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Introdução A enfermagem, por muito tempo, foi reconhecida como uma ocupação, pois os serviços prestados pelos enfermeiros eram compreendidos como uma extensão de cuidados prestados por esposas e mães. Recentemente, essa prática tem sido reconhecida como uma profissão (LOGAN et al., 2004). Glossário Ocupação: é um trabalho ou carreira. Profissão: é uma vocação ou ocupação que possui status de superioridade. As profissões são valorizadas porque as atividades executadas pelos profissionais são benéficas para a população. As características de uma profissão incluem: conhecimento; poder e autoridade sobre treinamento e ensino; registro; serviço altruísta; código de ética; socialização; e autonomia (RUTTY, 1998). Historicamente, os enfermeiros demoraram muito tempo para identificar e organizar o conhecimento profissional. Além disso, o ensino ainda não está padronizado, o sistema de ingresso à prática em três níveis (diploma, grau associado e bacharelado), provavelmente, dificulta a profissionalização (LOGAN et al., 2004; RUTTY, 1998). A base de conhecimentos da enfermagem, no passado, dependia da fisiologia, sociologia, psicologia e medicina para sustentar a área acadêmica e prática. Atualmente, as áreas que identificam a enfermagem como disciplina distinta são: filosofia identificável, estrutura conceitual e abordagens metodológicas para a busca e o desenvolvimento do conhecimento (OLDNALL, 1995). Para tanto, podemos argumentar, com sucesso, que a enfermagem é uma profissão aspirante, em constante evolução (LOGAN et al., 2004). Nesta Unidade, abordaremos temas relevantes como a filosofia, a ciência e a enfermagem, bem como a sistematização da assistência de enfermagem e as etapas do processo de enfermagem. A Unidade está dividida em tópicos para facilitar o entendimento, conforme a seguir. Filosofia, Ciência e Enfermagem Primeiramente, precisamos compreender que a ciência e a filosofia compartilham o objetivo de aumentar o conhecimento. A ciência preocupa-se com a causalidade, ou seja, causa e efeito. É caracterizada pela observação, verificação e experiência. Já a filosofia preocupa-se com a finalidade da vida humana, a natureza do ser e da realidade, a teoria e os limites do conhecimento (REED, 1995). No que diz respeito à filosofia da enfermagem, ela se refere ao sistema de crença – da profissão – e proporciona perspectiva para a prática, o ensino e a pesquisa. Nenhuma filosofia isoladamente tem prevalecido na disciplina de Enfermagem (GORTNER, 1990). Por sua vez, a ciência da enfermagem refere-se ao sistema de relacionamentos das respostas humanas na saúde e na doença, incluindo os domínios biológico, comportamental, social e cultural. O objetivo dessa ciência é representar a natureza da enfermagem, ou seja, entendê-la, explicá-la e usá-la em benefício das pessoas e proporcionar o conhecimento em todos os aspectos, além de orientar e direcionar a prática de enfermagem. Logo, é impossível falarmos de uma prática ética e humana sem considerarmos as teorias de enfermagem (GORTNER; SCHULTZ, 1988). A filosofia da ciência da enfermagem estabelece o significado da ciência por meio do entendimento e do exame de conceitos, teorias, leis e metas de enfermagem conforme se relacionam com a prática (POLIFRONI; WELCH, 1999). O intuito do desenvolvimento do conhecimento é melhorar a prática de enfermagem. As abordagens utilizadas para o desenvolvimento do conhecimento são: ontologia, epistemologia e metodologia. A ontologia refere-se ao que existe; a epistemologia, às maneiras de conhecer; e a metodologia, à maneira de adquirir conhecimento (WAINWRIGHT, 1997). Na epistemologia, existem vários tipos básicos de conhecimento, sendo eles: empírico (o conhecimento vem da observação), pessoal (a partir do pensamento), intuitivo (sentimentos e palpites), somático (conhecimento do corpo em relação ao movimento físico), metafísico (aspectos do conhecimento espiritual, incluindo mágica, milagres, psicocinese, entre outros), estético (incorpora a arte, a criatividade e os valores) e moral ou ético (valores e normas sociais e culturais de comportamento) (WAINWRIGHT, 1997). Epistemologia da Enfermagem Quatro padrões fundamentais foram identificados para o conhecimento de enfermagem: bullet Conhecimento Empírico: é objetivo e abstrato. Recorre às ideias tradicionais, que podem ser verificadas pela observação e comprovadas por meio de testes de hipóteses. Muito enfatizado na enfermagem, pois é necessário entender como o conhecimento pode ser organizado em leis e teorias com o intuito de descrever, explicar e prever os fenômenos de interesse para os enfermeiros; bullet Conhecimento Estético: é expressivo, subjetivo, exclusivo e experimental. Inclui a sensibilidade, a percepção, é criativo e incorpora a empatia e o entendimento. É evidente mediante ações, condutas, atitudes e interações entre o enfermeiro e o outro; bullet Conhecimento Pessoal: é subjetivo, incorpora experiência, conhecimento, encontros e atualização de si mesmo na prática, além de referir-se à maneira como os enfermeiros veem a si mesmo e o paciente; bullet Conhecimento Ético: refere-se ao código moral da enfermagem com base na obrigação de servir e respeitar a vida humana. A integração de todos os padrões de conhecimento é essencial para a prática de enfermagem, e nenhum padrão deve ser utilizado de maneira isolada (CARPER, 1978). No entanto, outros autores e estudiosos incluíram mais três tipos de padrões de conhecimento de enfermagem: bullet Conhecimento Clínico: refere-se ao conhecimento pessoal do enfermeiro. Resulta do uso de vários meios de conhecimento para solucionar os problemas do paciente durante a prestação do atendimento; bullet Conhecimento Conceitual: é abstraído e generalizado além da experiência pessoal. Utiliza o conhecimento da enfermagem e de outras disciplinas e incorpora a curiosidade, a imaginação, a persistência e o compromisso; bullet Conhecimento Empírico: resulta da pesquisa experimental, histórica ou fenomenológica (SCHULTZ; MELEIS, 1988). É importante que várias formas de conhecimento sejam incorporadas e reconhecidas na disciplina de Enfermagem. Isso contribuirá para: bullet Incentivar o uso de diversos tipos de conhecimento na prática, no ensino, no desenvolvimento da teoria e da pesquisa; bullet Incentivar o uso de métodos diferentes na prática e na pesquisa; bullet Tornar o ensino de enfermagem relevante para os enfermeiros com distintos antecedentes de aprendizado; bullet Identificar os enfermeiros nos diferentes níveis de competência clínica; bullet Promover um atendimento de qualidade e satisfação do paciente (KIDD; MORRISON, 1988). Metodologia da Pesquisa e Ciência da Enfermagem Em meados de 1900, a enfermagem começou a desenvolver-se como disciplina científica e os métodos quantitativos eram usados exclusivamente na pesquisa. Entre os anos de 1960 e 1970, as escolas de enfermagem alinharam a pesquisa de enfermagem com a pesquisa científica, com o objetivo de obter reconhecimento ao ambiente acadêmico. Nessa época, os enfermeiros pesquisadores e educadores valorizavam os métodos de pesquisa quantitativa (FRY, 1992). Na década de 1980, alguns enfermeiros experientes afirmaram que a enfermagem não estava sendo explorada de forma adequada com o uso de métodos quantitativos. Então, os métodos qualitativos começaram a ser utilizados (RUTTY, 1998). Enfermagem como uma Ciência Humana A ciência humana exige conceitos, métodos e teorias fundamentalmente diferentes daqueles das ciências naturais. Ela estuda a vida, valoriza as experiências vivenciadas, busca entender a vida e os padrões de significado e valor. Nesse sentido, a enfermagem tem sido cada vez mais referida como uma ciência humana (CODY; MITCHELL, 1992). Visão Global das Teorias de Enfermagem O termo “teoria”,que possui vários significados na literatura, tem sido descrito como a explicação sistemática de um evento no qual os componentes e os conceitos são identificados, os relacionamentos são propostos e as previsões realizadas. Também se define como uma estruturação de ideias, criativa e rigorosa. Por fim, a teoria tem sido denominada como um conjunto de pressupostos ou princípios interpretativos que auxiliam para explicar uma ação (STREUBERT-SPEZIALE; CARPENTER, 2003). Antes do desenvolvimento das teorias, a enfermagem estava subordinada à medicina e era prescrita por outros. Suas tarefas eram tradicionais, ritualistas, havendo pouca importância com a justificativa. Os teóricos tinham como objetivo esclarecer os domínios intelectuais e interativos para distinguir a enfermagem especializada da simples realização de tarefas (OMREY; KASPER; PAGE, 1995). O uso da teoria oferece estrutura e organização ao conhecimento de enfermagem, além de proporcionar um meio sistemático de coletar os dados para descrever, explicar e prever a prática. As teorias tornam a prática de enfermagem mais determinada, não apenas com foco na prática mas também nas metas e nos resultados específicos. Assim, a teoria de enfermagem propõe um cuidado coordenado e menos fragmentado e distingue-se de outras profissões, estabelecendo seus limites profissionais (ALLIGOOD; TOMEY, 2002; CHIN; KRAMER, 2004; MCKENNA, 1993). As teorias de enfermagem representam um dos elementos que compõem a linguagem específica da enfermagem, com o objetivo de consolidar-se como ciência e arte na área da saúde. Identificam que as ações de enfermagem surgem da necessidade de ajuda ao ser humano (podendo ser um indivíduo, uma família ou uma comunidade ou um paciente). Esse ser humano deve ser compreendido de forma holística para que as ações não se reduzam à cura das doenças, mas vislumbrem um cuidado dentro da perspectiva social, emocional, espiritual e biológica (GALBREATH; CALLISTA, 2000). As teorias e os modelos conceituais desenvolvidos pelos enfermeiros influenciaram a prática a fim de: bullet Identificar padrões para a prática de enfermagem; bullet Identificar os cenários em que a prática de enfermagem deve ocorrer e as características que o autor do modelo considera importantes para o cuidado de enfermagem; bullet Incluir os parâmetros para investigação do paciente, os problemas deste, uma estratégia para o planejamento, um tipo de intervenção e os critérios para avaliação dos resultados da intervenção; bullet Dirigir o fornecimento dos serviços de enfermagem; bullet Servir de base para os sistemas de informação clínica (dados de admissão, prescrições de enfermagem, plano de cuidados, anotações de evolução e sumário de alta); bullet Orientar o desenvolvimento dos sistemas de classificação do cliente; bullet Dirigir os programas de garantia de qualidade (FAWCETT, 1992). Desenvolvimento da Teoria na Enfermagem Florence Nightingale, que estudaremos com mais detalhes adiante, foi a primeira a delinear o que considerava a meta da enfermagem. Ela postulou que ser “enfermeiro” significava ter o encargo da saúde pessoal de alguém. O papel do enfermeiro era visto como a colocação do paciente na melhor condição para que a natureza aja sobre ele. Na sua visão, os enfermeiros deveriam observar atentamente os doentes e seu ambiente, registrar as observações realizadas e desenvolver o conhecimento sobre os fatores que auxiliariam na cura. O conhecimento desenvolvido e usado por enfermeiros deveria ser diferente do conhecimento médico, e sua estrutura para a enfermagem enfatizava o uso do conhecimento empírico. Os enfermeiros treinados deveriam controlar e formar o pessoal e administrar a prática de enfermagem nos lares e hospitais (CHINN; KRAMER, 2004; KALISCH; KALISCH, 2004). Estudiosos dessa área desenvolveram trabalhos filosóficos para descrever a enfermagem e orientar sua prática. Foram descritos cinco estágios do desenvolvimento da teoria e da filosofia da enfermagem, conforme o Quadro a seguir: Quadro 1 – Estágios do Desenvolvimento das Teorias de Enfermagem Estágio Fonte de Conhecimento Informações Relevantes Conhecimento Silencioso Obediência cega à autoridade médica. O ensino e a prática eram fundamentados em regras, princípios e tradições; O ensino e a prática de enfermagem concentravam-se no desempenho das habilidades técnicas e na aplicação de poucos princípios básicos, como a técnica asséptica e os princípios da mobilidade. Estágio Fonte de Conhecimento Informações Relevantes Conhecimento Recebido Aprender ouvindo os outros. Em 1950, foi publicado pela primeira vez o periódico Nursing Research; Os livros sobre métodos de pesquisa e teorias explícitas de enfermagem começaram a surgir; Em 1956, foram autorizados pelo Health Amendments Act fundos para auxílio financeiro para promover ensino de graduação em tempo integral e preparar os enfermeiros para a administração, a supervisão e o ensino. Conhecimento Subjetivo Um novo sentido do eu emergiu. Durante os anos de 1960, o desenvolvimento da teoria de enfermagem foi fortemente influenciado por três filósofos (James Dickoff, Patricia James e Ernestine Weidenbach) que descreveram a natureza da teoria para uma disciplina prática; As teorias pioneiras eram caracterizadas pela visão funcional da enfermagem e da saúde; As descrições e os modelos de enfermagem foram desenvolvidos a partir das experiências pessoais, profissionais e educacionais e refletiam a percepção da prática ideal. Conhecimento de Procedimentos Conhecimento separado e conectado. Em 1972, a National League for Nursing implementou uma exigência de que o currículo de enfermagem fosse fundamentado em estruturas conceituais; Os enfermeiros discutiam se era necessário um modelo conceitual para enfermagem ou vários modelos que descrevessem os relacionamentos entre enfermeiro, paciente, ambiente e saúde. Conhecimento Construído Diferentes tipos de conhecimento (intuição, raciocínio e autoconhecimento). No final da década de 1980, os estudiosos começaram a concentrar-se na necessidade de desenvolver teorias substantivas para proporcionar fundamentos significativos para a prática de enfermagem. Fonte: Adaptado de KIDD; MORRISON, 1988, p. 222-224 Classificação das Teorias de Enfermagem As classificações das teorias são baseadas no alcance/âmbito ou na abstração e no tipo ou na finalidade da teoria (descrição, previsão, produção de situação). A seguir, descreveremos cada uma delas: bullet Âmbito da Teoria: refere-se à complexidade e ao grau de abstração. Inclui o nível de especificidade e o concretismo de seus conceitos e proposições. A classificação usa os termos “metateoria”, “filosofia” ou “visão de mundo” para descrever a base filosófica da disciplina. Para caracterizar a estrutura conceitual, utiliza a teoria de médio alcance para definir estruturas que são relativamente mais focadas que as grandes teorias. Já microteoria, teoria específica à situação ou teoria prática são utilizadas para descrever as de âmbito menor (HIGGINS; MOORE, 2000; PETERSON, 2004); bullet Metateoria: foca, na enfermagem, os aspectos amplos, como os processos de geração de conhecimento e o desenvolvimento da teoria. Os aspectos metateóricos relacionam-se com a filosofia da enfermagem e abordam quais os níveis de desenvolvimento da teoria são necessários para a prática, a pesquisa e o ensino de enfermagem (WALKER; AVANT, 2005); bullet Grandes Teorias (Macroteoria): são as mais complexas e as de âmbito mais abrangente. Elas tentam explicar as amplas áreas dentro da disciplina e podem incorporar outras teorias. Inespecíficas, utilizam conceitos abstratos e são desenvolvidas por meio da avaliação atenta e profunda das ideias existentes, em oposiçãoà pesquisa empírica (FAWCETT, 2000); bullet Teorias de Médio Alcance: têm ideias mais circunscritas e concretas. São específicas e englobam um número limitado de conceitos e um aspecto restrito do mundo real. Pode ser a descrição de determinado fenômeno, a explicação do relacionamento entre os fenômenos ou a previsão dos efeitos de um fenômeno ou outro (FAWCETT, 2000); bullet Teorias Práticas: explicam um pequeno aspecto da realidade e tendem a ser prescritivas. São limitadas a populações ou campos específicos da prática e, com frequência, usam o conhecimento de outras disciplinas. Exemplos: o vínculo entre mãe e bebê e o controle da dor oncológica (MCKENNA, 1993); bullet Teorias Parciais: são aquelas em estágio de desenvolvimento, alguns conceitos foram identificados e algumas relações entre eles foram definidas, porém a teoria ainda não está completa (KECK, 1998); bullet Finalidade das Teorias: as teorias são definidas como invenções intelectuais destinadas a descrever, explicar, prever ou prescrever os fenômenos. Foram descritos quatro tipos de teorias, conforme o quadro a seguir. Quadro 2 – Tipos de Teorias Tipo de Teoria Conceito Exemplos Teorias de isolamento dos fatores (teorias descritivas). Proporcionam observação e significado referentes aos fenômenos. Desenvolvimento de um modelo teórico para descrever a experiência das mães cujas gestações foram Tipo de Teoria Conceito Exemplos complicadas pela síndrome de HELLP. Teorias do relacionamento dos fatores (teorias explicativas). Demonstram como e por que os conceitos são relacionados e podem lidar com a causa e o efeito e as correlações que regulam as interações. Modelo da dispneia crônica: define- se e descreve-se juntamente com os antecedentes fisiológicos da dispneia crônica e suas consequências. Teorias relacionadas com a situação (teorias previsíveis). Defendem que a eficácia na prestação de atendimento depende de inúmeros fatores, como as características do prestador de cuidados, as interações interpessoais, o preparo educacional do prestador de cuidados, bem como fatores de adaptação, estabilidade econômica e mecanismos de enfrentamento. Criado modelo teórico destinado a prever o bem-estar entre as sobreviventes de câncer de mama. Teorias produtoras de situações (teorias prescritivas). Abordam a terapêutica de enfermagem e as consequências das intervenções. Desenvolvimento de uma teoria de médio alcance de intervenção cronoterapêutica para a dor pós- cirúrgica. Fonte: Adaptado de DICKOFF; JAMES, 1968, p. 197-203 As Teorias de Enfermagem A seguir, discutiremos as teorias de enfermagem e sua importância no cuidado ao paciente. Florence Nightingale (Teoria Ambiental – 1860) Considerada a fundadora da enfermagem moderna, Florence Nightingale conhecia a teoria dos germes e, antes de sua ampla publicação, tinha deduzido que a limpeza, o ar fresco, os aspectos sanitários, o conforto e a socialização eram necessários para a cura. Os três princípios da filosofia de Nightingale são: a cura, a liderança e a ação global, sendo classificada como uma grande teoria com filosofia indutiva, abstrata e de natureza descritiva. O modelo educacional era baseado na antecipação e no preenchimento das necessidades dos pacientes, assim como orientado para os trabalhos que o enfermeiro deve realizar para satisfazer tais necessidades (DOSSEY, 2000; SELANDERS, 1993). Ela acreditava que um ambiente saudável era essencial para a cura, o ruído era prejudicial e deveria ser evitado para que o repouso fosse efetivo. A alimentação nutritiva, leitos e roupas de cama apropriados, além da higiene pessoal, e o contato social eram essenciais para a cura (OLIVEIRA, 2011). A autora de Notas sobre Enfermagem defendia que as enfermeiras deveriam observar seus pacientes com precisão e ser capazes de relatar o estado do paciente ao médico. Além disso, deveriam pensar criticamente sobre o cuidado do paciente e fazer o que for necessário e apropriado para auxiliar na cura (NIGHTINGALE, 1860). Reflita Para você, quais fatores do meio ambiente podem interferir no processo de cura? Para Nightingale (1999), é necessário que o ambiente seja: bullet Ventilado: ambiente com ventilação, mas sem corrente de ar; bullet Iluminado: além do ar puro, há necessidade de iluminação com luz solar direta; bullet Aquecido: é fundamental para a recuperação da saúde e a prevenção da perda de calor vital; bullet Limpo: ambientes limpos são fundamentais para prevenção de infecções; bullet Silencioso: é preciso sempre se atentar à prevenção de ruídos, pois nem a boa assistência será benéfica para o doente sem o silêncio necessário; bullet Livre de Odores: o cheiro exalado dos ferimentos deve ser evitado com a frequente troca dos curativos; bullet Abastecido de Alimentação Saudável: a reposição de nutrientes por meio de uma alimentação saudável é essencial para o processo de cura. Leitura A Teoria Ambientalista no Ensino e na Prática Profissional em Enfermagem: Uma Revisão Integrativa Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Hildegard Peplau (Teoria das Relações Interpessoais em Enfermagem – 1952) Primeira teorista de enfermagem publicada após Florence Nightingale, a enfermeira americana Hildegard Peplau tinha como foco as relações entre paciente e cuidador, em que este deve ser capaz de reconhecer a necessidade de ajudar aquele a reagir à doença. O processo interpessoal terapêutico, mediante a relação entre enfermeiro e paciente, ajuda a atingir a maturidade e facilita uma vida criativa, construtiva e produtiva. Desse modo, tal processo passa por quatro fases: orientação, identificação, exploração e resolução, cada uma delas é caracterizada por um conjunto de funções, relacionadas aos problemas de saúde, que se desenvolvem à medida que o cuidador e o paciente trabalham conjuntamente com o intuito de sanar as dificuldades. https://bit.ly/3Hpvc5o 1 1 Fase de Orientação: é necessário compreender, para se obter sucesso nesta fase, que pessoas diferentes reagem de formas diferentes diante da doença. O profissional deve compreender quais necessidades educativas o paciente possui e como pode auxiliá-lo a entender o que está por acontecer no processo da doença e de recuperação. Nesta fase, é fundamental que o profissional de enfermagem estimule o paciente a participar das etapas de diagnóstico e avaliação do seu problema, para que adquira conhecimentos que serão aplicados em um momento futuro. Você pode encorajar o paciente a expor seus receios, seus medos e suas ansiedades. Isso é importante para que não se acumule inquietações que irão refletir negativamente na recuperação da saúde. Assim, o paciente se sentirá mais forte e menos impotente no enfrentamento da doença. No entanto, nem todos os pacientes lidam bem com a difícil situação da doença, que, muitas vezes, envolve o afastamento da família, incluindo os filhos. O paciente aceita a ajuda do profissional de enfermagem, mas, algumas vezes, a rejeita, sentindo-se diminuído por não poder se autocuidar; 2 2 Fase de Identificação: o paciente reage seletivamente no enfermeiro; ambos precisam esclarecer as percepções e expectativas mútuas. Ou seja, o paciente reconhece a necessidade de ajuda e colabora com aqueles que fornecerão apoio; enquanto a enfermeira faz o diagnóstico e estabelece um plano de ação. No final desta fase o paciente começa a lidar com o problema, o que diminui a sensação de desamparo e desespero; 3 3 Fase de Exploração: depois da identificação entre o paciente e o profissional cuidador, é possível que o indivíduo usufrua de todos os serviços oferecidos pela equipe de enfermagem. Esta fase se caracteriza por uma posição derecuo e avanço por parte do paciente e se sobrepõe sobre as fases que estudamos anteriormente. Podemos comparar a fase de exploração com o comportamento de um adolescente que muda rapidamente de opinião e, muitas vezes, não sabe que direção seguir; 4 4 Fase de Resolução: quando o paciente tem suas necessidades satisfeitas, é comum que ele passe a estabelecer novas metas para sua vida, por exemplo: atividade física, ingestão de alimentos saudáveis, entre outras (PEPLAU, 1993). Leitura Aplicação da Teoria Interpessoal de Peplau com Puérpara Adolescente Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Virginia Henderson (Teoria das Necessidades Básicas – 1955) https://bit.ly/3w9Z6ru Educadora de enfermagem bastante conhecida, Virginia Henderson, juntamente com outros colaboradores, criou, em 1937, um currículo básico de enfermagem no qual o ensino era centralizado no paciente e organizado em torno dos problemas de enfermagem, e não nos diagnósticos médicos (HENDERSON, 1991). Visto que o conceito de enfermagem foi derivado de sua prática e educação, seu trabalho é indutivo. O principal pressuposto da teoria é que os enfermeiros cuidem dos pacientes até que eles tenham condições de se cuidarem novamente. Ademais, os enfermeiros devem ser educados em nível acadêmico, tanto na arte quanto na ciência. Henderson definiu 14 atividades para assistência ao paciente, conforme o Quadro a seguir: Quadro 3 – 14 Atividades para Assistência ao Paciente Segundo Henderson 1 Respirar normalmente. 2 Comer e beber de forma adequada. 3 Eliminar resíduos orgânicos. 4 Movimentar-se e manter uma postura desejável. 5 Dormir e repousar. 6 Selecionar roupas adequadas (vestir e despir). 7 Manter a temperatura corporal adequada. 8 Manter o corpo limpo. 9 Evitar perigos no ambiente e lesões em terceiros. 10 Comunicar-se com os outros e expressar emoções. 11 Seguir padrões religiosos, conforme a própria fé. 12 Trabalhar de maneira a se satisfazer. 13 Participar de atividades de recreação. 14 Aprender e satisfazer a curiosidade que leva ao desenvolvimento da saúde e usar os serviços de saúde disponíveis. Fonte: Adaptado de HENDERSON, 1991, p. 22-23 Leitura Processo de Enfermagem Fundamentado em Virginia Henderson Aplicado a uma Trabalhadora Idosa Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Faye G. Abdellah (Teoria Centrada nos Problemas – 1960) https://bit.ly/3AZTosz Pioneira americana na pesquisa em enfermagem, Faye G. Abdellah desenvolveu, de forma indutiva a partir de sua prática, a abordagem de enfermagem centrada no paciente. A teoria foi criada para auxiliar o ensino de enfermagem e é aplicável à educação e à prática. Abdellah foi uma das primeiras autoras a referir-se ao diagnóstico de enfermagem (ABDELLAH et al., 1960). Para a autora de Patient – Centered Approaches to Nursing e alguns autores, os enfermeiros deveriam: aprender a conhecer o paciente; identificar os dados relevantes e significativos; fazer generalizações sobre os dados disponíveis; identificar o plano terapêutico; testar as generalizações com o paciente; validar as conclusões do paciente sobre o seu problema; observar e avaliar o paciente a fim de identificar qualquer atitude ou indicação que altere seu comportamento; explorar a reação do paciente e da família ao plano terapêutico; identificar como eles (enfermeiros) se sentem diante dos problemas de enfermagem do paciente; e desenvolver um plano completo de cuidados de enfermagem. Nesse sentido, foi desenvolvida uma lista com 21 problemas de enfermagem, conforme a seguir: 1 1 Manter boa higiene e conforto físico; 2 2 Promover atividade física, repouso e sono; 3 3 Promover segurança para prevenção tanto de acidentes quanto de transmissão de infecção; 4 4 Manter boa postura corporal e corrigir deformidades; 5 5 Facilitar a manutenção de suprimento de oxigênio pelo corpo; 6 6 Facilitar a nutrição corporal; 7 7 Facilitar a manutenção das eliminações; 8 8 Facilitar a manutenção do equilíbrio hidreletrolítico; 9 9 Reconhecer as respostas fisiológicas do corpo; 10 10 Facilitar a manutenção das funções reguladoras; 11 11 Facilitar a manutenção da função sensorial; 12 12 Identificar e aceitar expressões negativas e positivas, sentimentos e reações; 13 13 Identificar e aceitar as inter-relações entre emoções e doenças; 14 14 Facilitar a manutenção da comunicação verbal e não verbal; 15 15 Promover o desenvolvimento de relações interpessoais produtivas; 16 16 Facilitar a realização de metas espirituais pessoais; 17 17 Criar e manter um ambiente terapêutico; 18 18 Facilitar a conscientização como indivíduo das necessidades físicas, emocionais e de desenvolvimento; 19 19 Aceitar as limitações físicas e emocionais; 20 20 Usar recursos comunitários para auxiliar na resolução de problemas surgidos com a doença; 21 21 Compreender o papel dos problemas sociais como fatores que influenciam a causa da doença (ABDELLAH et al., 1960). Leitura Abordagem Situacional do Enfermeiro no Exame Físico Hematológico: Uma Reflexão com Faye Abdellah Leia este artigo para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Wanda Horta (Teoria das Necessidades Humanas Básicas – 1960) Defensora do lema “gente que cuida de gente”, a enfermeira e professora brasileira Wanda Horta classifica as necessidades humanas básicas em três grandes dimensões: psicobiológicas, https://bit.ly/3Hmx3ru psicossociais e psicoespirituais. Ela estabelece um relacionamento entre os conceitos de ser humano, ambiente e enfermagem. Sua teoria descreve a enfermagem como parte integrante da equipe de saúde, que, por meio de um método científico, consegue atuar de maneira eficiente. Esse método é denominado Processo de Enfermagem, o qual é a dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano, caracterizada por seis fases: histórico de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, plano assistencial, plano de cuidados ou prescrição de enfermagem, evolução e prognóstico. O modelo foi baseado na teoria da motivação humana de Abraham Maslow (Figura 1) e em alguns princípios de João Mohana. Figura 1 – Pirâmide de Maslow Fonte: Adaptada de MARCONDES, 2021, n. p A classificação de necessidades de Mohana elenca três dimensões: psicobiológica, psicossocial e psicoespiritual. Um dos fatos que fizeram com que Horta adotasse essa classificação foi colocar a espiritualidade como uma necessidade humana básica e como uma dimensão mais elevada nas necessidades. O princípio fundamental do conceito da autora de Processo de Enfermagem é assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas e torná-lo independente dessa assistência mediante a educação. Quadro 4 – Classificação das Necessidades Humanas Básicas Segundo Horta Necessidades Psicobiológicas Necessidades Psicossiais Necessidades Psicoespirituais Oxigenação; Hidratação; Eliminação; Sono e Repouso; Exercício e Atividade física; Sexualidade; Abrigo; Mecânica corporal; Motilidade; Integridade cutâneo-mucosa; Integridade física; Regulação: térmica, hormonal, neurológica, hidrossalina, eletrolítica, imunológico, crescimento celular, vascular; Locomoção; Percepção: olfativa, visual, auditiva, tátil, gustativa, dolorosa; Ambiente; Terapêutica. Segurança; Amor; Liberdade; Comunicação; Criatividade; Aprendizagem (educação à saúde); Gregária; Recreação; Lazer; Espaço; Orientação no tempo e espaço; Aceitação; Auto-realização; Auto-estima; Participação; Auto-imagem; Atenção. Religiosa ou teológica; Ética ou de filosofia de Vida. Fonte: Adaptado de HORTA, 1979, p. 40 Leitura Aplicabilidade da Teoria de Wanda Horta no Autocuidado a Pacientes Ostomizados Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Myra Estrin Levine (Teoria Holística – 1967) Reconhecida pela formulação da teoria da conservação, a enfermeira, teórica, autora e pesquisadora americana Myra Estrin Levine elaborou um modelo direcionado ao paciente que procura por assistência em um estabelecimento de saúde ao sofrer de algum tipo de alteração do seu estado normal de saúde. Esse modelo é constituído em quatro princípios de conservação, sendo eles: conservação da energia, conservação da integridade estrutural, conservação da integridade pessoal e conservação da integridade social. As intervenções de https://bit.ly/3HpxscT enfermagem são baseadas na conservação da integridade do paciente em cada um dos domínios de conservação. A eficácia das intervenções é medida pela manutenção da integridade do paciente (LEVINE, 1973). À vista disso, é de suma importância entender os princípios de conservação: bullet Conservação da Energia: está baseada nas intervenções de enfermagem para conservar energia por uma decisão deliberada; bullet Conservação da Integridade Estrutural: é a base para as intervenções de enfermagem visando limitar a quantidade de envolvimento do tecido; bullet Conservação da Integridade Pessoal: está baseada nas intervenções de enfermagem que permitem ao indivíduo tomar ou participar das decisões; bullet Conservação da Integridade Social: está baseada nas intervenções de enfermagem com o intuito de preservar as interações do paciente com a família e com o sistema social (LEVINE, 1973). O modelo de Levine foi utilizado no Departamento de Emergência do Hospital da Universidade da Pennsylvania. Sua utilização fortaleceu a comunicação e melhorou o cuidado de enfermagem no hospital pela colaboração entre as disciplinas. Além disso, foi considerado útil para dirigir a prática de enfermagem no atendimento de crianças, no diagnóstico de enfermagem em unidade de atendimento neurológico e na maternidade para estudar a integridade perineal (POND; TANEY, 1991; ROBERTS; FLEMING; GIESE, 1991; TAYLOR, 1989). Leitura Cuidados Paliativos em Pediatria: Um Estudo Reflexivo Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Dorothy Johnson (Teoria do Sistema Comportamental – 1968) Enfermeira, autora, pesquisadora e teórica norte-americana, Dorothy Johnson criou um modelo sobre as necessidades, o ser humano como um sistema comportamental e o alívio do estresse como cuidado de enfermagem. Ela considera que se deve reduzir o estresse para que o paciente se recupere. Nessa perspectiva, o enfermeiro deve agir para suprir as necessidades do paciente e perceber a incapacidade deste, ser capaz de adaptar-se e oferecer uma assistência para solucionar os problemas. A teoria foi utilizada, por exemplo, para descrever o impacto do medo do crime sobre a saúde das pessoas idosas e os comportamentos de busca da saúde e da qualidade de vida. Outra aplicabilidade foi para investigar e intervir em um grupo de cuidadores de indivíduos com a doença de Alzheimer (BENSON, 1997; FRUEHWIRTH, 1989). https://bit.ly/3HpxUrB Johnson delineou sete subsistemas aos quais o modelo se aplicava: bullet Subsistema de Apego ou Aflição: atende à necessidade de segurança por meio da inclusão; bullet Subsistema da Dependência: é destinado a obter atenção, reconhecimento e assistência física; bullet Subsistema de Ingestão: relaciona-se à necessidade de suprir as exigências biológicas de alimentos e líquidos; bullet Subsistema de Eliminação: diz respeito à excreção dos resíduos; bullet Subsistema Sexual: atende à exigência biológica de reprodução; bullet Subsistema de Agressão: funciona na proteção e preservação própria e social; bullet Subsistema de Realização: domina e controla o próprio eu e o ambiente. Além disso, existem três exigências funcionais dos seres humanos neste modelo: bullet Proteger-se das influências nocivas; bullet Nutrir-se pelo fornecimento de suprimentos; bullet Estimular-se a favorecer o crescimento e prevenir a estagnação (JOHNSON, 1980). Leitura Instrumentos para o Processo de Enfermagem do Neonato Pré-termo à Luz da Teoria de Dorothy Johnson Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Irmã Callista Roy (Teoria da Adaptação – 1970) Formada em 1963, com Doutorado em Sociologia em 1977, a teórica de enfermagem, professora e autora americana Callista Roy, que era freira, compreende o paciente como um https://bit.ly/3rlTuri ser biopsicossocial em constante interação com o meio em mudança. Isso implica a necessidade de a pessoa adaptar-se continuamente, com vistas a manter sua integridade física e mental. Ela desenvolveu um modelo composto de quatro modos adaptativos constituintes das categorias específicas que servem como uma estrutura para a investigação. São eles: bullet Modo Fisiológico-físico: processos físicos e químicos envolvidos na função e nas atividades dos organismos vivos; bullet Modo de Identidade do Grupo de Autoconceito: foco na integridade psicológica e espiritual; bullet Modo de Função do Papel: papel que o indivíduo ocupa na sociedade preenchendo a necessidade de integridade social; bullet Modo da Interdependência: relacionamento próximo de pessoas e suas finalidades, estrutura e desenvolvimento individual e grupal (ROY; ANDREWS, 1999). Leitura Leia os artigos a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Aplicabilidade do Modelo de Adaptação de Roy no Cuidado ao Paciente Diabético Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Aplicação da Teoria de Enfermagem de Callista Roy ao Paciente com Acidente Vascular Cerebral Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Aplicação da Teoria de Callista Roy a Pais/Cuidadores de Crianças Autistas: Uma Proposta Intervencionista Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Martha Rogers (Teoria do Homem Unitário – 1970) Enfermeira americana que se dedicou à pesquisa e à publicação de teorias e livros na área da enfermagem, Martha Rogers criou uma teoria embasada no conceito de que o conhecimento pregresso é fundamental para a compreensão presente da enfermagem e a atualização dos princípios e das teorias que devem orientar sua prática. Baseia-se na teoria geral dos sistemas, que, por sua vez, tem como pressupostos: bullet O ambiente influencia o indivíduo por meio das suas trocas de energia; bullet https://bit.ly/3rlWiod https://bit.ly/3ARqYRB https://bit.ly/3gkyOcY O ser humano manifesta suas características individuais, mas possui uma integralidade, tornando-se um todo unificado; bullet A vida tem processos que evoluem irreversivelmente ao longo do tempo; bullet A abstração, a linguagem, a sensação, a criação e o pensamento caracterizam o ser humano. Baseando-se nesses pressupostos, a teoria estabelece os seguintes blocos: Campo de energia; Abertura; Padrão; Pandimensionalidade. Assim, a teoria de Rogers sugere que o indivíduo seja visto pela enfermagem como um processo de interação com o ambiente, e não como um ser isolado (ROGERS, 1990). Leitura Toque no Bebê Hospitalizado Sob a Luz da Teoria de Martha Elizabeth Rogers: Reflexões de Enfermagem Leia artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Dorothea E. Orem (Teoria do Déficit do Autocuidado – 1971) Enfermeira e empresárianorte-americana, Dorothea E. Orem desenvolveu sua teoria a partir de um marco conceitual. Para ela, o profissional de enfermagem, juntamente com o cliente, deve identificar déficits de capacidade no atendimento das necessidades individuais de autocuidado, procurando desenvolver, nesses indivíduos, os potenciais já existentes para a prática do autocuidado. Dessa forma, o profissional de enfermagem funciona como regulador do sistema. Ele identifica os déficits de competência em relação à demanda de autocuidado, faz pelo indivíduo aquilo que ele não pode fazer, ensina, orienta e promove o desenvolvimento das capacidades do indivíduo para que ele possa se tornar independente da assistência de enfermagem, assumindo seu autocuidado. Nesse sentido, a autora de Nursing: Concepts of Practice delineia três teorias sequenciais: teoria do autocuidado, teoria do déficit de autocuidado e teoria dos sistemas de enfermagem. Ainda, segundo Orem, existem três requisitos de autocuidado: bullet https://bit.ly/3ol99Fh Universais: relacionados aos processos de vida e à manutenção da estrutura e do funcionamento humano. Podemos citar, como exemplo, as atividades do dia a dia comuns a todos os indivíduos; bullet Desenvolvimento: são processos universais desenvolvidos de maneira particular, individual, isto é, a capacidade de o indivíduo adaptar-se a uma nova condição. Como exemplo, podemos citar o desempenho de uma nova atividade laboral ou a adaptação a uma limitação física; bullet Desvio de Saúde: em condições de ferimento, doença ou moléstia, este requisito é exigido; além disso, pode-se exigi-lo em consequência de medidas médicas para correção ou, ainda, no diagnóstico de uma condição. O indivíduo deve desenvolver a capacidade de lidar com a condição reversa à saúde (OREM, 1995). Leitura Aplicação do Processo de Enfermagem Baseado na Teoria de OREM: Estudo de Caso com uma Adolescente Grávida Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Imogene M. King (Teoria do Alcance de Metas – 1971) Pioneira no desenvolvimento da teoria de enfermagem, a enfermeira norte-americana Imogene M. King criou uma teoria interacionista, pautada no cuidado de enfermagem que não se restringe ao âmbito individual, mas pode ser prestado a um grupo social com o qual a enfermeira estabelece contato. O paciente está no centro do processo e é envolvido em todas as etapas, tendo por objetivo obter os melhores resultados e satisfazer suas necessidades a partir da definição de metas. A autora de A Systems Framework for Nursing descreve vários pressupostos relacionados aos indivíduos, às interações entre o enfermeiro e o paciente e à enfermagem (KING, 1995). bullet Pressupostos Relacionados aos Indivíduos: o modelo estabelece que as pessoas são seres sociais, racionais e reagentes. São controláveis, orientadas por ações e pelo tempo quanto aos seus comportamentos (KING, 1995); bullet Pressupostos Relacionados às Interações entre o Enfermeiro e o Paciente: as percepções do enfermeiro e do paciente influenciam o processo de interação (as metas, as necessidades e os valores do enfermeiro e do paciente), os indivíduos têm o direito de saber sobre eles mesmos, participar das decisões, aceitar ou rejeitar o cuidado (KING, 1981); bullet Pressupostos Relacionados à Enfermagem: compreende o cuidado aos seres humanos. A enfermagem é perceber, pensar, relacionar, julgar e agir de acordo com o comportamento dos indivíduos. A meta da enfermagem é ajudar indivíduos e grupos a atingir, manter e restaurar a saúde (KING, 1995; KING, 1981). https://bit.ly/3HrUr72 Para compreender melhor, a teoria de alcance de metas engloba diversas relações, muitas delas complexas. A seguir, apresentamos, em formato de tópicos, algumas relações entre os conceitos da teoria: bullet Enfermeiro e paciente são sistemas interagindo de forma proposital; bullet As percepções, os julgamentos e as ações do enfermeiro e do paciente produzem transações dirigidas às metas; bullet Se a exatidão estiver presente nas interações entre o enfermeiro e o paciente, as transações serão positivas; bullet Se o enfermeiro e o paciente fizerem as transações, as metas serão atingidas e o crescimento e o desenvolvimento serão favorecidos; bullet Quando as metas forem atingidas, haverá satisfação e o cuidado de enfermagem será efetivo; bullet Se houver conflito de papel do enfermeiro, do paciente ou de ambos, haverá estresse nas interações (entre enfermeiro e paciente); bullet Se os enfermeiros possuírem conhecimento e habilidades especiais para comunicar informações adequadas aos pacientes, estabelecerá metas mútuas e suas realizações (KING, 1981). Leitura Estabelecimento de Metas no Planejamento da Aposentadoria: Reflexão à Luz de Imogene King Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Betty Neuman (Modelo dos Sistemas – 1972) Enfermeira e teórica de enfermagem estadunidense, Betty Neuman desenvolveu o modelo dos sistemas holísticos, com foco nos aspectos psicológicos, fisiológicos, socioculturais e desenvolvimentistas de seres humanos. Usa uma abordagem de sistemas focalizada nas necessidades humanas de proteção e de alívio do estresse. O modelo é fundamentado nas reações do paciente ao estresse ao manter os limites para assegurar sua estabilidade. É delineado em três passos: diagnóstico de enfermagem, metas de enfermagem e resultados de https://bit.ly/3GmHLNv enfermagem. Ademais, o modelo foi reconhecido para uso na prática de enfermagem na administração dos cuidados ao paciente, nas áreas de medicina, cirurgia, saúde mental, saúde da mulher, enfermagem pediátrica e gerontologia (HASSELL, 1996). Os dez pressupostos do modelo dos sistemas de Neuman são: 1 1 Cada sistema do paciente é único; 2 2 Existem estressores conhecidos, desconhecidos e universais. Cada um deles atua de maneira diferente para perturbar o nível de estabilidade habitual do paciente; 3 3 Cada paciente desenvolve uma série de respostas ao ambiente, a qual é chamada de linha de defesa normal; 4 4 Quando a linha de defesa não é capaz de proteger o paciente contra um estressor ambiental, a linha normal de defesa é rompida; 5 5 O paciente no estado de saúde ou doença é um composto dos inter-relacionamentos das variáveis; 6 6 Em cada sistema do paciente estão implícitos os fatores de resistência, que funcionam para estabilizar e conduzir o paciente ao estado de saúde habitual; 7 7 A prevenção primária relaciona-se com o conhecimento geral aplicado na investigação do paciente, na identificação e na redução dos fatores de risco a fim de prevenir uma possível reação; 8 8 A prevenção secundária relaciona-se com a sintomatologia que acompanha a reação aos estressores; 9 9 A prevenção terciária está relacionada com os processos de ajustes que ocorrem à medida que a reconstituição começa e os fatores de manutenção levam o paciente de volta à prevenção primária; 10 10 O paciente está em troca de energia dinâmica e constante com o ambiente. Figura 2 – Diagrama do modelo de sistemas de Neuman Fonte: NEUMAN; FAWCETT, 2011 Leitura Intervenção de Enfermagem Baseada na Teoria de Neuman Mediada por Jogo Educativo Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Jean Watson (Teoria do Cuidado Transpessoal – 1979) Enfermeira, teórica e professora de enfermagem estadunidense, Jean Watson elaborou uma teoria que pode ser classificada como interacionista, uma vez que sua prática acontece por meio das interações entre paciente e enfermeiro. Essa influência mútua no cuidado é uma experiência quenecessita de diálogo entre pessoas, no qual cada uma delas sente a disponibilidade, a proximidade e a compreensão uma da outra, além de partilhar histórias de vida, trajetórias e angústias. A autora de Caring Science as Sacred Science propõe que o cuidado e o amor são “forças cósmicas” universais e misteriosas que compreendem a energia psíquica primária e universal. Os pressupostos explícitos dessa teoria são: bullet Pressuposto ontológico de unicidade, totalidade, relação e conexão; bullet Pressuposto epistemológico segundo o qual existem várias formas de conhecer; bullet Diversidade de conhecimento; bullet Um modelo de ciência do cuidado torna essas diversas perspectivas explícitas e diretas; bullet A integração da moral e da metafísica à ciência evoca o espírito. bullet A emergência da ciência do cuidado, baseada nos novos pressupostos, torna explícita uma visão do mundo unitária, expandida, energética, com ética de atendimento humano relacional e uma ontologia como ponto inicial (WATSON, 2005). Leitura Aplicabilidade da Teoria de Jean Watson em Cuidados com a Pessoa Idosa: Uma Revisão Bibliográfica Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. https://bit.ly/3CLUYPN ACESSE Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma metodologia desenvolvida a partir da prática do enfermeiro, com o objetivo de organizar a gestão dos cuidados no processo de enfermagem. A SAE planeja o trabalho da equipe de enfermagem e os instrumentos que serão utilizados conforme a necessidade de cada procedimento. É utilizada como método científico para instrumentalizar a resolução de problemas dos pacientes e tornar o cuidado individualizado, além de planejar, executar e avaliar o cuidado. Trata-se de uma atividade privativa do enfermeiro, que realiza ações que contribuem para promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, da família e da comunidade (CHAVES, 2009; COREN, 2002). Leitura Percepção da Equipe de Enfermagem sobre a Implementação do Processo de Enfermagem em uma Unidade de um Hospital Universitário Leia o artigo a seguir para entender a aplicabilidade da teoria na prática. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Processo de Enfermagem O processo de enfermagem surgiu na década de 1950, por meio de educadores dos Estados Unidos, como um método para nortear os alunos de enfermagem no desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico necessárias à profissão. O conceito “processo de enfermagem” foi mencionado pela primeira vez por Lydia Hall, em 1955. Posteriormente, Dorothy Johnson, Ida Orlando e Ernestine Wiedenbach, nos anos 1959, 1961 e 1963, respectivamente, desenvolveram o modelo de processo de enfermagem constituído por três etapas. Já em 1967, Helen Yura e Mary Walsh descreveram um modelo constituído por quatro etapas: histórico, planejamento, implementação e avaliação (IYER; TAPTICH; BERNOCCHI-LOSEY, 1993). Até então, o diagnóstico de enfermagem não existia como uma fase distinta do processo de enfermagem, era considerado como a primeira etapa. A coleta de dados, nessa época, era voltada para identificação de problemas (CRUZ, 2010). Em 1970, Bloch, Roy, Aspinall, Mundinger e Jauron acrescentaram a etapa de diagnósticos de enfermagem entre as fases de histórico e planejamento, o que gerou um modelo constituído em cinco etapas: histórico, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação. A incorporação do diagnóstico surgiu com a necessidade de interpretação das observações obtidas a partir das avaliações clínicas dos pacientes (CRUZ, 2010). No Brasil, na segunda metade da década de 1960, Wanda de Aguiar Horta apresentou um modelo composto de seis etapas: histórico, diagnóstico, plano assistencial, plano de cuidados ou prescrição de cuidados, evolução e prognóstico (HORTA, 1979). Mudanças ocorridas na área da saúde dos Estados Unidos, bem como na prática profissional de enfermagem, transformaram, assim, o processo de enfermagem. Quadro 5 – Gerações do Processo de Enfermagem https://bit.ly/3s8WarC https://bit.ly/3ol7yQ0 Primeira Geração do Processo de Enfermagem (1950-1970) Geração marcada pela identificação de problemas de pacientes e pela solução desses problemas; As intervenções de enfermagem estavam vinculadas às prescrições médicas e limitavam a individualização da assistência; Em 1973, na 1ª Conferência Nacional do Grupo Norte-Americano para Classificação dos Diagnósticos de Enfermagem, nos Estados Unidos, os diagnósticos de enfermagem são apontados como determinantes para inclusão da etapa no processo de enfermagem. Segunda Geração do Processo de Enfermagem (1970-1990) Geração marcada pela ênfase no raciocínio clínico a partir dos problemas identificados e na tomada de decisões clínicas para solucionar os problemas; Em 1973, a publicação dos Standards of Nursing Practice estabeleceu o processo de enfermagem como padrão para assistência de enfermagem e o modelo descrito continha cinco etapas. Terceira Geração do Processo de Enfermagem (1990 em diante) Geração influenciada pela ênfase na especificação de resultados decorrentes da assistência à saúde; Em 1995, a American Nurses Association enfatizou a atenção na avaliação dos resultados decorrentes das intervenções de enfermagem. Fonte: Adaptado de BARROS; LEMOS, 2017 PG. 14-15 Processo de Enfermagem na Atualidade O processo de enfermagem é considerado um método clínico que direciona o raciocínio clínico e o terapêutico necessário para a prática profissional, sendo constituído por cinco etapas, conforme a seguir: Figura 3 – Etapas do processo de enfermagem O que Significa cada Etapa do Processo de Enfermagem? bullet Investigação: coleta de informações sobre um indivíduo, uma família, um grupo ou uma comunidade com o objetivo de identificar evidências de necessidades de saúde e/ou fatores de risco; bullet Diagnóstico de Enfermagem: análise e julgamento crítico sobre as informações coletadas com a finalidade de identificar as causas das necessidades de saúde; bullet Planejamento: elaboração de um plano assistencial, a fim de determinar as prioridades dos pacientes e dos resultados esperados, além das intervenções de enfermagem para alcançar os resultados; bullet Avaliação: investiga se os resultados esperados foram alcançados e se outras necessidades de saúde e/ou novos fatores de risco surgiram. A avaliação é uma nova investigação, podendo conduzir ao estabelecimento de outros diagnósticos – consequentemente, em outro plano assistencial (ALFARO-LEFEVRE, 2014); bullet No Brasil, a Resolução 358, de 2009, do Conselho Federal de Enfermagem, preconiza que a assistência de enfermagem seja sistematizada por meio do processo de enfermagem em todos os ambientes em que o cuidado de enfermagem é prestado (COFEN, 2009). Você Sabia? A mera aplicação do processo de enfermagem não é capaz de garantir a qualidade da assistência de enfermagem. Essa qualidade está vinculada às atitudes e aos saberes dos enfermeiros que realizam o diagnóstico das necessidades das pessoas, assim como planejam e implementam a assistência.