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UFCD 10649 Fundamentos da Pedagogia Formadora: Beatriz Resende 50 horas Identificar as principais correntes pedagógicas e os seus autores. Caracterizar os modelos pedagógicos. Identificar as influências determinantes para a construção do pensamento atual, que fundamenta a organização curricular na educação básica. Reconhecer os pressupostos postulados por importantes figuras da educação e da psicologia. Objetivos Gerais Principais correntes pedagógicas Fröebel Montessori Decroly Freinet Piaget Teorias da aprendizagem Comportamentalista Cognitivista Construtivista Modelos pedagógicos e implicação na organização e funcionamento dos espaços educativos Modelos pedagógicos em diferentes contextos educativos Conteúdos Programáticos MODELOS PEDAGÓGICOS EM DIFERENTES CONTEXTOS EDUCATIVOS Ciência que trata da educação dos jovens, que estuda os problemas relacionados com o seu desenvolvimento como um todo. Conjunto de métodos que asseguram a adaptação recíproca do conteúdo informativo aos indivíduos que se deseja formar. É um conjunto de técnicas, princípios, métodos e estratégias da educação e do Ensino, relacionados à administração de escolas e à condução dos assuntos educacionais num determinado contexto. A pedagogia estuda os ideais de educação, segundo uma determinada conceção de vida e dos processos e técnicas mais eficientes para realizá-los, visando aperfeiçoar e estimular a capacidade das pessoas, seguindo objetivos definidos. Pedagogia MODELOS PEDAGÓGICOS Movimento da Escola Moderna (MEM) Este é um modelo construtivista criado nos anos 60, com base nos trabalhos de Freinet. Algumas características: Os meios pedagógicos como veículo. A atividade escolar como contrato social e educativo. Os processos de trabalho como processos sociais de construção da cultura. Partilha da informação. As práticas escolares com sentido social imediato. Os alunos como intervenientes no meio social. Este sistema desenvolve-se a partir de um conjunto de seis áreas básicas de atividades, distribuídas à volta da sala (conhecidas também por oficinas ou ateliers na tradição de Freinet), e de uma área central polivalente para trabalho coletivo. Nos espaços pedagógicos que não dispõem de cozinha acessível às crianças, organiza-se, também, uma área para cultura e educação alimentar. As áreas básicas desenvolvem-se em espaços para: BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO A biblioteca dispõe, geralmente, de um tapete com almofadas que convidam à consulta dos documentos que aquela contém, para além de livros e revistas, trabalhos produzidos no âmbito das atividades e projetos das crianças que frequentam atualmente o jardim-de-infância ou de outras crianças que já o frequentaram e dos amigos correspondentes ou de outras escolas. OFICINA DE ESCRITA E REPRODUÇÃO A oficina de escrita integra a máquina de escrever e, sempre que possível, o computador com impressora. Nesse espaço expõem-se, de preferência, os textos enunciados pelas crianças e captados para a escrita pela educadora e as variadas tentativas de pré-escrita e escrita realizadas nesse espaço ou noutro qualquer. LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS O laboratório de ciências proporciona as atividades de medições e de pesagens, livres ou aplicadas (com medidas de capacidade, de comprimento, balanças, etc.), criação e observação de animais (aves, peixes, coelhos, etc.), roteiros de experiências em ficheiros ilustrados, o registo das variações climatéricas (mapa do tempo) e outros materiais de apoio ao registo de observações e à resolução de problemas no âmbito da iniciação científica. CARPINTARIA E CONSTRUÇÕES A oficina de carpintaria serve para a produção de diversas construções, improvisadas ou concebidas para servir outros projetos, como, por exemplo, a montagem de maquetes ou de instrumentos musicais. A cozinha, ou um espaço de substituição, polariza as atividades de cultura e educação alimentar e nela encontram-se livros de receitas para crianças e utensílios básicos para confeção de alimentos. Aí se expõem, também, regras de higiene alimentar enunciadas e ilustradas pelas crianças e algumas normas sociais de estar à mesa. ATIVIDADES PLÁSTICAS E OUTRAS EXPRESSÕES ARTÍSTICAS O atelier de atividades plásticas e outras expressões artísticas integra os dispositivos para a pintura, desenho, modelagem e tapeçaria. CANTO DOS BRINQUEDOS, JOGOS E “FAZ DE CONTA” O canto dos brinquedos inclui outras atividades de “faz de conta” e jogos tradicionais de sala. É neste espaço que as crianças dispõem de uma arca que guarda roupas e adereços que as ajudam a compor as suas personagens para atividades de “faz de conta” e projetos de representação dramática. Por vezes, integra uma tradicional casa de bonecas. A área polivalente é constituída por um conjunto de mesas e cadeiras suficientes para todo o tipo de encontros coletivos do grande grupo (acolhimento, conselho, comunicações e outros encontros) e que vai servindo de suporte para outras atividades de pequeno grupo, ou individuais ou de apoio do educador às tarefas de escrita e de leitura. O ambiente geral da sala deve ser agradável e altamente estimulante, utilizando as paredes como expositores das produções das crianças onde rotativamente se reveem nas suas obras de desenho, pintura, tapeçaria ou texto. Será também numa das paredes, de preferência perto de um quadro preto à sua altura, que as crianças poderão encontrar todo o conjunto de mapas de registo que ajudem a planificação, gestão e avaliação da atividade educativa participada por elas. Aí irá ser disposto o Plano de Atividades, a Lista Semanal dos Projetos, o Quadro Semanal de Distribuição das Tarefas de manutenção da sala e de apoio às rotinas, o Mapa de Presenças e o Diário do grupo, instrumentos orientadores e condutores da ação educativa que poderão ser completados por outros, quando se justifique. High-Scope Rotina diária estruturada (pouco flexível no início do ano letivo) A aprendizagem ativa e experiências chave A rotina diária com o ciclo: planear – fazer – rever A organização do espaço e materiais Este é um modelo com base nas teorias de Piaget de orientação cognitivista e construtivista. Começou a ser estruturado nos anos sessenta, em Ypsilanti (Michigan, USA), recebendo o nome da instituição em que se desenvolveu. Algumas características: • O projeto pré-escolar High/Scope tem como “lei” a aprendizagem ativa da criança, ou seja, acredita que as vivências diretas e imediatas que as crianças vivem no seu dia-a-dia, são muito importantes se essa criança retirar delas algum significado através da reflexão. Aprendizagem pela ação • Esta aprendizagem ativa que o Currículo High/Scope tanto fala, depende inequivocamente da interação positiva entre os adultos e as crianças. Os adultos deverão apoiar as conversas e brincadeiras das crianças, deverão ouvi-las com atenção e fazer os seus comentários e observações que considere pertinentes. Desta forma a criança sentir-se-á confiante e com liberdade para manifestar os seus pensamentos e sentimentos. Interação Adultos-Criança • O Currículo High/Scope dá uma grande importância ao planeamento da estrutura da pré-escola e à seleção dos materiais adequados. As crianças integradas num contexto de aprendizagem ativa, têm a oportunidade de realizar escolhas e tomar as suas próprias decisões. Deste modo, os adultos dividem o espaço de brincadeira em áreas de interesse específicos. Estas diferentes áreas contêm materiais facilmente acessíveis que as crianças podem escolher para depois usarem conforme o que tinham planeado, para levar a cabo as suas brincadeiras e jogos. Quando a criança termina a tarefa que realizou, arruma devidamente no lugar os materiais que utilizou. Para que isto aconteça é necessário que todos os materiais se encontrem em prateleiras baixas, dentro de caixas transparentes aonde esteja coladouma etiqueta com o símbolo do que a caixa contém.. Contexto de Aprendizagem • Todos os dias, os adultos fazem um plano de uma rotina que apoiará a aprendizagem ativa da cada criança. Os adultos ficam a saber o que as crianças pretendem fazer (processo planear – fazer – rever) questionando-os. As crianças põem depois em prática aquilo que planearam, e cabe ao adulto depois incentivá-las a rever as suas experiências. Isto não significa que elas tenham que contar de forma oral todos os passos que deram dentro da área aonde estiveram a fazer o que havia sido planeado. A criança pode fazer uma revisão da sua experiência e do que acha que aprendeu, através de um simples desenho. Por outro lado, além dos planos individuais, podem criar-se pequenos grupos numa sala, devendo o educador encorajar as crianças a explorar e a experimentar novos materiais. Quando se trabalha em grandes grupos pode optar-se por atividades de música e de movimento e de jogo cooperativo (incentivando a coesão de grupo). Rotina Diária • Avaliar segundo a abordagem pré-escolar High/Scope implica um conjunto de tarefas. Os professores deverão fazer um registo diário de notas ilustrativas, baseando-se naquilo que veem e ouvem quando observam as crianças. Avaliar significa então trabalhar em equipa para construir e apoiar o trabalho nos interesses e competências de cada criança. O espaço é, segundo o Currículo High-Scope, um meio fundamental de aprendizagem que deve exigir do educador grande investigação e investimento no seu arranjo e equipamento. É fundamental que os materiais sejam interessantes para as crianças, diversos, mutáveis, organizados e guardados de forma visível e acessível. Devem estar estruturados em áreas de interesse bem identificadas, flexíveis para que a criança possa usá-los de maneiras diferentes, descobrindo formas alternativas de os usar e jogar com eles. Avaliação João de Deus É um modelo que ainda hoje é usado nos espaços pedagógicos que têm o mesmo nome. O primeiro jardim de infância João de Deus foi criado em Coimbra em 1911 e a metodologia usada é sólida e consistente e assenta na cartilha maternal (1876) para a iniciação precoce da leitura e da escrita. É um modelo centrado na preparação académica da criança e a educadora tem um papel ativo e diretivo. A organização do espaço traduz-se por uma decoração simples, mas onde a arte tem Presença. Valoriza-se uma arquitetura funcional e atraente de características nacionais e Regionais. Existem diversos materiais para as atividades programadas em cada dia: para a Educação sensorial, percetiva, motora e física, materiais para os trabalhos manuais e Atividades plásticas, materiais de apoio para a aprendizagem da matemática. Para os mais pequenos existem materiais para imitar; para Aprender a viver e integrar-se no meio social; a loja, a casa das bonecas e os jogos de Trânsito. Reggio Emília É um modelo pedagógico que nasceu depois da segunda guerra mundial, em 1945, no Norte de Itália, em Villa Cella, próximo da cidade de Reggio Emília, pela necessidade de se construir uma escola para as crianças pequenas, após a destruição de todas as existentes, durante a guerra. Nesta missão participaram as famílias, principalmente as Mães das crianças. Deste modo surge a primeira escola daquele que virá a ser conhecido como um dos Modelos pedagógicos de educação de infância de maior qualidade no mundo o modelo Curricular de Reggio Emília. Na educação e formação das crianças participam os pais, a comunidade, a sociedade em geral. O monitor/educador tem um papel ativo no apoio educativo. Pedagogia de Projeto - Para que serve? TODOS NÓS TRABALHAMOS COM PROJETOS EM TODOS OS MOMENTOS DA NOSSA VIDA. NA ESCOLA OU NO JARDIM DE INFÂNCIA, O PROJETO É UMA FORMA DE AJUDAR A CRIANÇA A APRENDER DE MANEIRA PRÁTICA, TORNANDO A APRENDIZAGEM ATRAENTE E EFICAZ. A REALIZAÇÃO DE UM PROJETO EXIGE PROCESSOS MENTAIS, TAREFAS FÍSICAS E PROPOSTAS DE PROBLEMAS E RESPOSTAS A VÁRIAS QUESTÕES. O PROJETO PARTE DE UMA SITUAÇÃO PROBLEMA, UM DESAFIO PARA O ENCONTRO DA SOLUÇÃO. 1) desenvolver atividades com objetivos concretos; 2) realizar tarefas produtivas; 3) desenvolver a compreensão por meio da experiência; 4) desenvolver a iniciativa e a responsabilidade; 5) estimular a perseverança na realização de tarefas; 6) valorizar o trabalho cooperativo; 7) desenvolver o pensamento reflexivo; 8) ampliar campos de interesses. Através do projeto, a criança é incentivada a: Fases de um projeto 1 - Intenção e incentivo: inicia-se um projeto quando se percebe um grande interesse por parte das crianças por um determinado assunto ou situação concreta. O educador/professor deve aproveitar esse interesse para desenvolver o assunto e propor questões (desafios) para a resolução do problema ou situação. 2 - Preparação do plano de trabalho: realizam se pesquisas, procurando os instrumentos necessários, planeando as atividades para a solução dos problemas. Esse roteiro funcionará como referência para a realização do trabalho. 3 - Execução: é a fase da ação e a mais estimulante para as crianças. Nesta fase podem surgir dificuldades, erros e imprevistos e as crianças serão orientadas a resolvê-los e a continuar o trabalho. O educador/professor deve estar atento e estimular as crianças, valorizando o seu desenvolvimento e acompanhando as suas dificuldades. O trabalho deve ser sempre feito pelas crianças. 4 - Avaliação: serão avaliados, pelas crianças, o objetivo, o planeamento, as atividades e o resultado. Com a ajuda e orientação do educador/professor, as crianças farão uma análise do seu trabalho, apresentando críticas e comentários apropriados sobre o projeto. Culminância é o atingir do objetivo básico do projeto através de uma apresentação, exposição, exibição do resultado obtido o educador/professor deve facilitar a integração dos conteúdos dos diversos materiais e oferecer oportunidades para o exercício da liberdade e uso de direitos a criança aprende fazendo e a aprendizagem é mais consistente e duradoura. A função do educador/professor é a de orientador, sensibilizador, conselheiro, desafiador, em que exerce e controla as atividades, avaliando as crianças e o seu próprio desempenho. Uma discussão na sala pode ser uma forma de avaliar um projeto, dando oportunidades para refletir sobre a contribuição e a validade do projeto. A avaliação deve ser constante, através de observações, atividades, participação e colaboração. MODELOS PEDAGÓGICOS E IMPLICAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DOS ESPAÇOS EDUCATIVOS Organização do espaço educativo em ATL É importante como o espaço de ATL é organizado. Uma vez que influencia e condiciona toda a atividade da criança, as suas escolhas, a concretização dos seus planos, utilização de materiais e a relação com os outros. Ele deverá ser um espaço onde a criança se possa movimentar, expressar, criar, construir, explorar, experimentar, brincar, jogar e levar a cabo todos os seus projetos. Assim, tendo em conta que a qualidade do meio que rodeia a criança é fundamental para a progressiva conquista da sua autonomia, a organização do espaço constitui um dos suportes para a atividade educativa, uma vez que o espaço é a condição básica para poder levar avante muitos outros aspetos organização do espaço educativo em ATL. É por isso fundamental que o monitor/educador reflita sobre as potencialidades educativas que oferece, planifique e avalie o modo como o espaço contribui para o desenvolvimento efetivo das crianças. A organização do espaço não deve ser rígida ao longo de todo o ano deve até ser bastante flexível, possibilitando a transformação do mesmo, de modo a poder responder a posteriores necessidades que possam surgir (seja durante um dia em que se tenha de fazer o recreio no interior, por motivos como a alteração climatérica, seja pelo facto de não existirem outros espaços para a realização deatividades de expressão corporal). O importante é que as crianças participem na organização e manutenção do espaço, para que saibam onde podem fazer o quê e onde estão os materiais que necessitam para a execução de determinadas atividades. Esta participação ativa das crianças na organização do espaço acaba por promover um trabalho centrado nas iniciativas e necessidades das crianças quando não existe esta integração na organização do espaço, o trabalho acaba por ser estruturado pelo monitor/educador, o que condiciona fortemente a autonomia da criança. Logo, uma boa organização dos espaços pressupõe a existência de espaços abertos e amplos com possibilidade de diferenciação em áreas de jogo bem definidas e identificadas, as quais promovem uma maior dinâmica de trabalho pois as crianças podem ser divididas pelas várias áreas, passando, no entanto, por todas elas, só que em tempos diferentes. A reflexão do espaço é assim indispensável para evitar espaços estereotipados e padronizados que não sejam desafiadores para as crianças. Apesar da possibilidade de existir uma grande diversidade de espaços, os materiais existentes em cada um deles condicionam aquilo que as crianças podem fazer e aprender, assim sendo, cada área deverá incluir materiais adequados ao tipo de atividades que nela se podem realizar estes devem ir ao encontro das necessidades, níveis de desenvolvimento e interesses das crianças. • O espaço exterior é também outro aspeto a ter em conta, este é igualmente um espaço educativo, possibilitando tanto a vivência de atividades intencionalmente planeadas pelo como a vivência de atividades informais. Áreas de conteúdo É de referir que, seguindo qualquer um dos modelos pedagógicos, o monitor/educador ou professor precisa de planificar as suas atividades usando, para isso, metodologias adequadas. Área da organização do trabalho Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Desenvolver a capacidade de planeamento; • Permitir à criança ter intervenção no trabalho a desenvolver; • Experimentação de atividades desafiadoras para o seu nível de desenvolvimento. • Adquirir a noção de tempo; • Aprender a gerir opções e a desenvolver etapas de realização de planos; • Desenvolver o sentido crítico; • Estruturar os seus conhecimentos e adquirir novas competências. Área dos Livros Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Proporcionar momentos de partilha (de livros) quer individualmente, quer em grupo; • Trabalhar o repouso físico e /ou o relaxamento; • Estimular o gosto pela leitura e pelas diferentes formas de comunicação. • Perceber e discriminar: escutar contos, contar histórias; ouvir música; • Desenvolver a capacidade de memorizar e recontar; • Contactar com o código escrito. Área da Expressão Plástica Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Estimular o sentido da curiosidade e a necessidade de experimentação da criança; (nesta área o que tem mais sentido é o processo de exploração, de captação e de funcionamento do que os resultados ou produto elaborado. • Misturar materiais, cores e texturas; • Manusear diferentes materiais; Cortar, colar, rasgar, dobrar, etc. • Criar e observar as alterações produzidas nos materiais manuseados. Área da Casinha Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Converter a criança para o centro dos jogos de simulação; • Experimentar, atuar, elaborar coisas/situações banais que lhes são familiares, próximas e significativas do seu meio vital: papeis, situações, Pessoas e conflitos; • Permitir o trabalho em equipa, o comentário das coisas, valorizar a expressão de sentimentos e ideias; • Verbalizar as ações do jogo. • Dramatizar; • Explorar experiências; Imaginar; • Usar ferramentas, utensílios, instrumentos de vida diária; • Vivenciar o “fazendo de conta”. Área dos jogos de chão ou dos blocos Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Os blocos permitem uma grande variedade de utilização, tanto a nível individual como de grupo; • Facilitam o desenvolvimento da capacidade de manuseamento das estruturas: verticais, circulares de inclusão, etc.; • Trabalham também o pensamento espacial: o equilíbrio; • Explorar; • Construir individualmente e/ou em grupo; • Classificar; • Agrupar; • Comparar; • Ordenar objetos; • Representar experiências. Área da garagem Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Área facilitadora da socialização; • Permite à criança brincar individualmente ou em pares; Permite à criança deitar se ou rolar no tapete de chão. • Representar vivências da utilização da via pública; • Percorrer percursos, contornando obstáculos. Área das brincadeiras Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Convidar a criança para criar situações imaginárias; Proporcionar à criança momentos lúdicos; • Dar a oportunidade de se expressar livremente utilizando ou não acessórios que a caracterizem. • Dramatizar; • Explorar experiências; Imaginar; • Passar o tempo: dançando, vestindo-se e despindo- se, olhando ao espelho, “fazer de conta”. Área dos jogos de mesa Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Jogos simples, de pequeno grupo ou individual; • Atividade calma e de concentração; • Desenvolver noções lógico matemáticas (juntar, classificar, comparar); • Formar classes e ou modelos; • Fomentar a coordenação oculo manual; • Desenvolver a motricidade fina. Área dos animais e das plantas Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Familiarizar a criança com a natureza e os seus ritmos; • Contribuir para que aprendam a cuidar e a ter responsabilidade acerca de outros seres; • Desenvolver uma sensibilidade ambiental; • Criar a noção acerca dos tempos de alimentação e dos cuidados necessários a ter com outros seres vivos. Área dos jogos Sentido curricular: Atividades cognitivas: (mapas) • Atividade motora por excelência, de socialização e de expressão dramática; • Atividades estruturadas e livres de partilha entre pares ou grupo alargado. • Experiências físicas ativas, correr, saltar, baloiçar, esconder, etc.; • Jogos coletivos onde se desenvolvem noções variadas: número, conjunto, espaciais, etc.; 3. TEORIAS DA APRENDIZAGEM Denominam-se teorias da aprendizagem, em Psicologia e em Educação, aos diversos modelos que visam explicar o processo de aprendizagem pelos indivíduos. Embora desde a Grécia antiga se hajam formulado diversas teorias sobre a aprendizagem, as de maior destaque na educação contemporânea são a de Jean Piaget e a de Lev Vygotsky. 3.1. Comportamentalista O behavorismo, ou teoria comportamental, foi desenvolvido nos Estados Unidos da América John Watson (1878-1958) e na Rússia por Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936). Embora as bases desta teoria tenham sido desenvolvidas por estes pesquisadores, foi Burrhus Frederic Skiiner (1904-1990) que a popularizou, através de experimentos com ratos. Em seus experimentos, os ratos eram condicionados a determinadas ações, com recompensas boas ou ruins pelos seus atos. Assim, se moldava o comportamento destes a partir de um sistema de estímulo, resposta e recompensa. Nesta teoria, o comportamento deve ser estudado e sistematizado para que se possa modificá-lo. De acordo com esta teoria, a maneira como o indivíduo aprende é uma grandeza possível de ser mensurada tal e qual um fenômeno físico. Nesta teoria, a aprendizagem, independente da pessoa, deverá seguir as seguintes etapas: Identificação do problema Questionamentos acerca dos problemas Hipóteses Escolha das hipótesesVerificação Generalização. O cérebro a utilizará ao identificar problemas futuros semelhantes. 3.2. Cognitivista Esta teoria defende que, a capacidade do aluno em aprender coisas novas depende diretamente dos conhecimentos prévios que ele possui. Para estes teóricos, é necessário investigar quais os saberesdo aluno acerca do assunto que será ensinado. Depois, deve-se auxiliar o aluno para que ele consiga sistematizar e organizar os novos conhecimentos, através de associações com o seu conhecimento prévio. 3.3. Construtivista O construtivismo é uma abordagem psicológica desenvolvida a partir da teoria da epistemologia genética, elaborada por Jean Piaget. Nesta teoria, o indivíduo aprende a partir da interação entre ele e o meio em que ele vive. O professor é visto como um mediador do conhecimento. 4. PRINCIPAIS CORRENTES PEDAGÓGICAS 4.1. Fröebel Foi um pedagogo e pedagogista alemão com raízes na escola Pestalozzi. Foi o fundador do primeiro jardim de infância. O seu pai era um pastor protestante. Os seus princípios filosóficos teológicos apontam um Fröbel com um espírito profundamente religioso que desejava manifestar ao exterior o que lhe acontecia interiormente na sua união com Deus. As suas ideias reformularam a educação. A essência da sua pedagogia está centrada nos princípios educacionais da atividade e da liberdade. Esses princípios e sua crença determinaram alguns dos seus postulados, tais como: o educando tem de ser tratado de acordo com a sua dignidade de filho de Deus, dentro de um clima de compreensão e liberdade. o educador é obrigado a respeitar o discípulo em toda a sua integridade. o educador deve manifestar-se como um guia experimentado e amigo fiel que exija e oriente com mão flexível, mas firme. Não é somente um guia, mas também sujeito ativo da educação: dá e recebe, orienta, mas deixa em liberdade, é firme, mas concede. o educador deve conhecer os diversos graus de desenvolvimento do homem para realizar a sua tarefa com êxito, sendo três as fases de desenvolvimento, que vão desde quando o homem nasce até a adolescência. Em 1837 Fröbel abriu o primeiro jardim de infância onde as crianças eram consideradas como plantinhas de um jardim do qual o professor seria o jardineiro. A criança expressar-se-ia através das atividades de perceção sensorial, a linguagem e do brinquedo. A linguagem oral associariar-se-ia à natureza e à vida. Fröbel foi um defensor do desenvolvimento genético. Para ele o desenvolvimento ocorre segundo as seguintes etapas: A infância A meninice A puberdade A mocidade A maturidade Observava, portanto, a gradação e a continuidade do desenvolvimento, bem como a unidade das fases de crescimento. Enfim, a educação da infância realiza-se através de três tipos de operações: A ação - atividade importante para o desenvolvimento infantil, pois havia um termo utilizado por Fröbel que era a ' auto atividade ', ou seja, dizia que a criança aprende através da ação dela sobre determinado objeto. O jogo O trabalho Fröebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, a atividade lúdica, a apreender o significado da família nas relações humanas. É interessante frisar que, para Froebel o brincar caracteriza a ação da criança e que o próprio ato de brincar é uma linguagem, pois apreende, no ato de brincar, a linguagem gestual/corporal, sonora, verbal, entre outras Idealizou recursos sistematizados para as crianças se expressarem: Blocos de construção que eram utilizados pelas crianças nas suas atividades criadoras, papel, papelão, argila e serragem. O desenho e as atividades que envolvem o movimento e os ritmos eram muito importantes. Para a criança se conhecer, o primeiro passo seria chamar a atenção para os membros de seu próprio corpo, para depois chegar aos movimentos das partes do corpo. Valorizava também a utilização de histórias, mitos, lendas, contos de fadas e fábulas, assim como as excursões e o contato com a natureza. Fröbel afirma, em sua obra "A educação do homem" (1826): • “A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionando completa e harmoniosamente, em relação à natureza e à sociedade. Além domais, era omesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, originariamente se elevara acima do plano animal e continuara a se desenvolver até a sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal.” Cada objeto é parte de algo mais geral e é também uma unidade, se for considerado em relação a si mesmo. No campo das relações humanas, o indivíduo é, para ele, uma unidade, quando considerado em si mesmo, mas mantém uma relação com o todo, isto é, incorpora-se a outros homens para atingir certos objetivos. Principais conceções educacionais A educação deve basear-se na evolução natural das atividades da criança. O objetivo do ensino é sempre extrair mais do homem do que colocar mais e mais dentro dele. A criança não deve ser iniciada em nenhum novo assunto enquanto não estiver madura para ele. O verdadeiro desenvolvimento advém de atividades espontâneas. Na educação inicial da criança o brinquedo é um processo essencial. Os currículos das escolas devem basear-se nas atividades e interesses de cada fase da vida da criança. A sua proposta pode ser caracterizada como um "currículo por atividades", no qual o caráter lúdico é o fator determinante da aprendizagem das crianças. A grande tarefa da educação consiste em ajudar o homem a conhecer a si próprio, a viver em paz com a natureza e em união com Deus. É o que ele chamou de educação integral. A sua conceção de ser humano era profundamente religiosa. Entende a educação como suporte no processo de apropriação do mundo pelo homem. É um modelo de educação esférica, onde os alunos aprendem em contato com o real, com as coisas sua volta, com os objetos de aprendizagem. Logo, a Matemática só é entendida quando o sujeito for capaz de estruturar a realidade. Uma das melhores ideias com que Froebel contribuiu para a pedagogia moderna foi a de que o ser humano é essencialmente dinâmico e produtivo, e não meramente articulável, recetivo e depositário. O homem é uma força autogeradora e não uma esponja que absorve conhecimento do exterior. Outro acerto de Fröebel foi o de não esquecer as diferentes etapas que marcam a evolução do homem, especialmente a infância. Cabe lembrar que sua doutrina pedagógica, em síntese, consiste basicamente na atividade e na liberdade; o homem deve aprender a trabalhar e a produzir, manifestando sua atividade em obras exteriores. Friedrich Wilhelm August Fröbel (1782 1852) foi o fundador do primeiro Jardim de Infância Kindergarten) e o primeiro a desenvolver brinquedos didáticos. Estes brinquedos não só iriam ser copiados por empresas como a Lego, como também exerceram influência positiva em pessoas, como por exemplo, o arquiteto Frank Lloyd Wright. A ideia mais luminosa com que este visionário contribuiu para a pedagogia foi a de que o ser humano é essencialmente dinâmico e produtivo e não meramente recetivo: «O homem é uma força autogeradora e não uma esponja que absorve conhecimento do exterior». 4.2. Montessori O método montessori é o resultado de pesquisas científicas e empíricas desenvolvidos pela médica e pedagoga Maria Montessori. De acordo com a sua criadora, o ponto mais importante do método é, não tanto o seu material ou a sua prática, mas a possibilidade criada pela utilização deste, de se libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada, compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da criança. A criança é o centro do método montessoriano e o professor tem o papel de acompanhador o processo de aprendizado. Ele guia, aconselha, mas não dita e nem impõe o que vai ser aprendido pela criança. É caracterizado por uma ênfase na autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. A pedagogia Montessoriana insere-se no movimento das Escolas Novas. Opõe-se aos métodos tradicionais que não respeitem as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimentoda criança. Ocupa um papel de destaque neste movimento pelas novas técnicas que apresentou para os jardins de infância e para o ensino fundamental do ensino tradicional. O material criado por Montessori tem um papel preponderante no seu trabalho educativo partindo do concreto (o material didático) para o pensamento abstrato. A criança literalmente vê e sente através do material didático preparado, o tema a ser aprendido; 01 A criança deixa de usar o material didático quando a abstração para o tema aprendido já é completa; 02 O meio preparado e o material didático têm como função, estimular e desenvolver na criança um impulso interior que se manifesta no trabalho espontâneo do intelecto. 03 Características de uma Escola Montessoriana A Association Montessori Internationale (AMI) cita os seguintes elementos como essenciais a uma escola montessoriana: 1. O ambiente é organizado e atraente; 2. O ambiente é composto por materiais didáticos e utensílios da vida cotidiana (para fins didáticos; 3. As classes são agrupamentos de alunos com diferentes idades; 4. O professor atua como guia, acompanhante do processo de aprendizado e interfere só o necessário; 5. Material multissensorial e aprender fazendo são hábitos de aprendizagem; 6. Cada aluno tem oportunidade de escolher o trabalho (a atividade) que mais lhe interesse; 7. A ênfase é na aprendizagem ativa e no desenvolvimento social em lugar de memorização, regras e procura de informação para uma única pergunta específica; 8. O aluno pode trabalhar o tempo que necessite num assunto que lhe interesse, sem que alguém ou uma campainha o interrompa; Características de uma Escola Montessoriana A Association Montessori Internationale (AMI) cita os seguintes elementos como essenciais a uma escola montessoriana: 9. O aluno tem o direito de escolher um lugar para trabalhar em vez de um lugar fixo; 10. A criança tem o direito de escolher se vai trabalhar só ou em grupo e com quem vai trabalhar; 11. Os alunos são estimulados a ensinarem, colaborarem e ajudarem uns aos outros; 12. Os alunos têm oportunidade de trabalharem com outros de diferentes idades; 13. Os alunos demonstram respeito aos professores e ao ambiente; 14. Todos os adultos demonstram respeito pelo aluno; 15. A escola encoraja a autodisciplina; 16. Aprender é o maior prêmio; não existe motivação através de prêmios e reconhecimentos exteriores. Sem exageros, usando sempre o bom senso; 17. Os alunos tendem a ser calmos, concentrados, felizes e equilibrados). Para isso deve contribuir a postura do educador. Materiais de Desenvolvimento Na pedagogia montessoriana, utilizam-se objetos desenvolvidos para "auxiliar a criança a pôr ordem no seu espírito e facilitar-lhe a compreensão das inúmeras coisas que a envolvem.” O material didático é dividido em cinco áreas: Exercícios de Vida Prática Material Sensorial Material de Linguagem Material de Matemática Material de Conhecimento de Mundo "Cosmo" (História , Ciências e Geografia) Estes materiais são constituídos por peças sólidas de diversos tamanhos, formas e espessuras diferentes; coleções de superfícies de diferentes texturas e diferentes sons. Tudo visando o prazer absoluto do aluno e atendendo as capacidades e necessidades da criança. O trabalho com o material montessoriano pode ser feito individualmente ou em grupo, de acordo com a vontade da criança. A criança não está presa a um lugar fixo na sala de aula, portanto ela pode trabalhar com o material numa mesa de forma tradicional, ou num tapete no chão. Com a prévia autorização da professora ela também pode trabalhar noutra sala da escola. No trabalho com esses materiais a concentração é um fator importante. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação, e, quando terminam, a criança fica mais solta, feliz com a sua concentração, comunicando então com os seus semelhantes num processo de socialização. A livre escolha das atividades pela criança é outro aspeto fundamental para que exista a concentração e para que a atividade seja formadora e imaginativa. Essa escolha realiza-se com ordem, disciplina e com um relativo silêncio em consideração à perturbação dos professores. O silêncio também desempenha papel preponderante. A criança equilibrada emocionalmente pelo próprio método, aprende a expressar-se de modo natural e adequado à situação. O professor também se expressa de forma natural, em tom adequado. Pés e mãos tem grande destaque nos exercícios sensoriais (não se restringem apenas aos sentidos), fornecendo oportunidade às crianças de manipular os objetos, sendo que a coordenação se desenvolve com o manuseamento dos instrumentos Material para Matemática: • "Material Dourado" é um dos materiais mais conhecidos criado por Maria Montessori. O "Material Dourado" desperta no aluno a concentração, o interesse, além de desenvolver a sua inteligência e imaginação, pois a criança está sempre predisposta ao jogo. Além disso, permite o estabelecimento de relações de graduação e de proporções, e finalmente, ajuda a contar e a calcular. Material de linguagem Os mais conhecidos são o alfabeto móvel e as letras de lixa. Material Sensorial • As Barras vermelhas, a escada castanha, cilindros coloridos, caixas de cores, tubinhos de cheiro, caixa dos rumores, placas do tato, caixa das fazendas (com panos de diferentes texturas sólidos geométricos) , a torre rosa e muitos outros. Exercícios da vida prática • Para os exercícios da vida prática são usados todos os utensílios da vida prática normal, tentando levar em consideração o tamanho da criança. Exemplo: jarras pequenas para se aprender a servir água, sapatos infantis para se aprender a amarrar e engraxar sapatos, etc. Deste método pedagógico vem a ideia de que os móveis no jardim de infância devem ser adequados ao tamanho da criança, conceito este que usamos hoje no nosso ensino tradicional. Pilares da Educação Montessori Segundo proponentes desta perspetiva pedagógica, o método Montessori contaria com seis princípios responsáveis por formar a base da teoria e prática desta pedagogia. Seriam eles: AUTOEDUCAÇÃO Seria a capacidade inata da criança para querer aprender. Por compreender que a criança deseja absorver e compreender a realidade que a circunda, e que por isso a criança explora, investiga e pesquisa o método Montessori proporcionaria um ambiente adequado e materiais interessantes para que a criança possa desenvolver-se pelos seus próprios esforços, no seu ritmo e seguindo os seus interesses. • É uma maneira de organizar o conhecimento. De acordo com este princípio, o educador deve levar o conhecimento à criança de forma organizada - estimulando a sua imaginação e evidenciando que tudo no universo tem a sua tarefa e que o ser humano deve ser consciente de seu papel na manutenção e melhora do mundo. EDUCAÇÃO CÓSMICA • É a maneira de compreender a criança e o fenômeno educativo de acordo com Montessori, e defendida pela ciência de hoje. Em Montessori, o professor utiliza o método científico de observações, hipóteses e teorias para entender a melhor forma de ensinar cada criança e para verificar a eficácia de seu trabalho no dia a dia. EDUCAÇÃO COMO CIÊNCIA • É o local onde a criança desenvolve a sua autonomia e compreende a sua liberdade em escolas e lares montessorianos. O ambiente preparado é construído para a criança, atendendo às suas necessidades biológicas e psicológicas. Em ambientes preparados encontram-se mobília de tamanho adequado e materiais de desenvolvimento para a livre utilização da criança. AMBIENTE PREPARADO • É o nome que se dá, em Montessori, para o profissional que auxilia a criança no seu desenvolvimento completo. Esse adulto deve conhecer cientificamente as fases do desenvolvimento infantil e, por meio da observação e do domínio de ferramentas educativas de eficiênciacomprovada, guiar a criança. ADULTO PREPARADO • O papel do professor na escola montessoriana é de guia e acompanhador de desenvolvimento infantil e não o que impõe ou dita o que e como deve ser aprendido PROFESSOR ACOMPANHADOR • É qualquer criança no seu desenvolvimento natural. Por meio da utilização correta do ambiente e da ajuda do adulto preparado, as crianças expressam características que lhes são inatas. Encontram-se o amor pelo silêncio, pelo trabalho e pela ordem. Todas as crianças nascem com estas características e desenvolvem melhor entre os zero e seis anos. CRIANÇA EQUILIBRADA 4.3. Decroly • Ovide Decroly nasceu em 1871, em Renaix, na Bélgica, filho de um industrial e de uma professora de música. Como estudante, não teve dificuldade de aprendizagem, mas, por causa do seu mau comportamento, foi expulso de várias escolas. Formou-se em medicina e estudou neurologia na bélgica e na Alemanha. • O desenvolvimento pedagógico didático de Decroly surge dentro da estrutura do movimento ‘Escola Nova’. Esse movimento começou no final do século XIX e reúne uma série de princípios que têm como objetivo a renovação das formas anteriores de educação tradicional. • Assim como alguns dos princípios básicos do movimento da Escola Nova, a proposta educacional de Decroly baseia-se no respeito à criança e à sua personalidade. Por isso, ele argumenta que a educação tem como objetivo a preparação das crianças para que elas vivam em liberdade. Decroly levanta a necessidade de uma base científica para a intervenção educacional. Assim, as suas contribuições são baseadas em disciplinas relacionadas à infância e à sociedade, tais como psicologia ou biologia. Ciências que ajudam a desenvolver a sua metodologia específica com base nos ‘centros de interesse significativos para a infância’. Decroly argumenta que são o motor fundamental da educação e que devem ser mobilizados para atender às necessidades próprias da fase infantil. Ou seja, é necessário saber quais são as necessidades das crianças e quais são os seus interesses para atrair a sua atenção e vontade de saber e aprender. O conceito de interesse é fundamental no pensamento de Decroly. Segundo ele, a necessidade gera o interesse e só este leva ao conhecimento. Para Decroly, há quatro necessidades naturais fundamentais e é em torno delas que os centros de interesse devem ser agrupados. Ele fala sobre as necessidades de: Alimentar-se. Lutar contra o frio e o mau tempo. Defender-se dos perigos e inimigos. Agir e trabalhar de forma solidária, divertir-se e melhorar. Embora o autor coloque essas quatro como as principais, ele também menciona a necessidade de luz, descanso e ajuda mútua. Os centros de interesse consistem na razão pela qual entra em jogo o que Decroly chama de ‘ação globalizadora ou ‘princípio de globalização.’ Isso constitui um procedimento didático que também se aplica ao ensino da alfabetização. Como consequência, o princípio de globalização baseia-se na ideia de que a criança percebe a realidade ao seu redor como um todo. Dessa forma, devemos, então, saber o que chama a atenção dela e o que estimula o seu conhecimento, além de atender aos seus conhecimentos anteriores. Portanto, para que a ação globalizada entre em ação, deve haver um interesse, e esse interesse não surge se não houver uma necessidade. Dessa forma, os estímulos ambientais adquirem importância para as crianças, alcançando, assim, aprendizagens significativas que contribuem para o seu desenvolvimento físico, psicológico e social. Primeiramente, Decroly sugere que, para que os centros de interesse funcionem corretamente, as classes devem ser relativamente homogêneas. Ou seja, as crianças que as compõem devem ter ritmos de aprendizagem semelhantes, além de mesmas idades e níveis de desenvolvimento. E, em segundo lugar, não devem exceder 30 crianças. Além disso, os centros de interesse devem seguir diferentes fases ou ser organizados de acordo com três tipos de exercícios, que respondem ao nome de ‘tríptico decrolyano ’ e são os: OBSERVAÇÃO: É ESSENCIAL PARA DESPERTAR OS SENTIDOS E COLOCAR AS CRIANÇAS EM CONTATO COM OBJETOS, SERES OU EVENTOS. ESSE É O PONTO DE PARTIDA PARA ATIVIDADES INTELECTUAIS REALIZADAS A PARTIR DO CONHECIMENTO DO MEIO AO SEU REDOR. ASSOCIAÇÃO: TRATA-SE DE UM PROCESSO DE ASSOCIAÇÃO E COORDENAÇÃO DAS DIMENSÕES ESPACIAIS E TEMPORAIS, COMO AS RELAÇÕES DE CAUSA E EFEITO, POR EXEMPLO, DEVEM ESTAR INTERRELACIONADAS. ALÉM DISSO, TAMBÉM HÁ COMPARAÇÕES, CLASSIFICAÇÕES E A DEFINIÇÃO DE SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS. EXPRESSÃO: PARA COMUNICAR O QUE FOI APRENDIDO, OS CONHECIMENTOS. REFERE-SE A DOIS TIPOS DE EXPRESSÃO, A CONCRETA E A ABSTRATA. A PRIMEIRA TRATA DE TRABALHOS MANUAIS E DESENHOS, INCLUINDO A MÚSICA. E A SEGUNDA TRATA DA TRADUÇÃO DO PENSAMENTO POR MEIO DE SÍMBOLOS E CÓDIGOS (LETRAS, NÚMEROS, SINAIS, ETC). É essencial que a aprendizagem seja organizada de acordo com os interesses das crianças e que sejam o produto das suas necessidades. E não apenas isso, também devem fazer com que os conhecimentos prévios que as crianças têm sejam considerados. Essa foi uma grande contribuição que Decroly deu à educação atual. Os centros de interesse concentram o ensino em torno de assuntos atraentes para os alunos e que satisfazem as suas necessidades básicas. Necessidades como o descanso e a diversão, por exemplo, ou relacionadas ao seu entorno, tais como a família ou o meio ambiente. Em suma, eles são unidades de trabalho que articulam toda a aprendizagem que a criança deve realizar em torno de um núcleo operativo e de maneira global. Sem a necessidade, portanto, de fragmentar o conteúdo em matérias ou disciplinas. Além disso, colocar em primeiro plano o caráter, a individualidade, a personalidade e o conhecimento das crianças, bem como o contacto com o seu ambiente, é algo essencial para que o ensino possa ser eficaz. 4.4. Freinet Freinet nasceu a 15 de outubro de 1896, no sul da França. Foi pastor de rebanhos antes de estudar. Freinet lutou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando os gases tóxicos do campo de batalha afetaram os seus pulmões para o resto da vida. Crítico da escola tradicional e das escolas novas, Freinet foi criador do movimento da escola moderna. O seu objetivo básico era desenvolver uma escola popular. Hoje em dia as suas propostas continuam, ainda, a ser uma grande referência para a educação. A criança era considerada o centro da educação, pois a educação não começa na idade da razão, mas sim desde que a criança nasce. Em 1920, começou a lecionar na aldeia de Bar-sur Loup, onde pôs em prática algumas das suas principais experiências, como a aula - passeio e o livro da vida. No ano de 1925, Freinet filiou-se ao Partido Comunista Francês. Em 1928, Freinet e a sua esposa (Élise Freinet, sua parceira e divulgadora) mudaram-se para Saint – Paul de Vence, iniciando intensa atividade. Passado cinco anos, foi exonerado do cargo de professor. No ano de 1935, o casal Freinet construiu uma escola própria em Vence. Durante a Segunda Guerra Mundial o educador foi preso e adoeceu num capo de concentração alemão. Após um ano, foi libertado e reorganizou a escola. Proposta Pedagógica Para Freinet, a educação deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. A sua carreira como docente teve início construindo os princípios educativos da sua prática. Ele propunha uma mudança da escola, pois a considerava teórica e, portanto, desligada da vida. As suas propostas de ensino estão baseadas em investigações a respeito da maneira de pensar da criança e de como ela construía o seu conhecimento. Através da observação constante ele percebia onde e quando tinha de intervir e como despertar a vontade de aprender do aluno. De acordo com Freinet, a aprendizagem através da experiência seria mais eficaz, porque se o aluno fizer uma experiência e isso der certo, repeti-lo-á e avançará no processo; porém,não avançará sozinho, pois precisará da cooperação do professor. Há princípios no saber Pedagógico que Freinet considerava invariáveis, ou seja, independentemente do local ou período histórico, certos pressupostos deveriam sempre ser levados em conta na prática educativa. Desta forma, postulou as chamadas "Invariantes Pedagógicas", consideradas como pilares de sua proposta pedagógica. Invariantes pedagógicas A obra de Freinet que apresenta as invariantes pedagógicas foi originalmente publicada em 1964. Com esta obra ele pretendia realizar um guia de iniciação para novos professores… “que não varia nem pode variar, quaisquer que sejam as atitudes pessoais. [...] A invariante constitui a base mais sólida, evita tanto as deceções como os erros” Freinet considerava que apenas transmitir conselhos técnicos para os professores poderia ser insuficiente e por este motivo resolveu dar instruções mais exatas. Com este intuito elaborou as invariantes pedagógicas, estabelecendo uma nova gama de valores escolares, numa procura pela verdade, que deveria ser feita a partir da experiência e do bom senso. Para sinalizar os resultados destes testes, foi utilizado o código pedagógico criado por Freinet, como código de trânsito: Verde para quando estivessem de acordo com a invariante em questão Amarelo para quando uma prática estivesse em desacordo com a invariante Vermelho para quando a atitude for circunstancialmente benéfica, ou “quando mais se afastam das invariantes”. As invariantes pedagógicas de Freinet: A criança é da mesma natureza que o adulto. Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros. O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional. A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias. A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto significa obedecer passivamente uma ordem externa. Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda a atitude imposta é paralisante. Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa. Ninguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa. É fundamental a motivação para o trabalho. É preciso abolir a escolástica. - Todos querem ser bem- sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo. - Não é o jogo que é natural na criança, mas sim o trabalho. Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola - as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experiência tateante, que é uma conduta natural e universal. A memória, tão preconizada pela escola, não é válida, nem preciosa, a não ser quando está integrada no tateamento experimental, onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida. As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como às vezes se crê, mas sim pela experiência. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois. A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica. A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade fica fixada na memória por meio de palavras e ideias. A criança não gosta de receber lições autoritárias. A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida. A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso caracteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente. As notas e classificações constituem sempre um erro. Fale o menos possível. A criança não gosta de sujeitar-se a um trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa. A ordem e a disciplina são necessárias na aula. Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativo. A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam, incluindo o educador. A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico. A conceção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria barreiras. A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas. Uma das primeiras condições da renovação da escola é o respeito à criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade. A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica, é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evitá-la ou modificá-la. É preciso ter esperança otimista na vida. Técnicas desenvolvidas por Freinet • A técnicas da pedagogia freinetiana respeitam a livre expressão, sendo esta uma postura pedagógica que torna a escola “um verdadeiro lugar de vida e produção, onde se faz a aprendizagem da democracia pela participação cooperativa.” As técnicas se feitas separadamente ou fora do contexto da cooperativa escolar não podem ser consideradas pedagogia Freinet. Devemos entendê-las como parte de uma totalidade. A Aula-Passeio: aulas de campo, voltadas para os interesses dos estudantes A Autoavaliação: fichas criadas por Freinet, preenchidas pelos alunos, como forma de registar a própria aprendizagem A Autocorreção: modalidade de correção de textos feita pelos próprios autores, no caso os alunos, sob a orientação do educador A Correspondência Interescolar: atividade largamente utilizada por Freinet, na qual os alunos se comunicavam com outros estudantes de escolas diferentes O Fichário de consulta: fichas criadas por alunos e professores, para suprir as lacunas deixadas pelos livros didáticos convencionais A Imprensa escolar: os textos escritos pelos alunos tinham uma função social real, já que não serviam meramente como forma avaliativa, já que eram publicados e lidos pelos colegas O Livro da vida: caderno no qual os alunos registam as suas impressões, sentimentos, pensamentos em formas variadas, o qual fica como um registo de todo o ano escolar de cada turma O Plano de trabalho: atividade realizada em pequenos grupos que sob a orientação do educador, com base em um dado tema, desenvolvem um plano a ser realizado num certo intervalo de tempo O Texto Livre: tipo de texto em que o aluno não é obrigado a escrever como nas escolas tradicionais. É livre em formato e em tema. Relaciona-se com a técnica da Imprensa Escolar, Livro da vida e Correspondência Interescolar. Cantos de atividades: divisões no espaço físico com diferentes propostas de trabalhos, onde os alunos possam executar de maneira autônoma, socializando com outros alunos. “Este tipo de organização possibilita a formação de grupos menores e assim há um aprofundamento maior dos contatos. Sem a interferência direta dos adultos, a sociabilização das crianças ganha um ritmo próprio.” O Jornal Mural: Mural feito pelas crianças em criação coletiva, fica em exposição na escola e conta com os factos significativos para os alunos, acontecimentos, exposição de trabalhos e projetos. Estudo do meio: Freinet levava os seus alunos para fora de sala de aula para conhecerem o ambiente, as pessoas, a cultura local e para descobrir novos interesses que surgissem no caminho. A aula passeio faz parte de uma proposta de estudo do meio que envolve muitas outras ações pedagógicas. 4.5. Piaget Jean Piaget, nasceu a 9 de agosto 1896, na Suíça, filho de uma família abastada e culta. Aos sete anos de idade, Piaget já revelava a sua capacidade científica e, aos 10, publica um artigo sobre o Pardal Branco, na revista da Sociedade dos Amigosda Natureza. Aos 11 anos, torna-se assessor do Museu de História Natural Local de sua cidade natal. Desde o ensino ginasial, Piaget mostrava -se interessado por Filosofia e Psicologia, mas é em Biologia que ele se forma, em 1915. Em 1918, defende a sua tese de doutorado e inicia, em Zurique, estudos sobre Psicologia, especialmente Psicanálise. No ano seguinte, ingressa na Universidade de Paris, onde é convidado a trabalhar com testes de inteligência infantil. Em 1921, passa a fazer pesquisas destinadas à formação de professores no Instituto Jean Jacques Rousseau, em Genebra. Em 1923, lança o seu primeiro livro, intitulado “A linguagem do pensamento da criança.” Em 1925, começa a lecionar Psicologia, História da Ciência e Sociologia, na cidade em Neuchâtel. Em 1929, passa a lecionar História do Pensamento Científico, em Genebra, e assume o Gabinete Internacional de Educação dedicado a estudos pedagógicos. Na década de 30, escreve vários trabalhos sobre as fases do desenvolvimento por meio de observações diretas dos seus filhos. Na década de 40, Piaget torna-se sucessor de Claperède e assume como professor-diretor, o Laboratório de Psicologia. Em 1941, com a colaboração de alguns pesquisadores, publica trabalhos sobre a formação de conceitos matemáticos e físicos. Em 1946, participa da constituição da UNESCO, tornando-se membro do Conselho Executivo e assumindo, diversas vezes, a subdireção geral do Departamento de Educação. Nos anos 50, publica a Epistemologia Genética, a sua primeira tese sobre teoria do conhecimento. Em 1955, assume o lugar do filósofo Merleau-Ponty, lecionando na Universidade de Sorbonne Paris. No mesmo ano, na cidade de Genebra, Piaget funda o Centro Internacional de Epistemologia Genética, destinado a pesquisas interdisciplinares sobre a formação da inteligência. Em 1967, Piaget escreve Biologia e Conhecimento, considerada a principal obra de sua maturidade. Em 16 de setembro de 1980, na cidade de Genebra, morre Jean Piaget. A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE PIAGET FOI UM AVANÇO NA ÉPOCA AO COLOCAR 01 O SER HUMANO COMO SUJEITO ATIVO NA SUA APRENDIZAGEM. O SEU FOCO PRINCIPAL ERA INVESTIGAR 02 O PROCESSO PELO QUAL AS PESSOAS ADQUIREM O CONHECIMENTO, NÃO EM O QUANTO ADQUIREM. 03 Os princípios básicos que regem o desenvolvimento cognitivo e a evolução progressiva de um estágio até o outro são: Organização e adaptação. De maneira inata, as pessoas organizam em mapas mentais a informação que recebem e, assim, adaptam-se às exigências do ambiente em que nos desenvolvemos. Assimilação e acomodação. Moldamos a informação que recebemos para acomodá-la aos esquemas mentais do momento. Se ela diverge dos nossos esquemas mentais atuais, ajustamo-los para acomodarem a informação nova. Mecanismos de desenvolvimento. Os mecanismos que condicionam o desenvolvimento cognitivo e a passagem pelos diferentes estágios, serão determinados pela maturação das estruturas físicas herdadas, pelas experiências físicas com o ambiente, pela transmissão social de informação e pela procura contínua de equilíbrio, que se dará através dos processos de assimilação e acomodação. Os estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget Piaget acreditava que o conhecimento evoluía no decorrer de uma série de estágios, diferentes qualitativa e quantitativamente, e que compartilham quatro características: A sequência de aparição segue uma ordem fixa pré - determinada Cada estágio apresenta uma estrutura de conjunto e um modo de funcionamento próprios Os estágios são hierarquicamente inclusivos, isto é, cada estágio inclui os anteriores A transição entre os estágios é gradual, não abrupta e apresenta uma grande variabilidade individual As quatro etapas ou estágios que Piaget identificou são os seguintes: Estágio sensório-motor (0-2 anos aprox.) O bebê interage com o seu ambiente através dos sentidos e das ações motoras que realiza através de seu corpo. A repetição dos reflexos inatos permite que ele interaja com o seu corpo, inicialmente, e com o exterior, posteriormente, através dos sentidos e de ações concretas. Começa a criar os primeiros esquemas internos para estruturar as aprendizagens que vai adquirindo do mundo que o rodeia Estágio pré-operacional (2-7 anos) Nesta etapa inicia-se uma integração mental de todas as ações/reações realizadas no período anterior. Deste modo, começa a abstrair toda esta informação, criando esquemas mentais que permitem à criança ir desenvolvendo a linguagem e os jogos simbólicos (utilizando gestos, palavras, números e imagens). O egocentrismo segue presente nesta etapa, mas pouco a pouco vai evoluindo para uma abertura até o outro. As quatro etapas ou estágios que Piaget identificou são os seguintes: Estágio das operações concretas (7-11 anos) Neste estágio os processos de racionalização tornam-se lógicos e podem ser aplicados para solucionar problemas concretos. Alguns dos processos cognitivos que se desenvolvem neste período são a seriação, o ordenamento mental de conjuntos e a classificação dos conceitos de casualidade, espaço, tempo e velocidade. A nível social, as crianças já dispõem de desenvolvimento maduro o suficiente para interagir socialmente e são precisamente as suas novas estruturas lógicas que permitem solucionar problemas sociais concretos. O egocentrismo da etapa anterior, vai transformando-se em um comportamento cada vez mais empático. Estágio das operações formais (a partir dos 11 anos) De acordo com a teoria de Piaget, nesta etapa, que continua durante toda a vida adulta, os adolescentes já são capazes de realizar abstrações de problemas concretos e utilizá-los em racionalizações lógicas indutivas e dedutivas. Isto permite que desenvolvam, de maneira mais profunda, a perceção de si mesmos, dos outros e do mundo, o que os leva a se interessarem e desenvolver os valores morais. Apesar das críticas feitas posteriormente à teoria de Piaget, e sem desconsiderá-las, vale ressaltar que ela gerou uma mudança de paradigma no que diz respeito à aprendizagem que as crianças têm das suas experiências de vida. Comparado com a passividade que lhes era atribuída, sendo modeladas unicamente através da sua relação com o ambiente ou condicionadas exclusivamente pelos seus atributos genéticos, Piaget introduziu um modelo inovador que integra ambas as influências. A sua abordagem como agente ativa da sua aprendizagem e a descrição dos seus estágios iluminaram a pedagogia, que orientou boa parte das aplicações educativas realizadas a partir deste momento. Sendo assim, nunca devemos baixar a guarda; e revisar e repensar as teorias e aplicações são uma parte primordial do processo educativo para garantir aos nossos filhos uma educação com cada vez mais qualidade. Referências bibliográficas Carolyn Webster-Stratton (2010). Os Anos Incríveis: Guia para pais de crianças com problemas de comportamento dos 2 aos 8 anos. Psiquilibrios. Costa J. e Santos, A. L. (2003). A falar como os bebés. O desenvolvimento linguístico das crianças. Primeiros passos. Editorial Caminho, SA. Lisboa. Diane E. Papalia, Ruth Duskin Feldman e Sally Wendkos Olds (2001). O Mundo da Criança. Mc Graw-Hill. Eduardo Sá (2017). Más Maneiras de Sermos Bons Pais. BIS Formosinho, J. O. (2008). Modelos Pedagógicos para a Educação em Creche. Porto Editora. Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Isabel Lopes da Silva (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré- Escolar. Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação (DGE). Slide 1: UFCD 10649 Fundamentos da Pedagogia Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91