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4ºAula
Caro(a) aluno(a),
Estamos iniciando a nossa quarta aula e nela trataremos sobre 
um tema muito interessante, as modalidades da língua oral e escrita. 
Podemos dizer que as modalidades não são somente um instrumento 
para efetivar a nossa comunicação, mas, sim, uma forma de mostrar 
socialmente aquilo que estamos pensando. Ou seja, a fala e a escrita 
são sistemas comunicativos que expressam a língua nas mais diferentes 
práticas sociais.
É inserido nesse contexto que iniciamos a nossa aula!
Que tal!? Disposto(a) a começar?
Comecemos, então, analisando os objetivos e verificando as 
seções que serão desenvolvidas ao longo desta aula.
Bom trabalho!
Bons estudos!
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, você será capaz de:
• Compreender a amplitude da linguagem falada em suas mais variadas situações;
• Entender e perceber como e quando acorre a linguagem não verbal em contextos diversos;
• Identificar e compreender a linguagem escrita e suas engrenagens linguísticas.
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Linguagem e Argumentação 30
a linguagem de muitas formas e todos têm suas razões de 
fazê-lo. Optamos pelo esquema que segue, por crermos que 
ele resume de maneira bastante clara as diversas linguagens, 
as quais são utilizadas para dividir, em seções, esta quarta aula!
• linguagem falada;
• linguagem não-verbal;
• linguagem escrita.
Vamos recordar? Vejamos cada uma delas?
Vamos ver o que o teórico Almeida (2000, p. 29-43), em 
seu livro S.O.S. Redação e Expressão nos apresenta:
A linguagem falada, também conhecida como coloquial, 
é a maneira mais comum de nos expressarmos em nosso dia 
a dia. Ela é, via de regra, informal, logo sem muita correção 
gramatical. Assim como afirma Gold (2010, p.13):
As situações linguísticas são muito complexas. Em um 
panorama sucinto das duas principais variações, temos:
• As variações de uso regional, que se verificam na 
entonação, no vocabulário e em algumas estruturações sintáticas, 
caracterizando uma comunidade linguística em determinado 
espaço geográfico. Esse tipo é denominado dialeto;
• As variações decorrentes de ajustes em função da 
situação contextual e do destinatário. Como consequência, 
podemos separar várias modalidades e níveis de língua: escrita, 
falada, do jurídico, dos economistas, dos internautas etc. a estas 
variações dá-se o nome de registros.
Dessa maneira, é relevante atentar-se que essas variações 
sobre dialetos e registros vão variar e ser usadas conforme a 
distinção social, origem do indivíduo, escolaridade dentre 
outros fatores. 
Observamos um exemplo sobre a variante existente entre 
a língua falada e língua escrita, segundo Gold (2010, p.14):
 
Fonte: Gold, Miriam. Redação empresarial. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2015.
2 - Linguagem falada
Saber Mais
Vocês podem saber mais sobre a linguagem falada acessando o site: 
RECANTO DA LETRAS. Artigos. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
Língua falada Língua escrita
Vulgar
Não existe preocupação com a norma 
gramatical, e usada por indivíduos não 
letrados, sem nenhuma alfabetização.
Vulgar
Usada por pessoas sem escolaridade.
Coloquial despreocupada
Língua usada em conversação 
corrente, podendo ter gírias, ou 
expressões familiares e um cuidado 
gramatical mínimo.
Despreocupada
Usada por pessoas escolarizadas, 
mas não exige uma importância 
gramatical/verbal com tanta rigidez, 
como a escrita de um bilhete.
Coloquial culta
Existe uma preocupação gramatical, 
utilizada em palestras, aulas e 
reuniões.
Formal
Exige seguir as normas gramaticais 
corretamente, sendo u s a d a 
em correspondências empresarial, 
apresentações e livros.
Formal
Imita em todo o processo a escrita, e 
por isso soa arti cial.
Literária
Respeita as normas vigentes da 
escrita, mas pode fugir em algum 
momento o estilo, e levando a forma 
inovadora, por exemplo, neologismo.
 
1 - Introdução
2 - Linguagem falada
3 - Linguagem não verbal
4 - Linguagem escrita
Vamos iniciar refletindo sobre a seguinte afirmação:
Português é fácil de aprender porque é uma 
língua que se escreve exatamente como se fala. 
Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, 
purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti 
cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até 
vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é 
qui si iscrevi algumas palavras. Im purtuguêis 
não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. 
Qué coisa mais doida? Num bate nada cum 
nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi 
muinto diferenti. Qui bom qui a minha língua é 
u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.
O comentário é do humorista Jô Soares, para a 
revista Veja. Ele brinca com a diferença entre 
o português falado e escrito. Na verdade, em 
todas as línguas, as pessoas falam de um jeito e 
escrevem de outro. A fala e a escrita são duas 
modalidades diferentes da língua e é com esse 
fato que o Jô brincou (UOL, 2014).
[...] por trás de cada texto está o sistema da 
linguagem. A esse sistema correspondem no 
texto tudo o que é repetido e reproduzido e 
tudo que pode ser repetido e reproduzido, tudo 
o que pode ser dado fora de tal texto (o dado). 
Concomitantemente, porém, cada texto (como 
enunciado) é algo individual, único e singular, e 
nisso reside todo o seu sentido (a sua intenção 
em prol da qual ele foi criado). É aquilo que nele 
tem relação com a verdade, com a bondade, 
com a beleza, com a história (BAKHTIN, s/d).
A citação de Bakhtin deixa clara a importância da 
linguagem na produção de um texto, uma vez que as 
características individuais de cada autor se fazem presentes 
na trama textual. Dessa forma, a língua portuguesa é rica e 
poderíamos nos equivocar nas mais diversas nomenclaturas 
e classificações. Há vários autores que denominam e dividem 
Seções de estudo
1 - Introdução
Esse texto que acabamos de ler foram palavras ditas pelo apresentador 
Jô Soares. Com elas, convidamos você a iniciar os estudos da quarta 
aula! Vamos em frente!
O trabalho de Bakhtin é considerado in uente na área de teoria 
literária, crítica literária, sociolinguística, análise do discurso e semiótica. 
Esse pensador, “na verdade um lósofo da linguagem e sua linguística 
é considerada uma ‘trans-linguística’ porque ela ultrapassa a visão de 
língua como sistema. Isso porque, para Bakhtin, não se pode entender 
a língua isoladamente, mas qualquer análise linguística deve incluir 
fatores extralinguísticos como contexto de fala, a relação do falante 
com o ouvinte, momento histórico etc.” (EDITORA CONTEXTO, 2014).
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31
Note que por mais que desejem falar “corretamente”, 
vocês dificilmente sairão por aí dizendo: “Ama-me, pois assim o 
fazendo, amar-te-ei”. A menos que desejem que a cara-metade 
agonize em risos ou vá namorar pessoas normais; um sussurrado 
“Eu te amo”, acompanhado de um olhar interrogativo, resolve 
tudo. A palavra falada traz consigo emoções e sentimentos 
de todo tipo. E, para atingir seu intento, o falante utiliza-se de 
entoação, da cadência e também do volume da voz, conforme 
assegura Castilho (2004, p.47).
Sabemos que a língua falada é um recurso 
rítmico e melódico, repleto de entonação, 
pausas, gestos etc. Não é possível pensar em 
outra forma de comunicação quando se pensa 
na fala. No desempenho oral, e no texto que 
dele provém diretamente, existem marcas 
especi cas como comentários metalinguísticos 
e marcadores discursivos que não são 
encontrados no texto escrito. É evidente, 
portanto, constatar a dicotomia entre a língua 
escrita como linguagem formal e língua falada 
como linguagem informal (BLOG NOSSA 
LÍNGUA FALADA, 2014).
Já pararam para pensar em quão rica é nossa oralidade? Para 
finalizar o estudo da Seção 1, sugerimos que releia a citação de 
Castilho (2004) e reflita sobre a riqueza e a linguagem não verbal.
Atenção
E então? Entendeu as primeiras considerações relevantes sobre as 
modalidades oral e escrita? Em caso de resposta a rmativa: Parabéns! 
Contudo, há muitos outros conhecimentos a serem agregados sobre 
estetema. Para tanto, sugerimos que consulte as obras, periódicos e 
sites indicados ao nal desta aula. Prosseguindo, na Seção 2, vamos 
retomar e/ ou construir novos conhecimentos sobre a linguagem não 
verbal.
3 - Linguagem não verbal
A fala e a escrita não são os únicos meios de comunicação 
existentes em nossa cultura. Assim, não se trata somente de uma 
emissão de mensagem entre pessoas a pessoa, mas importante 
ressaltar que os meios de comunicação, como, telefone, 
rádio, televisão ,dentre outros, transformam a sociedade da 
modernidade.
A contribuição desses meios técnicos para o exercício da 
comunicação é, entretanto, uma pálida imagem do que pode 
ser a comunicação humana, quando dispensa ou supera o apoio 
da palavra como recurso competente e, sobre tudo exclusivo. 
(FERRARA, 2000, p.5). Além de, todo código é constituído de 
signos que criam sua própria sintaxe e maneira de representar; 
logo para identificar seu signo e sintaxe nos leva a compreender 
o real.
O texto não verbal não exclui o signi cado, nem 
poderia fazê-lo sob pena de destruir-se enquanto 
linguagem. Seu sentido, por força, sobretudo 
da fragmentação que o caracteriza, não surge 
a priori, mas decorre da sua própria estrutura 
signi cante, do próprio modo de produzir-se no e 
entre os resíduos sígnicos que o compõem. Este 
signi cado não está dado, mas pode produzir-se. 
(FERRRARA, 2000, p.15).
 
Brasileiros abraçam-se, beijam-se e enchem-se de 
carinhos e cafunés o tempo todo. Em boa parte do mundo, 
o nosso famoso “três beijinhos” é considerado um profundo 
desrespeito. Por representar uma linguagem não verbal e 
que se estabelecem atitudes e costumes da cultura brasileira. 
Mesmo os inocentes e sonoros tapas nos braços durante um 
aperto de mão causam estranheza e, talvez, até um revide, 
dependendo do país em que estivermos. Nosso povo é 
caloroso e expressivo e utiliza muito a linguagem mímica.
Assim, mesmo sobre essa premissa percebemos 
que a linguagem não verbal mescla os códigos para que o 
entendimento seja reciproco entre o emissor e receptor da 
mensagem.
Veja a imagem:
Figura 4.1 Exemplo 1 - linguagem não verbal.
FONTE: CULTURA INFANCIA. Boletim. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
Se alguém te pergunta: o time do melhor amigo perdeu 
o jogo? Um simples sorriso irônico expressa mais que 
muitas palavras. Tapinhas nas costas são quase sinônimos de 
“Parabéns! Trabalhou muito bem” e por aí vai.
A mímica é, sem dúvida, parte integrante da cultura de 
um povo, em especial do povo brasileiro, mas não é a única 
linguagem não verbal. Nessa categoria ainda temos as várias 
formas de expressão por outros meios além da fala.
Você sabia?
Estímulos aos nossos sentidos também fazem parte da linguagem não 
verbal.
Outro exemplo significativo sobre linguagem não verbal 
pode-se observar no meio mercadológico das engenharias e 
todo o processo de postura, linguagem tanto verbal como não 
verbal, por exemplo, podemos observar a imagem abaixo:
Fonte: http://blog.contratanet.com.br/comunicacao-nao-verbal-como-
ela- impacta-no-ambiente-de-trabalho/ . Acesso em 05 Agosto 2016.
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Linguagem e Argumentação 32
O estudo da comunicação não verbal para a comunicação 
entre o ser humano tem grande relevância para o sucesso 
empresarial de toda empresa. Principalmente no que se refere 
a postura que se tem mediante aos clientes, ao estabelecer 
uma articulação de confiança.
As empresas seguindo esse prisma visam que seu 
futuro profissional tenha uma relação interpessoal tanto na 
comunicação verbal como não verbal, pois se a pessoa não 
se comunicar de maneira coerente pode passar uma imagem 
desqualificando-o sobre o que está querendo transmitir.
É por isso que a comunicação não verbal é tão importante, 
pois nosso corpo fala mais do que imaginamos.
O cheiro do gás, por exemplo: o produto em si não tem 
cheiro, mas o fabricante acrescentou uma substância de aroma 
forte para que a empresa se comunique conosco, dizendo: 
“Ei, há vazamentos, tome precauções”!
No caso, a linguagem não verbal estabeleceu comunicação 
com o indivíduo relapso utilizando-se do sentido do olfato. A 
comunicação não verbal pode dar-se igualmente por meio dos 
outros sentidos, tais como os retratados na imagem a seguir:
Figura 4.2 Exemplo 2 - linguagem não-verbal.
FONTE: REDAÇÃO CAXINAUA. Linguagem verbal e linguagem não verbal. 
Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
Vejamos outro exemplo:
Quando chegamos a um cruzamento e neste há um 
semáforo aceso em vermelho, automaticamente paramos, 
pois sabemos que a cor vermelha (do semáforo) indica pare!
Figura 4.3 Exemplo 3 - linguagem não-verbal.
FONTE: Acervo pessoal.
Outros contextos também exemplificam o poder da 
comunicação não verbal, como no caso de peças de teatro, em 
que compreendemos histórias inteiras contadas, nas quais as 
únicas formas de comunicação são a dança (estímulo à visão) e 
os toques frenéticos de tambores (à audição, como na falada). 
Carinhos e apertos de mão são prontamente compreendidos 
(tato) e nada se expressa mais.
Também o silvo estridente do vigia noturno anuncia: “Ei, 
bandidos! Vão embora, por favor. Estou passando”. Músicas 
sempre nos dizem muito, e aplausos são reconhecimento 
agradável de um trabalho bem realizado.
As cores, a dança, a música e as artes em geral são também 
formas de linguagem não verbal.
Vocês, às vezes, torcendo o nariz, utilizam-se da linguagem 
não verbal para dizer-me: “a professora está me deixando 
louco!” Meu sorriso e uma mímica dizem: “Calma!!!”
Agora, que tal pensarmos mais um pouco, especi camente, sobre a 
linguagem escrita? Vamos, então, a seção 4!
Você pode pensar: mas, por que tivemos que gastar tantas páginas 
tratando de linguagem falada e não verbal, se o que pretendemos é 
escrever? Vamos entender?
4 - Linguagem escrita
O tema desta seção pode ser traduzido como expressão 
de ideias no papel, através das palavras de nossa língua.
Evidentemente, a linguagem escrita só veio a existir muito 
depois da falada. Ela objetiva reproduzir a fala utilizando-se dos 
signos (lembra-se do que são?) que compõem nossa língua.
Se tem dúvida sobre o que seja um signo linguístico: 
de um tempinho, vá a rede e pesquise ou busque 
mais informações em textos que estão na ferramenta 
ARQUIVOS.
Além disso, a linguagem escrita, quando utilizada com 
maestria, é capaz de agregar em, seu sentido, várias das 
características da linguagem não verbal.
Preste bastante atenção neste ponto: as palavras expressas 
no papel, seja numa redação ou num bilhete deixado para um 
colega, devem ser entendidas de pronto, pois, na maioria das 
vezes, não estaremos presentes para explicar isso ou aquilo 
contido na mensagem.
Afirma Gold (2010, p.36) que a elaboração de um texto 
que exponha de maneira clara e coerente aquilo que queremos 
dizer pode ser feita por meio de três técnicas básicas:
A fixação do objetivo – importante assegurar que seu 
objetivo esteja claro para que tudo seja compreendido em sua 
linha de pensamento, como uma boa redação de seu texto.
Exposição de uma ideia-núcleo – para a elaboração de 
qualquer texto, ao apresentar uma boa escrita deve-se levar 
em conta as principais ideias que devem contar em seu texto. 
Não é necessária a variação de muitas ideias, e sim, a clareza 
de uma única a ser desenvolvida e esclarecida, para que haja 
152
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compreensão.
Escolha vocabular – mesmo obtendo uma apresentação 
vocabular mais neutra, para informar o destinatário o leva em 
segundo plano a diferenciar e interpretar com mais clareza e 
objetividade.
Quando um autor produz um conto, precisa ter certeza 
que vai ser entendido, pois não terá chance de redimir-se. Não 
poderá dizer: “Não, você não me entendeu. Eu quis dizer 
que...”. Ele deve ser claro e preciso.
Atenção
É importante salientar que também podemos pretender transmitir 
sentimentos e emoções,substituindo suspiros apaixonados por 
palavras certeiras ou colocando elementos na frase que expressem 
nossa intenção; que transmitam o que sentimos. Escrever não é apenas 
transportar palavras dos arquivos de nossa memória para as folhas de 
celulose. Devemos saber organizá-las de maneira inteligível para que 
façam sentido e sejam coerentes.
Drummond, como os modernistas, proclama a liberdade das palavras, 
uma libertação do idioma que autoriza modelação poética à margem das 
convenções usuais. Segue a libertação proposta por Mário de Andrade; 
com a instituição do verso livre, acentua-se a libertação do ritmo, 
mostrando que este não depende de um metro xo (impulso rítmico). Se 
dividirmos o Modernismo numa corrente mais lírica e subjetiva e outra 
mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do 
próprio Mário de Andrade (VESTIBULANDO WEB, 2014).
Para ilustrar nossa aprendizagem, vejamos a imagem a 
seguir:
Figura 4.4 Ilustrando a linguagem escrita.
FONTE: AS CRÔNICAS DO BLEDOW. Homepage. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 
2014.
É importante que também sejamos capazes de transmitir 
a entoação e a cadência que pretendemos, utilizando-nos dos 
recursos de que dispomos: as palavras. E claro, devidamente 
organizadas em parágrafos e separadas por sinais de pontuação 
corretos.
Considerando que as palavras são carregadas de 
significados, caberá a nós escolhermos aquelas que melhor 
se adequarem ao texto pretendido. Para cada texto que 
produzimos temos objetivos específicos, assim temos que 
adequar o vocabulário de tal forma que o mesmo auxilie na 
coerência textual.
Vejamos o trecho do poema deDrummond:
[...]
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face 
neutra e te pergunta, sem interesse pela 
resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: 
Trouxeste a chave?
[...]
Esse belo fragmento convida-nos a uma reflexão quanto 
ao mundo misterioso das palavras, as quais, dependendo 
da forma como são utilizadas, revelam muito mais do que 
conceitos. Conforme se pode perceber , a linguagem do 
poeta é mágica, pois tem o poder de transformar a fantasia 
em realidade em um único texto, frase ou palavra. Para tanto, 
faz necessário trazer a “chave”, a fim de possibilitar a travessia 
da leitura no espetaculoso mundo das palavras, sobretudo 
aquelas que pertencem ao texto poético.
A partir dessas reflexões, podemos dizer que não é 
adequado escrever como falamos, uma vez que a linguagem 
falada ou coloquial é distinta da linguagem escrita, a qual 
obedece a certos padrões. Tais padrões, longe de limites, 
acrescentam recursos para que nos expressemos com estilo 
e correção. Obedecer às normas gramaticais não significa ser 
frio ou duro.
Saber Mais
Para saber mais sobre as normas gramaticais, acesse o site: UOL. Certo 
ou errado. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014. Lá você encontrará uma 
minigramática.
Como gostam de saber de tudo, vocês vão, evidentemente, 
abrir seus dicionários e procurar o significado das outras 
palavras que, por ventura, ainda não saibam sua significação, 
não é mesmo?
Mas pensemos... seria mesmo primordial utilizar palavras 
rebuscadas e quase sem uso no dia a dia para transmitir 
emoções com eficácia?
Vejamos parte do romance “O homem da Capadócia” 
(s/d) , no qual o autor também narra um combate:
Amanhece. Chacais e abutres acompanham 
o grande exército, antecipando a chacina que 
está por vir. No ar, o cheiro inconfundível 
do prenúncio de morte invade as narinas 
dos soldados, indo alojar-se diretamente em 
suas almas. À frente de seus homens, como 
sempre, o Severo Kartef segue majestoso em 
seu cavalo branco.
As escamas prateadas de sua armadura 
brilham sob o sol matutino, formando uma 
imagem inspiradora para os soldados. Sentem 
orgulho de seu rei. Ao seu lado, em um 
contraste marcante, Razniak traja suas negras 
vestes de combatente keltoi e seu semblante 
duro transmite respeito e subserviência a 
seus guerreiros. Eles o temem, mas também 
sentem segurança em seguir seu comandante.
Atendendo a um aceno de Razniak, os 
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Linguagem e Argumentação 34
soldados param e aguardam. A dupla segue 
por mais algum tempo, indo parar no 
alto de um morro, de onde podem ver o 
acampamento inimigo, muitos metros abaixo.
[...]
Ao ouvir seus homens se aproximando, 
Kartef respira fundo e apruma-se sobre a 
montaria. Ninguém deve descon ar de sua 
enfermidade. O severo soberano da Capadócia 
leva sua espada ao alto, a luz re etindo em 
sua lâmina como se empunhasse um pedaço 
do sol. Razniak retira da sela sua grande maça 
de guerra, seu longo e musculoso braço a 
segurá- la ameaçadoramente. Os olhos negros 
do guerreiro brilham e a indiferença em sua 
face demonstra décadas de combates. Talvez 
mais. Num grito primal, o rei dispara ladeira 
abaixo em direção aos inimigos. Os soldados
igualmente soltam a fúria de suas almas, cada 
qual com seu grito particular: uns vociferam 
blasfêmias; outros tantos apenas emitem 
urros feito animais. O tropel de cavalos e 
homens torna espessa a poeira que segue em 
seu encalço.
No acampamento inimigo, o combate é tão 
breve quanto violento. Os bárbaros tentam 
uma reação, mas não são páreo para o 
exército da Capadócia. Mesmo assim lutam 
com bravura até a morte. Testemunhados 
pelo ardente sol da manhã, guerreiros a 
cavalo decepam membros e cabeças a cada 
giro de suas espadas e machados. Impiedosos, 
Razniak esmaga crânios infelizes que se 
colocam no caminho de sua maça. Elegante 
em sua fúria guerreira, Kartef brande sua 
espada com a habilidade que fez dele o 
monarca que é. Os soldados da infantaria 
formam uma mortífera máquina de guerra, 
protegidos por altos escudos e empunhando 
lanças a adas.
Como vimos, após essa leitura dos apontamentos feitos 
por Almeida (2000), depende muito do autor a escolha das 
palavras, mas o que lemos nos dois textos apresentados serviu 
para reforçar a afirmação de que a fala é uma habilidade e a 
escrita é outra habilidade, e mais: não devemos escrever como 
falamos, certo?
Se são habilidades diferentes pressupomos que fazemos 
uso determinado de cada uma de acordo com as situações as 
quais estamos expostos.
Por exemplo: geralmente pronunciamos “leiti”, mas ao 
escrevermos essa palavra, o fazemos assim “leite”. Quando 
em um diálogo pronunciamos a pergunta: “Ce tá bem?”, 
vejam como articulamos as palavras, ao passo que no texto 
escrito devemos assim fazer: “Você está bem?”
Saber Mais
Para você saber mais sobre os níveis da linguagem, assista ao vídeo 
disponível no site: YOU TUBE. Níveis da linguagem. Disponível em:
. 
Acesso em: 3 maio 2014.
Na comunicação empresarial deve-se cuidar da qualidade de sua 
produção, aonde possam trazer: textos claros, corretos gramaticalmente, 
objetivos, concisos, dentre outros.
Importante atentar-se que a priorização a norma culta ou o nível formal 
devem ser seguidos.
O nível das comunicações empresariais, 
as comunicações voltadas aos mercado, 
às pro ssões ,deve ser o da norma culta, 
pois é o único nível que dá total segurança 
de entendimento com clareza quando, 
evidentemente, bem redigido ou falado. É o 
nível das comunicações o ciais, dos textos 
jurídicos, dos estudos em geral (NADÓLSKIS, 
2003, p.78).
Poderíamos esmiuçar vários termos técnicos, mas bastam 
dois para que possamos compreender as linguagens que temos 
ao nosso dispor: a linguagem coloquial e a linguagem formal 
ou culta, essa última obediente às normas gramaticais.
Lembrem-se sempre: uma linguagem (oral e escrita) não 
é melhor ou pior que a outra: cada uma tem sua aplicação. 
Entretanto, elas são eficientes, apenas, quando bem utilizadas.
Para saber mais, Marcushi (2001, p.17) observa:
Marcuschi possui graduação em Philosophisches 
Seminar Departamento de Filoso a pela 
Pontifícia Universidade Católica do RioGrande do Sul (1968) , doutorado em Letras 
pela Universitat Erlangen-Nurnberg (Friedrich-
Alexander) (1976) e pós-doutorado pela 
Universitat Freiburg (Albert- Ludwigs) 
(1988). Marcuschi tem experiência na área de 
Linguística, com ênfase em Teoria e Análise 
Linguística. Atuando principalmente nos 
seguintes temas: Filoso a da Linguagem, 
Metodologia, Epistemologia, Lógica.
Oralidade e escrita são práticas e usos da 
língua com características próprias, mas não 
su cientemente opostas para caracterizar 
dois sistemas linguísticos em uma dicotomia. 
Ambas permitem a construção de textos coesos 
e coerentes, ambas permitem a elaboração de 
raciocínios abstratos e exposições formais e 
informais e variações estilísticas, racionais, 
dialetais e assim por diante. As limitações e 
os alcances de cada uma estão dados pelo 
potencial do meio básico de sua realização: som 
de um lado e gra a de outro, embora elas não 
se limitem a som e gra a [...].
Para bem utilizarmos a linguagem escrita, ainda mais 
quando temos a responsabilidade de estar em um curso 
superior, devemos ter:
• Conhecimento sobre o assunto;
• Vocabulário amplo;
• Conhecimento das regras gramaticais.
4.1 - Conhecimento sobre o Assunto
Convido-lhes a fazer uma reflexão acerca da produção de 
um texto. Vejamos:
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35
Somente produziremos textos de qualidade se, de fato, 
conhecermos a fundo o assunto do qual pretendemos dar 
conta. De nada adianta escolher um assunto bonito, como 
a “formalismos e técnicas e ferramentas da lógica”, se não 
temos a menor ideia do que se trata, não é mesmo?
Nesse sentido, ao escrever, devemos escolher um tema 
sobre o qual tenhamos considerável conhecimento e, ainda 
assim, se possível, abastecermo-nos do maior número possível 
de informações a respeito dele, pois quanto mais informações 
temos melhor poderemos obter mais conhecimento. É 
melhor escrever de forma simples sobre o que conhecemos 
do que rebuscadamente sobre algo que não conhecemos, 
pois isso nem seria possível, não é mesmo? Ou ainda, se não 
escolhemos o tema, mas nos delimitam o tema, temos que 
buscar informações e transformá- las em conhecimentos, 
para, então, podermos dissertar sobre tal assunto.
Atenção
Estamos entendidos? Ao escreverem é fundamental que informem- 
se, sempre, sobre o assunto. Busquem informações, materiais e leiam 
muito!
Aprendemos a escrever lendo e escrevendo!:Já ouviram 
isso?
Essa é a mais pura verdade e vamos repetir por muitas 
vezes até ficar claro o que essa mensagem quer dizer. Por que 
devemos ler? Devemos copiar o trabalho dos outros? Não! 
Claro que não! Aliás essa alternativa é perigosa!!
Ler e escrever são habilidades ímpares, mas, ao se unirem, 
conduzem-nos ao sucesso da escrituração!
Ambas habilidades tem que ser desenvolvidas em 
conjunto!!!
4.2 - Vocabulário
A importância da leitura está na forma de aprendizado da 
arte da escrita e, principalmente, enriquece nosso vocabulário. 
Uma das grandes dificuldades do estudante ou profissional, 
quando se vê no limiar da “batalha” com o papel, é justamente 
a ausência de palavras certas para se expressar. Por não 
conseguir traduzir em frases o que pensa, o produtor do texto 
simplesmente abandona sua atividade e conforma-se dizendo 
para si: “Não tenho jeito para isso” ou “É difícil demais”, ou, 
ainda, “não vou dar conta”.
Nem sempre uma pessoa tem di culdade efetiva para escrever... Muitas 
vezes trata-se, principalmente, de falta de vocabulário, ocasionado por 
pouca leitura. E ler não quer dizer ler apenas isso ou aquilo. Leiam 
jornais, revistas, livros, embalagens de creme dental, bulas de remédios, 
tudo. Tudo o que quiserem, pois não há leitura inútil!.
A leitura deve ser agradável ,principalmente nos anos 
iniciais, e, aos poucos, o leitor vai aprimorando seu gosto e 
exigindo literatura mais rica. É um processo natural e deve ser 
iniciado com prazer.
Porém, faz-se necessário que a leitura seja frequente, 
não há como se tornar um bom leitor e produtor de texto 
se vez o outra faz a leitura e a escrita! Vejamos algumas ações 
frequentes: que realizamos Escovar os dentes; Banhar-se; Ler; 
Escrever.
Observem o exemplo:
(Errada)
Solicitamos o pagamento das mensalidades nas datas aprazadas no dito 
carnê, colaborando destarte para a manutenção precípua deste sodalício 
na orientação e assistência de seus associados. (GOLD, 2010, p.19).
(Correta)
Solicitamos o pagamento das mensalidades até as datas de vencimento 
indicadas no carnê. (GOLD, 2010, p.20).
Vejam bem: será que essa linguagem tão erudita deve ser 
usadas em um grupo de trabalho? Você usaria na empresa em 
que trabalha?
O uso do vocabulário deve ser levado em consideração 
para a transmissão da mensagem há quem se pensa em passar 
o comunicado. E muitas vezes um vocabulário não é adequado 
para a mensagem mediante um recado a ser repassado, como 
observamos no exemplo exposto.
4.3 - Conhecimento das regras 
gramaticais
Apesar do risco de ouvir protestos indignados, eis o mais 
simples dos três quesitos para produzirmos bons textos: o 
conhecimento das regras da língua.
Vamos lá!
A primeira atitude é ser inteligente, afirma Almeida (2000), 
é ter ciência dos próprios limites. Ora, se houver dúvida quanto 
à grafia de determinada palavra, pesquisem no dicionário. Há 
também livros e mais livros sobre pontuação, construção de 
parágrafos, acentuação, etc. Também a leitura constante é 
poderosa aliada no domínio da gramática.
E, por fim, se a dúvida persistir, não hesite sequer por um 
momento: consulte seu professor. Não há desculpa, portanto. 
Mandem e-mail, dirijam-se ao Fórum, ao Quadro de avisos, ok?
Retomando a aula
Lembre-se de que o seu curso é a distância, portanto, 
tanto sobre os exemplos que acabou de estudar 
na Seção 3, quanto sobre os conteúdos das aulas 
anteriores, é fundamental que interaja e nos ajude a construir uma 
efetiva comunidade colaborativa do conhecimento. Contamos com sua 
participação!
1 - Introdução.
Na primeira seção iniciamos nossas reflexões sobre 
as modalidades da linguagem, as quais foram melhor 
compreendidas e detalhadas nas seções posteriores.
2 - Linguagem falada.
Na seção 2 tratamos sobre a linguagem falada, também 
conhecida como coloquial, é a maneira mais comum de nos 
155
Linguagem e Argumentação 36
expressarmos em nosso dia a dia. Ela é, via de regra, 
informal, logo sem muita correção gramatical.
3 - Linguagem não verbal.
Já na seção 3, a linguagem não verbal é toda e qualquer 
comunicação em que não se usa palavras para explicar a 
mensagem desejada, ou seja, é quando fazemos uso de 
imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, 
postura corporal, pintura, música, mímica, escultura e gestos 
como meio de comunicação etc. Para obter uma comunicação 
tanto de modo geral, como no meio empresarial.
4 - Linguagem escrita.
Finalmente, na seção final da Aula 4, vimos que a 
linguagem escrita só veio a existir muito depois da falada. Ela 
objetiva reproduzi-la utilizando-se dos signos (lembra-se do 
que são?) que compõem nossa língua. Além disso, a linguagem 
escrita, quando utilizada com maestria, é capaz de agregar em, 
seu sentido, várias das características da linguagem não verbal.
ECO, Umberto; ANGONESE, Antonio (Tradutores).
A busca da língua perfeita. Bauru: EDUSC, 2002.
KOCH, Ingedore G. Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos 
(Colaborador). A coerência textual. São Paulo: Contexto, 2001.
ORLANDI, Eni Puccinelli. A linguagem e seu funcionamento: 
as formas do discurso. Campinas: Pontes, 1996.
Vale a pena ler
AS CRÔNICAS DO BLEDOW. Homepage. 
Disponível em: . Acesso em: 3 maio 
2014.
CULTURA INFANCIA. Boletim. Disponível em: 
. 
Acesso em: 3 maio 2014.
EDITORA CONTEXTO. Livros sobre Bakhtin. 
Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
IG. Nossa língua falada. Disponível em: .Acesso em: 3 maio 2014.
PORTAL SÃO FRANCISCO. Linguagem verbal 
e linguagem não verbal. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
UOL. Certo ou errado. Disponível em: . Acesso em: 
3 maio 2014. Lá você encontrará uma minigramática.
_____. Linguagem escrita e oral. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
_____. Linguagem. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
VESTIBULANDO WEB. Características de Carlos 
Drummond de Andrade. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
ZI-YU. 4 pilares. Disponível em: . Acesso em: 3 maio 2014.
Minhas anotações
Vale a pena
156

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