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PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 3 Ementa 3 Objetivo geral 3 Objetivos específicos 4 Habilidades e competências 4 Organização do Caderno de Estudos 4 1. INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS 8 Avaliação postural estática 8 Testes de flexibilidade 12 Cadeia posterior: Teste de dedos ao chão 13 Cadeia anterior: teste de flexibilidade da cadeia anterior 15 2. PRINCIPAIS DESVIOS POSTURAIS 17 Principais desvios posturais 17 Hiperlordose lombar 18 Hipercifose Torácica 19 Hiperlordose Cervical 20 3. TRATAMENTO DOS DESVIOS POSTURAIS PELO TREINAMENTO DE FORÇA 22 Prescrição do treinamento de força 23 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30 3 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Caro aluno, Nesta disciplina abordaremos a importância e os processos envolvidos na avaliação da postura estática, descreveremos alguns testes para avaliar alterações funcionais e estudaremos os efeitos do treinamento de força com o objetivo de melhorar ou restaurar a postura equilibrada e funcional. Para compreender esta temática será necessário revisar a anatomia musculoesquelética com foco nos planos anatômicos, anamnese postural, os principais ossos e articulações e um pouco de cinemática e alinhamento corporal. Após assistir a aula presencial e o estudo deste material, você está apto a prescrever o treinamento de força com o objetivo de melhorar a postura dos seus clientes. Ademais, após a leitura e estudo desta temática você irá realizar as questões que possuem o objetivo de certificar e mensurar o seu conhecimento sobre este conteúdo. Com o conhecimento em mãos, você poderá aplicar este conteúdo na sua prática profissional, oferecendo aos seus clientes, pacientes e alunos um serviço de qualidade. Desejamos a você, bons estudos e sucesso na carreira! Ementa Planos anatômicos. Avaliação e anamnese postural. Músculos, ossos e articulações. Cinemática e alinhamento corporal. Benefícios e prescrição do treinamento de força. Objetivo geral 4 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Compreender a os conceitos básicos de anatomia que envolve os músculos, ossos e articulações e aplicar este conhecimento para uma adequada avaliação postural estática permitindo a definição de objetivos a serem atingidos por meio do treinamento de força. Objetivos específicos Descrever os planos anatômicos. Saber realizar uma avaliação postural e anamnese. Revisar a anatomia e fisiologia muscular, óssea e articular. Compreender e definir alinhamento corporal. Benefícios e prescrição do treinamento de força para correção dos principais desvios posturais. Habilidades e competências Estimular a autonomia, a pró-atividade e o gerenciamento do tempo em relação aos estudos e formação profissional. Aplicar os conceitos descritos em sua prática profissional. Desenvolver a boa comunicação técnica e científica. Organização do Caderno de Estudos Para facilitar o seu estudo, o material foi organizado em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática e objetiva. Além disso, este conteúdo foi baseado levando em consideração a aula presencial. A temática foi 5 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia abordada por meio de textos básicos, com a inserção de ícones para estimular a reflexão, organizar as ideias e tornar a sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, as referências bibliográficas utilizadas neste material. Fique à vontade para utilizá-las como fonte de consulta para aprofundar seus estudos. A seguir, apresentamos a breve descrição dos ícones utilizados na organização deste Cadernos de Estudos. Atenção Chamadas inseridas no texto para direcionar o seu pensamento a pontos importantes. Provocação Questões que buscam instigar o estudante a refletir (a ter a sua opinião) sobre determinado assunto. Saiba Mais Links ou informações complementares para complementar ou elucidar o assunto abordado. Leitura Complementar Sugestões de leituras adicionais (artigos científicos), vídeos e sites confiáveis para aprofundamento do estudo. 6 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Sintetizando Texto que resume o conteúdo, facilitando a compreensão pelo aluno sobre trechos mais complexos. 8 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia 1. INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS Nesta primeira Unidade o objetivo é compreender os conceitos básicos de anatomia muscular, óssea e articular, os planos corporais e os critérios envolvidos em uma adequada avaliação postural estática, em alguns testes dinâmicos. Avaliação postural estática O termo “postura” pode ser definido como a posição o corpo adota no espaço, bem como a relação direta de suas estruturas com a linha do centro de gravidade. Para que um indivíduo apresente uma “boa postura”, é necessário a harmonia e equilíbrio do sistema neuromusculoesquelético. Mas antes de avançarmos na avaliação postural propriamente dita, revise os planos anatômicos a seguir. Em anatomia, os planos anatômicos são planos hipotéticos determinados para dividir o corpo humano de forma a descrever a localização de estruturas ou a direção dos movimentos. Atualmente são utilizados três planos elementares: Plano sagital: plano paralelo à linha sagital. Divide o 9 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia corpo nas porções esquerda e direita. Plano frontal ou coronal: divide o corpo nas porções anterior (frente) e posterior (costas). Plano transversal: divide o corpo nas porções cranial (superior) e caudal (inferior). Figura 1. Planos anatômicos. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_anatómi co#/media/Ficheiro:Human_anatomy_plane s-ES.png. A postura de cada indivíduo pode ser determinada por cadeias musculares, fáscias, ligamentos e estruturas ósseas, que possuem solução de continuidade, são interdependentes entre si e abrangem todo o organismo. No entanto, cada pessoa possui características individuais de postura que podem vir a ser influenciadas por diversos fatores externos e internos, como por exemplo: anomalias congênitas e/ou adquiridas; obesidade; atividade física sem orientação e/ou inadequada; distúrbios respiratórios; desequilíbrios musculares; frouxidão ligamentar; doenças psicossomáticas. Atenção Podemos definir como “postura ideal” àquela em que há um equilíbrio entre as estruturas de suporte envolvendo uma quantidade mínima de esforço e sobrecarga com uma máxima eficiência do corpo (CAMPIGNION, 2019). https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_anat%C3%B3mico#/media/Ficheiro:Human_anatomy_planes-ES.png https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_anat%C3%B3mico#/media/Ficheiro:Human_anatomy_planes-ES.png https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_anat%C3%B3mico#/media/Ficheiro:Human_anatomy_planes-ES.png https://paperpile.com/c/4urx8n/LYxT 10 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Portanto, um ponto muito importante deste conteúdo é que você saiba como avaliar a postura estática, ou seja, aquela em que o indivíduo permanece sem movimento no espaço. Para isso, uma boa avaliação e anamnese pode ser compreendida pelos procedimentos que favorecem o reconhecimento do outro, da pessoa, de suas necessidades e desejos implícitos, medos e ansiedades. Existem diversos métodos de realizar uma avaliação postural estática, sendo o métododescrito por Kendall uma proposta bastante interessante para se determinar as possíveis alterações da postura corporal. Basicamente, você deve posicionar o paciente em ortostatismo à frente de um espaço quadriculado e, com auxílio de um fio de prumo e avaliar a postura. A localização correta de pontos anatômicos é um pré-requisito importante para uma excelente análise postural. Em vista lateral o fio deverá ascender logo à frente do maléolo lateral; em vista anterior entre os maléolos mediais e na vista posterior entre os maléolos mediais. No indivíduo normal o fio passará pelas seguintes estruturas: Figura 2. Estruturas laterais para avaliação postural. Vista anterior: Entre as articulações do joelho; Através da sínfise púbica; Sobre a cicatriz onfálica; Sobre o processo xifóide; Sobre a ponta do nariz. 11 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Vista posterior: Entre as articulações dos joelhos; Sobre a prega glútea; Corpos vertebrais; Processo espinhoso da vértebra cervical 7 (C7). Assim, quando você verificar a presença de desvio destas posições teremos então alterações da postura corporal. Interessantemente, a globalidade do organismo humano faz com que a menor anomalia das estruturas de suporte leve a uma desarmonia postural. Por exemplo, uma tensão inicial nas cadeias musculares é responsável por uma sucessão de tensões associadas. Cada vez que um músculo se encurta, ele aproxima suas extremidades e desloca os ossos sobre os quais ele se insere, assim, as articulações se bloqueiam e o corpo se deforma. Nesse sentido, todos os outros músculos que se inserem sobre esse osso, serão alterados pelo deslocamento que se propagam sobre outros ossos e músculos, e assim sucessivamente, proporcionando uma postura provavelmente fora dos parâmetros estabelecidos anteriormente. É importante que você saiba que o músculo é um tecido extremamente plástico, portanto, quando ele é alongado e os fatores que aumentaram a tensão sobre ele são reduzidos ou removidos, o músculo aumentará a curva comprimento x tensão, deslocando menos os ossos e articulações, favorecendo a adoção de uma “boa postura” (SOUCHARD, 2019, [s.d.]). Saiba Mais Você sabia que alterações na articulação temporomandibular podem favorecer alterações de postura? Atenção, o inverso também é verdadeiro! Amantéa et al. A importância da avaliação postural no paciente com disfunção da articulação temporomandibular. Acta Ortopédica Brasileira. Acta ortop. bras. vol.12 no.3 São Paulo July/Sept. 2004. Disponível em: doi.org/10.1590/S1413- https://paperpile.com/c/4urx8n/L5Uf+3KlH https://paperpile.com/c/4urx8n/L5Uf+3KlH https://doi.org/10.1590/S1413-78522004000300004r 12 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia 78522004000300004, acessado 03/04/2020. Como sugestão, para uma adequada avaliação física disponha de uma ficha de avaliação individual, fita métrica e simetrógrafo. Esta ficha pode conter um formulário de anamnese contendo informações do histórico do paciente, e um quadro para anotar as observações realizadas na visão anterior, posterior e sagital. Como veremos a seguir, pode-se verificar também, a flexibilidade, condição muscular, equilíbrio e controle motor. O simetrógrafo é utilizado para avaliar a postura por meio da observação dos pontos anatômicos. Com ele é possível determinar os desvios de postura estática mais acentuados, como por exemplo, a Escoliose e a Hiperlordose (discutiremos a seguir). Para facilitar a padronização, o simetrógrafo possui números e letras localizados na lateral e na parte superior do equipamento para facilitar as interpretações do avaliador e normalmente apresenta as medidas 2,15 metros de altura por 1 metro de largura. Figura 3. Simetrógrafo do tipo banner. Testes de flexibilidade Por incrível que pareça ainda não há uma definição consensual para flexibilidade na literatura científica. Diferentemente da elasticidade, que remete à propriedade de um tecido retornar ao seu formato inicial, o termo flexibilidade pode ter a simples definição de “a capacidade de dobrar” (CARREGARO; SILVA; https://doi.org/10.1590/S1413-78522004000300004r https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO 13 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia COURY, 2007). Adicionalmente, o termo extensibilidade, pode ser definido como a amplitude na qual a articulação pode ser movida passivamente (sem controle voluntário), considerando-se a influência do comprimento muscular. Neste material, iremos considerar flexibilidade como a capacidade de movimentar uma articulação através da sua amplitude de movimento (ADM) disponível, sem atingir demasiado estresse músculo-tendíneo. Baseando-se na relação da flexibilidade e ADM articular (CARREGARO; SILVA; COURY, 2007), os testes clínicos são aplicados para avaliar a normalidade ou limitação da ADM. Os testes são caracterizados por movimentos que aumentam a distância entre as inserções (proximal e distal) muscular, literalmente alongando o músculo em questão com o objetivo de testá- lo. Os isquiotibiais (composto pelos músculos semitendinoso, semimembranoso e bíceps da coxa) formam uma grande massa muscular que está envolvida diretamente nos movimentos do quadril e joelho (CARREGARO; SILVA; COURY, 2007; PALASTANGA et al., 2000). Acredita-se que os isquiotibiais desempenha uma importante influência sobre a inclinação ântero- posterior da pelve, afetando indiretamente a lordose lombar. Assim, podemos concluir que a flexibilidade alterada dos isquiotibiais pode ocasionar desvios posturais significativos e afetar a funcionalidade da articulação do quadril e coluna lombar. Portanto, você deve compreender e aplicar adequadamente os testes de flexibilidade para uma adequada avaliação e intervenção. Na literatura há disponíveis diversos testes, no entanto, os testes “sente-e- -alcance” e o “teste de dedos ao chão” são bastantes simples e podem ser utilizados. A seguir, descrevemos detalhadamente os procedimentos que você deve adotar para realizar adequadamente estes testes. Cadeia posterior: Teste de dedos ao chão Solicite que o paciente mantenha os joelhos completamente estendidos e, a partir daí, flexione o tronco em direção ao chão, com os braços e a cabeça relaxados. O momento final da flexão deve ser indicado por uma sensação de tensão muscular que https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO+69A3 https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO+69A3 https://paperpile.com/c/4urx8n/WMAO+69A3 14 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia causa grande desconforto nos isquiotibiais e, neste momento, você deve medir com uma fita métrica a distância dos dedos até o chão. Se o paciente atingir uma distância inferior a 10 cm com relação ao chão e o toque no chão será classificado como flexibilidade normal. No entanto, se a distância for maior do que os 10 cm de distância do chão, o paciente deve ser classificado como flexibilidade reduzida. Saiba Mais Assista ao vídeo sobre o teste de dedos ao chão. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=C4lN 8x5o8HY, acessado 03/04/2020. Figura 4. Teste de dedos ao chão. Retirado do Slide 27 da aula presencial. https://www.youtube.com/watch?v=C4lN8x5o8HY https://www.youtube.com/watch?v=C4lN8x5o8HY 15 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Leitura ComplementarCARREGARO RL, SILVA LCCB E GIL COURY HJC. COMPARAÇÃO ENTRE DOIS TESTES CLÍNICOS PARA AVALIAR A FLEXIBILIDADE DOS MÚSCULOS POSTERIORES DA COXA. Rev. bras. fisioter., São Carlos, v. 11, n. 2, p. 139-145, mar./abr. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v11n2/a09 v11n2.pdf, acessado 03/04/2020. Cadeia anterior: teste de flexibilidade da cadeia anterior Conforme o apresentado no slide 28 da aula presencial, para realizar este teste você deve solicitar ao paciente “desfazer a lordose lombar” sem aumentar a cifose e fletindo o mínimo possível o joelho. Em seguida, o paciente deve subir o púbis em direção ao umbigo. Para uma classificação de flexibilidade normal, o paciente deve realizar o endireitamento sem auxílio; flexão de joelhos mínima = 15 graus; flexão aumentada indica encurtamento dos psoas e adutores. Figura 5. Teste de flexibilidade da cadeia anterior. http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v11n2/a09v11n2.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v11n2/a09v11n2.pdf 17 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia 2. PRINCIPAIS DESVIOS POSTURAIS Nesta Unidade iremos discutir os principais desvios posturais, que são: escoliose, hiperlordose lombar, hipercifose torácica e hiperlordose cervical. Principais desvios posturais Escoliose A Escoliose é classificada como um alteração tridimensional da coluna. Esta alteração pode ocorrer em dois tipos: no formato em C ou em S. O tipo mais comum é a escoliose em S já que o organismo tenta se reequilibrar de um desvio criando outro desvio para o lado oposto. Estes desvios variam de forma e de ângulo, sendo alguns muito sutis e imperceptíveis, e outros, exagerados e que afetam a aparência do paciente. Obviamente que para um adequado diagnóstico da escoliose você precisará realizar uma uma avaliação postural, e se possível, se orientar por meio por exames de imagens. A etiologia da escoliose é dividida em: Estrutural: possui uma curva rígida e fixa que não 18 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia desaparece quando tratada a causa. Pode ser idiopática, congênita, degenerativa, neuromuscular etc. Não-estrutural: possui causa e quando a causa é corrigida, o desvio da coluna desaparece. Pode ser causada por discrepância de membros inferiores, espasmos musculares, dores na coluna, postura inadequada no trabalho etc. Figura 6. Escoliose. Sugerimos que você assista ao vídeo abaixo para compreender melhor a fisiopatologia da escoliose e as opções de tratamento. Saiba Mais Assista ao vídeo ESCOLIOSE - O que é & Tratamento. Disponível em https://youtu.be /O4KdX-edTJ0, acessado 03/04/2020. Hiperlordose lombar É muito provável que em algum momento profissional você irá atender algum aluno com alterações nas curvaturas fisiológicas da coluna. A hiperlordose lombar está entre eles e precisa ser tratada por meio do movimento, ou seja, por meio do exercício físico. Chamamos de hiperlordose lombar um desvio não-fisiológico na altura da coluna lombar que aumenta a lordose dessa região. A hiperlordose é visível principalmente no plano sagital e seu diagnóstico acontece por meio de exames de imagens (ex.: radiografia) e avaliação da postura. Normalmente, pacientes com hiperlordose lombar costumam apresentar também anteversão pélvica excessiva. A redução de mobilidade da pelve também pode estar entre os motivos do surgimento da hiperlordose. Por exemplo, sedentarismo (sentado por longo período de tempo) e má postura no trabalho podem contribuir para o desenvolvimento de hiperlordose lombar. https://youtu.be/O4KdX-edTJ0 https://youtu.be/O4KdX-edTJ0 19 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia No entanto, não podemos esquecer das outras possíveis causas, são elas: Gravidez; Obesidade; Genética; Movimentos repetitivos; Lesões e traumas; Hérnia de disco; Fraqueza e encurtamentos musculares; Espondilolistese. Saiba Mais Assista ao vídeo Hiperlordose Lombar - Desvios Posturais. Disponível em https://youtu.be/tODOh1qPvlE, acessado 03/04/2020. Hipercifose Torácica A hipercifose torácica também é um desvio de postura comum, especialmente em idosos devido a osteopenia e/ou osteoporose. Essas doenças fazem com que a morfologia das vértebras seja alterada significativamente. Como consequência dessas alterações biomecânicas, há prejuízo na sustentação de uma boa postura, caracterizando a hipercifose torácica. Estima-se que entre 20% e 40% dos idosos apresentam este tipo de desvio postural. Além disso, muitos dos casos de hipercifose torácica possuem causas não- patológicas. Grande dos pacientes podem possuir a hipercifose torácica postural. Ela ocorre devido a posição que a pessoa adota por longo período de tempo nas suas atividades diárias de vida (ex.: estudantes, jogadores de futebol, indivíduos obesos etc). Saiba Mais Faça a leitura do Artigo: Antuani Rafael Baptistella, Andiara Miranda Zanella, Viviane Zotti, Karine Lorenzi, Janaina Silva. Alterações posturais e avaliação do peso da mochila em escolares do 1º ao 4º ano. https://youtu.be/tODOh1qPvlE 20 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Disponível em http://dx.doi.org/10.22298/rfs.2018.v6.n1. 4371, acessado 06/04/2020. Por incrível que pareça, características psicossociais podem também ser as causas das alterações posturais. Por exemplo, pessoas tímidas, com características depressivas ou com sentimentos de fragilidade costumam aumentar a cifose torácica. Assim, podemos concluir que as alterações posturais podem ser dependentes de diversos fatores e que o tratamento deve envolver treinamento físico e até mesmo psicológico dependendo do caso (CANALES, 2009). Hiperlordose Cervical Aumento da lordose cervical também é bastante afetada por desvios posturais. Ele pode ser causado por: Má postura; Fraquezas e desequilíbrios musculares; Alterações das articulações temporomandibulares; Deformidade ósseas; Hipercifose na região torácica. Normalmente, os pacientes com hiperlordose cervical apresentam hipertrofia da musculatura anterior e enfraquecimento da musculatura posterior do pescoço. O sinal mais comum é a protrusão da cabeça e o sintoma é a dor cervical que pode irradiar para os ombros. http://dx.doi.org/10.22298/rfs.2018.v6.n1.4371 http://dx.doi.org/10.22298/rfs.2018.v6.n1.4371 https://paperpile.com/c/4urx8n/4DmQ 22 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia 3. TRATAMENTO DOS DESVIOS POSTURAIS PELO TREINAMENTO DE FORÇA Como demonstrado nas unidades anteriores, desvios posturais são problemas complexos que alteram toda a biomecânica do organismo. Como resultado das alterações posturais há compensações, tensões, fraquezas e desequilíbrios musculares pelo corpo. O objetivos principal do tratamento é: Recuperar as curvaturas fisiológicas da coluna; Reduzir ou evitar a dor; Aumentar a estabilidade para as estruturas vertebrais; Aumentar a mobilidade para as estruturas vertebrais; Impedir o aumento das curvaturas não-fisiológicas. Durante a prescrição do treinamento de força, independente do exercício realizado é muito importante que as curvaturas fisiológicas da coluna vertebral sejam mantidas. Assim, realizar o treinamento de força com estabilidade em excesso pode 23 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia reduzir as curvaturas normais da coluna vertebral e impedir o movimentocorreto. Basicamente, você deve ficar atento para equilibrar os exercícios de força com mobilidade e estabilidade. Prescrição do treinamento de força Diversas evidências científicas demonstraram a presença de diversos desvios posturais em praticantes de treinamento de força, especialmente na coluna vertebral, predispondo ao surgimento de doenças discais, degenerações vertebrais e compressões nervosas em vários graus (BARONI et al., 2010; SANTOS; DOS SANTOS, 2014). Em adolescentes, foi relatado que os principais desvios ocorreram na coluna vertebral (hiperlordose cervical e lombar e hipercifose torácica), enquanto que em homens adultos, foram detectados a postura escoliótica, projeção anterior da cabeça e ombros e retração da cadeia muscular posterior. Em mulheres, a maior prevalência é a ocorrência de hiperlordose lombar, atitude escoliótica, anteroversão da pelve e joelhos valgos. Estas alterações podem parecer sutis, no entanto, já é bem consolidado na literatura científica que elas podem favorecer compressões discais, pinçamento nervosos, dor na região pélvica, nos joelhos, dor patelofemoral com degeneração de cartilagem articular e lesões meniscais. Sobre a prescrição do treinamento de força, é muito importante que você tenha em mente como o programa de treinamento precisa ser organizado para atingir os objetivos específicos (resistência muscular localizada; hipertrofia; força; potência). Analise com atenção a figura abaixo. https://paperpile.com/c/4urx8n/tk3m+Z9Pr https://paperpile.com/c/4urx8n/tk3m+Z9Pr https://paperpile.com/c/4urx8n/tk3m+Z9Pr 24 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Figura 7. Organização e prescrição do treinamento de força. Além disso, é muito importante que você deve respeite as diretrizes vigentes ao prescrever o treinamento de força (LLOYD et al., 2014). A seguir, listamos as principaisvariáveis para uma adequada prescrição do treinamento de força. Para crianças e adolescentes: ● Iniciante: frequência de 2 a 3 vezes na semana; em dias alternados; 1 a 2 séries por exercício; 10 a 15 repetições; 1 minuto de intervalo entre séries e exercícios; velocidade de movimento moderada; intensidade (carga) entre 50 a 70% de 1RM ou Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) moderado; incluir exercícios multi e monoarticulares; incluir exercícios para membros inferiores (MMII) e superiores (MMSS). ● Intermediário: frequência de 2 a 3 vezes na semana; em dias alternados; 2 a 3 séries por https://paperpile.com/c/4urx8n/ZhNU https://paperpile.com/c/4urx8n/ZhNU 25 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia exercício; 8 a 12 repetições por exercício; 1 a 2 minutos de intervalo entre séries e exercícios; velocidade de movimento moderada; intensidade entre 60 a 80% de 1RM ou PSE moderado; incluir exercícios multi e monoarticulares; incluir exercícios para MMII e MMSS. ● Avançado: frequência de 3 a 4 vezes na semana; em dias alternados; mais do que 3 séries por exercício; 6 a 10 repetições por exercício; 2 a 3 minutos de intervalo entre séries e exercícios; velocidade de movimento moderada; intensidade (carga) entre 70 a 85% de 1RM ou PSE Moderado-Vigoroso; incluir exercícios multi e monoarticulares; incluir exercícios para MMII e MMSS. Para indivíduos adultos as recomendações (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009), são: Tabela 1. Caracterização das formas de manifestação da força para iniciantes (PRESTES et al., 2016). https://paperpile.com/c/4urx8n/cSsG https://paperpile.com/c/4urx8n/cSsG https://paperpile.com/c/4urx8n/cSsG https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz 26 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Tabela 2. Caracterização das formas de manifestação da força para intermediários (PRESTES et al., 2016). Tabela 3. Caracterização das formas de manifestação da força para avançados (PRESTES et al., 2016). https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz https://paperpile.com/c/4urx8n/A9qz 27 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia Para indivíduos idosos saudáveis, veja a tabela a seguir com as recomendações (FRAGALA et al., 2019). Tabela 1. Recomendações gerais de prescrição do treinamento de força para indivíduos idosos saudáveis. Variáveis Recomendação Detalhes Séries 1 a 3 séries por exercício e grupo muscular Iniciar com 1 série e evoluir para múltiplas séries (2 a 3) por exercício. Repetições 8 a 12 ou 10 a 15 realizar variações no número de repetições. Intensidade 70 a 85% 1RM Iniciar com a intensidade tolerada (leve) pelo indivíduo e progredir para 70 a 85% de 1RM. Seleção dos exercícios 8 a 10 exercícios diferentes selecionar exercícios para grandes grupos musculares e multiarticulares. Modalidade exercícios em máquinas ou pesos livres inicialmente priorizar máquinas e exercícios guiados, evoluir para exercícios livres. Frequência 2 a 3 vezes por semana, por grupo muscular realizar exercícios 2 a 3 vezes por semana não consecutivos favorecem as adaptações, aumento ou manutenção. Treinamento de potência 40 a 60% de 1RM incluir exercícios explosivos (potência) no programa de treinamento. Movimentos funcionais exercícios que incluir exercícios em https://paperpile.com/c/4urx8n/p1Uv 28 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia mimetize as atividades de vida diária diferentes posturas, complexos e dinâmicos. 30 PRESCRIÇ O DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA OS DIFERENTES DESVIOS POSTURAIS - Copia 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADOLFO, J. R.; DHEIN, W.; SBRUZZI, G. Intensity of physical exercise and its effect on functional capacity in COPD: systematic review and meta-analysis. Jornal brasileiro de pneumologia: publicação oficial da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisilogia, v. 45, n. 6, p. e20180011, 26 set. 2019. AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. American College of Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for healthy adults. Medicine and science in sports and exercise, v. 41, n. 3, p. 687– 708, mar. 2009. BARONI, B. M. et al. 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