na esfera da discricionariedade da Administração Pública.</p><p>b) é componente interior da decisão administrativa, integrando-a.</p><p>c) não vincula a decisão administrativa do licenciamento, que pode con-</p><p>trariar os preceitos do direito administrativo e as regras estabelecidas</p><p>sobre os processos administrativos.</p><p>d) a partir dele, deve ser elaborado um relatório de impacto ambiental,</p><p>que ficará disponível para consulta da sociedade civil, segundo critérios</p><p>de conveniência e oportunidade do órgão ambiental competente.</p><p>QUESTÃO 5</p><p>Ano: 2020 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Ilhabela - SP Pro-</p><p>va: Técnico Ambiental</p><p>49</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>A frase: “Qualquer alteração das propriedades biológicas, quími-</p><p>cas e físicas no meio ambiente provocada pela ação humana que</p><p>afete direta ou indiretamente a saúde e a segurança, dentre ou-</p><p>tros”, corresponde ao termo</p><p>a) diagnóstico ambiental.</p><p>b) recuperação ambiental.</p><p>c) decomposição ambiental.</p><p>d) impacto ambiental.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>A especificidade do Direito Ambiental também se estende aos seus prin-</p><p>cípios norteadores. Os princípios aplicados à tutela do bem ambiental</p><p>são ajustados à realidade e aos detalhes necessários à prevenção e à</p><p>correção de atos ou omissões que afetem a sua tutela. Nesse sentido,</p><p>especifique a compreensão do princípio da prevenção.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Assinale a alternativa que indica a lei que dispõe sobre o princípio</p><p>do poluidor-pagador.</p><p>a) Lei 6.938/1981</p><p>b) Lei 8.666/94</p><p>c) Lei 9.294/95</p><p>d) Lei 5.618/68</p><p>e) NDA</p><p>NA MÍDIA</p><p>STF forma maioria para invalidar redução da participação social no Co-</p><p>nama, feita no governo Bolsonaro.</p><p>Ministros concluíram o julgamento de uma ação que questionou decreto</p><p>de 2019, que reduziu a composição de 96 para 23 conselheiros. Co-</p><p>nama é um órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente e é res-</p><p>ponsável por critérios de licenciamento ambiental. O Supremo Tribunal</p><p>Federal (STF) formou maioria de votos para considerar inconstitucional</p><p>a redução da participação da sociedade</p><p>civil no Conselho Nacional do</p><p>Meio Ambiente (Conama), feita em 2019, durante o governo do então</p><p>presidente Jair Bolsonaro (PL).</p><p>Fonte: G1</p><p>Data: 18 mai. 2023</p><p>Leia na íntegra: https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/05/18/stf-for-</p><p>ma-maioria-para-invalidar-reducao-da-participacao-social-no-conama-</p><p>-feita-no-governo-bolsonaro.ghtml</p><p>50</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Federalismo ambiental: como resolver conflitos entre entes federativos.</p><p>A agenda ambiental brasileira nasce, entre as décadas de 1970-80, im-</p><p>pulsionada, basicamente, pelo estabelecimento de políticas públicas e,</p><p>portanto, tendo o Estado como o grande motor do pensamento ambien-</p><p>tal nacional, puxando, nessa grande locomotiva, os setores econômicos</p><p>envolvidos e a conformação ambiental das mais diversas atividades po-</p><p>tencialmente poluidoras ou utilizadoras de recursos naturais. Na gênese</p><p>do processo de construção de ações e políticas públicas voltadas a con-</p><p>servação dos recursos naturais, esteve a agenda internacional, marcada</p><p>pela Conferência de Estocolmo de 1972, que foi a primeira grande reu-</p><p>nião de chefes de estado organizada pelas Nações Unidas para tratar das</p><p>questões relacionadas à degradação do meio ambiente ao nível mundial.</p><p>Fonte: Conjur</p><p>Data: 07 ago. 2023</p><p>Leia na íntegra: https://www.conjur.com.br/2023-ago-07/ambiente-juridi-</p><p>co-federalismo-ambiental-resolver-conflitos-entre-entes-federativos</p><p>51</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>POLUIÇÃO: CONCEITO E TIPOS</p><p>Ao longo do nosso estudo já compreendemos a importância do</p><p>meio ambiente, bem como a imprescindibilidade dele em nosso cotidiano</p><p>e os direitos que o protegem, resguardam, cuidam de sua manutenção e</p><p>garantem à população os benefícios que podem ser produzidos por esse,</p><p>desde que seja um ambiente ecologicamente equilibrado e sustentável.</p><p>Apesar do disposto em vários instrumentos legais, que podem</p><p>assumir naturezas nacional ou internacional, ainda vemos com constân-</p><p>cia nas mídias, notícias que retratam descuidos e danos provocados ao</p><p>meio ambiente. Podemos citar como exemplo, as tragédias ambientais</p><p>acontecidas em Minas Gerais em 2015 e 2019, já mencionadas ante-</p><p>POLUIÇÕES, DANOS AMBIENTAIS,</p><p>RECURSOS HÍDRICOS E GESTÃO DE</p><p>FLORESTAS PÚBLICAS</p><p>51</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>52</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>riormente, entre tantas outras.</p><p>Além disso, mesmo que a população pareça comovida com</p><p>o acontecimento desses fatos, parece não enxergar que também pos-</p><p>suem responsabilidade pela preservação ambiental, pois, infelizmente,</p><p>não são só as grandes empresas que causam danos ambientais, mas</p><p>também os indivíduos da sociedade, bastando que esses não sejam</p><p>conscientes em relação aos prejuízos que podem causar e/ou evitar</p><p>com a realização de atitudes simples e cotidianas.</p><p>Mesmo existindo várias políticas voltadas à diminuição e até a</p><p>erradicação da poluição, verificamos que esse ainda é um cenário difícil</p><p>de ser imaginado, tendo em vista uma série de fatores. Os avanços liga-</p><p>dos ao desenvolvimento dos centros urbanos, a indústria, ao uso e/ou</p><p>aumento do número de carro e ao consumismo desenfreado ainda gera</p><p>impactos enormes ao meio ambiente. Nesse sentido, uma pesquisa re-</p><p>alizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, entre</p><p>2008 e 2013, constatou um aumento de 8% nos níveis de poluição do</p><p>ar, a pesquisa ainda afirma que mais de 7 milhões de pessoas morrem</p><p>por ano em virtude da poluição existente na atmosfera.</p><p>Nesse contexto, a poluição pode ser entendida como a introdu-</p><p>ção de substâncias ou energias nocivas ao meio ambiente, que diante</p><p>de sua natureza, acabam gerando efeitos negativos ao equilíbrio am-</p><p>biental, sendo que esses podem resultar em danos à saúde humana,</p><p>bem como animal e vegetal, em outras palavras, a poluição é capaz de</p><p>afetar todo um ecossistema. Por isso, é considerada como um grave</p><p>problema ambiental de escala mundial.</p><p>A Lei nº 6.938 de 1981, responsável por dispor acerca da Política</p><p>Nacional do Meio Ambiente, em seu artigo 3º, III, define como poluição:</p><p>A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou</p><p>indiretamente:</p><p>a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;</p><p>b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;</p><p>c) afetem desfavoravelmente a biota;</p><p>d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;</p><p>e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais</p><p>estabelecidos; (BRASIL, 1981).</p><p>O mencionado texto legal ainda enquadra a poluição como cri-</p><p>me, tendo em vista a potencialidade de danos por ela causada, que de-</p><p>verá ser calculada conforme o grau de utilização dos recursos naturais,</p><p>levando em conta o porte da empresa, segundo o ANEXO IX, incluído na</p><p>Política Nacional do Meio Ambiente, por meio da Lei nº 10.165 de 2000.</p><p>Ressalta-se ainda que a poluição pode afetar a saúde humana</p><p>53</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>e o ecossistema no qual esse está inserida, de várias formas, tendo em</p><p>vista que cada um dos seus tipos é capaz de causar uma série de danos,</p><p>em virtude disso, iremos analisar cada uma dessas tipologias a seguir.</p><p>Figura 5 - Tipos de Poluição</p><p>Fonte: (AUTOR, 2023)</p><p>Poluição da Água</p><p>O Planeta Terra é constituído em sua maioria por água, tendo</p><p>em vista que cerca de 71% da sua superfície é coberta por esse ele-</p><p>mento em estado líquido, contudo, a quantidade de água potável, ou</p><p>seja, aquela destinada e apropriada para consumo humano, é diminuta,</p><p>tendo em vista que da totalidade, apenas 2,4% é água doce, sendo que</p><p>a potável, disponível em lagos e rios que abastecem centros urbanos</p><p>e rurais, representa somente 0,02%. Tendo como base apenas essa</p><p>informação, já somos capazes de entender como é importante e impres-</p><p>cindível preservar a água existente em nosso país.</p><p>Contudo, é errôneo imaginar que só o manancial de água doce</p><p>merece ser preservado, pois, mesmo que não possamos ingerir a água</p><p>salgada presente em mares e oceanos, ainda podemos usufruir dessas</p><p>de outras maneiras, além disso, tanto a água doce, como a salgada, em</p><p>suas mais diversas manifestações, são habitats naturais de inúmeras</p><p>espécies aquáticas. Ressalta-se ainda que tantos os rios, os mares,</p><p>os oceanos, os lagos e entre outros apresentam também destaques e</p><p>54</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>funções voltados ao setor da economia.</p><p>Apesar do exposto, ainda existe um grande índice de poluição</p><p>da água em vários países do mundo, nesse cenário a poluição da água</p><p>pode ser entendida como a contaminação dos recursos hídricos, sendo</p><p>que esse pode ocorrer por meio de compostos físicos, químicos e bioló-</p><p>gicos, responsáveis por gerar prejuízos aos seres vivos, que nela vivem</p><p>ou dela dependem. A poluição da água pode ainda resultar na morte e/</p><p>ou na deformação de espécies aquáticas.</p><p>Poluição do Ar ou Poluição Atmosférica</p><p>A poluição do ar é uma das consideradas mais nocivas ao ser hu-</p><p>mano e aos ecossistemas como um todo, diante do já mencionado acima,</p><p>cerca de 7 milhões de pessoas morrem por ano em virtude das consequ-</p><p>ências geradas pela poluição atmosférica. Assim, a poluição atmosférica</p><p>pode ser compreendida como os lançamentos de grandes quantidades</p><p>de gases ou partículas, em estado líquido ou sólido, na atmosfera.</p><p>Nesse sentido, a referida poluição pode causar expressivos</p><p>impactos na vida dos seres humanos, tendo como resultado uma série</p><p>de doenças respiratórias, cardíacas, dores de cabeça, tonturas, entre</p><p>outros, podendo resultar até</p><p>na morte a depender da gravidade, diante</p><p>disso, todos os órgãos do corpo humano sofrem mediante a exposi-</p><p>ção a poluição atmosférica. Além disso, os danos causados ao meio</p><p>ambiente também são significativos e as suas consequências podem</p><p>atingir os seres humanos também, nesse sentido, vemos o efeito estufa</p><p>e a intensificação do Aquecimento Global.</p><p>Poluição Térmica</p><p>Esse tipo de poluição não recebe tanta atenção como as ou-</p><p>tras, pois, não é tão conhecida assim, mas também é responsável por</p><p>causar danos e impactos negativos ao meio ambiente, dessa forma, ela</p><p>decorre do aquecimento aquático e aéreo, que resultam das usinas hi-</p><p>droelétricas, termoelétricas e nucleares, em virtude do seu lançamento</p><p>na água e na atmosfera.</p><p>Contudo, tais usinas não são as únicas responsáveis pelo sur-</p><p>gimento e intensificação dessa poluição, tendo em vista que podem re-</p><p>sultar do aumento do desmatamento, da erosão do solo e das consequ-</p><p>ências geradas pelos centros urbanos.</p><p>Algumas consequências que podem ser listadas em decorrên-</p><p>55</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>cia da poluição térmica. São os danos provocados aos animais e ecos-</p><p>sistemas como um todo, já que cada um dos animais e das vegetações</p><p>nele existente depende de uma certa condição climática para sobrevi-</p><p>ver, dessa maneira, toda mudança registrada impacta a vida desses e</p><p>pode causar danos irreversíveis à natureza.</p><p>Poluição do Solo</p><p>A poluição do solo, por sua vez, assim como a dor ar, é umas</p><p>mais comuns no mundo e podem causar interferências em vários aspec-</p><p>tos da biodiversidade do planeta. Essa poluição, em regra, é causada</p><p>pela contaminação do solo por meio de produtos químicos, resíduos só-</p><p>lidos, líquidos, fertilizantes químicos, entre outros. Os referidos resíduos</p><p>surgem em decorrência de grandes agropecuárias e indústrias, contudo,</p><p>também pode ser resultado de atitudes cotidianas e individualizadas dos</p><p>seres humanos, como, por exemplo, o mal descarte dos resíduos domés-</p><p>ticos, urbanos, detergentes, pilhas, gasolina, eletrônicos e outros.</p><p>Poluição Visual</p><p>A poluição visual não é produzida por lixo, resíduos sólidos,</p><p>líquidos ou gasosos, mas sim por conta do excesso de imagens, geral-</p><p>mente, presentes nos maiores centros urbanos, metrópoles e megaló-</p><p>poles. Assim, o conjunto de letreiros, pichações, uma grande quantida-</p><p>de de fios, postes, anúncios, outdoors, entre outros, podem provocar</p><p>um incômodo significativo quando associados à vida em sociedade e</p><p>às tecnologias decorrentes disso. Tendo em vista todos esses fatores,</p><p>a poluição visual também pode acarretar danos à saúde humana, como</p><p>stress, transtornos psicológicos e exaustão.</p><p>Poluição Sonora</p><p>Como o próprio nome nos ajuda a concluir, essa poluição decor-</p><p>re dos sons, assim é causada pelo acúmulo e pelo excesso de barulho,</p><p>sendo que esses podem englobar buzinas, sons, ruídos decorrentes de</p><p>obras, comércio, máquina, pessoas, entre outros. Esse tipo de poluição,</p><p>assim como as outras, também atinge a saúde humana, podendo ter</p><p>como resultado o stress, a angústia, dores de cabeça. Insônias, mau-</p><p>-humor e problemas de concentração, sendo que tais sintomas podem</p><p>estar presentes tanto nas pessoas, como nos animais. Ressalta-se ain-</p><p>56</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>da que a poluição sonora é considerada crime ambiental, que tem como</p><p>resultado a fixação de multas e penas de reclusão, que dependerão dos</p><p>níveis em decibéis atingidos.</p><p>Poluição Radioativa</p><p>A poluição radioativa também é conhecida como poluição nu-</p><p>clear, sendo o tipo de poluição mais perigoso, tendo em vista a dimen-</p><p>são dos impactos negativos que podem ser ocasionados, diante disso</p><p>podem resultar da radiação, do calor, do efeito químico, e outras formas</p><p>de radiação. Em virtude das consequências geradas à saúde de todos</p><p>os que manejam os produtos e objetos de origem radioativa, já que po-</p><p>dem causar câncer e outros tipos de doenças. Ressalta-se ainda que os</p><p>danos causados pela poluição radioativa são irreversíveis e não podem</p><p>passar por um processo de descontaminação, além do que seus áto-</p><p>mos possuem uma longa duração, seus efeitos duram por muito tempo</p><p>e se prolongam entre as gerações.</p><p>DANOS AMBIENTAIS</p><p>A poluição, os seus tipos, causas e consequência, por si só, já</p><p>podem ser considerados importantes danos ambientais, contudo, esses</p><p>não são os únicos a serem registrados, pois, atualmente, existem várias</p><p>formas do meio ambiente ser deteriorado, por isso, essa é uma temá-</p><p>tica amplamente discutida sob vários pontos de vista, entre esses, o</p><p>jurídico, dessa forma o presente subtópico pretende apenas fazer uma</p><p>breve análise sobre o tema, já que não há espaço suficiente para uma</p><p>discussão capaz de esgotar o assunto em questão.</p><p>Segundo Paulo Bessa Antunes, dano ambiental pode ser en-</p><p>tendido como toda forma de prejuízo que for causado ao meio ambien-</p><p>te, estando entre esses, algumas situações como a degradação da qua-</p><p>lidade ambiental, os impactos que prejudiquem a saúde e o bem-estar</p><p>da população em qualquer nível, danos que desfavorecem a biodiver-</p><p>sidade, a fauna e a flora, entre outros, por sua vez, Édis Milaré define</p><p>o mesmo termo como sendo “a lesão aos recursos ambientais, com</p><p>consequente degradação – alteração adversa ou in pejus – do equilíbrio</p><p>ecológico e da qualidade de vida”.</p><p>Mais uma vez destacamos a importância e a imprescindibili-</p><p>dade da Lei n.º 6.938 de 1981, responsável por dispor sobre a Política</p><p>Nacional do Meio Ambiente, pois, através do seu artigo 14, podemos</p><p>57</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>concluir que os danos ambientais levam em consideração tanto os da-</p><p>nos causados ao meio ambiente, como aqueles que podem atingir a ter-</p><p>ceiros, dessa forma, os referidos danos podem ser classificados como:</p><p>a) dano ambiental coletivo e b) dano ambiental individual.</p><p>O dano ambiental coletivo, também pode ser denominado como</p><p>dano ambiental em sentido estrito ou dano ambiental propriamente dito,</p><p>sendo esse aqueles causados ao patrimônio, difuso e coletivo, por isso,</p><p>são conhecidos por atingir um número indeterminado de pessoas, dessa</p><p>maneira, as propostas que vão buscar interromper a sua execução, de for-</p><p>ma preventiva ou repressiva, deverão ser ajuizadas por meio de Ação Civil</p><p>Pública ou de Ação Popular, devendo-se nos dois casos serem observados</p><p>os devidos legitimados para que as ações sejam dotadas de validade.</p><p>Por sua vez, o dano ambiental individual, também é intitulado</p><p>como dano ambiental pessoal, recebendo essa nomeação, já que são</p><p>violadores dos interesses pessoais daqueles legitimados a propor a re-</p><p>paração dos prejuízos patrimoniais e extrapatrimoniais causados. Ten-</p><p>do em vista a natureza individualizada desse dano, as ações públicas</p><p>mencionadas na classificação anterior não terão validade nessa seara,</p><p>contudo, poderão ser ajuizadas ações individuais. Em regra, não há tan-</p><p>tas reclamações envolvendo esse tipo de dano nos tribunais, por outro</p><p>lado, existem várias ações em virtude dos danos ambientais coletivos,</p><p>já que os prejuízos apresentados por esses se desenvolvem em uma</p><p>escala maior, causando ainda mais prejuízos.</p><p>Figura 6 - Características dos Danos Ambientais</p><p>Fonte: (AUTOR, 2023)</p><p>A primeira dessas características trata da pulverização de víti-</p><p>mas, também denominadas como vítimas difusas, em outras palavras,</p><p>refere-se justamente a grande quantidade de pessoas atingidas e a in-</p><p>determinação das vítimas em questão, já que há a dificuldade ou até</p><p>58</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>mesmo a impossibilidade em listar aqueles que foram afetados pelo</p><p>dano em questão. Já a segunda característica aborda as dificuldades</p><p>e complexidades direcionadas à reparação, pois, na</p><p>grande parte dos</p><p>casos, os danos ambientais assumem o papel da irreversibilidade, ou</p><p>seja, depois que o dano for causado é muito difícil que volte a possuir as</p><p>mesmas características que possuía originalmente, por isso, a ideia da</p><p>prevenção é muita mais atrativa do que aquelas ligadas aos meios que</p><p>buscam a reparação, pois, além da primeira, trazer mais benefícios à</p><p>sociedade como um todo, evita que o meio ambiente seja agredido, fato</p><p>que desencadearia uma série de novos problemas. Por fim, a difícil va-</p><p>loração ou o quantum do dano ambiental, também possui relação com</p><p>a impossibilidade e a dificuldade em reparar os impactos causados pelo</p><p>dano ambiental, tendo em vista que em virtude da importância do meio</p><p>ambiente, os danos causados a esses são muitas vezes incalculáveis.</p><p>Quando os assuntos são relacionados aos danos ambientais, é</p><p>relevante dar o devido destaque às questões relacionadas à reparação,</p><p>já que esse assunto pode dirimir os impactos provocados pelo acon-</p><p>tecimento dos danos, tendo em vista as características mencionadas</p><p>no parágrafo anterior. Além disso, a Constituição Federal da República</p><p>Brasileira de 1988, em seu parágrafo segundo, já aborda a necessidade</p><p>dessa recuperação, sendo que os responsáveis por essa serão aque-</p><p>les que tiverem provocado os danos ao meio ambiente ou aos seus</p><p>recursos naturais, não importando se são pessoas físicas ou jurídicas,</p><p>pois, as sanções penais, cíveis e administrativas deverão ser aplicadas</p><p>a ambos, deixando bem claro que a imposição e o cumprimento dessas</p><p>punições ocorrem de forma independente a obrigação de reparar, pois,</p><p>essa sempre existirá, quando for possível.</p><p>Diante do exposto, a responsabilidade civil será dotada de</p><p>natureza objetiva, pois, independente de culpa, considerando que tem</p><p>como determinação principal a reparação dos danos provocados por</p><p>seus atos, sendo que para o estabelecimento da responsabilização será</p><p>apenas preciso que se comprove o nexo de causalidade, por meio da</p><p>prova da ação ou de sua omissão.</p><p>A referida reparação poderá se manifestar por meio do paga-</p><p>mento de uma quantia pecuniária, que seja suficiente e possibilite a</p><p>reparação indireta do dano ou da lesão provocada, a outra forma refe-</p><p>re-se à recuperação propriamente dita, ou seja, aquela que busca efeti-</p><p>vamente a reparação do status quo ante, deixando o bem na sua forma</p><p>original. Ressalta-se ainda que será preferível o segundo tipo de repa-</p><p>ração, pois, ele será o mais benéfico ao meio ambiente, mas quando</p><p>for estabelecido o primeiro tipo, deverão ser levados em conta aspectos</p><p>como os lucros cessantes, o enriquecimento ilícito, já que o violador</p><p>59</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>também não poderá ter seus direitos transgredidos. Dessa forma, a re-</p><p>paração, em outras palavras, e de forma genérica, também será com-</p><p>preendida como a reconstituição do meio ambiente danificado.</p><p>RECURSOS HÍDRICOS</p><p>Como já mencionado, anteriormente, no tópico referente à po-</p><p>luição da água, bem como com base nos nossos conhecimentos bási-</p><p>cos e prévios, sabemos que o planeta Terra é em sua maioria composto</p><p>por água, sendo que uma pequena quantia é hábil para o consumo hu-</p><p>mano. Assim, os recursos hídricos podem ser entendidos como aquela</p><p>parcela de água doce que está acessível para o uso da humanidade,</p><p>devendo ser levando em conta a tecnologia utilizada para a sua obten-</p><p>ção e os custos destinados aos seus usos.</p><p>A Lei n.º 9.433, de 8 de janeiro de 1997 é responsável por ins-</p><p>tituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, bem como a criação do</p><p>Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, tendo como</p><p>principais fundamentos, segundo o artigo primeiro da referida legislação:</p><p>I - A água é um bem de domínio público;</p><p>II - A água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;</p><p>III - Em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o</p><p>consumo humano e a dessedentação de animais;</p><p>IV - A gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo</p><p>das águas;</p><p>V - A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política</p><p>Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerencia-</p><p>mento de Recursos Hídricos;</p><p>VI - A gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a par-</p><p>ticipação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. (BRASIL, 1997).</p><p>Diante do estabelecido pelo mencionado artigo, constata-se</p><p>que a água é um bem público, e em virtude disso, não pode ser alienada</p><p>e nem privatizada, pelo contrário, a sua utilização deve ter como base</p><p>o seu uso múltiplo. Nesse sentido, a política das águas, assim como</p><p>outras leis, visa a democracia, quanto à distribuição de seus recursos.</p><p>Além disso, a população e o Estado devem atuar em conjunto,</p><p>para garantir a sua preservação, manutenção e boas condições, pois, não</p><p>podemos contaminar e tornar-se inutilizável a pouca água potável dispo-</p><p>nível para o uso humano. Mediante tal fator, assim como outros assuntos</p><p>referentes ao meio ambiente, pode-se afirmar que apenas um sistema le-</p><p>gislativo bem estruturado ou atuações que partam exclusivamente do Go-</p><p>verno, pois, a sociedade tem uma participação direta quando o assunto</p><p>60</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>é o meio ambiente, como um todo, e a água de forma mais específica, já</p><p>que fazem uso dela e lidam com esses aspectos diariamente, dessa for-</p><p>ma, as atitudes humanas, como indivíduos, e não só como empresas ou</p><p>pessoas jurídicas, também são capazes de produzir impactos importan-</p><p>tes quanto à qualidade da água e do ambiente em que esta está inserida.</p><p>A legislação em questão também é responsável por estabele-</p><p>cer o Plano Nacional dos Recursos Hídricos, sendo esse, por sua vez,</p><p>incumbido por orientar a gestão de águas presente no território brasi-</p><p>leiro. Nesse sentido, o artigo 2º da Lei n.º 9433/1997, observa que os</p><p>objetivos dessa política são:</p><p>I - Assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de</p><p>água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;</p><p>II - A utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o trans-</p><p>porte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável;</p><p>III - A prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem</p><p>natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.</p><p>IV - Incentivar e promover a captação, a preservação e o aproveitamento de</p><p>águas pluviais. (BRASIL, 1997).</p><p>Nesse sentido, o objetivo principal do referido plano nacional é vol-</p><p>tado ao estabelecimento de um pacto nacional, através do qual são fixadas</p><p>diretrizes e políticas, que buscam fornecer uma melhor qualidade da água,</p><p>levando em consideração aspectos como a sua demanda e implementa-</p><p>ções, tendo ainda em vista o desenvolvimento sustentável e os assuntos</p><p>relacionados à inclusão social, pois, a água abrange vários conteúdos, já</p><p>que pode ser objeto de questões políticas, econômicas, sociais, realçando</p><p>desigualdade e injustiças existentes em uma escala mundial.</p><p>Infelizmente, ainda vivemos em uma realidade, na qual a maio-</p><p>ria da população vive com pouco e a menor parte com muito, sendo</p><p>esse um contexto que reflete até no consumo da água, pois, por mais</p><p>que atualmente muitos avanços e melhorias já tenham sido implemen-</p><p>tadas, fazendo com que grande parte da população já tenha acesso à</p><p>água potável em suas casas, ainda existem aquelas pessoas que não</p><p>têm acessibilidade a tais serviços e direitos. Além disso, ainda é impor-</p><p>tante mencionar que as desigualdades voltadas ao consumo da água</p><p>também são visualizadas no âmbito natural, assim, vamos tomar como</p><p>exemplo o Brasil, tendo em vista que o Norte contém uma quantidade</p><p>considerável de água, enquanto o Nordeste sofre com secas severas.</p><p>Por isso, as questões direcionadas ao consumo e ao uso de água são</p><p>também visualizadas sob um ponto de vista social.</p><p>Ressalta-se ainda que o Plano Nacional dos Recursos Hídricos</p><p>não deve ser estático, pelo contrário, deve passar por atualizações e modi-</p><p>61</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ficações, que se adequarão à periodicidade ligada às hidrografias presen-</p><p>tes no Brasil, sendo que essa terá como fundamento as análises técnicas,</p><p>as consultas públicas e a situação dos recursos hídricos nas suas mais di-</p><p>versas épocas e situações anuais. Dessa forma, os dados obtidos através</p><p>dos referidos planos favorecem e facilitam a atualização das informações</p><p>contidas na Agência Nacional de Águas, também conhecida por sua sigla</p><p>ANA, bem como por acompanhar as situações referentes à quantidade de</p><p>água e efetuar o monitoramento hidrometeorológico, além disso, averiguar</p><p>os dados relacionados ao volume das águas superficiais e subterrâneas,</p><p>assim como as suas capacidades de armazenamento, também é a respon-</p><p>sável por sistematizar e quantificar as precipitações de chuvas.</p><p>Destaca-se ainda que a Política Nacional, responsável por dis-</p><p>por acerca dos recursos hídricos, possui abrangência em todo territó-</p><p>rio brasileiro, contudo, isso não impede que os estados e as cidades</p><p>estabeleçam seus próprios planos, pelo contrário, esse é o desejado,</p><p>esperado e legal, porém, a política nacional deve ser obedecida e ob-</p><p>servada, sendo cumpridas e conservadas as diretrizes estratégicas re-</p><p>ferentes à recuperação e à utilização das águas.</p><p>Outro programa relacionado à água, que merece destaque e</p><p>atenção, é o chamado INTEREÁGUAS, sendo esse o Programa de De-</p><p>senvolvimento do Setor Água, cujo objetivo é alcançar uma maior articula-</p><p>ção e coordenação dos setores de águas, tendo em vista a melhoria das</p><p>capacidades de planejamento e institucionais, devendo estar relacionado</p><p>ao Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS) e ao Pro-</p><p>grama Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (PROÁGUA).</p><p>Diante do desenvolvimento desse programa comprova-se o argumento uti-</p><p>lizado anteriormente, ou seja, aquele que busca diminuir as desigualdades</p><p>presentes no país, quanto à divisão e os abastecimentos das águas.</p><p>Por sua vez, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Re-</p><p>cursos Hídricos, conhecido pela sigla SINGREH, é o encarregado pela</p><p>reunião dos órgãos responsáveis por implementar ações voltadas ao</p><p>cumprimento e observância da Política Nacional das Águas. Dessa</p><p>maneira, a sua principal função consiste em desenvolver uma gestão</p><p>que se preocupe e busque distribuir a água, conforme os princípios de-</p><p>mocráticos e participativos. A Lei n.º 9433 de 1997 determinou que os</p><p>dados produzidos pelo sistema em questão devem ser incorporados ao</p><p>Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, dessa forma, os seus</p><p>principais objetivos são determinados pelo artigo 27 do mencionado ins-</p><p>trumento legislativo como sendo:</p><p>I - Reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situa-</p><p>ção qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil;</p><p>62</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>II - Atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e de-</p><p>manda de recursos hídricos em todo o território nacional;</p><p>III - Fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos.</p><p>(BRASIL, 1997).</p><p>A já supramencionada lei apresenta título próprio para tratar acer-</p><p>ca do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, por sua</p><p>vez, os seus objetivos são fixados pelo artigo 32 da seguinte maneira:</p><p>I - Coordenar a gestão integrada das águas;</p><p>II - Arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos</p><p>hídricos;</p><p>III - implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos;</p><p>IV - Planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos</p><p>recursos hídricos;</p><p>V - Promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos. (BRASIL, 1997).</p><p>Salienta-se ainda que o Sistema Nacional de Gerenciamento</p><p>de Recursos Hídricos é formado pelo conjunto do Conselho Nacional de</p><p>Recursos Hídricos, pela Secretária de Recursos Hídricos e Qualidade</p><p>Ambiental, pela Agência Nacional de Águas, pelos Conselhos Estaduais</p><p>de Recursos Hídricos, pelos Órgãos Gestores de Recursos Hídricos Es-</p><p>taduais, pelos Comitês de Bacia Hidrográfica e pelas Agências de Água.</p><p>Segundo a Agência Nacional de Águas, no Brasil estão con-</p><p>tidas cerca de 12% da disponibilidade de água doce do planeta, po-</p><p>rém, as referidas reservas não são distribuídas de forma igual, dessa</p><p>maneira, a região Norte concentra cerca de 80% da água disponível,</p><p>sendo os outros 20% distribuídos em todas as outras regiões, sendo</p><p>que essa porcentagem também é dividida de forma desigual. Diante</p><p>desse contexto, e levando em consideração a área geográfica ocupada</p><p>pelo Brasil, assim como informações complementares, pode-se afirmar</p><p>que o nosso é o país com uma maior quantidade de recursos hídricos</p><p>endógenos, ou seja, aqueles recursos gerados por precipitações atmos-</p><p>féricas dentro do território nacional, que podem estar presentes tanto na</p><p>superfície, quanto nas reservas subterrâneas.</p><p>Nesse sentido, existem várias bacias hidrográficas presentes</p><p>no território brasileiro. Contudo, antes de listar algumas das principais</p><p>existentes no Brasil, é importante esclarecer que essas bacias também</p><p>recebem a nomenclatura de bacia de drenagem, tendo em vista enten-</p><p>dida como uma porção da superfície terrestre drenada pelo rio principal,</p><p>devendo levar em conta os seus afluentes e subafluentes. Conforme</p><p>o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Conselho</p><p>Nacional de Recursos Hídricos, atualmente existem 12 grandes bacias</p><p>63</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>hidrográficas no território nacional.</p><p>- Bacia Hidrográfica do Tocantins-Araguaia;</p><p>- Bacia Hidrográfica do São Francisco;</p><p>- Bacia Hidrográfica do Paraná;</p><p>- Bacia Hidrográfica Amazônica;</p><p>- Bacia Hidrográfica do Parnaíba;</p><p>- Bacia Hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental;</p><p>- Bacia Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental;</p><p>- Bacia Hidrográfica Atlântico Leste;</p><p>- Bacia Hidrográfica Atlântico Sudeste;</p><p>- Bacia Hidrográfica Atlântico Sul;</p><p>- Bacia Hidrográfica do Uruguai; e</p><p>- Bacia Hidrográfica do Paraguai.</p><p>Dentre as mencionadas, aquelas que merecem um maior des-</p><p>taque são as bacias hidrográficas do Amazonas, do Rio São Francisco</p><p>e do Paraná. A primeira dessas três bacias é considerada a maior bacia</p><p>hidrográfica do mundo, contando com sete milhões de quilômetros qua-</p><p>drados em toda a sua extensão. No território brasileiro ela está presen-</p><p>te nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato</p><p>Grosso e Pará. A segunda, ou seja, a bacia hidrográfica do Rio São</p><p>Francisco, possui aproximadamente 640 mil quilômetros quadrados,</p><p>sendo que essa tem início na Serra da Canastra, passa pelos estados</p><p>da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Por fim, a bacia hidrográ-</p><p>fica do Paraná é considerada a principal bacia presente na região da</p><p>Platina, sendo que a sua extensão no território brasileiro tem em média</p><p>879.860 quilômetros quadrados, sendo responsável pelo abastecimen-</p><p>to e construção de usinas hidrelétricas, como, por exemplo, Itaipu, Fur-</p><p>nas, Água Vermelha, entre outras.</p><p>Ressalta-se ainda a importância das já mencionadas águas</p><p>subterrâneas, tendo em vista que se estima que as referidas reservas</p><p>ocupam cerca de 112 mil km³, sendo que dessas, a principal e mais co-</p><p>nhecida é a denominada como Aquífero Guarani, que é considerado o</p><p>maio manancial de água doce transfronteiriça do mundo.</p><p>GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS</p><p>Por fim, mas não menos importante, o último tópico a ser abor-</p><p>dado no nosso estudo diz respeito à Gestão de Florestas Públicas, sen-</p><p>do essa disposta legalmente pela Lei n.º 11.284 de 2006, que além de</p><p>tratar da mencionada gestão, também dispõe acerca da estrutura do</p><p>Ministério do Meio Ambiente, o</p><p>Serviço Florestal Brasileiro, bem como</p><p>64</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal.</p><p>As florestas públicas podem ser compreendidas como sendo a</p><p>junção das florestas naturais ou plantadas, que estão presentes no ter-</p><p>ritório brasileiro, tendo em vista os diversos biomas e vegetações exis-</p><p>tentes no nosso país, assim como os bens pertencentes ao domínio da</p><p>União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal e até mesmo das</p><p>entidades da administração indireta, em outras palavras, serão florestas</p><p>públicas aquelas florestas entendidas como nacionais, estaduais, munici-</p><p>pais, reservas extrativistas e que estão em desenvolvimento sustentável.</p><p>Nesse sentido,</p><p>Art. 4º A gestão de florestas públicas para produção sustentável compreende:</p><p>I - a criação de florestas nacionais, estaduais e municipais, nos termos do art.</p><p>17 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e sua gestão direta;</p><p>II - a destinação de florestas públicas às comunidades locais, nos termos do</p><p>art. 6º desta Lei;</p><p>III - a concessão florestal, incluindo florestas naturais ou plantadas e as uni-</p><p>dades de manejo das áreas protegidas referidas no inciso I do caput deste</p><p>artigo. (BRASIL, 2006).</p><p>Dessa maneira, a gestão de florestas públicas pode ocorrer</p><p>por meio da gestão direta, da destinação às comunidades locais e a</p><p>concessão florestal. Assim, a gestão direta será efetuada pelo Poder</p><p>Público, cabendo a esse decidir acerca da execução das atividades</p><p>subsidiárias, como firmar convênios, termos de parceria, contratos ou</p><p>instrumentos similares com terceiros, sendo levado em consideração os</p><p>procedimentos licitatórios e as exigências legais cabíveis a cada caso.</p><p>Já a Gestão de Florestas Públicas, que tem como base a desti-</p><p>nação às comunidades locais, ocorrerá nas situações antes da concessão</p><p>florestal ser deferida e será preciso, portanto, que exista uma identificação</p><p>acerca das florestas públicas que estão sendo ocupadas ou utilizadas pe-</p><p>las comunidades locais para que, posteriormente, sejam destinadas, por</p><p>meio de ato administrativo não oneroso, as referidas comunidades, de-</p><p>vendo ainda ser levado em conta os aspectos ligados e relacionados ao</p><p>meio ambiente equilibrado e ao desenvolvimento sustentável.</p><p>Por fim, a concessão florestal será uma forma de delegação</p><p>onerosa, realizada pelo poder concedente, por meio do qual serão con-</p><p>feridas ao poder concedido o manejo florestal, que deverá se manifes-</p><p>tar por meio da exploração de produtos e serviços sustentáveis, numa</p><p>determinada unidade de manejo. Em regra, ocorrerá por meio de licita-</p><p>ção, devendo ser seguidos todos os procedimentos legais e assumidas</p><p>todas as responsabilidades cabíveis ao caso e à unidade em questão.</p><p>Salienta-se ainda que a mencionada concessão florestal será au-</p><p>65</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>torizada por meio de um ato do poder concedente, que será realizado por</p><p>meio de um contrato, que como já mencionado, precisará seguir o estabe-</p><p>lecido pela Lei n.º 11.284 de 2006, bem como deverá observar e cumprir as</p><p>normas e o edital relacionados à licitação. Nesse sentido, o objeto dessa</p><p>concessão florestal estará ligado à exploração e ao manejo de produtos e</p><p>serviços que contenham origem florestal, desde que esses estejam devida-</p><p>mente cadastrados no âmbito da Gestão de Florestas Públicas.</p><p>66</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 1</p><p>Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: MPE-BA Prova: Ana-</p><p>lista Técnico – Engenharia Sanitária</p><p>A infraestrutura logística de portos no Brasil é composta por uma</p><p>rede de transportes que conecta todo o país por rodovias, aéreas e</p><p>por meio de portos, permitindo e facilitando a compra e a distribui-</p><p>ção de produtos em todo o Brasil, Mercosul, América Latina, Ásia,</p><p>África e Oriente Médio. A presença de portos em Salvador tem uma</p><p>movimentação de contêineres, cargas gerais de diversos produtos</p><p>e recepção de cruzeiros marítimos. Historicamente, desastres am-</p><p>bientais ocorrem no Brasil e no mundo e são consequências, prin-</p><p>cipalmente, da estrutura precária de algumas instalações e falta de</p><p>manutenção constante para evitar o risco de acidentes. Derrama-</p><p>mento de petróleo é um problema ambiental grave, pois causa pre-</p><p>juízos a todos os organismos. As operações realizadas nos portos</p><p>são regidas por amparo de uma legislação que regulamenta as ati-</p><p>vidades que devem ser desempenhadas. De acordo com o disposto</p><p>na Resolução n.º 398/2008, assinale a afirmativa INCORRETA.</p><p>a) Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos: dentre</p><p>elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despe-</p><p>jos, avaliando a eficiência de cada uma delas.</p><p>b) Ações suplementares: conjunto de ações seguintes à situação emer-</p><p>gencial, incluindo ações mitigatórias, ações de rescaldo, acompanha-</p><p>mento da recuperação da área impactada e gestão de resíduos gerados.</p><p>c) Áreas ecologicamente sensíveis: regiões das águas marítimas ou</p><p>interiores, onde a prevenção, o controle da poluição e a manutenção</p><p>do equilíbrio ecológico exigem medidas especiais para a proteção e a</p><p>preservação do meio ambiente.</p><p>d) Derramamento ou descarga: qualquer forma de liberação de óleo ou</p><p>mistura oleosa em desacordo com a legislação vigente para o ambien-</p><p>te, incluindo despejo, escape, vazamento e transbordamento em águas</p><p>sob jurisdição nacional.</p><p>QUESTÃO 2</p><p>Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-PA Prova: Delega-</p><p>do de Polícia Civil</p><p>Acerca da responsabilidade civil por danos ambientais, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) A jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça com-</p><p>preende que a legislação brasileira adotou a Teoria do Risco Integral</p><p>67</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>em matéria de responsabilidade civil decorrente de danos ambientais,</p><p>pelo que basta a comprovação da conduta do agente e do dano, dispen-</p><p>sando-se a presença do nexo de causalidade.</p><p>b) A Teoria do Risco Integral pressupõe a aplicação da Teoria da Equi-</p><p>valência das Condições para a caracterização do nexo de causalidade e</p><p>responsabilização do agente pelos danos ambientais verificados.</p><p>c) Segundo a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, o</p><p>adquirente das cargas transportadas por navio de terceiro que cause</p><p>danos ambientais é responsável solidário por repará-los, em razão da</p><p>aplicação da teoria do risco-proveito.</p><p>d) Ainda que se adote a Teoria do Risco Integral, é indispensável que</p><p>seja demonstrada a existência do nexo causal na hipótese de pretensão</p><p>de responsabilizar o agente por danos ambientais, atuando o nexo de</p><p>causalidade como elemento aglutinador entre a conduta e o resultado.</p><p>QUESTÃO 3</p><p>Ano: 2021 Banca: FCC Órgão: DPE-BA Prova: Defensor (A) Público</p><p>(A)</p><p>Agenor adquiriu imóvel em área rural, desconhecendo o fato de</p><p>que, no local, a edificação se deu a partir de desmatamento de ve-</p><p>getação nativa. A obra foi realizada sem a autorização dos órgãos</p><p>de proteção ambiental competentes. Em razão dos danos ambien-</p><p>tais, o Ministério Público ajuizou ação de reparação de danos em</p><p>face de Agenor. Nesse caso,</p><p>a) o princípio da reparação integral em matéria ambiental privilegia a</p><p>reparação pecuniária em detrimento da reparação in natura dos danos.</p><p>b) a função socioambiental da propriedade exercida pelo adquirente afas-</p><p>ta qualquer responsabilidade em relação ao desmatamento anterior.</p><p>c) aos particulares não se aplica o princípio da precaução, podendo</p><p>realizar as intervenções no meio ambiente, diante de dúvida em relação</p><p>ao potencial lesivo.</p><p>d) as obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo ad-</p><p>missível cobrá-las do adquirente do imóvel e/ou do(s) antigo(s) proprie-</p><p>tário(s), ficando tal</p><p>prerrogativa à escolha do credor.</p><p>QUESTÃO 4</p><p>Ano: 2021 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-AP Prova: Pro-</p><p>motor de Justiça Substituto</p><p>À luz do entendimento do STF, assinale a opção correta, referente</p><p>a dano civil ambiental.</p><p>a) No ordenamento jurídico brasileiro, a regra é a prescrição da preten-</p><p>são reparatória, em qualquer hipótese.</p><p>68</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>b) Havendo inércia dos entes legitimados, deve prevalecer o princípio</p><p>da segurança jurídica em favor do autor do dano ambiental.</p><p>c) A reparação do dano ao meio ambiente é direito fundamental indispo-</p><p>nível, dado o reconhecimento da imprescritibilidade relativa à recompo-</p><p>sição dos danos ambientais.</p><p>d) A CF dispõe, expressamente, acerca da imprescritibilidade dos danos</p><p>civis ambientais.</p><p>QUESTÃO 5</p><p>Ano: 2021 Banca: FGV Órgão: TJ-PR Prova: Juiz Substituto</p><p>João construiu uma suntuosa mansão de veraneio ao lado do leito de</p><p>um rio e em Área de Preservação Permanente (APP), com considerá-</p><p>vel supressão de vegetação. Constando a ocorrência de graves da-</p><p>nos ambientais e de ilegal atividade causadora de impacto ambiental,</p><p>o Ministério Público ajuizou ação civil pública, pleiteando a demolição</p><p>da edificação ilegal e o reflorestamento da área degradada. Na con-</p><p>testação, João alegou que, inobstante não tenha obtido prévia licença</p><p>para a construção, o Município tinha ciência da construção de sua</p><p>casa, eis que fiscais de meio ambiente estiveram no local e não la-</p><p>vraram auto de infração. Assim, argumenta o réu que o poder público</p><p>quedou-se inerte, devendo ser aplicada a teoria do fato consumado,</p><p>pois a construção já ocorreu há dez anos. Consoante jurisprudência</p><p>do Superior Tribunal de Justiça, a tese defensiva:</p><p>a) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido, apesar</p><p>de não ter ocorrido prescrição, já houve consolidação da situação fática no</p><p>tempo pelo fato de o poder público ter tolerado a construção em APP;</p><p>b) merece prosperar, eis que, diante do lapso temporal transcorrido e da</p><p>inércia do poder público que tolerou a construção em APP, aplica-se a</p><p>estabilização dos efeitos do ato administrativo omissivo;</p><p>c) merece prosperar, eis que os princípios da proporcionalidade e da</p><p>razoabilidade informam que o direito de propriedade deve prevalecer</p><p>em razão da inércia do Município, mas João deve ser condenado a</p><p>compensar os danos ambientais provocados;</p><p>d) não merece prosperar, pois não se admite a aplicação da teoria do</p><p>fato consumado em tema de Direito Ambiental, que equivaleria a per-</p><p>petuar e perenizar um suposto direito de poluir que vai ao encontro ao</p><p>postulado do meio ambiente ecologicamente equilibrado.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>O princípio da precaução teve sua gênese na Alemanha, por volta dos</p><p>anos 70, e se consolidou no Direito Internacional após ser inserido na</p><p>Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente, em 1992, como o 15º prin-</p><p>69</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>cípio presente no documento da referida declaração. Nesse sentido,</p><p>relacione o princípio da precaução com dano ambiental.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Assinale a alternativa que indica a relação entre o princípio da pre-</p><p>venção e a poluição dos mares.</p><p>a) Evitar a poluição.</p><p>b) Diminuir a poluição.</p><p>c) Suprimir a poluição.</p><p>d) Reduzir a poluição.</p><p>e) N.D.A.</p><p>NA MÍDIA</p><p>Especialistas indicam caminhos para quantificação de danos ambientais</p><p>pela Justiça. Como quantificar os danos ambientais que atividades hu-</p><p>manas possam causar ao meio ambiente e aos seus habitantes, e quais</p><p>devem ser as reparações para que, de fato, sejam corrigidos, ainda que</p><p>em parte, seus efeitos, são questões que reuniram, em Brasília, especia-</p><p>listas, juristas e integrantes da magistratura em audiência pública promo-</p><p>vida pelo Conselho Nacional de Justiça. O evento ocorreu na quinta-feira</p><p>(27/7) com objetivo de compartilhar conhecimentos técnicos e científicos</p><p>sobre o tema que, futuramente, serão utilizados pelo CNJ para orientar a</p><p>magistratura em processos que tratem de questões ambientais.</p><p>Fonte: Conjur jurídico</p><p>Data: 30 jul. 2023</p><p>Leia na íntegra em: https://www.conjur.com.br/2023-jul-30/especialis-</p><p>tas-indicam-vias-quantificacao-danos-ambientais</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Audiência pública discute instrumentos para mensurar danos ambien-</p><p>tais. As contribuições de especialistas com esclarecimentos técnicos</p><p>que auxiliam a quantificação de danos ambientais foram apresentadas</p><p>na quinta-feira (27/7) durante audiência pública realizada pelo Conse-</p><p>lho Nacional de Justiça (CNJ). Entre as contribuições, estão indicações</p><p>de instrumentos e ferramentas disponíveis atualmente para auxiliar nas</p><p>decisões judiciais e sugestões de aperfeiçoamento. Os participantes,</p><p>que atenderam ao edital de convocação, responderam questões formu-</p><p>ladas pelo chamamento à audiência para a elaboração de parâmetros</p><p>adequados à quantificação do impacto de dano ambiental na mudan-</p><p>ça climática global. O tema atende ao artigo 14, da Resolução CNJ n.</p><p>433/21, que instituiu a Política Nacional do Poder Judiciário para o Meio</p><p>Ambiente. Ao todo, 27 pessoas, entre representantes de órgãos gover-</p><p>70</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>namentais, de entidades e de empresas privadas, tiveram inscrições</p><p>deferidas para falar na audiência pública.</p><p>Fonte: CNJ</p><p>Data: 28 jul. 2023</p><p>Leia na íntegra em: https://www.cnj.jus.br/audiencia-publica-discute-ins-</p><p>trumentos-para-mensurar-danos-ambientais/</p><p>71</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>GABARITOS</p><p>CAPÍTULO 01</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – PADRÃO DE RESPOSTA</p><p>O meio ambiente é um bem coletivo de desfrute individual e geral ao</p><p>mesmo tempo. Onde o direito ao meio ambiente é de cada pessoa e de</p><p>toda a coletividade, ao mesmo tempo, e, por isso, é considerado como</p><p>sendo “transindividual”. Por isso, o direito ao meio ambiente entra na</p><p>categoria de interesse difuso, não se esgotando numa só pessoa, mas</p><p>se espraiando para uma coletividade indeterminada. Enquadra-se o di-</p><p>reito ao meio ambiente na problemática dos novos direitos, sobretudo a</p><p>sua característica de “direito de maior dimensão” (Paulo Affonso Leme</p><p>Machado, 2007, p. 118)</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: A</p><p>Justificativa: A alternativa “a” está correta, pois, o artigo 225 da Cons-</p><p>tituição Federal estabelece que “todos têm direito ao meio ambiente</p><p>ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à</p><p>sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade</p><p>o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gera-</p><p>ções”. Nesse sentido, especifique em qual dispositivo legal está prevista</p><p>a referência legal de meio ambiente.</p><p>72</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 02</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – PADRÃO DE RESPOSTA</p><p>A primeira previsão do princípio encontra-se no artigo 7 da Declaração</p><p>de Estocolmo, que dispõe: “Os Estados deverão tomar todas as medi-</p><p>das possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que</p><p>possam pôr em perigo a saúde do homem, os recursos vivos e a vida</p><p>marinha, menosprezar as possibilidades de derramamento ou impedir</p><p>outras utilizações legítimas do mar”. Observe que o foco do princípio</p><p>da prevenção é evitar a poluição, a ocorrência do dano, atribuindo aos</p><p>Estados a possibilidade de adoção de medidas preventivas. Inicialmen-</p><p>te, o foco do princípio era relacionado aos mares, em virtude de sua</p><p>sujeição ao derramamento de óleo e poluição por deságue. No entanto,</p><p>a prerrogativa atribuída aos Estados possibilitou, por exemplo, a previ-</p><p>são de ferramentas no Direito Ambiental Brasileiro de prevenção mais</p><p>ampla, a exemplo do Estudo de Impacto</p><p>Ambiental, constitucionalmente</p><p>criado e aplicado a todas as obras que possuam potencial degradante</p><p>para o entorno ambiental de sua instalação. O próprio artigo 225 da</p><p>Constituição Federal traz em seu corpo o princípio da prevenção, ao</p><p>impor ao Estado o dever de prevenção do meio ambiente.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: A</p><p>Justificativa: A alternativa “a” está correta, pois, no direito ambiental o</p><p>princípio do poluidor-pagador encontra-se previsto na Lei 6.938/1981 –</p><p>que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, art. 4º, VII, que</p><p>impõe ao poluidor e ao predador, obrigação de recuperar e/ou indenizar</p><p>os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de re-</p><p>cursos ambientais com fins econômicos.</p><p>73</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 03</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – PADRÃO DE RESPOSTA</p><p>O princípio da precaução objetiva prevenir ações e/ou omissões que, no-</p><p>tadamente, afetarão o meio ambiente, o princípio da precaução tem como</p><p>função prever situações que ainda não tenham efeitos negativos cientifi-</p><p>camente comprovados, mas que possuam um potencial degradante a ser</p><p>considerado, de forma que não ocorram danos ambientais pelo apareci-</p><p>mento de contextos não previstos, uma vez que o dano pode ser irrever-</p><p>sível e, portanto, tenha um custo muito alto à sociedade como um todo.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: A</p><p>Justificativa: A alternativa “a” está correta, pois, o foco do princípio da</p><p>prevenção é evitar a poluição, a ocorrência do dano, atribuindo aos Es-</p><p>tados a possibilidade de adoção de medidas preventivas. Inicialmente,</p><p>o foco do princípio era com relação aos mares, em virtude de sua su-</p><p>jeição ao derramamento de óleo e poluição por deságue. No entanto, a</p><p>prerrogativa atribuída aos Estados possibilitou, por exemplo, a previsão</p><p>de ferramentas no Direito Ambiental Brasileiro de prevenção mais am-</p><p>pla, a exemplo do Estudo de Impacto Ambiental, constitucionalmente</p><p>criado e aplicado a todas as obras que possuam potencial degradante</p><p>para o entorno ambiental de sua instalação. O próprio artigo 225 da</p><p>Constituição Federal traz em seu corpo o princípio da prevenção, ao</p><p>impor ao Estado o dever de prevenção do meio ambiente.</p><p>74</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Dis-</p><p>ponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constitui-</p><p>caoCompilado.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Disponível em: http://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938compilada.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9433.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Lei nº 11.284, de 2 de março de 2006. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11284.htm.</p><p>Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651compila-</p><p>do.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Disponível</p><p>em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html.</p><p>Acesso em 06 ago. 2023</p><p>BRASIL. Política Nacional do Meio Ambiente. Lei nº 6.938, de 31 de</p><p>agosto de 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>Leis/L6938.htm. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>CRISTINA, F; FRANCESCHET, J; PAVIONE, L. Exame da OAB – Dou-</p><p>trina – Volume único. Mato grosso: Editora Juspodivm, 14ª edição, 2022.</p><p>DIGITAL GLOBE. Estado de Minas. Imagens de satélite mostram Bento</p><p>Rodrigues antes e depois de tragédia. Disponível em: https://www.em.</p><p>com.br/app/noticia/gerais/2015/11/12/interna_gerais,707158/imagens-</p><p>-de-satelite-mostram-bento-rodrigues-antes-e-depois-de-tragedia.shtml</p><p>Acesso em 06 ago. 2023</p><p>ESTADÃO DE MINAS. Estudo mostra que lama de desastre de Mariana</p><p>chegou a Abrolhos. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/</p><p>gerais/2019/09/06/interna_gerais,1082718/estudo-mostra-que-lama-de-</p><p>75</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>-desastre-de-mariana-chegou-a-abrolhos.shtml. Acesso em 06 ago. 2023</p><p>GOOGLE EARTH. G1. Brumadinho antes e depois: veja imagens do</p><p>rompimento de barragem da Vale. Disponível em: https://g1.globo.com/</p><p>mg/minas-gerais/noticia/2019/01/25/antes-e-depois-veja-imagens-do-</p><p>-rompimento-de-barragem-da-vale-em-brumadinho-mg.ghtml Acesso</p><p>em 06 ago. 2023</p><p>SILVA, J. A. Aplicabilidade das normas constitucionais. São Paulo: Re-</p><p>vista dos Tribunais, 2012</p><p>VERDIANO, A. da S.; AEROZA, Á. M. V.; JESUS, J. Moreira de; MOU-</p><p>RA, N. E. A; MACHADO; C. C. L. Problemática da legislação ambien-</p><p>tal brasileira. Disponível em: https://jemersonmoreira.jusbrasil.com.br/</p><p>artigos/469080712/problematicas-da-legislacao-ambiental-brasileira.</p><p>Acesso em 06 ago. 2023</p><p>76</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>produzidos pelo meio ambiente,</p><p>dependemos da água potável para que o nosso corpo funcione como</p><p>deve, assim como precisamos dos alimentos advindos da natureza, se-</p><p>jam esses derivados dos animais ou dos vegetais e frutas.</p><p>A evolução humana trouxe vários benefícios para o nosso de-</p><p>senvolvimento, pois, várias facilidades foram alcançadas a partir das</p><p>novas descobertas e novos estudos, assim, o mundo passou por di-</p><p>versas mudanças ao longo dos séculos. Um dos momentos históricos</p><p>que trouxe mais avanços para a humanidade está relacionado à indus-</p><p>trialização, contudo, como nem tudo traz apenas pontos positivos, o</p><p>surgimento da indústria e as suas consequências também trouxeram</p><p>negatividades em vários aspectos e cenários ao nível mundial.</p><p>A partir da industrialização, a produção de objetos artesanais pas-</p><p>sou a ser em uma escala diminuta, em virtude da implementação das má-</p><p>quinas, tendo em vista que essas produziam em uma escala bem maior, e</p><p>acabaram sendo substitutas das atividades que eram anteriormente reali-</p><p>zadas pelos humanos. Dessa forma, uma das consequências geradas pela</p><p>industrialização foi com relação às condições precárias de trabalho.</p><p>Outro impacto ocasionado pelos avanços industriais, econômi-</p><p>cos e tecnológicos foram as agressões promovidas ao meio ambiente,</p><p>vistas até a atualidade, pois, a produção em grande escala ainda não</p><p>apresentava uma preocupação voltada à produção dos gases, nem tão</p><p>pouco direcionada aos descartes inadequados, diante disso, grandes</p><p>índices de poluição foram produzidos, sendo esse um fenômeno global.</p><p>Ressalta-se ainda que as indústrias não são as únicas respon-</p><p>sáveis pelos malefícios que atingem o meio ambiente, afinal, se esse</p><p>fosse o problema, as políticas e as legislações atuais que regulam o</p><p>funcionamento desses locais seriam suficientes para minimizar, ou até</p><p>mesmo extinguir os referidos danos. Contudo, o consumismo extremo e</p><p>irresponsável provocado pelo capitalismo também prejudica a natureza e</p><p>a sua manutenção, como exemplo desse fato podemos citar o aumento</p><p>12</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>da produção do lixo e a implementação das ruas e estradas de asfalto.</p><p>A breve análise realizada acerca do meio ambiente já é capaz</p><p>de nos fazer perceber a imprescindibilidade de um ambiente saudável em</p><p>nossas vidas, contudo, os aspectos proporcionados pela indústria, co-</p><p>mércio, tecnologias, entre outros, também compõem uma importância de</p><p>destaque em nosso cotidiano, pois, é difícil imaginar as nossas vidas sem</p><p>todas essas facilidades. Diante desse contexto, é necessário existir um</p><p>equilíbrio entre as duas áreas, para que uma não gere prejuízos a outra.</p><p>Nesse sentido, existem várias legislações e instrumentos que</p><p>visam proteger o meio ambiente, sem causar prejuízos ao comércio,</p><p>mas determinando limitações quanto ao seu uso, para serem evitados</p><p>exageros e falta de cuidados.</p><p>Por meio desse material vamos expandir nosso conhecimento</p><p>quanto ao meio ambiente em suas várias acepções, bem como iremos</p><p>estudar as legislações constitucionais e inconstitucionais que determi-</p><p>nam regras e princípios responsáveis por proteger o meio ambiente.</p><p>Além disso, iremos compreender a Política Nacional do Meio Ambiente,</p><p>os espaços territoriais protegidos, os recursos hídricos e a gestão de</p><p>florestas públicas, sem deixar de lado uma análise acerca da poluição e</p><p>os danos provocados ao meio ambiente.</p><p>13</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO DO MEIO AMBIENTE</p><p>O meio ambiente possui um conceito amplo e a sua definição</p><p>será fixada com base na composição que esse assuma, mas de forma</p><p>geral, a ideia de meio ambiente irá englobar todas as coisas que exis-</p><p>tam na Terra, sejam essas com ou sem vida, envolvendo as regiões, os</p><p>ecossistemas e a vida dos seres humanos.</p><p>A Organização das Nações Unidas (ONU) define o meio am-</p><p>biente como sendo um conjunto dos elementos físicos, químicos, bioló-</p><p>gicos e sociais, levando em consideração os efeitos diretos ou indiretos,</p><p>que podem causar sobre os seres vivos, em geral, mas sem esquecer</p><p>as atividades humanas e o sistema natural que engloba todos os men-</p><p>cionados fatores. Por sua vez, o Conselho Nacional do Meio Ambiente</p><p>ASPECTOS GERAIS ACERCA DO</p><p>MEIO AMBIENTE</p><p>13</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>14</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>(CONAMA) determina que meio ambiente é o “conjunto de condições,</p><p>leis, influências e interações de ordem física, química, biológica, social,</p><p>cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as</p><p>suas formas” (RESOLUÇÃO 306/2002, anexo I, XIII).</p><p>O meio ambiente irá envolver a atmosfera (camada de ar que exis-</p><p>te ao redor do planeta Terra), a hidrosfera (todas as águas existentes na</p><p>Terra), a biosfera (todo tipo de vida presente no nosso planeta) e a litosfera</p><p>(engloba a superfície rochosa e o solo, também conhecido como crosta ter-</p><p>restre), em outras palavras, o meio ambiente poderá compreender a água,</p><p>a vegetação, os animais, as árvores, as rochas, os micro-organismos, o ar,</p><p>o clima e os seus fenômenos, o magnetismo e assim por diante.</p><p>Os recursos que derivam da natureza podem assumir um cará-</p><p>ter renovável ou não renovável. O primeiro trata acerca dos recursos que</p><p>podem ser utilizados, mas podem ser repostos, enquanto os não renová-</p><p>veis se esgotam, em outras palavras, após utilizados deixam de existir ou</p><p>são significativamente alterados, por isso, não podem ser repostos.</p><p>Nesse sentido, o conceito esparso de meio ambiente pode en-</p><p>globar algumas espécies de subconceitos, sendo esses o meio ambiente</p><p>natural (os bens naturais, ou seja, aqueles citados quando mencionamos o</p><p>conceito apresentado pela ONU), o meio ambiente artificial (compreende o</p><p>ambiente que estamos acostumados a viver todos os dias, ou seja, englo-</p><p>ba o espaço urbano e é criado pelo ser humano), o meio ambiente cultural</p><p>(trata acerca do vínculo estabelecido entre o homem e o ambiente) e o</p><p>meio ambiente laboral (refere-se às condições de saúde e segurança do lo-</p><p>cal em que o trabalho exerce as funções e cargos ligadas à sua profissão).</p><p>A importância do meio ambiente é incalculável, já que a sua</p><p>imprescindibilidade se demonstra não só pelo uso dos seres humanos,</p><p>mas também para os outros seres todo. A atualidade apresenta a ne-</p><p>cessidade da proteção ao meio ambiente, já que essa está em risco</p><p>diante do cenário em que vivemos, pois, vários dos recursos contidos</p><p>na natureza são utilizados como matéria-prima no âmbito da indústria,</p><p>além disso, a globalização e os avanços tecnológicos sem limites tam-</p><p>bém são responsáveis pela crise ambiental.</p><p>Diante desse fato é preciso existirem medidas protetivas dire-</p><p>cionadas ao ambiente e todos os aspectos que o compõem, sendo esse</p><p>um objetivo a ser cumprido tanto pelo Estado, quanto pelo povo, já que</p><p>o meio ambiente é ao mesmo tempo, um direito e um dever de todos. As</p><p>legislações que visam defender e preservar o meio ambiente podem ser</p><p>firmadas internacional ou nacionalmente, sendo as primeiras firmadas</p><p>por meio de tratados e convenções, à medida que as segundas se ma-</p><p>nifestam, através das constituições existentes e próprias de cada país,</p><p>bem como pelas leis e decretos infraconstitucionais, também presentes</p><p>15</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>nas mais diversas nações.</p><p>A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O MEIO AMBIENTE</p><p>A Constituição Federal da República Federativa do Brasil de</p><p>1988 é mundialmente conhecida como a “constituição cidadã”, por sur-</p><p>gir após o término da ditadura militar brasileira, apresenta uma preocu-</p><p>pação voltada a recuperar o tempo</p><p>perdido durante essa jornada som-</p><p>bria, em virtude disso há inúmeros direitos sociais e coletivos, mas sem</p><p>deixar de lado os direitos individuais, já que cada um desses apresenta</p><p>a sua importância na vida dos cidadãos. É interessante ressaltar que,</p><p>na época da sua promulgação também ficou conhecida como “Consti-</p><p>tuição Verde ou Ecológica” em virtude da quantidade de artigos do seu</p><p>corpo textual, que abordam a proteção ao meio ambiente.</p><p>As Constituições anteriores não demonstravam em seus tex-</p><p>tos uma preocupação e um cuidado destinado à proteção ao meio am-</p><p>biente, contudo os primeiros cuidados direcionados a essa preservação</p><p>surgiram nos anos 60, mas só a partir de 1972, com a conferência de</p><p>Estocolmo, notou-se uma preocupação prática, não só do Estado, mas</p><p>também da população. Nesse mesmo período as indústrias, e com elas</p><p>a poluição, ganharam força no Brasil, ficando ainda mais evidente a</p><p>necessidade da proteção, sendo essa expressa por meio de diversos</p><p>movimentos ambientalistas que surgiram nessa época.</p><p>A década de 80 foi a responsável por demonstrar um conjunto</p><p>de avanços relacionados aos direitos protetivos do meio ambiente, nesse</p><p>sentido e tendo em vista as influências geradas pelo direito ambiental in-</p><p>ternacional, foram criadas leis que destinavam a atenção indispensável à</p><p>referida temática. Podemos citar como exemplo a Lei n.º 6.938 de 1981,</p><p>que está em vigor até os dias atuais, e é a incumbida por tratar acerca da</p><p>responsabilidade civil atribuída nos casos de cometimento de ato lesivo</p><p>ao meio ambiente, estabelecendo formas não só de punição, mas tam-</p><p>bém de recuperação em virtude do dano sofrido. Depois dessa legislação</p><p>outras foram propostas no mesmo intuito, mas cada um delas dispondo</p><p>acerca de um ponto diferenciador e com uma responsabilidade própria.</p><p>Diante desse contexto, também surgiu a Constituição Federal de</p><p>1988, sendo a primeira constituição brasileira a trazer um capítulo desti-</p><p>nado exclusivamente ao meio ambiente, sendo que esse contém normas</p><p>e princípios relativos à proteção do meio ambiente natural, assim como</p><p>dispõe sobre os meios ambientes artificiais, o cultural e o do trabalho.</p><p>Assim, o que podemos auferir após essa breve contextualiza-</p><p>ção histórica, da proteção do meio ambiente na legislação brasileira,</p><p>16</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>é que ela é recente e ainda precisa passar por várias modificações e</p><p>ampliações, para que se torne ideal. Além disso, não é preciso que só o</p><p>Estado apresente uma preocupação e um cuidado acerca dessa temá-</p><p>tica, mas que a própria população demonstre interesse e desempenhe</p><p>a sua parte, pois, de nada adianta levantar políticas de proteção ou</p><p>críticas às decisões tomadas pelo governo ou grandes empresas, se na</p><p>hora de tomar a atitude correta, o papel da balinha for jogado no chão</p><p>ou a coleta seletiva não ser realizada.</p><p>O povo precisa entender que o meio ambiente é essencial para</p><p>a sua sobrevivência e que tê-lo em boas condições é seu direito, mas</p><p>que preservá-lo também é um dever seu e, para isso, não podemos ficar</p><p>jogando a responsabilidade para outras instâncias, mas sim assumi-la</p><p>e tomar as decisões corretas, bem como incentivar as pessoas do seu</p><p>convívio para fazerem o mesmo.</p><p>A atual Lei Maior Brasileira estabelece vários dispositivos, que</p><p>dispõem sobre o meio ambiente, entre eles o artigo que merece des-</p><p>taque é o 225, sendo considerada uma das normas que oferece uma</p><p>maior proteção ao meio ambiente.</p><p>Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,</p><p>bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impon-</p><p>do-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo</p><p>para as presentes e futuras gerações. (BRASIL, 1988).</p><p>Diante desse contexto é preciso destacar que o direito a que</p><p>Constituição Federal se refere não é apenas ao direito ambiental, tendo</p><p>em vista que a artificialidade também faz parte dele, dessa forma, o</p><p>ambiente em questão é aquele equilibrado, no qual as suas funções es-</p><p>senciais são preservadas e mantidas, devendo ser levado em conta não</p><p>apenas os humanos, mas também os outros seres vivos que dependem</p><p>do bem-estar do meio ambiente em questão.</p><p>Além disso, o direito ao meio ambiente, bem como a sua pre-</p><p>servação, manuseio e manutenção são considerados como direito fun-</p><p>damental da pessoa humana e como direito difuso, já que pertence à</p><p>sociedade como um conjunto, tendo em vista que, tanto a população</p><p>existente, quando as que ainda vão povoar o território, dependem de</p><p>um ambiente equilibrado.</p><p>O parágrafo primeiro do artigo 225 da CF88, em análise, traz</p><p>as disposições referentes às responsabilidades que devem ser assu-</p><p>midas pelo Poder Público, para que o direito ambiental seja fornecido</p><p>e garantido devidamente. Nesse sentido, algumas dessas obrigações</p><p>estão ligadas à preservação e à restauração dos processos ecológicos,</p><p>17</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>bem como da promoção da manutenção e do manuseio ecológico das</p><p>espécies presentes, nos mais diversos ecossistemas. Além disso, tam-</p><p>bém poderão ser exigidas, na forma da lei, que as obras ou atividades</p><p>potencialmente geradoras de impactos significativos apresentem um</p><p>estudo prévio acerca dos danos que podem ser causados, devendo ser</p><p>dada publicidade para o referido o estudo. Assim, o referido parágrafo</p><p>primeiro do artigo 225, determina que:</p><p>§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:</p><p>I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o ma-</p><p>nejo ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento)</p><p>II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País</p><p>e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material</p><p>genético; (Regulamento) (Regulamento)</p><p>III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus com-</p><p>ponentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão</p><p>permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa</p><p>a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento)</p><p>IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmen-</p><p>te causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de</p><p>impacto ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento)</p><p>V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, méto-</p><p>dos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o</p><p>meio ambiente; (Regulamento)</p><p>VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a cons-</p><p>cientização pública para a preservação do meio ambiente;</p><p>VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que co-</p><p>loquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou</p><p>submetam os animais a crueldade. (Regulamento) (BRASIL, 1988).</p><p>Quando os cidadãos identificarem que estão sendo descumpri-</p><p>das as legislações que protegem o meio ambiente, sejam essas constitu-</p><p>cionais ou infraconstitucionais, terão o direito de intervir e o instrumento</p><p>jurídico utilizado para essa finalidade será a ação popular, como prevê</p><p>o artigo art. 5º, LXXIII, da Constituição Federal de 1988. Por isso, serão</p><p>necessárias técnicas e meios que proporcionem a educação ambiental,</p><p>sendo que essa deverá estar presente em todos os níveis da sociedade,</p><p>independente da classe social ocupada pelas pessoas, para que assim,</p><p>toda a população entenda e se conscientize acerca da imprescindibilida-</p><p>de ligada à proteção e à preservação ambiental, tanto em grande escala,</p><p>como àquelas derivadas das atividades empresariais, como as que de-</p><p>correm de práticas e acontecimentos que podemos controlar, por meio de</p><p>nossos hábitos e costumes, fato que por si só já justifica a necessidade</p><p>do fornecimento de uma educação ambiental, para que a devida compre-</p><p>18</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ensão sobre reciclagem e outras formas de proteção seja implementada.</p><p>Assim, mais uma vez fica claro que não cabe só ao Estado a</p><p>responsabilidade de fiscalizar, proteger, zelar e defender a qualidade am-</p><p>biental, pois, em um cenário em que apenas os entes federativos desen-</p><p>volvessem essas funções, seria inviável e ameaçador a segurança do</p><p>meio ambiente, principalmente, no Brasil, tendo em vista a extensão do</p><p>país e a riqueza ambiental presente em várias regiões e áreas do nosso</p><p>território, mesmo após o grande número de impactos sofridos em razão</p><p>de erros e descuidos anteriores, como, por exemplo, a perda de grande</p><p>parte da Mata Atlântica, que até hoje é o bioma mais ameaçado do Brasil.</p><p>Nesse sentido, entende-se que a institucionalização de direitos</p><p>e deveres ligados ao meio ambiente depende da livre participação do</p><p>público, bem como do fluxo permanente de informações, independente</p><p>de sua natureza, por isso, quando o regime em vigor é ditatorial ou auto-</p><p>ritário as leis relacionadas ao meio ambiente não atingem a sua máxime</p><p>eficiência, dessa forma, podem deixar de existir ou ficarem estagnadas</p><p>no tempo, aguardando um instante que torne mais propício a sua imple-</p><p>mentação e seu funcionamento.</p><p>Dessa forma, é correta a afirmação de que o artigo 225 da Lei</p><p>Maior Brasileira é o dispositivo mais importante quanto à proteção do meio</p><p>ambiente presente na referida lei, contudo, o pensamento de que essa é</p><p>única disposição trazida nesse texto normativo é errônea, tendo em vista</p><p>que existem outros artigos ao longo de toda a Constituição brasileira de</p><p>1988, que demonstram preocupação e cuidado acerca desse assunto.</p><p>Nesse sentido, o artigo 170 pode ser mencionado, já que o</p><p>objetivo principal contido nessa reforma é tratar acerca da ordem eco-</p><p>nômica brasileira, mas o desenvolvimento da economia deve respeitar</p><p>e observar os limites da legislação que aborda o meio ambiente, dessa</p><p>forma, a referida ordem econômica deverá obedecer ao princípio da</p><p>defesa do meio ambiente, levando em consideração o tratamento dife-</p><p>renciado, conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de</p><p>seus processos de elaboração e prestação.</p><p>Verifica-se que o desenvolvimento econômico bem-sucedido e</p><p>legal terá as suas bases firmadas em ideologias e práticas voltadas à</p><p>sustentabilidade dos recursos naturais, sendo a presente temática rele-</p><p>vante na atual conjuntura socioeconômica mundial, pois, grande parte</p><p>da população e dos entes federativos irá preferir firmar relações jurídi-</p><p>cas com aquelas empresas que cumprem os seus deveres direcionados</p><p>à proteção do meio ambiente, sem diminuir a qualidade e a eficiência</p><p>dos seus produtos e serviços.</p><p>Nesse sentido, a proteção ao meio ambiente não deve ser vista</p><p>como um fato que atrapalhe os avanços econômicos e tecnológicos,</p><p>19</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>mas sim um caminho através do qual o desenvolvimento deverá ser</p><p>trilhado, pois, o uso indevido do meio ambiente, ou seja, sem um foco</p><p>destinado aos limites do seu uso, a sua preservação ou a observação</p><p>do tempo de colheita e de defeso, por exemplo, garante a manutenção</p><p>dos recursos naturais utilizados pelas atividades da própria empresa,</p><p>assim, no cenário em que esses deixem de existir, o exercício de suas</p><p>funções também seria prejudicado.</p><p>Os §§ 2º a 6º art. 225 da Constituição Federal da República do</p><p>Brasil de 1988 serão os responsáveis por determinar as normas espe-</p><p>cíficas ou particulares, sendo essas as que tratam acerca das áreas de</p><p>grande importância ecológica, bem como de situações e temáticas que</p><p>despertem o interesse voltado ao meio ambiente. Assim, parágrafo se-</p><p>gundo do artigo 225 determina que aquelas pessoas físicas ou jurídicas</p><p>que resolverem explorar os recursos minerais presentes na natureza de-</p><p>verão se responsabilizar pela recuperação do meio ambiente degradado,</p><p>para isso, devem cumprir as exigências técnicas feitas pelo órgão público</p><p>competente e seguir as designações legais que abordem o assunto.</p><p>Além disso, o mencionado §3º estabelece que serão fixadas</p><p>sanções penais e administrativas, assim como será gerada a obrigação</p><p>de reparar os danos causados por aquelas que praticarem condutas lesi-</p><p>vas ao meio ambiente. Por sua vez, o §4º determina os meios de prote-</p><p>ção de microrregiões relevantes, que serão intitulados como patrimônio</p><p>nacional, sendo essas “a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica,</p><p>a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira”.</p><p>À medida que o §5º terá como responsabilidade dispor sobre a</p><p>indisponibilidade de terras devolutas necessárias à proteção de ecossiste-</p><p>mas naturais, tendo em vista que as mencionadas terras são configuradas</p><p>como bens públicos da União, portanto, a sua preservação é indispensá-</p><p>vel. Por fim, o parágrafo sexto irá abordar as restrições voltadas às instala-</p><p>ções de usinas nucleares, estando a sua localização fixada por lei federal e</p><p>a sua instalação estará condicionada a determinada especificação.</p><p>Quanto à competência comum, o artigo 23, da Constituição Fe-</p><p>deral de 1988, determina que a União, os Estados, o Distrito Federal e</p><p>os Municípios deverão proteger o meio ambiente e combater todas as</p><p>formas de poluição existentes (os tipos de poluição serão abordadas em</p><p>capítulo posterior desse módulo), bem como devem proporcionar a pre-</p><p>servação das florestas, da fauna e da flora. Dessa forma, vale relembrar</p><p>os referidos conceitos.</p><p>A fauna pode ser entendida como o conjunto dos animais pre-</p><p>sentes em uma determinada região, assim, a fauna de cada floresta</p><p>será diferente, tendo em vista quesitos como as condições climáticas e</p><p>geográficas de cada localidade, além disso, esse termo também pode</p><p>20</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ser utilizado para identificar grupos de organismos que viveram na terra</p><p>durante uma determina época geológica.</p><p>À medida que a flora pode ser compreendida como um grupo</p><p>de plantas que existe em um determinado local ou região, assim cada</p><p>floresta possuirá sua própria vegetação, sendo essa dotada de carac-</p><p>terísticas próprias e as suas classificações irão depender de critérios,</p><p>como o tamanho das árvores, o estilo das folhas, os tipos de frutos, o</p><p>aspecto do solo e, assim por diante. A destruição da flora tem como</p><p>resultado impactos e danos que não podem ser reparados, como a mu-</p><p>dança do ciclo das chuvas e a alteração da temperatura.</p><p>Salienta-se ainda que os danos causados a esses agrupamen-</p><p>tos de plantas e animais podem ocasionar reflexos por todo o mundo,</p><p>sendo esse um dos fatores que despertam o interesse global acerca da</p><p>temática, diante disso, por exemplo, quando a Floresta Amazônica sofre</p><p>algum tipo de violação ilegal, os olhos do mundo se dirigem ao Brasil e</p><p>o assunto vira notícia e polêmica em todo o mundo, pois, as riquezas</p><p>presentes nessa floresta, caso perdidas, não poderão ser repostas e</p><p>esse é um problema e uma perda imensurável.</p><p>Além das disposições presentes no texto constitucional, existe</p><p>um aparato legal fora da Lei Maior, sendo que essas são chamadas</p><p>de infraconstitucionais, pois, estão abaixo e fora da constituição, mas</p><p>devem obedecer aos preceitos firmados e determinados por ela, tendo</p><p>em vista o princípio da supremacia e o princípio da hierarquia constitu-</p><p>cional. Contudo, as legislações que não estão inseridas na Constituição</p><p>também desempenham um destaque, já que é através dessas legisla-</p><p>ções que questões mais específicas são abordadas e discutidas, tendo</p><p>em vista que as normas constitucionais trazem disposições gerais e</p><p>norteadoras das regras e princípios que devem ser seguidos, em todos</p><p>os outros níveis presentes na federação.</p><p>Ao nível mundial, o Brasil apresenta uma das legislações am-</p><p>bientais mais amplas e evoluídas,</p><p>quando comparado com as normas</p><p>existentes em outros países, dessa forma, há uma quantidade expres-</p><p>siva de leis que regem a tutela ambiental, bem como a regulamentação</p><p>das atividades, direta ou indiretamente relacionadas ao meio ambiente.</p><p>Em virtude disso, podemos citar algumas das principais legis-</p><p>lações ambientais existentes no Brasil, sendo essas:</p><p>- Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n.º 6.938 de</p><p>1981) – responsável por definir várias determinações dirigidas à prote-</p><p>ção e à preservação do meio ambiente, essa lei será melhor estudada</p><p>em capítulo próprio;</p><p>- Lei dos Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605 de 1998) – incum-</p><p>bida de tratar sobre as infrações e punições destinadas àqueles que</p><p>21</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>infrigiram a legislação ambiental;</p><p>- Lei de Recursos Hídricos (Lei n.º 9.433 de 1997) – respon-</p><p>sável por instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos e por criar o</p><p>Sistema Nacional de Recursos Hídricos;</p><p>- Novo Código Florestal Brasileiro (Lei n.º 12.651 de 2012) –</p><p>trata acerca da proteção da vegetação nativa;</p><p>- Lei do Parcelamento do Solo Urbano (Lei n.º 6.766 de 1979) –</p><p>aborda as normas referentes aos loteamentos urbanos e a preservação</p><p>das áreas ecológicas;</p><p>- Lei da Exploração Mineral (Lei n.º 7.805 de 1989) – respon-</p><p>sável por regulamentar as atividades garimpeiras e minerárias em todo</p><p>território nacional;</p><p>- Lei da Ação Civil Pública (Lei n.º 7.347 de 1985) – trata acerca</p><p>dos interesses relacionados aos direitos difusos que podem ser viola-</p><p>dos a partir dos danos causados ao meio ambiente;</p><p>- Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (Lei n.º 12.305</p><p>de 2010) – estabelece a Política Nacional dos Resíduos Sólidos;</p><p>- Estatuto das Cidades (Lei n.º 10.257 de 2001) – dispõe so-</p><p>bre os princípios gerais e da regulamentação quanto à organização dos</p><p>centros urbanos.</p><p>Contudo, apesar do vasto arsenal legislativo ambiental pre-</p><p>sente em nosso país, são verificadas as presenças de falhas dentro</p><p>dessa mesma legislação, que acabam gerando prejuízo quanto a sua</p><p>aplicação, bem como enfatizam e ampliam ainda mais a problemática</p><p>já existente em torno dos desastres ambientais. Além disso, no Brasil</p><p>ainda é comum que as empresas ou instâncias ligadas à economia ou</p><p>a uma disputa que envolva um conflito entre a iniciativa privada e a</p><p>iniciativa pública acabem colocando o direito ambiental à margem das</p><p>preocupações, não lhe dando o foco preciso, em virtude disso, quando</p><p>os fenômenos, muitas vezes até irreversíveis acontecem, erros já con-</p><p>solidados e enraizados tentarão ser corrigidos ou extinguidos, porém,</p><p>as dificuldades vivenciadas já terão uma complexidade ainda maior.</p><p>Por outro lado, ressalta-se que a dificuldade em zelar pela qua-</p><p>lidade e pela efetividade das leis estabelecidas no âmbito internacional,</p><p>que não são regularmente cumpridas e, por isso, terminam tornando</p><p>ainda mais favorável a ocorrência de desastres e fatos que prejudiquem</p><p>o meio ambiente, estão presentes no mundo todo, assim, auferir essa</p><p>culpa apenas para o Brasil, consiste em um erro e uma visão limitatória</p><p>sobre um ponto de vista global. Nesse sentido, fatores relacionados à</p><p>globalização e as suas decorrências acabam impactando o meio am-</p><p>biente, positiva ou negativamente, a depender da situação em questão.</p><p>Diante do exposto até aqui, não se contesta que há uma pre-</p><p>22</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ocupação direcionada ao meio ambiente no território nacional. Dessa</p><p>maneira, a criação e a realização das legislações que envolvem a referi-</p><p>da temática, os cuidados e as atenções, no cenário prático, real e atual,</p><p>devem existir de fato, sem direcionar para outras áreas.</p><p>Como comprovação dos mencionados empecilhos e problemá-</p><p>ticas enfrentadas e vivenciadas pelas legislações e determinações am-</p><p>bientais, sejam essas constitucionais ou infraconstitucionais, podemos</p><p>citar alguns desastres ambientais que assustaram a população e colo-</p><p>caram em pauta que as legislações existentes no Brasil, por mais que</p><p>numerosas e bem elaboradas textualmente, não apresentam um grau</p><p>de efetividade e de punibilidade alto o suficiente para serem cumpridas</p><p>na prática. Dessa forma, as multas e penas estabelecidas contra aque-</p><p>les que cometem tais atos, até chegam a apresentar certas punições,</p><p>contudo, não atingem a função preventiva da pena, tendo em vista a</p><p>semelhança entre as tragédias ambientais no Brasil e o despreparo em</p><p>lidar com essas, tendo em vista a magnitude dos seus acontecimentos.</p><p>Nesse viés, o rompimento da barragem localizada no distrito</p><p>de Bento Rodrigues, localizado em Mariana, Minas Gerais, ocorrido em</p><p>2015, assustou o país e levantou uma série de debates acerca do descar-</p><p>te e do acúmulo de materiais que resultam de atividades de mineração.</p><p>Após o rompimento, a lama contida nas barragens do Fundão e de San-</p><p>tarém, ambas da mineradora Samarco, trilhou um caminho de destruição,</p><p>responsável por configurar a maior catástrofe ambiental da história brasi-</p><p>leira. Salienta-se ainda que 600 famílias ficaram desalojadas, 19 pessoas</p><p>morreram, 1469 de hectares de vegetação foram comprometidos e, em</p><p>média, 663 quilômetros de rios e córregos acabaram contaminados pela</p><p>lama, sendo que depois de algumas horas, a referida lama chegou ao rio</p><p>Doce, sendo essa a maior bacia da região sudeste brasileira.</p><p>Figura 1 - Destruição em Bento Rodrigues</p><p>Fonte: Digital Globe (2015).</p><p>23</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>O presente desastre promoveu um grande prejuízo aos ecos-</p><p>sistemas da região, já que toneladas de peixes e outros animais mor-</p><p>reram vítimas desse acontecimento. Em virtude do referido cenário, a</p><p>empresa responsável por essas barragens foi punida, tendo que efetuar</p><p>o pagamento de uma quantia superior a R$350 milhões em autos de</p><p>infração, contudo, até janeiro de 2019 o pagamento em questão não ha-</p><p>via sido realizado, fato que demonstra a falta de seriedade da punição</p><p>instaurada. E como consequência, não fornece o exemplo para as ou-</p><p>tras, de prejuízos que lhe podem ser gerados, caso não sejam respon-</p><p>sáveis pelo descarte adequado de seus materiais, entretanto, como isso</p><p>não acontece, a ideia passada é a de que a punição não será aplicada,</p><p>assim, as falhas podem ser cometidas sem maiores consequências.</p><p>Era de se esperar que uma lição tivesse sido aprendida com o</p><p>referido fato e, que em decorrência disso, as empresas, principalmente</p><p>aquelas dotadas da mesma natureza que a Samarco, ou seja, mine-</p><p>radoras, que estivessem em situação de risco quanto à promoção de</p><p>algum mal à população de dada região e aos seus ecossistemas. Con-</p><p>tudo, esse cenário não foi respeitado no Brasil e com apenas quatro</p><p>anos depois, no ano de 2019, ocorreu o rompimento da barragem de</p><p>Brumadinho, também em Minas Gerais.</p><p>O rompimento da barragem I na mina Córrego do Feijão, de</p><p>propriedade da mineradora Vale, foi responsável por destruir tudo que</p><p>encontrou em seu caminho, estando nele casas, plantações, pousadas,</p><p>estradas, vegetação e a própria sede administrativa da mineradora Cór-</p><p>rego de Feijão, na qual cerca de 300 pessoas trabalhavam no momento</p><p>da tragédia. O referido desabamento teve como resultado a morte de</p><p>241 vítimas e o desaparecimento de 25 pessoas, segundo dados divul-</p><p>gados até maio de 2019.</p><p>Figura 2 - Antes e depois do rompimento da barragem em Brumadinho/MG.</p><p>24</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Fonte: Google Earth (2023).</p><p>Conforme o IBAMA, os danos ambientais provocados por esse</p><p>rompimento foram responsáveis por devastar 113,27 hectares de ve-</p><p>getação nativa da Mata Atlântica e 70,65 hectares de Áreas de Preser-</p><p>vação Permanente (APP), em virtude da tragédia, um dos principais</p><p>afluentes do Rio São Francisco, o Rio Paraopeba, também foi grave-</p><p>mente contaminado. Além das várias vidas humanas perdidas, também</p><p>foram registradas a morte de alguns animais, entre esses uma grande</p><p>quantidade de peixes e gado. Nesse sentido, o impacto ambiental as-</p><p>sumiu tanta proporção que ainda não pode ser mensurado de forma</p><p>precisa, tendo em vista o nível de devastação instaurada.</p><p>Ressalta-se que os dois desastres ambientais escolhidos como</p><p>exemplos são apenas dois de vários acontecimentos registrados no</p><p>Brasil, já que ao longo dos últimos 20 anos ocorreram outras catástro-</p><p>fes ambientais, a citar o Incêndio na Ultracargo, no Porto de Santos, em</p><p>2015 e o Vazamento de Óleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro,</p><p>em 2000, entre outros. Dessa forma, cada um desses acontecimentos</p><p>causa prejuízos incalculáveis para toda uma região, não só economica-</p><p>mente falando ou se referindo as vidas humanas perdidas, bem como a</p><p>quantidade de desabrigados, mas sim aos danos causados aos ecos-</p><p>sistemas, sendo que esses perduram por décadas. Como prova desse</p><p>argumento, temos um estudo científico publicado no dia 29 de agosto</p><p>de 2019, ou seja, cerca 4 anos após o rompimento, mostrando que mais</p><p>de sete meses após o acontecimento da tragédia a porção sul do Ban-</p><p>co Abrolhos foi atingida por fragmentos da lama, fato que demonstra a</p><p>magnitude de apenas um das catástrofes registradas em Minas Gerais.</p><p>Diante do exposto, fica bem claro que a população precisa</p><p>demonstrar uma voz mais ativa na defesa do meio ambiente, pois, a</p><p>comoção momentânea causada após as tragédias não traz nem im-</p><p>pactos e muito menos resultados. A fiscalização por parte do Estado e</p><p>25</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do povo deve ocorrer de forma frequente, para que as instituições, pú-</p><p>blicas ou privadas, que possam gerar algum risco para o meio ambien-</p><p>te e, consequentemente, para a população em geral, amplie os seus</p><p>métodos protetivos para que novas tragédias não sejam registradas e</p><p>mais danos aos ecossistemas brasileiros não sejam causados. Esse é</p><p>um dos deveres a ser desempenhado pelos cidadãos, não devendo ser</p><p>apresentadas desculpas ou desinteresse, já que as perdas causadas</p><p>poderão resultar em impactos profundos para a vida humana, sendo</p><p>que tais fatos podem ser registrados e sentidos até vários anos após o</p><p>acontecimento das já mencionadas catástrofes.</p><p>DIREITO AMBIENTAL</p><p>Levando em consideração a abrangência e a importâncias das te-</p><p>máticas que abordam o meio ambiente, é preciso existir uma área do saber</p><p>destinada à realização desse estudo. Nesse sentido, o Direito Ambiental é</p><p>o âmbito do direito responsável pelas questões relacionadas ao meio am-</p><p>biente, sendo formado e estudado um conjunto de normas jurídicas, englo-</p><p>bando, assim, regras e princípios, incumbidos por abordar o referido tema.</p><p>Apesar da quantidade de desastres ambientais presentes em nos-</p><p>so país e das leis possuírem problemas relacionados a sua aplicabilidade,</p><p>o Brasil ainda é possuidor de destaque nessa área, tendo em vista a quan-</p><p>tidade de recursos naturais presentes em seu território, porém, é salutar</p><p>ressaltar novamente que um grande volume de leis não significa qualidade</p><p>de proteção e preservação, já que de nada adianta um amplo contingente</p><p>legal, se, na prática, o mesmo não é efetivo ou aplicado, de fato.</p><p>Assim, o Direito Ambiental apresenta como objetivo a busca pela</p><p>melhoria nos sistemas de gestão ambiental, tendo com fim o aperfeiço-</p><p>amento da qualidade ambiental dos serviços, produtos e locais de traba-</p><p>lho, dessa forma as empresas, e até mesmo as pessoas físicas, devem</p><p>visar atuar de maneira a minimizar os danos ao meio ambiente, incluindo</p><p>nesse processo todas as fases da produção, até o descarte dos resíduos,</p><p>pois, se esse não for feito devidamente, danos podem ser gerados.</p><p>É correto dizer que um Direito Ambiental que cumpre as suas fun-</p><p>ções irá trazer impactos para grande parte das atividades desenvolvidas</p><p>no setor da economia brasileira, já que as obrigações, deveres, direitos e</p><p>responsabilidades por ele traçados, na intenção de proteger o meio am-</p><p>biente, demandam que a economia se comporte de uma determinada ma-</p><p>neira, tendo que destinar investimentos para essa finalidade. Sendo essa</p><p>uma determinação que extrapola a seara nacional e atinge a internacional,</p><p>tendo em vista que as normas, convenções, tratados e outros acordos fir-</p><p>26</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>mados no âmbito externo devem ser cumpridos pelos signatários, princi-</p><p>palmente, quando o objeto das suas pretensões têm como o foco o meio</p><p>ambiente, pois, as alterações causadas nos ecossistemas do Brasil podem</p><p>causar impactos e resultados no mundo, sendo a recíproca verdadeira.</p><p>Ao longo do nosso estudo já abordamos algumas das princi-</p><p>pais normas que se relacionam ao direito ambiental, contudo, para que</p><p>uma análise mais profunda e geral seja feita acerca da temática, pre-</p><p>cisamos compreender os princípios ambientais dotados de uma maior</p><p>importância e destaque. Salienta-se que em um mesmo caso concreto</p><p>há a possibilidade de se utilizar mais de um princípio, sendo necessária</p><p>apenas a adequação da situação em questão. Dessa forma, os princí-</p><p>pios presentes no Direito Ambiental são:</p><p>a) Princípio do Desenvolvimento Sustentável (devem ser aten-</p><p>didas as necessidades das gerações atuais, sem que as próximas ge-</p><p>rações sejam comprometidas);</p><p>b) Princípio do Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado</p><p>como Direito Fundamental (o meio ambiente é visto como um direito</p><p>fundamental atrelado do princípio da dignidade da pessoa humana);</p><p>c) Princípio da Função Socioambiental da Propriedade (reco-</p><p>nhece a proibição do uso abusivo e excessivo da propriedade, tendo em</p><p>vista o seu uso adequado e as condutas concretas de preservação do</p><p>meio ambiente);</p><p>d) Princípio da Preservação (os danos ao meio ambiente de-</p><p>vem ser evitados ao máximo);</p><p>e) Princípio da Precaução (adoção de postura conservadora</p><p>em favor da conservação e manutenção do meio ambiente);</p><p>f) Princípio do Poluidor-Pagador (a pessoa, seja física ou jurí-</p><p>dica, responsável por causar degradação direta ao meio ambiente, de-</p><p>verá custear as despesas direcionadas à preservação, à reparação ou</p><p>à indenização dos prejuízos causados);</p><p>g) Princípio do Usuário-Pagador (é resultado do princípio anterior</p><p>e trata sobre a cobrança pela utilização dos recursos naturais, para promo-</p><p>ver um uso mais racionalizado e para serem evitados desperdícios);</p><p>h) Princípio do Limite (relaciona-se a fixação de limites das ati-</p><p>vidades que podem gerar prejuízos para o meio ambiente);</p><p>i) Princípio da Informação Ambiental (as discussões acerca do</p><p>meio ambiente devem ser públicas);</p><p>j) Princípio da Participação Comunitária (todos devem partici-</p><p>par dos assuntos concernentes ao meio ambiente);</p><p>k) Princípio da Educação Ambiental (essa educação deve es-</p><p>tar presente em todos os níveis de ensino e o poder público deverá</p><p>promover políticas que conscientizem a população sobre as questões</p><p>27</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ambientais);</p><p>l) Princípio da Cooperação (todos possuem o dever de preser-</p><p>var o meio ambiente).</p><p>28</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 1</p><p>Ano: 2023 Banca: PROMUN Órgão: Câmara de Roseira - SP Prova:</p><p>Procurador Jurídico</p><p>De acordo com a Constituição Federal, a proteção ambiental,</p><p>abrange os aspectos naturais, artificiais, culturais e trabalhistas</p><p>do ambiente, referindo-se a interesses difusos e coletivos. Sobre o</p><p>assunto, assinale a afirmativa correta.</p><p>a) O meio ambiente natural é objeto de tutela quando se afirma a prote-</p><p>ção de elementos bióticos da biosfera.</p><p>b) O meio ambiente artificial</p><p>refere-se a espaços ocupados pelos seres</p><p>humanos, podendo ser rurais ou urbanos.</p><p>c) O meio ambiente do trabalho, tutelado pelo direito ambiental, refere-se</p><p>a relações trabalhistas remuneradas, em ambiente público ou privado.</p><p>d) O meio ambiente cultural corresponde a costumes do povo brasileiro,</p><p>abrangido pelo direito ambiental por conter valor especial e convicção</p><p>de obrigatoriedade.</p><p>QUESTÃO 2</p><p>Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: FEPAM - RS Prova:</p><p>Advogado</p><p>Em determinado Estado promulgou-se lei que autorizou, para con-</p><p>tenção do mosquito transmissor da dengue, que houvesse a dis-</p><p>persão por meio de aeronaves de produto químico com o objetivo</p><p>de impedir a reprodução do inseto. O texto da lei registra que a dis-</p><p>persão deve ser aprovada pelas autoridades sanitárias. Não foram</p><p>feitos estudos prévios sobre a eficácia da medida. Contudo, no pró-</p><p>prio texto da lei há referência de que a implementação da medida</p><p>deveria estar embasada em estudo científico, que corroborasse sua</p><p>eficácia. Considere que houve arguição de inconstitucionalidade da</p><p>mencionada legislação, argumentando-se que contraria o direito ao</p><p>meio ambiente equilibrado. Neste caso, a decisão judicial deve</p><p>a) aguardar o desenvolvimento de estudos científicos sobre a eficácia</p><p>da medida pretendida, baixando o feito em diligência.</p><p>b) dar interpretação conforme a Constituição, assentando que a apro-</p><p>vação da autoridade sanitária deve ser prévia, exigindo-se, também, o</p><p>pronunciamento da autoridade ambiental competente.</p><p>c) declarar a inconstitucionalidade da lei, visto que põe ou pode pôr em</p><p>risco a população das cidades em que for realizada a dispersão do in-</p><p>seticida por meio de aeronaves, sendo este um produto químico, o que</p><p>torna incontroversa sua periculosidade ambiental.</p><p>29</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>d) ponderar que, na situação de iminente perigo à saúde pública pela</p><p>presença do mosquito transmissor do vírus da dengue, prevalece a lei,</p><p>que objetiva permitir que se executem as medidas necessárias ao con-</p><p>trole das doenças causadas pelo mosquito.</p><p>QUESTÃO 3</p><p>Ano: 2023 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Casca - RS Pro-</p><p>va: Fiscal Ambiental</p><p>De acordo com a Constituição Federal de 1988, além da Floresta</p><p>Amazônica brasileira e da Mata Atlântica, são também considera-</p><p>dos patrimônio nacional:</p><p>a) Serra do Mar, Pantanal Mato-Grossense e Zona Costeira.</p><p>b) Caatinga, Cerrado e Pampa.</p><p>c) Zona Costeira, Pampa e Cerrado.</p><p>d) Área de Proteção Ambiental, Cerrado e Pantanal Mato-Grossense.</p><p>QUESTÃO 4</p><p>Ano: 2023 Banca: IDECAN Órgão: SEMACE Provas: Fiscal Ambiental</p><p>A Carta Magna Brasileira resguarda, no tocante à Política Agrícola</p><p>e Fundiária e da Reforma Agrária, a competência da União ao que</p><p>tange à desapropriação por interesse social para fins da reforma</p><p>agrária, destacando as propriedades insuscetíveis de desapropria-</p><p>ção, o planejamento e a execução da política agrícola, a destinação</p><p>de terras públicas e devolutas, os títulos de domínio ou seção de</p><p>uso, os limites de aquisição ou arrendamento de propriedade rural,</p><p>a função social da propriedade e, também, o direito à aquisição da</p><p>propriedade para aquele que por cinco anos ininterruptos, sem opo-</p><p>sição, torna a terra produtiva por seu trabalho ou de sua família.</p><p>No tocante à função social que é cumprida quando a propriedade</p><p>rural atende, simultaneamente, critérios e graus de exigência esta-</p><p>belecidos em leis específicas, assinale a alternativa que apresenta</p><p>a correta descrição do inciso II do artigo 186º.</p><p>a) Utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação</p><p>do meio ambiente.</p><p>b) Utilização sustentável dos recursos naturais disponíveis e conserva-</p><p>ção do meio ambiente.</p><p>c) Utilização racional dos recursos naturais disponíveis e preservação</p><p>do meio ambiente.</p><p>d) Utilização sustentável dos recursos naturais disponíveis e preserva-</p><p>ção do meio ambiente.</p><p>30</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÃO 5</p><p>Ano: 2023 Banca: IDECAN Órgão: SEMACE Prova: Gestor Ambiental</p><p>A Carta Magna Brasileira, em seu artigo 5º, estabelece que “todos</p><p>são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, ga-</p><p>rantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País</p><p>a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segu-</p><p>rança e à propriedade”.</p><p>Dentre os termos especificados, a “parte legítima para propor ação</p><p>popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de</p><p>entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao</p><p>meio ambiente, ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor,</p><p>salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da</p><p>sucumbência”, é</p><p>a) a sociedade civil.</p><p>b) a Defensoria Pública.</p><p>c) a União.</p><p>d) qualquer cidadão.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>O meio ambiente é alvo de muitas contradições e discussões, desde</p><p>que o mundo percebeu a sua importância. A contradição se inicia quan-</p><p>do se constata que todo ser humano está, inevitavelmente, ligado a ele,</p><p>no entanto, poucos se preocupam em conhecer suas minúcias, deta-</p><p>lhes e, principalmente, sua importância. Nesse sentido, especifique a</p><p>relação existente entre direito e meio ambiente.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Assinale a alternativa que indica o sujeito competente para defen-</p><p>der e preservar o meio ambiente.</p><p>a) Poder público e coletividade.</p><p>b) Coletividade, apenas.</p><p>c) Poder público, apenas.</p><p>d) Setor privado, apenas.</p><p>e) N.D.A.</p><p>NA MÍDIA</p><p>Os tribunais de contas e a tutela do meio ambiente. Ao ler a frase "a ges-</p><p>tão de resíduos adotada pelo município com a destinação inadequada</p><p>dos resíduos sólidos gera danos ao meio ambiente e à saúde humana e</p><p>reveste-se de natureza grave", nove entre dez profissionais do Direito a</p><p>associariam ou a alguma decisão administrativa dos órgãos e entidades</p><p>da União, dos estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios</p><p>31</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>que constituem o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) ou a uma</p><p>decisão judicial decorrente de uma ação civil pública proposta pelo Minis-</p><p>tério Público. Nesse contexto, embora a atuação dos tribunais de contas</p><p>não se confunda com a de um órgão ambiental, também não está limitada</p><p>ao acompanhamento da aplicação dos recursos públicos no seu âmbito.</p><p>É que o artigo 71, III, da Constituição de 1988 amplia seu desempenho</p><p>ao prever a realização de auditorias de natureza operacional e patrimo-</p><p>nial nas unidades administrativas do poder executivo, o que lhe possibilita,</p><p>inclusive, exercer o controle dos resultados da gestão do meio ambiente,</p><p>enquanto patrimônio público na qualidade de bem de uso comum do povo,</p><p>conforme dispõe o artigo 255, caput, da Constituição de 1988.</p><p>Fonte: CONJUR</p><p>Data: 27 jul. 2023</p><p>Leia na íntegra em: https://www.conjur.com.br/2023-jul-27/araujo-quinti-</p><p>no-tcs-tutela-meio-ambiente2</p><p>NA PRÁTICA</p><p>AGU e MMA pedem ao Supremo reconhecimento de que país saiu do Es-</p><p>tado de Coisas Inconstitucional no meio ambiente. Petições apresentadas</p><p>à Corte demonstram que novo governo já implementou medidas solicitadas</p><p>em ações que discutiam desmonte das políticas ambientais. Advocacia-</p><p>-Geral da União (AGU) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Cli-</p><p>ma (MMA) apresentaram hoje (02/03) ao Supremo Tribunal Federal (STF)</p><p>petições em um conjunto de dez ações em trâmite na Corte que discutem</p><p>o desmonte das políticas ambientais. Os pedidos requerem a perda total</p><p>ou parcial do objeto das ações, ou ainda o reconhecimento de que houve</p><p>mudança significativa na condução das políticas públicas ambientais. Para</p><p>as duas instituições, o país não se encontra mais no Estado de Coisas In-</p><p>constitucional no meio ambiente verificado nos últimos quatro anos. O fun-</p><p>damento é o de que as medidas adotadas pelo novo governo já atendem</p><p>ao que era pedido pelos</p><p>autores das ações, como a retomada do combate</p><p>ao desmatamento, o retorno do Fundo Amazônia e a volta da participação</p><p>da sociedade civil na formulação e execução das políticas ambientais.</p><p>Fonte: Gov.br</p><p>Data: 02 mar. 2023</p><p>Leia na íntegra em: https://www.gov.br/agu/pt-br/comunicacao/noticias/</p><p>agu-e-mma-pedem-ao-supremo-reconhecimento-de-que-pais-saiu-do-</p><p>-estado-de-coisas-inconstitucional-no-meio-ambiente</p><p>32</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>A Política Nacional do Meio Ambiente, também conhecida pela</p><p>sigla PNMA ou por sua numeração, Lei n.º 6.938 que está em vigor des-</p><p>de 1981 é a principal lei responsável pela proteção ao meio ambiente,</p><p>dessa forma contém inúmeros objetivos, princípios e instrumentos acer-</p><p>ca do meio ambiente, bem como busca formas e meios para compati-</p><p>bilizar as formas de preservação do meio ambiente, levando em con-</p><p>ta questões relativas ao equilíbrio ecológico e ao desenvolvimento da</p><p>sociedade, sendo que todas as determinações estabelecidas por essa</p><p>norma legal de suma importância deverão ser seguidas pela União, pe-</p><p>los Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios.</p><p>Assim, alguns dos objetivos da Lei n.º 6.938 de 1981, segundo</p><p>o seu artigo quarto, direciona a sua preocupação à compatibilização dos</p><p>desenvolvimentos econômico e social, levando em consideração a preser-</p><p>A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO</p><p>AMBIENTE</p><p>32</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>33</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>vação do meio ambiente e os limites estabelecidos, como, por exemplo,</p><p>as determinações que fixam as áreas prioritárias da ação governamental</p><p>e o estabelecimento de critérios e padronizações referentes à qualidade</p><p>do meio ambiente, afinal a existência de planos de preservação que não</p><p>sejam realmente efetivos comprometem esses aspectos e só servem para</p><p>maquiar os danos causados e o mal uso dos recursos ambientais. Além</p><p>disso, essa norma legal de importância nacional também determina técni-</p><p>cas e formas destinadas ao desenvolvimento de pesquisas e tecnologias</p><p>que proporcionem o uso racional dos recursos ambientais, a divulgação</p><p>dos dados e informações relevantes acerca do meio ambiente, bem como</p><p>a imposição de punições e meios de recuperação e/ou indenização refe-</p><p>rentes aos danos causados aos recursos ambientais.</p><p>Uma das principais implementações implantadas por meio da</p><p>Política Nacional do Meio Ambiente foi a criação do Sistema Nacional</p><p>do Meio Ambiente, bem como o surgimento dos instrumentos e técnicas</p><p>responsáveis por garantir o cumprimento da PNMA.</p><p>Além disso, a política nacional, objeto do nosso estudo, aborda</p><p>uma gama de temáticas que possuem relação direta ou indireta com o</p><p>meio ambiente, podendo estar relacionada a sua preservação, proteção,</p><p>precaução, entre outros, tendo em vista não só o bom funcionamento e a</p><p>manutenção dos direitos e garantias fornecidos pelo meio ambiente e os</p><p>seus recursos naturais, mas também regulando as determinações acerca</p><p>das áreas que com ela se relacionam, já que as determinações estabe-</p><p>lecidas pela Política Nacional do Meio Ambiente não visa impedir o cres-</p><p>cimento e o desenvolvimento econômico, pelo contrário, objetiva garantir</p><p>formas de que esse ocorra, contudo, devendo ser observados métodos</p><p>sustentáveis e que não agridam o meio ambiente em grande escala.</p><p>Nesse sentido, a Política Nacional do Meio Ambiente, estabe-</p><p>lece em seu artigo 2º que:</p><p>Tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade am-</p><p>biental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvol-</p><p>vimento sócioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção</p><p>da dignidade da vida humana. (BRASIL, 1981).</p><p>O mesmo artigo em seus incisos apresenta uma lista de princípios</p><p>que deverão ser atendidos, dessa forma uma leitura atenta deverá ser feita</p><p>para compreender melhor tal assunto, porém, destaco alguns desses prin-</p><p>cípios: planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; con-</p><p>trole e zoneamento das atividades potenciais ou efetivamente poluidoras e</p><p>acompanhamento do estado da qualidade ambiental, entre outros.</p><p>Por sua vez, o artigo 9º, também da Política Nacional do Meio Am-</p><p>34</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>biente, apresenta os seus instrumentos e, consequentemente, indica várias</p><p>ações destinadas a efetivar o exposto por seu texto. Salienta-se ainda o rol</p><p>de instrumentos mencionados no referido artigo é apenas exemplificativo,</p><p>ou seja, ao longo desse legislação e até mesmo de outras que tratem acer-</p><p>ca do meio ambiente, poderão ser mencionadas, citadas e apresentadas</p><p>outros instrumentos que não estejam presentes no referido rol, fato esse</p><p>que não irá tirar a legitimidade da sua aplicação e nem terá resultados</p><p>negativos. Dessa maneira, iremos destacar alguns aspectos acerca dos</p><p>principais instrumentos regulados pela lei objeto do nosso estudo.</p><p>INSTRUMENTOS DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE</p><p>Estabelecimento de Padrões de Qualidade Ambiental</p><p>O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) é res-</p><p>ponsável por prestar assessoria, realizar estudos e propor ao Gover-</p><p>no ações e meios que devem ser tomados para que a exploração e a</p><p>preservação do meio ambiente e dos recursos naturais nele presentes</p><p>sejam devidamente protegidos, também é competência desse conselho</p><p>criar as normas e determinar padrões compatíveis com o meio ambien-</p><p>te ecologicamente equilibrado, tendo em vista a essencialidade desse</p><p>para a vida humana digna. Também é de responsabilidade do CONAMA</p><p>atuar como órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio</p><p>Ambiente (SISNAMA), que será melhor abordado em tópico posterior.</p><p>Diante do exposto, o CONAMA, no exercício de uma das suas</p><p>funções, estabelece resoluções que abordam os limites toleráveis relati-</p><p>vos aos usos dos bens naturais, tendo em vista a fixação de um padrão</p><p>de qualidade, que deverá estar diretamente relacionado às principais</p><p>características do bem natural em questão. Contudo, o fato do referido</p><p>conselho ser o maior responsável pela fixação desse limite, não resulta</p><p>no impedimento quanto às determinações dessa natureza feitas por ou-</p><p>tros órgãos ambientais estaduais e municipais, desde que observados</p><p>os interesses regionais e locais, respectivamente, podendo estabelecer</p><p>critérios diferenciado e até mesmo mais rígidos.</p><p>Zoneamento Ambiental</p><p>O zoneamento, de maneira geral, é considerado um instrumen-</p><p>to urbanístico incumbido pelo uso e pela organização dos espaços urba-</p><p>nos, em virtude de sua natureza podem assumir três espécies:</p><p>35</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>- urbano;</p><p>- industrial</p><p>- ambiental.</p><p>Por sua vez, o zoneamento ambiental, também conhecido</p><p>como Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), vai ter como foco a or-</p><p>ganização do território referente à delimitação das zonas ambientais,</p><p>bem como a definição dos planos, obras ou atividades, sejam públicas</p><p>ou privadas, que poderão ser implantadas em cada região, devendo-se</p><p>levar em conta as características do meio ambiente em questão, o ecos-</p><p>sistema presente nessa localidade, o uso racional, adequado e susten-</p><p>tável dos recursos naturais, precisando ainda proporcionar melhorias na</p><p>condição de vida da população.</p><p>Avaliação de Impactos Ambientais</p><p>A avaliação de impactos ambientais é considerada como um ins-</p><p>trumento obrigatório para a realização de empreendimentos, construções</p><p>e/ou qualquer tipo de atividades que tenham potencial para provocar al-</p><p>terações no meio ambiente, o referido instrumento será incumbido por</p><p>auxiliar os órgãos ambientais no processo de licenciamento ambiental.</p><p>Após dar entrada no referido licenciamento,</p><p>o empreendedor será infor-</p><p>mado acerca de qual empreendimento deverá elaborar, tendo em vista as</p><p>avaliações e os impactos que podem ser causados em virtude do empre-</p><p>endimento que deseja implementar em determinada região.</p><p>Dentre as medidas aplicadas pelo referido instrumento mere-</p><p>cem destaque: o estudo prévio de impacto ambiental, o relatório am-</p><p>biental, o plano e projeto de controle ambiental, o relatório preliminar</p><p>ambiental, o estudo de impacto de vizinha, entre outros.</p><p>a) Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)</p><p>O já abordado artigo 225, §1º, IV, da Constituição Federal da</p><p>República Brasileira define que na forma da lei é exigida a realização de</p><p>um estudo prévio de impacto ambiental, dotado de publicidade, todas</p><p>às vezes que forem instaladas obras ou algum tipo de atividade que</p><p>possam gerar prejuízos ao meio ambiente.</p><p>A referida lei a que esse inciso constitucional se refere é justamen-</p><p>te a Política Nacional do Meio Ambiente, bem como a regulamentação pre-</p><p>sente na Resolução CONAMA 01/86, sendo que o referido estudo deverá</p><p>acontecer previamente a implementação para que, se for o caso, os danos</p><p>36</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>que poderiam ser gerados, sejam evitados, além disso, o referido estudo</p><p>também deverá ter um aspecto multidisciplinar, já que deverá ser avalia-</p><p>do por profissionais de diversas áreas, tendo como objetivo indicar se os</p><p>impactos são favoráveis ou não ao meio ambiente, devendo ser calculado</p><p>o nível das prováveis degradações ambientais, sendo necessária a indica-</p><p>ção de meios que evitem e solucionem os impactos ambientais.</p><p>Salienta-se que a referida equipe disciplinar, além de capa-</p><p>citada à realização do estudo, também precisará ser contratada pelo</p><p>empreendedor e cadastrada devidamente junto ao Instituto Brasileiro</p><p>do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além</p><p>disso, é preciso que os profissionais desempenhem suas funções com</p><p>excelência e responsabilidade, pois, caso contrário deverão responder</p><p>civilmente pelas decisões proferidas nas conclusões dos seus estudos.</p><p>Nesse sentido, os Estudos Prévios de Impacto Ambiental são</p><p>compostos por detalhamentos técnicos e científicos do projeto em aná-</p><p>lise, também devem ser elaboradas formas de efetivar as informações</p><p>obtidas como resultado do estudo, bem como métodos, acompanha-</p><p>mento e monitoramento de sua execução, assim, o Relatório de Impac-</p><p>to ao Meio Ambiente funciona como um resumo do Estudo Prévio de</p><p>Impacto Ambiental, mas que será mais acessível ao público, contudo,</p><p>não fará parte desse o segredo industrial</p><p>Nos casos em que não for identificado se deve ser ou não feito</p><p>o estudo em questão, ele deverá ser realizado, pois, em caso de dúvida,</p><p>é preferível que as medidas preventivas e protetivas sejam tomadas,</p><p>para que surpresas e danos ao meio ambiente sejam evitados.</p><p>Tendo em vista a necessidade e a determinação constitucional</p><p>referentes à publicidade, poderão ser realizadas audiências públicas,</p><p>na intenção de solucionar as dúvidas, assim como escutar as críticas e</p><p>as sugestões que dizem respeito ao estudo. Ressalta-se que a referida</p><p>audiência não é considerada obrigatória, contudo, se convocada, a sua</p><p>realização será obrigatória, sob pena de invalidação da licença que não</p><p>tiver sido concedida por meio do ato em questão. Segundo Lucas dos</p><p>Santos Pavione, poderá ser convocada em quatro situações distintas:</p><p>- Quando o órgão ambiental entender necessário;</p><p>- Quando solicitada por entidade civil;</p><p>- A pedido de 50 ou mais cidadãos; e</p><p>- A pedido do Ministério Público.</p><p>b) Estudo de Impacto de Vizinhança</p><p>Como mencionado em tópico anterior, os empreendimentos de-</p><p>37</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>vem visar a preservação do meio ambiente, mas, além disso, precisam</p><p>trazer algum benefício à população que será atingida por sua construção</p><p>e implementação, já que de certa forma, mesmo que conforme a lei, parte</p><p>dos seus direitos relacionados ao meio ambiente e aos recursos naturais</p><p>de uma determinada localidade serão atingidos, em virtude disso será</p><p>preciso uma espécie de compensação por aquilo que lhes foi retirado.</p><p>Nesse sentido, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) é con-</p><p>siderado como um instrumento da política urbana, por isso, deverá ser</p><p>previsto por legislação municipal, sendo essa responsável por definir</p><p>a área de construção permitida, por meio da fixação dos limites, bem</p><p>como serão auferidas quais as licenças e autorizações de construção,</p><p>ampliação e funcionamento que serão entendidas como necessárias</p><p>para um estudo eficiente e útil à sociedade atingida.</p><p>Dessa forma, o principal objetivo desempenhado pelo Estudo de</p><p>Impacto de Vizinhança, também conhecido pela sigla EIV, será apresentar,</p><p>auferir e analisar os efeitos positivos e negativos da atividade que será pra-</p><p>ticada, bem como os impactos causados à qualidade de vida da população</p><p>local, em virtude disso, o supramencionado autor, Lucas dos Santos Pavio-</p><p>ne, determina que as seguintes questões deverão ser abordadas:</p><p>- Adensamento Populacional;</p><p>- Equipamentos Urbanos e Comunitários;</p><p>- Uso e ocupação do solo;</p><p>- Valorização imobiliária;</p><p>- Geração de tráfico e demanda por transporte público;</p><p>- Ventilação e iluminação; e</p><p>- Paisagem urbana e patrimônios natural e cultural.</p><p>Salienta-se ainda que a existência e a elaboração do Estudo</p><p>de Impacto de Vizinhança não substituem o Estudo Prévio de Impacto</p><p>Ambiental, pois, cumprem funções e papéis diferentes, que não podem</p><p>ser suprimidos um pelo outro, tendo em vista que todas às vezes em</p><p>que, ao menos, se suspeitar que algum dano pode ser gerado será im-</p><p>prescindível e obrigatória a realização do EIA/RIMA.</p><p>O Licenciamento e a Revisão de Atividades Efetiva ou Potencial-</p><p>mente Poluidoras</p><p>O instrumento em questão é considerado obrigatório para que o</p><p>empreendimento seja concedido e para poder ser realizado, devendo-se</p><p>ainda levar em conta o fornecimento de financiamentos e incentivos go-</p><p>vernamentais. Nesse sentido, a Resolução CONAMA 237/97 é a norma</p><p>responsável por regular de forma geral o licenciamento ambiental, contu-</p><p>38</p><p>A</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>ST</p><p>IT</p><p>U</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>F</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>R</p><p>A</p><p>L</p><p>E</p><p>O</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>O</p><p>A</p><p>M</p><p>B</p><p>IE</p><p>N</p><p>TA</p><p>L</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do, essa não é a única norma que trata acerca dos licenciamentos e das</p><p>revisões de atividades efetivas ou potencialmente poluidoras, já que exis-</p><p>tem outras que trazem disposições mais específicas e direcionadas a si-</p><p>tuações pontuais, como a resolução do CONAMA n.º 05/88, responsável</p><p>por tratar acerca das obras de saneamento e a resolução do CONAMA</p><p>n.º 377/06, que aborda o Sistema de Esgotamento Sanitário, entre outras.</p><p>Assim, segundo o CONAMA, o licenciamento ambiental pode-</p><p>rá ser entendido como:</p><p>Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia</p><p>a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e ati-</p><p>vidades utilizadoras de recursos ambientais , consideradas efetiva ou poten-</p><p>cialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar</p><p>degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares</p><p>e as normas técnicas aplicáveis ao caso. (Resolução CONAMA 237/97).</p><p>Por sua vez, a licença ambiental é compreendida como:</p><p>Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as con-</p><p>dições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas</p><p>pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e</p><p>operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais</p><p>consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer</p><p>forma, possam causar degradação ambiental. (Resolução CONAMA 237/97).</p><p>Diante desse contexto existem mais de um tipo de licença, sen-</p><p>do cada uma delas adequada para uma situação diferente, dessa for-</p><p>ma, destacaremos três</p>

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