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2 UNIFEV - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOTUPORANGA DIREITO CARLOS EDUARDO NASCIMENTO VIALE ADOÇÃO DE CRITERIOS SUBJETIVOS DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO ADMINISTRATIVA DO BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (LOAS). VOTUPORANGA 2024. CARLOS EDUARDO NASCIMENTO VIALE ADOÇÃO DE CRITERIOS SUBJETIVOS DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO ADMINISTRATIVA DO BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA(LOAS). Artigo apresentado à UNIFEV - Centro Universitário de Votuporanga para obtenção de grau de Graduação em Direito, sob a orientação do professor Especialista João Francisco Guedes de Moura VOTUPORANGA 2024. UNIFEV - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOTUPORANGA DIREITO CARLOS EDUARDO NASCIMENTO VIALE ADOÇÃO DE CRITERIOS SUBJETIVOS DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO ADMINISTRATIVA DO BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA(LOAS). Aprovado(a):___/____ / ____ ADOÇÃO DE CRITERIOS SUBJETIVOS DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO ADMINISTRATIVA DO BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA(LOAS). Artigo apresentado à UNIFEV - Centro Universitário de Votuporanga para obtenção de grau de Graduação em Direito, sob a orientação do professor Especialista João Francisco Guedes de Moura Primeiro examinador Nome: Instituição Segundo examinador Nome: Instituição Professor Orientador Nome: VOTUPORANGA 2024. Sumário 1 ASSISTÊNCIA SOCIAL 4 1.1 Princípios e diretrizes da Assistência Social 6 1.2 Objetivo da Assistência Social 9 1.3 Assistência Social e sua relação jurídica 9 1.4 Financiamento, Gestão e Organização 11 2 O BENEFÍCIO DA PRESTAÇÃO CONTINUADA DA LEI ORGÂNICA 12 2.1 Conceito 12 2.2 Evolução da legislação ao benefício 13 2.3 Benefício Assistencial e suas características 15 3 CRITÉRIO DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO 19 3.1 Requisitos necessários 20 3.2 Dificuldades encontradas para concessão 23 4 (IN) CONSTITUCIONALIDADE DO REQUISITO DE MISERABILIDADE 25 5 CONCLUSÃO 28 RESUMO O presente estudo tem por objetivo tratar sobre a carência da adoção de critérios subjetivos para a concessão do benefício de prestação continuada (LOAS), pois a sua análise é vista de forma estritamente objetiva, tornando-se um verdadeiro óbice para aqueles no qual a lei protege. A discussão acerca da sua constitucionalidade será abordada, visto que a o direito à garantia de uma vida digna, conforme estabelece Constituição Federal, é extremamente atravancada. Palavras-chave: LOAS. Benefício. Constitucionalidade. Critérios. ABSTRACT The present study aims to address the lack of admission of benefits to provide continued benefits, as this analysis is done in a significant way, making it a real obstacle for those unskilled protected. The discussion on its constitutionality may be directed, since the right to guarantee a decent life, as defined by the Federal Constitution, is extremely cluttered. Keywords: LOAS. Benefit. Constitutionality. Criteria. ASSISTÊNCIA SOCIAL Foi uma das primeiras formas de proteção social, tendo como fundamento a caridade e exercida principalmente pela igreja. Para Fábio Zambitte, essa proteção nasceu com a família. Antigamente, era comum a convivência em grandes números de pessoas e os jovens tinham como função cuidar dos mais idosos e incapacitados. Aquele que necessitava, se socorria aos membros da comunidade. Segundo Sergio Pinto Martins, “a família romana, por meio do pater famílias, tinha a obrigação de prestar auxílio aos servos e clientes, em uma forma de associação, mediante a contribuição de seus membros, de modo a ajudar os mais necessitados” Ocorre que, nem todos dispunham dessa possibilidade de caridade entre os familiares, até porque, muitas vezes era exercida de forma precária. Em decorrência, surgiu a necessidade de ajuda externa, ou seja, de auxílio voluntário. Na verdade, a situação era ainda mais perversa, pois, muito frequentemente, a pobreza era apresentada como algo necessário, ou mesmo um benefício para pessoas carentes, pois seria a efetiva garantia de admissão no Reino de Deus, haja vista a situação de extrema carência e desapego a bens materiais. Ou seja, haveria uma honra inerente à pobreza. Ademais, a indigência, não raramente, era apresentada como forma de punição divina, cabendo ao pobre arcar com todas as sequelas de sua condição, pois teria sido uma realidade gerada por sua própria culpa. Não só muitos eram desprovidos do auxílio familiar, mas o próprio avanço da sociedade humana tem privilegiado o individualismo ao extremo, em detrimento da família, incentivando pessoas a assumirem suas vidas com total independência, levando-as a buscar somente o bem próprio. (IBRAHIM, Fábio Zambitte. op. cit., nota 2, p. 1.). Partindo para o Império Romano, houve a figura dos seguros coletivos contra infortúnios sociais. Mas foi somente em 1601, na Inglaterra que o Estado assumiu alguma ação mais concreta no que diz respeito a Assistência Social. Houve a edição da “Poor Relief Act”, ou seja, Lei de Amparo aos Pobres, a qual cabia ao Estado amparar os necessitados. Sergio Pinto Martins sobre a Lei de Amparo aos Pobres: “O indigente tinha direito de ser auxiliado pela paróquia. Os juízes da Comarca tinham o poder de lançar um imposto de caridade, que seria pago por todos os ocupantes e usuários de terras, e nomear inspetores em cada uma das paróquias, visando a receber e aplicar o imposto arrecadado. ” Após isso, os Estados passaram a se responsabilizar cada vez mais com a Assistência Social, tendo a sua maior participação em decorrência da sociedade industrial, com a classe trabalhadora que muito sofria na época. Outrossim, era comum a mão de obra infantil e o alcoolismo, resultando em instabilidade social e insegurança econômica. Assim, o Estado mínimo, aquele em que o Estado intervia somente no mínimo indispensável, foi trocado pelo Estado do Bem-Estar Social, atendendo demandas na área social, visando a igualdade para todos. No Brasil: “O Brasil tem seguido esta mesma lógica, sendo que a Constituição de 1988 previu um Estado do Bem-Estar Social em nosso território. Por isso, a proteção social brasileira é, prioritariamente, obrigação do Estado, o qual impõe contribuições obrigatórias a todos os trabalhadores. Hoje, no Brasil, entende-se por seguridade social o conjunto de ações do Estado, no sentido de atender às necessidades básicas de seu povo nas áreas de Previdência Social, Assistência Social e Saúde” Dispõe o art.203 da Constituição Federal de 1988: Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei (BRASIL, 1988). Em 1993, o Ministro de Estado do Bem-estar social apresentou o projeto de lei 41000, que visava a organização da assistência social. Advindo desta maneira, a Lei 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto na Constituição: Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL, 1993). Diante do exposto, a Assistência Social veio como meio de propiciar condições mínimas de sobrevivência com dignidade, enfrentando a miséria. Não possui caráter contributivo, visto que as pessoas abarcadas, não estão no mercado formal de trabalho, tampouco possui renda mínima. É um dos pilares da Seguridade Social, junto com a Previdência e a Saúde, objetivando assim, oatendimento as contingências sociais. Outrossim, a lei prevê de forma detalhada os benefícios, programas, serviços e projetos na área da assistência social. Princípios e diretrizes da Assistência Social Conhecer as normas jurídicas sem a adequada compreensão dos princípios que as informam é mais ou menos como conhecer as árvores sem conhecer a própria floresta, ou seja, conhecer o particular sem ter a noção do que seja o todo, primar pela individualidade em detrimento do conjunto. (Berclaz, 2002, p. 03) Capítulo II, Seção I da Loas elenca os princípios, estes que serão analisados um a um para melhor compreensão. Segundo o art.4º, inciso I da Loas, o primeiro princípio é “supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade econômica”. Evidencia-se que a assistência social é determinada pelas necessidades sociais e não pela questão econômica, portanto, o direito independe de qualquer questão relacionada à economia. Incorre em erro quem possui a percepção de condição para a concessão do benefício, visto que o inciso é claro. Por conseguinte, reza o inciso II “universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas”. Cumpre esclarecer primeiramente que o alcance do destinatário deve ser feito por todas as políticas públicas, desta forma, assume posição de garantidora dos direitos sociais universais. Seu acesso se realiza por meio das diversas políticas setoriais, sendo assim, não faz substituições. De forma análoga, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), não pode ter médico ou dentista, ainda que voluntário, ele apenas garante o acesso do usuário, através das articulações com todas as políticas setoriais. “Respeito à dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade, bem como à convivência familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade”, este é o terceiro princípio. Deve se ter sempre o máximo de qualidade e eficiência, não podendo se justificar pelas condições do usuário. Outrossim, deve preservar a convivência familiar e comunitária, ferindo o princípio a título de exemplo quando a assistência social propõe serviços, ações e programas que os afastem. Em meados dos anos 70, era comum a ideia de que os próprios usuários deveriam estabelecer quem deveria ou não ter acesso aso direitos, a Loas por sua vez aniquilou este pensamento e preconizou que as pessoas não devem se humilhar para conseguir seu acesso. Portanto, o direito é para todos e caso haja necessidade de recorte à limitação, deverá ser analisada de maneira técnica. Já o inciso IV estabelece a igualdade, visto que, como se sabe todos são iguais perante a lei, sendo assim “igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer natureza, garantindo-se equivalência às populações urbanas e rurais”. Indagações acerca do tema são recorrentes como: uma mulher que possui cinco filhos de pais diferentes é ou não discriminada no atendimento? Não cabe à Assistência Social interferir na forma de ser e de viver das pessoas. Por fim, diz o último inciso “divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para sua concessão.”. Percebe-se que atualmente a comunicação e divulgação aumentou demasiadamente em vista das novas tecnologias, todavia, ainda se encontra uma restrição principalmente para os mais pobres e mais vulneráveis. Todos devem ser informados acerca de seus direitos e de oportunidade de acesso. Desta forma, gera transparência e permite o acesso a todos. A respeito das diretrizes, são planos adotados pela Assistência Social Lei 8.742/93 que seguem : Art. 5º A organização da assistência social tem como base as seguintes diretrizes: I - descentralização político-administrativa para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e comando único das ações em cada esfera de governo; II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis; III - primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera de governo (BRASIL, 1993). O objetivo de referido artigo é de estruturar a organização da assistência social. Antes da nossa Carta Magna, não era dever do Estado a assistência social, sendo assim, a sua atuação se dava em forma de filantropia e caridade. Todavia, com a Loas, houve o rompimento de qualquer possibilidade de comando que não seja o Estado. O inciso I define a descentralização da política assistencial, haja vista que antes da Loas havia a LBA, Legião Brasileira de Assistência e a Funabem, Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, estas que mantinham o poder de forma concentrada e as decisões eram tomadas em suas diretorias centrais. Portanto, o Estados e Municípios, bem como os usuários não participavam. Após a lei, estes que não faziam parte da gestão, agora fazem. A estadualização se deu em 1996 e somente no fim do ano de 1998, é que houve a chamada municipalização. Já o inciso II abriu um debate sobre o controle social da política de assistência social, no qual o objetivo é que os usuários participem das conferencia e conselhos de forma pontual. Isso se dá através de um debate técnico e decisões governamentais. Por conseguinte, o ultimo inciso deixa claro que a responsabilidade de conduzir e gerir a política é do Estado, ou seja, é uma responsabilidade total, tendo em vista que o Estado é a inteligência do processo. Objetivo da Assistência Social Os objetivos da Assistência Social estão previstos no artigo 203 da Constituição Federal. Ela deve proteger a família, maternidade, infância, adolescência e velhice, bem como amparar e promover a integração no mercado de trabalho. Deve ainda prestar auxílio as pessoas portadoras de deficiência, além de garantir um salário mínimo de benefício mensal para que os usuários possam gozar do direito constitucional que é a vida digna, afastando assim, a miserabilidade. Portanto, pode-se observar que os objetivos se dividem em proteção social, vigilância socioassistencial e defesa de direitos. Assistência Social e sua relação jurídica É uma relação que difere de outros pilares da Seguridade Social. Será abordado não tão somente a sua relação jurídica. Conforme o artigo primeiro da Lei n. 8.742/93, abaixo transcrito: Art. 1º A Assistência Social, direito do cidadão e dever do Estado, é política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL 1993). Fica evidente, a partir da leitura do disposto acima que a Assistência Social tem como característica a não contributividade, posto que a sua razão está na necessidade dos indivíduos economicamente hipossuficientes. É importante salientar que o fim é de amenizar as condições de subsistência e não de erradicar ou lutar contra a miséria, haja vista que não é tarefa da Assistência Social. Para isso, é necessário respeitar a capacidade do gestor, que nada mais é a capacidade da sociedade, que muitas vezes não consegue realizar as prestações. Assim, os programas do governo são paliativos. Tenta-se alcançar uma melhoria, mas o problema não será solucionado de fato, a não ser através de políticas públicas de longo prazo. Assim, o sujeito ativo da seguridade social é quem a ela necessitar e o sujeito passivo são os poderes públicos e a sociedade. São envolvidos como sujeitos, pessoa jurídica e pessoa física. No que concerne ao Benefício de Prestação Continuada, as pessoas físicas são os idosos e as pessoas com deficiência que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Dessa relação jurídica, se extrai como objeto os benefícios em dinheiro e os benefícios emserviços, para a subsistência do indivíduo, como auxílio habitação, benefício assistencial, fornecimentos de alimentos e etc. Na Assistência Social há uma relação jurídica de ingresso, ou seja, inexiste a ideia de filiação. É uma relação intuitus personae, ou seja, de caráter personalíssimo. No entanto, a qualificação do indivíduo é apenas necessária para questões de sua identificação. Com o exercício do bem propiciado, nasce a participação e, com ela, a relação jurídica. Automaticamente, enquanto não deferido o pretendido, inexiste a ligação substantiva. Ocorre a ficção autorizadora da pretensão, a ser examinada em processo de instrução administrativa. Deflagrada a concessão, o requerente torna-se assistido e obtém a prestação enquanto atender os requisitos fixados na lei para o deferimento e a manutenção. (MARTINEZ, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário. Noções de direito previdenciário. 4 ed. São Paulo: LTr, 2011, p. 190). No que concerne as características das prestações, são elas: A não acumulação dos benefícios em dinheiro, a qual somente os benefícios em serviços são acumuláveis. Respeita assim, as regras de superdireito, que proíbem o recebimento de forma conjunta com prestações previdenciárias; A instransferibilidade, que é a inexistência de direito à transferência do benefício assistencial para os dependentes ou sucessores; A tarifação, ou seja, inexiste vase de cálculo para estabelecer quantum a ser recebido, sua determinação decorre da lei; A imprescritibilidade, a qual é necessário entender que a regra básica da prestação é que ela é devida a partir do requerimento. O beneficiado por direito adquirido, são imprescritíveis os direitos, prescreve só as mensalidades até a data de início do pedido; A natureza alimentar, com a pretensão de garantir o mínimo existencial para a sobrevivência do indivíduo; A condicionalidade, onde os benefícios são condicionados ao estado de necessidade do assistido. É necessário o devido enquadramento, para fazer jus ao recebimento dos benefícios. Se desaparecer o requisito, extingue-se o direito; Por fim, a temporariedade, tanto para benefícios em dinheiro como em serviços. Durará enquanto perdurar a condição de necessitado. Financiamento, Gestão e Organização A Assistência Social tem seu financiamento através de recursos do orçamento da seguridade social, contidos no art.195, bem como de outras fontes (art.204, CF). Nesse viés, o Decreto n. 91.970, de 22.11.1985, instituiu o Fundo Nacional de Ação Comunitária (FUNAC), transformado em Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) pela LOAS. Desta forma, prevê o art.28 da LOAS: Art. 28. O financiamento dos benefícios, serviços, programas e projetos estabelecidos nesta lei far-se-á com os recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, das demais contribuições sociais previstas no art. 195 da Constituição Federal, além daqueles que compõem o Fundo Nacional de Assistência Social FNAS (BRASIL, 1993). O FNAS é regulamentado pelo Decreto n. 7.788/2012, sua diretoria executiva integra a estrutura organizacional da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), órgão responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS), e funciona sob a supervisão do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), o qual e responsável pela apreciação e aprovação de seus programas anuais e plurianuais, bem como pelo acompanhamento de sua execução orçamentaria. No que concerne a organização e gestão o sistema de Assistência Social é descentralizado e participativo, sendo chamado de Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Com a sua criação pretendeu aperfeiçoar o serviço da assistência social integrando tanto serviços públicos, como privados, com fundamento de tornar efetiva proteção social garantida pela Constituição Federal. O SUAS é composto por: União, Estados, Distrito Federal e Municípios, dos respectivos conselhos e organizações da assistência social. Com isso, pode-se celebrar convênios, contratos, acordos ou ajustes com poder público. O BENEFÍCIO DA PRESTAÇÃO CONTINUADA DA LEI ORGÂNICA É um benefício concedido pela Previdência Social, integrando Proteção Social Básica no âmbito do Sistema Único de Assistência Social, importante mencionar que para acessar o referido benefício não é necessário ter contribuído com a previdência social. Conceito É um benefício da assistência social, instituído pela Lei n. 8742/93, a Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, que regulamentou o art.203, V, da Constituição Federal. É um direito dos cidadãos brasileiros que se enquadram aos critérios da Lei. O valor é correspondente a um salário mínimo, pago mensalmente aos segurados, que compreendem as pessoas acima de 65 anos e ou com deficiência, que não podem garantir a sua própria subsistência ou tê-la provida de sua família. Vale salientar que o referido está ligado aos direitos humanos e a nossa constituição, baseando-se na dignidade da pessoa humana mencionada no Art. 5 da Constituição Federal de 1988, onde a sua maior finalidade seria uma vida digna, com direito a casa, comida e dignidade. Evolução da legislação ao benefício Anteriormente ao Benefício de Prestação Continuada, havia a renda mensal vitalícia, instituída pela Lei n. 6179/74. Referia-se a um salário mínimo vigente na época para indivíduos maiores de 70 anos ou inválidos, incapacitados para atividade laboral e, além disso, que não exercessem atividade remunerada ou tivessem rendimento superior a 60% do salário mínimo. O artigo 139 da mencionada Lei estipulava que o benefício continuaria integrando a previdência social até que fosse regulamentado o inciso V do artigo 203 da Constituição Federal. Assim, com o advento da Lei 8742/93 e a implementação do Benefício de Prestação Continuada, a renda mensal vitalícia foi extinta. Como já exposto anteriormente, o Benefício de Prestação Continuada é a garantia de um salário mínimo à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria subsistência, nem de tê-la provida por sua família. A Lei 8742/93 foi alterada pela Lei n. 12345/11 e pela Lei n. 12470/11. No que diz respeito à idade para consideração de pessoa idosa, houve várias mudanças. Entre 1996 e 1997, a idade mínima para o idoso era de 70 anos. Entre 1998 e 2003, a idade mínima passou a ser de 67 anos. Com o Estatuto do Idoso, ou seja, Lei n. 10741/03, a partir de 2004 a idade mínima passou a ser de 65 anos. Por fim, houve a atualização do artigo 20 da Lei 8742/93 estabelecendo a idade mínima de 65 anos. Já a pessoa com deficiência, até a edição da Lei 12435/11, era aquela incapacitada para a vida independente e para o trabalho em razão de anomalias ou lesões irreversíveis, de natureza hereditária, congênita ou adquirida. Com a redação da Lei n. 12470/11, passou a considerar "pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas’’. Note-se que tanto o deficiente físico quanto o mental podem receber o benefício assistencial, desde o nascimento. A análise literal do texto legal anterior à alteração promovida pela lei n. 12.470/2011 leva à conclusão de que não era suficiente para a caracterização da deficiência, a incapacidade para o trabalho, sendo, ainda, necessária a incapacidade para a vida independente. Ao que parece, a redação do §2º, do art. 20, da lei 8.742/93, promovida pela lei 11.470/2011, corrige a distorção que existia entre a redação da LOAS e a jurisprudência consolidada, ao excluir a exigência da incapacidade para a vida independente para que o segurado seja considerado deficiente. (KERTZMAN, 2012, nota 19, p.464). A remuneração percebida na condição de aprendiz pela pessoa com deficiência não é levada em consideração para fins de cálculo da renda familiar. Antes do Estatuto do Idoso, o benefício concedidoera computado para fins de cálculo na renda familiar para concessão de novos benefícios assistenciais, o que não ocorre atualmente. Isso causou grande divergência e problema na análise da concessão do benefício, isto pois, somente excluiu o idoso, sendo assim, se uma família já recebia o benefício da LOAS por haver pessoa com deficiência, esse rendimento era computado a renda familiar, impedindo uma nova concessão assistencial. O Supremo Tribunal Federal através de Recursos Extraordinários, entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 20, parágrafo terceiro da Lei n. 8742/93 e do parágrafo único, do artigo 34 da Lei 10471/03. Em relação ao critério da miserabilidade, o Estatuto do Idoso gera uma diferenciação não justificada entre os idosos e as pessoas com deficiência, ferindo o princípio da igualdade, haja vista que tratou pessoas iguais de forma diferente. O benefício poderá ser pago a mais de um membro da família, desde que comprovadas todas as condições exigidas. Contudo, para o inválido, o valor concedido a outros membros do mesmo grupo familiar passa a integrar a renda, para efeito de cálculo per capita de novo benefício requerido. Já para o idoso, o benefício concedido a qualquer membro da família não será computado para os fins de cálculo da renda familiar. (art. 34, parágrafo único, Lei nº 10.741/03). Este tratamento diferenciado foi criado pelo Estatuto do Idoso, enquanto para o deficiente permanece a regra geral da LOAS. No entanto, esta flexibilização da regra de renda per capita traz alguns problemas. Por exemplo: imaginemos um casal de idosos, maiores de 65 anos, sem qualquer fonte de renda, que morem sozinhos. Ambos poderão receber o benefício assistencial, já que para o idoso, um benefício de prestação continuada – BPC não será levado em consideração no cálculo da renda per capita. Mas o que dizer da mesma situação, agora com um dos idosos aposentado, recebendo um salário mínimo? Nesta situação, a renda extrapolaria o mínimo fixado na LOAS! Tal diferenciação de tratamento não se justifica. Ainda que a extensão de direitos sociais deva ser feita com muita cautela, até mesmo em razão do Princípio da Reserva do Possível – haja vista a escassez de recursos financeiros – tamanha discriminação é insustentável. Acredito que, nessas situações, sempre que um idoso for aposentado e outro não, inexistindo outra fonte de renda do casal, e desde que a aposentadoria seja igual ao salário-mínimo, o BPC deva ser concedido para o cônjuge necessitado. Se foi a intenção do Legislador privilegiar o idoso, que se faça isso com igualdade de tratamento. Do contrário, o idoso que contribuiu durante a vida e obteve sua aposentadoria poderá situar-se em estado pior frente àquele que nada verteu ao sistema. Ou assim se procede ou se reconhece a impossibilidade de extensão para ambas as hipóteses, em razão de ausência de custeio (art. 195, §5º, CRFB/88). (IBRAHIM, 2011, p.18). Outrossim, a Lei n. 11435/11 alterou a definição de família, que anteriormente englobava apenas o conjunto de dependentes previdenciários que viviam sob o mesmo teto. Atualmente, considera- se família no disposto do artigo 20, parágrafo primeiro, da Lei n. 8724/93 “O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.”. Benefício Assistencial e suas características Conforme a redação art. 203, V, da CF, são beneficiários do BPC os idosos e os deficientes, estes últimos, portadores de algum tipo de impedimento social. Ocorre que, a Constituição não estabeleceu a partir de qual idade a pessoa seria considerada idosa, em razão disso, a legislação infraconstitucional fixou tal requisito de maneira que o art. 20 da LOAS considera idosos todas as pessoas com idade ou igual a 65 anos. Outrossim, o parágrafo segundo do mesmo artigo, refere-se às pessoas com deficiência, aquelas que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Sendo assim, a incapacidade não se limita apenas aos aspectos físicos, mas passou a Ser tratado como fenômeno complexo vinculado à dificuldade de inserção social e no mercado de trabalho, para abranger a limitação do desempenho de atividade e restrição da participação social, em correspondência à interação entre a pessoa e seu ambiente físico e social. (TAVARES, 2015. p.26). Nota-se que a redação da norma traz a expressão impedimento, permitindo uma aplicação mais abrangente. Anteriormente a expressão era incapacidade, com tudo é um termo mais adequado à aptidão para o trabalho, o que não se enquadraria para crianças com algum tipo de deficiência. Segundo Sergio Pinto Martins (2014, p. 535), “são também beneficiários os idosos e as pessoas com deficiência estrangeiras naturalizadas e domiciliadas no Brasil, desde que não amparadas pelo sistema previdenciário do País de origem. “. Já se formou entendimento nesse sentido: ASSISTÊNCIA SOCIAL - GARANTIA DE SALÁRIO MÍNIMO A MENOS AFORTUNADO - ESTRANGEIRO RESIDENTE NO PAÍS - DIREITO RECONHECIDO NA ORIGEM - Possui repercussão geral a controvérsia sobre a possibilidade de conceder a estrangeiros residentes no país o benefício assistencial previsto no artigo 203, inciso V, da Carta da República. (STF, RE 587970, Relator Ministro Marco Aurélio, Dje-186 01.10.2009). Contudo, conforme se verifica na Apelação de Reexame Necessário pelo Tribunal Regional Federal na Terceira região, entende que o requisito dos estrangeiros serem naturalizados é descabível. Vejamos: PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. ESTRANGEIRO NÃO NATURALIZADO BRASILEIRO. CORREÇÃO MONETÁRIA. I - O fato de ser a autora estrangeira não impede o deferimento do benefício assistencial, tendo em vista que o art. 7º do Decreto 6.214/2007 assim o assegura aos estrangeiros, desde que naturalizados e domiciliados no Brasil, e não amparados pelo sistema previdenciário do país de origem. A exclusão dos que têm cobertura previdenciária no país de origem é correta porque os brasileiros têm a mesma proibição, e nem precisaria estar expressa no Decreto porque decorre do próprio sistema. Entendo que a exigência de naturalização é descabida por duas razões: primeiro, porque não pode negar assistência a quem dela necessitar, visto que a CF, no art. 5º, não fez essa distinção; segundo, porque, mesmo que tal distinção pudesse ser feita, o Decreto não seria o veículo apropriado. II - As parcelas vencidas serão acrescidas de correção monetária desde os respectivos vencimentos. A correção monetária será aplicada em conformidade com a Lei n. 6.899/81 e legislação superveniente, de acordo com o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, observados os termos do julgamento final proferido na Repercussão Geral no RE 870.947, em 20/09/2017. III – Remessa oficial não conhecida. Negado provimento à apelação da autora. Provida em parte a apelação do INSS para fixar os critérios de correção monetária. (TRF3 Região, ApReeNec 5000206-36.2016.4.03.6114, NONA TURMA, Relator Desembargador Federal Marisa Ferreira dos Santos, e-DJ3 09.01.2019). O idoso ou deficiente deve comprovar que não possuem meios de prover o próprio sustento ou de tê-lo provido pelos membros de sua família. Assim dispõe a LOAS: Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. § 1o Para os efeitos do disposto no caput, a família é composta pelo requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto (BRASIL, 1993). Seguindo o mesmo artigo dispõe o §3: “[...]Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoacom deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo.[...]”, ou seja, valor auferido da quantia total mensal dividida pelo número de pessoas que vivem sob o mesmo teto. Não será computado para fins de cálculo da renda percapita o membro da família que já recebe o benefício. Ainda, não pode ser acumulado com nenhum outro benefício, salvo os da assistência médica e da pensão especial da natureza indenizatória. Um exemplo de possibilidade de cumulação é a pensão especial devida aos dependentes das vítimas da hemodiálise de Caruaru/PE, prevista na lei 9.422, de 24 de dezembro de 1996. Em 1996, ocorreu a morte de 72 pacientes renais submetidos a tratamento de hemodiálise em hospital público em Caruaru, devido à presença de toxinas produzidas por uma microalga encontrada na água utilizada, durante o processo de filtragem do sangue, a Microcystina LR. A água era retirada de um açude. O governo, então, resolveu indenizar os dependentes dos mortos com uma pensão de um salário mínimo. (KERTZMAN, 2012, p.469). O exercício de qualquer atividade remunerada, implica na suspensão do benefício. A avaliação da deficiência e do grau de incapacidade se verifica através de perícia médica e por uma avaliação social. Confere ao INSS responsabilidade pela sua operacionalização e manutenção, em razão do princípio da eficiência administrativa, já que possui estrutura própria e atua em âmbito nacional, assim, não há necessidade para manter uma outra estrutura em paralelo. No mais, o benefício será obrigatoriamente revisto a cada dois anos para a verificar se as condições que motivaram seu deferimento ainda encontram- se subsistentes, haja vista que o benefício cessa no momento em que se constatar o desaparecimento das causas que lhe deram origem, ou ainda, em caso de morte, visto a sua natureza personalíssima. Nesse sentido vale mencionar: É mister que o beneficiário não exerça atividade remunerada, não aufira qualquer rendimento superior ao valor da sua renda mensal, nem seja mantido por pessoa de quem dependa obrigatoriamente, não tendo outro meio de prover o sustento próprio. (MARTINS, p.504). Não se deve confundir assistência social com assistencialismo. A proposta do sistema é, além de manter rendimento dignamente mínimo, fornecer aptidão profissional para que o percipiente do benefício possa garantir o próprio sustento. Como prevê a Constituição, a ordem social tem como base o primado do trabalho (art. 193). (IBRAHIM, p.21). Aquele que recebe o Benefício de Prestação Continuada não tem direito ao abono salarial, pois conforme o parágrafo 6º, do artigo 201, da Constituição Federal, o décimo terceiro salário é somente para os aposentados e pensionistas e terá por base o valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano. Outrossim, o art.40 da Lei n. 8.213/91 consta que é devido o abono anual para aquele que durante o ano recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão, ficando claro que o beneficiário da Assistência Social não faz jus ao direito. A partir do contido na Constituição de 88, na LOAS, na PNAS 2004, na NOB/SUAS e nos Decretos 6.214/2007 e 6.564/2008 é possível dizer que o BPC não é apenas o direito de garantia de um salário mínimo aos seus destinatários conforme no antigo Decreto 1.744/95. Com o novo decreto, ele se transforma em uma proteção social da seguridade social não contributiva que conjuga as modalidades de política social de prestação de serviços socioassistenciais e de transferência de renda. Já em relação a legitimidade passiva, há divergências. Em 2004 foi cancelada uma súmula proferida pelo TRF4a Região que abordava o tema, sendo o teor que o INSS e a União eram litisconsortes passivos necessários, não sendo caso de delegação de jurisdição federal. Para Fabio Zambitte entende que a competência é somente da União, visto que a manutenção da assistência social lhe pertence e o INSS só exerce o papel para executar. Posição esta que é minoritária. Jáo STJ tem manifestação no sentido da legitimidade pertencer ao INSS. CRITÉRIO DE MISERABILIDADE PARA CONCESSÃO Como mencionado trabalho é voltado para a problemática acerca do critério da miserabilidade, este será o enfoque do presente capítulo, contudo, é necessária a compreensão dos demais requisitos para obter conhecimento preciso e elucidativo para compreender de forma precisa o mencionado requisito e suas respectivas questões. Requisitos necessários A própria lei é dogmática ao elencar os requisitos “Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.” Desta feita, temos, portanto, os seguintes requisitos: I – Ser pessoa com deficiência ou idoso com mais de 65 anos; II – Não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. É interessante que a redação original foi alterada por leis posteriores, modificando o conceito de idoso, pessoa com deficiência, necessidade e família. No que concerne a pessoa com deficiência, como já mencionado, era muito comum confundir com incapacidade, haja vista a sua redação original, até porque a deficiência não leva necessariamente a incapacidade. Inclusive, Eugênia Augusta Gonzaga Fávero diz em seu magistério: Nossa Constituição, que não foi observada pela LOAS, estabeleceu este benefício para a pessoa com deficiência, e não para a pessoa incapaz, termos que não são sinônimos e não deveriam ser associados para qualquer fim, sob pena de se estimular a não preparação dessas pessoas para a vida em sociedade. Aliás, é o que está́ acontecendo na prática, em razão dessa disciplina da LOAS. (Direitos das pessoas com deficiência: garantia de igualdade na diversidade. Rio de Janeiro: WVA Ed.,2004, p. 189-190). Nos dias atuais, deixou de considerar a incapacidade pura e simples, são verificadas as limitações física, mental, intelectual e sensorial juntamente com o contexto social, sendo que essas limitações devem a impedir de se integrar plenamente na vida em sociedade. O último requisito, se consubstancia à renda familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo. Ainda, não é preciso contribuição à Previdência Social, isto porque não exige a contraprestividade. Sua admissibilidade fica tão e somente restrita aos requisitos mencionados. Assim, considerando-se o valor do salário mínimo atual R$ 1.412,00, para que haja a configuração de hipossuficiência, a renda do grupo familiar deve ser inferior a R$353,00. O próprio site da Autarquia Federal estabelece quais são os documentos e formulários para a concessão do benefício assistencial. São eles: Documento de identificação e CPF do titular (ao requerente maior de 16 anos de idade poderá ser solicitado documento de identificação oficial com fotografia); Formulários preenchidos e assinados, de acordo a situação do titular (veja abaixo a relação); Termo de Tutela, no caso de menores de 18 anos filhos de pais falecidos ou desaparecidos ou que tenham sido destituídos do poder familiar; Documento que comprove regime de semiliberdade, liberdade assistida ou outra medida em meio aberto, emitido pelo órgão competente de Segurança Pública estadual ou federal, no caso de adolescentes com deficiência em cumprimento de medida socioeducativa; Documento de identificação e procuração no caso de Representante Legal do requerente. Com o advento do Decreto nº 8.805/2016, é necessário ainda estar cadastrado junto ao CadÚnico. Nesse sentido: O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único) é um instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, permitindo que o governo conheça melhor a realidade socioeconômica dessa população. Nele são registradas informações como: características da residência, identificação de cada pessoa, escolaridade, situação de trabalho e renda, entre outras(BRASIL, 2016). O Cadastro Único serve como fonte de informação sobre a composição e renda familiar. Deve haver atualização periódica bienal sob pena de suspensão do benefício. Ao fazer o cadastro ou atualização, o responsável pela unidade familiar deverá informar seu CPF, assim como os dos demais membros da família. Quanto aos formulários, serão anexados para melhor elucidação do trâmite administrativo, cabendo algumas observações. O anexo A é referente ao requerimento e a composição do grupo familiar. Com a portaria conjunta nº 01, de 21 de maio de 2015, elencou anexos para verificação dos requisitos necessários à sua concessão. o anexo b, refere-se à declaração de separação de fato para efeito de composição do grupo familiar, o anexo c é o termo de renúncia de benefício em manutenção para acessar outro benefício mais vantajoso, exceto nos casos de aposentadoria por idade, por tempo de contribuição e especial. o anexo d é a declaração da composição do grupo e renda familiar, de suma relevância, já que aqui serão colocados dados do requerente e do integrante familiar, quanto a sua situação ocupacional e seu rendimento mensal. O anexo e é o requerimento do benefício de prestação continuada da assistencia social – bpc. anexo f refere-se à declaração de união estável para efeito de composição do grupo familiar. anexo g declaração de que o titular do comprovante de residência apresentado não compõe o grupo familiar do requerente. anexo h declaração de inexistência de documento comprobatório de domicílio e residência. anexo i declaração de permanência de criança ou adolescente beneficiária do bpc em instituição de acolhimento. anexo j requerimento de reativação de benefício suspenso/cessado e/ou pagamento de valores não recebidos. anexo k requerimento de suspenção, em caráter especial, do benefício de prestação continuada da assistência social – bpc. anexo l requerimento de cessação do benefício de prestação continuada da assistência social – bpc. Com o advento do Estatuto do idoso Lei 10.741, de outubro de 2003, definiu que: Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social – Loas. Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da família nos termos do caput não será computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a Loas (BRASIL, 2003). Verifica-se que com a leitura do referido dispositivo, houve o objetivo de possibilitar a concessão do benefício, podendo dois idosos do mesmo núcleo familiar, receber o benefício. Somente serão excluídos aqueles que já recebem o benefício em retro, assim, o indivíduo que recebe qualquer outro benefício previdenciário, não terá o valor subtraído. Dificuldades encontradas para concessão Como já mencionado, para fazer jus ao benefício é necessário preencher o requisito de comprovação de renda familiar inferior a ¼ do salário mínimo. No atual cenário em que vivemos e diante dos consideráveis indeferimentos dados pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comprovar mencionado requisito se torna demasiadamente moroso, dificultando a concessão para o solicitante, que na maioria das vezes tem a plena e real necessidade para ter o mínimo essencial para sua subsistência. O critério de miserabilidade mostra-se taxativo e não consentâneo com a realidade de diversas pessoas, haja vista que para ser considerado miserável, só é possível mediante a comprovação do requisito. Não é incomum ouvirmos falar sobre abandono de idosos. É evidente que o número de idosos no Brasil, cresceu excessivamente. Segundo dados do IBGE, a população brasileira ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017. A população com mais de 60 anos em 2012, era de 25,4 milhões, o aumento de 4,8 milhões, mostra um crescimento de 18%. De acordo com a matéria do site G1 Globo, datado em 19 de junho de 2023, houve um salto de crescimento nas ocorrencias de abando no de idosos em 855%. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi a maior alta registrada pela pasta entre as demais especies de violação contra idosos, entre janeiro e maio de 2023 foram aproximadamente 20.000 registros de abandono. Portanto, não é incomum verificar idosos que foram abandonados e que se encontram em situação de miserabilidade. Há muitos casos também em que o idoso vive só com o seu companheiro, a qual pode até ser aposentado, mas que essa única renda não supre as necessidades de ambos. Considerando aposentadoria no valor de um salário mínimo (R$1420,00), nunca será possível obter renda inferior a ¼ com duas pessoas. Nota-se que o benefício está em prol dos necessitados, o idoso e o deficiente. Com o avançar da idade, a saúde vai se fragilizando, o ser humano vai necessitando de cuidados que uma pessoa com seus 30 anos não necessita. Pode ser um remédio, pode ser uma alimentação balanceada, entre outros, que por muitas vezes não são alcançados. Um dos maiores problemas encontrados no ato administrativo é a comprovação de gastos mensais para o abatimento da renda bruta familiar. Encontra-se em um anexo de documentos elencados pelo INSS no momento da abertura do processo administrativo, que os devidos gastos devem estar ligados a prescrições medicas, tudo o que for apresentado de gastos deve estar comprovado como necessidade. A grande questão é que de acordo com a nossa Constituiçao Federal as necessidades básicas para uma vida em sociedade com dignidade são: moradia, comida, agua, luz e todos os meios necessários para a sobrevivência. No ato administrativo estes elementos não são computabilizados se não estiverem prescritos ou indicados. O aluguel de uma casa seria um exemplo de violação ao artigo 5° da CF, pois, se tratando de moradia deveria entrar no abatimento da comprovação das despesas familiares. Os mantimentos comprados em mercados, remédios gastos em farmácia, nada disso é analisado para ser abatido e tentar chegar neste quesito de miserabilidade que o INSS impõe em sua concessão administrativa. A flexibilização no ato administrativo é algo que deveria ocorrer logo e breve, muitas pessoas deixam de conseguir o benefício administrativamente que poderia mudar o mínimo em sua vida, para poder se sentir digno e realmente amparado pelo Estado por se encontrar no estado de miserabilidade. A flexibilidade iria atingir as famílias necessitadas, onde não iriam precisar entrar judicialmente, esperar durante anos ser julgado para que assim consiga receber o seu benefício, ai vem a questão, porque não desafogar o judiciário com ações de LOAS concedendo elas administrativamente ? O necessitado teria a sua falta suprida, o Estado estaria fazendo o seu papel de amparar os seus cidadãos e seria também afetado o Poder Judiciário onde poderia ser julgado com mais celeridade os processos de aposentadoria especial, por tempo de contribuição e os outros benefícios que todo contribuinte tem direito. Entao analisando os fatos elencados a flexibilização nos atos administrativos do INSS, traria grande conforto e satisfação tanto pro Estado que estaria desafogando o judiciário com acoes de LOAS e também a parte necessitada que é o cidadão, onde o mesmo se sentiria amparado pela sua constituição. Um outro fato é que os requerentes de LOAS sempre serão miseráveis ou então incapacitados assim a sua renda já não é suficiente para a sobrevivência, o mesmo faz o requerimento administrativo, lhe é negado pelo fato da renda per capta ser superior a ¼ do salario mínimo. Entao ele terá de procurar a Justiça para que um advogado faça todo o tramite judicial. Mais uma questão, porque o Estado ao invés de prover o benefício para tentar chegar a cura da miserabilidade, deixara com que seu amparado tenha que procurar um Advogado que cobrará pelo serviço, assim caso venha ser concedido pela via judicial, terá de pagar os honorários e serviçosprestados por seu Advogado, um fato que poderia ser evitado através das vias administrativas caso tenha essa flexibilização. (IN) CONSTITUCIONALIDADE DO REQUISITO DE MISERABILIDADE Recentemente, o STF também decidiu que a comprovação de que a renda per capita familiar não ultrapassa 1/4 do salário mínimo não exclui a utilização de outros meios para avaliar o sofrimento do autor e sua família, sendo necessária para concessão do benefício assistencial. A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais (TNU) editou a Súmula nº 11, afirmando que "a renda mensal, per capita, familiar, superior a ¼ do salário mínimo não impede a concessão do benefício assistencial previsto no art.20, §3º, da Lei n. 8.742 de 1993, desde que comprovada, por outros meios, a miserabilidade do postulante". A polêmica levou ao cancelamento da súmula. Essa questão está estipulada no Estatuto da Pessoa com Deficiência, que determina que, na concessão de benefícios LOAS, outros fatores podem comprovar a condição de vulnerabilidade do grupo familiar, conforme os regulamentos (art.20, § 11º, da Lei 8.742/93). A análise da miserabilidade deve considerar circunstâncias específicas e critérios subjetivos, podendo até questionar normas consideradas inconstitucionais por falta de alternativas ou aplicação de outros parâmetros. Em 21 de fevereiro de 2018, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) enfrentou o IRDR nº 12, que buscava pacificar o entendimento sobre se a renda familiar per capita inferior a ¼ do salário-mínimo gera uma presunção absoluta ou relativa de miserabilidade para concessão do Benefício Assistencial (LOAS). Esses padrões se tornaram injustos para o desenvolvimento social no Brasil. Leis previdenciárias mais modernas que estabelecem outros programas sociais adotaram novos padrões de renda para atender os necessitados e são mais flexíveis quando a renda domiciliar per capita é ½ salário mínimo. O Supremo decidiu que, até a implementação de novos regulamentos, a decisão máxima deve considerar os novos parâmetros de bem-estar. Portanto, é necessário adaptar-se aos avanços e mudanças da sociedade e do ambiente jurídico. Os tribunais regionais federais foram além e definiram que a miséria não pode ser definida por regras objetivas. É preciso estudar as famílias pobres, avaliar seu sofrimento real, distribuir os benefícios para quem realmente precisa deles e examiná-los caso a caso. Diante da necessidade de reformas legais, veremos alguns julgamentos nesta área utilizando outros meios de forma mais flexível, analisando realmente quando uma pessoa pode ser considerada miserável e necessitada de assistência e proteção social através de perícias, receituários e a saúde como um todo. Nesse sentido, o STF, por maioria de votos, confirmou a inconstitucionalidade do parágrafo 3º do artigo 20 da Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.472/1993), bem como do parágrafo único do artigo 34 da Lei 10.471/2003, conforme segue: Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social – Loas (BRASIL, 2003). Na Reclamação 4.374/PE, em abril de 2013, o Ministro Gilmar Mendes, como Relator, apreciou a matéria e entendeu que a Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao regulamentar o art. 203, V, da Constituição da República, estabeleceu critérios de concessão de salário mínimo mensal para pessoas com deficiência e idosos que comprovassem sua incapacidade de prover a própria subsistência ou a de seus familiares. O Supremo Tribunal Federal entendeu que na hipótese houve um processo de Inconstitucionalização decorrente de notórias mudanças fáticas. O relator Gilmar Mendes, ao comprovar a necessidade de mudança nos critérios de concessão de benefícios relevantes disse que, “ é fácil perceber que a economia brasileira mudou completamente nos últimos 20 anos. Desde a promulgação da Constituição, foram realizadas significativas reformas constitucionais e administrativas com repercussão no âmbito econômico e financeiro. A inflação galopante foi controlada, o que tem permitido uma significativa melhoria na distribuição de renda. ”. Em suma, o STF entende que as normas estabelecidas no artigo 20, § 3º da LOAS, eram originalmente constitucionais porque refletiam os fatos e circunstâncias jurídicas da época. No entanto, essa regra passou por um processo de inconstitucionalidade ao longo dos anos, pois não sofreu alterações devido a mudanças fundamentais na sociedade. Como a norma está desatualizada e não cumpre mais seus deveres constitucionais, ela se torna inconstitucional. O STF reconhece que existem normas objetivas para medir a miserabilidade, mas entende que o padrão de ¼ do salário mínimo não pode mais cumprir essa função. CONCLUSÃO Concluindo o presente artigo, é possível discernir que o mesmo se refere a uma tentativa de aprofundar a compreensão sobre a teoria e a prática legal. Observamos que o sistema de Seguridade Social, com o objetivo de promover o bem-estar e a justiça social, emerge da preocupação com a proteção social quando os indivíduos se encontram diante de riscos sociais. Essa proteção estatal é relativamente recente em nossa história. Evidentemente, este é um tema de grande relevância, mas a sua compreensão é complexa, devendo servir de alerta às instituições administrativas e judiciais responsáveis pela concessão de benefícios. No contexto abordado, os benefícios previstos pela Constituição não alcançam a sociedade da forma desejada, no que tange ao mínimo existencial e ao direito de obter os meios necessários para manter uma qualidade de vida digna. Sob essa perspectiva, fatores muito inferiores ao salário mínimo brasileiro determinam a pobreza ou a baixa autossuficiência, resultando na percepção inconstitucional dos cidadãos brasileiros sobre a renda per capita por família. A proteção social é fruto de lutas sociais ao redor do mundo, gerando reflexos no Brasil. O Estado passou a assumir essa responsabilidade apenas com a Lei dos Pobres (Poor Law Act), promulgada em 1601, na Inglaterra, que criou um programa assistencial para o combate à miséria. Em 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão afirmou que a seguridade social é um direito de todos e que todos devem contribuir para a ação pública na medida do possível. Essa é uma realidade presente em nosso sistema de previdência social. Os princípios da previdência social, que fundamentam as decisões judiciais nas leis pertinentes à seguridade social, demonstraram seus efeitos práticos. Atualmente, essas decisões enfrentam grandes desafios no sistema. Além de desempenharem um papel crucial na implementação dos direitos relacionados à assistência social, esses princípios têm a obrigação de amparar e proteger aqueles que mais necessitam de assistência e aqueles em situações difíceis. O padrão atual, que estabelece a renda per capita familiar inferior a 1/4 do salário mínimo, carece de embasamento técnico. Sua fundamentação não deriva dos princípios constitucionais brasileiros que regem a assistência social. Se o objetivo do Benefício de Prestação Continuada (BPC) é proteger famílias pobres que não conseguem sustentar seus membros, então um valor abaixo de um quarto do salário mínimo per capita está equivocado, pois todas as linhas de pobreza no Brasil estão acima desse valor. Além disso, uma vez que a legislação estipula que a renda deve ser "inferior" e não "igual ou inferior a" um quarto do salário mínimo, na prática, isso exige que a maioria das famílias tenha uma renda bem abaixo de um quarto do salário mínimo para obter a qualificação legal. Este trabalho tem como objetivo despertar o interesse das pessoas, aumentar a visibilidade e fomentar mais discussões sobre o tema, podendo resultar na alteração dos critérios de concessão do BPC, que atualmente condiciona a principal qualificação à renda familiar mensalper capita inferior a 1/4 do salário mínimo, valor este amplamente criticado pelo Judiciário por estar desatualizado. Por fim, o presente estudo pode servir como um possível entendimento para que a administração previdenciária e o Judiciário possam sempre alcançar um consenso, permitindo que a sociedade desfrute melhor de seus direitos, sempre orientados pelo princípio constitucional da dignidade humana, eliminando assim a necessidade de somar o Brasil à crescente quantidade de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza. REFERÊNCIAS A BALTAZAR JUNIOR, José Paulo; ROCHA, Daniel Machado da. Comentários à lei de benefícios da previdência social. 5.ed. Porto Alegre: Esmafe, 2005. BERCLAZ, Márcio Soares. 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