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Questões práticas acerca da implementação da LGPD Professor Dr. Luiz Paulo Rosek Germano luizpaulo@ad2l.com.br O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A LGPD? (RE)LEMBRANDO ALGUMAS INFORMAÇÕES FUNDAMENTAIS a) A Lei nº 13.709/2018 (LGPD) regulamenta o tratamento de dados pessoais; b) O tratamento de dados consiste no processo que se inicia desde a captação, a manipulação, o armazenamento e até a eliminação de informações pessoais; c) Todos aqueles que coletam, manipulam e armazenam dados pessoais devem se submeter as diretrizes da LGPD. Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural. Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta Lei são de interesse nacional e devem ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. PRINCÍPIOS DO TRATAMENTO DE DADOS PESSOAIS ART. 6º da LGPD EXEMPLO DE DISCRIMINAÇÃO À LUZ DA LGPD BASES LEGAIS DA LGPD POR ONDE COMEÇAR A IMPLEMENTAÇÃO? • Instituir um comitê de governança para organização, análise e tomadas de decisão; • Designar um Encarregado de Dados ou DPO (oficial de proteção de dados); • Mapear e entender o ciclo de vida dos dados, a partir de entrevistas setorizadas; • Instruir os membros da organização a partir de padrões de segurança da informação; • Auditar e monitorar periodicamente o ambiente (físico e digital); • criar um relatório de impacto à proteção de dados pessoais; • Instituir um plano de ação para situações de emergência. Governança em Privacidade e Proteção de Dados Pessoais A LGPD, Lei 13.709/2018, em seu Art. 50, parágrafo 2º, inciso I, exige a implementação de um programa de governança em privacidade e proteção de dados pessoais que, no mínimo: ⮚ Demonstre o comprometimento do controlador em adotar processos e políticas internas que assegurem o cumprimento de normas e boas práticas relativas à proteção de dados pessoais; ⮚ Seja aplicável a todo o conjunto de dados pessoais que estejam sob o controle do controlador; ⮚ Seja adaptado a estrutura, escala e volume, bem como à sensibilidade dos dados pessoais tratados pelo controlador; ⮚ Estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em processo de avaliação sistemática de impactos e riscos à privacidade; ⮚ Tenha como objetivo o estabelecimento de relação de confiança com o titular de dados pessoais, por meio de atuação transparente e que possibilite a participação do titular; ⮚ Esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e aplique mecanismos de supervisão internos e externos; ⮚ Conte com planos de resposta a incidentes e remediação de questões que envolvam a privacidade e a proteção de dados pessoais; e ⮚ Seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a partir de monitoramento contínuo e avaliações periódicas. Etapa 4 Identificar cenário em relação a processos. Etapa 5 Relatório de Diagnóstico Etapa 6 Plano de Ação Etapa 8 Políticas de Privacidade e Segurança da Informação Etapa 7 Cronograma de Execução do Plano de Ação Etapa 9 Canais de Interação com o Titular de Dados Etapa 10 Etapa 11 Gestão de Crise Comunicação e Treinamento Etapa 12 Relatório Final Etapa 1 Apresentação do Projeto Etapa 2 Definição de Equipe e Prazos Etapa 3 Solicitação de Documentos e Entrevistas Etapa 13 Monitoramento Implementação das Etapas do Projeto de Adequação à LGPD Solicitação de documentos PRIMEIRO PASSO O Conselho Diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados – ANPD, aprovou Resolução CD/ANPD nº 2, de 27 de janeiro de 2022, que flexibiliza aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD para agentes de tratamento de pequeno porte. São Agentes de Tratamento de Pequeno Porte as microempresas, empresas de pequeno porte, startups, pessoas jurídicas de direito privado, entidades sem fins lucrativos, bem como pessoas naturais e entes privados despersonalizados que realizam tratamento de dados pessoais, assumindo obrigações típicas de controlador ou de operador. Entidades não qualificadas como Agentes de Tratamento de Pequeno Porte Não poderão se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado da LGPD as Entidades: Que realizam tratamento de alto risco para os titulares; Com receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (art. 3º, II, da Lei Complementar nº 123, de 2006); Com receita bruta de até R$ 16.000.000,00 no ano-calendário anterior ou de R$ 1.333.334,00 pelo número de meses de atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, independentemente da forma societária adotada (art. 4º, § 1º, I, da Lei Complementar nº 182, de 2021); e Pertençam a grupos econômicos de fato ou de direito, cuja receita global ultrapasse os limites referidos acima descritos. Fonte: https://conatusaudit.com.br/2022/02/04/flexibilizacao-nas-normas-de-lgpd-para-agentes-de-pequeno-porte/ TRATAMENTO DE DADOS O artigo 5º da LGPD dispõe que o tratamento de dados são operações como coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração. Trata-se de um processo complexo, cujas etapas exigem especial atenção dos agentes de tratamento de dados. Fonte: https://www.xpositum.com.br/ciclo-de-vida-dos-dados-e-lgpd MAPEAMENTO DE DADOS A tarefa de mapear os dados deve ser feita para ajudar a identificar quais controles de segurança devem ser adotados na proteção dessas informações. Do ponto de vista técnico do tratamento de dados e pensando na complexidade dos ambientes atuais, é interessante dividir as ações da seguinte maneira: • identificar o fluxo de tratamento de dados (ciclo de vida de dados); • avaliar se é realmente necessário o armazenamento desses dados; • identificar e controlar os acessos; • mapear os controles de segurança aplicados na proteção dessas informações; • analisar o risco, identificar possíveis vulnerabilidades, determinar a probabilidade de uma ameaça e explorar uma vulnerabilidade existente; • monitorar o tratamento dos dados, quem está acessando e de onde, quais ações estão acontecendo, a fim de detectar atividades suspeitas ou acessos não autorizados; • manter o ambiente em conformidade. MAPEAMENTO DE DADOS Atenção aos dados SENSÍVEIS! ENTREVISTA Objetivo: mapear todas as atividades na corporação. Número do Fluxo: Nome do departamento: Nome do entrevistado: Nome da atividade de tratamento: Finalidade da atividade de tratamento: Dados pessoais utilizados: Categoria do titular dos dados pessoais: Dados pessoais de menores (Sim ou Não): Sistemas que suportam o tratamento: Controles de segurança dos sistemas que suportam o tratamento: Dados Pessoais armazenados digitalmente? Em qual lugar? Dados transferidos internamente (Sim ou Não) e para quais departamentos: Dados transferidos para terceiros ou prestadores de serviço? (Sim ou Não) e para quem. Dados transferidos para o exterior? Para qual país? Para qual finalidade? O tratamento de Dados Pessoais é realizado por alguma obrigação legal? Se sim, inserir a Lei que obriga tal tratamento. ALGUNS SOFTWARES DE MAPEAMENTO E GESTÃO DE COOKIES PREENCHENDO UMA TABELA DE MAPEAMENTO RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES 1) Não existe um número mínimo ou máximo de perguntas a serem formuladas; estamos mapeando o trânsito de dados pessoais em uma corporação e não estatísticas; 2) Solicitar que o destinatário preencha o formulário pode otimizar o trabalho, mas é PERIGOSO! Pode haver falha na coleta de dados pessoais essenciais e o mapeamento ficar comprometido! NÃO QUEREMOS DEIXAR OS GAPS PASSAREM! 3) Todos com os quais há compartilhamento de dadospessoais devem ser entrevistados e responder a planilha de mapeamento! E isso deve ser feito pelo profissional responsável pela implementação das diretrizes da LGPD! 4) O objetivo do mapeamento de dados é entender o fluxo de informações que transitam em uma corporação, desde a recepção, armazenamento, processamento, compartilhamentoe eliminação; 5) Embora haja o “inventário de dados”, onde relacionam-se os dados pessoais com às suas respectivas bases legais (de autorização do tratamento), NÃO SE FAZ O MAPEAMENTO SEM O CONHECIMENTO DOS PRINCÍPIOS E DAS BASES LEGAIS DA LGPD! VAZAMENTO DE DADOS E INFRAÇÕES À LGPD POLÍTICA DE SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO