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Centro Universitário da Amazônia Curso: Bacharelado em Direito Aula 07: Poder Constituinte Derivado Disciplina: Teoria e Fundamentos da Constituição Professora Dra. Nazaré Rebelo PODER CONSTITUINTE DERIVADO É o poder de modificar uma Constituição. Por exemplo, no Brasil para a Constituição ser rígida, é necessário um processo chamado de Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que deve ser votado em dois turnos por cada casa do Congresso Nacional antes de virar uma Emenda constitucional e assim modificar a Constituição da República Federativa do Brasil. Conforme ensinado pelo Constitucionalista Paulo Bonavides: “O Poder de reforma constitucional exercitado pelo poder Constituinte Derivado é por sua natureza jurídica, mesma, um poder limitado, contido num quadro de limitações explícitas e implícitas, decorrentes da Constituição, a cujos princípios se sujeita, em seu exercício, o órgão revisor.” PODER CONSTITUINTE DERIVADO É o nome dado ao poder que é legado pelos cidadãos de determinada coletividade a um representante que terá a tarefa de atualizar ou então inovar a Ordem Jurídica Constitucional. Tal poder toma forma através da elaboração de nova constituição que substitui uma outra prévia e soberana, ou então modifica a atual por meio da Emenda Constitucional, mudando assim aquilo que, de acordo com a percepção da coletividade, não se encaixa na atual ordem social, jurídica e política daquele meio. É através deste poder que se elaboram ainda as constituições dos estados pertencentes à federação brasileira. O Poder Constituinte Derivado recebe ainda o nome de poder instituído, constituído, secundário ou poder de 2º grau. PODER CONSTITUINTE DERIVADO O poder constituinte derivado (também denominado reformador, secundário, instituído, constituído, de segundo grau, de reforma) é um tipo de poder constituinte que se ramifica em três espécies: ✓Poder Constituinte Derivado Reformador; ✓Poder Constituinte Derivado Decorrente; ✓Poder Constituinte Derivado Revisor. PODER CONSTITUINTE DERIVADO O Poder Constituinte Derivado Reformador, também denominado Poder Constituído, Instituído ou de Segundo Grau, consiste em um meio oriundo do Poder Constituinte Originário para reformular os dispositivos constitucionais sempre que for conveniente e necessário, mediante emendas constitucionais, haja vista a necessidade de tais dispositivos se adequarem à realidade social. No Brasil, Estado Democrático de Direito, o povo é o titular deste poder, exercendo-o por meio de seus representantes legais, Deputados e Senadores que ocupam as cadeiras do Congresso Nacional. O Poder Constituinte Derivado Reformador, possui como principais características ser condicionado, secundário e limitado sendo que tais limitações se subdividem em limitações formais ou procedimentais, limitações circunstanciais e materiais ou substanciais. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR O poder constituinte derivado decorrente é o poder que os Estados-membros possuem para elaborar, por meio de Assembleias Legislativas, suas Constituições Estaduais, já que a eles foi atribuída autonomia, manifestada pela capacidade de auto-organização, autogoverno e autoadministração, como disposto nos artigos 25 a 28 da Constituição Federal, que tratam dos Estados federados, podendo citar-se também os artigos 18 e 125 da Constituição Federal como disposições expressas sobre tal autonomia, como também o artigo 1° da Constituição do Estado de São Paulo. Art. 25, caput, CRFB: Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. Art. 125, caput, CRFB: Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. Art. 1° - O Estado de São Paulo, integrante da República Federativa do Brasil, exerce as competências que não lhe são vedadas pela Constituição Federal. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE OBSERVAÇÃO É importante mencionar que os municípios não possuem o Poder Constituinte Decorrente, para que possam organizar uma constituição própria. O município é guiado por uma Lei Orgânica, não se podendo confundir tal lei com uma constituição. Em situação semelhante encontra-se o Distrito Federal, que é regido por Lei Orgânica, assim como os municípios, aplicando-se o mesmo a este ente, que, apesar disso é autônomo, possui capacidade de auto-organização, autogoverno, autoadministração e auto legislação. A despeito da denominação "poder", há nesse caso um verdadeiro ato de competência, pois o Poder Constituinte Derivado atua sob parâmetros legais pré-existentes e determinados, não se constituindo num ato de competência ilimitada. O sistema responsável por estabelecer limites sob tal competência é justamente o Poder Constituinte Originário. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE Encontra normatividade no Art. 3˚ da ADCT (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias), que dispõe sobre a necessidade do Congresso Nacional realizar uma "revisão constitucional" após 5 (cinco) anos da promulgação da Constituição Federal. É um poder de revisar a Constituição por um processo legislativo menos dificultoso à forma das emendas constitucionais. Tem eficácia exaurível, ao passo que fora realizada em 1993, originando 6 (seis) emendas de revisão. Logo, esse poder não mais poderá ser exercido, sendo que qualquer mudança na Constituição Federal atualmente só poderá ser feito através de emendas, pelo poder Reformador. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR Mutação constitucional é o fenômeno que modifica determinada norma da Constituição Federal sem que haja qualquer alteração no seu texto. É considerada alteração informal porque não são cumpridos os requisitos formais necessários à modificação do seu conteúdo textual. OBS: Não decorre do exercício do poder constituinte reformador. EX: O exemplo clássico de mutação no Direito Constitucional envolve a expressão "casa", prevista no artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988, que possui o seguinte texto: "a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial". Neste caso, a palavra "casa" é interpretada não apenas como "residência", mas também compreende o local de trabalho, norma construída a partir da interpretação usualmente feita pelos nossos aplicadores do Direito no Brasil. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL ✓Nova Constituição e Ordem Jurídica Anterior; ✓Recepção e Revogação; ✓Repristinação; ✓Desconstitucionalização. APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O Poder Constituinte Originário, ao se manifestar, elaborando uma nova Constituição, está, na verdade, inaugurando um novo Estado, rompendo com a ordem jurídica anterior e estabelecendo uma nova. Quando uma constituição enquanto norma fundamental for criada, todas as leis que forem incompatíveis com a nova ordem jurídica serão automaticamente revogadas. Trata-se do fenômeno da não recepção. Em contrapartida, havendo compatibilidade, a norma será recepcionada, podendo até receber uma nova roupagem. Como consequência disso, são três os efeitos da entrada em vigor de uma nova Constituição: ✓REVOGAÇÃO ✓RECEPÇÃO ✓REPRISTINAÇÃO APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: ✓Quando a Constituição anterior é integralmente REVOGADA; ela é inteiramente retirada do mundo jurídico, deixando de ter vigência e, consequentemente, validade. EX: Const. 1969 -> Const. 1988. ✓Quando as normas infraconstitucionais editadas na vigência da Constituição pretérita que forem materialmente compatíveis com a nova Constituição são por ela RECEPCIONADAS. EX: CLT/ 1943 -> Const. 1988. ✓Quando as normas infraconstitucionais editadas na vigência da Constituição pretérita que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição são por ela REVOGADAS.Ex: Normas conflitantes com o atual texto Constitucional. REVOGAÇÃO / RECEPÇÃO / REPRISTINAÇÃO A REPRISTINAÇÃO consiste na possibilidade de “ressuscitar” normas que já haviam sido revogadas. EX: Imagine que uma lei (Const. 1937), materialmente incompatível com Constituição de 1969, tenha sido por ela revogada. Com o advento da Constituição Federal de 1988, essa mesma lei (Const. 1937) torna-se compatível com a nova ordem constitucional = REPRISTINAÇÃO. Diante disso, pergunta-se: essa lei poderá ser “ressuscitada”? Poderá ocorrer a repristinação? DEPENDE. A repristinação só é admitida excepcionalmente e quando há disposição expressa nesse sentido na lei, em virtude da necessidade de se resguardar a segurança jurídica. É a chamada REPRISTINAÇÃO EXPRESSA ou IMPRÓPRIA ou RESTAURAÇÃO. REVOGAÇÃO / RECEPÇÃO / REPRISTINAÇÃO Defendem alguns autores que com a promulgação da nova constituição, teríamos que examinar dispositivo por dispositivo da constituição antiga, para verificarmos quais deles entram em conflito com a nova constituição, e quais deles são compatíveis com a nova constituição. Aqueles (os dispositivos incompatíveis) serão revogados pela nova constituição; estes (os dispositivos compatíveis) serão recepcionados pela nova constituição, como se fossem leis, como se fossem normas infraconstitucionais. Portanto, a tese da desconstitucionalização prescreve o seguinte: os dispositivos da constituição antiga que não entrarem em conflito com a nova constituição serão recepcionados por esta, mas não como normas constitucionais; serão eles recepcionados com força de lei, como se fossem leis, significando dizer que, daí por diante, no novo ordenamento constitucional, poderão eles ser alterados e revogados por simples leis supervenientes (não haveria necessidade de emenda à constituição para alterá-los ou revogá-los). DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO Daí a denominação “desconstitucionalização”: os dispositivos da constituição antiga passariam por um processo de desconstitucionalização, isto é, perderiam eles sua natureza de normas constitucionais, sua roupagem de normas constitucionais, e ingressariam e se comportariam no novo ordenamento como se fossem meras leis. DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO Seção Padrão Slide 1: Centro Universitário da Amazônia Assunto inicial Slide 2: PODER CONSTITUINTE DERIVADO Slide 3 Slide 4 Slide 5: PODER CONSTITUINTE DERIVADO Slide 6 Slide 7: PODER CONSTITUINTE DERIVADO Slide 8: PODER CONSTITUINTE DERIVADO Slide 9: PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR Slide 10: PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE Slide 11: PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE Slide 12: PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE Slide 13: PODER CONSTITUINTE DERIVADO REVISOR Slide 14: MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL Slide 15: APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: Slide 16: APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: Slide 17: REVOGAÇÃO / RECEPÇÃO / REPRISTINAÇÃO Slide 18: REVOGAÇÃO / RECEPÇÃO / REPRISTINAÇÃO Slide 19: DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO Slide 20: DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO