Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
Conteudista: Prof. Me. Jean Cavaleiro Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Objetivo da Unidade: Desenvolver orçamentos de forma prática de produção, de matéria-prima, de compras e pagamentos e de MOD. ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Desenvolvendo o Orçamento de Produção e Materiais Visão Contábil do Orçamento de Produção Antes de iniciar a discussão desta etapa, olhe a matéria do G1, de 2012: Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Veja que, arredondando, 99% das Empresas do país são Micro e Pequenas Empresas. Mas o que isso significa para você que será um dos milhares de Contadores espalhados pelo país? Antes de responder, vamos ver outros dados importantes. 1 / 3 ˨ Material Teórico Leitura Micro e Pequenas Empresas são 99% do Total no País, mostra Pesquisa https://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2012/02/micro-e-pequenas-empresas-sao-99-do-total-no-pais-mostra-pesquisa.html Figura 1 – Taxa de sobrevivência de Empresas de dois anos: evolução no Brasil Fonte: Adaptada de SEBRAE, 2014 Veja que, em 2008, o índice de Empresas que sobreviviam mais de dois anos era da ordem de 54% somente, tendo evolução considerável a partir de 2010, mas ainda muito crítico. A justificativa está na Figura a seguir: Figura 2 – Taxa de mortalidade de Empresas de dois anos: evolução no Brasil Fonte: Adaptada de SEBRAE, 2014 Como visto acima, 45% das Empresas faliam antes de completar 2 anos de vida, caindo para 23% em 2012. Esses dados ficaram piores durante e no pós pandemia. Hoje, esse número está em 29% de Empresas que morrem por ano, e estudos mostram que essa mortalidade é mais presente nas Empresas menores, nas Micro e Pequenas Empresas. Então, voltamos à pergunta: o que significa 99% das Empresas brasileiras serem Micro e Pequenas Empresas? São Empresas mais frágeis, com menos potencial competitivo, pois seus empreendedores não têm as competências necessárias para essa prática da competição. São empreendedores que, em quantidade significativa, viraram empreendedores por obrigação. Não foi algo planejado, com plano de negócios, estudo de mercado e construção de plano prévio. Não, não ocorre assim. Normalmente, dormem e acordam com a incumbência de tocar um negócio. Seja por demissão do emprego anterior, por doença ou falecimento de alguém da família, ou mesmo por conhecer a etapa de produção da Área. Esse último item, acho que você vai querer debater conosco, não vai? Então, vamos lá! Imagine um pizzaiolo, 30 anos atuando como profissional da produção de pizza. Imagine a realidade desse profissional. Ele organiza a praça de produção, faz a massa, gerencia a preparação dos recheios, administra a sequência de produção de pizzas, libera os itens prontos etc. Mas veja que são todas atividades relacionadas à produção, e isso se refere a um pedaço do organograma da Empresa. Figura 3 – Organograma Os processos administrativos, como controle de compras, registros de vendas, relação com fornecedores, contratação, desenvolvimento de orçamentos não são de domínio dele e, sem essas ações, a competitividade fica comprometida, e esses são os principais motivos para a alta mortalidade das Empresas: a incapacidade de planejamento, e a baixa capacidade e conhecimento dos empreendedores nacionais. Eles sabem fazer, produzir e, muitas vezes, vender, mas vender não é sinônimo de lucratividade. E sem lucratividade a Empresa não tem futuro. Então, como fica o Contador, ou seja, você nessa questão? Os futuros Contadores serão os braços fortes desses empreendedores e, para atuar como profissional diferenciado, não será suficiente somente ser aquele que faz balanços e demonstrativos, mas sim, ser um suporte na gestão dessas Empresas. Esse é o objetivo que temos com esta Disciplina, além de compreender a prática de orçamentos nas diversas Áreas das Empresas. Desenvolvimento do Orçamento de Produção Alterando o modelo de negócios existentes no período da primeira Revolução Industrial, em que a produção em massa era a prática comum nas grandes Organizações, o Mercado, hoje, inicia as operações pelo olhar para as vendas. Para facilitar a percepção, veja como eram os fluxos produtivos a seguir. Modelo de Produção de “Empurrar” Tem como base a produção em massa, ou seja, em grande quantidade e pouca variedade. A proposta é aproveitar ao máximo a capacidade produtiva, dando sentido ao que chamamos de “economia de escala”. Com base nessa concepção, o rateio dos custos fixos da produção faz com que a produção em grande escala reduza os custos unitários dos produtos, sendo esse o grande objetivo, a redução dos custos unitários de produção. Para que isso ocorra, a planta fabril deve ser ampla, com layout que preconize eficiência produtiva. Os estoques de matéria-prima são amplos, as compras ocorrem em grandes volumes e, assim, alimentam a produção em escala e geram grandes estoques de produtos acabados que, por sua vez, ficam aguardando as vendas ocorrerem. Figura 4 – Fluxo Produção em Massa No modelo, a variedade é pequena, as opções não existiam. Mas a questão é, com a ampliação da concorrência, com a evolução da tecnologia, começou a surgir algo novo todo dia. Logo, ter produtos prontos em estoque não é mais negócio. Ganha força, então, uma filosofia que nasceu no Japão por meio do plano Toyota de produção, a filosofia Just in Time – JIT. Assim, a produção enxuta passa a ganhar força no ambiente empresarial, modelo em que se conecta a operação produção à demanda, real ou prevista, e se olha para a demanda, para as vendas. Não se produz nada que não esteja previsto para o Mercado. No modelo em um cenário mais competitivo em que controlar custos é questão de sobrevivência, o fluxo deve ser invertido, como a seguir: Figura 5 – Modelo enxuto de produção No modelo, a capacidade de produção não deve consumida sem que a demanda justifique a operação. É um modelo de produção denominado “puxar”. As vendas puxam toda a operação, olha-se para as vendas, das vendas se calcula a necessidade de produção e da necessidade de produção se calcula a necessidade de compras e de pessoal. Feito esse adendo, vamos ao orçamento de produção. Como já posto, os orçamentos de uma Empresa são interligados e interdependentes, influenciando os diversos outros planos da Empresa. Toda a operação de uma Empresa se inicia com os orçamentos de vendas e toda a estrutura montada deve ser para atender essa previsibilidade de vendas. Nessa linha, uma pergunta com a qual o gestor deve se preocupar é: quanto produzir de cada produto e em cada período? A resposta a essa pergunta está no olhar para as vendas, sejam realizadas, sejam previstas. Esse pensamento é reflexo da evolução da produção em massa para a produção enxuta, ou para o uso da filosofia JIT – Just In Time, em que o foco é evitar desperdício, não se produz para estocar, mas sim para atender às vendas. Nessa linha, o estoque passa a ser uma questão estratégica, precisa definir estoque mínimo, estoque de segurança, com a finalidade de atender a demandas sem risco de ruptura de atendimento. A regra é: a produção não pode parar! Vamos entender, então, o que é um orçamento de produção e como ele se orienta a partir das vendas para sua efetivação. Diante de Tudo que Falamos, o que é o Orçamento de Produção? Como vimos, o Orçamento de Produção é realizado posteriormente ao orçamento de vendas, e trata do planejamento dos estoques de produtos acabados, produtos em processamento e matérias-primas bem como dos suprimentos de materiais e necessidade de mão de obra para a realização da produção. O plano de produção de uma Empresa deve estar atrelado ao plano de vendas, funcionando em sincronia e, principalmente, seguindo um fluxo: A Informação de vendas chega na Empresa – PCP recebe a informação – programa a produção para atender os prazos acordados – verifica a disponibilidade de estoque – solicita compras quando necessário – verifica mão de obra necessária – inicia a operação de produção – faz entrega. A definição de quanto se deve produzir por período e por produto vai determinar a necessidade de uso de material, possível necessidade de compra, necessidade de pessoal através e todas estas etapas consomem recursos financeiros. E orçar é apontar a necessidade para cada uma delas. O processo de produção deve ser estruturado em função da natureza e dos objetivos da Empresa. Os elementos relevantes para organizar a produção são o tipo de produção e os fatores de competitividade. Traduzindo isso para Questões Práticas! Quando se fala em objetivos, devemos deixar claro que não haverá uma regra, mas sim intenções de operação. Se a Empresa deseja efetuar entregas rápidas, se deverá ter mais ou menos estoques, se quer competir por preços ou por qualidade, ou mesmo rapidez. Tudo isso interfere na programação de produção! Na “produção puxada” as vendas reais é que determinam a produção, ou seja, conforme as vendas ocorrem, a produção é realizada. Como vantagem destaca-se a redução ou eliminação dos estoques de produtos acabados e insumos. É a filosofia JIT sendo aplicada. Na “produção empurrada”, ao contrário, a produção é planejada e executada, a partir de uma previsão de vendas. O foco é na produção, produzindo-se primeiro e depois empurrando para vendas. Nesse modelo, os estoques são mais elevados e, consequentemente, com maior custo, visando atender as incertezas do mercado consumidor. Considerando-se a gestão de estoques, seria desejável que os estoques sempre fossem próximos de zero, ou seja, as despesas de manutenção seriam mínimas. Porém condições mercadológicas nem sempre permitem que tal fato ocorra nas organizações (ex. sazonalidade de matérias-primas). Nesse sentido, o gestor de produção deve buscar suprir os estoques de produtos acabados (não precisamente o estoque de vendas) podendo planejar o volume de produção diferentemente do que se vai vender em um determinado período. Tal premissa deve ser atendida considerando-se a busca pelo ótimo na utilização dos recursos industriais, evitando-se oscilações bruscas na produção. Assim, tem-se como possível solução a busca pelo equilíbrio entre os custos de produção e as despesas de manutenção dos estoques. E são esses itens que vamos planejar agora nesta etapa de orçamentos. Vamos à Ação! Plano de Vendas: quantidades previstas de vendas bem como os estoques de produto acabado a serem mantidos pela organização; Características da armazenagem de materiais; Características de produção (capacidade máxima, economias de escala e lotes econômicos de compra, processos produtivos); Nível de utilização de mão-de-obra direta. Aqui, baseando-se no orçamento de vendas correto (OR 01) da etapa anterior, você irá determinar os volumes de produção de Alfazin e Betazon a serem realizados em cada período. A Empresa já definiu sua estratégia de produção e optou por produzir acompanhando a previsão de vendas e sua política de estoques. Portanto, considere os seguintes dados e informações necessários para o orçamento de produção: Em qualquer Empresa em que formos realizar orçamentos, devemos antes buscar as informações de quais são as políticas da Empresa, como as que vimos anteriormente. Reforçamos, em cada etapa, que as informações serão solicitadas em dados da Empresa. Os estoques iniciais, no mês de janeiro, correspondem a 30 unidades de Alfazin Alfazin e 305 unidades de Betazon . Essas unidades, que ficaram em estoque no final de dezembro, correspondem ao valor total dos estoques de produto acabado que consta do Balanço Patrimonial anterior; Pelos estoques finais existentes em dezembro passado, conforme item 1, observa- se que a política que a Empresa vem praticando desde o ano passado é a de manter em estoque, ao final de cada período, o equivalente a 20% da previsão de vendas do período seguinte para Alfazin e 20% da previsão de vendas do período seguinte para Betazon; Considere que não existe meia unidade ou parte de uma unidade, então, quando o resultado for "quebrado", arredonde para cima. Importante! Para preencher a tabela do orçamento de produção, você deve calcular Vamos para o orçamento! Figura 6 – Produção Fonte: Reprodução Como preencher cada célula? Total de Unidades Vendidas Esta informação vem do Orçamento 1 de vendas. Vamos transportar para cá o dado do orçamento anterior, conforme Figura a seguir: os estoques finais de Alfazin e Betazon. Como você já dispõe das previsões de vendas para o primeiro trimestre (OR 01), considere que, em abril, espera-se vender 190 unidades de Alfazin e 1.670 unidades de Betazon. Figura 7 – Vendas Fonte: Reprodução Complete a célula de março e o totalize o trimestre. Estoque Final Desejado Lembre-se de que a política de estoque definida pela Empresa para o Alfazin deverá manter 20% da previsão de vendas do período seguinte. Então: O estoque final desejado de janeiro será 20% de 168 unidades: 168 x 20% = 33,6 unidades como estoque final. Mas lembre-se de outra política: não existe meia unidade. Sempre que houver, vamos arredondar para cima. Logo, teremos 34 unidades. Com essa lógica, devemos conhecer as vendas de março para calcular o estoque final desejado de fevereiro, e conhecer as vendas de abril para calcular os estoques finais de março. Total Necessário para o Período Refere-se à soma do volume de vendas somados ao estoque final desejado. Então, se houver vendas de 150 unidades em janeiro, e pela política de estoque final de 34 unidades, teremos a necessidade de produzir 150 + 34 = 184 unidades. Assim, seriam entregues 150 das vendas e sobrariam 34 unidades, mas, antes de decidir, é necessário, ainda, verificar se há estoques iniciais disponíveis. Então, pela política da Empresa: Importante! Tomar cuidado para a totalização do trimestre, pois somar o item estoque final desejado não faz sentido. Os estoques iniciais, no mês de janeiro, correspondem a 30 unidades de Alfazin e 305 unidades de Betazon. Essas unidades, que ficaram em estoque no final de dezembro, correspondem ao valor total dos estoques de produto acabado que consta do Balanço Patrimonial anterior. Logo, há necessidade de produção de 184 unidades, mas existem 30 unidades em estoques. Então, o total necessário a produzir é de: 184 – 30 = 154 unidades Veja a lógica: São produzidas 154 unidades, com 30 unidades disponíveis, o que totaliza 184 unidades. Como serão entregues 150 unidades que foram vendidas, sobrarão, de estoque final, 34 unidades. Essas 34 unidades em janeiro são estoque final e, em fevereiro, serão estoque inicial. Regra do pensamento orçamentário: saldo final de um período é saldo inicial no período seguinte! Vamos entender, agora, o mês de fevereiro e sua missão será replicar o mesmo pensamento em março e finalizar o trimestre. Total de Unidades Vendidas Este valor é dado pela planilha do orçamento 01, de vendas. Pretende-se vender 168 unidades em fevereiro. Para ter acesso a essa informação, vá a orçamentos encerrados, orçamento 01, veja o total de unidades vendidas, e veja o mês de fevereiro. Então: Fevereiro – Total de unidades vendidas – Fevereiro 168 unidades (+) Estoque final desejado – e se você vendeu 168 unidades, e deseja manter em estoque 20% das suas vendas do mês seguinte, em fevereiro, isso significa 20% de 180 unidades, o que corresponde a 36 unidades. Esta definição serve para que saibamos quanto devemos produzir, pois deverá atender às vendas e ao estoque necessário. Total Necessário para o Período Esse é o total necessário para produzir no período. Logo, será o total vendido mais a necessidade de estoque, 168 + 36 = 204 unidades. Mas será que precisamos produzir 204 unidades? Para responder esta questão, temos de olhar para o estoque inicial, e abater esse valor, pois se são necessárias 204 unidades e já há algumas unidades, devemos abater. (-) Estoque inicial disponível – O estoque inicial é o volume em unidades ou valor que iniciou em estoques, ou o estoque final do período anterior. Logo: 204 – 34 = 170 unidades. Vamos ver o raciocínio lógico! São produzidas 170 e, com mais 34 em estoque, completam-se 204. São entregues 168 para os clientes. Sobram 36 unidades de estoque final. Esse estoque final será o estoque inicial em março. Com essas etapas, o Orçamento 02 Produção do Alfazin está completo. Agora, deve-se realizar para o produto Betazon. Para essa ação, devem ser seguidos exatamente os mesmos passos: busque informações de vendas em dados da Empresa e no orçamento anterior (acessado em orçamento encerrado). Calcule o percentual de estoque final desejado e aplique de forma prática ao que acabamos de realizar. Veja que, nessa Etapa de Orçamento, orçamos o quanto precisamos produzir, alinhados ao volume de vendas a ser atendido por período e, ainda, considerando o volume de estoque final desejado. Tudo que foi decidido aqui servirá de base para orçar a necessidade de material, de compra, de pessoal, de fluxo de pagamentos etc. Se você errar nesta etapa, todas as demais estarão erradas, não podendo nem subdimensionar nem superdimensionar. Desenvolvendo o Orçamento de Matéria-prima Veja que, depois de orçado o plano de necessidade de produção, agora, podemos fazer o Orçamento de Matérias-Primas Necessárias, que é a programação dos itens materiais (matérias-primas e embalagens) a serem utilizados na produção da organização em um determinado período. Para tanto, ele deve estar devidamente alinhado ao Orçamento de Produção. Visa-se a minimizar custos de aquisição de materiais, bem como despesas de compra e manutenção. Matérias-primas São bens que serão transformados durante a produção de produtos acabados. Podem ser materiais para transformação (por exemplo, plásticos, resinas etc.) ou componentes (por exemplo, motor). Importante! O papel central da execução de um orçamento é fazer com que o plano de vendas, ou o atendimento ao cliente, ou à demanda sejam realizados da melhor maneira possível, sem correr riscos e sem desperdícios. Uma opção é incluir nesse orçamento materiais indiretos (não fazem parte do produto acabado) que são utilizados no processo produtivo como, por exemplo, graxas. Deve responder às seguintes perguntas: Para elaboração desse orçamento, devem ser levantadas as seguintes informações: O que comprar? Quanto comprar? De quem comprar? Como pagar? Qual a quantidade de produtos a serem produzidos no período? Qual(is) os materiais necessários, bem como qual a quantidade para cada unidade de produto? Saiba Mais As informações sobre quais materiais e quantidades a serem utilizadas nos produtos podem ser obtidas junto à Área de Engenharia de Produto ou similar. Aqui, no simulador, você irá buscar a informação em dados da Empresa, botão vermelho à direita da tela. Iniciando – OR 03 Matéria-prima Considere o orçamento correto de produção, particularmente, os volumes totais a produzir de Alfazin e Alfazin . Essas são as informações fundamentais para elaborar o orçamento de matérias-primas necessárias. Outras informações necessárias para essa etapa são: o processo de produção e os insumos (matérias-primas e embalagens) necessários para a produção do Alfazin e do Alfazin . O Alfazin é comercializado em embalagens plásticas de 5kg e o Alfazin em latas de 10kg. Os coeficientes técnicos de utilização de matéria-prima e de embalagens para fabricação dos produtos são apresentados a seguir: Ao multiplicar a quantidade de produtos a serem fabricados pelos materiais necessários, será possível saber a quantidade total de matéria-prima a consumir. Multiplicando-se, ainda, esses dados pelo custo médio (ver com a Contabilidade de Custos) chegar-se-á ao custo total da matéria-prima consumida. Tabela 1 – Coeficientes técnicos de matéria-prima e embalagem Matéria- Prima Unidade de Medida Alfazin Saco Plástico 5kg Betazon Lata 10kg X Kg 2kg – Y Kg 3kg – W Kg – 4kg Z Kg – 6kg Embalagem Plástica Saco 1 saco – Embalagem Lata Lata – 1 lata Fonte: Adaptada de SDE Conhecer a composição de cada produto é fundamental para a realização do orçamento de material, o uso de ferramenta de MRP – Material Requirements Planning ou planejamento da necessidade de materiais é muito comum. Aqui, vamos simplificar, mas é possível ver os mesmos processos. Figura 8 – MP necessárias Fonte: Reprodução O primeiro passo é acessar dados da Empresa para entender o que deve ser feito. Esse orçamento é do produto Alfazin. Então, vamos orçar a necessidade de materiais pera ele. A linha de produção necessária é a base para o cálculo. Deve-se acessar o orçamento anterior e importar para cá a produção necessária. O acesso é feito pelo botão orçamento encerrado. Figura 9 – Orçamentos Fonte: Reprodução Ao acessar, você verá, na última linha: Figura 10 – Produção Fonte: Reprodução Esses valores deverão ser importados para a linha de produção necessária em OR03, para cada um dos meses, e ter o trimestre totalizado. A linha (X) Consumo (kg) de MP X para 1 Alfazin expressa o consumo de matéria-prima X para a produção de um Alfazin. Você verá no Quadro, em dados da Empresa, que 1 Alfazin consome 2kg da MP X. E se serão produzidas 154 unidades de Alfazin em janeiro e cada unidade consome 2 kg de X, então: 154 x 2 = 308 kg de matéria-prima X A matéria-prima Y – Cada unidade de Alfazin consome 3 kg de Y. Logo: 154 unidades x 3 = 462 kg de matéria-prima Y Embalagem Constrói-se o mesmo pensamento: quantas unidades serão produzidas e quanto cada unidade utiliza da matéria-prima. 154 unidades produzidas x 1 unidade de embalagem = 154 unidades O produto Betazon deve passar pelo mesmo processo e, para isso, idealize a visão do produto: Figura 11 – Árvore de produção Betazon Como ler essa árvore? Para 1 Btz se consomem 4 kg de W, 6 kg de Z e 1 de embalagem. Então, para 10 BTZ: 10 x 4 = 40 kg W; 10 x 6 = 60 kg Z; Essa percepção deve ser aplicada à planilha para cálculos de Betazon e deverá ser buscada a produção dos meses de janeiro a março no Orçamento 02 de Produção, da mesma forma que foi feito com o Alfazin. Feita a necessidade de materiais, vamos para mais uma etapa de orçamento. Agora, vamos orçar a compra de matéria-prima. Desenvolvendo o Orçamento de Compras de Matéria- prima O Orçamento de Compras de Matérias-Primas visa a levantar qual a quantidade de cada uma das matérias-primas utilizadas deve ser adquirida em cada mês, considerando as necessidades e as políticas de compra de cada uma. A equação do estoque de matérias-primas pode ser assim descrita: (Estoque Inicial) + (Compras) – (Consumo) = (Estoque Final) EI + C – Co = EF 10 x 1 = 10 latas. EI: Estoque Inicial; C: Compras; Co: Consumo; EF: Estoque Final. Considere: Vejamos: Figura 12 – Compra de Matéria-prima Fonte: Reprodução Como Preencher os Valores? Veja que estamos calculando as compras da MP X inicialmente! Então, qual a quantidade necessária para produção? Que os estoques iniciais de um período correspondem aos estoques finais do período anterior; Que o consumo de matérias-primas deve ser verificado no orçamento de matérias- primas necessárias; Que os valores das compras são obtidos pela multiplicação das quantidades compradas pelos preços unitários dos produtos. Vá ao OR03. Figura 13 – MP necessárias Fonte: Reprodução Isso se repete em fevereiro e em março. Os valores apontados como necessários para produção devem agora ser conformados em compras. Estoque final desejado – ao olhar em Dados da Empresa, você encontrará: A Empresa assumirá, a partir de janeiro, a política de manter estoques finais de segurança de matérias-primas correspondentes a 30% do consumo do item no próprio período. Logo, 30% de 308 = 92,4 unidades de estoque final desejada. Mas, como estamos falando de mercadorias, não podemos adquirir meia unidade, logo a política adotada e já descrita é a de arredondar para cima. Logo, irá para 93 unidades na célula. Total necessário para o período – Se serão consumidas 308 unidades na produção da MP X, e se se deseja manter 93 unidades em estoques, teremos, então, de adquirir: 308 + 93 = 401 unidades da MP X Estoque inicial – como descrito em dados da Empresa: Considerando que a Empresa vinha praticando o just-in-time, no final de dezembro, não havia estoques de matérias-primas no almoxarifado. O Estoque Inicial de MP X, então, é Zero Quantidade a ser comprada – Quantidade necessária para o período menos (-) estoques iniciais: 401 – 0 = 401 unidades da matéria-prima X. E como o objetivo é orçar gastos, devemos localizar o preço unitário de cada período. A seguir é apontado que: MP x = U$ 5,00 E que a cotação do dólar é de R$ 3,80 em janeiro Logo: 5 x 3,80 corresponde a R$ 19,00 cada unidade da MP X em janeiro. Veja que a cotação muda em fevereiro. Então: 401 unidades x 19 = R$ 7.619,00 Para realizar os orçamentos de fevereiro, deve-se observar que os estoques iniciais de fevereiro serão os estoques finais de janeiro e o estoque inicial de março deve ser o estoque final de fevereiro. A cotação do dólar altera por período. As outras matérias-primas têm políticas diferentes de estoque final desejado. Deve-se olhar para cada uma delas e seguir as mesmas regras aqui expostas. Os mesmos processos devem ocorrer para os orçamentos da MP Y, W e Z. Observe, ainda, que as embalagens têm especificidades nos processos. Esses detalhes, vamos certificar a seguir! Como já sabemos, quanto à quantidade de insumos (matérias-primas e embalagens) necessária para a produção dos períodos, nesta etapa de orçamento das compras, você irá considerar a política de estoques de insumos da Empresa, os preços e os prazos de entrega dos fornecedores, para determinar a quantidade a comprar e o valor das compras para cada um dos insumos. Diferentes fornecedores abastecem a Empresa com matérias-primas (MP) e um fornecedor monopolista fornece as embalagens. Todos os fornecedores de matérias-primas asseguram a entrega imediata no início do período da compra e o fornecedor de embalagens garante a entrega no final do período da compra. Considerando que a Empresa vinha praticando o just-in-time, no final de dezembro, não havia estoques de matérias primas no almoxarifado. Havia a compra de embalagens em dezembro, para recebimento no final do mês, de 154 unidades de sacos plásticos para ALFAZIN e 1.536 unidades de latas para BETAZON. Esses eram os estoques finais de embalagens no almoxarifado. Para efeito das compras de embalagens em março, deve-se considerar que, para abril, a produção prevista de Alfazin é de 190 unidades e de Betazon é de 1.670 unidades. A Empresa assumirá, a partir de janeiro, uma política de manter estoques finais de segurança de matérias-primas correspondentes a 30% do consumo do item no próprio período. Por exemplo: se a produção de Alfazin de janeiro for de 154 unidades e cada unidade de Alfazin consome 2 unidades de MP X, ao final de janeiro, espera-se um estoque final de MP X igual a 93 unidades. Considere que não existe meia unidade ou parte de uma unidade, então, quando o resultado for "quebrado", arredonde para cima. Para embalagens, a política de estoques anterior da Empresa será mantida. Assim, como o fornecedor de embalagens entrega o pedido no final do período da compra, deve-se considerar que as embalagens necessárias para a produção do período seguinte devem estar em estoque final do período atual. Dessa forma, os itens de MP comprados no mês de janeiro devem corresponder a 130% da necessidade do próprio mês e os itens de embalagens a 100% da necessidade do mês seguinte. Nesse sistema de controle de estoques, a cada ingresso de insumos no almoxarifado, calcula-se o custo médio, considerando os lotes já existentes, antes da saída para produção. O mesmo processo ocorre com os produtos acabados que chegam ao depósito. A seguir, apresentam-se os preços, as formas de pagamento e as características dos insumos: Tabela 2 – Preço dos Insumos Fonte: Adaptada de SDE A Tabela 3 apresenta as quantidades e os preços dos insumos adquiridos em dezembro. O câmbio do dólar naquele mês era de R$ 3,75: Tabela 3 – Quantidade comprada e preço dos insumos (dezembro) MP X MP Y MP W MP Z Saco Lata 284 426 6.084 9.126 154 1.536 MP X MP Y MP W MP Z Saco Lata US$ 5,00 R$ 10,00 R$ 2,50 R$ 5,00 R$ 0,10 R$ 0,50 Fonte: Adaptada de SDE OR 04B – Pagamento de Compra de Matéria-Prima O Orçamento 04A tinha como papel orçar as necessidades de compras, mas essas compras não são pagas à vista. Tem uma política definida em Dados da Empresa, e esses detalhes precisam estar claros para você. Como cada item é comprado de um fornecedor diferente, eles têm políticas de pagamentos distintas. Veja a Tabela anterior. A MP X é paga 60% a vista e 40% para trinta dias. Essa é a informação-base para fazer o orçamento de pagamento de da matéria-prima X. A pergunta que deve ser respondida é: quanto deverá ser pago da matéria-prima X em janeiro? Janeiro vai pagar 40% da compra de dezembro e 60% da compra de janeiro. Logo, dezembro, conforme o Tabela anterior: MP X = 284 unidades; Preço: U$ 5,00; Total: U$ 1.420,00; Compra de Janeiro Volte ao quadro que você preencheu anteriormente, em valor total de compra de X = 7.619,00 da tabela do OR04A acima. Paga-se à vista 60%: 7.619 x 60% = 4.571,40 Então, o total que pagará em janeiro será: os 40% de dezembro (2.130) + os 60% de janeiro (4.571,40) = R$ 6.701,40. Para os meses de fevereiro e março, você deverá seguir os mesmos processos: Não se esqueça de que a meta da tarefa é fazer orçamento para o primeiro trimestre do ano. Logo, os valores que ficarão para abril não precisam ser registrados. Para as próximas MP, você deve observar as políticas específicas de cada uma: a MP Y custa R$ 13,00 cada unidade, paga-se 100% em 30 dias. O mesmo preço o mês todo. Fazendo a conversão: 1.420 x 3,75 (dólar de dezembro); Total em reais: 5.320,00; Pagou 60% em dezembro: 3.195,00; Pagará em janeiro 40%: 2.130,00. Fevereiro da MP X: pagará 40% da compra de janeiro + 60% das compras de fevereiro; Março da MP X: pagará 40% das compras de fevereiro e 60% das compras de março. Veja, no quadro anterior, que da MP Y, em dezembro, foram adquiridos 426 kg, a R$ 10,00 cada kg: 426 X 10 = R$ 4.260,00 – Valor pago em janeiro O valor pago em fevereiro será o valor comprado em janeiro. E assim por diante. Para os orçamentos da MP W, veja que o pagamento também é 100% no mês seguinte. E se deve seguir o mesmo critério da MP Y. Agora a MP Z tem como política 30% à vista e 70% no mês seguinte. Então, deverá pagar, da compra de dezembro, 70% do valor em janeiro, mais 30% da compra de janeiro. Observe os acréscimos em preço nos meses seguintes. As embalagens, tanto saco quanto lata, são pagas no mês de aquisição. Feitos os orçamentos de compras e os pagamentos de compras, outro orçamento importante é a mão de obra direta, pois é parte significativa de gastos ligados à produção. Vamos compreender os detalhes a seguir. Desenvolvendo o Orçamento de Mão de Obra Direta O Orçamento de Mão de Obra Direta objetiva verifica o valor necessário para a realização de uma dada quantidade de produção. A Mão de Obra Direta (MOD) refere-se àquela utilizada diretamente no processo de transformação dos materiais e ou componentes em produtos acabados. A MOD é considerada custo variável, pois o aumento do tempo dela está correlacionada à quantidade de produção do período, ou seja, quanto maior o tempo de MOD, maior o custo variável de produção. Faz-se necessário esclarecer que podem ocorrer casos em que o colaborador contratado como MOD desempenhe funções de Mão de Obra Indireta. No que se refere à remuneração da MOD, basta multiplicar o valor do salário por hora pelas horas de MOD trabalhadas, lembrando-se de que se faz necessário adicionar o percentual referente aos encargos (férias, décimo terceiro, FGTS, descanso semanal remunerado etc.) sobre eles. Deve-se observar, ainda, que: Importante! Para se elaborar o Orçamento de MOD, deve-se ter as informações referentes ao plano de produção do período (quantidades a produzir) e o tempo de MOD necessário para produzir uma unidade de produto, bem como o valor do salário médio por hora de MOD e seus respectivos percentuais de encargos. Tempo Total de MOD = Tempo Médio de MOD por Unidade x Quantidade a Produzir; Remuneração de MOD = Salário/Hora x Tempo Total de MOD. Vista esta base teórica, conceitual, você, como participante da operação, deve buscar, em dados da Empresa, as informações necessárias para orçar a mão de obra. Vamos à prática! Nesta etapa, são obtidas as quantidades de horas de MOD necessárias para a produção de Alfazin e de Betazon por período, e os custos totais de MOD para cada item e global. Para tanto, duas informações são fundamentais: A Contabilidade informou que, em função do processo produtivo, a maior parte da mão de obra é indireta e fixa. Isso decorre da necessidade de se manter as formulações do Alfazin e do Betazon em descanso, para que seja obtida a maior eficácia dos produtos. Entretanto, alguma mão de obra direta/variável é necessária nos processos de mistura dos insumos. Em média, pode-se considerar que 1 unidade de Alfazin consome 0,5 hora de MOD e 1 unidade do Betazon consome 0,4 hora de MOD. Esses são os coeficientes técnicos de consumo de MOD pela Empresa. Um único tipo de MOD é utilizado no processo. A base física em horas necessárias para a produção, que resulta em coeficientes técnicos do consumo de horas de MOD por unidade de produto; O custo médio da hora de MOD. O custo por hora da MOD, em dezembro, foi de R$ 10,60 e, para o primeiro trimestre, deste ano, será de R$ 10,80. Considere que esses valores da hora da mão de obra já incluem os encargos sociais. A folha de pagamento total da MOD é paga no mês seguinte e, em dezembro, os gastos com MOD foram de R$ 7.201,64. Vamos aos cálculos: Figura 14 – MOD Fonte: Reprodução Veja que o quadro é para cálculo do Alfazin, e que devemos buscar a informação da primeira linha no OR03 de produção. Quantidade a produzir – ao buscar em orçamento 3, você verá que, em janeiro, serão produzidas 154 unidades de Alfazin. E que vimos, aqui, o consumo de hora trabalho de 0,5 por unidade. Logo: 154 x 0,5 = 77 de horas necessárias para produzir 154 unidades de Alfazin. Sabemos, ainda, que cada hora custa 10,80. Logo: 77 x 10,80 = 831,60 – Este é o custo total de MOD para produzir 154 unidades de Alfazin. Com o Betazon faremos o mesmo processo. Vamos no Orçamento 03 buscar a informação da quantidade a produzir em janeiro. Você verá que serão produzidas 1536 unidades. E sabemos que cada unidade consome 0,4 horas de MOD. Logo: 1536 x 0,4 = 614,4 horas necessárias para produzir 1536 unidades de Betazon. Cada hora de MOD custa 10,80. Então: 614,4 x 10,80 = R$ 6635,52 de custo de MOD para produção de 1536 unidades de Betazon. O custo total para janeiro deve somar os custos de Alfazin com os custos de Betazon. Alfazin (831,60) + Betazon (6.635,52) = R$ 7.467,12 . Como na Figura a seguir. Figura 15 – Betazon Fonte: Reprodução O mesmo procedimento deve ser realizado nos meses seguintes. Sabemos, ainda, que MOD é uma despesa que ocorre em um mês e é desembolsada no próximo mês. Logo, em janeiro, paga-se a MOD de dezembro, em fevereiro a de janeiro, e assim vai. OR 05B – Pagamento e Mão de Obra Direta Para orçar o pagamento, deve-se buscar a informação dos gastos de MOD de dezembro e lançar em janeiro e o de janeiro, que acabamos de calcular, inserir em fevereiro. Assim, terminamos essa etapa da Unidade. Saiba que cada acerto traz uma pontuação, e essa pontuação vai compor sua nota em grupo. Trocando Ideias... Como são muitas etapas, seria interessante os componentes do grupo atuarem com divisão de tarefas. Organizem-se em dupla dentro do grupo. Cada dupla faz uma etapa, e as outras duplas conferem os cálculos. Assim, haverá função para todos e serão minimizados os erros de cálculos, inclusive de arredondamentos: quando se arredonda para cima, em que situação se o faz para baixo e quando não se faz nada. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Orçamento de Matéria-prima (Consolidação) 2 / 3 ˨ Material Complementar Orçamento de Matéria Prima (consolidação) https://www.youtube.com/watch?v=k6KspzLy3aU Orçamento de Matéria-Prima – Caso Maringá (Continuação) Leitura Orçamento Empresarial e Planejamento Estratégico Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE A Prática do Orçamento Empresarial: uma Ferramenta de Apoio à Decisão Clique no botão para conferir o conteúdo. Orçamento de Matéria Prima - Caso Maringá (continuação) https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/566563/2/eBook%20-%20Orcamento%20Empresarial%20e%20Planejamento%20Estrategico.pdf https://www.youtube.com/watch?v=yhXyMBKVb20 ACESSE https://bit.ly/3SwDOfH FREZATTI, F. Orçamento Empresarial: planejamento e controle gerencial. São Paulo: Atlas, 1999. MARTINS, E. Contabilidade de Custos (Inclui o ABC). 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. SDE – Simulador de Estratégia – Software de simulação. LDP Jogos de Empresas. Disponível em: SOBANSKI, J. J. Prática de orçamento Empresarial: um exercício programado. São Paulo: Atlas, 1994. WELSCH, G. A. Orçamento Empresarial: planejamento e controle de lucro. São Paulo: Atlas, 1994. 3 / 3 ˨ Referências