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<p>PERÍCIA JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL</p><p>1</p><p>1</p><p>Sumário</p><p>NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2</p><p>CONCEITOS ........................................................................................... 3</p><p>AÇÕES .................................................................................................... 8</p><p>DOS FATOS E DO DIREITO ................................................................... 9</p><p>PERÍCIA CONTÁBIL.............................................................................. 10</p><p>PROVAS ................................................................................................ 15</p><p>PRINCÍPIOS .......................................................................................... 17</p><p>PERITO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL ................................................ 19</p><p>DEVERES DO PERITO ......................................................................... 24</p><p>ESTUDO DE CASO ............................................................................... 28</p><p>REFERÊNCIAS ..................................................................................... 48</p><p>2</p><p>2</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de</p><p>empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de</p><p>Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como</p><p>entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.</p><p>A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a</p><p>participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua</p><p>formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,</p><p>científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o</p><p>saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.</p><p>A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma</p><p>confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base</p><p>profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições</p><p>modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,</p><p>excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.</p><p>3</p><p>3</p><p>CONCEITOS</p><p>Perito, segundo a definição da Associação dos Peritos Judiciais do</p><p>Estado de São Paulo, disponível em:, é o auxiliar da Justiça; pessoa</p><p>civil, nomeado pelo Juiz ou pelo tribunal, devidamente compromissado,</p><p>assistindo-os para realizar prova pericial consistente em exame, vistoria ou</p><p>avaliação, valendo-se de conhecimento especial, técnico ou científico. De acordo</p><p>com o Art. 156:</p><p>“§ 1o Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente</p><p>habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro</p><p>mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado.</p><p>§ 2o Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta</p><p>pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores ou em jornais</p><p>de grande circulação, além de consulta direta a universidades, a conselhos de</p><p>classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados</p><p>do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados”</p><p>A nova legislação menciona que “os peritos serão nomeados entre os</p><p>profissionais legalmente habilitados”, enquanto o CPC anterior dizia que seriam</p><p>escolhidos “dentre profissionais de nível universitário, devidamente inscritos no</p><p>órgão de classe competente”. Assim, as legislação anterior obrigava o perito a</p><p>possuir nível superior.</p><p>A redação da Lei 13.105/15, que define apenas como “profissionais</p><p>legalmente habilitados”, já não deixa, a princípio, tão clara esta obrigação.</p><p>Porém, uma leitura mais cuidadosa nos leva ao o Parágrafo 4o do Artigo 464</p><p>desta mesma lei, que diz:</p><p>“§ 4o Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação</p><p>acadêmica específica na área objeto de seu depoimento, poderá valer-se de</p><p>4</p><p>4</p><p>qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de</p><p>esclarecer os pontos controvertidos da causa.”</p><p>Dessa forma, fica subentendida a idéia de escolha entre profissionais de</p><p>nível superior, embora não especificada diretamente como na legislação</p><p>anterior, pois formação acadêmica específica poderia significar curso técnico e</p><p>não só universitário.</p><p>Vale ressaltar, porém, o Parágrafo 5º : “</p><p>§ 5o Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado</p><p>pelo tribunal, a nomeação do perito é de livre escolha pelo juiz e deverá recair</p><p>sobre profissional ou órgão técnico ou científico comprovadamente detentor do</p><p>conhecimento necessário à realização da perícia.”</p><p>Neste caso, não havendo profissionais habilitados inscritos no cadastro</p><p>da vara, o juiz poderá nomear outros profissionais como peritos, desde que</p><p>apresentem capacidade técnica para tanto.</p><p>O perito deve ser totalmente imparcial. Segundo o Art. 158 da mesma</p><p>Lei, “o perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá</p><p>pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras</p><p>perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais</p><p>sanções previstas em lei (ver abaixo), devendo o juiz comunicar o fato ao</p><p>respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis.”</p><p>A perícia é a prova elucidativa dos fatos, já a auditoria é mais revisão,</p><p>verificação, tende a ser necessidade constante repetindo-se de tempo em</p><p>tempo, com menos rigores metodológicos pois utiliza-se da amostragem.</p><p>A perícia repudia a amostragem como critério e tem caráter de</p><p>eventualidade e só trabalha com o universo completo, onde a opinião é</p><p>expressada com rigores de cem por cento de análise. Para melhor visualização,</p><p>apresentamos as principais características de auditoria e perícia:</p><p>A perícia tem em suas entranhas o status de conhecimento notório,</p><p>tratado na lei 9.457 de 5 de maio de 1997, que alterou a lei 6.404-76 no seu art.</p><p>5</p><p>5</p><p>163 parágrafo 8, que trata o profissional com o status de conhecimento notório e</p><p>necessário para apurar fatos.</p><p>No mesmo ordenamento, parágrafo 4, temos a figura contemporânea</p><p>dos auditores independentes, para esclarecimentos ou apuração de fatos</p><p>específicos, que acreditamos ser o relatório ou parecer de auditoria submetido à</p><p>apreciação do conselho fiscal.</p><p>Por isto, entendemos que a lógica do conhecimento, experiência e</p><p>carreira ou educação continuada, no sentido holístico, segue a lógica da</p><p>formação acadêmica de : primeiro contador, segundo auditor e a terceira e maior</p><p>especialização, perito, pois só é possível ser perito o profissional contador que</p><p>domina as técnicas de auditorias, de perícia e tem algum domínio do direito</p><p>tributário, bancário, comercial, financeiro, penal, administrativo, constitucional,</p><p>previdenciário, ambiental, trabalhista e processual, condição desejada para se</p><p>navegar no meio jurídico como auxiliar do juízo.</p><p>Naturalmente que este conhecimento também é bom para o auditor, mas</p><p>se exige com mais propriedade do perito, por ser este junto com o juiz o provedor</p><p>do equilíbrio da Justiça.</p><p>O status do perito, também é elevado para categoria de cientista, por</p><p>força do CPC art. art. 145 que trata do perito como sendo um cientista para</p><p>assistir o juízo em matérias de ciência e tecnologia.</p><p>A auditoria, também ramo da mesma árvore, contabilidade, tem como</p><p>seu destaque, as revisões de procedimentos relativos às atividades de interesse</p><p>da CVM, pois a lei 6.385-76, art.. 26 e 27, trata do assunto, enfatizando o registro</p><p>do profissional</p><p>legalidade e imparcialidade às instituições,</p><p>no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública</p><p>direta, indireta ou fundacional.</p><p>44</p><p>44</p><p>Presentes em processos referentes a responsabilidade de prefeitos e</p><p>demais agentes públicos, principalmente no que diz respeito à enriquecimento</p><p>ilícito.</p><p>Na Figura 5 - Gráfico 1 são apresentadas as informações relevantes ao</p><p>percentual de incidência de cada uma das ilegalidades observadas nas perícias</p><p>analisadas.</p><p>Figura 5</p><p>Dentre os cinco (5) crimes apontados, a apropriação indébita teve um</p><p>maior número de ocorrências, sendo responsável por 49% das citações –</p><p>condizendo com o dado apontado pelo perito criminal entrevistado, o qual</p><p>destacou que, dentre as perícias criminais contábeis já realizadas, a apropriação</p><p>indébita liderava as estatísticas de ilegalidades analisadas. Em segundo lugar</p><p>aparece o crime de peculato (23%) e, em terceiro, os crimes de improbidade</p><p>administrativa e superfaturamento (10%) cada.</p><p>A partir de tal, observa-se que, diante da perspectiva do perito, as pericias</p><p>mais difíceis de elaborar foram as de superfaturamento. O perito ressaltou,</p><p>45</p><p>45</p><p>ainda, que as ilegalidades de apropriação indébita são as mais requisitadas e</p><p>que o setor de Contabilidade Forense é o que consome maior tempo e</p><p>dificuldade na emissão dos laudos, pois apresenta um vasto material documental</p><p>a ser analisado.</p><p>Buscou-se, a partir desses dados, caracterizar a punição prevista para</p><p>cada uma dessas ilegalidades, conforme exposto na Figura 5 (Tabela 2).</p><p>Figura 5</p><p>Quando da violação de um bem jurídico, tem-se o Estado como um papel</p><p>de administrador de Justiça, exercendo como principal função, a aplicação à</p><p>figura do réu, ou seja, o violador dos direitos, determinadas penalidades</p><p>previstas na lei brasileira.</p><p>Como apresentado na Tabela 2, é possível reparar que a maioria dos</p><p>crimes incluem penas de reclusão, os quais são previstos pelo Código Penal, no</p><p>seu artigo 33, como punições a serem cumpridas em regime fechado, semiaberto</p><p>ou aberto.</p><p>No que diz respeito às entidades originárias das perícias, o estudo apurou</p><p>32 entidades privadas e 19 entidades públicas, de acordo com a Figura 6 (Tabela</p><p>3).</p><p>46</p><p>46</p><p>Figura 6</p><p>Observa-se um grande impacto das entidades privadas nas demandas</p><p>periciais, sendo responsáveis por 62,75% dos totais de 51 pedidos feitos e as</p><p>entidades privadas com 37,25%. As entidades públicas são as que exercem suas</p><p>atividades pelo direito público e integram a estrutura constitucional do Estado e</p><p>tem poder político e administrativo, compostas por entes públicos, cooperativas,</p><p>sindicatos, organizações sem fins lucrativos etc. Entende-se por empresa de</p><p>iniciativa privada aquelas cujos proprietários detêm personalidade jurídica e que,</p><p>além de exercer suas atividades econômicas, visam lucro.</p><p>No que diz respeito ao tempo médio de realização das perícias, o cálculo</p><p>de tempo das 51 perícias e 37 laudos foi realizado por meio da média aritmética</p><p>do tempo demandado entre o recebimento da perícia e a entrega do laudo. O</p><p>tempo médio estimado para a entrega dos laudos, no período analisado, foi de</p><p>dois anos. O perito oficial, em entrevista aos pesquisadores, justifica esse tempo</p><p>devido à falta de pessoal para realização dos trabalhos e à complexidade das</p><p>perícias. Além disso, o perito oficial deve atender às demandas de plantões na</p><p>realização de exames periciais em locais de infração penal e coletar os vestígios</p><p>produzidos e deixados na prática de delitos e proceder pesquisas de interesse</p><p>do serviço, coletar dados e informações necessários, o que somado ao vasto</p><p>quadro de pessoal habilitado, aumenta ainda mais a demora nas expedições dos</p><p>laudos periciais contábeis.</p><p>4 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A perícia é um meio de prova, pelo qual se examinam e verificam fatos da</p><p>causa. A área da perícia Contábil é resultado das atividades feitas por diversos</p><p>conhecimentos e se utiliza de várias ferramentas para ter condições de oferecer</p><p>47</p><p>47</p><p>informações e provas úteis na tomada de decisões de processos que ocorrem</p><p>em segredo de justiça.</p><p>De acordo as análises de pesquisa documental dos laudos periciais</p><p>contábeis emitidos pela criminalística do Instituto Geral de Pericias, conclui-se</p><p>que as ilegalidades apuradas na pesquisa consistem em apropriação indébita,</p><p>peculato, improbidade administrativa, sonegação fiscal e superfaturamento.</p><p>Dentre os quais, destaca-se a apropriação indébita como a ilegalidade com maior</p><p>incidência nos dados observados, seguida do crime de peculato. A maior</p><p>representatividade de perícias criminais contábeis ocorreu, no período, nas</p><p>cidades de Florianópolis e Blumenau.</p><p>Os dados apresentados sinalizam o descaso do Estado de Santa Catarina</p><p>diante o baixo quadro de funcionários públicos para o cargo, tendo apenas um</p><p>profissional habilitado para a demanda, motivo pelo qual se tem um tempo médio</p><p>de dois anos para expedir cada laudo, acarretando até um aumento nos gastos</p><p>durante os processos judiciais devido à demora.</p><p>O princípio da entidade, tão importante para a contabilidade, mostrou-se</p><p>desconhecido para inúmeros funcionários públicos, dada a apropriação do</p><p>público para o seu, misturando aquilo que é do ente com aquilo que é de</p><p>propriedade pessoal – e, mais que isso, tornando aquilo que é público, pessoal.</p><p>A continuidade da pesquisa, no entanto, permite que sejam analisados esses</p><p>comportamentos para longo prazo, indicando se há melhoria ou aumento nas</p><p>incidências.</p><p>Sugestões para pesquisas futuras consistem em aprofundar os estudos</p><p>na área das pesquisas criminais contábeis, permitindo que sejam criadas</p><p>estatísticas acerca desse tipo de dado, que é relevante para a sociedade.</p><p>_______________________________________________________________</p><p>Disponível em:. Acessado em 07 de dezembro de 2021.</p><p>file:///C:/Users/FACUMINAS/Downloads/1555-5618-2-PB%20(1).pdf</p><p>file:///C:/Users/FACUMINAS/Downloads/1555-5618-2-PB%20(1).pdf</p><p>48</p><p>48</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>KANITZ, Stephen Charles. Controladoria: teoria e estudo de casos. São Paulo:</p><p>Pioneira, 1976.</p><p>LAJOSO, P. Guilherme. A importância da Auditoria Interna para a Gestão de</p><p>Topo. Revista de Auditoria Interna, Nº 19, Janeiro-Março, pp. 10-12, 2005.</p><p>MARTIN, Nilton Cano. Da contabilidade à controladoria: a evolução necessária.</p><p>Revista Contabilidade e Finanças. São Paulo: Departamento de Contabilidade</p><p>e Atuária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da</p><p>Universidade de São Paulo, n. 28, ano XIII, p. 7-28, Jan./Abr. 2002.</p><p>MORAIS, Maria Georgina da C. Tamborino. A Importância da Auditoria Interna</p><p>para a Gestão: Caso das Empresas Portuguesas. In: 18º Congresso Brasileiro</p><p>de Contabilidade. Gramado, 2008. Anais.</p><p>MOSSIMANN, Clara Pellegrinello e FISCH, Sílvio. Controladoria: seu Papel na</p><p>Administração de Empresas. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 1999.</p><p>NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE. NBC T 12 – Da Auditoria</p><p>Interna, 2003. Disponível em:.Acesso em: 06 de janeiro de 2020.</p><p>OLIVEIRA, Luís Martins de, DINIZ FILHO, André. Curso básico de auditoria. São</p><p>Paulo: Atlas, 2001. PADOVEZE, CLOVES LUÍS. Controladoria Básica. São</p><p>Paulo: Pioneira Thomson, 2004.</p><p>REGO, Fernando Cunha. A natureza da auditoria interna e as questões</p><p>subjacentes à extensão do seu âmbito. Revista de Auditoria Interna, nº 6, Jan-</p><p>Março, pp. 19-20, 2001.</p><p>ROEHL-ANDERSON, Janice M; BRAGG, Steven M. The controller’s function:</p><p>the work of the managerial accountant. 2 ed. Wiley, 2000.</p><p>ROZO, José Danúbio. Controle interno como variável explicativa</p><p>do sucesso</p><p>empresarial. In: SEMINÁRIO USP DE CONTABILIDADE, 2, 2002, São Paulo.</p><p>Anais… CD-ROM.</p><p>na CVM que está normalizando as condições que considera</p><p>ideais para conceder o registro.</p><p>Naturalmente é importante frisarmos que este registro da CVM só é</p><p>obrigatório quando a empresa auditada está entre aquelas relacionadas na lei,</p><p>ficando fora as auditorias de empresas que não estejam negociando ações na</p><p>bolsa e que não estejam operando com valores mobiliários, como exemplo uma</p><p>montadora de veículos automotores, de capital fechado.</p><p>6</p><p>6</p><p>São duas atividades ótimas. Recomendamos estágios nas duas áreas</p><p>antes de decidir a carreira. Acreditamos que seguir as duas simultaneamente é</p><p>muito difícil, não impossível, pois ambas requerem estudos continuados e</p><p>pesquisas cientificas. As duas bradam por constantes e eternas reciclagens.</p><p>Para uma melhor visualização, apresentamos as principais</p><p>características de auditoria e perícia na tabela abaixo.</p><p>Figura 1: Tabela 1. Quadro Comparativo Entre Auditoria E Perícia Contábil</p><p>Itens P E R Í C I A A U D I T O R I A</p><p>1 Executada somente</p><p>por pessoa física,</p><p>profissional de nível</p><p>universitário (CPC, art. 145).</p><p>Pode ser executada tanto</p><p>por pessoa física quanto por</p><p>jurídica.</p><p>2 A perícia serve a</p><p>uma época, questionamento</p><p>específico, por exemplo</p><p>apuração de haveres na</p><p>dissolução de sociedade.</p><p>Tende à necessidade</p><p>constante, como exemplo: auditoria</p><p>de balanço, repetindo-se</p><p>anualmente.</p><p>3 A perícia se prende</p><p>ao caráter científico de uma</p><p>prova com o objetivo de</p><p>esclarecer controvérsias.</p><p>Auditoria se prende à</p><p>continuidade de uma gestão;</p><p>parecer sobre atos e fatos</p><p>contábeis.</p><p>4 É específica, restrita</p><p>aos quesitos e pontos</p><p>controvertidos,</p><p>especificados pelo condutor</p><p>judicial.</p><p>Pode ser específica ou não;</p><p>exemplo: auditoria de Recursos</p><p>Humanos, ou em toda empresa.</p><p>5 Sua análise é</p><p>irrestrita e abrangente.</p><p>Feita por amostragem.</p><p>7</p><p>7</p><p>6 As normas técnicas</p><p>são:</p><p>para empresários, gestores e profissionais de contabilidade. Nesse</p><p>artigo, abordaremos mais detalhes sobre essa importante questão.</p><p>O que é perícia contábil?</p><p>De acordo com a Norma Brasileira de Contabilidade, perícia contábil é o</p><p>conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinado a levar à instância</p><p>https://blog.sage.com.br/fusao-ou-aquisicao-merge-and-acquisition/</p><p>http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/01/Per%C3%ADcia_Cont%C3%A1bil.pdf</p><p>11</p><p>11</p><p>decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio,</p><p>mediante laudo pericial contábil, e ou parecer pericial contábil, em conformidade</p><p>com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for</p><p>pertinente.</p><p>Em outras palavras, trata-se de um instrumento que visa criar os</p><p>elementos comprobatórios necessários para que uma empresa apresente, em</p><p>vias judiciais ou extrajudiciais, provas de que um fato ocorreu (ou não),</p><p>averiguando-se se há ou não desrespeito à legislação vigente.</p><p>Para que seja feita essa averiguação, os procedimentos devem ser</p><p>conduzidos por um perito contábil, profissional que precisa estar habilitado junto</p><p>ao Conselho Regional de Contabilidade. São etapas do processo de verificação</p><p>documental o exame, a vistoria, a indagação, a investigação, o arbitramento, a</p><p>avaliação e a certificação.</p><p>Quais os tipos de perícia contábil existentes?</p><p>Basicamente, as perícias contábeis podem ser divididas em dois tipos:</p><p>as judiciais e as extrajudiciais. Vamos compreender um pouco mais sobre cada</p><p>uma delas e quais são as particularidades que se aplicam em cada um dos</p><p>casos.</p><p>A perícia contábil judicial é aquela solicitada por um juiz. Ela é indicada</p><p>para casos em que é necessário um laudo especializado, elaborado de forma</p><p>isenta, para a resolução de uma questão jurídica. Nessas circunstâncias, o perito</p><p>contábil é responsável por fazer uma análise e emitir um parecer. Essas</p><p>informações são anexadas ao processo e ajudam o juiz a tomar as suas</p><p>decisões.</p><p>Se o perito contábil é um elemento neutro, as partes têm como</p><p>prerrogativa a indicação de um assistente técnico, que também fornece um</p><p>parecer após o laudo pericial. Assim, são garantidas a lisura e a segurança das</p><p>informações, permitindo que a análise do magistrado seja feita sem nenhum viés.</p><p>Já a perícia contábil extrajudicial, como o nome indica, é aquela que é</p><p>realizada sem que haja um pedido de um juiz ou, ainda, sem que exista um</p><p>12</p><p>12</p><p>processo em andamento no judiciário. Ela pode ser subdividida em três tipos:</p><p>perícia arbitral, perícia no âmbito estatal e perícia voluntária.</p><p>Na perícia arbitral, os objetos de análise são definidos por meio da lei de</p><p>arbitragem. Isso significa que as partes podem, em comum acordo, definir que</p><p>uma questão seja arbitrada e, cabe ao árbitro em questão, determinar a</p><p>necessidade de uma perícia. Deve haver concordância entre as partes na</p><p>escolha de um perito independente.</p><p>Já a perícia no âmbito estatal é aquela executada sob o controle dos</p><p>órgãos do Estado. Isso inclui as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs),</p><p>as perícias criminais e aquelas conduzidas pelo Ministério Público da União</p><p>(MPU).</p><p>Por fim, temos ainda as perícias voluntárias. Elas são contratadas por</p><p>uma empresa ou por um conjunto de empresas interessadas em comum acordo.</p><p>Nesse caso, não é necessário que haja uma disputa entre elas.</p><p>Uma empresa que tenha interesse em adquirir outra, por exemplo,</p><p>poderá, em algum momento, solicitar que seja feita uma perícia contábil sobre</p><p>certos documentos de forma a comprovar uma determinada informação.</p><p>Quem pode fazer uma perícia contábil?</p><p>Como já mencionamos, a perícia contábil é uma atribuição exclusiva</p><p>do profissional de contabilidade. Mesmo graduado e habilitado, é fundamental</p><p>que a sua documentação esteja em situação regular junto ao Conselho Regional</p><p>de Contabilidade de determinada jurisdição.</p><p>Na função de perito, o contador deve se manter atualizado sobre as</p><p>Normas Brasileiras de Contabilidade e estar apto a empregar as técnicas</p><p>contábeis que forem necessárias de forma a atestar a veracidade (ou não) de</p><p>determinadas informações.</p><p>Tanto o perito-contador e o perito-contador assistente, em ações</p><p>judiciais, devem comprovar sua habilitação profissional mediante apresentação</p><p>https://blog.sage.com.br/beneficios-de-ter-um-contador/</p><p>13</p><p>13</p><p>de certidão específica, emitida por Conselho Regional de Contabilidade, na</p><p>forma regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade.</p><p>Por suas características similares, muitas pessoas confundem perícia</p><p>com auditoria. Porém, há uma diferença fundamental entre ambas: as auditorias</p><p>operam sob amostragem, ou seja, não há a necessidade de se analisar todos os</p><p>elementos até que se chegue a uma conclusão. Além disso, a perícia concentra-</p><p>se sob um determinado ato, e não sobre o todo.</p><p>As normas de perícias contábeis são reguladas pela Norma Brasileira de</p><p>Contabilidade (NBC TP 01), de 27 de fevereiro de 2015. Nesse texto, são</p><p>relatados os conceitos, as normas de execução, os procedimentos e o</p><p>planejamento necessários para esse tipo de trabalho.</p><p>Os profissionais devem ficar atentos ainda aos termos de diligência, às</p><p>regras dos laudos e pareceres periciais contábeis bem como as modelos de</p><p>comunicação a serem adotados de forma a se criar uma padronização na</p><p>exposição dos esclarecimentos.</p><p>Ferramentas de gestão facilitam a comprovação em perícias</p><p>Por fim, ressaltamos ainda que o uso de ferramentas de gestão</p><p>contábil é de suma importância para os profissionais envolvidos. Além de</p><p>facilitarem o acesso aos dados a serem analisados, os softwares organizam a</p><p>informação, permitindo que se tenha mais agilidade no trabalho.</p><p>A recomendação, portanto, é que nenhuma empresa,</p><p>independentemente do seu tamanho, deixe de lado as possibilidades que a</p><p>adoção de sistemas de gestão contábil trazem para o negócio. Sem sombra de</p><p>dúvidas, esse é um passo fundamental para demonstrar a credibilidade e a</p><p>idoneidade do seu registro financeiro.</p><p>Quem pode realizar perícias contábeis?</p><p>A realização de perícias contábeis (judiciais, arbitrais e extrajudiciais)</p><p>constitui atribuição privativa dos bacharéis em Ciências Contábeis com registro</p><p>http://www.normaslegais.com.br/legislacao/nbc-tp-01-2015.htm</p><p>http://www.normaslegais.com.br/legislacao/nbc-tp-01-2015.htm</p><p>https://www.sage.com/pt-br/solucoes</p><p>https://www.sage.com/pt-br/solucoes</p><p>14</p><p>14</p><p>ativo no CRC na categoria de contador. A função de assistente técnico também</p><p>é prerrogativa exclusiva de contadores.</p><p>Cabe à Fiscalização do CRCSP verificar se os contadores estão</p><p>procedendo regularmente conforme os preceitos das Normas de Perícia na</p><p>elaboração de seus laudos e pareceres e coibir a atuação de não habilitados e</p><p>técnicos em contabilidade neste segmento específico da profissão contábil,</p><p>tomando as medidas cabíveis quando da constatação da irregularidade.</p><p>Qual a regulamentação específica que norteia o trabalho do</p><p>profissional que atua em função pericial?</p><p>Para elaborar trabalhos de natureza pericial, o profissional deve seguir</p><p>o que está estabelecido nas Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TP 01</p><p>referente ao trabalho técnico elaborado e NBC PP 01 referente à atuação do</p><p>profissional.</p><p>Laudos periciais contábeis e pareceres periciais contábeis devem</p><p>ter Certidão de Regularidade Profissional (CRP)?</p><p>Desde 27 de fevereiro de 2015 é obrigatória anexar aos trabalhos a</p><p>certidão de regularidade ao assinar trabalhos de natureza pericial, seja perícia</p><p>judicial, extrajudicial ou arbitral, de acordo com os itens 7 e 8 da NBC PP 01 e</p><p>item 65, alínea "j" da NBC TP 01.</p><p>Existe alguma Certidão especial para habilitação do Perito Judicial</p><p>nos Fóruns?</p><p>O CRCSP expede a certidão para habilitação</p><p>dos peritos nos Fóruns do</p><p>Estado de São Paulo. Esta certidão é expedida pelo Departamento de Registro</p><p>e as informações completas do procedimento podem ser consultadas no portal</p><p>do CRCSP.</p><p>Qual o objetivo do Cadastro Nacional de Peritos Contábeis?</p><p>O Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do Conselho Federal</p><p>de Contabilidade (CFC), criado pela Resolução CFC n.º 1.502/2016 e alterada</p><p>pela Resolução CFC n.º 1.513/2016 e 1.519/2017, tem o objetivo de oferecer ao</p><p>15</p><p>15</p><p>Judiciário e à sociedade uma lista de profissionais que atuam como peritos</p><p>contábeis, permitindo ao Sistema CFC/CRCs identificá-los com o intuito de dar</p><p>maior celeridade à ação do Poder Judiciário, uma vez que se poderá conhecer</p><p>geograficamente e, também, por especialidade a disponibilidade desses</p><p>profissionais.</p><p>O CNPC se justifica tendo em vista o novo Código de Processo Civil</p><p>Brasileiro (CPC), que entrou em vigor no dia 18 de março de 2016, determinando</p><p>que os juízes sejam assistidos por peritos quando a prova do fato depender de</p><p>conhecimento específico e que os tribunais consultem os conselhos de classe</p><p>para formar um cadastro desses profissionais.</p><p>Como ingressar no CNPC?</p><p>O ingresso no CNPC para os profissionais com experiência ou não</p><p>estará condicionado à aprovação prévia em Exame de Qualificação Técnica</p><p>(EQT) para perito contábil, regulamentado pela NBC PP 02, que tem por objetivo</p><p>aferir o nível de conhecimento e a competência técnico-profissional necessário</p><p>ao contador que pretende atuar na atividade de perícia contábil.</p><p>Aos contadores inscritos no CNPC é obrigatório o cumprimento do PEPC</p><p>(Programa de Educação Profissional Continuada) nos termos da NBC PG 12</p><p>(R3).</p><p>PROVAS</p><p>Como vimos, os fatos, exceto os já citados no Art. 374 da Lei nº</p><p>13.105/15, necessitam de provas, e o Art. 369 da mesma lei assim especifica:</p><p>“As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os</p><p>moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a</p><p>verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na</p><p>convicção do juiz.”</p><p>16</p><p>16</p><p>Tal artigo concorda com o Inciso LVI do Artigo 5o da Constituição</p><p>Federal de 1988, que declara serem inadmissíveis provas obtidas por meios</p><p>ilegítimos:</p><p>“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer</p><p>natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a</p><p>inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à</p><p>propriedade, nos termos seguintes:</p><p>LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios</p><p>ilícitos;”</p><p>As provas legais mais importantes são:</p><p>• Depoimento das partes</p><p>• Confissão</p><p>• Documentos</p><p>• Perícia</p><p>• Testemunhas</p><p>Em que consiste a prova pericial, que é o objeto de trabalho do perito e</p><p>do assistente técnico? Segundo o Art. 464 da Lei nº 13.105/15, “a prova pericial</p><p>consiste em exame, vistoria ou avaliação.”</p><p>• Exame pericial é a inspeção, pelo perito, de pessoas, animais, bens,</p><p>para verificação de fatos ou circunstâncias que interessam à causa.</p><p>• Vistoria é a constatação de um fato mediante exame circunstanciado e</p><p>descrição minuciosa dos elementos que o constituem, sem indagação das</p><p>causas que o motivaram.</p><p>• Avaliação é a atividade que envolve determinação técnica do valor</p><p>quantitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento.</p><p>A perícia trata de fatos que dependem de conhecimentos técnicos ou científicos,</p><p>sendo demorada e dispendiosa.</p><p>17</p><p>17</p><p>Dessa forma, o juiz somente autoriza a perícia se for realmente</p><p>necessário. Ou, conforme o Parágrafo 1o do mesmo</p><p>Artigo: “§ 1o O juiz indeferirá a perícia quando:</p><p>I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico;</p><p>II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas;</p><p>III - a verificação for impraticável.”</p><p>PRINCÍPIOS</p><p>De acordo com Heckert e Wilson (apud SANTOS, 2012), os princípios</p><p>que norteiam as funções do controller se resumem às características</p><p>profissionais que contribuem para melhor execução das atividades de maneira</p><p>eficiente e eficaz.</p><p>Iniciativa</p><p>Prenuncia situações que ocasionem problemas no campo da gestão</p><p>econômica global e provisionar informações que afetam diretamente a área</p><p>administrativa.</p><p>Visão econômica</p><p>Serve para assessorar outros gestores, tendo visão dos feitos</p><p>econômicos de atividades de qualquer área, estudando e assimilando métodos</p><p>utilizados no desempenho de atividades, sugerindo propostas que alterem de</p><p>forma positiva o resultado econômico.</p><p>Comunicação</p><p>racional Objetiva viabilizar informação às áreas, transmitindo uma</p><p>linguagem com- preensível a todos os setores, simples, objetiva e direta,</p><p>possibilitando assim, a minimização da dificuldade do trabalho e a interpretação.</p><p>Síntese</p><p>18</p><p>18</p><p>Traduz fatos e estatísticas de forma mais dinâmica, seja em gráficos de</p><p>tendências ou em índices, visando comparar o planejado com o resultado dos</p><p>períodos anteriores.</p><p>Visão de Futuro</p><p>Analisa o desempenho dos períodos passados visando executar</p><p>alterações a partir deles, exercendo ações que proporcionem melhor</p><p>performance no futuro.</p><p>Oportunidade</p><p>Este princípio viabiliza informações aos administradores das áreas, em</p><p>tempo competente para mudanças nos planos padrões, a partir de alterações no</p><p>âmbito coletivo, que seja cooperativo para as áreas distintas e favoreçam o</p><p>ambiente geral.</p><p>Persistência</p><p>Conduz os resultados das áreas adjuntas dos seus estudos para fazer</p><p>as interpretações que exigem ações para otimizar o desempenho econômico</p><p>geral.</p><p>Cooperação</p><p>Auxilia os demais setores contribuindo para a otimização dos pontos</p><p>fracos, sem limitar-se apenas para criticá-los, mas para melhorá-los.</p><p>Imparcialidade</p><p>Este princípio oferece informações à administração geral sobre os</p><p>resultados do desempenho econômico de todas as áreas, mesmo quando</p><p>apontam sinais de ineficiência dos administradores. Há possibilidade de</p><p>dificuldade no relacionamento interpessoal. Mas, aspirando o controle</p><p>organizacional mesmo diante de opiniões pessoais, visa sempre a otimização do</p><p>resultado econômico, independente de qualquer fato ou situação.</p><p>Persuasão</p><p>19</p><p>19</p><p>Resumido na ação e habilidade de convencer os administradores da</p><p>validade de suas opiniões, compreendendo os desempenhos de forma global.</p><p>Consciência das limitações</p><p>Ter ciência da responsabilidade de assessorar os administradores com</p><p>informações de gestão econômica para a eficácia corporativa, que tem pouca</p><p>influência em questões de estilos gerenciais.</p><p>Cultura geral</p><p>Ter conhecimento sobre as diferentes culturas, entre raças e nações,</p><p>questões sociais e econômicas de países e blocos econômicos é importante para</p><p>a manu- tenção e planejamento do meio em que está inserido, tornando-se</p><p>relevante no contexto.</p><p>Liderança Influenciar e comandar pessoas de maneira correta,</p><p>motivando os subordinados para atividades mais eficientes.</p><p>Ética</p><p>Uma das principais a ser destacada, pois é ter conduta profissional</p><p>voltada pautada em valores morais aceitos.</p><p>PERITO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL</p><p>A nomeação do perito ocorre quando o juiz pedir às partes que</p><p>especifiquem quais provas pretendem produzir. Há casos em que o juiz nomeará</p><p>de imediato um perito, como no caso da Lei das Desapropriações (Decreto-Lei</p><p>3.365, de 1941 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3365.htm):</p><p>“Art. 14. Ao despachar a inicial, o juiz designará um perito de sua livre</p><p>escolha, sempre que possível, técnico, para proceder à avaliação dos bens.</p><p>Parágrafo Único. O autor e o réu poderão indicar assistente técnico do</p><p>perito.” Conforme já mencionado, o juiz escolherá, conforme</p><p>o Art. 156 da Lei</p><p>20</p><p>20</p><p>13.105/15, profissionais devidamente cadastrados no tribunal em que o juiz está</p><p>vinculado. Interessante mencionar que o Parágrafo Segundo deste mesmo</p><p>arquivo menciona como deve ser feito este cadastro:</p><p>“§ 2o Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta</p><p>pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores ou em jornais</p><p>de grande circulação, além de consulta direta a universidades, a conselhos de</p><p>classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados</p><p>do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados.”</p><p>Assim, o perito deverá responder às consultas públicas deixando nas</p><p>varas currículo ou mesmo um laudo, demonstrando a boa qualidade de seu</p><p>trabalho, além de perícias realizadas em outras varas.</p><p>Em especial aos profissionais da área imobiliária, ressalta-se a</p><p>importância do registro do perito avaliador no CNAI (Cadastro Nacional dos</p><p>Avaliadores Imobiliários), pertencente ao COFECI (Conselho Federal dos</p><p>Corretos de Imóveis), que será certamente um dos conselhos de classe</p><p>consultados.</p><p>Conforme o Art. 466 da mesma lei, “o perito cumprirá escrupulosamente</p><p>o encargo que lhe foi cometido, independentemente de termo de compromisso.”</p><p>Em outras palavras: deve executar de maneira mais sóbria e imparcial possível</p><p>a sua missão.</p><p>“ § 1o Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão</p><p>sujeitos a impedimento ou suspeição” - podem, por exemplo, ser parentes ou</p><p>amigos das partes; o perito deve ser totalmente desconhecido dos sujeitos do</p><p>processo.</p><p>“§ 2o O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o</p><p>acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia</p><p>comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco)</p><p>dias”. - ou seja, o perito não pode impedir os assistentes técnicos de acompanhar</p><p>sua perícia; aliás, deve comunicá-los do fato.</p><p>21</p><p>21</p><p>Seus direitos, sem os quais não poderia exercer o cargo, são: • Escusar-</p><p>se do cargo</p><p>• Pedir prorrogação de prazos • Recorrer a diversas fontes de</p><p>informações</p><p>• Receber remuneração De acordo com o art. do CPC 2015 mostrado</p><p>abaixo, há situações em que o perito pode escusar-se ou ser recusado: "Art. 467</p><p>O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento ou</p><p>suspeição. Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente</p><p>a impugnação, nomeará novo perito.”</p><p>Impedimento</p><p>Impedimento constitui uma proibição de trabalhar nas causas em que</p><p>ocorrem as circunstancias mencionadas no Art. 144 do CPC 2015:</p><p>“Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas</p><p>funções no processo:</p><p>I – em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito,</p><p>funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como</p><p>testemunha;</p><p>II – de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido</p><p>decisão;</p><p>III – quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado</p><p>ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer</p><p>parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,</p><p>inclusive;</p><p>IV – quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou</p><p>companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até</p><p>o terceiro grau, inclusive;</p><p>V – quando for sócio ou membro de direção ou de administração de</p><p>pessoa jurídica parte no processo;</p><p>22</p><p>22</p><p>VI – quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de</p><p>qualquer das partes;</p><p>VII – em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha</p><p>relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;</p><p>VIII – em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu</p><p>cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou</p><p>colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de</p><p>outro escritório;</p><p>IX – quando promover ação contra a parte ou seu advogado.” Aplicam-</p><p>se os motivos de impedimento e suspeição não somente aos Juízes, mas</p><p>também aos membros do Ministério Publico, auxiliares de justiça e aos demais</p><p>sujeitos imparciais do processo, incluído aí o perito (Art. 148, Inciso I, II e III do</p><p>CPC 2015).</p><p>Suspeição</p><p>É a situação, mencionada em lei, que impede os Juízes, promotores,</p><p>advogados ou qualquer outro auxiliar de justiça de trabalhar em determinado</p><p>processo se houver dúvida quanto a imparcialidade e independência com que</p><p>devem atuar. As situações são as mencionadas no artigo 145 do CPC 2015. “</p><p>Art. 145 Há suspeição do juiz:</p><p>I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus</p><p>advogados;</p><p>II – que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa</p><p>antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes</p><p>acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas</p><p>do litígio;</p><p>III – quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu</p><p>cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau,</p><p>inclusive;</p><p>23</p><p>23</p><p>IV – interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das</p><p>partes”. Observem uma diferença importante entre as duas situações</p><p>(impedimento e suspeição): o perito pode recusar espontaneamente alegando</p><p>os impedimentos do</p><p>Art. 144 do CPC do 2015, ou, o que seria extremamente constrangedor,</p><p>uma das partes entraria com pedido de sua suspeição, conforme os artigos 145</p><p>e 148. 13.4 Direito de pedir prorrogação do prazo</p><p>Observe o que diz o artigo 476 do CPC do 2015: “Se o perito, por motivo</p><p>justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz poderá</p><p>conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente</p><p>fixado”.</p><p>Direito a recorrer a diversas fontes de informações</p><p>Conforme diz o § 3o do artigo 473 do CPC 2015, o perito pode recorrer</p><p>a várias fontes de informação: “§ 3o Para o desempenho de sua função, o perito</p><p>e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários,</p><p>ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que</p><p>estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como</p><p>instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros</p><p>elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia” . 13.6 Direito a</p><p>receber remuneração Este direito está assegurado pelo Art. 465 do CPC 2015,</p><p>transcrito abaixo:</p><p>“§ 2o Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias: I –</p><p>proposta de honorários;</p><p>§ 3o As partes serão intimadas da proposta de honorários para,</p><p>querendo, manifestarse no prazo comum de 5 (cinco) dias, após o que o juiz</p><p>arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95”.</p><p>24</p><p>24</p><p>DEVERES DO PERITO</p><p>• Aceitar o cargo: ressalvadas as hipóteses de impedimento, conforme</p><p>o Art.378 do CPC 2015, “Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder</p><p>Judiciário para o descobrimento da verdade”</p><p>• Servir: conforme o art. 466 do CPC 2015, “o perito cumprirá</p><p>escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independentemente de termo</p><p>de compromisso.”</p><p>• Respeitar prazos informados anteriormente</p><p>• Comparecer às audiências conforme Art. 477 do CPC 2015, “§ 3o : Se</p><p>ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que</p><p>mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de</p><p>instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de</p><p>quesitos”.</p><p>• Dever de lealdade: de acordo com Art. 158 do CPC 2015 “O perito que,</p><p>por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos</p><p>que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de</p><p>2 (dois)</p><p>a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em</p><p>lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção</p><p>das medidas que entender cabíveis”.</p><p>Conforme vimos nesta apostila, é importante para o Perito conhecer a</p><p>legislação envolvida e estar também atualizado. Também deve compreender</p><p>com detalhes o que é uma perícia e como realizá-la, bem como conhecer seus</p><p>deveres e direitos; o mesmo vale para o Assistente Técnico.</p><p>As provas levantadas na perícia reforçarão a convicção do juiz. Na</p><p>convicção que formar o juiz, assentará a sentença.</p><p>Desse modo, a importância da prova e da sua análise pelas partes e pelo</p><p>juiz é fundamental para que o processo possa cumprir os seus fins.</p><p>25</p><p>25</p><p>26</p><p>26</p><p>Figura 2: Diferença entre Perícia Judicial e Extrajudicial</p><p>27</p><p>27</p><p>28</p><p>28</p><p>ESTUDO DE CASO</p><p>FRAUDES E PERÍCIA CRIMINAL CONTÁBIL: ANÁLISE DOS LAUDOS</p><p>PERICIAIS DE SANTA CATARINA</p><p>AUTORES: Bruna Benita Sanchez Lopez Weber1</p><p>Leonardo Flach2</p><p>Nathália Laffin3</p><p>RESUMO</p><p>A perícia é um relevante meio de prova para a solução de controvérsias relativas</p><p>ao crime organizado, sendo uma função essencial à justiça. Esta pesquisa tem</p><p>por objetivo geral analisar os processos judiciais criminais e as perícias</p><p>realizadas no setor da Contabilidade Forense do Instituto Geral de Perícias de</p><p>Santa Catarina (IGP-SC). Para isso, utilizou-se um mix de métodos qualitativos</p><p>e quantitativos. Na primeira etapa, realizou-se a etapa qualitativa de entrevista</p><p>com o perito criminal e estudo de caso no Instituto Geral de Perícias de Santa</p><p>Catarina (IGP-SC). Na segunda etapa da pesquisa, foram analisados</p><p>estatisticamente os dados de todas as incidências criminais relacionadas à área</p><p>contábil submetidas à perícia no supracitado Instituto, no período entre os anos</p><p>de 2012 a 2017. Os resultados do estudo apontam para uma maior incidência de</p><p>crimes de apropriação indébita, com um percentual de 49% sobre o total de</p><p>perícias realizadas, seguido do crime de peculato, com a taxa de 23% e do crime</p><p>de desvio de improbidade Administrativa (frequência relativa de 10%) e</p><p>Superfaturamento (frequência relativa de 10%).</p><p>Palavras-chave: Perícia. Fraude. Perícia contábil</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A contabilidade, desde sempre, tem contribuído nos estudos, interpretações</p><p>e registros dos acontecimentos que afetam o patrimônio de uma organização,</p><p>29</p><p>29</p><p>sendo indispensável para a gestão e para a geração de informações para os</p><p>seus diversos usuários.</p><p>Diante desta responsabilidade, o papel informacional do contador, ganhou</p><p>mais ênfase, quando no mundo e no Brasil, percebeu-se que seria um importante</p><p>instrumento de inteligência contra a corrupção. Assim, a perícia se tornou uma</p><p>especialidade ao combate e à repressão das organizações criminosas,</p><p>analisando provas a serem materializadas posteriormente em laudos, utilizadas</p><p>na tomada de decisão em âmbito judicial por meio das contestações aos quesitos</p><p>previamente formulados pelas partes e/ou pelo sistema judiciário.</p><p>Em Santa Catarina, o único órgão responsável pelas pericias contábeis da</p><p>parte criminal é o Instituto Geral de Perícias (IGP), onde centram casos de</p><p>aspectos financeiros e contábeis, envolvendo pessoa física, entidades privadas</p><p>e/ou órgãos públicos, com o propósito de instruir processos criminais</p><p>decorrentes de prestação fraudulenta de contas (apropriação indébita), licitações</p><p>públicas (superfaturamento), sonegação fiscal (ordem tributária),</p><p>responsabilidade de Prefeitos e demais agentes públicos (improbidade</p><p>administrativa) e lavagem de dinheiro (aparência de licitude a ativos de origem</p><p>criminosa).</p><p>O presente estudo tem como objetivo geral analisar as incidências criminais</p><p>relacionadas à área contábil submetidas à perícia no supracitado Instituto, tendo</p><p>como objetivos específicos: I – verificar as perícias judiciais ocorridas no âmbito</p><p>contábil, em Santa Catarina, no período de 2012 até 2017. II – apurar quais</p><p>crimes foram cometidos, buscando a responsabilização prevista para tais crimes;</p><p>e III – verificar o tipo de entidade que origina as perícias (se pública ou privada).</p><p>No que diz respeito à metodologia utilizada na pesquisa, será realizado um</p><p>estudo de caso, no qual os dados foram adquiridos durante o estágio realizado</p><p>em 2017 no setor de Contabilidade Forense no Instituto Geral e Perícias em</p><p>Santa Catarina.</p><p>30</p><p>30</p><p>2. REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>Neste tópico serão abordadas as principais fontes de estudo que</p><p>subsidiaram as análises realizadas na pesquisa. Assim, serão perpassados</p><p>conteúdos que envolvem a Perícia, a Perícia Contábil e a Perícia Criminal</p><p>Contábil.</p><p>2.1 Perícia</p><p>Perícia é uma expressão que vem do latim "peritia" e significa experiência</p><p>ou habilidade em alguma ciência. Por meio da perícia, são apuradas informações</p><p>sobre uma dada matéria, buscando apresentar a verdade sobre este conteúdo a</p><p>fim de esclarecer questões. Dada como uma importante função na sociedade,</p><p>“os primeiros vestígios da utilização da perícia encontram-se na antiga</p><p>civilização egípcia.” (FERNANDES, 2004, p. 12). Por meio da perícia, busca-se</p><p>a verdade de um fato e, de acordo com Sá (2011 p. 13-14), “são muito antigas</p><p>as manifestações de verificações sobre a verdade dos fatos, buscadas por meios</p><p>contábeis, e elas já se manifestavam entre os sumérios e babilônios”. A partir da</p><p>evolução dos conhecimentos em Contabilidade, segundo o autor, a técnica de</p><p>verificar para fazer prova de eventos transformou-se também em uma</p><p>tecnologia, que é compatível com os grandes progressos da informação.</p><p>Atualmente, os dados constam em expressivo volume, e possuem o apoio de</p><p>computação eletrônica e softwares robustos.</p><p>Vislumbra-se, na perícia, um instrumento importante de constatação,</p><p>prova ou demonstração, que pode advir de conhecimento científico ou técnico,</p><p>e que apura a verdade de situações, de cosas ou de fatos.</p><p>No Brasil, a perícia é um instrumento de prova admitido pela legislação e,</p><p>de acordo com Morais (2005, p. 37), “a perícia permaneceu longo tempo sob</p><p>inspiração do decreto-lei de 1939, com pequenas alterações sofridas ao longo</p><p>desse tempo e tomou um novo rumo com o disciplinamento dado pelas</p><p>alterações do Novo Código, Lei n. 5.869/73”. Atualmente, a perícia tem sua</p><p>31</p><p>31</p><p>disciplina apontada no Novo Código de Processo Civil por meio da Lei n. 13.105</p><p>de 16 de março de 2015.</p><p>Para tanto, tem-se a figura do perito, que é a pessoa responsável pela</p><p>perícia. A ideia central concerne na necessidade de um apurado conhecimento</p><p>acerca da matéria abordada, tendo propriedade para apontar a veracidade ou</p><p>não do fato ou coisa, sobre o qual se exige formação de nível superior (HOOG,</p><p>2010). Desta forma, o perito deve ser um profissional legalmente habilitado com</p><p>conhecimento comprovado na área em questão.</p><p>Em questões judiciais, os peritos serão nomeados, pelo juiz, entre os</p><p>profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos e que</p><p>estejam inscritos em um cadastro mantido pela justiça. Assim sendo, para a</p><p>legislação brasileira, o perito é visto como um auxiliar da justiça. Nesse cenário,</p><p>o perito pode interagir com os órgãos do sistema judiciário, cuja missão é</p><p>estabelecer a justiça e a ordem social para a nação brasileira.</p><p>De acordo com o novo Código de Processo Civil, em seu art. 473, § 3o ,</p><p>os peritos podem, para o desempenho de sua função, utilizar como fonte de</p><p>informação todos os meios necessários para o esclarecimento da questão. Eles</p><p>podem ouvir testemunhas, obter informações, solicitar</p><p>documentos que estejam</p><p>em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas. Eles também podem</p><p>instruir o laudo com “planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros</p><p>elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia.”</p><p>A ocorrência das perícias é eventual de acordo com as demandas</p><p>solicitadas e, por meio dela, busca-se examinar com detalhamento uma questão.</p><p>Para Moura (2007, p. 5) a perícia “designa a diligência realizada ou executada</p><p>por peritos, a fim de que se apurem, esclareçam ou se evidenciem certos fatos,</p><p>usando a pesquisa, o exame e a verificação acerca da realidade de certos fatos,</p><p>por pessoas que tenham habilidades e experiência na matéria de que se trata.”</p><p>Desta forma, compreende-se que a perícia tem sua orientação específica e</p><p>restrita a pontos controvertidos de uma situação. O resultado da perícia é exibido</p><p>em um laudo pericial, no qual não há exigência de divulgação externa.</p><p>32</p><p>32</p><p>A partir disso, existem diferentes áreas nas quais se pode utilizar a perícia</p><p>como fonte de informação, como a perícia criminal, perícia médica, perícia</p><p>ambiental etc. Diversas vezes, são apontadas nas mídias situações nas quais</p><p>as resoluções de determinados conflitos são resolvidos por meio das</p><p>informações periciais e, assim, tem-se maior conhecimento de algumas dessas</p><p>áreas. Dada essa importância, são estabelecidas as expertises necessárias para</p><p>cada modalidade de perícia.</p><p>2.2 Perícia Contábil</p><p>A contabilidade é uma das áreas da ciência que faz uso da perícia como</p><p>um relevante elemento de informação. A perícia contábil, de acordo com Zanna</p><p>(2007, p. 54) consiste em “instrumentos pelas quais se busca conhecer a</p><p>verdade a respeito do que esta sendo debatido em um processo judicial, por</p><p>meio de provas em livros ou documentos contábeis.”</p><p>Neste sentido, verifica-se que o componente principal é o escopo da área</p><p>abordada, neste caso, a contabilidade. Para Sá (2011, p. 3) “a perícia contábil é</p><p>a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer</p><p>opinião, mediante questão proposta.” Hoog (2010) acrescenta que a perícia</p><p>contábil esclarece pontos importantes no que diz respeito à assuntos fisco-</p><p>contábeis.</p><p>O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Norma Brasileira de</p><p>Contabilidade Técnica de Perícia n. 01 – Perícia Contábil, estabelece conceitos</p><p>doutrinários, regras e procedimentos aplicados à Perícia Contábil.</p><p>A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos</p><p>que permitem levar à instância decisória elementos de prova que sejam</p><p>necessários para subsidiar uma justa solução do litígio ou constatação de fato.</p><p>Esta análise ocorre mediante laudo pericial contábil e/ou por parecer técnico-</p><p>contábil, e verificação da conformidade com as normas jurídicas e profissionais,</p><p>bem como legislação específica (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE,</p><p>2015a).</p><p>33</p><p>33</p><p>Assim, a perícia contábil pode acontecer de forma judicial, extrajudicial ou</p><p>ainda arbitral. O âmbito da pesquisa consiste em perícias judiciais. As funções</p><p>dos contadores são definidas pelo Decreto-Lei n. 12.249 de 2010, que destaca</p><p>o trabalho da pericia em seu artigo 25, alínea c, conforme expresso a seguir:</p><p>c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de contas</p><p>em geral, verificação de haveres revisão permanente ou periódica de</p><p>escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de avarias grossas ou</p><p>comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das sociedades anônimas</p><p>e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei</p><p>aos profissionais de contabilidade.</p><p>A importância da intervenção de uma perícia para o Juiz nasce quando</p><p>existem discussões envolvendo bens patrimoniais, em que seus efeitos</p><p>provocam cálculos, apelando à área Contábil para resolver tais litígios. Sobre o</p><p>desenvolvimento na elaboração da perícia contábil judicial, este é feito por meio</p><p>de um ciclo que envolve sete etapas, desde a solicitação dos trabalhos pelo juiz</p><p>até à entrega do Laudo pericial, que consiste no produto da perícia, ao juiz,</p><p>conforme exposto na Figura 1.</p><p>Diante disso, Zanna (2007, p. 204), descreve que o “objetivo do laudo é</p><p>dar a conhecer a opinião técnica de especialista sobre matéria objeto das</p><p>controvérsias que deram causa a investigação dos fatos, seja no âmbito da</p><p>Justiça.” Hoog (2010, p. 56) destaca que a perícia é um serviço especializado,</p><p>34</p><p>34</p><p>com bases científicas, contábeis, fiscais e societárias, sobre as quais se exige</p><p>formação.</p><p>Assim, tal qual a perícia geral, a contabilidade demanda o conhecimento</p><p>específico de profissional habilitado. Para Fonseca et al (2000, p. 37-28), trata-</p><p>se de uma “área de especialização da Contabilidade que, para a sua realização,</p><p>faz-se necessário profissional especializado, que esclarece questão sobre</p><p>patrimônio das pessoas físicas e jurídicas.”</p><p>A Norma Brasileira de Contabilidade Profissional de Perícia n. 01 – Perito</p><p>Contábil apresenta as regras de exercício profissional para os peritos. Assim, de</p><p>acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (2015b, p. 2), perito é o</p><p>contador que esteja “regularmente registrado em Conselho Regional de</p><p>Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser</p><p>profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada.”</p><p>A norma traz ainda outras três designações para perito: oficial, do juízo e</p><p>assistente. O perito oficial é o profissional “investido na função por leio e</p><p>pertencente a órgão especial do Estado destinado, exclusivamente, a produzir</p><p>perícias e que exerce a atividade por profissão.” (CONSELHO FEDERAL DE</p><p>CONTABILIDADE, 2015b, p. 2). Os dados analisados neste estudo foram</p><p>apurados e verificados pelo perito oficial no Instituto Geral de Perícias de Santa</p><p>Catarina.</p><p>O perito do juízo, por sua vez, é nomeado pelo juiz, árbitro, autoridade</p><p>pública ou privada para exercer a perícia, enquanto o perito-assistente é</p><p>contratado e indicado pela parte (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE,</p><p>2015b).</p><p>O valor informacional da Contabilidade, no sistema judiciário, é de grande</p><p>relevância quando a matéria a ser julgada exige compartilhamento de</p><p>conhecimentos do direito com a contabilidade, para auxiliar magistrados e os</p><p>advogados das partes na elucidação de dúvidas sobre provas, cuja matéria exija</p><p>conhecimento técnico, cientifico ou artístico. (MAGALHÃES; LUNKES, 2008).</p><p>35</p><p>35</p><p>Portanto, para a execução dos trabalhos, uma das responsabilidades do</p><p>perito consiste na observação à sua capacitação relativa ao conhecimento</p><p>suficiente e discernimento de irrestrita independência e liberdade para tanto</p><p>(CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2015b). Em caso de</p><p>descumprimento às normas, o perito submete-se à legislação civil, sob pena de</p><p>multa, indenização e inabilitação, e à legislação penal, sob pena de multa e</p><p>reclusão.</p><p>2.3 Perícia Criminal Contábil</p><p>A perícia criminal contábil é objeto deste estudo na figura das perícias</p><p>realizadas no Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina. A perícia criminal,</p><p>de acordo com Espindola (2016), aborda as infrações penais, onde o Estado</p><p>assume a defesa do cidadão em nome da sociedade. Neste tipo de trabalho, só</p><p>existe a figura do perito contador oficial e o seu trabalho deve ser requerido pela</p><p>autoridade policial, pelo membro do Ministério Público ou pelo próprio juiz</p><p>competente.</p><p>Os crimes de natureza “criminal contábil e financeira” consistem em todo</p><p>delito, sem o uso de violência, danoso à sociedade e que tenha como objetivo</p><p>final a obtenção de lucro. Neste escopo, incluem-se as atividades ilegais como</p><p>gestão fraudulenta de instituições financeiras, evasão de divisas, manutenção</p><p>de depósitos não declarados no exterior, sonegação fiscal,</p><p>crimes em licitações,</p><p>apropriações indébitas, corrupções, peculatos etc.</p><p>A Lei n. 12.030 de 2009 regulamenta as perícias oficiais de natureza</p><p>criminal e as exigências determinadas pela Lei consistem “em concurso público,</p><p>com formação acadêmica específica, para o provimento do cargo de perito</p><p>oficial” (BRASIL, 2009).</p><p>No Brasil, a perícia contábil criminal é exercida por peritos concursados</p><p>por órgãos de Segurança e Institutos de Criminalística em âmbito estadual e</p><p>pelos peritos Criminais Federais.</p><p>36</p><p>36</p><p>2.4 Laudos periciais</p><p>O laudo pericial é a materialidade do trabalho desenvolvido pelos peritos</p><p>contadores, expressando nele as conclusões feitas. Assim, o laudo pericial é a</p><p>expressão do perito dos estudos e observações que realizou, informando os</p><p>critérios adotados, os resultados fundamentados e suas conclusões, em uma</p><p>peça escrita de forma clara e objetiva (MOURA, 2007).</p><p>Quanto à sua estrutura, a Lei n. 13.105 de 2015 menciona que deve conter</p><p>no mínimo os seguintes itens:</p><p>Art. 473. O laudo pericial deverá conter: I - a exposição do objeto da</p><p>perícia; II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito; II - a</p><p>análise técnica ou científica realizada pelo perito; III - a indicação do</p><p>método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser</p><p>predominantemente aceito pelos especialistas da área do</p><p>conhecimento da qual se originou; III - a indicação do método utilizado,</p><p>esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos</p><p>especialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV -</p><p>resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas</p><p>partes e pelo órgão do Ministério Público. IV - resposta conclusiva a</p><p>todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do</p><p>Ministério Público (BRASIL, 2015, ART. 473)</p><p>Diante do exposto, o laudo pericial deverá estar munido de todas as</p><p>legalidades que a equiparam. De acordo com o Conselho Federal de</p><p>Contabilidade (2015a), o laudo pericial deve ser elaborado de acordo com uma</p><p>estrutura prevista normativamente. Neste laudo são registrados de forma</p><p>circunstanciada, clara e objetiva, sequencial e lógica, o objeto da perícia, “os</p><p>estudos e observações realizadas, as diligências executadas para a busca de</p><p>elementos de prova necessários, a metodologia e critérios adotados, os</p><p>resultados devidamente fundamentos e suas conclusões.” (CONSELHO</p><p>FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2015a, p. 12). Assim, o lado deve contemplar</p><p>o resultado final de todo e qualquer trabalho realizado.</p><p>3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</p><p>Quanto aos seus objetivos, esta é uma pesquisa exploratória. As</p><p>pesquisas exploratórias possuem o objetivo de possibilitar “visão geral, de tipo</p><p>aproximativo, acerca de determinado fato.” (GIL, 2011, p. 27). Habitualmente, as</p><p>pesquisas exploratórias consistem na “primeira etapa de uma investigação mais</p><p>ampla (GIL, 2011, p. 27).</p><p>37</p><p>37</p><p>No que diz respeito à abordagem, o estudo terá caráter, quanti-qualitativo,</p><p>ainda que a análise predominante se volte aos dados numéricos acerca dos</p><p>objetos da pesquisa, por meio da quantificação das informações relacionadas às</p><p>perícias.</p><p>Quanto aos procedimentos, é um estudo de caso com a utilização de</p><p>pesquisa documental para subsidiar as análises. Realizou-se também entrevista</p><p>com o perito contábil. O estudo de caso consiste em um aprofundamento de um</p><p>ou poucos objetos, possibilitando dar amplitude e detalhamento à pesquisa (GIL,</p><p>2002). Desta forma, os documentos analisados consistem nos laudos emitidos</p><p>pelo perito oficial acerca das perícias realizadas.</p><p>O objeto do estudo consiste em perícias centradas em aspectos</p><p>financeiros e contábeis, envolvendo pessoa física, entidades privadas e/ou</p><p>órgãos públicos. Os dados referem-se ao período de 2012 a 2017 e a população</p><p>analisada corresponde a 51 casos de perícia criminal contábil e 37 laudos</p><p>periciais expedidos em todo o estado de Santa Catarina. Para a realização da</p><p>pesquisa, todas as perícias foram analisadas.</p><p>Além disso, foi realizada uma entrevista com o servidor responsável pelas</p><p>perícias analisadas a fim de obter informações sobre prazos e maiores</p><p>dificuldades enfrentadas para a realização dos trabalhos. A entrevista tem sua</p><p>característica de utilização em estudos exploratórios, compreende-se ser</p><p>relevante para a fundamentação de pesquisas qualitativas (GIL, 2008).</p><p>O estudo foi realizado em cinco etapas. Na primeira etapa, foi realizado o</p><p>estudo de caso, entrevista com o perito criminal, levantamento dos dados por</p><p>meio da obtenção, junto ao Instituto Geral de Perícias, dos dados relativos à</p><p>processos que demandavam perícias contábeis. Posteriormente, todos os</p><p>processos foram lidos e analisados, a fim de verificar se se enquadravam no</p><p>âmbito de perícias forenses na área contábil, configurando material para o</p><p>presente estudo. A terceira etapa consistiu na organização dos dados, os quais</p><p>foram separados por data (apresentação cronológica de entrada e resolução),</p><p>por região e por tipo de crime. Na quarta etapa, os dados foram analisados e</p><p>organizados de forma visual para que auxiliasse na interpretação do leitor. Por</p><p>38</p><p>38</p><p>fim, foram relacionadas às informações decorrentes do estudo com os objetivos,</p><p>apresentando as conclusões da pesquisa.</p><p>4. ANÁLISE DOS RESULTADOS</p><p>4.1 Análise qualitativa: estudo de caso no Instituto Geral de Perícias</p><p>de Santa Catarina</p><p>Esta pesquisa de estudo de caso foi realizada no Instituto Geral de</p><p>Perícias de Santa Catarina. O Instituto Geral de Perícias (IGP) é o órgão</p><p>responsável por pela realização de perícias criminais, por meio do Instituto de</p><p>Criminalística no Departamento TécnicoCientífico Forense. É subordinado</p><p>diretamente à Secretaria de Segurança Pública e trabalha em estreita</p><p>cooperação com os demais órgãos vinculados a essa secretaria. Tem como</p><p>função coordenar as atividades desenvolvidas pelas perícias criminais do estado</p><p>através dos seus respectivos órgãos.</p><p>De acordo com o Capítulo IV-A da Constituição Estadual de Santa</p><p>Catarina, compete ao Instituto Geral de Perícias, em seu art. 109-A, “o Instituto</p><p>Geral de Perícia é o órgão permanente de perícia oficial, competindo-lhe a</p><p>realização de perícias criminais, os serviços de identificação civil e criminal, e a</p><p>pesquisa e desenvolvimento de estudos nesta área de atuação.” (SANTA</p><p>CATARINA, 1989).</p><p>Quando se trata de crimes financeiros, que envolvem transferências de</p><p>recursos, por meio de instituições financeiras, torna-se indispensável às análises</p><p>de extratos bancários, além dos documentos contábeis. Diante dessa</p><p>necessidade, a quebra do sigilo bancário é determinada pela justiça.</p><p>39</p><p>39</p><p>Figura 2: Quebra de sigilo bancário</p><p>Se for pedida a quebra de sigilo bancário pelo delegado de polícia ao juiz</p><p>competente, este juiz encaminha ao Ministério Público para que este se</p><p>manifeste quanto ao pedido do delegado, pois o Ministério Público é o titular da</p><p>ação penal, ele precisa estar ciente do andamento processual penal, depois volta</p><p>ao Juiz que decidirá se concede ou não.</p><p>No caso de vir do Ministério Público, este encaminha direto para o Juiz</p><p>competente, o qual decidira se determina ou não a quebra de sigilo.</p><p>Em ambos os casos ao ser concedida a quebra de sigilo bancário pelo</p><p>juiz competente, e depois recebido os extratos bancários, este são</p><p>encaminhados a autoridade policial, para que solicite aos peritos Criminais do</p><p>setor de contabilidade forense as análises e emissão do laudo pericial.</p><p>Entrevistou-se o perito criminal do Instituto Geral de Perícias de Santa</p><p>Catarina. Segundo ele, o requisito para realizar perícias criminais é passar no</p><p>concurso público de Perito Criminal. Na ausência de Perito Criminal, a</p><p>Autoridade Policial pode nomear um profissional para</p><p>executar determinada</p><p>perícia criminal, chamado de Perito “ad-hoc”. Também há o Perito Judicial,</p><p>nomeado pela Autoridade Judicial competente, que poderá proceder às perícias</p><p>criminais. Além disso, há o Assistente Técnico, indicado pela parte investigada,</p><p>para tentar contestar a perícia criminal realizada pelo Perito Criminal Oficial</p><p>(Concursado).</p><p>40</p><p>40</p><p>Sobre as maiores as maiores dificuldades para a realização das perícias,</p><p>o entrevistado destaca que “o Perito Criminal precisa estar sempre se</p><p>atualizando, participando de congressos e Cursos, e nem sempre isso é</p><p>possível”. O entrevistado também destaca como dificuldades o excesso de</p><p>trabalho, o número restrito de Peritos, e os plantões desgastantes.</p><p>O Perito Criminal destacou também que “as periciais em documentos,</p><p>fonética e contábeis são as perícias mais dificultosas sob o ponto de vista de</p><p>precisar examinar vasto material pericial em espaço de tempo geralmente</p><p>limitado”. Em relação aos tipos de laudos periciais, o Perito Criminal entrevistado</p><p>destaca:</p><p>Encontrei mais dificuldade nos laudos de superfaturamento</p><p>envolvendo licitações públicas, quanto a obter as bases referencias de</p><p>preços, isto é, os preços que serão balizadores para determinar se os</p><p>preços investigados podem ser considerados superfaturados ou não...</p><p>muitas vezes, dependendo do local, essas bases de preços podem</p><p>variar em decorrência de custos inerentes a cada localidade [...]</p><p>(PERITO CRIMINAL ENTREVISTADO)</p><p>Além disso, o perito criminal destacou que em toda sua trajetória como</p><p>perito, no âmbito da Perícia Contábil, acredita que a “apropriação indébita” de</p><p>recursos alheios, mediante algum tipo de fraude, seja a forma de crime de maior</p><p>ocorrência no Instituto onde trabalha.</p><p>4.1 Análise quantitativa</p><p>A perícia é um relevante meio de prova para a solução de controvérsias</p><p>relativas ao crime organizado, sendo uma função essencial à justiça. A partir do</p><p>exposto, neste tópico serão abordados os dados e resultados da presente</p><p>pesquisa.</p><p>A análise dos dados foi realizada sob quatro óticas: a) quanto às cidades</p><p>com maior representatividade nos dados analisados; b) quanto ao tipo de</p><p>entidade; c) quanto ao tipo de crime; d) quanto ao tempo de perícia. A análise do</p><p>entendimento de perícia contábil na perspectiva do perito oficial foi feita a partir</p><p>de uma entrevista realizada em junho de 2018 com o perito oficial responsável</p><p>pelas perícias objeto deste estudo, conforme anexo I.</p><p>41</p><p>41</p><p>Conforme exposto anteriormente, os dados da pesquisa referem-se aos</p><p>anos de 2012 a 2017 e, no período, foram submetidas ao IGP o total de cinquenta</p><p>e um (51) casos de pedidos periciais criminais na área contábil. Desse total, 37</p><p>laudos foram expedidos, sendo cinco (5) no ano de 2012, onze (11) perícias</p><p>ocorreram no ano de 2013, cinco (5) perícias ocorreram no ano de 2014, cinco</p><p>(5) perícias ocorreram no ano de 2015, oito (8) perícias ocorreram no ano de</p><p>2016 e três (3) perícias ocorreram no ano de 2017, distribuídas em trinta e uma</p><p>(31) cidades por todo o estado de Santa Catarina, conforme exposto na Figura</p><p>3 (Tabela 1).</p><p>Figura 3</p><p>Apenas duas cidades, Florianópolis e Blumenau, são responsáveis por,</p><p>aproximadamente, 27% das perícias solicitadas, tendo Florianópolis nove casos</p><p>e Blumenau, cinco casos. Braço do Norte, Camboriú, Itajaí, Joinville, Navegantes</p><p>e São José do Cedro tiveram dois casos cada cidade e as demais cidades</p><p>apresentadas na Tabela 1 tiveram apenas um processo cada O ano de 2016</p><p>apresenta maior quantidade de perícias solicitadas, diferenciando-se da média</p><p>dos demais anos. Entretanto, as perícias solicitadas no ano de 2015 chamam</p><p>atenção em razão da pequena distribuição. As dez solicitações distribuíram-se</p><p>em apenas cinco cidades: Blumenau, onde houve três perícias, Florianópolis,</p><p>onde houve quatro perícias,</p><p>42</p><p>42</p><p>Papanduva, Piçarras e São José do Cedro, onde houve apenas uma</p><p>perícia em cada cidade. Este resultado levou à um questionamento: Por que há</p><p>maior número de casos periciais em Florianópolis? Foram testadas duas</p><p>hipóteses para tentar responder à pergunta: a) há relação entre a população da</p><p>cidade e o número de crimes praticados que levaram à perícia criminal contábil?;</p><p>b) há relação entre a forma de administração pública e a distribuição por cidades</p><p>dos crimes praticados que levaram à perícia criminal contábil?</p><p>Primeiramente, foi feito o comparativo entre “maiores cidades do estado</p><p>(número populacional)” e “maiores números de perícias”, buscando verificar se</p><p>poderia haver alguma relação entre essas duas variáveis. Estatisticamente, há</p><p>um pequeno grau de relevância entre os dados, contudo, não o suficiente para</p><p>apontar uma justificativa para a pergunta.</p><p>Buscou-se, então, investigar a forma de administração pública estadual –</p><p>verificando se existe uma administração centralizada ou descentralizada. A</p><p>administração pública do estado de Santa Catarina é descentralizada e,</p><p>portanto, a ideia de concentração de crimes praticados contra o erário público</p><p>ser maior em Florianópolis, capital do estado, se relacionar a um local com maior</p><p>concentração de atividades administrativas, não apresenta representatividade.</p><p>Compreende-se, assim, que não existem razões específicas para o contingente</p><p>apresentado pela cidade de Florianópolis que possam estar ligados às hipóteses</p><p>criadas.</p><p>Quanto ao tipo de perícia realizada, foram identificadas cinco classes</p><p>diferentes de ilegalidades, as quais são apresentadas na Figura 4 (Quadro 1).</p><p>Figura 4</p><p>Conforme sinalizado no referencial teórico desta pesquisa, estas ilegalidades</p><p>não fazem uso de violência, contudo, são danosos à sociedade e possuem o</p><p>43</p><p>43</p><p>objetivo final de obter lucro. A maioria dessas ilegalidades tem sua previsão legal</p><p>no Código Penal.</p><p>A apropriação indébita é prevista Código Penal Brasileiro, em seu artigo</p><p>168, e consiste na apropriação de coisa alheia móvel, sem o consentimento do</p><p>proprietário. Inclui-se nela a prestação fraudulenta de contas, que foi identificado</p><p>nos dados da pesquisa. O superfaturamento é previsto na Lei n. 8.666 de 1993</p><p>e consiste em:</p><p>Fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, licitação instaurada para</p><p>aquisição ou venda de bens ou mercadorias, ou contrato dela</p><p>decorrente: I - elevando arbitrariamente os preços; II - vendendo, como</p><p>verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; III -</p><p>entregando uma mercadoria por outra; IV - alterando substância,</p><p>qualidade ou quantidade da mercadoria fornecida; V - tornando, por</p><p>qualquer modo, injustamente, mais onerosa a proposta ou a execução</p><p>do contrato. (BRASIL, 1993, ART. 96)</p><p>Nas perícias analisadas, o superfaturamento se apresenta principalmente</p><p>nos casos de licitações públicas.</p><p>A sonegação fiscal, por sua vez, tem sua previsão legal no artigo 299 do</p><p>Decreto Lei n. 2.848 de 1940 e consiste em “Omitir, em documento público ou</p><p>particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir</p><p>declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar</p><p>direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.”</p><p>(BRASIL, 1940, art. 299).</p><p>O crime de peculato também é no Decreto Lei n. 2.848 de 1940, em seu</p><p>artigo 312, no qual define o crime como a apropriação, realizada por funcionário</p><p>público, de “dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular,</p><p>de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou</p><p>alheio.” (BRASIL, 1940, art. 312).</p><p>A improbidade administrativa é prevista na Lei n. 8.429 de 1992 e diz</p><p>respeito à atividades ilegais cometidas com caráter de enriquecimento ilícito,</p><p>ações com dano ao erário e violação ao princípio da administração, que</p><p>consistem na honestidade, lealdade,</p>

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